Logo Passei Direto
Buscar
Material
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Copyright	©	2022
Ronie	Ánderson	Pereira
Todos	os	direitos	reservados	–	Lei	9.610/98
É	proibida	a	reprodução	de	qualquer	meio	desta	obra,	seja	eletrônico,	mecânico,
xerográfico	ou	mesmo	a	publicação	na	Internet	sem	a	autorização	expressa	do
autor.
Fortaleza	Ilê	Orixá	Ogum	Adiokô	e	Oya	Tofã
Rua	Vidal	Brasil,	559	e	569	–	Novo	Mundo
CEP	94075-030	–	Gravataí	-	RS
Telefone:	(51)	3497	4127	(51)	99838	2598	(51)	98293	3850
Conheça	o	Ilê	Orixá	em	www.ileorixa.com.br
e-mail:	contato@ileorixa.com.br
Imagens	de	abertura
Domínio	público
Se	houver	licença	de	alguma	imagem	entrar	em	contato
Fotos	das	folhas
O	Autor
Designer	Capa	Ronie	Ánderson	Pereira
Revisores	Alexandre	Silveira	dos	Reis	/	Zulamir	Ribeiro	de	Souza
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)	(Câmara	Brasileira	do	Livro,	SP,	Brasil)															Pereira,	Ronie	Ánderson	Ewé	Orò	–	As	folhas	sagradas	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	/	Ronie	Ánderson	Pereira	412	p.	14x21	cm															(Pai	Ronie	de	Ogum	Adiokô).	-		Joinvile,	SC:															Clube	de	autores,	2022.															ISBN	978-65-539-2-0															1.	Ervas	dos	orixás	2.	Folhas	sagradas	3.	Fortaleza	Ilê	Orixá	4.	Religiosidade	5.	Batuque	gaúcho	I.	Título.	CDU	-	295.942	CDD	-	299.6
Ewé	Orò
As	folhas	sagradas	na
Fortaleza	Ilê	Orixá
Pai	Ronie	de	Ogum	Adiokô
Ewé	Orò
As	folhas	sagradas	na
Fortaleza	Ilê	Orixá
2022
o	Pai	Alexandre	de	Oya	Tofã,	por	todas	as	vezes	que	incentivou	a	escrever	mais
este	livro	sobre	o	axé,	destacando	e	mostrando	que	seria	possível.	Sem	palavras
para	agradecer	todos	os	momentos.	Apenas	obrigado	por	tudo!
os	orixás	Ogum	Adiokô	e	Oya	Tofã,	apenas	gratidão,	pois	nada	que	faça	será	o
suficiente	para	retribuir	todo	o	carinho,	alegrias	e	conquistas	recebidas	ao	longo
da	vida.
ambém	não	posso	deixar	de	agradecer	todos	os	demais	orixás	e	ancestrais	que
ajudaram	a	construir	quem	sou	hoje.
A
A
T
Canto	de	Ossanha
¹
O	homem	que	diz	"dou"	não	dá	
Porque	quem	dá	mesmo	não	diz	
O	homem	que	diz	"vou"	não	vai	
Porque	quando	foi	já	não	quis	
O	homem	que	diz	"sou"	não	é	
Porque	quem	é	mesmo	é	"não	sou"	
O	homem	que	diz	"estou"	não	está	
Porque	ninguém	está	quando	quer	
Coitado	do	homem	que	cai	
No	canto	de	Ossanha,	traidor	
Coitado	do	homem	que	vai	
Atrás	de	mandinga	de	amor	
Vai,	vai,	vai,	vai,	não	vou	
Vai,	vai,	vai,	vai,	não	vou	
Vai,	vai,	vai,	vai,	não	vou	
Vai,	vai,	vai,	vai,	não	vou	
Que	eu	não	sou	ninguém	de	ir	
Em	conversa	de	esquecer	
A	tristeza	de	um	amor	que	passou	
Não,	eu	só	vou	se	for	pra	ver	
Uma	estrela	aparecer	
Na	manhã	de	um	novo	amor	
Amigo	sinhô	
Saravá	
Xangô	me	mandou	lhe	dizer	
Se	é	canto	de	Ossanha,	não	vá	
Que	muito	vai	se	arrepender	
Pergunte	pro	seu	Orixá	
Amor	só	é	bom	se	doer	
Vai,	vai,	vai,	vai	amar	
Vai,	vai,	vai,	vai	sofrer	
Vai,	vai,	vai,	vai	chorar	
Vai,	vai,	vai,	vai	dizer	
Que	eu	não	sou	ninguém	de	ir	
Em	conversa	de	esquecer	
A	tristeza	de	um	amor	que	passou	
Não,	eu	só	vou	se	for	pra	ver	
Uma	estrela	aparecer	
Na	manhã	de	um	novo	amor
“todo	o	segredo	do	candomblé	reside	em	suas	ervas”.	(BASTIDE,	2001,	p.	126)
“uma	folha	que	cai,	não	é	simplesmente	uma	folha	que	cai,	ela	tem	um	sentido
quando	cai	a	sua	frente,	quando	cai	atrás,	quando	cai	a	sua	direita,	quando	cai	a
sua	esquerda”	(autor	desconhecido)
A	baobá	é	uma	importante	árvore	sagrada	para	os	negros,	símbolo	de	fé,	de
força	e	de	vitalidade.	Está	também	ligada	a	ancestralidade	e	as	suas	memórias.
Sumário
Apresentação
Por	que	Ewé	Orò	?
Mas	o	que	são	as	folhas?
O	encantamento	das	folhas
O	preparo	do	banho	de	ervas
Limpeza	com	folhas
Ervas	adequadas	para	banhos
Banho	de	Folhas
Como	cultivar	sua	erva
Importância	da	preservação
Refloresta
Como	macerar	as	ervas
Identificação	das	árvores	do	Ilê
Amexeira
Amoreira	branca
Amoreira	preta
Araçá	vermelho
Akoko
Bananeira
Laranjeira
Limoeiro
Macieira
Mangueira
Orô
Pitangueira
Pereira
Peregun	verde
Romãzeira
Iroko
Sistema	de	classificação	iorubá
Ewé	áféré	–	folhas	de	ar
Ewé	inón-	folhas	de	fogo
Ewé	omi-	folhas	de	água
Ewé	ilé	ou	ewé	igbó-	folhas	da	terra
Identificação	das	folhas	no	livro
Nome	popular
Nome	científico
Nome	iorubá
Orixás
Uma	nota	para	seguir
Onde	existe	folha	existe	orixá
Os	orixás	e	as	folhas
Exú	Bará
Ogum
Oya
Xangô
Odé
Obá
Ossanha
Xapanã
Ibeji
Oxum
Iemanjá
Oxalá
Orumilaia
Iroko
Para	cada	orixá	uma	folha
Principais	ervas	para	cada	orixá
Bará	Lodê
Bará	Agelú	/	Bará	Lanã	/	Bará	Adague
Ogum
Oya
Iansã
Xangô
Odé
Otim
Obá
Ossanha
Ibeji
Oxum
Iemanjá
Oxalá
Orumilaia
Iroko
Tempo
Egun
Onile
Ervas	catalogadas	no	axé
Abre	caminho
Aceroleira
Akoko
Alecrim
Alfavaquinha-de-cobra
Amargol
Aranto
Araça	vermelho
Amoreira	branca
Amoreira	preta
Amexeira	nativa	-	Nêspera
Araçá	amarelo
Aroeira
Arruda
Avenca
Anis	estrelado	falso
Bálsamo	verde
Bananeira
Barba	de	pau
Bergamoteira
Boldo	arbustivo
Boldo	chileno
Caneleira
Canela	de	velho
Capim	cidró
Carqueja
Caruru
Colônia
Costela	de	adão
Cidró
Cartucho	branco
Cartucho	rosa
Comigo	ninguém	pode
Cinamomo
Curry
Danda	da	costa
Dólar
Dinheiro	em	penca
Elevante
Espada	de	Iansã
Espada	de	Ogum
Erva	de	bugre
Erva	de	bicho
Folha	da	batata	doce
Folha-de-fogo
Folha	de	inhame
Folha	da	costa
Folha	da	fortuna
Folha	do	figo
Fumo	brabo
Funcho
Gengibre	amargo
Gervão	Roxo
Gervão	branco
Guiné
Goiabeira
Guanxuma
Hortelã
Jiboia
Jasmim
Jurubeba
Lírio	do	brejo
Lavanda
Limoeiro
Laranjeira
Losna
Malva
Malva-rosa
Maravilha
Mangueira
Melissa
Malva	cheirosa
Malva	rosa
Manjericão
Manjericão	miúdo
Manjericão	roxo
Mirra	rasteira
Mirra	arbustiva
Manjerona
Mamona	verde
Mamona	roxa
Ondas	do	mar
Orô
Pata	de	vaca
Pau	d´água	verde
Pau	d´água	verde	e	amarelo
Peregun	vermelho
Pereira
Pulmonária
Poejo
Pitangueira
Romãzeira
Sálvia
Salsa
Taioba
Tansagem
Taquareira
Taquareira	de	jardim
Trapoeraba
Trevo	de	3	folhas	verde	-	amarela
Trevo	de	3	folhas	verde	–	flor	rosa
Trevo	de	3	folhas	verde	cortada	–	flor	rosa
Trevo	3	folhas	roxo
Trevo	4	folhas	verde
Trevo	de	4	folhas	roxo
Urtiga
Árvores	sagradas
A	Baobá	e	sua	importância	ancestral
Baobá:	a	árvore	da	vida
Dendezeiro
Obi
Considerações	finais
Bibliografia
Lista
Índice	remissivo
Salve	as	folhas²
Cosi	euê
Cosi	orixá
Euê	ô
Euê	ô	orixá
Sem	folha	não	tem	sonho
Sem	folha	não	tem	vida
Sem	folha	não	tem	nada
Quem	é	você	e	o	que	faz	por	aqui
Eu	guardo	a	luz	das	estrelas
A	alma	de	cada	folha
Sou	aroni
Eu	guardo	a	luz	das	estrelas
A	alma	de	cada	folha
Sou	aroni³
Cosi	euê
Cosi	orixá
Euê	ô
Euê	ô	orixá
Sem	folha	não	tem	sonho
Sem	folha	não	tem	festa
Sem	folha	não	tem	vida
Sem	folha	não	tem	nada
Eu	guardo	a	luz	das	estrelas
A	alma	de	cada	folha
Sou	aroni
Fonte:	Musixmatch
Compositores:
Mario	De	Andrade	/	Geronimo	Santana	Duarte	/	Ildasio	Tavare
A	tamareira	ou	datileira	(Phoenix	dactylifera)	é	uma	palmeira	extensivamente
cultivada	pelos	seus	frutos	comestíveis,	as	tâmaras.	Pelo	fato	de	ser	cultivada	há
milênios,	a	sua	área	natural	de	distribuição	é	desconhecida,	mas	seria
originária	dos	oásis	da	zona	desértica	do	norte	de	África,	embora	haja	quem
admita	uma	origem	no	sudoeste	da	Ásia.
Apresentação
s	ervas	são	de	extrema	importância	para	o	culto	aos	orixás,	estão	presentes	nos
mais	variados	ritos	e	cultos	dentro	de	uma	casa	de	axé,	compreender	a	sua
importância	e	quais	as	principais	ervas	é	fundamental	para	todos	os	iniciados,
principalmente	os	filhos	do	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.
Através	deste	livro,	“Ewó	Orò	–	As	folhas	sagradas	na	Fortaleza	Ilê	Orixá”,
busca-se	fazer	com	que	os	filhos,	amigos	e	clientes	que	são	assistidos	pelo	axé
consigam	através	dele	orientar	o	uso	das	ervas,	além	de	possibilitar	o	registro
para	futuras	consultas	e	novos	estudos	dentro	do	axé,	pois	o	axé	é	dinâmico	é
vivo	e	está	sujeito	a	todo	tipo	de	mudança	que	for	orientada	pelos	orixás	através
do	jogo	de	búzios.
“Reverenciar	a	folha	e	pedir	licença	ao	seu	patrono	que	é	Ossaim4	demonstra
que	o	homem	é	apenas	parte	de	conjuntode
matéria	orgânica	para	o	solo,	nutrindo	toda	a	vegetação	do	local,	além	de
microrganismos,	possibilitando	o	equilíbrio	do	ambiente.
Amoreira	preta
A	amoreira	preta	é	uma	das	árvores	mais	antigas	plantadas	na	Fortaleza	Ilê
Orixá,	acompanhou	toda	a	construção	do	axé,	já	estava	plantada	na	aquisição	do
terreno,	sofreu	com	o	crescimento	da	casa,	pois	como	o	terreno	estava	muito
sujo,	no	início	foi	colocado	fogo	próximo	a	ela,	onde	muito	lixo	de	forma
inconsequente	foi	queimado,	danificando	parte	de	seus	galhos.
É	a	árvore	onde	o	orixá	Iroko,	mais	tarde,	se	fez	presente	após	escolher	o	seu
lugar	de	morada,	e	mesmo	antes	de	ali	fazer	morada	a	árvore	já	era	preservada	e
cuidada.
Araçá	vermelho
Antes	mesmo	de	ser	comprado	o	terreno	onde	está	hoje	o	axé	esta	muda	de	araçá
já	estava	plantada,	produzindo	frutos	e	alimentando	pássaros,	hoje	é	uma	das
diversas	árvores	que	são	preservadas	dentro	do	axé,	que	crescem	e	fazem	com
que	a	paisagem	local	fique	ainda	mais	bela	e	encantadora.
O	araçá	também	é	outro	fruto	que	os	pássaros	se	alimentam,	fazendo	com	que	na
época	de	frutificação	um	expressivo	número	de	pássaros	busque	seus	frutos
como	fonte	de	alimentação.
Akoko
A	muda	de	akoko	está	plantada	ao	lado	da	garagem	em	um	pequeno	bosque
rodeado	de	outras	árvores	ornamentais	e	frutíferas,	que	fazem	com	que	o	local
transmita	uma	plena	harmonia	com	a	natureza	e	a	religiosidade
Iroko	é	cultuado	na	amoreira	preta	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	embora	isso	não	seja
uma	regra,	e	tampouco	se	pode	escolher	ter	ou	não	Iroko,	pois	é	ele	quem
escolhe	onde	irá	ficar.
É	uma	árvore	que	não	costuma	tolerar	muito	o	frio,	causando	a	queda	de	suas
folhas	e	danificando	seus	galhos,	principalmente	com	as	geadas	e	baixas
temperaturas	do	inverno	gaúcho.
Bananeira
As	bananeiras	estão	diretamente	ligadas	a	história	do	axé,	pois	as	suas	primeiras
mudas	foram	plantadas	após	serem	utilizadas	como	decoração	em	festas,	após
homenagem	ao	orixá	Xangô.
São	todas	semanas	colhidas	suas	folhas	que	servem	para	decorar	as	gamelas	que
recebem	os	axés	de	Xangô,	além	de	serem	utilizadas	para	enrolar	os	acaçás	e
demais	axés	quando	necessário.
As	bananeiras	que	estão	plantadas	dentro	do	axé	servem	de	alimento	de	muitos
pássaros	e	costumam	abrigar	muitos	ninhos,	auxiliando	na	preservação	da	fauna
local.
-
Laranjeira
São	muitas	as	laranjeiras	de	várias	espécies	diferentes	que	estão	plantadas	dentro
do	axé,	servindo	de	alimento	para	pássaros,	para	axés	de	Ogum	e	também	de
alimento	para	filhos	e	amigos	do	axé	que	frequentam	a	casa.
A	laranja	que	também	no	axé	acompanha	gamelas	de	frutas	para	Xangô,	também
costuma	todas	as	semanas	ser	colocada	para	Avagã,	formando	o	seu	axé
juntamente	de	demais	elementos.
A	laranja	também	é	um	dos	frutos	principais	utilizados	no	atã² ,	bebida	servida
para	Ogum	nas	festas	dentro	do	axé,	juntamente	com	outras	frutas,	que	após
muito	bem	picadas	é	adicionado	xarope	de	groselha,	formando	uma	saborosa
bebida.
Limoeiro
O	limoeiro	é	uma	árvore	muito	importante	dentro	do	axé,	está	presente	em
muitos	dos	axés	de	Oxalá,	que	recebe	rodelas	com	mel,	está	presente	em	todos
os	cortes,	já	que	o	limão	é	colocado	nas	bacias	com	as	carnes	dos	animais
sacralizados	em	água,	deixando	a	carne	ainda	mais	limpa,	eliminando	odores	e
aromas	desagradáveis.
O	limão	é	uma	fruta	extremamente	cítrica	que	consegue	limpar	a	carne	que	é
sacralizada,	seus	frutos	também	são	muito	utilizados	para	sucos	e	para	preparo
de	doces.	Seus	frutos	também	estão	presentes	no	preparo	de	temperos	que	fazem
parte	das	carnes	que	são	assadas	e	servidas	nas	obrigações	da	casa,	criando	um
sabor	agradável	para	todos.
Macieira
São	três	as	mudas	de	macieira	que	estão	plantadas	no	axé,	uma	macieira	do	tipo
Gala,	outra	do	tipo	Fugi	e	ainda	uma	Eva,	todas	consagradas	para	o	orixá	Oya.
As	macieiras	são	frutas	utilizadas	com	muita	frequência	no	axé,	já	que	estão
presentes	nos	axés	de	Oya,	nos	axés	de	Xangô,	quando	realizados	com	frutas,	no
amalá	de	Xangô	mais	tradicional,	e	ecós	realizados	para	Oya,	um	fruto	apreciado
e	que	também	está	presente	em	todas	as	festas,	ter	as	macieiras	plantadas	é
também	plantar	o	axé	de	Oya,	é	o	cuidar	e	o	dar	mais	força.
Também	é	fruto	que	está	presente	no	atã	que	é	preparado,	criando	um	sabor
ácido	adocicado	na	bebida.
Mangueira
A	árvore	de	mangueira	que	está	plantada	no	Ilê	é	uma	das	árvores	mais	antigas
que	foi	plantada,	já	produz	frutos	que	servem	de	alimento,	sombra	e	para	axés.
A	mangueira	foi	plantada	no	ano	de	2013	e,	na	sua	sombra	já	é	possível
caminhar	em	baixo,	criando	um	clima	agradável	para	todos,	foi	uma	das
primeiras	árvores	plantadas	no	local.
O	fruto	da	mangueira,	a	manga,	também	faz	parte	do	preparo	do	atã.	É	uma	fruta
dedicada	ao	orixá	Ogum	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.
A	mangueira	é	uma	árvore	que	costuma	receber	muitos	ninhos	de	pássaros
durante	o	ano,	servindo	de	abrigo.
Orô
As	mudas	de	orô	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	estão	no	corredor	ao	lado	do	salão	dos
orixás,	o	que	transmite	muita	paz	neste	espaço	que	possui	além	do	orô	muitas
outras	plantas	de	axé.
Essas	mudas	estão	plantadas	deste	a	fundação	do	Ilê	Orixá	no	ano	de	2011,	tendo
sido	uma	das	primeiras	mudas	plantadas,	são	todas	consagradas	para	o	orixá
Xangô.
O	orô	é	uma	das	ervas	que	mais	está	presente	nos	mierós	que	são	realizados
dentro	do	axé,	é	uma	erva	pertencente	ao	orixá	Xangô	e	sua	reprodução	por
estacas	é	muito	fácil.
Pitangueira
Existem	diversas	mudas	de	pitangueiras	no	Ilê	Orixá,	mas	sem	dúvida	esta	é
especial,	foi	a	primeira	pitangueira	do	axé,	está	presente	desde	o	início,
acompanhou	o	crescimento	e	a	transformação	do	axé,	e	muitos	pediam	que	ela
fosse	cortada	já	que	está	nos	fundos	e	para	entrar	na	cozinha	é	preciso	as	vezes
desviar	de	seus	galhos	que	insistem	em	atravessar	a	porta,	o	que	fez	com	que
fosse	necessário	amarrar	seus	galhos,	esta	é		a	pitangueira	de	Oya	Tofã	no	axé.
Uma	curiosidade	é	que	quando	o	Ilê	Orixá	foi	fundado	não	existia	nenhuma
muda	de	pitangueira	no	local.	É	também	uma	folha	muito	utilizada	para	banhos
de	ervas	no	cotidiano	do	axé.
Pereira
A	árvore	de	pereira	que	está	plantada	dentro	da	Fortaleza,	fica	próxima	a	casa	do
axé,	tendo	condições	de	seus	frutos	serem	colhidos	do	alto	da	casa	do	axé,
possibilitando	uma	completa	integração	entre	a	paisagem	urbana	e	o	meio
ambiente.
As	pereiras	formam	belas	árvores	que	podem	ser	vistas	de	longe,	árvores	que
servem	de	abrigo	para	pássaros	que	passam	pelo	local,	além	de	sombra	que
esfria	a	terra	em	dias	de	intensa	luz	solar,	criando	um	ambiente	de	descanso	de
alguns	seres	vivos,	que	necessitam	de	solo	mais	úmido.
Peregun	verde
O	peregun	é	uma	planta	de	destaque	dentro	da	Fortaleza,	são	muitas	as	mudas
plantadas	que	se	destacam	no	meio	do	verde	espalhado	por	toda	volta	da	casa,
que	olhando	de	cima	parece	estar	dentro	de	uma	floresta.
Esta	muda	de	peregun	está	plantada	na	lateral	próxima	a	amoreira	preta,	onde
está	consagrado	o	espaço	para	Iroko.
É	uma	planta	sagrada	no	axé,	que	não	se	corta	e	que	em	caso	de	necessidade	de
retirada	de	galhos	são	replantados	ou	distribuídos	dentro	do	axé,	possibilitando	a
produção	de	novas	mudas	que	crescem	e	se	desenvolvem	de	forma	livre.
Romãzeira
A	romãzeira	é	um	arbusto	que	pode	atingir	cerca	de	5	metros	de	altura,	com
folhas	verde	claro,	que	sem	dúvida	embelezam	o	jardim	de	onde	estão	plantados,
com	belas	flores	que	posteriormente	produzem	seus	frutos.
O	seu	fruto	e	suas	folhas	são	dedicados	ao	orixá	Obá,	muitas	foram	as	tentativas
de	plantio	de	uma	romãzeira	no	axé,	que	hoje	conta	com	duas	mudas,	que	já
estão	produzindo	seus	frutos.
A	romã	é	um	fruto	muito	apreciado	no	fim	do	ano,	é	muito	reconhecido	pela	sua
beleza	que	encanta	e	faz	com	que	todos	tenham	vontade	de	apreciar.
Iroko
O	Iroko	está	localizado	em	uma	amoreira	preta,	na	lateral	do	Ilê	Orixá,	árvore
esta	que	já	estava	plantada	no	terreno	ao	ser	adquirido	no	ano	de	2011,	o	velho
Iroko	que	está	presente	no	local	é	uma	árvore	velha,	mas	com	muita	vida	que
alimenta	pássaros	com	seus	frutos,	que	ao	caírem	na	terra	também	servem	deadubo	e	restituição	de	nutrientes.	As	amoras	quando	maduras	também	são
consumidas	pela	população	do	terreiro	degusta	uma	fruta	doce	e	apreciada	por
muitas	pessoas.
O	Iroko	é	mais	do	que	apenas	parece,	é	segredo,	é	magia,	é	conhecimento	é
tradição,	é	orixá,	é	axé	da	Fortaleza	que	vive	e	juntamente	com	nossos	ancestrais
nos	cuida	e	também	nos	orienta.
A	presença	da	árvore	de	Iroko	no	Ilê	Orixá	é	motivo	de	muita	alegria	e	também
de	responsabilidade,	pois	não	escolhemos	tê-lo	dentro	do	axé,	apenas	o
recebemos	e	o	cuidamos.
A	mangueira	é	uma	árvore	frondosa,	produz	um	fruto	muito	apreciado.	De
origem	de	clima	tropical	se	adapta	muito	bem	nos	climas	subtropicais.
Sistema	de	classificação	iorubá
Adòn	doríkódó	ó	nwò	ìsèè	gbògbò	èiyé³
O	morcego	se	coloca	de	cabeça	pra	baixo,	olhando	o	que	fazem	os	pássaros
ara	o	sistema	de	classificação	iorubá,	todas	as	folhas	estão	agrupadas	em	quatro
grupos	de	acordo	com	suas	características,	e	os	orixás	possuem	as	suas	folhas	de
acordo	com	o	domínio	que	possuem	sob	esses	grupos,	que	correspondem	aos
quatro	elementos	fundamentais:	fogo,	água,	terra	e	ar,	pois	para	os	iorubás	todos
os	seres	existem	contendo	esses	quatro	elementos	básicos,	em	porções	diferentes
de	cada	um	deles.
Existem	ainda	outras	formas	de	dividir	as	folhas	de	acordo	com	os	iorubás,	elas
podem	ser	masculinas	ou	femininas	e	ainda	folhas	de	calmaria	(èrò)	ou	de
movimento	(gún),	sendo	ainda	possível	em	dividir	as	folhas	da	direta	(ewé	apa
òtún)	ou	da	esquerda	(ewé	apa	òsí).
O	objetivo	desse	livro	não	é	dissertar	sobre	o	sistema	de	classificação	das	folhas
que	os	iorubás	utilizam,	pois	para	isso	seria	necessário	um	estudo	bem
aprofundado,	já	que	é	bastante	rico	em	detalhes	e	complexo	para	ser	resumido
em	poucas	palavras,	mas	citar	e	tentar	compreender	se	faz	necessário,	pois	é
importante	para	que	novas	pesquisas	possam	ser	realizadas	e	para	que	se	tenha
condições	de	perceber	a	grandiosidade	da	cultura	iorubá	no	estudo	das	folhas	em
geral.
“Os	Òrìsàs	que	são	as	representações	das	forças	da	natureza	têm	nas	folhas	um
princípio	que	está	associado	aos	quatro	elementos,	as	ewé	afééfé	–	folhas	de	ar,
as	ewé	iná	–	folhas	de	fogo;	as	ewé	omí	–	folhas	de	água;	as	ewé	ilè	–	folhas	de
P
terra.	Por	isso	cada	òrìsà	tem	características	próprias	e	folhas	que	o	identificam.
O	ser	humano	nessa	relação	se	torna	receptor	de	toda	energia	do	òrìsà	e	da
natureza.	O	terreiro	vivencia	todas	essas	cosmologias	através	dos	mitos	e	ritos,	a
presença	das	folhas	converge	para	esse	universo	de	relações”	(BOTELHO,	2010,
p.	41).
Dessa	forma	devemos	perceber	que	ao	ter	folhas	de	orixás	diversos,	passamos	a
ter	folhas	de	elementos	diversos,	contemplando	axés	também	variados	dentro	de
nossa	casa	ou	terreiro,	o	que	nos	faz	criar	um	equilíbrio	de	energias	vegetais	com
todo	o	universo.	E	ao	lembrar	que	os	orixás	são	manifestações	da	natureza,	cria-
se	um	equilíbrio	com	a	natureza,	e	nós	como	seres	humanos	somos	partes	dessa
natureza,	e	buscar	o	equilíbrio	deve	sempre	ser	o	nosso	foco	principal,	já	que
para	viver	de	forma	plena	o	equilíbrio	com	a	natureza	é	essencial.
“Uma	primeira	acepção,	que	possui	também	um	caráter	mais	generalizante	é
aquela	que	associa	a	natureza	(e	os	orixás)	aos	quatro	elementos	(água,	terra,
fogo	e	ar).	De	acordo	com	este	pensamento,	os	quatro	elementos	estão	presentes
em	tudo,	incluindo	o	ser	humano	que	compartilha	com	os	orixás	e	com	a
natureza	uma	essência	em	comum”	(SANTOS,	2011,	p.	2).
Ainda	sobre	a	importância	da	relação	do	ser	humano	com	a	natureza	é
importante	lembrar	que	para	a	cosmovisão	iorubá	de	mundo	o	ser	humano	não	é
o	ser	mais	importante	da	natureza,	pois	não	existe	quem	é	o	mais	importante,
todos	são	igualmente	para	que	o	equilíbrio	seja	pleno	com	a	criação,	não	importa
se	é	uma	planta,	um	ser	vivo	qualquer	ou	ainda	o	próprio	ser	humano.
“Como	todos	estes	elementos	estão	inscritos	no	nosso	DNA	desde	a	concepção,
somos	constituídos	do	mesmo	fluido	e	princípio	vital	de	todos	os	objetos	e	seres
que	no	mundo	há,	pois	para	nós	tudo	é	sagrado	e	tem	vida.	Somos	iguais	as
plantas,	a	terra,	a	água,	o	ar	e	o	fogo	e	estes	elementos	podem	nos	curar	ou	nos
restituir	a	integridade	e	equilíbrio.	Tudo	que	vem	da	terra	pode	nos	curar,	pois
dela	que	brota	toda	a	vida	e	é	dela	que	viemos	e	para	ela	retornaremos”
(MARTINS,	2016,	17-18).
Segundo	JAGUN	(2019)	enquanto	o	nosso	sistema	de	classificação	ocidental	é
verticalizado	baseado	do	cientista,	para	o	elemento	pelo	critério	do	homem,
padronizando	um	padrão	de	classificação	baseado	na	gênero,	raiz,	espécie,	na
família,	nas	suas	características	gerais	de	cada	planta,	para	o	sistema	iorubá	as
plantas	são	classificadas	de	acordo	seus	princípios	ativos,	que	homens,	mulheres
e	minerais	estão	em	um	mesmo	patamar	de	importância,	os	nomes	não	são
determinados	verticalmente,		percebe	a	energia,	ao	ver	a	planta	sabe	se	ela	possui
energia	masculina	ou	feminina,	se	a	planta	é	venenosa	ou	não,	e	para	facilitar
isso,	a	ciência	iorubá,	ele	denomina	as	plantas	de	acordo	com	o	que	ele	nota,	por
isso	o	sufixo	gún	presente	em	determinadas	ervas,	cujo	princípio	ativo	é
energizante,	e	o	sufixo	eró,	princípio	ativo	tranquilizante.
“No	sistema	de	classificação	dos	vegetais,	a	condição	para	que	uma	folha	seja
masculina	ou	feminina	é	o	seu	formato,	pois,	na	concepção	Jeje-nago,	a	forma
fálica	(alongada)	caracteriza	o	elemento	masculino,	em	contrapartida,	a	forma
uterina	(arredondada)	determina	o	elemento	feminino”	(BARROS,	2007,	p.	25).
“o	complexo	e	fascinante	sistema	de	nomenclatura	e	de	classificação	das	ervas
conforme	a	Cultura	Jêje-Nagô,	são	a	base	da	relação	entre	o	Homem	e	a
Natureza,	conforme	a	visão	de	mundo	iorubá.	O	Culto	aos	Orixás,	através	da
liturgia	do	Candomblé	serve	justamente	para	buscar	a	moderação	entre	os
homens	e	seus	deuses,	através	da	manipulação	do	axé	(àṣẹ)	dos	elementos	da
natureza	usados	nos	rituais.	Os	ebós	(oferendas)	e	os	sacrifícios	são
cuidadosamente	prescritos	pelos	Sacerdotes	como	maneiras	de	interligar	os	fiéis
aos	Orixás,	através	do	axé	de	cada	ingrediente.	As	folhas	utilizadas	nos	banhos
devem	ter	o	axé	(enquanto	elemento)	apropriado	à	necessidade	do	paciente
(folhas	de	apaziguamento,	ou	de	energização)”	(JAGUN,	p.	85,	2018).
Assim,	distribuímos	os	orixás	de	acordo	com	os	respectivos	elementos:
Ewé	áféré	–	folhas	de	ar
As	folhas	são	essencialmente	pertencentes	aos	orixás	Oyá	e	Oxalá.	Enquanto
Oya	está	ligado	aos	ventos,	a	sua	movimentação	e	domínio	sobre	ele,	Oxalá	está
ligado	diretamente	ao	elemento	ar,	emi.
“O	quarto	elemento	é	o	ar.	Do	sopro	da	vida	surgiu	o	primeiro	ser	individual,
Exu	Iangui	(Èṣù	Yangi).	O	ar	é	também	um	elemento	feminino.	É	o	símbolo	da
divindade.	Assim	como	Olorun	(Ọlọ́	run),	ninguém	o	vê,	nem	o	toca,	nem	o
prova;	mas	todos	sentem	sua	presença	em	si,	quando	enchem	o	pulmão.	Olorun	e
o	ar	estão	sempre	em	nós	percebamos	ou	não,	queiramos	ou	não”	(JAGUN,	p.
92,	2018).
Ewé	inón-	folhas	de	fogo
As	folhas	de	fogo	pertencem	aos	orixás	Bará	Exú,	Ogum,	Oyá	e	Xangô.	O
elemento	fogo	permite	a	transformação,	a	mudança	de	paradigmas,	o	fogo
modifica	o	alimento	e	permite	que	grandes	transformações	sejam	construídas.
“O	fogo	sempre	existiu	e	sempre	esteve	presente	em	torno	do	homem,	na	lava,
nos	raios	do	sol,	nas	descargas	elétricas	naturais.	Só	que	o	fogo	92	|	Latinidade
teve	que	ser	descoberto	enquanto	elemento	manipulado.	Neste	momento,	surgiu
o	poder.	Quem	dominava	o	fogo	passava	a	exercer	poder	sobre	o	outro.	Poder	de
criar,	de	transformar	e	de	destruir.	Lidar	com	o	fogo	é	sempre	ambíguo:	ele	pode
agregar	(em	torno	dele	as	pessoas	se	reúnem	e	se	constituíram	as	primeiras
sociedades),	mas	ele	também	é	perigoso	e	poder	ferir	(é	o	elemento	das	guerras	e
da	violência).	O	fogo	está	no	corpo	humano	através	das	descargas	elétricas
cerebrais	provocadas	pelos	neurônios	e	elétrons.	Por	isso	é	associado	à	chama
dos	pensamentos,	o	forno	de	ideias.	Ele	é	o	maior	símbolo	da	consciência	e	do
livre	arbítrio.	Utilizar	o	fogo	com	sabedoria	pode	significar	progresso,	ou	ao
contrário,	destruição.	O	fogo	é	um	ele	masculino”	(JAGUN,	p.91-92,	2018).
Ewé	omi-	folhas	de	água
É	no	elemento	água	que	Oxum,	Iemanjá,	Obá	e	Oxalá	estão	representados.	Mas
é	preciso	lembrar	que	Obá	é	o	aspecto	revolto	da	água,	está	ligada	ao	encontro
dos	rios,	quedas	fortes	de	água	e	outras	manifestações.
A	água	é	um	dos	elementos	mais	importantes	da	cultura	iorubá,	é	com	a	água	se
fertiliza	a	terra,	é	com	a	água	que	se	hidrata	os	animais	e	plantas,	não	existe	vida
sem	a	água,	assim	como	nenhuma	iniciação	é	possível	de	ser	realizada	sem	uso
da	água.	Os	iorubás	costumam	dizer	que	“a	água	chega	mais	fundo	na	terra”	e
ainda	que	“a	água	sempre	encontra	o	melhor	caminho”,	então	todos	devemos
aprender	com	a	água,	a	sempre	procurar	buscar	a	melhor	solução	para	casa
situação	da	vida.
Sem	a	água	a	terra	não	pode	ser	fecundada	e	assim	não	pode	produzir	seus
frutos,	a	água	permite	a	transformação	de	tudo,	permite	a	semente	germinar,
brotar,	crescer	e	dar	frutos.
“Dos	quatro	elementos,	um	recebe	maior	destaque,	a	água.	Este	relevo	nos	fez
recordar	que	Mãe	Beata	de	Iemanjá,	na	saudação	inicial	do	Seminário	do	PNT,
apresentou	uma	versão	até	então	para	nós	desconhecida	do	aforismo	“kossi	Ewé,
kossi	orixá”,	na	qual	é	acrescentado	um	terceiro	elemento,	“omi”	(água).	Para
esta	ialorixá,	a	máxima	verdadeira	é	“Omi	Kozi,	Ewê	Kosi,	Orixá	Kozi”.	Ou
seja,	para	o	orixá	existir,	e	por	conseqüência	o	candomblé,	não	depende	apenas
da	folha,	mas	também	da	água,	e	note-se	que,	na	sequência,	a	água	vem	em
primeiro	lugar.	Ao	nos	inquirimos	sobre	o	que	teria	levado	à	ampliação	do
aforismo,	pois	como	dissemos	não	localizamos	essa	forma	ampliada	em	nenhum
livro,	e	nem	no	campo	do	nosso	estudo,	achamos	que	pode	estar	relacionada	às
necessidades	de	dar	ao	candomblé	uma	compatibilidade	maior	com	o	tempo
atual,	torná-lo	coerente	com	o	discurso	de	“religião	ecológica”,	ampliando	ao
máximo	a	importância	da	natureza	para	a	religião”	(SANTOS,	2011,	p.	2-3).
E	sem	dúvida	o	candomblé,	é	uma	religião	sustentada	na	natureza,	assim	como	o
batuque	que	ao	preservar	e	cuidar	da	natureza	cuida	também	e	preserva	do	nosso
local	principal	de	louvação	do	orixá,	que	é	a	natureza.	Poluir	a	natureza	é	não
cuidar	do	orixá,	é	desrespeitar	a	religião	de	matriz	africana	e	não	compreender	o
que	se	faz	dentro	da	religião.
Ao	ser	de	religião	africana	assumimos	o	compromisso	de	saber	que	cada	um	de
nós	possui	responsabilidade	no	meio	ambiente	e	por	isso	devemos	sempre	buscar
formas	de	sempre	poder	cuidar	de	nosso	espaço,	pois	se	cada	um	cuidar	do
espaço	que	está	inserido	iremos	assim	melhorar	a	natureza	que	nos	cerca.
Ewé	ilé	ou	ewé	igbó-	folhas	da	terra
ORIXÁS	DE	TERRA:	Ogum	(o	ferro),	Oxóssi,	Omolú/Obaluaê,	Nanã.	(lama	=
terra	+	água),	Oxumarê	e	Logun.
São	folhas	também	chamadas	de	folhas	da	floresta.
A	terra	é	um	elemento	de	extrema	importância	dentro	dos	cultos	de	matriz
africana,	é	onde	ficam	as	raízes	das	árvores	e	de	todas	as	plantas	que	são	objeto
de	uso	e	estudo	dentro	da	religião	africana,	é	na	terra	que	nossos	ancestrais	são
colocados	e	é	a	terra	quem	consome	todos	os	axés	que	fazemos.
A	terra	possui	tanta	importância	que	é	cultuada	como	um	orixá	Onilé,	o	orixá
que	representa	a	própria	terra,	onde	ficam	nossas	águas,	nossas	folhas,	onde	nós
caminhamos	e	onde	ficam	todas	as	demais	coisas	do	mundo.
“A	terra	é	a	fertilidade.	É	considerado	um	elemento	masculino.	A	terra	significa
a	fonte	de	onde	os	seres	encontram	sustento	e	o	alimento.	Nela	o	homem	se
estabelece	e	pode	exercer	seu	destino.	No	corpo	humano,	a	terra	é	expressa	pelos
ossos.	Quando	o	corpo	se	decompõe	após	a	morte,	nossos	ossos,	que	são
constituídos	por	minerais,	voltam	a	ser	pó,	recompondo	a	terra”	(JAGUN,	p.	91,
2018).
É	com	a	terra	que	se	produz	todos	os	alimentos	do	mundo,	ainda	para	JAGUN
(2018),	é	possível	sentir	a	presença	do	elemento	terra	no	corpo	humano	com
nossos	ossos,	que	a	morte	volta	para	a	terra.
“”Mata‟	é	outra	manifestação	também	bastante	recorrente,	que	pode	ser
explicada	por	várias	razões.	Uma	das	suas	fontes	é,	sem	dúvida,	a	ideia	popular
de	que	natureza	diz	respeito	ao	verde.	Neste	sentido,	a	mata	está	associada	ao
complexo	semântico	das	folhas,	uma	vez	que	aquela	constitui	principalmente	o
lugar	onde	estas	são	colhidas.	Outro	aspecto	que	pode	nos	ajudar	a	compreender
a	importância	da	mata	é	o	papel	desempenhado	pelas	florestas	no	imaginário	dos
adeptos”	(SANTOS,	2011,	p.6).
E	todos	podem	ter	um	espaço	mato	em	suas	casas,	se	não		em	belos	jardins,	em
vasos		suspensos,	em	hortas	verticais,		em	calçadas	ou	em	qualquer		outro	local
que	se	tenha	acesso,	e	assim	poder	faz	a	nossa	parte,	pois	cada	um	de	nós	possui	
sempre	uma	parte	de	responsabilidade	e	se	cada	um	fazer	a	sua	parte	teremos
sem	dúvida	a	natureza	mais	bem	preservada	e	assim	o	axé	de	cada	orixá	melhor
cuidado.
O	espaço	mato	é	o	verde	que	nos	encanta	e	também	encanta	as	borboletas	que
buscam	as	flores,	é	o	vede	que	encanta	os	pássaros	que	buscam	sementes,	é	o
verde		que	faz	nossa	respiração	melhor	e	assim	nos	conduz	por		caminhos	de
maior	tranquilidade	e	calmaria.
A	espatódia	é	uma	árvore	de	crescimento	muito	rápido,	produz	flores	que
embelezam	muitos	jardins.	As	flores	são	atraem	muitas	abelhas	e	beija-flores,	no
entanto	é	tóxica,	gerando	problemas	de	desequilíbrio	ambiental.	Possui	origem
africana.
Identificação	das	folhas	no	livro
Òtún	wè	òsí,	òsí,	wè	òtún,	ní	ówó	mèjèji	´n	mo³¹
Quando	a	mão	direita	lava	a	esquerda	e	a	esquerda	lava	a	direita,	ambas	ficam
limpas
uitas	poderiam	ter	sido	as	formas	de	organização	deste	livro,	mas	foi	procurado
criar	um	padrão	simples	e	de	fácil	identificação	de	cada	folha,	para	que	todos
possam	utilizar	como	um	manual	de	consulta	diária	dentro	do	terreiro,
especialmente	no	Ilê	Orixá.
M
Nome	popular
O	nome	popular	é	a	forma	com	que	cada	folha	ou	erva	é	reconhecida	pela
população,	como	é	popular	este	nome	pode	mudar	de	uma	cidade	para	outra,	de
país	para	outro	ou	mesmo	no	próprio	bairro,	pois	geralmente	o	nome	popular
está	ligado	ao	conhecimento	que	foi	transmitido	para	cada	um,	que	está
relacionado	a	família,	aos	costumes	e	a	origem	e	cada	um.	E	como	cada	folha
pode	possuir	mais	de	um	nome	popular,	o	que	quase	sempre	irá	ocorrer,	então
foram	citados	os	nomes	mais	conhecidos,	a	fim	de	fazer	com	que	todos
consigam	buscar	o	que	procuram.
“Embora	as	comunidades	identifiquem	suas	plantas	por	meio	de	nomes
reconhecidos	na	vizinhança	(nomes	-populares),	e	que	devem	ser	respeitados,
estes	variam	muito	de	acordo	com	a	região	e	podem	gerar	erros	quando	ocorrem
trocas	de	informações.	É	freqüente	acontecer	que	plantas	diferentes	recebam	um
mesmo	nome	ou	nomes	semelhantes,	e	a	ocorrência	de	nomes	diferentes	-para
uma	mesma	planta”	(HARAGUCHI,	2010,	p.42).
Nome	científico
A	colocação	do	nome	científico	na	identificação	das	folhas	aqui	no	livro,	visa
fazer	com	que	todos	consigam	ter	condições	de	reconhecer	cada	folha	citada,	em
qualquer	lugar	que	estiverem	pois	o	nome	popular	é	variável	em	cada	região,	e
sem	o	nome	científico	poderia	ocorrer	muitas	dúvidas	quanto	a	qual	erva	está
sendo	citada.
“O	nome	científico	é	universal	e	serve	para	caracterizar	a	espécie	que	designa.
Em	levantamentos	bibliográficos	na	literatura	especializada,	é	o	nome	científico
do	vegetal	que	deve	ser	empregado	como	palavra-chave”	(ALMEIDA,	2011,
p.149).
“O	nome	científico	é	universal,	pois	é	o	mesmo	em	qualquer	língua	ou	país,	e	é
específico,	ou	seja,	para	cada	espécie	existe	apenas	um	nome	e	vice-versa.	Isso
permite	uma	rápida	localização	das	informações	em	livros	ou	revistas	e	sites,	no
mundo	todo”	(HARAGUCHI,	p.42,	2010).
Nome	iorubá
Segundo	VERGER	(2004,	p.31)	“Se	há	vários	nomes	científicos	para	um	só
nome	iorubá,	o	inverso	também	é	verdadeiro”,	dificultando	muitas	vezes	a
identificação	de	uma	folha.
Na	cultura	iorubá	como	já	vimos	é	possível	encontrar	diversas	plantas	com	o
mesmo	nome,	já	que	as	folhas	são	classificadas	de	acordo	com	as	suas
características.
Orixás
Para	cada	planta	estão	identificados	os	orixás	atribuídos	cada	uma	das	folhas,
considerando	os	usos	para	a	Fortaleza	Ilê	Orixá.
Em	terreiros	diferentes	as	folhaspodem	estar		dedicadas	com	diferentes	orixás,	o
que	não	significa	que	estejam	erradas,	já	que	está	se	considerando	como	o	axé
que	se	cultua.
Flamboiã,	flamboaiã	ou	acácia-rubra,	é	uma	árvore	da	família	das	leguminosas.
É	nativa	da	ilha	de	Madagascar,	tendo-se	em	seguida	espalhado	pela	zona
tropical	da	África	continental,	sendo	posteriormente,	por	sua	beleza,	levada	a
outros	continentes,	como	a	Europa	e	as	Américas.
-
Uma	nota	para	seguir
Ewé	òòò,	á	sà
Elogie	as	folhas
esde	a	fundação	do	Ilê	Orixá	no	ano	de	2011,	Pai	Ronie	de		Ogum	e	Pai
Alexandre	de	Oya	tiveram	grande	preocupação	com	a	natureza	no	entorno	do
axé,	sempre	se	buscou	a	preservação	e	o	uso	das	folhas	adequadas	nos	ritos,	e
sempre	se	buscou	a	utilização	das	ervas	adequadas	para	cada	orixá.
Em	2015,	com	a	publicação	do	livro	“Ilê	Orixá	–	Uma	breve	explicação	sobre	o
culto	aos	orixás”,	no	artigo	abaixo	são	citadas	algumas	plantas	como	utilizadas
para	determinados	orixás,	então	com	a	publicação	desse	livro,	que	fala
exclusivamente	sobre	o	uso	das	folhas	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	se	faz	necessário
uma	análise	do	referido	artigo,	sob	pena	de	parecer	que	existem	conflitos,	mas
longe	disso,	é	sempre	necessário	esclarecer	que	fazer	pesquisa	implica	em	estar
sempre	se	buscando	a	verdade,	e	muitas	vezes	isso	implica	em	mudança	de
alguns	paradigmas	e	conceitos	já	estabelecidos,	então	o	artigo	abaixo	segue
apenas	para	uma	análise	histórica	do	Ilê	Orixá,	mas	não	devem	ser	consideradas
as	folhas	citadas	para	cada	orixá.
D
Onde	existe	folha	existe	orixá³²
Ewé	gbogbo	kíki	oògùn
Todas	as	folhas	têm	viscosidade	que	se	tornam	remédio
Este	provérbio	iorubá,	assim	como	tantos	outros,	com	certeza	precisam	ser	mais
bem	compreendidos	entre	as	pessoas,	pois	é	claro	quando	nos	ensina	que	a
presença	do	orixá	está	ligada	a	presença	das	folhas,	a	presença	da	natureza.	Se
queremos	o	orixá	ao	nosso	lado,	é	necessário	lembrar	que	é	preciso	plantar,
cuidar	da	natureza,	das	águas	e	isso	é	cuidar	dos	orixás.	“As	folhas	nascidas	das
árvores,	e	as	plantas	constituem	uma	emanação	direta	do	poder	sobrenatural	da
terra	fertilizada	pela	chuva”	(SANTOS,	2008,	p.	91)
Cada	folha	(vamos	considerar	como	folha,	todas	as	plantas)	pertencentes	a	um
orixá,	e	cada	folha	que	plantamos	fazemos	com	que	o	orixá	fique	mais	próximo.
É	importante	perceber	que	ao	observar	uma	folha	em	seu	habitat	natural	e	em
suas	características	individuais	que	trazem	consigo,	apresentam	muitas	das
características	dos	orixás	a	elas	associados.	Algumas	das	plantas	pertencem	a
vários	orixás	ao	mesmo	tempo,	pois	apresentam	características	de	vários	deles,
sendo	uma	ligação	entre	ambos.
Toda	obrigação	inicia	com	uma	folha,	pois	antes	de	se	fazer	uma	obrigação
primeiramente	tomamos	um	banho	com	ervas,	antes	de	se	realizar	um
assentamento	de	santo,	também	o	ocutá	é	lavado	antes	em	ervas,	as	folhas
cobrem	nossas	bandejas,	adornam	nossos	pratos	(oferendas)	e	decoram	nossos
jardins.
A	presença	das	plantas	em	nossas	casas	é	a	presença	do	orixá.	Sem	folhas,	não
tem	flor,	sem	flor,	como	agradar	a	Oxum?	Se	não	temos	árvores	como	agradar
Ossanha,	Odé	e	Otim?	Todo	o	orixá	é	parte	integrante	da	natureza.	Segundo	a
tradição	iorubá	toda	folha	antes	de	ser	retirada	deve	ser	pedida	licença	para	ser
cortada,	pedindo	agô	a	Ossanha,	ou	mesmo	ao	orixá	que	a	pertence,	isto	é,
humildade	e	respeito	ao	orixá.	É	equilíbrio	entre	a	religião	e	a	natureza.	Vamos
observar	alguns	orixás	e	algumas	plantas	que	são	consagradas	a	cada	um.
As	folhas	consagradas	ao	orixá	Bará	são	folhas	que	necessitam	em	geral	de
muita	luz,	pois	são	plantas	que	ficam	no	seco,	necessitam	de	pouca	água	para	o
seu	desenvolvimento,	são	plantas	que	mesmo	depois	de	passar	por	muitas
adversidades	conseguem	se	desenvolver	(guiné,	orô,	alevante,	arruda,	dinheiro
em	penca,	folha-da-fortuna,	folha	do	amendoim,	folha	da	batata	inglesa	e
carqueja).
O	orixá	Ogum	possui	sobre	seus	domínios	plantas	que	lembram	espadas,	lanças,
facas	e	utensílios	de	corte.	São	na	sua	maioria	pontiagudas,	resistentes,	com
facilidade	de	adaptação	aos	mais	variados	tipos	de	solo,	temperatura,	clima,	da
mesma	forma	que	um	guerreiro	que	precisa	saber	se	adaptar	para	vencer	uma
batalha,	destruindo	plantas	que	insistem	em	ocupar	o	seu	espaço	(guiné,	orô,
alevante,	dinheiro	em	penca,	folha	da	fortuna,	cevada,	pata	de	vaca,	açoita
cavalo,	aroeira,	quebra	tudo	e	espada	de	São	Jorge	e	folha	da	goiabeira).
Oya/Iansã	apresenta	plantas	que	possuem	como	características	principais	se
alastrarem	rapidamente,	como	o	vento	que	se	espalha,	que	cresce,	que	se
expande.	Oya	é	um	orixá	de	movimento,	por	isso	muitas	ervas	que	são	atribuídas
a	ela	também	apresentam	algumas	dessas	características,	de	se	movimentarem,
ou	seja,	de	aparecem	rapidamente	em	outros	locais	próximos,	onde	inicialmente
foram	plantadas	(guiné,	orô,	alevante,	dinheiro	em	penca,	folha-da-fortuna	e
avenca,	espada	de	Santa	Bárbara,	folha	da	abóbora,	folha	da	batata	doce,	folha
da	pitangueira,	folha	do	araçá	e	folha	da	taquareira).
As	plantas	que	pertencem	a	Xangô,	na	maioria	das	vezes,	estão	relacionadas	ao
fogo,	são	plantas	quentes,	por	isso	necessitam	de	intensa	luminosidade	para	se
desenvolver,	sob	pena	de	enfraquecerem.	Xangô	é	um	orixá	de	intensa	energia,
assim	como	suas	plantas	que	em	caso	de	falta	de	luz,	morrem	rapidamente,	pois
não	gostam	de	ambientes	escuros	e	com	umidade	excessiva	(guiné,	orô,	levante,
dinheiro	em	penca,	folha-da-fortuna,	trevo,	manjerona	e	bananeira).
O	orixá	responsável	pela	caça,	que	nos	mostra	que	sempre	é	possível	atingir
nossos	objetivos,	apresenta	em	suas	folhas	como	características	principais	a	de
serem	encontradas	em	locais	não	cultivados,	em	matas	e	florestas	variadas.
Assim	como	a	variação	da	mata	as	plantas	consagradas	a	Odé	e	Otim,	também
apresentam	características	variadas.	(guiné,	orô,	alevante,	dinheiro	em	penca,
folha-da-fortuna,	lírio,	folha	do	coqueiro,	folha	do	butiazeiro,	manjericão,	arruda
e	gervão).
Obá,	assim	como	Ogum	e	Oya	é	um	orixá	guerreira,	e	por	isso	apresenta
características	que	também	estão	presentes	na	maioria	de	suas	plantas	rituais.	As
suas	folhas	são	robustas,	grosseiras,	tendo	a	necessidade	de	intensa	luz	e	se
adaptam	aos	mais	variados	tipos	de	solo,	sem	a	necessidade	de	muita	umidade.
(guiné,	orô,	alevante,	folha-da-fortuna,	urtiga,	folha	da	romã).
Ossanha,	patrono	das	folhas,	o	único	que	conhece	completamente	cada	planta,
pois	todas	as	características	em	suas	folhas,	como	todas	pertencem	a	ele,	possui
plantas	do	seco	e	do	molhado,	que	necessitam	de	muita	ou	pouca	luminosidade,
pois	sabe	da	importância,	de	cada	uma,	sabe	que	todas	são	importantes,
necessárias	e	únicas	(guiné,	orô,	alevante,	dinheiro	em	penca,	folha-da-fortuna,
lírio,	folha	do	coqueiro,	catinga	de	mulata,	erva	de	bugre,	folha	do	aipim,	folha
do	butiazeiro,	aroeira	e	manjericão).
Limpar,	esta	é	a	principal	característica	do	orixá	Xapanã,	que	possui	como
principal	ferramenta	ritual	a	vassoura.	As	suas	ervas	possuem	esta	finalidade,
limpar	energias	que	ficam	presas	ao	nosso	corpo.	As	plantas	ligadas	a	Xapanã,
possuem	como	característica	principal	não	atraírem	insetos	e	predadores,	e
inclusive	de	interferirem	no	desenvolvimento	de	outras,	são	fortes	e	dominantes
(guiné,	orô,	alevante,	dinheiro	em	penca,	folha-da-fortuna,	barba	de	pau,	gervão,
losna,	absinto,	concorosa,	picão,	erva	de	bicho,	urtiga,	carqueja,	guanxuma,
vetiver	e	junco).
Há	Oxum	pertencem	as	folhas	mais	delicadas	e	perfumadas,	pois	ela	representa
os	perfumes	da	natureza,	para	o	seu	desenvolvimento	são	plantas	que	necessitam
de	muita	água	e	sol,	que	representa	o	brilho	de	Oxum	(guiné,	orô,	alevante,
dinheiro	em	penca,	folha	da	fortuna,	poejo,	alecrim,	alfazema,	jasmim,	lírio,
amor	perfeito,	folha	da	tamarindo,	manjericão,	trevo,	hortelã,	folha	do	melão,
malva	cheirosa	e	melissa.)
Iemanjá,	assim	como	Oxum	é	um	orixá	de	água,	não	possui	toda	a	delicadeza	de
Oxum,	mas	também	gosta	da	beleza	e	dos	perfumes,	suas	plantas	também
necessitam	de	bastante	água	para	o	desenvolvimento,	gostam	do	brilho,	e	assim
necessitam	de	sol	em	abundância,não	são	folhas	agressivas,	ou	seja	não
impedem	o	desenvolvimento	de	nenhuma	outra	para	o	seu	crescimento,	pelo
contrário	auxiliam	(guiné,	orô,	alevante,	folha-da-fortuna,	salsa,	hortênsia,
alfazema,	vetiver,	onda-do-mar,	jasmim	e	malva	cheirosa).
O	orixá	Oxalá,	representa	a	pureza,	a	misericórdia	e	a	clareza	na	vida.	É	a	ele
que	pedimos	quando	os	demais	orixás	não	veem	mais	chance.	Ele	pode	mudar
tudo	isso.	Suas	folhas	são	límpidas,	puras,	necessitam	de	intensa	luz	solar	e
bastante	umidade	para	se	desenvolverem.	(alecrim,	cambará,	alevante,	alfazema,
anis-estrelado,	boldo,	canela,	cravo-da-Índia,	erva-de-bicho,	folha	da	fortuna,
funcho,	gerânio	branco,	hortelã,	jasmim-do-cabo,	malva,	manjericão,	erva-de-
Santa-Luzia	e	folha	da	goiabeira).
Existem	plantas	que	são	utilizadas	por	vários	orixás	diferentes,	pois	se	adaptam	e
apresentam	características	comuns	a	ambos.	Assim	como	um	medicamento	que
muitas	vezes	serve	para	diversas	enfermidades.	Não	podemos	esquecer	que	as
folhas	utilizadas	em	cada	casa	podem	mudar	de	acordo	com	a	feitura	e	origem
religiosa.	Cabe	sempre	pesquisar,	descobrir	quais	devem	ser	utilizadas.	Estas
folhas	são	algumas	das	utilizadas	por	nós	no	axé	Ilê	Orixá.
Marula	é	uma	árvore	de	tamanho	mediano,	originária	do	bioma	das	savanas
da	África	oriental.	Caracteriza-se	por	um	tronco	único	acinzentado	e	uma	copa
de	folhas	verdes,	os	frutos	são	ovóides	ou	globosos	com	uma	polpa	suculenta,
doce-acidulada	e	uma	semente.	São	bastante	conhecidos	pelo	seu	uso	no	licor.
Os	orixás	e	as	folhas
“Pelebé	Nitobé	Ewé,	pelebé	nitobé	Kobé	pelebé	okun	pelebé	Kuaua	aua	ku,	axé
pelebé	Ewé	Pelebé	nitobé	o”
“As	folhas	têm	duas	faces,	como	o	facão	tem	duas	faces.	Qualquer	doença	que
vá	nos	pegar,	a	folha	de	Ossayin	não	vai	deixar.	A	morte	ou	doença	que	está	na
nossa	frente	Ossayin	tira	da	nossa	cabeça”	
o	início,	além	de	Ossanha	nenhum	outro	orixá	possuía	acesso	a	nenhuma	folha
sem	que	Ossanha	a	cedesse,	nenhum	orixá	tinha	condições	de	fazer	uso	de
nenhuma	folha,	sem	antes	falar	com	ele,	e	isso	por	muito	tempo	aconteceu	....
“Contam	os	mais	velhos	que,	na	criação	do	mundo,	Olorum	entregou	o	segredo
do	uso	das	ervas	e	plantas	a	Ossáin,	o	orixá	das	folhas.	Ossáin	guardou	o	segredo
muito	bem	guardado	numa	cabaça	e	pendurou	numa	árvore	bem	alta.	A	árvore
ficava	bem	defronte	à	porta	de	sua	casa.	Pois	bem:	quem	precisasse	de	qualquer
remédio,	ou	como	saber	preparar	alguma	comida	de	folha	ia	até	Ossáin.	Mas
tinha	de	esperar	ser	atendido	e	pagar	pelo	conhecimento.	Os	orixás	e	os	humanos
passaram	a	depender	da	vontade	de	Ossáin.	Somente	ele	sabia	do	segredo	das
folhas	e	como	fazer	uso	das	plantas.	Na	porta	de	Ossáin,	tinha	sempre	aquele
bolo	de	gente,	num	eterno	empurra-empurra.	De	longe,	se	ouvia	o	alarido.
Muitos	até	protestavam	de	canto	de	boca,	mas	tudo	ficava	no	mesmo.	Um	dia,
um	dos	nove	filhos	de	Iansã	foi	acometido	de	uma	dor	terrível.	E	logo	quem:	o
caçula.	Ela	morria	de	amores	por	aquele	filho.	Iansã	correu	até	à	casa	de	Ossáin,
em	busca	de	uma	planta	pra	curar	o	seu	menino.	Chegando	lá,	disseram	a	ela	que
Ossáin	estava	muito	ocupado.	Ele	só	podia	atender	mais	tarde	e	que	ela
N
esperasse	no	meio	de	todos.	Todo	mundo	sabe:	bole	com	quem	não	conhece	e
veja	o	que	te	acontece.	Pois	bem:	Iansã	olhou	aquele	amontoado	de	gente,	viu	a
árvore	enorme	e	bem	alta	na	porta	de	Ossáin	e	a	cabaça	com	o	segredo	das
folhas	pendurada	lá,	no	galho	mais	alto.	Iansã	foi	se	desesperando	e	terminou
sendo	tomada	pela	fúria.	Aí,	ela	soltou	de	si	o	efurufu	lelé,	o	grande	e	terrível
vendaval	que	arrasa	tudo.	Não	ficou	árvore	em	pé.	A	cabaça	do	segredo	caiu,	se
espatifou	e	as	folhas	todas	foram	espalhadas	pelo	mundo.	Quando	Ossáin	ouviu
o	barulho	da	destruição,	largou	as	ocupações	e	veio	saber	do	que	se	tratava.	Aí,
ele	viu	o	grande	redemoinho	de	folhas	pelos	ares	e	gritou	em	desespero:	“Ewé	o!
Ewé	o!”,	que	quer	dizer	“Oh,	folhas!	Oh,	folhas!”	Então,	todos	os	orixás	vieram
saber	do	que	se	tratava.	Oxalá,	o	Pai	da	Paz,	sentenciou:	“Vão	todos	catar	as
folhas,	cada	um	vai	ficar	sendo	dono	das	folhas	que	conseguir	ajuntar”.	Os
orixás	viram	aquela	confusão	e	não	se	fizeram	de	rogados:	todos	correram	pra
apanhar	as	folhas	no	meio	do	vendaval.	Aí,	Iansã	pegou	as	folhas	que	queria	e
abrandou	sua	natureza.	O	vento	se	acalmou.	Foi	uma	maravilha!	Oxum,	a	mãe
da	beleza,	juntou	as	folhas	pra	enfeitar	a	vida.	Obaluaiyê	ficou	com	as	raízes	que
servem	de	alimento	pra	sustentar	os	humanos.	Nanã,	a	mais	velha	das	mais
velhas,	guardou	todas	as	folhas	que	servem	pra	fazer	chá.	Iemanjá,	a	mãe	do
oceano,	ficou	com	as	folhas	do	mar.	Omolu,	o	pai	da	pobreza,	guardou	as	folhas
pra	curar.	Oxóssi,	o	grande	providenciador	dos	alimentos,	segurou	as	folhas	que
são	comestíveis.	Iku,	a	Morte,	apanhou	as	folhas	que	matam.	A	partir	desse	dia,
quem	entrasse	na	casa	de	Oxum	ficava	maravilhado	com	tanta	planta	enfeitando
tudo.	E	a	pessoa	que	não	estivesse	bem,	só	de	olhar	aquela	maravilha,	ficava
logo	melhor.	Obaluaiyê	passou	a	ensinar	como	se	faz	comida	com	raízes	a	quem
estivesse	com	fome.	Nanã	passou	a	distribuir	chás	curativos	com	quem
precisasse.	Omolu	passou	a	curar	as	mazelas	do	corpo	e	da	alma	com	as	plantas
medicinais.	Quem	recorresse	a	Oxóssi	aprendia	como	se	alimentar	com	folhas.	E
Ossáin	continuou	sabendo	o	segredo	do	tratamento.	Mas	o	enorme	ajuntamento
na	porta	da	casa	dele	não	existia	mais”	(PÓVOAS,	2009,	40).
Desde	então	os	orixás	possuem	algumas	folhas,	mas	o	segredo,	o	encantamento	e
como	fazer	o	seu	uso	ficou	apenas	com	ele,	que	até	hoje	sabe	exatamente	como
fazer	uso	de	cada	folha	para	cada	problema	existente,	e	embora	cada	orixá
possua	suas	folhas	é	Ossanha	apenas	que	conhece	o	verdadeiro	segredo	de	como
manipular	e	fazer	uso	dela,	pois	as	folhas	foram	distribuídas,	mas	o	segredo
permanece	apenas	com	ele.
Exú	Bará³³
“Percebe-se	que	as	folhas	nessa	religião	pertencem	aos	orixás	e	Exú	também	tem
suas	folhas”	(BOTELHO,	2010,	p.	4).
As	folhas	dedicadas	ao	orixá	Bará	são	folhas	que	possibilitam	oportunidades	e
caminhos,	já	que	é	o	orixá	responsável	por	nos	comunicar	com	todos	os	demais
orixás,	é	quem	nos	conduz	aos	demais	orixás	e	ao	que	nosso	ori	nos	deseja,	pois
nada	é	possível	de	ser	realizado	sem	antes	passar	por	ele.
É	Exú	Bará	que	permite	novas	portas	serem	abertas	ou	fechadas,	de	acordo	com
nossa	conduta	ritual,	por	isso	a	utilização	de	suas	folhas	é	sempre	de	extrema
importância.
É	ele	também	que	se	costuma	recorrer	em	muitos	casos	de	necessidades
financeiras,	logo	muitas	de	suas	folhas	e	banhos	permitem	que	se	receba	um	axé
de	crescimento	e	prosperidade.
Mas	Exú	também	é	vitalidade,	virilidade	e	esperteza,	pois	é	o	orixá	mais
parecido	com	o	ser	humano,	com	suas	qualidades,	mas	também	com	todos	os
seus	defeitos.
Ogum³⁴
GUNFAREMIM	(2010)	nos	lembra	de	um	mito	entre	Ogum	e	Ossanha	que	nos
faz	compreender	a	relação	existente	entre	eles:
“Osanyin	era	um	sábio	conhecedor	da	magia	das	folhas.	Ele	era	chamado
Onisegun,	Dono	da	medicina.	Ele	era	chamado	Agbenigi,	O	que	mora	nas
árvores.	Ogun	era	um	homem	muito	valente,	e	o	que	tinha	de	bravo	tinha	de
inconsequente.	Um	dia	Ogun	foi	para	a	guerra,	mas	na	batalha	sua	bravura	não
foi	o	suficiente.	Ogun	perdeu,	e	quase	morreu,	tendo	de	voltar	pra	casa
humilhado.	Ele	não	se	conformava,	pois	sua	índole	não	admitia	derrota.	Ogun
voltou	para	casa,	andando	pela	mata,	pois	Ogun	antes	de	ser	um	guerreiro	era
também	um	Odé.	Ogun	era	o	líder	dos	caçadores.	Ao	andar	pela	mata	ele	foi
avistado	pelo	sábio	Protetor	da	floresta,		Osanyin.	Osanyin	perguntou	a	Ogun
porque	estava	tão	cabisbaixo	já	que	Ogun	não	era	um	homem	de	se	deixar
abater.	Ogun	e	todos	os	Odé	são	amigos	de	Osanyin.	Ogun	contou	a	ele	que
voltava	de	uma	batalha	que	havia	perdido	e	mostrou	a	ele	os	ferimentos	que
tinha	sofrido.	Osanyin	pensou	e	pensou,	até	que	resolvou	ajudar	Ogun.	Ele	deu	a
Ogun	o	segredo	de	sete	folhas	muito	fortes.	Ewé	Igi	Opé,	a	folha	de	dendezeiro,
que	ao	ser	desfiada	se	torna	Mariwo.	O	homem	que	se	veste	de	mariwo	é	imune
a	feitiço.	Ewé	Atoribé,	a	folha	de	Joboinha.	Nenhuma	flecha	encontra	o	corpo	de
quemusa	Atoribé.	Ewé	Peregun,	a	folha	de	Dragoeiro	liso	(sem	listras).	A	todo
mal	se	afasta	de	quem	usa	o	Peregun	no	corpo.	Ewé	Ida-Orisa,	a	folha	Espada	de
São	Jorge.	Nenhuma	lâmina	corta	o	corpo	daquele	que	sabe	o	segredo	da	Ida-
Orisa.	Ewé	Okika,	a	folha	de	Cajarana.	A	ponta	da	lança	não	pode	perfurar	o
corpo	de	quem	tem	Okika.	Ewé	Ojusaju,	a	folha	Guine-Amansa-Senhor.	A	má
intenção	do	inimigo	não	pode	enganar	quem	sabe	usar	Ojusasu.	Ewé	Ewuro,	a
folha	de	Boldo.	A	saúde	de	quem	usa	Ewúro	é	totalmente	restaurada.	Osanyin
deu	todas	estas	folhas	a	Ogun	e	desde	então	ele	ficou	invicto.	Ogun	nunca	foi
morto	por	ninguém.	Ate	hoje	nós	saudamos	Ogun	com	“OGUN	YE!”	Que
significa	“Ogun	está	vivo!”	Não	existe	Orisa	mais	sábio	que	Osanyin!	Não	existe
Orisa	mais	forte	que	Ogun!	EWÉ	ASA!	As	folhas	funcionam!”
Com	as	folhas	de	Ogum	é	possível	abrir	novas	oportunidades,	novos	desafios.
São	folhas	ótimas	para	busca	de	emprego	e	para	atravessar	conflitos.	Quando
utilizadas	as	ervas	dedicadas	a	Ogum	de	forma	correta	fica	mais	fácil	de
conseguir	vencer	obstáculos	da	vida,	abrindo	novas	oportunidades	e	caminhos
muitas	vezes	não	conhecidos,	que	as	vezes	são	de	superação.
As	folhas	dedicadas	ao	orixá	Ogum	costumam	apresentar	características	que
facilitam	o	seu	reconhecimento,	sendo	muitas	delas	pontiagudas.
“Outras	vêzes,	porém,	é	a	forma	em	lugar	da	côr	que	se	leva	em	consideração;
por	exemplo,	a	espada	de	Ogun	tem	a	forma	de	uma	faca,	o	Ogun	é	o	deus	de
ferro,	o	rei	da	guerra”	(BASTIDE,	1961,	p.	191).
As	folhas	do	orixá	Ogum	também	permitem	proteção	e	segurança,	é	o	orixá	das
lutas	diárias,	das	batalhas	da	vida	e	de	conflitos	para	serem	superados,	pois
Ogum	está	sempre	pronto	para	ajudar	os	que	necessitam	de	sua	ajuda.
E	são	muitas	as	relações	de	Ogum	com	as	folhas:
“Desgostoso,	tirou	as	roupas	sujas,	vestiu-se	com	folhas	novas	de	palmeira	e	foi
viver,	sozinho”	(PRANDI,	p.	49,	2001).
“Então	Ogum	banhou-se,	vestiu-se	com	folhas	de	palmeira	desfiadas,	pegou	suas
armas	e	partiu.	Num	lugar	distante	chamado	Irê,	construiu	uma	casa	embaixo	da
árvore	de	acocô	e	lá	permaneceu”	(PRANDI,	p.	44,	2001).
“Ogum	mandou	que	ele	desfiasse	folhas	de	dendezeiro,	mariô,	e	as	colocasse	nas
portas	das	casas	de	seus	amigos,	marcando	assim	cada	casa	a	ser	respeitada,	pois
naquela	noite	Ogum	destruiria	a	cidade	de	onde	vinha	o	peregrino”	(PRANDI,	p.
45,	2001).
“Quando	se	cansou,	foi	dormir	no	alto	de	uma	palmeira.	Apanhou	algumas
folhas	de	mariô	para	cobrir	seu	corpo	e	defender-se	de	insetos	que	o
incomodavam”	(PRANDI,	p.	46,	2001).
Oya³⁵
As	folhas	de	Oya	além	de	nos	limpar,	nos	trazem	movimento,	união	com	a
família	e	amigos.	Utilizadas	de	forma	adequada	as	suas	folhas	ainda	são	capazes
de	atraírem	também	relacionamentos.
“ela	quem	faz	o	movimento	das214	folhas	das	árvores,	com	seus	ventos	e
também	é	Oya	que	faz	com	tudo	pare	de	se	mover”	(PEREIRA,	2019,	p.2013-
2014).
Como	em	todos	os	orixás	nem	todas	as	folhas	são	utilizadas	para	todos	os	fins,
por	isso	é	necessário	muito	cuidado	e	ter	certeza	do	uso	correto	de	cada	folha
para	o	objetivo	que	se	precisa.
Alguns	autores	fazem	uma	relação	forte	entre	as	folhas	de	Oya	e	de	Xangô,
observe:
“A	fôlha	de	fogo,	que	tem	um	colorido	avermelhado,	a	dormideira	vermelha
(mas	somente	a	desta	côr)	são	atribuídas	a	Xangô	e	a	Yansan	porque	a	côr	dêstes
dois	santos	é	o	vermelho”	(BASTIDE,	p.	191,	1961).
Mas	enquanto	as	folhas	de	Oya	movimentam	para	limpar	ou	unir,	as	de	Xangô
irão	nos	trazer	equilíbrio	nas	horas	certas,	a	justiça	e	o	saber	falar	o	que	se
precisa	no	momento	adequado,	por	isso	a	necessidade	de	se	saber	o	ofó	de	cada
folha	que	se	deseja,	no	momento	certo.
Oya	também	está	ligada	a	união	familiar,	as	mudanças	que	precisam	e	devem	ser
feitas	para	a	construção	de	seres	humanos	mais	unidos.
Xangô³
Uma	outra	versão	do	mito	que	inicia	esse	capítulo	relata	um	fato	determinante
para	que	Xangô	reconheça	a	importância	e	o	domínio	de	Ossanha	sobre	todas	as
folhas.
“Ossaim,	filho	de	Nanã	e	irmão	de	Oxumaré,	Euá	e	Obaluaê,	Era	o	senhor	das
folhas,	da	ciência	e	das	ervas,	O	orixá	que	conhece	o	segredo	da	cura	e	o
mistério	da	vida.	Todos	os	orixás	recorriam	a	Ossaim	Para	curar	qualquer
moléstia,	qualquer	mal	do	corpo.	Todos	dependiam	de	Ossaim	na	luta	contra	a
doença.	Todos	iam	á	casa	de	Ossaim	oferecer	seus	sacrifícios.	Em	troca	Ossaim
lhes	dava	preparados	mágicos:	Banhos,	chás,	infusões,	pomadas,	Abô,
beberagens.	Curava	as	dores,	as	feridas,	os	sangramentos;	As	disenterias,	os
inchaços	e	fraturas;	Curava	as	pestes,	febres,	órgãos	corrompidos;	limpava	a	pele
purulenta	e	o	sangue	pisado;	Livrava	o	corpo	de	todos	os	males.	Um	dia	Xangô,
que	era	o	deus	da	justiça,	Julgou	que	todos	os	orixás	deveriam	compartilhar	o
poder	de	Ossaim,	Conhecendo	o	segredo	das	ervas	e	o	dom	da	cura.	Xangô
setenciou	Que	Ossaim	dividisse	suas	folhas	com	os	outros	orixás,	mas	Ossaim
negou-se	a	dividir	suas	folhas	com	os	outros	orixás.	Xangô	então	ordenou	Que
Iansã	soltasse	o	vento	e	trouxesse	ao	seu	palácio	Todas	as	folhas	das	matas	de
Ossaim	Para	que	fossem	distribuídas	aos	orixás.	Iansã	fez	o	que	Xangô
determinara	gerou	um	furacão	que	derrubou	as	folhas	das	plantas	E	as	arrastou
pelo	arem	direção	ao	palácio	de	Xangô.	Ossaim	percebeu	o	que	estava
acontecendo	e	gritou:	“Euê	uassá”	“As	folhas	funcionam!”	Ossaim	ordenou	às
folhas	que	voltassem	às	suas	matas	E	as	folhas	obedeceram	às	ordens	de	Ossaim.
Quase	todas	as	folhas	retornaram	para	Ossaim.	As	que	já	estavam	em	poder	de
Xangô	perderam	o	axé,	perderam	o	poder	de	cura.	O	orixá-rei,	que	era	um	orixá
justo,	admitiu	a	vitória	de	Ossaim	Entendeu	que	o	poder	das	folhas	devia	ser
exclusivo	de	Ossaim	E	que	assim	devia	permanecer	através	dos	séculos.	Ossaim,
contudo,	deu	uma	folha	para	cada	orixá,	deu	uma	euê	para	cada	um	deles.	Cada
folha	com	seus	axés	e	seus	ofós,	que	são	as	cantigas	de	encantamento,	Sem	as
quais	as	folhas	não	funcionam.	Ossaim	distribuiu	as	folhas	aos	orixás	para	que
eles	não	mais	o	invejassem	eles	também	podiam	realizar	proezas	com	as	ervas,
Mas	os	segredos	mais	profundos	ele	guardou	para	si.	Ossaim	não	conta	seus
segredos	para	ninguém,	Ossaim	nem	mesmo	fala	Fala	por	ele	seu	criado	Aroni.
Os	orixás	ficaram	gratos	a	Ossaim	E	sempre	o	reverenciam	quando	usam	as
folhas”	(PRANDI,	153-154,	2001).
E	desde	então	cada	orixá	possui	a	sua	folha,	mas	sempre	necessita	do	axé	de
Ossanha	para	conseguir	o	despertar	da	folha,	para	fazer	com	que	a	folha	se	torne
remédio	e	se	tornando	remédio	possibilite	a	cura	que	se	deseja	para	todos	os
males.
Odé³⁷
O	culto	ao	orixá	Odé	está	ligado	ao	culto	das	florestas,	local	de	colheita	de
folhas,	e	acima	de	tudo	de	preservação,	pois	se	existe	além	de	Ossanha	um	orixá
preocupado	com	a	preservação	da	natureza	é	ele.
Suas	folhas	geralmente	estão	ligadas	a	conquistas,	ao	foco	nos	objetivos	e	saúde.
Odé	é	um	orixá	extremamente	preciso	e	de	grande	conhecimento	sobre	todas	as
matas.
“Ligado	à	floresta,	à	árvore,	aos	antepassados,	Oxóssi	como	caçador	ensina	o
equilíbrio	ecológico,	e	não	o	aspecto	predatório	da	relação	do	homem	com	a
natureza.	Com	ele,	aprendemos	a	concentração,	a	determinação	e	a	paciência
necessária	para	a	vida	ao	ar	livre”	(BARBOSA	JR.,	2011,	p.	37).
E	Odé	está	sempre	muito	próximo	de	Ogum	e	ambos	como	orixás	ligados	ao
mistério	das	matas	possuem	grande	ligação	com	todas	as	folhas	e	segredos
escondidos	em	cada	folha.
“Oxóssi,	o	deus	dos	caçadores,	teria	sido	o	irmão	caçula	ou	filho	de	Ogum.	Sua
importância	deve-se	a	diversos	fatores.	O	primeiro	é	de	ordem	material,	pois,
como	Ogum,	ele	protege	os	caçadores,	torna	suas	expedições	eficazes,	delas
resultando	caça	abundante.	O	segundo	é	de	ordem	médica,	pois	os	caçadores
passam	grande	parte	do	seu	tempo	na	floresta,	estando	em	contato	frequente	com
Ossain,	divindade	das	folhas	terapêuticas	e	litúrgicas,	e	aprendem	com	ele	parte
do	seu	saber.	O	terceiro	é	de	ordem	social,	pois	normalmente	é	um	caçador	que,
durante	suas	expedições,	descobre	um	lugar	favorável	à	instalação	de	uma	nova
roça	ou	de	um	105	https://periodicos.unifap.br/index.php/letras	Macapá,	v.	8,n.
3,	2º	sem.,	2018	vilarejo.	Torna-se	assim	o	primeiro	ocupante	do	lugar	e	senhor
da	terra	(Oníle),	com	autoridade	sobre	os	habitantes	que	aí	venham	a	se	instalar
posteriormente.	O	quarto	é	de	ordem	administrativa	e	policial,	pois	antigamente
os	caçadores	eram	únicos	a	possuir	armas	no	vilarejo,	servindo	também	de
guardas-noturnos”	(VERGER,	1997,	p.	56).
Obá³⁸
As	folhas	de	Obá	são	folhas	que	possuem	a	capacidade	de	movimentar,	de
mudança	de	rumo,	mas	também	são	folhas	que	permitem	eliminar	os	problemas,
já	que	a	sua	navalha	representa	o	corte	e	muitas	vezes	a	separação.
“Obá	é	a	dona	da	navalha,	das	tesouras,	da	lança	e	de	cortar	o	mal,	Obá	é
batalhadora.	Quando	é	representada,	está	sempre	com	a	mão	na	orelha	ou
alguma	folha	medicinal,	pois	cortou	sua	orelha”	(SANTOS,	2019,	p.	53).
Assim	Obá	também	permite	a	cura,	da	mesma	forma	que	os	demais	orixás
quando	as	suas	folhas	são	utilizadas	em	situações	em	que	o	seu	axé	se	faz
necessário.
Ossanha³
O	orixá	das	folhas	como	já	dito	é	quem	sabe	exatamente	como	fazer	o	uso	de
cada	folha,	de	cada	erva	para	cada	problema	de	saúde	que	se	tem,	é	quem
conhece	as	folhas	que	irão	acalmar,	as	folhas	que	irão	nos	movimentar,	folhas	de
fecundação,	folhas	venenosas,	folhas	de	calmaria	ou	de	excitação,	é	apenas
Ossanha	que	todos	os	segredos	e	encantamentos	conhece	e	assim	sabe	agir
sempre	da	forma	mais	adequada.
“Na	religião	dos	orixás,	Ossaim	é	o	orixá	da	saúde,	conhecedor}	das	folhas
curativas	e	das	ervas	litúrgicas.	Este	orixá	segundo	Pierre	Verger	e	originário	de
Irão,	atualmente	na	Nigéria,	perto	da	fronteira	com	o	ex-Daomé,	e	e	conhecido
por	Babá	Ewé,	isto	é	"folha".	Por	ele	descobrir	primeiro	o	segredo	das	folhas,	e
para	que	elas	servem,	que	energia	elas	trazem,	ele	é	praticamente	um	rei	[...]	no
cultivo	das	folhas	é	rei,	e	todos	os	orixás	precisam	das	folhas.	Desse	modo,	o
orixá	Ossaim	possui	lugar	privilegiado	nas	casas	de	matrizes	religiosas	dos
orixás	no	Brasil”	(BOTELHO,	2010,	p.	66).
Observe	que	a	relação	de	Ossanha	com	as	folhas	é	incontestável	e	indiscutível,	e
que	a	sua	relação	com	a	cura	de	doenças	sempre	esteve	presente.
“Ossanha	aqui	é	o	orixá	Ossaim,	senhor	das	ervas,	conhecedor	de	todas	elas,	dos
seus	segredos	e	poderes.	Alguns	mitos	contam	que	ele	aprendeu	tudo	com	Aroni,
o	gnomo	de	uma	perna	só,	enquanto	vivia	pelas	matas	e	florestas.	Noutros,	Aroni
é	seu	criado.	Orunmilá,	orixá	do	oráculo,	ao	se	dar	conta	dos	conhecimentos	de
Ossaim,	passa	a	contar	com	a	sua	presença	nos	momentos	de	consulta	ao	oráculo
de	Ifá.	Dessa	forma,	o	babalaô,	que	era	muito	procurado	por	doentes,	contaria
com	os	conhecimentos	de	Ossaim	sobre	as	ervas	para	ajudá-los	na	cura.	Assim,
não	há	trabalho	que	possa	ser	realizado	sem	a	mediação	de	Ossaim,	pois	é	ele
quem	possui	o	segredo	das	ervas”	(MORAIS,	p.	87,	2013).
Com	o	orixá	Ossanha	pode	se	confundir	com	a	própria	folha,	que	é	a	própria
manifestação	do	orixá.
“A	melhor	representação	para	Ossanha	são	as	folhas	que	emanam	da	natureza,	e
a	sua	representação	é	uma	haste	de	ferro	com	pássaro	em	cima.	No	batuque	esta
representação	foi	abandonada	e	se	faz	o	uso	de	um	coqueiro,	que	traz	a	mesma
ideia	da	haste	metálica.	Ossanha	está	ligado	ao	culto	da	floresta	pois	é	o
conhecedor	do	segredo	das	folhas,	e	de	como	estas	folhas	podem	ser	utilizadas
na	cura	de	doenças”	(PEREIRA,	180	p.	2019).
Xapanã⁴
As	folhas	em	geral	dedicadas	ao	orixá	Xapanã	são	plantas	que	carregam	a	cura⁴¹,
por	isso	devem	ser	utilizadas	preferencialmente	para	tratar	problemas	de	pele,
para	afastar	a	doença	de	pessoas	que	estão	com	muitos	doentes	por	perto.
Algumas	folhas	pertencentes	ao	orixá	Xapanã	devem	ser	utilizadas	com	cuidado
porque	são	muito	fortes.
“Enquanto	de	Ossaim	emana	o	poder	de	cura,	Omolu	ou	Obaluaê	é	o	curador,	o
médico,	aquele	que	possibilita	a	cura	acontecer,	uma	vez	que	Obaluaê	é	o	dono
da	terra.	É	da	terra	que	brotam	as	plantas	com	suas	folhas.	A	terra	produz	tanto
as	Aurino	José	Góis	Horizonte,	Belo	Horizonte,	v.	11,	n.	29,	p.	321-352,
jan./mar.	2013	–	ISSN	2175-5841	346	plantas	que	curam	quanto	as	plantas	que
matam	e	é	nessa	energia	que	vibra	esse	Orixá”	(SANTOS,	1986	apud	PRANDI,
2001	p.204-206).
As	doenças	de	pele	são	as	principais	causas	de	recorrência	ao	orixá	Xapanã,	já
que	com	seus	encantamentos,	rezas	e	as	folhas	adequadas	podemos	afastar	a
maioria	das	doenças	de	pele.
“foi	possível	constatar	que	doenças	de	pele,	por	exemplo,	eram	tratadas	com
folhas	de	Omulu	(orixá	que	tinha	a	pele	chagada)“	(VASCONCELOS,	2006,	p.
58).
São	diversas	as	formas	que	Xapanã	é	reconhecido,	e	cada	nação	o	chama	da	sua
maneira	e	de	todas	elas,	ele	como	um	bom	pai	está	sempre	disposto	a	ajudar:
“Obalúayé	(‘Rei	Dono	da	Terra’)	ou	Omolu	(‘Filho	do	Senhor’)	são	os	nomes
geralmente	dados	a	Sànpònná,	deus	da	varíola	e	das	doenças	contagiosas,	cujo
nome	é	perigoso	ser	pronunciado.	Melhor	definindo,	ele	é	aquele	que	pune	os
malfeitores	e	insolentes	enviando-lhes	a	varíola”	(VERGER,	1997,	p.80).
O	orixá	Xapanã	para	alguns	é	considerado	ligado	a	pobreza	e	a	miséria,	que	se
sabe	que	não	é	verdade,	o	que	se	pode	é	relacioná-lo	de	fato	a	simplicidade	da
vida,	da	forma	de	viver:
“Omulu	comia	o	que	a	mata	dava:	frutas,	folhas,	raízes”	(PRANDI,	2001,	p.
204).
Ibeji⁴²
As	folhas	dedicadas	ao	orixá	Ibeji	são	folhas	que	podem	nos	trazer	paz,
harmonia,	alegria	na	nossa	vida,	equilíbrio	e	saúde.	São	recomendadas	para
terem	seu	uso	sobretudo	em	crianças,	pois	as	crianças	são	todas	dedicadas	a	esse
orixá.
Ibeji	por	muitos	é	reconhecido	na	beleza	que	existe	em	todos	os	lugares	da
natureza,	nas	folhas	que	brotam,	nos	animais	que	brincam,	nos	pássaros	que
cantam.
Oxum⁴³
Oxum	carrega	a	sua	doçura	em	todos	os	seus	axés	e	em	suas	folhas,
independente	da	forma	e	do	gosto	que	as	suas	folhas	tenham,	pois,	ao	ser	do	axé
de	Oxum	já	carrega	a	sua	doçura.
Oxum	é	considerada	o	grande	útero	que	povoa	o	mundo,	que	cria,	que	cuida	e
que	permite	que	a	via	ocorra	de	todas	as	formas.
As	folhas	de	Oxum	além	de	trazerem	harmonia,	também	estão	relacionadas	a
fertilidade	e	a	beleza,	muitas	de	suas	folhas	são	perfumadas	e	alegram	os
ambientes.
Mas	Oxum	também	é	o	orixá	que	está	intimamente	ligado	a	riqueza,	por	isso
suas	folhas	também	são	atrativas	para	a	prosperidade	e	crescimento	quando
necessário	e	em	acordo	com	o	jogo	de	búzios.
Com	Oxum	também	podemos	fazer	com	que	as	pessoas	fiquem	mais	próximas
as	famílias,	trazendo	tranquilidade	e	muitas	vezes	a	calmaria.
E	embora	Oxum	não	seja	um	orixá	ligado	aos	cultos	das	florestas,	também	temos
folhas	dedicadas	para	Oxum:
“Muitos	são	os	orixás,	e	cada	um	possui	o	seu	domínio;	aqueles	mais	associados
ao	domínio	da	mata	são	Oxóssi,	Ossaim	ou	Ogum,	onde	o	sincretismo	com	os
elementos	vegetais	é	óbvio3,4.	Mas	mesmo	outros	orixás	que	ocupam	domínios
como	o	da	água	(Iemanjá,	Oxum)	ou	do	fogo	(Exu,	Iansã)	possuem	sempre	pelo
menos	uma	erva		associada.	Ou	seja,	o	papel	dos	elementos	vegetais	é	nuclear	na
consolidação	e	manutenção	dessas	religiões,	bem	como	de	seus	valores”	(SILVA,
p.12-13,	2018).
Iemanjá
Vamos	recorrer	a	Iemanjá	em	suas	folhas	para	melhorar	nossos	pensamentos,
afastando	os	pensamentos	ruins	e	possibilitando	bons	pensamentos.
É	um	orixá	muito	ligado	ao	cuidado,	a	proteção	do	ser	humano,	sempre	atento	as
necessidades	de	cada	um,	observe	o	mito	onde	Iemanjá	cuida	de	Omulú:
“Há	uma	lenda	que	diz	da	imensa	generosidade	de	Yemanjá	para	com	Omolu,
quando	este,	rejeitado	por	sua	mãe	Nanã,	foi	abandonado	na	praia	para	que	o
mar	o	levasse.	Nanã	se	recusou	a	mantê-lo	junto	a	si	por	não	suportar	a	feiura	do
filho,	que	também	era	manco	e	cheio	de	feridas.	Um	grande	caranguejo	se
aproximou	do	bebê	e	o	atacou	com	suas	pinças,	tirando	pedaços	de	sua	carne.
Quando	Yemanjá	saiu	das	águas	e	o	avistou,	abrigou	Omolu	em	uma	gruta	e
passou	a	cuidá-lo	com	curativos	de	folhas	de	bananeira	e	alimentando-o	com
pipocas	sem	sal	nem	gordura,	até	que	se	recuperasse.	Depois	de	curado,	Yemanjá
o	criou	como	a	um	filho.	Desde	então,	uma	profunda	ligação	se	estabeleceu	entre
os	dois	orixás.”	(SANTOS,	p.	57,	2013)
Oxalá⁴⁴
É	com	Oxalá	que	conseguimosa	calmaria,	a	tranquilidade	e,	também	a	paz	para
os	nossos	dias	quando	estamos	muito	agitados.
As	folhas	de	Oxalá	também	são	indicadas	para	pessoas	muito	doentes	ou
crianças	muito	pequenas	que	precisam	fazer	um	banho	de	ervas,	mas	não	podem
utilizar	demais	ervas	de	limpeza.
“a	côr	de	Oxalá	sendo	o	branco,	(97)	L.	CABRERA,	o.	e,,	pág.	100,	A
ESTRUTURA	DO	MUNDO	-	191	o	tapête	de	Oxalá	cujas	fôlhas	são
circundadas	por	uma	espécie	de	pêlo	branco,	e	o	algodão,	que	no	arrebentar	das
sementes	deixa	escapar	a	brancura	imaculada	de	seus	flocos,	são	atribuídos	a
Oxalá”	(BASTIDE,	p.	190-191,	1961).
E	como	já	se	disse	todas	as	folhas	são	sagradas	e	merecem	respeito,	evitando
assim	o	corte	desnecessário,	sob	pena	de	desagradar	os	orixás	que	zelam	e
cuidam	de	todas	as	folhas.
CAMARGO	(2013,	p.	105)	nos	lembra	da	relação	das	folhas	de	Oxalá	com	o	seu
manto:
“As	folhas	representam	o	manto	de	Oxalá,	elas	somente	devem	ser	utilizadas
quando	forem	de	extrema	necessidade,	nada	deve	ser	retirado	da	natureza	se	não
for	necessário,	nem	sequer	uma	folha	pode	ser	retirada	da	natureza	sem	um
propósito,	pois	toda	a	vida	é	sagrada”.
Orumilaia⁴⁵
Orumilaia	é	o	orixá	da	visão,	e	por	consequência	também	a	quem	recorremos
contra	o	conhecido	“olho	grande”,	ou	“olho	gordo”	por	isso	suas	folhas	são
utilizadas	para	evitar	o	“olho	grande”	ou	afastar	e	são	folhas	que	facilitam	a
mediunidade	de	todos.
“Orunmilá	(Elerin	Ipin),	o	testemunho	do	destino	dos	seres	humanos,	está
precisando	de	um	criado.	Ele	vai	ao	mercado	e,	entre	os	escravos	que	estão	à
venda,	ele	escolhe	Ossain.	Manda-o	desmatar	o	campo	para	preparar	as	novas
plantações.	Entretanto,	para	desespero	de	Orunmilá,	Ossain	volta	à	noite,	sem	ter
cumprido	sua	ordem.	Orunmilá	lhe	pergunta	por	que	ele	nada	fez.	Ossain	lhe
responde:	"Todas	estas	plantas,	estas	folhas	e	estas	ervas	têm	virtudes.	Elas	não
podem	ser	destruídas.	Esta	folha,	por	exemplo,	acalma	as	dores	de	dentes;	esta
outra,	protege	contra	os	efeitos	de	trabalhos	maléficos;	esta	outra,	ainda,	cura	a
febre.	Impossível,	em	verdade,	arrancar	plantas	tão	necessárias	à	saúde	e	a
felicidade!"	Orunmilá	impressionado,	decide	que	Ossain	deverá,	a	partir	de
então,	permanecer	ao	seu	lado	durante	as	sessões	de	adivinhação,	para	guiá-lo	na
escolha	dos	remédios	que	deverá	prescrever	a	seus	consultantes.	Uma	surda
rivalidade	se	estabelece,	pouco	a	pouco,	entre	esses	deuses.	Ossain,	sofrendo	por
ser	mantido	em	submissão,	vangloriava-se	de	ser	mais	importante	que	Orunmilá,
pois	ele	possuía	o	poder	da	magia	mortal	e	dos	medicamentos	que	preparava”
(VERGER,	p.	72,	1997).
Como	é	demonstrado	no	mito	é	de	suma	importância	compreender	que
Orumilaia	nos	mostra	o	que	devemos	fazer,	que	ervas	devemos	utilizar	e	como
devem	ser	através	do	jogo	de	búzios,	pois	a	partir	do	jogo	Ossanha	se	comunica
com	Orumilaia	e	assim	permite	que	a	folha	correta	para	cada	problema	seja	a
utilizada,	solucionando	assim	o	problema	que	se	deseja	solucionar.
Um	outro	mito	ainda	nos	conta:
“Ifá	foi	consultado	por	Orumilá	que	estava	partindo	da	terra	para	o	céu	indo
apanhar	todas	as	folhas.
Quando	Orumilá	chegou	ao	céu	Olódùmaré	disse:
–	Eis	todas	as	folhas	que	queria	pegar.
O	que	fará	com	elas?
Orumílá	respondeu	que	iria	usá-las	para	benefício	dos	seres	humanos,	e	todas	as
folhas	que	ele	estava	pegando,	ele	carregaria	para	a	Terra.
Quando	chegou	no	meio	do	caminho	entre	o	céu	e	a	terra,	ele	encontrou	Ossanha
e	perguntou:
–	Ossanha	onde	vai?
-Vou	ao	céu,	vou	buscar	folhas	e	remédios.
Orumilá	disse	que	já	havia	ido	buscar	as	folhas	no	céu	e	ele	poderia	fazer
remédios	com	elas,	porém	não	conhecia	seus	nomes.
Foi	Orumilá	quem	deu	nome	a	todas	as	folhas,	e	disse	pra	Ossanha	que
carregasse	todas	as	folhas	para	a	terra.
Foi	assim	que	Orumilá	entregou	todas	as	folhas	para	Ossanha	e	também	ensinou
a	ele	o	nome	das	folhas	apanhadas	junto	com	todo	o	poder	delas,	o	qual	ele
guardava	em	uma	cabaça	pendurada	em	um	galho	de	árvore”
Orumilaia	é	um	dos	Orixás	mais	antigos	conhecidos	e	dotado	de	grande	respeito
entre	todos	os	orixás	e	humanos,	conhecedor	de	todos	os	segredos	e	mistérios	do
mundo,	testemunha	de	todos	os	destinos	e	por	isso	quem	melhor	pode	aconselhar
cada	um	dos	seres	humanos.
“Os	primeiros,	adivinhos,	representados	por	Orunmilá,	constituíam	uma	classe	à
parte,	gozavam	de	prestígio	junto	ao	rei	graças	aos	seus	estudos	e	técnicas
aprendidas	desde	crianças.	Ossaim	reunia	um	grupo	mais	simples	que	saía	pelas
cidades	e	curava	através	de	“remédios	de	folhas”.	Era	chamado	pelos	primeiros
de	simples	“feiticeiros”.	Orunmilá	fez	o	seguinte	desafio	a	Ossaim.	A	fim	de
provar	qual	saber	era	mais	importante,	os	dois	enterrariam	seus	únicos	filhos	e
no	quarto	dia	a	criança	que	permanecesse	viva	serviria	como	prova	de
superioridade	e	importância.	Ossaim	aceitou.	Foram	abertas	duas	covas,	uma	ao
lado	da	outra.	Numa	foi	colocada	Oferenda,	o	filho	de	Orumilá,	e	na	outra
Remédio,	o	filho	de	Ossain.	Durante	os	dias	a	cidade	acompanhou	atentamente	a
fim	de	que	não	houvesse	trapaça.	Enterrado	uma	ao	lado	do	outra,	as	crianças
fizeram	um	pacto:	durante	aqueles	dias	uma	ajudaria	ao	outro	a	sobreviver.	No
qu-arto	dia,	a	cova	onde	foi	enterrado	o	filho	de	Orunmilá	foi	aberta	e	lá	estava
Oferenda	com	vida,	os	Babalawôs	festejaram	de	alegria,	estava	provado	que	o
saber	das	folhas	de	nada	valia.	Para	surpresa	de	todos,	ao	abrir	a	cova	onde
estava	o	filho	de	Ossain,	Remédio	também	estava	vivo.	Depois	as	crianças
explicaram	o	acordo	que	fizeram	e	todos	compreenderam	que	não	há	saber	mais
importante	do	que	o	outro.	No	Universo	vale	mais	aquilo	que	soma.	É	por	isso
que	se	diz	que	Sacrifício	não	deixa	Oferenda	morrer.	Está,	assim,	explicado	o
porquê	de	todas	as	oferendas	se	iniciarem	com	folhas	que	são	ora	maceradas,	ora
comidas	pelo	presente	dado	aos	ancestrais.	A	partir	desse	acontecimento	as
pessoas	começaram	a	fazer	músicas	que	falam	do	princípio	vital	que	circula	nas
folhas	e	nos	dá	vida	através	da	oferenda.”	(JUNIOR,	2011,	p.	64)
Iroko⁴
Sem	dúvida	nenhuma	o	orixá	Iroko	é	especial,	é	a	própria	manifestação	de	um
orixá	em	uma	árvore,	considerada	a	primeira	plantada	no	mundo:
"Ìrókò!	Oluwéré,	Ògìyán	Èlèijù,	que	se	pode	traduzir	livremente	por:	Ìrókò,
árvore	proeminente	entre	todas	as	outras,	o	Òrìsà-funfun	(Ògìyán)	do	âmago	da
floresta"	(Santos	1979:77).
Uma	outra	versão	do	mito	que	conta	como	ocorreu	a	distribuição	das	folhas
entre	os	orixás	faz	uma	relação	com	Iroko:
“Uma	antiga	história	yorùbá	versa	que	Osanyin	era	o	único	Òrìsà	que	conhecia	o
segredo	das	folhas.	Ele,	por	conta	disso,	foi	considerado	um	dos	grandes	pais	da
botânica	yorùbá,	ganhando	notório	prestígio	dentre	todos.	Sobre	isso,	não
podemos	esquecer	que	na	sociedade	yorùbá,	as	folhas	possuem	um	papel
determinante,	sendo	que	para	tudo	no	culto	aos	Òrìsàs	as	folhas	são	utilizadas,
afinal,	como	diz	o	ditado	"Sem	folha	não	há	Òrìsà".	Mas,	isso	causava	certo
desconforto	aos	demais	Òrìsàs,	pois	para	tudo	eles	dependiam	de	Osanyin.	Esse
desconforto	acometia	principalmente	Sàngó,	o	grande	rei	da	cidade	de	Oyo.
Sàngó	sentia-se	minorado	por	depender	de	Osanyin	e,	insatisfeito,	lamentou-se
com	sua	Ayaba	à	época,	a	grande	rainha	dos	ventos,	Yansan.	
Yansan	sabia	que	os	segredos	da	utilização	das	folhas,	os	incontáveis	Ofós,	eram
guardados	por	Osanyin	na	copa	de	uma	gigantesca	árvore	de	Iroko.	Osanyin,
cuidadosamente	guardava	todos	os	mistérios	que	havia	aprendido	em	uma
cabaça,	acreditava	ele,	que	ali,	na	copa	do	frondoso	Iroko	ninguém	jamais
ousaria	arriscar-se	a	lhe	roubar,	corroborava	esse	pensamento,	o	fato	das
Divindades	possuírem	grande	medo	e	respeito	pela	árvore	de	Iroko,	vez	que	essa
árvore	também	é	a	morada	de	diversos	espíritos,	principalmente	durante	a	noite.
No	entanto,	Yansan	não	precisava	sequer	aproximar-se	da	árvore	de	Iroko,	ela
possuía	o	poder	de	comandar	os	grandes	vendavais	e	assim,	com	o	intento	de
deixar	seu	marido	Sàngó,	feliz,	produziu	uma	tempestade	de	vento	como	nunca
havia	se	visto	antes.	
Todos	ficaram	com	muito	medo,	muito	medo	mesmo.	Certo	momento,	o	vento
chegou	à	árvore	de	Iroko,onde	estavam	guardados	os	mistérios	das	folhas	e	o
exemplar	de	cada	uma	delas.	O	vento	produzido	por	Yansan,	fez	com	que	a
cabaça	caísse	ao	chão	espalhando	todos	os	exemplares	das	folhas	guardadas	por
Osanyin.	O	grande	Deus	da	folha	atordoado	com	aquilo,	correu	e	conseguir
pegar	todos	os	Ofós	(magias),	por	outro	lado,	cada	Divindade	começou	a	pegar
os	exemplares	de	folhas	que	se	espalhavam	por	conta	do	vento.	
Desse	modo,	Yansan	colheu	folhas	como	Afere,	Sango,	pegou	exemplares	como
Ipesanyin,	Tanna-Tanna	e	Ewé	Iná.	Ogun,	pegou	folhas	como	Peregun,	Odan	e
Araba.	Osun	atraiu-se	pelas	folhas	de	Osibata	e	Ojuro,	seu	filho,	Logun-Ede,
colheu	muitas	folhas	de	Bomimu	e,	assim,	cada	Orisa	pegou	um	bom	montante
de	folhas	que	hoje,	são	as	folhas	que	destinamos	a	eles.	Apesar	disso,	quando
todos	os	Òrìsàs	estavam	cheios	de	folhas,	eles	se	deram	conta	de	que	não	sabiam
como	potencializar	cada	uma	delas,	eles	perceberam	que,	apesar	de	estarem	com
tantas	folhas,	não	sabiam	exatamente	o	que	fazer	com	cada	uma	delas	e,
continuaram	dependendo	de	Osanyin”.	(Fonte	Ylê	Asé	Òsúmàré,	disponível	em
Divina	Flor	Verde)
E	assim,	até	hoje,	nós	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,	antes	das	obrigações,	todos	os
filhos	da	casa	obrigatoriamente	sempre	fazem	banhos	de	ervas	maceradas,	e	o
uso	das	folhas	é	sempre	incentivado	dentro	do	axé,	de	diversas	formas,	pois	todo
o	axé	inicia	sempre	com	o	axé	das	folhas,	seja	para	se	recolher	em	uma
obrigação	religiosa,	seja	para	fazer	o	assentamento	de	um	orixá,	ou	ainda	tirar
energias	ruins	do	copo,	nada	se	faz	sem	o	uso	das	folhas.
-
O	coqueiro	é	um	tipo	de	palmeira,	produz	o	coco	que	é	um	fruto	amplamente
apreciado	e	utilizado	dentro	da	cultura	africana,	presente	em	axés	e	diversos
doces	que	são	servidos	as	divindades.
Para	cada	orixá	uma	folha
Ewé	n’jé
Oógún	n’jé
Oógún	tikò	jé
xewé	rè	ní	kò	pè
As	folhas	funcionam
Os	remédios	funcionam
Remédio	que	não	funciona
é	que	tem	folhas	faltando
ara	a	religião	africana	é	indiscutível	que	as	folhas	funcionam	e	por	isso	o	correto
conhecimento	sobre	elas	além	de	fazer	com	que	os	iniciados	compreendam
melhor	a	religião	dos	orixás	nos	permite	compreender	que	cada	orixá	habita	em
uma	folha,	e	que	cada	folha	possui	propriedades	mágicas	guardadas	junto	ao
segredo	de	cada	orixá,	e	por	isso	cada	folha	está	vinculada	a	um	orixá.
“As	folhas	em	geral,	pertencem	a	Ossâim,	mas	cada	orixá	tem	suas	folhas	afins
ou	“folhas	que	lhe	pertencem”	(VASCONCELOS,	p.	2006,	56).
Já	faz	algum	tempo	que	se	pensa	a	Fortaleza	Ilê	Orixá	como	uma	casa	de	axé
onde	todos	os	orixás	devem	ter	suas	ervas	definidas,	através	do	jogo	de	búzios,
de	acordo	com	a	vontade	de	cada	orixá,	pois	os	axés	são	dinâmicos	e	não	são
P
iguais	e	a	disponibilidade	de	cada	planta	também	é	desigual	em	cada	região,	o
que	torna	difícil	o	culto	ao	orixá	nessas	condições.
Se	assim	não	fosse	como	cultuar	um	orixá	que	precise	de	uma	folha	que	não
existe	na	região?	E	se	todos	os	orixás	são	oriundos	da	África	[e	realmente	são],
sabemos	que	nem	todas	as	folhas	que	são	oriundas	de	lá	terão	condições	de	se
adaptarem	em	outras	regiões	com	climas	e	temperaturas	muito	diferentes	de	sua
origem.
“As	folhas	formam	uma	grande	força	na	farmacopéia	africana.	O	conhecimento
que	os	negros	têm	das	virtudes	benéficas	e	nocivas	das	plantas	é	indiscutível.	No
entanto,	nem	todos	os	praticantes	das	religiões	afro-brasileiras	sabem	os
verdadeiros	e	ocultos	significados	e	utilidades	dos	materiais	que	usam	em	seus
rituais	e	oferendas.	A	grande	maioria	usa-os	porque	é	tradição	usá-los”
(GOMES,	p.	112,	2008)	.
Pai	Alexandre	de	Oya	e	Pai	Ronie	de	Ogum	entraram	em	consenso,	depois	de
muito	tempo	já	fazendo	uso	de	ervas	diariamente	a	definir	quais	seriam	as	ervas
dentro	do	axé	para	cada	orixá,	assim	Pai	Alexandre	jogou	seus	búzios	no	dia
04/02	e	Pai	Ronie	fez	o	jogo	de	seus	búzios	nos	dias	20/02	e	04/04/2020,	ficando
desta	forma	definidas	as	principais	ervas	que	deveriam	ser	utilizadas	dentro	do
axé.	Posteriormente	também	Pai	Ronie	jogou	búzios	em	22/05/2020	e
27/07/2020	e	Pai	Alexandre	jogou	novamente	búzios	no	dia	26/07/2020,
determinando	assim	mais	ervas	que	definidas	para	cada	orixá	dentro	do	rito	da
casa.
“Cada	divindade	tem	suas	folhas	particulares.	O	emprego	de	uma	folha
contraindicada	poderá	ter	efeitos	nefastos.	Cada	folha	é	dotada	de	certa	virtude.
Há	a	folha	da	fortuna,	da	felicidade,	da	glória,	da	fecundidade,	da	alegria,	da
oportunidade,	da	fraqueza,	da	paz,	da	longevidade,	da	coragem,	das	vestimentas,
do	corpo,	dos	pés,	etc.	Há	também	a	da	miséria,	da	conversação	indiscreta	e
doutras	menos	aceitáveis	ainda”	(GOMES,	p.	115,	2008).
Mais	do	que	apenas	criar	uma	lista	de	que	plantas	que	devem	e	não	devem	ser
utilizadas	para	cada	orixá	a	classificação	das	ervas	aos	orixás	na	Fortaleza	Ilê
Orixá	serve	para	orientar	todo	o	axé,	que	fica	desta	maneira	com	uma	fonte	de
consulta	e	constante	aprendizado,	e	que	claro	não	cessa	nunca,	deve	estar	em
constante	estudo	e	aprendizado.
E	as	folhas	dedicadas	a	cada	orixá	seguem	um	padrão	“Os	Òrìsàs	que	são	as
representações	das	forças	da	natureza	têm	nas	folhas	um	princípio	que	está
associado	aos	quatro	elementos,	as	ewé	afééfé	–	folhas	de	ar,	as	ewé	iná	–	folhas
de	fogo;	as	ewé	omí	–	folhas	de	água;	as	ewé	ilè	–	folhas	de	terra.	Por	isso	cada
òrìsà	tem	características	próprias	e	folhas	que	o	identificam.	O	ser	humano	nessa
relação	se	torna	receptor	de	toda	energia	do	òrìsà	e	da	natureza”	(JÚNIOR,	p.	23,
2018).
Segundo	Barros	(2009),	o	uso	de	certo	ou	determinado	tipo	de	planta	dentro	de
um	terreiro	varia		de		acordo		com		cada		casa,		havendo		determinadas		casas	
que		fazem		uso		de	certas		folhas		para		determinadas		finalidades		e,		em		outras	
casas,		estas		mesmas		plantas		são	categorizadas		de		outras		maneiras,		podendo	
ser,		por	exemplo,		consideradas		como	pertencentes	a	outros	Orixás,	ou	então
tidas	como	adequadas	para	curarem	outros	tipos	de	males	ou	de	doenças,	sejam
elas	espirituais	ou	físicas.		Porém,	vale	ressaltar	que	todas	as	casas	utilizam,	em
seus	rituais,	determinados	tipos	de	plantas”.
E	cada	energia	é	sempre	apropriada	para	cada	situação	ou	momento	em	que
estamos	vivendo,	assim	uma	folha	se	faz	necessária	quando	se	precisa	de	uma
determinada	energia,	de	uma	determinada	força,	de	um	determinado	axé,	que	irá
desta	forma	nos	fortalecer	nos	dar	equilíbrio,	axé	para	ser	somado,	e	com	isso
fazer	com	que	alguns	problemas	sejam	solucionados.	Mas	o	axé	de	uma	planta
não	é	somente	para	trazer	equilíbrio	ou	resolução	de	problemas,	também	pode
ser	utilizado	para	abrir	novas	portas,	novos	objetivos,	para	trazer	saúde	e	tudo
mais	que	de	acordo	com	o	jogo	de	búzios	for	definido	como	possível	de	ser
utilizado.
“A	combinação	das	ervas	influencia	na	qualidade	do	Àse,	devido	a	esse	fator
deve	ser	detentor	do	conhecimento,	a	fim	de	realizar	as	combinações	das	folhas;
cada	folha	é	portadora	de	uma	carga	energética	e	mágica,	todos	os	elementos
inseridos	no	culto	de	Sasànyín	devem	formar	uma	composição	de	símbolos
sagrados	para	a	realização	do	ritual	de	sua	liturgia.	Os	Àses	transmitidas	pelas
folhas	deve	ter	um	princípio	ativo,	individual	de	cada	utilidade.	Sendo	um	ritual
individualizado.	Nos	cultos	das	folhas,	os	ritos	possuem	Àses	herdado	dos
ancestrais,	cujo	poder	vem	repassando	de	gerações	em	gerações,	devido	a	isso,	a
conduta	dentro	das	cerimônias	ritualísticas	deve	ser	de	deveres	e	obrigações	ao
sagrado.	O	Àse	das	folhas,	tem	a	função	de	absorver	e	eliminar	energias.	O	culto
pode	diminuir	ou	aumentar	o	poder	da	eficácia	das	folhas.	A	forma	de	colher,	os
elementos	inseridos	na	construção	dos	rituais	sagrados	das	folhas	influenciam
nos	poderes	da	realização”	(JÚNIOR,	p.	68,	2018).
E	cada	planta	pertence	a	um	determinado	orixá,	e	carrega	consigo	o	axé	de
realização,	ou	seja,	o	axé	do	próprio	orixá	ao	qual	a	planta	foi	estabelecida	como
pertencente,	e	assim,	fazer	uso	de	uma	determinada	planta	é	receber	o	axé	do
orixá	que	está	associado	a	esta	planta.
“Reverenciar	a	folha	e	pedir	licença	ao	seu	patrono	que	é	Ossaim	demonstra	que
o	homem	é	apenas	parte	de	conjuntonatural	e	harmônico,	o	ser	humano	não	é	o
dono	de	tudo,	mas	parte	de	um	complexo	e	organizado.	No	encantamento	das
folhas,	a	palavra	adquire	um	poder	de	ação	muito	forte,	porque	ela	está
impregnada	de	axé,	essas	palavras	rituais,	ofó,	mobilizam	o	axé	quando
pronunciada	de	acordo	à	dinâmica	litúrgica.	Por	isso	as	palavras	estão	carregadas
de	emoção,	da	história	pessoal	e	do	poder	daquele	que	a	profere.	A	palavra	é
atuante	e	pronunciada	no	momento	certo	induz	à	ação.	No	universo	religioso
afro-brasileiro	a	fala	é	transmissora	do	saber	que	desperta	o	poder	mágico	da
folha”	(BOTELHO,	p.	5,	2010).
Antes	de	qualquer	coisa	não	podemos	nunca	esquecer	que	todas	as	folhas
pertencem	ao	orixá	Ossanha,	dono	de	todas	as	folhas,	de	todas	as	árvores
existentes	e,	também	o	único	detentor	de	todo	conhecimento	sagrado	de	cada
uma	delas,	conhece	a	essência	de	cada	folha	como	ninguém.	Somente	Ossanha
conhece	o	segredo	mais	íntimo	de	cada	folha,	e	desta	maneira	tem	condições	de
despertar	todo	o	seu	axé,	a	partir	de	encantos	conhecidos	apenas	por	ele,
chamados	de	ofós.
“À	cada	divindade	são	conferidos	elementos,	como	as	forças	da	natureza	e	as
folhas	sagradas,	plantas	cujo	princípio	ativo	dialoga	com	sua	essência.	Alguns
princípios	que	são	vitais	para	uns,	são	nocivos	para	outros,	o	que	chamamos	de
interdição”	(MARTINS,	2016,	p.	17).
Mas	embora	cada	folha	seja	de	Ossanha,	cada	orixá	possui	sua	folha	ritualística,
a	folha	que	emana	o	seu	axé,	folha	mais	apropriada	para	que	ocorra	o	efetivo
poder	que	se	deseja	retirar	de	cada	erva.	E	o	encantamento	é	quem	faz	a	folha
agir	como	um	remédio.
“cada	planta	tem	seu	poder,	mas	fica	mais	forte	se	usada	no	momento	e	dia
certo”	(FARELLI,	1988).
Sem	desrespeitar	a	forma	que	cada	casa	de	axé	faz	o	culto	das	suas	ervas,	segue
abaixo	a	tabela	com	as	ervas	dedicadas	a	cada	orixá	dentro	do	Ilê	Orixá,	e	como
a	quantidade	de	ervas	utilizadas	é	grande	e	conhecida	é	sempre	ínfima,	essa	está
sempre	sujeita	a	possuir	acréscimos	de	acordo	com	a	definição	de	novas	ervas	no
jogo	de	búzios	dentro	do	axé.
Assim	como	cada	orixá	possui	sua	erva,	ele	também	possui	domínio	sobre
algumas	árvores.	Ter	o	domínio	de	um	orixá	sobre	uma	árvore	significa	que	ela	é
uma	emanação	do	seu	axé.	A	vegetação	em	um	todo	é	a	própria	representação	do
orixá	que	está	sempre	presente	e	viva	em	cada	um	de	nós,	pois	não	se	pode
conceder	a	existência	de	orixá	sem	natureza.
A	relação	folha/orixá	se	evidencia	com	a	existência	de	quatro	compartimentos
estruturados	a	partir	de	uma	concepção	de	categorias	lógicas	e	ordenadas
segundo	a	visão	de	mundo	dos	jejes-nagôs.	Sendo	os	orixás	representações	vivas
das	forças	que	regem	a	natureza,	as	folhas	a	eles	atribuídas,	no	contexto
litúrgico,	associam-se,	consequentemente,	a	esses	elementos.	Barros	(1993:60),
estudando	essas	classificações,	verificou	que:	“Os	vegetais	estão	dispostos	em
quatro	compartimentos-base	diretamente	relacionados	aos	quatro	elementos;	as
ewé	afééfé-folhas	de	ar	(vento);	as	ewé	inón-folhas	de	fogo;	as	ewé	omi-folhas
de	água;	e	as	ewé	ilé	ou	ewé	igbófolhas	da	terra	ou	da	floresta”.	Nestes	quatro
compartimentos-base,	concentra-se	o	panteão	jeje-nagô”	(BARROS;
NAPOLEÃO.	1999,	p.23).
Uma	árvore	ao	ser	consagrada	para	um	orixá	não	significa	que	esta	seja	utilizada
para	banhos	ou	que	será	colocada	nas	obrigações	rituais,	o	que	também	pode
acontecer.	Ter	uma	planta	dedicada	a	um	orixá	significa	que	a	energia	do	orixá	é
emanada	por	aquela	erva,	planta	qualquer	ou	árvore.	Algumas	árvores	são
consagradas	por	produzirem	os	frutos	destinados	a	cada	orixá,	e	em
consequência	também	são	árvores	consagradas	a	eles,	mas	isso	não	é	uma	regra.
Uma	mesma	árvore	assim	pode	ter	seu	fruto	dedicado	a	um	orixá,	suas	folhas
para	outro	e	ainda	suas	raízes	e/ou	flores	para	outro	orixá.
A	existência	de	árvores	sagradas	dentro	de	um	axé	o	torna	mais	sagrado,	pois
assim	se	possui	a	morada	do	orixá,	força	de	realização.
“vegetais	que	compartilham	com	a	divindade	[Oxum]	algumas	características	em
comum	(como	perfume,	suavidade,	sutileza),	que	perpassam	e	compõem	os
filhos-de-santo	banhados	por	elas”	(CARLESSI,	p.	859,	2017).
As	bananeiras	são	árvores	presentes	em	diversas	regiões,	existem	diversas
espécies,	algumas	com	frutos	comestíveis	e	outros	não.	O	fruto	é	amplamente
consumido	no	mundo.
Principais	ervas	para	cada	orixá⁴⁷
“Ewê	o	assa!”,	ou	seja,	“Que	as	folhas	sejam	nossa	defesa!”	(BENISTE,	1997,	p.
312).
ssa	tabela	é	apenas	ilustrativa	não	devendo	ser	utilizada	sem	prévio
conhecimento	das	folhas	e	orientação	através	de	jogo	de	búzios.
As	folhas	referem-se	a	definições	para	uso	no	axé.	Somente	podem	ser	utilizadas
por	enquanto	folhas	para	banho	que	já	foram	utilizadas	e	são	de	conhecimento
comum	dentro	do	axé.
Uma	folha	ser	de	um	orixá	não	significa	que	pode	ser	utilizada	para	banho	de
ervas,	pois	existem	folhas	apenas	para	limpeza,	folhas	apenas	de	afastamento
dentre	diversos	tipos.
A	tabela	serve	para	orientar	as	folhas	que	já	são	utilizadas	e	saberem	para	que
orixá	está	consagrada	a	folha.
É	importante	observar	que	algumas	folhas	estão	consagradas	para	mais	de	um
orixá,	mas	isso	não	significa	que	seja	com	o	mesmo	fim.
E
Bará	Lodê
Aroeira
Urtiga
Bará	Agelú	/	Bará	Lanã	/	Bará	Adague
Abre	caminho
Barba	de	pau
Ogum
Comigo	ninguém	pode
Costela	de	adão
Cinamomo
Espada	de	Ogum
Elevante
Folha	do	inhame
Guiné
Limoeiro
Hortelã
Laranjeira
Pau	d´água	verde
Pau	d´água	verde	amarelo
Oya
Amargol
Amoreira	branca
Aceroleira
Araçá	vermelho
Caneleira
Canela	de	velho
Carqueja
Cidró
Espada	de	Iansã
Goiabeira
Peregun	vermelho
Pitangueira
Taquareira
Taquareira	de	jardim
Trevo	3	folhas	roxo
Iansã
Carqueja
Folha	da	batata	doce
Xangô
Bananeira
Caruru
Danda	da	costa
Folha	da	fortuna
Folha-de-fogo
Orô
Trevo	de	4	folhas	roxo
Odé
Cinamomo
Erva	de	bicho
Gervão	roxo
Gervão	branco
Mangueira
Malva	rosa
Nêspera
Pulmonária
Otim
Dinheiro	em	penca
Erva	de	bicho
Tansagem
Obá
Gengibre	amargo
Maravilha
Romazeira
Ossanha
Amargol
Aranto
Araça	amarelo
Cidró
Capim	cidró
Erva	de	bugre
Folha	de	Figo
Manjerona
Mangueira
Goiabeira
Pata	de	vaca
Taioba
Trevo	de	3	folhas	verde	–	amarela
Trevo	de	3	folhas	verde	-	flor	rosa
Trevo	de	3	folhas	verde⁴⁸	flor	rosa	cortada
Trevo	de	4	folhas	verde
Jibóia
Cidró
Xapanã
Arruda	macho	e	fêmea
Barba	de	pau
Folha	da	batata	doce
Fumo	brabo
Guanxuma
Jurubeba
Losna
Pata	de	vaca
Ibeji
Bergamota
Jasmim
Poejo
Oxum
Anis	estrelado	falso
Alfavaquinha-de-cobra
Avenca
Malva	cheirosa
Manjericão	roxo
Poejo
Lavanda
Trevo	de	4	folhas	verde
Iemanjá
Alecrim
Curry
Colônia
Dólar
Folha	da	costa
Manjericão	miúdo
Malva	cheirosa
Trapoeraba
Onda	do	mar
Salsa
Sálvia
Oxalá
Alecrim
Bálsamo	verde
Boldo
Cartucho	branco
Cartucho	rosa
Curry
Funcho
Lírio	do	brejo
Malva
Melissa
Mirra	arbustiva
Manjericão
Pereira
Sálvia
Orumilaia
Boldo	chileno
Mirra	rasteira
Lavanda
Sálvia
Iroko⁴
Akoko
Abre	caminho
Amoreira	preta⁵
Boldo
Dinheiro	em	penca
Folha	da	fortuna
Gervão
Guiné
Manjericão
Malva	cheirosa
Orô
Pitangueira
Tempo
Capim	cidró
Obi
Egun⁵¹
Folha	de	mamona	roxa
Onile
Folha	de	mamona	verde
O	tamarindu	é	uma	árvore	bastante	decorativa,	sua	altura	pode	chegar	aos	25
metros.	Produz	um	fruto	de	sabor	agridoce,	levemente	ácido,	muito	apreciado	no
nordeste	brasileiro.
Ervas	catalogadas	no	axé
“Segundo	Pierre	Verger	o	sistema	de	classificação	botânica	nos	yorubás	leva	em
conta	seu	cheiro,	sua	cor,	a	texturas	de	suas	folhas,	sua	reação	ao	toque	e	a
sensação	provocada	pelo	seu	contato.	Sendo	assim	as	plantas	são	atribuídas	aos
òrìsàs	de	acordo	com	as	características,	seu	habitat	e	elementos	da	natureza”
(JÚNIOR,	2018,	p.	22,).
ada	planta	possui	seu	mistério,	cada	folha	possui	seus	encantos,	seus	usos	ideais
e	também	seus	segredos,	que	são	despertados	com	o	uso	do	encantamento
adequado,	na	relação	correta	com	o	orixá	que	ela	está	atribuída	e	também	com	a
valorização	da	folha	como	um	ser	vivo	que	merece	todo	o	respeito	e	uso	sempre
adequado	e	semnatural	e	harmônico,	o	ser	humano	não
é	o	dono	de	tudo,	mas	parte	de	um	complexo	e	organizado”	(BOTELHO,	2010,
p.	4).
Tem	a	finalidade	de	fazer	com	que	todos	compreendam	exatamente	como	as
ervas	são	utilizadas	dentro	dos	cultos	afros	e	de	que	maneira	cada	folha	é
compreendida	aqui	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	destacando-se	as	ervas	indicadas	para
cada	situação	em	acordo	com	a	finalidade	desejada,	além	de	mostrar	como	elas
devem	ser	plantadas	e	a	importância	de	cada	uma	delas	dentro	do	rito	e	no	axé.
O	batuque	muito	perdeu	do	conhecimento	de	ervas	na	religião,	e	a	maioria	dos
babalorixás	e	ialorixás	não	conhece	o	mínimo	necessário	sobre	plantas	sagradas
e	suas	ritualísticas,	o	que	faz	com	que	os	iniciados	por	estes	tenham	ainda	menos
conhecimento	sobre	o	assunto,	e	o	que	mais	preocupa	não	é	o	não	saber	sobre	as
folhas	sagradas,	mas	a	total	falta	de	interesse	em	entender	pela	maior	parte	dos
praticantes	atuais.	O	não	saber	é	preocupante,	mas	o	não	querer	aprender	é	sem
A
dúvida	o	maior	problema	que	existe	dentre	os	religiosos	afros	que	sempre	se
escondem	dentro	de	ditos	fundamentos	para	o	que	não	possuem	explicações,
para	o	que	desconhecem	e	para	fatos,	que	mesmo	demonstrados	poderiam
colocar	em	dúvida	o	que	fazem.	Todo	religioso	acima	de	tudo	deve	tentar	sempre
buscar	a	verdade,	que	de	forma	nenhuma	está	determinada	que	o	que	sempre	foi
feito	é	verdadeiro,	é	necessário	quebrar	paradigmas	do	batuque,	deixar	de	inibir
seus	iniciados	para	questionar,	para	estudarem	sobre	a	religião.
É	preciso	que	todos	aprendam	a	utilizar	mais	as	ervas	no	batuque,	que	aprendam
a	preservar	as	folhas,	a	cuidar	da	natureza	e	também	entendam	a	importância	de
cada	iniciado	ter	suas	folhas	plantadas	na	sua	casa,	pois	uma	casa	de	axé	é	um
local	que	deve	ser	de	preservação	da	vegetação,	da	natureza.	Mas	é	claro	que
apenas	plantar	sem	saber	o	que	planta,	porque	está	plantando	e	de	quem	é	o	que
planta	também	se	torna	inútil,	[inútil	no	sentido	religioso,	não	ecológico]	pois	ter
o	ingrediente	sem	saber	como	usar	não	resolve	nada,	é	como	ter	um	remédio	que
não	se	sabe	para	qual	doença	utilizar	ou	de	que	maneira	deve	ser	utilizado,
podendo	assim	ter	uso	inadequado,	podendo	criar	problemas	ainda	maiores.
“Enquanto	existirem	folhas	existirá	saúde	e	os	próprios	orixás,	não	existe	saúde
onde	faltam	folhas.	Ossanha	é	o	dono	de	todas	as	folhas,	conhecedor	dos
segredos,	dos	encantamentos	necessários,	nada	se	faz	sem	Ossanha,	é	quem
orienta	o	médico	no	diagnóstico	correto,	e	também	é	quem	aplica	o	remédio.
Ossanha	é	quem	permite	a	descoberta	de	novos	medicamentos	baseados	no
estudo	de	suas	folhas	e	embora	cada	orixá	possua	suas	próprias	folhas
essencialmente	todas	pertencem	a	Ossanha.	Quer	agradar	Ossanha,	jogue
sementes	na	mata,	plante	tudo	que	puder,	e	deixe	que	a	natureza	faça	o	resto”
(PEREIRA,	2017,	p.	240).
E	aos	que	possuem	um	terreiro,	barracão	ou	um	Ilê,	como	se	diz	no	batuque
gaúcho	não	se	pode	esquecer	que	todos	esses	locais	são	locais	de	resgate	de	uma
cultura	e	religiosidade,	que	para	se	manter	viva	enfrentou	muitas	adversidades
do	tempo,	e	que	com	certeza	não	teve	como	preservar	todos	os	seus	ritos	e
conhecimentos,	necessitando	muitos	serem	reconstruídos	ou	ainda	descobertos	o
que	um	dia	se	perdeu,	e	o	tempo	escondeu,	há	tanto	tempo	que	muitos	antigos	já
desconhecem.
Ser	um	religioso	afro	deve	ser	entendido	como	uma	pessoa	que	preserva	a
natureza,	pois	a	natureza	é	a	representação	viva	de	cada	orixá	na	Terra.	Não
adianta	dizer	que	se	cultua	uma	religião	que	cultua	a	natureza,	se	como	religioso
não	a	preservamos,	não	a	cuidamos	e	nada	se	planta,	pois	o	axé	é	sempre	vivo	e
na	força	da	natureza	é	que	cada	orixá	vive,	pois	cada	orixá	é	a	própria	essência
de	cada	força	presente	na	natureza.	E	todos	possuem	condições	de	fazerem	a	sua
parte,	não	importa	se	possuímos	pouco	ou	muito	espaço,	preservar	e	ajudar	a
manter	a	natureza	é	responsabilidade	de	todos.
Cada	erva	possui	um	objetivo	uma	aplicação	uma	finalidade	e	por	isso	é
importante	entender	exatamente	a	importância	de	cada	uma	dentro	do	rito,	não
basta	utilizar	uma	erva	se	não	se	conhece	a	sua	função,	o	orixá	que	está
vinculado	à	ela	ou	ainda	suas	principais	aplicações,	pois	uma	mesma	erva	pode
ser	utilizada	com	finalidades	diferentes	se	combinada	com	outra,	ou	ainda	com
um	cântico⁵	diferenciado,	cântico	que	é	capaz	de	liberar	o	seu	poder	de	ação,	de
modificação	de	um	axé,	de	criação	de	um	axé,	o	poder	mágico	que	a	folha
possui.
É	claro	que	muito	se	perdeu	dentro	da	tradição	religiosa	muito	tem	que	buscar,
se	aprender	novamente.	Obras	como	essa	não	tem	a	intenção	de	eliminar	tudo
aquilo	que	você	faz,	tudo	aquilo	que	já	lhe	foi	dito,	mas	com	certeza	contribuir
para	minimizar	muitos	dos	problemas	das	pendências	e	faz	com	que	a	história
fique	registrada,	possibilita	que	se	estude,	se	compreenda	e	se	aprofunde,	é
preciso	sempre	melhorar	para	buscar	sempre	novas	respostas,	ou	quem	sabe
apenas	reconstruir	respostas	que	foram	perdidas	no	tempo,	esquecidas	por
muitos.
Todo	orixá	faz	parte	da	natureza	e	representa	uma	parte	da	natureza	e	é	uma
energia	viva	que	está	em	cada	planta,	em	cada	folha,	em	cada	raiz,	em	cada
pedaço	que	brota	da	natureza,	sendo	assim	quanto	mais	a	gente	cultiva	as	ervas,
quanto	mais	cuidamos	das	plantas	e	da	vegetação	mais	o	orixá	está	próximo	de
nós ,	pois	o	orixá	é	a	própria	folha	que	nasce,	que	vive,	que	cresce.	A	folha	é	a
representação	da	força	do	orixá,	que	cresce,	que	vive	e	transmite	força,	que
transmite	axé.
Cada	um	de	nós	é	responsável	por	tudo	que	faz	no	meio	em	que	vive	pelo
cuidado	com	toda	a	vegetação	e	lembrando	novamente	não	existe	ação	sem	folha
não	existe	axé	sem	planta.	Ser	de	religião	africana	implica	diretamente	em	como
se	cuida	do	meio	em	que	vivemos	como	cuida-se	da	nossa	relação	com	a
natureza	porque	a	nossa	relação	com	a	natureza	determina	como	se	cuida	da
relação	com	o	orixá.
Não	existe	culto	ao	orixá	sem	o	culto	a	natureza,	pois	o	orixá	é	a	própria
natureza	que	vive	e	que	sentimos,	agredir	a	natureza	é	agredir	também	ao	orixá
que	habita	em	cada	espaço	sagrado	e,	quem	agride	afasta-se	do	sagrado,	cria
barreiras	para	receber	o	axé	dos	orixás,	e	destruindo	a	morada	dos	orixás
dificulta	o	acesso	a	energia	de	cada	um	deles.
Cada	folha	possui	características	únicas	que	a	tornam	importantes	para	alguma
enfermidade,	cabe	ao	ser	humano	buscar	compreender	os	seus	usos	e	aplicações,
para	de	forma	correta	conseguir	resolver	muitos	dos	problemas	que	necessitam
respostas,	pois	todas	elas	existem	na	natureza.
Este	novo	livro	destina-se	preencher	uma	lacuna	existente	dentro	do	batuque,	já
que	além	das	ervas	e	plantas,	em	geral,	foram	muito	pouco	utilizadas	dentro	dos
axés	é	também	grande	o	desconhecimento	sobre	elas,	e	que	torna	necessário	uma
maior	compreensão	sobre	o	assunto,	e	em	especial	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,
onde	o	uso	de	plantas	é	crescente	este	estudo	se	faz	ainda	mais	necessário,	para
os	iniciados	do	axé	conseguirem	compreender	melhor	um	pouco	dessa	essência	e
de	que	forma	podem	melhorar	a	sua	ligação	com	os	orixás,	a	partir	da	melhor
compreensão	de	todas	as	folhas	que	nos	rodeiam.
A	Fortaleza	Ilê	Orixá	sempre	dedicou	espaço	para	a	preservação	de	espécies,
sempre	incentivou	o	cultivo	das	folhas	sagradas	e,	também	sempre	mostrou	a
importância	de	cada	filho	do	axé	aprender	sobre	as	folhas,	pois	não	existe	axé
sem	folha.
Ewó	Orò	–	As	folhas	sagradas	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	não	será	apenas	um
livro,	mas	um	manual	de	conduta	e	de	pesquisa	para	todos	o	axé,	para	todos
que	buscam	se	desenvolverem,	para	todos	que	buscam	compreender	a
relação	dos	orixás	com	a	natureza,	com	as	folhas.
É	responsabilidade	para	cada	casa	oriunda	do	axé	seguir	a	orientar	seus	filhos	a
importância	de	cultivar	e	preservar	as	suas	folhas	para	que	estas	estejam	vivas.
Pois	a	partir	da	leitura	se	espera	despertar	uma	nova	consciência	ecológica
dentro	do	axé,	onde	cada	um	irá	refletir,	pensar	e	agir	para	que	a	natureza	esteja
sempre	viva	na	casa	de	cada	um	e	com	isso	favorecer	que	os	orixás	permaneçam
sempre	vivos	na	natureza	que	nos	rodeia,	na	naturezadesperdícios	inadequados.
Nesse	sentido	todas	as	folhas	são	igualmente	importantes	e	necessárias,	cada
uma	delas	possui	sua	importância,	que	mesmo	nós	não	conhecendo	não	a	faz
deixar	de	ser,	mas	nos	coloca	na	responsabilidade	de	a	cada	dia	procurar
entender	um	pouco	mais.
Conhecer	a	folha	que	será	utilizada	deve	ser	o	primeiro	passo	a	ser	dado	pois
existem	muitas	folhas	que
C
se	confundem,	que	são	parecidas,	mas	apresentam	usos	diferenciados,	por	isso	a
necessidade	de	antes	de	tudo	conhecer,	o	cheiro,	a	textura	e	buscar	características
que	a	diferencie	das	demais,	para	que	não	existam	dúvidas	ao	serem	utilizadas.
Abaixo	temos	o	catálogo	de	folhas	já	identificadas	e	em	uso	dentro	da	Fortaleza
Ilê	Orixá,	com	uma	foto	que	a	identifica,	o	nome	popular	ou	nomes	em	alguns
casos,	mais	conhecidos	na	região,	o	nome	científico	da	folha,	o	nome	da	folha
em	iorubá	(lembrando	que	é	possível	existirem	mais	de	uma	folha	com	o	mesmo
nome	em	iorubá)	e	o	orixá	ou	orixás	que	estão	relacionados	com	a	folha,	após
uma	breve	explicação	sobre	cada	uma	das	folhas.
Que	seja	uma	leitura	esclarecedora	para	todos,	criando	condições	o	para	que
consigam	reconhecer	a	maioria	das	ervas	que	a	Fortaleza	Ilê	Orixá	faz	uso,
tornando	o	conhecimento	das	folhas	acessível	para	todos,	a	fim	de	assim
preservar	a	dinâmica	das	folhas	dentro	da	religião	africana.
Abre	caminho
Nome	popular:	Abre	caminho,	vence	demanda,	Nome	científico:	Justicia	gendarussa	Burm	f.	(Acanthaceae)	Nome	iorubá:	Ewé	Lorogún	Orixás⁵²:	Bará	Agelú,	Bará	Adague	e	Bará	Lanã
O	abre	caminho	é	um	arbusto	que	pode	atingir	cerca	de	dois	metros	de	altura	e	se
adapta	com	muita	facilidade	nos	mais	diversos	tipos	de	solo,	é	amplamente
utilizada	em	banhos	de	ervas	e	pode	ter	suas	mudas	produzidas	a	partir	de
pequenas	estacas	(ou	galhos)	com	bastante	facilidade.
É	uma	planta	de	origem	africana	e	costuma	estar	presente	na	maioria	dos	locais
de	culto	da	tradição	africana,	podendo	também	seus	pedaços	de	caule	serem
utilizados	como	amuletos	de	proteção	que	muitos	carregam	na	carteira.
Esta	erva	costuma	receber	muitos	nomes	diferentes	de	acordo	com	a	região	onde
se	encontra,	os	mais	comuns,	além	de	abre	caminho,	vence	demanda,	vence
tudo,	quebra	tudo	são	igualmente	nomes	muito	utilizados	para	a	esta	folha,	o	que
gera	muita	confusão	por	todos	os	iniciados	e	não	iniciados	que	a	buscam	para
ajuda	nos	mais	diversos	banhos.
É	uma	planta	que	não	necessita	muito	cuidado	ou	regas	frequentes,	se	adapta
com	muita	facilidade	em	ambientes	muito	ensolarados	ou	ainda	com	pouca
iluminação	direta.
Segundo	PAGNOCCA	(2017)	“nos	cultos	afro-brasileiros,	além	das	indicações
citadas	pelos	entrevistados,	também	são	observadas	indicações	para	cultivo	em
vasos	e	canteiros	para	uso	como	elementos	de	proteção	(Apud	FARELLI,	2010;
BARROS,	2014).
Sem	dúvida	uma	erva	de	extrema	importância	e	de	uso	essencial	dentro	de	um
terreiro,	já	que	é	uma	planta	ligada	ao	orixá	Bará	Exú,	e	por	isso	utilizada	com
muita	frequência.
O	abre	caminho	é	uma	dar	ervas	que	se	costuma	colocar	plantada	nos	vasos⁵³
com	sete	ervas	que	são	amplamente	comercializados	em	locais	especializados
em	plantas	para	proteção.
Aceroleira
Nome	popular:	Aceroleira,	Cereja-das-antilhas	Nome	científico:	Malpighia	emarginata	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oya
A	acerola	é	uma	árvore	arbustiva,	que	produz	um	fruto	levemente	azedo,	muito
apreciado	para	consumo	direto	e	na	forma	de	sucos	e	geleias.
DORÁZIO	(2018)	descreve	a	fruta	como	“pequena,	mas	com	grandes
benefícios,	a	acerola	(Malpighia	emarginata),	é	o	fruto	de	um	arbusto	chamado
Aceroleira,	originária	das	Américas	e	muito	cultivada	no	Brasil,	principalmente
na	região	nordeste	onde	encontra-se	livremente	em	feiras	livres.
A	acerola	frutifica	três	a	quatro	vezes	ao	ano	e	há	várias	espécies,	sendo	comum
encontrar	no	mesmo	pomar	plantas	com	hábitos	de	crescimento	distintos,
árvores	que	produzem	frutos	em	cachos	e	isolados,	com	tamanhos,	formatos	e
cores	diferentes,	fato	este	que	não	é	interessante	para	a	produção	comercial,	mas
não	prejudica	seu	valor	nutricional”.
É	possível	a	reprodução	de	suas	mudas	com	estacas,	sementes	ou	enxertia,	o	que
permite	muita	facilidade	para	a	produção	de	suas	mudas	nos	mais	diferentes
locais,	podendo	as	suas	mudas	atingirem	até	três	metros	de	altura	na	média,
dependendo	da	região	e	clima	onde	estão	plantadas.
Akoko⁵⁴
Nome	popular:	Akoko,	Acoco	Nome	científico:	Newbouldia	Laevis	Seem.,	Bignoniaceae.	Nome	iorubá:	Akòko	Orixás:		Todos	os	orixás
Ewé	ófé	gbogbo	akoko
Ewé	ofé	gbogbo	akoko
Awá	li	li	awá	oro
Ewé	ofé	gbogbo	akoko
Akoko,é	a	folha	de	todas	as	pessoas	inteligentes
Akoko	é	a	folhas	de	todas	as	pessoas	inteligentes
Nós	temos,	nós	somos,	riquezas	e	saúde
Akoko	é	a	folha	de	todas	as	pessoas	inteligentes
Segundo	GUNFAREMIM	(2013)	“entre	os	iorubás	[akòko],	é	considerada	um
sinal	de	prosperidade,	pois	seus	troncos	eram	muito	empregados	nas	feiras,
locais	onde	o	comércio	era	intenso.	Era	comum	que,	após	serem	utilizadas	como
estacas	seus	troncos	brotassem,	gerando	novas	árvores.	Dentro	das	casas	de
Candomblé	Ketu	costuma	estar	associada	principalmente	a	Ogun	e	Ossayin,
embora	na	verdade	costume	ser	empregada	para	todos	os	orixás”
Ainda	para	GUNFAREMIM	(2013)	“no	culto	Egúngun,	o	akòko	desempenha
um	papel	fundamental	na	união	dos	seres	do	Ayé	(mundo	dos	vivos)	e	Orun
(mundo	dos	espíritos).	Seu	tronco,	que	geralmente	não	é	muito	ramificado,
lembra	um	grande	opó	ixé,	que	ligaria	o	Céu	a	Terra.	Nesse	caso,	sua	principal
relação	se	dá	com	a	iyagbá	Oyá,	Senhora	dos	Ventos	e	dos	eguns,	que	recebe	o
título	de	Alakòko,	Senhora	do	Akòko”.
NETO	(2012)	destaca	que	“é	uma	árvore	de	porte	médio	(12-15m),	de
crescimento	rápido,	com	muitas	folhas	e	de	aspecto	tropical.	As	flores	são
tubulares,	cor-de-rosa,	arranjadas	em	inflorescência	e	atraem	borboletas	e
abelhas”.
O	akòko,	segundo	alguns	Babalorixás	antigos	serve	de	ligação	entre	orun	e	o
aye,	já	que	é	uma	árvore	alta	e	suntuosa	dedicada	a	vários	orixás.
As	folhas	de	akoko	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	são	exclusivamente	utilizadas	em	ritos
para	saúde,	sendo	suas	folhas	presentes	nas	obrigações	que	se	faz	o	uso	após	a
consulta	com	jogo	de	búzios,	de	acordo	com	determinação	dada	pelos	orixás
quando	ocorreu	o	seu	plantio.
É	uma	planta	de	regiões	quentes,	o	que	dificulta	muito	a	sua	adaptação	em	locais
de	frio	intenso,	aqui	no	Ilê	Orixá	diversas	mudas	foram	plantadas	até	conseguir
que	uma	delas	se	adaptasse	ao	clima	da	região,
Hoje	temos	uma	muda	de	akoko	plantada	e	plenamente	adaptada	ao	axé,	com
mais	de	três	anos	já	plantada,	fortalecida,	para	em	breve	crescer	e	adornar	a
paisagem	natural	do	axé.
Ter	uma	muda	akoko	em	nosso	axé	é	sem	dúvida	orgulho	para	todos	nós,	e
principalmente	sabermos	que	devemos	ter	respeito	com	suas	folhas,	já	que	é	uma
árvore	sagrada	dentro	do	culto	afro.
Alecrim
Nome	popular:	Alecrim	Nome	científico:	Rosmarinus	officinalis	l	Nome	iorubá:	Ewéré	Orixás:		Iemanjá	e	Oxalá
“A	palavra	“alecrim”	vem	das	palavras	latinas	ros	(que	significa	“orvalho”)
e	marinus	(que	significa	“mar”).	O	Alecrim	tem	propriedades	que	aumentam	a
memória.	Estudos	realizados	mostraram	que	o	Alecrim	contém	uma	diterpina
chamado	ácido	carnósico	que	tem	propriedades	neuro-protetoras	que	ajudam	a
proteger	contra	a	doença	de	Alzheimer,	bem	como	a	perda	de	memória	que
acontece	com	o	envelhecimento”	(Agromineira,	2017).
O	alecrim	é	uma	erva	aromática	extremamente	popular	no	Brasil,	muito
empregada	na	culinária,	de	cheiro	característico	e	forte.	As	mudas	podem	ser
produzidas	a	partir	de	estacas	muito	pequenas	dos	topos	de	seus	galhos,	que
devem	ser	novos.	Seus	galhos	pequenos	cortados	costumam	criar	raízes	em	14
dias	após	plantados,	período	no	qual	é	necessário	manter	o	solo	úmido.	O	plantio
de	galhos	de	tamanhos	grandes	ou	mais	velhos	dificulta	muito	o	enraizamento	da
planta	que	prefere	locais	mais	ensolarados.
O	alecrim	é	uma	erva	tão	popular	que	é	conhecida	por	grande	parte	da	população
urbana,	sendo	muito	utilizada	em	banhos	de	limpeza	em	diversas	culturas.
“é	uma	planta	mística	importante,seu	aroma	penetrante	é	considerado	poderoso
para	a	obtenção	de	circunstâncias	favoráveis	aos	iniciados	e	sacerdotes.	Alguns
estudiosos	mencionam	o	alecrim	em	associação	a	malva-rosa,	rosa	branca,
açucena,	manjerona	e	crisântemo	branco	como	formulação	utilizada	para	a
preparação	do	amaci	para	a	fortificação	de	cabeça	(ori,	coroa)	do	pai	ou	mãe	de
santo	nos	rituais	de	confirmação”	(ALMEIDA,	p.	95,	2011).
O	alecrim	possui	origem	no	sul	da	Europa	e	do	norte	da	África,	sendo	tendo
entrada	em	diversas	regiões	do	mundo	e	que	foi	muito	popularizada	no	Brasil
como	uma	das	ervas	aromáticas	mais	utilizadas.
“O	alecrim	foi	sempre	um	símbolo	da	franqueza,	da	boa-fé,	e,	também,	da
saudade.	Na	Inglaterra,	a	planta	é	colocada	nos	túmulos	para	que	o	morto
descanse	em	paz.	Para	trazer	sorte,	o	alecrim	deve	fazer	parte	dos	ramos	de
flores	que	se	oferecem.	Nos	casamentos,	os	acompanhantes	dos	noivos	devem
levar	um	ramo	de	alecrim	nos	bolsos	para	que	o	casamento	seja	feliz.	Cultivar
alecrim	nos	quintais	contribui	para	afastar	as	bruxas	e	o	mau-olhado.	Nas	lendas
cristãs	diz-se	que	a	Virgem	Maria,	na	fuga	para	o	Egito,	descansou	junto	a	um
arbusto	de	alecrim	(ou	rosmaninho),	o	que	deu	à	planta	um	carácter	miraculoso.
Diz-se	também	que	trazer	um	rebento	de	alecrim	na	botoeira	fortifica	a	memória,
que	as	colheres	feitas	de	madeira	de	alecrim	dão	bom	sabor	a	todos	os	alimentos
e	que	um	pente	feito	da	sua	madeira	faz	crescer	os	cabelos”	(AGROMINEIRA,
2017).
“Cresce	melhor	em	locais	iluminados	e	sem	vento.	O	solo	deve	ser	rico	em
nutrientes	e	bem	drenado	(porém	não	encharcado”	(NASCIMENTO,	p.	4,	2014).
O	alecrim	não	deve	ser	utilizado	como	erva	de	descarrego	e	sim	como	uma	erva
de	calmaria,	de	harmonia,	tranquilidade	e	de	paz,	pois	é	uma	erva	ligada	ao	orixá
Oxalá	e	assim	o	seu	uso	sempre	vai	destacar	as	propriedades	relativas	a	este
orixá.
O	uso	do	alecrim	também	costuma	estar	presente	em	vasos	com	7	ervas,	que	são
muito	utilizados	pela	população	no	Brasil,	que	busca	proteção	contra	mal	olhado
e	uma	espécie	de	segurança	nas	suas	casas	contra	pessoas	mal-intencionadas	ou
espíritos	ruins.
Alfavaquinha-de-cobra
Nome	popular:	Alfavaquinha-de-cobra,	oriri,	folha-de-oxum,	folha-de-vidro	Nome	científico:	Peperomia	pellucida	(L.)	Kunth,	Piperaceae	Nome	iorubá:	Rinrin	Orixás:	Oxum
Segundo	o	site	Divina	Flor	Verde	(2015)	a
alfavaquinha-de-cobra:
“conhecida	na	Bahia	e	Rio	de	Janeiro,	é	uma	erva	de	origem	africana	que	se
disseminou	por	todo	o	Brasil.Prolifera	em	lugares	úmidos,	sendo	encontrada
com	facilidade	em	pedreiras,	jardins,	florestas	sombreadas	e	mesmo	em	terrenos
abandonados	e	beiras	de	calçadas.
Conhecida	entre	os	erveiros	pelo	nome	de	orirí	ou	orirí-de-oxum,	é	fundamental
nos	rituais	de	iniciações	e	obrigações	periódicas	que	ocorrem	nos	candomblés
jejê-nagôs,	entrando	no	àgbo	de	todos	os	orixás”.
VERGER	(1992:30,31),	citando	um	mito	de	Ifá,	relata
que:
"Igbádù	é	a	casa	de	Odú.	Não	se	pode	entrar	na	casa	e	olhar	o	interior,	se	não	se
esfregar	antes	os	olhos	com	água	de	calma,	composta	de	folha	de	òdúndún,
tètè	e	rínrín,	de	limo	da	costa	(karitê)	e	de	água	(contida	no	casco)	de	um
caracol.
Todo	babalaô	que	vai	fazer	o	culto	de	Orumilá	na	floresta	deve	antes	adorar	Odù,
sua	esposa,	no	Igbádù,	senão	Orumilá	não	ouvirá	seus	pedidos	e	não	saberá	que
este	babalaô	é	seu	filho".
Ainda	podemos	destacar	que	esta	erva:
“É	uma	das	plantas	principais	dos	Amacis	de	feitura	e	banhos	para	os	filhos	de
Oxum.	Usado	também	para	a	lavagem	de	“contas”	(guias)	do	mesmo	orixá.	Essa
erva	é	utilizada	em	algumas	cerimônias	de	Obori	para	os	filhos	de	Yemanjá.	É
planta	de	água,	característica	das	Yabás,	nasce	espontaneamente	em	lugares
úmidos.	Tem	efeito	ornamental,	sendo	bom	cultivá-la	com	objetivo	de	trazer	paz
e	proteção	aos	ambientes	em	que	moram	crianças	devido	a	sua	relação	com
Oxum,	orixá	relacionado	com	os	arquétipos	de	proteção	materna”	(ALMEIDA,
p.	78,	2011).
É	interessante	notar	a	relação	que	essa	erva	tem	com
os	olhos,	seja	no	plano	litúrgico,	seja	no	fitoterápico.
No	plano	litúrgico,	ela	pertence	também	a	Oxum,	que,
na	qualidade	de	Opará,	é	sincretizada	com	Santa
Luzia,	sendo	ambas	protetoras	dos	olhos.	Na	medicina
popular,	as	pessoas	do	interior	usam	o	sumo	extraído
do	caule	desse	vegetal	para	combater	irritações	e
inflamações	oculares.
“rínrín	(Peperomia	pellucida)	é	uma	erva	que	mede	uns	vinte	centímetros	e	nasce
com	facilidade	em	pedreiras,	terrenos	abandonados	e	beiras	de	calçadas,
geralmente	quando	é	tempo	de	chuva.	Alfavaquinha-de-cobra	é	a	folha	amiga
dos	videntes,	que	amplia	a	visão	e	ao	mesmo	tempo	impede	que	se	veja	aquilo
que	não	é	necessário	que	seja	visto:	Emi	mö	ojú	ìna	=	Que	meus	olhos	não
vejam	isto	durante	algum	tempo,	nem	vejam	isto	como	punição.	Folha	que
tranquiliza	o	olhar,	alfavaquinha-de-cobra	é	de	domínio	dos	oríÿa	mais	serenos.”
(SANTOS,	p.	71,	2013)
“Para	alfavaquinha-de-cobra,	canta-se:	Tútù	dùn	dùn	tutu	rínrín,	na	kí	iye	nípa
ìmí	=	Calma,	suave,	agradável,	luminosa	é	alfavaquinha-de-cobra,	em	primeiro
lugar	cumprimentamos	seu	valor,	sua	potência.	Alfavaquinha-de-cobra	é	fresca	e
por	isto	é	usada	contra	irritação	física	e	emocional:	Êrõwõõ	ni	ti	rínrín	=
Alfavaquinha-de-cobra	é	sempre	calma	e	fresca	(Verger,	p.	140-141);	Rínrín	kì	í
gbóná	=	Alfavaquinha-de-cobra	nunca	fi	ca	quente	(Verger,	p.	178-179);	Ní	kí
inú	rê	ó	má	gbóná	tùtú	rínrín.	Ní	kí	inú	rê	k’ó	má	tùtú	=	Seu	estômago	não	deve
fi	car	quente.	O	estômago	de	alfavaquinha-de-cobra	é	fresco	(Verger,	p.	182-
183);	Àwòsàn	ni	ti	rínrín	=	Alfavaquinha-de-cobra	sempre	cura	por	completo
(Verger,	p.	150-151).	Rínrín	là	gbéÿè,	wa	gbéjå	ni	ki	wa	gbéÿè	hu	bõ	=
Alfavaquinhade-cobra	que	é	puro	vem	na	frente,	nós	ficamos	quietos	para	não
incorrermos	em	erro	e	chorarmos	alto.	Primeira	folha	a	ser	cantada	no	ritual
chamado	Sasányìn,	alfavaquinha-de-cobra	é	também	a	primeira	na	sequência
obrigatória	do	afçÿu,	consagração	de	sacerdote,	que	acontece	neste	ritual,
quando	se	canta:	Lawo	okan,	tètè	komã	ku	o	àÿç	jinlê	=	Veneramos,	respeitamos
e	aprendemos	sempre	repentinamente	as	instruções	de	difícil	compreensão.
Alfavaquinha-de-cobra,	a	folha	que	acalma	os	olhos	e	amplia	a	visão,	é	sempre
chamada	em	primeiro	lugar	porque	segundo	o	candomblé,	não	se	pode,	ou
melhor,	não	se	deve	entrar	em	um	ambiente	sem	que	o	olhar	esteja	manifestando
calma;	um	olhar	calmo	o	sufi	ciente	para	enxergar	as	coisas	com	clareza	e
nitidez,	isto	é,	sob	todos	os	ângulos.	A	calma	é	parceira	inseparável	do	silêncio.
Alfavaquinha-de-cobra	silenciosamente	canta	a	serenidade,	alertando	a	todos
para	a	necessidade	de	falar	pouco	para	que	se	sofra	menos.”	(SANTOS,	p.	72,
2013)
Amargol
Nome	popular:	Girassol	de	árvore,	amargol,	mãos	deus,	girassol	mexicano	Nome	científico:	Tithonia	diversifolia	(Hemsl.)	A.	Gray	Nome	iorubá:	Ewé	ọwọ	Olodunmarè	Orixás:		Oya	e	Ossanha
A	flor	do	amargol	lembra	bastante	o	girassol,	se	adapta	com	muita	facilidade	e
produz	muitas	flores,	em	arbustos	que	costumam	crescer	bastante,	podendo
atingir	até	4	metros	de	altura	em	seus	arbustos,	durante	a	floração	suas	flores
encantam	e	servem	de	alimento	para	abelhas	e	demais	insetos.
A	sua	reprodução	é	muito	fácil	a	partir	de	estacas	e	sementes.	É	uma	planta
muito	estudada	atualmente	para	pesquisas	que	envolvem	o	seu	uso	para	diversas
doenças	presentes	no	cotidiano.
Está	bastante	presente	no	litoral	gaúcho	e	parte	da	serra,	é	uma	planta	de
crescimento	fácil	e	invasiva,	conseguindo	se	sobrepor	em	outras	podendo	assim
alterar	a	região	onde	for	colocada.
É	uma	planta	muito	encontrada	em	toda	América	Central	e	América	do	Sul,	com
origem	não	definida,	devido	a	beleza	de	suas	flores	também	é	utilizada	para
ornamentar	alguns	jardins.
Aranto
Nome	popular:	Aranto,	mãe	de	milhares,	mãe	de	mil	filhos	Nome	científico:	Kalanchoe	laetivirens	Desc	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Ossanha
O	aranto	é	uma	planta	que	muito	se	parece	com	a	folha	da	fortuna,	mas	apresenta
na	volta	de	suas	folhas	muitas	outras	mudas,	que	se	soltam	e	ao	caírem	na	terra
se	desenvolvem	criando	mudas.
É	uma	folha	de	origem	africana,que	se	adaptou	com	muita	facilidade	aqui	no
Brasil,	sendo	encontrada	em	diversas	regiões	do	país.
Segundo	ALVES	(2019	p.	20)	é	uma	planta	que	serve	como	“banho	[que]	atua
para	aumentar	comunicação,	para	pessoas	com	dificuldade	de	socializar”.
É	preciso	muita	atenção	e	cuidado,	pois	é	bastante	comum	a	confusão	entre
aranto,	folha	da	fortuna	e	o	saião	entre	tantas	outras	plantas	que	são	parecidas,
mas	com	efeitos	muito	diferentes	dos	desejados.
Araça	vermelho
Nome	popular:	Araça	vermelho	Nome	científico:	Psidium	cattleyanum		Sabine	Nome	iorubá:	Ewé	Gúrofá	Orixás:		Oya
O	araçá	é	uma	árvore	nativa	da	Mata	Atlântica,	de	porte	médio,	seus	frutos
atraem	diversos	pássaros	que	se	alimentam.	Apresenta	cheiro	em	suas	folhas	e
frutos	bem	característico,	o	que	facilita	a	sua	identificação.
“espécie	muito	cultivada	devido	ao	seu	potencial	ornamental	e	aos	frutos
saborosos,	que	agradam	não	só	aos	pássaros,	mas	também	a	nós,	humanos,	que
nos	utilizamos	deles	para	fabricação	de	doces	e	geleias.	Seu	plantio	é	indicado
em	áreas	degradadas	67	Fonte:	autor	(2019)	úmidas,	para	preservação
permanente.	Sua	madeira	pesada	é	usada	em	tornearia,	em	cabos	de	ferramentas,
dormentes,	moirões	ou	como	lenha	e	carvão”	(GARLET,	p.	69,	2019).
Segundo	o	site	APREMAVI,	“o	araçazeiro	é	uma	Myrtaceae	encontrada	em
estado	silvestre	no	Brasil,	da	Bahia	até	o	Rio	Grande	do	Sul.	O	seu	nome	vem	do
tupi	guarani	e	significa	“fruto	que	tem	olhos”	em	alusão	as	sépalas	que	dão	a
aparência	de	olho	no	fruto”.
O	seu	uso	religioso	em	alguns	casos	podemos	utilizar	como	substituinte	da
pitangueira,	com	seus	frutos	podendo	serem	colocados	nos	axés	de	Oya,	embora
não	seja	a	análise	de	frutos	o	objeto	desse	trabalho.
Em	alguns	casos	as	suas	folhas	podem	também	serem	utilizadas	em	ritos	que	se
necessita	do	axé	de	folhas	de	Oya,	favorecendo	assim	a	presença	do	seu	axé
quando	necessário.
Amoreira	branca
Nome	popular:	Amoreira	branca	Nome	científico:	Morus	alba	L.	Nome	iorubá:	Ewé	Isan	Orixás:		Oya
A	amoreira	branca	é	muito	mais	rara	que	a	amoreira	preta,	é	um	fruto	delicado,
adocicado	e	altamente	apreciado.
Suas	folhas	servem	de	alimento	para	o	bicho	da	seda	e	são	muito	utilizadas	na
medicina	popular.	É	uma	árvore	que	se	reproduz	de	forma	fácil	a	partir	de
estacas	ou	de	sementes	presentes	em	seus	frutos.
As	árvores	de	amoreiras	brancas	estão	presentes	na	frente	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,
na	frente	da	casa	dos	orixás	Bará	Lodê	e	Ogum	Avagã.
Amoreira	preta
Nome	popular:	Amoreira	preta	Nome	científico:	Rubus	brasiliensis	Mart	Nome	iorubá:	Ewé	Isan	Orixás:	Iroko
A	amoreira	preta	pode	ser	encontrada	em	diversas	regiões	do	Brasil,	pode	atingir
até	10	metros	de	altura,	produz	com	muita	facilidade.	É	possível	produzir	mudas
a	partir	de	estacas.	O	Ilê	Orixá	consagra	as	suas	folhas	para	o	orixá	Iroko,
embora	não	seja	utilizada	até	o	momento	para	banhos.
Os	seus	frutos	servem	de	alimento	para	diversos	pássaros	que	todos	os	dias
festejam	os	alimentos	que	a	natureza	os	distribui	livremente	e	os	galhos	servem
de	apoio	para	a	construção	de	muitos	ninhos	de	pássaros.
A	produção	de	mudas	é	muito	comum	a	partir	de	estacas	que	já	podem	produzir
frutos	em	um	ano.	As	estacas	podem	ser	a	partir	de	galhos	ou	mesmo	raízes,
sendo	dificultada	a	reprodução	a	partir	de	suas	sementes	que	possuem	baixa
germinação.	É	uma	planta	que	prefere	locais	úmidos	e	com	baixa	luminosidade.
Em	alguns	casos	muito	particulares	e	após	consulta	através	do	jogo	de	búzios	é
possível	ser	utilizada	para	egun,	pois	pode	ser	a	morada	de	espíritos	nos	seus
troncos.
Na	Fortaleza	Ilê	Orixá	é	uma	das	árvores	mais	sagradas,	já	que	ao	ser
consagrada	para	Iroko	representa	o	próprio	orixá	que	vive	em	suas	raízes,	folhas
e	galhos,	protegendo	o	axé,	cuidando	e	zelando	todos	os	dias	juntamente	dos
demais	orixás	e	ancestrais.
Amexeira	nativa	-	Nêspera
Nome	popular:	Amexeira	Nome	científico:	Eriobotrya	japonica	Nome	iorubá:	Ewé	Àgbàlùmó	olomóe	Orixás:		Odé
É	uma	planta	de	origem	do	Sudeste	da	China,	muito	comum	no	Rio	Grande	do
Sul,	embora	não	seja	uma	árvore	nativa	da	região	sofreu	grande	adaptação	na
região	e	está	presente	em	muitos	locais,	o	seu	fruto	atrai	muitos	pássaros	e	é
considerado	saboroso.
As	folhas	se	caracterizam	por	serem	resistentes	e	duras,	e	a	árvore	pode	atingir
até	10	metros	de	altura.	É	necessário	lembrar	que	as	suas	sementes	são
venenosas,	e	as	características	de	seu	fruto	lembram	as	maçãs.
Odé	como	um	orixá	ligado	a	floresta	e	caça	se	alimenta	muito	desse	fruto	que	é
encontrado	de	forma	muito	livre	na	natureza,	já	os	pássaros	que	se	alimentam	de
seu	fruto	distribuem	as	suas	sementes	que	germinam	com	muita	facilidade.
Araçá	amarelo
Nome	popular:	Araça	amarelo	Nome	científico:	Psidium	araça	Raddi	Nome	iorubá:	Ewé	Gúrofá	Orixás:		Ossanha
Possui	características	muito	próximas	do	araçá	vermelho,	mas	no	Ilê	Orixá
enquanto	o	vermelho	está	consagrado	para	o	orixá	Oya,	o	amarelo	está
consagrado	para	o	orixá	Ossanha.
As	folhas	de	Ossanha	na	sua	maioria	estão	presentes	em	axés	dedicados	a	saúde,
já	que	Ossanha	é	o	orixá	médico	da	nação	batuqueira,	mas	isso	não	significa	que
devam	ser	utilizadas	somente	para	este	fim.
Devemos	lembrar	que	com	uma	mesma	folha,	dedicada	para	um	mesmo	orixá	se
pode	realizar	axés	diferenciados,	seguindo	sempre	orientação	do	jogo	de	búzios.
Segundo	o	site	do	Instituto	Brasileiro	de	Florestas	(2020)	“o	Araçá	Amarelo	é
uma	espécie	arbórea	com	altura	de	3-6	metros	e	tronco	de	15-25	cm	de	diâmetro.
As	folhas	são	simples,	coriáceas,	glabras,	de	5	-10	cm	de	comprimento	por	3	–	6
cm	de	largura,	com	pecíolo	de	0,4	-1,0	cm	de	comprimento.	As	flores	são	de
coloração	amarela	e	os	frutos	são	bagas	globosas	de	coloração	entre	amarelo	e
vermelho”.
Encontrado	no	Brasil	em	estado	silvestre,	prefere	solos	secos	e	não	é	exigente
quanto	ao	clima,	resistindo	a	geadas.	Apreciam	humidade	e	calor.
Aroeira
Nome	popular:	Aroeira,	aroeira	mansa	Nome	científico:	Schinus	terebinthifolius	Rad	Nome	iorubá:	Ewé	Àjóbi	Pupá	Orixás:	Lodê
A	aroeira	é	uma	árvore	presente	em	grande	parte	do	território	brasileiro,	dá	um
fruto	avermelhado	que	é	apreciado	na	culinária	como	uma	espécie	de	pimenta
Em	algumas	casas	de	candomblé	é	comum	cobrir	o	chão	antes	dos	sacrifícios	de
quadrúpedes,	para	afastar	energias	ruins	do	local,	também	sendo	utilizados	os
seus	galhos	para	alimento	desses	animais.	É	muito	comum	alergias	por	pessoas
que	costumam	passar	pelo	meio	de	seus	galhos	ou	apenas	por	ela,	mesmo	sem
encostar.	Segundo	alguns	ditos	populares	é	uma	planta	que	existe	a	necessidade
de	se	cumprimentar	ao	passar	por	ela.	Esta	árvore	produz	um	fruto	vermelho
também	comercializado	como	pimenta	rosa.
“A	planta	é	arbusto	de	médio	porte,	com	ramos	folhosos	e	frutos	vermelhos”
(ALMEIDA,	p.	131,	2011).
A	aroeira	é	uma	planta	nativa	da	América	do	Sul,	possui	bastante	ocorrência	em
toda	América	Central	e	no	Brasil,	as	suas	folhas	são	extremamente	aromáticas,
possui	uma	árvore	de	porte	médio.
O	seu	fruto	atrai	diversos	pássaros	que	se	alimentam	e	se	encarregam	de
espalharem	suas	sementes	por	campos	e	florestas.
Arruda
Nome	popular:	Arruda,	arruda	macho,	arruda	fêmea	Nome	científico:	Ruta	graveolens	L	Nome	iorubá:	Ewé	atopa,	Atopá	Kun	Orixás:		Xapanã
A	arruda	possui	cheiro	bastante	forte	e	muito	característico,	é	amplamente
utilizada	em	casas	de	matriz	africana,	seu	cheiro	forte	é	capaz	de	afastar	insetos.
Pode	atingir	até	mais	de	um	metro	de	altura	é	uma	planta	do	norte	da	África	e
Europa,	muito	comum	no	Brasil.
É	empregada	para	afastar	alguns	tipos	de	insetos	que	não	gostam	de	seu	cheiro
forte.
A	arruda	é	uma	erva	muito	popular	no	Brasil,	costuma	ser	utilizada	em	vasos	de
7	ervas.	É	considerada	uma	planta	capaz	de	afastar	energias	ruins.	É	necessário
muito	cuidado	com	o	manuseio	por	mulheres	grávidas,	pois	possui	propriedades
abortivas.
É	uma	planta	que	pelo	conhecimento	popular	deve	ser	plantada	para	evitar	a
presença	de	inimigos,	para	afastar	a	inveja	e	o	mau	olhado.
“Planta	introduzida	no	Brasil	pelos	africanos	que	usavam	um	raminho	atrás	da
orelha	contra	“mau-olhado”.Esse	costume	preservado	era	comum	entre	os
negros	no	Brasil	desde	o	século	XIX,	documentado	por	Debret	no	desenho	de
negras	vendendo	Arruda.	Espalhando	a	caridade.	São	de	força	e	ação	do	nosso
Pai	Oxalá	Elas	têm	proteção.”	GLOSSÁRIO	Garrafadas	-	bebida	com	fins
medicinais	preparada	com	ervas	e	vinho	ou	cachaça.	Meladinha	-	bebida
preparada	com	mistura	de	plantas	e	cachaça.	Cumarinas	-	classe	de	substâncias
bioativas”	(ALMEIDA	p.	98,	2011).
“A	Arruda	segundo	alguns	sacerdotes	tem	duplo	poder,	o	de	retirar	a
negatividade	e	o	de	buscar	os	bons	fluidos.	Acredita-se	que	essa	erva	garante
bons	negócios	aos	comerciantes	e	afasta	dos	lares	as	doenças.	A	Arruda	está
sempre	presente	nos	arranjos	das	chamadas	“Plantas	Protetoras”,	com	finalidade
de	proteger	casas	e	comércios	do	mau-olhado.	Acredita-se	que	o	aroma	dessas
plantas	tem	o	poder	de	facilitar	também	as	realizações,	trazendo	boa	sorte.	Um
bom	arranjo	seria:	alecrim,	alfazema,	arruda,	espada-de-são-jorge,	comigo-
ninguém-pode;	e	kiôiô	ou	manjericão.	Conhecido	como	Vaso	das	7	Ervas
Protetoras”	(ALMEIDA,	p.	99,	2011).
A	arruda	pode	ser	reproduzida	a	partir	de	sementes,	por	divisão	de	mudas	ou
ainda	estaquia,	sendo	de	fácil	reprodução,	pelo	conhecimento	popular	quando
morre	uma	planta	saudável	é	porque	um	mal	olhado	foi	colocado	na	casa	ou	em
seus	moradores.
“É	uma	planta	com	capacidade	de	absorver	negatividades.	Por	isso	murcha	em
ambientes	considerados	“carregados”	e	perante	pessoas	maléficas.	Da	madeira
de	seus	galhos,	são	feitas	figas	(amuletos)	contra	mau	olhado”	(JAGUN,	p.	76,
2018).
Avenca
Nome	popular:	Avenca	Nome	científico:	Adiantum	sp	Nome	iorubá:	Abomenu	Orixás:		Oxum
A	avenca	é	uma	planta	que	necessita	de	muita	água	e	pouca	luminosidade	para	se
desenvolver	melhor,	é	uma	planta	muito	comum	em	ambientes	rochosos	onde
existe	água	corrente	próxima,	de	folhas	muito	delicadas	e	beleza	única.
Não	tolera	temperaturas	muito	baixas	e	é	extremamente	sensível,	necessitando
solo	drenado	e	adequado	ao	seu	plantio,	amplamente	conhecida	e	utilizada	para
ornamentar	vasos	e	jardins,	principalmente	quando	em	locais	úmidos.
Possui	a	sua	origem	na	América	Central,	América	do	Norte,	América	do
Sul,	Antilhas,	Brasil,	Estados	Unidos,	e	ocorre	de	forma	espontânea	em	locais
favoráveis	ao	seu	desenvolvimento.
Anis	estrelado	falso
Nome	popular:	Anis	estrelado	falso,	Alfavaca,	Atroverã,	Majericão	cheiro	de	anis-	Nome	científico:	Ocimum	Gratissimum	L.,	Labiatae	Nome	iorubá:	Efínfín	nlá	Orixás:		Oxum
A	planta	é	utilizada	como	condimento,	possui	um	cheiro	bem	próximo	do	anis,
por	isso	muito	confundida	por	parte	da	população.	Pode	atingir	até	80cm	de
altura,	é	nativa	do	Sul	do	Brasil,	adapta-se	com	facilidade	em	solos	bem
drenados	com	pouca	luminosidade.
“prefere	solos	férteis	com	boa	drenagem,	mas	não	encharcados,	à	meia-sombra.
Não	tolera	frio	e	é	sensível	ao	vento.	Cultivada,	em	jardins	e	hortas,	como	planta
condimentar	e	medicinal.	Plantas	do	gênero	Ocimum	são	amplamente
empregadas	na	indústria	farmacêutica,	cosmética,	de	alimentos	e,	atualmente,
como	inseticidas,	devido	aos	componentes	extraídos	do	óleo	essencial”
(GARLET,	p.	27-28,	2019).
Bastante	consumida	no	preparo	de	chás	e	como	temperos,	as	folhas	apresentam
cheiro	doce	e	delicado,	é	uma	planta	de	origem	do	Brasil.	Possui	a	sua
reprodução	principalmente	por	estaquia	ou	sementes	que	se	reproduzem	com
muita	facilidade.
É	uma	planta	que	prefere	regiões	de	clima	quente,	sendo	a	melhor	época	para	o
plantio	durante	o	período	de	chuvas.	Não	suporta	o	frio,	gosta	de	sol.	Prefere
solos	férteis	e	fofos,	com	boa	drenagem,	mas	não	encharcados.	Sua	reprodução	é
por	estacas	de	galhos	ou	por	sementes.	A	estaca	de	galhos	não	deve	conter	flores.
Consiste	em	uma	folha	bastante	aromática	e	que	é	utilizada	em	banhos	de
limpeza	quando	se	deseja	receber	o	axé	de	Oxum.
Bálsamo	verde
Nome	popular:	Bálsamo	Nome	científico:	Myroxylon	peruiferum	L.f.	Nome	iorubá:	Ejírín	Orixás:		Oxalá
O	bálsamo	é	uma	planta	suculenta	bastante	conhecida	e	difundida	em	diversas
regiões	do	Brasil,	é	um	tipo	de	suculenta	por	isso	não	necessita	de	muita	água	e
se	adapta	com	muita	facilidade	em	meia	sombra	e	locais	ensolarados.
A	sua	reprodução	é	extremamente	fácil,	quando	seus	galhos	calem	sobre	o	solo
já	brotam	e	assim	produzem	novas	mudas	que	irão	continuar	a	manter	a	espécie
sempre	viva.
É	também	uma	bela	erva	para	uso	em	jardins	como	planta	ornamental,	criando
um	espaço	de	intensa	beleza.
Bananeira
Nome	popular:	Bananeira	Nome	científico:	Musa	paradisiaca	L	Nome	iorubá:	Ògèdè	e	Ewé	Ekó	Orixás:		Xangô
As	bananeiras	são	plantas	de	origem	do	Sudeste	da	Ásia,	embora	sejam	hoje
produzidas	na	maioria	dos	países.	Existem	dezenas	de	espécies.
A	palavra	banana	possui	origem	em	Guiné-Bissáu,	pais	da	África	Ocidental.
A	bananeira	é	consagrada	a	orixá	Xangô	e	suas	folhas	são	utilizadas	para	cobrir
as	gamelas	onde	são	servidos	frutos	ou	amalá	para	Xangô	e	ainda	são	utilizados
também	no	preparo	dos	acaçás,	alimento	atribuído	ao	orixá	Oxalá.
As	primeiras	mudas	de	bananeira	que	foram	plantadas	no	Ilê	Orixá	aconteceram
no	ano	de	2011,	após	a	sua	utilização	na	decoração	das	festas.	Após	o	uso	nas
festas	essas	mudas	foram	plantadas	e	posteriormente	começaram	a	dar	frutos	e	se
reproduzirem	em	diversas	outras	mudas,	que	hoje	ornamentam	o	axé	da
Fortaleza	na	sua	sede	e	em	diversos	outros	axés	oriundos	da	Fortaleza.	As	mudas
foram	plantadas	como	forma	de	homenagear	o	orixá	Xangô	especialmente	o
orixá	Xangô	Godo	Aloxé,	orixá	de	Pai	Sérgio⁵⁵	de	Xangô	(hoje	em	in
memoriam),	que	foi	o	responsável	pela	iniciação	de	Pai	Ronie	de	Ogum	e	Pai
Alexandre	de	Oya.
Muitas	já	foram	as	mudas	descendentes	que	foram	distribuídas,	mas	a	maioria
delas	entre	os	filhos	do	Axé,	o	que	também	faz	com	que	o	axé	da	casa	esteja
presente	nas	folhas	que	existem	nos	Ilês	descendentes	do	axé.
No	Ilê	Orixá	é	a	folha	que	se	enrola	o	acaçá⁵ 	ou	akàsà	(oferenda	que	pertence	ao
orixá	Oxalá,	mas	que	todos	os	orixás	recebem).
Barba	de	pau
Nome	popular:	Barba	de	pau,	Barba	de	velho	Nome	científico:	Tillandsia	usneoides	L	Nome	iorubá:	Irùngbòn	Orixás:		Bará	Agelú,	Bará	Lanã,	Bará	Adague	e	Xapanã
Segundo	GUNFAREMIM	(2010)	“Conhecida	por	todos	como	barba	de	velho
(Tillandsia	usneoides),	devido	a	sua	aparência	peculiar,	esta	espécie	de	bromélia
costuma	ser	observada	crescendo	em	cima	de	árvores	e	fios	de	eletricidade.
Embora	muitos	pensem	que	é	um	tipo	de	parasita,	trata-se	na	verdade	de	uma
planta	epífeta,	ou	seja,	utiliza	outras	plantas	apenas	para	sua	sustentação.	Devido
a	isso,	dentro	das	casas	de	Candomblé,	costuma	ser	classificada	como	um	ewé
àfòmón	(parasita),	pertencendo	ao	orixá	Omolú/Obaluaye.	É	bastante	utilizada
para	defumadores	e	alguns	tipos	de	sacudimentos	para	filhos	desse	orixá,	que	é
chamado	carinhosamente	por	muitos	como	o	“O	Velho”.	Outros	nomes	que
recebe	são	barba-espanhola,	camambaia,	samambaia,	barba-de-pau	e	barba-de-
macaco.	Pode	alcançar	até	6	metros	de	comprimento,	se	alimentando	apenas	da
umidade	do	ar	e	de	alguns	nutrientes	carregados	pelo	vento.	É	interessante	que
quando	passa	por	longos	períodos	de	seca	entra	em	dormência,	voltando	a	se
desenvolver	apenas	quando	as	chuvas	retornam.
A	barba	de	pau	já	foi	muito	empregado	para	empacotar	frutas,	para	fazer
assentos	de	carros,	colchões	e	mobília,	prejudicando	muito	a	sua	reprodução	e
preservação	na	natureza.
Na	década	de	1939	mais	de	10	mil	toneladas	de	barba	de	velho	foram	utilizados
na	Flórida	e	na	Louisiana,	fazendo	com	que	fosse	praticamente	erradicado	de
algumas	de	suas	regiões	nativas.
No	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá	está	consagrada	aos	orixás	Exú	Bará	[com	exceção
de	Bará	Lodê]	e	Xapanã,	devendo	o	seu	uso	ser	realizado	após	orientação	do
jogo	de	búzios,	em	axés	que	for	orientado	a	ser	utilizada.
Segundo	STALCUP	(2000)
“Silva	cita	como	defumador,	para	uso	em	banho	de	descarrego	e	para	obrigação
no	ori	de	qualquer	orixá	(Apud,	SILVA,	1933),	o	que	nos	mostra	que	existe	uma
divergência	de	usos	dentro	dos	ritos	afros,	o	que	não	significa	que	um	ou	outro
estão	errados,	pois	o	axé	é	dinâmico	eo	que	serve	para	um	pode	não	servir	para
outro,	devido	a	configuração	de	cada	axé.
A	barba	de	pau	muitas	vezes	é	também	utilizada	como	planta	ornamental	na
decoração	de	arranjos	e	lojas	de	artesanato	em	diversas	floriculturas,
favorecendo	ainda	mais	a	exploração	inadequada.
Bergamoteira
Nome	popular:	Bergamota	Nome	científico:	Citrus	reticulata	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Ibeji
As	folhas	da	bergamoteira	são	levemente	ácidas	e	adocicadas,	possuindo	um
aroma	agradável	para	muitas	pessoas,	o	que	também	faz	com	que	alguns	não
gostem,	pois	o	seu	aroma	é	característico	e	costuma	ficar	nas	mãos.	A
bergamoteira	produz	um	fruto	muito	apreciado	por	parte	da	população	brasileira,
sendo	consumido	na	sua	forma	natural	e	na	fabricação	de	doces	e	sucos.
Ela	veio	do	sudoeste	tropical	e	subtropical	da	Ásia,	onde	hoje	é	a	Índia	e	a
China.	Foi	levada	para	a	África	durante	a	Idade	Média	e	depois	para	a	Europa.
No	Brasil,	as	primeiras	referências	à	bergamota	são	de	1817.
Existem	diversos	tipos	de	bergamota,	que	também	são	conhecidas	como
tangerinas	fora	da	região	Sul	do	Brasil,	mas	todas	elas	possuem	o	seu	aroma	bem
característico	que	não	deixa	que	seja	confundida	com	outra	fruta.
A	reprodução	é	principalmente	por	enxertia,	mas	também	pode	ser	produzidas
mudas	por	sementes,	é	muito	difundida	em	algumas	regiões	e	pouco	conhecida
em	outras.
O	conhecimento	popular	faz	muito	uso	dessa	folha	para	acalmar	crianças	em
seus	banhos,	quando	muito	agitadas,	para	facilitar	a	dormirem	melhor,	trazendo
calma	e	tranquilidade	para	a	criança.
A	floração	das	bergamoteiras	é	de	cor	branca	e	é	capaz	de	chamar	insetos	e
abelhas	para	sua	floração	tornando	assim	uma	importante	planta	para	a
reprodução	e	preservação	dessas	espécies.
Boldo	arbustivo⁵⁷
Nome	popular:	Boldo	Nome	científico:	Coleus	barbatus	Benth	Nome	iorubá:	Ewé	Bàbá	e	Ewúro	Bàbá	Orixás⁵⁸:		Oxalá
O	boldo	é	uma	folha	largamente	utilizada	no	Rio	Grande	do	Sul	e	muitas	outras
partes	do	Brasil,	amplamente	conhecida	por	muitas	pessoas,	se	adapta	facilmente
nos	mais	variados	tipos	de	solo,	o	que	facilita	a	sua	reprodução.	Suas	mudas
podem	facilmente	ser	reproduzidas	a	partir	de	estacas,	que	rapidamente	se
desenvolvem,	gerando	novas	mudas	em	um	tempo	curto.	Não	são	necessários
cuidados	especiais	para	o	seu	plantio	ou	manutenção.
Suas	folhas	após	maceradas	possuem	cheiro	forte	e	desagradável	para	algumas
pessoas,	mas	sem	dúvida	uma	das	ervas	mais	consumidas	e	apreciadas	pela
população.
“uma	das	principais	ervas	dessa	divindade”	(p.	136,	JAGUN,	2018).
“Arbusto	originário	de	África,	que	mede	de	um	a	dois	metros,	é	conhecido
popularmente	como	boldo-de-jardim	e	falsoboldo.	Nas	religiões	de	matrizes
africanas,	o	referido	arbusto	é	chamado	de	tapete-de-oxalá	porque	suas	folhas
aveludadas	simbolizam	o	chão	em	que	o	Grande	Pai	Oÿàlá	sempre	deveria	pisar.
Liturgicamente,	é	uma	folha	“boa	conselheira”,	que	ensina	que	conselho	só	se	dá
a	quem	se	pede.	O	candomblé	sabe	que	muitas	pessoas	ou	quase	todas	as	pessoas
gostam	de	dar	conselhos,	mas	são	poucas	as	que	estão	preparadas	para
exercerem	esta	missão;	sabe	que	o	bom	conselheiro	não	é	apenas	aquele	que	dá
bons	conselhos,	mas	é	principalmente	aquele	que	sabe	esperar	que	o	conselho
lhe	seja	solicitado,	pois	é	este	o	momento	certo	dele	ser	recebido	e	internalizado.
É	para	a	folha	tapete-de-oxalá	que	os	conselheiros	pedem	ajuda,	a	fi	m	de	que
estejam	sempre	bem-dispostos	e	nunca	se	queixem	por	ajudarem	as	pessoas	a
carregarem	suas	cargas:	Ewé	bàbá	di	ibárò	ó,	Õsányìn	Baba	ni	baru,	abádà	lò
okun	di	ibárò	ayaya,	Õsányìn	Baba	ni	bárù	aikùn.	Como	é	difícil	encontrar
pessoas	dispostas	a	ajudar	aos	outros	a	carregarem	suas	cargas,	poucas	são	as
pessoas	que	conhecem	e	fazem	uso	religioso	da	folha	tapete-de-oxalá”
(SANTOS,	p.	67,	2013).
As	espécies	mais	comuns	no	Brasil	são	o	boldo	baiano⁵ ,	que	no	Rio	Grande	do
Sul	é	conhecido	como	oro,	amplamente	utilizada	nos	cultos	afro	gaúchos,	o
boldo	da	terra,	amplamente	plantado	nos	jardins	e	o	boldo	chileno,	espécies
rasteira.	Os	dois	últimos	são	as	espécies	conhecidas	popularmente	como	boldo,
embora	apresentem	indicações	e	usos	diferenciados.
“Planta	consagrada	ao	culto	de	Oxalá,	como	seu	nome	indica”	(BASTIDE,	p.
166,	1961).
No	conhecimento	popular	é	amplamente	utilizada	para	combater	problemas	de
fígado,	a	partir	de	chá	que	deve	ser	apenas	macerado,	devido	ao	sabor
extremamente	amargo	da	folha.	É	importante	destacar	ainda	que	o	boldo	possui
diversos	usos	restritos	para	uso	medicinal,	por	isso	é	importante	reconhecer	bem
a	folha	e	ter	o	seu	uso	indicado	por	quem	a	conhece	bem.
No	batuque	o	boldo	é	conhecido	como	tapete	de	Oxalá,	folha	consagrada	para
este	orixá,	por	isso	o	seu	uso	é	grande	na	religião	afro-gaúcha	o	tornando
bastante	popular	e	tendo	seu	plantio	em	diversas	casas	de	axé.
No	Ilê	Orixá	a	folha	do	boldo	é	utilizada	em	banhos	de	ervas	(mieró)	quando	se
deseja	o	axé	de	Oxalá,	para	trazer	calmaria,	paz	e	tranquilidade.	É	uma	erva
muito	utilizada	para	banhos	em	crianças,	pois	tem	a	capacidade	de	trazer
equilíbrio	e	paz.	É	também	utilizada	na	decoração	de	axés	que	são	servidos	a
este	orixá,	com	a	colocação	de	suas	folhas	aveludadas	e	de	cheiro	forte	e
característico	sobre	os	pratos	onde	as	oferendas	são	servidas.
A	folha	do	boldo	é	encontrada	em	todas	as	regiões	e	fortemente	utilizada	pela
população	para	diversas	finalidades	de	acordo	com	o	conhecimento	popular	que
é	transmitido	de	geração	em	geração.
Boldo	chileno
Nome	popular:	Boldo,	boldo	chileno,	boldo	verdadeiro,	boldinho,	boldo	gambá,	boldo	ornamental,	tapete	de	Oxalá	Nome	científico:	Plectranthus	ornatus	Codd	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Orumilaia
O	boldo	chileno	é	um	arbusto	que	não	necessita	muitos	cuidados,	de	crescimento
rápido,	de	cheiro	muito	forte	e	característico	é	uma	planta	muito	aconselhada
para	o	uso	em	banhos	e	amplamente	difundido	como	uso	medicinal.
Para	alguns	o	boldo	chileno	é	o	boldo	verdadeiro,	com	menor	toxicidade	e	mais
indicado	para	o	consumo	de	acordo	com	o	conhecimento	popular.
O	crescimento	do	boldo	se	dá	melhor	em	ambientes	iluminados,	mas	não
necessitando	de	luz	intensa	em	todo	o	dia,	se	reproduz	com	muita	facilidade	a
partir	de	separação	de	touceiras	ou	quebras	de	seus	galhos.
É	amplamente	reconhecido	em	várias	localidades	como	tapete	de	Oxalá,	muito
comum	para	usos	em	banhos	e	o	conhecimento	popular	o	utiliza	muito	na	forma
de	chás .
Caneleira
Nome	popular:	Caneleira	Nome	científico:	Cinnamomum	zeylanicum	Blume	.	Nome	iorubá:	Ewé	Téemi	Orixás:		Oya
Na	Fortaleza	Ilê	Orixá	a	caneleira	é	uma	folha	de	Oya,	mas	em	alguns	casos,	é
possível	ser	utilizada	para	os	orixás	Ossanha	e	Xapanã.	A	folha	da	caneleira	é
extremamente	aromática,	com	cheiro	bastante	forte	e	característico.	É
amplamente	utilizada	pela	indústria	na	produção	de	aromas,	possui	também
grande	utilização	na	culinária	na	forma	de	pó,	em	pedaços	de	pau	secos	extraídos
de	seu	caule.
A	canela	figurava	entre	os	presentes	dados	à	realeza	por	seu	enorme	valor.
Considerado	símbolo	da	sabedoria,	foi	usada	por	gregos,	romanos	e	hebreus	na
aromatização	de	vinhos.	Uma	lenda	diz	que	Nero,	imperador	de	Roma,	teria
mostrado	sua	dor	no	funeral	de	sua	mulher	queimando	o	estoque	anual	de	canela.
Canela	de	velho
Nome	popular:	Canela	de	velho	Nome	científico:	Miconia	albicans	(Sw.)	Trin.	Nome	iorubá:	Ewé	Etan	Ibá	Orixás:		Oya
Para	o	conhecimento	popular	no	Candomblé	essa	planta	serve	para	retirar	a
negatividade,	por	isso	está	ligada	ao	orixá	Obaluaye,	que	no	batuque	cultuamos
como	Xapanã.
O	conhecimento	popular	ainda	faz	uso	dessa	planta	para	retirar	a	dor	do	corpo,
principalmente	das	pernas.
Mas	no	nosso	axé,	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,	a	canela	de	velho	está	dedicado
ao	orixá	Oya.
Capim	cidró
Nome	popular:	Capim	limão,	santo	capim,	grama	cidreira,	falsa	erva	cidreira,	capim	de	cheiro,	chá	de	príncipe,	cidrilho	Capim	cidró	Nome	científico:	Cymbopogon	citratus	(DC)	Stapf	Nome	iorubá:	Korikó	oba	Orixás:		Ossanha	e	Tempo
É	considerada	uma	planta	que	afasta	a	negatividade	da	morte.	A	vida	fica	doce
denovo.	Atrai	clientes,	amores,	dinheiro.	limpa	o	mal	e	a	inveja	das	pessoas,	por
isso	o	seu	plantio	é	recomendado.
Sem	dúvida	é	uma	das	plantas	mais	comuns	cultuadas	dentro	de	diversas	áreas
urbanas	e	rurais,	devido	ao	seu	cheiro	agradável	e	adocicado.
O	capim	cidró	é	uma	planta	que	favorece	a	paz,	tranquilidade	e	harmonia	nos
locais	em	que	está	plantada,	criando	um	ambiente	tranquilo.
“Seu	cultivo	é	feito	a	partir	de	mudas	plantadas	em	local	ensolarado.	Cada	muda
formará	uma	touceira.	Prefere	terrenos	pouco	úmidos,	em	regiões	tropicais	e
temperadas.	Não	suporta	regiões	frias.	No	Brasil,	se	desenvolve	bem	no	litoral”
(NASCIMENTO,	p.	15,	2014).
É	uma	das	plantas	aromáticas	mais	conhecidas	no	Brasil,	de	cheiro	muito
agradável	é	consumida	na	forma	de	chás,	que	são	indicados	para	diversos	fins,
sendo	amplamente	conhecida	por	grande	parte	da	população.
Para	o	seu	cultivo	é	necessário	sol	direto	para	que	suas	folhas	se	desenvolvam.
Necessita	muito	cuidado	para	o	manuseio	de	suas	folhas	para	evitar	cortes,	já
que	suas	folhas	são	serrilhadas	e	extremamente	cortantes,	o	que	pode	causar
grande	incomodo	e	um	pouco	de	dor,	já	que	é	muito	fácil	o	corte	como	acidente,
assim,	para	ser	macerada	é	necessário	muito	cuidado.
FARIA	(2016),	cita	como	curiosidade	que	o	capim	cidró	é:
“A	planta,	recomendada	para	acabar	com	pesadelos	e	desordens	do	sono,	é	muito
usada	em	chás.	Também	tem	a	função	de	eliminar	a	ansiedade,	o	nervosismo	e	a
irritação	mental”.
Carqueja
Nome	popular:	Carqueja	Nome	científico:	Baccharis	trimera	Nome	iorubá:	Ewé	kànérí	Orixás:		Iansã
A	carqueja	é	uma	planta	muito	fácil	de	ser	encontrada	em	campos	pelo	Brasil,	de
origem	africana	encontrou	na	América	do	Sul	terreno	fértil	para	se	reproduzir.	É
dedicada	no	Ilê	Orixá	ao	orixá	Iansã.
“Planta	dedicada	a	Iansã	e	tem	poderes	medicinais.”	(PEREIRA,	2014,	p.	108).
“esta	planta	faz	parte	da	Relação	Nacional	de	Plantas	de	Interesse	do	SUS
(Renisus).	A	carqueja	é	amplamente	utilizada	na	medicina	caseira,	hábito
herdado	dos	nossos	indígenas.	O	primeiro	registro,	escrito	em	1931	no	Brasil,
informa	o	emprego	da	infusão	das	partes	aéreas	para	o	tratamento	da	esterilidade
feminina	e	da	impotência	masculina,	atribuindo	propriedades	tônicas,	febrífugas
e	estomáquicas”	(GARLET,	p.	16,	2019).
“Tolera	bem	solos	ácidos	e	pobres,	chegando,	nestas	condições,	a	atingir	altas
infestações	que	comprometem	o	crescimento	das	pastagens	nativas,	e	a	se	tornar
uma	planta	daninha	de	terrenos	baldios	e	beira	de	estradas.	Cresce	também	sob
luz	difusa	e	geadas.	Floresce	intensamente	durante	o	verão”	(NASCIMENTO,	p.
17,	2014).
“Muito	abundante	em	nosso	estado,	a	carqueja	é	também	muito	familiar	para	a
maioria	da	população”	(Steffen,	S.J.	p.	23,	2010).
Caruru
Nome	popular:	Caruru,	bredo	Nome	científico:	Baccharis	trimera	Nome	iorubá:	Ewé	gbúre	òsun	Orixás:	Xangô
Ofó
"E	jé	kí	tètè	ó	te	ilè
Awo	lo	nílèE	jé	kí	tètè	ó	te	ilè"
Em	pó	ou	pilada	com	sabão	da	costa	é	usada	nos	terreiros	para	a	sorte	se
sobresair...numa	situação	hostil
Tradução:	Pisotea,	pisotea,	todas	as	ervas	do	campo...todas	as	ervas	do	campo
não	podem	evitar	o	atropelo	de	teté...todas	as	ervas	do	campo
Em	alguns	candomblés	esta	planta	atrai	negócios.	Abre	caminhos.	Ajuda	a
enxergar.	Permite	o	início	de	nova	vida.	Auxilia	em	situações	difíceis	do
cotidiano.
Conhecida	também	como	bredo,	é	uma	folha	que	muito	auxilia	em	problemas	de
saúde.
“bredo	é	uma	planta	de	muito	uso	no	candomblé,	por	isto	é	de	suma	importância
não	confundir	o	bredo-sem-espinho,	têtè,	que	em	yorubá	é	uma	planta	conhecida
também	pelo	nome	de	têtê	égun,	com	o	bredo-comespinho	–	têtê	çlëgun.	Através
de	Õfun,	sabe-se	que	Õrúnmìlà	lavou	Seus	coquinhos	de	divinar	com	têtê	e
õdúndún,	duas	folhas	que	são	muitas	vezes	usadas	juntas,	principalmente	quando
é	para	combater	doenças:	“Àt’òjò	àtçêrùn	ki	í	rç	Õdúndún.	Àt’òjò	àtçêrùn	ki	í	rç
Têtê.	Àt’òjò	àtçêrùn	ki	í	rç	Rínrín	=	Folha-da-costa	nunca	está	doente.	Bredo
nunca	está	doente.	Alfavaquinha-de-cobra	nunca	está	doente.	Para	Bredo	de
canta:	Têtê	kô	mã	tê,	dání	ÿò	ni	lç	=	Bredo	acorda	sempre	quem	é	insípido,
segura	o	inseguro,	o	preguiçoso,	o	indolente.”	(SANTOS,	p.	73,	2013).
Planta	muito	popular,	costuma	crescer	de	forma	espontânea	em	diversos	locais,
sendo	para	muito	conhecida	como	uma	planta	invasora	que	se	reproduz	com
facilidade	em	diversos	jardins.
Da	mesma	forma	que	diversas	outras	plantas,	é	desconhecida	dentro	da
comunidade	batuqueira	que	não	costuma	dar	importância	para	o	conhecimento
das	plantas	litúrgicas,	conhecendo	apenas	algumas	mais	populares,	que
geralmente	são	adquiridas	em	feiras.
Colônia
Nome	popular:	Colônia	Nome	científico:	Alpinia	zerumbet	(Pers.)	B.	L.	Burtt.	&	R.	M.	Sm.	/	Alpinia	speciosa	K.	Schum	Nome	iorubá:	Tótó	Orixás:	Iemanjá
Segundo	o	site	Divina	Flor	Verde	é	uma	planta	“considerada	como	folha	eró	(de
calma)	(Barros	1993:88),	a	colônia	é	de	grande	importância	no	contexto	litúrgico
das	casas	de	candomblé.	Entra	no	àgbo	e	banhos	purificatórios	para	todos	os
iniciados,	provavelmente	por	deferência	à	"Oxóssi,	o	rei	da	nação	de	Ketu",
embora	também	seja	atribuída	a	Iemanjá	e	Oxum,	que	se	relaciona	com	o	lado
feminino	de	suas	flores.
“A	Colônia	tem	uma	forte	relação	com	o	mundo	das	águas,	sua	simbologia	nas
indicações	tradicionais	está	categorizada	como	planta	fria.”	(ALMEIDA,	p.	85,
2011)
Ela	pacifica,	atrai	filhos,	vida	nova,	dinheiro.	Faz	enxergar	a	beleza	e	o	bem-
estar.
Muito	utilizada	na	medicina	rural,	a	infusão	das	flores	desta	planta	é	excelente
para	acalmar	pessoas	em	estado	de	histeria.
As	folhas	´possuem	propriedades	sedativas	e,	envolvendo	a	cabeça,	combatem	as
enxaquecas	e	encefalias;	em	infusão	no	álcool	e	friccionadas	sobre	machucados,
possui	efeito	anestésico;	na	forma	de	chá,	combatem	a	pressão	alta	e	palpitações
cardíacas,	agindo	como	sedativo	sobre	o	organismo”.
Costela	de	adão
Nome	popular:	Costela	de	adão	Nome	científico:		Monstera	deliciosa	Liemb	Nome	iorubá:	Eegun	ìha	Orixás:	Ogum
Essa	é	uma	folha	que	não	existe	muita	divergência	de	uso,	a	grande	maioria	a
coloca	como	uma	planta	de	Ogum,	mas	em	alguns	Candomblés	também	é
utilizada	para	Omolu.
É	uma	planta	de	crescimento	rápido	e	fácil,	necessitando	preferencialmente
locais	sombreados,	mas	adapta-se	com	muita	facilidade	também	no	sol	pleno.
É	possível	a	realização	de	ritos	muito	específicos	com	esta	planta	para	diversas
finalidades.
Cidró
Nome	popular:	Cidró,	Cidrão,	erva	luísa,	limoneto	Nome	científico:		Lippia	triphylla	Kuntze	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oya	e	Ossanha
O	conhecimento	popular	utiliza	muito	esta	planta	como	calmante,	possui	cheiro
adocicado	e	lembra	o	sabor	do	limão,	se	desenvolve	como	pequenos	arbustos
lenhosos,	e	se	reproduz	com	facilidade	a	partir	de	estacas.
Devido	seu	aroma	muito	agradável	e	efeitos	calmantes	é	muito	utilizada	na
confecção	de	travesseiros	aromáticos.
Cartucho	branco
Nome	popular:	Cartucho,	Trombeta-branca,	cálice-de-venus,	trombetão-branco,	trombeta-de-anjo,	saia-branca,	vestido-de-noiva,	zabumba-branca,	trombeta-cheirosa,	babado,	dama-da-noite.	Nome	científico:	Brugmansia	suaveolens	Nome	iorubá:	Àgogó	Orixás:	OxaláSegundo	o	blog	Divina	Flor	Verde	“seu	nome	nagô	deriva	do	fato	de	suas	flores
possuírem	o	formato	semelhante	ao	da	sineta	(agogô)	utilizada	nos	rituais	como
instrumento	de	percussão	para	chamar	o	orixá”
A	planta	é	um	arbusto	que	atinge	até	três	metros	de	altura,	multiplica-se	a	partir
de	estacas	e	sementes,	embora	a	reprodução	por	sementes	seja	mais	demorada
para	se	desenvolver.
O	seu	cultivo	é	fácil	e	suas	flores	liberam	um	perfume	doce	que	chama	muitos
insetos,	de	grande	beleza	suas	flores	são	utilizadas	em	alguns	projetos
paisagísticos,	embora	em	muitos	locais	o	seu	uso	seja	proibido	devido	a	presença
de	muitas	substâncias	tóxicas	em	todas	as	partes	da	planta.
“Homenageia	e	honra	as	mulheres,	ancestralidade	feminina,	faz	nascer	filhos	e
netos.	Conhecida	praticamente	em	todas	as	regiões	tropicais	do	mundo,	o
estramônio	tem	sua	origem	na	Ásia,	provavelmente	no	Himalaia.	Tema	de	um
livro	deCarlos	Castañeda	intitulado	A	erva	do	diabo,	esta	planta	tem	despertado
o	interesse	de	vários	estudiosos	das	áreas	de	antropologia	e	etnobotânica,
principalmente	no	que	diz	respeito	à	sua	utilidade	e	função	alucinógena	em
rituais	indígenas”	(DIVINA	FLOR	VERDE,	2021).
Esta	planta	ficou	conhecida	popularmente	na	década	de	70	como	erva	do	diabo,
devido	a	publicação	do	livro	“A	Erva	do	Diabo”,	de	Carlos	Castaneda,	Um	livro
considerado	polêmico	e	para	muitos	perturbador.
Cartucho	rosa
Nome	popular:	Cartucho	rosa,	trombeta	de	anjo	Nome	científico:	Brugmansia	suaveolens	Nome	iorubá:	Àgogó	Orixás:	Oxalá
Essa	planta	apresenta	as	mesmas	características	do	cartucho	branco,	tendo
apenas	a	coloração	rosada.	Sua	reprodução	é	extremamente	fácil,	a	partir	de
estacas	que	brotam	rapidamente	e	logo	já	florescem.
Este	tipo	de	cartucho	é	encontrado	com	mais	dificuldade,	mas	assim	como
branco	libera	um	aroma	agradável	onde	está	plantado,	principalmente	a	noite,	se
destacando	no	meio	de	tantas	outras	plantas,	já	que	o	seu	aroma	é	inconfundível,
doce	e	agradável.
Comigo	ninguém	pode
Nome	popular:	Comigo	ninguém	pode	Nome	científico:	Dieffenbachia	picta(Lodd.)	Schott.:	Nome	iorubá:	Womobú	funfun	Orixás:	Ogum
Segundo	CARVALHO	(2012,	p.	166)	o	cultivo	da	herbáea	comigo-ninguém-
pode	é	bastante	difundido	no	Brasil,	sendo	possível	vê-las	plantadas	em	vasos	e
jardins.	Dentro	e	fora	das	casas.	Essa	dispersão	pode	estar	relacionada	as	crenças
em	suas	propriedades	mágico-religiosas,	contra	mau-olhado,	a	inveja,	olho	gordo
e	qualquer	tipo	de	energia	negativa.	Seu	uso	com	essa	finalidade	de	proteção	é
tão	difundido	que	não	é	necessário	que	o	usuário	pertença	a	alguns	segmentos
religiosos	afro-brasileiros.
Existem	diversas	variedades,	diferenciadas	principalmente	pela	distribuição	do
branco	sobre	a	folha,	e	o	formato	da	folha	que	pode	mudar	um	pouco,	é	uma
planta	de	origem	amazônica,	que	não	tolera	muita	incidência	de	sol	sobre	suas
folhas,	podendo	ficarem	queimadas,	adapta-se	com	muita	facilidade	em
ambientes	internos	e	bem	iluminados.
“e	qualquer	parte	da	planta	for	mastigada,	irá	provocar	inchaço	na	boca	e	na
língua,	levando	à	perda	temporária	da	capacidade	de	falar.	Isso	ocorre	porque	a
planta	toda	possui	ráfides,	que	são	cristais	minúsculos	em	forma	de	agulha
(aciculares),	formados	pela	deposição	de	oxalato	de	cálcio	(ou	carbonato	de
cálcio,	em	outras	espécies)	dentro	de	células	ejetoras	especializadas,	que	são
conhecidas	como	idioblastos,	que	diferem	das	células	comuns	nos	tecidos	da
planta.	Os	ráfides	nada	mais	são	que	uma	defesa	da	planta	contra	predadores	que
tentem	se	alimentar	dela”	(Diário	do	Naturalista,	2021).
“Na	época	da	escravidão	nos	Estados	Unidos,	os	negros	escravos	usavam	a
comigo-ninguém-pode	como	uma	forma	de	cometer	suicídio,	apesar	de	que
muitas	vezes	essa	“técnica”	falhava.
Nas	Índias	Ocidentais	era	empregada	como	forma	de	castigo	para	os	escravos
nas	plantações	onde	era	cultivada	para	a	granulação	de	açúcar.	Os	escravos	eram
forçados	a	morder	o	caule,	que	contém	mais	ráfides	que	as	folhas.
Durante	o	III	Reich,	na	Alemanha	nazista,	foram	feitas	pesquisas	sobre	a
possibilidade	de	esterilizar	presos	em	campos	de	concentração,	sendo	iniciado
um	programa	por	Heinrich	Himmler	para	esterilizar	três	milhões	de	presos
soviéticos.	A	ideia	foi	deixada	de	lado	pois	se	mostrou	impraticável	cultivar
plantas	em	número	suficiente.
Índios	brasileiros	forçavam	inimigos	capturados	a	ingerirem	a	planta	para	tentar
torná-los	estéreis;	no	Caribe,	há	registros	do	uso	da	planta	como	método
contraceptivo.
Em	Cuba,	o	suco	da	planta	é	aplicado	diretamente	nos	órgão	genitais	para	uso
como	afrodisíaco	–	apenas	para	mulheres”	(Diário	do	Naturalista,	2021).
A	comigo	ninguém	pode	é	bastante	comum	de	ser	encontrada	nos	vasos	com	7
ervas,	ou	ainda	em	vasos	isolados	dentro	das	residências,	devido	ao	seu	grande
uso	como	planta	ornamental	em	residências	e	jardins,	principalmente	quando	em
meia	sombra.
“–	Planta	muito	usada	na	ornamentação	e	para	afastar	os	maus	fluídos	[...]	ela
cuida	da	vida	material	e	espiritual,	afastando	as	energias	pesadas	da	inveja	e	do
mau	olhado.	Sua	força	se	amplia	quando	associada	a	outras	do	mesmo	poder
como	espada-de-são-Jorge”	(PEREIRA,	2014,	p.	119).
Existe	uma	crendice	que	diz	"onde	tem	comigo-	ninguém-pode	tudo	pode,	pois
comigo-	ninguém-pode."	É	um	ditado	popular	bastante	antigo	que	dizem	que
deve	ser	dito	ao	plantar	e	colocar	em	alguma	dependência	da	casa	ou
estabelecimento.		É	possível	que	esse	ditado	pode	até	não	ser	conhecido	em
algum	lugar,	e	não	ser	usado	em	algumas	regiões.
Cinamomo
Nome	popular:	Cinamomo,	Pára	raio	Nome	científico:	Mella	azedarach	L	Nome	iorubá:	Igí	mésàn	Orixás:		Ogum	e	Odé
É	uma	árvore	de	origem	da	Ásia	e	amplamente	adaptada	no	Brasil,	já	foi	uma
árvore	bastante	popular,	hoje	em	dia	devido	a	muitas	árvores	ornamentais
utilizadas	nos	jardins,	perdeu	bastante	espaço	nas	cidades.
É	uma	árvore	que	produz	um	pequeno	fruto	que	é	apreciado	por	alguns	pássaros,
na	maioria	das	casas	que	possuem	esta	árvore	é	comum	ao	final	do	verão	uma
poda	em	que	na	maioria	das	vezes	ficam	poucos	galhos	presos	ao	tronco.
Curry
Nome	popular:	Curry	Nome	científico:	Helichrysum	italicum	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Iemanjá	e	Oxalá
O	curry	é	uma	erva	de	origem	da	região	do	mediterrâneo	que	se	adaptou	em
diversas	regiões	do	mundo,	embora	seja	uma	planta	que	goste	de	sol	intenso,	em
locais	pouco	ensolarados	favorece	o	aparecimento	de	fungos	que	são	capazes	de
matar	a	planta.	Folha	muito	aromática	e	amplamente	utilizada	na	culinária
devido	ao	seu	sabor	característico.
Danda	da	costa
Nome	popular:	Danda	da	costa,	titirica,	Capim	Dandá,	Junça	Aromática,	Campim	Cipérus	Nome	científico:	Cyperus	rotundus	Nome	iorubá:	Làbelàbe	Orixás:		Xangô
“Na	verdade,	trata-se	de	uma	poderosa	planta	com	qualidades	mágicas.	Seu
tubérculo	é	escuro	e	é	usado,	principalmente,	por	praticantes	de	religiões	afro-
brasileiras.	Muito	utilizada	para	o	esgotamento	espiritual	relacionado	com	magia
negra,	onde	está	erva	poderosa	entra	limpando	e	descarregando	situações
difíceis,	intensas	e	complexas.	É	um	ácido	desagregador	de	feitiços	e	magias
negras,	principalmente,	quando	estas	envolvem	o	sacrifício	de	animais,	sangue	e
ossos”	(MUKAní,	2018).
O	danda	da	costa	é	uma	planta	amplamente	utilizada	nos	ritos	religiosos
africanos,	muito	conhecida	no	campo	e	considerado	por	muitos	agricultores
como	uma	erva	daninha,	o	seu	uso	é	completo,	utiliza-se	os	tubérculos,	as	folhas
e	raízes.
As	folhas	são	consideradas	de	grande	poder	de	acalmar	e	as	suas	raízes	e
tubérculos	amplamente	utilizadas	em	ritos	de	limpeza	e	de	mudanças.	Para
alguns	candomblés	os	tubérculos	podem	ainda	serem	utilizados	para	afastar
magias	indesejadas	e	para	atrair	mudanças	de	local.	Existem	diversas	formas	de
uso	dessa	planta	que	necessitam	de	conhecimento	e	uso	de	forma	correta.	É
considerada	uma	planta	que	não	deve	faltar	dentro	de	um	axé.
Dólar
Nome	popular:	Dólar	Nome	científico:	Plectranthus	nummularius	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Iemanjá
“Suas	folhas	são	usadas	para	amacis	e	águas	de	cheiro.	Não	é	usada	na	medicina
popular”	(BRAS,	2021).
O	dólar	é	uma	planta	originária	da	Austrália	e	as	ilhas	do	pacífico,	possui	folhas
brilhantes	e	dentadas,	muito	utilizada	para	ornamentação	de	jardins,	já	que	se
adapta	em	diversos	locais,	embora	se	adapte	melhor	em	meia	sombra.
“Bom	para	atrair	amor,	dinheiro,	fartura.	Cria	bom	humor	[...]	Plantadas	em
vasos,	são	utilizadas	no	interior	das	casa-de-santo	com	o	propósito	de	atrair
prosperidade	financeira”	(DIVINA	FOLHA	VERDE,	2021).
Como	toda	folha	de	Iemanjá	consegue	atrair	bons	pensamentos,	reduzir	a
depressão	e	fazer	com	que	o	ori	seja	orientado	a	seguir	em	frente	em	um	bom
caminho,	para	o	desenvolvimento	de	seu	filho,	fazendo	com	que	consiga
atravessar	os	problemas	da	vida.
É	uma	folha	muito	popular	e	encontrada	com	muita	facilidade	em	diversos	lares
pendurada	ou	em	pequenos	canteiros,	considerada	uma	bela	planta	para
utilização	como	decoração,	com	folhas	brilhantese	encantadoras	para	a	maioria
das	pessoas.
Dinheiro	em	penca
Nome	popular:	Dinheiro	em	penca,	brilhantina	Nome	científico:	Pilea	microphylla	Nome	iorubá:	Ewé	mimolé	Orixás ¹:		Otim
O	dinheiro	em	penca	é	uma	planta	de	muito	fácil	desenvolvimento,	amplamente
conhecida	e	cultivada	em	diversos	jardins,	muito	utilizada	em	ritos	religiosos.	É
dedicada	ao	orixá	Otim,	e	lembrando	uma	observação	de	Pai	Alexandre,	em
oficina	realizada	no	Ilê	Orixá	ela	“não	deve	ser	utilizada	sem	estar	em	conjunto
de	uma	erva	de	Odé,	pois	não	se	pode	conceber	o	orixá	Otim	sem	o	orixá	Odé”,
destaca.
O	dinheiro	em	penca	necessita	bastante	luminosidade	para	o	seu	pleno
desenvolvimento,	serve	como	uma	bela	planta	ornamental	em	diversos	espaços
em	um	jardim,	se	adaptando	com	muita	facilidade	diretamente	no	solo	ou	em
vasos.
Elevante
Nome	popular:	Levante,	Alevante,	Elevante	Nome	científico:	Mentha	citrata	L.	Nome	iorubá:	Eré	tuntún	Orixás:	Ogum
“Planta	aromática	do	gênero	mentha,	encontrada	espontaneamente	ou	cultivada
nos	lugares	úmidos	em	áreas	tropicais.	De	cheiro	agradável,	a	levante	miúda	é
usada	nos	rituais	jêje-nagôs”	(	verdes	folhas,	2015).
O	levante	juntamente	com	a	guiné	são	as	principais	ervas	dedicadas	ao	orixá
Ogum	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,	está	presente	na	maioria	dos	banhos	de
ervas.
É	uma	planta	de	crescimento	rápido	e	de	fácil	reprodução,	necessitando	de
poucos	cuidados	e	se	desenvolvendo	facilmente	em	diversos	tipos	de	solos,	é
uma	das	ervas	mais	utilizadas	em	banhos	quando	se	deseja	o	axé	de	Ogum,
podendo	ser	substituída	pela	guiné.
O	uso	do	elevante	é	muito	comum	nos	vasos	com	7	ervas,	e	geralmente	é	a	única
planta	rasteira	que	está	presente,	servindo	como	uma	bela	ornamentação	do	vaso
que	costuma	ficar	nas	entradas	de	casas	e	comércios.
Espada	de	Iansã
Nome	popular:	Espada	de	Iansã,	de	Oya	ou	Santa	Bárbara	Nome	científico:	Tradescantia	spathacea	Sw.	Nome	iorubá:	Ewé	idà	oyá	ou	Obé	semi	oyá	Orixás:		Oya
A	espada	de	Iansã	é	uma	planta	muito	resistente,	não	necessita	cuidados
especiais	e	se	adapta	facilmente	em	diversos	tipos	de	solo,	é	possível	ser
cultivada	somente	na	água	ou	ainda	plantada	diretamente	na	terra,	nesse	caso
não	necessitando	de	muita	água,	mas	precisa	de	muita	luminosidade.
A	espada	de	Iansã,	assim	como	a	espada	de	São	de	Jorge	ou	Espada	de	Ogum,
não	se	faz	uso	em	banhos,	mas	serve	para	passar	o	axé	do	orixá,	podendo	ser
utilizada	diretamente	no	filho,	como	uma	oferenda	ou	ainda	plantada	para	trazer
o	axé	de	Oya	para	dentro	das	casas,	é	uma	planta	ligada	a	proteção	de	quem	a
cuida	e	a	possui	em	suas	casas.
A	espada	de	Iansã	ou	espada	de	Oya,	costuma	estar	plantada	em	diversos	jardins
como	planta	ornamental,	pois	além	de	precisar	de	poucos	cuidados	é	uma	planta
com	se	destaca	pela	sua	beleza	e	fácil	adaptação	em	diversos	locais,	fazendo
com	que	diversas	pessoas	a	procurem	para	plantar	em	seus	jardins.
Espada	de	Ogum ²
Nome	popular:	Espada-de-São-Jorge,	Espada-de-Ogum,	Nome	científico:	Sansevieria	trifascita	Nome	iorubá:	Ewé	idà	òrìsà	Orixás:		Ogum
Segundo	CARVALHO	(2012)	“Apesar	de	na	literatura	botânica	consultada	a
espada-de-são-jorge	aparecer	apenas	como	uma	planta	ornamental,	seu	uso	como
planta	de	proteção	é	extremamente	difundido	por	todo	o	Brasil”
Trata-se	de	uma	planta	de	origem	africana,	mas	ainda	não	temos	claro	se	sua
introdução	no	Brasil	se	deu	por	portugueses	ou	se	foi	daquelas	plantas	que	os
próprios	africanos	mandavam	buscar	na	África	para	suas	práticas	rituais.	Tem
propriedades	protetoras	e	é	usada	em	banhos	de	descarrego,	também	em
amuletos	e	em	defumações	contra	magia-negra	(CACCIATORE,	1977,	p.115)	e
em	algumas	casas	de	culto	é	“utilizada	junto	com	outras	espécies	como	cerca,
em	volta	de	casa	dedicada”	a	Ogum	(PESSOA	DE	BARROS,	1993).
Mãe	Stella	de	Oxóssi,	com	toda	a	sua	sabedoria	ancestrálica	nos	lembra	que
“para	as	folhas	com	formato	de	espada	pedimos	que	sejamos	bastante	fortes	para
que,	rapidamente,	possamos	cortar	o	mal	e	as	armadilhas	que	são	feitas	para
atrapalhar	a	nossa	existência.	Afinal,	a	espada	é	símbolo	de	destruição	da
injustiça,	da	maleficência	e	da	ignorância”
A	espada	de	Ogum	também	está	presente	nos	vasos	de	7	ervas,	devido	ao	seu
crédito	de	conseguir	cortar	as	energias	ruins	de	lugares.
Erva	de	bugre
Nome	popular:	Erva	de	bugre,	Língua-de-teiú,	Chá-de-frade,	Vassatonga,	Língua-de-lagarto,	Erva-de-bugre,	Flauta-de-saíra,	Erva-de-lagarto,	Pau-de-lagarto,	Petumba.	Nome	científico:	Casearia	Sylvestris	Sw	.	Nome	iorubá:	Ewé	alélèsi	Orixás:		Ossanha
A	erva	de	bugre	é	uma	erva	bastante	popular	no	Ilê	Orixá,	já	foi	utilizada
diversas	vezes	na	decoração	de	festas	religiosas,	dedicadas	aos	orixás	Ogum
Adiokô	e	Oya	Tofã,	para	criar	um	ambiente	mais	próximo	da	natureza,	em
momentos	em	que	a	vegetação	do	axé	era	menor	e	como	forma	de	evitar	o	uso
de	materiais	descartáveis	na	decoração	das	festas.
“esta	planta	faz	parte	da	Relação	Nacional	de	Plantas	de	Interesse	do	SUS
(Renisus).	Na	América	do	Sul,	o	carvalhinho	entra	na	composição	de	produtos
dentários	e	antissépticos.	O	poder	cicatrizante	da	planta	é	tão	forte	que,	na
crença	popular,	o	lagarto	só	enfrenta	a	cobra	se	houver	um	pé	de	carvalhinho	por
perto.	Se	o	lagarto	sair	ferido,	basta	que	ele	coma	algumas	folhas	da	planta”
(GARLET,	p.	21,	2019).
Planta	também	utilizadas	em	festas	religiosas	para	encher	cestas	para	o	Orixá
Ossanha,	para	distribuição	durante	o	seu	axé,	momento	em	que	são	jogadas
folhas	para	cima,	como	forma	de	representação	do	axé.	Utiliza-se	essa	folha	já
que	na	origem	da	feitura	de	Pai	Alexandre	de	Oya	e	de	Pai	Ronie	de	Ogum	era	a
folha	utilizada	por	Pai	Sérgio	de	Xangô,	como	folha	símbolo	de	Ossanha,	sendo
sempre	a	escolhida	por	ele	para	utilização	nesse	rito,	que	ele	fazia.	Aos
frequentadores	de	sua	casa,	e	filhos	antigos	lembram	de	muitos	momentos	que
Xangô	Aloxé	antes	de	subir	dizia	que	queria	apenas	as	folhas,	e	mais	nada,
mesmo	tendo	balaios	cheios	de	doces	e	flores	diversas.
É	uma	planta	que	está	presente	em	muitas	matas,	sendo	bastante	fácil	de
encontrar	de	forma	livre	na	natureza.
Erva	de	bicho
Nome	popular:	Erva	de	bicho,	pimenta-d’água,	pimenta-do-brejo,	persicária,	capiçoba,	cataia	ou	curage	Nome	científico:	Polygonum	acre,	Polygonum	Nome	iorubá:	Ewé	eró	igbin	Orixás:		Odé	e	Otim
A	erva	de	bicho	é	uma	planta	que	nasce	de	forma	espontânea	em	locais
ensolarados	e	úmidos.
O	conhecimento	popular	faz	uso	dessa	planta	como	antisséptica	e	como
substituta	de	pimentas,	já	que	ela	produz	um	fruto	pequeno	e	apimentado.	Ainda
é	possível	a	produção	de	corantes	alaranjados	a	partir	de	seus	frutos.
Folha	da	batata	doce
Nome	popular:	Folha	de	batata	doce	Nome	científico:	Ipomoea	batatas	L.	Nome	iorubá:	Ewé	Kúkúndùnkú	Orixás:		Iansã	e	Xapanã
Ofó
Efun	l’ebá	lé	k’ojúmon	ó
Efun	l’ebá	lé	k’ojúmon
Kúnkúndùnkú
Olórí	ewé
Efun	l’ebá	lé	k’ojúmon
Tradução
Quando	o	dia	nasce.
Quando	o	dia	nasce.
Kúkúndùnkún
É	a	mestra	das	folhas.
Quando	o	dia	nasce.
Itan	do	Olodu	Ejiogbe
Não-há-lugar-na-Terra-onde-não-possa-encontrar-a-felicidade,	jogou	Ifá	para
Òdùnkún	(Batata	Doce)	no	dia	em	que	ele	partia	para	a	Terra	de	Isu	(inhame)	e
Agbàdó	(cereal).
Ifá	aconselhou	Òdùnkún	a	fazer	ebo	para	a	sua	vida	ser	tão	doce	quanto	Isu	e
Agbàdó.
Isu	e	Agbàdó	foram	saboreados	pelas	gentes	da	Terra	e	eles	não	são	tão	doces
quanto	Òdùnkún.
Foi	nesse	dia	que	Òdùnkún	dançou	e	cantou	dizendo	que	podia	fazer	o	ebo
novamente	e	repetir	vezes	sem	conta.	Ifá	avisou:	“Não	há	valor	em	repetir	o	ebo.
Òdùnkún	cantou	e	dançou	em	honra	do	Awo,	enquanto	o	Awo	louvava	Ifá	e
enquanto	Ifá	louvava	Olodunmaré.
Quando	Òdùnkún	começou	a	cantar,	Èsú	colocou-lhe	uma	canção	na	sua	boca	e
Òdùnkún	começou	a	cantar:
Ayé	Sènrén	ti	dun,	o	dun	ju	oyin	lo
Ayé	Sènrén	ti	dun,	o	dun	ju	oyin	lo
Òrìşà	je	aye	mi	o	dun,	Alá	yun	Gbáláyun
Òrìşà	je	aye	mi	o	dun,	Alá	yun	Gbáláyun
A	vida	da	Batata	Doce	é	tão	doce	quanto	o	mel
A	vida	da	Batata	Doce	é	tão	doce	quanto	o	mel
Imortais,	deixem	a	minha	vida	ser	doce,	o	Alá	yun	Gbáláyun
Imortais,	deixem	a	minha	vida	ser	doce,	o	Alá	yun	Gbáláyun
A	ramada	batata	doce	se	espalha	de	forma	muito	rápida	por	onde	está	plantado,
precisando	de	poucos	cuidados,	é	uma	planta	que	produz	um	tubérculo	muito
apreciado	na	culinária.
Ewé	kúkúndùnkú	é	uma	folha	feminina,	de	èrò	(apaziguamento),	ligada	ao
elemento	água	e	ao	elemento	terra,	nasce	na	água	e	na	terra.	É	uma	folha	de
prosperidade	e	multiplicação.
A	batata	doce,	é	originária	das	Américas	Central	e	do	Sul,	encontrada	desde	a
Península	de	Yucatam,	no	México,	até	a	Colômbia.
Seu	fruto	é	muito	apreciado	sendo	considerado	extremamente	nutritivo,	dentro
do	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá	o	fruto	é	dedicado	ao	orixá	Oya/Iansã,	mas
também	pode	entrar	na	constituição	do	axé	de	Obá.
Em	festas	religiosas	dentro	do	axé,	a	batata	doce	é	servida	para	Oya	após	ser
cortada	e	frita	em	óleo	quente,	com	sabor	agradável	é	muito	apreciada.
Folha-de-fogo
Nome	popular:	Branda-fogo,	Folha-de-Iansã,	Pixirica,	Anhanga.	Nome	científico:	Clidemia	hirta	Ball.	Nome	iorubá:	Ewé	inón	Orixás:	Xangô
Segundo	o	site	Divina	Folha	Verde	“Planta	encontrada	em	vasta	faixa	do
território	nacional,	principalmente	no	Nordeste	e	Sudeste,	onde
Colhida	pela	manhã,	antes	do	sol	nascer,	esta	folha	pertence	a	Oya	e	Xangô,
servindo	para	"banhos	de	descarregos	e	sacudimentos";	apanhada	sob	o	sol	do
meio-dia,	ela	pertence	a	Exu	e	serve	para	fazer	diversos	sortilégios	e	malefícios.
Sendo	uma	planta	muito	conhecida	da	população	rural,	a	folha-de-fogo	é,
também,	utilizada	medicinalmente	contra	palpitações	do	coração,	afecções	das
vias	urinárias	e	do	aparelho	genital,	sífilis,	erupções	cutâneas,	feridas	rebeldes,
moléstias	da	pele	em	geral	e	coceiras.”
A	população	rural	costuma	consumir	seus	pequenos	frutos	como	pequeno	fruto
nativo,	encontrado	com	muita	facilidade,	e	pouco	conhecido	pelas	populações
urbanas	das	cidades.
Folha	de	inhame
Nome	popular:	Folha	de	inhame	Nome	científico:	Colocasia	esculenta	(L.)	Schott	Nome	iorubá:	Ewé	ábajé	Orixás:	Ogum
A	folha	do	inhame	é	muito	fácil	de	confundir	com	a	folha	da	taioba,	por	isso	é
necessário	muito	cuidado	e	não	usar	sem	ter	certeza	que	está	com	a	folha	correta.
É	uma	folha	que	necessita	de	sol	para	se	desenvolver	ou	ainda	plantada	com
meia	sombra,	não	exige	muitos	cuidados	para	se	desenvolver.
O	inhame	é	sem	dúvida	uma	das	plantas	mais	consumidas	nos	cultos	africanos,
mas	pouco	conhecida	dentro	do	batuque,	provavelmente	por	não	estar	presente
na	alimentação	da	maioria	da	população	gaúcha,	diferente	do	que	ocorre	por
exemplo	no	nordeste	e	sudeste	onde	a	população	consome	bastante	inhame	e	este
alimento	encontra-se	bastante	presente	nos	candomblés.
Folha	da	costa
Nome	popular:	Folha	da	costa,	saião,	Folha-grossa,	Paratudo,	Erva-grossa.	Nome	científico:	Kalanchoe	brasiliensis	Nome	iorubá:	Õdúndún	Orixás:	IemanjáOfó
Àbámọdá	àbá	mi	kò	ṣe	àìṣẹ
Àbá	ti	alágẹmọ	bá	dá,	l'Òrìṣá	oke	ngbà
Mo	dá	àbá	owo
Èjí	obgè---------------------------------
Àbámọdá,	que	a	minha	aspiração	será	realizada
Òrìṣá	Oke	aceita	a	aspiração	do	camaleão
Que	eu	aspire	o	dinheiro
Para	receber	dinheiro
Ofó
Abamoda	aba	mi	Ko	se	aise,	aba	ati	alagemo	na	da,	lorisa	oke	ngba	mo	da	aba
owo,	lati	fi	mi	no	dia	olowo	-
Abamoda	não	falha	em	curar	e	minha	sugestão	é	não	falhar.
Esta	folha	é	capaz	de	limpar	a	casa	e	seus	habitantes,	consegue	trazer	paz	na
família,	traz	dignidade,	traz	trabalho	e	alegrias.
É	uma	planta	de	origem	brasileira,	a	folha-da-costa	é	encontrada,	praticamente	e,
em	todo	o	território	nacional,	estando	hoje	aclimatada	em	diversas	áreas
tropicais	de	outros	continentes.
“A	folha-da-costa	é	muito	confundida	com	outra	herbácea	chamada
popularmente	de	milagre-de-são-joaquim	(Kalanchoe	pinnata),	que	é	do	mesmo
gênero	que	a	folha-da-costa,	porém	de	es0016	ofun	-	corrigido	-	final	-	cianindd
68	31/10/2013	19:50:07	Maria	Stella	de	Azevedo	Santos	•	Graziela	Domini
Peixoto	69	espécie	diferente	(pinnata).	Milagre-de-são-joaquim	é	chamada	de
àbámodá	pelo	povo	yorubá,	que	a	considera	“escrava”	de	õdúndún.	São	plantas
parecidas,	mas	se	bem	observadas,	percebe-se	diferenças	significativas:	a	folha
milagre-de-são-joaquim	é	mais	“denteada”	e	suas	bordas	mais	arroxeadas,
quando	maduras.	Em	uma	música	do	Ritual	das	Folhas,	õdúndún	é	cantada
juntamente	com	àgbaó	–	imbaúba	–	e	mostra	que	a	partir	de	um	determinado
momento	do	ritual	o	iniciado	está	glorificado,	iluminado,	protegido	por	um
cobertor	de	folhas:	Àgbaó,	ÿògo	là	ta	bò	bò	wa,	ewé	õdúndún	ÿe	ré	kúbúsú	bò	bò
wa.	Na	verdade,	Õdúndún	protege	o	iniciado	de	seu	próprio	poder”	(SANTOS,
p.	68-69,	2013).
Tanto	no	Brasil	como	na	África,	esta	planta	é	dedicada	a	todos	os	orixás	ligados
ao	mito	da	criação,	conhecidos	como	òrisà-funfun,	e,	por	extensão,	é	utilizada
para	os	demais	orixás.
Esta	folha	está	presente	nos	candomblés	brasileiros	é	usada	nos	ritos	de
iniciação,	como	uma	das	principais	plantas	no	àgbo,	em	banhos	diversos,	para
compor	oferendas	feitas	a	Oxalá	e	nos	sacrifícios	de	pombos,	cágados,	patos	e
galinhas-d'angola,	quando	a	folha	deve	cobrir	os	olhos	destes	animais	para	que
não	vejam	Ikú	(a	morte).
É	uma	planta	de	grande	prestígio	entre	os	vegetais	utilizados	no	culto,	é	exaltada
na	qualidade	de	folha	calmante	(èrò)	no	ritual	da	sasányìn,	através	de	um	dos
versos	de	seu	cântico:	
"ÒDÚNDÚN	BÀBÁ	T'ÈRÒ	'LÈ"
(ÒDÚNDÚN,	pai,	espalhe	a	calma	sobre	a	terra).
Juntamente	com	outras	ervas,	também	entra	na	mistura	de	plantas	utilizadas	para
“lavar	os	búzios	e	as	vistas"	dos	sacerdotes	que	utilizam	os	jogos	divinatórios.
VERGER	(1992:31)	dá	a	fórmula	de	um	"omieró"	onde	constam	várias	folhas,
entre	elas	o	òdúndún,	utilizado	pelos	babalaôs	africanos	para	lavar	os	olhos	antes
da	abrirem	IGBÁDÙ	(cabaça	de	Odú).	Ainda	Verger	(1981:255)	cita
que,	Ilésin	de	Ideta-Ilê,	no	culto	a	Obàtálá	e	sua	mulher	Yemowo,	este	vegetal	é
utilizado,	em	conjunto	com	outros,	para	lavar	os	objetos	rituais,	após	os
sacrifícios.	Na	África;	é	conhecido	ainda	pelo	nome	iorubá	elétí	(VERGER,
1995:685).
A	folha	da	costa	a	fim	de	evitar	a	confusão	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	com	a	folha	da
fortuna,	está	plantada	apenas	em	vasos	com	terceiro	pavimento,	onde	se	cuida	e
se	preserva,	assim	a	tornando	possível	de	ser	utilizada	apenas	por	quem	a
conhece	e	tem	certeza	da	folha	correta
As	mudas	de	folha	da	costa	foram	todas	produzidas	a	partir	de	muda	adquirida
em	Recife,	quando	de	visita	com	Pai	Alexandre	de	Oya	na	cidade,	já	que	sempre
que	se	vai	a	algum	lugar	de	venda	de	mudas	de	plantas	que	são	utilizadas	no	axé
procuramos	adquirir,	para	assim	melhorar	a	nossa	flora,	criando	condições	de
atende	melhor	as	necessidades	dos	axés	com	a	energia	de	cada	orixá.
Folha	da	fortuna
Nome	popular:	Folha	da	fortuna,	saião	Nome	científico:	Bryophyllum	pinnatum	Nome	iorubá:	Àbámodá	ou	Erú	Òdúndún	Orixás ³:		Xangô
Ofó
Àbámodá	àbá	mi	kò	se	àìse
Àbá	ti	alágemo	bá	dá,
L’òrìsà	Okè	ngbà
Mo	dá	àbá	owo
Àbámodá	minha	aspiração	é	de	ser	perfeito
Òrìsà	Okè	aceite	as	aspirações	do	camaleão
Eu	desejo	dinheiro
“Àbámodá	significa	“o	que	quisr	você	consegue”.	Seu	outro	nome	:	Erú
Òdúndún,	faz	referência	a	esta	erva	ser	considerada	“escrava”		portanto
substituta	do	saião”(p.	136,	JAGUN,	2011).
Acredita-se	que	esta	folha	consiga	trazer	dinheiro,	fartura,	filhos,	amor,
sabedoria,	paciência,	tranquilidade.
A	folha	da	fortuna	é	uma	folha	de	muito	fácil	reprodução,	é	possível	fazer	suas
mudas	a	partir	de	pequenas	estacas	ou	ainda	folhas,	que	apenas	caídas	sobre	a
terra	já	iniciam	uma	nova	brotação,	que	em	pouco	tempo	geram	novas	mudas.
É	uma	folha	originária	da	África	e	difundida	e	utilizada	de	forma	muito	ampla
em	todo	Brasil.	O	seu	nome	em	iorubá	significa	o	que	você	deseja,	você	faz.
Em	Ilê-Ifé,	terra	de	Ifá,	em	território	iorubá	no	sudeste	africano,	nas	cerimônias
para	Obatalá	e	Yemowo,	após	os	sacrifícios,	as	imagens	desses	orixás	são
lavadas	com	uma	mistura	de	folhas,	sendo	uma	delas	o	àbámodá	(VERGER,
1981:225),	que	também	é	conhecida	pelos	nomes	iorubás	erú	òdúndún,
kantíkantí	e	kóropòn	(VERGER	1995:641).
Àbámodá,	segundo	DALZIEL	(1948:28),	em	dialeto	iorubá	significa	"o	que
você	deseja,	você	faz";	todavia,	quandochamada	de	erú	òdúndún,	(escravo	de
òdúndún),	é	considerada	como	folha	e	afim,	que	pode	eventualmente	substituir	o
òdúndún	(Kalanchoe	crenata	(Andr.)	Haw),	segundo	a	cosmovisão	jejê-nagô. Folha	do	figo
Nome	popular:	Figo,	figueira	comum	Nome	científico:	Ficus	carica	L	.,	Moraceae	Nome	iorubá:	Èso	òpòtó	Orixás:		Ossanha
“A	erva	e	ou	a	planta	denominada	de	FIGO	é	considerada	uma	erva	fria	e	ou
específica	calmante	atuam	no	corpo	físico	por	caraterísticas	fitoquímicas,	mas
também	nos	organismos	espirituais	e	em	seus	sistemas	nervosos	no	sentido	de
tranquilizar	o	espírito”	(GUIMARÃES,	2021,	p.	78).
Essa	planta	cresce	como	um	arbusto,	bastante	lenhoso,	produz	um	fruto	muito
consumido	no	mundo.	É	uma	planta	extremamente	importante,	pois	o	seu	fruto
na	forma	nativa	serve	de	alimento	para	diversos	animais,	mesmo	quando	caído
de	seus	galhos,	o	que	faz	com	que	seja	de	extrema	importância	na	preservação
de	ecossistemas.
O	fruto	dessa	figueira	é	um	dos	frutos	dedicados	ao	orixá	Ossanha,	sendo
servido	em	festas	em	sua	homenagem	e	ainda	podendo	ser	utilizado	em	alguns
axés	que	são	igualmente	entregues	a	este	orixá.
Fumo	brabo
Nome	popular:	Fumo	brabo	Nome	científico:	Solanum	mauritianum	Scop.	Nome	iorubá:	Ọde	Ákosùn	Orixás:		Xapanã
De	cheiro	bastante	forte	é	planta	presente	nos	mais	diversos	locais.	É	uma	planta
que	não	necessita	nenhum	tipo	de	cuidado	especial	e	costuma	nascer	de	forma
livre	na	maioria	dos	campos	com	vegetação.
Não	é	utilizada	para	banhos,	pois	é	uma	planta	que	pode	gerar	coceira	e	irritação
na	pele.	Utiliza-se	em	alguns	ritos,	de	acordo	com	consulta	ao	jogo	de	búzios.
Funcho
Nome	popular:	Funcho	Nome	científico:	Foeniculum	vulgare	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oxalá
O	funcho	é	uma	planta	que	costuma	causar	muita	confusão,	sendo	amplamente
confundida	com	a	erva-doce.	É	fácil	reconhecer	a	diferença	entre	as	duas,
enquanto	a	erva-doce	produz	flores	brancas	o	funcho	apresenta	flores	amarelas.
É	uma	planta	nativa	da	Europa,	com	grande	adaptação	no	Brasil,	onde	cresce	em
campos	diversos.
“Uma	das	mais	antigas	plantas	cultivadas,	apreciadas	por	Romanos	e	Gregos,
sendo	chamada	por	estes	de	marathon,	significando	“manter	a	forma”
(ALMEIDA,	p.	174,	2011).
“O	funcho	é	sem	dúvida	uma	planta	muito	conhecida.	Nem	tanto	parecem	ser
suas	muitas	propriedades	e	utilidades”	(Steffen,	S.J.	p.43,	2010).
“Com	seu	porte	de	mais	de	um	metro,	sua	cor	verde-clara,	suas	folhas	finamente
recortadas,	encimadas	pelas	umbelas	de	múltiplas	flores	amarelas,	é	um
verdadeiro	ornamento	na	horta	ou	no	jardim.	Suas	sementes	são	muito	usadas
como	tempero	em	vários	alimentos.	É	usado	também	como	alimento	o	chamado
funcho-doce,	com	a	base	engrossada	e	comestível.	Já	Dioscórides,	no	tempo	dos
romanos,	se	referia	a	ele	quando	dizia	que	há	o	funcho	selvagem	e	o	cultivado.
"Entre	o	funcho	cultivado,	diz	textualmente,	há	um	doce	em	extremo,	que
comemos	ordinariamente	ao	fim	das	refeições	em	Roma;	o	qual	nasce	da
semente	do	rústico	metida	dentro	de	um	figo	seco	e	assim	semeada."	Deste
tempo	vem	também	a	crença	que	as	serpentes	chupam	o	suco	da	planta	para
melhorar	sua	vista,	depois	de	trocar	a	pele.	A	crença	nesta	propriedade
acompanhou	o	funcho	até	a	América	do	Sul,	onde,	no	Pampa	Argentino,	se	diz
que	mães	mascam	funcho	e	sopram	nos	olhos	dos	filhinhos,	na	crença	de	que
com	esta	prática	os	preserve	de	contrair	oftalmias.	Outra	propriedade	esquecida
hoje	é	a	que	consta	de	uma	receita	do	Século	XVI	de	que	"	as	sementes,	as	folhas
e	a	raiz	do	nosso	funcho	cultivado	se	utilizam	muito	em	bebidas	e	caldos	para
aqueles	que	são	gordos"	(STEFFEN,	S.J.	p.45,	2010).
FARIA,	2016	ainda	coloca	que	“Traz	força	para	a	materialização	dos	sonhos	e
para	aflorar	talentos	e	virtudes.	Ajuda	a	gerar	uma	transformação	interna	e	a
cortar	laços	com	o	passado”
Suas	folhas	são	bastante	aromáticas	e	utilizadas	para	Oxalá	em	ritos	orientados
pelo	jogo	de	búzios,	já	que	não	está	entre	as	folhas	mais	comumente	utilizadas
na	ritualística.
Gengibre	amargo
Nome	popular:	Gengibre	amargo,	cana-do-brejo,	Cana-de-macaco,	Cana-do-mato,	Sanguelavô	Nome	científico:	Costus	spicatus	Sw,	zingiberacege	Nome	iorubá:	Ewé	tètèrègún	Orixás:	Obá
Ofó
“Tètèrègún	òjò	do	mpá	
Tètèrègún	òjò	wo	bi	wá”
Têtêrêgún	é	como	a	chuva	que	mata.
Têtêrêgún	é	como	a	chuva	que	dá	vida.
“E	Tètèrègún	e	Tètèrègún	Ojo	gb’oomi	wá	ó	
Tètèrègún	Ojo	gb’o	omi	wa	e	jô	ó	Tètèrègún”			
A	chuva	traz	a	água	que	molha	teteregun
Chuva	traz	água	por	favor,	para	molhar	o	teteregun.
Mito
Ere		Tètèrègún
A	Folha	da	Vida	e	da	Morte
A	Religião	dos	Òrìsàs	é	cheia	de	rituais	e	simbolismos.	No	entanto,	a	razão
desses	rituais	nem	sempre	é	de	conhecimento	da	maioria	dos	adeptos.	Um	dos
rituais	mais	recorrentes	no	Candomblé,	refere-se	a	folha	de	Teteregun,	a	qual	é
utilizada	para	molhar	a	cabeça	dos	Omo	Òrìsà	(filhos	dos	Deuses)	e,	em	diversas
outras	ocasiões,	pedindo-se	sempre	coisas	boas…	Mas	porque	fazemos	isso?
Uma	antiga	história	de	Ifá,	narra	que,	Teteregun	não	realizou	uma	oferenda
prescrita	por	Olokun	e,	quem	em	razão	disso,	estava	ficando	completamente
seca.	Desse	modo,	Teteregun	ficou	desesperada	e	resolveu	consultar	o	oráculo
sagrado.	Ifá,	o	Deus	da	Adivinhação,	por	meio	do	oráculo	disse	que	Teteregun
deveria	realizar	um	sacrifício,	sendo	que	esse	sacrifício	seria	pegar	água	para
Olokun,	ao	longo	de	alguns	dias.	Logo	ao	amanhecer,	Teteregun	foi	ao	rio,
quando	Teteregun	retornou	já	era	noite,	ela	pegou	toda	água	que	trouxe	e
derramou	no	mar	para	Olokun.	Teteregun	fez	isso	ao	longo	de	alguns	dias,	sendo
que	no	último	dia,	Olokun	molhou	o	corpo	de	Teteregun,	dizendo	que	ela	seria	a
folha	encarregada	de	molhar	o	seco,	que	ela	seria	a	folha	com	o	poder	de
refrescar	o	calor,	que	ela	seria	a	folha	capaz	de	apaziguar	a	cólera,	da	mesma
forma,	como	ela	conseguiu	apaziguar	Olokun.
O	gengibre	amargo	é	uma	das	diversas	espécies	de	gengibre,	está	presente	em
diversos	locais	como	planta	ornamental	pela	beleza	de	suas	flores,	que	podem
aparecer	cores	variadas.
Em	alguns	países	é	amplamente	utilizada	na	alimentação,	fornecendo	aroma	em
diversos	pratos,	além	de	diversos	estudos	que	indicam	o	seu	extrato	com	amplas
aplicações	na	indústria	farmacêutica.
Não	é	uma	das	folhas	utilizadas	em	banhos,	mas	carrega	assim	como	diversas
outras	folhas	o	axé	do	orixá	que	está	consagrada,	podendo	ser	utilizada	para
passar	este	axé,	quando	se	precisa	apenas	de	folhas	ou	galhos	em	uma	limpeza
por	exemplo.
O	gengibre	amargo	é	uma	planta	bastante	popular	e	facilmente	encontrada	em
diversos	jardins	espalhados	em	diversos	locais.
Gervão	Roxo
Nome	popular:	Gervão,	Gervão	Roxo,	gervão-azul,	gervão-de-folha,	gervão-de-folha-verônica	Nome	científico:	Stachytarpheta	cayennensis	(Rach.)	Vahl	Nome	iorubá:	Ewé	ìgbole,	ìrù	eku	e	pasalókê	Orixás ⁴:		Odé
O	gervão	é	uma	planta	arbustiva,	presente	em	muitas	paisagens,	conhecida	por
algumas	pessoas	mais	antigas,	mas	muito	popular	entre	os	frequentadores	das
religiões	de	matriz	africana,	o	que	a	torna	uma	planta	pouco	popular	entre	a
grande	maioria.
“quando	cultivada	em	hortas,	esta	espécie	afugenta	insetos	e	parasitas.	Não	é
palatável	aos	animais.	Cresce	em	beira	de	matas	e	em	áreas	antropizadas,	sendo
considerada	planta	daninha”	(GARLET,	p.	33,	2019).
É	bem	fácil	a	sua	reprodução	a	partir	de	estacas	ou	sementes	é	uma	planta	nativa
do	Brasil,	muito	comum	nas	beiradas	de	estradas.	O	conhecimento	popular
coloca	que	o	Gervão	é	uma	planta	cheia	de	mistérios	e	mitos,	pois	suas	flores
seriam	alimento	de	fadas,	que	todos	os	dias	se	alimentam	delas.
NÔ	FIGUEIREDO	(2017),	lembra	que	“As	flores	são	o	charme	dessa	planta.
Elas	nascem	diariamente	ao	longo	das	inflorêscências	em	forma	de	espigas
terminais,	finas	e	densas,	de	30	a	40cm	de	comprimento	e	são	de	coloração	azul
arroxeadas.	Muito	lindinhas	e	delicadas	e	aparecem	principalmente	durante	a
primavera	e	o	verão.	Dizem	que	as	fadas	comem	essas	florzinhas	usando
palitinhos!!!
Suas	folhas	são	secas	e	levemente	endurecidas	como	a	textura	do	couro,	por	isso
são	chamadas	de	coriáceas.	Não	possuem	pelos,	por	issoem	que	todos	nós	estamos
inseridos.
O	Iroko	é	uma	árvore	ancestral,	para	muitos	está	associada	a	gameleira	branca,
na	África	está	associada	a	um	orixá	e	possui	uma	árvore	de	mesmo	nome.
Por	que	Ewé	Orò	?
“Igi	kan	ki	da	gbo	sé”⁷
Uma	árvore	não	faz	a	floresta
o	decidir	escrever	este	livro	sobre	folhas	e	ervas	utilizadas	dentro	de	nosso	axé,
uma	das	maiores	indagações	foi	qual	seria	o	título	desse	livro,	e	após	diversas
leituras	e	pesquisas	então	foi	escolhido	que	seria	Ewó	Orò	–	As	folhas	Sagradas
na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	mas	por	quê?
Primeiramente	o	título	deve	agregar	valor	à	obra,	destacando	em	poucas	palavras
a	sua	finalidade,	ao	que	se	propõe,	deveria	deixar	claro	que	fala	sobre	as	folhas
utilizadas	dentro	dos	ritos	religiosos	no	axé,	e	mostrar	que	pode	haver	variações
de	uma	casa	de	axé	para	outra.
Assim	Ewó	Orò	representa	um	conjunto	de	folhas	que	a	Fortaleza	Ilê	Orixá⁸
utiliza	no	dia	a	dia	dentro	do	axé,	em	banhos,	limpezas	e	demais	ritos	religiosos
em	geral,	e	estas	folhas	sendo	todas	elas	reconhecidas	como	sagradas	possuem	o
seu	uso	intensificado	e	incentivado	dentro	do	axé,	não	somente	com	uso
indiscriminado,	mas	também	com	a	preservação	dessas	folhas	e	o	seu	plantio	em
cada	uma	das	casas	de	axé	oriundas	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.
Ewó	Orò	não	pretende	ser	apenas	mais	um	livro	sobre	a	religião	africana,
mas	um	livro	capaz	de	mudar	a	forma	que	conduzimos	a	religião	em	nossos
terreiros,	pois	busca	destacar	a	importância	da	natureza	dentro	de	nossos
cultos	e	como	a	utilizar	de	forma	mais	dinâmica	no	dia	a	dia	dentro	do	axé,
desenvolvendo	pessoas	e,	também	fazendo	com	que	ideias	e	concepções
ultrapassadas	mudem.
Com	este	livro,	a	Fortaleza	Ilê	Orixá	se	estabelece	como	um	axé	que	não
somente	segue	o	que	já	se	aprendeu,	mas	produz	conhecimento	que	com	certeza
A
irá	ficar	para	além	do	tempo,	preservando	a	história	e	permitindo	a	condução	de
novas	pesquisas	na	área.
Ewó	Orò	não	é	o	fim	de	uma	caminhada	sobre	o	assunto,	mas	apenas	o
início	do	que	se	pretende	que	seja	um	novo	pensar	dentro	da	religiosidade
africana,	um	pensar	mais	coerente	com	a	coletividade	e	a	preservação	do
espaço	sagrado	onde	nossos	orixás	habitam	e	coexistem	juntamente	com
nós,	os	seres	humanos.
Ewó	Orò	é	um	livro	para	ser	consultado	todos	os	dias	para	os	que	querem
conhecer	melhor	o	segredo	de	cada	folha	que	nasce,	que	cai	e	que	morre,	é
um	livro	para	se	debater,	compreender	o	nosso	espaço	e	buscar	novos
significados	para	o	que	já	conhecemos.
De	nenhuma	forma	este	livro	deve	ser	utilizado	de	forma	ríspida	em	todos	os
lugares,	em	todos	os	axés,	mas	pode	partir	de	base	para	muitos	debates	que	com
certeza	serão	oriundos	dessa	pesquisa	que	foi	construída	ao	longo	dos	mais	de	10
anos	de	fundação	do	axé.
Através	da	leitura,	um	novo	leque	de	conhecimento	se	abre	para	todos	os	que
desejam	se	aprofundarem	na	compreensão	do	universo	sagrado	de	cada	folha,
com	seus	segredos,	encantos	e	magia,	basta	entrar	e	se	deixar	levar.
È	uma	leitura	sem	dúvida	encantadora,	leve	e	reflexiva	que	nos	leva	a	penetrar
dentro	do	axé	das	folhas	e	nos	faz	entender	um	pouco	mais.
Com	a	leitura	cada	um	é	convidado	para	mergulhar	no	universo	das	folhas,	para
entender	melhor	a	importância	de	cada	uma	para	a	ritualística	religiosa	que
existe	muitas	vezes	adormecida	dentro	do	íntimo	de	cada	folha.
Ewó	Orò	deve	ser	um	livro	de	consulta	diária,	todos	os	dias	que	se	tiver
dúvidas,	todos	os	dias	que	se	querer	compreender	um	pouco	mais	sobre	as
folhas,	sobre	sua	importância	e	funcionamento	dentro	do	axé.
E	por	fim	este	livro	pretende	ser	uma	forma	de	padronizar	o	uso	das	folhas	por
todos	os	integrantes	da	casa,	onde	todos	irão	compreender	as	mesmas	as	mesmas
folhas	para	os	mesmos	orixás,	criando	uma	relação	da	natureza	com	os	orixás	e
com	o	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.
Sejam	todos	muito	bem-vindos	ao	maravilhoso	mundo	das	ervas	ritualísticas,
uma	ótima	leitura	para	todos.
A	leiteira-africana	é	uma	espécie	arbustiva	e	perene,	muito	utilizada	para
formar	cercas	vivas,	podendo	atingir	até	10	metros	de	altura.	Ela	recebe	esse
nome	devido	ao	látex	branco	que	exsuda	ao	receber	qualquer	tipo	de	corte.
Também	conhecida	como	janaúba,	ela	é	nativa	da	África	ocidental.	
Mas	o	que	são	as	folhas?
Kékeré	láti	ń	pa	èèkan	ìrókò,	tó	bá	dàgbà	tan	ẹbọ	ló	máa	gbà
	É	melhor	domar/podar	a	raiz	da	árvore	de	Iroko	cedo	quando	cresce	pede
sacrifício
e	a	pergunta	for	feita	para	um	leigo	rapidamente	iremos	escutar	a	resposta	óbvia
que	são	elementos	que	ficam	pendurados	nos	galhos	das	árvores	ou	ainda	nos
caules	de	pequenas	plantas,	se	for	perguntado	para	um	biólogo	ele	rapidamente
irá	nos	explicar	com	conceitos	técnicos,	explicando	muito	bem,	o	que	de	maneira
nenhuma	deixará	dúvidas.	Mas	e	dentro	dos	ritos	de	matriz	africana,	o	que
chamamos	efetivamente	de	folha?
“O	termo	folhas	refere-se,	portanto,	ao	rol5	de	determinadas	plantas	nativas
(e/ou	exóticas)	e	cultivadas	que	são	largamente	utilizadas	para	fins	rituais,
mágico-religiosos,	e/ou	para	fins	medicinais	por	consumidores	em	que	se
incluem,	além	dos	comerciantes,	o	povo-de-santo,	os	devotos	do	candomblé	e	de
outras	religiões	afrobrasileiras	e	segmentos	expressivos	da	população	em	geral.
Evidentemente,	o	uso	ritual	destas	plantas	é	orientado	pela	prescrição	religiosa
emanada	dos	zeladores	e	responsáveis	pelas	práticas	rituais	das	religiões
afrobrasileiras	e	fundamenta-se	nos	princípios	norteadores	de	suas	liturgias	e
etnobotânicas.”	(OLIVEIRA,	2019,	p.	4).
As	folhas	não	são	apenas	o	que	para	a	maioria	das	pessoas	não	iniciadas	chamam
efetivamente,	em	um	contexto	bem	maior	por	folha	entende-se	todas	as	plantas,
com	galhos	ou	sem	galhos,	com	pedaços	de	caules	ou	não,	são	parte	importante
da	essência	de	nossa	religião	que	está	intimamente	ligada	a	natureza.
S
“As	folhas	são,	de	longe,	as	partes	dos	vegetais	mais	empregadas	no	candomblé,
em	ritos	diversos,	e	particularmente	em	operações	de	cura,	em	terapias.	Mas
convém	notar	que	folha	é	também	um	termo	genérico	no	dialeto	dos	terreiros:
mesmo	raízes,	sementes	e	cascas	de	troncos	(e	até	plantas	como	um	todo)	podem
ser	chamados	coletivamente	de	folhas,	sempre	que	esses	itens	vegetais	têm	um
emprego	litúrgico	ou	terapêutico	que	se	distingue	bem	-do	uso	alimentar,	em
ritos	diversos.	(Ainda	que	algumas	folhas	possam	ser	ingeridas	sob	a	forma	de
poção,	dá-se	que	elas	não	são	pensadas,	nessas	circunstâncias,	como	nutrientes,
mas	como	“remédios”	ou	“encantos”).	Idealmente,	esses	itens	são	obtidos
através	de	uma	coleta	especialmente	feita,	em	condições	que	a	liturgia
prescreve”.	(SERRA,	2002,	p.	5-6).
“A	“ciência	das	folhas”	—	a	arte	ou	ciência	de	Ossain	—	resulta,	assim,	uma
etnofarmacobotânica.	Ossain	(ou	Ossanha)	o	divino	medicineman,	é	cultuado
como	patrono	e	instituidor	da	arte	a	que	dá	nome,	e	considerado	Senhor	do
mundo	vegetal.		Em	consonância	com	tal	tradição,	falarei	aqui	de	“sistema	de
Ossain”	para	referir-me	ao	modelo	cosmológico	e	litúrgico	que	o	ordenamento
das	folhas	descreve”	(SERRA,	2002,	p.	7).
JUANA	(1986,	p.91)	nos	conta	que:
As	folhas	nascidas	das	árvores,	e	as	plantas	constituem	uma	emanação	direta	do
poder	sobrenatural	da	terra	fertilizada	pela	chuva	e,	como	esse	poder,	a	ação	das
folhas	pode	ser	múltipla	e	utilizada	para	diversos	fins.	Cada	folha	possui	virtudes
que	lhes	são	próprias	e,	misturadas	a	outras,	formam	preparações	medicinais	ou
mágicas,	de	grande	importância	nos	cultos,	onde	nada	pode	ser	feito	sem	o	uso
das	folhas.
E	o	batuque	gaúcho	e	em	especial	a	Fortaleza	Ilê	Orixá	é	uma	casa	que	se	pode
afirmar	que	nada	se	faz	sem	uso	das	folhas.	As	folhas	estão	presentes	nas	mais
variadas	situações,	sendo	utilizadas	em	banhos,	na	preparação	das	obrigações,
em	limpezas	e	entre	outros	ritos	que	estão	presentes,	e	se	para	alguns	o	uso	de
folhas	é	esporádico,	na	Fortaleza	o	seu	uso	é	efetivo	e	incentivado	todos	os	dias,
para	os	iniciados	e	para	dezenas	de	clientes	que	buscam	o	conforto	dos	orixás	e	a
consulta	através	do	jogo	de	búzios	semanalmente.
“De	acordo	com	a	mitologia	yorubá,	plantas	e	outros	elementos	terapêuticos	e
alimentícios	sãosão	chamadas	de
glabras.	São	um	pouco	enrugadas	pelo	sulcamento	das	nervuras	na	face	superior
e	são	serradas	nas	margens.	Atingem	de	6	a	8cm	de	comprimento”.
O	gervão	é	uma	das	principais	folhas	dedicadas	ao	orixá	Odé,	pode	ser	utilizada
acompanhada	ou	não	da	folha	de	dinheiro	em	penca	que	é	dedicada	ao	orixá
Otim.
Gervão	branco
https://nofigueiredo.com.br/author/nofigueiredo/
Nome	popular:	Gervão,	Gervão	branco	Nome	científico:	Croton	glandulosus	Nome	iorubá:	Ewé	ìgbole,	ìrù	eku	e	pasalókê	Orixás ⁵:		Odé
Planta	invasora	bastante	disseminada	nas	principais	regiões	agro-pastoris	do
país.	É	encontrada	em	lavouras	anuais,	pastagens	e	jardins.	Prefere	solos
arenosos,	onde	forma	grandes	infestações.	Floresce	praticamente	o	ano	inteiro,
em	ciclo	de	90-100	dias.
Na	Fortaleza	Ilê	Orixá	utilizamos	o	gervão	branco	com	a	mesma	finalidade	de
uso	do	gervão	roxo,	ambos	sendo	utilizados	dedicados	ao	orixá	Odé,	e	não
apresentando	quaisquer	características	que	os	diferencie.
Guiné
Nome	popular:	Guiné,	ervade-alho,	erva-da-guiné,	raiz-da-guiné,	amassa-senhor	Nome	científico:	Petiveria	alliaceae	L	Nome	iorubá:	Ewé	Ojúúsàjú	Orixás ⁷:		Ogum
“O	Guiné	é	planta	de	vários	usos	em	ritual,	na	região	do	recôncavo	baiano,	tem	o
nome	popular	de	“Amansa-senhor”	porque	a	raiz	era	usada	pelas	negras	em
cativeiro	misturada	à	comida	ou	café	e	chás	para	amansar	os	feitores.	Segundo
Caminhoá	(1884),	o	uso	contínuo	do	Guiné	torna	os	indivíduos	apáticos	levando
à	idiotia.	No	século	XVII,	escrevia	Santos	Filho	(1947),	“já	estava	em	voga	o
quebranto	e	a	vítima	morria,	na	verdade	envenenada	pelas	ervas	Tipi	ou
Amansa-senhor.		A	madeira	clara	dos	galhos	e	das	raízes	de	Guiné,	que
desprendem	forte	cheiro	de	alho,	é	favorita	para	fabricação	de	“figas”,	pequenos
talismãs	usados	contra	os	malefícios	em	geral”	(ALMEIDA,	p.	102,	2011).
“É	uma	erva	que	chega	a	mais	de	um	metro	de	altura,	ramificada,	de	folhas	bem
verdes,	de	onde	sobressai	uma	haste	longa,	ao	longo	da	qual	se	formam	as	flores
pequenas	e	brancas	e	depois	as	sementes,	em	forma	de	ponta	de	flecha,	que	se
pegam	na	roupa.	O	uso	mais	conhecido	desta	planta	entre	a	população,	não	é	o
medicinal,	mas	o	mágico.	O	brasileiro	tem	muita	fé	nos	efeitos	deste	vegetal,	por
isso	frequentemente	tem	um	pé	plantado	no	jardim	ou	vaso	de	sua	casa,	junto
com	a	arruda	e	a	espada-de-são-jorge.	O	mesmo	uso	vem	confirmado	por	um
texto	argentino	em	que	se	diz	que	é	erva	silvestre	e	bastante	cultivada	em	pátios
e	jardins,	não	tanto	por	suas	qualidades	ornamentais,	mas	antes	porque	o	povo
lhe	atribui	propriedades	mágicas,	servindo	para	preservar	os	habitantes	da	casa
contra	as	feitiçarias.	(STEFFEN,	S.J.	p.	48,	2010).
A	guiné	é	uma	erva	que	costuma	estar	associada	ao	clássico	vaso	com	7	ervas,	e
muito	comercializado	como	amuleto	que	é	guardado	em	carteira	ou	ainda	em
locais	em	que	se	deseja	atrair	boas	sorte	e	proteção.
Segundo	STALCUP	(2000)	“chamada	de	ewé	Ojúúsàjú	em	Yorùbà,	significando
“faz	predileto”,	nome	que	refere	ao	efeito	desejado	da	planta	ou	orixá,	segundo
Barros	esta	espécie	pertence	ao	orixá	Ogun	e	é	classificada	no	compartimento
Terra”
É	a	erva	mais	utilizada	para	Ogum	dentro	do	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá	e	por
isso	de	extrema	importância	para	que	todos	os	que	são	iniciados	dentro	do	axé
possuam	esta	folha	plantada.	Quando	plantada	diretamente	no	solo	costuma
soltar	sementes	que	germinam	com	muita	facilidade	produzindo	assim	muitas
novas	mudas.
Goiabeira
Nome	popular:	Goiabeira	Nome	científico:	Psidium	guajava	Nome	iorubá:	Gúáfà,	gúróbà	e	Ewé	gúrófà	Orixás:		Ossanha	e	Iansã
Ofó
Gúábá	ikokò	má	mà	guri	abà,	"Gúábá,
que	a	hiena	não	possa	subir	na	minha	cabana	[gun	abà]'
A	goiabeira	é	uma	árvore	que	produz	um	fruto	muito	saboroso	e	com	muita
utilização	pela	indústria	de	alimentos,	principalmente	na	fabricação	de	geleias	e
doces	variados.	Existem	dois	tipos	de	frutos	principais	a	goiaba	rosa	ou
vermelha	e	a	branca.
“Com	seus	galhos	são	confeccionados	os	akidavi	(baquetas	utilizadas	na
percussão	dos	atabaques-tambores	rituais”	(JAGUN,	p.	82,	2011).
VERGER	(1995:40),	referindo-se	a	plantas	e	nomes	de	origem	estrangeira
utilizados	pelos	iorubás	na	África,	diz:	"O	nome	Gúábà	deriva	do	português
goiaba	(Psidium	guajava,	Myrtaceae),	fruta	levada	do	Brasil.	Suas	folhas	são
usadas	para	tratar	irritações	da	garganta	e	da	boca...",	atribui-lhe,	também,	os
nomes	gúáfà,	gúróbà	e	gúrófà	(1995:711).
Guanxuma
Nome	popular:	Guamchuma	Nome	científico:	Sida	rhombifolia	Nome	iorubá:	Ifin	ewé	ifin	Orixás:		Xapanã
A	guanxuma	é	um	pequeno	arbusto	presente	geralmente	em	solos	pobres	de
matéria	orgânica,	não	necessitam	de	nenhum	tipo	de	cuidado	e	apresentam	muita
resistência	a	grande	exposição	solar.
Uma	curiosidade	dessa	erva	é	que	em	locais	menos	urbanizados	é	comum	o	seu
uso	para	confecção	de	vassouras,	que	são	utilizadas	geralmente	para	limpeza	de
pátios.
“cresce,	espontaneamente,	como	planta	ruderal,	em	lavouras	anuais	e	perenes,
beira	de	estradas	e	terrenos	em	todo	o	país,	sendo	considerada,	na	agricultura,
uma	planta	daninha”	(GARLET,	p.	32,	2019).
É	uma	erva	que	o	Ilê	Orixá	não	utiliza	para	banhos,	mas	a	utiliza	para	confecção
de	vassouras	utilizadas	em	algumas	limpezas	ou	outros	serviços	dedicados	ao
orixá	Xapanã.
“É	altamente	daninha,	e	muito	freqüente	em	solos	cultivados	ou	não.	Tem
sistema	radicular	muito	profundo,	sendo	difícil	de	arrancar.	É	conhecida	pela
tenacidade	de	sua	madeira,	que	serve	como	matéria	prima	para	a	fabricação	de
palitos.	Por	causa	da	mesma	tenacidade,	os	seus	ramos	são	usados	em	toda	a	área
rural	para	a	confecção	de	vassouras	para	varrer	o	pátio”	(Steffen,	S.J.	p.	47,
2010).
Não	deve	ser	utilizada	junto	de	folhas	de	Iemanjá.		A	guanxuma	é	uma	erva
bastante	popular	no	Brasil,	não	necessita	de	muitos	cuidados	específicos	de
manuseio.	É	oriunda	de	clima	seco	e	pobre	de	matéria	orgânica.	No	Ilê	Orixá	é
uma	erva	atribuída	ao	orixá	Xapanã,	no	Sul	do	Brasil	é	muito	utilizada	em
propriedades	rurais	para	construção	de	vassouras.	É	uma	planta	utilizada	em
ritos	de	limpeza,	mas	sempre	após	orientação	em	jogo	de	búzios,	deve	ser
sempre	evitada	em	banhos.
Hortelã
Nome	popular:	Hortelã	Nome	científico:	Mentha	spicata	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Ogum
As	espécies	de	hortelã	hibridam-se	facilmente	entre	si,	motivo	pelo	qual	sua
identificação	botânica	é	bastante	complexa.
Planta	herbácea,	a	hortelã	tem	alturas	variadas,	de	15	cm	até	um	metro	de	altura,
possui	folhas	verdes,	ovaladas,	rugosas	e	aromáticas.
“o	solo	deve	ser	rico	em	matéria	orgânica	e	com	pelo	menos	20	cm	de
profundidade.	Não	precisa	de	muita	luz	solar”	(NASCIMENTO,	p.	33,	2014).
A	hortelã	é	sem	dúvida	uma	das	ervas	aromáticas	mais	conhecidas	e	utilizadas
em	todo	o	mundo,	está	presente	em	diversas	receitas,	chás	e	nos	mais	variados
pratos	da	culinária	internacional,	acredita-se	que	esta	erva	tenha	chegado	ao
Brasil	com	a	cultura	chinesa
Para	PAGNOCCA	(2017)	“no	contexto	litúrgico	os	entrevistados	citaram	usos	da
Hortelã	nos	banhos	com	finalidade	de	harmonização	energética,	na	composição
dos	defumadores	e	no	ritual	do	amaci.”.
“Uma	bela	ninfa	do	reino	dos	infernos	chamou-se	Minte.	Plutão,	o	deus	do
Hades,	apaixonou-se	pela	sua	beleza	e	perfume.	Perséfone	(Prosérpina),	a
mulher	dele,	soube	do	romance	e	maltratou	a	jovem.	Plutão,	receando	que	a
mulher	a	matasse,	levou-a	para	o	monte	Trifilo	e,	para	evitar	perdê-la,
metamorfoseou-a	numa	planta,	a	menta,	perfumada	e	refrescante.	Assim,	a
hortelã	ficou	como	símbolo	do	ciúme.	Por	ser	ao	mesmo	tempo,	uma	planta
muito	aromática	era	dada	como	consolação	àqueles	que	perdiam	o	seu	amor.	Na
Bretanha,	se	uma	criança	está	doente,	coloca-se	junto	dela	um	ramo	de	hortelã,
pão	e	sal,	durante	nove	dias	seguidos”	(AGROMINEIRA,	2017).
Jiboia
Nome	popular:	Jiboia	Nome	científico:	Epipremnum	pinnatum	Nome	iorubá:	Ewé	Dan	Orixás:	Ossanha
Ofó
Ewé	dandan	Dara	ma	da	o
Ewé	dandan	Dara	ma	da
Ewé	meu	ip	da	orun	Baba	da	orun
Ewé	dandan	Dara	ma	da	ò
Segundo	GUAFEREMIM	(2012):
“Nas	casas	de	Candomblé	a	jibóia	é	tida	como	uma	ewé	apa	òsí,	estando	ligadatanto	ao	elemento	água	como	a	terra,	embora	também	transite	pelo	ar.	Em	seu
nome	iorubá	também	traz	alusão	a	cobra		mítica,	ewé	dan,	folha	da	serpente.
Costuma	ser	empregada	com	certa	freqüência	em	algumas	casas	de	Jeje,	nos
processos	de	iniciação	e	embaixo	das	esteiras	(enim/zocré)	do	vodunsi.	Essa
folha	é	consagrada	ao	orixá	Oxumarê.
Ainda	para	GUAFEREMIM	(2012):
“A	jibóia	é	considerada	uma	planta	encantada,	principalmente	entre	os	povos	do
Norte	e	Nordeste	do	país.	Dizem	que	ela	seria	uma	excelente	planta	para
proteção,	quando	cultivada	em	casa	protegeria	os	moradores	contra	energias	e
pessoas	negativas.	Alguns	acreditam	que,	quando	uma	jibóia	é	cultivada	onde	há
uma	mulher	solteira,	a	planta	é	capaz	de	atrasar	ou	atrapalhar	um	futuro
casamento,	pois	afasta	possíveis	pretendentes.	Outra	crença	é	que	ela	não	deve
ser	cultivada	dentro	d’água	em	casa,	pois	atrairia	fofoca,	ejó,	segunda	a	língua
do	povo	de	santo”.
São	várias	as	espécies	de	jiboias,	de	uso	muito	comum	na	decoração	de	espaços
e	presentes	na	natureza,	com	tamanhos	bem	variados	de	suas	folhas,	podendo
também	a	sua	coloração	variar	bastante	entre	o	verde	escuro	e	verde	com	o
amarelo.
Geralmente	ficam	presentes	ao	lado	de	árvores	que	são	utilizadas	como	base	de
apoio,	já	que	as	jiboias	são	plantas	trepadeiras,	de	crescimento	rápido.
Quando	presas	as	árvores	suas	raízes	se	fixam	sobre	os	troncos	e	galhos	das
árvores,	criando	a	possibilidade	de	se	fixarem	de	forma	plena,	quando	não
presentes	nas	árvores	se	fixam	no	solo.
Jasmim
Nome	popular:	Jasmim,	Jasmim	do	cabo	Nome	científico:	Gardenia	jasminoides	J	Ellis,	Rubiaceae	Nome	iorubá:	Ewé	Itété	Orixás:		Ibeji
Está	é	a	folha	da	vaidade,	tem	o	poder	de	tornar	uma	pessoa	vaidosa,	a	noite	suas
flores	ficam	mais	perfumadas.
O	cheiro	do	jasmim	é	inconfundível	sendo	um	dos	perfumes	mais	conhecidos	da
natureza,	forte	e	bem	característico,	tendo	assim	pessoas	que	o	amam,	mas
também	muitos	que	não	suportam	o	seu	perfume	que	se	exala	por	todo	o
ambiente	em	que	estiver.
Jurubeba
Nome	popular:	Jurubeba,	Jurubeba-do-sul,	Jurubeba-velame,	Velame.	Nome	científico:	Solanum	paniculatum	L.	Nome	iorubá:	Igbá	igún	ou	Igbá	àjà	Orixás:		Xapanã
Ofó
(IGBÁ)	Ája	wu'na	góróró
(IGBÁ)	Ája	wu'na	góróró
(IGBÁ)	Ája	wu'na
A	wu	inón
(IGBÁ)	Ája	abre	caminho	estreito
(IGBÁ)	Ája	abre	caminho	estreito
(IGBÁ)	Ája	abre	caminho
A	jurubeba	é	um	arbusto	com	muitos	espinhos,	que	costuma	nascer	de	forma
bastante	espontânea	em	campos	de	diversos	locais	do	Brasil.	Pode	produzir
flores	roxas	ou	brancas.
É	uma	planta	muito	utilizada	pelo	conhecimento	popular	e	pouco	conhecida
dentro	dos	terreiros.
“esta	planta	faz	parte	da	Relação	Nacional	de	Plantas	Medicinais	de	Interesse	do
SUS	(Renisus).	A	espécie	Solanum	paniculatum	é	facilmente	confundida	com
outra	jurubeba,	Solanum	fastigiatum	Willd.,	que	ocorre	mais	frequentemente	no
Rio	Grande	do	Sul.	No	entanto,	diferem	não	só	nos	tipos	de	pelos	nas	folhas	e
ramos,	como	também	na	forma	dos	acúleos,	que,	em	S.	fastigiatum,	são	retos	e
finos	e,	em	S.	paniculatum,	são	curvos	e	alargados.	Não	se	deve	ingerir	frutos
verdes	de	espécies	botânicas	de	Solanum,	como	jurubeba,	joá,	mata-cavalo	e
peloteira,	pois	acumulam	glicoalcaloides	esteroidais	do	tipo	solanina,	capazes	de
provocar	vômito,	diarreia,	dores	de	estômago	e	de	cabeça”	(GARLET,	p.	51,
2019).
Lírio	do	brejo
Nome	popular:	Lírio	do	brejo,	lírio	branco	Nome	científico:		Hedychium	coronarium	Nome	iorubá:	Ewé	Balabá	Orixás:	Oxalá
O	lírio	do	brejo	é	uma	planta	que	se	desenvolve	facilmente	em	torno	da
banhados	e	nascentes	de	água,	quando	está	em	floração	consegue	deixar	seu
perfume	em	toda	a	sua	volta.
Amplamente	reconhecida	sua	floração	é	beleza	única,	tendo	suas	flores	delicadas
e	belas,	não	tendo	quem	não	as	aprecie	na	decoração	de	espaços	diversos.
Lavanda
-
Nome	popular:	Lavanda,	Alfazema	Nome	científico:	Lavandula	angustifolia	Nome	iorubá:	Ewé	àrùsò	Orixás:		Oxum	e	Orumilaia
Existe	bastante	confusão	entre	as	pessoas	com	esta	erva,	a	lavanda	é	o	nome	do
gênero	e	a	alfazema	é	uma	das	espécies	dessa	planta,	então	podemos	dizer	que
todas	as	alfazemas	são	tipos	de	lavanda,	como	as	diferenças	entre	as	lavandas
são	pequenas	no	rito	religioso,	vamos	considerar	todas	elas	como	planta,	e
apenas	por	ser	mais	conhecida	no	Rio	Grande	do	Sul	como	lavanda,	então	será
este	o	nome	que	será	considerado	para	este	livro.
“Se	desenvolve	bem	em	terra	úmida	e	aerada,	com	bastante	luz	solar	e	em	clima
temperado.	O	ideal	é	colocar	a	sua	volta	argila	ou	casca	de	pino,	para	manter	a
umidade.	Pedras,	com	o	calor,	podem	acabar	queimando	a	planta”
(NASCIMENTO,	p.	37,	2014).
A	lavanda	é	muito	utilizada	como	aroma	para	diversos	produtos	de	limpeza	e	em
ritos	religiosos	igualmente	muito	utilizada	em	banhos	de	cheiro,	é	uma	planta
muito	comum	nos	cultos	afros	em	diversas	regiões	do	país.
A	lavanda	também	é	uma	planta	que:
“É	energizante,	"que	ajuda	as	pessoas	a	darem	conta	de	tudo",	afirma	Gimenes.
"Na	minha	casa	tem	um	jardim	entupido	de	alfazemas.	Assim,	nos	dias	em	que
sei	serão	muito	atribulados,	logo	pela	manhã	fico	algum	tempo	perto	dos	pés
dessa	erva",	conta”	(FARIA,	2016).
Com	o	aroma	de	lavanda	se	produz	os	mais	variados	produtos	de	limpeza	e
higiene,	e	o	seu	cheiro	é	inconfundível	e	agradável	para	muitos,	além	de	belas
flores	de	tom	lilás	que	encantam	insetos	e	embelezam	muitos	dos	jardins
espalhados	pelas	cidades	por	diversas	partes	do	mundo.
Limoeiro
Nome	popular:	Limoeiro,	Limoeiro	do	mato	Nome	científico:	Siparuna	apiosyce	Nome	iorubá:	Òrómbo	alagbara	Orixás:	Ogum
O	limoeiro	é	uma	árvore	de	fácil	manuseio,	que	existem	várias	espécies
diferentes.
O	fruto	do	limoeiro,	o	limão	é	uma	fruta	servida	para	o	orixá	Oxalá.	Muitos	se
questionam	por	que	nosso	axé	serve	limão	para	Oxalá,	sendo	um	fruto	azedo,	é
necessário	então	esclarecer	que	o	axé	utiliza	limão	como	parte	da	oferenda	de
Oxalá	para	homenagear	o	orixá	de	Oxalá	Mocochéu,	de	Pai	Chiquinho ⁸	de
Oxalá.
Laranjeira
Nome	popular:	Laranjeira	Nome	científico:	Citrus	limettioides	Tanaka	Nome	iorubá:	Ewé	osàn-oiynbó;	Ewé	orombo	nlá	Orixás:		Ogum
A	laranjeira	é	uma	árvore	dedicada	ao	Orixá	Ogum	no	Rio	Grande	do	Sul,	e	é
uma	das	frutas	que	está	presente	no	atã,	bebida	ritual	servida	para	Ogum	no	Rio
Grande	do	Sul.
Existem	diversos	tipos	de	laranjas	e	todas	elas	podem	ser	servidas	para	o	orixá
Ogum,	em	especial	a	laranja	azeda	ou	demais	espécies	menos	maduras	são
servidas	para	o	orixá	Ogum	Avagã.
A	laranja	assim	como	demais	frutas	cítricas	é	uma	planta	de	fácil	manejo	e
presente	em	praticamente	todo	o	Brasil.
Losna
Nome	popular:	Losna,	Absinto,	Erva	do	fel,	Alejo,	Erva	dos	vermes,	Sintro	Nome	científico:	Artemisia	absinthium	L.	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Xapanã
A	losna	é	uma	planta	de	cheiro	forte	e	amplamente	reconhecida	no	mundo
inteiro	desde	a	antiguidade.	Na	Grécia	antiga	era	dedicada	à	Ártemis,	deusa	da
fecundidade	e	da	caça.	Daí	a	origem	de	seu	nome	científico.	Popularmente,	a
losna	também	é	conhecida	como	absinto”	(Blanco,	s/d).
O	uso	das	Losna	fora	dos	ritos	religiosos	deve	ser	realizado	por	outros	fins	com
muito	cuidado	e	por	quem	conhece	bem	a	planta,	pois	ela	apresenta	propriedades
tóxicas	e	alucinógenas,	podendo	causar	convulsões	pelo	uso	exagerado	ou
inadequado.
Em	ritos	religiosos	por	ser	tratar	de	uma	planta	de	limpeza,	com	características
fortes	não	necessita	de	uso	de	muitas	folhas,	sendo	apenas	algumas	folhas	o
suficiente	para	o	axé.
É	uma	planta	que	se	adapta	facilmente	em	solos	com	pouca	matéria	orgânica,
mas	precisa	de	bastante	iluminação.
“Reconhece-se	a	losna	como	uma	erva	baixa	bem	ramificada,	de	coloração	geral
verde-acizentada,	de	folhas	recortadas	e,	principalmente,	por	seu	cheiro	forte	e
característico”	(STEFFEN,	S.J.	p.	51,	2010).
A	losna	é	uma	erva	muito	popular,	conhecida	por	muitas	pessoas	e	com	diversos
usos	de	acordo	com	o	conhecimento	popular,	sendo	encontrada	em	diversas
casas	junto	de	demais	chás	populares	da	população.
Malva
Nome	popular:	Malva,	Malva	de	casa,	Malva	silvestre	Nome	científico:Malva	sylvestris	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oxalá
Este	nome	provém	da	palavra	grega	"malake"	que	significa	"suave",	uma	vez
que	a	planta	cura	e	acalma.	A	malva	se	adapta	a	diversos	tipos	de	solos	e	climas.
É	uma	planta	muito	popular	devido	os	seus	usos	como	chás.
Malva-rosa
Nome	popular:	Guaxima	rosa,	aramina,	malva-rosa	Nome	científico:	Urena	Lobata	L,	Nome	iorubá:	Ìlasa	Omodé	Orixás:	Odé
A	malva	rosa	é	uma	planta	muito	utilizada	na	ornamentação	de	jardins	devido	a
sua	beleza,	é	uma	folhe	que	necessita	de	sol	pleno	para	seu	desenvolvimento.
O	batuque	praticamente	não	faz	uso	dessa	planta	pelo	desconhecimento,	nos
candomblés	é	atribuída	principalmente	aos	orixás	Oxalá	e	Oxóssi	(OLIVEIRA,
2008,	p.245).
Maravilha
Nome	popular:	Maravilha,	Jalapa,	Batata-de-purga,	Batata-de-jalapa,	Pó-de-arroz.	Nome	científico:	Mirabilis	jalapa	L.,	Nyctagninaceae;	Mirabilis	odorata	L.;	Admirabilis	peruana	Nieuwl.;	Mirabilis	dichotoma	L.;	Jalapa	dichotoma	(L.)	Crantz.;Nyctago	mirabilis		D.C	Nome	iorubá:	Èkelèyí	Orixás:	Obá
Segundo	o	site	Divina	Folha	verde	(2015)
“Originária	do	México,	a	maravilha	ocorre,	nos	dias	atuais,	em	diversas	áreas	de
clima	tropicais	nos	vários	continentes.	No	Brasil,	principalmente	do	Nordeste	ao
Sul,	é	encontrada	espontaneamente	ou	cultivada	em	jardins	como	planta
ornamental	e	medicinal”.
Nos	candomblés	jejê-nagôs	brasileiros,	a	maravilha	é	atribuída	a	Oya,	e,	em
Cuba,	é	considerada	uma	planta	própria	de	Obatalá,	Yewá	e	Oya
(CABRERA,1992:486).
Esta	planta,	na	África,	é	utilizada	ritualisticamente	como	defesa	contrafeitiços	e,
segundo	VERGER	(1995:697)	conhecida	pelos	nomes	iorubás	tannáposó,
òdòdó	elédè,	tannápakú,	tannátanná,	tannápowó	e	tanná	pa	osó.
Mangueira
Nome	popular:	Mangueira	Nome	científico:	Mangifera	indica	L.,	Anacardiaceae	Nome	iorubá:	Òró	òyínbó	Orixás:		Odé	e	Ossanha
Para	o	site	Divina	Flor	Verde,	a	mangueira	é	uma	erva:
“Forte,	ajuda	a	ganhar	dinheiro,	a	ter	intuições,	desencadeia	a	memória	ancestral.
Nativa	da	Índia,	foi	introduzida	no	Brasil	onde	aclimatou-se	facilmente,	sendo
hoje	encontrada	em	condição	subespontânea	ou	cultivada	em	todo	território
nacional”.
A	mangueira	é	uma	árvore	que	é	bastante	comum	em	diversas	regiões	do	Brasil,
sendo	seu	fruto	muito	apreciado	e	consumido.
Melissa
Nome	popular:	Melissa	Nome	científico:	Melissa	officinalis	L.	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oxalá
É	uma	planta	baixa,	delicada,	nativa	da	região	do	Mediterrâneo,	que	exala	um
perfume	de	limão	de	suas	folhas,	lembra	a	hortelã	em	sua	forma	e	aroma,
embora	a	hortelã	apresente	aroma	um	pouco	mais	intenso.
A	melissa	é	amplamente	conhecida	como	calmante	e	muito	consumida	na	forma
de	chás.
“tem	bom	desenvolvimento	em	locais	com	clima	temperado;	não	tolera
temperaturas	muito	elevadas	nem	muito	frias.	O	excesso	de	sol	forte	e	a	falta	de
água	provocam	uma	aparência	de	queimado	nas	bordas	das	folhas.	Embora	sem
registros	concretos,	o	florescimento	da	Melissa	ocorre	no	fim	do	verão,	com	o
aparecimento	de	flores	pequenas	nas	colorações	brancas,	rosa	e	amarela”
(NASCIMENTO,	p.	43,	2014).
Malva	cheirosa
Nome	popular:	Malva	cheirosa	Nome	científico:	Malva	sylvestris	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás :		Oxum	e	Iemanjá
A	malva	cheirosa	é	uma	erva	de	cheiro	muito	agradável	quando	macerada,	de
reprodução	bastante	fácil	não	necessita	muitos	cuidados	especiais.
Esta	é	uma	planta	extremamente	utilizado	dentro	do	Ilê	Orixá,	por	isso	muito
indicada	para	todos	possuírem	ela	cultivada.	Embora	seja	dedicada	ao	orixá
Oxum	e	Iemanjá,	esta	preferencialmente	pertence	ao	orixá	Oxum,	e	deve	ser
utilizada	para	Iemanjá	em	casos	especiais,	quando	solicitado	através	de
orientação	no	jogo	de	búzios.
Malva	rosa⁷
Nome	popular:	Malva	rosa	Nome	científico:	Triumfetta	Rhomboidea	Jacq.,	Tiliaceae	Nome	iorubá:	Ìlasa	omodé	Orixás:		Odé
Erva	africana,	a	Ìlasa	omodé,	é	mais	uma	erva	que	se	soma	com	todas	as	outras
que	já	fazem	parte	da	natureza	local.
A	Ìlasa	omodé,	conhecida	popularmente	como	malva	rosa	ou	ainda	como
guaxima	rosa	é	um	arbusto	de	porte	baixo	que	produz	algumas	flores,	no
conhecimento	utiliza-se	para	cólicas	abdominais	e	expectorante,	na	tradição
africana	faz	parte	de	ritos	de	purificação,	através	de	banhos	e	limpezas,	como
todas	as	demais	ervas	sagradas,	ao	ser	plantada	torna	o	solo	ainda	mais	sagrado,
possibilitando	saúde	para	todos	do	axé.
Manjericão
Nome	popular:		Manjericão,	manjericão	verde	graúdo,	manjericão	branco	Nome	científico:	Ocimum	minimum	L.,	Labiatae	Nome	iorubá:	Efínrín	Orixás⁷¹:		Oxalá
“Utilizado	nos	banhos	de	purificação	dos	filhos	de	Oxalá”	(BASTIDE,	p.	166,
1961)
O	manjericão	é	uma	erva	que	não	necessita	apresentações	é	conhecida	pela
maior	parte	da	população	muito	apreciada	pela	culinária	e	utilizada	em	diversos
ritos	dentro	de	cultos	afros,	o	que	faz	com	que	a	planta	esteja	presente	em	muitas
residências.
“Os	poderes	mágicos	do	Manjericão	(Ocimum	Basilicumos),	outras	espécies	de
manjericão]	considerada	uma	erva	mística	e	muito	empregada	nos	ritos
religiosos	do	candomblé,	são	seus	encantos,	que	trazem	boa	sorte	e	harmonia.
Em	muitas	casas	de	Candomblé	dedica-se	essa	erva	ao	Òrìsà	Osálà”	(JÚNIOR,
59,	p.	2018).
Segundo	VARELLA	(1973),	chamando-a	de	“manjericão-de-folha	grande”,
afirma	que	esta	espécie	pertence	ao	orixá	Oxalá”.
“Na	Itália,	o	manjericão	é	sempre	associado	ao	amor.	Na	antiga	Grécia	e	Roma,
acreditava-se	que	os	agricultores	precisavam	praguejar	bem	alto	para	obter	boas
colheitas	de	manjericão.	Na	Índia,	o	manjericão	era	tratado	como	símbolo	de
hospitalidade.	As	pessoas	descansam	com	uma	folha	de	manjericão	no	peito,
como	passaporte	para	o	paraíso.	Uma	das	superstições	sobre	o	manjericão	era
que	deixado	debaixo	de	um	pote	algum	tempo	transformava-se	num	escorpião.
Na	Romênia,	quando	um	rapaz	aceita	um	ramo	de	manjericão	de	uma	rapariga,
fica	comprometido.	O	manjericão	era	usado	no	antigo	Egito	no	embalsamento	de
múmias.	Nos	afrodisíacos	tradicionais,	o	manjericão	é	comum	em	várias
culturas.	O	nome	basílico	(manjericão)	deriva	do	grego	basileus,	que	significa
rei.	Atualmente	o	manjericão	também	é	usado	como	perfume	e	incenso”
(AGROMINEIRA,	2017).
O	manjericão	costuma	estar	presente	nos	vasos	de	7	ervas,	trazendo	um	aroma
bastante	agradável	ao	local	onde	fica	o	vaso.
Manjericão	miúdo
Nome	popular:	Majericão,	Manjericão	verde	miúdo	Nome	científico:	Ocimum	basilicum	L	Nome	iorubá:	Efínrín	kékéré	Orixás:		Iemanjá
Segundo	o	site	Divina	Flor	Verde	“acalma	o	fundo	da	alma.	Traz	como	que	um
banho	refrescante	e	tranquilo	para	a	alma.	amor,	dinheiro,	sorte.
De	origem	asiática,	esta	variedade	de	manjericão	que	possui	folhas	bem	menores
que	os	demais	é	muito	popular	no	Brasil”.
Manjericão	roxo
Nome	popular:	Manjericão	roxo	Nome	científico:	Ocimum	basilicum	purpureum	Hort.	,	LABIATAE	Nome	iorubá:	Efínrín	pupa	Orixás:		Oxum
O	manjericão	roxo	é	uma	erva	com	aroma	menos	intenso	que	o	manjericão	verde
e	adapta-se	facilmente	em	diversas	regiões,	no	entanto	tem	dificuldade	de
adaptação	em	locais	de	sol	intenso,	necessitando	muitas	vezes	meia	sombra.	A
exposição	prolongada	ao	sol	pode	tornar	algumas	espécies	verdes	ou	cruzadas
entre	com	o	roxo	e	o	verde.
Mirra	rasteira
Nome	popular:	Mirra	rasteira,	Mirra,	lavândula,	limonete	e	pluma-de-névoa,	incenso,	incenso	bastardo	Nome	científico:		Plectranthus	forsteri	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Orumilaia
“O	incenso	realmente	precisa	de	muita	pouca	atenção	e	pode	ser	cultivado	em
vasos,	quando	a	planta	é	adulta,	e	espécimes	muito	jovens	e	aparentemente
incrivelmente	delicados.	Por	esse	motivo,	a	propagação	é	uma	operação	muito
simples:	é	possível	cortar	os	incensos	com	algumas	folhas	e	colocá-los	na	água.
Após	quinze	ou	vinte	dias,	as	raízes	brotam	sem	a	necessidade	de	qualquer
produto	químico	de	enraizamento.	O	único	cuidado	de	que	o	incenso	precisa	é	na
escolha	do	tipo	de	embarcação	a	ser	atribuída	a	ele,	que	deve	aumentar
gradualmente.	Não	é	necessário,	no	entanto,	repovoar	esta	planta	todos	os	anos,
mas	optar	por	uma	repotagem	a	cada	dois	anospode	torná-la	mais	forte	e	mais
compacta”
O	Incenso-bastardo	é	uma	planta	herbácea	e	perene	muito	ramificada,	com	uma
folhagem	densa	e	aromática.	As	suas	folhas	são	ovais,	brilhantes,	pubescentes	e
com	bordas	denteadas.	As	suas	flores	têm	pouca	importância	ornamental.
Mirra	arbustiva
Nome	popular:	Mirra	árvore,	Mirra	arbustiva,	Pluma-de-névoa,	Falsa-mirra,	Incenso,	Pau-de-incenso,	Mirra,	Limonete,	Umuravumba	Nome	científico:	Tetradenia	riparia	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oxalá
“Cresce	a	sol	pleno,	com	solo	bem	drenado	e	com	compostagem.	A	quantidade
de	água	regada	no	inverno	deve	ser	menor	que	a	no	verão”	(NASCIMENTO,	p.
35,	2014).
PATRO	(2016)	“A	pluma-de-névoa	é	uma	espécie	arbustiva,	dióica	e	muito
florífera,	nativa	da	África-do-sul	e	cultivada	em	áreas	de	clima	subtropical	a
temperado,	em	diversas	partes	do	mundo,	por	suas	qualidades	como	ornamental
e	medicinal.	A	ramagem	cresce	de	forma	irregular,	com	ramos	finos,	lisos	e	de
cor	marrom.	Suas	folhas	são	espessas,	ovaladas	a	cordiformes,	pubescentes,	de
cor	verde-clara,	com	margens	denteadas	e	bastante	aromáticas.	As
inflorescências	surgem	no	inverno,	em	densas	espigas	terminais,	com	flores
pequenas,	geralmente	brancas,	mas	que	podem	adquirir	tons	de	rosa	ou	lilás.	As
plantas	masculinas,	produzem	inflorescências	mais	soltas,	de	aspecto	delicado,
enquanto	as	femininas,	formas	bem	compactas,	para	diferentes	efeitos
paisagísticos.	As	flores	são	perfumadas	e	atraem	insetos	polinizadores”
O	efeito	da	pluma-de-névoa	florida	é	bastante	chamativo	e	muitas	vezes	se
destaca	ainda	mais	pelo	fato	de	que	poucas	plantas	estarão	floridas	na	mesma
época	que	ela.	Assim,	ela	facilmente	se	torna	o	foco	das	atenções	no	jardim,	sem
concorrência.	Aproveite	esta	característica,	e	plante-a	isolada,	em	áreas	de
interesse,	ou	crie	maciços	ou	renques	com	esta	espécie.	Seu	uso	em	jardins
rochosos	ou	do	tipo	xeriscape	(jardim	de	pouca	necessidade	hídrica)	pode	ser
muito	relevante,	ao	quebrar	a	monotonia	e	oferecer	uma	variação	estacional	ao
jardim.	Aproveite-a	também	em	jardins	de	ervas	aromáticas	e	medicinais.
PATRO	(2016)	“deve	ser	cultivada	sob	sol	pleno	ou	meia	sombra,	em	solo	fértil,
bem	drenável,	enriquecido	com	matéria	orgânica	e	irrigado	regularmente	no
primeiro	ano	de	implantação.	Não	tolera	solos	encharcados,	aos	quais	é	muito
sensível.	Prefere	assim,	solos	mais	secos,	principalmente	no	inverno,	aos	quais
responde	com	intensas	florações.	Locais	com	inverno	ao	mesmo	tempo	frio	e
chuvoso	não	são	muito	adequados	ao	seu	plantio,	da	mesma	forma	que	não
floresce	em	áreas	permanentemente	quentes.	Precisa	de	estações	marcadas	para
florescer.	De	pouca	manutenção,	é	aconselhável	fertilizá-la	no	período	anterior	à
floração,	além	de	realizar	podas	de	formação	e	renovação	da	folhagem,	após	o
florescimento.	Aproveite	a	ocasião	para	fazer	estaquia	dos	ramos,	que	enraízam
com	facilidade.	Cresce	rapidamente	e	pode	florescer	já	no	primeiro	ano	de
implantação”.
Manjerona
Nome	popular:	Manjerona	Nome	científico:	Origanum	majorana	L.,	LABIATAE	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		OssanhaÉ	uma	erva	extremamente	fácil	de	ser	plantada	e	reproduzida,	se	adapta	com
muita	facilidade	em	diversos	ambientes.
“Conta	uma	lenda	que	o	príncipe	Amáraco,	filho	do	rei	de	Chipre,	dedicava-se	à
arte	de	fabricar	perfumes.	Um	dia,	ele	conseguiu	criar	uma	fragrância	única,
surpreendentemente	agradável,	e	ficou	maravilhado	com	sua	criação,	mas,	ao
carregar	o	jarro	que	continha	este	perfume,	deixou-o	cair	ao	chão	e	quebrar-se,
perdendo	o	raro	perfume.	Profundamente	entristecido,	o	jovem	começou	a
definhar,	até	morrer.	Reconhecendo	a	dedicação	do	jovem	príncipe,	os	deuses
transformaram	seu	corpo	sem	vida	numa	planta	muito	aromática:	a	manjerona,
também	conhecida	como	amáraco”	(BLANCO,	s/d)
“A	mitologia	grega	faz	referência	à	manjerona	como	a	erva	preferida	de
Afrodite,	a	deusa	do	amor,	que	a	teria	usado	para	curar	as	feridas	de	Enéias.
Aliás,	para	o	povo	grego,	a	planta	era	símbolo	da	felicidade,	tanto	que	era
plantada	na	frente	das	casas	como	sinal	de	boas-vindas.	Gregos	e	romanos	a
usavam	para	tecer	coroas	para	os	recém-casados	e	até	hoje	a	erva	é	associada	à
felicidade	conjugal.	Usada	na	Antigüidade	como	afrodisíaco,	também
apresentava	propriedades	relaxantes:	o	poeta	Virgílio	destaca	seus	poderes	para
favorecer	um	sono	repousante	e	tranqüilo.	O	responsável	pelas	propriedades
medicinais	da	manjerona	é	seu	princípio	ativo,	constituído	por	tanino	e	óleo
essencial,	que	garante	o	efeito	expectorante	e	digestivo.	Na	forma	de	chá,	a	erva
pode	ajudar	no	tratamento	contra	o	reumatismo	e	todas	as	formas	de	artrite.	A
inalação	feita	com	a	erva	ajuda	a	eliminar	o	muco	nas	gripes	e	resfriados,
prevenindo	sinusites.	Na	cosmética	caseira,	a	planta	é	usada	em	banhos
relaxantes	e	como	tônico	capilar.	Na	aromaterapia,	sua	fragrância	suave	e
calmante	aquece	e	reconforta,	daí	sua	ação	benéfica	sobre	o	sistema	nervoso.	O
óleo	essencial	atua	positivamente	no	metabolismo	e	nos	órgãos	genitais”
(BLANCO,	s/d).
A	manjerona	é	muito	apreciada	na	culinária,	em	diversos	preparos	de	pizzas,
saladas,	carnes	grelhadas	e	molhos,	de	sabor	intenso	e	cheiro	agradável	é
considerada	uma	dar	ervas	aromáticas	mais	consumidas,	sendo	por	muitos
confundida	com	o	orégano,	o	substituindo	em	alguns	casos.
Mamona	verde
Nome	popular:	Mamona	verde,	mamona	branca	Nome	científico:	Ricinus	communis	L.	Nome	iorubá:	Ewé	lárà	funfun	Orixás:		Onile
A	sua	tradução	do	iorubá	significa	“folha	do	corpo”,	o	que	nos	mostra	a	sua
importância	para	tudo	o	que	se	faz	dentro	dos	cultos.
A	folha	da	mamona	é	utilizada	no	Ilê	Orixá	e	em	alguns	outros	Ilês	com	base	em
cima	de	pratos	para	receber	a	oferenda	(axé)	que	será	servida	ao	orixá,
substituindo	desta	forma	papéis	que	são	utilizados	em	muitos	lugares,	reduzindo
assim	a	quantidade	de	lixo	produzido.
É	importante	ressaltar	que	não	existe	uma	obrigatoriedade	do	número	de	folhas	a
serem	utilizadas	em	cada	axé.
A	mamona	é	uma	planta	de	origem	africana,	que	está	presente	em	grande	parte
do	Brasil,	não	existindo	dificuldade	de	encontrar,	é	uma	planta	rica	em	óleos,
tóxica	se	ingerida.
Em	momentos	de	corte	aos	orixás	é	comum	cobrir	com	a	folha	de	mamona	as
vasilhas	que	serão	utilizadas,	e	descobrir	um	pouco	antes	do	corte.	Ao	cobrir	o
orixá	já	sabe	que	irá	receber	a	sacralização.
Com	a	urbanização	cada	vez	mais	intensa	dos	espaços	sagrados,	pode	ocorrer
dificuldade	em	alguns	lugares	de	obter	a	folha	da	mamona,	o	que	torna
importante	que	cada	espaço	de	culto	aos	orixás	possui	exemplares	da	planta	nas
suas	dependências.
Mamona	roxa
Nome	popular:	Mamona	roxa,	mamoneiro	roxo,	mamona	vermelha	Nome	científico:	Ricinus	communis	L.,	Euphorbiaceae	Nome	iorubá:	Ewé	lárà	pupa	Orixás:		Egun
Ofó
Ewé	lara	pupá	ni	osun	a	won	abíkú.
A	folha	lara	pupá	é	o	cânhamo
Seu	despertar	ou	ofo	é:
Làpá	làpá	pupa
Má	mà	jé	kí	Sòpònná	bá	omo	mi	jà
Làpá	làpá	pupa,	não	deixe	Sòpònná	brigar	com	meu	filho.
A	mamona	roxa	ou	vermelha	é	uma	planta	que	apresenta	as	mesmas
características	da	mamona	branca,	embora	seja	menos	comum.	A	espécie	roxa
não	pode	ser	utilizada	no	Ilê	Orixá	aos	orixás,	como	base	para	axés,	pois	a
espécie	roxa	é	dedicada	somente	ao	orixá	Iroko	e	a	Egun.
Ondas	do	mar
Nome	popular:		Ondas	do	mar,	lambari	Nome	científico:	Astyanax	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Iemanjá
É	uma	planta	de	origem	mexicana,	muito	bem	adaptada	ao	Brasil,	está	presente
nas	mais	variadas	regiões	do	Brasil,	é	amplamente	utilizada	em	jardins	como
planta	ornamental.	É	uma	planta	que	apresenta	muita	facilidade	de	ser
reproduzida	e	não	necessita	cuidados	especiais.
Orô
Nome	popular:	Oro,	boldo	bahiano72	Nome	científico:	Vernonia	condensata	Nome	iorubá:	Ewé	awuro	Orixás⁷³:		Xangô
O	orô	é	um	arbusto	que	atinge	cerca	de	5	metros	de	altura,	com	galhos	finos	e
brotação	abundante.	Apresenta	floração	de	cor	branca,	é	amplamente	utilizada
no	Rio	Grande	do	Sul	e	parte	do	Brasil,	nos	cultos	afros	em	banhos	de	ervas,
lavagem	de	ocutás	entre	outros	ritos	de	iniciação.	Para	alguns	uma	planta	de
origem	Africana(provavelmente	Benin	ou	Nigéria,	que	teria	vindo	junto	com	os
escravos),	para	outros	uma	planta	que	já	se	encontrava	no	solo	brasileiro	e	foi
adaptada	seu	uso.
“O	boldo-baiano	[Ewé	awuro	](vernonia	condensata)	é	um	arbusto	originário	da
África,	e	chega	a	alcançar	de	2	a	5	metros	de	altura	e	pode	se	quebrar	facilmente
com	o	vento.	Apresenta	efeito	carminativo	e	alivia	os	sintomas	e	úlceras	e
gastrites”	(BUNN,	2012).
No	Rio	Grande	do	Sul,	o	boldo-baiano	ganhou	o	nome	de	orô,	com	outras
variações	de	nome	em	outras	regiões,	sendo	utilizado,	além	de	ritos	religiosos
para	produção	de	chás,	em	grande	parte	do	Brasil	é	associado	principalmente	aos
orixás	Ogum	e	Oxalá.
“O	boldo-baiano,	assa-peixe	ou	alumã	(Vernonia	condensata)	é	uma	planta	da
família	Asteraceae,	das	mais	cultivadas	em	jardins	e	hortas	brasileiros.	A	sua
origem	é	africana,	tendo	sido	trazido	com	os	escravizados	desde	a	época
colonial”.	(Wikipedia,	2016)
Para	o	Prof.	Jayro	de	Jesus	(teólogo	afro)	“na	falta	do	akoko	no	Rio	Grande	do
Sul”	provavelmente	os	primeiros	africanos	encontraram	no	orô	uma	planta	com
características	muitos	semelhantes”,	fazendo	uso	desta	forma	para	os	seus	ritos
religiosos.
Segundo	alguns	antigos,	não	se	deve	deixar	que	a	planta	cresça	acima	da	altura
das	casas,	por	não	trazer	boa	sorte.	Existe	muita	controvérsia	neste	sentido,	pois
ninguém	sabe	dizer	ao	certo	o	porquê.	Desta	forma	não	se	pode	ter	certeza	de
que	existam	motivos	reais	para	acreditar	nisso,	mas	é	o	que	a	maioria	do	povo	de
santo	faz,	pois	como	dizem	aprenderam	assim,	e	a	cultura	gaúcha	afro-religiosa
costuma	manter	a	tradição	que	foi	aprendida	de	seus	antepassados.
Talvez	essa	crença	venha	da	constante	necessidade	de	se	quebrar	seus	galhos
para	a	coleta	das	suas	folhas,	devido	ao	seu	crescimento	rápido,	o	que	fazia	com
que	a	planta	não	tivesse	condições	de	crescer	de	forma	livre,	já	que	ocorriam
podas	constantes,	mantendo	desta	forma	um	porte	baixo,	ou	ainda	a	sua
facilidade	de	quebrar	seus	galhos	com	o	vento,	que	também	impossibilitava	que
ficasse	alta.
Alguns	iniciados	descrevem	o	orô	como	uma	planta	dedicada	a	Xangô,	no
entanto	a	maioria	das	casas	de	tradição	africana	destinam	o	orô	para	todos	os
orixás	cultuados.	O	fato	é	que	é	uma	planta	que	já	faz	parte	da	tradição	religiosa
do	Rio	Grande	do	Sul,	de	fácil	adaptação	e	crescimento	muito	rápido,	que	se
reproduz	a	partir	de	estacas	ou	sementes.	É	muito	difícil	encontrar	uma	casa	de
axé	gaúcha	que	não	exista	orô	plantado,	geralmente	na	frente	das	casas.	Não
importa	o	motivo	ou	a	tradição	que	se	siga,	ao	cultuarmos	qualquer	planta	ou
tradição	africana	estamos	cultuando	a	África	que	existe	dentro	de	cada	um	de
nós.
Pata	de	vaca
Nome	popular:	Pata	de	Vaca	Nome	científico:	Bauhinia	purpurea	L.,	Leguminosae-caesalpinioidea	Nome	iorubá:	Abàfé	Orixás:		Ossanha	e	Xapanã
Ofó
T’ilekun	mó	o	k’ó	má	le	jade
Ìpanumó	abàfé	ba	mi
T’ilëkun	mó	otá	mi	gbonyingbonyin
Lati	fi	ra	ọ̀tá	niyè
Ìkáwòri	(Ìká	Ìworí)
Fechar	a	porta	permite	à	folha	Abàfé	não	se	revelar
Abàfé	nos	permita	fechar	a	porta	firmemente	ao	meu	inimigo.
para	incomodar	a	mente	de	seu	inimigo	e	o	faz	incapaz	de	calcular
A	pata	de	vaca	possui	esse	nome	devido	sua	folha	lembrar	a	pata	de	uma	vaca.	É
uma	planta	nativa	da	mata	atlântica	principalmente.	Muito	utilizada	na	decoração
de	praças	devido	suas	flores	que	encantam	muitos.
Pau	d´água	verde⁷⁴
Nome	popular:	Pau	d´água,	Peregum	nativo,	Pau-d'água,	Dracena,	Coqueiro	de	Vênus.		Nome	científico:	Dracaena	fragrans	(L.)	Ker	Gawl.,	Liliaceae.	Nome	iorubá:	Ewé	pèrègún	Orixás:		Ogum
É	uma	planta	forte,	atrai	os	ancestrais,	ajuda	a	lembrar,	a	saber	agir.	Afasta	os
inimigos	e	o	mal	que	muitas	vezes	se	faz	presente.
Possui	origem	africana	e	é	muito	difundida	no	Brasil,	esta	é,	provavelmente,	a
planta	mais	popular	nos	candomblés	afro-brasileiros.	sua	utilização	é	variada,
entra	no	àgbo	(pois	é	uma	das	folhas	fixas),	banhos	para	diversos	fins,
sacudimentos	e	diversos	rituais.
Na	Fortaleza	Orixá	é	uma	planta	dedicado	ao	orixá	Ogum,	e	por	isso	também
pode	ser	utilizada	como	sua	representação,	sendo	inclusive	utilizada	como	axés
determinados	em	jogo	de	búzios.
Alguns	candomblés	fazem	na	iniciação	dos	filhos-de-santo,	a	folha	do	pèrègún	é
usada	como	sendo	a	primeira	na	composição	do	àgbo,	sendo	indispensável,	uma
vez	que	representa	Ogum	na	"função	de	Asiwajú",	aquele	que	toma	a	vanguarda,
aquele	que	vai	na	frente	dos	outros,	o	que	precede..."	(SANTOS,	1976:93).
Lenda	de	Peregun.
Ifá	dissera,	quando	Pèrègún	o	procurava	pela	sorte:	“Pèrègún,	se	você	quiser	ter
sorte,	deverá	ajudar	a	humanidade,	fazendo	um	pacto	com	as	Ajé	(Yiámi
Osorongá),	para	sempre	ter	e	poder	emanar	a	sorte,	para	quem	lhe	procurar	por
ajuda.
Foi	então	que	Pèrègún	fez	um	pacto	com	Ajé	antes	de	vir	ao	mundo,	mas	não
tinha	quem	o	pudesse	levar	para	Àiyé	(Mundo	material,	Terra).
Novamente	foi	a	Ifá,	e	este	dissera:	“Pèrègún	se	você	quiser	realizar	o	seu
trabalho	em	Àiyé	procure	por	“Ògún”,	pois	ele	sempre	está	indo	para	Àiyé.
Pèrègún	procurou	por	“Ògún”,	mas	Ogún	só	levaria	Pèrègún,	se	ele	dividisse	a
sua	sorte	com	Ogún.
Foi	então	que	Pèrègún	aceitou	o	pacto,	e	por	essa	razão	“Ògún”	lhe	dissera:
“Vou	dizer	a	toda	humanidade,	que	Pèrègún	emana	a	sorte,	e	quem	com	ele	ficar
será	agraciado	com	ela”.
Desde	então	Pèrègún	então	foi	conhecido,	e	muito	procurado	por	todos	em	Àiyé.
“Peregun”,	a	sorte	de	nossos	opositores	fica	a	nosso	favor.
Em	grande	parte	das	casas	de	religião	africanas	são	reconhecidas	por
apresentarem	mudas	de	peregun	plantas	em	suas	frentes,	como	plantas	sagradas
de	culto	aos	orixás.
O	Rio	Grande	do	Sul	ainda	carece	bastante	em	ter	esta	planta	em	seus	terreiros,
muitos	por	falta	de	conhecimento.	Nesse	sentido	é	necessário	que	os	dirigentes
incentivem	os	novos	iniciados	a	estudarem	a	liturgia	dessas	plantas,	para	que	o
conhecimento	não	se	perca	com	o	tempo.
Pau	d´água	verde	e	amarelo
Nome	popular:	Pau	d´água,	Peregum,	Dracaena-listrada,	Coqueiro-de-Vênus-Nativo,	Dracena-verde-e-amarelo	Nome	científico:	Dracaena	fragrans	(L.)Ker	Gawl	Nome	iorubá:	Pèrègún	Kò,	Pèrègún	funfun	Orixás:		Ogum
Ofó
para	obter	dinheiro
PÈRÈGÚN	NÍ	Í	PE	IRÚNMOLÈ	L’ÁT’ÒDE	ÒRUN	W’ÁYÉ!
(É	Pèrègún	que	chama	os	espíritos	do	além	para	a	terra!)
PÈRÈGÚN	WÁ	LO	RÈÉ	PE	AJÉ	TÈMI	WÁ	L’ÁT’ÒDE	ÒRUN!
(Pèrègún,	agora	vá	e	chame	minhas	riquezas	do	além!)
Peregun	alára	gigún	ô
Peregún	alára	gigún	ô
Oba	o	ni	jê	o	roro	okan
Peregun	alará	gigún
Pèrégúm	gba	agbara	tuntun
Peregúm	tem	excitado	o	corpo
Peregúm	tem	excitado	o	corpo
O	rei	não	permite	problemas	com	o	coração
Peregúm	tem	excitado	o	corpo
Peregúm	dá	nova	força.
(LAVERGNE;	PESSOA	DE	BARROS,	1987,	p.	34,)
Segundo	STALCUP	“chamada	de	ewé	pèrègún	funfun	ewé	pèrègún	kò	em
Yorùbá,	nome	que	indica	que	a	planta	chama	o	transe,	esta	espécie	pertence	ao
compartimento	terra	e	ao	orixá	Ogún,	e	é	louvada	numa	cantiga	que	ensina
agitação/calma,	esta	última	categoria	associada	à	espécie.
Adicionalmente	é	usada	para	sacudimento,	feitura	de	santo	e	Abô”	(Apud
SILVA,	1993),	observa-se	que	esta	é	uma	das	plantas	mais	unânimes
consagradas	para	o	orixá	Ogum,	já	que	a	grande	maioria	das	casas	de	axé	que
cultuam	o	orixá	Ogum	possuem	ela	dedicada	a	ele.
Para	alguns	estudiosos	da	religião	africana	é	uma	planta	que	nunca	deve	faltar
onde	se	cultua	este	orixá,	já	ela	representa	a	própria	energia	de	Ogum
materializada	na	terra.
Suas	folhas	pontiagudas	lembram	espadas,	como	a	maioria	das	folhas	dedicadas
aos	orixás	masculinos,	já	que	as	folhas	de	forma	arredondada	são	características
de	folhas	femininas,	claro	que	não	podendo	isso	ser	uma	única	característica	a
ser	observada.
Peregun	vermelho
Nome	popular:	Coqueiro-de-vênus,	dracena,	pau	d´água	vermelho,	peregun	vermelho	Nome	científico:	Cordyline	terminalis	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oya
O	peregun	vermelho	é	uma	planta	ornamental,	mais	adequada	em	ambientes	de
meia	sombra	ou	sombra.	Os	seus	usos	na	religião	são	variados	e	mudam	muito
de	uma	nação	para	outra.	Alguns	candomblés	consagram	para	o	orixá	Ogum	e
algumas	para	Oya	ou	aindaObá.
Dentro	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	esta	planta	está	consagrada	para	o	orixá	Oya,	de
uso	exclusivo.
Pereira
Nome	popular:	Pereira	Nome	científico:	Pyrus	communis	L.	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Oxalá
A	pereira	é	uma	árvore	que	produz	um	fruto	muito	apreciado,	de	sabor
adocicado,	para	alguns	lembra	um	pouco	a	maçã.
As	suas	folhas	são	consagradas	para	o	orixá	Oxalá,	assim	como	a	própria	árvore
pertence	a	ele	que	também	aprecia	bastante	seus	frutos.
É	uma	bela	árvore,	com	flores	brancas,	que	não	costuma	necessitar	de	muitos
cuidados	especiais,	se	adapta	com	muita	facilidade	ao	frio	e	é	cultivada	há
séculos	em	diversas	regiões	do	mundo.
Pulmonária
-
Nome	popular:	Pulmonária,	Peixinho	da	horta	Nome	científico:	Stachys	byzantina	K.Koch	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Odé
A	pulmonária	é	uma	planta	muito	utilizada	na	decoração	de	jardins	pelo	seu
formato	diferenciado	e	bonito,	não	costuma	gostar	muito	de	excesso	de	calor,
mas	se	adapta,	no	entanto,	necessitando	de	água	a	noite	para	recuperar	as	perdas
do	dia.	É	uma	planta	muito	resistente	aos	insetos,	sendo	dificilmente	atacada	por
eles.	É	uma	folha	não	convencional,	mas	que	pode	ser	utilizada	na	culinária	em
diversos	pratos.
Poejo
Nome	popular:	Poejo	Nome	científico:	Mentha	pulegium	Nome	iorubá:	Olátorijé	Orixás:		Ibeji	e	Oxum
O	poejo	é	uma	planta	de	crescimento	muito	rápido,	na	natureza	gosta	de	lugares
úmidos,	o	que	faz	com	que	se	desenvolva	de	forma	rápida	e	acelerada.	Devido
ao	cheiro	forte	é	uma	planta	que	funciona	como	repelente	natural	para	alguns
tipos	de	insetos	e	pragas	das	lavouras.
FARIA	(2016),	destaca	uma	curiosidade:
“ajuda	a	ter	persistência,	a	acabar	com	a	procrastinação.	"Sabe	aquela	pessoa	que
costuma	desistir	das	atividades	ou	dos	sonhos	na	metade	do	caminho?	Então,	o
poejo	é	ideal	para	elas",	conta	o	especialista”.
Em	alguns	casos	pode	ser	utilizada	para	Oxum	ou	Iemanjá
Pitangueira
Nome	popular:	Pitangueira	Nome	científico:	Eugenia	uniflora	Nome	iorubá:	Ewé	Itá	Orixás⁷⁵:		Oya
Ofó
A	fí	pa	burúrú,a	fí	pa	burúrú
Etiponlá	wa	fi	pá	burúrú
Ita	owó,	ita	omo
Etiponlá	wa	fi	pá	burúrú
Nós	utilizamos	para	acabar	com	as	complicações
Etiponlá	que	nós	usamos	para	acabar	com	as	complicações
A	folha	de	Ita	atrai	dinheiro,	Ita	atrai	filhos
Etiponlá	que	nós	usamos	para	acabar	com	as	complicações
Ewé	Itá	é	uma	folha	de	sorte.
Ifá	owó	Ifá	omo
Ewé	étipónlá	'bà	Ifá	orò
Itá	owo	Itá	omo
Ewé	étipónlá	'bà	Ifá	orò
Orunmilá	é	quem	traz	boa	sorte	e	dinheiro
A	folha	de	erva-tostão	é	abençoada	por	Orunmilá
Folha	de	pitanga	é	quem	traz	boa	sorte	e	dinheiro
A	folha	de	erva-tostão	é	abençoada	por	Orunmilá
A	Pitangueira	no	Rio	Grande	do	Sul	é	uma	árvore	nativa	de	diversas	regiões	do
Brasil,	dedicada	principalmente	seu	culto	ao	orixá	Oyá/Iansã.	A	árvore	atinge
cerca	de	4	metros	e	meio	de	altura	com	folhas	rosas	esverdeado	entre	tom	Claro
e	escuro	apresenta	forte	brilho	sobre	suas	folhas	na	parte	superior.	É	uma	planta
de	grande	resistência	e	que	possui	um	fruto	característica	de	sabor	acentuado.
“esta	planta	faz	parte	da	Relação	Nacional	de	Plantas	de	Interesse	do	SUS
(Renisus).	É	amplamente	cultivada,	em	pomares	domésticos	de	todo	o	Brasil,
para	produção	dos	saborosos	frutos.	Utilizada	na	fabricação	de	bebidas,	doces,
geleias	e	como	aromatizante.	Seus	frutos	servem	de	alimento	para	pássaros,
peixes	e	mamí18	Fonte:	autor	(2019)	feros.	Espécie	indicada	para
enriquecimento	de	áreas	degradadas	em	margens	de	fontes,	rios	e	reservatórios.
As	raízes	têm	a	propriedade	de	rebrotar	sob	a	árvore,	produzindo	verdadeiras
touceiras”	(GARLET,	p.	19,	2019).
No	Ilê	Orixá	o	uso	da	folha	da	pitangueira	está	presente	em	praticamente	todos
os	ritos	para	o	culto	a	Oya,	em	banhos,	em	axés	que	são	realizados	e	até	mesmo
em	ritos	que	se	utiliza	limpezas.	Como	Oya	é	um	dos	orixás	regentes	da	casa,	a
folha	da	pitangueira	faz	parte	da	grande	maioria	dos	mierós.
Romãzeira
Nome	popular:	Romãzeira	Nome	científico:	Punica	granatum	L	.,	Punicaceae	Nome	iorubá:	Àgbá	Orixás:		Obá
A	romãzeira	é	um	arbusto	que	produz	a	romã,	fruto	dedicado	ao	orixá	Obá.		A
fruta	pode	ser	utilizada	no	amalá	do	orixá	Xangô,	quando	se	deseja	agradar	o
orixá	Obá	com	Xangô.
Sálvia
Nome	popular:	Sálvia	Nome	científico:	Salvia	officinalis	Nome	iorubá:	Ikiriwí	Orixás:		Iemanjá	e	Oxalá
A	sálvia	para	algumas	pessoas	é	uma	planta	que	está	associada	à	felicidade,	paz
e	harmonia,	muito	popular	e	conhecida.
A	sálvia	(Salvia	officinalis)	é	uma	planta	arbustiva,	perene,	originária	da	região
mediterrânica	cujo	nome	já	diz	o	que	é	capaz	de	fazer,	salvar	(em	latim	seu	nome
é	“salvi”,	que	quer	dizer	salvar	e,	popularmente,	também	é	conhecida	sálvia-
comum	ou	sálvia-das-boticas).
“A	sálvia	é	uma	planta	subarbustiva,	de	folhas	muito	aromáticas,	nativa	da
região	do	mediterrâneo	e	conhecida	desde	a	antiguidade	por	suas	propriedades
como	planta	condimentar,	medicinal	e	ornamental.	Apresenta	hastes	eretas,
quadrangulares,	ramificadas	e	recobertas	por	tricomas	curtos.	Elas	são
inicialmente	herbáceas	e	se	tornam	lenhosas	com	o	passar	do	tempo.	Suas	folhas
são	elípticas	a	oblongas,	sésseis	no	ápice	dos	ramos	e	pecioladas	na	parte
inferior,	com	a	superfície	rugosa,	pilosa	e	de	cor	verde	acinzentada
na	espécie	típica.	O	aroma	das	folhas	é	pungente	e	percebido	mesmo	sem
amassá-las	[...]	De	sabor	amargo	e	pungente,	a	sálvia	é	uma	erva	condimentar	do
tipo	“ame	ou	odeie”.	Ainda	assim,	mesmo	que	na	primeira	vez	você	não	tenha
apreciado	muito	seu	aroma	e	sabor,	tente	novamente.	Acontece	que	a	variedade
de	aromas	é	imensa,	e	certamente	alguma	nuance	irá	lhe	agradar.	Simplesmente
arranque	as	mudas	e	plante	uma	nova	variedade.	Mesmo	que	demore	para	você
se	encontrar	com	sua	sálvia	favorita,	ela	ainda	pode	ser	muito	útil,	por	suas
indiscutíveis	qualidades	como	medicinal.	Um	chá	de	sálvia	tem	a	reputação	de
ser	uma	panacéia	para	todos	os	males	e,	apesar	de	que	grande	parte	da	reputação
atribuída	a	sálvia	ser	verdade,	ela	não	tem	tantos	poderes	assim.	Mas	vale	a
tentativa,	no	mínimo	uma	xícara	de	chá	quente	é	sempre	reconfortante.	Na
cozinha,	ela	é	comumente	utilizada	para	temperar	pratos	de	carnes	de	boi,	caça,
frango,	perú,	leitão	e	cordeiro,	em	cozidos	ou	assados,	conferindo	sabor	intenso.
Ela	também	é	aproveitada	para	aromatizar	queijos,	saladas,	batatas,	sopas,
licores,	vinagres,	azeites,	embutidos	e	uma	infinidade	de	preparações.	No	jardim,
ela	é	ideal	para	perfumar	caminhos,	sendo	plantada	como	bordadura	ou	maciço,
em	jardins	aromáticos	ou	clássicos	europeus,	como	os	jardins	de	estilo	italiano	e
inglês.	Pelo	aroma	e	textura	peculiar	de	suas	folhas,	ela	também	é	uma	planta	de
eleição	em	jardins	destinados	a	estimular	os	diferentes	sentidos,	os	chamados
“jardins	sensoriais”	(PATRO,	2015).
Salsa
Nome	popular:	Salsa	Nome	científico:	Petroselinum	crispum	Nome	iorubá:	Não	identificada	Orixás:		Iemanjá
Erva	fortemente	aromática,	levemente	entouceirada,	nativa	do	Sul	da	Europa.
Folhas	compostas	pinadas.	Flores	pequenas,	de	cor	amarelo-esverdeada,
reunidas	em	umbelas	terminais	acima	da	folhagem.
Embora	se	esteja	escrevendo	sobre	uma	espécie	em	especial	da	salsa,
consideramos	todas	as	espécies	como	pertencentes	ao	orixá	Iemanjá.
A	salsa	está	bastante	presente	na	culinária,	no	qual	apresenta	sabor	bem
característico,	é	uma	das	ervas	mais	consumidas	no	Brasil	e	em	diversos	outros
países.
Na	Fortaleza	Ilê	Orixá	esta	erva	sempre	deve	estar	presente	nos	axés	de	Iemanjá,
pois	é	colocada	picada	sobre	a	canjica	branca,	e	é	essencial	para	diferenciar	os
axés	de	Oxalá	dos	de	Iemanjá.
Taioba
Nome	popular:	Taioba,		tamba-tajá	Nome	científico:	Xanthosoma	atrovirens	et	Bouche.,	var.	appendiculatum	Nome	iorubá:	Patiòba	Orixás:	Ossanha
Esta	é	uma	folha	que	é	necessário	muito	cuidado	para	correta	identificação	pois
existem	diversas	folhas	muito	parecidas	com	ela,	mas	que	não	apresentam	as
mesmas	aplicações	e	usos,	por	isso	é	necessária	muita	atenção.
É	uma	planta	muito	fácil	de	confundir	com	o	inhame,	ela	gosta	de	ambientes
sombreados	e	com	bastante	umidade.
Para	RANIERI	(2014):“para	ter	certeza	de	que	estamos	falando	de	taioba	é	preciso	que	contenha	as
“folhas	em	formato	de	coração,	ser	totalmente	verde,	inclusive	os	talos;	ter	uma
linha	que	circunde	a	folha	toda,	na	borda;	ter	as	duas	“orelhas”	se	encontrando
no	talo;	crescer	com	a	ponta	“apontando”	para	baixo,	igual	um	coração;	não
pode	ser	muito	rugosa	ou	amassada;	não	pode	ser	trepadeira;	não	dá	flores
coloridas	–	as	flores	são	discretas	e	esverdeadas”.
Tansagem
Nome	popular:	Transagem,	Tansagem,	Acatá,	Carrajá,	Tanchagem-terrestre,	Erva-de-ovelha	Nome	científico:	Plantago	major	L.	Nome	iorubá:	Ewé	òpá	Orixás:		Otim
Planta	de	uso	muito	popular	e	comum	em	diversas	localidades	do	Brasil,
considerada	por	muitos	como	uma	erva	daninha,	pois	cresce	na	grama	e	muitos
jardins,	na	medicina	popular	é	amplamente	utilizada	para	as	mais	diversas
indicações.	Considerada	uma	planta	que	utilizada	de	forma	adequada	nunca
deixa	faltar	alimento.
“o	nome	Plantago	refere-se	às	folhas	rosuladas,	que,	distendidas	sobre	o	solo,
lembram	as	plantas	dos	pés	humanos.	As	tansagens	são	muitos	frequentes	em
áreas	antropizadas	e	crescem,	espontaneamente,	em	jardins,	gramados,	pomares,
hortas,	beiras	de	calçadas	e	estradas,	em	locais	abertos.	Em	culinária,	as	folhas
são	utilizadas	cruas,	em	saladas,	ou,	cozidas,	em	sopas,	refogados,	bolinhos	e
pães”	(GARLET,	p.	30,	2019).
“A	tanchagem,	também	chamada	tansagem,	transagem	ou	plantagem,	é	uma
planta	invasora	muito	mal	vista	em	hortas	e	jardins.	Ao	longo	de	uma	haste,	que
sai	de	uma	roseta	de	folhas,	se	forma	uma	quantidade	muito	grande	de	sementes
muito	pequenas,	e	estas	garantem	sua	dispersão	eficiente	e	consequente
infestação.	Encontram-se	espécies	diferentes	de	tanchagem	entre	nós”
(STEFFEN,	S.J.	p.	51,	2010).
Taquareira
Nome	popular:	Taquareira	Nome	científico:	Bambusa	Vulgaris	Nome	iorubá:	Apákò	Orixás:		Oya
Para	Mãe	Stella	de	Oxóssi		é	uma	folha	de	vida	longa,	que	é	firme	e	escapa	das
tempestades,	a	quem	suplicamos	que	nos	torne	fortes	e	vigorosos.		O	bambu
segue	em	direção	ao	céu	com	a	humildade	e	a	sabedoria	dos	grandes	mestres.	No
seu	caminhar,	reconhece	a	necessidade	de	se	inclinar	perante	forças	maiores,
como	a	da	tempestade.	O	Bambu	é	sábio:	para	não	quebrar	ele	enverga.
Ofó
Pë	le	bë	ni	tó	bê
Pë	le	bë	ni	tó	bê
Apákò	màko	okun	pë	le	bë
Pë	le	bë	ni	tó	bê
Folha	que	dá	vida	longa,	que	é	firme
Estamos	suplicando	muito	à	folha	que	dá	vida	longa,	que	é	firme	e	escapa	das
e	escapa	das	tempestades
tempestades
Estamos	suplicando	muito	ao	bambu,	folha	de	vida	longa,	que	é	firme	e	escapa
das
tempestades,	que	nos	torne	fortes	e	vigorosos
Folha	que	dá	vida	longa,	que	é	firme	e	escapa	das	tempestades,	estamos
suplicando
muito
Taquareira	de	jardim
Nome	popular:	Taquareira	Nome	científico:	Oxytenanthera	Abyssinica	(A.	Rich.)	Munro.,	Gramineae	Nome	iorubá:	Ewé	pàko	Orixás:		Oya
A	taquareira	de	jardim	é	uma	planta	muito	utilizada	na	ornamentação	de	espaços
diversos,	possui	muita	adaptação	aos	mais	diversos	locais	e	costuma	se
desenvolver	com	muita	facilidade.
No	axé	da	Fortaleza	esta	planta	é	dedicada	ao	orixá	Oya	e	serve	como	uma
planta	de	limpeza,	segundo	ritos	que	são	realizados	dentro	do	axé.
Trapoeraba
Nome	popular:	Trapoeraba,	Marianinha	Nome	científico:	Commelina	Diffusa	L.	Nome	iorubá:	Gòdògbódò	Orixás:		Iemanjá
Segundo	PEREIRA	(2014,p.	237)
“Também	conhecida	como	Trapoeraba-azul	–Planta	consagrada	a	Yemanjá.
Utilizada	nas	obrigações	de	cabeça,	nos	abo	e	nos	banhos	de	limpeza	e
purificação.Também	usada	como	axé	integrante	dos	assentamentos	do	orixá”
Trevo	de	3	folhas	verde	-	amarela
Nome	popular:	Azedinha,	pé-de-pombo,	trevo,	trevo-azedo,	três-corações	Nome	científico:	Oxalis	corniculata	L.	Nome	iorubá:	Ewé	imurin	etawá	Orixás:		Ossanha
O	trevo	amarelo	é	muito	comum	de	ser	encontrado	em
campos	espalhados	por	todo	o	Rio	Grande	do	Sul,
florindo	os	campos	onde	ele	é	encontrado.
“O	trevo	de	3	folhas	é	o	símbolo	da	Irlanda.	Dizem	que		St.	Patrick,	patrono	da
Irlanda,	usou	o	trevo	shamrock	(de	3	folhas)	para	explicar	o	mistério	da
Santíssima	Trindade,	pelo	fato	de	suas	folhas	serem	divididas	em	três	e	presas	a
um	único	caule,	assim	como	Deus	é	uma	entidade	com	três	Pessoas	(Pai,	Filho	e
Espírito	Santo)	e	convenceu	os	reis	celtas	a	se	converterem	ao	catolicismo.
Desde	então,	a	Irlanda	adotou	o	trevo	como	símbolo	nacional	e	símbolo	de
sorte.”	(NÔ	FIGUEIREDO,	2017)
“Espécie	herbácea	perene	que	se	desenvolve	em	todo	o	Brasil,	vegetando	em
áreas	cultivadas.	Ocorre	com	frequência	em	áreas	olerícolas,	a	exemplo	do
cultivo	da	cebola.	Instala-se	também	em	pomares	de	laranja	e	nos	cultivos	de
uva.	Apresenta	caule	prostrado	muito	ramificado,	cujos	ramos	podem	se
desenvolver	sob	ou	sobre	o	solo	na	forma	de	estolão,	normalmente	possuem
coloração	avermelhada.	Folhas	alternadas	com	longos	pecíolos	de	coloração
verde	ou	avermelhada,	e	providas	de	estípulas	reduzidíssimas.	Limbo	recortado
em	3	segmentos,	simulando	folha	composta.	Cada	segmento	possui	o	ápice
emarginado	acompanhado	de	uma	linha,	que	permite	o	recolhimento	ou
dobramento.	Flores	axilares,	isoladas	ou	em	fascículos	constituídos	por	até	5
flores.	Flores	com	longo	pedúnculo	dividido	em	2	artículos,	aparecendo	no	ápice
do	primeiro	artículo	2	brácteas	em	forma	de	cornículo	ou	chifre.	Cálice	com	5
sépalas	soldadas	na	base,	corola	com	5	pétalas	de	coloração	amarela	que
protegem	o	androceu,	com	os	estames	de	tamanhos	diferentes,	e	o	gineceu,	com
5	carpelos	soldados.	Fruto	seco	do	tipo	cápsula,	angulosa	e	elástica.	A	pl	(anta
pode	ser	reconhecida	em	campo	pela	observação	dos	pedúnculos	florais,	que	se
apresentam	articulados	e	providos	de	2	cornículos.	Propaga-se	por	meio	de
sementes	e	fragmentação	do	caule	estolonífero”	(MOREIRA,	p.	629,	2011).
Em	geral	todos	os	tipos	de	trevos	embelezam	diversos
campos,	se	destacando	de	longe	com	belas	florações.
Trevo	de	3	folhas	verde	–	flor	rosa
Nome	popular:	Azedinha,	trevo,	trevo-azedo,	três-corações,	trevo	rosa,	trevo	3	folhas,	trevo	amarelo	Nome	científico:	Oxalis	debilis	Kunth	Nome	iorubá:	Ewé	imurin	etawá	Orixás:		Ossanha
Esse	tipo	de	trevo	assim	como	várias	outras	espécies	são	consideradas	invasoras,
sendo	encontrados	com	muita	facilidade	em	diversos	espaços	mesmo	sem	serem
plantados,	por	isso	para	alguns	é	uma	planta	que	atrapalha	o	desenvolvimento	de
muitas	outras.
“Espécie	herbácea	perene	que	se	desenvolve	nas	Regiões	Nordeste,	Sudeste,	Sul
e	no	Estado	do	Pará.	Vegeta	em	áreas	ocupadas	com	olericultura,	a	exemplo	do
cultivo	da	cebola,	entre	outros,	e	ainda	em	áreas	destinadas	à	fruticultura,	a
exemplo	da	uva.	Fornece	pólen	para	abelhas.	Citada	em	outras	obras	com	o
nome	de	O.	corymbosa.	Apresenta	caule	subterrâneo	do	tipo	bulbo,	capaz	de
originar	bulbilhos,	e	ainda	forma	estolões	que	crescem	paralelos	ao	solo,
enraízam	e	formam	outras	plantas.	Folhas	longo-pecioladas,	pecíolo	verde-claro
encimado	por	um	limbo	recortado	profundamente	em	3	lobos	largo-cordiformes,
com	ápice	emarginado	ou	reentrante.	Inflorescência	em	escapos	separados,	mais
altos	que	a	folhagem	e	do	tipo	corimbo,	caracterizado	por	apresentar	numerosas
flores	cujos	pedúnculos	possuem	tamanhos	diferentes,	mas	as	flores	alcançam	a
mesma	altura.	Flores	pedunculadas,	cálice	com	5	sépalas	verdes,	corola	com	5
pétalas	formando	um	tubo	róseo	ou	similar,	as	quais	protegem	o	androceu	e	o
gineceu.	Fruto	do	tipo	cápsula.	Pode	ser	diferenciada	das	outras	espécies	pela
morfologia	da	folha	e	coloração	das	flores.	Propagação	por	meio	de	sementes,
por	bulbilhos	e	por	fragmentação	do	estolão”	(MOREIRA,	p.	730.	2011)
Trevo	de	3	folhas	verde	cortada	–	flor	rosa
Nome	popular:	Azedinha,	azedinha-de-folha-cortada,	trevo,	trevo-azedo.	Nome	científico:	Oxalis	latifólia	Kunth	Nome	iorubá:	Ewé	imurin	etawá	Orixás:		Ossanha
Este	é	o	trevo	mais	comum	de	ser	encontrado	de
forma	espontânea	em	vasos	e	jardins	espalhados	em
diversas	regiões.
“Espécie	herbácea	perene	que	se	desenvolve	em	todo	o	País,	vegetando	em	áreas
olerícolas,	a	exemplo	da	beterraba,	cebola,	cenoura	e	folhosas.	Infestante	da
cultura	de	tomate	paraprocessamento,	provocando	a	redução	na	produção.
Instala-se	também	em	áreas	ocupadas	com	fruticultura,	especialmente	no	cultivo
da	uva.	Planta	apícola.	Apresenta	caule	subterrâneo	do	tipo	bulbo	escamoso,
capaz	de	originar	folhas	e	estolões,	os	quais	contribuem	na	ampliação	da
população,	pois	estes	têm	a	função	de	originar	novos	bulbos	em	suas
extremidades.	Folhas	com	longo	pecíolo,	geralmente	de	coloração	avermelhada,
encimado	pelo	limbo	recortado	em	3	segmentos	largos,	simulando	folha
composta.	Cada	segmento	apresenta-se	verde	ou	com	máculas	avermelhadas,	e
com	o	ápice	emarginado	acompanhado	de	uma	linha,	que	permite	o
recolhimento	ou	dobramento.	Inflorescência	do	tipo	pleiocásio,	caracterizada	por
apresentar	um	longo	eixo,	originado	a	partir	do	bulbo,	em	cujo	ápice	assentam-se
numerosas	flores	pedunculadas	e	que	se	abrem	do	centro	para	a	periferia,
simulando	uma	inflorescência	do	tipo	umbela	invertida.	Flores	róseas,
pedunculadas,	cálice	com	5	sépalas	soldadas,	corola	com	tubo	esverdeado	e	5
pétalas	de	ápice	obtuso.	Fruto	seco	do	tipo	cápsula.	Esta	espécie	assemelha-se
muito	com	O.	debilis.	Podem	ser	diferenciadas	pela	morfologia	da	folha,	que	se
apresenta	com	os	segmentos	trígonos	e	emarginados	em	O.	latifolia,	enquanto
em	O.	debilis	os	segmentos	são	quase	orbiculares,	com	o	ápice	cordiforme.
Propagação	por	sementes	e	mais	facilitada	por	meio	de	bulbos”	(MOREIRA,	p
637,	2011)
Trevo	3	folhas	roxo
Nome	popular:	Trevo	de	3	folhas	roxo	Nome	científico:	Oxalis	triangularis	atropurpurea	Nome	iorubá:	Ewé	imurin	etawá	Orixás:		Oya
“O	trevo	roxo	necessita	de	substrato	com	muita	matéria	orgânica	(plantas
bulbosas	preferem	esterco	de	galinha)	e	de	ser	regado	constantemente.	Tolera
bem	o	sol	pleno	após	seu	completo	-desenvolvimento.
Para	que	mantenham	o	viço	e	as	floradas,	quando	uma	folha	ou	conjunto	delas
secar,	devem	ser	cortadas	com	um	instrumento	com	corte	afiado	e	esterilizado.
Assim	como	boa	parte	das	herbáceas	que	se	reproduzem	por	bulbos,	o	trevo	roxo
entra	em	um	período	de	dormência,	geralmente	no	Inverno.	Quando	vir	o	trevo
roxo	perder	todas	as	folhas,	interrompa	a	rega	e	espere	a	nova	brotação”
(JARDINAGEM	E	PAISAGISMO,	2020).
O	trevo	roxo	de	3	folhas	costuma	aparecer	de	forma	espontânea	em	diversos
jardins,	conhecido	por	muitos	como	azedinha	ou	simplesmente	trevo	roxo,	é	bem
popular	e	reconhecido	por	muitos	que	observam	seus	jardins	e	campos.
Trevo	4	folhas	verde
Nome	popular:	Trevo	da	sorte,	trevo	de	4	folhas	Nome	científico:	Trifolium	sp.		Nome	iorubá:	Ewé	imurin	etawá	Orixás:		Ossanha	e	Oxum
O	trevo	de	quatro	folhas	verde,	ou	apenas	trevo	de	quatro	folhas	é	bastante
incomum	de	se	encontrar	de	forma	livre	na	natureza	pois	é	uma	mutação
genética	que	ocorre	na	planta,	muito	popular	e	considerado	por	muitos	como
símbolo	de	boa	sorte.
O	conhecimento	popular	indica	carregar	na	carteira	uma	folha	seca	para	atrair
dinheiro,	e	os	candomblés	indicam	lavar	o	jogo	de	búzios	com	estas	folhas.
“Mas,	em	raras	ocasiões,	aparece	um	de	quatro,	provavelmente	por	causa	de	uma
mutação	genética.	Pouco	se	sabe	sobre	essa	anomalia.	É	que	a	ciência	ainda	não
conseguiu	localizar	o	gene	responsável	pelos	olíolos	extras	(pode	haver	mais	de
quatro,	inclusive).	O	que	já	se	descobriu	é	que	o	clima	influencia.	Quando	a
temperatura	sobe,	no	verão,	o	trevo	de	quatro	folhas	é	mais	comum”
(TREVISAN,	2018).
O	trevo	de	quatro	folhas	é	utilizado	principalmente	em	axés	para	prosperidade.
Trevo	de	4	folhas	roxo
Nome	popular:	Trevo	de	quatro	folhas,	cruz	de	ferro,	trevo	da	sorte	Nome	científico:	Oxalis	tetraphylla	Nome	iorubá:	Ewé	odu	lará	Orixás:		Xangô
O	trevo	de	quatro	folhas	roxo	é	conhecido	como	a	folha	do	dia	feliz,	considerada
uma	folha	que	carrega	alegrias	e	muita	sorte,	em	alguns	candomblés	essa	folha	é
utilizada	em	ritos	para	lavagem	do	jogo	de	búzios.
Este	tipo	de	trevo	apresenta	dificuldade	de	adaptação	em	muitos	lugares.
Urtiga
Nome	popular:	Urtiga,	urtigão,	ortiga,	urtiga-maior	Nome	científico:	Urtica	dioica	L.	Nome	iorubá:	Ewé	kanan	Orixás:	Bará	Lodê
A	urtiga	é	uma	folha	que	em	contato	com	a	pele	gera	queimação,	devido	a
presença	de	ácido	fórmico.	Existem	diversos	tipos	de	urtigas,	que	brotam	de
forma	espontânea	em	diversos	terrenos	espalhados.
A	urtiga	é	conhecida	a	muito	tempo	e	é	muito	utilizada	em	diversos	fins,
variados	de	acordo	com	a	localidade.
“A	urtiga	foi	usada	antigamente	como	planta	têxtil.	Com	suas	fibras	se
fabricavam	tecidos	finos	e	grosseiros	e	cordas.	Estas	fibras	são	consideradas	de
ótima	qualidade	e	comparadas	ao	melhor	algodão	egípcio.	Por	estranho	que
pareça,	a	urtiga	é	também	uma	planta	comestível.	Com	o	calor	a	substância
urticante	perde	suas	propriedades,	de	maneira	que	pode	ser	consumida
tranqüilamente.	Por	isso	se	encontram	nos	livros	receitas	de	sopa	de	urtiga,
salada	e	mesmo	vinho	e	cerveja	de	urtiga.	Era	usada	também	para	coalhar	o	leite,
do	qual	resultava	um	queijo	apreciado.”	(STEFFEN,	S.J.	p.	73,	201).
Árvores	sagradas
“Quando	as	substituições	foram	feitas,	os	africanos	mantiveram	os	nomes
iorubános	nas	plantas	substituídas.	[...]	Os	critérios	balizadores,	que	serviram
para	efetivar	as	substituições	das	plantas	africanas	não	encontradas	no	Brasil,
foram,	ou	parecem	ter	sido,	principalmente,	as	semelhanças	morfológicas	entre
as	folhas,	as	dimensões	do	caule	e	a	morfologia	das	flores	e	frutos”
(VASCONCELOS,	p.	49,	2006).
“Nas	religiões	de	matriz	africana	as	árvores	podem	ser	sagradas	e	podem	ser
consagradas	a	uma	divindade,	entendendo	a	consagração	como	um	processo	pelo
qual	uma	força	sobrenatural	é	transladada,	‘este	ganha	personalidade,	adquiri	i
poder,	o	axé	de	deus	ou	do	espírito	que	ele	se	fixa”	(CARVALHO,	2012,	P.	146
APUD	CABRERA,	2004,	P.	155)
alar	em	árvores	sagradas	pode	parecer	ambíguo,	pois	todas	as	árvores	são
sagradas,	todas	são	a	emanação	da	natureza,	da	força	do	orixá	que	ali	habita,	mas
existem	árvores	que	são	mais	especiais,	estão	ligadas	diretamente	a	feitos	e
histórias	dos	orixás,	em	tempos	imemoráveis,	que	assim	fazem	com	que	a
energia	do	orixá	esteja	ainda	mais	presente,	são	árvores	que	são	orixás	vivos	na
Terra,
“As	árvores	sagradas	parecem	possuir	uma	deferência	no	que	diz	respeito	aos
demais	elementos
materiais	que	são	alvo	de	culto	no	Candomblé⁷ .	As	práticas	de	preservação
destinadas	a	elas	também	apresentam	características	singulares.	A	poda	dos	seus
galhos	requer	um	preparo	ritual,	sendo	efetuada	apenas	quando	necessário,	e
quem	a	executa	deve	estar	com	o	“corpo	purificado”.	Antes	da	poda,	são	feitas,
F
aos	pés	da	árvore,	oferendas	à	divindade	à	qual	a	árvore	é	consagrada,	o	seu
tronco	é	cingido	com	um	pano	branco,	como	um	pedido	de	indulgência	à
divindade,	e	a	poda	dos	galhos	é	realizada	de	forma	respeitosa	e	sob	a	supervisão
do	sacerdote	do	Terreiro”.	(MATOS,	p.		213,	2017)
A	Baobá	e	sua	importância	ancestral⁷⁷
Figura	1	–	Baobá	do	poeta	-	Natal	/RN
“o	Baobá	é	a	continuidade	do	elo	ancestral	africano,	ainda	que	recriado	em	terras
canárias.	É	ancestralidade	em	forma	de	árvore,	mas	não	de	uma	árvore	qualquer.
O	Baobá	apresenta	uma	enorme	imponência,	advinda	de	suas	características
singulares	e	tão	abundantes,	em	termos	de	água,	alimentos,	medicinas,	artefatos,
sombra,	resistência,	tamanho,	longevidade	e	muitas	outras.	O	Baobá	faz	o	elo
entre	ancestralidade	africana,	natureza	e	cultura”	(MACHADO,	p.	258,	2016)
A	árvore	de	Baobá	é	mais	que	apenas	uma	árvore,	pois	cada	uma	é	única,	é
repleta	de	histórias,	de	aprendizados	e	muita	cultura	popular.	Os	grandes	Baobás
africanos	foram	testemunhas	da	escravidão,	já	que	os	escravos	antes	de	forem
escravizados	faziam	voltas	em	torno	dos	grandes	baobás	com	a	promessa	de
esquecerem	toda	a	sua	vida,	e	assim	iniciarem	uma	vida	nova,	e	não	retornarem
(o	que	nunca	ocorreu),	deveriam	fazer	a	volta	no	outro	sentido,	para	que	as
memórias	retornassem,	por	isso	os	Baobás	também	ficaram	conhecidos	como
árvores	do	esquecimento.
Os	Baobás	foram	testemunhas	de	todo	sofrimento	negro,	as	suas	aflições	e	os
seus	melhores	sentimentos	de	bem-estar,	pois	nas	comunidades	africanas	é	muitocomum	a	população	se	reunir	embaixo	dos	grandes	Baobás	para	fazerem	rodas
de	conversa,	brincadeiras	e	tantas	outras	atividades	realizadas.
Reverenciar	os	Baobás	é	reviver	a	história	africana,	é	relembrar	nossa
ancestralidade	negra	e	valorizar	todo	conhecimento	dos	que	antes	de	nós
estiveram,	assim	os	Baobás	são	ancestrais	vivos,	que	nos	fazem	lembrar	o
passado	em	nosso	presente.
Nas	fotos	abaixo	visitação	no	Baobá	do	Poeta,	localizado	na	cidade	de	Natal,
para	alguns	a	árvore	que	teria	inspirado	o	escritor	Antoine	de	Saint-Exupéry,	a
escrever	o	livro	o	Pequeno	Príncipe,	a	árvore	está	localizada	em	uma	avenida
movimentada	na	capital	potiguar,	possui	aproximadamente	19	metros	de	altura	e
6	metros	de	diâmetro.
Ao	visitar	o	local	a	energia	sentida	é	única,	sente-se	a	presença	viva	de
ancestrais,	de	homens	negros	que	sofreram	ao	chegar,	para	viverem	aqui	e		para
pensar	em	todas	as	memórias	que	o	antigo	Baobá	carrega	consigo.
Figura	2	-	Baobá	do	poeta	-	RN	(vista	parcial	do	tronco)
Figura	3	-	Fruto	da	Baobá	do	poeta	-	RN
Figura	4	-	Pai	Alexandre	-	Baobá	do	poeta	-	RN
Figura	5	-	Pai	Ronie	-	Baobá	do	poeta	-	RN Baobá:	a	árvore	da	vida⁷⁸
O	Baobá	é	uma	árvore	de	origem	africana,	conhecida	como	árvore	da	vida,	pois
considerada	uma	árvore	que	remota	o	tempo	imemoriável,	já	que	pode	chegar
até	seis	mil	anos	de	idade,	atingir	mais	de	40	metros	de	altura	e	até	mesmo	40
metros	de	circunferência	dependendo	da	espécie,	já	que	existem	diversas
espécies	de	Baobás.
A	Baobá	também	é	uma	árvore	ligada	a	toda	cultura	ancestral	africana,
testemunha	de	todos	os	que	passaram	e	de	todas	as	lutas	e	desafios	do	povo
negro	pela	sua	sobrevivência.	Os	Baobás	desta	forma	são	símbolo	da	identidade
negra,	que	possui	na	ancestralidade	a	força	para	seguir	em	frente,	na	época	da
escravidão	os	mercadores	de	escravos	para	tentarem	minimizar	o	negro	faziam
dentre	muitas	outras	formas	de	agressão	darem	voltas	em	torno	de	Baobás,	para
que	deixassem	ali	suas	memórias,	suas	histórias,	para	deixarem	suas	vidas.
As	raízes	do	Baobá	representavam	os	ancestrais	da	comunidade,	os	quais,	como
as	raízes	da	árvore,	também	estavam	firmes	na	terra	e	em	suas	origens
continuavam	participando	da	vida	do	grupo,	auxiliando-os	em	importantes
decisões	e	um	dia	reencarnariam	para	retornarem	ao	seu	clã.	O	tronco	eram	as
crianças	em	crescimento,	indo	em	direção	ao	ápice	de	suas	vidas.	Galhos	e
folhas	significavam	o	amadurecimento,	e	as	folhas,	ao	caírem,	retornando	ao
solo	para	alimentar	as	raízes,	davam	continuidade	ao	ciclo.
Na	África	existem	exemplares	de	Baobás	mais	antigos	utilizados	até	mesmo
como	moradia,	já	que	muitos	troncos	se	abrem,	podem	conter	dezenas	de
pessoas	confortavelmente	distribuídas	dentro.	São	árvores	consideradas	sagradas
e	representam	a	ligação	do	mundo	físico	com	o	mundo	ancestral.
As	fotos	presentes	nesta	página	foram	realizadas	por	Pai	Alexandre	e	Pai	Ronie
no	Baobá	que	está	plantada	na	Praça	da	República,	na	cidade	de	Recife,	no
último	dia	30	de	janeiro,	na	ocasião	foi	recolhida	uma	flor	da	Baobá	deste
exemplar,	que	estava	caído,	que	assim	foi	trazido	ao	Ilê	Orixá	que	após	ser
jogado	será	definido	o	destino	da	flor.
Figura	6	-	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/PE
Figura	7	-	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/PE
Figura	8	-	Flor	da	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/	PE
Dendezeiro⁷
Ogún	ko	l’aso,	màrìwò	l’aso	ogún	o!
(Ogum	não	tem	roupa,	màrìwò	é	a	roupa	de	Ogum)
Figura	9	-	Muda	de	dendezeiro	plantada	no	Ilê	Orixá
O	dendezeiro	é	uma	planta	sagrada	dentro	da	cultura	iorubá,	segundo	alguns
mitos	foi	a	primeira	planta	a	ser	plantada	no	aye.	O	dendezeiro	é	todo	utilizado,
nada	é	desperdiçado,	suas	folhas	desfiadas	são	utilizadas	para	Ogum,	e	de	seus
frutos	se	extrai	o	óleo	avermelhado	que	se	utiliza	nos	rituais	religiosos,	e	na
África,	em	alguns	cultos	para	Oxalá	se	produz	um	óleo	branco,	especialmente
produzido	para	estes	fins.
São	muitas	as	relações	entre	os	Orixás	e	o	dendezeiro,	segundo	SANTOS	(2008,
p.77)	“foi	com	o	òpásóró	que	ele	[Oxalá]	furou	o	igi-òpe	–	a	palmeira	–	e	bebeu
a	sua	seiva.	Foi	essa	ação,	violação	de	uma	das	suas	proibições	mais	graves,	que
o	deixou	sem	forças,	impotente.
O	mito	diz	que	foi	‘como	se	ele	bebesse	seu	próprio	sangue’,	indicando	assim
que	Obàtálà	é	parente	consanguíneo	da	palmeira”.	Para	alguns	babalorixás
antigos,	verdadeiramente	Oxalá	prefere	azeite	de	dendê,	mas	não	pode	consumir,
devido	ao	mito.
SANTOS	(2008,	p.92-93)	coloca	muito	bem	a	relação	de	Ogum	com	o
dendezeiro	“as	vezes	seu	‘assento’	[Ogum]	é	plantado	ao	pé	de	um	igi-òpe,	cujos
troncos	simbolizam	a	matéria	individualizada	dos	òrìsà-funfun,	e
particularmente	de	Òsàlá.	Vimos	que	as	folhas	brotadas	sobre	os	ramos	os
troncos	simbolizam	descendentes.	As	palmas	recém-nascidas	do	igi-òpe,
chamados	màrìwò	constituem	a	representação	mais	importante	de	Ògun”.
LOPES	(2005,	p.	116)	destaca	que:
“Ogum	banhou-se	em	um	rio	próximo,	trocou	as	vestes	de	pele,	por	um	saiote	de
folhas	de	dendezeiro,	mudou-se	de	Ifé	para	um	lugar	chamado	Irê”.
No	batuque	do	Rio	Grande	do	Sul	o	óleo	do	dendezeiro	está	presente	nos	mais
diversos	axés	para	os	orixás,	não	tendo-se	condições	de	se	pensar	um	terreiro
sem	o	seu	uso	diário	na	liturgia,	o	dendê	é	citado	por	SANTOS	(2008,	p.	41)	um
tipo	de	axé,	de	sangue	vermelho	originado	do	reino	vegetal.
Obi⁸
O	Obi	é	um	fruto	sagrado,	consagrado	aos	orixás,	conhecido	como	um	fruto	de
boa	sorte,	que	carrega	todos	os	desejos	das	divindades	Paz,	prosperidade,
Concórdia	e	Aiyé,	essa	última	a	única	feminina,	é	o	fruto	que	carrega	todos	os
melhores	desejos,	fruto	criado	por	Olodumare	a	partir	das	orações	destas
divindades.
Conta	o	mito	que	o	Obi	é	um	fruto	que	somente	se	desenvolve	nas	casas	onde
existe	o	respeito	aos	ancestrais	e	aos	mais	velhos,	pois	foi	uma	divindade	mais
velha,	Elénìnìí,	da	casa	de	Olodumare	que	conseguiu	descobrir	de	que	forma
deveria	este	fruto	ser	consumido.
A	Obi	é	uma	das	árvores	sagradas	africanas,	de	grande	importância	para	todo	o
culto	afro	e	que	estar	presente	em	todos	os	Ilês	espalhados,	pois	é	uma	forma	de
trazer	estes	desejos	todos	de	realização	para	o	espaço	físico,	e	em	consequência
para	todos	os	seus	frequentadores,	como	muitas	vezes	já	foi	dito	não	existe	culto
ao	orixá	sem	folha,	pois	o	orixá	vive	em	cada	folha	que	vive	e	que	também	que
cai	na	natureza.
O	seu	fruto	é	consagrado	ao	orixá	Tempo⁸¹	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	orixá	não
cultuado	no	axé,	e	pouco	conhecido,	responsável	por	regular	as	estações	do	ano,
a	movimentação	do	nosso	tempo,	do	tempo	do	orixá,	do	tempo	das	pessoas.
Figura	10	–	Obi
Ofò
Má	bi	mi	s'orun,	obi	bi	mi	s'aiye,	obi	ti	a	fi	njà..
Tradução:	não	me	empurre	para	o	céu,	obi,	empurre-me	para	a	terra,	obi,	não	me
empurre	para	o	céu,	eu	quero	lutar	com	sucesso
Considerações	finais
“trago	os	saberes	das	matas	nas	folhas	de	Ossaim,	através	das	mãos	das	senhoras
que	ainda	hoje	mesmo	com	a	medicina	moderna”	(SANTOS,	2016,	p.	2)
studar	as	folhas	utilizadas	dentro	da	matriz	africana,	é	reconstruir	grande	parte
de	nossa	ancestralidade,	é	agregar	novos	conceitos	e	também	resgatar	conceitos
que	foram	perdidos,	é	permitir	que	no	futuro	seja	a	base	para	o	estudo	de	outras
plantas	dentro	e	também	fora	do	axé,	pois	todos	os	dias	estamos	em	constante
aprendizado.
É	sem	dúvida	também	a	preservação	do	conhecimento	produzido	dentro	do	axé,
o	que	além	de	padronizar	o	uso	de	cada	planta	em	cada	rito	ainda	faz	com	que
estas	sejam	preservadas	já	que	todas	elas	possuem	sua	importância	na	ritualística
e	cada	um	deve	tentar	sempre	conhecer	e	identificar	pelo	menos	as	ervas	de
maior	uso	e	mais	comumente	utilizadas	dentro	dos	ritos.
E	com	este	estudo	todos	os	iniciados	passam	a	ter	um	trabalho	dedicado	ao
estudo	das	plantas	ritualísticas	dentro	do	batuque,	com	ênfase	à	Fortaleza	Ilê
Orixá,	que	busca	manter	registro	de	todas	as	atividades	e	ritos	realizados,	pois
manter	a	história	é	importante	e	sempre	necessário	para	um	povo	que	deseja	ser
lembrado.
E	o	Ilê	Orixá	como	uma	comunidade	tradicional	de	terreiro	visualiza	na	natureza
a	própria	força	doorixá	manifestada	em	cada	uma	das	folhas,	e	que	pode	ser
sentida	em	todos	os	espaços	sagrados.
O	estudo	das	folhas	sagradas	nunca	se	pode	dar	por	concluso,	pois	sempre	existe
mais	o	que	aprender,	a	descobrir	e	compreender	do	que	já	se	disse	e	se	fez,	mas
cada	nova	folha	é	sempre	um	novo	livro	que	se	abre,	de	possibilidades,	de
conhecimento	e	principalmente	de	oportunidades	do	que	fazer.
E
Assim,	todos	os	iniciados	precisam	buscar	formas	de	se	aprofundar	a	cada	dia
mais,	pois	é	preciso	que	todos	saiam	da	escuridão	do	conhecimento	sobre	as
ervas	que	são	utilizadas	nos	ritos,	pois	todas	elas	importantes	e	necessárias,	mas
é	preciso	querer	aprender,	é	preciso	plantar,	cultivar	e	então	saber	fazer	o	seu	uso
de	acordo	com	a	necessidade.
Bibliografia
ALMEIDA,	Mara	Zélia	de.	Plantas	medicinais	-	3.	ed.	-	Salvador:	EDUFBA,
2011.
ALMEIDA,	MZ.	A	Cura	do	corpo	e	da	alma.	In:	Plantas	Medicinais	[online].
3rd	ed.	Salvador:	EDUFBA,	2011,	pp.	68-143.
ALVES,	KENNERI	CEZARINI	HERNANDES.	ETNOBOTÂNICA	DE
PLANTAS	RITUALÍSTICAS	NA	PRÁTICA	RELIGIOSA	DE	MATRIZ
AFRICANA	EM	ITUIUTABA,	MG.	Projeto	apresentado	ao	Curso	de	Ciências
Biológicas	da	Universidade	Federal	de	Uberlândia,	para	aprovação	no
componente	curricular	Trabalho	de	Conclusão	de	Curso.	Ituiutaba	-	MG	2019
AKÒKO	a	folha	do	reconhecimento.	Disponível	por
http://gunfaremim.com/?p=151	em	18	mar	2013.
ARAÇÁ-VERMELHO,	o	fruto	que	tem	olho.	Disponível	por
https://apremavi.org.br/araca-vermelho-o-fruto-que-tem-olhos/	Acesso	em
12	Nov	2020
ARAÇA	vermelho.	Disponível	por
https://www.ibflorestas.org.br/lista-de-especies-nativas/araca-amarelo.	Acesso
em	12	nov	2020.
ATHAYDE,	Rogério.	Uma	árvore	não	faz	a	floresta.	Disponível	por
https://www.rogerioathayde.com.br/single-post/2017/05/24/uma-c3-a1rvore-n-
c3-a3o-faz-a-floresta
Acesso	em	16	fev	2022
BARBOSA	JR.,	A.	O	essencial	do	Candomblé.	São	Paulo:	Universo	dos	livros,
2011.
BARROS,	José	Flávio	Pessoa	de,	NAPOLEÃO,	Eduardo.	Ewé	òrìsà:	uso
litúrgico	e	terapêutico	dos	vegetais	nas	casas	de	candomblé	Jêje-nagô.	Rio	de
Janeiro:	Bertrand	Brasil,	1999.
BARROS,	José	Flávio	Pessoa	de,	NAPOLEÃO,	Eduardo.	Ewé	òrìsà:	uso
litúrgico	e	terapêutico	dos	vegetais	nas	casas	de	candomblé	Jêje-nagô.	Rio	de
Janeiro:	Bertrand	Brasil,	2007.
BARROS,	J.	F.	P.	de;	NAPOLEÂO,	E.	Ewé	órisá:	uso	litúrgico	e	terapêutico	dos
vegetais	nas	casas	de	candomblé	jeje-nagô.	4.	ed.	Rio	de	Janeiro:	BertrandBrasil,
2009.
BASTIDE,	Roger.	O	Candomblé	da	Bahia:	rito	nagô.	Tradução	de	Maria	Isaura
Pereira	de	Queiroz.	São	Paulo,	Brasiliana:	1961
______.	O	Candomblé	da	Bahia:	rito	nagô.	São	Paulo:	Companhia	das	Letras,
2001
BENISTE,	José.	Òrun	Àyé:	o	encontro	de	dois	mundos.	Rio	de	Janeiro:	Bertrand
Brasil,	1997.
BLANCO,	Rose	Aielo.	Manjerona.	Disponível	por
http://www.jardimdeflores.com.br/ERVAS/A27manjerona.htm	Acesso	21	mar
2021
BLANCO,	Rose	Aielo.	Losna	ou	Absinto:	medicinal	ou	tóxica?	Disponível	por
http://www.jardimdeflores.com.br/ervas/a10losna.htm	Acesso	em	26	mai	2020
BOLDO-BAIANO.	Disponível	por	https://pt.wikipedia.org/wiki/Boldo-baiano
Acesso	em	09	ago	2016
BOTELHO,	Pedro	Freire.	Ewé	Awo:	O	segredo	das	folhas	no	Candomblé	da
Bahia.	In:	Educação,	Gestão	e	Sociedade:	Revista	da	Faculdade	Eça	de	Queiros,
a.	1,	n.	4,	dez.	2011.
BOTELHO,	Pedro	Freire.	O	segredo	das	folhas	e	os	rituais	de	cura	na	tradição
afro-brasileira.VI	ENECULT	-	encontro	multidisciplinares	em	cultura	25	a	27
maio	2010.	Facon	UFba/	Salvador	-	BA	Acesso	em	12	abr	2020
BUNN,	Karl.	Glossário	da	medicina	oculta	de	Samuel	Aun	Weur.	[Livro
eletrônico]	1	ed.	Curitiba:	Edisaw,	2012.
CAMARGO,	Tania	Garcia.	O	culto	jeje-nagô	e	as	dimensões	educativas
ambientais	dos	mitos	Yorubas	(orixás),	2013.	Dissertação	(Mestrado	em
Educação	Ambiental)	Universidade	Federal	do	Rio	Grande.	Programa	de	Pós
Graduação	em	Educação,	Rio	Grande,	RS,	2013	Orientador	Prof.	Dr.	Victor
Hugo	Guimarães	Rodrigues.
CAMPELO,	Marilu	Márcia.	Àdanidá:	homem,	ambiente	e	orixá.	Dossiê:
Política,	Mídia	e	Religião	–	Temática	Livre	–	Tradução.	Horizonte,	Belo
Horizonte,	v.	18,	n.	56,	p.	837-846,	maio/ago.	2020	–	ISSN	2175-5841
CAMPOS,	Filho	Emanoel.	A	importância	do	intelectual	orgânico	do	Candombé
e	do	estudo	de	etno-botãnica	na	obra	de	José	Flávio	Pessoa	de	Barros.
Universidade	Federal	do	Rio	de	Janeiro	-	UFRJ	/	CAMPOS	FILHO,	Emanoel.	-
Rio	de	Janeiro,	2019	–	160	p.;	30	cm.	Orientador:	Murilo	Sebe	Bon	.Meihy
Dissertação	–	Universidade	Federal	do	Rio	de	Janeiro
CACCIATORE,	O.	G.	Dicionário	de	cultos	afro-brasileiros:	com	origem	das
palavras.	2ª	ed.	Rio	de	Janeiro:	Forense-Universitária,	1977.
CARLESSI,	Pedro	Crepaldi.	Jeitos,	sujeitos	e	afetos:	participação	das	plantas	na
composição	de	médiuns	umbandistas.	Universidade	Federal	de	São	Paulo.	São
Paulo,	São	Paulo,	Brasil.	Bol.	Mus.	Para.	Emílio	Goeldi.	Cienc.	Hum.,	Belém,	v.
12,	n.	3,	p.	855-868,	set.-dez.	2017
CARVALHO,	Patrícia	Marinho	de.		A	travessia	marinha	pelo	atlântico	de
árvores	sagradas:	estudos	de	paisagem	e	arqueologia	em	área	de	remanescente
de	quilombo	em	Vila	Bela	/	MT.	São	Paulo:	Universidade	de	São	Paulo,	USP.
Museu	de	Arqueologia	e	Etnologia.	Dissertação	apresentada	ao	Programa	de
PÓS-GRADUAÇÃO	em	Arqueologia	para	obtenção	ao	grau	de	Mestre	em
Arqueologia.	2012.
CORRÊA,	Norton	F.	A	Cozinha	é	a	Base	da	Religião:	a	culinária	ritual	no
batuque	do	Rio	Grande	do	Sul.	s/d	Acesso	em	23	nov	2020	Disponível	em
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4646787/mod_resource/content/0/TDA%204%20-
%20A%20cozinha%20%C3%A9%20a%20base%20da%20religi%C3%A3o.pdf
CORREIA,	Paulo	Petrolíneo.	Agö,	orixá!	gestão	de	uma	jornada	afro-estética-
trágica	:	o	relato	de	um	aprendizado	e	de	uma	formação	pedagógica	vivida	no
candomblé.	Tese	de	doutorado,	UFRGS,	2009.
COSSARD,	Gisele.	AWÔ,	O	Mistério	dos	Orixás.	Ed.	Pallas,	2007.
COSTA,	Vanderleia	Barbosa	DA.	A	significação	do	Baobá	na	cultura	africana	e
suas	transmutações	ideológicas	pós	contato	europeu.	Acesso	em	06	fev	2020.
Disponível	por	http://paradigmas.com.br/index.php/revista/edicoes-31-a-
40/edicao-39/492-significacao-do-baoba-na-cultura-africana
CURIOSIDADES	e	superstições	sobre	as	ervas.	Disponível	por
http://www.agromineira.com.br/curiosidades-e-supersticoes-sobre-as-ervas/	
21	mar	2017.	Acesso	21	mar	2021
DICIONÁRIO	de	folhas.	Ilé	Asé	Opó	Afonjá.	Disponível	por
http://dicionariodefolhas.com.br/	Acesso	em	06	mai	2020
–	Verger,	Pierre	Fatumbi	–	Ewé:	o	uso	das	plantas	na	sociedade	iorubá	–	São
Paulo:	Companhia	das,	Letras,	1995;	–	CD	“Dentro	do	mar	tem	rio”,	Maria
Bethânia	–	Gravadora	Biscoito	Fino.
Dieffenbachia	ou	Comigo-Ninguém-Pode	–	Curiosidades	e	Cultivo.
Disponível	por	https://diariodonaturalista.com.br/dieffenbachia-ou-comigo-
ninguem-pode-curiosidades-e-cultivo/	Acesso	21	mar	2021
DORAZIO,	Bia.	É	tempo	de	acerola.	Disponível	por
http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/blog/nutricao-pratica/post/e-
tempo-de-acerola.html.	Acesso	em	12	nov	2020
FARELLI,	Maria	Helena.	Plantas	que	curam	e	cortam	feitiços.		7	ed.	Rio	de
Janeiro:	Palas,	2010.
_____________.	(1988).	Plantas	que	curam	e	cortam	feitiços.	Rio	de	Janeiro:
Pallas	editora.
FARIA,	Ana	Elisa.	plantas	que	trazem	bem	estar	e	energia	para	o	dia	a	dia.
Disponível	por	https://www.uol.com.br/vivabem/listas/9-plantas-que-trazem-
bem-estar-e-energia-para-o-dia-a-dia.htm	10	mai	2016	Acesso	em	21	mar	2021
FIGUEIREDO,	Nô.	Atraia	Fadas	para	o	Jardim	cultivando	o	Gervão!	Disponível
por
https://nofigueiredo.com.br/atraia-fadas-para-o-jardim-cultivando-o-gervao/
FIGUEIREDO,	Nô.	Trevos:	curiosidades	e	dicas	de	cultivo.	Disponível	por
https://nofigueiredo.com.br/trevos-curiosidades-e-dicas-de-cultivo/
GOMES,	Heloisa	Helena,	Ivan	Coelho	Dantas;	Maria	Helena	Chaves	de
Vasconcelos	Catão.	Plantas	medicinais:	sua	utilização	nos	terreiros	de	Umbanda
e	Candomblé	na	Zona	Leste	de	Cidade	de	Campina	Grande-PB		Volume	3
Número	1	-	Biofar,	2008.
GARLET,	Tanea	Maria	Bisognin	Plantas	medicinais	nativas	de	uso	popular	no
Rio	Grande	do	Sul	[recurso	eletrônico]	/	[Tanea	Maria	Bisognin	Garlet].	–	Santa
Maria,	RS	:	UFSM,	PRE,	2019
GUIMARÃES,	Lucília.riquezas	que	os	deuses	proporcionam	ao	homem.	As	soluções
para	os	problemas	em	geral	e	os	diagnósticos	das	doenças,	são	indicados
principalmente	pelos	oráculos,	como	por	exemplo,	o	jogo	de	Ifá	ou	de	búzios.
Acredita-se	que	consultando	os	jogos	divinatórios	obtêm-se	os	conselhos	do
grande	mestre	Orunmila.	A	missão	de	Orunmila	na	terra	usando	de	sua	mais	alta
autoridade	e	sapiência,	é	revelar	conhecimentos	e	conceder	alguns	pequenos
poderes	aos	homens.	A	medicina	vegetal	é	vista	como	um	dom	divino.	Quem
segue	e	conhece	os	seus	ensinamentos	poderá	curar	com	plantas	e	palavras
rituais	os	homens	e	mulheres	doentes	que	chegarem	ao	seu	caminho.	De	acordo
com	a	lenda,	Ossanyin	e	Orunmila	eram	filhos	dos	mesmos	pais.	Entretanto,
uma	guerra	os	separou	e	foram	criados	sem	se	conhecerem.	Muitos	anos	depois,
Ossanyin	foi	enviado	para	abrir	as	matas	e	arar	a	terra	para	o	homem	aprender	a
cultivar.	Ele	não	pôde	recusar	essa	missão	porque	nesse	tempo	era	o	único
homem	que	poderia	ter	a	capacidade	de	identificar	a	existência	e	a	importância
das	plantas	medicinais	e	outras	ervas	encantadas	indicadas	por	Orunmila.	Sendo
assim,	enquanto	Ossanyin	se	especializou	em	plantas,	Orunmila,	através	do	jogo
de	Ifá,	indicava	os	diagnósticos	e	a	origem	dos	sintomas.	Orunmila	e	Ossanyin,
segundo	as	tradições,	foram	os	primeiros	a	conhecerem	e	curarem	as	pessoas
com	plantas	medicinais	nas	terras	Yorubá.	Acredita-se	que	seus	seguidores
divulgaram	as	maravilhas	das	ervas	e	dos	tratamentos	medicinais	tradicionais
pelo	mundo	afora,	de	geração	em	geração”	(ALMEIDA,	2011,	P.	47).
Sem	dúvida	ainda	existe	muito	para	aprender,	muito	para	descobrir	e,	também
compreender,	mas	este	é	sem	dúvida	um	passo	importante	para	a	construção	de
uma	maior	valorização	deste	conhecimento	que	muito	se	perdeu	e	todos	os	dias
ainda	se	perde	já	que	falta	interesse	de	muitos	em	aprender.
“Aprendi	com	o	meu	pai	que	uma	folha	pode	tanto	aproximar	um	orixá,	quanto
afastar.	A	folha	que	cura	também	pode	machucar.	As	melhores	respostas	para	as
nossas	perguntas	serão	dadas	através	da	nossa	dedicação	e	vivência	com	o
sagrado.	A	partir	de	pessoas	sérias	que	saberão	nos	conduzir	para	esse	mistério
maravilhoso	que	é	o	orixá.”	(GUNFAREMIM,	2011).
O	conhecimento	nunca	está	pronto	e	sempre	existe	mais	o	que	acrescentar,	mais
o	que	aprender	e	mais	o	que	experimentar	de	novo,	pois	somente	possuímos
condições	de	crescer	quando	se	aceita	que	o	conhecimento	sempre	pode	ser
melhor	interpretado,	compreendido	e	utilizado.
A	acácia	africana	é	o	nome	dado	a	um	grupo	de	centenas	de	diferentes	árvores	e
arbustos	que	crescem	em	áreas	quentes,	principalmente	na	África
O	encantamento	das	folhas
Iwa	re	lo	nse	e	Bi	o	ba	ya,	wa	ni	won	o	feran	e¹
Teu	comportamento	te	joga	pra	lá	e	pra	cá	depois	você	reclama	que	não	é	amado
m	dos	pressupostos	para	que	o	axé	de	cada	folha	seja	transmitido	de	forma	plena
é	sem	dúvida	a	fala¹¹,	pois	a	fala	é	um	tipo	de	axé,	mas	não	basta	falar,	é	preciso
saber	falar,	saber	pedir,	saber	agradecer,	também	respeitar	a	folha	que	está	sendo
utilizada,	pois	toda	folha	é	sagrada	e	possui	vida.	E	como	toda	folha	possui	vida
e	é	dotada	de	axé	deve	sempre	se	evitar	o	corte	desnecessário,	pois	ao	cortar
reduzimos	axé	do	local,	prejudicamos	a	natureza,	reduzimos	também	o	habitat
de	animais	e	outras	plantas	que	necessitam	das	que	estamos	destruindo,	e	é
sempre	necessário	lembrar	que	ao	destruir	a	natureza	estamos	destruindo	a
energia	do	orixá	que	ali	habita.
“Ossayin	detém	o	ofó,	a	palavra	que	desperta	o	poder	das	folhas.	Ossayin	detém
o	conhecimento.	Uma	erva	só	pode	curar	se	houver	um	saber	constituído	e
fundamentado	em	torno	de	suas	potencialidades.	Baden	e	Vinícius	não	rasparam
o	fundo	da	panela,	não	tinham	olhos	pra	ver	a	grandiosidade	desse	orixá
indispensável	ao	culto.	“Coitado	do	homem	que	cai	no	canto	de	Ossanha	traidor,
coitado	do	homem	que	vai	atrás	de	mandinga	de	amor.”	Pobre	de	quem	não
entende	que	a	sabedoria	dos	povos	africanos	pode	contribuir	decisivamente	para
uma	nova	relação	com	a	saúde	e	os	processos	de	cura.	Uma	vida	reintegrada	à
natureza	transforma	e	salva”	(RODNEY,	2019).
Assim	é	necessário	utilizar	as	folhas	para	a	ritualística,	mas	também	é	sempre
necessário	que	estas	folhas	sejam	com	frequência	replantadas	para	permitir	que
exista	sempre	um	ciclo	de	uso	e	de	preservação	das	espécies.
U
WOLF	(2016)	lembra	a	importância	da	individualidade	de	cada	planta	para	que
o	axé	dela	seja	significado,	para	que	seja	plenamente	utilizado:
“Eu	acredito	que	a	magia	começa	quando	acordamos	cedo	para	colher	ervas
sagradas,	alimentamos	estas	ervas	e	cantamos	para	as	folhas	que	iremos
trabalhar,	momentos	mágicos	que	transportam	o	DNA	das	divindades	que	iremos
invocar,	não	esquecendo	que	os	òrìsà	que	invocamos,	cada	um	tem	o	seu	àse	em
folha	e	devemos	louvar	cada	um,	por	isso	não	basta	apenas	cantar	para	Ossanhe,
mas	lembrar	de	cantar	para	as	divindades	de	cada	folha	colhida”.
Já	dizia	Mãe	Stella	de	Oxóssi¹²	“O	universo	fala,	as	folhas	falam,	canta	para
quem	canta	para	encantá-las,	quanto	para	as	pessoas	que	conversam	com	elas	ou
simplesmente	lhes	dão	um	bom	dia	a	cada	dia	que	amanhece.	As	folhas,	ou
melhor,	as	plantas	são	seres	vivos,	como	é	vivo	todo	o	universo”,	mas	é
necessário	paciência	e	calma	para	conseguir	visualizar	a	beleza	de	cada	folha	e
assim	poder	perceber	que	ser	de	religião	de	matriz	africana	implica	ser	sempre
um	protetor	da	natureza,	já	que	não	existe	culto	ao	orixá	sem	culto	a	própria
natureza.
É	claro	que	não	é	preciso	ser	iniciado	para	respeitar	a	natureza,	e	existem	muitas
pessoas	não	iniciadas	que	nada	entendem	de	cantar	para	as	folhas,	nada	sabem
sobre	ofós¹³,	mas	conversam	com	suas	plantas,	cuidam	delas,	as	respeitam	e	para
estas	pessoas	mesmo	não	sendo	iniciadas,	recebem	a	energia	da	natureza,	a
energia	do	orixá,	pois	existe	carinho	e	cuidado.
“Canta-se	para	colher	as	folhas	sagradas	no	mato,	folhas	tão	essenciais	para	a
manipulação	mágica	do	axé,	a	força	sagrada	da	vida,	e	para	cada	folha	há	uma
cantiga	específica”	(NOGUEIRA,	2008,	p.	32).
“Para	que	as	folhas	funcionem,	é	preciso	encantá-las	com	palavras.	É	um	pouco
como	o	que	preciso	fazer	aqui.	Botar	encantamentos	nesta	folha	para	que	você
fique	até	o	fim,	ou	não	se	vá	tão	cedo.	No	candomblé,	o	ritual	começa	ainda	na
colheita.	Quem	tiver	de	entrar	na	mata	tem	que	saber	a	hora	exata	de	retirar	cada
folha.	Umas	no	nascer	do	dia,	outras	no	cair	da	noite,	umas	na	lua	nova,	outras
na	cheia,	reparando	ainda	no	dia	certo	da	semana.	Ao	adentrar	o	reino	de	Ossain,
irá	cantar,	ao	preparar	as	folhas	irá	dizer	do	jeito	certo	as	palavras	certas,	e	é
assim	que	o	sagrado	se	faz,	que	os	mundos	se	comunicam,	para	que	haja	amparo,
para	que	haja	força,	para	que	haja	amor”	(MENDONÇA,	2018).
“Se	para	a	medicina	ocidental	o	conhecimento	do	nome	científico	das	plantas
usadas	e	suas	características	farmacológicas	é	o	principal,	para	os	Yorùbá	o
conhecimento	dos	ofò,	encantações	pronunciadas	no	momento	da	preparação	das
receitas	e	transmitidas	oralmente,	é	o	que	é	essencial.	Neles	encontramos	a
definição	da	ação	esperada	de	cada	uma	das	plantas	que	entram	na
receita”	(VERGER,	1995).
Ainda	sobre	a	forma	correta	de	colher	cada	folha	COSSARD	(2007	p.	44)	nos
lembra	que	“cada	folha	possui	uma	virtude	especial,	e,	para	colhê-las,	ao	raiar	do
dia,	é	preciso	estar	com	o	corpo	limpo”	e	que	“antes	de	entrar	no	mato	é	preciso
pedir	licença,	oferecer-lhe	água,	fumo	de	rolo	e	moedas	[para	Ossanha]”.
Podemos	ainda	ampliar	isso	dizendo	simplesmente	que	é	preciso	retribuir	o	que
se	retira	da	natureza,	com	a	entrega	de	sementes	ou	ainda	novas	mudas,	que	irão
se	misturarem	com	as	já	existentes,	mantendo	dessa	forma	a	mata	sagrada	e	a
preservação	da	floresta	de	Ossanha.
E	toda	folha	possui	o	seu	encantamento	próprio,	que	a	diferencia	das	demais,	e
faz	desta	forma	com	que	ela	liberte	todos	os	seus	poderes	mágicos	a	tornando
assim	um	remédio	para	a	cura	de	diversos	problemas.	A	folha	sem	o	seu	devido
encantamento	é	uma	folha	desprovida	de	grande	parte	de	seu	axé,	como	um
remédio	correto	para	uma	doença,	masAs	ervas	e	plantas	no	terreiro	de	Pai	Maneco.
Orientadora:	Lucília	Guimarães	–	Mãe	Lucília	de	Iemanjá.	Coordenador	Laércio
Ricardo	Mattana	Carollo	Disponível	por
https://www.paimaneco.org.br/sitenovo/wp-content/uploads/2018/04/ERVAS-
TERREIRO-PAI-MANECO.pdf	Acesso	05	mai	2021
GUNFAREMIM.	Jonatas	José	Silva.	Barba	de	velho	-		Ewé	Irùngbòn	(Tillandsia
usneoides).	Disponível	por	https://gunfaremim.com/?p=120,	publicado	em	14
fev	2010.		Acesso	12	nov	2020
________________	Ewé	Dan-	Jibóia	(Epipremnum	pinnatum)	.	Disponível	por
http://gunfaremim.com/?p=887	publicado	29	jan	2012	Acesso	13	jun	2021
________________	Folhas	e	transe.	http://gunfaremim.com/?p=673	publicado
19	jul	2011	Acesso	13	jun	2021
HARAGUCHI,	Linete	Maria	Menzenga.	Plantas	Medicinais:	do	curso	de	plantas
medicinais	/	Coord.	Haraguchi,	Linete	Maria	Menzenga	e	Carvalho,	Oswaldo
Barretto	de.	São	Paulo:	SYecretaria	Municipal	do	Verde	e	do	Meio	Ambiente.
Divisão	Técnica	Escola	Municipal	de	Jardinagem,	2010
IFÁBÍYÌÍ,AWO	òRÚNMÍLÁ	LUÍS	CUEVAS.	1000	EWÉ.	científico	–	Yorúbá	/
Yorúbá	–	científico	(polígrafo)	S/D
JAGUN,	mARCIO	DE.	ewÉ:	A	CHAVE	DO	PORTAL.	iNSTITUTO	ORI,	2011,
RJ
JAGUN,	Pai	Márcio.	O	Candomblé	e	a	Relação	entre	o	Homem	e	a	Natureza.
Latinidade.	-	Janeiro-Junho	2018	-	Rio	de	Janeiro:	Metanoia.	UERJ.	IFCH.
Nucleas,	2018.
JAGUN,	Pai	Márcio.	Palestra:	O	uso	litúrgico	das	Ervas.	2019.	Disponível	por
https://www.youtube.com/watch?v=oo3JV6rIsVM	Acesso	02	dez	2020
JÚNIOR,	José	Geraldo	das	Mercês.	Os	encantos	de	ÒSÙN	/	O	ÀSE	de	suas
ervas	usadas	no	candomblé	KÉTU-NÀGÓ.	-Vitória:	UNIDA	/	Faculdade	Unida
de	Vitória,	2018.		Orientador:	David	Mesquiati	de	Oliveira		Dissertação
(mestrado)	–	UNIDA	/	Faculdade	Unida	de	Vitória,	2018.
JUNIOR,	Vilson	Caetano	de	Sousa.	Na	palma	da	minha	mão	:	temas	afro-
brasileiros	e	questões	contemporâneas	/	Vilson	Caetano	de	Sousa	Junior	;
ilustrações	de	Rodrigo	Siqueira.	-	Salvador	:	EDUFBA,	2011.	166	p.	:	il.
LAVERGNE,	B;	PESSOA	DE	BARROS,	J.P.	Chants	sacrés	et	plantes
liturgiques	dans	le	Candomblé	brésilien.	Cahiers	du	monde	hispanique	et	luso-
brésilien.	Paris.	n.	47.	p.	25-39.	1986.
LOPES,	Nei.	Kitábu:	o	livro	do	saber	e	do	espírito	negro-africanos.	Rio	de
Janeiro:	Editora	Senac	Rio,	2005.
MARINI,	Bolívar	Schlottfeldt,	1990	A	Nação	Oyó	Em	Alegrete:	uma	etnografia
do	Batuque	Oyó–	2012.	72	f.
MARTINS,	Ferreira	Valmir	(Baba	Diba	de	Iyemonja).	REFLEXÕES	SOBRE
AFROBIOÉTICA	E	MODOS	DE	CUIDADO	EM	SAÚDE	COLETIVA.
Trabalho	de	conclusão	de	curso	em	Saúde	Coletiva.	UFRGS,	Porto	Alegre:	2016
Disponível	por
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/157138/001018663.pdf?
sequence=1	Acesso	em	30	nov	2020
MATOS,	Denis	Alex	Barboza	de	A	Casa	do	“Velho”:	o	significado	da	matéria	no
Candomblé.	2017.	289	f.:	il.	Orientador	(a):	Profa.	Dra.	Márcia	Genésia	de
Sant’Anna.	Dissertação	(Mestrado)	-	Universidade	Federal	da	Bahia,	Faculdade
de	Arquitetura,	Salvador,	2017.
Mercês	Júnior,	José	Geraldo	das	Os	encantos	de	ÒSÙN	/	O	ÀSE	de	suas	ervas
usadas	no	candomblé	KÉTU-NÀGÓ	/	José	Geraldo	das	Mercês	Júnior.	-Vitória:
UNIDA	/	Faculdade	Unida	de	Vitória,	2018.
MENDONÇA,	Tatiana.	Plantas	de	poder:	as	folhas	são	alento	para	males	do
corpo	e	da	alma.	21	ago	2018.	Disponível	por
https://atarde.uol.com.br/muito/noticias/1986530-plantas-de-poder-as-folhas-
sao-alento-para-males-do-corpo-e-da-alma
MOURA,	Carlos	Eugênio	Marcondes	de.	(Organziador)	BARROS,	José	Flávio
Pessoa	de	e	colaboradores.	Candombé:	religião	do	corpo	e	da	alma:	tipos
psicológicos	nas	religiões	afro-BRASILEIRAS.	Rio	de	Janeiro:	Pallas,	2000.
MORAIS,	Isabela.	É,	não	sou:	“Canto	de	Ossanha”	e	a	Dialética	em	Forma	de
Canção.	Revista	Brasileira	de	Estudos	da	Canção	–	ISSN	2238-1198	Natal,	n.4,
jul-dez	2013	–	www.rbec.ect.ufrn.br.	Disponível	por
http://www.rbec.ect.ufrn.br/data/_uploaded/artigo/N4/RBEC_N4_A7.pdf	Acesso
em	22	nov	2020
Moreira,	Henrique	José	da	Costa.	Manual	de	identificação	de	plantas	infestantes:
hortifrúti	/	Henrique	José	da	Costa	Moreira,	Horlandezan	Belirdes	Nippes
Bragança	–	São	Paulo:	FMC	Agricultural	Products,	2011.	1017	p.
MOTA,	Marizelda	Otaran.	As	ervas	curativas	afro-riograndense	transpostas	para
o	desenho	textil	Monografia	de	especialização.	UFSM,	Santa	Maria,	2003.
MUKANÍ,	Sarita.	Dandá	da	costa	–	Conheça	esta	planta	podereosa.	Disponível
por	https://mukanishop.wordpress.com/2018/04/09/danda-da-costa-conheca-
esta-planta-poderosa/	Acesso	em	21	mar	2021
NA	RELAÇÃO	entre	o	homem	e	a	natureza,	toda	folha	tem	o	poder	de
curar.	Pai	Rodney	de	Oxóssi.	Disponível	em
https://www.cartacapital.com.br/blogs/na-relacao-entre-o-homem-e-a-
natureza-toda-folha-tem-o-poder-de-curar/.	25	out	2019	Acesso	30	jun2021
NASCIMENTO,	Isabela	G	&	VIEIRA,	Marlene	R.	S.	Manual	de	plantas
medicinais:	farmácia	verde	Católica	UNISANTOS,	Fev	2014.	Acesso	em	23	mar
2021	Disponível	por
NETO,	Francisco.	Risco	e	colaboradores.	Ervas	nas	religiões	afro-brasileiras.
Disponível	por	http://novaserie.revista.triplov.com/numero_28/yuri-
rocha/index.html	em	18	mar	2013.
NOGUEIRA,	Sidnei	Barreto.	A	palavra	cantada	em	Comunidades-terreiro	de
origem	iorubá	no	Brasil	da	melodia	ao	sistema	tonal.	Tese	de	Doutorado.
Universidade	de	São	Paulo,	São	Paulo,	2008.
OLIVEIRA,	Marília	Flores	Seixas	de.		Bebendo	na	Raiz:	Um	Estudo	de	Caso
Sobre	Saberes	e	Técnicas	Medicinais	do	Povo	Brasileiro	Brasília,	2008.	282	p.:
il.	Tese	de	Doutorado.	Centro	de	Desenvolvimento	Sustentável,	Universidade	de
Brasília,	Brasília
OLIVEIRA,	Orlando	José	Ribeiro	de.	OLIVEIRA,	Marília	Flores	Seixas	de.	A
MERCADORIA	FOLHA	E	SUAS	FORMAS,	2019	Disponível	por
http://www.xvenecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-484/111623.pdf	
Acesso	em	30	jun	2021
O	TREVO-ROXO.		Disponível	por	https://jardinagemepaisagismo.com/o-
trevo-roxo/	5	dez	2020.	Acesso	22	mar	2021
PATRO,	Raquel.	Pluma-de-névoa	–	Tetradenia	riparia.	Disponível	por
https://www.jardineiro.net/plantas/pluma-de-nevoa-tetradenia-riparia.html		18
mar	2016.	Acesso	12	nov	2020
PATRO,	Raquel.	Sálvia	–	Salvia	officinalis	Disponível	por
https://www.jardineiro.net/plantas/salvia-salvia-officinalis.html	24	abr	2015
Acesso	06	mai	2021
PAGNOCCA,	TIAGO	SANTOS.	USO	DE	PLANTAS	TERAPÊUTICAS	EM
RELIGIÕES	AFROBRASILEIRAS	NA	ILHA	DE	SANTA	CATARINA
Dissertação	submetida	ao	Programa	de	Pós-graduação	em	Biologia	de	Fungos,
Algas	e	Plantas	da	Universidade	Federal	de	Santa	Catarina,	para	a	obtenção	do
título	de	Mestre	em	Biologia	de	Fungos,	Algas	e	Plantas.	Orientadora:	Prof.	Dra.
Natalia	Hanazaki.	Florianópolis,	2017.
PEREIRA,	Jayro	de	Jesus.	(Conversa	informal).	Curso	de	teologia	afrocentrada,
2015.
PEREIRA,	Ronie	Ánderson.	Ilê	orixá:	para	entender	melhor	o	batuque	do	Rio
Grande	do	Sul	(Pai	Ronie	de	Ogum	Adiokô)	–	Florianópolis,	SC:	Bookess,	2017
PEREIRA,	Maria	Izabel	de	Carvalho.	Linguagem	do	cotidiano	em	tendas,
comunidades,	fraternidades,	centros	e	barracões	de	Candomblé,	Umbanda	e
outros	cultos	de	raiz	afrobrasileiros.Ituiutaba:	Barlavento,	2014.	368	p
PÓVOAS,	Ruy	do	Carmo.	Revista	KÀWÉ,	Ilhéus,	n.	3,	2009,	p.	40-42.
PRANDI,	Reginaldo.	Mitologia	dos	orixás.	São	Paulo:	Companhia	das	letras,
2001.
RAMOS,	Cleidiana.	Balaio	de	ideias:	o	que	as	folhas	cantam.	Disponível	por
http://mundoafro.atarde.uol.com.br/balaio-de-ideias-o-que-as-folhas-cantam/
Acesso	em	05	mai	2020
RANIERI,	Guilheme.	Taiobas,	a	confusão:	guia	definitivo	de	identificação.
Disponível	por	http://www.matosdecomer.com.br/2014/06/taiobas-confusao-
guia-definitivo-de.html	Publicado	27	jun	2014.	Acesso	em	14	jun	2021
RIBEIRO,		Ronilda	Iyakemi.	Alma	Africana	no	Brasil.	Os	iorubás	/	São	Paulo:
Editora	Oduduwa,	1996
RIBEIRO,		Ronilda	Iyakemi	&	SÀLÁMÌ,	SIKIRU	KING.	Omoluwabi,	Alakoso,
teu	caráter	proferirá	sentença	a	teu	favor!	Valores	pessoais	e	felicidade	na
sociedade	iorubá.	mAI	2008	dISPONÍVEL	POR
http://www.crpsp.org.br/diverpsi/arquivos/2008-teu-carater-proferira.pdf
RIBEIRO,	Rafael	Santos.	Trabalho	apresentado	ao	III	Encontro	de	Antropologia
Visual	da	América	Amazônica,	realizado	entre	os	dias	19	e	21	de	setembro	de
2018,	Belém/PA	Disponivel	por
http://www.eavaam.com.br/anais/anais/2018/gt11/64.pdfAcesso	23	nov	2020
SANTOS,	Celiana	Maria	dos	yemanjá,	uma	sereia?	O	“mito”	africano	no
imaginário	de	pescadores	do	Rio	Vermelho,	em	Salvador,	da	Bahia	/	Celiana
Maria	dos	Santos.	–	2013.	Dissertação	(Mestrado)	Centro	Federal	de	Educação
Tecnológica	Celso	Suckow	da	Fonseca,	2013.
SANTOS,	Juana	Elbein	dos.	Os	Nàgô	e	a	morte:	Pàde,	Àsèsè	e	o	culto	Égun	na
Bahia;	traduzido	pela	Universidade	Federal	da	Bahia.	13.	ed.	–	Petrópolis,
Vozes,	2008.
SANTOS,	Juana	Elbein	dos.	Os	nagôs	e	a	morte:	pàdè,	Àsèsè	e	o	culto	Égun	na
Bahia.	Petrópolis:	Vozes,	1979.
SANTOS,	Juana	Elbein	dos.	Os	nagôs	e	a	morte:	pàdè,	Àsèsè	e	o	culto	Égun	na
Bahia.	Petrópolis:	Vozes,	1986.
santos
,	Marlene	pereira	dos.	Quilombando	nas	matas:	um	conhecimento	ancestral	VII
Artefatos	da	Cultura	Negra.	Universidade	Regional	do	Cariri
santos,	Maria	stella	de	azevedo	(tradição	ORAL	–	autor)	–	PEIXOTO,
GRAZIELA	DOMINI	(TRADIÇÃO	ESCRITA).	Ofún	-	Odù	Àdájo	-	Coleção	de
destinos	-	Vol	1	SALVADOR:	AUTORALE,	2013
SANTOS,	Rosalira	Oliveira	dos	&	GONÇALVES,	Antonio	Giovanni	Boaes.
ANAIS	DO	III	ENCONTRO	NACIONAL	DO	GT	HISTÓRIA	DAS
RELIGIÕES	E	DAS	RELIGIOSIDADES	–	ANPUH	-	Questões	teórico-
metodológicas	no	estudo	das	religiões	e	religiosidades.	IN:	Revista	Brasileira	de
História	das	Religiões.	Maringá	A	natureza	e	seus	significados	entre	adeptos	das
religiões	afro-brasileiras.	(PR)	v.	III,	n.9,	jan/2011.	Disponível	em
http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.htm
Stalcup,	Mary	Margaret	Plantas	de	uso	medicinal	ou	ritual	numa	feira	livre	no
Rio	de	Janeiro,	Brasil.	Rio	de	Janeiro:	Museu	Nacional	-	UFRJ/	Curso	de	Pós-
Graduação	em	Ciências	Biológicas	(Botânica),	2000.	ix,	202	p.	il.	Dissertação:
Mestrado	em	Ciências	Biológicas	(Botânica)	–	UFRJ
SANTOS,	Victória	Luiza	Vargas	Dos.	APRENDER	DE	OLHO:	a	dimensão
educativa	do	batuque	no	Rio	Grande	do	Sul.	Trabalho	de	conclusão	de	curso
apresentado	a	Comissão	de	Graduação	do	Departamento	de	Estudos	Básicos	da
Faculdade	de	Educação	da	Universidade	Federal	do	Rio	Grande	do	Sul,	como
requisito	para	obtenção	do	título	de	Licenciada	em	Pedagogia.	Orientadora:	Dra.
Dulcimarta	Lemos	Lino	Porto	Alegre	2019
SANTOS,	Fernando	Batista	dos.	IGI	OṣÈ	NO	REINO	DE	OBARÀYÍ:	UMA
ETNOGRAFIA	ACERCA	DA	PRESENÇA	DO	BAOBÁ	NO	ILÊ	AXÉ	OPÔ
AGANJU,	BAHIA	Dissertação	apresentada	ao	Programa	de	Pós-Graduação	em
Antropologia	da	Universidade	Federal	de	Pernambuco	como	requisito	parcial
para	a	obtenção	do	grau	de	Mestre	em	Antropologia.	Área	de	concentração:
Antropologia.	ORIENTADOR:	Prof.	Dr.	Edwin	Boudewijn	Reesink
COORIENTADORA:	Profa.	Dra.	Mísia	Lins	Vieira	Reesink	Recife,	2016
SERRA,	O.	J.	T.	(Org.)	;	VELOZO,	E.	(Org.)	;	BANDEIRA,	F.	(Org.)	;
PACHECO,	L.	(Org.)	.	O	Mundo	das	Folhas.	01.	ed.	Salvador-Bahia:
Universidade	Estadual	de	Feira	de	Santana	/	Editora	da	Universidade	Federal	da
Bahia,	2002.	v.	01.	237	p.	Disponível	por
https://ordepserra.files.wordpress.com/2008/07/nota-sobre-o-mundo-das-
folhas1.pdf	Acesso	25	nov	2020
STEFFEN,	S.J.,	P.	CLEMENTE	J.	PLANTAS	MEDICINAIS	USOS
POPULARES	TRADICIONAIS.	2010	Instituto	Anchietano	de
Pesquisas/UNISINOS
SILVA,	O.	J.	1993.	Ervas:	raízes	africanas.	Rio	de	Janeiro:	Pallas.
SILVA,	Matheus	Colli	S.	&	SILVA,	Vagner	Gonçalves	da.	Um	bosque	de	folhas
sagradas:	o	santuário	nacional	da	umbanda	e	o	culto	da	natureza	interagir:
pensando	a	extensão,	RIO	DE	JANEIRO,	N.	26,	P.	11-33,	JUL/DEZ.	2018
TREVISAN,	Julia.	Por	que	trevos	de	quatro	folhas	são	raros?	Disponível	por:
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-trevos-de-quatro-folhas-sao-
raros/	04	jul	2018	Acesso	22	mar	2021
TROMBETEIRA	branca.	Disponível	por
http://divinafolhaverde.blogspot.com/2015/07/trombeteira-branca-
agogo.html	Acesso	em	05	maio	2021
VASCONCELOS,	Maria	Odete.	Curas	através	do	orún:	rituais	terapêuticos	no
Ilê	Yemanjá	Sàbá	Bassamí	(Recife),	2006.		Tese	(doutorado).	Universidade
Federal	de	Pernambuco.	CFCH.	Antropologia.
VASCONCELOS,	Maria	Odete.	Curas	através	do	Orún:	rituais	terapêuticos	no
Ilê	Yemanjá	Sàbá	Bassami	(Recife).	Recife:	o	autor,	2006,	312	folhas:	il.,	fot
VARELLA,	J.S.C	1973.	Ervas	Sagradas	na	Umbanda.	Rio	de	Janeiro:	Ed.
Espiritualista	Ltda
VERGER,	Pierre	Fatumbi	–	Ewé:	o	uso	das	plantas	na	sociedade	iorubá	–	São
Paulo:	Companhia
das,	Letras,	1995;
VERGER,	Pierre	Fatumbi.	Orixás,	deuses	iorubás	na	África	e	novo	mundo.
Salvador:	Corrupio,	1997.
VERGER,	Pierre	Fatumbi.	Lendas	africanas	dos	orixás	[ilustrações]	Carybé,
tradução	Maria	Aparecida	da	Nóbrega	–	4ª	ed	–	Salvador:	Corrupio,	1997.	96	p.
p.	il
VERGER,	Pierre.	Notas	sobre	o	culto	dos	orixás	e	voduns	na	Bahia	de	todos	os
santos,	no	Brasil,	e	na	antiga	costa	dos	escravos,	na	África.	São	Paulo:	Edusp,
2000
Rede	de	catálogos	polínicos	online.	disponível	em:
.	acesso	em:	17/1/2021
VIANA,	Juvany	&	Nelson	De	Luca	Pretto	e	Luiz	Felippe	Perret	Serpa
Expressões	de	sabedoria	:	educação,	vida	e	saberes	:	Mãe	Stella	de	Oxossi	,	,
organizadores.	-	apresentação	Antonio	Risério.	-	Salvador	:	EDUFBA,	2002.	102
p
WOLF,	Erick.	RITUAIS	DO	COTIDIANO	E	OS	BRILHOS	DAS	FESTAS.	9
set	2016	Disponível	por	https://iledeobokum.blogspot.com/search?q=folha
Lista
Figura	1	–	Baobá	do	poeta	-	Natal	/RN
Figura	2	-	Baobá	do	poeta	-	RN	(vista	parcial	do	tronco)
Figura	3	-	Fruto	da	Baobá	do	poeta	-	RN
Figura	4	-	Pai	Alexandre	-	Baobá	do	poeta	-	RN
Figura	5	-	Pai	Ronie	-	Baobá	do	poeta	-	RN
Figura	6	-	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/PE
Figura	7	-	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/PE
Figura	8	-	Flor	da	Baobá	-	Praça	da	República	-	Recife	/	PE
Figura	9	-	Muda	de	dendezeiro	plantada	no	Ilê	Orixá
Figura	10	-	Obi
Índice	remissivo⁸² Clidemia	hirta	Ball
Ewé	inón
Cordyline	terminalis
Dracaena	fragrans	(L.)
Pèrègún	Kò	Dracaena	fragrans		(L.):Pèrègún	Kò
Eriobotrya	japonica
Ewé	Àgbàlùmó	olomóe
Kalanchoe	laetivirens	Desc:
Oxytenanthera	Abyssinica	(A.	Rich.)	Munro.
Ewé	pàkó
Pyrus	communis	L.:
Ricinus	communis	L	.
Ewé	lárà	pupa
Trifolium	sp.
Ewé	imurin	etawá
A
Admirabilis	peruana	Nieuwl.
Èkelèyí
Alpinia	speciosa	K.	Schum
Tótó
Alpinia	zerumbet	(Pers.)	B.	L.	Burtt.	&	R.	M.	Sm..
Tótó
Artemisia	absinthium	L.
Astyanax
B
Baccharis	trimera
Ewé	gbúre	òsun
Ewé	kànérí
Bambusa	Vulgaris
Apákò
Bauhinia	purpurea	L.
Abàfé
Bignoniaceae.
Ewé	Akòko
Brugmansia	suaveolens
Àgogó
Àgogò
Bryophyllum	pinnatum
Àbámodá,	erú	òdúndún,	kantíkantí	e	kóropòn
C
Casearia	Sylvestris	Sw
Ewé	alélèsi
Cinnamomum	zeylanicum	Blume
Ewé	Téemi
Citrus	limettioides	Tanaka
Ewé	osàn-oiynbó
Citrus	reticulata
Coleus	barbatus	Benth
Ewé	Bàbá	e	Ewúro	Bàbá
Colocasia	esculenta	(L.)	Schott
Ewé	Ábajé
Commelina	Diffusa	L.
Gòdògbódò
Costus	spicatus	Sw,	zingiberacege
Ewé	Tètèrègún
Croton	glandulosus
Cymbopogon	citratus	(DC)	Stapf
Korikó	oba
Cyperus	rotundus
Làbelàbe
D
Dieffenbachia	picta(Lodd.)	Schott.\
Womobú	Funfun
Dracaena	fragrans	(L.)
Ewé	pèrègún
E
Epipremnum	pinnatum
Ewé	Dan
Eugenia	uniflora
Ewé	Itá
F
Ficus	carica	L
Èso	òpòtó
Foeniculum	vulgare
G
Gardenia	jasminoides	J	Ellis
Ewé	Itété
H
Hedychium	coronarium
Ewé	Balabá
Helichrysum	italicum
I
Ipomoea	batatas	L.
Ewé	Kúkúndùnkú
J
Jalapa	dichotoma	(L.)
Èkelèyí
Èkelèyí
Justicia	gendarussa	Burm
f.	(Acanthaceae)	Ewé	Lorogún
K
Kalanchoe	brasiliensis
Õdúndún
Kalanchoe	crenata
Õdúndún
Kalanchoe	pinnata
Ker	Gawl
Ker	Gawl
Ker	Gawl
Pèrègún	funfun
Kunth
Rinrin
L
Labiatae
Efínfín	nlá
Lavandula	angustifólia
Ewé	àrùsò
Leguminosae-caesalpinioidea
Abàfé
Lippia	triphylla	Kuntze
M
Malpighia	emarginata
,	Malpighia	emarginata
,	Malpighia	emarginata
,	Malpighia	emarginata
Malva	sylvestris
,	Malva	sylvestris
Mangifera	indica	L.
Òró	òyínbó
Melissa	officinalis	L.
Mella	azedarach	L
Igí	mésàn
Mentha	citrata	L.
Eré	tuntún
Mentha	pulegium
Olátorijé
Mentha	spicata
Miconia	albicans	(Sw.)	Trin.
Ewé	etan	Ibá
Mirabilis	dichotoma	L.
Èkelèyí
Mirabilis	jalapa	L.
Èkelèyí
Mirabilis	odorata	L.
Èkelèyí
Monstera	deliciosa	Liemb
Eegun	ìha
Moraceae
Èso	òpòtó
Morus	alba	L.
Ewé	Isan
Ewé	Isan
Musa	paradisiaca	L
Ògèdè	e	Ewé	Ekó
Myroxylonperuiferum	L.f.
Ejirín
N
Newbouldia	laevis	Seem
Ewé	Akòko
Nyctago	mirabilis		D.C
ÈkelèyíNyctago	mirabilis		D.C:Èkelèyí
O
Ocimum	basilicum	L
Efínrín	kékéré
Ocimum	basilicum	purpureum	Hort.
Efínrín	pupa
Ocimum	Gratissimum	L
Efínfín	nlá
Ocimum	minimum	L.,	Labiatae
Efínrín	kékéré
Origanum	majorana	L.
Oxalis	corniculata	L.
Ewé	imurin	etawá
Oxalis	debilis	Kunth
Ewé	imurin	etawá
Oxalis	latifólia	Kunth
Ewé	imurin	etawáOxalis	latifólia	Kunth:Ewé		imurin	etawá
Oxalis	tetraphylla
Ewé	odu	lará
Oxalis	triangularis	atropurpurea
Ewé	imurin	etawá
P
Peperomia	pellucida	(L.)
Rinrin
Peperomia	pellucida
Rínrín
Petiveria	alliaceae	L
Ewé	Ojúúsàjú
Petroselinum	crispum
Pilea	microphylla
Ewé	mimolé
Piperaceae
Rinrin
Plantago	major	L.
Ewé	òpá
Plectranthus	forsteri
Plectranthus	nummularius
Plectranthus	ornatus	Codd
Polygonum	acre,	Polygonum
Ewé	eró	igbin
Psidium	araça	Raddi
Ewé	GúrófáPsidium	araça	Raddi:	Ewé		Gúrófá
Psidium	cattleyanum	Sabine
Ewé	Gúrófá
Psidium	guajava
gúáfà,	gúróbà	e	Ewé	gúrófà
Gúáfà
Punica	granatum	L
Àgbá
R
Ricinus	communis	L
Ewé	lárà	funfun
Rosmarinus	officinalis
Ewéré
Rubiaceae
Ewé	Itété
Rubus	brasiliensis	Mart
Ewé	Isan
Ruta	graveolens	L
Ewé	atopa,	Atopá	Kun
S
Salvia	officinalis
Ikiriwí
Sansevieria	trifascita
Ewé	idà	òrìsà
Schinus	terebinthifolius	Rad
Ewé	Àjóbi	Pupá
Sida	rhombifolia
Siparuna	apiosyce
Òrómbo	alagbara
Solanum	mauritianum	Scop.
Ode	ÁkosùnSolanum	mauritianum	Scop.:		Ode	Ákosùn
Solanum	paniculatum	L.
Igbá	igún	ou	Igbá	àjà
Solanum	paniculatum
Igbá	igún
Igbá	igún
Stachys	byzantina	K.Koch
Stachytarpheta	cayennensis	(Rach.)	Vahl
Ewé	ìgbole,	ìrù	eku	e	pasalókê
Ewé	ìgbole,	ìrù	eku	e	pasalókê
Ewé	ìgbole,	ìrù	eku	e	pasalókê
T
Tetradenia	riparia
Tillandsia	usneoides	L
Irùngbòn
Tithonia	diversifolia	(Hemsl.)	A.	Gray
Ewé	owo	Olodunmarè
Tradescantia	spathacea	Sw.
Ewé	idà	oyá	ou	Obé	semi	oyá
Triumfetta	Rhomboidea	Jacq.
ìlasa	omodé
U
Urena	Lobata	L,
Ìlasa	Omodé
Urtica	dioica	L.
Ewé	kanan
V
Var.	appendiculatum
Patiòba
Vernonia	condensata
Ewé	awuro	[Vernonia	condensata:	Ewé	awuro		[
Ewé	awuro
X
Xanthosoma	atrovirens	et	Bouche.
Patiòba
Notes
[←1]
Vinicius	de	Moraes,	Baden	Powell.	Pesquise	esta	canção	e	escute	ela	cantada.
[←2]
Importante	escutar	esta	música,	irá	facilitar	a	sua	compreensão.	Pesquise	no
Youtube	ou	outro	aplicativo	de	música.
[←3]
Aroni	é	um	orixá	relacionado	aos	segredos	das	plantas.	Considerado	parceiro	de
Ossanha	na	floresta,	conhecedor	de	todos	os	segredos	e	poções	mágicas.
[←4]
O	mesmo	que	Ossanha.	Orixá	dono	de	todas	as	folhas,	conhecedor	de	todos	os
segredos,	considerado	o	médico	entre	os	orixás.
[←5]
Os	cânticos	podem	ser	axés	cantados,	podem	ser	orikis,	podem	ser	ofós	ou
adurás.	Ler	sobre	encantamento	das	folhas.
[←6]
Aqui	é	preciso	lembrar	que	orixá	é	muito	mais	que	apenas	cultivar	uma	planta.
Não	basta	cuidar	da	natureza	se	não	somos	bons	seres	humanos	com	os	outros,	é
preciso	ter	um	bom	caráter	também,	é	preciso	ser	bom	com	animais,	com	outras
pessoas	e	com	tudo	mais.
[←7]
Aquele	que	se	basta	não	é	ninguém.	Porque	não	há	quem	se	baste	na	solidão.	Os
que	andam	sozinhos	costumam	não	conhecer	o	caminho	que	seguem.	Por	isso	o
destino	é	para	eles	incerto,	confuso,	e	não	é	raro	que	se	encontrem	perdidos
enquanto	caminham	a	esmo.	A	solidão,	assim,	é	triste,	estéril	e	sem	sentido.
Aquele	que	se	basta	é	ninguém,	é	preciso	repetir.	Porque	não	se	alcança	sucesso
(Aseyori)	sozinho.	O	sucesso	é	sempre	um	produto	coletivo.	Por	mais	que	o
esforço	ou	o	talento	pessoal	sejam	importantes	para	conquistar	o	que	se	deseja.
Uma	vida	plena,	aquela	que	consegue	realizar	o	bom	destino,	necessita	do
sentido	que	só	a	certeza	de	estar	acompanhado	oferece.
[←8]
A	Fortaleza	Ilê	Orixá	Ogum	Adiokô	e	Oya	Tofã,	ou	simplesmente	Fortaleza	Ilê
Orixá,	é	uma	casa	de	axé	fundada	por	Pai	Ronie	de	Ogum	e	por	Pai	Alexandre
de	Oya,	na	cidade	de	Gravataí-RS,	em	30/09/2011.	Inicialmente	chamada	de	Ilê
Orixá	Ogum	Adioko	e	Oya	Tofã.
[←9]
As	mães	iorubanas	gostam	de	usar	este	provérbio	para	demonstrar	como	é
importante	começar	a	orientar	as	crianças	desde	infância.
[←10]
Segundo	RIBEIRO	(2008	p.	16)	Esse	ensinamento	enfatiza	que,	mesmo	para	ser
amado	e	viver	o	amor,	é	preciso	adotar	atitudes	e	comportamentos	apropriados.
Sugerem	a	necessidade	de	revisão	das	próprias	posturas	e	da	própria	participação
nas	diversas	situações.	Uma	boa	avaliação	das	próprias	atitudes	e
comportamentos	favorece	a	percepção	da	própria	responsabilidade	pelos
sucessos	e	fracassos,	o	que	poderá	contribuir	para	uma	mudança	importante,	pois
não	somos	meras	vítimas	de	condições	existenciais.	Pelo	contrário,	temos
participação	ativa	em	nossos	sucessos	e	fracassos.
[←11]
Aqui	é	necessário	lembrar	que	a	fala	sendo	um	tipo	de	axé	devemos	o	tempo
todo	nos	cuidar	das	palavras	ditas,	pois	elas	todas	possuem	força	de	realização.
Assim,	palavras	ruins	geram	situações	também	ruins.
[←12]
Mãe	Stella	de	Oxóssi	foi	iyalorixá	do	Ilê	Axé	Opô	Afonjá	na	cidade	de
Salvador,de	entre	os	anos	de	1976	e	2018.	Foi	reconhecida	internacionalmente,
escrita	e	membro	da	Academia	de	Letras	da	Bahia.
[←13]
Os	ofós	são	os	encantamentos	utilizados	para	despertar	a	energia	vital	de	cada
folha.	São	palavras	capazes	de	fazer	a	magia	de	cada	folha	acontecer.
[←14]
A	pessoa	digna	continua	com	comportamento	digno	em	qualquer	situação.	Não
existe	problema	ou	adversidade	que	possa	fazer	com	que	uma	pessoa	idônea
altere	sua	maneira	digna	de	viver.
[←15]
Iemanjá	é	um	orixá	que	está	ligado	a	maternidade	ao	cuidado	com	o	ser	humano.
No	Brasil	está	associada	ao	culto	nas	praias,	onde	costuma	receber	muitas
oferendas.	Extremamente	popular.
[←16]
No	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá	é	sempre	a	própria	pessoa	que	faz	o	seu	banho,
podendo	ser	iniciado	ou	não.	Em	obrigações	geralmente	o	pai	ou	a	mãe	pode
preparar	o	banho,	podendo	esta	tarefa	autorizada	por	ele(a)	para	algum	filho
fazer	a	maceração,	mas	nunca	o	banho	sobre	outro,	nem	mesmo	pai	ou	mãe.
[←17]
Respeito	é	sempre	importante	e	existem	axés	onde	a	orientação	é	não	secar	após
o	banho	de	ervas,	e	neste	caso	isso	deve	ser	realizado.	Na	Fortaleza	Ilê	Orixá
sempre	é	permitido	se	secar.
[←18]
A	gente	aprende	a	fazer	uma	boa	parte	das	coisas	fazendo.	Obviamente,	não
gostamos	de	aprender	as	consequências	de	um	erro	errando.	Nesse	caso,	é
melhor	observar	a	vida	das	pessoas	para	aprender	o	que	pode	ou	não	dar	certo.
No	entanto,	caso	você	erre,	tudo	bem.	De	um	modo	ou	de	outro,	a	gente	aprende
de	verdade	quando	as	consequências	de	uma	escolha	são	sentidas	na	pele.	Isso
vale	tanto	para	o	que	é	bom	quanto	para	aquilo	que	é	ruim.
[←19]
		Para	todos	os	fins,	aqui	se	chama	filhos	de	casa	aberto	os	filhos	do	axé	da
Fortaleza	que	possuem	seus	orixás	nas	suas	casas.
[←20]
A	maioria	das	casas	de	axé	fazem	uso	de	varas	de	marmelo	como	substituinte.
Quando	a	casa	foi	fundada,	em	2011,	muitas	foram	as	dificuldades	e,	algumas
adaptações	foram	necessárias,	sempre	com	autorização	de	búzios	e	dos	orixás.
Assim,	a	espada	foi	substituída	e	hoje	é	utilizada	em	todas	as	casas	oriundas	do
axé.
[←21]
Ejé	(axorô	ou	menga)	palavra	da	língua	iorubá	usada	no	candomblé	que	significa
literalmente	sangue.	Refere-se	principalmente	ao	sangue	retirado	dos	animais
imolados	para	os	Orixás.	O	ejé	animal	é	apenas	um	dos	tipos	de	"sangue"
utilizados	nos	rituais	das	religiões	afro-brasileiras.	No	batuque	gaúcho	a	palavra
mais	usada	é	axorô.
[←22]
Ori,	palavra	da	língua	iorubá	que	significa	literalmente	cabeça,	refere-se	a	uma
intuição	espiritual	e	destino.	É	aquele	que	guia,	acompanha	e	ajuda	a	pessoa
desde	antes	do	nascimento,	durante	toda	vida	e	após	a	morte,	referenciando	sua
caminhada	e	a	assistindo	no	cumprimento	de	seu	destino.
[←23]
Ninguém	é	indispensável.	Utilizamos	este	provérbio	para	orientar	as	pessoas	que
se	acham	"pão-de-ló	da	festa"	e	que	desprezam	os	outros	a	perceberem	que	nem
sempre	a	percepção	delas	e	a	mesma	da	do	grupo	que	a	cerca.
[←24]
Composição	Luedji	Luna,	em	seu	álbum	“Um	corpo	no	mundo”,lançado	em
2017
[←25]
Na	vida	existem	algumas	pessoas	que	irão	prosperar	mesmo	com	a	maldade	de
seus	oponentes	e	a	injustiça	praticada	contra	elas.
[←26]
O	criador	faz	a	natureza	de	uma	forma	que	todos,	mesmo	com	sua	disabilidade,
tem	como	perceber	o	perigo	ou/e	beleza	ao	seu	redor.	Uma	pessoa	com	sabedoria
consegue	enxergar	ou	sentir	muitas	coisas	que	os	despreparados	jamais	verão	ou
sentirão.
[←27]
Gilberto	Gil	se	une	a	Bem	Gil	e	Gilsons	em	single,	'Refloresta',	gravado	para
campanha	do	Instituto	Terra.	O	Instituto	Terra	é	fruto	da	iniciativa	do	casal	Lélia
Deluiz	Wanick	Salgado	e	Sebastião	Salgado,	que	diante	do	cenário	de
degradação	ambiental	em	que	se	encontrava	a	antiga	fazenda	de	gado	adquirida
da	família	de	Sebastião	Salgado	–	a	exemplo	das	muitas	outras	unidades	rurais
localizadas	na	cidade	mineira	de	Aimorés	–,	tomou	uma	decisão:	devolver	à
natureza	o	que	décadas	de	degradação	ambiental	destruiu.	Pesquise	o	clipe,
observe,	escute.
[←28]
Refere-se	à	pessoa	que	se	une	a	outra	porque	esta	última	desfruta	de	uma	melhor
posição	e	para	obter	vantagens.
[←29]
O	atã	é	uma	bebida	servida	nas	festas	após	o	início	do	toque	para	o	orixá	Ogum.
É	formado	por	7	frutas	e	xarope	de	groselha.	As	frutas	são	todas	muito	bem
cortadas,	produzindo	uma	bebida.	Servida	aos	orixás	Ogum	e	Oya	na	dança	do
atã,	ou	aforiba.
[←30]
Observando	os	erros	dos	outros,	se	aprende	a	não	errar.
[←31]
	A	ajuda	mútua	é	fundamental	para	ambas	as	partes.
[←32]
Este	artigo	foi	publicado	em	2015	(Pereira,	Ronie	Ánderson	Ilê	Orixá:	uma
breve	explicação	sobre	o	culto	aos	orixás:	batuque	do	Rio	Grande	do	Sul	:	nação
Oyo	e	Jeje.(Pai	Ronie	de	Ogum	Adiokô)	.	--	Florianópolis,	SC	:	Bookess,	2015.
[←33]
Exú	Bará	é	o	orixá	que	está	ligado	ao	início	de	tudo,	é	o	orixá	que	faz	a
comunicação	nossa	com	os	demais	orixás,	o	que	o	torna	de	extrema	importância.
[←34]
Ogum	é	considerado	o	mais	violento	dos	orixás,	está	ligado	ao	próprio
desenvolvimento	humano,	a	tecnologia,	as	conquistas	da	vida	e	todas	as
adversidades	que	podem	ser	vencidas,	pois	é	considerado	o	orixá	da	guerra.
[←35]
Oya	ou	Iansã	é	um	orixá	que	se	relaciona	a	união,	ao	próprio	movimento	da
vida,	pois	as	tempestades	e	ventos	são	seus	domínios.
[←36]
Xangô	é	o	orixá	da	justiça,	por	isso	muito	respeitado	entre	todos.	Não	tolera	a
mentira.
[←37]
O	orixá	Odé	está	principalmente	ligado	a	fartura,	pois	é	um	orixá	responsável
pela	caça,	pelos	objetivos	que	conquistamos.	No	batuque	gaúcho	não	cultuamos
o	orixá	Oxóssi,	mas	sim	o	orixá	Odé,	que	possui	a	mesa	equivalência	com	o
Candomblé
[←38]
Obá	está	ligada	vida	que	não	pode	parar,	aos	amores	não	correspondidos	a	luta
das	mulheres	pelos	seus	direitos.
[←39]
Orixá	responsável	pela	saúde,	é	considerado	o	médico	dos	pobres	na	religião
afro.	É	o	conhecedor	de	todas	as	plantas	e	de	que	forma	devem	ser	utilizadas
para	se	tornarem	remédio.	Está	ligado	a	toda	beleza	da	natureza	e	seus	mistérios.
[←40]
Xapanã	está	ligado	as	limpezas,	as	pestes	e	a	maioria	das	doenças	que	são
transmitidas,	mas	isso	de	forma	nenhuma	o	torna	quem	carrega	a	doença,	pois
ele	também	carrega	a	cura	as	formas	de	eliminar.	É	a	própria	representação	da
terra,	já	que	dela	é	considerado	o	rei.	No	batuque	gaúcho	cultuamos	Obaluaye	ou
Omolú	como	Xapanã.
[←41]
É	inânime	entre	a	maioria	dos	autores	da	religião	africana	que	Xapanã	não	cura,
pois	ele	mesmo	carrega	todas	as	doenças,	mas	é	ele	quem	leva	a	doença	embora.
Assim	o	conceito	de	cura	de	doença	par	Xapanã	consiste	sempre	em	limpar	o
corpo,	em	afastar	a	doença,	em	consequência	trazendo	a	cura.
[←42]
Divindade	ligada	ao	nascimento	de	gêmeos.	Os	Ibeji	representam	a	dualidade,	a
inocência	das	crianças,	a	brincadeira	e	a	curiosidade	e	alegria	da	vida.
[←43]
Oxum	é	orixá	da	beleza,	ligado	também	a	maternidade	e	ao	cuidado	com	a
pessoa.	É	de	Oxum	que	todas	as	flores	pertencem,	assim	como	as	folhas	são	de
Ossanha.
[←44]
Oxalá	é	o	orixá	ligado	a	criação,	considerado	por	muitos	o	pai	de	todos	os
orixás,	é	chamado	do	orixá	do	branco,	representa	toda	a	pureza	da	vida.
[←45]
Orumilaia	é	o	orixá	que	nos	dá	a	visão,	considerado	a	testemunha	dos	destinos,
conhecedor	de	os	segredos	do	homem.
[←46]
É	um	uma	árvore	orixá,	´representa	a	ancestralidade	e	faz	a	ligação	entre	o	orun
e	o	aye
[←47]
De	acordo	com	as	orientações	estabelecidas	através	de	jogo	de	búzios	de	Pai
Alexandre	de	Oya	Tofã	e	Pai	Ronie	de	Ogum	Adiokô.	Definições	estabelecidas
para	o	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.	Todas	as	plantas	citadas	referem-se	ao	uso	de
suas	folhas	ou	pequenos	galhos	utilizados	em	ritos,	podendo	correr	alteração
para	os	frutos	ou	raízes	de	cada	uma	delas,	o	que	não	é	objetivo	deste	trabalho.
[←48]
Todos	os	demais	trevos	com	apenas	3	folhas	e	verdes	também	estão	definidos
para	o	orixá	Ossanha,	tendo	sido	apenas	citados	aqui	alguns.
[←49]
As	ervas	que	estão	dedicadas	a	Iroko	foram	previamente	jogadas	e	confirmadas
no	axé.	Individualmente	todas	elas	estão	com	outros	orixás.	O	uso	dessas	folhas
para	Iroko	é	cheio	de	mistério	e	segredos	do	axé.
[←50]
A	amoreira	preta	não	entra	como	erva	para	utilização	nos	ritos	de	Iroko,	mas	a
sua	árvore	é	dedicada	a	este	orixá,	sendo	sagrada	na	Fortaleza	Ilê	Orixá,	que	é
onde	ocorre	a	morada	de	Iroko	no	axé.
[←51]
Embora	não	seja	cultuado	como	um	orixá.	Está	listado	aqui	apenas	para	facilitar
a	organização.	Egun	é	o	culto	de	nossa	ancestralidade.
[←52]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←53]
O	vaso	de	7	ervas	consiste	em	plantas	que	se	acredita	terem	efeito	protetor.	De
uma	região	para	outra	existem	variações	de	quais	devem	compor,	mas	a
finalidade	é	sempre	a	mesma.
[←54]
Embora	seja	aceito	para	todos	os	orixás,	é	uma	árvore	extremamente	sagrada	e
seu	uso	não	deve	ser	realizado	sem	consulta	expressa	através	do	jogo	de	búzios	e
como	colocado	exclusivamente	para	saúde.
[←55]
Pai	Sérgio	de	Xangô,	fez	a	iniciação	religiosa	de	Pai	Ronie	de	Ogum	no	ano	de
2005	e	Pai	Alexandre	de	Oya	no	ano	de	2007.	Dirigia	o	Ilê	Asé	Obá	Iná	Sangô
Godô	Aloxé,	na	cidade	de	Gravataí-RS,	em	um	belo	sítio	no	Distrito	de
Morungava.	Faleceu	no	dia	30	de	maio	de	2019.
[←56]
Acaçá	–	“Oferecido	a	Oxalá.	Coloca-se	milho	de	canjica	branca	de	molho.	Ao
amolecer,	é	ralado	em	uma	pedra	até	transformar-se	em	pasta.	A	massa	é
enrolada	em	folhas	de	bananeiras	e	cozida	no	vapor.	Só	os	orixás	comem”
(CORRÊA,	s/d).
[←57]
Publicado	originalmente	
https://ileorixa.com.br/wp/boldo-erva-sagrada-de-oxala/		em	26	ago	2019.	
A	folha	do	boldo	é	uma	das	sete	folhas	em	que	Ossanha	ensinou	o	segredo	para
Ogum.	Ler	sobre	“A	relação	dos	orixás	com	as	folhas	–	Ogum”
[←58]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←59]
Ler	o	texto	sobre	orô.	Embora	o	boldo	bahiano	e	o	boldo	rasteiro	sejam
colocados	como	muito	próximos	do	orô,	em	uma	classificação	geral	no	Brasil,
no	Rio	Grande	do	Sul	e	em	especial	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,	são	plantas
com	finalidades	e	usos	muito	diferentes,	por	isso	devem	ser	muito	bem
compreendidas	e	diferenciadas.
[←60]
Não	é	o	objetivo	do	livro	em	ensinar	a	utilização	em	chás	e	também	não	se
recomenda,	apenas	é	citado	como	uma	curiosidade.
[←61]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←62]
A	espada	de	Ogum	é	uma	das	sete	folhas	em	que	Ossanha	ensinou	o	segredo
para	Ogum.	Ler	sobre	“A	relação	dos	orixás	com	as	folhas	–	Ogum”
[←63]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←64]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←65]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←66]
A	folha	da	guiné	é	uma	das	sete	folhas	em	que	Ossanha	ensinou	o	segredo	para
Ogum.	Ler	sobre	“A	relação	dos	orixás	com	as	folhas	–	Ogum”
[←67]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←68]
Pai	Chiquinho	de	Oxalá	é	dirigente	do	Reinode	Oxalá	e	Oxum	na	cidade	de
Porto	Alegre,	também	foi	o	responsável	pelo	assentamento	de	Xangô	Aloxé	de
Pai	Sérgio	de	Xangô,	que	iniciou	Pai	Alexandre	de	Oya	e	Pai	Ronie	de	Ogum.
[←69]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←70]
Publicado	originalmente	“Ilê	Orixá	é	presenteado	com	muda	de	Ìlasa	omodé”	em
https://ileorixa.com.br/wp/ile-orixa-e-presenteado-com-muda-de-ilasa-omode/
em	05	jul	2020
[←71]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←72]
Originalmente	publicado	em	Ilê	Orixá	–	Para	entender	melhor	o	batuque	do	Rio
Grande	do	Sul.
[←73]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←74]
Esta	é	uma	das	sete	folhas	em	que	Ossanha	ensinou	o	segredo	para	Ogum.	Ler
sobre	“A	relação	dos	orixás	com	as	folhas	–	Ogum”
[←75]
Em	casos	específicos,	com	autorização	do	jogo	de	búzios	consagrado	também
para	o	Iroko.
[←76]
É	necessário	compreender	que	os	conceitos	de	materiais	sagrados	que	o	autor
coloca	no	Candomblé	podem	e	são	extensivos	para	o	batuque	gaúcho.
[←77]
Publicado	originalmente	em	https://ileorixa.com.br/wp/a-baoba-e-sua-
importancia-ancestral/	em	26	fev	2020
[←78]
Publicado	originalmente	em	https://ileorixa.com.br/wp/baoba-a-arvore-da-vida/
em	06	fev	2020
[←79]
Texto	originalmente	publicado	sob	em	https://ileorixa.com.br/wp/dendezeiro-
plantado-no-ile-orixa/	“Dendezeiro	plantado	no	Ilê	Orixá”.	A	folha	do
dendezeiro	é	uma	das	sete	folhas	em	que	Ossanha	ensinou	o	segredo	para	Ogum.
Ler	sobre	“A	relação	dos	orixás	com	as	folhas	–	Ogum”
[←80]
Publicado	originalmente	“Ilê	Orixá	é	presenteado	com	muda	de	obi”	em
https://ileorixa.com.br/wp/ile-orixa-e-presenteado-com-muda-de-obi/	em	12	out
2019
[←81]
Orixá	de	grande	poder,	geralmente	responsável	por	mudanças	e	transformações.
[←82]
O	índice	está	organizado	com	os	nomes	científicos,	seguido	do	nome	iorubá
quando	encontrado.
	Cover Page
	Unknown
	Apresentação
	Por que Ewé Orò ?
	Mas o que são as folhas?
	O encantamento das folhas
	O preparo do banho de ervas
	Limpeza com folhas
	Ervas adequadas para banhos
	Banho de Folhas
	Como cultivar sua erva
	Importância da preservação
	Refloresta
	Como macerar as ervas
	Identificação das árvores do Ilê
	Amexeira
	Amoreira branca
	Amoreira preta
	Araçá vermelho
	Akoko
	Bananeira
	Laranjeira
	Limoeiro
	Macieira
	Mangueira
	Orô
	Pitangueira
	Pereira
	Peregun verde
	Romãzeira
	Iroko
	Sistema de classificação iorubá
	Ewé áféré – folhas de ar
	Ewé inón- folhas de fogo
	Ewé omi- folhas de água
	Identificação das folhas no livro
	Nome popular
	Nome científico
	Nome iorubá
	Orixás
	Uma nota para seguir
	Onde existe folha existe orixá
	Os orixás e as folhas
	Exú Bará
	Ogum
	Oya
	Xangô
	Odé
	Obá
	Ossanha
	Xapanã
	Ibeji
	Oxum
	Oxalá
	Orumilaia
	Iroko
	Para cada orixá uma folha
	Principais ervas para cada orixá
	Bará Lodê
	Bará Agelú / Bará Lanã / Bará Adague
	Ogum
	Oya
	Iansã
	Xangô
	Odé
	Otim
	Obá
	Ossanha
	Ibeji
	Oxum
	Iemanjá
	Oxalá
	Orumilaia
	Iroko
	Tempo
	Egun
	Onile
	Ervas catalogadas no axé
	Abre caminho
	Aceroleira
	Akoko
	Alecrim
	Alfavaquinha-de-cobra
	Amargol
	Aranto
	Araça vermelho
	Amoreira branca
	Amoreira preta
	Amexeira nativa - Nêspera
	Araçá amarelo
	Aroeira
	Arruda
	Avenca
	Anis estrelado falso
	Bálsamo verde
	Bananeira
	Barba de pau
	Bergamoteira
	Boldo arbustivo
	Boldo chileno
	Caneleira
	Canela de velho
	Capim cidró
	Carqueja
	Caruru
	Colônia
	Costela de adão
	Cidró
	Cartucho branco
	Cartucho rosa
	Comigo ninguém pode
	Cinamomo
	Curry
	Danda da costa
	Dólar
	Dinheiro em penca
	Elevante
	Espada de Iansã
	Espada de Ogum
	Erva de bugre
	Erva de bicho
	Folha da batata doce
	Folha-de-fogo
	Folha de inhame
	Folha da costa
	Folha da fortuna
	Folha do figo
	Fumo brabo
	Funcho
	Gengibre amargo
	Gervão Roxo
	Gervão branco
	Guiné
	Goiabeira
	Guanxuma
	Hortelã
	Jiboia
	Jasmim
	Jurubeba
	Lírio do brejo
	Lavanda
	Limoeiro
	Laranjeira
	Losna
	Malva
	Malva-rosa
	Maravilha
	Mangueira
	Melissa
	Malva cheirosa
	Malva rosa
	Manjericão
	Manjericão miúdo
	Manjericão roxo
	Mirra rasteira
	Mirra arbustiva
	Manjerona
	Mamona verde
	Mamona roxa
	Ondas do mar
	Orô
	Pata de vaca
	Pau d´água verde
	Pau d´água verde e amarelo
	Peregun vermelho
	Pereira
	Pulmonária
	Poejo
	Pitangueira
	Romãzeira
	Sálvia
	Salsa
	Taioba
	Tansagem
	Taquareira
	Taquareira de jardim
	Trapoeraba
	Trevo de 3 folhas verde - amarela
	Trevo de 3 folhas verde – flor rosa
	Trevo de 3 folhas verde cortada – flor rosa
	Trevo 3 folhas roxo
	Trevo 4 folhas verde
	Trevo de 4 folhas roxo
	Urtiga
	Árvores sagradas
	A Baobá e sua importância ancestral
	Baobá: a árvore da vida
	Dendezeiro
	Obi
	Considerações finais
	Bibliografia
	Lista
	Índice remissivocom	o	seu	uso	inadequado.
“Ofo	é	o	termo	genérico	empregado	pelos	iorubás	para	designar	encantamento.
Pode	ser	definido	como	a	palavra	falada	que	se	acredita	possuidora	de	força
mágica	ou	capaz	de	produzir	efeitos	mágicos	quando	recitada	ou	cantada	sobre
objetos	mágicos	ou	na	ausência	destes.	Os	encantamentos,	utilizados	em	todas	as
esferas	da	atividade	humana,	em	particular	na	prática	médica,	são	considerados
pelos	iorubás,	como	o	principal	poder	por	eles	adquirido	durante	seu
desenvolvimento	espiritual.
Embora	muitos	encantamentos	dispensem	o	uso	de	objetos,	em	sua	maioria	são
recitados	sobre	objetos	mágicos	ou	medicinais”	(RIBEIRO,	1996	p.	88-89).
“No	encantamento	das	folhas,	a	palavra	adquire	um	poder	de	ação	muito	forte,
porque	ela	está	impregnada	de	àse,	essas	palavras	rituais,	(ofós),	mobilizam	o
àse	quando	pronunciada	de	acordo	à	dinâmica	litúrgica.	Por	isso,	as	palavras
estão	carregadas	de	emoção,	da	história	pessoal	e	do	poder	daqueles	que	as
proferem.	A	palavra	é	atuante	e	pronunciada	no	momento	certo,	induz	à	ação.	No
universo	religioso	afro-brasileiro,	a	fala	é	transmissora	do	saber	que	desperta	o
poder	mágico	da	folha”	(JÚNIOR,	p.	24,	2018).
Assim	também	não	basta	apenas	ter	o	encantamento	correto,	é	preciso	a	força	de
quem	profere,	e	essa	força	também	é	axé.	Quem	escolhe	a	folha	a	ser	utilizada
ao	cantar	na	sua	escolha	já	destaca	assim	a	força	do	axé	da	folha	que,	quando	for
utilizada,	já	estará	mais	apropriada	para	o	uso.
“...	sendo	assim	ofós	são	o	poder	magnetizante	da	fala	sobre	os	símbolos
sagrados,	é	tudo	aquilo	que	você	vai	transmitir	ao	seu	o	próximo.	Além	de
conhecer	as	folhas,	colhei-as	em	horários	determinados	pelos	sacerdotes	e
formas	corretas	de	retirá-las	da	natureza	sem	danificar	as	espécies,	as	mesmas
para	o	uso	religioso	precisam	ser	encantadas”	(JÚNIOR,	2018,	p.	25).
Não	basta	apenas	cantar	ou	pronunciar	palavras	ditas	como	mágicas	se	não
existe	concentração	adequada,	se	não	existe	força	de	quem	fala,	a	palavra	é
mágica	é	necessário	sempre	força	para	proferir,	para	cantar	e	assim	produzir	o
efeito	que	desejamos.
Dessa	forma	o	que	irá	determinar	se	um	axé	será	ou	não	eficiente	além	dos
ingredientes	mágicos	utilizados,	dos	ofós	pronunciados,	será	determinante	a	fala
de	quem	pronuncia,	pois	a	fala	é	detentora	de	axé.
“No	encantamento	das	folhas,	a	palavra	adquire	um	poder	de	ação	muito	forte,
porque	ela	está	impregnada	de	axé,	essas-	palavras	rituais,	ofó,	mobilizam	o	axé
quando	pronunciada	de	acordo	à	dinâmica	litúrgica.	Por	isso	as	palavras	estão
carregas	de	emoção,	da	história	pessoal	e	do	poder	daquele	que	a	profere.	A
palavra	é	atuante	e	pronunciada	no	momento	certo	induz	à	ação.	No	universo
religioso	afro-brasileiro	a	fala	é	transmissora	do	saber	que	desperta	o	poder
mágico	da	folha”	(BOTELHO,	p.	5,	2010).
Ao	fazer	com	que	se	desperte	o	segredo	de	cada	folha	ela	terá	todas	as	condições
necessárias	para	que	se	atinja	o	resultado	que	se	deseja,	tornando	assim	a	folha
um	remédio,	capaz	de	trazer	a	cura,	a	limpeza	do	corpo,	e,	também	paz,
harmonia	e	equilíbrio,	entre	tantas	outras	possibilidades.
Uma	folha	correta,	com	um	ofó	correto,	no	momento	correto	não	determina	um
axé	próspero	e	de	sucesso	se	o	encantamento	não	for	proferido	com	a	alma,	com
a	entrega	plena	do	sagrado,	com	toda	a	força	necessária	para	fazer	com	que
todos	os	seus	segredos	e	mistérios	que	estão	guardados	possam	então	serem
liberados,	tornando	o	impossível	em	possível,	a	dúvida	na	certeza,	pois	com
orixá,	com	a	verdade	e	a	folha	certa	não	existe	nada	que	não	seja	possível,	pois	o
impossível	existe	somente	para	os	que	não	acreditam	em	orixá,	o	impossível
existe	para	os	que	não	buscam	verdades.
Então,	é	preciso	dedicação	para	aprender,	paciência	para	compreender	o	que	se
precisa,	tempo	para	tornar	o	aprendizado	aplicável	em	cada	situação	problema
que	podemos	ir	a	enfrentar,	pois	as	ferramentas	todas	a	natureza	já	nos	oferece,
juntamente	com	a	força	de	cada	orixá,	basta	apenas	saber	usar	isso,	pois	o	resto
todo	se	faz	possível.
Para	encantar	as	folhas	é	preciso	querer	encantar	cada	uma	delas,	e	esse	querer
nos	fazer	ter	sempre	uma	postura	séria	e	dedicada	ao	que	se	propõe.	Para
encantar	devemos	estar	encantados	com	o	axé	que	iremos	fazer,	precisamos
acreditar	sempre	no	que	não	vemos	mas	sentimos,	é	preciso	acreditar	magia	de
Ossanha,	no	poder	das	folhas	e	na	cura	que	que	a	religião	torna	possível	com	o
uso	correto	das	folhas.
Afzelia	é	um	género	botânico	pertencente	à	família	Fabaceae.	São	árvores
nativas	de	zonas	tropicais	de	África	e	Ásia.
O	preparo	do	banho	de	ervas
Ogún	ọdún	tí	ebí	ti	ń	pa	ọ̀gà,	ìrìn-in	fàájì	ò	padà	lẹ́sẹ̀-ẹ	rẹ̀¹⁴
Por	vinte	anos	que	o	camaleão	passa	fome,	ele	não	abandonou	sua	maneira
tranquila	e	digna	de	andar
atenção	no	preparo	do	banho	de	ervas	é	fundamental,	pois	qualquer	descuido
pode	fazer	com	que	se	escolha	a	folha	errada,	ou	folhas	que	não	podem	ser
utilizadas	em	conjunto,	fazer	o	preparo	de	um	banho	de	ervas	deve	ser	tão
importante	quanto	uma	obrigação	é	necessário	seriedade,	respeito	e
comprometimento	sempre.
“o	banho	de	ervas	é	terapêutico	e	sagrado	na	Comunidade	Religiosa”
(CORREIA,	2009,	p.172).
Respeito	na	hora	de	colher	a	folha,	respeito	na	hora	de	pedir	licença	para	cortar	a
folha,	seriedade	no	uso	correto,	pois	toda	folha	é	viva,	dotada	de	axé	e	é	a	força
viva	de	um	orixá	que	vive	nela.
“As	pessoas	que	estão	deprimidas	a	gente	passa	banho	de	descarrego	para	tirar
aquela	energia	negativa”	(BOTELHO,	p.	6,	2010).
Um	dos	primeiros	ritos	que	se	faz	dentro	da	nação	dos	orixás	é	o	banho	de	ervas,
recomendado	muitas	vezes,	até	mesmo	para	os	que	não	são	iniciados	dentro	da
matriz	africana.	O	banho	ao	ser	realizado	faz	limpeza	do	corpo	com	um	dos	axés
mais	sagrados	que	existe	nos	cultos	africanos,	o	axé	das	folhas,	axé	de
revigoramento	de	força.
A
“O	início	de	tudo	que	é	a	manipulação	das	folhas	tem	que	ser	rigorosamente
observado	para	que	nada	ocorra	de	errado”	(JÚNIOR,	2018,	p.	25).
Para	o	preparo	do	banho	é	importante	dedicação	de	quem	faz	o	preparo,	pois	em
tudo	que	fazemos	se	deixa	uma	parte	de	nosso	axé,	não	é	possível	querer
preparar	um	banho	de	ervas	se	se	está	fazendo	uma	outra	atividade	de	forma
simultânea	ou	se	nossa	energia	não	está	ali,	se	não	estamos	focados	no	instante
que	se	prepara.	Para	o	banho	de	ervas	ser	eficiente	acima	de	tudo	é	necessário	se
desligar	de	tudo	que	está	em	nosso	entorno,	focando	de	forma	exclusiva	no
banho	que	se	irá	fazer,	pois	somente	dessa	forma	estaremos	aptos	para	receber	o
axé	de	purificação	e	limpeza	das	ervas.
“Observa-se	também	a	relação	de	respeito	entre	aquele	que	vai	retirar	essas
folhas	e	a	entidade	presente	nelas,	pedir	licença	simboliza	a	constatação	de	que	o
homem	não	é	dono	da	natureza	e	que	as	energias	presentes	nela	são	forças	vivas
e	atuantes”	(BOTELHO,	2010,	p.	4).
O	banho	inicia	já	na	coleta	das	folhas	adequadas	para	cada	situação	que	se	deseja
solucionar,	com	a	energia	referente	ao	orixá	que	se	necessita.	Desta	forma	se	o
banho	é	desejado	para	acalmar	deve-se	utilizar	ervas	que	tenham	a	função	de
tornar	os	ambientes	mais	amenos,	ou	seja	deve-se	dar	preferência	por	ervas
ligadas	a	Oxalá,	Oxum	e	Iemanjá¹⁵.
“Existe	neste	universo	uma	relação	homem/vegetal/natureza	fundamental.	E	esta
relação	faz	parte	de	um	sistema	coerente	de	classificação	e	conhecimento
religioso,	de	tal	forma	que	para	alguém	que	ingresse	na	religião	dos	orixás,	o
“banho	de	folhas	será	seu	primeiro	contato	com	sua	essência,	com	seu	eu,	seu
orixá	em	particular”,	afirmam	os	adeptos.	O	banho	de	folha	também	é	o	elo
cotidiano	com	o	sagrado.”	(CAMPELO,	2020,	p.	842).
Mas	se	o	interesse	é	limpar	uma	pessoa,	deve-se	dar	preferência	por	utilizar
ervas	de	Oya	e	Xapanã	por	exemplo,	mas	nunca	esquecendo	que	as	vezes
necessitamos	do	axé	de	vários	orixás	para	se	ficar	limpo,	por	isso	sempre	é
importante	a	consulta	através	do	jogo	de	búzios,	pois	em	muitas	situações	o	jogo
de	búzios	é	quem	poderá	sempre	orientar	melhor	o	caminho	a	ser	seguido,	as
melhores	ervas	a	serem	usadas	para	se	atingir	um	objetivo	que	se	deseja	e	énecessário.
“os	rituais	religiosos,	especialmente	os	de	“limpeza”	ou	purificação	do	corpo,
sempre	utilizam	o	líquido	proveniente	da	maceração	e	infusão	de	folhas	indicada
para	cada	ocasião	e	divindade”	(BARROS,	2004,	p.	117).
Após	as	ervas	serem	colhidas,	deve-se	verificar	se	estão	limpas	(não	é	necessário
lavar),	mas	é	necessário	verificar	se	não	existe	excesso	de	poeira	ou	mesmo
insetos,	que	neste	caso	devem	ser	removidos,	pois	para	cultuar	orixá	é	necessário
sempre	a	limpeza.
“Enquanto	ensina	aos	médiuns	sobre	banhos	de	ervas,	mãe	Sônia,	que	é	a
responsável	por	acolher	os	ingressantes	neste	templo	de	umbanda,
paulatinamente	evidencia	as	habilidades	das	plantas	e	os	ensina	que,	neste
terreiro,	os	saberes	sobre	elas	não	se	dão	através	da	leitura	de	um	livro,
consultando	um	inventário	botânico	ou	pesquisando	na	internet.	Aprender	sobre
plantas	é,	antes	de	tudo,	aprender	‘com’	plantas,	afinal,	os	exemplares	do	terreiro
fazem	muitas	coisas	e,	neste	processo,	o	aprendizado	se	concretiza	na	interação
multiespécie	e	na	observação	das	mudanças	que	elas	promovem	no	mundo:
Quando	for	fazer	um	banho,	escolhe	uma	planta	só	e	procura	sentir	como	vocês
estavam	antes	e	como	ficaram	depois	do	banho.	É	um	exercício,	gente.	Têm
planta	que	vai	deixar	vocês	mais	calmos,	outras	mais	agitados	[...]	com	algumas
vocês	vão	se	sentir	muito	bem,	com	outras	vocês	não	vão	sentir	nada,	com	outras
a	energia	dela	não	vai	bater	com	a	de	vocês	[...]	cada	planta	vai	fazer	uma	coisa
[...]”	(CARTELESSI,	2017,	p.	866)
Para	o	preparo	do	banho,	as	ervas	todas	após	colhidas	necessitam	serem
maceradas	até	que	seja	liberado	o	sulco	das	folhas	utilizadas,	criando	assim	uma
coloração	verde	escuro	na	água,	podendo	essa	coloração	ser	ainda	de	outra	cor	se
as	folhas	utilizadas	possuírem	outra	cor,	é	novamente	importante	lembrar	que	as
folhas	devem	ser	maceradas	e	não	picadas.
“é	através	deste	preparado	que	o	contato	com	as	plantas	se	torna	mais	íntimo”
(CARTELESSI,	p.	861,	2017)
O	banho	de	ervas,	ou	como	alguns	preferem	chamar	banho	de	folhas,	deve
sempre	ser	realizado	após	o	banho	diário,	e	a	água	contendo	as	ervas	maceradas
são	despejadas	sobre	o	corpo	da	pessoa,	podendo	a	própria	pessoa	a	fazer¹ .	Este
banho	pode	ser	realizado	no	banheiro	e	pode-se	deixar	cair	pelo	ralo	o	excesso.
Não	existe	a	necessidade	de	ser	um	banho	a	ser	realizado	sempre,	mas	deve
ocorrer	quando	orientado	a	partir	do	jogo	de	búzios	ou	mesmo	quando	o	iniciado
achar	que	existe	necessidade	de	melhorar	a	sua	energia.
“Limpar	e	descarregar,	energizar	e	descarregar,	iniciar	e	finalizar	são	algumas
dicotomias	que	ambientam	bem	a	ação	dos	banhos	de	ervas,	justamente	pelo	fato
de	este	preparado	atuar	na	integração	destes	pares	binários,	promovendo	aquilo
que	no	terreiro	se	chama	‘equilíbrio’.	Este	seria	então	o	objetivo	principal	do
banho	de	ervas,	promover	harmonia	da	relação	entre	os	seres	que	constituem	os
sujeitos”	(CARTELESSI,	2017,	p.	862)
As	folhas	maceradas	que	sobrarem	no	chão	ou	na	bacia	ou	outro	local	que	forem
maceradas	devem	ser	despachadas,	em	um	local	no	verde,	em	caso	de	banho
para	uma	limpeza	preferencialmente	despachar	fora	do	pátio.
“o	banho	de	descarga,	como	seu	nome	indica,	serve	para	descarregar	(eliminar)
os	fluídos	pesados	de	uma	pessoa.	“Mas	por	que	devemos	tomar	banhos	de
descarga?”,	indagam	vocês.	A	resposta	é:	o	banho	é	a	renovação	do	corpo	e	da
alma,	pois	quando	o	corpo	se	sente	bem	e	se	acha	refeito	do	cansaço,	a	alma	fica
também	mais	apta	a	vibrar	harmoniosamente”	(FARELLI,	2010,	p.	47).
É	importante	ainda	lembrar	que	após	o	banho	de	ervas	podemos	nos	secar¹⁷	e,	de
forma	nenhuma	isso	irá	anular	o	banho	que	foi	realizado,	que	irá	depender
apenas	das	ervas	colhidas	e	maceradas	de	forma	correta,	de	acordo	com
orientação	no	jogo	de	búzios.
Mas	afinal	para	quem	um	banho	de	ervas	é	indicado?	Para	todos	os	que	desejam
receber	o	axé	das	folhas,	para	todos	que	precisam	se	revigorar,	se	fortalecerem,
para	os	que	querem	se	desprender	de	energias	negativas	acumuladas	no	dia	a	dia
pelo	convívio	com	outras	pessoas	ou	lugares	que	passou,	pois	todos	por	onde
passam	deixam	sua	energia,	mas	também	absorvem	energias	que	podem	ser	boas
ou	ruins.
“Daí	a	água	está	presente	em	todos	os	rituais	e	sem	ela	nada	se	inicia.	Isso	vale
também	para	o	sangue	das	folhas,	adquirido	quando	as	esmagamos,	desfiamos
ou	maceramos	a	fim	de	extrair	a	seiva.	Sem	elas	também	nada	se	inicia.”
(JÙNIOR,	2011,	p.	63).
Um	banho	de	ervas	correto,	bem	macerado	tendo	uma	boa	sintonia	com	o	orixá
já	é	um	ótimo	remédio	para	muitos	males	que	cobrem	cada	um	de	nós,
eliminando	muitas	vezes	a	necessidade	de	fazer	outros	axés	ou	ainda	algumas
limpezas,	que	muitas	vezes	são	minimizadas	ou	dispensadas	após	um	banho	bem
realizado,	que	além	de	limpar	o	astral,	ainda	atrai	boas	energias	para	quem	está
fazendo	o	banho,	possibilitando	assim	oportunidades,	saúde	e	harmonia	na	vida
diária	de	cada	um.
“O	ritual	do	banho	tem	como	simbologia	coletiva	a	sua	virtude	purificadora	e
transformadora.	Estando	associado	ao	ato	de	imergir,	o	que	lhe	confere	um	valor
iniciático.	Os	gregos	banhavam	com	ervas	aromáticas	as	estátuas	sagradas”
(ALMEIDA,	2011,	p.	193).
Todos	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	são	orientados	a	realizarem	o	seu	banho	de	ervas,
logo	após	o	banho	diário,	com	o	corpo	previamente	já	limpo,	o	que	também	é
destacado	por	FARELLI	(2010,	p.	48)	“um	banho	de	descarga	com	as	ervas	deve
ser	tomado	após	o	banho	rotineiro”,	pois	dessa	forma	estamos	despidos	de
impurezas	do	dia	a	dia	e	mais	próximos	do	sagrado,	com	maiores	condições	de
receber	o	axé	das	folhas.
E	por	mais	simples	que	possa	parecer	muitos	ainda	não	compreendem	que	para
cultuar	orixá	é	necessário	sempre	estarmos	limpos,	assim	como	os	ambientes
também	precisam	estar,	não	adianta	fazer	um	banho	de	folhas	se	nossa	casa	não
está	também	limpa,	pois	a	energia	toda	deve	sempre	estar	de	acordo.
A	mafumeira,	também	chamada	Samaúma	é	uma	árvore	de	origem	africana	que
produz	uma	madeira	macia,	com	fácil	adaptação	em	climas	tropicais.
Limpeza	com	folhas
“Você	aprende	a	cortar	árvores	cortando-as”¹⁸
Provérbio	Africano
ntre	os	vários	tipos	de	limpeza	que	são	realizadas	na	Fortaleza	Ilê	Orixá	uma
delas	é	somente	com	folhas	ou	galhos,	folhas	estas	referente	ao	orixá	que	se
deseja	utilizar	para	a	limpeza.	Os	galhos	ou	folhas	que	serão	utilizados	são
definidos	a	partir	de	consulta	ao	jogo	de	búzios,	mas	sempre	se	deve	colocar	os
orixás	Ogum,	Oya	e	Xangô,	em	caso	de	filho	do	axé,	pois	correspondem	a
bandeira	religiosa	da	casa.	Filhos	de	casa	aberta¹ 	devem	ainda	utilizar	uma	folha
representante	ao	seu	orixá	de	cabeça,	caso	já	não	esteja	dentre	as	folhas
utilizadas.
Esta	limpeza	substitui	a	limpeza	realizada	com	pacotes	e	são	executados	os
mesmos	procedimentos	da	limpeza	tradicional	com	pacotes,	tanto	para	passar,
quanto	na	hora	de	despachar,	no	entanto,	não	recomendada	como	única	limpeza
a	ser	realizada,	devendo	sempre	ser	utilizada	a	limpeza	completa	com	todos	os
pacotes	de	cada	orixá.
Uma	grande	importância	deste	tipo	de	limpeza	é	que	para	a	natureza	esta
limpeza	é	menos	poluente.	pois	os	materiais	que	são	utilizados	são	ervas	e
galhos	de	plantas,	que	desta	forma	não	poluem,	e	ocorre	rapidamente	a
degradação	na	natureza,	não	gerando	lixo.
Geralmente,	esta	limpeza	é	utilizada	em	casos	mais	simples	para	limpeza
espiritual,	onde	a	limpeza	completa	já	foi	realizada	anteriormente	ou	ainda	em
casos	em	que	a	limpeza	com	todos	os	orixás	não	possui	necessidade,	embora	seja
sempre	recomendada	uma	limpeza	completa	na	maioria	das	vezes.
É	possível	utilizar	a	cana-de-açúcar	para	o	orixá	Bará,	para	orixá	Ogum	utiliza-
E
se	a	espada	de	São	Jorge² 	para	orixá	Iansã	utiliza-se	a	taquareira	ou	a
pitangueira	podendo	ainda	ser	utilizada	a	espada	de	Iansã	ou	espada	de	Santa
Bárbara	como	é	conhecida	no	Rio	Grande	do	Sul,	para	Xangô	é	possível	utilizar
galhos	de	orô,	que	é	uma	planta	muito	utilizada	em	ritos	no	Rio	Grande	do	Sul.
Quando	o	objetivo	é	saúde	podem	ser	utilizados	galhos	de	uma	erva	conhecida
como	gervão,	o	orixá	Oba	pode	utilizar	para	as	limpezas	galhosde	romãzeiras	e
para	o	orixá	Xapanã	em	limpezas	utiliza-se	galhos	de	guanxuma.	O	orixá	Oxum
no	caso	de	limpeza	é	possível	pegar	galhos	de	flores	variadas	que	são	utilizados
para	dar	o	seu	axé	e,	o	orixá	Oxalá	na	limpeza	pega-se	galhos	de	boldo.	As
plantas	que	são	utilizadas	em	caso	de	limpezas	com	folhas	ou	galhos	podem
todas	elas	serem	substituídas	de	acordo	com	consulta	ao	jogo	de	búzios,	desde
que	sejam	plantas	correspondente	aos	orixás.	Estas	são	confirmadas	sempre	a
partir	dos	jogos	de	búzios	é	claro	que	nem	toda	a	erva	que	é	utilizada	para	um
banho	também	vai	ser	utilizado	para	limpeza,	assim	como	o	contrário	também
vale,	nem	toda	erva	que	podemos	utilizar	em	uma	limpeza	pode	ser	utilizada
para	um	banho	como	já	foi	dito	antes.	Por	isso,	em	caso	de	qualquer	dúvida,	é
sempre	importante	conversar	antes	com	o	pai	ou	a	mãe	de	santo	para	ter	uma
orientação,	no	caso	de	filhos	do	axé	da	Fortaleza	Ilê	Orixá,	conferir	se	na	sede	já
foram	antes	utilizadas	previamente	por	Adiokô	ou	Tofã.
A	limpeza	com	galhos	não	deve	ser	utilizada	fora	do	espaço	sagrado	do	terreiro,
pois	se	estamos	minimizando	o	processo	de	limpeza,	em	algumas	situações,
estamos	amparados	por	toda	força	do	sagrado	que	está	nos	apoiando,
possibilitando	que	as	energias	sejam	limpas	sem	permitir	que	ocorra	desgaste	em
quem	está	fazendo,	essa	determinação	só	muda	se	for	orientado	através	de	jogo
de	búzios.
É	necessário	lembrar	que		em	nosso	axé	somente	podem	passar	qualquer	tipo	de
limpeza	os	filhos,	já	iniciados	por	obrigação	com	ejé²¹,	ou	axorô	como
preferirem,	tendo	preferencialmente	obrigação	de	bori,	já	que	sempre	existe
desgaste	do	corpo	físico	e	do	ori²².
E	antes	que	alguns	critiquem	ou	falem	que	esta	limpeza	não	existe,	ou	que	não	é
eficiente	ou	está	errada,	o	axé	Ilê	Orixá	não	questiona	nada	que	outros	axés
fazem,	mas	também	não	aceitamos	questionamentos	sobre	o	que	aqui	se	faz.
A	casa	está	estruturada	dessa	forma,	com	seus	ritos,	seus	tabus	e	orientações,	que
fazem	com	que	o	axé	cresça	e	mantenha	tudo	em	pé.	Se	está	errado	para	outro
aqui	funciona,	dá	frutos	e	faz	tudo	prosperar,	não	acredita?	Não	faça,	mas
aprenda	sempre	a	respeitar	quem	saber	como	fazer	diferente	e	funcionar.
Acácia	é	o	nome	dado	a	um	grupo	de	centenas	de	diferentes	árvores	e	arbustos
que	crescem	em	áreas	quentes,	principalmente	na	África.
Ervas	adequadas	para	banhos
Aṣiwèrè	èèyàn	ló	ń	sọ	pé	irú	òun	ò	sí,	irú	ẹ̀	pọ̀	ju	ẹgbàágbèje	lọ²³
Apenas	uma	pessoa	tola	vai	alegar	que	não	há	nenhum	como	ele;	sua	laia	abunda
em	todas	as	ervas	que	são	destinadas	aos	orixás	podem	ser	utilizadas	no	preparo
de	um	banho,	algumas	podem	causar	alergia	e	irritação	na	pele	e	outras	por	não
serem	propícias	para	este	fim.	A	princípio	somente	podem	ser	utilizadas	para
realização	de	banhos	as	ervas	que	já	foram	utilizadas	na	sede	da	Fortaleza	Ilê
Orixá,	ou	seja,	uma	erva	que	pertence	a	um	determinado	orixá	se	nunca	foi
utilizada	para	banho,	ela	não	pode	ser	utilizada,	pois	ser	de	um	orixá	não	implica
que	seja	útil	para	banho.	É	sempre	importante	que	se	conheça	bem	a	planta	que
será	utilizada,	pois	o	seu	uso	inadequado	pode	trazer	problemas	diversos	para	a
saúde	da	pele,	ou	ainda	mesmo	problemas	espirituais.
“procuram	no	banho	de	ervas	uma	interação	que	possa	favorecer	este	processo
de	conhecer/desenvolver	o	orixá	e	a	si	próprio.	Por	sua	vez,	o	banho	lava	o
corpo,	porém	não	a	cabeça,	e	desta	forma	promove	uma	interação	menos	intensa
entre	homens	e	deuses.	Quando	julgam	pertinente,	cabe	então	às	lideranças	do
terreiro	alguma	intervenção	nesta	relação,	que	acontece	também	através	de	ações
promovidas	por	plantas”	(CARLESSI,	2017,	p.	860).
Existem	ervas	consagradas	para	atividades	diversas,	dessa	maneira	eu	vou	ter
ervas	importantes	para	crescimento	profissional,	ervas	para	saúde,	ervas	para
atividades	diversas	e	nem	todas	elas	são	adequadas	para	um	banho,	mas	elas
podem	ser	para	outras	atividades,	por	isso,	que	você	deve	consultar	o	oráculo	do
jogo	de	búzios,	pois	nada	se	define	sem	antes	jogar,	se	tem	dúvida	não	faça,
pergunte,	questione,	procure	sempre	antes	compreender,	e	sempre	ter	certeza	que
N
está	fazendo	uso	da	planta	correta,	pois	existem	muitas	que	se	parecem
fisicamente,	mas	não	são	iguais	e	apresentam	objetivos	e	funcionalidades
conflitantes	e	diferentes	do	que	desejamos.
A	folha	da	fortuna	por	exemplo	se	parece	muito	com	o	aranto	e	outras	espécies.
A	hortelã	também	gera	muita	confusão	pois	é	parecida	com	o	elevante	e	outras,
por	isso	cuidado	e	atenção	nunca	são	demais.
“No	ritual	do	batuque	no	Rio	Grande	do	Sul	as	ervas	são	utilizadas	mais	para
banhos	do	que	para	a	cura	de	doenças”	(MOTA,	2003,	p.	6).
As	folhas	importantes	que	devem	estar	presentes	nos	banhos	para	o	Ilê	Orixá	são
as	ervas	em	especial	que	caracterizam	o	axé,	assim	é	importante	que	exista	uma
erva	de	Ogum,	uma	erva	de	Oya,	uma	erva	de	Xangô	e	ainda	uma	erva
relacionada	ao	orixá	de	quem	irá	fazer	o	banho,	completando	as	demais	ervas	de
acordo	com	orientação	do	jogo	de	búzios.
“A	força	do	Orixá	é	revitalizada	periodicamente	através	de	banhos,	em	que
entram	a	infusão	de	folhas	das	mesmas	variedades	daquelas	empregadas	pelo
primeiro	alasé,	por	libações	do	sangue	de	certos	animais,	oferendas	de	comidas,
e	por	meio	das	orações	e	do	enunciado	de	seus	oriki	_	uma	forma	de	saudação,
em	que	são	enunciados	os	nomes	gloriosos,	as	divisas,	as	louvações	especiais	ao
Orixá,	que	exaltam	seu	poder	e	recordam	fatos	e	proezas	do	ancestral
divinizado.”	(VERGER,	2000,	p.38).
Mas	considerando	que	o	banho	de	ervas	é	sempre	pessoal,	e	na	maioria	das
vezes	orientado	pelos	orixás	através	do	jogo	de	búzios,	pode	ocorrer	solicitação
de	ervas	diferenciadas	para	um	determinado	banho	e,	assim	não	fazer	uso	de
uma	das	ervas	citadas	acima,	e	ainda	acrescentar	outras,	em	tipos	e	ou
quantidades,	pois	como	muito	já	disse	aqui	no	Ilê	Orixá	é	sempre	o	jogo	de
búzios	que	tudo	determina,	e	que	sempre	escolhe	o	caminho	que	se	deve	seguir.
Para	uma	erva	ser	adequada	para	um	banho	é	preciso	que	suas	folhas	sejam
colhidas	com	cuidado	para	preservação	da	planta,	que	o	corte	de	suas	folhas	seja
de	forma	não	agressiva,	pois	todas	as	folhas	são	vivas	e	como	forma	de	vida
devem	ser	respeitadas.
Ainda	sobre	ervas	adequadas	para	banho	devemos	ser	dar	prioridade,	quando
possível	por	folhas	colhidas	no	dia	em	que	o	banho	será	realizado,	evitando
folhas	compradas	secas	ou	ainda	folhas	que	estiverem	danificadas	em	processo
de	deterioração.
Um	banho	de	ervas	correto,	realizado	também	com	as	ervas	corretas,	cantadas
também	da	forma	correta	são	suficientes	para	a	melhora	de	muitos	problemas
que	são	enfrentados,	mas	para	isso	também	é	necessário	respeito	com	cada	folha
e	com	o	rito	a	ser	feito.
Banho	de	Folhas
²⁴
Foi	em	uma	quarta-feira
Saí	pra	te	procurar
Andei	a	cidade	inteira
Mas,	cadê	você?
Cadê	você?
A	cidade	é	grande
As	pessoas	muitas
E	eu	por	aí
Sem	te	encontrar
Vou	pedir	a	oxalá
Oxalá	quem	guia
Oxalá	quem	te	mandou
Tanta	volta	pra	nenhuma	resposta
Tanta	volta	pra	nenhuma	resposta
Tanta	volta	pra	nenhuma	resposta
Tanta	volta	pra	nenhuma	resposta
Nenhuma	resposta
Mas	um	punhado	de	folhas	sagradas
Pra	me	curar,	pra	me	afastar	de	todo	mal
Para-raio,	bete	branca,	assa	peixe
Abre	caminho,	patchuli
Para-raio
Para	afastar	o	mal
Para	afastar	a	inveja
Para	atrair	o	amor
Para	atrair	o	que	for	bom
Newbouldia	laevis,	conhecida	no	Brasil	pelo	nome	popular	de	akoko,	é	uma
planta	muito	utilizada	nos	ritos	africanos.	Na	África	também	conhecida	como
árvore	do	título.
Como	cultivar	sua	erva
Ìpa	à	ńpoṣè	ara	ló	fi	ńsan²⁵
Nossa	tentativa	de	matar	a	árvore	de	oṣè	ela	(a	árvore	de	oṣè)	só	se	torna	mais
gorda
ara	cada	tipo	de	ervas	é	preciso	espaço	adequado	de	terra	de	solo	de	iluminação
conhecer	a	fisiologia	da	planta	facilita	o	entendimento	quanto	a	sua	adaptação	no
local	a	ser	plantada,	nunca	é	demais	falar	que	é		preciso	tempo	e	dedicação	para
ter	ervas	em	uma	casa,	como	seres	vivos	que	são	as	plantas	necessitam	cuidados
periódicos	e	um	tempo	dedicado	para	que	as	possuiu.
“As	ervas	têm	um	grande	valor	ritualístico	parao	Batuque,	sendo	usadas
recorrentemente.	Devido	a	isto,	é	mais	em	conta	para	os	batuqueiros	cultivarem
as	plantas	de	que	necessitam	(quando	o	espaço	físico	da	casa	as	comporta).	Um
mamoeiro,	uma	mamoneira”	(MARINI,	2012,	p.	60).
Mas	não	adianta	plantar	se	não	cuidar,	ter	as	ervas	se	não	as	conhece,	se	não	as
respeita	e	se	não	mantém	cuidados	necessários	para	sua	preservação.	Cabe	aos
iniciados	perceberem	que	cada	planta	que	se	cuida,	se	planta,	e	que	se
compreende	é	sempre	um	axé	que	se	planta,	que	se	recebe,	e	que	melhor
compreendemos.
“Um	terreiro	se	fortalece	ao	plantar	folhas,	ao	cuidar	das	folhas	e	ao	ajudar	a
preservar,	é	preciso	que	todos	compreendam	que	não	se	faz	religião	sem	a
natureza,	sem	o	verde	das	folhas,	sem	suas	ervas.	Independente	do	espaço
disponível	todos	possuem	condições	de	dedicarem	um	espaço	por	menor	que
seja	para	o	cultivo	de	ervas	utilizado	na	religiosidade	africana.”	(PEREIRA,
P
2019,	p.	241).
Para	alguns	antigos	da	religião	de	matriz	africana	as	plantas	que	irão	ser
utilizadas	nos	ritos	devem	ser	buscadas	no	mato,	em	um	espaço	sagrado,
intocado,	pois	ali	a	energia	de	Ossanha	e	de	suas	plantas	está	intacta,	sem	a
interferência	humana.	BASTIDE	(1961,	p.	158)	“as	plantas	encontradas	no	mato
podem	existir	no	quintal	da	casa,	ou	no	jardim,	mas	assim	domesticadas	não
apresentam	valor	algum.	É	preciso	ir	buscá-las	no	mato	mesmo.	Há	oposição
entre	o	mundo	da	cultura,	e	o	mundo	selvagem,	do	outro.		Ossanha	não	se
aventura	nos	lugares	em	que	o	homem	cultivou	a	terra	e	construiu	casas,	nos
lugares	em	que	disciplinou	na	natureza.	É	o	deus	do	mato,	e	não	das	plantas
cultivadas”.
“A	gente	planta,	eu	planto,	mas,	para	mim,	quem	cuida	das	folhas	é	Ossain.
Aprendi	que	todas	as	folhas	são	sagradas.	Aprendi	no	candomblé.	Minha
ancestralidade	se	reencontra	no	candomblé...	Divindade	só	tem	relação	com	a
diversidade.	Qualquer	um	pode	sentir	esta	energia,	independente	de	religião.
Para	mim	não	é	só	o	homem	quem	cuida	das	plantas,	para	mim	que	sou	do
candomblé,	não	é	só	o	homem.	Somos	a	alavanca	que	conduz,	para	que	as	ervas
perpetuem.	A	gente	planta,	mas	tem	que	ter	a	energia,	tem	que	ter	a	volta	do	axé
...	Agradar	a	natureza”	(Babalorixá	Henrique	de	Oxalá,	2009).
É	claro	que	no	espaço	mato,	um	espaço	intocado,	e	assim	puro	a	força	de
Ossanha	estará	plena,	mas	divergindo	de	BASTIDE	(1961),	não	acredito	que	ao
cultivar	plantas	com	coração	puro	em	um	ambiente	dedicado	ao	culto	que
Ossanha	ali	não	esteja,	pois	se	assim	for,	em	muitas	cidades	onde	o	acesso	a
vegetação	em	espaços	intocados	fica	cada	vez	mais	difícil	o	culto	ao	orixá
Ossanha	estará	condenado	a	morrer
E	Ossanha	sempre	vive,	e	sempre	estará	vivo	enquanto	se	acreditar	nele,
enquanto	se	cultivar	a	floresta,	se	cultivar	um	jardim	em	nossas	casas,	se	cultivar
a	vida	de	toda	folha	que	se	puder,	ali	estará	Ossanha,	pois	ele	é	a	própria
manifestação	da	vida	presente	nas	folhas.	Que	cada	um	de	nós	consiga	sempre
manter	vivo	o	seu	culto,	cuidando	de	todas	as	folhas	que	pudermos.
Muitas	vezes,	é	necessário	estudar	cada	planta	antes	do	plantio,	e	é	importante
que	o	iniciado	tenha	condições	de	cultivar	ao	menos	as	principais	plantas	de	seu
orixá,	e	algumas	ervas	de	seu	pai	ou	mãe,	já	que	serão	ervas	que	estarão	sempre
presentes	na	maioria	dos	ritos.
A	religião	africana	é	sempre	sustentada	na	natureza,	no	cultivo	da	folha,	e	na
relação	do	orixá	com	a	natureza.	De	forma	nenhuma	se	pode	cultuar	orixá	sem
folha.	Também	não	se	pode	aceitar	que	um	iniciado	não	saiba	cultivar	algumas
ervas	sagradas,	mais	do	que	simplesmente	dizer	que	não	gosta	de	planta	ao	não
cultivar	nenhuma	planta,	deixa	também	de	cultivar	uma	parte	do	axé	de	cada
orixá.
“No	culto	aos	orixás,	trazidos	pelos	africanos	para	as	Américas	e	Caribe,	o
vegetal,	a	folha,	é	elemento	sem	a	qual	o	mesmo	não	existe.	No	ofó	“Ko	si	Ewé,
ko	si	òrìsá”	frequentemente	reverberado	pelos	seguidores	da	religião,	podemos
transcrever	que	“sem	folha,	sem	orixá”,	melhor	dizendo	que	sem	a	presença	do
vegetal	não	se	cultua	o	orixá.	Desta	forma,	evidencia-se	o	papel	inaugural	do
vegetal	enquanto	parte	que	alicerça	todo	proceder	ritualístico,	e	assim	se	dá	há
milênios”	(CAMPOS,	2019,	p.	68).
Toda	erva	carrega	consigo	o	princípio	do	axé	do	orixá,	cultivar	as	ervas	de	um
orixá	desta	forma	faz	com	que	nosso	solo	se	torne	cada	vez	mais	sagrado,	pois
ao	plantar	cada	erva	estamos	também	plantando	o	axé	do	orixá,	a	força
impulsionadora	do	orixá.	Quanto	mais	ervas	temos	de	um	orixá	mais	somos
chamados	para	usá-la,	mais	o	orixá	ficará	próximo	da	planta,	e	do	solo.	
E	todos	temos	condições	de	cultivar	essas	ervas,	basta	dedicar	um	tempo	e
atenção	ao	cultivo,	pois	ter	nossas	ervas	plantadas	implica	em	cuidar,	regar,
limpar	o	canteiro,	para	somente	assim	poder	colher	as	folhas	que	se	deseja.
“Uma	das	médiuns	em	desenvolvimento	acompanhadas	em	campo	(Dona
Margarida),	por	exemplo,	vive	em	um	pequeno	apartamento	com	seu	filho
Rodrigo,	ambos	médiuns	do	terreiro	há	cerca	de	cinco	anos.	A	falta	de	espaço,
como	me	relatou,	não	foi	um	problema	para	cultivar	algumas	plantas	que
passaram	a	fazer	parte	de	sua	vida	após	a	entrada	para	o	terreiro:	Eu	coloquei
umas	ervas	numa	jardineira	e	pendurei	do	lado	de	fora	da	janela	para	que	elas
pudessem	tomar	sol,	você	acredita?	[risos].	No	começo	o	Rodrigo	não	gostava,
mas	agora,	meu	deus!	Não	pode	mexer	sem	ele	saber.	Ele	vive	falando	‘cuidado
com	o	meu	manjericão!’	[risos].	É	muito	atencioso,	rega	todos	os	dias,	conversa
com	elas,	tem	muito	amor	mesmo	[...]”	(CARLESSI,	2017,	p.	856).
“Um	terreiro	se	fortalece	ao	plantar	folhas,	ao	cuidar	das	folhas	e	ao	ajudar	a
preservar,	é	preciso	que	todos	compreendam	que	não	se	faz	religião	sem	a
natureza,	sem	o	verde	das	folhas,	sem	suas	ervas.	Independente	do	espaço
disponível	todos	possuem	condições	de	dedicarem	um	espaço	por	menor	que
seja	para	o	cultivo	de	ervas	utilizado	na	religiosidade	africana”	(PEREIRA,
2017).
Mas	também	não	adianta	cuidar,	plantar,	regar	e	limpar	os	espaços	dos	canteiros
de	ervas	se	depois	disso	apenas	existir	preocupação	em	colher	as	folhas
desejadas,	é	necessário	ficar	sempre	atento	ao	consumo	de	cada	erva,	ir
replantando,	fazer	novas	mudas,	para	que	o	ciclo	permaneça	sempre	ativo.
Se	todos	apenas	houvesse	consumo	das	folhas	sem	haver	a	preocupação	em
replantar	estaríamos	condenados	a	morrer,	sem	remédio	e	sem	alimento,	pois
sem	folha	não	existe	vida,	sem	não	existe	orixá.
“destacamos	o	acesso	às	folhas,	muitas	vezes	pela	falta	de	espaço	para	manter	“o
mato	da	casa”,	é	preciso	recorrer	aos	mercados,	feiras,	ou	hortas	comunitárias
para	se	conseguir	as	folhas	necessárias	para	os	rituais	religiosos.	Todo	esse
cuidado	é	observado	no	cotidiano	do	terreiro,	desde	a	obtenção	das	folhas,	a
preocupação	com	a	pessoa	que	cuidará	delas,	a	forma	de	guardá-las	entre	outras.
Há	uma	expectativa	na	certeza	dos	resultados,	quer	seja	nos	tratamentos	de
saúde,	quer	seja	nas	festas	e	rituais	sagrados,	o	início	de	tudo	que	é	a
manipulação	das	folhas	tem	que	ser	rigorosamente	observado	para	que	nada
ocorra	de	errado”	(BOTELHO,	2010,	p.4-5)
Todos	nós	temos	responsabilidade		de	fazer	com	que	cada	religioso	de	matriz
africana	compreenda	a	importância	de	cultivar	as	folhas	que	utilizamos,	de
cuidar	do	espaço	que	fazemos	uso,	pois		como	muito	já	foi	dito		para	existir
orixá	é	necessário	que	existam	as	folhas.
O	bambú,	no	Rio	Grande	do	Sul	conhecido	como	taquara	é	uma	de	muito	fácil
adaptação	presente	em	diversas	regiões	do	planeta	que	reúne	muitas	espécies
diferentes.
Importância	da	preservação
Nítorí	adití	lò'jò	fi	ń	ṣú;	nítorí	afọ́jú	ló	ṣe	ń	kù²
As	nuvens	se	formam	para	o	benefício	das	pessoas	surdas,	troveja	para	o
benefício	dos	cegos
odos	nós,	somos	todos	os	dias,	responsáveis	pela	preservação	de	todas	as	folhas,
com	atitudes	adequadas	e	hábitos	corretos	no	nosso	dia	a	dia,	pois	não	basta
apenas	plantar	algumas	árvores,	alguns	vegetais	em	nossa	casa	e	acreditar	que
isso	é	suficiente,	é	necessário	mais	do	que	isso,	é	importante	incentivar	a
consciência	ecológica.
“O	fato	das	folhas	possuírem	uma	divindade	capazde	saber	os	seus	usos
medicinais,	nos	mostra	que	muito	além	de	assumirem	um	papel	secundário	na
sociedade	afroreligiosa,	as	folhas	têm	uma	importância	sacramental	e	terapêutica
que	inicia	logo	na	sua	coleta	e	no	modo	como	vai	ser	retirada,	e	todo	o	processo
deve	ser	realizado	por	quem	compreende	a	capacidade	de	despertar	o	poder	das
folhas”	(RIBEIRO,	2018,	p.	3).
E	cada	terreiro	possui	responsabilidade	de	fazer	com	que	todos	os	iniciados
sejam	incentivados	a	utilizar	folhas,	terem	as	suas	próprias	folhas	e	a
reconhecerem	que	não	se	faz	religião	sem	folha,	pois	toda	folha	possui	axé	e
carrega	consigo	a	energia	do	orixá,	e	assim,	plantar	uma	folha	é	plantar	o	axé	de
um	orixá.
Para	Mãe	Stella	de	Oxóssi,	em	Expressões	de	Sabedoria,	livro	organizado	por
Nelson	De	Luca	Pretto	e	Luiz	Felippe	Perret	Serpa	(2002),	fica	muito	claro	a
importância	que	o	Candomblé	(e	demais	tradições	africanas)	dá	para	a
preservação	e	cuidados	com	as	plantas,	pois	é	uma	religião	que	depende	de	cada
folha	que	nasce,	e	por	isso	precisa	cuidar	e	preservar	todos	os	seus	espaços
T
sagrados.
“De	todas	as	religiões,	o	candomblé	é	a	que	mais	enfatiza,	mais	valoriza,	mais
cuida	do	vegetal,	de	toda	a	natureza,	porque	se	a	gente	precisa	das	folhas,	é	justo
que	a	gente	procure	conservar.	Você	vê	que	existem	árvores	com	mil	anos	aí,	e
todo	candomblé	tem	seu	pequeno	parque	guardado,	porque	nós	valorizamos,	nós
cultuamos	as	plantas.	Então,	é	evidente	que	nós	não	íamos	botar	nada	que	fosse
decompor,	estragar	uma	plantação.	Aí,	rapaz,	é	coisa	da	oposição!”
Refloresta²⁷
Gilberto	Gil
Manter	em	pé	o	que	resta	não	basta
Que	alguém	vira	derrubar	o	que	resta
O	jeito	é	convencer	quem	devasta
A	respeitar	a	floresta
Manter	em	pé	o	que	resta	não	basta
Que	a	motosserra	voraz	faz	a	festa
O	jeito	é	compreender	que	já	basta
E	replantar	a	floresta
Milhões	de	espécies,	plantas	e	animais
Zumbidos,	berros,	latidos,	tudo	mais
Uivos,	murmúrios,	lamentos	ancestrais
Por	que	não	deixamos	nosso	mundo	em	paz?
Além	do	morro,	o	deserto	se	alastra
Toda	terra,	da	serra	aos	confins
O	toco	oco,	casco	de	Canastra
Onde	enterramos	saguis
Manter	em	pé	o	que	resta	não	basta
Já	quase	todo	o	verde	se	foi
Agora	é	hora	de	ser	refloresta
Que	o	coração	não	destrói
Milhões	de	espécies,	plantas	e	animais
Zumbidos,	berros,	latidos,	tudo	mais
Uivos,	murmúrios,	lamentos	ancestrais
Por	que	não	deixamos	nosso	mundo	em	paz?
Manter	em	pé	o	que	resta	não	basta
Que	alguém	vira	derrubar	o	que	resta
O	jeito	é	convencer	quem	devasta
A	respeitar	a	floresta
Manter	em	pé	o	que	resta	não	basta
Já	quase	todo	o	verde	se	foi
Agora	é	hora	de	ser	refloresta
Que	o	coração	não	destrói
Que	o	coração	não	destrói
Respeitar	a	floresta
Respeitar	a	floresta
Replantar	a	floresta
Que	o	coração	não	destrói
E	respeitar	a	floresta
Replantar	a	floresta
Que	o	coração	não	destrói
Que	o	coração	não	destrói Como	macerar	as	ervas
“As	ervas	requerem	muito	conhecimento	para	manuseá-las,	a	fim	de	formar	uma
composição	eficácia	na	cura	dos	males	físicos	e	espirituais”	(JÚNIOR,	2018,	p.
22)
maceração	das	ervas	deve	ser	feita	com	elas	limpas	e	em	paz,	elas	devem	ser
maceradas	de	forma	coletiva,	todas	as	ervas	coletadas	juntas,	sem	a	separação	de
cada	uma	delas.
É	importante	lembrar	que	a	maceração	deve	obedecer	aos	critérios	determinados
no	jogo	de	búzios,	quais	ervas	serão	utilizadas	a	pessoa	que	for	macerar	as	ervas,
deve	estar	de	coração	limpo	na	hora,	não	adianta	estar	macerando	as	ervas	se	a
cabeça	não	estiver	ali	ou	ainda	se	a	cabeça	tiver	com	muitos	problemas,	naquele
momento,	é	preciso	estar	dedicado	ao	momento,	com	pensamentos	positivos.	No
momento	da	maceração	o	orixá	já	se	encontra	ao	lado,	observando	e
acompanhando,	nessa	hora	pode	rezar,	pode	conversar	com	seu	orixá.
O	orixá	acompanha	desde	a	colheita	da	erva	até	a	maceração	final,	por	isso	é
importante	o	respeito	em	todas	as	etapas.	Não	adianta	querer	receber	o	axé	da
folha	se	não	existe	respeito	com	a	folha,	na	hora	da	colheita	ou	da	maceração	da
folha.	E	o	respeito	ainda	vai	além	de	apenas	coletar	ou	macerar	a	erva,	o	respeito
também	está	presente	com	os	cuidados	com	as	ervas	que	são	colhidas,	com	as
que	sobram	após	coletadas,	com	as	que	cortamos	para	utilização	e	o	que	fazemos
com	as	ervas	que	sobram,	que	devem	ser	preferencialmente	retomadas	ao	verde,
e	sempre	que	possível	serem	plantadas	novamente,	produzindo	assim	novas
mudas.
“Tirar	uma	folha	e	não	a	usar	em	algum	ritual	é	cometer	um	suicídio	na	natureza.
Folha	é	vida,	é	o	ar,	é	o	sangue	vegetal,	sendo	assim,	Òsayìn	não	representa
somente	as	folhas,	mais	o	ar	que	respiramos,	a	fotossíntese”	(RIBEIRO,	2018,	p.
A
12).
O	respeito	com	a	natureza	deve	estar	sempre	em	primeiro	lugar,	pois	a	natureza	é
a	representação	do	orixá	vivo	que	habita	no	aye,	respeitar	a	natureza	é	também
respeitar	o	orixá,	pois	não	existe	orixá	sem	natureza.	E	respeitar	implica	em
evitar	gerar	poluentes,	tentar	sempre	que	possível	evitar	a	produção	de	lixo	não
biodegradável,	minimizar	os	impactos	ambientais	e	sempre	buscar	a	preservação
das	espécies	vegetais	e	animais.
“para	preparar	os	banhos	e	as	lavagens,	é	preciso	que	a	erva	esteja	viva.	Eis
porque,	ajuntava,	a	dos	armários	não	pode	servir,	ela	perdeu	a	força	...	vendem-
na	“sêca”.	É	preciso	também	esfregá-la,	espremê-la,	triturá-la	com	as	mãos	e	não
com	um	pilão	ou	outro	instrumento;	é	preciso	quebrá-la	viva	entre	os	dedos
vivos”	(BASTIDE,	1961,	p.	161).
O	mogno	africano	é	árvore	de	grande	valor	comercial,	produzindo	uma	madeira
nobre,	altamente	consumida	na	Europa	e	Estados	Unidos,
Identificação	das	árvores	do	Ilê
Afómó	ko	ni	egbo	gbogbo	igi	ni	iba	tan²⁸
O	parasita	não	tem	raízes,	seus	parentes	são	as	árvores
o	ano	de	2018,	foi	iniciado	no	Ilê	Orixá	o	Projeto	de	Identificação	das	árvores
sagradas,	no	início	teve	a	finalidade	de	identificar	aos	filhos	do	axé	as	árvores
rituais	para	evitar	possíveis	erros	na	hora	que	solicitado	o	uso	de	alguma	folha,	e
o	que	de	início	pensava-se	ser	apenas	para	uso	visual	aos	filhos	hoje	sem	dúvida
é	um	campo	de	estudo	aberto,	que	possibilita	o	aprendizado.		Abaixo	temos
relacionadas	algumas	árvores	que	estão	identificadas	no	axé,	com	placa	de
identificação	do	seu	nome	em	iorubá	e	em	baixo	o	seu	nome	mais	popular	na
região.
É	claro	que	é	um	projeto	que	não	pode	parar	e	que	não	existe	um	fim,	pois	novas
mudas	eventualmente	são	substituídas,	placas	de	identificação	devem	ser
trocadas	a	fim	de	melhor	serem	identificadas,	mas	isso	não	é	o	mais	importante.
Este	projeto	possui	alguns	objetivos:
facilitar	o	reconhecimento	de	cada	árvore	ritualística
reconhecer	as	diferenças	existentes	entre	folhas	parecidas
fazer	com	que	os	frequentadores	do	axé	sejam	despertados	para	a	importância	de
preservar	a	natureza
incentivar	os	iniciados	a	plantarem	em	suas	casas	algumas	dessas	árvores
fazer	com	que	todos	percebam	que	toda	árvore	é	sagrada,	e	assim,	precisa	ser
respeitada	e	cuidada
N
mostrar	que	somos	todos	parte	de	uma	mesma	natureza	e	assim	é	necessário
cuidar	e	preservar
fazer	com	que	todos	os	visitantes	da	Fortaleza	Ilê	Orixá	percebam	o	axé	como
fonte	de	conhecimento	e	aprendizado
mostrar	que	é	possível	uma	casa	de	axé	crescer	e	estar	integrada	com	a	natureza
Amexeira
As	amexeiras	amarelas	também	conhecidas	como	nespêras	possuem	três
exemplares	plantados	dentro	da	Fortaleza	Ilê	Orixá.
Dentre	as	demais	mudas	de	nêspera	dentro	do	axé,	esta	da	foto	é	especial,	já
estava	presente	também	desde	a	compra	do	terreno,	onde	hoje	está	a	sede	da
Fortaleza,	viu	muitas	das	transformações	que	ocorreram	no	local.
O	fruto	atrai	muitos	pássaros	que	se	alimentam	e	com	isso	também	fazem	com
que	suas	sementes	se	espalhem	por	outros	locais.
Amoreira	branca
Ao	comprar	o	terreno	onde	hoje	está	o	Ilê	Orixá	esta	amoreira	branca	era	uma
pequena	muda,	que	foi	preservada	e	hoje	ornamenta	a	frente	do	Ilê,	já	está	alta	e
de	longe	suas	folhas	e	galhos	são	observados,	sendo	a	moradia	de	diversos
pássaros,	quando	adoram	os	seus	frutos.
A	amoreira	além	de	servir	de	alimento,	suas	folhas	servem	de	restituição