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Copyright © 2022 Ronie Ánderson Pereira Todos os direitos reservados – Lei 9.610/98 É proibida a reprodução de qualquer meio desta obra, seja eletrônico, mecânico, xerográfico ou mesmo a publicação na Internet sem a autorização expressa do autor. Fortaleza Ilê Orixá Ogum Adiokô e Oya Tofã Rua Vidal Brasil, 559 e 569 – Novo Mundo CEP 94075-030 – Gravataí - RS Telefone: (51) 3497 4127 (51) 99838 2598 (51) 98293 3850 Conheça o Ilê Orixá em www.ileorixa.com.br e-mail: contato@ileorixa.com.br Imagens de abertura Domínio público Se houver licença de alguma imagem entrar em contato Fotos das folhas O Autor Designer Capa Ronie Ánderson Pereira Revisores Alexandre Silveira dos Reis / Zulamir Ribeiro de Souza Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Pereira, Ronie Ánderson Ewé Orò – As folhas sagradas na Fortaleza Ilê Orixá / Ronie Ánderson Pereira 412 p. 14x21 cm (Pai Ronie de Ogum Adiokô). - Joinvile, SC: Clube de autores, 2022. ISBN 978-65-539-2-0 1. Ervas dos orixás 2. Folhas sagradas 3. Fortaleza Ilê Orixá 4. Religiosidade 5. Batuque gaúcho I. Título. CDU - 295.942 CDD - 299.6 Ewé Orò As folhas sagradas na Fortaleza Ilê Orixá Pai Ronie de Ogum Adiokô Ewé Orò As folhas sagradas na Fortaleza Ilê Orixá 2022 o Pai Alexandre de Oya Tofã, por todas as vezes que incentivou a escrever mais este livro sobre o axé, destacando e mostrando que seria possível. Sem palavras para agradecer todos os momentos. Apenas obrigado por tudo! os orixás Ogum Adiokô e Oya Tofã, apenas gratidão, pois nada que faça será o suficiente para retribuir todo o carinho, alegrias e conquistas recebidas ao longo da vida. ambém não posso deixar de agradecer todos os demais orixás e ancestrais que ajudaram a construir quem sou hoje. A A T Canto de Ossanha ¹ O homem que diz "dou" não dá Porque quem dá mesmo não diz O homem que diz "vou" não vai Porque quando foi já não quis O homem que diz "sou" não é Porque quem é mesmo é "não sou" O homem que diz "estou" não está Porque ninguém está quando quer Coitado do homem que cai No canto de Ossanha, traidor Coitado do homem que vai Atrás de mandinga de amor Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai, não vou Vai, vai, vai, vai, não vou Que eu não sou ninguém de ir Em conversa de esquecer A tristeza de um amor que passou Não, eu só vou se for pra ver Uma estrela aparecer Na manhã de um novo amor Amigo sinhô Saravá Xangô me mandou lhe dizer Se é canto de Ossanha, não vá Que muito vai se arrepender Pergunte pro seu Orixá Amor só é bom se doer Vai, vai, vai, vai amar Vai, vai, vai, vai sofrer Vai, vai, vai, vai chorar Vai, vai, vai, vai dizer Que eu não sou ninguém de ir Em conversa de esquecer A tristeza de um amor que passou Não, eu só vou se for pra ver Uma estrela aparecer Na manhã de um novo amor “todo o segredo do candomblé reside em suas ervas”. (BASTIDE, 2001, p. 126) “uma folha que cai, não é simplesmente uma folha que cai, ela tem um sentido quando cai a sua frente, quando cai atrás, quando cai a sua direita, quando cai a sua esquerda” (autor desconhecido) A baobá é uma importante árvore sagrada para os negros, símbolo de fé, de força e de vitalidade. Está também ligada a ancestralidade e as suas memórias. Sumário Apresentação Por que Ewé Orò ? Mas o que são as folhas? O encantamento das folhas O preparo do banho de ervas Limpeza com folhas Ervas adequadas para banhos Banho de Folhas Como cultivar sua erva Importância da preservação Refloresta Como macerar as ervas Identificação das árvores do Ilê Amexeira Amoreira branca Amoreira preta Araçá vermelho Akoko Bananeira Laranjeira Limoeiro Macieira Mangueira Orô Pitangueira Pereira Peregun verde Romãzeira Iroko Sistema de classificação iorubá Ewé áféré – folhas de ar Ewé inón- folhas de fogo Ewé omi- folhas de água Ewé ilé ou ewé igbó- folhas da terra Identificação das folhas no livro Nome popular Nome científico Nome iorubá Orixás Uma nota para seguir Onde existe folha existe orixá Os orixás e as folhas Exú Bará Ogum Oya Xangô Odé Obá Ossanha Xapanã Ibeji Oxum Iemanjá Oxalá Orumilaia Iroko Para cada orixá uma folha Principais ervas para cada orixá Bará Lodê Bará Agelú / Bará Lanã / Bará Adague Ogum Oya Iansã Xangô Odé Otim Obá Ossanha Ibeji Oxum Iemanjá Oxalá Orumilaia Iroko Tempo Egun Onile Ervas catalogadas no axé Abre caminho Aceroleira Akoko Alecrim Alfavaquinha-de-cobra Amargol Aranto Araça vermelho Amoreira branca Amoreira preta Amexeira nativa - Nêspera Araçá amarelo Aroeira Arruda Avenca Anis estrelado falso Bálsamo verde Bananeira Barba de pau Bergamoteira Boldo arbustivo Boldo chileno Caneleira Canela de velho Capim cidró Carqueja Caruru Colônia Costela de adão Cidró Cartucho branco Cartucho rosa Comigo ninguém pode Cinamomo Curry Danda da costa Dólar Dinheiro em penca Elevante Espada de Iansã Espada de Ogum Erva de bugre Erva de bicho Folha da batata doce Folha-de-fogo Folha de inhame Folha da costa Folha da fortuna Folha do figo Fumo brabo Funcho Gengibre amargo Gervão Roxo Gervão branco Guiné Goiabeira Guanxuma Hortelã Jiboia Jasmim Jurubeba Lírio do brejo Lavanda Limoeiro Laranjeira Losna Malva Malva-rosa Maravilha Mangueira Melissa Malva cheirosa Malva rosa Manjericão Manjericão miúdo Manjericão roxo Mirra rasteira Mirra arbustiva Manjerona Mamona verde Mamona roxa Ondas do mar Orô Pata de vaca Pau d´água verde Pau d´água verde e amarelo Peregun vermelho Pereira Pulmonária Poejo Pitangueira Romãzeira Sálvia Salsa Taioba Tansagem Taquareira Taquareira de jardim Trapoeraba Trevo de 3 folhas verde - amarela Trevo de 3 folhas verde – flor rosa Trevo de 3 folhas verde cortada – flor rosa Trevo 3 folhas roxo Trevo 4 folhas verde Trevo de 4 folhas roxo Urtiga Árvores sagradas A Baobá e sua importância ancestral Baobá: a árvore da vida Dendezeiro Obi Considerações finais Bibliografia Lista Índice remissivo Salve as folhas² Cosi euê Cosi orixá Euê ô Euê ô orixá Sem folha não tem sonho Sem folha não tem vida Sem folha não tem nada Quem é você e o que faz por aqui Eu guardo a luz das estrelas A alma de cada folha Sou aroni Eu guardo a luz das estrelas A alma de cada folha Sou aroni³ Cosi euê Cosi orixá Euê ô Euê ô orixá Sem folha não tem sonho Sem folha não tem festa Sem folha não tem vida Sem folha não tem nada Eu guardo a luz das estrelas A alma de cada folha Sou aroni Fonte: Musixmatch Compositores: Mario De Andrade / Geronimo Santana Duarte / Ildasio Tavare A tamareira ou datileira (Phoenix dactylifera) é uma palmeira extensivamente cultivada pelos seus frutos comestíveis, as tâmaras. Pelo fato de ser cultivada há milênios, a sua área natural de distribuição é desconhecida, mas seria originária dos oásis da zona desértica do norte de África, embora haja quem admita uma origem no sudoeste da Ásia. Apresentação s ervas são de extrema importância para o culto aos orixás, estão presentes nos mais variados ritos e cultos dentro de uma casa de axé, compreender a sua importância e quais as principais ervas é fundamental para todos os iniciados, principalmente os filhos do axé da Fortaleza Ilê Orixá. Através deste livro, “Ewó Orò – As folhas sagradas na Fortaleza Ilê Orixá”, busca-se fazer com que os filhos, amigos e clientes que são assistidos pelo axé consigam através dele orientar o uso das ervas, além de possibilitar o registro para futuras consultas e novos estudos dentro do axé, pois o axé é dinâmico é vivo e está sujeito a todo tipo de mudança que for orientada pelos orixás através do jogo de búzios. “Reverenciar a folha e pedir licença ao seu patrono que é Ossaim4 demonstra que o homem é apenas parte de conjuntode matéria orgânica para o solo, nutrindo toda a vegetação do local, além de microrganismos, possibilitando o equilíbrio do ambiente. Amoreira preta A amoreira preta é uma das árvores mais antigas plantadas na Fortaleza Ilê Orixá, acompanhou toda a construção do axé, já estava plantada na aquisição do terreno, sofreu com o crescimento da casa, pois como o terreno estava muito sujo, no início foi colocado fogo próximo a ela, onde muito lixo de forma inconsequente foi queimado, danificando parte de seus galhos. É a árvore onde o orixá Iroko, mais tarde, se fez presente após escolher o seu lugar de morada, e mesmo antes de ali fazer morada a árvore já era preservada e cuidada. Araçá vermelho Antes mesmo de ser comprado o terreno onde está hoje o axé esta muda de araçá já estava plantada, produzindo frutos e alimentando pássaros, hoje é uma das diversas árvores que são preservadas dentro do axé, que crescem e fazem com que a paisagem local fique ainda mais bela e encantadora. O araçá também é outro fruto que os pássaros se alimentam, fazendo com que na época de frutificação um expressivo número de pássaros busque seus frutos como fonte de alimentação. Akoko A muda de akoko está plantada ao lado da garagem em um pequeno bosque rodeado de outras árvores ornamentais e frutíferas, que fazem com que o local transmita uma plena harmonia com a natureza e a religiosidade Iroko é cultuado na amoreira preta na Fortaleza Ilê Orixá, embora isso não seja uma regra, e tampouco se pode escolher ter ou não Iroko, pois é ele quem escolhe onde irá ficar. É uma árvore que não costuma tolerar muito o frio, causando a queda de suas folhas e danificando seus galhos, principalmente com as geadas e baixas temperaturas do inverno gaúcho. Bananeira As bananeiras estão diretamente ligadas a história do axé, pois as suas primeiras mudas foram plantadas após serem utilizadas como decoração em festas, após homenagem ao orixá Xangô. São todas semanas colhidas suas folhas que servem para decorar as gamelas que recebem os axés de Xangô, além de serem utilizadas para enrolar os acaçás e demais axés quando necessário. As bananeiras que estão plantadas dentro do axé servem de alimento de muitos pássaros e costumam abrigar muitos ninhos, auxiliando na preservação da fauna local. - Laranjeira São muitas as laranjeiras de várias espécies diferentes que estão plantadas dentro do axé, servindo de alimento para pássaros, para axés de Ogum e também de alimento para filhos e amigos do axé que frequentam a casa. A laranja que também no axé acompanha gamelas de frutas para Xangô, também costuma todas as semanas ser colocada para Avagã, formando o seu axé juntamente de demais elementos. A laranja também é um dos frutos principais utilizados no atã² , bebida servida para Ogum nas festas dentro do axé, juntamente com outras frutas, que após muito bem picadas é adicionado xarope de groselha, formando uma saborosa bebida. Limoeiro O limoeiro é uma árvore muito importante dentro do axé, está presente em muitos dos axés de Oxalá, que recebe rodelas com mel, está presente em todos os cortes, já que o limão é colocado nas bacias com as carnes dos animais sacralizados em água, deixando a carne ainda mais limpa, eliminando odores e aromas desagradáveis. O limão é uma fruta extremamente cítrica que consegue limpar a carne que é sacralizada, seus frutos também são muito utilizados para sucos e para preparo de doces. Seus frutos também estão presentes no preparo de temperos que fazem parte das carnes que são assadas e servidas nas obrigações da casa, criando um sabor agradável para todos. Macieira São três as mudas de macieira que estão plantadas no axé, uma macieira do tipo Gala, outra do tipo Fugi e ainda uma Eva, todas consagradas para o orixá Oya. As macieiras são frutas utilizadas com muita frequência no axé, já que estão presentes nos axés de Oya, nos axés de Xangô, quando realizados com frutas, no amalá de Xangô mais tradicional, e ecós realizados para Oya, um fruto apreciado e que também está presente em todas as festas, ter as macieiras plantadas é também plantar o axé de Oya, é o cuidar e o dar mais força. Também é fruto que está presente no atã que é preparado, criando um sabor ácido adocicado na bebida. Mangueira A árvore de mangueira que está plantada no Ilê é uma das árvores mais antigas que foi plantada, já produz frutos que servem de alimento, sombra e para axés. A mangueira foi plantada no ano de 2013 e, na sua sombra já é possível caminhar em baixo, criando um clima agradável para todos, foi uma das primeiras árvores plantadas no local. O fruto da mangueira, a manga, também faz parte do preparo do atã. É uma fruta dedicada ao orixá Ogum dentro da Fortaleza Ilê Orixá. A mangueira é uma árvore que costuma receber muitos ninhos de pássaros durante o ano, servindo de abrigo. Orô As mudas de orô na Fortaleza Ilê Orixá estão no corredor ao lado do salão dos orixás, o que transmite muita paz neste espaço que possui além do orô muitas outras plantas de axé. Essas mudas estão plantadas deste a fundação do Ilê Orixá no ano de 2011, tendo sido uma das primeiras mudas plantadas, são todas consagradas para o orixá Xangô. O orô é uma das ervas que mais está presente nos mierós que são realizados dentro do axé, é uma erva pertencente ao orixá Xangô e sua reprodução por estacas é muito fácil. Pitangueira Existem diversas mudas de pitangueiras no Ilê Orixá, mas sem dúvida esta é especial, foi a primeira pitangueira do axé, está presente desde o início, acompanhou o crescimento e a transformação do axé, e muitos pediam que ela fosse cortada já que está nos fundos e para entrar na cozinha é preciso as vezes desviar de seus galhos que insistem em atravessar a porta, o que fez com que fosse necessário amarrar seus galhos, esta é a pitangueira de Oya Tofã no axé. Uma curiosidade é que quando o Ilê Orixá foi fundado não existia nenhuma muda de pitangueira no local. É também uma folha muito utilizada para banhos de ervas no cotidiano do axé. Pereira A árvore de pereira que está plantada dentro da Fortaleza, fica próxima a casa do axé, tendo condições de seus frutos serem colhidos do alto da casa do axé, possibilitando uma completa integração entre a paisagem urbana e o meio ambiente. As pereiras formam belas árvores que podem ser vistas de longe, árvores que servem de abrigo para pássaros que passam pelo local, além de sombra que esfria a terra em dias de intensa luz solar, criando um ambiente de descanso de alguns seres vivos, que necessitam de solo mais úmido. Peregun verde O peregun é uma planta de destaque dentro da Fortaleza, são muitas as mudas plantadas que se destacam no meio do verde espalhado por toda volta da casa, que olhando de cima parece estar dentro de uma floresta. Esta muda de peregun está plantada na lateral próxima a amoreira preta, onde está consagrado o espaço para Iroko. É uma planta sagrada no axé, que não se corta e que em caso de necessidade de retirada de galhos são replantados ou distribuídos dentro do axé, possibilitando a produção de novas mudas que crescem e se desenvolvem de forma livre. Romãzeira A romãzeira é um arbusto que pode atingir cerca de 5 metros de altura, com folhas verde claro, que sem dúvida embelezam o jardim de onde estão plantados, com belas flores que posteriormente produzem seus frutos. O seu fruto e suas folhas são dedicados ao orixá Obá, muitas foram as tentativas de plantio de uma romãzeira no axé, que hoje conta com duas mudas, que já estão produzindo seus frutos. A romã é um fruto muito apreciado no fim do ano, é muito reconhecido pela sua beleza que encanta e faz com que todos tenham vontade de apreciar. Iroko O Iroko está localizado em uma amoreira preta, na lateral do Ilê Orixá, árvore esta que já estava plantada no terreno ao ser adquirido no ano de 2011, o velho Iroko que está presente no local é uma árvore velha, mas com muita vida que alimenta pássaros com seus frutos, que ao caírem na terra também servem deadubo e restituição de nutrientes. As amoras quando maduras também são consumidas pela população do terreiro degusta uma fruta doce e apreciada por muitas pessoas. O Iroko é mais do que apenas parece, é segredo, é magia, é conhecimento é tradição, é orixá, é axé da Fortaleza que vive e juntamente com nossos ancestrais nos cuida e também nos orienta. A presença da árvore de Iroko no Ilê Orixá é motivo de muita alegria e também de responsabilidade, pois não escolhemos tê-lo dentro do axé, apenas o recebemos e o cuidamos. A mangueira é uma árvore frondosa, produz um fruto muito apreciado. De origem de clima tropical se adapta muito bem nos climas subtropicais. Sistema de classificação iorubá Adòn doríkódó ó nwò ìsèè gbògbò èiyé³ O morcego se coloca de cabeça pra baixo, olhando o que fazem os pássaros ara o sistema de classificação iorubá, todas as folhas estão agrupadas em quatro grupos de acordo com suas características, e os orixás possuem as suas folhas de acordo com o domínio que possuem sob esses grupos, que correspondem aos quatro elementos fundamentais: fogo, água, terra e ar, pois para os iorubás todos os seres existem contendo esses quatro elementos básicos, em porções diferentes de cada um deles. Existem ainda outras formas de dividir as folhas de acordo com os iorubás, elas podem ser masculinas ou femininas e ainda folhas de calmaria (èrò) ou de movimento (gún), sendo ainda possível em dividir as folhas da direta (ewé apa òtún) ou da esquerda (ewé apa òsí). O objetivo desse livro não é dissertar sobre o sistema de classificação das folhas que os iorubás utilizam, pois para isso seria necessário um estudo bem aprofundado, já que é bastante rico em detalhes e complexo para ser resumido em poucas palavras, mas citar e tentar compreender se faz necessário, pois é importante para que novas pesquisas possam ser realizadas e para que se tenha condições de perceber a grandiosidade da cultura iorubá no estudo das folhas em geral. “Os Òrìsàs que são as representações das forças da natureza têm nas folhas um princípio que está associado aos quatro elementos, as ewé afééfé – folhas de ar, as ewé iná – folhas de fogo; as ewé omí – folhas de água; as ewé ilè – folhas de P terra. Por isso cada òrìsà tem características próprias e folhas que o identificam. O ser humano nessa relação se torna receptor de toda energia do òrìsà e da natureza. O terreiro vivencia todas essas cosmologias através dos mitos e ritos, a presença das folhas converge para esse universo de relações” (BOTELHO, 2010, p. 41). Dessa forma devemos perceber que ao ter folhas de orixás diversos, passamos a ter folhas de elementos diversos, contemplando axés também variados dentro de nossa casa ou terreiro, o que nos faz criar um equilíbrio de energias vegetais com todo o universo. E ao lembrar que os orixás são manifestações da natureza, cria- se um equilíbrio com a natureza, e nós como seres humanos somos partes dessa natureza, e buscar o equilíbrio deve sempre ser o nosso foco principal, já que para viver de forma plena o equilíbrio com a natureza é essencial. “Uma primeira acepção, que possui também um caráter mais generalizante é aquela que associa a natureza (e os orixás) aos quatro elementos (água, terra, fogo e ar). De acordo com este pensamento, os quatro elementos estão presentes em tudo, incluindo o ser humano que compartilha com os orixás e com a natureza uma essência em comum” (SANTOS, 2011, p. 2). Ainda sobre a importância da relação do ser humano com a natureza é importante lembrar que para a cosmovisão iorubá de mundo o ser humano não é o ser mais importante da natureza, pois não existe quem é o mais importante, todos são igualmente para que o equilíbrio seja pleno com a criação, não importa se é uma planta, um ser vivo qualquer ou ainda o próprio ser humano. “Como todos estes elementos estão inscritos no nosso DNA desde a concepção, somos constituídos do mesmo fluido e princípio vital de todos os objetos e seres que no mundo há, pois para nós tudo é sagrado e tem vida. Somos iguais as plantas, a terra, a água, o ar e o fogo e estes elementos podem nos curar ou nos restituir a integridade e equilíbrio. Tudo que vem da terra pode nos curar, pois dela que brota toda a vida e é dela que viemos e para ela retornaremos” (MARTINS, 2016, 17-18). Segundo JAGUN (2019) enquanto o nosso sistema de classificação ocidental é verticalizado baseado do cientista, para o elemento pelo critério do homem, padronizando um padrão de classificação baseado na gênero, raiz, espécie, na família, nas suas características gerais de cada planta, para o sistema iorubá as plantas são classificadas de acordo seus princípios ativos, que homens, mulheres e minerais estão em um mesmo patamar de importância, os nomes não são determinados verticalmente, percebe a energia, ao ver a planta sabe se ela possui energia masculina ou feminina, se a planta é venenosa ou não, e para facilitar isso, a ciência iorubá, ele denomina as plantas de acordo com o que ele nota, por isso o sufixo gún presente em determinadas ervas, cujo princípio ativo é energizante, e o sufixo eró, princípio ativo tranquilizante. “No sistema de classificação dos vegetais, a condição para que uma folha seja masculina ou feminina é o seu formato, pois, na concepção Jeje-nago, a forma fálica (alongada) caracteriza o elemento masculino, em contrapartida, a forma uterina (arredondada) determina o elemento feminino” (BARROS, 2007, p. 25). “o complexo e fascinante sistema de nomenclatura e de classificação das ervas conforme a Cultura Jêje-Nagô, são a base da relação entre o Homem e a Natureza, conforme a visão de mundo iorubá. O Culto aos Orixás, através da liturgia do Candomblé serve justamente para buscar a moderação entre os homens e seus deuses, através da manipulação do axé (àṣẹ) dos elementos da natureza usados nos rituais. Os ebós (oferendas) e os sacrifícios são cuidadosamente prescritos pelos Sacerdotes como maneiras de interligar os fiéis aos Orixás, através do axé de cada ingrediente. As folhas utilizadas nos banhos devem ter o axé (enquanto elemento) apropriado à necessidade do paciente (folhas de apaziguamento, ou de energização)” (JAGUN, p. 85, 2018). Assim, distribuímos os orixás de acordo com os respectivos elementos: Ewé áféré – folhas de ar As folhas são essencialmente pertencentes aos orixás Oyá e Oxalá. Enquanto Oya está ligado aos ventos, a sua movimentação e domínio sobre ele, Oxalá está ligado diretamente ao elemento ar, emi. “O quarto elemento é o ar. Do sopro da vida surgiu o primeiro ser individual, Exu Iangui (Èṣù Yangi). O ar é também um elemento feminino. É o símbolo da divindade. Assim como Olorun (Ọlọ́ run), ninguém o vê, nem o toca, nem o prova; mas todos sentem sua presença em si, quando enchem o pulmão. Olorun e o ar estão sempre em nós percebamos ou não, queiramos ou não” (JAGUN, p. 92, 2018). Ewé inón- folhas de fogo As folhas de fogo pertencem aos orixás Bará Exú, Ogum, Oyá e Xangô. O elemento fogo permite a transformação, a mudança de paradigmas, o fogo modifica o alimento e permite que grandes transformações sejam construídas. “O fogo sempre existiu e sempre esteve presente em torno do homem, na lava, nos raios do sol, nas descargas elétricas naturais. Só que o fogo 92 | Latinidade teve que ser descoberto enquanto elemento manipulado. Neste momento, surgiu o poder. Quem dominava o fogo passava a exercer poder sobre o outro. Poder de criar, de transformar e de destruir. Lidar com o fogo é sempre ambíguo: ele pode agregar (em torno dele as pessoas se reúnem e se constituíram as primeiras sociedades), mas ele também é perigoso e poder ferir (é o elemento das guerras e da violência). O fogo está no corpo humano através das descargas elétricas cerebrais provocadas pelos neurônios e elétrons. Por isso é associado à chama dos pensamentos, o forno de ideias. Ele é o maior símbolo da consciência e do livre arbítrio. Utilizar o fogo com sabedoria pode significar progresso, ou ao contrário, destruição. O fogo é um ele masculino” (JAGUN, p.91-92, 2018). Ewé omi- folhas de água É no elemento água que Oxum, Iemanjá, Obá e Oxalá estão representados. Mas é preciso lembrar que Obá é o aspecto revolto da água, está ligada ao encontro dos rios, quedas fortes de água e outras manifestações. A água é um dos elementos mais importantes da cultura iorubá, é com a água se fertiliza a terra, é com a água que se hidrata os animais e plantas, não existe vida sem a água, assim como nenhuma iniciação é possível de ser realizada sem uso da água. Os iorubás costumam dizer que “a água chega mais fundo na terra” e ainda que “a água sempre encontra o melhor caminho”, então todos devemos aprender com a água, a sempre procurar buscar a melhor solução para casa situação da vida. Sem a água a terra não pode ser fecundada e assim não pode produzir seus frutos, a água permite a transformação de tudo, permite a semente germinar, brotar, crescer e dar frutos. “Dos quatro elementos, um recebe maior destaque, a água. Este relevo nos fez recordar que Mãe Beata de Iemanjá, na saudação inicial do Seminário do PNT, apresentou uma versão até então para nós desconhecida do aforismo “kossi Ewé, kossi orixá”, na qual é acrescentado um terceiro elemento, “omi” (água). Para esta ialorixá, a máxima verdadeira é “Omi Kozi, Ewê Kosi, Orixá Kozi”. Ou seja, para o orixá existir, e por conseqüência o candomblé, não depende apenas da folha, mas também da água, e note-se que, na sequência, a água vem em primeiro lugar. Ao nos inquirimos sobre o que teria levado à ampliação do aforismo, pois como dissemos não localizamos essa forma ampliada em nenhum livro, e nem no campo do nosso estudo, achamos que pode estar relacionada às necessidades de dar ao candomblé uma compatibilidade maior com o tempo atual, torná-lo coerente com o discurso de “religião ecológica”, ampliando ao máximo a importância da natureza para a religião” (SANTOS, 2011, p. 2-3). E sem dúvida o candomblé, é uma religião sustentada na natureza, assim como o batuque que ao preservar e cuidar da natureza cuida também e preserva do nosso local principal de louvação do orixá, que é a natureza. Poluir a natureza é não cuidar do orixá, é desrespeitar a religião de matriz africana e não compreender o que se faz dentro da religião. Ao ser de religião africana assumimos o compromisso de saber que cada um de nós possui responsabilidade no meio ambiente e por isso devemos sempre buscar formas de sempre poder cuidar de nosso espaço, pois se cada um cuidar do espaço que está inserido iremos assim melhorar a natureza que nos cerca. Ewé ilé ou ewé igbó- folhas da terra ORIXÁS DE TERRA: Ogum (o ferro), Oxóssi, Omolú/Obaluaê, Nanã. (lama = terra + água), Oxumarê e Logun. São folhas também chamadas de folhas da floresta. A terra é um elemento de extrema importância dentro dos cultos de matriz africana, é onde ficam as raízes das árvores e de todas as plantas que são objeto de uso e estudo dentro da religião africana, é na terra que nossos ancestrais são colocados e é a terra quem consome todos os axés que fazemos. A terra possui tanta importância que é cultuada como um orixá Onilé, o orixá que representa a própria terra, onde ficam nossas águas, nossas folhas, onde nós caminhamos e onde ficam todas as demais coisas do mundo. “A terra é a fertilidade. É considerado um elemento masculino. A terra significa a fonte de onde os seres encontram sustento e o alimento. Nela o homem se estabelece e pode exercer seu destino. No corpo humano, a terra é expressa pelos ossos. Quando o corpo se decompõe após a morte, nossos ossos, que são constituídos por minerais, voltam a ser pó, recompondo a terra” (JAGUN, p. 91, 2018). É com a terra que se produz todos os alimentos do mundo, ainda para JAGUN (2018), é possível sentir a presença do elemento terra no corpo humano com nossos ossos, que a morte volta para a terra. “”Mata‟ é outra manifestação também bastante recorrente, que pode ser explicada por várias razões. Uma das suas fontes é, sem dúvida, a ideia popular de que natureza diz respeito ao verde. Neste sentido, a mata está associada ao complexo semântico das folhas, uma vez que aquela constitui principalmente o lugar onde estas são colhidas. Outro aspecto que pode nos ajudar a compreender a importância da mata é o papel desempenhado pelas florestas no imaginário dos adeptos” (SANTOS, 2011, p.6). E todos podem ter um espaço mato em suas casas, se não em belos jardins, em vasos suspensos, em hortas verticais, em calçadas ou em qualquer outro local que se tenha acesso, e assim poder faz a nossa parte, pois cada um de nós possui sempre uma parte de responsabilidade e se cada um fazer a sua parte teremos sem dúvida a natureza mais bem preservada e assim o axé de cada orixá melhor cuidado. O espaço mato é o verde que nos encanta e também encanta as borboletas que buscam as flores, é o vede que encanta os pássaros que buscam sementes, é o verde que faz nossa respiração melhor e assim nos conduz por caminhos de maior tranquilidade e calmaria. A espatódia é uma árvore de crescimento muito rápido, produz flores que embelezam muitos jardins. As flores são atraem muitas abelhas e beija-flores, no entanto é tóxica, gerando problemas de desequilíbrio ambiental. Possui origem africana. Identificação das folhas no livro Òtún wè òsí, òsí, wè òtún, ní ówó mèjèji ´n mo³¹ Quando a mão direita lava a esquerda e a esquerda lava a direita, ambas ficam limpas uitas poderiam ter sido as formas de organização deste livro, mas foi procurado criar um padrão simples e de fácil identificação de cada folha, para que todos possam utilizar como um manual de consulta diária dentro do terreiro, especialmente no Ilê Orixá. M Nome popular O nome popular é a forma com que cada folha ou erva é reconhecida pela população, como é popular este nome pode mudar de uma cidade para outra, de país para outro ou mesmo no próprio bairro, pois geralmente o nome popular está ligado ao conhecimento que foi transmitido para cada um, que está relacionado a família, aos costumes e a origem e cada um. E como cada folha pode possuir mais de um nome popular, o que quase sempre irá ocorrer, então foram citados os nomes mais conhecidos, a fim de fazer com que todos consigam buscar o que procuram. “Embora as comunidades identifiquem suas plantas por meio de nomes reconhecidos na vizinhança (nomes -populares), e que devem ser respeitados, estes variam muito de acordo com a região e podem gerar erros quando ocorrem trocas de informações. É freqüente acontecer que plantas diferentes recebam um mesmo nome ou nomes semelhantes, e a ocorrência de nomes diferentes -para uma mesma planta” (HARAGUCHI, 2010, p.42). Nome científico A colocação do nome científico na identificação das folhas aqui no livro, visa fazer com que todos consigam ter condições de reconhecer cada folha citada, em qualquer lugar que estiverem pois o nome popular é variável em cada região, e sem o nome científico poderia ocorrer muitas dúvidas quanto a qual erva está sendo citada. “O nome científico é universal e serve para caracterizar a espécie que designa. Em levantamentos bibliográficos na literatura especializada, é o nome científico do vegetal que deve ser empregado como palavra-chave” (ALMEIDA, 2011, p.149). “O nome científico é universal, pois é o mesmo em qualquer língua ou país, e é específico, ou seja, para cada espécie existe apenas um nome e vice-versa. Isso permite uma rápida localização das informações em livros ou revistas e sites, no mundo todo” (HARAGUCHI, p.42, 2010). Nome iorubá Segundo VERGER (2004, p.31) “Se há vários nomes científicos para um só nome iorubá, o inverso também é verdadeiro”, dificultando muitas vezes a identificação de uma folha. Na cultura iorubá como já vimos é possível encontrar diversas plantas com o mesmo nome, já que as folhas são classificadas de acordo com as suas características. Orixás Para cada planta estão identificados os orixás atribuídos cada uma das folhas, considerando os usos para a Fortaleza Ilê Orixá. Em terreiros diferentes as folhaspodem estar dedicadas com diferentes orixás, o que não significa que estejam erradas, já que está se considerando como o axé que se cultua. Flamboiã, flamboaiã ou acácia-rubra, é uma árvore da família das leguminosas. É nativa da ilha de Madagascar, tendo-se em seguida espalhado pela zona tropical da África continental, sendo posteriormente, por sua beleza, levada a outros continentes, como a Europa e as Américas. - Uma nota para seguir Ewé òòò, á sà Elogie as folhas esde a fundação do Ilê Orixá no ano de 2011, Pai Ronie de Ogum e Pai Alexandre de Oya tiveram grande preocupação com a natureza no entorno do axé, sempre se buscou a preservação e o uso das folhas adequadas nos ritos, e sempre se buscou a utilização das ervas adequadas para cada orixá. Em 2015, com a publicação do livro “Ilê Orixá – Uma breve explicação sobre o culto aos orixás”, no artigo abaixo são citadas algumas plantas como utilizadas para determinados orixás, então com a publicação desse livro, que fala exclusivamente sobre o uso das folhas na Fortaleza Ilê Orixá, se faz necessário uma análise do referido artigo, sob pena de parecer que existem conflitos, mas longe disso, é sempre necessário esclarecer que fazer pesquisa implica em estar sempre se buscando a verdade, e muitas vezes isso implica em mudança de alguns paradigmas e conceitos já estabelecidos, então o artigo abaixo segue apenas para uma análise histórica do Ilê Orixá, mas não devem ser consideradas as folhas citadas para cada orixá. D Onde existe folha existe orixá³² Ewé gbogbo kíki oògùn Todas as folhas têm viscosidade que se tornam remédio Este provérbio iorubá, assim como tantos outros, com certeza precisam ser mais bem compreendidos entre as pessoas, pois é claro quando nos ensina que a presença do orixá está ligada a presença das folhas, a presença da natureza. Se queremos o orixá ao nosso lado, é necessário lembrar que é preciso plantar, cuidar da natureza, das águas e isso é cuidar dos orixás. “As folhas nascidas das árvores, e as plantas constituem uma emanação direta do poder sobrenatural da terra fertilizada pela chuva” (SANTOS, 2008, p. 91) Cada folha (vamos considerar como folha, todas as plantas) pertencentes a um orixá, e cada folha que plantamos fazemos com que o orixá fique mais próximo. É importante perceber que ao observar uma folha em seu habitat natural e em suas características individuais que trazem consigo, apresentam muitas das características dos orixás a elas associados. Algumas das plantas pertencem a vários orixás ao mesmo tempo, pois apresentam características de vários deles, sendo uma ligação entre ambos. Toda obrigação inicia com uma folha, pois antes de se fazer uma obrigação primeiramente tomamos um banho com ervas, antes de se realizar um assentamento de santo, também o ocutá é lavado antes em ervas, as folhas cobrem nossas bandejas, adornam nossos pratos (oferendas) e decoram nossos jardins. A presença das plantas em nossas casas é a presença do orixá. Sem folhas, não tem flor, sem flor, como agradar a Oxum? Se não temos árvores como agradar Ossanha, Odé e Otim? Todo o orixá é parte integrante da natureza. Segundo a tradição iorubá toda folha antes de ser retirada deve ser pedida licença para ser cortada, pedindo agô a Ossanha, ou mesmo ao orixá que a pertence, isto é, humildade e respeito ao orixá. É equilíbrio entre a religião e a natureza. Vamos observar alguns orixás e algumas plantas que são consagradas a cada um. As folhas consagradas ao orixá Bará são folhas que necessitam em geral de muita luz, pois são plantas que ficam no seco, necessitam de pouca água para o seu desenvolvimento, são plantas que mesmo depois de passar por muitas adversidades conseguem se desenvolver (guiné, orô, alevante, arruda, dinheiro em penca, folha-da-fortuna, folha do amendoim, folha da batata inglesa e carqueja). O orixá Ogum possui sobre seus domínios plantas que lembram espadas, lanças, facas e utensílios de corte. São na sua maioria pontiagudas, resistentes, com facilidade de adaptação aos mais variados tipos de solo, temperatura, clima, da mesma forma que um guerreiro que precisa saber se adaptar para vencer uma batalha, destruindo plantas que insistem em ocupar o seu espaço (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha da fortuna, cevada, pata de vaca, açoita cavalo, aroeira, quebra tudo e espada de São Jorge e folha da goiabeira). Oya/Iansã apresenta plantas que possuem como características principais se alastrarem rapidamente, como o vento que se espalha, que cresce, que se expande. Oya é um orixá de movimento, por isso muitas ervas que são atribuídas a ela também apresentam algumas dessas características, de se movimentarem, ou seja, de aparecem rapidamente em outros locais próximos, onde inicialmente foram plantadas (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha-da-fortuna e avenca, espada de Santa Bárbara, folha da abóbora, folha da batata doce, folha da pitangueira, folha do araçá e folha da taquareira). As plantas que pertencem a Xangô, na maioria das vezes, estão relacionadas ao fogo, são plantas quentes, por isso necessitam de intensa luminosidade para se desenvolver, sob pena de enfraquecerem. Xangô é um orixá de intensa energia, assim como suas plantas que em caso de falta de luz, morrem rapidamente, pois não gostam de ambientes escuros e com umidade excessiva (guiné, orô, levante, dinheiro em penca, folha-da-fortuna, trevo, manjerona e bananeira). O orixá responsável pela caça, que nos mostra que sempre é possível atingir nossos objetivos, apresenta em suas folhas como características principais a de serem encontradas em locais não cultivados, em matas e florestas variadas. Assim como a variação da mata as plantas consagradas a Odé e Otim, também apresentam características variadas. (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha-da-fortuna, lírio, folha do coqueiro, folha do butiazeiro, manjericão, arruda e gervão). Obá, assim como Ogum e Oya é um orixá guerreira, e por isso apresenta características que também estão presentes na maioria de suas plantas rituais. As suas folhas são robustas, grosseiras, tendo a necessidade de intensa luz e se adaptam aos mais variados tipos de solo, sem a necessidade de muita umidade. (guiné, orô, alevante, folha-da-fortuna, urtiga, folha da romã). Ossanha, patrono das folhas, o único que conhece completamente cada planta, pois todas as características em suas folhas, como todas pertencem a ele, possui plantas do seco e do molhado, que necessitam de muita ou pouca luminosidade, pois sabe da importância, de cada uma, sabe que todas são importantes, necessárias e únicas (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha-da-fortuna, lírio, folha do coqueiro, catinga de mulata, erva de bugre, folha do aipim, folha do butiazeiro, aroeira e manjericão). Limpar, esta é a principal característica do orixá Xapanã, que possui como principal ferramenta ritual a vassoura. As suas ervas possuem esta finalidade, limpar energias que ficam presas ao nosso corpo. As plantas ligadas a Xapanã, possuem como característica principal não atraírem insetos e predadores, e inclusive de interferirem no desenvolvimento de outras, são fortes e dominantes (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha-da-fortuna, barba de pau, gervão, losna, absinto, concorosa, picão, erva de bicho, urtiga, carqueja, guanxuma, vetiver e junco). Há Oxum pertencem as folhas mais delicadas e perfumadas, pois ela representa os perfumes da natureza, para o seu desenvolvimento são plantas que necessitam de muita água e sol, que representa o brilho de Oxum (guiné, orô, alevante, dinheiro em penca, folha da fortuna, poejo, alecrim, alfazema, jasmim, lírio, amor perfeito, folha da tamarindo, manjericão, trevo, hortelã, folha do melão, malva cheirosa e melissa.) Iemanjá, assim como Oxum é um orixá de água, não possui toda a delicadeza de Oxum, mas também gosta da beleza e dos perfumes, suas plantas também necessitam de bastante água para o desenvolvimento, gostam do brilho, e assim necessitam de sol em abundância,não são folhas agressivas, ou seja não impedem o desenvolvimento de nenhuma outra para o seu crescimento, pelo contrário auxiliam (guiné, orô, alevante, folha-da-fortuna, salsa, hortênsia, alfazema, vetiver, onda-do-mar, jasmim e malva cheirosa). O orixá Oxalá, representa a pureza, a misericórdia e a clareza na vida. É a ele que pedimos quando os demais orixás não veem mais chance. Ele pode mudar tudo isso. Suas folhas são límpidas, puras, necessitam de intensa luz solar e bastante umidade para se desenvolverem. (alecrim, cambará, alevante, alfazema, anis-estrelado, boldo, canela, cravo-da-Índia, erva-de-bicho, folha da fortuna, funcho, gerânio branco, hortelã, jasmim-do-cabo, malva, manjericão, erva-de- Santa-Luzia e folha da goiabeira). Existem plantas que são utilizadas por vários orixás diferentes, pois se adaptam e apresentam características comuns a ambos. Assim como um medicamento que muitas vezes serve para diversas enfermidades. Não podemos esquecer que as folhas utilizadas em cada casa podem mudar de acordo com a feitura e origem religiosa. Cabe sempre pesquisar, descobrir quais devem ser utilizadas. Estas folhas são algumas das utilizadas por nós no axé Ilê Orixá. Marula é uma árvore de tamanho mediano, originária do bioma das savanas da África oriental. Caracteriza-se por um tronco único acinzentado e uma copa de folhas verdes, os frutos são ovóides ou globosos com uma polpa suculenta, doce-acidulada e uma semente. São bastante conhecidos pelo seu uso no licor. Os orixás e as folhas “Pelebé Nitobé Ewé, pelebé nitobé Kobé pelebé okun pelebé Kuaua aua ku, axé pelebé Ewé Pelebé nitobé o” “As folhas têm duas faces, como o facão tem duas faces. Qualquer doença que vá nos pegar, a folha de Ossayin não vai deixar. A morte ou doença que está na nossa frente Ossayin tira da nossa cabeça” o início, além de Ossanha nenhum outro orixá possuía acesso a nenhuma folha sem que Ossanha a cedesse, nenhum orixá tinha condições de fazer uso de nenhuma folha, sem antes falar com ele, e isso por muito tempo aconteceu .... “Contam os mais velhos que, na criação do mundo, Olorum entregou o segredo do uso das ervas e plantas a Ossáin, o orixá das folhas. Ossáin guardou o segredo muito bem guardado numa cabaça e pendurou numa árvore bem alta. A árvore ficava bem defronte à porta de sua casa. Pois bem: quem precisasse de qualquer remédio, ou como saber preparar alguma comida de folha ia até Ossáin. Mas tinha de esperar ser atendido e pagar pelo conhecimento. Os orixás e os humanos passaram a depender da vontade de Ossáin. Somente ele sabia do segredo das folhas e como fazer uso das plantas. Na porta de Ossáin, tinha sempre aquele bolo de gente, num eterno empurra-empurra. De longe, se ouvia o alarido. Muitos até protestavam de canto de boca, mas tudo ficava no mesmo. Um dia, um dos nove filhos de Iansã foi acometido de uma dor terrível. E logo quem: o caçula. Ela morria de amores por aquele filho. Iansã correu até à casa de Ossáin, em busca de uma planta pra curar o seu menino. Chegando lá, disseram a ela que Ossáin estava muito ocupado. Ele só podia atender mais tarde e que ela N esperasse no meio de todos. Todo mundo sabe: bole com quem não conhece e veja o que te acontece. Pois bem: Iansã olhou aquele amontoado de gente, viu a árvore enorme e bem alta na porta de Ossáin e a cabaça com o segredo das folhas pendurada lá, no galho mais alto. Iansã foi se desesperando e terminou sendo tomada pela fúria. Aí, ela soltou de si o efurufu lelé, o grande e terrível vendaval que arrasa tudo. Não ficou árvore em pé. A cabaça do segredo caiu, se espatifou e as folhas todas foram espalhadas pelo mundo. Quando Ossáin ouviu o barulho da destruição, largou as ocupações e veio saber do que se tratava. Aí, ele viu o grande redemoinho de folhas pelos ares e gritou em desespero: “Ewé o! Ewé o!”, que quer dizer “Oh, folhas! Oh, folhas!” Então, todos os orixás vieram saber do que se tratava. Oxalá, o Pai da Paz, sentenciou: “Vão todos catar as folhas, cada um vai ficar sendo dono das folhas que conseguir ajuntar”. Os orixás viram aquela confusão e não se fizeram de rogados: todos correram pra apanhar as folhas no meio do vendaval. Aí, Iansã pegou as folhas que queria e abrandou sua natureza. O vento se acalmou. Foi uma maravilha! Oxum, a mãe da beleza, juntou as folhas pra enfeitar a vida. Obaluaiyê ficou com as raízes que servem de alimento pra sustentar os humanos. Nanã, a mais velha das mais velhas, guardou todas as folhas que servem pra fazer chá. Iemanjá, a mãe do oceano, ficou com as folhas do mar. Omolu, o pai da pobreza, guardou as folhas pra curar. Oxóssi, o grande providenciador dos alimentos, segurou as folhas que são comestíveis. Iku, a Morte, apanhou as folhas que matam. A partir desse dia, quem entrasse na casa de Oxum ficava maravilhado com tanta planta enfeitando tudo. E a pessoa que não estivesse bem, só de olhar aquela maravilha, ficava logo melhor. Obaluaiyê passou a ensinar como se faz comida com raízes a quem estivesse com fome. Nanã passou a distribuir chás curativos com quem precisasse. Omolu passou a curar as mazelas do corpo e da alma com as plantas medicinais. Quem recorresse a Oxóssi aprendia como se alimentar com folhas. E Ossáin continuou sabendo o segredo do tratamento. Mas o enorme ajuntamento na porta da casa dele não existia mais” (PÓVOAS, 2009, 40). Desde então os orixás possuem algumas folhas, mas o segredo, o encantamento e como fazer o seu uso ficou apenas com ele, que até hoje sabe exatamente como fazer uso de cada folha para cada problema existente, e embora cada orixá possua suas folhas é Ossanha apenas que conhece o verdadeiro segredo de como manipular e fazer uso dela, pois as folhas foram distribuídas, mas o segredo permanece apenas com ele. Exú Bará³³ “Percebe-se que as folhas nessa religião pertencem aos orixás e Exú também tem suas folhas” (BOTELHO, 2010, p. 4). As folhas dedicadas ao orixá Bará são folhas que possibilitam oportunidades e caminhos, já que é o orixá responsável por nos comunicar com todos os demais orixás, é quem nos conduz aos demais orixás e ao que nosso ori nos deseja, pois nada é possível de ser realizado sem antes passar por ele. É Exú Bará que permite novas portas serem abertas ou fechadas, de acordo com nossa conduta ritual, por isso a utilização de suas folhas é sempre de extrema importância. É ele também que se costuma recorrer em muitos casos de necessidades financeiras, logo muitas de suas folhas e banhos permitem que se receba um axé de crescimento e prosperidade. Mas Exú também é vitalidade, virilidade e esperteza, pois é o orixá mais parecido com o ser humano, com suas qualidades, mas também com todos os seus defeitos. Ogum³⁴ GUNFAREMIM (2010) nos lembra de um mito entre Ogum e Ossanha que nos faz compreender a relação existente entre eles: “Osanyin era um sábio conhecedor da magia das folhas. Ele era chamado Onisegun, Dono da medicina. Ele era chamado Agbenigi, O que mora nas árvores. Ogun era um homem muito valente, e o que tinha de bravo tinha de inconsequente. Um dia Ogun foi para a guerra, mas na batalha sua bravura não foi o suficiente. Ogun perdeu, e quase morreu, tendo de voltar pra casa humilhado. Ele não se conformava, pois sua índole não admitia derrota. Ogun voltou para casa, andando pela mata, pois Ogun antes de ser um guerreiro era também um Odé. Ogun era o líder dos caçadores. Ao andar pela mata ele foi avistado pelo sábio Protetor da floresta, Osanyin. Osanyin perguntou a Ogun porque estava tão cabisbaixo já que Ogun não era um homem de se deixar abater. Ogun e todos os Odé são amigos de Osanyin. Ogun contou a ele que voltava de uma batalha que havia perdido e mostrou a ele os ferimentos que tinha sofrido. Osanyin pensou e pensou, até que resolvou ajudar Ogun. Ele deu a Ogun o segredo de sete folhas muito fortes. Ewé Igi Opé, a folha de dendezeiro, que ao ser desfiada se torna Mariwo. O homem que se veste de mariwo é imune a feitiço. Ewé Atoribé, a folha de Joboinha. Nenhuma flecha encontra o corpo de quemusa Atoribé. Ewé Peregun, a folha de Dragoeiro liso (sem listras). A todo mal se afasta de quem usa o Peregun no corpo. Ewé Ida-Orisa, a folha Espada de São Jorge. Nenhuma lâmina corta o corpo daquele que sabe o segredo da Ida- Orisa. Ewé Okika, a folha de Cajarana. A ponta da lança não pode perfurar o corpo de quem tem Okika. Ewé Ojusaju, a folha Guine-Amansa-Senhor. A má intenção do inimigo não pode enganar quem sabe usar Ojusasu. Ewé Ewuro, a folha de Boldo. A saúde de quem usa Ewúro é totalmente restaurada. Osanyin deu todas estas folhas a Ogun e desde então ele ficou invicto. Ogun nunca foi morto por ninguém. Ate hoje nós saudamos Ogun com “OGUN YE!” Que significa “Ogun está vivo!” Não existe Orisa mais sábio que Osanyin! Não existe Orisa mais forte que Ogun! EWÉ ASA! As folhas funcionam!” Com as folhas de Ogum é possível abrir novas oportunidades, novos desafios. São folhas ótimas para busca de emprego e para atravessar conflitos. Quando utilizadas as ervas dedicadas a Ogum de forma correta fica mais fácil de conseguir vencer obstáculos da vida, abrindo novas oportunidades e caminhos muitas vezes não conhecidos, que as vezes são de superação. As folhas dedicadas ao orixá Ogum costumam apresentar características que facilitam o seu reconhecimento, sendo muitas delas pontiagudas. “Outras vêzes, porém, é a forma em lugar da côr que se leva em consideração; por exemplo, a espada de Ogun tem a forma de uma faca, o Ogun é o deus de ferro, o rei da guerra” (BASTIDE, 1961, p. 191). As folhas do orixá Ogum também permitem proteção e segurança, é o orixá das lutas diárias, das batalhas da vida e de conflitos para serem superados, pois Ogum está sempre pronto para ajudar os que necessitam de sua ajuda. E são muitas as relações de Ogum com as folhas: “Desgostoso, tirou as roupas sujas, vestiu-se com folhas novas de palmeira e foi viver, sozinho” (PRANDI, p. 49, 2001). “Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu. Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da árvore de acocô e lá permaneceu” (PRANDI, p. 44, 2001). “Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro, mariô, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino” (PRANDI, p. 45, 2001). “Quando se cansou, foi dormir no alto de uma palmeira. Apanhou algumas folhas de mariô para cobrir seu corpo e defender-se de insetos que o incomodavam” (PRANDI, p. 46, 2001). Oya³⁵ As folhas de Oya além de nos limpar, nos trazem movimento, união com a família e amigos. Utilizadas de forma adequada as suas folhas ainda são capazes de atraírem também relacionamentos. “ela quem faz o movimento das214 folhas das árvores, com seus ventos e também é Oya que faz com tudo pare de se mover” (PEREIRA, 2019, p.2013- 2014). Como em todos os orixás nem todas as folhas são utilizadas para todos os fins, por isso é necessário muito cuidado e ter certeza do uso correto de cada folha para o objetivo que se precisa. Alguns autores fazem uma relação forte entre as folhas de Oya e de Xangô, observe: “A fôlha de fogo, que tem um colorido avermelhado, a dormideira vermelha (mas somente a desta côr) são atribuídas a Xangô e a Yansan porque a côr dêstes dois santos é o vermelho” (BASTIDE, p. 191, 1961). Mas enquanto as folhas de Oya movimentam para limpar ou unir, as de Xangô irão nos trazer equilíbrio nas horas certas, a justiça e o saber falar o que se precisa no momento adequado, por isso a necessidade de se saber o ofó de cada folha que se deseja, no momento certo. Oya também está ligada a união familiar, as mudanças que precisam e devem ser feitas para a construção de seres humanos mais unidos. Xangô³ Uma outra versão do mito que inicia esse capítulo relata um fato determinante para que Xangô reconheça a importância e o domínio de Ossanha sobre todas as folhas. “Ossaim, filho de Nanã e irmão de Oxumaré, Euá e Obaluaê, Era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, O orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos os orixás recorriam a Ossaim Para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossaim na luta contra a doença. Todos iam á casa de Ossaim oferecer seus sacrifícios. Em troca Ossaim lhes dava preparados mágicos: Banhos, chás, infusões, pomadas, Abô, beberagens. Curava as dores, as feridas, os sangramentos; As disenterias, os inchaços e fraturas; Curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; Livrava o corpo de todos os males. Um dia Xangô, que era o deus da justiça, Julgou que todos os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossaim, Conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura. Xangô setenciou Que Ossaim dividisse suas folhas com os outros orixás, mas Ossaim negou-se a dividir suas folhas com os outros orixás. Xangô então ordenou Que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio Todas as folhas das matas de Ossaim Para que fossem distribuídas aos orixás. Iansã fez o que Xangô determinara gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas E as arrastou pelo arem direção ao palácio de Xangô. Ossaim percebeu o que estava acontecendo e gritou: “Euê uassá” “As folhas funcionam!” Ossaim ordenou às folhas que voltassem às suas matas E as folhas obedeceram às ordens de Ossaim. Quase todas as folhas retornaram para Ossaim. As que já estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura. O orixá-rei, que era um orixá justo, admitiu a vitória de Ossaim Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossaim E que assim devia permanecer através dos séculos. Ossaim, contudo, deu uma folha para cada orixá, deu uma euê para cada um deles. Cada folha com seus axés e seus ofós, que são as cantigas de encantamento, Sem as quais as folhas não funcionam. Ossaim distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem eles também podiam realizar proezas com as ervas, Mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Ossaim não conta seus segredos para ninguém, Ossaim nem mesmo fala Fala por ele seu criado Aroni. Os orixás ficaram gratos a Ossaim E sempre o reverenciam quando usam as folhas” (PRANDI, 153-154, 2001). E desde então cada orixá possui a sua folha, mas sempre necessita do axé de Ossanha para conseguir o despertar da folha, para fazer com que a folha se torne remédio e se tornando remédio possibilite a cura que se deseja para todos os males. Odé³⁷ O culto ao orixá Odé está ligado ao culto das florestas, local de colheita de folhas, e acima de tudo de preservação, pois se existe além de Ossanha um orixá preocupado com a preservação da natureza é ele. Suas folhas geralmente estão ligadas a conquistas, ao foco nos objetivos e saúde. Odé é um orixá extremamente preciso e de grande conhecimento sobre todas as matas. “Ligado à floresta, à árvore, aos antepassados, Oxóssi como caçador ensina o equilíbrio ecológico, e não o aspecto predatório da relação do homem com a natureza. Com ele, aprendemos a concentração, a determinação e a paciência necessária para a vida ao ar livre” (BARBOSA JR., 2011, p. 37). E Odé está sempre muito próximo de Ogum e ambos como orixás ligados ao mistério das matas possuem grande ligação com todas as folhas e segredos escondidos em cada folha. “Oxóssi, o deus dos caçadores, teria sido o irmão caçula ou filho de Ogum. Sua importância deve-se a diversos fatores. O primeiro é de ordem material, pois, como Ogum, ele protege os caçadores, torna suas expedições eficazes, delas resultando caça abundante. O segundo é de ordem médica, pois os caçadores passam grande parte do seu tempo na floresta, estando em contato frequente com Ossain, divindade das folhas terapêuticas e litúrgicas, e aprendem com ele parte do seu saber. O terceiro é de ordem social, pois normalmente é um caçador que, durante suas expedições, descobre um lugar favorável à instalação de uma nova roça ou de um 105 https://periodicos.unifap.br/index.php/letras Macapá, v. 8,n. 3, 2º sem., 2018 vilarejo. Torna-se assim o primeiro ocupante do lugar e senhor da terra (Oníle), com autoridade sobre os habitantes que aí venham a se instalar posteriormente. O quarto é de ordem administrativa e policial, pois antigamente os caçadores eram únicos a possuir armas no vilarejo, servindo também de guardas-noturnos” (VERGER, 1997, p. 56). Obá³⁸ As folhas de Obá são folhas que possuem a capacidade de movimentar, de mudança de rumo, mas também são folhas que permitem eliminar os problemas, já que a sua navalha representa o corte e muitas vezes a separação. “Obá é a dona da navalha, das tesouras, da lança e de cortar o mal, Obá é batalhadora. Quando é representada, está sempre com a mão na orelha ou alguma folha medicinal, pois cortou sua orelha” (SANTOS, 2019, p. 53). Assim Obá também permite a cura, da mesma forma que os demais orixás quando as suas folhas são utilizadas em situações em que o seu axé se faz necessário. Ossanha³ O orixá das folhas como já dito é quem sabe exatamente como fazer o uso de cada folha, de cada erva para cada problema de saúde que se tem, é quem conhece as folhas que irão acalmar, as folhas que irão nos movimentar, folhas de fecundação, folhas venenosas, folhas de calmaria ou de excitação, é apenas Ossanha que todos os segredos e encantamentos conhece e assim sabe agir sempre da forma mais adequada. “Na religião dos orixás, Ossaim é o orixá da saúde, conhecedor} das folhas curativas e das ervas litúrgicas. Este orixá segundo Pierre Verger e originário de Irão, atualmente na Nigéria, perto da fronteira com o ex-Daomé, e e conhecido por Babá Ewé, isto é "folha". Por ele descobrir primeiro o segredo das folhas, e para que elas servem, que energia elas trazem, ele é praticamente um rei [...] no cultivo das folhas é rei, e todos os orixás precisam das folhas. Desse modo, o orixá Ossaim possui lugar privilegiado nas casas de matrizes religiosas dos orixás no Brasil” (BOTELHO, 2010, p. 66). Observe que a relação de Ossanha com as folhas é incontestável e indiscutível, e que a sua relação com a cura de doenças sempre esteve presente. “Ossanha aqui é o orixá Ossaim, senhor das ervas, conhecedor de todas elas, dos seus segredos e poderes. Alguns mitos contam que ele aprendeu tudo com Aroni, o gnomo de uma perna só, enquanto vivia pelas matas e florestas. Noutros, Aroni é seu criado. Orunmilá, orixá do oráculo, ao se dar conta dos conhecimentos de Ossaim, passa a contar com a sua presença nos momentos de consulta ao oráculo de Ifá. Dessa forma, o babalaô, que era muito procurado por doentes, contaria com os conhecimentos de Ossaim sobre as ervas para ajudá-los na cura. Assim, não há trabalho que possa ser realizado sem a mediação de Ossaim, pois é ele quem possui o segredo das ervas” (MORAIS, p. 87, 2013). Com o orixá Ossanha pode se confundir com a própria folha, que é a própria manifestação do orixá. “A melhor representação para Ossanha são as folhas que emanam da natureza, e a sua representação é uma haste de ferro com pássaro em cima. No batuque esta representação foi abandonada e se faz o uso de um coqueiro, que traz a mesma ideia da haste metálica. Ossanha está ligado ao culto da floresta pois é o conhecedor do segredo das folhas, e de como estas folhas podem ser utilizadas na cura de doenças” (PEREIRA, 180 p. 2019). Xapanã⁴ As folhas em geral dedicadas ao orixá Xapanã são plantas que carregam a cura⁴¹, por isso devem ser utilizadas preferencialmente para tratar problemas de pele, para afastar a doença de pessoas que estão com muitos doentes por perto. Algumas folhas pertencentes ao orixá Xapanã devem ser utilizadas com cuidado porque são muito fortes. “Enquanto de Ossaim emana o poder de cura, Omolu ou Obaluaê é o curador, o médico, aquele que possibilita a cura acontecer, uma vez que Obaluaê é o dono da terra. É da terra que brotam as plantas com suas folhas. A terra produz tanto as Aurino José Góis Horizonte, Belo Horizonte, v. 11, n. 29, p. 321-352, jan./mar. 2013 – ISSN 2175-5841 346 plantas que curam quanto as plantas que matam e é nessa energia que vibra esse Orixá” (SANTOS, 1986 apud PRANDI, 2001 p.204-206). As doenças de pele são as principais causas de recorrência ao orixá Xapanã, já que com seus encantamentos, rezas e as folhas adequadas podemos afastar a maioria das doenças de pele. “foi possível constatar que doenças de pele, por exemplo, eram tratadas com folhas de Omulu (orixá que tinha a pele chagada)“ (VASCONCELOS, 2006, p. 58). São diversas as formas que Xapanã é reconhecido, e cada nação o chama da sua maneira e de todas elas, ele como um bom pai está sempre disposto a ajudar: “Obalúayé (‘Rei Dono da Terra’) ou Omolu (‘Filho do Senhor’) são os nomes geralmente dados a Sànpònná, deus da varíola e das doenças contagiosas, cujo nome é perigoso ser pronunciado. Melhor definindo, ele é aquele que pune os malfeitores e insolentes enviando-lhes a varíola” (VERGER, 1997, p.80). O orixá Xapanã para alguns é considerado ligado a pobreza e a miséria, que se sabe que não é verdade, o que se pode é relacioná-lo de fato a simplicidade da vida, da forma de viver: “Omulu comia o que a mata dava: frutas, folhas, raízes” (PRANDI, 2001, p. 204). Ibeji⁴² As folhas dedicadas ao orixá Ibeji são folhas que podem nos trazer paz, harmonia, alegria na nossa vida, equilíbrio e saúde. São recomendadas para terem seu uso sobretudo em crianças, pois as crianças são todas dedicadas a esse orixá. Ibeji por muitos é reconhecido na beleza que existe em todos os lugares da natureza, nas folhas que brotam, nos animais que brincam, nos pássaros que cantam. Oxum⁴³ Oxum carrega a sua doçura em todos os seus axés e em suas folhas, independente da forma e do gosto que as suas folhas tenham, pois, ao ser do axé de Oxum já carrega a sua doçura. Oxum é considerada o grande útero que povoa o mundo, que cria, que cuida e que permite que a via ocorra de todas as formas. As folhas de Oxum além de trazerem harmonia, também estão relacionadas a fertilidade e a beleza, muitas de suas folhas são perfumadas e alegram os ambientes. Mas Oxum também é o orixá que está intimamente ligado a riqueza, por isso suas folhas também são atrativas para a prosperidade e crescimento quando necessário e em acordo com o jogo de búzios. Com Oxum também podemos fazer com que as pessoas fiquem mais próximas as famílias, trazendo tranquilidade e muitas vezes a calmaria. E embora Oxum não seja um orixá ligado aos cultos das florestas, também temos folhas dedicadas para Oxum: “Muitos são os orixás, e cada um possui o seu domínio; aqueles mais associados ao domínio da mata são Oxóssi, Ossaim ou Ogum, onde o sincretismo com os elementos vegetais é óbvio3,4. Mas mesmo outros orixás que ocupam domínios como o da água (Iemanjá, Oxum) ou do fogo (Exu, Iansã) possuem sempre pelo menos uma erva associada. Ou seja, o papel dos elementos vegetais é nuclear na consolidação e manutenção dessas religiões, bem como de seus valores” (SILVA, p.12-13, 2018). Iemanjá Vamos recorrer a Iemanjá em suas folhas para melhorar nossos pensamentos, afastando os pensamentos ruins e possibilitando bons pensamentos. É um orixá muito ligado ao cuidado, a proteção do ser humano, sempre atento as necessidades de cada um, observe o mito onde Iemanjá cuida de Omulú: “Há uma lenda que diz da imensa generosidade de Yemanjá para com Omolu, quando este, rejeitado por sua mãe Nanã, foi abandonado na praia para que o mar o levasse. Nanã se recusou a mantê-lo junto a si por não suportar a feiura do filho, que também era manco e cheio de feridas. Um grande caranguejo se aproximou do bebê e o atacou com suas pinças, tirando pedaços de sua carne. Quando Yemanjá saiu das águas e o avistou, abrigou Omolu em uma gruta e passou a cuidá-lo com curativos de folhas de bananeira e alimentando-o com pipocas sem sal nem gordura, até que se recuperasse. Depois de curado, Yemanjá o criou como a um filho. Desde então, uma profunda ligação se estabeleceu entre os dois orixás.” (SANTOS, p. 57, 2013) Oxalá⁴⁴ É com Oxalá que conseguimosa calmaria, a tranquilidade e, também a paz para os nossos dias quando estamos muito agitados. As folhas de Oxalá também são indicadas para pessoas muito doentes ou crianças muito pequenas que precisam fazer um banho de ervas, mas não podem utilizar demais ervas de limpeza. “a côr de Oxalá sendo o branco, (97) L. CABRERA, o. e,, pág. 100, A ESTRUTURA DO MUNDO - 191 o tapête de Oxalá cujas fôlhas são circundadas por uma espécie de pêlo branco, e o algodão, que no arrebentar das sementes deixa escapar a brancura imaculada de seus flocos, são atribuídos a Oxalá” (BASTIDE, p. 190-191, 1961). E como já se disse todas as folhas são sagradas e merecem respeito, evitando assim o corte desnecessário, sob pena de desagradar os orixás que zelam e cuidam de todas as folhas. CAMARGO (2013, p. 105) nos lembra da relação das folhas de Oxalá com o seu manto: “As folhas representam o manto de Oxalá, elas somente devem ser utilizadas quando forem de extrema necessidade, nada deve ser retirado da natureza se não for necessário, nem sequer uma folha pode ser retirada da natureza sem um propósito, pois toda a vida é sagrada”. Orumilaia⁴⁵ Orumilaia é o orixá da visão, e por consequência também a quem recorremos contra o conhecido “olho grande”, ou “olho gordo” por isso suas folhas são utilizadas para evitar o “olho grande” ou afastar e são folhas que facilitam a mediunidade de todos. “Orunmilá (Elerin Ipin), o testemunho do destino dos seres humanos, está precisando de um criado. Ele vai ao mercado e, entre os escravos que estão à venda, ele escolhe Ossain. Manda-o desmatar o campo para preparar as novas plantações. Entretanto, para desespero de Orunmilá, Ossain volta à noite, sem ter cumprido sua ordem. Orunmilá lhe pergunta por que ele nada fez. Ossain lhe responde: "Todas estas plantas, estas folhas e estas ervas têm virtudes. Elas não podem ser destruídas. Esta folha, por exemplo, acalma as dores de dentes; esta outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos; esta outra, ainda, cura a febre. Impossível, em verdade, arrancar plantas tão necessárias à saúde e a felicidade!" Orunmilá impressionado, decide que Ossain deverá, a partir de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de adivinhação, para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consultantes. Uma surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco, entre esses deuses. Ossain, sofrendo por ser mantido em submissão, vangloriava-se de ser mais importante que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava” (VERGER, p. 72, 1997). Como é demonstrado no mito é de suma importância compreender que Orumilaia nos mostra o que devemos fazer, que ervas devemos utilizar e como devem ser através do jogo de búzios, pois a partir do jogo Ossanha se comunica com Orumilaia e assim permite que a folha correta para cada problema seja a utilizada, solucionando assim o problema que se deseja solucionar. Um outro mito ainda nos conta: “Ifá foi consultado por Orumilá que estava partindo da terra para o céu indo apanhar todas as folhas. Quando Orumilá chegou ao céu Olódùmaré disse: – Eis todas as folhas que queria pegar. O que fará com elas? Orumílá respondeu que iria usá-las para benefício dos seres humanos, e todas as folhas que ele estava pegando, ele carregaria para a Terra. Quando chegou no meio do caminho entre o céu e a terra, ele encontrou Ossanha e perguntou: – Ossanha onde vai? -Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios. Orumilá disse que já havia ido buscar as folhas no céu e ele poderia fazer remédios com elas, porém não conhecia seus nomes. Foi Orumilá quem deu nome a todas as folhas, e disse pra Ossanha que carregasse todas as folhas para a terra. Foi assim que Orumilá entregou todas as folhas para Ossanha e também ensinou a ele o nome das folhas apanhadas junto com todo o poder delas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore” Orumilaia é um dos Orixás mais antigos conhecidos e dotado de grande respeito entre todos os orixás e humanos, conhecedor de todos os segredos e mistérios do mundo, testemunha de todos os destinos e por isso quem melhor pode aconselhar cada um dos seres humanos. “Os primeiros, adivinhos, representados por Orunmilá, constituíam uma classe à parte, gozavam de prestígio junto ao rei graças aos seus estudos e técnicas aprendidas desde crianças. Ossaim reunia um grupo mais simples que saía pelas cidades e curava através de “remédios de folhas”. Era chamado pelos primeiros de simples “feiticeiros”. Orunmilá fez o seguinte desafio a Ossaim. A fim de provar qual saber era mais importante, os dois enterrariam seus únicos filhos e no quarto dia a criança que permanecesse viva serviria como prova de superioridade e importância. Ossaim aceitou. Foram abertas duas covas, uma ao lado da outra. Numa foi colocada Oferenda, o filho de Orumilá, e na outra Remédio, o filho de Ossain. Durante os dias a cidade acompanhou atentamente a fim de que não houvesse trapaça. Enterrado uma ao lado do outra, as crianças fizeram um pacto: durante aqueles dias uma ajudaria ao outro a sobreviver. No qu-arto dia, a cova onde foi enterrado o filho de Orunmilá foi aberta e lá estava Oferenda com vida, os Babalawôs festejaram de alegria, estava provado que o saber das folhas de nada valia. Para surpresa de todos, ao abrir a cova onde estava o filho de Ossain, Remédio também estava vivo. Depois as crianças explicaram o acordo que fizeram e todos compreenderam que não há saber mais importante do que o outro. No Universo vale mais aquilo que soma. É por isso que se diz que Sacrifício não deixa Oferenda morrer. Está, assim, explicado o porquê de todas as oferendas se iniciarem com folhas que são ora maceradas, ora comidas pelo presente dado aos ancestrais. A partir desse acontecimento as pessoas começaram a fazer músicas que falam do princípio vital que circula nas folhas e nos dá vida através da oferenda.” (JUNIOR, 2011, p. 64) Iroko⁴ Sem dúvida nenhuma o orixá Iroko é especial, é a própria manifestação de um orixá em uma árvore, considerada a primeira plantada no mundo: "Ìrókò! Oluwéré, Ògìyán Èlèijù, que se pode traduzir livremente por: Ìrókò, árvore proeminente entre todas as outras, o Òrìsà-funfun (Ògìyán) do âmago da floresta" (Santos 1979:77). Uma outra versão do mito que conta como ocorreu a distribuição das folhas entre os orixás faz uma relação com Iroko: “Uma antiga história yorùbá versa que Osanyin era o único Òrìsà que conhecia o segredo das folhas. Ele, por conta disso, foi considerado um dos grandes pais da botânica yorùbá, ganhando notório prestígio dentre todos. Sobre isso, não podemos esquecer que na sociedade yorùbá, as folhas possuem um papel determinante, sendo que para tudo no culto aos Òrìsàs as folhas são utilizadas, afinal, como diz o ditado "Sem folha não há Òrìsà". Mas, isso causava certo desconforto aos demais Òrìsàs, pois para tudo eles dependiam de Osanyin. Esse desconforto acometia principalmente Sàngó, o grande rei da cidade de Oyo. Sàngó sentia-se minorado por depender de Osanyin e, insatisfeito, lamentou-se com sua Ayaba à época, a grande rainha dos ventos, Yansan. Yansan sabia que os segredos da utilização das folhas, os incontáveis Ofós, eram guardados por Osanyin na copa de uma gigantesca árvore de Iroko. Osanyin, cuidadosamente guardava todos os mistérios que havia aprendido em uma cabaça, acreditava ele, que ali, na copa do frondoso Iroko ninguém jamais ousaria arriscar-se a lhe roubar, corroborava esse pensamento, o fato das Divindades possuírem grande medo e respeito pela árvore de Iroko, vez que essa árvore também é a morada de diversos espíritos, principalmente durante a noite. No entanto, Yansan não precisava sequer aproximar-se da árvore de Iroko, ela possuía o poder de comandar os grandes vendavais e assim, com o intento de deixar seu marido Sàngó, feliz, produziu uma tempestade de vento como nunca havia se visto antes. Todos ficaram com muito medo, muito medo mesmo. Certo momento, o vento chegou à árvore de Iroko,onde estavam guardados os mistérios das folhas e o exemplar de cada uma delas. O vento produzido por Yansan, fez com que a cabaça caísse ao chão espalhando todos os exemplares das folhas guardadas por Osanyin. O grande Deus da folha atordoado com aquilo, correu e conseguir pegar todos os Ofós (magias), por outro lado, cada Divindade começou a pegar os exemplares de folhas que se espalhavam por conta do vento. Desse modo, Yansan colheu folhas como Afere, Sango, pegou exemplares como Ipesanyin, Tanna-Tanna e Ewé Iná. Ogun, pegou folhas como Peregun, Odan e Araba. Osun atraiu-se pelas folhas de Osibata e Ojuro, seu filho, Logun-Ede, colheu muitas folhas de Bomimu e, assim, cada Orisa pegou um bom montante de folhas que hoje, são as folhas que destinamos a eles. Apesar disso, quando todos os Òrìsàs estavam cheios de folhas, eles se deram conta de que não sabiam como potencializar cada uma delas, eles perceberam que, apesar de estarem com tantas folhas, não sabiam exatamente o que fazer com cada uma delas e, continuaram dependendo de Osanyin”. (Fonte Ylê Asé Òsúmàré, disponível em Divina Flor Verde) E assim, até hoje, nós da Fortaleza Ilê Orixá, antes das obrigações, todos os filhos da casa obrigatoriamente sempre fazem banhos de ervas maceradas, e o uso das folhas é sempre incentivado dentro do axé, de diversas formas, pois todo o axé inicia sempre com o axé das folhas, seja para se recolher em uma obrigação religiosa, seja para fazer o assentamento de um orixá, ou ainda tirar energias ruins do copo, nada se faz sem o uso das folhas. - O coqueiro é um tipo de palmeira, produz o coco que é um fruto amplamente apreciado e utilizado dentro da cultura africana, presente em axés e diversos doces que são servidos as divindades. Para cada orixá uma folha Ewé n’jé Oógún n’jé Oógún tikò jé xewé rè ní kò pè As folhas funcionam Os remédios funcionam Remédio que não funciona é que tem folhas faltando ara a religião africana é indiscutível que as folhas funcionam e por isso o correto conhecimento sobre elas além de fazer com que os iniciados compreendam melhor a religião dos orixás nos permite compreender que cada orixá habita em uma folha, e que cada folha possui propriedades mágicas guardadas junto ao segredo de cada orixá, e por isso cada folha está vinculada a um orixá. “As folhas em geral, pertencem a Ossâim, mas cada orixá tem suas folhas afins ou “folhas que lhe pertencem” (VASCONCELOS, p. 2006, 56). Já faz algum tempo que se pensa a Fortaleza Ilê Orixá como uma casa de axé onde todos os orixás devem ter suas ervas definidas, através do jogo de búzios, de acordo com a vontade de cada orixá, pois os axés são dinâmicos e não são P iguais e a disponibilidade de cada planta também é desigual em cada região, o que torna difícil o culto ao orixá nessas condições. Se assim não fosse como cultuar um orixá que precise de uma folha que não existe na região? E se todos os orixás são oriundos da África [e realmente são], sabemos que nem todas as folhas que são oriundas de lá terão condições de se adaptarem em outras regiões com climas e temperaturas muito diferentes de sua origem. “As folhas formam uma grande força na farmacopéia africana. O conhecimento que os negros têm das virtudes benéficas e nocivas das plantas é indiscutível. No entanto, nem todos os praticantes das religiões afro-brasileiras sabem os verdadeiros e ocultos significados e utilidades dos materiais que usam em seus rituais e oferendas. A grande maioria usa-os porque é tradição usá-los” (GOMES, p. 112, 2008) . Pai Alexandre de Oya e Pai Ronie de Ogum entraram em consenso, depois de muito tempo já fazendo uso de ervas diariamente a definir quais seriam as ervas dentro do axé para cada orixá, assim Pai Alexandre jogou seus búzios no dia 04/02 e Pai Ronie fez o jogo de seus búzios nos dias 20/02 e 04/04/2020, ficando desta forma definidas as principais ervas que deveriam ser utilizadas dentro do axé. Posteriormente também Pai Ronie jogou búzios em 22/05/2020 e 27/07/2020 e Pai Alexandre jogou novamente búzios no dia 26/07/2020, determinando assim mais ervas que definidas para cada orixá dentro do rito da casa. “Cada divindade tem suas folhas particulares. O emprego de uma folha contraindicada poderá ter efeitos nefastos. Cada folha é dotada de certa virtude. Há a folha da fortuna, da felicidade, da glória, da fecundidade, da alegria, da oportunidade, da fraqueza, da paz, da longevidade, da coragem, das vestimentas, do corpo, dos pés, etc. Há também a da miséria, da conversação indiscreta e doutras menos aceitáveis ainda” (GOMES, p. 115, 2008). Mais do que apenas criar uma lista de que plantas que devem e não devem ser utilizadas para cada orixá a classificação das ervas aos orixás na Fortaleza Ilê Orixá serve para orientar todo o axé, que fica desta maneira com uma fonte de consulta e constante aprendizado, e que claro não cessa nunca, deve estar em constante estudo e aprendizado. E as folhas dedicadas a cada orixá seguem um padrão “Os Òrìsàs que são as representações das forças da natureza têm nas folhas um princípio que está associado aos quatro elementos, as ewé afééfé – folhas de ar, as ewé iná – folhas de fogo; as ewé omí – folhas de água; as ewé ilè – folhas de terra. Por isso cada òrìsà tem características próprias e folhas que o identificam. O ser humano nessa relação se torna receptor de toda energia do òrìsà e da natureza” (JÚNIOR, p. 23, 2018). Segundo Barros (2009), o uso de certo ou determinado tipo de planta dentro de um terreiro varia de acordo com cada casa, havendo determinadas casas que fazem uso de certas folhas para determinadas finalidades e, em outras casas, estas mesmas plantas são categorizadas de outras maneiras, podendo ser, por exemplo, consideradas como pertencentes a outros Orixás, ou então tidas como adequadas para curarem outros tipos de males ou de doenças, sejam elas espirituais ou físicas. Porém, vale ressaltar que todas as casas utilizam, em seus rituais, determinados tipos de plantas”. E cada energia é sempre apropriada para cada situação ou momento em que estamos vivendo, assim uma folha se faz necessária quando se precisa de uma determinada energia, de uma determinada força, de um determinado axé, que irá desta forma nos fortalecer nos dar equilíbrio, axé para ser somado, e com isso fazer com que alguns problemas sejam solucionados. Mas o axé de uma planta não é somente para trazer equilíbrio ou resolução de problemas, também pode ser utilizado para abrir novas portas, novos objetivos, para trazer saúde e tudo mais que de acordo com o jogo de búzios for definido como possível de ser utilizado. “A combinação das ervas influencia na qualidade do Àse, devido a esse fator deve ser detentor do conhecimento, a fim de realizar as combinações das folhas; cada folha é portadora de uma carga energética e mágica, todos os elementos inseridos no culto de Sasànyín devem formar uma composição de símbolos sagrados para a realização do ritual de sua liturgia. Os Àses transmitidas pelas folhas deve ter um princípio ativo, individual de cada utilidade. Sendo um ritual individualizado. Nos cultos das folhas, os ritos possuem Àses herdado dos ancestrais, cujo poder vem repassando de gerações em gerações, devido a isso, a conduta dentro das cerimônias ritualísticas deve ser de deveres e obrigações ao sagrado. O Àse das folhas, tem a função de absorver e eliminar energias. O culto pode diminuir ou aumentar o poder da eficácia das folhas. A forma de colher, os elementos inseridos na construção dos rituais sagrados das folhas influenciam nos poderes da realização” (JÚNIOR, p. 68, 2018). E cada planta pertence a um determinado orixá, e carrega consigo o axé de realização, ou seja, o axé do próprio orixá ao qual a planta foi estabelecida como pertencente, e assim, fazer uso de uma determinada planta é receber o axé do orixá que está associado a esta planta. “Reverenciar a folha e pedir licença ao seu patrono que é Ossaim demonstra que o homem é apenas parte de conjuntonatural e harmônico, o ser humano não é o dono de tudo, mas parte de um complexo e organizado. No encantamento das folhas, a palavra adquire um poder de ação muito forte, porque ela está impregnada de axé, essas palavras rituais, ofó, mobilizam o axé quando pronunciada de acordo à dinâmica litúrgica. Por isso as palavras estão carregadas de emoção, da história pessoal e do poder daquele que a profere. A palavra é atuante e pronunciada no momento certo induz à ação. No universo religioso afro-brasileiro a fala é transmissora do saber que desperta o poder mágico da folha” (BOTELHO, p. 5, 2010). Antes de qualquer coisa não podemos nunca esquecer que todas as folhas pertencem ao orixá Ossanha, dono de todas as folhas, de todas as árvores existentes e, também o único detentor de todo conhecimento sagrado de cada uma delas, conhece a essência de cada folha como ninguém. Somente Ossanha conhece o segredo mais íntimo de cada folha, e desta maneira tem condições de despertar todo o seu axé, a partir de encantos conhecidos apenas por ele, chamados de ofós. “À cada divindade são conferidos elementos, como as forças da natureza e as folhas sagradas, plantas cujo princípio ativo dialoga com sua essência. Alguns princípios que são vitais para uns, são nocivos para outros, o que chamamos de interdição” (MARTINS, 2016, p. 17). Mas embora cada folha seja de Ossanha, cada orixá possui sua folha ritualística, a folha que emana o seu axé, folha mais apropriada para que ocorra o efetivo poder que se deseja retirar de cada erva. E o encantamento é quem faz a folha agir como um remédio. “cada planta tem seu poder, mas fica mais forte se usada no momento e dia certo” (FARELLI, 1988). Sem desrespeitar a forma que cada casa de axé faz o culto das suas ervas, segue abaixo a tabela com as ervas dedicadas a cada orixá dentro do Ilê Orixá, e como a quantidade de ervas utilizadas é grande e conhecida é sempre ínfima, essa está sempre sujeita a possuir acréscimos de acordo com a definição de novas ervas no jogo de búzios dentro do axé. Assim como cada orixá possui sua erva, ele também possui domínio sobre algumas árvores. Ter o domínio de um orixá sobre uma árvore significa que ela é uma emanação do seu axé. A vegetação em um todo é a própria representação do orixá que está sempre presente e viva em cada um de nós, pois não se pode conceder a existência de orixá sem natureza. A relação folha/orixá se evidencia com a existência de quatro compartimentos estruturados a partir de uma concepção de categorias lógicas e ordenadas segundo a visão de mundo dos jejes-nagôs. Sendo os orixás representações vivas das forças que regem a natureza, as folhas a eles atribuídas, no contexto litúrgico, associam-se, consequentemente, a esses elementos. Barros (1993:60), estudando essas classificações, verificou que: “Os vegetais estão dispostos em quatro compartimentos-base diretamente relacionados aos quatro elementos; as ewé afééfé-folhas de ar (vento); as ewé inón-folhas de fogo; as ewé omi-folhas de água; e as ewé ilé ou ewé igbófolhas da terra ou da floresta”. Nestes quatro compartimentos-base, concentra-se o panteão jeje-nagô” (BARROS; NAPOLEÃO. 1999, p.23). Uma árvore ao ser consagrada para um orixá não significa que esta seja utilizada para banhos ou que será colocada nas obrigações rituais, o que também pode acontecer. Ter uma planta dedicada a um orixá significa que a energia do orixá é emanada por aquela erva, planta qualquer ou árvore. Algumas árvores são consagradas por produzirem os frutos destinados a cada orixá, e em consequência também são árvores consagradas a eles, mas isso não é uma regra. Uma mesma árvore assim pode ter seu fruto dedicado a um orixá, suas folhas para outro e ainda suas raízes e/ou flores para outro orixá. A existência de árvores sagradas dentro de um axé o torna mais sagrado, pois assim se possui a morada do orixá, força de realização. “vegetais que compartilham com a divindade [Oxum] algumas características em comum (como perfume, suavidade, sutileza), que perpassam e compõem os filhos-de-santo banhados por elas” (CARLESSI, p. 859, 2017). As bananeiras são árvores presentes em diversas regiões, existem diversas espécies, algumas com frutos comestíveis e outros não. O fruto é amplamente consumido no mundo. Principais ervas para cada orixá⁴⁷ “Ewê o assa!”, ou seja, “Que as folhas sejam nossa defesa!” (BENISTE, 1997, p. 312). ssa tabela é apenas ilustrativa não devendo ser utilizada sem prévio conhecimento das folhas e orientação através de jogo de búzios. As folhas referem-se a definições para uso no axé. Somente podem ser utilizadas por enquanto folhas para banho que já foram utilizadas e são de conhecimento comum dentro do axé. Uma folha ser de um orixá não significa que pode ser utilizada para banho de ervas, pois existem folhas apenas para limpeza, folhas apenas de afastamento dentre diversos tipos. A tabela serve para orientar as folhas que já são utilizadas e saberem para que orixá está consagrada a folha. É importante observar que algumas folhas estão consagradas para mais de um orixá, mas isso não significa que seja com o mesmo fim. E Bará Lodê Aroeira Urtiga Bará Agelú / Bará Lanã / Bará Adague Abre caminho Barba de pau Ogum Comigo ninguém pode Costela de adão Cinamomo Espada de Ogum Elevante Folha do inhame Guiné Limoeiro Hortelã Laranjeira Pau d´água verde Pau d´água verde amarelo Oya Amargol Amoreira branca Aceroleira Araçá vermelho Caneleira Canela de velho Carqueja Cidró Espada de Iansã Goiabeira Peregun vermelho Pitangueira Taquareira Taquareira de jardim Trevo 3 folhas roxo Iansã Carqueja Folha da batata doce Xangô Bananeira Caruru Danda da costa Folha da fortuna Folha-de-fogo Orô Trevo de 4 folhas roxo Odé Cinamomo Erva de bicho Gervão roxo Gervão branco Mangueira Malva rosa Nêspera Pulmonária Otim Dinheiro em penca Erva de bicho Tansagem Obá Gengibre amargo Maravilha Romazeira Ossanha Amargol Aranto Araça amarelo Cidró Capim cidró Erva de bugre Folha de Figo Manjerona Mangueira Goiabeira Pata de vaca Taioba Trevo de 3 folhas verde – amarela Trevo de 3 folhas verde - flor rosa Trevo de 3 folhas verde⁴⁸ flor rosa cortada Trevo de 4 folhas verde Jibóia Cidró Xapanã Arruda macho e fêmea Barba de pau Folha da batata doce Fumo brabo Guanxuma Jurubeba Losna Pata de vaca Ibeji Bergamota Jasmim Poejo Oxum Anis estrelado falso Alfavaquinha-de-cobra Avenca Malva cheirosa Manjericão roxo Poejo Lavanda Trevo de 4 folhas verde Iemanjá Alecrim Curry Colônia Dólar Folha da costa Manjericão miúdo Malva cheirosa Trapoeraba Onda do mar Salsa Sálvia Oxalá Alecrim Bálsamo verde Boldo Cartucho branco Cartucho rosa Curry Funcho Lírio do brejo Malva Melissa Mirra arbustiva Manjericão Pereira Sálvia Orumilaia Boldo chileno Mirra rasteira Lavanda Sálvia Iroko⁴ Akoko Abre caminho Amoreira preta⁵ Boldo Dinheiro em penca Folha da fortuna Gervão Guiné Manjericão Malva cheirosa Orô Pitangueira Tempo Capim cidró Obi Egun⁵¹ Folha de mamona roxa Onile Folha de mamona verde O tamarindu é uma árvore bastante decorativa, sua altura pode chegar aos 25 metros. Produz um fruto de sabor agridoce, levemente ácido, muito apreciado no nordeste brasileiro. Ervas catalogadas no axé “Segundo Pierre Verger o sistema de classificação botânica nos yorubás leva em conta seu cheiro, sua cor, a texturas de suas folhas, sua reação ao toque e a sensação provocada pelo seu contato. Sendo assim as plantas são atribuídas aos òrìsàs de acordo com as características, seu habitat e elementos da natureza” (JÚNIOR, 2018, p. 22,). ada planta possui seu mistério, cada folha possui seus encantos, seus usos ideais e também seus segredos, que são despertados com o uso do encantamento adequado, na relação correta com o orixá que ela está atribuída e também com a valorização da folha como um ser vivo que merece todo o respeito e uso sempre adequado e semnatural e harmônico, o ser humano não é o dono de tudo, mas parte de um complexo e organizado” (BOTELHO, 2010, p. 4). Tem a finalidade de fazer com que todos compreendam exatamente como as ervas são utilizadas dentro dos cultos afros e de que maneira cada folha é compreendida aqui na Fortaleza Ilê Orixá, destacando-se as ervas indicadas para cada situação em acordo com a finalidade desejada, além de mostrar como elas devem ser plantadas e a importância de cada uma delas dentro do rito e no axé. O batuque muito perdeu do conhecimento de ervas na religião, e a maioria dos babalorixás e ialorixás não conhece o mínimo necessário sobre plantas sagradas e suas ritualísticas, o que faz com que os iniciados por estes tenham ainda menos conhecimento sobre o assunto, e o que mais preocupa não é o não saber sobre as folhas sagradas, mas a total falta de interesse em entender pela maior parte dos praticantes atuais. O não saber é preocupante, mas o não querer aprender é sem A dúvida o maior problema que existe dentre os religiosos afros que sempre se escondem dentro de ditos fundamentos para o que não possuem explicações, para o que desconhecem e para fatos, que mesmo demonstrados poderiam colocar em dúvida o que fazem. Todo religioso acima de tudo deve tentar sempre buscar a verdade, que de forma nenhuma está determinada que o que sempre foi feito é verdadeiro, é necessário quebrar paradigmas do batuque, deixar de inibir seus iniciados para questionar, para estudarem sobre a religião. É preciso que todos aprendam a utilizar mais as ervas no batuque, que aprendam a preservar as folhas, a cuidar da natureza e também entendam a importância de cada iniciado ter suas folhas plantadas na sua casa, pois uma casa de axé é um local que deve ser de preservação da vegetação, da natureza. Mas é claro que apenas plantar sem saber o que planta, porque está plantando e de quem é o que planta também se torna inútil, [inútil no sentido religioso, não ecológico] pois ter o ingrediente sem saber como usar não resolve nada, é como ter um remédio que não se sabe para qual doença utilizar ou de que maneira deve ser utilizado, podendo assim ter uso inadequado, podendo criar problemas ainda maiores. “Enquanto existirem folhas existirá saúde e os próprios orixás, não existe saúde onde faltam folhas. Ossanha é o dono de todas as folhas, conhecedor dos segredos, dos encantamentos necessários, nada se faz sem Ossanha, é quem orienta o médico no diagnóstico correto, e também é quem aplica o remédio. Ossanha é quem permite a descoberta de novos medicamentos baseados no estudo de suas folhas e embora cada orixá possua suas próprias folhas essencialmente todas pertencem a Ossanha. Quer agradar Ossanha, jogue sementes na mata, plante tudo que puder, e deixe que a natureza faça o resto” (PEREIRA, 2017, p. 240). E aos que possuem um terreiro, barracão ou um Ilê, como se diz no batuque gaúcho não se pode esquecer que todos esses locais são locais de resgate de uma cultura e religiosidade, que para se manter viva enfrentou muitas adversidades do tempo, e que com certeza não teve como preservar todos os seus ritos e conhecimentos, necessitando muitos serem reconstruídos ou ainda descobertos o que um dia se perdeu, e o tempo escondeu, há tanto tempo que muitos antigos já desconhecem. Ser um religioso afro deve ser entendido como uma pessoa que preserva a natureza, pois a natureza é a representação viva de cada orixá na Terra. Não adianta dizer que se cultua uma religião que cultua a natureza, se como religioso não a preservamos, não a cuidamos e nada se planta, pois o axé é sempre vivo e na força da natureza é que cada orixá vive, pois cada orixá é a própria essência de cada força presente na natureza. E todos possuem condições de fazerem a sua parte, não importa se possuímos pouco ou muito espaço, preservar e ajudar a manter a natureza é responsabilidade de todos. Cada erva possui um objetivo uma aplicação uma finalidade e por isso é importante entender exatamente a importância de cada uma dentro do rito, não basta utilizar uma erva se não se conhece a sua função, o orixá que está vinculado à ela ou ainda suas principais aplicações, pois uma mesma erva pode ser utilizada com finalidades diferentes se combinada com outra, ou ainda com um cântico⁵ diferenciado, cântico que é capaz de liberar o seu poder de ação, de modificação de um axé, de criação de um axé, o poder mágico que a folha possui. É claro que muito se perdeu dentro da tradição religiosa muito tem que buscar, se aprender novamente. Obras como essa não tem a intenção de eliminar tudo aquilo que você faz, tudo aquilo que já lhe foi dito, mas com certeza contribuir para minimizar muitos dos problemas das pendências e faz com que a história fique registrada, possibilita que se estude, se compreenda e se aprofunde, é preciso sempre melhorar para buscar sempre novas respostas, ou quem sabe apenas reconstruir respostas que foram perdidas no tempo, esquecidas por muitos. Todo orixá faz parte da natureza e representa uma parte da natureza e é uma energia viva que está em cada planta, em cada folha, em cada raiz, em cada pedaço que brota da natureza, sendo assim quanto mais a gente cultiva as ervas, quanto mais cuidamos das plantas e da vegetação mais o orixá está próximo de nós , pois o orixá é a própria folha que nasce, que vive, que cresce. A folha é a representação da força do orixá, que cresce, que vive e transmite força, que transmite axé. Cada um de nós é responsável por tudo que faz no meio em que vive pelo cuidado com toda a vegetação e lembrando novamente não existe ação sem folha não existe axé sem planta. Ser de religião africana implica diretamente em como se cuida do meio em que vivemos como cuida-se da nossa relação com a natureza porque a nossa relação com a natureza determina como se cuida da relação com o orixá. Não existe culto ao orixá sem o culto a natureza, pois o orixá é a própria natureza que vive e que sentimos, agredir a natureza é agredir também ao orixá que habita em cada espaço sagrado e, quem agride afasta-se do sagrado, cria barreiras para receber o axé dos orixás, e destruindo a morada dos orixás dificulta o acesso a energia de cada um deles. Cada folha possui características únicas que a tornam importantes para alguma enfermidade, cabe ao ser humano buscar compreender os seus usos e aplicações, para de forma correta conseguir resolver muitos dos problemas que necessitam respostas, pois todas elas existem na natureza. Este novo livro destina-se preencher uma lacuna existente dentro do batuque, já que além das ervas e plantas, em geral, foram muito pouco utilizadas dentro dos axés é também grande o desconhecimento sobre elas, e que torna necessário uma maior compreensão sobre o assunto, e em especial dentro da Fortaleza Ilê Orixá, onde o uso de plantas é crescente este estudo se faz ainda mais necessário, para os iniciados do axé conseguirem compreender melhor um pouco dessa essência e de que forma podem melhorar a sua ligação com os orixás, a partir da melhor compreensão de todas as folhas que nos rodeiam. A Fortaleza Ilê Orixá sempre dedicou espaço para a preservação de espécies, sempre incentivou o cultivo das folhas sagradas e, também sempre mostrou a importância de cada filho do axé aprender sobre as folhas, pois não existe axé sem folha. Ewó Orò – As folhas sagradas na Fortaleza Ilê Orixá, não será apenas um livro, mas um manual de conduta e de pesquisa para todos o axé, para todos que buscam se desenvolverem, para todos que buscam compreender a relação dos orixás com a natureza, com as folhas. É responsabilidade para cada casa oriunda do axé seguir a orientar seus filhos a importância de cultivar e preservar as suas folhas para que estas estejam vivas. Pois a partir da leitura se espera despertar uma nova consciência ecológica dentro do axé, onde cada um irá refletir, pensar e agir para que a natureza esteja sempre viva na casa de cada um e com isso favorecer que os orixás permaneçam sempre vivos na natureza que nos rodeia, na naturezadesperdícios inadequados. Nesse sentido todas as folhas são igualmente importantes e necessárias, cada uma delas possui sua importância, que mesmo nós não conhecendo não a faz deixar de ser, mas nos coloca na responsabilidade de a cada dia procurar entender um pouco mais. Conhecer a folha que será utilizada deve ser o primeiro passo a ser dado pois existem muitas folhas que C se confundem, que são parecidas, mas apresentam usos diferenciados, por isso a necessidade de antes de tudo conhecer, o cheiro, a textura e buscar características que a diferencie das demais, para que não existam dúvidas ao serem utilizadas. Abaixo temos o catálogo de folhas já identificadas e em uso dentro da Fortaleza Ilê Orixá, com uma foto que a identifica, o nome popular ou nomes em alguns casos, mais conhecidos na região, o nome científico da folha, o nome da folha em iorubá (lembrando que é possível existirem mais de uma folha com o mesmo nome em iorubá) e o orixá ou orixás que estão relacionados com a folha, após uma breve explicação sobre cada uma das folhas. Que seja uma leitura esclarecedora para todos, criando condições o para que consigam reconhecer a maioria das ervas que a Fortaleza Ilê Orixá faz uso, tornando o conhecimento das folhas acessível para todos, a fim de assim preservar a dinâmica das folhas dentro da religião africana. Abre caminho Nome popular: Abre caminho, vence demanda, Nome científico: Justicia gendarussa Burm f. (Acanthaceae) Nome iorubá: Ewé Lorogún Orixás⁵²: Bará Agelú, Bará Adague e Bará Lanã O abre caminho é um arbusto que pode atingir cerca de dois metros de altura e se adapta com muita facilidade nos mais diversos tipos de solo, é amplamente utilizada em banhos de ervas e pode ter suas mudas produzidas a partir de pequenas estacas (ou galhos) com bastante facilidade. É uma planta de origem africana e costuma estar presente na maioria dos locais de culto da tradição africana, podendo também seus pedaços de caule serem utilizados como amuletos de proteção que muitos carregam na carteira. Esta erva costuma receber muitos nomes diferentes de acordo com a região onde se encontra, os mais comuns, além de abre caminho, vence demanda, vence tudo, quebra tudo são igualmente nomes muito utilizados para a esta folha, o que gera muita confusão por todos os iniciados e não iniciados que a buscam para ajuda nos mais diversos banhos. É uma planta que não necessita muito cuidado ou regas frequentes, se adapta com muita facilidade em ambientes muito ensolarados ou ainda com pouca iluminação direta. Segundo PAGNOCCA (2017) “nos cultos afro-brasileiros, além das indicações citadas pelos entrevistados, também são observadas indicações para cultivo em vasos e canteiros para uso como elementos de proteção (Apud FARELLI, 2010; BARROS, 2014). Sem dúvida uma erva de extrema importância e de uso essencial dentro de um terreiro, já que é uma planta ligada ao orixá Bará Exú, e por isso utilizada com muita frequência. O abre caminho é uma dar ervas que se costuma colocar plantada nos vasos⁵³ com sete ervas que são amplamente comercializados em locais especializados em plantas para proteção. Aceroleira Nome popular: Aceroleira, Cereja-das-antilhas Nome científico: Malpighia emarginata Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oya A acerola é uma árvore arbustiva, que produz um fruto levemente azedo, muito apreciado para consumo direto e na forma de sucos e geleias. DORÁZIO (2018) descreve a fruta como “pequena, mas com grandes benefícios, a acerola (Malpighia emarginata), é o fruto de um arbusto chamado Aceroleira, originária das Américas e muito cultivada no Brasil, principalmente na região nordeste onde encontra-se livremente em feiras livres. A acerola frutifica três a quatro vezes ao ano e há várias espécies, sendo comum encontrar no mesmo pomar plantas com hábitos de crescimento distintos, árvores que produzem frutos em cachos e isolados, com tamanhos, formatos e cores diferentes, fato este que não é interessante para a produção comercial, mas não prejudica seu valor nutricional”. É possível a reprodução de suas mudas com estacas, sementes ou enxertia, o que permite muita facilidade para a produção de suas mudas nos mais diferentes locais, podendo as suas mudas atingirem até três metros de altura na média, dependendo da região e clima onde estão plantadas. Akoko⁵⁴ Nome popular: Akoko, Acoco Nome científico: Newbouldia Laevis Seem., Bignoniaceae. Nome iorubá: Akòko Orixás: Todos os orixás Ewé ófé gbogbo akoko Ewé ofé gbogbo akoko Awá li li awá oro Ewé ofé gbogbo akoko Akoko,é a folha de todas as pessoas inteligentes Akoko é a folhas de todas as pessoas inteligentes Nós temos, nós somos, riquezas e saúde Akoko é a folha de todas as pessoas inteligentes Segundo GUNFAREMIM (2013) “entre os iorubás [akòko], é considerada um sinal de prosperidade, pois seus troncos eram muito empregados nas feiras, locais onde o comércio era intenso. Era comum que, após serem utilizadas como estacas seus troncos brotassem, gerando novas árvores. Dentro das casas de Candomblé Ketu costuma estar associada principalmente a Ogun e Ossayin, embora na verdade costume ser empregada para todos os orixás” Ainda para GUNFAREMIM (2013) “no culto Egúngun, o akòko desempenha um papel fundamental na união dos seres do Ayé (mundo dos vivos) e Orun (mundo dos espíritos). Seu tronco, que geralmente não é muito ramificado, lembra um grande opó ixé, que ligaria o Céu a Terra. Nesse caso, sua principal relação se dá com a iyagbá Oyá, Senhora dos Ventos e dos eguns, que recebe o título de Alakòko, Senhora do Akòko”. NETO (2012) destaca que “é uma árvore de porte médio (12-15m), de crescimento rápido, com muitas folhas e de aspecto tropical. As flores são tubulares, cor-de-rosa, arranjadas em inflorescência e atraem borboletas e abelhas”. O akòko, segundo alguns Babalorixás antigos serve de ligação entre orun e o aye, já que é uma árvore alta e suntuosa dedicada a vários orixás. As folhas de akoko na Fortaleza Ilê Orixá são exclusivamente utilizadas em ritos para saúde, sendo suas folhas presentes nas obrigações que se faz o uso após a consulta com jogo de búzios, de acordo com determinação dada pelos orixás quando ocorreu o seu plantio. É uma planta de regiões quentes, o que dificulta muito a sua adaptação em locais de frio intenso, aqui no Ilê Orixá diversas mudas foram plantadas até conseguir que uma delas se adaptasse ao clima da região, Hoje temos uma muda de akoko plantada e plenamente adaptada ao axé, com mais de três anos já plantada, fortalecida, para em breve crescer e adornar a paisagem natural do axé. Ter uma muda akoko em nosso axé é sem dúvida orgulho para todos nós, e principalmente sabermos que devemos ter respeito com suas folhas, já que é uma árvore sagrada dentro do culto afro. Alecrim Nome popular: Alecrim Nome científico: Rosmarinus officinalis l Nome iorubá: Ewéré Orixás: Iemanjá e Oxalá “A palavra “alecrim” vem das palavras latinas ros (que significa “orvalho”) e marinus (que significa “mar”). O Alecrim tem propriedades que aumentam a memória. Estudos realizados mostraram que o Alecrim contém uma diterpina chamado ácido carnósico que tem propriedades neuro-protetoras que ajudam a proteger contra a doença de Alzheimer, bem como a perda de memória que acontece com o envelhecimento” (Agromineira, 2017). O alecrim é uma erva aromática extremamente popular no Brasil, muito empregada na culinária, de cheiro característico e forte. As mudas podem ser produzidas a partir de estacas muito pequenas dos topos de seus galhos, que devem ser novos. Seus galhos pequenos cortados costumam criar raízes em 14 dias após plantados, período no qual é necessário manter o solo úmido. O plantio de galhos de tamanhos grandes ou mais velhos dificulta muito o enraizamento da planta que prefere locais mais ensolarados. O alecrim é uma erva tão popular que é conhecida por grande parte da população urbana, sendo muito utilizada em banhos de limpeza em diversas culturas. “é uma planta mística importante,seu aroma penetrante é considerado poderoso para a obtenção de circunstâncias favoráveis aos iniciados e sacerdotes. Alguns estudiosos mencionam o alecrim em associação a malva-rosa, rosa branca, açucena, manjerona e crisântemo branco como formulação utilizada para a preparação do amaci para a fortificação de cabeça (ori, coroa) do pai ou mãe de santo nos rituais de confirmação” (ALMEIDA, p. 95, 2011). O alecrim possui origem no sul da Europa e do norte da África, sendo tendo entrada em diversas regiões do mundo e que foi muito popularizada no Brasil como uma das ervas aromáticas mais utilizadas. “O alecrim foi sempre um símbolo da franqueza, da boa-fé, e, também, da saudade. Na Inglaterra, a planta é colocada nos túmulos para que o morto descanse em paz. Para trazer sorte, o alecrim deve fazer parte dos ramos de flores que se oferecem. Nos casamentos, os acompanhantes dos noivos devem levar um ramo de alecrim nos bolsos para que o casamento seja feliz. Cultivar alecrim nos quintais contribui para afastar as bruxas e o mau-olhado. Nas lendas cristãs diz-se que a Virgem Maria, na fuga para o Egito, descansou junto a um arbusto de alecrim (ou rosmaninho), o que deu à planta um carácter miraculoso. Diz-se também que trazer um rebento de alecrim na botoeira fortifica a memória, que as colheres feitas de madeira de alecrim dão bom sabor a todos os alimentos e que um pente feito da sua madeira faz crescer os cabelos” (AGROMINEIRA, 2017). “Cresce melhor em locais iluminados e sem vento. O solo deve ser rico em nutrientes e bem drenado (porém não encharcado” (NASCIMENTO, p. 4, 2014). O alecrim não deve ser utilizado como erva de descarrego e sim como uma erva de calmaria, de harmonia, tranquilidade e de paz, pois é uma erva ligada ao orixá Oxalá e assim o seu uso sempre vai destacar as propriedades relativas a este orixá. O uso do alecrim também costuma estar presente em vasos com 7 ervas, que são muito utilizados pela população no Brasil, que busca proteção contra mal olhado e uma espécie de segurança nas suas casas contra pessoas mal-intencionadas ou espíritos ruins. Alfavaquinha-de-cobra Nome popular: Alfavaquinha-de-cobra, oriri, folha-de-oxum, folha-de-vidro Nome científico: Peperomia pellucida (L.) Kunth, Piperaceae Nome iorubá: Rinrin Orixás: Oxum Segundo o site Divina Flor Verde (2015) a alfavaquinha-de-cobra: “conhecida na Bahia e Rio de Janeiro, é uma erva de origem africana que se disseminou por todo o Brasil.Prolifera em lugares úmidos, sendo encontrada com facilidade em pedreiras, jardins, florestas sombreadas e mesmo em terrenos abandonados e beiras de calçadas. Conhecida entre os erveiros pelo nome de orirí ou orirí-de-oxum, é fundamental nos rituais de iniciações e obrigações periódicas que ocorrem nos candomblés jejê-nagôs, entrando no àgbo de todos os orixás”. VERGER (1992:30,31), citando um mito de Ifá, relata que: "Igbádù é a casa de Odú. Não se pode entrar na casa e olhar o interior, se não se esfregar antes os olhos com água de calma, composta de folha de òdúndún, tètè e rínrín, de limo da costa (karitê) e de água (contida no casco) de um caracol. Todo babalaô que vai fazer o culto de Orumilá na floresta deve antes adorar Odù, sua esposa, no Igbádù, senão Orumilá não ouvirá seus pedidos e não saberá que este babalaô é seu filho". Ainda podemos destacar que esta erva: “É uma das plantas principais dos Amacis de feitura e banhos para os filhos de Oxum. Usado também para a lavagem de “contas” (guias) do mesmo orixá. Essa erva é utilizada em algumas cerimônias de Obori para os filhos de Yemanjá. É planta de água, característica das Yabás, nasce espontaneamente em lugares úmidos. Tem efeito ornamental, sendo bom cultivá-la com objetivo de trazer paz e proteção aos ambientes em que moram crianças devido a sua relação com Oxum, orixá relacionado com os arquétipos de proteção materna” (ALMEIDA, p. 78, 2011). É interessante notar a relação que essa erva tem com os olhos, seja no plano litúrgico, seja no fitoterápico. No plano litúrgico, ela pertence também a Oxum, que, na qualidade de Opará, é sincretizada com Santa Luzia, sendo ambas protetoras dos olhos. Na medicina popular, as pessoas do interior usam o sumo extraído do caule desse vegetal para combater irritações e inflamações oculares. “rínrín (Peperomia pellucida) é uma erva que mede uns vinte centímetros e nasce com facilidade em pedreiras, terrenos abandonados e beiras de calçadas, geralmente quando é tempo de chuva. Alfavaquinha-de-cobra é a folha amiga dos videntes, que amplia a visão e ao mesmo tempo impede que se veja aquilo que não é necessário que seja visto: Emi mö ojú ìna = Que meus olhos não vejam isto durante algum tempo, nem vejam isto como punição. Folha que tranquiliza o olhar, alfavaquinha-de-cobra é de domínio dos oríÿa mais serenos.” (SANTOS, p. 71, 2013) “Para alfavaquinha-de-cobra, canta-se: Tútù dùn dùn tutu rínrín, na kí iye nípa ìmí = Calma, suave, agradável, luminosa é alfavaquinha-de-cobra, em primeiro lugar cumprimentamos seu valor, sua potência. Alfavaquinha-de-cobra é fresca e por isto é usada contra irritação física e emocional: Êrõwõõ ni ti rínrín = Alfavaquinha-de-cobra é sempre calma e fresca (Verger, p. 140-141); Rínrín kì í gbóná = Alfavaquinha-de-cobra nunca fi ca quente (Verger, p. 178-179); Ní kí inú rê ó má gbóná tùtú rínrín. Ní kí inú rê k’ó má tùtú = Seu estômago não deve fi car quente. O estômago de alfavaquinha-de-cobra é fresco (Verger, p. 182- 183); Àwòsàn ni ti rínrín = Alfavaquinha-de-cobra sempre cura por completo (Verger, p. 150-151). Rínrín là gbéÿè, wa gbéjå ni ki wa gbéÿè hu bõ = Alfavaquinhade-cobra que é puro vem na frente, nós ficamos quietos para não incorrermos em erro e chorarmos alto. Primeira folha a ser cantada no ritual chamado Sasányìn, alfavaquinha-de-cobra é também a primeira na sequência obrigatória do afçÿu, consagração de sacerdote, que acontece neste ritual, quando se canta: Lawo okan, tètè komã ku o àÿç jinlê = Veneramos, respeitamos e aprendemos sempre repentinamente as instruções de difícil compreensão. Alfavaquinha-de-cobra, a folha que acalma os olhos e amplia a visão, é sempre chamada em primeiro lugar porque segundo o candomblé, não se pode, ou melhor, não se deve entrar em um ambiente sem que o olhar esteja manifestando calma; um olhar calmo o sufi ciente para enxergar as coisas com clareza e nitidez, isto é, sob todos os ângulos. A calma é parceira inseparável do silêncio. Alfavaquinha-de-cobra silenciosamente canta a serenidade, alertando a todos para a necessidade de falar pouco para que se sofra menos.” (SANTOS, p. 72, 2013) Amargol Nome popular: Girassol de árvore, amargol, mãos deus, girassol mexicano Nome científico: Tithonia diversifolia (Hemsl.) A. Gray Nome iorubá: Ewé ọwọ Olodunmarè Orixás: Oya e Ossanha A flor do amargol lembra bastante o girassol, se adapta com muita facilidade e produz muitas flores, em arbustos que costumam crescer bastante, podendo atingir até 4 metros de altura em seus arbustos, durante a floração suas flores encantam e servem de alimento para abelhas e demais insetos. A sua reprodução é muito fácil a partir de estacas e sementes. É uma planta muito estudada atualmente para pesquisas que envolvem o seu uso para diversas doenças presentes no cotidiano. Está bastante presente no litoral gaúcho e parte da serra, é uma planta de crescimento fácil e invasiva, conseguindo se sobrepor em outras podendo assim alterar a região onde for colocada. É uma planta muito encontrada em toda América Central e América do Sul, com origem não definida, devido a beleza de suas flores também é utilizada para ornamentar alguns jardins. Aranto Nome popular: Aranto, mãe de milhares, mãe de mil filhos Nome científico: Kalanchoe laetivirens Desc Nome iorubá: Não identificada Orixás: Ossanha O aranto é uma planta que muito se parece com a folha da fortuna, mas apresenta na volta de suas folhas muitas outras mudas, que se soltam e ao caírem na terra se desenvolvem criando mudas. É uma folha de origem africana,que se adaptou com muita facilidade aqui no Brasil, sendo encontrada em diversas regiões do país. Segundo ALVES (2019 p. 20) é uma planta que serve como “banho [que] atua para aumentar comunicação, para pessoas com dificuldade de socializar”. É preciso muita atenção e cuidado, pois é bastante comum a confusão entre aranto, folha da fortuna e o saião entre tantas outras plantas que são parecidas, mas com efeitos muito diferentes dos desejados. Araça vermelho Nome popular: Araça vermelho Nome científico: Psidium cattleyanum Sabine Nome iorubá: Ewé Gúrofá Orixás: Oya O araçá é uma árvore nativa da Mata Atlântica, de porte médio, seus frutos atraem diversos pássaros que se alimentam. Apresenta cheiro em suas folhas e frutos bem característico, o que facilita a sua identificação. “espécie muito cultivada devido ao seu potencial ornamental e aos frutos saborosos, que agradam não só aos pássaros, mas também a nós, humanos, que nos utilizamos deles para fabricação de doces e geleias. Seu plantio é indicado em áreas degradadas 67 Fonte: autor (2019) úmidas, para preservação permanente. Sua madeira pesada é usada em tornearia, em cabos de ferramentas, dormentes, moirões ou como lenha e carvão” (GARLET, p. 69, 2019). Segundo o site APREMAVI, “o araçazeiro é uma Myrtaceae encontrada em estado silvestre no Brasil, da Bahia até o Rio Grande do Sul. O seu nome vem do tupi guarani e significa “fruto que tem olhos” em alusão as sépalas que dão a aparência de olho no fruto”. O seu uso religioso em alguns casos podemos utilizar como substituinte da pitangueira, com seus frutos podendo serem colocados nos axés de Oya, embora não seja a análise de frutos o objeto desse trabalho. Em alguns casos as suas folhas podem também serem utilizadas em ritos que se necessita do axé de folhas de Oya, favorecendo assim a presença do seu axé quando necessário. Amoreira branca Nome popular: Amoreira branca Nome científico: Morus alba L. Nome iorubá: Ewé Isan Orixás: Oya A amoreira branca é muito mais rara que a amoreira preta, é um fruto delicado, adocicado e altamente apreciado. Suas folhas servem de alimento para o bicho da seda e são muito utilizadas na medicina popular. É uma árvore que se reproduz de forma fácil a partir de estacas ou de sementes presentes em seus frutos. As árvores de amoreiras brancas estão presentes na frente da Fortaleza Ilê Orixá, na frente da casa dos orixás Bará Lodê e Ogum Avagã. Amoreira preta Nome popular: Amoreira preta Nome científico: Rubus brasiliensis Mart Nome iorubá: Ewé Isan Orixás: Iroko A amoreira preta pode ser encontrada em diversas regiões do Brasil, pode atingir até 10 metros de altura, produz com muita facilidade. É possível produzir mudas a partir de estacas. O Ilê Orixá consagra as suas folhas para o orixá Iroko, embora não seja utilizada até o momento para banhos. Os seus frutos servem de alimento para diversos pássaros que todos os dias festejam os alimentos que a natureza os distribui livremente e os galhos servem de apoio para a construção de muitos ninhos de pássaros. A produção de mudas é muito comum a partir de estacas que já podem produzir frutos em um ano. As estacas podem ser a partir de galhos ou mesmo raízes, sendo dificultada a reprodução a partir de suas sementes que possuem baixa germinação. É uma planta que prefere locais úmidos e com baixa luminosidade. Em alguns casos muito particulares e após consulta através do jogo de búzios é possível ser utilizada para egun, pois pode ser a morada de espíritos nos seus troncos. Na Fortaleza Ilê Orixá é uma das árvores mais sagradas, já que ao ser consagrada para Iroko representa o próprio orixá que vive em suas raízes, folhas e galhos, protegendo o axé, cuidando e zelando todos os dias juntamente dos demais orixás e ancestrais. Amexeira nativa - Nêspera Nome popular: Amexeira Nome científico: Eriobotrya japonica Nome iorubá: Ewé Àgbàlùmó olomóe Orixás: Odé É uma planta de origem do Sudeste da China, muito comum no Rio Grande do Sul, embora não seja uma árvore nativa da região sofreu grande adaptação na região e está presente em muitos locais, o seu fruto atrai muitos pássaros e é considerado saboroso. As folhas se caracterizam por serem resistentes e duras, e a árvore pode atingir até 10 metros de altura. É necessário lembrar que as suas sementes são venenosas, e as características de seu fruto lembram as maçãs. Odé como um orixá ligado a floresta e caça se alimenta muito desse fruto que é encontrado de forma muito livre na natureza, já os pássaros que se alimentam de seu fruto distribuem as suas sementes que germinam com muita facilidade. Araçá amarelo Nome popular: Araça amarelo Nome científico: Psidium araça Raddi Nome iorubá: Ewé Gúrofá Orixás: Ossanha Possui características muito próximas do araçá vermelho, mas no Ilê Orixá enquanto o vermelho está consagrado para o orixá Oya, o amarelo está consagrado para o orixá Ossanha. As folhas de Ossanha na sua maioria estão presentes em axés dedicados a saúde, já que Ossanha é o orixá médico da nação batuqueira, mas isso não significa que devam ser utilizadas somente para este fim. Devemos lembrar que com uma mesma folha, dedicada para um mesmo orixá se pode realizar axés diferenciados, seguindo sempre orientação do jogo de búzios. Segundo o site do Instituto Brasileiro de Florestas (2020) “o Araçá Amarelo é uma espécie arbórea com altura de 3-6 metros e tronco de 15-25 cm de diâmetro. As folhas são simples, coriáceas, glabras, de 5 -10 cm de comprimento por 3 – 6 cm de largura, com pecíolo de 0,4 -1,0 cm de comprimento. As flores são de coloração amarela e os frutos são bagas globosas de coloração entre amarelo e vermelho”. Encontrado no Brasil em estado silvestre, prefere solos secos e não é exigente quanto ao clima, resistindo a geadas. Apreciam humidade e calor. Aroeira Nome popular: Aroeira, aroeira mansa Nome científico: Schinus terebinthifolius Rad Nome iorubá: Ewé Àjóbi Pupá Orixás: Lodê A aroeira é uma árvore presente em grande parte do território brasileiro, dá um fruto avermelhado que é apreciado na culinária como uma espécie de pimenta Em algumas casas de candomblé é comum cobrir o chão antes dos sacrifícios de quadrúpedes, para afastar energias ruins do local, também sendo utilizados os seus galhos para alimento desses animais. É muito comum alergias por pessoas que costumam passar pelo meio de seus galhos ou apenas por ela, mesmo sem encostar. Segundo alguns ditos populares é uma planta que existe a necessidade de se cumprimentar ao passar por ela. Esta árvore produz um fruto vermelho também comercializado como pimenta rosa. “A planta é arbusto de médio porte, com ramos folhosos e frutos vermelhos” (ALMEIDA, p. 131, 2011). A aroeira é uma planta nativa da América do Sul, possui bastante ocorrência em toda América Central e no Brasil, as suas folhas são extremamente aromáticas, possui uma árvore de porte médio. O seu fruto atrai diversos pássaros que se alimentam e se encarregam de espalharem suas sementes por campos e florestas. Arruda Nome popular: Arruda, arruda macho, arruda fêmea Nome científico: Ruta graveolens L Nome iorubá: Ewé atopa, Atopá Kun Orixás: Xapanã A arruda possui cheiro bastante forte e muito característico, é amplamente utilizada em casas de matriz africana, seu cheiro forte é capaz de afastar insetos. Pode atingir até mais de um metro de altura é uma planta do norte da África e Europa, muito comum no Brasil. É empregada para afastar alguns tipos de insetos que não gostam de seu cheiro forte. A arruda é uma erva muito popular no Brasil, costuma ser utilizada em vasos de 7 ervas. É considerada uma planta capaz de afastar energias ruins. É necessário muito cuidado com o manuseio por mulheres grávidas, pois possui propriedades abortivas. É uma planta que pelo conhecimento popular deve ser plantada para evitar a presença de inimigos, para afastar a inveja e o mau olhado. “Planta introduzida no Brasil pelos africanos que usavam um raminho atrás da orelha contra “mau-olhado”.Esse costume preservado era comum entre os negros no Brasil desde o século XIX, documentado por Debret no desenho de negras vendendo Arruda. Espalhando a caridade. São de força e ação do nosso Pai Oxalá Elas têm proteção.” GLOSSÁRIO Garrafadas - bebida com fins medicinais preparada com ervas e vinho ou cachaça. Meladinha - bebida preparada com mistura de plantas e cachaça. Cumarinas - classe de substâncias bioativas” (ALMEIDA p. 98, 2011). “A Arruda segundo alguns sacerdotes tem duplo poder, o de retirar a negatividade e o de buscar os bons fluidos. Acredita-se que essa erva garante bons negócios aos comerciantes e afasta dos lares as doenças. A Arruda está sempre presente nos arranjos das chamadas “Plantas Protetoras”, com finalidade de proteger casas e comércios do mau-olhado. Acredita-se que o aroma dessas plantas tem o poder de facilitar também as realizações, trazendo boa sorte. Um bom arranjo seria: alecrim, alfazema, arruda, espada-de-são-jorge, comigo- ninguém-pode; e kiôiô ou manjericão. Conhecido como Vaso das 7 Ervas Protetoras” (ALMEIDA, p. 99, 2011). A arruda pode ser reproduzida a partir de sementes, por divisão de mudas ou ainda estaquia, sendo de fácil reprodução, pelo conhecimento popular quando morre uma planta saudável é porque um mal olhado foi colocado na casa ou em seus moradores. “É uma planta com capacidade de absorver negatividades. Por isso murcha em ambientes considerados “carregados” e perante pessoas maléficas. Da madeira de seus galhos, são feitas figas (amuletos) contra mau olhado” (JAGUN, p. 76, 2018). Avenca Nome popular: Avenca Nome científico: Adiantum sp Nome iorubá: Abomenu Orixás: Oxum A avenca é uma planta que necessita de muita água e pouca luminosidade para se desenvolver melhor, é uma planta muito comum em ambientes rochosos onde existe água corrente próxima, de folhas muito delicadas e beleza única. Não tolera temperaturas muito baixas e é extremamente sensível, necessitando solo drenado e adequado ao seu plantio, amplamente conhecida e utilizada para ornamentar vasos e jardins, principalmente quando em locais úmidos. Possui a sua origem na América Central, América do Norte, América do Sul, Antilhas, Brasil, Estados Unidos, e ocorre de forma espontânea em locais favoráveis ao seu desenvolvimento. Anis estrelado falso Nome popular: Anis estrelado falso, Alfavaca, Atroverã, Majericão cheiro de anis- Nome científico: Ocimum Gratissimum L., Labiatae Nome iorubá: Efínfín nlá Orixás: Oxum A planta é utilizada como condimento, possui um cheiro bem próximo do anis, por isso muito confundida por parte da população. Pode atingir até 80cm de altura, é nativa do Sul do Brasil, adapta-se com facilidade em solos bem drenados com pouca luminosidade. “prefere solos férteis com boa drenagem, mas não encharcados, à meia-sombra. Não tolera frio e é sensível ao vento. Cultivada, em jardins e hortas, como planta condimentar e medicinal. Plantas do gênero Ocimum são amplamente empregadas na indústria farmacêutica, cosmética, de alimentos e, atualmente, como inseticidas, devido aos componentes extraídos do óleo essencial” (GARLET, p. 27-28, 2019). Bastante consumida no preparo de chás e como temperos, as folhas apresentam cheiro doce e delicado, é uma planta de origem do Brasil. Possui a sua reprodução principalmente por estaquia ou sementes que se reproduzem com muita facilidade. É uma planta que prefere regiões de clima quente, sendo a melhor época para o plantio durante o período de chuvas. Não suporta o frio, gosta de sol. Prefere solos férteis e fofos, com boa drenagem, mas não encharcados. Sua reprodução é por estacas de galhos ou por sementes. A estaca de galhos não deve conter flores. Consiste em uma folha bastante aromática e que é utilizada em banhos de limpeza quando se deseja receber o axé de Oxum. Bálsamo verde Nome popular: Bálsamo Nome científico: Myroxylon peruiferum L.f. Nome iorubá: Ejírín Orixás: Oxalá O bálsamo é uma planta suculenta bastante conhecida e difundida em diversas regiões do Brasil, é um tipo de suculenta por isso não necessita de muita água e se adapta com muita facilidade em meia sombra e locais ensolarados. A sua reprodução é extremamente fácil, quando seus galhos calem sobre o solo já brotam e assim produzem novas mudas que irão continuar a manter a espécie sempre viva. É também uma bela erva para uso em jardins como planta ornamental, criando um espaço de intensa beleza. Bananeira Nome popular: Bananeira Nome científico: Musa paradisiaca L Nome iorubá: Ògèdè e Ewé Ekó Orixás: Xangô As bananeiras são plantas de origem do Sudeste da Ásia, embora sejam hoje produzidas na maioria dos países. Existem dezenas de espécies. A palavra banana possui origem em Guiné-Bissáu, pais da África Ocidental. A bananeira é consagrada a orixá Xangô e suas folhas são utilizadas para cobrir as gamelas onde são servidos frutos ou amalá para Xangô e ainda são utilizados também no preparo dos acaçás, alimento atribuído ao orixá Oxalá. As primeiras mudas de bananeira que foram plantadas no Ilê Orixá aconteceram no ano de 2011, após a sua utilização na decoração das festas. Após o uso nas festas essas mudas foram plantadas e posteriormente começaram a dar frutos e se reproduzirem em diversas outras mudas, que hoje ornamentam o axé da Fortaleza na sua sede e em diversos outros axés oriundos da Fortaleza. As mudas foram plantadas como forma de homenagear o orixá Xangô especialmente o orixá Xangô Godo Aloxé, orixá de Pai Sérgio⁵⁵ de Xangô (hoje em in memoriam), que foi o responsável pela iniciação de Pai Ronie de Ogum e Pai Alexandre de Oya. Muitas já foram as mudas descendentes que foram distribuídas, mas a maioria delas entre os filhos do Axé, o que também faz com que o axé da casa esteja presente nas folhas que existem nos Ilês descendentes do axé. No Ilê Orixá é a folha que se enrola o acaçá⁵ ou akàsà (oferenda que pertence ao orixá Oxalá, mas que todos os orixás recebem). Barba de pau Nome popular: Barba de pau, Barba de velho Nome científico: Tillandsia usneoides L Nome iorubá: Irùngbòn Orixás: Bará Agelú, Bará Lanã, Bará Adague e Xapanã Segundo GUNFAREMIM (2010) “Conhecida por todos como barba de velho (Tillandsia usneoides), devido a sua aparência peculiar, esta espécie de bromélia costuma ser observada crescendo em cima de árvores e fios de eletricidade. Embora muitos pensem que é um tipo de parasita, trata-se na verdade de uma planta epífeta, ou seja, utiliza outras plantas apenas para sua sustentação. Devido a isso, dentro das casas de Candomblé, costuma ser classificada como um ewé àfòmón (parasita), pertencendo ao orixá Omolú/Obaluaye. É bastante utilizada para defumadores e alguns tipos de sacudimentos para filhos desse orixá, que é chamado carinhosamente por muitos como o “O Velho”. Outros nomes que recebe são barba-espanhola, camambaia, samambaia, barba-de-pau e barba-de- macaco. Pode alcançar até 6 metros de comprimento, se alimentando apenas da umidade do ar e de alguns nutrientes carregados pelo vento. É interessante que quando passa por longos períodos de seca entra em dormência, voltando a se desenvolver apenas quando as chuvas retornam. A barba de pau já foi muito empregado para empacotar frutas, para fazer assentos de carros, colchões e mobília, prejudicando muito a sua reprodução e preservação na natureza. Na década de 1939 mais de 10 mil toneladas de barba de velho foram utilizados na Flórida e na Louisiana, fazendo com que fosse praticamente erradicado de algumas de suas regiões nativas. No axé da Fortaleza Ilê Orixá está consagrada aos orixás Exú Bará [com exceção de Bará Lodê] e Xapanã, devendo o seu uso ser realizado após orientação do jogo de búzios, em axés que for orientado a ser utilizada. Segundo STALCUP (2000) “Silva cita como defumador, para uso em banho de descarrego e para obrigação no ori de qualquer orixá (Apud, SILVA, 1933), o que nos mostra que existe uma divergência de usos dentro dos ritos afros, o que não significa que um ou outro estão errados, pois o axé é dinâmico eo que serve para um pode não servir para outro, devido a configuração de cada axé. A barba de pau muitas vezes é também utilizada como planta ornamental na decoração de arranjos e lojas de artesanato em diversas floriculturas, favorecendo ainda mais a exploração inadequada. Bergamoteira Nome popular: Bergamota Nome científico: Citrus reticulata Nome iorubá: Não identificada Orixás: Ibeji As folhas da bergamoteira são levemente ácidas e adocicadas, possuindo um aroma agradável para muitas pessoas, o que também faz com que alguns não gostem, pois o seu aroma é característico e costuma ficar nas mãos. A bergamoteira produz um fruto muito apreciado por parte da população brasileira, sendo consumido na sua forma natural e na fabricação de doces e sucos. Ela veio do sudoeste tropical e subtropical da Ásia, onde hoje é a Índia e a China. Foi levada para a África durante a Idade Média e depois para a Europa. No Brasil, as primeiras referências à bergamota são de 1817. Existem diversos tipos de bergamota, que também são conhecidas como tangerinas fora da região Sul do Brasil, mas todas elas possuem o seu aroma bem característico que não deixa que seja confundida com outra fruta. A reprodução é principalmente por enxertia, mas também pode ser produzidas mudas por sementes, é muito difundida em algumas regiões e pouco conhecida em outras. O conhecimento popular faz muito uso dessa folha para acalmar crianças em seus banhos, quando muito agitadas, para facilitar a dormirem melhor, trazendo calma e tranquilidade para a criança. A floração das bergamoteiras é de cor branca e é capaz de chamar insetos e abelhas para sua floração tornando assim uma importante planta para a reprodução e preservação dessas espécies. Boldo arbustivo⁵⁷ Nome popular: Boldo Nome científico: Coleus barbatus Benth Nome iorubá: Ewé Bàbá e Ewúro Bàbá Orixás⁵⁸: Oxalá O boldo é uma folha largamente utilizada no Rio Grande do Sul e muitas outras partes do Brasil, amplamente conhecida por muitas pessoas, se adapta facilmente nos mais variados tipos de solo, o que facilita a sua reprodução. Suas mudas podem facilmente ser reproduzidas a partir de estacas, que rapidamente se desenvolvem, gerando novas mudas em um tempo curto. Não são necessários cuidados especiais para o seu plantio ou manutenção. Suas folhas após maceradas possuem cheiro forte e desagradável para algumas pessoas, mas sem dúvida uma das ervas mais consumidas e apreciadas pela população. “uma das principais ervas dessa divindade” (p. 136, JAGUN, 2018). “Arbusto originário de África, que mede de um a dois metros, é conhecido popularmente como boldo-de-jardim e falsoboldo. Nas religiões de matrizes africanas, o referido arbusto é chamado de tapete-de-oxalá porque suas folhas aveludadas simbolizam o chão em que o Grande Pai Oÿàlá sempre deveria pisar. Liturgicamente, é uma folha “boa conselheira”, que ensina que conselho só se dá a quem se pede. O candomblé sabe que muitas pessoas ou quase todas as pessoas gostam de dar conselhos, mas são poucas as que estão preparadas para exercerem esta missão; sabe que o bom conselheiro não é apenas aquele que dá bons conselhos, mas é principalmente aquele que sabe esperar que o conselho lhe seja solicitado, pois é este o momento certo dele ser recebido e internalizado. É para a folha tapete-de-oxalá que os conselheiros pedem ajuda, a fi m de que estejam sempre bem-dispostos e nunca se queixem por ajudarem as pessoas a carregarem suas cargas: Ewé bàbá di ibárò ó, Õsányìn Baba ni baru, abádà lò okun di ibárò ayaya, Õsányìn Baba ni bárù aikùn. Como é difícil encontrar pessoas dispostas a ajudar aos outros a carregarem suas cargas, poucas são as pessoas que conhecem e fazem uso religioso da folha tapete-de-oxalá” (SANTOS, p. 67, 2013). As espécies mais comuns no Brasil são o boldo baiano⁵ , que no Rio Grande do Sul é conhecido como oro, amplamente utilizada nos cultos afro gaúchos, o boldo da terra, amplamente plantado nos jardins e o boldo chileno, espécies rasteira. Os dois últimos são as espécies conhecidas popularmente como boldo, embora apresentem indicações e usos diferenciados. “Planta consagrada ao culto de Oxalá, como seu nome indica” (BASTIDE, p. 166, 1961). No conhecimento popular é amplamente utilizada para combater problemas de fígado, a partir de chá que deve ser apenas macerado, devido ao sabor extremamente amargo da folha. É importante destacar ainda que o boldo possui diversos usos restritos para uso medicinal, por isso é importante reconhecer bem a folha e ter o seu uso indicado por quem a conhece bem. No batuque o boldo é conhecido como tapete de Oxalá, folha consagrada para este orixá, por isso o seu uso é grande na religião afro-gaúcha o tornando bastante popular e tendo seu plantio em diversas casas de axé. No Ilê Orixá a folha do boldo é utilizada em banhos de ervas (mieró) quando se deseja o axé de Oxalá, para trazer calmaria, paz e tranquilidade. É uma erva muito utilizada para banhos em crianças, pois tem a capacidade de trazer equilíbrio e paz. É também utilizada na decoração de axés que são servidos a este orixá, com a colocação de suas folhas aveludadas e de cheiro forte e característico sobre os pratos onde as oferendas são servidas. A folha do boldo é encontrada em todas as regiões e fortemente utilizada pela população para diversas finalidades de acordo com o conhecimento popular que é transmitido de geração em geração. Boldo chileno Nome popular: Boldo, boldo chileno, boldo verdadeiro, boldinho, boldo gambá, boldo ornamental, tapete de Oxalá Nome científico: Plectranthus ornatus Codd Nome iorubá: Não identificada Orixás: Orumilaia O boldo chileno é um arbusto que não necessita muitos cuidados, de crescimento rápido, de cheiro muito forte e característico é uma planta muito aconselhada para o uso em banhos e amplamente difundido como uso medicinal. Para alguns o boldo chileno é o boldo verdadeiro, com menor toxicidade e mais indicado para o consumo de acordo com o conhecimento popular. O crescimento do boldo se dá melhor em ambientes iluminados, mas não necessitando de luz intensa em todo o dia, se reproduz com muita facilidade a partir de separação de touceiras ou quebras de seus galhos. É amplamente reconhecido em várias localidades como tapete de Oxalá, muito comum para usos em banhos e o conhecimento popular o utiliza muito na forma de chás . Caneleira Nome popular: Caneleira Nome científico: Cinnamomum zeylanicum Blume . Nome iorubá: Ewé Téemi Orixás: Oya Na Fortaleza Ilê Orixá a caneleira é uma folha de Oya, mas em alguns casos, é possível ser utilizada para os orixás Ossanha e Xapanã. A folha da caneleira é extremamente aromática, com cheiro bastante forte e característico. É amplamente utilizada pela indústria na produção de aromas, possui também grande utilização na culinária na forma de pó, em pedaços de pau secos extraídos de seu caule. A canela figurava entre os presentes dados à realeza por seu enorme valor. Considerado símbolo da sabedoria, foi usada por gregos, romanos e hebreus na aromatização de vinhos. Uma lenda diz que Nero, imperador de Roma, teria mostrado sua dor no funeral de sua mulher queimando o estoque anual de canela. Canela de velho Nome popular: Canela de velho Nome científico: Miconia albicans (Sw.) Trin. Nome iorubá: Ewé Etan Ibá Orixás: Oya Para o conhecimento popular no Candomblé essa planta serve para retirar a negatividade, por isso está ligada ao orixá Obaluaye, que no batuque cultuamos como Xapanã. O conhecimento popular ainda faz uso dessa planta para retirar a dor do corpo, principalmente das pernas. Mas no nosso axé, dentro da Fortaleza Ilê Orixá, a canela de velho está dedicado ao orixá Oya. Capim cidró Nome popular: Capim limão, santo capim, grama cidreira, falsa erva cidreira, capim de cheiro, chá de príncipe, cidrilho Capim cidró Nome científico: Cymbopogon citratus (DC) Stapf Nome iorubá: Korikó oba Orixás: Ossanha e Tempo É considerada uma planta que afasta a negatividade da morte. A vida fica doce denovo. Atrai clientes, amores, dinheiro. limpa o mal e a inveja das pessoas, por isso o seu plantio é recomendado. Sem dúvida é uma das plantas mais comuns cultuadas dentro de diversas áreas urbanas e rurais, devido ao seu cheiro agradável e adocicado. O capim cidró é uma planta que favorece a paz, tranquilidade e harmonia nos locais em que está plantada, criando um ambiente tranquilo. “Seu cultivo é feito a partir de mudas plantadas em local ensolarado. Cada muda formará uma touceira. Prefere terrenos pouco úmidos, em regiões tropicais e temperadas. Não suporta regiões frias. No Brasil, se desenvolve bem no litoral” (NASCIMENTO, p. 15, 2014). É uma das plantas aromáticas mais conhecidas no Brasil, de cheiro muito agradável é consumida na forma de chás, que são indicados para diversos fins, sendo amplamente conhecida por grande parte da população. Para o seu cultivo é necessário sol direto para que suas folhas se desenvolvam. Necessita muito cuidado para o manuseio de suas folhas para evitar cortes, já que suas folhas são serrilhadas e extremamente cortantes, o que pode causar grande incomodo e um pouco de dor, já que é muito fácil o corte como acidente, assim, para ser macerada é necessário muito cuidado. FARIA (2016), cita como curiosidade que o capim cidró é: “A planta, recomendada para acabar com pesadelos e desordens do sono, é muito usada em chás. Também tem a função de eliminar a ansiedade, o nervosismo e a irritação mental”. Carqueja Nome popular: Carqueja Nome científico: Baccharis trimera Nome iorubá: Ewé kànérí Orixás: Iansã A carqueja é uma planta muito fácil de ser encontrada em campos pelo Brasil, de origem africana encontrou na América do Sul terreno fértil para se reproduzir. É dedicada no Ilê Orixá ao orixá Iansã. “Planta dedicada a Iansã e tem poderes medicinais.” (PEREIRA, 2014, p. 108). “esta planta faz parte da Relação Nacional de Plantas de Interesse do SUS (Renisus). A carqueja é amplamente utilizada na medicina caseira, hábito herdado dos nossos indígenas. O primeiro registro, escrito em 1931 no Brasil, informa o emprego da infusão das partes aéreas para o tratamento da esterilidade feminina e da impotência masculina, atribuindo propriedades tônicas, febrífugas e estomáquicas” (GARLET, p. 16, 2019). “Tolera bem solos ácidos e pobres, chegando, nestas condições, a atingir altas infestações que comprometem o crescimento das pastagens nativas, e a se tornar uma planta daninha de terrenos baldios e beira de estradas. Cresce também sob luz difusa e geadas. Floresce intensamente durante o verão” (NASCIMENTO, p. 17, 2014). “Muito abundante em nosso estado, a carqueja é também muito familiar para a maioria da população” (Steffen, S.J. p. 23, 2010). Caruru Nome popular: Caruru, bredo Nome científico: Baccharis trimera Nome iorubá: Ewé gbúre òsun Orixás: Xangô Ofó "E jé kí tètè ó te ilè Awo lo nílèE jé kí tètè ó te ilè" Em pó ou pilada com sabão da costa é usada nos terreiros para a sorte se sobresair...numa situação hostil Tradução: Pisotea, pisotea, todas as ervas do campo...todas as ervas do campo não podem evitar o atropelo de teté...todas as ervas do campo Em alguns candomblés esta planta atrai negócios. Abre caminhos. Ajuda a enxergar. Permite o início de nova vida. Auxilia em situações difíceis do cotidiano. Conhecida também como bredo, é uma folha que muito auxilia em problemas de saúde. “bredo é uma planta de muito uso no candomblé, por isto é de suma importância não confundir o bredo-sem-espinho, têtè, que em yorubá é uma planta conhecida também pelo nome de têtê égun, com o bredo-comespinho – têtê çlëgun. Através de Õfun, sabe-se que Õrúnmìlà lavou Seus coquinhos de divinar com têtê e õdúndún, duas folhas que são muitas vezes usadas juntas, principalmente quando é para combater doenças: “Àt’òjò àtçêrùn ki í rç Õdúndún. Àt’òjò àtçêrùn ki í rç Têtê. Àt’òjò àtçêrùn ki í rç Rínrín = Folha-da-costa nunca está doente. Bredo nunca está doente. Alfavaquinha-de-cobra nunca está doente. Para Bredo de canta: Têtê kô mã tê, dání ÿò ni lç = Bredo acorda sempre quem é insípido, segura o inseguro, o preguiçoso, o indolente.” (SANTOS, p. 73, 2013). Planta muito popular, costuma crescer de forma espontânea em diversos locais, sendo para muito conhecida como uma planta invasora que se reproduz com facilidade em diversos jardins. Da mesma forma que diversas outras plantas, é desconhecida dentro da comunidade batuqueira que não costuma dar importância para o conhecimento das plantas litúrgicas, conhecendo apenas algumas mais populares, que geralmente são adquiridas em feiras. Colônia Nome popular: Colônia Nome científico: Alpinia zerumbet (Pers.) B. L. Burtt. & R. M. Sm. / Alpinia speciosa K. Schum Nome iorubá: Tótó Orixás: Iemanjá Segundo o site Divina Flor Verde é uma planta “considerada como folha eró (de calma) (Barros 1993:88), a colônia é de grande importância no contexto litúrgico das casas de candomblé. Entra no àgbo e banhos purificatórios para todos os iniciados, provavelmente por deferência à "Oxóssi, o rei da nação de Ketu", embora também seja atribuída a Iemanjá e Oxum, que se relaciona com o lado feminino de suas flores. “A Colônia tem uma forte relação com o mundo das águas, sua simbologia nas indicações tradicionais está categorizada como planta fria.” (ALMEIDA, p. 85, 2011) Ela pacifica, atrai filhos, vida nova, dinheiro. Faz enxergar a beleza e o bem- estar. Muito utilizada na medicina rural, a infusão das flores desta planta é excelente para acalmar pessoas em estado de histeria. As folhas ´possuem propriedades sedativas e, envolvendo a cabeça, combatem as enxaquecas e encefalias; em infusão no álcool e friccionadas sobre machucados, possui efeito anestésico; na forma de chá, combatem a pressão alta e palpitações cardíacas, agindo como sedativo sobre o organismo”. Costela de adão Nome popular: Costela de adão Nome científico: Monstera deliciosa Liemb Nome iorubá: Eegun ìha Orixás: Ogum Essa é uma folha que não existe muita divergência de uso, a grande maioria a coloca como uma planta de Ogum, mas em alguns Candomblés também é utilizada para Omolu. É uma planta de crescimento rápido e fácil, necessitando preferencialmente locais sombreados, mas adapta-se com muita facilidade também no sol pleno. É possível a realização de ritos muito específicos com esta planta para diversas finalidades. Cidró Nome popular: Cidró, Cidrão, erva luísa, limoneto Nome científico: Lippia triphylla Kuntze Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oya e Ossanha O conhecimento popular utiliza muito esta planta como calmante, possui cheiro adocicado e lembra o sabor do limão, se desenvolve como pequenos arbustos lenhosos, e se reproduz com facilidade a partir de estacas. Devido seu aroma muito agradável e efeitos calmantes é muito utilizada na confecção de travesseiros aromáticos. Cartucho branco Nome popular: Cartucho, Trombeta-branca, cálice-de-venus, trombetão-branco, trombeta-de-anjo, saia-branca, vestido-de-noiva, zabumba-branca, trombeta-cheirosa, babado, dama-da-noite. Nome científico: Brugmansia suaveolens Nome iorubá: Àgogó Orixás: OxaláSegundo o blog Divina Flor Verde “seu nome nagô deriva do fato de suas flores possuírem o formato semelhante ao da sineta (agogô) utilizada nos rituais como instrumento de percussão para chamar o orixá” A planta é um arbusto que atinge até três metros de altura, multiplica-se a partir de estacas e sementes, embora a reprodução por sementes seja mais demorada para se desenvolver. O seu cultivo é fácil e suas flores liberam um perfume doce que chama muitos insetos, de grande beleza suas flores são utilizadas em alguns projetos paisagísticos, embora em muitos locais o seu uso seja proibido devido a presença de muitas substâncias tóxicas em todas as partes da planta. “Homenageia e honra as mulheres, ancestralidade feminina, faz nascer filhos e netos. Conhecida praticamente em todas as regiões tropicais do mundo, o estramônio tem sua origem na Ásia, provavelmente no Himalaia. Tema de um livro deCarlos Castañeda intitulado A erva do diabo, esta planta tem despertado o interesse de vários estudiosos das áreas de antropologia e etnobotânica, principalmente no que diz respeito à sua utilidade e função alucinógena em rituais indígenas” (DIVINA FLOR VERDE, 2021). Esta planta ficou conhecida popularmente na década de 70 como erva do diabo, devido a publicação do livro “A Erva do Diabo”, de Carlos Castaneda, Um livro considerado polêmico e para muitos perturbador. Cartucho rosa Nome popular: Cartucho rosa, trombeta de anjo Nome científico: Brugmansia suaveolens Nome iorubá: Àgogó Orixás: Oxalá Essa planta apresenta as mesmas características do cartucho branco, tendo apenas a coloração rosada. Sua reprodução é extremamente fácil, a partir de estacas que brotam rapidamente e logo já florescem. Este tipo de cartucho é encontrado com mais dificuldade, mas assim como branco libera um aroma agradável onde está plantado, principalmente a noite, se destacando no meio de tantas outras plantas, já que o seu aroma é inconfundível, doce e agradável. Comigo ninguém pode Nome popular: Comigo ninguém pode Nome científico: Dieffenbachia picta(Lodd.) Schott.: Nome iorubá: Womobú funfun Orixás: Ogum Segundo CARVALHO (2012, p. 166) o cultivo da herbáea comigo-ninguém- pode é bastante difundido no Brasil, sendo possível vê-las plantadas em vasos e jardins. Dentro e fora das casas. Essa dispersão pode estar relacionada as crenças em suas propriedades mágico-religiosas, contra mau-olhado, a inveja, olho gordo e qualquer tipo de energia negativa. Seu uso com essa finalidade de proteção é tão difundido que não é necessário que o usuário pertença a alguns segmentos religiosos afro-brasileiros. Existem diversas variedades, diferenciadas principalmente pela distribuição do branco sobre a folha, e o formato da folha que pode mudar um pouco, é uma planta de origem amazônica, que não tolera muita incidência de sol sobre suas folhas, podendo ficarem queimadas, adapta-se com muita facilidade em ambientes internos e bem iluminados. “e qualquer parte da planta for mastigada, irá provocar inchaço na boca e na língua, levando à perda temporária da capacidade de falar. Isso ocorre porque a planta toda possui ráfides, que são cristais minúsculos em forma de agulha (aciculares), formados pela deposição de oxalato de cálcio (ou carbonato de cálcio, em outras espécies) dentro de células ejetoras especializadas, que são conhecidas como idioblastos, que diferem das células comuns nos tecidos da planta. Os ráfides nada mais são que uma defesa da planta contra predadores que tentem se alimentar dela” (Diário do Naturalista, 2021). “Na época da escravidão nos Estados Unidos, os negros escravos usavam a comigo-ninguém-pode como uma forma de cometer suicídio, apesar de que muitas vezes essa “técnica” falhava. Nas Índias Ocidentais era empregada como forma de castigo para os escravos nas plantações onde era cultivada para a granulação de açúcar. Os escravos eram forçados a morder o caule, que contém mais ráfides que as folhas. Durante o III Reich, na Alemanha nazista, foram feitas pesquisas sobre a possibilidade de esterilizar presos em campos de concentração, sendo iniciado um programa por Heinrich Himmler para esterilizar três milhões de presos soviéticos. A ideia foi deixada de lado pois se mostrou impraticável cultivar plantas em número suficiente. Índios brasileiros forçavam inimigos capturados a ingerirem a planta para tentar torná-los estéreis; no Caribe, há registros do uso da planta como método contraceptivo. Em Cuba, o suco da planta é aplicado diretamente nos órgão genitais para uso como afrodisíaco – apenas para mulheres” (Diário do Naturalista, 2021). A comigo ninguém pode é bastante comum de ser encontrada nos vasos com 7 ervas, ou ainda em vasos isolados dentro das residências, devido ao seu grande uso como planta ornamental em residências e jardins, principalmente quando em meia sombra. “– Planta muito usada na ornamentação e para afastar os maus fluídos [...] ela cuida da vida material e espiritual, afastando as energias pesadas da inveja e do mau olhado. Sua força se amplia quando associada a outras do mesmo poder como espada-de-são-Jorge” (PEREIRA, 2014, p. 119). Existe uma crendice que diz "onde tem comigo- ninguém-pode tudo pode, pois comigo- ninguém-pode." É um ditado popular bastante antigo que dizem que deve ser dito ao plantar e colocar em alguma dependência da casa ou estabelecimento. É possível que esse ditado pode até não ser conhecido em algum lugar, e não ser usado em algumas regiões. Cinamomo Nome popular: Cinamomo, Pára raio Nome científico: Mella azedarach L Nome iorubá: Igí mésàn Orixás: Ogum e Odé É uma árvore de origem da Ásia e amplamente adaptada no Brasil, já foi uma árvore bastante popular, hoje em dia devido a muitas árvores ornamentais utilizadas nos jardins, perdeu bastante espaço nas cidades. É uma árvore que produz um pequeno fruto que é apreciado por alguns pássaros, na maioria das casas que possuem esta árvore é comum ao final do verão uma poda em que na maioria das vezes ficam poucos galhos presos ao tronco. Curry Nome popular: Curry Nome científico: Helichrysum italicum Nome iorubá: Não identificada Orixás: Iemanjá e Oxalá O curry é uma erva de origem da região do mediterrâneo que se adaptou em diversas regiões do mundo, embora seja uma planta que goste de sol intenso, em locais pouco ensolarados favorece o aparecimento de fungos que são capazes de matar a planta. Folha muito aromática e amplamente utilizada na culinária devido ao seu sabor característico. Danda da costa Nome popular: Danda da costa, titirica, Capim Dandá, Junça Aromática, Campim Cipérus Nome científico: Cyperus rotundus Nome iorubá: Làbelàbe Orixás: Xangô “Na verdade, trata-se de uma poderosa planta com qualidades mágicas. Seu tubérculo é escuro e é usado, principalmente, por praticantes de religiões afro- brasileiras. Muito utilizada para o esgotamento espiritual relacionado com magia negra, onde está erva poderosa entra limpando e descarregando situações difíceis, intensas e complexas. É um ácido desagregador de feitiços e magias negras, principalmente, quando estas envolvem o sacrifício de animais, sangue e ossos” (MUKAní, 2018). O danda da costa é uma planta amplamente utilizada nos ritos religiosos africanos, muito conhecida no campo e considerado por muitos agricultores como uma erva daninha, o seu uso é completo, utiliza-se os tubérculos, as folhas e raízes. As folhas são consideradas de grande poder de acalmar e as suas raízes e tubérculos amplamente utilizadas em ritos de limpeza e de mudanças. Para alguns candomblés os tubérculos podem ainda serem utilizados para afastar magias indesejadas e para atrair mudanças de local. Existem diversas formas de uso dessa planta que necessitam de conhecimento e uso de forma correta. É considerada uma planta que não deve faltar dentro de um axé. Dólar Nome popular: Dólar Nome científico: Plectranthus nummularius Nome iorubá: Não identificada Orixás: Iemanjá “Suas folhas são usadas para amacis e águas de cheiro. Não é usada na medicina popular” (BRAS, 2021). O dólar é uma planta originária da Austrália e as ilhas do pacífico, possui folhas brilhantes e dentadas, muito utilizada para ornamentação de jardins, já que se adapta em diversos locais, embora se adapte melhor em meia sombra. “Bom para atrair amor, dinheiro, fartura. Cria bom humor [...] Plantadas em vasos, são utilizadas no interior das casa-de-santo com o propósito de atrair prosperidade financeira” (DIVINA FOLHA VERDE, 2021). Como toda folha de Iemanjá consegue atrair bons pensamentos, reduzir a depressão e fazer com que o ori seja orientado a seguir em frente em um bom caminho, para o desenvolvimento de seu filho, fazendo com que consiga atravessar os problemas da vida. É uma folha muito popular e encontrada com muita facilidade em diversos lares pendurada ou em pequenos canteiros, considerada uma bela planta para utilização como decoração, com folhas brilhantese encantadoras para a maioria das pessoas. Dinheiro em penca Nome popular: Dinheiro em penca, brilhantina Nome científico: Pilea microphylla Nome iorubá: Ewé mimolé Orixás ¹: Otim O dinheiro em penca é uma planta de muito fácil desenvolvimento, amplamente conhecida e cultivada em diversos jardins, muito utilizada em ritos religiosos. É dedicada ao orixá Otim, e lembrando uma observação de Pai Alexandre, em oficina realizada no Ilê Orixá ela “não deve ser utilizada sem estar em conjunto de uma erva de Odé, pois não se pode conceber o orixá Otim sem o orixá Odé”, destaca. O dinheiro em penca necessita bastante luminosidade para o seu pleno desenvolvimento, serve como uma bela planta ornamental em diversos espaços em um jardim, se adaptando com muita facilidade diretamente no solo ou em vasos. Elevante Nome popular: Levante, Alevante, Elevante Nome científico: Mentha citrata L. Nome iorubá: Eré tuntún Orixás: Ogum “Planta aromática do gênero mentha, encontrada espontaneamente ou cultivada nos lugares úmidos em áreas tropicais. De cheiro agradável, a levante miúda é usada nos rituais jêje-nagôs” ( verdes folhas, 2015). O levante juntamente com a guiné são as principais ervas dedicadas ao orixá Ogum dentro da Fortaleza Ilê Orixá, está presente na maioria dos banhos de ervas. É uma planta de crescimento rápido e de fácil reprodução, necessitando de poucos cuidados e se desenvolvendo facilmente em diversos tipos de solos, é uma das ervas mais utilizadas em banhos quando se deseja o axé de Ogum, podendo ser substituída pela guiné. O uso do elevante é muito comum nos vasos com 7 ervas, e geralmente é a única planta rasteira que está presente, servindo como uma bela ornamentação do vaso que costuma ficar nas entradas de casas e comércios. Espada de Iansã Nome popular: Espada de Iansã, de Oya ou Santa Bárbara Nome científico: Tradescantia spathacea Sw. Nome iorubá: Ewé idà oyá ou Obé semi oyá Orixás: Oya A espada de Iansã é uma planta muito resistente, não necessita cuidados especiais e se adapta facilmente em diversos tipos de solo, é possível ser cultivada somente na água ou ainda plantada diretamente na terra, nesse caso não necessitando de muita água, mas precisa de muita luminosidade. A espada de Iansã, assim como a espada de São de Jorge ou Espada de Ogum, não se faz uso em banhos, mas serve para passar o axé do orixá, podendo ser utilizada diretamente no filho, como uma oferenda ou ainda plantada para trazer o axé de Oya para dentro das casas, é uma planta ligada a proteção de quem a cuida e a possui em suas casas. A espada de Iansã ou espada de Oya, costuma estar plantada em diversos jardins como planta ornamental, pois além de precisar de poucos cuidados é uma planta com se destaca pela sua beleza e fácil adaptação em diversos locais, fazendo com que diversas pessoas a procurem para plantar em seus jardins. Espada de Ogum ² Nome popular: Espada-de-São-Jorge, Espada-de-Ogum, Nome científico: Sansevieria trifascita Nome iorubá: Ewé idà òrìsà Orixás: Ogum Segundo CARVALHO (2012) “Apesar de na literatura botânica consultada a espada-de-são-jorge aparecer apenas como uma planta ornamental, seu uso como planta de proteção é extremamente difundido por todo o Brasil” Trata-se de uma planta de origem africana, mas ainda não temos claro se sua introdução no Brasil se deu por portugueses ou se foi daquelas plantas que os próprios africanos mandavam buscar na África para suas práticas rituais. Tem propriedades protetoras e é usada em banhos de descarrego, também em amuletos e em defumações contra magia-negra (CACCIATORE, 1977, p.115) e em algumas casas de culto é “utilizada junto com outras espécies como cerca, em volta de casa dedicada” a Ogum (PESSOA DE BARROS, 1993). Mãe Stella de Oxóssi, com toda a sua sabedoria ancestrálica nos lembra que “para as folhas com formato de espada pedimos que sejamos bastante fortes para que, rapidamente, possamos cortar o mal e as armadilhas que são feitas para atrapalhar a nossa existência. Afinal, a espada é símbolo de destruição da injustiça, da maleficência e da ignorância” A espada de Ogum também está presente nos vasos de 7 ervas, devido ao seu crédito de conseguir cortar as energias ruins de lugares. Erva de bugre Nome popular: Erva de bugre, Língua-de-teiú, Chá-de-frade, Vassatonga, Língua-de-lagarto, Erva-de-bugre, Flauta-de-saíra, Erva-de-lagarto, Pau-de-lagarto, Petumba. Nome científico: Casearia Sylvestris Sw . Nome iorubá: Ewé alélèsi Orixás: Ossanha A erva de bugre é uma erva bastante popular no Ilê Orixá, já foi utilizada diversas vezes na decoração de festas religiosas, dedicadas aos orixás Ogum Adiokô e Oya Tofã, para criar um ambiente mais próximo da natureza, em momentos em que a vegetação do axé era menor e como forma de evitar o uso de materiais descartáveis na decoração das festas. “esta planta faz parte da Relação Nacional de Plantas de Interesse do SUS (Renisus). Na América do Sul, o carvalhinho entra na composição de produtos dentários e antissépticos. O poder cicatrizante da planta é tão forte que, na crença popular, o lagarto só enfrenta a cobra se houver um pé de carvalhinho por perto. Se o lagarto sair ferido, basta que ele coma algumas folhas da planta” (GARLET, p. 21, 2019). Planta também utilizadas em festas religiosas para encher cestas para o Orixá Ossanha, para distribuição durante o seu axé, momento em que são jogadas folhas para cima, como forma de representação do axé. Utiliza-se essa folha já que na origem da feitura de Pai Alexandre de Oya e de Pai Ronie de Ogum era a folha utilizada por Pai Sérgio de Xangô, como folha símbolo de Ossanha, sendo sempre a escolhida por ele para utilização nesse rito, que ele fazia. Aos frequentadores de sua casa, e filhos antigos lembram de muitos momentos que Xangô Aloxé antes de subir dizia que queria apenas as folhas, e mais nada, mesmo tendo balaios cheios de doces e flores diversas. É uma planta que está presente em muitas matas, sendo bastante fácil de encontrar de forma livre na natureza. Erva de bicho Nome popular: Erva de bicho, pimenta-d’água, pimenta-do-brejo, persicária, capiçoba, cataia ou curage Nome científico: Polygonum acre, Polygonum Nome iorubá: Ewé eró igbin Orixás: Odé e Otim A erva de bicho é uma planta que nasce de forma espontânea em locais ensolarados e úmidos. O conhecimento popular faz uso dessa planta como antisséptica e como substituta de pimentas, já que ela produz um fruto pequeno e apimentado. Ainda é possível a produção de corantes alaranjados a partir de seus frutos. Folha da batata doce Nome popular: Folha de batata doce Nome científico: Ipomoea batatas L. Nome iorubá: Ewé Kúkúndùnkú Orixás: Iansã e Xapanã Ofó Efun l’ebá lé k’ojúmon ó Efun l’ebá lé k’ojúmon Kúnkúndùnkú Olórí ewé Efun l’ebá lé k’ojúmon Tradução Quando o dia nasce. Quando o dia nasce. Kúkúndùnkún É a mestra das folhas. Quando o dia nasce. Itan do Olodu Ejiogbe Não-há-lugar-na-Terra-onde-não-possa-encontrar-a-felicidade, jogou Ifá para Òdùnkún (Batata Doce) no dia em que ele partia para a Terra de Isu (inhame) e Agbàdó (cereal). Ifá aconselhou Òdùnkún a fazer ebo para a sua vida ser tão doce quanto Isu e Agbàdó. Isu e Agbàdó foram saboreados pelas gentes da Terra e eles não são tão doces quanto Òdùnkún. Foi nesse dia que Òdùnkún dançou e cantou dizendo que podia fazer o ebo novamente e repetir vezes sem conta. Ifá avisou: “Não há valor em repetir o ebo. Òdùnkún cantou e dançou em honra do Awo, enquanto o Awo louvava Ifá e enquanto Ifá louvava Olodunmaré. Quando Òdùnkún começou a cantar, Èsú colocou-lhe uma canção na sua boca e Òdùnkún começou a cantar: Ayé Sènrén ti dun, o dun ju oyin lo Ayé Sènrén ti dun, o dun ju oyin lo Òrìşà je aye mi o dun, Alá yun Gbáláyun Òrìşà je aye mi o dun, Alá yun Gbáláyun A vida da Batata Doce é tão doce quanto o mel A vida da Batata Doce é tão doce quanto o mel Imortais, deixem a minha vida ser doce, o Alá yun Gbáláyun Imortais, deixem a minha vida ser doce, o Alá yun Gbáláyun A ramada batata doce se espalha de forma muito rápida por onde está plantado, precisando de poucos cuidados, é uma planta que produz um tubérculo muito apreciado na culinária. Ewé kúkúndùnkú é uma folha feminina, de èrò (apaziguamento), ligada ao elemento água e ao elemento terra, nasce na água e na terra. É uma folha de prosperidade e multiplicação. A batata doce, é originária das Américas Central e do Sul, encontrada desde a Península de Yucatam, no México, até a Colômbia. Seu fruto é muito apreciado sendo considerado extremamente nutritivo, dentro do axé da Fortaleza Ilê Orixá o fruto é dedicado ao orixá Oya/Iansã, mas também pode entrar na constituição do axé de Obá. Em festas religiosas dentro do axé, a batata doce é servida para Oya após ser cortada e frita em óleo quente, com sabor agradável é muito apreciada. Folha-de-fogo Nome popular: Branda-fogo, Folha-de-Iansã, Pixirica, Anhanga. Nome científico: Clidemia hirta Ball. Nome iorubá: Ewé inón Orixás: Xangô Segundo o site Divina Folha Verde “Planta encontrada em vasta faixa do território nacional, principalmente no Nordeste e Sudeste, onde Colhida pela manhã, antes do sol nascer, esta folha pertence a Oya e Xangô, servindo para "banhos de descarregos e sacudimentos"; apanhada sob o sol do meio-dia, ela pertence a Exu e serve para fazer diversos sortilégios e malefícios. Sendo uma planta muito conhecida da população rural, a folha-de-fogo é, também, utilizada medicinalmente contra palpitações do coração, afecções das vias urinárias e do aparelho genital, sífilis, erupções cutâneas, feridas rebeldes, moléstias da pele em geral e coceiras.” A população rural costuma consumir seus pequenos frutos como pequeno fruto nativo, encontrado com muita facilidade, e pouco conhecido pelas populações urbanas das cidades. Folha de inhame Nome popular: Folha de inhame Nome científico: Colocasia esculenta (L.) Schott Nome iorubá: Ewé ábajé Orixás: Ogum A folha do inhame é muito fácil de confundir com a folha da taioba, por isso é necessário muito cuidado e não usar sem ter certeza que está com a folha correta. É uma folha que necessita de sol para se desenvolver ou ainda plantada com meia sombra, não exige muitos cuidados para se desenvolver. O inhame é sem dúvida uma das plantas mais consumidas nos cultos africanos, mas pouco conhecida dentro do batuque, provavelmente por não estar presente na alimentação da maioria da população gaúcha, diferente do que ocorre por exemplo no nordeste e sudeste onde a população consome bastante inhame e este alimento encontra-se bastante presente nos candomblés. Folha da costa Nome popular: Folha da costa, saião, Folha-grossa, Paratudo, Erva-grossa. Nome científico: Kalanchoe brasiliensis Nome iorubá: Õdúndún Orixás: IemanjáOfó Àbámọdá àbá mi kò ṣe àìṣẹ Àbá ti alágẹmọ bá dá, l'Òrìṣá oke ngbà Mo dá àbá owo Èjí obgè--------------------------------- Àbámọdá, que a minha aspiração será realizada Òrìṣá Oke aceita a aspiração do camaleão Que eu aspire o dinheiro Para receber dinheiro Ofó Abamoda aba mi Ko se aise, aba ati alagemo na da, lorisa oke ngba mo da aba owo, lati fi mi no dia olowo - Abamoda não falha em curar e minha sugestão é não falhar. Esta folha é capaz de limpar a casa e seus habitantes, consegue trazer paz na família, traz dignidade, traz trabalho e alegrias. É uma planta de origem brasileira, a folha-da-costa é encontrada, praticamente e, em todo o território nacional, estando hoje aclimatada em diversas áreas tropicais de outros continentes. “A folha-da-costa é muito confundida com outra herbácea chamada popularmente de milagre-de-são-joaquim (Kalanchoe pinnata), que é do mesmo gênero que a folha-da-costa, porém de es0016 ofun - corrigido - final - cianindd 68 31/10/2013 19:50:07 Maria Stella de Azevedo Santos • Graziela Domini Peixoto 69 espécie diferente (pinnata). Milagre-de-são-joaquim é chamada de àbámodá pelo povo yorubá, que a considera “escrava” de õdúndún. São plantas parecidas, mas se bem observadas, percebe-se diferenças significativas: a folha milagre-de-são-joaquim é mais “denteada” e suas bordas mais arroxeadas, quando maduras. Em uma música do Ritual das Folhas, õdúndún é cantada juntamente com àgbaó – imbaúba – e mostra que a partir de um determinado momento do ritual o iniciado está glorificado, iluminado, protegido por um cobertor de folhas: Àgbaó, ÿògo là ta bò bò wa, ewé õdúndún ÿe ré kúbúsú bò bò wa. Na verdade, Õdúndún protege o iniciado de seu próprio poder” (SANTOS, p. 68-69, 2013). Tanto no Brasil como na África, esta planta é dedicada a todos os orixás ligados ao mito da criação, conhecidos como òrisà-funfun, e, por extensão, é utilizada para os demais orixás. Esta folha está presente nos candomblés brasileiros é usada nos ritos de iniciação, como uma das principais plantas no àgbo, em banhos diversos, para compor oferendas feitas a Oxalá e nos sacrifícios de pombos, cágados, patos e galinhas-d'angola, quando a folha deve cobrir os olhos destes animais para que não vejam Ikú (a morte). É uma planta de grande prestígio entre os vegetais utilizados no culto, é exaltada na qualidade de folha calmante (èrò) no ritual da sasányìn, através de um dos versos de seu cântico: "ÒDÚNDÚN BÀBÁ T'ÈRÒ 'LÈ" (ÒDÚNDÚN, pai, espalhe a calma sobre a terra). Juntamente com outras ervas, também entra na mistura de plantas utilizadas para “lavar os búzios e as vistas" dos sacerdotes que utilizam os jogos divinatórios. VERGER (1992:31) dá a fórmula de um "omieró" onde constam várias folhas, entre elas o òdúndún, utilizado pelos babalaôs africanos para lavar os olhos antes da abrirem IGBÁDÙ (cabaça de Odú). Ainda Verger (1981:255) cita que, Ilésin de Ideta-Ilê, no culto a Obàtálá e sua mulher Yemowo, este vegetal é utilizado, em conjunto com outros, para lavar os objetos rituais, após os sacrifícios. Na África; é conhecido ainda pelo nome iorubá elétí (VERGER, 1995:685). A folha da costa a fim de evitar a confusão na Fortaleza Ilê Orixá, com a folha da fortuna, está plantada apenas em vasos com terceiro pavimento, onde se cuida e se preserva, assim a tornando possível de ser utilizada apenas por quem a conhece e tem certeza da folha correta As mudas de folha da costa foram todas produzidas a partir de muda adquirida em Recife, quando de visita com Pai Alexandre de Oya na cidade, já que sempre que se vai a algum lugar de venda de mudas de plantas que são utilizadas no axé procuramos adquirir, para assim melhorar a nossa flora, criando condições de atende melhor as necessidades dos axés com a energia de cada orixá. Folha da fortuna Nome popular: Folha da fortuna, saião Nome científico: Bryophyllum pinnatum Nome iorubá: Àbámodá ou Erú Òdúndún Orixás ³: Xangô Ofó Àbámodá àbá mi kò se àìse Àbá ti alágemo bá dá, L’òrìsà Okè ngbà Mo dá àbá owo Àbámodá minha aspiração é de ser perfeito Òrìsà Okè aceite as aspirações do camaleão Eu desejo dinheiro “Àbámodá significa “o que quisr você consegue”. Seu outro nome : Erú Òdúndún, faz referência a esta erva ser considerada “escrava” portanto substituta do saião”(p. 136, JAGUN, 2011). Acredita-se que esta folha consiga trazer dinheiro, fartura, filhos, amor, sabedoria, paciência, tranquilidade. A folha da fortuna é uma folha de muito fácil reprodução, é possível fazer suas mudas a partir de pequenas estacas ou ainda folhas, que apenas caídas sobre a terra já iniciam uma nova brotação, que em pouco tempo geram novas mudas. É uma folha originária da África e difundida e utilizada de forma muito ampla em todo Brasil. O seu nome em iorubá significa o que você deseja, você faz. Em Ilê-Ifé, terra de Ifá, em território iorubá no sudeste africano, nas cerimônias para Obatalá e Yemowo, após os sacrifícios, as imagens desses orixás são lavadas com uma mistura de folhas, sendo uma delas o àbámodá (VERGER, 1981:225), que também é conhecida pelos nomes iorubás erú òdúndún, kantíkantí e kóropòn (VERGER 1995:641). Àbámodá, segundo DALZIEL (1948:28), em dialeto iorubá significa "o que você deseja, você faz"; todavia, quandochamada de erú òdúndún, (escravo de òdúndún), é considerada como folha e afim, que pode eventualmente substituir o òdúndún (Kalanchoe crenata (Andr.) Haw), segundo a cosmovisão jejê-nagô. Folha do figo Nome popular: Figo, figueira comum Nome científico: Ficus carica L ., Moraceae Nome iorubá: Èso òpòtó Orixás: Ossanha “A erva e ou a planta denominada de FIGO é considerada uma erva fria e ou específica calmante atuam no corpo físico por caraterísticas fitoquímicas, mas também nos organismos espirituais e em seus sistemas nervosos no sentido de tranquilizar o espírito” (GUIMARÃES, 2021, p. 78). Essa planta cresce como um arbusto, bastante lenhoso, produz um fruto muito consumido no mundo. É uma planta extremamente importante, pois o seu fruto na forma nativa serve de alimento para diversos animais, mesmo quando caído de seus galhos, o que faz com que seja de extrema importância na preservação de ecossistemas. O fruto dessa figueira é um dos frutos dedicados ao orixá Ossanha, sendo servido em festas em sua homenagem e ainda podendo ser utilizado em alguns axés que são igualmente entregues a este orixá. Fumo brabo Nome popular: Fumo brabo Nome científico: Solanum mauritianum Scop. Nome iorubá: Ọde Ákosùn Orixás: Xapanã De cheiro bastante forte é planta presente nos mais diversos locais. É uma planta que não necessita nenhum tipo de cuidado especial e costuma nascer de forma livre na maioria dos campos com vegetação. Não é utilizada para banhos, pois é uma planta que pode gerar coceira e irritação na pele. Utiliza-se em alguns ritos, de acordo com consulta ao jogo de búzios. Funcho Nome popular: Funcho Nome científico: Foeniculum vulgare Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oxalá O funcho é uma planta que costuma causar muita confusão, sendo amplamente confundida com a erva-doce. É fácil reconhecer a diferença entre as duas, enquanto a erva-doce produz flores brancas o funcho apresenta flores amarelas. É uma planta nativa da Europa, com grande adaptação no Brasil, onde cresce em campos diversos. “Uma das mais antigas plantas cultivadas, apreciadas por Romanos e Gregos, sendo chamada por estes de marathon, significando “manter a forma” (ALMEIDA, p. 174, 2011). “O funcho é sem dúvida uma planta muito conhecida. Nem tanto parecem ser suas muitas propriedades e utilidades” (Steffen, S.J. p.43, 2010). “Com seu porte de mais de um metro, sua cor verde-clara, suas folhas finamente recortadas, encimadas pelas umbelas de múltiplas flores amarelas, é um verdadeiro ornamento na horta ou no jardim. Suas sementes são muito usadas como tempero em vários alimentos. É usado também como alimento o chamado funcho-doce, com a base engrossada e comestível. Já Dioscórides, no tempo dos romanos, se referia a ele quando dizia que há o funcho selvagem e o cultivado. "Entre o funcho cultivado, diz textualmente, há um doce em extremo, que comemos ordinariamente ao fim das refeições em Roma; o qual nasce da semente do rústico metida dentro de um figo seco e assim semeada." Deste tempo vem também a crença que as serpentes chupam o suco da planta para melhorar sua vista, depois de trocar a pele. A crença nesta propriedade acompanhou o funcho até a América do Sul, onde, no Pampa Argentino, se diz que mães mascam funcho e sopram nos olhos dos filhinhos, na crença de que com esta prática os preserve de contrair oftalmias. Outra propriedade esquecida hoje é a que consta de uma receita do Século XVI de que " as sementes, as folhas e a raiz do nosso funcho cultivado se utilizam muito em bebidas e caldos para aqueles que são gordos" (STEFFEN, S.J. p.45, 2010). FARIA, 2016 ainda coloca que “Traz força para a materialização dos sonhos e para aflorar talentos e virtudes. Ajuda a gerar uma transformação interna e a cortar laços com o passado” Suas folhas são bastante aromáticas e utilizadas para Oxalá em ritos orientados pelo jogo de búzios, já que não está entre as folhas mais comumente utilizadas na ritualística. Gengibre amargo Nome popular: Gengibre amargo, cana-do-brejo, Cana-de-macaco, Cana-do-mato, Sanguelavô Nome científico: Costus spicatus Sw, zingiberacege Nome iorubá: Ewé tètèrègún Orixás: Obá Ofó “Tètèrègún òjò do mpá Tètèrègún òjò wo bi wá” Têtêrêgún é como a chuva que mata. Têtêrêgún é como a chuva que dá vida. “E Tètèrègún e Tètèrègún Ojo gb’oomi wá ó Tètèrègún Ojo gb’o omi wa e jô ó Tètèrègún” A chuva traz a água que molha teteregun Chuva traz água por favor, para molhar o teteregun. Mito Ere Tètèrègún A Folha da Vida e da Morte A Religião dos Òrìsàs é cheia de rituais e simbolismos. No entanto, a razão desses rituais nem sempre é de conhecimento da maioria dos adeptos. Um dos rituais mais recorrentes no Candomblé, refere-se a folha de Teteregun, a qual é utilizada para molhar a cabeça dos Omo Òrìsà (filhos dos Deuses) e, em diversas outras ocasiões, pedindo-se sempre coisas boas… Mas porque fazemos isso? Uma antiga história de Ifá, narra que, Teteregun não realizou uma oferenda prescrita por Olokun e, quem em razão disso, estava ficando completamente seca. Desse modo, Teteregun ficou desesperada e resolveu consultar o oráculo sagrado. Ifá, o Deus da Adivinhação, por meio do oráculo disse que Teteregun deveria realizar um sacrifício, sendo que esse sacrifício seria pegar água para Olokun, ao longo de alguns dias. Logo ao amanhecer, Teteregun foi ao rio, quando Teteregun retornou já era noite, ela pegou toda água que trouxe e derramou no mar para Olokun. Teteregun fez isso ao longo de alguns dias, sendo que no último dia, Olokun molhou o corpo de Teteregun, dizendo que ela seria a folha encarregada de molhar o seco, que ela seria a folha com o poder de refrescar o calor, que ela seria a folha capaz de apaziguar a cólera, da mesma forma, como ela conseguiu apaziguar Olokun. O gengibre amargo é uma das diversas espécies de gengibre, está presente em diversos locais como planta ornamental pela beleza de suas flores, que podem aparecer cores variadas. Em alguns países é amplamente utilizada na alimentação, fornecendo aroma em diversos pratos, além de diversos estudos que indicam o seu extrato com amplas aplicações na indústria farmacêutica. Não é uma das folhas utilizadas em banhos, mas carrega assim como diversas outras folhas o axé do orixá que está consagrada, podendo ser utilizada para passar este axé, quando se precisa apenas de folhas ou galhos em uma limpeza por exemplo. O gengibre amargo é uma planta bastante popular e facilmente encontrada em diversos jardins espalhados em diversos locais. Gervão Roxo Nome popular: Gervão, Gervão Roxo, gervão-azul, gervão-de-folha, gervão-de-folha-verônica Nome científico: Stachytarpheta cayennensis (Rach.) Vahl Nome iorubá: Ewé ìgbole, ìrù eku e pasalókê Orixás ⁴: Odé O gervão é uma planta arbustiva, presente em muitas paisagens, conhecida por algumas pessoas mais antigas, mas muito popular entre os frequentadores das religiões de matriz africana, o que a torna uma planta pouco popular entre a grande maioria. “quando cultivada em hortas, esta espécie afugenta insetos e parasitas. Não é palatável aos animais. Cresce em beira de matas e em áreas antropizadas, sendo considerada planta daninha” (GARLET, p. 33, 2019). É bem fácil a sua reprodução a partir de estacas ou sementes é uma planta nativa do Brasil, muito comum nas beiradas de estradas. O conhecimento popular coloca que o Gervão é uma planta cheia de mistérios e mitos, pois suas flores seriam alimento de fadas, que todos os dias se alimentam delas. NÔ FIGUEIREDO (2017), lembra que “As flores são o charme dessa planta. Elas nascem diariamente ao longo das inflorêscências em forma de espigas terminais, finas e densas, de 30 a 40cm de comprimento e são de coloração azul arroxeadas. Muito lindinhas e delicadas e aparecem principalmente durante a primavera e o verão. Dizem que as fadas comem essas florzinhas usando palitinhos!!! Suas folhas são secas e levemente endurecidas como a textura do couro, por isso são chamadas de coriáceas. Não possuem pelos, por issoem que todos nós estamos inseridos. O Iroko é uma árvore ancestral, para muitos está associada a gameleira branca, na África está associada a um orixá e possui uma árvore de mesmo nome. Por que Ewé Orò ? “Igi kan ki da gbo sé”⁷ Uma árvore não faz a floresta o decidir escrever este livro sobre folhas e ervas utilizadas dentro de nosso axé, uma das maiores indagações foi qual seria o título desse livro, e após diversas leituras e pesquisas então foi escolhido que seria Ewó Orò – As folhas Sagradas na Fortaleza Ilê Orixá, mas por quê? Primeiramente o título deve agregar valor à obra, destacando em poucas palavras a sua finalidade, ao que se propõe, deveria deixar claro que fala sobre as folhas utilizadas dentro dos ritos religiosos no axé, e mostrar que pode haver variações de uma casa de axé para outra. Assim Ewó Orò representa um conjunto de folhas que a Fortaleza Ilê Orixá⁸ utiliza no dia a dia dentro do axé, em banhos, limpezas e demais ritos religiosos em geral, e estas folhas sendo todas elas reconhecidas como sagradas possuem o seu uso intensificado e incentivado dentro do axé, não somente com uso indiscriminado, mas também com a preservação dessas folhas e o seu plantio em cada uma das casas de axé oriundas da Fortaleza Ilê Orixá. Ewó Orò não pretende ser apenas mais um livro sobre a religião africana, mas um livro capaz de mudar a forma que conduzimos a religião em nossos terreiros, pois busca destacar a importância da natureza dentro de nossos cultos e como a utilizar de forma mais dinâmica no dia a dia dentro do axé, desenvolvendo pessoas e, também fazendo com que ideias e concepções ultrapassadas mudem. Com este livro, a Fortaleza Ilê Orixá se estabelece como um axé que não somente segue o que já se aprendeu, mas produz conhecimento que com certeza A irá ficar para além do tempo, preservando a história e permitindo a condução de novas pesquisas na área. Ewó Orò não é o fim de uma caminhada sobre o assunto, mas apenas o início do que se pretende que seja um novo pensar dentro da religiosidade africana, um pensar mais coerente com a coletividade e a preservação do espaço sagrado onde nossos orixás habitam e coexistem juntamente com nós, os seres humanos. Ewó Orò é um livro para ser consultado todos os dias para os que querem conhecer melhor o segredo de cada folha que nasce, que cai e que morre, é um livro para se debater, compreender o nosso espaço e buscar novos significados para o que já conhecemos. De nenhuma forma este livro deve ser utilizado de forma ríspida em todos os lugares, em todos os axés, mas pode partir de base para muitos debates que com certeza serão oriundos dessa pesquisa que foi construída ao longo dos mais de 10 anos de fundação do axé. Através da leitura, um novo leque de conhecimento se abre para todos os que desejam se aprofundarem na compreensão do universo sagrado de cada folha, com seus segredos, encantos e magia, basta entrar e se deixar levar. È uma leitura sem dúvida encantadora, leve e reflexiva que nos leva a penetrar dentro do axé das folhas e nos faz entender um pouco mais. Com a leitura cada um é convidado para mergulhar no universo das folhas, para entender melhor a importância de cada uma para a ritualística religiosa que existe muitas vezes adormecida dentro do íntimo de cada folha. Ewó Orò deve ser um livro de consulta diária, todos os dias que se tiver dúvidas, todos os dias que se querer compreender um pouco mais sobre as folhas, sobre sua importância e funcionamento dentro do axé. E por fim este livro pretende ser uma forma de padronizar o uso das folhas por todos os integrantes da casa, onde todos irão compreender as mesmas as mesmas folhas para os mesmos orixás, criando uma relação da natureza com os orixás e com o axé da Fortaleza Ilê Orixá. Sejam todos muito bem-vindos ao maravilhoso mundo das ervas ritualísticas, uma ótima leitura para todos. A leiteira-africana é uma espécie arbustiva e perene, muito utilizada para formar cercas vivas, podendo atingir até 10 metros de altura. Ela recebe esse nome devido ao látex branco que exsuda ao receber qualquer tipo de corte. Também conhecida como janaúba, ela é nativa da África ocidental. Mas o que são as folhas? Kékeré láti ń pa èèkan ìrókò, tó bá dàgbà tan ẹbọ ló máa gbà É melhor domar/podar a raiz da árvore de Iroko cedo quando cresce pede sacrifício e a pergunta for feita para um leigo rapidamente iremos escutar a resposta óbvia que são elementos que ficam pendurados nos galhos das árvores ou ainda nos caules de pequenas plantas, se for perguntado para um biólogo ele rapidamente irá nos explicar com conceitos técnicos, explicando muito bem, o que de maneira nenhuma deixará dúvidas. Mas e dentro dos ritos de matriz africana, o que chamamos efetivamente de folha? “O termo folhas refere-se, portanto, ao rol5 de determinadas plantas nativas (e/ou exóticas) e cultivadas que são largamente utilizadas para fins rituais, mágico-religiosos, e/ou para fins medicinais por consumidores em que se incluem, além dos comerciantes, o povo-de-santo, os devotos do candomblé e de outras religiões afrobrasileiras e segmentos expressivos da população em geral. Evidentemente, o uso ritual destas plantas é orientado pela prescrição religiosa emanada dos zeladores e responsáveis pelas práticas rituais das religiões afrobrasileiras e fundamenta-se nos princípios norteadores de suas liturgias e etnobotânicas.” (OLIVEIRA, 2019, p. 4). As folhas não são apenas o que para a maioria das pessoas não iniciadas chamam efetivamente, em um contexto bem maior por folha entende-se todas as plantas, com galhos ou sem galhos, com pedaços de caules ou não, são parte importante da essência de nossa religião que está intimamente ligada a natureza. S “As folhas são, de longe, as partes dos vegetais mais empregadas no candomblé, em ritos diversos, e particularmente em operações de cura, em terapias. Mas convém notar que folha é também um termo genérico no dialeto dos terreiros: mesmo raízes, sementes e cascas de troncos (e até plantas como um todo) podem ser chamados coletivamente de folhas, sempre que esses itens vegetais têm um emprego litúrgico ou terapêutico que se distingue bem -do uso alimentar, em ritos diversos. (Ainda que algumas folhas possam ser ingeridas sob a forma de poção, dá-se que elas não são pensadas, nessas circunstâncias, como nutrientes, mas como “remédios” ou “encantos”). Idealmente, esses itens são obtidos através de uma coleta especialmente feita, em condições que a liturgia prescreve”. (SERRA, 2002, p. 5-6). “A “ciência das folhas” — a arte ou ciência de Ossain — resulta, assim, uma etnofarmacobotânica. Ossain (ou Ossanha) o divino medicineman, é cultuado como patrono e instituidor da arte a que dá nome, e considerado Senhor do mundo vegetal. Em consonância com tal tradição, falarei aqui de “sistema de Ossain” para referir-me ao modelo cosmológico e litúrgico que o ordenamento das folhas descreve” (SERRA, 2002, p. 7). JUANA (1986, p.91) nos conta que: As folhas nascidas das árvores, e as plantas constituem uma emanação direta do poder sobrenatural da terra fertilizada pela chuva e, como esse poder, a ação das folhas pode ser múltipla e utilizada para diversos fins. Cada folha possui virtudes que lhes são próprias e, misturadas a outras, formam preparações medicinais ou mágicas, de grande importância nos cultos, onde nada pode ser feito sem o uso das folhas. E o batuque gaúcho e em especial a Fortaleza Ilê Orixá é uma casa que se pode afirmar que nada se faz sem uso das folhas. As folhas estão presentes nas mais variadas situações, sendo utilizadas em banhos, na preparação das obrigações, em limpezas e entre outros ritos que estão presentes, e se para alguns o uso de folhas é esporádico, na Fortaleza o seu uso é efetivo e incentivado todos os dias, para os iniciados e para dezenas de clientes que buscam o conforto dos orixás e a consulta através do jogo de búzios semanalmente. “De acordo com a mitologia yorubá, plantas e outros elementos terapêuticos e alimentícios sãosão chamadas de glabras. São um pouco enrugadas pelo sulcamento das nervuras na face superior e são serradas nas margens. Atingem de 6 a 8cm de comprimento”. O gervão é uma das principais folhas dedicadas ao orixá Odé, pode ser utilizada acompanhada ou não da folha de dinheiro em penca que é dedicada ao orixá Otim. Gervão branco https://nofigueiredo.com.br/author/nofigueiredo/ Nome popular: Gervão, Gervão branco Nome científico: Croton glandulosus Nome iorubá: Ewé ìgbole, ìrù eku e pasalókê Orixás ⁵: Odé Planta invasora bastante disseminada nas principais regiões agro-pastoris do país. É encontrada em lavouras anuais, pastagens e jardins. Prefere solos arenosos, onde forma grandes infestações. Floresce praticamente o ano inteiro, em ciclo de 90-100 dias. Na Fortaleza Ilê Orixá utilizamos o gervão branco com a mesma finalidade de uso do gervão roxo, ambos sendo utilizados dedicados ao orixá Odé, e não apresentando quaisquer características que os diferencie. Guiné Nome popular: Guiné, ervade-alho, erva-da-guiné, raiz-da-guiné, amassa-senhor Nome científico: Petiveria alliaceae L Nome iorubá: Ewé Ojúúsàjú Orixás ⁷: Ogum “O Guiné é planta de vários usos em ritual, na região do recôncavo baiano, tem o nome popular de “Amansa-senhor” porque a raiz era usada pelas negras em cativeiro misturada à comida ou café e chás para amansar os feitores. Segundo Caminhoá (1884), o uso contínuo do Guiné torna os indivíduos apáticos levando à idiotia. No século XVII, escrevia Santos Filho (1947), “já estava em voga o quebranto e a vítima morria, na verdade envenenada pelas ervas Tipi ou Amansa-senhor. A madeira clara dos galhos e das raízes de Guiné, que desprendem forte cheiro de alho, é favorita para fabricação de “figas”, pequenos talismãs usados contra os malefícios em geral” (ALMEIDA, p. 102, 2011). “É uma erva que chega a mais de um metro de altura, ramificada, de folhas bem verdes, de onde sobressai uma haste longa, ao longo da qual se formam as flores pequenas e brancas e depois as sementes, em forma de ponta de flecha, que se pegam na roupa. O uso mais conhecido desta planta entre a população, não é o medicinal, mas o mágico. O brasileiro tem muita fé nos efeitos deste vegetal, por isso frequentemente tem um pé plantado no jardim ou vaso de sua casa, junto com a arruda e a espada-de-são-jorge. O mesmo uso vem confirmado por um texto argentino em que se diz que é erva silvestre e bastante cultivada em pátios e jardins, não tanto por suas qualidades ornamentais, mas antes porque o povo lhe atribui propriedades mágicas, servindo para preservar os habitantes da casa contra as feitiçarias. (STEFFEN, S.J. p. 48, 2010). A guiné é uma erva que costuma estar associada ao clássico vaso com 7 ervas, e muito comercializado como amuleto que é guardado em carteira ou ainda em locais em que se deseja atrair boas sorte e proteção. Segundo STALCUP (2000) “chamada de ewé Ojúúsàjú em Yorùbà, significando “faz predileto”, nome que refere ao efeito desejado da planta ou orixá, segundo Barros esta espécie pertence ao orixá Ogun e é classificada no compartimento Terra” É a erva mais utilizada para Ogum dentro do axé da Fortaleza Ilê Orixá e por isso de extrema importância para que todos os que são iniciados dentro do axé possuam esta folha plantada. Quando plantada diretamente no solo costuma soltar sementes que germinam com muita facilidade produzindo assim muitas novas mudas. Goiabeira Nome popular: Goiabeira Nome científico: Psidium guajava Nome iorubá: Gúáfà, gúróbà e Ewé gúrófà Orixás: Ossanha e Iansã Ofó Gúábá ikokò má mà guri abà, "Gúábá, que a hiena não possa subir na minha cabana [gun abà]' A goiabeira é uma árvore que produz um fruto muito saboroso e com muita utilização pela indústria de alimentos, principalmente na fabricação de geleias e doces variados. Existem dois tipos de frutos principais a goiaba rosa ou vermelha e a branca. “Com seus galhos são confeccionados os akidavi (baquetas utilizadas na percussão dos atabaques-tambores rituais” (JAGUN, p. 82, 2011). VERGER (1995:40), referindo-se a plantas e nomes de origem estrangeira utilizados pelos iorubás na África, diz: "O nome Gúábà deriva do português goiaba (Psidium guajava, Myrtaceae), fruta levada do Brasil. Suas folhas são usadas para tratar irritações da garganta e da boca...", atribui-lhe, também, os nomes gúáfà, gúróbà e gúrófà (1995:711). Guanxuma Nome popular: Guamchuma Nome científico: Sida rhombifolia Nome iorubá: Ifin ewé ifin Orixás: Xapanã A guanxuma é um pequeno arbusto presente geralmente em solos pobres de matéria orgânica, não necessitam de nenhum tipo de cuidado e apresentam muita resistência a grande exposição solar. Uma curiosidade dessa erva é que em locais menos urbanizados é comum o seu uso para confecção de vassouras, que são utilizadas geralmente para limpeza de pátios. “cresce, espontaneamente, como planta ruderal, em lavouras anuais e perenes, beira de estradas e terrenos em todo o país, sendo considerada, na agricultura, uma planta daninha” (GARLET, p. 32, 2019). É uma erva que o Ilê Orixá não utiliza para banhos, mas a utiliza para confecção de vassouras utilizadas em algumas limpezas ou outros serviços dedicados ao orixá Xapanã. “É altamente daninha, e muito freqüente em solos cultivados ou não. Tem sistema radicular muito profundo, sendo difícil de arrancar. É conhecida pela tenacidade de sua madeira, que serve como matéria prima para a fabricação de palitos. Por causa da mesma tenacidade, os seus ramos são usados em toda a área rural para a confecção de vassouras para varrer o pátio” (Steffen, S.J. p. 47, 2010). Não deve ser utilizada junto de folhas de Iemanjá. A guanxuma é uma erva bastante popular no Brasil, não necessita de muitos cuidados específicos de manuseio. É oriunda de clima seco e pobre de matéria orgânica. No Ilê Orixá é uma erva atribuída ao orixá Xapanã, no Sul do Brasil é muito utilizada em propriedades rurais para construção de vassouras. É uma planta utilizada em ritos de limpeza, mas sempre após orientação em jogo de búzios, deve ser sempre evitada em banhos. Hortelã Nome popular: Hortelã Nome científico: Mentha spicata Nome iorubá: Não identificada Orixás: Ogum As espécies de hortelã hibridam-se facilmente entre si, motivo pelo qual sua identificação botânica é bastante complexa. Planta herbácea, a hortelã tem alturas variadas, de 15 cm até um metro de altura, possui folhas verdes, ovaladas, rugosas e aromáticas. “o solo deve ser rico em matéria orgânica e com pelo menos 20 cm de profundidade. Não precisa de muita luz solar” (NASCIMENTO, p. 33, 2014). A hortelã é sem dúvida uma das ervas aromáticas mais conhecidas e utilizadas em todo o mundo, está presente em diversas receitas, chás e nos mais variados pratos da culinária internacional, acredita-se que esta erva tenha chegado ao Brasil com a cultura chinesa Para PAGNOCCA (2017) “no contexto litúrgico os entrevistados citaram usos da Hortelã nos banhos com finalidade de harmonização energética, na composição dos defumadores e no ritual do amaci.”. “Uma bela ninfa do reino dos infernos chamou-se Minte. Plutão, o deus do Hades, apaixonou-se pela sua beleza e perfume. Perséfone (Prosérpina), a mulher dele, soube do romance e maltratou a jovem. Plutão, receando que a mulher a matasse, levou-a para o monte Trifilo e, para evitar perdê-la, metamorfoseou-a numa planta, a menta, perfumada e refrescante. Assim, a hortelã ficou como símbolo do ciúme. Por ser ao mesmo tempo, uma planta muito aromática era dada como consolação àqueles que perdiam o seu amor. Na Bretanha, se uma criança está doente, coloca-se junto dela um ramo de hortelã, pão e sal, durante nove dias seguidos” (AGROMINEIRA, 2017). Jiboia Nome popular: Jiboia Nome científico: Epipremnum pinnatum Nome iorubá: Ewé Dan Orixás: Ossanha Ofó Ewé dandan Dara ma da o Ewé dandan Dara ma da Ewé meu ip da orun Baba da orun Ewé dandan Dara ma da ò Segundo GUAFEREMIM (2012): “Nas casas de Candomblé a jibóia é tida como uma ewé apa òsí, estando ligadatanto ao elemento água como a terra, embora também transite pelo ar. Em seu nome iorubá também traz alusão a cobra mítica, ewé dan, folha da serpente. Costuma ser empregada com certa freqüência em algumas casas de Jeje, nos processos de iniciação e embaixo das esteiras (enim/zocré) do vodunsi. Essa folha é consagrada ao orixá Oxumarê. Ainda para GUAFEREMIM (2012): “A jibóia é considerada uma planta encantada, principalmente entre os povos do Norte e Nordeste do país. Dizem que ela seria uma excelente planta para proteção, quando cultivada em casa protegeria os moradores contra energias e pessoas negativas. Alguns acreditam que, quando uma jibóia é cultivada onde há uma mulher solteira, a planta é capaz de atrasar ou atrapalhar um futuro casamento, pois afasta possíveis pretendentes. Outra crença é que ela não deve ser cultivada dentro d’água em casa, pois atrairia fofoca, ejó, segunda a língua do povo de santo”. São várias as espécies de jiboias, de uso muito comum na decoração de espaços e presentes na natureza, com tamanhos bem variados de suas folhas, podendo também a sua coloração variar bastante entre o verde escuro e verde com o amarelo. Geralmente ficam presentes ao lado de árvores que são utilizadas como base de apoio, já que as jiboias são plantas trepadeiras, de crescimento rápido. Quando presas as árvores suas raízes se fixam sobre os troncos e galhos das árvores, criando a possibilidade de se fixarem de forma plena, quando não presentes nas árvores se fixam no solo. Jasmim Nome popular: Jasmim, Jasmim do cabo Nome científico: Gardenia jasminoides J Ellis, Rubiaceae Nome iorubá: Ewé Itété Orixás: Ibeji Está é a folha da vaidade, tem o poder de tornar uma pessoa vaidosa, a noite suas flores ficam mais perfumadas. O cheiro do jasmim é inconfundível sendo um dos perfumes mais conhecidos da natureza, forte e bem característico, tendo assim pessoas que o amam, mas também muitos que não suportam o seu perfume que se exala por todo o ambiente em que estiver. Jurubeba Nome popular: Jurubeba, Jurubeba-do-sul, Jurubeba-velame, Velame. Nome científico: Solanum paniculatum L. Nome iorubá: Igbá igún ou Igbá àjà Orixás: Xapanã Ofó (IGBÁ) Ája wu'na góróró (IGBÁ) Ája wu'na góróró (IGBÁ) Ája wu'na A wu inón (IGBÁ) Ája abre caminho estreito (IGBÁ) Ája abre caminho estreito (IGBÁ) Ája abre caminho A jurubeba é um arbusto com muitos espinhos, que costuma nascer de forma bastante espontânea em campos de diversos locais do Brasil. Pode produzir flores roxas ou brancas. É uma planta muito utilizada pelo conhecimento popular e pouco conhecida dentro dos terreiros. “esta planta faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do SUS (Renisus). A espécie Solanum paniculatum é facilmente confundida com outra jurubeba, Solanum fastigiatum Willd., que ocorre mais frequentemente no Rio Grande do Sul. No entanto, diferem não só nos tipos de pelos nas folhas e ramos, como também na forma dos acúleos, que, em S. fastigiatum, são retos e finos e, em S. paniculatum, são curvos e alargados. Não se deve ingerir frutos verdes de espécies botânicas de Solanum, como jurubeba, joá, mata-cavalo e peloteira, pois acumulam glicoalcaloides esteroidais do tipo solanina, capazes de provocar vômito, diarreia, dores de estômago e de cabeça” (GARLET, p. 51, 2019). Lírio do brejo Nome popular: Lírio do brejo, lírio branco Nome científico: Hedychium coronarium Nome iorubá: Ewé Balabá Orixás: Oxalá O lírio do brejo é uma planta que se desenvolve facilmente em torno da banhados e nascentes de água, quando está em floração consegue deixar seu perfume em toda a sua volta. Amplamente reconhecida sua floração é beleza única, tendo suas flores delicadas e belas, não tendo quem não as aprecie na decoração de espaços diversos. Lavanda - Nome popular: Lavanda, Alfazema Nome científico: Lavandula angustifolia Nome iorubá: Ewé àrùsò Orixás: Oxum e Orumilaia Existe bastante confusão entre as pessoas com esta erva, a lavanda é o nome do gênero e a alfazema é uma das espécies dessa planta, então podemos dizer que todas as alfazemas são tipos de lavanda, como as diferenças entre as lavandas são pequenas no rito religioso, vamos considerar todas elas como planta, e apenas por ser mais conhecida no Rio Grande do Sul como lavanda, então será este o nome que será considerado para este livro. “Se desenvolve bem em terra úmida e aerada, com bastante luz solar e em clima temperado. O ideal é colocar a sua volta argila ou casca de pino, para manter a umidade. Pedras, com o calor, podem acabar queimando a planta” (NASCIMENTO, p. 37, 2014). A lavanda é muito utilizada como aroma para diversos produtos de limpeza e em ritos religiosos igualmente muito utilizada em banhos de cheiro, é uma planta muito comum nos cultos afros em diversas regiões do país. A lavanda também é uma planta que: “É energizante, "que ajuda as pessoas a darem conta de tudo", afirma Gimenes. "Na minha casa tem um jardim entupido de alfazemas. Assim, nos dias em que sei serão muito atribulados, logo pela manhã fico algum tempo perto dos pés dessa erva", conta” (FARIA, 2016). Com o aroma de lavanda se produz os mais variados produtos de limpeza e higiene, e o seu cheiro é inconfundível e agradável para muitos, além de belas flores de tom lilás que encantam insetos e embelezam muitos dos jardins espalhados pelas cidades por diversas partes do mundo. Limoeiro Nome popular: Limoeiro, Limoeiro do mato Nome científico: Siparuna apiosyce Nome iorubá: Òrómbo alagbara Orixás: Ogum O limoeiro é uma árvore de fácil manuseio, que existem várias espécies diferentes. O fruto do limoeiro, o limão é uma fruta servida para o orixá Oxalá. Muitos se questionam por que nosso axé serve limão para Oxalá, sendo um fruto azedo, é necessário então esclarecer que o axé utiliza limão como parte da oferenda de Oxalá para homenagear o orixá de Oxalá Mocochéu, de Pai Chiquinho ⁸ de Oxalá. Laranjeira Nome popular: Laranjeira Nome científico: Citrus limettioides Tanaka Nome iorubá: Ewé osàn-oiynbó; Ewé orombo nlá Orixás: Ogum A laranjeira é uma árvore dedicada ao Orixá Ogum no Rio Grande do Sul, e é uma das frutas que está presente no atã, bebida ritual servida para Ogum no Rio Grande do Sul. Existem diversos tipos de laranjas e todas elas podem ser servidas para o orixá Ogum, em especial a laranja azeda ou demais espécies menos maduras são servidas para o orixá Ogum Avagã. A laranja assim como demais frutas cítricas é uma planta de fácil manejo e presente em praticamente todo o Brasil. Losna Nome popular: Losna, Absinto, Erva do fel, Alejo, Erva dos vermes, Sintro Nome científico: Artemisia absinthium L. Nome iorubá: Não identificada Orixás: Xapanã A losna é uma planta de cheiro forte e amplamente reconhecida no mundo inteiro desde a antiguidade. Na Grécia antiga era dedicada à Ártemis, deusa da fecundidade e da caça. Daí a origem de seu nome científico. Popularmente, a losna também é conhecida como absinto” (Blanco, s/d). O uso das Losna fora dos ritos religiosos deve ser realizado por outros fins com muito cuidado e por quem conhece bem a planta, pois ela apresenta propriedades tóxicas e alucinógenas, podendo causar convulsões pelo uso exagerado ou inadequado. Em ritos religiosos por ser tratar de uma planta de limpeza, com características fortes não necessita de uso de muitas folhas, sendo apenas algumas folhas o suficiente para o axé. É uma planta que se adapta facilmente em solos com pouca matéria orgânica, mas precisa de bastante iluminação. “Reconhece-se a losna como uma erva baixa bem ramificada, de coloração geral verde-acizentada, de folhas recortadas e, principalmente, por seu cheiro forte e característico” (STEFFEN, S.J. p. 51, 2010). A losna é uma erva muito popular, conhecida por muitas pessoas e com diversos usos de acordo com o conhecimento popular, sendo encontrada em diversas casas junto de demais chás populares da população. Malva Nome popular: Malva, Malva de casa, Malva silvestre Nome científico:Malva sylvestris Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oxalá Este nome provém da palavra grega "malake" que significa "suave", uma vez que a planta cura e acalma. A malva se adapta a diversos tipos de solos e climas. É uma planta muito popular devido os seus usos como chás. Malva-rosa Nome popular: Guaxima rosa, aramina, malva-rosa Nome científico: Urena Lobata L, Nome iorubá: Ìlasa Omodé Orixás: Odé A malva rosa é uma planta muito utilizada na ornamentação de jardins devido a sua beleza, é uma folhe que necessita de sol pleno para seu desenvolvimento. O batuque praticamente não faz uso dessa planta pelo desconhecimento, nos candomblés é atribuída principalmente aos orixás Oxalá e Oxóssi (OLIVEIRA, 2008, p.245). Maravilha Nome popular: Maravilha, Jalapa, Batata-de-purga, Batata-de-jalapa, Pó-de-arroz. Nome científico: Mirabilis jalapa L., Nyctagninaceae; Mirabilis odorata L.; Admirabilis peruana Nieuwl.; Mirabilis dichotoma L.; Jalapa dichotoma (L.) Crantz.;Nyctago mirabilis D.C Nome iorubá: Èkelèyí Orixás: Obá Segundo o site Divina Folha verde (2015) “Originária do México, a maravilha ocorre, nos dias atuais, em diversas áreas de clima tropicais nos vários continentes. No Brasil, principalmente do Nordeste ao Sul, é encontrada espontaneamente ou cultivada em jardins como planta ornamental e medicinal”. Nos candomblés jejê-nagôs brasileiros, a maravilha é atribuída a Oya, e, em Cuba, é considerada uma planta própria de Obatalá, Yewá e Oya (CABRERA,1992:486). Esta planta, na África, é utilizada ritualisticamente como defesa contrafeitiços e, segundo VERGER (1995:697) conhecida pelos nomes iorubás tannáposó, òdòdó elédè, tannápakú, tannátanná, tannápowó e tanná pa osó. Mangueira Nome popular: Mangueira Nome científico: Mangifera indica L., Anacardiaceae Nome iorubá: Òró òyínbó Orixás: Odé e Ossanha Para o site Divina Flor Verde, a mangueira é uma erva: “Forte, ajuda a ganhar dinheiro, a ter intuições, desencadeia a memória ancestral. Nativa da Índia, foi introduzida no Brasil onde aclimatou-se facilmente, sendo hoje encontrada em condição subespontânea ou cultivada em todo território nacional”. A mangueira é uma árvore que é bastante comum em diversas regiões do Brasil, sendo seu fruto muito apreciado e consumido. Melissa Nome popular: Melissa Nome científico: Melissa officinalis L. Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oxalá É uma planta baixa, delicada, nativa da região do Mediterrâneo, que exala um perfume de limão de suas folhas, lembra a hortelã em sua forma e aroma, embora a hortelã apresente aroma um pouco mais intenso. A melissa é amplamente conhecida como calmante e muito consumida na forma de chás. “tem bom desenvolvimento em locais com clima temperado; não tolera temperaturas muito elevadas nem muito frias. O excesso de sol forte e a falta de água provocam uma aparência de queimado nas bordas das folhas. Embora sem registros concretos, o florescimento da Melissa ocorre no fim do verão, com o aparecimento de flores pequenas nas colorações brancas, rosa e amarela” (NASCIMENTO, p. 43, 2014). Malva cheirosa Nome popular: Malva cheirosa Nome científico: Malva sylvestris Nome iorubá: Não identificada Orixás : Oxum e Iemanjá A malva cheirosa é uma erva de cheiro muito agradável quando macerada, de reprodução bastante fácil não necessita muitos cuidados especiais. Esta é uma planta extremamente utilizado dentro do Ilê Orixá, por isso muito indicada para todos possuírem ela cultivada. Embora seja dedicada ao orixá Oxum e Iemanjá, esta preferencialmente pertence ao orixá Oxum, e deve ser utilizada para Iemanjá em casos especiais, quando solicitado através de orientação no jogo de búzios. Malva rosa⁷ Nome popular: Malva rosa Nome científico: Triumfetta Rhomboidea Jacq., Tiliaceae Nome iorubá: Ìlasa omodé Orixás: Odé Erva africana, a Ìlasa omodé, é mais uma erva que se soma com todas as outras que já fazem parte da natureza local. A Ìlasa omodé, conhecida popularmente como malva rosa ou ainda como guaxima rosa é um arbusto de porte baixo que produz algumas flores, no conhecimento utiliza-se para cólicas abdominais e expectorante, na tradição africana faz parte de ritos de purificação, através de banhos e limpezas, como todas as demais ervas sagradas, ao ser plantada torna o solo ainda mais sagrado, possibilitando saúde para todos do axé. Manjericão Nome popular: Manjericão, manjericão verde graúdo, manjericão branco Nome científico: Ocimum minimum L., Labiatae Nome iorubá: Efínrín Orixás⁷¹: Oxalá “Utilizado nos banhos de purificação dos filhos de Oxalá” (BASTIDE, p. 166, 1961) O manjericão é uma erva que não necessita apresentações é conhecida pela maior parte da população muito apreciada pela culinária e utilizada em diversos ritos dentro de cultos afros, o que faz com que a planta esteja presente em muitas residências. “Os poderes mágicos do Manjericão (Ocimum Basilicumos), outras espécies de manjericão] considerada uma erva mística e muito empregada nos ritos religiosos do candomblé, são seus encantos, que trazem boa sorte e harmonia. Em muitas casas de Candomblé dedica-se essa erva ao Òrìsà Osálà” (JÚNIOR, 59, p. 2018). Segundo VARELLA (1973), chamando-a de “manjericão-de-folha grande”, afirma que esta espécie pertence ao orixá Oxalá”. “Na Itália, o manjericão é sempre associado ao amor. Na antiga Grécia e Roma, acreditava-se que os agricultores precisavam praguejar bem alto para obter boas colheitas de manjericão. Na Índia, o manjericão era tratado como símbolo de hospitalidade. As pessoas descansam com uma folha de manjericão no peito, como passaporte para o paraíso. Uma das superstições sobre o manjericão era que deixado debaixo de um pote algum tempo transformava-se num escorpião. Na Romênia, quando um rapaz aceita um ramo de manjericão de uma rapariga, fica comprometido. O manjericão era usado no antigo Egito no embalsamento de múmias. Nos afrodisíacos tradicionais, o manjericão é comum em várias culturas. O nome basílico (manjericão) deriva do grego basileus, que significa rei. Atualmente o manjericão também é usado como perfume e incenso” (AGROMINEIRA, 2017). O manjericão costuma estar presente nos vasos de 7 ervas, trazendo um aroma bastante agradável ao local onde fica o vaso. Manjericão miúdo Nome popular: Majericão, Manjericão verde miúdo Nome científico: Ocimum basilicum L Nome iorubá: Efínrín kékéré Orixás: Iemanjá Segundo o site Divina Flor Verde “acalma o fundo da alma. Traz como que um banho refrescante e tranquilo para a alma. amor, dinheiro, sorte. De origem asiática, esta variedade de manjericão que possui folhas bem menores que os demais é muito popular no Brasil”. Manjericão roxo Nome popular: Manjericão roxo Nome científico: Ocimum basilicum purpureum Hort. , LABIATAE Nome iorubá: Efínrín pupa Orixás: Oxum O manjericão roxo é uma erva com aroma menos intenso que o manjericão verde e adapta-se facilmente em diversas regiões, no entanto tem dificuldade de adaptação em locais de sol intenso, necessitando muitas vezes meia sombra. A exposição prolongada ao sol pode tornar algumas espécies verdes ou cruzadas entre com o roxo e o verde. Mirra rasteira Nome popular: Mirra rasteira, Mirra, lavândula, limonete e pluma-de-névoa, incenso, incenso bastardo Nome científico: Plectranthus forsteri Nome iorubá: Não identificada Orixás: Orumilaia “O incenso realmente precisa de muita pouca atenção e pode ser cultivado em vasos, quando a planta é adulta, e espécimes muito jovens e aparentemente incrivelmente delicados. Por esse motivo, a propagação é uma operação muito simples: é possível cortar os incensos com algumas folhas e colocá-los na água. Após quinze ou vinte dias, as raízes brotam sem a necessidade de qualquer produto químico de enraizamento. O único cuidado de que o incenso precisa é na escolha do tipo de embarcação a ser atribuída a ele, que deve aumentar gradualmente. Não é necessário, no entanto, repovoar esta planta todos os anos, mas optar por uma repotagem a cada dois anospode torná-la mais forte e mais compacta” O Incenso-bastardo é uma planta herbácea e perene muito ramificada, com uma folhagem densa e aromática. As suas folhas são ovais, brilhantes, pubescentes e com bordas denteadas. As suas flores têm pouca importância ornamental. Mirra arbustiva Nome popular: Mirra árvore, Mirra arbustiva, Pluma-de-névoa, Falsa-mirra, Incenso, Pau-de-incenso, Mirra, Limonete, Umuravumba Nome científico: Tetradenia riparia Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oxalá “Cresce a sol pleno, com solo bem drenado e com compostagem. A quantidade de água regada no inverno deve ser menor que a no verão” (NASCIMENTO, p. 35, 2014). PATRO (2016) “A pluma-de-névoa é uma espécie arbustiva, dióica e muito florífera, nativa da África-do-sul e cultivada em áreas de clima subtropical a temperado, em diversas partes do mundo, por suas qualidades como ornamental e medicinal. A ramagem cresce de forma irregular, com ramos finos, lisos e de cor marrom. Suas folhas são espessas, ovaladas a cordiformes, pubescentes, de cor verde-clara, com margens denteadas e bastante aromáticas. As inflorescências surgem no inverno, em densas espigas terminais, com flores pequenas, geralmente brancas, mas que podem adquirir tons de rosa ou lilás. As plantas masculinas, produzem inflorescências mais soltas, de aspecto delicado, enquanto as femininas, formas bem compactas, para diferentes efeitos paisagísticos. As flores são perfumadas e atraem insetos polinizadores” O efeito da pluma-de-névoa florida é bastante chamativo e muitas vezes se destaca ainda mais pelo fato de que poucas plantas estarão floridas na mesma época que ela. Assim, ela facilmente se torna o foco das atenções no jardim, sem concorrência. Aproveite esta característica, e plante-a isolada, em áreas de interesse, ou crie maciços ou renques com esta espécie. Seu uso em jardins rochosos ou do tipo xeriscape (jardim de pouca necessidade hídrica) pode ser muito relevante, ao quebrar a monotonia e oferecer uma variação estacional ao jardim. Aproveite-a também em jardins de ervas aromáticas e medicinais. PATRO (2016) “deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente no primeiro ano de implantação. Não tolera solos encharcados, aos quais é muito sensível. Prefere assim, solos mais secos, principalmente no inverno, aos quais responde com intensas florações. Locais com inverno ao mesmo tempo frio e chuvoso não são muito adequados ao seu plantio, da mesma forma que não floresce em áreas permanentemente quentes. Precisa de estações marcadas para florescer. De pouca manutenção, é aconselhável fertilizá-la no período anterior à floração, além de realizar podas de formação e renovação da folhagem, após o florescimento. Aproveite a ocasião para fazer estaquia dos ramos, que enraízam com facilidade. Cresce rapidamente e pode florescer já no primeiro ano de implantação”. Manjerona Nome popular: Manjerona Nome científico: Origanum majorana L., LABIATAE Nome iorubá: Não identificada Orixás: OssanhaÉ uma erva extremamente fácil de ser plantada e reproduzida, se adapta com muita facilidade em diversos ambientes. “Conta uma lenda que o príncipe Amáraco, filho do rei de Chipre, dedicava-se à arte de fabricar perfumes. Um dia, ele conseguiu criar uma fragrância única, surpreendentemente agradável, e ficou maravilhado com sua criação, mas, ao carregar o jarro que continha este perfume, deixou-o cair ao chão e quebrar-se, perdendo o raro perfume. Profundamente entristecido, o jovem começou a definhar, até morrer. Reconhecendo a dedicação do jovem príncipe, os deuses transformaram seu corpo sem vida numa planta muito aromática: a manjerona, também conhecida como amáraco” (BLANCO, s/d) “A mitologia grega faz referência à manjerona como a erva preferida de Afrodite, a deusa do amor, que a teria usado para curar as feridas de Enéias. Aliás, para o povo grego, a planta era símbolo da felicidade, tanto que era plantada na frente das casas como sinal de boas-vindas. Gregos e romanos a usavam para tecer coroas para os recém-casados e até hoje a erva é associada à felicidade conjugal. Usada na Antigüidade como afrodisíaco, também apresentava propriedades relaxantes: o poeta Virgílio destaca seus poderes para favorecer um sono repousante e tranqüilo. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. A inalação feita com a erva ajuda a eliminar o muco nas gripes e resfriados, prevenindo sinusites. Na cosmética caseira, a planta é usada em banhos relaxantes e como tônico capilar. Na aromaterapia, sua fragrância suave e calmante aquece e reconforta, daí sua ação benéfica sobre o sistema nervoso. O óleo essencial atua positivamente no metabolismo e nos órgãos genitais” (BLANCO, s/d). A manjerona é muito apreciada na culinária, em diversos preparos de pizzas, saladas, carnes grelhadas e molhos, de sabor intenso e cheiro agradável é considerada uma dar ervas aromáticas mais consumidas, sendo por muitos confundida com o orégano, o substituindo em alguns casos. Mamona verde Nome popular: Mamona verde, mamona branca Nome científico: Ricinus communis L. Nome iorubá: Ewé lárà funfun Orixás: Onile A sua tradução do iorubá significa “folha do corpo”, o que nos mostra a sua importância para tudo o que se faz dentro dos cultos. A folha da mamona é utilizada no Ilê Orixá e em alguns outros Ilês com base em cima de pratos para receber a oferenda (axé) que será servida ao orixá, substituindo desta forma papéis que são utilizados em muitos lugares, reduzindo assim a quantidade de lixo produzido. É importante ressaltar que não existe uma obrigatoriedade do número de folhas a serem utilizadas em cada axé. A mamona é uma planta de origem africana, que está presente em grande parte do Brasil, não existindo dificuldade de encontrar, é uma planta rica em óleos, tóxica se ingerida. Em momentos de corte aos orixás é comum cobrir com a folha de mamona as vasilhas que serão utilizadas, e descobrir um pouco antes do corte. Ao cobrir o orixá já sabe que irá receber a sacralização. Com a urbanização cada vez mais intensa dos espaços sagrados, pode ocorrer dificuldade em alguns lugares de obter a folha da mamona, o que torna importante que cada espaço de culto aos orixás possui exemplares da planta nas suas dependências. Mamona roxa Nome popular: Mamona roxa, mamoneiro roxo, mamona vermelha Nome científico: Ricinus communis L., Euphorbiaceae Nome iorubá: Ewé lárà pupa Orixás: Egun Ofó Ewé lara pupá ni osun a won abíkú. A folha lara pupá é o cânhamo Seu despertar ou ofo é: Làpá làpá pupa Má mà jé kí Sòpònná bá omo mi jà Làpá làpá pupa, não deixe Sòpònná brigar com meu filho. A mamona roxa ou vermelha é uma planta que apresenta as mesmas características da mamona branca, embora seja menos comum. A espécie roxa não pode ser utilizada no Ilê Orixá aos orixás, como base para axés, pois a espécie roxa é dedicada somente ao orixá Iroko e a Egun. Ondas do mar Nome popular: Ondas do mar, lambari Nome científico: Astyanax Nome iorubá: Não identificada Orixás: Iemanjá É uma planta de origem mexicana, muito bem adaptada ao Brasil, está presente nas mais variadas regiões do Brasil, é amplamente utilizada em jardins como planta ornamental. É uma planta que apresenta muita facilidade de ser reproduzida e não necessita cuidados especiais. Orô Nome popular: Oro, boldo bahiano72 Nome científico: Vernonia condensata Nome iorubá: Ewé awuro Orixás⁷³: Xangô O orô é um arbusto que atinge cerca de 5 metros de altura, com galhos finos e brotação abundante. Apresenta floração de cor branca, é amplamente utilizada no Rio Grande do Sul e parte do Brasil, nos cultos afros em banhos de ervas, lavagem de ocutás entre outros ritos de iniciação. Para alguns uma planta de origem Africana(provavelmente Benin ou Nigéria, que teria vindo junto com os escravos), para outros uma planta que já se encontrava no solo brasileiro e foi adaptada seu uso. “O boldo-baiano [Ewé awuro ](vernonia condensata) é um arbusto originário da África, e chega a alcançar de 2 a 5 metros de altura e pode se quebrar facilmente com o vento. Apresenta efeito carminativo e alivia os sintomas e úlceras e gastrites” (BUNN, 2012). No Rio Grande do Sul, o boldo-baiano ganhou o nome de orô, com outras variações de nome em outras regiões, sendo utilizado, além de ritos religiosos para produção de chás, em grande parte do Brasil é associado principalmente aos orixás Ogum e Oxalá. “O boldo-baiano, assa-peixe ou alumã (Vernonia condensata) é uma planta da família Asteraceae, das mais cultivadas em jardins e hortas brasileiros. A sua origem é africana, tendo sido trazido com os escravizados desde a época colonial”. (Wikipedia, 2016) Para o Prof. Jayro de Jesus (teólogo afro) “na falta do akoko no Rio Grande do Sul” provavelmente os primeiros africanos encontraram no orô uma planta com características muitos semelhantes”, fazendo uso desta forma para os seus ritos religiosos. Segundo alguns antigos, não se deve deixar que a planta cresça acima da altura das casas, por não trazer boa sorte. Existe muita controvérsia neste sentido, pois ninguém sabe dizer ao certo o porquê. Desta forma não se pode ter certeza de que existam motivos reais para acreditar nisso, mas é o que a maioria do povo de santo faz, pois como dizem aprenderam assim, e a cultura gaúcha afro-religiosa costuma manter a tradição que foi aprendida de seus antepassados. Talvez essa crença venha da constante necessidade de se quebrar seus galhos para a coleta das suas folhas, devido ao seu crescimento rápido, o que fazia com que a planta não tivesse condições de crescer de forma livre, já que ocorriam podas constantes, mantendo desta forma um porte baixo, ou ainda a sua facilidade de quebrar seus galhos com o vento, que também impossibilitava que ficasse alta. Alguns iniciados descrevem o orô como uma planta dedicada a Xangô, no entanto a maioria das casas de tradição africana destinam o orô para todos os orixás cultuados. O fato é que é uma planta que já faz parte da tradição religiosa do Rio Grande do Sul, de fácil adaptação e crescimento muito rápido, que se reproduz a partir de estacas ou sementes. É muito difícil encontrar uma casa de axé gaúcha que não exista orô plantado, geralmente na frente das casas. Não importa o motivo ou a tradição que se siga, ao cultuarmos qualquer planta ou tradição africana estamos cultuando a África que existe dentro de cada um de nós. Pata de vaca Nome popular: Pata de Vaca Nome científico: Bauhinia purpurea L., Leguminosae-caesalpinioidea Nome iorubá: Abàfé Orixás: Ossanha e Xapanã Ofó T’ilekun mó o k’ó má le jade Ìpanumó abàfé ba mi T’ilëkun mó otá mi gbonyingbonyin Lati fi ra ọ̀tá niyè Ìkáwòri (Ìká Ìworí) Fechar a porta permite à folha Abàfé não se revelar Abàfé nos permita fechar a porta firmemente ao meu inimigo. para incomodar a mente de seu inimigo e o faz incapaz de calcular A pata de vaca possui esse nome devido sua folha lembrar a pata de uma vaca. É uma planta nativa da mata atlântica principalmente. Muito utilizada na decoração de praças devido suas flores que encantam muitos. Pau d´água verde⁷⁴ Nome popular: Pau d´água, Peregum nativo, Pau-d'água, Dracena, Coqueiro de Vênus. Nome científico: Dracaena fragrans (L.) Ker Gawl., Liliaceae. Nome iorubá: Ewé pèrègún Orixás: Ogum É uma planta forte, atrai os ancestrais, ajuda a lembrar, a saber agir. Afasta os inimigos e o mal que muitas vezes se faz presente. Possui origem africana e é muito difundida no Brasil, esta é, provavelmente, a planta mais popular nos candomblés afro-brasileiros. sua utilização é variada, entra no àgbo (pois é uma das folhas fixas), banhos para diversos fins, sacudimentos e diversos rituais. Na Fortaleza Orixá é uma planta dedicado ao orixá Ogum, e por isso também pode ser utilizada como sua representação, sendo inclusive utilizada como axés determinados em jogo de búzios. Alguns candomblés fazem na iniciação dos filhos-de-santo, a folha do pèrègún é usada como sendo a primeira na composição do àgbo, sendo indispensável, uma vez que representa Ogum na "função de Asiwajú", aquele que toma a vanguarda, aquele que vai na frente dos outros, o que precede..." (SANTOS, 1976:93). Lenda de Peregun. Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte: “Pèrègún, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com as Ajé (Yiámi Osorongá), para sempre ter e poder emanar a sorte, para quem lhe procurar por ajuda. Foi então que Pèrègún fez um pacto com Ajé antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé (Mundo material, Terra). Novamente foi a Ifá, e este dissera: “Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé. Pèrègún procurou por “Ògún”, mas Ogún só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com Ogún. Foi então que Pèrègún aceitou o pacto, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com ela”. Desde então Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé. “Peregun”, a sorte de nossos opositores fica a nosso favor. Em grande parte das casas de religião africanas são reconhecidas por apresentarem mudas de peregun plantas em suas frentes, como plantas sagradas de culto aos orixás. O Rio Grande do Sul ainda carece bastante em ter esta planta em seus terreiros, muitos por falta de conhecimento. Nesse sentido é necessário que os dirigentes incentivem os novos iniciados a estudarem a liturgia dessas plantas, para que o conhecimento não se perca com o tempo. Pau d´água verde e amarelo Nome popular: Pau d´água, Peregum, Dracaena-listrada, Coqueiro-de-Vênus-Nativo, Dracena-verde-e-amarelo Nome científico: Dracaena fragrans (L.)Ker Gawl Nome iorubá: Pèrègún Kò, Pèrègún funfun Orixás: Ogum Ofó para obter dinheiro PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!) PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN! (Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!) Peregun alára gigún ô Peregún alára gigún ô Oba o ni jê o roro okan Peregun alará gigún Pèrégúm gba agbara tuntun Peregúm tem excitado o corpo Peregúm tem excitado o corpo O rei não permite problemas com o coração Peregúm tem excitado o corpo Peregúm dá nova força. (LAVERGNE; PESSOA DE BARROS, 1987, p. 34,) Segundo STALCUP “chamada de ewé pèrègún funfun ewé pèrègún kò em Yorùbá, nome que indica que a planta chama o transe, esta espécie pertence ao compartimento terra e ao orixá Ogún, e é louvada numa cantiga que ensina agitação/calma, esta última categoria associada à espécie. Adicionalmente é usada para sacudimento, feitura de santo e Abô” (Apud SILVA, 1993), observa-se que esta é uma das plantas mais unânimes consagradas para o orixá Ogum, já que a grande maioria das casas de axé que cultuam o orixá Ogum possuem ela dedicada a ele. Para alguns estudiosos da religião africana é uma planta que nunca deve faltar onde se cultua este orixá, já ela representa a própria energia de Ogum materializada na terra. Suas folhas pontiagudas lembram espadas, como a maioria das folhas dedicadas aos orixás masculinos, já que as folhas de forma arredondada são características de folhas femininas, claro que não podendo isso ser uma única característica a ser observada. Peregun vermelho Nome popular: Coqueiro-de-vênus, dracena, pau d´água vermelho, peregun vermelho Nome científico: Cordyline terminalis Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oya O peregun vermelho é uma planta ornamental, mais adequada em ambientes de meia sombra ou sombra. Os seus usos na religião são variados e mudam muito de uma nação para outra. Alguns candomblés consagram para o orixá Ogum e algumas para Oya ou aindaObá. Dentro na Fortaleza Ilê Orixá esta planta está consagrada para o orixá Oya, de uso exclusivo. Pereira Nome popular: Pereira Nome científico: Pyrus communis L. Nome iorubá: Não identificada Orixás: Oxalá A pereira é uma árvore que produz um fruto muito apreciado, de sabor adocicado, para alguns lembra um pouco a maçã. As suas folhas são consagradas para o orixá Oxalá, assim como a própria árvore pertence a ele que também aprecia bastante seus frutos. É uma bela árvore, com flores brancas, que não costuma necessitar de muitos cuidados especiais, se adapta com muita facilidade ao frio e é cultivada há séculos em diversas regiões do mundo. Pulmonária - Nome popular: Pulmonária, Peixinho da horta Nome científico: Stachys byzantina K.Koch Nome iorubá: Não identificada Orixás: Odé A pulmonária é uma planta muito utilizada na decoração de jardins pelo seu formato diferenciado e bonito, não costuma gostar muito de excesso de calor, mas se adapta, no entanto, necessitando de água a noite para recuperar as perdas do dia. É uma planta muito resistente aos insetos, sendo dificilmente atacada por eles. É uma folha não convencional, mas que pode ser utilizada na culinária em diversos pratos. Poejo Nome popular: Poejo Nome científico: Mentha pulegium Nome iorubá: Olátorijé Orixás: Ibeji e Oxum O poejo é uma planta de crescimento muito rápido, na natureza gosta de lugares úmidos, o que faz com que se desenvolva de forma rápida e acelerada. Devido ao cheiro forte é uma planta que funciona como repelente natural para alguns tipos de insetos e pragas das lavouras. FARIA (2016), destaca uma curiosidade: “ajuda a ter persistência, a acabar com a procrastinação. "Sabe aquela pessoa que costuma desistir das atividades ou dos sonhos na metade do caminho? Então, o poejo é ideal para elas", conta o especialista”. Em alguns casos pode ser utilizada para Oxum ou Iemanjá Pitangueira Nome popular: Pitangueira Nome científico: Eugenia uniflora Nome iorubá: Ewé Itá Orixás⁷⁵: Oya Ofó A fí pa burúrú,a fí pa burúrú Etiponlá wa fi pá burúrú Ita owó, ita omo Etiponlá wa fi pá burúrú Nós utilizamos para acabar com as complicações Etiponlá que nós usamos para acabar com as complicações A folha de Ita atrai dinheiro, Ita atrai filhos Etiponlá que nós usamos para acabar com as complicações Ewé Itá é uma folha de sorte. Ifá owó Ifá omo Ewé étipónlá 'bà Ifá orò Itá owo Itá omo Ewé étipónlá 'bà Ifá orò Orunmilá é quem traz boa sorte e dinheiro A folha de erva-tostão é abençoada por Orunmilá Folha de pitanga é quem traz boa sorte e dinheiro A folha de erva-tostão é abençoada por Orunmilá A Pitangueira no Rio Grande do Sul é uma árvore nativa de diversas regiões do Brasil, dedicada principalmente seu culto ao orixá Oyá/Iansã. A árvore atinge cerca de 4 metros e meio de altura com folhas rosas esverdeado entre tom Claro e escuro apresenta forte brilho sobre suas folhas na parte superior. É uma planta de grande resistência e que possui um fruto característica de sabor acentuado. “esta planta faz parte da Relação Nacional de Plantas de Interesse do SUS (Renisus). É amplamente cultivada, em pomares domésticos de todo o Brasil, para produção dos saborosos frutos. Utilizada na fabricação de bebidas, doces, geleias e como aromatizante. Seus frutos servem de alimento para pássaros, peixes e mamí18 Fonte: autor (2019) feros. Espécie indicada para enriquecimento de áreas degradadas em margens de fontes, rios e reservatórios. As raízes têm a propriedade de rebrotar sob a árvore, produzindo verdadeiras touceiras” (GARLET, p. 19, 2019). No Ilê Orixá o uso da folha da pitangueira está presente em praticamente todos os ritos para o culto a Oya, em banhos, em axés que são realizados e até mesmo em ritos que se utiliza limpezas. Como Oya é um dos orixás regentes da casa, a folha da pitangueira faz parte da grande maioria dos mierós. Romãzeira Nome popular: Romãzeira Nome científico: Punica granatum L ., Punicaceae Nome iorubá: Àgbá Orixás: Obá A romãzeira é um arbusto que produz a romã, fruto dedicado ao orixá Obá. A fruta pode ser utilizada no amalá do orixá Xangô, quando se deseja agradar o orixá Obá com Xangô. Sálvia Nome popular: Sálvia Nome científico: Salvia officinalis Nome iorubá: Ikiriwí Orixás: Iemanjá e Oxalá A sálvia para algumas pessoas é uma planta que está associada à felicidade, paz e harmonia, muito popular e conhecida. A sálvia (Salvia officinalis) é uma planta arbustiva, perene, originária da região mediterrânica cujo nome já diz o que é capaz de fazer, salvar (em latim seu nome é “salvi”, que quer dizer salvar e, popularmente, também é conhecida sálvia- comum ou sálvia-das-boticas). “A sálvia é uma planta subarbustiva, de folhas muito aromáticas, nativa da região do mediterrâneo e conhecida desde a antiguidade por suas propriedades como planta condimentar, medicinal e ornamental. Apresenta hastes eretas, quadrangulares, ramificadas e recobertas por tricomas curtos. Elas são inicialmente herbáceas e se tornam lenhosas com o passar do tempo. Suas folhas são elípticas a oblongas, sésseis no ápice dos ramos e pecioladas na parte inferior, com a superfície rugosa, pilosa e de cor verde acinzentada na espécie típica. O aroma das folhas é pungente e percebido mesmo sem amassá-las [...] De sabor amargo e pungente, a sálvia é uma erva condimentar do tipo “ame ou odeie”. Ainda assim, mesmo que na primeira vez você não tenha apreciado muito seu aroma e sabor, tente novamente. Acontece que a variedade de aromas é imensa, e certamente alguma nuance irá lhe agradar. Simplesmente arranque as mudas e plante uma nova variedade. Mesmo que demore para você se encontrar com sua sálvia favorita, ela ainda pode ser muito útil, por suas indiscutíveis qualidades como medicinal. Um chá de sálvia tem a reputação de ser uma panacéia para todos os males e, apesar de que grande parte da reputação atribuída a sálvia ser verdade, ela não tem tantos poderes assim. Mas vale a tentativa, no mínimo uma xícara de chá quente é sempre reconfortante. Na cozinha, ela é comumente utilizada para temperar pratos de carnes de boi, caça, frango, perú, leitão e cordeiro, em cozidos ou assados, conferindo sabor intenso. Ela também é aproveitada para aromatizar queijos, saladas, batatas, sopas, licores, vinagres, azeites, embutidos e uma infinidade de preparações. No jardim, ela é ideal para perfumar caminhos, sendo plantada como bordadura ou maciço, em jardins aromáticos ou clássicos europeus, como os jardins de estilo italiano e inglês. Pelo aroma e textura peculiar de suas folhas, ela também é uma planta de eleição em jardins destinados a estimular os diferentes sentidos, os chamados “jardins sensoriais” (PATRO, 2015). Salsa Nome popular: Salsa Nome científico: Petroselinum crispum Nome iorubá: Não identificada Orixás: Iemanjá Erva fortemente aromática, levemente entouceirada, nativa do Sul da Europa. Folhas compostas pinadas. Flores pequenas, de cor amarelo-esverdeada, reunidas em umbelas terminais acima da folhagem. Embora se esteja escrevendo sobre uma espécie em especial da salsa, consideramos todas as espécies como pertencentes ao orixá Iemanjá. A salsa está bastante presente na culinária, no qual apresenta sabor bem característico, é uma das ervas mais consumidas no Brasil e em diversos outros países. Na Fortaleza Ilê Orixá esta erva sempre deve estar presente nos axés de Iemanjá, pois é colocada picada sobre a canjica branca, e é essencial para diferenciar os axés de Oxalá dos de Iemanjá. Taioba Nome popular: Taioba, tamba-tajá Nome científico: Xanthosoma atrovirens et Bouche., var. appendiculatum Nome iorubá: Patiòba Orixás: Ossanha Esta é uma folha que é necessário muito cuidado para correta identificação pois existem diversas folhas muito parecidas com ela, mas que não apresentam as mesmas aplicações e usos, por isso é necessária muita atenção. É uma planta muito fácil de confundir com o inhame, ela gosta de ambientes sombreados e com bastante umidade. Para RANIERI (2014):“para ter certeza de que estamos falando de taioba é preciso que contenha as “folhas em formato de coração, ser totalmente verde, inclusive os talos; ter uma linha que circunde a folha toda, na borda; ter as duas “orelhas” se encontrando no talo; crescer com a ponta “apontando” para baixo, igual um coração; não pode ser muito rugosa ou amassada; não pode ser trepadeira; não dá flores coloridas – as flores são discretas e esverdeadas”. Tansagem Nome popular: Transagem, Tansagem, Acatá, Carrajá, Tanchagem-terrestre, Erva-de-ovelha Nome científico: Plantago major L. Nome iorubá: Ewé òpá Orixás: Otim Planta de uso muito popular e comum em diversas localidades do Brasil, considerada por muitos como uma erva daninha, pois cresce na grama e muitos jardins, na medicina popular é amplamente utilizada para as mais diversas indicações. Considerada uma planta que utilizada de forma adequada nunca deixa faltar alimento. “o nome Plantago refere-se às folhas rosuladas, que, distendidas sobre o solo, lembram as plantas dos pés humanos. As tansagens são muitos frequentes em áreas antropizadas e crescem, espontaneamente, em jardins, gramados, pomares, hortas, beiras de calçadas e estradas, em locais abertos. Em culinária, as folhas são utilizadas cruas, em saladas, ou, cozidas, em sopas, refogados, bolinhos e pães” (GARLET, p. 30, 2019). “A tanchagem, também chamada tansagem, transagem ou plantagem, é uma planta invasora muito mal vista em hortas e jardins. Ao longo de uma haste, que sai de uma roseta de folhas, se forma uma quantidade muito grande de sementes muito pequenas, e estas garantem sua dispersão eficiente e consequente infestação. Encontram-se espécies diferentes de tanchagem entre nós” (STEFFEN, S.J. p. 51, 2010). Taquareira Nome popular: Taquareira Nome científico: Bambusa Vulgaris Nome iorubá: Apákò Orixás: Oya Para Mãe Stella de Oxóssi é uma folha de vida longa, que é firme e escapa das tempestades, a quem suplicamos que nos torne fortes e vigorosos. O bambu segue em direção ao céu com a humildade e a sabedoria dos grandes mestres. No seu caminhar, reconhece a necessidade de se inclinar perante forças maiores, como a da tempestade. O Bambu é sábio: para não quebrar ele enverga. Ofó Pë le bë ni tó bê Pë le bë ni tó bê Apákò màko okun pë le bë Pë le bë ni tó bê Folha que dá vida longa, que é firme Estamos suplicando muito à folha que dá vida longa, que é firme e escapa das e escapa das tempestades tempestades Estamos suplicando muito ao bambu, folha de vida longa, que é firme e escapa das tempestades, que nos torne fortes e vigorosos Folha que dá vida longa, que é firme e escapa das tempestades, estamos suplicando muito Taquareira de jardim Nome popular: Taquareira Nome científico: Oxytenanthera Abyssinica (A. Rich.) Munro., Gramineae Nome iorubá: Ewé pàko Orixás: Oya A taquareira de jardim é uma planta muito utilizada na ornamentação de espaços diversos, possui muita adaptação aos mais diversos locais e costuma se desenvolver com muita facilidade. No axé da Fortaleza esta planta é dedicada ao orixá Oya e serve como uma planta de limpeza, segundo ritos que são realizados dentro do axé. Trapoeraba Nome popular: Trapoeraba, Marianinha Nome científico: Commelina Diffusa L. Nome iorubá: Gòdògbódò Orixás: Iemanjá Segundo PEREIRA (2014,p. 237) “Também conhecida como Trapoeraba-azul –Planta consagrada a Yemanjá. Utilizada nas obrigações de cabeça, nos abo e nos banhos de limpeza e purificação.Também usada como axé integrante dos assentamentos do orixá” Trevo de 3 folhas verde - amarela Nome popular: Azedinha, pé-de-pombo, trevo, trevo-azedo, três-corações Nome científico: Oxalis corniculata L. Nome iorubá: Ewé imurin etawá Orixás: Ossanha O trevo amarelo é muito comum de ser encontrado em campos espalhados por todo o Rio Grande do Sul, florindo os campos onde ele é encontrado. “O trevo de 3 folhas é o símbolo da Irlanda. Dizem que St. Patrick, patrono da Irlanda, usou o trevo shamrock (de 3 folhas) para explicar o mistério da Santíssima Trindade, pelo fato de suas folhas serem divididas em três e presas a um único caule, assim como Deus é uma entidade com três Pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e convenceu os reis celtas a se converterem ao catolicismo. Desde então, a Irlanda adotou o trevo como símbolo nacional e símbolo de sorte.” (NÔ FIGUEIREDO, 2017) “Espécie herbácea perene que se desenvolve em todo o Brasil, vegetando em áreas cultivadas. Ocorre com frequência em áreas olerícolas, a exemplo do cultivo da cebola. Instala-se também em pomares de laranja e nos cultivos de uva. Apresenta caule prostrado muito ramificado, cujos ramos podem se desenvolver sob ou sobre o solo na forma de estolão, normalmente possuem coloração avermelhada. Folhas alternadas com longos pecíolos de coloração verde ou avermelhada, e providas de estípulas reduzidíssimas. Limbo recortado em 3 segmentos, simulando folha composta. Cada segmento possui o ápice emarginado acompanhado de uma linha, que permite o recolhimento ou dobramento. Flores axilares, isoladas ou em fascículos constituídos por até 5 flores. Flores com longo pedúnculo dividido em 2 artículos, aparecendo no ápice do primeiro artículo 2 brácteas em forma de cornículo ou chifre. Cálice com 5 sépalas soldadas na base, corola com 5 pétalas de coloração amarela que protegem o androceu, com os estames de tamanhos diferentes, e o gineceu, com 5 carpelos soldados. Fruto seco do tipo cápsula, angulosa e elástica. A pl (anta pode ser reconhecida em campo pela observação dos pedúnculos florais, que se apresentam articulados e providos de 2 cornículos. Propaga-se por meio de sementes e fragmentação do caule estolonífero” (MOREIRA, p. 629, 2011). Em geral todos os tipos de trevos embelezam diversos campos, se destacando de longe com belas florações. Trevo de 3 folhas verde – flor rosa Nome popular: Azedinha, trevo, trevo-azedo, três-corações, trevo rosa, trevo 3 folhas, trevo amarelo Nome científico: Oxalis debilis Kunth Nome iorubá: Ewé imurin etawá Orixás: Ossanha Esse tipo de trevo assim como várias outras espécies são consideradas invasoras, sendo encontrados com muita facilidade em diversos espaços mesmo sem serem plantados, por isso para alguns é uma planta que atrapalha o desenvolvimento de muitas outras. “Espécie herbácea perene que se desenvolve nas Regiões Nordeste, Sudeste, Sul e no Estado do Pará. Vegeta em áreas ocupadas com olericultura, a exemplo do cultivo da cebola, entre outros, e ainda em áreas destinadas à fruticultura, a exemplo da uva. Fornece pólen para abelhas. Citada em outras obras com o nome de O. corymbosa. Apresenta caule subterrâneo do tipo bulbo, capaz de originar bulbilhos, e ainda forma estolões que crescem paralelos ao solo, enraízam e formam outras plantas. Folhas longo-pecioladas, pecíolo verde-claro encimado por um limbo recortado profundamente em 3 lobos largo-cordiformes, com ápice emarginado ou reentrante. Inflorescência em escapos separados, mais altos que a folhagem e do tipo corimbo, caracterizado por apresentar numerosas flores cujos pedúnculos possuem tamanhos diferentes, mas as flores alcançam a mesma altura. Flores pedunculadas, cálice com 5 sépalas verdes, corola com 5 pétalas formando um tubo róseo ou similar, as quais protegem o androceu e o gineceu. Fruto do tipo cápsula. Pode ser diferenciada das outras espécies pela morfologia da folha e coloração das flores. Propagação por meio de sementes, por bulbilhos e por fragmentação do estolão” (MOREIRA, p. 730. 2011) Trevo de 3 folhas verde cortada – flor rosa Nome popular: Azedinha, azedinha-de-folha-cortada, trevo, trevo-azedo. Nome científico: Oxalis latifólia Kunth Nome iorubá: Ewé imurin etawá Orixás: Ossanha Este é o trevo mais comum de ser encontrado de forma espontânea em vasos e jardins espalhados em diversas regiões. “Espécie herbácea perene que se desenvolve em todo o País, vegetando em áreas olerícolas, a exemplo da beterraba, cebola, cenoura e folhosas. Infestante da cultura de tomate paraprocessamento, provocando a redução na produção. Instala-se também em áreas ocupadas com fruticultura, especialmente no cultivo da uva. Planta apícola. Apresenta caule subterrâneo do tipo bulbo escamoso, capaz de originar folhas e estolões, os quais contribuem na ampliação da população, pois estes têm a função de originar novos bulbos em suas extremidades. Folhas com longo pecíolo, geralmente de coloração avermelhada, encimado pelo limbo recortado em 3 segmentos largos, simulando folha composta. Cada segmento apresenta-se verde ou com máculas avermelhadas, e com o ápice emarginado acompanhado de uma linha, que permite o recolhimento ou dobramento. Inflorescência do tipo pleiocásio, caracterizada por apresentar um longo eixo, originado a partir do bulbo, em cujo ápice assentam-se numerosas flores pedunculadas e que se abrem do centro para a periferia, simulando uma inflorescência do tipo umbela invertida. Flores róseas, pedunculadas, cálice com 5 sépalas soldadas, corola com tubo esverdeado e 5 pétalas de ápice obtuso. Fruto seco do tipo cápsula. Esta espécie assemelha-se muito com O. debilis. Podem ser diferenciadas pela morfologia da folha, que se apresenta com os segmentos trígonos e emarginados em O. latifolia, enquanto em O. debilis os segmentos são quase orbiculares, com o ápice cordiforme. Propagação por sementes e mais facilitada por meio de bulbos” (MOREIRA, p 637, 2011) Trevo 3 folhas roxo Nome popular: Trevo de 3 folhas roxo Nome científico: Oxalis triangularis atropurpurea Nome iorubá: Ewé imurin etawá Orixás: Oya “O trevo roxo necessita de substrato com muita matéria orgânica (plantas bulbosas preferem esterco de galinha) e de ser regado constantemente. Tolera bem o sol pleno após seu completo -desenvolvimento. Para que mantenham o viço e as floradas, quando uma folha ou conjunto delas secar, devem ser cortadas com um instrumento com corte afiado e esterilizado. Assim como boa parte das herbáceas que se reproduzem por bulbos, o trevo roxo entra em um período de dormência, geralmente no Inverno. Quando vir o trevo roxo perder todas as folhas, interrompa a rega e espere a nova brotação” (JARDINAGEM E PAISAGISMO, 2020). O trevo roxo de 3 folhas costuma aparecer de forma espontânea em diversos jardins, conhecido por muitos como azedinha ou simplesmente trevo roxo, é bem popular e reconhecido por muitos que observam seus jardins e campos. Trevo 4 folhas verde Nome popular: Trevo da sorte, trevo de 4 folhas Nome científico: Trifolium sp. Nome iorubá: Ewé imurin etawá Orixás: Ossanha e Oxum O trevo de quatro folhas verde, ou apenas trevo de quatro folhas é bastante incomum de se encontrar de forma livre na natureza pois é uma mutação genética que ocorre na planta, muito popular e considerado por muitos como símbolo de boa sorte. O conhecimento popular indica carregar na carteira uma folha seca para atrair dinheiro, e os candomblés indicam lavar o jogo de búzios com estas folhas. “Mas, em raras ocasiões, aparece um de quatro, provavelmente por causa de uma mutação genética. Pouco se sabe sobre essa anomalia. É que a ciência ainda não conseguiu localizar o gene responsável pelos olíolos extras (pode haver mais de quatro, inclusive). O que já se descobriu é que o clima influencia. Quando a temperatura sobe, no verão, o trevo de quatro folhas é mais comum” (TREVISAN, 2018). O trevo de quatro folhas é utilizado principalmente em axés para prosperidade. Trevo de 4 folhas roxo Nome popular: Trevo de quatro folhas, cruz de ferro, trevo da sorte Nome científico: Oxalis tetraphylla Nome iorubá: Ewé odu lará Orixás: Xangô O trevo de quatro folhas roxo é conhecido como a folha do dia feliz, considerada uma folha que carrega alegrias e muita sorte, em alguns candomblés essa folha é utilizada em ritos para lavagem do jogo de búzios. Este tipo de trevo apresenta dificuldade de adaptação em muitos lugares. Urtiga Nome popular: Urtiga, urtigão, ortiga, urtiga-maior Nome científico: Urtica dioica L. Nome iorubá: Ewé kanan Orixás: Bará Lodê A urtiga é uma folha que em contato com a pele gera queimação, devido a presença de ácido fórmico. Existem diversos tipos de urtigas, que brotam de forma espontânea em diversos terrenos espalhados. A urtiga é conhecida a muito tempo e é muito utilizada em diversos fins, variados de acordo com a localidade. “A urtiga foi usada antigamente como planta têxtil. Com suas fibras se fabricavam tecidos finos e grosseiros e cordas. Estas fibras são consideradas de ótima qualidade e comparadas ao melhor algodão egípcio. Por estranho que pareça, a urtiga é também uma planta comestível. Com o calor a substância urticante perde suas propriedades, de maneira que pode ser consumida tranqüilamente. Por isso se encontram nos livros receitas de sopa de urtiga, salada e mesmo vinho e cerveja de urtiga. Era usada também para coalhar o leite, do qual resultava um queijo apreciado.” (STEFFEN, S.J. p. 73, 201). Árvores sagradas “Quando as substituições foram feitas, os africanos mantiveram os nomes iorubános nas plantas substituídas. [...] Os critérios balizadores, que serviram para efetivar as substituições das plantas africanas não encontradas no Brasil, foram, ou parecem ter sido, principalmente, as semelhanças morfológicas entre as folhas, as dimensões do caule e a morfologia das flores e frutos” (VASCONCELOS, p. 49, 2006). “Nas religiões de matriz africana as árvores podem ser sagradas e podem ser consagradas a uma divindade, entendendo a consagração como um processo pelo qual uma força sobrenatural é transladada, ‘este ganha personalidade, adquiri i poder, o axé de deus ou do espírito que ele se fixa” (CARVALHO, 2012, P. 146 APUD CABRERA, 2004, P. 155) alar em árvores sagradas pode parecer ambíguo, pois todas as árvores são sagradas, todas são a emanação da natureza, da força do orixá que ali habita, mas existem árvores que são mais especiais, estão ligadas diretamente a feitos e histórias dos orixás, em tempos imemoráveis, que assim fazem com que a energia do orixá esteja ainda mais presente, são árvores que são orixás vivos na Terra, “As árvores sagradas parecem possuir uma deferência no que diz respeito aos demais elementos materiais que são alvo de culto no Candomblé⁷ . As práticas de preservação destinadas a elas também apresentam características singulares. A poda dos seus galhos requer um preparo ritual, sendo efetuada apenas quando necessário, e quem a executa deve estar com o “corpo purificado”. Antes da poda, são feitas, F aos pés da árvore, oferendas à divindade à qual a árvore é consagrada, o seu tronco é cingido com um pano branco, como um pedido de indulgência à divindade, e a poda dos galhos é realizada de forma respeitosa e sob a supervisão do sacerdote do Terreiro”. (MATOS, p. 213, 2017) A Baobá e sua importância ancestral⁷⁷ Figura 1 – Baobá do poeta - Natal /RN “o Baobá é a continuidade do elo ancestral africano, ainda que recriado em terras canárias. É ancestralidade em forma de árvore, mas não de uma árvore qualquer. O Baobá apresenta uma enorme imponência, advinda de suas características singulares e tão abundantes, em termos de água, alimentos, medicinas, artefatos, sombra, resistência, tamanho, longevidade e muitas outras. O Baobá faz o elo entre ancestralidade africana, natureza e cultura” (MACHADO, p. 258, 2016) A árvore de Baobá é mais que apenas uma árvore, pois cada uma é única, é repleta de histórias, de aprendizados e muita cultura popular. Os grandes Baobás africanos foram testemunhas da escravidão, já que os escravos antes de forem escravizados faziam voltas em torno dos grandes baobás com a promessa de esquecerem toda a sua vida, e assim iniciarem uma vida nova, e não retornarem (o que nunca ocorreu), deveriam fazer a volta no outro sentido, para que as memórias retornassem, por isso os Baobás também ficaram conhecidos como árvores do esquecimento. Os Baobás foram testemunhas de todo sofrimento negro, as suas aflições e os seus melhores sentimentos de bem-estar, pois nas comunidades africanas é muitocomum a população se reunir embaixo dos grandes Baobás para fazerem rodas de conversa, brincadeiras e tantas outras atividades realizadas. Reverenciar os Baobás é reviver a história africana, é relembrar nossa ancestralidade negra e valorizar todo conhecimento dos que antes de nós estiveram, assim os Baobás são ancestrais vivos, que nos fazem lembrar o passado em nosso presente. Nas fotos abaixo visitação no Baobá do Poeta, localizado na cidade de Natal, para alguns a árvore que teria inspirado o escritor Antoine de Saint-Exupéry, a escrever o livro o Pequeno Príncipe, a árvore está localizada em uma avenida movimentada na capital potiguar, possui aproximadamente 19 metros de altura e 6 metros de diâmetro. Ao visitar o local a energia sentida é única, sente-se a presença viva de ancestrais, de homens negros que sofreram ao chegar, para viverem aqui e para pensar em todas as memórias que o antigo Baobá carrega consigo. Figura 2 - Baobá do poeta - RN (vista parcial do tronco) Figura 3 - Fruto da Baobá do poeta - RN Figura 4 - Pai Alexandre - Baobá do poeta - RN Figura 5 - Pai Ronie - Baobá do poeta - RN Baobá: a árvore da vida⁷⁸ O Baobá é uma árvore de origem africana, conhecida como árvore da vida, pois considerada uma árvore que remota o tempo imemoriável, já que pode chegar até seis mil anos de idade, atingir mais de 40 metros de altura e até mesmo 40 metros de circunferência dependendo da espécie, já que existem diversas espécies de Baobás. A Baobá também é uma árvore ligada a toda cultura ancestral africana, testemunha de todos os que passaram e de todas as lutas e desafios do povo negro pela sua sobrevivência. Os Baobás desta forma são símbolo da identidade negra, que possui na ancestralidade a força para seguir em frente, na época da escravidão os mercadores de escravos para tentarem minimizar o negro faziam dentre muitas outras formas de agressão darem voltas em torno de Baobás, para que deixassem ali suas memórias, suas histórias, para deixarem suas vidas. As raízes do Baobá representavam os ancestrais da comunidade, os quais, como as raízes da árvore, também estavam firmes na terra e em suas origens continuavam participando da vida do grupo, auxiliando-os em importantes decisões e um dia reencarnariam para retornarem ao seu clã. O tronco eram as crianças em crescimento, indo em direção ao ápice de suas vidas. Galhos e folhas significavam o amadurecimento, e as folhas, ao caírem, retornando ao solo para alimentar as raízes, davam continuidade ao ciclo. Na África existem exemplares de Baobás mais antigos utilizados até mesmo como moradia, já que muitos troncos se abrem, podem conter dezenas de pessoas confortavelmente distribuídas dentro. São árvores consideradas sagradas e representam a ligação do mundo físico com o mundo ancestral. As fotos presentes nesta página foram realizadas por Pai Alexandre e Pai Ronie no Baobá que está plantada na Praça da República, na cidade de Recife, no último dia 30 de janeiro, na ocasião foi recolhida uma flor da Baobá deste exemplar, que estava caído, que assim foi trazido ao Ilê Orixá que após ser jogado será definido o destino da flor. Figura 6 - Baobá - Praça da República - Recife /PE Figura 7 - Baobá - Praça da República - Recife /PE Figura 8 - Flor da Baobá - Praça da República - Recife / PE Dendezeiro⁷ Ogún ko l’aso, màrìwò l’aso ogún o! (Ogum não tem roupa, màrìwò é a roupa de Ogum) Figura 9 - Muda de dendezeiro plantada no Ilê Orixá O dendezeiro é uma planta sagrada dentro da cultura iorubá, segundo alguns mitos foi a primeira planta a ser plantada no aye. O dendezeiro é todo utilizado, nada é desperdiçado, suas folhas desfiadas são utilizadas para Ogum, e de seus frutos se extrai o óleo avermelhado que se utiliza nos rituais religiosos, e na África, em alguns cultos para Oxalá se produz um óleo branco, especialmente produzido para estes fins. São muitas as relações entre os Orixás e o dendezeiro, segundo SANTOS (2008, p.77) “foi com o òpásóró que ele [Oxalá] furou o igi-òpe – a palmeira – e bebeu a sua seiva. Foi essa ação, violação de uma das suas proibições mais graves, que o deixou sem forças, impotente. O mito diz que foi ‘como se ele bebesse seu próprio sangue’, indicando assim que Obàtálà é parente consanguíneo da palmeira”. Para alguns babalorixás antigos, verdadeiramente Oxalá prefere azeite de dendê, mas não pode consumir, devido ao mito. SANTOS (2008, p.92-93) coloca muito bem a relação de Ogum com o dendezeiro “as vezes seu ‘assento’ [Ogum] é plantado ao pé de um igi-òpe, cujos troncos simbolizam a matéria individualizada dos òrìsà-funfun, e particularmente de Òsàlá. Vimos que as folhas brotadas sobre os ramos os troncos simbolizam descendentes. As palmas recém-nascidas do igi-òpe, chamados màrìwò constituem a representação mais importante de Ògun”. LOPES (2005, p. 116) destaca que: “Ogum banhou-se em um rio próximo, trocou as vestes de pele, por um saiote de folhas de dendezeiro, mudou-se de Ifé para um lugar chamado Irê”. No batuque do Rio Grande do Sul o óleo do dendezeiro está presente nos mais diversos axés para os orixás, não tendo-se condições de se pensar um terreiro sem o seu uso diário na liturgia, o dendê é citado por SANTOS (2008, p. 41) um tipo de axé, de sangue vermelho originado do reino vegetal. Obi⁸ O Obi é um fruto sagrado, consagrado aos orixás, conhecido como um fruto de boa sorte, que carrega todos os desejos das divindades Paz, prosperidade, Concórdia e Aiyé, essa última a única feminina, é o fruto que carrega todos os melhores desejos, fruto criado por Olodumare a partir das orações destas divindades. Conta o mito que o Obi é um fruto que somente se desenvolve nas casas onde existe o respeito aos ancestrais e aos mais velhos, pois foi uma divindade mais velha, Elénìnìí, da casa de Olodumare que conseguiu descobrir de que forma deveria este fruto ser consumido. A Obi é uma das árvores sagradas africanas, de grande importância para todo o culto afro e que estar presente em todos os Ilês espalhados, pois é uma forma de trazer estes desejos todos de realização para o espaço físico, e em consequência para todos os seus frequentadores, como muitas vezes já foi dito não existe culto ao orixá sem folha, pois o orixá vive em cada folha que vive e que também que cai na natureza. O seu fruto é consagrado ao orixá Tempo⁸¹ na Fortaleza Ilê Orixá, orixá não cultuado no axé, e pouco conhecido, responsável por regular as estações do ano, a movimentação do nosso tempo, do tempo do orixá, do tempo das pessoas. Figura 10 – Obi Ofò Má bi mi s'orun, obi bi mi s'aiye, obi ti a fi njà.. Tradução: não me empurre para o céu, obi, empurre-me para a terra, obi, não me empurre para o céu, eu quero lutar com sucesso Considerações finais “trago os saberes das matas nas folhas de Ossaim, através das mãos das senhoras que ainda hoje mesmo com a medicina moderna” (SANTOS, 2016, p. 2) studar as folhas utilizadas dentro da matriz africana, é reconstruir grande parte de nossa ancestralidade, é agregar novos conceitos e também resgatar conceitos que foram perdidos, é permitir que no futuro seja a base para o estudo de outras plantas dentro e também fora do axé, pois todos os dias estamos em constante aprendizado. É sem dúvida também a preservação do conhecimento produzido dentro do axé, o que além de padronizar o uso de cada planta em cada rito ainda faz com que estas sejam preservadas já que todas elas possuem sua importância na ritualística e cada um deve tentar sempre conhecer e identificar pelo menos as ervas de maior uso e mais comumente utilizadas dentro dos ritos. E com este estudo todos os iniciados passam a ter um trabalho dedicado ao estudo das plantas ritualísticas dentro do batuque, com ênfase à Fortaleza Ilê Orixá, que busca manter registro de todas as atividades e ritos realizados, pois manter a história é importante e sempre necessário para um povo que deseja ser lembrado. E o Ilê Orixá como uma comunidade tradicional de terreiro visualiza na natureza a própria força doorixá manifestada em cada uma das folhas, e que pode ser sentida em todos os espaços sagrados. O estudo das folhas sagradas nunca se pode dar por concluso, pois sempre existe mais o que aprender, a descobrir e compreender do que já se disse e se fez, mas cada nova folha é sempre um novo livro que se abre, de possibilidades, de conhecimento e principalmente de oportunidades do que fazer. E Assim, todos os iniciados precisam buscar formas de se aprofundar a cada dia mais, pois é preciso que todos saiam da escuridão do conhecimento sobre as ervas que são utilizadas nos ritos, pois todas elas importantes e necessárias, mas é preciso querer aprender, é preciso plantar, cultivar e então saber fazer o seu uso de acordo com a necessidade. Bibliografia ALMEIDA, Mara Zélia de. Plantas medicinais - 3. ed. - Salvador: EDUFBA, 2011. ALMEIDA, MZ. A Cura do corpo e da alma. In: Plantas Medicinais [online]. 3rd ed. Salvador: EDUFBA, 2011, pp. 68-143. ALVES, KENNERI CEZARINI HERNANDES. ETNOBOTÂNICA DE PLANTAS RITUALÍSTICAS NA PRÁTICA RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA EM ITUIUTABA, MG. Projeto apresentado ao Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Uberlândia, para aprovação no componente curricular Trabalho de Conclusão de Curso. Ituiutaba - MG 2019 AKÒKO a folha do reconhecimento. Disponível por http://gunfaremim.com/?p=151 em 18 mar 2013. 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As soluções para os problemas em geral e os diagnósticos das doenças, são indicados principalmente pelos oráculos, como por exemplo, o jogo de Ifá ou de búzios. Acredita-se que consultando os jogos divinatórios obtêm-se os conselhos do grande mestre Orunmila. A missão de Orunmila na terra usando de sua mais alta autoridade e sapiência, é revelar conhecimentos e conceder alguns pequenos poderes aos homens. A medicina vegetal é vista como um dom divino. Quem segue e conhece os seus ensinamentos poderá curar com plantas e palavras rituais os homens e mulheres doentes que chegarem ao seu caminho. De acordo com a lenda, Ossanyin e Orunmila eram filhos dos mesmos pais. Entretanto, uma guerra os separou e foram criados sem se conhecerem. Muitos anos depois, Ossanyin foi enviado para abrir as matas e arar a terra para o homem aprender a cultivar. Ele não pôde recusar essa missão porque nesse tempo era o único homem que poderia ter a capacidade de identificar a existência e a importância das plantas medicinais e outras ervas encantadas indicadas por Orunmila. Sendo assim, enquanto Ossanyin se especializou em plantas, Orunmila, através do jogo de Ifá, indicava os diagnósticos e a origem dos sintomas. Orunmila e Ossanyin, segundo as tradições, foram os primeiros a conhecerem e curarem as pessoas com plantas medicinais nas terras Yorubá. Acredita-se que seus seguidores divulgaram as maravilhas das ervas e dos tratamentos medicinais tradicionais pelo mundo afora, de geração em geração” (ALMEIDA, 2011, P. 47). Sem dúvida ainda existe muito para aprender, muito para descobrir e, também compreender, mas este é sem dúvida um passo importante para a construção de uma maior valorização deste conhecimento que muito se perdeu e todos os dias ainda se perde já que falta interesse de muitos em aprender. “Aprendi com o meu pai que uma folha pode tanto aproximar um orixá, quanto afastar. A folha que cura também pode machucar. As melhores respostas para as nossas perguntas serão dadas através da nossa dedicação e vivência com o sagrado. A partir de pessoas sérias que saberão nos conduzir para esse mistério maravilhoso que é o orixá.” (GUNFAREMIM, 2011). O conhecimento nunca está pronto e sempre existe mais o que acrescentar, mais o que aprender e mais o que experimentar de novo, pois somente possuímos condições de crescer quando se aceita que o conhecimento sempre pode ser melhor interpretado, compreendido e utilizado. A acácia africana é o nome dado a um grupo de centenas de diferentes árvores e arbustos que crescem em áreas quentes, principalmente na África O encantamento das folhas Iwa re lo nse e Bi o ba ya, wa ni won o feran e¹ Teu comportamento te joga pra lá e pra cá depois você reclama que não é amado m dos pressupostos para que o axé de cada folha seja transmitido de forma plena é sem dúvida a fala¹¹, pois a fala é um tipo de axé, mas não basta falar, é preciso saber falar, saber pedir, saber agradecer, também respeitar a folha que está sendo utilizada, pois toda folha é sagrada e possui vida. E como toda folha possui vida e é dotada de axé deve sempre se evitar o corte desnecessário, pois ao cortar reduzimos axé do local, prejudicamos a natureza, reduzimos também o habitat de animais e outras plantas que necessitam das que estamos destruindo, e é sempre necessário lembrar que ao destruir a natureza estamos destruindo a energia do orixá que ali habita. “Ossayin detém o ofó, a palavra que desperta o poder das folhas. Ossayin detém o conhecimento. Uma erva só pode curar se houver um saber constituído e fundamentado em torno de suas potencialidades. Baden e Vinícius não rasparam o fundo da panela, não tinham olhos pra ver a grandiosidade desse orixá indispensável ao culto. “Coitado do homem que cai no canto de Ossanha traidor, coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor.” Pobre de quem não entende que a sabedoria dos povos africanos pode contribuir decisivamente para uma nova relação com a saúde e os processos de cura. Uma vida reintegrada à natureza transforma e salva” (RODNEY, 2019). Assim é necessário utilizar as folhas para a ritualística, mas também é sempre necessário que estas folhas sejam com frequência replantadas para permitir que exista sempre um ciclo de uso e de preservação das espécies. U WOLF (2016) lembra a importância da individualidade de cada planta para que o axé dela seja significado, para que seja plenamente utilizado: “Eu acredito que a magia começa quando acordamos cedo para colher ervas sagradas, alimentamos estas ervas e cantamos para as folhas que iremos trabalhar, momentos mágicos que transportam o DNA das divindades que iremos invocar, não esquecendo que os òrìsà que invocamos, cada um tem o seu àse em folha e devemos louvar cada um, por isso não basta apenas cantar para Ossanhe, mas lembrar de cantar para as divindades de cada folha colhida”. Já dizia Mãe Stella de Oxóssi¹² “O universo fala, as folhas falam, canta para quem canta para encantá-las, quanto para as pessoas que conversam com elas ou simplesmente lhes dão um bom dia a cada dia que amanhece. As folhas, ou melhor, as plantas são seres vivos, como é vivo todo o universo”, mas é necessário paciência e calma para conseguir visualizar a beleza de cada folha e assim poder perceber que ser de religião de matriz africana implica ser sempre um protetor da natureza, já que não existe culto ao orixá sem culto a própria natureza. É claro que não é preciso ser iniciado para respeitar a natureza, e existem muitas pessoas não iniciadas que nada entendem de cantar para as folhas, nada sabem sobre ofós¹³, mas conversam com suas plantas, cuidam delas, as respeitam e para estas pessoas mesmo não sendo iniciadas, recebem a energia da natureza, a energia do orixá, pois existe carinho e cuidado. “Canta-se para colher as folhas sagradas no mato, folhas tão essenciais para a manipulação mágica do axé, a força sagrada da vida, e para cada folha há uma cantiga específica” (NOGUEIRA, 2008, p. 32). “Para que as folhas funcionem, é preciso encantá-las com palavras. É um pouco como o que preciso fazer aqui. Botar encantamentos nesta folha para que você fique até o fim, ou não se vá tão cedo. No candomblé, o ritual começa ainda na colheita. Quem tiver de entrar na mata tem que saber a hora exata de retirar cada folha. Umas no nascer do dia, outras no cair da noite, umas na lua nova, outras na cheia, reparando ainda no dia certo da semana. Ao adentrar o reino de Ossain, irá cantar, ao preparar as folhas irá dizer do jeito certo as palavras certas, e é assim que o sagrado se faz, que os mundos se comunicam, para que haja amparo, para que haja força, para que haja amor” (MENDONÇA, 2018). “Se para a medicina ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e suas características farmacológicas é o principal, para os Yorùbá o conhecimento dos ofò, encantações pronunciadas no momento da preparação das receitas e transmitidas oralmente, é o que é essencial. Neles encontramos a definição da ação esperada de cada uma das plantas que entram na receita” (VERGER, 1995). Ainda sobre a forma correta de colher cada folha COSSARD (2007 p. 44) nos lembra que “cada folha possui uma virtude especial, e, para colhê-las, ao raiar do dia, é preciso estar com o corpo limpo” e que “antes de entrar no mato é preciso pedir licença, oferecer-lhe água, fumo de rolo e moedas [para Ossanha]”. Podemos ainda ampliar isso dizendo simplesmente que é preciso retribuir o que se retira da natureza, com a entrega de sementes ou ainda novas mudas, que irão se misturarem com as já existentes, mantendo dessa forma a mata sagrada e a preservação da floresta de Ossanha. E toda folha possui o seu encantamento próprio, que a diferencia das demais, e faz desta forma com que ela liberte todos os seus poderes mágicos a tornando assim um remédio para a cura de diversos problemas. A folha sem o seu devido encantamento é uma folha desprovida de grande parte de seu axé, como um remédio correto para uma doença, masAs ervas e plantas no terreiro de Pai Maneco. Orientadora: Lucília Guimarães – Mãe Lucília de Iemanjá. Coordenador Laércio Ricardo Mattana Carollo Disponível por https://www.paimaneco.org.br/sitenovo/wp-content/uploads/2018/04/ERVAS- TERREIRO-PAI-MANECO.pdf Acesso 05 mai 2021 GUNFAREMIM. Jonatas José Silva. Barba de velho - Ewé Irùngbòn (Tillandsia usneoides). Disponível por https://gunfaremim.com/?p=120, publicado em 14 fev 2010. Acesso 12 nov 2020 ________________ Ewé Dan- Jibóia (Epipremnum pinnatum) . Disponível por http://gunfaremim.com/?p=887 publicado 29 jan 2012 Acesso 13 jun 2021 ________________ Folhas e transe. http://gunfaremim.com/?p=673 publicado 19 jul 2011 Acesso 13 jun 2021 HARAGUCHI, Linete Maria Menzenga. Plantas Medicinais: do curso de plantas medicinais / Coord. Haraguchi, Linete Maria Menzenga e Carvalho, Oswaldo Barretto de. São Paulo: SYecretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. 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RITUAIS DO COTIDIANO E OS BRILHOS DAS FESTAS. 9 set 2016 Disponível por https://iledeobokum.blogspot.com/search?q=folha Lista Figura 1 – Baobá do poeta - Natal /RN Figura 2 - Baobá do poeta - RN (vista parcial do tronco) Figura 3 - Fruto da Baobá do poeta - RN Figura 4 - Pai Alexandre - Baobá do poeta - RN Figura 5 - Pai Ronie - Baobá do poeta - RN Figura 6 - Baobá - Praça da República - Recife /PE Figura 7 - Baobá - Praça da República - Recife /PE Figura 8 - Flor da Baobá - Praça da República - Recife / PE Figura 9 - Muda de dendezeiro plantada no Ilê Orixá Figura 10 - Obi Índice remissivo⁸² Clidemia hirta Ball Ewé inón Cordyline terminalis Dracaena fragrans (L.) Pèrègún Kò Dracaena fragrans (L.):Pèrègún Kò Eriobotrya japonica Ewé Àgbàlùmó olomóe Kalanchoe laetivirens Desc: Oxytenanthera Abyssinica (A. Rich.) Munro. Ewé pàkó Pyrus communis L.: Ricinus communis L . Ewé lárà pupa Trifolium sp. Ewé imurin etawá A Admirabilis peruana Nieuwl. Èkelèyí Alpinia speciosa K. Schum Tótó Alpinia zerumbet (Pers.) B. L. Burtt. & R. M. Sm.. Tótó Artemisia absinthium L. Astyanax B Baccharis trimera Ewé gbúre òsun Ewé kànérí Bambusa Vulgaris Apákò Bauhinia purpurea L. Abàfé Bignoniaceae. Ewé Akòko Brugmansia suaveolens Àgogó Àgogò Bryophyllum pinnatum Àbámodá, erú òdúndún, kantíkantí e kóropòn C Casearia Sylvestris Sw Ewé alélèsi Cinnamomum zeylanicum Blume Ewé Téemi Citrus limettioides Tanaka Ewé osàn-oiynbó Citrus reticulata Coleus barbatus Benth Ewé Bàbá e Ewúro Bàbá Colocasia esculenta (L.) Schott Ewé Ábajé Commelina Diffusa L. Gòdògbódò Costus spicatus Sw, zingiberacege Ewé Tètèrègún Croton glandulosus Cymbopogon citratus (DC) Stapf Korikó oba Cyperus rotundus Làbelàbe D Dieffenbachia picta(Lodd.) Schott.\ Womobú Funfun Dracaena fragrans (L.) Ewé pèrègún E Epipremnum pinnatum Ewé Dan Eugenia uniflora Ewé Itá F Ficus carica L Èso òpòtó Foeniculum vulgare G Gardenia jasminoides J Ellis Ewé Itété H Hedychium coronarium Ewé Balabá Helichrysum italicum I Ipomoea batatas L. Ewé Kúkúndùnkú J Jalapa dichotoma (L.) Èkelèyí Èkelèyí Justicia gendarussa Burm f. (Acanthaceae) Ewé Lorogún K Kalanchoe brasiliensis Õdúndún Kalanchoe crenata Õdúndún Kalanchoe pinnata Ker Gawl Ker Gawl Ker Gawl Pèrègún funfun Kunth Rinrin L Labiatae Efínfín nlá Lavandula angustifólia Ewé àrùsò Leguminosae-caesalpinioidea Abàfé Lippia triphylla Kuntze M Malpighia emarginata , Malpighia emarginata , Malpighia emarginata , Malpighia emarginata Malva sylvestris , Malva sylvestris Mangifera indica L. Òró òyínbó Melissa officinalis L. Mella azedarach L Igí mésàn Mentha citrata L. Eré tuntún Mentha pulegium Olátorijé Mentha spicata Miconia albicans (Sw.) Trin. Ewé etan Ibá Mirabilis dichotoma L. Èkelèyí Mirabilis jalapa L. Èkelèyí Mirabilis odorata L. Èkelèyí Monstera deliciosa Liemb Eegun ìha Moraceae Èso òpòtó Morus alba L. Ewé Isan Ewé Isan Musa paradisiaca L Ògèdè e Ewé Ekó Myroxylonperuiferum L.f. Ejirín N Newbouldia laevis Seem Ewé Akòko Nyctago mirabilis D.C ÈkelèyíNyctago mirabilis D.C:Èkelèyí O Ocimum basilicum L Efínrín kékéré Ocimum basilicum purpureum Hort. Efínrín pupa Ocimum Gratissimum L Efínfín nlá Ocimum minimum L., Labiatae Efínrín kékéré Origanum majorana L. Oxalis corniculata L. Ewé imurin etawá Oxalis debilis Kunth Ewé imurin etawá Oxalis latifólia Kunth Ewé imurin etawáOxalis latifólia Kunth:Ewé imurin etawá Oxalis tetraphylla Ewé odu lará Oxalis triangularis atropurpurea Ewé imurin etawá P Peperomia pellucida (L.) Rinrin Peperomia pellucida Rínrín Petiveria alliaceae L Ewé Ojúúsàjú Petroselinum crispum Pilea microphylla Ewé mimolé Piperaceae Rinrin Plantago major L. Ewé òpá Plectranthus forsteri Plectranthus nummularius Plectranthus ornatus Codd Polygonum acre, Polygonum Ewé eró igbin Psidium araça Raddi Ewé GúrófáPsidium araça Raddi: Ewé Gúrófá Psidium cattleyanum Sabine Ewé Gúrófá Psidium guajava gúáfà, gúróbà e Ewé gúrófà Gúáfà Punica granatum L Àgbá R Ricinus communis L Ewé lárà funfun Rosmarinus officinalis Ewéré Rubiaceae Ewé Itété Rubus brasiliensis Mart Ewé Isan Ruta graveolens L Ewé atopa, Atopá Kun S Salvia officinalis Ikiriwí Sansevieria trifascita Ewé idà òrìsà Schinus terebinthifolius Rad Ewé Àjóbi Pupá Sida rhombifolia Siparuna apiosyce Òrómbo alagbara Solanum mauritianum Scop. Ode ÁkosùnSolanum mauritianum Scop.: Ode Ákosùn Solanum paniculatum L. Igbá igún ou Igbá àjà Solanum paniculatum Igbá igún Igbá igún Stachys byzantina K.Koch Stachytarpheta cayennensis (Rach.) Vahl Ewé ìgbole, ìrù eku e pasalókê Ewé ìgbole, ìrù eku e pasalókê Ewé ìgbole, ìrù eku e pasalókê T Tetradenia riparia Tillandsia usneoides L Irùngbòn Tithonia diversifolia (Hemsl.) A. Gray Ewé owo Olodunmarè Tradescantia spathacea Sw. Ewé idà oyá ou Obé semi oyá Triumfetta Rhomboidea Jacq. ìlasa omodé U Urena Lobata L, Ìlasa Omodé Urtica dioica L. Ewé kanan V Var. appendiculatum Patiòba Vernonia condensata Ewé awuro [Vernonia condensata: Ewé awuro [ Ewé awuro X Xanthosoma atrovirens et Bouche. Patiòba Notes [←1] Vinicius de Moraes, Baden Powell. Pesquise esta canção e escute ela cantada. [←2] Importante escutar esta música, irá facilitar a sua compreensão. Pesquise no Youtube ou outro aplicativo de música. [←3] Aroni é um orixá relacionado aos segredos das plantas. Considerado parceiro de Ossanha na floresta, conhecedor de todos os segredos e poções mágicas. [←4] O mesmo que Ossanha. Orixá dono de todas as folhas, conhecedor de todos os segredos, considerado o médico entre os orixás. [←5] Os cânticos podem ser axés cantados, podem ser orikis, podem ser ofós ou adurás. Ler sobre encantamento das folhas. [←6] Aqui é preciso lembrar que orixá é muito mais que apenas cultivar uma planta. Não basta cuidar da natureza se não somos bons seres humanos com os outros, é preciso ter um bom caráter também, é preciso ser bom com animais, com outras pessoas e com tudo mais. [←7] Aquele que se basta não é ninguém. Porque não há quem se baste na solidão. Os que andam sozinhos costumam não conhecer o caminho que seguem. Por isso o destino é para eles incerto, confuso, e não é raro que se encontrem perdidos enquanto caminham a esmo. A solidão, assim, é triste, estéril e sem sentido. Aquele que se basta é ninguém, é preciso repetir. Porque não se alcança sucesso (Aseyori) sozinho. O sucesso é sempre um produto coletivo. Por mais que o esforço ou o talento pessoal sejam importantes para conquistar o que se deseja. Uma vida plena, aquela que consegue realizar o bom destino, necessita do sentido que só a certeza de estar acompanhado oferece. [←8] A Fortaleza Ilê Orixá Ogum Adiokô e Oya Tofã, ou simplesmente Fortaleza Ilê Orixá, é uma casa de axé fundada por Pai Ronie de Ogum e por Pai Alexandre de Oya, na cidade de Gravataí-RS, em 30/09/2011. Inicialmente chamada de Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã. [←9] As mães iorubanas gostam de usar este provérbio para demonstrar como é importante começar a orientar as crianças desde infância. [←10] Segundo RIBEIRO (2008 p. 16) Esse ensinamento enfatiza que, mesmo para ser amado e viver o amor, é preciso adotar atitudes e comportamentos apropriados. Sugerem a necessidade de revisão das próprias posturas e da própria participação nas diversas situações. Uma boa avaliação das próprias atitudes e comportamentos favorece a percepção da própria responsabilidade pelos sucessos e fracassos, o que poderá contribuir para uma mudança importante, pois não somos meras vítimas de condições existenciais. Pelo contrário, temos participação ativa em nossos sucessos e fracassos. [←11] Aqui é necessário lembrar que a fala sendo um tipo de axé devemos o tempo todo nos cuidar das palavras ditas, pois elas todas possuem força de realização. Assim, palavras ruins geram situações também ruins. [←12] Mãe Stella de Oxóssi foi iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá na cidade de Salvador,de entre os anos de 1976 e 2018. Foi reconhecida internacionalmente, escrita e membro da Academia de Letras da Bahia. [←13] Os ofós são os encantamentos utilizados para despertar a energia vital de cada folha. São palavras capazes de fazer a magia de cada folha acontecer. [←14] A pessoa digna continua com comportamento digno em qualquer situação. Não existe problema ou adversidade que possa fazer com que uma pessoa idônea altere sua maneira digna de viver. [←15] Iemanjá é um orixá que está ligado a maternidade ao cuidado com o ser humano. No Brasil está associada ao culto nas praias, onde costuma receber muitas oferendas. Extremamente popular. [←16] No axé da Fortaleza Ilê Orixá é sempre a própria pessoa que faz o seu banho, podendo ser iniciado ou não. Em obrigações geralmente o pai ou a mãe pode preparar o banho, podendo esta tarefa autorizada por ele(a) para algum filho fazer a maceração, mas nunca o banho sobre outro, nem mesmo pai ou mãe. [←17] Respeito é sempre importante e existem axés onde a orientação é não secar após o banho de ervas, e neste caso isso deve ser realizado. Na Fortaleza Ilê Orixá sempre é permitido se secar. [←18] A gente aprende a fazer uma boa parte das coisas fazendo. Obviamente, não gostamos de aprender as consequências de um erro errando. Nesse caso, é melhor observar a vida das pessoas para aprender o que pode ou não dar certo. No entanto, caso você erre, tudo bem. De um modo ou de outro, a gente aprende de verdade quando as consequências de uma escolha são sentidas na pele. Isso vale tanto para o que é bom quanto para aquilo que é ruim. [←19] Para todos os fins, aqui se chama filhos de casa aberto os filhos do axé da Fortaleza que possuem seus orixás nas suas casas. [←20] A maioria das casas de axé fazem uso de varas de marmelo como substituinte. Quando a casa foi fundada, em 2011, muitas foram as dificuldades e, algumas adaptações foram necessárias, sempre com autorização de búzios e dos orixás. Assim, a espada foi substituída e hoje é utilizada em todas as casas oriundas do axé. [←21] Ejé (axorô ou menga) palavra da língua iorubá usada no candomblé que significa literalmente sangue. Refere-se principalmente ao sangue retirado dos animais imolados para os Orixás. O ejé animal é apenas um dos tipos de "sangue" utilizados nos rituais das religiões afro-brasileiras. No batuque gaúcho a palavra mais usada é axorô. [←22] Ori, palavra da língua iorubá que significa literalmente cabeça, refere-se a uma intuição espiritual e destino. É aquele que guia, acompanha e ajuda a pessoa desde antes do nascimento, durante toda vida e após a morte, referenciando sua caminhada e a assistindo no cumprimento de seu destino. [←23] Ninguém é indispensável. Utilizamos este provérbio para orientar as pessoas que se acham "pão-de-ló da festa" e que desprezam os outros a perceberem que nem sempre a percepção delas e a mesma da do grupo que a cerca. [←24] Composição Luedji Luna, em seu álbum “Um corpo no mundo”,lançado em 2017 [←25] Na vida existem algumas pessoas que irão prosperar mesmo com a maldade de seus oponentes e a injustiça praticada contra elas. [←26] O criador faz a natureza de uma forma que todos, mesmo com sua disabilidade, tem como perceber o perigo ou/e beleza ao seu redor. Uma pessoa com sabedoria consegue enxergar ou sentir muitas coisas que os despreparados jamais verão ou sentirão. [←27] Gilberto Gil se une a Bem Gil e Gilsons em single, 'Refloresta', gravado para campanha do Instituto Terra. O Instituto Terra é fruto da iniciativa do casal Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado, que diante do cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda de gado adquirida da família de Sebastião Salgado – a exemplo das muitas outras unidades rurais localizadas na cidade mineira de Aimorés –, tomou uma decisão: devolver à natureza o que décadas de degradação ambiental destruiu. Pesquise o clipe, observe, escute. [←28] Refere-se à pessoa que se une a outra porque esta última desfruta de uma melhor posição e para obter vantagens. [←29] O atã é uma bebida servida nas festas após o início do toque para o orixá Ogum. É formado por 7 frutas e xarope de groselha. As frutas são todas muito bem cortadas, produzindo uma bebida. Servida aos orixás Ogum e Oya na dança do atã, ou aforiba. [←30] Observando os erros dos outros, se aprende a não errar. [←31] A ajuda mútua é fundamental para ambas as partes. [←32] Este artigo foi publicado em 2015 (Pereira, Ronie Ánderson Ilê Orixá: uma breve explicação sobre o culto aos orixás: batuque do Rio Grande do Sul : nação Oyo e Jeje.(Pai Ronie de Ogum Adiokô) . -- Florianópolis, SC : Bookess, 2015. [←33] Exú Bará é o orixá que está ligado ao início de tudo, é o orixá que faz a comunicação nossa com os demais orixás, o que o torna de extrema importância. [←34] Ogum é considerado o mais violento dos orixás, está ligado ao próprio desenvolvimento humano, a tecnologia, as conquistas da vida e todas as adversidades que podem ser vencidas, pois é considerado o orixá da guerra. [←35] Oya ou Iansã é um orixá que se relaciona a união, ao próprio movimento da vida, pois as tempestades e ventos são seus domínios. [←36] Xangô é o orixá da justiça, por isso muito respeitado entre todos. Não tolera a mentira. [←37] O orixá Odé está principalmente ligado a fartura, pois é um orixá responsável pela caça, pelos objetivos que conquistamos. No batuque gaúcho não cultuamos o orixá Oxóssi, mas sim o orixá Odé, que possui a mesa equivalência com o Candomblé [←38] Obá está ligada vida que não pode parar, aos amores não correspondidos a luta das mulheres pelos seus direitos. [←39] Orixá responsável pela saúde, é considerado o médico dos pobres na religião afro. É o conhecedor de todas as plantas e de que forma devem ser utilizadas para se tornarem remédio. Está ligado a toda beleza da natureza e seus mistérios. [←40] Xapanã está ligado as limpezas, as pestes e a maioria das doenças que são transmitidas, mas isso de forma nenhuma o torna quem carrega a doença, pois ele também carrega a cura as formas de eliminar. É a própria representação da terra, já que dela é considerado o rei. No batuque gaúcho cultuamos Obaluaye ou Omolú como Xapanã. [←41] É inânime entre a maioria dos autores da religião africana que Xapanã não cura, pois ele mesmo carrega todas as doenças, mas é ele quem leva a doença embora. Assim o conceito de cura de doença par Xapanã consiste sempre em limpar o corpo, em afastar a doença, em consequência trazendo a cura. [←42] Divindade ligada ao nascimento de gêmeos. Os Ibeji representam a dualidade, a inocência das crianças, a brincadeira e a curiosidade e alegria da vida. [←43] Oxum é orixá da beleza, ligado também a maternidade e ao cuidado com a pessoa. É de Oxum que todas as flores pertencem, assim como as folhas são de Ossanha. [←44] Oxalá é o orixá ligado a criação, considerado por muitos o pai de todos os orixás, é chamado do orixá do branco, representa toda a pureza da vida. [←45] Orumilaia é o orixá que nos dá a visão, considerado a testemunha dos destinos, conhecedor de os segredos do homem. [←46] É um uma árvore orixá, ´representa a ancestralidade e faz a ligação entre o orun e o aye [←47] De acordo com as orientações estabelecidas através de jogo de búzios de Pai Alexandre de Oya Tofã e Pai Ronie de Ogum Adiokô. Definições estabelecidas para o axé da Fortaleza Ilê Orixá. Todas as plantas citadas referem-se ao uso de suas folhas ou pequenos galhos utilizados em ritos, podendo correr alteração para os frutos ou raízes de cada uma delas, o que não é objetivo deste trabalho. [←48] Todos os demais trevos com apenas 3 folhas e verdes também estão definidos para o orixá Ossanha, tendo sido apenas citados aqui alguns. [←49] As ervas que estão dedicadas a Iroko foram previamente jogadas e confirmadas no axé. Individualmente todas elas estão com outros orixás. O uso dessas folhas para Iroko é cheio de mistério e segredos do axé. [←50] A amoreira preta não entra como erva para utilização nos ritos de Iroko, mas a sua árvore é dedicada a este orixá, sendo sagrada na Fortaleza Ilê Orixá, que é onde ocorre a morada de Iroko no axé. [←51] Embora não seja cultuado como um orixá. Está listado aqui apenas para facilitar a organização. Egun é o culto de nossa ancestralidade. [←52] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←53] O vaso de 7 ervas consiste em plantas que se acredita terem efeito protetor. De uma região para outra existem variações de quais devem compor, mas a finalidade é sempre a mesma. [←54] Embora seja aceito para todos os orixás, é uma árvore extremamente sagrada e seu uso não deve ser realizado sem consulta expressa através do jogo de búzios e como colocado exclusivamente para saúde. [←55] Pai Sérgio de Xangô, fez a iniciação religiosa de Pai Ronie de Ogum no ano de 2005 e Pai Alexandre de Oya no ano de 2007. Dirigia o Ilê Asé Obá Iná Sangô Godô Aloxé, na cidade de Gravataí-RS, em um belo sítio no Distrito de Morungava. Faleceu no dia 30 de maio de 2019. [←56] Acaçá – “Oferecido a Oxalá. Coloca-se milho de canjica branca de molho. Ao amolecer, é ralado em uma pedra até transformar-se em pasta. A massa é enrolada em folhas de bananeiras e cozida no vapor. Só os orixás comem” (CORRÊA, s/d). [←57] Publicado originalmente https://ileorixa.com.br/wp/boldo-erva-sagrada-de-oxala/ em 26 ago 2019. A folha do boldo é uma das sete folhas em que Ossanha ensinou o segredo para Ogum. Ler sobre “A relação dos orixás com as folhas – Ogum” [←58] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←59] Ler o texto sobre orô. Embora o boldo bahiano e o boldo rasteiro sejam colocados como muito próximos do orô, em uma classificação geral no Brasil, no Rio Grande do Sul e em especial dentro da Fortaleza Ilê Orixá, são plantas com finalidades e usos muito diferentes, por isso devem ser muito bem compreendidas e diferenciadas. [←60] Não é o objetivo do livro em ensinar a utilização em chás e também não se recomenda, apenas é citado como uma curiosidade. [←61] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←62] A espada de Ogum é uma das sete folhas em que Ossanha ensinou o segredo para Ogum. Ler sobre “A relação dos orixás com as folhas – Ogum” [←63] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←64] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←65] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←66] A folha da guiné é uma das sete folhas em que Ossanha ensinou o segredo para Ogum. Ler sobre “A relação dos orixás com as folhas – Ogum” [←67] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←68] Pai Chiquinho de Oxalá é dirigente do Reinode Oxalá e Oxum na cidade de Porto Alegre, também foi o responsável pelo assentamento de Xangô Aloxé de Pai Sérgio de Xangô, que iniciou Pai Alexandre de Oya e Pai Ronie de Ogum. [←69] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←70] Publicado originalmente “Ilê Orixá é presenteado com muda de Ìlasa omodé” em https://ileorixa.com.br/wp/ile-orixa-e-presenteado-com-muda-de-ilasa-omode/ em 05 jul 2020 [←71] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←72] Originalmente publicado em Ilê Orixá – Para entender melhor o batuque do Rio Grande do Sul. [←73] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←74] Esta é uma das sete folhas em que Ossanha ensinou o segredo para Ogum. Ler sobre “A relação dos orixás com as folhas – Ogum” [←75] Em casos específicos, com autorização do jogo de búzios consagrado também para o Iroko. [←76] É necessário compreender que os conceitos de materiais sagrados que o autor coloca no Candomblé podem e são extensivos para o batuque gaúcho. [←77] Publicado originalmente em https://ileorixa.com.br/wp/a-baoba-e-sua- importancia-ancestral/ em 26 fev 2020 [←78] Publicado originalmente em https://ileorixa.com.br/wp/baoba-a-arvore-da-vida/ em 06 fev 2020 [←79] Texto originalmente publicado sob em https://ileorixa.com.br/wp/dendezeiro- plantado-no-ile-orixa/ “Dendezeiro plantado no Ilê Orixá”. A folha do dendezeiro é uma das sete folhas em que Ossanha ensinou o segredo para Ogum. Ler sobre “A relação dos orixás com as folhas – Ogum” [←80] Publicado originalmente “Ilê Orixá é presenteado com muda de obi” em https://ileorixa.com.br/wp/ile-orixa-e-presenteado-com-muda-de-obi/ em 12 out 2019 [←81] Orixá de grande poder, geralmente responsável por mudanças e transformações. [←82] O índice está organizado com os nomes científicos, seguido do nome iorubá quando encontrado. Cover Page Unknown Apresentação Por que Ewé Orò ? Mas o que são as folhas? O encantamento das folhas O preparo do banho de ervas Limpeza com folhas Ervas adequadas para banhos Banho de Folhas Como cultivar sua erva Importância da preservação Refloresta Como macerar as ervas Identificação das árvores do Ilê Amexeira Amoreira branca Amoreira preta Araçá vermelho Akoko Bananeira Laranjeira Limoeiro Macieira Mangueira Orô Pitangueira Pereira Peregun verde Romãzeira Iroko Sistema de classificação iorubá Ewé áféré – folhas de ar Ewé inón- folhas de fogo Ewé omi- folhas de água Identificação das folhas no livro Nome popular Nome científico Nome iorubá Orixás Uma nota para seguir Onde existe folha existe orixá Os orixás e as folhas Exú Bará Ogum Oya Xangô Odé Obá Ossanha Xapanã Ibeji Oxum Oxalá Orumilaia Iroko Para cada orixá uma folha Principais ervas para cada orixá Bará Lodê Bará Agelú / Bará Lanã / Bará Adague Ogum Oya Iansã Xangô Odé Otim Obá Ossanha Ibeji Oxum Iemanjá Oxalá Orumilaia Iroko Tempo Egun Onile Ervas catalogadas no axé Abre caminho Aceroleira Akoko Alecrim Alfavaquinha-de-cobra Amargol Aranto Araça vermelho Amoreira branca Amoreira preta Amexeira nativa - Nêspera Araçá amarelo Aroeira Arruda Avenca Anis estrelado falso Bálsamo verde Bananeira Barba de pau Bergamoteira Boldo arbustivo Boldo chileno Caneleira Canela de velho Capim cidró Carqueja Caruru Colônia Costela de adão Cidró Cartucho branco Cartucho rosa Comigo ninguém pode Cinamomo Curry Danda da costa Dólar Dinheiro em penca Elevante Espada de Iansã Espada de Ogum Erva de bugre Erva de bicho Folha da batata doce Folha-de-fogo Folha de inhame Folha da costa Folha da fortuna Folha do figo Fumo brabo Funcho Gengibre amargo Gervão Roxo Gervão branco Guiné Goiabeira Guanxuma Hortelã Jiboia Jasmim Jurubeba Lírio do brejo Lavanda Limoeiro Laranjeira Losna Malva Malva-rosa Maravilha Mangueira Melissa Malva cheirosa Malva rosa Manjericão Manjericão miúdo Manjericão roxo Mirra rasteira Mirra arbustiva Manjerona Mamona verde Mamona roxa Ondas do mar Orô Pata de vaca Pau d´água verde Pau d´água verde e amarelo Peregun vermelho Pereira Pulmonária Poejo Pitangueira Romãzeira Sálvia Salsa Taioba Tansagem Taquareira Taquareira de jardim Trapoeraba Trevo de 3 folhas verde - amarela Trevo de 3 folhas verde – flor rosa Trevo de 3 folhas verde cortada – flor rosa Trevo 3 folhas roxo Trevo 4 folhas verde Trevo de 4 folhas roxo Urtiga Árvores sagradas A Baobá e sua importância ancestral Baobá: a árvore da vida Dendezeiro Obi Considerações finais Bibliografia Lista Índice remissivocom o seu uso inadequado. “Ofo é o termo genérico empregado pelos iorubás para designar encantamento. Pode ser definido como a palavra falada que se acredita possuidora de força mágica ou capaz de produzir efeitos mágicos quando recitada ou cantada sobre objetos mágicos ou na ausência destes. Os encantamentos, utilizados em todas as esferas da atividade humana, em particular na prática médica, são considerados pelos iorubás, como o principal poder por eles adquirido durante seu desenvolvimento espiritual. Embora muitos encantamentos dispensem o uso de objetos, em sua maioria são recitados sobre objetos mágicos ou medicinais” (RIBEIRO, 1996 p. 88-89). “No encantamento das folhas, a palavra adquire um poder de ação muito forte, porque ela está impregnada de àse, essas palavras rituais, (ofós), mobilizam o àse quando pronunciada de acordo à dinâmica litúrgica. Por isso, as palavras estão carregadas de emoção, da história pessoal e do poder daqueles que as proferem. A palavra é atuante e pronunciada no momento certo, induz à ação. No universo religioso afro-brasileiro, a fala é transmissora do saber que desperta o poder mágico da folha” (JÚNIOR, p. 24, 2018). Assim também não basta apenas ter o encantamento correto, é preciso a força de quem profere, e essa força também é axé. Quem escolhe a folha a ser utilizada ao cantar na sua escolha já destaca assim a força do axé da folha que, quando for utilizada, já estará mais apropriada para o uso. “... sendo assim ofós são o poder magnetizante da fala sobre os símbolos sagrados, é tudo aquilo que você vai transmitir ao seu o próximo. Além de conhecer as folhas, colhei-as em horários determinados pelos sacerdotes e formas corretas de retirá-las da natureza sem danificar as espécies, as mesmas para o uso religioso precisam ser encantadas” (JÚNIOR, 2018, p. 25). Não basta apenas cantar ou pronunciar palavras ditas como mágicas se não existe concentração adequada, se não existe força de quem fala, a palavra é mágica é necessário sempre força para proferir, para cantar e assim produzir o efeito que desejamos. Dessa forma o que irá determinar se um axé será ou não eficiente além dos ingredientes mágicos utilizados, dos ofós pronunciados, será determinante a fala de quem pronuncia, pois a fala é detentora de axé. “No encantamento das folhas, a palavra adquire um poder de ação muito forte, porque ela está impregnada de axé, essas- palavras rituais, ofó, mobilizam o axé quando pronunciada de acordo à dinâmica litúrgica. Por isso as palavras estão carregas de emoção, da história pessoal e do poder daquele que a profere. A palavra é atuante e pronunciada no momento certo induz à ação. No universo religioso afro-brasileiro a fala é transmissora do saber que desperta o poder mágico da folha” (BOTELHO, p. 5, 2010). Ao fazer com que se desperte o segredo de cada folha ela terá todas as condições necessárias para que se atinja o resultado que se deseja, tornando assim a folha um remédio, capaz de trazer a cura, a limpeza do corpo, e, também paz, harmonia e equilíbrio, entre tantas outras possibilidades. Uma folha correta, com um ofó correto, no momento correto não determina um axé próspero e de sucesso se o encantamento não for proferido com a alma, com a entrega plena do sagrado, com toda a força necessária para fazer com que todos os seus segredos e mistérios que estão guardados possam então serem liberados, tornando o impossível em possível, a dúvida na certeza, pois com orixá, com a verdade e a folha certa não existe nada que não seja possível, pois o impossível existe somente para os que não acreditam em orixá, o impossível existe para os que não buscam verdades. Então, é preciso dedicação para aprender, paciência para compreender o que se precisa, tempo para tornar o aprendizado aplicável em cada situação problema que podemos ir a enfrentar, pois as ferramentas todas a natureza já nos oferece, juntamente com a força de cada orixá, basta apenas saber usar isso, pois o resto todo se faz possível. Para encantar as folhas é preciso querer encantar cada uma delas, e esse querer nos fazer ter sempre uma postura séria e dedicada ao que se propõe. Para encantar devemos estar encantados com o axé que iremos fazer, precisamos acreditar sempre no que não vemos mas sentimos, é preciso acreditar magia de Ossanha, no poder das folhas e na cura que que a religião torna possível com o uso correto das folhas. Afzelia é um género botânico pertencente à família Fabaceae. São árvores nativas de zonas tropicais de África e Ásia. O preparo do banho de ervas Ogún ọdún tí ebí ti ń pa ọ̀gà, ìrìn-in fàájì ò padà lẹ́sẹ̀-ẹ rẹ̀¹⁴ Por vinte anos que o camaleão passa fome, ele não abandonou sua maneira tranquila e digna de andar atenção no preparo do banho de ervas é fundamental, pois qualquer descuido pode fazer com que se escolha a folha errada, ou folhas que não podem ser utilizadas em conjunto, fazer o preparo de um banho de ervas deve ser tão importante quanto uma obrigação é necessário seriedade, respeito e comprometimento sempre. “o banho de ervas é terapêutico e sagrado na Comunidade Religiosa” (CORREIA, 2009, p.172). Respeito na hora de colher a folha, respeito na hora de pedir licença para cortar a folha, seriedade no uso correto, pois toda folha é viva, dotada de axé e é a força viva de um orixá que vive nela. “As pessoas que estão deprimidas a gente passa banho de descarrego para tirar aquela energia negativa” (BOTELHO, p. 6, 2010). Um dos primeiros ritos que se faz dentro da nação dos orixás é o banho de ervas, recomendado muitas vezes, até mesmo para os que não são iniciados dentro da matriz africana. O banho ao ser realizado faz limpeza do corpo com um dos axés mais sagrados que existe nos cultos africanos, o axé das folhas, axé de revigoramento de força. A “O início de tudo que é a manipulação das folhas tem que ser rigorosamente observado para que nada ocorra de errado” (JÚNIOR, 2018, p. 25). Para o preparo do banho é importante dedicação de quem faz o preparo, pois em tudo que fazemos se deixa uma parte de nosso axé, não é possível querer preparar um banho de ervas se se está fazendo uma outra atividade de forma simultânea ou se nossa energia não está ali, se não estamos focados no instante que se prepara. Para o banho de ervas ser eficiente acima de tudo é necessário se desligar de tudo que está em nosso entorno, focando de forma exclusiva no banho que se irá fazer, pois somente dessa forma estaremos aptos para receber o axé de purificação e limpeza das ervas. “Observa-se também a relação de respeito entre aquele que vai retirar essas folhas e a entidade presente nelas, pedir licença simboliza a constatação de que o homem não é dono da natureza e que as energias presentes nela são forças vivas e atuantes” (BOTELHO, 2010, p. 4). O banho inicia já na coleta das folhas adequadas para cada situação que se deseja solucionar, com a energia referente ao orixá que se necessita. Desta forma se o banho é desejado para acalmar deve-se utilizar ervas que tenham a função de tornar os ambientes mais amenos, ou seja deve-se dar preferência por ervas ligadas a Oxalá, Oxum e Iemanjá¹⁵. “Existe neste universo uma relação homem/vegetal/natureza fundamental. E esta relação faz parte de um sistema coerente de classificação e conhecimento religioso, de tal forma que para alguém que ingresse na religião dos orixás, o “banho de folhas será seu primeiro contato com sua essência, com seu eu, seu orixá em particular”, afirmam os adeptos. O banho de folha também é o elo cotidiano com o sagrado.” (CAMPELO, 2020, p. 842). Mas se o interesse é limpar uma pessoa, deve-se dar preferência por utilizar ervas de Oya e Xapanã por exemplo, mas nunca esquecendo que as vezes necessitamos do axé de vários orixás para se ficar limpo, por isso sempre é importante a consulta através do jogo de búzios, pois em muitas situações o jogo de búzios é quem poderá sempre orientar melhor o caminho a ser seguido, as melhores ervas a serem usadas para se atingir um objetivo que se deseja e énecessário. “os rituais religiosos, especialmente os de “limpeza” ou purificação do corpo, sempre utilizam o líquido proveniente da maceração e infusão de folhas indicada para cada ocasião e divindade” (BARROS, 2004, p. 117). Após as ervas serem colhidas, deve-se verificar se estão limpas (não é necessário lavar), mas é necessário verificar se não existe excesso de poeira ou mesmo insetos, que neste caso devem ser removidos, pois para cultuar orixá é necessário sempre a limpeza. “Enquanto ensina aos médiuns sobre banhos de ervas, mãe Sônia, que é a responsável por acolher os ingressantes neste templo de umbanda, paulatinamente evidencia as habilidades das plantas e os ensina que, neste terreiro, os saberes sobre elas não se dão através da leitura de um livro, consultando um inventário botânico ou pesquisando na internet. Aprender sobre plantas é, antes de tudo, aprender ‘com’ plantas, afinal, os exemplares do terreiro fazem muitas coisas e, neste processo, o aprendizado se concretiza na interação multiespécie e na observação das mudanças que elas promovem no mundo: Quando for fazer um banho, escolhe uma planta só e procura sentir como vocês estavam antes e como ficaram depois do banho. É um exercício, gente. Têm planta que vai deixar vocês mais calmos, outras mais agitados [...] com algumas vocês vão se sentir muito bem, com outras vocês não vão sentir nada, com outras a energia dela não vai bater com a de vocês [...] cada planta vai fazer uma coisa [...]” (CARTELESSI, 2017, p. 866) Para o preparo do banho, as ervas todas após colhidas necessitam serem maceradas até que seja liberado o sulco das folhas utilizadas, criando assim uma coloração verde escuro na água, podendo essa coloração ser ainda de outra cor se as folhas utilizadas possuírem outra cor, é novamente importante lembrar que as folhas devem ser maceradas e não picadas. “é através deste preparado que o contato com as plantas se torna mais íntimo” (CARTELESSI, p. 861, 2017) O banho de ervas, ou como alguns preferem chamar banho de folhas, deve sempre ser realizado após o banho diário, e a água contendo as ervas maceradas são despejadas sobre o corpo da pessoa, podendo a própria pessoa a fazer¹ . Este banho pode ser realizado no banheiro e pode-se deixar cair pelo ralo o excesso. Não existe a necessidade de ser um banho a ser realizado sempre, mas deve ocorrer quando orientado a partir do jogo de búzios ou mesmo quando o iniciado achar que existe necessidade de melhorar a sua energia. “Limpar e descarregar, energizar e descarregar, iniciar e finalizar são algumas dicotomias que ambientam bem a ação dos banhos de ervas, justamente pelo fato de este preparado atuar na integração destes pares binários, promovendo aquilo que no terreiro se chama ‘equilíbrio’. Este seria então o objetivo principal do banho de ervas, promover harmonia da relação entre os seres que constituem os sujeitos” (CARTELESSI, 2017, p. 862) As folhas maceradas que sobrarem no chão ou na bacia ou outro local que forem maceradas devem ser despachadas, em um local no verde, em caso de banho para uma limpeza preferencialmente despachar fora do pátio. “o banho de descarga, como seu nome indica, serve para descarregar (eliminar) os fluídos pesados de uma pessoa. “Mas por que devemos tomar banhos de descarga?”, indagam vocês. A resposta é: o banho é a renovação do corpo e da alma, pois quando o corpo se sente bem e se acha refeito do cansaço, a alma fica também mais apta a vibrar harmoniosamente” (FARELLI, 2010, p. 47). É importante ainda lembrar que após o banho de ervas podemos nos secar¹⁷ e, de forma nenhuma isso irá anular o banho que foi realizado, que irá depender apenas das ervas colhidas e maceradas de forma correta, de acordo com orientação no jogo de búzios. Mas afinal para quem um banho de ervas é indicado? Para todos os que desejam receber o axé das folhas, para todos que precisam se revigorar, se fortalecerem, para os que querem se desprender de energias negativas acumuladas no dia a dia pelo convívio com outras pessoas ou lugares que passou, pois todos por onde passam deixam sua energia, mas também absorvem energias que podem ser boas ou ruins. “Daí a água está presente em todos os rituais e sem ela nada se inicia. Isso vale também para o sangue das folhas, adquirido quando as esmagamos, desfiamos ou maceramos a fim de extrair a seiva. Sem elas também nada se inicia.” (JÙNIOR, 2011, p. 63). Um banho de ervas correto, bem macerado tendo uma boa sintonia com o orixá já é um ótimo remédio para muitos males que cobrem cada um de nós, eliminando muitas vezes a necessidade de fazer outros axés ou ainda algumas limpezas, que muitas vezes são minimizadas ou dispensadas após um banho bem realizado, que além de limpar o astral, ainda atrai boas energias para quem está fazendo o banho, possibilitando assim oportunidades, saúde e harmonia na vida diária de cada um. “O ritual do banho tem como simbologia coletiva a sua virtude purificadora e transformadora. Estando associado ao ato de imergir, o que lhe confere um valor iniciático. Os gregos banhavam com ervas aromáticas as estátuas sagradas” (ALMEIDA, 2011, p. 193). Todos na Fortaleza Ilê Orixá são orientados a realizarem o seu banho de ervas, logo após o banho diário, com o corpo previamente já limpo, o que também é destacado por FARELLI (2010, p. 48) “um banho de descarga com as ervas deve ser tomado após o banho rotineiro”, pois dessa forma estamos despidos de impurezas do dia a dia e mais próximos do sagrado, com maiores condições de receber o axé das folhas. E por mais simples que possa parecer muitos ainda não compreendem que para cultuar orixá é necessário sempre estarmos limpos, assim como os ambientes também precisam estar, não adianta fazer um banho de folhas se nossa casa não está também limpa, pois a energia toda deve sempre estar de acordo. A mafumeira, também chamada Samaúma é uma árvore de origem africana que produz uma madeira macia, com fácil adaptação em climas tropicais. Limpeza com folhas “Você aprende a cortar árvores cortando-as”¹⁸ Provérbio Africano ntre os vários tipos de limpeza que são realizadas na Fortaleza Ilê Orixá uma delas é somente com folhas ou galhos, folhas estas referente ao orixá que se deseja utilizar para a limpeza. Os galhos ou folhas que serão utilizados são definidos a partir de consulta ao jogo de búzios, mas sempre se deve colocar os orixás Ogum, Oya e Xangô, em caso de filho do axé, pois correspondem a bandeira religiosa da casa. Filhos de casa aberta¹ devem ainda utilizar uma folha representante ao seu orixá de cabeça, caso já não esteja dentre as folhas utilizadas. Esta limpeza substitui a limpeza realizada com pacotes e são executados os mesmos procedimentos da limpeza tradicional com pacotes, tanto para passar, quanto na hora de despachar, no entanto, não recomendada como única limpeza a ser realizada, devendo sempre ser utilizada a limpeza completa com todos os pacotes de cada orixá. Uma grande importância deste tipo de limpeza é que para a natureza esta limpeza é menos poluente. pois os materiais que são utilizados são ervas e galhos de plantas, que desta forma não poluem, e ocorre rapidamente a degradação na natureza, não gerando lixo. Geralmente, esta limpeza é utilizada em casos mais simples para limpeza espiritual, onde a limpeza completa já foi realizada anteriormente ou ainda em casos em que a limpeza com todos os orixás não possui necessidade, embora seja sempre recomendada uma limpeza completa na maioria das vezes. É possível utilizar a cana-de-açúcar para o orixá Bará, para orixá Ogum utiliza- E se a espada de São Jorge² para orixá Iansã utiliza-se a taquareira ou a pitangueira podendo ainda ser utilizada a espada de Iansã ou espada de Santa Bárbara como é conhecida no Rio Grande do Sul, para Xangô é possível utilizar galhos de orô, que é uma planta muito utilizada em ritos no Rio Grande do Sul. Quando o objetivo é saúde podem ser utilizados galhos de uma erva conhecida como gervão, o orixá Oba pode utilizar para as limpezas galhosde romãzeiras e para o orixá Xapanã em limpezas utiliza-se galhos de guanxuma. O orixá Oxum no caso de limpeza é possível pegar galhos de flores variadas que são utilizados para dar o seu axé e, o orixá Oxalá na limpeza pega-se galhos de boldo. As plantas que são utilizadas em caso de limpezas com folhas ou galhos podem todas elas serem substituídas de acordo com consulta ao jogo de búzios, desde que sejam plantas correspondente aos orixás. Estas são confirmadas sempre a partir dos jogos de búzios é claro que nem toda a erva que é utilizada para um banho também vai ser utilizado para limpeza, assim como o contrário também vale, nem toda erva que podemos utilizar em uma limpeza pode ser utilizada para um banho como já foi dito antes. Por isso, em caso de qualquer dúvida, é sempre importante conversar antes com o pai ou a mãe de santo para ter uma orientação, no caso de filhos do axé da Fortaleza Ilê Orixá, conferir se na sede já foram antes utilizadas previamente por Adiokô ou Tofã. A limpeza com galhos não deve ser utilizada fora do espaço sagrado do terreiro, pois se estamos minimizando o processo de limpeza, em algumas situações, estamos amparados por toda força do sagrado que está nos apoiando, possibilitando que as energias sejam limpas sem permitir que ocorra desgaste em quem está fazendo, essa determinação só muda se for orientado através de jogo de búzios. É necessário lembrar que em nosso axé somente podem passar qualquer tipo de limpeza os filhos, já iniciados por obrigação com ejé²¹, ou axorô como preferirem, tendo preferencialmente obrigação de bori, já que sempre existe desgaste do corpo físico e do ori²². E antes que alguns critiquem ou falem que esta limpeza não existe, ou que não é eficiente ou está errada, o axé Ilê Orixá não questiona nada que outros axés fazem, mas também não aceitamos questionamentos sobre o que aqui se faz. A casa está estruturada dessa forma, com seus ritos, seus tabus e orientações, que fazem com que o axé cresça e mantenha tudo em pé. Se está errado para outro aqui funciona, dá frutos e faz tudo prosperar, não acredita? Não faça, mas aprenda sempre a respeitar quem saber como fazer diferente e funcionar. Acácia é o nome dado a um grupo de centenas de diferentes árvores e arbustos que crescem em áreas quentes, principalmente na África. Ervas adequadas para banhos Aṣiwèrè èèyàn ló ń sọ pé irú òun ò sí, irú ẹ̀ pọ̀ ju ẹgbàágbèje lọ²³ Apenas uma pessoa tola vai alegar que não há nenhum como ele; sua laia abunda em todas as ervas que são destinadas aos orixás podem ser utilizadas no preparo de um banho, algumas podem causar alergia e irritação na pele e outras por não serem propícias para este fim. A princípio somente podem ser utilizadas para realização de banhos as ervas que já foram utilizadas na sede da Fortaleza Ilê Orixá, ou seja, uma erva que pertence a um determinado orixá se nunca foi utilizada para banho, ela não pode ser utilizada, pois ser de um orixá não implica que seja útil para banho. É sempre importante que se conheça bem a planta que será utilizada, pois o seu uso inadequado pode trazer problemas diversos para a saúde da pele, ou ainda mesmo problemas espirituais. “procuram no banho de ervas uma interação que possa favorecer este processo de conhecer/desenvolver o orixá e a si próprio. Por sua vez, o banho lava o corpo, porém não a cabeça, e desta forma promove uma interação menos intensa entre homens e deuses. Quando julgam pertinente, cabe então às lideranças do terreiro alguma intervenção nesta relação, que acontece também através de ações promovidas por plantas” (CARLESSI, 2017, p. 860). Existem ervas consagradas para atividades diversas, dessa maneira eu vou ter ervas importantes para crescimento profissional, ervas para saúde, ervas para atividades diversas e nem todas elas são adequadas para um banho, mas elas podem ser para outras atividades, por isso, que você deve consultar o oráculo do jogo de búzios, pois nada se define sem antes jogar, se tem dúvida não faça, pergunte, questione, procure sempre antes compreender, e sempre ter certeza que N está fazendo uso da planta correta, pois existem muitas que se parecem fisicamente, mas não são iguais e apresentam objetivos e funcionalidades conflitantes e diferentes do que desejamos. A folha da fortuna por exemplo se parece muito com o aranto e outras espécies. A hortelã também gera muita confusão pois é parecida com o elevante e outras, por isso cuidado e atenção nunca são demais. “No ritual do batuque no Rio Grande do Sul as ervas são utilizadas mais para banhos do que para a cura de doenças” (MOTA, 2003, p. 6). As folhas importantes que devem estar presentes nos banhos para o Ilê Orixá são as ervas em especial que caracterizam o axé, assim é importante que exista uma erva de Ogum, uma erva de Oya, uma erva de Xangô e ainda uma erva relacionada ao orixá de quem irá fazer o banho, completando as demais ervas de acordo com orientação do jogo de búzios. “A força do Orixá é revitalizada periodicamente através de banhos, em que entram a infusão de folhas das mesmas variedades daquelas empregadas pelo primeiro alasé, por libações do sangue de certos animais, oferendas de comidas, e por meio das orações e do enunciado de seus oriki _ uma forma de saudação, em que são enunciados os nomes gloriosos, as divisas, as louvações especiais ao Orixá, que exaltam seu poder e recordam fatos e proezas do ancestral divinizado.” (VERGER, 2000, p.38). Mas considerando que o banho de ervas é sempre pessoal, e na maioria das vezes orientado pelos orixás através do jogo de búzios, pode ocorrer solicitação de ervas diferenciadas para um determinado banho e, assim não fazer uso de uma das ervas citadas acima, e ainda acrescentar outras, em tipos e ou quantidades, pois como muito já disse aqui no Ilê Orixá é sempre o jogo de búzios que tudo determina, e que sempre escolhe o caminho que se deve seguir. Para uma erva ser adequada para um banho é preciso que suas folhas sejam colhidas com cuidado para preservação da planta, que o corte de suas folhas seja de forma não agressiva, pois todas as folhas são vivas e como forma de vida devem ser respeitadas. Ainda sobre ervas adequadas para banho devemos ser dar prioridade, quando possível por folhas colhidas no dia em que o banho será realizado, evitando folhas compradas secas ou ainda folhas que estiverem danificadas em processo de deterioração. Um banho de ervas correto, realizado também com as ervas corretas, cantadas também da forma correta são suficientes para a melhora de muitos problemas que são enfrentados, mas para isso também é necessário respeito com cada folha e com o rito a ser feito. Banho de Folhas ²⁴ Foi em uma quarta-feira Saí pra te procurar Andei a cidade inteira Mas, cadê você? Cadê você? A cidade é grande As pessoas muitas E eu por aí Sem te encontrar Vou pedir a oxalá Oxalá quem guia Oxalá quem te mandou Tanta volta pra nenhuma resposta Tanta volta pra nenhuma resposta Tanta volta pra nenhuma resposta Tanta volta pra nenhuma resposta Nenhuma resposta Mas um punhado de folhas sagradas Pra me curar, pra me afastar de todo mal Para-raio, bete branca, assa peixe Abre caminho, patchuli Para-raio Para afastar o mal Para afastar a inveja Para atrair o amor Para atrair o que for bom Newbouldia laevis, conhecida no Brasil pelo nome popular de akoko, é uma planta muito utilizada nos ritos africanos. Na África também conhecida como árvore do título. Como cultivar sua erva Ìpa à ńpoṣè ara ló fi ńsan²⁵ Nossa tentativa de matar a árvore de oṣè ela (a árvore de oṣè) só se torna mais gorda ara cada tipo de ervas é preciso espaço adequado de terra de solo de iluminação conhecer a fisiologia da planta facilita o entendimento quanto a sua adaptação no local a ser plantada, nunca é demais falar que é preciso tempo e dedicação para ter ervas em uma casa, como seres vivos que são as plantas necessitam cuidados periódicos e um tempo dedicado para que as possuiu. “As ervas têm um grande valor ritualístico parao Batuque, sendo usadas recorrentemente. Devido a isto, é mais em conta para os batuqueiros cultivarem as plantas de que necessitam (quando o espaço físico da casa as comporta). Um mamoeiro, uma mamoneira” (MARINI, 2012, p. 60). Mas não adianta plantar se não cuidar, ter as ervas se não as conhece, se não as respeita e se não mantém cuidados necessários para sua preservação. Cabe aos iniciados perceberem que cada planta que se cuida, se planta, e que se compreende é sempre um axé que se planta, que se recebe, e que melhor compreendemos. “Um terreiro se fortalece ao plantar folhas, ao cuidar das folhas e ao ajudar a preservar, é preciso que todos compreendam que não se faz religião sem a natureza, sem o verde das folhas, sem suas ervas. Independente do espaço disponível todos possuem condições de dedicarem um espaço por menor que seja para o cultivo de ervas utilizado na religiosidade africana.” (PEREIRA, P 2019, p. 241). Para alguns antigos da religião de matriz africana as plantas que irão ser utilizadas nos ritos devem ser buscadas no mato, em um espaço sagrado, intocado, pois ali a energia de Ossanha e de suas plantas está intacta, sem a interferência humana. BASTIDE (1961, p. 158) “as plantas encontradas no mato podem existir no quintal da casa, ou no jardim, mas assim domesticadas não apresentam valor algum. É preciso ir buscá-las no mato mesmo. Há oposição entre o mundo da cultura, e o mundo selvagem, do outro. Ossanha não se aventura nos lugares em que o homem cultivou a terra e construiu casas, nos lugares em que disciplinou na natureza. É o deus do mato, e não das plantas cultivadas”. “A gente planta, eu planto, mas, para mim, quem cuida das folhas é Ossain. Aprendi que todas as folhas são sagradas. Aprendi no candomblé. Minha ancestralidade se reencontra no candomblé... Divindade só tem relação com a diversidade. Qualquer um pode sentir esta energia, independente de religião. Para mim não é só o homem quem cuida das plantas, para mim que sou do candomblé, não é só o homem. Somos a alavanca que conduz, para que as ervas perpetuem. A gente planta, mas tem que ter a energia, tem que ter a volta do axé ... Agradar a natureza” (Babalorixá Henrique de Oxalá, 2009). É claro que no espaço mato, um espaço intocado, e assim puro a força de Ossanha estará plena, mas divergindo de BASTIDE (1961), não acredito que ao cultivar plantas com coração puro em um ambiente dedicado ao culto que Ossanha ali não esteja, pois se assim for, em muitas cidades onde o acesso a vegetação em espaços intocados fica cada vez mais difícil o culto ao orixá Ossanha estará condenado a morrer E Ossanha sempre vive, e sempre estará vivo enquanto se acreditar nele, enquanto se cultivar a floresta, se cultivar um jardim em nossas casas, se cultivar a vida de toda folha que se puder, ali estará Ossanha, pois ele é a própria manifestação da vida presente nas folhas. Que cada um de nós consiga sempre manter vivo o seu culto, cuidando de todas as folhas que pudermos. Muitas vezes, é necessário estudar cada planta antes do plantio, e é importante que o iniciado tenha condições de cultivar ao menos as principais plantas de seu orixá, e algumas ervas de seu pai ou mãe, já que serão ervas que estarão sempre presentes na maioria dos ritos. A religião africana é sempre sustentada na natureza, no cultivo da folha, e na relação do orixá com a natureza. De forma nenhuma se pode cultuar orixá sem folha. Também não se pode aceitar que um iniciado não saiba cultivar algumas ervas sagradas, mais do que simplesmente dizer que não gosta de planta ao não cultivar nenhuma planta, deixa também de cultivar uma parte do axé de cada orixá. “No culto aos orixás, trazidos pelos africanos para as Américas e Caribe, o vegetal, a folha, é elemento sem a qual o mesmo não existe. No ofó “Ko si Ewé, ko si òrìsá” frequentemente reverberado pelos seguidores da religião, podemos transcrever que “sem folha, sem orixá”, melhor dizendo que sem a presença do vegetal não se cultua o orixá. Desta forma, evidencia-se o papel inaugural do vegetal enquanto parte que alicerça todo proceder ritualístico, e assim se dá há milênios” (CAMPOS, 2019, p. 68). Toda erva carrega consigo o princípio do axé do orixá, cultivar as ervas de um orixá desta forma faz com que nosso solo se torne cada vez mais sagrado, pois ao plantar cada erva estamos também plantando o axé do orixá, a força impulsionadora do orixá. Quanto mais ervas temos de um orixá mais somos chamados para usá-la, mais o orixá ficará próximo da planta, e do solo. E todos temos condições de cultivar essas ervas, basta dedicar um tempo e atenção ao cultivo, pois ter nossas ervas plantadas implica em cuidar, regar, limpar o canteiro, para somente assim poder colher as folhas que se deseja. “Uma das médiuns em desenvolvimento acompanhadas em campo (Dona Margarida), por exemplo, vive em um pequeno apartamento com seu filho Rodrigo, ambos médiuns do terreiro há cerca de cinco anos. A falta de espaço, como me relatou, não foi um problema para cultivar algumas plantas que passaram a fazer parte de sua vida após a entrada para o terreiro: Eu coloquei umas ervas numa jardineira e pendurei do lado de fora da janela para que elas pudessem tomar sol, você acredita? [risos]. No começo o Rodrigo não gostava, mas agora, meu deus! Não pode mexer sem ele saber. Ele vive falando ‘cuidado com o meu manjericão!’ [risos]. É muito atencioso, rega todos os dias, conversa com elas, tem muito amor mesmo [...]” (CARLESSI, 2017, p. 856). “Um terreiro se fortalece ao plantar folhas, ao cuidar das folhas e ao ajudar a preservar, é preciso que todos compreendam que não se faz religião sem a natureza, sem o verde das folhas, sem suas ervas. Independente do espaço disponível todos possuem condições de dedicarem um espaço por menor que seja para o cultivo de ervas utilizado na religiosidade africana” (PEREIRA, 2017). Mas também não adianta cuidar, plantar, regar e limpar os espaços dos canteiros de ervas se depois disso apenas existir preocupação em colher as folhas desejadas, é necessário ficar sempre atento ao consumo de cada erva, ir replantando, fazer novas mudas, para que o ciclo permaneça sempre ativo. Se todos apenas houvesse consumo das folhas sem haver a preocupação em replantar estaríamos condenados a morrer, sem remédio e sem alimento, pois sem folha não existe vida, sem não existe orixá. “destacamos o acesso às folhas, muitas vezes pela falta de espaço para manter “o mato da casa”, é preciso recorrer aos mercados, feiras, ou hortas comunitárias para se conseguir as folhas necessárias para os rituais religiosos. Todo esse cuidado é observado no cotidiano do terreiro, desde a obtenção das folhas, a preocupação com a pessoa que cuidará delas, a forma de guardá-las entre outras. Há uma expectativa na certeza dos resultados, quer seja nos tratamentos de saúde, quer seja nas festas e rituais sagrados, o início de tudo que é a manipulação das folhas tem que ser rigorosamente observado para que nada ocorra de errado” (BOTELHO, 2010, p.4-5) Todos nós temos responsabilidade de fazer com que cada religioso de matriz africana compreenda a importância de cultivar as folhas que utilizamos, de cuidar do espaço que fazemos uso, pois como muito já foi dito para existir orixá é necessário que existam as folhas. O bambú, no Rio Grande do Sul conhecido como taquara é uma de muito fácil adaptação presente em diversas regiões do planeta que reúne muitas espécies diferentes. Importância da preservação Nítorí adití lò'jò fi ń ṣú; nítorí afọ́jú ló ṣe ń kù² As nuvens se formam para o benefício das pessoas surdas, troveja para o benefício dos cegos odos nós, somos todos os dias, responsáveis pela preservação de todas as folhas, com atitudes adequadas e hábitos corretos no nosso dia a dia, pois não basta apenas plantar algumas árvores, alguns vegetais em nossa casa e acreditar que isso é suficiente, é necessário mais do que isso, é importante incentivar a consciência ecológica. “O fato das folhas possuírem uma divindade capazde saber os seus usos medicinais, nos mostra que muito além de assumirem um papel secundário na sociedade afroreligiosa, as folhas têm uma importância sacramental e terapêutica que inicia logo na sua coleta e no modo como vai ser retirada, e todo o processo deve ser realizado por quem compreende a capacidade de despertar o poder das folhas” (RIBEIRO, 2018, p. 3). E cada terreiro possui responsabilidade de fazer com que todos os iniciados sejam incentivados a utilizar folhas, terem as suas próprias folhas e a reconhecerem que não se faz religião sem folha, pois toda folha possui axé e carrega consigo a energia do orixá, e assim, plantar uma folha é plantar o axé de um orixá. Para Mãe Stella de Oxóssi, em Expressões de Sabedoria, livro organizado por Nelson De Luca Pretto e Luiz Felippe Perret Serpa (2002), fica muito claro a importância que o Candomblé (e demais tradições africanas) dá para a preservação e cuidados com as plantas, pois é uma religião que depende de cada folha que nasce, e por isso precisa cuidar e preservar todos os seus espaços T sagrados. “De todas as religiões, o candomblé é a que mais enfatiza, mais valoriza, mais cuida do vegetal, de toda a natureza, porque se a gente precisa das folhas, é justo que a gente procure conservar. Você vê que existem árvores com mil anos aí, e todo candomblé tem seu pequeno parque guardado, porque nós valorizamos, nós cultuamos as plantas. Então, é evidente que nós não íamos botar nada que fosse decompor, estragar uma plantação. Aí, rapaz, é coisa da oposição!” Refloresta²⁷ Gilberto Gil Manter em pé o que resta não basta Que alguém vira derrubar o que resta O jeito é convencer quem devasta A respeitar a floresta Manter em pé o que resta não basta Que a motosserra voraz faz a festa O jeito é compreender que já basta E replantar a floresta Milhões de espécies, plantas e animais Zumbidos, berros, latidos, tudo mais Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais Por que não deixamos nosso mundo em paz? Além do morro, o deserto se alastra Toda terra, da serra aos confins O toco oco, casco de Canastra Onde enterramos saguis Manter em pé o que resta não basta Já quase todo o verde se foi Agora é hora de ser refloresta Que o coração não destrói Milhões de espécies, plantas e animais Zumbidos, berros, latidos, tudo mais Uivos, murmúrios, lamentos ancestrais Por que não deixamos nosso mundo em paz? Manter em pé o que resta não basta Que alguém vira derrubar o que resta O jeito é convencer quem devasta A respeitar a floresta Manter em pé o que resta não basta Já quase todo o verde se foi Agora é hora de ser refloresta Que o coração não destrói Que o coração não destrói Respeitar a floresta Respeitar a floresta Replantar a floresta Que o coração não destrói E respeitar a floresta Replantar a floresta Que o coração não destrói Que o coração não destrói Como macerar as ervas “As ervas requerem muito conhecimento para manuseá-las, a fim de formar uma composição eficácia na cura dos males físicos e espirituais” (JÚNIOR, 2018, p. 22) maceração das ervas deve ser feita com elas limpas e em paz, elas devem ser maceradas de forma coletiva, todas as ervas coletadas juntas, sem a separação de cada uma delas. É importante lembrar que a maceração deve obedecer aos critérios determinados no jogo de búzios, quais ervas serão utilizadas a pessoa que for macerar as ervas, deve estar de coração limpo na hora, não adianta estar macerando as ervas se a cabeça não estiver ali ou ainda se a cabeça tiver com muitos problemas, naquele momento, é preciso estar dedicado ao momento, com pensamentos positivos. No momento da maceração o orixá já se encontra ao lado, observando e acompanhando, nessa hora pode rezar, pode conversar com seu orixá. O orixá acompanha desde a colheita da erva até a maceração final, por isso é importante o respeito em todas as etapas. Não adianta querer receber o axé da folha se não existe respeito com a folha, na hora da colheita ou da maceração da folha. E o respeito ainda vai além de apenas coletar ou macerar a erva, o respeito também está presente com os cuidados com as ervas que são colhidas, com as que sobram após coletadas, com as que cortamos para utilização e o que fazemos com as ervas que sobram, que devem ser preferencialmente retomadas ao verde, e sempre que possível serem plantadas novamente, produzindo assim novas mudas. “Tirar uma folha e não a usar em algum ritual é cometer um suicídio na natureza. Folha é vida, é o ar, é o sangue vegetal, sendo assim, Òsayìn não representa somente as folhas, mais o ar que respiramos, a fotossíntese” (RIBEIRO, 2018, p. A 12). O respeito com a natureza deve estar sempre em primeiro lugar, pois a natureza é a representação do orixá vivo que habita no aye, respeitar a natureza é também respeitar o orixá, pois não existe orixá sem natureza. E respeitar implica em evitar gerar poluentes, tentar sempre que possível evitar a produção de lixo não biodegradável, minimizar os impactos ambientais e sempre buscar a preservação das espécies vegetais e animais. “para preparar os banhos e as lavagens, é preciso que a erva esteja viva. Eis porque, ajuntava, a dos armários não pode servir, ela perdeu a força ... vendem- na “sêca”. É preciso também esfregá-la, espremê-la, triturá-la com as mãos e não com um pilão ou outro instrumento; é preciso quebrá-la viva entre os dedos vivos” (BASTIDE, 1961, p. 161). O mogno africano é árvore de grande valor comercial, produzindo uma madeira nobre, altamente consumida na Europa e Estados Unidos, Identificação das árvores do Ilê Afómó ko ni egbo gbogbo igi ni iba tan²⁸ O parasita não tem raízes, seus parentes são as árvores o ano de 2018, foi iniciado no Ilê Orixá o Projeto de Identificação das árvores sagradas, no início teve a finalidade de identificar aos filhos do axé as árvores rituais para evitar possíveis erros na hora que solicitado o uso de alguma folha, e o que de início pensava-se ser apenas para uso visual aos filhos hoje sem dúvida é um campo de estudo aberto, que possibilita o aprendizado. Abaixo temos relacionadas algumas árvores que estão identificadas no axé, com placa de identificação do seu nome em iorubá e em baixo o seu nome mais popular na região. É claro que é um projeto que não pode parar e que não existe um fim, pois novas mudas eventualmente são substituídas, placas de identificação devem ser trocadas a fim de melhor serem identificadas, mas isso não é o mais importante. Este projeto possui alguns objetivos: facilitar o reconhecimento de cada árvore ritualística reconhecer as diferenças existentes entre folhas parecidas fazer com que os frequentadores do axé sejam despertados para a importância de preservar a natureza incentivar os iniciados a plantarem em suas casas algumas dessas árvores fazer com que todos percebam que toda árvore é sagrada, e assim, precisa ser respeitada e cuidada N mostrar que somos todos parte de uma mesma natureza e assim é necessário cuidar e preservar fazer com que todos os visitantes da Fortaleza Ilê Orixá percebam o axé como fonte de conhecimento e aprendizado mostrar que é possível uma casa de axé crescer e estar integrada com a natureza Amexeira As amexeiras amarelas também conhecidas como nespêras possuem três exemplares plantados dentro da Fortaleza Ilê Orixá. Dentre as demais mudas de nêspera dentro do axé, esta da foto é especial, já estava presente também desde a compra do terreno, onde hoje está a sede da Fortaleza, viu muitas das transformações que ocorreram no local. O fruto atrai muitos pássaros que se alimentam e com isso também fazem com que suas sementes se espalhem por outros locais. Amoreira branca Ao comprar o terreno onde hoje está o Ilê Orixá esta amoreira branca era uma pequena muda, que foi preservada e hoje ornamenta a frente do Ilê, já está alta e de longe suas folhas e galhos são observados, sendo a moradia de diversos pássaros, quando adoram os seus frutos. A amoreira além de servir de alimento, suas folhas servem de restituição