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Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
LIMITES E CONTINUIDADE
(FUNÇÕES REAIS DE DUAS VARIÁVEIS REAIS)
Prof. Ricardo Saldanha de Morais
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Departamento de Matemática (http://www.dm.cefetmg.br)
I semestre de 2024
http://www.dm.cefetmg.br
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Sumário
1 Bola aberta e ponto de acumulação
2 Limites
Definição
Propriedades dos limites
3 Continuidade
4 Referências
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Bola aberta e ponto de acumulação
Se P � �x1, y1� e Q � �x2, y2� são pontos no plano, então a distância
entre P e Q é dada por
dist�P,Q� � Õ�x2 � x1�2 � �y2 � y1�2 .
Se P � �x1, y1, z1� e Q � �x2, y2, z2� são pontos no espaço,
dist�P,Q� � Õ�x2 � x1�2 � �y2 � y1�2 � �z2 � z1�2 .
De modo geral, se P � �p1, p2, . . . , pn� e Q � �q1, q2, . . . , qn� são pontos
no Rn
, então a distância entre P e Q é dada por
dist�P,Q� � �q1 � p1�2 � �q2 � p2�2 ��� �qn � pn�2 .
Definição (Bola aberta)
Sejam A um ponto do Rn
e r um número real positivo. A bola aberta
B�A; r� é o conjunto de todos os pontos P " Rn
tais que dist�P,A� $ r, i.e.,
B�A; r� � sP " Rn ·dist�P,A� $ ry .
Exemplo 1 (Bola aberta no R1
)
Sejam a " R1
e r um número real positivo. A bola aberta B�a; r� é o
conjunto de todos os pontos x " R1
tais que dist�x, a� $ r, isto é,Õ�x � a�2 $ r¿ ¶x � a¶ $ r¿ �r $ x � a $ r¿ a � r $ x $ a � r .
Exemplo 2 (Bola aberta no R2
)
Sejam A � �x0, y0� " R2
e r um
número real positivo.
A bola aberta B�A; r� é o conjunto de
todos os pontos �x, y� " R2
tais que
dist ��x, y� , �x0, y0�� $ r¿Ô�x � x0�2 � �y � y0�2 $ r¿
�x � x0�2 � �y � y0�2 $ r
2
.
Exemplo 3 (Bola aberta no R3
)
Sejam A � �x0, y0, z0� " R3
e r um
número real positivo.
A bola aberta B�A; r� é o conjunto de
todos os pontos �x, y, z� " R3
tais que
dist ��x, y, z� , �x0, y0, z0�� $ r¿Õ�x � x0�2 � �y � y0�2 � �z � z0�2 $ r¿
�x � x0�2 � �y � y0�2 � �z � z0�2 $ r
2
.
Isto é, B�A; r� é a região delimitada
pela esfera�x � x0�2 � �y � y0�2 � �z � z0�2 � r
2
,
exclúıda a esfera.
Definição (Ponto de acumulação)
Um ponto P0 é um ponto de acumulação de um conjunto não vazioR N Rn
se, para todo r % 0, a bola aberta B�P0; r� contém uma infinidade de pontos
da região R.
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Exemplo 4
Seja R � t�x, y� " R2 ·x % 1 e y % 1z�x,y���0,0�
�Óx � Ó
y��
P2
� � lim
�x,y���0,0�
x� � lim
�x,y���0,0�
x
1©2
� lim
�x,y���0,0�
y
1©2�
P0 e P5
� 0 �01©2 � 0
1©2� � 0 .
Como o limite, quando existe, é único, vale a seguinte
Regra dos Caminhos
Se ao longo de dois caminhos diferentes para
o ponto �x0, y0�, os limites de f�x, y�, quando�x, y� tende a �x0, y0�, são distintos ou um de-
les não existe, então
lim
�x,y���x0,y0�
f�x, y� não existe.
Exemplo 10
Seja f�x, y� � 2x y
x2
� y2
. Mostre que lim
�x,y���0,0�
f�x, y� não existe.
Solução:
Ao longo do eixo y, isto é, x � 0 e y j 0, temos que
f�x, y� »»»»»»»»x�0, yj0 �
2 � 0 � y
02 � y2
�
0
y2
� 0
e, por isso, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
y�0
0 � 0 .
Exemplo 10 (cont.)
Ao longo da reta y � x, x j 0, temos que
f�x, y� »»»»»»»»y�x,xj0 �
2xx
x2
� x2
�
��2x2
��2x2
� 1
e, assim, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
x�0
1 � 1 . Visto que os limites acima são distin-
tos, pela Regra dos Caminhos, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� não existe.
Exemplo 11
Seja f�x, y� � ~��������
x y
2
x2
� y4
se �x, y� j �0, 0�
1 se �x, y� � �0, 0� . Calcule lim
�x,y���0,0�
f�x, y�
se existir.
Solução:
Seja m " R. Ao longo da reta y � mx, x j
0, temos que f�x, y� »»»»»»»»y�mx,xj0
�
x�mx�2
x2
� �mx�4 �
m
2
��x
3
�m4x2
� 1���x2
�
m
2
x
m4x2
� 1
.
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Definição
Propriedades dos limites
Exemplo 11 (cont.)
Portanto, ao longo de qualquer reta não vertical passando pela origem,
lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
x�0
m
2
x
m4x2
� 1
� 0 .
Em relação à reta vertical x � 0, y j 0, o limite também é zero (verifique!).
Ao longo da parábola x � y
2
, y j 0, vemos que
f�x, y� »»»»»»»»x�y2, yj0
�
y
2
y
2
�y2�2 � y4
�
��y
4
2��y
4
�
1
2
.
Então, ao longo desse caminho, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
y�0
1
2
�
1
2
.
Dado que os limites acima são diferentes, de acordo com a Regra dos Cami-
nhos, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� não existe.
É oportuno destacar que, no exemplo anterior, o limite da função ao
longo de uma infinidade de caminhos para �0, 0� é zero. Contudo, o
limite da função, quando �x, y� tende a �0, 0�, não existe.
Exemplo 12
Seja f�x, y� � 3x y
2
x2
� y2
. Calcule lim
�x,y���0,0�
f�x, y� se existir.
Solução:
Ao longo do caminho y � x, x j 0,
lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
x�0
3xx
2
x2
� x2
� lim
x�0
3��x
3
2��x
2
� lim
x�0
3
2
x � 0 .
Ao longo da curva y � x
2
, x j 0,
lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
x�0
3x �x2�2
x2
� �x2�2 � lim
x�0
3��x
5
��x
2 �1 � x2� � lim
x�0
3x
3
1 � x2
� 0 .
Neste caso, f é uma função racional com grau do numerador maior que o
grau do denominador e tal que lim
�x,y���0,0�
3xy
2
� lim
�x,y���0,0�
�x2
� y
2� � 0. Es-
sas condições, juntamente com os resultados dos limites por caminho acima,
nos levam a suspeitar que o limite existe e que ele deve ser igual a zero (Cui-
dado! Isto não é um critério determinante).
Vamos então tentar provar que lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � 0 usando a definição de
limite, já que nenhum dos resultados vistos, até o momento, pode ser apli-
cado.
Exemplo 12 (cont.)
Queremos mostrar que, para todo ϵ % 0, existe δ % 0 tal que,
se 0 $
Õ�x � 0�2 � �y � 0�2 $ δ, então ¶f�x, y� � 0¶ $ ϵ (2)
Podemos escrever
¶f�x, y� � 0¶ � »»»»»»»»»
3x y
2
x2
� y2
»»»»»»»»» � 3¶x¶ y
2
x2
� y2
.
Além disso, como y
2
& x
2
� y
2
e x
2
& x
2
� y
2
, temos que
y
2
x2
� y2
& 1 eÓ
x2
&
Ô
x2
� y2. Consequentemente,
3¶x¶ y
2
x2
� y2
& 3¶x¶ � 3
Ô
x2
& 3
Õ
x2
� y2 .
Desse modo, 0 $
Ô
x2
� y2
$
ϵ
3
implica que
¶f�x, y� � 0¶ & 3
Õ
x2
� y2
$ 3 �
ϵ
3
� ϵ.
Isto é, para δ �
ϵ
3
, a condição (2) é satisfeita. Logo, lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � 0.
Teorema 4 (Teorema do Confronto)
Se f�x, y� & h�x, y� & g�x, y� para todo �x, y� pertencente a bola aberta
centrada no ponto �x0, y0� (exceto possivelmente em �x0, y0�) e
lim
�x,y���x0,y0�
f�x, y� � lim
�x,y���x0,y0�
g�x, y� � L ,
então lim
�x,y���x0,y0�
h�x, y� � L .
Exemplo 13
Sabemos, do exemplo anterior, que
»»»»»»»»»
3x y
2
x2
� y2
»»»»»»»»» & 3
Ô
x2
� y2 para todo �x, y� "
R2
� r�0, 0�x . Isso implica que
�3
Õ
x2
� y2
&
3x y
2
x2
� y2
& 3
Õ
x2
� y2
para todo �x, y�, �x, y� j �0, 0�, de uma bola aberta centrada na origem e
de raio qualquer. Como lim
�x,y���0,0�
�3
Õ
x2
� y2
� lim
�x,y���0,0�
3
Õ
x2
� y2
� 0, o
Teorema do Confronto assegura que lim
�x,y���0,0�
3x y
2
x2
� y2
� 0 .
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Continuidade
Definição (Continuidade)
Uma função f � D N R2
º R é cont́ınua no ponto �x0, y0� se e só se
(i) f está definida em �x0, y0�, isto é, �x0, y0� " D,
(ii) lim
�x,y���x0,y0�
f�x, y� existe e
(iii) lim
�x,y���x0,y0�
f�x, y� � f�x0, y0�.
f é cont́ınua se e só se é cont́ınua em todos os pontos de seu domı́nio D.
Se f está definida em �x0, y0� mas uma das condições (ii) e (iii) acima
não é satisfeita, dizemos que f é descont́ınua no ponto �x0, y0�.
Teorema 5 (Uma classe bem comportada)
Uma função racional é cont́ınua em todos os pontos de seu domı́nio.
Exemplo 14
Seja g�x, y� � ~��������
3x y
2
x2
� y2
se �x, y� j �0, 0�
0 se �x, y� � �0, 0� . Essa função é cont́ınua?
Solução:
A função g está definida em todo R2
. Para �x, y� j �0, 0�, g�x, y� coincide
com f�x, y� � 3x y
2
x2
� y2
, que é uma função racional definida em R2
�r�0, 0�x .
Portanto, g é cont́ınua em cada um dos pontos de R2
� r�0, 0�x .
Resta saber se g é cont́ınua no ponto �0, 0�. De acordo com o Exemplo 12,
podemos escrever
lim
�x,y���0,0�
g�x, y� � lim
�x,y���0,0�
3x y
2
x2
� y2
� 0.
Em outros termos, lim
�x,y���0,0�
g�x, y� � g�0, 0�, isto é, g é cont́ınua em �0, 0�.
Como g é cont́ınua em todos os pontos de seu domı́nio, g é uma função
cont́ınua.
Teorema 6 (Propriedades básicas)
Sejam f e g funções reais de duas variáveis reais cont́ınuas no ponto �x0, y0�.
Então,
(i) f � g é cont́ınua em �x0, y0�,
(ii) f � g é cont́ınua em �x0, y0� e
(iii)
f
g é cont́ınua em �x0, y0�, desde que g�x0, y0� j 0 .
Teorema 7 (Continuidade de funções compostas)
Sejam g uma função real de uma variável real e h uma função real de duas
variáveis reais. Suponha que h seja cont́ınua em �x0, y0� e que g seja cont́ınua
em h�x0, y0�. Então a função composta g ` h é cont́ınua em �x0, y0�.
Exemplo 15
Identifique os pontos nos quais a função f�x, y� � ln �4 � x
2
� y
2� é cont́ınua.
Solução:
A função f é composta das funções g�u� � lnu e h�x, y� � 4 � x
2
� y
2
, isto
é, f�x, y� � g�h�x, y��.
Sabemos que g é cont́ınua no intervalo �0,�� e que h é cont́ınua em R2
.
Além disso,
h�x, y� % 0¿ 4 � x
2
� y
2
% 0¿ x
2
� y
2
$ 4.
Por conseguinte, pelo Teorema 7, podemos inferir que f é cont́ınua em cada
um dos pontos do conjunto Df � t�x, y� " R2 ·x2
� y
2
$ 4z .
Exemplo 16
Pelo mesmo racioćınio empregado no exemplo anterior, podemos deduzir que
as funções
r�x, y� � e
x�y
e s�x, y� � sen �x � y�
são cont́ınuas em R2
e que a função t�x, y� � arctg � yx	 é cont́ınua no con-
junto Dt � t�x, y� " R2 ·x j 0z (confira!). Podemos então estabelecer, por
exemplo, as seguintes igualdades
Exemplo 16 (cont.)
(a) lim
�x,y���π,π©2�
sen�x � y�
x
P4
�
lim
�x,y���π,π©2�
sen�x � y�
lim
�x,y���π,π©2�
x
�
sen �π � π©2�
π � �
1
π ,
(b) lim
�x,y���ln3,ln2�
e
x�y
� e
ln3�ln2
� e
ln 3
2 �
3
2
e
(c) lim
�x,y���1,Ó3�
arctg � yx	 � arctg�Ó3
1
� � π
3
.
Teorema 8
Sejam g uma função de uma única variável e h uma função de duas variáveis.
Se lim
�x,y���x0,y0�
h�x, y� � a e g é cont́ınua em a, então
lim
�x,y���x0,y0�
g�h�x, y�� � g�a� ou
lim
�x,y���x0,y0�
g�h�x, y�� � g � lim
�x,y���x0,y0�
h�x, y�
.
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Exemplo 17
Seja f�x, y� �
~����������
cos� 3x y
2
x2
� y2
� se �x, y� j �0, 0�
0 se �x, y� � �0, 0� . Essa função é
cont́ınua na origem?
Solução:
Vimos no Exemplo 12 que
lim
�x,y���0,0�3x y
2
x2
� y2
� 0.
Uma vez que a função cosseno é cont́ınua, o Teorema 8 implica que
lim
�x,y���0,0�
f�x, y� � lim
�x,y���0,0�
cos� 3x y
2
x2
� y2
�
� cos� lim
�x,y���0,0�
3x y
2
x2
� y2
� � cos 0 � 1.
Como lim
�x,y���0,0�
f�x, y� j f�0, 0�, a função f é descont́ınua no ponto �0, 0�.
Bola aberta e ponto de acumulação
Limites
Continuidade
Referências
Referências
THOMAS, G. Cálculo. 12. ed. São Paulo: Addison Wesley, 2009. v. 2.
STEWART, J. Cálculo. 7. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. v.
2.
LEITHOLD, L. O Cálculo com Geometria Anaĺıtica. 3. ed. São
Paulo: Harbra, 1994. v.2.
https://www.geogebra.org/
LATEX https://www.latex-project.org/
https://www.geogebra.org/
https://www.latex-project.org/
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