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Entamoeba Histolytica Monitora: Layla Alves A Entamoeba histolytica é o agente etiológico da Amebíase, importante problema de saúde pública que leva ao óbito anualmente cerca de 100.000 pessoas, constituindo a segunda causa de mortes por parasitoses. Apesar da alta mortalidade, muitos casos de infecções assintomáticas são registrados. ⇁ MORFOLOGIA: Trofozoítos: Em culturas ou casos de disenteria, os trofozoítos da Entamoeba histolytica medem 20 a 30 μm e possuem um núcleo visível quando corado, mas pouco perceptível vivo. O citoplasma é dividido em ectoplasma (claro e hialino) e endoplasma (granuloso, com vacúolos e restos alimentares). O núcleo tem uma membrana fina, cromatina granular uniforme (aspecto de "anel") e um cariossoma central. Quando observados a fresco, os trofozoítos são pleomórficos, ativos, emitem pseudópodes grossos e hialinos, e movem-se de forma direcional, como uma lesma. Em casos de disenteria, o citoplasma pode conter eritrócitos, indicando patogenicidade. Já os trofozoítos não invasivos têm bactérias, amido ou detritos, mas nunca eritrócitos. Essas características ajudam a diferenciar a E. histolytica de outras amebas não patogênicas. Pré-cistos: É uma fase intermediária entre o trofozoíto e o cisto. É oval ou ligeiramente arredondado, menor que o trofozoíto. O núcleo é semelhante ao do trofozoíto. Cistos: Os cistos da Entamoeba histolytica têm forma esférica ou oval, com diâmetro de 8 a 20 μm. Eles podem conter 1 a 4 núcleos, que são pouco visíveis. Além disso, o citoplasma dos cistos pode apresentar vacúolos de glicogênio, que se coram de castanho com lugol. ● Cistos jovens: Possuem 1 a 3 núcleos, vacúolos de glicogênio e corpos cromatoides. ● Cistos maduros: Geralmente têm 4 núcleos, e raramente apresentam vacúolos de glicogênio ou corpos cromatoides. Metacistos: É uma forma multinucleada que emerge do cisto no intestino delgado, onde sofre divisões, dando origem aos trofozoítos. ⇁ CICLO BIOLÓGICO: O ciclo biológico da Entamoeba histolytica é monoxênico. O ciclo começa com a ingestão de cistos maduros (tetranucleados) presentes em água ou alimentos contaminados. Esses cistos são resistentes ao suco gástrico e chegam ao intestino delgado, onde ocorre o desencistamento, liberando trofozoítos (cada cisto origina 8 trofozoítos). Os trofozoítos migram para o intestino grosso, onde podem seguir dois caminhos: (1) Ciclo não patogênico: Os trofozoítos vivem como comensais, alimentando-se de detritos e bactérias. Eles se transformam em pré-cistos e depois em cistos tetranucleados, que são eliminados nas fezes formadas, mantendo o ciclo. (2) Ciclo patogênico: Em casos de desequilíbrio parasita-hospedeiro, os trofozoítos invadem a mucosa intestinal, causando úlceras e sintomas como diarreia mucossanguinolenta (disenteria amebiana). Eles podem ainda disseminar-se pela corrente sanguínea, atingindo órgãos como fígado, pulmão, rim ou cérebro, causando abscessos (amebíase extraintestinal). Nessa forma, os trofozoítos são hematófagos (fagocitam hemácias) e não formam cistos. Nos casos não patogênicos, os cistos maduros são eliminados nas fezes, podendo contaminar o ambiente e infectar novos hospedeiros. Em fezes diarreicas, são encontrados principalmente trofozoítos, enquanto em fezes formadas, observam-se cistos ou pré-cistos. OBS¹: A transição de comensal para invasor depende de fatores como a resposta imune do hospedeiro, flora bacteriana intestinal e reinfecções sucessivas. Trofozoítos invasivos liberam enzimas proteolíticas e citocinas, permitindo a invasão tecidual. OBS²: A principal forma de transmissão é a fecal-oral (água e alimentos contaminados), porém há também outras formas! ⇁ PATOGENIA: A patogenicidade da Entamoeba histolytica está relacionada a três mecanismos principais: adesão, efeito citopático e invasão tecidual. Esses processos permitem que o parasita cause danos ao hospedeiro, desde lesões intestinais até disseminação para outros órgãos. (1) Adesão: Os trofozoítos aderem às células da mucosa intestinal por meio de lectinas presentes em sua superfície. Essas lectinas reconhecem resíduos específicos de açúcares, como a Galactose-N-acetil-galactosamina, presentes nas células do hospedeiro. Essa adesão é o primeiro passo para a invasão e destruição tecidual. (2) Efeito citopático: Após a adesão, os trofozoítos liberam enzimas proteolíticas, como hialuronidase, protease e mucopolissacaridases, que degradam a matriz extracelular e destroem as células do hospedeiro. Além disso, produzem uma proteína que forma poros nas membranas celulares, causando lise (destruição) das células. Esse efeito citopático depende da adesão inicial e é essencial para a progressão da infecção. (3) Invasão: Uma vez aderidos e com o tecido danificado, os trofozoítos invadem a mucosa intestinal, formando microulcerações. Eles se multiplicam na submucosa e podem avançar para camadas mais profundas. As lesões são mais comuns no cego e na região retossigmoide. Em alguns casos, a resposta inflamatória do hospedeiro pode levar à formação de um ameboma, uma massa granulomatosa que pode ser confundida com um tumor e causar obstrução intestinal. (4) Disseminação extra intestinal: Os trofozoítos podem penetrar na corrente sanguínea, principalmente através da circulação porta, e atingir outros órgãos. O fígado é o mais afetado, onde podem formar abscessos (necrose coliquativa). Em casos mais raros, os trofozoítos podem atingir o pulmão, cérebro, pele ou regiões como o períneo (anal ou vaginal), causando amebíase extraintestinal. ⇁ SINTOMATOLOGIA: - diarreia ou disenteria (fezes com muco e sangue); - dor abdominal e cólicas; - febre (mais comum na forma extra intestinal); - perda de peso e fraqueza; - sintomas específicos de abscessos (fígado, pulmão, cérebro) em casos de disseminação. ⇁ DIAGNÓSTICO: A amebíase, especialmente na fase aguda, pode ser confundida com outras doenças, como disenteria bacilar, salmonelose, síndrome do cólon irritável e esquistossomose. Por isso, o diagnóstico definitivo só é confirmado pela identificação do parasita nas fezes. Diagnóstico Laboratorial: (1) Pesquisa em fezes líquidas: Método direto: Em fezes diarreicas ou mucossanguinolentas, uma pequena amostra é misturada com solução salina e examinada ao microscópio. Trofozoítos hematófagos: A presença de trofozoítos com hemácias no citoplasma é indicativa de Entamoeba histolytica. (2) Pesquisa em fezes formadas: Técnicas de concentração: Métodos como Ritchie, Hoffman ou Faust são usados para identificar cistos. (3) Métodos Imunológicos: ELISA: Detecta antígenos específicos de E. histolytica nas fezes, permitindo a identificação direta da espécie patogênica. ⇁ PROFILAXIA: ✔ Engenharia educação sanitária; ✔ Medidas de saneamento básico; ✔ Evitar a ingestão de cistos; ✔ Impedir a contaminação fecal e de alimentos; ✔ Controle dos manipuladores de alimentos; ✔ Evitar práticas sexuais que favoreçam o contato fecal-oral; ✔ Investigação e tratamento da fonte de infecção.