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PATOLOGIA LEISHMANIOSE LEISHMANIOSE A leishmaniose é uma doença infecciosa de origem parasitária, considerada um dos principais problemas de saúde pública em diversas regiões tropicais e subtropicais do mundo. É classificada como uma doença negligenciada devido à baixa visibilidade e ao investimento reduzido em pesquisas e tratamentos. Essa enfermidade pode se manifestar de diferentes formas, variando de quadros cutâneos leves a manifestações viscerais graves, que podem levar à morte. Este seminário abordará detalhadamente as causas, sinais e sintomas, impacto socioeconômico e opções terapêuticas, além dos desafios enfrentados na busca por controle e erradicação da leishmaniose. CAUSAS DA LEISHMANIOSE A leishmaniose é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos ao hospedeiro vertebrado por meio da picada de flebotomíneos do gênero Lutzomyia (mosquito-palha). O parasita tem um ciclo de vida digenético, alternando entre a forma promastigota (transmitida pelo mosquito ao hospedeiro) e a forma amastigota (que se multiplica dentro das células do sistema imunológico do hospedeiro). Principais Espécies Patogênicas Leishmania braziliensis: associada à leishmaniose cutânea e mucocutânea. Leishmania donovani e Leishmania infantum (sinônimo de Leishmania chagasi nas Américas): principais agentes da leishmaniose visceral. FATORES DE RISCOS E EXPANSÃO DA DOENÇA Mudanças ambientais: Desmatamento e urbanização descontrolada aumentam a proximidade entre humanos e vetores. Fatores climáticos: O aumento da temperatura global favorece a proliferação do mosquito-palha. Condições socioeconômicas: A doença está fortemente relacionada à pobreza, com maior incidência em áreas de difícil acesso a serviços de saúde. Reservatórios animais: Cães são um importante reservatório da leishmaniose visceral, facilitando a manutenção da doença em ambientes urbanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose afeta aproximadamente 12 milhões de pessoas no mundo, com uma incidência anual de 700 mil a 1 milhão de novos casos. SINAIS E SINTOMAS A leishmaniose se manifesta de três formas clínicas principais: Leishmaniose Cutânea Caracteriza-se por lesões ulceradas indolores que surgem no local da picada do mosquito. Evolui lentamente e pode levar meses para cicatrizar. Deixa cicatrizes permanentes, afetando a autoestima e qualidade de vida dos pacientes. Leishmaniose Mucocutânea Pode ocorrer após uma infecção cutânea não tratada. O parasita migra para as mucosas do nariz, boca e garganta, causando inflamação e destruição tecidual. Se não tratada precocemente, pode levar a desfiguração severa e dificuldades respiratórias. Leishmaniose Visceral (Calazar) A forma mais grave da doença, podendo ser fatal se não tratada. Sintomas incluem febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço), anemia e imunossupressão. No Brasil, a taxa de letalidade da leishmaniose visceral pode chegar a 10%, especialmente em populações com dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce. IMPACTO SOCIO ECONOMICO A leishmaniose tem um impacto devastador na qualidade de vida dos pacientes e na economia das regiões endêmicas: Afastamento do trabalho: Pacientes, especialmente com leishmaniose mucocutânea, podem perder sua capacidade laboral. Gastos elevados com tratamento: Os custos com medicamentos e hospitalizações são altos para famílias de baixa renda. Sobrecarrega os sistemas de saúde: Principalmente em países em desenvolvimento, onde há limitação de recursos para controle da doença. TRATAMENTO O tratamento da leishmaniose depende da forma clínica e da espécie envolvida. As principais terapias incluem: Opções Terapêuticas Antimoniais pentavalentes (antimoniato de meglumina, estibogluconato de sódio): primeira linha de tratamento, mas possuem elevada toxicidade hepática e renal. Anfotericina B (convencional ou lipossomal): indicada para casos graves de leishmaniose visceral, sendo a formulação lipossomal menos tóxica e mais eficaz. Miltefosina: única droga oral disponível, com eficácia na leishmaniose visceral e cutânea. Isotionato de pentamidina: usado principalmente para leishmaniose mucocutânea. TRATAMENTO: Desafios, novas pesquisas e terapias Resistência Medicamentosa: O uso prolongado de antimoniais tem levado ao surgimento de cepas resistentes, tornando o tratamento menos eficaz em algumas regiões. Acesso ao Tratamento: Muitas populações em áreas endêmicas não têm acesso adequado aos medicamentos devido ao alto custo e dificuldade de distribuição. Vacinas em desenvolvimento: Ensaios clínicos estão em andamento para vacinas contra a leishmaniose, com destaque para estudos conduzidos no Brasil e na Índia. Terapias combinadas: O uso de diferentes fármacos em associação está sendo estudado para aumentar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais. MEDIDAS PREVENTIVAS Controle do vetor: Uso de inseticidas e telas de proteção em residências. Vacinação canina: Estratégia eficaz para reduzir a transmissão em áreas endêmicas. Educação sanitária: Campanhas de conscientização para reduzir criadouros do mosquito-palha. Monitoramento epidemiológico: Vigilância ativa para identificação precoce de surtos. CONCLUSÃO A leishmaniose continua sendo um grande desafio de saúde pública. Seu controle depende de medidas integradas, que envolvem prevenção, diagnóstico precoce e acesso universal ao tratamento. O papel do profissional farmacêutico é crucial na orientação dos pacientes e na disseminação de informações sobre a doença. A conscientização e o investimento em pesquisa são fundamentais para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e para a erradicação da leishmaniose. REFERÊNCIAS ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Leishmaniose. Disponível em: www.who.int MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL. Manual de Vigilância da Leishmaniose. Disponível em: www.saude.gov.br SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA. Tratamento e Prevenção da Leishmaniose. OPAS. Organização Pan-Americana de Saúde. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/leishmaniose ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Leishmaniose. Disponível em: www.who.int MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL. Manual de Vigilância da Leishmaniose. Disponível em: www.saude.gov.br SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA. Tratamento e Prevenção da Leishmaniose. 13 FAP- Faculdade dos Palmares Disciplina: Patologia Prof.º: Telma Curso: Farmácia 3º Período Alunos(as): Anne Calado, Higor Cauê, Josiely Oliveira Josiael Manoel, Natalia Emilia, Celso Milton, Laura Rayane, Gilberto Martins OBRIGADA ! image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png