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ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA O ENSINO DE PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS – Ple/pl2 AULA 1 Prof. Alexandre Olsemann 2 CONVERSA INICIAL Sejam bem-vindos a mais uma imersão em conteúdos fundamentais que irão embasar nossa trajetória profissional. Neste momento, vamos refletir sobre aspectos relevantes do processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa para estrangeiros. Não é tarefa das mais fáceis planejar, escolher materiais, definir estratégias de trabalho para alunos PLE e PL2, exige bastante do professor, é preciso conhecer esses alunos, contextualizar e estar em constante avaliação quanto ao sucesso do processo. Esse trabalho requer muita sensibilidade e empatia, estamos falando de pessoas que necessitam se instrumentalizar para algum objetivo em suas vidas, por vezes, uma língua a mais, porém, por vezes, a necessidade de alguém que precisa se comunicar para trabalhar e sobreviver. Mais uma desafiadora proposta entre tantas no mundo da educação, preparar, capacitar você para essa proposta é a meta de nossa aula, os temas que serão desenvolvidos com esse propósito são: • O que podemos considerar como materiais didáticos? • Os livros didáticos são essenciais para o ensino de línguas? • O que são materiais didáticos complementares? • Materiais específicos para públicos específicos; • Análise do perfil e das necessidades dos alunos. TEMA 1 – O QUE PODEMOS CONSIDERAR COMO MATERIAL DIDÁTICO? Ensinar não é uma tarefa simples, exige muita dedicação, conhecimento e esforço por parte do professor, porém, existem algumas ferramentas que podem facilitar esse processo: os materiais didáticos. Vamos compreender melhor sobre as diferentes formas que podemos utilizar alguma alternativa como material de ensino e quais os benefícios pedagógicos em trazer material de qualidade e bem preparado para dentro da sala de aula. Os materiais didáticos são tudo aquilo que podemos utilizar como um objeto de estudo para trabalhar com os alunos, ajudando no desenvolvimento da aula como um todo, apresentando propostas e soluções para possíveis temas a serem levantados, e mesmo que os livros sejam parte da base de boa parte do 3 ensino e seja considerado um material didático por excelência, ainda podemos pensar muitas outras coisas como sendo materiais didáticos, por exemplo, quando pensamos pela perspectiva de nossa disciplina, podemos utilizar filmes, textos, imagens ou a letra de uma música para trabalhar com os alunos, desenvolvendo atividades que trabalhem a fala e a escrita. Algumas circunstâncias podem colocar o professor em situações pouco favoráveis, como a falta de recursos em seu ambiente de trabalho, uma maneira de superar esse tipo de dificuldade é utilizar a sua criatividade, trazendo materiais que normalmente não são utilizados para o ensino, mas, quando contextualizados, podem ajudar no desenvolvimento da aula, pois qualquer artefato que auxilie e enriqueça o processo de ensino-aprendizagem é válido como um material didático. Quando situações adversas surgem, cabe ao professor trabalhar com aquilo que tem na mão. A seguir, há alguns exemplos de materiais que originalmente não foram criados com o intuito educacional, mas que podem ser contextualizados para elaborar atividades com seus alunos: • Filmes; • Músicas; • Revistas; • Jornais; • Conteúdos disponíveis na internet; • Vídeos; • Propagandas. TEMA 2 – OS LIVROS DIDÁTICOS SÃO ESSENCIAIS PARA O ENSINO DE LÍNGUAS? Desde os primórdios da educação, temos os livros didáticos como a base do ensino, mas, hoje, com tantos meios tecnológicos de se obter informações e com uma enorme variedade de possibilidades de materiais didáticos, ainda podemos considerar os livros como uma ferramenta essencial para o ensino de línguas? A resposta é sim. Vamos compreender melhor sobre como os livros ainda possuem um importante papel na educação. Apesar da facilidade que a internet trouxe na realização de pesquisas, ainda existe a questão da qualidade do conteúdo encontrado. Livros, em geral, 4 precisam de aprovações para que sejam considerados materiais didáticos e é só após ser validado que um livro pode chegar às salas de aula. A maioria das escolas de línguas utiliza um livro como material base para todo o processo de ensino, estabelecendo a necessidade de que o professor se familiarize com esse material de forma a alinhar suas aulas com o conteúdo que a instituição apresenta, porém, esse método pode limitar as aulas, engessando o conteúdo e não estimulando os alunos. Mas quando o professor possui a autonomia de escolher seu material didático, escolher o livro que será a base de suas aulas, é importante que ele leve algumas questões em consideração. Por exemplo, os interesses de seus alunos, quais as motivações para a procura pelo estudo de línguas, se o estudo acontece por motivo de uma possível mudança de país ou, então, se é uma viagem de intercâmbio, existem muitas possibilidades. A natureza da motivação do aluno é um fator importante na maneira como o professor irá planejar suas aulas, definir e escolher o material didático mais adequado, afinal, a urgência de alguém que está estudando para desenvolver uma segunda língua, sem pretensões, é diferente de alguém que está se adaptando a uma nova vida e precisa aprender mais depressa o idioma. Outro fator importante relacionado ao perfil dos alunos é a questão da idade, o planejamento da aula para uma turma de crianças é muitos diferente do planejamento para adolescentes ou adultos, e a escolha do material didático a ser ofertado também depende desse fator. TEMA 3 – O QUE SÃO MATERIAIS DIDÁTICOS COMPLEMENTARES? Os livros possuem um papel fundamental no processo de ensino- aprendizagem, muitas vezes, representando a base de todo um curso de línguas, porém, utilizar apenas um livro como a única fonte de conhecimento pode acabar deixando a aula “engessada”, com pouca diversidade, o que pode até mesmo resultar na perda de interesse por parte dos alunos para aprender este ou aquele conteúdo. Uma solução para oferecer o desenvolvimento de um conteúdo de forma diferente do habitual e proporcionar uma aula mais dinâmica é buscar trazer os materiais complementares para o momento de aula. Mas, afinal, o que são esses materiais complementares? Vamos entender melhor sobre essas ferramentas. 5 Os materiais complementares são atividades que acrescentam, enriquecem o material de embasamento do curso. Pensando pela perspectiva da nossa disciplina, existe uma carência de livros didáticos para o ensino da língua portuguesa para estrangeiros, dito isto, podemos refletir que trazer materiais complementares é ainda mais importante. O conteúdo das aulas pode acabar se tornando um tanto quanto genérico quando utilizamos apenas uma fonte de conhecimento durante as aulas e, para resolver esse problema, é preciso buscar materiais que complementem o conteúdo, suprindo possíveis deficiências da aula, mas ainda com a função de criar novos estímulos para os alunos, transformando a aula em algo mais interessante, estimulante , criativo, prazeroso. Existem muitas maneiras de trazer esses materiais para dentro da sala de aula, um bom exemplo de atividade que podemos praticar com os alunos são as letras de músicas, em que o professor pode pedir para o aluno escrever o que entendeu da letra, desenvolvendo sua compreensão da língua, sua escrita, e ampliando seu vocabulário. Outra maneira interessante de oferecer dinâmicas diferentes para a aula é por meio de jogos, sendo esta uma opção muito indicada para trabalhar com crianças pequenas, porém, de bom resultado também em outras faixas etárias. TEMA 4 – MATERIAIS ESPECÍFICOS PARA PÚBLICOS ESPECÍFICOS O material didático é uma poderosa ferramenta que o professor possui paratransmitir ao aluno um determinado conhecimento. Estes podem aparecer de diversas formas, sendo a mais comum os livros, mas quais são os critérios para que seja feita a escolha de um determinado material? Existem muitos fatores responsáveis para essa escolha, um dos mais importantes é quanto às características do público-alvo das aulas, o material deve ser escolhido para suprir as necessidades desses alunos, levando em consideração as possíveis dificuldades que eles podem enfrentar no seu dia a dia, mais precisamente podemos atribuir essa escolha principalmente a dois fatores: a língua materna e o perfil dos alunos. Vamos entender melhor sobre a relação que esses fatores possuem com a escolha do material. 6 Como dito anteriormente, o primeiro fator está relacionado à língua materna do aluno, principalmente em como ela se relaciona com a língua-alvo, no caso, o português brasileiro. Saiba mais Quando a língua nativa do aluno é uma língua com uma base próxima ao português, como o italiano, com fundamentos no latim, o ritmo das aulas pode ser mais acelerado, por consequência, o material pode ser mais direto. Agora, se a língua nativa não é próxima da língua portuguesa, por exemplo, quando estamos trabalhando com alunos chineses, é necessário que as coisas aconteçam de maneira mais lenta, proporcionando mais tempo para que estes assimilem o conteúdo. Mais uma vez, o material deve acompanhar o ritmo da aula, ou seja, o professor precisa buscar o material mais adequado para cada situação apresentada. O segundo e importantíssimo fator é o perfil do aluno e que está relacionado aos objetivos do aluno, os motivos pelos quais ele está estudando essa nova língua, pois um aluno que procura aprender português apenas pelo prazer de aprender é diferente de um aluno imigrante que está estudando para poder ser adaptar ao mercado de trabalho brasileiro e sobreviver e sua motivação principal é a necessidade. O professor precisa levar em consideração a motivação desses alunos para encontrar o material didático mais adequado para cada público específico e atingir os objetivos de seu planejamento. TEMA 5 – ANÁLISE DO PERFIL DAS NECESSIDADES DOS ALUNOS Todo o processo de ensino-aprendizagem deve levar em consideração as necessidades dos alunos, para que o desenvolvimento deles ocorra respeitando as suas possibilidades e limitações momentâneas. Neste processo, existe a etapa de escolha do material, tarefa, muitas vezes, atribuída ao professor, que deve levar em consideração o perfil dos alunos para essa escolha. Vamos entender melhor sobre os critérios dessa ação e as consequências positivas e negativas de se escolher um material didático adequado ou não ao perfil dos alunos. Uma boa maneira de analisar a composição do cenário inicial dos alunos é a partir de um teste de nivelamento, em que estes podem demonstrar seu nível de proficiência, caso já possuam algum conhecimento da língua portuguesa. Ao 7 classificar os alunos de acordo com seu nível de conhecimento, o professor pode determinar sua forma de trabalho, por exemplo, é muito comum que os alunos sejam divididos em turmas de acordo com o resultado destes testes. Normalmente, os alunos são divididos em cinco grupos: • Iniciante; • Básico; • Pré-intermediário; • Intermediário; • Avançado. Após feita uma análise do nível dos alunos, é possível escolher o material que se encaixe na etapa de aprendizagem da turma, buscando planejar o desenvolvimento dos pontos em que o resultado foi muito baixo, partindo das dificuldades. Outra questão importante é a idade dos alunos, desenvolver o processo ensino-aprendizagem com crianças exige uma determinada didática muito diferente em comparação com adultos, e a escolha do material também vai depender diretamente da faixa etária a ser trabalhada, sendo um fator decisivo na eficiência do processo de ensino. Por fim, devemos levar em consideração a motivação do aluno em aprender. Entender o que está estimulando esse aluno vai certamente facilitar a abordagem do professor, este precisa ter a sensibilidade de entender as necessidades de seus alunos e, quando consideramos que estamos lidando com estrangeiros, suprir essas necessidades pode ser um fator determinante do aprendizado. NA PRÁTICA O material didático é uma poderosa ferramenta que ajudará o professor durante as aulas. Esse material pode ser apresentado em diferentes formas: livros, vídeos, áudio, qualquer alternativa que auxilie o professor e facilite o processo de aprendizado pode ser considerado um material didático. Um material didático bem pensado, pesquisado e adequado ao perfil da turma vai fazer a diferença do desenvolvimento do processo de ensino e é o professor o principal responsável por essa ação, buscar o melhor para seu 8 momento de aula, o melhor para seus alunos, oferecendo a real possibilidade de aprendizagem. Para nossa atividade prática, pesquise uma unidade didática relacionada à área de domínio que você atua ou pretende atuar e, em seguida, analise o material, descrevendo suas etapas e identifique o público alvo mais adequado para utilizar essa unidade. Por fim, aponte os pontos positivos e negativos em utilizar esse material nas aulas de ensino de língua portuguesa. FINALIZANDO Em nossa aula, refletimos sobre a importância do material didático. Foram apresentados conceitos de que muitos materiais podem ser considerados como material didático, desde que bem contextualizados e a partir do momento que facilite o processo de ensino-aprendizagem. Também foi levantada a questão da importância dos bons livros didáticos como base do ensino e as vantagens e desvantagens de fundamentar toda a aula em apenas uma fonte de conhecimento: o livro didático. Outra reflexão foi quanto à utilização de materiais complementares como alternativa de enriquecimento do processo ensino-aprendizagem da língua portuguesa para estrangeiros, como adequar diferentes materiais que irão somar ao uso do livro, proporcionando aulas mais diversificadas, atraentes e interessantes. O difícil trabalho de planejar, pesquisar e escolher os melhores materiais a serem utilizados nos momentos de aula é do professor, que precisa estar em sintonia com seus alunos, conhecê-los e exercitar a empatia. Professor, você pode ser o responsável pelo sucesso e felicidade de alguém, então, arregace as mangas e bom trabalho! 9 REFERÊNCIAS DINIZ, L. R. A. Mercado de línguas: a instrumentalização brasileira do português como língua estrangeira. Campinas: RG, 2010. LEFFA, V. J. Metodologia do ensino de línguas. In: BOHN, H. I.; VANDRESEN, P. Tópicos em linguística aplicada: o ensino de línguas estrangeiras. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1988. MARCURSCHI, L. A. Aspetos da oralidade descuidados, mas relevantes para o ensino de português como segunda língua. In: GÄRTNER, E. & M. J. HERHUT, N. SOMMER (Ed.). Contribuições para a Didáctica do Português: Língua Estrangeira. Frankfurt Main: T.F.M., 15-40. MENDES, E. (org.) 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