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NARCISISMO E CULTURA 
MIDIÁTICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Isabela Dalle Varela 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Vamos começar agora a trabalhar um tema de extrema relevância nos 
dias atuais: Narcisismo e Cultura Midiática. 
Estudar tal tema é fundamental para que possamos entender como as 
mídias sociais, publicidade e outros veículos influenciam a maneira como as 
pessoas percebem a si mesmas e aos outros. A valorização excessiva da 
imagem, a busca incessante por validação externa e a exaltação do ego se 
tornam normas culturais. A exposição constante a ideais de beleza, sucesso e 
estilo de vida promovidos pela mídia pode exacerbar tendências narcisistas, 
levando a questões como baixa autoestima, ansiedade e outros transtornos 
psicológicos. 
A cultura midiática, especialmente por meio das redes sociais, 
transformou a maneira como nos relacionamos. A análise do narcisismo nesse 
contexto irá nos permitir compreender como a superficialidade e a objetificação 
do outro podem prejudicar a profundidade das relações interpessoais. 
Para podermos fazer todas essas análises, iremos trabalhar os seguintes 
temas: narcisismo, eu ideal e ideal do eu, narcisismo das pequenas diferenças, 
ciberespaço, reflexões sobre o narcisismo nas redes sociais e fecharemos com 
psicanálise e ciberespaço. 
Em última análise, estudar o Narcisismo e Cultura Midiática também é 
uma forma de crítica cultural, que questiona os valores propagados pelos meios 
de comunicação e suas consequências na sociedade incluindo uma reflexão 
sobre o consumismo, o individualismo extremo e a perda de vínculos 
comunitários. 
Espero que você aproveite! 
TEMA 1 – CONSTRUÇÃO HISTÓRICA 
Para podermos trabalhar de forma mais consistente o tema “Narcisismo e 
Cultura Midiática”, entendemos ser necessário fazer uma digressão histórica 
dividida em dois momentos. No primeiro, iremos abordar, propriamente, o mito 
de Narciso. Posteriormente, veremos como Freud desenvolveu a temática do 
narcisismo. 
 
 
 
3 
1.1 O Mito de Narciso 
A origem do Mito de Narciso está na mitologia grega, mas foi realmente 
detalhado por Ovídio, um dos mais proeminentes poetas romanos, nascido em 
43 a.C e falecido entre 17 e 18 d.C. 
Ovídio escreveu diversas obras que abordavam temas mitológicos e 
amorosos, sendo uma das principais a Metamorfoses, composta por 15 livros em 
que o autor narra a história do mundo desde sua criação até a deificação de Júlio 
César, sendo que, em seu livro III, encontra-se o Mito de Narciso. Como existem 
diversas versões deste mito, trabalharemos com a mais popular. 
Narciso era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope que, ao indagar ao 
profeta Tirésias sobre o destino de seu filho, é informada que ele teria uma vida 
longa desde que nunca visse sua própria imagem. A despeito desta profecia, 
Narciso cresceu e se tornou um jovem de beleza extraordinária. Sua aparência 
encantava todos ao seu redor, mas ele era indiferente aos sentimentos dos 
outros. 
Entre suas admiradoras estava Eco, uma ninfa muito falante que foi 
amaldiçoada por Hera, esposa de Zeus. Como punição por tê-la distraído por 
horas enquanto Zeus a traía com outras ninfas, Hera condenou Eco a apenas 
repetir as últimas palavras que ouvisse. Um belo dia, Eco viu Narciso enquanto 
ele caçava na floresta e se apaixonou perdidamente. Incapaz de falar 
diretamente com Narciso por causa da maldição, Eco esperou que ele falasse 
primeiro. Quando finalmente ele chamou por alguém, Eco repetiu suas palavras, 
emergindo de seu esconderijo e tentando abraçá-lo. Narciso a rejeitou 
cruelmente, dizendo que preferiria morrer a ser tocado por ela. Eco, devastada, 
retirou-se para a solidão das cavernas e montanhas, onde definhou até que nada 
restou dela além de sua voz. 
Contudo, quando estava escondida, em profunda tristeza e frustração, 
pediu aos deuses que Narciso experimentasse o sofrimento do amor não 
correspondido. Essa prece foi ouvida por Nêmesis, a deusa da vingança, que 
decidiu punir Narciso pela sua crueldade e falta de empatia. Decidiu que a 
punição apropriada para Narciso seria fazer com que ele se apaixonasse por 
algo que nunca poderia ter. Ela fez isso de tal forma que ele se apaixonasse por 
sua própria imagem, levando à sua auto-obsessão e, eventualmente, à sua 
destruição. 
 
 
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Certo dia, após uma caçada, Narciso se aproximou de uma fonte cristalina 
para saciar sua sede. Ao inclinar-se para beber, viu sua própria imagem refletida 
na água e se apaixonou instantaneamente por aquela figura de beleza 
incomparável, sem perceber que era ele mesmo. Consumido pelo amor por sua 
própria imagem, Narciso não conseguia se afastar da fonte. Ele ficou ali, 
contemplando seu reflexo, incapaz de comer ou dormir, e lentamente definhou. 
Suas súplicas para que o reflexo retribuísse seu amor eram inúteis e acabou 
morrendo de tristeza. 
Após sua morte, as ninfas da floresta encontraram, no lugar onde ele 
havia caído, uma flor de pétalas brancas com um centro amarelo, que passou a 
ser conhecida como narciso, simbolizando a beleza efêmera e a natureza 
autodestrutiva do amor-próprio excessivo. 
1.2 Construção de um conceito 
A construção, por Freud, do conceito de narcisismo se deu aos poucos, 
sendo que é possível vislumbrar, em diversas de suas obras, aspectos que irão, 
somados, servir de base para seu desenvolvimento. 
Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, escrito em 1905 e 
revisado em 1915, Freud introduziu a ideia de que a libido está inicialmente 
centrada no próprio corpo e só após se dirige a objetos externos. Isso poderia 
ser visto como um precursor do conceito de narcisismo primário. 
Antes de continuarmos, cumpre ressaltar que até 1914, Freud, além de 
não utilizar o termo narcisismo, estava trabalhando com a primeira tópica (CS – 
PCS – ICS) onde o “Eu” ainda não é uma instância psíquica. 
Em 1911, em seu Estudo sobre o Caso Schreber, Freud observou que o 
jurista retirou sua libido dos objetos externos e a reinvestiu em si próprio onde 
ficou estacionada. Percebeu que tal fixação se manifestou na forma de delírios 
grandiosos e a crença de que Schreber possuía um papel especial no plano 
divino. Tais delírios podem ser interpretados como uma forma de narcisismo 
extremo onde se busca uma defesa contra sentimentos de impotência e 
inferioridade. 
Não é incorreto, portanto, afirmarmos que as ideias abordadas a partir 
desse estudo influenciaram, de forma significativa, o desenvolvimento do 
conceito de narcisismo. 
 
 
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Em 1914, temos a introdução formal do conceito por Freud em seu 
trabalho Introdução ao Narcisismo. Nesse texto, o narcisismo é considerado 
como uma fase normal do desenvolvimento psíquico, onde a libido (energia 
psíquica) é investida no próprio eu. As distinções entre suas formas primária e 
secundárias são estabelecidas, bem como o conceito de catexia, 
desenvolvimento do Eu, relação entre narcisismo e condições patológicas, entre 
outras questões. 
Alguns tipos de caráter encontrados na prática psicanalítica é um texto 
escrito por Freud, em 1916, onde ele explora as patologias do narcisismo, 
abordando diversos tipos de caráter e suas implicações clínicas. 
Em 1917, em Luto e Melancolia, Freud discute a melancolia como uma 
neurose narcísica. A partir da leitura desse texto, podemos afirmar que tal 
condição é uma forma complexa e patológica de luto, profundamente interligada 
com o narcisismo, pois há uma identificação intensa com o objeto perdido onde 
a libido é redirecionada ao próprio eu. 
O conceito de narcisismo é ampliado para além do nível individual na obra 
Psicologia das massas e análise do Eu, de 1921. Nesse trabalho, Freud explora 
como o narcisismo se manifesta e opera dentro de grupos sociais e instituições. 
Ao ler tal texto, podemos afirmar que ele demonstra como o narcisismo individual 
se projeta e se reflete nas relações grupais, particularmentepor meio da 
identificação com líderes e ideais grupais. 
Os líderes de grupos geralmente exibem características narcísicas, como 
grandiosidade, autoconfiança e um desejo de ser admirados. Os seguidores, por 
sua vez, projetam suas próprias aspirações narcísicas no líder. Dessa forma, 
uma dinâmica seria criada, tendo como base uma relação simbiótica entre líder 
e seguidores. Assim, narcisismo seria de extrema importância na formação de 
grupos e na manutenção da coesão e da identidade grupal. 
Em O Ego e o ID, de 1923, temos a formalização das ideias freudianas 
sobre a estrutura do aparelho psíquico e da inclusão do narcisismo como aspecto 
central para o funcionamento do Eu. Além de demonstrar a estruturação de sua 
segunda tópica, Freud também explora as defesas do ego relacionadas ao 
narcisismo. 
Em 1937, em seu texto Análise Terminável e Interminável, Freud revisita 
a análise do Eu e discute os desafios contínuos apresentados pelo narcisismo 
na prática psicanalítica. Para tanto, ele aborda questões como resistência ao 
 
 
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tratamento, transferência em pacientes narcisistas, relação entre autoestima e 
grandiosidade, ambivalência em relação ao processo terapêutico, entre outras 
questões. Podemos dizer que esse texto é uma reflexão sobre os limites e as 
potencialidades da psicanálise. 
A escolha desses textos para apresentar como se deu a “construção” do 
narcisismo sob a ótica freudiana teve como objetivo demonstrar não apenas a 
evolução do conceito, mas também deixar claro que Freud durante toda sua 
trajetória não se “desprendeu” de tal temática. 
TEMA 2 – NARCISISMO PRIMÁRIO E NARCISISMO SECUNDÁRIO 
Como vimos no tópico anterior, Freud trabalhou o narcisismo em diversas 
obras ao longo de sua vida. Contudo, foi em 1914 que ele utilizou o mito escrito 
por Ovídio para ilustrar seu conceito. Aqui, Freud refere-se ao narcisismo como 
um investimento libidinal que uma pessoa faz em si mesmo, sendo que seu 
desenvolvimento se dá na infância. Nessa fase, passamos por um processo 
complexo que envolve a transição do narcisismo primário ao secundário e, com 
isso, temos diversos desdobramentos a depender da forma, saudável ou não, 
em que tudo ocorreu. 
Vamos agora, portanto, trabalhar os conceitos de narcisismo primário e 
secundário tão importantes para a teoria psicanalítica. 
2.1 Narcisismo primário 
Ao estudarmos a obra Introdução ao Narcisismo, podemos ver que Freud 
justifica a necessidade de um olhar mais atento ao narcisismo a partir de diversas 
observações e reflexões teóricas. 
Inicialmente, esse termo designava “a conduta em que o indivíduo trata o 
próprio corpo como se este fosse o de um objeto sexual, isto é, olha-o, toca nele 
e o acaricia com prazer sexual, até atingir plena satisfação” (Freud, 2021, p. 14). 
Contudo, a partir de suas observações clínicas, Freud percebeu que 
características isoladas do comportamento narcísico eram encontradas em 
várias pessoas com distúrbios diversos. Apontou, ainda, como necessidade de 
se atentar com a ideia de um narcisismo primário a partir das dificuldades 
encontradas em tratar pacientes esquizofrênicos sob a hipótese da teoria da 
libido (Freud, 2021). 
 
 
7 
Outro ponto apresentado decorre das observações e concepções da vida 
psíquica das crianças e dos povos primitivos. Freud encontrou traços de 
megalomania e onipotência em ambos os casos, sugerindo, portanto, que a 
formação de um originário investimento libidinal do Eu que se difere da libido 
objetal e que ambas são contrapostas (Freud, 2021). 
Podemos, de certa forma, relacionar este investimento libidinal do Eu ao 
narcisismo primário que, segundo a teoria psicanalítica, ocorre nos primeiros 
meses de vida quando o bebê ainda não diferencia entre si mesmo e o mundo 
externo. 
Durante esta fase, o bebê irá investir toda a sua libido (energia psíquica) 
em si mesmo. É totalmente autocentrado, sua principal preocupação é o 
cumprimento de suas necessidades básicas que acredita serem satisfeitas 
automaticamente (por si próprio). Vale lembrar que Freud salienta que esse 
autoinvestimento de libido, fundamental para a constituição narcísica do sujeito, 
não se dá de forma inata, ele é efeito da relação com os pais que sustenta esse 
investimento ao se ocupar da criança. Podemos dizer que, nesta fase, existe um 
sentimento oceânico em que a criança se sente onipotente. 
Contudo, à medida que o bebê cresce, ele começa a perceber que não há 
essa onipotência e que existe um mundo externo com outras pessoas que 
atendem suas necessidades. É nesse momento que a criança começa a formar 
uma imagem do outro (objeto) como separado de si e podemos dizer que há aqui 
uma fase de transição do narcisismo primário ao secundário. 
A partir do momento em que há a percepção que é o outro quem satisfaz 
suas necessidades, o bebê redireciona sua libido, inicialmente investida no 
próprio eu (narcisismo primário), a objetos externos durante seu 
desenvolvimento. 
Passamos a entender, aqui, que dependemos do outro para sobreviver (e 
sermos felizes). Assim, investimos toda nossa energia no outro uma vez que 
temos que agradá-lo, deixá-lo satisfeito para, em contrapartida, sermos amados. 
2.2 Narcisismo secundário 
Freud irá sugerir que o narcisismo secundário é construído sobre o 
primário e é revelado quando a libido retirada dos objetos é redirecionada ao eu, 
construído sobre a base do narcisismo primário. 
 
 
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Essa mudança de direcionamento da libido pode ser vista em condições 
patológicas como a esquizofrenia, em que pacientes mostram uma retirada da 
libido dos objetos externos e uma subsequente megalomania. Freud nos 
explicou que tal megalomania não seria uma criação nova, mas sim uma 
ampliação e explicitamento de um estado pré-existente (narcisismo primário) 
(Freud, 2021). 
Apesar de Freud ter trabalhado o narcisismo secundário em estados 
patológicos, tais como esquizofrenia e melancolia, ele desempenha um papel 
significativo na formação do amor-próprio. Sendo assim, não devemos 
compreender o narcisismo secundário como algo essencialmente negativo uma 
vez que ele possui aspectos saudáveis e funcionais a depender do contexto. 
Em níveis “normais”, o narcisismo secundário pode ajudar na 
autoconservação e autovalorização, ou seja, pode levar a uma autoestima 
saudável, necessária para enfrentar desafios e lidar com situações adversas. Em 
momentos de crise ou perda, por exemplo, uma retirada temporária da libido dos 
objetos externos e seu redirecionamento ao eu pode ser um valioso mecanismo 
de defesa que auxilia (viabiliza) na recuperação emocional e resiliência, 
permitindo que o indivíduo se reorganize internamente antes de voltar a investir 
em novos objetos externos. 
Uma dose saudável de narcisismo secundário pode promover 
autossuficiência, independência emocional, autoconhecimento, além de 
incentivar o desenvolvimento pessoal. Tudo isso é de extrema importância para 
a formação de um eu forte e capaz de manter relacionamentos equilibrados. 
Roussillon (2023) irá nos enfatizar a importância das relações primitivas e 
do ambiente inicial na formação de um narcisismo secundário saudável. Ele 
destaca a função espelhante desempenhada pelo outro, ou seja, o papel 
exercido pelo cuidador principal que reflete de volta ao bebê suas próprias 
emoções e estados internos. Tal função seria essencial para o desenvolvimento 
da autoimagem e da identidade. Outra função seria a capacidade de contenção 
do outro, que auxilia a criança a integrar e subjetivar experiências primitivas. 
Contudo, Roussillon (2023) destaca que, se houver falhas nesse 
momento inicial, a criança pode desenvolver defesas narcísicas secundárias 
para lidar com a fragmentação psíquica e as falhas no ambiente inicial. Dessa 
forma, podemos compreender que a depender do papel desempenhado pelo 
 
 
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outro e como a criança o percebe, podemos ter um narcisismo saudávelou 
patológico. 
TEMA 3 – ALGUMAS ABORDAGENS DO NARCISISMO 
O narcisismo foi trabalhado em diversas formas e, se olharmos 
isoladamente, diferentes linhagens da psicanálise. Já afirmamos, anteriormente, 
que não é aconselhável a adoção de uma linhagem específica, mas sim, termos 
uma compreensão de todas elas. Tendo isso em mente, iremos abordar agora, 
brevemente, como famílias diversas trataram o narcisismo. 
3.1 Freud 
Como visto até então, Freud introduziu o conceito em sua obra de 1914 
Introdução ao Narcisismo e ocupou-se dele em diversos outros momentos ao 
longo de sua vida. De forma resumida, para não sermos repetitivos, Freud 
enxergou o narcisismo como algo normal e necessário. Ele relacionou o 
narcisismo com o investimento libidinal que fazemos em nós mesmos durante a 
infância. Percebeu que, na realidade, durante o desenvolvimento infantil 
passamos por um processo complexo onde, inicialmente, temos o narcisismo 
primário e, posteriormente, o secundário. A depender do ambiente externo, do 
papel desempenhado pelo outro e de como percebemos tudo isso, podemos ter 
desdobramentos saudáveis ou não ao final desse percurso. 
3.2 Lacan 
Lacan reinterpretou e expandiu diversos conceitos freudianos e isso não 
foi diferente com o narcisismo, uma vez que é possível verificar que em vários 
de seus Seminários, bem como em alguns textos do seu Escritos, tal tema é 
trabalhado seja direta ou indiretamente. 
A título de exemplo (tendo em vista que não é objetivo desta etapa 
aprofundar na teoria lacaniana), no texto O estádio do espelho como formador 
da função do eu, Lacan descreve como a criança se reconhece no espelho e 
forma uma imagem idealizada de si mesma, o que é um processo fundamental 
para o desenvolvimento do narcisismo. Já no texto A instância da letra no 
inconsciente, Lacan discute como a linguagem e a simbolização afetam o 
 
 
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desenvolvimento do narcisismo e do ego. Ambos os textos e diversos outros 
integram o Escritos (2021), que foi publicado originalmente em 1966. 
No Seminário 1, Os escritos técnicos de Freud, Lacan (2020a) oferece 
uma leitura e uma análise aprofundada de alguns textos técnicos de Freud, que 
foram fundamentais para o desenvolvimento de sua própria teoria psicanalítica. 
O narcisismo é trabalhado de várias formas, seja por uma abordagem direta seja 
de maneira transversal. Lacan, ao trabalhar a relação entre a formação do eu e 
a do objeto, irá destacar como o narcisismo surge a partir dessa correlação. Ao 
destacar a importância do narcisismo primário, ele também discutirá o 
desenvolvimento do eu, que se baseia em uma relação imaginária onde o eu se 
constitui a partir de uma imagem especular. 
Lacan (2010), no Seminário 2 O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da 
Psicanálise, também trabalha o narcisismo como um elemento estruturante nas 
relações do homem com o mundo exterior e irá destacar a importância da 
imagem do corpo e como ela é percebida externamente. Ele discutirá a diferença 
entre os narcisismos primário e secundário, enfatizando a natureza dinâmica e 
contínua do narcisismo na vida psíquica do sujeito. 
Já no Seminário 8, A transferência, Lacan (2020b) também irá discutir a 
função do narcisismo em termos de investimento libidinal e a importância do ideal 
como ponto fundamental na produção da transferência. No Seminário 11 Os 
quatro conceitos fundamentais da psicanálise, Lacan (2020c) irá utilizar o 
conceito de narcisismo para aprofundar a compreensão da estrutura psíquica e 
das relações intersubjetivas, ao estabelecer diversas conexões entre suas 
elaborações teóricas e a teoria freudiana. 
Ao tentarmos estabelecer um paralelo sobre as abordagens lacaniana e 
freudiana, não seria incorreto afirmar que, enquanto Freud trabalhou em termos 
de investimentos libidinais, Lacan incorporou o narcisismo no contexto mais 
amplo de sua teoria dos três registros. Para ele, o narcisismo está 
profundamente ligado às identificações imaginárias e à alienação do sujeito em 
sua própria imagem. 
3.3 Winnicott 
O narcisismo, em Winnicott, é trabalhado de forma diversa das linhagens 
anteriormente trazidas. A abordagem winnicottiana se concentra no 
desenvolvimento do self, na importância do relacionamento mãe-bebê e na 
 
 
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capacidade de ser criativo e autêntico, entre outros fatores. Essa linhagem 
valoriza, sobremaneira, a importância do ambiente facilitador e da resposta da 
mãe suficientemente boa para a formação de um self saudável e a consequente 
mitigação de aspectos patológicos. 
Podemos perceber o narcisismo sendo trabalhado transversalmente em 
diversos momentos. Ao introduzir o conceito de objeto transicional, que se faz 
presente quando a criança começa a se relacionar com o mundo externo, 
Winnicott nos permite intuir que estamos diante da transição do narcisismo 
primário para relacionamentos mais maduros com objetos externos. Tal objeto, 
portanto, auxilia a criança no deslocamento gradual de seu investimento libidinal 
de si mesma para o outro, de forma a facilitar no desenvolvimento de um senso 
de realidade e na capacidade de se relacionar de forma saudável. 
O conceito de mãe suficientemente boa é (felizmente!) criado por 
Winnicott e possui um papel fundamental para o desenvolvimento saudável do 
nosso self. Diante de uma mãe (ou cuidador principal) que responde de forma 
adequada e consistente proporcionando um ambiente de segurança e suporte 
sem intrusões excessivas, o bebê desenvolverá a capacidade de lidar com a 
realidade e se tornar um indivíduo independente. Tal conceito está 
intrinsecamente relacionado com a ideia winnicottiana do desenvolvimento de 
um self saudável (verdadeiro). 
Trazendo tais ideias para o nosso tema, podemos pensar que o 
ambiente/mãe suficientemente bom permite que a criança passe por um 
narcisismo primário saudável e, gradualmente, desenvolva um secundário 
igualmente equilibrado. Assim, a construção de um falso self que poderia levar 
a narcisismo patológico seria desnecessário. 
Outro ponto da teoria winnicottiana que podemos tentar relacionar com o 
narcisismo é a “capacidade de estar só” que seria um indicativo de saúde 
emociona e (por que não?) de um narcisismo saudável, pois reflete uma base 
segura, internalizada que é fundada no amor e cuidado e que permite 
possuirmos o sentimento de estarmos confortáveis com nós mesmos, sem que 
precisemos de aprovação constante do outro. 
3.4 Melanie Klein 
Klein trouxe contribuições significativas no que se refere às fases 
primitivas do nosso desenvolvimento psíquico e, da mesma forma que Winnicott, 
 
 
12 
sua concepção se diferencia das demais. Seu trabalho enfatizou, 
primordialmente, as fases mais precoces da vida e as primeiras relações 
objetais. 
No que tange o narcisismo, ela acredita que ele está intrinsecamente 
relacionado ao sentimento de onipotência desenvolvido pela criança. Tal 
sentimento seria evidente durante a fase do narcisismo (primário?) em que a 
criança acredita que seus pensamentos (e excrementos) possuem poderes 
mágicos e destrutivos. Haveria, ainda, uma distinção entre os narcisismos 
feminino (que estaria distribuído por todo o corpo) e masculino (concentrado no 
pênis) (Klein, 1981). 
Além disso, podemos pensar, ainda, na forma como Klein trabalha a ideia 
de culpa e reparação. Por meio dos conceitos de posição esquizoparanóide e 
posição depressiva, verificamos como ela desenvolve questões referentes aos 
mecanismos de defesa e reparação que são centrais para o narcisismo. 
Uma vez na posição esquizoparanóide, a criança lida com a ansiedade 
persecutória, onde partes boas e más do objeto são mantidas separadas. O 
narcisismo aqui é marcado por uma forte defensividade, onde o ego ainda frágil 
se protege projetando as partes ruins para fora e idealizando as boas. Já na 
posição depressiva, a criança começa a integrar os aspectos bons e maus do 
objeto, reconhecendo-os como pertencentesa uma mesma figura. Ciente da sua 
própria capacidade de causar dano, tenta reparar o objeto e, simultaneamente, 
lida com o medo de ter causado dano irreversível. Nesse contexto, o narcisismo 
é uma defesa contra a culpa e o desespero, manifestando-se na fantasia de ser 
necessário e amado pelo objeto que agora se busca reparar (Klein, 1981). 
Podemos entender, portanto, que na posição esquizoparanóide o 
narcisismo aparece como defesa onipotente, evitando o reconhecimento da 
nossa dependência e vulnerabilidade. Na posição depressiva, por sua vez, 
temos um narcisismo mais elaborado onde tentamos lidar com a 
dependência/perda por meio da reparação e internalização do objeto bom e 
amado. 
As fantasias e impulsos sádicos, assim como a angústia persecutória, 
diminuem de intensidade. A criança, então, introjeta o objeto total, tornando-se, 
simultaneamente, capaz, em certa medida, de sintetizar os vários aspectos 
objetais e suas respectivas emoções, de acordo com Klein (1981). 
 
 
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TEMA 4 – DEFESAS NARCÍSICAS 
Neste ponto, iremos trabalhar as defesas narcísicas, para tanto, iremos 
partir da compreensão do que sejam. Após estudarmos as obras de Freud e de 
sua filha, Anna Freud, podemos vê-las como mecanismos de defesa que o Eu 
utiliza para proteger a integridade do self diante de ameaças ao narcisismo. São, 
portanto, acionadas em respostas a feridas narcísicas, tais como frustrações e 
críticas. 
Neste mesmo sentido, Roussilon (2023) afirma que as defesas narcísicas 
estão profundamente ligadas à proteção do self contra a fragilidade e as 
ameaças ao senso de identidade e coesão do Eu, uma vez que teriam sua 
origem nas primeiras experiências traumáticas envolvendo decepções e feridas 
narcísicas primárias. 
Tal concepção se baseia na ideia de que o narcisismo se envolve em uma 
luta constante entre a necessidade de coesão do Eu e as ameaças a essa 
coesão, levando o sujeito a desenvolver mecanismos para se proteger de 
sentimentos de impotência e desintegração (Roussilon, 2023). 
Algumas defesas narcísicas que podemos enumerar são o recalque, a 
idealização, a desvalorização, a identificação projetiva, a negação, o 
deslocamento, a racionalização e a sublimação. 
Recalque: trata-se de mecanismo de defesa do ego que opera para 
afastar da consciência impulsos, desejos ou memórias que são considerados 
inaceitáveis ou ameaçadores para o equilíbrio psíquico do indivíduo. Envolve a 
“repressão” de conteúdos psíquicos que não podem ser integrados à consciência 
sem causar angústia, resultando na sua manutenção no inconsciente. É 
frequentemente acompanhado por outros mecanismos que irão auxiliar no 
controle/modificação dos impulsos recalcados para que eles possam ser 
expressos de maneiras mais aceitáveis para o indivíduo e para a sociedade 
(Freud, 2007). 
Idealização: de acordo com Anna Freud (2007), esse mecanismo está 
relacionado à forma como o ego tenta proteger a autoimagem do indivíduo, 
elevando ou superestimando certas características de si mesmo ou de objetos 
externos, de maneira que eles se tornem menos ameaçadores e mais aceitáveis. 
Serve, portanto, para manter a coesão do ego ao lidar com frustrações e 
ansiedades que poderiam desestabilizar o equilíbrio psíquico. 
 
 
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Desvalorização: tal mecanismo ocorre quando o indivíduo, para 
preservar uma autoimagem idealizada, minimiza ou desmerece características, 
realizações ou qualidades de outra pessoa ou até mesmo de si próprio, quando 
esses elementos ameaçam seu senso de superioridade ou autoestima (Freud, 
2007). De acordo com Roussilon (2023), esse mecanismo também pode ser 
observado em situações em que o narcisismo do indivíduo está ameaçado por 
comparações desfavoráveis. Ao desvalorizar aqueles que lhe causam inveja ou 
que representam uma ameaça ao seu status, o indivíduo mantém a ilusão de 
superioridade e protege o ego de possíveis feridas narcísicas. 
Identificação Projetiva: Anna Freud (2007) descreve esse mecanismo 
como, combinado com a introjeção, pode resultar em uma forma de defesa onde 
o ego lida com impulsos ameaçadores, projetando-os no outro e, 
simultaneamente, identificando-se com esse outro. Essa dinâmica pode ser 
observada, por exemplo, na "identificação com o agressor", onde o indivíduo, ao 
projetar seus impulsos agressivos, também incorpora aspectos do agressor para 
lidar com o medo e a angústia que essas pulsões provocam. 
Negação: este mecanismo atua para proteger o indivíduo de enfrentar 
realidades dolorosas, mas, ao mesmo tempo, pode comprometer a capacidade 
de lidar de forma adaptativa com a realidade externa, especialmente quando o 
ego depende excessivamente dessa defesa. Anna Freud (2007) explica que, 
durante a infância, a negação é uma forma comum de defesa, onde a criança 
pode criar fantasias para inverter situações reais desagradáveis. No entanto, à 
medida que o ego amadurece, esse mecanismo pode se tornar menos eficaz. 
 Deslocamento: Anna Freud (2007) observa que o deslocamento pode 
ocorrer em resposta a impulsos que são percebidos como inaceitáveis ou 
perigosos para o equilíbrio psíquico do indivíduo. Permite, portanto, que o ego 
mantenha uma certa coesão ao redirecionar a intensidade emocional de uma 
ideia ou objeto perigoso para outro que seja mais aceitável ou menos 
desestabilizador. 
Racionalização: pode ser descrita como uma estratégia pela qual o ego 
busca justificar ou explicar, de maneira lógica ou aceitável, sentimentos, 
comportamentos ou pensamentos que de outra forma poderiam ser inaceitáveis 
ou desconfortáveis para o indivíduo. Roussilon (2023) sugere que a 
racionalização funciona para que o indivíduo mantenha uma autoimagem 
consistente. 
 
 
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Sublimação: de forma praticamente oposta aos demais mecanismos que 
buscam suprimir/distorcer impulsos inaceitáveis, na sublimação temos a 
canalização dos mesmos para atividades aceitáveis e valorizadas socialmente. 
Anna Freud (2007) descreve a sublimação como uma forma de defesa do ego 
que, embora ainda ligada à transformação dos impulsos, permite uma adaptação 
mais harmoniosa entre o indivíduo e as demandas sociais. 
TEMA 5 – NARCISISMO PATOLÓGICO 
Freud, por meio de sua obra, nos mostrou que não podemos enxergar o 
narcisismo por meio, apenas, de uma lente negativa, tendo em vista que ele deve 
ser encarado como uma fase saudável e necessária do nosso desenvolvimento. 
Trata-se do alicerce para a construção do nosso senso de autoestima, identidade 
e do necessário equilíbrio entre a realidade externa e as relações objetais. 
Contudo, de acordo com o mesmo Freud (2021), é possível a ocorrência 
de um narcisismo patológico quando há uma regressão ou um reforço do 
narcisismo primário em que o indivíduo retira sua libido dos objetos externos e 
reinveste no Eu, de forma a levar a autoestima e autopercepção 
desproporcionalmente grandiosas. 
Existe, ainda, a possibilidade desse tipo de narcisismo estar relacionada 
a condições psicopatológicas graves, uma vez que, em casos mais exacerbados, 
podemos verificar sentimentos de megalomania e a desconexão com a 
realidade, de forma a gerar incapacidade de se relacionar de forma saudável 
(Freud, 2021). 
Em Introdução ao Narcisismo, Freud relaciona, também, o narcisismo 
patológico a dificuldades na formação do Ideal do Eu (que veremos no próximo 
capítulo). O sujeito, portanto, não conseguiria sublimar seus impulsos instituais, 
ficando preso em uma busca incessante de perfeição e admiração. 
Dalgalarrondo (2019), por sua vez, afirma que para a psicopatologia o 
termo “narcisismo patológico” pode ser entendido como uma forma extrema e 
disfuncional de narcisismo, onde as características normais de autoestima e 
autoconfiança se transformam em uma fixação patológica em si mesmo, levando 
a comportamentos prejudiciais tanto para o indivíduo quanto para as pessoas ao 
seu redor. 
Ao tentar unir a teoria psicanalítica de base freudianae o conteúdo de 
psicopatologia trazido por Dalgalarrondo (2021) e Barlow, Durand e Hofmann 
 
 
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(2020), podemos verificar a proximidade da concepção desse tipo de narcisismo. 
Senso grandioso de autoimportância, necessidade excessiva de admiração, falta 
de empatia pelos outros, aliado a uma vulnerabilidade subjacente a críticas e 
fracassos que podem levar a reações intensas de raiva ou depressão, são 
algumas das características do narcisismo patológico. 
Tendo em vista a necessidade de compreendermos melhor o tema para 
sabermos diferenciar uma pessoa que possui transtorno de personalidade 
narcisista de outra que é apenas “vaidosa”, iremos desenvolver melhor algumas 
características do sujeito que possui TPN. 
Grandiosidade e Sentimento de Superioridade. O indivíduo com 
narcisismo patológico possui uma visão inflada de sua própria importância. Ele 
frequentemente acredita que é especial e único, merecendo tratamento superior 
e que suas necessidades e desejos estão acima dos outros. 
Necessidade excessiva de admiração. O narcisista patológico busca 
incessantemente elogios, reconhecimento e atenção dos outros, e pode reagir 
com hostilidade ou desprezo quando não recebe a adulação esperada. 
Falta de empatia. Uma característica central do narcisismo patológico é 
a incapacidade de se colocar no lugar do outro, uma vez que está 
excessivamente focado em si mesmo e em seus próprios desejos. 
Vulnerabilidade à crítica e à rejeição. Embora demonstre uma imagem 
exterior de autoconfiança e superioridade, o narcisista patológico é 
extremamente sensível à crítica e à rejeição. Sendo assim, qualquer ameaça à 
sua autoimagem grandiosa pode desencadear reações de raiva, depressão, ou 
mesmo comportamentos vingativos. 
NA PRÁTICA 
Veremos, agora, um recorte clínico onde é possível ver algumas 
características de um narcisista patológico. 
Ressaltamos que todos os dados e nomes foram alterados para que a 
privacidade e confidencialidade fossem preservados. 
Carlos iniciou um tratamento psicanalítico por sentir-se constantemente 
frustrado e incompreendido pelos outros, além de uma dificuldade crescente em 
manter amizades. 
 
 
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Apesar de Antônio (psicanalista) ter estabelecido regras para a realização 
das sessões, Carlos sempre chega atrasado e quer permanecer além do horário 
combinado. 
Durante uma sessão, Carlos relatou uma briga recente com um colega de 
trabalho. Disse que o colega tentou "minar" sua autoridade durante uma reunião 
ao apresentar uma ideia contrária à sua. Carlos reagiu com raiva, desvalorizando 
o colega e espalhando rumores negativos sobre ele para outros membros da 
equipe. 
FINALIZANDO 
Neste capítulo, fizemos um estudo do narcisismo, desde suas origens 
mitológicas até sua construção teórica na psicanálise. Vimos que o mito de 
Narciso nos oferece uma metáfora poderosa sobre os perigos da obsessão, do 
amor-próprio excessivo, da incapacidade de se relacionar verdadeiramente com 
os outros e da falta de empatia; enquanto Freud nos proporciona uma 
compreensão mais elaborada do narcisismo como parte integrante do nosso 
desenvolvimento, com suas manifestações normais e patológicas. 
Trabalhamos o tema por meio das diferentes linhagens psicanalíticas, 
abordamos as defesas narcísicas e o narcisismo patológico, vimos como esses 
mecanismos podem atuar tanto para proteger quanto para prejudicar a 
integridade do self. O entendimento dessas nuances é essencial para diferenciar 
entre um narcisismo funcional, que promove a autoconfiança e a resiliência, e 
um narcisismo patológico, que pode levar a comportamentos destrutivos e 
relações interpessoais prejudicadas. 
Por fim, devemos sempre ter em mente que o estudo do narcisismo não 
se limita apenas ao campo da psicopatologia, mas se estende a diversas áreas 
da vida humana, incluindo a cultura, as relações sociais e até mesmo a 
organização dos grupos e das instituições. Compreender o narcisismo é, em 
última análise, compreender melhor a natureza humana, com suas 
potencialidades e suas fragilidades. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BARLOW, D.; DURAND, V.; HOFMANN, S. Psicopatologia: uma abordagem 
integrada. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2020. 
BULFINCH, T. O livro de ouro da mitologia: histórias de deuses e heróis. 2. 
ed. São Paulo: Harper Collins, 2017. 
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos 
Mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 
DIAS, E. Interpretação e manejo na clínica Winnicottiana. 2. ed. São Paulo: 
DWW editorial, 2023. 
DIAS, E. A teoria do amadurecimento de D.W.Winnicott. 4. ed. São Paulo: 
DWW editorial, 2017. 
ETCHEGOYEN, R. Fundamentos da técnica psicanalítica. 2. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2007. 
FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre: Artmed, 2007. 
FREUD, S. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologica e outros 
textos. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. 
FREUD, S. O Eu e o ID, “autobiografia” e outros textos. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2020. 
KLEIN, M. Psicanálise da criança. 3. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 
LACAN, J. O seminário livro 1: os escritos técnicos de Freud. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2020. 
LACAN, J. O seminário livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da 
psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. 
LACAN, J. Os escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2021. 
ROUSSILON, R. O narcisismo e a análise do eu. São Paulo: Blucher, 2023.

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