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Questões da revisão - títulos de créditos 1. Mencione as características do endosso, bem como do endosso improprio da letra de cambio: R; O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do título, é suficiente a simples assinatura do endossante. A transferência por endosso completa-se com a tradição (entrega) do título. Próprio – ou “endosso Translativo" (previsto no artigo 14 da Lei Uniforme): o endosso translativo transfere a própria propriedade do título, isto é, transfere o direito de crédito a outra pessoa. Impróprio: Neste tipo de endosso, é colocado na cambial um ato que torna legítima a POSSE do endossatário, porém, este não se torna credor do título, uma vez que não se transfere a propriedade. O endosso impróprio pode ser dividido em 2 tipos, quais sejam: Endosso-mandato (Artigo 18 da Lei Uniforme): Aquele em que o endossatário-mandatário irá atuar em prol do endossante, sendo seu procurador. Ou seja, a pessoa atua em defesa dos interesses do mandante. Neste tipo de endosso, o proprietário do título dá a outra pessoa a tarefa de proceder com a cobrança. É a hipótese de o credor não poder, no dia do vencimento, procurar o devedor do título para receber o pagamento. Diante disso, e tendo em vista que o título deve ser cobrado no dia do seu vencimento, pratica-se, no próprio título, um ato pelo qual outra pessoa se torna "procurador", que, neste tipo de endosso, é chamado de "endossante-mandatário". 2. O que diferencia nos títulos de crédito a cláusula “a ordem”, da clausula “não a ordem”? R; A cláusula que o título deve possuir para circular é a cláusula ” à ordem de ” ou “à sua ordem” caso contrário se o título de crédito, qualquer que seja, e não somente o cheque, possuir a cláusula “não à ordem” significará que ele não poderá circular por endosso. 3. De forma Suscinta informe as peculiaridades dos seguintes atos cambiais: Aceite e aval. R; Aceite; É o ato pelo qual o destinatário da ordem de pagamento aceita pagar o título de crédito, tornando-se devedor principal. Nenhum devedor está obrigado a ver sua dívida representada num título de crédito, portanto o aceite não lhe é um ato obrigatório, podendo perfeitamente ser recusado. Mas, a partir do momento que aceita o Título de Crédito, torna-se seu devedor, podendo ser acionado, após seu vencimento, pelo não cumprimento da obrigação nele documentada. O aceite é necessário nos títulos de crédito em que o sacador não é o devedor principal, mas outra pessoa, isto é, quando a pessoa que emitiu um Título de Crédito não é a que deve pagá-lo. O aceite é necessário para que esta se consubstancie como devedora, o que ocorre na Letra de Câmbio e na Duplicata. Como pode recusar todo o título de crédito, o devedor poderá recusar-lhe parcialmente. Neste passo o aceite poderá ser parcial nas seguintes situações: a) aceite limitativo: O sacado aceita valor inferior ao constante originariamente no título de crédito, reduzindo o valor da obrigação assumida. b) aceite modificativo: O sacado promove mudanças na forma de cumprimento da obrigação, alterando dispositivos constantes no Título de Crédito (como data de vencimento e praça, podendo também ser a inserção de condições resolutivas ou suspensivas para satisfação do crédito). Na duplicata, por exemplo, pode ser recusado por: a) avaria ou não recebimento das mercadorias; b) vícios ou defeitos de qualidade ou quantidade. O aval está previsto no CC, e seu requisito está disposto no artigo 898, “O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título.”. O aval é a responsabilização do pagamento do débito pelo avalista, de forma que garanta o pagamento do título de crédito. Vale ressaltar que as obrigações cambiárias são solidárias, havendo pluralidade de devedores. O artigo 899, § 1º, do CC, dispõe que: “Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores.” O saque é o ato da emissão do título pelo sacador. O aceite será a formalização que responsabiliza o sacado de cumprir com o pagamento do título recebido. Versa o art. 30 da LU, "o pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval". Com isso estabelece-se que aval é a garantia cambial, pela qual terceiro (avalista) firma para com o avalizado, se responsabilizando pelo cumprimento do pagamento do título se este último não o fizer. Poderá o aval se apresentar: em preto: indica o avalizado nominalmente; em branco: não indica expressamente o avalizado, considerando, por conseguinte, o sacador como o mesmo. É permitido o aval parcial ou limitado, segundo o art. 30 da Lei Uniforme. O aval difere da fiança pelo fato desta última se caracterizar em contratos cíveis e não sob títulos de crédito, como a primeira. Fiança é um contrato acessório pelo qual a pessoa garante ao credor satisfazer a obrigação assumida pelo devedor caso este não a cumpra, ao passo que a obrigação do avalista é autônoma, independente da do avalizado. A fiança produz mais efeitos que o aval, uma vez que a posição do fiador adquire características de principal. Por fim, cumpre ressaltar que a lei concede ao fiador o benefício de ordem, benefício este inexistente para o avalista. 4. Explique a classificação dos títulos de crédito quanto: Ao modelo, estrutura, hipóteses de emissão e quanto a circulação. R; quanto à estrutura do título de crédito: I. Ordem de pagamento – a exigibilidade do título inicia-se a partir da emissão, podendo a ordem de pagamento ser a vista ou por prazo determinado (ex: cheque e duplicata). II. Promessa de pagamento – trata-se de uma promessa de efetuar um pagamento de uma determinada quantia em favor de um credor (ex: nota promissória). Quanto à emissão; I. Causal – são aqueles que sua emissão está vinculada a uma operação ou negociação específica prevista em lei. São exemplos: i. a duplicata: só pode ser emitida em razão da venda de uma mercadoria ou da prestação de um serviço; II. o conhecimento de transporte: só pode ser emitido quando celebrado contrato de transporte em que uma dar partes é uma transportadora; III. o conhecimento de depósito e warrant: só será emitido por armazéns, quando firmado contrato de depósito. II. Não Causal – são aqueles que a emissão independe de causa específica ou prevista em lei. Por exemplo, tanto o cheque quanto a duplicata podem ser emitidos em qualquer situação a fim de garantir um crédito. Quanto ao modelo: I. Livre: significa que não há qualquer exigência governamental quanto a quem pode confeccionar o título. O emitente pode elaborar o título da forma que lhe for mais conveniente, desde que faça presentes todos os requisitos do título que está sendo confeccionado (ex: nota promissória e letra de câmbio). II. Vinculado: o título só poderá ser emitido com respeito aos padrões estabelecidos em lei. Por exemplo, a folha do cheque deve ser emitida pelo banco, respeitando uma série de exigências, o conhecimento de depósito e warrant só pode ser emitido pelo Armazém Geral respeitados os requisitos que a lei impõe. Quanto à circulação do título: I. Título ao portador é aquele que confere ao possuidor do documento o direito de crédito, mesmo que não conste o seu nome como beneficiário. A mera posse do documento legitima a exigência. A transferência do crédito se dá pela tradição do documento. II. Título nominativo é aquele em que se insere o nome do beneficiário no documento. Aqui, poderá o título ser I. a ordem, endossável, circulável quando o emitente silenciar quanto à circula ilidade do título. Nessa hipótese, o título poderá ser transferido a terceiros, sendo necessário, em alguns casos, constar o endosso no livro de registro em que consta o título. Ou poderá ser II. não a ordem, não endossável, não circulável quando o emitente fizer constar uma destas expressões, o que impede o beneficiário de transferir o título e favor de terceiros. 5. Quais são ascaracterísticas dos princípios básicos que regem os títulos de crédito? R; Os princípios gerais que norteiam os títulos de crédito são a cartularidade, a literalidade e a autonomia das obrigações cambiais. Estes princípios são a bases fundamentais, pois representam o regime cambial. Os princípios gerais que norteiam os títulos de crédito são a cartularidade, a literalidade e a autonomia das obrigações cambiais. Estes princípios são a bases fundamentais, pois representam o regime cambial. O princípio da cartularidade, também chamado de incorporação por alguns doutrinadores, significa que é indispensável ter a posse do documento original para o exercício do direito ao crédito, ou seja, é preciso a existência material do título. Com o avanço da tecnologia, este documento hoje não precisa necessariamente ser em papel, podendo ser também eletrônico, desde que contenha a data de emissão, indicação dos direitos que confere a assinatura eletrônica (que será certificada eletronicamente) e a identificação do credor (art. 889, CC, 2002). Nesse sentido, as duplicatas virtuais podem ser protestadas sem a apresentação do título para o ajuizamento da execução judicial (art. 15, Lei 5474/1968). O princípio da literalidade rege que só poderá exigir o que estiver escrito no título, ou seja, só poderá ser cobrado o que estiver expressamente nele mencionado, em seus termos e limites. Vale ressaltar que deverá conter a assinatura do avalista para que o aval seja válido. A duplicata aqui também é uma exceção, uma vez que a quitação pode ser efetuada em documento separadamente (art. 9o, § 1o da Lei n. 5.474/68). Por fim, o princípio da autonomia das obrigações cambiais diz que toda e qualquer relação havida entre os anteriores possuidores do título de crédito será desvinculada. Sendo assim, não é o direito abstrato no título que circula e sim o próprio título de crédito, onde lhe é atribuída a segurança jurídica. São relações jurídicas autônomas e independentes entre si e o vício em uma das relações não compromete as demais obrigações assumidas no título. Importante ressaltar que as obrigações consideradas nulas ou anuláveis, constantes no título, não implicarão em comprometimento na validade das outras obrigações. São subprincípios decorrentes da autonomia: subprincípio da abstração das obrigações cambiais, por meio do qual os títulos, quando circulam, se desvinculam da relação que lhe deu origem e as obrigações mantêm-se independentes umas das outras quando o título é transferido para terceiro de boa-fé; e, o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais (os devedores não podem alegar vícios e defeitos de suas relações jurídicas contra o portador de boa-fé que não participou do negócio jurídico do qual resultou a dívida que lhes é exigida). 6. Quais são os requisitos exigidos para validade da letra de cambio? R; A palavra Letra de Câmbio; A quantia que deve ser paga; O nome do sacado (quem deve pagar); O nome do credor; A data quando a Letra foi sacada; A assinatura do Sacador. A letra de câmbio é uma ordem de pagamento e deve conter requisitos, lançados, por extenso, no contexto: I. A denominação “letra de câmbio” ou a denominação equivalente na língua em que for emitida. II. A soma de dinheiro a pagar e a espécie de moeda. III. O nome da pessoa que deve pagá-la. Esta indicação pode ser inserida abaixo do contexto. IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao portador e também pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O sacador pode designar-se como tomador. V. A assinatura do próprio punho do sacador ou do mandatário especial. A assinatura deve ser firmada abaixo do contexto. 7. Quais são as formas de vencimento de um título de crédito? R; Modalidades de vencimento. A Lei Uniforme estabelece quatro modalidades de vencimento para a letra de câmbio (LU, art. 33). São elas: a) à vista; b) a certo termo de vista; c) a certo termo de prazo; e d) a dia certo. São 4 formas de vencimento do título: vencimento à data certa (neste caso no texto do título de crédito fica mencionado um dia específico do calendário), à vista (o título é considerado quando o credor do título de crédito apresenta o documento ao sacado), a tempo certo da data (o texto do título prevê um prazo para o vencimento do título de crédito, que é contado a partir da data de criação do título; não desprezo o 1º dia) e à tempo certo da vista (o credor apresenta o título uma 1ª vez ao sacado e numa outra oportunidade cobra-se o pagamento do sacado) 8. É possível que alguém não seja obrigado a pagar um título de crédito? Se a resposta for afirmativa, em qual situação? R; Sim, quando há má-fé por parte do portador ao adquirir o título, com a finalidade de prejudicar o devedor.