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PROJETOS INTERDISCIPLINARES ENTRE HISTÓRIA E GEOGRAFIA AULA 3 Prof. Alexandre Olsemann 2 CONVERSA INICIAL Neste momento em que estamos, já construímos aprendizagens sobre algumas concepções educacionais, com diferentes propósitos e encaminhamentos pedagógicos, e que são desenvolvidas nas instituições escolares ao longo do tempo histórico da educação. Vamos, agora, abordar o tema da pedagogia de projetos, buscando entender como se encaixa e se insere no processo educativo, refletindo sobre o que é projeto, como se desenvolve esse trabalho, o que é necessário para que a proposta tenha sucesso, e quais as possibilidades e dificuldades na escolha do trabalho com projetos. Conversaremos também sobre o Projeto Político Pedagógico (PPP), que vem a ser o principal documento norteador de cada instituição educacional. Esclareceremos as etapas de um PPP, que são: marco referencial, diagnóstico e programação. TEMA 1 – CONCEITO DE PROJETO E CONTEXTO HISTÓRICO Nesse primeiro momento, é importante contextualizar o assunto a ser desenvolvido, para conhecermos e compreendermos primeiramente a ideia, o conceito de projeto, e seu conceito histórico. Este termo tem origem no latim, projectus, e significa “lançar à frente”, “se estender”, com a meta de alcançar um determinado objetivo. Um projeto pode ser representado de várias maneiras, dependendo de sua necessidade e utilização. Pode ser na forma escrita, oral, desenhada e outras, sabendo que todo projeto expressa uma intenção de um indivíduo ou um grupo. Na opção de trabalho com a pedagogia de projetos, o estudante irá desempenhar um papel ativo, participativo, devendo sempre ser consultado e ouvido. Afinal, a ideia de projeto remete a um trabalho coletivo, e todo o processo é mediado pelo professor. A expressão pedagogia de projetos tem origem nos escritos de 1918, com Willian Kilpatrick, discípulo de John Dewey, ambos defensores de uma nova pedagogia, bem diferente da tradicional. Nessa nova concepção, o aluno participara ativamente das construções de aprendizagens, e suas experiências de vida são valorizadas e consideradas. 3 Dewey e Kilpatrick, na década de 1920, preocupados em modificar a forma de assimilação das aprendizagens no contexto escolar, defendiam a educação com uma função social e de construção integral dos sujeitos, o que a escola tradicional não oferecia e não oferece até os dias de hoje. Essas ideias chegam ao Brasil em 1930, pelo filósofo Anísio Teixeira e com Lourenço Filho; ambos, inspirados com o movimento da Escola Nova, objetivam disseminar as ideias de Dewey e Kilpatrick, com o objetivo de renovar a educação brasileira. Figura 1 – Anísio Teixeira Crédito: Arquivo Nacional/CC-PD. TEMA 2 – CURRÍCULO E PEDAGOGIA DE PROJETOS O currículo define formalmente o processo educacional de uma instituição, apresentando quais saberes serão essencialmente desenvolvidos na escola. Agora, vamos refletir sobre a articulação entre currículo e pedagogia de projetos. Quando pensamos em pedagogia de projetos, o currículo da instituição precisa apresentar características necessárias para o desenvolvimento da proposta: deve-se considerar os processos de identidade e vivência infantil. A escola, nesse contexto, representa um espaço de possibilidades de experiências, tendo que trabalhar o currículo emergente (da vivência dos alunos), que precisa ser considerado. Além disso, ainda é necessário que haja a possibilidade de articulação entre o projeto institucional e o projeto didático. 4 Nessa perspectiva, o estudante acaba por desenvolver importantes habilidades: estudo, pesquisa, oralidade, criticidade, trabalho em equipe e tantas outras, o que vem ao encontro com a formação integral dos alunos, com a reflexão de que o projeto não será feito para o estudante, mas em conjunto com ele. No trabalho com projetos, estimula-se a autonomia dos alunos, ao considerar a sua vivência. Assim, haverá uma valorização de cada indivíduo estimulando-os e motivando-os à busca constante de novos conhecimentos. É possível inferir inúmeras vantagens no desenvolvimento do trabalho com projetos. O conhecimento já não vai se embasar somente nas disciplinas, pois há uma alternativa de enfrentamento à fragmentação dos saberes. Mas como articular o projeto institucional com o projeto didático? Certamente, a valorização da experiência de vida dos alunos favorece o sucesso do desenvolvimento do trabalho com projetos, lembrando que o planejamento pode e deve ser participativo, com sujeitos dispostos a desenvolver o sentimento de pertencimento, para que as aprendizagens se tornem sólidas e significativas. TEMA 3 – TIPOS DE PROJETOS: DIDÁTICO, INSTITUCIONAL E TEMÁTICO É o momento de conhecer e refletir sobre os três tipos principais de projetos: o didático, o institucional e o temático. Vamos conhecer as características de cada um deles, lembrando que a nossa disciplina é sobre projetos interdisciplinares entre História e Geografia. O projeto didático é uma organização de tempo e planejamento dos conteúdos expressos no currículo com um propósito. Tanto no currículo institucional quanto no emergente, o projeto didático remete à importância dos propósitos sociais. No projeto didático existe tema, conteúdos, encaminhamentos, agrupamentos, expectativas, produto final e avaliação. O projeto institucional serve para atender a demanda escolar, devendo ser desenvolvido coletivamente. Ele visa o enfrentamento de problemas e necessidades existentes nas instituições, buscando uma melhora institucional. Um exemplo de projeto institucional obrigatório às Instituições educacionais, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é o Projeto Político Pedagógico (PPP), documento norteador do trabalho escolar. Trata-se do principal documento da instituição, pois abrange o ideário pedagógico da escola, as implicações políticas e a característica do projeto pedagógico. O PPP 5 tem que ser realimentado o tempo todo, pois apresenta a instituição e a explica, compondo toda a sua dinâmica. O PPP deve ser construído e realimentado em conjunto com todos os envolvidos no ambiente escolar, considerando a instituição e seu entorno. Ou seja, ele ultrapassa os muros escolares. Projetos temáticos remetem a temas, e a escolha de um tema deve ser responsável e relacionada à realidade dos alunos. São sequências didáticas que giram em torno de um tema central, possibilitando a integração em um determinado tema, com a integração de outros conteúdos, disciplinas, outras turmas ou também eventos proporcionados à comunidade. O projeto temático pode ser disciplinar e interdisciplinar. Através dessa reflexão, é possível concluir que as disciplinas de história e geografia se estruturam nos moldes dos projetos didáticos. TEMA 4 – A IMPLANTAÇÃO DOS PROJETOS Implantar uma nova ideia de trabalho pedagógico requer alguns cuidados. É preciso primeiramente de convencimento, aceitação. Para tanto, é necessário elencar as vantagens, estabelecendo os enfrentamentos às necessidades da instituição por meio da proposta, delimitando também os desafios. É assim que ocorre a implantação do trabalho com projetos nas instituições educacionais: primeiramente, cativamos os sujeitos do processo e, em seguida, garantimos a viabilidade da implantação. Não apenas em se tratando de projetos, mas na implantação de qualquer ideia no ambiente educacional, há etapas a serem verificadas. Uma delas é a garantia de uma boa base pedagógica para essas construções educacionais. Profissionais capacitados e envolvidos são fundamentais para o sucesso de qualquer proposta. Os profissionais da educação têm que estar em constante aperfeiçoamento, afinal estudar não é só para os alunos. Os professores devem buscar, constantemente,soluções para as novas demandas apresentadas. Para isso, é obrigatório um embasamento teórico que aborde as novas construções históricas dos sujeitos das aprendizagens. O professor tem que estar preparado para promover, na perspectiva de trabalho com projetos, a interdisciplinaridade, em oposição ao ensino fragmentado e descontextualizado da educação tradicional. Assim, para que exista a possibilidade de desenvolvimento de trabalho interdisciplinar, com projetos, é necessário que ele conste no PPP da Instituição, 6 que vem a ser o documento norteador das construções pedagógicas de cada estabelecimento de ensino. O PPP apresenta a instituição, suas possibilidades, necessidades e novos desafios. Ele que deve ser constantemente realimentado; é como se fosse o RG da instituição. Há alguns fatores que sempre devem ser considerados no trabalho com Projetos. O professor tem novas atribuições, ele será o articulador, o mediador do processo de aprendizagem. Assim, deve conhecer os seus alunos na totalidade, compreendendo a realidade na qual estão inseridos, e trabalhando com a realidade. Ou seja, deve lançar um olhar para além dos muros escolares, inferindo quais as necessidades desses sujeitos, para que os projetos desenvolvidos sejam relevantes e significativos na construção total dos alunos, compreendendo-os enquanto sujeitos de direitos, necessidades – sujeitos cidadãos. Chegamos, então, ao ponto central de todo o trabalho com projetos: a necessidade da interdisciplinaridade. A “conversa” entre as diferentes disciplinas, fator imprescindível na prática com projetos, deve envolver todos os profissionais que participam ativamente da proposta, garantindo desse modo uma compreensão completa sobre o assunto. TEMA 5 – ETAPAS DO PROJETO Vamos conhecer as etapas e fases de um projeto, em específico o Projeto Político Pedagógico. Segundo Vasconcellos (1995; 2002), Gadotti, Freire e Guimarães (2000) e Veiga (2001), um PPP apresenta três etapas em sua construção: marco referencial, diagnóstico e programação. Vasconcellos (1995, p. 143) reforça que o projeto pedagógico é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os agentes da instituição. A primeira fase do PPP é o marco referencial que apresenta os objetivos futuros (ideal de escola) que a instituição almeja alcançar através da explicação da instituição e suas concepções. O “marco referencial nasce como busca de resposta a um forte questionamento que nos colocamos [...] Tem como sua função maior tensionar a realidade no sentido da sua superação/ transformação 7 e, em termos metodológicos, fornecer parâmetros, critérios para a realização do diagnóstico” (Vasconcellos, 2002, p. 182). No marco referencial, será possível identificar a escola, elencando valores e objetivos mediante o conhecimento da totalidade da instituição e suas relações. Para a construção do marco referencial, é possível estabelecer alguns questionamentos, e através de suas respostas iniciar a construção do PPP: Que aspectos da realidade se destacam no contexto da escola? Quais finalidades queremos para a nossa instituição? Como a instituição planeja o processo de ensino e aprendizagem? Como queremos, planejamos o relacionamento com a comunidade? Na fase do diagnóstico, será avaliada a realidade atual em contraponto com o ideal desejado, ou seja, a escola que temos e a escola que queremos. O diagnóstico mapeia as possibilidades e limitações da instituição de ensino. Nessa fase, também podem ser pensadas algumas questões norteadoras: Quais são meus pontos de apoio? Quais disciplinas estão apresentando índices de dificuldades, ou quais turmas? Dificuldades e possibilidades nos diversos segmentos. Na etapa de programação, serão definidas as metas de curto, médio e longo prazo, quanto à concretização das ações planejadas; ou seja, é uma proposta de ação que visa diminuir a distância entre a escola atual e a escola planejada, através dos ideais apresentados. NA PRÁTICA Hora de colocar os conhecimentos em prática! Vamos realizar uma atividade para exercitar os conteúdos desenvolvidos. Você deve escolher dois tipos de projetos pedagógicos (temáticos e didáticos). Pode até ser um projeto que já foi desenvolvido ou lido. A partir deles, elabore um quadro de informações acerca do projeto, seguindo o modelo. Quadro 1 – Modelo Projeto Público- alvo Tempo de duração Objetivos Articulação interdisciplinar Resultados Aplicabilidade 8 Você deverá colocar o nome do projeto; identificar o público alvo; estabelecer o tempo de duração do projeto e os objetivos a alcançar; qual a articulação entre quais disciplinas, preferencialmente entre História e Geografia; quais os resultados obtidos; e por fim deve refletir sobre a sua aplicabilidade. Veja o exemplo no quadro a seguir. Quadro 2 – Exemplo Projeto Público-Alvo Tempo De Duração Objetivos Enfrentamento À Dengue Terceiros Anos Do Ensino Fundamental Durante O Primeiro Trimestre Letivo Duas Aulas Por Semana Compreender Sobre A Doença E Estabelecer Estratégias De Enfrentamento Articulação Interdisciplinar Resultados Aplicabilidade Ciências (Doenças) Formas De Prevenção Geografia (Locais Da Epidemia No Entorno Escolar) História Contexto Histórico Da Região Português Trabalho Com: Textos, Imagens Oralidade (Roda Da Conversa) Matemática Gráfico Das Regiões Mais Comprometidas Na Cidade. Comprometimento Dos Alunos E Comunidade Com Estratégias De Combate E Prevenção Através De Entrevistas E Ações Práticas Como Limpeza No Entorno Escolar. Utilização Em Áreas De Risco Para Combate E Em Áreas Sem Risco Como Prevenção. 9 Ou seja, através de um problema, a dengue, surge um projeto interdisciplinar que visa expandir o conhecimento acerca do problema, por meio da visão de diferentes áreas do saber, interligando os conhecimentos e articulando uma proposta de solução e de enfrentamento, lembrando que um projeto pedagógico possibilita um trabalho comprometido, com uma necessidade que emerge na contextualização da totalidade dos sujeitos da aprendizagem. FINALIZANDO Nesta aula, estudamos: pedagogia de projetos; conceito de projeto e contexto histórico; projeto versus currículo; projeto didático institucional versus temático e etapas de um projeto político pedagógico, com marco referencial, diagnóstico e programação. Entendemos as possibilidades, os encaminhamentos e as etapas do trabalho com projetos, contextualizando a teoria e a prática no trabalho em Instituições de ensino. Todo esse embasamento teórico leva à formulação de alternativas para o enfrentamento da realidade da instituição de ensino, buscando superar a fragmentação dos saberes, e possibilitando com isso propostas pedagógicas que valorizem a construção integral dos sujeitos, com o estabelecimento de uma relação única entre a proposta escolar e a realidade de vida dos estudantes. 10 REFERÊNCIAS GADOTTI, M.; FREIRE, P.; GUIMARÃES, S. Pedagogia: diálogo e conflito. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2000. VASCONCELLOS, C. S. Coordenação do Trabalho Pedagógico: do trabalho políticopedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo, SP: Libertard, 2002. _____. Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto Educativo. São Paulo: Libertat, 1995. VEIGA, I. P. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 13. ed. Campinas: Papirus, 2001.