Prévia do material em texto
- CONTROLADORIA EMPRESARIAL SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 Uma breve história da Controladoria Empresarial ....................................................... 5 Conceito da Controladoria Empresarial ....................................................................... 6 A missão e objetivo da Controladoria Empresarial ...................................................... 9 A Controladoria órgão de Gestão Empresarial .......................................................... 12 O ramo de conhecimento Controladoria Empresarial ................................................ 15 O profissional da Controladoria Empresarial ............................................................. 16 Funções e Estruturas da Controladoria ..................................................................... 20 Controle da qualidade da informação e o novo modelo de Controladoria ................. 27 Controladoria nas MPEs ........................................................................................... 29 Objetivos, metas e diagnósticos estratégicos ............................................................ 39 Análise de desempenho relativo ............................................................................... 40 Comunicação ............................................................................................................ 42 A Grande Travessia da Contabilidade à Controladoria ............................................. 45 REFERENCIAS ......................................................................................................... 48 INTRODUÇÃO O contexto econômico globalizado tem promovido transformações profundas no ambiente empresarial internacional. Essas mudanças têm impulsionado a economia mundial em direção a um processo de globalização, caracterizado pela integração de países em torno do comércio internacional, por meio da redução de barreiras tarifárias, cambiais e outras restrições comerciais. Como resultado dessas transformações, emergiram blocos econômicos, como o NAFTA, o MERCOSUL, os países asiáticos e a Comunidade Econômica Europeia. Essa evolução tem impactado tanto as relações contratuais das organizações no cenário externo quanto o ambiente interno das empresas, criando uma demanda por melhores práticas de gestão. diante desse novo panorama global, é essencial que as organizações se adaptem e otimizem o uso dos recursos disponíveis, buscando a maximização de lucros sem comprometer o crescimento de longo prazo e os princípios éticos". Os movimentos sociais têm pressionado as empresas a assumirem um papel social mais ativo no futuro, o que inclui a responsabilidade pelo desempenho e impacto na sociedade. Assim, a otimização do uso dos recursos torna-se uma preocupação fundamental para os gestores das organizações. Para atender às expectativas dos consumidores, é crucial que as empresas ofereçam serviços de qualidade e produtos relevantes. Caso contrário, correm o risco de serem marginalizadas. Além disso, existem outros objetivos secundários que possuem implicações sociais, como a geração de empregos, a garantia de boas condições de trabalho, o atendimento às aspirações de remuneração e crescimento profissional, bem como a contribuição para programas sociais por meio do pagamento de impostos. No entanto, esses objetivos só podem ser alcançados se a organização obtiver lucro. No contexto atual, a Contabilidade moderna desempenha um papel fundamental como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão dos gestores. Ela é um sistema de informação e mensuração que possibilita aos administradores, com base em dados passados, delinearem estratégias futuras para otimizar o desempenho organizacional com maior segurança. Nessa perspectiva, a atuação do Controller em uma organização empresarial é vista como um agente de transformação produtiva, que converte recursos em bens e serviços demandados pelo mercado, conforme a análise de Sicrano (ano). Essa transformação visa atender tanto as necessidades econômicas quanto as expectativas sociais. UMA BREVE HISTÓRIA DA CONTROLADORIA EMPRESARIAL O surgimento do conceito de Controladoria teve sua origem na necessidade de controle por parte das organizações norte-americanas no início do século XX. Essa demanda surgiu devido ao processo de fusão de diversas empresas durante a Revolução Industrial, resultando na formação de grandes conglomerados. Esses conglomerados apresentavam uma estrutura verticalizada em constante expansão, com departamentos e divisões. Com a complexidade crescente dessa estrutura, os acionistas e gestores passaram a requerer um controle centralizado sobre os diversos departamentos e divisões, que se espalhavam rapidamente tanto nos Estados Unidos quanto em outros países. Essa necessidade de controle ocorreu em paralelo ao movimento de descentralização que também ocorria na época. À medida que as atividades empresariais se tornaram mais complexas e a necessidade de informações relevantes aumentou, o conceito de Controladoria se ampliou. Segundo Figueiredo e Caggiano (2004), a Controladoria passou a ter como foco a garantia da continuidade e do progresso da empresa, visando à otimização do resultado global. A Controladoria ganhou definição e se tornou uma área de atuação dentro das empresas. Ela desempenha um papel fundamental na gestão das informações, na tomada de decisões estratégicas e no suporte aos gestores. Além disso, a Controladoria contribui para a integração dos diversos setores da organização, promovendo uma visão holística e facilitando a comunicação eficiente entre as áreas. A Controladoria evoluiu ao longo do tempo, acompanhando as demandas e desafios enfrentados pelas empresas. Sua importância reside na capacidade de fornecer informações relevantes, assegurar o controle eficaz e contribuir para a sustentabilidade e o progresso das organizações. CONCEITO DA CONTROLADORIA EMPRESARIAL A Controladoria desempenha um papel fundamental na garantia de informações adequadas para o processo decisório dos gestores, contribuindo para a eficácia da empresa e de suas subdivisões, levando em consideração o aspecto econômico (MARTINS, 2005). Segundo Mosimann, Alves e Fisch (1999), a Controladoria pode ser definida como um conjunto de princípios, procedimentos e métodos provenientes de diversas áreas do conhecimento, como Administração, Economia, Psicologia, Estatística e principalmente Contabilidade. Seu objetivo é gerenciar economicamente as empresas, direcionando-as para a eficiência. Diversos teóricos têm contribuído para a definição e compreensão da Controladoria. Borinelli (2006) destaca a importância de estudiosos como José Pereira (1991), Mosimann, Alves e Fisch (1999), Almeida, Parisi e Pereira (2001) e Garcia (2003), buscando consolidar uma definição abrangente e complementar. Nesse sentido, Borinelli (2006) conclui que a Controladoria é um conjunto de conhecimentos que se baseiam em fundamentos teóricos e conceituais relacionados à gestão operacional, econômica, financeira e patrimonial, com o objetivo de controlar o processo de gestão organizacional. Apesar do avanço das tecnologias gerenciais, Orleans Martins (2005) ressalta que o modelo contábil-financeiro continua sendo a base central da Controladoria, embora não seja o único instrumento. Esse modelo é composto por três elementos: o orçamento, que orienta a administração na busca de objetivos específicos; os custos, que representam as medidas monetárias dos sacrifícios necessários paracontador em uma empresa e como o caminho natural para sua ascensão à Direção. Afinal, em todo o mundo, há uma proporção significativa de Controllers que se tornaram os principais executivos (CEO) de suas empresas. No entanto, há uma questão prévia de vital importância: como os contadores podem se tornar Controllers? Os obstáculos não são pequenos. Um deles, como discutido anteriormente, decorre da visão que os líderes empresariais, pelo menos no Brasil, têm dos contadores. (Por que, a menos que seja em uma empresa especializada em auditoria ou planejamento tributário, seria dada oportunidade a um especialista em demonstrações financeiras para fins fiscais de fazer parte da equipe de Direção?) Mas o maior obstáculo, na opinião do autor, advém da postura, percepções, atitudes e excesso de especialização na área tributária que caracterizam a "mentalidade típica do contador fiscal", a qual é altamente limitante e está bastante disseminada entre os contadores. Em certa medida, isso é natural, uma vez que, como mencionado anteriormente, mais de 80% dos contadores no Brasil se dedicam exclusivamente à contabilidade financeira. Essa mentalidade é o fator que mais restringe efetivamente sua capacidade de se tornarem Controllers. A Figura demonstra as características que distinguem a Controladoria da Contabilidade Financeira. As transformações da contabilidade gerencial que estão ocorrendo no mundo e que buscam alinhá-la com as recentes mudanças no cenário global dos negócios têm implicações significativas para o ensino e a formação de Controllers. A mais importante delas é que, se desejamos preparar Controllers, não devemos mais formar especialistas em contabilidade, uma vez que as responsabilidades da Controladoria vão além da contabilidade financeira ou externa. O Controller, como demonstrado anteriormente, precisa ser essencialmente um generalista, com a capacidade de compreender profundamente sua empresa e seu setor de negócios, além de ser capaz de compreender, utilizar e avaliar métodos, instrumentos de pesquisa, análise e práticas de um amplo conjunto de especialistas funcionais. Para formar um Controller, o currículo acadêmico de contabilidade deve incluir um conjunto de disciplinas adicionais (que não seria muito extenso, como pode parecer a alguns), que expandiriam o modelo contábil-financeiro central e abrangeriam os eixos de evolução discutidos anteriormente. Essas disciplinas, em conjunto, preparariam um profissional generalista, cujo conhecimento estratégico, postura crítica, habilidades interpessoais e diálogo inteligente com especialistas de diferentes áreas permitiriam a construção de um banco de dados e a criação de um fluxo de informações e relatórios, que constituem o principal quadro de avaliação do desempenho competitivo de uma empresa e são instrumentos fundamentais para sua governança. Com a formação adequada e livre da "mentalidade típica do contador fiscal", um contador moderno deve reconhecer que o status legal atual da profissão contábil no Brasil, que lhe confere exclusividade na preparação dos demonstrativos contábeis- financeiros, é na verdade uma grande oportunidade e uma importante "vantagem competitiva" para se tornar um Controller. Figura 6: Análise comparativa. Fonte: https://www.scielo.br/j/rcf/a/PKmKD9M7GJK5zKVBJGwjK3y/?lang=pt https://www.scielo.br/j/rcf/a/PKmKD9M7GJK5zKVBJGwjK3y/?lang=pt REFERENCIAS __________. A Estratégia em Ação: Balanced Scorecard. 16. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003. __________. Enfrentando Problemas com a Estratégia? Mapeie-a. Planejamento Estratégico. Rio de Janeiro: Campus, 2002. __________. Organização Orientada para a Estratégia: Como as Empresas que Adotam o Balanced Scorecard Prosperam no Novo Ambiente de Negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000. ABELL, Derek F. Duplo Planejamento. HSM Management, São Paulo, Ano 3, n.16, p. 106-114, set./out. 1999. ALBRECHT, Karl. Revolução nos Serviços. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1998. ALDAY, Hernan E. Contreras. O Planejamento Estratégico dentro do Conceito de Administração Estratégica. Revista FAE, Curitiba, v. 3, n. 2, 2000. ALLEN, F.; GALE, D. Comparing Financial Systems. MIT Press, 2000. ANDREOLLA, M. C. Controladoria: Teoria e Prática. Atlas, 2015. BOAR, B. H. Executive's Guide to Information Technology. Wiley, 1994. BRITO, G. A. S. Controladoria: Um Enfoque na Eficácia Empresarial. Atlas, 2000. CANO, L. V. Controladoria: Análise Comparativa entre as Funções Tradicionais e a Abordagem Contemporânea. RAE-Revista de Administração de Empresas, v. 42, n. 4, 2002, pp. 57-66. CARDOSO JUNIOR, R.; CÁCERES, H. A. Controladoria e a Comunicação com as Áreas. In: Anais do Congresso de Administração, Sociedade e Inovação, 2015, pp. 1- 10. CATELLI, A. Controladoria: Uma Abordagem da Gestão Econômica - GECON. Atlas, 2001. CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC PME - Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas. Disponível em: http://www.cpc.org.br/C. DELOACH, J. W. Enterprise-wide Risk Management. John Wiley & Sons, 2000. FIGUEIREDO, S. P.; CAGGIANO, P. C. Controladoria: Teoria e Prática. Local de Publicação: Editora, Ano. FIGUEIREDO, Sandra. Contribuição ao Estudo de um Modelo de Avaliação de Desempenho em Empresas de Seguros: Um Enfoque da Gestão Econômica. Dissertação de Mestrado. UNIMEP – Piracicaba – SP, 2009. FIGUEIREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo César. Controladoria: Teoria e Prática. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. FIGUEIREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo. Controladoria, Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 1992. FLORIANI, Arlete Regina. Controladoria como Geradora de Informações para Subsidiar Decisões Administrativas, 2001. Disponível em: http://proxy.furb.br/ojs/index.php/rn/article/view/554/507. FLORIANI, R. Controladoria. São Paulo: Atlas, 2001. GIL, Antonio de Loureiro; BIANCOLINO, César Augusto; BORGES, Tiago Nascimento. Sistema de Informações Contábeis. São Paulo: Saraiva, 2010. GUEDJE, J. F.; KÜBLER, A. Gerenciamento de Risco e Responsabilidade Empresarial. Atlas, 2000. HECKER, J. B.; WILSON, J. D. Controllership. 2ª ed. New York: Ronaldo Press, 1963. HORNGREN, C. T. Introdução à Contabilidade Gerencial. Editora Prentice-Hall do Brasil, 1985. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. KANITZ, S. C. Controladoria: Teoria e Estudo de Casos. KANITZ, Stephen Charles. Controladoria: Teoria e Estudos de Casos. São Paulo: Pioneira, 1976. KAPLAN, Robert S; NORTON, David P. Mapas Estratégicos: Convertendo Ativos Intangíveis em Resultados Tangíveis. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. KOLIVER, Olivio. A Contabilidade e a Controladoria, Tema Atual e de Alta Relevância para a Profissão Contábil, 2005. Disponível em: http://www.crcrs.org.br/arquivos/livros/livro_controladoria.pdf. LAFUENTE, A. M. G. Nuevas Estrategias para el Análisis Financiero. Editorial Ariel, 2001. MARTINS, O. Título do Livro. Local de Publicação: Editora, Ano. MENDES, I. G. A Controladoria e a Informação dos anos 90, Dissertação de Mestrado FEA/USP, 1991. OLIVEIRA, L. M. B.; PEREZ JR., J. H.; SILVA, C. A. T. Controladoria Estratégica. Atlas, 2010. OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JR., J. H.; SILVA, C. A. Controladoria Estratégica e Operacional: Conceitos, Estruturação, Implantação. São Paulo: Atlas, 2010. PADOVEZE, C. L. Controladoria Estratégica e Operacional: Conceitos, Estrutura, Aplicação. São Paulo: Cengage Learning, 2003. PADOVEZE, C. L. Controladoria Estratégica. São Paulo: Cengage Learning, 2003. PELEIAS, I. R. Controladoria: Uma Abordagem da Gestão Econômica. São Paulo: Atlas, 2002. SHIMPI, P. A. Integrating Corporate Risk Management. Texere, 2001.alcançar tais objetivos; e a contabilidade, que fornece informações e mensuração de eventos para a tomada de decisões. De acordo com Orleans Martins (2005), os princípios contábeis servem como referência para a expansão, flexibilização e adaptação às novas realidades e situações empresariais. Além disso, a Controladoria incorpora instrumentos e técnicas provenientes de outras áreas de gestão, permitindo que cada empresa atenda às necessidades de governança corporativa e dos acionistas/investidores. Sell (2004), a Controladoria utiliza a Contabilidade como uma ferramenta para auxiliar a administração e a alta gerência na condução dos negócios, permitindo a expansão, flexibilização e adaptação às novas realidades empresariais. A Controladoria, também conhecida como contabilidade gerencial, elabora relatórios de acordo com as necessidades dos gestores, muitas vezes utilizando dados provenientes da contabilidade financeira ou tradicional, transformando essas informações em uma linguagem mais concisa e clara para os administradores. Sell (2004) apresenta uma comparação entre a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial, destacando diferenças relacionadas à atuação, objetivos, custos, controle, relatórios e restrições nas informações. O aumento da complexidade na organização das empresas, a interferência governamental por meio de políticas fiscais, a diversificação das fontes de financiamento das atividades e a percepção da necessidade de considerar padrões éticos na condução dos negócios são alguns dos motivos que têm levado à demanda por melhores práticas de gestão e por um sistema contábil mais adequado para um controle gerencial mais efetivo. Isso tem aumentado a importância da gestão financeira no processo de condução dos negócios, levando a mudanças nas funções e responsabilidades dos executivos financeiros. Nesse contexto, a separação entre as funções contábeis e financeiras tornou-se um caminho lógico a ser seguido, resultando no surgimento e desenvolvimento da função distinta de Controladoria. Segundo Mosimann, Alves e Fisch (1993), a Controladoria é um conjunto de doutrinas e conhecimentos relacionados à gestão econômica. Ela pode ser visualizada de duas formas: como um órgão administrativo com uma missão, função e princípios definidos no modelo de gestão da empresa, e como uma área de conhecimento com fundamentos, conceitos, princípios e métodos oriundos de outras ciências. Assim, a Controladoria desempenha um papel crucial no fornecimento de informações relevantes para a tomada de decisões gerenciais, permitindo uma gestão mais eficiente e eficaz das empresas diante dos desafios e demandas do ambiente empresarial contemporâneo. Figura 1: Comparação. Fonte: http://www.gecompany.com.br/educacional/contabilidade/contabilidade-gerencial/ http://www.gecompany.com.br/educacional/contabilidade/contabilidade-gerencial/ A MISSÃO E OBJETIVO DA CONTROLADORIA EMPRESARIAL Segundo Catelli (2001, p. 346), a missão da Controladoria como órgão administrativo empresarial é "assegurar a otimização do resultado econômico da organização". Isso significa que a existência da Controladoria tem como propósito buscar a eficácia institucional, visando o crescimento dos lucros corporativos por meio de decisões acertadas. A Controladoria desempenha seu papel em sinergia com outras áreas de conhecimento, garantindo a continuidade da empresa e buscando constantemente maximizar os resultados. No que diz respeito ao papel da Controladoria, Oliveira, Perez Jr e Silva (2010, p. 10) afirmam que ela atua assessorando as diversas gestões da empresa, fornecendo medidas das alternativas econômicas e integrando informações por meio de uma visão sistêmica, a fim de facilitar o processo decisório. A Controladoria é responsável por processar, interpretar e reportar dados aos responsáveis, fornecendo suporte na busca por decisões acertadas que promovam a sustentabilidade do empreendimento. No entanto, é importante observar a colocação de Almeida, Parisi e Pereira (2001, p. 346), que ressaltam que a Controladoria é "por excelência uma área coordenada das informações sobre gestão econômica. No entanto, ela não substitui a responsabilidade dos gestores por seus resultados obtidos, mas busca induzi-los à otimização do resultado econômico." Os autores deixam claro que o auxílio prestado pela Controladoria não isenta os gestores de sua responsabilidade pelas decisões tomadas, mas oferece a eles uma orientação mais acertada para seguir. Após compreender a missão, é necessário estabelecer os objetivos para alcançá-la. Catelli (2001, p. 347) resume os objetivos da Controladoria como: "promoção da eficácia organizacional, viabilização da gestão econômica e promoção da integração das áreas de responsabilidade." O autor explica que quando a empresa trabalha com foco nesses aspectos, aliados a uma visão sistêmica do empreendimento, o resultado é a obtenção de resultados econômicos de acordo com as metas e condições estabelecidas, bem como a otimização do desempenho organizacional. Os objetivos representam de maneira detalhada a missão da empresa, e a figura apresentará a perfeita sincronia entre os objetivos e a missão da Controladoria. Ao estabelecer os objetivos da Controladoria, é possível criar uma sinergia entre as ações e direcionar os esforços para alcançar os resultados desejados. A promoção da eficácia organizacional visa garantir que a empresa atue de forma eficiente e alcance seus objetivos estratégicos. Isso envolve a adoção de práticas e processos que melhorem o desempenho geral da organização. A viabilização da gestão econômica é outro objetivo fundamental da Controladoria. Isso implica em garantir que a empresa tenha uma gestão financeira sólida, que permita a tomada de decisões embasadas em informações econômicas precisas e atualizadas. A Controladoria desempenha um papel fundamental na elaboração de orçamentos, análise de custos e no acompanhamento do desempenho financeiro da empresa. A promoção da integração das áreas de responsabilidade é um objetivo que busca garantir a harmonia e a cooperação entre as diversas áreas da empresa. A Controladoria atua como um elo de ligação entre os diferentes setores, fornecendo informações e análises que auxiliam na tomada de decisões estratégicas. Essa integração contribui para a otimização dos processos internos e para o alcance dos objetivos organizacionais. A figura mencionada anteriormente representa a interconexão entre a missão e os objetivos da Controladoria. Ao alinhar esses elementos, a empresa pode contar com uma Controladoria eficiente, capaz de fornecer informações relevantes e auxiliar na tomada de decisões estratégicas. A Controladoria atua como um parceiro estratégico, colaborando para o sucesso e a sustentabilidade do negócio. Além dos objetivos mencionados, a Controladoria também desempenha outras importantes funções no contexto empresarial. Uma dessas funções é a de planejamento e controle. A Controladoria auxilia na elaboração do planejamento estratégico da empresa, estabelecendo metas e indicadores de desempenho que serão monitorados ao longo do tempo. Através do controle, a Controladoria acompanha o cumprimento das metas e avalia os resultados obtidos, identificando possíveis desvios e propondo medidas corretivas. A Controladoria também desempenha um papel importante na gestão de custos. Ela busca identificar e mensurar os custos envolvidos nas atividades da empresa, permitindo a análise de rentabilidade de produtos, serviços e projetos. Através do controle e análise dos custos, a Controladoria auxilia na identificação de oportunidades de redução de gastos e no aumento da eficiência operacional. Figura 2: Missão x objetivosFonte: Borinelli (2006, p. 208). A CONTROLADORIA ÓRGÃO DE GESTÃO EMPRESARIAL a Controladoria desempenha um papel central na gestão empresarial, atuando como um órgão estratégico que fornece informações e orientações para o processo decisório, promove a integração das áreas da empresa e garante a conformidade e a transparência dos processos financeiros e contábeis. Ela contribui para o alcance dos objetivos organizacionais, a maximização dos resultados e a criação de valor para a empresa e seus stakeholders. A Controladoria empresarial, como órgão administrativo, desempenha um papel fundamental na garantia de informações adequadas para o processo decisório e na colaboração com os gestores em busca da eficácia gerencial. Embora a função, estrutura e posição do executivo possam variar de uma empresa para outra, é comum reconhecer o controller como o responsável pela supervisão e manutenção dos registros contábeis formais da empresa. No entanto, suas atribuições não devem se restringir apenas às funções contábeis, sendo desejável que ele amplie sua atuação no desenvolvimento da contabilidade em aplicações gerenciais. De acordo com Wilson and Colford (1990), existem diversas definições para a função da Controladoria que foram desenvolvidas ao longo dos anos. Uma revisão da literatura e da prática empresarial revela que as responsabilidades e atividades básicas podem ser caracterizadas da seguinte forma: Planejamento: A Controladoria é responsável por estabelecer e manter um plano integrado para as operações da empresa, alinhado aos objetivos e metas estabelecidos. Esse plano deve ser constantemente analisado e revisado, além de ser comunicado aos diversos níveis de gestão por meio de um sistema de comunicação adequado. Controle: É função da Controladoria desenvolver e revisar constantemente os padrões de avaliação de desempenho, que servem como guias para os gestores em suas funções. O objetivo é assegurar que os resultados reais estejam em conformidade com os padrões estabelecidos. Informação: A Controladoria é responsável por preparar, analisar e interpretar os resultados financeiros, a fim de fornecer informações relevantes para o processo de tomada de decisão. Essas informações devem considerar os objetivos das unidades e da empresa como um todo. Além disso, a Controladoria também é responsável por preparar as informações para uso externo, atendendo às exigências do governo, acionistas, instituições financeiras, clientes e público em geral. Contabilidade: A Controladoria é responsável por estruturar e manter o sistema contábil em todos os níveis da empresa, incluindo divisões, garantindo o registro adequado de todas as transações financeiras de acordo com os princípios contábeis. Além disso, é incumbida de preparar as demonstrações financeiras externas em conformidade com as exigências governamentais e contábeis. Ao citar Wilson and Colford (1990), reforçamos a importância de compreender as múltiplas definições e responsabilidades atribuídas à Controladoria. Essas características são fundamentais para que o órgão desempenhe seu papel estratégico na busca pela eficácia gerencial e contribua para o sucesso das organizações. Outras funções da Controladoria incluem a administração e supervisão das atividades que impactam o desempenho empresarial, como questões fiscais envolvendo impostos federais, estaduais e municipais. Isso pode envolver negociações com as autoridades fiscais, quando necessário, e a manutenção de um relacionamento adequado com os auditores internos e externos. Além disso, a Controladoria é responsável por estabelecer planos de seguro, desenvolver e manter sistemas e procedimentos de registro, supervisionar a tesouraria e instituir programas de financiamento, entre outras atividades. É importante ressaltar que essas funções podem variar de acordo com as circunstâncias específicas de cada empresa. Floriani (2001) destaca a importância da modelagem de informações gerenciais, que deve incluir a análise da situação passada, o que foi realizado e as tendências futuras em comparação ao plano orçamentário. Segundo o autor, a maioria das empresas elabora relatórios gerenciais mensais, levando em consideração as projeções estabelecidas no orçamento e comparando-as com os resultados alcançados. Após identificar as variações mais relevantes, essas informações são transcritas e enviadas à alta administração. Mensalmente, os gerentes, supervisores e conselho administrativo se reúnem para analisar os resultados e buscar ações preventivas ou corretivas, caso necessário, visando a perpetuação do negócio e a melhoria dos indicadores operacionais, financeiros e econômicos. Figura 2: Ambiente organizacional Fonte: A Controladoria desempenha um papel fundamental na eficiência e eficácia da gestão empresarial. A eficiência está relacionada à realização adequada de um trabalho, enquanto a eficácia diz respeito ao grau em que os objetivos preestabelecidos são alcançados. Conforme esclarece Padoveze (2003, p. 15), "eficácia é quando os objetivos preestabelecidos são atingidos como resultado da atividade ou do esforço; eficiência é a relação existente entre o resultado obtido e os recursos consumidos para conseguir aquele resultado". Portanto, a Controladoria desempenha um papel fundamental ao permitir a eficiência e eficácia organizacional. O RAMO DE CONHECIMENTO CONTROLADORIA EMPRESARIAL O ramo de conhecimento Controladoria Empresarial surgiu da necessidade de compreender e lidar com os diversos fenômenos que afetam as empresas em sua interação com agentes externos. Além dos conceitos oferecidos pela administração, contabilidade e economia, é preciso considerar os aspectos econômicos, sociais, políticos, educacionais, tecnológicos, ecológicos e regulatórios que impactam as necessidades da empresa em busca de eficácia. Para dar uma explicação abrangente a esses fenômenos, foi definido um modelo conceitual teórico conhecido como Controladoria. De acordo com Mosimann (1993), "A Controladoria pode ser conceituada como o conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos das ciências de Administração, Economia, Psicologia, Estatística e principalmente da Contabilidade, que se ocupam da gestão Econômica das empresas, com o fim de orientá-las para eficácia". A Controladoria, portanto, utiliza conhecimentos multidisciplinares para auxiliar na gestão econômica das empresas, visando direcioná-las para a eficácia. Esse ramo de conhecimento abrange diversas áreas, como a contabilidade gerencial, que envolve a utilização de informações contábeis para tomada de decisão, o planejamento estratégico, que estabelece objetivos e metas a longo prazo, o controle interno, que busca garantir a eficiência e a conformidade dos processos, entre outros aspectos fundamentais para a gestão empresarial. A Controladoria, como disciplina, busca fornecer ferramentas e informações adequadas aos gestores, permitindo uma melhor compreensão do ambiente em que a empresa está inserida e auxiliando na tomada de decisões estratégicas. Ela desempenha um papel crucial na orientação das empresas para a eficácia e na busca pela maximização dos resultados, considerando tanto os aspectos financeiros quanto os não financeiros. O PROFISSIONAL DA CONTROLADORIA EMPRESARIAL A atuação dos profissionais de contabilidade no campo da Controladoria empresarial requer conhecimento e domínio de conceitos de diversas disciplinas, como administração, economia, estatística e informática. Nesse contexto, a importância do profissional é medida não apenas pela precisão na elaboração das demonstrações contábeis, mas principalmente pela sua contribuição para a administração geral da organização. O Controller, comogestor responsável pelo departamento de Controladoria, desempenha um papel fundamental ao gerenciar um sistema de informação eficiente, buscando garantir a continuidade da empresa e viabilizando sinergias que levem a resultados superiores. Kanitz (referência) afirma que "os controladores foram inicialmente recrutados entre os indivíduos das áreas de contabilidade e finanças das empresas, por possuírem, em função do cargo que ocupam, uma visão ampla da empresa que os habilita a enxergar as dificuldades como um todo e propor soluções gerais. Além disso, as informações que chegam ao controller são predominantemente de natureza quantitativa, física, monetária, ou ambas". Essa visão abrangente e a capacidade de lidar com informações de diversas naturezas são características essenciais para o desempenho efetivo da função de controlador. Mendes (1991) destaca que o controller pode ser considerado protagonista e coadjuvante de uma mudança comportamental importante na história da contabilidade e da administração. Isso ressalta a relevância do papel desse profissional na transformação das práticas e na adoção de abordagens mais estratégicas. Para desempenhar suas funções de forma eficaz, o controller precisa atender a alguns requisitos. Isso inclui um bom conhecimento do ramo de atividade da empresa, compreendendo seus problemas e vantagens setoriais. Além disso, é necessário ter familiaridade com a história, objetivos, metas e políticas da organização, bem como habilidade para analisar dados contábeis e estatísticos que direcionam suas ações. O conhecimento de informática também é fundamental para propor modelos de aglutinação e simulação de dados. O controller deve ainda possuir habilidades de comunicação oral e escrita, além de profundo conhecimento dos princípios contábeis e das implicações fiscais que afetam o resultado empresarial. Hecker e Wilson estabelecem princípios que devem nortear o trabalho do controller, como iniciativa, visão econômica, comunicação racional, síntese, visão voltada para o futuro, oportunidade, persistência, cooperação, imparcialidade, persuasão e consciência das limitações. Em relação aos requisitos necessários para o desempenho da função de Controladoria, destacam-se os seguintes pontos: a) Um bom conhecimento do ramo de atividade da empresa, incluindo uma compreensão dos problemas e vantagens que afetam o setor. Isso permite ao controller ter uma visão ampla do contexto em que a organização está inserida e tomar decisões estratégicas mais embasadas. b) É fundamental que o profissional possua conhecimento da história da empresa e se identifique com seus objetivos, metas, políticas, problemas básicos e possibilidades estratégicas. Isso facilita o alinhamento entre a Controladoria e a visão global da organização. c) O controller deve ter habilidade para analisar dados contábeis e estatísticos, que servem como base direcionadora de suas ações. Além disso, é necessário possuir conhecimento suficiente de informática para propor modelos de aglutinação e simulação das diversas combinações de dados, possibilitando uma análise mais completa e eficiente. d) É importante que o controller possua habilidades de comunicação tanto oral quanto escrita. Essa capacidade de expressão clara e efetiva é essencial para transmitir informações relevantes aos gestores e demais envolvidos na tomada de decisões. Além disso, é necessário possuir um profundo conhecimento dos princípios contábeis e das implicações fiscais que afetam o resultado empresarial, garantindo a conformidade com as regulamentações e a maximização dos resultados financeiros. Figura 3: Organograma Fonte: Coelho, Lunkes e Machado (2012). FUNÇÕES E ESTRUTURAS DA CONTROLADORIA A controladoria empresarial desempenha um conjunto de funções essenciais para o adequado funcionamento e direcionamento das organizações. Essas funções abrangem desde a gestão da informação até o acompanhamento e avaliação dos resultados. Nesse sentido, a citação de Catelli (2001) reforça a importância dessas funções complementares da controladoria. As funções da controladoria desempenham um papel fundamental na busca pela consecução da missão organizacional. Catelli (2001) destaca que essas funções são definidas como ações realizadas com o propósito de alcançar objetivos específicos. Dentre as principais funções, Kanitz (1977 apud OLIVEIRA; PEREZ JR; SILVA, 2010, p. 9) destaca: A informação é um dos pilares da controladoria, abrangendo os sistemas contábil- financeiro-gerenciais. Esses sistemas fornecem dados e informações relevantes para a tomada de decisões, possibilitando o controle efetivo sobre as atividades da empresa. Segundo Catelli (2001), a informação é a base para a realização e o planejamento das ações organizacionais. A motivação é um aspecto relevante no contexto da controladoria. Os sistemas de controle implementados pela controladoria têm impacto direto no comportamento dos indivíduos e equipes dentro da organização. Através do controle, busca-se alinhar os objetivos individuais aos objetivos da empresa, estimulando a busca pela eficiência e eficácia nas atividades desempenhadas. A coordenação também se destaca como uma função da controladoria. O controller atua como um elo de ligação entre os diversos setores da empresa, centralizando informações e identificando eventuais inconsistências. Essa função possibilita a identificação de problemas e a proposição de soluções para a direção da empresa, contribuindo para a otimização dos processos e o alcance dos resultados desejados. A avaliação é outra função crucial da controladoria, na qual se interpreta fatos, informações e relatórios, avaliando os resultados por área de responsabilidade, por processos, por atividades, entre outros critérios. Essa análise permite uma compreensão mais profunda do desempenho organizacional, identificando pontos fortes e áreas que necessitam de melhorias. O planejamento é uma função que permeia todas as etapas do processo decisório. A controladoria assessora a direção da empresa na definição e mensuração dos planos e objetivos estratégicos. A partir dessas diretrizes, são estabelecidas metas e indicadores que orientam a tomada de decisões e o acompanhamento do desempenho organizacional. O acompanhamento é uma função que envolve a verificação e controle da evolução dos planos estabelecidos, permitindo a correção de falhas e a revisão das estratégias adotadas. Esse processo contínuo de monitoramento contribui para o alcance dos resultados planejados e para a adaptação da empresa às mudanças do ambiente de negócios. A controladoria empresarial desempenha um papel fundamental no subsídio do processo de gestão, fornecendo informações estratégicas que permitem projeções sobre eventos econômicos no processo decisório. Conforme ressalta Peleias (2002), a controladoria apoia a avaliação de desempenho por meio da elaboração e análise do desempenho econômico por departamentos da empresa, dos administradores e do próprio setor de controladoria. Além disso, a controladoria também desempenha um papel crucial na avaliação de resultados, fornecendo suporte à gestão por meio da elaboração de análises e avaliações do resultado econômico dos produtos e serviços. Essa função inclui a padronização e o monitoramento dos processos para garantir a eficácia e a eficiência das operações. Outra responsabilidade da controladoria é gerir os sistemas de informações, elaborando modelos de decisões para diferentes cenários econômicos e estabelecendo a base de dados de acordo com as necessidades dos gestores. Dessa forma, a controladoria fornece informações gerenciais relevantes para a tomada de decisões estratégicas. A controladoriatambém atua no atendimento aos agentes do mercado, antecipando e mensurando o impacto das legislações sobre o resultado econômico da empresa por meio de planejamento. Essa abordagem é fundamental para garantir a conformidade com as regulamentações e minimizar riscos. Conforme destacado por Peleias (2002), a controladoria desempenha suas funções em uma sequência ordenada de etapas: planejamento, execução e controle. Na etapa de planejamento, a controladoria fornece informações e instrumentos para que os gestores possam avaliar o impacto das diferentes alternativas de ação sobre o patrimônio e os resultados da organização, além de coordenar o planejamento operacional. Na etapa de execução, a controladoria fornece informações que permitem comparar o desempenho real com as condições padrão, registrando os eventos e transações concluídos. Já na etapa de controle, a controladoria permite a comparação das informações relativas à atuação dos gestores e áreas de responsabilidade com os planos e padrões estabelecidos previamente. A controladoria, como órgão de apoio à cúpula administrativa, tem como objetivo o controle constante, a eficiência e a eficácia dos diversos departamentos organizacionais. Seu papel é fornecer suporte informacional por meio de ferramentas de planejamento e controle, identificando gargalos presentes e futuros que possam causar riscos ou reduzir a rentabilidade do empreendimento, conforme argumentado pelos autores. Conforme a estrutura proposta por Padoveze (2003), a controladoria é composta por duas grandes áreas: contábil/fiscal e planejamento/controle. Essa estrutura reflete a responsabilidade da controladoria em garantir o resultado da organização por meio do sistema de informações contábeis gerenciais. Na obra de Padoveze (2003), a controladoria empresarial é estruturada em duas grandes áreas: contábil/fiscal e planejamento/controle. Figura 4: Organograma 2. Fonte:https://docplayer.com.br/6898892-Gestao-empresarial-a-importancia-da-controladoria-no- processo-decisorio-em-uma-empresa-do-ramo-de-confeccoes.html A área contábil/fiscal da controladoria engloba as atividades relacionadas à contabilidade e aos aspectos fiscais da empresa. Isso inclui a elaboração de demonstrações financeiras, o cumprimento das obrigações fiscais e tributárias, além da garantia da conformidade com as normas contábeis e regulamentações legais. Já a área de planejamento/controle tem como foco a gestão estratégica da organização. Nessa área, são desenvolvidos planos e metas, avaliando-se a viabilidade e os impactos financeiros das decisões estratégicas. Também é responsabilidade dessa área o controle e o monitoramento do desempenho organizacional, por meio da comparação dos resultados alcançados com as metas estabelecidas. A estrutura proposta por Padoveze (2003) é relevante para o entendimento da abrangência da controladoria e suas áreas de atuação. Essa divisão em duas grandes áreas permite uma melhor organização e direcionamento das atividades da controladoria, garantindo que todas as necessidades contábeis, fiscais e de planejamento sejam devidamente atendidas. A Figura: 4 apresenta a estruturação das funções desempenhadas pela controladoria, dividindo-se em dois vértices: planejamento/controle e escrituração. O primeiro abrange as atividades relacionadas a projeções e acompanhamentos de peças orçamentárias, custos, divisões setoriais e estudos pontuais, sendo o contexto gerencial da empresa. O segundo vértice está voltado para a parte fiscal e societária do empreendimento, abrangendo a contabilidade societária, patrimonial e tributária. Essa estruturação permite a utilização efetiva de dados contábeis, possibilitando a visualização sistêmica do negócio e a medição da eficácia das unidades departamentais. Como complemento, Oliveira, Perez Jr. e Silva (2010) afirmam que a controladoria se estrutura em dois segmentos: Contábil e fiscal: neste segmento, são exercidas as funções e atividades da contabilidade tradicional, como a escrituração contábil e fiscal, geração de informações e relatórios para fins societários, fiscais, publicações, atendimento à fiscalização e auditoria, entre outros. Planejamento e controle: caracteriza o aspecto moderno das funções e atividades da controladoria. Nesse segmento, são incorporadas as atribuições relacionadas à gestão de negócios, que envolvem questões orçamentárias, projeções, simulações, aspectos estratégicos da apuração e análise de custos, contabilidade e análise de desempenho por centros de responsabilidades, planejamento tributário, entre outros. CONTROLE DA QUALIDADE DA INFORMAÇÃO E O NOVO MODELO DE CONTROLADORIA O sistema de controle da gestão dos recursos deve ser implantado nas organizações de forma eficaz e eficiente para apoiar a governança. A questão de qual órgão seria mais adequado para manejar as técnicas e os instrumentos necessários às suas funções tem sido discutida por diversos autores. Alguns propõem a criação de um departamento especializado para a análise de riscos, conhecido como EWRMD (Enterprise-Wide Risk Management Department) (Deloach, 2000). Outros acreditam que as atribuições do controle da gestão dos recursos deveriam ser incluídas nas responsabilidades do CIO (Chief Information Officer) (Boar, 1994). Por outro lado, há propostas de atribuir essa função à Controladoria (Brito, 2000). Entre essas opções, é preferível adotar a Controladoria como responsável pelo sistema de controle da gestão dos recursos. Isso ocorre porque o risco é inerente às atividades empresariais e é impossível buscar resultados econômicos sem enfrentar riscos. Como mencionado anteriormente, o modelo contábil-financeiro das empresas, com algumas extensões e adições, é especialmente adequado para analisar, acompanhar e projetar a utilização dos recursos e o desempenho em um ambiente de risco, o que é de interesse da governança. Dessa forma, os controles de desempenho e custódia, que sempre foram realizados pela Contabilidade Financeira e Gerencial, devem ser integrados e coerentes com o controle de riscos dentro da organização. Isso é essencial para estabelecer um quadro abrangente de controle empresarial com critérios consistentes e, mais importante ainda, para verificar se os gestores estão harmonizando adequadamente os riscos e os retornos (Allen & Gale, 2000). No entanto, surge um problema: o da independência. Conforme mencionado anteriormente, uma Controladoria, ao realizar o controle do risco/retorno dos recursos da empresa, estaria, inevitavelmente, auditando a gestão dos administradores responsáveis por tomar decisões sobre esses recursos. No entanto, um Controller, mesmo sendo um diretor, enfrentaria uma situação insustentável ao se subordinar ao Presidente e ter que criticá-lo perante o Conselho. Por outro lado, se ele permitisse que as informações de seus relatórios fossem filtradas ou depuradas, excluindo análises negativas sobre a atuação e capacidades dos administradores, todo o sistema de controle poderia ser comprometido pela ação do agenciamento (Guedje & Kübler, 2000). Infelizmente, isso é o que ocorre na maioria das empresas atualmente. No entanto, essas restrições limitam o papel das Controladorias e, consequentemente, o da governança, em prevenir crises e garantir a continuidade empresarial. Diante desse cenário, é absolutamente necessário estabelecer uma nova posição organizacional para as Controladorias, a fim de exercer efetivamente a governança. Esse novo modelo desvincula hierarquicamente a Controladoria da gestão e estabelece uma dupla ligação estrutural. Por um lado, a ligação do Controller com os principais executivos da empresa seria puramente informacional,garantindo o direito de receber todas as informações geradas pelo sistema de controle de custódia e desempenho. Por outro lado, o Controller ficaria subordinado diretamente ao Conselho de Administração (Cano, 2002). Nessas condições, um Presidente jamais poderia demitir um Controller sem o prévio consentimento do conselho, assegurando a independência necessária para a efetividade do controle. É importante ressaltar que o executivo responsável por uma unidade de negócios também não teria o poder de demitir um Divisional Controller sem obter previamente a concordância do Controller Geral do grupo empresarial. Essa salvaguarda garante a segurança da posição e da carreira dos Controllers, permitindo-lhes estabelecer sistemas de controle da gestão dos recursos que sejam completamente imunes a possíveis influências do agenciamento. Essa é uma garantia que nenhum órgão subordinado à direção executiva da empresa poderia oferecer. Vale ressaltar que essa posição de independência não é nova e, por razões que agora devem estar claras, já é estendida aos auditores internos (Cano, 2002). "A independência do Controller em relação à gestão executiva é fundamental para garantir a veracidade e a qualidade das informações contábeis e de controle. Somente quando o Controller possui uma posição segura e sua carreira não está sujeita a pressões internas, ele pode desempenhar plenamente seu papel na garantia da integridade dos sistemas de controle da gestão dos recursos" (Cano, 2002, p. 62). CONTROLADORIA NAS MPES Consciente da importância das pequenas e médias empresas no contexto econômico global, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu o CPC PME - Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, buscando a convergência às normas internacionais de contabilidade e interpretando o The International Financial Reporting Standard for Small and Medium-sized Entities (IFRS for SMEs) (CPC, 2009). O CPC PME estabelece diretrizes a serem adotadas em relação às características qualitativas das demonstrações contábeis, as quais têm relevância para as rotinas ligadas à Controladoria. Dentre essas características, destacam-se a relevância, a essência sobre a forma, a confiabilidade, a comparabilidade, a tempestividade e o equilíbrio da relação custo e benefício (CPC, 2009). Nesse sentido, os controles relacionados às demonstrações contábeis devem passar pelos mesmos critérios exigidos para as próprias demonstrações contábeis. A informação fornecida deve ser confiável e relevante para os usuários, auxiliando na tomada de decisões. Além disso, é essencial que a informação seja disponibilizada em tempo hábil, permitindo a deliberação de ações estratégicas, e que seja apresentada de forma comparável com períodos anteriores. É fundamental considerar que os benefícios de se obter a informação devem superar o esforço necessário para obtê-la, garantindo uma relação equilibrada entre custos e benefícios (CPC, 2009). No contexto das pequenas e médias empresas, a falta de um órgão de controladoria é uma realidade comum. No entanto, essa ausência pode ser suprida pelo contador, que tem o papel de reverter a percepção sobre os serviços contábeis oferecidos. O contador pode transmitir aos clientes serviços de qualidade e orientação, promovendo a cultura de uma estrutura de Sistema de Informação Gerencial e permitindo que os gestores lidem com informações que antes não eram disponibilizadas (Wahlmann, 2003). "A aplicação de conceitos da controladoria em pequenas e médias empresas diminuiria a mortalidade dessas empresas, possibilitando aos empresários acesso a informações relevantes e tempestivas para antecipar adversidades do mercado" (Monteiro & Barbosa, 2011, p. 123). Por outro lado, a falta de controle interno e gerenciamento eficiente expõe as empresas a diversos riscos e as torna inertes a mudanças no cenário econômico e a novas oportunidades. Essa deficiência estrutural pode levar a problemas como desvio de recursos e fraudes, afetando negativamente a continuidade dos negócios e prejudicando a cadeia de relacionamento da empresa (Cohen & Santana, 2013). Ao concluir, as autoras sugerem melhorias alinhadas aos princípios teóricos da controladoria, mesmo que não tragam um benefício financeiro significativo. Cardoso Junior e Cáceres (2015) destacam a significativa relevância da Controladoria em facilitar a comunicação entre as diversas áreas de uma empresa, consolidando e transmitindo informações geradas por ferramentas analíticas ao nível gerencial para a tomada de decisão. Sua influência se estende até às estratégias de marketing, gerando resultados positivos para a empresa e atraindo investimentos. Segundo Souza (2010), a implantação da Controladoria contribui para o aumento da receita e da lucratividade por meio do aperfeiçoamento dos processos de controle de custos e despesas, desenvolvimento das competências dos colaboradores e ampliação da visão estratégica dos gestores. Isso, por sua vez, facilita a expansão dos negócios, agrega valor à empresa e promove a fidelização dos clientes. Fernandes e Galvão (2016) expressam em seu trabalho que, embora a Controladoria seja bem aceita entre as médias e grandes empresas, há resistência à sua adoção em Pequenas e Médias Empresas (PMEs) devido ao desconhecimento administrativo. No entanto, os autores recomendam implementar a Controladoria de maneira econômica, contratando um consultor ou aproveitando a experiência de um contador. Os autores ainda afirmam que a maioria das micro e pequenas empresas são administradas por seus proprietários, que muitas vezes negligenciam práticas rigorosas de controle e não diferenciam custos de produção, despesas e lucratividade, levando a preços inadequados. os autores recomendam implementar a Controladoria de maneira econômica, contratando um consultor ou aproveitando a experiência de um contador. Os autores ainda afirmam que a maioria das micro e pequenas empresas são administradas por seus proprietários, que muitas vezes negligenciam práticas rigorosas de controle e não diferenciam custos de produção, despesas e lucratividade, levando a preços inadequados. os autores recomendam implementar a Controladoria de maneira econômica, contratando um consultor ou aproveitando a experiência de um contador. Os autores ainda afirmam que a maioria das micro e pequenas empresas são administradas por seus proprietários, que muitas vezes negligenciam práticas rigorosas de controle e não diferenciam custos de produção, despesas e lucratividade, levando a preços inadequados. “Um bom sistema de controle é indispensável para o bom funcionamento de um negócio, dotando os gestores de informações que possibilitem tomadas de decisão objetivas e racionais, garantindo assim a continuidade da entidade” (Andreolla, 2015, p. 78). No processo de planejamento, uma estrutura organizada de processos é necessária para permitir a direção e o controle efetivos do negócio. A empresa requer um banco de dados confiável para obter informações relevantes para o processo de tomada de decisão (Andreolla, 2015). Em resumo, a implementação da Controladoria nas empresas desempenha um papel vital para facilitar a comunicação eficaz, a tomada de decisões estratégicas e melhorar o desempenho financeiro. Sua utilização, mesmo em PMEs, pode ser alcançada de maneira econômica, fornecendo insights valiosos para o crescimento e sucesso dos negócios. Na última década, em paralelo a iniciativas em outras áreas de administração que receberam o rótulo "estratégico", como "marketing estratégico", "manufatura estratégica" e "engenharia estratégica", ocorreu um movimento na contabilidade gerencial conhecido como "contabilidade estratégica". Esse movimento visa utilizar ferramentas clássicas, como o custeio, com o objetivo de aumentara competitividade das empresas (Shank & Govindarajan, 1993). Embora não seja explicitamente afirmado, pode-se inferir que, para os defensores desse movimento, o uso de informações contábeis seria apenas ocasionalmente estratégico, considerado um serviço adicional prestado em circunstâncias especiais. Na verdade, para atender às demandas da gestão moderna, a Controladoria precisa ser continuamente estratégica e intrinsecamente estratégica, sem nunca perder seu caráter de apoio operacional. Para alcançar essa conexão estratégico-operacional, é necessário adotar uma abordagem mais profunda, que inclua até mudanças epistemológicas. A primeira mudança está relacionada à compreensão da própria natureza da empresa e seus objetivos, conforme discutido anteriormente. A segunda mudança diz respeito à compreensão de que toda empresa está imersa em um ambiente volátil e competitivo, com o qual interage profundamente. Forças ambientais, como aquelas presentes nos mercados, na concorrência e na tecnologia, afetam diretamente os resultados de todas as empresas em um determinado setor de negócios. Forças ambientais mais amplas ou sistêmicas, como políticas, econômicas, socioculturais e demográficas, exercem influência em todas as áreas de negócios e, portanto, em todas as empresas situadas em um país. Por sua vez, todos os países são impactados por forças globais, dependendo de sua posição e estágio de desenvolvimento, sendo que, nos últimos tempos, surgiram duas forças poderosas: a globalização dos mercados o financeiro) e a revolução da tecnologia (especialmente da informática associada às telecomunicações). Embora as forças ambientais sempre estivessem presentes, afetando os resultados das empresas, a contabilidade sempre abdicou de entendê-las como um problema propriamente contábil (Hatherly, 1993). Na verdade, um contador da escola tradicional poderia passar vinte anos dentro de uma empresa produzindo os demonstrativos financeiros convencionais, sem jamais, como contador, precisar saber algo sobre os concorrentes da empresa, a qualificação dos seus fornecedores, a necessidade de atender os clientes etc. (Franks, 1995). Entretanto, para a Controladoria esse entendimento é essencial, pois é o ambiente e suas forças que, na verdade, estão na base das estratégias, e estas correspondem a planos de ação e disposição de recursos segundo os quais as empresas procuram obter competitividade e produzir valor de forma crescente e sustentável, em interação com o quadro prevalecente e futuro de forças ambientais relevantes. A produção de valor de uma empresa deve passar por mudanças constantes, justamente porque a empresa deve sempre se antecipar e se adaptar a novas variáveis ambientais, tais como o gosto e os hábitos de compra de seus clientes/usuários, as ações de seus concorrentes em termos de qualidade ou preços, as novas perspectivas das taxas de juros e câmbio, as novas alíquotas de impostos, às novas tecnologias etc., etc. (Liautaud, 2001; Slywotzky, 1997). Enquanto a função do contador financeiro-fiscal se preenche e se esgota com a produção dos demonstrativos contábeis-financeiros, a função do Controller é muito mais abrangente e complexa, pois cabe a ele identificar, prever, mensurar e avaliar o impacto das forças críticas ambientais sobre os resultados da empresa. Por exemplo, sem um profundo conhecimento e acompanhamento dos mercados e das forças de competitividade prevalecentes nesses mercados (Porter, 1989), como poderá explicar fatos tais como a perda de market-share, que podem implicar substanciais perdas de receitas e lucratividade? E, mais que isso, como poderá distinguir se a causa de um declínio dos resultados é decorrente de uma perda de competitividade perante um concorrente mais hábil ou de movimentos econômicos mais amplos e gerais como uma recessão? Saber diferenciar entre tais situações pode ser determinante para a seleção e implantação de planos específicos de defesa do valor econômico dos acionistas. No primeiro caso, tais planos irão enfocar apenas a volta do poder competitivo perdido em relação aos concorrentes (Reduções de custos e preços? Campanhas de publicidade ou promoção?). No segundo caso, como as causas subjacentes são sistêmicas, as estratégias deverão proporcionar um "hedge" mais duradouro da empresa perante a situação recessiva (Contração das atividades? Busca de maior liquidez nas vendas? Paralisação ou postergação dos investimentos?). Nota-se facilmente que é absolutamente necessário distinguir entre tais situações. Um Controller, que é, por definição, um "expert" na apuração dos resultados econômico-financeiros através do modelo contábil, ao possuir um entendimento preciso das forças que estão impactando tais resultados (mesmo quando tais forças não sejam totalmente controláveis), passa a ter uma importância absolutamente inestimável na fixação dos rumos de qualquer empresa (Hatherley, 1993). É evidente que, a qualquer momento, há uma infinidade de forças ambientais atuando direta ou indiretamente sobre uma empresa, independentemente de sua área de negócios. À primeira vista, pode parecer que identificar e avaliar essas forças seria uma tarefa complexa e abrangente demais para ser realizada na prática. No entanto, como bem sabem os estrategistas, nem todas as variáveis ambientais têm a mesma importância em um determinado cenário, como seria esperado pelo princípio de Pareto. Em cada momento, apenas um pequeno grupo de fatores (geralmente não mais do que meia dúzia e raramente mais de uma dezena) são os que efetivamente determinam a situação da empresa. Esses fatores são conhecidos como fatores críticos ambientais (FCA) (Grant, 1991). Além de influenciarem decisivamente as transformações estruturais sistêmicas ou inter-setoriais, são os FCA que reconfiguram as variáveis que determinam o valor atribuído pelos usuários/clientes aos produtos e as dimensões que a competitividade assume em cada setor de negócio. Identificar, mensurar e avaliar o efeito dos FCA e das mudanças estruturais nos setores em relação à produção e sustentação de valor para os clientes/usuários e para os investidores/proprietários é, portanto, uma tarefa fundamental da Controladoria. Essas informações são amplamente demandadas por qualquer governança empresarial, com exceção, é claro, das empresas absolutamente ineptas ou alienadas. Toda a gestão empresarial está voltada para o futuro. Fica claro, portanto, que a função estratégica da Controladoria para apoiar a gestão deve necessariamente se projetar para o futuro. Como disse Ansoff, "a função das estratégias é preparar a empresa no presente para que ela possa estar viva e rentável no futuro" (Ansoff, 1984). No entanto, como já mencionou um crítico, "é impossível dirigir um veículo para frente olhando apenas pelo retrovisor" (Drucker, 1964), como faz a contabilidade financeira ao atender ao princípio da objetividade. Na verdade, o novo modelo contábil de representação da realidade deve estar constantemente preocupado com o desdobramento futuro dos FCA e com o futuro que está sendo "moldado" pelas decisões atuais. Essa preocupação faz com que a Controladoria naturalmente busque incorporar instrumentos e técnicas de projeção e exploração futura das variáveis ambientais, como a técnica de cenários e planejamento futuro (Ringland, 1998; Godet, 1985; Bontempo, 1999). Sem tais técnicas, a elaboração de orçamentos operacionais e de capital de uma empresa, que faz parte das atribuições básicas da Controladoria, seria apenas um exercício matemático sem fundamentos sólidos. Como seria possível, por exemplo, projetar um fluxo de caixa com um horizonte de 10 anos para a compra de uma máquina ou de uma empresa sem buscar compreender como as variáveis ambientais futuras se comportarão e como afetarão os resultados do investimentorealizado? Não se trata apenas de prever fluxos de caixa futuros, mas de saber, antecipadamente, se haverá fluxos de caixa no futuro. Muitos poderão objetar que projetar o futuro é fútil, pois é praticamente impossível antecipá-lo. No entanto, é importante considerar que praticamente todas as decisões empresariais mais importantes precisam de informações básicas sobre suas possíveis consequências futuras para serem avaliadas (Modis, 1998). Essa necessidade de informações precisa ser atendida, e cabe à Controladoria fornecer essas informações. Portanto, embora se saiba que o futuro será sempre incerto, isso não significa que não deva ser compreendido e explorado. Essa compreensão pode ser incorporada ao modelo contábil por meio de uma outra dimensão: a incerteza ou o risco (Daniel, 2000; Pickford, 2001; George, 1996). Com essa perspectiva, as projeções futuras passam a ser feitas considerando o risco, e não seria apropriado falar, por exemplo, em uma projeção determinística de vendas de R$3 milhões para o próximo ano. Isso seria uma previsão determinística, e o futuro não pode ser logicamente representado dessa maneira. Como o risco implica necessariamente em possíveis variações nos resultados futuros, previsões com risco sempre devem estar associadas a uma medida de dispersão dos resultados (como a variância ou o desvio-padrão) em uma distribuição de probabilidades. Dessa forma, ao sair de um regime determinístico para um de risco, falaríamos, no exemplo citado, em uma distribuição normal de vendas para o próximo ano, com uma média de R$3 milhões e um desvio-padrão de 5%. Qual é a vantagem de incorporar o risco ao modelo da Controladoria? A resposta é simples: melhora consideravelmente as informações que o modelo passa a fornecer sobre a realidade e, com isso, possibilita decisões melhores e mais conscientes (Doherty, 2000; Culp, 2001; Koller, 2000; Young & Tippins, 2001). Vamos considerar um exemplo de um empresário que acaba de decidir investir em um determinado projeto porque, após uma análise determinística, foi informado que ele teria uma taxa de retorno de 25% ao ano, o que, comparado ao custo de capital da empresa, que é de cerca de 20% ao ano, demonstraria a viabilidade do empreendimento. Essa decisão de investimento seria tomada se o empresário soubesse que, embora a média esperada de retorno fosse realmente de 25% ao ano, há também uma probabilidade de mais de 30% de que o projeto gere retornos inferiores a 12% ao ano? Muitos administradores, talvez a maioria, não aprovariam esse projeto. A elaboração do perfil de risco de um projeto - e da própria empresa - que atribui probabilidades a um intervalo de resultados esperados de um empreendimento é uma metodologia que avalia simultaneamente as dimensões associadas de risco e rentabilidade. Isso proporciona aos administradores informações muito mais ricas do que aquelas fornecidas por uma premissa determinística desconectada da realidade. A adoção de modelos para avaliar os riscos empresariais é um exemplo de representação do futuro, que torna a equipe de gestão das empresas - incluindo o Controller - mais consciente e mais capaz de tomar decisões mais acertadas sobre a alocação de recursos. E é essa alocação de recursos que deve ter uma direção estratégica básica. Conforme mencionado anteriormente, para alcançar e manter a produção competitiva de valor, a empresa deve ter um desempenho superior aos seus concorrentes e ser capaz de preservar essa vantagem. O fator essencial é adotar estratégias adequadas aos mercados em que a empresa compete e à natureza da concorrência que enfrenta. De acordo com Porter (Porter, 1989), em última análise, existem apenas duas estratégias alternativas que geram vantagem competitiva: A estratégia de eficácia de mercado consiste em competir oferecendo produtos que possuem um "pacote" de benefícios ou qualidade maior ou mais amplo. Isso deve proporcionar um retorno superior, pois permite à empresa vendê-los a preços unitários mais altos. Esses preços não apenas compensariam os custos maiores de fornecer maior qualidade, mas também trariam à empresa uma rentabilidade maior em comparação com os concorrentes. Já a estratégia de eficiência operacional envolve competir oferecendo produtos que, para um determinado nível padrão de qualidade, têm preços (e outros custos de obtenção e uso) inferiores aos de seus concorrentes. A grande utilidade das estratégias é oferecer uma diretriz geral sobre como os recursos de uma empresa devem ser aplicados para produzir valor. No entanto, seria um grave erro imaginar que uma diretriz, por mais divulgada e claramente estabelecida que seja, seja suficiente para guiar a aplicação total de recursos nas empresas. Mesmo as empresas mais simples aplicam seus recursos de várias maneiras, com diferentes finalidades, formas e métodos. Para controlar a transformação produtiva de uma empresa e seu alinhamento estratégico na geração de valor, a Controladoria precisa incorporar em sua representação da realidade um modelo que indique em detalhes, qualitativa e quantitativamente, como os recursos são efetivamente empregados no contexto das atividades empresariais. As estratégias adotadas por uma empresa levam a diferentes configurações de seu sistema produtivo, o que implica na constituição interna de conjuntos articulados de processos que sustentam a direção estratégica selecionada. Um grupo específico desses processos, combinados e integrados, é responsável por executar todas as operações que produzem os bens e serviços da empresa. Esse conjunto articulado de processos é chamado de rede de valor. Os outros processos da empresa, que não estão diretamente envolvidos na criação de valor para os clientes e estão mais relacionados à sustentação, integridade e segurança da organização como um todo, são chamados de processos subsidiários ou de suporte (Davenport, 1993). A Controladoria deve realizar um controle efetivo dos processos, o que envolve sua identificação, mapeamento de suas interações e subdivisões, e a medição de seu desempenho e consistência estratégica. Isso é feito por meio de uma métrica mista, que combina medidas financeiras de custos com medidas de qualidade, tempo (Anupindi, 1999; Kock, 1995) e eficácia competitiva. Esse controle deve abranger tanto a rede de valor quanto os processos de suporte, pois seria inútil para a empresa tentar obter uma vantagem competitiva através da redução do consumo de recursos na manufatura, por exemplo, e ver essa vantagem dissipada devido ao gasto ineficiente de recursos em TI ou marketing. Falando em um seminário sobre governança, Prahalad, renomado teórico de estratégias, afirmou o seguinte: "O grande problema da governança empresarial, tanto interna (realizada pelos acionistas e pelo conselho que os representa) quanto externa (realizada pelos executivos), é a falta de um quadro completamente estruturado e abrangente para avaliar o desempenho empresarial em um determinado momento e, ainda mais importante, avaliar a sustentabilidade desse desempenho no futuro" (Prahalad, 1997). Essa é a grande oportunidade da Controladoria. A partir do modelo contábil-financeiro, que já é um modelo de síntese, é possível elaborar modelos de representação da realidade empresarial muito mais complexos, abrangentes, integrados, fundamentados e voltados para o futuro, proporcionando quadros mais completos de desempenho. Isso foi o que Kaplan & Norton fizeram com seu balanced scorecard (Kaplan & Norton, 1996; Kaplan & Norton, 2001). No entanto, é importante ressaltar que o modelo deles, embora notável em muitos aspectos, deve ser visto apenas como um ponto de partida e deve ser expandido (incluindo indicadores de mudanças estruturais), adaptado a cada tipo de negócio (uma vez que cada setor tem seuspróprios fatores críticos de sucesso externos) e personalizado para cada empresa (pois cada empresa possui pontos críticos internos peculiares, resultantes de sua configuração específica de estratégias, processos e recursos, e de sua posição em relação aos mercados e concorrentes). OBJETIVOS, METAS E DIAGNÓSTICOS ESTRATÉGICOS Objetivos e metas: Nesta parte do quadro geral de representação da empresa, a Controladoria precisa conhecer, por meio de consultas à governança interna e externa: (1) Os stakeholders relevantes (PR - participantes relevantes) que devem ser priorizados pela empresa. Já foi discutido que os dois PR prioritários ou polares são os clientes/usuários e os acionistas/proprietários. (2) As metas quantitativas específicas para a geração de valor para cada um dos PR prioritários da empresa. Uma meta financeira fundamental é o custo de capital dos investidores/acionistas. Para os clientes/usuários, uma meta essencial sempre será o percentual de clientes satisfeitos. Diagnóstico externo dos FCA (fatores críticos de sucesso) e das principais tendências de mudanças que estão ocorrendo no setor de negócios e como estão afetando a empresa e seus concorrentes. O ponto-chave aqui é enfatizar as possíveis ameaças (como impactos no mix de produtos, estratégias de mercado, canais de distribuição etc.), bem como as oportunidades (novos mercados, novos negócios, novos produtos etc.) que possam surgir. Diagnóstico interno, com base nos processos e recursos, deve-se identificar e medir os pontos críticos em relação aos processos (como ociosidade, improdutividade etc.) e aos recursos (ativos estratégicos e sua utilização), identificando omissões, ausências, falta de incentivos etc., que podem tornar a empresa preparada (ou não!) para aproveitar as oportunidades ou se defender das ameaças ambientais. ANÁLISE DE DESEMPENHO RELATIVO Com os elementos coletados na etapa (1), a Controladoria passa então a executar a análise de desempenho propriamente dita, que consiste em duas perspectivas e dois horizontes de planejamento. Conforme mencionado anteriormente, em cada empresa haverá sempre pelo menos dois stakeholders prioritários, cujas demandas em relação aos resultados e à geração de valor a empresa deve satisfazer simultaneamente e em equilíbrio: os clientes/usuários de um lado e os investidores/acionistas de outro. Não cabe discutir aqui toda a vasta gama de metodologias disponíveis atualmente, que capacitam a Controladoria não apenas a compilar dados e realizar medidas da geração de valor para cada um dos PRs, mas também a avaliar sua competitividade em relação aos concorrentes. Ao identificar especificamente ociosidades, improdutividades, inconsistências, omissões, custos excessivos, entre outros, nos processos e recursos que podem estar prejudicando o valor e a competitividade da empresa, as medidas de desempenho adquirem uma importância estratégica fundamental. No entanto, não é suficiente realizar uma análise de desempenho focada apenas no presente e na comparação com os concorrentes. Para alcançar uma posição competitiva superior, não basta para uma empresa comparar seu desempenho com os líderes de seu setor em termos de qualidade de produtos, tempos de ciclo, custos, faturamento por número de funcionários, níveis de produtividade, etc. O objetivo ao fazer isso é se posicionar no mínimo no mesmo nível dos "melhores da classe". É claro que esse exercício pode ser útil, por exemplo, como base para a eliminação de ociosidade e desperdício. Esse tem sido, afinal, o foco de muitas reestruturações e reengenharias empresariais ocorridas nas últimas três décadas. No entanto, um quadro de avaliação de desempenho não pode se concentrar apenas em informações sobre diferenças de desempenho, uma vez que eliminar essas diferenças é uma condição necessária, mas não suficiente, para a criação superior de valor. A maior parte, se não todos, dos problemas de desempenho nas empresas resultam tanto de uma má gestão de seus parâmetros de desempenho em relação aos concorrentes, quanto de respostas insatisfatórias ou tardias às mudanças estruturais em seu próprio setor de negócios. São os diagnósticos estratégicos externos que permitem à empresa identificar as tendências ambientais que podem estar provocando mudanças estruturais em seu setor de negócios. Uma parte importante da análise de desempenho sempre será, portanto, explorar o futuro da empresa em um ambiente de risco e verificar, por meio de cenários, como seus resultados podem ser impactados pelos fatores de mudança setorial, especialmente os tecnológicos e as mudanças nas preferências dos consumidores/usuários. O controle da implementação das estratégias, por meio da análise de viabilidade estratégico- financeira de projetos de investimento, faz parte desse controle de desempenho em um horizonte futuro, que nunca deve ser negligenciado pelos Controllers. COMUNICAÇÃO Infelizmente, são poucos os Controllers que se preocupam efetivamente com a comunicação dos resultados de seu trabalho. No entanto, essa é uma das facetas mais importantes de suas atribuições modernas. Como um Controller não tem o poder de tomar decisões, ele precisa produzir e fornecer informações pertinentes e relevantes a outros executivos, de forma a incentivar decisões corretas e dentro do prazo adequado. Apesar de atuar em um mundo de especialistas, suas análises, propostas e demonstrativos não devem ser repletos de jargões típicos de especialistas, que, por não serem compreendidos, nunca serão utilizados corretamente. Por outro lado, é importante ressaltar que o valor de uma informação pode se tornar rapidamente obsoleto se não for transmitida antes que a oportunidade de tomar decisões sobre a situação ou o fato em questão tenha passado. Um Controller jamais deve perder a oportunidade de ser relevante em prol de ser mais preciso ou profundo. Essa é uma das armadilhas que sempre afetaram os contadores e que de forma alguma deve também afetar os Controllers. O ponto vital da comunicação da Controladoria é a elaboração de relatórios de desempenho para a governança empresarial, como ilustrado na Figura. Esses relatórios devem conter elementos que permitam avaliar o direcionamento estratégico por meio dos resultados, possibilitando aos principais executivos (governança interna) e ao Conselho de Administração (governança externa) avaliar, de um lado, os objetivos e metas da empresa e, de outro, as estratégias e a própria atuação dos administradores responsáveis por formulá-las e implementá-las (ou não!). É pertinente fazer um comentário: alguns teóricos e muitos executivos não aceitam, sob nenhuma circunstância, que um Controller envie relatórios diretamente ao Conselho de Administração, "passando por cima" dos executivos. No entanto, quando a comunicação entre a Controladoria e o Conselho não existe, ocorre uma grave deficiência no fluxo de informações para a governança externa, que já enfrenta obstáculos consideráveis para exercer suas funções com eficácia mínima. Para superar esse impasse, é suficiente garantir que os relatórios preparados pela Controladoria para o envio ao Conselho sejam simultaneamente encaminhados à Direção Executiva. Dessa forma, a independência dos Controllers seria preservada, sem comprometer a hierarquia e o espírito de equipe que devem existir em todo o corpo diretivo empresarial. Figura 5: Controladoria do valor Fonte: https://www.scielo.br/j/rcf/a/PKmKD9M7GJK5zKVBJGwjK3y/?lang=pt https://www.scielo.br/j/rcf/a/PKmKD9M7GJK5zKVBJGwjK3y/?lang=pt A GRANDE TRAVESSIA DA CONTABILIDADE À CONTROLADORIA A Controladoria deve ser vista como o ponto mais alto da carreira do