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Energia Renovável: Conceitos Gerais Energias renováveis são fontes de energia disponíveis, mais limpas e que se regeneram naturalmente, em contraste com os combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural) que são finitos e mais poluentes. As principais fontes de energia renovável abordadas incluem: ● Solar (térmica e fotovoltaica). ● Eólica (do vento). ● Dos Oceanos (ondas e marés). ● Biomassa (floresta). ● Hidroeletricidade (água). ● Geotérmica (calor da Terra). 2. Energia Solar A energia solar é uma fonte praticamente inesgotável, que pode ser utilizada para a produção de calor e eletricidade. O Brasil possui um grande potencial para o uso dessa energia devido à abundante quantidade de sol durante quase todo o ano. 2.1. O Recurso Solar: Características e Variabilidade A Terra recebe uma vasta quantidade de energia solar anualmente. A radiação solar é eletromagnética. A constante solar é de 1367 W/m2, representando a energia que incide em uma superfície unitária, normal aos raios solares, por unidade de tempo, no topo da atmosfera. O balanço energético da Terra indica como a energia solar é distribuída: ● 100% da energia solar é recebida. ● 24% é refletida pelas nuvens e pela superfície terrestre. ● 64% é irradiada de volta para o espaço pelas nuvens e pela atmosfera. ● Parte é absorvida por nuvens (3%) e pela atmosfera (16%). ● 6% é refletida pela atmosfera. ● 23% é transportada para as nuvens e atmosfera pelo calor latente no vapor de água. ● 7% ocorre por condução de ar ascendente. ● 6% é irradiada da Terra diretamente para o espaço. ● 15% é absorvida pela atmosfera. ● 51% é absorvida pela superfície terrestre e pelos oceanos. A variabilidade da radiação solar é influenciada por diversos fatores: ● Alternância de dias e noites. ● Estações do ano: A altura solar varia ao longo do ano, afetando a incidência da radiação. ● Períodos de passagem de nuvens (clima): Dias nublados reduzem significativamente a radiação solar em comparação com dias ensolarados. ● Altitude: Em condições atmosféricas ótimas, a radiação solar aumenta com a altitude. Por exemplo, ao nível do mar é cerca de 1kW/m2, enquanto fora da atmosfera atinge 1,367 kW/m2. 2.2. Formas de Conversão da Energia Solar Existem duas formas principais de utilizar a energia solar: ● Método Ativo: Transforma os raios solares em outras formas de energia. ○ Conversão Fotovoltaica: Converte luz solar diretamente em eletricidade. ○ Conversão Termomecânica: A radiação solar é convertida em energia térmica, que depois é transformada em energia mecânica e, por fim, em energia elétrica. ● Método Passivo: Utilizado para o aquecimento de edifícios ou prédios, através de estratégias construtivas que aproveitam a luz e o calor solar. É mais comum em regiões frias como a Europa, onde auxilia na calefação. 2.3. Eletricidade Fotovoltaica Os painéis fotovoltaicos são uma das mais promissoras fontes de energia renovável devido à sua quase total ausência de poluição. Contudo, suas principais limitações são o baixo rendimento e os custos de produção dos painéis. O funcionamento da energia fotovoltaica baseia-se no efeito fotovoltaico , que depende das propriedades de materiais semicondutores. 2.3.1. Semicondutores Semicondutores são materiais que possuem condutividade elétrica intermediária entre condutores e isolantes, sendo extremamente úteis na eletrônica. ● Semicondutores Intrínsecos (Puros): São encontrados em estado natural, como o Silício (Si) e o Germânio (Ge). Ambos são elementos tetravalentes, ou seja, possuem quatro elétrons na camada de valência, o que lhes permite formar quatro ligações covalentes (compartilhamento de elétrons) para alcançar estabilidade. ○ A condutividade elétrica desses materiais aumenta com a temperatura devido à criação de pares elétrons livres/lacunas (buracos), um mecanismo ativado termicamente. ● Semicondutores Extrínsecos (Dopados): A condutividade de um material semicondutor pode ser aumentada através de um processo chamado dopagem. ○ Semicondutores Tipo N: Criados pela dopagem de silício com elementos do grupo 15 (VA), como o Arsênio (As). Esses elementos possuem cinco elétrons na camada de valência, e o elétron excedente torna-se um elétron extra livre, aumentando a condutividade. ○ Semicondutores Tipo P: Criados pela dopagem de silício com elementos do grupo IIIA, como o Boro (B). Esses elementos possuem três elétrons na camada de valência, o que resulta na formação de uma "lacuna" (um elétron ausente), que também aumenta a condutividade. 2.3.2. Diodo Semicondutor e Células Fotovoltaicas A união física de um semicondutor tipo P com um semicondutor tipo N forma uma junção PN, que recebe o nome de diodo semicondutor. Essa combinação tem a característica de conduzir eletricidade em apenas um sentido. ● Na formação da junção PN, ocorre um processo de recombinação onde os elétrons do lado N migram para o lado P, criando uma zona vazia. Nesta zona, o material se comporta como isolante, pois todos os buracos estão preenchidos, impedindo o fluxo de carga. ● Para que a corrente flua, uma diferença de potencial (tensão) externa deve ser aplicada no sentido correto (polarização direta), de forma que os elétrons na zona vazia sejam retirados de seus buracos e se movam livremente novamente, fazendo a zona vazia desaparecer. Se a conexão da fonte for no sentido oposto (polarização reversa), a corrente não fluirá. ● Um exemplo de aplicação de diodo semicondutor é o LED (Light Emitting Diode). É um diodo semicondutor (junção P-N) que emite luz visível quando energizado. A luz é produzida por um processo chamado eletroluminescência, onde a recombinação de lacuna e elétron libera energia na forma de calor ou fótons de luz. ● Em uma célula fotovoltaica, a luz solar incide na junção PN. Essa energia luminosa é suficiente para liberar elétrons na camada do semicondutor. Os elétrons liberados se movem para o lado "n" (rico em elétrons), e as lacunas (buracos de elétrons) se movem para o lado "p" (rico em lacunas). Esse movimento direcional de cargas cria uma corrente elétrica contínua (CC), com uma tensão de saída típica de 0,6 Volts por célula. ● Os materiais mais utilizados na fabricação de células fotovoltaicas incluem: Silício Monocristalino (rendimento de 15-17,5%), Silício Policristalino (11-12,5%), Silício Amorfo (9%), Silício amorfo com liga de silício-germânio (10%), Arseneto de Gálio (20%), Disseleneto de Cobre-Índio (14%) e Telureto de Cádmio (12,70%). 2.3.3. Tipos de Sistemas Fotovoltaicos Os sistemas fotovoltaicos podem ser classificados em dois tipos principais: ● Sistemas Autônomos (Off-grid): Não são conectados à rede elétrica. Armazenam a energia gerada em bancos de baterias, controlados por um controlador de carga. Podem incluir um inversor para converter a corrente contínua (CC) das baterias em corrente alternada (CA) para alimentar cargas CA. Suas aplicações são diversas, como em calculadoras, brinquedos, relógios, aparelhos portáteis/domésticos, telecomunicações, bombeamento de água, sinalização (bóias, faróis), iluminação pública e eletrificação rural. ● Sistemas Conectados à Rede (On-grid): A energia gerada é injetada diretamente na rede elétrica. Utilizam um arranjo fotovoltaico, um seguidor de máxima potência e um inversor para converter a energia em CA compatível com a rede, e um transformador. 2.4. Conversão Indireta da Radiação Solar em Eletricidade (Sistemas Termossolares) Esses sistemas utilizam o calor do sol para aquecer um fluido e gerar vapor, que aciona uma turbina para produzir eletricidade, seguindo um Ciclo Rankine. ● UTES Termossolares Parabólicas (Concentrated Solar Power - CSP): Nesses sistemas, espelhos parabólicos concentram a luz solar em dutos contendo sal líquido. O sal líquido aquecido transfere o calor para o Ciclo de Rankine, onde a água é vaporizada para acionaruma turbina e um gerador. Um exemplo é a UTE CSP Solana, no Arizona/EUA, que possui 50.400 concentradores parabólicos. ● Sistemas de Receptor Central (Torres de Potência): Nesses sistemas, múltiplos espelhos chamados heliostatos concentram a radiação solar em um receptor localizado no alto de uma torre. O calor concentrado é usado para aquecer um fluido (geralmente sal fundido ou água), que gera vapor para acionar uma turbina e, consequentemente, um alternador para produzir eletricidade. A potência gerada ( Pg (t)) é dada por Pg (t)=η×I(t)×N×Sh , onde η é o rendimento total (ex: 15%), I(t) é a radiação solar direta, N é o número de heliostatos, e Sh é a superfície de cada heliostato. 2.5. Aquecimento Solar de Água Utiliza coletores solares para aquecer água. Um sistema comum é a Instalação em Termossifão, que opera por circulação natural devido à diferença de densidade da água: a água quente sobe do coletor para o reservatório (boiler) e a água fria desce para o coletor. ● Coletor solar plano: Eficiência de cerca de 45%. ● Tubos evacuados: Possuem eficiência 25% maior devido a baixas perdas de calor e alcance de maiores temperaturas, embora sejam mais caros. 3. Energia Eólica A energia eólica é a energia gerada pelo vento. É uma energia limpa e disponível, utilizada há muito tempo (ex: moinhos de vento) e atualmente canalizada por turbinas eólicas modernas ou cata-ventos. 3.1. Geração e Potencial no Brasil A energia cinética resultante do deslocamento das massas de ar pode ser transformada em energia mecânica ou elétrica. No Brasil, há ventos favoráveis para a ampliação dos instrumentos eólicos. Para produção de energia elétrica em grande escala, são interessantes regiões com ventos de velocidade média de 6 m/s ou superior. O Brasil se destaca globalmente na produção de energia eólica, sendo o sexto país do mundo em 2017, adicionando 52,57 gigawatts de potência eólica. A participação da energia eólica na matriz elétrica brasileira era de 8% do total instalado em 2017. Os estados do Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Piauí, Maranhão e Sergipe) e o Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná) concentram a maior parte dos projetos eólicos, com muitos parques eólicos em operação, construção e contratados. O Parque Eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, foi o maior da América Latina, capaz de abastecer uma cidade de 700 mil habitantes. 3.2. Estrutura e Modelos de Turbinas Eólicas As turbinas eólicas, ou aerogeradores, são estruturas complexas que capturam a energia do vento. Seus principais componentes incluem: ● Pás do rotor: Capturam a força do vento. ● Cubo do rotor: Conectar as pás ao eixo principal. ● Barquinha (Nacelle): Abriga o gerador, o diferencial, o freio, instrumentos de medição e o sistema de orientação. ● Torre: Sustenta a barquinha e o rotor. ● Fundação: Base que ancora a estrutura. ● Conexão com rede elétrica: Integra a turbina ao sistema de transmissão de energia. Os modelos de turbinas eólicas variam em potência e dimensões: ● Modelos menores (500-600 kW): Diâmetro do rotor de 40-45m e altura da torre de 45-65m. ● Modelos médios (1500-2500 kW): Diâmetro do rotor de 65-80m e altura da torre de 65-80m. ● Modelos grandes (3000-4000 kW): Diâmetro do rotor de 90-110m e altura da torre de 80-100m. ● O peso do conjunto no topo da torre pode variar de 30 toneladas (para 40m de diâmetro) a 170 toneladas (para 100m de diâmetro). As turbinas de grande porte (500kW - 2000kW) são controladas por microprocessadores e conectadas à rede elétrica. Já as turbinas de pequeno porte (100W - 50kW) possuem controle mecânico e são independentes da rede. 3.3. Aplicações e Custos Além da geração em grande escala, turbinas de pequeno porte são usadas em locais isolados da rede convencional para bombeamento de água, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural. Uma aplicação inovadora é a captação do vento gerado por trens, onde dispositivos como o "T-Box" podem produzir eletricidade. Os custos da energia eólica são competitivos com centrais termoelétricas, nucleares e hidrelétricas, sendo estimados em US$70 a US$80 por MWh. Comparada ao gás natural (US$ 60-66/MWh no Brasil) , a energia eólica tem a vantagem de usar combustível gratuito e ser independente de instabilidades políticas e econômicas, além de ter um curto prazo de implantação. 3.4. Desafios e Cuidados Ambientais Embora considerada uma fonte limpa, a energia eólica exige cuidados: ● Ruídos: As turbinas podem gerar ruídos, exigindo distância mínima de 200m das residências. ● Impacto visual: A grande dimensão dos parques eólicos pode alterar a paisagem. ● Aves: É crucial evitar a instalação em rotas de migração de aves para minimizar o impacto em suas populações. ● Interferências eletromagnéticas: Podem causar problemas em telecomunicações. ● Volatilidade da geração: A produção de energia eólica é altamente volátil, dependendo da velocidade e consistência do vento. ● Licenciamento ambiental: Enfrenta desafios devido a diferentes normativos estaduais e entendimentos sobre resoluções como a CONAMA n° 462/2014. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é solicitado no licenciamento e a responsabilidade pela execução é do dono da terra. ● Anotação de Responsabilidade Técnica (ART): CREAs podem limitar o número de empresas que um engenheiro pode ser responsável, gerando multas para complexos eólicos com muitas empresas. ● Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA): Exige obrigações relacionadas à pintura do conjunto (torre, nacele e pás). 3.5. Participação do Governo Brasileiro O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atua no financiamento de energias renováveis, incluindo a eólica, com linhas de financiamento e uma carteira de projetos robusta. Há uma perspectiva de construção de 48 parques eólicos, com capacidade de geração de 1.145 MW, possibilitando a entrada de novos fornecedores de equipamentos. 4. Usinas Hidrelétricas As usinas hidrelétricas são o pilar da matriz elétrica brasileira, respondendo por 80% da geração de energia elétrica. O funcionamento baseia-se na conversão de energia potencial da água em energia elétrica. 4.1. Princípios de Geração e Componentes O princípio da geração envolve a utilização de um reservatório que armazena a água , uma queda (altura em que a água desce) e o fluxo de água através das turbinas. As partes integrantes de um aproveitamento hídrico incluem: ● Estrutura de fechamento: Barragens feitas de concreto, terra, enrocamento, etc.. ● Vertedor: Controla o volume de água que passa pela barragem, podendo ser controlado por comportas, ter soleira livre ou formato de tulipa. ● Circuito de adução: Canais, túneis e tubulações que levam a água da tomada até a casa de força da usina hidrelétrica, ou para outros usos como estações de tratamento de água (ETA) ou sistemas de irrigação. ● Casa de força: Onde se localizam os equipamentos para a geração de energia, como turbinas e geradores. ● O conjunto dessas obras é chamado de Arranjo Geral ou Layout. 4.2. Classificação e Grandes Usinas no Brasil As usinas hidrelétricas são classificadas com base na sua potência instalada: ● Micro Central: Até 1 MW. ● Pequena Central (PCH): De 1 MW a 30 MW. Atualmente, usinas de até 50 MW são consideradas Pequenas Centrais e são isentas de leilão público para concessão. ● Média ou Grande Central: Acima de 50 MW, estas necessitam ir a leilão público para a concessão. O Brasil possui grandes usinas hidrelétricas, como: ● Ilha Solteira (Rio Paraná): Com potência instalada de 3.230 MW. ● Jupiá (Rio Paraná): Com potência instalada de 1.650 MW. ● Itaipu (Rio Paraná): A segunda maior usina do mundo, com 12.000 MW de potência instalada. ● Tucuruí (Rio Tocantins): Com potência instalada de 8.000 MW. 4.3. Princípios da Geração de Energia ElétricaA geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas baseia-se na conversão da energia mecânica da rotação das turbinas em energia elétrica por meio de um gerador. Esse processo segue os princípios do eletromagnetismo, principalmente a Lei de Faraday da Indução Eletromagnética. ● Lei de Faraday: Afirma que a variação temporal de um campo magnético em um espaço gera um campo elétrico. Quando um ímã se move próximo a uma espira condutora fechada, uma força eletromotriz (f.e.m.) induzida surge na espira, e uma corrente elétrica pode ser detectada. ● Geração na Usina: Nas usinas, como em Itaipu, o gerador é composto por um rotor e um estator. ○ Rotor: É a parte móvel, composta por um conjunto de enrolamentos que formam um eletroímã. Ele é acoplado ao eixo da turbina, que fornece a energia mecânica de rotação. ○ Estator: É a carcaça metálica fixa que contém fios enrolados. Quando o rotor gira (produzindo um campo magnético variável no tempo), esse campo variável induz uma corrente elétrica nos fios do estator. ● A corrente elétrica gerada é alternada, e sua frequência é determinada pela velocidade de rotação do rotor e pelo número de pares de pólos do gerador. Por exemplo, em Itaipu, com 40 pares de polos e rotação de 90 rotações/min (1,5 Hz), a frequência da corrente gerada é de 60 Hz. ● A eletricidade gerada nas usinas (ex: 13,8kV) é elevada a níveis de tensão muito mais altos (ex: 138kV) por transformadores, para ser transmitida de forma eficiente por longas distâncias, minimizando as perdas por efeito Joule. 4.4. Sistema de Potência e Custo da Energia Um sistema de potência elétrico abrange as fases de Geração, Transmissão e Distribuição. ● A energia gerada na usina é transformada em subestações elevadoras para tensões altas (ex: 69/88/138/240/440/765 kV) e transportada por linhas de transmissão. Ao chegar perto dos centros consumidores, a energia passa por subestações abaixadoras, que reduzem a tensão para os níveis de distribuição (domésticos e industriais). A conta de luz residencial no Brasil é composta, em média, por: ● Encargos, taxas e tributos: 50%. ● Custo da energia: 24%. ● Custo da distribuição: 21%. ● Custo do transporte: 5%. 5. Energia das Marés A energia das marés, também conhecida como energia maremotriz, é uma fonte de energia mecânica, limpa e inesgotável, proveniente do movimento dos oceanos. As ondas do mar possuem tanto energia cinética (devido ao movimento da água) quanto energia potencial (devido à sua altura). 5.1. Princípio de Funcionamento e Aproveitamento A energia elétrica pode ser obtida utilizando o movimento oscilatório das ondas. O aproveitamento energético das marés é realizado através da construção de um reservatório junto ao mar, por meio de uma barragem, que contém turbinas e um gerador. O funcionamento ocorre em dois sentidos de fluxo da água: ● Maré Alta (Subir): A água enche o reservatório, passando através da turbina e produzindo energia elétrica. ● Maré Baixa (Descer): A água esvazia o reservatório, passando novamente através da turbina, agora em sentido contrário ao do enchimento, e produzindo mais energia elétrica. As centrais maremotrizes são equipadas com turbinas bulbo, que são totalmente imersas na água. A capacidade de variar a posição das pás da turbina é uma grande vantagem, permitindo o aproveitamento da água em ambos os sentidos da maré. 5.2. Exemplos e Desafios A A primeira Usina Maremotriz do mundo foi inaugurada em 1966 no estuário do rio Rance, na França. Essa usina apresentava uma diferença de altura média de maré de 8,2 m e tinha uma potência de 240 MW. Apesar de ser uma fonte limpa e renovável, a energia das marés apresenta desvantagens e desafios: ● Fornecimento intermitente: O fornecimento de energia não é contínuo, pois depende do ciclo das marés. ● Baixo rendimento: O processo pode apresentar baixo rendimento. ● Interferência na navegação: As instalações das usinas não podem interferir nas rotas de navegação. ● Robustez e Sensibilidade: As estruturas precisam ser extremamente robustas para resistir a tempestades marítimas, mas ao mesmo tempo sensíveis o suficiente para conseguir obter energia de ondas com amplitudes variáveis. 1. Usinas Hidrelétricas As usinas hidrelétricas são uma das principais fontes de energia no Brasil, com 80% da geração de energia elétrica advinda delas. 1.1. Vantagens ● Alta participação na matriz energética: Responsáveis por 80% da geração de energia elétrica no Brasil, fornecendo uma base robusta para o abastecimento. ● Fonte renovável: Utiliza a força da água em movimento, um recurso natural que se regenera através do ciclo hidrológico. 1.2. Desvantagens / Passivos Ambientais ● Impacto na conta de luz: Os encargos, taxas e tributos representam cerca de 50% da conta de luz residencial no Brasil. ● Impacto ambiental na construção: A construção de barragens e reservatórios pode causar grandes impactos ambientais, como o desmatamento, o deslocamento de populações e a alteração de ecossistemas fluviais. ● Perdas na transmissão: A transmissão de energia em longas distâncias ainda gera perdas por Efeito Joule, apesar da elevação de tensão. 2. Energia Eólica A energia eólica é a energia gerada pelo vento, uma das fontes renováveis mais promissoras. 2.1. Vantagens ● Renovável e Limpa: É uma fonte de energia que utiliza o vento, um recurso inesgotável e que não gera emissões de poluentes durante a operação. ● Disponibilidade: O recurso eólico está disponível em muitos lugares. O Brasil, por exemplo, possui ventos favoráveis para a ampliação de parques eólicos. ● Baixo custo: Possui custos competitivos com centrais termoelétricas, nucleares e hidrelétricas (US$ 70 a US$80 por MWh). ● Independência Energética: O "combustível" (vento) é gratuito, tornando a energia eólica independente de instabilidades políticas e econômicas associadas a combustíveis fósseis. ● Curto Prazo de Implantação: Apresenta um curto prazo para implantação de projetos. ● Impacto Ambiental Mínimo (Operacional): Em termos de ruído e no ecossistema, o impacto ambiental é considerado mínimo, com os devidos cuidados. ● Aplicações Diversas (Pequeno Porte): Pode ser usada para bombeamento, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural em locais isolados da rede convencional. 2.2. Desvantagens / Passivos Ambientais ● Volatilidade da Geração: A produção de potência é altamente volátil, dependendo da constância e velocidade do vento. Isso pode dificultar a integração na rede elétrica sem sistemas de armazenamento ou fontes complementares. ● Espaço Físico: As instalações (turbinas, torres) são grandes e ocupam extensas áreas. ● Emissão de Ruídos: As turbinas podem gerar ruídos, sendo recomendada uma distância mínima de 200m das residências. ● Impacto Visual: A presença de grandes turbinas eólicas pode causar um impacto visual na paisagem. ● Impacto em Aves: As turbinas podem representar um risco para aves, sendo importante evitar rotas de migração. ● Interferências Eletromagnéticas: Podem causar interferências em telecomunicações. ● Desafios no Licenciamento Ambiental: A existência de diferentes normativos estaduais e entendimentos sobre resoluções (como a CONAMA n° 462/2014) podem gerar entraves no licenciamento. ● Questões do Cadastro Ambiental Rural (CAR): Embora empreendimentos eólicos sejam considerados como possuindo direito de superfície, o CAR é solicitado para o licenciamento ambiental e a responsabilidade pela execução é do dono da terra, o que pode gerar complexidade. ● Anotação de Responsabilidade Técnica (ART): Limitações dos CREAs sobre o número de empresas que um engenheiro pode ser responsável podem gerar penalidades e multas para complexos eólicos com múltiplas empresas. ● Obrigações do DECEA: O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) impõe obrigações relacionadasà pintura das estruturas (torre, nacele e pás). 3. Energia Solar A energia solar é uma fonte praticamente inesgotável e limpa. 3.1. Vantagens ● Praticamente Inesgotável: A quantidade de sol é abundante durante quase todo o ano, especialmente no Brasil. ● Limpa: A principal vantagem dos painéis fotovoltaicos é a quase total ausência de poluição durante a operação. ● Diversidade de Aplicações: Pode ser utilizada para a produção de calor (solar térmica) e eletricidade (solar fotovoltaica). ● Flexibilidade de Sistemas: Existem sistemas autônomos (off-grid) para locais isolados e sistemas conectados à rede (on-grid). 3.2. Desvantagens / Passivos Ambientais ● Variabilidade da Radiação: A quantidade de energia solar recebida é função da alternância de dias e noites, das estações do ano e dos períodos de passagem de nuvens. Isso significa que a geração não é constante. ● Baixo Rendimento: A grande limitação dos dispositivos fotovoltaicos é seu baixo rendimento. ● Custos de Produção: Os custos de produção dos painéis fotovoltaicos podem ser um inconveniente. ● Impacto do Descarte: Embora limpa na operação, o descarte de painéis fotovoltaicos ao final de sua vida útil pode gerar passivos ambientais se não houver reciclagem e tratamento adequados. ● Uso de Terras: Grandes usinas solares fotovoltaicas podem ocupar áreas extensas, como a usina do Piauí que abrange 690 hectares, o que pode levar à perda de biodiversidade e uso de terras que poderiam ser destinadas a outras finalidades. 4. Energia das Marés A energia das marés é uma fonte de energia mecânica, limpa e inesgotável. 4.1. Vantagens ● Renovável e Inesgotável: As marés são um recurso natural contínuo. ● Limpa: Não gera emissões de gases poluentes durante a operação. ● Aproveitamento Bidirecional: A água é turbinada nos dois sentidos da maré (enchendo e esvaziando o reservatório), maximizando a geração. 4.2. Desvantagens / Passivos Ambientais ● Fornecimento Não Contínuo: A geração de energia não é contínua, pois depende do ciclo das marés. ● Baixo Rendimento: O processo de obtenção de energia das marés pode apresentar baixo rendimento. Requisito de Diferença de Altura: Para que o aproveitamento seja rentável, é necessária uma diferença mínima de 5 metros entre a maré alta e a maré baixa. ● Impacto na Navegação: As instalações não podem interferir na navegação. ● Custos e Robustez das Instalações: As estruturas devem ser robustas para resistir a tempestades, mas suficientemente sensíveis para captar energia de ondas de amplitudes variáveis, o que pode implicar em altos custos e desafios de engenharia. ● Impacto no Ecossistema Marinho: A construção de barragens e o funcionamento das turbinas podem alterar o fluxo natural da água e impactar a vida marinha local, alterando habitats e rotas de migração de espécies. Energia Renovável: Conceitos Gerais 2. Energia Solar 2.1. O Recurso Solar: Características e Variabilidade 2.2. Formas de Conversão da Energia Solar 2.3. Eletricidade Fotovoltaica 2.3.1. Semicondutores 2.3.2. Diodo Semicondutor e Células Fotovoltaicas 2.3.3. Tipos de Sistemas Fotovoltaicos 2.4. Conversão Indireta da Radiação Solar em Eletricidade (Sistemas Termossolares) 2.5. Aquecimento Solar de Água 3. Energia Eólica 3.1. Geração e Potencial no Brasil 3.2. Estrutura e Modelos de Turbinas Eólicas 3.3. Aplicações e Custos 3.4. Desafios e Cuidados Ambientais 3.5. Participação do Governo Brasileiro 4. Usinas Hidrelétricas 4.1. Princípios de Geração e Componentes 4.2. Classificação e Grandes Usinas no Brasil 4.3. Princípios da Geração de Energia Elétrica 4.4. Sistema de Potência e Custo da Energia 5. Energia das Marés 5.1. Princípio de Funcionamento e Aproveitamento 5.2. Exemplos e Desafios 1. Usinas Hidrelétricas 1.1. Vantagens 1.2. Desvantagens / Passivos Ambientais 2. Energia Eólica 2.1. Vantagens 2.2. Desvantagens / Passivos Ambientais 3. Energia Solar 3.1. Vantagens 3.2. Desvantagens / Passivos Ambientais 4. Energia das Marés 4.1. Vantagens 4.2. Desvantagens / Passivos Ambientais