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11 Aline Kühl Torricelli CLÍNICA MÉDICA V OSTEOPOROSE 2 SUMÁRIO OSTEOPOROSE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Definição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Epidemiologia e fatores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 4. Rastreamento e Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 5. Ferramenta FRAX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 6. Manifestações clínicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 7. Exames complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 8. Classificação da fratura vertebral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 9. Osteoporose Secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 10. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 10.1. Não Medicamentoso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 10.2. Medicamentoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 10.3. Drug Holiday . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 10.4. Osteoporose Induzida pelo Glicocorticoide (OPIG) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Mapa mental . Osteoporose primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 3 OSTEOPOROSE O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Indicações de densitometria óssea. u Quais os fatores de risco para osteoporose (OP). u Como realizar o diagnóstico clínico e/ou densitométrico de osteoporose. u Contraindicações, eventos adversos e tempo de uso dos bisfosfonatos. 1. DEFINIÇÃO BASES DA MEDICINA O tecido ósseo constitui-se de uma variedade de tecido conjuntivo especializado, cuja matriz é formada por uma substância extracelular, a qual se apresenta calcificada, envolvendo as células que a secretam. A matriz óssea pode ser dividida em orgânica e inorgânica. A orgânica é a menor porcentagem da sua composição (em torno de 20%) e faz referência ao colágeno do tipo I, proteoglicanos e glicoproteínas, que conferem flexibilidade ao tecido ósseo. Já o componente inorgânico é responsável por suportar força de compressão, representa 70% do tecido ósseo e é composto por conteúdo mineral, cálcio, fósforo, hidroxiapatita. A mineralização óssea é o processo nos quais minerais, como a hidroxiapatita, se depositam na matriz extracelular. O tecido celular ósseo é composto por osteoclastos, osteoblastos e osteócitos. Os osteoclastos são de origem hematopoiética e responsáveis pela reabsorção óssea. Os osteoblastos são de origem mesenquimal e atuam na formação óssea. Por último, os osteócitos são peça fundamental e orquestram todo o processo de remode- lamento ósseo. Figura 1. Estrutura do tecido ósseo. Fonte: Acervo Sanar. Osteoporose é a diminuição da resistência óssea, que predispõe o indivíduo a fraturas de fragilidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)1, fratura de fragilidade é definida como "[...] uma fra- tura causada por um trauma que seria insuficiente para fraturar um osso normal, resultado de uma redução da resistência compressiva ou torsional”. A resistência óssea, por sua vez, é resultante da interação entre quantidade e qualidade óssea. A quantidade óssea é mensurada através da den- sitometria óssea de dupla emissão com fontes raios X (DXA), que avalia a densidade mineral óssea importância/prevalência Osteoporose Reumatologia 4 (DMO). Já a qualidade óssea é produto da arquite- tura, remodelamento ósseo e mineralização. Não existe padrão-ouro até o momento para avaliação da qualidade óssea. DICA A fratura de fragilidade mais comum na OP é a vertebral. A osteoporose pode ser classificada como primária (pós-menopausa e senil), quando associada ao envelhecimento natural de homens e mulheres, ou secundária, quando associada a doenças sistêmi- cas ou condições que aceleram a perda de massa óssea. O uso de glicocorticoide é a principal causa de osteoporose secundária. u Tipo I (ou pós-menopausa): mulheres na pós-me- nopausa, perda óssea acelerada, acomete osso trabecular. Fraturas: vertebrais e de punho (Colles). u Tipo II (ou senil): homens e mulheres após 70 anos, perda óssea lenta e progressiva, acomete osso trabecular e cortical. Fraturas: vertebrais e de quadril. DIA A DIA MÉDICO Mulheres idosas na pós-menopausa serão, de longe, o perfil de osteoporose no consultório/ambulatório/UBS. Homens idosos podem ter osteoporose primária em decorrência da senilidade, no entanto, faz parte da boa prática rastrear, causas secundárias em populações do sexo masculino com osteoporose, sejam idosos ou não. 2. EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO BASES DA MEDICINA Indivíduos negros possuem menor produção de vitamina D e maiores níveis de PTH do que brancos e, apesar des- sas alterações estarem relacionadas à perda de massa óssea, acredita-se que as respostas adaptativas geradas pela diminuição da produção cutânea de vitamina D são responsáveis por deixar o esqueleto nos negros mais resistente, com uma massa óssea 5% a 10% maior do que em caucasianos. BASES DA MEDICINA Cargas mecânicas aplicadas ao osso são transduzidas pelo esqueleto via sinais mecânicos e são detectadas pelos osteócitos, gerando sinais bioquímicos que aumentam a atividade dos osteoblastos e a formação óssea. Figura 2. Carga e sua relação com o aumento de massa óssea. Fonte: Acervo Sanar. Osteoporose 5 A osteoporose ocorre preferencialmente em mulhe- res na pós-menopausa e em indivíduos idosos. Na pós-menopausa, a principal perda de massa óssea ocorre nos primeiros 5 anos e decorre de desequi- líbrio entre o aumento da reabsorção óssea e a formação óssea. Mulheres obesas, negras e ativas têm maior massa óssea que brancas, magras e sedentárias, tanto pela questão étnica como pelo estímulo de carga no osso. Existe correlação entre a diminuição da densidade óssea e o aumento do risco de fraturas. A fratura de quadril (fêmur proximal) é a mais associada ao aumento de morbidade e mortalidade. Já a fratura vertebral é a mais comum, com cerca de 2/3 das fraturas vertebrais assintomáticas, e ocorrem pre- ferencialmente em coluna torácica ou lombar. As fraturas de rádio distal são comuns em mulheres na perimenopausa. Os fatores de risco para osteoporose e fratura podem ser modificáveis ou não e estão resumidos No Quadro 1. As questões de prova abordam muitoos fatores de risco. ATENÇÃO! Quadro 1. Fatores de risco para osteoporose e/ou fratura. Fatores de risco para osteoporose e/ou fratura História pessoal de fratura por fragilidade na vida adulta História familiar de fratura de quadril em parente de primeiro grau História atual de tabagismo Baixo peso ( – 1 normal; ≤-1,0 e > – 2,5 osteopenia. O T-score é utilizado para mulheres na pós-meno- pausa ou homens acima de 50 anos e compara em desvios padrão com uma população jovem saudável. Já o Z-score é utilizado em mulheres não menopausadas e homens abaixo dos 50 anos, compara em desvios padrão com uma população de mesma idade e sexo. Nesta população se esta- belece o diagnóstico de “baixa massa óssea para idade” quando Z-scorede queda. DIA A DIA MÉDICO É muito comum na prática os pacientes atribuírem a dor nos ossos a um diagnóstico de osteoporose. Inclusive, alguns médicos prescrevem bisfosfonato, cálcio e vitamina D para pacientes devido apenas a essa queixa. É fato que a osteoporose é uma doença assintomática, exceto no contexto de uma fratura em local específico, mas não podemos atribuir uma dor difusa e generalizada apenas à osteoporose. Não se esqueça de que a fibromialgia não é uma doença incomum e você pode estar diante dela. 7. EXAMES COMPLEMENTARES BASES DA MEDICINA Os marcadores de reabsorção óssea incluem produtos derivados da atividade de osteoclastos e degradação de colágeno do tipo I (constituinte da matriz). O CTX e o NTX são fragmentos peptídicos do colágeno do tipo I. Dos marcadores de formação, a osteocalcina é uma pro- teína produzida pelos osteoblastos e é expressa na fase de mineralização da matriz. Propeptídeo aminoterminal do procolágeno tipo I, chamado de P1NP, é liberado na fase inicial de formação óssea, durante a síntese de colágeno do tipo I. Por último, a fosfatase alcalina óssea é uma enzima presente na membrana dos osteoblastos e auxilia na mineralização da matriz. A avaliação laboratorial deve ser realizada para afastar causas secundárias de osteoporose e excluir outros diagnósticos. Existe uma triagem laborato- rial mínima indicada para todos os pacientes, que inclui: hemograma, cálcio, fósforo, PTH, vitamina D, fosfatase alcalina, creatinina, função tireoidiana, eletroforese de proteínas séricas, cálcio na urina 24 horas e testosterona (homens). Caso triagem normal e se suspeite fortemente de causa secundária, uma investigação complementar deve ser feita. Quadro 3. Principais causas de osteoporose secundária e métodos de investigação. Causa Investigação Doença celíaca Antitransglutaminase IgA e antiendomísio IgA Hipogonadismo em homens Testosterona total e livre, FSH e LH Hiperparatireoidismo primário PTH e cálcio Hipertireoidismo TSH e T4 livre Hemocromatose Saturação de ferro Osteomalácia Fosfatase alcalina, fósforo, cálcio e vitamina D Síndrome de Cushing Dosagem de cortisol urinário livre e testes funcionais da glândula adrenal Mieloma múltiplo EFPSE e imunofixação Hipercalciúria Cálcio na urina 24 horas Fonte: Adaptado de Marques Neto et al.3 Lembre-se de que osteoporose é diferente de osteo- malácia. Na osteoporose existe normalidade na relação conteúdo mineral e orgânico da matriz óssea; já na osteomalácia ocorre defeito na mine- ralização óssea. A osteomalácia, ou raquitismo do Osteoporose Reumatologia 10 adulto, é o resultado de uma deficiência prolongada de vitamina D. Quando isso ocorre, a matriz óssea recém-formada no processo da remodelação óssea não se calcifica de modo adequado. Quadro 4. Análise laboratorial da osteoporose primária e diagnósticos diferenciais. Patologia Cálcio Fósforo PTH Fosfatase alcalina Vitamina D Osteoporose primária Normal Normal Normal ou elevado Normal Normal ou baixa Hiperparatireoidismo Elevado Baixo Elevado Normal Normal ou baixa Osteomalácia Baixo ou normal Baixo ou normal Elevado ou normal Elevada Baixa Fonte: Adaptado de Marques Neto et al.3 Os marcadores de metabolismo ósseo são utiliza- dos para monitoramento e avaliação de aderência ao tratamento. O CTX e o NTX são marcadores de reabsorção óssea e o P1NP, osteocalcina e fosfatase alcalina, de formação óssea. A radiografia de coluna torácica e lombar é feita para rastreamento de fraturas vertebrais. DIA A DIA MÉDICO Antes de iniciar o bisfosfonato, faz parte da boa prática solicitar um perfil osteometabólico e exames gerais. Prin- cipalmente porque precisamos afastar doença mineral óssea que, se presente, a terapia com bisfosfonato está contraindicada; checar os níveis de vitamina D para uma reposição adequada; calcular o clearence de creatinina e avaliar se existe contraindicação ao início do bisfosfonato. 8. CLASSIFICAÇÃO DA FRATURA VERTEBRAL A fratura vertebral pode ser diagnosticada através da radiografia simples de coluna. É classificada de acordo com o local de fratura do corpo vertebral em anterior, posterior ou bicôncava (em “peixe”), e com o grau de redução em grau I (20% a 25%), grau II (25% a 40%), grau III (>40%). Osteoporose 11 Figura 5. Classificação da fratura vertebral. Fonte: Acervo Sanar. DIA A DIA MÉDICO O tratamento da fratura vertebral, na maioria dos casos, é conservador, com analgesia (se necessário) e retorno progressivo às atividades. Também engloba o tratamento medicamentoso da osteoporose no geral (cálcio, vitamina D e terapia específica). A vertebroplastia ou cifoplastia (introdução de cimento na vértebra) são opções invasivas em casos de não melhora com a conduta conservadora. 9. OSTEOPOROSE SECUNDÁRIA A osteoporose secundária deve ser investigada na presença de baixa densidade mineral óssea em indivíduos jovens, fratura inexplicada e homens com baixa massa óssea, sendo que, no último grupo, 50% a 80% tem causa secundária. As causas de osteoporose secundária são listadas no Quadro 5. Quadro 5. Causas de osteoporose secundária. Etilismo e uso de drogas associadas à perda de massa óssea Gastrointestinais: doença celíaca, doença inflamatória intestinal, cirurgia bariátrica, gastrectomia, má absorção, desnutrição Endócrinas: hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, hipercortisolismo, hipogonadismo, diabetes mellitus, acromegalia Inflamatórias: artrite reumatoide, espondiloartrites, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica, asma, DPOC Hematológicas: gamopatias monoclonais, hemoglobinopatias, mastocitose, síndromes mieloproliferativas Genéticas: homocistinúria, Ehlers-Danlos, Síndrome de Marfan, doença de Gaucher, hemocromatose, hipofosfatasia, osteogênese imperfeita Outras: insuficiência renal crônica, HIV, imobilização, transplante de órgãos, acidose tubular renal, metástase óssea Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2 Osteoporose Reumatologia 12 DIA A DIA MÉDICO Em protocolos municipais de indicação de atendimento especializado (encaminhamento para consulta com espe- cialista), uma das indicações é a presença de osteoporose em homens, já que essa população deve ser investigada para causas secundárias. 10. TRATAMENTO 10 .1 . NÃO MEDICAMENTOSO BASES DA MEDICINA Sarcopenia é a perda de massa magra e de força com o envelhecimento. As causas da perda muscular são multifatoriais, incluindo o sedentarismo. A massa mus- cular diminui quase 50% entre os 20 e 90 anos e a força muscular, que é máxima por volta dos 30 anos, sofre perda de 15% por década a partir dos 50 anos. A atividade física, independentemente da idade, aumenta a força e a velocidade muscular, além de prevenir perda óssea, risco de quedas, hospitalizações e melhorar a função articular. Inclui a prescrição de exercícios físicos com carga, uma vez que estimula o osteócito a promover o aumento da massa óssea, fortalecimento muscular, a fim de proteger contra quedas, assim como exercí- cios de propriocepção e equilíbrio. Evitar exercícios de hiperflexão e torção de coluna. Cessar fatores de risco modificáveis, como etilismo e tabagismo. Orientar ingesta adequada de cálcio (1.000 a 1.200 mg ao dia). Diminuir ou suspender, se possível, o uso do glicocorticoide ou outras drogas associadas à perda de massa óssea. Utilização de protetores de quadril. DIA A DIA MÉDICO Os diuréticos tiazídicos não estão associados à osteo- porose e são medicações prescritas em caso de hiper- calciúria associada à osteoporose, uma vez que são poupadores de cálcio Quadro 6. Drogas associadas à perda de massa óssea. Diurético de alça Heparina Inibidor de protease Lítio Anticonvulsivantes Agonistas de GnRh Inibidor de bomba de prótons Glitazonas Glicocorticoide Inibidores de Aromatase Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2 10 .2 . MEDICAMENTOSO BASES DA MEDICINA O cálcio é fundamental na composição dos cristais de hidroxiapatita,que compõem a matriz extracelular e dão resistência ao tecido ósseo. Já a vitamina D tem potente efeito de aumentar a absorção de cálcio no trato intestinal e diminuir a excreção renal. A suplementação de cálcio é realizada preferencial- mente pela dieta. Caso não seja possível, podem ser utilizados suplementos de carbonato de cálcio ou citrato de cálcio, mas deve-se considerar ante- cedente de nefrolitíase (ideal é o citrato) e risco cardiovascular (evidências que sugerem aumento de processo aterosclerótico com carbonato). A vitamina D é suplementada a fim de manter níveis adequados, no mínimo 30 ng/mL. O tratamento farmacológico específico deve ser realizado nas seguintes situações: presença de fratura vertebral ou quadril, independentemente da densidade mineral óssea; densitometria óssea com T-score ≤-2,5 DP em coluna lombar, colo de fêmur, fêmur total ou terço distal do rádio; baixa massa óssea (T-score entre -1 e -2,5) e uma probabilidade de fratura osteoporótica maior (inclui quadril, úmero, punho e vertebral) em 10 anos ≥ 20%, ou probabili- dade de fratura osteoporótica de quadril em 10 anos ≥ 3%, ambas probabilidades calculadas pelo FRAX. Os medicamentos específicos são divididos, de acordo com mecanismo de ação, em antirreabsor- tivos, anabólicos e mistos. Osteoporose 13 Quadro 7. Fármacos específicos utilizados para prevenção e/ou tratamento de osteoporose e seus respectivos mecanismos de ação. Antirreabsortivos Anabólicos Misto Bisfosfonatos Teriparatida Ranelato de estrôncio Raloxifeno (SERM) Romosozumabe Denosumabe Estrogênio Fonte: Adaptado de Fuller et al.4 DIA A DIA MÉDICO Estimule o paciente a ingerir toda a necessidade diária de cálcio pela dieta (alimentos/bebidas). O citrato de cálcio não está disponível no SUS e possui um custo elevado. Já o carbonato de cálcio 500 mg/600 mg + vitamina D 400UI está disponível no sistema público, mas sua prescrição é evitada em pacientes com nefrolitíase e alto risco cardiovascular. 10 .2 .1 . Específicos 10.2.1.1. Bisfosfonatos São medicações que induzem a apoptose do osteo- clasto. Geralmente, constituem a primeira opção de tratamento, em virtude da acessibilidade e eficácia comprovada na prevenção de fraturas vertebrais, não vertebrais e quadril (com exceção do Ibandronato, que não tem eficácia comprovada para fratura de quadril). Orientar administração dos bisfosfonatos orais com água, em jejum e não deitar ou comer por 30 a 60 minutos. Contraindicações aos bisfosfo- natos: esofagite (via oral), clearence de creatinina de também ser uma indicação na osteoporose grave, na prática, preferimos o denosumabe ou o bisfosfonato endovenoso, porque a teriparatida, além das dificuldades burocráticas de solicitação, é uma medicação de custo muito elevado (28 dias de tratamento custam em torno de 3 mil reais!). 10.2.1.6. Ranelato de estrôncio Reservado para casos que não responderam ou tiveram contraindicações aos fármacos de primeira linha (bisfosfonatos, denosumabe, teriparatida). É contraindicado em pacientes com doença prévia ou atual cardíaca isquêmica, doença cerebrovas- cular, tromboembolismo ou hipertensão arterial não controlada. Será a escolha nos pacientes que já fizeram uso de denosumabe ou bisfosfonatos, evoluíram com fratura atípica ou osteonecrose de mandíbula e já usaram teriparatida. Osteoporose Reumatologia 16 10.3. DRUG HOLIDAY BASES DA MEDICINA A fratura atípica ocorre por acúmulo de microdanos em associação com renovação óssea severamente suprimida (uso prolongado de bisfosfonatos) e/ou alinhamento anormal do membro inferior, que causa concentração de forças de estresse no córtex lateral do fêmur. Algoritmo 1. Algoritmo drug holiday. Bisfosfonato oral por 5 anos ou endovenoso por 3 anos Manter bisfosfonato História de fratura vertebral presente; osteoporose secundária; terapia com glicocor�coide; T-score ≤ -2,5 História de fratura vertebral ausente + T score > 2,5 Considerar Drug Holiday Bisfosfonato oral por 5 anos ou endovenoso por 3 anos História de fratura vertebral presente; osteoporose secundária; terapia com glicocorticoide; T-score ≤ -2,5 História de fratura verte- bral ausente + T score > 2,5 Considerar Drug Holiday Manter bisfosfonato Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2 10 .4 . OSTEOPOROSE INDUZIDA PELO GLICOCORTICOIDE (OPIG) BASES DA MEDICINA Quantidades excessivas de glicocorticoides sistêmicos levam a efeitos adversos clinicamente significativos no sistema musculoesquelético, induzindo a remodelação óssea inadequada por mecanismos diretos e indiretos e atrofia muscular, que contribui para a osteoporose e fratu- ras. A perda óssea precoce é impulsionada por mudanças nos níveis de estrogênio e hormônio da paratireoide que estimulam RANK L, indutor da osteoclastogênese. A apoptose de osteócitos e osteoblastos evita a mecano- transdução eficaz e a nova formação óssea. Osteoporose 17 Figura 8. Fisiopatogenia da OPIG. Fonte: Acervo Sanar. O uso crônico de glicocorticoides é a causa mais comum de osteoporose secundária. A avaliação de OPIG em indivíduos em uso de glicocorticoide em qualquer dose deve ser feita ao fazer uso por um tempo igual ou maior que 3 meses. Todos os pacientes usuários de glicocorticoide com previsão de uso por pelo menos 3 meses deverão receber suplementação de vitamina D para níveis adequados acima de 30 ng/mL e orientação de dieta rica em cálcio (1.000 a 1.200 mg/dia). O tratamento medicamentoso específico de primeira linha é com bisfosfonatos orais ou intravenosos e existem diferentes guidelines a respeito da indicação de terapia específica na OPIG: American College of Rheumatology (ACR), International Osteoporosis Foudation (IOF), National Osteoporosis Guideline Group (NOGG), American Society for Bone and Mineral Research (ASBMR). Em linhas gerais, o tratamento específico é mais consensualmente recomendado se presente um dos fatores abaixo: u Idade maior que 70 anos. u Presença de fratura de fragilidade atual e/ou prévia. u FRAX fratura quadril maior que 1% ou fratura maior acima de 10%. u Mulher na pós-menopausa ou homens acima de 50 anos com T-score ≤ -2,5. u Prednisona ≥ 7,5 mg/dia com previsão de uso por mais de 3 meses. DIA A DIA MÉDICO Atenção ao uso da ferramenta FRAX na OPIG! Deve ser corrigido se uso de glicocorticoide na dose ≥ 7,5 mg/dia. Multiplicar por 1,15 o valor gerado para fratura maior e 1,2 para fratura de quadril. Osteoporose Reumatologia 18 T scoredensitométrico de osteoporose acontece quando a DMO é igual a ou menor que -2 desvios-padrão, em relação à média observa- da na população jovem (T-score). Questão 5 (SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE FLORIANÓPOLIS – SC – 2021) Dona Judite, professora, 60 anos, procura a unidade de saúde para consulta com MFC Rodrigo. Relata que já está na menopausa e quer fazer ''exa- mes de osteoporose''. Diz ter assistido no programa Osteoporose 21 de televisão matinal que é um exame muito impor- tante para as mulheres. Não tem antecedentes patológicos. Entrou na menopausa aos 52 anos. Não faz uso de medicamentos. Nega tabagismo ou abuso de álcool. Caminha 03 vezes por sema- na e tem uma alimentação variada. Nega história familiar de fratura de quadril. O exame físico não tem alterações e o IMC é 26 Kg/m². Como o MFC Rodrigo deve manejar este caso? ⮦ Solicitar mamografia e se não houver contrain- dicação, iniciar terapia de reposição hormonal para prevenir fraturas por osteoporose. ⮧ Orientar que não tem indicação de realizar den- sitometria, reforçar a atividade física, exposição solar e alimentação saudável. ⮨ Solicitar dosagem de vitamina D sérica e pres- crever carbonato de cálcio como prevenção da osteoporose. ⮩ Solicitar densitometria óssea para rastrear os- teoporose e prescrever carbonato de cálcio e vitamina D como prevenção da osteoporose. Questão 6 (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – RN – 2021) A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a osteoporose como a densidade óssea abaixo de 2,5 desvios padrão em relação à média para mulheres jovens brancas saudáveis. Até o presente momen- to não existe uma medida acurada da resistência óssea. Este termo, osteoporose, foi introduzido no século XIX para descrever a porosidade nos ossos e desde então foi definida como doença sistêmica esquelética caracterizada pelo aumento da fragili- dade óssea. Atualmente, como já mencionado, é conhecida pela doença que compromete a resis- tência óssea. Sobre as categorias de diagnóstico da osteoporose, assinale a alternativa CORRETA. ⮦ Categoria normal: Valor da densidade óssea entre -1 e 2,5 desvios padrão em relação à média dos valores em adultos jovens saudáveis. ⮧ Osteopenia: Valor da densidade óssea superior a -1 desvio padrão em relação à média de valores para adultos jovens saudáveis. ⮨ Osteoporose: Valor da densidade óssea menor do que 2,5 desvios padrão em relação à média dos valores para adultos jovens saudáveis. ⮩ Osteopenia: Valor da densidade óssea menor do que 2,5 desvios padrão em relação à média dos valores para adultos jovens saudáveis Questão 7 (CENTRO MÉDICO DE CAMPINAS – SP – 2020) Observe essas características de uma paciente: 1. Mulher. 2. 51 anos de idade. 3. Raça branca. 4. IMC 30 Kg/m2. 5. Alcoólatra. 6. Usuária de terapia de reposição hormonal com- binada. 7. Fratura de fêmur operada aos 40 anos de idade. 8. Mãe com câncer de mama. São considerados fatores de risco para osteoporose os citados nos números: ⮦ 1 - 3 - 5 - 7. ⮧ 1 - 2 - 5 - 6. ⮨ 2 - 4 - 5 - 7. ⮩ 3 - 4 - 6 - 8. Questão 8 (FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – SP – 2020) Quatro mulheres, acima dos 60 anos, retornam ao Centro de Saúde com exames laboratoriais (hemo- grama, vitamina D, PTH, creatinina e cálcio) dentro dos valores de normalidade. Apresentam as seguin- tes densitometrias ósseas e radiogramas da coluna: Osteoporose Reumatologia 22 Os diagnósticos das pacientes 1, 2, 3 e 4 são, res- pectivamente: ⮦ Osteopenia; osteoporose; osteopenia; osteo- penia. ⮧ Osteopenia; osteoporose; osteoporose; osteo- penia. ⮨ Osteoporose; osteoporose; osteopenia; osteo- penia. ⮩ Osteoporose; osteoporose; osteoporose; os- teopenia. Questão 9 (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – TO – 2020) A osteoporose é uma doença sistêmica do esque- leto, caracterizada por baixa massa óssea e dete- rioração da microarquitetura do tecido ósseo. Na análise laboratorial da osteoporose primária, sem fraturas associadas, comumente encontram-se: ⮦ Cálcio, fósforo e fosfatase alcalina normais. ⮧ Cálcio e fósforo normais ou baixos, e fosfatase alcalina elevada. ⮨ Cálcio elevado, fósforo baixo e fosfatase alca- lina normal. ⮩ Cálcio e fosfatase alcalina baixos e fósforo au- mentado. ⮪ Cálcio normal e fósforo e fosfatase alcalina baixos. Questão 10 (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DO PARANÁ – PR – 2020) Paciente de 78 anos, sexo feminino, refere estar fazendo um tratamento devido a uma fratura espontânea no corpo vertebral T12 secundária à osteoporose. Não recorda o nome do medicamento, porém relata utilizar o remédio através de uma injeção subcutâ- nea diária. Lembra que o médico orientou o seu uso pelo período máximo de 18 a 24 meses devido ao risco de desenvolvimento de osteossarcoma com o uso mais prolongado. A partir do exposto, é correto afirmar que essa paciente está utilizando: ⮦ Alendronato de sódio. ⮧ Denosumabe. ⮨ Raloxifeno. ⮩ Ácido zoledrônico. ⮪ Teriparatida. Questão 11 (SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SINOP - MT – 2020) So- bre o escore T da Densitometria Óssea é CORRE- TO afirmar: ⮦ É comparado à média de um adulto jovem e in- dica o Risco Relativo para fratura. ⮧ É comparado à média de um adulto jovem e in- dica o Risco Absoluto para fratura. ⮨ É comparado à média de uma população da mesma idade, sexo, raça e indica o Risco Rela- tivo para fratura. ⮩ É comparado à média de uma população da mesma faixa etária e indica o Risco Absoluto para fratura. Osteoporose 23 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: O diagnóstico de osteoporose pode ser clínico ou densitométrico. Na clínica te- mos a presença das fraturas de fragilidade em lo- cais clássicos: úmero proximal, rádio distal, fêmur proximal e vertebral. Alternativa A: CORRETA. Vide dica do professor. Alternativa B: INCORRETA. O TBS (Trabecular Bone Score) é um software que auxilia na determinação do risco de fratura. Alternativa C: INCORRETA. O ultrassom de calcâneo auxilia na avaliação de entesite. Alternativa D: INCORRETA. A tomografia computa- dorizada quantitativa de alta resolução auxilia na avaliação da microarquitetura óssea. ✔ resposta: ⮦ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: As fraturas osteoporóticas mais comuns são nas vértebras, na região do quadril, do fêmur proximal e região do punho. ✔ resposta: ⮩ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: Idade avançada, tabagismo, sedentarismo, baixo peso corporal e antecedente de fratura patológica são fatores de risco para os- teoporose. Alternativas A, B, C e E: INCORRETAS. Todas as alterna- tivas indicam um AUMENTO dos níveis circulantes de estrógenos, seja por maior período de exposi- ção (menarca precoce e menopausa tardia) ou por conversão periférica por aromatização (obesidade, hiperandrogenismo). Alternativa D: CORRETA. O baixo peso implica em menos gordura periférica e consequente menos aromatização. ✔ resposta: ⮩ Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: questão que cobra diversos con- ceitos sobre um tema amplo que é a osteporose. Use a questão para sedimentar o conhecimento. Alternativa A: CORRETA. A principal causa de osteo- porose secundária é o corticoide. O aumento no risco de fraturas aparece já em 3 a 6 meses de uso e ocorre em 30% a 50% dos pacientes. Alternativa B: INCORRETA. Sexo feminino e baixo peso são fatores de risco para osteoporose. Alternativa C: INCORRETA. Na pós-menopausa a per- da óssea é mais importante nos primeiros 5 anos. Alternativa D: INCORRETA. A fratura de fragilidade tí- pica de osteoporose ocorre em radio distal, úmero proximal, fêmur proximal e/ou vertebral. Mais co- mum em mulheres pós-menopausa e idosos. Alternativa E: INCORRETA. Osteoporose densitomé- trica é definida se T-Score menor ou igual a -2,5. ✔ resposta: ⮦ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: A osteoporose é rastreada pela densitometria óssea, que deve ser solicitada, de forma geral, para mulheresacima de 65 anos e ho- mens acima de 70 anos, a não ser que haja histórico de fraturas de fragilidade, doenças ou condições Osteoporose Reumatologia 24 associadas à perda de massa óssea, mulheres na pós menopausa