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Osteoporose: Definição e Tratamento

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Ana Campos

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Questões resolvidas

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11
Aline Kühl Torricelli
CLÍNICA MÉDICA V
OSTEOPOROSE
2
SUMÁRIO
OSTEOPOROSE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1. Definição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Epidemiologia e fatores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4. Rastreamento e Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
5. Ferramenta FRAX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6. Manifestações clínicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
7. Exames complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
8. Classificação da fratura vertebral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
9. Osteoporose Secundária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
10. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
10.1. Não Medicamentoso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
10.2. Medicamentoso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
10.3. Drug Holiday . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
10.4. Osteoporose Induzida pelo Glicocorticoide (OPIG) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Mapa mental . Osteoporose primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
3
OSTEOPOROSE
O QUE VOCÊ PRECISA SABER?
 u Indicações de densitometria óssea.
 u Quais os fatores de risco para osteoporose (OP).
 u Como realizar o diagnóstico clínico e/ou densitométrico de osteoporose.
 u Contraindicações, eventos adversos e tempo de uso dos bisfosfonatos.
1. DEFINIÇÃO
 BASES DA MEDICINA
O tecido ósseo constitui-se de uma variedade de tecido 
conjuntivo especializado, cuja matriz é formada por uma 
substância extracelular, a qual se apresenta calcificada, 
envolvendo as células que a secretam. A matriz óssea 
pode ser dividida em orgânica e inorgânica. A orgânica é 
a menor porcentagem da sua composição (em torno de 
20%) e faz referência ao colágeno do tipo I, proteoglicanos 
e glicoproteínas, que conferem flexibilidade ao tecido 
ósseo. Já o componente inorgânico é responsável por 
suportar força de compressão, representa 70% do tecido 
ósseo e é composto por conteúdo mineral, cálcio, fósforo, 
hidroxiapatita. A mineralização óssea é o processo nos 
quais minerais, como a hidroxiapatita, se depositam na 
matriz extracelular.
O tecido celular ósseo é composto por osteoclastos, 
osteoblastos e osteócitos. Os osteoclastos são de origem 
hematopoiética e responsáveis pela reabsorção óssea. 
Os osteoblastos são de origem mesenquimal e atuam 
na formação óssea. Por último, os osteócitos são peça 
fundamental e orquestram todo o processo de remode-
lamento ósseo.
Figura 1. Estrutura do tecido ósseo.
Fonte: Acervo Sanar.
Osteoporose é a diminuição da resistência óssea, 
que predispõe o indivíduo a fraturas de fragilidade. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)1, 
fratura de fragilidade é definida como "[...] uma fra-
tura causada por um trauma que seria insuficiente 
para fraturar um osso normal, resultado de uma 
redução da resistência compressiva ou torsional”. 
A resistência óssea, por sua vez, é resultante da 
interação entre quantidade e qualidade óssea. A 
quantidade óssea é mensurada através da den-
sitometria óssea de dupla emissão com fontes 
raios X (DXA), que avalia a densidade mineral óssea 
importância/prevalência
Osteoporose Reumatologia
4
(DMO). Já a qualidade óssea é produto da arquite-
tura, remodelamento ósseo e mineralização. Não 
existe padrão-ouro até o momento para avaliação 
da qualidade óssea.
 DICA  A fratura de fragilidade mais comum 
na OP é a vertebral.
A osteoporose pode ser classificada como primária 
(pós-menopausa e senil), quando associada ao 
envelhecimento natural de homens e mulheres, ou 
secundária, quando associada a doenças sistêmi-
cas ou condições que aceleram a perda de massa 
óssea. O uso de glicocorticoide é a principal causa 
de osteoporose secundária.
 u Tipo I (ou pós-menopausa): mulheres na pós-me-
nopausa, perda óssea acelerada, acomete osso 
trabecular. Fraturas: vertebrais e de punho (Colles).
 u Tipo II (ou senil): homens e mulheres após 70 
anos, perda óssea lenta e progressiva, acomete 
osso trabecular e cortical. Fraturas: vertebrais 
e de quadril.
 DIA A DIA MÉDICO
Mulheres idosas na pós-menopausa serão, de longe, o 
perfil de osteoporose no consultório/ambulatório/UBS. 
Homens idosos podem ter osteoporose primária em 
decorrência da senilidade, no entanto, faz parte da boa 
prática rastrear, causas secundárias em populações do 
sexo masculino com osteoporose, sejam idosos ou não.
2. EPIDEMIOLOGIA E 
FATORES DE RISCO
 BASES DA MEDICINA
Indivíduos negros possuem menor produção de vitamina 
D e maiores níveis de PTH do que brancos e, apesar des-
sas alterações estarem relacionadas à perda de massa 
óssea, acredita-se que as respostas adaptativas geradas 
pela diminuição da produção cutânea de vitamina D são 
responsáveis por deixar o esqueleto nos negros mais 
resistente, com uma massa óssea 5% a 10% maior do 
que em caucasianos.
 BASES DA MEDICINA
Cargas mecânicas aplicadas ao osso são transduzidas 
pelo esqueleto via sinais mecânicos e são detectadas pelos 
osteócitos, gerando sinais bioquímicos que aumentam a 
atividade dos osteoblastos e a formação óssea.
Figura 2. Carga e sua relação com o aumento de massa óssea.
Fonte: Acervo Sanar.
Osteoporose 
5
A osteoporose ocorre preferencialmente em mulhe-
res na pós-menopausa e em indivíduos idosos. Na 
pós-menopausa, a principal perda de massa óssea 
ocorre nos primeiros 5 anos e decorre de desequi-
líbrio entre o aumento da reabsorção óssea e a 
formação óssea. Mulheres obesas, negras e ativas 
têm maior massa óssea que brancas, magras e 
sedentárias, tanto pela questão étnica como pelo 
estímulo de carga no osso.
Existe correlação entre a diminuição da densidade 
óssea e o aumento do risco de fraturas. A fratura 
de quadril (fêmur proximal) é a mais associada ao 
aumento de morbidade e mortalidade. Já a fratura 
vertebral é a mais comum, com cerca de 2/3 das 
fraturas vertebrais assintomáticas, e ocorrem pre-
ferencialmente em coluna torácica ou lombar. As 
fraturas de rádio distal são comuns em mulheres 
na perimenopausa.
Os fatores de risco para osteoporose e fratura 
podem ser modificáveis ou não e estão resumidos 
No Quadro 1. As questões de prova abordam muitoos fatores de risco. ATENÇÃO!
Quadro 1. Fatores de risco para osteoporose e/ou fratura.
Fatores de risco para osteoporose e/ou fratura
História pessoal de fratura por 
fragilidade na vida adulta
História familiar de fratura de quadril 
em parente de primeiro grau
História atual de tabagismo
Baixo peso ( – 1 normal; ≤-1,0 e > – 2,5 
osteopenia.
O T-score é utilizado para mulheres na pós-meno-
pausa ou homens acima de 50 anos e compara 
em desvios padrão com uma população jovem 
saudável. Já o Z-score é utilizado em mulheres não 
menopausadas e homens abaixo dos 50 anos, 
compara em desvios padrão com uma população 
de mesma idade e sexo. Nesta população se esta-
belece o diagnóstico de “baixa massa óssea para 
idade” quando Z-scorede queda.
 DIA A DIA MÉDICO
É muito comum na prática os pacientes atribuírem a dor 
nos ossos a um diagnóstico de osteoporose. Inclusive, 
alguns médicos prescrevem bisfosfonato, cálcio e vitamina 
D para pacientes devido apenas a essa queixa. É fato que 
a osteoporose é uma doença assintomática, exceto no 
contexto de uma fratura em local específico, mas não 
podemos atribuir uma dor difusa e generalizada apenas 
à osteoporose. Não se esqueça de que a fibromialgia não 
é uma doença incomum e você pode estar diante dela.
7. EXAMES COMPLEMENTARES
 BASES DA MEDICINA
Os marcadores de reabsorção óssea incluem produtos 
derivados da atividade de osteoclastos e degradação de 
colágeno do tipo I (constituinte da matriz). O CTX e o NTX 
são fragmentos peptídicos do colágeno do tipo I.
Dos marcadores de formação, a osteocalcina é uma pro-
teína produzida pelos osteoblastos e é expressa na fase 
de mineralização da matriz. Propeptídeo aminoterminal 
do procolágeno tipo I, chamado de P1NP, é liberado na 
fase inicial de formação óssea, durante a síntese de 
colágeno do tipo I. Por último, a fosfatase alcalina óssea 
é uma enzima presente na membrana dos osteoblastos 
e auxilia na mineralização da matriz.
A avaliação laboratorial deve ser realizada para 
afastar causas secundárias de osteoporose e excluir 
outros diagnósticos. Existe uma triagem laborato-
rial mínima indicada para todos os pacientes, que 
inclui: hemograma, cálcio, fósforo, PTH, vitamina 
D, fosfatase alcalina, creatinina, função tireoidiana, 
eletroforese de proteínas séricas, cálcio na urina 24 
horas e testosterona (homens). Caso triagem normal 
e se suspeite fortemente de causa secundária, uma 
investigação complementar deve ser feita.
Quadro 3. Principais causas de osteoporose 
secundária e métodos de investigação.
Causa Investigação
Doença celíaca Antitransglutaminase 
IgA e antiendomísio IgA
Hipogonadismo 
em homens
Testosterona total 
e livre, FSH e LH
Hiperparatireoidismo 
primário PTH e cálcio
Hipertireoidismo TSH e T4 livre
Hemocromatose Saturação de ferro
Osteomalácia Fosfatase alcalina, fósforo, 
cálcio e vitamina D
Síndrome de Cushing
Dosagem de cortisol 
urinário livre e 
testes funcionais da 
glândula adrenal
Mieloma múltiplo EFPSE e imunofixação
Hipercalciúria Cálcio na urina 24 horas
Fonte: Adaptado de Marques Neto et al.3
Lembre-se de que osteoporose é diferente de osteo-
malácia. Na osteoporose existe normalidade na 
relação conteúdo mineral e orgânico da matriz 
óssea; já na osteomalácia ocorre defeito na mine-
ralização óssea. A osteomalácia, ou raquitismo do 
Osteoporose Reumatologia
10
adulto, é o resultado de uma deficiência prolongada 
de vitamina D. Quando isso ocorre, a matriz óssea 
recém-formada no processo da remodelação óssea 
não se calcifica de modo adequado.
Quadro 4. Análise laboratorial da osteoporose primária e diagnósticos diferenciais.
Patologia Cálcio Fósforo PTH Fosfatase 
alcalina Vitamina D
Osteoporose primária Normal Normal Normal ou elevado Normal Normal ou baixa
Hiperparatireoidismo Elevado Baixo Elevado Normal Normal ou baixa
Osteomalácia Baixo ou 
normal
Baixo ou 
normal
Elevado ou 
normal Elevada Baixa
Fonte: Adaptado de Marques Neto et al.3
Os marcadores de metabolismo ósseo são utiliza-
dos para monitoramento e avaliação de aderência 
ao tratamento. O CTX e o NTX são marcadores de 
reabsorção óssea e o P1NP, osteocalcina e fosfatase 
alcalina, de formação óssea.
A radiografia de coluna torácica e lombar é feita 
para rastreamento de fraturas vertebrais.
 DIA A DIA MÉDICO
Antes de iniciar o bisfosfonato, faz parte da boa prática 
solicitar um perfil osteometabólico e exames gerais. Prin-
cipalmente porque precisamos afastar doença mineral 
óssea que, se presente, a terapia com bisfosfonato está 
contraindicada; checar os níveis de vitamina D para uma 
reposição adequada; calcular o clearence de creatinina e 
avaliar se existe contraindicação ao início do bisfosfonato.
8. CLASSIFICAÇÃO DA 
FRATURA VERTEBRAL
A fratura vertebral pode ser diagnosticada através 
da radiografia simples de coluna. É classificada de 
acordo com o local de fratura do corpo vertebral 
em anterior, posterior ou bicôncava (em “peixe”), e 
com o grau de redução em grau I (20% a 25%), grau 
II (25% a 40%), grau III (>40%).
Osteoporose 
11
Figura 5. Classificação da fratura vertebral.
Fonte: Acervo Sanar.
 DIA A DIA MÉDICO
O tratamento da fratura vertebral, na maioria dos casos, 
é conservador, com analgesia (se necessário) e retorno 
progressivo às atividades. Também engloba o tratamento 
medicamentoso da osteoporose no geral (cálcio, vitamina 
D e terapia específica). A vertebroplastia ou cifoplastia 
(introdução de cimento na vértebra) são opções invasivas 
em casos de não melhora com a conduta conservadora.
9. OSTEOPOROSE SECUNDÁRIA
A osteoporose secundária deve ser investigada na 
presença de baixa densidade mineral óssea em 
indivíduos jovens, fratura inexplicada e homens com 
baixa massa óssea, sendo que, no último grupo, 
50% a 80% tem causa secundária.
As causas de osteoporose secundária são listadas 
no Quadro 5.
Quadro 5. Causas de osteoporose secundária.
Etilismo e uso de drogas associadas 
à perda de massa óssea
Gastrointestinais: doença celíaca, doença 
inflamatória intestinal, cirurgia bariátrica, 
gastrectomia, má absorção, desnutrição
Endócrinas: hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, 
hipercortisolismo, hipogonadismo, 
diabetes mellitus, acromegalia
Inflamatórias: artrite reumatoide, 
espondiloartrites, lúpus eritematoso sistêmico, 
esclerose sistêmica, asma, DPOC
Hematológicas: gamopatias monoclonais, 
hemoglobinopatias, mastocitose, 
síndromes mieloproliferativas
Genéticas: homocistinúria, Ehlers-Danlos, Síndrome 
de Marfan, doença de Gaucher, hemocromatose, 
hipofosfatasia, osteogênese imperfeita
Outras: insuficiência renal crônica, HIV, 
imobilização, transplante de órgãos,
acidose tubular renal, metástase óssea
Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2
Osteoporose Reumatologia
12
 DIA A DIA MÉDICO
Em protocolos municipais de indicação de atendimento 
especializado (encaminhamento para consulta com espe-
cialista), uma das indicações é a presença de osteoporose 
em homens, já que essa população deve ser investigada 
para causas secundárias.
10. TRATAMENTO
10 .1 . NÃO MEDICAMENTOSO
 BASES DA MEDICINA
Sarcopenia é a perda de massa magra e de força com 
o envelhecimento. As causas da perda muscular são 
multifatoriais, incluindo o sedentarismo. A massa mus-
cular diminui quase 50% entre os 20 e 90 anos e a força 
muscular, que é máxima por volta dos 30 anos, sofre 
perda de 15% por década a partir dos 50 anos. A atividade 
física, independentemente da idade, aumenta a força e a 
velocidade muscular, além de prevenir perda óssea, risco 
de quedas, hospitalizações e melhorar a função articular.
Inclui a prescrição de exercícios físicos com carga, 
uma vez que estimula o osteócito a promover o 
aumento da massa óssea, fortalecimento muscular, 
a fim de proteger contra quedas, assim como exercí-
cios de propriocepção e equilíbrio. Evitar exercícios 
de hiperflexão e torção de coluna.
Cessar fatores de risco modificáveis, como etilismo 
e tabagismo. Orientar ingesta adequada de cálcio 
(1.000 a 1.200 mg ao dia). Diminuir ou suspender, se 
possível, o uso do glicocorticoide ou outras drogas 
associadas à perda de massa óssea. Utilização de 
protetores de quadril.
 DIA A DIA MÉDICO
Os diuréticos tiazídicos não estão associados à osteo-
porose e são medicações prescritas em caso de hiper-
calciúria associada à osteoporose, uma vez que são 
poupadores de cálcio
Quadro 6. Drogas associadas à perda de massa óssea.
Diurético de alça Heparina
Inibidor de protease Lítio
Anticonvulsivantes Agonistas de GnRh
Inibidor de bomba 
de prótons Glitazonas
Glicocorticoide Inibidores de Aromatase
Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2
10 .2 . MEDICAMENTOSO
 BASES DA MEDICINA
O cálcio é fundamental na composição dos cristais de 
hidroxiapatita,que compõem a matriz extracelular e dão 
resistência ao tecido ósseo. Já a vitamina D tem potente 
efeito de aumentar a absorção de cálcio no trato intestinal 
e diminuir a excreção renal.
A suplementação de cálcio é realizada preferencial-
mente pela dieta. Caso não seja possível, podem 
ser utilizados suplementos de carbonato de cálcio 
ou citrato de cálcio, mas deve-se considerar ante-
cedente de nefrolitíase (ideal é o citrato) e risco 
cardiovascular (evidências que sugerem aumento 
de processo aterosclerótico com carbonato). A 
vitamina D é suplementada a fim de manter níveis 
adequados, no mínimo 30 ng/mL.
O tratamento farmacológico específico deve ser 
realizado nas seguintes situações: presença de 
fratura vertebral ou quadril, independentemente da 
densidade mineral óssea; densitometria óssea com 
T-score ≤-2,5 DP em coluna lombar, colo de fêmur, 
fêmur total ou terço distal do rádio; baixa massa 
óssea (T-score entre -1 e -2,5) e uma probabilidade 
de fratura osteoporótica maior (inclui quadril, úmero, 
punho e vertebral) em 10 anos ≥ 20%, ou probabili-
dade de fratura osteoporótica de quadril em 10 anos 
≥ 3%, ambas probabilidades calculadas pelo FRAX.
Os medicamentos específicos são divididos, de 
acordo com mecanismo de ação, em antirreabsor-
tivos, anabólicos e mistos.
Osteoporose 
13
Quadro 7. Fármacos específicos utilizados para 
prevenção e/ou tratamento de osteoporose e 
seus respectivos mecanismos de ação.
Antirreabsortivos Anabólicos Misto
Bisfosfonatos Teriparatida Ranelato de 
estrôncio
Raloxifeno (SERM) Romosozumabe
Denosumabe
Estrogênio
Fonte: Adaptado de Fuller et al.4
 DIA A DIA MÉDICO
Estimule o paciente a ingerir toda a necessidade diária de 
cálcio pela dieta (alimentos/bebidas). O citrato de cálcio 
não está disponível no SUS e possui um custo elevado. 
Já o carbonato de cálcio 500 mg/600 mg + vitamina 
D 400UI está disponível no sistema público, mas sua 
prescrição é evitada em pacientes com nefrolitíase e alto 
risco cardiovascular.
10 .2 .1 . Específicos
10.2.1.1. Bisfosfonatos
São medicações que induzem a apoptose do osteo-
clasto. Geralmente, constituem a primeira opção de 
tratamento, em virtude da acessibilidade e eficácia 
comprovada na prevenção de fraturas vertebrais, não 
vertebrais e quadril (com exceção do Ibandronato, 
que não tem eficácia comprovada para fratura de 
quadril).
Orientar administração dos bisfosfonatos orais 
com água, em jejum e não deitar ou comer por 
30 a 60 minutos. Contraindicações aos bisfosfo-
natos: esofagite (via oral), clearence de creatinina 
de também ser uma 
indicação na osteoporose grave, na prática, preferimos 
o denosumabe ou o bisfosfonato endovenoso, porque 
a teriparatida, além das dificuldades burocráticas de 
solicitação, é uma medicação de custo muito elevado 
(28 dias de tratamento custam em torno de 3 mil reais!).
10.2.1.6. Ranelato de estrôncio
Reservado para casos que não responderam ou 
tiveram contraindicações aos fármacos de primeira 
linha (bisfosfonatos, denosumabe, teriparatida). É 
contraindicado em pacientes com doença prévia 
ou atual cardíaca isquêmica, doença cerebrovas-
cular, tromboembolismo ou hipertensão arterial 
não controlada. Será a escolha nos pacientes que 
já fizeram uso de denosumabe ou bisfosfonatos, 
evoluíram com fratura atípica ou osteonecrose de 
mandíbula e já usaram teriparatida.
Osteoporose Reumatologia
16
10.3. DRUG HOLIDAY
 BASES DA MEDICINA
A fratura atípica ocorre por acúmulo de microdanos em 
associação com renovação óssea severamente suprimida 
(uso prolongado de bisfosfonatos) e/ou alinhamento 
anormal do membro inferior, que causa concentração de 
forças de estresse no córtex lateral do fêmur.
Algoritmo 1. Algoritmo drug holiday.
Bisfosfonato oral por 5 anos ou endovenoso por 3 anos
Manter 
bisfosfonato
História de fratura vertebral presente; osteoporose 
secundária; terapia com glicocor�coide; T-score ≤ -2,5
História de 
fratura vertebral 
ausente + T 
score > 2,5
Considerar Drug
Holiday 
Bisfosfonato oral por 5 anos ou endovenoso por 3 anos
História de fratura vertebral presente; osteoporose
secundária; terapia com glicocorticoide; T-score ≤ -2,5
História de 
fratura verte-
bral ausente + 
T score > 2,5
Considerar 
Drug Holiday
Manter
bisfosfonato
Fonte: Adaptado de Bonfá et al.2
10 .4 . OSTEOPOROSE INDUZIDA PELO 
GLICOCORTICOIDE (OPIG)
 BASES DA MEDICINA
Quantidades excessivas de glicocorticoides sistêmicos 
levam a efeitos adversos clinicamente significativos no 
sistema musculoesquelético, induzindo a remodelação 
óssea inadequada por mecanismos diretos e indiretos e 
atrofia muscular, que contribui para a osteoporose e fratu-
ras. A perda óssea precoce é impulsionada por mudanças 
nos níveis de estrogênio e hormônio da paratireoide que 
estimulam RANK L, indutor da osteoclastogênese. A 
apoptose de osteócitos e osteoblastos evita a mecano-
transdução eficaz e a nova formação óssea.
Osteoporose 
17
Figura 8. Fisiopatogenia da OPIG.
Fonte: Acervo Sanar.
O uso crônico de glicocorticoides é a causa mais 
comum de osteoporose secundária. A avaliação 
de OPIG em indivíduos em uso de glicocorticoide 
em qualquer dose deve ser feita ao fazer uso por 
um tempo igual ou maior que 3 meses. Todos os 
pacientes usuários de glicocorticoide com previsão 
de uso por pelo menos 3 meses deverão receber 
suplementação de vitamina D para níveis adequados 
acima de 30 ng/mL e orientação de dieta rica em 
cálcio (1.000 a 1.200 mg/dia).
O tratamento medicamentoso específico de primeira 
linha é com bisfosfonatos orais ou intravenosos e 
existem diferentes guidelines a respeito da indicação 
de terapia específica na OPIG: American College 
of Rheumatology (ACR), International Osteoporosis 
Foudation (IOF), National Osteoporosis Guideline 
Group (NOGG), American Society for Bone and Mineral 
Research (ASBMR). Em linhas gerais, o tratamento 
específico é mais consensualmente recomendado 
se presente um dos fatores abaixo:
 u Idade maior que 70 anos.
 u Presença de fratura de fragilidade atual e/ou prévia.
 u FRAX fratura quadril maior que 1% ou fratura 
maior acima de 10%.
 u Mulher na pós-menopausa ou homens acima de 
50 anos com T-score ≤ -2,5.
 u Prednisona ≥ 7,5 mg/dia com previsão de uso 
por mais de 3 meses.
 DIA A DIA MÉDICO
Atenção ao uso da ferramenta FRAX na OPIG! Deve ser 
corrigido se uso de glicocorticoide na dose ≥ 7,5 mg/dia. 
Multiplicar por 1,15 o valor gerado para fratura maior e 
1,2 para fratura de quadril.
Osteoporose Reumatologia
18
T scoredensitométrico de osteoporose 
acontece quando a DMO é igual a ou menor que 
-2 desvios-padrão, em relação à média observa-
da na população jovem (T-score).
Questão 5
(SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE FLORIANÓPOLIS – SC – 
2021) Dona Judite, professora, 60 anos, procura a 
unidade de saúde para consulta com MFC Rodrigo. 
Relata que já está na menopausa e quer fazer ''exa-
mes de osteoporose''. Diz ter assistido no programa 
Osteoporose 
21
de televisão matinal que é um exame muito impor-
tante para as mulheres. Não tem antecedentes 
patológicos. Entrou na menopausa aos 52 anos. 
Não faz uso de medicamentos. Nega tabagismo 
ou abuso de álcool. Caminha 03 vezes por sema-
na e tem uma alimentação variada. Nega história 
familiar de fratura de quadril. O exame físico não 
tem alterações e o IMC é 26 Kg/m². Como o MFC 
Rodrigo deve manejar este caso?
	⮦ Solicitar mamografia e se não houver contrain-
dicação, iniciar terapia de reposição hormonal 
para prevenir fraturas por osteoporose.
	⮧ Orientar que não tem indicação de realizar den-
sitometria, reforçar a atividade física, exposição 
solar e alimentação saudável.
	⮨ Solicitar dosagem de vitamina D sérica e pres-
crever carbonato de cálcio como prevenção da 
osteoporose.
	⮩ Solicitar densitometria óssea para rastrear os-
teoporose e prescrever carbonato de cálcio e 
vitamina D como prevenção da osteoporose.
Questão 6
(UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – RN – 
2021) A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a 
osteoporose como a densidade óssea abaixo de 2,5 
desvios padrão em relação à média para mulheres 
jovens brancas saudáveis. Até o presente momen-
to não existe uma medida acurada da resistência 
óssea. Este termo, osteoporose, foi introduzido no 
século XIX para descrever a porosidade nos ossos 
e desde então foi definida como doença sistêmica 
esquelética caracterizada pelo aumento da fragili-
dade óssea. Atualmente, como já mencionado, é 
conhecida pela doença que compromete a resis-
tência óssea. Sobre as categorias de diagnóstico 
da osteoporose, assinale a alternativa CORRETA.
	⮦ Categoria normal: Valor da densidade óssea entre 
-1 e 2,5 desvios padrão em relação à média dos 
valores em adultos jovens saudáveis.
	⮧ Osteopenia: Valor da densidade óssea superior a 
-1 desvio padrão em relação à média de valores 
para adultos jovens saudáveis.
	⮨ Osteoporose: Valor da densidade óssea menor 
do que 2,5 desvios padrão em relação à média 
dos valores para adultos jovens saudáveis.
	⮩ Osteopenia: Valor da densidade óssea menor do 
que 2,5 desvios padrão em relação à média dos 
valores para adultos jovens saudáveis
Questão 7
(CENTRO MÉDICO DE CAMPINAS – SP – 2020) Observe essas 
características de uma paciente: 
1. Mulher. 
2. 51 anos de idade. 
3. Raça branca. 
4. IMC 30 Kg/m2. 
5. Alcoólatra. 
6. Usuária de terapia de reposição hormonal com-
binada. 
7. Fratura de fêmur operada aos 40 anos de idade. 
8. Mãe com câncer de mama. 
São considerados fatores de risco para osteoporose 
os citados nos números:
	⮦ 1 - 3 - 5 - 7.
	⮧ 1 - 2 - 5 - 6.
	⮨ 2 - 4 - 5 - 7.
	⮩ 3 - 4 - 6 - 8.
Questão 8
(FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – SP – 2020) 
Quatro mulheres, acima dos 60 anos, retornam ao 
Centro de Saúde com exames laboratoriais (hemo-
grama, vitamina D, PTH, creatinina e cálcio) dentro 
dos valores de normalidade. Apresentam as seguin-
tes densitometrias ósseas e radiogramas da coluna: 
Osteoporose Reumatologia
22
Os diagnósticos das pacientes 1, 2, 3 e 4 são, res-
pectivamente:
	⮦ Osteopenia; osteoporose; osteopenia; osteo-
penia.
	⮧ Osteopenia; osteoporose; osteoporose; osteo-
penia.
	⮨ Osteoporose; osteoporose; osteopenia; osteo-
penia.
	⮩ Osteoporose; osteoporose; osteoporose; os-
teopenia.
Questão 9
(FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS – TO – 2020) 
A osteoporose é uma doença sistêmica do esque-
leto, caracterizada por baixa massa óssea e dete-
rioração da microarquitetura do tecido ósseo. Na 
análise laboratorial da osteoporose primária, sem 
fraturas associadas, comumente encontram-se:
	⮦ Cálcio, fósforo e fosfatase alcalina normais.
	⮧ Cálcio e fósforo normais ou baixos, e fosfatase 
alcalina elevada.
	⮨ Cálcio elevado, fósforo baixo e fosfatase alca-
lina normal.
	⮩ Cálcio e fosfatase alcalina baixos e fósforo au-
mentado.
	⮪ Cálcio normal e fósforo e fosfatase alcalina 
baixos.
Questão 10
(HOSPITAL DAS CLÍNICAS DO PARANÁ – PR – 2020) Paciente 
de 78 anos, sexo feminino, refere estar fazendo 
um tratamento devido a uma fratura espontânea 
no corpo vertebral T12 secundária à osteoporose. 
Não recorda o nome do medicamento, porém relata 
utilizar o remédio através de uma injeção subcutâ-
nea diária. Lembra que o médico orientou o seu uso 
pelo período máximo de 18 a 24 meses devido ao 
risco de desenvolvimento de osteossarcoma com o 
uso mais prolongado. A partir do exposto, é correto 
afirmar que essa paciente está utilizando:
	⮦ Alendronato de sódio.
	⮧ Denosumabe.
	⮨ Raloxifeno.
	⮩ Ácido zoledrônico.
	⮪ Teriparatida.
Questão 11
(SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SINOP - MT – 2020) So-
bre o escore T da Densitometria Óssea é CORRE-
TO afirmar:
	⮦ É comparado à média de um adulto jovem e in-
dica o Risco Relativo para fratura.
	⮧ É comparado à média de um adulto jovem e in-
dica o Risco Absoluto para fratura.
	⮨ É comparado à média de uma população da 
mesma idade, sexo, raça e indica o Risco Rela-
tivo para fratura.
	⮩ É comparado à média de uma população da 
mesma faixa etária e indica o Risco Absoluto 
para fratura.
Osteoporose 
23
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 1 dificuldade:  
 Y Dica do professor: O diagnóstico de osteoporose 
pode ser clínico ou densitométrico. Na clínica te-
mos a presença das fraturas de fragilidade em lo-
cais clássicos: úmero proximal, rádio distal, fêmur 
proximal e vertebral. 
Alternativa A: CORRETA. Vide dica do professor. 
Alternativa B: INCORRETA. O TBS (Trabecular Bone 
Score) é um software que auxilia na determinação 
do risco de fratura. 
Alternativa C: INCORRETA. O ultrassom de calcâneo 
auxilia na avaliação de entesite. 
Alternativa D: INCORRETA. A tomografia computa-
dorizada quantitativa de alta resolução auxilia na 
avaliação da microarquitetura óssea.
 ✔ resposta: ⮦
Questão 2 dificuldade:  
 Y Dica do professor: As fraturas osteoporóticas mais 
comuns são nas vértebras, na região do quadril, do 
fêmur proximal e região do punho.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 3 dificuldade: 
 Y Dica do professor: Idade avançada, tabagismo, 
sedentarismo, baixo peso corporal e antecedente 
de fratura patológica são fatores de risco para os-
teoporose.
Alternativas A, B, C e E: INCORRETAS. Todas as alterna-
tivas indicam um AUMENTO dos níveis circulantes 
de estrógenos, seja por maior período de exposi-
ção (menarca precoce e menopausa tardia) ou por 
conversão periférica por aromatização (obesidade, 
hiperandrogenismo). 
Alternativa D: CORRETA. O baixo peso implica em 
menos gordura periférica e consequente menos 
aromatização. 
 ✔ resposta: ⮩
Questão 4 dificuldade:  
 Y Dica do professor: questão que cobra diversos con-
ceitos sobre um tema amplo que é a osteporose. 
Use a questão para sedimentar o conhecimento.
Alternativa A: CORRETA. A principal causa de osteo-
porose secundária é o corticoide. O aumento no 
risco de fraturas aparece já em 3 a 6 meses de uso 
e ocorre em 30% a 50% dos pacientes.
Alternativa B: INCORRETA. Sexo feminino e baixo peso 
são fatores de risco para osteoporose.
Alternativa C: INCORRETA. Na pós-menopausa a per-
da óssea é mais importante nos primeiros 5 anos.
Alternativa D: INCORRETA. A fratura de fragilidade tí-
pica de osteoporose ocorre em radio distal, úmero 
proximal, fêmur proximal e/ou vertebral. Mais co-
mum em mulheres pós-menopausa e idosos.
Alternativa E: INCORRETA. Osteoporose densitomé-
trica é definida se T-Score menor ou igual a -2,5.
 ✔ resposta: ⮦
Questão 5 dificuldade: 
 Y Dica do professor: A osteoporose é rastreada pela 
densitometria óssea, que deve ser solicitada, de 
forma geral, para mulheresacima de 65 anos e ho-
mens acima de 70 anos, a não ser que haja histórico 
de fraturas de fragilidade, doenças ou condições 
Osteoporose Reumatologia
24
associadas à perda de massa óssea, mulheres na 
pós menopausa

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