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Uma digressão sobre economia e ciência
O termo economia significa “gerir” ou “administrar”. Mas o que de fato é?
Economia é uma ciência social que estuda a produção, distribuição, acumulação e o consumo de bens e serviços. 
Ela busca entender como indivíduos, empresas, governos e nações fazem escolhas sobre alocação de recursos, de forma a satisfazer suas necessidades, e busca entender como esses agentes podem se organizar e coordenar esforços para alcançar o melhor resultado possível. 
Mas o que é uma ciência? 
Ciência é uma forma de conhecimento, assim como religião, intuição e senso comum. A ciência produz conhecimento por meio de teorias. 
exemplo, a Astronomia, por meio da teoria geocêntrica, considera a Terra fixa no centro do universo, com todos os outros corpos celestes orbitando ao seu redor. 
É preciso deixar claro que a Ciência não trata de verdade, mas sim de erro útil. A Ciência é apenas uma ferramenta para resolver problemas, e não para estabelecer verdades. 
Microeconomia Macroeconomia
Estuda o comportamento Analisa a economia de maneira
de agentes individuais. Agregada.
Escolha individual 
Qualquer questão em Economia envolve escolha individual, independentemente de estarmos no campo de Macroeconomia ou Microeconomia. Em última instância, até decisões macroeconômicas são baseadas em uma série de decisões individuais. 
Existem quatro princípios econômicos contidos na escolha individual: 
Escassez de recursos: No geral, não podemos ter tudo o que queremos. Nossa renda é limitada, o que restringe o que podemos adquirir. A renda que escolhemos gastar indo ao cinema equivale à que deixamos de gastar com algum outro bem ou serviço. 
Recurso é qualquer elemento que pode ser usado na produção de um bem. Em uma economia, geralmente consideramos como recursos o trabalho, a terra, o capital físico e o capital humano (conquistas educacionais e habilidades individuais).
 
Custo real: O custo de adquirir algo envolve também o que dispensamos para realizar a aquisição. 
O custo real de algo é a soma de seus custos monetário e de oportunidade. Portanto, no final das contas, todo custo é um custo de oportunidade. 
O custo de abrir mão de outra atividade se chama custo de oportunidade. 
Decisão marginal: Quando temos decisões de “quanto?”, em Economia, vemos isso como uma decisão marginal. 
Gastar mais tempo estudando Microeconomia significa que você terá um benefício nessa matéria: é provável que você tire uma nota mais alta, mas também implica menos tempo estudando Macroeconomia.
Sua decisão envolverá um trade-off, ou seja, uma comparação entre o custo e o benefício. Essa comparação faz parte de uma escolha. 
Muitas decisões no nosso dia a dia são tomadas com base em análises marginais, que desempenham um papel fundamental na economia. 
Oportunidades de melhoria: No geral, o fato de que as pessoas exploram oportunidades de melhorar sua própria situação é uma hipótese amplamente adotada em modelos econômicos. 
Quando há redução do preço do chocolate, mais consumidores irão comprá-lo. Se o salário dos engenheiros se reduz e o dos médicos aumenta, é provável que alguns alunos do Ensino Médio deixem de prestar vestibular para Engenharia e mudem para Medicina.
Quando há mudanças nas oportunidades disponíveis e, consequentemente, de comportamento, afirmamos que as pessoas se deparam com novos incentivos. 
Mercados: interações entre indivíduos 
Ganhos de comércio: torna possível que as pessoas dividam tarefas entre si e ofertem bens ou serviços demandados por outras pessoas em troca de bens e serviços que ela deseja 
Moeda e suas funções: meio de troca, reserva de valor e unidade de conta. 
Movimentação dos mercados em direção ao equilíbrio: Uma economia está em equilíbrio quando nenhum indivíduo pode melhorar sua situação adotando uma ação diferente. Os mercados, normalmente, alcançam o equilíbrio por meio da mudança de preços, que aumentam ou diminuem, até que todas as oportunidades para melhorar a situação individual tenham se esgotado. 
Uso eficiente dos recursos para o alcance dos objetivos da sociedade: Os recursos de uma economia são usados de forma eficiente quando todas as oportunidades de melhorar a situação de cada um são exploradas por completo. Uma economia é eficiente quando utiliza todas as oportunidades de melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outras. 
MODULO 2 
ORIGEM DA CIÊNCIA ECONÔMICA 
Embora a maior parte das pessoas só tenha ouvido falar de Economia como ciência a partir de Adam Smith, pode-se argumentar que, nas formas mais rudimentares de civilização, já existia algum tipo de pensamento econômico, partindo do pressuposto de que seres racionais já se preocupavam com seu sustento. 
O desenvolvimento de novas técnicas agrícolas aumentou a produtividade das terras, e a Europa vivenciou um período de estabilidade que permitiu o crescimento populacional e a formação de cidades. Essa combinação de fatores deu origem ao mercador independente. 
Escolásticos : Na idade média os escritores cristãos tinham uma abordagem ética do estudo econômico. Sua aversão ao comércio e à propriedade baseava-se na convicção de que a busca pela riqueza os desviaria do “caminho da graça”. 
Os estudiosos da economia medieval ficaram conhecidos como escolásticos, e seu principal expoente foi Tomás de Aquino.
Que buscou assimilar a filosofia de Aristóteles com o cristianismo Ele desenvolveu ideias a respeito do valor de um bem, introduzindo uma teoria do salário justo e do preço justo, esboçando uma noção de justiça distributiva e condenando a cobrança dos juros e da usura. podemos citar dois elementos: uma ênfase na utilidade como principal fonte de valor e a noção de preço justo. 
Surgimento da economia politica
as bases para o capitalismo industrial moderno também haviam sido estabelecidas. A classe mercantil enriqueceu, a aristocracia e o clero começaram a perder influência, a expansão do comércio proporcionou o surgimento de centros comerciais e industriais, e universidades foram criadas. 
Nesse período pré-mercantilismo, Jean Bodin esboçou a primeira teoria quantitativa da moeda, Afirmando que a principal causa do aumento dos preços era o aumento do ouro e da prata em circulação. 
Emergiu uma nova disciplina como ciência: a Economia Política, cujo objeto de estudo era a atividade pública, tratando da acumulação e do gerenciamento da riqueza, a fim de aumentar a eficiência do Estado. 
Mercantilistas 
No campo do pensamento econômico, foram propostas ideias de um sistema comercial restritivo com o objetivo de aumentar a prosperidade econômica de uma nação. 
 
Os pensadores do período podem ser divididos entre: 
Bulionistas (metalistas): defendia a regulamentação do câmbio. Por não entenderem a teoria do comércio internacional, enxergavam qualquer saída de metais preciosos como uma desvantagem. em contrapartida, defendiam a exportação de mercadorias, como bens manufaturados, cujos pagamentos significavam a entrada de metais preciosos em seus países
Mercantilistas: acreditava que havia a necessidade de incentivar a troca de mercadorias, buscando alcançar uma balança comercial favorável, isto é, o país deveria exportar mais do que importar.
Precursores da Economia Política clássica 
Influenciados pela Política Aritmética de Sir William Petty, iniciou-se uma crítica ao pensamento mercantilista prévio. Dudley North e Mandeville atacaram o protecionismo do Estado e defenderam o livre comércio. 
A ênfase mercantilista em uma balança comercial positiva também foi criticada: o comércio internacional não poderia ser uma fonte de perda para nenhuma das partes, uma vez que, sendo uma atividade voluntária, não ocorreria em primeiro lugar se não gerasse ganhos para todos.
A teoria também avançou em outros aspectos. Richard Cantillon propôs que a terra era a principal fonte de riqueza, e que essa riqueza seria produzida com o poder do trabalho empregado. Além disso, distinguiu o valor intrínseco do valor demercado dos bens, o que foi considerado um esboço da teoria de preço e custo.
As principais contribuições da escola fisiocrata:
rejeição do conceito mercantilista de riqueza por meio da troca e no reconhecimento da produção como fonte de riqueza. Interessado em transformar o setor agrícola em indústria capitalista eficiente.
apresentou um modelo quantitativo da produção de mercadorias. Ao fazer uma distinção entre trabalho produtivo e improdutivo, apontou uma fonte de riqueza no excedente que a terra é capaz de produzir, que seria advinda do fato de que nela se produz mais do que se consome.
Quesnay foi precursor da acumulação de capital. Seu trabalho também traz a ideia de interdependência entre os setores da economia e a inovadora representação de trocas como um fluxo circular de dinheiro e bens. 
Economia Política clássica 
é o nome dado ao sistema de teoria econômica que foi desenvolvido a partir do final do século XVIII, iniciado com a publicação do livro a riqueza das nações, de Adam smith, em 1776.
A teoria clássica proposta nesse período contrastou fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. 
os clássicos identificaram falhas em todas as soluções propostas previamente para os problemas econômicos. 
Uma das discrepâncias é que os clássicos viam como positivos os resultados que decorriam naturalmente das forças econômicas. Surgiu a noção de uma “mão invisível do mercado”, de forças que naturalmente convergiriam para um equilíbrio eficiente, sem necessidade de intervenção estatal. 
A visão clássica de um sistema econômico harmonioso destoava das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado era caracterizado por desequilíbrios que exigiam intervenções e restrições. 
Teóricos da Economia Política Clássica 
 Adam Smith : Suas principais contribuições para o campo do pensamento econômico envolvem o desenvolvimento do conceito de divisão do trabalho e a exposição de que o interesse individual racional e a concorrência podem conduzir ao desenvolvimento econômico. Além disso, suas obras também tocaram temas como a teoria do valor, passando por conceitos de excedente, teoria dos salários e distribuição 
Thomas Malthus: mais conhecido por sua teoria da população, em suas obras, discorreu sobre distribuição de renda e consumo improdutivo e apontou os riscos de uma crise de superprodução frente à falta de demanda. 
David Ricardo:  acrescentou à teoria econômica a noção de que há ganhos na troca internacional para as duas partes que estão comercializando, mesmo que uma seja mais competitiva que a outra.
Em outras palavras, mesmo que uma das partes consiga produzir mais de todos os bens com a mesma quantidade de recursos, é economicamente vantajoso para as duas partes comercializar bens. 
O utilitarismo, de maneira geral, afirma que ações que maximizam felicidade e bem-estar são boas, e que a utilidade é uma propriedade de um bem ou objeto capaz de produzir um benefício ou prazer. Jeremy Bentham e John Stuart Mill foram alguns dos filósofos a desenvolver esse conceito.
Pensamento econômico socialista
 período em que se desenvolveu a escola clássica de pensamento econômico foi, ao mesmo tempo, uma época de crescimento econômico e desenvolvimento teórico, e de intenso conflito entre as classes de trabalhadores e capitalistas
Malthus já apresentava uma visão mais pessimista, argumentando que, nesse sistema, não seria permitido ao trabalhador receber mais que um salário de subsistência 
Para os trabalhadores da época, essa fase inicial do capitalismo significava arcar com os custos da expansão da produção: condições perigosas ou insalubres de trabalho, desemprego e longas horas de trabalho duro. O contexto era terreno fértil para o surgimento de novas ideias.
Duas escolas de pensamento se opuseram à ordem social e econômica vigente: 
Escola Histórica Alemã: Pensamento que faz uma crítica radical da economia e da política clássica. 
Movimento Socialista: Pensamento social e econômico revolucionário conhecido como marxismo 
Marx desenvolveu sua teoria com forte ênfase no conflito de classes, acusando a burguesia de cooptar as necessidades de toda a sociedade para combater a aristocracia e, depois, estabelecer-se como classe dominante, apresentando seus interesses próprios como coletivos e o espírito da acumulação privada de capital como instrumento para fazer crescer a riqueza nacional. 
Marx buscou identificar os limites da Economia Política Clássica a fim de criticá-la.
entre as críticas feitas por Marx aos economistas clássicos, três se sobressaíram, listando a incapacidade dos clássicos de: 
explicar a natureza do lucro e do capital; 
reconhecer o caráter histórico do capitalismo; 
reconhecer o caráter exploratório do modo de produção capitalista ― o que os levou a focar sua atenção nas relações de troca em vez da produção.
Revolução marginalista ou utilitarista 
O final do século XIX testemunhou o nascimento da teoria microeconômica moderna. Essa época foi marcada pela elaboração de um conjunto de ferramentas analíticas que transformaram a economia clássica em neoclássica.
A análise marginal, atualmente presente nos livros-texto de Microeconomia, pode ser considerada a mais importante dessas ferramentas. A Matemática foi incorporada de maneira definitiva na análise econômica. 
O interesse no crescimento econômico dos economistas clássicos deu lugar ao interesse na alocação dos recursos. O centro do sistema neoclássico girava em torno do problema da alocação de recursos escassos, dados os seus possíveis usos alternativos. 
Os marginalistas aceitavam a abordagem utilitarista e, a partir dela, reformularam a análise do comportamento humano, que foi construído a partir de cálculos racionais, visando à maximização da utilidade individual.
Os clássicos tinham como objeto principal agentes econômicos coletivos, como as classes sociais e o governo. Os marginalistas, por sua vez, concentravam-se em agregados sociais mínimos: a unidade tomadora de decisão, como consumidores, famílias ou firmas. 
Ortodoxia neoclássica 
A revolução marginalista se espalhou pelo mundo ocidental, impactando significativamente o pensamento econômico. 
No contexto político-econômico, a Europa Ocidental experimentava um momento de desenvolvimento industrial e capitalista. Em conjunto, esses fatores estabeleceram as bases para a economia neoclássica. 
Alfred Marshall: sua obra pode ser entendida como uma reformulação geral da teoria econômica produzida até então, sintetizando a análise clássica e a abordagem marginalista de custo e utilidade, elaborando um mecanismo de análise econômica.
 Uma de suas principais contribuições ao campo foi sua análise de equilíbrio parcial, que conseguiu unir várias partes da teoria econômica, até então analisadas separadamente. Marshall fez a importante distinção entre os períodos da economia, diferenciando o curto do longo prazo. 
Ele introduziu e aprimorou uma série de conceitos que são utilizados na análise econômica, desde propriedades da curva de demanda, distinção de retornos crescentes e decrescentes, e maximização do bem-estar – temas abordados até os dias atuais em cursos de Economia. 
Economia keynesiana 
A primeira guerra mundial teve na esfera econômica, seus impactos envolveram a interrupção do comércio e de pagamentos internacionais, e levaram governos a realizar intervenções econômicas até então inimagináveis. Foi feita uma produção de larga escala para atender necessidades de guerra, gerando enormes dívidas nacionais
O pensamento neoclássico havia se estruturado em torno da Lei de Say, que previa que o pleno emprego era o estado normal de funcionamento da economia. Se houvesse um afastamento do nível de emprego considerado normal, não seria de grande magnitude, e o próprio sistema econômico providenciaria uma resposta que faria o emprego retornar ao seu nível normal. 
No entanto, a realidade parecia bastante distante do que previa o pensamento econômico. Não apenas a ociosidade na força de trabalho e da capacidade da indústria alcançaram proporçõesincomuns, como também havia poucos indícios de que a situação estava caminhando para se corrigir.
John Maynard Keynes: A ideia de que a poupança tende a causar baixo consumo e depressão econômica, interrompendo o fluxo circular da renda, já havia sido apontada por economistas anteriores a Adam Smith e seus seguidores. 
Keynes também rompeu com a escola clássica em sua descrença na Lei de Say: à diferença dos clássicos, ele não acreditava que a oferta cria sua própria demanda. 
Dentre as principais ideias expressas em sua teoria geral, estão:
1- A teoria da preferência pela liquidez ― que ofereceu uma explicação para os determinantes da taxa de juros sob a ótica do mercado de moeda.
2- A teoria da demanda efetiva.
3- A noção de um efeito multiplicador na economia ― devido ao componente do consumo na renda.
4- A relação entre poupança e investimento. 
 
Economia depois de Keynes

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