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Ondas e Radiação Ondas são formas de propagação de energia que ocorrem sem o transporte de matéria. Isso significa que, ao se propagarem, as ondas transmitem energia de um ponto a outro, mas não transportam o meio por onde passam. De modo geral, as ondas são classificadas em dois grandes grupos: as ondas mecânicas e as ondas eletromagnéticas. As ondas mecânicas, como as sonoras, dependem de um meio material para se propagar, enquanto as ondas eletromagnéticas, como a luz, não necessitam de meio e podem se propagar até mesmo no vácuo. Toda onda apresenta certas características fundamentais: a frequência, que é o número de perturbações (ou ciclos) por unidade de tempo; a amplitude, que representa a intensidade ou a altura da onda; o comprimento de onda, que é a distância entre duas perturbações consecutivas (duas cristas ou dois vales, por exemplo); e a velocidade de propagação, que indica a distância percorrida pela perturbação em determinado intervalo de tempo. As ondas não emitem partículas; seu funcionamento baseia-se apenas na transferência de energia. A propagação das ondas pode ocorrer de diferentes formas: tridimensionalmente, como acontece com o som no ar; bidimensionalmente, como nas ondas da superfície da água; ou unidimensionalmente, como nas vibrações de uma corda esticada. As ondas também podem interagir entre si, produzindo interferências. Quando duas ondas se combinam de forma a aumentar a amplitude, ocorre uma interferência construtiva; quando se anulam parcialmente ou totalmente, ocorre uma interferência destrutiva. Um fenômeno importante relacionado às ondas é a ressonância, em que um corpo vibrando em sua frequência natural pode ser excitado por outra onda de mesma frequência, aumentando sua amplitude. Para estudar as ondas de forma mais precisa, utiliza-se a análise espectral de Fourier, que decompõe ondas complexas em componentes senoidais simples. No caso das ondas mecânicas, o exemplo mais clássico é o som. A propagação do som ocorre por meio de vibrações que se transmitem entre as partículas do meio, como o ar. O som pode ser caracterizado pela sua intensidade (volume), pela sua altura (grave ou agudo), pelo timbre (qualidade que diferencia sons semelhantes, como a mesma nota emitida por instrumentos diferentes) e também pelo efeito Doppler, que é a variação da frequência percebida quando há movimento relativo entre a fonte sonora e o observador. A audição humana é sensível a frequências entre 20 Hz e 20.000 Hz. Já os equipamentos de diagnóstico por imagem que utilizam ultrassom operam com frequências muito mais altas, que variam entre 1 e 20 milhões de Hz. Já as ondas eletromagnéticas resultam da vibração simultânea de campos elétricos e magnéticos. Elas se propagam no vácuo à velocidade da luz (cerca de 300.000 km/s) e, ao contrário das ondas mecânicas, quando passam por meios mais densos, sua velocidade diminui. Um conceito fundamental relacionado às ondas eletromagnéticas é o fóton — uma partícula elementar que carrega energia e pode se comportar como partícula ou como onda, dependendo da situação. A essa dualidade se dá o nome de comportamento dual da luz. O espectro eletromagnético compreende todas as faixas de frequências e comprimentos de onda dessas radiações, que vão desde as ondas de rádio até os raios gama. A luz visível, por exemplo, é apenas uma pequena faixa do espectro. Ela também pode ser entendida por meio do conceito de cor, que pode ser classificada de duas formas: cor-luz, relacionada às ondas monocromáticas (como vermelho ou azul), e cor-pigmento, que está ligada à forma como os objetos absorvem e refletem a luz. A síntese aditiva de cores (usada em luzes) resulta na formação da luz branca pela combinação de várias cores, enquanto a síntese subtrativa (com pigmentos) gera a cor preta pela absorção de todas as frequências de luz. Portanto, o preto é ausência de luz e o branco é o reflexo de todas as luzes. Radiação, por sua vez, é um conceito amplo e refere-se a qualquer processo de emissão de energia, seja por meio de ondas ou partículas. Estamos expostos à radiação constantemente, e ela pode ser utilizada de forma útil, como no aquecimento de alimentos, em exames de imagem e em tratamentos de câncer. A radiação em si não é boa nem ruim, trata-se de uma ferramenta que deve ser compreendida e usada com critério. Existem dois tipos principais de radiação: ionizante e não ionizante. A radiação ionizante é aquela que tem energia suficiente para remover elétrons dos átomos, criando íons. Ela pode provocar alterações moleculares e celulares, por isso é utilizada com cautela. A ionização pode ocorrer de forma direta, quando partículas carregadas colidem com átomos, ou indireta, quando fótons de alta energia geram elétrons que provocam a ionização secundária. Um núcleo atômico com excesso de energia é considerado instável e pode liberar essa energia na forma de radiação, tornando-se um radionuclídeo. Esses radionuclídeos podem ser naturais ou artificiais e possuem uma propriedade chamada meia-vida, que é o tempo necessário para que metade de seus átomos se desintegram. As principais formas de radiação ionizante são: alfa (com baixa penetração, mas alto poder de ionização), beta negativa, raios gama e raios X (ambos altamente penetrantes). A dosimetria é o estudo que avalia a quantidade de radiação absorvida por um organismo, sendo fundamental para garantir segurança em procedimentos médicos e laboratoriais. A radiossensibilidade das células varia: algumas são muito sensíveis (como as células da medula óssea e gônadas), outras são moderadamente sensíveis (como o endotélio e os túbulos renais), e algumas são pouco sensíveis (como os neurônios e fibras musculares). A radiação não ionizante inclui tipos como a radiação ultravioleta (UVA, UVB e UVC), que pode excitar moléculas sem gerar íons, e também o laser, uma forma especial de luz que é monocromática (de uma única cor/frequência), coerente (as ondas estão em fase) e colimada (paralela e direcional). O laser tem aplicações terapêuticas e cirúrgicas. Por fim, o ultrassom, utilizado amplamente na medicina veterinária e humana, é uma onda mecânica de alta frequência e, por isso, também é uma forma de radiação não ionizante.