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ECONOMIA 
MONETÁRIA
PROF. MÁRCIO BENEVIDES LESSA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA
Prof. Márcio Benevides Lessa
ECONOMIA 
MONETÁRIA
Marília/SP
2023
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior
ECONOMIA MONETÁRIA
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SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
CAPÍTULO 02
CAPÍTULO 03
CAPÍTULO 04
CAPÍTULO 05
CAPÍTULO 06
CAPÍTULO 07
CAPÍTULO 08
CAPÍTULO 09
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
07
19
32
43
54
64
76
89
100
112
123
134
145
156
168
A MOEDA
FUNÇÕES E EVOLUÇÃO DA MOEDA
A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA
DEMANDA POR MOEDA
OFERTA DE MOEDA
SISTEMA MONETÁRIO
INTERAÇÃO DOS SETORES REAL E 
MONETÁRIO
MERCADO FINANCEIRO E TAXA DE JUROS
INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS – 
INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS
INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS – 
INSTITUIÇÕES NÃO BANCÁRIAS
A INFLAÇÃO
POLÍTICA MONETÁRIA
POLÍTICA MONETÁRIA – MODELOS 
TEÓRICOS
AS MODERNAS ABORDAGENS DA TEORIA 
MONETÁRIA
MOEDA E INFLAÇÃO BRASILEIRA
ECONOMIA MONETÁRIA
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INTRODUÇÃO
Economia monetária é o ramo da Teoria Macroeconômica que tem por objeto de 
estudo as relações entre a oferta monetária, as taxas de juros, o nível de preços, os 
mecanismos de política monetária e outras variáveis financeiras sobre a economia. 
Avalia como os bancos centrais e outras autoridades monetárias afetam a oferta de 
dinheiro, a taxa de juros e a inflação, e como esses fatores afetam a economia. 
O Interesse por seu estudo se confunde com o objeto de estudo da Teoria Econômica, 
a partir do século XVIII. Um dos seus principais objetivos é compreender como a política 
monetária pode contribuir para o crescimento econômico consistente, estabilidade de 
preços e estabilidade financeira e, por consequência, o desenvolvimento econômico.
Procuramos nesta obra abordar os principais aspectos da teoria monetária. Vale 
observar que o universo da economia monetária vai além das fronteiras aqui descritas, 
devido à sua dinâmica e evolução.
A economia monetária está intimamente ligada com as disciplinas de formação da 
Teoria Econômica, como a teoria microeconômica, o desenvolvimento socioeconômico, 
a economia internacional e a contabilidade nacional.
Tenha em mente que a moeda proporciona a dinâmica das relações econômicas. 
Por isso é muito importante observar todos os aspectos descritos e buscar por leituras 
complementares.
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CAPÍTULO 1
A MOEDA
Você já parou para pensar que a todo instante as pessoas estão realizando compra 
e venda de bens e serviços? Além disso, as empresas e os países realizam transações 
entre si, e todas elas estão balizadas em relação a um elemento comum – a Moeda.
Neste capítulo, será apresentado o que vem a ser o escambo e como ele ainda 
ocorre, o conceito de moeda e o seu surgimento.
Mas antes, é importante reforçar alguns conceitos importantes, para que não paire 
dúvidas no seu aprendizado.
O conceito de Ciências Econômicas, que vem a ser a ciência humana que estuda 
a melhor alocação dos recursos produtivos, que são escassos, visando satisfazer as 
necessidades do maior número de indivíduos.
O sistema econômico é a forma como a sociedade está organizada para produzir, 
estocar, distribuir, comercializar e consumir bens e serviços - os quais denominamos 
produtos.
Este sistema econômico é formado pelos agentes econômicos que vem a ser as 
unidades familiares, as empresas ou setor produtivo e o governo.
Por fim, vale colocar duas máximas da Economia Monetária: a primeira é que o 
dinheiro não aceita ser maltratado, ou seja, sempre que se fizer um gasto errado ele 
dificilmente será revertido. A segunda máxima é que o dinheiro muda de mão, ou 
seja, em toda transação, envolvendo a moeda, o produto troca de mãos, assim como 
a moeda.
Valendo-se dessa máxima é que programas de educação financeira ganham adeptos 
de forma crescente. Mas é preciso tomar cuidado com os gurus do mercado, pois da 
mesma forma que as redes sociais estão povoadas de um farto conteúdo financeiro 
de excelente qualidade, no sentido oposto há também conteúdos equivocados e 
tendenciosos.
Assim, foque nos seus estudos para entender o funcionamento da Economia 
Monetária, dedicando-se além do conteúdo apresentado.
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1.1 Moeda – Conceito
Quando se ouve a palavra moeda, a nossa mente, imediatamente, traz a imagem de 
um objeto metálico, circular, estampado nas suas duas faces e com a borda serrilhada, 
como foram as diversas moedas metálicas existentes e como ainda são, nas economias 
mundiais.
A imagem abaixo traz a moeda de R$ 1,00 (um Real), em circulação no Sistema 
Monetário Nacional, de acordo com o site do Banco Central do Brasil – BACEN.
 Anverso:
Efígie da República à direita do núcleo prateado, 
transpassando para o anel dourado, e demais 
entalhes com seus simbólicos significados e 
proteção.
Reverso:
Referência ao Cruzeiro do Sul, valor de face, ano de 
cunhagem e demais entalhes com seus simbólicos 
significados e proteção.
Figura 1: Moeda de R$ 1,00
Fonte: https://www.bcb.gov.br/dinheirobra-sileiro/ segunda-familia-moedas.html#>
Por mais que o nosso cérebro esteja correto, a moeda pode ser considerada algo 
muito mais complexo, apresentando outros formatos e materiais. Este pensamento 
vai de consonância à definição de Sandroni (1999, p. 405) como sendo a mais antiga 
representação do dinheiro, muitas vezes empregada como seu sinônimo.
Carvalho (2015, p. 1) define a moeda como sendo algo mais complexo dentro do 
sistema econômico, sendo um objeto que responde a uma necessidade social decorrente 
da divisão do trabalho. A divisão social do trabalho, característica da economia capitalista 
moderna, especializou unidades de produção e indivíduos. 
Isto fez com que os agentes econômicos se tornassem extremamente 
interdependentes, permitindo a eles transações mais complexas, com um volume e 
dinamismo maior, mas reduzindo o tempo gasto. 
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ANOTE ISSO
Se não fosse pela criação da moeda, a evolução social não teria atingido os 
níveis atuais. Imagine como seria ir ao supermercado ou como seria as relações 
comerciais entre os países. 
Vejamos essa proposição de Dias (2015):
O dinheiro representa na Economia, junto com a roda na física, o fogo na química e o 
voto na política, uma invenção básica sobre as quais outras invenções são desenvolvidas, 
como cheques, cartões bancários de débito e crédito, ações, títulos públicos etc. (DIAS, 
2015, p. 106).
O autor foi muito feliz na alusão que fez, ao dar ao dinheiro, ou à moeda, a sua importância 
para os sistemas econômicos.
Uma definição mais técnica pode ser lida em Vasconcellos (2015, p. 301) que descreve 
a moeda como sendo um ativo financeiro de aceitação geral, utilizado na troca de bens e 
serviços, que tem poder liberatório (capacidade de pagamento) instantâneo. Sua aceitação é 
garantida por lei (ou seja, a moeda tem “curso forçado’’ e sua única garantia é a legal). 
ISTO ESTÁ NA REDE
LEI Nº 9.069, DE 29 DE JUNHO DE 1995diz respeito:
• Ao aumento das emissões de moeda, que deve se dar no montante das 
necessidades dos agentes econômicos, para não gerar inflação;
• A redução da taxa de depósito compulsório e da taxa de recolhimento voluntário 
permite elevar o montante disponível ao crédito bancário;
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• Os mecanismos de criação e destruição de moedas, impactando na base 
monetária.
Em síntese, conforme ressalta Carvalho (2015), a teoria quantitativa preconiza que 
se a velocidade de circulação e o volume de comércio forem constantes, um aumento 
na quantidade de moeda em circulação deverá fazer com os preços dos produtos 
aumentem na mesma proporção.
3.3. Síntese da Contribuição de Cambridge
A Teoria Quantitativa da Moeda na versão de Cambridge, assim denominada por 
ter sido formulada por um grupo de economistas da Universidade de Cambridge, 
tendo como principais fundadores Alfred Marshall e Pigou, baseia-se no princípio de 
o montante do meio monetário em circulação, em um sistema econômico, depender 
exclusivamente da demanda monetária.
A equação de Cambridge, de forma teórica, busca explicar a forma como o dinheiro 
circula na economia, levando em consideração a relação que se estabelece entre o 
nível de preços, a renda e a demanda por caixa.
Segundo Carvalho (2015), o principal aspecto monetário, considerado na abordagem 
de transações, é o fato de que para um ato de venda ser separado de um ato de compra, 
é necessário que haja um bem servindo como moeda de aceitação comum. Para a 
abordagem dos saldos monetários (“cash-balance”) a moeda serve como um elemento 
de reserva de compra, para um período entre a venda e compra de mercadorias, em 
razão do descompasso que existe entre a receita e a despesa.
Desta forma, precisa-se determinar o quanto o público, na média, deve reter de 
moeda e seu poder para fazer frente a este descompasso. Inicialmente, consideraram 
que a quantidade de moeda retida deve ter relação com a renda.
Definiram a demanda de moeda Md como sendo decorrente do produto entre a 
razão do estoque de moeda em relação à renda nominal (k) pelo nível de renda Py:
Observa-se que a relação proporcional entre moeda e preços depende da estabilidade 
da velocidade de circulação (V) ou da razão do estoque de moeda em relação à renda 
nominal (k).
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Sendo a oferta de moeda (Ms), considerada na Teoria Quantitativa da Moeda como 
exógena, o equilíbrio será obtido no mercado monetário pela igualdade entre a demanda 
por moeda e a oferta monetária. Assim: 
Desta forma, tem-se as considerações:
• Alterações na razão do estoque de moeda em relação à renda nominal, influencia 
na demanda de moeda;
• Se o público aumentar a demanda por moeda, para que a equação de Cambridge 
se mantenha em equilíbrio, a razão do estoque de moeda em relação à renda 
nominal ou o nível de renda deve se elevar. Como a elevação da renda depende 
do aumento do produto global, sendo seu aumento lento no curto prazo, é mais 
provável que o aumento se dê no coeficiente K;
• Os adeptos dessa teoria concordam que quando há um aumento no preço dos 
produtos, haverá o efeito de um aumento proporcional na demanda por moeda 
na economia.
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CAPÍTULO 4
DEMANDA POR MOEDA
No capítulo anterior foi apresentado as funções da moeda e também as fases de 
sua evolução. Agora, neste capítulo, será abordado o tema Demanda por Moeda, mas 
antes reflita sobre esta questão:
Por que as pessoas, as empresas e o governo demandam moeda?
Para responder a esta indagação é importante compreender a evolução do 
pensamento sobre a demanda de moeda e quais são os tipos de motivos.
4.1 A Visão Clássica
A chamada Economia Clássica corresponde ao período que vai de 1776, com a 
publicação da obra “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, até o fim do século 
XIX. Destacam-se os pensadores econômicos Adam Smith, David Ricardo, Thomas 
Malthus, John Stuart Mill, Jean-Baptiste Say, Johann Heinrich von Thünen e Anne 
Robert Jacques Turgot. 
Sucede aos pensadores clássicos os denominados pensadores da Escola Neoclássica, 
que iniciaram seus estudos no final do século XIX e perduram até o surgimento do 
pensamento Keynesiano, em 1936. Retratam as questões marginalistas da produção, 
utilidade, custos e receita, sendo identificados como Economistas Marginalistas. Tem 
como principais expoentes os pensadores econômicos Carl Menger, William Stanley 
Jevons, Léon Walras, Alfred Marshall, Knut Wicksell, Vilfredo Pareto e Irving Fisher.
ANOTE ISSO
Quando estudamos fatos históricos precisamos nos ater ao cenário da época e 
não no cenário atual, pois desta forma passamos a compreender melhor o que as 
pessoas no passado fizeram ou propuseram.
Mesmo que possa parecer um absurdo na atualidade, precisamos considerar a 
evolução e tirar o melhor proveito dos relatos históricos.
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 Conforme descrevem Lopes e Rossetti (1998), os economistas da Escola Clássica 
buscaram por respostas plausíveis à questão que faz com que os indivíduos demandem 
ou retenham ativos monetários, se eles podem ganhar juros sobre a aplicação de seus 
ativos monetários.
Desta forma, eles identificaram dois motivos pelos quais existe a demanda por moeda:
• Motivo transação: decorre da inexistência de coincidência entre os fluxos de 
recebimentos e pagamentos. Tanto as pessoas como as empresas se deparam 
com a situação de terem um descasamento entre os dias que recebem suas rendas 
ou receitas e os dias que necessitam fazer pagamentos ou efetuarem compras à 
vista. Por mais que tentem compor um fluxo de caixa, existem fatores adversos 
que impedem um perfeito sincronismo entre receitas e despesas;
• Motivo precaução: dada a imprevisibilidade de certas despesas, que surgem tanto 
para as pessoas como às empresas, como por exemplo a quebra de uma máquina, 
destelhamento de um imóvel, doença inesperada etc., os agentes econômicos devem 
manter um montante monetário, ainda que em uma aplicação financeira, que permita 
a rápida liquidez, ou transformação em moeda. Atualmente o mercado permite 
aplicações com resgate diário. São as aplicações denominadas de D+0.
ISTO ESTÁ NA REDE
A demissão faz parte da realidade do trabalho na iniciativa privada. O melhor, portanto, 
é tratar a possibilidade com realismo e se prevenir. Especialistas sugerem que o 
trabalhador guarde uma quantia de dinheiro como “colchão” de emergência para o caso 
de perda de emprego.
Toda precaução é bem-vinda. A recomendação é ter como reserva o valor equivalente 
ao de seis meses a dois anos de salário. Isso permite pagar as contas sem ficar 
dependente do seguro-desemprego ou do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço 
(FGTS), durante o tempo em que o profissional estiver procurando trabalho. Conforme 
o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de Maio, 
uma em cada quatro pessoas desempregadas estava buscando vaga há mais de dois 
anos. Quase metade dos desempregados estava entre um mês e um ano procurando 
emprego, sem sucesso, segundo a pesquisa do instituto. 
Quem tem as contas organizadas consegue ter mais tranquilidade para procurar 
emprego e lidar com os processos seletivos, dominando melhor a ansiedade — explica 
Rose Russowski, diretora da consultoria em Recursos Humanos Lee Hecht Harrison 
(Farina, 2019).
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: https://gauchazh.
clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2019/07/como-fazer-uma-reserva-
financeira-para-estar-preparado-no-caso-de-desemprego-cjy8zipgq02xg01mse9equ9sa.
html
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Uma consideração importante a ser feita para o motivo transação é determinar o 
valor do encaixemédio. Este encaixe médio ou retenção média pode ser determinado, 
de acordo com Lopes e Rossetti (1998), como sendo a relação entre o somatório dos 
encaixes pelos dias de retenção pela quantidade total de dias, referente à análise. 
Vamos supor um indivíduo com uma renda auferida no primeiro dia do mês no 
valor monetário de R$ 10.000,00. Do primeiro ao quinto dia ele não realiza nenhum 
gasto, o que ocorre entre o sexto e o oitavo dia.
As despesas, o saldo e o intervalo de dias encontram-se descritos na Tabela 1, para 
facilitar o entendimento e a determinação do encaixe médio.
Período Gasto Saldo Dias
Do dia 1 ao dia 5 R$ 0,00 R$ 10.000,00 5 dias
Do dia 6 ao dia 8 R$ 900,00 R$ 9.100,00 3 dias
Do dia 9 ao dia 12 R$ 2.700,00 R$ 6.400,00 4 dias
Do dia 13 ao dia 15 R$ 1.500,00 R$ 4.900,00 3 dias
Do dia 16 ao dia 21 R$ 2.900,00 R$ 2.000,00 6 dias
Do dia 22 ao dia 28 R$ 1.000,00 R$ 1.000,00 7 dias 
Do dia 29 ao dia 31 R$ 1.000,00 R$ 0,00 3 dias
Tabela 1 – Hipóteses de encaixes de moeda mantidos por um indivíduo, durante o período de um mês.
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 60) (adaptado)
Aplicando os valores da tabela acima na fórmula do encaixe médio, obtém-se:
Obteve-se um encaixe médio, para o período de 31 dias, de R$ 4406,45, ou seja, 
a proporção média da renda que o indivíduo manteve em caixa para atender às suas 
necessidades de transação. 
Ao se analisar a proporção da renda, denominada K, retida sob a forma de moeda, 
tem-se um valor que oscilará entre 0 e 1. Sendo Y o valor total da renda e EM o valor 
do encaixe médio, o valor de K será determinado por:
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Para este exemplo, a proporção da renda K foi de 0,44, o que significa que para 
uma renda de R$ 10.000,00, este indivíduo necessita de um encaixe médio de 
aproximadamente 44%.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Os bancos utilizam-se do valor de K para compor o saldo médio de seus clientes. 
De acordo com Sandroni (1999):
Saldo Médio: Média aritmética dos saldos bancários de um cliente 
em determinado período. É um dado importante para a liberação de 
empréstimos, financiamentos e descontos de títulos, funcionando 
como elemento de reciprocidade e de manutenção, para a casa 
bancária (SANDRONI, 1999, p. 543).
Os fatores que Lopes e Rossetti (1998) elencam como responsáveis para determinar 
a maior ou menor proporção K, são: 
• A maneira pela qual as empresas e as pessoas distribuem suas despesas no tempo; 
• Os intervalos existentes entre os pagamentos e os recebimentos;
• As facilidades oferecidas pelo sistema monetário e financeiro, através da facilidade 
de crédito e juros praticados no mercado financeiro; 
• A eficiência do sistema bancário nas transferências de valores monetários;
• A amplitude da integração do sistema econômico, em relação à quantidade de 
transações intermediárias;
• A existência de substitutos quase perfeitos da moeda, as chamadas de quase 
moedas; 
• A taxa de inflação e de juros evidenciada no sistema econômico.
Por fim, cabe ressaltar que os economistas clássicos também se preocuparam 
com a demanda agregada de moeda (L). Para eles, ela decorre do produto do valor do 
encaixe médio (K), identificado para a sociedade como um todo, pela renda nacional 
a preço de mercado (P.RN).
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Como as alterações na renda nacional a preços de mercado ocorrem de forma 
mais lenta, ao longo do tempo, o encaixe médio acaba por ser a variável e influencia 
mais as alterações da demanda agregada. Assim, as variações que afetam o valor 
do encaixe médio agregado afetam diretamente na demanda agregada por moeda.
4.2 A Teoria Keynesiana
Em 1930, John Maynard Keynes publicou a obra “Tratado Sobre a Moeda”, onde, 
segundo Carvalho (2015), começou a desenvolver sua teoria monetária, distinguindo 
dois circuitos de circulação monetária:
• Circulação industrial: está relacionada ao volume de moeda que é necessário 
para que ocorra a produção e a comercialização dos bens e serviços no sistema 
econômico. O montante de moeda depende do intervalo médio no qual a moeda 
é retida para as transações por parte do público;
• Circulação financeira: está relacionada às operações de compra e venda de 
ativos financeiros. Observa-se, porém, que nesta circulação a moeda pode se 
tornar objeto de retenção, como um ativo. 
Ao examinar os motivos que levavam as pessoas e as empresas a demandarem 
moeda, Keynes observou um motivo a mais daqueles teorizados pelos economistas 
clássicos. Assim, são motivos de demanda por moeda, segundo Keynes:
• Motivo Transação: A teoria Keynesiana, para este motivo, ficou bem próxima da 
teoria clássica. No entanto, de acordo com Lopes e Rossetti (2015), há alguns 
pontos diferenciais, sendo eles:
• Os salários não se auto ajustam aos ciclos econômicos, ou seja, quando 
ocorre desemprego eles não são reduzidos automaticamente para garantir 
o nível de emprego; 
• A velocidade de circulação da moeda é considerada como variável; 
• Inseriu a possibilidade de retenção de moeda para fazer frente aos gastos 
planejados, não planejados e às despesas correntes do período. 
• Motivo Precaução: retenção de moeda pelos agentes econômicos para fazer 
frente às despesas de contingências inesperadas e às oportunidades imprevistas 
na realização de negócios vantajosos. Um aspecto importante está centrado 
sobre as incertezas em relação ao futuro. 
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Observa-se que Keynes descreve que este motivo depende da quantidade média 
dos gastos inesperados em relação à renda auferida e, em um determinado 
momento, será transferido para o motivo transação.
• Motivo Especulação: este motivo decorre da capacidade que os agentes 
econômicos têm de compor uma reserva de valores. A partir do momento em 
que o montante de recursos satisfaz as estimativas de gastos imprevistos, 
esses agentes podem buscar melhores oportunidades para aplicação, em outros 
ativos monetários e financeiros. No entanto, observa-se que existem variáveis 
determinantes ao montante destinados para o motivo especulação, sendo eles: 
a taxa de juros, o risco e o tempo de investimento. Com relação à taxa de juros 
existe uma relação inversa entre a demanda especulativa e a taxa de juros, 
pois os agentes vão buscar por aplicações mais seguras que paguem juros 
melhores. Já o risco permite identificar uma relação diretamente proporcional, 
pois quanto maior o risco maior deve ser o ganho. Por fim, o período em que o 
dinheiro deverá ficar imobilizado impacta na sua remuneração.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Entenda porque a projeção de alta de juros nos EUA afeta investimentos no 
Brasil
Ata da reunião mais recente do banco central norte-americano indicou postura mais 
dura ante a inflação
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, é responsável pela política 
monetária da maior economia do mundo. Por isso, suas decisões e sinalizações 
têm um amplo impacto.
Na última quarta-feira (5), por exemplo, as bolsas ao redor do mundo apresentaram 
queda, e o dólar valorizou após a ata da última reunião da autarquia. Só no Brasil, o 
Ibovespa caiu mais de 2% e a moeda norte-americana subiu, fechando na casa dos 
R$ 5,71 naquele dia.
O motivo foi a percepção do mercado de uma postura mais dura do Fed ante a 
inflação, chamada de contracionista ou hawkish, com a chance de acelerar as altas 
de juros no país já previstas para 2022 (Malardo, 2022).
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: 
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Carvalho (2015) salienta que Keynes idealiza a função de demanda de moeda 
decorrente dos motivos descritos e da influência da taxa de juros praticadas no 
mercado. Considerou as variáveiscomo:
Md = demanda por moeda;
M1 = o montante de recursos líquidos pelo motivo transação;
M2 = o montante pelo motivo especulação; 
M3 = o montante para satisfazer o motivo precaução.
Sendo as três funções de liquidez:
L1 = liquidez dependente do nível da renda Y - demanda por moeda pelo motivo 
transação; 
L2 = liquidez dependente da relação entre a taxa corrente e a futura de juros r - 
demanda por moeda pelo motivo especulação;
L3 = liquidez dependente da incerteza quanto ao futuro* - demanda de moeda pelo 
motivo precaução. 
Assim, a demanda por moeda em relação à liquidez é dada por:
ANOTE ISSO
A especulação deve ser normatizada e regulamentada, como são os mercados de 
capitais e imobiliários.
Não tem nada a ver com levar vantagens espúrias sobre os demais agentes. É 
especular para onde os preços dos ativos caminham. Se achar que vão subir, deve-
se comprar, caso contrário proceda à venda. Ambos os participantes, compradores 
e vendedores, devem conhecer o mercado que estão especulando. 
4.3 A Visão de James Tobin
Ainda segundo Lopes e Rossetti (1998), a teoria keynesiana a respeito do motivo 
especulação está sujeita a alguns reparos, em razão de três dificuldades, sendo elas: 
1. Nem sempre os indivíduos vão aplicar seus excedentes monetários, para fins 
transacionais, conforme sugere Keynes, retendo moeda ou títulos. Eles podem 
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mesclar os ativos, uma vez que pode ser observado que uma decisão não exclui 
a outra; 
2. A especulação na teoria keynesiana está atrelada às oscilações da taxa de juros 
praticadas no mercado. Para Keynes, se a taxa de juros se mantiver constante, 
desaparece o motivo pelo qual os indivíduos demandam moeda pelo motivo 
especulação;
3. As incertezas em relação à análise da demanda de ativos monetários podem 
ser amenizadas pela forma como atuam os agentes econômicos, que acreditam 
conhecer o futuro.
Em 1958, James Tobin publicou o artigo intitulado Liquidity Preference as Behavior 
Towards Risk (Preferência pela Liquidez como Comportamento em Relação ao Risco), 
e apresentou notória contribuição à teoria keynesiana. 
Lopes e Rossetti (1998) descreve os seus principais aspectos:
1. O retorno total dos títulos é resultante da agregação dos valores da taxa de 
juros com os ganhos de capital, sendo que estes últimos se apresentam como 
uma distribuição de probabilidades, na qual a média é assumida como o ganho 
mais provável. Tobin identificou o valor do desvio padrão como o risco inerente 
à aquisição de títulos, merecendo uma melhor análise em relação à média;
2. Os agentes econômicos aceitam riscos maiores se os retornos forem maiores. 
Se todos os ativos financeiros forem convertidos para ativos monetários não 
haverá riscos. Por outro lado, o risco será máximo se todos os ativos monetários 
estiverem convertidos para ativos financeiros;
3. Os agentes econômicos buscam por um conjunto de curvas de indiferenças que 
retratem retornos totais e riscos assumidos. Cabe uma ressalva sobre o ponto 
a ser escolhido na curva de indiferença, pois ele vai ser escolhido em razão do 
montante a ser especulado e do perfil do investidor;
4. A maximização da satisfação do agente econômico se dá quando a linha de 
restrição orçamentária tangencia a curva de indiferença.
Observa-se nas proposições de Tobin um embasamento à Teoria Microeconômica, 
no comportamento do consumidor sobre a maximização da satisfação das escolhas 
em relação à renda. 
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4.4 A Teoria de Milton Friedman
A Teoria de Milton Friedman foi desenvolvida na segunda metade da década de 
1950. Ele propôs considerações mais abrangentes sobre a demanda por ativos, para 
formular a sua função de demanda, resultante de duas demandas distintas, sendo elas 
a das unidades familiares e a das empresas, conforme descrevem Lopes e Rossetti 
(1998).
A demanda de moeda pelas unidades familiares é decorrente das seguintes variáveis:
• A riqueza total decorrente da soma das riquezas humana e não humana. Essa 
riqueza não humana é composta pela moeda, títulos de renda variável, títulos 
de renda fixa e bens fixos (imóveis e outros ativos materiais); 
• O fato de a riqueza humana apresentar um menor grau de liquidez que as 
demais formas de riqueza não humana. Segundo o autor, quanto maior for a 
proporção da primeira em relação ao total da segunda, maior será a necessidade 
de retenção de moeda. Outro aspecto é o fato de que a capacidade futura de 
trabalho (geração de salários) é vista como garantia inferior às outras formas 
de riqueza acumulada;
• O custo de oportunidade de retenção dos ativos monetários (determinado pelos 
retornos de títulos de renda fixa e variável e da taxa de inflação); 
• Outros fatores econômicos e não econômicos como a estrutura de distribuição 
da renda, os regimes de mercado da oferta de bens e serviços e de fatores 
de produção, os graus de incerteza em relação ao futuro, a possibilidade de 
ocorrências de distúrbios geopolíticos (guerras, crises econômicas, etc.), sociais 
ou de outras naturezas.
A demanda de moeda pelas empresas apresenta algumas diferenças e semelhanças 
em relação à demanda de moeda pelas famílias.
Como diferenças têm-se que as empresas veem a moeda como um elemento que 
interage com os fatores de produção (bens de produção). Também considera haver 
uma diferenciação para a riqueza em razão de ser determinada nas empresas por 
outras variáveis.
Já com relação às semelhanças da demanda de moeda para as empresas e unidades 
familiares, há o fato de ela ser considerada um reservatório temporal de poder de 
compra. Tanto as empresas como as unidades familiares reagem às variações nas 
taxas de juros. A elevação dos preços faz com que elas elevem o consumo dos produtos 
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para evitarem o efeito de corrosão do poder de compra da moeda, devido à inflação. 
Por fim, os fatores institucionais e econômicos também afetam as empresas.
Logo, Friedman determinou a demanda agregada de moeda, para um sistema 
econômico, como sendo resultado da agregação das demandas das unidades familiares 
e das empresas. 
Sendo:
L = demanda por moeda agregada;
Lf = demanda de moeda das unidades familiares; 
Le = demanda de moeda das empresas.
Quando se observa a evolução dos tipos de moedas, percebemos que há uma 
tendência das instituições financeiras a garantirem a demanda pela moeda escritural, 
devido à evolução que vem passando as instituições bancárias.
Sabendo que os agentes econômicos demandam a moeda pelos três tipos – 
transação, precaução e especulação, verifica-se que não é mais necessário manter 
um estoque de moeda fiduciária em seu poder, uma vez que a moeda escritural faz 
a mesma coisa, mas com uma segurança maior.
A integração entre os organismos que compõem o sistema financeiro nacional 
permite uma melhor interação entre as formas de se demandar moeda, seja em período 
com altas taxas de inflação ou com a inflação controlada.
Já é possível trabalhar com instituições financeiras que operam com o conceito de 
shopping financeiro, que é uma empresa que oferece aos seus clientes os serviços 
das instituições bancárias, corretoras de valores com ativos financeiros de renda fixa 
e de renda variável.
ANOTE ISSO
Se um indivíduo quer compor uma carteira de ativos financeiros, primeiramente ele 
deve gastar menos do que ganha, ou seja, ele deve demandar moeda pelos três 
motivos estudados.
É importante destacar que tanto a demanda por motivo precaução como especulação 
tendem a se transformar na demanda por motivo transação.
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ISTO ESTÁ NA REDE
Saques da poupança somam R$ 12,7 bi em julho, maior retirada para o mês 
desde 1995
Retirada no mês passado é mais de cinco vezes maior do que recorde negativo 
anteriorpara período, de 2015 (-R$ 2,453 bilhões)
Diante da escalada de preços na economia e do aumento da taxa Selic, os saques 
da caderneta de poupança somaram R$ 12,7 bilhões em julho, informou nesta 
quinta-feira (4) o Banco Central. Essa foi a maior saída de recursos para o mês da 
série histórica do BC, iniciada em 1995.
A retirada no mês passado é mais de cinco vezes maior do que o recorde negativo 
anterior para o período, de 2015 (-R$ 2,45 bilhões).
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: https://www.
cnnbrasil.com.br/business/saques-da-poupanca-somam-r-1266-bi-em-julho-maior-
retirada-para-o-mes-desde-1995/
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CAPÍTULO 5
OFERTA DE MOEDA
O estudo da oferta monetária está alicerçado em dois pilares. O primeiro se deve ao 
fato de alguns autores a considerarem um elemento institucional, ou seja, subordinado 
ao controle de uma autoridade monetária, sendo tratada então como uma variável 
exógena. No outro pilar está a oferta monetária gerada pelas próprias necessidades 
do sistema econômico, sendo tratada como variável endógena. 
ANOTE ISSO
Sandroni (1999) define o que é uma variável exógena e endógena como sendo:
Variável Endógena. Variável determinada por forças que operam dentro 
do sistema em estudo e no qual está inserida. No mercado de café, por 
exemplo, o controle estatal de estoque, determinando oferta compatível 
com a procura, é um elemento incorporado ao modelo e que pode 
determinar os preços do produto no mercado internacional.
Variável Exógena. Variável determinada por forças externas ao modelo 
em consideração. O mercado de café, por exemplo, sofre influência das 
condições climáticas. É uma variável independente do modelo, mas 
que, ao provocar uma eventual redução da oferta do produto, aumenta 
sua cotação internacional (SANDRONI, 1999, p. 630-631).
Neste capítulo, o foco ficará na primeira pilastra, ou seja, a oferta de moeda será 
retratada, de acordo com o referencial teórico, como sendo uma variável exógena, 
uma vez que ela dá embasamento para os estudos de modelos macroeconômicos, 
aplicados às políticas monetárias.
Vimos que o advento da moeda proporcionou a dinâmica do sistema econômico. 
Os agentes econômicos passaram a interagir, culminando nas atividades de produção, 
de dispêndio ou consumo e na acumulação. 
Conforme descreve Lopes e Rossetti (1998), as contas ativas de cada agente 
econômico podem ser resumidas em moeda, títulos e bem físicos, ou seja, elementos 
dotados de valor, os quais Keynes em sua obra “Teoria Geral” (1936), tece relevantes 
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observações sobre a capacidade que tais ativos financeiros têm de serem convertidos 
em moeda (grau de liquidez), custos de manutenção e ganhos futuros.
A moeda apresenta as características de rendimento zero (quando não submetida 
a uma aplicação monetária), custo de estocagem e manutenção negligenciável (desde 
que devidamente armazenada) e máxima liquidez (a moeda é um ativo líquido por 
natureza).
Os títulos e os bens físicos, por sua vez, apresentam como características: a 
possibilidade de gerar ganhos (oriundos da sua valorização de mercado), custos de 
manutenção e de estocagem significativos (sendo os dos bens, geralmente, mais 
elevados dos que os dos títulos); e graus diferentes de liquidez (inferiores aos da 
moeda e tendo os bens físicos com o menor grau de liquidez)
Mas por que observarmos estes ativos financeiros em relação à oferta monetária?
Conforme descrevem Passos e Nogami (2016), a moeda é um bem institucional, ou 
seja, uma variável exógena, controlada pelas Autoridades Monetárias. No Brasil, quem 
executa esse controle é o Banco Central do Brasil (Bacen) e o Conselho Monetário 
Nacional (CMN). 
Desta forma, pode-se conceituar a oferta de moeda como sendo a quantidade de 
moeda que o governo resolve emitir, através das autoridades monetárias, em um 
determinado período.
Silva e Luiz (2017), salientam que ela não depende da taxa de juros, mas existem 
critérios que a regulamenta, sendo condicionada pelo crescimento do produto da 
economia. 
5.1 Meios de Pagamento
Para Vasconcellos (2015, p. 302), a oferta da moeda é sinônimo de meios de pagamento, 
que é definido como o estoque de moeda disponível para uso da coletividade (setor privado 
não bancário) a qualquer momento.
Pode-se constatar que o saldo dos meios de pagamento (M) é determinado pela 
soma do montante de moeda em poder do público (PP) com o saldo dos depósitos à 
vista (DV) nas instituições bancárias.
Conforme descrevem Passos e Nogami (2016):
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O papel-moeda em poder do público é constituído das moedas 
metálicas e das cédulas em mãos da coletividade (famílias e 
empresas). É chamado de dinheiro ou moeda manual. Já os depósitos 
à vista são o ativo mais líquido depois do dinheiro, pois é possível 
fazer retiradas dos depósitos à vista sem demora, bastando para 
tanto a assinatura de um cheque. Da mesma forma, basta emitir 
cheques para se fazer pagamentos a terceiros (PASSOS E NOGAMI, 
2016, p. 459).
Segundo o grau de liquidez, a constituição dos meios de pagamentos passa a incluir 
outros ativos financeiros, sendo classificados em M1, M2, M3 e M4. 
A Nota Técnica do Banco Central do Brasil Nº 48 (2018) descreve que, em 2016, foi 
publicada a nova edição do Monetary and Financial Statistics Manual and Compilation 
Guide (MFSM 2016), que foi elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), tendo 
a participação dos países membros, incluindo o Brasil. Nesta edição, ficou estabelecido 
o padrão internacional para a apuração dos agregados monetários.
O guia MFSM 2016 considera como meios de pagamento:
a) moeda em poder do público;
b) depósitos transferíveis (tais como os depósitos à vista);
c) outros depósitos (depósitos a prazo, de poupança);
d) títulos emitidos pelas sociedades de depósitos (exceto ações);
e) cotas de fundos do mercado monetário; 
f) títulos públicos de alta liquidez (se o Governo Federal fizer parte do sistema 
emissor).
No Brasil, os meios de pagamento, definidos de acordo com o Bacen, são:
• M1 = papel-moeda em poder do público + depósitos à vista, incluindo Cooperativas 
de Crédito;
• M2 = M1 + depósitos de poupança + títulos privados emitidos pelas instituições 
financeiras depositárias, incluindo cooperativas;
• M3 = M2 + cotas de fundos de investimento depositários + operações 
compromissadas com títulos públicos e privados;
• M4 = M3 + títulos públicos emitidos pelo Governo Federal, adquiridos em 
operações definitivas.
Os ativos que compõem o M2, M3 e M4 rendem juros, e por isso são denominados 
haveres não monetários, ou quase-moeda. Já M1 pe chamado de haveres monetários.
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Ainda de acordo com a NT Bacen 48, com a aplicação do MFSM 2016 à realidade 
institucional da economia brasileira, a divisão dos agentes econômicos passou a ser:
a) Emissores de moeda:
• Autoridade monetária (Banco Central);
• Sociedades de depósitos (monetárias e não monetárias); 
• Governo Federal.
b) Detentores de moeda:
• Outras sociedades financeiras;
• Governos estaduais e municipais;
• Empresas não financeiras; 
• Famílias e instituições sem fins lucrativos a serviço das famílias.
c) Setores neutros:
• Não residentes.
As entidades emissoras, por tipo de meio de pagamento, descrita na NT Bacen 48 
no Brasil, são:
a) Agregado M1:
• Banco Central;
• Bancos comerciais;
• Bancos múltiplos;
• Caixa Econômica Federal; e
• Cooperativas de crédito.
b) Agregado M2: 
• Entidades emissoras de M1;
• Bancos de investimento;
• Bancos de desenvolvimento;
• Sociedades de crédito, financiamento e investimento;
• Companhias hipotecárias;
• Sociedades de crédito imobiliário; e
• Associações de poupança e empréstimos.
c) Agregado M3:
• As entidades emissorasde M1 e M2;
• Os fundos de investimento com características de fundos do mercado monetário, 
que buscam taxas de retorno próximas àquelas negociadas nas operações de 
mercado aberto, cujas cotas podem ser resgatadas no curto prazo.
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 d) Agregado M4:
• Além das entidades depositárias do M3;
• Governo Federal, como emissor de títulos públicos de elevada liquidez.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Veja na tabela abaixo o montante dos meios de pagamento da economia brasileira, 
no ano de 2022, de acordo com o Bacen.
Data M1 M2 M3 M4
jan/2022 599.753.042 4.206.294.859 8.711.765.800 9.488.551.951
fev/2022 604.776.930 4.270.965.320 8.734.415.003 9.603.103.276
mar/2022 602.964.529 4.370.943.102 9.031.763.011 9.864.187.068
abr/2022 610.803.461 4.437.056.510 9.092.619.604 9.937.518.162
mai/2022 602.960.596 4.528.401.923 9.186.556.753 10.060.371.988
jun/2022 609.435.478 4.627.983.191 9.257.217.628 10.144.119.722
jul/2022 603.734.003 4.689.343.288 9.236.804.120 10.177.549.496
ago/2022 603.313.056 4.778.941.120 9.502.994.255 10.381.807.860
set/2022 606.755.327 4.860.082.436 9.595.062.884 10.475.858.204
out/2022 585.253.416 4.856.025.733 9.617.760.202 10.531.479.161
nov/2022 597.969.975 4.893.451.799 9.592.633.593 10.559.759.192
dez/2022 637.129.085 5.001.881.369 9.628.336.273 10.622.655.664
Tabela 1 – Meios de pagamento M1, M2, M3 e M4, Brasil, 2022 – (em mil R$)
Fonte: BACEN (adaptado)
Através do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Bacen, é possível acessar 
os meios de pagamentos, sendo que para M1 existe a opção diária.
5.2 Base Monetária
O conceito de Base Monetária, segundo Passos e Nogami (2016), está relacionado 
ao total das exigibilidades monetárias líquidas da Autoridade Monetária, em poder dos 
bancos comerciais e também do público em geral.
De acordo com a Nota Técnica do Banco Central do Brasil 48 (2018), a base monetária 
pode ser restrita ou ampliada.
A base monetária restrita é a soma do papel-moeda emitido (PME) com as reservas 
bancárias. As reservas bancárias incluem os depósitos compulsórios em espécie, 
não remunerados, incidentes sobre os depósitos à vista, mais as reservas livres. As 
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reservas bancárias representam a “conta corrente” das instituições financeiras no Banco 
Central, sendo um instrumento de liquidação necessário para que sejam efetuadas as 
transações monetárias entre a Autoridade Monetária e os demais agentes econômicos 
(sistema financeiro, governo e setor externo).
A base monetária ampliada inclui: base monetária restrita + recolhimentos 
compulsórios em espécie sobre depósitos a prazo e poupança + exigibilidades devido ao 
não direcionamento de recursos do SFN para crédito rural e imobiliário + títulos públicos 
federais em mercado, fora do Banco Central, adquiridos em operações definitivas e 
compromissadas (nota técnica do banco central do brasil nº 48, 2018, p 13).
Sandroni (1999, p. 47) conceitua a base monetária como sendo a denominação 
dada ao conjunto de moeda em circulação no país mais os depósitos à vista junto às 
autoridades monetárias.
A análise dos valores da base monetária tem inúmeras aplicações em um sistema 
econômico, principalmente para a aplicação da política monetária. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Veja na tabela abaixo o montante da base monetária restrita e ampliada, da 
economia brasileira, no ano de 2022, de acordo com o Bacen.
Data Base monetária restrita Base monetária ampliada 
jan/2022 417.976.196 6.346.936.000
fev/2022 402.172.008 6.391.525.000
mar/2022 385.897.343 6.421.850.000
abr/2022 396.510.494 6.477.612.000
mai/2022 398.190.743 6.514.741.000
jun/2022 407.168.900 6.548.400.000
jul/2022 389.598.010 6.606.486.000
ago/2022 395.354.595 6.621.286.000
set/2022 393.440.715 6.638.736.000
out/2022 398.583.288 6.682.566.000
nov/2022 391.532.638 6.668.411.000
dez/2022 419.659.918 6.599.897.000
Tabela 2 – Base monetária restrita e ampliada, 2022 – (em mil R$)
Fonte: BACEN (adaptado)
Através do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Bacen é possível acessar a 
base monetária restrita e ampliada da economia brasileira.
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5.3 A Criação de Moeda
Como foi descrito no capítulo 2 sobre a moeda-papel, verifica-se um processo 
semelhante para a moeda escritural, feito pelos bancos. Isso significa que os bancos 
conseguem emprestar dinheiro ao público em geral, a partir do momento em que 
analisam o encaixe médio para poderem saber o quanto de moeda deve ser mantido 
em saldo, culminando no chamado multiplicador dos depósitos à vista. 
Passos e Nogami (2016) afirmam que a moeda escritural tem uma elevada influência 
na determinação do meio circulante. Isso se deve ao chamado multiplicador dos 
depósitos à vista.
Cada vez mais o público em geral busca utilizar a moeda escritural, em substituição 
à moeda fiduciária, por vários motivos como:
• Segurança contra perdas e roubos;
• Remuneração dos saldos bancários;
• Facilidade para a abertura de uma conta corrente, principalmente pelos bancos 
digitais; 
• Praticidade na utilização dos cartões, tanto débito como crédito; 
• Outros serviços bancários.
Ao efetuarmos um depósito à vista, o banco passa a ter um montante monetário 
para conceder uma parte em empréstimo, pois administram os recursos monetários 
com base nas análises estatísticas do encaixe médio dos correntistas, mantendo em 
saldo o valor referente ao encaixe técnico.
Partindo do pressuposto de que o tomador do empréstimo manterá o montante 
que tomou emprestado em uma conta corrente, no banco que disponibilizou o recurso 
do empréstimo, tem-se um novo montante para ser emprestado. Esse valor é menor 
em função do encaixe técnico.
ANOTE ISSO
Como se dá a criação de moeda pelos bancos comerciais.
Passos e Nogami (2016) exemplificam uma situação de criação de moeda por um 
banco comercial:
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Suponhamos que o Banco Central decida expandir a quantidade de 
dinheiro em circulação na economia, ou seja, a oferta de moeda. Assim, 
o Banco Central compra no mercado títulos do Tesouro no montante de 
$ 1.000.000. O vendedor dos títulos recebe o dinheiro ou o cheque dessa 
transação e o deposita em sua conta em um Banco A. Suponhamos que 
os depósitos compulsórios dos bancos e os encaixes sejam de 40% dos 
depósitos. Assim, o Banco A pode emprestar $ 600.000 e reter $ 400.000 
como reserva. Quem recebe os $ 600.000 como empréstimo vai depositá-
lo no Banco B que, por sua vez, terá condições de emprestar $ 360.000, 
que o tomador vai depositar em outro banco e assim sucessivamente 
(PASSOS E NOGAMI, 2016, p. 461).
Nesse processo, o total de moeda criado (M) pode ser determinado pela relação 
entre o valor do depósito inicial (Di) pelo valor do encaixe técnico (Et).
Quanto menor for o valor do encaixe técnico, maior será o montante de moeda 
criada e vice-versa. 
Quanto menor for o valor do encaixe técnico, maior será o montante de moeda 
criada e vice-versa. O valor do encaixe técnico fica em poder do banco, diferentemente 
dos depósitos compulsórios ou recolhimentos compulsórios. 
ISTO ESTÁ NA REDE
Recolhimentos compulsórios
Quando uma pessoa vai a um banco e realiza um depósito, parte do valor é recolhido 
pela instituição financeira no Banco Central na forma de um depósito compulsório.
O recolhimento compulsório é mais um dos mecanismos que o Banco Central 
(BC) tem à disposição na sua caixa de ferramentas na manutenção da estabilidade 
financeira e de combate à inflação. Trata-se de parcela do dinheiro dos correntistas 
que os bancos são obrigados a manter depositada no BC.
Embora tenham sido criados, originalmente, para influenciar a quantidade de 
moeda na economia, os recolhimentos compulsórios assumem também o papel de 
“colchões de liquidez”, isto é, reservasde emergência que podem ser utilizadas pelas 
instituições financeiras, a critério do BC, em situações de crise como a que ocorreu 
em 2008. Além disso, na medida em que parte dos recursos captados pelos 
bancos fica recolhido no Banco Central, estes emprestam menos do que poderiam, 
reduzindo, assim, a sua exposição ao risco de crédito (risco de “calote”) [...].
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na fonte.
Fonte: BACEN. Recolhimentos compulsórios. Disponível em . Acesso em 
25 Jan 2023.
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5.3.1 A Criação e Destruição de Moeda
Vasconcellos (2015) descreve o fato gerador da criação ou destruição de moeda, a 
partir do momento em se altera o saldo dos meios de pagamento, no conceito M1. Em 
outras palavras, vem a ser o aumento ou a diminuição da oferta de moeda disponível.
O autor elenca alguns exemplos de criação e de distribuição de moedas.
• Exemplos de criação de moedas:
• Os exportadores trocam moeda de outro país por Reais, através dos 
mecanismos legais regulatórios do Banco Central; 
• Os bancos comerciais realizam empréstimos ao setor privado; e
• O governo resgata um título público.
• Exemplos de destruição de moedas:
• Venda de moeda estrangeira em troca de Reais; 
• Resgate de um empréstimo bancário pelo setor privado; 
• O governo vende um título público; e
• Um investidor efetua um depósito a longo prazo.
• Exemplos de manutenção de moedas:
• Depósito à vista, pois apenas transfere a moeda em poder do público para 
depósitos a vista; e 
• Saque por meio de cheque: não representa criação e nem destruição de 
moeda, representando apenas uma transferência de moeda escritural para 
moeda manual, sem alterar o saldo total dos meios de pagamento
Um ponto extremamente relevante em relação à oferta de moeda. Os bancos 
de investimentos, sociedades de crédito e financiamento, que são denominados de 
intermediários financeiros não bancários, não criam moeda, pois não são autorizados 
a manter depósitos.
Já os bancos comerciais estão autorizados através de um documento denominado de 
carta patente. Esse documento, emitido pelo governo central, permite manter depósitos 
do público, além de poder emprestar uma quantia superior a suas reservas monetárias. 
5.4 Controle da Oferta Monetário
O montante de moeda ofertada em um sistema econômico pode permitir o maior 
dinamismo, através dos incrementos produtivos, do dispêndio e da renda. Ela influencia 
a taxa de juros e o nível dos preços. Porém, o seu desequilíbrio pode ser desastroso, 
promovendo o aumento dos níveis de preços e colocando em risco a sanidade do 
mercado financeiro.
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Dias (2015) retrata que o controle da quantidade de moeda é um dos mecanismos 
adotados pelo governo na condução da política econômica monetária. A tabela abaixo 
contempla os principais métodos de controle da moeda.
Método
Efeito
Sobre a base 
monetária
Sobre o multiplicador 
bancário
Sobre a oferta 
de moedas
1. Taxa de depósito compulsório
aumentar
diminuir
nenhum
nenhum
diminui
aumenta
diminui
aumenta
2. Operação de mercado aberto 
comprar títulos do governo 
vender títulos do governo 
aumenta
diminui
nenhum
nenhum
aumenta
diminui
3. Taxa de redesconto 
aumentar 
diminuir
diminui
aumenta
nenhum*
nenhum*
diminui
aumenta
Tabela 3 – Principais métodos de controle da moeda 
Fonte: Wessels (2010, p. 70).
*Nota original: Uma taxa de redesconto mais alta faz com que os bancos não queiram manter reservas excedentes e assim reduz o multiplicador bancário. 
Uma taxa de redesconto mais baixa aumenta o multiplicador bancário. Entretanto, esse efeito é tão pequeno que dizer que não há efeito nenhum sobre o 
multiplicador é a melhor resposta.
Wessels (2010) afirma que o Banco Central tem o controle direto sobre a base 
monetária, podendo influir no chamado verdadeiro multiplicador bancário. Ele descreve 
que o verdadeiro multiplicador bancário leva em consideração dois fatores importantes:
• os bancos comerciais e públicos não emprestam todas as suas reservas 
excedentes;
• o público dificilmente irá depositar todo o seu dinheiro nos bancos. 
Assim:
Pelo que se observa na tabela 3, há três métodos para controlar a oferta monetária
• Método 1: alterar a taxa de depósito compulsório;
• Método 2: alterar as reservas comprando ou vendendo títulos do governo, através 
das operações de mercado aberto; 
• Método 3: acrescentar novas reservas na forma de empréstimos aos bancos, 
através de empréstimos junto ao Banco Central
Estes métodos e outros serão melhor explanados quando for tratado a Política 
Monetária. No próximo capítulo será tratado sobre o Sistema Monetário.
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CAPÍTULO 6
SISTEMA MONETÁRIO
Vimos nos capítulos anteriores o porquê dos agentes econômicos demandarem 
moeda e como se dá a oferta monetária, tanto pelos os órgãos oficiais reguladores 
como também pelos bancos comerciais, além dos procedimentos de acompanhamento, 
“criação” e “destruição de moedas”.
Se de um lado existe a oferta monetária e do outro lado existe a demanda por 
moeda, tem-se a necessidade de um sistema de intermediação financeiro. Dada a 
complexidade das relações e inter-relações monetárias, os países possuem o seu 
sistema monetário e financeiro, bem como um sistema financeiro internacional.
6.1 Sistema de Intermediação Financeira
De forma geral, as pessoas ou empresas, por algum motivo e em algum momento, 
podem ou vão buscar por recursos monetários, ou seja, vão se valer da opção de obter 
crédito ou empréstimo monetário.
ANOTE ISSO
As empresas e as pessoas sempre devem analisar a real opção de usar dinheiro 
emprestado ou um crédito, seja via cartão de crédito ou crediário, se a diferença 
entre o juro a ser pago for menor do que o juro que pode receber em uma aplicação 
financeira ou do lucro que obterá aplicando o recurso em uma atividade produtiva.
Isto é a premissa básica para análise de viabilidade econômica de um projeto de 
investimento.
Em uma operação de empréstimo temos dois agentes, o tomador e o poupador ou 
credor. O tomador tem total conhecimento da situação em que se encontra e como 
procederá a quitação do empréstimo. O credor, por sua vez, não conhece a fundo a 
real situação financeira do tomador, por isso é importante a solicitação de garantias. 
Quanto maior for a incerteza de recebimento, maior deverão ser as garantias solicitadas.
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Se para uma relação de financiamento ou empréstimos tem-se tantas atividades, 
como elaboração do contrato, formas de garantia, análise do perfil do tomador, entre 
outras, imagine como ficam as relações em um sistema econômico, com inúmeros 
agentes tomadores e poupadores.
Logo, os países, visando o crescimento e desenvolvimento econômico, necessitam 
de uma estrutura de instrumentos financeiros interagindo com o setor real. Conforme 
descreve Rossetti (2016, p. 663), a intermediação financeira cumpre a importante tarefa 
de canalizar e transformar os recursos de poupança em investimento. 
Fica evidente que quanto maior for o grau de desenvolvimento, maior deverá ser 
o estágio da intermediação financeira, implicando em maiores volumes de capital e 
produto.
O setor financeiro diferencia-se do setor real sobre vários aspectos, pois enquanto 
no setor real se dão as operações de geração de bens e de serviços não financeiros, 
no sistema financeiro realizam-se operações de custódia, de intermediação, de 
compensação e de liquidação de ativos considerados “não reais”, como a moeda e 
os ativos financeiros.
É possível elencar três termos de suma importância no estudo do sistema financeiro, 
descritos por Rossetti (2016):
• Financeiro: termo utilizadopara designar determinados tipos de ativos, nos quais 
a moeda corrente e outros títulos de crédito são considerados os elementos-
chave, ou seja, são os próprios objetos das transações;
• Setor financeiro: sistema onde se realiza uma ampla diversidade de operações 
com os ativos financeiros;
• Ativos financeiros: moeda corrente e outros títulos de crédito que se destinam a 
promover a liquidação de transações, as reservas de alta liquidez e a aplicações 
especulativas.
Para Troster (in Gremaud et al, 2017), o setor financeiro realiza atividades de 
intermediação de recursos entre unidades deficitárias e superavitárias. As operações 
são realizadas com uma série de ativos financeiros, os quais apresentam riscos, liquidez, 
rentabilidades e credores que os diferenciam. 
Ainda segundo o autor, os intermediários financeiros são divididos em: 
• Intermediários bancários: os mais importantes no Brasil são os bancos comerciais 
e múltiplos. 
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As funções essenciais de um banco são: 
• Intermediação financeira;
• Transmutação de ativos; 
• Câmara de compensação.
• Intermediários não bancários: não captam os recursos financeiros por meio de 
depósitos à vista, mas por mecanismos que caracterizam a chamada quase 
moeda como os depósitos a prazo, certificados e recibos de depósitos bancários 
etc. Inclui também outros intermediários que desenvolvem outras funções 
auxiliares. 
Os principais intermediários financeiros não bancários brasileiros são:
• Bancos de investimento;
• Sociedades de crédito - financeiras; 
• Sociedades de crédito imobiliários; 
• Sociedades de arrendamento mercantil — firmas de leasing; 
• Sociedades corretoras e distribuidoras.
Existem outras instituições que atuam no sistema financeiro executando diversas 
ações como normatizar, regulamentar e fiscalizar a ação dos demais agentes.
6.2 Sistema Financeiro e Monetário Nacional
O sistema monetário, de acordo com Passos e Nogami (2016), é formado pelo 
conjunto de moedas de um país, tanto as metálicas, os papéis-moedas e a moeda 
escritural. Cada nação possui uma moeda fundamental ou moeda padrão como unidade 
padrão, com múltiplos e submúltiplos. 
Atualmente no Brasil, a moeda padrão é o Real (R$), mas ao longo de sua história, 
outras oito moedas fizeram parte. Devido às perdas inflacionárias e aos planos 
econômicos, foram sendo trocados ou retirados os submúltiplos.
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Padrão 
monetário
(símbolo)
Equivalência com o padrão 
monetário anterior 
(exceto no Réis)
Moeda divisionária
(base centesimal)
Período
de vigência
Réis
(Rs) e ($) 
Réis – Nome derivado do Real, 
moeda portuguesa dos séculos XV 
e XVI, época do descobrimento do 
Brasil.
Mil réis designavam a 
unidade monetária e réis, 
os valores divisionários 
(sistema de base 
milesimal).
Do início da 
Colonização,
começo do 
século XVI, até 
30.10.1942.
Cruzeiro 
(Cr$)
Rs1$000 = Cr$1,00
(mil réis = um cruzeiro)
Centavo
(100 centavos = Cr$1,00)
1º.11.1942 a
1º.12.1964
Cr$1,00 = Cr$1
(um cruzeiro = um cruzeiro) Extinta 2.12.1964 a
12.2.1967
Cruzeiro Novo 
(NCr$)
Cr$1.000 = NCr$1,00
(mil cruzeiros = um cruzeiro novo)
Centavo
(100 centavos = 
NCr$1,00)
13.2.1967 a
14.5.1970
Cruzeiro 
(Cr$)
NCr$1,00 = Cr$1,00
(um cruzeiro novo = um cruzeiro)
Centavo
(100 centavos = Cr$1,00)
15.5.1970 a
15.8.1984
Cr$1,00 = Cr$1
(um cruzeiro = um cruzeiro) Extinta 16.8.1984 a
27.2.1986
Cruzado 
(Cz$)
Cr$1.000 = Cz$1,00
(mil cruzeiros = um cruzado)
Centavo
(100 centavos = Cz$1,00)
28.2.1986 a
15.1.1989
Cruzado Novo 
(NCz$)
Cz$1.000,00 = NCz$1,00
(mil cruzados = um cruzado novo)
Centavo
(100 centavos = 
NCz$1,00)
16.1.1989 a
15.3.1990
Cruzeiro 
(Cr$)
NCz$1,00 = Cr$1,00
(um cruzado novo = um cruzeiro)
Centavo
(100 centavos = Cr$1,00)
16.3.1990 a
31.7.1993
Cruzeiro Real 
(CR$)
Cr$1.000,00 = CR$1,00
(mil cruzeiros = um cruzeiro real)
Centavo
(100 centavos = 
CR$1,00)
1º.8.1993 a
30.6.1994
Real 
(R$)
CR$2.750,00 = R$1,00
(dois mil setecentos e cinquenta 
cruzeiros reais = um real)
Centavo
(100 centavos = R$1,00)
Em vigor a partir 
de 1º.7.1994
Tabela 1 – Síntese dos Padrões Monetários Brasileiros 
Fonte: BACEN
ANOTE ISSO
Através do link do Banco Central, https://www3.bcb.gov.br/mec-circulante/, é 
possível acessar o SISMECIR – Sistema de Administração do Meio Circulante, e ver 
o total diário de moeda em circulação, com todos os tipos de cédulas e moedas 
metálicas, inclusive as comemorativas.
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Entre a determinação da emissão de novas cédulas, seja para substituir as danificadas 
ou para regular a base monetária, até estarem disponíveis ao público há um processo 
produtivo a ser seguido pelo Bacen.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O Banco Central tem, entre as suas responsabilidades, o gerenciamento do meio 
circulante, que nada mais é do que garantir para a população o fornecimento adequado 
de dinheiro em espécie. É o dinheiro vivo que facilita as transações do dia a dia.
O BC autoriza a emissão de dinheiro em quantidade suficiente para atender às 
necessidades dos consumidores e das empresas, mantendo a quantidade de 
cédulas e moedas aderente ao ritmo da economia.
A quantidade de cédulas e moedas a ser produzida é definida buscando otimizar o 
orçamento estabelecido e atender à distribuição entre as diversas denominações, 
provendo reserva de valor e troco de maneira proporcional.
O sistema financeiro nacional pode ser compreendido, de acordo com Abreu e Silva 
(2016, p. 1), como sendo um conjunto de órgãos que regulamenta, fiscaliza e executa as 
operações necessárias à circulação da moeda e do crédito na economia. 
De acordo com o Banco Central, o sistema financeiro nacional é formado por um 
conjunto de entidades e instituições que promovem a intermediação financeira e são 
apresentadas na figura 1:
Figura 1: Sistema Financeiro Nacional Brasileiro
Fonte: BACEN
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Conforme descrito pelo Banco Central, o SFN é organizado por agentes normativos, 
supervisores e operadores, que atuam nos setores de moeda, crédito, capitais e câmbio, 
setores de seguros privados e o setor de previdência fechada.
As atividades realizadas por cada agente ou setor serão descritas, em conformidade 
com as informações disponibilizadas pelo Banco Central, na sequência.
O setor de Moeda, crédito, capitais e câmbio é considerado como o principal ramo, 
lidando com quatro tipos de mercado diretamente:
• Mercado monetário: responsável por fornecer à economia papel-moeda e moeda 
escritural;
• Mercado de crédito: responsável por fornecer os recursos para o consumo do 
público em geral;
• Mercado de capitais: mercado onde as empresas captam recursos através da 
venda de ações, compartilhando ganhos e riscos;
• Mercado de câmbio: mercado de compra e venda de moeda estrangeira, 
geralmente as conversíveis.
O setor de seguros privados corresponde ao ramo do SFN voltado para o público 
que deseja:
• seguros privados: serviços de proteção contra riscos que são transacionados 
no mercado que oferece; 
• previdência complementar aberta: corresponde à capitalização para 
aposentadoria, poupança ou pensão, funcionando apartado do regime geral de 
previdência; 
• contratos de capitalização: são os acordos em que o contratante deposita 
valores podendo recebê-los de volta com juros e concorrer a prêmios.
O setor de previdência fechada trata de planos de aposentadoria voltados para 
funcionários de empresas e organizações. 
De acordo com as funções que exercem no sistema financeiro nacional, as entidades 
ou instituições exercem três tipos de atividades, detalhadas na sequência.
6.2.1 Órgãos Normativos
Compostos pelos órgãos responsáveis pela normatização do sistema financeiro 
nacional. Sua composição se dá, segundo o Bacen, como:
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• Conselho Monetário Nacional (CMN): órgão responsável por expedir as diretrizes 
para o bom funcionamento do SFN, tendo por funções: 
• Formular a política da moeda e do crédito; 
• Promover a estabilidade da moeda; 
• Contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.
• Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP): órgão que fixa as diretrizes e 
normas da política de seguros privados. Dentre as principais funções do CNSP 
estão: 
• Regular a constituição, organização, funcionamento, fiscalização e atribuição 
de penas previstas aos que exercem atividades ligadas à Secretaria Nacional 
de Seguros Privados; 
• Estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro;
• Estabelecer e normatizar os critérios de constituição das Sociedades 
Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência Privada Aberta e 
Resseguradores.
• Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC): corresponde a 
um órgão colegiado integrante da estrutura do atual Ministério do Trabalho e 
Previdência. Tem a função basal de regular o regime de previdência complementar, 
administrado pelas entidades fechadas de previdência complementar.
6.2.2 Entidades Supervisoras
Os órgãos que compõem as entidades supervisoras são responsáveis pela execução 
e controle do que foi determinado pelos órgãos normativos. Sua composição se dá, 
segundo o Bacen, como:
• Banco Central do Brasil (Bacen): autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, 
criado em 1965. É o órgão executor das determinações do Conselho Monetário 
Nacional, tendo por principais objetivos:
• Zelar pela liquidez e estabilidade do sistema econômico;
• Manter adequadas as reservas internacionais, garantindo o poder de compra 
da moeda nacional;
• Estimular a formação de poupança;
• Autorizar, normatizar e fiscalizar as instituições financeiras subordinadas; e
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• Atuar na execução da política monetária, naquilo que lhe for de competência.
• Comissão de Valores Mobiliários (CVM): autarquia vinculada ao Ministério da 
Fazenda, criada em 1976. É responsável por regulamentar, desenvolver, controlar e 
fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país, atuando de forma a assegurar o 
perfeito funcionamento do mercado de capitais, coibindo modalidades de fraudes, 
protegendo os investidores, assegurando o acesso público às informações das 
companhias para promover o crescimento do mercado capitais no país.
• Superintendência de Seguros Privados (SUSEP): autarquia subordinada ao 
Conselho Nacional de Seguros Privados e vinculada ao Ministério da Fazenda, 
sendo responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguros, 
previdência privada aberta e capitalização, atuando no sentido de fazer cumprir 
as deliberações do CNSP. 
• Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc): autarquia 
de natureza especial, possuindo autonomia administrativa e financeira, bem 
como patrimônio próprio. Está vinculada ao Ministério da Previdência Social. 
Sua atuação se dá na fiscalização e supervisão das atividades das entidades 
fechadas de previdência complementar, além da execução das políticas para o 
regime de previdência complementar. 
6.2.3 Operadores
Os órgãos ou entidades operadores são os executores das diretrizes, normas e 
objetivos determinados nos órgãos normativos ou entidades supervisoras, que atuam 
dentro do sistema financeiro nacional. Com base nas informações disponíveis no site 
do BACEN, são eles:
• Bancos e caixas econômicas: subordinados diretamente ao Banco Central do 
Brasil, podendo ser:
• Banco múltiplo;
• Banco comercial;
• Caixa Econômica Federal e outras caixas econômicas;
• Banco de câmbio;
• Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES;
• Banco de desenvolvimento; e
• Banco de investimento.
O que diferenciam as instituições bancárias são os tipos de atividades que 
exercem, voltadas para determinados públicos.
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• Administradoras de consórcio: entidades operadoras prestadoras de serviços 
relativos à formação, organização e administração de grupos de consórcio. São 
normatizadas, regulamentadas e fiscalizadas pelo Banco Central.
• Cooperativa de crédito: entidades operadoras, formadas pela associação 
de pessoas, que são donas e usuárias, para prestarem serviços financeiros 
exclusivamente aos seus associados. Oferecem aos cooperados os principais 
serviços bancários.
• Corretoras e distribuidoras: entidades operadoras compostas pelas corretoras 
de câmbio que atuam no mercado cambial, e pelas corretoras de títulos e valores 
mobiliários (CTVM) e a distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM). 
Vale a ressalva que dependendo de suas atividades elas podem ser fiscalizadas 
pela CVM.
• Instituições de pagamento (IP): entidades operadoras que viabilizam os serviços 
de compra e venda e de movimentação de recursos. Possibilitam ao cidadão 
realizar pagamentos independentemente de relacionamentos com bancos e 
outras instituições financeiras. De acordo com o Bacen, elas não compõem o 
SFN, mas são reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil, conforme 
diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. 
• Demais instituições não bancárias: são entidades operadoras compostas pelas 
entidades:
• Agência de fomento;
• Associação de poupança e empréstimo;
• Companhias hipotecárias;
• Sociedade de crédito, financiamento e investimento;
• Sociedade de crédito imobiliário;
• Sociedade de arrendamento mercantil; e
• Sociedade de crédito ao microempreendedor.
• Bolsas de Valores: entidades operadoras que têm por objetivo manter o local 
ou sistema adequado para seus membros realizarem as transações de compra 
e venda de títulos e valores mobiliários, fiscalizadas pela Comissão de Valores 
Mobiliários. 
• Bolsas de Mercadorias e Futuros: entidades operadoras que têm por objetivo 
efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das operações 
de compra e venda de ativos financeiros com vencimentos futuros, realizadas em 
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pregão ou em sistema eletrônico. Elas possuem autonomia financeira, patrimonial 
e administrativa e são fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários.
• Seguradoras e Resseguradoras: entidades operadoras. As empresas seguradoras 
são do tipo sociedade anônima, atuando com contratos de seguros junto ao 
público. As empresas resseguradoras se assemelham às empresas seguradoras, 
mas têm por objeto a realização de operações de resseguro e retrocessão.
• Entidades abertas de previdência complementar: entidades operadoras, 
constituídas como sociedades anônimas, tendo por objetivo instituir e operar 
planos de benefícios previdenciários a quaisquer pessoas físicas. 
• Sociedades de capitalização: entidades operadoras, constituídas como 
sociedades anônimas, que negociam títulos de capitalização, que remuneram 
o capital aplicado após o tempo vigente. Observa-se que a capitalização se dá 
de forma mensal. 
• Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão): 
entidades operadoras, que estão subordinadas ao Conselho de Gestão de 
Previdência Complementar (CGPC) e/ou Secretaria de Previdência Complementar 
(SPC). Elas são organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem 
fins lucrativos, sendo acessíveis somente aos empregados de uma empresa ou 
grupo de empresas ou aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios. 
Todas essas entidades ou órgãos se interligam para fazer com que os recursos 
dos poupadores consigam chegar às mãos dos tomadores, ou que os poupadores 
possam ter seus recursos remunerados de forma íntegra e segura.
6.3 Sistema Financeiro Internacional
Segundo Brito (2020, p. 13), o mercado financeiro internacional, de forma estrutural,apresenta componentes que influenciam o desenvolvimento econômico dos países. Para 
o autor, os componentes podem ser agrupados em cinco grandes itens, sendo eles:
• Instituições financeiras públicas e privadas;
• Instituições de fomento ao desenvolvimento comercial;
• Órgãos normatizadores e fiscalizadores;
• Fundo Monetário Internacional (FMI); e
• Agentes dos mercados de capitais.
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Com a globalização, houve mudanças que foram transcorrendo e influenciando a 
estrutura do sistema financeiro internacional. Os sistemas locais passaram a atuar 
como um grande sistema. Na estrutura do sistema financeiro internacional (SFI), 
merecem destaque os órgãos: Banco de Compensações Internacionais ou Banco de 
Pagamentos Internacionais (BIS) e o Fundo Monetário Nacional (FMI).
De forma análoga ao sistema financeiro brasileiro, o sistema financeiro internacional 
apresenta uma estrutura composta pelos órgãos normativos e órgãos voltados à 
estabilidade econômica do sistema financeiro internacional, sendo eles:
• Autoridades monetárias: interagem na organização do fluxo de recursos, através 
da criação e gestão das normas de políticas monetária, cambial, fiscal e do 
fluxo de capitais.
• Autoridades normativas: destaca-se a figura do Banco Central como entidade 
normativa do mercado financeiro internacional, atuando como auxiliar ou executor 
das políticas monetária, cambial e fiscal. No mercado de capitais as Comissões 
de Valores Mobiliários são responsáveis pela normatização e fiscalização, bem 
como por proteger os investidores minoritários. Ressalta-se a existência de 
outras entidades normatizadoras que atuam em outros setores como seguros, 
previdência e de fomento ao desenvolvimento econômico local.
• Autoridades fiscalizadoras: assemelham-se também às brasileiras. O Banco 
Central atua como entidade fiscalizadora, porém ele possui um caráter de 
entidade independente. Em alguns países, o Banco Central possui orçamento 
próprio. A principal função das autoridades fiscalizadoras é avaliar a aplicação 
de forma correta das normas e regras em vigor. 
• Instituições financeiras públicas: desempenham as funções de execução 
orçamentária pública estadual e federal, além dos financiamentos orientados 
ao desenvolvimento econômico e social. Em muitos países atuam na execução 
das políticas macroeconômicas, bem como promovem o incentivo financeiro 
para o setor exportador.
• Instituições financeiras privadas: desempenham as atividades de intermediação 
financeira e prestação de serviços aos consumidores de serviços financeiros 
em seu país. Merece desta a participação do BIS por 
• atuar como agente normatizador de procedimentos e práticas para tais atividades.
• Instituições financeiras auxiliares: instituições que complementam as atividades 
das instituições financeiras, como as bolsas de valores e de mercadorias e 
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futuros, as sociedades de leasing, as corretoras e distribuidoras de títulos e 
valores mobiliários e as casas de liquidação e custódia. Cada país normatiza a 
forma como elas atuam nos mercados.
Figura 2: Sistema financeiro internacional
Fonte: BRITO (2020, p. 20) (adaptado)
ANOTE ISSO
O sistema financeiro nacional e internacional promove o dinamismo econômico 
da economia local e mundial. Seu papel ganha destaque após a Segunda Guerra 
Mundial. 
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CAPÍTULO 7
INTERAÇÃO DOS SETORES 
REAL E MONETÁRIO
7.1 Setor Real da Economia
O setor real da economia corresponde às atividades de produção, circulação e 
consumo de bens e serviços, através da interação entre os agentes econômicos, 
sendo os resultados apurados, de forma agregada ou global, através do sistema de 
contas nacionais.
Nessa vertente podemos concentrar o estudo na determinação do Produto Interno 
Bruto (PIB) e o Produto Nacional Bruto (PNB). O que diferencia os valores dos dois está 
no montante referente ao valor da diferença entre a renda recebida (RRE) e a enviada 
ao exterior (REE). Essa renda é fruto das transações econômicas que acontecem 
entre os países, sendo composta por juros, lucros, salários, pagamento de royalties, 
patentes, aluguéis, etc.
Conforme descrito anteriormente, o valor do PIB corresponde ao somatório de 
bens e serviços finais, gerados dentro dos limites de uma localidade, em um período 
de tempo determinado, onde são computados os valores referentes à produção dos 
setores produtivos (primário, secundário e terciário), a custo dos fatores de produção 
– denominados Produto Interno Líquido a Custo de Fatores PILCF, acrescido os valores 
dos impostos indiretos (II) e da depreciação do ativo produtivo (D), deduzido dos 
valores dos subsídios (S).
Assim, matematicamente tem-se:
Por sua vez, o Produto Nacional Bruto corresponde ao somatório de bens e serviços 
finais, de propriedade dos residentes de uma localidade, em um período determinado. 
Em termos de determinação matemática corresponde ao valor do PIB acrescentado 
o valor referente à renda recebida do exterior e deduzindo a renda enviada ao exterior. 
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Os economistas costumam dizer que o PIB mede a capacidade produtiva de uma 
localidade, enquanto o PNB mede a capacidade de geração de riqueza de uma localidade. 
Isto deve-se à identidade contábil que existe entre o produto e a renda e o dispêndio. 
Em outras palavras, costuma-se dizer que todo produto gera uma renda de idêntico 
valor à renda e ao dispêndio. E isto é possível de se verificar através da interação entre 
o lado real e o lado monetário da economia, descrito na sequência.
ANOTE ISSO
Desde o ano de 1947, quando o sistema de contas nacionais brasileiro passou a ser 
determinado, nunca o PNB brasileiro superou o PIB brasileiro. É importante possuir 
um PNB maior do que o PIB, pois implica que o país possui mais ativos e direitos no 
exterior, aumentando a sua riqueza.
Para enfatizar os setores produtivos da economia, Sandroni (1999) os descreve como: 
Uma das classificações mais correntes das atividades produtivas 
foi originariamente proposta por Colin Clark. De acordo com essa 
formulação, existem três setores básicos na economia de um país. 
O setor primário reúne as atividades agropecuárias e extrativas 
(vegetais e minerais). O setor secundário engloba a produção de 
bens físicos por meio da transformação de matérias-primas, realizada 
pelo trabalho humano com o auxílio de máquinas e ferramentas: inclui 
toda a produção fabril, a construção civil e a geração de energia. O 
setor terciário abrange os serviços em geral: comércio, armazenagem, 
transportes, sistema bancário, saúde, educação, telecomunicações, 
fornecimento de energia elétrica, serviços de água e esgoto e 
administração pública. A importância relativa de cada um desses 
setores no produto total da economia de um país é bastante variável e 
determina o grau de desenvolvimento econômico de uma nação. Nas 
economias subdesenvolvidas, predominam as atividades primárias e 
é precário o desenvolvimento dos setores secundário e de serviços, 
mais presentes nos países desenvolvidos (SANDRONI, 1999, p. 555).
A análise do setor real é extremamente importante para o estudo da Teoria Econômica 
como um todo, pois o desenvolvimento dos processos produtivos das firmas, a 
agregação de seus valores, a forma como o produto é desenvolvido e as relações de 
trocas internacionais acabam por fazer parte das Teorias Micro e Macroeconômicas, 
Desenvolvimento Socioeconômico e Economia Internacional.
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Há uma série de variáveis que impactam no crescimento do PIB e do PNB, por 
isto cada ramo que compõe a Teoria Econômica se encarrega de estudar as que te 
pertencem, mas não se pode esquecer de analisartodos os ramos conjuntamente.
7.2 Setor Monetário da Economia
Vimos anteriormente que o setor ou lado monetário da economia está composto 
pelos meios de pagamentos e pelas instituições que promovem a interação entre os 
agentes econômicos, os quais promovem a dinâmica produtiva do setor real. 
Dizemos que este lado lida com as questões que envolvem a teoria quantitativa 
da moeda e a teoria keynesiana, bem como sua evolução. Por isso que a temática 
da demanda por moeda é extremamente importante, principalmente por evidenciar 
os motivos pelos quais o público retém a moeda e os ativos financeiros monetários.
Se no setor real a observância se dá na relação entre os fatores de produção e a 
geração do produto, no setor monetário observa-se como as empresas remuneram 
os participantes das unidades familiares, através do pagamento de renda sob a forma 
de salários, juros, lucros, aluguéis. Por outro lado, as unidades familiares restituem às 
empresas o pagamento monetário pelos produtos adquiridos. 
Para entendermos como a relação entre os setores monetário e real da economia 
se dá, é importante compreender como o desenvolvimento teórico se deu, tanto na 
teoria clássica como na teoria keynesiana.
ANOTE ISSO
O somatório de salários, juros, lucros e aluguéis, que ocorrem em um determinado 
período, constituem a renda nacional como remuneração dos fatores de produção e 
o seu valor é idêntico ao produto nacional líquido a custo dos fatores de produção.
7.3 As Proposições da Teoria Clássica – Modelo IS
A teoria clássica, no desenvolvimento das relações entre os setores real e monetário 
da economia, de acordo com Lopes e Rossetti (1998), apresentou um conjunto 
desconexo de hipóteses e conclusões fundamentais, como: 
• Inexistência de desemprego involuntário: considerava que o sistema produtivo 
estava operando no pleno emprego, uma situação de concorrência perfeita. 
Isto estava alicerçado na Teoria de Say-Mill, que pressupunha que todos os 
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indivíduos que desejassem trabalhar, tendo como remuneração os salários em 
vigor no mercado, iriam conseguir um emprego, mesmo que houvesse uma 
demora entre a oferta de trabalho e a contratação. Essa demora seria dada por 
um pequeno período, sendo considerada ficcional. Cabe a lembrança da Teoria 
de Say-Mill que preconizava que tudo o que era produzido seria adquirido e 
consumido, fazendo com que não houvesse geração de grandes estoques e, 
portanto, descartando as crises de superprodução ou de subconsumo. Também 
consideravam a flexibilidade perfeita dos preços, na qual a demanda sempre 
acompanharia a oferta de produtos, em quaisquer níveis;
• Não haveria retenção de moeda ociosa: consideravam que o público demandava 
moeda apenas como um instrumento de trocas. Além disso, acreditavam que a 
velocidade da moeda era estável e dependia de fatores institucionais, imutáveis 
a curto prazo. Logo, os saldos monetários em poder do público tinham apenas 
a finalidade de atender à função de intermediário de trocas, devido à ausência 
de uma sincronização entre as datas de recebimentos e de pagamentos;
• Os juros seriam um fenômeno real: consideravam que os valores das poupanças, 
como os montantes da renda não consumida no presente em detrimento do 
consumo futuro, seriam encaminhados aos investidores ou produtores através 
da remuneração via taxa de juros. Além disso, acreditavam que a produtividade 
marginal do capital era o que determinava a taxa de juros, admitindo-a como 
sendo fenômeno ligado ao setor real da economia. A moeda podia afetar a taxa 
de juros somente por alguns períodos; 
• Independência entre os vários mercados: acreditavam que cada mercado 
constituía um compartimento estanque do sistema econômico, ou seja, não 
haveria interferência dos problemas de um mercado nos outros. 
Na visão dos economistas clássicos, a moeda atua como uma espécie de lubrificante 
das transações, não afetando a produção, o nível de emprego ou a taxa de juros. 
Logo, a premissa basal deste modelo se dava na utilização da moeda apenas como 
instrumento de troca, diferentemente do que acontece no mundo real. 
Do lado da oferta monetária a consideravam como passiva, por repercutir nos 
salários nominais e no nível geral de preços.
O modelo clássico pode ser melhor compreendido através das principais análises 
que foram tecidas e sintetizadas de Lopes e Rossetti (1998):
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• Função produção: Considerando o binômio produto-renda nacional (RN) e a oferta 
de mão-de-obra (N), a função produção era determinada apenas pelas variações 
que ocorriam na oferta de mão-de-obra, por considerar que os demais fatores de 
produção como o capital, a tecnologia e os recursos naturais eram constantes, 
ao menos no curto prazo. Como resultante, a função de produção apresentará 
rendimentos decrescentes, em razão da chamada produtividade marginal.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O comportamento do fator de produção, ao longo de uma jornada produtiva, 
está sujeito à lei dos rendimentos decrescentes e à lei dos rendimentos não 
proporcionais.
Conforme descreve Sandroni (1999):
Lei dos rendimentos decrescentes: Também conhecida por Lei das 
Proporções Variáveis ou Lei da Produtividade Marginal Decrescente. 
Pode ser conceituada da seguinte maneira: ampliando-se a quantidade 
de um fator variável, permanecendo fixa a quantidade dos demais 
fatores, a produção, de início, aumentará a taxas crescentes; a seguir, 
após certa quantidade utilizada do fator variável, passará a aumentar 
a taxas decrescentes; continuando o aumento da utilização do fator 
variável, a produção decrescerá. 
Um exemplo clássico é o do aumento do número de trabalhadores em 
certa extensão de terra a ser cultivada. Numa primeira fase, a produção 
aumenta, mas logo se chega a um estado de nenhum crescimento na 
produção, devido ao excesso de trabalhadores em relação à extensão 
de terra (que não aumentou).
Lei dos rendimentos não proporcionais. O incremento da utilização de 
meios de produção em determinado processo de trabalho nem sempre 
resulta num aumento proporcional da produção. Esse pode ser: 1) mais 
do que proporcional ao incremento dos meios de produção, quando 
os rendimentos serão crescentes; 2) menos do que proporcionais, 
quando os rendimentos serão decrescentes. (SANDRONI, 1999, p. 
340, adaptado).
• Demanda de mão-de-obra: no modelo clássico, a função demanda de mão-de-
obra é dada por: 
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A relação W/P demonstra os salários reais, ou seja, a relação dos salários 
nominais pagos na economia, W, em relação ao nível geral dos preços, P. Isto 
significa que os empresários vão contratar trabalhadores até o ponto em que 
haja igualdade entre a produção marginal e o salário real, acreditando ser o nível 
de maximização de lucro. 
• Oferta de mão-de-obra: a ideia que dá sustentação à função é que os trabalhadores 
viam o trabalho como um sacrifício e, portanto, só trabalhariam mais mediante 
um aumento nos seus salários. Os trabalhadores também não se iludiam com a 
elevação nominal dos salários, mas com o ganho real. Isto posto, os clássicos 
acreditavam que a maior oferta de mão-de-obra se daria quando o nível real dos 
salários aumentasse ou o nível dos preços reduzissem. A função se dava por:
• Equação de Cambridge: retratava que a oferta monetária (MO) resulta do produto 
entre a proporção da renda mantida em caixa - para fins transacionais (K) sobre 
o nível geral dos preços (P) pelo montante físico do produto nacional (RN), isto é, 
a renda nacional real. Lembrando que a moeda era considerada nessa equação 
como uma variável exógena, a demanda se dá somente pelo motivo transação 
e os juros incidem somente sobre os títulos.
• Função poupança: sendo a poupança representada por S (oriunda da palavra 
inglesa save, que significa poupar) eConversão da MPv nº 1.027, de 1995
Dispõe sobre o Plano Real, o Sistema Monetário Nacional, estabelece as regras e 
condições de emissão do REAL e os critérios para conversão das obrigações para o 
REAL, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
Do Sistema Monetário Nacional
Art. 1º A partir de 1º de julho de 1994, a unidade do Sistema Monetário Nacional 
passa a ser o REAL (Art. 2º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994), que terá curso 
legal em todo o território nacional.
§ 1º As importâncias em dinheiro serão grafadas precedidas do símbolo R$.
§ 2º A centésima parte do REAL, denominada “centavo”, será escrita sob a forma 
decimal, precedida da vírgula que segue a unidade [...].
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: 
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Como descrito acima, a adoção de um único padrão monetário, com legislação 
específica, visa evitar conflitos de paridades entre moedas e o processo de 
comercialização, de pagamentos e demais situações pertinentes ao sistema monetário 
de um país.
Segundo Assaf Neto (2021):
A moeda é um meio de pagamento legalmente utilizado para realizar transações 
com bens e serviços. É um instrumento previsto em lei e, por isso, apresenta curso 
legal forçado (sua aceitação é obrigatória) e poder liberatório (libera o devedor do 
compromisso). O uso da moeda viabiliza o funcionamento de toda a economia, 
indicando os bens e serviços a serem produzidos de maneira a satisfazer aos desejos 
de demanda dos vários agentes (ASSAF NETO, 2021, p. 10).
Dois pontos relevantes na definição de Assaf Neto (2021):
• A moeda tem aceitação obrigatória devido à existência de uma lei, que no caso 
do Brasil é a lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995; 
• Devido ao fato de ter aceitação forçada, ela é utilizada para quitação de dívidas 
e o credor não pode recusar o seu recebimento, a menos que tenha sido feito 
um acordo de pagamento com outro tipo de ativo, em uma situação específica 
de escambo. Em uma situação de recusa, o indivíduo devedor pode acionar o 
sistema judiciário para fazer o devido pagamento.
Troster (in Gremaud et al, 2017) destaca a dificuldade em conceituar a moeda e, 
para tanto, enfatiza as suas características. Desta forma é importante observar que 
qualquer objeto que venha a ser utilizado como moeda deve respeitar as características 
que a moeda possui.
Rossetti (2016) faz uma ressalva sobre os ativos monetários em relação aos ativos 
financeiros:
Os ativos monetários constituem apenas uma parcela dos ativos financeiros de 
uma economia avançada ou mesmo de emergentes em processo de desenvolvimento 
consistente. Definida de forma restrita e convencional, a moeda representa, na maior 
parte dos países, uma parcela reduzida dos ativos financeiros como um todo – algo 
como 15%, ou menos. Ainda assim, a manutenção de saldos monetários pelos agentes 
econômicos e sua velocidade de circulação são variáveis de alta relevância para o 
equilíbrio da economia como um todo. Elas dependem da oferta monetária e da 
regulação da liquidez pelas autoridades monetárias (ROSSETTI, 2016, p. 689).
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Visto o conceito de moeda, por que ela é tão importante para o sistema financeiro 
e o sistema econômico? Para responder a essa pergunta é importante entender como 
os povos na Antiguidade faziam para realizar as trocas de produtos.
1.2 Escambo e a Era das Trocas de Mercadorias
O termo escambo significa troca coincidente de bens e serviços (produtos), sem 
o uso do dinheiro. 
Figura 2: Escambo
Elaboração: o autor
É considerada a fase mais primitiva nas transações dos produtos e caracteriza as 
sociedades de economia natural ou de subsistência. A evolução das relações sociais, que 
ocorreram de um sistema nômade para um sedentário, proporcionou uma necessidade 
de trocas mais dinâmicas, principalmente com o advento da produção agrícola que 
passou a gerar um excedente produtivo maior, possibilitando um aumento nas trocas.
Além disso, conforme descrevem Passos e Nogami (2016), com o crescimento das 
comunidades houve uma diversificação de produtos na qual estes grupos passaram 
a gerar. Como essas comunidades não produziam todos os mesmos produtos, houve 
o início do processo rudimentar da divisão e especialização do trabalho.
A produção diversificada proporcionava o surgimento de um excedente produtivo, 
ou seja, começaram a produzir mais do que se consumia. Desta forma, o sistema 
econômico local funcionava à base de escambo – a troca pura e simples de mercadorias. 
O principal problema do escambo é que as trocas devem ocorrer de forma coincidente. 
Para melhor compreensão, imagine uma pessoa que tenha um excedente de cinco 
sacas de 60 kg de trigo e necessite de uma saca de arroz, também de 60 kg. Ela terá 
que encontrar alguém que tenha uma saca de 60 kg de arroz e que esteja disposto 
a trocar por trigo.
Outro problema é a relação de paridade entre os produtos, ou seja, como determinar 
o quanto de cada produto se pode usar na troca. No exemplo acima, para que a troca 
possa ocorrer, o proprietário do arroz pode estar disposto a realizar a troca pelo trigo 
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se receber duas sacas de 60 kg. Nessa situação, se efetivada a troca, consegue-se 
estabelecer a relação de paridade, na qual 1 kg de arroz deve ser trocado por 2 kg de 
trigo. Porém existem fatores determinantes nessa relação que fará com que a paridade 
se altere ao longo do tempo, como a escassez de produtos ou a vontade das pessoas.
Agora imagine quantas trocas seriam necessárias à medida que o número de 
participantes no mercado aumentasse. Com dois participantes é necessária uma 
troca coincidente. Com três participantes esse número aumentaria para três trocas. 
Conforme descreve Passos e Nogami (2016), o aumento no número de produtos 
que passariam a ser ofertados nos mercados passou a dificultar a prática do escambo. 
Primeiro pela dificuldade cada vez maior de se estabelecer relações intercoerentes de 
troca. O segundo aspecto seria pela dificuldade de se encontrar pessoas com desejos 
e disponibilidades coincidentes.
ANOTE ISSO
E como seria possível determinar a quantidade de trocas para o número de 
produtos existentes no mercado?
A resposta dessa questão, a qual parte-se do pressuposto de que haverá desejos 
duplamente coincidentes, pode ser obtida pela fórmula abaixo:
Fórmula para determinação do número de trocas coincidentes:
TM é o número de trocas de mercadorias; 
n é a quantidade de produtos a serem transacionados no mercado.
Na tabela 1 encontram-se alguns exemplos do número de trocas de mercadorias 
existentes para as respectivas quantidades de produtos a serem transacionados no 
mercado:
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Produtos 
Disponíveis Determinação Troca de 
Mercadorias 
1 0
2 1
3 3
4 6
5 10
10 45
20 190
50 1.225
100 4.950
1.000 499.500
Tabela 1 – Relação entre produtos disponíveis e trocas de mercadorias necessárias
Fonte: Passos e Nogami, 2016, p. 449 (adaptado)
Adaptação: o autor
Fica evidente a impossibilidade de realizarmos este tipo de transação de mercadorias 
na atualidade.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Conforme descreve Lacerda (2018), o início da colonização brasileira se deu através 
da exploração do pau-brasil. A forma como alguns indígenas indicavam as árvores 
na floresta se dava pela troca por mercadorias ou quinquilharias que eles não 
conheciam, e que para os colonizadores portugueses não possuíam muita serventia 
ou eram de baixo valor.
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FACULDADEa taxa de juros por i, os agentes econômicos 
só estariam dispostos a expandir o nível de suas poupanças, segundo os 
economistas clássicos, se as taxas de juros se expandissem, o que justificaria 
o sacrifício do consumo. 
• Função investimento: sendo o investimento representado por I e a taxa de juros 
por i, os investimentos reagiam inversamente aos juros. 
Os economistas clássicos consideravam que a produtividade marginal do capital 
é decrescente e os empresários realizariam novos investimentos se a taxa de 
juros diminuísse, acreditando que ao produzir se tem um ganho sobre o capital 
investido maior. Logo, a taxa de juros, quando se elevava, era considerada como 
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fator determinante à poupança, uma vez que promovia o desencorajamento dos 
empresários em realizarem novos investimentos. 
O fato contrário também podia ser observado, pois ao reduzir o valor dos juros 
(i), o custo pela captação dos recursos monetários dos poupadores diminuía, 
fazendo com que os investimentos se ampliassem, embora o montante de 
poupanças diminuísse.
Aumentando o nível de investimento, através da utilização do montante poupado, 
naturalmente os juros começariam a se elevar, devido à redução do saldo da 
poupança, gerando um estímulo a poupar e uma redução a investir, promovendo 
um equilíbrio.
• Condição de equilíbrio: o equilíbrio é observado referente às funções poupança 
e investimento, representado pela seguinte igualdade:
Nesta condição, os economistas clássicos teorizaram que sempre deve haver 
uma taxa de juros positiva que promoverá que todos os saldos de renda que 
forem poupados encontrem automaticamente o caminho do investimento. 
Assim, através desta condição de equilíbrio, o sistema econômico não encontraria 
problemas decorrentes da demanda agregada insuficiente e as crises de 
superprodução, bem como o desemprego em massa, não viriam a ocorrer. 
A figura 1 reproduz o modelo clássico, de acordo com Lopes e Rossetti (1998). As 
relações gráficas iniciam-se em (a), onde a curva de oferta e a curva de demanda 
de mão-de-obra irão determinar o salário real para um nível de pleno emprego. No 
próximo gráfico (b), verifica-se que o pleno emprego da mão-de-obra corresponde a um 
determinado volume do produto e renda. No gráfico (c) tem-se a curva M.V, originária 
da equação das trocas, em que M.V = P.RN, sendo que o valor de V é constante e 
o valor de M é determinado pelas autoridades monetárias, o nível de preços que irá 
corresponder à renda de pleno emprego será decorrente da movimentação que acaba 
por ocorrer no mercado monetário. No último gráfico (d), tem-se os salários nominais, 
acompanhando o nível de preços, que foi determinado no gráfico (c).
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Figura 1: A moeda no modelo clássico, Inter-relações entre o emprego, os salários, o binômio produto-renda e o nível dos preços. 
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 198).
Observa-se que os salários reais são determinados no gráfico (a) e os salários 
nominais no gráfico (d), sabendo da determinação do nível geral de preços, que ocorreu 
no gráfico (c). 
Figura 2: Inter-relação entre a poupança, taxa de juros e investimento. 
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 198).
No modelo clássico, as variáveis poupança e investimento, representadas na figura 
2 pelos gráficos (a) e (b) são determinadas em função da taxa de juros i. Observe que 
o nível de investimento se iguala ao nível de poupança conforme as variações que 
ocorrem em i, demonstradas no gráfico (c). Pode-se dizer que quando os empresários 
buscam por novos investimentos, o que desloca a curva de investimentos para a direita, 
ocorre uma elevação na taxa de juros, determinando um novo ponto de equilíbrio com 
a curva de poupança. O inverso também pode ser observado. 
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7.4 Interação entre o Lado Real e Monetário – Análise IS-LM
A análise ou modelo IS-LM resume em um só gráfico as situações da política 
econômica, através das curvas:
• IS (Investment-Saving): reflete o comportamento da poupança e do investimento 
em relação ao comportamento da taxa de juros, conforme descrito no tópico 
anterior;
• LM (Liquidity-Money): reflete o equilíbrio que ocorre entre oferta e demanda de 
moeda. De acordo com Vasconcellos (2015), para um dado nível de renda, haverá 
uma demanda de moeda para transação e precaução. No entanto, se houver 
um aumento na renda, provocará um aumento na demanda. Se o estoque de 
moeda não sofrer alteração, ou seja, permanecer fixo, esse aumento de renda 
deve provocar uma elevação na taxa de juros.
Como a taxa de juros é “o preço do dinheiro”, aumentando a demanda, ela deve 
aumentar. Como a taxa de juros faz parte tanto do modelo IS quanto do modelo LM, 
ela acaba sendo o elemento que vem a promover o equilíbrio entre os dois modelos. 
Vasconcellos (2015) enfatiza que deve:
Haver equilíbrio simultâneo e igual no lado real e no lado monetário da 
economia. Portanto, o ponto onde as duas curvas, IS e LM, se cruzam 
é o ponto de equilíbrio da economia. A análise IS-LM permite analisar 
o resultado da combinação de políticas monetárias e fiscais e seus 
impactos sobre o lado real e o lado monetário, simultaneamente 
(VASCONCELLOS, 2015, p. 336).
Para fins de determinação do equilíbrio, vamos demonstrar com valores como esta 
interação se dá, valendo-se dos exemplos de Vasconcellos (2015).
Dados:
Função poupança: Função investimento:
O equilíbrio IS se dá pela igualdade entre as funções. Assim:
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Determinando a taxa de juros como uma função da igualdade destas funções, 
obtém-se:
A determinação da curva IS pode ser observada na figura abaixo:
Figura 3: Determinação gráfica da curva IS
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 337)
No gráfico (1) encontra-se a função investimento, que possui um comportamento 
inversamente proporcional à taxa de juros. Já no gráfico (4) encontra-se a função 
poupança, que possui uma relação diretamente proporcional com a renda. No gráfico 
(3) acontece a condição de equilíbrio no mercado de bens e serviços, sendo que se 
tem os mesmos valores por se tratar de uma função bissetriz. No gráfico (2) encontra-
se a curva IS, que pode ser determinada com o artifício de determinar dois pontos 
quaisquer da função poupança e projetá-los nos diagramas de equilíbrio, até encontrar 
os dois pontos projetados da função investimento, bastando ligar os pontos. 
Agora do lado LM:
Função oferta monetária: Função demanda monetária:
 
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O equilíbrio LM se dá pela igualdade entre as funções. Assim:
Assim:
O comportamento da curva LM não se dá de forma linear. Vasconcellos (2015) 
descreve a inclinação da curva LM como positiva, isto se deve à relação diretamente 
proporcional entre a taxa de juros (i) e a renda (y). A determinação da curva LM pode 
ser observada na figura abaixo:
Figura 4: Determinação gráfica da curva LM
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 341)
Como já foi apresentado, na condição de equilíbrio, do lado monetário, a oferta de 
moeda será igual à demanda por moeda, ou seja, Ms = Md. Sendo a oferta monetária 
fixada pelas autoridades, é possível ver no gráfico (2) que ela é dividida entre a demanda 
pelos motivos transação e precaução com o motivo especulação.
A determinação da curva LM, observada no gráfico (3), pode ser obtida através da 
determinação de dois pontos quaisquer na demanda de transações. 
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Para obter a LM, basta pegar dois pontos quaisquer da demanda de transações, 
projetando-os para os gráficos de condição de equilíbrio e de demanda especulativa. 
Observa-se que se cria dois polígonos retangulares para essa determinação.Finalmente, o equilíbrio entre o lado monetário (LM) com o lado real (IS) se dá 
pela igualdade entre ambos, sendo possível determinar a taxa de juro de equilíbrio e 
a renda de equilíbrio.
Taxa de juro de equilíbrio* Renda de equilíbrio
 
 
*Baseada nas funções anteriores.
Plotando no mesmo gráfico as duas curvas se obtém o ponto de equilíbrio:
Figura 5: Determinação gráfica do equilíbrio IS-LM
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 343)
Uma vez determinado o equilíbrio entre as curvas IS-LM, o mesmo pode sofrer 
alterações decorrentes dos fatores que influenciam as inclinações das curvas, retratadas 
na tabela 1, conforme Vasconcellos (2015). 
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Curva IS Curva LM
• Declividade de função poupança (propensão 
marginal a poupar e o multiplicador keynesiano 
k);
• Declividade da função investimento (elasticidade 
dos investimentos em relação às taxas de 
juros).
• Declividade da demanda de moeda por 
transações e precaução velocidade-renda 
da moeda V, que é o inverso do coeficiente 
marshalliano k); 
• Declividade da demanda de moeda por 
especulação (elasticidade da demanda de 
moeda em relação à taxa de juros i). 
Tabela 1 – Fatores determinantes na inclinação das curvas IS-LM
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 338-342)
Adaptação: o autor
O equilíbrio também pode ser alterado mediante os deslocamentos das curvas IS e 
LM, que podem ocorrer de forma individualizada ou em conjunto. Esses deslocamentos 
podem se dar à direita ou à esquerda da curva de origem. 
A tabela 2 aponta os principais motivos que promovem estes deslocamentos, de 
acordo com Vasconcellos (2015).
Curva IS Curva LM
• A curva IS é deslocada por todas as variáveis 
exógenas:
• G = gastos do governo;
• T = tributos;
• X = exportações
• M = importações;
• C = consumo; 
• I = investimentos.
• Oferta de moeda MS quando afetada por 
alterações de política monetária;
• Demanda de moeda por transação e precaução, 
quando afetada por mudanças nos hábitos da 
coletividade que afetam a velocidade-renda da 
moeda;
• Demanda de moeda por especulação quando 
alterada por variações nas expectativas sobre 
a rentabilidade futura dos títulos.
Tabela 2 – Fatores determinantes do deslocamento das curvas IS-LM
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 338-342)
Adaptação: o autor
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CAPÍTULO 8
MERCADO FINANCEIRO 
E TAXA DE JUROS
Neste capítulo serão tratados os principais aspectos sobre o mercado financeiro 
e também as especificidades da taxa de juros. É de suma importância compreender 
como o mercado financeiro atua na intermediação entre os poupadores e os tomadores 
de empréstimos, tendo como variável determinante a taxa de juros. 
8.1 Mercados financeiros
O mercado financeiro é conceituado por Sandroni (1999, p. 381) como sendo o 
conjunto formado pelo mercado monetário e pelo mercado de capitais. Abrange todas as 
transações com moedas e títulos e as instituições que as promovem.
Carvalho (2015) salienta que os mercados financeiros englobam todas as transações 
que são feitas, visando canalizar os saldos dos poupadores para os tomadores, sendo 
fiscalizados pelas autoridades monetárias, conforme descrito no capítulo 6, que trata 
do sistema financeiro, ressaltando que não são as mesmas instituições, entidades ou 
órgãos em todos os segmentos do sistema financeiro. 
Os mercados são classificados em função dos ativos transacionados. Esses ativos 
se diferenciam pelos riscos envolvidos, pelo retorno, e pela complexidade das atividades 
complementares, como custos operacionais.
A diversidade do mercado financeiro, em termos de contratos e 
procedimentos, explica-se pelo grande número de canais possíveis 
de transferência de recursos entre unidades econômicas e pelas 
características das obrigações assumidas. Passa-se, então, à 
discussão de mercados financeiros, em que se distingue os mercados 
de crédito dos mercados de capitais – cada tipo de mercado sendo 
definido em termos do canal de transferência de recursos utilizado 
(CARVALHO, 2015, p. 220).
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ISTO ESTÁ NA REDE
Mercado secundário: entenda as diferenças com o mercado primário
Mercado secundário é uma parte do mercado financeiro destinada à movimentação 
de ativos de empresas que já possuem capital aberto na Bolsa Valores. 
Quando uma empresa decide abrir seu capital para captar recursos, ela negocia 
ações diretamente com os investidores.
Uma vez que os investidores podem vender essas ações para outras pessoas, 
alheias à empresa, dizemos que a operação está ocorrendo no mercado secundário.
Quer saber um pouco mais sobre os termos utilizados no mercado de ações? Esses 
artigos podem ser do seu interesse:
O que é Bull Market e como ele funciona?
O que é Bear Market e como ele influencia seus investimentos?
Assim, quando falamos em mercado financeiro, é importante lembrarmos que não 
existe um único mercado. É sobre isso que falaremos neste artigo, incluindo:
O que é mercado secundário.
Como funciona o mercado secundário.
Diferença entre o mercado secundário e mercado primário.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: EXPERT XP. Mercado secundário: entenda as diferenças com o mercado 
primário. 2019. Disponível em . Acesso em: 3 Fev 2023.
Os economistas concordam que o crescimento econômico é decorrente do nível 
de investimento ocorrido no país, em um determinado período. Este investimento é 
resultante da parte do produto não consumido e que possa ser destinado à acumulação 
de meios de produção, resultando no aumento da capacidade produtiva. 
É evidente que nas economias modernas este processo de formação de capital é 
muito mais complicado, uma vez que uma parte do montante do investimento resulta 
de outros ativos, como o aumento da produção de máquinas e equipamentos, novas 
edificações e investimentos de infraestruturas, da qualificação do capital humano 
voltado para o aumento da produção, especificamente para fins de acumulação 
de riqueza. O investimento resulta no aumento do produto e, por consequência, na 
remuneração do capital, em especial o lucro.
Decorrente da evolução das relações econômicas se deu o aprofundamento e o 
desenvolvimento das relações financeiras entre os agentes econômicos.
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Relações financeiras são estabelecidas sempre que um agente 
econômico é capaz de transferir o comando sobre recursos para 
terceiros, contra o reconhecimento de uma obrigação (e de seu 
serviço) por parte do beneficiário. Esta transferência habilita o 
beneficiário a implementar planos de gastos que seriam inviáveis 
em qualquer outra circunstância. Ela serve, assim, para viabilizar a 
separação entre quem possui comando sobre a renda social e quem 
vai utilizá-la efetivamente. A mais simples e fundamental forma de 
relação financeira conhecida é o crédito (CARVALHO, 2015, p. 221).
ANOTE ISSO
Para que ocorra um mercado é necessário a existência de dois agentes, como 
comprador e vendedor para o mercado de bens, e trabalhador e empregador para o 
mercado de trabalho.
No mercado financeiro também existem estes dois agentes.
O mercado financeiro está composto por dois agentes que se interagem, seja em 
um ambiente físico ou virtual. O primeiro agente vem a ser o superavitário, que é 
formado pelo público que não demanda o total do seu montante monetário para 
o motivo de transações e, portanto, possui um saldo para os demais motivos de 
precaução e especulação. Isto significa que esse público gerou uma poupança, que 
corresponde ao adiamento do consumo presente em detrimento do consumo futuro. 
Outro aspecto é que os agentes superavitários estão dispostos a emprestar seus 
excedentes monetários medianteo recebimento de um pagamento – o juro incidente 
sobre o capital.
Muitos indivíduos realizam a poupança e a disponibilizam às agências bancárias, que 
se encarregam de atuar como intermediários financeiros, pois possuem uma estrutura 
melhor que implica em garantias de recebimentos ou de minimização de prejuízos 
decorrentes de empréstimos não pagos. As vantagens das instituições financeiras 
operando como intermediários financeiros são:
• Captação e remuneração de pequenos volumes monetários;
• Estrutura jurídica para garantir o recebimento;
• Custo operacional menor; e
• Diversidade de produtos.
É evidente que a remuneração recebida de uma instituição bancária ou financeira 
é menor, porém elas assumem o risco da operação.
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O outro agente participante do mercado financeiro vem a ser o agente tomador ou 
deficitário, ou seja, o público que necessita captar recursos para:
• Equilibrar o saldo entre receita e despesa, tanto as pessoas como as empresas;
• Investir em novos ativos produtivos, mediante uma análise favorável de viabilidade 
econômica; e
• Obter crédito de forma geral.
ANOTE ISSO
O maior risco em um mercado financeiro é sempre do agente superavitário, pois 
por mais que ele busque informações da capacidade de pagamento do agente 
deficitário, ele jamais conseguirá saber de todas as intenções sobre a aplicação dos 
recursos, por parte do tomador.
Observa-se, no entanto, que os agentes superavitários podem auferir um excesso de 
renda, decorrente do ato de poupar, passando a demandar outros meios de acumulação 
de riqueza, ou seja, passam a demandar ativos financeiros, disponibilizando suas 
poupanças para uso de terceiros.
Na outra vertente existem os indivíduos que pretendem gastar mais do que sua 
renda auferida. Eles têm que estar dispostos a trocar uma parte do montante que irão 
ganhar no futuro para aumentar a sua renda e proceder a aquisição do bem ou ativo 
desejado, sendo considerados demandantes de poupança financeira.
De acordo com Carvalho (2015), os mercados financeiros incorporam o conjunto 
das transações realizadas por agentes deficitários ou através dos intermediários 
financeiros, que realizam a obtenção dos recursos para eles. 
Conforme descrito no capítulo 6, os mercados financeiros são normatizados e 
fiscalizados por órgãos e instituições que compõem o sistema financeiro nacional. É 
evidente que a normatização e fiscalização se dão em níveis diferentes, conforme o 
tipo de serviço e ativo transacionados.
O mercado financeiro é segmentado de acordo com as funções que os definem, 
bem como dos ativos que são transacionados. Estes ativos se diferenciam pelos riscos 
envolvidos, pelos retornos oferecidos e outros fatores que os identificam e classificam.
Os mercados financeiros podem ser classificados, segundo Carvalho (2015):
• Quanto à natureza das transações financeiras e também dos contratos que 
resultam nos mercados de crédito e mercado de títulos; 
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• Em relação à disponibilidade da informação que é envolvida na transação e 
também nas restrições dos participantes; 
• Quanto ao papel que é exercido pelas instituições financeiras; e 
• Quanto ao nível de risco nos mercados.
Ainda de acordo com o autor, cada mercado possui as suas particularidades, sendo 
descritas para melhor compreensão e diferenciação.
Inicialmente, temos que no mercado de crédito as transações se dão de forma 
individualizada, onde é possível identificar as duas partes que realizam o empréstimo, 
agentes superavitários e deficitários. Deste tipo de operação geralmente resulta um 
conjunto de obrigações intransferíveis, devido ao fato dos contratos atenderem às 
demandas dos agentes deficitários ou tomadores, como o valor da alíquota da taxa 
de juros, prazos para o pagamento e garantias oferecidas. 
Contrariamente, nos mercados de títulos observa-se que as transações obedecem a 
um conjunto de regras mais genéricas, onde os contratos podem não ser negociáveis. 
No entanto, eles obedecem a regras de padronização, possibilitando tornar os títulos 
substitutos entre si. Uma prerrogativa deste mercado se dá no fato dos títulos poderem 
ser negociados em mercados secundários, permitindo ganharem liquidez.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Crise do subprime: entenda como surgiu, porque aconteceu e quais lições 
deixou 
Redação Warren - Publicado em 31 de maio de 2021
A crise financeira de 2008, popularmente chamada de crise do subprime, foi um dos 
piores desastres econômicos globais dos últimos anos.
Originada nos EUA, ela teve início com o estouro da bolha de hipotecas no mercado 
financeiro e se alastrou pelo restante do mundo, com efeitos catastróficos e 
duradouros.
Os instrumentos financeiros envolvidos são bem complexos, mas o processo que 
levou à crise pode ser facilmente analisado a partir de incentivos econômicos e 
forças de mercado.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: WARREN MAGAZINE. Crise do subprime: entenda como surgiu, por que aconteceu e quais lições deixou. 2022. Disponível em . 
Acesso em 3 Fev 2023.
ECONOMIA MONETÁRIA
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Nota-se que ambos os mercados envolvem diversos segmentos e devem obedecer 
a regras distintas. O mercado de crédito encontra-se desdobrado em dois segmentos, 
sendo o de crédito a longo prazo e o de crédito a curto prazo. Já os mercados de títulos 
possuem a diferenciação em relação ao tempo de vencimento dos contratos, e apresentam 
também ativos com características próprias à sua natureza econômica e jurídica. 
ANOTE ISSO
Um aspecto importante em relação ao vencimento está no fato de que quanto 
menor for o tempo menor deverá ser o risco, principalmente resultante das perdas 
por tentativa de negociação fora do tempo.
Como os ativos ou os papéis com período de vencimento maior estão suscetíveis 
ao risco da perda de valor ou de capital, é importante distingui-los em duas categorias:
• Título de renda variável: correspondente às ações das empresas, negociadas 
no mercado de ações, o agente superavitário ao comprar as ações da empresa 
acaba se tornando um sócio e passa a não ter o direito de cobrar de volta os 
recursos que colocou na empresa – no caso de compra de ações primárias. 
No entanto, existe o lado bom que vem a ser a possibilidade de participar da 
divisão dos lucros ou dividendos e dos juros sobre o capital próprio;
• Títulos da dívida pública: são ativos negociados no mercado de títulos, onde o 
governo busca captar recursos monetários através da promessa de resgatar esses 
títulos com o pagamento de juros, em modalidades distintas de indexadores. 
O vencimento se dá para um prazo no qual os ativos serão resgatados pelo 
governo, mas é possível negociá-los.
Outra forma de se distinguir os mercados se refere à forma de colocação dos ativos 
ou títulos no mercado, sendo assim, classificada como mercado primário ou mercado 
secundário. O mercado é considerado primário quando na colocação inicial de um 
título ou ação, isto é, na sua primeira operação de compra, os recursos gerados da 
venda entram para o caixa do agente tomador. Já no mercado secundário os títulos 
e ações são negociados, trocando de mãos, mas permitindo dar-se liquidez a eles, 
permitindo reduzir os seus riscos. Quanto mais organizado e dinâmico for o mercado 
secundário melhor para ambos os agentes participantes e para o financiamento da 
atividade de investimento.
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ISTO ESTÁ NA REDE
IPO: como funciona a estreia de uma empresa na Bolsa
As ofertas públicas iniciais podem ser uma oportunidade tanto para investidores de 
longo prazo quantopara os que estão interessados em obter ganhos rápidos
Um dos eventos do mercado financeiro acompanhados mais de perto pelos 
investidores são os IPO’s. Eles marcam a estreia de uma empresa na Bolsa de 
Valores e costumam despertar curiosidade e interesse — além da ambição de obter 
ganhos. Mas o que exatamente é um IPO, e como é possível lucrar com ele?
Este guia do InfoMoney foi elaborado para explicar esses detalhes e tirar as 
principais dúvidas dos investidores sobre IPO’s. Você vai saber quais são as etapas 
envolvidas no processo e também para quem é indicado participar de uma abertura 
de capital, acessando o link: 
Com relação ao tipo de agente econômico tomador, os mercados podem ser 
classificados em mercados públicos ou mercados privados. Os mercados públicos 
são os que possuem condições de permitir que qualquer indivíduo potencial possa 
participar, sendo os termos dos contratos conhecidos e acessíveis a todos, valendo 
a chamada “lei do preço único”, ou seja, pratica-se as mesmas taxas de juros para 
contratos de mesma natureza. Os mercados privados, por sua vez, não estão acessíveis 
a todos os indivíduos, sendo as transações feitas de forma bilateral, comumente 
identificados como mercado de balcão. 
Outro aspecto que permite classificar um mercado financeiro diz respeito à forma de 
intermediação e desintermediação financeiras. As relações financeiras intermediárias 
podem ser compreendidas como sendo aquelas em que uma instituição financeira 
estabelece as regras entre o agente superavitário e o agente deficitário (poupador-
tomador), sendo constituído principalmente pelos bancos que assumem o risco da 
operação. As relações desintermediadas são aquelas em que o agente que está 
concedendo o crédito retém consigo as obrigações do agente tomador final; o risco 
recai sobre o agente que está concedendo os recursos financeiros a serem emprestados 
e não sobre a instituição financeira, pois esta apenas promove o encontro entre 
emprestadores e tomadores. 
Os mercados financeiros também podem ser classificados de acordo com os 
recursos e riscos. Os contratos financeiros possuem um certo risco de não serem 
cumpridos da forma como imaginava o agente que cede os recursos. Um contrato 
financeiro, portanto, combina expectativas de retornos e riscos de não concretização 
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dessas expectativas. Uma forma de atenuar os riscos dos investimentos se dá através 
das operações de hedge, sendo que essas operações requerem conhecimento sobre 
derivativos dos títulos principais e estratégias de operações em mercado financeiro, 
necessitando, muitas vezes, da assessoria de um agente financeiro (broker) e de uma 
corretora de valores.
ISTO ESTÁ NA REDE
O que são derivativos e como investir neles: guia completo para começar
Contratos a termo, futuros, opções, swaps. Conheça as modalidades mais comuns 
de derivativos e saiba como usá-las para se proteger ou para lucrar
Você já ouviu falar de contratos futuros? E de opções ou swaps? Todos 
esses nomes são tipos de derivativos, instrumentos financeiros muito usados pelos 
investidores para protegerem suas operações — ou para lucrarem no mercado.
Como permite a movimentação de valores pequenos, o mercado de derivativos 
tem despertado a curiosidade e o interesse cada vez maior de pessoas físicas.
Mas como efetivamente funcionam esses instrumentos? Como podem ser 
usados para compor estratégias diferentes de aplicação? 
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está 
na fonte.
Fonte: INFOMONEY. O que são derivativos e como investir neles: guia completo para começar. 2022. 
Disponível em . Acesso em 3 Fev 2023.
#ISTO ESTÁ NA REDE#
Como pode ser observado, os mercados financeiros têm por função permitir e 
agilizar a transferência de recursos financeiros entre indivíduos. Para tanto é de suma 
importância celebrar um contrato entre as partes envolvidas. Assim, pode-se dizer 
que o contrato financeiro é uma promessa de pagamento que a parte tomadora faz 
à parte cedente dos recursos financeiros, estabelecendo condições e termos pelos 
quais esse pagamento será feito no futuro. 
Uma vez que os riscos são inerentes ao processo, não se pode dizer que eles 
provêm apenas da ausência de pagamentos. Assaf Neto (2021) cita os principais 
riscos verificados no mercado financeiro, enfrentados principalmente pelas instituições 
bancárias, sendo eles:
Risco de variação das taxas de juros;
Risco de crédito;
Risco de mercado;
Risco operacional;
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Risco de câmbio;
Risco soberano;
Risco de liquidez; e
Risco legal.
O autor recomenda que uma vez que os riscos pertencem ao sistema econômico, 
torna-se importante que a instituição financeira planeje uma boa administração de 
seus riscos, avaliando ao máximo cada variável.
8.2 Taxa de Juros
Vimos que as relações financeiras decorrem por haver agentes que possuem 
poupança e que são considerados como agentes credores ou doadores e, também, 
pelos agentes deficitários ou tomadores, que necessitam obter recursos monetários/
financeiros para fazer frente às suas necessidades. 
Para que esses agentes possam realizar as operações de transações financeiras 
é importante a existência do mercado e do agente intermediário. Mas ainda existem 
mais duas variáveis para dar mobilidade a estas operações, sendo elas o tempo em 
que os ativos permanecerão em mãos trocadas e a taxa de juros.
O fato de os produtos possuírem preços diferentes ao longo do tempo, seja decorrente 
de sua valorização ou da corrosão provocada pela inflação, faz com que o poder 
aquisitivo da moeda se perca ao longo do tempo.
ANOTE ISSO
O poder aquisitivo da moeda muda ao longo do tempo. Então não guarde dinheiro 
debaixo do colchão.
O juro pode ser entendido como a remuneração do fator de produção capital, ou 
seja, o capitalista coloca o seu capital à disposição do setor produtivo e recebe por 
isto juros, conforme se estuda na Contabilidade Nacional. Observa-se que ele difere do 
lucro, pois este é decorrente do processo produtivo, da comercialização dos produtos, 
através do preço que contém uma parcela referente aos custos unitários e outra ao 
lucro unitário.
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Outra forma de conceituar o juro é como sendo o preço da moeda, ou seja, ele vem 
a ser a remuneração que o tomador deve pagar ao montante monetário/financeiro 
captado.
O que justifica a existência dos juros?
É justamente o fato dos indivíduos gerarem poupança e emprestarem esse montante 
para que outros indivíduos ou empresas possam usar. É o ganho sobre a abstinência 
do consumo presente pelo consumo futuro.
Conforme descreve Sandroni (1999), os economistas clássicos atribuíam a cobrança 
de juros à produtividade do capital. Marx o considerou como a participação financeira no 
lucro do capitalista produtivo. Keynes, por sua vez, justificou a existência e a cobrança 
dos juros pela escassez de capital e pela postergação do dono do capital à liquidez. 
As principais formas de lidarmos com os juros são:
Juro simples: o valor é calculado sobre o montante do capital;
Juro composto: o valor do juro vencido e não pago é somado ao capital emprestado, 
formando um montante sobre o qual é calculado o juro seguinte. Dizemos que é juro 
sobre juro;
Juro bancário: corresponde ao valor da taxa de juros cobrada pelos bancos, 
comerciais ou públicos, nas operações efetuadas junto aos clientes tomadores, variando 
conforme o tipo de operação realizada, como cheque especial, empréstimo pessoal ou 
consignado, desconto de duplicatas, entre outras operações comerciais monetárias. 
O valor das alíquotas dos juros pode se dar de forma pré-fixada e pós- fixada;
Juro nominal: correspondente ao valor da alíquota de juroacrescentado à alíquota 
do valor referente à correção monetária, oriunda das alíquotas inflacionárias. Se não 
houver inflação o juro nominal é igual ao juro real;
Juro real: vem a ser o valor da alíquota do juro cobrado ou pago sobre uma operação 
de empréstimo ou financiamento, sem o acréscimo da correção monetária;
Juros de mora: são decorrentes do atraso no pagamento do empréstimo contratado;
Juros exatos: são aqueles incidentes para um tempo base de um ano de 365 dias;
Juros flutuantes: são determinados no momento do pagamento dos juros das 
dívidas contraídas. Possuem o inconveniente de poderem sofrer elevações acentuadas 
antes do término do pagamento do valor monetário contraído como empréstimo, 
onerando o montante da dívida;
Juros imputados: são valores de juros considerados efetivamente pagos, embora 
não haja um desembolso real em dinheiro para efetivá-lo;
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Juros ordinários: são os incidentes que têm por base um ano comercial, composto 
de doze meses, de trinta dias cada, ou um ano de 360 dias. A diferença entre os juros 
ordinários e os exatos é determinada através da razão entre o total dos dias do ano 
real dividido pelo total dos dias do ano comercial, sendo igual ao valor de 365/360 = 
1,01388.
Juros pré e pós-fixados: os juros pré-fixados correspondem ao valor da alíquota da 
taxa de juros que irá incidir na transação financeira, devidamente estipulado, ou seja, ele 
é conhecido na hora de estabelecer o empréstimo. Já em relação aos juros pós-fixados, 
o montante exato, que será o capital mais o valor do juros, será conhecido apenas 
na data do vencimento ou no resgate do título, pois ele é determinado considerando 
o valor da alíquota da inflação, ou de uma taxa de juros determinada na data de 
vencimento, de acordo com as autoridades monetárias.
ANOTE ISSO
A análise da taxa de juros, em relação à sua forma – pré ou pós-fixada, é muito 
importante para ambos os agentes envolvidos no mercado financeiro. Em períodos 
inflacionários, a taxa pós fixada é melhor para quem está emprestando e pior para 
quem está tomando o recurso emprestado. Quando as taxas de inflação estão 
reduzindo a taxa pré-fixada é melhor para quem está emprestando e pior para 
quem está tomando o recurso emprestado. O inverso dessa situação faz com que 
os beneficiados também se alterem.
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CAPÍTULO 9
INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS 
– INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS
As empresas vivenciam períodos em que seu fluxo de caixa se apresenta 
superavitário e outros períodos nos quais ele se apresenta deficitário. Como visto, a 
falta de sincronização entre receita-despesa leva a demanda de moeda para o motivo 
transação. Mas nem sempre é possível manter um saldo superavitário, devido ao 
ciclo produtivo, à sazonalidade da demanda do produto, ao ciclo de investimentos, 
aos riscos naturais e do mercado inerentes à atividade.
Visando o equilíbrio no seu fluxo de caixa, a empresa pode se valer de recursos 
de terceiros, através de empréstimos. Como já descrito, a dificuldade centra-se no 
fato de encontrar indivíduos ou empresas que estejam dispostos a conceder um 
empréstimo. Por isso é importante um intermediário financeiro, que pode ser realizado 
por instituições bancárias e não bancárias.
9.1 Instituições Bancárias
Neste tópico serão descritas as principais instituições bancárias que atuam no 
Brasil, de acordo com a sua classificação em razão aos serviços prestados ao público. 
Destaca-se no país os bancos comerciais e múltiplos.
Talvez a principal razão da existência de um banco seja a economia de escala, 
resultante do volume de transações, efetuado em cada atividade. Segundo Troster 
(in Gremaud et al, 2017), uma instituição bancária possui como funções principais:
• Intermediação financeira: é a função que dá às instituições bancárias a capacidade 
de obter renda, pela diferença entre o valor do juro cobrado do agente tomador 
e o valor do juro repassado ao agente poupador. Nesta função a instituição 
bancária reúne os recursos de unidades superavitárias e os disponibiliza para 
unidades deficitárias; 
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ANOTE ISSO
A diferença de valor que o banco paga a um poupador ou investidor e o valor que 
ele cobra para emprestar o mesmo dinheiro para pessoas ou empresas recebe a 
denominação de spread bancário.
• Transmutação de ativos: transmutar significa transformar um em outro. 
Assim, esta função corresponde à transformação de um determinado ativo, 
com determinadas características distintas como a data de vencimento, o 
valor do montante, as probabilidades dos riscos; em um outro ativo, que possui 
características diferentes em relação ao primeiro ativo. A transmutação pode 
deixar o banco mais frágil, uma vez que pode passar a possuir um ativo com 
características de riscos maiores e que venha a comprometer o seu passivo;
• Câmara de compensação: corresponde ao processo de verificação e transferência 
dos valores transacionados entre os agentes econômicos, através do pagamento, 
via emissão de um cheque depositado em uma conta corrente ou conta poupança, 
ou outra forma de quitação de uma transação, procedendo o processo de registro 
e liberação. Em síntese, é o tempo que o banco leva para confirmar o pagamento 
e isto varia em razão do instrumento de pagamento utilizado. 
ISTO ESTÁ NA REDE
Uso de cheques recua, mas ainda são compensados mais de 100 milhões por 
semestre
Em 1995 eram compensados 3,3 bilhões de cheques por ano; canais digitais hoje são 
responsáveis por 70% das operações bancárias no Brasil 
A criação do pix e o avanço dos meios de pagamento digitais, como o internet e mobile 
banking, têm contribuído para o recuo na utilização do cheque no Brasil, mas ainda são 
compensados mais de 100 milhões de documentos por semestre (mais de 17 milhões 
por mês).
Foram 103,9 milhões de cheques compensados no primeiro semestre deste ano, uma 
redução de 13,8% em relação aos 120,6 milhões do mesmo período de 2021, segundo 
dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em todo o ano passado foram 
218,9 milhões.
Apesar do número expressivo, ele representa uma forte queda de 93,4% na comparação 
com os 3,3 bilhões de cheques compensados em 1995, início da série histórica do 
Compe (Serviço de Compensação de Cheques).
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na fonte.
Fonte: INFOMONEY. Uso de cheques recua, mas ainda são compensados mais de 100 milhões por semestre. 2022. Disponível em . Acesso em 6 Fev 2023.
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No Brasil, os instrumentos de pagamentos das transações financeiras vêm evoluindo 
periodicamente, como é o caso do PIX.
ANOTE ISSO
O cheque é uma ordem de pagamento à vista emitida em favor de um terceiro, 
podendo ser ao portador ou nominal. Portanto, não existe a modalidade de cheque 
pré-datado. Isto é uma convenção entre os agentes que estão transacionando. 
Os bancos devem agir conforme o que determina a Resolução BCB Nº 18, de 
22/09/2020.
Busque por maiores esclarecimentos e informações sobre o funcionamento dos 
cheques acessando o link da fonte.
Fonte: BANCO DO BRASIL. Cheques. Disponível em . Acesso em 6 Fev 2023.
Carvalho (2015) enfatiza que os bancos são instituições financeiras, que são 
autorizadas a funcionarem através de uma carta patente concedida pelo governo 
executivo federal do Brasil, que captam os recursos de um determinado público, através 
da aceitação de depósitos. 
Sandroni (1999) conceitua os depósitos bancários como a: 
Quantia em dinheiro confiada a um banco por uma pessoa ou 
empresa. Pode serde dois tipos: à vista ou a prazo fixo. Os depósitos 
à vista podem ser retirados pelo depositante a qualquer momento e 
não rendem juros. Os depósitos a prazo fixo só podem ser retirados 
após o prazo combinado e rendem juros (SANDRONI, 1999, p. 164).
Carvalho (2015), além dos tipos identificados por Sandroni (1999), complementa 
com os depósitos que ocorrem nas cadernetas de poupança, onde o valor monetário 
entregue à instituição bancária pode ser resgatado, a qualquer momento, de forma 
integral ou parcial, com a particularidade de receber juros mensais. Dependendo da 
data do resgate, pode ocorrer a perda do valor do juro, por não respeitar a carência 
da aplicação financeira. Um aspecto importante é que o depósito em caderneta de 
poupança não permite a movimentação dos valores através de cheques.
Vale lembrar que os depósitos à vista compõem a moeda em poder do público, 
juntamente com a moeda fiduciária. Isto se deve porque o público pode resgatar de 
suas contas correntes. Talvez o principal motivo que faz com que o público procure 
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manter seu montante monetário depositado nos bancos se deve à segurança contra 
perdas ou roubos, principalmente para grandes somas. Atrelado a isto ainda existe a 
praticidade e as garantias do sistema financeiro nacional.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Qual a garantia dos depositantes em caso de intervenção?
Caso a intervenção seja decretada em bancos, cooperativas de crédito, 
sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito 
imobiliário, companhias hipotecárias, associações de poupança e empréstimo 
e na Caixa Econômica Federal, os depositantes gozam de garantia no valor de 
até R$250.000,00, paga pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou pelo Fundo 
Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCOOP).
Tanto o FGC como o FGCoop são organizações privadas mantidas pelas 
instituições financeiras filiadas a eles.
Existem outros tipos de depósito, mas não são considerados meios de pagamento, 
não sendo substitutos da moeda legal. Devido a este fato é que as instituições 
financeiras, que geram tais depósitos, têm que estar preparadas para resgatá-los, de 
forma integral na ocasião do vencimento.
O sistema financeiro nacional, conforme foi citado no capítulo 6, considera as 
principais instituições bancárias, os bancos comerciais, as caixas econômicas, os 
bancos de investimentos, os bancos de poupança e as cooperativas de crédito.
9.1.1 Os Bancos Comerciais
Os bancos comerciais são instituições financeiras públicas ou privadas, de capital 
aberto, que atuam na intermediação entre depositantes e tomadores de crédito, ou 
seja, proporcionam o suprimento de recursos necessários para financiar, no intervalo 
de curto e médio prazo, o agente econômico, empresa e unidades familiares. 
De acordo com Passos e Nogami (2016), para atingir seus objetivos, estas instituições 
têm como principais atividades: 
• Descontar títulos; 
• Realizar operações de abertura de crédito, simples ou em conta corrente; 
• Realizar operações essenciais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio 
internacional; 
ECONOMIA MONETÁRIA
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• Captar depósitos à vista e em prazo fixo; 
• Obter recursos no exterior, para repasse; 
• Obter recursos em instituições oficiais para repasse aos clientes; 
• Efetuar a apresentação de serviços, inclusive mediante convênio com outras 
instituições. 
É importante destacar que na sua denominação deve constar a expressão Banco, 
conforme determina o Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional.
Carvalho (2015) descreve que os principais riscos que estão sujeitos os bancos 
comerciais são os riscos de crédito que referem-se à probabilidade de a instituição 
receber o calote por parte dos tomadores de crédito, e os riscos de liquidez que podem 
ocorrer devido ao desequilíbrio provocado por uma retirada maior que o montante 
referente às reservas técnicas, fazendo com que o banco tenha que vender ativos, 
como debêntures, de formas desfavoráveis, o que resultaria em perdas para o banco.
ANOTE ISSO
Um debênture pode ser entendido como sendo:
Título mobiliário que garante ao comprador uma renda fixa, ao contrário 
das ações, cuja renda é variável. O portador de um debênture é um 
credor da empresa que o emitiu, ao contrário do acionista, que é um dos 
proprietários dele. Os debêntures têm como garantia todo o patrimônio 
da empresa. Debêntures conversíveis são aqueles que podem ser 
convertidos em ações, segundo condições estabelecidas previamente 
(SANDRONI, 1999, p. 156, adaptado).
Os riscos de crédito podem ser reduzidos através de sistemas de análise mais 
rigorosos e, também, com a solicitação de maiores garantias. Já para os riscos de 
liquidez são necessários processos de gestão que garantam o acompanhamento dos 
índices de liquidez da instituição, visando antever possíveis desequilíbrios.
9.1.2 Caixas Econômicas
As caixas econômicas são empresas públicas que atuam no segmento bancário, 
por exercerem atividades típicas de banco comercial. No entanto, a sua existência se 
justifica devido ao conjunto de serviços prestados ao público, de caráter socioeconômico, 
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através da concessão de empréstimos e financiamentos de programas e projetos 
de natureza social, como projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação, 
trabalho, transportes urbanos e esporte, merecendo destaque as ações voltadas ao 
atendimento dos direitos do trabalhadores, através do pagamento dos benefícios 
governamentais como seguro desemprego, PIS, entre outros.
Segundo o Banco Central do Brasil, a única instituição desse segmento em atividade 
é a Caixa Econômica Federal (CEF), uma empresa pública vinculada ao Ministério da 
Fazenda. 
As caixas econômicas estaduais existentes no Brasil foram privatizadas ou 
incorporadas por outras instituições financeiras. Já a Caixa Econômica Federal, que 
foi criada em 1861, é uma instituição que se assemelha aos bancos comerciais, 
podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas, além de efetuar prestação 
de serviços. 
Está autorizada a operar com crédito direto ao consumidor, financiar bens de consumo 
duráveis – principalmente imóveis, emprestar sob garantia de penhor industrial e caução 
de títulos. Ela possui o monopólio do empréstimo sob penhor de bens pessoais e 
sob consignação e também dos jogos de loterias, como Mega-Sena, quina, bilhetes 
de loteria federal, entre outros. Também é responsável pelo recolhimento e aplicação 
de todos os recursos provenientes dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo 
de Serviço (FGTS). Além disto tudo, ainda integra o Sistema Brasileiro de Poupança 
e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
9.1.3 Os Bancos de Investimentos
Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas de capital aberto, 
que captam recursos através de depósitos a prazo e também realizam empréstimos de 
capital fixo ou de giro. No entanto, não fazem captação com depósitos à vista, mas são 
especializadas em operações relacionadas à participação societária, normalmente de 
caráter temporário, voltadas ao financiamento da atividade. Possuem a obrigatoriedade 
de constar a denominação “Banco de Investimento”. 
A forma mais tradicional de operação de um banco de investimento se dá pela 
subscrição de papéis ou ativos, colocados ou lançados no mercado pela primeira vez, 
ou seja, através de uma emissão primária. O processo de subscrição é feito através da 
compra por parte do banco de investimento dos papéis emitidos pelo tomador. Assim, 
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os recursos para o agente tomador são adiantados, ficando os ativos em carteira para 
colocação no mercado, em um momento propício para as vendas. 
Observa-seque a principal função do banco de investimento é permitir que as 
empresas ou o governo que desejem, possam investir na época mais favorável, 
evitando esperar que o mercado esteja receptivo a essas emissões. Logo, ele propicia 
o descasamento dessas datas, pois retém os papéis em na sua própria carteira para 
venda futura, como os títulos emitidos, ações, bônus, notas etc.
O banco de investimento ganha pela diferença entre o valor que vende e os títulos 
do valor que pagou. Logo, o risco inerente à perda pela depreciação do ativo é real 
e deve-se analisar muito bem cada tipo de operação. E para acentuar os riscos, seu 
crescimento se dá com o aumento do grau de volatilidade dos mercados, fazendo 
com que a precificação futura dos títulos fique mais difícil de ser prevista. Isto faz 
com que os bancos de investimentos atuem de forma mais seletiva em relação aos 
clientes que atenderão.
Para alguns autores, como Troster (in Gremaud et al, 2017), os bancos de 
investimento não se comportam como instituição financeira bancária, embora recebam 
a denominação de “banco”, sendo considerados uma instituição financeira não bancária.
9.1.4 Banco de Poupança
Os bancos de poupança atuam no mercado de crédito, ocupando um segmento 
específico, que vem a ser o financiamento para aquisição de imóveis, especialmente 
residenciais. A forma de atuação consiste na captação de depósitos à vista, em caderneta 
de poupança, que irá compor uma parte para a compra do imóvel. A diferença provém 
dos recursos captados pelo banco, que será emprestado ao tomador para compor o 
valor total do imóvel. A garantia se dá através da transferência de propriedade para 
o banco, por hipoteca, até a quitação do empréstimo.
Estas instituições operam com níveis elevados de riscos, decorrentes de vários 
fatores, como a interrupção no pagamento do financiamento gerando custos adicionais 
para se desfazer do imóvel e repor o montante emprestado, pois pode haver contestação 
jurídica, o que pode acabar por elevar o tempo para reaver, ficando o imóvel parado e 
sofrendo depreciação e desgaste proveniente do tempo. Outro risco está relacionado 
às mudanças nas regras do financiamento impostas pelos órgãos normatizadores. Há 
também a possibilidade de sofrer perdas decorrentes da variação das taxas de juros.
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9.1.5 Bancos de Câmbio
São instituições financeiras, constando a denominação “Banco de Câmbio”. Realizam 
operações cambiais ou operações de crédito vinculadas às de câmbio, sendo elas 
citadas por Abreu e Silva (2016):
• Compra e venda de moeda estrangeira;
• Transferências de recursos do e para o exterior;
• Financiamento de importação e exportação;
• Adiantamento sobre contrato de câmbio;
• Outras operações, inclusive de prestação de serviços, previstas na legislação 
de câmbio; 
• Atuação, por conta própria, em bolsas de mercadorias e futuros e em mercado 
de balcão, em operações vinculadas a moedas estrangeiras ou vinculadas a 
operações de câmbio.
Elas podem receber recursos através de depósito em conta, mas não podem 
remunerá-las e nem promover movimentações através de cheque ou meio eletrônico. 
Os recursos são destinados à realização de uma atividade específica. 
Além dos seus próprios recursos, os bancos de câmbio podem captar recursos 
provenientes de repasses de outros bancos, depósitos interbancários e recursos do 
exterior. 
A maioria dos bancos múltiplos atuam como bancos de câmbio, realizando serviços 
cambiais.
9.1.6 Bancos Múltiplos
Conforme descrevem Abreu e Silva (2016), os bancos múltiplos foram criados 
com o objetivo de agregar em uma instituição bancária os vários serviços prestados 
pelos demais tipos de banco. Na sua denominação social deve constar a expressão 
“Banco”. São sociedades anônimas, que atuam no setor financeiro, privadas ou públicas, 
realizando as operações ativas, passivas e através das seguintes carteiras: 
• Comercial; 
• De investimento e/ou de desenvolvimento; 
• De crédito imobiliário; 
• De arrendamento mercantil e de crédito; 
• Financiamento e investimento. 
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Para ser considerado um banco múltiplo, ele deve ser constituído com, no mínimo, 
duas carteiras. Uma destas carteiras tem que ser a comercial ou de investimento, 
obrigatoriamente. Porém não é possível constituir um banco múltiplo com todas as 
carteiras listadas, pois algumas carteiras são obrigatoriamente de responsabilidade 
de instituições financeiras públicas, enquanto outras são obrigatoriamente de 
responsabilidade de instituições financeiras privadas.
9.1.7 Bancos de Desenvolvimento
Segundo Passos e Nogami (2016), os bancos de desenvolvimento são instituições 
financeiras, controladas pelos governos estaduais, tendo como objetivo basal 
proporcionar o suprimento adequado dos recursos voltados aos financiamentos de 
programas e projetos que promovam o desenvolvimento socioeconômico no respectivo 
Estado, considerando o período em médio e longo prazos. Sua denominação tem 
que constar, obrigatoriamente, a expressão “Banco de Desenvolvimento”, seguido do 
nome do Estado. 
Assim, por exemplo: no Estado de São Paulo o banco de desenvolvimento é o 
Desenvolve SP, que institucionalmente está descrito como o Banco do Empreendedor, 
sendo uma instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo, que oferece as 
melhores opções de financiamento para transformar o projeto de crescimento da sua 
empresa em realidade. Já no Estado de Minas Gerais, é o Banco de Desenvolvimento 
de Minas Gerais – BDMG, que enfatiza sua atuação por apoiar os setores público e 
privado, oferecendo crédito para empresas de todos os portes e setores, prefeituras 
e concessionárias de serviços públicos municipais.
ANOTE ISSO
O desenvolvimento de uma localidade requer investimentos nas áreas estruturais, o 
que nem sempre é um atrativo para as empresas do setor privado. Assim, o papel 
dos bancos de desenvolvimento é primordial para que a sociedade venha a ter 
acesso aos bens estruturais e as chamadas ferramentas de ações sociais.
9.1.8 Cooperativas de Crédito
É possível inteirar sobre as cooperativas de crédito, tomando por base os 
descritivos do Banco Central (on-line), elas se caracterizam por serem uma instituição 
financeira, formada pela associação de pessoas para prestarem serviços financeiros 
exclusivamente aos seus associados. São autorizadas e supervisionadas pelo Banco 
Central, ao contrário dos outros ramos do cooperativismo.
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Segue os mesmos preceitos das cooperativas produtivas, sendo que os cooperados 
assumem duplo papel, sendo ao mesmo tempo donos e usuários dos serviços da 
cooperativa. Podem participar ativamente da sua gestão e os associados possuem 
poder de voto igualmente, independentemente do montante financeiro a que se refere 
a sua cota de participação no capital social da cooperativa. 
ANOTE ISSO
O cooperativismo não visa lucros, os direitos e deveres de todos são iguais e a 
adesão é livre e voluntária.
Oferece os principais serviços disponíveis nos bancos comerciais, como conta 
corrente, aplicações financeiras diversas, cartão de crédito e débito, empréstimos e 
financiamentos. 
Nas cooperativas de crédito, o resultado do exercício é compartilhado com os 
cooperados. Se for positivo, conhecido como sobra, procede-se à repartição para eles. 
Por outro lado, o cooperado está sujeito a participar do rateio de eventuais perdas, 
em ambos os casos se respeita a proporção do valor do montante financeiro a que 
se refere a sua cota de participação no capital social da cooperativa.
Assim como as demais instituições bancárias, que captam recursos via depósito à 
vista, os depósitos em cooperativas de crédito têm a proteção de um fundo específico 
a elas, que vem a ser o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop). 
Esse fundo garanteos depósitos e os créditos mantidos nas cooperativas singulares 
de crédito e nos bancos cooperativos, caso ocorra uma intervenção ou liquidação 
extrajudicial dessas instituições. O valor limite para essa proteção é o mesmo em 
vigor para os depositantes dos bancos.
Com relação ao regime jurídico das cooperativas de crédito, a Política Nacional de 
Cooperativismo, definida pela Lei nº 5.764/1971, instituiu e definiu os princípios do 
cooperativismo, sendo:
• Singulares: são as constituídas pelo número mínimo de vinte pessoas, sendo 
permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto atividades 
econômicas correlatas às de pessoa física, ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos;
• Centrais ou federações de cooperativas: são as constituídas de, no mínimo, 
três singulares filiadas;
• Confederações de cooperativas centrais: são as constituídas por pelo menos 
três cooperativas centrais ou federações de cooperativas, da mesma ou de 
diferentes modalidades.
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Decorrente da evolução das cooperativas de crédito, a resolução do Conselho 
Monetário Nacional (CMN) n° 2.788/2000, conforme descreve o Bacen, autorizou a 
constituição de bancos cooperativos mediante controle acionário de cooperativas 
centrais, que atuam com o objetivo de disponibilizar aos associados os produtos e 
serviços bancários não disponíveis às cooperativas de crédito. Esses bancos estão 
sujeitos à legislação e à regulamentação que são aplicadas aos bancos comerciais e 
aos bancos múltiplos em geral.
9.2 Panorama das Instituições Bancárias no Brasil
A figura 1 apresenta uma síntese da atuação dos principais tipo de instituições 
bancárias:
Figura 1: Síntese das principais instituições bancárias segundo o Banco Central do Brasil.
Fonte: BACEN
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Segundo as estatísticas bancárias, publicadas pelo Banco Central, em janeiro 
de 2023, por segmento, o Brasil possuía 161 instituições financeiras, atuando nos 
setores de banco múltiplo, Caixa Econômica Federal, banco comercial, banco múltiplo 
cooperativo, banco de câmbio e banco comercial estrangeiro - filial no país. Na tabela 
1 é possível ver a quantidade por segmento, lembrando que se trata da instituição e 
não do número de agências existentes.
Repare que a grande totalidade de instituições está no segmento de bancos múltiplos, 
com 135 instituições, o que equivale a 83,85% do total. Como descrito anteriormente, 
no segmento caixas econômicas há somente a Caixa Econômica Federal. Bancos de 
desenvolvimento e de investimento não fazem parte desta estatística.
Segmento Quantidade Participação %
Banco Múltiplo 135 83,85%
Caixa Econômica Federal 1 0,62%
Banco Comercial 14 8,70%
Banco Múltiplo Cooperativo 2 1,24%
Banco de Câmbio 5 3,11%
Banco Comercial Estrangeiro - Filial 
no país
4 2,48%
Total 161 100,00%
Tabela 1 – Instituições bancárias brasileiras, por segmento, janeiro de 2023
Fonte: BACEN (adaptado)
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CAPÍTULO 10
INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS 
– INSTITUIÇÕES NÃO 
BANCÁRIAS
No capítulo 9 foram descritos os intermediários financeiros bancários, com suas 
particularidades. Como visto no capítulo 6, sobre o sistema financeiro nacional, os 
intermediários financeiros podem ser, também, instituições não bancárias. 
Fazem parte deste seleto grupo todas as instituições que fazem a captação de 
recursos através da emissão e colocação de títulos ou papéis, ou seja, que não operam 
com depósitos à vista. São formados por intermediários financeiros que operam nos 
mercados que atuam para os seus clientes, promovendo as transações financeiras 
entre os agentes superavitários e deficitários.
Os ativos que transacionam são denominados quase-moeda, sendo eles: depósitos 
a prazo, certificados e recibos de depósitos bancários ou letras de câmbio. 
Também compõem os intermediários não bancários as instituições que atuam 
com funções auxiliares, que ocorrem nos mercados monetário, de crédito, de capitais 
e cambial.
Segundo Troster (in Gremaud et al, 2017, p. 382), os intermediários não bancários 
no Brasil são todas as instituições financeiras, com exceção dos bancos. Dois aspectos 
importantes que se verificam com os intermediários não bancários: o processo evolutivo 
e a sua divisão em segmentos e subsegmentos. 
10.1 Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento
As sociedades de crédito, financiamento e investimento são conhecidas como 
“financeiras” e são instituições privadas que tem por finalidade financiar a aquisição 
de bens de consumo duráveis, através da concessão de crédito direto ao consumidor. 
Para o segmento empresarial elas possuem o financiamento do capital de giro, 
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sendo voltadas principalmente para pequenas e médias empresas. De acordo com 
o Banco Central, elas devem ser sociedade anônima, constando na denominação 
social a expressão “Crédito, Financiamento e Investimento” e são normatizadas e 
supervisionadas pelo Banco Central.
ANOTE ISSO
A diferença entre empréstimo e financiamento se dá em razão de que, no primeiro 
caso, o empréstimo recebido pelo agente tomador não tem destinação obrigatória. 
Já para o financiamento, o dinheiro recebido pelo agente tomador está vinculado à 
aquisição de determinado bem ou serviço.
Elas têm como fontes de recursos a emissão de títulos ou papéis próprios e as 
letras de câmbio. As letras de câmbio são títulos que possuem uma duração média, 
sendo emitidas com taxas de juros prefixadas. Isto permite à instituição financeira 
ofertarem crédito com prazos maiores, normalmente variando o período entre 24 a 
36 meses. Em termos de riscos, estão sujeitas, principalmente, aos riscos de crédito 
e de juros. 
Elas também podem emitir Recibos de Depósitos Bancários - RDB, Depósitos 
Interfinanceiros - DI, operações de cessão de créditos, e, mais recentemente, Depósitos 
a Prazo com Garantia Especial do Fundo Garantidor de Créditos – DPGE, segundo o 
Bacen. Tanto as letras de câmbio quanto o RDB são garantidos pelo Fundo Garantidor 
de Créditos - FGC, até o valor regulamentado e vigente.
Segundo o Bacen, várias financeiras, que não são ligadas a bancos, fazem parte de 
conglomerados econômicos. Elas operam como braço financeiro de grupos comerciais 
ou industriais. Grandes redes de varejo possuem suas financeiras. Isso permite promover 
o crédito para um público sem a necessidade de recorrer às instituições bancárias. 
Desta forma, elas podem operar em nichos que não são atendidos pelas instituições 
bancárias, em razão dos riscos serem mais elevados.
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ISTO ESTÁ NA REDE
Cresce número de instituições financeiras no país
Setor de pagamentos registra a maior expansão, enquanto fintechs ainda patinam no 
crédito, em grande parte, por só poder operar com capital próprio neste segmento
Aspectos regulatórios e a exigência crescente do brasileiro por serviços eletrônicos 
vêm dando o tom do desenvolvimento da área financeira no país.
É o que se pode deduzir das últimas estatísticas do Banco Central, segundo as quais, 
até fevereiro último, tínhamos cerca de 650 instituições, entre bancos, fintechs e 
financeiras, um total de 15% acima do registrado na contagem anterior, feita em 2019.
Incluindo cooperativas e administradoras de consórcio neste grupo, o total de 
participantes do sistema financeiro sobe para 1.648, uma alta de 1,16% na comparação 
com três anos atrás.
O perfil digital foi ponto comum dos negócios com números de expansão mais 
expressivos. Foi o caso, por exemplo, das instituições de pagamento, que passaram de 
19 para 43 desde então.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na fonte.
Fonte: INFOCREDI 360 BY VADU.Cresce número de instituições financeiras no país. 2022. Disponível em . Acesso em 8 Fev 2023.
Elas possuem um papel importante para o sistema econômico, ao gerar crédito para que 
as empresas possam transacionar seus produtos para clientes com menores rendimentos.
10.2 Corretoras e Distribuidoras de Valores
As instituições financeiras intituladas corretoras de títulos e valores mobiliários (CTVM), 
corretoras de títulos e valores mobiliários (CTVM), de acordo com o Banco Central, são 
instituições auxiliares do sistema financeiro. Elas atuam nos mercados financeiro, de 
capitais e também no mercado cambial, intermediando a negociação de títulos e valores 
mobiliários entre os agentes superavitários e os agentes deficitários. 
Em outras palavras, elas agem comprando e vendendo ativos mediante as autorizações 
dos clientes. Logo, atuam como representantes dos clientes, sendo que a ordem de compra 
e venda tem que partir do cliente e, visando a lisura do processo, deve haver registro das 
ordens, seja por meio eletrônico, escritas ou gravadas.
As principais atividades exercidas pelas corretoras e distribuidoras de títulos e valores 
mobiliários são:
• Realizar operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, tanto por 
conta própria quanto para os clientes;
• Operar no mercado de capitais, ou seja, atuar em bolsas de valores e em bolsa de 
mercadorias e de futuros, tanto por conta própria quanto para os clientes;
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• Intermediar a oferta pública - subscrição de ativos e distribuição de títulos e valores 
mobiliários no mercado;
• Administrar carteiras de ativos próprios e dos clientes e também custodiar os títulos 
e valores mobiliários;
• Atuar nas subscrições das emissões de títulos e valores mobiliários no mercado;
• Exercer funções de agente fiduciário;
• Constituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento junto aos clientes;
• Atuar na intermediação de operações de compra e venda de moeda estrangeira, 
bem como outras operações no mercado de câmbio;
• Atuar na intermediação de operações de compra e venda de metais preciosos, no 
mercado físico, tanto para si como para os clientes;
• Realizar operações compromissadas, de conta margem e estruturada;
• Operar com serviços de intermediação, de assessoria ou de assistência técnica nas 
operações e atividades que são realizadas nos mercados financeiro e de capitais.
São consideradas como instituições seguras, uma vez que não assumem obrigações 
nem retêm ativos sujeitos a riscos no futuro, exceto quando atuam na colocação de títulos 
no mercado ou acabam por operar para si.
ISTO ESTÁ NA REDE
O que são Valores Mobiliários
O conceito de valor mobiliário é altamente relevante para o mercado. Se 
determinado título for considerado um valor mobiliário, significa dizer que ele 
deve se sujeitar às regras e à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários. 
Isso implica uma mudança significativa na forma como esses títulos podem ser 
ofertados e negociados no mercado. 
Originalmente, a Lei 6385/76, utilizou um conceito mais restrito para valor 
mobiliário e evitou delimitar características amplas que pudessem ser utilizadas 
como referência para a sua caracterização. O legislador simplesmente listou o que 
se deveria considerar como valor mobiliário e outorgou ao Conselho Monetário 
Nacional competência para alterar a lista, quando necessário.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: PORTAL DO INVESTIDOR. O que são Valores Mobiliários. 2022. Disponível em . Acesso em 8 Fev 2023.
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10.3 Sociedade de Crédito Imobiliário
Segundo o Banco Central, a sociedade de crédito imobiliário (SCI) é uma instituição 
financeira constituída como sociedade anônima, devendo constar na sua denominação 
social a expressão “Crédito Imobiliário”. Ela está submetida à normatização e à 
supervisão do Banco Central. 
Possui por finalidade principal atuar junto ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH), 
proporcionando os financiamentos imobiliários diretamente ao público final, podendo 
ser compra do imóvel ou a sua construção. Também disponibiliza recursos, através da 
abertura de crédito, principalmente destinados ao incremento do capital de giro, em 
favor de empresários, para que possam aplicar os recursos em seus empreendimentos, 
exclusivamente de caráter imobiliários, respeitando as normas do SFH.
Conforme Abreu e Silva (2016), suas fontes de recursos, que irão compor seu 
passivo, vêm a ser:
Cadernetas de poupança;
• Letras de crédito imobiliário (LCI);
• Letra financeira (LF);
• Depósitos interfinanceiros; e 
• Empréstimos e financiamentos contraídos no exterior.
Um aspecto importante sobre as sociedades de crédito imobiliário é que somente 
aquelas que integram os bancos múltiplos captam depósitos junto ao público. As que 
são constituídas e que atuam isoladamente não captam depósito junto ao público, 
desde a década de 1980, sendo que atuam somente na condição de repassadoras, 
em função das modificações implementadas pelo Conselho Monetário Nacional, no 
ano de 1985, que possibilitaram transformar em instituições repassadoras de recursos 
do Sistema Financeiro de Habitação.
ISTO ESTÁ NA REDE
Letras Financeiras
A Letra Financeira (LF) é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras 
(bancos, cooperativas de crédito etc.) com a finalidade de captar recursos de longo 
prazo e, em contrapartida, oferecer aos investidores rentabilidades mais atrativas 
em razão do prazo e da impossibilidade de resgate antecipado. Desta forma, a LF 
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beneficia tanto as instituições financeiras que necessitam captar recursos quanto 
os investidores que possuem montante relevante para aplicações de longo prazo.
A LF não pode ser emitida com valor nominal unitário inferior a:
• R$ 50.000,00, se não contiver cláusula de subordinação; ou
• R$ 300.000,00, se contiver cláusula de subordinação.
Além disso, a LF tem prazo mínimo de emissão e com vedação de resgate de: 
• 24 meses, se não contiver cláusula de subordinação; ou
• 60 meses, se contiver cláusula de subordinação.
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fonte.
Fonte: B3. Títulos Privados. Letras Financeiras. 2022. Disponível em . Acesso em 8 Fev 2023.
10.4 Sociedades de Arrendamento Mercantil
As sociedades anônimas de arrendamento mercantil também são denominadas 
firmas de leasing. Em sua denominação social deve constar obrigatoriamente a 
expressão “Arrendamento Mercantil” e são supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.
Sandroni (1999) conceitua a operação de leasing como sendo uma:
Operação financeira entre uma empresa proprietária de determinados 
bens (veículos, máquinas, unidades fabris etc.) e uma pessoa jurídica, 
que usufrui desses bens contra o pagamento de prestações. Os 
contratos são sempre com tempo determinado, ao fim do qual 
a empresa arrendatária tem opção de compra do bem. A grande 
vantagem do leasing é a não imobilização de capital, sobretudo em 
casos de bens de alto preço, que terão utilização limitada (SANDRONI, 
1999, p. 332).
Elas se destinam a financiar operações de locação de bens móveis e imóveis. O 
processo se dá com a aquisição de bens, em conformidade com as determinações 
dos clientes. Os bens são alugados aos clientes, por um período contratado, sendo que 
ao finaldo prazo os clientes podem adquirir o bem, a um valor referente à diferença 
do custo do bem e os saldos dos aluguéis pagos. 
Suas fontes de recursos, de acordo com o Banco Central, vêm a ser:
• Recursos próprios;
• Empréstimos contraídos no exterior;
• Empréstimos e financiamentos de instituições financeiras nacionais;
• Instituições financeiras oficiais, destinadas a repasses de programas específicos;
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• Colocação de debêntures de emissão pública ou particular;
• Emissão de notas promissórias destinadas à oferta pública;
• Cessão de contratos de arrendamento mercantil e dos direitos creditórios deles 
decorrentes; e
• Depósitos interfinanceiros regulamentados.
Existem duas modalidades de operações de arrendamento mercantil:
• Leasing financeiro: quando os pagamentos previstos no contrato, pelo contratante 
ou arrendatário, são suficientes para que a arrendadora mercantil possa recuperar 
o custo do bem arrendado, dentro do prazo contratual da operação, podendo 
eventualmente obter um retorno sobre os recursos investidos. As despesas 
de manutenção e as atividades de serviços correlatos à operacionalidade do 
bem arrendado são de responsabilidade do arrendatário. Por fim, o preço para 
a exercer o direito da opção de compra pode ser negociado entre as partes, 
podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado;
• Leasing operacional: quando os pagamentos a serem efetuados pelo arrendatário 
contemplam o custo de arrendamento do produto não ultrapassando 90% do 
valor presente do custo do produto. O prazo contratual deve ser inferior a 75% 
do prazo de vida útil econômica do produto. Com relação ao preço para exercer 
o direito da opção de compra, deve ser o valor de mercado do bem arrendado 
e não deve haver previsão de pagamento de valor residual garantido.
ISTO ESTÁ NA REDE
Carros elétricos: comprar, leasing ou renting?
Os carros elétricos, tal como os SUV, crescem em popularidade ano após ano. Os 
fabricantes lançam novos modelos constantemente e os condutores procuram 
alternativas para contornar a escalada dos preços dos combustíveis.
Decisão importante ao adquirir um veículo elétrico é saber se vale a pena comprá-
lo ou optar antes por fazer um leasing ou renting. Quem compra carro enfrenta 
o dilema da locação versus compra. No caso dos veículos elétricos, escolher a 
modalidade ideal gera ainda maiores dúvidas.
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fonte.
Fonte: STANDVIRTUAL. Carros elétricos: comprar, leasing ou renting? Disponível em . Acesso em 8 Fev 2023.
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As características das modalidades podem ser resumidas na tabela abaixo:
Item Leasing financeiro Leasing operacional
Prazo mínimo de duração do 
leasing
2 anos para bens com vida útil 5 anos
90 dias
Valor residual garantido - VRG* Permitido Não permitido
Opção de compra
Pactuada no início do contrato, normalmente 
igual ao VRG
Conforme valor de mercado
Manutenção do bem Por conta do arrendatário (cliente)
Por conta do arrendatário ou da 
arrendadora
Pagamentos
Total dos pagamentos, incluindo VRG, deverá 
garantir à arrendadora o retorno financeiro 
da aplicação, incluindo juros sobre o recurso 
empregado para a aquisição do bem
O somatório de todos os 
pagamentos devidos no contrato 
não poderá exceder 90% do valor 
do bem arrendado
Tabela 1 – Síntese comparativa das características das modalidades de operações de arrendamento mercantil
Fonte: BACEN
10.5 Outras Instituições Atuantes no Mercado Financeiro - Não Bancárias
Vimos até o momento várias instituições atuantes no mercado financeiro, que 
captam recursos através dos depósitos à vista e são classificadas como instituições 
bancárias, bem como aquelas que que não captam recursos através dos depósitos à 
vista, mas através de outros mecanismos monetários, sendo denominadas instituições 
não bancárias. Ambas possuem a finalidade de intermediar o acesso dos agentes 
deficitários às poupanças dos agentes superavitários.
Ainda no segmento de instituições financeiras não bancárias existem várias outras 
que captam e administram os recursos dos indivíduos, seja para comporem um 
montante precaucional ou para fazerem intermediação entre agentes superavitários-
deficitários, para trocas de ativos financeiros.
10.5.1 As Companhias de Seguros
São instituições formadas na forma de sociedades anônimas, que obtêm os recursos 
dos seus clientes e os administram para uma devolução mediante uma contingência 
especificada em contrato. O valor a ser pago é contratado após a avaliação do objeto 
assegurado e todas as especificações constam no contrato que é denominado de 
apólice. O valor pago é denominado prêmio e a ocorrência da contingência sinistro. 
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Os riscos dessas instituições são decorrentes principalmente da diferença do 
montante pago pelo cliente e do valor efetuado de cobertura, que pode ficar menor, 
em função do prazo de captação e utilização, além do valor estipulado na franquia.
Elas podem atuar com diversos ativos, em diversos segmentos, como saúde, 
previdência privada, ramo vida, bens móveis e imóveis, atuação profissional e muitos 
outros.
10.5.2 Agências de Fomento
Segundo Passos e Nogami (2016), as agências de fomento são instituições financeiras 
constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital fechado, contendo em sua 
denominação o termo “Agência de Fomento”. 
Atuam no financiamento de capital fixo e de giro para projetos nos Estados, por 
isso estão sob o controle das Unidades da Federação onde atuam. A denominação 
Agência de Fomento deve conter na sua razão o nome da Unidade da Federação a 
qual é subordinada e cada Estado só pode constituir uma instituição.
ISTO ESTÁ NA REDE
O que é agência de fomento?
Os estados e o Distrito Federal podem constituir agências para fomentar projetos 
regionais.
Agência de fomento é a instituição com o objetivo principal de financiar capital fixo 
e de giro para empreendimentos previstos em programas de desenvolvimento, na 
unidade da Federação onde estiver sediada.
Entre os potenciais beneficiários do financiamento (operações ativas) estão projetos 
de infraestrutura, profissionais liberais e micro e pequenas empresas. Indústria, 
comércio, agronegócio, turismo e informática são exemplos de áreas que podem 
ser fomentadas.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: BACEN. O que é agência de fomento? Disponível em . Acesso em 8 
Fev 2023.
10.5.3 Sociedades de Crédito ao Microempreendedor 
A sociedade de crédito ao microempreendedor e à empresa de pequeno porte, 
segundo o Bacen, são instituições constituídas sob a forma de companhia fechada 
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ou de sociedade limitada e na sua expressão é obrigatória na denominação social a 
expressão “Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte”, 
sendo supervisionadas pelo Banco Central. Têm por função conceder financiamentos 
e prestação de garantias às microempresas ou empresas de pequeno porte.
Elas não podem captar recursos do público ou emitir títulos e valores mobiliários, 
mas podem atuar como correspondentes no país. Os seus recursos são provenientes 
de repasses e empréstimos originários de instituições financeiras, de entidades voltadas 
para ações de fomento e desenvolvimento, captação de recursos junto aos bancos 
por meio de depósito interfinanceiro vinculado a operações de microfinanças.
10.5.4 Administradoras de Consórcio
Segundo o Banco Central, uma administradora de consórciosCATÓLICA PAULISTA | 14
Mas acredite, o escambo ainda é praticado atualmente. Muitos indivíduos buscam 
nessa forma de comércio uma alternativa para evitar o pagamento de impostos, bem 
como para desapegar de coisas sem utilidade. Já é possível encontrar sites que se 
destinam ao escambo, sendo que alguns possuem uma especificidade de produto.
Nos grandes centros, por vários lugares do mundo, também acontecem feiras de 
troca de mercadorias. Em alguns lugares recebem a denominação de feira do rolo, 
contendo até páginas em redes sociais. O grande problema dessas feiras encontra-se 
na procedência dos bens, pois em alguns casos é possível encontrar objetos frutos 
de roubos ou furtos. 
ISTO ESTÁ NA REDE
Trocas por produtos, serviços e alimentos: escambo ganha força em grupo no 
litoral de SP
Rede já possui 6 mil membros, oferece boas oportunidades e alimenta a 
solidariedade.
Por Anderson Firmino, g1, Santos, 27/07/2022 
A troca de objetos entre pessoas, também conhecida como escambo, era prática 
comum antes do surgimento da moeda. Porém essa ação pré-histórica, que 
remonta ao período Neolítico [10 mil a 4 mil anos antes de Cristo], tem ganhado 
força na Baixada Santista devido ao cenário econômico conturbado, de inflação 
em alta. No Facebook, a página Escambo Baixada Santista incentiva a permuta de 
objetos ou prestação de serviços.
A autônoma Isabel Cristina Paiva, moradora de São Paulo, recorreu à troca de 
objetos para ajudar a filha de 28 anos, que se mudou para Praia Grande, no litoral 
de São Paulo. Ela já trocou 14 DVDs lacrados de música por mantimentos, produtos 
de higiene e de limpeza [...].
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: https://
g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2022/07/27/trocas-por-produtos-servicos-e-
alimentos-escambo-ganha-forca-em-grupo-no-litoral-de-sp.ghtml>
A prática do escambo ainda perdurará nos sistemas econômicos, por mais que 
haja a evolução no sistema monetário. No entanto, ela ficará restrita a alguns poucos 
negócios.
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1.3 Características da Moeda
Imagine você querendo trocar quinze sacas de 60 kg de arroz e uma saca de feijão, 
também de 60 kg, por uma vaca e um bezerro, morando a uma distância de 15 km 
do mercado. Você conta com apenas uma carroça pequena puxada por um burro, 
que só consegue transportar cinco sacas de 60 kg, por vez. Haverá a necessidade, 
portanto, de se efetuar três viagens, sendo que em uma delas os animas voltarão 
atrelados à carroça, ou necessitará de mais uma viagem para trazer a vaca e o bezerro, 
conduzindo-os na estrada com o auxílio do burro.
Além de todo o tempo gasto, há inúmeros riscos em cada viagem. Mas agora, 
imagine que você venda os seus grãos para um cerealista, que passe pelas propriedades 
comprando e pagando as mercadorias à vista, sendo o instrumento de troca um 
produto que funcione como moeda.
Mas um produto para servir como moeda pode ser qualquer coisa?
Para que um objeto possa ser utilizado como moeda, conforme descreve Passos 
e Nogami (2016), ele deve possuir algumas funções ou características que são 
fundamentais para que qualquer produto possa assumir por completo a função de 
moeda.
Tanto os aspectos físicos como os econômicos são necessários para que um bem 
possa desempenhar as funções (que serão apresentadas no próximo capítulo) de 
meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. 
Embora vários produtos, ao longo da história das civilizações, tenham sido utilizados 
como moeda mercadoria, como o sal, o couro, o trigo, entre outros, lamentavelmente 
eles não possuíam todas as características necessárias para serem considerados 
moeda, com aceitação comum entre os agentes econômicos.
A característica de um produto a ser utilizado como moeda, de acordo com Passos 
e Nogami (2016), vem a ser:
• Indestrutibilidade e/ou inalterabilidade: o objeto a ser utilizado como moeda deve 
suportar ou resistir aos inúmeros manuseios que ocorrem nas relações. Ela deve ser 
confeccionada em material resistente, seja a liga metálica ou o papel de impressão, 
para que não perca as suas principais identificações. Em alguns países, o tipo 
de papel utilizado na impressão das cédulas é do tipo papel tecido, o que garante 
uma resistência mecânica maior. A Casa da Moeda Brasileira, responsável pela 
impressão das cédulas do Real, busca empregar tecnologia de ponta para garantir 
maior durabilidade das cédulas, tornando-as mais seguras contra a falsificação. 
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Conforme o valor intrínseco da cédula, a durabilidade da moeda será diferente. 
Cédulas de menor valor de face possuem uma durabilidade menor, porque elas 
acabam por circular mais do que as que possuem maior valor. Além disso, elas 
são mais demandadas para compor o troco para cédulas de maior valor de face.
ISTO ESTÁ NA REDE
APRENDER SOBRE ELEMENTOS DE SEGURANÇA DO REAL
 O tempo em que uma cédula pode circular mantendo suas características varia de 
acordo com seu valor de face. Para as cédulas de R$2, R$5 e R$10, a vida útil é em 
torno de 14 meses; de R$20, em torno de 16 meses; e de R$50 e R$100, em torno 
de 36 meses. As cédulas de menor valor duram menos porque circulam mais.
Fonte: BACEN. Aprender sobre elementos de segurança do Real. Disponível em: 
. Acesso em: 
21 Jan 2023.
• Homogeneidade: diferentes cédulas ou moedas, de mesmo valor de face, devem 
ser rigorosamente iguais. Deve-se observar a questão relacionada às famílias 
de moedas, confeccionadas pela Casa da Moeda do Brasil, em conformidade 
com a decisão do Banco Central do Brasil (BACEN). Isto porque é possível 
encontrar cédulas e moedas confeccionadas com materiais, tamanhos ou 
gravuras diferentes, além de cédulas ou moedas comemorativas, mas que no 
sistema monetário possuem o mesmo valor de face. Um exemplo disso foi a 
cédula de R$ 10,00 de polímero, ou a diminuição da cédula de R$ 2,00 atual em 
relação à família anterior. Também ocorreram casos com as moedas metálicas 
de R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1,00. No caso da moeda de R$ 1,00, além de ter seu 
design modificado, ela passou a substituir a cédula impressa de R$ 1,00, que 
trazia a estampa de um beija-flor e que foi recolhida pelo BACEN.
• Divisibilidade: a moeda padrão ou moeda principal, em um sistema monetário, 
deve possuir múltiplos e submúltiplos, os quais são denominados moedas 
subsidiárias. Isto é importante, pois permite a realização de todas as transações 
comerciais. No caso da moeda brasileira, o Real, são submúltiplos as moedas 
metálicas de R$ 0,01, R$0,05, R$0,10, R$ 0,25 e R$ 0,50 – recebem a denominação 
de centavos, por representarem a centésima parte do Real. Já os múltiplos são 
compostos pelas cédulas de R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00, R$ 50,00, R$ 100,00 e 
R$ 200,00. Com esses valores é possível realizar qualquer combinação possível 
de valor monetário.
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• Transferibilidade: uma vez que a moeda possui curso forçado em lei, isto 
significa que ela deve ser aceita na realização de transações mercantis. Ela 
só pode ser recusada se estiver danificada, se for adulterada ou falsificada. 
Alguns estabelecimentos comerciais, por motivos de segurança, tentam evitar 
o pagamento das transações comerciais em moeda. No entanto, esta prática 
é considerada crime.
Cabe a observação de que os caixas eletrônicos, ou ATMs (automated teller 
machine/terminal de caixa automático), não disponibilizam moedas metálicas 
e algumas cédulas, devido à sua estrutura eletromecânica.
• Facilidade de manuseio e transporte: a divisibilidade da moeda em múltiplos 
ou submúltiplos permite combinar quantidades monetárias, com a menor 
quantidade de cédulas possível, permitindo que elevadas quantias monetárias, 
representando um elevado valor de ativo monetário, possamvem a ser uma pessoa 
jurídica, que presta serviços voltados à administração de grupos de consórcio, podendo 
ser constituída como sociedade limitada ou sociedade anônima.
O consórcio é uma modalidade de reunião em um grupo de participantes 
determinados, podendo ser pessoas físicas ou jurídicas. O grupo possui regras para o 
seu funcionamento, como o prazo de duração, valor do crédito, política de contemplação, 
entre outras.
A captação dos recursos se dá pela integração parcelada dos valores, referentes 
ao montante da carta de crédito. O ganho da administradora de consórcio se dá pelo 
valor da taxa administrativa cobrada dos consorciados.
Os grupos de consórcio caracterizam-se como sociedade não personificada. 
Possuem patrimônio próprio independente do patrimônio dos grupos. A normatização 
e a fiscalização são feitas pelo Banco Central.
Para muitos, o consórcio é uma forma de poupança para a aquisição de um bem 
ou serviço.
10.5.5 Sociedade Corretora de Câmbio
As sociedades corretoras de câmbio, de acordo com Passos e Nogami (2016), 
são instituições financeiras constituídas como sociedade anônima ou por quotas 
de responsabilidade limitada, sendo supervisionadas pelo Banco Central. Na sua 
denominação deve constar o termo “Corretora de Câmbio”. 
Elas atuam no mercado de câmbio através da intermediação de operações entre 
clientes e bancos ou comprando e vendendo moedas estrangeiras para seus clientes. 
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São conhecidas como casas de câmbio, e se diferenciam dos bancos de câmbio por 
estarem limitadas, por determinação do Banco Central, ao valor de US$ 100.000,00 
ou o seu equivalente em outras moedas, geralmente moedas conversíveis.
10.5.6 Bolsas de Mercadorias e Futuros e Bolsa de Valores
As bolsas de mercadorias e futuros e as bolsas de valores, descritas por Passos e 
Nogami (2016) são associações privadas civis ou anônimas, que mantêm um local ou 
sistema adequado para que seus membros possam realizar as atividades de compra 
e venda de ativos de financeiros específicos, como ações, derivativos, índices, taxas 
moedas e outros. São fiscalizadas pelos seus membros e pela Comissão de Valores 
Mobiliários.
ANOTE ISSO
As bolsas de mercadorias e futuros e as bolsas de valores, juntamente com as 
corretoras de valores, compõem o mercado de capitais, e o seu estudo detalhado 
faz parte de disciplinas que possuem como objeto de estudo o mercado de capitais, 
englobando os ativos, membros, tipos de operações, entre tantos outros.
10.5.7 Outros
Outras instituições que captam recursos, administram e retornam aos poupadores 
são as Sociedades de Capitalização, Entidades Abertas de Previdência Complementar 
e Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Fundos de Pensão), que atuam 
nos mercados de seguros e de previdência. 
Conforme o sistema financeiro evolui, as instituições evoluem também. Novos 
produtos, novas instituições e novas regulamentações para garantir a integridade 
dos agentes superavitários e deficitários, bem como do próprio sistema.
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CAPÍTULO 11
A INFLAÇÃO
A economia brasileira vivenciou nos anos de 1980 e meados de 1990 altas taxas 
de inflação. As consequências foram tamanhas que as duas décadas, para muitos 
autores e historiadores econômicos, ficou conhecida como as décadas perdidas, 
embora o Plano Real (1993-1994) tenha promovido o controle das altas taxas de 
inflação, permitindo a estabilidade nos preços, antes do final da primeira metade da 
década de 1990.
Mas o que é inflação e quais são os transtornos que ela impacta?
Isto é o que será estudado neste capítulo, pois embora os conceitos possam ser 
simples, as causas, os efeitos e as formas de solucionar são bem complexas.
11.1 O Conceito de Inflação
A inflação é um fenômeno econômico que se percebe em todas as economias, 
principalmente naquelas onde prevalecem as forças balizadoras do mercado, com 
uma interferência módica do estado. Nos sistemas econômicos planificados, ela pode 
ser camuflada, uma vez que o sistema de preços atende mais o sistema contábil do 
que o de mercado.
Sandroni (1999) conceitua a inflação como sendo:
Aumento persistente dos preços em geral, de que resulta uma contínua 
perda do poder aquisitivo da moeda. É um fenômeno monetário, e 
isso coloca uma questão básica: se é a expansão da oferta de moeda 
que tem efeito inflacionário ou se ela ocorre como resposta à maior 
demanda de moeda provocada pela inflação (Sandroni, 1999, p. 301).
Pode-se dar ênfase nesta definição, no fato do autor salientar que a inflação pode ser 
decorrente de um fenômeno monetário, que pode ser explicado pela teoria quantitativa 
da moeda, ao se aumentar a oferta de moeda sem a contrapartida do aumento da 
produção, considerando a velocidade de circulação estável no curto prazo.
Passos e Nogami (2016) conceituam a inflação como sendo um fenômeno 
macroeconômico que ocorre devido ao:
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Persistente aumento do nível geral de preços, o que resulta em perda 
do poder aquisitivo da moeda. A inflação é considerada um fenômeno 
generalizado, pois os aumentos dos preços não ocorrem apenas 
sobre um pequeno conjunto de preços ou sobre um setor específico 
da economia. Por essa razão, altas esporádicas de preço devido, 
por exemplo, a flutuações sazonais, não podem ser confundidas 
com inflação. A inflação significa aumento simultâneo de um grande 
número de preços (PASSOS E NOGAMI, 2016, p. 501).
Os autores ressaltam a perda do poder aquisitivo da moeda e o fato de ser um 
fenômeno de aumento de preços generalizado e não individualizado, o que para a sua 
determinação requer um estudo do comportamento dos preços de vários produtos. 
Também enfatizam que o problema inflacionário é um fenômeno global, que traz 
grandes consequências políticas e socioeconômicas a nível mundial.
Para Luque e Vasconcellos (in Gremaud et al, 2017), a inflação pode ser conceituada 
como decorrente de: 
Um aumento contínuo e generalizado no nível de preços, ou seja, 
os movimentos inflacionários representam elevações em todos os 
bens produzidos pela economia, e não meramente o aumento de 
um determinado preço. Outro aspecto fundamental refere-se ao 
fato de que o fenômeno inflacionário exige a elevação contínua dos 
preços durante determinado período, e não meramente uma elevação 
esporádica dos preços (LUQUE E VASCONCELLOS, in gremaud et al, 
2017, p.404).
Os autores afirmam que a inflação promove uma elevação dos preços monetários, 
logo ela acaba por ser um fenômeno monetário. No entanto, o que se verifica, também, 
é que a inflação pode decorrer por inúmeras facetas, devido à atuação dos agentes 
econômicos no tocante à demanda e a oferta de produtos.
Silva e Luiz (2017) conceituam a inflação como sendo uma situação: 
Em que há um aumento contínuo e generalizado de preços. Essas 
características de generalidade e continuidade fazem da inflação um 
processo e não uma ocorrência passageira. Assim, se os preços dos bens 
se elevassem apenas durante um curto período de tempo, estabilizando-
se em seguida, não seria caracterizado um processo inflacionário, mas 
apenas um ajuste da economia. Em outras palavras, uma economia 
é inflacionária quando os preços aumentam continuamente e por um 
longo período de tempo (SILVA E LUIZ, 2017, p.97).
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O autor também enfatiza que inflação é um processo e não uma ocorrência passageira. 
As ocorrências passageiras da elevação dos preços caracterizam os aumentos sazonais, 
que ocorrem em alguns produtos, e são provenientes de desequilíbrios entre a oferta 
e a demanda.
Rossetti (2016), por sua vez, conceitua quatro situações possíveis, que estão 
relacionadas à variação do valor da moeda ou aos índices de variação dos preços:
• Inflação:fenômeno universal, que ocorre em praticamente todos os países, 
decorrente da variação do valor da moeda. É uma elevação geral dos preços, 
porém não necessariamente simétrica;
• Desinflação: retorno dos preços dos bens e serviços para os níveis anteriores 
ou de estabilidade. Observa-se o fenômeno através da variação dos índices dos 
preços que recuam em períodos seguidos, restabelecendo os níveis de preços 
para baixo, elevando o poder de compra da moeda;
• Deflação: é a queda generalizada dos preços para níveis inferiores aos que 
vinham sendo praticados. A moeda obtém uma valorização em relação aos 
outros ativos;
• Reflação: volta para a estabilidade do sistema econômico, decorrente de períodos 
em que ocorre deflação. 
Segundo o autor, das quatro categorias básicas de variação dos preços e do valor da 
moeda, a inflação é a predominante, manifestando-se de muitas formas, expressando-se 
pelos mais variados ritmos, produzindo efeitos que rompem as fronteiras convencionais 
da economia; quando prolongada e muito intensa, modifica relações estruturais, 
padrões de comportamento e regras transacionais. Daí porque proliferam os adjetivos 
empregados para tipificar suas intensidades, causas e formas.
11.2 A Mensuração de Inflação
A determinação da inflação se dá através da utilização de números-índices. Esses 
índices são determinados tendo como base a soma dos valores de uma cesta de 
produtos, composta a partir de um montante de renda, em geral essa renda é dada 
como uma quantidade de salários mínimos. O primeiro somatório dos gastos com 
a cesta de produtos, estipulados com base no consumo da amostra das famílias 
que estão na faixa de renda estipulada, é determinado o período inicial que recebe a 
denominação de data base. O próximo período de verificação dos valores referentes à 
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cesta de produtos normalmente é mensal, e determina-se a variação relativa entre o 
período atual e o período anterior e, desta forma, se acompanha a variação dos preços. 
Como no Brasil existem 5570 municípios, é impossível aos órgãos que procedem 
a determinação dos índices de inflação apurarem o índice real. O que se tem é um 
índice baseado no comportamento dos preços que ocorrem nas principais capitais 
dos estados brasileiros. Assim, os valores dos índices de inflação adotados para todo 
o país é decorrente do cálculo efetuado para algumas cidades.
Os indicadores mais comuns no Brasil para acompanhar a variação da inflação são:
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA: é determinado pelo 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Seu objetivo é determinar 
o valor relativo da inflação, segundo um conjunto de produtos e serviços 
comercializados no varejo, consumidos por uma a população-objetivo, composta 
por famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões 
metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, 
Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos 
municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, com 
coleta dos valores que vai do dia 01 a 30 do mês de referência;
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC: é determinado pelo Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Seu objetivo é determinar o valor 
relativo da inflação, através da mensuração das variações de preços da cesta de 
consumo da população assalariada consumidos por uma a população-objetivo, 
composta por famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes 
nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, 
Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal 
e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, 
com coleta dos valores que vai do dia 01 a 30 do mês de referência;
• Índice Geral de Preços-Mercado - IGP-M: é calculado e divulgado mensalmente 
pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). 
É determinado através da média ponderada da inflação ao produtor (Índice de 
Preços ao Produtor Amplo - IPA) – que equivale a 60% do índice da inflação 
ao consumidor (Índice de Preços ao Consumidor - IPC) – equivalente a 30% 
do índice de construção civil (INCC) e da inflação da construção civil (Índice 
Nacional de Custo da Construção - INCC) – equivalente aos 10% restantes do 
índice. É muito utilizado para correção de contratos.
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Existem outros índices que mensuram o comportamento da inflação, com cestas, 
localidades e rendas distintas, e são utilizados para o cálculo da correção de ativos 
com finalidades distintas. 
11.3 Os Tipos de Inflação
A literatura econômica, de acordo com Vasconcellos (2015), apresenta as causas 
da inflação como sendo decorrentes do excesso de demanda ou pelo aumento dos 
custos de produção. No século XX, no entanto, os sistemas econômicos passaram a 
observar infrações decorrentes de fenômenos estruturais e inerciais.
11.3.1 Inflação de Demanda
Em uma frase, Vasconcellos (2015) sintetiza o que é a inflação de demanda: 
Intuitivamente, ela pode ser entendida como “dinheiro demais à procura de poucos 
bens”.
Sendo considerada como o tipo mais clássico de inflação, ela ocorre devido ao 
desequilíbrio do mercado provocado pelo deslocamento das curvas de demanda ou 
pela variação da demanda, que é o resultado das alterações nas variáveis renda do 
consumidor, preços dos outros bens e gosto pelo produto. Todas essas variações 
promovem o aumento da demanda, mas a oferta dos produtos permanece inalterada, 
deslocando o ponto de equilíbrio para a direita.
Figura 1: Gráfico da inflação de demanda
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 354)
Observando o gráfico, se a curva de oferta OA permanece estável, ao aumentar a 
demanda agregada DA de DA0 para DA1, o equilíbrio se desloca à direita, determinando 
um novo preço de equilíbrio de P0 para P1, um preço mais elevado.
A inflação de demanda tende a aumentar à medida que o sistema econômico 
caminha rumo ao pleno emprego de recursos. Nessa situação, o aumento da oferta 
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agregada é limitado por não haver capacidade ociosa ou capacidade de aumentar os 
fatores de produção, a curto prazo.
Para combater este tipo de demanda, os economistas buscam por medidas que 
reduzam a capacidade da população de demandar bens e serviços e estimulem o 
aumento da oferta dos produtos, ainda que a longo prazo. Passos e Nogami (2016) 
elencam as formas de reduzir a demanda agregada:
• Aumento da carga tributária; 
• Redução dos gastos do governo; 
• Elevação das taxas de juros; 
• Controle de crédito; e
• Arrocho salarial.
11.3.2 Inflação de Custo
A inflação de custo afeta a oferta agregada por refletir no deslocamento da curva 
de oferta agregada para a esquerda, porque os preços dos insumos se elevam e, dada 
a disponibilidade interna de recursos, a solução é reduzir a oferta do produto. 
Normalmente, a elevação se dá em vários insumos.
Para muitos economistas, a inflação de custos é decorrente dos aumentos salariais. 
Um aumento dos salários não necessariamente é garantia de aumento de preços dos 
produtos, porque ele pode ser amenizado com o aumento do nível de produtividade 
da mão-de-obra. Os aumentos salariais provocam inflação caso aconteça alguma 
causa independente.
Figura 2: Gráfico da inflação de custo
Fonte: Vasconcellos (2015, p. 354)
Os principais insumos, ou aqueles que incidem nas principais matrizes produtivas, 
são os que acabam por influenciar os preços de vários produtos, como por exemplo 
aumentos nos preços dos combustíveis, energia elétrica, commodities, entre outros.
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ANOTE ISSO
O termo commodity é muito utilizadono meio econômico, dada a sua importância 
nos mercados de produtos e de capitais.
Segundo Sandroni (1999):
O termo significa literalmente “mercadoria” em inglês. Nas relações comerciais 
internacionais, o termo designa um tipo particular de mercadoria em estado bruto 
ou produto primário de importância comercial, como é o caso do café, do chá, da lã, 
do algodão, da juta, do estanho, do cobre etc. 
Alguns centros se notabilizaram como importantes mercados desses produtos 
(commodity exchange). Londres, pela tradição colonial e comercial britânica, é um 
dos mais antigos centros de compra e venda de commodities, grande parte dos 
quais nem sequer passa por seu porto (SANDRONI, 1999, p. 112-113).
Passos e Nogami (2016) descrevem que as firmas monopolistas ou oligopólios 
podem agir no aumento dos preços, mediante o que chamam de inflação administrada, 
pois os aumentos dos preços dos bens se dão visando aumentar o lucro. 
A inflação de custo pode ser revertida pela utilização de insumos substitutos, preços 
menores, aumento da oferta de produtos – quando se tem capacidade ociosa. Para 
tanto, é importante a análise da elasticidade-preço da oferta dos produtos, que deve 
possuir coeficiente maior do que 1, sendo considerado elástica.
Para o controle da inflação de custos, os autores acima referenciados sugerem: 
• Políticas de controle sobre os lucros das empresas; 
• Políticas de controle direto sobre preços; e 
• Política salarial mais rígida.
11.3.3 Inflação Estrutural
A inflação estrutural, como o nome sugere, decorre de desequilíbrios na estrutura 
do processo produtivo que estariam ligados diretamente às tensões de custo, como 
defende seus idealizadores, economistas ligados à CEPAL– Comissão Econômica 
para a América Latina e Caribe, os quais ficaram conhecidos como os economistas 
da corrente estruturalista ou cepalina, sendo um fenômeno verificado nos países da 
América Latina, a partir da década de 1950. 
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Rossetti (2016) lista quatro causas básicas para a inflação estrutural, uma vez 
que o comportamento inflacionário nos países da América Latina se apresentava de 
forma crônica e elevada:
• A baixa elasticidade-preço da oferta dos produtos agrícolas. Ela decorre dos 
meios de produção e da propriedade da terra, que demoram a responder aos 
estímulos de preços, principalmente com relação à produtividade. Há um aspecto 
relevante que se deu com a acentuada migração das populações rurais para 
as áreas urbanas;
• O desequilíbrio crônico que ocorria no balanço de pagamentos, exigindo um 
excedente das exportações sobre importações, fazendo com que as relações 
de trocas de produtos sofressem deterioração. Pode-se observar constantes 
desvalorizações induzidas da taxa de câmbio, que pressiona os preços internos, 
principalmente os produtos importados;
• A desigualdade da distribuição da renda e da riqueza que se verifica nessas 
economias, muito decorrentes do regime de colonização, que acabava por 
promover pressões de diversos grupos sociais para recomposição de seu poder 
de compra;
• O aumento da participação do agente governo, voltado a atender ao aumento da 
demanda por bens públicos, e também pela elasticidade-renda de bens públicos. 
Também havia a necessidade de gastos públicos nas áreas de infraestrutura, 
onde o setor privado não manifestava interesse em investir. 
Observam os economistas estruturalistas que as causas da inflação estavam 
associadas aos conflitos distributivos, em que os empresários buscavam manter ou 
aumentar a sua participação na renda nacional, trabalhadores buscavam preservar seus 
salários e o governo pressionava a sua participação na renda por meio de impostos, 
preços e tarifas públicas, além da possibilidade de emitir moeda, o que funcionava 
como um imposto inflacionário.
11.3.4 Inflação Inercial
Passos e Nogami (2016) explicam que, em um dado momento, em um sistema 
econômico, os agentes econômicos esperam por um determinado valor para a taxa 
de inflação, que é a “Taxa de Inflação pela Inércia”.
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ANOTE ISSO
O termo inércia aqui será aplicado como a capacidade de resistir a mudanças.
Esse valor, que passa a ser incorporado ao comportamento dos agentes econômicos, 
é utilizado para efetuar a determinação dos preços futuros dos produtos, gerando 
uma espiral de elevação nos preços.
Luque e Vasconcellos (in Gremaud et al, 2017) descrevem a elevação dos preços 
devido à indexação formal e informal, fazendo com que houvesse uma perpetuação 
das taxas de inflação que se dá pela inclusão das taxas de inflação passadas aos 
preços atuais. Com o tempo, além da inflação passada, há a previsão da inflação 
futura aos preços atuais, de tal forma que o crescimento da taxa de inflação se dá 
de forma exponencial. 
As relações de paridade entre os produtos passam a ficar totalmente desequilibradas, 
pois os preços passam a ser totalmente distorcidos do seu valor.
Nas palavras de Rossetti (2016), a teoria da inflação inercial está alicerçada na 
autopropagação da taxa de inflação e na prática de indexação.
ANOTE ISSO
O preço é a representação do valor de um produto e o valor é o grau de satisfação 
que um produto proporciona para um indivíduo.
A inflação inercial distorce ou até destrói a relação entre o preço e o valor, provocando 
perdas no poder aquisitivo, principalmente para a população de mais baixa renda.
E dado o fato da indexação dos preços às taxas de inflação passada, ela acaba por 
se tornar uma espiral crescente, como o que foi observado no sistema econômico 
brasileiro, no período das décadas de 1980 e meados de 1990.
11.4 Estágio da Inflação
Dias (2015) destaca que o comportamento da taxa de inflação, ao longo do tempo, 
pode apresentar níveis de estágios de acordo com o seu valor mensurado e, também, 
das consequências que ela promove no sistema econômico, sendo elas: 
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• Inflação negativa ou deflação: representa um processo oposto ao da inflação, 
ou seja, como já descrito, uma redução contínua e generalizada dos preços dos 
bens e serviços durante um determinado período. Neste estágio percebe-se 
um ganho real do poder de compra dos salários, uma vez que eles não podem 
sofrer redução de forma legal; 
• Inflação moderada: ocorre quando a taxa de inflação apresenta oscilações dentro 
de um percentual baixo, considerado aceitável, geralmente entre 0% e 6% ao 
ano. No Brasil a meta inflacionária anual é em torno de 3,5% ao ano; 
• Aceleração inflacionária: ocorre quando se verifica uma variação dos preços, 
expresso em percentuais crescentes, em um patamar elevado. Como exemplo, 
observa-se em anos consecutivos um valor de 8% no primeiro ano, 11% no 
segundo ano e 19% no seguinte ano, persistindo nesse crescimento a caminho 
de uma hiperinflação; 
• Hiperinflação: ocorre quando a taxa de inflação oscila em níveis elevados, em 
períodos subsequentes, com valores acima de 50% ao ano.
Figura 3: Estágios da inflação.
Fonte: Dias (2015, p. 99).
11.5 Efeitos da Inflação
A inflação promove uma série de efeitos no sistema econômico. Talvez o efeito que 
a população mais sente é a perda do poder de compra dos salários, principalmente 
quando não ocorre aumentos salariais indexados à inflação e com ganhos reais de 
poder de compra.
Os principais efeitos provocados pela inflação, segundo Vasconcellos (2015), são:
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• Sobre a distribuição de renda: complementando o que foi descrito acima, o efeito 
inflacionário é mais sentido pela população de baixa renda, assalariados com 
reajustes determinados, geralmente anuais ou semestrais, atuando como um 
imposto sobre os mais pobres. Sem ferramentas de proteção para os salários, 
os trabalhadores buscam por fazer aquisições e estoques de produtospara 
tentarem reduzir as perdas salariais; 
• Sobre o balanço de pagamentos: taxas elevadas de inflação, superiores aos preços 
internacionais, fazem com que o preço dos produtos no mercado interno se elevem, 
provocando um aumento na demanda por bens importados em detrimento dos 
produtos do mercado interno, gerando déficit na balança comercial e refletindo no 
balanço de pagamentos, fazendo com que as autoridades monetárias e cambiais 
promovam desvalorizações na moeda nacional em relação à moeda internacional;
• Sobre os investimentos empresariais: devido às incertezas sobre o comportamento 
dos preços dos produtos e dos insumos, os empresários passam a enfrentar 
dificuldades para comporem e acompanharem seus planejamentos, avaliações 
de projetos e novos investimentos, o que afetam o nível de emprego; 
• Sobre o mercado de capitais: em um processo de inflação crescente, o valor da 
moeda sofre deterioração rápida, desestimulando o investimento de recursos 
no mercado de capitais e estimulando a aplicação em bens tradicionais, como 
propriedades rurais e imóveis, que se valorizam durante o processo inflacionário.
Embora alguns possam ganhar com a inflação a curto prazo, a longo prazo quase 
ninguém ganha com ela, uma vez que desarticula todo o sistema econômico. 
Rossetti (2016) elenca as principais consequências da hiperinflação:
• Destruição da moeda; 
• Destruição da estrutura e da logicidade do sistema de trocas; 
• Desarticulação de suprimentos nas cadeias de produção;
• Regressão das atividades produtivas à linha de subsistência;
• Queda vertiginosa do nível do emprego;
• Possível ruptura do tecido social; 
• Possível ruptura político-institucional.
Em cada nação os efeitos da inflação são diferentes. Conforme evolui o sistema 
socioeconômico, verifica-se novos efeitos oriundos da inflação, tornando o estudo da 
Economia Monetária muito estimulante.
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CAPÍTULO 12
POLÍTICA MONETÁRIA
Quando iniciamos o estudo da Teoria Macroeconômica deparamos com os seus 
objetivos e as ferramentas utilizadas com fins de atingi-los, que são:
• Manutenção e elevação no nível de emprego;
• Crescimento econômico;
• Manutenção e redução nos níveis de preços praticados no mercado; e
• Repartição equalitária e justa da renda.
São objetivos complexos de serem alcançados, necessitando de ferramentas ou 
instrumentos apropriados, que atuam de forma individualizada ou de forma conjunta, 
sob a batuta do governo, sendo eles:
• Política cambial;
• Política fiscal;
• Política de rendas; e 
• Política monetária.
Dentre os quatros instrumentos, será observado aqui somente a política monetária, 
por atuar junto aos ativos financeiros e monetários, taxa de juros e base monetária.
12.1 O Conceito de Política Monetária
A palavra política, na sua essência, remete ao significado de ato, forma ou maneira de 
se governar. Entende-se, desta forma, o termo governar como sinônimo de administrar. 
Então o termo política pode estar associado à forma de se administrar alguma coisa ou 
um conjunto de coisas. Por isto, quando se menciona o termo política governamental, 
a referência se dá para a forma como a sociedade está sendo administrada.
Sandroni (1999) define política monetária como sendo um:
Conjunto de medidas adotadas pelo governo visando a adequar os meios de 
pagamento disponíveis às necessidades da economia do país. Essa adequação 
geralmente ocorre por meio de uma ação reguladora, exercida pelas autoridades 
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sobre os recursos monetários existentes, de tal maneira que estes sejam plenamente 
utilizados e tenham um emprego tão eficiente quanto possível. Na maior parte dos 
países, o principal órgão executor da política monetária é o Banco Central, entidade 
do Estado ou dele dependente, encarregada da emissão de moeda, da regulação do 
crédito, da manutenção do padrão monetário e do controle de câmbio. De maneira 
geral, esse órgão põe ao alcance dos bancos os mesmos serviços que eles prestam 
a seus clientes. A política monetária pode recorrer a diversas técnicas de intervenção 
(SANDRONI, 1999, p. 478).
Observa-se nesta definição a importância do papel do Banco Central, como executor 
da política monetária em vários países e também as inúmeras técnicas para alcançar 
os objetivos.
Passos e Nogami (2016, p. 480), por sua vez, a definem como sendo o conjunto de 
medidas adotadas pelo governo com o objetivo de controlar a oferta de moeda e as taxas 
de juros, de forma a assegurar a liquidez ideal da economia do país.
Como a oferta monetária é uma prerrogativa do governo federal, tem-se que a 
política monetária também é uma atividade exercida pelo governo federal, ao exercer 
a sua função estabilizadora.
ANOTE ISSO
O Estado possui a função primordial de promover o bem-estar social das pessoas 
que estão sob sua responsabilidade. Além disso, ele possui como funções:
• A alocativa;
• A distributiva ou redistributiva; e 
• A estabilizadora.
Os autores ainda enfatizam que a sua execução tem por objetivo a estabilidade 
dos preços, uma elevação do nível de emprego, uma taxa de câmbio compatível com 
a realidade, além de uma adequada taxa de crescimento econômico. Isso tudo sendo 
alcançado por meio do controle da oferta de moeda.
Em uma avaliação histórica, Carvalho (2015, p. 89) cita a definição de Keynes como 
sendo a política monetária um importante instrumento capaz de auxiliar na redução do 
desemprego. 
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As ideias de Keynes, em relação à política monetária, tiveram no seu grupo 
de seguidores, economistas que não concordaram com suas proposições para 
reduzir o desemprego, entre esses destacam-se os chamados velhos-keynesianos 
e os keynesianos horizontalistas. Em outra vertente, como o próprio Keynes, havia 
economistas que consideravam que a política monetária tem sua eficácia para alterar 
variáveis reais, sendo identificados como pós-keynesianos. 
Lopes e Rossetti (1998) complementam as definições de política monetária como 
sendo:
O controle da oferta de moeda e das taxas de juros, no sentido de que 
sejam atingidos os objetivos da política econômica global do governo. 
Alternativamente, pode também ser definida como a atuação das 
autoridades monetárias, por meio de instrumentos de efeito direto 
ou induzido, com o propósito de controlar a liquidez do sistema 
econômico (LOPES E ROSSETTI, 1998, p. 253).
Tendo visto o conceito, segundo alguns autores, na sequência serão descritos os 
principais instrumentos da política monetária.
12.2 Instrumento da Política Monetária
O controle da oferta monetária é realizado pelas autoridades monetárias e se 
dá basicamente por instrumentos que influenciam a sua determinação, além de 
regulamentar a taxa de juros. Por outro lado, o controle da demanda é mais difícil de 
se influenciar e, por isso, as Autoridades Monetárias tentam influenciar o consumo 
através das ações sobre as reservas bancárias e das taxas de juros, afetando o crédito 
e o custo de captação por moeda.
Para compreender como as autoridades monetárias atuam, é necessário que se fixem 
alguns pontos sobre a oferta monetária, na qual será considerado a função da moeda 
como intermediária de trocas, limitando-se à soma da moeda manual (representada 
pelo papel-moeda e pelas moedas metálicas divisionárias em poder do público, PMP) 
e a moeda escritural (representada pelos depósitos à vista do público, DP
BC):
A base monetária está constituída pelo papel-moeda e moedas metálicas em poder 
do público, pelo papel-moeda e moedas metálicas mantidos em caixa pelos bancos 
comerciais e pelos depósitos voluntários e compulsórios dos bancos comerciais 
junto às autoridades monetárias, sendo ela passível de ser alterada e alterar a oferta 
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monetária(M). Outro fator que altera a oferta monetária é o multiplicador dos meios 
de pagamentos (k).
O multiplicador dos meios de pagamentos (k), considerado para a moeda escritural, 
se dá de forma mais ampla do que o multiplicador dos depósitos bancários, que se 
dava pelo inverso da taxa de todas as formas de encaixes e retenções:
O multiplicador da moeda escritural (k) decorre de outras variáveis que passam a 
compor o denominador, conforme pode ser observado abaixo:
Sendo:
• c = papel-moeda em poder do público:
• d = preferência do público por depósitos à vista:
• r1 = encaixe técnico voluntário em moeda corrente:
• r2 = recolhimento compulsório exigido (reservas bancárias):
Rossetti (2016) enfatiza que são estes quatro coeficientes de comportamento 
monetário que as autoridades monetárias devem considerar para o acompanhamento 
formal do multiplicador da base monetária, o que torna o multiplicador mais elaborado 
e com uma variável influenciadora que é o comportamento do público. 
Os principais meios de execução da política monetária são:
• Fixação da taxa de reservas; 
• Realização de operações de redesconto ou empréstimos de liquidez; 
• Realização de operações de mercado aberto (open market); 
• Controle e seleção do crédito; e
• Persuasão moral.
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12.2.1 A Fixação da Taxa de Reservas
Por este instrumento de política monetária, as autoridades atuam sobre a taxa de 
reservas dos bancos comerciais, r1 + r2, que são consideradas, de acordo com Lopes 
e Rossetti (1998), como sendo o fator básico, no qual irá depender a magnitude do 
valor do multiplicador dos meios de pagamento (k).
Partindo do pressuposto que a base monetária é dada ao fixar o valor de r2, que 
corresponde ao recolhimento compulsório exigido (reservas bancárias), as autoridades 
monetárias atuam sob o efeito do multiplicador dos meios de pagamento. 
Em outras palavras, quando o poder público necessita reduzir a moeda em circulação, 
visando conter a demanda dos produtos, ele procede uma elevação no valor dos 
depósitos compulsórios. Desta forma, ele busca equilibrar os preços dos produtos no 
mercado, mas atua de forma restritiva sobre o crescimento econômico, na distribuição 
da renda e no nível de empregos. 
Em sentido contrário, em momentos expansionistas, as autoridades monetárias 
optam pela redução do valor de r2, recolhimento compulsório exigido (reservas 
bancárias), mas é importante que a oferta de produtos acompanhe a disponibilidade 
maior de crédito, a fim de não promover a elevação nos níveis gerais de preços.
Cabe nesse instrumento de política monetária algumas observações:
• O valor que os bancos mantêm como encaixe voluntário (r1) tende a acompanhar 
as variações dos encaixes compulsórios (r2);
• A velocidade de circulação da moeda pode se alterar em razão da taxa do valor 
dos depósitos compulsórios, mas não existe uma relação fixa ou determinada; e
• Quanto maior for o montante referente ao papel-moeda em poder do público, 
menor será o multiplicador dos meios de pagamento.
Figura 1: Efeitos da taxa de reservas
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 256)
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ISTO ESTÁ NA REDE
Perguntas e Respostas – Recolhimentos Compulsórios
1 – O que são recolhimentos compulsórios?
Recolhimentos compulsórios são uma obrigatoriedade de aplicação de parcela 
dos passivos das instituições financeiras (IFs) em contas de sua titularidade no 
Banco Central do Brasil (BCB). Em outras palavras, pode-se dizer que dos depósitos 
efetuados pelos clientes nas IFs, parte deve ser recolhida no BCB na forma de 
recolhimentos compulsórios. É importante destacar que esses recolhimentos têm 
como um de seus objetivos auxiliar a regulação da quantidade de dinheiro em 
circulação na economia.
2 – Quais são os tipos de recolhimento compulsório?
Os tipos de recolhimentos compulsórios são:
Recolhimento compulsório sobre recursos à vista, incidentes sobre recursos à vista 
captados por instituições financeiras específicas;
Recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, incidente sobre recursos a prazo 
captados por instituições financeiras específicas;
Recolhimento compulsório sobre recursos de depósitos de poupança, incidente 
sobre recursos de depósitos de poupança captados por instituições financeiras 
específicas.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: BACEN. Perguntas e Respostas – Recolhimentos Compulsórios. Disponível em . Acesso em 13 Fev 2023.
12.2.2 Operações de Redesconto ou Empréstimos de Liquidez
Por mais que as instituições bancárias mantenham uma reserva voluntária em seus 
cofres, para fazer frente aos saques que ocorrem diariamente, existem ocasiões em 
que o saldo dos bancos comerciais fica deficitário.
Visando equilibrar o sistema bancário e evitar um distúrbio econômico, existem as 
operações de redesconto, que são consideradas um instrumento de política monetária 
na qual há a concessão de um tipo de assistência financeira de liquidez aos bancos 
comerciais. 
O Banco Central, através de sua função de banco dos bancos, atua descontando 
títulos dos bancos comerciais, cobrando uma taxa de juros prefixada, chamada de 
taxa de juros de redesconto. Esse valor repassado aos bancos comerciais passa a 
compor o seu caixa, no curto prazo.
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Um aspecto importante se dá pelo fato dos bancos comerciais disporem de outros 
para atender às suas necessidades de caixa, ficando o recurso do redesconto como uma 
das últimas opções, tendo em vista que os juros cobrados são tidos como punitivos.
A forma como são determinados o prazo e a taxa de juros de redesconto influencia 
a oferta monetária, podendo ser compreendida mediante a figura abaixo:
Figura 2: Efeitos das operações de redesconto ou empréstimos de liquidez
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 261)
A efetividade deste instrumento de política monetária, no controle da oferta 
monetária, vai depender, em maior ou menor grau, da forma como as instituições de 
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bancos comerciais respondem às diferentes formas que o Banco Central emprega 
no seu manejo. 
Acredita-se que a elevação das taxas de juros do redesconto deva atuar no sentido 
de forçar os bancos comerciais a aumentarem as suas reservas voluntárias, a fim de 
não precisarem recorrer ao Banco Central, tendo que incorrer em custos financeiros 
mais altos, em caso de dificuldades momentâneas de caixa. 
No sentido oposto, quando a taxa de juros de redesconto for compensatória na 
análise dos custos absorvidos pelos bancos comerciais, haverá uma menor necessidade 
de manter um valor de reserva voluntária, permitindo que seja disponibilizada uma 
maior quantidade de moeda, via concessão de empréstimos ao público, fazendo com 
que aumente a oferta monetária, através do aumento dos meios de pagamentos. 
O Banco Central também pode valer deste instrumento, através da alteração dos 
prazos de vencimentos concedidos nos empréstimos aos bancos comerciais. Quanto 
menor for o prazo, mais restritivo será a concessão da assistência financeira aos 
bancos. Se os prazos concedidos para as quitações das obrigações forem maiores, 
os bancos comerciais poderão operar com uma suposta folga.
No tocante aos limites operacionais, eles são fixados por uma dada proporção aos 
depósitos captados pelos bancos comerciais, sendo que limites mais altos geram 
posições melhores aos bancos comerciais do que limites menores. 
Já para as garantias oferecidas pelos tomadores, quanto maior forem as restrições, 
menores serão as possibilidades de socorro oferecidas pelo Banco Central e vice-versa.
De acordo com Lopes e Rossetti (1998), os redescontos podem assumir as seguintes 
formas:• Redesconto de liquidez: pode ser na modalidade intralimite e extralimite. É 
considerado o instrumento tradicional de política monetária, sendo que o limite 
operacional é fixado para cada banco comercial através de um valor percentual 
obtido entre o valor dos saldos médios do final do mês em relação aos depósitos 
totais. Dentro do valor determinado ela é intralimite, ou seja, dentro do limite 
determinado; se ultrapassar vem a ser extralimite.
• Redesconto seletivo: é utilizado para refinanciamento de operações a longo 
prazo. Ele pode se caracterizar como uma operação de repasse, onde o sistema 
financeiro é autorizado, pelas autoridades monetárias, a conceder empréstimos 
para determinadas atividades, de interesse do governo federal, com o intuito de 
promover o desenvolvimento de determinados setores produtivos ou regiões 
geográficas.
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As operações de redescontos servem para promover o equilíbrio dos preços, através 
da redução do montante de moeda que pode ser emprestado pelos bancos, sob a 
forma de crédito e também para promover o crescimento econômico, geração de 
empregos e melhoria repartitiva. Tudo depende do cenário econômico vigente no país 
e dos objetivos das autoridades monetárias.
12.2.3 As Operações de Mercado Aberto
As operações de mercado aberto, também denominadas open market, vêm a ser 
um instrumento de política monetária ágil e com resultados mais rápidos, quando 
comparada com as políticas monetárias de fixação de reservas e a concessão de 
redescontos.
Segundo Lopes e Rossetti (1998), a flexibilidade deste instrumento de política 
monetária é tamanha, por poder ser utilizada de forma eficaz para regular a oferta 
monetária e a taxa de juros no dia a dia.
A operacionalidade deste instrumento se dá através da compra e venda de títulos 
da dívida pública, emitidos pelo Banco Central ou Tesouro Nacional. 
Quando as autoridades monetárias desejam diminuir a oferta monetária, elas vendem 
títulos da dívida pública. No sentido oposto, quando elas desejam aumentar a oferta 
monetária elas promovem o resgate dos títulos.
A determinação das taxas de juros a curto prazo deixa de ser em razão da oferta e 
demanda monetárias, e se dá também em virtude das taxas pagas pelas autoridades 
monetárias em suas operações com os títulos do Tesouro Nacional.
Este instrumento atua na criação e destruição de moeda.
Figura 3: Efeitos das operações de open market
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 265)
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Sintetizando, é possível observar, na figura acima, o funcionamento e os efeitos 
das operações de open market, analisando a ação de compra e venda sobre a oferta 
monetária e a taxa de juros.
ISTO ESTÁ NA REDE
O que é Risco-País
O Risco-País, que também pode ser chamado de Risco-Brasil ou Risco Soberano, 
é um conceito econômico que expressa a probabilidade de insolvência de um país 
frente aos investidores estrangeiros.
Ou seja, quando estrangeiros pensam em investir no Brasil, por exemplo, considera-
se o Risco-País um dos termômetros mais fiéis para saber a capacidade de 
uma nação de honrar seus compromissos financeiros e dívidas, sobretudo em 
momentos de grande incerteza, como o que estamos vivendo.
Dentro desse conceito, fatores externos à economia, como a condução da política 
nacional, ou qualquer agente que cause instabilidade no mundo, são preponderantes 
para o nível do Risco-País.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: EXPERT XP. O que é Risco-País. 2022. Disponível em . Acesso 
em 13 Fev 2023.
12.2.4 O Controle e a Seleção do Crédito
Alguns economistas da corrente ortodoxa refutam este instrumento de política 
monetária, pois ele impõe restrições ao livre funcionamento do mercado, que derivam 
dos controles exercidos diretamente sobre o volume e preço do crédito. Essa rejeição 
se justifica em razão das distorções na alocação eficiente dos recursos produtivos, 
que devem resultar do equilíbrio entre o mercado real e o monetário. 
Conforme descrevem Lopes e Rossetti (1998), a utilização desse instrumento se 
dá em razão de três formas de intervenção:
1. Controle sobre o volume de crédito e o seu destino;
2. Controle sobre as taxas de juros;
3. Determinação dos prazos, limites e demais condições do crédito.
Esse instrumento pode ser utilizado em conjunto com os demais, visando restringir 
ou expandir a concessão do crédito, para controlar os preços ou para promover o 
crescimento econômico.
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12.2.5 Persuasão Moral 
Consiste no alinhamento das autoridades monetárias e dos bancos comerciais, 
voltados para os mesmos propósitos econômicos, ou seja, os bancos comerciais 
passam a atuar em consonância voluntária aos objetivos das autoridades monetárias, 
mesmo em períodos de recessão econômica.
12.3 Considerações sobre a Política Monetária
Para o pleno funcionamento dos instrumentos de política monetária, é necessário 
que os agentes econômicos envolvidos participem de forma ativa e responsável, pois de 
nada adianta as autoridades monetárias implementarem um conjunto de instrumentos 
funcionais se as respostas se traduzem em comportamentos divergentes.
É importante que as diretrizes provenientes da economia normativa sejam alcançadas 
pela economia positiva, permitindo que os objetivos das políticas macroeconômicas 
sejam alcançados.
Atrelados à política monetária, há outras políticas macroeconômicas, sendo elas: 
fiscal, cambial e de rendas. Todas devem possuir sinergia, estando alinhadas para o 
mesmo caminho.
Os instrumentos observados são passíveis de modificação na sua forma de execução, 
bem como novos instrumentos possam vir a surgir, decorrentes da evolução do sistema 
financeiro nacional e internacional.
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CAPÍTULO 13
POLÍTICA MONETÁRIA – 
MODELOS TEÓRICOS
13.1 A Política Monetária no Modelo Clássico
Para compreender a política monetária, no modelo clássico, será adotada a análise 
da igualdade entre poupança e investimento, descrita por Lopes e Rossetti (1998), 
com o auxílio da imagem gráfica.
O início da análise se dá para uma situação de equilíbrio. Ao se elevar a oferta de 
moeda, que pode vir a ocorrer em decorrência da expansão da base monetária ou outros 
mecanismos impostos pelas autoridades monetárias, tanto no mercado monetário 
quanto no real, surge uma nova determinação na situação de equilíbrio, após ocorrer 
uma sequência de ajustes nos seus compartimentos principais, considerando que 
a análise se dá de forma estática e comparativa, mantendo o tempo como variável 
não relevante.
Figura 1: Efeito de uma expansão da oferta monetária
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 271)
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Pelo gráfico (a) da figura 1 percebe-se os efeitos da expansão da oferta monetária 
sobre os preços e os salários, no modelo clássico. No gráfico (b) observa-se uma 
expansão dos preços e uma queda dos salários reais. Isto deverá provocar um excesso 
de demanda de mão-de-obra no mercado de trabalho, de acordo com o gráfico (c). 
Estando a economia operando a pleno emprego, haverá uma elevação dos salários 
nominal na proporção dos aumentos dos preços, sem que ocorra uma expansão em 
relação ao emprego e à produção. Ao término do processo verifica-se uma alteração 
nominal nas variáveis preços e salários.
Os efeitos que ocorrem sobre a poupança, o investimento e a taxa de juros podem 
ser observados e compreendidos com o auxílio da imagem abaixo.
Figura 2: Efeito de uma expansão da oferta monetária sobre a poupança, o investimento e a taxa de juros
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 272)
Complementando,observa-se no modelo clássico os efeitos de uma expansão 
monetária sobre a poupança, o investimento e os juros. Logo após a expansão da oferta 
monetária, observado pelo gráfico (a), implicando na ocorrência de uma temporária 
queda da taxa de juros, promovendo uma elevada expansão nos níveis de investimento, 
conforme gráfico (b). Em um período subsequente, ocorrendo uma elevação dos preços, 
passa-se a exigir maiores saldos transacionais, fazendo com que a poupança, a taxa 
de juros e a quantidade demandada de investimento retornem aos seus níveis iniciais, 
podendo-se observar no gráfico (c).
Em síntese, Lopes e Rossetti (1998) descrevem todo esse processo, na análise do 
modelo clássico, em quatro etapas:
• Inicialmente a economia se encontra no equilíbrio, operando a pleno emprego 
(N0), a oferta e a demanda no mercado de trabalho encontram-se em equilíbrio, 
a um dado nível de preços vigente (P0), com os salários reais ao nível de (W/P)0. 
Como na visão clássica não há demanda ociosa de moeda, existe um equilíbrio 
entre a oferta e a demanda de moeda;
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• No momento subsequente a oferta monetária sofre uma expansão. Como não há 
demanda ociosa de moeda, os indivíduos deverão procurar se desfazer da posse 
do excesso de moeda adquirindo produtos. Como a quantidade de produtos está 
determinada no mercado, encontrando-se fixa, por estar no pleno emprego, há 
a elevação generalizada dos preços. Aos novos níveis de preços dos produtos, 
praticados no mercado, haverá um aumento de demanda de moeda, até que o 
equilíbrio se restabeleça no mercado monetário;
• Como consequência do aumento dos preços, deverá haver uma queda dos 
salários reais, que criará um excesso de demanda de mão-de-obra no mercado 
de trabalho. Com a elevação da demanda por trabalhadores, passará a ocorrer 
uma elevação nos salários nominais, que deve se dar na mesma proporção do 
aumento de preços, fazendo com que o equilíbrio do mercado de trabalho seja 
restabelecido;
• Simultaneamente a estes fatos, a taxa de juros promoverá um movimento inicial 
de redução que fará com que a o montante da poupança se reduza e o do 
investimento aumente. Quando os preços voltarem a subir, o nível de poupança 
deve retornar à sua posição inicial, decorrente da elevação das taxas de juros, 
que promoverá uma redução dos níveis de investimentos. 
Tem-se no final do processo, decorrente do aumento da oferta monetária, alterações 
nas variáveis nominais do sistema, observadas nos salários normais e no nível geral de 
preços, sem que as variáveis reais sejam afetadas, sendo elas o emprego, a produção 
e as taxas de juros. 
Lopes e Rossetti (1998) descrevem na análise clássica duas situações em que a 
política monetária pode efetivamente atuar sobre as variáveis reais:
1. Eliminação da concorrência perfeita no mercado de trabalho: é decorrente da 
atuação dos sindicatos dos trabalhadores por estabelecerem salários reais acima 
do pleno emprego, reduzindo o nível de produção. Logo, a política monetária 
reconduz a economia de volta ao pleno emprego, com:
b. os sindicatos pressionando por salários nominais mais altos, o que restringe 
trabalhadores com salários inferiores; 
c. a falta de flexibilização dos salários, promovendo o desemprego e a queda na 
produção; 
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d. o governo atuando para retomar o nível de emprego, através da colocação de 
moeda na economia, fazendo subir os preços; 
e. o aumento dos preços, deixando os empresários aptos a pagarem o salário 
nominal fixado pelo sindicado;
f. salários e preços retornando aos níveis reais.
2. Manutenção da taxa monetária de juros abaixo da “taxa natural”: este fenômeno 
se dá devido à possibilidade dos bancos comerciais fixarem ou deixarem que a 
taxa de juros fique abaixo da taxa de juros natural, promovendo um excesso de 
demanda agregada, promovido pelo elevação dos investimentos, e que traria, 
como consequência, uma constante subida dos preços A inflação que surgisse 
faria com que houvesse uma transferência de renda, dos operários assalariados 
para os produtores, operando como um mecanismo das poupanças forçadas. 
Sendo as propensões a poupar dos trabalhadores e empresários diferentes, 
este mecanismo fatalmente provocaria um deslocamento da função poupança, 
fazendo com que a taxa de juros não retornasse ao seu nível inicial.
Logo, como observam Lopes e Rossetti (1998), a política monetária, descrita 
pelos economistas clássicos, funcionaria apenas como um “lubrificante” da atividade 
econômica, gerando o dinamismo nas transações, sem afetar o setor real da economia.
ANOTE ISSO
Lembre-se que as proposições existentes na formulação da teoria econômica 
podem trazer variações inesperadas, observadas na economia positiva, 
necessitando uma reanálise na economia normativa.
13.2 A Política Monetária no Modelo Keynesiano
Carvalho (2015) descreve que Keynes enfatiza a política monetária como sendo 
um importante instrumento que ajuda na redução do desemprego. Os economistas 
seguidores da linha de pensamento da teoria keynesiana divergiram sobre a efetividade 
da política monetária de Keynes e não formaram um grupo completamente homogêneo. 
Os economistas identificados apoiadores da corrente velha-keynesiana ou síntese 
neoclássica não acreditavam que a política monetária fosse capaz de alterar as 
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variáveis reais da economia. Para eles, as reduções da taxa de juros não seriam a 
variável determinante para o aumento do investimento e a redução do desemprego, 
sendo que, no ponto de vista deles, a política fiscal poderia atuar com mais eficácia 
na estabilização da economia.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Expectativas dos empresários na economia e na empresa elevam índice de 
confiança
ICEI voltou a ficar positivo em fevereiro e interrompeu uma sequência de quatro 
meses de queda de confiança da indústria
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Confederação Nacional da 
Indústria (CNI) avançou dois pontos entre janeiro e fevereiro e registrou 50,6 pontos. 
Ao cruzar a linha dos 50 pontos, o índice passou de um cenário de desconfiança 
para um de confiança. Foram consultadas 1372 empresas, sendo 564 de pequeno 
porte, 482 de médio porte e 326 de grande porte, entre 1º e 7 de fevereiro de 2023.
A recuperação do ICEI ocorreu devido à melhora de um dos seus componentes: 
o Índice de Expectativas aumentou 4,1 pontos para 52,9 pontos. Esse indicador 
trata da percepção dos empresários para os próximos seis meses em relação à 
economia e à sua empresa.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA. Expectativas dos empresários na economia e na empresa elevam índice de confiança. 2023. Disponível 
em . Acesso em 18 Fev 
2023.
Conforme descrevem Lopes e Rossetti (1998), no modelo keynesiano, com as 
contribuições dos economistas John Richard Hicks e Alvin Harvey Hansen, identificados 
no modelo Hicks-Hansen IS-LM, salienta-se que a política monetária afeta a demanda 
agregada, os níveis da produção e do emprego.
O comportamento da taxa de juros passa a ser considerado como um fenômeno 
monetário, ou seja, um prêmio recebido pelos agentes econômicos que postergaram 
o consumo presente pelo consumo futuro. É o prêmio por renunciarem à liquidez. 
Inicia-se a análise, considerando a expansão da oferta monetária, considerando o 
deslocamento da função LM. A figura abaixo ajuda a compreender os efeitos da oferta 
de moeda na abordagem keynesiana de Hicks-Hansen:
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Figura 3: Efeitos da oferta de moeda na abordagem keynesiana de Hicks-Hansen sobre o mercado monetário
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 275)
O gráfico (a) retrata uma função de demanda transacional de moeda. Quando ocorre 
uma expansão da oferta monetária ocorre uma liberação maior de moeda para fins 
especulativos (b) e, por consequência, uma elevação da demanda de títulos.
Aumentando a demanda de títulos os preços também se elevam, implicando em uma 
redução na taxa de juros. Por consequência, eleva-se a retenção de moeda para especulação. 
Isto promove o deslocamento positivo da função LM, visualizado no gráfico (d).
Os efeitos de uma expansão da oferta de moeda no mercado monetário são vistos 
na figura acima. A função LM é resultante da oferta monetária M, considerando a 
função Lt(Y) da demanda de moeda para fins transacionais e a função Ls(i) de demanda 
de moeda para especulação. Havendo uma expansão da oferta monetária, o que 
provoca o deslocamento da curva M para M’, observa-se que a demanda de moeda 
para o motivo transação não deverá se alterar inicialmente, porque não ocorreu uma 
expansão da renda, neste momento. 
O excesso de oferta de moeda, que passa a ser verificado no mercado, será utilizado 
para especulação. Isto fará com que haja um deslocamento positivo da demanda de 
títulos no mercado financeiro. Assim, tem-se um aumento no preço dos títulos.
Uma vez que há uma relação inversamente proporcional entre a taxa de juros e o 
preço dos títulos, quando se tem um deslocamento da moeda para fins especulativos 
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haverá uma redução da taxa de juros. Com esta redução da taxa de juros, verifica-se 
um maior número de pessoas dispostas a reter ativos monetários, que esperam um 
retorno das taxas de juros, ou seja, que a taxa de juros volte a subir. Há, portanto, 
uma elevação da quantidade de moeda demandada para especulação, resultando no 
deslocamento da função LM para LM’.
Outros efeitos podem ser percebidos decorrentes do aumento da oferta monetária, 
uma vez que a queda da taxa de juros permite viabilizar os projetos de investimento 
que se encontram suspensos, em razão das taxas de juros mais elevadas. Retomados 
os investimentos, que se encontravam parados, ocorre um aumento da demanda 
agregada, dos níveis de emprego, do produto e da renda reais, principalmente se 
houver fatores de produção ociosos.
Partindo de uma situação inicial de equilíbrio, uma expansão da oferta monetária 
atuará no sentido de expandir o nível da renda. 
Ainda de acordo com Lopes e Rossetti (1998), os reflexos da política monetária 
implicam a admissão das duas seguintes hipóteses: 
1. As expectativas dos empresários permanecem inalteradas, independentemente 
da expansão da oferta monetária; 
2. Existência de fatores produtivos ociosos, permitindo uma flexibilidade suficiente 
no setor real da economia, permitindo a expansão do emprego, da produção 
e da renda. Desta forma, a expansão monetária implica somente na expansão 
dos preços. 
Na figura abaixo pode-se observar os efeitos reais da política monetária, na abordagem 
keynesiana de Hicks-Hansen.
Figura 4: Efeitos reais da política monetária, segundo a abordagem keynesiana de Hicks-Hansen
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 275)
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Inicia-se a análise pelo gráfico (a), o qual apresenta-se em uma condição inicial de 
equilíbrio. Uma elevação da oferta monetária provoca o deslocamento à direita da função 
LM para LM’. Esse deslocamento fará com que a taxa de juros sofra uma redução, o que 
promoverá a elevação dos níveis reais do emprego, da produção e da renda (b). Para isto, 
as expectativas empresariais devem se manter após a expansão da oferta monetária. No 
entanto, a situação de equilíbrio inicial não deve ser a de pleno emprego.
Em síntese, o funcionamento da política monetária através de uma expansão 
monetária, sobre os setores monetário e real da economia, segundo um modelo 
keynesiano tipo Hicks-Hansen, se encontra na figura abaixo:
Figura 5: Efeitos reais da política monetária, segundo a abordagem keynesiana de Hicks-Hansen
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 277)
Pode-se concluir que uma expansão monetária, dado as expectativas empresariais 
e fatores de produção disponíveis, poderá promover elevação dos níveis de emprego 
e, por consequência, da renda global, sem que haja alterações significativas do nível 
geral dos preços. 
ISTO ESTÁ NA REDE
A política monetária em Keynes como um conjunto de regras para a 
estabilização econômica
Partindo da teoria de Keynes sobre o funcionamento da economia - que é marcada 
pela necessidade de os agentes tomarem decisões acerca de um futuro incerto 
- e tendo por base o já tradicional debate regras versus discricionariedade, esta 
pesquisa propõe uma investigação sobre a política monetária em Keynes, tentando 
sugerir que esta não deve, necessariamente, ser feita de maneira discricionária pela 
Autoridade Monetária, ao contrário do que afirmam alguns keynesianos e pós-
keynesianos. Queremos mostrar que a adoção de certas regras que possibilitam 
gerar confiança e credibilidade entre os agentes econômicos, em busca da 
estabilidade dos preços e do ambiente macroeconômico, pode ser uma orientação 
política compatível com a teoria keynesiana.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na fonte.
Fonte: REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UNESP. A política monetária em Keynes como um conjunto de regras para a estabilização econômica. 2023. 
Disponível em . Acesso em 18 Fev 2023.
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13.3 Tipos e as Consequências de Política Monetária 
Dias (2015) cita dois tipos básicos de política monetária que se encontram 
relacionados aos mecanismos adotados pelo governo e as suas consequências para 
os principais agregados macroeconômicos: 
• Política monetária expansiva ou expansionista: o objetivo é promover a expansão 
da atividade econômica do país, estimulando o crescimento dos agregados 
macroeconômicos, adotando as medidas pertinentes para esse fim. 
A autoridade monetária adota um ou mais mecanismos, de forma combinada, 
com o objetivo de reduzir a taxa de juros do mercado, resultando na diminuição 
da taxa de juros emprestada pelos bancos comerciais ao público, impactando 
num aumento na demanda agregada, na produção e no emprego, devido ao 
fato de um público maior estar procurando por mais produtos. Esse mecanismo 
poderá impactar, no curto prazo, em um aumento da inflação. 
Figura 6: A política monetária expansionista 
Fonte: Dias (2015, p. 111)
• Política monetária restritiva ou contracionista: o objetivo é promover o controle 
da inflação por meio da contração da atividade econômica. 
A autoridade monetária adota um ou mais mecanismos, de forma combinada, com 
o objetivo de aumentar a taxa de juros do mercado, resultando na elevação da 
taxa de juros emprestada pelos bancos comerciais ao público, impactando numa 
diminuição na demanda agregada e, por consequência, na produção e no emprego, 
devido ao fato de um público maior estar procurando por menos produtos. Esse 
mecanismo poderá impactar, no curto prazo, em uma redução da inflação. 
Figura 7: A política monetária contracionista 
Fonte: Dias (2015, p. 112)
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13.4 O Equilíbrio do Balanço de Pagamentos e a Política Monetária 
A política monetária pode ser utilizada como uma ferramenta para ajustar o balanço 
internacional de pagamentos (BP). Através de mudanças na função LM, obtém-se 
formas de corrigir situações superavitárias ou deficitárias no balanço de pagamentos.
Para melhor compreensão, considerando como premissas:
• Os níveis de preços e a taxa decâmbio são fixos;
• O ajustamento do setor externo baseia-se na variação dos preços internos, com 
fixação da taxa de câmbio – o modelo defendido por David Ricardo. 
ISTO ESTÁ NA REDE
Entenda o que é teoria das vantagens comparativas
A teoria das vantagens comparativas foi formulada pelo inglês David Ricardo e 
explicada em seu livro “The Principles of Political Economy and Taxation”, de 1817. A 
teoria foi pensada com base no estudo de seu compatriota Adam Smith.
Para Ricardo, o crescimento depende da acumulação de capital, e como 
consequência, depende da taxa de crescimento, o que resulta no lucro. Diferente do 
pensamento de Smith, que desenvolveu a teoria das vantagens absolutas, na qual 
quanto menos insumos forem utilizados para produzir determinado bem, maior 
será a vantagem absoluta na produção dele. Assim, cada nação deverá concentrar 
esforços para produzir determinado produto com custos mais baixos do que outros 
países.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: MUNDO CARREIRA. Entenda o que é teoria das vantagens comparativas. 2014. Disponível em . Acesso em 18 Fev 2023.
Fixando o nível de preços e variando a taxa de câmbio, através de mecanismos 
de sistemas flexíveis, a oferta e a demanda de divisas externas deveriam se ajustar 
automaticamente ao balanço global de pagamentos externos. 
Ao manter fixa a curva do balanço de pagamento (BP), é possível determinar o 
equilíbrio de um sistema aberto, através da política monetária, por meio de mudanças 
na função IM. 
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Figura 8: Ajustes no balanço de pagamentos
Fonte: Lopes e Rossetti (1998, p. 279)
Pela figura acima é possível identificar duas situações. 
Na primeira, gráfico (a), observa-se a situação de superávit, na qual a taxa de juros 
interna vem a ser maior do que deveria para evitar o desajuste do setor externo, ou 
seja, i0 > i1. A autoridade monetária, visando corrigir o desequilíbrio, aumenta a oferta 
monetária, podendo ser através das emissões diretas ou pela compra das divisas 
internacionais, que foram geradas pela situação de superávit dos pagamentos externos. 
Observa-se que a curva LM é deslocada para a direita, cruzando com as duas funções 
IS-BP. A política monetária deverá provocar a queda dos juros e o aumento da renda, 
em níveis compatíveis com o equilíbrio interno e externo.
Na situação deficitária observa-se que a função da curva IS cruza com a função da 
curva LM, abaixo da curva da função BP. As autoridades monetárias devem reduzir a 
oferta monetária, promovendo o deslocamento da curva da função LM para a esquerda. 
Isto provocaria um aumento da taxa de juros internos e uma redução dos níveis de 
renda, até atingir o novo ponto de equilíbrio geral, que ocorre na intersecção das três 
funções: IS, LM e BP. 
Como descrito, observa-se que a política monetária pode ser empregada para 
equilibrar o setor externo da economia, além das demais situações analisadas.
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CAPÍTULO 14
AS MODERNAS ABORDAGENS 
DA TEORIA MONETÁRIA
A história da evolução do pensamento econômico, em todas as áreas, é marcada 
por contradições entre correntes de economistas. É normal que, com o passar dos 
anos, a dinâmica do cenário econômico traga mudanças nas variáveis determinantes, 
criando situações conflitantes à teoria vigente.
Não distante desta afirmação, Carvalho (2015) descreve que nas décadas de 1960 
e 1970, o então estatístico e economista norte-americano Milton Friedman, havia 
promovido uma grande revolução contra as ideias da teoria keynesiana. Contrário 
aos pensamentos de Friedman e radicalmente contra as ideias de Keynes, no final 
dos anos de 1970, os economistas Robert Lucas, Thomas Sargent e Neil Wallace 
promoveram uma nova reformulação do pensamento econômico.
Essa corrente de pensamento é conhecida como Nova Macroeconomia Clássica. 
A Nova Macroeconomia Clássica defende que os mercados são bastante eficazes 
na alocação eficiente de recursos, e que os ajustes às mudanças na economia são 
relativamente rápidos. De acordo com essa corrente, a política monetária e fiscal 
pouco pode fazer para alterar os níveis de preços, emprego e produção. Além disso, 
os economistas da Nova Macroeconomia Clássica acreditam que os incentivos 
governamentais, como impostos e subsídios, têm pouco efeito na economia.
14.1 A Moderna Teoria Quantitativa da Moeda
A moderna teoria quantitativa, segundo Lopes e Rossetti (1998), decorrente dos 
trabalhos de Friedman, é tida como defensora extremada do monetarismo. As causas 
principais das flutuações no nível da atividade econômica são decorrentes de distúrbios 
provenientes da política fiscal.
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ANOTE ISSO
A política fiscal se traduz em um conjunto de instrumentos, aplicados pelo governo, 
visando alcançar o equilíbrio das contas públicas, ou seja, receita e despesas 
públicas.
Para ele, os fenômenos de depressão e inflação decorreriam da forma como a política 
monetária estaria sendo conduzida, realçando o papel da moeda como elemento central 
da macroeconomia. A premissa do seu pensamento foi de que a política monetária 
tem um poder enorme para influenciar as condições macroeconômicas. Por exemplo, 
se os governos aumentarem a oferta de moeda em excesso, a inflação aumenta e 
os preços reais caem. Ao contrário, se a oferta de moeda for reduzida, poderá levar 
à deflação e à depressão. Por isso, a maneira como os governos gerenciam a oferta 
de moeda é vital para estabilizar a economia.
Os neoquantitativistas, ou seja, os economistas que utilizavam métodos quantitativos 
para investigar questões sociais, políticas e culturais, que combinam dados quantitativos 
e qualitativos com técnicas estatísticas e modelos matemáticos, para entenderem 
melhor como a interação social afeta o comportamento individual e coletivo, tendo 
Friedman à sua frente, conforme descrevem Lopes e Rossetti (1998), apresentam em 
comum os seguintes aspectos:
• A moeda é considerada como o centro da análise macroeconômica. A oferta 
monetária influencia a formação de preços, os níveis de emprego e o nível 
geral de produtividade. Os aumentos na oferta monetária tendem a elevar os 
preços, e a sua redução tende a impedir a elevação dos preços. Também afeta 
a disponibilidade de crédito, que é um elemento essencial para o funcionamento 
normal da economia. Além disso, ela desempenha um papel importante na 
determinação da taxa de câmbio, pois a oferta monetária pode afetar a demanda 
pelas moedas estrangeiras e, também, a determinação da taxa de juros, sendo 
essencial na tomada de decisões de investimento;
• A demanda por moeda é considerada como sendo uma função estável da renda. 
A velocidade da moeda sofre alterações a longo prazo. Logo, a expansão da 
moeda pode gerar aumentos na renda econômica por meio da criação de novas 
fontes de demanda. Essa demanda, por sua vez, pode levar a aumentos na 
produção, emprego e renda; 
• A curto prazo, a moeda afeta diretamente a demanda agregada. Isto pode-se 
constituir um instrumento para alterar favoravelmente os níveis da produção e 
do emprego. Já a longo prazo, o crescimento econômico depende apenas de 
fatores reais ou fatores de produção. A moeda passa a atuar como elemento 
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determinante do nível geral dos preços. Em síntese, a moeda tem um papel 
crucial na economia de um país, pois ela afeta diretamente a demanda agregada, 
ou seja, a quantidade total de bens e serviços que a população está disposta 
a comprar;
• A execução da política monetária se dá defasada no tempo, podendo ser pela 
instabilidade econômica, motivo pelo qual, esses autores,recomendam o aumento 
constante da oferta da moeda, a fim de atender ao crescimento da produção, 
mesmo que ocorra uma variação mínima dos preços. 
As ponderações de Friedman são bastantes esclarecedoras. 
Em certas épocas e lugares o fracasso das autoridades monetárias pode ser atribuído 
ao fato de estas permitirem a ocorrência de um tempo de demora entre as suas ações e 
os efeitos subsequentes sobre a economia. Elas tendem a determinar suas ações pelas 
condições do momento, mas suas ações irão afetar a economia somente seis, nove, doze 
ou quinze meses mais tarde. Daí irão se sentir impedidos de frear ou acelerar, conforme o 
caso, e de forma às vezes violenta, o curso normal das atividades econômicas (tipicamente, 
o stop and go). A adoção de uma taxa fixa de crescimento da oferta monetária, segundo 
as necessidades de cada economia, é, assim, preferível a taxas reguladas pelas condições 
conjunturais. Uma taxa constante produziria, em média, uma inflação moderada ou 
uma deflação moderada, preferíveis às perturbações amplas e irregulares que têm sido 
observadas tanto nos Estados Unidos como em outras nações (FRIEDMAN apud in LOPES 
E ROSSETTI, 1998, p. 223, adaptado).
Vale salientar que é importante que os bancos centrais definam metas de inflação 
e de crescimento econômico que sejam realistas, de modo a manter a estabilidade 
do sistema financeiro, evitando crises econômicas. 
Além disso, as autoridades monetárias devem ter acesso a informações atualizadas 
sobre os mercados, para que possam tomar decisões informadas e oportunas. Um 
monitoramento constante das condições econômicas e financeiras é necessário para 
evitar o sobreaquecimento ou o arrefecimento da economia.
14.2 Interpretações ao Modelo Keynesiano
Ainda se valendo das descrições de Lopes e Rossetti (1998), surgiram na literatura 
econômica diversos posicionamentos nos campos da teoria monetária, sobre a Teoria 
de Keynes. Na sequência serão sintetizadas as principais.
14.2.1 O Keynesianismo Ortodoxo
Keynesianismo Ortodoxo corresponde a uma versão do pensamento keynesianismo. 
Esta abordagem é caracterizada por uma ênfase na demanda agregada, nos gastos 
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governamentais e no papel ativo do Estado como mecanismo para estimular a atividade 
econômica. Ela também está associada ao uso de políticas de corte de impostos, 
subsídios e investimentos para ajudar a impulsionar a economia. O keynesianismo 
ortodoxo também se concentra na estabilização da inflação e no controle da taxa de 
juros.
O modelo keynesiano em sua análise deslocada para a área fiscal, desconsidera 
os impactos da oferta da moeda e os seus possíveis efeitos sobre o mercado do 
produto, sendo reduzido ao setor real, no qual são analisadas as variáveis componentes 
da demanda agregada, sendo elas o consumo das famílias, o consumo do governo, 
os investimentos das empresas e do governo, além do saldo da balança comercial 
ou as exportações líquidas. Avalia efeitos sobre a demanda agregada, decorrentes 
da manipulação da tributação, tanto direta quanto indireta, bem como a dos gastos 
governamentais. 
A determinação do equilíbrio da renda e do emprego fica centrada somente no nível 
do mercado do produto, não considerando os reflexos com o mercado monetário. Desta 
forma, a moeda é admitida como uma variável não relevante, tendo como justificativa 
o fato do equilíbrio se verificar no intervalo identificado como armadilha da liquidez 
ou devido ao fato da função investimento ser determinada por variáveis reais, sendo 
a taxa de juros pouco relevante. 
ANOTE ISSO
Armadilha de liquidez ou liquidity trap, é definida segundo Sandroni (1999) como 
sendo o:
Processo identificado por Keynes e que consiste no seguinte: uma situação na 
qual o aumento da oferta de dinheiro não tem por consequência uma queda das 
taxas de juros, mas simplesmente provoca um incremento nos saldos monetários 
ociosos. A explicação do fenômeno é que, em condições normais, um aumento na 
oferta monetária resultaria num aumento do preço dos títulos, na medida em que 
os indivíduos procurariam adquirir ativos e não permanecerem com moeda, e isto 
provocaria uma tendência para queda na taxa de juros. Mas na situação descrita 
por Keynes, os indivíduos acreditam que o preço dos títulos está muito elevado, 
e certamente diminuirão, assim como as taxas de juros se encontram em níveis 
muito baixos, e certamente aumentarão no futuro imediato. Assim sendo, acreditam 
que a aquisição de títulos acarretará uma perda, e por isso mantêm o dinheiro na 
forma líquida. Em consequência, a expansão da oferta monetária apenas provoca 
o incremento dos saldos monetários ociosos, não afetando o nível da taxa de juros 
(SANDRONI, 1999, p. 30, adaptado).
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Quando prevalece o fato da função investimento ser determinada por variáveis 
reais, considera-se que o investimento é inelástico às taxas de juros, mesmo que a 
oferta monetária possa afetar as taxas de juros.
A política fiscal é preferida, em relação à política monetária, por considerarem que a 
demanda agregada é afetada pelos efeitos multiplicadores, do consumo e da renda, além 
do fato da moeda não ser considerada como uma variável que influencia diretamente 
as variações desses componentes.
14.2.2 O Monetarismo da Universidade de Yale
O Monetarismo da Universidade de Yale é uma abordagem macroeconômica 
fundamentada na teoria monetária, desenvolvida pelo economista James Tobin e 
seus seguidores na Universidade de Yale. Concentravam-se na importância da política 
monetária como um meio para controlar a economia. Esta abordagem se concentra 
particularmente na importância da gestão da oferta monetária para a estabilidade 
macroeconômica, em vez de usar a política fiscal como o principal instrumento. 
Os economistas que seguem esta abordagem acreditam que a oferta de dinheiro 
deve ser controlada de forma a evitar flutuações excessivas de preços. Eles também 
acreditam que a política monetária deve ser usada para promover o crescimento 
econômico, mas não para reduzir o desemprego.
A preocupação fundamental girava em torno de como a composição das carteiras de 
ativos financeiros poderia afetar a taxa de juros e como estas afetam os investimentos. 
Rejeitaram a análise tradicional do mecanismo do efeito multiplicador dos meios de 
pagamento, por acreditarem que esta não considera a política operacional do sistema 
bancário, no tocante à composição de suas reservas entre a moeda e outros ativos 
que são amplamente negociados no mercado financeiro. 
Em relação à ação da moeda sobre a demanda agregada, os economistas 
monetaristas de Yale estariam entre os keynesianos ortodoxos e os quantitativistas 
de Chicago. 
A diferença, observada por Lopes e Rossetti (1998), entre Friedman e Tobin, seria 
uma questão de grau. Para Tobin, a função LM seria vertical na versão de Yale. 
Para Friedman, a ênfase estava no efeito-renda, enquanto para Tobin a ênfase 
centrava-se no efeito-substituição. Friedman considerava que a moeda agia diretamente 
sobre a demanda agregada, enquanto para Tobin essa ação se processava indiretamente, 
através da taxa de juros e do preço de oferta do capital.
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14.2.3 A abordagem Radcliffe
Essa abordagem tem como marco inicial o relatório da Comissão Radcliffe, que foi 
elaborado no final da década de 50, que extremou as considerações sobre o descrédito 
em relação à política monetária, sendo rejeitada a ideia de que o estoque de moeda 
era o elo importante entre os setores real e monetário da economia. 
Em substituição a esta proposição, foi proposto um conceito mais amplo sobre 
a liquidez, o qual exerceria uma influência significativa sobre os níveis da demanda 
agregada no mercado do produto. 
Neste relatório concluiu-se que os controles da oferta de moeda deveriamser transportadas 
em volumes pequenos. Quanto maior for o valor do múltiplo, menor a quantidade 
de cédulas para expressar uma quantia monetária e vice-versa.
Conforme descreve Carvalho (2015), mesmo que a moeda vigente em um país 
contemple essas características, isto não garante que ocorra o desempenho das suas 
funções, a serem estudadas no próximo capítulo. 
Na economia brasileira, por exemplo, na década de 1980 e na primeira metade da 
década de 1990, durante o período de altas taxas inflacionárias, a moeda oficial em 
circulação não era utilizada como unidade de conta de muitos contratos.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço que só admitem 
pagamento com cartão estão sujeitos a multa.
Poder pagar um serviço ou produto com cartão de crédito ou débito é uma 
facilidade bem-vinda, mas esta não pode ser a única modalidade de pagamento 
aceita pelos estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço.
A recusa em receber pagamento em dinheiro na moeda corrente do país pode gerar 
multa para o estabelecimento ou prestador de serviço, de acordo com o artigo 43 
da Lei das Contravenções Penais.
O contrário é permitido, ou seja, é possível que o estabelecimento ou prestador de 
serviço opte por não trabalhar com cartão de crédito ou débito e só aceite dinheiro. 
Por outro lado, desde 2017, a Lei 13.455/2017 autoriza a cobrança de valores 
diferenciados a depender do prazo e da modalidade de pagamento - cartão de 
crédito, dinheiro ou PIX, por exemplo [...].
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
De acordo com Carvalho (2015):
Cabe ressaltar que, com o acelerado desenvolvimento tecnológico, particularmente 
nos campos da informática e telecomunicações, as características necessárias 
ao bom desempenho das funções típicas da moeda podem existir em objetos de 
diferentes formas, especialmente em cartões magnéticos e microchips. Assim, 
esses objetos podem ser transformados no chamado dinheiro eletrônico. O cartão 
de débito automático em conta corrente é hoje a forma mais comum de dinheiro 
eletrônico. Há uma tendência mundial de redução de operações com recursos 
monetários físicos em favor de operações eletrônicas. Os pedágios em estradas e 
as compras em supermercados, entre muitos outros, podem ser facilmente pagos 
com a utilização de dinheiro eletrônico. (CARVALHO, 2015, p. 15).
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CAPÍTULO 2
FUNÇÕES E 
EVOLUÇÃO DA MOEDA
2.1 Funções da Moeda
A evolução do processo produtivo, que foi decorrente das transformações na forma 
de atuação das pessoas, através da divisão e especialização do trabalho, teve na moeda 
o elemento determinante que possibilitou esta evolução.
Os agentes econômicos puderam evoluir nas suas atribuições e nos seus 
relacionamentos, tornando-se cada vez mais interdependentes, uma vez que a dinâmica 
das trocas, resultantes das compras e vendas, seja dos fatores de produção ou dos bens 
e serviços, proporcionaram o crescimento dos sistemas econômicos.
A moeda permitiu que a realização das transações comerciais passasse a ocorrer em 
um período cada vez menor. Isto permitiu gerar novos produtos, novas necessidades e 
um crescimento econômico, atrelado ao aumento populacional.
Ainda que ocorra relações de trocas diretas ou escambo, elas se dão de forma 
insignificante ao montante de transações comerciais que ocorrem. Somada à evolução 
do comércio – ao estágio atual do comércio eletrônico – tem-se um sistema monetário 
e financeiro extremamente dinâmico e complexo. 
E cada vez mais se observa novos ativos financeiros no mercado, mudando a forma 
de interagir com a moeda. Exemplos são as moedas virtuais.
Tudo isso só foi possível porque a moeda, além de suas características, possui funções 
específicas, as quais os economistas elencam como sendo três: instrumento de meio 
de troca, unidade de conta e reserva de valor. Mankiw (2017) as cita de uma forma que 
proporciona à moeda a sua diferenciação em relação aos demais ativos financeiros.
ANOTE ISSO
A moeda tem três funções na economia: é um meio de troca, uma 
unidade de conta e uma reserva de valor. Essas três funções juntas 
distinguem a moeda dos demais ativos da economia, como ações, 
títulos, bens, imóveis, obras de arte e até figurinhas de beisebol 
(MANKIW, 2017, p. 310).
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Note que o autor faz uma distinção entre a moeda e outros bens que são considerados 
como ativos financeiros. O que diferencia estes ativos vem a ser o grau de liquidez, 
os custos de manutenção e a valorização em relação ao tempo.
 A liquidez é a capacidade que um ativo financeiro tem de ser convertido em moeda 
corrente. Portanto, diz-se que a moeda é um ativo financeiro líquido por natureza. 
A remuneração que os ativos financeiros possuem, ou a sua valorização, estão 
atrelados a vários fatores, como a capacidade de gerar juros ou ao aumento do grau 
de utilidade percebido pelo ativo, avaliados em um intervalo de tempo. 
Com relação ao custo, a moeda é um ativo que possui manutenção negligenciável 
ou inexistente, diferentemente de outros ativos financeiros que necessitam de 
manutenção de tempos em tempos. Um imóvel, por exemplo, necessita constantemente 
de manutenção para evitar sua deterioração. Um título público possui encargos 
operacionais, assim como os ativos financeiros de renda variável – as ações.
Assim, as funções das moedas as diferenciam dos outros ativos, sendo descritas 
na sequência.
2.1.1 Meio de troca
Conforme descreve Carvalho (2015), a prática de escambo ou as trocas diretas 
só podem ter efeito amplamente eficaz nas chamadas sociedades com economias 
primitivas. Essas sociedades são formadas por indivíduos ou grupos familiares 
autossuficientes, onde se observa pouca ou nenhuma divisão do trabalho e os indivíduos 
produzem poucos produtos. 
Desta forma, existe troca quando houver excedente de determinados produtos. 
Lembrando que há necessidade de se manter um estoque de produtos, até que se 
consiga reproduzir o ciclo produtivo.
A forma de sobreviver se dá com poucos produtos, com a satisfação das necessidades 
básicas através do consumo de alguns produtos. Quando se obtém uma troca, a 
satisfação do indivíduo se eleva, pois ele passa a ter um produto que não possuía ou 
não consegue produzir, naquele momento.
ANOTE ISSO
O crescimento econômico de uma localidade como uma cidade, região, estado ou 
país está intimamente ligado à capacidade que o setor produtivo tem de gerar bens 
e serviços, bem como a sua capacidade de ampliar esta produção. Logo, a moeda é 
de vital importância ao crescimento econômico.
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Já em um sistema econômico dinâmico, atrelado à uma economia monetária, os 
agentes econômicos participam do chamado fluxo circular do produto e da renda. 
Vamos recordar, pela imagem abaixo, o fluxo mais básico, somente com dois agentes 
econômicos, sendo eles as unidades familiares e a empresa.
Figura 1: Fluxo circular do produto e da renda – nível básico
Fonte: Passos e Nogami (2016, p. 370) (adaptado)
Ainda que este fluxo seja uma simplificação da realidade econômica de um sistema 
econômico, observa-se que o fluxo monetário permite às empresas adquirir os fatores 
de produção em infinitas combinações. Por outro lado, os indivíduos pertencentes ao 
agente econômico unidades familiares, que auferem renda, ficam livres para escolherem 
e comprarem os produtos que necessitam, no tempo que desejarem, mediante ao 
montante de renda que possuem.
Como salienta Mankiw (2017):
Um meio de troca é algo que os compradores dão aos vendedores 
quando compram bens e serviços. Quando você̂ compra uma camisa 
em uma loja de roupas, a loja lhe entrega a camisa e você̂ entrega 
moeda à loja. Essa transferência de moeda do comprador para oser 
substituídos por controles da oferta de liquidez. Isto permitiria a promoção do 
desenvolvimento econômico e, consequentemente, do bem-estar social. Também 
foi proposto a criação de um sistema flexível para as taxas, permitindo aos bancos 
centrais administrar a liquidez do mercado, de forma mais adequada, visando obter 
os melhores resultados macroeconômicos.
O fator determinante da efetividade da demanda agregada, no setor real da economia, 
não vem a ser a quantidade de moeda, mas a liquidez que todo o conjunto de ativos 
financeiros tem, sem a perda substancial de valor. A abordagem Radcliffe trouxe para 
o foco a análise do papel dos intermediários financeiros criadores de substitutos 
próximos da moeda, os chamados ativos quase monetários.
A capacidade de oferta de ativos quase monetários é, portanto, o fator efetivamente 
determinante da demanda agregada, o que significa que o aumento da oferta desses 
ativos pode aumentar a demanda agregada, já que eles são mais acessíveis ao público 
em geral, do que a moeda. Assim, a oferta de ativos quase monetários, como títulos 
de crédito, títulos hipotecários e títulos de dívida pública, pode aumentar a demanda 
agregada, já que esses títulos oferecem aos consumidores e investidores alternativas 
à moeda, com a qual eles podem financiar suas transações.
Conforme salientam Lopes e Rossetti (1998), trazendo para o primeiro plano o 
composto dos ativos monetários e quase monetários, os ingleses da Comissão 
Radcliffe se aproximaram das proposições de Tobin e Gurley-Shaw, no que concerne 
à rejeição do conceito tradicional de moeda, descrito pelos economistas da corrente 
do monetarismo ortodoxo. As abordagens Radcliffe, Tobin e Gurley-Shaw têm em 
comum a ideia de que é extremamente difícil definir o que realmente deve ser incluído 
no conceito de moeda.
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A abordagem Radcliffe define que a velocidade da moeda não tem limite superior, 
já que as estatísticas mostram que o dispêndio global pode crescer sem que se altere 
a quantidade de moeda. Esta colocação compromete a estabilidade da função de 
demanda da moeda, ficando o controle da oferta monetária renegado a segundo plano.
Assim, a abordagem de Radcliff sugere que a oferta monetária pode ser aumentada, 
desde que a demanda por moeda não seja afetada, pois isso pode aumentar a 
velocidade da moeda e, consequentemente, a inflação. No entanto, ela afirma que a 
oferta monetária deve ser ajustada com cautela e que a política monetária deve ser 
usada para garantir a estabilidade dos preços, se necessário.
14.2.4 A Síntese Neoclássica
A teoria neoclássica da política monetária é uma abordagem dos economistas 
denominados neoclássicos do papel do estado na economia. Ela argumenta que a 
política monetária do Estado pode influenciar a oferta e a demanda de moeda, a fim 
de alcançar um determinado nível de preços. 
A teoria sustenta a ideia de que a política monetária do Estado pode ser usada para 
regular a inflação, a estabilidade do sistema financeiro e o crescimento econômico. 
Ela também sugere que o estado pode usar a política monetária para equilibrar os 
interesses de curto prazo dos agentes econômicos com os interesses a longo prazo 
da sociedade.
De acordo com Lopes e Rossetti (1998), o economista israelense Don Patinkin, 
da Universidade de Jerusalém, é reconhecido mundialmente por suas contribuições 
para a teoria monetária e macroeconomia. Introduziu a moeda na função consumo 
e aproximou o pensamento de Keynes ao pensamento dos clássicos, demonstrando 
que a situação de pleno emprego é a que tende a prevalecer na economia.
14.2.5 A Versão Marxista
A abordagem ou a versão marxista da política monetária é uma abordagem, 
considerada de curto prazo, baseada na crença de que as políticas monetárias devem 
ser usadas para impulsionar o crescimento da produção e aumentar os salários dos 
trabalhadores. O objetivo deste tipo de política é aumentar o poder de compra dos 
trabalhadores e, assim, aumentar a demanda por produtos, o que pode criar empregos 
e aumentar o crescimento econômico. Isso inclui a redução de impostos sobre os 
salários e aumento dos gastos governamentais.
A versão marxista da política monetária concentra-se na ideia de que as estratégias 
monetárias implementadas pelos governos e pelas autoridades monetárias são usadas 
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para servir os interesses dos capitalistas. Argumentam que as políticas monetárias são 
projetadas para aumentar o poder de compra do dinheiro, o que leva a uma redistribuição 
de riqueza a favor dos capitalistas. Também argumentam que a inflação é usada como 
um meio de transferir renda dos trabalhadores para a classe capitalista. Por essa 
razão, os marxistas acreditam que as políticas monetárias devem ser implementadas 
de maneira a servir os interesses dos trabalhadores e não dos capitalistas.
Esta abordagem se concentra na relação entre moeda, trabalho, capital e o Estado 
na economia. Ela olha para a economia como um sistema dinâmico governado por 
forças sociais, econômicas e políticas. A política monetária marxista acredita que a 
moeda é um meio para a redistribuição da riqueza e poder entre classes sociais, e 
que a política monetária pode ser usada como uma ferramenta para alcançar isso. É 
frequentemente usada para propor reformas econômicas que visem ao bem-estar dos 
trabalhadores. Algumas das principais abordagens marxistas da política monetária 
incluem a desvalorização da moeda.
ISTO ESTÁ NA REDE
O que prega a teoria monetária de Marx sobre o conceito de dinheiro?
Em relação à teoria monetária de Marx, pode-se afirmar que a categoria dinheiro 
é uma categoria complexa, dotada de múltiplas determinações. Isso significa 
dizer que, a partir da teoria de Marx, para entender o que de fato são as cédulas 
bancárias que usamos em nossas transações diárias nos dias de hoje, os saldos 
em conta corrente que temos nos bancos ou até mesmo o que são cartões de 
crédito, é necessário entender como surge algo chamado “dinheiro” nas relações de 
troca de mercadorias, diferenciando-se de relações de troca simples (escambo), e 
como isso se desenvolve até essas formas mais avançadas existentes atualmente. 
Assim, para entender as formas mais avançadas do que se chama dinheiro em 
economias capitalistas desenvolvidas, é necessário entender como essas formas 
emergem a partir da sua forma mais simples. Essa evolução das formas do 
dinheiro é consequência, para Marx, da “complexificação” das relações de produção, 
com a emergência do capital e da forma capitalista de produção. Dessa maneira, 
na medida em que as relações de produção se tornam mais complexas, surgem 
novas relações nas quais o dinheiro está inserido e, consequentemente, novas 
determinações sobre essa categoria teórica, que é o dinheiro, tornando-a também 
mais complexa.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na fonte.
Fonte: GRAZZIOTIN, H. A. A teoria monetária e financeira de Marx. 2016. Disponível em . Acesso em 20 Fev 2023.
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A corrente marxista, segundo Lopes e Rossetti (1998), constitui uma tentativa de 
reinterpretar Keynes à luz da Teoria de Karl Marx. Tendo como expoente o economista 
britânico Joan Robinson e Kaldor, tinham por foco a crítica à economia ortodoxa e 
à tentativa de se evitar colapsos e mudanças no sistema de mercado capitalista. 
Buscaram enfatizar a irrelevância e a reduzida aderência da teoria econômica tradicional.
Muitas das críticas proferidas por esse grupo são consistentes. Observa-se, no 
entanto, a ausência da construção de modelos que possam ser alternativos, construídos 
a partir das ideias fundamentais, por eles.
Os aspectos mais relevantes destaversão, citados por Lopes e Rossetti (1998), 
encontram-se sintetizados abaixo:
a) Crítica e rejeição dos modelos de equilíbrio geral (como o modelo de Hicks-
Hansen) e do raciocínio abstrato excessivo da teoria tradicional; 
b) Formulação de propostas à luz de outras ópticas, como a política, a social e a 
histórica; 
c) Entendimento que deve ser dado ênfase aos problemas de distribuição da renda, 
decorrente da questão da luta de classes; 
d) Substituição, por modelos mais próximos do comportamento real dos agentes 
econômicos, dos modelos abstratos de formação dos preços; 
e) Substituição da análise de equilíbrio geral por abordagens que evidenciem o 
estado oculto do desequilíbrio do sistema capitalista. 
Para Robinson, esses aspectos estão de forma oculta na teoria keynesiana. 
No que concerne à moeda, a versão marxista questiona a hipótese central da política 
monetária ortodoxa de que a oferta monetária é exógena. 
A adesão dos marxistas à concepção da moeda, como sendo uma variável endógena, 
resulta da visualização do governo através de um comitê político da burguesia, voltado 
a atender às exigências e conveniências do estrato burguês. 
Na versão de Kaldor, as autoridades monetárias deixam de emitir moeda suficiente 
para atender às necessidades dos negócios. As empresas, visando resolver essa 
deficiência, irão emitir diferentes formas de títulos de crédito, resultando em um sistema 
monetário paralelo ao oficial.
14.2.6 O Novo Pensamento Keynesiano
As décadas de 1960 e 1970 são marcadas pela retomada à Teoria Geral, de Keynes. 
Essa corrente, denominada pós-keynesiana, passou a investigar se realmente aquilo 
que Keynes teria postulado, estaria em consonância ao cenário econômico. 
ECONOMIA MONETÁRIA
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Para Lopes e Rossetti (1998), os que propuseram o retorno à Teoria Geral, houve uma 
série de fatores que acabaram por contribuir para o desvirtuamento do pensamento 
original de Keynes para o keynesianismo bastardo, como dizia Robinson.
Entre os fatores de maior importância, destaca: 
• A ausência de Keynes no processo de refinamento de sua própria teoria, decorrente 
da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) e do seu falecimento em 1946; 
• A fácil assimilação do modelo Hicks-Hansen, divulgado no mundo inteiro como 
contendo a essência da teoria keynesiana;
• A situação econômica no período pós-guerra suficientemente estável para 
garantir uma auréola de verdade às interpretações dos keynesianos bastardos.
As interpretações, pelos autores que compõem a corrente de novos keynesianos, 
não geram nenhuma necessidade de mudança no sistema capitalista.
ANOTE ISSO
Os novos keynesianos são economistas que aplicam os princípios de John Maynard 
Keynes para explicar os fenômenos econômicos modernos. Eles acreditam que 
a política fiscal e monetária pode ser usada para impulsionar o crescimento 
econômico, reduzir a desigualdade e reduzir a inflação. Os novos keynesianos 
também defendem a ideia de que o governo deve intervir para corrigir imperfeições 
do mercado, como a existência de monopólios ou oligopólios.
14.3 A Ineficiência da Política Monetária
De acordo com Carvalho (2015), a corrente novo-clássica baseia-se em várias 
hipóteses monetaristas. Conforme foi descrito, o que diferencia as ideias de Robert Lucas 
e Milton Friedman é que o primeiro preconizava que se os agentes são maximizadores 
de satisfação, logo eles otimizam a utilização das informações que recebem. 
Isto significa que não se formam expectativas baseando-se unicamente no cenário 
passado, em outras palavras, no conceito de olhar para trás (backward-looking), mas 
também devem olhar para o futuro (forward-looking). As expectativas são do tipo 
racional e, devido a isto, esta escola também recebe a denominação de escola das 
expectativas racionais.
A maior implicação para vislumbrar essa mudança se deve ao fato de que tanto 
os modelos keynesianos, quanto os monetaristas existentes, não poderiam oferecer 
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resultados considerados confiáveis sobre as possibilidades das intervenções de caráter 
macroeconômicas. 
Em tais modelos, tanto as expectativas quanto as variáveis futuras seriam afetadas 
pelas expectativas e influenciadas por variáveis correntes e/ou passadas. Desta forma, 
o que os modelos obtinham eram resultados em condições inconsistentes com as 
premissas desses mesmos modelos. 
Mas, por outro lado, se os agentes estiverem informados de que uma política 
econômica será implementada, eles devem alterar suas expectativas, alterando 
o resultado esperado sob condições do passado. Essa crítica aos modelos 
macroeconométricos ficou conhecida como a crítica de Lucas.
ANOTE ISSO
Novamente se observa a relação entre a economia normativa (como a economia 
deveria ser) e a economia positiva (como a economia realmente é).
Partindo do pressuposto de que as expectativas são racionais, acredita-se que 
todo agente possui o mesmo modo de entendimento da economia e que tal modo 
corresponde à verdadeira forma de operação da economia. 
Isso significa que cada agente possui uma visão baseada na lógica, o que, embora 
seja importante, é limitado. Além disso, a economia é muito mais complexa do que 
parece, e muitos fatores, como questões políticas, sociais, psicológicas e até mesmo 
o acaso, não podem ser completamente previstos. Portanto, não é possível afirmar 
que todos os agentes possuem a mesma capacidade de entender a economia e que 
suas expectativas são racionais.
Para melhor compreensão, é notório que o aumento da oferta monetária irá provocar 
inflação, segundo a teoria monetarista. Desta forma, quando se tem um aumento da 
oferta de moeda, anunciado pelo governo, os agentes entenderão como sendo uma 
mensagem de que preços e salários irão se elevar. Logo, a única reação dos agentes 
vem a ser a antecipação da elevação dos preços e salários da economia. 
Além do que foi descrito, a política monetária pode ser ineficaz em situações em 
que há fatores externos que afetam a economia, como choques externos ou choques 
de oferta. Por exemplo, se ocorrer uma desaceleração econômica devido a uma queda 
na demanda global, a política monetária poderá não ser suficiente para estimular 
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a economia. Ademais, se as expectativas dos agentes econômicos forem muito 
pessimistas, eles podem não responder de forma adequada às medidas tomadas 
pelas autoridades monetárias. Outro motivo pelo qual a política monetária pode ser 
ineficaz é que ela pode levar a uma desvalorização da moeda, o que pode ter efeitos 
negativos sobre a economia.
Em síntese, pode-se admitir como problemas decorrentes de uma política monetária 
equivocada, os seguintes aspectos:
• Instabilidade dos preços: a política monetária afeta a oferta de dinheiro e, 
portanto, os níveis de inflação. A inflação excessiva pode causar instabilidade 
econômica, pois tem um efeito desestabilizador no mercado;
• Inflação desequilibrada: uma política monetária inadequada pode levar a um 
aumento desequilibrado dos preços de bens e serviços, o que pode prejudicar 
o crescimento econômico;
• Aumento da dívida: a política monetária pode levar governos a aumentarem seu 
endividamento para financiar projetos de gastos. Isso pode levar a um aumento 
da dívida e a uma diminuição dos níveis de poupança.
Finalizando este capítulo, deve-se utilizar a política monetária em conjunto com as 
demais políticas macroeconômicas (fiscal, de rendas e cambial), para que se consiga 
atingir os objetivos macroeconômicos. 
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CAPÍTULO 15
MOEDA E INFLAÇÃO BRASILEIRA
15.1 A Inflação no Brasil
A inflação no Brasil é um fenômeno que se verifica no sistema econômico desde o 
século XIX, mas que se intensificou na segunda metade do século XX.Como descreve 
Luque e Vasconcellos (in Gremaud et al, 2017), a maioria dos tipos de inflação está, 
ou esteve, presente em alguma época da história do Brasil. 
Dias (2017) afirma que a inflação está presente na economia brasileira desde os 
seus primórdios, e as causas foram as mais diversas, dependendo da época. 
Para o autor, um elemento parece ser comum, como o principal causador da inflação 
no Brasil, observado a partir da década de 1960, identificado como déficit orçamentário 
do setor público. 
ISTO ESTÁ NA REDE
Déficit Público: o que acontece quando o governo gasta mais do que tem?
A regra mais trivial das finanças diz que não se deve gastar mais do que se tem. 
Porém nem sempre essa condição é respeitada pelo governo – o que causa uma 
situação conhecida como déficit público.
Ao contrário do superávit, o déficit público gera um grande impacto negativo na 
economia do país. Além de piorar a situação das contas do governo, sua existência 
pode resultar em endividamento, alta na taxa básica de juros, inflação e até mesmo 
desemprego.
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link que está na 
fonte.
Fonte: REIS, T. Déficit Público: o que acontece quando o governo gasta mais do que tem? 2021. Disponível em . Acesso em 21 Fev 2023.
O déficit, independentemente do seu tipo, resulta do fato de que as despesas do 
governo são maiores do que as suas receitas. Uma das formas de contornar o déficit 
é através da emissão de moeda, mas é possível obter os recursos via endividamento.
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 A emissão de moeda, conforme já descrito, acaba por gerar uma inflação de 
demanda. Porém, as causas da inflação brasileira foram a emissão de moeda, a 
elevação dos custos, os movimentos estruturais e também a inércia inflacionária.
Dessa forma, os mecanismos de combate à inflação promoviam uma redução 
temporária, mas ela acabava por retornar. 
Figura 1: Gráfico da inflação brasileira mensal 
Fonte: BRASIL INDICADORES
A partir da década de 1940, no Brasil, a Fundação Getúlio Vargas passou a calcular 
e divulgar o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, proporcionando melhor 
acompanhamento do comportamento da inflação. A figura 1 apresenta o comportamento 
inflacionário no período de fevereiro de 1944 a dezembro de 1963. 
Na década de 1950 e início dos anos 1960, de acordo com Luque e Vasconcellos (in 
Gremaud et al, 2017), o fator determinante da inflação era o déficit do Tesouro Nacional, 
devido à necessidade do governo federal em financiar as ações de infraestrutura, 
principalmente dos setores de transporte, energia elétrica e saneamento básico, devido 
ao crescimento econômico acelerado a partir da segunda metade da década de 1950. 
ANOTE ISSO
A partir da segunda metade da década de 1950, no Brasil, a população urbana 
passou a ser maior do que a população rural, nas principais cidades. Este fator, 
junto ao fato da renda por bens públicos ser elástica, pressionaram o aumento da 
participação do Estado no sistema econômico brasileiro.
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O processo inflacionário se deu pelo fato de que o baixo nível de renda per capita 
impossibilitava o governo federal de elevar a carga tributária, optando, então, por 
emissões de dinheiro, caracterizando-se, desta forma, numa típica inflação de demanda, 
pois quanto mais moeda circulava na economia, maiores eram os volumes de compras, 
sem o respectivo aumento proporcional no nível de produção.
Observou-se no período a existência de tensões de custo, geradas principalmente 
por desvalorização cambial, atuação dos oligopólios etc. 
Figura 2: Gráfico da inflação brasileira mensal 
Fonte: BRASIL INDICADORES
No período de 1964 até 1973, a inflação não foi debelada, mas passou a ter um 
comportamento ameno. A política de combate à inflação se caracterizou, em uma 
primeira fase, entre os anos de 1964-1973, como tratamento de choque, executado 
através de uma rígida política monetária, fiscal e salarial.
Já nos anos de 1967 a 1973, as medidas adotadas batizaram-se como uma política 
gradualista, correspondentes ao combate por etapas planejadas. Esse tratamento 
gradual se deu em função do fato de que países em desenvolvimento dificilmente 
suportariam o custo social proveniente de uma redução de crescimento e aumento 
de desemprego, resultando em uma política de tratamento de choque. 
A partir de 1973, a inflação brasileira acrescentou a variável custo na determinação 
das taxas inflacionárias, decorrente da elevação dos preços do petróleo, oriunda do 
primeiro choque do petróleo. O cenário mundial começou a sofrer mudanças mais 
radicais na cadeia produtiva e também nas relações comerciais. Observa-se que para 
cada nova alteração de preços, dos principais insumos produtivos, havia um reflexo na 
ECONOMIA MONETÁRIA
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taxa de inflação, conduzindo-a para um patamar mais alto, para posterior acomodação 
em um novo nível, muito decorrentes das interferências governamentais.
Figura 3: Gráfico da inflação brasileira mensal 
Fonte: BRASIL INDICADORES
Entre os anos de 1973 e 1985, a economia brasileira sentiu os efeitos de dois 
choques dos preços do petróleo (em 1973/1974 e 1979). Mas também aconteceram 
outros fatores, atuando de forma independente, que contribuíram para a aceleração 
do processo inflacionário, que de acordo com Luque e Vasconcellos (in Gremaud et 
al, 2017), foram:
a) Os sucessivos choques agrícolas em decorrência de fatores climáticos (1975-
1977 e 1985), provocando elevação dos preços dos produtos agrícolas; 
b) Os elevados gastos públicos, provenientes dos programas de substituição de 
importações nas áreas de infraestrutura como energia, aço, bens de capital e 
minerais não ferrosos.
Esses fatos contribuíram para a elevação dos preços dos bens e serviços, reflexo do 
alto grau de indexação da economia brasileira. Esses aumentos sucessivos começaram 
a gerar a inflação inercial. 
Até o ano de 1986 as tentativas de combate da inflação brasileira se davam através 
de um conjunto de medidas, elaboradas pelas autoridades monetárias, intituladas de 
pacotes econômicos, muitas atuando na política cambial, através da desvalorização 
do câmbio e dos ajustes monetários, como troca de moeda, corte de zeros, alterações 
no crédito, taxas de juros, entre outros.
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Para os economistas da corrente heterodoxa, ou para os inercialistas, a inflação 
brasileira, neste período, era inercial, devido ao fato de que as políticas de controle 
monetário, utilizadas até 1985, não provocavam reduções da taxa de inflação. Eles 
consideravam que o processo inflacionário brasileiro só seria contido pela eliminação 
do mecanismo de indexação. 
ANOTE ISSO
Indexação pode ser compreendida como sendo o reajuste dos preços presentes 
pela inflação passada, podendo ser formal ou informal.
15.2 Os Planos de Estabilidade Econômica no Brasil
A economia brasileira atravessou, durante os anos de 1980 e meados dos anos de 
1990, uma profunda crise, caracterizada por estagnação econômica e altas taxas de 
inflação. Conforme salienta Lacerda (2018), o poder de aquisição da renda per capita, 
em 1994, equivalia ao poder de aquisição da renda per capita de 1980. Nesse período, 
a inflação alcançou níveis elevadíssimos. 
Assim, de 1986 a 1994, foram aplicados sete planos de ajustamento e combate 
às altas taxas de inflação, tendo seus principais aspectos sintetizados na sequência.
15.2.1 Plano Cruzado
O plano cruzado foi um conjunto de medidas voltadas para a contenção da inflação 
caracterizadas por um choque heterodoxo e implementadas no dia 27/02/1986. As 
principais medidas implementadas, de acordo com Sandroni (1999), foram:
• Congelamento dos preços dos bens e serviçosnos níveis praticados no dia da 
publicação do decreto; 
• Alteração da unidade do sistema monetário, que passou a ser denominado 
Cruzado, sendo o seu valor correspondente a mil unidades de cruzeiro; 
• Substituição da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN), instituída 
em 1964, pela Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), cujo valor foi fixado em 
Cz$ 106,40, congelado por um ano;
• Congelamento dos salários pela média dos últimos seis meses; 
• Congelamento do salário mínimo no valor de Cz$ 804,00; 
• Instituiu-se uma tabela de conversão para transformar as dívidas, denominada 
tablita; 
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• Criação de uma espécie de seguro-desemprego para os trabalhadores dispensados 
sem justa causa ou em virtude do fechamento de empresas; 
• Os reajustes salariais por um dispositivo denominado “gatilho salarial” ou “seguro-
inflação”, que estabelecia o reajuste automático de salários sempre que a inflação 
alcançasse 20%.
O plano cruzado foi bem recebido inicialmente pela população, que acreditava que a 
inflação fora eliminada e que começaria uma nova era de prosperidade. Porém, com o 
passar dos meses, ficou claro que o congelamento não seria suficiente para conter a 
inflação, pois era impossível congelar todos os preços da economia, e os empresários 
aprenderam a burlar o congelamento. Além disso, a eliminação da correção monetária 
e a redução dos juros nominais estimularam o consumo e inibiram a poupança, 
aumentando a demanda e estimulando o mercado negro. Por fim, o congelamento 
da taxa de câmbio desestimulou as exportações e aumentou a dívida externa.
Estas tensões foram represadas até as eleições de novembro de 1986.
15.2.2 Plano Cruzado II
O plano cruzado II foi um conjunto de medidas voltadas para o ajustamento ao 
plano cruzado, decorrente das pressões existentes por descongelamento de preços 
e salários. Os preços de muitos produtos precisavam ser ajustados, em função de 
seus custos alterarem – inflação de custos.
Como no ano de 1986 havia eleição para governador de estado e para o Legislativo, 
os ajustes foram sendo postergados, como estratégia eleitoral. Após a eleição, com 
uma expressiva vitória dos partidos da situação, o plano cruzado sofreu profundas 
modificações, como o descongelamento de preços. Porém os resultados esperados 
não foram atingidos e a inflação voltou com intensidade acompanhada por um claro 
processo recessivo. 
No primeiro semestre de 1987, o país declarou moratória (parcial) e a taxa de 
inflação atingiu níveis superiores a 25% mensais. 
15.2.3 Plano Bresser
Elaborado pelo Ministro da Fazenda Luís Carlos Bresser, foi implementado no 
primeiro semestre de 1987, para tentar debelar o processo inflacionário. De acordo 
com Sandroni (1999), o plano incorporava as características consideradas positivas 
do Plano Cruzado, mas com algumas modificações, sendo elas:
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• Congelamento geral de preços e salários por um prazo de noventa dias, visando 
baixar a inflação para níveis inferiores aos existentes; 
• Uma fase de flexibilização de preços com reajustes mensais de preços e salários, 
a fim de corrigir eventuais desequilíbrios;
• A liberação de preços, que passariam a ser definidos pelas forças do mercado; 
• Estabelecimento de um novo indexador, a Unidade de Referência de Preços 
(URP) fixado em NCz$ 100 a partir de 15/06/1987, que reajustaria os salários 
e determinaria os tetos para os reajustes de preços; 
• Adoção de uma política monetária e fiscal rigorosa visando reduzir o déficit 
público e impedir um crescimento desenfreado da demanda. 
O cenário econômico, no qual o plano Bresser se deu, foi de um processo de 
desaceleração. Desta forma, ele procurou manter esse estado das coisas, para evitar 
a expansão da demanda, através de uma redução dos salários reais, manutenção em 
níveis elevados das taxas de juro e elevação real da taxa cambial. 
A principal diferença do plano Bresser, em relação aos planos anteriores, foi mais 
gradual e flexível, permitindo ajustes mais suaves ao longo do processo. Além disso, 
previa a estabilização da inflação por meio de um controle de preços mais rigoroso, 
com a proibição do aumento dos preços dos principais bens e serviços. 
15.2.4 Plano Verão
O último plano econômico do governo do presidente José Sarney, apresentou a 
segunda reforma monetária do governo Sarney, depois de a inflação ter acusado um 
índice acumulado de 933,62% em 1988. 
Teve a mesma concepção dos planos anti-inflacionários anteriormente implementados 
no Brasil e em outros países. Adotou as seguintes providências e medidas, de acordo 
com Sandroni (1999): 
• Congelamento dos preços (com prazo indefinido); 
• Extinção da Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) e da Unidade de Referência 
de Preços (URP);
• Criação do “cruzado novo”, com corte de três zeros; 
• Desvalorização do câmbio em 16,3805%, ficando o câmbio congelado até 
segunda ordem, com o dólar norte-americano na paridade de 1 cruzado novo; 
• Determinação da suspensão do processo de indexação da economia; e
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• Déficits públicos limitados ao montante da arrecadação de cada órgão. 
Em relação às principais variantes determinantes da política monetária: 
• Preços: congelados os preços dos serviços e tarifas públicas por tempo 
indeterminado, a partir de 15/01/1989, sendo que os preços dos combustíveis 
e da energia elétrica foram realinhados antes. Estabeleceu um descongelamento 
lento e gradual a partir de março de 1989, com sistemas de reajuste trimestral 
para preços. 
• Salários: foram corrigidos os salários com reajustes em janeiro, posteriormente 
foi feito um ajustamento salarial de acordo com a data base de cada categoria. 
Após isto, o governo transferiu para o Congresso a tarefa de fixar a política 
salarial, o que acabou por postergar sua aplicação.
• Moeda: cortou três zeros no Cruzado. Criou uma moeda nova antes que a 
antecessora saísse de circulação.
• Correção Monetária: extinguiu e congelou a OTN mensal pelo valor de CZ$ 
6170,19 ou NCz$ 6,17. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) continuaria a 
medir a inflação oficial, até o estabelecimento de algum novo critério de indexação.
• Poupança: o rendimento passou a ser determinado pelo resultado do overnight 
ou pelo IPC (dos dois, o índice que resultasse maior). A partir de maio de 1989 
passou a ser determinado pelo IPC, em todos os casos, acrescidos de 0,5% de 
juro real. 
• Juros: aqui pode se ver a maior aplicação da política monetária. O Banco Central 
elevou a taxa de juros no overnight, mantendo-a entre 25% e 30% ao mês, entre 
janeiro e fevereiro de 1989, visando incentivar as aplicações financeiras, forçando 
o desestímulo à formação de estoques e à contenção do consumo. No mês de 
abril de 1989, a taxa real de juros caiu para 11,51%.
• Dívida externa: suspenderam-se as operações de reempréstimos, por um período 
de um ano. As conversões da dívida permaneceram.
Uma ação de política fiscal foi a tentativa de privatizar algumas empresas do setor 
público. O governo submeteu ao Congresso um projeto de lei propondo regras para 
a privatização de empresas estatais, visando reduzir o déficit público, porém não foi 
aprovado. 
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Embora o plano verão tenha conseguido conter temporariamente a inflação, o seu 
sucesso foi curto. As medidas adotadas não foram suficientes para reverter o cenário 
de estagnação econômica, e a inflação voltou a subir em 1990.
15.2.5 Plano Collor I
O Plano Collor entrou em vigor no dia 15 de março de 1990, no primeiro dia do 
governo do presidente Fernando Collor de Mello. As medidas adotadas implicaram 
mudanças nas áreas monetário-financeira, fiscal, de comércio exterior, de câmbio e 
de controle de preços e salários, descritaspor Sandroni (1999):
• Reintrodução do cruzeiro em substituição ao cruzado novo, mas mantendo a 
paridade da moeda (área monetária);
• Fixação de limites para a conversão das aplicações em cruzeiros, visando evitar 
a utilização do volume de recursos aplicados a curto prazo ou em depósitos 
(mercado financeiro);
• Limitação na conversão em Cr$ 50.000,00 (aplicações em caderneta de poupança 
ou depósitos);
• Limitação das aplicações financeiras que possuíam lastro em títulos públicos 
ou privados, com compromissos de recompra (over e open), a Cr$ 25 000,00 
ou 25% do saldo, prevalecendo o que possuísse o maior limite;
• Resgate limitado a 20% do saldo para as aplicações em fundos de curto prazo, 
renda fixa, depósitos a prazo (CDB/RDB), letras de câmbio e debêntures;
• Sequestro de liquidez, em relação ao valor remanescente, em cruzados novos, 
pelo prazo de dezoito meses, ou seja, houve a impossibilidade da conversão 
do saldo remanescente.
Ainda na descrição de Sandroni (1999), o governo se comprometeu a devolver o 
valor bloqueado, de forma parcelada, através de 12 parcelas, a partir de setembro de 
1991, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de 6% ao ano.
Também foram tomadas numerosas medidas para aumentar a arrecadação fiscal, 
através de tributos, merecendo destaque: a incidência de Imposto de Renda sobre 
ganhos em Bolsas, até então isentos; o aumento das alíquotas do Imposto sobre 
Produtos Industrializados (IPI) - com redução dos prazos de recolhimento; o aumento 
da tributação sobre o lucro dos exportadores e sobre a atividade agropecuária.
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Ainda na área da política fiscal, as aplicações financeiras ficaram sujeitas à incidência 
do imposto sobre operações financeiras (IOF), de câmbio, de crédito e de seguros ou 
relativas a títulos e valores imobiliários, o que representou uma soma considerável de 
recursos. Outras ações tributárias também foram aplicadas.
Com relação à variável salário procedeu-se reajuste em março, de acordo com a 
inflação de fevereiro. A política monetária implementada sobre os preços, a ser seguida 
após a fase inicial do plano, deveria ser a da prefixação, com o anúncio mensal de 
limites máximos de reajustes para os preços. Já para os salários, após estimativa da 
inflação para o mês, deveria proceder o reajuste. Para o salário mínimo, a cada três 
meses seria revisto e corrigido. Esse procedimento foi abandonado no mês de maio.
A partir de maio, o mecanismo de prefixação mensal dos reajustes de preços e 
salários foi abandonado pelo governo e ele passou a emitir medidas provisórias, 
estabelecendo a “livre negociação” entre patrões e empregados.
Em 1991, o governo havia conseguido equilibrar as finanças, o PIB registrava uma 
queda de 3%, e a inflação retornava lentamente ao patamar dos 20% mensais. 
15.2.6 Plano Collor II
Com o cenário de crescimento inflacionário retomando a economia brasileira, a 
equipe econômica do governo do presidente Collor, lançou no dia 1 de fevereiro de 
1991 mais um plano econômico, com as principais medidas econômicas, citadas por 
Sandroni (1999), sendo: 
• Racionalizar os gastos em administração pública, através do corte das despesas;
• Controlar as empresas estatais e criar mecanismos, tanto financeiros quanto 
institucionais, para que houvesse uma aceleração do processo de modernização 
do parque industrial;
• Pôr fim ao mecanismo de indexação, considerado pela equipe econômica do 
governo a principal causa da retomada da inflação;
• Extinguir o Bônus do Tesouro Nacional (BTN) e todos os fundos de curto prazo, 
inclusive o over e o open, considerados como os principais causadores da ciranda 
financeira;
• Criar a Taxa Referencial (TR), que deveria ser prefixada pela média de juros dos 
títulos públicos e demais aplicações financeiras;
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• Atribuir aos preços os valores praticados em 30 de janeiro de 1991 e congelados 
por um período, sendo gradualmente liberados por meio de “câmaras setoriais”, 
compostas por representantes dos empresários e do governo;
• Reajustar os salários na data base de 1º de fevereiro, de acordo com uma tabela 
publicada pelo governo, que teve como base a média dos salários dos últimos 
doze meses. 
Infelizmente, o plano não surtiu o efeito desejado, principalmente por conta dos 
problemas do cenário político do governo federal.
15.2.7 Plano Real
Este plano foi o mais audacioso de todos, uma vez que ele foi elaborado para 
ser executado em um longo período. Iniciou-se em 1993, para ser consolidado em 
01/07/1994, no governo do presidente Itamar Franco, que assumiu a presidência do 
país após a renúncia do então presidente Fernando Collor de Mello. 
Tendo como Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, a efetivação do Plano 
Real se deu pela medida provisória de 30/06/1994. Comparativamente aos planos que 
o precederam, ele foi o que promoveu as menores alterações na economia.
O cerne do plano consistia em combater a inflação, predominantemente inercial, 
fazendo com que os agentes econômicos conseguissem entender que existe uma 
diferença entre valor e preço nos produtos. O valor pode ser compreendido, de acordo 
com os conceitos da Teoria Microeconômica, como sendo o grau de utilidade percebido 
pelo consumidor sobre um produto. Já o preço vem a ser a representação do valor 
do produto, expresso em unidade monetária. 
Para tanto criaram a chamada Unidade Real de Valor (URV) que servia como uma 
unidade de medida de valor e que não se alteraria a curto prazo. A moeda em vigor em 
1993, foi transformada em Cruzeiro Real, que funcionaria como uma moeda transitória 
entre o Cruzeiro e o Real. Essas duas variáveis tinham como finalidade alinhar os 
preços e também contribuir para que a transição provocada pela reforma monetária 
fosse menos traumática.
Ao contrário dos outros planos, o Plano Real teve congelamento de preços. As 
principais medidas, conforme Sandroni (1999), foram as seguintes: 
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• Mudança na unidade monetária, que passou a ser denominada “Real”, sendo 
que a paridade com o Cruzeiro Real era fixada em R$ 1,00 = CR$ 2.750,00, em 
30/06/1994; 
• Autorização ao Banco Central de emitir, no período entre junho de 1994 e 31 
de março de 1995, até R$ 9,5 bilhões, podendo o Conselho Monetário Nacional 
alterar este valor em até 20%; 
• Limitação da correção monetária, contraída a partir de 01/07/1994, à variação 
acumulada do IPCr (Índice de Preços ao Consumidor em Reais); 
• Paridade com o dólar americano em R$ 1,00 = US$ 1,00. 
Os salários deixaram de ser corrigidos pela indexação da inflação passada e 
passaram a ser concedidos aumentos baseados em índices de produtividade.
De imediato, as taxas de inflação se reduziram a níveis aceitáveis, mas a implantação do 
Plano Real provocou mudanças substantivas nos agregados macroeconômicos brasileiros. 
Pode-se observar que a valorização cambial inverteu a situação da balança comercial, 
fazendo com que o saldo superavitário existente em 1994 passasse para uma 
situação deficitária. Isto promoveu o crescimento do déficit em transações correntes, 
tornando mais elevadas as necessidades de financiamento do setor externo, tendo por 
consequência a dependência dos fluxos externos de capital, levando à manutenção 
de altas taxas de juros internas. 
O déficit público expandiu-se em razão dos encargos financeiros da dívida interna e 
da necessidade de ajustar as contas dos estados e municípios e dos bancos fragilizados 
pela baixa da inflação. 
As crises econômicas, de origem externa, como a mexicana e a crise asiática, 
colocaram a estabilidade da economia brasileira em xeque, porém as autoridades 
promoveram ajustes e mudanças na política cambial. 
O Plano Real foi um divisor de águas na história econômica do Brasil, pois foi o 
primeiro plano econômicoque conseguiu estabilizar a economia brasileira por mais de 
uma década. Seu sucesso se deve, em grande parte, ao fato de que o governo adotou 
uma política fiscal mais responsável, o que permitiu ao Banco Central controlar a 
inflação por meio de uma alta taxa de juros. Além disso, o governo também conseguiu 
controlar a dívida pública, reduzindo os gastos e aumentando as receitas.
A figura abaixo traz um comparativo dos planos econômicos, através da taxa de 
variação mensal da inflação, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna, 
da Fundação Getúlio Vargas. 
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Figura 4: Gráfico da inflação brasileira mensal 
Fonte: BRASIL INDICADORES
O IGP-DI foi o índice inflacionário utilizado, devido ao fato de sua série ser determinada 
desde o ano de 1944.
 
15.3 Sistema de metas inflacionárias
A economia brasileira, a partir do segundo semestre de 1999, de acordo com Passos 
e Nogami (2016), estabeleceu uma diretriz para fixação do regime de política monetária, 
a sistemática de “metas para inflação”. 
De acordo com o Banco Central, a meta para a inflação é definida pelo Conselho 
Monetário Nacional, ficando o Banco Central responsável por implementar as medidas 
necessárias para alcançá-la. O índice de preços utilizado é o Índice Nacional de 
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística (IBGE). 
Ano Meta (%)
Tamanho do 
intervalo +/- (p.p.)
Intervalo de 
tolerância (%)
Inflação efetiva 
(Variação do IPCA, %)
1999 8,00 2,00 6,00-10,00 8,94
2000 6,00 2,00 4,00-8,00 5,97
2001 4,00 2,00 2,00-6,00 7,67
2002 3,50 2,00 1,50-5,50 12,53
2003*
3,25
4,00
2,00
2,50
1,25-5,25
1,50-6,00
9,3
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Ano Meta (%)
Tamanho do 
intervalo +/- (p.p.)
Intervalo de 
tolerância (%)
Inflação efetiva 
(Variação do IPCA, %)
2004* 3,75
2,50
2,50
1,25-6,25
3,00-8,00
7,6
2005 4,50 2,50 2,00-7,00 5,69
2006 4,50 2,00 2,50-6,50 3,14
2007 4,50 2,00 2,50-6,50 4,46
2008 4,50 2,00 2,50-6,50 5,9
2009 4,50 2,00 2,50-6,50 4,31
2010  4,50 2,00 2,50-6,50 5,91
2011 4,50 2,00 2,50-6,50 6,5
2012 4,50 2,00 2,50-6,50 5,84
2013 4,50 2,00 2,50-6,50 5,91
2014 4,50 2,00 2,50-6,50 6,41
2015 4,50 2,00 2,50-6,50 10,67
2016 4,50 2,00 2,50-6,50 6,29
2017 4,50 1,50 3,00-6,00 2,95
2018 4,50 1,50 3,00-6,00 3,75
2019 4,25 1,50 2,75-5,75 4,31
2020 4,00 1,50 2,50-5,50 4,52
2021 3,75 1,50 2,25-5,25 10,06
2022 3,50 1,50 2,00-5,00 5,79
2023 3,25 1,50 1,75-4,75 
2024 3,00 1,50 1,50-4,50 
2025 3,00 1,50 1,50-4,50 
Tabela 1 – Meta inflacionária brasileira, 1999-2025
*Nota do Bacen: a Carta Aberta, de 21/1/2003, estabeleceu metas ajustadas de 8,5% para 2003 e de 5,5% para 2004.
Fonte: BACEN
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Figura 5 - Gráfico Meta inflacionária x Inflação anual - IPCA
Fonte: BACEN
Observando os valores, percebe-se que no período em análise, poucos foram os 
anos em que a meta inflacionária foi atingida ou ficou abaixo do valor determinado 
pelo Conselho Monetário Nacional.
Figura 6 – Esquema para determinação da meta inflacionária 
Fonte: BACEN
A figura acima sintetiza as ações do Conselho Monetário Nacional para a determinação 
da meta inflacionária.
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CONCLUSÃO
Não é possível um sistema econômico dinâmico sem a existência da moeda, de 
um sistema financeiro estruturado, de instituições financeiras sólidas, de uma política 
monetária que promova os ajustes necessários.
Nesta obra almejou-se descrever o que é a moeda e a sua importância para o 
sistema econômico nacional e internacional, suas características e funções.
Buscou-se enfatizar a importância da economia monetária, como o ramo da economia 
que apresenta a análise da moeda nas suas funções como um meio de troca, reserva de 
valor e unidade de conta, a considerando também como a engrenagem dos mercados 
de capitais, commodities e índices futuros, imobiliários, automobilísticos e outros, que 
podem atuar no caráter especulativo.
O que enfatiza a importância de seu estudo é o fato de que as economias 
desenvolvidas possuem um sistema econômico e uma moeda sólida. Isto significa 
que as instituições se encontram estruturadas, os agentes econômicos proporcionam 
atividades econômicas com taxas de juros atraentes, sem que as variáveis atuem 
de forma desregulada, promovendo o surgimento da inflação e a consequente 
desregulamentação do sistema econômico.
As ações regulamentares da política monetária buscam manter o sistema econômico 
equilibrado, ou seja, promover o crescimento econômico com baixas taxas de inflação.
As autoridades monetárias possuem em suas mãos um conjunto de instrumentos 
regulatórios. Mas como foi visto sobre os planos econômicos dos anos 1980 e meados 
dos anos 1990, na economia brasileira, é importante que se entenda como eles podem 
ser utilizados, pois a inflação pode ser gerada por diversos motivos.
Assim, o papel dos agentes econômicos é de suma importância para o perfeito 
funcionamento do sistema monetário, pois as ações das autoridades monetárias só 
obtêm êxito se todos estiverem em perfeito alinhamento econômico.
As relações monetárias estão em evolução e as nações encontram-se em estágios 
diferentes. Daí, a importância de se complementar os estudos de economia monetária 
com as correntes contemporâneas do pensamento econômico.
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ELEMENTOS COMPLEMENTARES 
LIVRO
Título: Economia Monetária E Financeira
Autor: Fernando J. Cardim de Carvalho, Francisco 
Eduardo Pires de Souza, João Sicsú, Luiz Fernando 
Rodrigues de Paula, Rogério Studart
Editora: Elsevier Editora Ltda
Sinopse: Esta obra contempla os principais aspectos 
do estudo da Economia Monetária, iniciando-se com 
o conceito de moeda e sistema monetário, relatando 
a Teoria Quantitativa da Moeda, a demanda e oferta 
monetária, defendida pelas principais correntes do 
pensamento econômico. Expõe as questões primordiais 
da Política Monetária. Também aborda a estrutura do sistema financeiro nacional, 
trazendo os aspectos normativos e as novas proposições das autoridades brasileiras 
e os aspectos do sistema financeiro internacional 
FILME
Título: Grande Demais Para Quebrar 
(Too Big To Fail)
Ano: 2011
Sinopse: O banqueiro Richard Fuld, 
entre março e outubro de 2008, em 
meio a conversas com personalidades 
como Hank Paulson (secretário 
do Tesouro norte-americano), Ben 
Bernanke e Tim Geithner tenta salvar o Lehman Brothers. Durante as negociações, 
buscava uma solução privada envolvendo banqueiros de investimento e membros do 
Congresso para preservar a empresa sediada em Nova York.
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WEB
O Banco Central do Brasil, fundado em 1965, através da reforma monetária de 1964, 
é a principal instituição executora da política monetária do Brasil. Além disso, é o 
principal meio de comunicação para com o público, sobre todas as determinações 
monetárias. No site é possível acessar informações históricas de diversas variáveis, 
circulares, normativos e regulamentos, bem como a história monetária brasileira.
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REFERÊNCIAS
ABREU, E.; SILVA, L. Sistema financeiro nacional. São Paulo: Forense, 2016. 
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 15ª ed. São Paulo: Atlas, 2021. 
BACEN. Nota técnica do Banco Central do Brasil. nº 48. Brasília, 2018.
BRITO, O. S. Mercado financeiro. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020. 
CARVALHO, F. Economia monetária e financeira - teoria e política. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2015.
DIAS, M. C. Economia fundamental - guia prático. São Paulo: Érica, 2015.
GREMAUD, A. P. et al. Manualde economia: equipe de professores da USP. 7ª ed. 
São Paulo: Editora Saraiva, 2017. 
LACERDA, A. C. Economia brasileira. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
LOPES, J. C.; ROSSETTI, J. P. Economia monetária. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.
MANKIW, N. G. Princípios de macroeconomia. 6ª edição. São Paulo: Cengage 
Learning Brasil, 2017. 
PASSOS, C. R. M.; NOGAMI, O. Princípios de economia. 7ª ed. São Paulo: Cengage 
Learning Brasil, 2016.
ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 21ª ed. São Paulo: Atlas, 2016.
SANDRONI, P. Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Best Seller, 1999.
SILVA, C.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia. 20ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 2017. 
VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2015.
WESSELS, W. J. Economia - série essencial. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.vendedor permite que a transação ocorra. Quando entra numa loja, 
você está confiante de que ela vai aceitar sua moeda em troca dos 
itens que estão à venda, porque a moeda é o meio de troca comumente 
aceito (MANKIW, 2017, p. 310).
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Carvalho (2015) enfatiza que a função da moeda intermediária de troca permite 
separar as transações comerciais em dois tipos de operações: as operações de compra 
e as operações de venda. E ambas podem ocorrer de forma indireta, pois não há a 
necessidade de trocas coincidentes.
Torna-se mais fácil vender os produtos e receber a moeda em uma transação comercial 
para os agentes econômicos empresas. Pelo lado dos agentes econômicos unidades 
familiares, também há a facilidade de se efetuar as compras de produtos pagando com 
moeda e não com produtos. Isto permite o dinamismo dentro do sistema econômico. 
O pagamento de um bem em moeda corrente é garantido pelo fato de a moeda 
possuir como característica o curso forçado em lei. Portanto, o comerciante deve 
garantir condições de fornecer o troco efetivo ao consumidor e não com mercadorias.
ISTO ESTÁ NA REDE
Troco em balinhas é crime?
Jesseir Coelho de Alcântara é Juiz de Direito e Professor - 03/10/2014
Nosso Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) não possui nenhum 
artigo expresso a respeito do troco, mas seus princípios garantem a proteção do 
consumidor de que este nunca seja prejudicado e que só deve pagar pelo que quer 
comprar ou consumir nos valores ofertados e dão o embasamento legal para a 
exigência do troco exato.
Devolver o troco a um cliente em balinhas ou qualquer outro produto, como 
chicletes, caixa de fósforo, doces, etc., trata-se de uma prática abusiva e que fere o 
artigo 39 do Código. A obrigação dos comerciantes é devolver o troco em dinheiro, 
além de arredondar a diferença para baixo, beneficiando o cliente. Essa é a regra da 
legislação [...].
Continue a leitura deste texto antes de prosseguir, acessando o link: 
Para muitos economistas, a função de intermediário de trocas é uma função principal 
da moeda, por permitir que as compras e as vendas ocorram em períodos diferentes. 
Em outras palavras, a moeda exerce a função de meio de pagamento. 
2.1.2 Unidade de conta 
Esta função é muito fácil de ser compreendida. Mas para isto é necessário conceitos 
e conhecimentos de Contabilidade Nacional. Partindo do conceito do Produto Interno 
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Bruto – PIB, tem-se que ele é determinado matematicamente e estatisticamente pelo 
somatório de todos os bens e serviços finais, que são gerados dentro dos limites 
territoriais de uma localidade, em um período determinado.
Só para elucidar esse conceito genérico do PIB, o termo bens e serviços finais 
referem-se aos produtos que estão prontos e que não vão mais participar do processo 
produtivo, podendo ser consumidos e assim sair do processo produtivo. A expressão 
limite territorial remete à ideia da independência da origem do capital, podendo este 
ser nacional ou internacional, e do território físico ou virtual onde o processo produtivo 
ocorreu. Por fim, o período se refere ao tempo de análise, sendo que se observa esse 
período em trimestral, semestral e anual, mas nada impede de ser calculado em outro 
período.
Agora vem a vez da moeda. No conceito do PIB, a frase “é determinado matematicamente 
e estatisticamente pelo somatório de todos os bens e serviços finais” observa-se que o 
PIB é calculado com todos os bens e serviços finais, mas de que forma?
Os produtos e serviços possuem unidades de medidas diferentes. O arroz é 
contabilizado em sacas de 60 kg, assim como o feijão, a soja, o café, entre outros. 
Já o algodão é em arroba, que vale 15 kg, da mesma forma que animais de porte 
grande, pois os pequenos são mensurados em quilos. Também se pode contabilizar 
os animais por unidade ou cabeça. Mas ainda temos as roupas e os calçados, os 
imóveis, os veículos, as outras mercadorias e os serviços.
A única forma de somar todos os produtos é através do seu valor monetário. Isso 
quer dizer que a moeda assume a função de unidade de valor ou conta. 
Mankiw (2017) ilustra essa função como:
Uma unidade de conta é um padrão de medida que as pessoas usam 
para anunciar preços e registrar débitos. Quando você vai às compras, 
pode observar que uma camisa custa R$ 30,00 e um hambúrguer R$ 
3,00. Embora seja correto dizer que o preço de uma camisa são dez 
hambúrgueres e que o preço de um hamburguer é 1/10 do preço de 
uma camisa, os preços nunca são cotados dessa maneira. De forma 
similar, se você toma um empréstimo com um banco, o montante 
de suas prestações futuras será medido em dólares, não em uma 
quantidade de bens e serviços. Quando queremos medir e registrar 
valor econômico, usamos a moeda como unidade de conta (MANKIW, 
2017, p. 310). 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A tabela a seguir traz os preços médios mensais, determinados pela CEPEA - Centro 
de Estudos Avançados em Economia Aplicada, de dois produtos, sendo o Indicador 
do Boi Gordo CEPEA/B3 e o Indicador da Soja CEPEA/ESALQ – Paraná, no período 
entre os meses de janeiro de 2021 e dezembro de 2022.
Mês/Ano
Indicador do Boi Gordo 
CEPEA/B3
Indicador da Soja CEPEA/
ESALQ – Paraná
Relação de Paridade Arroba 
Bovina/Saca de Soja
01/2021 R$ 289,01 R$ 163,90 1,7633
02/2021 R$ 301,73 R$ 161,56 1,8676
03/2021 R$ 309,34 R$ 164,51 1,8804
04/2021 R$ 316,06 R$ 170,80 1,8505
05/2021 R$ 310,47 R$ 171,36 1,8118
06/2021 R$ 317,28 R$ 157,16 2,0188
07/2021 R$ 318,63 R$ 162,65 1,9590
Tabela 1 – Preço mensal, em Reais, do Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3 e o Indicador da soja CEPEA/ESALQ – Paraná, com Relação de Paridade 
Arroba Bovina/Saca de Soja
Mês/Ano
Indicador do Boi Gordo 
CEPEA/B3
Indicador da Soja CEPEA/
ESALQ – Paraná
Relação de Paridade Arroba 
Bovina/Saca de Soja
08/2021 R$ 315,13 R$ 168,09 1,8748
09/2021 R$ 302,05 R$ 169,57 1,7813
10/2021 R$ 269,56 R$ 168,22 1,6024
11/2021 R$ 297,66 R$ 162,38 1,8331
12/2021 R$ 320,90 R$ 166,74 1,9246
01/2022 R$ 338,46 R$ 176,31 1,9197
02/2022 R$ 340,29 R$ 191,63 1,7758
03/2022 R$ 344,71 R$ 195,85 1,7601
04/2022 R$ 335,06 R$ 182,20 1,8390
05/2022 R$ 323,10 R$ 188,96 1,7099
06/2022 R$ 317,96 R$ 189,82 1,6751
07/2022 R$ 324,41 R$ 184,63 1,7571
08/2022 R$ 313,39 R$ 181,86 1,7232
09/2022 R$ 303,35 R$ 181,72 1,6693
10/2022 R$ 296,74 R$ 179,71 1,6512
11/2022 R$ 283,35 R$ 182,44 1,5531
12/2022 R$ 292,10 R$ 177,28 1,6477
Máximo R$ 344,71 R$ 195,85 2,0188
Mínimo R$ 269,56 R$ 157,16 1,5531
Tabela 2 – Preço mensal, em Reais, do Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3 e o Indicador da soja CEPEA/ESALQ – Paraná, com Relação de Paridade 
Arroba Bovina/Saca de Soja (Continuação)
Fonte: CEPEA/ESLQ, 2022 (adaptado)
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O valor das mercadorias em unidades físicas e em unidades monetárias permite 
estabelecer a relação de paridade entre os produtos, comparar o desempenho dos 
valores nominais (para uma comparação de valor monetário mais precisa é necessário 
aplicar a correção monetária dos valores através de um índice de preços, excluindo o 
efeito da inflação – o que será tratado no Capítulo 11). Graficamente se torna mais fácil 
ver o comportamento dos preços e da paridade, pois a figura abaixo retrata os valores 
da tabela acima, contendo dois eixos das ordenadas ou eixos verticais. O da direita 
retrata os valores monetários e o da esquerda o valor resultante da relação entre os 
valores monetários da arroba bovina e da saca de soja.
Figura: Gráfico da variação mensal de preços e relação de paridade
Fonte: CEPEA/ESLQ, 2022 (adaptado) 
No exemplo acima, tanto o produtor agrícola quanto o produtor pecuarista podem 
se valer da função da moeda comoinstrumento de medida de valor ou unidade de 
conta para compor suas estratégias de mercado.
Um outro aspecto importante descrito por Carvalho (2015) vem a ser o 
estabelecimento de contratos entre os agentes econômicos, sejam de prestação de 
serviços, compra e venda ou outra modalidade:
Os contratos estabelecem fluxos de mercadorias e/ou serviços contra 
o pagamento em moeda em uma determinada data. Os contratos 
não poderiam existir sem uma unidade de conta que possibilitasse a 
determinação da quantidade de unidades monetárias que liquidariam 
as suas obrigações. Consequentemente, a divisão acentuada do 
trabalho e o aumento da produtividade não teriam ocorrido sem um 
apurado sistema de coordenação, que é executado pelo conjunto de 
contratos de uma economia. Este, por sua vez, depende da função 
unidade de conta da moeda para existir (CARVALHO, 2015, p. 2).
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Além de todas as vantagens já citadas de se ter a moeda como a função de 
unidade de valor ou conta, há também a realização das transações comerciais à 
vista, corriqueiras no dia a dia das pessoas e empresas. Também contribui para a 
liquidação de uma obrigação contratual, uma vez que possui curso forçado em lei, 
como já descrito anteriormente.
2.1.3 Reserva de valor
O acúmulo de moeda dá ao seu possuidor a possibilidade de aumentar seu patrimônio, 
através da aquisição de outros ativos financeiros. 
ANOTE ISSO
Dois fatores chamam atenção nessa função da moeda:
• O primeiro se deve ao fato de que juntar moeda para o próprio enriquecimento 
deve ser feito através de mecanismos que corrijam a perda do poder monetário 
para inflação;
• O segundo vem a ser o fato de que o montante acumulado decorre da 
postergação do consumo presente em detrimento do consumo futuro (que vem 
a ser o ato de poupar) e, portanto, deve ser recompensado, através da incidência 
de juros. 
Como relata Carvalho (2015), no momento em que um agente econômico passa 
a ter uma quantidade monetária, ele passa a ter o direito de reter poder de compra, 
em tese, pelo tempo que desejar, sem temer perdas. Mas em um sistema econômico 
com altas taxas de inflação, a moeda perde esta função de reserva de valor. 
Mankiw (2017) descreve a reserva de valor como sendo:
[...] Algo que as pessoas podem usar para transferir poder de compra 
do presente para o futuro. Quando um vendedor aceita moeda hoje 
em troca de um bem ou serviço, ele pode ficar com a moeda e tornar-
se comprador de outro bem ou serviço em outro momento. É claro 
que a moeda não é a única reserva de valor da economia, já que 
uma pessoa também pode transferir poder de compra do presente 
para o futuro mantendo outros ativos como ações e títulos. O termo 
riqueza é usado para fazer referência ao total de reservas de valor, 
incluindo tanto a moeda quanto os ativos não monetários (MANKIW, 
2017, p. 311). 
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ISTO ESTÁ NA REDE
Mudança de moeda faz homem perder fortuna guardada no colchão
Edição do dia 14/06/2013
14/06/2013 23h06 - Atualizado em 01/07/2013, 22h57
Valdomiro juntava o dinheiro em casa e não trocou quando surgiu o real.
“Era dinheiro de fazer medo”, conta ele, que hoje guarda tudo no banco.
Botar o dinheiro em porquinhos para depois depositar no banco pode ser um bom 
caminho para poupar, mas uma pesquisa recente mostrou que 55 milhões de 
brasileiros não têm conta bancária. Muitos guardam o dinheiro em casa.
[...] Era tanto dinheiro que seu Waldomiro nem se lembrava de todos os esconderijos. 
Tempos depois, ele encontrou uma pequena parte da fortuna, que resolveu guardar 
como recordação. Ele mostra o dinheiro para a equipe do programa. “É muito, mas não 
vale nada”, diz.
Globo Repórter: O senhor ainda guarda dinheiro em casa?
Waldomiro: Não, hoje não guardo mais dinheiro em casa. Dinheiro é perigoso deixar em 
casa. Eu levo tudo para o banco. Aprendi bem. Não guardo mais dinheiro em casa.
Leia a reportagem na íntegra, acessando o link que está na fonte.
Fonte: https://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2013/06/homem-perde-fortuna-
guardada-no-colchao-na-mudanca-de-moeda.html
As pessoas e empresas devem gastar menos do que arrecadam, para poderem 
aumentar sua riqueza e não se endividarem. Mas isto deve ser feito através dos meios 
próprios para proteger a moeda contra a desvalorização, substituição, roubos, furtos, 
entre outros.
Alguns autores consideram como uma função o fato de a moeda ser um padrão 
para pagamentos diferidos, ou seja, aqueles que se realizarão no futuro. Mas como 
ela tem a função de reserva de valor, pode-se considerar como uma atividade ligada 
a esta função. 
2.2 Evolução das Fases da Moeda
A evolução das fases da moeda retrata a evolução da civilização humana, das suas 
relações de trocas e comerciais, passando pela instituição de organismos monetários, 
que culminaram com o sistema financeiro nacional e internacional, para contemplar 
uma dinâmica dada por transações eletrônicas que processa os pagamentos sem a 
presença da moeda em espécie.
É notório que cada país contemplou a evolução das fases da moeda de forma 
diferenciada. No entanto, conforme observam Passos e Nogami (2016), Carvalho (2015) 
e Silva (2017), há seis fases da evolução da moeda, sintetizadas na sequência.
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2.2.1 Era da Troca de Mercadorias
Corresponde à fase inicial, onde as transações de produtos se davam através das 
trocas coincidentes, o chamado escambo, conforme já foi descrito no Capítulo 1. É 
um período de pouca evolução, mas de suma importância para a moeda.
2.2.2 Era da Mercadoria Moeda
Esta fase se dá com a escolha de um produto que contemplasse as características 
da moeda e suas funções. Para isso, conforme evidenciam Passos e Nogami (2016), 
a mercadoria escolhida para servir como moeda deveria ser rara o bastante para que 
tivesse valor.
Vários produtos foram utilizados como moeda de troca de mercadorias, tais como 
gado, fumo, azeite de oliva, escravos, sal etc. Desses merece destaque o gado, pois 
enquanto ficava no pasto engordando, promovia um aumento de moeda (riqueza).
REGIÕES MERCADORIAS-MOEDA
ANTIGUIDADE (até o ano 410)
Egito Cobre
Babilônia, Assíria Cobre, prata, cevada
Pérsia Gado
Bretanha Barras de ferro, escravos
Índia Animais domésticos, arroz, metais
China Conchas, seda, sal, cereais
IDADE MÉDIA (de 410 a 1453)
Ilhas Britânicas Moedas de couro, gado, ouro, prata
Alemanha Gado, cereais, mel
Islândia Gado, tecidos, bacalhau
Noruega Gado, escravos, tecidos
Rússia Gado, prata
China Arroz, chá́, sal, estanho, prata
Japão Anéis de cobre, pérolas, arroz
IDADE MODERNA (de 1453 a 1789)
Estados Unidos Fumo, cereais, madeira, gado
Austrália Rum, trigo, carne
Canadá Peles, cereais
França Metais preciosos, cereais
Japão Arroz
Tabela 2 – Principais mercadorias utilizadas como moeda.
Fonte: Lopes e Rossetti, apud in Passos e Nogami (2016, p. 450)
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No entanto, muitos produtos não possuíam as características que se observa em 
uma moeda, principalmente no que tange à indestrutibilidade, pois com o passar do 
tempo, muitos produtos se deterioravam ou acabavam por ser consumidos.
2.2.3 Era da Moeda Metálica
Os metais foram os objetos ou mercadorias que mais corresponderam às 
características da moeda. Passos e Nogami (2016) elencam o cobre, o bronze e o 
ferro como os metais inicialmente utilizados. Mas por existirem em abundância no 
planeta foram pouco a pouco sendo substituídos pelos metais nobres - o ouro e a prata. 
Ainda conforme os autores, esses dois metais são classificados como metais 
monetários por excelência, uma vez que suas características se ajustam perfeitamente 
às da moeda.
Esses metais deram maior dinamismo ao comércio, pelo fato de serem fáceis 
de manusear e carregar, além da suapadronização em termos de peso e valor. No 
entanto, a dificuldade centrava-se no transporte de grandes quantidades, devido às 
possibilidades de roubo, uma vez que a moeda metálica transferia seu poder aquisitivo 
para o possuidor.
2.2.4 Era da Moeda-Papel
A moeda-papel veio eliminar os principais problemas da moeda metálica. Ela decorre, 
conforme explica Passos e Nogami (2016), da solução que foi criada pelos comerciantes 
para que pudessem realizar as transações com mais segurança.
A estratégia foi criar um local seguro, onde as moedas pudessem ser depositadas. 
Este local ficou conhecido como “Casas de Custódias”. Em troca do montante de 
moedas depositadas, era emitido um certificado atestando que o seu detentor 
possuía a respectiva quantia em moedas ou outro produto de valor naquele 
estabelecimento.
Com o passar do tempo, os comerciantes passaram a transferir os direitos oriundos 
do certificado de depósitos para outros comerciantes, tornando esses certificados 
uma espécie de ativo monetário transacionável, ou seja, com aceitação entre os 
comerciantes de uma localidade, que evidentemente conheciam a Casa de Custódia. 
Desta forma, houve a criação de uma moeda com 100% de garantia de conversão 
aos ativos depositados nas respectivas Casas de Custódias.
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2.2.5 Moeda Fiduciária (Papel-Moeda)
No decorrer do tempo, os proprietários das Casas de Custódias perceberam que 
havia um descompasso entre o montante de moedas depositadas e o montante de 
moedas retiradas. 
Então, com saldo positivo, gradativamente começaram a emitir certificados de depósitos 
sem o lastro no ativo monetário, dando origem à chamada moeda fiduciária, ou seja, a 
moeda baseada na confiança. Ela também ficou conhecida como papel-moeda. 
ANOTE ISSO
Não confunda moeda-papel com papel-moeda. São coisas distintas. 
Ainda segundo Passos e Nogami (2016), as características incluídas na moeda, 
nesta fase, foram: 
• Lastro inferior a 100% do valor descrito no certificado;
• Diminuição das garantias de conversibilidades; 
• Emissão feita por particulares.
Esta última característica acabou por ser prejudicial a este sistema, forçando a 
interferência estatal. De início, as emissões do papel moeda estavam lastreadas no 
ouro (o chamado padrão ouro), o que significava que a referida emissão de moeda 
estava atrelada à quantidade de ouro existente em cada país. 
Com as dificuldades encontradas pelos países em manter o lastro ao padrão ouro, 
aos poucos esse modelo foi sendo modificado e, em 1971, foi extinta a conversibilidade 
do dólar americano em ouro. Na época, a nação mais rica do globo.
A moeda fiduciária passou então a ter as seguintes características, de acordo com 
os autores supracitados:
• Inexistência de lastro metálico; 
• Inconversibilidade absoluta; 
• Monopólio estatal das emissões.
2.2.6 Moeda Bancária (Escritural)
A moeda bancária ou escritural é decorrente da evolução dos sistemas financeiros 
dos países, sobretudo dos sistemas bancários. Um banco pode ser uma instituição 
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pública ou privada, que atua como intermediário financeiro entre os agentes poupadores 
e tomadores, como será melhor descrito no Capítulo 9, que tratará sobre as Instituições 
Bancárias.
Nesta fase, a moeda bancária corresponde à representação pelos depósitos à vista, 
nos bancos onde a pessoa possui uma conta corrente. Ela faz a movimentação dos 
valores existentes em sua conta, através de cheques, transferência eletrônica disponível 
(TED), documento de ordem de crédito (DOC), transferências entre contas do mesmo 
banco ou por PIX (modalidade brasileira de transferência de valores entre contas, 
através de uma chave código). 
O nome de moeda escritural é decorrente dos lançamentos contábeis (débito e 
crédito) que são efetuados nas contas correntes dos bancos. 
Ainda que os cartões de crédito e débito, munidos de chips de segurança e outros 
mecanismos de acesso à conta corrente das pessoas, venham a ser denominados 
moeda eletrônica, seu processo resulta nos lançamentos a débito ou a crédito nas 
contas correntes. O mesmo ocorre com os dispositivos de cobrança automática de 
pedágio ou estacionamento, através de um dispositivo fixado no para-brisa dos veículos. 
Além disso, há os sistemas de débito automático, que correspondem a um serviço de 
cobrança dos bancos junto aos correntistas, para as empresas credenciadas. 
ANOTE ISSO
O sistema monetário está em constante evolução. 
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CAPÍTULO 3
A TEORIA QUANTITATIVA 
DA MOEDA
ANOTE ISSO
Precisamos conhecer os fatos históricos para compreendermos os caminhos 
percorridos pela humanidade na sua evolução, evitando repetir os erros ocorridos 
no passado. Portanto, todo tópico histórico deve ser estudado com muita atenção, 
porque nem todos os fatos conseguem ser transcritos pelos historiadores.
3.1 O Início dos Estudos da Teoria Quantitativa
Do período que compreende o pensamento da Escola Clássica à Teoria Keynesiana, 
se perpassa um tempo de mais de 150 anos (1776 a 1930), em que o pensamento 
econômico evoluiu em relação às questões da geração e distribuição do produto e 
renda, da importância do trabalho, da geração e apropriação da riqueza, bem como 
das questões de cunho monetário.
Carvalho (2015) relata que o economista John Hicks, em sua obra “Critical Essays in 
Monetary Theory” (1967), descreveu que desde o início, a evolução e o desenvolvimento 
da teoria monetária estiveram atrelados à necessidade de definição de diretrizes 
políticas, para que pudessem ser aplicadas ao mundo real, permitindo a dinâmica 
das relações de produção, dispêndio e renda, em seus vários níveis.
Segundo o autor, o debate se dava mais na questão da exogeneidade da moeda, no 
que se refere às dificuldades das autoridades monetárias no controle da moeda, para 
avaliar as causas entre as pressões inflacionárias ou deflacionárias. O ambiente de 
suas observações foi a Inglaterra do século XIX, onde salienta que o perigo da inflação 
estaria associado à possibilidade de emissão excessiva de papel-moeda. 
ANOTE ISSO
Segundo Carvalho (2015), os melhores trabalhos de teoria monetária foram, via 
de regra, diretamente inspirados por episódios específicos vividos por cada autor, 
especialmente aqueles derivados de desarranjos monetários.
Lembre-se que a teoria pode ser formulada com base nas observações empíricas 
do ambiente, principalmente nas Ciências Econômicas.
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Historicamente, até as primeiras décadas do século XX, a Inglaterra ocupava o 
centro dos estudos econômicos monetários, conforme relata Carvalho (2015). Isso 
se dava em razão dos economistas da época se preocuparem com as consequências 
resultantes entre a emissão de moeda e a criação de créditos, resultantes do conflito 
bélico com a França entre os séculos XVIII e XIX.
Observou-se que os problemas monetários surgiam quando a moeda em cédula 
começou a competir com a moeda metálica, o que levou a restrições técnicas sobre 
a oferta monetária limitada. Em 1797, o Banco Inglês encerrou o vínculo automático 
entre suas notas e os metais preciosos, atuando na formação do lastro monetário.
Conforme o autor, na primeira década do século XIX, pode-se observar, em vários 
momentos, que o valor cambial da libra, em termos de ouro, deteriorou-se. Iniciou-
se a busca por uma explicação, no âmbito monetário, para as flutuações na taxa de 
câmbio. A consequência foi o Relatório da Comissão do Ouro (Bullion Committee’s 
Report) de 1810, indicando para a Inglaterra retornar à conversibilidade e ao padrão-
ouro formal, a partir de 1844. 
Os economistas que quantificavam a riqueza de uma pessoa ou país, através 
da quantidade de metais preciosos que estes possuíam, denominados bullionistas, 
atribuíama elevação no preço da barra do ouro à excessiva emissão de papel-crédito 
(papel-moeda ou notas bancárias), devida à atuação errada do Banco da Inglaterra. Eles 
vislumbravam que o retorno ao equilíbrio monetário se daria através de uma política 
restritiva, imposta ao Banco da Inglaterra, ao montante a ser resgatado ou convertido 
das notas bancárias em ouro. Em outras palavras, seria a volta da conversibilidade 
ou do vínculo entre notas bancárias e metais preciosos, ou seja, a volta do lastro 
monetário ao padrão-ouro de forma integral.
Destacam-se na posição de economistas bullionistas: Thornton, Ricardo, Horner, 
Malthus, entre outros, que compunham a maioria dos principais economistas da 
época. Na visão contrária aos economistas bulionistas, havia os diretores do Banco 
da Inglaterra e os políticos que não acreditavam ser possível que as notas bancárias 
pudessem ser emitidas acima das necessidades dos negócios. Conforme destaca 
Carvalho (2015), os negacionistas da teoria dos bulionistas acreditavam que os 
tomadores de crédito contrairiam os empréstimos nos valores que pudessem com 
uma dada lucratividade. Além disto, estas notas eram garantidas por “papéis reais”, 
o que asseguraria a liquidação dos empréstimos.
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Outras escolas do pensamento econômico que procuraram entender a linha de 
pensamento anterior, de acordo com Carvalho (2015), foram:
• Currency School: Escola do Meio Circulante - tendo por pensadores econômicos: 
McCulloch, Lloyd, Longfield, Norman e Torrens.
Eles buscavam encontrar um nível de preços que fosse igual para a oferta de 
moeda metálica e para uma moeda mista, que seria formada pela moeda bancária 
(escritural) e a moeda metálica. Acreditavam que os fluxos de ouro, em um padrão 
monetário metálico, possuem efeito imediato sobre o aumento ou diminuição 
da moeda em circulação. Consideravam o Banco da Inglaterra e o Banco da 
Escócia como responsáveis pela emissão excessiva de moeda, sendo que para 
solucionar esse problema, defendiam a adoção de uma regulação estatutária 
rígida sobre os bancos que assegurasse que o estoque de papel-moeda tivesse 
um equilíbrio.
• Banking School: Escola Bancária que foi liderada por Tooke, Fullarton e John 
Stuart Mill.
Eles acreditavam que o volume das notas em circulação é determinado pela 
demanda, o que é contrário quando a quantidade de negócios diminuem ou 
aumentam, sendo, então, determinado pelas necessidades do comércio. Como 
consequência, os bancos deveriam manter um saldo de reservas para fazer frente 
à variação da emissão de notas. Acreditavam que as obrigações de depósitos 
e notas bancárias não poderiam ser excessivas se houvesse uma restrição 
por conta dos bancos em relação a seus ativos lucrativos. Desta forma, se 
contentavam em acreditar que a conversibilidade bastaria para promover o 
equilíbrio. 
• Free Banking School: Escola dos Bancos Livres, merecendo destaque os 
pensadores Parnell, Gilbart e Scrope.
Seus pensadores defendiam uma visão favorável ao livre comércio na emissão 
de moeda conversível em espécie. Além disso, os bancos deveriam competir 
em todos os serviços bancários, incluindo a emissão de notas. Isto poderia fazer 
com que houvesse um sistema de compensação interbancário operando para 
eliminar emissões em excesso de um banco individual. 
O debate entre essas escolas, que tiveram início na década de 20, do século XIX, 
resultou na lei bancária de 1844. Observa-se, conforme enfatiza Carvalho (2015), que o 
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cerne da discussão se deu para as questões do descontrole monetário, principalmente 
no tocante à:
• Emissão excessiva de notas por parte do Banco da Inglaterra;
• A quem caberia a centralização ou monopólio da emissão de moeda; 
• Regras para a emissão monetária.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A emissão de moeda deve ser algo feito com muito respaldo técnico, em uma 
relação analítica circular entre a chamada economia positiva e a economia 
normativa. Observe o que aconteceu na economia brasileira, através das atividades 
e atitudes de Rui Barbosa, primeiro Ministro da Fazenda (1889-1991), da era 
republicana.
ENCILHAMENTO. Política financeira de estímulo à indústria, adotada por Rui 
Barbosa quando ministro da Fazenda (novembro de 1889 a janeiro de 1891), 
após a Proclamação da República. Baseava-se no incremento do meio circulante 
com a criação de bancos emissores (tendo como lastro não libras-ouro, mas 
títulos da dívida pública), cujos empréstimos teriam que ser aplicados apenas 
no financiamento de novas empresas industriais (e não na agricultura). Por isso 
incentivou-se intensamente a criação de sociedades anônimas, concitando-se o 
público a investir seu capital na indústria e no comércio. Com créditos, garantias 
oficiais e um ambiente psicológico favorável, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro 
entrou em intensa atividade e a política do ministro foi popularmente identificada 
com o encilhamento dos cavalos logo antes da largada na pista dos hipódromos, 
quando a atividade dos apostadores se torna frenética. As ações em alta rápida e 
constante faziam a fortuna de uma infinidade de especuladores. Surgiram com isso 
numerosas empresas inexequíveis e mesmo fictícias. O investimento especulativo 
na Bolsa tornou-se um fim em si mesmo e não o que imaginava Rui Barbosa, 
esperançoso de ver esse dinheiro empregado de fato em atividades industriais 
produtivas. O resultado foi uma desenfreada espiral inflacionária e de falências. 
(SANDRONI, 1999, p. 205-206).
Pode-se estabelecer, baseado no texto de Carvalho (2015), os principais pontos 
das três escolas, sendo eles:
• As Escolas do Meio Circulante e Bancária concordavam que era necessário um 
Banco Central, com a prerrogativa exclusiva da emissão monetária para zelar 
pela saúde da economia;
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• A Escola do Meio Circulante defendia um limite para a autoridade monetária 
emitir moeda;
• A Escola Bancária defendia uma autoridade livre de regras;
• A Escola dos Bancos Livres não aceitava uma regra-limite como a emissão de 
moeda pelo Banco Central;
• Em 1844, foi promulgada a Lei Bancária (Bank Charter Act), que reconheceu a 
necessidade da centralizar o controle da oferta de moeda, o que se daria através 
do Banco da Inglaterra; 
• A Lei Bancária fixava um limite máximo para emissão de notas pelos bancos 
provinciais. 
Cabe a ressalva de que em períodos de crise bancária, o descontrole e desequilíbrio 
eram contidos, através da interferência governamental (Governo Inglês), através da 
suspensão, por tempo determinado, dos limites legais sobre a emissão fiduciária. 
3.2 Teoria Quantitativa e Contribuições de Fisher
O norte-americano Irving Fisher foi um economista e matemático, sendo considerado 
um dos maiores expoentes do monetarismo, segundo Sandroni (1999). Ele formulou 
a notória equação da velocidade da moeda, conforme demonstrado na sequência. 
A Teoria Quantitativa da Moeda, como descreve Carvalho (2015), retrata que os 
preços variam diretamente proporcionais com a quantidade de moeda em circulação. 
Para tanto, considera-se que o volume de transações econômicas, que ocorrem no 
mercado, bem como a velocidade com que a moeda circula neste mercado não irá 
se alterar no curto prazo.
Outra forma de expressar a teoria quantitativa da moeda é 
Dizer que uma mudança no estoque de moeda, num certo período de 
tempo, não tem efeito permanente sobre as variáveis reais, mas resulta 
em uma mudança proporcional nos preços dos bens e serviços. Ou 
seja, o valor da moeda ou poder de compra varia inversamente com 
o nível de preços, pois quanto mais baixos (ou altos) forem os preços 
dos bens e serviços, maiores (ou menores) são as quantidades que 
podem ser compradas por uma dada quantia de moeda e, portanto, 
mais alto (ou baixo) o poder de compra da moeda (CARVALHO,2015, 
p. 29).
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Carvalho (2015) retrata que em sua obra The Purchasing Power of Money, de 1911, 
Fisher descreve a identidade entre o total de pagamentos em moeda e o total de bens 
e serviços transacionados. Ele partiu do princípio básico de que para cada situação de 
compra e venda de produtos, os respectivos pagamentos em moeda e o valor dos bens 
e serviços transacionados são idênticos. Logo, o total de moeda que se utilizou para 
o pagamento nas transações é igual ao valor total dos bens e serviços comprados. 
O enunciado da expressão matemática, da Teoria Quantitativa da Moeda, na 
determinação de Fisher, é dado pela igualdade entre o produto da quantidade de 
moeda pela sua velocidade de circulação, e deve ser igual à soma de todos os preços 
multiplicados pelo volume das mercadorias transacionadas, conforme explica Sandroni 
(1999). 
A fórmula é:
No entanto, o autor ainda incluiu a moeda escritural (os depósitos bancários). Assim, 
a equação detalhada vem a ser:
Sendo:
M = quantidade total de moeda;
M’ = quantidade total da moeda escritural;
V = velocidade de circulação;
V’ = velocidade de circulação da moeda escritural;
P = nível geral de preços; 
T = volume de transações de bens e serviços ocorridas na unidade de tempo 
(geralmente se considera o período de um ano).
Desmembrando cada lado da igualdade pode-se observar o que cada variável 
impacta, dentro da determinação do preço dos bens e serviços transacionados.
No lado esquerdo da igualdade obtém-se o total de moeda, utilizada para pagamentos 
durante um certo intervalo de tempo, sendo determinado pela quantidade de moeda 
multiplicada por sua velocidade de circulação, tanto para a expressão simplificada 
quanto completa. 
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Já no lado direito da equação, há os valores correspondentes ao valor do produto 
global, que é determinado pela quantidade de bens e serviços, transacionados em 
período, pelos preços praticados. Esse valor determinado, na forma como está descrito, 
dá a entender que o sistema econômico produz um único produto a um único preço. 
Logo, deve-se entender que se trata do somatório da quantidade de bens e serviços 
gerados que foram multiplicados por um preço médio, ou, como se dá na prática, 
pelos somatórios dos produtos resultantes entre as quantidades dos bens e serviços 
pelos seus respectivos preços.
Na equação completa, que considera o produto da moeda escritural pela sua 
velocidade, o lado esquerdo é o mesmo que o da equação simplificada, que considera 
apenas a velocidade da moeda em poder do público por sua velocidade de circulação. 
Isto nos permite dizer que com a inserção da moeda escritural e com o aumento de 
sua oferta, verifica-se uma redução da necessidade do uso da moeda fiduciária, isto 
acreditando que as velocidades, tanto a da moeda em poder do público quanto a da 
moeda escritural, serão constantes.
Outro aspecto de suma importância decorre do fato de que se o produto crescer a 
pequenas taxas, de um período para o outro, e a velocidade de circulação da moeda 
não se alterar rapidamente, ocorrendo um aumento no volume de moeda em circulação, 
poderá ser verificado um aumento nos níveis de preços, para manter a igualdade em 
equilíbrio entre o lado direito e esquerdo.
Desta forma, como observado por Carvalho (2015), a equação de troca representa a 
aplicação do sistema de partidas dobradas, como se observa na contabilidade, que para 
cada transação se efetuam os respectivos registros, em ambos os lados da igualdade. 
Ainda observando o desdobramento da igualdade da equação da velocidade da 
moeda, proposto por Fisher, quando se incluí os depósitos ou crédito circulante na 
equação inicial, pode-se verificar, conforme atesta Carvalho (2015), que não ocorre 
uma perturbação na relação quantitativa entre moeda e preços, se a quantidade de 
depósitos ou crédito circulante (M’) mantiver uma relação com a moeda em poder 
do público (M). 
Para uma melhor compreensão, vale a pena ver a interpretação do tema de acordo 
com Troster (in Gremaud, et al, 2017), o qual descreve haver uma relação direta entre 
o volume de moeda no sistema econômico e o lado real da economia, ou seja, há uma 
identidade contábil, mensurada pela Contabilidade Nacional, que ocorre entre o total 
dos meios de pagamentos e o valor global dos produtos transacionados. 
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A definição de velocidade de circulação da moeda, pelo autor, é de fácil entendimento 
e permitirá compreender a evolução da teoria de Fisher. Para Troster (in Gremaud, et 
al, 2017, p. 390), a velocidade-renda da moeda, ou velocidade de circulação da moeda, é 
o número de vezes que o estoque de moeda passa de mãos em mãos, em certo período, 
gerando produção e renda. É o número de giros da moeda, criando renda.
Na singularidade da definição, pode-se observar a modificação ocorrida na equação 
de trocas, onde o valor determinado pelo produto ou multiplicação do nível geral de 
preços pelo volume de transações de bens e serviços pelo valor do PIB – Produto 
Interno Bruto, fica desta forma:
Em que se observa que P.Y vem a ser o PIB real a preço nominal:
Ao dividirmos o valor do PIBnominal pelo montante de moeda, encontraremos a 
velocidade de circulação da moeda.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Mas qual meio de pagamentos usar na prática?
Em resposta a esta pergunta, Troster (in Gremaud et al, 2017), descreve que:
A velocidade-renda da moeda pode ser calculada para as várias definições de meios 
de pagamento (M1, M2, M3, M4). Em relação ao M1 (o mais usado), é praticamente 
estável a curto prazo, pois depende fundamentalmente de alguns fatores que 
se modificam muito lentamente, como os hábitos da coletividade e o grau de 
verticalização da economia. Quanto aos hábitos da coletividade, parece claro que 
quanto maior a utilização de cheques e cartões de crédito, menor a necessidade de a 
coletividade reter moeda. No que se refere ao grau de verticalização da economia, ou 
seja, quando as firmas produzem seus próprios componentes, também cai o volume 
de transações envolvendo moeda, já que as operações passam a ser meramente 
contábeis (TROSTER in GREMAUD et al, 2017, p. 390).
 A tabela 1 traz a determinação da velocidade da moeda, para M1, M2, M3, e M4, 
com os dados sendo obtidos através do site do Banco Central, divisão Sistema 
Gerenciador de Séries Temporais – SGS, sendo o período em análise, 2021.
PIBnominal = 8.898.727.463.567,39
M1 = 653.420.212.000
M2 = 4.320.167.468.000
M3 = 8.814.965.194.000
M4 = 9.555.234.492.000
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Relacionando os valores:
Meios de 
pagamentos 
Determinação da Velocidade de Circulação da 
Moeda
Velocidade de 
Circulação da Moeda
M1 13,62
M2 2,06
M3 1,01
M4 0,93
Tabela 1 – Determinação da Velocidade de Circulação da Moeda
Fonte: BACEN (adaptado)
É notório que a velocidade de circulação em relação aos meios de pagamentos vai 
diminuindo à medida que os meios de circulação aumentam a quantidade de ativos 
que o compõem. Logo, a maior velocidade vai ser para M1 e a menor para M2.
Troster (in Gremaud et al, 2017) afirma que o conceito de velocidade de circulação 
da moeda, bem como de demanda por moeda e a própria teoria quantitativa da moeda 
são úteis para entender a teoria inflacionária e a aplicação das políticas monetárias. 
Não se pode refutar os impactos sobre os objetivos macroeconômicos, lembrando 
que estes objetivos vêm a ser:
• Crescimento econômico;
• Estabilidade e redução nos níveis gerais de preços;
• Distribuição equalitária da renda; e 
• Manutenção e elevação nos níveis de preços.
É claro que a atuação da política monetária, como será estudado à frente, impactará 
em maior ou menor grau sobre cada objetivo. Mas é importante ver como se deve 
proceder, no que

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