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METODOLOGIA DA 
PESQUISA CIENTÍFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em muitas atividades da sua vida, tanto na esfera pessoal quanto na 
profissional, uma preparação prévia pode trazer benefícios. A realização de 
um planejamento aumenta as chances de sucesso, possibilitando tirar melhor 
proveito das oportunidades que se apresentam. E o mesmo ocorre no 
contexto da pesquisa científica: o planejamento é essencial para a boa 
condução do trabalho. Com o projeto de pesquisa, o planejamento forma um 
conjunto capaz de promover resultados mais sólidos e adequados, que 
trazem novos conhecimentos ou reforçam outros já existentes. 
A realização de uma pesquisa consiste em um processo, e desse modo 
apresenta um ponto de partida, uma etapa inicial. E qual seria ela? Qual a 
primeira coisa a ser feita quando se decide realizar uma pesquisa? Você 
poderia pensar que é a coleta de dados, mas estaria enganado, pois essa é 
uma atividade da fase de execução da pesquisa, e antes dela existem outras 
importantes etapas a serem cumpridas. Você poderia pensar que é o projeto, 
e nesse caso estaria quase lá, mas ainda existe uma etapa anterior, que é 
o planejamento. 
 
Bons estudos! 
 
AULA 2 – ETAPAS 
DA PESQUISA 
 
 
2 FASES E ETAPAS DE UMA PESQUISA 
 
Fonte: https://bityli.com/yvrfpwdCV 
 
A pesquisa científica serve aos mais diversos ramos da ciência. Porém, 
independentemente do campo de interesse, uma pesquisa científica é composta por 
três fases principais: planejamento, execução e divulgação. Para a elaboração de uma 
pesquisa científica, o planejamento é imprescindível para direcionar as trajetórias a 
serem concretizados. Todo o processo de pesquisa social envolve: planejamento, 
escolha do tema, coleta de dados, análise e interpretação e redação do relatório. 
Nesse contexto, é importante notar que, antes da realização do trabalho de 
pesquisa, ele precisa ser cuidadosamente planejado, etapa registrada pelo projeto de 
pesquisa. Essa tarefa de elaboração de um projeto de pesquisa requer que o 
pesquisador se dedique preliminarmente a questões como: ter um objetivo de 
pesquisa bem definido; saber como ele está problematizado; definir quais hipóteses 
serão levadas em consideração na busca por solução para o problema; estabelecer 
quais elementos teóricos serão utilizados; identificar que recursos instrumentais estão 
disponíveis para a pesquisa; entre outras. 
Desse modo, o projeto de pesquisa servirá ao planejamento adequado das 
atividades a serem desenvolvidas, atuando como um roteiro de trabalho bastante 
eficaz. Isso viabiliza que o pesquisador desenvolva aspectos como a disciplina de 
trabalho, não somente em relação à ordem dos procedimentos lógicos e 
metodológicos a serem seguidos, mas também no que diz respeito à organização e à 
distribuição do tempo (SEVERINO, 2007). 
 
 
2.1 Planejamento da pesquisa 
 
Essa etapa é composta pela escolha do assunto e do levantamento do material 
bibliográfico, permitindo a organização e a formulação de sínteses de leitura. O que 
facilita a composição da revisão de literatura é o contato com a bibliografia, ela permite 
a organização e a formulação de sínteses de leitura. Nesse sentido, Prodanov e 
Freitas (2013, p. 75) apontam que essa leitura permite ao autor “verificar a viabilidade 
e as limitações do estudo, estipulando objetivos e a definição do método e dos 
processos a empregar no trabalho”. 
É comum utilizar um roteiro para a elaboração do projeto de pesquisa, o qual 
apresenta o conjunto básico dos elementos que constituem a pesquisa e, em 
determinadas situações, pode assumir formatos específicos (tanto no que diz respeito 
à quantidade de itens quanto à ordem deles), mas que, via de regra, costuma 
apresentar uma estrutura fixa, viabilizada pelos seguintes passos (FARIAS FILHO; 
ARRUDA FILHO, 2015; GIL, 2017; SEVERINO, 2007): 
• definição do tema de pesquisa (vinculado a uma área e a uma subárea 
da ciência); 
• formulação do problema e das questões auxiliares (norteadoras da 
pesquisa); 
• determinação dos objetivos (geral e específicos); 
• identificação do tipo de pesquisa (tipos diferentes de pesquisa exigem 
diferentes elementos em seu projeto); 
• construção de hipóteses (respostas provisórias às questões 
formuladas) ou questões norteadoras (questionamentos que 
fragmentam o problema em partes menores); 
• elaboração da justificativa — social, pessoal/profissional, acadêmica, 
etc. (aqui cabe uma breve apresentação de dados/informações sobre o 
ambiente/objeto da pesquisa); 
• revisão da literatura (leitura de material produzido, científico e não 
científico, sobre o tema/assunto em estudo); 
• definição do referencial teórico (discussão de categorias, conceitos e 
variáveis de determinada teoria científica); 
 
 
• definição dos procedimentos metodológicos (incluindo a 
caracterização do ambiente e do objeto da pesquisa com demonstração 
de seu foco — questões como população e amostra, estratégia e 
instrumentos de coleta, plano para análise de dados, forma de 
apresentação de resultados); 
• definição dos recursos necessários para a pesquisa (como recursos 
humanos, materiais e financeiros ou até mesmo o tempo) e cronograma. 
2.2 Escolhendo o assunto e delimitando um tema 
Um assunto de pesquisa é a escolha de uma área geral de interesse. É mais 
abrangente que um tema, que, por sua vez, é mais abrangente do que um problema 
de pesquisa. Nessa etapa, você deve responder à pergunta: O que pretendo abordar? 
Segundo Prodanov e Freitas (2013, p.75), “o tema é a especificação do assunto 
sobre o qual versará o estudo a ser desenvolvido; deve permitir especificar sobre 
quem, em que contexto e sob que perspectiva o assunto será pesquisado”. 
Essencialmente, há duas maneiras de se identificar um tema de pesquisa. Uma 
delas é por meio da bibliografia – livros e publicações acadêmicas e profissionais – a 
qual pode levantar temas e tópicos interessantes que podem ser relacionados com 
seus próprios interesses. O outro caminho sai diretamente do local de trabalho ou 
ambiente comunitário. Gerentes, orientadores ou equipes de projeto podem precisar 
de assistência, e essa muitas vezes pode ser uma rica fonte para o foco da pesquisa. 
Na verdade, o pesquisador age nesse caso como uma espécie de consultor interno 
da equipe de pesquisa. 
Seja qual for o tema que escolher, é provável que comece a desenvolver ou 
aprimorar uma série de habilidades pessoais. Um bom tema, portanto, é o que lhe dá 
liberdade para maximizar esse autodesenvolvimento. 
Jankowicz (2004) afirma que esse desenvolvimento pessoal pode incluir: 
 
• Melhorar a administração pessoal do tempo. 
• Obter acesso aos respondentes. 
• Entrevistar os respondentes. 
 
 
• Falar a um público. 
• Convencer as pessoas a cooperar. 
• Lidar com a incerteza em relação aos dados. 
 
Como a pesquisa pode envolver muitas horas de planejamento, execução, 
análise de dados e redação de relatórios, você se cansará rapidamente de qualquer 
tema no qual seu interesse inicial era apenas superficial. Também é uma boa ideia 
escolher um assunto que lhe permita mostrar suas habilidades e capacidades. Sendo 
assim, digamos, se estiver realizando um trabalho final de um programa acadêmico, 
precisará escolher um assunto que lhe dê espaço para mostrar a integração dos vários 
campos de conhecimento e análise. Dentro do local de trabalho, conseguir demonstrar 
habilidades de planejamento, análise de dados e elaboração de relatórios pode 
aumentar seu prestígio e mesmo suas oportunidades de promoção. 
A seguir apresentamos algumas dicas que podem ajudar para evitar temas de 
pesquisa que podem comprometer o trabalho, de acordo com Gray (2012). Os temas 
a evitar são os: 
 
 Grandes demais 
 Alguns projetos muito grandes podem valer a pena e ter utilidade a uma 
organização, masvocê deve se perguntar se tem tempo, experiência e recursos 
para realizá-los. Aponta-se também que é mais difícil de elaborar relatórios 
para o grande tema: é difícil saber onde começar, e as omissões e displicências 
são expostas de forma mais crua. 
 
Demasiado triviais 
Isso pode parecer um tanto subjetivo, mas você deve usar o bom senso para 
avaliar os tipos de projetos que valem a pena fazer e os que não. Como regra 
geral, tente usar o teste do “e daí? ”. Pergunte -se, depois de realizar a 
pesquisa, se os resultados têm qualquer sentido ou importância. Por exemplo, 
um projeto de pesquisa que investigasse como reduzir o uso de papel em um 
departamento de marketing com dez funcionários renderia muito pouca coisa 
 
 
de valor. Por outro lado, um projeto que discutisse a questão da reciclagem (p. 
ex., papel, cartuchos de impressora, móveis, computadores, etc.) em toda uma 
organização poderia ter alcance considerável e se relacionar com o debate 
ambiental mais amplo (GRAY, 2012). 
 
Carentes de recursos e pessoas 
Observe em busca de sinais de alerta – muito poucas referências ao tema em 
livros -texto, publicações profissionais e outras revistas ou sites citados. Se o 
projeto vai se basear em acesso a conhecimento de especialistas da própria 
organização, certifique -se de que eles estejam disponíveis e dispostos a 
colaborar com você. Isso, é claro, deve ser bem planejado com antecedência. 
Se estiver fazendo uma tese ou dissertação acadêmica, pode ser 
especialmente importante que os recursos humanos e textuais estejam 
acessíveis. Muitas vezes, é necessário ter acesso a uma organização como 
parte de um estudo de caso ou obter acesso aos respondentes. Nesse caso, é 
vital conseguir o comprometimento ou o apoio de pessoas fundamentais, como 
diretores, gerentes seniores ou líderes de redes ou grupos já no início (GRAY, 
2012).. 
 
Técnicos demais 
Alguns projetos estão mais relacionados a resolver problemas altamente 
técnicos em vez de pesquisa organizacional ou social. Deixe-os aos gurus 
técnicos. Com frequência, esse tipo de projeto altamente técnico também 
acaba sendo difícil de tratar. Pode ser que lhe ofereçam um problema que mais 
ninguém tenha conseguido resolver. Desconfie muito desse tipo de presente! 
Pergunte -se: “Por que eu? ”. Talvez seja uma oferta que você deva recusar. 
 
Dependentes da realização de outro projeto. 
Mesmo que lhe “garantam” que projetos que você precisa utilizar como fonte 
de dados estarão finalizados a tempo, é muito aconselhável que você não deixe 
que o seu dependa deles. Se ocorrer atraso, sua pesquisa será interrompida 
 
 
ou mesmo cancelada. Isso acontece especialmente quando se negocia acesso 
a uma organização externa. Se você tiver a menor pista de que sua pesquisa 
dependerá de, digamos, um estudo em andamento, retire-se. Estando de fora, 
você não tem qualquer influência nem controle sobre os calendários da 
organização, em circunstâncias em que seu próprio calendário (para terminar 
sua dissertação) pode estar apertado. 
 
Antiéticos 
Evite assumir projetos que possam causar danos físicos, emocionais ou 
intelectuais a outras pessoas. Recuse -se a assumir um projeto que o force a 
romper confidencialidade ou confiança. Quando usar entrevistas, observação 
ou pesquisa de levantamento, você precisará prestar atenção especial a 
questões politicamente delicadas, como relações de poder, raça, gênero e 
exposição de informações pessoais (GRAY, 2012). 
 
2.3 Coleta de dados 
 
Segundo Marconi e Lakatos (2003, p.165), esta é a “etapa da pesquisa em que 
se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas selecionadas, a fim 
de se efetuar a coleta dos dados· previstos”. Nesta fase, buscam-se os instrumentos 
necessários para a consecução da pesquisa, cujo objetivo é obter respostas para o 
problema abordado. 
O levantamento bibliográfico deve-se atentar, na leitura, para questões 
consideradas importantes para o desenvolvimento da pesquisa, definindo o tipo de 
pesquisa, a amostragem, os instrumentos de coleta de dados e a forma como 
pretendemos tabular e analisar seus dados (PRODANOV; FREITAS, 2013). 
São vários os procedimentos para a realização da coleta de dados, que variam 
de acordo com as circunstâncias ou com o tipo de investigação. Em linhas gerais, as 
técnicas de pesquisa conforme Marconi e Lakatos (2003) são: 
 
 
Observação 
 
 
A observação é uma técnica de coleta de dados, cujo utiliza os sentidos na 
obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consistindo apenas em 
ver e ouvir, mas também em analisar fatos ou fenômenos que se deseja estudar 
(MARCONI; LAKATOS, 2003). 
Entrevista 
É um procedimento utilizado na investigação social, a fim de obter informações 
a respeito de determinado assunto para a coleta de dados ou para ajudar no 
diagnóstico ou no tratamento de um problema social (MARCONI; LAKATOS, 
2003). 
Questionário 
Constituído por uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito. 
Formulário 
O formulário é um dos instrumentos essenciais para a investigação social, cujo 
sistema de coleta de dados consiste em obter informações diretamente do 
entrevistado. Portanto, o que caracteriza o formulário é o contato entre o 
pesquisador e o informante e ter o roteiro de perguntas preenchido pelo 
entrevistador, no momento da entrevista (MARCONI; LAKATOS, 2003). 
 
Testes 
Instrumentos utilizados com a finalidade de obter dados que permitam medir o 
rendimento, a frequência, a capacidade ou a conduta de indivíduos, de forma 
quantitativa (MARCONI; LAKATOS, 2003). 
Sociometria 
Técnica quantitativa que procura esclarecer as relações pessoais entre 
indivíduos de um grupo. 
Análise de conteúdo 
Permite a descrição sistemática, objetiva e quantitativa do conteúdo da 
comunicação. 
 
História de vida 
 
 
Tenta obter dados relativos à "Experiência Última" de alguém que tenha 
significado importante para o conhecimento do objeto em estudo (MARCONI; 
LAKATOS, 2003). 
Pesquisa de mercado 
É a obtenção de informações sobre o mercado, de maneira organizada e 
sistemática, tendo em vista ajudar o processo decisivo nas empresas, 
minimizando a margem de erros. 
Análise e interpretação dos resultados 
Através da análise, o pesquisador entra em detalhes mais aprofundados sobre 
os dados coletados estatisticamente, a fim de conseguir respostas às suas 
investigações, procurando estabelecer as analogias necessárias entre os 
dados obtidos e as hipóteses estabelecidas (PRODANOV; FREITAS, 2013). 
 
Gil (2008) cita que interpretação dos dados é entendida como um procedimento 
que advém através da análise do autor afirmando que a análise e a interpretação dos 
processos devem estar intimamente relacionadas. Além disso ele afirma que nas 
pesquisas qualitativas, sobretudo, não há como separar os dois processos sendo esse 
um motivo de muitos relatórios de pesquisa não contemplarem subdivisões separadas 
para discutir os dois processos. 
Segundo Prodanov e Freitas (2013, P. 115), o trabalho de análise e 
interpretação de resultados deve apresentar o desenvolvimento do trabalho e também 
“manter os resultados organizados de acordo com a sua metodologia. Apresentar e a 
analisar os dados apresentando os resultados do trabalho”. Entretanto, os autores 
chamam atenção para considerar os seguintes aspectos na hora de realizar o trabalho: 
 
- Descrever de maneira precisa sobre os materiais, as técnicas e os métodos 
devem ser descritos de maneira, visando possibilitar a repetição do 
experimento com a mesma precisão. 
- Referenciar apenas às técnicas e aos métodos já conhecidos e não 
descrição. Técnicas novas devem ser descritas detalhadamente e ilustrar 
com fotografias e desenhos os equipamentos utilizados. 
- Descrever a análise, interpretações dos dados e discussões técnicas, 
podem ser conjugadas ou separadas, conforme melhor se adequaraos 
escopos do trabalho. 
- Agrupar e ordenar os resultados convenientemente, podendo vir, 
eventualmente, seguidos de tabelas, gráficos ou figuras, com valores 
estatísticos, dando mais clareza. 
- “Os dados obtidos deverão ser analisados e relacionados com os principais 
 
 
problemas que existam sobre o assunto, dando subsídios para a conclusão” 
(PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 115-116). 
 
2.4 Redação do relatório 
A última etapa do processo de pesquisa é a redação do relatório, embora 
algumas vezes desconsiderado é imprescindível. As habilidades para o 
desenvolvimento desta etapa diferem daquelas requeridas nas etapas anteriores. 
Deve-se passar ao leitor uma clara compreensão dos fatos, dados e conclusões, 
devendo ser um documento por si só explicativo. 
 
 
 
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 
 
FARIAS FILHO, M. C.; ARRUDA FILHO, E. J. M. Planejamento da pesquisa 
científica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. 
 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
 
GRAY, David E. Pesquisa no mundo real. Tradução: Roberto Cataldo . 2. ed. – 
Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Penso, 2012. 
 
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São 
Paulo: Atlas, 2017. 
 
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

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