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Unidade 1 - 5 Principios do Direito Coletivo do Trabalho segundo Mauricio Godinho Delgado 06 - Direito Coletivo do Trabalho 2024

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Muito bem, pessoal. Nesse último bloco, então, sobre os princípios do Direito Coletivo do
Trabalho, nós vamos falar dos princípios de acordo com Maurício Godinho Delgado, que é
o autor mais renomado do Direito do Trabalho e que fez uma classificação toda peculiar,
uma classificação própria nos princípios do Direito Coletivo. Então, vamos a eles.
Maurício Godinho Delgado divide os princípios do direito coletivo em três categorias:
princípios assecuratórios da existência do ser coletivo obreiro, princípios regentes das
relações entre os seres coletivos trabalhistas e princípios regentes das relações entre normas
coletivas negociadas e normas estatais. Ele faz toda uma divisão em relação aos princípios,
uma classificação muito diferente e peculiar.
Quando ele fala sobre os princípios assecuratórios da existência do ser coletivo obreiro, ou
seja, são princípios que asseguram a própria existência do sindicato ou do ser coletivo, que
é o sindicato. Por mais que o direito coletivo se aplique a outras situações, estamos falando
aqui do sindicato, tá certo? Muito bem, então, quais são os princípios que asseguram a
própria existência do sindicato?
O primeiro é o princípio da liberdade associativa e sindical, de acordo com Maurício
Godinho. O princípio da liberdade associativa é mais amplo do que o princípio da liberdade
sindical. O princípio da liberdade associativa está lá no artigo quinto da Constituição, e ele
traz a liberdade das pessoas de se associarem, de se manterem associadas ou de não se
associarem a uma associação qualquer. Agora, dentre essas associações, o que nos interessa
especificamente é o sindicato, que é um tipo de associação de trabalhadores.
O princípio da liberdade sindical também está ligado à associação, filiação ou não filiação
ao sindicato. Lembrando que o princípio da liberdade sindical não se relaciona apenas à
possibilidade de filiar-se ou não. A liberdade sindical é mais ampla do que isso; é a
liberdade de criação do sindicato, de fundação. Lembrando que o Ministério do Trabalho só
deve fazer o controle da unicidade se não houver outro sindicato representativo da mesma
categoria na mesma base territorial; não pode negar o registro.
O princípio da auto-organização do sindicato, na verdade, refere-se à produção de suas
próprias normas, à autorregulamentação do sindicato, onde não há interferência externa na
forma como o sindicato se organiza. Ele se organiza de acordo com as normas do seu
estatuto. Lembrando que existem apenas algumas limitações previstas em lei quanto ao
número de dirigentes e ao número de pessoas que compõem o conselho fiscal, algumas
questões muito burocráticas, mas basicamente há uma liberdade de auto-organização e
autorregulamentação.
Além disso, temos a liberdade de filiação. Portanto, são princípios que asseguram a
existência do próprio ser coletivo obreiro, ou seja, do próprio sindicato. E ainda há um
outro princípio, que é o princípio da autonomia sindical. O princípio da autonomia sindical
diz que o sindicato deve ser autônomo. O que isso significa? Que ele não deve sofrer
interferência do Estado e nem dos empregadores. Ou seja, o sindicato dos trabalhadores não
deve sofrer a interferência do sindicato patronal; ele deve ter autonomia.
A liberdade tem alguma relação com a autonomia, mas aqui é um pouco diferente. O
princípio da autonomia sindical significa que não deve haver nenhum tipo de ingerência ou
interferência externa. Portanto, eu tenho a liberdade de fundação, liberdade de organização
e, dentro da liberdade de organização, ele é autônomo, mais ou menos nesse sentido.
Assim, não deve haver interferência nem do Estado e nem dos próprios empregadores
quando se trata do Sindicato dos Trabalhadores.
A próxima classificação são os princípios regentes das relações entre os seres coletivos
trabalhistas. E aí temos o princípio da interveniência sindical na normatização coletiva, ou
seja, é obrigatória a participação do sindicato na produção de normas coletivas. Qual o
sindicato dos trabalhadores? Não é necessária a participação do sindicato patronal ou do
sindicato da categoria econômica para a produção de normas. A gente já sabe que o acordo
coletivo de trabalho é uma negociação feita diretamente entre o Sindicato dos
Trabalhadores e a empresa. Então, nesse sentido, não é necessária a participação do
sindicato patronal, mas do trabalhador é.
Outro princípio que temos aqui é o princípio da equivalência dos contratantes. Ou seja, no
direito coletivo do trabalho, não existe a hipossuficiência de uma parte em relação à outra;
elas são equivalentes. Assim, não se aplica aqui o princípio da proteção. O Sindicato dos
Trabalhadores presume-se, pelo menos, que ele seja forte o suficiente para negociar em
equivalência de condições, em igualdade de condições com a empresa ou com o próprio
sindicato da categoria profissional. Portanto, as partes têm a mesma força na negociação
coletiva, e não vigora aqui o princípio da proteção.
Temos um terceiro princípio que está dentro dessa classe dos princípios regentes das
relações entre os seres coletivos trabalhistas, que é o princípio da lealdade e transparência,
que nós acabamos de discutir no bloco anterior. Esse princípio conta com a boa-fé tanto do
sindicato dos trabalhadores quanto do sindicato patronal ou da empresa no momento de
negociar. A boa-fé implica expor os reais problemas, no caso da empresa, e as reais
reivindicações, no caso do Sindicato dos Trabalhadores, para que se consiga chegar a um
acordo da melhor maneira, que seja o mais interessante para ambas as partes.
Por fim, temos a terceira classificação do Godinho, que são os princípios regentes das
relações entre as normas coletivas e as normas estatais. Estudamos o princípio da
criatividade jurídica, que Godinho assim chama, que é o da autorregulamentação. Esse
princípio afirma que as normas jurídicas criadas pelos sindicatos têm força de lei entre as
partes. Portanto, os sindicatos têm a possibilidade de criar as normas que vão reger as
categorias que representam. Assim, o sindicato possui um poder normativo muito
importante.
Além disso, temos o princípio da adequação setorial negociada, que também tratamos de
forma exaustiva no bloco anterior. Nesse sentido, a negociação coletiva serve como
instrumento para adequar as necessidades de um determinado setor, flexibilizando a norma
geral, abstrata, ao caso concreto. A adequação setorial negociada significa harmonizar o
que está sendo negociado com a lei. Em que sentido pode prevalecer o negociado sobre o
legislado? Somente normas de indisponibilidade relativa podem ser negociadas de maneira
a trazer um patamar inferior de direitos em relação àquele que está na lei. As normas de
indisponibilidade absoluta só podem ser negociadas de forma a melhorar a condição social
do trabalhador. Portanto, sempre que a negociação coletiva trouxer uma melhoria de
direitos, ela será muito bem-vinda.
Pessoal, encerramos aqui, então, todas as questões relacionadas aos princípios do direito
coletivo. No próximo bloco, falaremos sobre as condutas antissindicais. Muito obrigada
pela atenção de vocês e até a próxima!

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