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Aula 00 - Profa. Alê
Lopes
CNU - Desafios do Estado de Direito -
2025 (Pós-Edital)
Autor:
Alessandra Lopes, Equipe Direito
Constitucional Estratégia
Concursos, Ricardo Torques
22 de Julho de 2025
93561199291 - Marcos Felipe Barbosa da Fonseca
 
 
 
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SUMÁRIO 
O Curso ............................................................................................................................................................... 3 
Cronograma de Aulas ......................................................................................................................................... 4 
Introdução ........................................................................................................................................................... 4 
1. A Formação Histórica do Estado de Democrático de Direito ......................................................................... 9 
1.1 O Estado Liberal e suas contradições: igualdade formal e exclusão social ........................................... 11 
1.2 Crise do liberalismo e o surgimento do Estado Social de Direito ........................................................... 13 
1.3 Do Estado Social ao Estado Democrático de Direito .............................................................................. 15 
1.4 A Construção do Estado Democrático de Direito no Brasil: uma trajetória constitucional ....................... 17 
2. As promessas não cumpridas e os obstáculos apontados por Norberto Bobbio .......................................... 21 
O papel da justiça distributiva no Estado Democrático de Direito ........................................................... 23 
3. O Estado Democrático de Direito no Brasil: potencial, contradições e limites ............................................. 25 
3.1 Fim do regime civil-miliar e processo de redemocratização no Brasil (1979 aos dias atuais) ............... 27 
4. A democracia representativa no mundo contemporâneo ............................................................................. 33 
4.1 Representação Política ........................................................................................................................... 34 
4.2 Representação eletiva e sistema político ................................................................................................ 37 
4.3 Exclusão e sub-representação política ................................................................................................... 40 
4.4 Mandatos coletivos ................................................................................................................................. 41 
4.5 Tecnologias Digitais na Representação Política de Minorias .................................................................. 41 
4.6 Mais uma vez: o futuro da democracia .................................................................................................. 43 
5. A democracia participativa .......................................................................................................................... 45 
5.1 Jürgen Habermas e a deliberação ........................................................................................................ 49 
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6. Sínteses que você precisa dominar ............................................................................................................... 53 
6.1 Formação Histórica do Estado Democrático de Direito .......................................................................... 53 
6.2 Desafios para a consolidação do Estado Democrático de Direito ......................................................... 55 
Lista de questões sem comentários .................................................................................................................... 57 
Gabarito ........................................................................................................................................................... 77 
Lista de Questões com comentários .................................................................................................................. 77 
Bibliografia ..................................................................................................................................................... 122 
 
Olá, queridas e queridos alunos, tudo bem? 
Estou muito feliz por você iniciar nosso curso para o Concurso Nacional Unificado 2025. 
Bem, antes de tudo, peço licença para me apresentar. Sou Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade 
Estadual de Campinas - UNICAMP, Licenciada em Sociologia pela mesma universidade, Mestra em Ciência 
Política também pela mesma Universidade e na UNICAMP iniciei meu doutorado no campo dos estudos 
sobre justiça de transição, políticas de memória e direito internacional. Por essa trajetória na Ciência Política, 
sou especialista em regimes políticos transicionais e direitos humanos. Mais recentemente, ingressei no 
curso de bacharelado em História na Universidade de São Paulo. Em 2018, fui aprovada para o cargo de 
Consultor Legislativa da área de Direitos Humanos, Minorias, Cidadania e Sociedade da Câmara Legislativa 
do Distrito Federal (CLDF). 
Desde 2004, dou aulas de História, Ciências Sociais e Humanidades em cursos preparatórios para 
vestibulares, ENEM e concursos. Entre 2018 e 2019, iniciei minha jornada aqui no Estratégia, dou aula no 
Estratégia Concursos, Vestibulares e Militares. Sou especialista em desenvolvimento de materiais 
preparatórios. Em 2024 fizemos um curso para o CNU focado e que contribuiu para a nomeação de milhares. 
Posso afirmar, com segurança, que já contribui para a aprovação de muitos alunos nas mais variadas e 
concorridas instituições do Brasil. Seja bem-vindo e bem-vinda ao nosso time :) 
Dito isso, espero que você esteja seguro e segura para iniciar esta jornada importante que irá contribuir para 
a conquista de pontos fundamentais para a sua aprovação. 
Aproveite para me seguir nas redes sociais, há muitos conteúdos iscas e orientações focadas e cotidianas 
que podem reforçar seus conhecimentos. 
Grande abraço, 
Bons estudos! 
Profe Alê Lopes 
Alessandra Lopes, Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos, Ricardo Torques
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O CURSO 
Para começar este curso, vamos, primeiro, conhecer o inimigo, ou seja, a prova que você irá 
enfrentar: a FGV. 
Trata-se de uma Banca que tem uma multiplicidade de estilos de cobrança: pode ser bem direta, 
cobrando autores e conceitos clássicos ou cobrar situações-problema para as quais deveremos explicar, 
mobilizando um ou mais conhecimento. Para nossa disciplina, a banca cria situações hipotéticas para a qual 
devemos interpretar com conceito, mas acredito que no CNU, a Banca vá usar temas da realidade brasileira, 
por exigência dos objetivos e metas do Governo e devido Guia referencial e concursos públicos promoção 
do ethos público, realidade brasileira, inclusão, diversidade e direitos humanos do Ministério de Gestão e 
Inovação (MGI) e da ENAP. 
Assim, meus caros alunos, é preciso entender o contexto da prova. Segundo o MGI, que organiza esse 
concurso, o CNU vem no sentido de qualificar a capacidade do Estado para realizar suas atividades. Para 
tanto, querem pessoas comprometidas com o "espírito do serviço público". De maneira mais específica e, 
atrelado do PPA 2024-2027 há uma abordagem no sentido de "reconstrução do estado e de sua capacidade 
de realizar políticas públicas". 
Diante disso, montaram um conteúdo programático com forteLeonardo Avritzer, por sua vez, destaca, em sua obra Impasses da Democracia no Brasil (2016)20, que 
o colapso do presidencialismo de coalizão, a limitação das formas institucionais de participação, os 
 
19 DE OLIVEIRA, Beatriz. A Crise do Estado Democrático de Direito Brasileiro. Revista de Informação 
Legislativa, v. 42, n. 167, p. 213-248, 2021. 
20 AVRITZER, Leonardo. Impasses da democracia no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. 
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paradoxos da política anticorrupção e a judicialização seletiva da política contribuíram significativamente 
para a crise de legitimidade das instituições democráticas brasileiras. Para ele, a democracia brasileira foi 
duramente abalada pelos eventos políticos entre 2013 e 2016, especialmente pelo impeachment de Dilma 
Rousseff, o qual marcou um retrocesso institucional e evidenciou a fragilidade dos mecanismos de controle 
recíproco entre os Poderes. Essa conjuntura expôs os riscos da atuação judicial descolada da soberania 
popular e do uso político de instituições de controle. 
Ao integrar essas análises, compreende-se que a defesa do Estado Democrático de Direito no Brasil 
passa necessariamente por: 
ações concretas de fortalecimento das instituições, ampliação da transparência, combate 
às desigualdades e revitalização da participação popular. 
 Como alerta Avritzer, é preciso não apenas reformar o sistema político, mas democratizar setores 
estratégicos do Estado — como infraestrutura, justiça e comunicação — para assegurar maior equidade na 
distribuição de poder e recursos. 
Portanto, o Estado Democrático de Direito brasileiro deve ser compreendido não apenas como uma 
estrutura jurídica ou institucional, mas como um projeto político em construção, que exige vigilância cidadã, 
controle democrático do poder e compromisso ético com a dignidade humana. A realização desse projeto 
depende, em última instância, da superação das disfunções que atravessam o sistema representativo, das 
práticas elitistas enraizadas e do fortalecimento da cultura democrática entre todos os sujeitos políticos. 
 
FGV - 2024 - Sociólogo (SUSAM) 
Desde a concepção grega sobre as formas clássicas de governo – monarquia, aristocracia e democracia –, 
assistimos à reelaboração desta última, conforme se tornou sinônimo da modernidade política ocidental. 
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente uma definição conceitual da democracia em relação à 
concepção das formas clássicas de governo. 
a) Na concepção platônica de governo, a democracia é considerada o ápice da degeneração progressiva do 
ideal de governo justo, depois da timocracia, da oligarquia e da tirania. 
 b) A tipologia aristotélica de governo dissolveu a hierarquia entre governos bons e maus, relativizando‐os 
conforme as diferentes experiências históricas moldaram sua valoração. 
 
 
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c) No século XVIII, a tradição política inglesa e francesa da defesa da monarquia constitucional identificou 
democracia com virtude pública, liberdade política e igualdade social. 
d) A democracia, como processo de constitucionalização do poder e estabilização das instituições 
representativas, renovou, no século XIX, a contraposição clássica em relação à monarquia. 
e) A partir do século XX, o conceito de democracia passou a incluir necessariamente a soberania popular 
representativa e o reconhecimento constitucional de direitos fundamentais 
Comentários 
a) Incorreta. Embora Platão realmente critique a democracia, não a considera o ápice da degeneração, mas 
uma das etapas na degradação das formas de governo: aristocracia → timocracia → oligarquia → democracia 
→ tirania. Portanto, a tirania é o ápice da degeneração, não a democracia. 
b) Incorreta. Aristóteles mantém a distinção entre formas corretas (boas) e incorretas (más) de governo. As 
boas visam ao bem comum: monarquia, aristocracia e politeia; as más visam ao interesse próprio: tirania, 
oligarquia e democracia (esta última, na acepção negativa para Aristóteles). Ele não relativiza 
completamente a hierarquia entre elas. 
c) Incorreta. No século XVIII, a monarquia constitucional era vista como um modelo moderado de governo, 
mas não se identificava com democracia. Ao contrário, a democracia ainda era vista com desconfiança pelas 
elites políticas britânicas e francesas do período iluminista. 
d) Incorreta. A afirmação mistura conceitos. A constitucionalização do poder e a estabilização de instituições 
representativas ocorreram ao longo do século XIX, mas não se deu como “renovação da contraposição 
clássica com a monarquia”. Na verdade, regimes constitucionais monárquicos (como o britânico) conviviam 
com princípios representativos sem implicar uma contraposição direta. 
e) Correta. A partir do século XX, a democracia passou a ser entendida não apenas como um regime político 
baseado na soberania popular e na representação, mas também como um sistema fundado na proteção dos 
direitos fundamentais (civis, políticos, sociais, econômicos e culturais). Trata-se da concepção moderna de 
Estado Democrático de Direito, consolidada especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando 
constituições democráticas passaram a incorporar princípios como a dignidade humana, a igualdade 
substantiva e a justiça social. 
Gabarito: E 
3.1 Fim do regime civil-miliar e processo de redemocratização no 
Brasil (1979 aos dias atuais) 
Neste tópico, precisaremos fazer uma breve síntese da História recente do nosso país para que fique 
contextualizado conhecimento sobre a consolidação do Estado Democrático de Direito no Brasil. Vamos lá! 
O processo de redemocratização no Brasil iniciou-se ainda durante o regime militar, especialmente 
no governo do General João Figueiredo (1979–1985), último presidente do ciclo autoritário. Esse período foi 
marcado por pressões sociais crescentes, crise econômica aguda e reformas políticas graduais. Figueiredo 
assumiu o poder por meio de eleição indireta pelo Colégio Eleitoral, enfrentando como principais desafios a 
inflação crescente e a necessidade de abrir o regime para uma nova era democrática. 
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 Abertura Política e Mobilização Social 
Logo no início do governo, a Lei da Anistia (1979) foi sancionada, permitindo o retorno de exilados e 
a libertação de presos políticos. Embora limitada – pois também beneficiou agentes do Estado acusados de 
violações dos direitos humanos –, ela representou uma vitória parcial da sociedade civil, impulsionada por 
uma ampla mobilização popular. Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs), intelectuais, artistas e instituições 
como a OAB e a Igreja Católica foram fundamentais nesse processo. 
Ainda em 1979, o bipartidarismo foi extinto e deu-se início à retomada do pluripartidarismo, com a 
criação de novos partidos como o PT, PDT, PP e a reconfiguração do MDB em PMDB. Esse novo quadro 
ampliou a pluralidade política e permitiu maior representação da sociedade na vida pública. As greves 
operárias – com destaque para a liderança sindical de Luiz Inácio Lula da Silva – também marcaram o período 
como expressão do descontentamento popular com o arrocho salarial e a inflação. 
Crise Econômica e Desgaste do Regime 
A crise econômica, agravada pelo segundo choque dopetróleo (1979) e por políticas equivocadas de 
crescimento acelerado, resultou em inflação descontrolada e aumento da dívida externa. Como explica Luiz 
Carlos Bresser-Pereira, a tentativa do governo de estimular a economia nesse contexto provocou efeitos 
“catastróficos”, tornando a inflação o símbolo da instabilidade econômica do período. A economia estagnada 
e o aumento da desigualdade minaram o apoio ao regime militar, enfraquecendo seus fundamentos 
autoritários. 
A Campanha das Diretas Já 
Com o fortalecimento das oposições, as eleições de 1982 marcaram um novo ciclo: os governadores 
passaram a ser eleitos diretamente, e o PMDB obteve vitórias importantes em estados estratégicos. Esse 
cenário impulsionou a Campanha das Diretas Já (1983–1984), liderada por figuras como Ulysses Guimarães, 
Leonel Brizola e Lula, que mobilizou milhões de brasileiros nas ruas em defesa do direito ao voto direto para 
presidente. A proposta de emenda constitucional conhecida como Emenda Dante de Oliveira, que 
restauraria as eleições diretas, foi derrotada no Congresso por 22 votos, apesar do apoio da maioria. 
A Eleição de Tancredo Neves e o Fim do Regime 
Apesar da derrota da emenda, o movimento das Diretas consolidou a ruptura simbólica com o regime 
militar. Em 1985, a oposição articulou a Aliança Democrática, formada por setores moderados do PMDB e 
dissidentes da antiga ARENA. A chapa Tancredo Neves–José Sarney venceu Paulo Maluf no Colégio Eleitoral 
com ampla vantagem. Tancredo, contudo, adoeceu antes da posse e faleceu semanas depois. Sarney, ex-
arenista, assumiu a presidência, simbolizando uma transição pactuada e conciliadora. 
Esse desfecho evidencia que a transição brasileira não foi marcada por rupturas abruptas, mas por 
acordos entre elites políticas e setores da sociedade civil, buscando preservar a estabilidade institucional. 
Ainda que limitada, a redemocratização preparou o terreno para a Assembleia Constituinte e a promulgação 
da Constituição de 1988, marco do Estado Democrático de Direito no país. 
O Governo de José Sarney (1985–1989): Entre a Redemocratização e a Crise Econômica 
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O governo de José Sarney teve início em março de 1985 como resultado do processo de transição da 
ditadura militar para a democracia. Sarney, que havia sido aliado do regime autoritário como membro da 
ARENA, foi alçado à Presidência após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral. 
Diante da desconfiança de setores progressistas, precisou sinalizar rapidamente um compromisso com a 
democratização. 
Entre as principais medidas políticas adotadas logo no início de seu mandato, destacam-se: 
• A convocação de eleições diretas para presidente (em dois turnos), prefeitos de capitais e cidades 
consideradas áreas de segurança nacional; 
• A liberdade para criação de novos partidos, com destaque para o retorno do PCB e a fundação do 
PCdoB; 
• A Emenda Constitucional nº 25/1985, que garantiu o direito de voto aos analfabetos, marcando uma 
ampliação significativa da cidadania. 
Do ponto de vista econômico, o grande desafio do período foi o combate à hiperinflação e à crise da 
dívida externa. Em 1986, o governo lançou o Plano Cruzado, com medidas como: 
• Substituição da moeda (do Cruzeiro para o Cruzado); 
• Congelamento de preços e salários; 
• Criação do gatilho salarial (reajuste automático de salários quando a inflação atingisse 20%); 
• Fim da correção monetária. 
O plano teve apoio inicial da população, que atuou como “fiscal do Sarney”, denunciando abusos nos 
preços. Contudo, a inflação rapidamente retornou, o desabastecimento aumentou e a confiança popular 
diminuiu. O governo lançou então novas tentativas de controle: Plano Cruzado II, Plano Bresser (1987) e 
Plano Verão (1989), todos sem sucesso duradouro. Ao final do mandato, a dívida externa alcançava 107 
bilhões de dólares. 
Apesar das dificuldades econômicas, o governo Sarney teve um papel crucial na consolidação do Estado 
Democrático de Direito. Seu maior legado foi a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, que 
elaboraria a Constituição de 1988 — símbolo da reconstrução democrática brasileira. 
A Constituição Federal de 1988 
Pode-se considerar a Constituição de 1988 como o marco que eliminou os últimos vestígios formais 
do regime autoritário, processo de abertura que, iniciado em 1974, levou mais de treze anos para 
desembocar em um regime democrático. Por que a transição foi tão longa e quais as consequências 
produzidas pela forma como se realizou? Vale lembrar que a estratégia adotada para a transição 
foi a de ser “lenta, gradual e segura”. Ela só poderia ser modificada, no seu ritmo e na sua 
amplitude, se a oposição tivesse força suficiente para tanto ou se o desgaste do próprio regime 
autoritário provocasse seu colapso. Nem uma coisa nem outra aconteceu. Tivemos assim uma longa 
“transição transada”, cheia de limites e incertezas21. 
 
21 FAUTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, p. 526. 
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A Constituição de 1988 representou o marco jurídico que consolidou a redemocratização brasileira. 
Fruto de um processo iniciado em 1974 com a distensão política promovida pelos próprios militares, a 
transição foi lenta, gradual e negociada. Como destacou Boris Fausto, o regime não colapsou e a oposição 
tampouco teve força para impor uma ruptura. Assim, o Brasil vivenciou uma “transição transada”, permeada 
por limites, concessões e incertezas. 
Um novo pacto democrático 
A nova Constituição tinha dois grandes objetivos, segundo o professor Boris Fausto: 
• Substituir os instrumentos legais autoritários herdados da ditadura; 
• Estabelecer um sistema amplo de direitos para os cidadãos brasileiros. 
Ainda vigorava a Constituição de 1967, marcada pelo autoritarismo. José Sarney, reconhecendo a 
necessidade de legitimar a nova ordem democrática, enviou ao Congresso Nacional a proposta de 
convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, instalada em 1º de fevereiro de 1987. 
Participação popular e mobilização social 
A Constituinte foi composta por deputados e senadores eleitos em 1986, que assumiram o duplo 
papel de parlamentares e constituintes. Os trabalhos duraram 20 meses e contaram com uma ampla 
participação popular. Movimentos sociais, sindicatos, associações de bairro e entidades civis protocolaram 
emendas populares, ampliando a legitimidade social do texto constitucional. O presidente da Assembleia, 
Ulysses Guimarães, resumiu esse espírito em seu discurso de promulgação: 
“Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de gente, de rua, de praça, de favela, de fábrica, de 
trabalhadores (...), atestando a contemporaneidade e autenticidade social do texto que ora passa a vigorar.” 
Avanços democráticos e garantias constitucionais 
Promulgada em 5 de outubro de 1988 pelo Congresso Nacional, a nova Carta inaugurou um novo ciclo 
da história política brasileira. Seus principais avanços incluem: 
• Eleições diretas em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 
200 mil eleitores; 
• Voto facultativo para analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos, e pessoas com mais de 70 anos; 
• Projeto de lei de iniciativa popular e instrumentos de participação direta como plebiscitos e 
referendos; 
• Ampliação dos direitos civis e políticos, com destaque para o Art. 5º, que assegura liberdade de 
crença, expressão, reunião e proteção contra a tortura. 
Direitossociais e reconhecimento das diversidades 
A Constituição também avançou em direitos sociais: 
• Estabeleceu jornada de trabalho de 44 horas semanais; 
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• Ampliou os direitos dos trabalhadores rurais e urbanos; 
• Reconheceu os direitos das trabalhadoras domésticas, embora de forma parcial. 
Importante também foi a inclusão dos direitos dos povos indígenas, consagrados no Capítulo VIII (arts. 
231 e 232), que reconhece sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, bem como o 
direito originário às terras tradicionalmente ocupadas. 
A Constituição Cidadã 
A CF/1988 ficou conhecida como Constituição Cidadã por estabelecer as bases de um Estado 
Democrático de Direito que reconhece e protege direitos civis, políticos e sociais de forma ampla e inclusiva. 
Como destacou Ulysses Guimarães, tratou-se de um “ato de esperança” e de um novo contrato social entre 
Estado e sociedade. 
O início da Nova República e a promessa democrática 
Com a promulgação da Constituição de 1988 e a posse de José Sarney na Presidência da República, 
encerrou-se formalmente o ciclo da ditadura militar no Brasil, dando início ao período conhecido como Nova 
República. Esse novo momento trouxe a promessa de consolidação do Estado Democrático de Direito, 
sustentado em eleições livres, pluralismo político e respeito aos direitos fundamentais. 
Contudo, como adverte Luiz Werneck Vianna, esse processo se deu em meio a uma “transição 
pactuada”, em que antigos agentes do regime autoritário foram incorporados à nova ordem democrática. O 
resultado foi uma democracia com limites estruturais, marcada por avanços institucionais, mas também por 
permanências autoritárias e desigualdades históricas. 
A consolidação institucional e os primeiros governos civis 
O primeiro presidente eleito por voto direto após o fim do regime militar foi Fernando Collor de 
Mello, em 1989. Sua vitória simbolizou a retomada da soberania popular, mas também revelou fragilidades 
do novo sistema: pouco enraizamento partidário, personalismo e distanciamento entre Estado e sociedade. 
O impeachment de Collor em 1992, por denúncias de corrupção, mostrou a força das instituições 
democráticas, mas também sua vulnerabilidade frente à instabilidade política e econômica. 
O governo Fernando Henrique Cardoso (1995–2002) representou um período de estabilização 
institucional e econômica, com destaque para o Plano Real. No entanto, como observa Jessé Souza22, as 
reformas adotadas nesse período reforçaram a lógica neoliberal e não enfrentaram os mecanismos 
estruturais de desigualdade, como o patrimonialismo, a concentração de renda e o racismo institucional. 
Inclusão social e conflitos no campo democrático 
A partir de 2003, com os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país vivenciou um 
ciclo de expansão de políticas sociais, valorização do salário mínimo e ampliação do acesso à educação e aos 
 
22 SOUZA, Jessé. A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. 1. ed. Rio de Janeiro: Leya, 2017. 
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serviços públicos. Programas como o Bolsa Família se tornaram referência internacional de combate à 
pobreza. Contudo, como analisa Boaventura de Sousa Santos, a inclusão social se deu “pelo consumo”, sem 
romper com as bases desiguais de poder político e econômico. 
A democratização formal não foi acompanhada por uma democratização substancial. A violência 
policial, o encarceramento em massa da juventude negra e pobre, a precariedade da saúde e da educação 
pública e a exclusão digital persistiram como marcas do déficit democrático brasileiro. 
Crises políticas, polarização e ameaças à democracia 
As tensões políticas se aprofundaram a partir de 2013, com protestos de massa inicialmente 
convocados por pautas progressistas (como transporte e saúde), mas que logo foram apropriadas por setores 
conservadores e descontentes com o sistema político. O impeachment de Dilma Rousseff em 2016 acentuou 
a polarização social e revelou a fragilidade das instituições diante de crises políticas. 
Nos anos seguintes, com a eleição de Jair Bolsonaro, houve um retrocesso democrático marcado pelo 
desrespeito às instituições, ataques à imprensa, perseguição a minorias e tentativas de ruptura da ordem 
constitucional. A democracia brasileira, nesse momento, passou a ser classificada por analistas como uma 
democracia em erosão, enfrentando ameaças internas sem rupturas formais, como alerta Steven Levitsky 
em Como as Democracias Morrem23. 
A democracia como processo inacabado 
A Nova República evidencia que a democracia não é um ponto de chegada, mas um processo 
permanente de construção, disputa e aperfeiçoamento. Como aponta Paulo Bonavides, o Estado 
Democrático de Direito exige mais do que eleições regulares: exige justiça social, inclusão política, direitos 
efetivos e instituições públicas que respondam ao povo — e não apenas às elites. 
Os desafios da democracia brasileira incluem: 
• Redução das desigualdades sociais e raciais; 
• Combate às práticas clientelistas e ao uso patrimonial do Estado; 
• Fortalecimento da participação social e dos conselhos; 
• Promoção da justiça fiscal e do acesso universal a direitos. 
 
23 LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Tradução: Renato Aguiar. São 
Paulo: Zahar, 2018. 
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4. A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA NO MUNDO 
CONTEMPORÂNEO 
A democracia representativa no mundo contemporâneo está fundada na soberania 
popular, a qual é efetivada por meio dos institutos da representação e do voto. 
Diferentemente do que vimos na Antiguidade Clássica (século VIII a.C. ao século V d.C), 
momento em que predominou a democracia direta, estamos em um contexto de 
prevalência de democracia indireta, ou seja, exercida por meio de representantes. Dessa 
forma, podemos ter: 
 Democracia indireta, uso exclusivo de representante no exercício de poder 
 Democracia semidireta, um “mix” em que, apesar do predomínio da democracia indireta, há 
elementos de democracia direta (plebiscito, referendo etc.). O Brasil está nesta classificação. 
No que diz respeito à democracia indireta, Norberto Bobbio afirma que, os debates do século XIX – 
de Benjamin Constant, passando por Tocqueville e Stuart Mill, até chegar a Max Weber, já na virada para o 
século XX – caminharam para identificar a forma representativa como a mais praticável por ser compatível 
com o Estado liberal. A reunião de todos os cidadãos em Assembleias, como queria Jean Jacques Rousseau, 
por exemplo, ao resgatar o formato dos gregos, não seria viável. A sociedade se tornou mais complexa, 
inviabilizando uma democracia em que o povo se autogoverne. 
 De acordo com o professor Paulo Bonavides, 
 Razões de ordem prática há que fazem do sistema representativo condição essencial 
para o funcionamento no Estado moderno de certa forma de organização democrática do 
poder. O Estado moderno já não é o Estado-cidade de outros tempos, mas o Estado nação, de larga 
base territorial, sob a égide de um princípio político severamente unificador, que risca sobre todas 
as instituições sociais o seu traço de visível supremacia.24 
 
Quanto ao voto universal, ou seja, aquele que é estendido a todos os cidadãos sem possibilidadesde 
restrição por renda, cor da pele, crença religiosa, foi conquistado em boa parte dos países do mundo. 
 
24 Op cit. 350. 
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Nesse sentido, podemos pensar a definição da democracia atual como um sistema 
governamental formado pela livre escolha de governantes (os representantes) pela 
maioria da população, por meio de votações. 
Diante da constatação de que dois elementos são importantes, a representação e o voto universal, ainda 
conforme Norberto Bobbio, podemos estabelecer que a democracia contemporânea está fundada em três 
grandes tradições do pensamento político. 
Além do voto e da representação, outra característica das democracias atuais é a 
existência de Partidos Políticos que atuam no sistema de governos e no sistema de 
competição pelos votos. De acordo com Alexis de Tocqueville: “os partidos são um mal 
inerente aos governos livres.” 
Partido Político para a Ciência Política e para a história das ideias políticas possui uma 
gama de definições, que vem desde facções políticas – referência negativa às 
organizações políticas dos homens na Idade Média - até o sentido mais contemporâneo. 
Nesse sentido, com o irlandês Edmund Burke (1729-1797), os partidos são respeitáveis e 
são um instrumento de governo livre, fundamentados em princípios comuns. A definição 
de Burke é: “o partido é um grupo de homens unidos para a promoção, pelo seu esforço 
conjunto, do interesse nacional com base em algum princípio com o qual todos 
concordam” 25 . 
4.1 Representação Política 
 Segundo definição do Dicionário de Politica organizado por Bobbio e outros26, a representação 
política é um conceito-chave na história política moderna, fundamentalmente associado à expressão de 
interesses coletivos. Em contextos democráticos, a sua concretização é comumente identificada nas 
 
25 Apud SARTORI, Giovanni. Partidos e Sistema Partidários. Zahar e Editora UnB. Rio de Janeiro: 1982, 
p. 29. 
26 BOBBIO, N., MATTEUCCI, n. e PASQUINO, G. Dicionário de Política. 121ª. edição. Brasília. Ed. UNB, 
1998, p. 1101. 
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assembleias parlamentares periodicamente eleitas. Contudo, ao associarmos isso aos regimes políticos 
democráticos mais recentes, a noção de representação política se amplia. 
Do ponto de vista semântico, a palavra "representar" e seu derivado "representação" abrangem uma 
variedade de experiências empíricas. Ela pode ser entendida como ação segundo cânones de 
comportamento ou reprodução de características que refletem os sujeitos ou objetos representados. 
A distinção crucial reside na capacidade da representação política em permitir o controle 
político pelos governados, contrastando com regimes absolutistas e 
autocráticos.Definindo-se como um mecanismo político específico, busca estabelecer uma 
relação de controle regular entre governantes e governados. 
Essa compreensão é essencial para esclarecer as diversas facetas do fenômeno da representação 
política, proporcionando uma base sólida para a participação ativa dos cidadãos no cenário político. 
 Na Literatura da Ciência Política, existem três modelos interpretativos da representação 
política: 
1) representação como relação de delegação. Este primeiro modelo concebe o representante como um 
executor privado das instituições representadas, similar a um embaixador 
2) representação como relação de confiança. O segundo modelo atribui autonomia ao representante, 
baseando sua ação no interesse percebido dos representados 
3) representação como "espelho" ou representatividade sociológica. Já, o terceiro modelo, centrado no 
efeito conjunto, vê o organismo representativo como um microcosmos que reproduz as características do 
corpo político. 
Importante ressaltar que, na prática, nenhum modelo puro é completamente eficaz, e uma abordagem 
realista reconhece a necessidade de elementos de cada modelo. O representante pode ser visto como um 
"fiduciário controlado" que, em algumas características, reflete os eleitores. A autonomia do representante, 
garantida pelo modelo de delegação, é essencial, mas um certo grau de controle dos cidadãos, representado 
pelo modelo fiduciário, também é necessário. A representação sociológica, ou espelho, pode ser importante 
em níveis e situações específicas. Assim, em sistemas políticos representativos, uma combinação 
equilibrada desses elementos é crucial para a eficácia e legitimidade da representação. 
 Vejamos agora uma sistematização dos três modelos: 
1) Representação como Relação de Delegação: 
 Definição: Neste modelo, o representante é visto como um executor privado das instituições 
representadas, agindo com iniciativa e sem autonomia. Sua função assemelha-se à de um 
embaixador. 
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 Origem Histórica: Este conceito tem raízes medievais, e as modernas constituições estatais, em geral, 
rejeitam-no, proibindo o "mandato imperativo". No entanto, ainda é encontrado em organizações 
internacionais ou em entidades políticas pouco integradas. 
 Características Principais: 
→ O representante age como um agente de execução das decisões das instituições representadas. 
→ Semelhança com o papel de embaixador, agindo em nome dos representados. 
 Desafios e Limitações: 
→ Rigidez do "mandato imperativo" pode ser inadequada em sistemas políticos modernos porque o 
representante não tem autonomia. 
→ Representantes precisam de margem de manobra para lidar com a complexidade das decisões 
políticas. 
2) Representação como Relação de Confiança: 
 Definição: Neste modelo, o representante é atribuído com autonomia, com a suposição de que sua 
única orientação deve ser o interesse percebido dos representados. 
 Referência Histórica: Edmund Burke, ao descrever o papel do representante como um "trabalho de 
razão e de juízo" a serviço do "bem comum", ilustra essa concepção. 
 Características Principais: 
→ O representante age autonomamente, orientado pelo que percebe como o interesse dos 
representados. 
→ Ênfase na razão e no julgamento como guias para a ação do representante. 
 Desafios e Limitações: 
→ Possibilidade de não correspondência de percepções sobre o interesse dos representados. 
→ Limitações quando há divergências significativas de pontos de vista. 
3) Representação como "Espelho" ou Representatividade Sociológica: 
 Definição: Diferentemente dos modelos anteriores, este foca mais no efeito de conjunto do 
organismo representativo, concebendo-o como um microcosmo que reproduz as características do 
corpo político. 
 Metáfora Utilizada: Pode ser comparado a uma carta geográfica que reflete as características do 
corpo político. 
 Características Principais: 
→ Ênfase na representação do conjunto das características do corpo político. 
→ O organismo representativo age como um reflexo fiel das características sociológicas, políticas, 
ideológicas, religiosas, culturais, étnicas e raciais. 
 Desafios e Limitações: 
→ Dificuldades em determinar quais características merecem ser refletidas. 
→ Risco de estaticidade ao se concentrar excessivamente na fidelidade à "reprodução", negligenciando 
a dinâmica e síntese necessárias para governar efetivamente. 
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4.2 Representação eletiva e sistema político 
O mecanismo crucial para garantir a representação política é a eleição dos organismos 
parlamentares, principalmente em sistemas democráticos. A representação política é, portanto, 
caracterizada como uma representação eletiva. 
Mas não qualquer tipo de eleição é suficiente. Eleições competitivas, que garantam um mínimo de 
liberdade na expressão do sufrágio, são essenciais. Abaixo desse nível de garantias, o processo eleitoral 
pode se tornar uma aclamação plebiscitária, perdendo seu propósito de representação. 
Dentro das eleições competitivas, coexistem elementos que interpretam as eleições como um "juízo" 
e uma "escolha". O juízo e a escolha podem se referir tanto a pessoas quanto a programas e atos políticos. 
Dependendo do modelo de representação escolhido, a ênfase pode ser dada à escolha pessoal dos 
representantes, à determinação prévia das decisões políticas ou à ação de controle e responsabilização 
posterior. 
Hoje, a importância dos partidos políticos no processo eleitoral é crucial. O fenômeno da 
representação política deve ser encarado como um processo global, não apenas como relações 
independentes entre representantes e circunscrições eleitorais. A representação política é resultado de uma 
competição entre organizações partidárias pela conquista ou conservação de posições parlamentares e 
governamentais, regulamentada e perante um público que exerce o papel de juiz. 
O papel do representante individual não é unívoco, variando de acordo com a disciplina partidária, 
características da competição eleitoral e cultura política. 
Duas sequências-tipo são observadas na prática: eleitores-partidos-representantes individuais e 
eleitores-representantes individuais-partidos. Em ambas, a responsabilidade periódica dos atores políticos 
(partidos) é o núcleo fundamental da representação, manifestando-se através da designação eleitoral livre 
de organismos políticos fundamentais, como parlamentos. 
A representação política, portanto, pode ser definida como um "sistema 
institucionalizado de responsabilidade política". 
No que se refere aà relação entre representaçãoo e sistema político, a análise do tema deve ir além do 
fenômeno isolado e considerar sua inserção na complexa rede institucional de um sistema político. Esse 
sistema possui duas faces cruciais: 
→ as condições da representação 
→ o impacto que a representação exerce sobre outras instituições políticas. 
 As condições favoráveis para a representação incluem: 
→ Alto grau de publicidade nos negócios públicos, compreensibilidade para os cidadãos e a capacidade 
de tornar conhecidas as atitudes do público à classe política. 
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→ Canais eficientes de comunicação das mensagens políticas, envolvendo direitos políticos como 
liberdade de imprensa, associação e propaganda. 
Além disso, fatores culturais, como uma cultura democrática participante, são essenciais 
para o funcionamento adequado da representação. 
A relação entre representação e sistema político é crucial para distinguir entre "regimes políticos 
representativos" e "regimes políticos não representativos". Essa distinção valida o critério de discriminação 
entre o que constitui representação e o que não. O confronto entre a concepção predominante na cultura 
política ocidental, que enfatiza o aspecto comportamental centrado nas eleições, e as concepções 
substanciais de outras culturas e sistemas políticos deve ser conduzido nesse contexto. 
A análise da CIência Política também aborda a possibilidade de existirem fenômenos representativos 
mesmo fora dos procedimentos eleitorais competitivos, como a ação dos movimentos sociais, grupos de 
interesses e outras instituições que organizam e representam os interesses da sãociedade civil. 
 
Assim, temos que alguns regimes políticos podem operar em tutela dos interesses públicos 
e grupos podem influenciar suas políticas sem eleições competitivas. No entanto, é 
essencial estabelecer uma linha de divisão entre regimes não representativos e regimes 
representativos, bem como entre fenômenos representativos e representação enquanto 
sistema institucionalizado de responsabilidade eleitoral. 
 
Assim, a distinção entre regimes representativos e não representativos se justifica pela 
presença ou ausência de mecanismos institucionalizados que garantam a lógica causal 
da representação, que envolve a instituição de um poder de controle dos cidadãos 
sobre o funcionamento do regime político. 
 
A representação política, quando baseada em processos estabilizados e centralizados, permite falar 
de um regime político representativo, onde os organismos representativos exercem controle e legitimam as 
demais estruturas políticas. 
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(Profe Ale Lopes/Estrategia Concursos/2024) 
"As condições favoráveis para a representação incluem um alto grau de publicidade nos 
negócios públicos, compreensibilidade para os cidadãos e a capacidade de tornar conhecidas 
as atitudes do público à classe política." 
Além das condições acima, qual ou quais outros elementos são fundamentais para o 
funcionamento da representação 
A) A representação política é independente da publicidade nos negócios públicos e da 
compreensibilidade para os cidadãos. 
B) Elementos fundamentais para a representação incluem a exclusão da participação dos 
cidadãos e a confidencialidade nas atitudes do público. 
C) Uma cultura autoritária é essencial para o funcionamento eficaz da representação política. 
D) As condições culturais não desempenham papel significativo no processo de representação 
política. 
E) Uma cultura democrática participante nas classes políticas facilita o funcionamento eficaz 
da representação política. 
Comentários: 
A)A opção A está incorreta, pois o texto destaca a importância do alto grau de publicidade nos 
negócios públicos e da compreensibilidade para os cidadãos como condições favoráveis para a 
representação. 
B)A opção B está incorreta, pois menciona elementos como a exclusão da participação dos 
cidadãos e a confidencialidade nas atitudes do público, que vão contra a ideia de transparência 
e comunicação destacada no texto. 
representação 
política
controle social
legitimidade 
do sitemas e 
das decisões 
políticas
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C)A opção C está incorreta, pois o texto ressalta que uma cultura democrática, e não 
autoritária, é fundamental para o funcionamento eficaz da representação. 
D)A opção D está incorreta, pois o texto destaca a importância de fatores culturais, 
contrariando a afirmação de que as condições culturais não desempenham papel significativo. 
E)A opção E está correta, pois reforça a ideia apresentada no texto de que uma cultura 
democrática participante nas classes políticas facilita o funcionamento eficaz da representação 
política, uma vez que a representação está ligada a um processo de comunicação entre 
representantes e representados. 
Gabarito: E 
4.3 Exclusão e sub-representação política 
Segundo da dos do Censo 2022 divulgado pelo IBGE, na populaçãobrasileira, 51,5% (104.548.325) 
eram mulheres e 48,5% (98.532.431) eram homens, com cerca de 6,0 milhões de mulheres a mais do que 
homens. As mulheres, que são mais da metade da população do país têm sua representação parlamentar 
no Congresso Nacional reduzida a menos de 20%.27 
A história política do Brasil é marcada por uma sub-representação significativa de diferentes grupos 
sociais, resultando em uma exclusão sistemática dos cargos de poder. Apesar das mulheres comporem a 
maioria do eleitorado brasileiro (52,65%), sua representação na Câmara Federal é apenas de 17,7% Além 
disso, a baixa presença de pessoas pardas, pretas, indígenas e amarelas, que constituem a maior parte da 
população, evidencia a persistência da desigualdade socio-estrutural e a falta de inclusão da minorias 
marginalizadas e vulnerabilizadas. 
A crescente preocupação com o tema da exclusão política desafia o entendimento tradicional sobre 
os mecanismos representativos, em especial a percepção arraigada de que a chave da boa 
representação política está no programa e nas ideias compartilhadas entre representantes e 
representadas/os — sem qualquer referência à identidade das/os representantes. Contra isso, 
cada vez mais é afirmada a necessidade de presença física dos grupos excluídos nos 
locais de decisão, o que se traduz frequentemente na adoção de cotas eleitorais. Mas não 
se trata de escolher uma ou outra forma de representação e sim de, compreendendo os limites de 
cada uma, buscar um sistema mais justo que incorpore tanto ideias quanto presença28 
 
27https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-
censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-
anos#:~:text=Em%202022%2C%20na%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira,para%2094%2C2
%20em%202022. 
28 “From a Politics of Ideas to a Politics of Presence?”, em PHILLIPS, Anne, The Politics of Presence 
(Orxford: Oxford University Press, 1995. p. 1-26). 
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4.4 Mandatos coletivos 
O formato coletivo de candidatura, mesmo sem regulamentação, apresentou um maior percentual 
de representantes da cor preta nas eleições legislativas de 2020 e 202229. A pesquisadora Ana Paula Santos 
revela que as candidaturas coletivas têm uma representação mais expressiva de mulheres, pessoas pretas e 
indígenas em comparação com as candidaturas individuais. Esse formato oferece uma abordagem 
interseccional, incorporando as diversas lutas sociais desses grupos na política institucional. 
A prática desses mandatos trouxe visibilidade e participação a grupos historicamente marginalizados, 
promovendo uma mudança significativa na estrutura institucional e na produção de novas agendas políticas. 
Os mandatos coletivos emergem como uma estratégia eficaz para enfrentar a sub-representação 
política no Brasil. Ao proporcionar uma representação mais diversa e inclusiva, esses mandatos abrem 
caminho para uma democracia mais participativa e representativa, superando as barreiras simbólicas e 
materiais que historicamente excluíram certos grupos da arena política. A regulamentação dessas práticas 
inovadoras é essencial para consolidar essa transformação na representação política brasileira. 
4.5 Tecnologias Digitais na Representação Política de Minorias 
Como estamos estudando, a representação política busca tornar presente aqueles que estão 
ausentes. Nesse contexto, destacam-se duas abordagens: a representação substantiva, focada em 
interesses, e a representação descritiva, que considera as características específicas dos representados. Esta 
última, alinhada ao ideal de empoderamento de minorias, enfatiza a importância de representar grupos 
baseados em identidade de gênero, raça e etnia. 
Num cenário onde as minorias, embora presentes, nem sempre são efetivamente representadas, as 
tecnologias digitais emergem como ferramentas transformadoras na política brasileira. 
O potencial das tecnologias digitais reside em sua capacidade de superar barreiras 
comunicativas, facilitar campanhas e ampliar a participação de grupos historicamente 
ausentes. 
A internet, quando usada adequadamente, proporciona maior visibilidade a candidaturas antes 
inviáveis, tornando-as mais acessíveis e democráticas. As plataformas digitais não apenas diversificam o 
debate público, mas também oferecem canais para participação cidadã, tornando a política mais tangível 
para os cidadãos. 
Contudo, é crucial reconhecer as limitações das tecnologias digitais. A exclusão digital, que afeta 
uma parcela da população, e a defasagem entre engajamento online e atividades presenciais são obstáculos 
 
29 SANTOS, Ana Paula. Representação de minorias por meio de mandatos coletivos. In: Anais da XIII 
Jornada de Pesquisa e Extensão da Câmara dos Deputados Parlamento e Inovação. Jornada de Pesquisa 
e Extensão da Câmara dos Deputados (13. : 2023 : Brasília, DF). 
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a serem enfrentados. Mesmo com o potencial transformador das tecnologias, o sucesso das candidaturas 
ainda depende de outros fatores, como recursos partidários. 
Portanto, o papel das tecnologias digitais em ampliar agendas políticas, aproximar a sociedade dos 
processos decisórios e mitigar barreiras institucionais é fundamental na atual etapa da democracia e no 
contexto de conexões que vivemos. Apesar dos desafios, as inovações tecnológicas oferecem uma 
oportunidade única para construir uma representação política mais responsiva, democrática e inclusiva, 
promovendo a efetiva participação de minorias na vida política brasileira. 
 
(Profe Ale Lopes/Estrategia Concursos/2024) 
Considerando o contexto das democracias do século XXI e os desafios relacionados à 
representação política, qual é o papel potencial das tecnologias digitais na promoção da 
representatividade de minorias na política brasileira? 
A) As tecnologias digitais não desempenham papel relevante na representação política de 
minorias, uma vez que a participação online não se reflete em atividades presenciais. 
B) A representação política efetiva de minorias só é possível por meio de leis e decisões judiciais 
que garantam cotas e verba eleitoral específica para campanhas desses grupos. 
C) As tecnologias digitais podem contribuir para ampliar a representação de minorias ao 
facilitar o acesso à informação, reduzir custos de campanha e promover o engajamento online. 
D) A internet, apesar de seu potencial inclusivo, reproduz dinâmicas de desigualdade social, 
limitando sua eficácia na promoção da representação de grupos minoritários. 
E) A política institucional ainda é altamente influenciada por dinâmicas partidárias e custos 
elevados, tornando as tecnologias digitais pouco relevantes para a representação de minorias. 
Comentários 
A) Esta afirmação é incorreta, pois pesquisas e experiências indicam que a participação online 
pode influenciar diretamente a agenda política e aumentar a visibilidade de causas 
relacionadas às minorias. 
B) Incorreta. Embora medidas legais sejam importantes, as tecnologias digitais também têm 
um papel crucial, pois podem ajudar a conectar candidatos de minorias diretamente com seus 
eleitores, contornando barreiras tradicionais. 
C) Correta. Esta é uma perspectiva alinhada com a ideia de que as tecnologias digitais podem 
democratizar o acesso à política, permitindo que candidatos de minorias alcancem eleitores de 
maneira mais eficiente e econômica. 
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D) Incorreta. Embora seja verdade que existem desafios como a desigualdade de acesso à 
internet, ainda assim, a rede pode servir como um espaço para amplificar vozes minoritárias e 
criar mobilizações que promovam a diversidade na política. 
E) Incorreta, uma vez que as tecnologias digitais têm potencial para reduzir custos de 
campanha e permitem que candidatos de minorias alcancem eleitores independentemente 
das estruturas partidárias tradicionais. 
Gabarito: C 
4.6 Mais uma vez: o futuro da democracia 
Norberto Bobbio, em sua obra O Futuro da Democracia30, analisa os limites, contradições e desafios 
da democracia contemporânea. Ele parte da constatação de que, embora a democracia tenha se difundido 
como forma legítima de governo, suas promessas fundamentais ainda não foram plenamente cumpridas, e 
enfrenta obstáculos novos e não previstos pelos seus idealizadores clássicos. 
 As promessas não cumpridas da democracia 
Bobbio enumera algumas promessas que estruturam o ideal democrático, mas que não se realizaram 
plenamente na prática: 
• A conversão dos súditos em cidadãos: o desafio de promover uma cidadania ativa, informada e crítica. 
• A eliminação do poder invisível: mesmo em democracias formais, ainda há domínios opacos como 
lobbies, corporações e influências externas ao processo público. 
• A publicidade do poder: o princípio da transparência nem sempre é respeitado, sobretudo em 
decisões tecnocráticas. 
• A substituição do governo dos homens pelo governo das leis: a personalização e o culto a líderes 
políticos ainda fragilizam o Estado de Direito. 
• A democratização das relações sociais: embora haja participação política formal, as esferas privadas 
(família, empresa, religião) permanecem hierarquizadas e excludentes. 
 Os obstáculos não previstos à democracia 
Bobbio também chama atenção para novas dificuldades que a teoria democrática clássica não antecipou, 
como: 
• A burocratização do Estado: a crescente tecnocracia afasta o cidadão comum dos centros decisórios. 
• A baixa eficiência decisória: os sistemas democráticos muitas vezes apresentam lentidão para 
responder às demandas sociais urgentes. 
 
30 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz 
e Terra, 2000. 
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• A desigualdade social persistente: a concentração de riqueza ameaça o princípio de igualdade 
política, ao capturar os meios de comunicação e influenciar eleições. 
• O desafio da democracia transnacional: a globalização econômica desafia os limites dos Estados 
nacionais democráticos, criando espaços de poder não sujeitos à vontade popular. 
Democracia como processo inacabado 
Para Bobbio, a democracia não é um estado definitivo, mas um processo contínuo de ampliação dos direitos, 
participação e transparência. Seu diagnóstico é realista: ele não rejeita a democracia, mas propõe uma 
reflexão crítica para seu aperfeiçoamento. 
Nº Desafio Histórico Integrado Relação com Bobbio 
1 Superação do Estado absolutista e afirmação 
do primado da lei 
Governo dos Homens vs. Governo das Leis: A 
democracia deve ser o governo das leis, não de 
vontades arbitrárias 
2 Estabelecimento de direitos fundamentais e 
liberdades civis 
Promessa da visibilidade e publicidade do poder 
como base do controle cidadão 
3 Superação do poder invisível e de formas 
opacas de dominação 
Poder invisível como ameaça à democracia – 
corrupção do ideal democrático por estruturas 
opacas 
4 Inclusão efetiva dos indivíduos e grupos no 
processo político 
Educação para a cidadania como forma de 
transformação de súditos em cidadãos ativos 
5 Representatividade política verdadeira e 
superação das oligarquias 
Persistência das oligarquias e esvaziamento da 
representação política 
6 Ampliação dos espaços de decisão 
democrática para além do Estado 
Espaços limitados da democracia e necessidade de 
democratização da sociedade civil 
7 Enfrentamento da tecnocracia e da 
burocracia como formas de afastamento da 
sociedade 
Obstáculos não previstos: tecnocracia, burocracia e 
baixo rendimento do sistema democrático 
8 Compatibilização entre democracia e 
desigualdade social 
Contradição entre democracia de massa e 
concentração de poder econômico; risco de captura 
do Estado por elites 
 
FGV - 2012 - Consultor Legislativo (SEN)/Assessoramento Legislativo/Direitos Humanos e Cidadania 
A respeito da democracia representativa, avalie as afirmativas a seguir: 
I. Não era praticada na antiguidade clássica. 
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II. Surgiu a partir da Era das Revoluções, que teve como principais eventos a fundação dos Estados Unidos e 
a Revolução Francesa. 
III. Tem seus pilares na esfera pública e na ativação da cidadania por meio de mecanismos participativos 
paraestatais. 
Assinale se 
a) apenas as afirmativas I e II forem verdadeiras. 
b) apenas as afirmativas I e III forem verdadeiras. 
c) apenas as afirmativas II e III forem verdadeiras. 
d) todas as afirmativas forem verdadeiras. 
e) nenhuma afirmativa for verdadeira. 
Comentários 
I. Verdadeira. A democracia na Antiguidade clássica, como em Atenas, era direta, com a participação pessoal 
dos cidadãos nas deliberações políticas. A democracia representativa, tal como a conhecemos hoje (com 
voto para escolha de representantes), não existia na antiguidade. 
II. Verdadeira. A democracia representativa moderna surgiu com o ideário liberal da Era das Revoluções, 
especialmente a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789), que estabeleceram governos 
baseados no sufrágio (mesmo que restrito) e na representação parlamentar. 
III. Falso. Essa descrição é mais adequada à democracia participativa ou deliberativa, que defende a 
ampliação da cidadania para além da representação, por meio de conselhos, audiências públicas e outros 
mecanismos de interação direta da sociedade civil com o Estado. 
Já a democracia representativa tem como pilar fundamental o sufrágio universal e a representação política 
por meio de eleições regulares. 
Gabarito: A 
5. A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA 
A Democracia Participativa é um conceito que destaca a importância da participação ativa 
e direta dos cidadãos nas decisões políticas, indo além da simples escolha de 
representantes por meio de eleições. 
Lembre-se de que a Teoria Contemporânea da Democracia, a democracia representativa, 
se baseia na competição por votos e eleições livres como elementos essenciais da democracia, com o 
sufrágio universal garantindo igualdade de oportunidades e acesso ao controle dos líderes eleitos. Disso 
decorre que a participação é indireta e tem mais o sentido de proteger o indivíduo contra os abusos de poder 
do Estado e a representação tem a função de proteger os interesses dos indivíduos 
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 Diante disso, a Teoria da Democracia Participativa argumenta que as instituições 
representativas tradicionais não são suficientes para garantir uma democracia 
plena, e, por isso, a ampliação da participação cidadã em diversos níveis de 
governoe contextos sociais seria fundamental para o estabelecimento de uma 
democracia mais substancial. 
Autores como Carole Pateman, Benjamin Barber e Macpherson são representantes da Teoria da Democracia 
Participativa. 
 Eles estabelecem alguns pressupostos fundamentais, veja: 
→ Carole Pateman: 
 
 Participação como Direito: Pateman destaca a participação como um direito fundamental 
dos cidadãos, indo além da simples escolha de representantes. Ela argumenta que a 
democracia deve ser construída sobre a participação ativa e direta dos cidadãos para garantir 
a legitimidade das decisões políticas. 
 
 Função Educacional: Pateman enfatiza a função educativa da participação. Para ela, o 
envolvimento direto dos cidadãos no processo político não apenas legitima as decisões 
coletivas, mas também promove o desenvolvimento de habilidades democráticas e uma 
consciência política mais robusta. 
 
A principal função da participação, então, segundo a autora, 
“é educativa; educativa no mais amplo sentido da palavra, tanto no aspecto psicológico quanto no 
de aquisição de práticas de habilidades e procedimentos democráticos”.31 
 
 
 
→ Benjamin Barber: 
 
31 PATEMAN, Carole. Participação e Teoria Democrática. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 61. 
Teorias clássicas 
da democracia
função da 
participação
Educação para 
um cidadão 
virtuoso
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 Democracia Fortalecida: Barber acredita que a democracia participativa fortalece a qualidade 
da democracia. Ele argumenta que a participação ativa dos cidadãos contribui para uma 
governança mais eficaz, permitindo que a diversidade de perspectivas seja considerada na 
tomada de decisões. 
 
 Descentralização do Poder: Barber propõe a descentralização do poder e a criação de 
espaços participativos em níveis locais. Ele vê na participação uma maneira de superar as 
limitações da democracia representativa e envolver os cidadãos de maneira mais direta nas 
questões que afetam suas comunidades. 
 
→ Macpherson: 
 
 Ampla Esfera Política: Macpherson contribui para a ideia de que a democracia participativa 
deve abranger uma esfera política mais ampla. Ele defende a expansão da participação para 
além das estruturas tradicionais, reconhecendo a importância de envolver os cidadãos em 
diversas formas de ação social. 
 
 Enfrentamento das Limitações: Macpherson aborda as limitações percebidas na democracia 
representativa e argumenta que a participação cidadã ativa é essencial para superar essas 
limitações. Ele propõe uma redefinição das relações entre cidadãos e instituições políticas 
para alcançar uma democracia mais completa. 
 
 
Essa abordagem em relação à democracia sugere que a participação ativa dos cidadãos na vida 
política não só fortalece a democracia, mas também contribui para o desenvolvimento de uma consciência 
Ampla Esfera Política: 
A democracia participativa 
se aplica a todas as formas 
de ação social, não se 
limitando apenas às 
eleições e aos órgãos 
representativos 
convencionais.
Participação Cidadã 
Crucial:
Destaca que a participação 
ativa dos cidadãos é crucial 
para o funcionamento 
efetivo da democracia e 
contribui para o 
desenvolvimento humano.
Legitimação das Decisões 
Coletivas: 
A participação é vista como 
um mecanismo que 
legitima as decisões 
coletivas, conferindo maior 
validade e aceitação às 
políticas adotadas.
Função Educacional: 
A participação não é 
apenas um meio de tomar 
decisões, mas também 
desempenha uma função 
educativa. Ela promove o 
desenvolvimento de 
habilidades, práticas e 
procedimentos 
democráticos.
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política e cívica. Afirma que a participação cidadã é capaz de superar as limitações percebidas na 
democracia representativa, promovendo uma maior inclusão e engajamento direto dos cidadãos nas 
decisões que afetam suas vidas. Aprende-se a participar participando. Além disso, a participação pode ser 
relacionada à integração, pertencimento e identidade, ou seja, participar significa estar integrado e, não 
participar, significa estar excluído. Assim, a democracia participativa fortalece o senso comunitário que é 
essencial à consolidação democrática. 
Na democracia participativa há, portanto, uma exigência da participação dos cidadãos no processo 
de tomada de decisão em uma sociedade democrática, porque ela tem um caráter pedagógico no 
aprendizado das relações democráticas, contribuindo para a politização dos cidadãos, o que é 
importante para eles exercerem um controle sobre os governantes. A democracia participativa é 
um modelo de democracia que incorpora e defende a participação da sociedade civil no interior dos 
Estados democráticos, que busca restabelecer o vínculo entre democracia e cidadania ativa32. 
 
INEP- 2016 
A teoria da democracia participativa é construída em torno da afirmação central de que os 
indivíduos e suas instituições não podem ser considerados isoladamente. A existência de 
instituições representativas em nível nacional não basta para a democracia; pois o máximo de 
participação de todas as pessoas, a socialização ou “treinamento social” precisa ocorrer em 
outras esferas, de modo que as atitudes e as qualidades psicológicas necessárias possam se 
desenvolver. Esse desenvolvimento ocorre por meio do próprio processo de participação. A 
principal função da participação na teoria democrática participativa é, portanto, educativa. 
 PATEMAN, C. Participação e teoria democrática. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. 
 Nessa teoria, a associação entre participação e educação tem como fundamento a 
A)ascensão das camadas populares. 
B)organização do sistema partidário. 
C)eficiência da gestão pública. 
D)ampliação da cidadania ativa. 
E)legitimidade do processo legislativo. 
Comentários 
 
32 GOHN, Maria da GlóriaGestão Pública e os Conselhos: revisitando a participação na esfera institucional 
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Na teoria da democracia participativa, a associação entre participação e educação tem como 
fundamento a ampliação da cidadania ativa. A ideia central é que a participação nas práticas 
democráticas não apenas contribui para o funcionamento efetivo do sistema democrático, mas 
também desempenha um papel educativo fundamental. 
A) Errado. Embora a participação possa contribuir para a inclusão de diferentes estratos sociais, 
a ênfase aqui está mais na educação através da participação do que na ascensão social per se. 
B) Errado. Embora a participação seja influenciada pelo sistema partidário, o foco na teoria da 
democracia participativa está mais na educação cívica do que na organização partidária. 
C) Errado. A eficiência da gestão pública não é o foco principal da teoria da democracia 
participativa, que destaca a educação cívica como um objetivo-chave. 
D) Esta é a opção correta, pois reflete a ideia de que a participação ativa nas práticas 
democráticas contribui para a formação de cidadãos ativos e engajados. 
E) Errado. Embora a participação contribua para a legitimidade, a ênfase principal na teoria é 
na educação dos cidadãos através da participação, não apenas na legitimidade do processo 
legislativo. 
Gabarito: D 
 
5.1 Jürgen Habermas e a deliberação 
Jürgen Habermas é um renomado filósofoalemão conhecido por suas contribuições para a teoria política e 
ética, e sua teoria da democracia deliberativa é uma das mais influentes dentro desse campo. Ele 
desenvolveu uma teoria democrática que se concentra na importância do discurso público, do debate 
racional e da deliberação como elementos fundamentais no processo de tomada de decisões políticas. 
O pensador desenvolveu uma abordagem conhecida como "ética do agir comunicativo". Esta abordagem se 
baseia em três princípios fundamentais que visam promover a comunicação aberta, inclusiva e livre de 
violência nos espaços públicos na sociedade democrática. 
 regra da inclusão: enfatiza que qualquer sujeito capaz de agir e falar deve ter o direito de participar 
de discursos públicos. Em outras palavras, a democracia deve ser inclusiva, permitindo que todos os 
cidadãos, independentemente de sua origem, gênero, raça ou posição social, tenham a oportunidade 
de fazer parte das discussões políticas e influenciar as decisões coletivas. 
 
 regra da participação: estabelece que todos os participantes de um discurso têm o direito de 
questionar afirmações, introduzir novas ideias, expressar suas necessidades, desejos e convicções. 
Isso implica que a deliberação democrática não deve ser restrita ou controlada por uma elite, mas 
deve permitir que todos contribuam ativamente para o processo de tomada de decisões. 
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 regra da comunicação livre de violência e coação: enfatiza a importância de garantir que nenhum 
interlocutor seja impedido, seja por forças internas ou externas ao discurso, de exercer plenamente 
seus direitos conforme estabelecidos nas duas regras anteriores. Isso significa que a coerção, a 
intimidação ou qualquer forma de violência não devem ser toleradas na esfera pública, pois minam 
a capacidade dos cidadãos de se envolverem em debates livres e abertos. 
 Os principais aspectos da democracia deliberativa de Habermas incluem: 
 Comunicação Racional: Habermas enfatiza a importância da comunicação baseada na razão e no 
entendimento mútuo. Ele argumenta que os cidadãos devem participar ativamente de discussões 
políticas públicas, apresentando argumentos bem fundamentados e buscando soluções que possam 
ser aceitáveis para todos. 
 
 Igualdade de Participação: Na visão do autor, todos os cidadãos devem ter igualdade de 
oportunidades para participar dos processos de deliberação e debate político. Isso significa que a 
democracia deve ser inclusiva e permitir que pessoas de diferentes origens e perspectivas tenham 
voz na esfera pública. 
 
 Consenso Racional: Habermas acredita que a deliberação pública pode levar a um consenso racional, 
no qual os cidadãos concordam com determinadas políticas ou decisões com base em argumentos 
lógicos e legítimos, em vez de serem coagidos por forças externas. 
 
 Autonomia e Autenticidade: Habermas valoriza a autonomia dos cidadãos e a autenticidade de suas 
contribuições para o debate público. Ele argumenta que a deliberação democrática permite que os 
indivíduos participem de maneira significativa na formação das políticas que afetam suas vidas. 
 
 Esfera Pública: A teoria de Habermas pressupõe a existência de um "espaço público" onde as 
discussões políticas podem ocorrer de maneira aberta e acessível a todos. Essa esfera pública pode 
incluir mídia, fóruns públicos, debates políticos e outras formas de interação pública. Aqui devemos 
relacionar com os espaços institucionais. 
 
Jürgen Habermas é um filósofo alemão conhecido por suas contribuições à teoria política e 
ética, com ênfase na democracia deliberativa. Sua "ética do agir comunicativo" se baseia em 
três princípios fundamentais para promover a comunicação democrática. Qual dos seguintes 
princípios NÃO faz parte dessa ética? 
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A) Regra da inclusão: Todos os sujeitos capazes de agir e falar têm o direito de participar de 
discursos públicos. 
B) Regra da participação: Todos os participantes de um discurso têm o direito de questionar 
afirmações e expressar suas necessidades e convicções. 
C) Regra da comunicação livre de violência e coação: A comunicação pública não deve tolerar 
a coerção ou a intimidação. 
D) Regra da coerção: Os interlocutores devem ser livres de exercer seus direitos conforme 
estabelecidos nas outras regras. 
E) Regra da igualdade de oportunidades: Todos os cidadãos devem ter igualdade de 
oportunidades para participar dos processos de deliberação política. 
Comentário: 
A) Esta alternativa está correta e faz parte da ética do agir comunicativo de Habermas. Ela 
enfatiza a importância da inclusão de todos os cidadãos, independentemente de sua origem, 
gênero, raça ou posição social, nos discursos públicos e no processo de tomada de decisões 
políticas. 
B) Esta alternativa também está correta e é parte integral da ética do agir comunicativo de 
Habermas. Ela destaca a importância da participação ativa de todos os envolvidos em um 
discurso democrático, permitindo que eles questionem, contribuam com ideias e expressem 
suas perspectivas. 
C) Esta alternativa está correta e é um elemento essencial da ética do agir comunicativo de 
Habermas. Ela enfatiza que a comunicação pública deve ser livre de qualquer forma de 
violência, coerção ou intimidação, para que todos os participantes possam se envolver de 
maneira justa e aberta. 
D) Esta alternativa está incorreta. A "Regra da coerção" não faz parte da ética do agir 
comunicativo de Habermas. Os outros princípios mencionados nas outras regras visam criar 
um ambiente de comunicação democrática, mas o conceito de "Regra da coerção" não é um 
componente reconhecido dessa teoria. 
E) Esta alternativa está correta e é um princípio importante da ética do agir comunicativo de 
Habermas. Ela destaca a necessidade de igualdade de oportunidades para todos os cidadãos 
participarem dos processos de deliberação política, garantindo que diferentes perspectivas 
possam ser ouvidas e consideradas. 
Gabarito: D 
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Meus queridos, se combinarmos a teoria da democracia participativa mais a teoria da democracia 
deliberativa, veremos que há três elementos fundamentais que se combinados poderiam contribuir para a 
consolidação de um regime democrático: 
 
Guarde esse esquema porque ele vai servir para entendermos os mecanismos de ampliação da 
representação e da participação social na democracia brasileira. 
 
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As teorias da democracia se dividem nas seguintes categorias: 
a) Distributiva e comutativa. 
b) Direta, indireta e em dois turnos. 
c) Participativa, direta e republicana. 
d) representativa, deliberativa e participativa. 
e) Antiga, medieval, moderna e contemporânea. 
Comentários 
a) Essas categorias geralmente são usadas em contextos econômicos e referem-se à 
distribuição de recursos. Não são categorias tradicionais em teorias da democracia. 
Participação 
ativa
Deliberação Esfera Pública
Mecanismos 
Institucionais 
de 
participação 
e deliberação
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b) Essa classificação refere-se à forma como a democracia é exercida. A democracia direta 
envolve a participação direta dos cidadãos nas decisões, a indireta ocorre por meio de 
representantes eleitos, e a expressão "em dois turnos" parece não se enquadrar nas categorias 
clássicas da teoria democrática, de modo que faz menção aos “turnos” de votação, podendo 
ser primeiro e segundo turno em eleições diretas e primeiro e segundo turno no Congresso 
Nacional. 
c) A participativa destaca o envolvimento ativo dos cidadãos, a direta envolve a tomada de 
decisões sem representação intermediária, e a republicana refere-se a uma forma de governo 
em que o poder emana do povo, sendo uma forma de governo. 
d) Correto. A democracia representativa envolve a escolha de representantes para tomar 
decisões, a deliberativa destaca o processo de deliberação e discussão na tomada de decisões, 
e a participativa destaca a ativa participação dos cidadãos. 
e) Essa classificação parece mais relacionada a períodos históricos em que diferentes formas 
de governo existiram ao longo do tempo, não sendo categorias específicas de teorias 
democráticas. 
Gabarito: D 
6. SÍNTESES QUE VOCÊ PRECISA DOMINAR 
6.1 Formação Histórica do Estado Democrático de Direito 
1. Conceito e Desafios do Estado de Direito 
• O Estado de Direito é aquele em que todos — inclusive o próprio Estado — estão submetidos ao 
império da lei (Bobbio). 
• Seus principais desafios envolvem efetivar a democracia e a cidadania, superando desigualdades 
históricas e estruturais. 
2. Abordagem Histórica do Estado 
• O Estado moderno é resultado de um processo de evolução institucional e social. 
• A legitimidade do Estado, na perspectiva histórica, não deriva apenas de um contrato social, mas da 
continuidade e aceitação de suas instituições. 
• A natureza do Estado se transforma em diálogo com instituições como Igreja, mercado, exército e 
burocracia. 
3. Origem e Consolidação do Estado Moderno 
• Centralização do poder (forças armadas, justiça, tributos). 
• Fim do sistema feudal e avanço das monarquias absolutistas. 
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• Tratados de Westfália (1648): afirmam a soberania dos Estados nacionais, reconhecem a diversidade 
religiosa e inauguram o sistema de equilíbrio de poder na Europa (Giddens). 
4. Sociedade do Antigo Regime 
• Estrutura estamental baseada em privilégios. 
• Poder político vinculado à propriedade e à tradição clerical. 
• Domínio aristocrático protegido pelo Estado absolutista (Perry Anderson). 
5. Do Absolutismo ao Constitucionalismo 
• Críticas ao poder absoluto (Jean Bodin). 
• Transição para o Estado Liberal com base em direitos civis, igualdade jurídica e limitação do poder. 
• Montesquieu: separação dos poderes como princípio do constitucionalismo liberal. 
6. Estado Liberal de Direito e Suas Contradições 
• Consolidação com as Revoluções Gloriosa, Americana e Francesa. 
• Cidadania limitada: sufrágio censitário e ausência de direitos sociais. 
• Denúncia de Bobbio: a promessa de transformar súditos em cidadãos ainda era incompleta. 
7. Crise do Liberalismo e o Estado Social 
• Crise de 1929 evidencia limites do laissez-faire. 
• Keynes: papel do Estado na intervenção econômica, combate ao desemprego e promoção de bem-
estar social. 
• Surgimento dos direitos sociais (Constituição de Weimar e New Deal). 
8. Estado Democrático de Direito 
• Surge no pós-Segunda Guerra como superação do liberalismo e do Estado social isolados. 
• Agrega: 
o Governo das leis; 
o Participação cidadã; 
o Dignidade da pessoa humana; 
o Direitos civis, políticos, sociais e coletivos. 
• Exemplo: Constituição Brasileira de 1988. 
9. Elementos Estruturantes do Estado Democrático de Direito 
• Supremacia da Constituição. 
• Separação de poderes com freios e contrapesos. 
• Participação popular e soberania popular. 
• Direitos fundamentais e justiça social. 
• Legalidade e legitimidade. 
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10. Desafios da Consolidação 
• Segundo Norberto Bobbio, a democracia formal não garante: 
o Publicidade dos atos de poder; 
o Accountability; 
o Democratização social; 
o Controle da tecnocracia e burocracia. 
• Paulo Bonavides: há uma tensão entre o constitucionalismo democrático e a realidade desigual. 
11. O Papel da Justiça Distributiva 
• Origem aristotélica, atualizada por John Rawls. 
• Visa corrigir desigualdades por meio de políticas públicas e direitos sociais. 
• Em Bobbio, a justiça distributiva é uma promessa não cumprida da democracia contemporânea. 
12. O Estado Democrático de Direito no Brasil 
• A CF/88 consagra soberania popular, dignidade humana, participação e pluralismo. 
• Ênio Moraes da Silva e João Ricardo Dornelles apontam: 
o Racismo estrutural, violência de Estado, exclusão social e déficit na efetivação de direitos. 
• É necessário superar o fosso entre Constituição formal e realidade social. 
 
6.2 Desafios para a consolidação do Estado Democrático de 
Direito 
 1. Superação da Soberania Monárquica Absolutista 
• Desafio: romper com a lógica de poder concentrado, hereditário e divino, característico do 
absolutismo. 
• Por que importa: o absolutismo impedia qualquer noção de participação popular, direitos civis ou 
igualdade jurídica. 
• Referência: Perry Anderson — o absolutismo foi uma carapaça da nobreza feudal. 
 2. Universalização dos Direitos Individuais no Estado Liberal 
• Desafio: transformar os ideais de liberdade, igualdade e propriedade em direitos realmente 
acessíveis a todos. 
• Por que importa: o Estado Liberal reconhecia direitos civis e políticos, mas apenas para os homens 
proprietários, excludentes das mulheres, trabalhadores e pessoas racializadas. 
• Referência: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789); crítica à Lei Le Chapelier (1791). 
 3. Reconhecimento de Direitos Sociais e Econômicos 
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• Desafio: enfrentar a desigualdade gerada pelo liberalismo e garantir justiça distributiva. 
• Por que importa: sem direitos sociais (como saúde, educação, previdência), a democracia se torna 
formal e excludente. 
• Referência: Keynesianismo, Constituição de Weimar, New Deal. 
 4. Consolidação de Instituições Democráticas e Controle Social 
• Desafio: institucionalizar a participação cidadã nos processos decisórios, garantindo fiscalização do 
poder. 
• Por que importa: sem canais reais de participação (conselhos, conferências, orçamento 
participativo), o Estado tende à burocratização e à exclusão. 
• Referência: CF/88, Habermas (democracia deliberativa), Avritzer (instituições participativas). 
 5. Enfrentamento da Violência de Estado e do Autoritarismo 
• Desafio: construir memória, verdade e justiça em sociedades marcadas por ditaduras, repressão e 
violações sistemáticas de direitos. 
• Por que importa: não há Estado Democrático sem responsabilização do Estado por violações 
históricas (tortura, censura, desaparecimentos). 
• Referência: Transição democrática brasileira; Justiça de Transição. 
 6. Garantia da Efetividade dos Direitos na Vida Real 
• Desafio: transformar a previsão constitucional de direitos em políticas públicas concretasabordagem transdisciplinar na prova 
de Conhecimentos Gerais que acaba por se constituir como base para os conhecimentos mais específicos de 
cada EIXO TEMÁTICO de cada Bloco Temático. 
Diante disso, nosso curso foi montado de maneira a permitir que você entenda essa base, no que se 
refere à democracia e cidadania. 
Assim, há uma lógica crescente nessa PROVA DE CONHECIMENTOS GERAIS. 
Portanto, nosso curso acompanhará essa crescente usando uma abordagem histórica, sociológica e 
da ciência política para cercar as possibilidades de abordagem dos assuntos. 
Ao final de cada aula haverá um capítulo de resumo dos principais tópicos tratados ao longo da aula. 
Para usar em momento de Revisão e não imediatamente ao terminar a aula. 
Quanto ao treinamento por meio das questões, teremos questões da Banca, adaptações de algumas 
bancas úteis pedagogicamente, bem como, várias inéditas e no padrão múltiplo da Banca. Aproveitem todos 
os comentários, pois foram feitos com dedicação e carinho! 
Ademais, tenho certeza de que você, que almeja ser servidor público, em alguma medida, está 
familiarizado com esse campo do conhecimento. Aproveite seu conhecimento "de mundo". Apenas tenha 
cuidado com suas preferências individuais, separe-as e não as tome como verdade para resolver as 
questões. Não tente julgar os assuntos desse curso. A Banca jamais vai perguntar nossas opiniões pessoais 
sobre o Brasil. Fique com os fatos, conceitos e dados. Para efeitos de concurso, coloque o X no lugar certo, 
use tanto quanto útil for nas discursivas, seja aprovado (o) e muito feliz :). 
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Outra observação preliminar: este é um curso focado em concurso, logo, se diferencia dos temas mais 
acalorados do mundo acadêmico e/ou político-partidário. Importante frisar isso para alinharmos nossas 
expectativas, correto?! Manteremos o foco nesse objetivo!! 
Estarei à disposição em todos os canais do Estratégia Concursos e nos meus pessoais para que vocês 
possam dirimir suas dúvidas sempre que precisarem. 
Pra cima vai dar certo!!! :)1 
https://www.youtube.com/@profealelopes 
CRONOGRAMA DE AULAS 
Tópico do Edital 
1.1. Formação histórica do Estado Democrático de Direito. 
1.2. Constituição Federal de 1988: direitos fundamentais, sociais e políticos, consolidação da 
democracia, representação política e participação cidadã. 
1.3. Relações entre os Poderes Executivo e Legislativo e os desafios da governabilidade. 1.4. 
Judicialização de políticas públicas. 1.5. Capacidades estatais e democracia. 
Agora já podemos iniciar nossa jornada pelo conhecimento e treinamento que vão te levar ao gabarito da 
prova . 
Bons estudos! 
Profe Alê Lopes 
INTRODUÇÃO 
A consolidação do Estado Democrático de Direito como fundamento jurídico e político das 
democracias contemporâneas não pode ser compreendida sem o aporte de distintas tradições intelectuais. 
Neste sentido, três autores centrais nos ajudam a começar a pensar sobre o tema: Norberto Bobbio2, Jürgen 
 
1 https://www.youtube.com/@profealelopes 
2 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz 
e Terra, 2000. 
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Habermas3, José Afonso da Silva4. Cada um, a seu modo, contribui para a elaboração de um conceito que 
articula legalidade, democracia e justiça social. 
Para Bobbio, o Estado Democrático de Direito é resultado do desenvolvimento histórico do 
constitucionalismo liberal, da ampliação dos direitos e da afirmação da soberania popular. No entanto, o 
autor italiano faz um diagnóstico realista: há promessas não cumpridas e obstáculos estruturais à realização 
plena da democracia. Bobbio compreende o Estado Democrático de Direito não como um ideal plenamente 
alcançado, mas como um processo tensionado entre legalidade e efetividade, exigindo vigilância cívica 
constante. Sua abordagem é marcada por uma crítica à ilusão tecnocrática de que o avanço institucional 
bastaria para assegurar justiça social e participação real. A legalidade, segundo ele, deve ser acompanhada 
da legitimidade e da concretude dos direitos. 
Por sua vez, o filósofo alemão Jürgen Habermas introduz um componente essencial ao debate: a 
racionalidade comunicativa como fundamento da legitimidade do poder estatal. Assim, no livro Direito e 
democracia: entre facticidade e validade, Habermas propõe que o Estado Democrático de Direito só é 
legítimo se os cidadãos puderem reconhecer as normas jurídicas como fruto de um processo deliberativo 
livre, inclusivo e racional. Para ele, o direito moderno precisa reconciliar dois polos: a facticidade (o fato do 
poder coercitivo do Estado) e a validade (a legitimidade das normas). O Estado de Direito, em sua forma 
democrática, deve garantir não apenas a observância da lei, mas também a possibilidade de os cidadãos 
participarem do processo de formação da vontade política por meio do discurso público. 
Habermas desloca o foco da democracia como simples mecanismo eleitoral para a democracia como 
esfera pública discursiva, na qual se formam consensos legítimos. Seu modelo exige que os arranjos 
institucionais assegurem o pluralismo, a inclusão e a transparência, de modo que as leis não apenas 
expressem a vontade da maioria, mas sejam aceitáveis à luz da razão pública. 
O jurista brasileiro José Afonso da Silva é um dos principais responsáveis por elaborar o conceito de 
Estado Democrático de Direito no contexto da Constituição Federal de 1988. Em seu texto O Estado 
Democrático de Direito, publicado logo após a promulgação da Carta Magna, ele afirma que o modelo 
brasileiro não é simplesmente a junção entre Estado de Direito e democracia representativa, mas sim uma 
categoria nova, voltada à transformação do status quo e à efetivação dos direitos fundamentais. 
Para o Afonso da Silva, esse Estado se diferencia por sua base constitucional que conjuga a legalidade 
com a cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. José 
Afonso sustenta que, no contexto brasileiro, o Estado Democrático de Direito precisa ser um instrumento 
de emancipação social, corrigindo desigualdades históricas e combatendo a exclusão. Assim, ele propõe um 
modelo que exige ação estatal proativa, institucionalidade forte e participação popular contínua. 
 
3 HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Vol. I. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 2003. 
4 SILVA, José Afonso da. O Estado Democrático de Direito. Revista de Direito Administrativo, v. 173, p. 
15-34, jul./set. 1988. 
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Desses três autores, o que é importante (neste momento) registrarmos: 
Para Bobbio: o Estado Democrático de Direito como um processo tensionado entre 
legalidade e efetividade, exigindo vigilância cívica constante; 
Para Habermas: na formação do Estado Democrático de Direito é importante os cidadãos 
participarem do processo de formação da vontade política por meio do discurso público; 
Para José Afonso da Silva: esse Estado se diferencia por sua base constitucional que conjuga 
a legalidade com a cidadania, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho 
e da livre iniciativa. José Afonso sustenta que, no contexto brasileiro, o Estado Democrático 
dee 
acessíveis. 
• Por que importa: sem efetividade, o Estado Democrático de Direito se torna uma promessa jurídica 
não cumprida. 
• Referência: Tércio Sampaio Ferraz Jr. (legitimidade e efetividade), Bresser-Pereira (capacidade 
estatal). 
 7. Ampliação da Representatividade e Superação das Exclusões Históricas 
• Desafio: garantir voz e presença política a grupos sistematicamente excluídos (mulheres, negros, 
indígenas, LGBTQIA+). 
• Por que importa: a democracia precisa refletir a diversidade da sociedade para ser legítima e justa. 
• Referência: democracia descritiva, tecnologia e representação, questões discursivas analisadas. 
 8. Enfrentamento da Judicialização e do Ativismo Judicial com Responsabilidade Democrática 
• Desafio: equilibrar o protagonismo do Judiciário sem esvaziar o papel dos demais poderes ou excluir 
o debate público. 
• Por que importa: decisões judiciais não podem substituir a política deliberativa nem excluir o 
controle social. 
• Referência: debate entre judicialização e ativismo judicial; jurisprudência constitucional. 
 
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LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 
1. FGV - 2022 - Consultor Legislativo (SEN)/ 
A formulação do conceito de Estado moderno remonta ao século XVI, quando a crise dos 
grandes poderes universais e dos poderes senhoriais feudais abriu o espaço para a formação 
de monarquias centralizadas dinástico-territoriais, em conflito pela hegemonia da Europa. 
Na França, em um contexto de guerras interestatais e civis religiosas, o jurista Jean Bodin 
desenvolveu uma das primeiras teorias sobre o poder soberano como principal agente da 
racionalização política: 
Aquele que é soberano não deve estar sujeito ao comando de outrem em modo algum, e deve 
poder dar a lei aos seus súditos e apagar ou anular as palavras inúteis nela substituindo-as por 
outras, o que não pode ser feito por quem está sujeito às leis ou a pessoas que exercitem o 
poder sobre ele. Por isso, a lei afirma que o príncipe não está sujeito à autoridade das leis, e em 
latim a palavra lei significa o comando de quem tem o poder soberano. Assim como o papa, 
segundo os canonistas, nunca pode atar as próprias mãos, também não as pode atar o príncipe 
soberano, mesmo que o quisesse. Por isso, no fim dos editos e das ordenanças vemos as 
palavras “pois tal é o nosso prazer”, para que esteja claro que as leis do príncipe soberano, 
mesmo que fundadas em motivos válidos e concretos, dependem apenas de sua pura e livre 
vontade. Quanto, porém, às leis naturais e divinas, todos os príncipes da terra estão sujeitos a 
elas, nem possuem poder para transgredi-las, se não quiserem serem culpados de lesa 
majestade divina, pondo-se em guerra contra aquele Deus a cuja majestade todos os príncipes 
da terra devem se submeter, com absoluto temor e reverência. 
Adaptado de J. Bodin, I sei libri dello Stato. Torino: Utet, 1964, livro I, cap. VIII, p. 358-362. 
Com base no trecho e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa que caracteriza 
corretamente o conceito moderno de estado e de soberania em Bodin. 
A) Exercer a soberania absoluta, fazendo uso integral dos poderes da soberania, significa poder 
modificar o direito ordinário, consuetudinário e as leis fundamentais do Reino. 
B) Para que o poder seja absoluto, deve se sobrepor a todos os demais poderes, por isso ele se 
manifesta na prerrogativa de não se submeter à autoridade das leis. 
C) O poder absoluto consiste na faculdade de derrogar as leis civis, no caráter juridicamente 
incondicionado da soberania e em sua limitação pelo direito divino e natural. 
D) O Estado moderno é caracterizado por uma entidade soberana, o Estado, que exerce o poder 
coercitivo sobre um território e possui o monopólio do uso legitimo da força. 
E) A soberania moderna baseia-se na divisibilidade de poderes exercidos por um Estado sobre 
uma comunidade política, submetida aos poderes soberano, divino e natural. 
2. FGV - 2025 - Analista Administrativo (TCE-RR)/Tecnologia da Informação/Banco de Dados 
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A administração pública, ao promover a participação cidadã por meio de mecanismos que 
estimulem a motivação, fortalece a tomada de decisões mais democráticas, inclusivas e 
legitimadas pela sociedade. 
 Assinale a afirmativa correta acerca da relação entre participação, atores sociais e controle 
social. 
A)A participação cidadã depende exclusivamente de políticas públicas coercitivas que 
obriguem os indivíduos a tomar parte nas decisões públicas. 
B)A motivação para a participação cidadã é irrelevante no contexto do controle social, pois os 
cidadãos tendem a se envolver espontaneamente em processos decisórios. 
C)A criação de mecanismos que motivem os cidadãos é fundamental para aumentar o 
engajamento e assegurar a legitimidade dos processos participativos no setor público. 
D)O controle social é garantido apenas pela participação de atores sociais que possuem acesso 
direto às estruturas de poder. 
E)A gestão do setor público deve focar exclusivamente em resultados e não em estimular o 
envolvimento dos cidadãos nos processos participativos. 
3. FGV - 2025 - Assistente Social (Pref Canaã Carajás) 
Os conselhos estão baseados na participação social, que têm sua base na universalização dos 
direitos e na ampliação do conceito de cidadania, pautada por uma nova compreensão do 
caráter e do papel do Estado. A sua novidade é a ideia do controle exercido pela sociedade 
graças à presença e à ação organizada de diversos segmentos. 
Os conselhos devem ser percebidos como lócus do fazer político, como espaço contraditório, 
como uma nova modalidade de participação, ou seja, a construção de uma cultura alicerçada 
A)na ideia de que eles são dotados de maior potencial político quando comparados aos 
movimentos sociais. 
B)na crença de que são os mecanismos exclusivos para a democratização do Estado. 
C)na percepção de que são espaços de cooptação da sociedade civil por parte do poder público. 
D)em uma pauta consensual entre todos os participantes, pauta identificada como voluntarista 
e utópica. 
E)nos pilares da democracia direta e na possibilidade de construção da democracia de massas. 
4. FGV - 2025 - Auditor Substituto de Conselheiro (TCE RR) 
O prefeito de uma cidade brasileira organizou um evento-surpresa para anunciar a construção 
de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em um terreno que fora apossado pelos 
moradores locais e transformado em um campo de futebol. Ao ouvirem o anúncio do evento, 
diversos moradores se manifestaram com indignação à obra da Unidade de Saúde. 
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O ocorrido na referida cidade ilustra uma situação, em termos de atributos desejáveis às 
políticas públicas, de ausência clara de 
A)intencionalidade. 
B)universalidade. 
C)dinamismo. 
D)base normativa. 
E)participação. 
5. FGV - 2024 - Auditor de Contas Públicas (CGE PB)/Auditoria Governamental 
 Um prefeito recém-eleito pretende garantir o pleno funcionamento dos mecanismos de 
controle social e participação em sua gestão. Para tal, mapeou um conjunto de atividades as 
quais pretende incentivar nos próximos quatro anos. 
Para tal, o prefeito deve priorizar o pleno desenvolvimento do(a): 
A)controladoria geral do município e ouvidoria; 
B)conselhoe conferência municipal de políticas públicas; 
C)política de gestão de risco nas diferentes políticas públicas; 
D)supervisão e monitoramento do controle de conformidade; 
E)auditoria governamental com colaboração de especialistas. 
6. FGV - 2024 - Analista de Auditoria Pública e Gestão Governamental (Pref Macaé)/"Sem Área" 
 A Constituição Federal de 1988 inovou ao incentivar a participação social, buscando 
desenvolver uma nova relação entre a sociedade e o Estado. Em razão disso, foram instituídos 
diversos mecanismos de participação, em especial os Conselhos Gestores de Políticas Públicas. 
Sobre as características dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas, analise as afirmativas a 
seguir. 
I. São canais institucionais, plurais, permanentes, autônomos, formados por representantes da 
sociedade civil e do poder público. 
II. São órgãos de gestão pública vinculados à estrutura do Poder Executivo, que exercem função 
exclusivamente consultiva. 
III. Os conselhos gestores são instâncias de controle social que ampliam a participação popular 
apenas no âmbito federal. 
Está correto o que se afirma em 
A)I, apenas. 
B)II, apenas. 
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C)I e II, apenas. 
D)II e III, apenas. 
E)I, II e III. 
7. FGV - 2024 - Auditor de Contas Públicas (CGE PB) 
 Contemporaneamente, é reconhecido que o exercício do controle sobre os serviços públicos 
tem potencial para incorporar mais ativamente a população, os usuários e os gestores das 
políticas nos processos de controle. 
A esse respeito, há o potencial de serem desenvolvidas ações como: 
• presença mais direta da população/segmentos sociais diversos na discussão sobre leis e 
sua aplicação; 
• controle social sobre as decisões no Parlamento e no Judiciário, facilitado, por exemplo, 
pelas TVs; 
• utilização de plataformas virtuais para operacionalização da participação cidadã; 
• monitoramento de informações, de processos administrativos e de execução de serviços 
por observatórios sociais; 
• participação dos usuários e representantes da sociedade na avaliação da qualidade da 
gestão e dos serviços. 
Nesse contexto, entende-se que a função controle se expandiria por ações sustentadas no 
conceito de: 
A)auditoria; 
B)coprodução; 
C)eficiência; 
D)controladoria; 
E)ouvidoria. 
8. FGV - 2023 - Câmara dos Deputados - Analista Técnico Legislativo 
O uso da internet pelos atores políticos é uma variável importante das democracias 
representativas: deputados, atores institucionais, cidadãos e organizações da sociedade civil 
utilizam diferentes plataformas para influenciar as decisões políticas, em um processo 
denominado de “Democracia Digital” que fortalece o princípio da transparência. 
A respeito das tecnologias de informação e comunicação aplicadas aos processos 
democráticos, relacione os possíveis efeitos da transparência digital listados a seguir às 
respectivas descrições. 
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1. Maior qualificação das ações deliberativas 
2. Aumento da confiança no sistema político 
3. Favorecimento dos processos de accountability 
( ) A circulação online de dados, documentos, estudos, discursos governamentais e análises de 
procedimentos oferece maiores insumos para a deliberação pública. 
( ) O acesso e cruzamento online de informações sobre atividades governamentais 
disponibilizadas pelos agentes públicos, facilita e barateia a prestação de contas da gestão dos 
recursos públicos. 
( ) A veiculação regular de informações em websites oficiais constitui uma vitrine pública da 
governança e fortalece a credibilidade e o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas 
instituições públicas. 
Assinale a opção que indica a relação correta, na ordem apresentada. 
(A) 1 – 3 – 2. 
(B) 2 – 1 – 3. 
(C) 3 – 2 – 1. 
(D) 1 – 2 – 3. 
(E) 2 – 3 – 1. 
9. FGV - 2022 - Auditor Federal de Finanças e Controle (CGU)/Auditoria e Fiscalização/Geral 
Os conselhos de gestão agem como a arena de interação e debate entre os componentes 
políticos e os movimentos sociais. Um dos principais fatores relacionados ao sucesso dos 
movimentos sociais no propósito de impactar as políticas públicas está centrado no acesso aos 
decisores, para o qual os conselhos de gestão funcionam como mecanismos formais que visam 
garantir esse acesso. 
Sobre os conselhos de gestão e sua contribuição para a participação social na formulação de 
políticas públicas, é correto afirmar que são: 
A)espaços públicos não estatais cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não 
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos 
fundos que gerem; 
B)espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Executivo cuja 
eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal 
e que possuem total controle dos fundos que gerem; 
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C)espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Legislativo 
cuja eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base 
legal e que possuem total controle dos fundos que gerem; 
D)organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não 
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos 
fundos que gerem; 
E)organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é positivamente impactada pelos 
instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal e que possuem total controle dos fundos 
que gerem. 
10. FGV - 2022 - Consultor Legislativo (SEN)/ 
Um grupo de pesquisa foi incumbido de analisar, na perspectiva da concepção teórica de T. H. 
Marshall, a respeito do desenvolvimento da cidadania, como as políticas sociais baseadas na 
oferta de direitos de natureza prestacional e os demais direitos reconhecidos pela ordem 
jurídica podem influenciar esse vetor. 
O grupo concluiu corretamente que o desenvolvimento da cidadania 
A) pressupõe a evolução linear dos direitos, que devem ser considerados isoladamente, 
considerando o seu liame existencial com os direitos da personalidade. 
B) sofre maior influência da interdependência dos direitos, quando cotejada com uma evolução 
linear desses direitos, sendo a liberdade, primeiro valor da democracia, o ponto de partida. 
C) decorre de pressupostos puramente procedimentais, não estando conectado aos direitos 
oponíveis ao Estado, prestacionais, ou não, que são meros desdobramentos do princípio 
democrático. 
D) não deve ser confundido com o mito do Estado providência, em que direitos devem 
instrumentalizar o aflorar da personalidade individual, à margem do mérito individual e das 
realizações de cada pessoa. 
E) se dá ao largo da primeira e da segunda dimensões de direitos fundamentais, calcando-se 
exclusivamente nos direitos de terceira dimensão, que instrumentalizam a fraternidade, 
ideário da Revolução Francesa. 
11. FGV - 2014 - Consultor Legislativo (CM Recife)/Ciências Sociais e PolíticasAs ondas de protesto popular que se alastraram no Ocidente nos últimos anos têm motivações 
e características específicas. Nos EUA, o sentimento de injustiça diante da resposta do governo 
Obama à crise de 2008 deu ensejo ao slogan “Nós somos o 99%” do movimento Occupy Wall 
Street. Na Espanha, os altos índices de desemprego (sobretudo entre jovens) que se sucederam 
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à crise financeira foram um dos principais catalisadores do movimento dos Indignados. No 
Brasil, o aumento da tarifa de transporte público foi o estopim de mobilizações que se 
desdobraram em agendas diversas, tanto nacionais (o tema da corrupção, por exemplo), 
quanto localizadas (o gasto com os eventos esportivos, como Copa e Olimpíadas, e seu impacto 
nas cidades). Há, contudo, uma característica importante que subjaz a estes três movimentos 
de protesto, uma característica comum, que em certa medida os une e explica. 
Tal característica é uma insatisfação que se refere: 
a) à crise do sistema representativo nas atuais democracias; 
b) aos níveis cada vez mais altos de concentração de renda e desigualdade; 
c) ao neoliberalismo como paradigma dominante da economia; 
d) à hegemonia do setor financeiro no capitalismo hodierno; 
e) à globalização e acordos de livre comércio entre blocos econômicos. 
12. FGV - 2022 - Professor (SEAD AP) 
 
Cena do filme A Onda (2008), baseado na experiência social A Terceira Onda de Ron Jones (1967). 
A Terceira Onda foi uma experiência social para demonstrar as razões do sucesso do fascismo 
na Alemanha de Hitler. 
Foi conduzida por Ron Jones, professor de história do Ensino Médio de uma escola da Califórnia 
(EUA), em 1967. Seria possível um regime fascista ser implantado na atualidade, em um país 
democrático? Que fatores levariam pessoas comuns a abraçar uma ideologia totalitária, como 
o fascismo nazista? Para responder, o professor fez os alunos experimentarem diretamente o 
envolvimento em situações similares a uma cultura autoritária, criando o movimento da 
Terceira Onda, e convencendo os alunos da necessidade de eliminar a democracia, considerada 
um obstáculo à coesão social. O lema era: “força pela disciplina, força pela união, força pela 
ação, força pelo orgulho”. 
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A experiência conduzida em sala de aula permite desenvolver uma reflexão sociológica sobre a 
personalidade autoritária, concluindo que 
A) a ideologia autoritária é própria da cultura germânica, uma vez que se trata de uma cultura 
etnocêntrica. 
B) a submissão cega à autoridade é um traço social específico de segmentos sem acesso à 
escolaridade. 
C) a ascensão do nazismo explica-se por razões econômicas, haja vista a crise alemã do entre 
guerras. 
D) o autoritarismo é fruto de um oportunismo contingente de grupos sociais que desejam 
alcançar o poder, fora do jogo democrático. 
E) o fascismo é uma forma de relação social, baseada na hierarquia e na opressão que se 
manifestam, inclusive, nas relações interpessoais. 
13. FGV - 2014 - Consultor Legislativo (CM Recife)/Ciências Sociais e Políticas 
A democracia moderna resulta da articulação de duas tradições distintas. De um lado, a 
tradição liberal, constituída pela ênfase no governo das leis (rule of law), defesa dos direitos 
humanos e respeito à liberdade individual; de outro, a tradição fundada nas noções de 
igualdade, equidade e soberania popular. 
Do ponto de vista da lógica que rege o funcionamento dessas duas tradições, e não de seus 
atributos substantivos, a relação entre elas é: 
a) de complementaridade, haja visto que a defesa dos direitos humanos não faz senão 
aprofundar a igualdade entre os indivíduos; 
b) de competição, dada a concorrência, na esfera pública, entre defensores do Direito como 
único princípio de ordenamento social, e os defensores da soberania popular como potência 
instituinte; 
c) de antagonismo, pois a noção liberal de liberdade individual choca-se com os princípios de 
igualdade e soberania popular; 
d) de simbiose, já que quanto mais consolidado for o império das leis, maior será a garantia de 
soberania popular; 
e) de co-extensividade, pois que a soberania popular é a consequência natural do governo das 
leis. 
14. FGV - 2018 - Técnico do Ministério Público (MPE AL)/Geral 
Na República Federativa do Brasil, todo o poder emana do povo, que pode exercê-lo por meio 
de pessoas eleitas especialmente para esse fim. 
Esse processo de escolha caracteriza uma manifestação da 
a) democracia representativa. 
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b) separação dos poderes. 
c) democracia direta. 
d) eleição indireta. 
e) federação. 
15. FGV - 2013 - Analista Técnico-Administrativo (SUDENE)/Área 8 
 A noção de democracia liberal, forma predominante de democracia nos dias de hoje, 
geralmente se associa à ideia da existência de outros tipos de processos políticos necessários à 
limitação do poder governamental e à provisão de escolhas eleitorais. Destaca‐se, entre estes, 
o conceito de 
a) democracia direta. 
b) sistema multipartidário. 
c) poder ilimitado dos governos. 
d) universalidade da democracia. 
e) desregulamentação da economia. 
16. FGV - 2011 - Nacional Unificado (OAB) 
As Constituições brasileiras se mostraram com avanços e retrocessos em relação aos direitos 
humanos. A esse respeito assinale a alternativa correta. 
A) A Constituição de 1946 apresentou diversos retrocessos em relação aos direitos humanos, 
principalmente no tocante aos direitos sociais. 
B) A Constituição de 1967 consolidou arbitrariedades decretadas nos Atos Institucionais, 
caracterizando diversos retrocessos em relação aos direitos humanos. 
C) A Constituição de 1934 se revelou retrógrada ao ignorar normas de proteção social ao 
trabalhador. 
D) A Constituição de 1969, mesmo incorporando as medidas dos Atos Institucionais, se revelou 
mais atenta aos direitos humanos que a Constituição de 1967. 
17. FGV - 2018 - Analista do Ministério Público (MPE AL)/ 
O conceito de Estado está diretamente relacionado aos elementos indispensáveis à sua 
formação. 
Assinale a opção que os indica. 
A) Povo, governo soberano e território. 
B) Clero, nobreza e povo. 
C) Classes sociais, classes econômicas e classes territoriais. 
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D) Cultura, população e organização. 
E) Povo, localidade e hierarquia. 
18. (VUNESP - 2021 ) 
Em fevereiro de 1978, no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Comitê Brasileiro pela Anistia 
(CBA). E o que até então se apresentava como uma medida de justiça restaurativa se 
transformou numa afirmativa de direitos – a “face imprescindível das liberdades 
democráticas”, sublinhou a Carta de Princípios do CBA paulista, criado em maio de 1978. Os 
CBAs foram a senha para o início de um movimento memorável – a campanha pela anistia 
ampla, geral e irrestrita –, que unificou as forças de oposição, reuniu artistas e intelectuais, 
ganhou a opinião pública, e transbordou para a rua em passeatas, comícios e atos públicos. 
(Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, Brasil:uma biografia, p. 479) 
A Lei da Anistia de agosto de 1979 foi 
(A) de Iniciativa Popular, a partir das lideranças da OAB e da CNBB, aprovada apenas com os 
votos da oposição ao governo federal, permitindo a imediata liberdade de todos os presos 
políticos, assim como a legalização dos partidos comunistas e das centrais sindicais. 
(B) enviada pelo presidente da República ao Congresso e teve como resultado a volta de 
exilados e a libertação de presos políticos e, ao mesmo tempo, não permitiu a 
responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime 
autoritário. 
(C) derivada de uma emenda constitucional proposta pelos deputados e senadores do MDB, 
com o apoio de alguns parlamentares da ARENA, e garantiu uma anistia política a todas as 
forças políticas, com exceção dos militantes ligados aos grupos clandestinos de esquerda. 
(D) proposta pelo ministro da Justiça e aprovada depois de exaustivas negociações com os 
parlamentares da ARENA, que não aceitavam que as principais lideranças antes da ruptura 
institucional de 1964 fossem anistiadas e tivessem os seus direitos políticos reestabelecidos. 
(E) produto de uma longa negociação entre as lideranças da ARENA e do MDB e, com a forte 
oposição das principais centrais sindicais, resultou numa lei bem abrangente, que permitiu que 
os cargos políticos e administrativos exercidos antes de 1964 fossem imediatamente 
reassumidos. 
19. (VUNESP - 2019) 
Figueiredo prosseguiu no caminho da abertura política iniciada no governo Geisel. O comando 
das iniciativas ficou nas mãos do general Golbery e do ministro da Justiça, Petrônio Portella. 
(Boris Fausto, História concisa do Brasil) 
Durante o governo Figueiredo, a abertura política avançou com 
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(A) a extinção do Serviço Nacional de Informação (SNI) em 1984. 
(B) a aprovação, pelo Congresso, da Lei da Anistia, em agosto de 1979. 
(C) a permissão para o funcionamento do Partido Comunista do Brasil em 1981. 
(D) a reabertura do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1980. 
(E) o reestabelecimento, em 1982, da eleição direta para a presidência da República. 
20. (VUNESP - 2018 ) 
“O Colégio Eleitoral, agora constituído de forma regular, detém poder político incontestável 
para cumprir o seu mandato. A campanha para suprimi-lo constitui audaciosa tentativa política 
para contornar poder legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente. Defender 
o Colégio Eleitoral contra essa investida intempestiva é um dever que é meu, que é do governo, 
que é de todos os parlamentares que o apoiam. Cumpre conter a ofensiva desencadeada contra 
regras do jogo aceitas para eleição do meu sucessor”. 
Presidente João Figueiredo, em pronunciamento à nação, em 16 de abril de 1984. (Rodrigues, 
A. T O grito preso na garganta. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003. Adaptado) 
Em seu pronunciamento, Figueiredo critica 
(A) o movimento das Diretas Já. 
(B) a fundação de partidos como PT e PDT. 
(C) a candidatura presidencial de Tancredo Neves. 
(D) os comitês de luta pela anistia. 
(E) a organização da luta contra a carestia. 
21. (VUNESP - 2023) 
Em 1984, pela primeira vez em vinte anos, a sucessão presidencial não seguiu os trâmites 
normais do período militar. Por um lado, o governo procurava evitar a Emenda Dante de 
Oliveira; por outro, não conseguia controlar as divergências internas do PDS em torno da 
definição de um candidato à presidência. A Emenda Dante de Oliveira seria votada. Entretanto, 
apesar de o envolvimento nas manifestações representar a vontade da maioria da população 
brasileira em reestabelecer as eleições diretas, a emenda acabou sendo rejeitada em 25 de 
abril de 1984. 
(Conceição Aparecida Cabrini, 16 de abril de 1984 – Diretas Já. Em: Circe Bittencourt (org.), 
Dicionários de datas da história do Brasil. Texto adaptado) 
Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, 
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(A) a oposição liberal e setores progressistas uniram-se em torno da candidatura do governador 
paulista, Franco Montoro, do PMDB, que disputou e venceu o candidato situacionista, 
Aureliano Chaves, em eleições indiretas. 
(B) grupos políticos mais conservadores, caso do PTB, assumiram a direção das manifestações 
públicas pelas eleições diretas e conseguiram impor uma vitoriosa candidatura situacionista no 
Colégio Eleitoral. 
(C) as forças políticas que defendiam a volta das eleições diretas mantiveram-se unidas e 
conseguiram aprovar uma reforma constitucional que determinava que o novo presidente seria 
eleito diretamente em 1988. 
(D) os partidos oposicionistas, com a liderança do PDT, condenaram a manutenção das eleições 
indiretas por meio do Colégio Eleitoral e colocaram em pauta uma nova emenda constitucional 
com o objetivo de eleições diretas em 1985. 
(E) setores moderados da oposição, conduzidos pelo PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado 
por dissidentes do PDS, e lançaram como candidato à presidência o governador de Minas 
Gerais Tancredo Neves, do PMDB. 
22. (VUNESP - 2017) 
O processo de descompressão do sistema político começara a ser orquestrado em 1975, pelos 
generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, ambos convencidos de que a ditadura 
deveria fazer suas escolhas e definir o momento mais conveniente para revogar os poderes de 
exceção. 
(SCHWARCZ, Lilia M. e STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2015. Adaptado) 
Entre os momentos mais marcantes desse processo, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu 
até a década seguinte, é correto identificar 
(A) o ano de 1985, quando o primeiro presidente civil foi eleito diretamente depois de 21 anos 
de ditadura, em que apenas militares estiveram no poder. 
(B) o ano de 1986, quando os primeiros militares acusados de tortura começaram a ser 
processados, levados a julgamento e presos posteriormente. 
(C) o ano de 1982, quando explodiu um grande movimento de massas favorável às eleições 
diretas, embalado pelas vitórias da oposição nos governos estaduais. 
(D) o biênio 1988-1989, quando foi eleita a Assembleia que escreveu a Constituição, que só 
entrou em vigor depois do plebiscito sobre a forma de governo de 1993. 
(E) o biênio 1978-1979, quando o AI-5 foi extinto, a Lei da Anistia foi promulgada e extinguiu-
se o bipartidarismo, passando a haver vários partidos. 
23. (VUNESP - 2019) 
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A Assembleia Constituinte instalou-se em 1o de fevereiro de 1987, e a Constituição foi 
promulgada no ano seguinte, em 5 de outubro de 1988. [...] É a mais extensa Constituição 
brasileira – tem 250 artigos principais, mais 98 artigos das disposições transitórias – e está em 
vigor até hoje. 
(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia) 
Essa Constituição 
(A) garantiu o voto facultativo para os analfabetos. 
(B) permitiu a formação de partidos políticos estaduais. 
(C) proibiu as coligações partidárias nas eleições majoritárias. 
(D) criou as Comissões Parlamentares de Inquérito. 
(E) restringiu o direito de greve para funcionários públicos federais. 
24. CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Analista Legislativo (ALECE)/Ciências Sociais/Sociologia 
Julgue o item, relativo à democracia brasileira,particularmente no período de 1988 até os dias 
atuais. 
A atual Constituição, ao não prever mecanismos de controle das instituições capazes de 
garantir tanto a participação popular quanto a transparência na gestão pública, representou, 
historicamente, a derrota das mobilizações da sociedade civil, ocorridas durante o processo 
constituinte, em prol da democracia. 
C Certo 
E Errado 
25. (VUNESP – 2011) 
Sobre a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988, é correto afirmar que 
a) criou a Lei da Ficha Limpa, que impede que os cidadãos condenados à prisão sejam 
admitidos como candidatos a cargos públicos. 
b) estabeleceu que a legislação relacionada aos direitos humanos deve ser de 
responsabilidade dos estados da federação. 
c) restringiu o direito de greve entre os funcionários públicos e proibiu esse mesmo direito 
aos trabalhadores da área de saúde. 
d) ampliou os direitos políticos, pois instituiu o voto facultativo para os analfabetos e para os 
jovens entre 16 e 18 anos. 
e) anulou importantes conquistas sociais, como a licença paternidade e a possibilidade de 
habeas corpus para crimes políticos. 
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26. (MPE-GO - 2023 - MPE-GO - Secretário Auxiliar) 
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é conhecida, desde sua promulgação, 
como a “Constituição Cidadã”. Nesse sentido, não configura avanço no exercício da cidadania 
por ela trazido: 
a) A colocação da Educação como dever do Estado, inclusive para quem não teve acesso ao 
ensino na idade certa. 
b) Garantia, aos brasileiros, do pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da 
cultura nacional. 
c) O voto direto, censitário e secreto. 
d) A possibilidade de os cidadãos apresentarem projetos de lei. 
27. (CESPE/Cebraspe - Consultor Legislativo (SEN) / 2002) 
Representação política é a existência de semelhança social entre os que representam e os que 
são representados nos partidos políticos, e retrata um dos grandes debates correntes na 
política brasileira. No Brasil, é visível a presença de empresários nos partidos conservadores e 
de centro. Na bancada dos partidos progressistas, é clara a presença de sindicalistas e de 
profissionais de classe média. 
Com relação aos modos de representação política, julgue o item seguinte: 
Elites políticas organizam-se nos estados, e seu papel na articulação das negociações nacionais 
pode determinar seu poder na política local, estadual ou nacional. 
Certo 
Errado 
28. (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (MPOG) / 2005) 
A democracia representativa surgiu como um compromisso entre o poder do príncipe, cuja 
legitimidade residia na tradição, e o poder dos representantes do povo, cuja legitimidade 
residia no consenso, cujo marco é a Revolução Inglesa de 1688. Esse processo, entretanto, 
prosseguiu com uma série de desdobramentos. 
As seguintes afirmações estão associadas ao desenvolvimento da democracia representativa: 
1- A representação por estamentos dá lugar à representação dos indivíduos. 
2- O reconhecimento dos direitos do homem e do cidadão implica reconhecimento da 
igualdade natural entre todos os seres humanos. 
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3- A ampliação dos direitos políticos, cujo ápice é o sufrágio universal, tornou necessária a 
constituição de partidos, alterando o próprio sistema de representação. 
4- A mudança no sistema de representação, ao fazer com que os partidos se formassem fora e 
não dentro do Parlamento, acarretou que as decisões coletivas se tornassem fruto de 
negociações e acordos entre os grupos de representantes das diversas forças sociais e políticas. 
Em relação às afirmativas acima, assinale a opção correta. 
A) Estão todas corretas. 
B) Estão todas incorretas. 
C) Apenas a nº 1 está correta. 
D) apenas a nº 2 está correta. 
E) apenas a nº 3 está correta 
29. INEP- 2017 
O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma 
dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática 
exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão 
pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo 
coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. 
 VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH 
(UFBA), v. 19, 2006 (adaptado). 
 O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de 
inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a) 
A)participação direta periódica do cidadão. 
B)debate livre e racional entre cidadãos e Estado. 
C)interlocução entre os poderes governamentais. 
D)eleição de lideranças políticas com mandatos temporários. 
E)controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos. 
30. (CS-UFG - 2024 - Câmara de Anápolis - GO - Analista Administrativo – Administração) 
A República Federativa do Brasil constitui-se como um Estado Democrático de Direito, o qual 
se caracteriza por 
a) ignorar as normas legais estabelecidas, agindo de forma arbitrária. 
b) priorizar os interesses individuais, favorecendo práticas patrimonialistas. 
c) garantir a igualdade de todos perante a lei, respeitando os direitos fundamentais. 
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d) permitir a concentração de poderes nas mãos de um órgão governamental. 
31. (Profe Ale Lopes/Autoral /Estratégia Concursos/2024) 
 O uso da tecnologia digital em campanhas eleitorais e mandatos políticos pode possibilitar 
uma forma mais substantiva de representação descritiva, fortalecendo outras políticas da 
presença como, por exemplo, as cotas. Quando não é utilizada para desinformar, distorcer a 
verdade ou difundir notícias falsas , a internet permite que as pessoas sejam substancialmente 
representadas por outras com as quais trazem experiências digitais durante o curso de 
campanhas e de mandatos. 
No que se refere à relação entre tecnologia da comunicação e os desafios para a representação 
política no Brasil, é correto afirmar que 
a) A tecnologia digital tem o potencial de tornar presentes mulheres, negros, indígenas, LGBT+ 
e outros grupos historicamente ausentes da competição eleitoral e das instituições políticas. 
b) A exclusão digital é um problema inexistente no Brasil, garantindo igualdade de acesso à 
tecnologia para todos os grupos sociais. 
c) A disseminação de fake news e desinformação nas redes sociais não representa uma ameaça 
significativa à representação política autêntica. 
d) A divisão digital no país não influencia a equidade na representação, pois as diferenças de 
acesso à tecnologia são irrelevantes para a participação política. 
e) A tecnologia digital, ao contrário, reforça a exclusão social e acentua as disparidades na 
representação política, ampliando a voz apenas para determinados grupos privilegiados. 
32. (UECE-CEV - 2018 - SECULT-CE - Analista de Cultura) 
Atente para o que as pesquisadoras Ilse Scherer-Warren Lígia e Helena Hahn Lüchmann 
afirmam no seguinte excerto: “A emergência de novas articulações entre Estado e sociedade, 
principalmente a partir da Constituição de 1988, deslocou grande parte das energias 
participativas para ointerior dos novos espaços institucionais que, a exemplo dos Conselhos 
Gestores e dos Orçamentos Participativos – OP –, resultaram, em grande medida, das lutas e 
reivindicações pela democratização do Estado”. 
Fonte: Ilse Scherer-Warren; Lígia Helena Hahn Lüchmann. Situando o debate sobre 
movimentos sociais e sociedade civil no Brasil – Introdução. Política & Sociedade, n. 05, 2004. 
Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira. 
a) Os anos 1980, marcados pelo período da redemocratização, vivenciaram novas 
articulações entre Estado e sociedade. 
b) A Constituição de 1988 institucionalizou os modelos de participação social que existiam 
desde os anos 1970, como o Orçamento Participativo. 
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c) Os deputados de 1988 se anteciparam à sociedade brasileira e criaram novos espaços 
institucionais de participação popular, como os Conselhos Gestores. 
d) Os Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo são novos espaços institucionais 
criados pela Constituição Cidadã de 1988. 
33. CESPE / CEBRASPE - 2023 – FUB – Diversos Cargos) 
Com relação às diferentes classificações das constituições e aos princípios fundamentais 
previstos na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os itens seguintes. 
Segundo a CF, o povo deve exercer o poder por meio de representantes eleitos, em vez de 
diretamente. 
Certo 
Errado 
34. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Técnico em Assuntos Educacionais (MEC) 
Julgue o seguinte item, referente ao mecanismo de controle social e às políticas públicas. 
Controle social é um mecanismo de representação da sociedade civil na fiscalização das 
políticas públicas, sendo exercido por conselhos gestores, em caráter deliberativo ou 
consultivo. 
Certo 
Errado 
35. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Auditor de Controle Interno (CGDF)/Planejamento e Orçamento 
 A Constituição Federal de 1988 determinou mudanças na forma de interação do Estado com 
a sociedade brasileira, introduzindo as instituições participativas, com as incorporações de 
cidadãos e de associações da sociedade civil na deliberação de políticas públicas. Entre as 
instituições participativas que podem auxiliar na elaboração das políticas públicas incluem-se 
I ) os conselhos nacionais. 
II ) os conselhos municipais na definição do orçamento público. 
III ) as conferências nacionais. 
IV ) as audiências públicas. 
V ) as associações da sociedade civil. 
Assinale a opção correta. 
A)Apenas os itens I, III e V estão certos. 
B)Apenas os itens II, III e IV estão certos. 
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C)Apenas os itens I, II, IV e V estão certos. 
D)Todos os itens estão certos. 
36. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico 
e Regional/2023 
O termo Instituições Participativas (IPs) foi cunhado tendo em vista a crítica à compreensão da 
institucionalidade, centrada na existência de uma legislação formal acerca do funcionamento 
das instituições, bem como ao fato da própria abrangência do conceito de instituição política 
que, de modo geral, não trata das práticas participativas e inovadoras. (AVRITZER, 2008). 
 Sobre exemplos de IPs, analise as afirmativas, considerando-as verdadeiras (V) ou falsas (F): 
 ( ) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas 
pelo executivo, buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas 
públicas, disponibilizadas em canais institucionais e que depois são transformadas em políticas 
públicas setoriais. 
 ( ) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários, 
entre Estado e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais, 
contribuindo para o processo de democratização da gestão pública. 
 ( ) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas 
entre Estado e a sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do 
orçamento público municipal. Apresenta-se em duas versões: presencial e digital. 
 ( ) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos 
disponibilizados pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação 
de serviços, bem como receber demandas diversas. 
 A sequência CORRETA, de cima para baixo, é: 
a) F, F, V, V. 
b) F, V, V, V. 
c) V, F, V, F. 
d) V, F, V, V. 
37. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico e 
Regional/2023 
A crise de representação e o crescimento da participação da sociedade civil nos processos 
políticos têm gerado novas dinâmicas de representação política, o que resulta na necessidade 
de compreendê-la em sua dimensão processual. 
Essas novas dinâmicas abarcam a compreensão de que: 
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I. A representação se constitui como atividade que pressupõe interações contínuas, ao longo 
do tempo, entre representantes e representados, não havendo definição prévia do que é 
representado e de quem o representa. 
II. Há uma diversidade de atores sociais que exercem representação política de fato, cujas ações 
são dirigidas para um público que buscam atrair e convencer sobre questões diversas, muitas 
das quais escapam do alcance da representação democrática do Estado Nacional. 
III. A legitimidade da representação desses novos atores não é proveniente da autorização, 
como é no caso do eleitor, mas das funções discursivas sustentadas pela apresentação de 
temas e questões postos para o debate na esfera pública. 
IV. Há modalidades de representação, de largo alcance e muitas vezes informais, que não 
requerem controle por aqueles que dizem representar, precisando apenas que esses 
representantes tornem pública sua atuação. 
Estão CORRETAS apenas as afirmativas. 
a) I, II e III. 
b) I, III e IV. 
c) II e III. 
d) II, III e IV. 
38. VUNESP - AFTM SP/Pref SP/Gestão Tributária/2023 
A participação social, como mecanismo de visibilidade ampla de demandas sociais e de 
exercício democrático, traz um duplo desafio para a capacidade de intervenção estatal. 
Considerando a afirmação apresentada, assinale a alternativa correta. 
a) De um lado a participação ocorre num espaço crescentemente politizado, com disputas, nas 
quais se concentram esforços de construção de mediação e de composição de interesses, de 
outro, a ampliação de demandas em prol de maior equidade pressupõe maior ação do Estado. 
b) A participação se dá por meio de movimentos populares e pela captação da opinião pública 
em sessões de audiências específicas sobre temas de políticas púbicas, valendo-se, também, 
de estudos técnicos e determinações do Estado para fazer frente às demandas 
socioambientais. 
c) Uma parte da participação se dá pelas ações legislativas, que se voltam a preparar 
embasamento técnico para a consolidação de projetos de lei fundados em ações populares, 
outra parte se valendo de estudos técnicos e determinações do Estado para fazer frente às 
demandas socioambientais. 
d) A participação se dá de forma mais ordenada, com conselhos executivos e deliberativos, 
valendo-se, também, da manifestação da sociedade em geral, por meios eletrônicos e captação 
de demandas e de iniciativas da sociedade. 
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123 
e) A participação se dá por meio de ações do poderes executivos, de qualquer esfera, tomando 
por base as boas práticas de planejamento e avaliação de políticas públicas, sendo 
complementadas por informações e dados advindos da participação popular para debate e 
deliberações sobre as políticas atuais e outras proposições. 
39. 2023 /CEBRASPE (CESPE) - ACE (TC DF)/TC DF/Auditoria 
No que diz respeito ao Estado como forma complexa de organização que produz, gere, 
controla, formula e implementa políticas públicas, julgue o item a seguir. 
Para colaborar com a gestão pública, o cidadão pode escolher participar dos conselhos 
gestores, órgãos colegiados e, em regra, paritários (governo e sociedade), estando consciente 
do clientelismo e do corporativismo presentes nesse ambiente de democracia participativa. 
Certo 
Errado 
40. (VUNESP - APPGG (Pref SP)/Pref SP/2022) 
A coordenação governo-sociedade traz o benefício do diálogo entre esses sujeitos na 
elaboração e avaliação de políticas públicas. No processo de criação e implementação de uma 
política pública, é natural esperar que a participação social e o controle social ocorram em que 
momentos? 
a) A participação social inicia-se na criação de comitês de elaboração de projetos/propostas, e 
o controle social por meio de comitês de avaliação. 
b) A participação social ocorre na avaliação de propostas elaboradas, e o controle dá-se nas 
três fases dos projetos/propostas: inicial, intermediária e final. 
c) A participação social é revelada nos momentos de deliberação sobre projetos/ propostas e 
o controle, por meio de comitês representativos da sociedade civil. 
d) A participação social ocorre no planejamento, e, mais à frente, após a tomada de decisão 
no âmbito da administração pública, ocorre o exercício do controle social. 
e) Não se pode separar a elaboração da avaliação de uma política, visto que ocorrem de 
maneira contínua, em todo o processo, inclusive de execução. 
41. (CEBRASPE (CESPE) - 2022 - Analista Administrativo (IBAMA) 
No que diz respeito a políticas públicas, julgue o item seguinte 
A participação social nas políticas públicas do Brasil permite maior visibilidade das demandas 
sociais, promove avanços quanto à igualdade e equidade nas políticas implementadas e amplia 
a defesa pelos direitos sociais. 
Certo 
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123 
Errado 
GABARITO 
1. C 
2. C 
3. E 
4. E 
5. B 
6. A 
7. B 
8. A 
9. A 
10. B 
11. A 
12. E 
13. C 
14. A 
15. B 
16. B 
17. A 
18. B 
19. B 
20. A 
21. E 
22. E 
23. A 
24. E 
25. D 
26. C 
27. CORRETO 
28. A 
29. B 
30. C 
31. A 
32. A 
33. ERRADO 
34. C 
35. D 
36. A 
37. A 
38. A 
39. CORRETO 
40. D 
41. CORRETO 
 
 
LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
1. FGV - 2022 - Consultor Legislativo (SEN)/ 
A formulação do conceito de Estado moderno remonta ao século XVI, quando a crise dos 
grandes poderes universais e dos poderes senhoriais feudais abriu o espaço para a formação 
de monarquias centralizadas dinástico-territoriais, em conflito pela hegemonia da Europa. 
Na França, em um contexto de guerras interestatais e civis religiosas, o jurista Jean Bodin 
desenvolveu uma das primeiras teorias sobre o poder soberano como principal agente da 
racionalização política: 
Aquele que é soberano não deve estar sujeito ao comando de outrem em modo algum, e deve 
poder dar a lei aos seus súditos e apagar ou anular as palavras inúteis nela substituindo-as por 
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123 
outras, o que não pode ser feito por quem está sujeito às leis ou a pessoas que exercitem o 
poder sobre ele. Por isso, a lei afirma que o príncipe não está sujeito à autoridade das leis, e em 
latim a palavra lei significa o comando de quem tem o poder soberano. Assim como o papa, 
segundo os canonistas, nunca pode atar as próprias mãos, também não as pode atar o príncipe 
soberano, mesmo que o quisesse. Por isso, no fim dos editos e das ordenanças vemos as 
palavras “pois tal é o nosso prazer”, para que esteja claro que as leis do príncipe soberano, 
mesmo que fundadas em motivos válidos e concretos, dependem apenas de sua pura e livre 
vontade. Quanto, porém, às leis naturais e divinas, todos os príncipes da terra estão sujeitos a 
elas, nem possuem poder para transgredi-las, se não quiserem serem culpados de lesa 
majestade divina, pondo-se em guerra contra aquele Deus a cuja majestade todos os príncipes 
da terra devem se submeter, com absoluto temor e reverência. 
Adaptado de J. Bodin, I sei libri dello Stato. Torino: Utet, 1964, livro I, cap. VIII, p. 358-362. 
Com base no trecho e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa que caracteriza 
corretamente o conceito moderno de estado e de soberania em Bodin. 
A) Exercer a soberania absoluta, fazendo uso integral dos poderes da soberania, significa poder 
modificar o direito ordinário, consuetudinário e as leis fundamentais do Reino. 
B) Para que o poder seja absoluto, deve se sobrepor a todos os demais poderes, por isso ele se 
manifesta na prerrogativa de não se submeter à autoridade das leis. 
C) O poder absoluto consiste na faculdade de derrogar as leis civis, no caráter juridicamente 
incondicionado da soberania e em sua limitação pelo direito divino e natural. 
D) O Estado moderno é caracterizado por uma entidade soberana, o Estado, que exerce o poder 
coercitivo sobre um território e possui o monopólio do uso legitimo da força. 
E) A soberania moderna baseia-se na divisibilidade de poderes exercidos por um Estado sobre 
uma comunidade política, submetida aos poderes soberano, divino e natural. 
Comentários 
A) Errado. “Modificar as leis fundamentais do Reino”. Bodin reconhecia que as leis fundamentais (como a 
sucessão do trono) limitavam o poder do soberano. Portanto, ele não pode alterá-las livremente. 
B) Errado. Diz que o soberano não se submete à autoridade das leis, mas ignora os limites divinos e naturais 
que Bodin menciona expressamente. 
C) Correto. O texto de Jean Bodin é um dos marcos clássicos da teoria moderna da soberania. Em sua obra 
Os Seis Livros da República (Les Six Livres de la République), Bodin define a soberania como poder absoluto 
e perpétuo de uma república. Esse poder é: 
• Absoluto, pois não está sujeito a outro poder humano (não há superior hierárquico). 
• Perpétuo, porque não é temporário ou delegável. 
• Juridicamente incondicionado, exceto por um limite externo: o direito natural e o direito divino (que 
nem mesmo o soberano pode violar sem cometer sacrilégio). 
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No trecho citado, Bodin afirma que o soberano pode alterar, apagar ou substituir as leis civis (positivas), mas 
não pode transgredir a lei natural ou a lei divina — o que configura exatamente o conteúdo da alternativa 
D) Errado. Essa é uma definição mais próxima de Max Weber, no século XX, ao definir o Estado moderno 
como o detentor do monopólio legítimo da força, o que não é o foco do pensamento de Bodin. 
E) Errado. A “divisibilidade de poderes” é contrária à concepçãode Bodin, que via a soberania como una e 
indivisível. Portanto, errada. 
Gabarito: C 
2. FGV - 2025 - Analista Administrativo (TCE-RR)/Tecnologia da Informação/Banco de Dados 
A administração pública, ao promover a participação cidadã por meio de mecanismos que 
estimulem a motivação, fortalece a tomada de decisões mais democráticas, inclusivas e 
legitimadas pela sociedade. 
 Assinale a afirmativa correta acerca da relação entre participação, atores sociais e controle 
social. 
A)A participação cidadã depende exclusivamente de políticas públicas coercitivas que 
obriguem os indivíduos a tomar parte nas decisões públicas. 
B)A motivação para a participação cidadã é irrelevante no contexto do controle social, pois os 
cidadãos tendem a se envolver espontaneamente em processos decisórios. 
C)A criação de mecanismos que motivem os cidadãos é fundamental para aumentar o 
engajamento e assegurar a legitimidade dos processos participativos no setor público. 
D)O controle social é garantido apenas pela participação de atores sociais que possuem acesso 
direto às estruturas de poder. 
E)A gestão do setor público deve focar exclusivamente em resultados e não em estimular o 
envolvimento dos cidadãos nos processos participativos. 
Comentários: 
A) Incorreta. A participação cidadã não pode ser compreendida como resultado de políticas públicas 
coercitivas. Pelo contrário, a Constituição de 1988 estabelece mecanismos que visam à promoção 
voluntária e consciente da cidadania ativa, como os conselhos gestores, audiências públicas e orçamento 
participativo. A coerção contradiz o princípio democrático e o respeito à autonomia dos cidadãos, pilares 
do Estado de Direito. 
B) Incorreta. A motivação é elemento central para o engajamento cívico. A literatura sobre democracia 
participativa (como Boaventura de Sousa Santos e Leonardo Avritzer) aponta que a participação não é 
espontânea na maioria dos casos — ela depende de fatores como incentivo institucional, capital social, 
acesso à informação e confiança nas instituições. A Aula 01 afirma que a criação de canais e estratégias de 
mobilização é essencial para que os indivíduos se sintam parte do processo decisório. 
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C) Correta. A criação de mecanismos motivadores (como conselhos, ouvidorias, processos de escuta 
qualificada) é uma condição necessária para fortalecer a participação cidadã e garantir a legitimidade das 
decisões públicas. Esse ponto está fundamentado na Constituição de 1988 (arts. 1º, parágrafo único, 37, 
caput, e 198, III) e é reiterado na aula como fundamento do controle social e do pluralismo democrático, 
que ampliam o poder da sociedade na gestão das políticas públicas. 
D) Incorreta. Limitar o controle social aos atores com acesso direto às estruturas de poder nega a função 
inclusiva e democratizante da participação social. A Constituição prevê o acesso amplo e descentralizado à 
gestão pública, inclusive com a institucionalização de espaços de participação para grupos historicamente 
excluídos. A Aula 01 trata da importância de dar voz à pluralidade de sujeitos — o que seria esvaziado se o 
controle fosse restrito às elites burocráticas ou políticas. 
E) Incorreta. O foco exclusivo em resultados gerenciais representa uma perspectiva reducionista e 
tecnocrática da administração pública, incompatível com os valores do Estado Democrático de Direito. A 
CF/88 e a aula sublinham a necessidade de processos participativos, transparentes e democráticos, nos 
quais os cidadãos contribuam não apenas com a definição de metas, mas também com o 
acompanhamento, a avaliação e o controle da ação estatal. Esse enfoque corresponde à gestão pública 
orientada para o cidadão, não apenas para a eficiência. 
Gabarito: C 
3. FGV - 2025 - Assistente Social (Pref Canaã Carajás) 
Os conselhos estão baseados na participação social, que têm sua base na universalização dos 
direitos e na ampliação do conceito de cidadania, pautada por uma nova compreensão do 
caráter e do papel do Estado. A sua novidade é a ideia do controle exercido pela sociedade 
graças à presença e à ação organizada de diversos segmentos. 
Os conselhos devem ser percebidos como lócus do fazer político, como espaço contraditório, 
como uma nova modalidade de participação, ou seja, a construção de uma cultura alicerçada 
A)na ideia de que eles são dotados de maior potencial político quando comparados aos 
movimentos sociais. 
B)na crença de que são os mecanismos exclusivos para a democratização do Estado. 
C)na percepção de que são espaços de cooptação da sociedade civil por parte do poder público. 
D)em uma pauta consensual entre todos os participantes, pauta identificada como voluntarista 
e utópica. 
E)nos pilares da democracia direta e na possibilidade de construção da democracia de massas. 
Comentários 
 A) Os conselhos não são superiores politicamente aos movimentos sociais; são formas diferentes de atuação 
política, e muitas vezes são complementares. 
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B) Eles não são mecanismos exclusivos da democratização. Existem outras formas importantes: orçamento 
participativo, audiências públicas, plebiscitos, entre outros. 
C) Embora haja críticas à cooptação, essa não é a natureza dos conselhos, mas uma distorção possível, 
dependendo do contexto. 
D) Os conselhos são, por definição, espaços de conflito e negociação, não de pautas consensuais ou utópicas. 
E) Correta. Os conselhos de políticas públicas são espaços institucionais de participação social, criados 
especialmente a partir da Constituição Federal de 1988. Eles têm como objetivo promover o controle social, 
ou seja, a atuação da sociedade civil na deliberação, fiscalização e formulação de políticas públicas. 
Esses conselhos: 
• Estão fundamentados na universalização de direitos e na ampliação da cidadania, conforme o 
enunciado aponta; 
• Representam instrumentos da democracia participativa, que complementam a democracia 
representativa tradicional; 
• Permitem o envolvimento direto da população organizada na gestão pública, alicerçando-se, 
portanto, na lógica da democracia direta. 
Gabarito: E 
4. FGV - 2025 - Auditor Substituto de Conselheiro (TCE RR) 
O prefeito de uma cidade brasileira organizou um evento-surpresa para anunciar a construção 
de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em um terreno que fora apossado pelos 
moradores locais e transformado em um campo de futebol. Ao ouvirem o anúncio do evento, 
diversos moradores se manifestaram com indignação à obra da Unidade de Saúde. 
O ocorrido na referida cidade ilustra uma situação, em termos de atributos desejáveis às 
políticas públicas, de ausência clara de 
A)intencionalidade. 
B)universalidade. 
C)dinamismo. 
D)base normativa. 
E)participação. 
Comentários 
 A) Falsa. A ação teve, sim, uma intenção clara: construir uma UPA para ampliar o atendimento de saúde. 
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 B) Falsa. A construção de uma UPA tem como finalidade atender a todos (atributo universalista), embora a 
forma de implementação tenha falhado. 
 C) Falsa. O caso não trata de rigidez ou incapacidade de adaptação da política pública, mas sim de sua 
implementação autoritária. 
 D) Errada. A construção de uma UPA está amparada legalmente em normas e diretrizesdo SUS. O problema 
não foi legalidade, mas processo participativo. 
E) Certa resposta. A situação descrita evidencia a falta de diálogo entre o poder público e a comunidade 
diretamente afetada por uma decisão governamental. O terreno havia sido apropriado pela população local 
e transformado em um espaço de lazer e convivência comunitária (campo de futebol), o que mostra que ele 
tinha um uso social estabelecido. A decisão de construir uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), embora 
seja uma política pública com finalidade legítima, foi tomada sem consulta prévia à população local, gerando 
indignação e resistência dos moradores. Esse cenário revela a ausência de participação popular na 
formulação ou planejamento da política pública — um atributo essencial para a legitimidade, eficácia e 
aceitação social das ações governamentais, principalmente em um Estado Democrático de Direito, no qual a 
participação social é um princípio constitucional (CF/88, art. 1º, parágrafo único). 
Gabarito: E 
5. FGV - 2024 - Auditor de Contas Públicas (CGE PB)/Auditoria Governamental 
 Um prefeito recém-eleito pretende garantir o pleno funcionamento dos mecanismos de 
controle social e participação em sua gestão. Para tal, mapeou um conjunto de atividades as 
quais pretende incentivar nos próximos quatro anos. 
Para tal, o prefeito deve priorizar o pleno desenvolvimento do(a): 
A)controladoria geral do município e ouvidoria; 
B)conselho e conferência municipal de políticas públicas; 
C)política de gestão de risco nas diferentes políticas públicas; 
D)supervisão e monitoramento do controle de conformidade; 
E)auditoria governamental com colaboração de especialistas. 
Comentários 
A) Errado. Controladoria geral do município e ouvidoria: são mecanismos de controle interno e escuta 
social, respectivamente, importantes, mas não suficientes para garantir a participação social estruturada. 
B) Certa resposta. Se o objetivo do prefeito é garantir o pleno funcionamento dos mecanismos de controle 
social e participação, ele deve priorizar instâncias de democracia participativa, ou seja, espaços que 
possibilitem o envolvimento direto da sociedade na formulação, deliberação, avaliação e controle das 
políticas públicas. Os conselhos municipais (como os de saúde, educação, assistência social etc.) e as 
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conferências municipais são mecanismos clássicos de controle social previstos na Constituição de 1988 e em 
legislações infraconstitucionais, como a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e a Lei do SUS. Eles 
garantem o diálogo entre Estado e sociedade civil organizada, com composição paritária ou representativa, 
permitindo à população avaliar políticas públicas, propor diretrizes e fiscalizar ações governamentais. 
C) Política de gestão de risco: relacionada à gestão técnica e estratégica, mas não diretamente à participação 
ou controle social. 
 D) Supervisão e monitoramento do controle de conformidade: atividade técnico-burocrática, inerente ao 
controle interno da gestão, sem foco na participação popular. 
E) Auditoria governamental com colaboração de especialistas: também importante, mas trata-se de controle 
técnico, geralmente realizado por órgãos da administração direta ou indireta, e não por meio de mecanismos 
de participação cidadã. 
Gabarito: B 
6. FGV - 2024 - Analista de Auditoria Pública e Gestão Governamental (Pref Macaé)/"Sem Área" 
 A Constituição Federal de 1988 inovou ao incentivar a participação social, buscando 
desenvolver uma nova relação entre a sociedade e o Estado. Em razão disso, foram instituídos 
diversos mecanismos de participação, em especial os Conselhos Gestores de Políticas Públicas. 
Sobre as características dos Conselhos Gestores de Políticas Públicas, analise as afirmativas a 
seguir. 
I. São canais institucionais, plurais, permanentes, autônomos, formados por representantes da 
sociedade civil e do poder público. 
II. São órgãos de gestão pública vinculados à estrutura do Poder Executivo, que exercem função 
exclusivamente consultiva. 
III. Os conselhos gestores são instâncias de controle social que ampliam a participação popular 
apenas no âmbito federal. 
Está correto o que se afirma em 
A)I, apenas. 
B)II, apenas. 
C)I e II, apenas. 
D)II e III, apenas. 
E)I, II e III. 
Comentários: 
Item I – Correto. 
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Os Conselhos Gestores de Políticas Públicas são canais institucionais de participação direta, 
sendo: 
→ Plurais, por reunirem diferentes segmentos da sociedade; 
→ Permanentes, com atuação continuada e regular; 
→ Autônomos em relação à deliberação sobre políticas públicas, embora juridicamente 
vinculados ao Poder Executivo; 
→ Paritários ou mistos, pois têm composição formada por representantes da sociedade 
civil e do poder público, respeitando o princípio da gestão democrática. 
Esse desenho institucional tem respaldo no artigo 198, inciso III da CF/88 (referente à saúde) e 
se estende por analogia a outras áreas como assistência social (art. 204, II), educação (LDB), 
entre outras. 
Item II – Incorreto. 
Embora os conselhos sejam vinculados administrativamente ao Executivo, não exercem apenas 
função consultiva. Em muitas áreas, como saúde e assistência social, eles exercem função 
deliberativa, tendo poder de decidir sobre aspectos relevantes da política pública (como 
aprovação de planos, orçamento, metas e fiscalização da execução). Essa função é explicitada 
nas normas infraconstitucionais, como a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) e a Lei 
Orgânica da Assistência Social (LOAS – Lei nº 8.742/1993). 
Logo, dizer que sua função é exclusivamente consultiva é uma limitação incorreta e contradiz 
o papel atribuído a eles pela legislação e pela prática democrática. 
Item III – Incorreto. 
A participação por meio de conselhos não está limitada ao âmbito federal. Pelo contrário, os 
Conselhos Gestores existem e são fomentados em todas as esferas federativas (União, Estados, 
Municípios e Distrito Federal), sendo instrumentos fundamentais para a efetivação do princípio 
federativo e da descentralização política e administrativa, conforme previsto nos artigos 1º, 18 
e 30 da Constituição Federal. 
Portanto, restringir sua atuação à esfera federal é uma afirmação factualmente incorreta e 
contrária ao desenho constitucional e à prática da gestão democrática descentralizada. 
Assim, somente o item I está de acordo com os princípios constitucionais e a prática normativa 
dos Conselhos Gestores como instrumentos de controle social no Estado Democrático de 
Direito. 
Gabarito: A 
7. FGV - 2024 - Auditor de Contas Públicas (CGE PB) 
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 Contemporaneamente, é reconhecido que o exercício do controle sobre os serviços públicos 
tem potencial para incorporar mais ativamente a população, os usuários e os gestores das 
políticas nos processos de controle. 
A esse respeito, há o potencial de serem desenvolvidas ações como: 
• presença mais direta da população/segmentos sociais diversos na discussão sobre leis e 
sua aplicação; 
• controle social sobre as decisões no Parlamento e no Judiciário, facilitado, por exemplo, 
pelas TVs; 
• utilização de plataformas virtuais para operacionalização da participação cidadã; 
• monitoramentode informações, de processos administrativos e de execução de serviços 
por observatórios sociais; 
• participação dos usuários e representantes da sociedade na avaliação da qualidade da 
gestão e dos serviços. 
Nesse contexto, entende-se que a função controle se expandiria por ações sustentadas no 
conceito de: 
A)auditoria; 
B)coprodução; 
C)eficiência; 
D)controladoria; 
E)ouvidoria. 
Comentários 
A) auditoria: refere-se a um instrumento técnico e interno de controle, normalmente executado por órgãos 
públicos especializados, sem necessariamente envolver a participação social ampla. 
B) Certa resposta. O enunciado descreve formas de envolvimento direto da sociedade civil na gestão pública, 
na avaliação dos serviços, no monitoramento de políticas públicas e na fiscalização de sua execução — 
elementos que caracterizam a coprodução do controle. A coprodução no contexto da administração pública 
refere-se à ação conjunta entre Estado e sociedade na formulação, execução, avaliação e controle das 
políticas públicas e dos serviços oferecidos. Ela ultrapassa o modelo tradicional de participação passiva, 
promovendo uma participação ativa e corresponsável entre cidadãos e gestores públicos. As ações 
mencionadas (uso de plataformas, presença em decisões legislativas e judiciais, atuação de observatórios, 
etc.) se alinham com esse modelo colaborativo e não apenas com instrumentos institucionais como 
auditorias ou ouvidorias. 
C) eficiência: é um princípio da administração pública, relacionado ao bom uso dos recursos públicos, mas 
não é um mecanismo de controle social ou de participação cidadã. 
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D) controladoria: está relacionada à estrutura interna do controle governamental, como as controladorias 
gerais, e não especificamente à interação com a sociedade civil. 
E) ouvidoria: envolve a escuta e recebimento de manifestações da população, mas não necessariamente 
promove a coprodução, isto é, o agir conjunto com os cidadãos nos processos de decisão e execução das 
políticas. 
Gabarito: B 
8. FGV - 2023 - Câmara dos Deputados - Analista Técnico Legislativo 
O uso da internet pelos atores políticos é uma variável importante das democracias 
representativas: deputados, atores institucionais, cidadãos e organizações da sociedade civil 
utilizam diferentes plataformas para influenciar as decisões políticas, em um processo 
denominado de “Democracia Digital” que fortalece o princípio da transparência. 
A respeito das tecnologias de informação e comunicação aplicadas aos processos 
democráticos, relacione os possíveis efeitos da transparência digital listados a seguir às 
respectivas descrições. 
1. Maior qualificação das ações deliberativas 
2. Aumento da confiança no sistema político 
3. Favorecimento dos processos de accountability 
( ) A circulação online de dados, documentos, estudos, discursos governamentais e análises de 
procedimentos oferece maiores insumos para a deliberação pública. 
( ) O acesso e cruzamento online de informações sobre atividades governamentais 
disponibilizadas pelos agentes públicos, facilita e barateia a prestação de contas da gestão dos 
recursos públicos. 
( ) A veiculação regular de informações em websites oficiais constitui uma vitrine pública da 
governança e fortalece a credibilidade e o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas 
instituições públicas. 
Assinale a opção que indica a relação correta, na ordem apresentada. 
(A) 1 – 3 – 2. 
(B) 2 – 1 – 3. 
(C) 3 – 2 – 1. 
(D) 1 – 2 – 3. 
(E) 2 – 3 – 1. 
Comentários: 
Vamos analisar cada uma das descrições e relacioná-las aos possíveis efeitos da transparência digital: 
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→ Maior qualificação das ações deliberativas 
A circulação online de dados, documentos, estudos, discursos governamentais e análises de procedimentos 
oferece maiores insumos para a deliberação pública. 
→ Aumento da confiança no sistema político 
A veiculação regular de informações em websites oficiais constitui uma vitrine pública da governança e 
fortalece a credibilidade e o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas instituições públicas. 
→ Favorecimento dos processos de accountability 
O acesso e cruzamento online de informações sobre atividades governamentais disponibilizadas pelos 
agentes públicos facilita e barateia a prestação de contas da gestão dos recursos públicos. 
Agora, segue um comentário sobre cada item pensando na teoria democrática: 
Maior qualificação das ações deliberativas: 
A circulação online de dados, documentos, estudos, discursos governamentais e análises de procedimentos 
oferece maiores insumos para a deliberação pública. Quando há uma ampla disponibilidade de informações 
relevantes online, os cidadãos, legisladores e outros atores políticos podem basear suas decisões em dados 
sólidos, promovendo assim uma maior qualificação nas discussões e ações deliberativas. 
Aumento da confiança no sistema político: 
A veiculação regular de informações em websites oficiais constitui uma vitrine pública da governança e 
fortalece a credibilidade e o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas instituições públicas. Ao tornar 
as atividades governamentais mais acessíveis e transparentes, as instituições públicas conseguem construir 
confiança junto aos cidadãos, aumentando a percepção positiva sobre o sistema político. 
Favorecimento dos processos de accountability: 
O acesso e cruzamento online de informações sobre atividades governamentais disponibilizadas pelos 
agentes públicos facilita e barateia a prestação de contas da gestão dos recursos públicos. Quando as 
informações estão disponíveis online e podem ser facilmente verificadas, isso fortalece os processos de 
accountability, tornando mais fácil para os cidadãos e órgãos de controle monitorar e responsabilizar os 
agentes públicos por suas ações. 
Portanto, a associação correta é (A) 1 – 3 – 2. 
Gabarito: A 
9. FGV - 2022 - Auditor Federal de Finanças e Controle (CGU)/Auditoria e Fiscalização/Geral 
Os conselhos de gestão agem como a arena de interação e debate entre os componentes 
políticos e os movimentos sociais. Um dos principais fatores relacionados ao sucesso dos 
movimentos sociais no propósito de impactar as políticas públicas está centrado no acesso aos 
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decisores, para o qual os conselhos de gestão funcionam como mecanismos formais que visam 
garantir esse acesso. 
Sobre os conselhos de gestão e sua contribuição para a participação social na formulação de 
políticas públicas, é correto afirmar que são: 
A)espaços públicos não estatais cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não 
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos 
fundos que gerem; 
B)espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Executivo cuja 
eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal 
e que possuem total controle dos fundos que gerem; 
C)espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Legislativo 
cuja eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidosDireito precisa ser um instrumento de emancipação social, corrigindo desigualdades 
históricas e combatendo a exclusão. 
Contudo, para sermos mais preciso para o propósito deste estudo para concurso público, além de 
identificarmos os principais pontos para compreendermos o Estado Democrático de Direito, temos que 
buscar uma definição mais acabada e consensual. Dessa forma, com base no artigo O Estado Democrático 
de Direito, de Ênio Moraes da Silva5, 
o Estado Democrático de Direito é compreendido como uma evolução histórica e política 
do Estado Liberal e do Estado Social, incorporando o princípio da soberania popular como 
seu fundamento. 
Trata-se de um conceito que: 
• Supõe a submissão do poder estatal ao Direito, mas não qualquer Direito: um Direito informado pelos 
princípios da justiça, legalidade, igualdade e dignidade da pessoa humana; 
• Requer efetiva participação popular nas decisões políticas, indo além da simples democracia 
representativa e integrando formas de democracia participativa; 
• Tem como finalidade não apenas a manutenção da ordem jurídica, mas a realização da justiça social, 
com a promoção de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais; 
• É sustentado por uma Constituição legítima, suprema e garantidora dos direitos fundamentais, e por 
instituições que assegurem o controle do poder, inclusive o Poder Judiciário independente. 
Conforme o Ênio Moraes da Silva, na linha de José Afonso da Silva, não se trata apenas da soma entre o 
Estado de Direito e a democracia, mas de uma nova forma de organização estatal, marcada pela conjugação 
entre a legalidade, o respeito aos direitos fundamentais e a soberania popular como princípio estruturante. 
 
5 SILVA, Ênio Moraes da. O Estado Democrático de Direito. Revista de Informação Legislativa, Brasília, 
ano 42, n. 167, p. 213-230, jul./set. 2005. 
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Diante desta base inicial para um primeiro contato sobre do que se trata o Estado Democrático de 
Direito, agora, vamos fazer um panorama da "Formação Histórica do Estado Democrático de Direito", tal 
como indicado no conteúdo programático do Edital do concurso. 
Ah, sim, antes de prosseguirmos, vamos a uma breve noção sobre o que é um Estado, né? Na verdade, o 
que é o Estado Moderno. 
Origens Históricas do Estado Moderno 
A formação do Estado Moderno está diretamente relacionada ao processo de 
desintegração do feudalismo, que ocorreu na Europa entre os séculos XIV e XVI6. O 
sistema feudal, baseado na fragmentação do poder político, na economia agrária de 
subsistência e nas relações pessoais de suserania e vassalagem, entrou em colapso diante 
do crescimento das cidades, do renascimento do comércio e da centralização 
monárquica. Com o declínio da autoridade feudal e da Igreja Católica, os reis passaram a 
reunir em suas mãos o poder militar, fiscal e jurídico, dando origem aos primeiros Estados 
soberanos centralizados. Esse processo foi impulsionado pelo fortalecimento da 
burguesia comercial, interessada em um ambiente estável, unificado e com leis comuns 
que garantissem a propriedade e os contratos — demandas incompatíveis com a lógica 
dispersa do feudalismo. 
Um marco decisivo nessa transição foi a assinatura dos Tratados de Westfália (1648), que 
encerraram a Guerra dos Trinta Anos e lançaram as bases do sistema internacional 
moderno da relação entre reinados. Ao reconhecer a soberania dos reinos, na verdade 
dos Estados, sobre seus territórios, os tratados consolidaram a ideia de que nenhuma 
autoridade externa, como o Papa ou o Sacro-Império Romano-Germânico, poderia 
interferir nos assuntos internos de um Estado. Isso significava que o poder político 
passava a ser exercido de forma centralizada e territorialmente delimitada, dando origem 
ao chamado Estado-nação soberano. A partir desse momento, a soberania tornou-se um 
princípio estruturante da ordem política e jurídica europeia, com repercussões 
duradouras na concepção moderna de Estado. É por isso que é comum encontrarmos um 
definição clássica segundo a qual Estado é: a entidade política e administrativa de um 
território que está relacionada com todo o aparato técnico-normativo e o conjunto de 
instituições políticas, jurídicas e administrativas presentes em determinada localidade. 
Além do território, onde o Estado realiza sua soberania, também fazem parte da sua 
composição a população e o governo, por meio do qual o Estado desempenha parte de 
suas funções. Assim, são elementos do Estados: território, governo e população (ou 
povo). 
No plano filosófico, a consolidação do Estado moderno foi acompanhada por uma série 
de teorias políticas que buscaram justificar o poder estatal com base no contrato social. 
 
6 ANDERSON, Perry. O Estado Absolutista. São Paulo: Edições Unesp, 2004. 
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Thomas Hobbes, em Leviatã (1651)7, defendeu que os indivíduos, para escapar da “guerra 
de todos contra todos”, renunciam à liberdade total e transferem seus direitos a um 
soberano absoluto (o rei), capaz de garantir a paz e a ordem. Para Hobbes, a autoridade 
do Estado é legítima porque decorre da razão dos indivíduos que escolhem a submissão 
em troca de segurança. 
Já John Locke, em Segundo Tratado sobre o Governo Civil (1690)8, propôs uma concepção 
mais liberal de contrato social: os indivíduos entregam parte de sua liberdade a um 
governo limitado, cuja função é proteger os direitos naturais à vida, à liberdade e à 
propriedade. Se o governo violar esses direitos, o povo tem o direito de resistir e destituí-
lo. 
Jean-Jacques Rousseau, em O Contrato Social (1762)9, ofereceu uma visão radicalmente 
democrática: a vontade geral, expressa pelo povo soberano, deve guiar todas as decisões 
do Estado. 
Essas três vertentes do pensamento contratualista — absolutista, liberal e democrático 
— contribuíram para forjar diferentes modelos de Estado moderno. Hobbes influenciou 
as teorias do poder soberano e da autoridade centralizada; Locke fundamentou o 
constitucionalismo liberal e a separação de poderes; Rousseau, por sua vez, é referência 
para as democracias participativas e para a noção de soberania popular. 
Assim, o Estado moderno se constitui historicamente como uma construção político-
jurídica que centraliza o poder, institui fronteiras, submete a força à legalidade e justifica 
sua autoridade com base em fundamentos racionais. A partir dessas premissas, abre-se o 
caminho para o Estado de Direito e, posteriormente, para o Estado Democrático de 
Direito. 
 
 
7 HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1974. 
8 LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. São Paulo: Abril Cultural, 1974. 
9 ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
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FGV 2023 – Câmara dos Deputados - Consultor 
Por Estado, Weber entendia uma organização institucional de caráter político "quando e na medida em que 
sua subsistência e a vigência de suas ordens, dentro de determinado território geográfico, estejam garantidas 
de modo continuo mediante a ameaça e a aplicação de coação física por parte do quadro administrativo, 
que reivindicou com êxito o monopólio legítimo dessa coação".(Adaptado de WEBER, Max. Economia e 
sociedade: fundamentos da sociologiaem sua base 
legal e que possuem total controle dos fundos que gerem; 
D)organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não 
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos 
fundos que gerem; 
E)organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades 
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é positivamente impactada pelos 
instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal e que possuem total controle dos fundos 
que gerem. 
Comentários 
A) Correta. Os conselhos de gestão são compreendidos, na literatura especializada (TAVARES, 2006), como 
espaços públicos não estatais, o que significa que, embora instituídos pelo Estado e vinculados a estruturas 
estatais, não se confundem com órgãos administrativos do Executivo, pois abrem espaço para a atuação da 
sociedade civil organizada e para o debate público. Trata-se de arenas híbridas que viabilizam a deliberação 
entre atores governamentais e não governamentais. Além disso, autores como Rockenmeyer e Vieira (2017) 
e Silva et al. (2018) identificam como um dos principais desafios à atuação qualificada dos conselhos a 
assimetria informacional — isto é, a desigualdade no acesso a dados, conhecimentos técnicos e financeiros, 
especialmente sobre os fundos que os conselhos devem deliberar, acompanhar ou fiscalizar. Essa 
desigualdade gera manipulação política, desmobilização e fragilidade na capacidade deliberativa dos 
conselhos. 
B) Incorreta. Embora reconheça corretamente que os conselhos criam oportunidades para o Poder 
Executivo, a alternativa apresenta duas falhas graves: 
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1. Classifica os conselhos como “espaços públicos estatais”, o que contraria a concepção 
contemporânea de que eles são espaços públicos não estatais — justamente porque envolvem atores 
da sociedade civil de forma institucionalizada, sem serem parte integrante da burocracia estatal. 
2. Afirmar que os conselhos possuem total controle dos fundos que gerem é inverídico. Os conselhos 
atuam na fiscalização e deliberação sobre fundos públicos (como os fundos de saúde ou assistência), 
mas não detêm poder de execução nem controle pleno, e frequentemente sofrem com falta de 
acesso a informações técnicas e orçamentárias (o que reforça o problema da assimetria 
informacional). 
C) Incorreto. Comete os mesmos erros da alternativa B, com um agravante: afirma que os conselhos auxiliam 
o Poder Legislativo, o que não corresponde à realidade institucional. Os conselhos gestores são órgãos 
colegiados vinculados ao Poder Executivo, e sua função é interagir com esse poder na formulação, 
implementação e avaliação das políticas públicas, ampliando o controle social. Eles não têm como função 
típica subsidiar o Legislativo, embora eventualmente seus relatórios possam ser aproveitados por esse 
poder. 
D) Incorreta. Afirma que os conselhos são organizações do terceiro setor, o que é conceitualmente incorreto. 
O terceiro setor compreende entidades privadas sem fins lucrativos, como ONGs, fundações e associações. 
Já os conselhos de gestão são instâncias institucionais públicas, instituídas por lei, ainda que de natureza não 
estatal no sentido deliberativo (Tavares, 2006). Ou seja, não são entidades privadas, mas espaços públicos 
com participação da sociedade civil em estruturas do Estado. 
E) Incorreta. Repete os mesmos problemas da alternativa D. Ao classificar os conselhos como organizações 
do terceiro setor, desloca totalmente a natureza institucional dessas instâncias, confundindo-as com 
entidades privadas. Além disso, afirma que possuem “total controle” sobre os fundos, o que contradiz tanto 
a prática como a literatura acadêmica — os conselhos enfrentam limites institucionais, técnicos e políticos 
para exercer controle efetivo sobre os recursos públicos, sendo esse um dos fatores que comprometem sua 
eficácia. 
Gabarito: A 
10. FGV - 2022 - Consultor Legislativo (SEN)/ 
Um grupo de pesquisa foi incumbido de analisar, na perspectiva da concepção teórica de T. H. 
Marshall, a respeito do desenvolvimento da cidadania, como as políticas sociais baseadas na 
oferta de direitos de natureza prestacional e os demais direitos reconhecidos pela ordem 
jurídica podem influenciar esse vetor. 
O grupo concluiu corretamente que o desenvolvimento da cidadania 
A) pressupõe a evolução linear dos direitos, que devem ser considerados isoladamente, 
considerando o seu liame existencial com os direitos da personalidade. 
B) sofre maior influência da interdependência dos direitos, quando cotejada com uma evolução 
linear desses direitos, sendo a liberdade, primeiro valor da democracia, o ponto de partida. 
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C) decorre de pressupostos puramente procedimentais, não estando conectado aos direitos 
oponíveis ao Estado, prestacionais, ou não, que são meros desdobramentos do princípio 
democrático. 
D) não deve ser confundido com o mito do Estado providência, em que direitos devem 
instrumentalizar o aflorar da personalidade individual, à margem do mérito individual e das 
realizações de cada pessoa. 
E) se dá ao largo da primeira e da segunda dimensões de direitos fundamentais, calcando-se 
exclusivamente nos direitos de terceira dimensão, que instrumentalizam a fraternidade, 
ideário da Revolução Francesa. 
Comentários 
A) Incorreta: embora haja uma ordem histórica, Marshall não defende uma visão isolada ou essencialista 
dos direitos. E não relaciona diretamente os direitos à ideia de “direitos da personalidade”. 
B) Correto. A questão trata da teoria da cidadania de T. H. Marshall, autor fundamental para compreender a 
evolução dos direitos nas sociedades ocidentais, especialmente no contexto do Estado de Bem-Estar Social. 
Segundo Marshall (em Cidadania e classe social, 1950), a cidadania se desenvolve historicamente por etapas, 
com três dimensões interligadas: 
1. Direitos civis – surgem no século XVIII (liberdade individual, liberdade de expressão, direito à 
propriedade, igualdade jurídica). 
2. Direitos políticos – desenvolvem-se no século XIX (direito ao voto, à participação política). 
3. Direitos sociais – consolidados no século XX (educação, saúde, seguridade social, moradia, trabalho 
digno). 
Ponto central da teoria: 
Embora Marshall proponha uma ordem histórica, ele não defende um progresso linear rígido — ele 
destaca que os direitos são interdependentes. A consolidação da cidadania plena só ocorre quando esses 
três grupos de direitos se complementam e são efetivos. 
C) Incorreta: Marshall não entende a cidadania como mero procedimento democrático. Os direitos 
prestacionais (sociais) são centrais em sua teoria. 
 D) Incorreta: não há crítica de Marshall ao chamado “Estado providência” (Estado de Bem-Estar). Pelo 
contrário, ele o considera essencial para efetivar a cidadania social. 
E) Incorreta: os direitos de terceira dimensão (solidariedade, fraternidade, difusos e coletivos) não são o foco 
da teoria de Marshall, que analisa a cidadania principalmente com base nas três primeiras 
Gabarito: B 
11. FGV - 2014 - Consultor Legislativo (CM Recife)/Ciências Sociais e Políticas 
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As ondas de protesto popular que se alastraram no Ocidente nos últimos anos têm motivações 
e características específicas. Nos EUA, o sentimento de injustiça diante da resposta do governo 
Obama à crise de 2008 deu ensejo ao slogan “Nós somos o 99%” do movimento Occupy Wall 
Street. Na Espanha, os altos índices de desemprego (sobretudo entre jovens) que se sucederam 
à crise financeira foram um dos principais catalisadores do movimento dos Indignados. No 
Brasil, o aumento da tarifa de transporte público foi o estopim de mobilizações que se 
desdobraram em agendas diversas, tanto nacionais (o tema da corrupção, por exemplo), 
quanto localizadas (o gasto com os eventos esportivos, como Copa e Olimpíadas, e seu impacto 
nas cidades). Há, contudo, uma característica importante que subjaz a estes três movimentos 
de protesto, uma característica comum, que em certa medida os une e explica. 
Tal característica é uma insatisfação que se refere: 
a) à crise do sistema representativo nas atuais democracias; 
b) aos níveis cada vez mais altos de concentração de renda e desigualdade; 
c) ao neoliberalismo como paradigma dominante da economia; 
d) à hegemonia do setor financeiro no capitalismo hodierno; 
e) à globalização e acordos de livre comércio entre blocos econômicos. 
Comentários 
A) certo. A alternativa aborda uma preocupação com a eficácia e legitimidade dos sistemas democráticos. 
Os movimentos de protesto nos EUA, Espanha e Brasil refletem uma insatisfação com a maneira como a 
representação política funciona, destacando a percepção de muitos de que suas vozes não estão sendo 
devidamente consideradas pelos órgãos governamentais. A referência ao slogan "Nós somos o 99%" no 
movimento Occupy Wall Street nos EUA sugere uma crítica à concentração de poder e influência nas mãos 
de uma pequena parcela da população, indicando uma desconfiança em relação ao sistema representativo 
existente. Portanto, a alternativa (a) capta a essência dessa insatisfação subjacente aos movimentos de 
protesto mencionados. 
B) Embora a desigualdade econômica seja uma preocupação legítima e um tema recorrente nos protestos, 
ela não abrange integralmente a motivação dos movimentos mencionados, que também envolvem questões 
relacionadas à representação política e à resposta do governo a crises específicas. 
c) Embora o neoliberalismo e suas implicações econômicas sejam motivo de preocupação nos movimentos, 
essa alternativa simplifica demais a complexidade das motivações, que incluem também aspectos políticos 
e sociais. 
d) Essa alternativa foca exclusivamente em uma dimensão econômica (a hegemonia do setor financeiro), 
deixando de abranger outros elementos fundamentais presentes nos movimentos, como as questões 
políticas e a crise do sistema representativo. 
e) Embora a globalização seja um fator que desperta preocupações, ela não cobre todos os aspectos das 
motivações dos movimentos mencionados, que também estão relacionados a questões locais e nacionais 
específicas. 
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Gabarito: A 
12. FGV - 2022 - Professor (SEAD AP) 
 
Cena do filme A Onda (2008), baseado na experiência social A Terceira Onda de Ron Jones (1967). 
A Terceira Onda foi uma experiência social para demonstrar as razões do sucesso do fascismo 
na Alemanha de Hitler. 
 
Foi conduzida por Ron Jones, professor de história do Ensino Médio de uma escola da Califórnia 
(EUA), em 1967. Seria possível um regime fascista ser implantado na atualidade, em um país 
democrático? Que fatores levariam pessoas comuns a abraçar uma ideologia totalitária, como 
o fascismo nazista? Para responder, o professor fez os alunos experimentarem diretamente o 
envolvimento em situações similares a uma cultura autoritária, criando o movimento da 
Terceira Onda, e convencendo os alunos da necessidade de eliminar a democracia, considerada 
um obstáculo à coesão social. O lema era: “força pela disciplina, força pela união, força pela 
ação, força pelo orgulho”. 
A experiência conduzida em sala de aula permite desenvolver uma reflexão sociológica sobre a 
personalidade autoritária, concluindo que 
A) a ideologia autoritária é própria da cultura germânica, uma vez que se trata de uma cultura 
etnocêntrica. 
B) a submissão cega à autoridade é um traço social específico de segmentos sem acesso à 
escolaridade. 
C) a ascensão do nazismo explica-se por razões econômicas, haja vista a crise alemã do entre 
guerras. 
D) o autoritarismo é fruto de um oportunismo contingente de grupos sociais que desejam 
alcançar o poder, fora do jogo democrático. 
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E) o fascismo é uma forma de relação social, baseada na hierarquia e na opressão que se 
manifestam, inclusive, nas relações interpessoais. 
Comentários 
 A) Falsa. O autoritarismo não é exclusivo da cultura germânica — pode se desenvolver em 
qualquer sociedade. A explicação etnocêntrica é reducionista. 
 B) Falsa. A experiência mostra que mesmo estudantes escolares, educados, aderiram à 
ideologia autoritária. Ou seja, o autoritarismo não depende exclusivamente da escolaridade. 
C) Parcial. A crise econômica foi um dos fatores para o nazismo, mas não explica o 
comportamento autoritário como relação interpessoal ou estrutura social, que é o foco da 
questão. 
D) Falsa. A questão vai além do oportunismo político. O fascismo é apresentado como 
fenômeno relacional, não apenas político ou eleitoral. 
E) Correto. A experiência da Terceira Onda foi criada pelo professor Ron Jones para demonstrar 
que mesmo em sociedades democráticas e escolarizadas, como os EUA, seria possível instaurar 
um regime totalitário. Isso porque certos traços do autoritarismo podem emergir em relações 
cotidianas, baseadas em: 
• Obediência cega à autoridade, 
• Supressão da individualidade, 
• Rejeição à diversidade, 
• Exaltação da ordem, disciplina e hierarquia, 
• Construção de um “nós” contra “eles”. 
A experiência evidencia que o fascismo não é um fenômeno externo à sociedade democrática 
moderna, mas pode surgir como padrão relacional, socialmente construído. O autoritarismo é 
aprendido e reproduzido nas interações sociais — inclusive nas escolas, famílias, empresas ou 
partidos políticos. Isso dialoga com estudos da Escola de Frankfurt, especialmente Theodor 
Adorno, sobre a "personalidade autoritária" — indivíduos que valorizam a obediência, a rigidez 
moral, o preconceito contra minorias e a submissão ao poder central. 
Gabarito: E 
13. FGV - 2014 - Consultor Legislativo (CM Recife)/Ciências Sociais e Políticas 
A democracia moderna resulta da articulação de duas tradições distintas. De um lado, a 
tradição liberal, constituída pela ênfase no governo das leis (rule of law), defesa dos direitos 
humanos e respeito à liberdade individual; de outro, a tradição fundada nas noções de 
igualdade, equidade e soberania popular. 
Do ponto de vista da lógica que rege o funcionamento dessas duas tradições, e não de seus 
atributos substantivos, a relação entre elas é: 
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a) de complementaridade, haja visto que a defesa dos direitos humanos não faz senão 
aprofundar a igualdade entre os indivíduos; 
b) de competição, dada a concorrência, na esfera pública, entre defensores do Direitocomo 
único princípio de ordenamento social, e os defensores da soberania popular como potência 
instituinte; 
c) de antagonismo, pois a noção liberal de liberdade individual choca-se com os princípios de 
igualdade e soberania popular; 
d) de simbiose, já que quanto mais consolidado for o império das leis, maior será a garantia de 
soberania popular; 
e) de co-extensividade, pois que a soberania popular é a consequência natural do governo das 
leis. 
Comentários 
Gabarito a alternativa C 
Veja, a tradição liberal enfatiza a liberdade individual, o governo das leis (rule of law) e os 
direitos humanos. Por outro lado, a tradição baseada em igualdade e soberania popular destaca 
a busca pela igualdade, equidade e a ideia de que o poder em uma democracia emana do povo. 
Essas duas tradições podem entrar em conflito quando a ênfase na liberdade individual e nos 
direitos individuais colide com a busca por igualdade e a participação ativa do povo no processo 
democrático. Portanto, a noção liberal de liberdade individual pode entrar em antagonismo 
com os princípios de igualdade e soberania popular, tornando a alternativa c) a mais apropriada 
para descrever essa relação. 
Alexis de Tocqueville, em sua obra "A Democracia na América", analisa a democracia nos 
Estados Unidos e observa o perigo da tirania da maioria, indicando que a ênfase excessiva na 
liberdade individual pode levar à opressão dos direitos das minorias. 
John Stuart Mill, por sua vez, argumenta em favor da liberdade individual, mas introduz a noção 
do "princípio da maioridade" (princípio da utilidade) em sua obra "Sobre a Liberdade". Ele 
reconhece que há limites para a liberdade individual quando essa liberdade pode causar dano 
a outros ou à sociedade como um todo. 
Ambos os pensadores reconhecem um tensionamento entre a liberdade individual e o bem 
comum, destacando nuances e desafios na relação entre as tradições liberais e aquelas 
fundamentadas em igualdade e soberania popular. 
a) Esta afirmação não é a mais apropriada porque destaca que a defesa dos direitos humanos 
aprofunda a igualdade entre os indivíduos, mas as tradições liberal e igualitária podem, em 
alguns casos, entrar em conflito, especialmente quando se trata de equilibrar a liberdade 
individual e a busca pela igualdade. 
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b) A alternativa também não é a melhor escolha, pois coloca as tradições liberal e igualitária 
em uma competição direta, enquanto na realidade, muitos sistemas democráticos modernos 
buscam incorporar elementos de ambas as tradições. 
d) Falso, pois a ideia de que o império das leis garantiria a soberania popular não é 
completamente precisa, pois a soberania popular também envolve a participação ativa dos 
cidadãos no processo político, não apenas a submissão às leis. 
e) A afirmação de que a soberania popular é a consequência natural do governo das leis não é 
completamente precisa, pois ambas as tradições (liberal e igualitária) buscam garantir direitos 
e justiça, mas podem divergir em suas abordagens. 
A alternativa correta, c), destaca o antagonismo entre a tradição liberal, centrada na liberdade 
individual, e a tradição baseada em igualdade e soberania popular, sugerindo que essas 
tradições podem entrar em conflito em certos aspectos. Essa visão é consistente com as 
preocupações de pensadores como Tocqueville e Mill, que reconhecem os desafios na 
reconciliação dessas duas tradições na prática democrática. 
Gabarito: C 
14. FGV - 2018 - Técnico do Ministério Público (MPE AL)/Geral 
Na República Federativa do Brasil, todo o poder emana do povo, que pode exercê-lo por meio 
de pessoas eleitas especialmente para esse fim. 
Esse processo de escolha caracteriza uma manifestação da 
a) democracia representativa. 
b) separação dos poderes. 
c) democracia direta. 
d) eleição indireta. 
e) federação. 
Comentários 
a) Correta, os cidadãos elegem representantes por meio do voto, os quais exercem o poder 
em nome do povo. A democracia representativa é caracterizada pela participação dos 
cidadãos na escolha de seus representantes, que tomam decisões em seu nome nos órgãos 
legislativos e executivos. Essa forma de governo permite a representação de interesses 
diversos em uma sociedade complexa e extensa. Vale lembrar que na CF/88 consta que 
todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes, caracterizando a 
representatividade. 
b) Falso, pois se trata de organização dos poderes. 
c) Errado, pois aqui cada cidadão tem direito a um voto e as decisões das leis e da vida 
administrativa é feita por todos os cidadãos. De toda forma, há mecanismos de democracia 
direta no Brasil, como o plebiscito e o referente. 
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d) Errado, pois é um tipo de eleição em que um colegiado de pessoas escolhe, por exemplo, o 
Presidente da República. 
e) Falso, pois aqui temos uma referência à forma de Estado. 
Gabarito: A 
15. FGV - 2013 - Analista Técnico-Administrativo (SUDENE)/Área 8 
 A noção de democracia liberal, forma predominante de democracia nos dias de hoje, 
geralmente se associa à ideia da existência de outros tipos de processos políticos necessários à 
limitação do poder governamental e à provisão de escolhas eleitorais. Destaca‐se, entre estes, 
o conceito de 
a) democracia direta. 
b) sistema multipartidário. 
c) poder ilimitado dos governos. 
d) universalidade da democracia. 
e) desregulamentação da economia. 
Comentários 
A noção de democracia liberal, forma predominante nos dias de hoje, geralmente se associa à 
ideia de outros tipos de processos políticos necessários à limitação do poder governamental e 
à provisão de escolhas eleitorais. Nesse contexto, destaca-se o conceito de b) sistema 
multipartidário. O sistema multipartidário é característico das democracias liberais, onde 
diferentes partidos políticos competem nas eleições, representando diversas ideias e 
interesses. Esse sistema proporciona uma ampla variedade de escolhas para os eleitores e 
contribui para evitar o monopólio do poder por um único partido. 
Gabarito: B 
16. FGV - 2011 - Nacional Unificado (OAB) 
As Constituições brasileiras se mostraram com avanços e retrocessos em relação aos direitos 
humanos. A esse respeito assinale a alternativa correta. 
A) A Constituição de 1946 apresentou diversos retrocessos em relação aos direitos humanos, 
principalmente no tocante aos direitos sociais. 
B) A Constituição de 1967 consolidou arbitrariedades decretadas nos Atos Institucionais, 
caracterizando diversos retrocessos em relação aos direitos humanos. 
C) A Constituição de 1934 se revelou retrógrada ao ignorar normas de proteção social ao 
trabalhador. 
D) A Constituição de 1969, mesmo incorporando as medidas dos Atos Institucionais, se revelou 
mais atenta aos direitos humanos que a Constituição de 1967. 
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123 
Comentários 
A) Errada. A Constituição de 1946, pós-Estado Novo (1937–1945), foi um avanço democrático, restaurando 
o Estado de Direito, o voto direto, os direitos civis e políticos e alguns direitos sociais. 
B) Correto. A Constituição de 1967 foi elaborada durante a ditadura militar (instaurada em 1964) e teve como 
objetivo dar aparência de legalidade ao regime autoritário. Ela incorporou medidas autoritárias,limitou 
direitos fundamentais e restringiu liberdades civis e políticas. Em particular: 
• Reduziu garantias do habeas corpus; 
• Restringiu o direito de greve e de reunião; 
• Fortaleceu o Executivo em detrimento do Legislativo e do Judiciário; 
• Legitimou os Atos Institucionais, que suspendiam direitos e garantias sem controle judicial. 
Assim, houve claros retrocessos em matéria de direitos humanos. 
C) Errada. A Constituição de 1934 foi a primeira a incluir direitos sociais no Brasil, como: 
• Jornada de trabalho de 8h, 
• Descanso semanal, 
• Férias remuneradas, 
• Proteção ao trabalho feminino e infantil, 
• Voto secreto e voto feminino. 
Foi, portanto, progressista para a época. 
D) Errada. A chamada "Constituição de 1969" não foi tecnicamente uma nova constituição, mas uma emenda 
constitucional imposta pela Junta Militar, que agravou ainda mais as medidas autoritárias da Constituição de 
1967, como: 
• Aumentou os poderes do Presidente; 
• Aprofundou a suspensão de direitos políticos; 
• Estabeleceu a cassação de mandatos sem devido processo legal. 
Gabarito: B 
17. FGV - 2018 - Analista do Ministério Público (MPE AL)/ 
O conceito de Estado está diretamente relacionado aos elementos indispensáveis à sua 
formação. 
Assinale a opção que os indica. 
B) Povo, governo soberano e território. 
B) Clero, nobreza e povo. 
C) Classes sociais, classes econômicas e classes territoriais. 
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D) Cultura, população e organização. 
E) Povo, localidade e hierarquia. 
Comentários 
A) Correta. Segundo a teoria clássica do Direito Constitucional e da Ciência Política, três 
elementos são indispensáveis à formação de um Estado: 
1. Povo – o conjunto de pessoas que têm um vínculo jurídico com o Estado (nacionalidade), 
independentemente de onde estejam. É diferente de população (que inclui estrangeiros e 
apátridas residentes). 
2. Território – o espaço físico onde o Estado exerce sua soberania. Inclui solo, subsolo, águas 
e espaço aéreo. 
3. Governo soberano – autoridade política e jurídica que organiza o Estado e exerce poder 
soberano sobre o povo e o território. É o responsável por criar e aplicar normas jurídicas, 
com independência frente a outros Estados. 
B) Clero, nobreza e povo – refere-se aos estamentos do Antigo Regime, não aos elementos do 
Estado moderno. 
 C) Classes sociais, classes econômicas e classes territoriais – são categorias sociológicas, não 
constitutivas do Estado. 
D) Cultura, população e organização – são aspectos importantes, mas não formam os 
elementos essenciais do Estado. 
 E) Povo, localidade e hierarquia – localidade e hierarquia são termos vagos e não equivalem 
a território e governo soberano. 
Gabarito: A 
18. (VUNESP - 2021 ) 
Em fevereiro de 1978, no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Comitê Brasileiro pela Anistia 
(CBA). E o que até então se apresentava como uma medida de justiça restaurativa se 
transformou numa afirmativa de direitos – a “face imprescindível das liberdades 
democráticas”, sublinhou a Carta de Princípios do CBA paulista, criado em maio de 1978. Os 
CBAs foram a senha para o início de um movimento memorável – a campanha pela anistia 
ampla, geral e irrestrita –, que unificou as forças de oposição, reuniu artistas e intelectuais, 
ganhou a opinião pública, e transbordou para a rua em passeatas, comícios e atos públicos. 
(Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, Brasil: uma biografia, p. 479) 
A Lei da Anistia de agosto de 1979 foi 
(A) de Iniciativa Popular, a partir das lideranças da OAB e da CNBB, aprovada apenas com os 
votos da oposição ao governo federal, permitindo a imediata liberdade de todos os presos 
políticos, assim como a legalização dos partidos comunistas e das centrais sindicais. 
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123 
(B) enviada pelo presidente da República ao Congresso e teve como resultado a volta de 
exilados e a libertação de presos políticos e, ao mesmo tempo, não permitiu a 
responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime 
autoritário. 
(C) derivada de uma emenda constitucional proposta pelos deputados e senadores do MDB, 
com o apoio de alguns parlamentares da ARENA, e garantiu uma anistia política a todas as 
forças políticas, com exceção dos militantes ligados aos grupos clandestinos de esquerda. 
(D) proposta pelo ministro da Justiça e aprovada depois de exaustivas negociações com os 
parlamentares da ARENA, que não aceitavam que as principais lideranças antes da ruptura 
institucional de 1964 fossem anistiadas e tivessem os seus direitos políticos reestabelecidos. 
(E) produto de uma longa negociação entre as lideranças da ARENA e do MDB e, com a forte 
oposição das principais centrais sindicais, resultou numa lei bem abrangente, que permitiu que 
os cargos políticos e administrativos exercidos antes de 1964 fossem imediatamente 
reassumidos. 
Comentários: 
A Lei da Anistia de 1979 foi um marco importante no processo de redemocratização do Brasil. Ela permitiu o 
retorno dos exilados políticos, a libertação dos presos políticos e o restabelecimento dos direitos políticos 
de todos aqueles que foram perseguidos pelo regime militar. 
A) Incorreta. A Lei da Anistia não foi de iniciativa popular. Ela foi proposta pelo presidente da República, João 
Figueiredo, e aprovada pelo Congresso Nacional. Além disso, a lei não permitiu a legalização dos partidos 
comunistas e das centrais sindicais, que permaneceram proibidos até 1985. 
B) Correta. A Lei da Anistia foi enviada pelo presidente Figueiredo ao Congresso Nacional e teve como 
resultado a volta de exilados e a libertação de presos políticos. Além disso, a lei não permitiu a 
responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime autoritário. 
C) Incorreta. A Lei da Anistia não excluiu os militantes ligados aos grupos clandestinos de esquerda. Ela 
abrangeu todos os crimes políticos ou conexos com estes, cometidos no período de 2 de setembro de 1961 
a 15 de agosto de 1979. 
D) Incorreta. A Lei da Anistia foi aprovada com o apoio de parlamentares de ambas as principais legendas do 
Congresso Nacional, a ARENA e o MDB. Além disso, a lei não reestabeleceu os direitos políticos das principais 
lideranças políticas antes de 1964. 
E) Incorreta. A Lei da Anistia não permitiu que os cargos políticos e administrativos exercidos antes de 1964 
fossem imediatamente reassumidos. Ela apenas restabeleceu os direitos políticos dos que foram perseguidos 
pelo regime militar. 
Gabarito: B 
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19. (VUNESP - 2019) 
Figueiredo prosseguiu no caminho da abertura política iniciada no governo Geisel. O comando 
das iniciativas ficou nas mãos do general Golbery e do ministro da Justiça, Petrônio Portella. 
(Boris Fausto, História concisa do Brasil) 
Durante o governo Figueiredo, a abertura política avançou com 
(A) a extinção do Serviço Nacional de Informação (SNI) em 1984. 
(B) a aprovação, pelo Congresso, da Lei da Anistia, em agosto de 1979. 
(C) a permissão para o funcionamento do Partido Comunista do Brasil em 1981. 
(D) a reabertura do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1980. 
(E) o reestabelecimento, em 1982, da eleição direta para a presidência da República. 
Comentários:O governo Figueiredo, que se estendeu de 1979 a 1985, foi marcado por um processo de abertura política 
que, embora gradual e cauteloso, representou um avanço significativo em relação ao período mais 
repressivo da ditadura militar. 
A) Incorreta. O Serviço Nacional de Informação (SNI) foi extinto apenas em 1990, durante o governo Collor 
de Mello. 
B) Correta. A Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional em agosto de 1979, foi um marco importante 
na abertura política do Brasil. Ela permitiu o retorno dos exilados políticos, a libertação dos presos políticos 
e o restabelecimento dos direitos políticos de todos aqueles que foram perseguidos pelo regime militar. 
C) Incorreta. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) só foi legalizado em 1985, durante o governo Sarney. 
D) Incorreta. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi reaberto em 1979, ainda durante o governo Geisel. 
E) Incorreta. A eleição direta para a presidência da República só foi reestabelecida em 1989, durante o 
governo Sarney. 
Gabarito: B. 
20. (VUNESP - 2018 ) 
“O Colégio Eleitoral, agora constituído de forma regular, detém poder político incontestável 
para cumprir o seu mandato. A campanha para suprimi-lo constitui audaciosa tentativa política 
para contornar poder legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente. Defender 
o Colégio Eleitoral contra essa investida intempestiva é um dever que é meu, que é do governo, 
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que é de todos os parlamentares que o apoiam. Cumpre conter a ofensiva desencadeada contra 
regras do jogo aceitas para eleição do meu sucessor”. 
Presidente João Figueiredo, em pronunciamento à nação, em 16 de abril de 1984. (Rodrigues, 
A. T O grito preso na garganta. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003. Adaptado) 
Em seu pronunciamento, Figueiredo critica 
(A) o movimento das Diretas Já. 
(B) a fundação de partidos como PT e PDT. 
(C) a candidatura presidencial de Tancredo Neves. 
(D) os comitês de luta pela anistia. 
(E) a organização da luta contra a carestia. 
Comentários: 
O pronunciamento do presidente João Figueiredo, em 16 de abril de 1984, foi uma resposta ao movimento 
das Diretas Já, que exigia a eleição direta para a presidência da República. O movimento, apoiado por uma 
ampla parcela da sociedade, representava um desafio à ditadura militar, que ainda mantinha o controle do 
processo eleitoral. 
(A) Correta. O pronunciamento de Figueiredo é uma crítica direta ao movimento das Diretas Já. O presidente 
afirma que a campanha para a eleição direta "constitui audaciosa tentativa política para contornar poder 
legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente". 
(B) Incorreta. A fundação de partidos como PT e PDT não é mencionada no pronunciamento de Figueiredo. 
Ambos os partidos foram fundados após o fim do A.I.-2, em 1979. 
(C) Incorreta. A candidatura presidencial de Tancredo Neves não é mencionada no pronunciamento de 
Figueiredo. 
(D) Incorreta. Os comitês de luta pela anistia não são mencionados no pronunciamento de Figueiredo, até 
porque a Anistia foi promulgada em 1979. 
(E) Incorreta. A organização da luta contra a carestia (inflação) não é mencionada no pronunciamento de 
Figueiredo. 
Gabarito: A 
21. (VUNESP - 2023) 
Em 1984, pela primeira vez em vinte anos, a sucessão presidencial não seguiu os trâmites 
normais do período militar. Por um lado, o governo procurava evitar a Emenda Dante de 
Oliveira; por outro, não conseguia controlar as divergências internas do PDS em torno da 
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definição de um candidato à presidência. A Emenda Dante de Oliveira seria votada. Entretanto, 
apesar de o envolvimento nas manifestações representar a vontade da maioria da população 
brasileira em reestabelecer as eleições diretas, a emenda acabou sendo rejeitada em 25 de 
abril de 1984. 
(Conceição Aparecida Cabrini, 16 de abril de 1984 – Diretas Já. Em: Circe Bittencourt (org.), 
Dicionários de datas da história do Brasil. Texto adaptado) 
Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, 
(A) a oposição liberal e setores progressistas uniram-se em torno da candidatura do governador 
paulista, Franco Montoro, do PMDB, que disputou e venceu o candidato situacionista, 
Aureliano Chaves, em eleições indiretas. 
(B) grupos políticos mais conservadores, caso do PTB, assumiram a direção das manifestações 
públicas pelas eleições diretas e conseguiram impor uma vitoriosa candidatura situacionista no 
Colégio Eleitoral. 
(C) as forças políticas que defendiam a volta das eleições diretas mantiveram-se unidas e 
conseguiram aprovar uma reforma constitucional que determinava que o novo presidente seria 
eleito diretamente em 1988. 
(D) os partidos oposicionistas, com a liderança do PDT, condenaram a manutenção das eleições 
indiretas por meio do Colégio Eleitoral e colocaram em pauta uma nova emenda constitucional 
com o objetivo de eleições diretas em 1985. 
(E) setores moderados da oposição, conduzidos pelo PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado 
por dissidentes do PDS, e lançaram como candidato à presidência o governador de Minas 
Gerais Tancredo Neves, do PMDB. 
Comentários: 
A derrota da Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência da República em 
1985, foi um momento de frustração para a oposição e a sociedade brasileira. No entanto, o movimento das 
Diretas Já não foi em vão, pois contribuiu para o processo de abertura política e para a redemocratização do 
país. 
A) Incorreta. A derrota da Emenda Dante de Oliveira levou a uma divisão na oposição, com o PMDB se 
tornando o principal partido defensor das eleições diretas e o PDT defendendo a abstenção nas eleições 
indiretas. 
B) Incorreta. A derrota da Emenda Dante de Oliveira não levou ao fortalecimento dos grupos políticos mais 
conservadores. Em vez disso, levou ao fortalecimento do PMDB, que se tornou o principal partido da 
oposição. 
C) Incorreta. A derrota da Emenda Dante de Oliveira não levou à aprovação de uma reforma constitucional 
que determinava que o novo presidente seria eleito diretamente em 1988. Essa reforma só foi aprovada em 
1985, após a eleição indireta de Tancredo Neves. 
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D) Incorreta. O PDT, liderado por Leonel Brizola, continuou a defender as eleições diretas e a criticar a 
manutenção das eleições indiretas. 
E) Correta. Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, setores moderados da oposição, conduzidos pelo 
PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado por dissidentes do PDS, e lançaram como candidato à presidência 
o governador de Minas Gerais Tancredo Neves, do PMDB. Tancredo Neves venceu as eleições indiretas de 
1985, derrotando o candidato situacionista, Paulo Maluf. 
Gabarito: E 
22. (VUNESP - 2017) 
O processo de descompressão do sistema político começara a ser orquestrado em 1975, pelos 
generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, ambos convencidos de que a ditadura 
deveria fazer suas escolhas e definir o momento mais conveniente para revogar os poderes de 
exceção. 
(SCHWARCZ, Lilia M. e STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2015. Adaptado) 
Entre os momentos mais marcantes desse processo, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu 
até a década seguinte, é corretoidentificar 
(A) o ano de 1985, quando o primeiro presidente civil foi eleito diretamente depois de 21 anos 
de ditadura, em que apenas militares estiveram no poder. 
(B) o ano de 1986, quando os primeiros militares acusados de tortura começaram a ser 
processados, levados a julgamento e presos posteriormente. 
(C) o ano de 1982, quando explodiu um grande movimento de massas favorável às eleições 
diretas, embalado pelas vitórias da oposição nos governos estaduais. 
(D) o biênio 1988-1989, quando foi eleita a Assembleia que escreveu a Constituição, que só 
entrou em vigor depois do plebiscito sobre a forma de governo de 1993. 
(E) o biênio 1978-1979, quando o AI-5 foi extinto, a Lei da Anistia foi promulgada e extinguiu-
se o bipartidarismo, passando a haver vários partidos. 
Comentários: 
O processo de abertura política no Brasil, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu até a década seguinte, 
foi um período de gradual liberalização do regime militar. Esse processo foi marcado por uma série de 
medidas, como a extinção do AI-5, a aprovação da Lei da Anistia e a redemocratização do sistema partidário. 
A) Incorreta. O ano de 1985 foi um marco importante no processo de redemocratização do Brasil por conta 
da eleição indireta de um presidente civil depois de mais de vinte anos de governos militares. Contudo, é 
importante notar que a eleição de Tancredo Neves foi uma eleição indireta. 
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B) Incorreta. Os militares nunca foram julgados no Brasil devido à Lei de Anistia e compreensão jurídica de 
que seus crimes foram conexos aos crimes políticos definidos na Lei de Segurança Nacional, a partir da qual 
ocorreram as acusações e julgamentos dos opositores do regime. . 
C) Incorreta. O movimento das Diretas Já, que explodiu em 1982, foi um importante marco no processo de 
abertura política, mas não foi o momento mais marcante. A aprovação da Lei da Anistia, em 1979, e a 
extinção do bipartidarismo, em 1979, foram medidas mais significativas, pois representaram o início da 
redemocratização do sistema político. 
D) Incorreta. A eleição da Assembleia Nacional Constituinte ocorreu em 1986, e a Constituição foi 
promulgada em 1988. 
E) Correta. O biênio 1978-1979 foi um período de importantes avanços no processo de abertura política. Em 
1978, o AI-5 foi extinto, em 1979 foi promulgada a Lei da Anistia e, no mesmo ano, o bipartidarismo foi 
extinto, passando a haver vários partidos. 
Gabarito: E 
23. (VUNESP - 2019) 
A Assembleia Constituinte instalou-se em 1o de fevereiro de 1987, e a Constituição foi 
promulgada no ano seguinte, em 5 de outubro de 1988. [...] É a mais extensa Constituição 
brasileira – tem 250 artigos principais, mais 98 artigos das disposições transitórias – e está em 
vigor até hoje. 
(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia) 
Essa Constituição 
(A) garantiu o voto facultativo para os analfabetos. 
(B) permitiu a formação de partidos políticos estaduais. 
(C) proibiu as coligações partidárias nas eleições majoritárias. 
(D) criou as Comissões Parlamentares de Inquérito. 
(E) restringiu o direito de greve para funcionários públicos federais. 
Comentários: 
A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, foi um marco importante no processo de 
redemocratização do Brasil. Ela estabeleceu um Estado Democrático de Direito, com garantias fundamentais 
para os cidadãos, como o voto direto e secreto, a liberdade de expressão e a separação dos poderes. 
(A) Correta. A Constituição de 1988 garantiu o voto facultativo para os analfabetos, que até então só podiam 
votar se fossem alfabetizados. Essa medida foi uma conquista importante para a inclusão social e política 
dos analfabetos. 
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(B) Incorreta. A Constituição de 1988 não permitiu a formação de partidos políticos estaduais. Ela manteve 
o sistema de partidos políticos nacionais, que já existia desde a Constituição de 1946. 
(C) Incorreta. A Constituição de 1988 não proibiu as coligações partidárias nas eleições majoritárias. Ela 
manteve a possibilidade de que dois ou mais partidos políticos se unam para lançar um candidato a uma 
eleição majoritária, como a eleição presidencial ou a eleição para governador. 
(D) Incorreta. A Constituição de 1988 não criou as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), pois elas já 
existiam na Constituição de 1945. As CPIs são comissões temporárias constituídas pelo Congresso Nacional 
para investigar denúncias de irregularidades ou crimes. 
(E) Incorreta. A Constituição de 1988 não restringiu o direito de greve para funcionários públicos federais. 
Ela manteve o direito de greve para todos os trabalhadores, inclusive os funcionários públicos. 
Gabarito: A 
24. CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Analista Legislativo (ALECE)/Ciências Sociais/Sociologia 
Julgue o item, relativo à democracia brasileira, particularmente no período de 1988 até os dias 
atuais. 
A atual Constituição, ao não prever mecanismos de controle das instituições capazes de 
garantir tanto a participação popular quanto a transparência na gestão pública, representou, 
historicamente, a derrota das mobilizações da sociedade civil, ocorridas durante o processo 
constituinte, em prol da democracia. 
C Certo 
E Errado 
Comentários: 
Errado. 
A Constituição Federal de 1988, conhecida como a "Constituição Cidadã", introduziu mecanismos 
significativos de controle e participação popular, consolidando a democracia participativa no Brasil. Dentre 
esses mecanismos, destacam-se o referendo, o plebiscito e a iniciativa popular, que permitem aos cidadãos 
participar diretamente do processo decisório federal e local. 
Além disso, a Constituição estabeleceu os Conselhos Gestores de Políticas Públicas nos níveis municipal, 
estadual e federal. Esses conselhos têm representação tanto do Estado quanto da sociedade civil, 
promovendo uma gestão democrática e descentralizada. Setores específicos, como a Seguridade Social, a 
educação e a proteção da criança e do adolescente, foram designados para terem gestões com caráter 
participativo, enfatizando a importância da colaboração entre governos, trabalhadores, empresários e 
aposentados. 
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No campo do planejamento participativo, a Constituição estipula a cooperação das associações 
representativas no planejamento municipal, evidenciando a necessidade de envolvimento da sociedade na 
elaboração e implementação de políticas locais (Art. 29, XII). A gestão democrática do ensino público na área 
da educação também é ressaltada, assegurando a participação da comunidade na tomada de decisões 
relacionadas ao sistema educacional (Art. 206, VI). 
Destaca-se ainda a gestão administrativa da Seguridade Social, que prevê a participação quadripartite de 
governos, trabalhadores, empresários e aposentados (Art. 114, VI). Esse modelo de gestão busca garantir a 
representatividade de diferentes setores na administração dos recursos e políticas relacionadas à Seguridade 
Social. 
Gabarito: E 
25. (VUNESP – 2011) 
Sobre a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988, é correto afirmar que 
a) criou a Lei da Ficha Limpa, que impede que os cidadãos condenados à prisão sejam 
admitidos como candidatos a cargos públicos. 
b) estabeleceuque a legislação relacionada aos direitos humanos deve ser de 
responsabilidade dos estados da federação. 
c) restringiu o direito de greve entre os funcionários públicos e proibiu esse mesmo direito 
aos trabalhadores da área de saúde. 
d) ampliou os direitos políticos, pois instituiu o voto facultativo para os analfabetos e para os 
jovens entre 16 e 18 anos. 
e) anulou importantes conquistas sociais, como a licença paternidade e a possibilidade de 
habeas corpus para crimes políticos. 
 
Comentários: 
De uma maneira geral, a nova Carta Constitucional, estabeleceu, dentre outras questões: 
 Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, governadores e 
prefeituras de cidades com mais de 200 mil eleitores; 
 Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos e para pessoas com mais de 70 anos; 
 Reafirmação do direito de voto aos analfabetos (facultativo), porém, os analfabetos 
são inelegíveis, isto é, não podem se candidatar. 
 A Medida Provisória como instrumento do Poder Executivo, com força de lei, para 
casos de relevância e urgência, tal como preceitos constitucionais; 
 Projeto de lei de iniciativa popular; 
 Igualdade jurídica entre todos os cidadãos: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, 
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes (...)”. 
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Com isso, já sabemos que o gabarito é letra d). Vamos olhar porque as outras alternativas estão 
erradas: 
a) A Lei da Ficha Limpa é de 2010. 
b) Essa responsabilidade ficou atribuída ao governo federal. 
c) Pelo artigo 9º da Constituição Federal, a greve passou a ser admitida de forma ampla, como 
direito dos trabalhadores em geral, a qual é proibida apenas em relação aos militares. Passou-
se a admiti-la também no serviço público, mediante lei, e nos serviços e atividades essenciais, 
com restrições consistentes no atendimento das necessidades inadiáveis da população. 
e) Ela reafirmou esses direitos. 
Gabarito: D 
26. (MPE-GO - 2023 - MPE-GO - Secretário Auxiliar) 
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é conhecida, desde sua promulgação, 
como a “Constituição Cidadã”. Nesse sentido, não configura avanço no exercício da cidadania 
por ela trazido: 
e) A colocação da Educação como dever do Estado, inclusive para quem não teve acesso ao 
ensino na idade certa. 
f) Garantia, aos brasileiros, do pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da 
cultura nacional. 
g) O voto direto, censitário e secreto. 
h) A possibilidade de os cidadãos apresentarem projetos de lei. 
Comentários: 
A Constituição Federal de 1988, conhecida como "Constituição Cidadã", representa um marco na história do 
Brasil, consolidando direitos e ampliando a participação popular. 
a) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A Constituição garante o direito à educação a todos, 
independentemente da idade, combatendo a exclusão e promovendo a cidadania. 
b) ) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A Carta Magna garante o acesso à cultura e às fontes da cultura 
nacional, promovendo a diversidade e a identidade cultural do povo brasileiro. 
c) Incorreta, logo é o gabarito. . O voto direto, universal e secreto, previsto na Constituição, garante a 
igualdade e a liberdade de escolha dos cidadãos, configurando um avanço na cidadania. Veja que a afirmação 
fala em voto “censitário”, uma modalidade de votação que restringe as pessoas que podem votar. Em geral, 
esta restrição é por renda. 
d) ) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A iniciativa popular permite que os cidadãos apresentem 
projetos de lei, fortalecendo a participação popular na construção das leis. 
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Gabarito: C. 
27. (CESPE/Cebraspe - Consultor Legislativo (SEN) / 2002) 
Representação política é a existência de semelhança social entre os que representam e os que 
são representados nos partidos políticos, e retrata um dos grandes debates correntes na 
política brasileira. No Brasil, é visível a presença de empresários nos partidos conservadores e 
de centro. Na bancada dos partidos progressistas, é clara a presença de sindicalistas e de 
profissionais de classe média. 
Com relação aos modos de representação política, julgue o item seguinte: 
Elites políticas organizam-se nos estados, e seu papel na articulação das negociações nacionais 
pode determinar seu poder na política local, estadual ou nacional. 
Certo 
Errado 
Comentários 
O item está correto. O papel das elites políticas na organização e articulação das negociações nacionais pode 
influenciar significativamente seu poder na política local, estadual ou nacional. As elites políticas, muitas 
vezes compostas por líderes de partidos políticos, parlamentares influentes, líderes empresariais e outros 
atores de destaque na cena política, desempenham um papel importante na tomada de decisões e 
negociações políticas em níveis diferentes. 
Suas ações e influência podem se estender além das fronteiras estaduais e locais, afetando o cenário político 
em âmbito nacional. Por exemplo, líderes de partidos políticos que têm presença em vários estados podem 
desempenhar um papel fundamental na formação de coalizões e na condução de negociações políticas em 
nível nacional. 
Assim, o papel das elites políticas nas negociações nacionais é uma questão relevante na política brasileira, 
pois pode determinar em grande parte seu poder e influência nos diferentes níveis do sistema político, desde 
o local até o nacional. 
Gabarito: Correto 
28. (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (MPOG) / 2005) 
A democracia representativa surgiu como um compromisso entre o poder do príncipe, cuja 
legitimidade residia na tradição, e o poder dos representantes do povo, cuja legitimidade 
residia no consenso, cujo marco é a Revolução Inglesa de 1688. Esse processo, entretanto, 
prosseguiu com uma série de desdobramentos. 
As seguintes afirmações estão associadas ao desenvolvimento da democracia representativa: 
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1- A representação por estamentos dá lugar à representação dos indivíduos. 
2- O reconhecimento dos direitos do homem e do cidadão implica reconhecimento da 
igualdade natural entre todos os seres humanos. 
3- A ampliação dos direitos políticos, cujo ápice é o sufrágio universal, tornou necessária a 
constituição de partidos, alterando o próprio sistema de representação. 
4- A mudança no sistema de representação, ao fazer com que os partidos se formassem fora e 
não dentro do Parlamento, acarretou que as decisões coletivas se tornassem fruto de 
negociações e acordos entre os grupos de representantes das diversas forças sociais e políticas. 
Em relação às afirmativas acima, assinale a opção correta. 
A) Estão todas corretas. 
B) Estão todas incorretas. 
C) Apenas a nº 1 está correta. 
D) apenas a nº 2 está correta. 
E) apenas a nº 3 está correta 
Comentários 
Todas as afirmativas apresentadas estão relacionadas ao desenvolvimento da democracia representativa e 
são verdadeiras. Vou explicar cada uma delas: 
1. Isso representa uma evolução na democracia representativa, em que a representaçãode grupos ou 
estamentos específicos cede lugar à representação de indivíduos, independentemente de sua filiação a 
grupos sociais ou classes. 
2. Os direitos do homem e do cidadão, frequentemente ligados à Revolução Francesa, enfatizam a igualdade 
natural de todos os seres humanos, um princípio fundamental na democracia representativa. 
3. Com a expansão dos direitos políticos e a introdução do sufrágio universal, houve a necessidade de 
partidos políticos para representar os interesses e preferências dos eleitores, o que alterou a dinâmica do 
sistema de representação. 
4. Com a formação de partidos políticos e a sua atuação fora do Parlamento, as decisões coletivas passaram 
a ser moldadas por negociações e acordos entre diferentes grupos de representantes, refletindo a dinâmica 
da democracia representativa moderna. 
Gabarito: A 
29. INEP- 2017 
O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma 
dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática 
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exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão 
pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo 
coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. 
 VITALE, D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH 
(UFBA), v. 19, 2006 (adaptado). 
 O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de 
inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a) 
A)participação direta periódica do cidadão. 
B)debate livre e racional entre cidadãos e Estado. 
C)interlocução entre os poderes governamentais. 
D)eleição de lideranças políticas com mandatos temporários. 
E)controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos. 
Comentários 
A alternativa B é o nosso gabarito, porque reflete a ênfase de Habermas na dimensão procedimental da 
democracia, que envolve o debate livre e racional entre cidadãos e o Estado. O pensamento de Habermas 
destaca a importância do discurso e da deliberação como meios essenciais para alcançar decisões políticas 
legítimas. Aqui está uma explicação mais detalhada: 
A) Participação direta periódica do cidadão: Embora a participação direta seja um elemento democrático, a 
abordagem de Habermas destaca mais a qualidade do debate e da deliberação do que a mera participação. 
C) Interlocução entre os poderes governamentais: Embora a interlocução entre os poderes seja importante 
em um sistema democrático, o foco de Habermas está na interação direta e no discurso entre cidadãos e o 
Estado. 
D) Eleição de lideranças políticas com mandatos temporários: A eleição periódica de líderes é uma 
característica da democracia representativa, mas não aborda diretamente a ênfase de Habermas na 
deliberação e no discurso. 
E) Controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos: Embora o controle do poder por cidadãos seja 
um princípio democrático, a abordagem de Habermas destaca a importância do debate livre e racional, 
independentemente do nível de esclarecimento dos cidadãos. A perspectiva de Habermas destaca que a 
qualidade do processo deliberativo é crucial para a legitimidade democrática, permitindo que diferentes 
visões e argumentos sejam considerados. Isso se alinha com a ideia de que a inclusão social é favorecida 
quando há uma discussão aberta e racional entre cidadãos e o Estado. 
Gabarito: B 
30. (CS-UFG - 2024 - Câmara de Anápolis - GO - Analista Administrativo – Administração) 
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A República Federativa do Brasil constitui-se como um Estado Democrático de Direito, o qual 
se caracteriza por 
e) ignorar as normas legais estabelecidas, agindo de forma arbitrária. 
f) priorizar os interesses individuais, favorecendo práticas patrimonialistas. 
g) garantir a igualdade de todos perante a lei, respeitando os direitos fundamentais. 
h) permitir a concentração de poderes nas mãos de um órgão governamental. 
Comentários: 
Um Estado Democrático de Direito se baseia em princípios fundamentais que garantem a organização social 
e política justa e equilibrada. O Estado Democrático de Direito se caracteriza por: 
• Soberania popular: o poder emana do povo. 
• Separação de poderes: divisão do poder em Executivo, Legislativo e Judiciário. 
• Legalidade: todos estão sujeitos à lei. 
• Impessoalidade: a atuação do Estado deve ser impessoal e objetiva. 
• Publicidade: os atos do Estado devem ser públicos. 
• Controle social: o povo tem o direito de controlar o Estado. 
• Respeito aos direitos fundamentais: o Estado deve garantir os direitos fundamentais do cidadão. 
Além disso, guarde que Estado de Direito indica o primado das leis em oposição ao governo dos homens, no 
qual a força bruta predominava. Já a noção de Estado Democrático confere legitimidade e participação do 
povo às próprias leis. 
a) Incorreta. Um Estado Democrático de Direito se fundamenta na lei e na impessoalidade, não na 
arbitrariedade. 
b) Incorreta. O Estado Democrático de Direito visa o bem comum e a igualdade, combatendo o 
patrimonialismo. 
c) Certa. A igualdade perante a lei e o respeito aos direitos fundamentais são pilares de um Estado 
Democrático de Direito. 
d) Incorreta. A concentração de poderes fere a divisão de poderes e a democracia. 
Gabarito: C. 
31. (Profe Ale Lopes/Autoral /Estratégia Concursos/2024) 
 O uso da tecnologia digital em campanhas eleitorais e mandatos políticos pode possibilitar 
uma forma mais substantiva de representação descritiva, fortalecendo outras políticas da 
presença como, por exemplo, as cotas. Quando não é utilizada para desinformar, distorcer a 
verdade ou difundir notícias falsas , a internet permite que as pessoas sejam substancialmente 
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representadas por outras com as quais trazem experiências digitais durante o curso de 
campanhas e de mandatos. 
No que se refere à relação entre tecnologia da comunicação e os desafios para a representação 
política no Brasil, é correto afirmar que 
a) A tecnologia digital tem o potencial de tornar presentes mulheres, negros, indígenas, LGBT+ 
e outros grupos historicamente ausentes da competição eleitoral e das instituições políticas. 
b) A exclusão digital é um problema inexistente no Brasil, garantindo igualdade de acesso à 
tecnologia para todos os grupos sociais. 
c) A disseminação de fake news e desinformação nas redes sociais não representa uma ameaça 
significativa à representação política autêntica. 
d) A divisão digital no país não influencia a equidade na representação, pois as diferenças de 
acesso à tecnologia são irrelevantes para a participação política. 
e) A tecnologia digital, ao contrário, reforça a exclusão social e acentua as disparidades na 
representação política, ampliando a voz apenas para determinados grupos privilegiados. 
Comentários 
a)Correta: A tecnologia digital, quando utilizada de maneira adequada, pode proporcionar uma 
representação mais inclusiva ao permitir que diversos grupos compartilhem suas experiências durante 
campanhas e mandatos. 
b) Incorreta: A exclusão digital é um problema existente no Brasil, afetando desigualmentediversos grupos 
sociais, o que impacta diretamente na participação política e na representação. 
c) Incorreta: A disseminação de fake news e desinformação nas redes sociais representa uma ameaça 
significativa à representação política autêntica, minando a confiança e distorcendo percepções durante 
campanhas eleitorais. 
d) Incorreta: A divisão digital no país influencia a equidade na representação, pois as diferenças de acesso à 
tecnologia podem criar barreiras para a participação política de certos grupos. 
e) Incorreta: A tecnologia digital, ao contrário, não reforça a exclusão social e acentua as disparidades na 
representação política, ampliando a voz apenas para determinados grupos privilegiados. Pelo contrário, 
pode perpetuar desigualdades se não for abordada adequadamente. 
Gabarito: A 
32. (UECE-CEV - 2018 - SECULT-CE - Analista de Cultura) 
Atente para o que as pesquisadoras Ilse Scherer-Warren Lígia e Helena Hahn Lüchmann 
afirmam no seguinte excerto: “A emergência de novas articulações entre Estado e sociedade, 
principalmente a partir da Constituição de 1988, deslocou grande parte das energias 
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participativas para o interior dos novos espaços institucionais que, a exemplo dos Conselhos 
Gestores e dos Orçamentos Participativos – OP –, resultaram, em grande medida, das lutas e 
reivindicações pela democratização do Estado”. 
Fonte: Ilse Scherer-Warren; Lígia Helena Hahn Lüchmann. Situando o debate sobre 
movimentos sociais e sociedade civil no Brasil – Introdução. Política & Sociedade, n. 05, 2004. 
Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira. 
a) Os anos 1980, marcados pelo período da redemocratização, vivenciaram novas 
articulações entre Estado e sociedade. 
b) A Constituição de 1988 institucionalizou os modelos de participação social que existiam 
desde os anos 1970, como o Orçamento Participativo. 
c) Os deputados de 1988 se anteciparam à sociedade brasileira e criaram novos espaços 
institucionais de participação popular, como os Conselhos Gestores. 
d) Os Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo são novos espaços institucionais 
criados pela Constituição Cidadã de 1988. 
Comentários: 
O excerto de Scherer-Warren e Lüchmann destaca a importância da Constituição Federal de 1988 (CF/88) na 
criação de novos mecanismos de participação social no Brasil. A partir da redemocratização, a sociedade civil 
se mobilizou para democratizar o Estado, resultando na institucionalização de instrumentos como os 
Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo (OP). A participação social é um direito fundamental da 
CF/88. Ela é essencial para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e transparente. 
Vejamos as alternativas: 
A) Correto. Essas relações são marcadas por maior interação e participação. 
B) Incorreto. O Orçamento Participativo não foi instituído pela Constituição e nem existia na década de 1970. 
Ele surge pela primeira vez em Porto Alegre depois da promulgação da Constituição de 1988. 
C) Incorreto. Os Conselhos Gestores foram criados a partir da promulgação da Constituição Federal e como 
resposta à ampla mobilização da sociedade contra a ditadura e em favor da demcoracia. 
D) Incorreto. Os conselhos gestores sim, mas o OP não foi criado pela CF/88. 
Gabarito: A 
33. CESPE / CEBRASPE - 2023 – FUB – Diversos Cargos) 
Com relação às diferentes classificações das constituições e aos princípios fundamentais 
previstos na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os itens seguintes. 
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Segundo a CF, o povo deve exercer o poder por meio de representantes eleitos, em vez de 
diretamente. 
Certo 
Errado 
Comentários 
Errada. A CF/88 prevê a democracia representativa, mas também admite a democracia direta, através de 
instrumentos como o plebiscito, o referendo, a iniciativa popular e o conselhos gestores. 
Gabarito: E 
34. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Técnico em Assuntos Educacionais (MEC) 
Julgue o seguinte item, referente ao mecanismo de controle social e às políticas públicas. 
Controle social é um mecanismo de representação da sociedade civil na fiscalização das 
políticas públicas, sendo exercido por conselhos gestores, em caráter deliberativo ou 
consultivo. 
Certo 
Errado 
Comentários 
O item está certo. O controle social, frequentemente exercido por conselhos gestores, é, de fato, um 
mecanismo que representa a sociedade civil na fiscalização das políticas públicas. Esses conselhos podem ter 
caráter deliberativo ou consultivo, desempenhando um papel fundamental na participação da comunidade 
na gestão e monitoramento de ações governamentais. 
Gabarito: C 
35. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Auditor de Controle Interno (CGDF)/Planejamento e Orçamento 
 A Constituição Federal de 1988 determinou mudanças na forma de interação do Estado com 
a sociedade brasileira, introduzindo as instituições participativas, com as incorporações de 
cidadãos e de associações da sociedade civil na deliberação de políticas públicas. Entre as 
instituições participativas que podem auxiliar na elaboração das políticas públicas incluem-se 
I ) os conselhos nacionais. 
II ) os conselhos municipais na definição do orçamento público. 
III ) as conferências nacionais. 
IV ) as audiências públicas. 
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V ) as associações da sociedade civil. 
Assinale a opção correta. 
A)Apenas os itens I, III e V estão certos. 
B)Apenas os itens II, III e IV estão certos. 
C)Apenas os itens I, II, IV e V estão certos. 
D)Todos os itens estão certos. 
Comentários 
A questão aborda a participação da sociedade nas políticas públicas, considerando as instituições 
participativas introduzidas pela Constituição Federal de 1988. 
I. Os conselhos nacionais. 
Correto. Os conselhos nacionais são instâncias de participação da sociedade na deliberação de políticas 
públicas em nível nacional. 
II. Os conselhos municipais na definição do orçamento público. 
Correto. Os conselhos municipais desempenham um papel importante na definição do orçamento público 
em nível local. 
III. As conferências nacionais. 
Correto. As conferências nacionais são espaços de debate e deliberação sobre políticas públicas em âmbito 
nacional. 
IV. As audiências públicas. 
Correto. As audiências públicas são mecanismos de participação que permitem o debate entre 
representantes do governo e da sociedade civil sobre determinados temas. 
V. As associações da sociedade civil. 
Correto. As associações da sociedade civil têm um papel relevante na representação de interesses e na 
participação nas discussões sobre políticas públicas. 
Gabarito: D 
36. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico 
e Regional/2023 
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O termo Instituições Participativas (IPs) foi cunhado tendo em vista a crítica à compreensão da 
institucionalidade, centrada na existência de uma legislação formal acerca do funcionamento 
das instituições, bem como ao fato da própria abrangênciado conceito de instituição política 
que, de modo geral, não trata das práticas participativas e inovadoras. (AVRITZER, 2008). 
 Sobre exemplos de IPs, analise as afirmativas, considerando-as verdadeiras (V) ou falsas (F): 
 ( ) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas 
pelo executivo, buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas 
públicas, disponibilizadas em canais institucionais e que depois são transformadas em políticas 
públicas setoriais. 
 ( ) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários, 
entre Estado e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais, 
contribuindo para o processo de democratização da gestão pública. 
 ( ) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas 
entre Estado e a sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do 
orçamento público municipal. Apresenta-se em duas versões: presencial e digital. 
 ( ) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos 
disponibilizados pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação 
de serviços, bem como receber demandas diversas. 
 A sequência CORRETA, de cima para baixo, é: 
a) F, F, V, V. 
b) F, V, V, V. 
c) V, F, V, F. 
d) V, F, V, V. 
Comentários 
(F) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas pelo executivo, 
buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas públicas, disponibilizadas em 
canais institucionais e que depois são transformadas em políticas públicas setoriais. 
Falso. As Conferências Públicas não são eventos episódicos organizados pelo executivo; são espaços de 
participação e deliberação de diretrizes gerais de políticas públicas organizados periodicamente. 
(F) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários, entre Estado 
e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais, contribuindo para o 
processo de democratização da gestão pública. 
Falso. Embora os Conselhos de Políticas tenham a função de formular e controlar a execução das políticas 
públicas, a execução em si é realizada pelo próprio poder público, não pelos conselhos. 
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(V) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas entre Estado e a 
sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do orçamento público municipal. 
Apresenta-se em duas versões: presencial e digital. 
Verdadeiro. O Orçamento Participativo visa a envolver a sociedade na definição das prioridades de gastos 
públicos, e pode ocorrer em versões presenciais e digitais. 
(V) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos disponibilizados 
pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação de serviços, bem como receber 
demandas diversas. 
Verdadeiro. Canais de participação são meios pelos quais os cidadãos podem expressar suas preferências, 
avaliar serviços e apresentar demandas. 
Portanto, a sequência correta é a A: F, F, V, V. 
Gabarito: A 
37. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico e 
Regional/2023 
A crise de representação e o crescimento da participação da sociedade civil nos processos 
políticos têm gerado novas dinâmicas de representação política, o que resulta na necessidade 
de compreendê-la em sua dimensão processual. 
Essas novas dinâmicas abarcam a compreensão de que: 
I. A representação se constitui como atividade que pressupõe interações contínuas, ao longo 
do tempo, entre representantes e representados, não havendo definição prévia do que é 
representado e de quem o representa. 
II. Há uma diversidade de atores sociais que exercem representação política de fato, cujas ações 
são dirigidas para um público que buscam atrair e convencer sobre questões diversas, muitas 
das quais escapam do alcance da representação democrática do Estado Nacional. 
III. A legitimidade da representação desses novos atores não é proveniente da autorização, 
como é no caso do eleitor, mas das funções discursivas sustentadas pela apresentação de 
temas e questões postos para o debate na esfera pública. 
IV. Há modalidades de representação, de largo alcance e muitas vezes informais, que não 
requerem controle por aqueles que dizem representar, precisando apenas que esses 
representantes tornem pública sua atuação. 
Estão CORRETAS apenas as afirmativas. 
a) I, II e III. 
b) I, III e IV. 
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c) II e III. 
d) II, III e IV. 
Comentários: 
I. A representação se constitui como atividade que pressupõe interações contínuas, ao longo do tempo, entre 
representantes e representados, não havendo definição prévia do que é representado e de quem o 
representa. 
Correto. Este item destaca a natureza dinâmica e em constante evolução da representação política. Ele 
reconhece que as interações entre representantes e representados são contínuas, podendo variar ao longo 
do tempo, e que a definição do que é representado e quem representa não é estática. 
II. Há uma diversidade de atores sociais que exercem representação política de fato, cujas ações são dirigidas 
para um público que buscam atrair e convencer sobre questões diversas, muitas das quais escapam do 
alcance da representação democrática do Estado Nacional. 
Correto. Este item destaca a presença de uma multiplicidade de atores sociais envolvidos na representação 
política. Além disso, reconhece que suas ações muitas vezes transcendem os limites da representação 
democrática tradicional do Estado Nacional. 
III. A legitimidade da representação desses novos atores não é proveniente da autorização, como é no caso 
do eleitor, mas das funções discursivas sustentadas pela apresentação de temas e questões postos para o 
debate na esfera pública. 
Correto. Este item aborda uma mudança na fonte de legitimidade da representação, destacando que ela não 
é mais derivada apenas da autorização formal, como no caso dos eleitores, mas é construída através de 
funções discursivas e da apresentação de temas para o debate público. 
IV. Há modalidades de representação, de largo alcance e muitas vezes informais, que não requerem controle 
por aqueles que dizem representar, precisando apenas que esses representantes tornem pública sua 
atuação. 
Errado. Este item sugere que certas modalidades de representação não requerem controle por parte 
daqueles que afirmam representar. No entanto, é importante destacar que mesmo em espaços informais, 
há formas de controle, como a resposta do público às ações de representação. 
Portanto, considerando as análises acima, as afirmativas corretas são I, II e III. O item IV é a única afirmativa 
incorreta. 
Gabarito: A 
38. VUNESP - AFTM SP/Pref SP/Gestão Tributária/2023 
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A participação social, como mecanismo de visibilidade ampla de demandas sociais e de 
exercício democrático, traz um duplo desafio para a capacidade de intervenção estatal. 
Considerando a afirmação apresentada,compreensiva. Brasília: UnB, 1999, v. 1, p. 34.) 
As afirmativas a seguir indicam corretamente elementos básicos da noção weberiana de Estado dedutíveis 
da definição dada, à exceção de uma. 
 Assinale-a. 
A) O Estado atua no âmbito de um território que é definido e ordenadamente dominado. 
B) O Estado usa a força para defender os interesses dos grupos economicamente hegemônicos 
C) o Estado tem um caráter institucional, político e organizacional. 
D) O quadro administrativo exerce o monopólio legítimo da coação física. 
E) O estado regula as atividades humanas nos mais diversos campos mantendo a vigência da ordem. 
Comentários 
A) Afirmação correta. Weber afirma que o Estado atua dentro de um território geograficamente delimitado, 
onde ele detém a autoridade política. A territorialidade é essencial à sua definição. 
B) Afirmação falsa, portanto, nosso gabarito. Essa é uma interpretação marxista, e não weberiana. Para Marx, 
o Estado seria um instrumento de dominação de classe. Weber, por outro lado, entende o Estado como a 
entidade que detém o monopólio legítimo da coação física, não necessariamente vinculado aos interesses 
de uma classe econômica. 
C) A afirmação está correta. Para Weber, o Estado é uma organização institucionalizada e legítima, com um 
corpo administrativo e normas reconhecidas. 
D) A afirmação está correta. Esse é o elemento central da definição weberiana de Estado: a legitimidade na 
coação física exercida por agentes estatais dentro de um território. 
E) A afirmação está correta. Essa é uma consequência da definição de autoridade legítima. O Estado regula 
a ordem social, econômica e jurídica como forma de manutenção da autoridade e da ordem. 
Gabarito: B 
 
1. A FORMAÇÃO HISTÓRICA DO ESTADO DE DEMOCRÁTICO 
DE DIREITO 
Antes de surgir o Estado Democrático de Direito, temos o Estado de Direito, o qual nasce no contexto 
das revoluções liberais dos séculos XVII e XVIII, como oposição ao absolutismo monárquico. 
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A Revolução Gloriosa (1688), na Inglaterra, e a Revolução Francesa (1789), marcaram a transição para 
regimes em que o poder se submete às leis, e não à vontade de um soberano. John Locke (1632-1704), em 
sua teoria do contrato social, afirma que os indivíduos transferem parte de seus direitos ao Estado para 
garantir segurança e liberdade, mas o Estado está limitado por normas jurídicas. Por sua vez, o ideal de 
separação dos poderes, defendido por Montesquieu, torna-se fundamento do Estado de Direito liberal. 
Neste contexto, a teoria da separação dos poderes, formulada por Charles de Montesquieu (1689-
1755), em O Espírito das Leis (1748), tinha como objetivo impedir a concentração de poder nas mãos de uma 
única autoridade. Para o filósofo francês, o poder tende a abusar de si mesmo se não for limitado, razão pela 
qual propôs a divisão entre três funções distintas: legislativa, executiva e judiciária. Cada um desses poderes 
deveria funcionar de forma autônoma e equilibrada, para que houvesse um contrapeso dos demais. Essa 
concepção foi essencial para o surgimento do constitucionalismo moderno, pois forneceu uma estrutura 
racional para o exercício do poder e garantir a proteção das liberdades individuais frente ao arbítrio estatal. 
A proposta de Montesquieu não apenas influenciou a elaboração das constituições liberais — como 
a Constituição dos Estados Unidos (1787) e a Constituição francesa de 1791, por exemplo —, como também 
fundamentou o modelo institucional dos Estados de Direito contemporâneos. Em oposição ao absolutismo, 
que concentrava todas as decisões na figura do rei, o Estado de Direito impõe limites jurídicos ao exercício 
do poder e assegura o império da lei. Assim, o constitucionalismo inaugura uma nova lógica política: o 
governo das leis substitui o governo dos homens, e os direitos individuais passam a ser reconhecidos como 
barreiras legítimas contra o autoritarismo. 
Atenção, guarde o seguinte: 
Estado de Direito (liberal) impõe limites jurídicos ao exercício do poder e assegura o 
império da lei, contra a vontade individual e autoritária de um soberano (o rei). O Estado 
de Direito é uma forma de organização política na qual todos — inclusive o próprio Estado 
— estão submetidos ao império da lei. Isso implica a existência de leis previamente 
estabelecidas, o respeito aos direitos fundamentais e o controle da atuação dos poderes 
públicos. 
Segundo Norberto Bobbio (1992), o Estado de Direito é aquele que substitui o “governo 
dos homens” pelo “governo das leis”, e estabelece garantias contra o arbítrio. 
Sistematizando o Estado de Direito: 
 
Supremacia da 
Constituição
Legalidade e 
segurança jurídica
Separação dos 
Poderes
Direitos e garantias 
fundamentais
Controle 
jurisdicional dos 
atos do poder 
público
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1.1 O Estado Liberal e suas contradições: igualdade formal e 
exclusão social 
 Embora tenha consagrado direitos civis e políticos, o Estado liberal representava os interesses da 
burguesia, a nova classe social em ascensão, juntamente com o processo da Revolução Industrial, a partir do 
século XVIII. A liberdade era formal, mas não material. O sufrágio era censitário, o trabalho era desregulado, 
e os direitos sociais inexistiam. Como denuncia Bobbio, uma das promessas não cumpridas da democracia 
liberal foi a transformação dos súditos em cidadãos plenos. A Lei Le Chapelier (1791), que proibiu greves e 
sindicatos, revela como o liberalismo marginalizava os trabalhadores, contradizendo a própria ideia de 
igualdade. 
Embora tenha consagrado direitos civis e políticos, o Estado liberal representava essencialmente os 
interesses da burguesia, a nova classe em ascensão com o avanço do capitalismo e da Revolução Industrial, 
a partir do século XVIII. As promessas de liberdade e igualdade se concretizavam apenas formalmente. O 
sufrágio era restrito a proprietários (sufrágio censitário), o trabalho era desregulado, e os direitos sociais 
inexistiam. A liberdade defendida era, na prática, a liberdade de contratar, produzir e explorar — sem 
garantias para os mais pobres, especialmente a classe trabalhadora nascente. 
Segundo Perry Anderson, em O Estado Absolutista, o liberalismo não rompeu totalmente com a 
ordem anterior, mas funcionou como continuidade reformada das estruturas de dominação. Ele destaca que 
o surgimento do Estado liberal manteve elementos de conservação da hierarquia social, com a burguesia 
ocupando o lugar de comando que antes era da nobreza. Já Eric Hobsbawm, em A Era das Revoluções, 
observa que as revoluções liberais e a industrialização foram eventos transformadores, mas profundamente 
excludentes: a liberdade era para poucos, e o proletariado urbano e rural vivia em condições precárias, sem 
voz, voto ou direitos trabalhistas. 
Como denuncia Norberto Bobbio, uma das promessas não cumpridas da democracia liberal foi a 
transformação dos súditos em cidadãos plenos. A cidadania, embora proclamada nos discursos iluministas e 
nas constituições do século XIX, era negada na prática aos trabalhadores, às mulheres, aos pobres e às 
populações colonizadas. Um exemplo contundente dessa contradição é a Lei Le Chapelier (1791), aprovada 
na Revolução Francesa, que proibiu associações de trabalhadores e greves, revelando que o liberalismo via 
a organização operária como uma ameaça à ordem econômica burguesa. Isso evidencia que o liberalismo 
clássico defendia a igualdade apenas perante a lei — uma igualdade abstrata e formal, sem levar em contaassinale a alternativa correta. 
a) De um lado a participação ocorre num espaço crescentemente politizado, com disputas, nas 
quais se concentram esforços de construção de mediação e de composição de interesses, de 
outro, a ampliação de demandas em prol de maior equidade pressupõe maior ação do Estado. 
b) A participação se dá por meio de movimentos populares e pela captação da opinião pública 
em sessões de audiências específicas sobre temas de políticas púbicas, valendo-se, também, 
de estudos técnicos e determinações do Estado para fazer frente às demandas 
socioambientais. 
c) Uma parte da participação se dá pelas ações legislativas, que se voltam a preparar 
embasamento técnico para a consolidação de projetos de lei fundados em ações populares, 
outra parte se valendo de estudos técnicos e determinações do Estado para fazer frente às 
demandas socioambientais. 
d) A participação se dá de forma mais ordenada, com conselhos executivos e deliberativos, 
valendo-se, também, da manifestação da sociedade em geral, por meios eletrônicos e captação 
de demandas e de iniciativas da sociedade. 
e) A participação se dá por meio de ações do poderes executivos, de qualquer esfera, tomando 
por base as boas práticas de planejamento e avaliação de políticas públicas, sendo 
complementadas por informações e dados advindos da participação popular para debate e 
deliberações sobre as políticas atuais e outras proposições. 
Comentários 
a) Correta. Nessa alternativa, destaca-se a natureza politizada da participação, ressaltando a 
presença de disputas e a necessidade de esforços para mediar interesses diversos. Isso reflete 
a ideia de pluralidade de atores e interesses na arena pública. Ao mesmo tempo, reconhece 
que o aumento das demandas por equidade impõe ao Estado a necessidade de uma ação mais 
robusta para atender às expectativas da sociedade. 
b) Incorreta. Esta alternativa destaca a participação por meio de movimentos populares e 
audiências públicas, que são, de fato, mecanismos importantes de envolvimento da sociedade 
civil na formulação e avaliação de políticas públicas. No entanto, não aborda suficientemente 
a complexidade da participação e o desafio adicional da ampliação das demandas sociais. 
c) Incorreta. Essa opção enfatiza a importância das ações legislativas, considerando a 
elaboração de projetos de lei fundados em ações populares. No entanto, a participação 
legislativa é apenas uma faceta da participação social, e a resposta não abrange totalmente o 
desafio duplo mencionado. 
d) Incorreta. Aqui, destaca-se a participação por meio de conselhos, que são instâncias 
importantes de representação e deliberação, permitindo a articulação entre Estado e 
sociedade civil. No entanto, a resposta pode ser considerada otimista, pois a participação não 
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é sempre "mais ordenada", e os conselhos enfrentam desafios próprios, como 
representatividade e efetividade. 
e) Incorreta. Essa alternativa destaca a ação do poder executivo, reconhecendo a importância 
do planejamento e avaliação de políticas públicas. No entanto, a resposta pode ser considerada 
limitada, pois a participação não deve ser vista apenas como um complemento para 
informações, mas como um processo dinâmico de interação entre Estado e sociedade ao longo 
do ciclo de políticas públicas. 
Gabarito: A 
39. 2023 /CEBRASPE (CESPE) - ACE (TC DF)/TC DF/Auditoria 
No que diz respeito ao Estado como forma complexa de organização que produz, gere, 
controla, formula e implementa políticas públicas, julgue o item a seguir. 
Para colaborar com a gestão pública, o cidadão pode escolher participar dos conselhos 
gestores, órgãos colegiados e, em regra, paritários (governo e sociedade), estando consciente 
do clientelismo e do corporativismo presentes nesse ambiente de democracia participativa. 
 Certo 
 Errado 
Comentários 
Essa afirmação está correta por dois motivos principais: 
1. Correta definição dos conselhos gestores 
Os conselhos gestores de políticas públicas são, de fato, órgãos colegiados, institucionalizados pelo Estado, 
que visam à participação social na formulação, controle e avaliação de políticas públicas. 
Sua composição é, via de regra, paritária: representantes do poder público e da sociedade civil organizada 
participam com igual peso nas decisões (isso é exigência em conselhos como o de saúde e assistência social, 
conforme as Leis nº 8.080/1990 e nº 8.742/1993). 
A participação é voluntária e um instrumento legítimo de exercício da cidadania ativa, conforme previsto 
no art. 1º, parágrafo único, e no art. 198, III da Constituição de 1988. 
2. Reconhecimento crítico dos limites da democracia participativa 
O item menciona o clientelismo e o corporativismo como riscos presentes na prática desses espaços 
participativos. E está certo: não se trata de negar os conselhos, mas de reconhecer seus desafios reais. 
Segundo autores como Tavares (2006) e Avritzer (2009): 
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→ Clientelismo: quando agentes públicos ou políticos instrumentalizam os conselhos para fins pessoais 
ou eleitorais. 
→ Corporativismo: quando determinados segmentos organizados da sociedade (como sindicatos, 
entidades de classe ou grupos de pressão) monopolizam os espaços, impedindo a pluralidade e a 
renovação dos participantes. 
Esse tipo de crítica não invalida o modelo dos conselhos, mas revela sua ambivalência: são espaços de 
ampliação democrática, mas suscetíveis a práticas que podem limitar sua efetividade e sua 
representatividade. 
Gabarito: Correto 
40. (VUNESP - APPGG (Pref SP)/Pref SP/2022) 
A coordenação governo-sociedade traz o benefício do diálogo entre esses sujeitos na 
elaboração e avaliação de políticas públicas. No processo de criação e implementação de uma 
política pública, é natural esperar que a participação social e o controle social ocorram em que 
momentos? 
a) A participação social inicia-se na criação de comitês de elaboração de projetos/propostas, e 
o controle social por meio de comitês de avaliação. 
b) A participação social ocorre na avaliação de propostas elaboradas, e o controle dá-se nas 
três fases dos projetos/propostas: inicial, intermediária e final. 
c) A participação social é revelada nos momentos de deliberação sobre projetos/ propostas e 
o controle, por meio de comitês representativos da sociedade civil. 
d) A participação social ocorre no planejamento, e, mais à frente, após a tomada de decisão 
no âmbito da administração pública, ocorre o exercício do controle social. 
e) Não se pode separar a elaboração da avaliação de uma política, visto que ocorrem de 
maneira contínua, em todo o processo, inclusive de execução. 
Comentários 
Conforme a ENAP, o controle social pode ser: 
 
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A) falso, pois não são comitês distintos, não há um Comite para a avaliação. 
B) falso, pois a participação se dá na formulação da proposta e não na avaliação da proposta. 
C) falso, pois a participação também ocorre no momento da formulação da proposta. 
D) é a melhor alternativa pois leva em consideração momentos distintos da participação na elaboração e, 
depois, no controle social. 
E) errado, pois há um controle social prévio, concomitante e posterior. 
Gabarito: D41. (CEBRASPE (CESPE) - 2022 - Analista Administrativo (IBAMA) 
No que diz respeito a políticas públicas, julgue o item seguinte 
A participação social nas políticas públicas do Brasil permite maior visibilidade das demandas 
sociais, promove avanços quanto à igualdade e equidade nas políticas implementadas e amplia 
a defesa pelos direitos sociais. 
Certo 
Errado 
Comentários 
A participação social nas políticas públicas do Brasil, de fato, oferece uma série de benefícios 
importantes para a governança democrática e para o desenvolvimento social. Ela garante que 
diferentes vozes e demandas da sociedade sejam ouvidas no processo de formulação, 
implementação e avaliação de políticas públicas, promovendo assim avanços significativos em 
termos de igualdade e equidade. Além disso, a participação ativa dos cidadãos e organizações 
da sociedade civil na definição de políticas públicas contribui para a ampliação da defesa e do 
reconhecimento dos direitos sociais, assegurando que as políticas implementadas reflitam as 
necessidades reais da população e promovam uma distribuição mais justa de recursos e 
oportunidades. 
Gabarito: Correto 
 
BIBLIOGRAFIA 
ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado absolutista. São Paulo: Editora UNESP, 2004. 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora UnB, 1995. 
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==ce138==
 
 
 
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BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. Brasília: Editora UnB, 
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COSTA, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2005. 
FERREIRA, Luiz Carlos Bresser-Pereira. A construção política do Estado social. Lua Nova, n. 84, 2011. 
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KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Atlas, 1983. 
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. São Paulo: Abril Cultural, 1978. 
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93561199291 - Marcos Felipe Barbosa da Fonsecaas desigualdades reais e estruturais da sociedade. 
 
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As tensões do liberalismo clássico: liberdade política, massas e democracia 
As promessas liberais de liberdade, igualdade e racionalidade jurídica enfrentaram desafios 
à medida que a realidade social impunha contradições entre o ideal e a prática. Dois 
pensadores liberais do século XIX — Alexis de Tocqueville (1805-1859) e John Stuart Mill 
(1806-1873)— ajudaram a compreender os limites e os dilemas do liberalismo frente à 
democratização e à ampliação da participação política. 
Alexis de Tocqueville, em A Democracia na América (1835)10, observou com agudeza os 
efeitos sociais da expansão democrática. Para ele, a democracia era um processo 
irreversível e desejável, mas não isento de riscos. Tocqueville alertava para o perigo de uma 
“tirania da maioria”, em que a opinião pública majoritária poderia sufocar as liberdades 
individuais e a diversidade de pensamento. Em suas palavras, a igualdade democrática 
poderia gerar conformismo e apatia política, debilitando a autonomia individual — valor 
essencial para o espírito liberal. 
John Stuart Mill, em Sobre a Liberdade (1859)11, aprofundou essa reflexão ao defender a 
liberdade individual como um bem supremo, mas alertou para a necessidade de 
instituições que protegessem os indivíduos do despotismo da sociedade e do Estado. Mill 
defendia a educação como instrumento de emancipação, e acreditava que a liberdade só 
teria sentido se fosse acompanhada de condições reais para o exercício da cidadania. Sem 
acesso à instrução e ao debate público racional, os indivíduos estariam sujeitos à 
manipulação e à alienação. Assim, o liberalismo, para ser efetivo, deveria ampliar os 
direitos políticos, mas também assegurar condições materiais para o seu exercício pleno. 
Tanto Mill quanto Tocqueville enxergaram que o avanço da democracia exigia um novo 
arranjo entre liberdade e igualdade, sob pena de o liberalismo perder legitimidade diante 
das massas emergentes. Essas contribuições anteciparam as críticas que mais tarde se 
tornariam centrais no debate sobre o Estado social e no surgimento do Estado 
Democrático de Direito. 
 
 
 
10 TOCQUEVILLE, Alexis de. A democracia na América. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins 
Fontes, 2005. 2 v. 
11 MILL, John Stuart. Sobre a liberdade. Tradução de Raimundo Godinho. São Paulo: Martins Fontes, 
2000. 
 
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1.2 Crise do liberalismo e o surgimento do Estado Social de 
Direito 
No início do século XX, o modelo de Estado Liberal ainda é dominante no mundo Ocidental. Contudo, 
a crise econômica de 1929, marcada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, desestabilizou o modelo 
capitalista liberal e revelou seus limites estruturais. 
O colapso financeiro internacional trouxe desemprego em massa, queda na produção, fome e 
desespero social em diversos países. Ficou evidente que o ideal de um mercado autorregulado, defendido 
por Adam Smith (1723-1790) e pelos liberais clássicos, não era suficiente para garantir estabilidade 
econômica nem justiça social. Esse contexto abriu caminho para uma nova concepção de Estado, voltada à 
regulação da economia e à proteção dos grupos mais vulneráveis. 
Nesse cenário emergiu a teoria econômica de John Maynard Keynes, que defendia o papel ativo do 
Estado na promoção do emprego e do crescimento. Em sua obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da 
Moeda (1936)12, Keynes argumentou que, em momentos de crise, o Estado deveria intervir com políticas 
públicas, investimentos e aumento do gasto público para aquecer a demanda e reverter a recessão. Essa 
proposta rompe com a ortodoxia liberal ao legitimar a atuação estatal como mecanismo de regulação 
econômica e justiça social. 
A resposta concreta a esse novo paradigma se traduziu em experiências como o New Deal nos Estados 
Unidos e o Estado de Bem-Estar Social europeu, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 
Também conhecido como Estado Providência, esse modelo passou a reconhecer direitos sociais 
fundamentais, como educação, saúde, previdência, moradia, assistência e trabalho digno. O Relatório 
Beveridge (1942)13, na Inglaterra, foi emblemático nesse processo ao propor um sistema universal de 
proteção social que combatesse os "cinco gigantes": miséria, doenças, ignorância, miséria material e o 
desemprego. 
A partir daí, consolidou-se a ideia de que o Estado não deve apenas garantir a liberdade 
formal, mas também criar condições reais para o exercício da cidadania. 
No plano jurídico-constitucional, o surgimento do Estado Social de Direito inaugura uma nova etapa 
do constitucionalismo, ao integrar deveres positivos do Estado à estrutura normativa. Se antes a função do 
Estado era apenas resguardar liberdades individuais, agora ele passa a promover direitos fundamentais, com 
foco na igualdade material. A função pública assume centralidade na realização da justiça social, e os 
princípios constitucionais passam a orientar a atuação estatal. Como destaca José Afonso da Silva, o Estado 
 
12 KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: Atlas, 1983. 
13 BEVERIDGE, William. Relatório Beveridge (Social Insurance and Allied Services). Londres: His 
Majesty’s Stationery Office, 1942 
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Social de Direito representa a “constitucionalização dos fins do Estado”, ao elevar os direitos sociais à 
condição de normas fundamentais e vinculantes para a administração pública e o legislador14. 
 
FGV - 2015 - Analista (TJ SC) 
O modelo de bem-estar social caracterizado por garantir a todos os cidadãos serviços essenciais, mesclando 
mecanismos de renda mínima, redistribuição e substituição de renda, respeitando mínimos historicamente 
definidos e equipamentos coletivos públicos para prestação de serviços, é denominado 
A) residual; 
B) residual-institucional; 
C) meritocrático-institucional; 
D) meritocrático-particularista; 
E) institucional-redistributivo. 
Comentários 
O modelo institucional-redistributivo de bem-estar social é aquele que: 
Garante serviços essenciais a todos os cidadãos como um direito universal (não como caridade ou assistência 
apenas aos pobres); 
Mescla mecanismos de renda mínima, redistribuição e substituição de renda; 
Prevê intervenção ativa do Estado para corrigir desigualdades estruturais; 
Utiliza equipamentos coletivos públicos (como escolas, hospitais, centros de assistência) para garantir 
direitos sociais; 
Está associado a sociedades com forte tradição democrática e de justiça social, como os países escandinavos 
(Suécia, Dinamarca, Noruega). 
Esse modelo contrasta com o modelo residual, que só intervém em casos de falha da família ou do mercado, 
e com o modelo meritocrático, que vincula acesso a benefícios à contribuição prévia e à posição ocupada no 
sistema produtivo. 
A título de conhecimento, Gøsta Esping-Andersen (1990) — em The Three Worlds of Welfare Capitalism — 
foi quem sistematizou os principais modelos de bem-estar: 
- Liberal/residual; 
 
14 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 32. ed. São Paulo: Malheiros, 2007. 
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- Corporativo/meritocrático; 
- Social-democrata/institucional-redistributivo. 
Gabarito: E 
1.3 Do Estado Social ao Estado Democrático de Direito 
O Estado Democrático de Direito é mais do que a simples justaposição do Estado Liberal e do Estado 
Social. Conforme destaca José Afonso da Silva, trata-se de uma nova forma de organização político-jurídica, 
marcada por um potencial transformador do status quo. Isso significa que, diferentemente de seus 
antecessores, o Estado Democrático de Direito não apenas limita o poder e garante direitos formais (como 
fazia o liberalismo), nem apenas promove políticas de bem-estar social (como no modelo keynesiano), mas 
integra, em sua essência, a participação cidadã como condição da legitimidade do poder estatal. Ele rompe 
com a neutralidade liberal do Estado e assume a responsabilidade ativa pela construção de uma sociedade 
mais justa, solidária e plural. 
Esse novo modelo emerge historicamente após os horrores dos regimes totalitários do século XX, 
como o nazismo, o fascismo e o stalinismo. As Constituições do pós-guerra, como a Constituição Italiana de 
1948 e a Lei Fundamental de Bonn (Alemanha, 1949), inspiraram uma geração de ordenamentos jurídicos 
orientados pela democracia, pelos direitos fundamentais e pelo princípio da dignidade da pessoa humana. 
A reação institucional aos totalitarismos deu origem a sistemas constitucionais que incorporam 
garantias de liberdade, mecanismos de controle do poder e a promoção ativa da igualdade substancial. É 
nesse contexto que ganha força a noção de Estado Constitucional Democrático, como sustentam autores 
como Peter Häberle15 e Luigi Ferrajoli16, que enfatizam o papel da Constituição como instrumento de 
limitação e legitimação do poder político. 
Nestes termos, a principal característica do Estado Democrático de Direito está em sua dupla 
exigência: 
• ele exige, de um lado, que o poder se submeta ao império das leis (princípio da legalidade); 
• de outro, que essas leis sejam produzidas com base na participação popular e voltadas à 
realização dos direitos fundamentais. 
A democracia, nesse modelo, não se reduz ao voto periódico, mas se concretiza em espaços 
deliberativos, como conselhos de políticas públicas, audiências públicas e iniciativas populares legislativas. 
 
15 HÄBERLE, Peter. Hermeneutics of the Constitution. Heidelberg: Carl Heymanns Verlag, 1987. 
16 FERRAJOLI, Luigi. Direitos e garantias: a lei do mais fraco. São Paulo: RT, 2001. 
 
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Nessa linha, Jürgen Habermas propõe a ideia de democracia deliberativa, em que a legitimidade política 
decorre do debate público racional e da inclusão dos diversos atores sociais no processo decisório. 
Além disso, o Estado Democrático de Direito assume como missão central a promoção da dignidade 
da pessoa humana, fundamento do artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988. 
Como lembra Norberto Bobbio, a efetivação dos direitos do homem passou da fase da proclamação 
para a fase da proteção jurídica, e agora deve alcançar a fase da realização concreta desses direitos na vida 
cotidiana. Isso significa que a democracia precisa ser substantiva, superando as desigualdades históricas que 
impedem o exercício pleno da cidadania. Nesse sentido, a universalização dos direitos civis, políticos e sociais 
deixa de ser apenas uma promessa e torna-se um compromisso jurídico-político do Estado. 
Diante disso, é importante destacar que o Estado Democrático de Direito representa a forma mais 
avançada de organização estatal na tradição constitucional moderna, pois articula os avanços institucionais 
do liberalismo e do constitucionalismo social com uma nova dimensão participativa e inclusiva. Ele não 
apenas regula o poder, mas também orienta sua finalidade: garantir justiça social, pluralismo, igualdade de 
oportunidades e liberdade com responsabilidade. Trata-se de um modelo aberto à transformação, capaz de 
incorporar novas lutas sociais e demandas emergentes, como os direitos das mulheres, das populações 
indígenas, das pessoas com deficiência e da comunidade LGBTQIA+. Nesse sentido, como conclui José Afonso 
da Silva, o Estado Democrático de Direito é “uma forma nova e avançada de convivência institucional voltada 
à emancipação da cidadania e à reconstrução permanente da ordem social”. É, portanto, a forma mais 
avançada de organização estatal na tradição constitucional moderna. 
Porém, como diria o ditado popular "nem tudo são flores", pois há problemas no e para o Estado 
Democrático de Direito. Antes de entrarmos nestes problemas, vamos esquematizar os fundamentos e 
princípios do Estado Democrático de Direito a partir da formação deste tipo de Estado no Brasil. 
 
Nos últimos anos, a Europa tem assistido a ascensão de partidos e lideranças de extrema-direita. Na Áustria, 
o Partido da Liberdade – que tem em Jörg Haider, acusado de negar o holocausto, um de seus principais 
expoentes – conseguiu 26% de votos nas eleições nacionais. Na França, o partido de Jean-Marie Le Pen 
obteve uma vitória histórica (25% dos votos) na última eleição para renovar a Parlamento Europeu, 
tornando-se a primeira força política do país. O partido Aurora Dourada possui quase 10% dos votos na 
Grécia e, na Hungria, o partido Jobbik réune 18% do eleitorado. Semelhante tendência de crescimento do 
extremismo fora observada durante a depressão que se seguiu à Primeira Guerra Mundial durante as 
décadas de 1920 e 1930, o que sugere que há uma correlação entre: 
A) períodos de crise econômica e crescimento do nacionalismo xenófobo; 
B) períodos de instabilidade política e crescimento do autoritarismo; 
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C) períodos de crise econômica e crescimento do militarismo; 
D) períodos de instabilidade política e crescimento do nacionalismo xenófobo; 
E) períodos de crise econômica e crescimento da instabilidade política. 
Comentários 
O texto descreve o crescimento da extrema-direita na Europa contemporânea, com partidos que apresentam 
discursos nacionalistas, xenófobos e, em alguns casos, revisionistas do Holocausto, como no caso de Haider 
na Áustria. 
Esse fenômeno é comparado com a ascensão de regimes autoritários e nacionalistas nas décadas de 1920 e 
1930, período posterior à Primeira Guerra Mundial e à crise de 1929, quando a Europa enfrentava profundas 
crises econômicas, alta inflação, desemprego e instabilidade social. 
 
Esses contextos alimentaram o ressentimento popular, o medo do “outro” (imigrantes, minorias, 
estrangeiros) e a busca por líderes que prometiam “recuperar a grandeza” nacional, o que fortaleceu 
discursos nacionalistas, xenófobos e autoritários — exatamente como tem ocorrido nas experiências 
recentes descritas no enunciado. 
Gabarito: A 
1.4 A Construção do Estado Democrático de Direito no Brasil: 
uma trajetória constitucional 
A consolidação do Estado Democrático de Direito no Brasil está profundamente ligada à sua 
trajetória constitucional, marcada por momentos de autoritarismo e de abertura democrática. Desde o 
período imperial (1822-1889), o país adotou modelos de Estado inspirados em paradigmas europeus, mas 
com profundas adaptações ao contexto político e social brasileiro. 
A Constituição de 1824, outorgada por Dom Pedro I, estabeleceu a monarquia constitucional com 
base na centralização dopoder e na limitação da participação política, restrita ao voto censitário. Apesar de 
prever formalmente a separação dos poderes, introduziu o “Poder Moderador”, que conferia ao imperador 
supremacia sobre os demais poderes, o que descaracterizava o equilíbrio entre eles. Ainda assim, essa 
constituição foi o primeiro marco normativo do país e incorporava elementos do constitucionalismo liberal 
europeu. 
Com a Proclamação da República em 1889, foi promulgada a Constituição de 1891, que instaurou a 
forma republicana e o sistema presidencialista, inspirados no modelo norte-americano. Essa constituição 
aboliu o Poder Moderador, introduziu o federalismo e ampliou formalmente os direitos civis e políticos — 
mas manteve a exclusão social. O voto ainda era restrito, e a desigualdade racial, social e de gênero 
permanecia estrutural. O analfabetismo, por exemplo, era critério de exclusão do processo eleitoral, o que 
afastava grande parte da população da cidadania política. A chamada Primeira República (1889–1930) é 
marcada, portanto, por uma democracia excludente e elitista, sustentada por oligarquias regionais e pelo 
coronelismo. 
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A Constituição de 1934 representa um avanço em termos democráticos. Promulgada após a 
Revolução de 1930, ela incorporou direitos sociais, como educação pública gratuita, direito de greve, jornada 
de trabalho de oito horas e proteção ao trabalho feminino e infantil. Foi a primeira constituição brasileira a 
incluir direitos trabalhistas, como resultado da pressão dos movimentos sociais e sindicais. Instituiu o voto 
secreto e o voto feminino, além de prever a representação classista no Parlamento. Contudo, essa 
experiência foi interrompida com o golpe de 1937, que resultou na Constituição outorgada de 1937, marco 
do regime do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945), de caráter ditatorial, autoritário e centralizador 
— sem garantias democráticas, com censura e repressão política. 
A redemocratização de 1946 trouxe nova esperança, com a Constituição de 1946, promulgada após 
a queda de Vargas. Esse texto constitucional restabeleceu o regime democrático, as eleições diretas, os 
direitos civis e políticos, e reafirmou garantias fundamentais. Embora mantivesse as conquistas sociais da 
Era Vargas, como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), não avançou na universalização dos direitos 
sociais. 
A frágil democracia foi novamente interrompida pelo golpe civil-militar de 1964, que levou à 
Constituição de 1967 (posteriormente emendada em 1969), marcada pela supressão das liberdades públicas, 
repressão política, censura e centralização do poder nas mãos do Executivo. Durante o regime militar, a 
legislação infraconstitucional restringiu o habeas corpus, institucionalizou o AI-5 e perseguiu movimentos 
sociais e opositores políticos. 
Após a queda do regime militar, na década de 1980, a transição democrática deu origem ao mais 
importante marco do Estado Democrático de Direito no Brasil: a Constituição de 1988, chamada de 
“Constituição Cidadã”. Promulgada por uma Assembleia Nacional Constituinte com ampla participação da 
sociedade civil, ela consolidou os princípios da soberania popular, da cidadania, da dignidade da pessoa 
humana, dos valores sociais do trabalho e do pluralismo político (art. 1º). Além de consagrar os direitos civis, 
políticos e sociais, a Carta de 1988 inovou ao incluir direitos coletivos, difusos e ambientais, bem como 
mecanismos de democracia direta, como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular legislativa. Também 
reconhece a diversidade étnico-racial, os direitos dos povos indígenas, a igualdade de gênero e a proteção 
de grupos vulnerabilizados, reafirmando o compromisso do Estado com a justiça social e a inclusão. É o ponto 
culminante da longa trajetória brasileira rumo à efetivação do Estado Democrático de Direito. 
Contudo, seja no Mundo, seja no Brasil, o Estado Democrático de Direito não é algo pronto e 
acabado, pois ele vive sob constante pressão e tensão, de modo que é preciso analisarmos as fragilidades 
que o envolve. É nesta discussão que iremos encontrar os desafios para o Estado Democrático de Direito. 
 
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Claro, antes de prosseguirmos, vamos consolidar e sistematizar o conhecimento. Guarde bem o box 
abaixo: 
Síntese – Elementos Estruturantes do Estado Democrático de Direito 
O Estado Democrático de Direito é uma forma de organização política e jurídica que 
combina a supremacia das leis com a soberania popular, sendo estruturado por cinco 
elementos fundamentais: 
1. Supremacia da Constituição 
A Constituição é a norma superior que organiza os poderes do Estado, define direitos e 
limita a ação dos governantes. Todos os atos dos poderes públicos devem estar 
subordinados à Constituição, o que assegura previsibilidade, estabilidade institucional e 
proteção contra abusos. No caso brasileiro, a Constituição de 1988 estabelece os 
fundamentos, objetivos e direitos que orientam a vida política e jurídica nacional. 
2. Separação de Poderes com Freios e Contrapesos 
Inspirado em Montesquieu, esse princípio divide o poder estatal entre Executivo, 
Legislativo e Judiciário, prevenindo a concentração autoritária. Além da separação formal, 
há mecanismos de freios e contrapesos (checks and balances), como o veto presidencial, 
o controle de constitucionalidade e as comissões parlamentares de inquérito, que 
garantem equilíbrio e fiscalização mútua entre os poderes. 
3. Direitos Fundamentais (civis, políticos, sociais e coletivos) 
Os direitos fundamentais constituem o núcleo do Estado Democrático de Direito. Eles 
incluem os direitos civis (vida, liberdade, igualdade), políticos (voto, participação), sociais 
(educação, saúde, trabalho, previdência) e coletivos (meio ambiente, direitos difusos e 
das minorias). Não basta garantir direitos formais: é preciso assegurar condições 
materiais para seu exercício efetivo, garantindo dignidade a todos. 
4. Participação Popular e Soberania 
A soberania popular se manifesta tanto por meio da representação (voto, mandatos) 
quanto da participação direta (plebiscitos, referendos, conselhos de políticas públicas, 
orçamento participativo). A cidadania ativa é indispensável para que as decisões públicas 
reflitam os interesses do povo e para que o Estado atue de forma inclusiva e legítima. 
5. Legitimidade, Legalidade e Justiça Social 
No Estado Democrático de Direito, a legalidade deve estar alinhada à legitimidade, ou 
seja, as normas precisam refletir os valores e princípios constitucionais, como dignidade, 
igualdade e justiça social. A atuação do Estado deve buscar corrigir desigualdades 
históricas e promover o bem comum, fazendo do Direito um instrumento de 
transformação da realidade, e não de reprodução da exclusão. 
Em outras palavras...tipo memorex. 
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Elementos essenciais do Estado Democrático de Direito 
Elemento Explicação 
Supremacia da Constituição 
Nenhuma autoridade está acima da Constituição; ela 
organiza e limita o poder. 
Direitos fundamentais garantidos 
Os direitos civis, políticos, sociais e humanos são 
reconhecidos e protegidos. 
Participação política ativa 
A soberania é do povo, que participa por meio do 
voto e da atuaçãocidadã. 
Separação e controle dos poderes 
Executivo, Legislativo e Judiciário atuam com 
autonomia, mas em equilíbrio. 
Legalidade e justiça social 
O poder deve atuar conforme a lei e com 
compromisso com a igualdade material. 
 
 FGV - 2015 - Analista da Procuradoria (PGE RO) 
Analise o trecho a seguir. 
“A administração pública brasileira, mesmo quando incipiente, esteve sempre marcada pelo desempenho 
de funções vicárias e compensatórias, desempenhando um papel de segurar posição e função a significativo 
contingente de pessoas, colaborando para a formação de parte expressiva das elites nacionais. Este processo 
acabou por deformá-la, atrelando-a ao cumprimento de encargos não administrativos e vinculando toda a 
sua sistemática aos mecanismos de trocas políticas e legitimação do Estado.” 
A administração pública descrita associa-se à noção de Estado: 
A) autoritário e burocrático; 
B) participativo e do bem-estar; 
C) oligárquico e patrimonial; 
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D) profissional e pós-burocrático; 
E) empreendedor e regulador. 
Comentários 
Este trecho descreve características típicas de uma administração patrimonialista e oligárquica, pois: 
- Funções vicárias e compensatórias: a administração serve como meio de acomodação de interesses 
políticos e pessoais, e não como instrumento técnico de gestão; 
- Segurar posição e função: remete ao uso do Estado como forma de distribuir cargos e benesses, algo típico 
do clientelismo e patrimonialismo; 
-Formação de elites: o Estado é capturado por grupos restritos — as oligarquias — que se perpetuam no 
poder; 
- Trocas políticas e legitimação: uso da máquina pública para garantir apoio político, típico do 
patrimonialismo, onde não há distinção clara entre o público e o privado.17 
Gabarito: C 
 
2. AS PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS E OS OBSTÁCULOS 
APONTADOS POR NORBERTO BOBBIO 
O Estado Democrático de Direito, embora formalmente consolidado em diversas constituições 
contemporâneas, ainda encontra sérias limitações em sua efetivação concreta. Norberto Bobbio, em O 
Futuro da Democracia (1984), argumenta que a transição da democracia formal para a democracia 
substancial permanece incompleta. Ele critica o fato de que, mesmo em regimes democráticos, persistem 
formas de poder invisível, como os interesses econômicos e a influência de grupos tecnocráticos, que não se 
submetem ao controle público nem aos mecanismos da legalidade democrática. 
Um dos principais pontos de Bobbio é o déficit de publicidade na ação estatal. A transparência, 
idealmente essencial ao regime democrático, ainda não se tornou uma realidade plena. Muitas decisões 
continuam sendo tomadas em esferas opacas, longe do controle social efetivo. A opacidade das decisões 
compromete o princípio republicano da publicidade e impede que a cidadania atue de forma crítica e 
informada. A democracia, diz Bobbio, “prometeu transformar súditos em cidadãos”, mas essa promessa não 
 
17 É claro que você não precisa ler livros e mais livros para prova, mas caso queira uma referência sobre os 
assuntos abordados nesta questão, indico: Raymundo Faoro, em Os Donos do Poder, descreve como o Estado 
brasileiro se estruturou historicamente de maneira patrimonialista, associado às elites e aos interesses 
privados; Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, também aborda o personalismo e a dificuldade 
em construir um Estado racional e impessoal. 
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foi completamente cumprida, porque os meios de participação são frequentemente esvaziados ou 
manipulados. 
Outro desafio é a crescente tecnocratização da política. O poder dos especialistas e técnicos, que 
decidem com base em critérios técnicos e econômicos, frequentemente substitui a deliberação democrática. 
Isso gera uma forma de governo tecnocrático que, embora eficaz sob certos aspectos, enfraquece a 
soberania popular e transforma o cidadão em um mero espectador de decisões que não compreende nem 
influencia. A democracia, nesses casos, cede espaço a um racionalismo funcional que exclui o debate público 
e a construção coletiva de alternativas. 
A burocracia, aliada à tecnocracia, também é apontada por Bobbio como um obstáculo à 
democratização plena. A máquina estatal, muitas vezes, opera com baixa responsividade às demandas 
sociais, reproduzindo estruturas hierárquicas e ineficientes. Paulo Bonavides18 reforça esse argumento ao 
destacar que o Estado de Direito, quando dominado por um formalismo excessivo, pode se tornar um 
instrumento de conservação da ordem desigual vigente. Em Do Estado Liberal ao Estado Social (2007), 
Bonavides alerta para o risco de que o Direito se distancie das necessidades populares, se tornando cúmplice 
da exclusão social. 
A concentração do poder econômico é outro fator apontado por Bobbio como responsável pela 
frustração das promessas democráticas. O controle dos meios de comunicação, o financiamento das 
campanhas eleitorais e a captura de políticas públicas por grupos empresariais comprometem o princípio da 
isonomia. A promessa da democracia era garantir condições iguais de participação política. No entanto, em 
contextos de alta desigualdade, como o brasileiro, o poder econômico distorce a representação e transforma 
a igualdade política em uma ficção. 
Além disso, Bobbio alerta para o baixo rendimento decisório das democracias contemporâneas. O 
excesso de mediações, os conflitos de interesses e o corporativismo institucionalizado dificultam a adoção 
de decisões eficazes em tempo hábil. Isso gera descrédito nas instituições e alimenta o populismo 
antidemocrático. A lentidão do sistema democrático, embora fruto de seu compromisso com o pluralismo e 
a deliberação, se torna um argumento usado contra a própria democracia quando não se entrega resultados 
concretos. 
Paulo Bonavides, por sua vez, reforça que a efetividade da democracia depende do avanço rumo a 
uma democracia social. Para ele, o Estado Democrático de Direito deve ter como meta a justiça distributiva 
e a realização dos direitos sociais. A democracia apenas representativa é insuficiente: é preciso democratizar 
a economia, os meios de comunicação e o acesso às políticas públicas. Bonavides chama atenção para a 
necessidade de transformar o princípio da dignidade humana em prática concreta, o que exige um novo 
modelo de desenvolvimento e uma política orientada pelo bem comum. 
Diante de todos esses desafios, é possível afirmar que o Estado Democrático de Direito é 
um projeto inacabado. Suas promessas – igualdade, justiça, participação, cidadania plena – 
ainda não se realizaram integralmente. 
 
18 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. 10. ed. São Paulo: Malheiros, 2007. 
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A crítica de Bobbio e Bonavides é, ao mesmo tempo, um chamado à responsabilidade coletiva: a 
consolidação do Estado Democrático de Direito exige reforma das instituições, mobilização social, e 
principalmente, a construção de uma cultura política que valorize os direitos, a justiça e a inclusão. A 
democracia deve ser defendida não apenas como um regime jurídico, mas como um ideal em permanente 
construção. 
O papel da justiça distributiva no Estado Democrático de Direito 
Por que a Justiça Distributiva importa? 
A justiça distributivaé uma das ideias centrais da tradição democrática. Desde Aristóteles, ela está 
associada ao princípio de tratar desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades, a fim de 
garantir uma ordem justa. No contexto do Estado Democrático de Direito, essa noção assume um papel 
estrutural: ela fundamenta os direitos sociais, orienta a ação estatal e justifica as políticas públicas voltadas 
à equidade. 
🧠 De Aristóteles a John Rawls 
Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, já distinguia a justiça distributiva da justiça 
comutativa: enquanto esta trata da equivalência entre partes (como nas trocas), a justiça 
distributiva refere-se à distribuição proporcional de bens e honras na vida social. 
John Rawls, no século XX, atualiza esse conceito com seu princípio da diferença: 
desigualdades sociais e econômicas só são justas se beneficiarem os mais desfavorecidos. 
Assim, o Estado deve estruturar a sociedade de forma a ampliar liberdades reais para 
todos, especialmente os grupos vulnerabilizados. 
Para Norberto Bobbio, em A Era dos Direitos, a justiça distributiva representa uma promessa ainda 
não cumprida da democracia. O reconhecimento formal da igualdade não basta: é preciso concretizar a 
igualdade real de condições, promovendo acesso efetivo à saúde, educação, moradia, renda e dignidade. A 
ausência dessa justiça social enfraquece o próprio ideal democrático. 
Atenção, concurseiro(a)! A justiça distributiva é um critério de legitimidade das ações estatais no 
Estado Democrático de Direito. Aparece em temas de direitos fundamentais, políticas públicas, justiça 
social, e é frequentemente explorada em provas discursivas e objetivas de concursos públicos — 
especialmente nas áreas de direito constitucional, sociologia e políticas públicas. 
 
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“Quebec aprovou algumas leis na área da língua. Uma regula quem pode enviar os filhos a escolas de língua 
inglesa (não os francófonos nem os imigrantes); outra requer que negócios com mais de 50 empregados 
sejam dirigidos em francês; uma terceira põe fora da lei placas comerciais não escritas em francês. Em outras 
palavras, foram impostas aos habitantes do Quebec, pelo governo, restrições em nome de sua meta coletiva 
de sobrevivência, restrições que, em outras comunidades canadenses, poderiam facilmente não ser 
impostas em virtude da Carta. A questão fundamental foi: essa variação é aceitável ou não?” 
(TAYLOR, Charles. A Política do Reconhecimento.) 
Há diversas respostas para tal questão. Alguns autores, como os teóricos do liberalismo procedimental, 
argumentam que os direitos individuais devem sempre ter precedência sobre metas coletivas. Nessa 
perspectiva, uma sociedade tipicamente liberal é aquela que não adota nenhuma visão substantiva sobre o 
que é bom, sobre os objetivos de vida; ela apenas adota o compromisso de tratar as pessoas com igual 
respeito. Por outro lado, há autores que argumentam que uma sociedade com fortes metas coletivas pode 
ser liberal desde que mantenha o princípio de respeitar a diversidade, e desde que possa oferecer 
salvaguardas adequadas aos direitos fundamentais. De acordo com essa visão, uma sociedade liberal se 
mede pela forma com que trata suas minorias. 
Tal debate evidencia o paradoxo resultante da incompatibilidade entre: 
A) o princípio do relativismo, a afirmação de que todas as culturas possuem igual valor, e o princípio do 
etnocentrismo, a disposição de colocar a si no centro do mundo, e julgar a diferença em relação aos seus 
próprios padrões; 
B) o igualitarismo democrático, a noção de que todos são iguais perante a lei, e o fascismo, que se expressa 
na criação de uma hegemonia fundada num senso de superioridade particular; 
C) o princípio do universalismo igualitarista, que jaz na base da ideia moderna de democracia, e a exigência 
do reconhecimento à diferença, a diversidade considerada um bem em si mesma, merecedora portanto de 
proteção; 
D) o princípio do relativismo, a afirmação de que todas as culturas possuem igual valor, e a exigência do 
reconhecimento à diferença, a diversidade considerada um bem em si mesma, merecedora portanto de 
proteção; 
E) o princípio do universalismo igualitarista, que jaz na base da ideia moderna de democracia, e o princípio 
do etnocentrismo, a disposição de colocar a si no centro do mundo, e julgar a diferença em relação aos seus 
próprios padrões. 
Comentários 
O trecho apresentado discute um dilema central da teoria política contemporânea, especialmente a tensão 
entre direitos individuais universais (característicos do liberalismo clássico e do universalismo igualitarista) e 
os direitos de grupos ou culturas específicas, que reivindicam reconhecimento e proteção da diferença (como 
no caso da província do Quebec e a proteção da cultura francófona). 
Essa é exatamente a tensão conceitual que Charles Taylor aborda em seu célebre ensaio A Política do 
Reconhecimento (1994), onde afirma que: 
"Uma sociedade verdadeiramente democrática deve articular tanto os princípios universalistas (igualdade 
perante a lei, direitos individuais) quanto o reconhecimento das diferenças culturais e identitárias." 
Portanto, o paradoxo central evidenciado no texto está entre: 
Alessandra Lopes, Equipe Direito Constitucional Estratégia Concursos, Ricardo Torques
Aula 00 - Profa. Alê Lopes
CNU - Desafios do Estado de Direito - 2025 (Pós-Edital)
www.estrategiaconcursos.com.br
93561199291 - Marcos Felipe Barbosa da Fonseca
 
 
 
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- O universalismo igualitário: todos são tratados igualmente, sem distinção de origem, cultura ou identidade. 
- O reconhecimento da diferença: a ideia de que certos grupos, para terem tratamento justo, precisam ser 
tratados de forma diferenciada — ou seja, não basta tratar todos da mesma forma, se as condições de partida 
são desiguais ou se há risco de extinção cultural. 
Gabarito: C 
 
3. O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO NO BRASIL: 
POTENCIAL, CONTRADIÇÕES E LIMITES 
A Constituição A Constituição Federal de 1988 representa um marco normativo e simbólico na 
institucionalização do Estado Democrático de Direito no Brasil. Ela consagra valores fundamentais como 
soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, além 
do pluralismo político. A chamada “Constituição Cidadã” surgiu como resposta ao regime autoritário, com o 
propósito de restaurar os direitos civis, políticos e sociais, além de ampliar os mecanismos de participação 
popular e consolidar um Estado de Direito com base na justiça social. 
Entretanto, apesar do potencial normativo progressista e da ampla abrangência dos direitos 
fundamentais nela previstos, o Brasil ainda enfrenta graves contradições estruturais que impedem a plena 
realização do modelo democrático delineado na Carta de 1988. A persistente desigualdade social, o racismo 
estrutural, a violência institucional, a exclusão digital e informacional, bem como a interferência do poder 
econômico sobre as decisões políticas, revelam os limites materiais do Estado Democrático de Direito no 
país. 
Como argumenta Beatriz de Oliveira (2021)19, a realidade brasileira é marcada por uma “dissonância 
entre o conteúdo normativo da Constituição e sua efetivação na prática social”. A autora ressalta que, 
embora o Brasil se defina formalmente como um Estado Democrático de Direito, os mecanismos de 
representação encontram-se fragilizados, e o ordenamento jurídico convive com profundas contradições em 
sua aplicação. A legalidade, muitas vezes, cede espaço a interesses patrimonialistas, alimentados por uma 
cultura política baseada na parcialidade e na confusão entre o público e o privado. Esse contexto 
compromete a efetividade da justiça social e da igualdade substantiva.

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