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Higiene Ocupacional Edição 1 Impresso por: Higiene Ocupacional Autoria: Prof. Me. Adriano Rogério Kantoviscki Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Núcleo de Educação à Distância Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Higiene Ocupacional / Adriano Rogério Kantoviscki - Indaial, SC: Arqué, 2024. XXX p. : il. ISBN papel xxxxxxxxxxxxxxx ISBN digital xxxxxxxxxxxxxxx “Educação Continuada - EaD”. 1. Palavra-chave 1 2. Palavra-chave 2 3. EaD. I. Título. CDD - XXXXX Universidade Cesumar - UniCesumarC397 1ª Edição 2024 Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................ 8 CAPÍTULO 1..................................................................................... 9 INICIE SUA JORNADA ....................................................................11 DESENVOLVA SEU POTENCIAL .................................................. 13 1 INTRODUÇÃO À HIGIENE OCUPACIONAL – CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS RISCOS ......................................... 13 1.1 Introdução à Higiene Ocupacional .................................... 18 1.1.1 Antecipação ....................................................................... 20 1.1.2 Reconhecimento ................................................................. 21 1.1.3 Avaliação .............................................................................. 22 1.1.4 Controle ............................................................................. 24 1.2 Classificação Geral dos Riscos Ocupacionais ................. 30 1.3 Fatores Influentes de Exposição ao Risco ....................... 38 NOVOS DESAFIOS# ..................................................................... 42 AUTOATIVIDADE ........................................................................... 44 REFERÊNCIAS .............................................................................. 46 Sumário CAPÍTULO 2................................................................................... 48 INICIE SUA JORNADA ................................................................... 50 DESENVOLVA SEU POTENCIAL .................................................. 52 1 RISCOS FÍSICOS – APROFUNDAMENTO ............................... 52 1.1 Pressões Anormais ............................................................. 53 1.1.1 Baixas Pressões ou Pressões Hipobáricas ................... 53 1.1.2 Altas Pressões ou Pressões Hiperbáricas .................... 54 1.2 Radiações Ionizantes ............................................................ 56 1.3 Radiações Não Ionizantes .................................................... 59 1.4 Ruído ...................................................................................... 60 1.5 Temperaturas Extremas ....................................................... 64 1.6 Vibrações ................................................................................ 67 1.7 Umidade ................................................................................... 68 2 RISCOS QUÍMICOS – APROFUNDAMENTO ............................ 68 2.1 Aerodispersoides .................................................................. 69 2.2 Poeiras .................................................................................... 71 2.3 Fumos e Fumaças ................................................................... 72 2.4 Fibras ..................................................................................... 72 2.5 Neblinas e Névoas ................................................................. 73 2.6 Gases e Vapores .................................................................... 76 Sumário 3 CARACTERÍSTICAS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS .......................................................................................... 79 3.1 Avaliação Qualitativa e Quantitativa ................................... 79 3.2 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral ................ 80 NOVOS DESAFIOS ....................................................................... 83 AUTOATIVIDADE ........................................................................... 84 REFERÊNCIAS .............................................................................. 86 Sumário CAPÍTULO 3................................................................................... 89 INICIE SUA JORNADA ................................................................... 91 DESENVOLVA SEU POTENCIAL .................................................. 93 1 RISCOS BIOLÓGICOS E CONSEQUÊNCIAS PARA O SER HUMANO ..................................................................................... 93 1.1 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral .............. 101 1.2 Agentes Biológicos – Classes de Risco .......................... 103 2 RISCOS ERGONÔMICOS ........................................................ 106 2.1 Riscos Ergonômicos – Consequências ............................ 107 2.2 Mapeamento Ergonômico – Objetivos e Benefícios ........110 3 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) ..........................................................................................112 3.1 Documentos Associados com a Implementação do PPRA ...119 3.2 Medidas de Controle de Riscos Ambientais no PPRA ... 121 NOVOS DESAFIOS ..................................................................... 126 AUTOATIVIDADE ......................................................................... 127 REFERÊNCIAS ............................................................................ 129 APRESENTAÇÃO A preservação da saúde no ambiente de trabalho é uma preocupação central para garantir a qualidade de vida dos trabalhadores. Nesse contexto, a higiene ocupacional surge como um campo fundamental, proporcionando ferramentas e conhecimentos necessários para a identificação, a avaliação e o controle dos ris- cos presentes nos diversos ambientes laborais. Na primeira parte deste livro, exploraremos os fundamentos essenciais da higiene ocupacional. A Unidade 1 aborda a introdução à higiene ocupacional e a classificação geral dos riscos ocupacionais. Iremos entender os fatores interve- nientes na exposição ao risco e aprofundar nossos conhecimentos sobre a ca- racterização de agentes químicos, compreendendo os riscos associados, seu manejo e controle. Na Unidade 2, vamos nos aprofundar na classificação dos riscos ocupacio- nais, categorizando-os de acordo com suas naturezas específicas. Para isso, va- mos desenvolver habilidades para identificar e diferenciar os diferentes tipos de riscos presentes nos ambientes de trabalho, preparando-nos para uma análise mais aprofundada na unidade subsequente. Na Unidade 3, examinaremos os fatores que intervêm na exposição ao ris- co, pois compreender esses elementos é crucial para uma abordagem abran- gente da higiene ocupacional e permite que façamos uma análise mais refinada dos desafios enfrentados pelos trabalhadores em seus locais de trabalho. Em- barque conosco nesta jornada pela higiene ocupacional, em que desbravaremos não apenas os seus conceitos fundamentais, mas também as estratégias práticas para avaliação de riscos, normas regulamentadoras e aprofundamento nos riscos químicos. Ao final desta jornada, a ideia é que estejamos equipados tanto com conhe- cimento teórico como com as habilidades práticas necessárias para promover um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. CAPÍTULO 1 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos TEMA DE APRENDIZAGEM Minhas metas: 3 Entender a importância da higiene ocupacional e sua relação com a promoção da saúde no trabalho. 3 Entender as diversas categorias de riscos ocupacionais. 3 Entender os conceitos introdutórios sobre higiene ocupacional e classificação de riscos. 3 Analisar fatores que influenciam a exposição ao riscoaos riscos físicos, a fim de proporcionar a você o conhecimento es- sencial para se tornar um profissional capacitado em prevenção. 1.1 Pressões Anormais Atividades realizadas em pressões superiores (hiperbáricas) ou inferiores (hi- pobáricas) à atmosférica considerada normal são referidas como atividades sob pressões anormais. Essas atividades são altamente especializadas e demandam treinamento específico, além da utilização de equipamentos avançados, pessoal qualificado e infraestrutura de suporte. As diretrizes legais essenciais estão des- critas no Anexo 6 da NR 15 – Atividades e operações insalubres (Brasil, 1978a). 1.1.1 Baixas Pressões ou Pressões Hipobáricas Estão expostos a pressões reduzidas (ambientes hipobáricos) os trabalhado- res envolvidos em atividades em grandes altitudes (o que é incomum no Brasil). Em ambientes hipobáricos, à medida que a altitude aumenta, a pressão atmosfé- rica diminui, resultando na redução da pressão parcial de oxigênio no ar. Embora seja comum afirmar que a porcentagem de oxigênio no ar diminui com a altitude, isso não é correto. O que realmente varia é a densidade do ar, uma vez que as moléculas se dispersam. A diminuição na pressão parcial impacta negativamente o processo de difusão do oxigênio dos alvéolos pulmonares para as hemácias e destas para os tecidos, reduzindo a quantidade de oxigênio na hemoglobina (responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos). Portanto, uma menor pressão parcial de oxigênio (pO2) resulta em uma diminuição no número de moléculas de oxigênio por unidade de volume, implicando em uma menor quantidade de oxigênio respirada em comparação com a pressão normal. A pO2 indica que, quanto maior a altitude de um local, menor será a sua pres- são atmosférica, devido à diminuição proporcional da quantidade absoluta de ar com a altitude. Assim, a redução na oxigenação ocorre devido à diminuição do ar atmosférico como um todo e não especificamente à porcentagem de oxigênio. O teor de oxigênio no ar atmosférico permanece em 21%, seja ao nível do mar ou em grandes altitudes. A diferença reside no fato de que, em altitudes elevadas, há menos ar e, consequentemente, menos oxigênio (Robert, 2005). 54 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 1 – Moléculas de oxigênio e nitrogênio no ar Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 40). #ParaTodosVerem: a figura ilustra moléculas de oxigênio e nitrogê- nio no ar, representando mistura em altitude normal (à esquerda) e em grandes altitudes (à direita). Nas grandes altitudes, a relação percentu- al entre oxigênio e nitrogênio se mantém, porém as moléculas se afas- tam e o ar fica mais rarefeito, diminuindo o volume de oxigênio aspirado. A escassez de oxigênio pode causar dores de cabeça, falta de clareza men- tal, dificuldades nos movimentos, perda de coordenação e equilíbrio. Indivíduos que residem em altitudes elevadas adaptam seus organismos, resultando em au- mento no número de hemácias para uma maior captação de O2, na quantidade de vasos sanguíneos para uma irrigação muscular mais eficiente e no número de mi- tocôndrias, responsáveis pela respiração celular. 1.1.2 Altas Pressões ou Pressões Hiperbáricas Essa situação ocorre em atividades realizadas por mergulhadores e em tra- balhos que envolvem tubulões de ar comprimido, como escavações abaixo do ní- vel do lençol de água, onde a pressão elevada é empregada principalmente para prevenir a entrada de água. Esse fenômeno também se manifesta em trabalhos executados em campânulas, que são compartimentos estanques utilizados para operações submersas. No caso dos mergulhadores, fatores como profundidade, tempo de mergulho e velocidade de ascensão são parâmetros críticos para prevenir doenças des- compressivas e acidentes como barotraumas, embolias, embriaguez das profun- didades (saturação por N2), afogamentos, intoxicação por oxigênio e intoxicação por gás carbônico. Dessa forma, o processo de descompressão é indispensável e vital na prática do mergulho. Esse procedimento meticuloso segue as diretrizes 55 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais estabelecidas nas tabelas de descompressão conforme previsto na legislação. Em termos simples e compreensíveis, pode-se afirmar que, à medida que o tem- po de duração e a profundidade do mergulho aumentam, o tempo necessário para o corpo eliminar as bolhas de nitrogênio formadas no sangue durante a respira- ção sob pressão também aumenta, tornando-se essencial o tempo adequado de descompressão. Figura 2 – Tubulão: estrutura vertical utilizada para realizar fundações Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 42). #ParaTodosVerem: a figura ilustra um tubulão, que é uma estrutura vertical utilizada para realizar fundações (construção da base da pon- te, por exemplo) abaixo da superfície da água ou solo, por meio da qual os trabalhadores devem descer, entrando pela campânula, para uma pressão maior que a atmosférica. A atmosfera pressurizada opõe-se à pressão da água e permite que os homens trabalhem em seu interior (NR 15) (Brasil, 1978a). As campânulas são câmaras pelas quais o tra- balhador passa do ar livre para a câmara de trabalho do tubulão e vice- -versa (NR 15, Anexo 6) (Brasil, 1978a). 56 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Os barotraumas referem-se a lesões causadas pela variação de pressão, manifestando-se, por exemplo, na sensação de pressão no ouvido, que costuma resultar em dor auricular. Essas condições ocorrem quando há um desequilíbrio entre as pressões interna e externa do corpo, como frequentemente experimenta- do durante mudanças abruptas de altitude, como voos ou mergulhos. A área mais comum afetada é o ouvido médio, em que a diferença de pressão pode levar ao bloqueio da tuba auditiva e à acumulação de fluido, resultando em dor intensa. Prevenção e técnicas adequadas de equalização de pressão, especialmente em atividades como mergulho, são essenciais para evitar esses barotraumas, ressal- tando a importância do conhecimento e do cuidado ao lidar com mudanças signifi- cativas de pressão atmosférica. 1.2 Radiações Ionizantes Caracterizadas pela capacidade de ionizar átomos, as radiações ionizantes dividem um átomo em duas partes carregadas eletricamente, denominadas íons. A peculiaridade dessas radiações reside no fato de o organismo não possuir me- canismos perceptivos para detê-las. Partículas como alfa, beta (elétrons e pró- tons), nêutrons e os raios X e gama (γ) são exemplos de radiações ionizantes (Monteiro; Bertag, 2019). Além de sua capacidade de ionização, essas radiações apresentam uma no- tável capacidade de penetração em comparação com outras formas. Encontram- -se naturalmente na natureza em elementos radioativos, como urânio 235, rádio e potássio 40; em isótopos radioativos, como o Co 60; e em raios X e γ utilizados em contextos médicos (radiografias) e industriais (gamagrafia). Os efeitos das radiações ionizantes são somáticos e manifestam-se em condições como anemia, leucemia, catarata e câncer, além de efeitos genéticos cumulativos e irreversíveis, que incluem alterações cromossômicas com potencial mutagênico. As radiações eletromagnéticas, como as dos tipos X e γ, são espe- cialmente penetrantes e, dependendo de sua energia, conseguem atravessar vá- rios centímetros de tecido humano. São empregadas em radiografias médicas. 57 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Ao desativar um equipamento de raios X, ele cessa a emissão de radiação, e os materiais utilizados nas radiografias não se tornam radioativos. A atenção necessária advém da natureza acumulativa da radiação ionizante, o que implica que exposições desnecessárias devem ser evitadas. Em outras palavras, quando desligamos uma máquina de raios X, ela para de gerar radiação imediatamente, e os objetos ou superfícies queforam expostos à radiação não se tornam radioativos como resultado desse processo. A precaução é crucial devido ao fato de que a exposição repetida à radiação ionizante ao longo do tempo pode resultar em efeitos cumulativos prejudiciais à saúde, como câncer e outras condições relacionadas à exposição excessiva. Portanto, é essencial limitar a realização de radiografias apenas ao necessário, minimizando a exposição desnecessária à radiação. As radiações do tipo beta demonstram uma capacidade limitada de penetra- ção em comparação com as mencionadas anteriormente. Dependendo da ener- gia, elas têm a capacidade de atravessar milímetros e até centímetros de tecido humano, o que permite aplicações médicas na superfície da pele para acelerar a cicatrização. Já as partículas do tipo alfa são inofensivas, devido à sua baixa capacidade de penetração, incapazes de atravessar a pele e facilmente detidas por uma folha de papel. No entanto, podem causar danos significativos em situações de conta- minação, especialmente por inalação ou ingestão em grandes quantidades, devi- do à sua toxicidade. Os nêutrons possuem alta capacidade de penetração devido à sua massa considerável e à falta de carga elétrica. Entre as radiações apresentadas, são as que causam maior dano biológico aos seres humanos, podendo até tornar-se ma- teriais radioativos. Esses nêutrons são produzidos em reatores nucleares. 58 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 3 – Poder de penetração das radiações Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 44). #ParaTodosVerem: a figura ilustra o poder de penetração das radia- ções comparando algumas radiações e sua capacidade de penetração em alguns materiais: mão humana, alumínio, chumbo e concreto. Apesar do potencial de contaminação, as radiações ionizantes desempe- nham um papel crucial em diversas aplicações na área da saúde. Na radioterapia, por exemplo, busca-se eliminar tumores malignos utilizando doses controladas de radiação gama, raios X ou feixes de elétrons. Esse processo visa destruir as célu- las cancerígenas de forma precisa e controlada, minimizando os danos aos teci- dos saudáveis circundantes. A avaliação das radiações ionizantes no ambiente de trabalho pode ser rea- lizada por meio do contador Geiger ou, individualmente, utilizando dosímetros de filme de bolso. 59 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é responsável pela legisla- ção e regulamentação de segurança relativa ao uso da radiação ionizante. Encon- tramos a legislação básica na NR 15 (Brasil, 1978a), em seu Anexo 5, que remete a uma norma da CNEN. 1.3 Radiações Não Ionizantes Caracterizadas por radiações eletromagnéticas, as radiações não ionizan- tes, ao serem absorvidas, têm como efeito principal a excitação dos átomos, au- mentando sua energia interna. Este processo resulta em aquecimento do corpo e pode conduzir a efeitos eritêmicos, como queimaduras, catarata, fadiga e efeitos carcinogênicos, como o câncer de pele, dependendo do comprimento de onda (Monteiro, Bertag, 2019). Limites de exposição ocupacional (TLVs). Editora: Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO) Autor: ACGIH Sinopse: O livro “Limites de exposição ocupacional” (TLVs) da AC- GIH, traduzido e comercializado no Brasil pela Associação Bra- sileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO) (www.abho.org.br), fornece valores guias para exposição à radiação ionizante. INDICAÇÃO DE LIVRO 60 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 4 – Espectro das radiações eletromagnéticas Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 48). #ParaTodosVerem: a figura ilustra o espectro das radiações eletro- magnéticas, que abrange diversas formas de energia, organizadas por frequência ou comprimento de onda. Inclui desde frequência extrema- mente baixa (ELF), frequência muito baixa (VLF), ondas de rádio, mi- cro-ondas, radiação infravermelha, luz visível, radiação ultravioleta, até raios X e raios gama. De forma geral, os impactos das radiações não ionizantes sobre o orga- nismo humano variam de acordo com a intensidade, a duração da exposição e o comprimento de onda da radiação. As principais radiações não ionizantes in- cluem micro-ondas, radiação infravermelha, radiação ultravioleta, radiação laser e radiofrequência. 1.4 Ruído Possivelmente o principal perigo nos ambientes laborais atuais, o ruído está presente em qualquer contexto industrial e consiste em variações de pressão so- nora no ar, impactando a sensibilidade auditiva. Os ruídos são compostos por sons não coordenados de diversas frequências e provoca desconforto. 61 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 5 – Local com ruído contínuo Fonte: . Acesso em: 20 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra uma placa de sinalização triangular amarela indicando a presença de ruído contínuo. No centro da placa, aparece uma orelha e o símbolo de ondas sonoras chegando a ela. A perda auditiva decorrente do ruído geralmente ocorre de forma progressiva ao longo dos anos de exposição em ambientes ruidosos. O ruído é categorizado em diferentes tipos. Vejamos a a seguir. RUÍDOS CONTÍNUOS O nível de intensidade sonora tem pequena variação em função do tempo. Exem- plo: geladeiras. RUÍDOS INTERMITENTES O nível de intensidade sonora tem grande variação em função do tempo. São os tipos mais comuns. Exemplos: fala, furadeira, esmerilhadeira. 62 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais RUÍDOS DE IMPACTO OU IMPULSIVOS O nível de intensidade sonora é alto em um intervalo de tempo muito pequeno. Exemplos: explosões, impactos, é o caso de rebitadeiras, prensas etc. A avaliação do ruído no ambiente de trabalho é realizada por meio de instru- mentos como sonômetros, popularmente conhecidos como decibelímetros, e do- símetros. A unidade de medida adotada é o decibel (dB). Os decibelímetros são mais apropriados para avaliar o ruído em um ambiente específico, enquanto os dosímetros são preferenciais para analisar a exposição do trabalhador, já que são fixados a ele durante toda a jornada. Normas como a NR 15 - Anexos 1 e 2 (Brasil, 1978a) e a NHO 01 (Brasil, 2001) estabelecem limites de exposição para diferen- tes níveis de ruído, seguindo parâmetros padronizados: LIMIAR DE INTEGRAÇÃO Valor a partir do qual serão contabilizados os níveis de pressão sonora para fins de exposição ocupacional. NÍVEL DE CRITÉRIO Valor de referência para uma exposição de 8 horas. FATOR DUPLICATIVO DE DOSE Incremento em dB para o qual o tempo de exposição permitido será reduzido à metade. CURVA DE COMPENSAÇÃO Parâmetros de ponderação para compensar a diferente sensibilidade do ouvido humano às diferentes frequências. Na figura 6, há um exemplo de um dosímetro para medir a intensidade sonora. 63 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 6 – Medida de intensidade sonora Fonte: . Acesso em: 20 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra um dosímetro para medir a intensi- dade sonora. Os índices de pressão sonora em locais públicos são avaliados de acordo com as diretrizes das normas NBR 10151 (Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - Procedimento) (Associação Bra- sileira de Normas Técnicas, 2000) e NBR 10152 (Níveis de ruído para conforto acústico) (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2017b), além de regula- mentações específicas estaduais e municipais. No estudo das avaliações de ruído, considera-se um ciclode exposição, ava- liando uma dose diária (%) ou um nível equivalente (decibéis), comparados a cri- térios normativos. No Brasil, o limite tolerado para uma jornada de 8 horas é de 64 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais 85 dB(A), e a legislação estipula o valor máximo de 115 dB(A), acima do qual não é permitida exposição sem proteção auditiva, conforme anexos 1 e 2 da NR 15 (Brasil, 1978a) e NHO 01 (Brasil, 2001). O ruído pode afetar o sistema nervoso, resultando em fadiga, deterioração da memória, irritabilidade, hipertensão e distúrbios gastrointestinais. Além disso, em função de sua intensidade, pode levar à perda auditiva temporária ou permanente. Como estratégias para prevenir ou reduzir os efeitos adversos do ruído no ambiente de trabalho, é possível mencionar a aplicação de medidas de proteção coletiva, como o isolamento da fonte sonora e a instalação de barreiras de trans- missão. Além disso, são adotadas medidas de proteção individual, tais como o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a redução da carga horária. A realização de exames periódicos, como audiometrias, e a implementa- ção de ações educacionais, incluindo orientação e conscientização sobre o uso adequado do EPI, são essenciais nesse contexto (Araujo; Santos; Mafra, 2018). 1.5 Temperaturas Extremas Consideram-se temperaturas extremas aquelas de calor e frio com intensida- de suficiente para ocasionar desconforto, modificações e impactos na eficiência e saúde dos trabalhadores. A exposição ao calor é comum em ambientes como fun- dições, usinas, fábricas de vidro, indústrias de papel, olarias, indústrias metalúr- gicas, siderúrgicas, entre outros. Além disso, o calor pode afetar atividades ao ar livre durante as épocas quentes do ano. Na avaliação dessas condições, é necessário considerar fatores como tem- peratura, velocidade e umidade relativa do ar, calor radiante e calor gerado pelo metabolismo (atividade física). Os índices de avaliação abrangem a Temperatura Efetiva (TE), a Temperatura Efetiva Corrigida (TEC), o Índice de Bulbo Úmido, Ter- mômetro de Globo (IBUTG) (conforme a NR 15, Anexo 3, de 1978) e o Índice de Sobrecarga Térmica (IST). 65 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais O limite de tolerância para exposição ao calor, conforme estabelecido pela NR 15, é determinado de duas maneiras: considerando o regime de trabalho com descanso no próprio local de trabalho e o considerando regime de trabalho com descanso em outro local. Em ambos os casos, a avaliação do calor pelo IBUTG leva em consideração a presença ou ausência de carga solar no momento da me- dição. Para ambientes internos ou externos sem carga solar, o cálculo é IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg, enquanto em ambientes externos com carga solar é IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 + 0,1 tbs. Aqui, tbn representa a temperatura de bulbo úmido natural, tg é a temperatura de globo, e tbs é a temperatura de bulbo seco. Como consequência da exposição ao calor, destacam-se efeitos como desi- dratação, exaustão, hipertermia, cãibras, insolação e edemas. Diversas medidas de controle são adotadas para mitigar esses efeitos, incluindo a proteção contra fontes radiantes, o aumento da distância entre o trabalhador e a fonte de calor, a redução das temperaturas, o uso de barreiras refletivas, o aumento da velocidade do ar, a diminuição da carga metabólica, a mecanização das atividades e a ade- quação do tempo de exposição e da relação entre trabalho e descanso térmico. A exposição ao frio é prevalente na indústria frigorífica, especialmente no tra- balho em câmaras frias. O frio excessivo não apenas impacta a eficiência do tra- balhador, mas também pode resultar em congelamento dos membros, úlceras, Segundo Araujo, Santos e Mafra (2018), a exposição ao calor é regulada pelo equilíbrio térmico, que se refere ao ganhou ou à perda de calor do organismo para o ambiente, de acordo com a equação a seguir: Q = M ± C ± R−E Em que: • M representa o calor gerado pelo metabolismo, sempre resultando em ganho de calor (+), • C indica o calor ganho ou perdido por condução/convecção (+/-), • R representa o calor ganho ou perdido por radiação (+/-), • E representa o calor perdido por evaporação (-), • Q é o calor acumulado no organismo. Se Q > 0, há acúmulo de calor, o que pode levar à sobrecarga térmica. Se Qe tratores, resultando em problemas na coluna vertebral e dores lombares. Para mitigar os efeitos nocivos das vibrações, são necessárias medidas de controle adequadas. Entre essas medidas, destacam-se o revezamento no 68 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais trabalho, que leva à redução do tempo de exposição, e a implementação de medi- das técnicas que visam diminuir a intensidade das vibrações. 1.7 Umidade Atividades realizadas em ambientes úmidos têm o potencial de ocasionar problemas cutâneos e favorecer a dissipação de calor do corpo. A umidade está presente em locais alagados ou encharcados, e a legislação pertinente está es- tabelecida na NR 15, especialmente em seu Anexo 10. Operações realizadas em ambientes excessivamente úmidos, que possam resultar em danos à saúde dos trabalhadores, como problemas respiratórios, quedas e doenças de pele, deman- dam atenção por parte dos profissionais de prevenção, os quais devem realizar inspeções nesses locais para avaliar a implementação de medidas de controle. Entre as medidas de controle, destacam-se a previsão de escoamento da água e a utilização de EPIs. 2 RISCOS QUÍMICOS – APROFUNDAMENTO No ambiente industrial, além da presença de agentes físicos, há também a possibilidade da presença de agentes químicos. Do ponto de vista da higiene ocu- pacional, estes são definidos como substâncias, elementos, compostos ou resídu- os químicos que, durante seu processo de fabricação, armazenamento, manuseio e transporte, possuem a capacidade de exercer ação tóxica sobre o organismo humano ou de contaminar o ar no ambiente de trabalho. A legislação brasileira, representada pela NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (Brasil, 1978b), conceitua agentes químicos como substân- cias, compostos ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respira- tória, na forma de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, devido à natureza da atividade de exposição, podem ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. Segundo Spinelli (2006), globalmente, cerca de 70 mil tipos de produtos químicos são produzidos anualmente, muitos dos quais são padronizados e uti- lizados na fabricação de uma ampla variedade de produtos. Devido à grande di- versidade de substâncias nas indústrias, os procedimentos e critérios para análise e avaliação dos agentes químicos podem variar conforme sua classificação, suas funções orgânicas ou inorgânicas e até mesmo métodos específicos para produ- tos particulares. 69 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Essa variedade considerável resulta em uma maior complexidade no reconhecimento dos agentes químicos em comparação com os agentes físicos, uma vez que cada produto apresenta características químicas distintas, como solubilidade, pH, concentração, propriedades de alerta, estado físico, volatilidade, reatividade e níveis de toxicidade. A avaliação de um agente químico pode ser influenciada por condições climáticas, como dias chuvosos ou frios. A qualidade do ar no ambiente ocupacional deve garantir a ausência de subs- tâncias prejudiciais ao organismo, além de uma quantidade adequada de oxigê- nio. De acordo com a NR 15 (Brasil, 1978), uma atmosfera é considerada normal quando apresenta aproximadamente 20,9% de oxigênio em volume. No entanto, para proteger a saúde contra a deficiência de oxigênio nos ambientes de trabalho, a NR 15 recomenda um teor mínimo de 18% de oxigênio em volume. Os agentes químicos são classificados de acordo com sua estrutura física, abrangendo aerodispersoides (particulados sólidos ou líquidos), gases e vapores. Cada categoria pode ser subdividida com base nos efeitos prejudiciais causados ao organismo humano, variando desde desconforto até problemas mais graves, como câncer (Araujo; Santos; Mafra, 2018). Devemos também, como profissionais da área de prevenção, possuir conhe- cimento sobre as unidades de concentração utilizadas para mensurar substâncias no ambiente contaminado. Ao consultar a NR 15 (Brasil, 1978a), é possível en- contrar, em seu Anexo 11, os limites de tolerância estabelecidos para essas uni- dades. Mesmo que o uso padrão das unidades de concentração seja comum para uma classe específica de agentes químicos, é possível realizar a conversão entre essas unidades. Na prática, quando estudamos química, é possível identificar diversas abor- dagens para classificar as substâncias químicas ou agentes presentes na atmos- fera. Contudo, ao explorar o âmbito da higiene ocupacional, esses agentes são categorizados com base no seu estado físico, incluindo aerodispersoides, gases e vapores. Veremos alguns detalhes desta classificação a seguir. 2.1 Aerodispersoides Os aerodispersoides são partículas sólidas ou líquidas que podem permanecer em suspensão na atmosfera. Geralmente, possuem um tamanho inferior a 150 μm e são também conhecidos como aerossóis. Quanto mais prolongado for o tempo que 70 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais essas partículas permanecem no ar, maior é a probabilidade de serem inaladas pelos trabalhadores. A classificação dos aerodispersoides considera tanto o seu estado físico quanto os efeitos que podem provocar no organismo humano, levan- do em conta a natureza e a reatividade do material. A permanência dessas partículas no ar está condicionada à sua densidade, ao seu tamanho e à velocidade do meio circundante (o ar). Informações sobre o tamanho das partículas são cruciais nas fases de investigação da higiene ocu- pacional, especialmente para avaliações quantitativas por meio de amostragens utilizando equipamentos especializados e para a implementação de medidas de controle dos agentes. Os aerodispersoides têm origem em processos industriais e, devido à sua variabilidade de tamanho, muitos não são visíveis a olho nu. Con- forme indicado por fontes reconhecidas na literatura, a classificação de tamanhos pode ser referenciada como consta no quadro a seguir. Quadro 1 – Tipologia e tamanho de partículas Tipo de particulado Tamanho aproximado (μm) Sedimentável 10 50 Inalável Øextra- ção de carvão mineral, localizadas nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, onde a elevada concentração de sílica é consequência da presença de contaminantes minerais nas rochas (Brasil, 2001). Além disso, poeiras contendo sílica podem ser encontradas em ambientes re- lacionados à perfuração de rochas, à construção civil, ao jateamento de areia, à produção de tijolos refratários e à fabricação de vidros e cerâmicas. De modo ge- ral, sílica é um nome dado aos compostos que apresentam na sua composição o dióxido de silício (SiO2), formado por um átomo de silício e dois de oxigênio. As pneumoconioses são doenças que têm como causa o acúmulo de poeiras nos pulmões e suas reações que ocorrem nos tecidos e podem ser classificadas como fibrogênica e não fibrogênica. O primeiro tipo destrói os alvéolos pulmona- res, causando lesões permanentes. No segundo, as reações provocadas nos pul- mões são mínimas e não geram lesões permanentes, não alterando os alvéolos pulmonares (Spinelli, 2006). No site da Biblioteca Virtual em Saúde, está disponível um portal temático dedicado à saúde do trabalhador. Neste portal, você terá acesso a uma lista de protocolos, entre os quais se destaca uma publicação sobre pneumoconioses. Recomenda-se realizar o download para explorar essa obra. Para obter informações detalhadas sobre os locais no Brasil onde a exposição à sílica é predominante, EU INDICO http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/mapa_exposicao_silica_brasil.pdf. 72 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais 2.3 Fumos e Fumaças Os fumos são tipos específicos de aerodispersoides, geralmente gerados em atividades relacionadas à fusão de metais, comumente presentes em indústrias que envolvem processos de soldagem e fundição. O termo “fumos” refere-se a partícu- las no estado sólido resultantes da condensação dos vapores liberados durante o processo de fusão, podendo conter metais pesados, como o zinco (Zn). Quan- do os vapores carregam metais em suspensão, são denominados “fumos metá- licos”. Além do zinco, existem outros metais prejudiciais à saúde, como os fumos de chumbo (Pb), encontrados em fábricas de baterias, e os de cromo (Cr) e níquel (Ni), encontrados em locais nos quais ocorre o revestimento externo de peças com esses metais. A inalação prolongada desses fumos sem a devida adoção de medidas de precaução pode resultar em úlcera no septo nasal. Durante o processo de fusão, é comum ocorrer uma reação de oxidação, levando à penetração dos fumos metálicos nas vias respiratórias na forma de óxidos, que possuem maior solubilidade nos fluidos do organismo humano. Um exemplo é o óxido de zinco (ZnO). É relevante destacar que, na formação do óxido, o estado de oxidação é crucial, pois os fumos de zinco mencionados na verdade referem-se ao Zn+, que está presente no ar nessa forma. A úlcera do septo nasal é uma doença relacionada ao trabalho que resulta da ação local de aerossóis (aerodispersoides) irritantes, produtores de um processo inflamatório crônico, podendo ser acompanhadas de secreção sanguinolenta, ar- dor e dor nas fossas nasais. Com maior frequência, podem cursar de forma assin- tomática (sem sintomas). Agora tratando das fumaças, elas são partículas que resultam de uma re- ação química de combustão incompleta, sendo, de forma geral, constituídas de carbono e geradas pela queima de materiais orgânicos. 2.4 Fibras As fibras são partículas sólidas geradas por processos de rompimento mecânico, caracterizadas por possuírem um formato alongado. Para uma visualização mais cla- ra, imagine uma partícula cujo comprimento seja aproximadamente de 3 a 5 vezes o seu diâmetro. Essas fibras podem ser encontradas em ambientes ocupacionais de indústrias que lidam com fibras de lã, algodão, amianto, vidro e cerâmica. 73 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 8 – Fibra de vidro Fonte: adaptada de Macrofibras ([2024]). #ParaTodosVerem: a figura ilustra a fibra de vidro, que é uma das fi- bras mais perigosas quando inalada. Quando há exposição prolongada à fibra de asbesto, existe o risco de desen- volver a asbestose, uma condição altamente prejudicial aos pulmões. Vale ressal- tar que a asbestose é uma doença pulmonar crônica causada pela inalação de fibras de asbesto ao longo do tempo, que leva à formação de cicatrizes nos pul- mões e compromete significativamente a função respiratória. Além disso, a expo- sição ao asbesto está associada a outros problemas de saúde, como o câncer de pulmão e o mesotelioma. Portanto, a conscientização e a implementação de me- didas de proteção são fundamentais em ambientes nos quais essas fibras estão presentes (Araujo; Santos; Mafra, 2018). 2.5 Neblinas e Névoas As neblinas consistem em partículas líquidas que permanecem em suspen- são no ar, originárias da condensação de vapores provenientes de substâncias no estado líquido que apresentam volatilidade. Em termos mais simples, quando um líquido, sujeito a condições térmicas específicas (como o aquecimento), tem a ca- pacidade de evaporar, o vapor se incorpora ao ar até atingir a saturação. Nesse ponto, não é possível agregar mais vapor ao ar, resultando em um excesso de va- por no ambiente. Simultaneamente, ocorre uma diminuição na temperatura do ar, ocasionando a condensação (a mudança do estado físico de vapor para líquido) do vapor saturado no ar ambiente, formando partículas líquidas ou gotículas. 74 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Figura 9 – Formação de neblina, usando como exemplo a neblina ácida Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 67). #ParaTodosVerem: a figura ilustra a formação de neblina ácida, em que o vapor se condensa em pequenas gotas de líquido no ar. 75 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais O fenômeno mostrado na figura anterior está relacionado às condições térmi- cas, nas quais o aquecimento inicial do líquido favorece sua evaporação, e a sub- sequente redução da temperatura ocasiona a condensação desse vapor saturado no ar. A necessidade de que haja uma saturação do vapor e uma posterior con- densação torna as neblinas mais difíceis de serem vistas nas indústrias. Elas são mais conhecidas como um fenômeno do clima. Da mesma maneira que as neblinas foram caracterizadas, as névoas consis- tem em partículas líquidas suspensas no ar. No entanto, neblina e névoa apresen- tam diferenças no processo de geração das partículas. As névoas se originam da atomização ou ruptura mecânica de um líquido sob pressão. Situações laborais em que é possível encontrar névoas incluem processos como pinturas na forma de spray, aplicação de agrotóxicos que envolvem nebu- lização e utilização de óleo de corte, resultando na formação de uma névoa de óleo, entre outras atividades afins. Figura 10 – Formação da névoa por pintura veicular por spray Fonte: adaptada de Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (2012, p. 68). #ParaTodosVerem: a figura ilustra a formação da névoa por pintura veicular por spray. 76 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais 2.6 Gases e Vapores É comum o equívoco de se considerar gases e vapores como sinônimos. Contudo, eles são distintos e possuem conceitos bastante diferentes. Um gás é uma dispersão de moléculas distribuídas e misturadas no ar ambiente, caracteriza- do por movimentação desordenada resultante de forças internas fracas. Sob con- dições normais de temperatura e pressão atmosférica, os gases já se encontram no estado gasoso. Devido a essas características, os gases têm a capacidade de ocupar espaços integralmente, ou seja, podem atingir uma concentração de 100% do volume. Já o vapor é a forma gasosa de agentes químicos que, quando sujeitos à tem- peratura e pressão atmosférica, apresentam-se no estado líquido. Sua concentra- ção no ambiente depende de variáveis como pressãode vapor e temperatura. Aumentos na temperatura resultam em uma elevação na pressão de vapor, levan- do a uma maior vaporização do produto no ar (Araujo; Santos; Mafra, 2018). Do ponto de vista da higiene ocupacional, gases e vapores são estudados conjuntamente devido ao seu comportamento semelhante no ar. Para convergir nesta temática de categorização dos agentes químicos, até o momento nós os estudamos com base em seu estado físico, incluindo uma clas- sificação específica para partículas sólidas com base em seu tamanho. Agora, no quadro a seguir, vamos mostrar um breve resumo analítico sob uma perspectiva adicional. No âmbito dos riscos químicos, além do aspecto mencionado, é possível classificar aerodispersoides, gases e vapores conforme os efeitos que causam em nosso organismo. Alguns desses efeitos estão detalhados no quadro mostra- do a seguir, proporcionando uma compreensão mais ampla e abrangente das im- plicações e dos efeitos dos agentes químicos no organismo humano. 77 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Quadro 2 – Classificação dos agentes químicos conforme efeitos no organismo Estado físico Tipos de efeito Descrição Exemplo de subs- tâncias Aerodispersoides Fibrogênicos Podem induzir à formação de nódulos e causar endurecimento (fibrose) dos tecidos pulmonares. Sílica e amianto. Irritantes Partículas que, por ação química, podem causar ulcerações e inflamações no trato respiratório. Névoas prove- nientes de áci- dos e bases. Produtores de febre Podem provocar ca- lafrios e febre. Fumos metálicos. Carcino- gênicos Exposição prolongada pode resultar no desenvolvimento de câncer. Amianto e radionuclídeos. Sistêmicos Têm a capacidade de afetar órgãos internos e sistemas do organismo. Cádmio e manganês. Mutagênicos/ Teratogênicos Causam modificações celulares e alterações genéticas. Os mutagênicos afetam não só o indivíduo contaminado, mas também seus descendentes. Teratogênicos podem afetar o desenvolvimento embrionário ou fetal, resultando em deformidades congênitas. Mercúrio orgâ- nico e fumos de chumbo. 78 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Gases e vapores Irritantes Substâncias que podem causar irritação e ulcerações no trato respiratório pela ação química com as mucosas ou por contato direto. Ácido clorídrico e gás sulfídrico. Tóxicos Ação nociva generalizada, independentemente da via de penetração. Alguns podem agir em órgãos ou sistemas específicos. Inseticidas e hidrocarbonetos Anestésicos e narcóticos Possuem ação depressora do sistema nervoso central (SNC). Éteres e cetonas. Asfixiantes Podem ser simples, substituindo o oxigênio no ar a ser transportado pela hemoglobina, ou químicos, apresentando ação bioquímica na célula. Nitrogênio, gás carbônico e monóxido de carbono. Carcinogênicos Têm a capacidade de causar câncer após exposição prolongada. Cloreto de vinila e benzeno. Carcinogênicos Apresentam características similares às dos aerodispersoides. Óxido de etileno. Fonte: elaborado pelo autor (2024). 79 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais 3 CARACTERÍSTICAS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS Em todo o processo de análise de um ambiente de trabalho, é crucial estabe- lecer conexões entre o ambiente em questão, os riscos associados, suas particulari- dades e os potenciais impactos na saúde dos trabalhadores. A fase inicial da avaliação ambiental, que é a amostragem, demanda uma abordagem meticulosa, uma vez que toda a subsequente análise dependerá diretamente dos procedimentos corretos adotados durante a execução da avaliação. É importante ter em mente que o grau de incerteza na avaliação da exposi- ção diminui à medida que o número de avaliações aumenta, sendo este um fator estatístico de avaliação. 3.1 Avaliação Qualitativa e Quantitativa O estudo qualitativo representa uma etapa preliminar na análise das condições de trabalho, com o objetivo de reunir informações e dados essenciais sobre os tra- balhadores e os ambientes, estabelecendo as diretrizes para a fase subsequente de levantamento quantitativo. O reconhecimento qualitativo engloba uma análise detalhada da planta atu- alizada do local, do fluxograma dos processos, dos agentes presentes, do núme- ro de trabalhadores, dos horários e das atividades laborais, das movimentações de pessoal e materiais, das matérias-primas, dos equipamentos e processos, dos ritmos de produção, das condições ambientais, da iluminação e estado das lumi- nárias, da identificação dos riscos e pontos de dispersão, do uso de EPIs pelos trabalhadores, da existência de equipamentos de proteção coletiva (EPCs), da condição dos equipamentos, entre outros. Essa coleta de dados é essencial para orientar a condução do levantamento quantitativo de maneira adequada. É fundamental contar com a assessoria de um profissional familiarizado com os processos, os métodos de trabalho e as demais atividades rotineiras para garan- tir a confiabilidade dos dados e esclarecer dúvidas durante o levantamento, sendo que as informações obtidas devem ser documentadas em um relatório técnico. Em determinadas atividades com riscos conhecidos para a saúde, a ação pre- ventiva é evidente e deve ser implementada imediatamente, sem a necessidade 80 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais de um levantamento quantitativo prévio, como é o caso de trabalhos envolvendo compostos orgânicos de mercúrio. Após a avaliação qualitativa, que deve refletir as condições reais do ambien- te de trabalho, são delineadas estratégias de amostragem apropriadas na ava- liação quantitativa. Essas estratégias fornecem informações sobre a intensidade dos agentes físicos ou a concentração dos agentes químicos presentes no local analisado. Uma vez concluído o levantamento qualitativo, são estabelecidos planos de controle das exposições. A avaliação quantitativa proporciona valores para di- mensionar as medidas de controle, as quais, após a implementação, devem ser submetidas a um novo levantamento quantitativo para verificar a eficácia das me- didas adotadas. 3.2 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral A avaliação consiste em um conjunto de procedimentos essenciais para re- alizar uma caracterização abrangente e representativa de determinado ambiente ou exposição ocupacional. A estratégia de avaliação abrange diversas definições fundamentais: 81 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais OBJETIVO DA AVALIAÇÃO É crucial definir o que será avaliado, seja a exposição do trabalhador, uma ope- ração específica, uma função particular ou a eficiência de sistemas de proteção coletiva (exaustão, ventilação). Essas definições são essenciais para determinar os métodos de amostragem, que podem ser individuais ou fixos (coletivos). MÉTODOS DE AMOSTRAGEM Baseados em normas nacionais e internacionais, os métodos devem permitir comparações com resultados de estudos científicos, estabelecendo valores má- ximos aceitáveis para determinada exposição ocupacional. TEMPO DE AMOSTRAGEM Deve abranger um ciclo de trabalho, considerando variações na duração e nas condições de exposição, tarefas realizadas, tempo de permanência no local con- taminado, pausas e movimentos efetuados. Essa abordagem é necessária para garantir a representatividade da exposição. PERÍODOS PARA REALIZAÇÃO DAS COLETAS/MEDIÇÕES As coletas devem ocorrer em condições normais de trabalho, durante os períodos efetivos de realização das atividades a serem avaliadas, levando em considera- ção suas particularidades. NÚMERO MÍNIMO DE AMOSTRAGENS A quantidade de amostragens deve viabilizar um estudo que assegure a repre- sentatividade da exposição, considerando flutuações na concentração ou inten- sidade dos agentes. GRUPOS HOMOGÊNEOS DE EXPOSIÇÃO Sempre que possível, para grupos de trabalhadores quedesempenhem ativida- des em condições semelhantes de exposição, deve-se realizar uma avaliação específica para esse grupo. Ao avaliar a exposição dos trabalhadores aos agentes presentes no ambiente de trabalho, seguindo normas respaldadas por estudos científicos, é realizada uma exposição estimada. Essa estimativa é uma aproxi- mação da exposição real, fundamentada em uma amostragem no tempo e no espaço que se considera representativa. 82 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais O profissional encarregado da avaliação da exposição deve estabelecer uma estratégia de amostragem que contorne as dificuldades mencionadas. A coleta de amostras deve visar, além da representatividade da exposição do trabalhador, um número de amostras com duração, frequência e condições de coleta estatistica- mente aceitáveis. Nesse contexto, é crucial possuir conhecimento técnico em hi- giene ocupacional e, acima de tudo, utilizar uma estratégia que seja tecnicamente viável e praticamente realizável. Estimado estudante, assista ao vídeo desenvolvido para esta unidade, com os principais conceitos teóricos abordados. Bons estudos! EM FOCO 83 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais NOVOS DESAFIOS Nesta segunda etapa de nossa jornada de aprendizado, adentramos um uni- verso de desafios palpáveis, porém invisíveis, no qual os riscos físicos e quími- cos se entrelaçam, exigindo uma abordagem cuidadosa e estratégias precisas de avaliação ambiental. Os riscos físicos se apresentam sob formas tangíveis, desde ruídos ensur- decedores até temperaturas extremas e pressões anormais. É nesta imersão nos desafios sensoriais que os alunos desenvolvem habilidades para identificar, men- surar e mitigar esses perigos que podem comprometer não apenas a saúde, mas também a segurança dos trabalhadores. Já os riscos químicos nos conduzem ao mundo invisível das substâncias tó- xicas, vapores nocivos e agentes muitas vezes cancerígenos. Aqui somos desa- fiados a decifrar as complexidades da química industrial, aprendendo a manejar essas substâncias com precaução e implementar medidas de proteção que ga- rantam um ambiente de trabalho seguro e saudável. Na avaliação de riscos, tanto qualitativa quanto quantitativa, desenvolvemos competências essenciais para identificar, analisar e mitigar os perigos ambien- tais. Esta etapa desafia os estudantes a aplicar seus conhecimentos em contextos diversos, preparando-os para enfrentar os desafios reais do mundo profissional com confiança e expertise. Ao final desta unidade, estaremos aptos a reconhecer os riscos físicos e quí- micos e avaliar e gerenciar esses perigos de forma eficaz, contribuindo com o de- safio constante da construção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos. 84 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais AUTOATIVIDADE 1 - Imagine que uma empresa em questão realiza atividades em grandes al- titudes, o que expõe os trabalhadores a pressões reduzidas. Isso pode impactar a oxigenação, resultando em desafios respiratórios. Para lidar com essa situação, é fundamental compreender os efeitos das pressões anormais na saúde dos tra- balhadores. Considerando esse cenário, avalie as afirmativas a seguir e marque a alternativa correta. a) A escassez de oxigênio em grandes altitudes pode resultar em adapta- ções fisiológicas nos indivíduos, como aumento no número de hemácias. b) A redução na pressão parcial de oxigênio ocorre devido à diminuição da porcentagem de oxigênio no ar atmosférico em grandes altitudes. c) A pressão parcial de oxigênio é independente da altitude, mantendo-se constante em diferentes locais. d) Atividades em grandes altitudes podem acarretar diminuição dos bati- mentos cardíacos, devido a redução da pressão atmosférica. e) A porcentagem de oxigênio no ar atmosférico aumenta à medida que a al- titude aumenta, compensando a redução na pressão atmosférica. 2 - Em uma fábrica que realiza processos industriais utilizando radiações io- nizantes, os trabalhadores estão expostos a diferentes formas de energia que po- dem impactar sua saúde. Os riscos físicos, nesse caso, são uma preocupação significativa. Considere a situação em que um trabalhador está envolvido em uma operação de equipamentos que emitem radiações ionizantes, e sua proteção con- tra esses riscos físicos é crucial para a prevenção de danos à saúde. Diante desse cenário, avalie as alternativas a seguir e marque a que repre- senta uma medida apropriada para proteger os trabalhadores contra os riscos físi- cos associados à exposição a radiações ionizantes. a) Fornecer EPIs adequados, como aventais de chumbo, para os trabalha- dores utilizarem durante suas atividades. b) Aumentar a quantidade de horas de exposição diária, permitindo que os trabalhadores se acostumem gradualmente com as radiações. c) Reduzir a frequência da medição da exposição às radiações para evitar preocupações desnecessárias. d) Ignorar as recomendações de limites de exposição, uma vez que os be- nefícios do processo industrial superam os riscos percebidos. e) Não realizar avaliações regulares da exposição, pois isso pode gerar an- siedade desnecessária entre os trabalhadores. 85 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais 3 - Em uma indústria química, os trabalhadores estão envolvidos na manipu- lação de substâncias químicas nocivas. Durante a avaliação de riscos químicos, o profissional de segurança identificou a presença de vapores tóxicos no ambiente de trabalho. Esses vapores podem representar um sério risco à saúde dos traba- lhadores se inalados em concentrações elevadas. Considerando essa situação, qual das seguintes medidas é apropriada para minimizar o risco de exposição aos vapores tóxicos? a) Implementar um sistema de ventilação adequado para reduzir a concen- tração de vapores no ambiente. b) Fornecer EPIs apenas para os trabalhadores que expressarem preocupa- ções com a exposição. c) Ignorar os vapores tóxicos, pois a ventilação natural da área deve ser su- ficiente para dispersá-los. d) Realizar avaliações qualitativas periódicas para monitorar a presença dos vapores, sem a necessidade de ações preventivas. e) Realizar avaliações quantitativas periódicas para monitorar a presença dos vapores, sem a necessidade de ações efetivas. 86 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10151: acús- tica: avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10152: níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro: ABNT, 2017b. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 12543: equi- pamentos de proteção individual contra partículas respiráveis: terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2017a. ARAUJO, R. P. de; SANTOS, N. dos; MAFRA, W. J. Gestão em higiene ocupacio- nal. Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho, Joinville, p. 1-10, 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 15: ativi- dades e operações insalubres. Brasília, DF: MTE, 1978a. BRASIL. NHO 01: Norma de Higiene Ocupacional: avaliação de exposição ocupa- cional ao ruído (procedimento técnico). Ministério do Trabalho e Emprego: Funda- centro, 2001. BRASIL. Portaria n.° 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova as normas regulamen- tadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do tra- balho. Norma Regulamentadora nº 09 (NR 9): Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Exe- cutivo, Brasília, DF, 1978b. COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL DE SANTA MARIA – CTISM. Higiene Ocupacio- nal I. Santa Maria: UFSM, CTISM; Rede e-Tec Brasil, 2012. Disponível em: https:// www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/04_higiene_ocupacional_1.pdf. Aces- so em:21 mar. 2024. MACROFIBRAS. Fibra de vidro picada. Macrofibras, [2024]. Disponível em: https:// www.macrofibras.com.br/fibra-de-vidro-picada-13-mm-para-concreto-e-reboco-pa- cote-com-10-kg. Acesso em: 14 mar. 2024. MONTEIRO, A. L.; BERTAG, R. F. de S. Acidentes do trabalho e doenças ocupa- cionais: conceito, processo de conhecimento e de execução suas questões polê- micas. São Paulo: Saraiva Educação S.A., 2019. p. 1-500. 87 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais ROBERT, L. Fundamentos da higiene e segurança no trabalho. Cuiabá: UFMT; Rede e-Tec Brasil, 2015. SALIBA, M. T. Manual prático de avaliação e controle de poeira e outros mate- riais particulados: PPRA. 4. ed. São Paulo: LTr, 2010. SPINELLI, R. Higiene ocupacional: agentes biológicos, físicos e químicos. 5. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006. Higiene Ocupacional Edição 1 CAPÍTULO 3 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA TEMA DE APRENDIZAGEM Minhas metas: 3 Entender as aplicações das Normas Regulamentadoras em situ- ações de riscos ocupacionais. 3 Compreender os riscos biológicos e ergonômicos e suas conse- quências para a saúde humana. 3 Aplicar conhecimentos sobre Normas Regulamentadoras na análise prática de riscos ocupacionais. 3 Analisar criticamente tipos de riscos biológicos e ergonômicos e seus impactos no ambiente de trabalho. 3 Avaliar a conformidade de um ambiente de trabalho com as Nor- mas Regulamentadoras frente aos riscos químicos. 3 Entender o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), integrando informações dos tópicos sobre normas e riscos. 3 Sintetizar conhecimentos na revisão e aplicação prática, de- monstrando compreensão das normas e dos riscos químicos. 91 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA INICIE SUA JORNADA Num ambiente industrial muito ativo, no qual a produção é contínua, surge uma situação complexa que ecoa em muitas realidades: trabalhadores expostos a riscos biológicos sem a devida compreensão das Normas Regulamentadoras. Imagine uma fábrica em que materiais biológicos, cruciais para o processo pro- dutivo, permeiam o ambiente em geral, mas a informação sobre os perigos asso- ciados é escassa. Nesse cenário, conhecer as Normas Regulamentadoras e os principais riscos biológicos surge como uma bússola necessária para guiar os pro- fissionais a vencer esses desafios. Ao adentrarmos essa fábrica fictícia, nos deparamos com uma realidade cujos riscos são tão invisíveis quanto suas consequências podem ser prejudiciais. A ausência de compreensão sobre as Normas Regulamentadoras que deveriam guiar as operações e proteger a saúde dos trabalhadores cria um cenário no qual o silêncio dos riscos biológicos torna-se muito perigoso. Este não é apenas um desafio técnico; é uma questão de saúde, segurança e, por extensão, de dignida- de no ambiente de trabalho. A resolução dessa problemática vai além do cumprimento de regulamentos; está enraizada na construção de uma cultura organizacional que prioriza a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Impacta diretamente na qualidade de vida dos profissionais, na produtividade da empresa e na mitigação de custos relaciona- dos a acidentes e doenças ocupacionais. A importância de abordar essa situação reside em estabelecer bases sólidas para ambientes seguros. Nesse contexto, a confiança e o conhecimento formam a espinha dorsal de operações sustentáveis. Imaginemos um cenário no qual trabalhadores manipulam substâncias bio- lógicas sem equipamentos de proteção adequados, desconhecendo os riscos à saúde. Aqui a aplicação prática das estratégias de avaliação de riscos e a com- preensão das Normas Regulamentadoras tornam-se imperativas. A medição da exposição a essas substâncias, seguida por uma análise crítica à luz das norma- tivas, revela um caminho claro para a resolução do problema. A implementação de procedimentos específicos para mitigar esses riscos não só protege os traba- lhadores, mas também coloca em prática os princípios fundamentais das Normas Regulamentadoras. Ao explorarmos a fundo as Normas Regulamentadoras e os riscos biológi- cos, por exemplo, somos instigados a refletir tanto sobre o papel das organiza- ções quanto sobre o papel de cada indivíduo nesse contexto. A conformidade com as normas é essencial, mas a verdadeira segurança ocupacional vai além. É uma responsabilidade coletiva cultivada por uma consciência partilhada sobre os 92 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA perigos potenciais e as medidas preventivas necessárias. É uma reflexão sobre como cada ação, por menor que seja, contribui para a construção de ambientes de trabalho mais seguros. À medida que navegamos nas temáticas associadas a esses riscos, vamos vislumbrar um horizonte em que as Normas Regulamentadoras e a gestão de ris- cos não são meros requisitos burocráticos, mas ferramentas essenciais para a construção de uma cultura de segurança ocupacional duradoura. O aprendizado não se encerra nas salas de aula, mas ecoa nos corredores das fábricas e nas mentes dos profissionais. Esta Unidade é um convite a uma transformação pro- funda, na qual cada medida adotada atende aos regulamentos e contribui para uma jornada contínua em direção a ambientes de trabalho seguros, saudáveis e sustentáveis. Antes de nos aprofundarmos nos conceitos fundamentais dos riscos biológi- cos e ergonômicos e do PPRA, é importante relembrar conceitos da NR 1. VAMOS RECORDAR? Chegou o momento de relembrar conceitos e detalhes sobre as temáticas já estudadas. Neste vídeo, temos uma explicação bem importante da NR 1 – Dis- posições Gerais. Clique nesse link e atualize seus conhecimentos! Quer conhecer mais detalhes a respeito das Normas Regula- mentadoras? Ouça este podcast! Nele será abordado o tema, além de diferentes aspectos da prevenção de acidentes e do- enças ocupacionais, as principais Normas Regulamentadoras e as melhores práticas adotadas pelas empresas. PLAY NO CONHECIMENTO https://www.youtube.com/watch?v=33fhA8rBDuE https://www.youtube.com/watch?v=pkNmDOmtEHk s://www.youtube.com/watch?v=pkNmDOmtEHk 93 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA DESENVOLVA SEU POTENCIAL Após o primeiro contato com o assunto da Unidade, chegou o momento de aprofundar os conceitos teóricos, promover discussões e utilizar exemplificações que contribuam para a clareza dos conteúdos do tema. Nesta Unidade, que trata principalmente dos riscos biológicos, dos riscos ergonômicos e do PPRA, mergu- lharemos nas complexidades da segurança ocupacional. Ao final desta Unidade, a ideia principal é que estaremos imersos em uma compreensão aprofundada do PPRA e dos riscos biológicos e ergonômicos, compreendendo suas ramificações na saúde humana e assimilando as normas e os procedimentos regulamentado- res essenciais. No Tópico 1 da Unidade, investigaremos os riscos biológicos, des- vendando potenciais consequências associadas para o ser humano. No Tópico 2, investigaremos os riscos ergonômicos, entendendo efeitos, causas e potenciais consequências para o ser humano. Já no Tópico 3, exploraremos a aplicação prá- tica do PPRA em alguns ambientes reais, delineando seu papel crítico na gestão de riscos ocupacionais. 1 RISCOS BIOLÓGICOS E CONSEQUÊNCIAS PARA O SER HUMANO De acordo com a NR 32 (Brasil, 2005), os agentes biológicos são microrga- nismos, tanto geneticamente modificados quanto não modificados, culturas de cé- lulas, parasitas, toxinas e príons. Veja na Figura 1, o exemplo de um príon. Os príons são agentes infecciosos incomuns e mal compreendidos que consis- tem em proteínas anormalmente dobradas. Ao contrário de vírus, bactérias ou fungos, os príons não contêm ácido nucleico (DNA ou RNA) e, portanto, não são considerados organismos vivos tradicionais. Eles podem ocorrer de forma natural no corpo humano, mas também estão as- sociados a doenças neurodegenerativas graves em animais e humanos, como a doençade Creutzfeldt-Jakob em humanos e a doença da vaca louca em bo- vinos. Os príons têm a capacidade de converter proteínas normais em formas anormais, levando à formação de agregados de proteínas que podem danificar células nervosas e causar sintomas neurológicos graves. É importante destacar que a pesquisa sobre príons continua sendo um campo ativo de estudo devido à sua natureza incomum e ao potencial impacto na saúde pública (Linden, 2003). ZOOM NO CONHECIMENTO 94 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 1 – Príon Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: imagem colorida representando um príon, que é uma proteína infecciosa capaz de provocar diferentes doenças em se- res humanos e em outros animais. De modo geral, os perigos biológicos consistem em organismos vivos que podem contaminar os ambientes laborais e impactar a saúde dos trabalhadores. Isso inclui microrganismos como vírus, bactérias, bacilos e fungos. 95 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 2 – Profissional do setor laboratorial biológico usando os EPIs necessários Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: fotografia colorida de um homem branco profissio- nal do setor laboratorial biológico trabalhando em laboratório e usando os EPIs necessários para se proteger adequadamente dos riscos bioló- gicos presentes no seu ambiente de trabalho. Tipicamente, esses perigos estão associados a atividades que envolvem a ma- nipulação de produtos de origem animal, cuidados veterinários, serviços de limpeza e manejo de resíduos urbanos, além de ambientes como cemitérios, laboratórios clínicos e biológicos, serviços de saúde, sistemas de esgoto, incineradores de lixo, estábulos e cocheiras, bem como áreas com acúmulo de detritos de animais. Todos esses locais necessitam de monitoramento de biossegurança, que se trata de uma estratégia de controle de riscos. 96 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 3 – Profissional de saúde usando os EPIs necessários Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: fotografia colorida de uma mulher branca profis- sional de saúde utilizando os EPIs necessários para se proteger ade- quadamente dos riscos biológicos presentes no seu ambiente de trabalho. Os materiais biológicos em geral podem estar associados a qualquer subs- tância que contenha dados genéticos e tenha a capacidade de se replicar por si só ou de ser replicada em um sistema biológico. Isso inclui materiais como ácidos nucleicos (DNA e RNA) e organismos vivos, como vírus e algumas formas de bac- térias, capazes de transmitir e replicar informações genéticas. 97 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 4 – Simbologia internacional para riscos biológicos, utilizado também para transporte de produtos infectantes Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra o símbolo utilizado internacional- mente para identificar riscos biológicos, usado também para transporte de produtos infectantes. O Manual do Sesi – Técnicas de avaliação de agentes ambientais (Serviço Social da Indústria, 2007) define agentes biológicos como microrganismos pato- gênicos, como vírus, bactérias e fungos, além de insetos e animais peçonhentos em alguns casos, e esclarece que as medidas de controle devem ser específicas para cada agente. 98 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 5 – Profissional do setor aeroportuário usando os EPIs necessários Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: fotografia colorida de um profissional do setor ae- roportuário utilizando os EPIs necessários para se proteger de forma adequada dos riscos físicos presentes no seu ambiente de trabalho. Com relação aos riscos biológicos, a ocorrência do evento danoso está liga- da à: • existência ou não de medidas preventivas “níveis de biossegurança”; • existência ou não de medidas preventivas que garantam a execução dos pro- cedimentos respeitando as normas de biossegurança. 99 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA A necessidade de proteção contra o risco biológico é definida: • pela fonte do material; • pela natureza da operação; • pela natureza do experimento a ser realizado; • pelas condições ambientais de sua realização. Os agentes biológicos podem desencadear três tipos principais de doen- ças: infecções, alergias e intoxicações (ou efeitos tóxicos). O que os diferencia de outras substâncias perigosas é sua capacidade de reprodução. Mesmo uma pe- quena quantidade de microrganismos pode proliferar rapidamente em condições favoráveis. Diante disso, é imprescindível que medidas de prevenção, controle e elimi- nação sejam adotadas no ambiente de trabalho, visando proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores. Para isso, é necessário um conhecimento aprofun- dado sobre os diferentes tipos de agentes biológicos, suas formas de transmissão e vias de entrada no organismo humano. Essa compreensão contribui para uma gestão eficaz de riscos biológicos no ambiente de trabalho. 100 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 6 – Vírus H1N1 Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: imagem colorida de algumas partículas do vírus H1N1 vistas ao microscópio. As medidas de proteção contra os riscos biológicos incluem vacinação, este- rilização, práticas de higiene pessoal, uso de equipamentos de proteção individual 101 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA (EPIs), ventilação adequada e acompanhamento médico. Para que os agentes bio- lógicos causem doenças, é necessário considerar vários fatores desencadeantes, como a natureza dos agentes ambientais, a concentração e intensidade desses agentes e o tempo de exposição a eles. 1.1 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral As formas tradicionais de transmissão de agentes biológicos incluem as vias respiratória, cutânea e digestiva, sendo a respiratória a mais relevante no con- texto industrial, seguida da cutânea, de acordo com o Serviço Social da Indústria (2007). De forma geral, a transmissão de um agente biológico pode ocorrer de duas maneiras distintas. DIRETA Quando não há intermediação de veículos ou vetores, como na transmissão por bioaerossóis no ar, gotículas respiratórias e contato direto com membranas mu- cosas. INDIRETA Ocorre por meio de veículos ou vetores, como mãos, objetos perfurocortantes, luvas, roupas, instrumentos, vetores, água, alimentos e superfícies contamina- das. De forma geral, os agentes biológicos podem invadir o corpo humano por di- versas vias de penetração. Esses microrganismos patogênicos podem entrar pela pele danificada, por picadas ou mordidas, ou fixar-se em membranas mucosas. Além disso, podem ser inalados ou ingeridos, resultando em infecções do trato respiratório ou do sistema digestivo. A seguir, citamos algumas vias de penetração desses agentes no corpo humano (Oda; Ávila, 1998). 102 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Exposição por via cutânea A contaminação pode ocorrer por pele danificada, membranas mucosas, lesõespor objetos cortantes, arranhões ou mordidas. Profissionais de saúde estão expostos a vírus como o da hepatite C, da AIDS, do tétano e da leptospirose. Exposição por via respiratória A maioria dos agentes biológicos ingressa no orga- nismo humano principalmente pelas vias respirató- rias, penetrando pelo nariz, pela garganta, pela tra- queia e pelos brônquios. Ingestão Substâncias biológicas entram no sistema gastroin- testinal pela boca. Contaminação por ingestão inclui Salmonella spp. (em alimentos conservados inade- quadamente) e hepatite A (por alimentos e água con- taminados pelo vírus). 103 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA 1.2 Agentes Biológicos – Classes de Risco De acordo com a NR 32 (Brasil, 2005), em seu anexo I, os agentes biológicos são classificados da seguinte forma: CLASSE DE RISCO 1 Apresentam baixo risco individual para os trabalhadores e para a coletividade, com probabilidade mínima de causar doença ao ser humano. Exemplo: Lactoba- cillus sp. utilizados na indústria alimentícia em iogurtes. CLASSE DE RISCO 2 Representam um risco individual moderado para os trabalhadores, com baixa probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças que têm meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplos: vírus da febre amarela e Schistosoma mansoni. CLASSE DE RISCO 3 Apresentam um risco individual elevado para os trabalhadores e com proba- bilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças graves e infecções ao ser humano, para as quais nem sempre existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplos: Mycobacterium tuberculosis e Bacillus anthracis. CLASSE DE RISCO 4 Representam um risco individual elevado para os trabalhadores, com alta pro- babilidade de disseminação para a coletividade. Apresentam grande poder de transmissibilidade e podem causar doenças graves para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplos: vírus Marburg e vírus Ebo- la. Veja, na Figura 7, exemplo do vírus Marburg infectando uma célula. 104 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 7 – Vírus Marburg Fonte: adaptada de NIAID / NIH (Yoneshigue, 2023). #ParaTodosVerem: imagem colorida do vírus Marburg infectando uma célula. No Anexo II da NR 32 (Brasil, 2005), é fornecida uma tabela de classificação dos agentes biológicos de acordo com as classes mencionadas anteriormente. 105 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Além disso, a tabela inclui algumas informações adicionais: • A – possíveis efeitos alérgicos; • E – agente emergente e oportunista; • O – agente oncogênico de baixo risco; • O+ – agente oncogênico de risco moderado; • T – produção de toxinas; • V – vacina eficaz disponível. Para que as doenças sejam consideradas ocupacionais, é necessário que os trabalhadores estejam expostos aos microrganismos causadores. Medidas pre- ventivas para evitar a exposição aos agentes biológicos incluem: • controle médico regular; • uso apropriado de EPIs adequados à atividade; • manutenção da organização e rigorosa higiene nos locais de trabalho; • adoção de hábitos de higiene pessoal; • utilização de vestimentas adequadas; • vacinação; • treinamento sobre medidas preventivas; • descarte adequado de resíduos. 106 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA A NR 15 lista atividades relacionadas a agentes biológicos e caracteriza a insalubridade por avaliação qualitativa (Brasil, 1978). Em níveis máximos de in- salubridade (40%), estão trabalhos com pacientes em isolamento por doenças in- fectocontagiosas, além de materiais não esterilizados após seu uso e contato com substâncias infectocontagiosas de animais. Em graus médios de insalubridade (20%), estão trabalhos em hospitais, serviços de emergência, ambulatórios, pos- tos de vacinação, estabelecimentos de tratamento animal, laboratórios de análise clínica e histopatologia, gabinetes de autópsias, cemitérios, estábulos e manejo de resíduos animais. 2 RISCOS ERGONÔMICOS A origem da palavra “ergonomia” reside nas raízes gregas “ergon”, que deno- ta trabalho, e “nomos”, que se refere a regras. Portanto, pode ser descrita como a análise das normas do trabalho, com o objetivo de ajustar o ambiente de trabalho para promover o conforto e a saúde do trabalhador. De acordo com Waldhelm Neto (2015), são três os tipos de ergonomia: ERGONOMIA FÍSICA Esta área aborda o estudo da postura durante o trabalho, o manejo de materiais, movimentos repetitivos, problemas musculoesqueléticos relacionados ao traba- lho, o design de estações de trabalho, além de questões de segurança e saúde. ERGONOMIA COGNITIVA Envolve os processos mentais, incluindo análise da carga mental de trabalho, tomada de decisões, habilidades especializadas, interação entre humanos e computadores, gestão do estresse e treinamento, no contexto de projetos que envolvem seres humanos e sistemas. As doenças mais comuns produzidas por vírus são hepatite, poliomielite, her- pes, varíola, febre amarela, raiva, AIDS, rubéola, dengue e meningite viral. Bac- térias e bacilos podem causar tuberculose, tétano, febre tifoide, cólera, pneu- monia, hanseníase, difteria, leptospirose e meningite bacteriana. Protozoários e fungos, por sua vez, podem estar associados à malária, a alergias, a micoses, à toxoplasmose e à doença de Chagas (Linden, 2003). ZOOM NO CONHECIMENTO 107 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA ERGONOMIA ORGANIZACIONAL Compreende aspectos relacionados às estruturas organizacionais, políticas e processos, como design do trabalho, organização do tempo de trabalho, trabalho em equipe, projetos participativos, cooperação no trabalho, cultura organizacio- nal, redes organizacionais e gestão da qualidade. Alguns exemplos de riscos ergonômicos são esforços físicos intensos, levan- tamento e transporte manual de peso, posturas inadequadas, pressão excessiva so- bre a produtividade, ritmos de trabalho excessivos, trabalho em turnos e noturno, jornadas prolongadas, monotonia, repetitividade e situações que causam estresse físico e/ou mental. No ambiente de trabalho, é crucial observar questões ergo- nômicas relacionadas ao mobiliário, como altura da bancada de trabalho, con- forto da cadeira, ajuste de altura do monitor, adaptação dos painéis à altura das pessoas, ajustabilidade da altura das cadeiras conforme a estatura e a função do trabalhador, presença de encosto lombar, bordas arredondadas e conformação adequada no assento (Adalberto Júnior, 2017). Em atividades que envolvem a leitura de documentos para digitação, é im- portante fornecer suporte ajustável para documentos, promovendo uma postura adequada, facilitando a visualização e a operação e reduzindo a movimentação frequente do pescoço e a fadiga visual. Os computadores devem contar com ajus- tes de iluminação de tela e tela antirreflexo, os teclados devem permitir mobili- dade para ajuste conforme a tarefa e devem ser posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável. 2.1 Riscos Ergonômicos – Consequências Os riscos ergonômicos são responsáveis por grande parte das queixas, das dores, dos distúrbios e das doenças osteomusculares relacionadas às atividades laborais. Esses riscos são referentes à ergonomia física, sendo eles: posturas ina- dequadas, levantamento manual de carga, repetitividade, esforço físico e condições ambientais (ruído, iluminação e temperatura). 108 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 8 – Correção da postura ergonômica Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: a imagem é em vetor e mostra um jovem sentado com uma postura ergonômica inadequada, à esquerda, e, depois, à di- reita,e suas inter-relações. 3 Avaliar a importância da classificação na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. 3 Desenvolver estratégias de manejo para agentes químicos, con- siderando seus riscos. 3 Integrar a importância da higiene ocupacional, integrando classi- ficação, fatores intervenientes e exposição ao risco. 11 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos INICIE SUA JORNADA Em um cenário cotidiano, imagine uma fábrica em que trabalhadores desem- penham suas funções diárias, produzindo bens essenciais para a sociedade. Em meio ao ambiente produtivo, existe uma complexidade invisível, uma teia de ris- cos que pode impactar diretamente a saúde e segurança desses profissionais. Essa situação, que permeia muitos ambientes de trabalho, é o ponto de partida para nossa jornada na Unidade 1, Introdução à Higiene Ocupacional – Classifica- ção e Caracterização dos Riscos. Ao adentrarmos essa fábrica fictícia, deparamo-nos com uma situação crí- tica: trabalhadores expostos a diversos tipos de riscos ocupacionais e sem ple- no conhecimento das implicações dessas exposições à saúde. Agentes químicos, físicos e biológicos pairam no ar, representando um desafio significativo para a segurança e o bem-estar desses profissionais. A falta de compreensão sobre a classificação e caracterização desses riscos se torna evidente, criando um am- biente propício para acidentes e doenças ocupacionais. Resolver esse problema vai além de simplesmente cumprir normas de segu- rança. Impacta diretamente na qualidade de vida dos trabalhadores e na eficiência do processo produtivo. Doenças ocupacionais podem resultar em absenteísmo, diminuição da produtividade e aumento dos custos para as empresas. A seguran- ça no ambiente de trabalho é mais do que uma obrigação legal, é um investimento no capital humano, refletindo na sustentabilidade a longo prazo da organização. Para proporcionar uma compreensão mais tangível, consideremos exem- plos práticos. Imagine um operário em uma indústria química que, sem o devido conhecimento, manipula substâncias tóxicas sem os equipamentos de proteção adequados. Ou um funcionário em um ambiente ruidoso, desconhecendo os da- nos que a exposição constante ao ruído pode causar à sua audição. Essas situ- ações reais destacam a necessidade premente de compreender a classificação dos riscos e implementar medidas eficazes de prevenção. Ao explorarmos a higiene ocupacional, não podemos limitar nosso entendi- mento apenas às normativas e aos procedimentos. É um convite para reflexões mais profundas sobre a ética empresarial, a responsabilidade social e a relação intrínseca entre a saúde dos trabalhadores e o sucesso organizacional. Como so- ciedade, enfrentamos desafios crescentes no mundo do trabalho, que exigem uma abordagem holística para garantir ambientes laborais seguros e sustentáveis. Consideremos, por exemplo, a ascensão de ambientes de trabalho remotos. Como a higiene ocupacional se adapta a essa nova realidade? Como garantimos 12 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos a segurança dos profissionais que agora operam em espaços domésticos? Essas reflexões transcendem as paredes físicas das empresas, alcançando as esferas da vida cotidiana dos trabalhadores. À medida que exploramos os fundamentos da higiene ocupacional, somos instigados a vislumbrar um futuro no qual a segurança no trabalho não seja ape- nas uma obrigação regulatória, mas um princípio fundamental em todas as es- feras da sociedade. Os desdobramentos dessa compreensão não se limitam à preservação da saúde individual; abrem portas para ambientes de trabalho mais inovadores, colaborativos e, acima de tudo, sustentáveis. Em nossa jornada nesta unidade, buscaremos compreender os riscos e ins- pirar ações concretas, pois a higiene ocupacional mais do que uma disciplina te- órica é uma ferramenta poderosa para moldar o futuro do trabalho, permitindo a cada profissional desfrutar de um ambiente seguro, saudável e inspirador. VAMOS RECORDAR? Chegou o momento também de conhecer um pouco da história da higiene ocupacional. Trata-se de conhecimentos iniciais introdutórios, porém muito importantes sobre a higiene ocupacional. Você conhece a origem desse con- ceito? Clique nesse link e atualize seus conhecimentos! Quer conhecer com mais detalhes a respeito do impacto da higiene ocupacional nas organizações em geral? Ouça este podcast intitulado “Mitos e verdades na higiene ocupacional”! Nele será abordado o tema, além de conceitos importantes a respeito. PLAY NO CONHECIMENTO https://www.youtube.com/watch?v=Le2uKretv7M https://www.youtube.com/watch?v=92AcU5ykE1o https://www.youtube.com/watch?v=92AcU5ykE1o 13 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos DESENVOLVA SEU POTENCIAL Estimado estudante, após o primeiro contato com o assunto da unidade, chegou o momento de nos aprofundarmos nos conceitos teóricos e práticos as- sociados à higiene ocupacional, promover discussões e utilizar exemplos que contribuam para a clareza dos conteúdos de cada tema de aprendizagem. Nesta unidade, vamos explorar os fundamentos dos ambientes de trabalho seguros. Os três tópicos centrais – Introdução à Higiene Ocupacional, Classifica- ção Geral dos Riscos Ocupacionais e Fatores Influentes na Exposição ao Risco – formam a base para a compreensão profunda da segurança ocupacional. Nesse contexto, vamos estudar e conhecer conceitos e cultivar algumas habilidades prá- ticas importantes. Ao término da unidade, devemos estar capacitados a classificar diversos ris- cos, identificar fatores que influenciam a exposição e compreender a caracteri- zação de agentes químicos, incluindo seus riscos, manejo e controle. A jornada inicia com a exploração do panorama amplo da higiene ocupacional, desvendan- do a complexidade dos riscos e nos preparando para enfrentar desafios reais nos ambientes de trabalho. 1 INTRODUÇÃO À HIGIENE OCUPACIONAL – CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS RISCOS Quando estudamos sobre segurança do trabalho, percebemos que a pre- venção é muito importante na redução de acidentes laborais. No entanto, mes- mo com foco preventivo, sempre surge a indagação: como identificar e avaliar de maneira precisa os riscos ocupacionais? A higiene ocupacional nos ajuda nesse processo, formando os profissionais da área de segurança do trabalho com os co- nhecimentos necessários para orientar suas ações, tanto em abordagens qualita- tivas quanto quantitativas. Uma abordagem qualitativa na segurança do trabalho envolve a avaliação sub- jetiva dos riscos ocupacionais, considerando características como natureza, tipo e impacto potencial dos perigos no ambiente laboral. Por outro lado, a abordagem quantitativa se baseia na análise numérica e mensurável dos riscos, utilizando da- dos objetivos e medidas precisas para quantificar a exposição dos trabalhadores a esses perigos. Ambas as abordagens, qualitativa e quantitativa, são essenciais para uma avaliação completa e eficaz dos riscos ocupacionais, permitindo a im- plementação de medidas preventivas adequadas para garantir a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. 14 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos O estudo dos riscos ocupacionais, suas subdivisões, unidades de medida, instrumentação necessária e as normativas pertinentes são de grande valia para um desempenho eficaz nesse campo profissional. A seguir, citamos três exemplos genéricos para que você entenda melhor o contexto do que estamos estudando. Exemplo 1 Ao investigar a segurança do trabalho, fica evidente que a adoção de medi- das preventivas é crucial na diminuição dos acidentes no ambiente laboral. Contu- do, mesmo com essa abordagem proativa, surge a questão que apresentamos anteriormente: VOCÊ SABE RESPONDER? Como podemos identificar e avaliar de forma precisa os perigos ocupacionais? A resposta a essa indagaçãosentado em uma postura ergonomicamente mais favorável. No dia a dia, o profissional de ergonomia frequentemente se depara com si- tuações em que, após analisar um ambiente de trabalho, observa a presença si- multânea de diferentes riscos ergonômicos em algumas atividades laborais. Essa combinação pode contribuir significativamente para o aumento de dores e lesões osteomusculares, resultando em um maior índice de absenteísmo na empresa, o que, consequentemente, pode levar a uma redução na produtividade e um au- mento nos custos relacionados ao afastamento por acidentes de trabalho. Para Weber (2018), muitas vezes, os fatores ergonômicos estão presentes nas situações comuns do ambiente de trabalho, o que pode levar à impressão equivocada de normalidade, quando na verdade representam riscos significativos. Por exemplo, a repetição excessiva das tarefas pode causar fadiga e desgaste, re- sultando em lesões como tendinite e lombalgia. Além disso, a postura inadequada dos colaboradores é outro problema frequente, que tende a causar lesões. Quan- do combinados, a repetição de uma tarefa e uma postura inadequada se tornam 109 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA ainda mais prejudiciais, pois associam duas variáveis negativas que contribuem para problemas físicos durante a mesma atividade. As lesões decorrentes de condições ergonômicas inadequadas são conhecidas como LER/DORT (lesões por esforços repetitivos ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), englobando um conjunto de enfermidades que afetam músculos, tendões e nervos, principalmente nas extremidades superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços e pescoço), com uma ligação direta às condições laborais. Podem também afetar os membros inferiores e a coluna vertebral. Essas condições representam cerca de 70% das doenças ocupacionais registradas no Brasil, resultando em dor e inflamação e podendo afetar a funcionalidade da área afetada. Os fatores de risco são os mesmos mencionados anteriormente como riscos ergonômicos. Diversas patologias relacionadas ao trabalho podem ser consideradas como LER/DORT. Entre elas podemos citar, de acordo com Waldhelm Neto (2015): TENDINITE Inflamação aguda ou crônica dos tendões. Geralmente é provocada por movi- mentação frequente e período de repouso insuficiente. SÍNDROME DO TÚNEL DE CARPO Compressão do nervo mediano no túnel do carpo. As causas mais comuns desse tipo de lesão são a exigência de flexão e extensão do punho. Para prevenir tais lesões, é fundamental gerenciar o ritmo de trabalho, limitar o número de horas extras, adaptar os locais de trabalho, diversificar as tarefas, realizar exames médicos focados em aspectos clínicos e relacionados a ossos e articulações, praticar alongamentos, evitar movimentos e posturas prejudiciais, implementar rodízio de atividades, otimizar os métodos de trabalho e a organiza- ção do sistema laboral, fornecer orientações sobre postura adequada aos traba- lhadores e promover pausas para recuperação (Adalberto Júnior, 2017). 110 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA 2.2 Mapeamento Ergonômico – Objetivos e Benefícios A aplicação da ergonomia em ambientes, máquinas e ferramentas por meio de um projeto ergonômico visa proporcionar uma série de benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. Conforme Corrêa e Boletti (2015), a er- gonomia visa garantir que o design (de produtos, equipamentos, sistemas etc.) complemente as habilidades e capacidades do ser humano, minimizando os efei- tos de suas limitações, em vez de exigir que ele se adapte. Um projeto ergonômi- co tem como objetivo principal promover duas vertentes principais: a qualidade de vida dos trabalhadores e a produtividade laboral. Quando a ergonomia é aplicada de forma adequada, essas duas vertentes devem evoluir de maneira proporcional. Ao elaborar um mapeamento ou uma análise ergonômica (ergonomia física), um profissional da área deve atentar-se a três requisitos principais: INDIVÍDUO É necessário considerar as características da população do ambiente em análise, como idade, altura, sexo e força, a fim de promover a elaboração e utilização ade- quada de ferramentas e equipamentos específicos para essa população. MÁQUINA É preciso examinar todos os elementos de mobiliário (tais como mesas, cadeiras e acessórios), máquinas (como altura de pega do produto, altura das bancadas e mesas e posição dos botões e alavancas) e ferramentas (incluindo o tipo de pega, o peso e a força necessária para uso e manutenção). TAREFA É essencial analisar todos os movimentos envolvidos na atividade laboral (in- cluindo a amplitude de movimento articular), a postura adotada (seja sentada, em pé ou intercalada) e a força necessária (o esforço físico exigido na execução da atividade laboral). Um projeto ergonômico pode abranger uma variedade de áreas da ergono- mia e pode ser aplicado em várias etapas dentro de uma empresa. Portanto, é crucial entender os tipos de abordagens ergonômicas que serão empregadas, le- vando em consideração as particularidades da situação em questão. De acordo com Lida (2005), a ergonomia pode ser dividida nos seguintes segmentos: 111 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA ERGONOMIA DE CONCEPÇÃO Nesta área, o profissional de ergonomia desempenha um papel fundamental ao participar das fases iniciais do desenvolvimento de produtos, máquinas, ferra- mentas e layouts de ambientes, incorporando princípios ergonômicos. Além dis- so, ele deve garantir a conformidade com as normas que visam proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores. ERGONOMIA DE CORREÇÃO Este é o segmento mais comum para o profissional de ergonomia nas empre- sas. Refere-se à identificação e correção de riscos ergonômicos presentes no ambiente de trabalho devido a inadequações em máquinas, mobiliário ou ferra- mentas. Por meio de mapeamento ou análise ergonômica, o profissional identifica os riscos e implementa ajustes ergonômicos de acordo com as normas, visando reduzir ou eliminar o risco. ERGONOMIA DE CONSCIENTIZAÇÃO Geralmente aplicada após a fase de identificação e correção das inadequações no ambiente, esta etapa busca promover uma mudança cultural na empresa, introduzindo os conceitos de ergonomia entre os colaboradores. Isso é realizado por meio de palestras, treinamentos e cursos que capacitam os trabalhadores a reconhecerem os riscos ergonômicos, reduzindo posturas inadequadas e melho- rando a qualidade de vida no trabalho. ERGONOMIA PARTICIPATIVA Esta fase é implementada após a conscientização ergonômica da equipe. Envolve a formação de um comitê de ergonomia, composto por funcionários da empresa e orientado por um profissional, para realizar uma vigilância contínua nos seto- res, mantendo os padrões ergonômicos estabelecidos nas fases anteriores. O objetivo é reduzir constantemente os riscos e promover uma gestão eficaz da ergonomia na empresa. Portanto, os resultados positivos de um projeto ergonômico, seja por meio de mapeamento ou análise, em uma empresa, ambiente ou setor, incluem aprimora- mento da eficiência do processo produtivo e da qualidade de vida dos trabalhadores. Esses benefícios são alcançados mediante a implementação dos princípios ergo- nômicos de correção (ou concepção), conscientização e participação. Isso significa 112 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA que, além da correção das condições ergonômicas inadequadas e da conscienti- zação dos trabalhadores sobre os riscos, a participação ativa dos colaboradores na gestão ergonômica também é crucial na obtenção desses resultados. Durante o mapeamento ou a análise ergonômica, o profissional deve emba- sar seus resultados na NR 17 de ergonomia, que rege a legislação a respeito des- se assunto. Assim, ele deve ter total conhecimento dos itens existentes, sendo o levantamento de cargas um item citado em especial. 3 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOSAMBIENTAIS (PPRA) O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) é um documento obri- gatório para empresas no Brasil, conforme determina a NR 9 (Brasil, 2019). Ele visa identificar, avaliar e controlar os riscos ambientais presentes nos locais de traba- lho, como agentes físicos, químicos e biológicos, visando proteger a saúde e a integridade dos trabalhadores. O PPRA envolve a realização de análises e monito- ramentos e a implementação de medidas preventivas e corretivas, além de fornecer orientações para promover um ambiente de trabalho seguro e saudável. Este pro- grama é essencial para garantir a conformidade legal e a promoção da segurança ocupacional nas empresas. O Sistema Federal de Inspeção do Trabalho, mantido pelo Ministério do Tra- balho, é responsável por garantir a aplicação das leis, convenções internacionais, atos e decisões das autoridades competentes, bem como convenções, acordos e contratos coletivos de trabalho em todo o território nacional, no que se refere à proteção dos trabalhadores durante o exercício de suas atividades laborais. O mapa de risco ergonômico se embasa em alguma norma técnica específica? PENSANDO JUNTOS 113 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 9 – Inspeção e avaliação de riscos laborais Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: na imagem, temos uma jovem negra inspetora do trabalho realizando a avaliação de risco laboral. No Brasil, a inspeção do trabalho é realizada por profissionais da carreira de auditoria fiscal do trabalho, uma função típica de Estado, respaldada legalmen- te pela Constituição Federal. Como expressão do poder de polícia do Estado, os 114 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA atos administrativos realizados pela inspeção do trabalho possuem os atributos característicos desse poder: presunção de legitimidade, imperatividade e autoe- xecutoriedade. Esses atributos conferem à Administração Pública prerrogativas para alcançar seus objetivos no exercício de suas funções administrativas, em prol do interesse público. Presume-se que os atos administrativos da inspeção do trabalho, por serem emitidos por agentes públicos no exercício de uma competência estabelecida por lei e com finalidade pública, estejam em conformidade com as normas legais, ou seja, há uma presunção de legitimidade, embora essa presunção seja relativa (ju- ris tantum) e possa ser contestada mediante prova em contrário. A imperatividade é o atributo que confere coercibilidade ao ato administrati- vo, ou seja, impõe sua execução ou cumprimento enquanto estiver em vigor. Por meio dos mecanismos institucionais e do poder de polícia, a inspeção do trabalho age em nome da sociedade para fazer cumprir as normas trabalhistas obrigató- rias, buscando melhorar as condições ambientais e as relações de trabalho. Durante a inspeção física, o auditor fiscal do trabalho (AFT) busca identificar os riscos presentes no local de trabalho. Ele analisa as tarefas realizadas, verifica quais medidas de controle foram adotadas pelo empregador e avalia estas são adequadamente seguidas pelos trabalhadores. A análise realizada pelo AFT deve ser confrontada com a documentação e as ações da empresa, as quais devem comprovar o cumprimento de todas as etapas do PPRA. A realização de inspeções no local de trabalho é essencial para o sucesso de uma auditoria. Isso se deve ao fato de que o PPRA não se resume a um do- cumento, ele é um conjunto de medidas adotadas para o controle dos riscos ambientais existentes. Esses riscos devem ser identificados, avaliados e, se ne- cessário, controlados por meio de medidas devidamente selecionadas, dimen- sionadas e com eficácia comprovada. Todas essas ações devem ser registradas em documentos disponíveis para fins de fiscalização (Saliba, 2013). ZOOM NO CONHECIMENTO 115 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Durante a inspeção no local de trabalho, o AFT realiza a caracterização bási- ca das atividades realizadas, sendo necessário obter respostas para as seguintes questões essenciais: 1) Quais são os agentes físicos, químicos e biológicos presentes no ambien- te de trabalho? 2) Quais são as fontes relevantes de exposição? Quais processos, opera- ções, tarefas e práticas de trabalho apresentam um potencial significativo de ex- posição dos trabalhadores a agentes ambientais? 3) Quais medidas de controle estão em vigor, sejam elas coletivas, adminis- trativas ou individuais? 4) Como essas medidas são aplicadas? São eficazes na redução dos riscos? 5) Caso haja utilização de EPIs, qual é a periodicidade para troca e/ou ma- nutenção desses equipamentos? 6) Essa periodicidade foi definida antecipadamente? 7) Existem custos associados ao uso dos EPIs por parte dos trabalhadores? Essas informações são essenciais para uma análise completa e adequada dos riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho e para avaliar se as medidas de controle adotadas são efetivas na proteção dos trabalhadores. Para que o AFT seja capaz de identificar de maneira satisfatória os riscos asso- ciados à atividade a ser inspecionada, é recomendável que ele tenha conheci- mento dos principais aspectos relacionados ao processo produtivo da empresa. Isso permite antecipar os riscos normalmente associados à atividade e conhe- cer as melhores práticas a serem adotadas pelo setor econômico. ZOOM NO CONHECIMENTO 116 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Para responder a essas perguntas, o AFT, enquanto estiver no local de trabalho, pode adotar as seguintes medidas: • entrevistar operadores, supervisores e engenheiros de processo; • consultar as ordens de produção em andamento durante a inspeção; • observar as quantidades, temperaturas e condições de uso de substâncias, bem como outras variáveis de processo relevantes para a geração de riscos ambientais; • observar como os trabalhadores executam suas tarefas, levando em consideração que isso pode ser um fator que agrave a exposição aos riscos; • solicitar ao almoxarifado da empresa ou departamento similar as quantidades de produtos consumidos, nos casos em que houver dúvidas sobre a frequência da exposição. É importante ressaltar que, durante a inspeção no local de trabalho, tam- bém devem ser consideradas as exposições decorrentes de atividades paralelas e complementares, como a manutenção, que podem expor os trabalhadores a concentrações consideravelmente maiores do que as atividades de rotina. Para- das em refinarias ou grandes indústrias, por exemplo, muitas vezes apresentam situações de risco mais relevantes e numerosas do que a produção habitual do estabelecimento. O AFT deve avaliar a eficácia dos programas de treinamento e a disponibilidade de informações por meio de documentos, bem como realizar discussões com os trabalhadores e representantes da empresa para verificar o conteúdo e a qualida- de das informações fornecidas. É recomendável entrevistar os empregados no próprio local de trabalho, du- rante a execução das tarefas, preferencialmente sem a interferência de chefias ou representantes da empresa. Embora seja compreensível que os empregados não 117 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA se lembrem facilmente de todas as informações fornecidas durante os treinamen- tos, é essencial que eles tenham conhecimento dos riscos físicos, químicos e bio- lógicos aos quais estão expostos, assim como das medidas de prevenção, tanto coletivas quanto individuais. Situações como o uso de métodos alternativos (conhecidos popularmente como “gambiarras”), falta de conhecimento sobre os efeitos nocivos de substân- cias em uso ou recentemente introduzidas, possíveis contaminações, uso inde- vido ou ausência de equipamentos de proteção são exemplos que evidenciam a falta de informação adequada entre os trabalhadores.Durante a inspeção realizada no local de trabalho, o AFT pode utilizar as orientações fornecidas pelo PPRA sobre a manutenção das medidas de controle de riscos. É responsabilidade do AFT verificar e exigir a manutenção das medidas de controle, tanto coletivas quanto individuais. É recomendável que as atividades de manutenção sejam integradas ao calendário geral de manutenção da empresa e incluídas no cronograma do PPRA. Caso essa preocupação não seja observada, é provável que os sistemas se deteriorem ao longo do tempo e deixem de ser eficazes. É importante observar, pelo menos, os pontos a seguir. OS FILTROS UTILIZADOS DEVEM SER ADEQUADOS AOS RISCOS PRESENTES Por exemplo, em uma operação de pintura com pistola utilizando tinta à base de solvente, o trabalhador estará exposto a névoas e vapores de solventes. Portan- to, não será suficiente usar apenas um filtro mecânico para aerodispersoides; também será necessário utilizar o filtro químico apropriado. O USO DE RESPIRADORES COM VEDAÇÃO FACIAL DEVE SER PRECEDIDO POR UM TESTE DE AJUSTE Para verificar se o respirador selecionado se adapta corretamente ao rosto do usuário. É importante observar que, no caso de respiradores de peça facial intei- ra, o teste de ajuste deve ser quantitativo. 118 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA EM SISTEMAS DE ADUÇÃO DE AR frequentemente utilizados em atividades como pintura e jateamento, é essen- cial observar se os procedimentos de manutenção dos elementos purifica- dores do ar estão definidos no Programa de Proteção Respiratória (PPR). Além disso, deve-se avaliar periodicamente a qualidade do ar fornecido e verificar se há um sistema de monitoramento de monóxido de carbono e um alarme, caso seja utilizado um compressor de ar, lubrificado ou não. É essencial questionar o motivo pelo qual esse processo ocorre dessa maneira. As seguintes indagações podem auxiliar nessa investigação. O PRODUTO QUE GERA O CONTAMINANTE É INDISPENSÁVEL? Muitas vezes, um produto perigoso é utilizado por hábito ou tradição, embora existam alternativas menos arriscadas disponíveis. É REALMENTE NECESSÁRIO QUE O TRABALHADOR E A FONTE DO RISCO ESTE- JAM NO MESMO LOCAL? Será que a atividade não pode ser realizada em um local separado, como em uma cabine ou sala de controle? NÃO HÁ OUTRA MANEIRA DE REALIZAR A OPERAÇÃO? Existem métodos alternativos que possam ser utilizados? O MATERIAL PERIGOSO PRECISA SER MANIPULADO DAQUELA FORMA? Será que não é possível utilizar flocos em vez de pó fino, por exemplo, para redu- zir a dispersão? É VIÁVEL REDUZIR O TEMPO DE EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR AO RISCO? Existe a possibilidade de diminuir o período em que ele fica exposto? 119 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA 3.1 Documentos Associados com a Implementação do PPRA O PPRA deve ser registrado em um documento-base, podendo conter vá- rios anexos. Essa documentação deve estar disponível para fins de fiscalização e para os empregados. Durante a fiscalização, o AFT pode solicitar diversos docu- mentos à empresa, além do documento-base do PPRA, para verificar a adequa- ção das informações registradas. Alguns exemplos desses documentos são: É importante ressaltar que o PPRA é um programa e não deve ser confundido com um laudo. Os laudos, como o de insalubridade, representam uma “fotografia” instantânea do momento em que ocorreu a perícia que gerou o documento. Já os registros do PPRA devem ser como um “filme”, permitindo acompanhar a evolu- ção das medidas de controle ao longo do tempo, o cumprimento das metas esta- belecidas, o histórico de exposições dos trabalhadores em diferentes setores da empresa e outros dados relevantes. Além disso, se o empregador atuar em vários locais, o PPRA deve contemplar os riscos específicos de cada estabelecimento. O documento-base do PPRA deve conter uma estrutura que englobe os se- guintes aspectos: a) elaboração de um planejamento anual que defina metas, prioridades e um cronograma de atividades; 1. Fichas de Informação de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), que de- vem seguir o padrão estabelecido pela NBR 14725-4 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2014). 2. Laudos de avaliações ambientais quantitativas do PPRA, quando aplicáveis, contendo informações mínimas, como estratégia de amostragem utilizada, mé- todos analíticos empregados, detalhes da coleta (vazão da bomba, tempo de coleta, tipo de coleta, branco de campo, branco de meio, quantidade de dias de coleta etc.), critérios de definição dos grupos de exposição similar e dos traba- lhadores selecionados para coleta, memória de campo e tratamento estatístico dos resultados. 3. Registros de manutenção ou avaliações de desempenho de medidas de pro- teção coletiva, como sistemas de ventilação exaustor local. ZOOM NO CONHECIMENTO 120 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA b) definição da estratégia e metodologia de atuação a serem adotadas; c) estabelecimento de procedimentos para registro, manutenção e divulga- ção dos dados coletados durante o programa; d) determinação da periodicidade e da forma como será realizada a avalia- ção do progresso e desenvolvimento do PPRA ao longo do tempo. VOCÊ SABE RESPONDER? Mas, afinal, será que ter um documento-base do PPRA com a estrutura exigida pela NR 9 garante a implementação correta do programa? O desenvolvimento do PPRA é a parte mais importante a ser analisada, pois é possível que o programa tenha uma estrutura completa, mas não identifique todos os riscos ocupacionais ou não apresente medidas de controle adequadas, de- monstrando sua falta de efetividade. Os principais itens relacionados ao desenvolvimento do PPRA que devem ser auditados são os seguintes: RECONHECIMENTO DE RISCOS Identificar os riscos de forma específica é crucial para orientar as etapas seguin- tes do programa. Isso implica caracterizar as atividades e o tipo de exposição, garantindo que as medidas de controle sejam apropriadas. COMUNICAÇÃO E REGISTRO DE RISCOS O PPRA também serve como um meio de comunicação, informando com precisão os riscos aos quais os trabalhadores estão expostos. Deve ser compartilhado com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e registrar possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados. 121 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA AVALIAÇÕES QUANTITATIVAS É necessário esclarecer o propósito das avaliações quantitativas realizadas, especialmente em relação aos agentes químicos. Nem sempre essas avaliações são essenciais para determinar a necessidade de medidas de controle. É crucial seguir padrões técnicos adequados e considerar a duração da medição, o tipo de limite a ser comparado e a necessidade de tratamento estatístico dos dados AVALIAÇÃO QUALITATIVA DA EXPOSIÇÃO Em empresas de menor porte, a realização de medições representativas pode ser difícil e dispendiosa. Nesses casos, uma avaliação qualitativa da exposição, conduzida por profissionais capacitados em higiene ocupacional, pode ser uma alternativa viável. Essa avaliação deve descrever a metodologia utilizada e con- cluir se o nível de risco é aceitável. 3.2 Medidas de Controle de Riscos Ambientais no PPRA O principal objetivo do AFT ao realizar a fiscalização do ambiente de trabalho é verificar se os riscos ambientais foram eliminados, minimizados ou estão sob con- trole. O documento-base do PPRA e seus anexos são apenas uma ferramenta para alcançar esse objetivo. É fundamental compreender que a ação fiscal não visa apenas adequar a documentação avaliada, mas sim garantir a efetividade do programa. Nesse sentido, é importante ter em mente o item 9.3.5.1 da NR 9 (Brasil, 2019). A título de exemplo, consideremos um ambiente de trabalho em uma fun- dição de metais ferrosos, no qual os trabalhadores estão expostos à sílica livre cristalizada durante o processo produtivo. O risco à saúde decorrente dessa ex- posição é evidente e amplamente comprovadopela literatura técnica nacional e internacional, justificando a intervenção fiscal. Na etapa de adoção de medidas de controle, é comum encontrar programas que registram apenas o uso de EPIs, o que não está de acordo com a hierarquia das medidas de controle. 122 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Nesses casos, o AFT deve verificar se o PPRA registra a comprovação da invia- bilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva que justifiquem o uso exclusivo de EPIs. Vale ressaltar que o uso de EPIs deve ser a última opção sele- cionada e aplicada. A reflexão sobre a necessidade de verificar se o PPRA registra a comprova- ção da inviabilidade técnica de medidas de proteção coletiva, justificando assim o uso exclusivo de EPIs, levanta questões fundamentais sobre a priorização da segu- rança e saúde dos trabalhadores. Em primeiro lugar, essa reflexão nos faz repensar a abordagem adotada na gestão de riscos ocupacionais. É crucial reconhecer que as medidas de proteção coletiva, que visam eliminar ou minimizar os riscos na origem, sejam sempre prio- rizadas em relação ao uso de EPIs, que oferecem proteção apenas ao trabalha- dor individualmente. Além disso, essa reflexão nos convida a questionar se os procedimentos de avaliação de riscos estão sendo conduzidos de forma adequada. É necessário garantir que os profissionais de segurança do trabalho, especialmente os AFTs, estejam atentos à análise criteriosa das condições de trabalho e à busca por solu- ções que promovam a segurança coletiva. Por fim, essa reflexão nos leva a considerar a responsabilidade das empre- sas e dos empregadores na proteção de seus trabalhadores. O uso de EPIs deve ser o último recurso, só sendo uma opção quando todas as medidas de prote- ção coletiva forem exaustivamente avaliadas e demonstradas como inviáveis Como garantir que as medidas de proteção coletiva sejam priorizadas em rela- ção ao uso de EPIs e que o registro da inviabilidade técnica seja devidamente documentado no PPRA? PENSANDO JUNTOS Neste vídeo são explicadas as atividades gerais realizadas por um AFT. EU INDICO https://www.youtube.com/watch?v=LmBfuE5UOKo 123 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA tecnicamente. Isso ressalta a importância de um compromisso genuíno com a se- gurança e saúde ocupacional, que vai além do cumprimento de normas e regu- lamentações, mas se traduz em práticas efetivas que visam proteger a vida e o bem-estar dos trabalhadores. No que diz respeito à utilização de EPIs no âmbito do PPRA, durante a inspeção física, o AFT deve verificar se: • os EPIs utilizados correspondem aos que foram efetivamente previstos no PPRA; • os EPIs são adequados aos riscos reconhecidos. É comum encontrar casos em que há reconhecimento da exposição a névoas e vapores de agentes como o xileno e o tolueno, mas apenas a proteção contra aerodispersoides é utilizada (como no caso das máscaras PFF1 e PFF2). Nesse caso, mesmo que o uso desse tipo de respirador esteja previsto no PPRA, a seleção estará incorreta. Outro exemplo é a menção genérica a “protetor auricular”, sem especificação do tipo e da atenuação necessária, o que pode resultar na compra de um produto inadequado aos níveis de pressão sonora no local de trabalho ou que possa atrapalhar o uso de outros EPIs necessários, como óculos de segurança ou capacete; • há uma determinação prévia do tempo de vida útil e da periodicidade de troca e/ou manutenção dos EPIs. Quando o uso de proteção respiratória for necessário, o empregador deve ela- borar um PPR. É importante ressaltar que o foco da fiscalização não se restringe ao cumprimento do documento-base do PPRA, contempla também a efetividade do programa. Isso significa que o AFT deve verificar se os riscos ambientais foram efetivamente eliminados, minimizados controlados, independentemente da con- formidade do documento em si. 124 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Figura 10 – EPI: máscara respiratória Fonte: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2024. #ParaTodosVerem: na imagem, temos um jovem profissional ne- gro em um laboratório biológico utilizando uma máscara de proteção respiratória. O objetivo sempre é garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores, levan- do em consideração as medidas de controle adequadas e a hierarquia das me- didas apresentadas na legislação. Conforme já estudamos, a utilização de EPIs deve ser a última opção, sendo priorizadas as medidas de proteção coletiva sem- pre que possível. É importante lembrar que a elaboração e implementação adequada de um PPRA são essenciais para reduzir os problemas de saúde ocupacional, e todos devem dar a devida importância a isso. A postura da auditoria fiscal do trabalho influen- cia o comportamento dos profissionais no mercado. Se o AFT não demonstrar respeito pela boa prática, é de se esperar que os profissionais que assessoram as empresas sigam o mesmo caminho, perpetuando práticas como o “copiar e colar” e a venda de documentos extensos, porém vazios de conteúdo útil para empregadores e trabalhadores. O AFT desempenha um papel importante para mudar essa situação. APROFUNDANDO 125 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA Portanto, a fiscalização do AFT busca assegurar que as medidas de controle adotadas pela empresa sejam eficazes na prevenção dos riscos ambientais e na proteção da saúde dos trabalhadores. A adequação do PPRA é apenas um aspec- to dessa avaliação, sendo mais importante garantir a aplicação prática e efetiva das medidas de controle. Após realizar a inspeção no local de trabalho e examinar a documentação fornecida pelo empregador, o AFT pode encontrar irregularidades que precisam ser corrigidas. Ações como as seguintes podem ser tomadas como exemplos: 1. elaboração de um termo de notificação; 2. emissão de autos de infração; 3. interdição de atividades ou do estabelecimento em situações de risco grave e iminente; 4. utilização de procedimento especial de fiscalização, conforme previsto no artigo 627-A em conjunto com a Instrução Normativa SIT nº 133 de 21 de agosto de 2017. Os itens a serem notificados e/ou autuados dependem dos riscos identifica- dos, da natureza do processo produtivo e das medidas de controle já implemen- tadas no local, levando em consideração a necessidade de avaliar sua eficácia. 126 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA NOVOS DESAFIOS No ambiente dinâmico do mercado de trabalho, a conexão entre teoria e prá- tica é vital para garantir a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. Situações como a exposição a riscos biológicos em fábricas destacam a necessidade de compreender e aplicar Normas Regulamentadoras de forma eficaz. Para tanto, é fundamental investir em educação e treinamento contínuo, capacitando os pro- fissionais a identificar e mitigar os perigos presentes em seus locais de trabalho. Soluções pragmáticas incluem a implementação de programas de conscien- tização sobre saúde ocupacional, fornecendo informações claras e acessíveis so- bre os riscos e as medidas de proteção necessárias. Além disso, o uso adequado de EPIs deve ser incentivado e fiscalizado rigorosamente. A integração de avaliações de riscos e Normas Regulamentadoras na rotina operacional das empresas é essencial para garantir ambientes seguros. Estraté- gias como a realização regular de inspeções de segurança e a atualização cons- tante das políticas de saúde ocupacional são cruciais para identificar e corrigir potenciais falhas no sistema. Devemos também evidenciar que a conscientização individual e coletiva so- bre a importância da segurança ocupacional é fundamental. Promover uma cultu- ra na qual cada trabalhador compreenda sua responsabilidade na prevenção de acidentes e doenças é o cerne de um ambiente de trabalho seguro e produtivo. Investir na segurança dos trabalhadores não apenasprotege vidas, mas também fortalece a sustentabilidade e a competitividade das empresas no mercado global. 127 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA AUTOATIVIDADE 1 - Compreender como os agentes biológicos são transmitidos é crucial para implementar estratégias eficazes de controle e prevenção de doenças, uma vez que cada agente pode requerer abordagens distintas. Isso é especialmente rele- vante no caso dos príons, cujo modo de transmissão e comportamento são distin- tos dos microrganismos convencionais, exigindo medidas específicas para mitigar os riscos associados a essas proteínas anormais. Fonte: NAVARRO, M. B. M. A. et al. Doenças emergentes e reemergentes, saúde e ambiente. In: MINAYO, M. C. S.; MIRANDA, A. C. (org.). Saúde e am- biente sustentável: estreitando nós. Rio de Janeiro: Abrasco, 2002. p. 37-49. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente como os príons diferem de vírus, bactérias ou fungos: a) Não contêm ácido nucleico e não são considerados organismos vivos tradicionais. b) Eles contêm ácido nucleico. c) São considerados organismos vivos. d) Não têm capacidade de converter proteínas normais em formas anormais. e) São agentes infecciosos que consistem em ácido nucleico. 2 - A utilização de mobiliário adaptado às necessidades fisiológicas indivi- duais, intervalos para descanso que não interfiram no andamento do trabalho e implementação de ginástica laboral, a redução de movimentos repetitivos e postu- ras prejudiciais, a implementação de revezamento de tarefas e o aperfeiçoamento dos métodos e da organização do sistema de trabalho são aspectos importantes para reduzir riscos no ambiente de trabalho. É correto afirmar que as informações do parágrafo anterior estão associadas a evitar as consequências da exposição ao risco: a) Ergonômico. b) Físico. c) Químico. d) Mecânico. e) Biológico. 128 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA 3 - AFTs são profissionais responsáveis por fiscalizar o cumprimento da le- gislação trabalhista em empresas e locais de trabalho. Eles são funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e atuam de forma organizada e coorde- nada com agentes estaduais e municipais. Nesse contexto, quais são os exemplos de documentos que podem ser solici- tados pelo AFT durante uma fiscalização em relação à implementação do PPRA? a) FISPQ e laudos de avaliações ambientais quantitativas. b) Certificados de participação em cursos de capacitação dos funcionários. c) Laudos de avaliação de desempenho dos funcionários. d) Atas de reuniões do sindicato. e) Certificados de participação em cursos de capacitação dos funcionários e plano de formação e de competências. 129 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 14725-4: pro- dutos químicos: informações sobre segurança, saúde e meio ambiente: parte 4: fi- cha com dados de segurança de produtos químicos (FDS). Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ADALBERTO JÚNIOR, S. M. Manual de segurança, higiene e medicina do tra- balho. 11. ed. São Paulo: Rideel, 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 1: Dis- posições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais - NR 1. Brasília, DF: MTE, 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 9: Pro- grama de Prevenção de Riscos Ambientais - NR 9. Brasília, DF: MTE, 2019. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 15: ativi- dades e operações insalubres. Brasília, DF: MTE, 1978a. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 17: Ergo- nomia - NR 17. Brasília, DF: MTE, 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32: Se- gurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde - NR 32. Brasília, DF: MTE, 2005. CORRÊA, V. M.; BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Porto Ale- gre: Bookman, 2015. 144 p. (Série Tekne). COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL DE SANTA MARIA – CTISM. Higiene Ocupacio- nal I. Santa Maria: UFSM, CTISM; Rede e-Tec Brasil, 2012. Disponível em: https:// www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/04_higiene_ocupacional_1.pdf. Aces- so em: 21 mar. 2024. LIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005. 614 p. LINDEN, R. Doenças por príons. Ciência Hoje, v. 33, n. 194, p. 18-25. 2003. ODA, L.; ÁVILA, S. Biossegurança em Laboratórios de Saúde Pública. Brasília. Ministério da Saúde, 1998. 130 Riscos Biológicos, Riscos Ergonômicos e o PPRA SALIBA, T. M. Curso básico de segurança e higiene ocupacional. 5. ed. São Paulo: LTr, 2013. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI. Departamento Nacional. Técnicas de avaliação de agentes ambientais: manual SESI. Brasília: SESI/DN, 2007. 294 p. WALDHELM NETO, N. Segurança do trabalho: os primeiros passos. Santa Cruz do Rio Pardo, SP: Viena, 2015. WEBER, F. P. Ergonomia e conforto ambiental. Porto Alegre: SAGAH, 2018. 148 p. YONESHIGUE, B. Marburg: vírus da família do ebola é confirmado em surto que já matou nove na Guiné Equatorial. O Globo, 14 fev. 2023. Disponível em: https:// oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/02/marburg-virus-da-familia-do-ebola-e-con- firmado-em-surto-que-ja-matou-nove-na-guine-equatorial.ghtml. Acesso em: 14 mar. 2024. APRESENTAÇÃO CAPÍTULO 1 INICIE SUA JORNADA DESENVOLVA SEU POTENCIAL# 1 INTRODUÇÃO À HIGIENE OCUPACIONAL – CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS RISCOS 1.1 Introdução à Higiene Ocupacional 1.1.1 Antecipação 1.1.2 Reconhecimento 1.1.3 Avaliação 1.1.4 Controle 1.2 Classificação Geral dos Riscos Ocupacionais 1.3 Fatores Influentes de Exposição ao Risco NOVOS DESAFIOS# AUTOATIVIDADE REFERÊNCIAS CAPÍTULO 2 INICIE SUA JORNADA DESENVOLVA SEU POTENCIAL 1 RISCOS FÍSICOS – APROFUNDAMENTO 1.1 Pressões Anormais 1.1.1 Baixas Pressões ou Pressões Hipobáricas 1.1.2 Altas Pressões ou Pressões Hiperbáricas 1.2 Radiações Ionizantes 1.3 Radiações Não Ionizantes 1.4 Ruído 1.5 Temperaturas Extremas 1.6 Vibrações 1.7 Umidade 2 RISCOS QUÍMICOS – APROFUNDAMENTO 2.1 Aerodispersoides 2.2 Poeiras 2.3 Fumos e Fumaças 2.4 Fibras 2.5 Neblinas e Névoas 2.6 Gases e Vapores 3 CARACTERÍSTICAS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS 3.1 Avaliação Qualitativa e Quantitativa 3.2 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral NOVOS DESAFIOS AUTOATIVIDADE REFERÊNCIAS CAPÍTULO 3 INICIE SUA JORNADA DESENVOLVA SEU POTENCIAL 1 RISCOS BIOLÓGICOS E CONSEQUÊNCIAS PARA O SER HUMANO 1.1 Estratégias de Avaliação do Ambiente Laboral 1.2 Agentes Biológicos – Classes de Risco 2 RISCOS ERGONÔMICOS 2.1 Riscos Ergonômicos – Consequências 2.2 Mapeamento Ergonômico – Objetivos e Benefícios 3 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) 3.1 Documentos Associados com a Implementação do PPRA 3.2 Medidas de Controle de Riscos Ambientais no PPRA NOVOS DESAFIOS AUTOATIVIDADE REFERÊNCIASé encontrada na higiene ocupacional, que ca- pacita os profissionais de segurança do trabalho com os conhecimentos necessá- rios para guiar suas iniciativas, tanto em análises qualitativas quanto quantitativas. Essa disciplina abarca o estudo minucioso dos riscos ocupacionais, incluindo suas categorias, unidades de mensuração, instrumentação requerida e as normas aplicáveis, proporcionando uma base sólida para uma atuação efetiva nessa esfe- ra profissional. Verifique, na imagem a seguir, que o profissional está trabalhando com eletricidade, mexendo em fios. Note que, para executar sua tarefa, ele usa luvas, capacete e óculos, que são os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários para protegê-lo de eventuais acidentes. 15 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 1 – Trabalho com eletricidade sendo executado com os equipamentos de proteção necessários Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra um trabalhador que atua na área de eletricidade e manutenção realizando seu trabalho com os equipamen- tos de proteção necessários, luvas, capacete e óculos. Exemplo 2 Continuando com a ênfase na prevenção, outro exemplo de risco ocupacio- nal, para o qual devemos compreender as subdivisões, unidades de medida, ins- trumentação requerida e as normativas pertinentes, é apresentado na figura, com o trabalhador executando um serviço em altura. Note o uso de equipamentos de segurança, como capacete e cordas dispostas de modo a garantir a segurança do profissional. 16 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 2 – Trabalho em altura sendo executado com os equipamentos de prote- ção necessários Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: fotografia de um trabalhador que atua na área de manutenção de instalações e condomínio, realizando o corte de galhos de árvores e utilizando os EPIs necessários para realizar seu trabalho com segurança. Exemplo 3 Outro exemplo de adoção de medidas preventivas essenciais na mitigação dos acidentes laborais e são estudadas em higiene ocupacional está na figura a seguir. Profissionais da área da saúde estão expostos a riscos diferentes daque- les a que os profissionais anteriores estão sujeitos e, dessa forma, necessitam de equipamentos específicos que os protejam, permitindo que executem suas tarefas com precisão. Como exemplo, temos uma enfermeira usando máscara e luvas, além do uniforme. 17 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 3 – Profissional de saúde utilizando os equipamentos de proteção individual necessários Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra uma profissional da área de saú- de, segurando uma prancheta e utilizando os EPIs necessários para se prevenir dos riscos ocupacionais associados à sua atividade: máscara e luva. Os avanços tecnológicos proporcionaram imensos benefícios e comodidades à humanidade. Apesar das notáveis vantagens, esse progresso também expôs os trabalhadores a diversos agentes potencialmente prejudiciais que, sob determina- das circunstâncias, podem causar doenças ocupacionais ou afetar o organismo devido às condições laborais. A higiene ocupacional, caracterizada por sua abordagem preventiva, tem como objetivo primordial intervir nos ambientes de trabalho (e em áreas afetadas), em- pregando princípios administrativos, de engenharia e de medicina do trabalho para controlar e prevenir doenças ocupacionais. Além disso, busca identificar os agentes prejudiciais, medindo sua intensidade ou concentração e propondo me- didas de controle necessárias para garantir condições seguras durante as ativida- des laborais. 18 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Denominada também como higiene industrial ou higiene do trabalho, essa área tem uma importância significativa nas atividades preventivas dos profissio- nais de segurança (Spinelli, 2006). 1.1 Introdução à Higiene Ocupacional Definimos a higiene do trabalho como a disciplina dedicada ao reconheci- mento, à avaliação e ao controle dos riscos ambientais nos ambientes laborais. Importantes organizações internacionais oferecem outras perspectivas sobre esse conceito (Spinelli, 2006). De acordo com Robert (2015), a higiene industrial busca antecipar, reconhecer, avaliar e controlar fatores ambientais que podem causar doenças ou desconforto nos trabalhadores ou em pessoas da comunidade do entorno das instalações da empresa. Já Spinelli (2006) descreve higiene ocupacional como a ciência e arte volta- das para o reconhecimento, a avaliação, a prevenção e o controle de fatores que podem prejudicar a saúde humana. Na prática, trata-se de uma ciência dedicada à antecipação, ao reconhecimen- to e ao controle de fatores ambientais prejudiciais à saúde, destacando a preven- ção de problemas de saúde e a proteção da integridade física dos trabalhadores. Quer conhecer mais detalhes a respeito dos conceitos iniciais associados com a higiene ocupacional? Assista ao vídeo da Fundacentro que detalha alguns conceitos importantes. A ex- plicação é simples e de fácil entendimento. EU INDICO https://www.youtube.com/watch?v=nVQg9Yerd1g 19 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 4 – Profissional de saúde utilizando os EPIs necessários Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra uma profissional da área de saúde segurando a mão esquerda de um paciente e utilizando os EPIs neces- sários para se prevenir dos riscos ocupacionais associados à sua ativi- dade: máscara e luva. Araujo, Santos e Mafra (2018) conceituam higiene ocupacional como a ciên- cia da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do controle das condições de trabalho que podem causar lesões ou doenças. A higiene ocupacional visa abordar, de uma perspectiva não médica, os pro- blemas de saúde relacionados ao trabalho, identificando os elementos que pos- sam impactar tanto o ambiente laboral quanto o trabalhador, com o objetivo de eliminar ou reduzir os riscos ocupacionais. Riscos ocupacionais são condições perigosas de trabalho que podem prejudicar a saúde, a segurança e o bem-estar do trabalhador. Por sua vez, a segurança do trabalho busca, também de uma perspectiva não médica, prevenir os acidentes laborais ao eliminar as condições inseguras 20 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos no ambiente de trabalho e ao educar os trabalhadores sobre o uso de medidas preventivas. Para além disso, as condições de segurança, higiene e saúde no tra- balho constituem o fundamento material de qualquer programa de prevenção de riscos profissionais. Alguns aspectos contemplados por essa área são: SEGURANÇA Estuda, avalia e controla os riscos de operação. HIGIENE Identifica e controla as condições de trabalho que possam prejudicar a saúde do trabalhador. PREVENÇÃO DA DOENÇA PROFISSIONAL Doença ocorrida devido ao trabalho. Observa-se que, embora existam diferenças de conceito, todas as abor- dagens têm em comum o objetivo de salvaguardar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores e do ambiente, implementando medidas preventivas no local de tra- balho. Essas medidas enfatizam termos-chave, como previsão, identificação, aná- lise e gestão. 1.1.1 Antecipação A antecipação engloba atividades realizadas antecedendo a concepção e im- plementação de um novo localde trabalho. Isso inclui a avaliação de projetos para novas instalações, considerando impactos ambientais e de saúde ocupacional, assim como a análise de equipamentos, ferramentas, métodos de trabalho, maté- rias-primas e possíveis modificações. Seu propósito é a identificação precoce de potenciais riscos, buscando alternativas para sua eliminação ou neutralização du- rante a fase inicial de planejamento e projeto, o que abrange a escolha de tecnolo- gias mais seguras e menos poluentes, incluindo a gestão de resíduos e efluentes. A antecipação é composta de normas, instruções e procedimentos destinados a garantir o correto funcionamento dos processos, com o objetivo de reduzir ou eli- minar riscos potenciais. Isso implica a implementação de medidas eficazes para prevenir a ocorrência de riscos, muitas vezes exigindo a criação de normas ou procedimentos para compradores, projetistas e prestadores de serviços, a fim de 21 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos minimizar a probabilidade de surgimento de novos riscos nos processos. Durante essa fase qualitativa, podem ser utilizadas técnicas de análise de riscos, como a Análise Preliminar de Riscos (APR) no desenvolvimento de novas instalações. A título de exemplo, ao adquirir novos equipamentos, é possível estabelecer espe- cificações para níveis máximos de ruído e a obrigatoriedade de instalação de dis- positivos de proteção. 1.1.2 Reconhecimento Nesta etapa, busca-se identificar os variados fatores ambientais associados aos processos de trabalho, incluindo suas características intrínsecas, como eta- pas, subprodutos, rejeitos, produtos finais e insumos. O objetivo é compreender a natureza e extensão dos impactos desses fatores no organismo dos trabalhadores e/ou no meio ambiente. Essa análise abrange diversas operações e processos, detectando a presença de agentes físicos, químicos, biológicos e/ou ergonômicos que possam representar riscos à saúde do trabalhador, estimando o nível de pe- rigo envolvido. O reconhecimento consiste em um levantamento preliminar qualitativo dos riscos ocupacionais, demandando um conhecimento minucioso dos proces- sos, das operações, das matérias-primas utilizadas ou geradas e de eventuais subprodutos. Ferramentas como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA – NR 09), o Mapa de Riscos Ambientais (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA – NR 05) e técnicas de análise de riscos industriais são essenciais para fornecer informações relevantes durante essa fase. Veja a figura 5, ela ilustra a avaliação e reconhecimento de riscos. 22 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 5 – Avaliação e reconhecimento de riscos Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: na ilustração temos uma jovem de jaleco cinza di- gitando no teclado, na frente da tela de um computador representando o processo de avalição e reconhecimento de riscos. Na tela do compu- tador, está escrito “risk assessment” - avaliação de risco. 1.1.3 Avaliação Esse processo envolve a avaliação e mensuração da exposição dos trabalha- dores e da magnitude dos fatores ambientais. Durante essa fase, são coletadas as informações necessárias para identificar as prioridades de monitoramento e controle ambiental. Isso inclui a interpretação dos resultados de medições repre- sentativas das exposições, visando subsidiar o desenvolvimento de medidas de controle adequadas. 23 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 6 – Profissional de saúde e segurança realizado uma avaliação de riscos Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra um profissional com máscara e jale- co, em pé em frente a uma mesa sobre a qual há tubos de ensaio vazios e com líquidos na cor laranja e um microscópio. Este profissional está realizando uma avaliação de risco, e verificando anotações em seu blo- co de notas. Além disso, nesta etapa, é estabelecido um plano de monitoramento, que de- fine a estratégia de amostragem para avaliar quantitativamente as fontes poten- ciais de exposição e a eficácia das medidas de controle implementadas. A avaliação tem como objetivo determinar a exposição, ou seja, quantificar a frequência e a duração do tempo em que os trabalhadores estão expostos. 24 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos 1.1.4 Controle Nesta etapa, o objetivo é escolher meios, medidas e ações, incluindo proce- dimentos de trabalho, com o objetivo de eliminar, neutralizar, controlar ou reduzir os riscos ambientais a níveis aceitáveis, no intuito de mitigar seus impactos de maneira compatível com a preservação da saúde, do bem-estar e do conforto. As medidas de controle podem ser direcionadas ao ambiente de trabalho ou ao trabalhador, seguindo uma hierarquia estabelecida da forma explicada a seguir. 1. CONTROLE NA FONTE DO RISCO Considerada a forma mais eficaz de controle, envolve substituição de materiais ou produtos, manutenção, substituição ou modificação de processos e/ou equi- pamentos. 2. CONTROLE NA TRAJETÓRIA DO RISCO (ENTRE A FONTE E O RECEPTOR) Quando não é viável o controle na fonte, são utilizadas barreiras na transmissão do agente, como barreiras isolantes, refletoras, sistemas de exaustão, entre outros. 3. CONTROLE NO RECEPTOR (TRABALHADOR) As medidas de controle no trabalhador devem ser implementadas apenas quando as medidas de controle na fonte e na trajetória são inviáveis ou em situações emergenciais. No caso das medidas de controle no trabalhador, podemos citar educação, treinamento, EPIs, práticas de higiene, limitação da exposição e rodízio de tarefas. É fundamental destacar a abordagem multidisciplinar da higiene do trabalho, que abrange não apenas medidas de engenharia e questões técnicas, mas tam- bém informações provenientes de estudos médicos do trabalhador exposto, como exames periódicos. Isso visa identificar possíveis alterações no organismo causa- das pelos agentes agressivos, servindo como indicativos de eficácia ou inadequa- ção das medidas de controle implementadas. No contexto da higiene ocupacional, existem boas práticas que podem contri- buir de maneira muito significativa com a diminuição dos riscos, sendo a principal delas o 5S. O 5S é um sistema integrado que atua na interconexão dos sensos, 25 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos promovendo impactos positivos tanto na rotina dos colaboradores quanto no con- texto da organização. Figura 7 – Profissionais da área de saúde trabalhando e organizando materiais de laboratório Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra dois profissionais da área de saú- de, com EPIs (máscara e jaleco), trabalhando e organizando materiais de laboratório e praticando o 5S. O analista está observando amostra no microscópio e, ao fundo, sua colega está arrumando a vidraria na prateleira. O 5S é um método de gestão de qualidade empresarial originado no Japão, vi- sando aprimorar áreas como organização, limpeza e padronização. Desenvolvido na década de 1950, pós-Segunda Guerra Mundial, para auxiliar a recuperação das empresas japonesas, seus resultados promissores impulsionaram sua adoção global. No Brasil, a prática ganhou destaque nos anos 90, sendo amplamente uti- lizada para implementar medidas de qualidade total nos processos empresariais. 26 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos O termo “5S” deriva de cinco palavras japonesas conhecidas como sensos, representando discernimento e atenção. • Seiri (utilização) • Seiton (organização) • Seiso (limpeza)• Seiketsu (padronização) • Shitsuke (disciplina) O 5S, quando aplicado à segurança do trabalho, tem como propósito aprimo- rar os locais de trabalho e promover a saúde mental e física dos colaboradores. Isso é alcançado garantindo a realização de atividades de forma organizada, otimizan- do o uso do espaço físico e prevenindo desperdícios. Além disso, ao favorecer a saúde psicológica, os profissionais se envolvem mais nos processos e com a pró- pria empresa. As diretrizes do 5S na segurança do trabalho são: SEIRI – SENSO DE UTILIZAÇÃO Primeiramente, o princípio do Seiri consiste na seleção e remoção de itens supér- fluos no local de trabalho, com o objetivo de garantir maior espaço, segurança, facilidade de limpeza e manutenção. Optar por manter somente o necessário contribui para a criação de ambientes mais arrumados e higienizados. 27 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos SEITON – SENSO DE ORGANIZAÇÃO Em uma segunda etapa, o conceito de Seiton estabelece a correta disposição de materiais, ferramentas, equipamentos e utensílios, determinando os lugares apropriados para seu armazenamento ou utilização. Essa prática visa fomentar a organização pessoal e otimizar o acesso aos recursos necessários para as atividades laborais. Essa prática reduz o risco de acidentes, evitando o armaze- namento inadequado de produtos perigosos. SEISO – SENSO DE LIMPEZA O Seiso tem como objetivo eliminar sujeiras ou objetos estranhos para manter os ambientes limpos. Essa prática contribui para a saúde, especialmente em situa- ções que envolvem produtos químicos, evitando problemas à saúde e garantindo decisões mais precisas. SEIKETSU – SENSO DE PADRONIZAÇÃO Essa prática cuida da higiene e saúde, criando condições favoráveis para o bem-estar físico e mental. Além disso, o Seiketsu estabelece padrões e procedi- mentos relacionados aos outros três sensos, contribuindo para a segurança e o monitoramento efetivo de produtos nocivos. SHITSUKE – SENSO DE DISCIPLINA O último S trata do desenvolvimento mental, moral e físico para a disciplina, incentivando o respeito próprio e aos outros. Essa prática é essencial para a me- lhoria contínua dos processos de segurança do trabalho, podendo até modificar a cultura organizacional. De maneira geral, a implantação do 5S na segurança do trabalho não deve ser vista como uma solução isolada, mas sim como um apoio essencial para asse- gurar a saúde, a vida e a eficiência nas atividades laborais. No entanto, é crucial destacar que não basta simplesmente introduzir o 5S e negligenciar as obrigações legais associadas à segurança do trabalho. Esse programa deve ser integrado a práticas que atendam às normativas e regulamentações vigentes, garantindo, assim, uma abordagem abrangente e legalmente sustentável para a segurança ocupacional. 28 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 8 – Profissional da indústria metalmecânica com equipamentos de proteção Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra um profissional da indústria metal- mecânica utilizando um equipamento de lixamento e corte e utilizando luvas para proteção das mãos. Ademais, é comum as empresas cometerem o equívoco de acreditar que a implementação do 5S resolverá automaticamente todos os desafios relacionados à segurança do trabalho. Na prática, essa visão é simplista, uma vez que a eficácia do 5S está intrinsecamente ligada à sua aplicação contínua e à persistência na criação de novos hábitos organizacionais. Portanto, precisamos compreender que o sucesso do 5S na segurança do trabalho requer um comprometimento constante e uma cultura organizacional que valorize a manutenção de ambientes seguros. A consistência na aplicação dos sensos, combinada com a adaptação às ne- cessidades específicas de cada empresa, contribuirá para uma abordagem efetiva que vai além da mera conformidade, promovendo, de fato, ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e saudáveis. 29 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos VOCÊ SABE RESPONDER? No contexto da segurança do trabalho, o que é necessário para se trabalhar com higiene ocupacional nas organizações empresariais? De forma geral, além de uma formação técnica robusta na área de seguran- ça do trabalho, um higienista deve possuir um sólido embasamento teórico, pois é essencial compreender os processos, os equipamentos e a matéria-prima, bem como as interações entre exposição, dose, resposta, metodologias de avaliação (nacionais e internacionais), a literatura técnica associada e o quadro legislativo e de prevenção já estabelecido. Na fase seguinte, são indispensáveis os conheci- mentos práticos, que envolvem a análise das condições nos ambientes de traba- lho, a avaliação de postos de trabalho, a identificação de contaminantes, a análise dos tempos de exposição e a realização de medições e coleta de amostras. Com os dados obtidos, são necessários os conhecimentos analíticos, ou seja, a interpretação dos resultados qualitativos e quantitativos dos contaminantes presentes nos ambientes de trabalho, comparando-os com os padrões normati- zados (limites de tolerância). Após a aquisição desse conjunto de informações e análises, é essencial possuir conhecimentos operacionais. Com base nas avalia- ções teóricas e práticas, é possível recomendar métodos de controle a serem im- plementados para eliminar e/ou reduzir os níveis de intensidade (concentração) dos agentes presentes no ambiente de trabalho, bem como verificar a eficácia das soluções propostas. Além disso, é crucial que o profissional higienista tenha a habilidade de trabalhar de forma eficaz em uma equipe multidisciplinar, colaborando com profissionais de diversas áreas na análise de riscos globais e gestão de riscos Também é necessário participar ativamente dos processos de educação, conscientização, informação e controle de práticas preventivas em todos os níveis da empresa. 30 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Figura 9 – Profissional higienista inspecionando o uso de EPIs Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra um profissional higienista reali- zando uma inspeção para garantir que os EPIs estão sendo usados de forma correta no colaborador que está usando óculos transparente, máscara e roupa amarela de borracha. Em muitos casos, a complexidade da avaliação ou a necessidade de equipa- mentos especializados podem demandar a contratação de profissionais externos à empresa, devidamente qualificados para realizar tais tarefas. É importante ressaltar que, para alcançar a excelência na área de higiene ocupacional, é essencial se de- dicar a estudos aprofundados e se manter constantemente atualizado, combinando esses esforços ao uso de equipamentos e estratégias de avaliação adequadas. 1.2 Classificação Geral dos Riscos Ocupacionais Conforme vimos até o momento, a higiene do trabalho faz parte de um con- junto de metodologias não médicas voltadas para a prevenção de doenças profis- sionais, com foco principal no controle dos agentes físicos, químicos e biológicos presentes nos materiais utilizados no trabalho. Essas metodologias se baseiam principalmente em técnicas e medidas que visam intervir no ambiente de trabalho. 31 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Segundo Robert (2015), o risco é uma condição ou mudança em um con- junto de circunstâncias que apresentam potencial para causar prejuízos, danos, doenças, lesões e outros acidentes, afetando não apenas as pessoas, mas tam- bém a propriedade. A identificação e o gerenciamento de riscos envolvem a apli- cação de processos que, após estudo, visam reduzir ou eliminaros riscos definidos anteriormente. Existem várias fontes de risco, incluindo aqueles relacionados à ação das pessoas. Muitos deles ocorrem devido a situações resultantes de diversas ativi- dades, sendo originados por falta de cuidados adequados com os trabalhadores em funções perigosas, imprudência ou desconhecimento das normas básicas de segurança. Figura 10 – Profissionais atuando em laboratório químico Fonte: . Acesso em: 21 de março de 2024. #ParaTodosVerem: a figura ilustra dois profissionais atuando em labo- ratório químico e utilizando EPIs (máscaras e jalecos) para se proteger dos riscos químicos associados a essa atividade laboral. Um profissio- nal analisa amostra ao microscópio e a outra profissional coloca o líqui- do verde em um tudo de ensaio. Ainda de acordo com Robert (2015), os riscos geralmente são introduzidos na rotina dos trabalhadores devido: 32 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos • a processos de manutenção inadequados, insuficientes ou inexistentes; • à falta de limpeza dos locais de trânsito/equipamentos; • a práticas inadequadas dos trabalhadores; • à falta de recursos adequados para bloqueá-los. De forma geral, na grande maioria das operações industriais, existem pro- cedimentos que podem originar, no ambiente laboral, substâncias químicas e/ ou fenômenos físicos que, devido à sua natureza, concentração ou intensidade, quando em contato com os trabalhadores, possuem o potencial de causar doen- ças ou prejudicar a saúde. Nos estudos da higiene ocupacional, dividimos os riscos presentes no am- biente de trabalho em: RISCOS FÍSICOS Os riscos físicos referem-se a elementos do ambiente de trabalho, como ruídos, vibrações, temperatura extrema, radiações e pressões anormais, que podem impactar adversamente a saúde do trabalhador. A exposição prolongada a esses fatores pode resultar em danos físicos, auditivos ou térmicos, tornando essencial a implementação de medidas preventivas para garantir um ambiente laboral seguro. RISCOS QUÍMICOS Os riscos químicos envolvem a presença de substâncias tóxicas, gases, vapores ou poeiras no ambiente de trabalho, podendo causar intoxicação, alergias, da- nos ao sistema respiratório ou outros efeitos adversos à saúde. A avaliação e o controle desses riscos são cruciais para garantir a segurança dos trabalhadores, incluindo a implementação de práticas seguras, a ventilação adequada e o uso de equipamentos de proteção. 33 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos RISCOS DE ACIDENTES Os riscos de acidentes estão associados a situações que podem resultar em incidentes prejudiciais à saúde e segurança no ambiente de trabalho. Incluem quedas, colisões, cortes, esmagamentos e outros eventos que podem causar le- sões físicas ou danos materiais. A identificação e gestão eficaz desses riscos são essenciais para promover um ambiente de trabalho seguro, implementando me- didas preventivas, treinamento adequado e adoção de práticas que minimizem a probabilidade e a gravidade de acidentes ocupacionais. RISCOS BIOLÓGICOS Os riscos biológicos estão associados à exposição a microrganismos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas, presentes em ambientes de trabalho como hospitais, laboratórios ou setores agrícolas. Podem causar infecções, alergias ou outras doenças. A prevenção inclui práticas de higiene, vacinação, uso de EPIs e medidas de controle específicas para cada atividade. RISCOS ERGONÔMICOS Os riscos ergonômicos relacionam-se às condições inadequadas de trabalho que afetam o conforto e a eficiência do trabalhador, como posturas incorretas, movimentos repetitivos, esforço físico excessivo e mobiliário inadequado. Esses fatores podem resultar em lesões musculoesqueléticas e problemas de saúde a longo prazo. A prevenção envolve o design adequado dos postos de trabalho, pausas regulares e programas de treinamento ergonômico. Cada uma dessas categorias se desdobra com base nas repercussões fi- siológicas que podem ser desencadeadas, seja devido às características físi- co-químicas, concentração ou intensidade dos agentes, seja em virtude de sua influência no organismo. Posteriormente, examinaremos minuciosamente cada um desses riscos ambientais, aprofundando-nos em seus aspectos particulares. 34 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos De acordo com Araujo, Santos e Mafra (2018), apesar de integrarem a higiene ocupacional, os riscos ergonômicos, devido às suas características distintas, frequentemente são objeto de estudo independente, sendo considerados uma componente essencial da disciplina conhecida como ergonomia. A ergonomia tem como objetivo definir critérios que possibilitem ajustar as condições de trabalho de acordo com as características psicofisiológicas dos trabalhadores, visando proporcionar o máximo de conforto, segurança e eficiência no desempenho das atividades laborais. Adicionalmente, dentro do contexto da higiene do trabalho, temos que ter uma definição clara dos conceitos a seguir. Quadro 1 – Higiene do trabalho: conceitos Higiene do trabalho: conceitos Risco/fenômeno perigoso/agentes geradores de risco Causa ou fenômeno que pode resultar em lesão ou danos à saúde. Geralmente é avaliado com base na probabilidade e nas consequências de ocorrência de um acidente. Situação perigosa Qualquer situação em que uma pessoa é exposta a um ou mais riscos/fenômenos perigosos. Acidente/dano Evento não planejado que resulta em morte, danos à saúde, ferimentos, prejuízos ou outras perdas. Acidente de trabalho Acidente que ocorre no local e horário de trabalho e resulta direta ou indiretamente em lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause morte ou redução na capacidade de trabalho ou ganho. Dano para a saúde (causada pelo trabalho) Perda comprovada de saúde causada ou agravada pela atividade ou pelo ambiente de trabalho de uma pessoa. 35 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos Evento desencadeador Evento que inicia a sequência de eventos que levam a um dano. Prevenção Ação de evitar ou reduzir os riscos profissionais por meio de um conjunto de medidas adotadas em todas as fases da vida das empresas. Fonte: elaborado pelo autor (2024). Nesse contexto, a avaliação de riscos, que iremos estudar com mais detalhes na próxima unidade, não é apenas uma obrigação legal, mas também um dos mé- todos mais eficazes para promover uma atitude positiva em relação à higiene e segurança no trabalho (HST) dentro das organizações. Isso acontece porque: • ajuda a reduzir a probabilidade de acidentes ou doenças profissionais; • envolve várias pessoas na discussão sobre a segurança no local de trabalho; • contribui para a mudança de comportamentos em relação à segurança; • garante o cumprimento das leis aplicáveis. Adicionalmente à classificação citada, os riscos organizacionais podem ser organizados em um quadro de riscos ocupacionais, separado em cinco grupos distintos por cores. Esse quadro é uma ferramenta fundamental na gestão da segurança e saúde no trabalho na vida prática das organizações. Cada grupo aborda categorias específicas de riscos, proporcionando uma abordagem abran- gente para identificação, avaliação e controle dos perigos presentes nos ambien- tes laborais. 36 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos FÍSICO QUÍMICO BIOLÓGICO ERGONÔMICO ACIDENTE (MECÂNICO) Ruídos Poeiras Vírus Esforço físico intenso Arranjo físico inadequado Vibrações Fumos Bactérias Levantamento e transporte manual de peso Máquinas e equipamentos sem proteção Radiações ionizantes Névoas Protozoários Exigência de postura inadequada Ferramentas inadequadas ou defeituosas Radiações não ionizantes Neblinas Fungos Controle rígido de produtividadeIluminação inadequada Frio Gases Parasitas Imposição de rit- mos excessivos Eletricidade Calor Vapores Bacilos Trabalho em turno e noturno Probabilidade de incêndio ou explosão Pressões anormais Substâncias, compostos ou produtos químicos Jornadas de trabalho prolongadas Armazenamen- to inadequado Umidade Monotonia e repetitividade Animais peçonhentos Outras situações causadoras de estresse físico e/ ou psíquico Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Quadro 2 – Riscos ocupacionais Fonte: elaborado pelo autor (2024). A classificação dos riscos ocupacionais em grupos organizados por cores for- nece uma abordagem abrangente para compreender e gerenciar a segurança e a saúde no ambiente de trabalho. Cada grupo, distinto por sua cor, destaca dife- rentes aspectos dos riscos, detalhando as medidas necessárias para prevenção e controle. 37 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos GRUPO 1 Simbolizado pela cor verde, concentra-se nos riscos físicos, os quais englobam uma variedade de fatores, como ruído, vibração, radiação e temperaturas extre- mas. A gestão eficaz desses riscos envolve uma abordagem multifacetada. Bar- reiras de proteção, como protetores auriculares e divisórias, são implementadas para mitigar a exposição ao ruído. Controles térmicos, como sistemas de aque- cimento ou refrigeração, são adotados para lidar com temperaturas extremas. Além disso, a utilização de equipamentos ergonômicos e práticas seguras ajuda a preservar a integridade física dos trabalhadores. GRUPO 2 Identificado pela cor vermelha, contempla os riscos químicos. Substâncias tóxicas, gases, vapores e produtos químicos perigosos são minuciosamente avaliados quanto aos impactos potenciais na saúde dos trabalhadores. Medidas de controle incluem o uso obrigatório de EPIs, como máscaras respiratórias e luvas, juntamente com a implementação de sistemas de ventilação adequados. Essas precauções visam reduzir significativamente a exposição a esses riscos e proteger a saúde ocupacional. GRUPO 3 Associado à cor marrom, trata dos riscos biológicos. Bactérias, vírus, fungos e parasitas são identificados como potenciais agentes causadores de doenças. A prevenção desses riscos envolve rigorosas práticas de higiene, a promoção de vacinações quando aplicável e a utilização de equipamentos de proteção específicos, como máscaras e luvas, para minimizar a exposição a esses agentes patogênicos. 38 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos GRUPO 4 Representado pela cor amarela, refere-se aos riscos ergonômicos. Esses riscos estão associados a condições de trabalho que podem resultar em desconforto físico, fadiga ou lesões musculoesqueléticas. Estratégias para mitigação incluem a implementação de design ergonômico em móveis e ferramentas, treinamento ergonômico para conscientização dos funcionários e ajustes nas condições de trabalho para proporcionar um ambiente mais adequado. GRUPO 5 Em cor azul, aborda os riscos de acidentes. Este grupo engloba uma gama diversificada de situações que podem resultar em lesões imediatas. Medidas pre- ventivas incluem sinalização adequada para alertar sobre perigos, treinamento em segurança para conscientizar os trabalhadores sobre práticas seguras e a manutenção regular de equipamentos para garantir seu funcionamento seguro. Essa abordagem detalhada do quadro de riscos ocupacionais destaca a com- plexidade e a interconexão desses diferentes aspectos, fornecendo uma base ro- busta para a promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. A gestão eficaz desses riscos salvaguarda os trabalhadores e contribui para a eficiência operacional e o sucesso sustentável das organizações. 1.3 Fatores Influentes de Exposição ao Risco Na prática da higiene ocupacional, é comum comparar os resultados da ava- liação da exposição com os limites de exposição ocupacional, também conhecidos como limites de tolerância. Esses limites oferecem diretrizes cruciais para estabe- lecer níveis aceitáveis de exposição e seu subsequente controle. Exceder esses limites demanda a implementação imediata de medidas corretivas, enfatizando a importância da gestão proativa dos riscos ambientais (Monteiro; Bertag, 2019). A gestão proativa dos riscos ambientais é vital na higiene ocupacional. A ava- liação da exposição, comparada aos limites de tolerância, destaca a necessidade de controle rigoroso sobre os riscos identificados, a fim de garantir ambientes de trabalho seguros. Estabelecer níveis aceitáveis de exposição é fundamental para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. A ultrapassagem desses limites requer a aplicação imediata de medidas corretivas, sublinhando a urgência de uma abor- dagem preventiva. A implementação eficaz dessas práticas contribui para a pre- venção de acidentes, protegendo a integridade física e promovendo um ambiente de trabalho saudável. 39 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos É importante pontuar que a análise e avaliação de riscos devem ser abran- gentes, por isso é importante: I. compartilhar a lista de riscos e situações perigosas identificados com as pessoas que trabalham na área de ação do projeto-piloto e solicitar seus comen- tários e suas sugestões; II. após analisar os comentários e as sugestões, fazer as correções neces- sárias na lista e compartilhá-la novamente, desta vez incluindo os valores dos ín- dices de risco calculados. É importante dar muita atenção aos comentários. Dessa forma, é possível obter opiniões que refletem diversas sensibilida- des e percepções de risco, bem como promover o envolvimento e a responsa- bilização de todos. Os profissionais de prevenção de riscos atuam no “nível de ação”, geralmente estabelecido como metade do limite de tolerância, no qual in- tervenções preventivas são aplicadas para evitar potenciais impactos à saúde dos trabalhadores. Dada a complexidade de realizar avaliações representativas da exposição, é imprescindível uma análise minuciosa dos resultados, considerando a presença de diversas variáveis que podem influenciar os dados obtidos sendo. Vejamos al- gumas dessas variáveis. A realização de uma análise criteriosa se torna ainda mais vital em ambientes de trabalho em que múltiplos fatores podem afetar a exposição dos trabalha- dores a agentes nocivos. A variabilidade das condições laborais, a diversidade de tarefas executadas e as flutuações nas características dos agentes presen- tes exigem uma abordagem cuidadosa na interpretação dos resultados. Nesse contexto, é essencial aprimorar continuamente as práticas de avaliação de ex- posição, considerando a natureza dinâmica dos ambientes ocupacionais (Mon- teiro; Bertag, 2019). APROFUNDANDO 40 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DO AGENTE QUÍMICO OU DA NATUREZA DO AGENTE FÍSICO O conhecimento detalhado das propriedades específicas de cada agente é es- sencial para determinar seu potencial de agressividade e propor medidas técni- cas de neutralização. Cada agente ambiental exibe características distintas que influenciam seus efeitos conforme sua natureza. A identificação do(s) agente(s) presente(s) constitui o primeiro passo na avaliação da exposição, ressaltando a importância da compreensão de fatores como a densidade de gases em relação ao ar. A compreensão profunda dessas características permite um planejamento mais eficaz de estratégias de controle, contribuindo para a minimização dos riscos ocupacionais. TEMPO DE EXPOSIÇÃO O aumento do tempo de exposição amplia consideravelmente as chances de do- enças ocupacionais. A análise detalhada da tarefa do trabalhador é fundamental para determinar o tempo real de exposição, levando em consideração aspectos como tipo de atividade, movimentos realizados, jornada de trabalho e períodos de descanso. Variaçõesao longo da jornada de trabalho devem ser criteriosamente consideradas para uma avaliação quantitativa precisa da exposição. A conscien- tização sobre o tempo de exposição é crucial para a implementação de medidas preventivas eficazes, tais como o planejamento adequado de intervalos e pausas, contribuindo para a preservação da saúde ocupacional. CONCENTRAÇÃO OU INTENSIDADE DO AGENTE A elevada concentração ou intensidade dos agentes no ambiente de trabalho aumenta substancialmente o risco de efeitos adversos à saúde. A avaliação exata da concentração dos agentes, por meio de amostragem nos locais de trabalho, torna-se crucial para representar adequadamente a exposição real dos trabalhadores. Fatores como a temperatura também devem ser levados em conta durante a avaliação, dada sua influência na representatividade dos resultados. O entendimento preciso da concentração ou intensidade dos agentes possibilita a implementação de medidas de controle proporcionais, promovendo ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. 41 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos SUSCETIBILIDADE INDIVIDUAL A resposta do organismo a um agente pode variar significativamente de pessoa para pessoa devido à complexidade do organismo humano. A suscetibilidade in- dividual é um fator crucial, e os limites de tolerância estabelecidos não garantem 100% de segurança. Controles baseados em 50% dos limites de tolerância devem ser priorizados, reconhecendo as variações individuais e visando uma abordagem mais abrangente. A consideração da suscetibilidade individual é fundamental para a personalização das estratégias de controle, garantindo uma proteção mais efetiva aos trabalhadores diante da diversidade de respostas orgânicas. SINERGISMO A exposição simultânea a múltiplos agentes no ambiente de trabalho pode resul- tar em exposições combinadas e interações entre eles. As consequências para a saúde da exposição a um agente podem ser significativamente diferentes quan- do combinadas com outros, especialmente se houver sinergismo ou potenciação dos efeitos. A análise detalhada dos efeitos combinados deve ser uma prioridade para substâncias com efeitos toxicológicos quando há exposição simultânea, visando uma gestão mais eficaz dos riscos ocupacionais. A compreensão do sinergismo permite uma abordagem mais holística na identificação e no controle de riscos, garantindo a segurança dos trabalhadores diante de situações comple- xas de exposição múltipla. Estimado estudante, estamos disponibilizando para você o vídeo desenvolvido para a unidade, com os principais conceitos teóricos abordados. Bons estudos! EM FOCO 42 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos NOVOS DESAFIOS A higiene ocupacional é fundamental na promoção da saúde e na prevenção de doenças e acidentes no ambiente de trabalho. É essencial entender os diver- sos riscos ocupacionais que os trabalhadores enfrentam diariamente, pois isso permite desenvolver estratégias eficazes para minimizar esses riscos e proteger a saúde dos colaboradores. Ao analisar as categorias de riscos ocupacionais, percebemos que existem diversas fontes potenciais de perigo, como agentes químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Cada uma dessas categorias apresenta desafios es- pecíficos que devem ser abordados de forma adequada para garantir um ambien- te de trabalho seguro e saudável. A classificação dos riscos ocupacionais é crucial para identificar e avaliar os perigos presentes no local de trabalho. Essa classificação permite uma compre- ensão mais clara dos fatores que influenciam a exposição ao risco e suas inter-re- lações, facilitando a implementação de medidas preventivas e de controle. É importante destacar que a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais é uma responsabilidade tanto das empresas quanto dos próprios trabalhadores, que devem estar cientes dos riscos e seguir as medidas de segurança estabele- cidas. A conscientização e a educação são essenciais para promover uma cultura de segurança no ambiente de trabalho. Desenvolver estratégias de manejo para agentes químicos é uma parte fun- damental da higiene ocupacional. Isso inclui a identificação e avaliação dos agen- tes químicos presentes no local de trabalho, a implementação de medidas de controle, como ventilação adequada e uso de EPIs, e o monitoramento regular da exposição dos trabalhadores a esses agentes. Ao integrar a importância da higiene ocupacional com a classificação de ris- cos, fatores intervenientes e exposição ao risco, podemos criar um ambiente de trabalho mais seguro e saudável para todos. Isso envolve não apenas a imple- mentação de medidas de controle, mas também a promoção de uma cultura orga- nizacional que valorize a segurança e o bem-estar dos colaboradores. 43 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos No mercado de trabalho atual, no qual a competitividade e a pressão por pro- dutividade são altas, é fundamental que as empresas reconheçam a importância da saúde e segurança ocupacional como um investimento estratégico. Além de cumprir com as normas regulatórias, as empresas que priorizam a segurança e o bem-estar dos seus colaboradores tendem a ter um desempenho melhor, com co- laboradores mais engajados, produtivos e saudáveis. Portanto, ao implementar medidas de higiene ocupacional e prevenção de riscos no ambiente de trabalho, as empresas, além de cumprirem com suas obri- gações legais, contribuem para a construção de um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e produtivo. 44 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos AUTOATIVIDADE 1 - Considerando os conceitos apresentados sobre riscos, situações perigo- sas, acidentes e outros termos relacionados à HST, analise a afirmação a seguir: A avaliação de riscos, além de ser uma obrigação legal, é um dos métodos mais eficazes para promover uma atitude positiva em relação à HST dentro das organizações. Assinale a alternativa que explica corretamente por que isso acontece. a) Proporciona um ambiente de trabalho desafiador, estimulando a competi- tividade entre os trabalhadores. b) Minimiza a necessidade de implementar medidas de prevenção, reduzin- do custos operacionais. c) Permite a identificação proativa de potenciais perigos, contribuindo para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. d) Satisfaz exclusivamente as exigências legais, sem impactar efetivamente a cultura de segurança nas organizações. e) Foca apenas na responsabilidade individual dos trabalhadores, sem con- siderar aspectos organizacionais. 2 - Dada a intricada natureza de conduzir avaliações que representem ade- quadamente a exposição, torna-se imperativo realizar uma análise meticulosa dos resultados. Isso se deve à presença de uma variedade de variáveis que podem exercer influência nos dados obtidos, acrescentando um nível de complexidade à interpretação dos resultados. Com relação às particularidades associadas aos riscos, assinale a alternativa verdadeira. a) As características físico-químicas são relevantes para a avaliação da ex- posição ocupacional. b) O tempo de exposição não é um fator significativo para o aumento do ris- co de doenças ocupacionais. c) A suscetibilidade individual não impacta na resposta do organismo a um agente. d) A concentração ou intensidade dos agentes no ambiente de trabalho não influencia o risco à saúde dos trabalhadores. e) A análise detalhada dos efeitos combinados é crucial apenas para subs- tâncias com efeitos benignos quando há exposição simultânea. 45 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos 3 - O programa 5S é uma abordagem reconhecida por seu impacto na quali- dade e organização dos ambientes de trabalho. Na perspectiva da higiene do tra- balho, a aplicação do 5S pode desempenhar um papel significativo na promoção de ambientes mais seguros e saudáveis.Considerando essa temática, é correto afirmar que a principal contribuição do senso de Seiri (utilização) na aplicação do 5S para a higiene do trabalho é: a) Identificação e eliminação do que é desnecessário no ambiente de trabalho. b) Redução da variabilidade nos processos. c) Estabelecimento de padrões e procedimentos para a saúde ocupacional. d) Organização dos locais de trabalho de acordo com critérios individuais. e) Incentivo ao desenvolvimento disciplinar dos trabalhadores. 46 Introdução à Higiene Ocupacional – Classificação e Caracterização dos Riscos REFERÊNCIAS ARAUJO, R. P.; SANTOS, N.; MAFRA, W. J. Gestão em higiene ocupacional. Ges- tão da Segurança e Saúde do Trabalho, Joinville, p. 1-10, 2018. BRASIL. Portaria n° 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova as normas regulamen- tadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Bra- sília, 1978. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 05 – Comissão Interna de Pre- venção de Acidentes - CIPA, 8 de junho de 1978. Brasília: MTE, [2022]. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao- -social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/ arquivos/normas-regulamentadoras/nr-05-atualizada-2022.pdf. Acesso em: 8 fev. 2024. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 09 – Avaliação e controle das ex- posições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, 8 de junho de 1978. Brasília: MTE, [2021]. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-em- prego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegia- dos/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/ nr-09-atualizada-2021-com-anexos-vibra-e-calor.pdf. Acesso em: 8 fev. 2024. MONTEIRO, A. L.; BERTAG, R. F. S. Acidentes do trabalho e doenças ocupacio- nais. 9. ed. São Paulo: SaraivaJur, 2019. ROBERT, L. Fundamentos da higiene e segurança no trabalho. Cuiabá: UFMT; Rede e-Tec Brasil, 2015. SPINELLI, R. Higiene ocupacional: agentes biológicos, físicos e químicos. 5. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006. Higiene Ocupacional Edição 1 CAPÍTULO 2 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais TEMA DE APRENDIZAGEM Minhas metas: 3 Identificar os diferentes tipos de riscos físicos e químicos presen- tes em ambientes de trabalho e no meio ambiente. 3 Explicar os efeitos potenciais dos riscos físicos e químicos na saúde humana e no meio ambiente, incluindo as vias de exposi- ção e os mecanismos de toxicidade. 3 Demonstrar habilidades na aplicação de técnicas de avaliação de riscos ambientais. 3 Analisar criticamente os diferentes métodos de controle e pre- venção de riscos físicos e químicos. 3 Avaliar os riscos físicos e químicos em ambientes específicos. 3 Desenvolver planos de gerenciamento de riscos ambientais que integrem estratégias de prevenção, controle e monitoramento. 3 Avaliar criticamente a conformidade com as normas e os regula- mentos relacionados à gestão de riscos ambientais com foco em melhorias. 50 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais INICIE SUA JORNADA Em um mundo em que a dinâmica dos ambientes de trabalho está em cons- tante evolução, as estratégias de avaliação de riscos surgem como uma bússola indispensável para orientar os profissionais na navegação dos desafios da se- gurança ocupacional. Imagine uma indústria movimentada, na qual trabalhado- res operam máquinas complexas em um ambiente sonoro e visualmente agitado. Nesse cenário, a avaliação de riscos se torna uma necessidade crítica para ga- rantir a integridade física e a saúde mental dos colaboradores. Imaginemos um trabalhador em meio ao barulho constante das máquinas, em uma fábrica bastante movimentada, desconhecendo os riscos auditivos asso- ciados. Nesse contexto, a aplicação prática das estratégias de avaliação de riscos torna-se crucial. A medição quantitativa do nível de ruído, seguida por uma análise qualitativa dos impactos potenciais, destaca-se como uma abordagem eficaz. O uso de equipamentos de proteção auditiva, baseado em dados concretos da ava- liação de riscos, emerge como uma solução tangível. Essa situação prática ilustra como a aplicação direta dos conceitos de avaliação de riscos pode moldar positi- vamente o ambiente de trabalho. Resolver esse tipo de desafio vai além de simplesmente reduzir o volume dos ruídos, pois estamos diante de uma oportunidade para desenvolver estraté- gias robustas de avaliação de riscos que não só protejam a saúde auditiva, mas que também promovam um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. A negligência a essa questão, além de comprometer o bem-estar dos trabalhado- res, impacta diretamente na eficiência operacional da empresa. A importância de abordar essa problemática reside na mitigação do ruído e na construção de um ambiente de trabalho sustentável. À medida que nos aprofundamos nesta unidade, vislumbramos um horizon- te no qual a avaliação de riscos não é mais do que uma obrigação burocrática, é uma prática contínua que sustenta ambientes laborais resilientes. Tanto a pre- venção de riscos imediatos quanto o cultivo de uma cultura organizacional que prioriza a segurança em todos os aspectos devem ser considerados. Afinal, a re- solução do problema inicial não se limita à redução do ruído; é uma jornada de transformação, em que cada estratégia de avaliação de riscos contribui para a construção de locais de trabalho seguros, saudáveis e inspiradores. 51 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais Antes de nos aprofundarmos nos conceitos fundamentais dos riscos físicos e químicos e da avaliação de riscos ambientais, é importante relembrar conceitos e detalhes sobre a higiene ocupacional. VAMOS RECORDAR? Você ainda se lembra dos conceitos essenciais da higiene ocupacional? Confira clicando aqui o video “Higiene ocupacional: entenda a importância para em- presas” e refresque sua memória! Quer conhecer com mais detalhes a respeito da avaliação de riscos ocupacionais? Ouça este podcast ! Nele será abordado o tema, além de novas estratégias de avaliação. PLAY NO CONHECIMENTO https://www.youtube.com/watch?v=TWIo0yiw_so https://www.youtube.com/watch?v=Vwpauri0HMI https://www.youtube.com/watch?v=Vwpauri0HMI 52 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais DESENVOLVA SEU POTENCIAL Após o primeiro contato com o assunto da unidade, chegou o momento de aprofundar os conceitos teóricos, promover discussões e utilizar exemplificações que contribuam na clareza dos conteúdos. Nesta unidade a respeito de riscos físi- cos, riscos químicos e estratégias de avaliação de riscos, adentramos no universo prático da segurança ocupacional. Aqui, vamos nos aprofundar de forma mais efe- tiva no entendimento dos mais variados riscos e seremos capacitados para con- duzir avaliações de riscos de forma abrangente, incorporando tanto estratégias quantitativas quanto qualitativas. Ao final desta unidade, estaremos equipados com algumas habilidades práticas cruciais para enfrentar os desafios complexos da avaliação de riscos em ambientes diversificados. 1 RISCOS FÍSICOS – APROFUNDAMENTO Os perigos físicos abrangem diversas formas de energia presentes no am- biente de trabalho em quantidades superiores à capacidade de suporte do orga- nismo, podendo resultar em doenças profissionais. Os riscos físicos mais significativos incluem: • pressões anormais; • radiações ionizantes – raios X, raios alfa, raios beta e raios gama; • radiações não ionizantes – infravermelho, luz visível, ultravioleta, laser, micro-ondas; • ruído; • temperaturas extremas: calor e frio; • Vibrações; • Umidade. 53 Riscos Físicos, Químicos e Avaliação de Riscos Ambientais A seguir, serão abordados alguns conceitos básicos, porém fundamentais, relacionados