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capítulo 6 Projeção Ortogonal e Perspectivas 6.1 Projeção Ortogonal 6.1.1 Introdução A projeção ortogonal é a forma de representar um objeto tridimensional numa superfície plana. No exemplo seguinte, as vistas de A a F representam objeto traçado, sob o ponto de vista de um ob- servador que olha a peça de frente, por cima, pelas laterais e por baixo. 0 desenho deve ser representado pela cor preta, mas se outras cores precisarem ser utilizadas para faci- litar o entendimento, seu significado deve ser explicado na legenda. Figura 6.1 - Objeto em três dimensões.E D A F B Figura 6.2 - Vistas de A a F. Figura 6.3 - Observador olhando de frente.Figura 6.4 - Observador olhando a lateral da peça. Neste capítulo são estudadas as formas de representação de objetos no plano. 6.1.2 Denominações das Vistas A vista frontal deve ser sempre a mais representativa. A: vista B: vista superior; C: vista lateral esquerda; D: vista lateral direita; E: vista inferior; F: vista posterior. B F D C A E Figura 6.5 Indicação das vistas.6.1.3 Diedro Para a projeção ortográfica existem dois métodos, sendo diedro e 30 diedro. No Brasil, a projeção mais utilizada é o método do 1º diedro, representado na Figura 6.6. É método europeu. Figura 6.6 - Indicação do primeiro diedro. Definição Segundo a NBR 10209 Projeção no diedro: representação ortográfica compreendendo arranjo, em torno da vista principal de um objeto, de algumas ou de todas as outras cinco vistas desse objeto. As vistas são organizadas como segue: A: vista frontal, que deve ser a mais representativa, sendo a vista de referência. B: vista superior, que deve ser posicionada abaixo da vista frontal. C: vista lateral esquerda, que deve ser posicionada à direita da vista frontal. D: vista lateral direita, que deve ser posicionada à esquerda da vista frontal. E: vista inferior, que deve ser posicionada acima da vista frontal. F: vista posterior, que deve ser posicionada à direita da vista C ou à esquerda da vista D. Escolha a posição mais conveniente. E D F B Figura 6.7 Posições do primeiro diedro.o diedro é representado na Figura 6.8, sendo método americano. Figura 6.8 Posições do terceiro diedro. Definição Segundo a NBR 10209 Projeção no diedro: representação ortográfica compreendendo o arranjo, em torno da vista principal de um objeto, de algumas ou de todas as outras cinco vistas desse objeto. As vistas são organizadas como segue: A: vista frontal, que deve ser a mais representativa, sendo a vista de referência. B: vista superior, que deve ser posicionada acima da vista frontal. C: vista lateral esquerda, que deve ser posicionada à esquerda da vista frontal. D: vista lateral direita, que deve ser posicionada à direita da vista frontal. E: vista inferior, que deve ser posicionada abaixo da vista frontal. F: vista posterior, que deve ser posicionada à direita da vista C ou à esquerda da vista D. Escolha a posição mais conveniente. E D A Figura 6.9 Indicação do terceiro diedro.6.1.4 Regras Básicas de Representação A vista frontal ou principal deve ser a mais representativa. Geralmente ela é representada na sua posição de utilização. Devem ser utilizadas quantas vistas forem necessárias, mas buscando menor número de vistas possível. Geralmente três vistas são suficientes (frontal, lateral esquerda e superior). Muitas vezes, apenas a vista frontal já é suficiente; em outras, são necessárias vistas auxiliares e cortes (vistas em corte capítulo 7). Para entendimento de como realizar as projeções ortográficas, vamos considerar um objeto simples, um paralelepípedo. Exemplo 1 Figura 6.10 Paralelepípedo em três dimensões. Conforme visto no capítulo 3, contornos visíveis devem ser representados como linha contínua e os não visíveis ao observador (linhas escondidas) devem ser indicados com linha tracejada. No caso de linhas de centro de furo e eixos utilize linhas "traço e ponto". Vista superior Contornos visiveis Vista lateral esquerda Contornos não Vista frontal Figura 6.11 Representação com as linhas e não Acompanhe, a seguir, a vista frontal representada no campo VF, a lateral esquerda no campo VE e a superior na VF.VF VS VF VE Figura 6.12 - Projeções. VF VE Figura 6.13 - Projeção no plano. Olhando a peça de frente, observador enxergará somente um retângulo, conforme a vista VF. Olhado por cima, verá um retângulo como da vista VS, e olhando a lateral esquerda, vai enxergar a vista VE.Exemplo 2 Neste exemplo, a linha tracejada representa perfil escondido do rasgo na lateral esquerda. Vista frontal Figura 6.14a Peça com rasgo. Vista frontal Figura 6.14b - Representação das linhas.Representação do rasgo Projeção do rasgo VF VE VS Figura 6.15 Projeção no plano. Olhando esta peça de frente, observador vê perfil mostrado na vista VF. Olhando por cima, enxerga a vista VS composta pelo retângulo e os perfis visíveis do rasgo. Olhando a lateral esquerda, observador enxerga apenas um retângulo, porém a peça possui um rasgo. Se a peça fosse transparente, observa- dor enxergaria, além do retângulo, a linha inferior do rasgo. Desta forma, essa linha, por não ser visível, deve ser tracejada. Exemplo 3 Vista frontal Figura 6.16a Indicação da vista frontal.Vista frontal Figura 6.16b Indicação da vista frontal com as linhas não visíveis. Representação dos rasgos Projeções dos rasgos VE VS Figura 6.17 Projeção no plano. Olhando esta peça de frente, observador vê o perfil mostrado na vista VF. Olhando por cima, enxerga a vista VS composta pelo retângulo e os perfis visíveis do rasgo superior, e se ela fosse transparente, observador enxergaria perfis do rasgo inferior. Olhando a lateral esquerda desta peça, observador enxerga apenas um retângulo. Como a peça possui um rasgo superior e um inferior, se ela fosse transpa- rente, observador enxergaria, além do retângulo, a linha inferior do rasgo cilíndrico e a linha superior do rasgo retangular. Desta forma, essas linhas, por não serem visíveis, devem ser tracejadas.As linhas que conectam as vistas são auxiliares para a construção das projeções. Caso se esteja traba- lhando com folhas quadriculadas, cada quadrado é uma unidade de medida da peça, sendo possível a utilização dessas unidades para construção das vistas desejadas. Exemplo 4 Dadas as duas vistas a seguir, representar a lateral esquerda. Figura 6.18 Vistas frontal e superior. Sabe-se com base na folha quadriculada que a vista frontal possui 3u de altura e 5u de largura, e a vista superior possui 6u de comprimento. 3u 5u 6u Figura 6.19 - Dimensões.A lateral esquerda terá, portanto, 3u de altura e 6u de comprimento. lu 3u 3u 5u 6u Figura 6.20 - Lateral esquerda representada. 6.1.5 Vistas Auxiliares As vistas auxiliares são utilizadas para representar peças com faces inclinadas. Se representadas nas vis- tas ortográficas, essas peças ficariam deformadas e não representadas em suas verdadeiras grandezas. Veja na Figura a 6.21. Figura 6.21 - Objeto de face inclinada.Numa projeção ortogonal a vista lateral esquerda ficaria deformada e com linhas sobrepostas. Figura 6.22 Linhas sobrepostas. As vistas auxiliares utilizam planos auxiliares. Na figura a seguir a vista foi projetada com base no plano indicado. Figura 6.23 Vista auxiliar. 6.1.6 Representação de Detalhes Repetidos Em peças que possuem detalhes repetidos, no desenho técnico, não é necessário representar todos os detalhes. desenho pode ser simplificado. Por exemplo, veja a peça da Figura 6.24 que possui diver- furos. Figura 6.24 Perfurações repetidas. A representação simplificada pode ser como a da Figura 6.25. Figura 6.25 Vista simplificada.Veja um exemplo de uma peça circular na Figura 6.26. A representação simplificada pode ser como a da Figura a 6.27. X Figura 6.26 Furações repetidas. Figura 6.27 Vista simplificada. 6.1.7 Vistas de Peças Simétricas As peças simétricas podem ter sua representação simplificada, sendo considerada apenas uma parte. Para isso, deve-se utilizar uma linha de simetria composta de dois traços curtos, paralelos entre si e per- pendiculares à extremidade da linha de simetria. Veja o exemplo da Figura 6.28. Figura 6.28 Representação simplificada.