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2024 2 - ENAM

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OBSERVAÇÕES INICIAIS 
 
A prova tão aguardada prova do ENAM 2024.2 foi aplicada dia 20/10/2024. Em 
linhas gerais, entendemos que esta prova apresentou um nível de dificuldade maior que 
as duas primeiras aplicações do ENAM. O que deixará um suspense sobre o número de 
aprovados nesta edição. A nossa equipe segue em apoio ainda dentro do prazo recursal 
para uma revisão geral de todos os temas e um alerta sobre 4 (quatro) questões possíveis 
de recursos. 
A nossa intenção neste material é auxiliar nossos alunos e seguidores na análise 
da elaboração de seus recursos, além de possibilitar, em formato conclusivo, a revisão 
de temas cobrados em um estudo direcionado para suas próximas provas. O estudo de 
nossa prova comentada é uma tradição obrigatória para todo concurseiro de 
magistratura. 
O arquivo apresentado trata de versão preliminar elaborada com as finalidades 
informadas e concluído por nosso time específico de magistratura, sem maiores 
pretensões de aprofundamento ou trabalho editorial neste momento, que é de puro 
apoio. A equipe Mege, no curto tempo disponível entre a divulgação do gabarito 
preliminar e a apresentado deste material, constatou uma informação MUITO valiosa 
para nossos alunos (destrinchada questão a questão até para facilitar a localização de 
cada correspondência informada): todas as questões da prova poderiam ser 
devidamente respondidas com o conteúdo do Clube da Magistratura! 
Os feedbacks de vocês enchem nosso coração de alegria! Nós seguimos ansiosos 
pela lista de aprovações para parabenizá-los um a um. No entanto, ainda estamos na luta 
por mais aprovados através das anulações indicadas neste momento. 
 
RESUMO DAS MACRO INFORMAÇÕES DA PROVA 
 
Os nossos professores entendem que 4 (quatro) questões, em especial, estão 
envolvidas em maior polêmica a serem apreciadas (22, 57, 66 e 67), onde a questão 57 
tem com sugestão uma alteração de gabarito, as demais sugerem pedidos de 
anulações. Portanto, podem ter suas situações alteradas na fase recursal, o que deixa 
em aberto a aprovação no ENAM para candidatos que tenham errado as suas respostas 
preliminares. Neste material consta o nosso parecer sobre as reais chances do que pode 
ser discutido com maior probabilidade de alteração (mas, não deixem de recorrer de 
outras que também vislumbrem qualquer inconsistência, o curto tempo pode ter 
prejudicado algum argumento válido que não conste em nossa análise de 1 dia após o 
gabarito). 
Diante disso, em nosso sentimento, ainda é possível sonhar com a aprovação na 
ampla concorrência até a nota 52/53 (tendo como parâmetro uma margem de erro 
razoável sobre a quantidade de anulações). Para cotas, a esperança pode girar entre 
36/37. 
 
4 
A sua maior ou menor probabilidade dependerá do aproveitamento das questões 
mais polêmicas. Trata-se de mera opinião de parâmetro circunstancial de tudo que 
temos de informação neste momento. 
 
Aos alunos da turma do Mege para o ENAM, pedimos que não deixem de reler os 
conteúdos das rodadas. Nós demos o nosso melhor e ficamos muito felizes com a 
assertividade do que foi cobrado! A luta foi intensa e só demonstra que, 
independentemente de qualquer resultado, vocês são vocacionados (sim!) e estão no 
caminho certo! 
Como perceberam, o estudo em sprint final sempre é revertido em pontos 
decisivos. As turmas de reta final são um sucesso desde nossa primeira edição. O 
trabalho de pesquisa faz a diferença! Até mesmo no aulão de véspera conseguimos ser 
assertivos e presentar bons pontos ao lado de todos no momento do último estudo. 
No entanto, o estudo ganha qualidade quando dedicamos um tempo maior para 
assimilação. Neste sentido, não deixem de considerar a matrícula imediata no Clube da 
Magistratura. Inclusive, os alunos do clube recebem acesso à turma do ENAM. 
 
 
 
Com a atualização constante de nossos materiais, as questões aqui tratadas já 
entrarão em sua rota de menção nos nossos próximos materiais. Da mesma forma, a 
turma ENAM 205.1 seguirá atenta às adaptações necessárias diante do que foi 
observado, matéria a matéria, nesta prova. Nós fomos felizes quando mesclamos uma 
abordagem analítica e decoreba no estudo para esse exame. A prova comentada deixa 
isso muito claro. 
É válido citar ainda que no próximo dia 28/10 abriremos inscrições abertas para as 
turmas de reta final para o ENAM 2025.1 e para o Clube da Magistratura 2025.1 (que já 
oferece acesso à turma focada no Exame Nacional) em condições especiais de BLACK 
MEGE. No entanto, após a live de apresentação da prova comentada faremos uma 
condição especial antecipada para a turma 2025.1 do ENAM (para as 100 primeiras 
vagas). 
 
 
5 
 
 
Atualmente, estes alunos estão em nossas turmas de 2ª fase para o TJSP191 (com 
quase 400 alunos matrículas, ou seja, praticamente o concurso inteiro é aluno do Mege), 
TRF2, TJSC. Além disso, seguimos com turmas de retas finais para TJRJ, TJPE e TJMT. 
 
TURMA ENAM 2025.1 
 
As inscrições estarão abertas em nosso site em condição promocional de 
lançamento por 24 horas após a divulgação da prova (com cupons especiais para ex-
alunos). No dia 28/10 repetiremos a condição em nosso lançamento da BLACK MEGE! 
 
 
 
CUPONS DE DESCONTO: 
Ex-alunos das turmas do ENAM (Ponto a Ponto, Pré-edital, Reta Final e Pós-edital 2024.1 
e 2024.2) poderão utilizar o cupom “ENAM2025” para garantir sua matrícula por 
apenas R$598,50 (apenas 100 vagas nessa condição!). 
Ex-alunos poderão utilizar o cupom "ENAM977MEGE" para garantir sua matrícula por 
apenas R$ 977,00. (apenas 100 vagas nessa condição!). 
 
CAMINHOS POSSÍVEIS APÓS O ENAM E TURMAS INDICADAS 
 
Após a conferência do gabarito oficial, dividimos os candidatos em 5 grupos! 
🎯 Grupos 1 e 2 (1. Menos de 30 pontos - candidato do sistema de cotas; 2. 
Menos de 40 pontos - candidato da ampla concorrência): focar diretamente na próxima 
turma do mege para o ENAM. Em nossa visão, é mais produtivo dedicar energia pelos 
próximos meses ao estudo apenas das disciplinas do Exame Nacional. Isso irá aumentar 
chances de aprovação e acelerará a sua condição como candidato em concursos. Depois 
da aprovação, nós ajudaremos na retomada com as demais matérias. 
https://loja.mege.com.br/proposta/enam-20251-pre-edital
 
6 
🎯 Grupos 3 e 4 (3. Mais de 30 e menos de 40 pontos - candidato do sistema de 
cotas; 4. Mais de 40 e menos de 56 pontos - candidato da ampla concorrência): Você 
não foi aprovado agora, mas com 6 meses pela frente não será difícil auxiliar em sua 
evolução para uma condição mais confortável para aprovação. No entanto, em sua 
condição, embora o ENAM continue como objetivo principal para os próximos meses, é 
importante que também tenha contato com o universo de concursos (e demais 
disciplinas e simulados) da sua carreira. Isso auxiliará de forma decisiva a sua retomada 
aos editais após aprovação no ENAM. 
Nós conduziremos as orientações necessárias na medida certa para dosar o seu 
foco no Exame Nacional e as informações em outros conteúdos de forma leve, mas não 
que não o deixará distante do restante da bagagem necessária para ser aprovado nas 
primeiras fases de concursos seguintes. 
🎯 Grupo 5 (Aprovados no ENAM - sistema de cotas e ampla concorrência): 
Parabéns! Você agora terá um universo de possibilidades a serem aproveitadas e deverá 
fazer inscrições em todos os concursos possíveis. O Clube da Magistratura é sua turma 
obrigatória! É o curso que irá lhe acompanhar desde as próximas primeiras fases até a 
prova oral. Além disso, não deixe de acompanhar as turmas de retas finais lançadas pelo 
Mege para cada desafio específico. 
 
 
 
SE VOCÊ NÃO FOI TÃO BEM NO ENAM, NÃO SE DESESPERE! 
O Clube da Magistratura foi pensado para todos os níveis de concurseiro da carreira. 
 
Se você presta concursos de magistratura em outros estados, o Clube da 
Magistratura conta com tudo que você precisa para preparação em todas as fases do 
concurso. Em 2025, viveremos a sua melhorJustiça (STJ) aplicam a lógica do overruling ao revisarem seus entendimentos 
anteriores, estabelecendo novos paradigmas que passam a ser obrigatórios para os 
tribunais inferiores. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
17. O Município Alfa decidiu realizar a contratação de sistemas de segurança cibernética 
por meio da modalidade de diálogo competitivo. Após a realização do estudo técnico 
preliminar (ETP), a equipe de planejamento identificou diversas soluções com padrões 
de desempenho e qualidade já consolidados no mercado, todas satisfatórias à 
necessidade pública. O Termo de Referência (TR) detalhou a solução identificada no ETP, 
daí seguindo a elaboração do edital e da minuta do contrato. 
Após a publicação do edital de diálogo competitivo, um interessado na licitação ajuizou 
demanda judicial questionando a legalidade do procedimento sob o argumento de que 
essa modalidade licitatória foi utilizada de forma indevida, contrariando a Lei nº 
14.133/2021. 
Diante desse cenário, analise as afirmativas a seguir. 
I. O Município pode optar pelo diálogo competitivo sempre que quiser discutir com os 
fornecedores as melhores condições contratuais, mesmo que já tenha identificado as 
soluções consolidadas no mercado. 
II. Uma vez que ETP e TR identificaram que o objeto possui padrões de desempenho e 
qualidade que podem ser objetivamente definidos no edital, por meio das especificações 
usuais do mercado, o pregão se torna a modalidade de licitação obrigatória, conforme o 
Art. 29 da Lei nº 14.133/2021. 
III. O diálogo competitivo é uma modalidade de licitação de caráter restrito que não se 
aplica à contratação de bens e serviços comuns. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
 
32 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 7,8 e 9 de Direito Administrativo na turma ENAM II 
2024, a partir da página 21. Pregão a partir da página 48. Diálogo Competitivo a partir 
da página 51. 
I. INCORRETO. 
Art. 6º, XLII, Lei Federal nº 14.133/2021: O diálogo competitivo é modalidade de 
licitação para contratação de obras, serviços e compras em que a Administração Pública 
realiza diálogos com licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, 
com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas 
necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta final após o encerramento dos 
diálogos. 
Art. 32: Cabimento: 
a) Condições do objeto: 
- Inovação tecnológica ou técnica; 
- Impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação 
de soluções disponíveis no mercado; 
- Impossibilidade de as especificações técnicas serem definidas com precisão suficiente 
pela Administração. 
+ 
b) Necessidade de definir e identificar meios e alternativas que possam satisfazer suas 
necessidades, com os seguintes aspectos: 
- Solução técnica mais adequada; 
- Requisitos técnicos aptos a concretizar a solução já definida; 
- Estrutura jurídica ou financeira do contrato. 
II. CORRETO. 
Nos termos do inciso XLI do art. 6º, o pregão é “modalidade de licitação obrigatória para 
aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor 
preço ou o de maior desconto”. 
Complementarmente, o art. 29 estabelece que “A concorrência e o pregão seguem o rito 
procedimental comum a que se refere o art. 17 desta Lei, adotando-se o pregão sempre 
que o objeto possuir padrões de desempenho e qualidade que possam ser 
objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais de mercado”. 
TODAVIA, cuidado: a despeito da redação do inciso XLI do art. 6º, existe uma hipótese 
em que o pregão é facultativo: serviços comuns de engenharia, para os quais se admite 
também a modalidade da concorrência. 
Ademais, no caso das licitações realizadas pelas empresas estatais, o pregão é 
modalidade preferencial para a aquisição de bens e serviços comuns, embora, no mais, 
essa modalidade deva seguir as disposições da presente Lei Geral de Licitações (art. 32, 
IV, da Lei Federal nº 13.303/2016, c/c art. 189 da Lei Federal nº 14.133/2021). 
 
33 
Na hipótese do enunciado, contudo, não se trata de serviços comuns de engenharia, de 
modo que o pregão é mesmo modalidade obrigatória. 
III. CORRETO. Tratando-se de bens e serviços comuns, seu objeto possui padrões de 
desempenho e qualidade que podem ser objetivamente definidos pelo edital, por meio 
de especificações usuais de mercado, não sendo possível o diálogo competitivo. 
_______________________________________________________________________ 
18. Sobre os órgãos públicos, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) São pessoas jurídicas de direito público interno criadas por lei. 
(B) Possuem sempre capacidade judiciária e são representados em juízo pelos seus 
titulares. 
(C) De acordo com a doutrina, podem ser de dois tipos: supremos ou subalternos. 
(D) Mantêm relação de identidade com os agentes públicos que desempenham as 
atribuições definidas em lei, motivo pelo qual deixam de existir diante da vacância dos 
cargos a eles atrelados. 
(E) A jurisprudência reconhece a possibilidade de órgãos de cúpula da hierarquia 
administrativa atuarem em juízo na defesa de suas prerrogativas institucionais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto “Órgãos Públicos” foi estudado nos pontos 4,5,6 e 14 de Direito Administrativo 
na turma ENAM II 2024, a partir da página 8. O julgado que foi cobrado na alternativa 
correta (Letra E) foi estudado especificamente na página 9. 
A doutrina conceitua órgão público como feixes de competências administrativas ou 
plexo de atribuições administrativas componentes de unidades integrantes de uma 
pessoa jurídica. Vale dizer, são unidades de atribuições, partições internas abstratas de 
determinada pessoa jurídica. 
Hely Lopes MEIRELLES explica que, enquanto feixe de atribuições, os órgãos públicos 
não se confundem com os agentes públicos: “Cada órgão, como centro de competência 
governamental ou administrativa, tem necessariamente funções, cargos e agentes, mas 
é distinto desses elementos, que podem ser modificados, substituídos ou retirados sem 
supressão da unidade orgânica. Isto explica por que a alteração de funções, ou a vacância 
dos cargos, ou a mudança de seus titulares não acarreta a extinção do órgão”. 
Enfim, os órgãos públicos são centros especializados de competência integrantes de uma 
pessoa jurídica e instituídos para o desempenho especializado de funções estatais. 
As CARACTERÍSTICAS do órgão público são as seguintes: 
a) Ausência de personalidade jurídica, de modo que a responsabilidade pelos seus atos 
é da pessoa jurídica a que pertence (apesar disso, podem ter CNPJ). Não é o órgão que 
 
34 
celebra contratos: o órgão realiza a licitação e a execução do contrato, mas a parte no 
contrato tem que ser a pessoa jurídica. É possível que, por lei, seja delegada a função de 
assinar o contrato para o gestor do órgão. 
CUIDADO: O art. 37, § 8º, da CF/88, introduzido pela EC 19/98, prevê a possibilidade de 
o contrato de desempenho, recentemente regulado pela Lei nº 13.934/19, (para ampliar 
a autonomia gerencial, orçamentária e financeira de órgãos e entidades da 
Administração) ser celebrado por órgãos e firmado por seus administradores. Apenas 
nessa hipótese é que, em provas, há de se considerar possível órgão celebrar contrato. 
Se a assertiva for genérica, deve ser tida por incorreta. 
b) Pode ter capacidade processual, nas hipóteses de defesa de prerrogativas funcionais, 
ou seja, naquilo que estiver diretamente ligado ao exercício de suas funções 
(personalidade judiciária). É essa a posição do STJ (AgRg no REsp 700.136/AP, julgado 
em 24/08/2010)._______________________________________________________________________ 
19. Khan, servidor público federal lotado no Ministério Alfa, figura como réu em ação 
penal na qual é acusado de peculato e concussão (Art. 312 e Art. 316, ambos do Código 
Penal). O inquérito policial fora instaurado a partir de comunicação anônima 
apresentada na ouvidoria do órgão, corroborada por outros elementos de prova, 
resultando na posterior obtenção de provas por meio da interceptação telefônica, 
autorizada pela autoridade judiciária. 
Ciente desses fatos, a autoridade administrativa competente determinou a instauração 
de processo administrativo disciplinar (PAD), que foi regularmente constituído e 
desenvolvido. Apoiando-se no enunciado da Súmula 591 do Superior Tribunal de Justiça, 
a comissão responsável obteve o compartilhamento de provas do processo criminal, 
respeitados o contraditório e a ampla defesa. 
Dias depois, Carol Marcus, servidora pública lotada na mesma repartição, encontrou 
diversos documentos em um armário, que evidenciavam os malfeitos de Khan. 
Desconhecendo a existência da ação penal e do PAD, Carol Marcus comunicou 
imediatamente o fato ao seu chefe, James Kirk, que, ao tomar ciência, enviou o material 
encontrado para a comissão responsável. No entanto, ainda no curso do PAD e antes da 
decisão final, o Tribunal Regional Federal (TRF) competente deu provimento a um 
recurso do réu para reconhecer a incompetência do juízo que presidia a ação penal, 
assim como para invalidar as provas obtidas por meio da interceptação telefônica, 
reputando-as ilegais. 
Diante desse cenário, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O PAD deve ser integralmente anulado, pois a decisão do TRF que reconheceu a 
incompetência do juízo penal e invalidou as provas por interceptação telefônica afeta 
diretamente a validade do PAD, uma vez que todas as provas utilizadas na instrução do 
processo disciplinar foram consideradas ilegais. 
(B) A decisão do TRF não impede a continuidade do PAD, mas exige que as provas obtidas 
por meio da interceptação telefônica sejam desconsideradas pela comissão responsável. 
No entanto, o PAD pode prosseguir e ser instruído com as novas provas encontradas pela 
servidora pública na repartição. 
 
35 
(C) O PAD deve ser imediatamente suspenso até que sobrevenha decisão judicial que 
confirme ou anule a decisão do TRF. 
(D) A decisão do TRF torna nulo todo o PAD, inclusive as provas encontradas 
posteriormente pela servidora pública, uma vez que a invalidação das provas principais 
afeta toda a cadeia probatória, impedindo o uso de qualquer material obtido no curso 
do processo. 
(E) A decisão do TRF que invalida as provas por interceptação telefônica no processo 
penal não impede que essas mesmas provas sejam utilizadas no PAD, uma vez que o 
regime probatório no processo administrativo disciplinar é mais flexível e admite a 
utilização de provas obtidas em outros processos, independentemente de sua validade 
no processo penal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 7,8 e 9 de Direito Administrativo na turma ENAM II 
2024, na página 98. 
 
Como o juízo criminal em que as provas obtidas por meio de interceptação telefônica 
foi considerado incompetente, seu empréstimo ao PAD não é mais possível. 
Entretanto, o PAD pode regularmente continuar porque: (i) a uma, porque foi instaurado 
regularmente, a partir de denúncia anônima corroborada por outros elementos de 
prova; e (ii) a duas, porque a comissão processante recebeu outros elementos de prova 
que lhe conferem lastro mínimo independente. 
Confiramos a jurisprudência do STJ que embasa o entendimento da alternativa “b”: 
Enunciado 05 da Edição nº 154 da Jurisprudência em Teses do STJ: Desde que 
devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a 
instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em 
face do poder-dever de autotutela imposto à Administração. (Súmula n. 611/STJ) MS 
21084/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
26/10/2016, DJe 01/12/2016 
Enunciado 26 da Edição nº 154 da Jurisprudência em Teses do STJ: “É permitida a prova 
emprestada no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada 
pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa”. (Súmula n. 
591/STJ) MS 25131/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
27/11/2019, DJe 08/05/2020 
Enunciado 29 da Edição nº 154 da Jurisprudência em Teses do STJ: “As instâncias 
administrativa e penal são independentes entre si, salvo quando reconhecida a 
inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal”. AgInt no RMS 
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https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27MS%27.clap.+e+@num=%2721084%27)+ou+(%27MS%27+adj+%2721084%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27MS%27.clap.+e+@num=%2721084%27)+ou+(%27MS%27+adj+%2721084%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
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https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27MS%27.clap.+e+@num=%2725131%27)+ou+(%27MS%27+adj+%2725131%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
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https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRMS%27.clas.+e+@num=%2762007%27)+ou+(%27AgInt%20no%20RMS%27+adj+%2762007%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja
 
36 
62007/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 
22/04/2020, DJe 27/04/2020 
_______________________________________________________________________ 
20. A agência reguladora deverá observar, em suas atividades, a devida adequação entre 
meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida 
superior àquela necessária ao atendimento do interesse público. 
A respeito da atuação das agências reguladoras, analise as afirmativas a seguir. 
I. No exercício de suas competências definidas em lei, duas ou mais agências reguladoras 
poderão editar atos normativos conjuntos, dispondo sobre matéria cuja disciplina 
envolva agentes econômicos sujeitos a mais de uma regulação setorial, desde que sejam 
previamente aprovados pelos setores regulados, após consulta formal. 
II. Os atos normativos conjuntos deverão conter regras sobre a fiscalização de sua 
execução e prever mecanismos de solução de controvérsias decorrentes de sua 
aplicação, podendo admitir uma solução mediante mediação, nos termos da Lei nº 
13.140/2015 (Lei da Mediação), ou mediante arbitragem, feita por uma comissão 
integrada, entre outros, por representantes de todas as agências reguladoras envolvidas. 
III. As agências reguladoras poderão articular-se com os órgãos de defesa do meio 
ambiente mediante a celebração de convênios e acordos de cooperação, visando ao 
intercâmbio de informações, à padronização de exigências e procedimentos, à 
celeridade na emissão de licenças ambientais e à maior eficiência nos processos de 
fiscalização. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III apenas. 
(D) II e III apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 5,5,6 e 14 de Direito Administrativo na turma ENAM 
II 2024, a partir da página 19. A Lei 13.848/19 que trata das Agências Reguladoras 
Federais foi abordado na 22ª Remessa de Circuito Legislativo. 
A “articulação entre agências reguladoras” é disciplinada pelos arts. 29 e 30 da Lei 
Federal nº 13.848/2019. Além disso, nos arts. 31-33 da Lei, consta a chamada 
“articulação das agências reguladoras com os órgãos de defesa do consumidor e do meio 
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=((%27AIRMS%27.clas.+e+@num=%2762007%27)+ou+(%27AgInt%20no%20RMS%27+adj+%2762007%27.suce.))&thesaurus=JURIDICO&fr=veja37 
ambiente”. Por fim, os arts. 34-35 trazem a “interação operacional entre agências 
reguladoras federais e agências reguladoras ou os órgãos de regulação estaduais, 
distritais e municipais”. Vejamos: 
CAPÍTULO IV 
DA ARTICULAÇÃO ENTRE AGÊNCIAS REGULADORAS 
Art. 29. No exercício de suas competências definidas em lei, duas 
ou mais agências reguladoras poderão editar atos normativos 
conjuntos dispondo sobre matéria cuja disciplina envolva 
agentes econômicos sujeitos a mais de uma regulação setorial. 
§ 1º Os atos normativos conjuntos deverão ser aprovados pelo 
conselho diretor ou pela diretoria colegiada de cada agência 
reguladora envolvida, por procedimento idêntico ao de 
aprovação de ato normativo isolado, observando-se em cada 
agência as normas aplicáveis ao exercício da competência 
normativa previstas no respectivo regimento interno. 
§ 2º Os atos normativos conjuntos deverão conter regras sobre 
a fiscalização de sua execução e prever mecanismos de solução 
de controvérsias decorrentes de sua aplicação, podendo admitir 
solução mediante mediação, nos termos da Lei nº 13.140, de 26 
de junho de 2015 (Lei da Mediação), ou mediante arbitragem 
por comissão integrada, entre outros, por representantes de 
todas as agências reguladoras envolvidas. 
Art. 30. As agências reguladoras poderão constituir comitês 
para o intercâmbio de experiências e informações entre si ou 
com os órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da 
Concorrência (SBDC), visando a estabelecer orientações e 
procedimentos comuns para o exercício da regulação nas 
respectivas áreas e setores e a permitir a consulta recíproca 
quando da edição de normas que impliquem mudanças nas 
condições dos setores regulados. 
CAPÍTULO V 
DA ARTICULAÇÃO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS COM OS 
ÓRGÃOS DE DEFESA DO CONSUMIDOR E DO MEIO AMBIENTE 
Art. 31. No exercício de suas atribuições, e em articulação com 
o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) e com o 
órgão de defesa do consumidor do Ministério da Justiça e 
Segurança Pública, incumbe às agências reguladoras zelar pelo 
cumprimento da legislação de defesa do consumidor, 
monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos 
agentes do setor regulado. 
§ 1º As agências reguladoras poderão articular-se com os órgãos 
e as entidades integrantes do SNDC, visando à eficácia da 
proteção e defesa do consumidor e do usuário de serviço público 
no âmbito das respectivas esferas de atuação. 
 
38 
§ 2º As agências reguladoras poderão firmar convênios e 
acordos de cooperação com os órgãos e as entidades 
integrantes do SNDC para colaboração mútua, sendo vedada a 
delegação de competências que tenham sido a elas atribuídas 
por lei específica de proteção e defesa do consumidor no âmbito 
do setor regulado. 
Art. 32. Para o cumprimento do disposto nesta Lei, as agências 
reguladoras são autorizadas a celebrar, com força de título 
executivo extrajudicial, termo de ajustamento de conduta com 
pessoas físicas ou jurídicas sujeitas a sua competência 
regulatória, aplicando-se os requisitos do art. 4º-A da Lei nº 
9.469, de 10 de julho de 1997. 
§ 1º Enquanto perdurar a vigência do correspondente termo de 
ajustamento de conduta, ficará suspensa, em relação aos fatos 
que deram causa a sua celebração, a aplicação de sanções 
administrativas de competência da agência reguladora à pessoa 
física ou jurídica que o houver firmado. 
§ 2º A agência reguladora deverá ser comunicada quando da 
celebração do termo de ajustamento de conduta a que se refere 
o § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, caso o 
termo tenha por objeto matéria de natureza regulatória de sua 
competência. 
Art. 33. As agências reguladoras poderão articular-se com os 
órgãos de defesa do meio ambiente mediante a celebração de 
convênios e acordos de cooperação, visando ao intercâmbio de 
informações, à padronização de exigências e procedimentos, à 
celeridade na emissão de licenças ambientais e à maior 
eficiência nos processos de fiscalização. 
CAPÍTULO VI 
DA INTERAÇÃO OPERACIONAL ENTRE AS AGÊNCIAS 
REGULADORAS FEDERAIS E AS AGÊNCIAS REGULADORAS OU OS 
ÓRGÃOS DE REGULAÇÃO ESTADUAIS, DISTRITAIS E MUNICIPAIS 
Art. 34. As agências reguladoras de que trata esta Lei poderão 
promover a articulação de suas atividades com as de agências 
reguladoras ou órgãos de regulação dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de competência, 
implementando, a seu critério e mediante acordo de 
cooperação, a descentralização de suas atividades fiscalizatórias, 
sancionatórias e arbitrais, exceto quanto a atividades do Sistema 
Único de Saúde (SUS), que observarão o disposto em legislação 
própria. 
§ 1º É vedada a delegação de competências normativas. 
§ 2º A descentralização de que trata o caput será instituída 
desde que a agência reguladora ou o órgão de regulação da 
 
39 
unidade federativa interessada possua serviços técnicos e 
administrativos competentes devidamente organizados e 
aparelhados para a execução das respectivas atividades, 
conforme condições estabelecidas em regimento interno da 
agência reguladora federal. 
§ 3º A execução, por agência reguladora ou órgão de regulação 
estadual, distrital ou municipal, das atividades delegadas será 
permanentemente acompanhada e avaliada pela agência 
reguladora federal, nos termos do respectivo acordo. 
§ 4º Na execução das atividades de fiscalização objeto de 
delegação, a agência reguladora ou o órgão regulador estadual, 
distrital ou municipal que receber a delegação observará as 
normas legais e regulamentares federais pertinentes. 
§ 5º É vedado à agência reguladora ou ao órgão regulador 
estadual, distrital ou municipal conveniado, no exercício de 
competência fiscalizatória delegada, exigir de concessionária ou 
permissionária obrigação não prevista previamente em 
contrato. 
§ 6º Além do disposto no § 2º deste artigo, a delegação de 
competências fiscalizatórias, sancionatórias e arbitrais somente 
poderá ser efetivada em favor de agência reguladora ou órgão 
de regulação estadual, distrital ou municipal que gozar de 
autonomia assegurada por regime jurídico compatível com o 
disposto nesta Lei. 
§ 7º Havendo delegação de competência, a agência reguladora 
delegante permanecerá como instância superior e recursal das 
decisões tomadas no exercício da competência delegada. 
Art. 35. No caso da descentralização prevista no caput do art. 34, 
parte da receita arrecadada pela agência reguladora federal 
poderá ser repassada à agência reguladora ou ao órgão de 
regulação estadual, distrital ou municipal, para custeio de seus 
serviços, na forma do respectivo acordo de cooperação. 
Parágrafo único. O repasse referido no caput deste artigo deverá 
ser compatível com os custos da agência reguladora ou do órgão 
de regulação local para realizar as atividades delegadas. 
_______________________________________________________________________ 
21. Sobre o regime constitucional dos agentes públicos e a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, assinale a afirmativa incorreta. 
(A) É constitucional a fixação de tempo de serviço público em um determinado ente 
federativo como critério de desempate em concursos públicos. 
(B) Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de um candidato a cargo 
público. 
 
40 
(C) Os cargos, os empregos e as funções públicas são acessíveis aos brasileiros que 
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma 
da lei. 
(D) O membro de poder público, o detentor de mandato eletivo, os ministros de Estado 
e os secretários estaduais e municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio 
fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, 
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em 
qualquer caso, o disposto no Art. 37, incisos X e XI, da Constituição Federal de 1988. 
(E) É vedada a incorporação de vantagens de caráter temporárioou vinculadas ao 
exercício de função de confiança ou de cargo em comissão à remuneração do cargo 
efetivo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 13,15,16 e 17 de Direito Administrativo na turma 
ENAM II 2024, a partir da página 18. A alternativa B trata-se da Súmula Vinculante 44 
encontrada na página 24 do mesmo material. A alternativa C pode ser encontrada 
também na página 24, trata-se da literalidade do art. 37 da CF. A alternativa D foi 
abordada na página 40 do mesmo material. 
 
(A) INCORRETA. STF - ADI: 5358 PA 8622294-44.2015.1.00.0000, Relator: ROBERTO 
BARROSO, Data de Julgamento: 30/11/2020, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 
15/12/2020: 
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. CONCURSO PÚBLICO. LEI ESTADUAL 
QUE FIXA CRITÉRIO DE DESEMPATE. 
1. Trata-se de Ação Direta de Inconstitucionalidade que impugna 
norma estadual que define, como critério de desempate em 
concurso público, a preferência ao servidor do Estado e, 
persistindo o empate, àquele que contar com maior tempo de 
serviço ao Estado. 
2. Critério que se revela ilegítimo, pois não assegura a seleção do 
candidato mais capacitado ou experiente, já que favorece o 
servidor estadual, em detrimento de servidores federais, 
municipais e de trabalhadores da iniciativa privada que tenham 
tempo superior de exercício profissional, e ademais 
desvinculado das aptidões necessárias ao cargo a ser provido. 
3. Violação dos princípios constitucionais da isonomia e da 
impessoalidade. Afronta ao disposto no art. 19, III, da CF/88, que 
 
41 
veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
a criação de distinções entre brasileiros ou preferências entre si. 
4. Cautelar confirmada e pedido julgado procedente, para 
declarar a inconstitucionalidade do art. 10, §§ 1º e 2º, da Lei nº 
5.810/1994, do Estado do Pará. Fixada a seguinte tese: “É 
inconstitucional a fixação de critério de desempate em 
concursos públicos que favoreça candidatos que pertencem ao 
serviço público de um determinado ente federativo”. 
(B) CORRETA. Súmula Vinculante 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a 
habilitação de candidato a cargo público. 
(C) CORRETA. 
Art. 37, caput, I, CF/88: I - os cargos, empregos e funções 
públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os 
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na 
forma da lei; 
(D) CORRETA. O subsídio é forma de remuneração fixada em parcela única, vedado o 
acréscimo de outras vantagens pecuniárias (gratificação, adicional, abono, prêmio, 
verba de representação etc.). O regime é obrigatório para algumas carreiras delimitadas 
na Constituição e de adoção facultativa para os agentes organizados em carreira 
(escalonamento hierarquizado de cargos). Devem adotar obrigatoriamente o regime de 
subsídio: 
- Membro de Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), o detentor de mandato eletivo, 
os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais (art. 39, § 4º, da CF/88); 
- Membros dos Tribunais de Contas (art. 73, § 3º, da CF/88); 
- Membros do Ministério Público (art. 128, § 5º, da CF/88); 
- Membros da Advocacia Pública (art. 135 da CF/88); 
- Defensores Públicos (art. 135 da CF/88); 
- Carreiras Policiais (art. 144, § 9º da CF/88). 
(E) CORRETA. A EC 103/2019 inseriu o § 9º no art. 39 da CF/88 estabelecendo ser 
“vedada a incorporação de vantagens de caráter temporário ou vinculadas ao exercício 
de função de confiança ou de cargo em comissão à remuneração do cargo efetivo”. De 
acordo com o art. 13 da EC 103/2019, a nova regra não se aplica a parcelas 
remuneratórias decorrentes de incorporação de vantagens de caráter temporário ou 
vinculadas ao exercício de função de confiança ou de cargo em comissão efetivada até 
a data de entrada da emenda. 
_______________________________________________________________________ 
22. O Ministério Público ajuizou, em 2022, ação de improbidade em face de João, de 
Pedro e de Inácio, pela conduta praticada em 2020 de, dolosamente, “conceder benefício 
administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares 
aplicáveis à espécie”. Realizado o pedido de indisponibilidade de bens na petição inicial, 
o juiz deferiu a medida, entendendo ser desnecessária a comprovação de que os réus 
estavam dilapidando seu patrimônio. 
 
42 
Acerca da indisponibilidade de bens na ação de improbidade, com base na lei e no 
entendimento do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) A Lei de Improbidade Administrativa, com as alterações da Lei nº 14.320/2021, 
autorizou a constrição em valores desiguais entre os réus, desde que o somatório não 
ultrapasse o montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como 
enriquecimento ilícito. 
(B) A Lei de Improbidade Administrativa prevê expressamente que a decisão cautelar de 
indisponibilidade de bens ocorrerá no limite da participação e dos benefícios diretos, 
vedada qualquer solidariedade. 
(C) A indisponibilidade pode ser decretada em qualquer hipótese de ato de improbidade 
e deve abranger o pagamento da multa civil. 
(D) Em razão da natureza do ato, é possível que a medida de indisponibilidade recaia, 
em qualquer hipótese, sobre bem de família e sobre aplicações financeiras, inclusive em 
montante inferior a 40 salários mínimos. 
(E) A Lei nº 14.230/2021 positivou o entendimento anterior do STJ no sentido de ser 
desnecessária a comprovação de atos de dilapidação do patrimônio para a decretação 
da medida de indisponibilidade de bens. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. 
O assunto foi estudado nos pontos 18 a 21 de Direito Administrativo na turma ENAM II 
2024. 
(A) (IN)CORRETA. Isso não está expresso exatamente expresso na disciplina da medida 
de indisponibilidade dada pelo art. 16 da Lei Federal n.º 8.429/1992 (com redação dada 
pela Lei Federal n.º 14.230/2021). 
Com efeito, o § 5º do art. 16 estabelece apenas o limite global da indisponibilidade, no 
montante indicado na petição inicial como dano ao erário ou como enriquecimento 
ilícito: “Se houver mais de um réu na ação, a somatória dos valores declarados 
indisponíveis não poderá superar o montante indicado na petição inicial como dano ao 
erário ou como enriquecimento ilícito”. Não é dito, efetivamente, que os corréus 
poderão sofrer a medida de indisponibilidade em valores distintos. 
Trata-se, entretanto, de entendimento perfilhado pela doutrina majoritária, nela 
despontando o professor Marçal Justen Filho, para quem, de acordo com a sistemática 
introduzida pela Lei 14.230/2021, a medida de indisponibilidade de bens, se decretada 
(observados os requisitos legais), deve não apenas observar o limite relativo ao valor do 
dano indicado na petição inicial (art. 16, §5º), mas também o limite da participação do 
réu, considerando as condutas de forma individualizada (art. 17, §6º, I). 
 
43 
TODAVIA, ressalve-se que, em sentido contrário ao texto do § 5º do art. 16 da LIA, a 1ª 
Seção do STJ, no julgamento dos REsp’s n.ºs 1.955.116/AM, 1.955.300/DF, 
1.955.440/DF, 1.955.957/MG (Tema 1.213), ocorrido em 22/05/2024, concluiu que 
“"Para fins de indisponibilidade de bens, há solidariedade entre os corréus da ação de 
improbidade administrativa, de modo que a constrição deve recair sobre os bens de 
todos eles, sem divisão em cota parte, limitando-se o somatório da medida ao quantum 
determinado pelo juiz, sendo defeso que o bloqueio corresponda ao débito total em 
relação a cada um.". 
(B) INCORRETA. Essa previsão se refere à sentença condenatória, estando no art. 17-C, 
§ 2º: “Na hipótese de litisconsórcio passivo, a condenação ocorrerá no limite da 
participação e dos benefícios diretos, vedada qualquer solidariedade”. 
(C) INCORRETA. De acordo como art. 16, caput, da LIA, o pedido de indisponibilidade 
de bens dos réus se destina a garantir a integral recomposição do erário ou do acréscimo 
patrimonial resultante de enriquecimento ilícito. Não é mais possível, pois, no caso de 
violação a princípios da administração pública. 
(D) INCORRETA. 
Art. 16, § 10. “A indisponibilidade recairá sobre bens que 
assegurem exclusivamente o integral ressarcimento do dano ao 
erário, sem incidir sobre os valores a serem eventualmente 
aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial 
decorrente de atividade lícita”. 
(E) INCORRETA. 
Art. 16, § 3º. “O pedido de indisponibilidade de bens a que se 
refere o caput deste artigo apenas será deferido mediante a 
demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável 
ou de risco ao resultado útil do processo, desde que o juiz se 
convença da probabilidade da ocorrência dos atos descritos na 
petição inicial com fundamento nos respectivos elementos de 
instrução, após a oitiva do réu em 5 (cinco) dias”. 
_______________________________________________________________________ 
23. A Lei nº 14.210/2021 inseriu o Art. 49-A na Lei nº 9.784/1999 para tratar da decisão 
coordenada, entendida como a instância de natureza interinstitucional ou intersetorial 
que atua de forma compartilhada, com a finalidade de simplificar o processo 
administrativo, mediante a participação concomitante de todas as autoridades, de todos 
os agentes decisórios e dos responsáveis pela instrução técnico-jurídica, observadas a 
natureza do objeto e a compatibilidade do procedimento e de sua formalização com a 
legislação pertinente. 
Sobre o tema, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) A decisão coordenada exclui a responsabilidade originária de cada órgão ou 
autoridade envolvida. 
(B) A decisão coordenada obedecerá aos princípios da legalidade, da eficiência, da 
transparência, do formalismo e da descentralização das instâncias decisórias. 
 
44 
(C) A fim de conferir maior eficiência à Administração, é possível a utilização da decisão 
coordenada nos processos de licitação. 
(D) No âmbito da Administração Pública Federal, as decisões administrativas que exijam 
a participação de três ou mais setores, órgãos ou entidades poderão ser tomadas 
mediante decisão coordenada, sempre que for justificável pela relevância da matéria ou 
houver discordância que prejudique a celeridade do processo administrativo decisório. 
(E) Apesar da ausência de previsão legal, a doutrina defende que as organizações e 
associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos, poderão 
habilitar-se a participar da decisão coordenada, na qualidade de ouvintes. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado na 6ª Remessa de Circuitos Legislativos na turma ENAM II 
2024. 
A decisão coordenada consta do art. 49-A da Lei Federal nº 9.784/1999, incluído pela Lei 
Federal nº 14.210/2021: 
DA DECISÃO COORDENADA 
 
Art. 49-A. No âmbito da Administração Pública federal, as 
decisões administrativas que exijam a participação de 3 (três) 
ou mais setores, órgãos ou entidades poderão ser tomadas 
mediante decisão coordenada, sempre que: 
I - for justificável pela relevância da matéria; e 
II - houver discordância que prejudique a celeridade do processo 
administrativo decisório. 
§ 1º Para os fins desta Lei, considera-se decisão coordenada a 
instância de natureza interinstitucional ou intersetorial que atua 
de forma compartilhada com a finalidade de simplificar o 
processo administrativo mediante participação concomitante de 
todas as autoridades e agentes decisórios e dos responsáveis 
pela instrução técnico-jurídica, observada a natureza do objeto 
e a compatibilidade do procedimento e de sua formalização com 
a legislação pertinente. 
§ 4º A decisão coordenada não exclui a responsabilidade 
originária de cada órgão ou autoridade envolvida. 
§ 5º A decisão coordenada obedecerá aos princípios da 
legalidade, da eficiência e da transparência, com utilização, 
sempre que necessário, da simplificação do procedimento e da 
concentração das instâncias decisórias. 
§ 6º Não se aplica a decisão coordenada aos processos 
administrativos: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49a
 
45 
I - de licitação; 
II - relacionados ao poder sancionador; ou 
III - em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. 
 
Art. 49-B. Poderão habilitar-se a participar da decisão 
coordenada, na qualidade de ouvintes, os interessados de que 
trata o art. 9º desta Lei. 
Parágrafo único. A participação na reunião, que poderá incluir 
direito a voz, será deferida por decisão irrecorrível da autoridade 
responsável pela convocação da decisão coordenada. 
 
Art. 49-D. Os participantes da decisão coordenada deverão ser 
intimados na forma do art. 26 desta Lei. 
 
Art. 49-E. Cada órgão ou entidade participante é responsável 
pela elaboração de documento específico sobre o tema atinente 
à respectiva competência, a fim de subsidiar os trabalhos e 
integrar o processo da decisão coordenada. 
Parágrafo único. O documento previsto no caput deste artigo 
abordará a questão objeto da decisão coordenada e eventuais 
precedentes. 
 
Art. 49-F. Eventual dissenso na solução do objeto da decisão 
coordenada deverá ser manifestado durante as reuniões, de 
forma fundamentada, acompanhado das propostas de solução e 
de alteração necessárias para a resolução da questão. 
Parágrafo único. Não poderá ser arguida matéria estranha ao 
objeto da convocação. 
 
Art. 49-G. A conclusão dos trabalhos da decisão coordenada será 
consolidada em ata, que conterá as seguintes informações: 
I - relato sobre os itens da pauta; 
II - síntese dos fundamentos aduzidos; 
III - síntese das teses pertinentes ao objeto da convocação; 
IV - registro das orientações, das diretrizes, das soluções ou das 
propostas de atos governamentais relativos ao objeto da 
convocação; 
V - posicionamento dos participantes para subsidiar futura 
atuação governamental em matéria idêntica ou similar; e 
VI - decisão de cada órgão ou entidade relativa à matéria sujeita 
à sua competência. 
§ 1º Até a assinatura da ata, poderá ser complementada a 
fundamentação da decisão da autoridade ou do agente a 
respeito de matéria de competência do órgão ou da entidade 
representada. 
§ 2º (VETADO). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49b
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49d
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49e
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49f
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9784.htm#art49g
 
46 
§ 3º A ata será publicada por extrato no Diário Oficial da União, 
do qual deverão constar, além do registro referido no inciso IV 
do caput deste artigo, os dados identificadores da decisão 
coordenada e o órgão e o local em que se encontra a ata em seu 
inteiro teor, para conhecimento dos interessados.” 
_______________________________________________________________________ 
24. Uma associação privada ajuizou ação civil pública que questionava o patrocínio dado 
à Procissão do Fogaréu pelo Estado Alfa, alegando que o uso dos recursos públicos para 
o evento não atendia ao interesse público. O Estado defendeu o patrocínio, por meio de 
sua Procuradoria, argumentando que a Procissão do Fogaréu é patrimônio imaterial da 
comunidade e promove um importante evento em seu calendário cultural, atraindo 
milhares de turistas. Comprovou tais argumentos pela juntada de diversos documentos 
relativos à ocupação da rede hoteleira e à arrecadação tributária. Encerrada a fase 
instrutória, os autos eletrônicos foram remetidos à conclusão para sentença. 
Considerando o disposto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), 
assinale a afirmativa incorreta. 
(A) De acordo com a LINDB, se o controle judicial de atos do Poder Público se 
fundamentar em valores jurídicos abstratos, impõe-seao Poder Judiciário considerar as 
consequências práticas da decisão. 
(B) A LINDB introduz um dever de justificação qualificada sobre a proporcionalidade do 
controle judicial da validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, 
sendo necessário demonstrar a adequação e necessidade da medida, inclusive em face 
das possíveis alternativas. 
(C) A noção de interesse público é vaga, indeterminada, não possuindo, por si só, 
densidade suficiente para embasar, de maneira consistente, eventual decisão favorável 
à associação privada. 
(D) O controle judicial do contrato de patrocínio deve se ater exclusivamente aos seus 
aspectos formais, sendo vedado ao Poder Judiciário considerar as possíveis 
consequências práticas de suas decisões. 
(E) Na indicação das consequências práticas da decisão, o Poder Judiciário apresentará 
apenas aquelas consequências práticas que, no exercício diligente de sua atuação, 
consiga vislumbrar diante dos fatos e fundamentos de mérito e jurídicos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi abordado na 3ª Remessa do Circuito Legislativo de Constitucional, Civil, 
Penal e Processo Civil na turma ENAM II 2024. 
(A) CORRETA. 
 
47 
Art. 20, caput, LINDB. “Nas esferas administrativa, controladora 
e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos 
abstratos sem que sejam consideradas as consequências 
práticas da decisão.” 
(B) CORRETA. 
Art. 20, par. único, LINDB: “A motivação demonstrará a 
necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação 
de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, 
inclusive em face das possíveis alternativas.” 
(C) CORRETA. A Lei Federal nº 13.655/2018 introduziu na LINDB os princípios 
estruturantes do primado da realidade e do consequencialismo. 
(D) INCORRETA. Art. 20, caput, LINDB. 
(E) CORRETA. O Judiciário continua vinculado aos limites objetivos da demanda. 
_______________________________________________________________________ 
25. A diretoria de administração de um Tribunal de Justiça está executando um projeto 
de criação de um painel gerencial (dashboard) para apresentar as atividades 
desenvolvidas pelas serventias judiciais. O painel agregará dados anonimizados 
relacionados ao acervo cartorário, à estrutura, à força de trabalho e aos custos de todas 
as serventias do Tribunal. A liderança do projeto defende que o painel permitirá a 
supervisão das atividades das serventias judiciais e subsidiará a tomada de decisão pela 
Presidência do Tribunal de Justiça. 
Uma entidade privada, constituída para a defesa de interesses individuais e coletivos, 
tomou conhecimento da medida e decidiu impetrar mandado de segurança, 
sustentando a incompatibilidade do tratamento de dados com a Lei Geral de Proteção 
de Dados (Lei nº 13.709/2018). 
Nesse caso, assinale a opção que indica a base legal para o tratamento dos dados 
mencionados. 
(A) Legítimo interesse. 
(B) Realização de estudos por órgão de pesquisa. 
(C) Tratamento e uso compartilhado de dados necessários para a execução de políticas 
públicas. 
(D) Execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato. 
(E) Consentimento. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
48 
O assunto foi abordado na 2ª Remessa do Circuito Legislativo de Direitos Humanos e 
Humanística na turma ENAM II 2024. 
Art. 7º, III, da Lei Federal nº 13.709/2018 – LGPD: 
Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser 
realizado nas seguintes hipóteses: 
I - mediante o fornecimento de consentimento pelo titular; 
II - para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo 
controlador; 
III - pela administração pública, para o tratamento e uso 
compartilhado de dados necessários à execução de políticas 
públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em 
contratos, convênios ou instrumentos congêneres, observadas 
as disposições do Capítulo IV desta Lei; 
IV - para a realização de estudos por órgão de pesquisa, 
garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados 
pessoais; 
V - quando necessário para a execução de contrato ou de 
procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual 
seja parte o titular, a pedido do titular dos dados; 
VI - para o exercício regular de direitos em processo judicial, 
administrativo ou arbitral, esse último nos termos da Lei nº 
9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem) ; 
VII - para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular 
ou de terceiro; 
VIII - para a tutela da saúde, em procedimento realizado por 
profissionais da área da saúde ou por entidades sanitárias; 
VIII - para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento 
realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou 
autoridade sanitária; 
IX - quando necessário para atender aos interesses legítimos do 
controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem 
direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a 
proteção dos dados pessoais; ou 
X - para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na 
legislação pertinente. 
_______________________________________________________________________ 
26. Após uma série de atos de vandalismo, a prefeitura de Gama decidiu instalar câmeras 
de vigilância em praças públicas. Entidades privadas de defesa dos direitos civis 
contestaram a medida, argumentando que a vigilância constante pode inibir a liberdade 
de expressão e de reunião, violando direitos fundamentais garantidos pela Constituição 
Federal de 1988. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9307.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9307.htm
 
49 
Em resposta, a prefeitura justificou a medida como adequada, necessária e proporcional 
para proteger o patrimônio público e contribuir para a segurança das pessoas que 
utilizam os equipamentos públicos. Essa medida pode representar uma possível tensão 
entre o exercício das funções administrativas de interesse público e o respeito aos 
direitos e às garantias fundamentais. 
Considerando os princípios constitucionais da atividade administrativa, analise as 
afirmativas a seguir. 
I. Atualmente, o princípio da legalidade no Direito Administrativo é compreendido como 
norma que vincula a atuação administrativa não apenas à lei, mas também ao Direito ou 
ao chamado bloco de constitucionalidade. 
II. Os direitos à vida privada e à intimidade podem ser limitados em situações de 
interesse público, desde que a medida seja adequada, necessária e proporcional ao fim 
almejado pela Administração Pública. 
III. O princípio da proporcionalidade no Direito Administrativo exige que, na atuação 
estatal, as medidas adotadas sejam adequadas e necessárias, mas no teste de 
proporcionalidade em sentido estrito vence a supremacia do interesse público. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 1 a 3 – Conforme edital do ENAM de Direito 
Administrativo e nos pontos 1 a 5 (parte 1) de Direito Constitucional na turma ENAM II 
2024. 
I. CORRETO. Numa perspectiva neoconstitucionalista e pós-positivista, o princípio da 
legalidade é compreendido como princípio da juridicidade, abrangente do Direito como 
um todo, seus princípios e valores albergados pela Constituição. Entretanto, não se trata 
apenas da Constituição em sentido formal, o texto positivado da CF/88, afinal de contas, 
reconhece-se também o chamado “bloco de constitucionalidade”, falando-se também 
numa Constituição em sentido material, para além o texto formal da CF/88. É o que 
enuncia o § 2º do art. 5º da CF/88, que prevê, além dos direitos e garantias expressos na 
Lei Maior Brasileira, outros decorrentes doregime e dos princípios por ela adotados, 
bem como os tratados internacionais de que a República Federativa do Brasil seja parte. 
 
50 
A noção de bloco de constitucionalidade surgiu numa decisão do Conselho 
Constitucional da França, em 16/07/1971, que incluiu em seu texto a Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão de 1979 e o preâmbulo da Constituição anterior. 
II. CORRETO. Pura aplicação do princípio da cedência recíproca, concordância prática ou 
harmonização, segundo o qual inexiste hierarquia entre os direitos fundamentais, que 
devem prevalecer, um em detrimento do outro, sempre no plano concreto e a partir de 
um juízo de razoabilidade. 
III. INCORRETO. O postulado da proporcionalidade se desdobra, igualmente no Direito 
Administrativo, no trinômio necessidade, adequação e proporcionalidade em sentido 
estrito. A supremacia do interesse público está em constante conflito com os direitos e 
garantias fundamentais, numa solução alcançada in concreto e sob um juízo de 
razoabilidade. 
_______________________________________________________________________ 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 
 
27. Considerando as resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que tratam das 
inovações tecnológicas na atividade jurisdicional e a Política de Gestão da Inovação no 
âmbito do Poder Judiciário, trazida pela Resolução nº 395, de 7 de junho de 2021, do 
CNJ, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Um dos princípios da gestão de inovação no Poder Judiciário é o da participação, 
segundo o qual é estimulada a participação de magistrados na construção das soluções 
de inovação do Poder Judiciário, para que as políticas judiciárias sejam pensadas a partir 
do ponto de vista dos executores dessas estratégias. 
(B) Inovação no Poder Judiciário consiste na implementação de ideias que criam uma 
forma de atuação e geram valor para o Poder Judiciário, seja por meio de novos 
produtos, serviços, processos de trabalho, ou uma maneira diferente e eficaz de 
solucionar problemas complexos encontrados no desenvolvimento das atividades que 
lhe são afetas. 
(C) A gestão de inovação no Poder Judiciário deve contar com o desenvolvimento de 
habilidades tradicionais dos magistrados, como a redação de sentenças e decisões 
jurídicas, considerando que as novas tecnologias da informação e comunicação suprem 
a atuação do magistrado nas atividades gerenciais mais complexas, que demandam 
flexibilidade cognitiva. 
(D) A transparência na gestão da inovação do Poder Judiciário consiste no acesso pleno 
à informação e aos dados produzidos pelo Poder Judiciário e deve ser reforçada, motivo 
pelo qual não deve ceder ante as hipóteses de restrição legal e de proteção de dados 
pessoais. 
(E) A cultura da inovação consiste na adoção de valores voltados ao desenvolvimento de 
soluções disruptivas, que tenham por finalidade facilitar a atuação dos integrantes do 
Poder Judiciário com foco na saúde de magistrados e servidores. 
_______________________________________________________________________ 
 
51 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no ponto 7 de Humanística na turma ENAM II 2024. 
Art. 3o São princípios da gestão de inovação no Poder Judiciário: 
I – cultura da inovação: promoção da cultura da inovação a 
partir da adoção de valores voltados ao estímulo da inovação 
incremental ou disruptiva, com prospecção e desenvolvimento 
de procedimentos que qualifiquem o acesso à justiça e 
promovam a excelência do serviço judicial, processual ou 
administrativo, com vistas a propiciar melhor atendimento ao 
usuário do Poder Judiciário; 
II – foco no(a) usuário(a): observância, sempre que possível, da 
construção de solução de problemas a partir dos valores da 
inovação consistentes na concepção do(a) usuário(a) como eixo 
central da gestão; (redação dada pela Resolução n. 521, de 
18.9.2023); 
III – participação: promoção da ampla participação de 
magistrados(as) e servidores(as), bem como de atores externos 
ao Poder Judiciário, sempre buscando a visão 
multidisciplinar; (redação dada pela Resolução n. 521, de 
18.9.2023); 
IV – colaboração: trabalho em rede de inovação para a 
coordenação de esforços, cocriação, criatividade, 
experimentação e o compartilhamento de boas práticas; 
V – desenvolvimento humano: desenvolvimento de novas 
habilidades de magistrados(as) e servidores(as) que lhes 
permitam adquirir conhecimentos necessários às novas 
competências para solução de problemas complexos, 
pensamento crítico, flexibilidade cognitiva, orientada a serviços 
e criatividade; (redação dada pela Resolução n. 521, de 
18.9.2023); 
VI – acessibilidade: fomento à acessibilidade e à inclusão; 
VII – sustentabilidade socioambiental: promoção da 
sustentabilidade socioambiental; 
VIII – desenvolvimento sustentável: desenvolvimento 
econômico-social com a preservação da qualidade do meio 
ambiente e do equilíbrio ecológico, alinhado aos Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030; 
IX – desburocratização: aprimoramento e simplificação de 
tarefas, procedimentos ou processos de trabalho, de modo a 
promover agilidade, otimização de recursos e ganho de 
eficiência à prestação de serviços; e 
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/5261
 
52 
X – transparência: acesso à informação e aos dados produzidos 
pelo Poder Judiciário, respeitadas as hipóteses de restrição e de 
sigilo legal e a proteção de dados pessoais. 
_______________________________________________________________________ 
28. Camila, pessoa com deficiência visual, acaba de completar 7 anos e ingressará no 
ensino fundamental. Seus pais, ao iniciarem o processo de matrícula da filha em uma 
instituição regular privada de ensino fundamental, foram informados pela diretoria de 
que o valor da mensalidade sofreria acréscimo em razão das condutas e medidas de 
apoio que seriam tomadas de forma individualizada em relação à Camila para que 
“conseguisse desenvolver-se bem acadêmica e socialmente”. 
Diante da situação relatada, baseando-se no direito da antidiscriminação, em normas de 
proteção às pessoas com deficiência, na Constituição Federal de 1988 e na 
jurisprudência do STF, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Como não houve negativa direta da matrícula de Camila, o ato praticado pela escola, 
de aumentar o valor da mensalidade, não pode ser considerado discriminatório, pois 
não feriu o princípio da efetiva participação e inclusão na sociedade da pessoa com 
deficiência. 
(B) Os pais de Camila têm o dever legal de matriculá-la em uma instituição de ensino 
especializada em pessoas com deficiência, considerando as peculiaridades da criança 
como pessoa em desenvolvimento e a prioridade do atendimento aos seus interesses 
como tal. 
(C) É permitida, às instituições de ensino privadas, a cobrança de valores adicionais em 
suas mensalidades, anuidades e matrículas desde que haja a comprovação do uso desses 
recursos financeiros para uma assistência individualizada da aluna com deficiência em 
sala de aula. 
(D) Camila sofreu discriminação de natureza institucional, pois a prática ocorreu no 
âmbito de uma instituição privada, de forma indireta, mas promovendo a exclusão de 
uma pessoa com deficiência. 
(E) O ato praticado pela diretora da instituição de ensino não gera a possibilidade de 
ajuizamento de ação de obrigação de fazer para que a matrícula de Camila seja realizada 
sem qualquer custo adicional, tampouco caracteriza danos morais, pois a legislação 
vigente prevê que incumbe ao Poder Público assegurar um sistema educacional inclusivo 
sem mencionar tratar-se de um dever das instituições privadas de ensino. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no ponto 9 de Humanísticana turma ENAM II 2024, página 37 
 
53 
A Lei nº 13.146/2015 tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com 
Deficiência (Convenção de Nova York) e seu Protocolo Facultativo. A Convenção foi 
assinada em 30/03/2007, aprovada no Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo 186, 
de 31/08/2008 (data em que entrou em vigor para o Brasil no plano jurídico externo) e 
promulgada pelo Presidente da República pelo Decreto 6.949, de 25/08/2009 (data de 
início de sua vigência no plano interno). Vale ressaltar que a Convenção sobre os Direitos 
das Pessoas com Deficiência possui status de emenda constitucional em nosso país, 
considerando que se trata de convenção internacional sobre direitos humanos que foi 
aprovada, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos 
votos dos respectivos membros, conforme previsto no § 3º do art. 5º da CF/88. O art. 
24 da Convenção reconhece o direito à educação como isento de discriminação e 
determina que os Estados signatários assegurem sistema educacional inclusivo em 
todos os níveis, de maneira que as pessoas com deficiência não poderão ser excluídas 
do sistema educacional geral sob alegação de deficiência. Assim, à luz dessa Convenção 
e, por consequência, da própria Constituição (art. 5º, § 3º, da CF/88), o ensino inclusivo 
em todos os níveis é imperativo que se põe mediante regra explícita. 
Desse modo, o Brasil, ao editar a Lei nº 13.146/2015, incluindo os dispositivos 
impugnados, tão somente atendeu a mandamentos constitucionais de proteção à 
pessoa com deficiência, além de cumprir compromissos internacionais assumidos com 
o Decreto nº 6.949/2009. 
O art. 28, caput e § 1º determinam que o Poder Público e as instituições privadas de 
ensino são obrigadas a oferecer às pessoas com deficiência: 
a) sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades e aprendizado ao 
longo de toda a vida; 
b) recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena; 
c) projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, 
assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características 
dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições 
de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; 
d) medidas que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com 
deficiência; 
e) planejamento de estudo de caso, de elaboração de plano de atendimento educacional 
especializado, de organização de recursos e serviços de acessibilidade e de 
disponibilização e usabilidade pedagógica de recursos de tecnologia assistiva; 
f) participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas instâncias 
de atuação da comunidade escolar; 
g) medidas que favoreçam o desenvolvimento dos aspectos linguísticos, culturais, 
vocacionais e profissionais, levando-se em conta o talento, a criatividade, as habilidades 
e os interesses do estudante com deficiência; 
 
54 
h) práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de 
professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional 
especializado; 
i) formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional 
especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de 
profissionais de apoio; 
j) oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia 
assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua 
autonomia e participação; 
k) acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em igualdade de 
oportunidades e condições com as demais pessoas; 
l) inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação 
profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos 
respectivos campos de conhecimento; 
m) acesso, em igualdade de condições, a jogos e a atividades recreativas, esportivas e 
de lazer, no sistema escolar; 
n) acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais 
integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades 
concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino; 
o) profissionais de apoio escolar; 
p) articulação intersetorial na implementação de políticas públicas. 
Seguindo o Supremo Tribunal Federal, são constitucionais o art. 28, § 1º e o art. 30 da 
Lei nº 13.146/2015, que determinam que as escolas privadas ofereçam atendimento 
educacional adequado e inclusivo às pessoas com deficiência sem que possam cobrar 
valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas 
para cumprimento dessa obrigação. STF. Plenário. ADI 5357 MC-Referendo/DF, Rel. Min. 
Edson Fachin, julgado em 9/6/2016 (Info 829). 
_______________________________________________________________________ 
29. Para muitos juristas, o objeto de estudo do Direito são as relações sociais, as quais 
eles denominam de relações jurídicas. Vale dizer, quando a Sociologia elege como objeto 
de estudo o fato social, a ação social, a vida social, a interação social ou a relação social, 
esse interesse também é partilhado por outras ciências, inclusive pela ciência jurídica. 
Há, portanto, muitos pontos de contato entre Sociologia e Direito, fato que ressalta o 
aspecto interdisciplinar dessas duas áreas do conhecimento e justifica, nos seus estudos, 
o interesse de uma área pela outra. 
KÜMPEL, Vitor Frederico et. al. Noções gerais de direito e formação humanística. São 
Paulo: Saraiva, 2012, p. 135. 
Acerca da interação entre Sociologia e Direito, assinale a afirmativa CORRETA. 
 
55 
(A) A aproximação entre Sociologia e Direito traz à lume duas possibilidades de se 
proceder à investigação de um problema jurídico: o enfoque dogmático, que visa ampliar 
as dimensões do fenômeno jurídico, problematizando as próprias normas, e o enfoque 
zetético, que considera que a solução já estaria previamente dada ou pressuposta no 
sistema de normas. 
(B) O controle social, considerado como mecanismo de submissão dos indivíduos a 
determinados padrões sociais estabelecidos, pode ser classificado como formal, que é 
aquele decorrente dos usos, costumes, tradição, opinião pública etc., ou informal, que é 
o controle social que decorre das leis, das polícias e do sistema de justiça. 
(C) Uma das condições sociais que caracterizaram a orientação da Sociologia Jurídica 
para as dimensões normativistas do Direito, ao longo da primeira metade do século XX, 
foram as denominadas lutas sociais, instrumento utilizado por determinados grupos 
para demandar novos direitos sociais, que colocaram em pauta a ideia da igualdade 
material. 
(D) O sociólogo alemão Max Weber desenvolveu a ideia de que a sociedade deveria ser 
vista através dos fatos sociais, os quais exercem poder de coerção externa, criando nas 
pessoas uma espécie de consciência coletiva que vai resultar na noção de direito. 
(E) A Sociologia aplicada ao Direito permite compreender com maior amplitude a função 
das normas jurídicas e sua função reguladora das relações sociais, tendo a coerção como 
instrumento que busca manter os indivíduos submetidos à determinada ordem, sob 
pena de sofrerem a intermediação dos aparelhos judiciários. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Com o desenvolvimento do direito como um saber autônomo — tema posteriormente 
explorado por sociólogos contemporâneos como Niklas Luhmann, com sua teoria dos 
sistemas, e Pierre Bourdieu, com a teoria do campo —, houve um distanciamento entre 
direito e política, possibilitando a concepção do "Estado de direito" como uma 
instituição racional e permanente. Nesse contexto, os juristas tornaram-se figuras 
indispensáveis, enquanto a figura do rei, historicamente, perdeu sua relevância. A 
distinção entre Estado, governo e administração foi se tornando cada vezmais clara, 
como resultado do processo de racionalização do Estado. Atualmente, a Sociologia do 
Direito tem se consolidado como uma especialidade da Sociologia, abordando uma 
ampla gama de questões, tais como: a explicação das decisões dos agentes estatais 
(advogados, juízes, entre outros) com base em sua socialização primária e secundária; a 
autonomização da "razão jurídica" ou do "sistema jurídico"; as complexas relações entre 
direito e política, que não podem ser simplesmente equacionadas, mesmo com a 
crescente politização do direito e a juridicização da política. Também se discute a 
possibilidade de um sujeito político e jurídico que se posicione "fora" e "contra" a razão 
colonizadora europeia, assim como o disciplinamento dos corpos por meio de 
dispositivos jurídicos, científicos, médicos, entre outros. 
 
56 
Como afirmado pela banca examinadora, a função da sociologia aplicada ao direito é 
exatamente esta: aprimorar as relações sociais por meio das regras éticas e morais. Não 
há como separar o direito da sociologia, pensamento positivista kelseniano em muito 
superado. 
Note que a letra A tem um erro de partida ao afirmar que o saber zetético se refere 
àquilo que “está pronto”. Pelo contrário, zetética diz respeito à investigação contínua 
em oposição à dogmática. 
Quanto à letra B, não há falar em controle social sob tal viés opressor. A afirmação está 
incorreta porque a Sociologia Jurídica nas suas abordagens clássicas, especialmente na 
primeira metade do século XX, não se orientou predominantemente pelas dimensões 
normativistas do direito. O foco principal da Sociologia Jurídica, diferentemente da 
dogmática jurídica ou do normativismo, sempre foi o estudo do direito como fenômeno 
social, ou seja, como as normas jurídicas operam na sociedade, suas origens, seus efeitos 
e suas interações com outros fatores sociais, políticos e econômicos. 
Sobre a letra D, Émile Durkheim é o pensador que desenvolveu a ideia de que a 
sociedade deve ser entendida por meio dos fatos sociais, os quais exercem um poder de 
coerção externa sobre os indivíduos. Para Durkheim, os fatos sociais são modos de 
pensar, agir e sentir que existem fora do indivíduo, mas que o influenciam e o 
condicionam. A consciência coletiva, segundo ele, refere-se ao conjunto de crenças e 
sentimentos comuns a uma sociedade, que moldam o comportamento dos indivíduos e 
influenciam o direito e outras instituições sociais. Noutra monta, Max Weber 
desenvolveu uma abordagem diferente, propondo que a sociedade deveria ser 
compreendida a partir das ações sociais dos indivíduos, ou seja, os significados que as 
pessoas atribuem às suas próprias ações e às ações dos outros. Weber também foi 
conhecido por sua análise sobre o direito e a racionalização nas sociedades modernas, 
especialmente a ideia de que o direito moderno se desenvolve como um sistema de 
normas racionais e impessoais. 
_______________________________________________________________________ 
30. A interpretação jurídica consiste na atividade de revelar ou atribuir sentido a textos 
ou outros elementos normativos (como princípios implícitos, costumes, precedentes), 
notadamente para o fim de solucionar problemas. Trata-se de uma atividade intelectual 
informada por métodos, técnicas e parâmetros que procuram dar-lhe legitimidade, 
racionalidade e controlabilidade. A aplicação de uma norma jurídica é o momento final 
do processo interpretativo, sua incidência sobre os fatos relevantes. Na aplicação se dá 
a conversão da disposição abstrata em uma regra concreta, com a pretensão de 
conformar a realidade ao Direito, o ser ao dever-ser. É nesse momento que a norma 
jurídica se transforma em norma de decisão. 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo: Os conceitos 
fundamentais e a construção do novo modelo. São Paulo: SaraivaJur, 2024, 12ª ed., p. 
212. 
O estudo atual da hermenêutica jurídica tem proporcionado aportes teóricos que 
superam os elementos tradicionais de interpretação do Direito. 
 
57 
Acerca desse tema, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Ao vincular-se à lógica do razoável, o método tópico-problemático confere ao 
julgador o papel de construir, por meio de argumentação consistente, a melhor solução 
para o problema, visando à realização da justiça do caso concreto. 
(B) Nos países da tradição da common law, nos quais o raciocínio jurídico é estruturado 
a partir da norma, e não dos fatos, o estudo da Tópica teve papel relevante para 
reafirmar a ideia de separação absoluta entre o sujeito da interpretação e o objeto a ser 
interpretado. 
(C) O uso de conceitos jurídicos indeterminados pelo legislador, fenômeno cada vez mais 
recorrente, desloca parte da competência de formulação da norma para o seu 
intérprete, equiparando o poder de valoração concreta desses conceitos, por meio de 
uma atuação predominantemente técnica, ao poder discricionário. 
(D) A técnica da ponderação, inicialmente utilizada como recurso excepcional, isto é, 
reservada apenas para os hard cases, tornou-se prevalente no Direito brasileiro, 
superando de vez a vetusta técnica da subsunção baseada em raciocínio silogístico. 
(E) A fixação de regras e princípios de hermenêutica é atribuição prevalente da doutrina 
e, em alguma medida, da jurisprudência, mesmo porque não há, no Direito brasileiro, 
norma positivada a respeito do tema. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. O método de interpretação tópico-problemático busca resolver 
problemas jurídicos concretos de forma prática e contextualizada. Em vez de aplicar 
normas de maneira rígida, propõe soluções adaptadas ao caso específico, utilizando 
diversas fontes, como jurisprudência, doutrina e princípios gerais do direito. Inspirado 
na tópica aristotélica valoriza a flexibilidade e a argumentação pluralista, considerando 
a complexidade do caso e o contexto social e político para encontrar a solução mais 
adequada e convincente. 
(B) INCORRETA. Nos países de tradição common law, o raciocínio jurídico não é 
estruturado primariamente a partir da norma escrita, como ocorre nos sistemas de civil 
law. O direito é baseado principalmente nos precedentes judiciais (princípio do stare 
decisis), ou seja, decisões anteriores de tribunais são fundamentais para resolver casos 
futuros com questões semelhantes. O raciocínio jurídico, portanto, se baseia na análise 
de casos anteriores e na aplicação desses precedentes de maneira coerente e 
consistente. Embora existam leis escritas (estatutos), elas desempenham um papel 
secundário em relação à jurisprudência. Assim, o foco do raciocínio está na 
interpretação e aplicação das decisões passadas, e não diretamente na norma abstrata. 
(C) INCORRETA. Não se equipara ou mesmo são sinônimos “conceitos jurídicos 
indeterminados” e discricionariedade, tampouco uma coisa autoriza a outra. 
 
58 
(D) INCORRETA. Não apenas para os casos complexos, mas para aqueles em que há 
confrontos ou choques entre direitos fundamentais ou individuais. 
(E) INCORRETA. Há sim Lei no Brasil fixando como deve ocorrer a construção das regras. 
_______________________________________________________________________ 
31. O texto a seguir aborda o problema das fontes do Direito por meio da História e traz 
luzes sobre o fenômeno jurídico em suas fases iniciais. 
(...) O Direito foi, em primeiro lugar, um fato social bem pouco diferençado, confuso com 
outros elementos de natureza religiosa, mágica, moral ou meramente utilitária. Nas 
sociedades primitivas, o Direito é um processo de ordem costumeira. Não se pode nem 
mesmo dizer que haja um processo jurídico costumeiro, porquanto as regras jurídicas se 
formam anonimamente no todo social, em confusão com outras regras não jurídicas. Os 
costumes primitivos são como que uma nebulosa da qual se desprenderam, 
paulatinamente, as regras jurídicas, discriminadas e distintas das regras morais, 
higiênicas,religiosas e assim por diante. 
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 143. 
A respeito das fontes do Direito, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Fontes formais do Direito são evidenciadas a partir de uma pesquisa de natureza 
filosófica, que diz respeito às condições lógicas e éticas do fenômeno jurídico, e 
consistem nos motivos que condicionam o aparecimento e as transformações das regras 
de Direito. 
(B) Os órgãos formais de jurisdição surgiram desde os primórdios da experiência jurídica, 
sendo responsáveis pela resolução de casos a partir da aplicação dos primeiros usos e 
costumes catalogados no curso da História. 
(C) O costume jurídico existe quando se apresentam dois elementos fundamentais: a 
repetição de um comportamento de maneira habitual (objetivo) e a compreensão dos 
cidadãos quanto à necessidade e conveniência da prática ao interesse social (subjetivo). 
(D) O Direito costumeiro tem origem certa e se localiza de maneira predeterminada, 
pois, embora não se possa especificar onde e como surge determinado uso ou hábito 
social, é possível testemunhar o momento de sua conversão em hábito jurídico, ou uso 
jurídico. 
(E) Fontes materiais do Direito consistem nos meios ou processos pelos quais as regras 
jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, ou seja, com vigência e eficácia no 
contexto de uma estrutura normativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
59 
Os costumes podem ser definidos como a observância reiterada de um determinado 
comportamento, em uma comunidade, que, com o tempo, passa a ser visto como 
obrigatório. Eles refletem os valores, práticas e expectativas de uma sociedade em um 
dado momento e contexto, funcionando como normas que, mesmo sem terem sido 
formalmente escritas, possuem força vinculante. 
1. Elemento Objetivo (Repetição ou Uso): O elemento objetivo refere-se à prática 
reiterada e constante de um determinado comportamento dentro de uma 
comunidade. Para que um comportamento se configure como costume, ele deve 
ser repetido de forma regular e duradoura, criando uma sensação de estabilidade 
e permanência. 
2. Elemento Subjetivo (Convicção de Obrigatoriedade): O elemento subjetivo está 
relacionado à crença de que o comportamento repetido é juridicamente 
obrigatório. A comunidade ou grupo que segue o costume deve entender que 
sua observância não é apenas uma prática conveniente ou socialmente aceita, 
mas que há uma obrigação jurídica implícita nessa conduta. Essa percepção é 
chamada de opinio juris, ou seja, a convicção de que a prática tem força de norma 
jurídica. 
_______________________________________________________________________ 
32. A estruturação dogmática de um sistema de precedentes judiciais obrigatórios é um 
dos pilares do Código de Processo Civil de 2015. O Art. 926, ao dispor que “os tribunais 
devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente”, prevê 
deveres gerais para os tribunais no contexto da construção e manutenção de um sistema 
de precedentes (jurisprudência e súmula), persuasivos e obrigatórios, sendo eles: o 
dever de uniformizar sua jurisprudência; o dever de manter essa jurisprudência estável; 
o dever de integridade; e o dever de coerência. 
Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir. 
I. O dever de uniformizar pressupõe que o tribunal não pode ser omisso diante de 
divergência interna, entre seus órgãos fracionários, sobre a mesma questão jurídica. 
II. As mudanças de posicionamento (superação; overruling) devem ser justificadas 
adequadamente, além de terem sua eficácia modulada em respeito à segurança jurídica. 
III. A coerência e a integridade são pressupostos para que a jurisprudência possa ser 
universalizada, sendo legitimamente aplicada a outros casos semelhantes. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
 
60 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Vamos ver item por item. 
I. CORRETA. O dever de uniformização impõe aos tribunais a adoção de medidas para 
resolver divergências internas de jurisprudência, com o objetivo de evitar decisões 
conflitantes sobre a mesma questão jurídica. Essa prática busca assegurar a segurança 
jurídica e a previsibilidade das decisões judiciais. Mecanismos como o incidente de 
assunção de competência têm a finalidade de prevenir ou corrigir divergências entre os 
órgãos fracionários. O artigo 926 do Código de Processo Civil de 2015 reforça a 
importância de promover a uniformização, garantindo a coerência e a estabilidade das 
decisões: “Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra 
e coerente.”. 
II. CORRETA. No sistema de precedentes brasileiro, a superação de entendimentos 
anteriores (overruling) deve ser claramente justificada, respeitando a segurança 
jurídica. Além disso, a modulação dos efeitos da decisão pode ser aplicada para reduzir 
impactos negativos e garantir a previsibilidade no ordenamento jurídico. O artigo 927, 
§ 3º, do CPC, prevê que, em caso de alteração de jurisprudência dominante, é possível 
modular os efeitos da mudança visando o interesse social e a segurança jurídica. 
III. CORRETA. Sob uma perspectiva filosófica, a coerência e a integridade da 
jurisprudência refletem ideais centrais da justiça e do Estado de Direito. A coerência, ao 
evitar contradições entre decisões, está ligada à racionalidade e à previsibilidade, 
valores fundamentais para que os indivíduos possam confiar no sistema jurídico e 
organizar suas ações conforme expectativas claras. Esse princípio ressoa com a 
concepção kantiana de que as leis devem ser universais, ou seja, aplicáveis a todos de 
forma imparcial. A integridade, por sua vez, está conectada à ideia de justiça 
substantiva. Seguindo a filosofia de Ronald Dworkin, a integridade jurídica exige que os 
julgamentos sejam baseados em princípios morais consistentes e integrados, tratando 
os casos como partes de uma narrativa contínua. Assim, o direito não pode ser uma 
coleção fragmentada de regras isoladas, mas sim um sistema que reflita valores sociais 
mais amplos, como a dignidade, a igualdade e a liberdade. Ao garantir que decisões 
judiciais estejam em harmonia com um conjunto mais amplo de valores, a integridade 
sustenta não apenas a ordem, mas também a legitimidade moral do sistema jurídico. 
Dessa forma, por fim, coerência e integridade são mais do que ferramentas técnicas, são 
pilares filosóficos que asseguram a justiça, a legitimidade e a confiança no Direito, ao 
alinhar o ordenamento jurídico com princípios universais de racionalidade e moralidade. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
 
61 
DIREITOS HUMANOS 
 
33. A discussão do papel das sociedades empresárias na proteção aos Direitos Humanos 
avançou consideravelmente, especialmente após o período de forte globalização 
econômica ocorrido há algumas décadas. 
Acerca do assunto, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Admite-se hoje, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, as sociedades 
empresárias como pessoas jurídicas sujeitas a terem seus direitos violados e, portanto, 
merecedoras de proteção perante o órgão, tal qual ocorre com as pessoas físicas. 
(B) Os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU, aprovados 
em 2011, são um importante instrumento de hard law que obriga os Estados a cumprir 
as regras relativas aos direitos humanos nas empresas. 
(C) Por considerar que comunidades afrodescendentes e povos indígenas são 
particularmente afetados pela indústria extrativista, a Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos emitiu informe específico tratando desse tema. 
(D) O dever dos Estados, no que tange ao respeito dos Direitos Humanos por parte de 
pessoas jurídicas sobversão da história! Inclusive com módulos 
complementares ao de Magistratura Estadual, com divisões específicas para o ENAM, e 
Magistratura Federal. 
 
7 
Além, claro, do tradicional estudo da lei comentada, correções de provas de 2ª fase 
de forma personalizada; e até mesmo com a tão desejada opção de acompanhamento 
personalizado. 
Vale a pena conferir! 
 
SOBRE COMO RECORRER (SUGESTÃO DE MODELO) 
 
Antes de apresentarmos, é importante destacar que qualquer questão ANULADA 
beneficiará a todos (segundo o edital do ENAM). Então, este é um momento de união: 
 
EDITAL DO ENAM 2024.2 
 
10.5. Se a análise do recurso resultar em anulação de questão ou de quesito 
integrante de prova, a pontuação correspondente a essa questão ou quesito será 
atribuída a todas as examinandas e a todos os examinandos, independentemente de 
terem recorrido. 
10.5.1 Eventual retificação de erro material no gabarito oficial preliminar, como a 
troca de alternativa correta, não importa anulação de questão, cuja resposta retificada 
será Página 16 de 36 considerada para todas as pessoas examinandas, 
independentemente de terem recorrido. 
 
10.7. Após a análise dos recursos contra o resultado preliminar da prova objetiva, 
a Banca Examinadora da FGV poderá manter ou alterar o resultado divulgado. 
Na live sobre questões passíveis de revisão explicaremos alguns termos que fazem 
sentido neste momento: 
1. Como interpretar as lacunas do edital; 
2. A mentalidade de abordagem recursal ampla; 
3. Os candidatos devem apresentar um ataque simultâneo (sem copiar e 
colar recursos uns dos outros); 
4. Foco em anular (e não em alterar alternativa); 
5. Sejam objetivos (facilitem a vida do revisor). 
 
MODELO DE RECURSO 
 
Egrégia Banca Examinadora. 
O presente candidato vem, respeitosamente, pleitear a anulação da questão de nº X do 
Exame Nacional da Magistratura, pelas razões que passa a justificar. 
A alternativa I da referida questão não expressa o posicionamento do Supremo Tribunal 
Federal a respeito do tema, isso porque, embora, de fato, a Corte tenha reconhecido a 
repercussão geral da matéria atinente à possibilidade de execução imediata de pena 
aplicada pelo Tribunal do Júri (Tema 1068), a decisão faz referência a penas fixadas acima 
 
8 
de quinze anos, em decorrência de condenação pelo tribunal do júri, conforme destaque 
abaixo: 
Decisão: “Após o voto-vista do Ministro André Mendonça, que acompanhava 
integralmente o eminente Relator, no sentido de conhecer do recurso extraordinário e 
dar-lhe provimento, para negar provimento ao recurso ordinário em habeas corpus, 
anuindo à tese de julgamento fixada: "A soberania dos veredictos do Tribunal do Júri 
autoriza a imediata execução de condenação imposta pelo corpo de jurados, 
independentemente do total da pena aplicada"; e do voto do Ministro Edson Fachin, que 
divergia do Relator e do Ministro Gilmar Mendes, para o fim de reconhecer como ainda 
constitucional a execução imediata prevista em lei infraconstitucional das penas fixadas 
acima de quinze anos, em decorrência de condenação pelo tribunal do júri, e no caso 
concreto, com fundamento diverso do eminente Relator, dava provimento ao recurso 
para determinar a prisão do recorrido, uma vez que na hipótese a pena em concreto foi 
quantificada em 26 (vinte e seis) anos e 8 (oito) meses de reclusão, o processo foi 
destacado”. 
Link para acesso: 
“https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incid
ente=5776893&numeroProcesso=1235340&classeProcesso=RE&numeroTema=1068” 
Deste modo, a questão padece de vício ao estabelecer uma interpretação ampliativa do 
pensamento da Corte, que desconfigura a real essência do decidido em sede de 
repercussão geral, fazendo surgir a necessidade de que o item da questão seja 
considerado errado. 
Diante da inconsistência do gabarito apresentado pela banca, requer o candidato o 
recebimento e deferimento do presente recurso, para o fim de considerada como nula a 
questão de nº 16 do mencionado Exame. 
 
Agora é com vocês! Agradecemos o imenso carinho de todos. 
Bons estudos. 
 
Arnaldo Bruno Oliveira1 
Equipe Mege 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Insta: @prof.arnaldobruno (fiquem à vontade para o envio de mensagens sobre o Mege). 
https://www.instagram.com/prof.arnaldobruno?igsh=MTJnd2VxNWJ1NDhtZQ%3D%3D&utm_source=qr
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9 
SUMÁRIO 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL ............................................................................................. 10 
DIREITO ADMINISTRATIVO .............................................................................................. 31 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA ........................................... 50 
DIREITOS HUMANOS....................................................................................................... 61 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ............................................................................................ 68 
DIREITO CIVIL .................................................................................................................. 86 
DIREITO EMPRESARIAL ................................................................................................. 103 
DIREITO PENAL .............................................................................................................. 111 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
1. Uma lei do Estado Delta, de iniciativa da Assembleia Legislativa, estabeleceu a 
recomposição linear nos vencimentos e nas funções gratificadas dos servidores públicos 
do Poder Legislativo estadual, estendendo-a aos aposentados e pensionistas, com o 
intuito de recuperar a perda do poder aquisitivo da moeda. 
A respeito da referida norma, de acordo com a ordem sistemática constitucional e com 
a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Ela é constitucional, pois a Constituição Federal de 1988 garante a revisão geral como 
forma de recomposição da perda do poder aquisitivo da moeda. 
(B) Ela é inconstitucional, pois a iniciativa legislativa para a revisão geral de vencimentos 
de todos os servidores estaduais é do Poder Executivo. 
(C) Ela é constitucional, pois a iniciativa legislativa para a revisão geral de vencimentos 
dos servidores do Poder Legislativo é do próprio Poder Legislativo. 
(D) Ela é inconstitucional, pois a competência para a concessão da revisão geral anual de 
vencimentos de todos os servidores públicos é da União, por meio de norma de iniciativa 
do Presidente da República. 
(E) Ela é constitucional, pois em razão do princípio da isonomia os aposentados e 
pensionistas também devem ser beneficiados com a revisão geral de vencimentos, uma 
vez que a finalidade da norma é a recomposição da perda do poder aquisitivo da moeda. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O julgado foi estudado no material de temas selecionados em Repercussão Geral (Teses 
organizadas para revisão – 2024) enviado para a turma do ENAM II 2024, página 14. 
A revisão remuneratória dos servidores públicos deve observar a competência do Poder 
Executivo para a sua iniciativa, conforme consolidado pelo Supremo Tribunal Federal 
(STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3.599. Esse precedente destaca que 
a Constituição Federal confere ao chefe do Poder Executivo a prerrogativa de propor leis 
que alterem a remuneração dos servidores públicos. 
Além disso, o STF reafirmou esse entendimento no julgamento do RE 843.112, com 
Repercussão Geral, consolidando a tese de que apenas o Executivo pode iniciar projetos 
de lei que tratem de matérias salariais e revisões gerais dos vencimentos dos servidores. 
Esse posicionamento visa garantir a harmonia e o equilíbrio orçamentário, uma vez que 
a iniciativa legislativa sobre gastossua jurisdição, restringe-se ao seu próprio território, conforme 
entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos. 
(E) A observância dos chamados Princípios de Ruggie tem sido suficiente para a proteção 
dos Direitos Humanos, o que torna prescindível a formalização de tratado para a 
responsabilização internacional dos Estados e das sociedades empresárias. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A Corte Interamericana de Direitos Humanos não reconhece as 
sociedades empresárias como sujeitos passivos de proteção de direitos humanos. 
Apenas indivíduos, ou seja, pessoas físicas, podem ser demandantes perante a Corte. 
Assim, as sociedades empresárias não têm legitimidade para buscar proteção 
diretamente na Corte. 
(B) INCORRETA. Os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU, 
também conhecidos como Princípios de Ruggie, constituem um exemplo de soft law, 
não vinculantes, ou seja, eles não criam obrigações jurídicas diretas para os Estados, mas 
fornecem diretrizes sobre como as empresas devem respeitar os direitos humanos e 
como os Estados devem regulamentar e fiscalizar as atividades empresariais. 
(C) CORRETA. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realmente emitiu 
um informe específico sobre o impacto da indústria extrativista, que afeta de maneira 
desproporcional as comunidades afrodescendentes e indígenas. Esses grupos são 
 
62 
vulneráveis às violações de direitos, especialmente no que se refere ao acesso à terra, 
ao meio ambiente e ao respeito às suas tradições e modos de vida. 
(D) INCORRETA. O dever dos Estados em relação à proteção dos Direitos Humanos não 
se restringe apenas ao território nacional. Em determinados casos, há uma 
responsabilidade extraterritorial, especialmente quando os atos de empresas com sede 
em um Estado afetam diretamente os direitos humanos em outro país. 
(E) INCORRETA. Embora os Princípios de Ruggie sejam importantes para guiar a atuação 
das empresas em relação aos direitos humanos, eles não são suficientes por si só. Há um 
movimento internacional que busca a criação de um tratado vinculante para regular e 
responsabilizar empresas no plano internacional. A criação desse tratado é vista como 
necessária por muitos defensores dos direitos humanos, já que os princípios não 
possuem caráter obrigatório. 
Portanto, a alternativa correta é a C. 
_______________________________________________________________________ 
34. Acerca do procedimento de incorporação dos tratados de Direitos Humanos na 
perspectiva da Constituição Federal de 1988, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Rompendo com a tradição constitucional verificada nas Cartas Políticas anteriores, a 
Constituição Federal de 1988 tornou o processo de incorporação de tratados 
internacionais de Direitos Humanos um ato de natureza complexa, exigindo a 
manifestação de vontades convergentes pelos Poderes Executivo e Legislativo. 
(B) Por cumular as funções de chefe de Estado e chefe de governo, o Presidente da 
República detém a última palavra em relação à celebração de tratados internacionais. 
Desse modo, ainda que seja necessária a manifestação do Congresso Nacional 
previamente à ratificação do tratado, trata-se de opinião não vinculante, podendo o 
Chefe do Poder Executivo decidir em sentido contrário à deliberação legislativa. 
(C) Para corrente majoritária da doutrina, tal como os tratados comuns, o procedimento 
de incorporação dos tratados de Direitos Humanos pode ser dividido em quatro fases ou 
etapas: (i) a assinatura, pelo Presidente da República, no plano internacional; (ii) a 
aprovação, pelo Congresso Nacional, no plano interno; (iii) a ratificação, pelo Presidente 
da República, no plano internacional; e (iv) a incorporação do tratado já celebrado pelo 
Brasil ao ordenamento jurídico interno, por meio da edição do Decreto Presidencial 
(Decreto de Promulgação). 
(D) Por ostentarem status de norma constitucional, os tratados de Direitos Humanos 
devem ser obrigatoriamente apreciados, em cada casa do Congresso Nacional, em dois 
turnos de votação, somente sendo aprovados se obtiverem três quintos dos votos dos 
respectivos membros. 
(E) Em razão da cláusula de abertura prevista no § 2º do Art. 5º da Constituição Federal 
de 1988, que não exclui outros direitos e garantias além daqueles expressos no Texto 
Constitucional, reconhece-se a possibilidade de aplicação, em determinado caso, de 
direitos e garantias previstos em tratados de Direitos Humanos mesmo que ainda não 
tenham o seu rito de incorporação concluído. 
 
63 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
O assunto foi estudado nos pontos 5, 6 e 8 de Direitos Humanos na turma ENAM II 2024, 
páginas 26 a 30. 
(A) INCORRETA. O processo de incorporação de tratados de Direitos Humanos, de forma 
geral, segue o mesmo procedimento de tratados internacionais comuns, não havendo 
uma complexidade adicional imposta pela Constituição Federal de 1988, exceto em caso 
de tratados que se pretende conferir status de norma constitucional (emenda 
constitucional), conforme o § 3º do art. 5º, que exige aprovação com quórum qualificado 
(três quintos). 
(B) INCORRETA. A manifestação do Congresso Nacional não é meramente consultiva. O 
Presidente da República não pode ratificar um tratado internacional sem a aprovação 
prévia do Congresso. A Constituição Federal, em seu art. 49, inciso I, atribui ao Congresso 
Nacional a competência para resolver definitivamente sobre tratados que acarretem 
encargos ou compromissos gravosos ao país. 
(C) CORRETA. O procedimento descrito está de acordo com a doutrina majoritária, por 
exemplo André de Carvalho Ramos. A incorporação de tratados internacionais de 
Direitos Humanos segue as quatro etapas mencionadas: assinatura, aprovação pelo 
Congresso, ratificação pelo Presidente e promulgação por meio de decreto presidencial, 
que incorpora o tratado ao ordenamento jurídico interno. 
(D) INCORRETA. Tratados de Direitos Humanos podem, de fato, adquirir status 
constitucional se aprovados conforme o § 3º do art. 5º da Constituição, com o quórum 
qualificado de três quintos em dois turnos de votação nas duas Casas do Congresso. No 
entanto, nem todos os tratados de Direitos Humanos têm status constitucional — os que 
não seguem esse rito possuem status supralegal, conforme entendimento do STF. 
(E) INCORRETA. Embora o § 2º do art. 5º preveja a cláusula de abertura para o 
reconhecimento de outros direitos e garantias, a aplicação de um tratado de Direitos 
Humanos no Brasil depende de sua incorporação formal ao ordenamento jurídico, o que 
só ocorre após o rito completo (assinatura, aprovação, ratificação e promulgação). 
Portanto, a alternativa correta é a C. 
_______________________________________________________________________ 
35. O Brasil ratificou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos no ano de 1992 
(Decreto nº 678/1992) e reconheceu a competência jurisdicional contenciosa da Corte 
Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) para fatos posteriores a 10 de 
dezembro de 1998 (Decreto nº 4.463/2002). A partir dessa data, a responsabilidade 
internacional do Estado brasileiro por violações de direitos protegidos pela Convenção 
Interamericana foi apreciada pela Corte Interamericana, tendo sido o Brasil condenado 
em alguns casos, como no recente Caso Honorato e outros vs. Brasil. 
Sobre esse caso, assinale a afirmativa CORRETA. 
 
64 
(A) O caso se relaciona às alegadas violações perpetradas por agentes do Estado, no 
contexto da mobilização de trabalhadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem 
Terra, que se reuniram com o objetivo de protestar contra as políticas agrárias. 
(B) O caso se relaciona à um caso de maus tratos praticados em detrimento de paciente, 
em uma clínica de saúde vinculada ao SUS. 
(C) O caso se relaciona às falhas na investigação e na puniçãodos responsáveis pela 
morte de muitas pessoas no contexto de duas incursões policiais efetuadas pela Polícia 
Civil do Estado do Rio de Janeiro. 
(D) O caso se relaciona à morte de jornalista que teve a sua integridade física atingida, 
quando compareceu para prestar declarações sobre um fato. 
(E) O caso se refere à responsabilidade do Estado por uma série de atos que teriam 
culminado no homicídio de várias pessoas na Operação Castelinho, como resultado do 
alegado uso excessivo da força por parte da Polícia Militar, bem como pela suposta 
situação de impunidade em que as mortes dessas pessoas permaneceram. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O caso Honorato e outros vs. Brasil, também conhecido como Operação Castelinho, 
refere-se à responsabilidade do Estado brasileiro pelas execuções extrajudiciais de 12 
pessoas em março de 2002. Essas execuções foram resultado de uma operação policial 
organizada pelo GRADI (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância), que 
utilizou táticas ilegais, como o recrutamento de presos para se infiltrarem em grupos 
criminosos. O objetivo da operação era criar uma emboscada para o suposto grupo 
criminoso, resultando na morte dos suspeitos, que estavam desarmados e sem 
possibilidade de resistência. 
A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por uso 
desproporcional da força e falhas na investigação dos fatos, destacando que não houve 
uma apuração imparcial e adequada das responsabilidades, perpetuando a impunidade. 
Além disso, a Corte determinou reparações aos familiares das vítimas, incluindo 
tratamento médico e psicológico, além de medidas de não repetição. 
Assim, a alternativa correta é a E, que menciona a Operação Castelinho e a 
responsabilidade do Estado brasileiro pelos homicídios ocorridos devido ao uso 
excessivo da força por parte da Polícia Militar, bem como pela impunidade que se seguiu. 
_______________________________________________________________________ 
36. Sobre os Direitos Humanos das mulheres, assinale a opção que reflete corretamente 
a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). 
(A) Acaso verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física 
ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus 
dependentes, e desde que o município de residência da vítima não seja sede de comarca, 
 
65 
poderá a autoridade policial promover o imediato afastamento do agressor do lar, 
domicílio ou local de convivência com a ofendida. 
(B) Por ser responsável pelo policiamento ostensivo e pelo combate direto à 
criminalidade, sujeitando-se a níveis mais elevados de risco, há fator de discriminação 
razoável, apto a legitimar a restrição de vagas disponibilizadas às mulheres nos 
concursos públicos para ingresso nos quadros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros 
Militar, sendo constitucionalmente justificada a impossibilidade de as mulheres 
concorrerem à totalidade das vagas ofertadas no certame. 
(C) A “legítima defesa da honra” é recurso retórico argumentativo odioso, utilizado pelas 
defesas de acusados de feminicídio ou agressões contra a mulher para imputar às vítimas 
a causa de suas próprias mortes ou lesões. Nada obstante, em razão do princípio 
constitucional da ampla defesa, não há como impedir o seu emprego nas sessões do 
Tribunal do Júri, ou anular o julgamento absolutório em razão do acolhimento da tese. 
(D) Considerando a natureza jurídica distinta dos institutos, afigura-se compatível com a 
Constituição Federal de 1988 a fixação de prazos diferenciados entre a licença adotante 
e a licença gestante. 
(E) A remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de 
sua realização é inconstitucional, pois tal possibilidade violaria o direito à isonomia entre 
os candidatos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. A resposta correta é a alternativa A, conforme a ADIn 6138. O Supremo 
Tribunal Federal (STF) reconheceu que, em situações de risco iminente ou atual à vida 
ou à integridade física ou psicológica da mulher, ou de seus dependentes, a autoridade 
policial pode, de forma imediata, afastar o agressor do lar ou do local de convivência, 
desde que o município de residência da vítima não seja sede de comarca e, portanto, 
não tenha juiz disponível para deliberar rapidamente sobre a questão. Isso foi 
considerado constitucional e necessário para proteger as mulheres em situações de 
violência doméstica, reforçando a importância da atuação das autoridades para garantir 
a integridade da vítima. 
As demais alternativas estão incorretas por não refletirem adequadamente a 
jurisprudência do STF: 
(B) INCORRETA. O STF entende que a restrição de vagas às mulheres em concursos 
públicos é inconstitucional, representando discriminação de gênero e violação ao 
princípio da isonomia (ADIn 7558). 
(C) INCORRETA. O STF já considerou a tese da "legítima defesa da honra" 
inconstitucional, rejeitando seu uso em casos de feminicídio e violência contra a mulher, 
sendo um argumento que reforça estereótipos discriminatórios e justifica a violência 
(ADPF 779). 
 
66 
(D) INCORRETA. O STF já decidiu pela necessidade de equiparação entre os prazos das 
licenças adotante e gestante, em respeito à igualdade entre as mulheres, 
independentemente da forma como se tornaram mães (RE 778889). 
(E) INCORRETA. O STF já definiu que a remarcação do teste de aptidão física de 
candidatas grávidas não viola a isonomia, sendo uma forma de garantir a igualdade de 
oportunidades entre candidatos e candidatas, ao permitir que as mulheres grávidas 
realizem o teste em condições adequadas (RE 1058333). 
_______________________________________________________________________ 
37. Com base nos documentos internacionais e na legislação interna concernente aos 
direitos dos povos originários e indígenas, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) A Convenção nº 107 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), editada em 
1957, rompe com a visão jurídica integracionista, até então predominante no âmbito do 
direito internacional dos direitos humanos, passando a reconhecer de forma expressa 
que as populações tribais possuem o mesmo nível de desenvolvimento que outros 
setores da comunidade nacional respectiva. 
(B) No plano interno, antes mesmo do advento do Novo Código Civil, editado em 2002, 
o “Estatuto do Índio”, promulgado em 1973, promoveu a superação da visão 
integracionista, reconhecendo, no plano normativo formal, a autonomia e 
autodeterminação dos povos originários, a partir da compreensão de uma sociedade 
pluriétnica e multicultural. 
(C) O sistema regional americano foi pioneiro na edição de instrumento internacional de 
reconhecimento dos direitos dos povos indígenas e tribais, oferecendo proteção 
específica a esse grupo de pessoas. Antes do advento da Declaração Americana sobre os 
Direitos dos Povos Indígenas, o sistema global (ou onusiano) aplicava a Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial como 
mecanismo de proteção às comunidades tradicionais. 
(D) Ao reconhecer o direito das comunidades indígenas à propriedade sobre as terras 
que tradicionalmente ocupam, a Constituição Federal de 1988 confere maior nível de 
proteção a este grupo minoritário do que aquele garantido pelos instrumentos 
internacionais correlatos, como por exemplo a Convenção nº 169 da OIT. 
(E) A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), editada em 
1989, inovou no critério adotado para a promoção do reconhecimento de determinada 
comunidade como sendo indígena ou tribal, passando a acolher a autoidentificação 
como procedimento mais adequado. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
A alternativa correta é a E, que afirma que a Convenção nº169 da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), adotada em 1989, inovou ao introduzir a 
 
67 
autoidentificação como critério principal para o reconhecimento de uma comunidade 
como indígena ou tribal. O art. 1.2 da referida Convenção estabelece que "a consciência 
de sua identidade indígena ou tribal deve ser considerada um critério fundamental para 
determinar os grupos aos quais se aplicam as disposições da Convenção". 
Essa mudança foi importante porque respeita a autonomia dos povos em se definirem, 
o que reforça a proteção e a promoção de seus direitos. O enfoque na autoidentificação 
se afasta de critérios exógenos ou impostos, permitindo que as próprias comunidades 
determinem sua identidade étnica ou tribal. 
Ademais, a Convenção nº 169 é um dos instrumentos internacionais mais importantes 
na defesa dos direitos dos povos indígenas e tribais, e o Brasil ratificou essa convenção 
em 2002, incorporando-a ao seu ordenamento jurídico. 
_______________________________________________________________________ 
38. Na qualidade de marco jurídico da transição democrática e da institucionalização dos 
Direitos Humanos, a Constituição Federal de 1988 confere especial ênfase aos direitos 
humanos, consagrando o princípio da(o) 
(A) soberania popular, o regime de fundamentalidade exclusivamente aos direitos 
políticos, a cláusula pétrea dos direitos e garantias coletivos, bem como a cláusula 
constitucional de abertura, que permitem a interação da Constituição com o Direito 
Internacional dos Direitos Humanos. 
(B) relativismo cultural, o regime de fundamentalidade exclusivamente aos direitos 
políticos, a cláusula pétrea dos direitos e garantias individuais, bem como a cláusula 
constitucional de abertura, que permitem a interação da Constituição com o Direito 
Internacional dos Direitos Humanos, expandindo o bloco de constitucionalidade. 
(C) dignidade humana, o regime de fundamentalidade dos direitos sociais, a cláusula 
pétrea dos direitos e garantias individuais, bem como a cláusula constitucional de 
abertura, que permite a interação da Constituição com o Direito Internacional dos 
Direitos Humanos, expandindo o bloco de constitucionalidade. 
(D) relativismo cultural, o regime de fundamentalidade exclusivamente dos direitos de 
solidariedade, a cláusula pétrea dos direitos e garantias coletivos, não prevendo cláusula 
constitucional de abertura ao Direito Internacional dos Direitos Humanos. 
(E) soberania do Estado, o regime de fundamentalidade dos direitos sociais, a cláusula 
pétrea dos direitos e garantias coletivos, não prevendo cláusula constitucional de 
abertura ao Direito Internacional dos Direitos Humanos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no ponto 6 de Direito Constitucional e na 3ª Remessa de Direitos 
Humanos do Circuito Legislativo, página 4 na turma ENAM II 2024. 
 
68 
A Constituição Federal de 1988, no Brasil, tem como um de seus princípios fundamentais 
a dignidade humana (art. 1º, III), que é o centro dos direitos humanos no texto 
constitucional. Além disso, a Constituição confere fundamentalidade não só aos direitos 
políticos, mas também aos direitos sociais (art. 6º) e aos direitos e garantias individuais 
(art. 5º), assegurados como cláusulas pétreas (art. 60, § 4º, IV), o que significa que não 
podem ser abolidos nem por emenda constitucional. 
A Carta de 1988 também estabelece a cláusula de abertura constitucional no § 2º do art. 
5º, que reconhece direitos e garantias não expressamente mencionados no texto 
constitucional, mas que derivam de tratados internacionais de direitos humanos 
ratificados pelo Brasil, expandindo, assim, o bloco de constitucionalidade. Isso permite 
a interação entre a Constituição brasileira e o Direito Internacional dos Direitos 
Humanos, incluindo normas supralegais e até de status constitucional, como os tratados 
de direitos humanos aprovados nos moldes do § 3º do art. 5º. 
A resposta correta é a alternativa C. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
39. O valor da causa é requisito da petição inicial, indispensável para a definição de 
diversos aspectos econômicos do processo, como a competência e a fixação de 
honorários de sucumbência, entre outros. 
A respeito do tema, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O valor da causa, na ação de alimentos, corresponderá à soma de 24 (vinte e quatro) 
prestações mensais pedidas pelo autor. 
(B) Na ação em que há cumulação de pedidos, o valor da causa corresponderá à quantia 
correspondente ao maior pedido formulado pelo autor. 
(C) Na ação em que os pedidos são alternativos, o valor da causa corresponderá ao 
pedido de menor valor. 
(D) O réu poderá impugnar, em preliminar da contestação, o valor atribuído à causa pelo 
autor, sob pena de preclusão, e o juiz decidirá a respeito, impondo, se for o caso, a 
complementação das custas. 
(E) O juiz corrigirá liminarmente o valor da causa quando verificar que não corresponde 
ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, 
sendo admissível, a partir daí, a correção apenas por requerimento do réu. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
 
69 
O assunto foi estudado no material de na 4ª Remessa de Direito Processual Civil do 
Circuito Legislativo da turma ENAM II. 
(A) INCORRETA. 
CPC, Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da 
reconvenção e será: 
(...) 
III - na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações 
mensais pedidas pelo autor; 
(B) INCORRETA. 
Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da 
reconvenção e será: 
(...) 
VI - na ação em que há cumulação de pedidos, a quantia 
correspondente à soma dos valores de todos eles; 
(C) INCORRETA. 
Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da 
reconvenção e será: 
(...) 
VII - na ação em que os pedidos são alternativos, o de maior 
valor; 
(D) CORRETA. 
Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar da contestação, 
o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de preclusão, e o 
juiz decidirá a respeito, impondo, se for o caso, a 
complementação das custas. 
(E) INCORRETA. 
Art. 292, § 3º O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor 
da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo 
patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido 
pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas 
correspondentes. 
_______________________________________________________________________ 
40. Diante da suspeita de que Paulo deixaria de devolver o filho do ex-casal após a visita, 
Joana ajuizou ação de guarda unilateral com pedido de antecipação dos efeitos da tutela. 
Apresentadas as provas junto à inicial e ouvido o Ministério Público, Carlos, juiz 
competente para julgar a demanda, concedeu a tutela de urgência de modo a garantir a 
guarda unilateral em favor de Joana e marcou a audiência de conciliação entre os 
genitores. 
Na data designada, após o término da audiência sem acordo entre as partes, ao deixar 
o Fórum, Paulo abalroou o veículo dirigido por Carlos por desatenção, o que levou a uma 
 
70 
calorosa discussão entre ambos. Após, o episódio, Carlos declarou sua suspeição, 
conforme disposição legal e determinou a remessa ao juízo substituto, ao passo que 
Paulo pugnou pela anulação da antecipação de tutela concedida ante a declaração 
exarada pelo magistrado. 
Sobre o pedido realizado por Paulo, à luz das disposições legais e da jurisprudência 
dominante sobre o tema, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Deverá ser acolhido, considerando a flagrante inimizade existente entre o juiz e a 
parte. 
(B) Deverá ser rejeitado, pois a causa da declaração se deu por ato praticado por Paulo. 
(C) Deverá ser rejeitado, pois a declaração de suspeição pelo magistrado por motivos 
supervenientesnão possui efeitos retroativos. 
(D) Deverá ser acolhido, sendo certo que a manutenção da decisão prejudicará Paulo e 
decorreu da parcialidade do julgador. 
(E) Deverá ser rejeitado, pois a remessa da ação ao juízo substituto e a ratificação dos 
atos anteriores é capaz de afastar a nulidade arguida. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 05 e 06 de Direito Processual Civil na turma ENAM II 
2024, página 16. 
Conforme entendimento da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a declaração 
pelo magistrado de suspeição por motivo superveniente não tem efeitos retroativos, não 
importando em nulidade dos atos processuais praticados em momento anterior ao fato 
ensejador da suspeição" (STJ, AgRg no AResp n. 763.510/SP, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 05/11/2015 e PET no REsp 1339313/RJ, 
Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2016, DJe 09/08/2016) 
Desse modo, no caso apresentado, como o motivo que ensejou a suspeição ocorreu após 
a audiência, deverá ser rejeitado o pedido de Paulo, haja vista que a declaração de 
suspeição por motivo superveniente não possui efeitos retroativos, de modo a ensejar, 
por si só, a anulação da decisão que deferiu a tutela de urgência em desfavor de Paulo. 
_______________________________________________________________________ 
41. Em relação às diversas formas de pronunciamento do juiz e dos auxiliares da justiça, 
relacione as hipóteses listadas a seguir às respectivas naturezas jurídicas. 
1. Sentença 
2. Decisão interlocutória 
 
71 
3. Despacho 
4. Ato ordinatório 
( ) Ato que põe fim à segunda fase da ação de prestação de contas. 
( ) Ato que dá vista obrigatória às partes. 
( ) Ato que julga embargos de declaração opostos contra a concessão de tutela de 
urgência. 
( ) Ato de homologação de indicação de depositário, em penhora de empresa. 
Assinale a opção que indica a relação CORRETA, segundo a ordem apresentada. 
(A) 1 – 4 – 2 – 3. 
(B) 1 – 3 – 4 – 2. 
(C) 3 – 1 – 2 – 4. 
(D) 2 – 4 – 1 – 3. 
(E) 1 – 3 – 2 – 4. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado na 4ª Remessa de Direito Processual Civil do Circuito 
Legislativos da turma ENAM II 2024. 
 
Fundamental conhecer a previsão do art. 203 do CPC: 
Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, 
decisões interlocutórias e despachos. 
§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos 
especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, 
com fundamento nos arts. 485 e 487 , põe fim à fase cognitiva 
do procedimento comum, bem como extingue a execução. 
§ 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de 
natureza decisória que não se enquadre no § 1º. 
§ 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz 
praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte. 
§ 4º Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista 
obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados 
de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessário. 
Importante ressaltar, à luz do entendimento do STJ, que o ato decisório que põe fim à 
segunda fase da ação de prestação de contas possui natureza jurídica de sentença. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art487
 
72 
Confira-se o seguinte precedente: 
RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE EXIGIR CONTAS (CPC/2015, ART. 550, 
§ 5º). DECISÃO QUE, NA PRIMEIRA FASE, JULGA PROCEDENTE A EXIGÊNCIA DE CONTAS. 
RECURSO CABÍVEL. MANEJO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO (CPC, ART. 1.015, II). 
DÚVIDA FUNDADA. FUNGIBILIDADE RECURSAL. APLICAÇÃO. RECURSO PROVIDO. 
1. Havendo dúvida fundada e objetiva acerca do recurso cabível e inexistindo ainda 
pronunciamento judicial definitivo acerca do tema, deve ser aplicado o princípio da 
fungibilidade recursal. 
2. Na hipótese, a matéria é ainda bastante controvertida tanto na doutrina como na 
jurisprudência, pois trata-se de definir, à luz do Código de Processo Civil de 2015, qual o 
recurso cabível contra a decisão que julga procedente, na primeira fase, a ação de exigir 
contas (arts. 550 e 551), condenando o réu a prestar as contas exigidas. 
3. Não acarretando a decisão o encerramento do processo, o recurso cabível será o 
agravo de instrumento (CPC/2015, arts. 550, § 5º, e 1.015, II). No caso contrário, ou seja, 
se a decisão produz a extinção do processo, sem ou com resolução de mérito (arts. 485 
e 487), aí sim haverá sentença e o recurso cabível será a apelação. 4. Recurso especial 
provido. (REsp 1680168/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL 
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 09/04/2019, DJe 10/06/2019) 
Desse modo, a partir da interpretação do referido dispositivo legal, a resposta correta é 
a letra A. 
_______________________________________________________________________ 
42. Em determinado processo, no qual havia sido deferido, a ambas as partes, o 
benefício da gratuidade de justiça, o magistrado, à luz dos elementos coligidos aos autos, 
concluiu que o réu vinha incorrendo em uma série de condutas processuais, sobretudo 
por meio das petições protocolizadas por seu advogado, que inequivocamente visavam 
obstaculizar a efetivação prática da tutela provisória concedida em favor do 
demandante. 
Assim, o juiz da causa advertiu o réu sobre a possibilidade de configuração de ato 
atentatório à dignidade da justiça. Contudo, persistiu o demandado, por meio de seu 
patrono, na criação de toda a sorte de expedientes voltados para embaraçar o efetivo 
cumprimento da tutela provisória. 
Nesse cenário, assinale a opção que apresenta, corretamente, a ação que caberá ao juiz. 
(A) Impor multa em desfavor do réu e de seu advogado, ficando ambos solidariamente 
responsáveis pelo seu pagamento, sem prejuízo da expedição de ofício à Ordem dos 
Advogados do Brasil. 
(B) Impor multa em desfavor do réu, a qual, não sendo paga no prazo fixado, será inscrita 
como dívida ativa da União ou do Estado, sem prejuízo da aplicação das sanções 
criminais, civis e processuais cabíveis. 
(C) Impor multa em desfavor do réu, isentando-o, contudo, de seu pagamento, por força 
do benefício da gratuidade de justiça que lhe havia sido deferido. 
 
73 
(D) Cominar as astreintes em desfavor do réu, sem lhe impor a multa pela prática de ato 
atentatório à dignidade da justiça, haja vista a incompatibilidade entre ambas as 
medidas. 
(E) Cominar as astreintes em desfavor do réu, sem lhe impor a multa pela prática de ato 
atentatório à dignidade da justiça, o qual não se configura nas hipóteses de criação de 
embaraços à efetivação das decisões de natureza provisória. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado na 4ª Remessa de Direito Processual Civil do Circuito Legislativo 
da turma ENAM II 2024. 
Assim prevê o art. 77 do CPC: 
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das 
partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer 
forma participem do processo: 
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; 
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando 
cientes de que são destituídas de fundamento; 
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou 
desnecessários à declaração ou à defesa do direito; 
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de 
natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua 
efetivação; 
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos 
autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão 
intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer 
qualquer modificação temporária ou definitiva; 
VI - não praticar inovaçãoilegal no estado de fato de bem ou 
direito litigioso. 
VII - informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante 
os órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste 
Código, da Administração Tributária, para recebimento de 
citações e intimações. 
§ 1º Nas hipóteses dos incisos IV e VI, o juiz advertirá qualquer 
das pessoas mencionadas no caput de que sua conduta poderá 
ser punida como ato atentatório à dignidade da justiça. 
§ 2º A violação ao disposto nos incisos IV e VI constitui ato 
atentatório à dignidade da justiça, devendo o juiz, sem prejuízo 
das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao 
responsável multa de até vinte por cento do valor da causa, de 
acordo com a gravidade da conduta. 
 
74 
§ 3 o Não sendo paga no prazo a ser fixado pelo juiz, a multa 
prevista no § 2º será inscrita como dívida ativa da União ou do 
Estado após o trânsito em julgado da decisão que a fixou, e sua 
execução observará o procedimento da execução fiscal, 
revertendo-se aos fundos previstos no art. 97 . 
§ 4º A multa estabelecida no § 2º poderá ser fixada 
independentemente da incidência das previstas nos arts. 523, § 
1º , e 536, § 1º . 
§ 5º Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa 
prevista no § 2º poderá ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor 
do salário-mínimo. 
§ 6º Aos advogados públicos ou privados e aos membros da 
Defensoria Pública e do Ministério Público não se aplica o 
disposto nos §§ 2º a 5º, devendo eventual responsabilidade 
disciplinar ser apurada pelo respectivo órgão de classe ou 
corregedoria, ao qual o juiz oficiará. 
Desse modo, a conduta do réu, após devidamente advertido, configura ato atentatório 
à dignidade da justiça, cabendo ao Juiz fixar multa em seu desfavor, sem prejuízo das 
sanções criminais, civis e processuais cabíveis. 
Não sendo paga, a multa prevista no § 2º será inscrita como dívida ativa da União ou do 
Estado após o trânsito em julgado da decisão que a fixou, e sua execução observará o 
procedimento da execução fiscal. 
Registre-se, por fim, na forma do art. 98, § 4º, do CPC, a concessão de gratuidade não 
afasta o dever de o beneficiário pagar, ao final, as multas processuais que lhe sejam 
impostas. 
_______________________________________________________________________ 
43. Ajuizada ação de execução fundada em nota promissória vencida e não paga, o juiz, 
apreciando a petição inicial, ordenou a citação do executado para que, no prazo legal, 
pagasse o débito. O demandado, contudo, quedou-se inerte, não tendo ofertado 
qualquer manifestação processual. 
Na esteira do juízo positivo de admissibilidade da ação, o demandante adotou as 
providências necessárias para viabilizar a averbação da instauração do processo na 
serventia imobiliária em que se achava matriculado um imóvel do executado. 
Transcorrido um mês após a ultimação do ato citatório, o exequente protocolizou 
petição, devidamente instruída com documentos, na qual noticiava ao órgão judicial que 
o demandado havia vendido a um terceiro o imóvel em cuja matrícula já estava averbada 
a existência do feito executivo. Alegando que tal alienação comprometeria a satisfação 
de seu crédito, por reduzir o devedor à insolvência, o exequente requereu que fosse 
reconhecida a fraude à execução. 
Nesse contexto, o juiz deverá 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art97
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523%C2%A71
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523%C2%A71
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art536%C2%A71
 
75 
(A) determinar a intimação do terceiro adquirente para que este intente, caso queira, 
embargos de terceiro, a serem resolvidos por sentença impugnável por recurso de 
apelação. 
(B) aguardar a iniciativa do terceiro adquirente, em prazo não superior a 15 (quinze) dias, 
no sentido de intentar embargos de terceiro, a serem resolvidos em sentença 
impugnável por recurso de apelação. 
(C) determinar a intimação do adquirente para que este suscite, caso queira, o incidente 
processual de aferição de fraude à execução, a ser resolvido por decisão interlocutória 
impugnável por recurso de agravo de instrumento. 
(D) aguardar a iniciativa do terceiro adquirente, em prazo não superior a 15 (quinze) dias, 
no sentido de suscitar o incidente processual de aferição de fraude à execução, a ser 
resolvido por decisão interlocutória impugnável por recurso de agravo de instrumento. 
(E) proferir de imediato decisão interlocutória reconhecendo a fraude à execução, caso 
já disponha de elementos de convicção nesse sentido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 16 a 19 de Direito Processual Civil na turma ENAM II 
2024, página 87. 
Confiram o teor do art. 792 do CPC: 
Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude 
à execução: 
I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou 
com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do 
processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se 
houver; 
II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência 
do processo de execução, na forma do art. 828 ; 
III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca 
judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do 
processo onde foi arguida a fraude; 
IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava 
contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; 
V - nos demais casos expressos em lei. 
§ 1º A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao 
exequente. 
§ 2º No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o 
terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas 
necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art828
 
76 
pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se 
encontra o bem. 
§ 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a 
fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja 
personalidade se pretende desconsiderar. 
§ 4º Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar 
o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de 
terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias. 
Deve o Juiz, portanto, antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o 
terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 
(quinze) dias, que serão julgados por sentença, pondo fim à fase de conhecimento, 
contra a qual cabe recurso de apelação. 
_______________________________________________________________________ 
44. Com relação aos requisitos da petição inicial, seu recebimento, seu indeferimento e 
sua inépcia, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para 
falsa. 
( ) É indispensável em todos os procedimentos e graus de jurisdição que a petição inicial 
seja escrita e em língua portuguesa. 
( ) Em se tratando de execução fiscal, a falta de indicação do CPF ou do CPNJ da parte 
executada é causa de indeferimento da petição inicial. 
( ) Não induz a inépcia da inicial a realização de pedido genérico, quando se tratar de 
ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados. 
As afirmativas são, respectivamente, 
(A) V – F – V. 
(B) F – F – V. 
(C) V – V – F. 
(D) V – F – F. 
(E) F – V – F. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 7 a 9 de Direito Processual Civil na turma ENAM II 
2024, página 15 e material de súmulas do STJ, página 69. 
A resposta é extraída da interpretação em conjunto dos seguintes dispositivos do CPC e 
de entendimento sumulado do STJ: 
 
77 
Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatórioo 
uso da língua portuguesa. 
Súmula 558 do STJ: Em ações de execução fiscal, a petição inicial não pode ser indeferida 
sob o argumento da falta de indicação do CPF e/ou RG ou CNPJ da parte executada. 
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: 
I - for inepta; 
§ 1º Considera-se inepta a petição inicial quando: 
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; 
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais 
em que se permite o pedido genérico; 
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; 
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. 
Art. 324. O pedido deve ser determinado. 
§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico: 
I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens 
demandados; 
II - quando não for possível determinar, desde logo, as 
consequências do ato ou do fato; 
III - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação 
depender de ato que deva ser praticado pelo réu. 
Importante atentar, por fim, quanto à primeira alternativa, que, ainda que, 
excepcionalmente, admita-se que o processo se inicie oralmente, como no âmbito dos 
Juizados Especiais Cíveis (art. 14, caput e §3º, do CPC), o pedido deverá ser reduzido a 
escrito, uma vez que a petição inicial, necessariamente, precisa constar de documento 
escrito. 
_______________________________________________________________________ 
45. Uma associação civil ajuizou ação civil pública, distribuída em dezembro de 2021 à 
1ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro, RJ, em face da Construtora More Bem, 
responsável pela empreitada do Edifício Boa Moradia e sediada naquela cidade. O 
pedido foi de indenização em razão do desabamento do edifício, localizado no Município 
de São Paulo. A associação foi constituída em maio de 2021 com o intuito de promover 
coletivamente a defesa dos direitos das vítimas do evento danoso, assim como de seus 
sucessores. 
Em sede de contestação, a Construtora More Bem arguiu a ilegitimidade ativa da 
associação em razão de sua constituição ter ocorrido há menos de um ano da 
propositura da ação civil pública, de não ter sido comprovada a autorização assemblear 
para a propositura da mesma ação. Ambos os argumentos foram rejeitados pelo juiz em 
sede de decisão de saneamento e organização do processo, que apontou a 
desnecessidade da autorização, bem como, diante da sensibilidade do direito defendido 
em juízo, o requisito de que a pré-constituição poderia ser afastado no caso concreto. 
Finda a instrução processual, a sentença julgou procedente o pedido, condenando a 
Construtora More Bem ao pagamento da indenização pretendida, assim como ao 
pagamento das custas processuais e dos honorários de sucumbência fixados em 10% 
 
78 
(dez por cento) sobre o valor global da condenação, a ser apurado em sede de liquidação 
de sentença. Transcorrido o prazo legal sem interposição de recurso, a sentença 
transitou em julgado. 
Sobre o caso acima, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) A Comarca do Rio de Janeiro é competente para apreciar a ação, por se tratar do foro 
do domicílio do réu, bem como por ser a competência territorial na ação civil pública 
relativa, prorrogável caso não seja alegada a incompetência em sede de contestação, 
como na hipótese. 
(B) A coisa julgada, por se tratar de ação civil pública para a defesa de direitos coletivos 
em sentido estrito, terá eficácia ultra partes, mas limitadamente à categoria das vítimas 
e sucessores do evento danoso. 
(C) A liquidação de sentença poderá ser promovida pela associação civil ou pelo 
Ministério Público, exclusivamente, vedada igual iniciativa às vítimas e/ou a seus 
sucessores. 
(D) A autorização assemblear é dispensável na hipótese, bem como não há nulidade 
decorrente da flexibilização do requisito da pré-constituição da associação civil nos 
termos da fundamentação exposta pelo juízo ao sanear o processo. 
(E) A condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência em 
sede de ação civil pública promovida por associação civil é cabível, ainda que ausente a 
má-fé em sua atuação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 22 e 23 de Direito Processual Civil na turma ENAM II 
2024, página 11. 
Segundo entendimento do STJ, “as associações civis, para ajuizar ações civis públicas ou 
coletivas, precisam deter representatividade adequada do grupo que pretendam 
defender em juízo, aferida à vista do preenchimento de dois requisitos: a) pré-
constituição há pelo menos um ano nos termos da lei civil - dispensável, quando 
evidente interesse social; e b) pertinência temática - indispensável e correspondente à 
finalidade institucional compatível com a defesa judicial do interesse. Quanto ao 
requisito temporal, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme quanto à 
possibilidade de dispensa do requisito de um ano de pré-constituição da associação, nos 
casos de interesse social evidenciado pela dimensão do dano e pela relevância do bem 
jurídico a ser protegido” (AgInt nos EDcl no REsp 1788290 / MS, QUARTA TURMA, Rel. 
Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 01/08/2022). 
Desse modo, no caso da questão, é possível dispensar o requisito temporal de pré-
constituição, sempre que o juiz condutor do processo entender que remanesce interesse 
 
79 
social evidenciado pela dimensão do dano e pela relevância do bem jurídico a ser 
protegido. 
Quanto à necessidade de autorização dos associados, fundamental rememorar o 
entendimento mais recente do STJ (REsp 1.993.506 – MT, Terceira Turma, Rel. MINISTRA 
NANCY ANDRIGHI, julgado em 26 de abril de 2022). 
Para a Corte Superior, “4. Ordinariamente, as partes da relação jurídica processual 
devem ser as mesmas que figuram como titulares da relação jurídica de direito material 
(art. 18 do CPC/2015). Nesse contexto, a defesa coletiva de interesses comuns 
pertencentes a diversos titulares somente poderia ser realizada em litisconsórcio. 
Todavia, diante da necessidade de enfrentamento simultâneo de lides multitudinárias e 
para propiciar a defesa conjunta de interesses comuns, surgiram os institutos da 
representação e da substituição processuais. 5. O art. 5º, XXI, da CF/88 confere às 
entidades associativas legitimidade para representar seus filiados judicial e 
extrajudicialmente, quando expressamente autorizadas. O referido dispositivo 
constitucional diz respeito às ações de rito ordinário, as quais se prestam às mais diversas 
postulações, voltadas contra entes públicos ou privados, para satisfação de direitos 
individuais ou coletivos. Apesar de a lei não ser expressa a respeito, o objeto material da 
demanda deve guardar pertinência com os fins da associação. 6. Nessas lides, a 
associação atua como representante processual, porquanto vai a juízo em nome e no 
interesse dos associados. Por essa razão, há necessidade de autorização expressa dos 
filiados, a qual é satisfeita com a anuência dos associados manifestada em assembleia 
geral. Se tais elementos não acompanharem a petição inicial, o juiz deve oportunizar à 
parte a correção do vício e apenas caso não atendida a determinação é que o feito deve 
ser extinto sem julgamento do mérito (art. 76 do CPC/2015). Precedentes. 7. O 
ordenamento jurídico também assegura à associação a possibilidade de atuar em juízo 
para a defesa de interesse coletivo em sentido amplo, seja mediante a propositura de 
ação coletiva de consumo ou de ação civil pública. A tanto, basta que estejam 
preenchidos os pressupostos legais, a saber: constituição regular há pelo menos 01 
(um) ano e pertinência temática (art. 82, IV, do CDC e art. 5º, V, da Lei nº 7.347/1985). 
8. Nessas hipóteses, a associação assume o papel não de representante, mas sim de 
substituta processual (legitimação extraordinária), pois age em nome próprio para a 
defesa de pretensão alheia. No regime de substituição processual, é inaplicável a tese 
firmada pelo STF quanto à necessidade de autorizaçãodos associados, a qual se 
restringe às ações coletivas de rito ordinário. Precedentes. 
Desse modo, a resposta é a letra D. 
_______________________________________________________________________ 
46. Após enunciar o dever dos tribunais de “uniformizar sua jurisprudência e mantê-la 
estável, íntegra e coerente” o atual Código de Processo Civil lista os padrões decisórios 
de força vinculativa, entre os quais os acórdãos em incidente de assunção de 
competência e em julgamento de recurso especial repetitivo. 
Especificamente em relação ao tema dos Juizados Especiais, o Superior Tribunal de 
Justiça vem, ao longo dos últimos anos, firmando precedentes vinculantes de notável 
repercussão jurídica. 
 
80 
À luz de tais considerações, analise as teses a seguir. 
I. Os Juizados Especiais da Fazenda Pública, órgãos da justiça comum e integrantes do 
Sistema dos Juizados Especiais, serão criados pela União, no Distrito Federal e nos 
Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e execução, nas 
causas de sua competência, a qual possui natureza absoluta nos foros em que tenha sido 
instalado o respectivo Juizado, para as causas da sua alçada e matéria. 
II. Ao autor que deseje litigar no âmbito de Juizado Especial Federal Cível, é lícito 
renunciar, de modo expresso e para fins de atribuição de valor à causa, ao montante que 
exceda os 60 (sessenta) salários mínimos previstos no Art. 3º, caput, da Lei nº 
10.259/2001, aí incluídas, sendo o caso, as prestações vincendas. 
III. Os Juizados Especiais da Fazenda Pública têm competência para o julgamento de 
ações decorrentes de acidente de trabalho em que o Instituto Nacional do Seguro Social 
figure como parte. 
IV. Não é possível propor nos Juizados Especiais da Fazenda Pública a execução de título 
executivo formado em ação coletiva que tramitou sob o rito ordinário, assim como impor 
o rito sumaríssimo da Lei nº 12.153/2009 ao juízo comum da execução. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I e III, apenas. 
(B) II e III, apenas. 
(C) II, III e IV, apenas. 
(D) I, II e IV, apenas. 
(E) I, II, III e IV. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que os juizados 
especiais possuem competência absoluta para julgar as demandas quando o valor da 
causa não ultrapasse 60 (sessenta) salários mínimos, sendo certo que a complexidade 
da causa não é motivo suficiente para afastar a competência dos juizados especiais. 
AgInt nos EDcl no AREsp 2.201.340/RS, relator ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, 
julgado em 4/9/2023, DJe de 6/9/2023. 
Ademais, firmou o STJ tese sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1030) no seguinte 
sentido: "Ao autor que deseje litigar no âmbito de Juizado Especial Federal Cível, é lícito 
renunciar, de modo expresso e para fins de atribuição de valor à causa, ao montante que 
exceda os 60 (sessenta) salários mínimos previstos no art. 3º, caput, da Lei 10.259/2001, 
aí incluídas, sendo o caso, as prestações vincendas". 
 
81 
No bojo do Tema 1053, decidiu o STJ que os Juizados Especiais da Fazenda Pública não 
têm competência para o julgamento de ações decorrentes de acidente de trabalho em 
que o Instituto Nacional do Seguro Social figure como parte. 
E, ainda, no âmbito do Tema 1029, foi fixada a seguinte tese: "Não é possível propor nos 
Juizados Especiais da Fazenda Pública a execução de título executivo formado em Ação 
Coletiva que tramitou sob o rito ordinário, assim como impor o rito sumaríssimo da Lei 
12.153/2009 ao juízo comum da execução." 
Sendo assim, são verdadeiras as afirmativas I, II e IV. 
_______________________________________________________________________ 
47. A partir de dados obtidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sabe-se que, em 
2023, havia 84 milhões de ações judiciais em trâmite no território nacional. Diante disso, 
os mecanismos paraestatais surgem como instrumentos adequados à resolução de 
conflitos. Nesse cenário, a arbitragem permite que partes maiores e capazes, divergindo 
sobre o direito de cunho patrimonial, submetam o litígio ao terceiro (árbitro), que 
deverá, após regular o procedimento, decidir o conflito. 
Para tanto, o árbitro deverá ter os poderes do juiz togado listados a seguir, à exceção de 
um. Assinale-o. 
(A) Determinar a realização de perícias indispensáveis ao julgamento da demanda. 
(B) Tomar depoimento das partes e ouvir testemunhas indicadas. 
(C) Modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder 
Judiciário. 
(D) Usar do poder de coercibilidade direta para impor à parte o cumprimento da decisão 
arbitral. 
(E) Definir, de ofício, a produção de prova que julgar necessária à resolução da lide. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Dentre as opções, a única correta é a letra D, uma vez que as decisões arbitrais não 
possuem imediata coercibilidade, isto é, se a parte vencida não cumprir 
espontaneamente a decisão, a parte vencedora necessitará distribuir um processo 
próprio perante o Poder Judiciário, a fim de que a decisão arbitral seja cumprida de 
modo forçado. 
_______________________________________________________________________ 
48. Ajuizada ação por consumidor em face da operadora de plano de saúde que havia 
contratado, o juiz da causa deferiu a tutela provisória pleiteada, determinando que a 
parte ré custeasse de imediato os tratamentos médicos de que necessitava o autor, 
enquanto fossem necessários, conforme requerido na petição inicial. 
 
82 
Encerrada a fase postulatória, o magistrado, concluindo pela desnecessidade da prova 
pericial requerida pela demandada, julgou antecipadamente o mérito e acolheu o pleito 
autoral. Restou confirmada no ato sentencial, assim, a tutela provisória deferida 
inicialmente, com a condenação da operadora demandada a garantir a cobertura dos 
tratamentos médicos nos moldes especificados na peça exordial. 
Regularmente intimada, a ré interpôs recurso de apelação, na qual requereu a anulação 
da sentença, por entender que esta se achava maculada por error in procedendo, 
consubstanciado no cerceamento de seu direito de defesa, e, subsidiariamente, a 
reforma do julgado, para que se julgasse improcedente o pedido. 
Na sequência, o autor requereu o processamento do cumprimento provisório da 
sentença, com a subsequente intimação da ré para depositar os valores relativos aos 
tratamentos médicos. 
Nesse cenário, a respeito da ação do juiz, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Deve indeferir o cumprimento provisório de sentença, uma vez que o recurso de 
apelação interposto pela ré é dotado de efeito suspensivo. 
(B) Deve indeferir o cumprimento provisório de sentença, uma vez que, no recurso de 
apelação interposto pela ré, pleiteou-se a anulação da sentença. 
(C) Deve indeferir o cumprimento provisório de sentença, por ser este incabível nas 
hipóteses de condenação ao cumprimento de obrigação de fazer. 
(D) Deve deferir o cumprimento provisório de sentença, o qual não ficará sem efeito 
ainda que sobrevenha acórdão que anule o ato sentencial objeto da execução. 
(E) Deve deferir o cumprimento provisório de sentença, cabendo ao autor a obrigação 
de reparar os danos sofridos pela ré na hipótese de reforma do ato sentencial objeto da 
execução. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nas remessas 9 e 14 de circuito legislativo da turma ENAM II 2024 
na disciplina de Direito Processual Civil. 
Via de regra, a apelação possui efeito suspensivo, na forma do caput do art. 1012 do 
CPC. 
Entretanto, além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos 
imediatamente após a sua publicação a sentença que confirma, concede ou revoga 
tutela provisória (art. 1012, §2º, V, do CPC). 
No caso apresentado,considerando que a apelação não terá efeito suspensivo, já que 
impugna a sentença proferida pelo Juízo a quo, que confirmou a tutela de urgência, é 
possível o cumprimento provisório de sentença, com base no art. 520 do CPC, 
 
83 
obrigando-se o exequente, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o 
executado haja sofrido: 
Art. 520. O cumprimento provisório da sentença impugnada por 
recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da 
mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao 
seguinte regime: 
I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se 
obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o 
executado haja sofrido; 
A resposta correta, portanto, é a letra E. 
_______________________________________________________________________ 
49. Denise impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, em face de ato 
coator praticado pelo Diretor de Benefícios da Autarquia Previdenciária do Município 
Beta, que lhe negou o direito de incorporar determinada gratificação a seus proventos 
de aposentadoria do cargo efetivo de Professor de Ensino Fundamental I. 
O juízo, em apreciação inicial, indeferiu a liminar pretendida, bem como determinou a 
notificação da autoridade coatora para prestar informações e a intimação da 
Procuradoria-Geral do Município Beta para, querendo, ingressar no feito. 
Após a vinda das informações e a oferta de impugnação pelo Município Beta, o juiz 
concedeu a ordem, determinando à autoridade coatora que promovesse a incorporação 
pretendida por Denise. Inconformado com a sentença, o Município Beta interpôs recurso 
de apelação, o qual foi conhecido e desprovido pela maioria dos votos dos 
desembargadores da 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado Alfa. 
Na sequência, o ente público interpôs recursos especial e extraordinário em face do 
acórdão de julgamento da apelação. 
Diante do caso acima, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O recurso de apelação interposto pelo Município Beta não deveria ter sido conhecido 
pela Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado Alfa, pois o duplo grau 
obrigatório de jurisdição da sentença concessiva de mandado de segurança retira o 
interesse recursal do ente público em buscar a reforma e/ou anulação da decisão. 
(B) Após a interposição dos recursos especial e extraordinário, os autos serão 
inicialmente remetidos ao Superior Tribunal de Justiça para o julgamento do recurso 
especial e, concluído o julgamento, remetidos ao Supremo Tribunal Federal para a 
apreciação do recurso extraordinário, se este não estiver prejudicado. 
(C) Não é possível a execução provisória da sentença concessiva da segurança que 
beneficiou Denise, por haver a vedação legal à concessão de medida liminar para a 
concessão de vantagens ao servidor público, a impedir o cumprimento provisório do 
título executivo judicial. 
(D) Caso tivesse sido denegada a ordem em sede de apelação no Tribunal de Justiça, 
deveria ter sido ofertado recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça. 
 
84 
(E) No recurso extraordinário, cabe ao Município demonstrar a existência de repercussão 
geral da questão constitucional debatida, a ser inicialmente apreciada pela Presidência 
do Tribunal de Justiça do Estado Alfa em sede preliminar e, em seguida, pelo Supremo 
Tribunal Federal, caso seja negada a repercussão geral pelo tribunal de origem e seja 
interposto agravo em recurso extraordinário pelo Município Beta. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 13 a 15 de Direito Processual Civil na turma ENAM II 
2024. 
A resposta é extraída da análise do art. 1.031 do CPC: 
Art. 1.031. Na hipótese de interposição conjunta de recurso 
extraordinário e recurso especial, os autos serão remetidos ao 
Superior Tribunal de Justiça. 
§ 1º Concluído o julgamento do recurso especial, os autos serão 
remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do 
recurso extraordinário, se este não estiver prejudicado. 
Importante atentarem que o duplo grau de jurisdição independe de eventual recurso de 
apelação interposto, sendo decorrência do interesse público no julgamento da lide. 
Ademais, de acordo com teor do art. 14, § 3o, da Lei 12.016/1990, “a sentença que 
conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente, salvo nos casos 
em que for vedada a concessão da medida liminar”. 
Prevê o art. 7º, § 2o, que “não será concedida medida liminar que tenha por objeto a 
compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do 
exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de 
aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza”. 
Entretanto, tal dispositivo foi reputado inconstitucional pelo STJ, que decidiu ser 
inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida liminar 
na via mandamental. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do 
acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). 
E, ainda, ao se que se extrai do art. 18 da mesma Lei, das decisões em mandado de 
segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e 
extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for 
denegada, de modo que, a depender da hipótese, seria cabível a interposição de recurso 
especial ou extraordinário, nos casos legalmente previstos. 
Por fim, confiram o que prevê o art. 1030 do CPC: 
Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do 
tribunal, o recorrido será intimado para apresentar 
 
85 
contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos 
serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal 
recorrido, que deverá: 
I – negar seguimento: 
a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional à 
qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a 
existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário 
interposto contra acórdão que esteja em conformidade com 
entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime 
de repercussão geral; 
b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto 
contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento 
do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, 
respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos 
repetitivos; 
§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III 
caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. 
Sendo assim, a alternativa correta é a letra B. 
_______________________________________________________________________ 
50. Tendo o autor de uma demanda formulado três pedidos, embora sem o 
requerimento de concessão de tutela provisória em relação a qualquer deles, o juiz da 
causa, depois de encerrada a fase postulatória, entendeu que a sua convicção já estava 
formada acerca da procedência de pelo menos uma das três pretensões deduzidas na 
petição inicial. 
Desse modo, o magistrado acolheu de imediato essa parcela do pleito autoral, tendo 
condenado o réu ao pagamento de uma obrigação ainda ilíquida, restando consignado 
no ato decisório, ainda, que a apuração do quantum debeatur ficaria reservada para 
posterior etapa de liquidação. Sem prejuízo, o magistrado determinou o prosseguimento 
do feito, rumo à fase da instrução probatória, para fins de futuro julgamento dos outros 
dois pedidos veiculados na peça exordial. 
A respeito do quadro apresentado, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O juiz agiu equivocadamente, uma vez que não há previsão na lei processual para a 
cisão do julgamento dos pedidos formulados na petição inicial, o qual deve ser 
simultâneo e pressupôs a conclusão da fase da instrução probatória. 
(B) O juiz agiu equivocadamente, uma vez que, embora a lei processual preveja o 
julgamento antecipado parcial do mérito, isso pressupõe,na hipótese de condenação ao 
cumprimento de obrigação pecuniária, que esta seja líquida. 
(C) O juiz agiu equivocadamente, uma vez que, embora a lei processual preveja o 
julgamento antecipado parcial do mérito, isso pressupõe que tenha sido requerida, na 
petição inicial, a concessão de tutela provisória de natureza antecipada. 
 
86 
(D) O juiz agiu acertadamente, sendo a decisão de julgamento antecipado parcial do 
mérito impugnável por recurso de apelação, o qual viabiliza o juízo de retratação pelo 
órgão a quo. 
(E) O juiz agiu acertadamente, sendo a decisão de julgamento antecipado parcial do 
mérito impugnável por recurso de agravo de instrumento. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nas remessas de Direito Processual Civil do Circuito Legislativo 
da turma ENAM II 2024. 
A resposta é extraída da leitura do art. 356 do CPC: 
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou 
mais dos pedidos formulados ou parcela deles: 
I - mostrar-se incontroverso; 
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos 
do art. 355 . 
§ 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá 
reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida. 
§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação 
reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, 
independentemente de caução, ainda que haja recurso contra 
essa interposto. 
§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da 
decisão, a execução será definitiva. 
§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar 
parcialmente o mérito poderão ser processados em autos 
suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz. 
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por 
agravo de instrumento. 
Dessa forma, o juiz, se entender que um dos pedidos se encontra em condições de 
imediato julgamento, pode julgar antecipadamente o mérito quanto a tal pedido, ainda 
que reconheça o direito à quantia ilíquida, sendo tal decisão impugnável por agravo de 
instrumento. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO CIVIL 
 
51. Lenira, que acabara de perder o marido vítima de atropelamento, encontrando-se 
em situação financeira muito difícil para se sustentar e manter os quatro filhos, foi 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art355
 
87 
procurada por Dr. Tício, advogado, que ofereceu a ela os seus serviços para obter a 
pensão por morte que ela não conseguira administrativamente, mediante a 
remuneração de 60% (sessenta por cento) sobre a totalidade do benefício auferido na 
ação judicial. 
Lenira, de pouca instrução e desesperada para obter ajuda, celebrou o negócio jurídico 
nesses termos com o referido advogado. 
De acordo com a situação hipotética apresentada, Lenira pode propor ação de anulação 
(A) no prazo de dois anos, a contar da celebração do negócio jurídico, com base em 
coação moral. 
(B) no prazo de dois anos, a contar da celebração do negócio jurídico, com base no 
estado de perigo. 
(C) no prazo de dois anos, a contar da celebração do negócio jurídico, com base no dolo. 
(D) no prazo de quatro anos, a contar da celebração do negócio jurídico, com base na 
lesão. 
(E) no prazo de quatro anos, a contar da celebração do negócio jurídico, com base no 
erro. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 04 a 06 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, a 
partir da página 34. 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa D. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa D. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa D. 
(D) CORRETA. A lesão consiste na hipótese em que “uma pessoa, sob premente 
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente 
desproporcional ao valor da prestação oposta” (art. 157 do CC). 
Ocorre a lesão quando alguém se obriga a uma prestação manifestamente 
desproporcional (1º requisito OBJETIVO), em razão de necessidade ou inexperiência (2º 
requisito SUBJETIVO). 
Posto isso, podemos constatar que a questão trouxe uma hipótese de celebração de 
negócio jurídico que ocasiona lesão. Neste particular, o Código Civil prevê em seu art. 
178, inciso II, que o prazo decadencial para pleitear a anulação de tal negócio é de quatro 
anos a contar do dia em que este foi celebrado: 
 
88 
“Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-
se a anulação do negócio jurídico, contado: 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou 
lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico;” 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa D. 
_______________________________________________________________________ 
52. Em 1º de setembro de 2024, Maria e Jorge celebraram contrato com o médico Zeno, 
por meio do qual este se obrigou a transmitir a propriedade de seu veículo particular 
(chassi ABCDEFGH) para aqueles, no valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais), constando 
a favor dos compradores cláusula expressa de solidariedade ativa. Na minuta contratual, 
não consta taxa de juros moratórios convencionais ou índice de correção monetária. 
Na data acordada, Zeno transmite a posse e a propriedade do veículo a ambos os 
compradores e, ao conferir a sua conta corrente, percebe que a transferência dos valores 
não foi realizada tal como informado pelos adquirentes, constando apenas o pagamento 
de metade do valor, realizado por Maria. Inconformado, decide propor ação contra 
Maria para cobrar o valor remanescente. 
Com relação a esse evento, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O pedido deve ser julgado improcedente porque, como se trata de obrigação 
divisível, presume-se que o valor devido por Maria corresponde à metade do preço 
estipulado, já tendo ela realizado o pagamento de sua obrigação. 
(B) Zeno tem direito de cobrar a dívida inteira de Maria, em razão da cláusula de 
solidariedade expressamente estipulada. 
(C) A taxa legal de juros decorrente da mora deve corresponder à taxa referencial Selic, 
deduzido o índice de atualização monetária, vedando-se a possibilidade de juros 
zerados. 
(D) Maria responde por toda a dívida, em razão da indivisibilidade do bem alienado, de 
modo que, pagando a integralidade da obrigação, sub-roga-se no direito do credor em 
relação a Jorge. 
(E) Em razão da mora, Zeno deve cobrar o valor monetariamente atualizado pelo índice 
INPC ou IGP-M, podendo adotar o que lhe for mais favorável. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 04 a 06 de Direito Civil na turma 
ENAM II 2024 a partir da página 73. 
 
89 
(A) CORRETA. A obrigação divisível é aquela cuja prestação é suscetível de cumprimento 
parcial, sem prejuízo de sua substância e de seu valor, podendo ser cumprida de forma 
fracionada, ou seja, em partes. 
Preconiza o art. 257 do CC/2002 que havendo mais de um devedor ou mais de um credor 
em obrigação divisível, esta se presume dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, 
quanto os credores e devedores. 
As obrigações de dar, em regra, são divisíveis quando se tratam de obrigação pecuniária, 
quando de tratam de obrigação de dar coisa fungível, quando compreende ela número 
certo de objetos de mesma espécie, igual ao dos concredores, ou dos codevedores, ou 
submúltiplo desse número, quando tenha por objeto a transferência de propriedade ou 
de outro direito real, pois é sempre possível a divisão em partes ideais. 
Washington de Barros Monteiro destaca importantes consequências jurídicas 
decorrentes do fato de a obrigação divisível ter numerosos sujeitos ativos ou passivos, 
quer originariamente, quer de modo derivado (por cessão ou herança): 
“a) cada um dos credores só tem direito a exigir sua fração no crédito; b) de modo 
idêntico,cada um dos devedores só tem de pagar a própria quota no débito (exemplo: 
art. 699 do Código Civil 1916, correspondente ao art. 1.380, do atual); c) se o devedor 
solver integralmente a dívida a um só dos vários credores, não se desobrigará com 
relação aos demais concredores; d) o credor que recusar o recebimento de sua quota, 
por pretender solução integral, pode ser constituído em mora; e) a insolvência de um 
dos codevedores não aumentará a quota dos demais; f) a suspensão da prescrição, 
especial a um dos devedores, não aproveita aos demais (Código Civil 1916, art. 171, 
correspondente ao art. 201 do atual); g) a interrupção da prescrição por um dos credores 
não beneficia os outros; operada contra um dos devedores não prejudica os demais 
(Código Civil 1916, art. 176; atual art. 204)” 
(B) INCORRETA. Vide comentários da assertiva A. 
(C) INCORRETA. Vide comentários da assertiva A. 
(D) INCORRETA. Vide comentários da assertiva A. 
(E) INCORRETA. Vide comentários da assertiva A. 
_______________________________________________________________________ 
53. Osvaldo celebrou um contrato, com prazo de vigência de seis meses, pelo qual se 
comprometeu a vender os tomates que produz por R$3,00 (três reais) o quilo para um 
mercado local, devendo entregá-los toda segunda-feira de manhã. 
Passados dois meses de execução regular do contrato, Osvaldo entendeu que o contrato 
se tornou injusto, pois houve significativa alta no valor do tomate em razão de pragas 
que atingiram os produtores da região. Diante disso, pretende a resolução do contrato 
por onerosidade excessiva. 
Sobre o caso, analise as afirmativas a seguir. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11434637/artigo-699-da-lei-n-3071-de-01-de-janeiro-de-1916
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/586165/conflito-de-competencia-cc-1916
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/586165/conflito-de-competencia-cc-1916
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11481307/artigo-171-da-lei-n-3071-de-01-de-janeiro-de-1916
https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/586165/conflito-de-competencia-cc-1916
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11480747/artigo-176-da-lei-n-3071-de-01-de-janeiro-de-1916
 
90 
I. A pretensão de Osvaldo somente poderá ser acolhida se a alta no valor do tomate em 
razão de pragas que atingiram os produtores da região for considerada um 
acontecimento imprevisível no momento da contratação. 
II. Ainda que o pedido de Osvaldo tenha sido a resolução do contrato e não a sua revisão, 
o mercado pode evitar a extinção do negócio, oferecendo-se a aumentar 
equitativamente o preço que paga pelos tomates. 
III. O fundamento para Osvaldo pretender a resolução é seu direito básico como 
consumidor, o que implica na revisão das cláusulas contratuais em razão de fatos 
supervenientes que as tornam excessivamente onerosas. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 04 a 06 de Direito Civil na turma 
ENAM II 2024, a partir da página 66. 
I. CORRETA. A assertiva trata da teoria da imprevisão prevista no art. 478, CC: 
“Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se 
a prestação de uma das partes se tornar excessivamente 
onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de 
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o 
devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença 
que a decretar retroagirão à data da citação”. 
II. CORRETA. 
CC: art. 479, CC: “Art. 479. A resolução poderá ser evitada, 
oferecendo-se o réu a modificar equitativamente as condições 
do contrato.” 
III. INCORRETA. Para a legislação, consumidor é toda pessoa física ou jurídica que 
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatária final. O conceito de consumidor 
foi construído na legislação brasileira sob ótica objetiva, voltada para o ato de retirar o 
produto ou serviço do mercado, na condição de seu destinatário final. 
 
91 
Com efeito, resta evidenciado que Osvaldo não é consumidor, mas sim produtor, não se 
aplicando, portanto, o CDC. 
Diante disso, a única alternativa correta é a B. 
_______________________________________________________________________ 
54. Alice Semedo, estrangeira, viúva, oriunda do país Alpha, proprietária de dois imóveis 
no Estado da Bahia, Brasil, realizou testamento no Brasil, deixando metade de todo seu 
patrimônio para uma Organização Não Governamental com sede em Salvador, Bahia. 
Alice tem dois filhos brasileiros com idades de 5 e 7 anos. A legislação do país de Alice 
prevê que, em caso de falecimento, deixando o de cujus filhos, dois terços da herança 
devem ser destinados a eles na condição de herdeiros necessários. 
Na situação hipotética narrada, assinale a opção que apresenta, corretamente, a 
legislação aplicável ao caso. 
(A) Como os bens imóveis situam-se no Brasil, a legislação brasileira será aplicada 
exclusivamente em detrimento da lei pessoal do de cujus. 
(B) O ordenamento jurídico impõe aplicação exclusiva da legislação pessoal do de cujus, 
independentemente da existência de filhos. 
(C) Deve ser cumprida a vontade do de cujus, visto que a autonomia da vontade sempre 
impera nos atos de última vontade. 
(D) A legislação brasileira impõe a junção da norma nacional com a lei pessoal do de 
cujus, limitando a vontade do de cujus, independentemente da existência de herdeiros 
necessários. 
(E) A sucessão de bens de estrangeiros, situados no país, será regulada pela lei brasileira 
em benefício dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal 
do de cujus. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no ponto 01 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, a partir da 
página 35. 
(A) INCORRETA. Vide comentários da assertiva E. 
(B) INCORRETA. Vide comentários da assertiva E. 
(C) INCORRETA. Vide comentários da assertiva E. 
(D) INCORRETA. Vide comentários da assertiva E. 
(E) CORRETA. LINDB (Decreto-Lei nº 4.657/42): 
 
92 
“Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei 
do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, 
qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. 
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será 
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos 
brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja 
mais favorável a lei pessoal do de cujus. 
(...)” 
Note que a alternativa estabelece que a sucessão de bens de estrangeiros situados no 
Brasil será regulada pela lei brasileira em benefício dos filhos brasileiros, a menos que a 
lei pessoal do de cujus seja mais favorável. 
_______________________________________________________________________ 
55. A família de Teodoro Madureira notificou extrajudicialmente a sociedade empresária 
de previdência privada, Vida Longínqua S.A., informando o falecimento do segurado. A 
notificação do falecimento foi enviada ao negócio 72 horas após o ocorrido, anexando a 
certidão de óbito. Apesar disso, durante seis meses, a sociedade empresária de 
previdência privada depositou o valor do benefício da aposentadoria contratada. O 
contrato estipulava o desembolso do benefício de maneira vitalícia, não havendo a 
incidência de pensão a qualquer beneficiário. 
Diante da situação hipotética narrada, considerando que Vida Longínqua S.A. pretende 
a restituição dos valores pagos após o falecimento de Teodoro, assinale a afirmativa 
CORRETA. 
(A) O ordenamento jurídico brasileiro admite a repetição, quando o devedor solveu 
obrigação judicialmente inexigível. 
(B) A inexistência de relação jurídica entre a família de Teodoro e a sociedade empresária 
de previdência privada desobriga a restituição. 
(C) O enriquecimento ilícitopúblicos deve partir do órgão responsável pela 
administração do orçamento. 
 
11 
Com base nesses julgados, conclui-se que a competência para a proposição de revisões 
remuneratórias é exclusiva do Poder Executivo, reforçando e assegurando a estabilidade 
financeira e administrativa na gestão pública. 
_______________________________________________________________________ 
2. Conforme prevê o Art. 200 da Constituição Estatual de Alfa, “o Estado não intervirá 
nos municípios, exceto nos casos previstos no Art. 35 da Constituição Federal de 1988”. 
Dessa forma, o constituinte de Alfa optou por não elencar no texto constitucional 
estadual o rol de princípios constitucionais sensíveis. 
Sobre o Art. 200 da Constituição de Alfa, tendo como parâmetros a Constituição Federal 
de 1988 e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) É constitucional, pois a previsão na Constituição Estadual da possibilidade de 
intervenção nos municípios é facultativa, em razão da autonomia federativa dos Estados. 
(B) É inconstitucional, pois é necessária a reprodução expressa do rol taxativo, previsto 
na Constituição Federal de 1988, dos princípios constitucionais sensíveis na Constituição 
Estadual ou, ao menos, em lei complementar, como requisito para a intervenção do 
Estado em seus municípios. 
(C) É constitucional, pois é desnecessária a reprodução expressa do rol taxativo, previsto 
na Constituição Federal de 1988, dos princípios constitucionais sensíveis na Constituição 
Estadual, como condição autorizativa para a intervenção do Estado em seus municípios, 
por inexistir autonomia para modificá-lo. 
(D) É inconstitucional, pois o Estado tem o dever de definir expressamente o rol taxativo 
dos princípios sensíveis que, uma vez violados, podem ensejar a intervenção nos 
municípios, ainda que a previsão seja distinta da Constituição Federal de 1988. 
(E) É constitucional, pois em observância ao princípio federativo, compete aos Estados a 
escolha de seguir ou não as normas previstas na Constituição Federal de 1988, no que 
tange à intervenção nos municípios. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O julgado foi estudado no material do Informativo nº 1.121 a 1.1142 do STF (Janeiro e 
Junho de 2024) enviado para a turma do ENAM II 2024, página 18. 
Os princípios constitucionais sensíveis previstos no inciso VII do art. 34 da Constituição 
Federal são de observância obrigatória pelos Estados, sendo estes princípios essenciais 
à manutenção do pacto federativo e à ordem constitucional. Assim, não há necessidade 
de que as Constituições estaduais repliquem literalmente esses princípios como 
condição para a aplicação e intervenção do Estado nos seus Municípios. 
 
12 
Conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 7369, os 
Estados não possuem autonomia para alterar ou modificar o conteúdo desses princípios, 
pois sua essência é vinculante e de observância impositiva. Dessa forma, a falta de 
reprodução literal dos princípios constitucionais sensíveis na Constituição estadual não 
afasta a possibilidade de intervenção do Estado em seus Municípios, caso haja afronta 
a esses princípios. 
Esse entendimento garante a supremacia da Constituição Federal e a integridade do 
sistema federativo, evitando que os entes estaduais flexibilizem princípios fundamentais 
que devem reger a atuação de todos os entes federativos. A decisão na ADI 7369 reforça, 
assim, a importância da uniformidade na aplicação desses princípios para a proteção da 
ordem constitucional e a defesa do interesse público. 
_______________________________________________________________________ 
3. Maria, política muito conhecida no cenário nacional, tendo ocupado por décadas 
inúmeros cargos de grande relevância nas estruturas estatais de poder, foi convidada, 
pelo editor de um conhecido e tradicional periódico, a participar de uma entrevista sobre 
sua vida profissional, com o objetivo de subsidiar reportagem que seria direcionada 
especificamente a ela. 
Como Maria protagonizara diversas controvérsias em sua atuação funcional e não mais 
ocupava qualquer cargo público, decidiu não conceder a entrevista, de modo a preservar 
a sua esfera jurídica. Apesar disso, o referido periódico dedicou uma edição inteira à 
análise da vida pública de Maria, realizando críticas ácidas à sua atuação funcional, o que 
ocorreu sem que tivesse conhecimento prévio do teor da matéria, desagradando-a 
profundamente. 
Considerando os balizamentos oferecidos pela sistemática constitucional, assinale a 
afirmativa CORRETA. 
(A) A matéria seria lícita caso fosse adotado o conceito de reportagem neutral, mas a 
existência de críticas ácidas evidencia a sua ilicitude. 
(B) Em razão da autonomia da vontade, a negativa de Maria em conceder a entrevista 
evidencia a ilicitude da matéria em relação à análise de sua vida pública. 
(C) As liberdades de pensamento e expressão devem preponderar na situação descrita, 
abrangendo a realização de críticas, ainda que sejam consideradas ácidas. 
(D) Como a liberdade de expressão sempre prepondera sobre o direito à honra de 
personagens públicos, a matéria publicada pelo periódico apresenta conformidade 
constitucional. 
(E) Apesar de Maria ter ocupado cargos públicos, o que evidencia o interesse público na 
matéria, o resultado da ponderação entre o direito à honra e a liberdade de informação 
se inverteu ao deixar de ocupá-los, de modo que aquele direito passou a prevalecer. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
 
 
13 
COMENTÁRIOS 
 
O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou entendimento no AI 705.630 acerca da 
proteção constitucional da crítica jornalística como uma manifestação legítima do 
direito à liberdade de expressão e imprensa, especialmente quando dirigida a figuras 
públicas ou notórias. Esse direito, impregnado de qualificação constitucional, é 
fundamental para assegurar a transparência e o controle social sobre atividades que 
envolvem interesse da coletividade. 
De acordo com a decisão, o interesse social que legitima a crítica jornalística se sobrepõe 
às eventuais suscetibilidades pessoais das figuras públicas, ainda que exerçam, ou não, 
cargos oficiais. Assim, críticas severas, mordazes ou até impiedosas dirigidas a pessoas 
públicas não configuram, por si só, ato ilícito, desde que realizadas no contexto de uma 
manifestação legítima de opinião. 
A liberdade de crítica é reconhecida como uma excludente anímica, capaz de afastar o 
intuito doloso de ofender e, por conseguinte, excluir a responsabilidade civil por dano 
moral. Isso significa que a divulgação de opiniões e observações críticas pelos meios de 
comunicação social não estará sujeita às limitações ordinárias dos direitos de 
personalidade aplicáveis a pessoas comuns, visto que figuras públicas, pela natureza de 
sua exposição, estão sujeitas a um maior grau de escrutínio público. 
_______________________________________________________________________ 
4. De acordo com a Constituição Federal de 1988, será concedido mandado de injunção 
sempre que a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e 
das liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania 
e à cidadania. 
A respeito do referido remédio constitucional, a partir da jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) É incabível o pedido de desistência formulado após o início do julgamento pelo 
Supremo Tribunal Federal, quando a maioria dos ministros já tiver se manifestado 
favoravelmente à concessão da medida. 
(B) A Constituição Federal de 1988 prevê adicional noturno aos militares estaduais ou 
distritais e será cabível mandado de injunção para que se apliquem as normas que 
regulamentam o adicional noturno dos servidores públicos civis aos militares estaduais. 
(C) O mandadoda família de Teodoro se presume, mas a falta de má-fé gera 
a restituição sem a atualização dos valores monetários. 
(D) Como o pagamento ocorreu voluntariamente, caberá à sociedade empresária de 
previdência privada o ônus probatório do erro. 
(E) A restituição é indevida, quando deixa de existir a causa que justifique o 
enriquecimento. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 07 a 09 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, 
assim como na 7ª Remessa do Circuito Legislativo de Direito Civil. 
 
93 
(A) INCORRETA. 
CC: Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver 
dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. 
(B) INCORRETA. 
CC: Art. 876. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido 
fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que 
recebe dívida condicional antes de cumprida a condição. 
(C) INCORRETA. 
CC: Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa 
de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, 
feita a atualização dos valores monetários. 
Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa 
determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a 
coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem 
na época em que foi exigido. 
(D) CORRETA. 
CC: Art. 877. Àquele que voluntariamente pagou o indevido 
incumbe a prova de tê-lo feito por erro. 
(E) INCORRETA. 
CC: Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha 
havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se 
esta deixou de existir. 
_______________________________________________________________________ 
56. A respeito do fenômeno da constitucionalização do Direito Civil, analise as 
afirmativas a seguir. 
I. A função econômica da liberdade negocial afasta a incidência dos direitos 
fundamentais nas relações jurídicas de natureza privada. 
II. A interpretação do Código Civil deve atribuir a todo corpo normativo codificado um 
significado coerente com a tábua de valores do ordenamento, que pretende transformar 
efetivamente a realidade a partir das relações jurídicas de natureza privada, segundo os 
ditames da solidariedade e da justiça social. 
III. A ordem voluntarista da teoria contratual oitocentista instrumentaliza os princípios 
constitucionais de acordo com os ditames inafastáveis da lógica individualista. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) II, apenas. 
 
94 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no ponto 01 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, páginas 08 
e 31. 
I. INCORRETA. Hoje é assente a noção de que há um Direito Civil constitucionalizado, 
pois os direitos fundamentais e os princípios constitucionais que emergem da 
Constituição Federal de 1988 passam a ter eficácia radiante, aplicando-se não só às 
relações verticais (Estado x pessoa), mas também às relações horizontais ou privadas 
(pessoa x pessoa). Atualmente, inclusive no STF e no STJ, é aceita a tese de eficácia 
horizontal dos direitos fundamentais nas relações privadas. 
Três são os princípios básicos do Direito Civil Constitucional, conforme as lições de 
Gustavo Tepedino: dignidade da pessoa humana (trata-se do superprincípio ou princípio 
dos princípios), que constitui o principal fundamento da personalização do Direito Civil, 
da valorização da pessoa humana em detrimento do patrimônio. O segundo princípio 
visa à solidariedade social, outro objetivo fundamental da República, conforme o art. 
3.º, inc. I, da CF/1988. Por fim, o princípio da isonomia. 
Vê-se, pois, que a tríade dignidade-solidariedade-igualdade ou dignidade 
personalidade- igualdade é o que norteia essa nova ótica civilista. 
O Direito Civil Constitucional, portanto, representa uma mudança de postura, uma visão 
unitária do ordenamento jurídico, uma releitura do Código Civil e das leis especiais à luz 
da Constituição Federal. 
Neste particular, a função econômica da liberdade negocial não exclui a aplicação dos 
direitos fundamentais nas relações privadas. Com a constitucionalização do Direito Civil 
busca integrar os direitos fundamentais na esfera privada, promovendo a proteção da 
dignidade da pessoa humana e a justiça social. 
II. CORRETA. Na linha do que foi comentado na assertiva I. A interpretação do Código 
Civil deve refletir os valores constitucionais, promovendo a busca a solidariedade e a 
justiça social nas relações privadas. As normas do Direito Civil devem ser aplicadas de 
forma a respeitar e efetivar os direitos fundamentais. 
III. INCORRETA. A teoria contratual oitocentista se desenvolveu no contexto do Estado 
moderno-liberal, marcado por uma orientação individualista. Ela enfatiza o 
 
95 
voluntarismo e o individualismo, contrastando com a solidariedade e a função social dos 
contratos. Logo, a afirmação não está correta. 
Diante disso, a única assertiva correta é a A 
_______________________________________________________________________ 
57. Olavo é administrador da associação Viver Bem, um famoso clube em região 
litorânea. Para conseguir recursos para sua campanha política ao cargo de prefeito, 
prestou aval, em nome da associação, a um contrato de empréstimo com um banco. 
A respeito da responsabilização de Olavo pelo ato praticado, assinale a afirmativa 
CORRETA. 
 (A) Só poderá ser responsabilizado pela garantia regressivamente, considerando que é 
inviável a desconsideração da personalidade jurídica de associação, entidade sem fins 
lucrativos, em que não há direitos e obrigações recíprocas entre os associados. 
(B) Não poderá ser responsabilizado pela garantia nem mesmo regressivamente, 
considerando que não há direitos e obrigações recíprocas entre os associados, de modo 
que não cabe a desconsideração da personalidade jurídica, tampouco o regresso contra 
associados. 
(C) Só será responsabilizado pela garantia se desconsiderada a personalidade jurídica da 
associação, observada a teoria maior. 
(D) Só será responsabilizado pela garantia se desconsiderada a personalidade jurídica da 
associação, observada a teoria menor. 
(E) Poderá ser diretamente responsabilizado pela garantia, sequer imputável à 
associação, independentemente de desconsideração de sua personalidade jurídica. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. O GABARITO PRELIMINAR APONTA A ALTERNATIVA 
(E) E A EQUIPE MEGE APONTA A ALTERNATIVA (C). 
O assunto foi estudado no ponto 02 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, página 41. 
(A) INCORRETA. 
(B) INCORRETA. 
(C) CORRETA. A desconsideração da personalidade jurídica, no âmbito das relações civis 
gerais, está disciplinada no art. 50 do CC. 
É correto afirmar que o art. 50 traz a regra geral sobre a desconsideração jurídica no 
ordenamento jurídico brasileiro, havendo algumas previsões específicas em diplomas 
próprios (como é o caso do CDC). 
 
96 
Somente poderá ocorrer a desconsideração da personalidade jurídica nas relações 
jurídicas regidas pelo Código Civil se ficar caracterizado que houve abuso da 
personalidade jurídica. 
O abuso da personalidade jurídica pode ocorrer em duas situações: 
1) Desvio de finalidade; 
2) Confusão patrimonial. 
O Direito Civil brasileiro adotou, como regra geral, a chamada teoria maior da 
desconsideração. Isso porque o art. 50 exige que se prove o desvio de finalidade (teoria 
maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva). 
Posto isso, podemos concluir no caso, que Olavo será responsabilizado pela garantia se 
desconsiderada a personalidade jurídica da associação, observada a teoria maior. 
O gabarito oficial aponta como correta a alternativa E, no sentido de que o 
administrador será diretamenteresponsabilizado pela garantia, independentemente da 
desconsideração da personalidade jurídica. 
Ocorre, porém, que não parece ser possível que o administrador seja responsabilizado 
pessoalmente, porquanto a garantia refere-se a uma dívida em que ele próprio é o 
devedor. 
O aval é uma garantia pessoal, que no caso foi prestada pela pessoa jurídica, devendo 
ser cumprida por ela, de modo que eventual irregularidade deve ser sanada em ação 
própria, como a desconsideração da personalidade jurídica para atingir o patrimônio do 
administrador. 
O avalista não se equipara à figura do devedor principal, apesar da solidariedade em 
relação a obrigação de pagar. 
Sendo a associação a avalista, também é a primeira responsável pela garantia, podendo 
ser desconsiderada a personalidade jurídica (teoria maior), atingindo o patrimônio do 
associado administrador. 
(D) INCORRETA. 
(E) INCORRETA. 
_______________________________________________________________________ 
58. Anacleto viu no quadro de avisos do condomínio que sua vizinha Ofélia estava 
vendendo seu automóvel usado por R$50.000,00 (cinquenta mil reais). Ele procurou 
Ofélia, examinou o carro na garagem e fechou negócio nos termos ofertados. 
Anacleto pagou imediatamente o valor acertado, mas Ofélia pediu para entregar o 
veículo somente no dia seguinte, já que, naquela noite, ela precisaria dele para visitar 
uma amiga, o que foi autorizado pelo comprador. Ocorre que, retornando da casa da 
amiga naquela noite, Ofélia causou um acidente por estar dirigindo embriagada, 
provocando a perda total do carro. 
Sobre a hipótese narrada, assinale a opção que apresenta o que Anacleto pode exigir de 
Ofélia. 
 
97 
(A) O equivalente pecuniário (valor de mercado) do automóvel perdido, mais perdas e 
danos. 
(B) O equivalente pecuniário (valor de mercado) do automóvel perdido. 
(C) O preço pago, R$50.000,00 (cinquenta mil reais), mais perdas e danos. 
(D) Apenas o preço pago, R$50.000,00 (cinquenta mil reais). 
(E) Outro automóvel da mesma espécie e qualidade. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado na 4ª Remessa de Direito Civil do Circuito Legislativo da turma 
ENAM II 2024. 
(A) CORRETA. 
CC/02: Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, 
responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. 
Determina o art. 239 do CC/2002 que, na obrigação de restituir, se a coisa se perder por 
culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. 
(B) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “A”. 
(C) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “A”. 
(D) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “A”. 
(E) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “A”. 
_______________________________________________________________________ 
59. Jeremias resolveu passar suas férias fora da cidade e, em razão disso, emprestou seu 
automóvel à sua irmã, Lucrécia. Quando retornou, ela se recusou a devolvê-lo no prazo 
que havia sido combinado. Somente duas semanas depois, graças à mediação da mãe 
de ambos, Lucrécia devolveu o veículo. Entretanto, ela cobrou de Jeremias as despesas 
que realizou nas duas últimas semanas: os gastos com gasolina, o conserto de um 
vazamento de óleo (que estava degradando o automóvel) e a instalação de ar-
condicionado. 
A respeito dessas despesas, Jeremias deve pagar 
(A) os gastos com gasolina, somente. 
(B) o conserto do vazamento de óleo, somente. 
(C) os gastos com gasolina e o conserto do vazamento de óleo, somente. 
 
98 
(D) a instalação de ar-condicionado, somente. 
(E) o conserto do vazamento de óleo e a instalação de ar-condicionado, somente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado na 7ª Remessa de Direito Civil do Circuito Legislativo da turma 
ENAM II 2024. 
(A) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(B) CORRETA. 
CC: Art. 678. É igualmente obrigado o mandante a ressarcir ao 
mandatário as perdas que este sofrer com a execução do 
mandato, sempre que não resultem de culpa sua ou de excesso 
de poderes. 
Cuida-se de uma benfeitoria necessária para o funcionamento do automóvel, de sorte 
que Jeremias deve indenizar o conserto do vazamento de óleo. 
(C) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(D) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
_______________________________________________________________________ 
60. Maria, advogada, celebrou com João, médico, um contrato de compra e venda 
irretratável de um imóvel no valor de R$600.000,00 (seiscentos mil reais), por 
instrumento particular. Nos termos do contrato celebrado, a compradora pagou uma 
entrada no valor de R$200.000,00 (duzentos mil reais) no ato da celebração; já o valor 
restante deveria ser pago no dia útil seguinte à averbação no registro de imóveis, 
realizada por João que, conforme cláusula contratual, deveria ser feita no prazo máximo 
de 30 (trinta) dias a partir do pagamento do sinal. Foi ainda acordado que a não 
averbação no prazo estipulado configuraria inadimplemento absoluto e ensejaria a 
resolução do contrato com a restituição do valor em dobro. 
João não logrou êxito ao realizar a averbação e procurou Maria para informar do óbice 
encontrado, a fim de que resolvessem conjuntamente a situação. No entanto, foi 
surpreendido com a recusa de Maria em contribuir para a solução do problema. Ao 
contrário, por ter se arrependido do negócio, Maria exigiu a restituição em dobro do 
valor pago como sinal. Diante do impasse, João moveu ação judicial e o juiz da causa 
declarou a nulidade do acordo e entendeu que o contrato de compra e venda do referido 
imóvel valeria como promessa de compra e venda. 
 
99 
Acerca da situação hipotética narrada, assinale a opção que indica, corretamente, a 
técnica que foi aplicada ao negócio jurídico. 
(A) Conversão, restando o contrato requalificado em conformidade com o pretendido 
pelas partes no negócio que foi declarado nulo. 
(B) Integração, restando preenchidas as lacunas do contrato com base nos princípios 
gerais do direito e no princípio da boa-fé. 
(C) Ratificação, restando a requalificação contratual confirmada por suprimento judicial. 
(D) Confirmação, restando eventual vício sanado, permitindo a produção de todos os 
efeitos pretendidos. 
(E) Redução, restando o contrato limitado em seus efeitos e extensão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 04 a 06 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, 
página 43. 
(A) CORRETA. É uma declaração de vontade emitida em conformidade com o 
ordenamento legal e principiológico, que gera efeitos jurídicos pretendidos pelas partes. 
Flávio Tartuce afirma ser um ato jurídico em que há uma composição de interesses das 
partes com uma finalidade específica. 
Caio Mário aduz que o negócio jurídico seria “toda declaração de vontade, emitida de 
acordo com o ordenamento legal, e geradora de efeitos jurídicos pretendidos”. 
O Código Civil de 2002 admite a conversão do negócio jurídico nulo em outro de 
natureza diferente, conforme o seu art. 170, que prescreve: “se o negócio jurídico nulo 
contiver requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes 
permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade”. 
A conversão do negócio jurídico constitui o meio jurídico pelo qual o negócio nulo, 
respeitados certos requisitos, transforma-se em outro negócio, totalmente válido, 
visando à conservação contratual e à manutenção da vontade, da autonomia privada. 
Constata-se que o art. 170 do CC/2002 consagra uma conversão subjetiva e indireta. 
Subjetiva porque exige a vontade das partes; indireta porque o negócio nulo é 
convertido em outro. 
CC: Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de 
confirmação, nem convalescepelo decurso do tempo. 
(B) INCORRETA. Vide comentários alternativa A. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa A. 
 
100 
(D) INCORRETA. Vide comentários alternativa A. 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa A. 
_______________________________________________________________________ 
61. Marcos, atualmente com 50 anos, em união estável com Ana sem pacto de 
convivência, teve três filhos, Pedro de 17 anos, Henrique de 15 anos e Júlia de 12 anos. 
Júlia é portadora de uma síndrome rara e, por isso, Ana se viu obrigada a abandonar sua 
promissora carreira de jornalista para cuidar da filha. 
Marcos é empresário e sempre foi um pai responsável. No entanto, nos últimos anos 
desenvolveu o vício em jogos de azar, potencializado pela facilidade das apostas online. 
A pedido de Ana, Marcos se submeteu a tratamento, mas não conseguiu largar o vício, 
fato confessado por ele e atestado pelo médico assistente. 
É raro o dia em que Marcos não está envolvido em apostas, o que causa grande desgaste 
da família, tanto emocional quanto financeiro, pois é comum ele vender bens para 
sustentar o vício. Além disso, o endividamento já coloca em risco a subsistência da 
família. Ana, então, decide propor ação de interdição, a fim de limitar os atos de Marcos 
na vida civil. 
Diante da situação hipotética narrada e com base na legislação vigente, analise as 
afirmativas a seguir. 
I. Em razão das modificações promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, 
Marcos é considerado presumidamente capaz, devendo ser deferido, no caso, o 
processo de tomada de decisão apoiada e não a interdição. 
II. Diante dos fatos narrados, Marcos enquadra-se em hipótese de incapacidade relativa, 
sujeitando-se à curatela restrita aos atos de natureza patrimonial. 
III. Marcos, considerando a sua idade, a atividade empresarial que desempenha e o seu 
papel de provedor da família, independentemente do vício em jogos de azar, não se 
enquadra em nenhuma hipótese de incapacidade, razão pela qual não está sujeito à 
interdição. 
IV. Julgada procedente a ação, Ana deverá ser nomeada curadora de Marcos e, em razão 
da união estável, será dispensada de eventual prestação de contas. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) II, apenas. 
(C) III, apenas. 
(D) I e III, apenas. 
(E) II e IV, apenas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
 
101 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi no ponto 10 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, página 23. Assim 
como, na 13ª Remessa de Direito Civil do Circuito Legislativo. 
(A) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(B) CORRETA. A assertiva II está correta, uma vez que Marcos está sujeito ao processo 
de curatela, nos termos do art. 1.767 do Código Civil: “Estão sujeitos a curatela: […] V – 
os pródigos”. A tomada de decisão apoiada é aplicável às pessoas com deficiência, o que 
não é o caso de Marcos, que possui um vício. 
O art. 1.767 do CC/2002 traz o rol taxativo dos interditos, ou seja, daqueles que estão 
sujeitos à curatela. Como não poderia ser diferente, a norma foi modificada pelo 
Estatuto da Pessoa com Deficiência, diante da revolução que atingiu a teoria das 
incapacidades. 
(C) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(D) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
(E) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “B”. 
_______________________________________________________________________ 
62. Depois de receber um vasto conjunto de bens por herança, Henriqueta, que não tem 
herdeiros necessários, sentiu-se compelida a um ato de generosidade, doando diversos 
dos bens adquiridos para pessoas próximas e mantendo consigo o essencial para seu 
estilo de vida. 
Para tanto, celebrou quatro contratos de doação: 
I. Doou ações de uma companhia aberta a um nascituro, Enzo, o filho que sua amiga 
Cleonice (que aceitou de bom grado o presente) ainda carrega no ventre. 
II. Doou uma joia a seu afilhado Isaías, de seis anos de idade, sem impor-lhe qualquer 
encargo, mas sem que seus pais tenham aceitado a doação. 
III. Doou uma sala comercial para a Associação de Defesa dos Transeuntes, que ainda 
está em fase de constituição. 
IV. Doou um apartamento ao primeiro filho que Tobias venha a ter com sua atual esposa 
(Tobias ainda não tem filhos). 
São válidas as seguintes doações: 
(A) I e II, apenas. 
(B) II e III, apenas. 
(C) I, III e IV, apenas. 
(D) II, III e IV, apenas. 
 
102 
(E) I, II, III e IV. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 07 a 09 de Direito Civil na turma ENAM II 2024, a 
partir da página 31. 
I. CORRETO. 
CC: “Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita 
pelo seu representante legal.” 
II. CORRETO. 
CC: Art. 543, CC: “Art. 543. Se o donatário for absolutamente 
incapaz, dispensa-se a aceitação, desde que se trate de doação 
pura.” 
III. CORRETO. O art. 538 do Código Civil considera a doação como o contrato em que 
uma pessoa transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. A doação 
é um ato de mera liberalidade e, em regra, um negócio jurídico gratuito. 
CC: “Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de 
um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por 
herança”. 
“Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações 
conterá: - a denominação, os fins e a sede da associação; 
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos 
associados; 
III - os direitos e deveres dos associados; 
IV - as fontes de recursos para sua manutenção; 
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos 
deliberativos; 
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e 
para a dissolução. 
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das 
respectivas contas. 
IV. CORRETO. 
CC: “Art. 546. A doação feita em contemplação de casamento 
futuro com certa e determinada pessoa, quer pelos nubentes 
entre si, quer por terceiro a um deles, a ambos, ou aos filhos que, 
de futuro, houverem um do outro, não pode ser impugnada por 
 
103 
falta de aceitação, e só ficará sem efeito se o casamento não se 
realizar”. 
Assim, a única alternativa a ser assinalada é a E. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO EMPRESARIAL 
 
63. Loanda, Marialva e Astorga decidiram constituir uma sociedade, porém não se 
preocuparam com as formalidades de arquivamento do ato constitutivo, que estava sob 
a incumbência de Loanda. Considerando-se as disposições legais para a sociedade nessa 
condição, assinale a alternativa CORRETA. 
(A) Apenas a sócia Loanda responderá pessoalmente pelas obrigações sociais enquanto 
não forem providenciadas as formalidades para a regularização da sociedade, já que ela 
era responsável perante os demais sócios. 
(B) Os bens sociais respondem pelos atos de gestão praticados por qualquer um dos 
sócios, sendo nulo qualquer pacto limitativo de poderes. 
(C) A sociedade será representada em juízo, ativa e passivamente, pela pessoa a quem 
couber a administração de seus bens. 
(D) Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual a sociedade e os 
sócios são titulares em comum. 
(E) Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, podem provar a existência da 
sociedade por qualquer meio admitido em direito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material dos pontos 3, 4 e 5 de Direito Empresarial na turma 
ENAM II 2024, página 12. 
(A) INCORRETA. Embora Loanda fosse responsável pelo arquivamento, todos os sócios 
respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais na sociedade em comum, 
conforme o artigo 990 do Código Civil. 
(B) INCORRETA. Pactos limitativos de poderes são válidos entre os sócios, mas não 
podem prejudicar terceiros que não tenham conhecimento dessespactos, conforme o 
artigo 989 do Código Civil. 
(C) CORRETA. Art. 75, IX, do CPC 
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: 
 
104 
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes 
organizados sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem 
couber a administração de seus bens; 
(D) INCORRETA. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, mas 
pertencem exclusivamente aos sócios, já que a sociedade em comum não possui 
personalidade jurídica distinta. 
(E) INCORRETA. Conforme art. 987 do CC, os sócios não podem provar a existência da 
sociedade por qualquer meio admitido em direito, mas apenas por escrito. 
_______________________________________________________________________ 
64. O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) contempla regras de 
proteção ao consumidor no tocante à cobrança de dívidas e acesso às informações 
constantes de cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados 
sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. 
Assinale a opção que apresenta corretamente uma dessas regras. 
(A) Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em 
linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes 
a período superior a dois anos. 
(B) O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por 
valor igual a quantia que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros 
legais, salvo hipótese de engano justificável. 
(C) Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de 
reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo 
divulgá-los pública e mensalmente. 
(D) Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão 
fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações 
que possam impedir ou dificultar o novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. 
(E) A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser 
comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele, no prazo máximo 
de dez dias úteis, sob pena de reparação dos danos causados. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O prazo é de 5 anos, conforme art. 45, §5º, do CDC. 
(B) INCORRETA. O CDC assegura ao consumidor o direito à repetição do indébito em 
dobro do valor pago indevidamente, não apenas o valor simples. 
 
105 
(C) INCORRETA. Segundo o CDC, os órgãos de defesa do consumidor devem divulgar o 
cadastro de reclamações fundamentadas anualmente, e não mensalmente. 
(D) CORRETA. Art. 43, §5º, Lei nº 8.078/90 
Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá 
acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros 
e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como 
sobre as suas respectivas fontes. 
§ 5° Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do 
consumidor, não serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de 
Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir 
ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. 
(E) INCORRETA. Conforme o art. 43, §2º, do CDC, não se estabelece um prazo de dez dias 
úteis nem menciona a reparação dos danos causados nesse contexto. 
_______________________________________________________________________ 
65. Em relação à recuperação judicial, determina o Art. 49 da Lei nº 11.101/2005 que 
estão sujeitos a ela todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não 
vencidos. 
A fim de fixar a orientação jurisprudencial sobre a interpretação do dispositivo, em 
atenção ao disposto no Art. 1.040 do CPC/2015, fixou-se no STJ a tese que considera a 
existência do crédito sendo determinada 
(A) pelo reconhecimento de sua legitimidade por sentença judicial ou acordo 
extrajudicial. 
(B) pela data em que ocorreu o seu fato gerador. 
(C) pelo momento da celebração do contrato, exceto se o crédito for ilíquido, quando a 
existência é aferida na data de sua liquidação. 
(D) pela data do pedido de recuperação judicial, para os créditos vincendos, e pela data 
de sua exigibilidade, para os créditos já vencidos. 
(E) pelo momento da execução do contrato, independentemente de o crédito ser líquido 
ou ilíquido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Tema 1051, do STJ 
De acordo com o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), para 
fins de habilitação de créditos na recuperação judicial, considera-se que o crédito existe 
 
106 
a partir da data em que ocorreu o seu fato gerador, mesmo que seja ilíquido ou não 
vencido. 
Este entendimento foi fixado no Tema Repetitivo n.º 1051, julgado sob o rito dos 
recursos repetitivos. O STJ estabeleceu a seguinte tese: 
"Para fins de habilitação em recuperação judicial, considera-se existente o crédito desde 
o momento em que ocorreu o fato que constitua a obrigação, ainda que ilíquida e não 
vencida." 
_______________________________________________________________________ 
66. A sociedade unipessoal Cardoso Moreira Ltda., negativada em razão do não 
pagamento de duplicata de compra e venda sacada com base em contrato de consumo 
e protestada por falta de pagamento, ajuizou ação de obrigação de fazer, cumulada com 
pedido indenizatório, em face da sacadora e beneficiária do título, a sociedade Alfredo, 
Wagner & Cia. Ltda. 
A autora, justificando já ter realizado o pagamento, pretende que a ré seja compelida a 
promover o cancelamento do protesto perante o tabelionato. Mesmo assim, a ré não 
providenciou a medida e ela permanece negativada. 
Considerados os fatos narrados e as disposições da lei de protestos, assinale a afirmativa 
CORRETA. 
(A) A ré não deve ser compelida a promover o cancelamento do protesto, pois esse ônus 
é sempre do devedor, sendo nula qualquer pactuação em sentido contrário. 
(B) A ré está obrigada a promover o cancelamento do protesto por se tratar de dívida 
oriunda de relação de consumo, na qual a vulnerabilidade do consumidor é presumida. 
(C) A ré não deve ser compelida a promover o cancelamento do protesto porque não há 
vulnerabilidade do consumidor por se tratar de pessoa jurídica. 
(D) A ré está obrigada a promover o cancelamento do protesto, pois é ela quem se 
beneficia do pagamento da dívida, sendo considerada interessada para efeitos legais. 
(E) A ré não deve ser compelida a promover o cancelamento do protesto, pois esse ônus 
é do devedor após a quitação da dívida, salvo inequívoca pactuação em sentido 
contrário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. 
O assunto foi estudado na 10ª remessa de circuitos legislativos referente a Direito 
Empresarial, em seu ponto 1.3, páginas 183 e 184 na turma ENAM. 
GABARITO OFICIAL: 
 
107 
(E) A ré não deve ser compelida a promover o cancelamento do protesto, pois esse 
ônus é do devedor após a quitação da dívida, salvo inequívoca pactuação em sentido 
contrário. 
FUNDAMENTO: Art. 26, §3º, Lei nº 9.492/97 
Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado 
diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer 
interessado, mediante apresentação do documento protestado, 
cuja cópia ficará arquivada. 
§ 3º O cancelamento do registro do protesto, se fundado em 
outro motivo que não no pagamento do título ou documento de 
dívida, será efetivado por determinação judicial, pagos os 
emolumentos devidos ao Tabelião. 
A banca examinadora errou na identificação do gabarito pois existe outra alternativa que 
está correta. Senão vejamos: 
 De acordo com o art. 26, da Lei nº 9.492/1997, o cancelamento do protesto será 
solicitado pelo interessado diretamente ao tabelionato, mediante a apresentação da 
prova do pagamento da dívida ou de documentohábil que comprove a extinção da 
obrigação. 
Com efeito, não havendo possibilidade de apresentação do título no original, o 
cancelamento pode ser feito mediante carta de anuência, assinado pelo credor do título, 
seja ele o originário ou o endossatário por endosso translativo, na forma do art. 26, §1º, 
da Lei nº 9.492/97. Por sua vez, havendo endosso mandato quem deve assinar a carta 
de anuência é o endossante, que será o credor, de acordo com o art. 26, §2º, da mesma 
Lei. 
Em tais casos, portanto, o credor emite a carta de anuência e o devedor vai proceder o 
cancelamento diante de um protesto devido. Porém, no caso da questão apresentada, 
trata-se de protesto indevido, haja vista que a sociedade devedora ajuizou ação de 
obrigação de fazer, para cancelar o protesto que deve ser considerado indevido. 
Em tais casos, cabe ação de cancelamento de protesto, na forma do art. 26, §3º, da Lei 
nº 9.492/97. Sempre que o protesto for indevido o cancelamento deve ser feito pelo 
devedor, o que é o caso pois foi realizado um protesto de uma dívida já paga. Em casos 
como tais, o ônus e a obrigação de cancelamento são do credor. 
E nem se diga que o protesto foi feito antes e mantido irregularmente após o pagamento, 
pois o tratamento é o mesmo nos dois casos pela jurisprudência do STJ: 
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE 
DÍVIDA C/C CANCELAMENTO DE PROTESTO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. 
PROTESTO. BAIXA. RESPONSABILIDADE DO CREDOR. PRECEDENTES. DANOS MORAIS. 
MONTANTE. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA 
JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. JUROS MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE 
EXTRACONTRATUAL. TERMO INICIAL. EVENTO DANOSO. SÚMULA 54/STJ. 
 
108 
JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. ENTENDIMENTO NÃO MODIFICADO. 
AGRAVO DESPROVIDO. 
1. Independentemente de se tratar de protesto indevido ou de manutenção irregular do 
protesto, é certo que, em ambos os casos, incumbiria ao credor proceder à baixa do 
registro desabonador, conforme jurisprudência desta Corte Superior. Precedentes. 
(...) 
(AgInt no REsp n. 1.705.877/AC, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, 
julgado em 8/5/2018, DJe de 21/5/2018.) 
Portanto, nesta questão, o gabarito correto seria a alternativa D, na forma do art. 26, 
§3º, da Lei nº 9.492/97: 
(D) A ré está obrigada a promover o cancelamento do protesto, pois é ela quem se 
beneficia do pagamento da dívida, sendo considerada interessada para efeitos legais. 
Dessa forma, dado que o gabarito dado como correto está, na verdade, errado, a 
presente questão deve ser anulada ou, no mínimo, ter o gabarito alterado quando do 
gabarito definitivo. 
_______________________________________________________________________ 
67. Em razão do falecimento de seu pai, que era empresário individual, o menor 
relativamente incapaz João Câmara, assistido por sua mãe, requereu em juízo 
autorização para o prosseguimento da sociedade empresária. 
Acerca dessa situação, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O pedido de autorização deve ser indeferido, uma vez que João Câmara ainda não se 
encontra em pleno gozo da capacidade civil para ser empresário e não pode prosseguir 
a sociedade empresária iniciada por outrem. 
(B) O juiz, após exame das circunstâncias e dos riscos da sociedade empresária, bem 
como da conveniência em continuá-la, deverá conceder a autorização, que será mantida 
até o fim da incapacidade. 
(C) O pedido poderá ser deferido; contudo, se a mãe de João Câmara for pessoa 
impedida de exercer a atividade de empresário, ela nomeará, com a aprovação do juiz, 
um ou mais gerentes. 
(D) O pedido poderá ser deferido, caso em que nenhum dos bens que João Câmara já 
possuía ao tempo da sucessão ficará sujeito ao resultado da sociedade empresária, 
devendo tal ressalva constar do alvará que conceder a autorização. 
(E) O pedido de autorização deve ser indeferido, uma vez que somente se permite o 
prosseguimento da sociedade empresária quando o empresário é interditado, e não 
para menores, absoluta ou relativamente incapazes. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
 
109 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 1 e 2 de Direito Empresarial na turma 
ENAM II 2024, página 18. 
(A) INCORRETA. 
(B) INCORRETA. 
(C) CORRETA. 
Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa 
que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de 
empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais 
gerentes. 
§ 1º Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos 
em que o juiz entender ser conveniente. 
§ 2º A aprovação do juiz não exime o representante ou assistente 
do menor ou do interdito da responsabilidade pelos atos dos 
gerentes nomeados. 
(D) CORRETA. 
Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou 
devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por 
ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
§ 2º Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o 
incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde 
que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do 
alvará que conceder a autorização. 
(E) INCORRETA. 
FUNDAMENTO: Preliminarmente: erro material (confusão dos conceitos de empresário 
individual e de sociedade empresária). 
MÉRITO: Duas questões corretas conforme a Lei. 
_______________________________________________________________________ 
68. Foi celebrado contrato de comissão, tendo por objeto a contratação de mútuo, pelo 
comissário, à conta do comitente, e dele constando cláusula del credere parcial. 
Sobre esse contrato, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) É nulo e, por ser acessória, também é nula a cláusula del credere, uma vez que o 
objeto do contrato está restrito a uma operação de compra ou venda pelo comissário 
em seu próprio nome e à conta do comitente. 
 
110 
(B) É válido, pois a comissão pode ter por objeto a realização de mútuo pelo comissário, 
porém é vedada a inclusão de cláusula del credere. 
(C) É válido, mas a cláusula del credere parcial é nula, uma vez que ela sempre deverá 
ser pactuada para que o comissário responda integralmente perante o comitente pelo 
inadimplemento do terceiro com quem contratar. 
(D) É válido, pois a comissão pode ter por objeto a realização de mútuo pelo comissário, 
e a cláusula del credere pode ser total ou parcial. 
(E) É válido, mas a cláusula del credere é nula, uma vez que ela só é permitida, ainda que 
parcialmente, se o objeto da comissão for compra ou venda de bens pelo comissário em 
seu próprio nome e à conta do comitente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 6, 7 e 8 de Direito Empresarial na 
turma ENAM, páginas 28 e 29. 
(A) INCORRETA. O contrato de comissão não é nulo quando tem por objeto a realização 
de negócios diversos da compra e venda, como o mútuo. Além disso, a cláusula "del 
credere" não é nula nesse contexto. 
(B) INCORRETA. Embora a comissão possa ter por objeto a realização de mútuo, não é 
vedada a inclusão da cláusula "del credere". O artigo 698, parágrafo único, permite 
expressamente essa cláusula. 
(C) INCORRETA. A cláusula "del credere" não precisa ser necessariamente integral. A lei 
permite que seja pactuada de forma parcial, ajustando a responsabilidade do 
comissário. 
(D) CORRETA. Art. 693 c/c art. 698, parágrafo único, do CC (com a redação dada pela Lei 
nº 14.690/23) 
Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a compra ou 
venda de bens ou a realização de mútuo ou outro negócio 
jurídico de crédito pelo comissário, em seu próprio nome, à 
conta do comitente. (Redação dada pela Lei nº 14.690, de 
2023) 
 
Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del 
credere , responderá o comissário solidariamente com as 
pessoas com que houver tratadoem nome do comitente, caso 
em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito 
a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14690.htm#art30
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14690.htm#art30
 
111 
Parágrafo único. A cláusula del credere de que trata 
o caput deste artigo poderá ser parcial. (Incluído Lei nº 
14.690, de 2023) 
(E) INCORRETA. A cláusula "del credere" não é restrita apenas a contratos de comissão 
que tenham por objeto a compra ou venda de bens. Ela pode ser aplicada em quaisquer 
negócios realizados pelo comissário em seu próprio nome e por conta do comitente. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO PENAL 
 
69. Segundo a teoria geral do crime, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Os crimes de dano são aqueles que demandam a comprovação da ameaça de lesão 
ao bem jurídico protegido. 
(B) Os crimes de mera conduta são consumados no momento da produção do resultado 
expressamente contido na descrição típica. 
(C) Os crimes de perigo concreto são aqueles que demandam a comprovação da ofensa 
material ao bem jurídico tutelado. 
(D) Os crimes materiais são aqueles em que o tipo penal descreve a conduta e o 
resultado, mas não exige a ocorrência deste último para fins de consumação. 
(E) Os crimes formais se consumam antes da ocorrência do resultado naturalístico 
previsto na descrição típica, sendo, por essa razão, também chamados de crimes de 
consumação antecipada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material enviado sobre os pontos 4 a 10 de Direito Penal na 
turma ENAM II 2024, a partir da página 11. 
(A) INCORRETA. Crime de dano: se consuma com a efetiva ocorrência de um dano ao 
bem jurídico tutelado. É assim com a maior parcela das infrações penais. Ex.: homicídio, 
roubo, furto, estupro. 
(B) INCORRETA. Crime de mera conduta: se consumam com a mera prática da conduta, 
não admitindo resultado naturalístico como consequência direta da ação. Ex.: violação 
de domicílio. 
(C) INCORRETA. Crimes de perigo concreto: o perigo ao bem jurídico deve ficar 
comprovado nos autos, pois a lei exige que a conduta do agente provoque perigo real. 
Ex.: expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente (art. 132). A acusação 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14690.htm#art30
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14690.htm#art30
 
112 
precisa provar, no caso concreto, que a conduta do agente gerou o perigo direto e 
iminente. 
(D) INCORRETA. Crimes de resultado (causais ou materiais): dependem da ocorrência de 
resultado naturalístico para se consumarem. Ex.: homicídio, estupro. 
(E) CORRETA. Crimes Formais (crimes de resultado cortado): se consumam com a mera 
prática da conduta, embora seja possível a ocorrência de resultado naturalístico como 
consequência direta da conduta. Exemplo: prevaricação (art. 319). Para sua consumação, 
basta que o agente deixe de praticar o ato de ofício para satisfazer interesse pessoal, 
sendo desnecessário resultado naturalístico. Porém, é possível que o crime provoque 
mudanças no mundo dos fatos (ex.: causando efetivo prejuízo ao Estado). 
_______________________________________________________________________ 
70. Em 15 de junho de 2024, Técio buscou atendimento em hospital de sua cidade devido 
a uma indisposição gástrica, preencheu a ficha com seus dados, consignando no campo 
próprio que possuía alergia a dipirona, e foi, em seguida, encaminhado ao consultório 
onde estava de plantão o médico Caio. 
Ao iniciar o atendimento, o paciente Técio relatou os sintomas de desconforto abdominal 
e náusea. O médico Caio, após exame clínico, acabou se esquecendo, negligentemente, 
de ler na ficha de atendimento do paciente o campo de suas declaradas alergias 
medicamentosas e o encaminhou para a enfermaria, com prescrição de aplicação de 
uma ampola de Buscopam (composto de butilbrometo de escopolamina e de dipirona 
sódica monoidratada). 
Chegando ao setor próprio para receber o prescrito medicamento, Técio foi recebido 
pelo enfermeiro Guilherme que, de pronto, não só o reconheceu como um vizinho por 
ele malquisto, como também constatou a notória inobservância do cuidado objetivo do 
médico Caio, já que, em sua prescrição de medicamento, havia um dos potenciais 
alérgenos declarados pelo paciente em sua ficha (dipirona). 
Certo é que, mesmo percebendo o irresponsável equívoco do médico, Guilherme, 
desejando fortemente a morte do paciente Técio, aplicou-lhe o medicamento, gerando 
rápidas consequências em seu organismo, com grave choque anafilático e parada 
cardíaca que, por muito pouco, não custaram a vida do paciente. Técio só foi salvo por 
força de rápida e eficaz ação de outra equipe de plantonistas que se encontrava no 
nosocômio, vindo a vítima a sobreviver. 
Considerando que todos os fatos foram devidamente comprovados, inclusive os 
aspectos subjetivo-normativos dos comportamentos dos envolvidos (atuação culposa de 
Caio e dolosa de Guilherme), e que o remédio prescrito seria o teoricamente adequado 
em qualidade e quantidade ao quadro de saúde de Técio, não fosse sua declarada alergia 
a uma das substâncias, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Caio e Guilherme responderão por crime de homicídio doloso na modalidade 
tentada, não havendo que se falar em concurso de pessoas. 
(B) Caio e Guilherme responderão por crime de lesão corporal dolosa grave pelo perigo 
de vida, em concurso de pessoas. 
 
113 
(C) Caio responderá por crime de lesão corporal dolosa grave pelo perigo de vida, 
enquanto Guilherme estará sujeito às penas do homicídio doloso, na modalidade 
tentada, não havendo que se falar em concurso de agentes. 
(D) Caio responderá por crime de lesão corporal culposa grave, qualificada pelo perigo 
de vida, e Guilherme por crime de homicídio doloso, na modalidade tentada, não 
havendo que se falar em concurso de agentes. 
(E) Caio responderá por crime de lesão corporal culposa, e, Guilherme, por crime de 
homicídio doloso na modalidade tentada, não havendo que se falar em concurso de 
agentes. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no Circuito Legislativo na 5ª Remessa de Direito Penal na turma 
ENAM II 2024, a partir da página 75 e no Vade Mege ENAM – Parte 2. 
(A) INCORRETA. O próprio enunciado indica a atuação culposa de Caio e dolosa de 
Guilherme. 
(B) INCORRETA. O próprio enunciado indica a atuação culposa de Caio e dolosa de 
Guilherme. 
(C) INCORRETA. O próprio enunciado indica a atuação culposa de Caio e dolosa de 
Guilherme. 
(D) INCORRETA. A lesão corporal culposa, diferentemente da dolosa, não poderá ser 
qualificada como grave (art. 129, §1º, do CP), gravíssima (art. 129, §2º, do CP) ou seguida 
de morte (art. 129, §3º, do CP). Entretanto, a lesão corporal culposa, que é a cometida 
sem intenção de fazê-lo, mas quando o agente atua com negligência, imprudência ou 
imperícia, não existe qualificação pelo nivelamento do dano. 
(E) CORRETA. Caio responderá por crime de lesão corporal culposa e Guilherme, por 
crime de homicídio doloso na modalidade tentada. Não há que se falar em concurso de 
agentes, por ausência de liame subjetivo e de identidade da infração penal. 
_______________________________________________________________________ 
71. Afrodite é presidente da mineradora Fluminis e, com o objetivo de reduzir custos, 
determinou que a barragem de contenção dos dejetos provenientes do beneficiamento 
mineral fosse construída com material barato, embora contraindicado em parecer 
técnico. Por maioria, o conselho de administração da Fluminis referendou a decisão de 
Afrodite. Em decorrência da precariedade do material utilizado, a barragem veio a 
desmoronar,causando poluição e graves danos ambientais, fato, em tese, penalmente 
relevante pelas circunstâncias do caso. 
Diante da hipótese narrada, em tema de responsabilidade penal da pessoa jurídica, 
assinale a afirmativa CORRETA. 
 
114 
(A) A mineradora não pode ser responsabilizada penalmente, uma vez que a legislação 
vigente permite a punição por crime contra o meio ambiente apenas se comprovado que 
a infração penal foi praticada por decisão prévia da direção institucional. 
(B) A mineradora pode ser responsabilizada por crime contra o meio ambiente mediante 
a aplicação da pena de interdição definitiva da atividade no local, a depender da 
comprovação da irreversibilidade dos danos causados. 
(C) A mineradora pode ser responsabilizada penalmente pelos crimes contra o meio 
ambiente praticados em seu interesse ou benefício, ainda que nenhum de seus 
dirigentes ou prepostos já tenham sido responsabilizados, cível ou criminalmente. 
(D) A extensão dos danos causados pode justificar a aplicação da pena de proibição de 
contratar com o Poder Público pelo prazo de até 15 (quinze) anos. 
(E) A responsabilidade penal da mineradora deverá ser reconhecida cumulativamente 
com a responsabilidade de Afrodite e dos membros do conselho que referendaram a 
utilização do material precário, uma vez que a legislação vigente acolhe a teoria da 
imputação subjetiva. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 11 a 15 de Direito Penal na turma ENAM II 2024, a 
partir da página 128, no Circuito Legislativo na 5ª Remessa de Direito Penal, a partir da 
página 53 e no Vade Mege ENAM – Parte 2. 
(A) INCORRETA. Para configuração da responsabilidade penal das pessoas jurídicas em 
crimes ambientais é exigido que a infração seja cometida por decisão de seu 
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício 
da sua entidade. 
Lei nº 9.605/98 - Art. 3º As pessoas jurídicas serão 
responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o 
disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida 
por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu 
órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. 
(B) INCORRETA. Não há necessidade da comprovação da irreversibilidade dos danos 
causados para a responsabilização penal da pessoa jurídica por crime ambiental. Além 
disso, a pena prevista é a de interdição temporária de estabelecimento, obra ou 
atividade. 
Lei nº 9.605/98 - Art. 22. As penas restritivas de direitos da 
pessoa jurídica são: I - suspensão parcial ou total de atividades; 
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; 
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele 
obter subsídios, subvenções ou doações. 
 
115 
(C) CORRETA. É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica no caso de crimes 
ambientais, nos termos do § 3º do art. 225 da CF/88 c/c art. 3º da Lei 9.605/98. Assim, 
é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais 
independentemente da responsabilização da pessoa física que a represente. A 
jurisprudência não mais adota a chamada teoria da "dupla imputação". (STF RE 548.181) 
(D) INCORRETA. 
Lei nº 9.605/98 - Art. 22. § 3º A proibição de contratar com o 
Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações 
não poderá exceder o prazo de dez anos. 
(E) INCORRETA. É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica no caso de crimes 
ambientais, nos termos do § 3º do art. 225 da CF/88 c/c art. 3º da Lei 9.605/98. Assim, 
é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais 
independentemente da responsabilização da pessoa física que a represente. A 
jurisprudência não mais adota a chamada teoria da "dupla imputação". (STF RE 548.181) 
_______________________________________________________________________ 
72. Sobre o tema do concurso de crimes, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Não se admite continuidade delitiva em crimes contra a vida. 
(B) As penas aplicadas são somadas nos casos de concurso material, e o resultado da 
soma é usado como parâmetro para calcular o prazo prescricional. 
(C) As penas aplicadas são somadas nos casos de concurso formal impróprio, ou seja, 
quando dois ou mais crimes são praticados mediante uma só ação ou omissão, 
necessariamente dolosa, resultando os crimes concorrentes de desígnios autônomos. 
(D) Nos casos de concurso formal próprio, aplica-se o princípio da exasperação à pena 
de multa. 
(E) Segundo a regra do concurso material benéfico, a pena resultante da soma das penas 
não pode ser superior àquela cabível na aplicação do princípio da exasperação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 4 a 10 de Direito Penal na turma ENAM II 2024, no 
Circuito Legislativo na 5ª Remessa de Direito Penal, a partir da página 16 e no Vade Mege 
ENAM – Parte 2, na página 25. 
(A) INCORRETA. A Súmula 605 do STF (Não se admite continuidade delitiva nos crimes 
contra a vida) é anterior à redação mais atual do art. 71 do Código Penal, que admite a 
continuidade delitiva inclusive nos crimes cometidos com violência ou grave ameaça à 
pessoa. Assim, a referida súmula restou inaplicável. 
 
116 
Código Penal – Art. 71, Parágrafo único - Nos crimes dolosos, 
contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os 
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, 
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de 
um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até 
o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do 
art. 75 deste Código. 
(B) INCORRETA. A primeira parte da alternativa está correta, pois essa é a ideia de 
concurso material de crimes, nos termos do art. 69 do Código Penal. Entretanto, quanto 
à prescrição a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente, 
ou seja, cada crime prescreve individualmente. 
Código Penal - Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma 
ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, 
aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em 
que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de 
reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. 
Código Penal - Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a 
extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, 
isoladamente. 
(C) CORRETA. No concurso formal impróprio ou imperfeito, o agente, mediante uma só 
ação ou omissão, pratica mais de um crime, agindo com desígnios autônomos em 
relação a cada um deles. Consequência: aplica-se a regra do cúmulo material (somam-
se as penas). Como o sujeito teve a finalidade de praticar os vários crimes, ou seja, como 
há dolo de produzir mais de um resultado, não merece o benefício da exasperação, 
devendo as penas ser somadas, sem que haja tratamento diferenciado. 
(D) INCORRETA. Pena de multa no concurso formal - As penas de multa fogem à regra 
geral, sendo aplicadas cumulativamente. Assim estabelece o art. 72: “No concurso de 
crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente”. 
(E) INCORRETA. No concurso formal, a pena não poderá exceder a que seria cabível pela 
regra do concurso material. Se o resultado da exasperação for mais gravoso que a soma 
de penas, deve-se então somá-las, aplicando a regra do concurso material (é o chamado 
concurso material benéfico). 
Art. 70, Parágrafo único – “Não poderá a pena exceder a que 
seria cabível pela regra do art. 69 deste Código”. 
_______________________________________________________________________ 
73. Aloysio, 81 anos de idade, residia sozinho em um bairro violento de uma grande 
metrópole. Em determinado dia, sua casa foi acometida por um curto-circuito que 
resultou na interrupçãodo abastecimento de energia elétrica no imóvel. Aloysio fez 
contato com o eletricista Miguel para que este fizesse o reparo. Miguel, todavia, 
informou que, em razão de compromissos profissionais anteriores, só poderia ir ao local 
no dia seguinte. 
 
117 
À noite, Aloysio acordou com o barulho de seu portão sendo arrombado. 
Posteriormente, viu um homem armado ingressando em seu quintal. Mesmo letárgico 
em razão da ingestão de remédio para dormir, temendo por sua vida, Aloysio pegou uma 
arma de fogo velha que guardava embaixo de sua cama e efetuou um único disparo 
contra o homem, que, atingido na barriga, faleceu no local. Ato contínuo, Aloysio se 
aproximou do corpo e verificou que a vítima era Miguel, que tinha ido ao local para 
tentar reparar a rede elétrica da casa. 
Diante do exposto, assinale a opção que indica o correto enquadramento da conduta de 
Aloysio. 
(A) Exclusão da ilicitude em razão da legítima defesa. 
(B) Isenção de pena em razão da legítima defesa putativa. 
(C) Exclusão da tipicidade em razão de atos reflexos. 
(D) Inimputabilidade em razão do estado de sonolência. 
(E) Homicídio doloso. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 4 a 10 de Direito Penal na turma ENAM II 2024, no 
Circuito Legislativo na 5ª Remessa de Direito Penal, a partir da página 16 e no Vade Mege 
ENAM – Parte 2, na página 25. 
(A) INCORRETA. Legítima defesa é a defesa contra agressão injusta, atual ou iminente, a 
direito próprio ou de terceiro, mediante o emprego dos meios necessários. Trata-se de 
hipótese de exclusão da ilicitude, nos termos do art. 23, II, do Código Penal. 
Na hipótese narrada, restou ausente um dos requisitos da legítima defesa, a “injusta 
agressão”. Agressão é a conduta humana (comissiva ou omissiva) que atinge ou coloca 
em perigo um bem jurídico. Entende-se que agressão injusta é a agressão ilícita, ou seja, 
contrária ao direito, mas não necessariamente típica. 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: II - em 
legítima defesa. 
Código Penal - Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, 
usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
(B) CORRETA. Não tendo havido legítima defesa real, ante a ausência de injusta agressão, 
a hipótese caracteriza a legítima defesa putativa, na qual o agente, por erro, acredita 
estar agindo em legítima defesa. 
Trata-se de causa de exclusão da ilicitude, ante a presença de descriminante putativa, 
nos termos do art. 20, §1º do Código Penal. 
 
118 
Código Penal - Art. 20, § 1º - É isento de pena quem, por erro 
plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de 
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de 
pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime 
culposo. 
(C) INCORRETA. Os atos reflexos são respostas rápidas e involuntárias, isto é, 
independentes de nossa vontade, que nosso corpo gera diante de determinados 
estímulos. A questão não apresenta hipótese de ato reflexo, mas sim de legítima defesa 
putativa. Os atos reflexos se inserem dentre as causas que retiram a voluntariedade, e 
consequentemente a tipicidade. 
(D) INCORRETA. A questão não apresenta caso de inimputabilidade, o que restaria 
configurado nas hipóteses do art. 26 do CP. 
Código Penal - Art. 26 - É isento de pena o agente que, por 
doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente 
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se 
de acordo com esse entendimento. 
(E) INCORRETA. Havendo exclusão da ilicitude em razão da descriminante putativa, não 
há que se falar em crime. 
_______________________________________________________________________ 
74. A Criminologia é o ramo da Ciência Penal que abrange os conhecimentos relativos 
ao delito como fenômeno social, inclusive os processos de elaborar as leis, infringir as 
leis e reagir à infração das leis. 
Acerca das teorias criminológicas, analise as afirmativas a seguir. 
I. A teoria ecológica do delito foi criada no contexto da Escola de Chicago e consiste na 
sustentação, baseada em pesquisas empíricas, da correlação entre o ambiente 
comunitário e a formação de determinados padrões infracionais. 
II. A teoria da associação diferencial, também chamada de teoria da aprendizagem 
social, preconiza que as racionalidades motivacionais e metodológicas que envolvem o 
cometimento de ilicitudes podem ter origem genética, mas são principalmente 
transmitidas em circunstâncias específicas no curso da convivência grupal. 
III. Os chamados crimes do colarinho branco são infrações praticadas por indivíduos 
dotados de elevado status socioeconômico no curso de atividades filantrópicas, sendo a 
razão pela qual as cifras negras não incidem sobre tais comportamentos ilícitos. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
 
119 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
I. A teoria ecológica na criminologia estuda a relação entre o indivíduo e o ambiente, 
priorizando aspectos sociais e estruturais sobre fatores individuais na análise da 
criminalidade. 
II. A teoria da associação diferencial de Sutherland destaca que o crime é um sintoma da 
desorganização social, o que se distancia da ideia de origem genética. O autor afirma 
que indivíduos inseridos em contexto favorável à criminalidade tendem a praticar 
condutas clandestinas, em especial quando pessoas de sua relação o fazem. 
III. A criminalidade de "colarinho branco" foca na perpetração de delitos por pessoas em 
posição de poder, opondo-se às correntes criminológicas tradicionais de que o 
comportamento clandestino está diretamente ligado à pobreza ou distúrbios de 
personalidade. Não há vinculação entre os crimes de colarinho branco e as atividades 
filantrópicas. 
_______________________________________________________________________ 
75. Antônio assistia a uma série televisiva noturna, quando foi surpreendido pelo 
inesperado toque da campainha de sua casa. Ao atender a porta, deparou-se com o 
funcionário de uma renomada loja de vinhos, que indagou se aquele seria o endereço 
para onde havia sido pedido por João da Silva uma celebrada garrafa de vinho, já 
devidamente paga por Pix pelo destinatário, no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos 
reais). 
Percebendo o erro, mas dominado pela vontade de degustar a bebida, Antônio 
confirmou falsamente ser ele o autor da encomenda, dando ainda como correto o 
endereço, o que fez com que a garrafa fosse, em seguida, a ele voluntariamente 
entregue, sendo consumida por Antônio antes do engano ser percebido pela loja 
vendedora do produto e por seu funcionário. 
Sobre a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. 
(A) Antônio responderá por furto qualificado pela fraude. 
(B) Antônio responderá por crime de estelionato. 
(C) Antônio responderá por crime de apropriação indébita simples. 
(D) Antônio responderá por apropriação indébita de coisa alheia havida por erro. 
(E) Antônio responderá por furto qualificado pela destreza. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
 
120 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no Circuito Legislativo na 5ª Remessa de Direito Penal, a partir 
da página 113 na turma ENAM II 2024. 
(A) INCORRETA. No furto mediante fraude, o agente subtrai a coisa com discordância 
expressa ou presumida da vítima, sendo a fraude meio para retirar a res da esfera de 
vigilância da vítima. A fraude diminui a vigilância da vítima viabilizando, assim, a inversão 
da posse. 
(B) CORRETA. O estelionato é caracterizado pelo emprego de fraude para enganar a 
vítima, fazendo com que ela entregue espontaneamente ao agentea vantagem por ele 
pretendida. Não há qualquer tipo de violência, grave ameaça ou coação. O autor obtém 
o bem através de transferência empreendida pelo próprio ofendido por ter sido induzido 
em erro. A fraude faz com que a vítima incorra em erro e, de forma voluntária, transfira 
a posse do bem. 
(C) INCORRETA. Na apropriação indébita, o agente, abusando da qualidade de possuidor 
ou codetentor, passa a ter o bem móvel como seu, dele apropriando-se arbitrariamente. 
O sujeito ativo do crime é qualquer pessoa, desde que tenha a posse ou detenção 
legítima e desvigiada da coisa móvel alheia. Na apropriação indébita o dolo, ou seja, a 
vontade de se apropriar, surge depois de ter o agente a posse da coisa, recebida 
legitimamente. Assim, um dos requisitos configuradores da apropriação indébita é que 
receba a coisa de boa-fé, o que não restou apresentado na questão. 
Código Penal - Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de 
que tem a posse ou a detenção. 
(D) INCORRETA. A coisa não foi havida por erro, pois o agente já recebe a coisa de má 
fé. 
Código Penal - Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia 
vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza. 
(E) INCORRETA. A destreza é uma especial habilidade do agente, que lhe permite realizar 
a subtração. Para alguns (STJ - Resp 1478648/PR), a qualificadora apenas se o agente 
utiliza tal habilidade excepcional para retirar bens em poder direto da vítima (é o caso 
dos denominados “punguistas”, ou seja, “batedores de carteira”). Para outros (STJ - HC 
223790/MG), qualquer tipo de destreza permite a aplicação da qualificadora (ex.: 
abertura de cofre). 
_______________________________________________________________________ 
76. Caio, Tício e Mévio integram um grupo de extermínio e decidem matar três 
integrantes de uma organização criminosa rival, cabendo a cada um o assassinato de 
uma das vítimas. 
Caio abordou sua vítima em emboscada. Todavia ao efetuar o disparo, verificou que a 
arma de fogo estava desmuniciada. Tício efetuou um disparo de arma de fogo no tórax 
da vítima que era seu alvo. Porém, ao ver o homem agonizando e chamando por seus 
filhos, Tício se compadeceu e o levou ao hospital. O esforço foi, contudo, em vão, tendo 
 
121 
em vista que a vítima faleceu na mesa cirúrgica em decorrência de hemorragia. Por fim, 
Mévio rendeu sua vítima apontando a arma de fogo para a cabeça. Nesse ínterim, a 
vítima propôs a Mévio o pagamento de R$50.000,00 (cinquenta mil reais) para que ele 
não o matasse, pedido que foi aceito por Mévio. Ocorre que minutos depois uma viatura 
passava pelo local e prendeu Mévio em flagrante. 
Diante do exposto, assinale a opção que indica a consequência jurídica que melhor se 
amolda às condutas de Caio, Tício e Mévio, respectivamente. 
(A) Tentativa de homicídio, homicídio doloso e arrependimento eficaz. 
(B) Crime impossível, homicídio doloso e desistência voluntária. 
(C) Tentativa de homicídio, arrependimento eficaz e desistência voluntária. 
(D) Crime impossível, arrependimento eficaz e desistência voluntária. 
(E) Crime impossível, homicídio doloso e tentativa de homicídio. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 4 a 10 de Direito Penal na turma ENAM II 2024. 
Os conceitos dos institutos jurídicos são essenciais para a resolução da questão, vejam: 
Crime impossível (tentativa inadequada, inidônea, quase crime ou crime oco): Tentativa 
não punível, pois o agente se vale de meio absolutamente ineficaz (crime impossível por 
ineficácia absoluta do meio) ou volta-se contra objeto absolutamente impróprio (crime 
impossível por impropriedade absoluta do objeto), razão pela qual é impossível 
consumar o crime. 
Desistência Voluntária: O agente pode prosseguir, mas não quer (é forma de tentativa 
qualificada). Na desistência voluntária, o agente ainda não fez tudo o que podia, quando, 
voluntariamente, desiste de prosseguir (abandona os atos executórios). Ocorre antes do 
fim dos atos executórios. Há exclusão de tipicidade do crime inicialmente desejado pelo 
agente, restando a responsabilidade penal pelos atos já praticados, que configuram 
crimes autônomos menos graves e consumados. Dessa maneira, o agente só responde 
pelos atos já praticados. 
Arrependimento eficaz: O agente pode prosseguir, mas não quer (é forma de tentativa 
qualificada). No arrependimento eficaz, o agente já havia feito tudo o que podia, mas, 
voluntariamente, passa a agir para impedir o resultado. Ocorre entre o fim dos atos 
executórios, mas antes da consumação do crime. Há exclusão de tipicidade do crime 
inicialmente desejado pelo agente, restando a responsabilidade penal pelos atos já 
praticados, que configuram crimes autônomos menos graves e consumados. Dessa 
maneira, o agente só responde pelos atos já praticados. 
 
122 
Conjugando as hipóteses narradas com os conceitos apresentados, temos que a 
consequência jurídica que melhor se amolda à conduta de Caio é o crime impossível, à 
conduta de Tício é o homicídio doloso e à conduta de Mévio é a desistência voluntária. 
(A) INCORRETA. 
(B) CORRETA. Crime impossível para Caio. Homicídio doloso para Tício. Desistência 
voluntária para Mévio. 
(C) INCORRETA. 
(D) INCORRETA. 
(E) INCORRETA. 
_______________________________________________________________________ 
77. Acerca dos crimes contra a Administração Pública, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O funcionário público que detém a posse de uma bicicleta particular em razão do 
cargo e concorre culposamente para a apropriação desse bem por outro funcionário 
público não incorre em prática delitiva, podendo, no entanto, responder por 
improbidade administrativa. 
(B) Em caso de prática do crime de peculato culposo, a reparação do dano extingue a 
punibilidade se for precedente à sentença irrecorrível ou, se for posterior, reduz à 
metade a pena imposta. 
(C) A reparação do dano causado não configura condição essencial para a progressão do 
regime de cumprimento da pena privativa de liberdade em relação aos condenados por 
crime contra a Administração Pública. 
(D) A circunstância de um dos agentes ser funcionário público é elementar do crime de 
concussão e, por isso, comunica-se ao agente concorrente particular, 
independentemente da ciência deste sobre a qualificação do primeiro. 
(E) A testemunha que faz afirmação falsa pode ser multada, mas não pratica fato 
penalmente típico desde que inexista aceitação de vantagem indevida e o fato ocorra 
em fase pré-processual. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi no Circuito Legislativo na 5ª e 7ª Remessas de Direito Penal e no Vade Mege 
ENAM – Parte 2 na turma ENAM II 2024. 
(A) INCORRETA. 
Código Penal - Peculato Culposo. Art. 312 - Apropriar-se o 
funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem 
móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do 
 
123 
cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: § 2º - Se o 
funcionário concorre culposamente para o crime de outrem. 
(B) CORRETA. 
Código Penal - Art. 312, § 3º - No caso do parágrafo anterior 
(peculato culposo), a reparação do dano, se precede à sentença 
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de 
metade a pena imposta. 
(C) INCORRETA. 
Código Penal - Art. 33, § 4o O condenado por crime contra a 
administração pública terá a progressão de regime do 
cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que 
causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os 
acréscimos legais. 
(D) INCORRETA. De fato, se elementar do crime, as circunstâncias de caráter pessoal se 
comunicam a todos os envolvidos. Entretanto, para que haja tal comunicação é 
necessária a ciência do comparsa acerca da qualificação do outro. 
Código Penal - Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as 
condições de caráter pessoal,salvo quando elementares do 
crime. 
(E) INCORRETA. Fazer afirmação falsa na condição de testemunha, ainda que durante o 
inquérito policial, configura o delito previsto no art. 342 do CP, que prevê aplicação de 
pena de reclusão e multa. 
Código Penal - Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar 
a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou 
intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito 
policial, ou em juízo arbitral: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 
(quatro) anos, e multa. 
_______________________________________________________________________ 
78. Na solução do conflito aparente de normas penais, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) O princípio da especialidade afirma que o ordenamento penal somente protege os 
bens jurídicos mais importantes para a vida pacífica em sociedade. 
(B) O princípio da taxatividade estabelece a prevalência da norma penal que descreve 
condutas de observância obrigatória para fins de proteção fiscal. 
(C) O princípio da fungibilidade considera a equivalência entre normas penais 
incriminadoras, que são preponderantes em relação às normas penais permissivas e 
explicativas. 
(D) O princípio da fragmentariedade considera a prevalência da norma penal que contém 
todos os elementos da norma geral, além de outros que a tornam distinta. 
 
124 
(E) O princípio da alternatividade estabelece que, nos crimes de conteúdo variável, a 
incursão delitiva será única, ainda que sejam múltiplas as condutas típicas praticadas 
pelo mesmo sujeito no mesmo contexto. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado nos pontos 1, 2 e 3 de Direito Penal na turma ENAM II 2024. 
(A) INCORRETA. Critério da especialidade: significa que a norma especial tem 
preferência em relação à norma geral (lex specialis derogat legi generali). É especial a 
norma que possui determinada particularidade objetiva ou subjetiva. Contém todos os 
requisitos da geral, além de elementos especializantes. 
(B) INCORRETA. Taxatividade: a lei penal deve ser clara, certa, precisa, proibindo-se o 
uso de conceitos vagos e imprecisos. Estamos diante do fundamento jurídico da reserva 
legal, qual seja, o princípio da taxatividade, o qual exige, na elaboração dos tipos penais, 
a facilidade na sua compreensão, não devendo deter em seu conteúdo expressões 
ambíguas ou indeterminadas. 
(C) INCORRETA. O princípio da fungibilidade não possui aplicação na solução de conflito 
aparente de normas penais, tratando-se de princípio usualmente utilizado no processo 
penal, especialmente no que toca às espécies recursais. 
(D) INCORRETA. Fragmentariedade: O Direito Penal não deve ser utilizado para tutelar 
toda e qualquer situação, nem para tutelar todo e qualquer bem jurídico. Somente uma 
pequena parcela da imensa gama de atos ilícitos existentes interessa a esse ramo do 
direito. Tal parcela compreende os atos que ofendem de modo mais grave os bens 
jurídicos considerados essenciais para o convívio em sociedade. Assim, o Direito Penal 
só intervirá quando houver relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 
É a fragmentariedade que fundamenta o princípio da insignificância como causa de 
atipicidade material da conduta. 
(E) CORRETA. Critério da alternatividade: aplicável em se tratando de crime de ação 
múltipla ou tipo misto alternativo. Nesses casos, mesmo que o agente pratique mais de 
uma conduta, no mesmo contexto fático, responderá por um só crime. 
_______________________________________________________________________ 
79. Jerônimo, porteiro de edifício residencial, ao perceber que uma entregadora está 
totalmente vestida de branco e usando guias de candomblé, diz a ela, no intuito de 
ofendê-la, que “ela é uma macumbeira endemoniada”. Em seguida, Jerônimo fala para 
a entregadora que, em razão de sua religião, ela não poderá usar a entrada e o elevador 
sociais, devendo utilizar a entrada e o elevador de serviços para fazer a entrega ao 
morador que a solicitara. 
Diante do caso narrado, Jerônimo deverá responder por 
 
125 
(A) racismo, apenas. 
(B) injúria simples, apenas. 
(C) injúria qualificada, apenas. 
(D) injúria simples e racismo. 
(E) injúria qualificada e racismo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi no Circuito Legislativo na 5ª e 12ª Remessas de Direito Penal e no Vade 
Mege ENAM – Parte 2 na turma ENAM II 2024. 
Injúria qualificada - Art. 140, § 3º, CP - A intenção do agente é 
ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes 
à raça, cor, etnia, religião ou origem. - Se a intenção do agente é 
ferir a honra alheia, ofendendo uma ou mais vítimas específicas, 
tem-se o crime de injúria qualificada (ex.: achincalhar alguém em 
razão de sua cor). Ação pública condicionada à representação. 
Afiançável e prescritível. 
Racismo - Lei 7.716/89 - Discriminação generalizada, contra 
todos de determinada cor, etnia etc., atingindo um número 
indeterminado de pessoas. Tratando-se de discriminação 
generalizada, contra todos de determinada cor, etnia etc., 
atingindo um número indeterminado de pessoas, há o crime da 
Lei 7.716/1989 (ex.: impedir pessoas de determinada cor de 
ingressarem em estabelecimento). Ação pública incondicionada. 
Inafiançável e imprescritível. 
(A) INCORRETA. 
(B) INCORRETA. 
(C) INCORRETA. 
(D) INCORRETA. 
(E) CORRETA. A conduta de Jerônimo, ao falar “ela é uma macumbeira endemoniada”, 
se amolda à injúria qualificada. Por outro lado, o impedimento de usar a entrada e 
elevadores sociais se amolda ao crime de racismo. 
_______________________________________________________________________ 
80. Marcela, empregada celetista de sociedade empresária terceirizada de determinado 
órgão público, subtraiu uma valiosa obra de arte pertencente à repartição pública, 
valendo-se do acesso facilitado pelo seu vínculo empregatício. 
 
126 
Entretanto, após a subtração da peça, que pretendia revender, percebeu que seria 
descoberta, pois havia câmeras de segurança que registraram toda a ação. Marcela 
soube que as autoridades competentes já haviam sido acionadas para que se iniciasse a 
persecução penal e, por isso, decidiu restituir a peça, o que foi feito antes mesmo do 
recebimento da denúncia. 
Sobre os fatos, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Marcela pode ter a pena reduzida pelo arrependimento posterior, ante a integral 
restituição antes do recebimento da denúncia. 
(B) Ocorreu uma tentativa inidônea, pois as câmeras de vigilância tornariam impossível 
a consumação da subtração. 
(C) Marcela não é funcionária pública, devendo ser responsabilizada por furto 
qualificado pelo abuso de confiança. 
(D) Marcela pode ser beneficiada pela exclusão da tipicidade do arrependimento eficaz, 
afastando-se a sua responsabilidade penal pelo fato. 
(E) Há extinção da punibilidade do delito de peculato pela restituição integral da coisa 
antes da sentença. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi no Circuito Legislativo na 5ª e 7ª Remessas de Direito Penal e no Vade Mege 
ENAM – Parte 2 na turma ENAM II 2024. 
(A) CORRETA. 
Código Penal - Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou 
grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, 
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário 
do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. 
(B) INCORRETA. Súmula 567 do STJ - Sistema de vigilância realizado por monitoramento 
eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por 
si só, não torna impossível a configuração do crime de furto. 
(C) INCORRETA. Trata-se de funcionário Público por equiparação. 
Código Penal - Art. 327 - Considera-se funcionário público, para 
os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem 
remuneração, exerce cargo, emprego ou funçãode injunção também é o meio processual adequado para questionar a 
efetividade da lei regulamentadora. 
(D) Há norma constitucional que impõe ao legislador o dever de regulamentar os direitos 
do nascituro e, portanto, cabe mandado de injunção para que a omissão legislativa possa 
ser imputada às autoridades impetradas. 
(E) É cabível o mandado de injunção à declaração judicial de vacância de cargo, para 
compelir o Presidente da República a praticar ato administrativo, concreto e 
determinado. 
 
14 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Mandado de 
Injunção (MI) 712, é incabível o pedido de desistência de uma ação após o início do 
julgamento, especialmente quando a maioria dos Ministros já tiver se manifestado a 
favor da concessão da medida. Esse posicionamento reforça a preservação da 
estabilidade processual e a proteção da integridade das deliberações do tribunal. 
O princípio que orienta essa vedação é o da segurança jurídica, uma vez que permitir a 
desistência após a formação de uma maioria favorável poderia representar uma 
tentativa estratégica de influenciar indevidamente o resultado ou esvaziar o 
pronunciamento jurisdicional. Além disso o julgamento do STF não envolve apenas 
interesse meramente privado das partes, mas sim, muitas vezes, questões de relevância 
constitucional e impacto coletivo. 
Ao negar a possibilidade de desistência em tais circunstâncias, o STF assegura a 
coerência e a integridade do processo decisório, evitando que a mudança de postura da 
parte comprometa a efetividade do julgamento e o interesse público. Assim, o 
entendimento no MI 712 fortalece a finalidade das decisões colegiadas e impede que o 
processo seja utilizado como instrumento de manobra, garantindo a proteção da 
confiança legítima das partes e da sociedade no Judiciário. 
_______________________________________________________________________ 
5. Na data-base de reajuste da categoria dos bancários, a negociação para a 
implementação de reajuste salarial, a partir de 2024, fracassou. Então, o sindicato dos 
empregados, após assembleia, decidiu que em 24 horas ocuparia todas as agências 
bancárias da região para pressionar os empregadores a aceitarem o reajuste desejado. 
Os bancos foram comunicados por escrito dessa decisão. 
Um banco estatal federal (sociedade de economia mista) e um banco privado 
resolveram, cada qual, ingressar com interdito proibitório na defesa de seus interesses, 
visando impedir que a posse de suas agências fosse molestada pelos grevistas. 
Considerando os fatos, as regras de competência e o entendimento consolidado do STF, 
assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Tanto o banco estatal quanto o privado deverão ajuizar suas ações na Justiça 
Estadual. 
(B) O banco estatal, dada a sua natureza jurídica, ajuizará ação na Justiça Federal comum 
e o banco privado, na Justiça do Trabalho. 
(C) O banco estatal federal e o banco privado ajuizarão suas ações na Justiça do Trabalho. 
(D) O banco privado ajuizará ação na justiça estadual e o banco estatal federal, na Justiça 
Federal comum. 
 
15 
(E) O banco estatal federal e o banco privado ajuizarão suas ações na Justiça Federal 
comum. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
De acordo com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no 
julgamento do RE 1.015.362, as ações que envolvem empregados públicos contratados 
sob o regime celetista são de competência da Justiça do Trabalho, por se tratar de 
vínculo regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Contudo, há uma questão relevante: quando a controvérsia envolve aspectos pré-
contratuais ou a nulidade do certame (natureza administrativa), a competência para 
processar e julgar a ação será da Justiça Comum. Isso ocorre porque, nesses casos, a 
discussão se relaciona com a legalidade do processo seletivo e não com a relação de 
emprego propriamente dita, escapando, portanto, da esfera trabalhista. 
Assim, questões atinentes à validade do concurso público ou a problemas ocorridos 
antes da contratação formal exigem análise pela Justiça Comum, enquanto que disputas 
decorrentes do contrato de trabalho, como direitos e obrigações trabalhistas, são 
julgadas pela Justiça do Trabalho. 
_______________________________________________________________________ 
6. Uma mulher transgênero foi admitida, em 2024, em uma sociedade empresária para 
exercer a função de auxiliar no Departamento de Recursos Humanos. A funcionária 
trajava-se e portava-se como mulher, mas foi impedida de acessar o banheiro feminino 
da sociedade empresária, porque no seu registro civil ainda constava o nome masculino. 
Diante dos fatos, da previsão constitucional e do entendimento do STF, assinale a 
afirmativa CORRETA. 
(A) A sociedade empresária agiu de modo incorreto, porque, diante das peculiaridades 
do caso apresentado, a pessoa tem o direito de acessar o banheiro conforme o gênero 
com o qual se identifica. 
(B) A sociedade empresária está correta, porque a transição ainda não se completou, 
uma vez que o registro civil continua identificando a pessoa com o gênero biológico 
masculino. 
(C) A sociedade empresária está parcialmente equivocada, porque o reconhecimento e 
a visibilidade atuais da transexualidade exigem que ela construa um banheiro apenas 
para pessoas trans. 
(D) A sociedade empresária está correta, porque está preservando a segurança e a 
intimidade das mulheres cis que nela trabalham. 
 
16 
(E) A sociedade empresária deve preservar o meio ambiente de trabalho, que é bem 
indivisível e de todos, de modo que a situação deve ser debatida, votada e decidida pelas 
empregadas cisgênero. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 845.779, o Plenário do Supremo Tribunal 
Federal (STF), por maioria de votos, decidiu que o caso não envolve matéria 
constitucional e, portanto, não cabe à Corte apreciá-lo. O recurso discutia o 
impedimento de uma mulher trans de utilizar o banheiro feminino em um shopping 
center em Florianópolis (SC). 
No entendimento do Plenário, a controvérsia apresentada não demandava, naquele 
momento, a análise de princípios constitucionais como dignidade da pessoa humana, 
igualdade e liberdade de expressão da identidade de gênero, remetendo assim a 
discussão para instâncias inferiores. 
Por não haver enfrentamento direto da questão de fundo sobre o direito das pessoas 
trans de serem tratadas em consonância com sua identidade de gênero, o julgamento 
não gera precedente sobre o mérito desse tema específico, deixando a possibilidade de 
que a questão seja apreciada em processos futuros, até porque a Repercussão Geral foi 
cancelada. 
Por outro lado, de forma indireta, em fundamentação de votos, o Supremo Tribunal 
Federal abordou a questão no RE 670432, considerando, assim, que a sociedade 
empresária agiu de modo incorreto. 
_______________________________________________________________________ 
7. José, acometido de câncer, percebe apenas um salário mínimo de aposentadoria e 
precisa fazer uso de remédio de baixo custo prescrito pelo médico público que o 
acompanha. Ao buscar o remédio na Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade, foi 
informado de que tal medicamento, usualmente fornecido pelo SUS (integra a lista 
padronizada do SUS) e registrado na Anvisa, havia se esgotado no estoque municipal. Foi 
informado, também, de que somente haveria recursos para nova aquisição no ano 
seguinte, após a inclusão de novas dotações na lei orçamentária anual. 
Não podendo interromper seu tratamento, conforme orientação médica comprovada, e 
sem recursos para adquirir o remédio, José procura a Defensoria Pública Estadual, para 
que ela promova uma ação contra o Município para que o medicamentopública. § 1º - 
Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego 
ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para 
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a 
execução de atividade típica da Administração Pública. 
 
127 
(D) INCORRETA. O arrependimento eficaz (art. 15 do CP) ocorre quando o agente pratica 
todos os atos executórios suficientes à consumação do crime. No entanto, antes que a 
consumação ocorra, por meio de providências aptas, ele voluntariamente impede a 
ocorrência do resultado naturalístico. Na hipótese narrada, o crime foi consumado. 
(E) INCORRETA. A extinção da punibilidade nos moldes apresentados na alternativa só 
seria possível em se tratando de peculato culposo, o que não é o caso do enunciado. 
Código Penal - Art. 312, § 3º - No caso do parágrafo anterior, a 
reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue 
a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena 
imposta. 
_______________________________________________________________________seja fornecido 
incondicionalmente. Em contestação, o ente federado alega que enfrenta grave crise 
financeira, que não possui dotações orçamentárias para esse fornecimento e que haveria 
indevida interferência do Poder Judiciário em matéria orçamentária, caso fosse obrigado 
a fornecer o medicamento por ordem judicial. 
 
17 
Diante desse cenário e à luz da jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a 
afirmativa CORRETA. 
(A) Com fundamento na teoria da reserva do possível, caso comprovada a crise 
financeira municipal, o magistrado não pode obrigar o Município a fornecer o 
medicamento. 
(B) A ausência de dotação orçamentária específica impede qualquer concessão do 
medicamento por ordem judicial, uma vez que é constitucionalmente vedado realizar 
despesas não previstas na lei orçamentária anual. 
(C) A criação de despesa orçamentária para a concessão de medicamento sem previsão 
na lei orçamentária, por ordem do Poder Judiciário, não é possível por violar a separação 
dos poderes. 
(D) O Poder Judiciário pode determinar a realização dessa despesa não originalmente 
prevista na lei orçamentária, em razão da grave omissão do Poder Público na garantia do 
direito fundamental à saúde. 
(E) A criação da despesa para o fornecimento do medicamento pode ser ordenada por 
decisão judicial, desde que a União participe obrigatoriamente do polo passivo da 
demanda. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Recurso Extraordinário (RE) 669.635, 
consolidou o entendimento de que, em situações excepcionais, o Poder Judiciário pode 
determinar que a Administração Pública adote medidas necessárias à garantia de 
direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure 
violação ao princípio da separação dos poderes previsto no art. 2º da Constituição 
Federal. 
Essa possibilidade de intervenção judicial é justificada pela efetividade dos direitos 
fundamentais, especialmente em casos onde a inércia ou omissão administrativa coloca 
em risco direitos indispensáveis, como saúde, educação ou segurança. Nessas hipóteses, 
a atuação do Judiciário busca garantir a plena fruição de direitos sociais e a observância 
do Estado Democrático de Direito, assegurando que o compromisso constitucional com 
a dignidade humana e a justiça social seja concretizado. 
O STF ressalta, no entanto, que essa intervenção é excepcional e se limita a assegurar o 
cumprimento de obrigações já determinadas pela Constituição ou pela legislação, sem 
que isso configure uma substituição indevida da competência administrativa. Assim, a 
atuação judicial deve ser complementar e subsidiária, sendo direcionada apenas a 
assegurar a realização de direitos fundamentais quando a Administração Pública se 
mostrar omissa ou insuficiente. 
 
18 
_______________________________________________________________________ 
8. Sobre medida provisória, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Não é permitido aos Chefes do Poder Executivo dos Estados-membros editarem 
medidas provisórias, ainda que seja observado o conjunto de regras básicas do processo 
legislativo posto no texto constitucional de 1988. 
(B) Os requisitos constitucionais legitimadores da edição de medidas provisórias não 
podem, em nenhuma hipótese, ser submetidos ao crivo do Poder Judiciário, por força 
da regra da separação dos poderes. 
(C) Não é cabível o controle de constitucionalidade da medida provisória para a 
comprovação do desvio de finalidade ou abuso da competência normativa do Chefe do 
Executivo. 
(D) A conversão de medida provisória em lei, com absorção de conteúdo, não torna 
prejudicado o debate sobre o atendimento dos pressupostos de sua admissibilidade. 
(E) A medida provisória não revoga a lei anterior, mas apenas suspende seus efeitos no 
ordenamento jurídico, em face do seu caráter transitório e precário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 5.709, 
a medida provisória (MP) não tem o poder de revogar uma lei anterior, mas apenas 
suspende seus efeitos enquanto estiver em vigor, em razão do seu caráter transitório e 
precário. A medida provisória é um instrumento normativo de uso emergencial pelo 
Poder Executivo, com vigência imediata, mas sujeito à aprovação ou rejeição pelo 
Congresso Nacional. 
Assim, aprovada a medida provisória pelas duas Casas do Congresso (Câmara e Senado), 
ela se converte em lei ordinária. Nesse momento, ocorre a revogação definitiva da lei 
anterior, que havia sido suspensa pela medida provisória. Por outro lado, caso a medida 
provisória seja rejeitada – seja de forma expressa (votação contrária) ou tácita (pelo 
decurso de prazo sem votação) –, a lei antecedente, que estava com seus efeitos 
suspensos, volta a ter eficácia plena e imediata. 
A decisão na ADI 5.709 ressalta, portanto, que o sistema jurídico brasileiro trata a medida 
provisória como um ato de natureza temporária, cuja estabilidade depende da 
ratificação legislativa. Até sua conversão em lei ou rejeição, a MP possui força normativa, 
mas sua rejeição implica o restabelecimento integral da norma suspensa, garantindo a 
continuidade e coerência do ordenamento jurídico. 
_______________________________________________________________________ 
 
19 
9. Foi publicada a Lei nº X, do Estado Alfa, alterando o Regime Jurídico dos Servidores 
Públicos Estaduais. O objetivo declarado desse diploma normativo era o de 
desburocratizar o processo administrativo disciplinar, tendo estabelecido os requisitos a 
serem observados para a implementação da consensualidade da pura reprimenda e da 
consensualidade de colaboração, em que o servidor estadual pode receber uma sanção 
de imediato, independentemente de qualquer colaboração com a apuração, ou vir a 
recebê-la caso ocorra essa colaboração. 
A alteração foi muito comemorada por Maria, Deputada Estadual e autora do projeto, e 
considerada inconstitucional pelo Diretório Regional do Partido Político Beta, 
agremiação partidária que somente possui representação na Câmara dos Deputados. O 
referido Diretório ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo 
Tribunal Federal. 
Sobre a hipótese, à luz da sistemática vigente, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Beta não tem legitimidade para ajuizar a ADI. 
(B) A Lei nº X não apresenta vício de inconstitucionalidade. 
(C) A Lei nº X veicula temática própria de lei complementar, logo, é inconstitucional. 
(D) A Lei nº X deve ser considerada constitucional, caso tenham sido observadas as 
normas gerais editadas pela União. 
(E) O Estado Alfa incursionou em matéria de competência legislativa privativa da União, 
mas a Lei nº X é constitucional caso haja lei da União autorizando a sua edição. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material sobre o ponto 15 de Direito Constitucional na turma 
ENAM II 2024, página 97. 
De acordo com o art. 103 da Constituição Federal de 1988, apenas os legitimados 
expressamente previstos nesse dispositivo possuem competência para propor ações de 
controle concentrado de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal (STF). 
Destaca-se aqui, então, que diretórios regionais de partidos políticos não possuem 
legitimidade para propor tais ações. A legitimidade é conferida exclusivamente aos 
partidos políticos com representação no Congresso Nacional, o que assegura uma 
conexão entre a legitimidade ativa e a relevância do partido no âmbito federal. Assim, a 
presença parlamentar é considerada essencial para que o partido atue na defesa do 
controle abstrato de normas perante o STF. 
_______________________________________________________________________20 
10. Determinada Lei do Estado Alfa isentou os servidores públicos do respectivo Estado 
do pagamento da taxa de inscrição em concursos públicos realizados por Alfa, com a 
finalidade de motivá-los a continuar a se aperfeiçoar tecnicamente. 
Sobre a referida norma, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) É constitucional, pois observou o princípio da eficiência ao implementar a medida 
que beneficia seus servidores, com a finalidade de motivá-los a continuar estudando e a 
participar de ações de formação continuada. 
(B) É constitucional, pois observou o princípio da igualdade no viés material, já que a 
norma estabeleceu distinções a fim de compensar os indivíduos que se encontram em 
situação desprivilegiada para elevá-los ao patamar dos demais. 
(C) É inconstitucional, pois a medida aprovada não tem a finalidade de promover a 
igualdade substancial, ou seja, não está voltada à mitigação de uma discriminação ou de 
uma desigualdade constatada na sociedade. 
(D) É constitucional, pois a taxa de inscrição em concurso público não tem natureza 
tributária e, portanto, a concessão da isenção está inserida em um espaço de 
discricionariedade administrativa para a gestão dos recursos públicos. 
(E) É inconstitucional, pois a concessão da isenção de taxa tem natureza tributária e, 
portanto, é necessária a observância dos princípios constitucionais tributários. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O julgado foi estudado no material de temas selecionados do STF para o ENAM – 2022 
(Informativos 1042 a 1079) enviado para a turma do ENAM II 2024, página 5. 
No julgamento da ADI 5818, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a 
inconstitucionalidade de lei estadual que isenta servidores públicos da taxa de inscrição 
em concursos promovidos pela Administração Pública local. O STF entendeu que tal 
isenção representa um tratamento privilegiado e desproporcional em favor de um grupo 
que, em geral, já é mais favorecido social e economicamente, contrariando o princípio 
constitucional da isonomia. 
A criação de vantagens que beneficiam grupos específicos, sem justificativa razoável, 
rompe com o ideal de igualdade de oportunidades que deve nortear a Administração 
Pública. Em vez de promover a inclusão e a equidade, essa medida amplia a desigualdade 
entre os candidatos, frustrando a finalidade do concurso público como um mecanismo 
democrático de seleção. 
Assim, o entendimento do STF é que isenções seletivas e injustificadas para grupos 
específicos, como servidores públicos, são incompatíveis com a ordem constitucional, 
pois comprometem o princípio da impessoalidade e criam barreiras artificiais ao acesso 
justo e igualitário aos cargos públicos. Com base nessa interpretação, o STF reafirma a 
 
21 
necessidade de neutralidade e transparência nos concursos públicos, garantindo que as 
regras de seleção não favoreçam indevidamente grupos com maior poder econômico ou 
social. 
_______________________________________________________________________ 
11. Em tema de “Direitos e Garantias Fundamentais”, a Constituição Federal de 1988 
dispõe, em seu Art. 5º, inciso LVII, que "ninguém será considerado culpado até o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória". 
A respeito do princípio da não culpabilidade, considerando a jurisprudência assentada 
do Supremo Tribunal Federal, analise as afirmativas a seguir. 
I. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de 
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, 
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil 
e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que 
se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. 
II. A condução coercitiva de pessoas investigadas ou réus para fins de interrogatório 
policial ou judicial é compatível com a presunção de inocência, dada a possibilidade de 
o conduzido exercer livremente seu direito de não responder às perguntas formuladas 
pela autoridade policial e de solicitar a presença de advogado para participar do ato. 
III. A norma constitucional que veda a concessão de liberdade provisória em caso de 
crimes hediondos e equiparados é compatível com a presunção de inocência, dada a 
exigência de interpretação sistemática e harmônica do texto constitucional. Havendo 
prisão em flagrante de crime hediondo, o autor do fato deve permanecer preso durante 
toda a instrução, sendo-lhe, contudo, assegurado o direito de permanecer em 
estabelecimento prisional reservado a presos provisórios. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi abordado no material de súmulas do STF, página 56, no ponto 6, 7, 8 e 14 
de Direito Constitucional na turma ENAM II 2024 
 
 
22 
I. CORRETA. De acordo com a Súmula Vinculante 11, o uso de algemas por agentes 
estatais somente será é possível em situações excepcionais em que a medida seja 
estritamente necessária para garantir a segurança do agente público ou evitar a fuga ou 
a resistência por parte da pessoa detida. A súmula estabelece, ainda, que o uso 
inadequado de algemas pode configurar constrangimento ilegal, passível de 
responsabilização do Estado. 
II. INCORRETA. No julgamento das ADPFs 395 e 444, o Supremo Tribunal Federal (STF) 
declarou a inconstitucionalidade da condução coercitiva de pessoas investigadas ou 
acusadas para interrogatório, entendendo que essa prática viola o princípio da dignidade 
da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88) e o princípio da presunção de não culpabilidade 
(art. 5º, LVII, da CF/88). A condução coercitiva é caracterizada como uma restrição 
temporária da liberdade de locomoção, realizada mediante custódia por forças policiais 
em vias públicas, o que pode expor o indivíduo a constrangimento público, mesmo sem 
condenação prévia. 
III. INCORRETA. A atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) admite a 
possibilidade de concessão de liberdade provisória a acusados de crimes hediondos ou 
equiparados, desde que ausentes os fundamentos autorizadores da prisão preventiva, 
conforme previstos no art. 312 do Código de Processo Penal (CPP). Esse entendimento 
foi consolidado no julgamento do Habeas Corpus (HC) 92.824. 
_______________________________________________________________________ 
12. A Lei Federal nº X cominou a sanção de multa pelo descumprimento das normas 
ambientais que indicou. Em determinado mandado de segurança, Maria, que recebera 
a referida sanção, sustentava a inconstitucionalidade desse diploma normativo e, por via 
reflexa, a nulidade da multa que sofrera. A Câmara competente do Tribunal de Justiça do 
Estado Beta, que processou e julgou a causa em caráter originário, não reconheceu a 
alegada inconstitucionalidade, denegando a ordem. 
No dia seguinte à publicação do acórdão, que não padecia de qualquer erro, 
obscuridade, contradição ou omissão, foi publicado acórdão do Supremo Tribunal 
Federal, proferido em sede de controle concentrado de constitucionalidade, no qual foi 
declarada a inconstitucionalidade da Lei Federal nº X. 
Sobre a hipótese apresentada, à luz da sistemática vigente, assinale a afirmativa 
CORRETA. 
(A) O acórdão proferido pela Câmara tornou-se ineficaz. 
(B) O acórdão proferido pela Câmara afrontou a reserva de plenário. 
(C) O acórdão proferido pela Câmara pode ser reformado por decisão monocrática do 
relator do recurso extraordinário do Supremo Tribunal Federal. 
(D) O acórdão proferido pela Câmara deve ser objeto do recurso próprio, a ser julgado 
pelo Tribunal ad quem, não sendo de competência do Supremo Tribunal Federal o seu 
julgamento. 
 
23 
(E) O órgão competente do Tribunal de Justiça do EstadoBeta, no juízo de 
admissibilidade do recurso a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, deve 
reconhecer a ineficácia do acórdão proferido pela Câmara. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O julgado foi estudado no material de Repercussão Geral (Teses organizadas para revisão 
– 2024) na turma do ENAM II 2024, página 2. 
Conforme o definido no julgamento do RE 730462, com repercussão geral, as decisões 
do Supremo Tribunal Federal (STF) que declaram a constitucionalidade ou 
inconstitucionalidade de norma não têm o efeito de automaticamente reformar ou 
rescindir decisões anteriores proferidas em sentido contrário por outros órgãos 
jurisdicionais. Para que ocorra a revisão de tais decisões passadas, é indispensável a 
interposição de recurso próprio ou, quando cabível, a propositura de ação rescisória, nos 
termos dos arts. 485 e 495 do Código de Processo Civil (CPC). 
Esse entendimento reflete a necessidade de segurança jurídica e estabilidade das 
decisões judiciais. Mesmo quando o STF fixa um novo posicionamento em controle de 
constitucionalidade, as decisões anteriores permanecem válidas e eficazes até que 
sejam revisadas por meio dos instrumentos processuais adequados. A ação rescisória é 
o meio apropriado para rescindir decisões transitadas em julgado que tenham 
contrariado o novo entendimento do STF, respeitando o prazo decadencial de dois anos 
previsto no art. 495 do CPC. 
_______________________________________________________________________ 
13. Sobre o tema prisão temporária, à luz do entendimento do Supremo Tribunal 
Federal, analise as afirmativas a seguir. 
I. A decretação da prisão temporária reclama sempre a presença do Art. 1º, inciso III, da 
Lei nº 7.960/1989, que elenca o rol de crimes aptos a ensejar tal medida cautelar. O 
dispositivo, ao exigir a presença de fundadas razões de autoria ou participação do 
indiciado nos crimes nele previstos, evidencia a necessidade do fumus commissi delicti, 
indispensável para a decretação da medida cautelar. O citado rol de crimes possui 
natureza taxativa, desautorizada a analogia ou a interpretação extensiva, em razão dos 
princípios constitucionais da legalidade estrita e do devido processo legal substantivo. 
II. A prisão temporária deve estar fundamentada em fatos novos ou contemporâneos à 
decretação da medida (Art. 312, § 2º, do Código de Processo Penal). Ainda que se cuide 
de dispositivo voltado à prisão preventiva, a regra é consequência lógica da 
cautelaridade das prisões provisórias e do princípio constitucional da não culpabilidade. 
III. O Código de Processo Penal dispõe que a prisão preventiva somente será 
determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar, 
observado o Art. 319 desse Código. O não cabimento da substituição por outra medida 
 
24 
cautelar deverá ser justificado de forma fundamentada nos elementos presentes do caso 
concreto, de modo individualizado. A citada disposição desse Código não se aplica às 
prisões temporárias, por possuírem natureza de medida cautelar na fase investigatória 
pré-processual. 
Está CORRETO o que se afirma em 
(A) I, apenas. 
(B) I e II, apenas. 
(C) I e III, apenas. 
(D) II e III, apenas. 
(E) I, II e III. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 7, 8 e 14 de Direito Constitucional 
na turma ENAM II 2024, página 9. 
A questão foi integralmente extraída da ADI 4109/DF e, por isso, é colacionada abaixo 
para que o aluno a analise à luz dos princípios e fundamentos jurídicos utilizados, 
visando à compreensão de seu alcance e implicações. 
 
EMENTA OFICIAL: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 7.960/1989. PRISÃO 
TEMPORÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. ART. 5º, INCISOS LXI E LVII, DA CF. NECESSIDADE 
DE DECISÃO JUDICIAL DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. ART. 93, INCISO IX, DA CF. 
PRAZO IMPRÓPRIO DE 24 HORAS PARA A DECRETAÇÃO DA PRISÃO. INTERPRETAÇÃO 
CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ART. 1º, INCISO III, DA LEI 7.960/1989. ROL DE 
NATUREZA TAXATIVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ART. 5º, INCISO XXXIX, DA CF. 
ART. 1º, INCISO I, DA LEI 7.960/1989. EXIGÊNCIA DE ELEMENTOS CONCRETOS. PRINCÍPIO 
DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. ART. 1º, INCISO II, DA LEI 7.960/1989. MERA AUSÊNCIA 
DE ENDEREÇO FIXO. VEDAÇÃO DE DECRETAÇÃO DE PRISÃO TEMPORÁRIA. NECESSIDADE 
DE OCORRÊNCIA DE FATOS NOVOS OU CONTEMPORÂNEOS QUE JUSTIFIQUEM A 
ADOÇÃO DA MEDIDA. ART. 312, § 2º, CPP. APLICABILIDADE À PRISÃO TEMPORÁRIA. 
VEDAÇÃO DE DECRETAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA SOMENTE COM A FINALIDADE DE 
INTERROGATÓRIO. DIREITO À NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO. ART. 282, INCISO II, E § 6º, DO 
CPP. DISPOSITIVOS APLICÁVEIS À PRISÃO TEMPORÁRIA. PRINCÍPIO DA 
PROPORCIONALIDADE. PRISÃO CAUTELAR COMO ULTIMA RATIO DO SISTEMA 
PROCESSUAL PENAL. INTELIGÊNCIA DO ART. 5º, INCISO LXVI, DA CF. PROCEDÊNCIA 
PARCIAL. I – A parte autora não desenvolveu fundamentação jurídica mínima a amparar 
o pedido de inconstitucionalidade dos arts. 3º e seguintes da Lei 7.960/1989. Falta de 
causa de pedir. Ação conhecida somente no tocante à impugnação dos artigos 1º e 2º da 
Lei em comento. II – A Constituição Federal autoriza que o legislador ordinário preveja 
modalidade de prisão cautelar voltada a assegurar o resultado útil da investigação 
 
25 
criminal, como é o caso da prisão temporária, desde que respeitado o princípio da 
presunção de não culpabilidade. Inteligência do art. 5º, incisos LXI e LVII, da Constituição 
Federal. III – Não viola a Constituição Federal a previsão legal de decretação de prisão 
temporária quando presentes fundados indícios da prática dos crimes de quadrilha, 
atual associação criminosa, e contra o sistema financeiro (alíneas “l” e “o” do inciso III 
do art. 1º da Lei 7.960/89). Cuida-se de opção do legislador, dentro do seu legítimo 
campo de conformação, com o escopo de conferir especial atenção a determinados 
crimes que em seu entender merecem maior necessidade de prevenção. IV – A prisão 
temporária não é medida de caráter compulsório, já que sua decretação deve se dar 
mediante decisão judicial devidamente fundamentada em elementos aptos a justificar a 
imposição da medida. Inteligência do art. 2º, caput e § 2º, da Lei 7.960/1989, bem como 
art. 93, inciso IX, da CF. V – O prazo de 24 horas previsto no § 2º do art. 2º da Lei 
7.960/1989 é compatível com a Constituição Federal. Trata-se de prazo impróprio a ser 
observado conforme o prudente arbítrio do Magistrado competente para a decretação 
da medida. VI – A decretação da prisão temporária reclama sempre a presença do 
inciso III do art. 1º da Lei 7.960/1989. O dispositivo, ao exigir a presença de fundadas 
razões de autoria ou participação do indiciado nos crimes nele previstos, evidencia a 
necessidade do fumus comissi delicti, indispensável para a decretação de qualquer 
medida cautelar. Rol de crimes de natureza taxativa, desautorizada a analogia ou a 
interpretação extensiva, em razão dos princípios da legalidade estrita (art. 5º, inciso 
XXXIX, da CF) e do devido processo legal substantivo (art. 5º, inciso LXV, CF). VII – A 
decretação da prisão temporária exige também a presença do inciso I do art. 1º da Lei 
de regência. O inciso, ao dispor que a prisão temporária pode ser decretada somente 
quando for imprescindível para as investigações do inquérito policial, traz a necessidade 
de demonstração do periculum libertatis do representado, requisito indispensável para 
a imposição de prisões cautelares por força do princípio constitucional da presunção de 
inocência que obsta a antecipação de penas. Exigência de fundamentação calcada em 
elementos concretos, e não em simples conjecturas. Precedentes desta Corte. VIII – O 
inciso II do art. 1º da Lei 7.960/1989 mostra-se dispensável ou, quando interpretado 
isoladamente, inconstitucional. Não se pode decretar a prisão temporária pelo simples 
fato de o representado não possuirendereço fixo. A circunstância de o indiciado não 
possuir residência fixa deve evidenciar de modo concreto que a prisão temporária é 
imprescindível para a investigação criminal (inciso I do art. 1º da Lei em comento). IX – 
A prisão temporária deve estar fundamentada em fatos novos ou contemporâneos à 
decretação da medida (art. 312, § 2º, CPP). Ainda que se cuide de dispositivo voltado 
à prisão preventiva, a regra é consequência lógica da cautelaridade das prisões 
provisórias e do princípio constitucional da não culpabilidade. X – É vedada a 
decretação da prisão temporária somente com a finalidade de interrogar o indiciado, 
porquanto ninguém pode ser forçado a falar ou a produzir prova contra si. Doutrina. 
Inteligência das Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental n.º 395 e n.º 
444, rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, STF, julgadas em 14/06/2018. XI – A decretação 
da prisão temporária deve observar o previsto no art. 282, inciso II, do CPP. Trata-se de 
regra geral a incidir sobre todas as modalidades de medida cautelar, as quais, em atenção 
ao princípio da proporcionalidade, devem observar a necessidade e a adequação da 
medida em vista da gravidade do crime, das circunstâncias do fato e das condições 
pessoais do representado. XII – O disposto no art. 282, § 6º, do CPP também deve ser 
atendido para a decretação da prisão temporária. Em razão do princípio constitucional 
 
26 
da não culpabilidade, a regra é a liberdade; a imposição das medidas cautelares 
diversas da prisão a exceção; ao passo que a prisão, qualquer que seja a sua 
modalidade, a exceção da exceção, é dizer, a ultima ratio do sistema processual penal. 
Inteligência do art. 5º, inciso LXVI, da CF. XIII – O art. 313 do CPP cuida de dispositivo 
específico para a prisão preventiva não aplicável à prisão temporária, porquanto, no caso 
desta, o legislador ordinário, no seu legítimo campo de conformação, já escolheu os 
delitos que julgou de maior gravidade para a imposição da prisão (inciso III do art. 1º da 
Lei 7.960/89). Entender de modo diverso implicaria confusão entre os pressupostos de 
decretação das prisões preventiva e temporária, bem como violação aos princípios da 
legalidade e da separação entre os poderes. XIV – Ação Direta de Inconstitucionalidade 
parcialmente conhecida e, na parte conhecida, julgados parcialmente procedentes os 
pedidos para conferir interpretação conforme a Constituição Federal ao art. 1º da Lei 
7.960/1989 e fixar o entendimento de que a decretação de prisão temporária autoriza-
se quando, cumulativamente: 1) for imprescindível para as investigações do inquérito 
policial (art. 1º, I, Lei 7.960/1989) (periculum libertatis), constatada a partir de 
elementos concretos, e não meras conjecturas, vedada a sua utilização como prisão para 
averiguações, em violação ao direito à não autoincriminação, ou quando fundada no 
mero fato de o representado não possuir residência fixa (inciso II); 2) houver fundadas 
razões de autoria ou participação do indiciado nos crimes previstos no art. 1º, III, Lei 
7.960/1989 (fumus comissi delicti), vedada a analogia ou a interpretação extensiva do 
rol previsto no dispositivo; 3) for justificada em fatos novos ou contemporâneos que 
fundamentem a medida (art. 312, § 2º, CPP); 4) a medida for adequada à gravidade 
concreta do crime, às circunstâncias do fato e às condições pessoais do indiciado (art. 
282, II, CPP); 5) não for suficiente a imposição de medidas cautelares diversas, previstas 
nos arts. 319 e 320 do CPP (art. 282, § 6º, CPP) 
 
Assim, estão CORRETOS os itens I e II. 
 
I. CORRETO. A decretação da prisão temporária reclama sempre a presença do inciso III 
do art. 1º da Lei 7.960/1989. O dispositivo, ao exigir a presença de fundadas razões de 
autoria ou participação do indiciado nos crimes nele previstos, evidencia a necessidade 
do fumus comissi delicti, indispensável para a decretação de qualquer medida cautelar. 
Rol de crimes de natureza taxativa, desautorizada a analogia ou a interpretação 
extensiva, em razão dos princípios da legalidade estrita (art. 5º, inciso XXXIX, da CF) e do 
devido processo legal substantivo (art. 5º, inciso LXV, CF). 
 
II. CORRETO. A prisão temporária deve estar fundamentada em fatos novos ou 
contemporâneos à decretação da medida (art. 312, § 2º, CPP). Ainda que se cuide de 
dispositivo voltado à prisão preventiva, a regra é consequência lógica da cautelaridade 
das prisões provisórias e do princípio constitucional da não culpabilidade. 
 
III. INCORRETO. De acordo com o entendimento expresso no julgado mencionado, o art. 
282, § 6º, do Código de Processo Penal (CPP), que determina que a prisão preventiva só 
deve ser aplicada quando não for possível substituí-la por outra medida cautelar, 
também se aplica à prisão temporária. Em virtude do princípio constitucional da 
presunção de inocência, a liberdade é a regra, enquanto a imposição de medidas 
cautelares alternativas à prisão constitui uma exceção. A prisão, independentemente de 
 
27 
sua modalidade, representa a exceção da exceção, ou seja, a ultima ratio no sistema 
processual penal. 
 
Art. 282 do CPP - As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas 
observando-se a: 
§ 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição 
por outra medida cautelar (art. 319). 
 
ATENÇÃO! O art. 313 do CPP é que não se aplica à prisão temporária. Consoante o STF, 
trata-se de dispositivo específico para a prisão preventiva não aplicável à prisão 
temporária, porquanto, no caso desta, o legislador ordinário, no seu legítimo campo de 
conformação, já escolheu os delitos que julgou de maior gravidade para a imposição da 
prisão (inciso III do art. 1º da Lei 7.960/89). Entender de modo diverso implicaria 
confusão entre os pressupostos de decretação das prisões preventiva e temporária, bem 
como violação aos princípios da legalidade e da separação entre os poderes. 
_______________________________________________________________________ 
14. Um Senador da República, pretendendo realizar a expansão da seguridade social, 
protocolou em janeiro de 2024 um projeto de lei ordinária para a criação de uma nova 
contribuição adicional de seguridade social, prevendo que produziria efeitos depois de 
decorridos trinta dias da data da publicação da lei que a instituiu. A lei foi aprovada pelo 
Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, sendo publicada em 
maio de 2024. 
Antes mesmo de transcorridos os trinta dias previstos na lei, uma sociedade empresária 
ingressou com ação declaratória tributária, requerendo que seja declarado seu direito 
de não recolher tal exação, alegando que a nova lei é inconstitucional. 
Diante dos fatos trazidos no enunciado, assinale a opção que apresenta a alegação que 
você, como magistrado(a), acolheria para que tal lei fosse considerada inconstitucional. 
(A) Por violar apenas a reserva de lei complementar para a criação desse tipo de 
contribuição. 
(B) Por violar a reserva de lei complementar para a criação desse tipo de contribuição e 
por violar a anterioridade tributária anual. 
(C) Por violar a reserva de lei complementar para a criação desse tipo de contribuição e 
por violar a anterioridade tributária nonagesimal. 
(D) Por violar a reserva de iniciativa do Presidente da República para a criação desse tipo 
de contribuição e por violar a anterioridade tributária anual. 
(E) Por violar a reserva de iniciativa do Presidente da República e por violar a reserva de 
lei complementar para a criação desse tipo de contribuição. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm#art319.
 
28 
O assunto foi estudado no material sobre os pontos 7, 8 e 14 de Direito Constitucional 
na turma ENAM II 2024, página 34 e na 11ª Remessa do Circuito Legislativo de Direito 
Constitucional. 
Há violação aos princípiosda legalidade, especificamente a reserva de lei complementar 
(art. 195, §4º, c/c, art. 154, I, da CF) e da anterioridade nonagesimal (art. 195, §6º, da 
CF): 
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a 
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, 
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes 
contribuições sociais 
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a 
manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o 
disposto no art. 154, I. 
 
Art. 154. A União poderá instituir: 
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo 
anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato 
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta 
Constituição; 
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão 
ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação 
da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes 
aplicando o disposto no art. 150, III, "b". 
_______________________________________________________________________ 
15. O Estado Alfa realizou pagamento a seu servidor público estadual Roberto, mas este 
percebeu que a retenção na fonte do Imposto sobre a Renda (IR) presente em seu 
contracheque estava acima do que reputava devido. Roberto então ingressou com ação 
de repetição do indébito tributário contra o Estado Alfa e a União requerendo que os 
valores de IR recolhidos a maior lhe fossem restituídos. Em contestação, tanto a União 
como o Estado Alfa alegaram sua ilegitimidade passiva. 
Como magistrado(a), você terá que decidir quem deve permanecer no polo passivo 
dessa ação tributária e por que razão, à luz das regras de repartição de receitas 
tributárias da Constituição Federal de 1988 e da jurisprudência dos Tribunais Superiores. 
Diante de tal cenário, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Deve permanecer no polo passivo da ação apenas a União, em razão de ser o ente 
instituidor do IR, apesar de ser o Estado Alfa o destinatário integral dos valores de IR 
retidos na fonte de Roberto. 
(B) A presença tanto da União como do Estado Alfa se impõe como decorrência do 
litisconsórcio passivo necessário, em razão de que, embora seja o Estado Alfa o 
destinatário integral dos valores de IR retidos na fonte de Roberto, a União é o ente 
instituidor do IR. 
 
29 
(C) A presença tanto da União como do Estado Alfa se impõe como decorrência do 
litisconsórcio passivo necessário, em razão de que, embora seja a União a destinatária 
integral dos valores de IR retidos na fonte de Roberto, o responsável tributário pela 
retenção é o Estado Alfa. 
(D) A presença tanto da União como do Estado Alfa se impõe como decorrência do 
litisconsórcio passivo necessário, em razão de que ambos os entes partilham, em partes 
iguais, os valores de IR retidos na fonte de Roberto. 
(E) Deve permanecer no polo passivo da ação apenas o Estado Alfa, em razão de que, 
embora não seja o ente instituidor do IR, é o destinatário integral dos valores de IR 
retidos na fonte de Roberto. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
O assunto foi abordado na 16ª Remessa do Circuito Legislativo de Direito Constitucional 
e no material de súmulas do STJ, página 51 na turma ENAM II 2024. 
Para responder a essa questão era necessário o conhecimento do art. 159, I e §1º, da 
CF, além da jurisprudência do STJ. Considerando que o produto da arrecadação do 
imposto de renda incidente na fonte, que forem pagos pelos Estados, DF e Municípios 
não pertencem à União, mas sim ao respectivo ente pagador, a União não possui 
legitimidade para figurar no polo passivo da ação de repetição de indébito. No caso da 
questão, a legitimidade passiva pertence ao Estado, pois se trata de servidor estadual. 
Art. 159. A União entregará: 
I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e 
proventos de qualquer natureza e sobre produtos 
industrializados e do imposto previsto no art. 153, VIII, 50% 
(cinquenta por cento), da seguinte forma: 
§ 1º Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada de acordo 
com o previsto no inciso I, excluir-se-á a parcela da arrecadação 
do imposto de renda e proventos de qualquer natureza 
pertencente aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, 
nos termos do disposto nos arts. 157, I, e 158, I. 
157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: 
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e 
proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre 
rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias 
e pelas fundações que instituírem e mantiverem; 
 
Súmula 447 STJ: Os Estados e o Distrito Federal são partes 
legítimas na ação de restituição de imposto de renda retido na 
fonte proposta por seus servidores. 
_______________________________________________________________________ 
 
30 
16. A Supremacia da Constituição Federal de 1988 e sua força vinculante em relação aos 
Poderes Públicos torna imprescindível o debate sobre as formas e os modos de defesa 
da Constituição e sobre a necessidade de controle da constitucionalidade dos atos do 
Poder Público, principalmente das leis e dos atos normativos. 
Assim, a respeito do controle de constitucionalidade, assinale a afirmativa CORRETA. 
(A) Coexistindo ações diretas de inconstitucionalidade de uma mesma norma estadual, 
a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça somente prejudicará a ação perante o 
Supremo Tribunal Federal se for pela improcedência e desde que a alegação ofenda 
dispositivo constitucional estadual que constitui reprodução de norma da Constituição 
Federal de 1988. 
(B) O legislador não pode dispor, em novo ato legislativo, sobre a mesma matéria versada 
em legislação anteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo, pois tal conduta 
importa em desrespeito à autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal. 
(C) Os Tribunais de Justiça Estaduais não podem exercer o controle abstrato da 
constitucionalidade das leis municipais utilizando como parâmetros as normas da 
Constituição Federal de 1988, ainda que se trate das normas de reprodução obrigatória 
pelos Estados. 
(D) Overruling é a técnica que pressupõe a força vinculante do precedente e que, 
portanto, impõe à Corte responsável pela sua formulação um complexo encargo 
argumentativo, a indicar que a antiga interpretação já se tornou inconstitucional ou está 
se tornando. 
(E) Não é cabível na Ação Direta de Inconstitucionalidade a inclusão, em seu pedido, da 
declaração de revogação das normas anteriores à vigência do novo parâmetro 
constitucional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
O conceito de overruling é amplamente utilizado no direito anglo-saxão, especialmente 
no sistema common law, e se refere ao momento em que um tribunal superior, 
geralmente uma Corte Suprema, decide reverter ou alterar um precedente judicial 
previamente estabelecido. A nova decisão substitui o entendimento anterior e passa a 
constituir a referência obrigatória para julgamentos futuros em casos semelhantes. 
Esse mecanismo permite a evolução da jurisprudência, garantindo que a interpretação 
jurídica acompanhe mudanças sociais, culturais ou legais. O overruling é fundamental 
para corrigir entendimentos equivocados ou ultrapassados e adequar a jurisprudência 
às novas realidades e valores da sociedade. Uma vez aplicado, ele não invalida 
automaticamente as decisões passadas que se basearam no precedente antigo, sendo 
necessário o uso de mecanismos processuais, como a ação rescisória, para questionar 
sentenças transitadas em julgado. 
 
31 
Embora seja um conceito típico do common law, o sistema jurídico brasileiro tem 
incorporado práticas semelhantes, especialmente após o CPC/2015, que deu maior força 
vinculante aos precedentes judiciais. O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior 
Tribunal de

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