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FACULDADE ATENAS MEDICINA LETÍCIA LOPES DE FREITAS TURMA MED VI BETA SÍNTESE PROVISÓRIA ANAMNESE SETE LAGOAS 2023 1. INTRODUÇÃO Anamnese (do grego aná –trazer de novo + mnesis –memória) significa trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doença e o paciente. Ela não é o registro de uma simples conversa, é o resultado de uma entrevista com objetivo explícito, conduzida pelo examinador e cujo conteúdo foi elaborado criticamente por ele. A anamnese ainda é, na maioria dos pacientes, o fator isolado mais importante para se chegar a um diagnóstico, além de que, quando bem realizada, possibilita o desenvolvimento de uma boa relação médico-paciente. 2. OBJETIVOS • Estabelecer condições para uma adequada relação médico-paciente • Conhecer, por meio da identificação, os determinantes epidemiológicos que influenciam o processo saúde-doença de cada paciente • Fazer a história clínica, registrando, detalhada e cronologicamente, o(s) problema(s) de saúde do paciente • Registrar e desenvolver práticas de promoção da saúde • Avaliar o estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo os fatores pessoais, familiares e ambientais que influenciam seu processo saúde- doença • Conhecer os hábitos de vida do paciente, bem como suas condições socioeconômicas e culturais • Avaliar, de maneira clara, os sintomas de cada sistema corporal. O médico tem de estar imbuído da vontade de ajudar o paciente a relatar seus padecimentos. Bickley e Szilagyi (2010) sugerem que o examinador utilize uma ou mais das seguintes técnicas: apoio, facilitação, reflexão, esclarecimento, confrontação, interpretação, respostas empáticas e silêncio. 3. ELEMENTOS COMPONENTES DA ANAMNESE A anamnese é classicamente desdobrada nas seguintes partes: identificação, queixa principal, história de doença atual (HDA), interrogatório sintomatológico (IS), antecedentes pessoais e familiares, hábitos e estilo de vida, condições socioeconômicas e culturais 3.1 IDENTIFICAÇÃO A identificação é o perfil sociodemográfico do paciente que permite a interpretação de dados individuais e coletivos. Itens obrigatórios: • Nome • Idade • Sexo/gênero • Cor/etnia • Estado civil • Profissão • Local de trabalho • Naturalidade • Procedência (residência anterior do paciente) • Residência (endereço atual do paciente) • Nome da mãe (diferenciar os pacientes homônimos) • Nome do responsável • Religião • Filiação a órgãos/instituições previdenciárias e planos de saúde (correto encaminhamento para exames complementares e não onerar o paciente). 3.2 QUEIXA PRINCIPAL OU MOTIVO DA CONSULTA Registra-se o motivo que levou o paciente a procurar o médico, repetindo, se possível, as expressões por ele utilizadas. É uma afirmação breve e espontânea, geralmente um sinal ou um sintoma, nas próprias palavras da pessoa que expressa o motivo da consulta. Pode ser uma anotação entre aspas para indicar que se trata das palavras exatas do paciente. Sugestões para obter a “queixa principal”: Qual o motivo da consulta? Por que o(a) senhor(a) me procurou? O que o(a) senhor(a) está sentindo? O que o(a) está incomodando? 3.3 HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) A história da doença atual (HDA) é um registro cronológico e detalhado do motivo que levou o paciente a procurar assistência médica, desde o seu início até a data atual. Normas para se obter uma boa HDA: • Deixe que o paciente fale sobre sua doença. • Identifique o sintoma-guia e use-o como fio condutor da história, estabelecendo relações com as outras queixas em ordem cronológica • Verifique se a história obtida tem começo, meio e fim. • Não induza respostas. • Apure evolução, exames e tratamentos realizados em relação à doença atual. • Resuma a história que obteve para o paciente, a fim de ele possa confirmar ou corrigir algum dado ou acrescentar alguma informação esquecida. O sintoma-guia é o sintoma ou sinal que permite recompor a história da doença atual com mais facilidade e precisão. O estudante deve escolher como sintoma-guia a queixa de mais longa duração, o sintoma mais salientado pelo paciente ou tomar como sintoma-guia a “queixa principal”. É importante determinar a época em que teve início aquele sintoma, investigar a maneira como evoluiu o sintoma. A pergunta padrão pode ser: “quando o senhor começou a sentir isso?” A análise do sintoma-guia e dos outros sintomas termina com a obtenção de informações sobre como eles estão no presente momento. A meta almejada é obter uma história que tenha início, meio e fim. Esquema para análise de um sintoma, tomando como modelo a dor: • Início • Características do sintoma • Fatores de melhora ou piora • Relação com outras queixas • Evolução • Situação atual. 3.4 INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO (IS) Essa parte da anamnese, denominada também revisão dos sistemas, constitui um complemento da história da doença atual, documentando a existência ou ausência de sintomas comuns relacionados com cada um dos principais sistemas corporais. Permite ao médico levantar possibilidades e reconhecer enfermidades que não guardam relação com o quadro sintomatológico registrado na HDA, pois é comum o paciente não relatar um ou vários sintomas durante a elaboração da história da doença atual. Sistematização para um bom interrogatório sintomatológico: • Sintomas gerais • Pele e fâneros • Cabeça e pescoço • Tórax • Abdome • Sistemas urinário e genital • Sistema hemolinfopoético • Sistema endócrino • Coluna vertebral, ossos, articulações e extremidades • Músculos • Artérias, veias, linfáticos e microcirculação • Sistema nervoso • Exame psíquico e avaliação das condições emocionais. 3.5 ANTECEDENTES PESSOAIS E FAMILIARES Considera-se avaliação do estado de saúde passado e presente do paciente, conhecendo fatores pessoais e familiares que influenciam seu processo saúde- doença. Antecedentes familiares: pergunta-se sistematicamente sobre a existência de doenças com caráter familiar mais comuns. Engloba-se pais e irmãos do paciente, cônjuges e filhos, avós, tios e primos. Quando o paciente é portador de uma doença de caráter hereditário torna-se imprescindível um levantamento genealógico mais rigoroso. Antecedentes pessoais fisiológicos: gestação e nascimento, desenvolvimento psicomotor e neural e desenvolvimento sexual. Antecedentes pessoais patológicos: doenças sofridas pelo paciente, alergia, cirurgias, traumatismo, transfusões sanguíneas, história obstétrica, vacinas e medicamentos em uso. 3.6 HÁBITOS E ESTILO DE VIDA Documenta-se hábitos e estilo de vida do paciente e está desdobrado nos seguintes tópicos: alimentação; ocupação atual e ocupações anteriores; atividades físicas; hábitos. 3.7 CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E CULTURAIS As condições socioeconômicas e culturais avaliam a situação financeira, vínculos afetivos familiares, filiação religiosa e crenças espirituais do paciente, bem como condições de moradia e grau de escolaridade. Este item está desdobrado em: habitação, condições socioeconômicas, condições culturais, vida conjugal e relacionamento familiar. As condições culturais abrangem religiosidade, tradições, crenças, mitos, medicina popular, comportamentos e hábitos alimentares. Tais condições devem ser respeitadas em seu contexto. 4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA PORTO, C.C. Semiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara, 2019.