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Capítulo 8 A dinâmica climática A paisagem dos Alpes suíços, na Europa, em um nascer do Sol em pleno verão. Nela, é possível observar a presença de alguns dos grandes componentes da natureza, como o gelo, as montanhas, a vegetação e a água. Por que a Terra não é perfeitamente redonda e lisa? A natureza é um sistema aberto, onde ocorrem constantes trocas de energia e matéria entre os mais variados componentes. Em superfície, eles correspondem à litosfera (superfície continental), à atmosfera (gases), à hidrosfera (águas), à biosfera (seres vivos) e à criosfera (gelo), os quais contribuem para influenciar o comportamento climático no espaço e no tempo. Esses elementos naturais que compõem a Terra jamais podem ser entendidos de forma isolada. As paisagens naturais são fruto direto da interação de dois grandes sistemas: a tectônica e o clima. Enquanto o primeiro deforma a crosta, o segundo molda a partir das marcas deixadas, o que impede que a superfície da Terra seja perfeitamente redonda e lisa. Página 3 Radiação solar e clima global A energia responsável por alimentar as formas de vida, bem como o clima, provém do Sol. Da radiação recebida pela Terra, 46% correspondem à luz visível, 45% pertencem ao espectro infravermelho e 9% são raios ultravioleta. Essa energia recebida é irradiada pelo planeta, o que mantém o balanço da radiação, como pode ser visto a seguir. É importante destacar que o formato irregular da Terra e os movimentos que ela executa impossibilitam que a radiação solar atinja todos os locais da mesma forma. Essa variação cíclica possibilita que os invernos e as noites sejam os períodos mais frios, ao passo que os dias e os verões se tornem os mais quentes. Tal dinâmica tem relação direta com a latitude: enquanto latitudes baixas recebem luz o ano todo sem alterações significativas – paralelos entre 23° e 66° possuem radiação difusa e estações do ano bem definidas – as zonas polares são marcadas por uma temporada mais escura e outra com sol dia e noite. Formam-se, portanto, três grandes zonas de iluminação ou zonas climáticas. ZOOM OUT Efeito estufa e aquecimento global Alguns gases que compõem a atmosfera, como o dióxido de carbono, o vapor- d'água e o metano, permitem a reflexão da radiação e o aprisionamento de parte dela, caracterizando o efeito estufa. A presença desses gases é fundamental para aumentar a temperatura da Terra e garantir a manutenção das formas de vida. Contudo, nos últimos séculos, as emissões de poluentes após a Revolução Industrial aumentaram a concentração dos gases de efeito estufa e resultaram na elevação da temperatura média do planeta; a esse processo dá-se o nome de aquecimento global. Entre as principais consequências desse processo, estão o derretimento de geleiras, o aumento do nível do mar e a ocorrência mais frequente de eventos extremos, como secas e chuvas intensas. Página 4 A atmosfera A atmosfera é uma delicada película que reveste o planeta, sendo crucial não apenas para a dinâmica climática, que é fruto dos agentes exógenos, mas também para o surgimento das formas de vida. É composta principalmente de nitrogênio, oxigênio, vapor-d'água e gases de efeito estufa, como o CO , bem como material particulado (aerossóis), constituintes responsáveis por equilibrar a temperatura na Terra. A atmosfera é crucial para o ciclo da água, a fotossíntese e o bloqueio da radiação ultravioleta. Na história do planeta Terra, existiram três tipos de atmosferas. A primitiva ocorreu entre as fases líquida e sólida da Terra (entre 4,4 e 3 bilhões de anos atrás), composta de gases tóxicos e vapor-d'água (não existia água em estado líquido por causa das elevadas temperaturas). A secundária, composta de água, dióxido de carbono e nitrogênio, marcou o início da fase sólida da Terra, cujo resfriamento originou a primeira crosta e os primeiros oceanos (entre 4 e 3,3 bilhões de anos atrás). Por fim, a atmosfera atual teve início há 3,3 bilhões de anos e se estabeleceu em 500 milhões de anos, quando a quantidade de oxigênio aumentou e se estabilizou; foi nesse período que surgiram as formas de vida. EXOSFERA A exosfera é a camada mais externa da atmosfera, na qual são encontrados os satélites artificiais lançados da superfície terrestre. TERMOSFERA A termosfera é a zona em que ocorrem as auroras boreais. Nela, a temperatura cresce com a altitude, e o ar é muito rarefeito, o que favorece a concentração de íons, sendo também conhecida como ionosfera. MESOSFERA Na mesosfera, a temperatura volta a diminuir com a altitude, atingindo os menores valores entre todas as camadas. Essa é a zona que protege a Terra dos meteoros. ESTRATOSFERA A estratosfera é a faixa onde se encontra a camada de ozônio, que filtra radiações prejudiciais aos seres vivos. Diferentemente do que ocorre na troposfera, quanto maior a altitude, maior será a temperatura. Em 1986, foi descoberta uma zona onde houve uma redução sazonal de mais de 70% da concentração de ozônio na estratosfera, mais conhecida como “buraco na camada de ozônio”, cuja causa é atrelada a produtos químicos, especialmente os clorofluorcarbonos (CFCs) e os hidrofluorcarbonetos (HFCs). Um ano depois, ocorreu o Protocolo de Montreal, acordo ratificado por todas as nações com a finalidade de eliminar 98% das substâncias nocivas. TROPOSFERA A troposfera é a camada em que ocorre a maioria dos fenômenos meteorológicos (chuvas, relâmpagos, geadas etc.). A cada 100 m de altitude, a temperatura se reduz em 0,6 °C. Essa zona concentra a maioria dos gases atmosféricos e os materiais poluentes, que se tornaram mais presentes a partir da Revolução Industrial. Página 5 Elementos climáticos e fatores geográficos do clima Os componentes que contribuem decisivamente para estabelecer o clima de uma região são denominados elementos climáticos. Os principais elementos climáticos são a temperatura, a pressão, os ventos, a precipitação e a umidade relativa do ar. Escala que mede o grau de agitação das moléculas. O ar tende a se expandir à medida que a temperatura aumenta. Peso exercido por uma coluna vertical de ar. Quanto maior a altitude, menor a pressão. Quanto maior a temperatura, menor será a pressão. A queda de água do céu, que pode ser em fase líquida (chuva) ou sólida (granizo – ou saraiva – e neve). É uma etapa importante para o ciclo hidrológico, visto que é responsável pelo retorno à atmosfera de grande parte da água doce do planeta. A quantidade de vapor-d'água presente na atmosfera pode caracterizar um ambiente como árido, semiárido ou úmido. A umidade pode ser absoluta (massa de vapor-d'água existente em 1 m de ar) ou relativa (razão entre a quantidade de vapor-d'água contida no ar e a quantidade ideal para certa temperatura). A precipitação ocorre quando o ar satura, ou seja, a umidade relativa do ar chega a 100%. A diferença de temperatura e pressão faz com que o ar se desloque das áreas de alta pressão (frias) para as de baixa pressão (quentes). O ar quente é empurrado para cima pelo ar frio, formando um sistema de convecção. Esse mesmo sistema ocorre no ar-condicionado e na circulação da atmosfera. Já os fatores geográficos do clima estão diretamente relacionados com a localização do ambiente, influenciando os tipos climáticos. Os cinco fatores são a latitude, o relevo, a continentalidade/maritimidade, as correntes marítimas e as massas de ar. Ângulo formado entre o local desejado e a Linha do Equador. A radiação solar tende a variar conforme a latitude, formando grandes zonas de baixa pressão (0° e 60°), onde sobe o ar quente e úmido, ao passo que nas zonas de alta pressão (30°) desce o ar frio e seco. A altitude tem relação com a pressão e a temperatura: a cada 1 000 metros, a temperatura se reduz cerca de 6 °C e a pressão diminui, ou seja, o ar fica mais rarefeito. Por esse motivo, em montanhas altas, o ponto de fusão e ebulição da matéria diminui, fazendo com que a água se precipite em forma de neve, não de chuva. Além disso, é comum que as pessoas tenham mais dificuldade para respirar.Os terrenos absorvem e perdem calor mais rapidamente que as águas: dessa forma, enquanto o continente se aquece com facilidade e fica mais frio de noite, os oceanos recebem calor o dia todo e o liberam lentamente. Sendo assim, os oceanos são grandes reguladores térmicos, evitando grandes oscilações. Quanto mais próximo o local estiver do mar, menos a temperatura oscilará ao longo do dia e do ano. Zonas litorâneas possuem baixa amplitude térmica (maritimidade), enquanto locais mais afastados têm maiores variações (continentalidade). A maritimidade influencia na formação de brisas terrestres e marítimas. São grandes massas de água com certas temperaturas, e influenciam diretamente na umidade do local. Correntes quentes levam calor e umidade, ao passo que correntes frias são vetores de redução da precipitação. A formação de desertos se deve, em parte, à presença de correntes frias. Já os climas equatorial e tropical são influenciados pelas correntes quentes. São grandes porções da atmosfera com certas características, como localização e umidade. Massas equatoriais são quentes e compreendem a faixa entre 5°N e 5°S, enquanto as polares estão próximas aos círculos polares (> 50°) e são frias. Em posição intermediária, estão as massas tropicais, formadas entre os paralelos 25° e 30°, e são quentes. Página 6 A formação dos ventos De forma objetiva, os ventos podem ser definidos como o ar em movimento. Como a atmosfera é um sistema aberto, o ar, quando aquecido, tem sua densidade diminuída, ao contrário do ar frio, que é mais denso. Essa variação ou gradiente de pressão faz com que as zonas de alta pressão empurrem o ar frio para as porções com baixa pressão, ao passo que o ar quente é empurrado para cima, e o ciclo continua. Essa dinâmica origina os ventos. Com relação à intensidade de pressão, o sistema de ventos pode ser classificado em dois tipos. Zonas anticiclonais – Alta pressão e um sistema de ventos divergentes. É uma região mais seca e desprovida de umidade. Por causa das forças de Coriolis e do movimento de rotação da Terra, que ocorre no sentido leste-oeste, os ventos se desviam no sentido horário no Hemisfério Norte e anti-horário no Hemisfério Sul. Zonas ciclonais – Baixa pressão e um sistema de ventos convergentes. Esses setores são quentes e úmidos, para onde convergem nuvens e podem ocorrer chuvas. Por causa das forças de Coriolis e do movimento de rotação da Terra, esses ventos se desviam no sentido anti-horário no Hemisfério Norte e horário no Hemisfério Sul. Por esse motivo, os furacões que acometem os Estados Unidos, como o furacão Milton, ocorrido em 2024, têm um sentido diferente daqueles que afetam o Atlântico Sul, como o furacão Catarina, de 2004. Brisas A brisa é um vento suave e bastante presente nas zonas litorâneas e serranas, cuja dinâmica é alternada nos dias e nas noites de acordo com a diferenciação de temperatura. Pode ser classificada em dois tipos. Brisas terrestres/marítimas Como as águas absorvem calor de forma demorada, de dia, os ventos se deslocam do oceano para o continente (brisa marítima). À noite, o mar se encontra mais aquecido que a terra, resultando na inversão do sentido dos ventos (brisa terrestre). Página 7 Brisas de vale/montanha Nesse caso, as montanhas absorvem calor mais rapidamente que os vales. De dia, os ventos se deslocam do vale para a montanha (brisa de vale). À noite, o vale se encontra mais aquecido que a montanha, resultando na inversão (brisa de montanha). Ventos perigosos Zonas de baixa pressão são caracterizadas por temperaturas maiores e pela convergência de ventos; contudo, essa situação pode ser mais intensa quando as águas estão acima de 27 °C, visto que esse calor aquece a atmosfera e fortalece os ciclones. Esse aquecimento da superfície do mar intensifica a evaporação da água, fazendo com que o ar acima da superfície oceânica absorva grandes quantidades de vapor- d'água, tornando-se mais quente e úmido. Esse ar quente ascende e cria uma área de baixa pressão. Ao subir, o vapor condensa-se em gotas de água, formando nuvens que se acumulam gradualmente, levando à formação de tempestades com chuvas e trovões. Conforme essa coluna de ar quente continua a subir e os ventos ao seu redor ganham velocidade, o sistema pode se intensificar. A partir disso, o fenômeno passa a ser classificado como furacão quando ocorre no Oceano Atlântico ou tufão quando ocorre no Oceano Pacífico. Como os mares necessitam de temperaturas mais elevadas, os ventos perigosos se formam preferencialmente nas zonas tropicais e no verão. Existem, também, ciclones formados em latitudes médias, denominados extratropicais, em decorrência do encontro de massas de ar fria e quente. Com as mudanças climáticas, eventos dessa natureza tendem a ser mais recorrentes. Imagem do Furacão Milton (2024) obtida pela Estação Espacial Internacional enquanto orbitava a 257 milhas do fenômeno. No momento da imagem, a tempestade tinha chegado à categoria 5 e passava pelo Golfo do México, na costa da Península de Yucatán. Página 8 Circulação geral da atmosfera O processo de formação de ventos, visto anteriormente, se repete nas escalas local, regional e global. A radiação solar, que não chega de forma igual para os locais do planeta, favorece a formação de uma zona de baixa pressão, que corresponde à faixa equatorial (5°N a 5°S), para onde os ventos convergem e originam os ventos alísios. Essas porções concentram uma grande faixa de nuvens, conhecida como Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema causador de grande parte das chuvas nas regiões mais quentes, incluindo o Norte e o Nordeste do Brasil. Com a formação de uma zona de convergência, essa dinâmica resulta na constituição de uma grande faixa de alta pressão, que corresponde aos paralelos 30°S e 30°N, onde se localiza o ar mais frio e seco. Nessas latitudes, estão muitos dos locais com clima semiárido ou mesmo árido (desertos). Nos polos, as baixas temperaturas concentram uma zona de alta pressão, ao passo que os paralelos 60°S e 60°N formam outra zona de baixa pressão, onde existem importantes domínios florestais. Com essas variações nas pressões em escala global, formam-se células de circulação, como se percebe na figura a seguir. AGORA É COM @VOCÊ 1. (Unicamp-Adaptada) A figura a seguir apresenta quatro tipos de chuva com relação à sua gênese. Cada tipo é resultante do processo que controla os movimentos de ascensão do ar e da umidade, geradores das nuvens que ocasionam precipitação. PETERSEN, J. F. et al. Fundamentos de Geografia Física. São Paulo: Cengage Learning, 2014. p. 114. (adaptado) a) Indique duas características do tipo de chuva 1, considerando que, na sua gênese, formam-se as nuvens cumulonimbus. b) Que dinâmica atmosférica é responsável por formar o tipo de chuva 3 e em que estação do ano esse tipo de chuva é mais frequente no território brasileiro? Explique o processo de formação do tipo de chuva 4. Tipos de chuva Chuvas convectivas ocorrem especialmente em áreas quentes e úmidas. Ao longo do dia, as águas são evaporadas e formam nuvens até o ponto em que esse vapor se precipita, principalmente durante a tarde. Essas chuvas são também conhecidas como chuvas de verão. Chuvas frontais são ocasionadas pelo encontro entre uma massa de ar quente e outra fria, empurrando o ar menos denso e mais úmido para cima e ocorrendo a condensação e consequente precipitação. Essas chuvas são contínuas e moderadamente intensas, abrangendo extensas áreas. Página 9 Já as chuvas orográficas, também conhecidas como chuvas de relevo, ocorrem quando uma massa de ar quente e úmida encontra uma barreira (relevos altos, como montanhas, planaltos e serras) e é empurrada para cima. Dessa forma, o vapor-d'água se condensa e acontece a precipitação. Como a massa ficou mais leve, ela supera a barreira, mas perde umidade; assim, uma vertente do relevo se torna mais úmida (barlavento), enquanto outra fica seca (sotavento). ZOOM OUT Onde mais chove no mundo? As regiões tropicais do Oceano Índico, especialmenteo sudeste da Ásia, são afetadas pelos ventos de monções, os quais mudam de sentido de acordo com a estação do ano. Durante o inverno no Hemisfério Norte, são formadas áreas de alta pressão, ao passo que no Hemisfério Sul é verão e se formam zonas de baixa pressão no oceano e no sul da África, para onde os ventos úmidos convergem. Seis meses depois, quando é verão no Hemisfério Norte, os ventos úmidos passam a se deslocar para a Ásia, levando consigo chuvas com volumes acima dos 4 000 mm anuais, causando tempestades e inundações. Climas da Terra A relação entre fatores e elementos climáticos se reflete nos tipos de clima no mundo. Conheça, a seguir, os climas da Terra, segundo a classificação de Köppen, bem como suas representações gráficas (climogramas). Página 10 Domínio intertropical Posicionado em baixas latitudes, o domínio intertropical é marcado por elevadas temperaturas ao longo do ano. Equatorial Temperatura média: 25 °C. Alta umidade relativa do ar, gerando a sensação de tempo “abafado”. Baixas amplitudes térmicas diárias e anuais. Chuvas de convecção são comuns, e a estação seca é curta. No ano, as chuvas ultrapassam os 3 000 mm. Grandes zonas de florestas e rios largos e perenes. Destaques: Amazônia (América do Sul), Vale do Rio Congo (África), sul da Ásia e norte da Oceania. AYOADE, 1996. Tropical Temperatura média: 25 °C. Verões úmidos e invernos secos. Baixas amplitudes térmicas diárias e anuais. No ano, as chuvas mínimas são de 1 500 mm. Divide-se em úmido, seco e monçônico. Tropical úmido Grandes zonas de florestas, mas menores que as do clima equatorial. Elevada biodiversidade (hotspots). Destaques: Sudeste brasileiro, Madagascar (África), Yucatán (México) e norte da Austrália. CLIMATE-DATA.ORG. Tropical semiúmido ou seco Extensas áreas de savanas (arbustos e árvores pequenas) e animais de grande porte. No Brasil, esse tipo de clima corresponde ao bioma Cerrado. Destaques: África Central e Centro-Oeste do Brasil. AYOADE, 1996. Página 11 Tropical monçônico Grandes chuvas no verão, ao passo que os invernos são mais secos. As inundações favorecem as plantações de arroz, mas deslizamentos de terra e enchentes são problemas nas cidades. Destaques: sul da Ásia e leste da África. CLIMATE-DATA.ORG. AGORA É COM @VOCÊ 1. (UFTM) Analise o climograma. INMET, 2005. a) Indique o tipo climático representado no climograma e a região brasileira onde está localizada a cidade a que ele se refere. b) Descreva o climograma de Porto Nacional (TO). Domínio da aridez Esse domínio aparece em praticamente todas as latitudes e tem como características principais as chuvas concentradas, a escassez hídrica e a amplitude térmica diária. Semiárido Moderadas amplitudes térmicas. Chuvas torrenciais, com pluviosidade anual média entre 300 e 800 mm. Baixa umidade relativa do ar. Campos sujos e arbustos, com ocorrência de afloramentos de rocha e espécies espinhosas, caracterizam esse clima. São faixas de transição entre regiões úmidas/subúmidas e desertos. No Brasil, este tipo climático caracteriza o bioma Caatinga. Destaques: porção central dos Estados Unidos, África, Ásia e Austrália. CLIMATE-DATA.ORG. Página 12 Desértico Posicionado em latitudes médias (30°). Elevada amplitude térmica. Influenciado pelas correntes marítimas frias. Pode ser quente ou frio. Vegetação escassa, com ocorrências de gramíneas ou arbustos. Destaques: Atacama (Chile), Saara (África), Patagônia (Chile), parte do Oriente Médio, zona central da Austrália e oeste dos Estados Unidos. AYOADE, 2003. Domínio das zonas temperadas Estão posicionados nas médias latitudes (30° a 60°) e possuem as quatro estações do ano bem definidas. Subtropical Moderadas amplitudes térmicas. No inverno, as chuvas são frontais e as temperaturas são menores que 10 °C. No verão, as chuvas são de convecção e as temperaturas podem ultrapassar os 25 °C. Chuvas bem distribuídas ao longo do ano e que podem ser acima de 1 500 mm. Ocorrências de geadas e neves. Podem ocorrer florestas adaptadas ao frio e à radiação solar difusa ou campos limpos, com gramíneas. Destaques: sudeste da América do Sul e leste dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão. TORRES; MACHADO, 2011. Mediterrâneo Verões muito secos e invernos chuvosos, com pluviosidade entre 500 mm e 1 000 mm. Moderada amplitude térmica. Destaques: áreas em torno do Mar Mediterrâneo, oeste dos Estados Unidos e sul da Austrália. VIAU; JOINT; COURBON; PAULINE, 1998. Página 13 Temperado Podem ocorrer florestas adaptadas ao frio e à radiação solar difusa, ou campos limpos, com gramíneas. Classifica-se em dois subtipos: continental e oceânico. Continental Elevada amplitude térmica, com verões muito quentes e invernos muito frios. Temperatura média: 10 °C. Chuvas oscilam entre 500 e 1 200 mm anuais. Ocorrência de neve no inverno. Destaques: Moscou (Rússia), Chicago (Estados Unidos), Turquia e parte da Europa. AYOADE, 2003. Oceânico Temperatura média: 15 °C. Baixa amplitude térmica. Chuvas bem distribuídas e que alcançam a média de 1 500 mm anuais. Verões amenos e invernos frios. Destaques: oeste do Canadá, leste da Ásia e porção litorânea da Europa. AYOADE, 2003. Frio Altas amplitudes térmicas. Temperaturas médias abaixo de 0 °C. Chuvas entre 500 e 1 000 mm anuais. Precipitação em forma de neve e ocorrências de nevascas no inverno. Florestas com plantas em formato de cone, adaptadas ao frio intenso e à neve. Destaques: Rússia e Canadá. MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007. Página 14 Domínio das zonas glaciais Polar Altas amplitudes térmicas. Temperaturas médias abaixo de 0 °C. Precipitações abaixo dos 200 mm anuais, em forma de neve. Verões curtos e invernos longos. Predominância de campos gelados e camadas de gelo que cobrem os solos. Destaques: Groenlândia, Rússia, Canadá e Antártida. PIDWIRNY, [20--]. Domínio de altas montanhas As características climáticas podem variar de acordo com a latitude, a altitude e a face da montanha onde a localidade se encontra. Temperatura decai com o aumento da altitude, e o ar fica mais rarefeito. Parte da montanha barra o vento úmido onde há predominância de florestas. O reverso da montanha recebe ventos mais secos onde há predominância de árvores pequenas e gramíneas. Não há climograma-padrão para esse tipo climático. Destaques: Cordilheira do Himalaia (Ásia) e dos Andes (América do Sul) e Alpes (Europa). CHECK Entendo a atuação da atmosfera, radiação solar e ação humana na dinâmica climática global? Conheço quais são os tipos de elementos e fatores climáticos? Entendo como os elementos e fatores climáticos influenciam nos tipos de clima? Compreendo cada tipo de clima com base na classificação de Köppen? Página 15 ATIVIDADES PARA SALA Questão 01 (UFRGS) Assinale a afirmação correta sobre a atmosfera terrestre. a) A atmosfera é mais densa em altas altitudes, e os gases mais abundantes são nitrogênio, vapor-d'água e oxigênio. b) A camada da atmosfera chamada estratosfera suporta a biosfera e é a principal região da atividade do tempo atmosférico. c) Aproximadamente 90% do total da massa da atmosfera está na troposfera, onde a altitude da camada superior limite (tropopausa) varia conforme a estação e a latitude. d) As temperaturas, na troposfera, aumentam em altitude, pois o ozônio absorve a radiação ultravioleta e reirradia em ondas longas. e) A pressão do ar aumenta com a altitude, ao contrário da temperatura do ar, pois ela é produzida por movimento, tamanho e número de moléculas do ar. Questão 02 (MACKENZIE) Está restrito a pequenos trechos, normalmente próximos a desertos, como na Califórnia, Estados Unidos; na região central do Chile; nos extremos norte e sul da África; e no sul da Europa. É caracterizado por verões quentes e secos – em função da expansão das massas de ar seco dos desertos vizinhos – e por invernos brandos e úmidos – período em que essas massas de ar recuam e ficam estacionárias nos desertos. LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA,Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 119. Assinale a opção correspondente ao tipo de clima descrito. a) Clima temperado. b) Clima mediterrâneo. c) Clima de montanha. d) Clima tropical. e) Clima desértico. Questão 03 (UERJ) Esse é o nome dado pela Federação Internacional de Montanhistas e Escaladores às montanhas mais altas do mundo, acima de 8 000 m de altitude. Entre os praticantes do esporte, escalar ao topo de todas as 14 é considerado um marco na carreira. As 14 montanhas estão localizadas na região da cadeia montanhosa do Himalaia, no sul da Ásia. Ao norte do Paquistão, na fronteira com o território chinês, estão 5 delas. As outras 9 estão na região do norte do Nepal, também na fronteira com a China. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br. (adaptado) Explique o processo geológico causador desse conjunto bastante elevado de montanhas nessa parte da Ásia. Em seguida, indique dois efeitos da altitude elevada sobre as condições atmosféricas. Questão 04 (UEL) Leia o texto a seguir. A chuva tem sido considerada uma das principais inimigas do resgate dos 12 meninos presos em uma caverna com seu técnico de futebol no norte da Tailândia. E a previsão para as próximas duas semanas é de tempestades diárias na região, o que é comum nesta época do ano conhecida como período das monções no Sudeste Asiático. O complexo de cavernas de Tham Luang está alagado, e o nível da água pode subir e atingir o grupo, que hoje está abrigado em uma área mais alta dos túneis. As autoridades da Tailândia consideram que o resgate pode demorar até quatro meses justamente em função da época das monções, dependendo da opção de salvamento que será empregada. Disponível em: https://www.noticias.r7.com. Com base nos conhecimentos sobre chuvas torrenciais, explique o que são as monções, quais as suas causas e como esse fenômeno ocorre no Sudeste Asiático. Questão 05 (UNESP) TORRES, Fillipe T. P.; MACHADO, Pedro J. O. Introdução à Climatologia. Boston: Cengage Learning, 2011. (adaptado) a) Identifique as pressões atmosféricas nas latitudes 0° e 30°. b) Explique a dinâmica da ZCIT e indique uma consequência de sua atuação. Página 16 ATIVIDADES PROPOSTAS Questão 01 (MACKENZIE) Manifesta-se em altas latitudes e está presente na maior parte do território canadense, no extremo norte da Europa e na Sibéria, Rússia. As precipitações maiores ocorrem no verão. As temperaturas médias mensais no inverno são sempre inferiores a 0°C. Nesse clima, desenvolve-se a Floresta Boreal, vegetação de grande porte, espaçada e homogênea, em que predominam o pinheiro de porte elevado e o abeto (árvore conífera). LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 120. Assinale a alternativa correspondente ao tipo de clima descrito. a) Clima temperado. b) Clima mediterrâneo. c) Clima de montanha. d) Clima polar. e) Clima frio. Questão 02 (IFCE) Observe com atenção os gráficos de climas a seguir. É correto afirmar-se que o(s) gráfico(s) a) 1 representa uma zona equatorial do planeta, com elevados índices pluviométricos e elevadas temperaturas anuais. b) 1 representa uma área semiárida do planeta, com chuvas concentradas no primeiro semestre e temperaturas anuais elevadas. c) 2 representa uma área desértica do planeta com chuvas escassas e elevadas temperaturas anuais. d) 2 representa uma área de florestas equatoriais com elevados índices pluviométricos anuais. e) 1 e 2 representam a mesma região do planeta em épocas diferentes do ano. Questão 03 (FAMERP-Adaptada) Entre os aspectos naturais que influenciam a intensidade de um furacão está a) a presença de ventos contra-alísios. b) o seu trajeto em áreas de elevada latitude. c) a temperatura elevada da água oceânica. d) a sua formação em zona de alta pressão. e) o baixo índice de umidade. Página 17 Questão 04 (ENEM) Cientistas do país estudam interação entre a Antártica e a Amazônia É difícil imaginar que a Antártica possa interferir no clima de um país tropical como o Brasil, mas a verdade é que o continente gelado influencia e é influenciado especialmente pelo que acontece na América do Sul, inclusive na Amazônia, causando secas na região e recebendo a poluição gerada ali. Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 8 dez. 2017. (adaptado) As interações citadas são efeito de um processo atmosférico marcado por a) equidade entre índices de refletividade superficial. b) bloqueios de elevadas barreiras orográficas. c) preponderância de correntes marinhas frias. d) fluxos entre faixas de latitudes distintas. e) alternância da pressão do ar equatorial. Questão 05 (FGV) Entre os dias 23 e 28 de março deste ano, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) previu e acompanhou a evolução da Tempestade Tropical “Iba”. Primeiro ciclone tropical a ser nomeado segundo a lista estabelecida em 2011, o fenômeno deixou a comunidade marítima em alerta e gerou grande interesse no público em geral. Disponível em: https:// www.marinha.mil.br. (adaptado) O ciclone mencionado no excerto é decorrente a) de centros de baixa pressão atmosférica que se formam no oceano e possuem um núcleo quente e úmido. b) de centros de alta pressão atmosférica que se formam no oceano e possuem um núcleo frio e úmido. c) de massas de ar que se formam no oceano e possuem ventos quentes e úmidos. d) da dinâmica das correntes marítimas que se formam no oceano e produzem ventos quentes e úmidos. e) do desenvolvimento de nuvens estratificadas que se formam nos litorais quentes e úmidos. Questão 06 (FMP) Considere a posição geográfica do local destacado na imagem a seguir. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/. Acesso em: 14 jul. 2021. (adaptado) As zonas costeiras do continente em destaque na cor escura são afetadas diretamente pela condição natural denominada a) biodiversidade. b) continentalidade. c) maritimidade. d) efeito de altitude. e) efeito estufa. Página 18 Questão 07 (ENEM) SALGADO-LABOURIAU, M. L. História ecológica da Terra. São Paulo: Edgard Blücher, 1994. (adaptado) Nas imagens constam informações sobre a formação de brisas em áreas litorâneas. Esse processo é resultado de a) uniformidade do gradiente de pressão atmosférica. b) aquecimento diferencial da superfície. c) quedas acentuadas de médias térmicas. d) mudanças na umidade relativa do ar. e) variações altimétricas acentuadas. Questão 08 (FUVEST) O Monte Everest é o pico mais elevado do planeta, localizado na Cordilheira do Himalaia, na fronteira da China e Nepal, com 8 848 metros de altitude. Possui cinco estações meteorológicas em diferentes altitudes funcionando desde 2019, entre elas a estação mais elevada do planeta (8 430 m), que registra dados valiosos para a climatologia. Esse projeto foi liderado pelo Dr. Paul Andrew Mayewski, geógrafo e climatologista, cuja equipe projetou e treinou por meses para instalar a estação meteorológica em tal condição adversa em menos de 90 minutos. Disponível em: https://www.climadeensinar.com.br/. (adaptado) A dificuldade de instalação da estação na altitude citada deve-se a) às elevadas condições de umidade provenientes do derretimento de neve. b) à ocorrência de chuvas intensas, que aumentam os riscos de avalanches. c) às temperaturas reduzidas e à baixa concentração de oxigênio nessa altitude. d) aos dias mais curtos nessa altitude, o que reduz o brilho solar. e) à elevada pressão atmosférica, que produz ventos intensos nessa altitude. Página 19 Questão 09 (UNESP) Dentre os vários fatores que afetam o clima de determinada região estão a maritimidade e a continentalidade. Esses fatores estão associados à distância dessa região aos mares e oceanos. Do ponto de vista da física, os efeitos da maritimidade e da continentalidade estão relacionados ao alto calor específico da água quando comparado com o do solo terrestre. Dessa forma, esses fatores afetam a amplitude térmica e a umidade da atmosfera de certoterritório. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br. (adaptado) As propriedades físicas da água e os fatores climáticos citados fazem com que a) áreas banhadas por oceanos enfrentem invernos mais moderados, enquanto em áreas distantes de oceanos, essa estação é mais bem percebida. b) ocorra uma maior amplitude térmica diária em regiões litorâneas do que a verificada em regiões desérticas, devido ao efeito da maritimidade. c) áreas sob maior influência da continentalidade tendam a apresentar mais umidade, caso não haja interferência de outros fatores climáticos. d) poucas nuvens se formem em áreas costeiras porque a água absorve e perde calor rapidamente, o que explica o baixo índice pluviométrico dessas regiões. e) regiões sob grande efeito da continentalidade tendam a apresentar altos índices pluviométricos, devido à grande quantidade de vapor-d'água na atmosfera. Questão 10 (UFRGS) A área mais escura, na figura a seguir, diz respeito a um alerta de grande perigo para uma situação meteorológica cada vez mais frequente no sul do Brasil. Disponível em: https://alertas2.inmet.gov.br/44101. Acesso em: 13 jul. 2023. Sobre o fenômeno climático, associado ao aviso que foi emitido pelo órgão meteorológico em 13 de julho de 2023, é correto afirmar que se trata de um a) furacão: ciclone que se forma nas águas quentes do oceano Atlântico, com temperaturas acima de 26 °C, superando a velocidade de 120 km/h, o que origina tempestades ciclônicas severas. b) mesociclone: vórtice de ar, de aproximadamente 100 a 200 km de diâmetro dentro de uma tempestade convectiva, sempre associado a regiões de alta pressão atmosférica, que causa fortes temporais com relâmpagos, trovões e granizo. c) ciclone tropical: sistema de alta pressão atmosférica, com umidade elevada e associado a frentes frias, que causa intensos deslizamentos, inundações e, às vezes, tsunamis. d) ciclone subtropical: sistema de alta pressão atmosférica, com um diâmetro entre 1000 e 2000 km, que gera ventos fortes, mas não causa prejuízos, pois são formados em áreas pouco povoadas. e) ciclone extratropical: sistema de baixa pressão atmosférica que se forma fora dos trópicos, em médias e altas latitudes, e depende do contraste de temperatura entre as massas de ar quente e frio; em sua maioria produz ventos fortes e chuvas de moderadas a torrenciais. 2 3 Avalie este conteúdo Avaliar 3 Capítulo 8 - A dinâmica climática Anotações e destaques Detalhes