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Encontro 8 - E a vida segue em outra situação... 
Assistência Integral no Puerpério: Fisiologia, Saúde Mental e Cuidado de 
Enfermagem na Atenção Primária 
Introdução 
O puerpério, período que se sucede ao parto, representa uma fase de intensas e 
complexas transformações para a mulher, englobando aspectos físicos, hormonais, 
psicológicos e sociais que reverberam em toda a dinâmica familiar.1 A magnitude dessas 
mudanças confere ao puerpério um caráter de vulnerabilidade, mas também de 
oportunidade para a promoção da saúde e o fortalecimento de vínculos. Nesse contexto, 
a assistência qualificada, humanizada e contínua por parte dos profissionais de saúde, em 
especial da enfermagem na Atenção Primária à Saúde (APS), assume um papel 
preponderante. Uma atenção bem estruturada é fundamental para promover a recuperação 
física e emocional da puérpera, prevenir agravos, identificar precocemente 
intercorrências, apoiar a adaptação à nova dinâmica familiar e fomentar o 
desenvolvimento saudável do recém-nascido. 
Este relatório tem como objetivos centrais: descrever as fases e os principais 
fenômenos fisiológicos do puerpério, com ênfase particular nos períodos tardio e remoto; 
analisar os transtornos psicológicos mais prevalentes que podem acometer a mulher no 
pós-parto, detalhando seus fatores de risco, manifestações e implicações; detalhar a 
sistemática da consulta de enfermagem no puerpério, em consonância com os protocolos 
da Atenção Primária à Saúde (APS), com destaque para as diretrizes da Secretaria de 
Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), incluindo a Portaria SES/DF Nº 182 de 
03 de maio de 2024, referenciada como norteadora das ações 3; e, por fim, elaborar um 
plano de cuidados de enfermagem individualizado e contextualizado para um caso clínico 
– o de Juliana e sua recém-nascida – aplicando os conhecimentos discutidos e os 
protocolos vigentes. A compreensão aprofundada desses elementos é crucial para a oferta 
de um cuidado integral e efetivo, capaz de atender às múltiplas necessidades da díade 
mãe-bebê e de suas famílias durante essa etapa singular da vida. 
Seção 1: Compreendendo o Puerpério: Fases e Fisiologia 
1.1. Definição e Classificação do Puerpério 
O puerpério é definido como o período do ciclo gravídico-puerperal durante o qual 
as modificações locais e sistêmicas que ocorreram no organismo materno em função da 
gestação e do parto retornam, em sua maioria, ao estado pré-gravídico.2 Este período tem 
início logo após a dequitação placentária, ou seja, a expulsão da placenta, 
independentemente da via de parto.2 
Para fins didáticos e para orientar a assistência, o puerpério é classicamente 
dividido em três fases principais, cujas delimitações temporais podem apresentar 
pequenas variações na literatura, mas que, em geral, seguem um consenso: 
• Puerpério Imediato: Compreende do 1º ao 10º dia após o parto.1 Esta é uma fase 
de adaptações agudas e intensas, com maior risco de complicações como 
hemorragias e infecções. 
• Puerpério Tardio: Estende-se do 11º dia até o 42º dia 2 ou 45º dia pós-parto.1 
Neste relatório, considerar-se-á a faixa de 11 a 42-45 dias. Durante esta fase, a 
involução uterina continua e muitas das alterações sistêmicas começam a se 
estabilizar. 
• Puerpério Remoto: Inicia-se a partir do 43º ou 45º dia pós-parto e seu término é 
considerado imprevisível ou indeterminado.1 Nesta fase, embora muitas das 
grandes transformações já tenham ocorrido, o organismo materno continua seu 
processo de readequação, especialmente se a mulher estiver amamentando. O 
retorno completo à condição pré-gravídica de alguns sistemas pode levar meses. 
A distinção entre essas fases é fundamental, pois orienta o planejamento do 
acompanhamento da mulher e do recém-nascido, permitindo a identificação de 
necessidades específicas e a programação de intervenções de saúde adequadas a cada 
momento. O conhecimento da cronologia dos eventos fisiológicos puerperais permite ao 
profissional de saúde, especialmente ao enfermeiro, antecipar orientações e detectar 
desvios da normalidade. 
1.2. Fisiologia do Puerpério Tardio e Remoto 
Durante o puerpério tardio e remoto, o organismo materno continua o processo de 
restauração das condições pré-gestacionais, embora em um ritmo menos acelerado que 
no puerpério imediato. 
Involução Uterina: 
No puerpério tardio, o útero, que já diminuiu consideravelmente de tamanho, 
continua seu processo involutivo. Por volta do 10º ao 14º dia pós-parto, o fundo uterino 
geralmente não é mais palpável acima da sínfise púbica, tornando-se um órgão 
intrapélvico. A involução completa, com o útero retornando ao seu tamanho e peso 
aproximados do estado não gravídico (cerca de 60-80 gramas), ocorre tipicamente ao final 
do puerpério tardio ou no início do puerpério remoto. 
Os lóquios, secreção vaginal pós-parto, também sofrem modificações. Após a fase 
rubra (predominantemente sanguínea) do puerpério imediato, evoluem para lochia serosa 
(mais aquosa, rosada ou acastanhada) e, subsequentemente, para lochia alba 
(esbranquiçada ou amarelada), composta principalmente por leucócitos e células 
deciduais. A loquiação geralmente cessa ao final da terceira ou quarta semana, podendo, 
em alguns casos, persistir de forma escassa até o final do puerpério tardio. 
Do ponto de vista histológico, o endométrio passa por um processo de regeneração 
completa. A camada superficial necrótica é eliminada com os lóquios, e uma nova camada 
endometrial é formada a partir das porções profundas das glândulas endometriais. Esse 
processo está geralmente completo em cerca de três semanas, exceto no sítio de inserção 
placentária, cuja regeneração é mais lenta, podendo levar de seis a oito semanas. 
Alterações Hormonais: 
A queda abrupta dos níveis de estrogênio e progesterona placentários, ocorrida 
logo após o parto, desencadeia uma série de adaptações endócrinas que se estendem pelo 
puerpério tardio e remoto.2 
Em mulheres que amamentam, a prolactina sérica permanece elevada devido ao 
estímulo da sucção mamilar. Níveis elevados de prolactina, juntamente com a ausência 
de picos de LH (hormônio luteinizante), contribuem para a supressão da ovulação e a 
amenorreia lactacional. Em mulheres que não amamentam, os níveis de prolactina 
retornam aos valores basais pré-gravídicos em poucas semanas (geralmente duas a três). 
Os hormônios tireoidianos podem apresentar flutuações no pós-parto. Algumas 
mulheres podem desenvolver tireoidite pós-parto, uma condição inflamatória da tireoide 
que pode cursar com uma fase inicial de hipertireoidismo transitório, seguida por 
hipotireoidismo, que pode ser temporário ou, em alguns casos, permanente. 
O eixo hipotálamo-hipófise-ovariano retoma gradualmente sua função. A 
liberação de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) pela hipotálamo, que estava 
suprimida durante a gestação, é restabelecida, levando à secreção de FSH (hormônio 
folículo-estimulante) e LH pela hipófise, o que culmina no desenvolvimento folicular, 
ovulação e retorno dos ciclos menstruais. 
Sistema Cardiovascular: 
O volume sanguíneo, que aumentou significativamente durante a gestação, retorna 
gradualmente aos níveis pré-gravídicos ao longo das primeiras semanas do puerpério. O 
débito cardíaco, que também se eleva na gestação, diminui rapidamente após o parto e 
continua a cair, normalizando-se geralmente entre 6 a 12 semanas. A frequência cardíaca 
e a pressão arterial também tendem a retornar aos seus valores basais. Apesar da melhora 
progressiva, o estado de hipercoagulabilidade persiste por algumas semanas no puerpério, 
mantendo um risco aumentado, embora decrescente, de eventos tromboembólicos. 
Sistema Urinário: 
A dilatação fisiológica do sistema coletor renal (pelve renal e ureteres), comum 
na gestação, regride gradualmente, usualmente se resolvendo em até 6-8 semanas pós-
parto. O tônus e a capacidade da bexiga, que podem estarCuidados 
com o 
Bebê 
(5604); 
Orientaçã
o 
Antecipat
ória 
(5510); 
Apoio na 
Tomada 
de 
Decisões 
(5250). 
Esclare
cer dúvidas da 
mãe. Fornecer 
material 
educativo. 
Avaliar 
confiança da 
mãe nos 
cuidados. 
Risco 
de 
Crescimento 
Desproporcion
al (00113) ou 
Risco de 
Atraso no 
Desenvolvime
nto (00112). 
Cre
scimento 
(0110) 
adequado; 
Desenvolv
imento 
Infantil: 1º 
Mês 
(0104) 
adequado. 
M
onitoração 
Nutriciona
l (1160) 
do RN; 
Vigilância 
do 
Desenvolv
imento 
(6487); 
Encaminh
amento 
(8100) 
Acomp
anhar peso, 
comprimento e 
PC nas 
consultas. 
Orientar sobre 
marcos do 
desenvolvime
nto. 
para 
puericultu
ra. 
O caso de Juliana demanda uma abordagem de enfermagem que transcenda os 
aspectos puramente biológicos. Seus proeminentes fatores de risco psicossociais e os 
sintomas emocionais relatados exigem uma visão holística e a implementação de um 
plano de cuidados que integre intervenções de suporte emocional, encaminhamento para 
saúde mental e fortalecimento de suas capacidades de enfrentamento. A colaboração 
interdisciplinar com psicólogos, médicos e assistentes sociais será fundamental para 
oferecer o suporte abrangente que Juliana necessita. 
Apesar de sua atual vulnerabilidade, o fato de Juliana ser estudante de enfermagem 
3 pode ser um recurso a ser explorado com sensibilidade. O enfermeiro pode, 
respeitosamente, reconhecer seu conhecimento prévio, envolvendo-a ativamente nas 
discussões sobre os cuidados e nas tomadas de decisão, o que pode contribuir para seu 
empoderamento e adesão ao plano terapêutico. No entanto, é crucial evitar sobrecarregá-
la ou presumir que ela "já sabe de tudo", dado seu estado de fragilidade emocional e física. 
Dada a história familiar de depressão, os sintomas atuais e os múltiplos 
estressores, o risco de Juliana desenvolver uma Depressão Pós-Parto clinicamente 
significativa é alto. Portanto, a avaliação sistemática da ideação suicida, conforme 
preconizado pelo protocolo da SES/DF 8, e o encaminhamento ágil e assertivo para uma 
avaliação especializada em saúde mental são intervenções de alta prioridade. A segurança 
de Juliana e de sua recém-nascida é primordial. A dor abdominal referida também 
necessita de investigação para descartar causas orgânicas importantes, sem, contudo, 
negligenciar o impacto do contexto psicossocial em suas manifestações físicas. 
Embora a consulta descrita ocorra na UBS, o protocolo do DF 8 também 
recomenda a visita domiciliar (VD) no puerpério. Para Juliana, que se encontra sem rede 
de apoio e relata medo e ansiedade com os cuidados em casa, a VD seria particularmente 
valiosa. Essa estratégia permitiria ao enfermeiro avaliar o ambiente doméstico, observar 
a dinâmica real dos cuidados, identificar barreiras ou facilitadores não mencionados na 
consulta, e oferecer suporte prático e emocional in loco, fortalecendo o vínculo 
terapêutico e a confiança de Juliana. 
Conclusão 
O período puerperal, com suas profundas e multifacetadas transformações, 
constitui uma fase de significativa importância para a saúde da mulher, do recém-nascido 
e da família. A análise da fisiologia do puerpério tardio e remoto evidencia um processo 
contínuo de involução e adaptação do organismo materno, que se estende para além das 
primeiras semanas pós-parto, demandando um olhar atento e prolongado dos profissionais 
de saúde. A compreensão detalhada dessas alterações fisiológicas, desde a regressão 
uterina até o complexo reequilíbrio hormonal e o retorno da fertilidade, é fundamental 
para a prestação de uma assistência de enfermagem qualificada e individualizada. 
A vulnerabilidade psicológica inerente ao puerpério, exacerbada por fatores 
sociais, econômicos e pela ausência de suporte, como observado no caso de Juliana, torna 
a vigilância da saúde mental uma prioridade absoluta. A distinção entre a disforia 
puerperal ("baby blues"), a depressão pós-parto e a psicose puerperal, com seus 
respectivos fatores de risco, manifestações clínicas e abordagens terapêuticas, é crucial 
para o diagnóstico precoce e o manejo adequado, minimizando o impacto negativo sobre 
a mãe e o desenvolvimento infantil. A aplicação de instrumentos de rastreio, como a 
Escala de Edimburgo, e a utilização de critérios diagnósticos padronizados (DSM-5 e 
CID-11) são ferramentas essenciais nesse processo. 
A consulta de enfermagem na Atenção Primária à Saúde, embasada em protocolos 
como os da SES/DF, incluindo a referência à Portaria SES/DF Nº 182 de 03 de maio de 
2024, configura-se como um espaço privilegiado para a implementação de um cuidado 
integral. Desde a anamnese e o exame físico detalhados até as intervenções educativas, o 
suporte emocional e os encaminhamentos necessários, o enfermeiro desempenha um 
papel central na promoção da saúde, na prevenção de agravos e no apoio à adaptação da 
mulher e sua família a esta nova fase da vida. O plano de cuidados elaborado para Juliana 
e sua recém-nascida ilustra a aplicação prática desses princípios, destacando a 
necessidade de uma abordagem holística, interdisciplinar e centrada nas necessidades 
singulares da díade. 
Em suma, a assistência de enfermagem qualificada no puerpério, pautada no 
conhecimento científico, na escuta ativa e na humanização do cuidado, é um pilar para a 
saúde materno-infantil. Para otimizar essa assistência, recomenda-se: 
• A implementação e o fortalecimento de programas de rastreamento universal e 
sistemático para transtornos mentais perinatais em todas as unidades de saúde que 
atendem gestantes e puérperas. 
• A expansão e o fortalecimento das redes de apoio psicossocial comunitárias e 
institucionais para puérperas, especialmente aquelas em situação de maior 
vulnerabilidade. 
• A promoção da educação continuada e permanente para os profissionais de saúde 
da APS, com foco no manejo das intercorrências físicas e emocionais do 
puerpério, e no desenvolvimento de habilidades de comunicação e 
aconselhamento. 
• A valorização de um modelo de cuidado longitudinal, que transcenda as consultas 
formais do puerpério imediato e tardio, garantindo um acompanhamento contínuo 
da saúde da mulher no puerpério remoto e ao longo de seu ciclo vital. 
Ao investir na saúde e no bem-estar da mulher durante o puerpério, investe-se na 
saúde das futuras gerações e na construção de uma sociedade mais saudável e equitativa. 
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319-320 e capítulo 16, p. 326-328).alterados no puerpério imediato, 
também se normalizam. A diurese acentuada dos primeiros dias pós-parto, que auxilia na 
eliminação do excesso de líquido acumulado, cessa à medida que o equilíbrio hídrico é 
restaurado.2 
Sistema Hematológico: 
A leucocitose fisiológica da gestação e do parto regride nas primeiras semanas. 
Os níveis de plaquetas e de fatores de coagulação, que se elevam durante a gestação, 
também retornam gradualmente ao normal, contribuindo para a diminuição do risco 
trombótico. A anemia ferropriva, se presente devido a perdas sanguíneas no parto ou 
deficiência prévia, necessita de correção com suplementação de ferro, que deve ser 
mantida durante o puerpério. 
Retorno da Fertilidade: 
O retorno da ovulação e, consequentemente, da fertilidade, é variável e fortemente 
influenciado pela amamentação. 
• Mulheres não lactantes: A ovulação pode ocorrer já a partir da 4ª semana pós-
parto, sendo comum entre a 6ª e a 8ª semana. A primeira menstruação geralmente 
ocorre entre 6 a 12 semanas após o parto. É importante ressaltar que a ovulação 
pode preceder a primeira menstruação, havendo risco de gravidez antes do retorno 
dos ciclos regulares. 
• Mulheres em amamentação exclusiva e em livre demanda (Método da 
Amenorreia Lactacional - LAM): A sucção frequente do bebê mantém os níveis 
de prolactina elevados, o que pode inibir a ovulação e prolongar a amenorreia por 
vários meses.6 A LAM pode ser um método contraceptivo eficaz nos primeiros 
seis meses pós-parto, desde que a mulher esteja em amenorreia, amamentando 
exclusivamente (ou quase exclusivamente) e o bebê tenha menos de seis meses. 
Contudo, sua eficácia diminui significativamente com a introdução de outros 
alimentos para o bebê ou com o retorno da menstruação.6 
Outras Alterações: 
A perda de peso continua no puerpério tardio e remoto, embora de forma mais 
gradual. Além da perda imediata relacionada ao feto, placenta e líquido amniótico, há 
uma eliminação adicional de fluidos e, com o tempo, uma possível redução do tecido 
adiposo acumulado. A função gastrointestinal, que pode estar lentificada no puerpério 
imediato, geralmente se normaliza. Alterações na pele (como hiperpigmentação) e cabelo 
(como eflúvio telógeno pós-parto) tendem a regredir gradualmente ao longo de meses. A 
densidade mineral óssea pode diminuir durante a lactação, mas há uma remineralização 
compensatória após o desmame.7 
A compreensão da fisiologia puerperal, especialmente a variabilidade no retorno 
da função ovariana e da fertilidade, é crucial para que o enfermeiro possa prover 
aconselhamento contraceptivo individualizado e oportuno. O fato de a ovulação poder 
anteceder a primeira menstruação pós-parto reforça a necessidade de discutir métodos 
contraceptivos precocemente, independentemente do padrão de amamentação. 
Ademais, a caracterização do puerpério remoto como de "término imprevisível" 1 
tem implicações diretas para a prática da enfermagem na APS. Embora os protocolos 
formais de consulta puerperal frequentemente se concentrem nas primeiras 6 semanas (42 
dias) 8, a mulher pode continuar a vivenciar adaptações e a apresentar necessidades de 
saúde (físicas ou emocionais) que se estendem para além desse período. Isso sublinha a 
importância de um modelo de cuidado continuado e longitudinal, onde o enfermeiro, 
através do vínculo terapêutico estabelecido, permanece atento a essas necessidades, 
mesmo que não haja consultas puerperais formais agendadas. O acompanhamento da 
saúde da mulher deve ser integrado às outras ações da APS, como puericultura e 
planejamento familiar. 
Embora os processos fisiológicos gerais do puerpério tardio sejam bem 
compreendidos, as informações disponíveis sobre as alterações histológicas detalhadas e 
o perfil hormonal completo no puerpério remoto, particularmente comparando lactantes 
e não lactantes a longo prazo (ex: após 6 meses ou 1 ano), podem ser menos explícitas 
em manuais básicos. O foco da assistência, contudo, reside na aplicação do conhecimento 
disponível para promover o bem-estar e identificar desvios da normalidade. 
Seção 2: Saúde Mental no Puerpério: Desafios e Transtornos Psicológicos 
2.1. A Vulnerabilidade Psicológica da Puérpera 
O puerpério é universalmente reconhecido como um período de acentuada 
vulnerabilidade psicológica para a mulher.1 Esta fase, embora frequentemente idealizada, 
constitui uma crise vital, caracterizada por uma confluência de mudanças drásticas que 
ocorrem em um curto espaço de tempo. As intensas flutuações hormonais, com a queda 
abrupta de estrogênio e progesterona após o parto, somam-se à recuperação física das 
demandas da gestação e do parto, à privação de sono e ao cansaço extremo inerentes aos 
cuidados com um recém-nascido.2 
Paralelamente, a mulher enfrenta uma profunda reconfiguração de sua identidade 
e de seus papéis sociais. A transição para a maternidade implica novas responsabilidades, 
preocupações constantes com o bem-estar e a segurança do bebê, e uma renegociação da 
dinâmica conjugal e familiar. Alterações na autoimagem corporal, a interrupção ou 
modificação da vida profissional e social, e as expectativas (pessoais e culturais) em torno 
do "ser mãe" podem gerar sentimentos de inadequação, ansiedade e sobrecarga.2 
Nesse cenário de transição e estresse, a presença de uma rede de apoio social e 
familiar robusta emerge como um fator protetor crucial.2 O suporte emocional, prático e 
informativo oferecido pelo parceiro, familiares e amigos pode mitigar o impacto dos 
estressores e facilitar a adaptação da puérpera. Em contrapartida, a ausência ou 
insuficiência desse suporte, como ilustrado no caso de Juliana – uma jovem de 18 anos, 
mãe solo, residindo longe de sua família de origem e sem uma rede de apoio em Brasília 
3 – potencializa significativamente a vulnerabilidade a transtornos psicológicos. A 
interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais define o risco 
individual para o desenvolvimento de dificuldades emocionais no período pós-parto. 
2.2. Transtornos Psiquiátricos Comuns no Pós-Parto 
Os transtornos mentais perinatais representam um importante problema de saúde 
pública, com impacto significativo na saúde da mulher, do bebê e da família. Dentre eles, 
destacam-se a disforia puerperal, a depressão pós-parto e, mais raramente, a psicose 
puerperal. 
2.2.1. Disforia Puerperal ("Baby Blues" ou "Tristeza Materna") 
A disforia puerperal, popularmente conhecida como "baby blues" ou "tristeza 
materna", é uma condição emocional transitória e de leve intensidade que afeta uma 
parcela considerável de mulheres no pós-parto imediato. 
• Fatores de Risco: Embora seja considerada uma reação adaptativa comum, sua 
intensidade pode ser exacerbada por fatores como cansaço excessivo, estresse 
relacionado ao parto e às novas responsabilidades, e falta de sono. 
• Fisiopatologia/Fisiopatogenia: Acredita-se que o "baby blues" esteja 
primariamente associado às abruptas flutuações hormonais que ocorrem após o 
parto, especialmente a queda nos níveis de estrogênio e progesterona.1 O estresse 
fisiológico do parto e a fadiga acumulada também contribuem para essa 
instabilidade emocional. 
• Manifestações Clínicas: Caracteriza-se por humor lábil, com alternância de 
sentimentos, choro fácil e aparentemente imotivado, irritabilidade, ansiedade leve, 
tristeza fugaz, dificuldade de concentração e hipersensibilidade emocional. Os 
sintomas geralmente surgem nos primeiros dias após o parto, tipicamente entre o 
segundo e o quinto dia, e não comprometem significativamente a capacidade da 
mulher de cuidar de si e do bebê.2 
• Diagnóstico: O diagnóstico é clínico, baseado na natureza transitória e na leveza 
dos sintomas. É fundamental diferenciá-lo de quadros depressivos mais 
estabelecidos. Não preenche os critérios para um transtorno depressivo maior. 
• Tratamento: Geralmente, não requer intervenção medicamentosa.2O manejo 
consiste em oferecer suporte emocional, tranquilização, informações sobre a 
natureza benigna e autolimitada do quadro, incentivo ao descanso e à expressão 
dos sentimentos, e promoção de um ambiente familiar compreensivo e acolhedor. 
A remissão espontânea dos sintomas ocorre, na maioria dos casos, em até duas a 
três semanas.1 
• Complicações: Normalmente, não acarreta complicações diretas. No entanto, se 
os sintomas persistirem além de duas ou três semanas, ou se intensificarem, deve-
se suspeitar de uma evolução para depressão pós-parto, o que pode gerar confusão 
diagnóstica se não houver acompanhamento adequado. 
• Implicações Psicossociais: Pode gerar angústia e confusão na mulher e em seus 
familiares, caso não seja compreendido como uma reação adaptativa comum e 
passageira. A educação em saúde sobre o "baby blues" durante o pré-natal e no 
pós-parto imediato é importante para desmistificar o quadro e reduzir a ansiedade 
associada. 
• Prevalência: É uma condição bastante comum, afetando entre 70% a 90% das 
puérperas, segundo diferentes estudos.1 
2.2.2. Depressão Pós-Parto (DPP) 
A Depressão Pós-Parto (DPP) é um transtorno de humor que pode afetar mulheres 
após o nascimento de um filho, caracterizando-se por uma tristeza mais profunda e 
persistente do que a observada no "baby blues", com impacto significativo no 
funcionamento da mulher e na sua relação com o bebê. 
• Fatores de Risco: A DPP é multifatorial, e diversos fatores de risco têm sido 
consistentemente identificados na literatura. Entre os mais importantes estão: 
história prévia de depressão ou outros transtornos psiquiátricos (pessoal ou 
familiar) 2, episódio depressivo durante a gestação atual 9, ausência ou 
insuficiência de suporte social, familiar ou conjugal 2, gravidez não planejada ou 
indesejada 2, ocorrência de eventos de vida estressantes recentes 9, dificuldades 
socioeconômicas 9, baixa autoestima 9, história de abuso físico ou sexual 9, 
complicações obstétricas ou neonatais 9, idade materna (particularmente mulheres 
mais jovens) 10, baixo nível educacional 10, e insatisfação com a imagem corporal.9 
O caso de Juliana, detalhado nos materiais 3, exemplifica a confluência de 
múltiplos desses fatores, como idade jovem, ser mãe solo, ausência de rede de 
apoio, dificuldades financeiras, histórico de ansiedade na gestação e história 
familiar de depressão. 
• Fisiopatologia/Fisiopatogenia: A etiologia da DPP é complexa e envolve uma 
interação de fatores genéticos, neuroendócrinos, neuroquímicos e psicossociais. 
Há evidências de predisposição genética e de alterações na sensibilidade 
individual às flutuações hormonais do período perinatal (estrogênio, progesterona, 
cortisol, hormônios tireoidianos).2 Disfunções no eixo hipotálamo-pituitária-
adrenal (HPA), alterações em neurotransmissores (como serotonina, 
noradrenalina e dopamina), deficiências nutricionais (particularmente de ácidos 
graxos ômega-3, vitamina B12, vitamina D, selênio, folato, zinco e ferro) 2 e 
processos inflamatórios também têm sido implicados.2 
• Manifestações Clínicas: Os sintomas da DPP são semelhantes aos de um 
episódio depressivo maior ocorrido em outras fases da vida, mas podem incluir 
matizes relacionados à maternidade. Os sintomas centrais são humor deprimido 
na maior parte do dia, quase todos os dias, e/ou anedonia (perda acentuada de 
interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades).2 Outros sintomas 
comuns incluem: labilidade emocional acentuada, crises de choro frequentes, 
irritabilidade, ansiedade intensa (frequentemente com preocupações excessivas e, 
por vezes, obsessivas sobre a saúde e segurança do bebê), sentimentos de culpa 
(muitas vezes relacionados à percepção de não ser uma "boa mãe"), inutilidade, 
desesperança, sensação de incapacidade de cuidar do bebê, fadiga extrema ou 
perda de energia, alterações do sono (insônia ou hipersonia, mesmo quando o bebê 
dorme), alterações significativas do apetite ou peso, dificuldades de concentração 
ou tomada de decisões, e, em casos mais graves, ideação suicida ou pensamentos 
de morte.2 Podem ocorrer também sintomas psicossomáticos, como cefaleia, 
dores difusas, entre outros.9 O início dos sintomas é geralmente gradual, 
ocorrendo tipicamente entre a quarta e a oitava semana pós-parto, mas pode surgir 
em qualquer momento até um ano após o parto.9 
• Diagnóstico: 
o Critérios DSM-5: A DPP é classificada no Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-5) como um 
Transtorno Depressivo Maior com o especificador "com início no 
periparto". Este especificador é aplicado se o início dos sintomas do 
episódio depressivo maior ocorrer durante a gestação ou nas quatro 
semanas seguintes ao parto.9 Para o diagnóstico de um episódio depressivo 
maior, é necessária a presença de humor deprimido ou anedonia, 
acompanhados de pelo menos quatro (ou cinco, no total) outros sintomas 
depressivos, persistindo por um período mínimo de duas semanas e 
representando uma mudança em relação ao funcionamento anterior, 
causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no 
funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da 
vida.14 
o Critérios CID-11: Na Classificação Internacional de Doenças, 11ª 
Revisão (CID-11), a DPP pode ser diagnosticada como um Episódio 
Depressivo (código 6D10, com especificadores de gravidade). 
Adicionalmente, a CID-11 introduziu a categoria "Transtornos mentais ou 
comportamentais associados à gravidez, parto ou puerpério", que inclui o 
código MB23.0 para "Transtornos mentais ou comportamentais 
associados à gravidez, parto ou puerpério, sem sintomas psicóticos".16 A 
CID-11 preconiza uma abordagem de codificação dupla, onde tanto o 
transtorno específico (ex: Episódio Depressivo) quanto o contexto 
perinatal (MB23.0) são registrados.19 O início para a categoria MB23.0 é 
geralmente considerado em até aproximadamente seis semanas após o 
parto.16 
o Instrumentos de Rastreio: A Escala de Depressão Pós-Parto de 
Edimburgo (EPDS) é um instrumento de autorrelato com 10 itens, 
amplamente utilizado e validado para o rastreamento de sintomas 
depressivos no período pós-parto, sendo uma ferramenta útil para a 
identificação de mulheres em risco.2 
• Tratamento: A abordagem terapêutica da DPP deve ser multimodal e 
individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, as preferências da 
mulher e o contexto da amamentação. 
o Psicoterapia: Diversas abordagens psicoterapêuticas têm demonstrado 
eficácia, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia 
Interpessoal (TIP).2 
o Farmacoterapia: Os antidepressivos são frequentemente indicados, 
especialmente em casos moderados a graves. Os Inibidores Seletivos da 
Recaptação de Serotonina (ISRS), como a Sertralina, Paroxetina e 
Fluoxetina, são considerados de primeira linha devido ao seu perfil de 
eficácia e tolerabilidade. Antidepressivos tricíclicos, como a Nortriptilina, 
também são opções.2 A escolha do medicamento deve levar em conta a 
segurança durante a amamentação, discutindo os riscos e benefícios com 
a paciente. 
o Suporte Psicossocial: O fortalecimento da rede de apoio social, a 
participação em grupos de apoio para mães e o envolvimento do parceiro 
e da família no processo de cuidado são componentes importantes do 
tratamento. 
o Pré-natal Psicológico: Programas de pré-natal psicológico, que visam 
preparar a gestante e sua família para as mudanças da maternidade e 
paternidade, têm sido propostos como um fator de proteção contra a 
DPP.21 
• Complicações: A DPP não tratada pode ter consequências significativas e 
duradouras. Para a mãe, inclui o risco de cronicidade da depressão, maior 
vulnerabilidade a futuros episódios depressivos e, em casos graves, risco de 
suicídio. Para o bebê, a DPP materna pode impactar negativamente o vínculo mãe-
bebê, levar a dificuldades na amamentação, e está associadaa atrasos ou 
problemas no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e comportamental da 
criança (como problemas de conduta e dificuldades de aprendizado).9 As relações 
familiares e conjugais também podem ser severamente afetadas. 
• Implicações Psicossociais: A DPP frequentemente carrega um estigma social, o 
que pode levar ao isolamento da mulher e dificultar a busca por ajuda. As 
dificuldades no desempenho do papel materno podem gerar sentimentos intensos 
de culpa e inadequação, e a condição pode impor uma sobrecarga considerável 
aos familiares. 
• Prevalência: A DPP afeta entre 10% a 20% das mulheres no período pós-parto.2 
É uma condição frequentemente subdiagnosticada e subtratada 2, o que reforça a 
importância do rastreamento ativo e da conscientização dos profissionais de saúde 
e da população em geral. 
2.2.3. Psicose Puerperal 
A Psicose Puerperal é o transtorno psiquiátrico mais grave do período pós-parto, 
caracterizado por um início súbito de sintomas psicóticos e alterações profundas do 
humor e do comportamento. É considerada uma emergência psiquiátrica. 
• Fatores de Risco: O fator de risco mais significativo para a psicose puerperal é 
uma história pessoal ou familiar de transtorno bipolar ou um episódio anterior de 
psicose puerperal (o risco de recorrência em gestações subsequentes é estimado 
entre 30-50%).9 História de esquizofrenia também aumenta o risco. A 
primiparidade (primeira gestação) tem sido associada a um risco aumentado em 
alguns estudos.9 Fatores genéticos desempenham um papel importante na sua 
etiologia.22 
• Fisiopatologia/Fisiopatogenia: A etiologia da psicose puerperal é complexa e 
ainda não completamente elucidada, mas há uma forte associação com o espectro 
do transtorno bipolar. Hipóteses atuais sugerem uma vulnerabilidade 
neurobiológica individual que é desencadeada pelas drásticas mudanças 
hormonais do pós-parto (especialmente a queda de estrogênio e progesterona e 
suas repercussões no sistema dopaminérgico e outros neurotransmissores).16 
Desregulação do sistema imunológico e fatores genéticos específicos também são 
investigados como contribuintes.22 
• Manifestações Clínicas: O quadro clínico da psicose puerperal é marcado por um 
início abrupto e dramático dos sintomas, geralmente ocorrendo nas primeiras duas 
a quatro semanas após o parto, podendo surgir até mesmo nos primeiros dias.22 
Os sintomas incluem: estado confusional, desorientação no tempo e espaço, 
delírios (frequentemente bizarros e com temática relacionada ao bebê, como 
delírios de perseguição, de que o bebê foi trocado, está possuído, ou tem poderes 
especiais), alucinações (principalmente auditivas, como vozes que comandam ou 
comentam, mas também visuais), alterações graves e flutuantes do humor 
(podendo variar rapidamente entre euforia maníaca, irritabilidade intensa e 
depressão profunda, ou apresentar um estado misto), agitação ou retardo 
psicomotor acentuado, comportamento bizarro, desorganizado e imprevisível, 
insônia severa (muitas vezes com recusa em dormir), recusa alimentar, e uma 
acentuada labilidade emocional.16 Há um alto risco de suicídio materno e de 
infanticídio (morte do bebê pela mãe), tornando a psicose puerperal uma 
emergência psiquiátrica que requer intervenção imediata.9 
• Diagnóstico: 
o Critérios DSM-5: A psicose puerperal não é uma categoria diagnóstica 
distinta no DSM-5. Geralmente, o quadro é diagnosticado como um 
Transtorno Psicótico Breve com o especificador "com início no pós-parto" 
(se o início dos sintomas psicóticos ocorrer durante a gravidez ou nas 
quatro semanas seguintes ao parto e durar menos de um mês).22 
Alternativamente, pode ser a primeira manifestação ou uma exacerbação 
de um Transtorno Bipolar (tipo I ou II) com características psicóticas, ou 
de um Transtorno Esquizoafetivo, com início no periparto. 
o Critérios CID-11: Na CID-11, a psicose puerperal se enquadra na 
categoria MB23.1 "Transtornos mentais ou comportamentais associados à 
gravidez, parto ou puerpério, com sintomas psicóticos".16 Assim como na 
DPP, a CID-11 recomenda uma codificação dupla, registrando-se também 
o transtorno psicótico específico subjacente (ex: Episódio Maníaco com 
sintomas psicóticos, Transtorno Psicótico Agudo e Transitório).16 O início 
para a categoria MB23.1 é geralmente considerado em até 
aproximadamente seis semanas após o parto.16 
o Diagnóstico Diferencial: É crucial diferenciar a psicose puerperal de 
delirium (estado confusional agudo de causa orgânica), DPP com sintomas 
psicóticos (onde o humor depressivo é primário e os sintomas psicóticos 
são congruentes com o humor), e outras condições médicas que podem 
mimetizar sintomas psicóticos. 
• Tratamento: O tratamento da psicose puerperal requer intervenção imediata e 
intensiva, geralmente com hospitalização psiquiátrica. Unidades de internação 
mãe-bebê, quando disponíveis, são ideais, pois permitem o tratamento da mãe sem 
separá-la do recém-nascido, o que pode ser benéfico para o vínculo, desde que a 
segurança de ambos seja garantida.22 
o Farmacoterapia: A base do tratamento farmacológico inclui 
estabilizadores de humor (o Lítio é frequentemente considerado de 
primeira linha, especialmente se há suspeita de transtorno bipolar 
subjacente), antipsicóticos (antipsicóticos atípicos como Olanzapina, 
Risperidona, Quetiapina são preferidos devido ao melhor perfil de efeitos 
colaterais, mas antipsicóticos típicos como o Haloperidol também podem 
ser usados), e benzodiazepínicos para controle da agitação e insônia.22 
o Eletroconvulsoterapia (ECT): A ECT é uma opção terapêutica altamente 
eficaz e de ação rápida para a psicose puerperal, sendo particularmente 
indicada em casos de catatonia, risco iminente de suicídio ou infanticídio, 
recusa alimentar grave, ou quando há falha ou contraindicação aos 
medicamentos.22 
o Suporte Psicossocial: Após a estabilização do quadro agudo, o suporte 
psicossocial para a mãe e a família é fundamental, incluindo 
psicoeducação sobre o transtorno, manejo do estresse e apoio para o 
restabelecimento do vínculo mãe-bebê. 
• Complicações: As complicações potenciais da psicose puerperal são graves e 
incluem o risco significativo de suicídio materno e infanticídio (estimado entre 
1% a 4,5% dos casos) 22, trauma psicológico para a mãe e seus familiares, impacto 
duradouro no vínculo mãe-bebê, e estigmatização social. 
• Implicações Psicossociais: A psicose puerperal tem um impacto devastador na 
mulher e em sua família. Requer um suporte intensivo e multidisciplinar. O 
planejamento para gestações futuras deve ser cuidadosamente discutido, dado o 
alto risco de recorrência. 
• Prevalência: A psicose puerperal é uma condição relativamente rara, ocorrendo 
em aproximadamente 1 a 2 casos para cada 1.000 nascimentos.9 
A sobreposição inicial de alguns sintomas, como labilidade emocional e tristeza, 
entre o "baby blues" e a Depressão Pós-Parto (DPP), bem como a possibilidade de uma 
condição aparentemente leve evoluir para um quadro mais grave se não houver melhora 
2, ressalta a imperatividade de um acompanhamento atento e contínuo da saúde mental da 
puérpera. A consulta de puerpério, geralmente realizada por volta do sétimo dia pós-parto, 
representa uma janela de oportunidade crucial para o enfermeiro da APS identificar sinais 
precoces de DPP que poderiam ser erroneamente minimizados como "apenas baby blues". 
A persistência ou intensificação dos sintomas deve sempre acender um alerta para uma 
avaliação mais aprofundada. 
A abordagem diagnóstica proposta pela CID-11, que sugere uma codificação 
dupla para os transtornos mentais no puerpério (o código MB23.x, referente ao contexto 
perinatal, associado ao código do transtorno mental específico, como um Episódio 
Depressivo) 16, oferece uma perspectiva mais completa e nuançada em comparação com 
o uso isolado do especificador "de início no periparto" do DSM-5. Estadupla codificação 
permite registrar tanto a relevância do período perinatal como um fator desencadeante ou 
de contexto, quanto a natureza fenomenológica precisa do transtorno mental apresentado. 
Tal abordagem pode facilitar uma comunicação mais eficaz entre diferentes 
especialidades médicas (como obstetrícia e psiquiatria) e contribuir para a coleta de dados 
epidemiológicos mais precisos e comparáveis, fundamentais para o planejamento de 
políticas de saúde pública. 
No caso de Juliana 3, observa-se uma complexa interconexão de fatores de risco 
para DPP. Sua juventude, a condição de mãe solo, a ausência de uma rede de apoio social 
e familiar em Brasília, as dificuldades financeiras decorrentes da perda do auxílio 
familiar, o histórico de ansiedade relatado durante o pré-natal e a presença de história 
familiar de depressão são elementos que, somados, criam um cenário de acentuada 
vulnerabilidade. Esta confluência de fatores sublinha a necessidade de uma avaliação 
psicossocial abrangente e individualizada, que vá além de uma simples listagem de riscos 
isolados, buscando compreender como esses fatores interagem e se potencializam no 
contexto de vida da puérpera. 
É fundamental reconhecer que a Depressão Pós-Parto não se limita a afetar a saúde 
da mãe; suas repercussões estendem-se ao desenvolvimento da criança, podendo gerar 
impactos significativos e, por vezes, duradouros nas esferas cognitiva, emocional e 
social.9 Esta perspectiva eleva a prevenção e o tratamento da DPP a uma questão de saúde 
infantil e familiar, com implicações que podem transcender gerações. Nesse sentido, 
estratégias preventivas, como o pré-natal psicológico 21, ganham ainda mais relevância, 
pois ao intervir precocemente na saúde mental materna, promove-se também um 
ambiente mais saudável para o desenvolvimento infantil. 
Apesar da prevalência relativamente alta da DPP (estimada entre 10% a 20%), a 
subnotificação e o subdiagnóstico ainda são desafios importantes.2 Muitas mulheres não 
buscam ajuda devido ao estigma associado aos transtornos mentais, ao medo de serem 
julgadas como "mães ruins", ou por não reconhecerem seus sintomas como uma condição 
tratável. Os enfermeiros da Atenção Primária à Saúde, devido ao contato próximo e 
regular com as puérperas durante as consultas de puerpério e visitas domiciliares, estão 
em uma posição privilegiada para realizar o rastreamento ativo de transtornos mentais, 
utilizando escalas validadas como a EPDS, observar a interação mãe-bebê, e investigar 
ativamente a presença de sintomas depressivos ou ansiosos. 
A tabela a seguir visa consolidar e comparar as principais características dos 
transtornos psiquiátricos abordados: 
Tabela 1: Comparativo dos Transtornos Psiquiátricos Pós-Parto 
Caract
erística 
Disf
oria 
Puerperal 
("Baby 
Blues") 
Depr
essão Pós-
Parto 
(DPP) 
Psic
ose 
Puerperal 
Prevalê
ncia 
Muit
o Comum 
(70-90%) 1 
Com
um (10-
20%) 2 
Rar
a (1-2 casos 
/ 1000 
nascimento
s) 9 
Início 
Típico 
Prim
eiros dias 
pós-parto 
(2º-5º dia) 2 
Gera
lmente entre 
4ª-8ª semana 
pós-parto, 
podendo 
surgir até 1 
ano 9 
Súb
ito, 
geralmente 
nas 
primeiras 
2-4 
semanas 
pós-parto 22 
Duraçã
o 
Tran
sitória (até 
2-3 
semanas) 1 
Persi
stente 
(semanas a 
meses, ou 
Var
iável 
(semanas a 
meses), 
mais, se não 
tratada) 
requer 
tratamento 
imediato 
Sintom
as Chave 
Hum
or lábil, 
choro fácil, 
irritabilidad
e leve, 
tristeza 
passageira 
Hum
or deprimido 
persistente, 
anedonia, 
ansiedade, 
culpa, 
fadiga, 
alterações de 
sono/apetite, 
dificuldade 
de 
concentraçã
o, possível 
ideação 
suicida 2 
Con
fusão, 
desorientaç
ão, delírios, 
alucinações
, alterações 
graves de 
humor, 
comportam
ento 
bizarro, 
agitação/ret
ardo 
psicomotor 
22 
Gravid
ade 
Leve 
Mod
erada a 
Grave 
Gra
ve 
(Emergênci
a 
Psiquiátric
a) 
Necessi
dade de Trat. 
Espec. 
Gera
lmente não 
(suporte e 
orientação) 2 
Sim 
(psicoterapi
a, 
farmacotera
pia) 2 
Sim 
(hospitaliza
ção, 
estabilizad
ores de 
humor, 
antipsicótic
os, ECT) 22 
Risco 
para 
Mãe/Bebê 
Míni
mo 
Mod
erado a Alto 
(impacto no 
vínculo, 
desenvolvim
ento infantil, 
risco de 
suicídio) 9 
Mui
to Alto 
(risco de 
suicídio 
materno e 
infanticídio
) 9 
Seção 3: A Consulta de Enfermagem no Puerpério na Atenção Primária à 
Saúde (APS) 
3.1. Protocolos e Diretrizes da APS para o Cuidado Puerperal 
A assistência à mulher e ao recém-nascido no período puerperal é uma prioridade 
na Atenção Primária à Saúde (APS), sendo norteada por políticas e protocolos que visam 
garantir um cuidado integral, humanizado e resolutivo. No Distrito Federal, as ações de 
saúde da mulher no puerpério seguem as diretrizes da Secretaria de Estado de Saúde 
(SES/DF), com a Portaria SES/DF Nº 182 de 03 de maio de 2024 sendo um documento 
referencial para essas práticas, conforme indicado no material de estudo.3 Dada a 
indisponibilidade do texto completo desta portaria específica, este relatório se baseará 
extensivamente no "Protocolo de Atenção à Saúde da Mulher no Pré-Natal e Puerpério" 
da SES/DF 8, um documento técnico robusto que detalha as condutas e fluxos 
assistenciais, presumindo-se seu alinhamento com a referida portaria. 
Complementarmente, serão consideradas as diretrizes do Ministério da Saúde (MS) para 
o cuidado puerperal na APS.1 
O fluxo de atendimento no DF, conforme o protocolo da SES/DF 8, preconiza que 
a consulta puerperal na Unidade Básica de Saúde (UBS) ocorra, preferencialmente, entre 
o 5º e o 7º dia após a alta hospitalar da mulher e do recém-nascido. Para assegurar esse 
acesso, o sistema de saúde do DF busca garantir a "Alta Segura e Vinculada" das 
maternidades públicas, onde a puérpera já sairia com o agendamento para a primeira 
consulta puerperal na sua UBS de referência. Adicionalmente, recomenda-se a realização 
de uma visita domiciliar pela equipe de APS à puérpera e ao recém-nascido em até 10 
dias após o parto, sendo esta visita antecipada para até o 3º dia pós-alta para recém-
nascidos de risco.8 
Os objetivos da atenção puerperal na APS são amplos e multifacetados, visando 
8: 
• Avaliar as condições gerais de saúde da mulher e do recém-nascido. 
• Investigar as relações familiares e a dinâmica de adaptação à chegada do bebê. 
• Facilitar o acesso contínuo aos serviços de saúde. 
• Fortalecer o vínculo da família com a equipe de saúde da APS. 
• Oferecer escuta qualificada e apoio emocional. 
• Estimular o desenvolvimento da parentalidade e o envolvimento do parceiro nos 
cuidados. 
• Orientar sobre os cuidados com o bebê e com a puérpera. 
• Identificar precocemente sinais e sintomas de depressão puerperal ou outros 
transtornos mentais. 
• Promover, proteger e apoiar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. 
• Prevenir agravos e acidentes. 
• Identificar sinais de perigo para a saúde da díade. 
• Orientar sobre planejamento reprodutivo e direitos sexuais e reprodutivos. 
A articulação entre a maternidade e a APS é um pilar para a efetividade desse 
cuidado, visando a não interrupção da assistência. 
3.2. Componentes da Consulta de Enfermagem no Puerpério Tardio e 
Remoto 
A consulta de enfermagem no puerpério é um momento estratégico para a 
avaliação integral da saúde da mulher e do recém-nascido, permitindo a identificação de 
necessidades, a implementação de cuidados e a oferta de orientações essenciais. 
Primeira Consulta de Puerpério (realizada até 7 dias pós-parto, abrangendo 
o final do puerpério imediato e início do tardio, conforme Protocolo SES/DF 8): 
• Anamnese: A enfermeira deve realizar uma anamnese detalhada, investigando: 
o Condições da gestação, tipo de parto, intercorrências durante o parto e no 
pós-parto imediato (ex: hemorragia, febre, hipertensão).6 
o Resultados de testagens para sífilis, HIV e outras ISTs durante a gestaçãoe/ou parto.6 
o Uso de medicações atuais e pregressas. 
o Amamentação: início, frequência, dificuldades (dor, fissuras, 
ingurgitamento), percepção da mãe sobre a satisfação do bebê.6 
o Estado das mamas: dor, ingurgitamento, sinais flogísticos. 
o Hábitos da puérpera: alimentação, sono, nível de atividade física, 
repouso.6 
o Presença de dor (local, intensidade, característica), especialmente 
abdominal ou perineal. 
o Características dos lóquios: volume, cor, odor.6 
o Queixas urinárias (disúria, polaciúria, incontinência) ou intestinais. 
o Presença de febre ou calafrios. 
o Planejamento familiar: desejo de futuros filhos, conhecimento e uso prévio 
de métodos contraceptivos, método de preferência para o momento atual.6 
o Estado psicoemocional: humor, presença de tristeza excessiva, choro fácil, 
irritabilidade, ansiedade, preocupações, sentimentos de incapacidade, 
fadiga, alterações de sono ou apetite, e investigação ativa de ideação 
suicida.6 
o Condições sociais: rede de apoio familiar e social, suporte do parceiro, 
condições de moradia e saneamento, dificuldades financeiras.6 
o Para mães com diagnóstico de HIV, HTLV ou Hepatites, investigar 
seguimento em serviço de referência e orientações específicas sobre 
amamentação e cuidados.8 
• Exame Físico: 
o Aferição de sinais vitais: pressão arterial (especial atenção se histórico de 
HAS gestacional), frequência cardíaca, frequência respiratória, 
temperatura.6 
o Avaliação do estado psíquico e nível de consciência. 
o Avaliação do estado geral: coloração de pele e mucosas (pesquisa de 
palidez, icterícia), hidratação, presença de edemas.6 
o Exame das mamas: inspeção e palpação, observando tamanho, simetria, 
presença de ingurgitamento, nódulos, hiperemia, calor, dor, características 
dos mamilos (presença de fissuras, sangramentos).6 
o Exame abdominal: palpação da altura do fundo uterino (para avaliar 
involução), consistência uterina, presença de dor à palpação, observação 
de cicatriz cirúrgica (cesariana), se houver.6 
o Inspeção do períneo e genitais externos: observar cicatrização de 
lacerações ou episiotomia (se houver), presença de edema, hematoma, 
sinais de infecção (hiperemia, calor, secreção purulenta), características 
dos lóquios.6 
o Exame dos membros inferiores: pesquisa de edema, sinais de 
tromboflebite (dor, rubor, calor, empastamento muscular na panturrilha, 
sinal de Homans – embora sua sensibilidade seja questionada).6 
o Observação da interação mãe-bebê e avaliação da mamada: observar a 
pega do bebê ao mamilo, posicionamento da mãe e do bebê, sinais de 
transferência efetiva de leite.6 
• Cuidados de Enfermagem e Orientações: 
o Orientar sobre higiene pessoal, cuidados com o períneo e/ou incisão 
cirúrgica. 
o Reforçar a importância de uma alimentação nutritiva e hidratação 
adequada, especialmente durante a amamentação. 
o Orientar sobre repouso relativo e retorno gradual às atividades físicas. 
o Discutir o retorno à atividade sexual, abordando mitos, medos e a 
importância do desejo da mulher, além da prevenção de Infecções 
Sexualmente Transmissíveis (IST/HIV/AIDS) com o uso de 
preservativos.6 
o Realizar aconselhamento e apoio intensivo ao aleitamento materno, 
abordando técnicas corretas, manejo de dificuldades comuns (fissuras, 
ingurgitamento), ordenha manual do leite, e os benefícios para a mãe e o 
bebê. Considerar a situação de mulheres que não podem ou não desejam 
amamentar, oferecendo apoio e orientação adequados.6 
o Orientar sobre os cuidados básicos com o recém-nascido (banho, higiene 
do coto umbilical, troca de fraldas, sono seguro, identificação de sinais de 
alerta). 
o Informar sobre os direitos da mulher (direitos reprodutivos, sociais, 
trabalhistas). 
o Iniciar a discussão sobre planejamento familiar, apresentando os métodos 
contraceptivos disponíveis e adequados ao puerpério e à amamentação, 
como o Método da Amenorreia Lactacional (LAM), métodos de barreira, 
DIU, e contraceptivos hormonais compatíveis com a lactação. Ajudar na 
escolha informada e fornecer o método, se disponível na UBS.6 
o Administrar suplementação de ferro (40 mg de ferro elementar/dia por até 
três meses pós-parto para mulheres sem anemia diagnosticada).6 
o Verificar e atualizar o calendário vacinal da puérpera (ex: dT, Tríplice 
Viral), se necessário.6 
o Oferecer testagem rápida para HIV e VDRL, com aconselhamento pré e 
pós-teste, para mulheres não testadas durante a gestação ou parto.6 
o Realizar encaminhamentos necessários (ex: para avaliação médica, 
psicológica, odontológica, Banco de Leite Humano). 
o Agendar a consulta de retorno e orientar sobre quando procurar o serviço 
de saúde em caso de intercorrências. 
Segunda Consulta de Puerpério (realizada até 6 semanas/42 dias pós-parto, 
no puerpério tardio, conforme Protocolo SES/DF 8): 
• Reavaliação da saúde geral da mulher e do recém-nascido, identificando possíveis 
intercorrências surgidas desde a última consulta. 
• Avaliação contínua da amamentação, oferecendo suporte e manejo de 
dificuldades. 
• Investigação sobre o retorno da menstruação (especialmente se não estiver em 
LAM) e da atividade sexual. 
• Realização da coleta de Citologia Oncótica (CCO), popularmente conhecida como 
Papanicolau, para prevenção do câncer do colo do útero, conforme as 
recomendações da SES-DF e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).8 Este é um 
momento oportuno, pois a mulher já está inserida no serviço de saúde. 
• Reforçar a importância da continuidade da suplementação de ferro, conforme 
orientação. 
• Reavaliar e dar seguimento ao planejamento reprodutivo, ajustando ou 
confirmando o método contraceptivo escolhido, com ênfase em métodos de longa 
duração (como o DIU de cobre, disponível na APS) e, se for desejo da mulher e 
ela se enquadrar nos critérios legais, orientar sobre métodos contraceptivos 
definitivos (laqueadura tubária e vasectomia).8 
• Avaliar ativamente a presença de sintomas de depressão pós-parto, utilizando 
escalas de rastreio (como a EPDS) e observação clínica.8 
• Orientar sobre a importância de um intervalo interpartal mínimo de dois anos para 
a saúde da mulher e de futuras gestações.8 
Consulta de Enfermagem no Puerpério Remoto (após 42 dias): 
Os protocolos do Ministério da Saúde 6 e da SES/DF 8 detalham as consultas de 
rotina até o 42º dia pós-parto. Para o período subsequente, o puerpério remoto, o Conselho 
Federal de Enfermagem (COFEN) indica que o cuidado deve ser singularizado, ou seja, 
adaptado às necessidades individuais de cada mulher.26 Não há um "protocolo" rígido de 
consultas seriadas específicas para o puerpério remoto na APS da mesma forma que para 
as primeiras semanas. O acompanhamento torna-se mais longitudinal e oportunístico, 
integrado às demais ações de saúde da mulher. 
As ações de enfermagem no puerpério remoto podem incluir: 
• Acompanhamento e manejo do método contraceptivo escolhido, avaliando 
adaptação, eficácia e satisfação. 
• Suporte contínuo à amamentação, caso a mulher prossiga com a lactação, e 
orientações sobre o desmame gradual e a introdução alimentar complementar do 
lactente. 
• Avaliação da saúde mental a longo prazo, permanecendo atenta a sinais de 
depressão ou ansiedade de início mais tardio ou persistente. 
• Orientações para a realização de exames de rotina da mulher, conforme faixa 
etária e fatores de risco (ex: seguimento da citologia oncótica, solicitação ou 
encaminhamento para mamografia). 
• Reforço de hábitos de vida saudáveis (alimentação, atividade física, cessação do 
tabagismo/etilismo). 
• Identificação de necessidades sociais contínuas e encaminhamentos para a rede de 
apoio intersetorial, se necessário. 
A estrutura das consultas de puerpério, especialmente no DF com a "Alta Segura 
e Vinculada" e a recomendação de visita domiciliar 8, demonstra um esforço para 
assegurar a integralidade e a continuidade do cuidado entre os diferentesníveis de 
atenção. Contudo, a efetividade dessa transição depende da real articulação entre os 
serviços de maternidade e a APS. O enfermeiro da APS desempenha um papel crucial na 
busca ativa de puérperas que, porventura, não compareçam às consultas agendadas, 
garantindo sua captação e acompanhamento. 
As rotinas estabelecidas para as consultas 8 evidenciam um forte enfoque na 
prevenção de agravos e na detecção precoce de problemas, abrangendo riscos físicos, 
psicológicos e sociais. A inclusão explícita da investigação de ideação suicida e de 
sintomas depressivos 8 é um componente vital dessa abordagem preventiva. 
No que tange ao puerpério remoto, a ausência de um cronograma fixo de consultas 
nos protocolos detalhados 8, em contraste com a diretriz do COFEN 26 pela singularização 
do cuidado, implica que a responsabilidade de identificar e atender às necessidades 
contínuas da mulher recai sobre a vigilância epidemiológica, o vínculo terapêutico e a 
proatividade da equipe de APS. O enfermeiro deve aproveitar outras oportunidades de 
contato com a mulher (como durante as consultas de puericultura do bebê, vacinação, ou 
em atividades de grupo na UBS) para monitorar sua saúde física e mental, oferecendo um 
cuidado que verdadeiramente se estenda ao longo do tempo. 
A menção à Portaria SES/DF Nº 182 de 03 de maio de 2024 3 como documento 
norteador é importante, mas, na ausência de seu conteúdo específico nos materiais 
consultados, o "Protocolo de Atenção à Saúde da Mulher no Pré-Natal e Puerpério" da 
SES/DF 8 serve como a referência prática mais detalhada e robusta para a descrição da 
assistência no Distrito Federal, presumindo-se que este protocolo esteja alinhado aos 
princípios da referida portaria. 
Seção 4: Plano de Cuidados para Juliana e seu Recém-Nascido na Atenção 
Primária 
4.1. Análise do Caso de Juliana: Identificação de Necessidades e Fatores de 
Risco 
A análise do caso de Juliana, conforme descrito no material de estudo 3, revela um 
cenário complexo e multifacetado, com diversas necessidades e fatores de risco que 
demandam uma atenção de enfermagem integral e individualizada. 
Dados de Juliana: 
Juliana tem 18 anos e comparece à UBS com sua recém-nascida de 7 dias de vida 
para a primeira consulta de puerpério. Ela é mãe solo. A gravidez, inicialmente não 
planejada, tornou-se desejada ao longo dos meses. O pai da criança não quis assumir a 
paternidade, e Juliana aguarda a realização de um teste de DNA. Reside em Brasília há 
dois anos, tendo se mudado do Piauí, e não possui rede de apoio familiar ou social na 
cidade. É estudante de enfermagem, mas precisou se afastar do curso. Iniciou um trabalho 
como atendente em uma rede de fast food para se sustentar, onde realiza suas principais 
refeições, após sua família no Piauí ter cortado o auxílio financeiro ao saber da gestação. 
Durante o pré-natal, foi encaminhada ao serviço de apoio psicológico devido a relatos de 
medo e ansiedade com o término da gestação. Juliana também informou aos profissionais 
que possui familiares com diagnóstico de depressão. Sua gestação foi considerada de alto 
risco devido à hipertensão gestacional e obesidade, estando em uso apenas de medicação 
anti-hipertensiva. 
Queixas Atuais na Consulta de Puerpério: 
Juliana expressa muitas dúvidas sobre se seu corpo retornará à forma anterior à 
gestação. Refere sentir medo e ansiedade ao realizar os cuidados com sua recém-nascida 
em casa. Relata também falta de apetite, fraqueza e dificuldade em realizar as tarefas do 
dia a dia, atribuindo esta última à dor que sente na região abdominal. 
Fatores de Risco Identificados: 
Com base nos dados apresentados e na literatura sobre saúde mental perinatal 2, 
identificam-se múltiplos fatores de risco para o desenvolvimento de Depressão Pós-Parto 
(DPP) e outras complicações em Juliana: 
• Demográficos e Sociais: Idade jovem (18 anos), ser mãe solo, ausência crítica de 
rede de apoio social e familiar em Brasília, isolamento social. 
• Econômicos e Ocupacionais: Estresse financeiro devido à perda do suporte 
familiar e necessidade de trabalhar, interrupção dos estudos. 
• Psicológicos e Histórico Pessoal/Familiar: Gravidez inicialmente não planejada, 
conflito com o pai da criança, histórico de ansiedade durante a gestação (com 
encaminhamento para apoio psicológico), história familiar de depressão. 
• Relacionados à Gestação e Parto: Gestação de alto risco (hipertensão 
gestacional, obesidade). 
• Sintomas Atuais Sugestivos: Medo e ansiedade intensos, preocupações com o 
corpo, falta de apetite, fraqueza (podendo ser sintomas depressivos ou físicos), 
dor abdominal. 
Necessidades do Recém-Nascido: 
A recém-nascida de Juliana, com 7 dias de vida, necessita de uma avaliação 
completa de saúde conforme os protocolos de puericultura para a primeira semana de 
vida. Isso inclui avaliação do crescimento e desenvolvimento inicial, suporte e avaliação 
da amamentação, verificação e orientação sobre imunizações (BCG, Hepatite B), teste do 
pezinho, e orientações gerais aos cuidadores sobre os cuidados neonatais e identificação 
de sinais de alerta. 
A situação de Juliana é emblemática da interação complexa entre fatores 
biológicos, psicológicos e sociais que podem comprometer o bem-estar no puerpério. Sua 
vulnerabilidade é acentuada pela ausência de suporte, o que torna a intervenção da equipe 
de APS ainda mais crucial. 
4.2. Diagnósticos de Enfermagem Prioritários para Juliana (Exemplos) 
Com base na análise do caso e utilizando a taxonomia da NANDA International 
(NANDA-I), alguns diagnósticos de enfermagem prioritários para Juliana incluem: 
• Ansiedade (00146) relacionada à transição para o papel materno, 
responsabilidades com o recém-nascido e falta de rede de apoio social, 
evidenciada por relato de medo e preocupação com os cuidados do RN, e relato 
de ansiedade. 
• Risco de Depressão Pós-Parto (constructo baseado nos fatores de risco e 
sintomas iniciais, formalmente seria Risco de Humor Instável 00280 ou Risco 
de Resposta Disfuncional ao Estresse 00177, com foco na DPP) relacionado a 
múltiplos fatores de risco identificados (idade jovem, isolamento social, estresse 
financeiro, história pessoal de ansiedade, história familiar de depressão, gravidez 
de alto risco, sintomas atuais como falta de apetite, fraqueza, medo e ansiedade). 
• Dor Aguda (00132) relacionada a processo de recuperação pós-parto (natureza a 
ser investigada: uterina, incisional se cesárea, muscular, etc.), evidenciada por 
relato de dor na região abdominal e dificuldade em realizar tarefas do dia a dia. 
• Conhecimento Deficiente (00126) sobre autocuidado no puerpério e cuidados 
com o recém-nascido, evidenciado por relato de dúvidas e ansiedade ao cuidar da 
filha. 
• Nutrição Desequilibrada: Menor que as Necessidades Corporais (00002) 
relacionada à falta de apetite e possível estresse psicossocial e demandas da 
amamentação, evidenciada por relato de falta de apetite e alimentação principal 
em rede de fast food. 
• Fadiga (00093) relacionada às demandas do puerpério, privação de sono, dor e 
estresse emocional, evidenciada por relato de fraqueza e dificuldade em realizar 
tarefas. 
• Baixa Autoestima Situacional (00120) relacionada às mudanças corporais pós-
parto e preocupações sobre o retorno à forma física anterior, evidenciada por 
relato de dúvidas se seu corpo voltará a ser como antes. 
• Isolamento Social (00053) relacionado à ausência de rede de apoio familiar e 
social em Brasília e mudança recente de cidade, evidenciado por relato de não 
possuir rede de apoio na cidade. 
4.3. Plano de Cuidados de Enfermagem para Juliana 
O plano de cuidados para Juliana deve ser abrangente, individualizado e baseado 
no Protocolo da SES/DF 8, considerando suas necessidades físicas, emocionais e sociais. 
Dada a complexidade do caso, uma abordagem interdisciplinar será fundamental. 
• Acolhimento e Escuta Ativa:o Estabelecer um ambiente de confiança e empatia, validando os 
sentimentos, medos e preocupações expressos por Juliana. Assegurar que 
ela se sinta ouvida e compreendida. 
• Avaliação Física Completa (conforme Protocolo SES/DF 8): 
o Aferir e registrar sinais vitais, com especial atenção à Pressão Arterial 
(PA), devido ao histórico de hipertensão gestacional. 
o Avaliar a involução uterina (altura e consistência do fundo uterino). 
o Observar características dos lóquios (quantidade, cor, odor). 
o Inspecionar períneo (se parto vaginal) ou incisão cirúrgica (se cesariana), 
avaliando cicatrização e sinais de infecção. 
o Examinar as mamas, avaliando ingurgitamento, presença de fissuras, 
mastalgia e o processo de amamentação. 
o Investigar minuciosamente a dor abdominal referida: localização, 
intensidade, tipo, fatores de melhora ou piora, irradiação. Descartar 
complicações como infecção puerperal, subinvolução uterina, ou outras 
causas não obstétricas. 
o Avaliar membros inferiores quanto à presença de edema ou sinais de 
tromboflebite. 
• Avaliação Psicossocial e de Saúde Mental: 
o Aplicar a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS) como 
instrumento de rastreio, devido aos múltiplos fatores de risco e aos 
sintomas sugestivos apresentados por Juliana. 
o Investigar ativamente a presença de ideação suicida, conforme 
preconizado pelo protocolo.8 
o Avaliar detalhadamente a rede de apoio social e familiar (confirmar a 
ausência de suporte local e explorar a possibilidade de contatos remotos 
com familiares no Piauí ou identificação de recursos comunitários em 
Brasília). 
o Discutir o histórico de ansiedade durante a gestação e o encaminhamento 
anterior ao serviço de apoio psicológico, verificando se houve seguimento. 
• Intervenções e Orientações de Enfermagem: 
o Manejo da Dor Abdominal: Após avaliação e descarte de causas graves 
(com avaliação médica se necessário), orientar sobre medidas de conforto 
(posicionamento, repouso relativo). Se indicada, administrar ou orientar 
sobre analgesia conforme prescrição. 
o Recuperação Física e Autocuidado: Explicar a fisiologia do puerpério e 
o processo gradual de retorno do corpo às condições pré-gravídicas, 
buscando tranquilizá-la quanto às suas preocupações.3 Orientar sobre a 
importância do repouso relativo, intercalado com pequenas caminhadas. 
Discutir estratégias para melhorar a qualidade da alimentação, 
considerando sua rotina e o fato de realizar refeições em fast food; orientar 
sobre escolhas mais saudáveis e a importância da hidratação, 
especialmente se estiver amamentando. 
o Saúde Mental: 
▪ Realizar psicoeducação sobre as alterações emocionais comuns no 
puerpério, diferenciando "baby blues" de Depressão Pós-Parto, e 
validar seus sentimentos de medo e ansiedade. 
▪ Encaminhamento formal e URGENTE para avaliação 
psicológica e/ou psiquiátrica na própria UBS (se houver 
profissional) ou em serviço de referência da rede SES/DF. A 
urgência se justifica pelos múltiplos fatores de risco, sintomas 
atuais e história familiar de depressão. Tentar articular com o 
serviço de apoio psicológico que ela frequentou durante o pré-
natal, se possível, para continuidade do cuidado. 
▪ Ensinar técnicas simples de manejo de estresse e ansiedade, como 
exercícios de respiração diafragmática e relaxamento muscular 
progressivo. 
▪ Incentivar a expressão de sentimentos e pensamentos em um 
ambiente seguro. 
o Cuidados com o Recém-Nascido: Reforçar e demonstrar, se necessário, 
os cuidados básicos com a recém-nascida (amamentação, banho, higiene 
do coto umbilical, troca de fraldas, sono seguro). Observar Juliana 
realizando os cuidados e oferecer feedback positivo e construtivo para 
aumentar sua confiança e reduzir a ansiedade. 
o Fortalecimento da Rede de Apoio: Explorar ativamente com Juliana 
quaisquer possibilidades de contato, mesmo que remoto, com familiares 
ou amigos que possam oferecer algum tipo de suporte emocional. Informar 
sobre recursos comunitários, como grupos de mães ou serviços de 
assistência social da UBS, que possam oferecer apoio ou orientação. 
o Planejamento Familiar: Iniciar a discussão sobre métodos 
contraceptivos conforme o protocolo 8, considerando seu estado 
emocional atual e sua situação de vida. Oferecer informações claras e 
auxiliar na escolha de um método adequado e desejado. 
o Promoção do Autocuidado: Incentivar Juliana a identificar pequenos 
momentos para si mesma, mesmo com as intensas demandas do bebê, 
como um banho mais demorado ou alguns minutos de descanso quando o 
bebê dormir. 
• Agendamentos e Encaminhamentos: 
o Agendar consulta de retorno para Juliana e para a recém-nascida 
(puericultura) na UBS, conforme protocolo. 
o Realizar os encaminhamentos para psicologia/psiquiatria e, se pertinente, 
para o serviço social. 
o Registrar todas as avaliações, diagnósticos, intervenções e 
encaminhamentos no prontuário de Juliana. 
Tabela 2: Plano de Cuidados de Enfermagem para Juliana 
Dia
gnóstico 
de 
Enfermag
em 
(NANDA-
I) 
Res
ultados 
Esperados 
(NOC) 
Inter
venções de 
Enfermage
m (NIC) 
Avaliaçã
o/Observações 
An
siedade 
Nív
el de 
Apoi
o Emocional 
Monitora
r verbalização de 
(00146) 
relacionad
a à 
transição 
para o 
papel 
materno, 
responsabil
idades com 
o RN e 
falta de 
rede de 
apoio. 
Ansiedade 
(1211) 
reduzido; 
Autocontr
ole da 
Ansiedade 
(1402) 
melhorado. 
(5270); 
Aconselham
ento (5240); 
Ensino: 
Cuidados 
com o Bebê 
(5604); 
Técnicas de 
Relaxamento 
(5880); 
Aumentar o 
Enfrentamen
to (5230). 
ansiedade e 
medo. Avaliar 
eficácia das 
técnicas de 
relaxamento. 
Observar 
interação com o 
RN. 
Ris
co de 
Depressão 
Pós-Parto 
(constructo
) 
Be
m-estar 
Psicológic
o (2002) 
mantido/m
elhorado; 
Detecção 
de Risco 
(1908). 
Rastr
eamento de 
Saúde 
Mental (6526 
- aplicação 
da EPDS); 
Encaminham
ento (8100) 
para 
psicologia/ps
iquiatria; 
Vigilância 
(6650); 
Apoio 
Familiar 
(7140) - 
explorar 
contatos. 
Aplicar 
EPDS. Observar 
sinais de humor 
deprimido, 
anedonia, 
alterações de 
sono/apetite. 
Acompanhar 
encaminhament
o. 
Do
r Aguda 
(00132) 
relacionad
a a 
processo 
de 
recuperaçã
o pós-
parto. 
Nív
el de Dor 
(2102) 
reduzido; 
Controle 
da Dor 
(1605). 
Mane
jo da Dor 
(1400); 
Administraç
ão de 
Analgésicos 
(2210) se 
prescrito; 
Aplicação de 
Calor/Frio 
(1380) se 
apropriado; 
Ensino: 
Procediment
o/Tratament
o (5618). 
Avaliar 
características da 
dor (escala 0-
10). Investigar 
causa específica. 
Monitorar 
eficácia da 
analgesia. 
Co
nheciment
o 
Deficiente 
(00126) 
sobre 
autocuidad
o no 
puerpério e 
cuidados 
com o RN. 
Co
nheciment
o: 
Cuidados 
com o 
Lactente 
(1803); 
Conhecim
ento: 
Manejo da 
Depressão 
(1837); 
Conhecim
ento: 
Processo 
da Doença 
Ensin
o: Cuidados 
com o 
Lactente 
(5604); 
Ensino: 
Processo da 
Doença 
(5602); 
Ensino: 
Individual 
(5606); 
Demonstraçã
o (5515). 
Avaliar 
compreensão das 
orientações. 
Observar 
habilidade nos 
cuidados com o 
RN. Esclarecer 
dúvidas. 
(Puerpério
) (1803). 
Nu
trição 
Desequilib
rada: 
Menor 
que as 
Necessida
des 
Corporais 
(00002) 
relacionad
a à falta de 
apetite. 
Est
ado 
Nutriciona
l (1004) 
melhorado
; Apetite 
(1014) 
aumentado
. 
Acon
selhamento 
Nutricional 
(5246); 
Manejo da 
Nutrição 
(1100); 
Monitoração 
Nutricional 
(1160). 
Investiga
r causas da falta 
de apetite. 
Orientar sobre 
escolhas 
alimentares 
saudáveis e 
fracionamento 
das refeições. 
Monitorar peso e 
sinais de 
desnutrição. 
Fa
diga 
(00093) 
relacionad
a às 
demandas 
do 
puerpério, 
privação 
de sono e 
dor. 
Nív
el de 
Fadiga 
(0007) 
reduzido; 
Conservaç
ão de 
Energia 
(0002). 
Mane
jo de Energia 
(0180); 
Ensino: Sono 
(5628); 
Promoçãodo 
Exercício 
(0200) - leve, 
quando 
apropriado. 
Orientar 
sobre estratégias 
de conservação 
de energia e 
aproveitamento 
de períodos de 
descanso. 
Isol
amento 
Social 
(00053) 
En
volviment
o Social 
(1503) 
Mobi
lização 
Familiar 
(7180) - 
Explorar 
recursos 
comunitários 
(grupos de mães, 
relacionad
a à 
ausência 
de rede de 
apoio. 
aumentado
; Suporte 
Social 
(1504) 
percebido. 
incentivar 
contato com 
família no 
Piauí; 
Facilitação 
de Visitas 
(7560) a 
grupos de 
apoio; 
Desenvolvim
ento de Rede 
Social 
(5330). 
CRAS). 
Incentivar 
participação em 
atividades 
sociais, se 
houver interesse 
e possibilidade. 
4.4. Plano de Cuidados de Enfermagem para o Recém-Nascido de Juliana 
O plano de cuidados para a recém-nascida (RN) de Juliana deve seguir as 
diretrizes do Ministério da Saúde 6 e do Protocolo da SES/DF 8, com foco na avaliação 
da saúde neonatal, promoção do aleitamento materno e orientações à mãe para os 
cuidados. 
• Avaliação do Recém-Nascido 6: 
o Verificar a existência e o preenchimento da Caderneta de Saúde da Criança 
com os dados da maternidade (peso ao nascer, comprimento, perímetro 
cefálico, Apgar, tipo de parto, intercorrências). 
o Realizar antropometria: peso atual, e se não realizado na maternidade ou 
se houver preocupações, aferir comprimento e perímetro cefálico (PC). 
Comparar com os dados de nascimento. 
o Avaliar o estado geral: nível de atividade (alerta, sonolento, irritado), 
postura e tônus muscular, padrão respiratório (frequência, esforço, ruídos), 
estado de hidratação (fontanela, turgor da pele, mucosas), eliminações 
(frequência e aspecto de diurese e evacuações), presença e intensidade de 
icterícia, palidez, cianose. 
o Realizar exame físico segmentar: 
▪ Crânio: formato, fontanelas (tamanho, tensão), suturas, presença 
de bossa serossanguínea ou cefalohematoma. 
▪ Face: simetria, olhos (secreção, icterícia escleral), orelhas 
(implantação), nariz (permeabilidade), boca (presença de dentes 
neonatais, anquiloglossia, palato íntegro). 
▪ Pescoço: mobilidade, presença de massas. 
▪ Tórax: formato, simetria da expansão respiratória, ausculta 
pulmonar e cardíaca. 
▪ Abdômen: formato, distensão, palpação (massas, 
visceromegalias), avaliação do coto umbilical (presença de 
secreção, sangramento, sinais de infecção como hiperemia ou odor 
fétido). 
▪ Genitália: aspecto, presença de secreção vaginal fisiológica em 
meninas, testículos tópicos em meninos. 
▪ Membros: simetria, movimentos, pesquisa de displasia do 
desenvolvimento do quadril (manobras de Ortolani e Barlow, se o 
profissional for treinado e o protocolo local incluir). 
▪ Coluna vertebral: alinhamento, presença de tufos de pelos, 
depressões ou massas na região sacral. 
o Avaliação da amamentação: observar uma mamada completa, avaliando o 
posicionamento da mãe e do bebê, a pega do bebê ao seio (boca bem 
aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama, mais aréola visível acima 
da boca do que abaixo), a coordenação sucção-deglutição-respiração, e 
sinais de transferência efetiva de leite (deglutições audíveis, bebê relaxado 
e satisfeito após a mamada, mamas mais macias). 
• Intervenções e Orientações de Enfermagem (direcionadas a Juliana sobre os 
cuidados com a RN): 
o Promoção e Apoio ao Aleitamento Materno: Reforçar os benefícios da 
amamentação exclusiva e em livre demanda. Orientar sobre técnicas 
corretas de posicionamento e pega. Ensinar ou reforçar a técnica de 
ordenha manual do leite, caso necessário (ex: para alívio de 
ingurgitamento ou para oferecer ao bebê se houver dificuldade temporária 
na pega). Se identificadas dificuldades persistentes, encaminhar para o 
Banco de Leite Humano (BLH) ou Posto de Coleta de Leite Humano 
(PCLH) de referência.8 
o Imunização: Verificar na Caderneta da Criança se as vacinas BCG e 
Hepatite B foram administradas na maternidade. Caso não tenham sido, 
providenciar a administração na UBS, conforme calendário nacional de 
imunização.6 Orientar sobre as próximas vacinas e a importância de 
manter o calendário atualizado. 
o Triagem Neonatal ("Teste do Pezinho"): Verificar se o teste do pezinho 
foi realizado (idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida). Orientar sobre a 
importância do exame e como acessar o resultado.6 
o Cuidados Gerais com o Recém-Nascido: 
▪ Banho: orientar sobre a frequência, temperatura da água, uso de 
sabonete neutro, e cuidados para evitar hipotermia. 
▪ Higiene do coto umbilical: orientar a limpeza com álcool a 70% a 
cada troca de fralda e após o banho, mantendo-o seco e exposto até 
sua queda. 
▪ Troca de fraldas e prevenção de assaduras. 
o Promoção do Sono Seguro: Orientar sobre a posição supina (barriga para 
cima) para dormir, em superfície firme, sem travesseiros, cobertas soltas 
ou protetores de berço, para reduzir o risco de Síndrome da Morte Súbita 
do Lactente (SMSL). 
o Identificação de Sinais de Alerta no Recém-Nascido: Orientar Juliana a 
procurar imediatamente um serviço de saúde se a RN apresentar: febre 
(temperatura axilar ≥ 37,5°C) ou hipotermia (temperatura axilar

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