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Sequenciamento de DNA Para que serve o sequenciamento de DNA? - A sequência nucleotídica de um gene permite a dedução da sequência de aminoácidos. - A partir da sequência de aminoácidos, é possível fazer uma comparação com outras sequências já conhecidas e sugerir uma função para aquela proteína. - Além disso, a partir da sequência de aminoácidos é possível identificar também determinados locais de ligação a cofatores, regiões transmembranares e locais de reconhecimento de receptores. - Por outro lado, em regiões não-codantes é possível identificar trechos de controle de replicação/regulação da expressão gênica. - Um exemplo de aplicação do sequenciamento é a comparação da sequência de genes de indivíduos de uma mesma espécie, possibilitando a identificação de mutações. Nesse sentido, uma mutação presente em um gene de pacientes com determinada doença, mas ausente em pessoas sadias, pode sugerir maior susceptibilidade a desenvolver aquela doença. - Por outro lado, a comparação de genes entre diferentes organismos pode levar a hipóteses sobre a relação evolutiva entre eles. Como exemplo, temos o gene do 16s-rRNA, amplamente utilizado na classificação de bactérias. Clonagem DNA em vetor - A clonagem em vetor é um processo realizado antes do sequenciamento propriamente dito, para fazer cópias do trecho de DNA que se deseja sequenciar. - Para isso, a amostra de DNA é fragmentada em diferentes trechos, que são inseridos em vetores plasmidiais. Os plasmídeos são inseridos em bactérias, como E. coli, por meio de um choque térmico. Além disso, os plasmídeos também contêm um gene que confere resistência a um antibiótico. Dessa forma, posteriormente é possível selecionar as bactérias que receberam o plasmídeo por meio dessa resistência. - Assim, as bactérias são cultivadas em meio de cultura com antibiótico. Dessa forma, somente as bactérias que incorporaram o plasmídeo crescerão no meio de cultura. - A partir disso, o DNA pode ser extraído e sequenciado. 💡 Obs.: nos casos de clonagem de grandes insertos em vetores (20 kb), o método de Sanger só poderia determinar os primeiros 600 a 800 nucleotídeos após o sítio de clonagem, devido à limitação dessa técnica. Dessa forma, para contornar isso, após a leitura desse primeiro trecho, pode ser sintetizado um novo primer complementar ao final da região que acabou de ser sequenciada. Assim, esse procedimento era repetido até terminar o sequenciamento da região desejada. Sequenciamento de Sanger - O sequenciamento de Sanger é uma técnica utilizada para determinar a sequência de nucleotídeos de uma molécula de DNA. Esse método baseia-se no uso de dideoxirribonucleotídeos (ddNTPs), que são nucleotídeos modificados sem o grupo hidroxila (-OH) no carbono 3’. - Normalmente, durante a replicação do DNA, a DNA polimerase adiciona nucleotídeos complementares à fita molde, ligando-os à extremidade 3' da cadeia em crescimento. Esse processo ocorre porque os nucleotídeos convencionais (dNTPs) possuem um grupo hidroxila (-OH) no carbono 3’, que permite a formação de uma ligação fosfodiéster com o próximo nucleotídeo, estendendo a cadeia de DNA. - No entanto, no sequenciamento de Sanger, quando um ddNTP é incorporado, a síntese é interrompida. Como esses nucleotídeos não possuem o grupo 3’-OH, a DNA polimerase não consegue adicionar mais nucleotídeos, resultando em fragmentos de diferentes comprimentos. Esses fragmentos são então separados por eletroforese, permitindo a leitura da sequência do DNA. Etapas - No início da técnica, uma amostra de DNA é distribuída igualmente em quatro tubos. Cada um contém a mesma quantidade de DNA polimerase, primers, dNTPs e a mesma quantidade de um ddNTP diferente em cada tubo. - Os tubos são aquecidos para que as fitas duplas se separem em fitas simples e os primers se ligam a uma sequência específica de nucleotídeos (para qual foram desenvolvidos) nas fitas simples. - A DNA polimerase inicia a síntese de DNA, inserindo os nucleotídeos presentes na solução. Quando um ddNTP é inserido ao acaso na cadeia de DNA, o alongamento da cadeia é interrompido, pois a DNA polimerase precisa de um terminal 3’ OH livre para adicionar os nucleotídeos e os ddNTPs não tem OH no carbono 3’. - Portanto, várias moléculas de DNA de tamanhos diferentes são produzidas em cada tubo. - Em seguida, é feita uma eletroforese em um gel capilar. Os ddNTPs são marcados com fluoróforos e emitem fluorescência quando excitados por determinados comprimentos de onda. Assim, a partir desta fluorescência, o resultado da eletroforese mostra a sequência das bases na cadeia de DNA da amostra. 💡PCR-based Cycle Sequencing é uma variação do sequenciamento de Sanger que incorpora uma reação de PCR para amplificar o DNA antes do sequenciamento. É utilizado quando há pouca quantidade de DNA na amostra. Sequenciamento Cíclico em Arranjo (Pirossequenciamento) - O pirossequenciamento é uma técnica que permite o sequenciamento em larga escala com redução de custos. O processo ocorre em várias etapas: 1. Fragmentação do DNA - A amostra de DNA é fragmentada por técnicas como sonicação ou ultrassom. 2. Ligação de Adaptadores - Os fragmentos gerados são ligados a pares de adaptadores (A e B). O adaptador B contém uma biotina em uma de suas extremidades. 3. Separação por Biotina-Streptoavidina - A mistura é adicionada a uma coluna contendo streptoavidina, que se liga fortemente à biotina. Assim, os fragmentos de DNA contendo adaptador B são retidos na coluna. Em seguida, uma lavagem com substância alcalina desnatura as fitas duplas, liberando as fitas simples sem biotina. 4. Amplificação por PCR em Emulsão - Para amplificar os fragmentos, realiza-se uma PCR em emulsão. Esse processo ocorre em micelas contendo todos os reagentes necessários e suspensas em óleo. Cada micela deve conter um único fragmento de DNA, juntamente com uma microesfera revestida com primers. Assim, as cópias geradas do fragmento permanecem aderidas à microesfera. 5. Transferência para o Chip e Sequenciamento - Após a amplificação, as microesferas são transferidas para um chip contendo micropoços, onde ocorre o sequenciamento. Durante o processo, um dos quatro dNTPs é adicionado por ciclo, na presença da DNA polimerase. Isso significa que os dNTPs são incorporados de forma sequencial, um por vez. 6. Detecção do Pirofosfato e Emissão de Luz - Quando um dNTP é incorporado ao DNA complementar, ocorre a liberação de pirofosfato. Esse pirofosfato gera ATP, que é utilizado pela enzima luciferase para produzir luz. A intensidade luminosa gerada é proporcional ao número de nucleotídeos incorporados no ciclo. 7. Lavagem e Repetição do Ciclo - Após cada ciclo, o ATP gerado e qualquer dNTP não incorporado são degradados pela enzima apirase. Em seguida, uma lavagem remove esses componentes antes da adição do próximo dNTP. O ciclo completo com os quatro nucleotídeos ocorre em apenas 60 segundos. 8. Geração do Pirograma - O resultado do sequenciamento é registrado em um pirograma, que exibe os dados obtidos a partir da luz emitida durante o processo. A quantidade de luz emitida em cada ciclo é proporcional ao número de nucleotídeos incorporados em cada ciclo. Dessa forma, é possível determinar a sequência de DNA da amostra. Sequenciamento de 3ª e 4ª geração - As tecnologias de sequenciamento de 3ª e 4ª geração representam avanços significativos na análise de genomas, proporcionando maior rapidez, precisão e capacidade de leitura de moléculas longas em comparação com métodos anteriores. - As técnicas de 3ª geração utilizam moléculas individuais e longas de DNA ou RNA como molde, permitindo o sequenciamento direto sem a necessidade de amplificação prévia. As técnicas de 4ª geração ainda estão em desenvolvimento. Sequenciamento de DNA Para que serve o sequenciamento de DNA? Clonagem DNA em vetor Sequenciamentode Sanger Etapas Sequenciamento Cíclico em Arranjo (Pirossequenciamento)