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CÁLCULO DIFERENCIAL E
INTEGRAL A VÁRIAS
VARIÁVEIS
AULA 2
Prof. Guilherme Rodrigues
2
CONVERSA INICIAL
Esta aula é a entrada para o estudo de Cálculo Diferencial e Integral a
Várias Variáveis. Inicialmente, veremos as Funções de Várias Variáveis, pois a
importância deste tópico nos remete ao estudo do domínio de funções e de
curva de nível.
Na sequência, trabalharemos com a Teoria dos Limites, porém, desta
vez lidaremos com mais de uma variável. Enfim, seja bem-vindo(a) a uma
matemática mais avançada e a um dos capítulos mais belos dessa ciência
exata.
TEMA 1 – FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS (I)
Neste tema, veremos um conceito importante dentro da disciplina de
cálculo diferencial e integral. Muito embora o conceito seja inicialmente bem
intuitivo, os cálculos apresentados nesta aula têm forte impacto nos conceitos
futuros da disciplina.
1.1 Valor numérico
O valor numérico de uma função de várias variáveis segue o mesmo
princípio do que é visto desde a disciplina de pré-cálculo. Entretanto, é
fundamental ter muita atenção na hora da substituição dos valores, seguindo a
ordem das incógnitas propostas.
Exemplo 1: sendo a função 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑥 + 𝑦 + 1, calcule 𝑓(2,3).
Resolução:
Substituindo os valores respeitando a ordem das incógnitas,
𝑓(2, 3) = 2 + 3 + 1
𝑓(2, 3) = 6
Exemplo 2: sendo a função 𝑓(𝑥, 𝑦) =
𝑥+𝑦
2𝑥+𝑦
, calcule 𝑓(1,2).
Resolução:
Substituindo os valores respeitando a ordem das incógnitas,
𝑓(1, 2) =
1 + 2
2 ∙ (1) + 2
𝑓(1, 2) =
3
2 + 2
3
𝑓(1, 2) =
3
4
Exemplo 3: sendo a função 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥 + 𝑦 − 2𝑧 + 2, calcule 𝑓(3, −2,1).
Resolução:
Substituindo os valores respeitando a ordem das incógnitas,
𝑓(3, −2, 1) = 3 + (−2) − 2 ∙ (1) + 2
𝑓(3, −2, 1) = 3 − 2 − 2 + 2
𝑓(3, −2, 1) = 1
1.2 Estudo do domínio
Neste momento, começamos a questionar se é possível utilizar
quaisquer valores no cálculo de valor numérico. A resposta para essa questão
é a mesma que foi dada na disciplina de cálculo diferencial e integral a uma
variável. Dessa forma, é fundamental estudar o domínio da função.
Em síntese, podemos dizer que o domínio de uma função de várias
variáveis é a interpretação das possíveis (ou não) restrições dos valores que as
variáveis independentes da função podem assumir.
Exemplo 4. Demonstre o domínio da função:
𝑧 = √1 − 𝑥2 − 𝑦²
Resolução:
Sendo 𝑧 uma função de duas variáveis, então podemos dizer que 𝑧 =
𝑓(𝑥, 𝑦), logo
𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦) = √1 − 𝑥2 − 𝑦²
Estudando o domínio, notamos que a função 𝑧 tem sua aplicação em
uma raiz quadrada, portanto,
1 − 𝑥2 − 𝑦2 ≥ 0
𝑥2 + 𝑦² ≥ 1
Fazendo uma representação desse domínio no conjunto R² (Reais em
duas dimensões), temos graficamente todos os pontos interiores ao círculo
(incluindo a circunferência – borda).
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Assim, conclui-se que o domínio é
𝐷𝑜𝑚: 𝑥2 + 𝑦² ≥ 1
TEMA 2 – FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS (II)
Neste tema, veremos alguns exemplos calculados de domínio de
funções de várias variáveis.
Exemplo 5. Demonstre o domínio da função:
𝑓(𝑥, 𝑦) = 2𝑥 + 3𝑦 + 1
Resolução:
Dom: nesse caso, não há nenhuma restrição de duplas de valores de 𝑥 e
𝑦. Portanto, o domínio dessa função é o conjunto R² (Reais em duas
dimensões), então
𝐷𝑜𝑚: {(𝑥, 𝑦) ∈ 𝑅2}
Exemplo 6. Demonstre o domínio da função:
𝑓(𝑥, 𝑦) =
1
𝑥 + 𝑦 − 1
Resolução:
Dom: nesse caso, a restrição de duplas de valores de 𝑥 e 𝑦 vem da
análise de que o denominador de uma fração não pode ser zero dentro do
contexto dos números reais. Portanto, o domínio dessa função é o conjunto R²
(Reais em duas dimensões), então
𝑥 + 𝑦 − 1 ≠ 0
𝑥 + 𝑦 ≠ 1
𝐷𝑜𝑚: {(𝑥, 𝑦) ∈ 𝑅2 / 𝑥 + 𝑦 ≠ 1}
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Exemplo 7. Demonstre o domínio da função:
𝑓(𝑥) =
√𝑥 + 𝑦 + 1
𝑥 − 1
Resolução:
Dom: analisando os numerador e denominador separadamente,
𝑥 + 𝑦 + 1 ≥ 0 (i) e 𝑥 − 1 ≠ 0 (ii)
𝑥 + 𝑦 + 1 ≥ 0 (i)
𝑥 + 𝑦 ≥ −1
𝑥 − 1 ≠ 0 (ii)
𝑥 ≠ 1
Graficamente,
𝐷𝑜𝑚: {(𝑥, 𝑦) 𝜖 𝑅2/ 𝑥 + 𝑦 ≥ −1 𝑒 𝑥 ≠ 1}
Exemplo 8. Demonstre o domínio da função:
𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = √9 − 𝑥2 − 𝑦2 − 𝑧²
Resolução:
Dom: 9 − 𝑥2 − 𝑦2 − 𝑧² ≥ 0
𝑥2 + 𝑦2 + 𝑧² ≤ 9 , isso representa todos os pontos na casca e internos a
uma esfera de raio 3.
Graficamente,
6
𝐷𝑜𝑚: {(𝑥, 𝑦) 𝜖 𝑅2/ 𝑥2 + 𝑦2 + 𝑧² ≤ 9
TEMA 3 – CURVAS DE NÍVEL
Seja k um número real. Uma curva de nível, 𝐶𝑥, de uma função 𝑧 =
𝑓(𝑥, 𝑦) é o conjunto de todos os pontos(𝑥, 𝑦) ∈ 𝐷(𝑓), tais que 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑘.
Simbolicamente, escrevemos
𝐶𝑘 = {(𝑥, 𝑦) 𝜖 𝐷(𝑓) | 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑘}
De forma geral, as curvas de nível são planos de cortes paralelos ao
plano xy (z = 0).
Exemplo 9
Utilizando a função 𝑧 = √1 − 𝑥2 − 𝑦², estabeleça as curvas de nível nas
cotas 𝑧 = 0 e 𝑧 =
1
2
.
Resolução:
Sendo o gráfico da função 𝑧 = √1 − 𝑥2 − 𝑦² uma esfera de raio igual a 1.
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Então, as curvas de nível:
𝐶(0): 0 = √1 − 𝑥2 − 𝑦2, 0 = 1 − 𝑥2 − 𝑦2
Portanto,
𝑥2 + 𝑦2 = 1 (circunferência de raio r = 1 no plano z = 0)
𝐶(
1
2
):
1
2
= √1 − 𝑥2 − 𝑦2 ,
1
4
= 1 − 𝑥2 − 𝑦2.
Portanto,
𝑥2 + 𝑦2 =
3
4
(circunferência de raio = √3/2 no plano z = 1/2)
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TEMA 4 – LIMITES E CONTINUIDADE
Nesta seção, falaremos sobre limites e continuidade.
4.1 Definição de limites
Seguindo a definição de Gonçalves (2012, p. 69):
Dado 𝑃0(𝑥0, 𝑦0) ∈ 𝑅2 e um número positivo r, a bola aberta 𝐵(𝑃0, 𝑟), de
centro em 𝑃0 e raio r, é definida como o conjunto de todos os pontos 𝑃(𝑥, 𝑦) ∈
𝑅2 cuja distância até 𝑃0 é menor que r, isto é, pelos pontos 𝑃(𝑥, 𝑦) que
satisfazem |𝑃 − 𝑃0| 0, existir um 𝛿 > 0 tal que|𝑓(𝑥, 𝑦) − 𝐿| 0, existe um 𝛿 > 0, então |𝑓(𝑥) − 8| 0, existe um 𝛿 > 0, então |𝑓(𝑥)− 11|