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DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 47 Injunção referente à matéria, determinou que enquanto não houver lei específica para regulamentar a greve dos servidores, será usada a Lei Geral de Greve (Lei 7.783/89) para possibilitar o exercício deste direito. A greve pode ser utilizada, inclusive, por servidores em estágio probatório, pois a ausência ao trabalho NÃO se configura imotivada em caso de greve, mas ocorrida de forma deliberada. Competência: ✓ Se a greve for realizada por empregados públicos: Justiça do Trabalho; ✓ Se realizada por servidores estatutários: Justiça Comum; ✓ Greve de servidores públicos civis, se movimento nacional ou abarcar mais de um ente federativo: STJ. STF (RE 846854): A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas. Sindicalização: Salvo os militares, aos servidores públicos civis é assegurado o direito à greve e à sindicalização, norma de eficácia plena. O direito à sindicalização é uma faculdade do servidor. Os vencimentos dos servidores públicos não podem ser objeto de convenção coletiva (vide SUM 679 STF). Desconto Obrigatório dos Dias de Paralisação (TEMA 531 RG): Tese de Repercussão Geral: A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre, permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público. - NÃO há necessidade de processo administrativo prévio para realizar descontos na remuneração do servidor, em razão de dias parados decorrentes de greve. - Caso não haja o desconto dos dias paralisados, isso representará: enriquecimento sem causa dos servidores que não trabalharam; violação ao princípio da indisponibilidade do interesse público; e violação ao princípio da legalidade. - É possível a realização de um acordo para a compensação dos dias paralisados para que não haja desconto na remuneração. Esse acordo deve ser firmado com base no juízo de conveniência e oportunidade da Administração Pública, não sendo um direito dos servidores grevistas. DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 48 - STJ (RMS 49399): NÃO se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a remuneração do servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do exercício do direito de greve. Deve-se destacar que a remuneração possui natureza alimentar e o referido desconto em parcela única causaria, nessa hipótese, um dano desarrazoado ao servidor. Inconstitucionalidade da Greve de Policiais (TEMA 541 RG): Tese de Repercussão Geral: I- O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. II- É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. - O STF afirmou expressamente que, ao decidir que os policiais civis não possuem direito de greve, não estava aplicando o art. 142, § 3º, IV, da CF/88 por analogia a eles. A greve é proibida por força dos princípios constitucionais que regem os órgãos de segurança pública. - A carreira policial, disciplinada pelo art. 144 da CF/88, tem como função exercer a segurança pública, garantindo a “preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Diante da relevância de suas funções e considerando que se trata de uma atividade que não pode ser exercida pela iniciativa privada, considera-se que a atividade policial é uma "carreira de Estado". - A greve não é um direito absoluto e, neste caso, deverá ser feito um balanceamento entre o direito de greve e o direito de toda a sociedade à segurança pública e à manutenção da ordem pública e paz social. Neste caso, há a prevalência do interesse público e do interesse social sobre o interesse individual de uma categoria. Por essa razão, em nome da segurança pública, os policiais não podem fazer greve. Importante destacar que a ponderação de interesses aqui não envolve direito de greve X continuidade do serviço público. A greve dos policiais é proibida não por causa do princípio da continuidade do serviço público (o que seria muito pouco), mas sim por conta do direito de toda a sociedade à garantia da segurança pública, à garantia da ordem pública e da paz social (art. 5º, caput). - O STF estabeleceu, como alternativa, a possibilidade de o sindicato dos policiais acionar o Poder Judiciário para que seja feita mediação com o Poder Público, nos termos do art. 165 do CPC. Nesse caso, é obrigatória a participação do Poder Público na mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, para vocalização dos interesses da categoria.