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DEPÓSITO DE 
MINERAIS 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar os conceitos básicos da geologia econômica.
 > Diferenciar recursos e reservas minerais.
 > Listar os fatores que determinam a viabilidade de um empreendimento 
mineral.
Introdução
A geologia econômica é parte fundamental da aplicação dos conhecimentos 
técnicos na prospecção mineral. Portanto, neste capítulo, vamos introduzir as 
primeiras noções a respeito de geologia econômica: seus conceitos-chave e sua 
relevância para a identificação da viabilidade econômica de um empreendimento 
mineral. Além disso, vamos explicar os complexos processos que envolvem a análise 
de custos operacionais de um empreendimento e como elaborar um projeto de 
instalação de uma mineradora.
Princípios de geologia econômica
O Brasil é um dos países que mais possui recursos minerais exploráveis 
do mundo, tendo uma importante influência no mercado internacional de 
commodities. Dessa forma, o setor mineral é um dos grandes aliados de 
nossa economia e, por isso, é de fundamental importância identificar suas 
nuances. Nesse contexto, o estudo da geologia econômica busca, por meio de 
Conceitos básicos de 
geologia econômica
Lília Albuquerque da Silva
técnicas de exploração mineral, o conhecimento geológico necessário para 
encontrar novos depósitos minerais (COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS 
MINERAIS, 2014). 
Mas o que são depósitos minerais? São concentrações anômalas de mi-
nerais e/ou rochas que podem ser úteis para homem. Os depósitos minerais 
são encontrados por meio de técnicas de pesquisa e de prospecção mine-
ral. Basicamente, são ações que devem ser tomadas para que determinado 
depósito mineral seja definido como jazida mineral. A jazida mineral é um 
depósito mineral com potencial econômico a ser explorado pelo homem 
(CAVALCANTI NETO; ROCHA, 2010). Em resumo, toda jazida mineral se define 
como um depósito mineral, mas nem todo depósito mineral é classificado 
como jazida mineral. Assim, se um depósito mineral não possui viabilidade 
econômica para ser explorado, dizemos que há uma ocorrência mineral.
Quando estamos estudando determinado depósito mineral, é comum 
separarmos dois tipos principais de minerais que ocorrem: mineral-minério e 
ganga. O mineral-minério é aquele que se tem interesse naquele determinado 
depósito, ou seja, aquele que possui maior valor econômico e que definirá a 
exploração da jazida caso seja definida como tal. Já a ganga é todo mineral 
ou rocha que não se enquadra como mineral-minério. São aqueles recursos 
minerais que não possuem valor econômico agregado em determinado de-
pósito (CAVALCANTI NETO; ROCHA, 2010).
A rocha que contém o mineral-minério é definida como minério, enquanto 
as rochas que se encontram diretamente em contato com o minério são de-
finidas como encaixante. Quando as rochas encaixantes e o próprio minério 
não possuem o mineral-minério (mineralização), são definidas como estéreo. 
O termo “teor” é utilizado para definir a relação entre a quantidade de mineral-
-minério e minério. Segundo Cavalcanti Neto e Rocha (2010), as unidades mais 
utilizadas para expressar o teor são %, g/ton, ppm, ppb e Kg/ton.
Outro importante termo utilizado na geologia econômica é cut-off, ou 
teor de corte. O cut-off é o teor mínimo para que a extração de determinado 
minério seja economicamente viável, ou seja, é utilizado para estabelecer o 
teor limite para que uma exploração mineral ocorra sem ter prejuízos, mas 
sem ter lucros também.
Além disso, é comum encontrarmos algum outro mineral, que ocorre de 
forma secundária, associado ao mineral-minério ou à ganga. Mesmo com a 
exploração sendo definida pelo mineral-minério, o mineral ou a rocha que 
ocorre secundariamente possui valor de ser explorada. Essas substâncias são 
chamadas de subproduto (CAVALCANTI NETO; ROCHA, 2010).
Conceitos básicos de geologia econômica2
Quando falamos de anomalia mineral, estamos considerando que algum 
elemento químico e/ou mineral possui uma concentração diferente daquela 
que é considerada normal para a crosta terrestre. A concentração normal de 
um elemento químico na crosta terrestre é chamada de Clark, e cada elemento 
químico tem sua concentração típica considerada normal. De acordo com 
Cavalcanti Neto e Rocha (2010), essa concentração varia de um elemento para 
outro, de acordo com sua abundância na crosta terrestre (Quadro 1).
Quadro 1. Valores do teor de Clark em ppm, exceto quando indicado
Fonte: Cavalcanti Neto e Rocha (2010, p. 127).
Background é o termo utilizado para diferenciar uma concentração de 
elemento químico nas formações rochosas mineralizadas consideradas anor-
mais de concentrações não mineralizadas consideradas normais para um local 
em particular, como em uma área onde você esteja fazendo uma pesquisa 
mineral, por exemplo (RODRIGUES; NALINI JÚNIOR, 2009). O teor limite entre 
uma concentração considerada normal e uma concentração anormal é definido 
como limiar (Figura 1). 
Conceitos básicos de geologia econômica 3
Figura 1. Valores considerados normais de elementos traços e maiores. O gráfico mostra a 
amplitude da variação dos elementos mais comuns nos solos da crosta terrestre segundo 
Connor e Schacklette (1975).
Fonte: Cavalcanti Neto e Rocha (2010, p. 126).
Os valores que definem o que é background e limiar dependem de algumas 
variáveis, como os valores das commodities no mercado (CAVALCANTI NETO; 
ROCHA, 2010). As commodities são todas as matérias-primas essenciais que 
podem ser estocadas sem que haja perda da qualidade. Seus valores são 
definidos conforme a relação de oferta e procura, então são diretamente 
influenciados pela produção mundial, uma vez que as matérias-primas são 
iguais em todo lugar do mundo. Alguns exemplos incluem ouro, petróleo, café, 
cobre e minério de ferro. Neste texto, estamos nos referindo às commodities 
minerais (REIS, 2018).
Reservas e recursos minerais
Os recursos e as reservas minerais são os principais ativos de uma empresa 
do setor mineral. O recurso mineral é definido como uma concentração, 
ou depósito sólido, que pode ocorrer na subsuperfície ou na superfície da 
Conceitos básicos de geologia econômica4
crosta e que possui potencial para ser explorada economicamente no mo-
mento de sua identificação ou no futuro, caso o mercado seja favorável. 
Segundo a ANM (DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL, 2003), 
pode ser definido, de forma geral, como uma mineralização que foi estimada 
a partir de uma pesquisa geológica. Já a reserva mineral é uma parte do re-
curso mineral que adquire valor econômico de tal forma que sua explotação 
é viável econômica, técnica e legalmente. 
Os recursos minerais podem ser do tipo inferido, indicado e medido. 
Recurso inferido possui baixa confiabilidade dos valores estimados para a 
quantidade e teor do bem mineral em questão. Isso se deve ao fato de ser 
definido na fase inicial da pesquisa, quando existem poucos e espaçados 
dados geológicos. Quando há uma pesquisa mais detalhada, de forma que 
existem mais dados geológicos que definem melhor o corpo mineralizado, 
dizemos que o recurso é indicado. Já o recurso mineral medido é quando 
o corpo mineralizado foi exaustivamente estudado, e os dados geológicos 
definem sua extensão e seu teor com alta precisão.
Por sua vez, a reserva mineral pode ser classificada em provável e provada. 
A reserva mineral provável é a parte economicamente viável de exploração do 
recurso mineral indicado. A reserva sempre é acompanhada por, pelo menos, 
um estudo preliminar de viabilidade. A reserva provada é a parte economica-
mente viável de exploração do recurso mineral medido, ou seja, é a reserva 
mineral com alta confiabilidade nos resultados de estudo de viabilidade, pois 
é obtida por dados geológicos detalhados do corpo mineralizado.
Além desses aspectos, os recursos e as reservas são afetados por fatores 
modificadores que impactam a viabilidade econômica da exploração. Essas 
modificações podem ser causadas por fatores de mineração, de processa-mento do bem mineral, legais, ambientais e governamentais. Dessa forma, em 
certas situações, os recursos minerais medidos poderiam acabar convertidos 
em reserva mineral provável. O nível de conhecimento geológico ou de con-
fiança não é modificando quando há essa conversão de reserva em recurso; 
o que está sendo avaliado é a viabilidade econômica do recurso mineral. 
Porém, um recurso indicado não possui confiabilidade suficiente para ser 
convertido diretamente em uma reserva comprovada (Figura 2). Já um recurso 
medido pode ser convertido em uma reserva provável ou provada, dependendo 
do teor e do valor econômico do mercado naquele momento.
Conceitos básicos de geologia econômica 5
Figura 2. Relação geral entre dados de exploração, recursos e reservas minerais.
Fonte: Adaptada de Cavalcanti Neto e Rocha (2010).
Prospectando um depósito mineral
A primeira etapa para iniciar uma prospecção é a observação de fatores que 
indiquem que há uma anomalia mineral na região de interesse. Segundo Ca-
valcanti Neto e Rocha (2010), os primeiros passos podem ser obtidos a partir 
de estudos prévios sobre a geologia local, aspectos estruturais, ocorrências 
de outras mineralizações próximas, estudo de mapas geológicos, etc. Pode-se 
obter informações a partir de estudos geofísicos e de sensoriamento remoto, 
de dados disponíveis de geoquímica, além de por meio de observações em 
campo, que definirão um alvo a ser explorado.
Atualmente, a utilização de dados disponibilizados por satélites é pratica-
mente obrigatória, pois eles ajudam a definir o alvo de forma mais objetiva. 
Vários sites fornecem esses dados de forma gratuita, tanto dados de geofísica, 
disponíveis, por exemplo, no site do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), 
quanto os de sensoriamento remoto, disponíveis em sites como o da Nasa 
(Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos). 
A vantagem da utilização desse tipo de técnica indireta é a definição de 
regiões especificas que apresentam a maior probabilidade da ocorrência 
do minério de interesse antes de ir a campo, reduzindo custos e tempo no 
momento da coleta de dados e na análise de campo. Por exemplo, a partir 
Conceitos básicos de geologia econômica6
da análise de uma imagem de satélite, é possível observar e prever o tipo de 
rocha ou sua estruturação apenas com a observação do padrão de drenagens 
da região (Figura 3).
Figura 3. Exemplos de padrões geológicos que podem ser identificados por meio de imagem 
de satélite e sua implicação geológica.
Fonte: Cavalcanti Neto e Rocha (2010, p. 118).
Após a identificação da anomalia mineral, deve-se iniciar a etapa de pes-
quisa que prevê o mapeamento geológico e a definição dos locais de ocorrência 
do minério. O local de ocorrência do minério é de suma importância, pois, 
a partir dele, será definido o tipo de mina a ser instalado: mina subterrânea 
ou à céu aberto (open-pit) (MOON; WHATELEY; EVANS, 2006). O primeiro tipo 
pode ser até três vezes mais custoso que o segundo tipo. Assim, deve-se 
avaliar qual tipo de mina será implantado para determinado tipo de minério, 
de forma a tornar o empreendimento economicamente viável.
Conceitos básicos de geologia econômica 7
A mineração é um dos investimentos econômicos que mais apresenta 
riscos no mercado financeiro. Por isso é tão importante diminuirmos 
esses riscos. O que podemos fazer, como técnicos, é garantir que o investimento 
seja o menor possível, reduzindo as perdas caso haja alguma. A determinação 
de alvos, assim, é muito importante, pois diminui o risco do investimento e dá 
subsídios para que ações mais objetivas e assertivas sejam tomadas quanto 
ao método de exploração e à previsão do que será gerado no investimento. Por 
outro lado, o valor das commodities no mercado é que definirá se determinado 
minério, naquele momento econômico, é viável de explotação. Se os preços 
estiverem em alta e com tendência de valorização, o empreendimento se torna 
de menor risco e é mais valorizado no mercado (CAVALCANTI NETO; ROCHA, 2010).
Assim, antes de iniciar um empreendimento, é necessário fazer o estudo 
de mercado para saber o quão valorizado está aquele produto no momento, 
definindo, assim, sua viabilidade econômica. Após a definição do alvo e o 
estudo do mercado, pode-se iniciar a fase de instalação da estrutura de uma 
mineração e, na sequência, sua explotação (MOON et al., 2006). Após essas 
etapas, o mineral passa pelo processo de beneficiamento, separando o que 
é de valor comercial da chamada ganga. O beneficiamento nada mais é do 
que é um conjunto de processos separados por etapas, no qual o minério é 
transformado em matéria-prima para a indústria, modificando sua granulo-
metria, aumentando seu teor sem que haja a modificação química ou física 
da substância mineral (LUZ; LINS, 2010).
Viabilidade econômica
Para a elaboração de um projeto, é necessária a utilização de técnicas adequa-
das para a avaliação econômica de viabilidade do empreendimento mineral. 
O empreendimento mineral se caracteriza pela limitação da vida útil da jazida. 
Assim, o projeto deve avaliar, durante a vida útil da jazida, se o investidor 
vai receber de volta todo o capital aplicado até seu fechamento (FERREIRA; 
ANDRADE, 2010). Deve-se lembrar, nesse sentido, de sempre incluir a recu-
peração da área degradada e a diminuição dos impactos socioambientais 
que a mineração venha trazer durante sua atividade. Porém, existem fatores 
externos à jazida que devem ser avaliados e que têm grande influência na 
produtividade da futura mineração: a localização, o desenvolvimento sus-
tentável, a taxação e a política nacional.
Conceitos básicos de geologia econômica8
Fatores geográficos podem definir se determinada jazida é economica-
mente viável ou não. Quando um empreendimento fica em um local muito 
isolado, será necessária a construção de rodovias de acesso, de hospitais, para 
que a equipe técnica contratada tenha atendimento médico quando necessário, 
de abastecimento elétrico e de água, de casas para que as pessoas possam ter 
onde morar, de escolas para os filhos dos funcionários, etc. Quando o local é 
muito longe, também há o custo do transporte do bem mineral até o mercado, 
custo que, quando muito elevado, pode inviabilizar a produção. Outro fator 
é que, para atrair a equipe técnica para um local isolado, a empresa terá que 
fornecer salários altos (MOON et al., 2006).
Outra questão importante é ter o cuidado para que o empreendimento seja 
autossustentável. As questões que envolvem os impactos ambientais e sociais 
são as que mais podem influenciar a instalação de uma mineração (MOON 
et al., 2006). Mundialmente, um projeto não deve apenas provar que é econo-
micamente viável, mas também apresentar uma política social e ambiental 
condizente com os termos internacionais. A valorização do empreendimento 
internacional pode trazer lucros e valorização para as ações de determinada 
empresa: por exemplo, quem adota certos critérios ambientais pode ter 
algumas barreiras econômicas quebradas, viabilizando o empreendimento.
Além disso, as taxações impostas pelo governo devem ser avaliadas para 
que não sejam economicamente inviáveis (MOON et al., 2006). A maioria dos 
governos apresenta incentivos para a realização desses empreendimentos, 
e, se a mineração ainda cumprir as metas ambientais e sociais, consegue-se 
diminuir essas taxações até mesmo no âmbito internacional, viabilizando toda 
a produção e trazendo mais lucro a longo prazo para a mineradora.
A prospecção é uma fase fundamental da mineração: é a partir dela você 
vai abrir caminhos para a viabilidade de um empreendimento mineral. Assim, 
a junção dos conhecimentos de prospecção com os conhecimentos a respeito 
dos valores do mercado é premissa para quem pretende trabalhar nesse setor. 
O técnico jamais deve se limitar aos conhecimentos adquiridos em cursos: 
deve haver estudo constante para que se mantenha sempre atualizado com 
a realidade do mercado.
Referências
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Leituras recomendadas
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