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1 DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA ............................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................. 2 CONCEITUANDO OS DIREITOS HUMANOS ................................................... 5 ........................................................................................................................... 5 DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ................................................... 10 CONCEITOS BÁSICOS ................................................................................... 14 Direito ........................................................................................................... 14 Fato Social .................................................................................................... 14 Direitos Humanos (Direitos Fundamentais) .................................................. 14 CARACTERÍSTICAS E SANÇÕES .................................................................. 16 Sanções ........................................................................................................ 17 Um segundo significado de "sanção" ........................................................ 17 Hierarquia da Lei .......................................................................................... 18 Pacto Social e Constituição .......................................................................... 18 Estado de Direito .......................................................................................... 19 DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA ............................................................. 19 Direito à Vida ................................................................................................ 19 Integridade física ....................................................................................... 20 Integridade moral, psíquica e espiritual ..................................................... 20 Direito de Ser Pessoa ............................................................................... 21 Direito à Liberdade Real............................................................................ 22 Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) ...................................... 26 A Assembleia Geral ...................................................................................... 27 História.......................................................................................................... 29 file:///U:/CURSOS%20DE%20EXTENSÃO/DIREITOS%20HUMANOS%20E%20%20SEGURANÇA%20PÚBLICA/DIREITOS%20HUMANOS%20E%20CIDADANIA/DIREITOS%20HUMANOS%20E%20CIDADANIA.docx%23_Toc145413520 4 Nacionalidade ............................................................................................... 29 No Brasil ....................................................................................................... 29 Os Direitos dos Povos ou os Direitos da Solidariedade (A Terceira Geração dos Direitos Humanos) ............................................................................................ 32 A PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS ...................... 33 DIREITO DE PROPRIEDADE .......................................................................... 34 O INCISO ...................................................................................................... 35 A RELEVÂNCIA DESSE DIREITO FUNDAMENTAL ................................... 36 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 37 5 CONCEITUANDO OS DIREITOS HUMANOS Os Direitos Humanos (DH) podem ser compreendidos como direitos do homem/cidadão, entretanto, com reação ao conceito, na obra A Era Dos Direitos (2004), Bobbio considera que a palavra “direito” presente na expressão “direito do homem” é um debate constante e bastante confuso. São muitas as definições, contudo, todas basicamente com o mesmo sentido, isto é, que são direitos do homem aqueles direitos que cabem ao ho- mem enquanto ser humano. Bobbio (2004) ainda ressalta que estes direitos não são fruto de uma con- cessão da sociedade política, todavia, são direitos que a sociedade política pre- cisa e deve aplicar e garantir. Nesse sentido, não sendo os DH uma concessão da sociedade política, eles são fruto de construções históricas marcadas por confrontos e contradições da realidade, após a ocorrência de injustiças e cons- tantes desigualdades o debate sobre a necessidade de exigir direitos a estes indivíduos que sofreram com essas e outras violências. Ademais, os DH, por mais fundamentais que possam ser, são construções históricas, isto é, nascem em diferentes conjunturas, caracterizadas por lutas em 6 defesa de novas liberdades contra antigos modos de poder, por isso, nascem de forma gradual e lenta. Para Garcia e Lazari (2014, p. 33), os DH “[...] são aqueles inerentes ao homem enquanto condição para sua dig- nidade que, usualmente são descritos em documentos internacional- mente para que seja mais seguramente garantidos”, Grosso modo, podem ser conceituados como a categoria jurídica institu- ída com a finalidade de proteger a dignidade humana em todas as suas dimen- sões. A doutrina constitucional reconhece três níveis de direitos considerados fundamentais, conceituados por primeira, segunda e terceira geração e, para al- guns pesquisadores, também há uma quarta geração, podendo ser considera- dos também como dimensões de direitos fundamentais. Dessa maneira, os direitos de primeira geração referem-se às liberdades individuais, ou seja, liberdades de expressão, de consciências, físicas, proprie- dade. Enquanto a segunda geração refere-se ao grupo ou sociedade de indiví- duos, dito de outra forma, seriam os direitos sociais (econômicos, culturais e so- ciais). A terceira geração de direitos refere-se aos direitos de solidariedade e fraternidade, ou seja, os direitos ao desenvolvimento ou progresso, ao meio am- biente saudável, à paz, à autodeterminação dos povos. Todavia, há também aqueles direitos introduzidos no âmbito jurídico pela globalização política, isto é, os direitos de quarta geração, que são aqueles di- reitos que se referem à democracia, informação e ao pluralismo, em outras pa- lavras, seriam os direitos do gênero humano. Nesse contexto, Bobbio (2004) estabelece que os direitos da primeira ge- ração são aqueles que correspondem aos direitos de liberdade, logo, não é o Estado que age; os direitos de segunda geração são denominadospelo autor como direitos sociais, o que corresponde ao agir (positivo) do Estado; os direitos de terceira geração constituem-se, ainda, como uma categoria vaga e heterogê- nea, referindo-se aos direitos do homem em âmbito internacional, como viver 7 uma vida digna, num ambiente sem poluição; nos direitos de quarta geração, o autor considera que estes referem-se as possibilidades de promover manipula- ções genéticas em cada indivíduo, referindo-se a configuração dos estudos que envolvem a bioengenharia, a biotecnologia, a bioética. Em suma, os direitos de “primeira geração” referem-se aos direitos civis e políticos, direitos que tratam das liberdades individuais básicas: à vida, à expres- são, participar da elaboração de leis de sua comunidade política (direta ou indi- retamente), formando uma sociedade aberta e um Estado de Direito; a “segunda geração” de direitos está relacionada aos direitos econômico-sociais ou simples- mente direitos sociais, tornam o Estado devedor de sua população, tendo como obrigação realizar ações para garantir um mínimo de igualdade e de bem-estar social; os direitos da “terceira geração”, referem-se aos direitos do homem no âmbito internacional, destarte, estão presentes na consciência coletiva da popu- lação que passa a exigir tais direitos do Estado com maior frequência. Referem-se aos direitos de ter um meio ambiente não poluído/contami- nado e viver em uma sociedade harmônica; os direitos da “quarta geração” são ligados ao pluralismo e à democracia, isto é, a possibilidade de ser diferente, direito à informação, à pluralidade (nos mais diversos modos), ao respeito das minorias e apátridas, em suma, podemos dizer que a “quarta geração” se refere aos direitos das gerações vindouras. Por isso, cabe à atual geração a responsabilidade e compromisso com o mundo, a fim de que este seja igual, ou melhor, do que aquele que recebemos das gerações passadas, isso implica na discussão e transversalidade de todas as outras gerações de direitos. Como observa Norberto Bobbio (2004), a DUDH é muito mais do que uma sugestão, ela a busca por um valor ético, um programa que age em conjunto com/para toda a humanidade. A declaração é uma prova histórica do consenso mundial sobre um sistema de valores. Por isso que, quando olhamos para a declaração temos o sentimento que há muitos direitos deixados de lado/fora, todavia, é preciso também compreen- der que os que estão presentes ainda não se efetivaram por completo em todas 8 as sociedades e a conquista destes não ocorreu sem um longo processo de lu- tas. Assim, diante da contextualização conceitual dos DH, torna-se imprescin- dível pensar a educação nesta empreitada, uma vez que na Declaração Univer- sal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948, o direito à educação encontra-se destinado para “[...] o pleno desenvolvimento da personalidade humana e do for- talecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais” (Art. 26). Desse modo, uma Educação em e para os DH já consta como preocu- pação na DUDH, trazendo, inclusive, importantes considerações aos docentes: [...] Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos huma- nos resultam em atos bárbaros que ultrajam a consciência da humani- dade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum [...], uma compreensão comum desses direitos e liber- dades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMA- NOS, 1948). No momento em que a sociedade perde a capacidade de ação na busca pela solidariedade e dignidade humana, e passa a justificar o uso extremo do arbítrio e da força, a coletividade perde sua autonomia política, sua capacidade de estar-entre-homens, de sentir, pensar e agir (ARENDT, 2009). Não obstante, as experiências totalitárias do século passado nos mostram como se multiplicaram as constantes práticas genocidas e os massacres em massa, justamente em um momento em que a humanidade se preocupou em criar e efetivar mecanismos de proteção internacional para defender a dignidade humana, as liberdades e direitos dos povos. Portanto, uma Educação em e para os DH torna-se fundamental, pois, em nome de burocracias, regras, compromissos e visões “egocêntricas”, esta- mos dispostos a aceitar atrocidades, o perigo à recaída da barbárie ainda é emi- nente: 9 “Qualquer debate sobre os ideais da educação é vão e indiferente em comparação com este: que Auschwitz não se repita.” (ADORNO, 1995, p. 104), grosso modo, “a exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação” (ADORNO, 2006, p. 119). 10 MAPA MENTAL, 2020 DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 11 Todos Nascemos Livres e Iguais. Nascemos todos livres. Todos temos os nossos pensamentos e ideias. Deveríamos ser todos tratados da mesma maneira. Não Discrimine. Estes direitos são de todos, independentemente das nossas diferenças. O Direito à Vida. Todos temos o direito à vida, e a viver em liberdade e segurança. Nenhuma Escravatura. Ninguém tem o direito de nos escravizar. Não podemos fazer de ninguém nosso escravo. Nenhuma Tortura. Ninguém tem o direito de nos magoar ou de nos tor- turar. Você Tem Direitos Onde Quer que Vá. Eu sou uma pessoa igual a si! Somos Todos Iguais Perante a Lei. A lei é igual para todos. Deve tratar- nos com justiça. Os Direitos Humanos são Protegidos por Lei. Todos podemos pedir ajuda da lei quando formos tratados com injustiça. Nenhuma Detenção Injusta. Ninguém tem o direito de nos prender sem uma razão válida, de nos manter lá, ou de nos mandar embora do nosso país. O Direito a Julgamento. Se formos julgados, o julgamento deve ser pú- blico. A pessoa que nos julga não deve ser influenciada por outras pes- soas. Estamos Sempre Inocentes até Prova em Contrário. Ninguém deveria ser acusado por fazer algo até que esteja provado. Quando as pessoas dizem que fizemos uma coisa errada temos o direito de provar que não é verdade. O Direito à Privacidade. Ninguém deveria tentar ferir o nosso bom nome. Ninguém tem o direito de entrar na nossa casa, abrir as nossas cartas ou incomodar-nos ou à nossa família sem uma boa razão. Liberdade para Locomover Todos temos o direito de ir aonde quisermos dentro do nosso próprio país e de viajar para onde quisermos. O Direito de Procurar um Lugar Seguro para Viver. Se tivermos medo de ser maltratados no nosso país, temos o direito de fugir para outro país para estarmos seguros. 12 Direito a uma Nacionalidade. Todos temos o direito de pertencer a um país. Casamento e Família. Todos os adultos têm o direito a casar e a terem uma família se quiserem. Os homens e as mulheres têm os mesmos direitos quando estão casados ou separados. O Direito às Suas Próprias Coisas. Todos temos o direito a termos as nossas próprias coisas ou de as partilhar. Ninguém nos deveria tirar as nossas coisas sem uma boa razão. Liberdade de Pensamento. Todos temos o direito de acreditar naquilo que queremos, a ter uma religião ou a mudar de religião se quisermos. Liberdade de Expressão. Todos temos o direito de decidir por nós mes- mos, de pensarmos o que quisermos, de dizer o que pensamos, e de partilhar as nossas ideias com outras pessoas. O Direito de se Reunir Publicamente. Todos temos o direito de nos reunir com os nossos amigos e trabalhar em conjunto em paz para defender os nossos direitos. Ninguém nos pode forçar a juntar-mo-nos a um grupo se não o quisermos fazer. O Direito à Democracia. Todos temos o direito de participar no governo do nosso país. Todos os adultosdevem ter o direito de escolher os seus próprios líderes. Segurança Social. Todos temos o direito a uma casa, medicamentos, educação, a dinheiro suficiente para viver e a assistência médica se es- tivermos velhos ou doentes. Direitos do Trabalhador. Todos os adultos têm o direito a um emprego, a um salário justo pelo seu trabalho e a inscrever-se num sindicato. O Direito à Diversão. Todos temos o direito a descansar do trabalho e a relaxar. Comida e Abrigo para Todos. Todos temos o direito a ter uma boa vida. As mães, as crianças, os idosos, os desempregados ou os deficientes e todas as pessoas têm o direito a receber cuidados. O Direito à Educação. A educação é um direito. A escola primária deve- ria ser gratuita. Devemos aprender coisas sobre as Nações Unidas e a conviver com os outros. Os nossos pais podem escolher o que devemos aprender. 13 Direitos de Autor. Os direitos de autor é uma lei especial que protege as criações artísticas e a escrita; os outros não podem fazer cópias sem autorização. Todos temos o direito à nossa forma de vida e a gozar as coisas boas que a arte, a ciência e o conhecimento trazem. Um Mundo Justo e Livre. Deve existir ordem para que todos possamos gozar os direitos e as liberdades no nosso país e em todo o mundo. Responsabilidade. Temos o dever para com as outras pessoas e deve- mos proteger os seus direitos e liberdades. Ninguém Pode Tirar-lhe os seus Direitos Humanos. 14 CONCEITOS BÁSICOS Direito A palavra "Direito" deriva do latim directum e significa direção sem desvio. Adota-se o termo em três sentidos: Regra de conduta obrigatória (Direito Objetivo); Sistema de conhecimentos jurídicos (Ciência Jurídica); Faculdade ou poderes que tem ou pode ter uma pessoa de exigir de outra (Direito Subjetivo). Fato Social É um fato social na medida em que se registra o relacionamento social. A vida em sociedade é impensável sem um conjunto de normas que discipline o uso dos bens da vida (propriedade, liberdade etc.), impondo sanções pela inob- servância dos padrões de conduta estabelecidos. Direitos Humanos (Direitos Fundamentais) Conjunto de regras para salvaguardar as necessidades essenciais da pessoa humana e os benefícios que a vida em sociedade proporciona, a fim de que a pessoa, ao mesmo tempo em que se torne útil à mesma sociedade, viva em harmonia e goze de paz. É justamente a lei, à qual se submetem o Estado e a sociedade, que vem coordenar o exercício dos direitos fundamentais. O artigo 4° da Declaração de 1789 exprime, em sua segunda parte: "O exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão os que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Esses limites não podem ser determina- dos senão por lei". Tais leis decorrem, geralmente, de uma carta de princípios, intitulada De- claração de Direitos, que precedem as constituições. Isso aconteceu na América do Norte e na França. Neste país, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão apareceu em 1789, e, a Constituição, somente em 1791. Em nossa 15 Constituição de 1988, os Direitos Fundamentais dizem respeito aos Direitos In- dividuais e Coletivos (art. 5°: direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade), aos Direitos Sociais (art. 6° ao art. 11º – direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção, à maternidade e à infância, e à assistência aos desamparados), e aos Direitos Po- líticos (art. 14º ao 16º). Esses três conjuntos de direitos, que compõem os direitos do cidadão, não podem estar desvinculados entre si, pois sua efetiva realização depende da relação recíproca e, Material auxiliar de estudo para a prova de múltipla escolha do curso GAAP – “Grupo de Apoio às Ações Penitenciárias” – 2010 sobretudo, de forças econômicas e políticas, que, a propósito, deverão estar a serviço da cidadania e não do capital. O núcleo do conceito de direitos humanos se encontra no reconhecimento da dignidade da pessoa humana, este princípio da igualdade está estabelecido no art. 5° da Constituição Federal. Essa dignidade, expressa num sistema de valores, exerce uma função orientadora sobre a ordem jurídica porquanto esta- belece "o bom e o justo" para o homem. A expressão "direitos humanos" é uma forma abreviada de mencionar os direitos fundamentais da pessoa humana. Es- ses direitos são considerados fundamentais porque sem eles a pessoa humana não consegue existir ou não é capaz de se desenvolver e de participar plena- mente da vida. Todos os seres humanos devem ter assegurado, desde o nascimento, as mínimas condições necessárias para se tornarem úteis à humanidade, como também devem ter a possibilidade de receber os benefícios que a vida em soci- edade pode proporcionar, para viver em harmonia e gozar de paz. Esse conjunto de condições e de possibilidades associa as características naturais dos seres humanos à sua capacidade natural (como um dever) de atuar como cidadão na organização social, e dela usufruir seus direitos. É a esse con- junto que se dá o nome de direitos humanos. 16 CARACTERÍSTICAS E SANÇÕES Imprescritibilidade: os direitos humanos fundamentais não se perdem por decurso de prazo. São permanentes. Inalienabilidade: não são transferidos de uma pessoa para outra, quer gratuitamente quer mediante pagamento. Irrenunciabilidade: não são renunciáveis. Não se pode exigir de nin- guém que renuncie à vida (não se pode pedir a um doente terminal que aceite a eutanásia, por exemplo) ou à liberdade (não se pode pedir a alguém que vá para a prisão no lugar de outro). Inviolabilidade: nenhuma lei infraconstitucional nem tampouco autori- dade alguma pode desrespeitar os direitos fundamentais de outrem, sob pena de responsabilização civil, administrativa e criminal. 17 Interdependência: as várias previsões constitucionais e infraconstitucio- nais não podem se chocar com os direitos fundamentais. Antes, devem estar relacionados e harmonizados para atingirem suas finalidades. Universalidade: os direitos fundamentais aplicam-se a todos os indiví- duos, independentemente de nacionalidade, sexo, raça, credo ou convicção po- lítico filosófica. Efetividade: o Poder Público deve atuar de modo a garantir a efetivação dos direitos e garantias fundamentais, usando inclusive mecanismos coercitivos quando necessário, porque esses direitos não se satisfazem com o simples re- conhecimento abstrato. Complementaridade: os direitos humanos fundamentais não devem ser interpretados isoladamente, mas sim de forma conjunta para sua plena realiza- ção. Sanções As sanções visam alcançar a ordem e a estabilidade sociais, variando da simples desaprovação coletiva à privação da própria vida (pena de morte). Tais regras dividem-se em dois grandes grupos: as normas meramente sociais e as normas jurídicas. As primeiras decorrem do costume e não se encontram legisladas. As se- gundas, por sua vez, são Material auxiliar de estudo para a prova de múltipla escolha do curso GAAP – “Grupo de Apoio às Ações Penitenciárias” – 2010 re- conhecidas pelo Poder Público, que estabelece órgãos próprios para observar seu cumprimento (p. ex: a polícia e os tribunais). Um segundo significado de "sanção" “Parte da lei em que se indicam as penas contra os transgressores", está diretamente relacionada à lei. LEI é toda norma obrigatória que serve para disci- plinar as relações dos homens numa sociedade. 18 As leis são tão importantes que sem elas não existe sociedade organi- zada. A esse conjunto de "normas obrigatórias", assim como à ciência que as estuda, dá-se o nome de Direito, na sua primeira de três acepções (ver 1.1). E tudo isso existe em função da paz na sociedade. Aliás, se cada pessoa fizessetudo o que lhe apraz, sem respeitar o direito dos outros, não haveria paz na sociedade. Hierarquia da Lei São Tomás de Aquino (séc. XIII), na Suma Teológica, aborda, de forma refinada, sobre os direitos fundamentais do homem, relacionando-os com o con- ceito de lei, a qual, segundo ele, tem a seguinte hierarquia: Lei eterna (só o próprio Deus a conhece na plenitude); Lei natural (gravada na natureza humana, a qual o homem conhece pelo uso da razão); Lei humana (a lei positiva, legislada). Pacto Social e Constituição O pacto social, para estabelecer a vida em sociedade de seres humanos livres, dotados de faculdades, prerrogativas, interesses e necessidades protegi- das – dotados de direitos, enfim – impõe a definição de limites que os membros da sociedade aceitam para esses direitos, sob pena de se estabelecer o conflito, a balbúrdia. Com a Revolução Francesa tem-se a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), que estabelece em seu art. 16º: "A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos fundamentais nem estabele- cida a separação dos poderes não tem Constituição". A divisão do exercício do poder seguiu fórmula preconizada por Montesquieu (em "O Espírito das Leis"), e consistia no estabelecimento de um sistema de freios e contrapesos (Consti- tuição Brasileira, 1988, art. 2° – "São Poderes da União, independentes e har- mônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário"). 19 Estado de Direito A submissão do Estado às regras do direito objetivo é construção do final do século VIII, decorrente dos movimentos sociais registrados na França e na América do Norte. É a consagração do poder do direito (lei) em substituição ao poder despótico, concretizando antiga lição de Aristóteles (séc. 4 a.C.), segundo a qual o governo das leis é melhor do que o governo dos homens, porque aque- las não têm paixões. DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA Direito à Vida A vida é necessária para que uma pessoa exista. Tudo que uma pessoa tem perde o valor e deixa de ter sentido quando ela perde a vida. Nenhum ho- mem conseguiu inventar ou criar a vida. Os cientistas podem até juntar num tubo de ensaio elementos que geram a vida, mas não conseguem criar esses elementos. A vida não é dada pelos homens, pela sociedade ou pelo governo; e quem não é capaz de dar a vida não deve ter o direito de tirá-la. Quando uma pessoa mata a outra por ódio, por vingança ou para obter algum proveito, ou ainda para esconder alguma opinião, vaidade ou desejo, está cometendo um ato imoral, está ofendendo o bem maior, a vida, a que nenhum outro se iguala. O Código Penal, que enfatiza a tutela à vida intrauterina, ao punir o aborto, (art. 128 e incisos) admite, em caráter de excepcionalidade, duas hipóteses de aborto: legítima defesa e estado de necessidade. Na eutanásia, que é a elimina- ção da vida de alguém que se encontra em estado de agonia, o autor responde pelo crime de homicídio piedoso, com uma punição menor, devido à benevolên- cia da sua conduta para com o agonizante. 20 O homicídio não resolve problemas individuais ou sociais. Ao contrário, é fonte de problemas. Retira-se o criminoso do meio da sociedade para ensiná-lo a respeitar os valores humanos e sociais. A Constituição adota o princípio da inviolabilidade, em face da dignidade e do direito à vida, resguardando o cidadão em sua: Integridade física A pena de morte é imoral. Primeiro, porque, ao aplicá-la contra alguém que não respeitou os direitos, o Estado também está desrespeitando um direito fundamental, que é o direito à vida. Segundo, porque, para sua aplicação, o po- der público deve contratar alguém para matar, ou seja, para uma pessoa, usando dinheiro público, para cometer um assassinato legal. No século XIX havia pena de morte no Brasil. Ela passou a ser proibida depois de um caso escandaloso de erro judiciário. Após a execução de um homem acusado de um crime violento, apareceu o verdadeiro criminoso, que confessou o crime. A guerra é outra forma imoral de atentado contra a vida humana. Na sua origem estão interesses econômicos – venda de armamento, por exemplo – am- bição de mando, estratégia de domínio ou vaidade de impor sua vontade, seus valores, seu sistema político e econômico. Outra prática imoral é o genocídio: a matança de grupos populacionais com características diferenciadas, por meios diretos ou indiretos, como, por exemplo, os índios brasileiros. Eram mais de cinco milhões quando os portugue- ses chegaram; hoje, um pouco mais de trezentos mil. São mortos por armas de fogo, ou morrem por doença, pela poluição dos rios (mercúrio atirado por mine- radores), escassez de pesca, caça, frutos e terra para plantio. Integridade moral, psíquica e espiritual Necessidade de amor, compreensão, diálogo, de beleza, de liberdade, de gozar do respeito dos semelhantes, de ter suas crenças, de sonhar, de ter espe- rança. A vida só tem sentido na liberdade, igualdade, fraternidade e solidarie- 21 dade. Só assim a dignidade será respeitada e se poderá conseguir paz e felici- dade. Ser feliz: razão última da existência. Imoral, também, é a situação de po- breza em que são obrigadas a viver milhões de pessoas, num atentado flagrante contra a vida. Pessoas que morrem um pouco por dia, por falta de alimentos, de assistência médica e de condições mínimas para a conservação da vida. O mesmo acontece com muitos trabalhadores: ambientes insalubres, sem proteção contra odores e pó (pintores, marceneiros, dedetizadores etc.), sem falar nos salários indignos, sem correção, que não dão condições de conforto no lar nem tampouco de lazer. A engenharia genética é um tema atual relacionado com direitos humanos. Testes biológicos com seres humanos têm suscitado discussões sobre os aspectos éticos. Recentemente se noticiou que determinado cientista norte-ame- ricano desenvolveu método que lhe permite realizar o transplante de cabeças humanas para outros corpos. Noticiou-se, também, que o mesmo cientista já havia realizado, com sucesso, a experiência com animais. Alguns princípios ge- rais de proteção do ser humano devem ser analisados, tais como, sua dignidade, a inviolabilidade e a não patrimonialidade do seu corpo etc. (Parágrafo extraído da apostila Direitos Humanos, Arlindo Mares Oliveira Filho, APC/DF e SEPE/UnB, 1999). Direito de Ser Pessoa “Pessoa é um feixe de relações” (Mounier). Para que um indivíduo tenha direitos e venha a exercê-los é preciso que sua dignidade seja respeitada. Nin- guém deve ser escravo ou escravizar; humilhado ou humilhar; violentado ou vi- olentar. Não se pode admitir que um policial pratique violência física contra um preso, que não tem como se defender. As violências praticadas pelas polícias são contraditórias, pois as polícias existem para proteger as pessoas e fazer respeitar o Direito. Toda punição deve estar prevista em lei. A violência no mundo é contra- ditória e denota falta de consciência, por parte de quem a prática, de que somos oriundos de um único e mesmo Espírito, criador da vida. 22 O sofrimento psíquico ou moral imposto a uma pessoa é igualmente grave em face de sua violência, sobretudo quando imposto a crianças. Ela é frágil e menos capaz de se proteger, tanto por sua fraqueza física, pelo seu insuficiente desenvolvimento psíquico e por não ter pleno conhecimento dos costumes dos adultos. O abuso de autoridade, a atitude arrogante de quem manda, a imposição de humilhação aos subordinados, tudo isso caracteriza agressão psicológica ou moral e, portanto, desrespeito ao direito de ser pessoa. A Constituição brasileira estabelece que todos devem ser considerados inocentes enquanto não sofrerem uma condenação judicial definitiva pela prática de um crime. Esse princípio é chamado de “Presunção de inocência”. Adiscriminação social é outra forma de ofensa ao direito de ser pessoa, pois trata alguém como inferior por causa de sua raça, sua cor, suas crenças, ideias ou sua condição social. Não existe respeito à pessoa humana se não for respeitada, em toda e qualquer situação, sua integridade física, psíquica e moral. Direito à Liberdade Real Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todas as pessoas nascem livres, significa que a liberdade faz parte da natureza humana. Sem liberdade a pessoa humana não está completa. Montesquieu, no seu livro “O Espírito das Leis”, diz que num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, “a liberdade consiste no direito de se fazer tudo que as leis permitem”. Liberdade, como outro direito, deve ser exercitada de forma livre, até que não venha a invadir, privar, obstaculizar direito de outrem quando então deverá sofrer limitações ou punições. Quando uma pessoa escolhe algo contra sua von- tade, por medo dos poderosos, ou porque sua pobreza a obriga a fazer o que outros querem, ou, ainda, porque o “chefe político” lhe retribuirá algum favor, não há verdadeira escolha e não existe liberdade. 23 O Estado Democrático de Direito é um berço para o desenvolvimento das liberdades públicas. É na democracia que o homem encontra os meios neces- sários para desenvolver suas liberdades e buscar, incansavelmente, sua satis- fação pessoal. É por isso que José Afonso da Silva afirma com razão que “Quanto mais o processo de democratização avança, mais o homem se vai li- bertando dos obstáculos que o constrangem, e mais liberdade conquista”. (Ex- traído do “Curso de Direito Constitucional”, José Afonso Silva. São Paulo, Ma- lheiros, 1992). Adotando a classificação proposta pela doutrina em geral, vamos dividir as formas de liberdade em quatro grandes grupos: Liberdade da pessoa física Liberdade de locomoção e de circulação – que se opõe à escravidão e à prisão. É o direito de ir e vir livremente, desde que não seja em tempo de guerra. Liberdade de pensamento Exteriorização de pensamento em suas variadas formas, ou seja, de opi- nião, religião, informação, artística etc. É através da livre opinião que o cidadão forma sua consciência e tem convicção a respeito de diversos temas; adere ou não a crenças religiosas e tem convicções políticas e filosóficas. É, também, através da livre formação de opinião que o Estado garante os demais direitos correlatos, dentre eles a liberdade de comunicação (difusão dos pensamentos), de religião (onde são garantidas as liberdades espirituais) e de expressão intelectual, artística ou científica. Liberdade de expressão coletiva Direito de reunião e associação. O Estado garante que reuniões e asso- ciações sejam livres, porém lícitas. Não favoreceu o desenvolvimento dos direi- tos coletivos – aqueles de Terceira Geração podem, consequentemente, ter ca- ráter paramilitar, sob pena de pôr em risco a existência e soberania do Estado. As reuniões livres, quando feitas em locais públicos, devem ser comunicadas às autoridades competentes, para que não prejudiquem outros direitos igualmente existentes (ex.: locomoção ou mesmo outra reunião igualmente marcada). 24 Liberdade de ação profissional Não pode o Estado querer impor às pessoas as atividades que querem exercer. Este é um direito individual, e não um direito social. Direito à Educação A educação é um processo de aprendizagem, aperfeiçoamento e desen- volvimento individual da pessoa, pela utilização mais conveniente da inteligência e da memória, e pela associação da razão com os sentimentos, propiciando o seu aperfeiçoamento global – biofísico, psicoemocional e mental-racional-espiri- tual. A educação de cada um interessa a todos, começando nos seus primeiros instantes de vida, pois é ali que se começa a observar o meio em que se está vivendo e a ter possibilidade de se tomar decisões. Naquele momento a pessoa inicia seu processo de integração na vida social. Daí por diante, cada fato e cada situação exercerão influência sobre a definição de sua personalidade. A pessoa adulta será, em grande parte, o resul- tado da educação recebida desde os primeiros instantes de vida. A personali- dade é a síntese dos fatores originários (hereditários) e dos fatores adquiridos (sociais ou educacionais). O nível e o padrão de convivência de um povo definem sua cultura (cultura entendida como tudo aquilo que um povo é, faz e tem: Teoria do Ser-Fazer-Ter). Não é fácil mudar futuramente os padrões adquiridos na infância, pois essa fase, bem como a uterina, deixa muitas marcas. A escola devia ser somente um complemento da família. O direito à edu- cação inclui família e escola, mas o mundo moderno carece de convivência no lar. Educar bem é estimular o uso da inteligência e da crítica. É reconhecer em cada criança uma pessoa humana essencialmente livre e capaz de raciocinar sobre as conquistas anteriores da inteligência humana e sobre a melhor forma de utilização dessas informações para a busca de novos conhecimentos. O Es- tado é responsável pela educação, especialmente pela educação de base, e deve manter um sistema de ensino de alta qualidade 25 . A escola privada, por sua vez, deve submeter-se à fiscalização perma- nente das normas e diretrizes do Estado. No Brasil, é a própria Constituição que estabelece o mínimo de recursos que, em cada ano, a União, os Estados, o Dis- trito Federal e os Municípios devem destinar à manutenção e ao desenvolvi- mento do ensino. Outra exigência fundamental: que todos, sem qualquer exceção, tenham igual oportunidade de educação. Na realidade não está assegurado esse direito quando os pais não podem pagar as taxas da escola, comprar livros e material escolar, ou, ainda, quando a pobreza obriga as crianças a procurar trabalho mais cedo, não lhes deixando tempo e disposição para a escola. Adolescentes e adul- tos também têm direito à educação. O sistema escolar deve estar ao alcance deles e possibilitar a conciliação com outras atividades – trabalho, responsabilidades de família e procura de aperfeiçoamento através de cursos e outros meios de aprendizagem. A educa- ção deve ser prioridade de todos os governos, pois através dela as pessoas se aperfeiçoam e obtêm elementos para serem mais úteis à coletividade. Direito à Saúde Para que se diga que uma pessoa tem saúde é preciso que ela goze de completo bem-estar físico, mental e social (Organização Mundial de Saúde – OMS). Não é suficiente não ter doenças. Assim, as pessoas convivem em clima de dignidade, igualdade e respeito. Além das condições salutares de qualquer ambiente, quer seja escola, trabalho, moradia – condições de aeração (ar puro), ventilação, iluminação, tem- peratura (calor, frio, umidade, ruído e insolação) –, o direito à saúde inclui a pos- sibilidade de boa alimentação, para que a pessoa tenha energia suficiente para desenvolver suas atividades. No Brasil há milhões de pessoas que, por sua po- breza, só conseguem alimentos em pequena quantidade ou de muita má quali- dade. E quanto aos médicos, remédios e hospitais? O ideal seria que as pessoas não chegassem a ficar doentes ou tivessem um mínimo de doenças e mal-estar. Muitas vezes uma pessoa tem boa situação 26 econômica, mas adota um método de vida prejudicial à saúde, alimentando-se mal, fazendo esforços exagerados ou não repousando o suficiente. O governo deve trabalhar, permanentemente, procurando evitar doenças e garantindo boas condições de vida para todos. A deficiência crônica dos servi- ços públicos de prestação de cuidados de saúde no Brasil, de graves repercus- sões sociais, vem sendo usada como justificativa para a privatização dos servi- ços de saúde. A própria Constituição brasileira, declara a saúde "um direito de todos e dever do Estado". Declaração Universal dos Direitos do Homem(1948) Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o funda- mento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi procla- 27 mado como a mais alta aspiração do homem comum; Considerando ser essen- cial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão; Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; Considerando que os povos das Nações Unidas re- afirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mu- lheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla; Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos huma- nos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades; Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso: A Assembleia Geral Proclama a presente DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HU- MANOS como ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforcem, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconheci- mento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. 28 Cidadania é a prática dos direitos e deveres de um(a) indivíduo (pessoa) em um Estado. Os direitos e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação de outro cidadão. Conjunto de direitos, meios, recursos e práticas que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Segundo o sociólogo britânico T.H.Marshall (1893-1981), a cidadania mo- derna é um conjunto de direitos e obrigações que compreendem três grupos de direitos. Os direitos civis característicos do século XVIII; os direitos políticos, consagrados no século XIX e os direitos sociais do século XX. Essa teoria de Marshall é particularmente aplicável nos processos de de- mocratização do estado liberal em que um desses grupos de direitos tiveram sua predominância https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_subjetivo https://pt.wikipedia.org/wiki/Dever https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos https://pt.wikipedia.org/wiki/Deveres https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Humphrey_Marshall https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_civis https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XVIII https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_pol%C3%ADticos https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_sociais https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XX https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_liberal 29 História O conceito de cidadania tem origem na Grécia antiga, sendo usado então para designar os direitos relativos ao cidadão, ou seja, o indivíduo que vivia na cidade e ali participava ativamente dos negócios e das decisões políticas. Cida- dania pressupunha, portanto, todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade. Ao longo da história, o conceito de cidadania foi ampliado, passando a englobar um conjunto de valores sociais que determinam o conjunto de deveres e direitos de um cidadão. Nacionalidade A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado é condição primordial para o exercício dos direitos políticos. Entretanto, se todo cidadão é nacional de um Estado, nem todo nacional é cidadão - os indivíduos que não estejam investidos de direitos políticos podem ser nacionais de um Es- tado sem serem cidadãos. No Brasil Os direitos políticos são regulados no Brasil pela Constituição Federal em seu artigo 14, que estabelece como princípio da participação na vida política na- cional o sufrágio universal. Nos tempos da norma constitucional, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos, e facultativos para os analfabetos, os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos e os maiores de setenta anos. A Constituição proíbe a eleição de estrangeiros e brasileiros conscritos no serviço militar obrigatório, considera a nacionalidade brasileira como condi- ção de elegibilidade e remete, à legislação infraconstitucional, a regulamentação de outros casos de inelegibilidade (lei complementar n. 64, de 18 de maio de 1990). https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia_antiga https://pt.wikipedia.org/wiki/Valor_(%C3%A9tica) https://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_pol%C3%ADticos https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_brasileira_de_1988 https://pt.wikipedia.org/wiki/Sufr%C3%A1gio_universal https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrangeiro https://pt.wikipedia.org/wiki/Servi%C3%A7o_militar https://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalidade_brasileira 30 O exercício pleno dos direitos civis, políticos e sociais em uma sociedade que combine liberdade completa e participação numa sociedade ideal é, para José Murilo de Carvalho, a definição de cidadania. Esta cidadania naturalizada é a liberdade dos modernos, como estabe- lece o artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada na As- sembleia Geral das Nações Unidas, em 1948: "toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal". A origem desta carta remonta das revoluções burguesas no final do século XVIII, sobretudo na França e nas colônias inglesas na América do Norte; o termo "cidadão" designa, nesta circunstância e contexto, o habitante da cidade "no cumprimento de seus simples deveres, em oposição a parasitas ou a pretensos parasitas sociais". A etimologia da palavra cidadania vem do latim civitas, cidade, tal como cidadão (ciudadano ou vecino no espanhol, ciutadan em provençal, cit yen em francês). Neste sentido, a palavra-raiz, cidade, diz muito sobre o verbete. O habitante da cidade no cumprimento dos seus deveres é um sujeito da ação, em contraposição ao sujeito de contemplação, omisso e absorvido por si e para si mesmo, ou seja, não basta estar na cidade, mas agir na cidade. A cidadania, neste contexto, refere-se à qualidade de cidadão, indivíduo de ação estabelecido na cidade moderna. No Brasil, nos léxicos da língua portuguesa que circularam no início do século XIX, observa-se bem a distinção entre os termos cidadão (em portu- guês arcaico, cidadam) e o fidalgo, prevalecendo o segundo para designar aquele indivíduo detentor dos privilégios da cidade na sociedade de corte. Neste contexto, o fidalgo é o detentor dos deveres e obrigações na cidade portuguesa; o cidadão é uma maneira genérica de designar a origem e o trânsito dos vassalos do rei nos territórios do vasto império português. Com a reconfiguração do Estado a partir de 1822, vários conceitos políti- cos passaram por um processo de ressignificação; cidadão e cidadania entram https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Murilo_de_Carvalhohttps://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Universal_dos_Direitos_Humanos https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Geral_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Geral_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas https://pt.wikipedia.org/wiki/1948 https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XVIII https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica_do_Norte https://pt.wikipedia.org/wiki/Parasita https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_latina https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_castelhana https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_proven%C3%A7al https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_francesa https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9xico https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX https://pt.wiktionary.org/wiki/privil%C3%A9gio https://pt.wikipedia.org/wiki/Vassalo https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_portugu%C3%AAs 31 no vocabulário dos discursos políticos, assim como os termos "Brasil", "brasilei- ros", em oposição a "brasílicos". Por exemplo: povo, povos, nação, história, opi- nião pública, América, americanos, entre outros. A partir disso, o termo "cidadania" pode ser compreendido racionalmente pelas lutas, conquistas e derrotas do cidadão brasileiro ao longo da história na- cional, a começar da história republicana, na medida em que esta ideia moderna, a relação indivíduo-cidade (ou indivíduo-Estado) "expressa um conjunto de direi- tos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do go- verno de seu povo (...)". Em outros termos, fundamenta-se na concessão pelo Estado das garan- tias individuais de vida, liberdade e segurança. O significado moderno da palavra é, portanto, incompatível com o regime monárquico, escravista e centralizador, anterior à independência política do Bra- sil. No entanto, este divisor monarquia-república não significa, no Brasil, uma nova ordem onde a cidadania tem um papel na construção de sociedade justa e igualitária. Este aspecto é bem pronunciado na cidadania brasileira: estas garan- tias individuais jamais foram concedidas, conquistadas e/ou exercidas plena e simultaneamente em circunstâncias democráticas, de estado de direito político ou de bem-estar social. O longo caminho inferido por José Murilo de Carvalho refere-se a isto: uma cidadania no papel e outra cidadania cotidiana. É o caso da cidadania dos brasileiros negros: a recente Lei nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989 é um prolon- gamento da luta pela cidadania dos "homens de cor", cujo marco histórico formal é a Lei Áurea de 1888; ou seja, foi necessário um século para garantir, através de uma lei, a cidadania civil de metade da população brasileira, se os números do último censo demográfico estão corretos; portanto, há uma cidadania no pa- pel e outra cidadania cotidiana, conquistada no dia a dia, no exercício da vida prática; tanto é que, ainda hoje, discute-se, nas altas esferas da jurisprudên- cia brasileira, se o cidadão negro é ou não é injustiçado pela história da nação. O mesmo se pode dizer da cidadania da mulher brasileira: a Lei 11 340, de 7 de Agosto de 2006, a chamada "Lei Maria da Penha", criou mecanismos https://pt.wikipedia.org/wiki/Vida https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade https://pt.wikipedia.org/wiki/Seguran%C3%A7a https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_no_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Centraliza%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Negros https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_%C3%81urea https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurisprud%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurisprud%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Negros https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Maria_da_Penha 32 "para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher". Ou seja, garantir sua liberdade civil, seu direito de ir e vir sem ser agredida ou maltratada. No caso da mulher, em geral, a lei chega com atraso, como forma de compen- sação, como retificação de várias injustiças históricas com o gênero; o direito de votar, por exemplo, conquistado através de um "código eleitoral provisório" em 1932, ratificado em 1946. A lei do divórcio obtida em 1977, ratificada recente- mente pela chamada Nova Lei do Divórcio, ampliando a conquista da liberdade civil de outra metade da população brasileira. Neste contexto, a lei torna-se o último recurso da cidadania, aquela cida- dania desejada e praticada no cotidiano por deficientes físicos, deficientes men- tais, homossexuais, crianças, adolescentes, idosos, aposentados etc.[22] Um caso prático para ilustrar esta realidade cotidiana é a superlotação dos presí- dios e casas de custódia; a rigor, os direitos humanos contemplam, também, os infratores, uma vez que "toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segu- rança pessoal". Embora existam leis que visam a reparar injustiças, existe também uma longa história de lutas cotidianas para conquistar estes direitos: o direito à liber- dade de expressão, o direito de organizar e participar de associações comunitá- rias, sindicatos trabalhistas e partidos políticos, direito a um salário justo, a uma renda mínima e a condições para sobreviver, o direito a um pedaço de terra para plantar e colher, o direito de votar e ser votado talvez o mais elementar da democracia moderna, negado à sociedade na já longa história da cidadania bra- sileira. Os Direitos dos Povos ou os Direitos da Solidarie- dade (A Terceira Geração dos Direitos Humanos) Depois da Segunda Guerra Mundial desenvolvem-se os direitos dos po- vos, também chamados de "direitos da solidariedade", a partir de uma classifi- cação que distingue entre os "direitos da liberdade" (os direitos individuais da Primeira Geração), os "direitos da igualdade" (os direitos sociais, econômicos e culturais da Segunda Geração) e os "direitos da solidariedade" (novos direitos, ou direitos da "Terceira Geração"). Assim, os direitos dos povos são ao mesmo https://pt.wikipedia.org/wiki/Ratifica%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Defici%C3%AAncia_f%C3%ADsica https://pt.wikipedia.org/wiki/Defici%C3%AAncia_mental https://pt.wikipedia.org/wiki/Defici%C3%AAncia_mental https://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Crian%C3%A7a https://pt.wikipedia.org/wiki/Adolesc%C3%AAncia https://pt.wikipedia.org/wiki/Idoso https://pt.wikipedia.org/wiki/Aposentadoria https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_note-22 https://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%ADdio https://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%ADdio https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_humanos https://pt.wikipedia.org/wiki/Injusti%C3%A7a https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_express%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_express%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Sal%C3%A1rio https://pt.wikipedia.org/wiki/Renda 33 tempo "direitos individuais" e "direitos coletivos", e interessam a toda a humani- dade. Uma nova e complexa realidade colocou na ordem do dia uma série de novos anseios e interesses reivindicados por novos movimentos sociais. São di- reitos a serem garantidos com o esforço conjunto do Estado, dos indivíduos, dos diferentes setores da sociedade e das diferentes nações. Entre eles estão o di- reito à paz, ao desenvolvimento, à autodeterminação e soberania dos povos, a um meio ambiente saudável e ecologicamente equilibrado e à utilização do pa- trimônio comum da humanidade. A PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS As liberdades e garantias para os seres humanos interessam e obrigam cada Estado e a toda a comunidade internacional. Os conflitos internacionais, principalmente as duas grandes guerras mun- diais do século XX, os massacres de populações civis, os genocídios de grupos34 étnicos, religiosos, culturais, etc., e a permanente ameaça à paz internacional provocaram a criação de mecanismos e instrumentos controladores da ação dos Estados em respeito aos princípios do Direito Internacional, independentemente de nacionalidade, raça, sexo, idade, religião, opinião política e condição social. Portanto, o que passou a caracterizar a evolução dos direitos humanos durante o século XX, principalmente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi a sua progressiva incorporação ao plano internacional (enquanto o século XIX se caracterizou por ser o momento do reconhecimento constitucional, em cada Es- tado, dos direitos fundamentais). O estabelecimento de mecanismos de controle das ações violadoras se chocou, assim, com um conceito ilimitado de soberania nacional que tem como corolário o princípio da Não intervenção em assuntos de responsabilidade in- terna de cada Estado. O problema colocado para o Direito Internacional é que lhe falta o poder coercitivo, por não existir na ordem internacional um órgão controlador direto e fiscalizador com capacidade de exigir o fim da violação. Ele tem simplesmente um caráter moral-referencial ao propor o respeito efetivo dos direitos humanos, mesmo quando se tratam de casos dramáticos como os de torturas, de desapa- recimentos forçados, de restrição à liberdade de opinião e de credo, de massa- cres e genocídios notoriamente reconhecidos. A universalização da temática dos direitos humanos é um fenômeno da nossa época que acompanha o desenvolvimento da política e da economia in- ternacionais, bem como a evolução jurídica através do Direito Internacional. DIREITO DE PROPRIEDADE O direito de propriedade é descrito no Inciso XXII do Artigo 5º da Consti- tuição Federal de 1988. Nele, estão previstos direitos fundamentais, com objetivo de assegurar uma vida digna, livre e igualitária a todos os cidadãos do país. De forma resumida, pode-se pensar no direito de propriedade como o di- reito de uma pessoa, dentro dos limites da lei, de dispor e usufruir de um bem, e também de determinar o que é feito com ele. Ou seja, o direito de propriedade 35 garante que qualquer cidadão tem direito de possuir (ou seja, ser dono de) bens. Mas não se engane, o direito de propriedade no Brasil não é incondicional! Isso significa que há limites impostos a ele, sendo o principal a função social da pro- priedade. O INCISO O Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 estabelece que: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natu- reza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igual- dade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:” Dentro deste Artigo, o Inciso XXII determina: “XXII – é garantido o direito de propriedade” Mas, afinal, o que é o direito de propriedade? Diversos autores concei- tuam esse direito de formas distintas, e ele costuma variar de acordo com a reli- gião ou o sistema político e econômico de cada lugar. De acordo com a jurista brasileira Maria Helena Diniz, o direito de propri- edade pode ser entendido como “o direito que a pessoa física ou jurídica tem, dentro dos limites normativos, de usar, gozar e dispor de um bem, corpóreo ou incorpóreo, bem como de reivindicá-lo de quem injustamente o detenha”. Para compreender melhor essa definição, vamos desmembrar essa definição em três: Direito de uso sobre um bem: diz respeito ao direito de usufruir de um bem ou colocá-lo a disposição do uso de outro de pessoa, sem que essa possa modificar a substância do bem. Por exemplo, se você é proprietário de um imóvel, pode optar por usufruir dele, em- prestá-lo ou alugá-lo. Direito de gozo sobre um bem: significa ter direitos sobre os frutos ou rendimentos que esse bem fornece. Por exemplo, ter o direito sobre os frutos de uma laranjeira que nasce em sua propriedade; ou ter direito sobre os rendimentos do aluguel de um imóvel que é seu. 36 Direito de dispor: este é o direito que mais expressa o domí- nio/posse sobre o bem. Significa que você pode optar por vendê- lo, doá-lo ou trocá-lo. Ou seja, ser proprietário ou deter o direito de propriedade sobre um bem, significa ter o direito de uso, de gozo e de dispor dele. Dessa forma, o Inciso XXII do Artigo 5º reconhece o direito de propriedade como um direito fundamental a ser protegido pela Constituição brasileira. A RELEVÂNCIA DESSE DIREITO FUNDAMENTAL O direito de propriedade parte do entendimento de que seres humanos naturalmente têm desejo de possuir coisas. Esse desejo de possuir poderia levar a uma situação caótica de conflito permanente pela posse de bens. Dessa forma, entende-se que o Estado deve garantir o direito de propriedade como um direito fundamental. Além de estar presente em Constituições por todo o mundo, o direito de propriedade também faz parte da Declaração Universal de Direitos Humanos, em seu Artigo 17. Dessa forma, observa-se que o esse direito é praticamente um consenso em todo o mundo. A importância deste direito também está em possibilitar ao Estado esta- belecer mecanismos de responsabilização. Afinal, apenas estabelecendo o di- reito de propriedade é possível determinar o que é roubo, por exemplo. Dessa forma, garantir o direito de propriedade como um direito fundamental é uma forma de regulamentar o desejo natural pela posse. Além disso, algumas Organizações Internacionais, como o Fórum Econô- mico Mundial, entendem que quanto mais seguro for o direito de propriedade, melhor será o desenvolvimento da economia e da sociedade. Isso aconteceria porque o incentivo para fazer investimentos em uma propriedade é maior quando o direito sobre essa propriedade é garantido. https://www.politize.com.br/o-que-e-economia/ 37 REFERÊNCIAS FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 403. ↑ Vicente Barreto (1993). O conceito moderno de cidadania. Revista de Direito Administrativo. [S.l.]: Fundação Getúlio Vargas ↑ «Evolução histórica do conceito de cidadania». Consultado em 18 de julho de 2008. Arquivado do original em 4 de dezembro de 2008 ↑ «Luiz Flávio Borges D´Urso, A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA». Con- sultado em 18 de julho de 2008. Arquivado do original em 18 de março de 2008 ↑ Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 ↑ CARVALHO, Jose Murilo. Cidadania no Brasil – o longo caminho. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, p. 9-10. ↑ Declaração Universal dos Direitos Humanos; disponível em http://www.amde.ufop.br/arquivos/Download/Declaracao/DeclaracaoUniver- saldosDireitosHumanos.pdf Arquivado em 19 de novembro de 2011, no Wayback Machine. ↑ GUÉRIOS, Mansur. Dicionário de etimologias da língua portuguesa. São Paulo: Ed. Nacional; Curitiba: Ed. UFPR, 1979, p. 57; cf. a propósito dos direitos universais do homem, HITCHENS, Christopher. Os direitos do Homem de Thomas Paine. Trad. Sérgio Lopes. São Paulo: Zahar, 2007, p. 15 et seq. ↑ Cf. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, in:http://www.pribe- ram.pt/dlpo/Default.aspx. ↑ Para este indivíduo de ação, cf. ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Trad. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 17 et seq. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-2 http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/article/view/45733 https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-3 https://web.archive.org/web/20081204081044/http:/jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=78 http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=78 https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-oab_4-0 https://web.archive.org/web/20080318040758/http:/www.oabsp.org.br/palavra_presidente/2005/88/ http://www.oabsp.org.br/palavra_presidente/2005/88/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-5 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htmhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-6 https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-7 http://www.amde.ufop.br/arquivos/Download/Declaracao/DeclaracaoUniversaldosDireitosHumanos.pdf http://www.amde.ufop.br/arquivos/Download/Declaracao/DeclaracaoUniversaldosDireitosHumanos.pdf https://web.archive.org/web/20111119015348/http:/www.amde.ufop.br/arquivos/Download/Declaracao/DeclaracaoUniversaldosDireitosHumanos.pdf https://pt.wikipedia.org/wiki/Wayback_Machine https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-8 https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-9 http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidadania#cite_ref-10