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BUSINESS INTELLIGENCE: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA NEGÓCIOS Professor Me. Rodrigo de Grazia Bacha Estevam 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA PRESENCIAL Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Me. Bruno Eckert Bertuol COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Eduardo Alves de Oliveira Gleice Emanoela Nunes Ferreira Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Stephanie Vieira Maria Clara da Silva Costa Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Felipe Souza Oliveira Leandro Tenório Maria Beatriz Paula da Silva Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock 33 Autor Professor Me. Rodrigo de Grazia Bacha Estevam • Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Brasília, atua como CEO de Startups com foco em soluções de Inteligência Artificial e Analytics para educação e CTO da Unifatecie. • Graduado em Ciência da Computação, com MBA em Marketing, Criatividade e Inovação e Especialista em Redes de Computadores e formação para Executivos de TI para Educação pela Universidade de Múrcia, na Espanha. Também possuo Certificação PMP - Project Management Professional, pelo PMI. 4 Apresentação No cenário empresarial contemporâneo, a competitividade e a inovação são impulsionadas pela capacidade de tomar decisões informadas e estratégicas. Nesse contexto, o Business Intelligence (BI) e a Inteligência Artificial (IA) emergem como ferramentas fundamentais para transformar dados brutos em insights valiosos. Ao integrar essas tecnologias, as organizações não apenas compreendem o que aconteceu no passado, mas também preveem tendências futuras e automatizam processos decisórios complexos. A explosão de dados gerada por interações digitais, redes sociais, dispositivos móveis e Internet das Coisas (IoT) criou um ambiente onde a informação é abundante, mas o valor reside na capacidade de analisá-la e interpretá-la de maneira eficiente. Empresas que adotam BI e IA conseguem navegar com agilidade em mercados dinâmicos, personalizar experiências do cliente e otimizar operações internas, garantindo vantagem competitiva e sustentabilidade nos negócios. Esta apostila está estruturada para fornecer um entendimento abrangente de BI e IA aplicados a negócios, desde os fundamentos até aplicações avançadas. Plano de Estudo: • Tópico 1. Introdução ao Business Intelligence (BI) e Inteligência Artificial (IA). • Tópico 2. Coleta e armazenamento de dados. • Tópico 3. Análise de dados e visualização. • Tópico 4. Inteligência Artificial em negócios. 5 Objetivos da aprendizagem: • Compreender os conceitos fundamentais de BI e IA aplicados aos negócios. • Identificar métodos e ferramentas para coletar e armazenar dados de forma eficiente. • Explorar técnicas de análise e visualização de dados para tomada de decisão. • Aplicar soluções de IA para otimizar processos e estratégias empresariais. 6 Sumário Introdução ao Business Intelligence (BI) e Inteligência Artificial (IA) Coleta e armazenamento de dados Análise de dados e visualização Inteligência Artificial em negócios Tópico 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) 8TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) O conceito de Business Intelligence (BI) remonta à década de 1960, quando Richard Millar Devens, em sua obra “Cyclopaedia of Commercial and Business Anecdotes”, utilizou pela primeira vez o termo “Inteligência de Negócios” para descrever a prática de coletar e analisar informações comerciais. Nas décadas seguintes, o BI evoluiu significativamente. Nos anos 1980, com o advento dos computadores pessoais, o BI passou a desempenhar um papel crucial na coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados, conforme definido por Howner Dresner, pesquisador do Gartner Group. Na década de 1990, o surgimento do Data Warehouse permitiu que as empresas armazenassem grandes volumes de dados em um único local, facilitando a análise e visualização dos dados coletados. Essa evolução levou ao desenvolvimento de sistemas de Business Intelligence mais sofisticados, capazes de lidar com dados mais complexos e fornecer insights mais profundos. Com o advento da era digital e o aumento exponencial da geração de dados, o BI moderno incorporou tecnologias como Big Data e computação em nuvem, permitindo o armazenamento acessível e a integração com IA. As plataformas de BI atuais oferecem análises em tempo real, incorporando capacidades de IA e ferramentas de baixo código/ sem código, facilitando a democratização do acesso aos dados e a tomada de decisões informadas. A Inteligência Artificial (IA) tem suas raízes na década de 1950, com o trabalho de Alan Turing, que propôs a questão “As máquinas podem pensar?” e introduziu o conceito de máquinas que poderiam simular a inteligência humana. Nas décadas seguintes, a IA passou por períodos de otimismo e desilusão, conhecidos como “primaveras” e “invernos” da IA, respectivamente, refletindo os altos e baixos no financiamento e nas expectativas em relação à tecnologia. Nos anos 2010, a IA experimentou um ressurgimento significativo, impulsionado por avanços em aprendizado de máquina e deep learning, além do aumento da capacidade computacional e da disponibilidade de grandes volumes de dados. Modelos como o GPT-3, desenvolvido pela OpenAI, exemplificam a sofisticação alcançada, sendo capazes de gerar texto de forma quase indistinguível do produzido por humanos. Em resumo, tanto o BI quanto a IA passaram por transformações significativas ao longo das 9TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) décadas, evoluindo de conceitos iniciais para tecnologias avançadas que desempenham papéis cruciais na sociedade contemporânea. A convergência dessas áreas tem o potencial de gerar insights mais profundos e soluções mais eficazes para os desafios atuais. 1.1 Conceitos fundamentais de BI e IA. Business Intelligence (BI) refere-se ao conjunto de processos, tecnologias e ferramentas que transformam dados brutos em informações significativas e úteis para fins de análise de negócios. O objetivo principal do BI é auxiliar as organizações na tomada de decisões informadas, proporcionandoeficiência operacional. Assim, a visualização de dados torna-se um diferencial competitivo essencial para organizações que desejam se destacar em um mercado cada vez mais dinâmico e baseado em dados. 3.3 - Dashboards e relatórios gerenciais. A gestão eficaz das organizações depende diretamente da qualidade das informações utilizadas para a tomada de decisão. Nesse contexto, os dashboards e relatórios gerenciais tornaram-se ferramentas indispensáveis para a análise de dados, permitindo que gestores visualizem informações estratégicas de maneira objetiva e interativa. Segundo Oyadomari et al. (2019), a utilização de relatórios gerenciais influencia positivamente a eficácia das decisões, proporcionando maior clareza sobre a situação organizacional e aumentando a capacidade de resposta dos gestores. Além dos relatórios tradicionais, a evolução das tecnologias de Business Intelligence (BI) permitiu a criação de dashboards interativos, que oferecem insights em tempo real e promovem um monitoramento mais dinâmico do desempenho organizacional (Pires, 2022). 3.3.1 - Relatórios Gerenciais e seu Impacto na Tomada de Decisão 43TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO Os relatórios gerenciais são documentos que organizam e apresentam dados sobre o desempenho da empresa, auxiliando na identificação de problemas e oportunidades de melhoria. Eles podem abranger áreas como financeira, operacional, comercial e logística, fornecendo informações para embasar decisões estratégicas. De acordo com Oyadomari et al. (2019), em um estudo realizado com gerentes de uma rede de supermercados, foi constatado que a frequência e a facilidade de uso dos relatórios influenciam diretamente a qualidade e a rapidez das decisões. Além disso, relatórios bem estruturados contribuem para a redução da incerteza, permitindo uma resposta mais assertiva às dinâmicas do mercado. Os principais tipos de relatórios gerenciais incluem: • Relatórios Financeiros: apresentam a situação financeira da empresa, como balanços patrimoniais, demonstrativos de resultado e fluxo de caixa. • Relatórios Operacionais: focam na eficiência dos processos internos, identificando gargalos e oportunidades de otimização. • Relatórios de Vendas e Marketing: analisam o desempenho comercial, tendências de mercado e comportamento dos clientes. A adoção de relatórios gerenciais bem estruturados proporciona maior transparência e controle sobre os processos organizacionais, reduzindo riscos e promovendo a eficiência operacional. 3.3.2 - Dashboards: Uma Evolução na Gestão de Informações Os dashboards surgiram como uma evolução dos relatórios gerenciais, agregando elementos visuais interativos para facilitar a interpretação dos dados. Diferentemente dos relatórios tradicionais, que costumam ser documentos estáticos, os dashboards são paineis dinâmicos que permitem a exploração de informações em tempo real. Segundo Pires (2022), a implementação de dashboards utilizando Business Intelligence (BI) melhora a capacidade analítica das empresas, pois possibilita: • Integração de dados de múltiplas fontes em um único ambiente. • Visualização intuitiva de indicadores-chave de desempenho (KPIs). • Monitoramento em tempo real, facilitando a rápida identificação de problemas e oportunidades. 44TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO • Customização de análises, permitindo que diferentes usuários acessem as informações de acordo com suas necessidades específicas. Os dashboards podem ser aplicados em diversas áreas da gestão, como no controle de compras, análise financeira e gestão de desempenho de funcionários. A utilização de dashboards financeiros tem sido um diferencial estratégico para micro e pequenas empresas, permitindo um controle mais eficaz das finanças. O estudo de Almeida e Behr (2021) propôs um dashboard fundamentado nas demonstrações financeiras como um instrumento para a tomada de decisão de gestores de empresas de comércio de materiais de construção civil. Os principais indicadores presentes no dashboard financeiro incluem: • Liquidez Corrente: mede a capacidade da empresa de pagar suas obrigações de curto prazo. • Margem de Lucro: permite avaliar a rentabilidade das operações. • Fluxo de Caixa: monitora as entradas e saídas de capital, garantindo equilíbrio financeiro. • Giro de Estoques: essencial para entender a relação entre compras e vendas de mercadorias. A implementação desse modelo de dashboard possibilitou que os gestores dessas empresas tivessem uma visão clara da saúde financeira do negócio, melhorando a eficiência na gestão de custos e investimentos. 3.3.3 - Benefícios da Integração entre Relatórios Gerenciais e Dashboards A utilização combinada de relatórios gerenciais e dashboards maximiza a eficácia da gestão empresarial, pois une a análise detalhada dos relatórios com a interatividade e agilidade dos dashboards. Dentre os principais benefícios dessa integração, destacam-se: • Maior precisão na tomada de decisão: relatórios fornecem uma visão histórica detalhada, enquanto dashboards oferecem insights em tempo real. • Redução do tempo de análise: dashboards permitem a interpretação rápida dos dados, agilizando a resposta a desafios do mercado. • Aprimoramento do controle gerencial: maior transparência e visibilidade dos indicadores estratégicos. • Aumento da competitividade: empresas que adotam BI e dashboards ganham vantagem ao tomar decisões baseadas em dados sólidos. 45TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO Os dashboards e relatórios gerenciais são ferramentas indispensáveis para a gestão eficiente das empresas, pois proporcionam dados confiáveis e visões estratégicas para a tomada de decisão. Dessa forma, organizações que adotam essas ferramentas conseguem não apenas otimizar seus processos internos, mas também aumentar sua capacidade de adaptação ao mercado, tornando-se mais competitivas e sustentáveis no longo prazo. Tópico 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS 47TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS A Inteligência Artificial (IA) tem emergido como uma força transformadora no mundo dos negócios, redefinindo paradigmas e moldando o futuro corporativo. Nos últimos anos, a aplicação da IA nas empresas tem sido objeto de diversas pesquisas acadêmicas, evidenciando seu impacto significativo na gestão empresarial. A IA tem sido utilizada para automatizar operações repetitivas, aumentar a eficiência operacional e tomar decisões informadas com base em dados. Ela permite que as empresas identifiquem tendências e padrões ocultos que seriam difíceis de detectar manualmente, impulsionando a inovação e a competitividade no mercado. Além disso, a IA está presente em diversos setores da economia, auxiliando gestores na tomada de decisões estratégicas, táticas e operacionais. Estudos recentes analisaram casos de uso da IA para entender como ela tem contribuído na tomada de decisões organizacionais, destacando sua relevância no ambiente corporativo moderno. Diante desse cenário, é essencial compreender as oportunidades e desafios que a IA apresenta para os negócios, bem como as tendências futuras dessa tecnologia na gestão empresarial. 4.1 Introdução ao Machine Learning e Deep Learning. A Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel essencial na modernização e inovação dos negócios, permitindo a automação de processos, melhoria na tomada de decisões e aumento da eficiência operacional. Dentro desse campo, Machine Learning (ML) e Deep Learning (DL) se destacam como áreas de estudo que buscam criar modelos capazes de aprender padrões e realizar previsões baseadas em dados. Segundo Yu et al. (2024), a IA está cada vez mais presente em diversas funções empresariais, auxiliando gestores em níveis estratégicos, táticos e operacionais. Isso se deve ao avanço dos algoritmos de aprendizado de máquina, que permitem analisar grandes volumes de dados e extrair insights valiosos parao planejamento organizacional. Já Silva, Azrak e Bérgamo (2024) destacam que a IA tem sido um diferencial competitivo, impactando a forma como as empresas operam e tomam decisões. Machine Learning (ML) é um campo da Inteligência Artificial que permite que sistemas 48TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS aprendam a partir de dados e façam previsões sem serem explicitamente programados. Em vez de seguir regras fixas, os algoritmos de ML são treinados para reconhecer padrões e fazer inferências a partir de grandes conjuntos de dados. Os algoritmos de aprendizado de máquina podem ser classificados em três categorias principais: 1. Aprendizado Supervisionado: neste modelo, o sistema é treinado com dados rotulados, onde cada entrada está associada a uma saída conhecida. O objetivo do modelo é aprender a mapear entradas para saídas, de forma que possa fazer previsões para novos dados. Exemplo: • Análise de crédito: bancos usam aprendizado supervisionado para prever se um cliente está inadimplente com base no histórico de pagamentos. • Diagnóstico médico: algoritmos analisam exames clínicos para prever a presença de doenças. 2. Aprendizado Não Supervisionado: neste tipo de aprendizado, os dados não são rotulados, ou seja, o modelo não sabe previamente quais padrões existem. O objetivo é descobrir estruturas ocultas nos dados. Exemplo: • Segmentação de clientes: empresas utilizam aprendizado não supervisionado para agrupar clientes com base em comportamento de compra. • Detecção de anomalias: bancos usam essa técnica para identificar transações fraudulentas. 3. Aprendizado por Reforço: este modelo funciona com base na interação entre um agente e um ambiente. O algoritmo aprende por meio de tentativa e erro, recebendo recompensas ou penalidades conforme suas ações. Exemplo: • Jogos e robótica: algoritmos de aprendizado por reforço treinam robôs e sistemas autônomos para tomarem decisões ideais em ambientes dinâmicos. • Trading financeiro: modelos aprendem a otimizar investimentos com base em flutuações de mercado. O Deep Learning (DL) é um subcampo do Machine Learning que utiliza redes neurais artificiais profundas para aprender representações complexas dos dados. Diferente dos modelos tradicionais de aprendizado de máquina, o Deep Learning pode processar grandes volumes de dados e extrair padrões automaticamente. 49TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS Silva, Azrak e Bérgamo (2024) destacam que a evolução do Deep Learning permitiu avanços em diversas áreas, como reconhecimento de imagens, processamento de linguagem natural (PLN) e veículos autônomos. A adoção de ML e DL tem crescido exponencialmente nos negócios, trazendo benefícios como automação de processos, personalização de serviços e análise preditiva. A. Aplicações em Gestão Empresarial • Previsão de demanda: varejistas utilizam algoritmos para prever o consumo de produtos. • Automação de atendimento ao cliente: chatbots impulsionados por IA melhoram a experiência do usuário. B. Aplicações em Finanças • Análise de crédito: bancos utilizam ML para determinar riscos de empréstimos. • Trading algorítmico: modelos preditivos analisam tendências do mercado financeiro. C. Aplicações na Saúde • Diagnóstico de doenças: algoritmos de Deep Learning identificam câncer em exames médicos. • Descoberta de medicamentos: modelos preveem a eficácia de novas drogas. O avanço de Machine Learning e Deep Learning tem remodelado a forma como empresas utilizam dados para otimizar processos e melhorar a tomada de decisões estratégicas. Como destacado por Yu et al. (2024), a IA desempenha um papel cada vez mais relevante nos negócios, proporcionando maior eficiência, previsibilidade e personalização de serviços. Embora essas tecnologias ofereçam inúmeras vantagens, desafios como qualidade dos dados, viés algorítmico e necessidade de infraestrutura robusta ainda precisam ser superados. O futuro da Inteligência Artificial dependerá da capacidade das organizações de integrar essas soluções de maneira ética e eficiente. 50TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS 4.2 - Algoritmos de classificação Se você nunca ouviu falar sobre algoritmos de classificação, não se preocupe! Vou explicar de forma simples e prática para que você possa entender esse conceito sem precisar de conhecimentos técnicos prévios. Imagine que você tem uma caixa cheia de frutas e precisa organizá-las, separando maçãs, bananas e laranjas. Para isso, você pode observar o formato, a cor e o tamanho de cada fruta e decidir a qual grupo ela pertence. Agora, imagine que queremos ensinar um computador a fazer essa separação automaticamente. Os algoritmos de classificação fazem exatamente isso! Eles analisam dados e aprendem a classificar informações em diferentes categorias. • Os algoritmos de classificação servem para ensinar um computador a categorizar informações automaticamente. • Eles analisam exemplos anteriores para aprender a tomar decisões. Os algoritmos de classificação são usados em diversas situações do nosso cotidiano, muitas vezes sem que percebamos. Aqui estão alguns exemplos fáceis de entender: • E-mails SPAM e NÃO-SPAM: o Gmail usa algoritmos de classificação para identificar e-mails indesejados (SPAM) e separá-los da sua caixa de entrada. • Filmes e séries recomendados pela Netflix: a Netflix classifica seus gostos e recomenda novos conteúdos com base nas suas preferências. • Diagnóstico de doenças em hospitais: algoritmos analisam exames médicos para classificar se uma pessoa tem ou não uma doença. • Reconhecimento facial no celular: seu celular usa IA para reconhecer seu rosto e desbloquear a tela. • Bancos aprovando ou negando crédito: as instituições financeiras usam algoritmos para analisar seu histórico e classificar se você pode ou não receber um empréstimo. Os algoritmos de classificação aprendem com exemplos anteriores para tomar decisões futuras. O processo acontece em três etapas principais: 1. Treinamento • O algoritmo recebe um conjunto de exemplos já classificados. 51TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS • Por exemplo, mostramos ao computador várias fotos de gatos e cachorros, informando quais são gatos e quais são cachorros. 2. Aprendizado • O algoritmo analisa os dados e descobre padrões e diferenças entre as categorias. • Ele aprende que os gatos normalmente têm orelhas pontudas e cachorros têm focinho mais longo. 3. Classificação de Novos Dados • Agora que o algoritmo aprendeu, ele pode analisar novas imagens e classificá- las sozinho. • Se ele vê uma foto nova de um gato, pode prever corretamente que se trata de um gato! Existem diferentes formas de ensinar o computador a classificar as informações. Aqui estão alguns dos principais métodos usados: • Regressão Logística – “Decidindo entre duas opções” • Exemplo: O banco pode prever se um cliente vai ou não pagar um empréstimo. • K-Nearest Neighbors (KNN) – “O voto dos vizinhos” • Exemplo: O algoritmo analisa as compras de clientes semelhantes e sugere produtos que podem interessar a você. • Árvores de Decisão – “Tomando decisões passo a passo” • Exemplo: Empresas usam essa técnica para aprovar ou negar cartões de crédito. • Random Forest – “Decisão mais confiável” • Exemplo: Aplicado em diagnósticos médicos, combinando várias “árvores de decisão” para dar uma resposta mais precisa. • Support Vector Machines (SVM) – “Separação precisa” • Exemplo: Usado para reconhecimento facial e segurança digital. 52TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS TABELA 4. COMPARAÇÃO ENTRE OS ALGORITMOS DE CLASSIFICAÇÃO Fonte: o autor (2025). Algoritmo Vantagens Desvantagens Regressão Logística Simples e interpretável Funciona apenas para problemas lineares KNN Fácil de entender, bom para dados menores Requer grande poder computacional para muitos dados SVM Bom para dados complexos e pequenas amostras Não escala bem para grandes volumes de dadosÁrvores de Decisão Interpretável e rápido Propenso a overfitting Random Forest Alta precisão, resistente a overfitting Modelo mais difícil de interpretar Em resumo, podemos dizer que os Algoritmos de Classificação são importantes, porque: • Tomam decisões rápidas e inteligentes com base em dados. • São usados em muitas áreas, como saúde, segurança, finanças e entretenimento. • Ajudam empresas a personalizar serviços e melhorar a experiência do cliente. Apesar das grandes vantagens que os algoritmos de classificação oferecem, há desafios importantes que devem ser considerados, tais como: • Qualidade dos dados: modelos de classificação dependem de dados de alta qualidade e bem estruturados para garantir boas previsões. • Escolha do algoritmo certo: nem todos os algoritmos funcionam igualmente bem para todos os problemas; a seleção do modelo certo depende do tipo e volume dos dados. • Overfitting: modelos muito complexos podem se ajustar demais aos dados de treinamento, perdendo a capacidade de generalizar para novos dados. Yu et al. (2024) e Silva, Azrak e Bérgamo (2024) reforçam que, para que esses modelos sejam efetivamente aplicados na gestão empresarial, é necessário que as organizações invistam em qualidade dos dados, treinamento de equipes e infraestrutura computacional adequada. Dessa forma, os algoritmos de classificação têm se consolidado como ferramentas 53TÓPICO 4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM NEGÓCIOS essenciais para empresas que desejam tomar decisões estratégicas baseadas em dados e otimizar processos de maneira eficiente. Você sabia que já se utiliza IA para análise de emoções em relatórios e reuniões corporativas? Atualmente, empresas estão explorando o Emotion AI (também conhecido como Affective Computing) para analisar não apenas os dados numéricos, mas também as emoções e sentimentos dos colaboradores e clientes. Algoritmos de IA avançados podem interpretar expressões faciais, tom de voz e padrões de escrita para identificar o estado emocional de funcionários em reuniões estratégicas, prever reação de clientes a novos produtos ou até mesmo sugerir ajustes em apresentações corporativas para melhorar o engajamento. Uma aplicação real foi testada por algumas empresas do setor financeiro e de consultoria, onde ferramentas de BI integradas à análise de sentimentos ajudaram a prever o impacto emocional de decisões empresariais antes mesmo de serem implementadas. Isso possibilita uma tomada de decisão mais empática, reduzindo riscos de insatisfação entre stakeholders e otimizando a comunicação interna. Embora essa tecnologia ainda esteja em fase inicial, seu potencial para revolucionar a forma como empresas analisam dados qualitativos é imenso. Afinal, decisões estratégicas não são baseadas apenas em números, mas também no comportamento humano—e agora, a Inteligência Artificial está começando a interpretar isso. Fonte: CHINTALA, Suman. (2024). Emotion AI in Business Intelligence: Understanding Customer Sentiments and Behaviors. International Journal Of Computer Science And Mathematical Theory E-ISSN. 06. 8. “BI não é apenas uma ferramenta, é uma revolução. Quem não aprende a interpretar dados, vira dado para quem sabe usá-los.” (IT Forum, 2024) “O BI não elimina a necessidade de bons gestores. Ele apenas separa os que sabem tomar decisões baseadas em dados dos que continuam apostando no acaso.” (Rodrigues, 2024) “O verdadeiro poder do BI não está nos relatórios que ele gera, mas nas decisões estratégicas que ele impulsiona.” (Oyadomari et al., 2019). 54 Material Complementar LIVRO • Título: Storytelling com Dados: um Guia Sobre Visualização de Dados Para Profissionais de Negócios • Autor: Cole Nussbaumer Knaflic • Editora: Alta Books • Sinopse: Storytelling com Dados é admiravelmente bem escrito, uma amostra magistral de rara arte no mundo dos negócios. Cole Nussbaumer Knaflic possui uma habilidade única - um dom - em contar histórias usando dados. No JP Morgan Chase, ela ajudou a melhorar nossa capacidade de explicar análises complicadas para a gerência executiva e para os reguladores com quem trabalhamos. O livro de Cole reúne seus talentos em um guia fácil de ler, com exemplos excelentes que qualquer um pode aprender para estimular a tomada de decisão mais inteligente.” ―Mark R. Hillis, diretor-chefe do setor de riscos de hipoteca bancária do JPM Chase. FILME/VÍDEO • Título: O Homem que mudou o jogo • Ano: 2011 • Sinopse: Baseado em fatos reais, O Homem que Mudou o Jogo é a história de Billy Beane (Brad Pitt), gerente do time de baseball Oakland Athletics. Com pouco dinheiro em caixa e a ajuda de Peter Brand (Jonah Hill), ele desenvolve um sofisticado programa de estatísticas para o clube, fazendo com que ficasse entre as principais equipes do esporte nos anos 80. • Link do vídeo: Prime Vídeo 55 Conclusão geral Ao longo deste livro, exploramos a evolução e a importância do Business Intelligence (BI) e da Inteligência Artificial (IA) como catalisadores da transformação digital nas organizações. Desde a análise dos dados estruturados e não estruturados até a implementação de dashboards interativos, os capítulos abordam a complexidade da gestão da informação e seu papel fundamental na tomada de decisão estratégica. O Business Intelligence, como evidenciado por Araújo, Pozzi e Pereira (2022) e Rodrigues (2024), tem passado por uma evolução significativa, tornando-se um diferencial competitivo para empresas de diversos setores. A adoção de ferramentas de BI como Power BI (Franco e Rodrigues, 2020) e outras soluções de Data Analytics permite que as empresas extraiam valor dos seus dados e otimizem sua eficiência operacional. A transformação do BI nos últimos anos, conforme destacado pelo IT Forum (2024), está intrinsecamente ligada à crescente integração com Inteligência Artificial. A IA não apenas aprimora os modelos de análise, mas também automatiza processos, melhora a previsão de tendências e reduz falhas humanas na tomada de decisões (Soni et al., 2019). No contexto empresarial, Yu et al. (2024) reforçam que o impacto da IA na gestão organizacional já está moldando um novo paradigma, onde os sistemas inteligentes assumem um papel ativo nas decisões corporativas. Além disso, a estruturação dos Data Warehouses e Data Lakes, como abordado por Mazumdar, Hughes e Onofre (2023), demonstra que a governança e o armazenamento de dados são elementos fundamentais para que as empresas possam consolidar informações confiáveis e transformá-las em insights estratégicos. A convergência entre BI e Data 56 Lakehouse representa um avanço na forma como as empresas gerenciam e processam informações, reduzindo silos de dados e ampliando a acessibilidade para análises preditivas. A pesquisa de Freitas (2021) evidencia como a utilização do BI na gestão de indicadores de desempenho auxilia na tomada de decisão no setor de compras. Da mesma forma, Oyadomari et al. (2019) destacam o impacto positivo dos relatórios gerenciais, permitindo que empresas do setor varejista melhorem sua eficiência operacional e reduzam incertezas em processos estratégicos. A implementação de dashboards gerenciais, conforme analisado por Pires (2022) e Almeida e Behr (2021), reforça o papel das visualizações interativas na gestão de desempenho financeiro. Essas soluções, além de aprimorarem a transparência dos dados, facilitam a comunicação entre gestores e otimizam a execução de estratégias corporativas. Por fim, a pesquisa de Ishii (2017) demonstra como o uso de softwares de BI no e-commerce pode contribuir para o aumento das vendas e para a personalização da experiência do consumidor. A digitalização do mercado exige que as empresas utilizem ferramentas inteligentes para análise de dados, garantindo não apenas competitividade, mas também um relacionamento mais eficiente com seus clientes. Com base em todas essas análises e estudos, concluímos que a integração entre Business Intelligence,Inteligência Artificial e Gestão de Dados é essencial para que as organizações modernas se mantenham competitivas e inovadoras. O futuro da tomada de decisão empresarial depende de dados confiáveis, automação inteligente e ferramentas analíticas robustas, garantindo que as empresas possam não apenas acompanhar a evolução do mercado, mas também antecipar tendências e se posicionar estrategicamente em um ambiente de negócios dinâmico e altamente competitivo. 57 Referências ALMEIDA, G. E.; BEHR, A. Proposta de dashboard fundamentado nas demonstrações financeiras como instrumento para tomada de decisão por gestores de micro e pequenas empresas de comércio de materiais de construção civil. 2021. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Ciências Econômicas, Porto Alegre, 2021. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/274059. Acesso em: 3 abr. 2025. Amazon Web Services. Qual é a diferença entre dados estruturados e dados não estruturados? Disponível em: https://aws.amazon.com/pt/compare/the-difference- between-structured-data-and-unstructured-data/. Acesso em: 6 mar. 2025. ARAÚJO, L. S.; POZZI, J. F; PEREIRA, I. T. Um estudo de aplicações de business intelligence em empresas. Revista Interface Tecnológica. Taquaritinga–SP, v. 18, n. 2, p. 78–90, 2021. Disponível em: https://revista.fatectq.edu.br/interfacetecnologica/article/view/1202. Acesso em: 11 mar. 2025. FRANCO, M. M. N.; RODRIGUES, R. M. Introdução ao Power BI para Ciências de Dados: uma pesquisa bibliográfica com conceitos e referências para Business Intelligence, Big Data e Analytics. Revista Acadêmica Online, v. 6, n. 35, e938, 2020. Disponível em: https:// revistaacademicaonline.com/index.php/rao/article/view/938. Acesso em: 6 mar. 2025. FREITAS, M. T. Business intelligence para gestão de indicadores de desempenho e suporte à tomada de decisão no setor de compras de uma organização. 2021. Monografia (Graduação) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto. ISHII, R. A. A utilização de software de Business Intelligence para tomada de decisão para gerar aumento de vendas e crescimento no mercado online: estudo de caso ecommerce de peças automotivas. 17 f. 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O BI é composto por várias ferramentas e processos, entre os quais se destacam: • Data Warehouse (Armazém de Dados): um repositório centralizado onde os dados de diversas fontes são armazenados de forma organizada e estruturada para facilitar análises. • ETL (Extração, Transformação e Carga): processos que extraem dados de fontes variadas, transformam-nos para padronização e qualidade, e os carregam na data warehouse. • OLAP (Processamento Analítico Online): ferramenta que permite a análise multidimensional dos dados, possibilitando a visualização de informações sob diferentes perspectivas. • Data Mining (Mineração de Dados): técnicas que identificam padrões e relações ocultas nos dados, contribuindo para a descoberta de insights valiosos. • Dashboards e Relatórios: interfaces visuais que sintetizam as informações mais relevantes por meio de gráficos, tabelas e indicadores-chave (KPIs), facilitando a interpretação e a tomada de decisões. O fluxo de Business Intelligence (BI) envolve uma série de etapas integradas, começando pela coleta e extração de dados de fontes variadas, passando pela sua transformação e armazenamento em um data warehouse, até a análise e visualização por meio de ferramentas como dashboards e relatórios. Cada etapa é crucial para garantir que os dados brutos sejam convertidos em informações claras e relevantes, permitindo uma compreensão aprofundada do negócio e facilitando a identificação de tendências e padrões que seriam difíceis de perceber sem esse 10TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) processamento sistemático. A importância desse fluxo reside na capacidade de fornecer insights estratégicos que embasam a tomada de decisões. Ao integrar e analisar dados de diferentes áreas, o BI não só contribui para a eficiência operacional, mas também promove a inovação e a vantagem competitiva, permitindo que organizações antecipem desafios e ajustem suas estratégias de maneira proativa. O fluxo do BI geralmente envolve as seguintes etapas: 1. Coleta de Dados: dados são capturados de fontes internas (sistemas ERP, CRM, etc.) e externas (redes sociais, dados de mercado). 2. Integração e Armazenamento: utilizando processos de ETL, os dados são integrados e armazenados em um data warehouse ou data lake. 3. Análise e Processamento: ferramentas de OLAP e data mining processam os dados para identificar tendências e gerar insights. 4. Visualização e Relatórios: através de dashboards e ferramentas de visualização, os insights são apresentados de forma clara e objetiva. 5. Tomada de Decisão: os gestores utilizam as informações geradas para embasar suas decisões estratégicas, operacionais e táticas. FIGURA 1. FLUXO DE PROCESSOS DE BI Fonte: Power BI sem segredo (2023). 11TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) Historicamente, o BI evoluiu significativamente, passando de simples relatórios descritivos para análises preditivas e prescritivas. Essa evolução permitiu às empresas não apenas compreender o que aconteceu no passado, mas também antecipar tendências futuras e sugerir ações estratégicas. A integração de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial (IA), tem potencializado ainda mais as capacidades do BI, tornando-o uma ferramenta indispensável para a competitividade empresarial. De acordo com Araújo, Pozzi e Pereira (2022, p. 30), “o BI possibilita que as empresas transformem dados brutos em informações significativas, facilitando a identificação de oportunidades e a melhoria de processos”. Essa capacidade de converter dados em insights acionáveis é crucial em um ambiente de negócios cada vez mais orientado por dados. A Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação que se dedica à criação de sistemas capazes de realizar tarefas que, normalmente, requerem inteligência humana. Isso inclui habilidades como aprendizado, raciocínio, percepção e processamento de linguagem natural. A IA abrange diversas subáreas, como aprendizado de máquina (Machine Learning), aprendizado profundo (Deep Learning) e redes neurais artificiais. No mundo corporativo, os desdobramentos da inteligência artificial transformam a maneira de operar das empresas, proporcionando soluções inovadoras que vão desde a automação de processos até a personalização de serviços. Organizações de diversos setores aplicam a IA para analisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar tendências de mercado, detectar fraudes e otimizar a experiência do cliente por meio de sistemas de recomendação e chatbots. Essa integração não apenas aumenta a eficiência operacional e reduz custos, mas também fomenta a inovação, permitindo a criação de modelos de negócio mais ágeis e orientados por dados. Para os alunos do terceiro período de graduação, compreender esses conceitos fundamentais e suas aplicações no ambiente corporativo é essencial para desenvolver competências que os preparem para os desafios da transformação digital e da competitividade global. 1.2 Evolução e importância no contexto de negócios. No cenário empresarial contemporâneo, a capacidade de coletar, analisar e interpretar grandes volumes de dados tornou-se essencial para a tomada de decisões estratégicas. 12TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) Nesse contexto, o Business Intelligence (BI) evoluiu significativamente, especialmente com a incorporação da Inteligência Artificial (IA), proporcionando às organizações ferramentas mais robustas para enfrentar os desafios do mercado. O conceito de BI surgiu na década de 1960, inicialmente focado em sistemas de suporte à decisão que auxiliavam na geração de relatórios e análises descritivas. Com o avanço tecnológico, especialmente nas últimas décadas, o BI evoluiu significativamente, incorporando tecnologias avançadas como a Inteligência Artificial (IA) e o Machine Learning. Essa evolução permitiu que as empresas não apenas analisassem dados históricos, mas também previssem tendências futuras e comportamentos do mercado. Rodrigues (2024) destaca que o BI moderno capacita as organizações a visualizarem seu desempenho passado e presente, além de preverem tendências futuras, tornando-se uma ferramenta indispensável para a tomada de decisões informadas. A implementação do BI nos negócios traz inúmeros benefícios, entre os quais se destacam: • Tomada de decisões informadas: ao fornecer uma visão abrangente das operações, o BI capacita os gestores a tomarem decisões baseadas em dados concretos, reduzindo a incerteza e os riscos associados. • Identificação de oportunidades e riscos: através da análise contínua dos dados, as empresas podem detectar tendências de mercado, comportamentos dos consumidores e possíveis ameaças, permitindo uma resposta proativa e estratégica. Figura 2 – Evolução do Business Intelligence Fonte: Power BI sem segredo (2023). 13TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) • Otimização de processos: o BI possibilita a identificação de gargalos e ineficiências operacionais, promovendo a melhoria contínua e a maximização da produtividade. • Vantagem competitiva: empresas que adotam soluções de BI estão mais aptas a se adaptarem rapidamente às mudanças do mercado, oferecendo produtos e serviços alinhados às necessidades dos clientes e, consequentemente, destacando- se perante a concorrência. No estudo de caso conduzido por Ishii (2017), a aplicação de software de BI em um e-commerce de peças automotivas resultou em um aumento significativo nas vendas e no crescimento do mercado online. A análise detalhada dos dados de vendas permitiu identificar padrões de consumo e ajustar as estratégias de marketinge estoque de forma mais precisa, evidenciando a importância do BI na otimização das operações e na obtenção de vantagem competitiva. Em paralelo ao BI, a IA também foi marcada por avanços significativos que transformaram a maneira como as máquinas interagem com o mundo e auxiliam os seres humanos em diversas atividades. Desde seus primórdios, na década de 1950, com os primeiros experimentos de Alan Turing e John McCarthy, até os dias atuais, a IA passou por diferentes fases, evoluindo de simples sistemas baseados em regras para redes neurais profundas capazes de aprender com grandes volumes de dados. Com os avanços de desenvolvimento e complexidade, IA tornou-se um componente essencial em setores privados e públicos, proporcionando automação inteligente, otimização de processos e tomadas de decisões mais assertivas aos seus usuários. Segundo Soni et al. (2019), a crescente capacidade de processamento computacional e o acesso massivo a dados foram fatores determinantes para impulsionar o desenvolvimento da IA e expandir suas aplicações no ambiente corporativo. A trajetória da IA no mundo dos negócios pode ser dividida em quatro fases distintas: FASE 1 - Início e Pesquisa Fundamental (1950-1980): nesse período, a IA era predominantemente um campo acadêmico, focado em teorias e experimentos básicos. As aplicações práticas eram limitadas, e a tecnologia ainda não havia encontrado espaço significativo no ambiente empresarial. FASE 2 - Primeiras Aplicações Comerciais (1980-2000): com o avanço dos computadores e o desenvolvimento de algoritmos mais sofisticados, as empresas começaram a explorar 14TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) a IA para tarefas específicas, como sistemas especialistas e automação de processos industriais. FASE 3 - Expansão e Integração (2000-2010): a popularização da internet e o aumento exponencial da capacidade de processamento permitiram que a IA fosse integrada em áreas como marketing digital, análise de dados e gestão de relacionamento com clientes. FASE 4 - IA Avançada e Onipresente (2010-presente): atualmente, a IA está profundamente enraizada nas operações empresariais, desde chatbots para atendimento ao cliente até sistemas de recomendação personalizados e análise preditiva de mercado. A combinação de big data, aprendizado de máquina e computação em nuvem ampliou significativamente o alcance e a eficácia das soluções de IA. A adoção da IA nas organizações varia em termos de profundidade e impacto, podendo ser categorizada em diferentes níveis: 1. Automação de tarefas operacionais: • Descrição: uso da IA para automatizar tarefas repetitivas e baseadas em regras, como processamento de dados, controle de estoque e atendimento ao cliente. • Benefícios: aumento da eficiência operacional, redução de erros e liberação de recursos humanos para atividades mais estratégicas. • Exemplo: implementação de chatbots que fornecem atendimento ao cliente 24/7, melhorando a satisfação e reduzindo custos operacionais. 2. Apoio à tomada de decisão: • Descrição: aplicação de sistemas de IA para analisar grandes volumes de dados e fornecer insights que auxiliam na tomada de decisões gerenciais. • Benefícios: decisões mais informadas e baseadas em dados, identificação de tendências de mercado e antecipação de demandas. • Exemplo: uso de ferramentas de análise preditiva para prever o comportamento do consumidor e ajustar estratégias de marketing de acordo. 3. Inovação e desenvolvimento de novos produtos/serviços: • Descrição: emprego da IA para criar novos produtos, serviços ou modelos de negócios que atendam às necessidades emergentes dos clientes. • Benefícios: diferenciação no mercado, criação de novas fontes de receita e fortalecimento da posição competitiva. • Exemplo: desenvolvimento de assistentes virtuais personalizados que melhoram a experiência do usuário e aumentam o engajamento com a marca. 15TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) 4. Transformação organizacional estratégica: • Descrição: integração abrangente da IA em todos os aspectos da organização, levando a uma transformação completa da cultura corporativa e dos processos de negócios. • Benefícios: maior agilidade, capacidade de adaptação rápida às mudanças do mercado e posicionamento como líder inovador no setor. • Exemplo: empresas que reestruturam seus modelos de negócios para se tornarem “AI-first”, na qual a IA orienta todas as decisões estratégicas e operacionais. A evolução da Inteligência Artificial nos negócios reflete uma jornada de inovação contínua e adaptação às demandas de um mercado em constante transformação. À medida que as organizações reconhecem os diferentes níveis de importância da IA, desde a automação básica até a transformação estratégica, elas estão mais bem posicionadas para aproveitar os benefícios dessa tecnologia. No entanto, é crucial que a implementação da IA seja acompanhada de uma compreensão clara de seus impactos, investimento em capacitação e uma abordagem ética que considere as implicações sociais e econômicas. A união do Business Intelligence com a Inteligência Artificial representa um marco na capacidade das empresas de extrair valor dos dados. A IA potencializa o BI ao automatizar processos analíticos, identificar padrões complexos e fornecer insights acionáveis de maneira mais ágil e precisa. Por exemplo, algoritmos de aprendizado de máquina podem analisar comportamentos de clientes e prever tendências de consumo, enquanto técnicas de processamento de linguagem natural permitem a interpretação de dados não estruturados, como comentários em redes sociais. Nesse contexto, essa convergência não apenas aprimora a qualidade das análises, mas também democratiza o acesso às informações, permitindo que profissionais de diversas áreas tomem decisões baseadas em dados com maior assertividade. A integração de BI e IA tem revolucionado diversos setores da economia. No setor financeiro, por exemplo, instituições bancárias utilizam sistemas avançados para prever flutuações de mercado e ajustar suas estratégias de investimento em tempo real. De acordo com um relatório da McKinsey & Company de 2024, empresas que adotaram essa integração registraram um aumento de 25% na eficiência operacional (Pereira, 2024). 16TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) Além disso, a automação de processos e a personalização de serviços resultaram em melhorias significativas na experiência do cliente e na redução de custos operacionais. A capacidade de analisar grandes volumes de dados e extrair insights relevantes posiciona as empresas de maneira competitiva, permitindo-lhes responder rapidamente às dinâmicas do mercado e às necessidades dos consumidores. O futuro do BI aponta para uma integração crescente com tecnologias avançadas, como a Inteligência Artificial e a análise preditiva. Essa combinação tornará as ferramentas de BI mais intuitivas e acessíveis, democratizando o acesso aos dados e permitindo que profissionais de diversas áreas possam utilizá-las de forma eficaz. Rodrigues (2024) enfatiza que o BI está moldando o futuro das decisões corporativas, capacitando as empresas a se adaptarem rapidamente às mudanças do mercado e a se destacarem em um ambiente altamente competitivo. 1.3 Diferenças entre BI tradicional e IA aplicada. No cenário empresarial moderno, o uso de dados para a tomada de decisões estratégicas tornou-se essencial. O Business Intelligence (BI) tradicional e a Inteligência Artificial (IA) aplicada representam duas abordagens tecnológicas que ajudam as organizações a extraírem valor dos dados. Embora ambos os conceitos estejam interligados, eles possuem diferenças significativas em termos de metodologia, capacidades analíticas e impacto nas empresas. Enquanto o BI tradicional se concentra na análisede dados históricos e geração de relatórios, a IA aplicada amplia essas capacidades ao automatizar processos, prever tendências e gerar insights em tempo real. O Business Intelligence (BI) tradicional surgiu como uma resposta à necessidade das empresas de estruturarem e analisar grandes volumes de dados. Seu objetivo principal é transformar dados brutos em informações úteis, auxiliando na tomada de decisão. O BI tradicional utiliza ferramentas como ETL (Extração, Transformação e Carga de Dados), data warehouses e relatórios gerenciais para organizar e visualizar dados históricos. As principais características do BI Tradicional são: • Análise Descritiva: o BI tradicional permite que gestores visualizem dados passados e presentes para entender tendências e padrões. 17TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) • Relatórios e Dashboards: utiliza tabelas, gráficos e painéis de controle para facilitar a interpretação dos dados. • Dependência de Regras e Modelos Fixos: a análise de dados é baseada em filtros predefinidos e requer intervenção humana para ajustes e novas interpretações. • Limitação na Análise Preditiva: embora alguns sistemas de BI possuam ferramentas estatísticas, eles não têm a capacidade de aprendizado contínuo. De acordo com Araújo, Pozzi e Pereira (2022), o BI tradicional foi um dos principais responsáveis pela modernização da gestão empresarial, permitindo que líderes tomassem decisões baseadas em fatos e não apenas em intuição. No entanto, com o aumento exponencial da complexidade dos negócios e do volume de dados gerados, o BI tradicional começou a mostrar limitações, abrindo espaço para soluções mais avançadas, como a Inteligência Artificial aplicada. A Inteligência Artificial aplicada ao BI representa uma evolução significativa na forma como os dados são analisados e utilizados. Diferentemente do BI tradicional, que depende de configurações manuais e modelos predefinidos, a IA introduz a capacidade de aprendizado contínuo por meio de Machine Learning (aprendizado de máquina) e deep learning (aprendizado profundo). As principais características da IA aplicada ao BI: • Análises Preditivas e Prescritivas: a IA não apenas analisa dados passados, mas também prevê padrões futuros e sugere ações estratégicas. • Automação de Processos: reduz a necessidade de intervenção humana ao analisar dados de forma autônoma. • Personalização e Adaptabilidade: a IA pode ajustar análises em tempo real, adaptando-se a mudanças no comportamento do mercado e nas operações da empresa. • Processamento de Linguagem Natural (NLP): permite a interpretação de textos e interações por meio de chatbots e assistentes virtuais. • Detecção de Anomalias: identifica fraudes, padrões incomuns e oportunidades escondidas nos dados. Segundo Ishii (2017), “a aplicação de IA em sistemas de BI potencializa a competitividade das empresas ao permitir análises em tempo real e maior precisão na tomada de decisões estratégicas”. A IA aplicada ao BI proporciona às empresas um nível superior de inteligência organizacional, permitindo decisões mais rápidas e eficientes. 18TÓPICO 1 INTRODUÇÃO AO BUSINESS INTELLIGENCE (BI) E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) TABELA 1 – DIFERENÇAS ENTRE BI TRADICIONAL E IA APLICADA Fonte: o autor (2025). Característica BI Tradicional IA Aplicada ao BI Tipo de Análise Descritiva (dados passados e presentes). Preditiva e prescritiva (futuro e recomendações). Intervenção Humana Alta – Necessidade de definir métricas e relatórios. Baixa – Algoritmos aprendem e ajustam modelos automaticamente. Automação Limitada, depende de comandos humanos. Alta, com processos que funcionam de forma independente. Capacidade de Processamento Baseada em regras e filtros predefinidos. Aprendizado contínuo e adaptação em tempo real. Tempo de Resposta Requer tempo para a preparação de relatórios. Respostas instantâneas com análise em tempo real. A principal vantagem do BI tradicional é a confiabilidade e a transparência dos dados apresentados, uma vez que as análises seguem regras bem definidas e replicáveis. Já a IA aplicada ao BI destaca-se por sua capacidade de prever tendências e automatizar processos, reduzindo significativamente o tempo necessário para análise e interpretação dos dados. A integração da IA ao BI tradicional está transformando o campo da inteligência de negócios. Ferramentas de IA podem automatizar tarefas repetitivas de análise de dados, liberar analistas para atividades mais estratégicas, realizar análises preditivas para antecipar tendências e identificar padrões ocultos em grandes volumes de dados, que seriam difíceis de serem detectados por humanos. A tabela abaixo apresenta as principais diferenças entre as duas abordagens: Tópico 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS 20TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS A coleta e o armazenamento de dados são pilares fundamentais na gestão da informação, desempenhando um papel crucial na eficiência operacional e na tomada de decisões estratégicas das organizações. Com o avanço tecnológico e a crescente digitalização, a capacidade de coletar, armazenar e processar grandes volumes de dados tornou-se essencial para empresas que buscam se manter competitivas no mercado atual. A coleta de dados envolve a obtenção de informações relevantes de diversas fontes, sejam elas internas, como sistemas operacionais e transacionais, ou externas, como redes sociais e fontes públicas. A eficácia desse processo depende da implementação de sistemas robustos que garantam a precisão, integridade e atualidade dos dados coletados. Conforme destacado por Reibel (2008), a utilização de sistemas informatizados de gestão de coleções facilita a inserção, edição e exclusão de dados, além de permitir consultas e a geração de relatórios, otimizando o gerenciamento das informações. O armazenamento de dados, por sua vez, refere-se à maneira como as informações são organizadas e mantidas para uso futuro. A adoção de bancos de dados relacionais e armazéns de dados (data warehouses) tem sido uma prática comum nas organizações. Essas tecnologias permitem a consolidação de dados provenientes de diferentes fontes, facilitando a análise e a geração de insights estratégicos. Conforme descrito na literatura, os armazéns de dados são utilizados para armazenar informações relativas às atividades de uma organização de forma consolidada, favorecendo relatórios e a análise de grandes volumes de dados, o que auxilia na tomada de decisões. A preservação digital é outro aspecto essencial a ser considerado no contexto do armazenamento de dados. Ela envolve estratégias e práticas destinadas a garantir que as informações digitais permaneçam acessíveis e utilizáveis ao longo do tempo, mesmo diante da obsolescência tecnológica. A implementação de metadados de preservação, que incluem informações técnicas sobre os objetos digitais e seu ambiente de criação, é fundamental para manter a integridade e autenticidade dos dados armazenados. 2.1 Tipos de dados (estruturados, não estruturados e semiestruturados). A compreensão dos diferentes tipos de dados é essencial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de coleta, armazenamento e análise de informações nas organizações. 21TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS Os dados podem ser classificados em três categorias principais: dados estruturados, dados semiestruturados e dados não estruturados. Cada categoria possui características específicas que influenciam a forma como são gerenciados e utilizados. Dados estruturados são informações organizadas em um formato rígido e predefinido, facilitando sua inserção, consulta e análise em sistemas computacionais. Geralmente, esses dados são armazenados em tabelas de bancos de dados relacionais, onde cada registro segue um esquema fixo com campos específicos. Exemplos comuns incluem: • Bancos de dadosrelacionais: tabelas contendo registros de clientes, produtos ou transações financeiras. • Planilhas eletrônicas: listas de inventário, cronogramas ou relatórios financeiros organizados em linhas e colunas. A principal vantagem dos dados estruturados é a facilidade de acesso e manipulação, permitindo operações eficientes de busca e análise. No entanto, sua rigidez estrutural pode limitar a flexibilidade na captura de informações mais complexas ou variáveis. De acordo com a AWS, os dados estruturados obedecem a um formato rígido, conhecido como modelo ou esquema de dados predefinido. Os dados semiestruturados possuem uma estrutura organizacional, mas não seguem um modelo rígido como os dados estruturados. Eles contêm tags ou marcadores que delimitam elementos e impõem hierarquias, permitindo alguma organização sem a necessidade de um esquema fixo. Exemplos incluem: • XML e JSON: formatos utilizados para representar dados com uma estrutura flexível, frequentemente empregados em APIs e transferência de informações entre sistemas. • E-mails: mensagens que possuem campos padronizados (remetente, destinatário, assunto), mas cujo conteúdo pode variar significativamente. A flexibilidade dos dados semiestruturados facilita a adaptação a diferentes tipos de informações e a integração entre sistemas diversos. Contudo, essa flexibilidade pode aumentar a complexidade na análise e processamento, exigindo ferramentas específicas para interpretar e extrair valor desses dados. Conforme destacado pela AWS, os dados semiestruturados estão entre os dados 22TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS estruturados e os não estruturados, como no caso de um armazenamento de vídeos que possui tags de dados estruturados associadas a cada arquivo. E os dados não estruturados são informações que não seguem uma estrutura predefinida ou modelo de dados específico. Eles podem ter uma estrutura interna, mas não estão organizados de maneira que facilite seu processamento por sistemas tradicionais. Exemplos típicos incluem: • Arquivos de texto livre: documentos do Word, PDFs ou artigos que não seguem um formato estruturado. • Conteúdos multimídia: imagens, vídeos e áudios que não possuem uma estrutura textual ou tabular. • Postagens em redes sociais: comentários, tweets e atualizações de status com formatos e conteúdos variados. Embora os dados não estruturados representem uma parcela significativa das informações disponíveis, sua análise é desafiadora devido à ausência de uma estrutura definida. Tecnologias avançadas, como processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina, são frequentemente utilizadas para extrair insights desses dados. De acordo com a AWS, os dados não estruturados não se encaixam em um esquema e podem incluir exemplos como uma coleção de arquivos de vídeo. A classificação dos dados em estruturados, semiestruturados e não estruturados é essencial para determinar as abordagens adequadas de armazenamento, processamento e análise. Compreender essas diferenças permite às organizações selecionarem as ferramentas e estratégias mais eficazes para extrair valor das informações, aprimorando a tomada de decisões e a eficiência operacional. De maneira resumida, podemos definir: TABELA 2 – TIPOS DE DADOS Dados estruturados Natureza organizada e altamente acessível, são ideais para aplicações que exigem consultas rápidas e precisas, como relatórios financeiros, sistemas de gestão empresarial (Enterprise Resource Planning – ERP) e bancos de dados relacionais. No entanto, sua limitação em relação à flexibilidade pode restringir sua aplicabilidade em cenários mais dinâmicos, onde há necessidade de processar informações menos padronizadas. 23TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS Dados semiestruturados Representam um meio-termo entre organização e flexibilidade. Seu uso é amplamente observado em aplicações que precisam de algum nível de estrutura, mas não podem ser completamente definidas de forma rígida, como no caso de arquivos JSON e XML utilizados para intercâmbio de dados na web, armazenamento de logs de sistemas e até mesmo bancos de dados NoSQL. O desafio aqui está na interpretação desses dados, que pode exigir ferramentas especializadas para extração e análise eficazes. Dados não estruturados Cada vez mais predominantes no ambiente digital atual. Estima-se que mais de 80% dos dados gerados atualmente sejam desse tipo, abrangendo desde documentos de texto, imagens, vídeos, até postagens em redes sociais e registros de voz (Amazon Web Services, s.d.). Sua análise, no entanto, requer tecnologias avançadas, como processamento de linguagem natural (NLP), visão computacional e inteligência artificial, para extrair insights valiosos. Empresas que lidam com grandes volumes de dados não estruturados, como plataformas de streaming de vídeo, redes sociais e serviços de atendimento ao cliente baseados em chatbots, precisam investir fortemente em ferramentas de big data e machine learning para transformar essas informações em valor estratégico. Fonte: o autor (2025). Compreender essas diferenças não apenas capacita a escolha das melhores soluções para desafios empresariais e tecnológicos, mas também leva à reflexão sobre o impacto do crescimento exponencial de dados no mundo moderno. Dessa forma, além de aprender sobre os aspectos técnicos do gerenciamento de dados, os futuros profissionais da área de tecnologia e gestão precisam desenvolver uma visão crítica sobre a maneira como os dados são coletados, armazenados e utilizados nas organizações e na sociedade como um todo. Essa reflexão permitirá que se tornem profissionais capacitados para tomar decisões baseadas em dados, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis no cenário digital. 2.2 Data Warehousing e Data Lakes 24TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS No cenário atual da tecnologia da informação, a gestão eficiente de grandes volumes de dados é essencial para as organizações. Duas abordagens destacam-se nesse contexto: Data Warehousing e Data Lakes. 2.2.1 Data Warehousing Data Warehousing refere-se ao processo de coletar, armazenar e gerenciar dados de diversas fontes para facilitar a análise e a geração de relatórios. Um Data Warehouse é um repositório centralizado que armazena dados estruturados, permitindo consultas complexas e análises avançadas. Esses sistemas são projetados para otimizar o processamento analítico online (OLAP), oferecendo suporte à tomada de decisões estratégicas nas organizações. De acordo com Mazumdar, Hughes e Onofré (2023), os sistemas de gerenciamento de banco de dados relacional voltados para processamento analítico têm sido fundamentais para democratizar dados e viabilizar casos de uso analítico, como inteligência de negócios e relatórios, por muitos anos. As principais características de um Data Warehouse incluem: a) Estruturação Rígida: os dados são organizados em esquemas e tabelas predefinidas, garantindo consistência e integridade. b) Qualidade dos Dados: antes de serem carregados no Data Warehouse, os dados passam por processos de limpeza e transformação para assegurar sua precisão e relevância. c) Desempenho Otimizado: projetados para consultas rápidas e eficientes, mesmo com grandes volumes de dados. No entanto, os Data Warehouses apresentam limitações ao lidar com dados não estruturados ou semiestruturados, como logs de servidores, mídias sociais e arquivos multimídia. Além disso, a rigidez na estruturação pode dificultar a adaptação a novas necessidades de negócios ou fontes de dados emergentes. 2.2.2 Data Lakes Em contraste, um Data Lake é um repositório centralizado que permite armazenar todos os 25TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS dados, estruturados ou não, em sua forma bruta e em qualquer escala. Essa abordagem oferece flexibilidade para armazenar dados em seus formatos originais, permitindodiferentes tipos de análises, desde dashboards e visualizações até processamento de big data, análises em tempo real e aprendizado de máquina. As principais características de um Data Lake são: a) Flexibilidade de Armazenamento: capacidade de armazenar dados estruturados, semiestruturados e não estruturados sem a necessidade de pré-processamento. b) Escalabilidade: projetados para lidar com grandes volumes de dados, podendo escalar horizontalmente conforme a demanda. c) Acessibilidade: permitem que diferentes usuários acessem e analisem os dados conforme suas necessidades específicas, utilizando diversas ferramentas e linguagens de programação. Entretanto, a falta de estruturação pode levar a desafios relacionados à governança e à qualidade dos dados, resultando no que é conhecido como “pântano de dados” (data swamp), onde os dados se tornam incontroláveis e difíceis de usar. A principal diferença entre Data Warehouses e Data Lakes reside na forma como os dados são armazenados e gerenciados. Enquanto os Data Warehouses exigem que os dados sejam estruturados e processados antes do armazenamento (schema-on-write), os Data Lakes permitem que os dados sejam armazenados em seu formato bruto e sejam processados quando necessário (schema-on-read). Essa diferença implica em distintas aplicações: • Data Warehouses: ideais para análises de dados estruturados, relatórios empresariais e suporte à decisão, onde a consistência e a qualidade dos dados são cruciais. • Data Lakes: mais adequados para armazenar grandes volumes de dados diversos, suportando análises exploratórias, aprendizado de máquina e processamento de dados em tempo real. 26TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS FIGURA 3 – DIFERENÇA ENTRE DATA WAREHOUSE E DATA LAKE Fonte: Rocha (2023). É importante notar que essas tecnologias não são mutuamente exclusivas. Muitas organizações adotam uma abordagem híbrida, utilizando Data Lakes para armazenar dados brutos e Data Warehouses para dados processados e estruturados, otimizando assim suas estratégias de gerenciamento de dados. 2.3 Ferramentas e tecnologias para coleta de dados A coleta de dados é um processo fundamental no mundo da tecnologia. Ele permite que empresas e organizações armazenem, analisem e utilizem informações para melhorar suas operações e tomar decisões mais inteligentes. Atualmente, existem diversas ferramentas e tecnologias que ajudam nesse processo, desde bancos de dados até inteligência artificial. Abaixo, serão exploradas algumas dessas ferramentas, explicando como elas funcionam de forma simples e clara, para que seja possível compreender como os dados são coletados, armazenados e utilizados. Os dados são informações que usamos no dia a dia, como números, textos, imagens e vídeos. Empresas utilizam esses dados para entender melhor seus clientes, melhorar 27TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS produtos e serviços e tomar decisões estratégicas. A coleta de dados pode acontecer de diferentes maneiras: 1. Manual – Quando uma pessoa registra informações, como em formulários de cadastro. 2. Automática – Quando um sistema coleta os dados sozinho, como sensores de temperatura ou sites que registram cliques de usuários. A escolha da ferramenta certa para coletar dados depende do tipo de informação que está sendo buscada e do objetivo da coleta. 2.3.1. Ferramentas para coletar dados estruturados (dados organizados) Os dados estruturados são aqueles organizados de maneira fixa, como tabelas em planilhas ou bancos de dados. Eles são fáceis de buscar e analisar, pois seguem um formato bem definido. a) Bancos de Dados Relacionais Os bancos de dados relacionais são uma das ferramentas mais comuns para armazenar dados estruturados. Eles organizam as informações em tabelas (como uma planilha do Excel), onde cada linha representa um registro e cada coluna representa um tipo de informação. Algumas ferramentas populares incluem: • MySQL e PostgreSQL – Muito usados em sites e aplicativos para armazenar cadastros de usuários e transações. • Microsoft SQL Server – Comum em grandes empresas que precisam armazenar muitos dados com segurança. • Oracle Database – Usado em setores como bancos e hospitais para armazenar informações críticas. Esses bancos de dados ajudam empresas a coletar informações como compras feitas em lojas online, pedidos de comida em aplicativos e até históricos de pacientes em hospitais. Segundo Mazumdar, Hughes e Onofré (2023), os bancos de dados relacionais são essenciais para empresas que precisam de dados organizados e confiáveis para análise e relatórios. 2.3.2. Ferramentas para coletar dados não estruturados (dados sem formato fixo) 28TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS Muitas informações que usamos no dia a dia não seguem um formato fixo. Vídeos no YouTube, imagens no Instagram e comentários em redes sociais são exemplos de dados não estruturados, pois não podem ser organizados em tabelas simples. Para armazenar esse tipo de informação, usamos Data Lakes. Eles funcionam como grandes depósitos onde os dados são armazenados de forma bruta, sem precisarem ser organizados imediatamente. Algumas ferramentas populares para armazenar e coletar dados não estruturados incluem: • Amazon S3 – Utilizado por empresas para armazenar vídeos, fotos e outros arquivos grandes. • Google Cloud Storage – Um serviço de armazenamento na nuvem usado para salvar grandes quantidades de dados. • Microsoft Azure Data Lake – Permite armazenar dados de diversas fontes e analisá-los de diferentes formas. Netflix, por exemplo, usa Data Lakes para armazenar informações sobre os filmes que os usuários assistem, ajudando a recomendar novas opções com base no que foi visto anteriormente. Segundo a empresa Microsoft Azure (s.d.), os Data Lakes são essenciais para empresas que precisam armazenar dados diversos e analisá-los com ferramentas de inteligência artificial. 2.3.3. Coleta de dados em tempo real Em alguns casos, os dados precisam ser coletados no momento em que acontecem, sem esperar que sejam armazenados primeiro. Isso é importante em áreas como: • Bancos – Para detectar fraudes em tempo real. • E-commerce – Para sugerir produtos com base na navegação do usuário. • Jogos online – Para registrar estatísticas dos jogadores enquanto eles jogam. Uma ferramenta muito utilizada para isso é o Apache Kafka, que permite que informações sejam capturadas e analisadas instantaneamente. Segundo Soni et al. (2019), tecnologias como Apache Kafka ajudam empresas a processar grandes quantidades de dados em tempo real, melhorando a tomada de decisões. 2.3.4. Coleta de dados da internet (Web Scraping) A internet contém uma grande quantidade de informações que podem ser úteis para 29TÓPICO 2 COLETA E ARMAZENAMENTO DE DADOS empresas, pesquisadores e governos. Web scraping é a técnica usada para coletar dados automaticamente de sites. • BeautifulSoup e Scrapy (Python) – Muito usadas para extrair informações de sites de notícias, redes sociais e lojas virtuais. • Google DataScraper – Serviço de inteligência artificial que coleta informações sobre tendências da internet. Empresas de turismo, por exemplo, usam web scraping para monitorar preços de passagens aéreas e ajustar tarifas automaticamente conforme a concorrência. 2.3.5. Segurança na coleta de dados Independentemente da tecnologia utilizada, é importante garantir que a coleta de dados seja feita de forma segura e dentro da lei. Algumas regras fundamentais incluem: • Criptografia – Para proteger os dados contra-ataques. • Controle de acesso – Para garantir que apenas pessoas autorizadas tenham acesso às informações. • Conformidade com a LGPD e GDPR – Regulamentações que garantem que os dados dos usuários sejam protegidos e usados corretamente. A coleta de dados é um processo essencial para empresas que querem tomar decisões mais inteligentes e melhorar seus serviços. Ferramentascomo bancos de dados relacionais, Data Lakes, coleta em tempo real e web scraping são amplamente utilizadas para capturar e armazenar informações de diversas fontes. Cada tecnologia tem seu uso específico, e a escolha da ferramenta certa depende do tipo de dados e do objetivo da coleta. Além disso, a segurança dos dados deve sempre ser uma prioridade, garantindo que as informações sejam protegidas e utilizadas corretamente. Tópico 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO 31TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO A análise de dados e a visualização de dados são fundamentais na ciência de dados, permitindo transformar informações brutas em insights compreensíveis e acionáveis. A análise de dados envolve a inspeção, limpeza e modelagem de dados com o objetivo de descobrir informações úteis, chegando a conclusões e apoiando a tomada de decisões. Já a visualização de dados refere-se à representação gráfica dessas informações, facilitando a interpretação e comunicação dos resultados. Nos últimos anos, a importância destes assuntos tem sido amplamente reconhecida em diversas áreas do conhecimento. Por exemplo, na bioestatística, técnicas de análise e visualização de dados são utilizadas para interpretar variáveis biológicas e médicas, auxiliando na compreensão de fenômenos complexos e na tomada de decisões clínicas. Ferramentas como diagramas de caixa (boxplots) são empregadas para resumir visualmente a distribuição de um conjunto de dados, evidenciando medidas de tendência central e dispersão, além de identificar possíveis outliers. Outro exemplo é o biplot, uma técnica gráfica que permite a visualização simultânea de amostras e variáveis em análises multivariadas, facilitando a interpretação de relações complexas entre múltiplas dimensões. Com o avanço das tecnologias e o aumento exponencial da geração de dados, a análise e a visualização tornaram-se ainda mais cruciais. A capacidade de processar grandes volumes de dados e apresentá-los de maneira intuitiva é essencial para profissionais de diversas áreas, desde cientistas de dados até gestores e tomadores de decisão. 3.1 Ferramentas de análise de dados (Power BI, Tableau, Google Data Studio). No cenário atual, a análise de dados tornou-se essencial para organizações que buscam tomar decisões informadas e estratégicas. Ferramentas de Business Intelligence (BI) desempenham um papel crucial nesse processo, permitindo a coleta, processamento e visualização de dados de maneira eficiente. Abaixo serão explicadas as ferramentas Power BI, Tableau e Looker Studio (anteriormente conhecido como Google Data Studio) e suas diferenças. 3.1.1 Power BI Desenvolvido pela Microsoft, o Power BI é uma ferramenta de análise de negócios que oferece visualizações interativas e recursos de BI com uma interface simples para criação 32TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO de relatórios e dashboards personalizados. Lançado em 2015, o Power BI rapidamente se destacou por sua capacidade de integração com diversos serviços da Microsoft e outras fontes de dados. Ele utiliza a linguagem de fórmulas DAX (Data Analysis Expressions) para realizar cálculos e agregações de dados, proporcionando análises detalhadas e insights profundos. A integração com ferramentas como Excel e Azure facilita a adoção do Power BI em ambientes corporativos que já utilizam soluções Microsoft. Principais funcionalidades do Power BI: • Conexão com múltiplas fontes de dados: o Power BI permite importar e conectar dados de diversas origens, como planilhas do Excel, bancos de dados, serviços em nuvem e até mesmo plataformas online. • Criação de relatórios interativos: com uma interface intuitiva, é possível desenvolver relatórios que permitem explorar os dados de maneira dinâmica, facilitando a identificação de tendências e padrões. • Dashboards personalizados: os dashboards do Power BI oferecem uma visão consolidada das métricas mais relevantes, permitindo monitorar indicadores-chave de desempenho em tempo real. • Atualizações automáticas: a ferramenta possibilita agendar atualizações automáticas dos dados, garantindo que as informações apresentadas estejam sempre atualizadas. • Compartilhamento e colaboração: usuários podem compartilhar dashboards e relatórios com colegas ou equipes, promovendo uma cultura de colaboração e alinhamento estratégico. FIGURA 4 - POWER BI Fonte: Freepik (2025). Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/painel-do-usuario-do-painel-infografi- co_6209783.htm# Acesso em: 15 fev. 2025. 33TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO O Power BI tem se destacado como uma ferramenta essencial no contexto do Business Intelligence (BI), permitindo a análise de dados de maneira interativa e visualmente intuitiva. Segundo Franco e Rodrigues (2020), o Power BI se diferencia por sua capacidade de integrar múltiplas fontes de dados, oferecer painéis dinâmicos e permitir análises preditivas, facilitando a tomada de decisões baseadas em dados concretos. Além disso, os autores destacam que a ferramenta desempenha um papel fundamental na ciência de dados, pois possibilita a exploração de grandes volumes de informações de maneira acessível, mesmo para usuários que não possuem conhecimentos avançados em programação. Essa característica torna o Power BI uma opção atrativa tanto para pequenas empresas quanto para grandes corporações que buscam otimizar suas operações e melhorar sua competitividade no mercado. 3.1.2 Tableau O Tableau é uma ferramenta líder em Business Intelligence (BI) e visualização de dados, projetada para tornar a análise de dados acessível e intuitiva para usuários de diversos níveis de habilidade. Ela capacita indivíduos e organizações a transformarem dados brutos em painéis interativos e compartilháveis, fornecendo insights que impulsionam a tomada de decisões informadas. Fundada em 2003, a Tableau surgiu de um projeto de ciência da computação na Universidade Stanford, que tinha como objetivo melhorar o fluxo de análise e tornar os dados mais acessíveis por meio da visualização. Em 2019, a Tableau foi adquirida pela Salesforce, uma das maiores empresas de software de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) do mundo, por 15,7 bilhões de dólares. Essa aquisição permitiu a integração das capacidades analíticas avançadas do Tableau com as soluções de CRM da Salesforce, ampliando o alcance e a aplicabilidade da ferramenta no mercado corporativo. O Tableau é amplamente utilizado por profissionais de diversas áreas para transformar dados complexos em visualizações compreensíveis e interativas. Sua interface intuitiva permite que usuários criem dashboards personalizados, facilitando a identificação de tendências, padrões e insights acionáveis. Além disso, a ferramenta suporta a conexão com múltiplas fontes de dados, como planilhas, bancos de dados e serviços em nuvem, 34TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO permitindo uma análise integrada e abrangente. No cotidiano empresarial, o Tableau auxilia na elaboração de relatórios gerenciais, monitoramento de indicadores de desempenho e identificação de oportunidades de melhoria. Por exemplo, equipes de marketing podem analisar o comportamento do consumidor, enquanto departamentos financeiros monitoram métricas de desempenho econômico. A capacidade de criar histórias com dados também permite que os usuários apresentem suas descobertas de maneira narrativa, facilitando a comunicação e a tomada de decisões estratégicas. Em suma, o Tableau evoluiu de um projeto acadêmico para uma ferramenta essencial no mundo dos negócios, capacitando usuários a ver e entender seus dados de maneira eficiente e eficaz. Sua usabilidade no dia a dia reflete seu compromisso com a democratização da análise de dados e a promoção de uma cultura orientada por insights. 3.1.3 Looker Studio O Looker Studio, anteriormente conhecido como Google Data Studio, é uma ferramentaonline gratuita desenvolvida pelo Google que permite transformar dados brutos em relatórios e dashboards interativos e personalizáveis. Lançada em 15 de março de 2016 como parte do pacote empresarial Google Analytics 360, a ferramenta foi disponibilizada gratuitamente para indivíduos e pequenas equipes em maio do mesmo ano. As principais funcionalidades são: • Conexão com múltiplas fontes de dados: o Looker Studio suporta a integração com diversas fontes de dados, incluindo Google Analytics, Google Ads, Google Sheets, BigQuery, entre outras. Além disso, oferece suporte a mais de 800 fontes de dados, permitindo que os usuários conectem dados de diferentes origens para uma análise abrangente. • Criação de relatórios personalizados: a ferramenta oferece uma variedade de opções de personalização, permitindo que os usuários ajustem layouts, cores, fontes e tamanhos de tela dos dashboards para melhor representar seus dados e alinhar-se à identidade visual da empresa. • Interatividade e colaboração: os relatórios criados no Looker Studio são interativos, permitindo que os visualizadores ajustem filtros, seletores de data e outras opções dinâmicas sem a necessidade de modificar a configuração original do relatório. Além disso, a plataforma suporta colaboração em tempo real, permitindo que múltiplos usuários trabalhem simultaneamente na criação e edição de relatórios. 35TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO Evolução e Rebranding: Em junho de 2019, o Google adquiriu a empresa de análise de dados Looker por US$ 2,6 bilhões, com o objetivo de aprimorar suas ofertas de BI e análise de dados. Inicialmente, o Google Data Studio e o Looker operavam como produtos separados. No entanto, em outubro de 2022, o Google anunciou a rebranding do Google Data Studio para Looker Studio, unificando suas ferramentas de BI sob a marca Looker. Essa mudança foi acompanhada pelo lançamento do Looker Studio Pro, uma versão paga que oferece recursos adicionais para colaboração e gerenciamento em equipes empresariais. Usabilidade no dia a dia: O Looker Studio é amplamente utilizado por profissionais de marketing, analistas de dados e equipes de vendas para monitorar métricas de desempenho, analisar tendências e compartilhar insights com stakeholders. Sua interface intuitiva e a capacidade de integrar múltiplas fontes de dados tornam a ferramenta acessível tanto para usuários iniciantes quanto para profissionais experientes em análise de dados. O Looker Studio evoluiu para se tornar uma plataforma robusta de visualização e análise de dados, capacitando usuários a transformar dados complexos em insights acionáveis por meio de relatórios e dashboards interativos. 3.1.4 Comparação entre as Ferramentas Embora todas as três ferramentas tenham como objetivo principal a análise e visualização de dados, cada uma possui características que podem torná-las mais adequadas a diferentes contextos: I. Usabilidade e Interface A facilidade de uso é um critério fundamental ao escolher uma ferramenta de BI, pois impacta diretamente na adoção da solução por usuários de diferentes níveis de experiência. • Power BI: possui uma interface intuitiva, especialmente para usuários que já estão familiarizados com o ecossistema Microsoft. Sua abordagem de arrastar e soltar facilita a criação de relatórios e dashboards, mas a curva de aprendizado pode ser mais acentuada quando se deseja explorar DAX (Data Analysis Expressions) para cálculos avançados. • Tableau: reconhecido por sua interface altamente interativa e amigável, o Tableau 36TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO permite a construção de visualizações sofisticadas de forma simples. Seu diferencial está no alto nível de personalização dos gráficos e dashboards, tornando-o uma das ferramentas preferidas por analistas de dados e cientistas de dados. • Looker Studio: tem a interface mais simples e intuitiva das três ferramentas, sendo uma excelente opção para iniciantes. Como é uma ferramenta baseada na web, sua estrutura é leve e de fácil navegação, permitindo a criação rápida de relatórios e dashboards interativos sem a necessidade de conhecimento técnico avançado. Resumo: • Looker Studio - Melhor para iniciantes. • Power BI - Ideal para usuários do ecossistema Microsoft. • Tableau - Melhor para quem busca alto nível de personalização. II. Integrações e Conectividade com Dados A capacidade de conectar-se a múltiplas fontes de dados é essencial para qualquer ferramenta de BI. • Power BI: integra-se de forma nativa com Excel, SQL Server, Azure, Dynamics 365 e outras ferramentas Microsoft. Além disso, permite conexão com APIs e bancos de dados externos. • Tableau: conecta-se a uma ampla variedade de fontes de dados, incluindo Google BigQuery, Amazon Redshift, Snowflake e SQL Server. Sua capacidade de manipular grandes conjuntos de dados de forma eficiente o torna ideal para projetos mais complexos. • Looker Studio: a maior vantagem está na integração direta com Google Analytics, Google Ads, Google Sheets e BigQuery, tornando-o a melhor opção para quem já utiliza ferramentas do Google. No entanto, seu suporte a outras fontes de dados pode ser mais limitado em comparação com Power BI e Tableau. Resumo: • Looker Studio - Melhor para usuários do Google. • Power BI - Melhor para usuários Microsoft. • Tableau - Melhor para quem precisa de conectividade diversificada. III. Funcionalidades Avançadas As três ferramentas oferecem recursos poderosos, mas variam em termos de capacidade 37TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO analítica e inteligência de dados. • Power BI: possui recursos avançados de Machine Learning e inteligência artificial (IA) dentro do Microsoft Azure. Permite a criação de modelos preditivos e análise detalhada com DAX. • Tableau: destaca-se pela visualização avançada de dados, proporcionando gráficos altamente personalizáveis. Seu recurso Tableau Prep facilita a limpeza e a transformação de dados antes da análise. • Looker Studio: Mais simples em termos de funcionalidades avançadas. Sua principal vantagem é a colaboração em tempo real, permitindo que múltiplos usuários editem e compartilhem relatórios de forma integrada com outras ferramentas do Google. Resumo: • Power BI - Melhor para análise avançada com machine learning. • Tableau - Melhor para visualizações sofisticadas. • Looker Studio - Melhor para colaboração e relatórios rápidos. IV. Custo e Modelos de Licenciamento O fator custo pode ser decisivo na escolha de uma ferramenta de análise de dados. • Power BI: Possui uma versão gratuita, mas com limitações. O Power BI Pro custa cerca de US$ 10 por usuário/mês, e o Power BI Premium pode chegar a US$ 20 por usuário/mês, oferecendo mais capacidade de armazenamento e recursos avançados. • Tableau: O Tableau Public é gratuito, mas os planos empresariais são caros. O Tableau Creator custa cerca de US$ 70 por usuário/mês, sendo uma das opções mais robustas para empresas. • Looker Studio: Gratuito para a maioria dos usuários. O Looker Studio Pro, lançado recentemente, oferece recursos empresariais pagos, mas seu custo ainda não é amplamente divulgado. Resumo: • Looker Studio - Melhor custo-benefício para usuários individuais e pequenas equipes. • Power BI - Melhor custo para empresas que já utilizam a Microsoft. • Tableau - Melhor para empresas que precisam de recursos avançados e estão dispostas a pagar mais. 38TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO V. Público-Alvo e Melhor Aplicação Cada ferramenta atende a diferentes perfis de usuários e cenários de aplicação. • Power BI: melhor para empresas que já usam Microsoft e precisam de análises mais detalhadas. • Tableau: melhor para cientistas de dados, analistas de negócios e profissionais que necessitam de visualizações avançadas. • Looker Studio: melhor para pequenas equipes, profissionais de marketing e usuários que trabalham com o ecossistema Google. A escolha entre PowerBI, Tableau e Looker Studio depende das necessidades específicas de cada usuário ou empresa. • Se a busca é por facilidade de uso, colaboração e custo zero, o Looker Studio é a melhor opção. • Se o foco é de análises avançadas e integração com Microsoft, escolha o Power BI. • Se a utilização for para visualização de dados de alta qualidade e análises mais sofisticadas, o Tableau é a ferramenta ideal. Independentemente da ferramenta escolhida, todas oferecem soluções robustas para a TABELA 3 – COMPARATIVO ENTRE POWER BI, TABLEAU E LOOKER STUDIO Fonte: o autor (2025). Critério Power BI Tableau Looker Studio Facilidade de Uso Média Alta Alta Integrações Melhor para Microsoft Melhor para diversas fontes Melhor para Google Funcionalidades IA e Machine Learning Visualização avançada Relatórios e colaboração Custo $$ $$$ Grátis Público-Alvo Empresas Microsoft Cientistas de dados Profissionais de marketing 39TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO análise e visualização de dados, ajudando profissionais e empresas a tomar decisões mais informadas e estratégicas. 3.2 - Técnicas de visualização para tomada de decisões estratégicas. A visualização de dados desempenha um papel fundamental na tomada de decisões estratégicas dentro das organizações, pois permite a análise eficiente de grandes volumes de informações, facilitando a identificação de padrões e tendências que impactam diretamente a gestão empresarial. Segundo Freitas (2021, p. 23), a adoção de ferramentas de Business Intelligence (BI) permite que empresas utilizem indicadores de desempenho de maneira estruturada, transformando dados brutos em relatórios visuais que auxiliam a gestão de compras, controle de custos e seleção de fornecedores. Abaixo, seguem algumas técnicas utilizadas nas organizações atualmente, que visam mais assertividade na tomada de direcionamentos. 3.2.1 - Dashboards Interativos para Monitoramento de Indicadores Os dashboards interativos são uma das técnicas mais eficazes para consolidar e apresentar informações de maneira clara e objetiva. Essas ferramentas permitem que gestores acompanhem indicadores-chave de desempenho (KPIs) em tempo real, possibilitando uma resposta ágil às variações e problemas emergentes. Segundo Freitas (2021, p. 28), “a implementação de dashboards no setor de compras de uma organização permite o acompanhamento de métricas como prazos de entrega, custos de aquisição e desempenho de fornecedores, otimizando processos e reduzindo desperdícios.” Dessa forma, os dashboards atuam como painéis de controle, auxiliando os tomadores de decisão na identificação rápida de tendências e anomalias. Empresas de varejo utilizam dashboards para monitorar o desempenho de fornecedores e prever demandas sazonais. Indústrias podem acompanhar o custo de matéria-prima e tempos de entrega para evitar rupturas na cadeia de suprimentos. 40TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO 3.2.2 Análise de Tendências com Gráficos Temporais Os gráficos de tendência são ferramentas essenciais para visualizar variações de desempenho ao longo do tempo. Eles permitem identificar padrões sazonais e prever cenários futuros com base em dados históricos. Freitas (2021, p. 30) destaca que “o uso de gráficos de séries temporais no setor de compras permite identificar sazonalidades nos preços de insumos, facilitando negociações estratégicas com fornecedores.” Ao utilizar esses gráficos, as empresas conseguem antecipar oscilações de preços e otimizar o planejamento de compras. • Análise do comportamento de preços: empresas podem utilizar gráficos de tendência para prever o melhor momento de aquisição de matéria-prima, minimizando custos. • Monitoramento da demanda: permite avaliar flutuações no consumo e ajustar estoques de maneira eficiente. 3.2.3 - Mapas de Calor para Priorização de Ações Os mapas de calor são representações gráficas que utilizam cores para indicar a intensidade de valores em uma matriz de dados. No contexto empresarial, essa técnica é amplamente utilizada para destacar áreas problemáticas e oportunidades de melhoria. Conforme Freitas (2021, p. 32), “o uso de mapas de calor no setor de compras auxilia na identificação dos fornecedores com maior número de atrasos ou falhas na qualidade, permitindo ações corretivas direcionadas.” Dessa maneira, os gestores podem priorizar negociações e auditorias nos fornecedores com maior impacto negativo nas operações. • Monitoramento de qualidade de fornecedores: empresas podem visualizar em quais regiões geográficas há mais ocorrências de não conformidade. • Gestão de custos: identifica quais produtos ou serviços representam os maiores gastos dentro de um período específico. 3.2.4 - Aplicação da Regra de Pareto (80/20) com Gráficos de Pareto A Análise de Pareto, baseada no princípio 80/20, é uma técnica que auxilia a priorização de esforços e recursos. O gráfico de Pareto é uma ferramenta visual que classifica os 41TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO problemas em ordem de impacto, permitindo que as empresas concentrem suas estratégias nos fatores que causam os maiores efeitos negativos. De acordo com Freitas (2021, p. 35), “o uso de gráficos de Pareto permite às organizações identificarem quais fornecedores, produtos ou processos representam a maior parcela de custos ou falhas operacionais, facilitando a tomada de decisão baseada em dados concretos.” • Redução de custos operacionais: identifica quais categorias de despesas representam a maior parte dos gastos e buscar alternativas mais econômicas. • Gestão de fornecedores: Concentra esforços na melhoria dos 20% dos fornecedores que causam 80% dos problemas de entrega e qualidade. 3.2.5 - Diagramas de Dispersão para Identificação de Correlações Os diagramas de dispersão são ferramentas poderosas para analisar a relação entre duas variáveis. No setor de compras, essa técnica pode ser aplicada para entender como variáveis como tempo de entrega e qualidade dos produtos se relacionam. Freitas (2021, p. 37) aponta que “a análise de correlações por meio de diagramas de dispersão pode revelar padrões que auxiliam a empresa a tomar decisões estratégicas sobre fornecedores e estoques.” Se houver uma forte correlação entre prazos de entrega curtos e aumento nos índices de defeitos, a organização pode repensar suas estratégias de logística e qualidade. • Otimização de estoques: verificar se há correlação entre volume de compras e preços negociados com fornecedores. • Melhoria na seleção de fornecedores: avaliar se fornecedores que entregam mais rápido possuem maior índice de não conformidade. 3.2.6 - Simulação Empresarial e Previsão de Cenários A simulação empresarial permite que gestores testem diferentes cenários antes de tomar uma decisão, reduzindo riscos e aumentando a precisão das escolhas estratégicas. A modelagem de cenários pode incluir fatores como variação cambial, inflação e impactos logísticos. 42TÓPICO 3 ANÁLISE DE DADOS E VISUALIZAÇÃO Freitas (2021, p. 40), “ferramentas de simulação possibilitam a análise de diferentes estratégias de compra, avaliando impactos financeiros e operacionais antes da execução de um plano.” Assim, empresas podem comparar diferentes fornecedores, avaliar a viabilidade de novos contratos e reduzir custos sem comprometer a qualidade e a eficiência. • Simulação de impactos financeiros: testa como variações no câmbio podem influenciar o custo da importação de insumos. • Gestão de riscos: avalia os impactos da falta de determinados fornecedores na cadeia produtiva. A implementação de técnicas de visualização de dados é fundamental para a tomada de decisões estratégicas, pois permite que organizações analisem informações de forma intuitiva e baseada em evidências. Ao aplicar essas técnicas, as empresas garantem maior assertividade nas decisões, resultando em redução de custos, melhoria no relacionamento com fornecedores e maior