Prévia do material em texto
Direitos Sociais
Coletivos e Protetivos
Aula 8
Prof. Vagner PATINI
Professor: Vagner PATINI Martins
Mestre em Ciência Sociais (política) - PUC/SP
Pós-graduado em Direito Sindical – ESA/SP
Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho – ESA/SP
Graduado pela FMU
Diretor da Comissão de Direito Sindical da OAB – Jabaquara
Membro da Comissão de Direito Sindical da – Seccional SP
Advogado atuante na área Trabalhista e Sindical
Agenda do encontro:
• ROTEIRO DE ESTUDOS
ü Princípios de Direito Coletivo do Trabalho
• DÚVIDAS.
Direito Coletivo
do Trabalho
PRINCÍPIOS
princípios do DCT→ 3 grupos
(de acordo c/ matéria e
objetivos enfocados)
princípios assecuratórios
das condições de
emergência e afirmação
da figura do ser coletivo
obreiro
princípios que tratam das
relações entre os seres
coletivos obreiros e
empresariais no contexto
da negociação coletiva
princípios que tratam das
relações entre normas
coletivas negociadas e
normas estatais
a) princípios assecuratórios das condições de emergência e afirmação da
figura do ser coletivo obreiro → sua observância viabiliza o florescimento das
organizações coletivas dos trabalhadores
princípio da liberdade associativa e sindical → refere-se à ampla prerrogativa de
associação dos trabalhadores e, como consequência, de sindicalização;
princípio da autonomia sindical → assegura condições à existência dos sindicatos
de trabalhadores.
b) princípios que tratam das relações entre os seres coletivos obreiros e empresariais
no contexto da negociação coletiva → regem as relações entre os grupos (status,
poderes e parâmetros de conduta dos seres coletivos trabalhistas)
princípio da interveniência sindical na normatização coletiva → define a
obrigatoriedade de participação dos sindicatos de trabalhadores nas negociações
coletivas;
princípio da equivalência dos contratantes coletivos → estabelece um tratamento
igualitário para os sindicatos de trabalhadores e patronais;
princípio da lealdade e transparência nas negociações coletivas → fixa premissas
essenciais ao desenvolvimento democrático e eficaz das negociações coletivas.
c) princípios que tratam das relações entre normas coletivas negociadas e normas estatais
→ que estabelecem as relações e efeitos entre as normas produzidas pelo Direito
Coletivo, (através da negociação coletiva) e as normas heterônomas tradicionais do Direito
Individual do Trabalho
princípio da criatividade jurídica da negociação coletiva → os instrumentos
decorrentes da negociação coletiva (convenção e acordo coletivo de trabalho)
caracterizam-se como efetivas normas jurídicas (com suas características próprias:
generalidade, abstração e força coercitiva), que integram o ordenamento jurídico,
convivendo em harmonia com as normas de origem estatal;
princípio da adequação setorial negociada → permite
que as normas coletivas possam prevalecer sobre as
normas jurídicas individuais de origem estatal, desde
que respeitados os seguintes critérios autorizativos:
a) quando implementam um padrão de direitos
superior ao padrão geral oriundo da legislação
aplicável;
b) quando transacionam setorialmente parcelas
justrabalhistas de indisponibilidade apenas
relativa (e não de indisponibilidade absoluta)
Atenção!
Os princípios que tratam das relações entre normas coletivas negociadas e
normas estatais foram relativizados pela Lei n. 13.467/2017 (Reforma
Trabalhista)
tendo em vista as profundas alterações na dinâmica da negociação
coletiva e sua relação com as previsões legislativas, bem como na
ampliação da autonomia privada coletiva.
Explicamos → Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista):
ampliou enormemente as possibilidades da negociação coletiva → estabelece
que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a
lei quando dispuserem, entre outros (rol exemplificativo, portanto), sobre as
matérias indicadas no art. 611-A*, CLT
* mais adiante veremos o art. 611-A com mais detalhes
ao contrário → em âmbito muito mais restrito, as previsões de convenções coletivas
e acordos coletivos de trabalho que são consideradas ilícitas são indicadas
taxativamente no art. 611-B, CLT.
• Que basicamente se limita a reproduzir o rol de direitos trabalhistas
constitucionalmente assegurados
• art. 8º, § 3º, e art. 611-A, § 1º, CLT → no exame da convenção coletiva e do acordo
coletivo de trabalho a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos
elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 do Código
Civil e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da
vontade coletiva.
• portanto → previsão contida em convenção coletiva ou em acordo coletivo de trabalho
poderá prevalecer sobre o que está disposto em lei, mesmo que a nova determinação
prejudique o trabalhador
• lógica da Lei n. 13.467/2017 → a análise sobre uma determinada condição prevista em
norma coletiva somente deve considerar a situação fática que levou à sua pactuação.
• art. 620 da CLT
• prevê que as condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre
prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho.
• parte do pressuposto de que a negociação por empresa, por ser mais próxima às
condições concretas envolvidas na relação entre trabalhadores e empregador,
contém previsões que concretamente são mais benéficas do que as previstas
genericamente para a categoria.
Princípio da Liberdade Associativa e Sindical
O princípio da Liberdade Associativa e Sindical se divide em duas partes: a liberdade
de associação, que é mais abrangente, e a liberdade sindical. A liberdade de
associação diz respeito à capacidade de reunir-se (agregação ocasional) e associar-
se (agregação permanente), com o direito do associado de se desvincular a qualquer
momento.
Esses conceitos de reunião e associação estão claramente definidos na Constituição,
nos incisos XVI e XVII do artigo 5º.
A liberdade sindical, por sua vez, está relacionada com a criação espontânea de
sindicatos e sua dissolução, assim como a liberdade de filiação a um sindicato e o
direito de desfiliação sem restrições.
O Princípio da Autonomia Sindical é fundamental para garantir que os sindicatos dos
trabalhadores possam gerenciar suas atividades sem interferências de empresas ou do Estado.
A relevância dessa não intervenção está relacionada à independência política e administrativa
dos sindicatos. Caso houvesse influência dos setores público e privado, isso comprometeria a
própria essência do sindicalismo, que é a defesa dos interesses da classe trabalhadora.
A segunda categoria de princípios no Direito Coletivo do Trabalho aborda as relações entre os
sindicatos dos trabalhadores e empregadores. Nessa seção, estão incluídos os princípios da
"interveniência sindical na normatização coletiva", que envolve a participação dos sindicatos na
criação de normas coletivas, da "equivalência dos contratantes coletivos", que busca garantir
igualdade nas negociações, e, por fim, o princípio da "lealdade e transparência nas negociações
coletivas", que preza pela honestidade e clareza nas negociações.
O Princípio da Interveniência Sindical na Normatização Coletiva destaca a
importância da participação dos sindicatos nas convenções coletivas relacionadas a
assuntos trabalhistas. Esse princípio está expressamente previsto na Constituição
Federal, em seu artigo 8º, incisos III e VI. Ele assegura que os sindicatos tenham um
papel fundamental na negociação e estabelecimento de acordos coletivos,
garantindo que os interesses dos trabalhadores sejam representados e protegidos
nessas negociações.
O Princípio da Equivalência dos Contratantes Coletivos estabelece
que os sindicatos, que representam os interesses dos trabalhadores, devem
participar das negociações coletivas em igualdade de condições com os
empregadores. Isso significaque, durante as negociações, ambas as partes devem ter
poder de barganha e influência semelhantes.
Esse princípio visa garantir que as negociações coletivas sejam justas e equilibradas,
de modo que os interesses dos trabalhadores sejam adequadamente representados
e protegidos. Ele evita que uma das partes tenha uma vantagem injusta sobre a outra
durante as negociações, promovendo relações trabalhistas mais equitativas e
colaborativas.
O Princípio da Lealdade e Transparência na Negociação Coletiva
estabelece que as partes envolvidas no Direito Coletivo do Trabalho devem não
apenas cumprir as normas acordadas, mas também garantir que essas normas sejam
claras e passíveis de interpretação inequívoca. Isso significa que os acordos coletivos
devem ser redigidos de forma que todas as partes envolvidas possam compreender
claramente seus termos e condições.
É importante observar que, apesar da rigidez no cumprimento das normas, existe a
possibilidade de aplicação de cláusulas que permitam a revisão dos acordos em certas
circunstâncias (cláusula rebus sic stantibus), bem como a exceção de contrato não cumprido
(exceptio non adimpleti contractus). Essas cláusulas podem ser usadas para lidar com
situações excepcionais que possam surgir após a celebração do acordo coletivo.
Na terceira classe de princípios, estão os princípios da "criatividade jurídica da negociação
coletiva" e da "adequação setorial negociada". Esses princípios se referem aos efeitos
produzidos pelas normas estabelecidas nos contratos coletivos e destacam a importância da
capacidade das partes envolvidas em negociar acordos que se adequem às necessidades
específicas de seus setores e categorias de trabalhadores.
O Princípio da Criatividade Jurídica da Negociação Coletiva destaca a
capacidade dos sindicatos e das partes envolvidas de criar normas jurídicas por meio da
negociação coletiva. Esse princípio reconhece que, nas relações coletivas de trabalho, não se
tratam apenas de cláusulas contratuais comuns, como em contratos individuais, mas sim da
elaboração de normas que conciliem os interesses coletivos e comuns das partes envolvidas.
Em outras palavras, a negociação coletiva não se limita a estabelecer acordos contratuais
tradicionais, mas também pode criar normas específicas que regulamentem as condições de
trabalho, os direitos e as obrigações das partes de maneira mais abrangente. Esse princípio
reconhece a flexibilidade e a criatividade que podem ser aplicadas na negociação coletiva
para atender às necessidades e particularidades de cada setor ou categoria de trabalhadores.
O Princípio da Adequação Setorial Negociada ressalta a
importância da conformidade entre as normas estabelecidas por meio da negociação coletiva
e aquelas definidas pela legislação estatal. Esse princípio assegura que as convenções
coletivas não podem eliminar ou prejudicar direitos individuais dos trabalhadores de forma a
prejudicá-los.
Em outras palavras, as normas resultantes das negociações coletivas devem estar de acordo
com as leis trabalhistas estabelecidas pelo Estado. Elas não podem reduzir ou eliminar
direitos garantidos por lei aos trabalhadores. A negociação coletiva pode agregar benefícios
adicionais aos trabalhadores, mas não pode prejudicar suas condições e direitos mínimos
estabelecidos por normas legais. Esse princípio busca equilibrar a flexibilidade concedida pela
negociação coletiva com a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores.
Fonte de todos os Princípios: Delgado, Maurício Godinho Curso de direito do trabalho / Maurício Godinho Delgado. — 11. Ed. — São Paulo: LTr, 2019.
Condutas
Antissindicais
O pleno exercício da liberdade sindical pressupõe a proibição de condutas que sejam
contrárias à organização e ao funcionamento das entidades sindicais. Isso significa que
qualquer ação que tenha como objetivo prejudicar ou dificultar a atuação dos sindicatos
e a participação dos trabalhadores em atividades sindicais é considerada conduta
antissindical e, portanto, é vedada.
Essas condutas antissindicais podem incluir ações como coação, discriminação, demissão
injustificada de líderes sindicais, interferência indevida nas atividades sindicais, entre outras.
O objetivo da proibição dessas condutas é garantir que os trabalhadores tenham liberdade para
se associar a sindicatos, participar de atividades sindicais e exercer seus direitos trabalhistas sem
sofrer represálias ou obstáculos injustos por parte dos empregadores ou de outros atores.
A proteção contra condutas antissindicais é fundamental para assegurar a efetiva liberdade
sindical e promover um ambiente de trabalho justo e equitativo.
As condutas antissindicais se referem a ações ou práticas que têm como objetivo
prejudicar as atividades dos sindicatos e a liberdade dos trabalhadores em se associar a
essas organizações ou participar de atividades sindicais. Estas ações são consideradas
contrárias aos princípios de liberdade sindical e direitos dos trabalhadores.
1.Coação ou Intimidação: Isso envolve a pressão indevida sobre os trabalhadores para
que não se filiem a um sindicato ou não participem de atividades sindicais. Pode incluir
ameaças de demissão, retaliação ou perda de benefícios.
2.Demissão Injustificada de Líderes Sindicais: Demitir um líder sindical sem motivo
válido ou criar condições adversas para forçar sua demissão é considerado uma conduta
antissindical.
3. Interferência nas Atividades Sindicais: Qualquer tentativa de empregadores ou
outros atores de interferir nas atividades internas do sindicato, como suas eleições
ou decisões, é vista como uma conduta antissindical.
4.Discriminação: Tratar os trabalhadores de forma desigual ou discriminatória com base
em sua afiliação sindical ou participação em atividades sindicais é estritamente proibido.
5.Obstáculos à Negociação Coletiva: Qualquer ação que busque impedir ou dificultar a
negociação coletiva entre sindicatos e empregadores é considerada antissindical.
6.Divulgação de Informações Falsas: Espalhar informações falsas ou difamatórias sobre
sindicatos ou líderes sindicais para minar sua credibilidade é outra forma de conduta
antissindical.
A razão pela qual essas condutas são proibidas é garantir que os trabalhadores tenham
o direito de se organizar, negociar coletivamente e defender seus interesses no local
de trabalho. A liberdade sindical é um princípio fundamental dos direitos dos
trabalhadores, e a proteção contra condutas antissindicais é essencial para preservar
essa liberdade.
I- AGRAVO DE INSTRUMENTO – RECURSO DE REVISTA – PROVIMENTO – GREVE – BONIFICAÇÃO
A TRABALHADORES NÃO PARTICIPANTES – CONDUTA ANTISSINDICAL – CARACTERIZAÇÃO –
INDENIZAÇÃO – DANOS MORAL E MATERIAL – Diante de potencial violação do art. 6º, § 2º, da
Lei nº 7.783/89, merece processamento o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido
e provido. II- RECURSO DE REVISTA – GREVE – BONIFICAÇÃO A TRABALHADORES NÃO
PARTICIPANTES – CONDUTA ANTISSINDICAL – CARACTERIZAÇÃO – INDENIZAÇÃO – DANOS
MORAL E MATERIAL – 1- O direito de greve, ínsito ao Estado Democrático de Direito e
consagrado na Constituição Federal como direito fundamental (art. 9º), representa expressão da
autonomia privada coletiva, sendo corolário da liberdade e autonomia sindicais (art. 8º da CLT).
2- Por essa razão, o direito comparado e o direito pátrio identificam comportamentos que visem
a enfraquecer esse direito e essa liberdade, as chamadas práticas desleais ("unfair labour
practices") ou antissindicais. Cont.
3- Quanto ao tema, o art. 1º da Convenção 98 da OIT, da qual o Brasil é signatário, dispõe: "Os
trabalhadores deverão gozar de proteção adequada contra quaisquer atos atentatórios à liberdade
sindical em matéria de emprego". 4- Rememore-se a lição de Oscar Ermida Uriarte, para quem as
condutas ou atos antissindicais são "aqueles que prejudiquem indevidamente um titular de direitossindicais no exercício da atividade sindical ou por causa desta ou aqueles atos mediante os quais lhe
são negadas, injustificadamente, as facilidades ou prerrogativas necessárias ao normal desempenho
da ação coletiva". 5- Veda-se, portanto, a discriminação decorrente da expressão da liberdade
sindical, da qual é exemplo a greve. Qualquer conduta tendente a mitigar ou obstaculizar o direito
(tanto individual quanto coletivo) configura ilícito. 6- Segundo o autor uruguaio referido, são três os
grupos de medidas de proteção, que abrangem não só dirigentes sindicais e empregados
sindicalizados, mas todos os trabalhadores: preventivas, reparatórias e complementares.
Especificamente quanto à greve, a proteção positivou-se, no direito objetivo brasileiro, no art. 6º, §
2º, da Lei nº 7.783/89. Cont.
7- Praticado o ilícito, deve o empregador arcar com a reparação, por meio de indenização por
danos moral e material (arts. 186, 187 e 927 do Código Civil). 8- No caso concreto, o pagamento
de vantagem pecuniária expressiva a trabalhadores que não participaram do movimento
paredista evidencia a prática de sofisticada conduta antissindical, com a intenção de frustrar
greve. 9- Perpetrada a quebra da isonomia entre empregados (sendo a isonomia protoprincípio
da Constituição Federal- art. 5º), tem o trabalhador reclamante direito à mesma bonificação
ofertada, em caráter geral, aos empregados não grevistas. Da mesma forma, a discriminação e a
ofensa a direito fundamental provocam, "in re ipsa", violação dos direitos de personalidade do
reclamante. Assim, também é devida indenização por dano moral. Recurso de revista conhecido
e provido. (TST – RR 212-68.2017.5.05.0193 – Rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira
– DJe 04.12.2020)
Condutas antissindicais
Contra o
trabalhador
Contra entidades
sindicais
Praticadas pelas
entidades sindicais
1) Condutas antissindicais contra o trabalhador:
a) Induzir, sugerir ou obrigar os trabalhadores a não se
filiarem ou desfiliarem do sindicato
CTT - Art. 543 (...) § 6º - A empresa que, por
qualquer modo, procurar impedi que o empregado
se associe a sindicato, organize associação
profissional ou sindical ou exerça os direitos
inerentes à condição de sindicalizado fica sujeita à
penalidade prevista na letra a do art. 553, sem
prejuízo da reparação a que tiver direito o
empregado.
1) Condutas antissindicais contra o trabalhador:
b) Admitir preferencialmente trabalhadores sindicalizados, em detrimento dos
demais não sindicalizados; ou impor que trabalhador se sindicalize o contrário
também de não contratar empregado sindicalizado.
Art. 8º, CF. É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
OJ SDC 20, TST. EMPREGADOS SINDICALIZADOS. ADMISSÃO PREFERENCIAL.
CONDIÇÃO VIOLADORA DO ART. 8º, V, DA CF/88 . Viola o art. 8º, V, da CF/1988
cláusula de instrumento normativo que estabelece a preferência, na contratação de
mão de obra, do trabalhador sindicalizado sobre os demais.
1) Condutas antissindicais contra o trabalhador:
c) Dispensar, perseguir, não promove empregado, alterar tarefas, horário e local de
trabalho, rebaixar de função e reduzir salário por ser sindicalizado ou por ter sido
eleito dirigente sindical → todos atos de nítida discriminação contra o trabalhador
sindicalizado.
d) Impedir o exercício do direito de greve → desde que exercido dentro dos limites
legais
Art. 9º, CF. É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir
sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele
defender.
2) Condutas antissindicais contra entidades sindicais:
a) Criação e manutenção financeira pelo empregador de sindicato de trabalhadores →
sindicatos ‘fantoches’
OJ 16 SDC, TST. TAXA DE HOMOLOGAÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. ILEGALIDADE. É
contrária ao espírito da lei (art. 477, § 7º, da CLT) e da função precípua do Sindicato a
cláusula coletiva que estabelece taxa para homologação de rescisão contratual, a ser
paga pela empresa a favor do sindicato profissional.
b) coação e pressão sobre os trabalhadores para aderirem ou a não aderirem às
reinvindicações da entidade sindical → e também ameaça a quem não aceitar
celebração de Acordo Coletivo.
2) Condutas antissindicais contra entidades sindicais:
c) Proibição de divulgação de informes sindicais → o direito de informação é
essencialpara a ação sindical e a negociação coletiva.
• É conduta antissindical a proibição pelo empregador de o sindicato transmitir
panfletos, informes e colocação de boletins no quadro de avisos da empresa.
3) Condutas antissindicais praticadas pelas entidades sindicais → contra a empresa e
contra os trabalhadores:
a) Praticar condutas abusivas na greve → o direito de greve deve ser exercido de
acordo e nos limites estabelecidos pelo art. 9° da Constituição Federal e pela Lei n.
7.783/89.
• São abuso do direito de greve: a) ameaças e coação de empregados; b) piquetes com bloqueio
de acesso ao estabelecimento, sabotagem; c) depreciação da imagem da empresa; d)
manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do
Trabalho; e) não esgotamento das tentativas de negociação, justificador da eclosão da greve.
3) Condutas antissindicais praticadas pelas entidades sindicais → contra a empresa e
contra os trabalhadores:
b) Impedir que trabalhadores, como gerentes e supervisores, participem de
assembleias e de atividades do sindicato → não pode o sindicato praticar ato
discriminatório não permitindo a participação de cargos mais elevados, ou de
confiança, nas atividades sindicais.
c) Cobrança excessiva ou abusiva de contribuições assistencial e confederativa
a confederativa → fixada em assembleia
a assistencial → prevista em norma coletiva
O TST adota entendimento no sentido de que é abusiva a
cobrança de tais contribuições de trabalhadores não
sindicalizados:
OJ 17 SDC, TST. CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADES SINDICAIS.
INCONSTITUCIONALIDADE DE SUA EXTENSÃO A NÃO
ASSOCIADOS. As cláusulas coletivas que estabeleçam
contribuição em favor de entidade sindical, a qualquer título,
obrigando trabalhadores não sindicalizados, são ofensivas ao
direito de livre associação e sindicalização,
constitucionalmente assegurado, e, portanto, nulas, sendo
passíveis de devolução, por via própria, os respectivos valores
eventualmente descontados.
Precedente Normativo 119, TST. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS - INOBSERVÂNCIA DE
PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. A Constituição da República, em seus arts. 5º, XX e 8º,
V, assegura o direito de livre associação e sindicalização. É ofensiva a essa modalidade
de liberdade cláusula constante de acordo, convenção coletiva ou sentença normativa
estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio
do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e
outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as
estipulações que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de devolução os
valores irregularmente descontados.
E o STF???
Pensa como?
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=513910&ori=1
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=513910&ori=1
4) Outras condutas antissindicais → desestímulo à sindicalização e
desgaste à atuação dos sindicatos por meio de cláusulas contratuais antissindicais:
Cláusula ‘closed shop’ → o empregador compromete-se com a entidade de classe a
admitir somente os candidatos sindicalizados, sendo fechada aos não sindicalizados.
Cláusula ‘open shop’ → a empresa contrata tão somente os candidatos não
sindicalizados → também fere a garantia da livre sindicalização
Cláusula ‘preferencial shop’ → o empregador dá preferência de admissão aos
empregados filiados
Cláusula ‘aunion shop’ → o empregado compromete-se a se sindicalizar após a
admissão.
4) Outras condutas antissindicais → desestímulo à sindicalização e desgaste à atuação dos
sindicatos por meio de cláusulas contratuais antissindicais:
Cláusula ‘yellow dog contract’ → o trabalhador assume um compromisso contratual com o
empregador de não filiação ao sindicato, sob pena de rescisão contratual por justa causa
Cláusula ‘company unions ’ (= ‘sindicatos-fantasmas’) → um grupo de empregados assume o
compromisso de constituir um sindicato paralelo (o que é difícil no direito nacional, haja vista as
limitações territoriais e unicidade sindical)
‘Mise à l'index → quando as empresas divulgam entre si os nomes dos trabalhadores com
significativa atuação sindical, com intuito de excluí-los do respectivo mercado de trabalho
DÚVIDAS
Prof.: Vagner PATINI
vagner.martins@fmu.br
vagner@patini .adv.br
https://www.instagran.com/vagnerpatini/
OBRIGADO.
mailto:vagner.martins@fmu.br
mailto:vagner@patini.adv.br