Prévia do material em texto
Mineralogia: a ciência que estuda os minerais, substâncias inorgânicas sólidas e naturais que possuem composição química definida e uma estrutura cristalina ordenada. A mineralogia lida com a identificação, descrição, classificação e origem dos minerais, bem como suas propriedades físicas, químicas e ópticas. Ela também está relacionada com outras áreas da geologia, como a petrologia e a geoquímica. Para os minerais, seu estado físico mais comum é o sólido. Alguns autores sugerem que a água também seria classificada como mineral. A água, ao ser congelada, adquire forma cristalina, possuindo propriedade básica de um mineral. Porém, sabemos que: um MINERAL é toda substância natural, sólida e inorgânica que possui composição química determinada e apresenta propriedades morfológicas e físicas características. Ou seja, a água não seria um mineral, pois em seu estado natural (líquido) não possuiria características de um mineral. Dessa maneira, um mineral será somente classificado como tal, se seguir as seguintes condições: • Ser naturalmente formado. ● Ser sólido. ● Ser de origem inorgânica. ● Composição química específica; ● Estrutura cristalina Propriedades dos minerais: ● Hábito: Forma como é encontrado na natureza, ou seja, que sua estrutura de átomos (o arranjo espacial ○ Prismático – os minerais que são cristais são normalmente constituídos por prismas. Esses prismas podem receber adjetivos que nos ajudam a caracterizar e identificar os mesmos, tais como colunares (prismas mais alongados), aciculares (muito alongados e finos), fibrosos (mais finos ainda, como um fio de cabelo), tabulares (achatados), laminares (alongados e achatados), escamoso (escamas), entre outros. ○ Cúbico, octaédrico, dodecaédrico, romboédrico – os minerais apresentam a forma geométrica citada. ○ Micáceo – cristais de forma tubular formados por placas finas. ● Cor: Quando o mineral apresenta mais de uma cor (variar a coloração), é chamado de alocromático. Já os minerais que apresentam a mesma coloração são chamados de idiocromáticos. ● Risca: A risca, ou também conhecida como traço do pó do mineral, nos ajuda a identificar a coloração, quando a identificação da sua coloração externa não é possível. Minerais que têm coloração externa idêntica podem possuir coloração de risca completamente distinta, diferenciando assim os minerais. ● Brilho: O brilho de um mineral pode ser definido como a quantidade e qualidade da luz refletida pela superfície do mineral. ○ Brilho metálico: esse tipo de brilho mostra a aparência de uma superfície brilhante que normalmente materiais metálicos possuem. São bastante refletoras. ○ Brilho não metálico: esse tipo de brilho é proveniente de uma substância do tipo transparente, sem o brilho metálico definido anteriormente ● Clivagem: É a característica dos minerais se partirem na forma de planos ou já estarem disponíveis na forma de planos, conforme as direções onde a estrutura é mais fraca ● Dureza: A dureza pode ser definida como a resistência que o mineral oferece ao ser riscado por outro mineral ou objeto. ○ A dureza do mineral irá depender da estrutura em que os átomos estão ligados e da força dessas ligações químicas. Quanto maior for a força da ligação, mais duro é o material. Essa propriedade do material é investigada por diferentes tipos de indústrias que utilizam um determinado tipo de mineral, visto que esse valor irá proporcionar uma ideia do desgaste deste mineral ao ambiente em que ele se encontrará. ○ ● Densidade: indica o número de vezes que o mineral que está sendo analisado é mais pesado que o mesmo volume de água, a 4ºC. Por exemplo, se um mineral tem densidade 3, isso significa que ele pesa três vezes mais que o mesmo volume de água. ● ● Porosidade : Pode ser definida como a característica da rocha em conter espaços vazios na sua estrutura. A quantidade de espaços vazios vai depender do tipo de rocha. A rocha sedimentar, por exemplo, possui grandes poros antes da cimentação. Conforme o acondicionamento das camadas se dá, a porosidade diminui. ● Permeabilidade: Facilidade que a água apresenta de percorrer a estrutura da rocha, através dos seus poros que são conectados ● Tenacidade: A tenacidade está relacionada com a capacidade de o mineral resistir à quebra, esmagamento, a ser rasgado ou ainda dobrado. de de o mineral resistir à quebra, esmagamento, a ser rasgado ou ainda dobrado. Quebradiço: mineral que se rompe com muita facilidade. ○ Maleável: mineral pode ser transformado em lâminas. ○ Séctil: aceita ser cortado por uma lâmina de aço. ○ Dúctil: pode ser feito na forma de fios. ○ Flexível: pode ser curvado, sem retornar à forma original depois de cessar a força aplicada. ○ Elástico: pode ser curvado, retornando à forma original depois de cessar a força aplicada Ligações metálicas apresentam ductibilidade, sectilidade e maleabilidade por conta da característica da ligação (Lembre-se: ligação metálica pode ser caracterizada pelo modelo de mar de elétrons, onde os cátions metálicos estão rodeados de elétrons livres). Ao ser aplicada uma força sobre essa estrutura, como há elétrons livres, ocorre o rearranjo da estrutura e a presença da tenacidade Classes: ● ELEMENTOS NATIVOS: possuem em sua estrutura arranjos de átomos de um único elemento químico, ou ainda por soluções sólidas de elementos afins. ○ Elementos nativos metálicos: baixa dureza, alta maleabilidade, ductibilidade e em alguns casos, sectilidade. Como possuem características semelhantes aos metais, também possuem boa condução de calor e eletricidade, baixo ponto de fusão e brilho metálico característico. ○ Elementos nativos semimetálicos: são compostos de arsênio (As), antimônio (Sb) e bismuto (Bi), podendo ser agrupados no grupo do arsênio. O tipo de ligação envolvida nesse tipo de mineral está entre a metálica e a covalente, uma vez que os elementos que compõem este tipo de mineral também o apresentam de característica intermediária. Esse tipo de ligação fornece baixa tenacidade, condutividade elétrica e térmica quando comparado aos metais ○ Elementos nativos não metálicos: estão dentro desse grupo minerais que possuem carbono (na forma de diamante ou grafite) e enxofre (S). A forma como os átomos estão ligados e o tipo de ligação química envolvida são muito diferentes, embora possuam a mesma composição química, ou seja, o mesmo elemento químico formador do mineral. ● SULFETOS E SULFOSSAIS: Fórmula molecular: XmZn, onde X representa um elemento metálico e Z o não metálico, e os subíndices m e n a quantidade respectiva de cada elemento. ○ Os sulfossais ocorrem quando elementos como arsênio (As), selênio (Se) e telúrio (Te) ocupam o lugar do enxofre formando um sal duplo, como a energita (Cu3 AsS4). A diferença de sulfetos para sulfatos é o estado de oxidação do enxofre. Quando o enxofre é S2- é denominado sulfeto e S6+ é denominado sulfato (SO)42- ● ÓXIDOS E HIDRÓXIDOS: Os óxidos são caracterizados como um grupo de minerais em que os metais se combinam com o oxigênio. Como características gerais, esta classe tem relativamente dureza e densidade altas e com várias espécies refratárias, ou seja, resistência à alta temperatura. As ligações químicas nesses minerais são normalmente iônicas, de elevada força. ○ . Os metais que fazem essa ligação com oxigênio são basicamente o ferro, cromo, manganês, urânio, estanho e enxofre ● CARBONATOS: Os minerais desta classe são compostos da classe inorgânica, com ligações iônicas entre um metal ou semimetal com o ânion carbonato (CO3 2-) ● HALOGENETOS: Esta classe de minerais possui como um de seus componentes um elemento do grupo 17 da tabela periódica (halogênios). Esse elemento será o único ânion ou será o ânion principal da estrutura. ○ Por apresentarem sete elétrons na camada de valência, necessitam apenas de mais um elétron para atingir a estabilidade eletrônica. Dessa maneira, formam ânions devalência -1, facilmente polarizáveis. Este, ao se combinar com um cátion TÓPICO 3 | CLASSES 47 de raios maiores e de baixa valência, como os metais alcalinos, possui as seguintes propriedades: Alto grau de simetria, dureza baixa, ponto de fusão relativamente alto e baixa condutividade térmica e elétrica no estado sólido. ○ Quando o raio do cátion é menor, e, portanto, mais polarizável, a ligação adquire um caráter mais covalente, permitindo menor simetria de ligação. ● FOSFATOS, ARSENIATOS E VANADATOS: Os minerais desta classe possuem em sua estrutura o íon fosfato (PO4 2-) ou o íon arseniato (AsO4 3-) ou o íon vanadato (VO4 3-). Esses íons estão em uma mesma classe, pois os elementos P, As e V podem se substituir nas estruturas minerais. Um exemplo dessas substituições é a seguinte série: Pb5 (PO4 )3 Cl (fosfato) → Pb5 (AsO4 )3 Cl (arseniato) → Pb5 (VO4 )3 Cl (vanadato). SILICATOS: são o maior e mais distribuído grupo de minerais na superfície da Terra. São os principais minerais formadores de rocha, compreendendo até 90% da composição da crosta terrestre. A unidade fundamental que os compõe são os tetraedros de sílica, SiO4, juntamente com outros elementos como alumínio, ferro, magnésio, sódio e potássio. Alguns exemplos comuns de silicatos incluem o quartzo, feldspato, mica, olivina, piroxena, anfíbola e zeólitas. A fórmula geral dos silicatos está representada como XmYn(ZpOq)Wr, que é o resultado do comportamento dos arranjos de sílica com os diferentes íons disponíveis na crosta (que podem apresentar coordenações diferentes por causa do seu tamanho e sua carga). ● Nesossilicatos: Os tetraedros de sílica permanecem isolados, não há compartilhamento de oxigênios com outros tetraedros ((SiO4)4-). ● Sorossilicatos: Tetraedros unidos em duplas isoladas, compartilhando um único oxigênio ((Si2O7)6-). ● Ciclossilicatos: Cada tetraedro compartilha dois oxigênios formando anéis de três, quatro ou seis tetraedros ((Si6O18)12-). ● Inossilicatos: São os silicatos que formam cadeias infinitas, estas podem ser simples (compartilhando dois oxigênios para cada tetraedro, numa linha) ou duplas (possuem tetraedros compartilhando tanto dois como três oxigênios, formando uma cadeia de anéis).Têm como unidades básicas (Si2O6)4- nas cadeias simples e (Si4O11)6- nas duplas. ● Filossilicatos: Cada tetraedro de sílica compartilha três dos seus oxigênios com os tetraedros adjacentes, formando planos ((Si2O5)2-). ● Tectossilicatos: Sendo os silicatos de maior grau de polimerização, os tetraedros de sílica compartilham todos os oxigênios obtendo um arranjo tridimensional altamente coesivo ((SiO2)0). A acidez dos silicatos é geralmente determinada pela quantidade de íons hidrogênio (H+) que podem ser liberados quando o silicato é colocado em uma solução ácida. Essa acidez é medida pelo valor de pH da solução resultante. Os silicatos podem ser classificados em três categorias com base em sua acidez: 1. Silicatos ácidos: Esses silicatos são altamente ácidos e liberam muitos íons hidrogênio quando colocados em uma solução ácida. Exemplos incluem o ácido silícico e os silicatos de alumínio. 2. Silicatos neutros: Esses silicatos não são muito ácidos ou básicos e não liberam muitos íons hidrogênio quando colocados em uma solução ácida ou básica. Exemplos incluem o quartzo e os feldspatos. 3. Silicatos básicos: Esses silicatos são relativamente básicos e liberam íons hidroxila (OH-) quando colocados em uma solução ácida. Exemplos incluem os silicatos de cálcio e magnésio. A classificação da acidez dos silicatos é importante em muitas áreas da química e geologia, incluindo a análise de solos, a compreensão da formação de rochas e minerais, e a pesquisa em materiais de construção e tecnologia de semicondutores. Cristalografia: ciência que tem como foco o estudo de como os átomos estão arranjados dentro da estrutura cristalina. É uma área da ciência que estuda tanto os cristais naturais quanto os sintetizados pelo homem. - Sólido cristalino: a palavra cristal vem do grego krustallas, que signifi ca solidifi cado por resfriamento. É um sólido que possui uma estrutura extremamente organizada em um padrão periódico (que se repete) em todas as direções. - Sólido semicristalino: é um sólido que possui duas regiões distintas, uma em que apresenta comportamento cristalino (região cristalina = regularidade de arranjo) e outra em que apresenta comportamento amorfo (região amorfa = irregularidade de arranjo). - Sólido amorfo: é um sólido que não apresenta regularidade de arranjo de átomos no interior de sua estrutura, como o vidro. - A pequena parte que se repete dentro da estrutura cristalina é chamada de célula unitária, ou seja, ela é a menor parte do cristal que mantém as propriedades originais. A união de inúmeras células unitárias forma uma rede ou retículo cristalino, que possui um arranjo espacial bem determinado e semelhante a qualquer outro ponto do retículo. Estrutura da célula unitária: Utilizarmos seis parâmetros de rede: três axiais (a, b e c), que correspondem aos comprimentos de cada lado da forma, que inicia de um dos vértices da figura e termina no próximo, e três angulares (α, β e γ), que evidenciam o ângulo formado entre os eixos. Cada unidade de repetição é chamada de célula unitária e o conjunto de repetição é chamado de retículo cristalino. FORMAÇÃO DOS MINERAIS E OCORRÊNCIA Uma vez definidas as três condições básicas de formação, o cristal pode ser formado a partir de três diferentes maneiras - A partir de uma solução: Ao prepararmos uma solução supersaturada e deixarmos acontecer uma evaporação lenta e gradual, perceberemos que os cristais são formados lentamente. - A partir de uma substância fundida: envolve sempre uma mudança de estado físico da substância. - A partir de um gás(menos comum): O fator crucial para a formação deste tipo de cristal é a diminuição da temperatura lenta, que faz com que as moléculas do gás possam se unir para iniciar o processo de formação do sólido cristalino FATORES QUE INFLUENCIAM A ESTRUTURA CRISTALINA A formação dos cristais é basicamente definida pela constituição e condições de temperatura e pressão do ambiente em que o cristal é formado. A velocidade de resfriamento e as condições de intemperismo do ambiente (ambiente químico) também contribuem nesta influência. Sólidos cristalinos possuem uma propriedade chamada de piezoeletricidade, sendo a capacidade de gerar corrente elétrica quando ocorre pressão mecânica sobre o sólido. Grupo I: Neste grupo estão os cristais com células unitárias cúbicas. Grupo II: Neste grupo estão os cristais com células unitárias tetragonais, hexagonais e trigonais. Grupo III: Neste grupo estão os cristais com células unitárias ortorrômbicas, monoclínicas e triclínicas.