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Metabolismo do Heme 1 👶 Metabolismo do Heme Introdução O grupo heme é importante para as seguintes estruturas: mioglobina, hemoglobina, citocromo, pigmentos biliares e catalase. Nosso organismo é capaz de sintetizar o heme, mas não conseguimos degradá-lo integralmente e usá-lo, então ela vai ser excretada na forma de bilirrubina, que pode ser tóxica para a pele e tecido nervoso. Porfirinas São precursoras do grupo HEME e desempenham papéis vitais no funcionamento das células. Elas possuem um anel heterocíclico formado por quatro anéis pirrólicos unidos por ligações de metileno. Esse sistema de dupla ligação é importante no processo de absorção de luz e liberação de elétrons. Isso é importante porque o elétron que transita leva a queimaduras porque ele causa lesão por calor. A biossíntese acontece em todas as células, mas principalmente no fígado (citocromo) e na medula (hemoglobina). Rota biossintética do grupo heme Envolve a mitocôndria e o citosol. Etapa mitocondrial: síntese de ALA (delta-aminolevulinato). Essa biossíntese depende da enzima delta-aminolevulinato sintetase. O produto dessa enzima vai para o citosol, para passar por algumas etapas, sendo permitida via transportadores. Metabolismo do Heme 2 Etapa citosólica: síntese do porfobilinogênio Etapa mitocondrial: formação de ferro pela ferrocatalase Formação do Heme O precursor principal é o succinil-coa (que vem do ck), que vai se unir com a glicina e pela ação da ALA sintetase (seu cofator é o piridoxal fosfato- B6 vai formar ALA. O ALA vai para o citosol e vai se condensar com outro ALA pela enzima ALA-desidrogenase/porfibrinogênio sintase, produzindo porfobilinogênio. Metabolismo do Heme 3 Essa condensação é assimétrica, essa enzima tem zinco na sua estrutura e no caso da intoxicação por chumbo, vai acontecer a sua inibição, aumentando a quantidade de ALA. Essa molécula vai para a mitocôndria, onde é oxidada pela protoporfirina oxidase, formando a protoporfirina, que vai sofrer ação da ferrocatalase e incorporação do átomo de ferro, formando o HEME. Quatro moléculas de porfobilinogênio vão se condensar e formar uma molécula de uroporfirinogênio III, depois ele vai ser descarboxilado, na região do acetil, que agora é metil. A ALA sintetase é a enzima que controla toda a síntese do grupo HEME e é nela onde ocorre a regulação. Ela é sensível a várias drogas (como barbitúricos). A glicose inibe a biossíntese por estimular o CK, e com o CK ativo e funcionando ativamente, o sucinato não vai estar livre para participar desse processo. A presença do acetil/ propril gera isômeros distintos de acordo com as reações Mutações nessas enzimas ocorrem e são compatíveis com a vida, pois não inibem completamente a biossíntese, só diminuem a quantidade final. Esses compostos intermediários quando elevados são tóxicos para a célula Metabolismo do Heme 4 Heme Seu papel é ditado pela estrutura tridimensional da proteína. Hemoglobina e mioglobina - se ligam com o oxigênio Citocromos - transportam elétrons Enzimas catalases - ele está presente no sítio ativo da enzima que catalisa a quebra de peróxido de hidrogênio. Citocromo P450 - Hidroxilação dos xenobióticos O grupo heme tem alguns grupamentos presentes nos seus radicais: vinil, propil e metil. A forma importante é como o ferro está ligado ao nitrogênio A regulação é pela ALA sintase Catabolismo do Heme O heme é degradado continuamente nas células macrofágicas do baço, fígado e medula óssea (sistema reticuloendotelial). Será degradado Metabolismo do Heme 5 parcialmente numa estrutura chamada bilirrubina (amarelada). O ferro proveniente da degradação pode ser armazenado, e os aminoácidos vão ser incorporados pelas células enquanto que o anel vai ser excretado. A bilirrubina tem baixa solubilidade, quando está elevada vai se depositar nos tecidos (o que é danoso). Ela vai ser excretada pelas fezes e pelos rins (como ela vai ter coloração, a cor dessas excretas deve ser observada). A enzima heme oxigenase abre a ponte metilênica e forma a biliverdina, sai a unidade carbônica e o ferro, dependente de NADPH, que vai ser oxidado a NADP. A enzima biliverdina redutase vai reduzir a biliverdina pela ação do NADPH e vai formar a bilirrubina. A bilirrubina tem pouca afinidade pela água, então para ser transportada no sangue ela se liga a albumina, que a leva para o fígado. No fígado, ela é conjugada a dois derivados de glicose, o ácido glicurônico (glicose oxidada), tornando-se uma molécula solúvel (feita pela glicuronil bilirrubina transferase) Uma UDPglicosil transferase específica para bilirrubina, do retículo endoplasmático, catalisa a transferência gradual para a bilirrubina de duas porções glicosil do UDP-glicuronato. A bilirrubina vai para o intestino para ser excretada, indo conjuntamente com a composição da vesícula biliar, no intestino, as bactérias degradam essa bilirrubina formando vários intermediários, entre eles estercobilinogênio, que dá a coloração das fezes. Parte dele pode ser absorvido e vai ser catabolizado. Tipos de bilirrubina: Bilirrubina indireta: bilirrubina e albumina - precisa de solvente. Bilirrubina direta: bilirrubina e ácido glicurônico - não precisa de solvente para ser contabilizada A bilirrubina direta vai para o intestino, onde duas moléculas de ácido glicurônico se ligam para formar a bilirrubina conjugada. O acúmulo de bilirrubina, seja ela direta ou indireta, causa icterícia. Metabolismo do Heme 6 Distúrbios no metabolismo do grupo Heme Principais danos Aumento da degradação do heme → causando hemólise, eritropoese ineficaz Diminuição da velocidade de conjugação → causando Síndrome de Gilbert (deficiência da UDP glicuroniltransferase) e consequente aumento no plasma de bilirrubina não conjugada. BI Alterações no processo de excreção → pode ser de origem mecânica (como obstrução no trato biliar), lesão no hepatócito (hepatite viral) e também por doenças extra hepáticas (carcinomas) e consequente aumento da bilirrubina conjugada. BD. Icterícia É um estado no qual a pele se encontra amarela devido a uma grande quantidade de pigmentos biliares no sangue. Causada por disfunções hepáticas, incompatibilidade ABO e Rh, infecções, tumores, bloqueio na secreção, entre outros. Clinicamente observamos coloração amarelada na pele e nas mucosas e esclerótica do olho, devido à grande acúmulo de bilirrubina. Os níveis começam a se depositar quando a bilirrubina total está acima de 1,2 mg/ml. Um dos tratamentos da icterícia é submeter a pessoa a determinado comprimento de onda devido ao seu anel estrutural ser sensível e isso facilitar a excreção. Porfirias Grupo de distúrbios herdados ou adquiridos, que envolvem enzimas participantes do processo de síntese do heme. Resultam da deficiência de intermediários além do bloqueio enzimático ou do acúmulo de metabólitos antes do bloqueio. Estes distúrbios se Metabolismo do Heme 7 manifestam através de envolvimento cutâneo ou complicações neurológicas. Existem muitos tipos de porfirias, atualmente classificadas de acordo com as deficiências enzimáticas específicas no processo de síntese do heme. Elas causam fotossensibilidade porque os elétrons absorvem luz e essa excitação resulta na liberação de oxigênio synglet tóxico, que causa dano tecidual. As porfirias geradas podem diferir em solubilidade em água A remoção progressiva de grupos carboxila gera diferentes solubilidades. Danos pelo oxigênio singlet depende de onde a reação está ocorrendo Exemplos Porfiria Cutânea Tardia - acontece na junção dermoepidermica Porfiria eritropoética - eritrócitos causando danos endoteliais. → Uma das mais raras porfirias resulta de um acúmulo de uroporfirinogênio I, isômero anormal de um precursor da protoporfirina. Esse composto cora a urina de vermelho, faz os dentes fluorescerem fortemente sob luz ultravioleta e torna a pele anormalmente sensível à luz do sol. Muitas pessoascom essa porfiria são anêmicas, pois é sintetizada uma quantidade insuficiente de heme. Essa condição genética pode ter originado os mitos dos vampiros nas lendas folclóricas Metabolismo do Heme 8 Kernicterus - lesão das células presentes no gânglio da base e vários núcleos do tronco cerebral decorrente da toxicidade da bilirrubina. A bilirrubina livre causa prejuízo às sinapses, causando lesões neuronais. As manifestações clínicas englobam anormalidades no tônus muscular, atraso mental, paralisia cerebral, perda da audição e paralisia do movimento dos olhos. Decorre de uma icterícia natal não tratada, onde a bilirrubina, por estar em altas concentrações no plasma passa a barreira hematoencefálica.