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Nesta unidade, levando-se em consideração o contexto da análise contábil como ferramenta geradora de informações para o processo de gestão, será apresentada a classi�cação dos custos e o seu processo de formação para a tomada de decisão, bem como a avaliação dos tipos de alavancagem existentes no contexto organizacional. IN IC IAR Posteriormente, é abordada uma análise dos riscos corporativos, como calcular e analisar os pontos de equilíbrio e margem de segurança no processo de tomada de decisão. No contexto do planejamento orçamentário, é apresentado o orçamento empresarial como elemento força para a tomada de decisão, que é analisado sob a perspectiva da alta administração e dos gestores operacionais, e ainda o seu desdobramento no planejamento estratégico. Por �m, a unidade abordará o orçamento empresarial, demonstrando sua função como instrumento básico da Controladoria, as premissas orçamentárias para a qualidade das projeções e a demonstração da projeção de um tipo de orçamento. A controladoria atua em todo o processo de gestão, sendo assim, faz parte do planejamento, execução e controle. Quando falamos de custos, estamos adentrando o contexto de controle; neste tópico, iremos adentrar fundamentalmente a aplicação do controle de custos como ferramenta para a tomada de decisão. A análise de custos pode ser apresentada como relevante instrumento na busca de informações no processo de tomada de decisão, uma vez que, a partir de uma análise estruturada de custos, é possível veri�car o desempenho da organização e alcançar melhores resultados e atividades mais rentáveis. Ainda, a análise de custos pode ser importante na tomada de diversas decisões, tais como: aumento ou diminuição da produção de uma linha de produtos; necessidade de redução de custos; revisão de estratégias de preço de venda; projeção de lucro, entre outras. Primeiramente, antes de nos aprofundarmos nas de�nições de custos é necessário diferenciarmos custos de despesas para que tenhamos convicção do assunto que será tratado. Nesse caso, podemos entender despesa como bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas, ou seja, os gastos necessários para vender ou comercializar os produtos ligados aos departamentos administrativo e comercial. Já os custos, podem ser determinados como os gastos necessários para a fabricação dos produtos ou geração de serviços ligados a área industrial ou de produção da empresa. Nesse contexto, os custos podem ser classi�cados de duas formas. 1. : são todos os custos que estão diretamente associados aos produtos. Esses custos surgem com os produtos e não existem sem eles, podendo ser localizados na área de produção, tais como: (materiais diretos, mão de obra direta, etc.); : são os custos que não podem ser simplesmente vinculados aos produtos, mas ao seu conjunto. Os custos indiretos são localizados na área de produção, tais como: (materiais indiretos, depreciação, salários de supervisores, aluguel, etc.). Esses custos, para serem atribuídos às unidades produzidas, necessitam de um rateio, e tais rateios são apontados como os maiores complicadores dos sistemas de custos, uma vez que diversos critérios podem ser aplicados, como exemplo: rateio por faturamento, por custos indiretos, área ocupada (M²), entre outros. 2. : são os custos que não dependem do nível de atividade da empresa; ou seja, não variam com mudanças no volume de produção. Exemplo: o salário do gerente, o aluguel, o seguro da fábrica, etc. : são os custos que estão pontualmente ligados com a quantidade produzida ou vendida, ou seja, aumentam com o crescimento do nível de atividade da empresa. Exemplo: a matéria-prima e o material secundário na área de produção são custos variáveis, pois ambos têm uma relação direta com o volume produzido. Essa classi�cação de custos pode ser analisada e gerar informações especí�cas para o processo de tomada de decisão. Por exemplo, caso aconteça o aumento do preço da matéria-prima, a empresa deverá estar atenta aos aumentos dos custos diretos e ao seu impacto no resultado da empresa; já, se ocorrer um reajuste anual de salários e aluguel, os gestores deverão se atentar à análise dos custos indiretos de fabricação e sua in�uência no orçamento da organização para, caso necessário, realizar ajustes. Os custos relativos aos níveis de produção e venda, estão diretamente ligados ao resultado econômico da organização, desse modo, os gestores devem estar atentos a alterações signi�cativas e tomar decisões corretivas caso necessário. De acordo com Figueiredo e Caggiano (2008), os gestores devem estar atentos ao incluírem esses custos no orçamento, bem como ao controlá-los, no intuito de alcançarem seus objetivos e a e�cácia organizacional. Nesse contexto, podemos inferir que todos os custos são controláveis e os gestores devem estar atentos a possíveis desvios do orçamento e à necessidade de se tomar medidas corretivas. Após entendermos a classi�cação e de�nição dos tipos de custos, é necessário que veri�quemos como é formado o custo dos produtos que são analisados nos demonstrativos e relatórios �nanceiros. Assim, em relação ao processo de formação de custos, ele é conhecido na literatura como esquema básico da contabilidade de custos (MARTINS, 2003), e é assim determinado: Figura 4.1: Processo de formação dos custos Fonte: Elaborada pela autora. : os custos são gastos relativos a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Já as são bens ou serviços consumidos https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Dessa forma, as despesas não entram no custo de produção; são descarregadas diretamente no Resultado do Exercício, sem serem alocadas aos produtos. : nesta etapa, iremos vincular os custos aos produtos fabricados. Nesse sentido, podem ser identi�cados dois grandes grupos: e custos indiretos. Os custos diretos são todos os custos que estão diretamente vinculados aos produtos, assim, esses custos surgem com o produto e não existem sem ele, e os são todos os custos que não estão vinculados diretamente ao produto, mas ao seu conjunto. Nesse passo, distribuímos os custos diretos aos produtos fabricados. Supondo que uma determinada empresa fabrique três produtos, A, B e C, e que além da matéria-prima, sejam considerados como custos diretos parte da Energia Elétrica e parte da mão-de-obra, o problema principal reside em saber quanto de matéria-prima, energia elétrica e mão-de-obra serão aplicados a cada produto. Para isso, a empresa pode utilizar, para controle da matéria-prima, um sistema de requisições, de tal forma, que poderá sempre saber para qual produto foi utilizado o material retirado do almoxarifado. Com relação à mão-de-obra, deve-se veri�car quanto do total refere-se à mão-de-obra direta e quanto à indireta. A empresa pode conhecer bem esse detalhe, mantendo um apontamento (veri�cação) de quais foram os operários que trabalharam em cada produto no mês, e por quanto tempo. Já para a veri�cação da energia elétrica utilizada na produção, a empresa pode adotar um sistema de medidores. : existem várias formas de alocar os custos indiretos. Uma forma simplista seria a alocação aos produtos A, B e C proporcionalmente ao que cada um já recebeu de custos diretos. Esse critério é relativamente usado quando os custos diretos é a grande maioria dos custos totais, e não há outra maneira mais objetiva e menos arbitrária de visualizar quanto dos custos indiretos poderiam ser alocados aos produtos. Poder-se-ia também, conhecendo-se o tempo de fabricação de cada um dos produtos, fazer a distribuição dos custos indiretos proporcionalmente ao tempo destinado a produzi-los. A alocação dos valores dos custos indiretos diferentes (em detrimento do sistema de alocação)pode causar distorções no processo de tomada de decisão e ainda afetar a credibilidade das informações, uma vez que não existe um método preciso para realizar essa distribuição ou rateio, no entanto, existe a possibilidade da organização buscar opções que tragam menor grau de arbitrariedade. Esse processo de formação de custos pode ser melhor observado na Figura 4.2. Figura 4.2: Esquema básico da contabilidade de custos Fonte: Martins (2003, p. 57). Portanto, inicialmente, faz-se a separação entre custos e despesas. Em seguida, apropriam-se os custos diretos diretamente aos produtos. Na sequência, rateiam-se os custos indiretos e, por último, dá-se o registro dos produtos a um custo total; no estoque e no momento da saída/venda, esse custo será registrado na demonstração do resultado como custo do produto vendido (CPV). Ainda, com a �nalidade de aumentar a e�ciência de controle de custo das organizações, há a departamentalização, em que os custos passam a ser apurados primeiramente a níveis departamentais, dando à contabilidade de custos condições de apresentar, por meio de relatórios, dados que apontam o desempenho de diversos departamentos antes de atribuir o custo ao produto �nal (MARTINS, 2003). Além disso, outros aspectos abordados dentro do contexto de formação de custos para a tomada de decisão são os métodos de custeio, que podem ser aplicados para se melhorar o processo de decisão. Os mais comumentes aplicados, de acordo com Martins (2003), são: • : consiste na apropriação de todos os custos variáveis aos produtos, enquanto os custos �xos são considerados no resultado do período, juntamente às despesas. Nesse método, os estoques serão compostos apenas pelos custos variáveis. • : é um método de custeio que atende aos princípios da contabilidade. Consiste na apropriação de todos os custos (�xos ou variáveis) à produção do período, enquanto os demais gastos devem ser considerados como despesas e contabilizados no resultado. • : é um método de custeio voltado para gestão de custos e aloca os custos incorridos com base nas atividades desenvolvidas pela organização, rastreando-os, por meio de direcionadores de custo, até os produtos. • : esse método apresenta o custo de produzir e vender, é considerado o rateio perfeito, pois evidencia o gasto completo de todo o processo produtivo e a receita auferida. Consiste no rateio de todos os custos e despesas (inclusive despesas �nanceiras) a todos os produtos. No entanto, mesmo a organização possuindo a opção de utilizar diversos métodos de custeio para �ns gerenciais, de acordo com as suas necessidades informacionais, vale ressaltar que o único método permitido pelo �sco no Brasil é o custeio por absorção, em que ocorre a apropriação de https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# todos os custos (�xos ou variáveis) à produção do período, enquanto os demais gastos devem ser considerados como despesas. No entanto, isso não implica a utilização, por parte da empresa, de mais de um método de custeio, um para atender o processo de tomada de decisão dos gestores e outro a �m de atender o �sco. Antes de apresentarmos os tipos de alavancagem, é necessário de�nirmos o que é isso. Dessa forma, uma empresa está se alavancando quando está fazendo uso do capital de terceiros para dar andamento a suas atividades ou expandi-las. Assim, a alavancagem é um procedimento aplicado no intuito de ampliar a rentabilidade por meio de endividamento. Tem como efeito a presença de recursos de terceiros na estrutura do capital da empresa. Sendo assim, Gitman (2002) a�rma que alavancagem é o uso de ativos ou recursos com um custo �xo com a �nalidade de aumentar os retornos dos proprietários da empresa. Ou seja, a empresa se utiliza de recursos de terceiros, por meio de empréstimos ou outros tipos de endividamentos com um custo �xo (juros), para maximização do retorno dos acionistas. Dessa forma, podemos inferir que, quanto maior o processo de alavancagem, maior o risco e o retorno, e quanto menor o processo de alavancagem, menor risco e retorno. Nesse cenário, podemos evidenciar duas espécies de alavancagem: alavancagem operacional e alavancagem �nanceira. : é avaliada por meio da relação entre custos �xos e variáveis. Nesse caso, o efeito de alavancagem acontece devido aos custos �xos serem distribuídos por um volume maior de produção, gerando uma redução no custo unitário da mercadoria. Para produtos com excessiva alavancagem operacional, singelas modi�cações no volume de vendas resultarão em elevadas alterações nos lucros. Dessa forma, a alavancagem operacional é determinada em função da relação existente entre as Receitas operacionais e o LAJIR (Lucro antes do Imposto de renda), ou ainda, podemos de�nir essa relação entre Margem de contribuição e Lucro operacional antes do IR (imposto de renda). Sendo assim, podemos aplicar uma fórmula que parte da demonstração de resultado para calcular o Grau de Alavancagem Operacional (GAO): Para melhor visualizarmos essa de�nição, tomemos como exemplo uma empresa que tenha um produto com o custo unitário de R$ 10,00 e uma variação nas vendas de 25% Quantidade Vendida 12.000 unidades 15.000 unidades Receita de Vendas 120.000 150.000 Custos Variáveis -30.000 -37.500 Margem de Contribuição 90.000 112.500 Custos Fixos -48.000 -60.000 Lucro Operacional antes IR 42.000 52.500 Conclusão: a partir do nível de venda de 12.000 unidades, qualquer que seja a variação, positiva ou negativa, no volume de vendas, ela irá causar um acréscimo ou decréscimo de 2,14 vezes no lucro operacional. Ainda, para calcular a alavancagem operacional, podemos analisar a variação no lucro em relação à variação nas vendas. Desse modo, se o lucro aumentou 40% para um aumento de 20% nas vendas, calculamos que a alavancagem operacional é de 2. Sendo assim, para calcular o grau de alavancagem operacional (GAO), ainda podemos utilizar a seguinte fórmula: Outro ponto que devemos ressaltar é que a alavancagem operacional, por estar relacionada aos custos �xos da empresa, é capaz de apresentar o risco que esses custos apresentam para o resultado da organização. Sendo assim, ela é capaz de apresentar a aproximação da organização ao seu ponto de equilíbrio, ou seja, se a empresa está próxima de ter um resultado nulo ou até mesmo um prejuízo. : parte do pressuposto que os custos �xos de juros podem ser utilizados para maximização do retorno dos acionistas, logo, a existência de capital de terceiros na estrutura de �nanciamento da organização permite o evento de alavancagem �nanceira. Dessa forma, na concepção de alavancagem �nanceira, o capital que a organização obtém de terceiros para "alavancar" o resultado é confrontado com o capital próprio do negócio, caso a operação da organização gere resultado positivo. Logo, para se medir o Grau de Alavancagem Financeira (GAF) de uma organização, é praticável veri�car o impacto do endividamento e a remuneração de juros ao capital de terceiros com o lucro líquido que a empresa pode alcançar. Nesse contexto, é aplicada a seguinte fórmula para se encontrar o Grau de Alavancagem Financeira (GAF): [Math Processing Error] https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# Para melhor visualizarmos essa de�nição, utilizemos um exemplo, adaptado de Padoveze (2013, p. 187), em que iremos observar uma empresa com duas estruturas �nanceiras diferentes: Capital de terceiros 350.000 600.000 Capital Próprio 650.000 400.000 AtivoTotal 1.000.000 1.000.000 Taxa de Juros 10% 10% Agora, vejamos o efeito dessa estrutura �nanceira diferente no resultado da empresa: • Cálculo dos juros relacionados ao Capital de terceiros: : Capital de terceiros x Taxa de Juros = R$ 350.000 x 10% = R$ 35.000,00 Es : Capital de terceiros x Taxa de Juros = R$ 600.000 x 10% = R$ 60.000,00 • Demonstração do grau de alavancagem �nanceira: Receita de Vendas 1.500.000 1.500.000 Custos e Despesas Variáveis 900.000 900.000 Custos e Despesas Fixas 490.000 490.000 Lucro Operacional antes dos Juros 110.000 110.000 Juros 35.000 60.000 Lucro depois dos Juros 75.000 50.000 Rentabilidade Operacional do Ativo (Em %) 11,0 11,0 Rentabilidade do Capital próprio (Em %) 11,5 12,5 Assim, podemos observar que a estrutura �nanceira A é mais conservadora, enquanto, a estrutura �nanceira B é mais alavancada, sendo assim, a estrutura �nanceira B evidencia o efeito da alavancagem �nanceira pela taxa de juros com o ativo rendendo 11% a.a e o capital próprio 12,5%, mais do que a taxa de 10% a.a do capital de terceiros. A partir dessa análise, é possível a projeção de outros cenários levando-se em consideração o aumento nas vendas ou custos. Dessa forma, a análise de alavancagem é de extrema relevância no cenário de tomada de decisão. Vamos Praticar Determinado gestor de uma organização, a �m de alcançar melhores resultados no próximo exercício, deseja ampliar sua alavancagem �nanceira. Com base nas implicações dessa decisão, analise as a�rmativas a seguir: I. Essa decisão implicará uma redução das despesas �nanceiras a serem desembolsadas pela organização. II. Haverá um provável aumento do endividamento de capital de terceiros na estrutura da organização. III. Quanto mais alavancada �nanceiramente a organização estiver, mais exposta estará a um risco de insolvência. É correto apenas o que se a�rma em: I. I e III. II e III. I e II. I, II e III. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# Após explorarmos o conceito de formação de custos dentro das organizações e a geração de informação para a tomada de decisão por meio de ferramentas como: métodos de custeio, alavancagem operacional e �nanceira, iremos abordar outros fatores que são comumente analisados no processo decisório, são eles: os riscos corporativos, os índices de ponto de equilíbrio e a margem de segurança. A combinação de uma estrutura de ativo com uma estrutura de passivo dá origem a um grau de alavancagem geral da empresa, que é denominado grau de alavancagem combinada (PADOVEZE, 2013). Nesse contexto, o grau de alavancagem combinada pode ser medido pela multiplicação do grau de alavancagem operacional e do grau de alavancagem �nanceira. De acordo com Padoveze (2013), o grau de alavancagem combinada determina o grau de risco do empreendimento, essa relação pode ser melhor observada na Figura 4.3. Figura 4.3: Alavancagem e risco no balanço patrimonial Fonte: Padoveze (2013, p. 186). Em relação ao risco de uma organização, podemos tomar como base que, quanto mais alavancada �nanceiramente uma empresa estiver, maior risco ela terá na hipótese de ocorrer uma queda da atividade, visto que, se a receita da empresa diminuir, a despesa �nanceira dos juros de capital de terceiros causará um forte impacto no resultado, o que pode acarretar a descontinuidade da organização. Nesse contexto, podemos apontar empresas com várias combinações estruturais, entre ativo e passivo, e de alavancagem operacional e �nanceira, em que haverá uma variação do risco da empresa. Operacional conservadora Utiliza o máximo possível de custos variáveis e o mínimo possível de custos �xos. Operacional arrojada Utiliza o máximo possível de custos �xos e o mínimo possível de custos variáveis. Financeira conservadora Utiliza o máximo possível de capital próprio e o mínimo possível de capital de terceiros. Financeira arrojada Utiliza o máximo possível de capital de terceiros e o mínimo possível de capital próprio. Quadro 4.1: Esquema básico da contabilidade de custos Fonte: Adaptado de Padoveze (2013, p. 188). Dentro desse cenário, a empresa está sujeita a várias hipóteses, no entanto, podemos concluir que caso ela opte por uma estrutura operacional e �nanceira arrojada, os riscos são maiores. No entanto, podemos concluir que, sob esses riscos, os gestores possuem controle, dado que eles irão desenvolver seu processo de gestão, optar por como será construída sua estrutura patrimonial e a forma que a �nanciarão, então, depende do gestor pontuar o nível de risco que pretende de assumir. Outro fator que deve ser levado em consideração quando falamos de riscos, é que as organizações estão em um mercado �nanceiro aquecido e extremamente competitivo, dessa forma, em diversas ocasiões, o risco não assumido por uma empresa pode signi�car oportunidade para outra. Logo, podemos relacionar risco e retorno, sendo assim, os gestores podem estar dispostos a assumir riscos na busca por rentabilidade em determinado investimento, uma vez que, quanto maior for o risco, maior será o retorno, principalmente se for um investimento a longo prazo. No entanto, mesmo que o gestor não esteja interessado em assumir riscos, vale ressaltar que, em um ambiente corporativo, a empresa está sujeita a acontecimentos externos que podem afetar sua atividade. Santos (2002), em sua pesquisa, estrutura um resumo dos riscos corporativos que uma empresa estaria sujeita, oriundos do ambiente externo e interno, demonstrados no quadro a seguir: https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# Riscos do Macroambiente Riscos do Ambiente Setorial Riscos Estratégicos Riscos Financeiros Riscos Operacionais Gerais Funcionais - Político-legais - Econômicos - Demográ�cos - Naturais - Tecnológicos - Sociais - Demanda - Fornecedores - Clientes - Concorrentes - Produtos alternativos - Fatores competitivos - Governança corporativa - Estrutura organizacional - Desenvolvimento de novos produtos e mercados - Formação de preços - Liquidez - Crédito - Mercado - Legais - Instrumentos �nanceiros - Fluxos �nanceiros - Estrutura de custos - Sucessão - Fraudes corporativas - Tecnologia da informação - Greves - Erros - Infraestrutura - Conformidade -Meio ambiente - Administrativos - Compras - Marketing - Vendas - Produção - Logística - Sistemas - Internet - Contábil - Fiscal - Distribuição Quadro 4.2: Classi�cação dos riscos corporativos Fonte: Adaptado de Santos (2002, p. 25). A gestão dos riscos é fator crucial para a continuidade das atividades de uma organização. Nesse cenário, atua a controladoria com o intuito de cumprir sua missão como assessora no processo de tomada de decisão, uma vez que irá analisar os riscos envoltos no setor de atuação, atividades e investimentos, e auxiliar com informações aos tomadores de decisão, a �m de apoiar os gestores a não assumir riscos desnecessários e, consequentemente, alcançar a e�cácia organizacional. Dessa forma, podemos concluir que a gestão de riscos permite a alocação e�ciente de capital, o monitoramento de oportunidades e o aproveitamento e�caz de recursos. No entanto, para que isso ocorra, é necessário que a organização esteja bem informada em relação aos riscos que suas transações e e seus negócios estão sujeitos. Sendo assim, a controladoria deve estar atenta ao analisar o ambiente interno e externo da empresa e relacionar todas as variáveis passíveis de afetar o sistema. Assim, Padoveze (2013) argumenta que os riscos devem ser identi�cados e avaliados. Essa avaliação pode ocorrer no sentido de veri�car o impacto (alto, moderado ou baixo) ou a probabilidade de ocorrência (provável, possível ou remota);sendo assim, apresenta um modelo de relatório de avaliação dos riscos, conforme segue: Patrimoniais Aplicações Financeiras 20.000 B 1% A 200 Hedge Créditos em moeda estrangeira 10.000 M 50% A Securitização Débitos em moeda estrangeira 25.000 M 50% A Securitização Perdas no estoque não contabilizadas 10.000 A 90% A 9.000 Não Créditos com clientes concentrados 20.000 B 10% A 2.000 SIG Inadimplências, - atrasos existentes 5.000 A 99% A 4.950 SIG Imobilizados - passíveis de furtos 2.000 B 10% B 200 Seguro Imobilizados - obsolescência 50.000 B 2% A 1.000 SIG Processo Trabalhista 1 4.000 B 2% B 80 Não Processo Trabalhista N 2.500 A 95% A 2.375 Não Risco Trabalhista N 30.000 B 5% A 1.500 Liminar Risco Procedimento ICMS 50.000 M 50% A 25.000 Liminar Risco Procedimento IR/CSLL 150.000 M 50% A 75.000 Não Quadro 4.3: Modelo de Relatório de Avaliação dos riscos Fonte: Adaptado de Padoveze (2013, p. 143). Saiba mais Dependendo do setor de atuação de uma organização, são inúmeros os fatores que podem impactar seus negócios, sendo capazes de afetar as diversas atividades desenvolvidas, tais como: �nanceira, operacional, comercial, tecnológica, entre outras. Por esse motivo, a gestão de risco deve ser tratada como prioridade para as grandes empresas, que precisam possuir uma política formalizada em gerenciamento de riscos. Ainda em relação à análise para a tomada de decisão, outro elemento que deve ser levado em consideração é as análises gerenciais. Esse recurso, pode fornecer informações relevantes da real situação econômica-�nanceira da organização ou de suas atividades. Nesse caso, destaca-se a análise de Ponto de equilíbrio e Margem de segurança. Ponto de equilíbrio é a situação em que a empresa não apresenta lucro nem prejuízo, ou seja, demonstra a capacidade mínima em que a empresa deve operar para ter um lucro zero. Esse ponto é atingido quando se atinge um nível de vendas no qual as receitas geradas são su�cientes apenas para se cobrir as despesas e os custos �xos e variáveis. Ainda, o cálculo do ponto de equilíbrio apresenta algumas derivações, podendo-se calcular o ponto de equilíbrio contábil, econômico e �nanceiro. : pode ser calculado e analisado em quantidade ou valor. Em relação ao cálculo unitário que determina a quantidade minima que a empresa deve produzir e vender, o Ponto de equilíbrio (PE) é o resultado dos custos e despesas �xos unitário dividido pela margem de contribuição unitária. Em relação ao cálculo em valor, ele demonstra o valor mínimo que deve ser vendido para que a empresa não tenha prejuízo e obtenha lucro zero. Nesse caso, o Ponto de equilíbrio (PE) é o resultado dos custos e despesas �xos (custos �xos totais) em valor dividido pela margem de contribuição percentual. A �m de esclarecermos o cálculo do PE em valor, tomemos como exemplo uma empresa com os seguintes dados: Preço de venda unitário R$ 1.700,00 100% Margem de contribuição unitária R$ 800,00 47,06% Custos e despesas �xas R$ 560,00 - Se substituirmos esses valores na fórmula, temos o seguinte cálculo: PE em valor = PE em valor = R$ 1.189.970 Nesse exemplo, o valor mínimo que a empresa necessita vender para cobrir todos os seus custos e despesas �xos e variáveis é R$ 1.189.970. : para este cálculo não se leva em consideração a depreciação, pois, monetariamente, essa despesa não é desembolsável. Sendo assim, é um índice relevante em possíveis reduções da capacidade de pagamento da organização. : para este cálculo além de considerarmos os custos e despesas �xas, devemos incluir o custo de oportunidade da organização. Assim, obteremos o valor mínimo de receita que gere lucro zero, mas que cubra todos os gastos operacionais, �nanceiros e o custo de oportunidade de outros investimentos. [Math Processing Error] https://exame.com/negocios/como-grandes-empresas-devem-lidar-com-gestao-de-riscos/ https://exame.com/negocios/como-grandes-empresas-devem-lidar-com-gestao-de-riscos/ https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# Outro fator que iremos veri�car é a Margem de segurança operacional (MSO), que corresponde à quantidade de produtos ou de receitas operadas acima do ponto de equilíbrio. Pode ser representada pela seguinte equação: Quanto maior for a MSO, maior será a capacidade de geração de lucro e a segurança de que a empresa não incorrerá em prejuízos. Vejamos o exemplo a seguir: • Quantidade vendida do produto Z: .........10 unidades por mês. • Custos e despesas variáveis: ....................R$ 2.000,00 por unidade. • Custos e despesas �xos: ...........................R$ 12.000,00 por mês. • Preço de venda: .........................................R$ 4.000,00 por unidade. MSO = 10 - (12.000/(4.000-2.000)) MSO = 4 unidades Conclusão: a empresa está comercializando 4 unidades do produto Z acima do seu ponto de equilíbrio. Caso deixe de vender essa quantidade, irá apresentar um lucro zero. A �m de concluirmos os conceitos explanados, vejamos um exemplo pertinente à aplicação do ponto de equilíbrio e margem de segurança para a tomada de decisões. • : Empresa de serviços de mecânica automotiva. Uma empresa que atua fornecendo serviços de mecânica automotiva pode calcular seu PE para tomar decisões estratégicas, ou seja, o gestor dessa organização precisa saber o faturamento mínimo necessário para cobrir todos os custos envolvidos no seu negócio. Dessa forma, se essa informação estiver permanentemente atualizada, o gestor poderá cogitar realizar novos investimentos com o resultado sobrejacente ou, ainda, se o resultado for a aproximação do PE, será sinalizada a necessidade de tomar decisões, tais como: procurar aumentar o número de clientes, elevar o valor dos serviços ou, até mesmo, reduzir os custos envolvidos. Nesse caso, considere que a empresa de serviços de mecânica automotiva possui um serviço especí�co de troca de óleo, esse serviço apresenta custos �xos mensais de R$ 100 mil. Utilizando um cálculo simples, podemos observar que faturar um valor superior a R$ 100 mil é o bastante para cobrir todos os custos, todavia, outros gastos são necessários para se desenvolver esse serviço. Sendo assim, se em determinado mês a empresa atender 250 clientes com um faturamento médio mensal de R$ 140 mil, custos e despesas variáveis de R$ 18 mil, isso será o su�ciente para manter esse tipo de serviço? Vejamos: Nesse caso, a empresa está operando com um número de clientes acima do ponto de equilíbrio, sendo assim, não haverá prejuízo se perder clientes ou se o faturamento for reduzido em até 45 clientes. A partir desses índices, o gestor pode tomar decisões, tais como: manter o serviço, investir na captação de novos clientes e maximização do lucro, contratar mais funcionários, caso necessário, entre outras. Sendo assim, podemos concluir que a análise do Ponto de Equilíbrio e Margem de segurança é fator relevante no processo de tomada de decisão, uma vez que, em situações em que se é necessário estabelecer meta de vendas ou faturamento, esses índices são o princípio para se estabelecer uma meta realista, logo, são extremamente importantes no processo de planejamento. Outra situação em que é pertinente a utilização desses índices é no estabelecimento de preço de venda, pois, conhecendo o faturamento mínimo exigido para a organização não operar em prejuízo, é possível estabelecer preços para osserviços e produtos mais competitivos e estratégicos. No contexto operacional, quando a organização produz ou vende mais de um produto, é importante construir um modelo de decisão com o cálculo do Ponto de equilíbrio e Margem de segurança para múltiplos produtos e serviços; só assim o gestor será capaz de analisar a participação de cada produto/serviço no resultado da organização. Pode ser que, em um mix muito grande de produtos, alguns apresentem prejuízo, e sua venda ou produção precise ser descontinuada. Vamos Praticar O foco da gestão do risco é manter um processo sustentável de criação de valor para os acionistas, uma vez que qualquer negócio sempre está exposto a um conjunto de risco (PADOVEZE, 2013, p. 137). Nesse contexto, assinale a alternativa correta em relação ao risco corporativo: No mercado corporativo, quanto maior for o risco que uma organização assumir em um investimento, menor será o retorno, principalmente se for um investimento a longo prazo. No processo de gestão de riscos, a controladoria deve analisar somente o ambiente interno da empresa e relacionar todas as variáveis passíveis de afetar o processo operacional. A gestão de riscos permite a alocação e�ciente de capital, o monitoramento de oportunidades e o aproveitamento e�caz de recursos. No contexto corporativo, os riscos devem ser identi�cados, no entanto, não podem ser mensurados e nem avaliados, pois possuem um alto grau de subjetividade. No processo de gestão de riscos, fornecedores, clientes, liquidez, crédito e mercado são exemplos de riscos �nanceiros oriundos do ambiente interno. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# No cenário atual, em todos os setores da economia, as empresas se deparam com um mercado extremamente competitivo. Nesse contexto, torna-se cada dia mais complexa a tomada de decisões rápidas e que assegurem os objetivos da organização e sua lucratividade. Sendo assim, os gestores têm sentido a necessidade de aprimorar o seu processo de tomada de decisão, o que faz o planejamento estratégico deixar de ser algo aplicado apenas nas grandes organizações. Dessa forma, o orçamento empresarial tem sido apresentado na atualidade como ferramenta básica de planejamento estratégico por diversos pesquisadores e pro�ssionais. Dado a sua importância, iremos analisar essa ferramenta mais a fundo a seguir. No contexto organizacional, um assunto muito abordado é o processo de gestão e como um processo bem fundamentado e delineado colabora para o sucesso da organização. A partir desse contexto é que adentramos o planejamento estratégico, que é um dos ciclos do processo de gestão. É a partir do planejamento estratégico que surge o orçamento empresarial como ferramenta básica de controle das empresas a curto prazo, normalmente o de um ano. De acordo com Nascimento e Reginato (2009), o orçamento é um compromisso gerencial que deve ser aprovado pela alta administração e apresenta o resultado real em relação ao planejado. Contudo, mesmo o orçamento sendo aprovado pela alta administração, ele deve ser organizado e implementado pelos gestores que irão utilizá-lo para fazer melhor uso possível dos recursos organizacionais. De acordo com Figueiredo e Caggiano (2008), alguns dos objetivos do orçamento empresarial são: guiar o andamento das atividades; potencializar o resultado global da organização; reduzir gastos operacionais e analisar variações entre o ocorrido e planejado, possibilitando a elaboração de ações corretivas. É importante salientar que o orçamento é composto de duas partes básicas: o orçamento operacional e o orçamento �nanceiro. OPERACIONAL Tem como foco as receitas, os custos e as despesas operacionais projetadas; ou seja, trata da quanti�cação dos recursos envolvidos pelas atividades operacionais da empresa. Essa parte do orçamento está sustentada por uma série de orçamentos parciais de receitas, custos e despesas de diferentes produtos ou unidades de negócios e departamentos. Nesse contexto, para a tomada de decisão, é elaborada a demonstração de resultado por produto e área, que, quando consolidada, expressa o resultado global da empresa. FINANCEIRO Compreende os efeitos que o orçamento operacional e os planos de investimentos de capital provocaram sobre a estrutura �nanceira da empresa, bem como representa a posição global da empresa e não apenas uma unidade de negócio ou departamento. Nesse contexto, para tomada de decisão, são utilizadas as demonstrações contábeis orçadas ou projetadas e, ainda, os indicadores econômicos e �nanceiros projetados. Quadro 4.4: Partes básicas do orçamento empresarial Fonte: Adaptado de Nascimento e Reginato (2009, p. 157-158). Essas duas partes básicas do orçamento são de extrema importância para o processo de tomada de decisão. Um exemplo claro disso é que, além de contribuir para a e�cácia da utilização dos recursos disponíveis, o orçamento pode ser base para a avaliação de desempenho. A alta administração pode fazer uso dessa ferramenta para avaliar o desempenho operacional e �nanceiro da organização como um todo, mas também dos seus gestores, unidades de negócio ou produtos. Vale ressaltar ainda, que um ponto relevante do orçamento é que ele deve ser �exível, sendo assim, a partir da análise do orçamento operacional pode-se tomar decisões relativas a prazos e preços a serem praticados nas vendas, que podem necessitar sofrer reajustes para que seja possível alcançar o resultado planejado. Outro fator importante é a tomada de decisão em relação a custos de produção; os gestores podem fazer uso do orçamento para de�nir a quantidade de matéria-prima que será consumida, a projeção dos estoques em termos físicos e monetários, para delimitação da folha de pagamento, terceirização de processos, determinação de fornecedores, entre outros fatores. Dessa forma, Padoveze (2013) argumenta que o orçamento empresarial é uma fonte de informação para a tomada de decisão, pois contém os dados previstos e esperados, bem como os objetivos setoriais e corporativos; sendo assim, é uma ferramenta essencial para decisões diárias sobre os eventos econômicos de responsabilidade dos gestores operacionais. Assim, podemos concluir que o orçamento é um elemento importante para o processo de tomada de decisão, pois direciona os gestores operacionais e alta administração a alcançar os objetivos e metas de curto prazo da organização. A alta administração utiliza diversas ferramentas para analisar a atividade organizacional e tomar decisões com o intuito de promover a e�cácia organizacional. Nesse contexto, o orçamento se torna um importante aliado, uma vez que, a partir desse relatório, é possível veri�car se os resultados alcançados estão de acordo com o planejado, ou seja, se a empresa está caminhando para o resultado esperado. Para a alta administração, é importante acompanhar o orçamento, dado que, a partir dessa ferramenta, pode-se: identi�car e analisar as variações ocorridas, corrigir erros detectados e ajustar o plano orçamentário, se for necessário, para garantir o processo de otimização do resultado e e�cácia empresarial (PADOVEZE, 2013). No entanto, é importante salientar que a administração não será responsável por controlar os orçamentos por áreas; essa atividade de controle será exercida pelos gestores de cada área, cabe a alta administração analisar os resultados provenientes do orçamento e, a partir deles, avaliar o desempenho dos gestores e, consequentemente, da organização como um todo. Outro fator relevante é que a controladoria, além de atuar na elaboração do orçamento, deve efetuar o monitoramento e o apoio aos gestoresindividuais sobre seus orçamentos (PADOVEZE, 2013), bem como preparar relatórios de controle orçamentário que apresentem os valores orçados e realizados e a variação percentual para a alta administração Considerando tais colocações, a alta administração irá, em primeiro lugar, aprovar o orçamento (caso ele esteja de acordo com os objetivos da organização) e, posteriormente, fazer uso dele para coordenar várias atividades, a �m de que os objetivos da companhia sejam alcançados. Tomando como base a premissa de que os gestores são responsáveis pela geração de lucro de sua área, o controle orçamentário é mais um dos instrumentos de gestão necessários para otimizar esse objetivo; consequentemente, cada gestor deve efetuar o seu controle orçamentário (PADOVEZE, 2013). Em virtude disso, os gestores de cada área ou departamento de uma organização deve estar atuando diretamente na elaboração, controle e execução do orçamento. Sendo assim, com o auxílio da controladoria, os gestores das áreas individuais devem estar atentos à necessidade de ações corretivas decorrentes do controle orçamentário. Por meio do controle orçamentário, os gestores conseguem analisar seu desempenho e o resultado de seu departamento em relação ao orçado. Por exemplo: o gestor da área comercial, por meio do controle orçamentário, pode avaliar se as vendas estão de acordo com o projetado, caso exista uma variação negativa em relação ao orçado, poderá tomar ações reparadoras que intensi�quem o volume de vendas. Podem ser diversos os departamentos dentro de uma organização, e a controladoria e alta administração são capazes de propor a criação de mais de um orçamento para cada uma delas, conforme apresentado no quadro a seguir. Departamento Comercial Orçamento de vendas. Departamento de Produção Orçamento de produção e estoque físico de produtos acabados Orçamento do custo de produção: orçamento do custo de matéria-prima, orçamento do custo de mão de obra; orçamento de custos indiretos de fabricação; orçamento dos custos dos produtos vendidos. Departamento de Marketing Orçamento de despesa com propaganda; orçamento para lançamento de novos produtos. Departamento de Recursos Humanos Orçamento de salários; orçamento de treinamentos; orçamento de despesa com contratação; orçamento de despesa com rescisão de contratos. Departamento administrativo Orçamento de despesas operacionais. Departamento de contabilidade Orçamento tributário; orçamento patrimonial. Departamento �nanceiro Orçamento de juros e multas; orçamento despesas bancárias. Departamento de Tecnologia da informação Orçamento de despesa com novas tecnologias; orçamento de investimento em software. Quadro 4.5: Exemplo de departamento e orçamentos Fonte: Elaborado pela autora. Dentro do processo de gestão, a etapa inicial é a de planejamento. Nessa etapa, faz-se necessário o planejamento de curto prazo ou estratégico, que é o momento em que a empresa formula ou reformula suas estratégias empresariais dentro de uma perspectiva especí�ca do futuro, ou seja, seria uma de�nição, em termos de futuro, do que a entidade vai fazer e como vão ser utilizados estrategicamente seus recursos; envolvesse com a determinação dos objetivos e metas da entidade (PADOVEZE, 2013; FIGUEIREDO E CAGGIANO, 2008). Esse processo do planejamento estratégico é comumente conhecido como etapa de programação; é nesse momento que a controladoria, juntamente aos gestores, irá elaborar o plano orçamentário, o qual se de�ne por plano de curto prazo, isto é, a construção do orçamento empresarial que irá apresentar uma previsão da atividade �nanceira e operacional para o próximo período ou exercício futuro. Tais considerações apontam que o orçamento pode ser considerado como desdobramento do planejamento estratégico, uma vez que o orçamento é uma representação prática do planejamento. É por meio dele que a organização irá estabelecer metas individuais, dando, assim, uma visão clara para todos de onde a empresa quer chegar. Apresentado o orçamento, todos passarão a compreender as metas e os objetivos da empresa, no mínimo, para um ano. Re�ita Vamos Praticar O orçamento é um compromisso gerencial que deve ser aprovado pela alta administração e apresenta o resultado real em relação ao planejado (NASCIMENTO E REGINATO, 2009). Considerando a de�nição de orçamento, assinale a alternativa correta: A alta administração pode fazer uso do orçamento para avaliar o desempenho operacional e �nanceiro da organização como um todo, mas também dos seus gestores, unidades de negócio ou produtos. É a partir do planejamento estratégico que surge o orçamento empresarial como ferramenta básica de controle das empresas no longo prazo. O orçamento deve ser organizado e implementado pela alta administração que irá utilizá-lo para fazer melhor uso possível dos recursos organizacionais. O orçamento deve ser imutável, não pode sofrer alterações após sua elaboração, para que o processo de tomada de decisão não seja prejudicado. A administração será responsável por controlar os orçamentos por áreas, para que seja possível avaliar o desempenho dos gestores. O orçamento empresarial pode ser de�nido como um plano de curto prazo da organização. No entanto, para que esse plano ou orçamento seja relevante e cumpra seu objetivo, é necessário que algumas premissas sejam adotadas desde a elaboração, execução até o controle. Sendo assim, veremos a seguir a atuação da controladoria para assegurar a qualidade do orçamento empresarial e as premissas orçamentárias para a qualidade das projeções. Dentro do processo de planejamento, o plano orçamentário é a função central da Controladoria. De acordo com Padoveze (2013, p. 199) a base da Controladoria é o processo de planejamento e controle orçamentário, dado que o orçamento é ferramenta de controle por excelência de todo o processo operacional da empresa, pois envolve todos os setores da organização. Ainda, cabe a controladoria, no cumprimento de sua missão de assegurar a e�cácia organizacional, dotar a empresa de um estruturado sistema orçamentário para que ele possa ter condições de trazer contribuições para o alcance do sucesso desejado (NASCIMENTO E REGINATO, 2009). Desta forma, a Controladoria é o setor ideal para elaborar a primeira versão dos orçamentos, porque ela detém todas as informações e objetivos da organização (PADOVEZE, 2013). Desta forma, a Controladoria vai atuar diretamente na elaboração do orçamento juntamente com os gestores de cada área e a comissão orçamentária, caso a empresa possua. Após a elaboração do orçamento este será apresentado para alta administração/diretoria que será responsável por validá-lo. Neste contexto, Padoveze (2013) apresenta um modelo genérico de processo orçamentário: Preparação das peças orçamentárias Controladoria Aprovação inicial Comitê Orçamentário Remessa aos responsáveis Controladoria Retorno das peças orçamentárias com as sugestões dos responsáveis Todas as áreas responsáveis por peças orçamentárias Revisão dos orçamentos recebidos Controladoria e Comitê Orçamentário Ajuste das sugestões em cima das reorientações do Comitê Controladoria e Áreas Responsáveis Conclusão das peças orçamentárias Controladoria Elaboração do orçamento geral e Projeção dos Demonstrativos Contábeis Controladoria Controle Orçamentário Controladoria Reporte das Variações Áreas Responsáveis * Etapas mensais rotineiras do controle entre o real e o orçado, já em execução no período analisado. Quadro 4.6: Modelo genérico de processo orçamentário Fonte: adaptado de Padoveze (2013, p. 208). Como podemos observar no Quadro 4.6 apresentado, além de atuar na elaboração do orçamento a Controladoria também irá atuar no controle orçamentário, auxiliando os gestores que irão reportar variações e tomar medidas corretivas caso necessário. Antes de adentrarmos no assunto premissas, devemos abordar a importância da construção de cenários para a elaboração do orçamento empresarial. De acordo comPadoveze (2013) é importante a construção de cenários para que se possa fundamentar as premissas orçamentárias, pois é neste momento que serão analisadas as variáveis externas que podem afetar a empresa, tais como: o macroambiente econômico, político e social. Neste contexto, Padoveze (2013) assume que as empresas deveriam construir ao menos 3 tipos de cenários (otimista; moderado; e pessimista), com base em informações relacionadas ao ambiente econômico e setor de atuação, como por exemplo: PIB Mundial, balanço de pagamentos, dívida externa, juros nominais, taxa de câmbio, in�ação anual, crescimento do setor, dentre outros. Um modelo de três cenários possíveis, pode ser observado no Quadro a seguir: 25,0 50,0 25,0 PIB Mundial 2,5 1,5 0,5 Balanço de pagamentos 4,0 6,0 8,0 Dívida externa 200,0 198,0 196,0 Juros nominais 20,0 24,0 28,0 Taxa de câmbio 5,0 7,0 9,0 In�ação anual 12,0 10,0 8,0 Crescimento do setor 10,0 5,0 - Quadro 4.7: Modelo de cenários Fonte: adaptado de Padoveze (2013, p. 211). Após analisar os cenários possíveis e escolher o mais provável, será possível a controladoria juntamente com o comitê orçamentário construir um quadro de premissas para a elaboração do plano orçamentário (PADOVEZE, 2013). Desta forma, concluímos que as premissas decorrem do cenário escolhido. A partir do cenário provável a administração e controladoria conseguem projetar metas e objetivos para a organização em relação a vendas, produção, investimentos, �nanciamentos, políticas administrativas, dentre outras. A partir destas metas, será possível estabelecer premissas que deverão ser rigorosamente respeitadas no processo orçamentário. A �m de exempli�car, segue modelo de premissas orçamentárias gerais. Programa de Produção - Unidades/Ano 200.000 Número de Funcionários 4.5 Encargos Sociais Previstos - Média 92,0% Horas extras máximas 2,0% Aumentos Salariais - Data-Base 4,0% Aumentos de Mérito - % Mensal 0,2% Taxa de Câmbio - % 7,0% Taxa de US$ - Inicial R$ 1,65 Taxa de US$ - Final R$ 1,765 In�ação Anual - País - % 10,0% Aumento de Lista de Preços - % 5,0% In�ação Interna - % 7,6% TJLP - Empréstimos Nacionais 15,0% Taxa de Juros Média - Empréstimos Estrangeiros 8,5% + Câmbio Taxa de Juros Média - Aplicações Financeiras 16,0% IR Retido Fonte Aplicações Financeiras 15,0% Investimentos Necessários R$ 1.600.000 Política de Contas a Receber 50 dias Política de Estocagem 90 dias Política de Fornecedores 30 dias Quadro 4.8: Premissas orçamentárias gerais Fonte: adaptado de Padoveze (2013, p. 212). Evidenciados os conceitos de orçamento, apresenta-se a seguir a projeção de um tipo de orçamento operacional. • O orçamento de vendas é o primeiro orçamento a ser elaborado, é uma das etapas mais importantes da organização, pois estima as quantidades de cada produto que a empresa planeja vender e o preço praticado, bem como dos impostos incidentes. Trata-se do ponto de partida e da principal referência para a elaboração de todas as demais partes que formam o orçamento operacional (orçamento dos custos de fabricação, despesas de venda e administrativas, etc.). Sua elaboração é de responsabilidade do gestor principal da área comercial de cada uma das unidades de negócio da empresa (NASCIMENTO E REGINATO, 2009). De acordo com Nascimento e Reginato (2009) a elaboração do orçamento de vendas deve ser efetuada utilizando-se de várias técnicas e variáveis, envolvendo: (a) análise de mercado em termos macro e microeconômicos; (b) desempenhos anteriores; (c) concorrência; (d) planos de clientes; (e) tendências e lançamentos de novos produtos; (f) abandono de linhas sobre as quais não mais há interesse, etc. Desta forma, cabe a controladoria, juntamente com o gestor da área comercial, realizar uma análise estrutural da capacidade produtiva e �nanceira da organização, a �m de evitar planos super ou subestimados no orçamento de vendas. Neste contexto, a controladoria e gestores deverão apresentar um orçamento anual, que divulgue um detalhamento em nível mensal, identi�cando as vendas por região, linhas de produtos, segmentos e de acordo com as unidades de negócio da empresa. Com o propósito de esclarecer o conteúdo abordado, suponha-se que que determinada organização comercializa o produto Y, cujos dados orçamentários sejam os seguintes: Volume anual 200.000 Volume para o 1° trimestre 40% • Janeiro 7% • Fevereiro 14% • Março 19% Preço líquido unitário 87,00 Impostos incidentes 19% Quadro 4.9: Dados gerais do orçamento de venda Fonte: adaptado de Nascimento e Reginato (2009, p. 160). Com base em tais dados é possível elaborar o respectivo orçamento de venda, conforme apresentado no Quadro a seguir. Volume 14.000 28.000 38.000 80.000 Faturamento líquido total 1.218.000 2.436.000 3.306.000 6.960.000 Impostos incidentes 285.704 571.407 775.481 1.632.593 Faturamento bruto total 1.503.704 3.007.407 4.081.481 8.592.593 Quadro 4.10 - Orçamento de vendas Fonte: elaborado pela autora Um fator que deve ser levado em consideração é que o orçamento deve ser elaborado de forma integrada, isto é, cada etapa orçamentária elaborada irá gerar automaticamente informações para as próximas etapas (NASCIMENTO E REGINATO, 2009). Vamos Praticar Dado que o orçamento é uma ferramenta de controle por excelência de todo o processo operacional da empresa, a controladoria deverá atuar assegurando a sua qualidade, uma vez que envolve todos os setores da organização (PADOVEZE, 2013, p. 199) Em relação a atuação da controladoria para assegurar a qualidade do orçamento empresarial, analise as a�rmativas a seguir e assinale a alternativa correta. Dentro do processo de controle, o plano orçamentário é a função central da Controladoria. Cabe a controladoria, dotar a empresa de um estruturado planejamento estratégico, já o orçamento deve ser elaborado pelos gestores e aprovado pela controladoria. A Controladoria não é o setor ideal para elaborar a primeira versão dos orçamentos, porque ela não detém todas as informações e objetivos da organização. A Controladoria vai atuar diretamente na elaboração do orçamento juntamente com os gestores de cada área e a comissão orçamentária, caso a empresa possua. A Controladoria irá atuar apenas na elaboração do orçamento, o controle é de responsabilidade da alta administração que irá analisar variações e tomar medidas corretivas caso necessário. : Atlas : Rogério João Lunkes : 8522447241 : o livro apresenta diferentes métodos orçamentários, além de englobar novos tipos de orçamento mais adaptados a necessidades de gestores, como �exibilidade, capital intelectual, intangíveis, valorização dos clientes internos e externos, entre outras contribuições. :1999 : O �lme mostra a história de Irineu Evangelista de Sousa (1813–1889), mais conhecido como barão de Mauá e considerado o primeiro grande empresário brasileiro. O �lme fala um pouco sobre a importância do orçamento e como Irineu conseguiu alcançar um valor superior ao orçamento do império. O �lme trata da construção da fortuna do barão de Mauá até sua falência, e como ele foi declarado como idealizador de uma série de iniciativas modernizadoras para economia nacional, ao longo do século XlX. TRA ILER https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html# https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_CONTRO_19/unidade_4/ebook/index.html#