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Bibliografia: capítulo 5, páginas: Células Tronco Adultas: Neurais (pg 153-157 topo); ok Intestinais (pg 158 final-160 meio), ok Hematopoiéticas (pg 161-163 topo)- ok ESC e iPS: pg 167-174 ok RESUMO CÉLULA TRONCO Definição: uma célula tronco é aquela célula que tem o poder de se autorrenovar e gerar muitos tipos celulares que irão se diferenciar Divisão e autorenovação: a célula se divide a partir de uma divisão que pode ser assimétrica ou simétrica e a partir dela que resulta em novas células filhas que irão se diferenciar ou se tornar novas células tronco. Na divisão simétrica, as células-tronco dão origem a células filhas com potencial de se autorrenovar, ou então comprometidas a se especializar, podendo reduzir ou expandir sua população. Na divisão assimétrica, as células se dividem de modo a estabilizar o conjunto de células-tronco e gerar uma célula filha que irá se diferenciar, essa divisão pode ser uma maneira do organismo controlar a homeostasia das células-tronco. Na linhagem de células tronco adultas, o potencial da célula vai se perdendo com o tempo, no início são multipotentes até se tornarem comprometidas a gerar um tipo específico de células até se tornarem células progenitoras. Célula tronco multipotente → Célula tronco comprometida → Célula tronco progenitora → Células diferenciadas As células troncos multipotentes são capazes de gerar toda uma linhagem, são as células do zigoto por exemplo. À medida que o desenvolvimento embrionário se dá, as células passam a perder a sua potencialidade, na etapa de blastocisto as células já são pluripotentes. À medida que as células se diferenciam elas se tornam multipotentes, gerando células específicas restrita naquele tecido. As células tronco progenitoras, que são células de estágio de transição responsáveis pela organogênese do embrião e regeneração dos tecidos adultos, e tem uma limitação de autorreplicação, se dividindo algumas vezes antes de se diferenciar. Ainda há um outro termo, célula precursora usados pra designar qualquer tipo celular ancestral de uma linhagem específica. As células-tronco adultas possuem um nível restrito de autorreplicação, ao contrário das células tronco pluripotentes, isso pode ter ligação com o envelhecimento. Linhagem celular hematopoiética: as células tronco multipotentes dão origem a diferentes tipos de células progenitoras que por sua vez darão origem aos componentes do sangue (linfócito, plaquetas, hemácias, basófilo, neutrófilo etc) Regulação das células tronco: as células tronco possuem mecanismos para sua regulação, esse mecanismo é influenciada no nicho da célula tronco, isso é, no ambiente no qual a célula reside. Esses mecanismos podem ser intracelulares ou então extracelulares, podendo ser de natureza física interferindo na adesão dentro da matriz extracelular que suporta aquele nicho, ou então através de moléculas secretoras envolvidas em processos endócrinos e exócrinos, caracterizando assim os mecanismos extracelulares. Os mecanismos regulatórios intracelulares são a regulação por determinantes citoplasmáticos que influenciam no tipo de divisão que ocorre, ou então na regulação transcricional e epigénetica, isso é, alterações na expressão gênica que influencia no comportamento das células. Células pluripotentes do embrião: as células pluripotentes da massa celular interna (ICM) do embrião é um dos modelos mais bem estudados. O blastocisto é formado por uma camada esférica formada por células do trofoectoderma, massa celular interna e uma cavidade cheia de líquido (blastocele). Essa massa celular interna com o tempo vai se desenvolver e formar um apunhado de células, denominado epiblasto, uma camada de células do endoderma primitivo (saco vitelínico) que irá ficar entre o epiblasto e a blastocele. A parte do epiblasto irá se desenvolver e formar o embrião propriamente dito, enquanto que a camada externa (trofoectoderma) e o endoderma irão dar origem as estruturas extraembrionárias (córion e o saco vitelinico). Como mostrado na imagem abaixo: As células da massa celular interna do epiblasto em cultura, isso é, in vitro darão origem as células tronco embrionárias, que mantêm sua pluripotência e podem se autorenovar indefinidamente. Os fatores regulatórios que promovem a pluripotencia da massa celular interna são fatores de transcrição: Oct4, Nanog e Sox2. São responsáveis por permitir que as células da ICM deem origem a epiblasto e todos os outros tipos celulares. Os mecanismos que controlam os padrões de expressão temporal e espacial dos genes da ICM e da trofoectoderma são as interações células a células que permite que as células passem por divisões assimétricas e simétricas. As divisões assimétricas produzem céluals do desenvolvimento da ICM e da trofoectoderma, enquanto que as simétricas distribuem determinantes citoplasmáticas para dentro da camada da trofoectoderma e da nova camada de ICM. Essa localização assimétrica dos fatores se dá pela atuação das proteínas PAR e aPKC e moléculas de adesão celular caderina. Células-tronco neurais adultas: possuem o papel de renovação ativa dentro dos organismos, além de manter a divisão a longo prazo, produção de células filhas diferenciadas e repovoar o reservatório das células tronco. Nicho das células tronco neurais adultas da zona ventricular-subventricular (V-SVZ): as células-tronco neurais (NSCs) fazem neurogênese continuada em toda a vida, elas conservam características morfológicas de suas células progenitoras (as células da glia radial). As células da glia radial são formadas por células epiteliais polarizadas. Em anamniotas, como os teleósteos, isso é, os peixes ósseos as células da glia atuam como NSCs ao longo da vida no cérebro adulto. Nos mamíferos, as NSCs ficam concentradas em duas regiões, na zona subgranular (SGZ) e na zona ventricular-subventricular (V-SVZ), essas células mantém as características das células da glia que lhe deu origem. Na SGZ, ocorre um estado de transição das NSCs para células do tipo B que levam à geração de tipos específicos de neurônios, tanto no bulbo olfatório quanto no estriado. Na SVZ, as células B projetam um cílio primário que entra em contato com os vasos sanguíneos, os principais tipos celulares que fazem parte do nicho são uma camada de células ependimárias (célula E), células tronco neurais (células B), células C progenitoras amplificadoras de trânsito e células A neuroblastos migratórios. O conjunto de células B cerceado por células E forma uma estrutura em forma de roseta. A geração de células na SVZ começa no núcleo com as células B, que passam por divisões e dão origem a célula C, que por sua vez, se proliferam e se desenvolvem em precursores neurais do tipo A, os quais sofrem diferenciação neuronal. Na zona ventricular é uma zona proliferativa! A roseta tem uma arquitetura diferenciada e é mantida por uma molécula de adesão específica VCAM1, essa estrutura é mantida durante toda a vida adulta. Com o passar do tempo, o número de rosetas diminui o que pode ser relacionado com a redução da capacidade neurogênica na vida adulta. O bloqueio da VCAM1 resulta na desorganização da roseta e perda de NSCs e ao mesmo tempo promove diferenciação de progenitores As células ependimárias cercam a célula B e se comunicam intensamente para realizarem ações dentro da célula. O reservatório das células NSCs não se perde devido a interações célula a célula de modo que as células B não sejam perdidas ao longo do tempo quando ocorre crescimento ou reparo. *quiescentes= em repouso/inativadas É uma via de inibição NOTCH-delta, quando ocorre a conexão das células faz com que essa célula assuma a via de diferenciação para as células da glia. Quando não há essa conexão há a neuro gênese. NOTCH, diferenciação: é um domínio intracelular que atua na manutenção das célulastronco do tipo B, seu domínio é clivado e liberado para fazer parte do complexo de fatores de transcrição. Suportam as quiescências das células tronco, em níveis altos e níveis baixos atuam na proliferação das células progenitoras neurais e maturação do destinos neurais. Atua junto com outros fatores de transcrição para reprimir a expressão gênica associada com a proliferação, promovendo a quiescência do número de NSCs. É expresso em todos os principais tipos de células do nicho V-SVZ, os genes Hes são o alvo do NOTCH, eles funcionam para reprimir a expressão gênica pro-neural, funcionando com feedbacknegativo, aumento de Hes reprime NOTCH e aumento de NOTCH reprime o Hes. A expressão oscilante de Hes atua no suporte dos estados proliferativos até que as células se diferenciem. A diferenciação de células no nicho V-SVZ ocorre mediada por alguns fatores, como EGF reprime NOTCH, a sinalização por proteína morfogenética do osso (BMP) e o nicho de NSCS. - EGF: tem o objetivo de criar um mecanismo para reprimir a ação do NOTCH e consequentemente aumentar a neurogênese, as células do tipo C sinalizam os receptores de crescimento epidérmico (EGFR) que a expreção de NUMB inibindo o NOTCH. Promove o uso de reservatório de células tronco para a neurogênese ao contrabalancear a expressão do tipo NOTCH. - BMP: fatores adicionais, que permite a glicogênse de S-SVZ em regiões do cerebro, a sinalização nas regiões basais são altas enquanto nas células ependimárias na borda apical são baixos, isso ocorre para que a medida que as células B transitam para células progenitoras C em direção ao nicho elas estejam localizados em regiões com alto BMP promovendo a neurogenese de células glias. Células tronco intestinais adultas: a geração das células ocorre na cripta, isso é, no vale íngreme das invaginações das microvilosidades presentes no tecido epitelial intestinal enquanto que a remoção das células acontece nas extremidades das vilosidades. As células tronco residem na base de cada cripta do intestino de um camundongo (modelo de estudo), algumas permanecem como células tronco enquanto outras se tornam progenitoras e se dividem rapidamente. Essa divisão leva as células a se posicionarem mais para a parte apical das criptas se diferenciando nas células do epitélio do intestino delgado, como enterócitos, células caliciformes e células enteroendócrinas. Ao alcançarem o ápice, sofrem apoptose (amoikis) causado pela perda de sustentação. As células tronco intestinais são capazes de gerar todas as células do epitélio intestinal, devido a sua localização ser na base da cripta, essas células são chamadas de células-tronco Lgr5+ (células colunares da base da cripta- CCBC) juntamente com as células diferenciadas de Paneth. As CCBC pode repovoar completamente a cripta ao longo do tempo, depois da divisão simétrica, resulta numa célula-filha que irá ficar ao lado de uma célula Paneth enquanto que a outra irá ser empurrada para longe da base de maneira a virar uma célula progenitora. Células tronco hematopoiéticas (HSCs): as células estão presentes na medula óssea, tecido altamente vascularizado, estão próximas as células ósseas, endoteliais e das células conjuntivas. A hematopoiese primitiva ocorre no saco vitelínico embrionário, e durante seu desenvolvimento migram para o fígado fetal onde começam a proliferar e gerar a progênie das linhagens hematopoiéticas, durante esse período os ossos estão se formando e ajudam as HSCs a acharem seu caminho até a medula óssea. Essa habilidade de migrarem através do sistema circulatório é chamado de ‘’homing’’, são auxiliadas também por proteínas de adesão como E-selectinas e VCAM1. As células reconhecem a medula óssea como o ambiente para se proliferarem através de receptores que interagem com receptores das células da medula (CXCLA-CXCL12). Existem dois tipos diferentes de nicho hematopoiético, o nicho endosteal e o nicho perivascular. No nicho endosteal as células estão em contato com os osteoblastos e no nicho perivascular estão em contato com os vasos sanguíneos. Devido a terem dois nichos, apresentam uma regulação diferenciada. Além disso, há dois tipos de subpopulações de HSCs diferentes nesses nichos, com capacidades de divisão rápida em resposta a necessidades imediatas e uma população de reserva que possuí um papel de renovação. Essas populações atuam dependendo das condições fisiológicas do organismo. ESC E IPS Células pluripotentes no laboratório: as células pluripotentes podem dar origem a todos os tipos celulares necessários para produzir um corpo adulto em mamífero, no laboratório essas células podem ser provenientes da massa celular interna (ICM) e das células germinativas primordiais que não se diferenciaram em ovócitos e espermatozoides, quando isoladas e crescidas em cultura são chamadas de células germinativas embrionárias (EGCs). Assim como in vivo tal processo é regulado pelos mesmos fatores de transcrição: Oct4, Sox2 e Nanog que funcionam em conjunto para manter a pluripotência e evitar a diferenciação. As células originais da ICM podem estar em dois estágios diferentes: naive e primed. No primed representa uma célula da ICM pronta para diferenciação em epiblasto ao contrário da naive que é mais imatura e mais indiferenciada com maior potencial para pluripotência. As linhagens de ESCs de camundungo estão em estágio naive ao passo que as ESCs de humano estão em primed. Ainda há diferentes modos para derivar células ESCs humanas naive a partir de ICM ou até de ESCs primed, como o fator inibitório da leucemia (LIF) associados a inibidores cinases e MAPK/Erk. *ESCs = células tronco embrionárias As restrições no meio na qual as células ESCs se desenvolvem pode ser uma boa maneira de limitar a sua diferenciação, restringindo a área do crescimento a pequenas formas de discos. ESCs e medicina regenerativa: as células tronco são pluripotentes, ou seja, podem se diferenciar em qualquer tipo celular, por essa habilidade pode ser usada para o tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson entre outras. Ao passo que expandir o uso de ESCs tem desafios devido que as células ESCs são encontradas apenas num estágio inicial do desenvolvimento e algumas doenças humanas envolvem células que tem uma longa história de diferenciação, além do risco imunológico ao receberem ESCs doadas de outros pacientes. IPSC: células- tronco pluripotentes induzidas: através da inserção de cópias ativadas de quatro genes que codificam alguns fatores transcricionais (Sox2 e Oct4, c-Myc e Klf4), qualquer célula pode ser transformada em uma célula-tronco pluripotente induzida. O uso de IPSC é amplamente usado na medicina de diferentes modos: (1) fazendo iPSCs específicas de pacientes para estudar a patologia das doenças (2) usando combinado a terapias gênicas com IPSC especificas (3) usando células progenitoras derivadas iPSCs específicas de pacientes transplantados e (4) usando células diferenciadas derivadas de iPSCs de pacientes para pesquisa.