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Universidade Federal do Pará Instituto de Geociências Faculdade de Geologia Disciplina Geotectônica ATIVIDADE AVALIATIVA DA DISCIPLINA GEOTECTÔNICA Helen Maria Trindade Lopes Matos - 202108540022 Belém 2025 A evolução geológica da Terra passou por diversos períodos marcados por transformações significativas, desde sua formação no Hadeano até as dinâmicas atuais do Cenozoico. No Hadeano, há cerca de 4 bilhões de anos, o planeta estava em processo de formação, sendo dominado por impactos cósmicos e intensa atividade vulcânica. O modelo do impacto gigante sugere que a Lua surgiu a partir da colisão entre a Terra primitiva e um corpo celeste do tamanho de Marte, evento que liberou enorme quantidade de energia e levou à formação de uma atmosfera primordial. Paralelamente, o modelo de acreção explica o crescimento da Terra devido à agregação de pequenos corpos celestes, o que resultou na segregação de elementos e na criação das primeiras camadas geológicas. Durante esse período, a Terra era extremamente quente e parcialmente fundida, configurando um modelo de magmatismo primordial, no qual rochas ígneas se formavam constantemente. Com o tempo, o processo de diferenciação planetária levou à separação de materiais mais densos, formando um núcleo metálico e uma crosta menos densa. A atmosfera primitiva, composta por dióxido de carbono, metano e vapor d’água, sofria constantes transformações devido às atividades vulcânicas e impactos externos. No Arqueano (4 bilhões a 2,5 bilhões de anos atrás), a Terra começou a esfriar e estabilizar sua crosta. O modelo de crosta primitiva sugere que, inicialmente, essa crosta era fina, mas se espessou com a solidificação do magma, resultando na formação dos primeiros continentes. A formação da litosfera continental por acreção vertical permitiu a geração dos TTGs (Tonalitos-Trondhjemitos-Granodioritos) e dos komatiitos, rochas que indicam a movimentação de magma do manto para a crosta. Com o crescimento das massas continentais, a estabilização dos continentes começou a ocorrer. Paralelamente, os oceanos se expandiram, e a atmosfera passou por mudanças, com a diminuição de metano e amônia e o aumento do oxigênio produzido por cianobactérias. A intensa atividade vulcânica liberava gases como dióxido de carbono e vapor d’água, influenciando o clima e a química atmosférica. Indícios apontam que os princípios iniciais da tectônica de placas estavam ativos nesse período, ainda que de forma menos organizada que no presente, resultando na movimentação de blocos crustais e na formação de rifts e bacias oceânicas. O ciclo de fusão e fragmentação dos primeiros continentes sugere um modelo de ciclos de supercontinentes. Além disso, o Arqueano é marcado pela formação das BIFs (Banded Iron Formations), depósitos de óxidos de ferro alternados com camadas de sílica, um reflexo da oxigenação progressiva dos oceanos. A transição do Arqueano para o Proterozoico (2,5 a 2 bilhões de anos atrás) foi caracterizada pela intensificação da tectônica de placas e pelo aumento da crosta continental. O resfriamento progressivo da Terra favoreceu a rigidez da litosfera, possibilitando o início da subducção, um processo essencial para a geodinâmica moderna. Com isso, cinturões orogênicos começaram a se formar, resultando na elevação de cadeias montanhosas. A interação entre placas oceânicas e continentais levou ao crescimento das massas terrestres e à formação de depósitos carbonáticos, que se tornariam cada vez mais comuns nos períodos seguintes. À medida que a subducção se tornava mais frequente, o assoalho oceânico expandia-se nas dorsais meso- oceânicas, onde o magma emergia e formava nova crosta oceânica. Esse processo também contribuiu para o aumento das bacias oceânicas e a deposição de sedimentos, criando espessas sequências sedimentares. Durante o Proterozoico (2,5 bilhões a 541 milhões de anos atrás), houve a formação do supercontinente Rodínia, que se acredita ter sido resultado da colisão de vários crátons pré-existentes. A orogênese Grenville desempenhou um papel central na aglutinação desse supercontinente, com eventos de subducção levando à formação de cinturões orogênicos complexos. Em paralelo, processos de extensão e rifteamento deram origem a bacias sedimentares que, posteriormente, formariam novos oceanos. Esse período também registrou algumas das glaciações mais severas da história da Terra, como o evento "Snowball Earth", no qual se acredita que grande parte do planeta ficou coberta por gelo. A transição para o Paleozoico (541 a 252 milhões de anos atrás) foi marcada pela fragmentação de Rodínia e pelo surgimento de novas massas continentais. Essa época assistiu à Explosão Cambriana, um aumento abrupto na diversidade biológica, com a evolução de organismos multicelulares complexos. O aumento do nível de oxigênio favoreceu a proliferação de novas formas de vida, enquanto mudanças tectônicas levaram à formação de cinturões montanhosos e novas bacias oceânicas. A fragmentação de Rodínia alterou a circulação oceânica e atmosférica, contribuindo para mudanças climáticas e extinções em massa. Na transição do Paleozoico para o Mesozoico (252 milhões de anos atrás), a fragmentação de Pangeia se tornou um dos eventos geodinâmicos mais importantes. A separação desse supercontinente originou novas bacias oceânicas e alterou o clima global. Processos de rifteamento e intensa atividade vulcânica geraram bacias sedimentares que serviriam de berço para novos ecossistemas. As plumas mantélicas desempenharam um papel fundamental na formação de estruturas como os Traps do Decão, enquanto colisões entre placas resultaram na elevação de cadeias montanhosas. A transição do Mesozoico para o Cenozoico (66 milhões de anos atrás) foi marcada pela extinção dos dinossauros, um evento que abriu caminho para a ascensão dos mamíferos. A dinâmica da tectônica de placas continuou a moldar o planeta, levando à formação dos Alpes devido à colisão das placas Eurasiana e Africana. O Cenozoico também foi caracterizado por grandes mudanças climáticas, incluindo as glaciações do Quaternário, que tiveram impactos significativos sobre a fauna e a flora. A configuração dos continentes começou a se assemelhar à atual, e processos de deriva continental seguiram influenciando a geodinâmica global.