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CONTEÚDO 4 ÂNGULOS, ORIENTAÇÃO E DISTÂNCIAS Prof. Gustavo Soares de Souza CGEI.515 – Topografia ÂNGULOS • São medidos em graus e radianos • O instrumento mais usado para leitura de ângulos na Topografia denomina-se goniômetro, e se possuir os fios estadimétricos se chama teodolito Alinhamento Vante e Ré - Visada de Ré = Reta A→E - Visada de Vante = Reta A→B - Ângulo (a)= 299º48’54’’ – 200º = 99º48’54’’ DIVISÃO 1. Verticais 2. Horizontais Diretos Deflexão Orientação Nadiral De inclinação Zenital • É o ângulo formado entre projeções horizontais paralelas, geralmente formado entre o plano horizontal e a linha de visada, medido no plano vertical que contém os pontos. 1. ÂNGULOS VERTICAIS Topografia Divisão: 1.1. Zenital 1.2. De Inclinação 1.3. Nadiral 1. ÂNGULOS VERTICAIS - Relação entre os ângulos Zenital (Z) e Nadiral (Na) e De Inclinação (I) Z + I = 90º • A relação entre os ângulos Na – I = 90º Na + Z = 180º Exercício 1) Converta os ângulos zenitais (Z) em de inclinação (I) e vice-versa. a) Z= 135º b) Z= 54º c) I= 36º d) I= –58º • Ângulo formado por dois planos verticais que contém as direções formadas pelo ponto ocupado e os pontos visados. • É medido sempre na horizontal, razão pela qual os equipamentos deve estar devidamente nivelados 2. ÂNGULOS HORIZONTAIS Divisão: 2.1. Diretos: interno e externo 2.2. Deflexões: esquerda e direita 2.3. Orientação: azimute e rumo 2. ÂNGULOS HORIZONTAIS 2.3. ORIENTAÇÃO • É um ramo da Topografia que permite determinar a posição exata de uma poligonal ou alinhamento topográfico sobre a superfície da Terra, a partir do norte magnético ou verdadeiro • Orientação = busca da direção do Oriente, local onde o sol nasce • Orientação: relacionada ao alinhamento com os pontos cardeais • Localização: está relacionado aonde se encontra um determinado vértice de alinhamento/poligonal com relação ao globo através de coordenadas geográficas ORIENTAÇÃO X LOCALIZAÇÃO Norte Geográfico ou Verdadeiro • Indica para a direção do eixo de rotação da Terra • Imutável ao longo do ano Norte Magnético • Indicado pela agulha imantada de uma bússola • Varia ao longo do ano Bússola • Trata-se de uma agulha magnetizada, livremente suportada no centro de um círculo horizontal graduado, chamado limbo • Idealizada para determinar a direção dos alinhamentos em relação à meridiana dada pela agulha (Norte Magnético) • Atração local: influência de objetos metálicos como relógios, canivetes, minerais (pirita e magnetita), proximidade de campos magnéticos (redes de alta tensão e torres de transmissão) podem causar variações ou interferências na bússola CGEI.515 - Topografia Declinação Magnética (d) • É o ângulo horizontal formado entre o norte verdadeiro (geográfico) e o magnético CGEI.515 - Topografia Declinação Magnética (d) • Varia com o tempo e com a posição geográfica • É ocidental (negativa) quando o Pólo magnético estiver a oeste (W) do geográfico e oriental (positiva) e caso contrário. • No Brasil, a declinação magnética é negativa CGEI.515 - Topografia 2.3.1. Azimute • É o ângulo horizontal formado entre a meridiana de origem que contém os Pólos, magnético ou geográfico, e a direção considerada. • É medido a partir do Norte, no sentido horário e varia de 0º a 360º 2.3. ORIENTAÇÃO 2.3.2. Rumo • É o menor ângulo formado pela meridiana Norte-Sul e a direção considerada • Varia de 0º a 90º, sendo contado do Norte ou Sul para Leste (E) ou Oeste (W) • Acrescenta-se a sigla NE, SE, SW ou NW (primeira letra indica a origem e a segunda indica a direção do giro) Conversão entre Rumo (R) e Azimute (Az) 1ºQ >>> R = AZ 2ºQ >>> R + AZ = 180º R = 180º –AZ 3ºQ >>> AZ = 180º + R R = AZ – 180º 4ºQ >>> AZ = 360º – R R = 360º –AZ Exercício 2) Transforme as seguintes orientações. CGEI.515 - Topografia Transformação de Norte Magnético em Geográfico e vice-versa Para d + AZv = AZm + D Para d – (Brasil) AZv = AZm + (– D) CGEI.515 - Topografia Exercício 3) Sabe-se que o azimute verdadeiro do painel de uma antena em Curitiba é 45º21’ e a correspondente declinação magnética é 17º32’ W. Calcular o azimute magnético para a direção em questão, tendo em vista que a empresa só dispõe de bússola para a orientação. CGEI.515 - Topografia AZv = AZm + (– D) AZm = Azv + D AZm = 45º21’ + 17º32’ AZm = 62º53’ Exercício 4) Sua empresa foi contratada para implantar uma antena de transmissão no alto de uma colina 15 km contados a partir do marco zero no centro da praça principal da cidade seguindo a orientação de 30º NE. Caso não houvesse formas visuais de localizar o ponto de partida, como o técnico faria para voltar ao centro da cidade? CGEI.515 - Topografia MEDIÇÃO DE DISTÂNCIAS DISTÂNCIA • As distâncias são elementos lineares fundamentais na Topografia • Tipos de distância: 1. Horizontal (DH) 2. Vertical (DV) 3. Inclinada (DI) 4. Natural do terreno (DN) Métodos de Medição 1. Métodos Diretos – consiste na necessidade de percorrer a área de estudo, sem o emprego de funções matemáticas. São utilizadas trenas, correntes, passo médio e hodômetro 2. Métodos Indiretos – utilizam funções matemáticas e processos físicos para medir a distância, como o uso de teodolito, estação total, GPS e scanners. Divide-se em: eletrônicos e taqueométricos (estadimétricos) Erros no Método Direto a) Erros de leitura: anotação errada dos dados b) Dilatação / Elasticidade: depende do material, do comprimento, da espessura e da largura, da tensão aplicada na medição e da temperatura ambiente. O valor lido será menor que real. c) Erro de Catenária • Devido ao peso da trena, ela tende a formar uma curva voltada para baixo • Ao invés de se medir uma distância plana (DH), mede-se um arco • O valor lido (trena) será maior que o real d) Erro de Horizontalidade da Trena • Em áreas que não são planas, a tendência do topógrafo é segurar a trena mais próxima do chão (distâncias ficam maiores do que a real) • Para minimizar o erro, utilizam-se balizas para ajudar na horizontalidade da trena • O valor lido será maior que o real. • Subestimada ou superestimada a medida real • A baliza deve estar perfeitamente na vertical • Utilizar nível de cantoneira e) Erro de Verticalidade da Baliza MÉTODOS DIRETOS E INDIRETOS Obs: • Os métodos indiretos, por dependerem menos do ser humano, apresentam maior precisão, já que as fontes de erro mais comuns estão no momento da leitura da mira, do teodolito, da trena, do alinhamento da trena, da verticalização da mira e erros ao manusear os equipamentos. • Por outro lado, o GPS possui correção por satélite e sofre influência de condições climáticas e da cobertura florestal. Exercício 4) Sabendo que b = 90,000 m, a) calcule as distâncias de “a” a “i” pela lei dos senos; b) calcule a área pelo método dos semi-perímetros. CGEI.515 - Topografia a) a= 32,801 m b=90,000 m c= 20,910 m d= 55,244 m e= 21,597 m f= 30,954 m g= 35,253 m h= 34,757 m i= 60,756 m b) 𝑝1 = 43,654 𝑚 𝐴1 = 329,844 𝑚2 𝑝2 = 51,406 𝑚 𝐴2 = 507,132 𝑚2 𝑝3 = 93,005 𝑚 𝐴3 = 721,397 𝑚2 𝑝4 = 68,455 𝑚 𝐴4 = 575,360 𝑚2 𝐴𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 2.133,733 𝑚2 2.1. Método Eletrônico • Baseia-se na medição do tempo (t) que a onda eletromagnética leva para percorrer a distância (D), de ida e volta, entre o equipamento de medição e o refletor • 2D = c . ∆t c = Co / n c: Velocidade de propagação da luz no meio D: Distância emissor-refletor ∆t: Tempo de percurso do sinal Co= velocidade de propagação da luz no vácuo n= índice de refração no meio de propagação Métodos Indiretos Exercício 5) Calcule o tempo de percurso da luz no vácuo, considerando que a velocidade de propagação da luz é cerca de 300.000 km/s e a distância de 1 km. 2D = c x ∆t t= 2D / c t= 2 x 1 / 300.000 t= 6 x 10-6 s 2.1. Método Eletrônico • A distânciamedida pelo sensor é “DI”. Métodos Indiretos DH = DI * cos a DV = DI * sen a DN = DV + i – ap DH= distância horizontal (m) DI= distância inclinada DN= diferença de nível (m) a= ângulo vertical – Inclinação (º) i= altura do instrumento ap= altura do prisma Exercício 6) De uma estação total estacionada no ponto 0, fez uma visada no ponto 1, onde se encontrava o prisma. Sendo a i = 1,600 m, ap = 2,000 m. As leituras obtidas no visor da estação foram: Z=95º41’10’’; DI= 329,715 m. Calcular a DH e a DN entre os pontos 0 e 1. DH = DI * cos a = 329,715* cos (90º – 95º41’10’’) = 328,093 m DV = DI * sen a = 329,715* sen (90º – 95º41’10’’) = – 32,668 m DN = DV + i – ap = – 32,668 + 1,600 – 2,000 = – 33,068 m • Medição indireta da distância por meio teodolitos e níveis e miras estadimétricas, a partir da leitura dos fios superior e inferior e conhecimento da constante de medição do equipamento 2.2. Taqueometria ou Estadimetria DH = C x (FS-FI) x (cos a)2 DN = C x (FS-FI) x (sen 2a) + i – FM 2 DH= distância horizontal (m) DV ou DN= distância vertical ou diferença de nível (m) FS= fio superior (m) Fi= fio inferior (m) FM= fio médio (m) C= constante do aparelho (100) a= ângulo vertical – Inclinação (º) i= altura do instrumento 2.2. Taqueometria ou Estadimetria Exercício 7) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo obteve os seguintes dados: a = 0º 00’ 00’’, FS = 2500 mm, FM = 2300 mm e FI = 2100 mm. DH = C*(FS-FI)*(cos a)2 DH = 100*(2,5-2,1)*(cos 0º)2 DH= 40 m 8) Calcular a DH, sabendo-se que ao instalar o teodolito, o topógrafo obteve os seguintes dados: Z= 35º 00’ 00’’, FS = 3500 mm, FM = 3000 mm e FI = 2500 mm. Z+I=90º I=90º-35º= 55º DH = C*(FS-FI)*(cos a)2 DH = 100*(3,5-2,5)*(cos 55º)2 DH= 32,90 m Exercício 9) Calcular a distância vertical (DV), sabendo-se que ao instalar o teodolito a 1,50m de altura, o topógrafo obteve os seguintes dados: Z= 70º30’, FS = 3460 mm, FM = 2960 mm e FI = 2460 mm. Z+I=90º I=90º – 70,5º = 19,5º DV = C*(FS-FI)*(sen 2a) + i – FM 2 DV = 100*(3,46-2,46)*(sen 39º) + 1,50 – 2,96 2 DV= 30,01 m Exercício Erros em Topografia • Para representar a superfície da Terra são efetuadas medidas de grandezas como direções, distâncias, ângulos e desníveis. • Estas observações inevitavelmente estarão afetadas por erros. As fontes de erro poderão ser: • Condições ambientais: causados pelas variações das condições ambientais, como vento, temperatura, etc. Exemplo: variação do comprimento de uma trena com a variação da temperatura. • Instrumentais: causados por problemas como a imperfeição na construção de equipamento ou ajuste do mesmo. A maior parte dos erros instrumentais pode ser reduzida adotando técnicas de verificação, retificação, calibração e classificação. • Humano: causados por falhas humanas, como falta de atenção ao executar uma medição, cansaço, etc. Tipos de Erros 1. Erros grosseiros: Causados por engano na medição, leitura errada nos instrumentos, identificação de alvo, etc, normalmente relacionados com a desatenção do observador ou uma falha no equipamento. Cabe ao observador cercar-se de cuidados para evitar a sua ocorrência ou detectar a sua presença. A repetição de leituras é uma forma de evitar erros grosseiros. Exemplos: Anotar 196 ao invés de 169 Tipos de Erros 2. Erros sistemáticos: São aqueles erros cuja magnitude e sinal algébrico podem ser determinados, seguindo leis matemáticas ou físicas. Pelo fato de serem produzidos por causas conhecidas podem ser evitados através de técnicas particulares de observação ou mesmo eliminados mediante a aplicação de fórmulas específicas. São erros que se acumulam ao longo do trabalho. Exemplo: efeito da temperatura e pressão na medição de distâncias com medidor eletrônico e efeito de dilatação de uma trena. Tipos de Erros 3. Erros Acidentais ou Aleatórios: São aqueles que permanecem após os erros anteriores terem sido eliminados. São erros que não seguem nenhum tipo de lei e ora ocorrem num sentido ora noutro, tendendo a se neutralizar quando o número de observações é grande. Exemplo: Inclinação da baliza na hora de realizar a medida e erro de pontaria na leitura de direções horizontais Refração Atmosférica • É o desvio da luz ou outra onda eletromagnética de uma linha reta assim que passa pela atmosfera devido a variação na densidade do ar como uma função de altitude Refração Atmosférica • Diminui o Erro de Esfericidade = ocasionado pela conformação da Terra • Erro de Nível Aparente (ENA) • Índice para Nivelamento de Alta precisão = 1,5 à 2,5 mm/km D (m) ENA (mm) 40 0,10 60 0,23 80 0,42 100 0,66 120 0,95 140 1,29 160 1,69