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Professor Jefferson Rodrigues 
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Sumário 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4 
Características Distintivas dos Principais Grupos de Microrganismos .......................................... 5 
Áreas de Aplicação da Microbiologia ............................................................................................. 7 
Comparação de Diferentes Tipos de Microscópios ..................................................................... 10 
2. DEFINIÇÃO DOS TERMOS ....................................................................................................... 11 
Termos Mais Importantes ............................................................................................................ 11 
3. CARACTERÍSTICAS BACTERIANAS .......................................................................................... 14 
Morfologia Bacteriana ................................................................................................................. 16 
Macronutrientes .......................................................................................................................... 20 
Micronutrientes ........................................................................................................................... 21 
Acidez e Alcalinidade (pH)............................................................................................................ 24 
Crescimento Quanto à Temperatura ........................................................................................... 24 
4. MEIOS DE CULTURA ............................................................................................................... 28 
Classificação dos Meios de Cultura .............................................................................................. 29 
5. MICROBIOTA NORMAL DO CORPO HUMANO ...................................................................... 31 
Função da Microbiota Normal ..................................................................................................... 31 
Microbiota Normal da Pele .......................................................................................................... 32 
Microbiota Normal do Intestino ................................................................................................... 33 
Microbiota Normal da Uretra ....................................................................................................... 34 
Microbiota Normal da Vagina ..................................................................................................... 34 
Microbiota Normal do Olho (conjuntiva) .................................................................................... 34 
6. COLORAÇÃO PELO MÉTODO DE GRAM ................................................................................. 35 
Técnica de Coloração Pelo Método de Gram .............................................................................. 37 
7. COCOS GRAM POSITIVOS ....................................................................................................... 39 
STAPHYLOCOCCUS ....................................................................................................................... 39 
S. aureus ....................................................................................................................................... 40 
S. epidermidis ............................................................................................................................... 40 
S. saprophyticus ........................................................................................................................... 40 
8. STREPTOCOCCUS .................................................................................................................... 44 
PNEUMOCOCOS ........................................................................................................................... 50 
9. RELAÇÃO HOSPEDEIRO PARASITA ......................................................................................... 53 
Mecanismos de resistência inespecífica do hospedeiro.............................................................. 55 
 
 
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10. CONTROLE MICROBIANO ....................................................................................................... 56 
Padrão e Morte bacteriana .......................................................................................................... 56 
Controle Microbiano Por Agentes Físicos .................................................................................... 57 
Calor seco ..................................................................................................................................... 58 
Calor úmido .................................................................................................................................. 58 
Filtração ........................................................................................................................................ 59 
Radiação ....................................................................................................................................... 60 
11. CLOSTRIDIUM ......................................................................................................................... 61 
Clostridium tetani ........................................................................................................................ 62 
Clostridium botulinum ................................................................................................................. 63 
Clostridium perfringens ............................................................................................................... 65 
Clostridium difficile ..................................................................................................................... 68 
12. CORINEBACTERIAS ................................................................................................................. 69 
Corinebacterium diphtheriae ....................................................................................................... 69 
A Corinebacterium diphtneriae causa a Difiteria. ........................................................................ 69 
13. COCOS GRAM NEGATIVOS ..................................................................................................... 71 
NEISSERIA ..................................................................................................................................... 71 
Neisseria meningitidis .................................................................................................................. 71 
Neisseria gonorrhoeae ................................................................................................................. 74 
14. ENTEROBACTERIACEAS .......................................................................................................... 77 
15. ESCHERICHIA COLI .................................................................................................................. 80 
16. SALMONELLA .......................................................................................................................... 85 
17. SHIGELLA ................................................................................................................................. 89 
18. VIBRIO .................................................................................................................................... 92 
Vibrio cholerae .............................................................................................................................A adição de 
0,1 a 0,2% de glicose estimula o crescimento. 
Em placa de ágar simples, após 24 horas / 37ºC, produzem colônias de cerca de 
1 mm de diâmetro, convexas, superfície livre e bordos circulares, opacas e brilhantes. O 
S. aureus pode desenvolver um pigmento amarelo ao passo que as outras duas espécies 
produzem pigmento branco. 
Em placa de ágar sangue somente o S. aureus desenvolve, frequentemente, um halo de 
hemólise extenso em torno das colônias. 
Em ágar hipertônico manita (Manitol), o S. aureus geralmente fermenta o manitol com 
produção de ácido, tornando o meio amarelo. 
 
Antígenos de superfície 
Os estafilococos possuem antígenos de superfície (proteínas e polissacarídeos) 
que permitem agrupá-los sorologicamente. 
a) Polissacarídeos tipo específicos A (S. aureus) e B (S. epidermidis), hoje 
identificados como ácidos teicóicos. 
b) Proteína A – encontrada em mais de 90% das amostras de S. aureus. A maior parte 
da proteína A se encontra na parede celular, ligada ao peptidioglicano. Durante o 
crescimento celular a proteína A é liberada para o meio. É um importante fator de 
virulência, pois se liga à porção Fc da IgG, evitando a ligação do complemento. 
Utilizada em laboratórios de análises clínicas devido à sua capacidade de se ligar a IgG 
e formar um “co-aglutinado” com complexos antígeno-anticorpo. 
 
 
 
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Enzimas extracelulares 
O S. aureus produz uma série de enzimas extracelulares que participam na 
patogênese das infecções causadas pelo germe. As principais são: 
a) Coagulase – enzima que, reagindo com um cofator existente no plasma, transforma 
o fibrinogênio em fibrina. 
b) Hemolisinas – enzimas tóxicas para plaquetas humanas e letais para animais 
quando inoculadas via sistêmica. 
c) Hialuronidase – enzima capaz de despolimerizar o ácido hialurônico e de agir 
como fator de difusão. 
d) Estafiloquinase – enzima que ativa o plasminogênio, gerando plasmina, capaz de 
dissolver o plasma. 
e) -lactamase – enzima que confere resistência aos antibióticos -lactâmicos 
(semelhantes à penicilina). 
 
Toxinas 
Os estafilococos causam doença tanto por produção de toxinas, quanto por 
multiplicação em tecidos e causam inflamação. As principais toxinas produzidas são: 
a)  - toxina (leucocidina) – capaz de causar a morte de leucócitos e necrose de 
tecidos (pele). 
b) Enterotoxinas – proteína que causa vômitos e diarreia (raro) líquida sem sangue. 
Resistente ao calor e, portanto, não é inativada por cozimento rápido. Existem seis tipos 
sorológicos de A a F. 
c) Toxina da síndrome do choque tóxico (TSST) – causa choque tóxico em mulheres 
menstruadas que utilizam absorventes internos ou em pacientes com infecções de útero. 
d) Esfoliatina – proteína produzida por estafilococos fago grupo II, que causa a 
síndrome da “pele escaldada” em crianças. 
 
Manifestações clínicas 
 
 
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As manifestações clínicas importantes causadas por S. aureus podem ser 
divididas em dois grupos: inflamatórias e mediadas por toxinas. 
Inflamatórias 
a) Infecções cutâneas – incluindo impetigo, furúnculo, carbúnculo, infecções das 
células cutâneas, ferimentos cirúrgicos, pálpebras, mamarias (mastite); 
b) Bacteremia de qualquer lesão localizada, especialmente ferimentos infeccionados ou 
resultado de abuso intravenoso de drogas (pode levar a endocardite); 
c) Endocardite de válvulas cardíacas, naturais ou protéticas, especialmente endocardite 
do lado direito em usuários de drogas intravenosas (a endocardite de válvula protética é 
frequentemente causada por S. epidermidis); 
d) Osteomielite e artrite hematógena ou traumática – principalmente em crianças; 
e) Pneumonia em pacientes pós-operatório ou após infecção respiratória viral, 
especialmente gripe; 
f) Abscessos em qualquer órgão, após bacteremia; 
Mediada por toxinas 
a) Intoxicação alimentar, caracterizado por vômitos mais proeminentes do que diarréia, 
devido à ingestão de enterotoxinas, que é produzida nos alimentos com período de 
incubação pequeno (uma a oito horas); 
b) Síndrome do choque tóxico, que inclui febre, hipotensão, erupção cutânea que 
progride para a descamação e envolvimento de sistemas múltiplos; 
c) Síndrome da “pele escaldada”, onde as camadas superficiais da epiderme morrem 
em resposta à presença da esfoliatina. 
 
O S. epidermidis faz parte da flora normal da pele e mucosas humanas, podendo causar 
infecções de cateteres intravenosos e de implantes protéticos como, por exemplo, 
válvulas cardíacas, sendo o principal causador de septicemias em recém-nascidos. O S. 
saprophyticus causa infecções do trato urinário, particularmente em mulheres jovens 
sexualmente ativas. 
 
Diagnóstico laboratorial 
 
 
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a) Em portadores – colher a secreção nasofaringeana por meio de “swabs”; 
b) Infecções purulentas – nas lesões abertas retirar o pus com swab ou alça de platina. 
Nas lesões fechadas podem ser puncionadas as coleções purulentas (incisão ou 
drenagem); 
c) Septicemia – colher o sangue por punção venosa para hemocultura; 
d) Meningite – colher o L.C.R. por punção da ráquis 
 
Os esfregaços dos materiais biológicos revelam cocos Gram-Positivos agrupados 
como cachos de uva. As culturas de S. aureus produzem tipicamente colônias amarelo-
ouro que são normalmente -hemolíticas. O meio ágar-sal-manitol era normalmente 
usado para a triagem de S. aureus. O S. aureus é coagulase positivo. Culturas de 
estafilococos coagulase negativos tipicamente produzem colônias brancas que não são 
hemolíticas. As duas espécies de estafilococos coagulase-negativos são diferenciadas 
pela sua sensibilidade ao antibiótico novobiocina. 
O diagnóstico da intoxicação alimentar é realizado pela pesquisa das 
enterotoxinas nos alimentos ingeridos e no vômito do paciente. De modo geral o S. 
aureus é encontrado em grande quantidade (105 bactérias por grama) no alimento que 
contém a enterotoxina responsável. 
 
 
Tratamento 
Nos EUA, 80% ou mais das linhagens de S. aureus são resistentes à penicilina 
G. A maioria produz -lactamase sob o controle de plasmídeos transmissíveis. Estes 
organismos podem ser tratados com penicilinas resistentes a -lactamases, por exemplo, 
naficilina ou cloxacilina, algumas cefalosporinas ou vancomicinas. 
S. epidermidis é altamente resistente a antibióticos. A droga de escolha é a 
vancomicina. As infecções urinárias por S. saprophyticus podem ser tratadas com 
norfloxacina ou trimetropim-sulfametoxasol. 
 
 
 
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Prevenção 
Não existe imunização para estes microrganismos. A limpeza, a lavagem 
frequente das mãos e a assepsia das lesões auxiliam no controle da disseminação de S. 
aureus. A disseminação pelo nariz ou pela pele pode ser reduzida pela aplicação tópica 
de agentes antimicrobianos, mas é difícil preveni-la. Os disseminadores devem ser 
removidos das áreas de alto risco como, por exemplo, centros cirúrgicos e berçários. 
 
8. STREPTOCOCCUS 
 
Introdução 
 Os estreptococos são bactérias Gram Positivas esféricas que tipicamente foram 
pares ou cadeias durante o seu crescimento. Distribui-se amplamente pela natureza. 
Alguns são membros da microbiota humana normal, enquanto outros estão associados a 
doenças humanas importantes, atribuíveis, em parte, à infecção por estreptococos e, em 
parte à sensibilização a estes microrganismos. Os estreptococoselaboram uma 
variedade de substâncias extracelulares e enzimas. 
 Os estreptococos formam um grupo heterogêneo de bactérias, de modo que 
nenhum sistema é suficientemente adequado para classificação. Vinte espécies, 
incluindo Streptococcus pyogenes (grupo A), Streptococcus agalactiae (grupo B) e 
enterococos (grupo D), caracterizam-se por colônias, padrões de hemólise, composição 
em ágar-sangue (-hemólise, -hemólise e -hemólise), composição antigênica de 
substâncias grupo-específicas da parede celular e reações bioquímicas. Os tipos de S. 
pneumoniae (pneumococo) são ainda classificados de acordo com a composição 
antigênica dos polissacarídeos capsulares. 
Morfologia e Identificação 
a) Microrganismos típicos – os cocos individualmente são esféricos ou ovóides e 
dispõe-se em cadeias. Os cocos dividem-se num plano perpendicular ao eixo 
longitudinal da cadeia. São Gram Positivos, capsulados. A parede celular contém 
proteínas (antígenos M, T, R), carboidratos (grupo-específicos) e peptidoglicanos. 
 
 
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Existem fímbrias semelhantes a pelos que se projetam através da cápsula dos 
estreptococos do grupo A. Os pilli são constituídos, em parte, de proteína M e 
recobertos de ácido lipoteicóico, importantes na fixação dos estreptococos às células 
epiteliais. 
b) Características culturais – a maioria cresce em meios sólidos na forma de colônias 
discóides, geralmente com 1-2 mm de diâmetro. As cepas que produzem material 
capsular frequentemente dão origem a colônias mucoides. As colônias opacas e 
brilhantes são das cepas do grupo A. A energia é obtida principalmente da utilização do 
açúcar. O crescimento em meios sólidos é favorecido pela adição de sangue ou líquidos 
teciduais. As exigências nutricionais são variadas entre as espécies. Os patógenos 
humanos são mais exigentes, sendo o crescimento e a hemólise favorecidos por 
incubação em CO2 a 10%. Em relação à hemólise (destruição das hemácias ao redor da 
colônia) em ágar sangue os estreptococos são classificados em: 
• -hemolítico - hemólise parcial ou alfa () hemólise, onde se forma um halo 
claro parcial em torno das colônias. Também chamados de estreptococos 
enverdescentes, por apresentar um halo parcial de coloração verde, devido a uma 
alteração da hemoglobina por um sistema oxidorredutor presente na célula bacteriana. 
Ex: S. mutans, S. salivarius e S. pneuminiae 
• -hemolítico – hemólise total ou beta () hemólise, onde se forma um halo claro 
total em torno das colônias. Ex. S. pyogenes, S. agalactiae. 
• -hemolítico – ausência de hemólise ou gama () hemólise, ou seja, as colônias 
não apresentam o halo de hemólise. Ex. Enterococos, S. bovis. 
 
Estrutura antigênica 
a) Antígenos grupo específico da parede celular – este carboidrato encontra-se na 
parede celular de muitos estreptococos e forma a base do grupamento sorológico 
(grupos A-U de Lancefield). 
b) Proteína M – importante fator de virulência do S. pyogenes do grupo A. Aparece na 
forma de projeções semelhantes a pelos na parede celular dos estreptococos. Na 
presença dessa proteína, os estreptococos são virulentos, e, na ausência de anticorpos 
 
 
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tipo M-específicos, os microrganismos são capazes de resistir à fagocitose por 
leucócitos polimorfonucleares. 
Parece que a Proteína M e, talvez, outros antígenos da parede celular estreptocócica, 
desempenham importante papel na patogenia da febre reumática. 
c) Substância T – esta substância não exibe nenhuma relação com a virulência dos 
estreptococos. Permite a diferenciação de certos tipos de estreptococos. 
d) Nucleoproteínas – a extração de estreptococos com agente alcalino fraco produz 
misturas de proteínas e outras substâncias com pouca especificidade sorológica, 
denominadas “substâncias P”, que provavelmente constituem a maior parte do corpo 
celular dos estreptococos. 
 
Toxinas e Enzimas extracelulares 
 Os estreptococos do grupo A, elaboram mais de 20 produtos extracelulares, 
sendo os principais: 
a) Estreptoquinase (Fibrinolisina) – produzidas por muitas cepas -hemolíticas do 
grupo A. Esta substância transforma o plasminogenio do plasma humano em plasmina, 
uma enzima proteolítica ativa que digere a fibrina e outras proteínas. A estreptoquinase 
em sido administrada por via intravenosa para o tratamento da embolia pulmonar e das 
tromboses venosas e da artéria coronária. 
b) Estreptodornase (desoxirribonuclease estreptocócica) – enzima que 
despolimeriza o DNA. Os exsudatos purulentos devem sua viscosidade, em grande 
parte, à essa enzima. 
c) Hialuronidase – enzima que cliva o ácido hialurônico ajudando na propagação dos 
microrganismos infectantes (fator de difusão). 
d) Exotoxinas Pirogênicas (Toxina eritrogênica) – produzidas por estreptococos do 
grupo A. Existem três tipos antigenicamente distintos: A B e C. A exotoxina está 
principalmente relacionada com a síndrome do choque tóxico por estreptococos e febre 
escarlatina. A exotoxina C também pode contribuir para a síndrome, enquanto que o 
papel da exotoxina B permanece incerto. 
 
 
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e) Difosfopiridina-Nucleotidase – enzima relacionada com a capacidade dos 
microrganismos de destruir leucócitos. Algumas cepas produzem proteinases e amilase. 
f) Hemolisinas – muitos estreptococos são capazes de hemolizar eritrócitos in vitro 
em graus variáveis. A ruptura completa dos eritrócitos com liberação de hemoglobina é 
denominada -hemólise. A lise incompleta dos eritrócitos. 
Os S. pyogenes -hemolítico do grupo A elabora duas hemolisinas (estreptolisina): 
• Estreptolisina O – proteína hemoliticamente ativa, porém rapidamente 
inativada na presença de oxigênio. Fortemente antigênica e conduz a formação da 
correspondente antiestreptolisina (ASLO). A determinação do título de ASLO é de 
grande valor diagnóstico na febre reumática, considerando que títulos superiores a 160 - 
200 unidades sejam indicadores de infecção estreptocócica recente. 
• Estreptolisina S – proteína não antigênica, que produz hemoglobuinúria, 
anemia e icterícia. A ela atribui o intenso grau de anemia nas estreptococias graves. 
Responsável pelas zonas de hemólise em placas de ágar sangue. 
 
Classificação dos Estreptococos 
 A classificação dos estreptococos baseia-se principalmente em relação à: 
a) Morfologia das colônias e reações hemolíticas em ágar sangue; 
- -hemolíticos (alfa hemolíticos) - -hemolíticos (beta hemolíticos) e -hemolíticos 
(gama hemolítico). 
b) Especificidade sorológica da substância grupo específica da parede celular 
(Classificação de Lancefield) 
 Baseia-se em reações de precipitação com antissoros específicos que permitem a 
distribuição em grupos. Em geral, efetua-se a tipagem apenas para os grupos A-C, F-G, 
que provocam doença em humanos e para os quais existem reagentes que permitem a 
tipagem utilizando-se aglutinação simples ou reações colorimétricas. Os principais são: 
- Estreptococos do Grupo A – estão entre os principais patógenos humanos. São a 
causa bacteriana mais frequente de faringite. Aderem-se ao epitélio da faringe via pilli 
coberto com ácido lipoteicóico e proteína M. Muitas cepas possuem cápsula de ácido 
 
 
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hialurônico que é anfifagocitária. Eles são normalmente sensíveis à bacitracina, o que é 
um critério diagnóstico importante e são -hemolíticos. Ex: S. pyogenes; 
- Estreptococosdo Grupo B – colonizam o trato genital de algumas mulheres e 
podem causar meningite em recém-nascidos e septicemia. Estes são normalmente 
resistentes à bacitracina e são -hemolíticos. Ex. S. agalactiae; 
- Estreptococos do grupo D – incluem os enterococos (S. faecalis) e não 
enterococos. Os enterococos crescem em presença de 6,5% de NaCl e não são mortos 
por penicilina G. Eles fazem parte da flora normal dos intestinos e se destacam pela 
capacidade de causar infecções urinárias, biliares e cardiovasculares. Os não 
enterococos podem produzir lesões semelhantes, mas são inibidos por 6,5% de NaCl e 
mortos pela penicilina G. As reações hemolíticas são bastante variadas; 
- Os estreptococos dos grupos C, E, F, G, H, K-U raramente causam doenças 
humanas; 
- Os estreptococos “lácticos” do grupo N produzem um sabor ácido ao leite. 
 
c) Polissacarídeos Capsulares 
 A especificidade antigênica dos polissacarídeos capsulares é utilizada para 
classificar S. pneumoniae em 84 tipos e para sorotipar os estreptococos do grupo B (S. 
agalactiae). 
 
d) Reações bioquímicas 
 Incluem reações de fermentação de açúcares, testes para estabelecer a presença 
de enzimas e testes de sensibilidade ou resistência a determinados agentes. Os testes 
bioquímicos são utilizados logo após observação do crescimento das colônias e suas 
características hemolíticas. Geralmente utilizado para os grupos A, B, D, F e G. A 
determinação das espécies dos estreptococos viridans exige uma bateria de testes 
bioquímicos. 
e) Peptostreptococos – estes estreptococos só crescem em condições anaeróbicas ou 
microaerófilas e produzem hemolisinas variadas. Fazem parte da microbiota 
normal da boca, vias aéreas superiores, intestino e trato genital feminino. Com 
 
 
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frequência participam, com muitas outras espécies bacterianas, de infecções 
anaeróbias mistas no abdome, pelve, pulmões ou cérebro. 
Casos clínicos 
 O S. pyogenes é a causa mais comum de dor de garganta. A faringite se inicia 
com por inflamação, exsudato, febre, leucocitose e pequenos linfonódulos cervicais. A 
cura espontânea pode vir em cerca de 10 dias ou pode se agravar ocasionando otite, 
sinusite, mastoidite e meningite. Se for uma cepa toxigênica pode ocorrer escarlatina. A 
febre reumática pode ocorrer seguida, especialmente por faringite. 
 Os S. agalactiae constituem uma importante causa de doenças nos período 
neonatal e perinatal e tem aumentado a resistência aos antibióticos Clindamicina e 
Eritromicina. 
 A endocardite infecciosa é comumente causada por S. viridans que entram na 
corrente sanguínea a partir da orofaringe (resultado de uma má dentição ou após 
extração dentária). 
 Os enterococos causam infecções do trato urinário, especialmente em pacientes 
hospitalizados (cateteres e instrumentos urinários), endocardites (após cirurgias), 
infecções intra-abdominais e pélvicas. 
 Streptococcus intermedius e S. anginosus causam abscessos dentais, cerebrais, 
abdominais e endocardite. Os peptostreptococos participam de infecções anaeróbias 
mistas do abdômen, pélvis, pulmões e cérebro. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
1 - Colheita do material 
a) Portadores: colher o material do nariz e da garganta usando swab estéril corretamente 
identificado; 
b) Infecções cutâneas – abertas – colher o pus com swab 
 fechadas – poderá se puncionado 
c) Septicemia – colher, em tubo estéril, por punção venosa uma amostra de sangue (5 à 
10 mL); 
d) Meningite – colher o líquor 
 
 
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e) Infecções intestinais – o material deverá ser colhido em recipiente próprio (estéril). 
Em crianças e em mulheres grávidas pode ser usado swab anal.(S.agalactiae) 
f) Infecções urinárias – Colher em frasco estéril e encaminhar ao laboratório para a 
realização do plantio. 
Cultura 
 Semear o material em meio de ágar sangue de carneiro azida (jarra de 
microaerofilia) 5% CO2 e observar as características de hemólise, proceder ao teste da 
bacitracina e provas bioquímicas. (CAMP, Bile esculina, NaCl a 6,5%, PYR. Realizar o 
antibiograma. 
Sorológico 
 Títulos de ASLO são altos logo após infecções por estreptococos do grupo A. 
Prevenção 
 Muitos estreptococos são membros da microbiota normal do corpo. Produzem 
doença apenas quando instalados em partes do corpo humano onde normalmente não 
ocorrem. Para evitar esses acidentes, particularmente durante procedimentos cirúrgicos 
nas vias respiratórias, trato gastrintestinal e vias urinárias que resultam em bacteremia 
temporária, os agentes antimicrobianos são frequentemente administrados de maneira 
profilática. 
 
PNEUMOCOCOS 
 
Introdução 
Os pneumococos (Streptococcus pneumoniae) são diplococos Gram-positivos 
que frequentemente exibem uma forma de lanceta ou se dispõe em cadeias, exibindo 
uma cápsula de polissacarídeo que permite a tipagem com antissoro específico. Os 
pneumococos são residentes normais das vias aéreas superiores de humanos e causam 
pneumonia, sinusite, otite, bronquite, bacteremia, meningite e outros processos 
infecciosos. 
 
 
 
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Morfologia e Identificação 
 Microrganismos típicos – em culturas recentes de escarro, pus e líquor 
aparecem como diplococos lanceolados encapsulados, Gram-positivos, às vezes 
isolados ou em cadeias. 
Cultura 
Formam pequenas colônias redondas, inicialmente em forma de cúpula e, mais 
tarde, desenvolvem um platô central com bordas elevadas. São -hemolíticos 
(enverdescentes) em ágar sangue. O crescimento é intensificado na presença de CO2 a 
5-10%. 
Testes com antibióticos específicos são utilizados para diferenciar grupos de 
pneumococos e reações bioquímicas específicas. 
 
Patogenia e Manifestações Clínicas 
Os pneumococos provocam doença através de sua capacidade de multiplicação 
nos tecidos. Não produzem nenhuma toxina importante. A virulência depende de sua 
cápsula que impede ou retarda a fagocitose. 
 A infecção provoca extravasamento de líquido fibrinoso de edema no interior 
dos alvéolos, seguido de eritrócitos e leucócitos, com consequente consolidação de 
partes do pulmão. 
 Em geral o início da pneumonia pneumocócica é súbito, com febre, calafrios e 
dor pleural aguda. O escarro assemelha-se ao exsudato alveolar, sendo tipicamente 
sanguinolento ou de cor de ferrugem. 
 A partir das vias respiratórias, os pneumococos podem atingir outros locais. Os 
seios da face e o ouvido médio são frequentemente afetados. A bacteremia da 
pneumonia apresenta uma tríade de complicação: meningite, endocardite e artrite 
séptica. 
 
Diagnóstico laboratorial 
 
 
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 Colhe-se uma amostra de sangue para hemocultura, escarro e líquor para 
demonstração da presença de pneumococos em esfregaços. 
Esfregaços corados – o esfregaço de escarro demonstram microrganismos típicos, 
leucócitos polimorfonucleares e numerosos eritrócitos; 
Teste de Intumescimento capsular – o escarro fresco emulsificado e misturado a 
antissoros específico resulta em intumescimento da cápsula (reação de quellung), para 
identificação dos pneumococos e possível tipagem. O exsudato peritoneal também pode 
ser utilizado; 
Cultura – o escarro é cultivado em ágar-sangue incubado em jarra de anaerobiose. 
Hemocultura; 
Inoculação intraperitoneal em camundongos – o escarro pode ser inoculado 
intraperitonealmente em camundongosque são sensíveis aos pneumococos e morrem 
em 18-48 horas; 
Meningite Pneumocócica – este diagnóstico é estabelecido pelo exame imediato e 
cultura do líquor. 
Prevenção e Controle 
 Trata-se de uma doença endêmica com elevada incidência de portadores. No 
desenvolvimento da doença, fatores predisponentes como idade, pacientes com anemia, 
bacteremia, são mais importantes do que a exposição ao agente infeccioso, e o portador 
sadio é mais importante na propagação dos pneumococos do que o paciente doente. 
 A vacinação, principalmente de crianças menores que 2 anos de idade, 
proporciona uma proteção de 90% contra a pneumonia, além de estabelecer o 
imediatamente o diagnóstico e iniciar a quimioterapia o mais rápido possível. 
Tratamento 
 Como os pneumococos são sensíveis a muitos agentes antimicrobianos, o 
tratamento precoce resulta em rápida recuperação. A penicilina G em altas doses é 
eficaz no tratamento da pneumonia pneumocócica, mas mostra-se ineficaz na meningite 
pneumocócica. Os pneumococos permanecem sensíveis á vancomicina. 
 
 
 
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9. RELAÇÃO HOSPEDEIRO PARASITA 
 
Introdução 
Um parasita é um organismo que habita a superfície ou o interior de outro 
organismo vivo, a fim de encontrar o ambiente e as substâncias necessárias ao seu 
crescimento e reprodução. Isso não quer dizer que o parasita necessariamente 
prejudicará seu hospedeiro. Parasitas de maior êxito alcançam um estado de equilíbrio 
com seu hospedeiro que assegure a sobrevivência, crescimento e propagação de ambos. 
 A relação parasita hospedeiro é favorecida por características do parasita, que 
favorecem a sua implantação e o comprometimento do hospedeiro, como pelos vários 
mecanismos do hospedeiro e que se opõem a estes processos. Entre os atributos do 
parasita estão a infecciosidade, invasividade, patogenicidade e a toxigenicidade. Se o 
parasita lesar o hospedeiro em grau suficiente, os distúrbios resultantes manifestar-se-ão 
sob a forma de doença. 
Infecção 
 Processo pelo qual o parasita estabelece interação com o hospedeiro. Suas 
principais etapas são: 
a) Penetração do parasita no hospedeiro – vias respiratórias, digestiva, mucosas e pele. 
b) Estabelecimento e multiplicação do parasita no interior do hospedeiro – a partir da 
porta de entrada, o parasita pode disseminar diretamente através dos tecidos ou 
prosseguir pelos canais linfáticos até a corrente sanguínea. 
 Para uns microrganismos causar uma doença em seu hospedeiro deve-se 
observar: 
1. Patogenicidade – capacidade dos microrganismos de causar doença ou de produzir 
lesões 
2. Virulência – relaciona-se com o grau de determinada doença, ou seja, os 
microrganismos se diferem no modo de causar lesões, uns são mais patogênicos que 
os outros. 
 
 
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3. Toxigenicidade – capacidade de produzir substâncias tóxicas para o hospedeiro 
4. Invasividade – capacidade de penetrar nos tecidos do hospedeiro, multiplicar e 
disseminar. 
 
Toxinas 
As toxinas microbianas são agrupadas com exotoxinas ou endotoxinas. As 
exotoxinas podem agir inibindo a síntese protéica (toxina diftérica), produzindo perda 
de fluido a nível intestinal (enterotoxinas de E. coli e toxina colérica), interferindo com 
a ação do sistema nervoso (neurotoxina: toxina tetânica), promovendo a lise da célula 
afetada (citotoxina: C. perfringens) ou causando efeitos vasculares (toxina do Bacillus 
anthracis). Já a endotoxina pode causar efeitos tóxicos similares como febres e 
distúrbios vasculares, que podem levar a um choque fatal; podem ser responsáveis pela 
ocorrência de choque verificada em muitas infecções pós-cirúrgicas e em tratamentos 
que induzem disseminação da flora intestinal. As principais diferenças entre elas estão 
demonstradas no quadro abaixo: 
 
 
a) Exotoxinas 
• Excretadas por bactérias vivas 
• Produzidas por bactérias Gram-Positivas e 
Gram-Negativas 
• Natureza polipeptídica 
• Instável – destruída a temperaturas acima de 
60ºC 
• Altamente antigênica – induz produção de 
antitoxina 
• Não provoca febre 
b) Endotoxinas 
• Parte integrante da PC de bactérias Gram 
negativas 
• Liberadas com a morte da bactéria e, em 
parte, durante o crescimento bacteriano. 
• Complexo lipopolissacarídio – Lipídeo A 
• Estável 
• Não forma antitoxina e sim Anticorpo contra 
a fração polissacarídica 
• Pode provocar febre 
 
Enzima 
 Certas bactérias produzem substâncias que não são diretamente tóxicas, mas que 
realmente desempenham um papel importante no processo infeccioso. Ex: Coagulase, 
hialuronidase, etc... 
 
 
 
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Mecanismos de resistência inespecífica do hospedeiro 
• Barreiras fisiológicas na porta de entrada 
a) Pele – poucos microrganismos capazes de penetrar pela pele íntegra, porém muitos 
conseguem penetrar pelas glândulas sudoríparas, sebáceas ou folículos pilosos. O pH 
ácido e os componentes bioquímicos destas regiões possuem propriedades 
antimicrobianas. A lisozima, uma enzima que dissolve algumas paredes celulares 
bacterianas também está presente na pele. 
b) Mucosas – várias são as portas de entrada, porém cada mucosa tem uma proteção 
específica: 
• Vias respiratórias – muco e células ciliadas contêm lisozimas e barreira mecânica 
• Vias digestivas – saliva (enzimas hidrolíticas), suco gástrico (pH ácido) 
• Ocular – lágrima (lisozima) e cílios (barreira mecânica) 
• Vaginal – pH ácido (ação antimicrobiana) 
Deve-se ressaltar que as mucosas do organismo apresentam uma flora microbiana 
normal constante, que por si só se opõem ao estabelecimento de microrganismos 
patogênicos. 
c) Fagocitose – macrófagos, leucócitos polimorfonucleares. A fagocitose é facilitada 
pela presença de anticorpos que funcionam como opsoninas 
d) Sistema retículo endotelial – conjunto funcional de células mononucleares 
fagocitárias sanguíneas, de tecido linfoide, fígado, baço, medula óssea, pulmão e 
outros tecidos que sejam capazes de captar e remover material particulado presente 
nas correntes linfáticas e sanguíneas. 
e) Constituintes bioquímicos do tecido – certos tecidos animais são resistentes a 
bactérias específicas, devido a seu teor de polipeptídeos, que possuem propriedades 
antibacterianas. A beta-lisina do soro pode destruir algumas bactérias Gram-
Positivas. 
f) Resposta inflamatória – qualquer agressão aos tecidos, como a que surge após a 
implantação e multiplicação de microrganismos, induz a resposta inflamatória. Ela 
começa com a dilatação das arteríolas e capilares locais, dos quais o plasma escapa. 
 
 
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g) Febre – a febre por si só, não parece ser um mecanismo de defesa em muitas 
infecções agudas, e sua supressão não é prejudicial. É uma manifestação sistêmica 
mais comum de resposta inflamatória e um sintoma fundamental das doenças 
infecciosas. 
 
10. CONTROLE MICROBIANO 
 
São utilizados meios e métodos para controlar qualitativamente ou 
quantitativamente os números de microrganismo. 
 
Padrão e Morte bacteriana 
Da mesma forma que no crescimento, a morte microbiana é um evento que ocorre de 
forma exponencial. Assim, após uma rápida redução do número, a taxa de morte pode 
tornar-se mais lenta, devido à sobrevivência de células mais resistentes. Condições que 
afetam a atividade de um agente antimicrobiano, especialmente se tal agente é de 
natureza química. 
 
1. Tamanho da população:Quanto maior a população, maior o tempo necessário à sua 
eliminação. 
 
2. Natureza da população: Se nesta população de microrganismos existirem endosporos, 
os quais são muito mais resistentes que formas vegetativas, sua eliminação não 
ocorrerá tão facilmente. No caso de células em diferentes estágios de crescimento - 
células mais jovens tendem a ser mais suscetíveis que células em fase estacionária. 
Havendo a presença de membros do gênero Mycobacterium, sua eliminação é mais 
difícil que de outras bactérias não esporuladas, etc. 
 
3. Concentração do agente: Geralmente, quanto mais concentrado, melhor (exceto álcool). 
A relação entre a concentração e a eficiência via de regra não é linear. 
 
 
 
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4. Tempo de exposição: De acordo com normas da OMS, o tempo mínimo de exposição 
deve ser de 30 minutos. Em casos de agentes esterilizantes, a exposição deve ser tal que 
a chance de haver sobreviventes é de 1 em 106. 
 
5. Temperatura: Dentro de limites, o aumento da temperatura torna o processo mais 
eficiente. Para agentes químicos, geralmente o aumento de 1°C da temperatura aumenta 
em 10 vezes a eficiência do processo, o que também permite a diluição do agente. 
 
6. Condições "ambientais": pH do meio - quando é ácido, favorece a eliminação 
térmica; presença de matéria orgânica - dificulta a ação do produto (necessidade de 
lavagens dos materiais antes do controle por agentes químicos), seja por proteger o 
microrganismo ou competir pelo produto em uso. Altas concentrações de açúcar, 
proteínas ou lipídeos diminuem a penetrabilidade do calor, enquanto o sal pode 
aumentar ou diminuir a resistência ao calor. A consistência do material ou solução 
também interfere. 
 
Controle Microbiano Por Agentes Físicos 
 
Os principais agentes físicos que promovem o controle microbiano são: Calor, 
Filtração e Radiações. Eventualmente, outros agentes, tais como as baixas 
temperaturas, dessecação, podem ser utilizados. 
 
Calor 
Uso disseminado desde épocas remotas, correspondendo ainda um dos agentes 
físicos mais práticos e eficientes para a esterilização e/ou desinfecção. O calor pode ser 
empregado sob duas formas: seco e úmido, tendo a vantagem de apresentar, 
basicamente, apenas 2 parâmetros a serem controlados: tempo e temperatura. 
Para todos os organismos são definidas as temperaturas cardeais, ou seja, as 
temperaturas mínima, máxima e ótima de crescimento. Assim, quando estes são 
submetidos a temperaturas superiores à temperatura máxima de crescimento, os efeitos 
 
 
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letais tornam-se aparentes. A morte é um fenômeno que ocorre de forma exponencial, 
sendo proporcional apenas à concentração inicial da população. Já o tempo para uma 
determinada fração da população a ser morta é independente da população inicial. 
 A morte se dá pela oxidação de constituintes celulares e desnaturação de 
proteínas e ácidos nucléicos. Não é a melhor maneira de utilização do calor, uma vez 
que o ar é menos condutor da temperatura que a água. 
 
Calor seco 
 
Incineração (E): processo drástico de eliminação de microrganismos, que destrói o 
produto. 
 
Ao rubro (E): processo onde os materiais levados à incandescência, promovendo a 
destruição de todos os microrganismos. 
 
Flambagem (D): processo onde o material é submetido diretamente ao fogo, seja seco 
ou embebido em álcool. Bastante utilizado na desinfecção de alças de vidro. 
 
Estufa esterilizante (E: 160†C/2 H ou 180°C/1 H). Amplamente utilizado para vidrarias 
e outros materiais. 
 
Calor úmido 
 
Como mencionado anteriormente, é um processo mais eficiente devido ao maior poder 
de penetração do vapor d’água. A morte é decorrente da desnaturação de ácidos 
nucléicos e proteínas, podendo também romper membranas. Além disso, o vapor tem 
maior capacidade de romper as pontes de hidrogênio. 
 
Autoclave (E - 121°C/20 min./1 atm.) - Destrói esporos, em um pequeno volume, em 10 
a 12 minutos. Com volumes maiores, o tempo é maior (5 litros => 70 minutos). 
Frequentemente são utilizados indicadores da eficiência de esterilização, por exemplo, 
ampolas contendo esporos de B. stearotermophilus ou de Clostridium PA3679, os quais 
 
 
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são inoculados em meios de cultura após o processo de esterilização. Caso haja o 
desenvolvimento de células vegetativas, o processo não foi realizado adequadamente, 
uma vez que não houve a esterilização. 
 
 
Água em ebulição (D - 100°C/30 min.) 
A título de comparação, a eliminação de esporos de C. botulinum pela fervura, requer 
cerca de 4 a 5 horas. 
Por outro lado, a 120°C, estes esporos são eliminados após 4 a 5 minutos. 
 
Pasteurização (D - 62,8°C/30 min - pasteurização lenta, ou 71,7°C/15 seg - 
pasteurização rápida). 
 
UHT (E): 141°C/2 segundos - processo bastante utilizado para o leite e outros alimentos 
líquidos. 
 
Filtração 
 Processo muito útil na esterilização de materiais termo lábeis, sendo empregado 
para líquidos e gases. Estes filtros são geralmente compostos por celulose, acetato, 
policarbonato, teflon, ou outro material sintético. Embora o diâmetro dos poros possa 
variar, os mais utilizados são aqueles de 0,2 µm, que removem os microrganismos 
(exceto vírus) das soluções e do ar. 
 
Dentre os principais tipos de filtros podemos citar: 
 
Filtros de profundidade: Correspondem aos filtros mais antigos, constituídos de malha 
fibrosa ou granular, à base de papel, asbestos ou fibra de vidro, arranjados de forma a 
criar uma série de camadas aleatórias sobrepostas, formando pequenos canais sinuosos. 
Assim, os microrganismos ficam retidos nas malhas e/ou adsorvidos à superfície do 
material. Estes filtros são feitos também de terra de diatomáceas (Berkefield) ou 
 
 
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porcelana (Chamberlain). Na prática, são usados como pré-filtro, para a remoção de 
partículas maiores. Muitas vezes são também usados na filtração de ar. 
Membranas Filtrantes: Correspondem ao tipo mais comum de filtro esterilizante, em 
microbiologia. São membranas porosas de acetato de celulose, nitrocelulose ou 
policarbonato, tendo espessura de ≈ 0,2 mm, contendo poros variando de ≈ 0,1 a 0,5 µm 
de diâmetro, que ocupam cerca de 80 a 85% da membrana. 
Filtros Isopore® (nucleopore): Correspondem a filmes extremamente delgados de 
policarbonato (10 µm de espessura) que são tratados com radiação nuclear, seguida de 
cauterização (marcação) química. A radiação provoca danos localizados na membrana e 
o tratamento químico aumenta essas falhas, formando orifícios, cujo tamanho pode ser 
controlado pela força da solução cauterizadora e pelo tempo de tratamento. Estes filtros 
funcionam como verdadeiras peneiras, removendo todas as partículas maiores que os 
orifícios. Têm, entretanto, baixa porosidade, sendo muito usados na preparação de 
amostras para a microscopia de varredura, onde os organismos são retidos no filtro, 
sendo mantidos em um plano uniforme, no topo do filtro. 
 
O ar também pode ser filtrado, em fluxos laminares contendo filtros HEPA (High 
Efficiency Particulate Air filters), que removem 99,97% de partículas de 0,3 µm. 
 
 
Bactérias retidas na superfície de um filtro do tipo Isopore® 
 
 (Adaptado de Prescott et al., Microbiology, 1997) 
 
 
Radiação 
 
 
Pode se dividida em Ionizante e não ionizante. 
 
 
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Radiação Não-Ionizante: A radiação ultravioleta (de 4 a 400 nm - sendo 260 nm o 
comprimento mais eficiente) é bastante letal, mas exibe baixa penetrabilidade, não 
atravessando vidros, filmes sujos e outros materiais. Assim, a radiação UV é 
extremamente eficiente na eliminação de microrganismos presentes em superfícies. 
Como sua maior eficiência se dá a 260 nm, que corresponde ao comprimento de onda 
onde se dá a maior absorção pelo DNA, a radiação UV afeta primariamente este tipo de 
molécula. Sua ação é principalmente decorrente da formação de dímeros de pirimidinas 
(timina), efeito este que pode ser revertido por sistemas de fotorreativação (enzima de 
reparo ativada pela luz) ou por sistema de reativação independente da luz (polimerase). 
Por outro lado, não podem ser descartados outros efeitos deletérios do UV, uma vez que 
quando a 340 nm, observa-se dano celular, sem estar primariamente relacionado às 
mutações, uma vez que neste comprimento de onda os ácidos nucléicos não têm mais 
uma grande capacidade de absorver este tipo de radiação. 
 
Radiação Ionizante: Radiações de pequeno comprimento de onda, portanto, de altíssima 
energia e penetrabilidade. Os dois principais tipos são a radiação gama e os Raios X. 
Estas, são bastante eficientes, uma vez que promovem a ionização de átomos, fazendo-
os perderem elétrons. Como consequências são gerados radicais livres extremamente 
reativos, que podem destruir pontes de hidrogênio, duplas ligações, estruturas em anel. 
Quando na presença de oxigênio, geram radicais hidroxilas livres, absolutamente 
tóxicos para as células. 
 
A radiação gama é originada geralmente a partir de fontes de 60Co ou 137Ce. 
Estas radiações vêm sendo amplamente utilizadas em produtos termolábeis, tais como 
plásticos e alguns tipos de alimentos (frutas, vegetais, alimentos marinhos). Nos 
alimentos seu uso é interessante, uma vez que inativam enzimas autocatalíticas que 
participam do processo de degradação natural. 
 
 
 
 
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11. CLOSTRIDIUM 
 
 
 Existem quatro espécies de Clostridium de importância médica: C. tetani, C. 
botulinium, C. perfringens (que causa tanto a gangrena gasosa quanto intoxicação 
alimentar) e C. difficile. Todos os clostrídios são anaeróbios. Formam endósporos 
(esporos) e são bastonetes Gram positivos. 
 
Clostridium tetani 
 
Doença 
 O Clostridium tetani causa tétano. 
Transmissão 
 Os esporos encontram-se espalhados no solo. A porta de entrada é normalmente 
um local de um ferimento, por exemplo, um prego que entra no pé, mas os esporos 
também podem ser introduzidos durante o skin-popping, uma técnica utilizada pelos 
usuários de drogas para injetá-las na pele. A germinação dos esporos é favorecida pelo 
tecido necrosado e pelo suprimento de sangue reduzido na ferida. O tétano neonatal, 
quando o organismo penetra através do umbigo contaminado ou por um ferimento 
causado por circuncisão, é um problema grave em alguns países subdesenvolvidos. 
 
 
 
Patogênese 
 A toxina tetânica (tetanospasmina) é uma exotoxina produzidas pelas células 
vegetativas no local do ferimento. Esta toxina polipeptídica é transportada no interior do 
axônio (retrogrado) para o sistema nervoso central, onde se liga a receptores 
gangliosídicos e bloqueia a liberação dos mediadores inibitórios (por exemplo, da 
glicina) na sinapse espinhal. A toxina tetânica e a toxina botulínica (ver a seguir) estão 
 
 
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entre as substancias mais tóxicas conhecidas. Elas são proteases que clivam as proteínas 
envolvidas com liberação de mediadores. 
 
Casos clínicos 
 Fortes espasmos musculares; trismo e riso sardônico devido a contração rígida 
dos músculos da mandíbula que impede a abertura da boca; reflexos exagerados podem 
ocorrer. O colapso respiratório é seguido pela morte. Uma alta taxa de mortalidade é 
associada com a doença. 
 
Diagnóstico laboratorial 
 Não existe diagnostico microbiológico tampouco sorológico. Os organismos 
raramente são isolados de um ferimento. O C. tetani produz um esporo terminal, isto é, 
um esporo localizado na extremidade do bastonete. Esta característica dá ao organismo 
a forma de uma “raquete de tênis”. 
 
Tratamento 
 A imunoglobulina tetânica é utilizada. A penicilina ou o metronidazol é 
provavelmente útil. Uma aeração adequada deve ser mantida e suporte respiratório deve 
ser dado. As benzoadiazepinas, por exemplo, valium, devem ser administradas para 
evitar espasmos. 
 
Prevenção 
 O tétano pode ser prevenido por imunização com o toxóide tetânico (a toxina 
tratada com formaldeído) na infância e a cada dez anos durante toda a vida do 
individuo. Quando ocorrer trauma, o ferimento deve ser mantido limpo e doses 
suplementares do toxóide tetânico e administração de penicilina devem ser mantidas. A 
imunoglobulina tetânica (antitoxina tetânica) é preparada nos homens para evitar 
reações que ocorrem quando se utiliza a antitoxina preparada em cavalos. A 
 
 
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administração de imunoglobulinas e do toxóide tetânico (em diferentes regiões do 
corpo) é um exemplo de imunidade passiva e ativa. 
Clostridium botulinum 
 
Doença 
 O C. botulinum causa o botulismo. 
 
Transmissão 
 Os esporos, espalhados no solo, contaminam os vegetais e a carne. Quando 
estes alimentos são enlatados ou embalados a vácuo sem uma esterilização adequada, os 
esporos sobrevivem e germinam no ambiente anaeróbio. A toxina é produzida no 
interior dos enlatados e ingerida pré-formada. Os alimentos de alto risco são (1) os 
vegetais alcalinos como as vagens, pimentas e cogumelos e (2) peixe defumado. A 
toxina é relativamente termolábil; é inativada por fervura por vários minutos. Portanto, a 
doença pode ser prevenida por cozimento adequado. 
 
Patogênese 
 A toxina botulínica é absorvida pelo intestino e transportada pela corrente 
sanguínea até as sinapses do nervo periférico, onde bloqueia a liberação de acetilcolina. 
É um a protease que cliva as proteínas envolvidas com a liberação de acetilcolina. A 
toxina é um polipeptídio codificado por um fago lisogênico. Junto com a toxina 
tetânica, está entre as substâncias mais tóxicas conhecidas. Existem oito tipos 
imunológicos da toxina; os tipos A, B e E estão entre as mais comuns na doença 
humana. Quantidades ínfimas da toxina são eficazes para o tratamento de anomalias 
musculares espasmódicas como o torcicolo e o blefaroespasmo (tremor ocular). 
 
 
Casos clínicos 
 
 
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 Fraqueza e paralisia incluindo diplopia, disfagia e colapso do músculo 
respiratório são observados. Ausência de febre. Duas manifestações clinicas especiais 
ocorrem: (1) ferimento botulínico, quando os organismos crescem em um ferimento 
contaminado, germinam e produzem a toxina no local; (2) botulismo infantil, quando os 
organismos crescem nos intestinos e produzem a toxina. A ingestão de mel contaminado 
com o organismo está relacionado a transmissão do botulismo infantil. Crianças 
infectadas desenvolvem fraqueza ou paralisia e podem precisar de suporte respiratório, 
porém se recuperam espontaneamente. O botulismo infantil é causa de 
aproximadamente metade dos casos de botulismo no EUA. 
 
 
Diagnostico laboratorial 
 O organismo não é normalmente cultivado. A toxina botulínica é demonstrada 
em alimentos que não foram ingeridos e no soro de pacientespor teste de proteção em 
camundongos. Os camundongos são inoculados com uma amostra clinica e morrem a 
menos que estejam protegidos com a antitoxina. 
 
Tratamento 
 A administração da antitoxina trivalente (tipos A, B e E) em combinação com 
suporte respiratório. 
 
Prevenção 
 Uma esterilização adequada de todos os alimentos enlatados e embalados a 
vácuo é essencial. Os alimentos devem ser adequadamente cozidos para inativar a 
toxina. Latas inchadas devem ser descartadas (as enzimas proteolíticas dos clostrídios 
produzem gás que estufa a lata). 
 
Clostridium perfringens 
 
 
 
 
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 O C. perfringens causa duas doenças distintas: gangrena gasosa e intoxicação 
alimentar. 
Gangrena Gasosa (Mionecrose) 
 
Transmissão 
 Os esporos estão localizados no solo; as células vegetativas são membros da 
flora normal do cólon e da vagina. A gangrena gasosa está associada com ferimento de 
guerra, acidentes de automóvel e motocicleta e septicemia por abortos. 
 
Patogênese 
 Os organismos crescem em tecidos traumatizados (especialmente músculos) e 
produzem uma variedade de toxinas. A mais importante é alfa toxina (lecitinase), que 
danifica as membranas celulares, inclusive as membranas dos eritrócitos, provocando 
hemólise. As enzimas degradativas produzem gás nos tecidos. 
 
Casos clínicos 
 Dor, edema e infecções celulares ocorrem na região do ferimento. A crepitação 
indica presença de gás nos tecidos. Hemólise e icterícias são frequentes, assim como 
exsudatos sanguinolentos. Pode levar a morte. As taxas de mortalidade são altas. 
 
 
Diagnostico laboratorial 
 Esfregaços de tecidos e amostra coletadas de exsudatos apresentam bastonetes 
Gram positivos grandes. Os esporos não são normalmente observados porque são 
formados em condições de deficiência nutricional. Os organismos são cultivadas em 
condições anaeróbias e identificadas por testes bioquímicos de fermentação d açucares e 
produção de ácidos orgânicos. Testes sorológicos não são utilizados. 
 
 
 
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Tratamento 
A penicilina é o antibiótico preferencial. As feridas devem ser debridadas. 
 
Prevenção 
As feridas devem ser mantidas limpas e debridadas, penicilina deve ser administrada 
para profilaxia da doença. 
Intoxicação Alimentar 
 
Transmissão 
 Os esporos estão localizados no solo e nos alimentos; são resistentes ao calor, 
sobrevivem ao cozimento, germinam, e por esta razão, os organismos crescem em 
grandes quantidades em alimentos requentados, especialmente carnes. 
 
Patogênese 
 Durante a esporulação (formação de esporos) no trato gastrintestinal, ocorre a 
produção de uma enterotoxina. Esta enterotoxina é idêntica a uma proteína presente na 
capa do esporo. O mecanismo de ação da enterotoxina é desconhecido. 
 
Casos clínicos 
 A doença tem de oito a dezesseis horas de incubação e é caracterizada por 
diarreia aquosa com contrações e pouco vomito. Os sintomas desaparecem em 24 horas. 
 
Diagnostico laboratorial 
 O diagnóstico laboratorial não é usualmente realizado. Não existe nenhum teste 
para detecção da toxina. Os organismos podem ser isolados do alimento que causou a 
intoxicação. 
 
Tratamento 
 
 
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 Administração de tratamento sintomático sem aplicação de drogas 
antimicrobianas. 
 
Prevenção 
 Não existem procedimentos preventivos específicos. Os alimentos devem ser 
adequadamente cozidos para matar o organismo. 
 
 
 
Clostridium difficile 
 
Doença 
 C. difficile causa uma colite pseudomembranosa associada ao uso de 
antibióticos. 
Transmissão 
 O organismo representa aproximadamente 3% da população total da flora 
normal do trato gastrintestinal. Mais d 30% dos pacientes hospitalizados se tornam 
colonizados. É transmitido pela rota fecal oral. As mãos das pessoas que trabalham nos 
hospitais são intermediários importantes na contaminação. 
Patogênese 
 Os antibióticos reduzem os organismos sensíveis da flora normal permitindo a 
multiplicação do C. difficile e a produção das exotoxinas A e B. a exotoxina A é uma 
enterotoxina que causa um extravasamento de fluidos, provocando a diarréia aquosa. A 
exotoxina B é uma citotoxina que danifica a mucosa do cólon levando a formação de 
uma pseudomembrana. Um dos testes diagnósticos em laboratório se baseia na 
capacidade da exotoxina B sr letal para células em culturas. O mecanismo de ação da 
exotoxina B é a ADP ribolização de uma proteína ligadora de GTP, denominada 
proteína Rho, cuja função é a regulação da actina no citoesqueleto. Não se conhece o 
mecanismo de ação da exotoxina. Entre os muitos antibióticos que causam a doença, a 
 
 
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clindamicina e ampicilina são os mais frequentes. O C. difficile raramente invade a 
mucosa intestinal. 
 
Casos clínicos 
 C. difficile causa diarréia associada as pseudomembranas (placas amarelo 
esbranquiçadas) na mucosa do cólon. Normalmente, não é uma diarreia hemorrágica e 
neutrófilos só são encontrados nas fezes de metade dos indivíduos. As 
pseudomembranas são visualizadas por sigmoidoscopia. 
 
 
 
Diagnostico laboratorial 
 A exotoxina B é detectada em filtrados de amostras de fezes pelo efeito 
citotóxico em cultura de células. É identificada por inibição da citotoxidade por 
anticorpos específicos. Culturas anaeróbias são normalmente utilizadas. Existe um teste 
de ELISA que detecta ambas as toxinas, A e B. 
 
Tratamento 
 O tratamento com os antibióticos responsáveis pela doença deve ser suspenso;. 
Em substituição devem ser administrados o metronidazol e a vancomicina. O 
metronidazol é normalmente mais utilizado para se evitar a seleção de enterococos 
resistentes à vancomicina. 
 
Prevenção 
 Não existem vacinas ou drogas. Os antibióticos devem ser prescritos apenas 
quando necessários. 
 
 
 
 
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12. CORINEBACTERIAS 
Corinebacterium diphtheriae 
Doença 
 A Corinebacterium diphtneriae causa a Difiteria. 
 
Características 
 Bastonetes Gram positivos com forma de “taco-de-golfe”, dispostos em “L” ou 
em “V”. Os grânulos apresentam coloração metacromática. São organismos anaeróbios 
não formadores de esporos. 
 
Habitat e Transmissão 
 Habitam a garganta humana. A transmissão ocorre através de gotículas 
respiratórias. 
Patogênese 
 O organismo secreta uma exotoxina que inibe a síntese proteica pela adição de 
ADP-ribose ao EF-2. A toxina possui dois componentes: a subunidade A, que possui 
atividade de ADP-ribosilação; e subunidade B, que liga a toxina aos receptores na 
superfície da célula. 
Diagnótico Laboratorial 
 Esfregaço corado pelo método de Gram e cultura. Colônias pretas são formadas 
em placas de telurito. A produção da toxina é detectada por teste de precipitação ou pela 
reprodução da doença em animais de laboratório. Os testes sorológicos não têm 
utilidade no diagnóstico. 
 
Tratamento 
 Uma antitoxina produzida em cavalos neutraliza a toxina. Penicilina G causa a 
morte dos organismos. Não há resistência significativa à penicilina. 
 
 
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Prevenção 
 Vacina toxóide (toxóide é a toxina apóstratamento com formaldeído), 
normalmente dada a criança combinada ao toxóide tetânico e a vacina contra 
coqueluche 
 
 
 
 
 
 
13. COCOS GRAM NEGATIVOS 
 
 
NEISSERIA 
 
O gênero Neisseria compreende várias espécies de cocos Gram-negativos 
aeróbios, (diplococos Gram negativos) que apresentam aos pares com os bordos 
internos achatados ou côncavos, tendo característica riniformes (forma de rins) ou 
feijão. 
Algumas espécies deste grupo são colonizadores normais da mucosa da 
nasofaringe, são de ocorrência extracelular e raramente podem causar infecção em 
determinados órgãos, como a Neisseria (agora Branhamella) catarrhalis e a N. sicca, 
presentes na microbiota da nasofaringe e que não produzem doença e as neissérias 
pigmentadas (N. subflava, N. flavescens, N. lactamica) que embora não patogênicas 
podem, em raras ocasiões, provocar meningite ou endocartite. Duas espécies de 
neissérias são patogênicas para o homem de maneira significante: a Neisseria 
gonorrhoeae (ou gonococo) e a Neisseria meningitidis (ou meningococo), que são de 
ocorrência intracelular e são os agentes etiológicos da gonorreia e da meningite, 
respectivamente. 
 
 
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Neisseria meningitidis 
 
Reconhecida desde o início do século XIX como uma doença contagiosa descrita 
por Vieusseux em 1805, foi somente em 1887 que Weichselbaum isolou a Neisseria 
meningitidis de um caso de meningite purulenta, sendo esta reconhecida como causa da 
meningite meningocócica. Este diplococo pode comprometer diversos órgãos do corpo 
humano como o trato respiratório superior, as articulações, o sangue (na forma de 
meningococcemia aguda, subaguda ou crônica), o pericárdio, a pele, os olhos, a uretra, 
o reto e, particularmente, o sistema nervoso central. 
 
Patogênese e Epidemiologia 
Os homens são os únicos hospedeiros naturais dos meningococos. Os 
microrganismos são transmitidos por gotículas disseminadas pelo ar, eles colonizam as 
membranas da nasofaringe e se tornam parte da microbiota do trato respiratório 
superior. Os meningococos são cocos ou diplococos, Gram-negativos, com um diâmetro 
de aproximadamente 0,8 μm, aeróbios estritos, imóveis, não esporulados. Ao 
microscópio óptico, como os gonococos, diferencia-se de outras neissérias saprófitas 
localizando-se tanto intra como extracelularmente, com as superfícies adjacentes de 
suas células achatadas originando uma forma típica de feijão ou rins. Os portadores são 
geralmente assintomáticos. Da nasofaringe, o microrganismo penetra na corrente 
sanguínea e se dissemina para sítios específicos, como as meninges, articulações ou para 
todo o corpo (meningococcemia). Cerca de 5% dos indivíduos se tornam portadores 
crônicos e servem como fonte de infecções para outros indivíduos. A taxa de 
contaminação pode chegar a 35% em indivíduos que vivem em ambientes fechados, isto 
explica a alta frequência de epidemias de meningite em populações que permanecem 
aglomeradas como escolas, órgão militar, etc... 
 Nas formas fulminantes, é caracterizada por febre alta, choque, coagulação 
intravascular disseminada e insuficiência adrenal, constituindo a síndrome de 
 
 
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Waterhouse- Friderichsen. A meningite é a complicação mais comum da 
meningococcemia. Inicia de forma súbita, com cefaleia intensa devido ao aumento da 
pressão intracraniana, vômito em jatos, rigidez da nuca e progride para o coma em 
pouco tempo. 
Três microrganismos são responsáveis por mais de 80% dos casos de meningite 
bacteriana em indivíduos acima de dois meses de idade: Haemophillus influenzae, 
Streptococcus pneumoniae e a Neisseria meningitidis. Destes, os microrganismos, 
especialmente os do grupo A, são mais prováveis de epidemias de meningite. Como 
agente causal de casos esporádicos, os meningococos estão atrás de H. influenzae nos 
casos de meningite em crianças na faixa dos seis meses a seis anos e quanto à 
frequência de infecções em adultos ao S. pneumoniae. 
Os meningococos possuem três fatores importantes de virulência: 
1- Cápsula polissacarídica: Torna o microrganismo resistente à fagocitose 
pelos leucócitos polimorfonucleares (PMNs). Obs: Pessoas que tem 
deficiência no sistema complemento, particularmente nos complementos de 
ação tardia (C6-C9), mostram um aumento na incidência de bacteremia 
meningocócica. 
2- Endotoxina: Causa febre, choque séptico e outras alterações 
fisiopatológicas. 
3- Imunoglobulina A: Esta imunoglobulina (IgA protease) que por clivagem 
da IgA secretória, auxilia a adesão da bactéria ás membranas do trato 
respiratório superior. 
Diagnóstico Laboratorial 
Os procedimentos laboratoriais são esfregaços e cultura de amostra de sangue e líquido 
cefalorraquidiano (líquor). Um suposto diagnóstico de meningite pode ser realizado se 
for visualizado cocos Gram negativos aos pares em esfregaço do líquor. A N. 
meningitidis não cresce com facilidade, necessitando de meios de cultura e condições 
apropriadas. As condições de crescimento ótimas são obtidas em ambiente úmido, a 
 
 
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temperatura entre 35º e 37ºC e sob atmosfera de 5 a 10% de dióxido de carbono (CO2). 
Apresenta bom crescimento em meios específicos como o meio de Thayer-Martin. O 
Thayer Martin é um meio de cultura na qual inibe o crescimento de bactérias 
indesejáveis, pela adição de antibióticos e antifúngicos como Vancomicina, Nistatina, 
Colistina (VCN) e Sulfametoxazol/trimetropim. Nos meios sólidos, os meningococos 
originam colônias transparentes, não pigmentadas, não-hemolíticas e medindo em torno 
de 1 a 5 mm de diâmetro. Em culturas mais velhas podem ser observadas variações 
consideráveis na sua forma e tamanho. 
- Exame Bacterioscópico – Esfregaços preparados com o sedimento do líquor ou de 
material aspirado de petéquias é de grande utilidade para o diagnóstico. A presença de 
neissérias típicas, diplococos Gram-negativos em forma de “rins”, no interior de 
leucócitos polimorfonucleares ou no espaço extracelular, praticamente garante o 
diagnóstico de meningite meningocócica. 
- Sorologia – Os anticorpos contra os polissacarídeos meningocócicos podem ser 
dosados pelas reações de aglutinação do látex, que detecta o polissacarídeo capsular no 
líquor, a imunofluorescência para a identificação das espécies. 
- Fermentação de açúcares – A Neisseria meningitidis fermenta a maltose enquanto a 
Neisseria gonorrhoeae não fermenta. 
 
Tratamento 
As penicilinas G são as drogas de escolha para o tratamento da meningite 
meningocócica. Quando as meninges estão inflamadas, estes antibióticos atravessam 
facilmente a barreira hematoliquórica. Linhagem resistente a penicilina são raras. O 
cloranfenicol é um substituto efetivo para o uso em pacientes alérgicos. A terapia 
antimicrobiana irá variar de acordo com a apresentação e apresentação da doença e da 
resposta do paciente, sendo o tratamento de 10 a 14 dias normalmente eficiente. 
 
Neisseria gonorrhoeae 
 
 
 
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Agente Etiológico 
A gonorréia (do grego gonos, que significa esperma e rhoia, corrimento = 
espermatorreia) é definida como uma inflamação do trato urogenital causada pela 
Neisseria gonorrhoeae, de transmissão predominante sexual, exceto conjuntivites e 
vaginites infantis Como os meningococos, os gonococos também causam doença 
somente em humanos. São destruídos rapidamente pelo ressecamento, luzsolar, calor 
úmido e muitos desinfetantes, mas resistem ao congelamento. É parasita estrito e, por 
este motivo, não tem possibilidade de sobrevivência fora do corpo, por período 
prolongado. O período de incubação é variável, sendo comum de 3 a 5 dias podendo 
chegar a 30 dias. 
 
 
 
Patogênese e Epidemiologia 
O gonococo é um diplococo Gram-negativo de aproximadamente 0,6 μm a 1,0 μm, 
imóvel, não flagelado nem hemolítico, não esporulados e ao exame de secreções 
apresenta-se, no interior de fagócitos aos pares com formato oval aproximado nas 
extremidades, com aspecto riniforme (rins) ou feijão. Possui cápsula que pode ser 
evidenciada pela coloração negativa. 
Características Culturais do Microrganismo 
Aeróbio ou anaeróbio facultativo cresce melhor a 35º-37ºC, e é exigente nas culturas, 
necessitando de enriquecimento apropriado e atmosfera com 2 a 10% de dióxido de 
carbono. O uso do meio de cultura de Thayer–Martin (ágar-chocolate acrescido de 
antimicrobianos vancomicina, colistina, nistatina, trimetoprim/sulfametoxazol) devido a 
sua seletividade, melhora a capacidade de isolamento de meningococos e gonococos de 
sítios diversos. Após 48 horas de incubação, as colônias de gonococos são pequenas e 
brilhantes, mas após alguns dias tornam-se brancas acinzentadas e apresentam margens 
lobuladas. Amostras submetidas à subculturas repetidas formam colônias grandes e 
avirulentas. 
 
 
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Características Patológicas 
A infecção gonocócica é encontrada apenas em seres humanos e dissemina-se através 
do ato sexual. Infeções de mucosa, particularmente do trato genital, pelo gonococo 
seguem as seguintes etapas: 
- Aderência e colonização: A aderência é mediada por fímbrias, sendo somente os 
gonococos fimbriados capazes de provocar infecções. A colonização da mucosa é 
facilitada por proteases que clivam a IgA secretora, que poderia bloquear a aderência do 
gonococo à mucosa; 
- Invasão da mucosa: Após a adesão do microrganismo à mucosa, ocorre a penetração 
na célula epitelial. No interior da célula o microrganismo é transportado para o interior 
de vacúolos passando para o tecido sub-epitelial; 
- Proliferação da bactéria no tecido sub-epitelial: Uma vez que atingiu o tecido sub-
epitelial, com contínua proliferação, ocorre reação inflamatória intensa com abundância 
de leucócitos polimorfonucleares. 
No homem, a uretrite é a principal forma clínica da infecção gonocócica com disúria e 
exsudato purulento. A partir da uretra, a infecção pode se estender para a próstata, 
epidídimo e vesícula seminal. Em mulheres, as mudanças no odor e na cor da secreção 
vaginal e dor abdominal são os principais sintomas da infecção cervical (cervicite). Em 
até 75% das mulheres infectadas, a doença pode permanecer assintomática por longos 
períodos de tempo. A infecção ascende para as trompas de uterinas (salpingite), 
podendo atingir o peritônio. Essa é uma consequência séria da infecção gonocócica em 
mulheres (doença inflamatória pélvica). 
A infecção gonocócica disseminada é caracterizada por febre, artralgia, artrite, 
tenossinovite, erupções na pele, endocardite e meningite e ocorre entre 1:300 a 1:600 
casos de gonorreia genital, sendo que esta forma de doença é seis vezes mais prevalente 
na mulher. Casos de esterilidade decorrentes da doença e também infecção faríngea 
gonocócica são relatados. Em crianças, a infecção mais comum é a conjuntivite neonatal 
adquirida durante a passagem pelo canal de parto infectado, que acomete rapidamente 
as estruturas do olho e leva à perda da visão, que pode ser prevenida com a instilação de 
nitrato de prata no saco conjuntival do neonato. 
 
 
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Diagnóstico 
Através das secreções colhidas da uretra, colo uterino, próstata, mucosa retal ou 
faríngea, realiza-se exame bacteriológico, isolamento e identificação de N. gonorrhoeae 
para diagnóstico da doença. 
- Exame Bacterioscópico – A coloração de Gram dos esfregaços podem revelar um 
quadro microscópico bastante característico nos casos agudos masculinos, com presença 
de diplococos Gram-negativos de morfologia típica intra e extra-celulares. Nos casos 
masculinos duvidosos e em infecção gonocócica na mulher, a bacterioscopia apresenta 
valor bastante limitado, sendo necessário isolamento e identificação do gonococo para 
estabelecer o diagnóstico de gonorreia. 
- Cultura – A cultura deve ser feita imediatamente após a coleta, semeando-se a 
amostra em meio enriquecido (como o meio de Thayer-Martin com vancomicina, 
colistina, nistatina e sulfametoxazol/trimetroprim) seletivo para gonococos e 
meningococos, nas condições exigidas pelo microrganismo. A identificação do 
gonococo é feita através de provas bioquímicas, como as reações de oxidação e 
fermentação. A demonstração dos resultados em cultura é demorada e as vezes difícil, 
sendo justificado o uso dos resultados bacterioscópicos, sintomas clínicos, inquérito 
epidemiológico para o rápido início do tratamento de casos suspeitos. 
- A presença de DNA gonocócico em secreções uretrais de pacientes com gonorreia, 
pode ser detectada por meio de sonda genética, preparada com plasmídeo críptico que é 
transportado pela maioria das amostras de bactérias. 
Tratamento 
As drogas de escolha para o tratamento das infecções gonocócicas continuam sendo as 
penicilinas, quando o microrganismo é sensível a estes antibióticos. Devido ao aumento 
da frequência de cepas de N. gonorrhoeae produtoras de penicilinases, o cotrimoxazol, 
a espectinomicina e algumas cefalosporinas de terceira geração (ceftriaxone) são 
utilizadas para o tratamento destas infecções. Para o tratamento das gonorreias 
extravaginais é necessários períodos longos de terapia e, algumas vezes, a 
hospitalização do paciente. 
 
 
 
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14. ENTEROBACTERIACEAS 
 
(Bastonetes Gram negativos relacionados ao trato entérico) 
 
As bactérias da família das Enterobacteriaceas formam uma ampla família de bastonetes 
Gram negativos encontrados fundamentalmente no cólon humano e animal, muitos 
como parte da flora normal. Eles são os principais anaeróbios facultativos do intestino 
grosso, mas comparados com os anaeróbios como, por exemplo, os Bacteroides, estão 
presentes em número relativamente baixo. Apesar dos representantes da família 
Enterobacteriaceas estar taxonomicamente agrupados na mesma família, eles causam 
uma variedade de doenças com diferentes mecanismos de patogenicidade. 
Os representantes desta família heterogênea estão unidos tanto pela sua localização 
quanto pelos quatro processos metabólicos: 
 
 
 
1- São anaeróbios facultativos. 
2- Todos fermentam a glicose (a fermentação de outros açúcares é variável). 
3- Nenhum deles possui a enzima citrocromo-oxidase (isto é, todos são oxidase 
negativos). 
4- Reduzem nitrato a nitrito como parte do processo de geração de energia. 
Estas quatros reações podem ser utilizadas para distinguir as Enterobacteriaceas do 
outro grupo de organismo de importância médica significativa, os bastonetes Gram 
negativos não fermentadores, cujo representante mais importante é a Pseudomonas 
aeruginosa, um patógeno importante que causa infecções do trato urinário, septicemia 
em pacientes hospitalizados, não fermenta glicose, não reduz nitrato a nitrito e é oxidase 
positivo. Ao contrário das Enterobacteriaceas P. aeruginosa é um organismo aeróbio 
estrito e produz energia por oxidação e não por fermentação. 
Patogênese 
 
 
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Todos os representantes da família Enterobacteriaceas, por serem organismos Gram 
negativos, contêm endotoxina na parede celular. Além disso, várias exotoxinas são 
produzidas; por exemplo: E. coli e Vibrio cholerae secretam exotoxinas, denominadas 
enterotoxinas que ativam a adenilato ciclase dentro das células do intestino , causando 
diarreia. 
Antígenos 
Os antígenos de várias Enterobacteriaceas, especialmente Salmonella e Shigella, são 
importantes na identificação do organismo tanto nos laboratórios de análises clínicas 
quanto em investigação epidemiológica. Os três antígenos de superfície são: 
1- Antígeno somático “O” (Antígeno da parede celular). O antígeno “O” é 
composto de oligossacarídeos repetitivos, consistindo de três ou quatro açúcares, 15 a 
20 vezes repetidos, é a base para a tipagem sorológica de muitos bastonetes entéricos. A 
variação na quantidade de antígenos O é muito grande, por exemplo, existem 
aproximadamente 1.500 tipos de Salmonella e 150 tipos de E. coli. 
2- Antígeno flagelar “H.” Localizado na proteína flagelar, apenas organismos 
flagelados, como Escherichia coli, Salmonella, Proteus, etc... possui este antígenos, 
enquanto Shigella, Klebsiella, etc... não possui este antígeno. Os antígenos H de 
determinadas espécies de Salmonella não são usuais. Os microrganismos podem 
alternar reversivelmente dois tipos de antígenos H conhecidos como fase 1 e fase 2. Os 
microrganismos podem utilizar esta mudança na sua antigenicidade para fugir à resposta 
imune do indivíduo. 
3- Antígeno “K” (Antígeno capsular). É particularmente proeminente nos 
organismos encapsulados como Klebsiella. O antígeno K é identificado pela reação de 
“quellung” (intumescimento capsular) na presença de anti soro específico e é utilizado 
para a sorotipagem de E. coli e Salmonella typhi para fins epidemiológicos. Em S. typhi, 
a causa da febre tifoide, é denominado antígeno Vi (ou antígeno de virulência). 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Amostras suspeitas de conter representantes da família Enterobacteriaceas e 
microrganismos relacionados são normalmente inoculadas em dois meio de cultura, 
 
 
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uma placa de ágar-sangue e em um meio seletivo diferencial como ágar-Mac Conkey ou 
ágar-eosina azul metileno (EMB). A capacidade diferencial destes dois últimos meios 
de cultura baseia-se na Fermentação da Lactose, que é o critério metabólico mais 
importante utilizado para identificar os microrganismos. Nestes meios microrganismos 
que não fermentam lactose como Salmonella e Shigella, formam colônias incolores, 
enquanto os microrganismos fermentadores de lactose formam colônias coradas (rosas). 
O efeito seletivo destes meios na supressão do crescimento dos microrganismos Gram 
positivos indesejáveis é exercido pelos sais biliares ou por corantes bacteriostáticos 
presentes no ágar. 
Uma bateria adicional de testes é realizada antes do procedimento definitivo para a 
identificação do microrganismo, inoculação em meio de ágar de tríplice açúcar com 
ferro (T.S.I.), ágar-ureia, S.I.M., Citrato, Lisina, Ornitina, etc... Outra valiosa 
informação utilizada para a fermentação destes microrganismos é a sua motilidade, 
dependente da presença do flagelo. As espécies de Proteus são bastantes móveis e 
caracteristicamente “migram em conjunto” sobre a placa de ágar-sangue, sobrepondo 
as colônias de outros organismos. A motilidade também é um critério diagnóstico 
importante de diferenciação entre Enterobacter cloacae, que é móvel, e a Klebsiella 
pneumoniae, que é imóvel. Se os resultados dos testes de triagem sugerirem a presença 
de uma linhagem de Salmonella ou de Shigella, um teste de aglutinação pode ser 
utilizado para a identificação de gênero de microrganismo e para determinar se este é 
representante do grupo A, B, C ou D. 
 
15. ESCHERICHIA COLI 
E. coli é a causa mais comum das infecções do trato urinário e de septicemia causada 
por bastonetes Gram negativos. É uma das duas causas principais de meningite neonatal 
e o agente mais frequentemente associado com a “diarreia dos viajantes” 
Propriedades Importantes 
E. coli é o anaeróbio facultativo mais abundante no cólon e nas fezes. 
Entretanto, é sobrepujada pelos anaeróbios obrigatórios como, por exemplo, 
Bacteroides. 
 
 
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E. coli fermenta lactose, uma propriedade que a distingue dos dois principais 
patógenos intestinais. Shigella e Salmonella. Possui três antígenos utilizados para 
identificação do organismo em investigações epidemiológicas: O antígeno da parede 
celular ou antígeno O, o antígeno flagelar ou antígeno H e o antígeno capsular ou 
antígeno K. Devido à existência de mais de 150 antígenos O, 50 antígenos H e 90 
antígenos K, as várias combinações entre estes antígenos resultam em mais de 1000 
tipos de antigênicos de E.coli. Sorotipos específicos estão associados a determinadas 
doenças; por exemplo, o antígeno O55 e o antígeno O111 causam epidemias de diarreia 
neonatal. 
Tabela. Bastonetes Gram negativos causadores de infecções do trato urinário1 ou septicemia2. 
Espécie Fermentação 
de Lactose 
Características do Organismo 
Escherichia coli + Colônias com brilho metálico em ágar-EMB 
Enterobacter 
cloacae 
+ Frequentemente nosocomial e resistente a 
drogas. 
Klebsiella 
pneumoniae 
+ Possui uma grande cápsula mucoide e, portanto 
colônias viscosas. 
Serratia marcescens - Algumas linhagens produzem pigmento 
vermelho, frequentemente nosocomiais e 
resistentes a drogas. 
Proteus mirabilis - Motilidade causa crescimento espalhado na 
placa, produz uréase. 
Pseudomonas 
aeruginosa 
- Pigmento azul-esverdeado e odor de fruta, 
geralmente nosocomial e resistente a drogas. 
1 Diagnosticada por cultura de urina. 
2 Diagnosticada por cultura de sangue ou pus. 
 
 
Patogênese 
 
 
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E. coli possui vários componentes claramente identificados que contribuem com 
a sua capacidade de causar doença: os pili, uma cápsula, endotoxina e duas exotoxinas 
(enterotoxinas). 
A) Infecção do trato intestinal: o primeiro passo é a aderência do organismo às células 
do jejuno e do íleo pelo pili que emergem da superfície bacteriana. Uma vez acoplada, a 
bactéria sintetiza enterotoxinas (exotoxinas que agem no trato entérico), as quais atuam 
nas células do jejuno e do íleo causando a diarreia. As toxinas são altamente específicas 
para cada tipo de célula, as células do cólon não são suscetíveis, provavelmente por não 
possuírem os receptores para a toxina. As linhagens enterotoxigênicas de E. coli podem 
produzir ambas as enterotoxinas ou cada uma delas. 
(1) A toxina de alto peso molecular, termolábil (LT) atua estimulando a adenilato 
ciclase. Tanto a toxina LT quando as toxinas coléricas atuam catalisando a adição de 
ADP-ribose à proteína G que estimula a ciclase. O aumento da concentração de AMP 
cíclico (cAMP), resultante da ação das toxinas, estimula a proteíno-quinase dependente 
de cAMP, causando um extravasamento de líquidos, de potássio e de cloro dos 
enterócitos. 
(2) A outra enterotoxina é uma toxina de baixo pelo molecular, estável ao calor (ST), 
que estimula a guanilato ciclase. 
As linhagens produtoras de enterotoxina não invadem a mucosa intestinal e causam uma 
diarreia aquosa e não hemorrágica. Entretanto, determinadas linhagens de E. coli são 
enteropatogênicas e causam doença não pela formação de enterotoxinas, mas pela 
invasão do epitélio do intestino grosso, causando diarreia hemorrágica (disenteria) 
acompanhada de células92 
Vibrio parahaemolyticus .............................................................................................................. 95 
19. CAMPYLOBACTER .................................................................................................................. 95 
20. HELICOBACTER ....................................................................................................................... 97 
21. GRUPO KLEBSIELLA, ENTEROBACTER E SERRATIA ............................................................... 99 
22. GRUPO PROTEUS, PROVIDENCIA E MOGANELLA ............................................................... 101 
23. PSEUDOMONAS ................................................................................................................... 103 
24. ACINETOBACTER .................................................................................................................. 106 
25. BACTEROIDES ....................................................................................................................... 106 
26. MICOSES SISTÊMICAS .......................................................................................................... 109 
HISTOPLASMA ............................................................................................................................ 109 
PARACOCCIDIOIDES.................................................................................................................... 111 
27. MICOSES OPORTUNISTAS ................................................................................................... 112 
 
 
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3 
 
CANDIDA .................................................................................................................................... 112 
CRYPTOCOCCUS.......................................................................................................................... 114 
ASPERGILLUS .............................................................................................................................. 116 
28. MICOBACTÉRIAS .................................................................................................................. 118 
Mycobacterium tuberculosis ...................................................................................................... 118 
Mycobacterium leprae ............................................................................................................... 120 
29. MICOPLASMA ...................................................................................................................... 121 
Mycoplasma pneumoniae .......................................................................................................... 121 
30. ESPIROQUETAS .................................................................................................................... 123 
Treponema pallidum .................................................................................................................. 123 
31. CLAMIDIAS ........................................................................................................................... 124 
Chlamydia trachomatis .............................................................................................................. 124 
32. ANTIBIOGRAMA .................................................................................................................. 125 
METODO DA DIFUSÃO DO DISCO .............................................................................................. 126 
METODO DA DILUIÇÃO .............................................................................................................. 127 
METODO DE QUANTIFICAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO CIM (ETEST) ........................................... 127 
33. MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS ....................................................................... 128 
Inibição da síntese da parede celular: ....................................................................................... 128 
Inibição da síntese de proteína: ................................................................................................. 128 
Referências Bibliográficas: ........................................................................................................ 131 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
A ciência da Microbiologia [do grego: mikros (“pequeno”), bios (“vida”) e 
logos (“ciência”) é o estudo dos organismos microscópicos e de suas atividades. 
Preocupa-se com a forma, a estrutura, a reprodução, a fisiologia, o metabolismo e a 
identificação dos seres microscópicos. Inclui o estudo da sua distribuição natural, suas 
relações recíprocas e com outros seres vivos, seus efeitos benéficos e prejudiciais sobre 
os homens e as alterações físicas e químicas que provocam em seu meio ambiente. Em 
sua maior parte, a Microbiologia trata com organismos microscópicos unicelulares. Nas 
assim chamadas formas superiores de vida, os organismos são compostos de muitas 
células, que constituem tecidos altamente especializados e órgãos destinados a exercer 
funções específicas. Nos indivíduos unicelulares, todos os processos vitais são 
realizados numa única célula. Independentemente da complexidade de um organismo, a 
célula é, na realidade, a unidade básica da vida. 
Todos os sistemas biológicos têm as seguintes características comuns: 
• Habilidade de reprodução; 
• Capacidade de ingestão ou assimilação de substâncias alimentares, 
metabolizando-as para suas necessidades de energia e de crescimento; 
• Habilidade de excreção de produtos de escória; 
• Capacidade de reagir a alterações do meio ambiente (algumas vezes chamada de 
"irritabilidade"), 
• Suscetibilidade à mutação. 
 
 
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Os microrganismos, portanto, são encontrados em três dos cinco reinos: reino 
Monera (bactérias e cianobactérias), reino Protista (algas microscópicas e protozoários) 
e reino Fungi (leveduras e bolores). 
 
 
 
 
Características Distintivas dos Principais Grupos de 
Microrganismos 
 
Microrganismos Características 
1. Protozoários Eucarióticos, unicelulares, ingerem partículas alimentares, não apresentam parede 
celular rígida, não contém clorofila, alguns se movem por meio de flagelo ou 
cílios, e são amplamente distribuídos na natureza (principalmente aquáticos). 
2. Algas Eucarióticos, considerados semelhantes às plantas, contém clorofila, podem ser 
uni ou multicelulares, apresentam parede celular rígida, crescem em muitos 
ambientes diferentes (a maioria aquática). 
3. Fungos Eucarióticos, com parede celular rígida, uni ou multicelulares desprovidos de 
clorofila, absorvem nutrientes dissolvidos do ambiente (não digerem alimentos) - 
são os bolores e leveduras. 
Bolores Fungos multicelulares produzem estruturas filamentosas (hifas, micélios...). 
Leveduras Fungos unicelulares apresentam formas variadas (esférica a ovóide; elipsóide a 
filamentosos). 
4. Bactérias Procarióticos, carecem de membrana nuclear e outras estruturas intracelulares 
organizadas observadas nos eucarióticos, são divididas em dois grupos: 
Eubactérias e Arqueobactérias. 
Eubactérias Apresentam várias formas (esférica, bastonete e espirilo) e aparecem em formas 
agrupadas, variam de 0.5 - 5.0 µm são unicelulares, algumas apresentam flagelos. 
Arqueobactérias Semelhantes às eubactérias pelo microscópio, porém apresentam diferenças 
importantes quanto à sua composição química, hábeis em viverinflamatórias (neutrófilos) nas fezes. Ainda outras linhagens de 
E. coli, isto é, aquelas com o sorotipo O157: H7, também causam diarreia hemorrágica 
mas não causam inflamação, portanto nenhum neutrófilo é encontrado nas fezes. Estas 
linhagens O157: H7 produzem a verotoxina, assim denominada por ser tóxica às 
células Vero (células de macaco) em cultura e presumivelmente às células do cólon. 
Estas linhagens estão associadas com as epidemias de diarreia após ingestão de 
hambúrgueres mal cozidos em restaurantes de comida rápida. Alguns pacientes com 
diarreia hemorrágica causada por linhagens O157: H7 também sofrem outra 
complicação, com risco de vida, denominada síndrome hemolítico-urêmica. 
 
 
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B) Infecção sistêmica: os outros dois componentes estruturais, a cápsula e a 
endotoxina, têm uma função mais proeminente na patogênese da doença sistêmica do 
que no trato intestinal. O polissacarídeo capsular interfere na fagocitose, aumentando, 
portanto, a capacidade do organismo causar infecções em vários órgãos. Por exemplo, 
linhagens de E. coli que causam meningite neonatal normalmente têm um tipo de 
antígeno capsular específico denominado antígeno K1. A endotoxina de E. coli é o 
lipolissacarídeo da parede celular, que causa vários sintomas da septicemia por Gram 
negativos, como febre, hipotensão e coagulação intravascular disseminada. 
Determinadas linhagens de E. coli com o sorotipo O causam preferencialmente, 
infecções do trato urinário. Estas linhagens uropáticas são caracterizadas pela presença 
de adesinas nos pili, que são proteínas que ligam a receptores específicos no epitélio do 
trato urinário. O sítio de ligação nestes receptores consiste de dímeros de galactose 
(dímeros Gal-Gal). 
Casos Clínicos 
E. coli causa uma variedade de doenças internas e externas ao trato intestinal. É 
a causa principal das infecções do trato urinário contraídas pela comunidade. Ocorrem 
fundamentalmente em mulheres devido a três características que facilitam a infecção 
ascendente para a bexiga, que são: uma uretra curta, próxima ao ânus e a colonização da 
vagina por representantes da flora fecal. É também a causa mais frequente das infecções 
do trato urinário contraídas em hospitais, com as mesmas ocorrências em homens e em 
mulheres, associadas com o uso de sondas urinárias. As infecções do trato urinário 
podem ser exclusivas da bexiga ou podem se estender pelo sistema coletor até cistite, 
enquanto infecções renais são denominadas pielonefrite. Os sintomas mais 
proeminentes da cistite são dores (disúria) e incontinência urinária; a pielonefrite é 
caracterizada por febre, calafrios e dores fortes. 
E. coli é também uma das maiores causas de meningite neonatal, junto com os 
estreptococos do grupo B. O contágio de recém-nascidos com E. coli e com os 
estreptococos do grupo B ocorrem durante o nascimento, por consequência da 
colonização da vagina, por estes microrganismos, aproximadamente 25% das mulheres 
 
 
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grávidas. E. coli é o organismo mais frequente isolada de pacientes com septicemia 
hospitalar, consequente de infecções urinárias, biliares e peritoneais. 
A diarreia causada por E. coli enterotoxigências normalmente se apresente 
aquosa, não hemorrágica, limitada e com curta duração (um a três dias). Está 
frequentemente associada a viagens (diarreia de viajante ou de “turista”). Por outro lado, 
as infecções com E. coli enteropatogênicas, resultam em uma síndrome semelhante à 
disenteria, caracterizada por uma diarreia hemorrágica com contrações abdominais e 
febre, como a diarreia causada por Shigella. As linhagens O157: H7 de E. coli também 
causam diarreia hemorrágica que pode ser complicada pela síndrome hemolítico-
urêmica. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Amostras com suspeita da presença de bastonetes entéricos Gram negativos 
como E. coli são inicialmente cultivadas em placa de ágar-sangue e em meio diferencial 
como, por exemplo, ágar-EMB ou ágar-Mac Conkey. E. coli fermenta lactose e forma 
colônias rosa, enquanto organismos que não fermentam lactose formam colônias 
incolores. Em ágar EMB, as colônias de E. coli possuem um brilho esverdeado 
característico. Algumas das propriedades importantes que auxiliam a distinguir E. coli 
de outros bastonetes Gram negativos fermentadores de lactose sâo (1) a produção d 
indol a partir de triptofano, (2) a descarboxilação de lisina, (3) a utilização de acetato 
como única fonte de carbono e (4) a motilidade. O isolamento de E. coli 
enterotoxigências ou enteropatogênicas de pacientes com diarreia não é um 
procedimento diagnóstico de rotina. 
 
Tratamento 
O tratamento das infecções por E. coli dependem do local da doença e do padrão 
de resistência do isolado específico. Por exemplo, uma infecção do trato urinário 
inferior sem complicações mais graves pode ser curada em até três dias, com a 
administração de sulfonamida por via oral (sozinha ou em combinação com 
trimetoprim), ou com penicilina, por exemplo, ampicilina, também por via oral). 
 
 
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Entretanto, uma septicemia causada por E. coli requer a administração parenteral de 
antibióticos (por exemplo, cefalosporinas de terceira geração, como cefotaxime, com ou 
sem um aminoglicosídeo, como gentamicina). Para o tratamento da meningite neonatal, 
uma combinação de ampicilina e cefotaxime é normalmente administrada. A terapia 
com antibióticos não é normalmente indicada nas diarreias provocadas por E. coli. 
Entretanto, a administração de trimetoprim e sulfametoxazol pode diminuir a duração 
dos sintomas. Neste tipo de diarreia apenas uma reidratação é necessária. 
 
Prevenção 
Não existe nenhuma prevenção específica para as infecções provocadas por E. 
coli, do tipo imunização ativa ou passiva. Entretanto, várias precauções gerais podem 
ser tomadas para se prevenir determinadas infecções causadas por E. coli e por outros 
organismos. Por exemplo, a incidência de infecções do trato urinário pode ser reduzida 
pelo uso criterioso e pela retirada imediata de cateteres e, em infecções recorrentes, por 
uma profilaxia prolongada com drogas antissépticas das vias urinárias como, por 
exemplo, a nitrofurantoína. Alguns casos de septicemia podem ser prevenidos pela 
remoção imediata, ou pela alteração no lado das injeções intravenosas. A diarreia de 
viajante pode, algumas vezes se prevenida com o uso profilático de doxiciclina (uma 
tetraciclina), de trimetoprim e sulfametoxazol ou Pepto-Bismol. Também é 
aconselhável o cuidado com alimentos mal cozidos e com água não potável quando 
viajando em determinados países. 
16. SALMONELLA 
 
Espécies de Salmonella causam enterocolites, febres entéricas, como a febre 
tifoide, e septicemia com abcessos metastáticos. Elas são uma das causas mais comuns 
de enterocolite bacteriana nos EUA. 
 
Propridades Importantes 
 
 
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Os representantes do gênero Salmonella são bastonetes Gram negativos que não 
fermentam lactose, mas produzem H2S – características utilizadas em laboratório para 
identificação. Seus antígenos – o antígeno O da membrana externa, o antígeno flagelar 
H e o antígeno capsular Vi (virulência) – são importantes para fins taxonômicos e 
epidemiológicos. Os antígenos O, que são os polissacarídeos externos da membrana 
externa, são utilizados para subdividir as salmonelas nos grupos de A-I. Existem duasformas de antígenos H, fase 1 e fase 2. Apenas uma das duas proteínas H é sintetizada 
por vez, dependendo de que sequencia de DNA esteja no correto alinhamento para a 
transcrição em mRNA. Os antígenos Vi são primariamente utilizados para a tipagem de 
S. typhi, o agente da febre tifoide 
Existem dois métodos para taxonomia das salmonelas. Ewing divide o gênero em três 
espécies: Salmonella Typhi, Salmonella choleraesuis e Salmonella enteritidis. Neste 
esquema existe um sorotipo em cada uma das primeiras duas espécies e 1500 sorotipos 
para a terceira espécie. Kaufman e White atribuem nomes para cada sorotipo das 
diferentes espécies, normalmente utilizando o nome da cidade que os organismos foram 
isolados. Salmonella Dublin, conforme Daufman e White seria S. enteritidis sorotipo 
Dublin segundo Ewing. Ambas as formas são utilizadas na literatura: o Centro de 
Controle e Prevenção de Doenças (EUA) utiliza o sistema de Ewing. 
 
Patogênese e Epidemiologia 
Os três tipos de infecções causadas por Salmonella (enterocolite, febres entéricas 
e septicemia) apresentam diferentes características patogênicas. 
(1) A enterocolite é caracterizada pela invasão do epitélio e do tecido 
subepitelial dos intestinos delgado e grosso. As linhagens que são invasivas não causam 
doenças. Os organismos penetram através e entre as células da mucosa, provocando 
inflamação e diarreia. Uma resposta leucocítica polimorfonuclear limita a infecção aos 
intestinos e aos nódulos linfáticos mesentéricos adjacentes; a bacteremia não é frequente 
nas enterocolites. Ao contrário das enterocolites causadas por Shigella, onde a dose 
infecciosa é muito baixa (na ordem de 100 organismos), a quantidade de Salmonella 
necessária para causar infecção é muito mais alta pelo menos 100.000 organismos. O 
 
 
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ácido gástrico é uma defesa importante do hospedeiro; experimentalmente a 
gastrectomia e o uso de antiácidos diminuem significativamente a dose infecciosa. 
(2) Na febre tifoide e em outras febres entéricas, a infecção se inicia no 
intestino delgado, mas são poucos os sintomas gastrointestinais aparentes. Os 
organismos penetram se multiplicam nos fagócitos mononucleares das placas de Peyer e 
se espalham aos fagócitos do fígado, da vesícula biliar e do baço. A consequência é uma 
bacteremia associada a um quadro clínico de febre e outros sintomas, provavelmente 
causados pela endotoxina. A sobrevivência e o crescimento do organismo nas células 
fagocíticas são características marcantes da doença, assim como a preferência pela 
invasão da vesícula biliar, que pode resultar no estabelecimento do estado de portador 
do hospedeiro e na excreção das bactérias nas fezes, por um longo período. 
(3) A septicemia ocorre em apenas 5-1-% das infecções causadas por 
Salmonella em um dos quadros clínicos: em pacientes com doenças crônicas, como a 
anemia falciforme ou câncer, ou em crianças com enterocolite. A septicemia é menos 
severa do que as causadas por outros bastonetes Gram negativos. A bacteremia é 
consequência da invasão de vários órgãos, provocando osteomielite, pneumonia e 
meningite como as sequelas mais comuns. Tecidos previamente danificados por outras 
doenças, como por infarto e aneurismas, especialmente aneurismas aórticos, são os 
sítios mais frequentes de abcessos metastáticos. 
A epidemiologia das infecções causadas por Salmonella está relacionada à 
ingestão de alimentos ou água contaminados por dejetos humanos e animais. S. typhi, o 
agente causador da febre tifoide, é transmitido somente pelos homens, mas todas as 
outras espécies têm um reservatório animal tão significativo quanto o reservatório 
humano. Os reservatórios humanos são ou os indivíduos que excretam temporariamente 
o organismo durante, ou imediatamente após, uma crise de enterocolite; ou os 
portadores crônicos que excretam o organismo durante vários anos. As mais frequentes 
fontes animais são os frangos e os ovos, mas carne bovina mal cozida também pode 
estar relacionada com a doença. Cachorros e outros animais de estimação, inclusive 
tartarugas, são fontes adicionais. 
 
 
 
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Casos Clínicos 
Após um período de incubação de seis a 48 horas, a enterocolite se inicia com 
náusea e vômitos e progride para dores abdominais e diarreia, que variam de bandas a 
severas, com presença ou ausência de sangue. Normalmente a doença dura poucos dias, 
é limitada, causa uma diarreia não hemorrágica e não requer cuidados médicos, exceto 
em crianças muito novas ou em idosos. A causa mais comum de enterocolite é a 
Salmonella typhimurium, mas praticamente todas as espécies estão relacionadas. 
Na febre tifoide, causado por S.typhi, e na febre entérica, causada por 
organismos como Salmonella paratyphi A, B e C (S. paratyphi B e C são conhecidas 
também com Salmonella schott-muelleri e Salmonella hirschfeldii, respectivamente), o 
aparecimento do mal-estar é lento, com febre e constipação ao invés da predominância 
de vômitos e diarreia. Após a primeira semana, com a manutenção da bacteremia, a 
sintomatologia é febre alta, delírio, flacidez abdominal e dilatação do baço. “Manchas 
róseas”, isto é, máculas de cor rósea no abdômen, estão associadas com febre tifoide, 
mas raramente ocorrem. A cura da doença ocorre aproximadamente na terceira semana, 
mas complicações severas com hemorragia ou perfuração intestinal também podem 
ocorrer. Cerca de 3% dos pacientes com febre tifoide se tornam portadores crônicos. A 
taxa de portadores é mais alta entre mulheres, especialmente naquelas com quadro 
clínico prévio de doenças na vesícula biliar. 
A septicemia é mais frequentemente causada por S. cholearesuis. Os sintomas 
começam com febre com pouca ou nenhuma enterocolite e progride para focos 
sintomáticos associados aos órgãos afetados, frequentemente nos osso, pulmões ou 
meninges. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Na enterocolite, o organismo é mais facilmente isolado de uma amostra de fezes. 
Entretanto, nas febres entéricas, uma cultura do sangue é procedimento mais provável 
para revelar o organismo durante as duas primeiras semanas da doença. 
As salmonelas formam colônias incolores não fermentadoras de lactose em meio ágar-
Mac Conkey ou ágar-E.M.B. Quando cultivados em meio ágar-TSI, os organismos 
 
 
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alcalinizam o meio no local da inclinação do ágar e o acidificam no fundo do tubo, 
frequentemente com produção de gás e de H2S (coloração escura no fundo do tubo). S. 
typhi é a principal exceção: não forma gás e produz somente uma pequena quantidade 
de H2S. Se o organismo é uréase-negativo (os Proteus, que podem produzir uma reação 
semelhante em ágar-TSI, são urease positivos), o isolado de Salmonella pode ser 
identificado e agrupado pelo teste de aglutinação em lâmina. A sorotipagem definitiva 
dos antígenos O, H e Vi é realizada em laboratórios de saúde pública para fins 
epidemiológicos. A salmonelose é uma doença “notificável” e uma investigação para se 
determinar a fonte da doença deve ser feita. Em determinados casos de febre entérica a 
septicemia, quando é difícil se recuperar o organismo, o diagnóstico pode ser feito 
sorologicamente pela detecção de um aumento no título de anticorpos no soro do 
paciente (teste de Widal). 
 
Tratamento 
A enterocolite é uma doença normalmente limitada que se resolve sem 
tratamento. Talvez seja necessário um tratamento de reidratação. O tratamento com 
antibióticos não diminui a doença nem reduz os sintomas; de fato, pode prolongar a 
excreçãodos organismos, aumentar a frequência do estado de portador e selecionar 
mutantes resistentes ao antibiótico. Os agentes antimicrobianos são indicados apenas em 
recém-nascidos ou em indivíduos com doenças crônicas que correm risco de septicemia 
e de abscessos disseminados. É comum a resistência a antibióticos mediada por 
plasmídeos e, por isso, antibiogramas devem ser conduzidos. As drogas que retardam 
contrações intestinais (isto é, que reduzem a diarreia) parecem prolongar a duração dos 
sintomas e a excreção fecal dos organismos. 
O tratamento preferencial para as febres entéricas e para a septicemia é a 
ceftriaxona. A ampicilina ou o ciprofloxacim devem ser administrados em pacientes que 
são portadores crônicos de S. typhi. A colecistectomia pode ser necessária para abolir o 
estado de portador crônico. Os abcessos localizados podem ser drenados cirurgicamente 
quando possível. 
Prevenção 
 
 
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As infecções causadas por Salmonella são prevenidas principalmente pela saúde 
pública e por mediadas de higiene pessoal. São medidas importantes um tratamento 
apropriado das fezes, um abastecimento de água clorada periodicamente monitorado 
para detecção de contaminação por bactérias coliformes, culturas de amostras de fezes 
de pessoas que manipulam alimentos para detecção de contaminação por bactérias 
coliformes, culturas de amostras de fezes de pessoas que manipulam alimentos para 
detectar os portadores, lavagem das mãos antes da manipulação de qualquer alimento, 
pasteurização do leite e um cozimento adequado dos derivados de frango e da carne 
bovina. 
Existem duas vacinas disponíveis, mas estas vacinas conferem uma proteção 
limitada (50-80%) contra S. typhi. Uma das vacinas consiste de S. typhi mortas por 
tratamento com acetona e é uma vacina de administração intramuscular. A outra vacina 
consiste dos organismos vivos atenuados, e é oralmente administrada. 
17. SHIGELLA 
 
As espécies de Shigella causam enterocolites (disenteria). 
 
Propriedades Importantes 
As shigellas são bastonetes Gram negativos que não fermentam lactose e 
distinguem-se das salmonelas por três critérios: não produzem gás a partir da 
fermentação de glicose, não produzem H2S e são imóveis. Todas as shigellas possuem 
antígenos. O (polissacarídeo) na membrana externa, e esses antígenos são utilizados 
para dividir o gênero em quatro grupos: A, B, C e D. 
Patogênese e Epidemiologia 
As shigellas são os patógenos mais efetivos entre as bactérias entéricas. Uma 
ingestão de apenas 100 organismos causa doença, enquanto pelo menos 105 Vibrio 
cholerae ou Salmonella são necessários para produzir sintomas. 
A shigelose é uma doença estritamente humana* o organismo é transmitido de 
um indivíduo a outro, normalmente portadores assintomáticos. As mãos, as moscas, os 
 
 
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alimentos e as fezes são os principais fatores na transmissão. As epidemias transmitidas 
pelos principais fatores na transmissão. As epidemias transmitidas pelos alimentos são 
duas vezes mais frequentes do que as epidemias transmitidas pela água. As epidemias 
ocorrem em creches e em hospitais de deficientes mentais, onde a transmissão fecal-
oral tem uma provável ocorrência. As crianças com menos de 10 anos de idade 
representam, aproximadamente, a metade das culturas positivas de fezes. 
As shigelas, que causam doenças quase que exclusivamente no trato 
gastrointestinal, provocam diarreia hemorrágica (disenterial) pela invasão da mucosa do 
íleo distal e do cólon. Inflamação local acompanhada de ulceração também ocorre, mas 
raramente os organismos entram na corrente sanguínea, ao contrário das salmonelas. 
*Entretanto, alguns primatas, como os macacos, podem contrair shigelose, mas esse fato tem pouco 
impacto na epidemiologia da doença humana. 
Casos Clínicos 
Após um período de incubação de um a quatro dias, os sintomas começam com 
febre e contrações abdominais, seguidos por diarreia, que pode ser aquosa, inicialmente, 
mas com a progressão da doença passa a conter sangue e muco. A doença pode ser 
branda ou severa dependendo de dois fatores principais: a espécie de Shigella e a idade 
do paciente; muito jovens e as pessoas idosas são as mais severamente afetadas. A 
Shigella dysenteriae, o agente causal mais severo, nos EUA acomete normalmente 
viajantes retornando do exterior. A shigella sonnei, que causa uma doença branda, é 
isolada de aproximadamente 75% de todos os casos de shigelose nos EUA. A diarreia 
frequentemente se resolve em dois de três dias; nos casos graves, os antibióticos podem 
diminuir a duração da doença. As aglutininas do soro aparecem após a recuperação, mas 
não são protetoras, pois o organismo não entra na corrente sanguínea. A função da IgA 
intestinal na proteção ainda não está definida. 
Diagnóstico Laboratorial 
As Shigellas formam colônias incolores que não fermentam lactose em meio 
ágar-Mac Conkey ou em ágar-E.M.B. Quando cultivados em meio ágar-TSI, os 
organismos alcalinizam o meio no local da inclinação do ágar e o acidificam no fundo 
 
 
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do tubo, sem produção de gás, e de H2S. A confirmação do organismo como Shigella e 
a determinação do grupo são feitas por testes de aglutinação em lâminas. 
Outro fator importante para o diagnóstico laboratorial é a coloração da amostra fecal 
com azul de metileno para determinar se os PMNs estão presentes. Se eles forem 
encontrados, um organismo invasivo como Shigella, Salmonella ou Camyplobacter está 
envolvido ao invés de um organismo produtor de toxinas como V.cholerae, E. coli ou 
Clostridium perfringens. (Determinados vírus e o parasitas como Entamoeba histolytica 
também podem causar diarreia sem PMNs nas fezes.). 
Tratamento 
O principal tratamento para a shigelose é a reidratação. Nos casos brandos, 
nenhum antibiótico é indicado. Nos casos graves, um fluoroquinolônico, por exemplo, 
ciprofloxacim, é a droga preferencial, mas a incidência de plasmídeo com resistência 
múltipla a droga é tão alta que antibiogramas devem ser realizados. O 
trimetoprim/sulfametoxazol é uma alternativa. As drogas antiperistálticas são 
contraindicadas nas shigeloses, pois prolongam a febre, a diarreia e a excreção do 
organismo. 
Prevenção 
A prevenção das shigeloses depende da interrupção da transmissão fecal-oral mantendo-
se um tratamento apropriado das fezes, cloração da água e higiene pessoal (lavagem das 
mãos para pessoas que manipulam alimentos). Não existe vacina e os antibióticos 
profiláticos não são recomendados. 
 
18. VIBRIO 
O Vibrio cholerae, principal patógeno deste gênero, é o agente causal da cólera. 
O Víbrio parahaemolyticus causa uma diarreia associada com a ingestão de frutos do 
mar cruz ou mal cozidos. 
 
Propriedades Importantes 
 
 
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Os vibriões são bastonetes Gram negativos curvados com “forma de vírgula”. 
O V.cholerae é dividido em dois grupos de acordo com a natureza dos antígenos O da 
membrana externa. Os representantes do grupo O1 causam surtos epidêmicos, enquanto 
dos organismos que não pertencem ao grupo O1 causam surtos esporádicos ou não são 
patogênicos. Os organismos do grupo O1 possuem dois biótipos, denominados E1 Tor e 
cholerae, e três sorotipos denominados Ogawa, Inaba e Hikojima. (Os biótipos são 
baseados nas diferenças em testes bioquímicos, enquanto os sorotipos são baseados nas 
diferençasantigênicas.) Estas propriedades são utilizadas para caracterizar os isolados 
nas investigações epidemiológicas. 
O V. parahaemolyticus é primariamente um organismo marinho adaptado à vida 
nos oceanos, com altas concentrações de sal. Para o crescimento em laboratório, são 
necessários, pelo menos 2% de NaCl no meio de cultura (o soro humano contém 0,9% 
de NaCl). Existem 11 sorotipos do antígeno O; não existe predominância de um único 
sorotipo em um único patógeno. 
Vibrio cholerae 
 
Patogênese e Epidemiologia 
O V. cholerae é transmitido por contaminação fecal da água e dos alimentos, 
primariamente de fontes humanas. Os portadores são frequentemente assintomáticos e 
incluem indivíduos que estão no período de incubação ou convalescendo da doença. Os 
principais reservatórios animais são os frutos do mar, os camarões e as ostras. A 
ingestão de frutos do mar sem um cozimento adequado pode transmitir a doença. 
A principal epidemia de cólera, durante as décadas de 60 e 70 começou no 
sudeste da Ásia e se alastrou em mais de três continentes em regiões da África, Europa e 
no resto da Ásia. Uma pandemia de cólera começou no Peru em 1991 e se espalhou por 
muitos países da América Central e da América do Sul inclusive Brasil. O organismo 
mais frequentemente isolado foi o biótipo E1 Tor do V.cholerae 1, usualmente do 
sorotipo Ogawa. Os fatores que favorecem as epidemias são a sanitação precária, a 
desnutrição, a superlotação e os serviços médicos adequados. A quarentena não previne 
a doença, pois existem muitos portadores assintomáticos. 
 
 
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A patogênese da cólera depende da colonização do intestino delgado pelo 
organismo e da secreção de enterotoxinas. Para que a colonização ocorra, uma grande 
quantidade de bactérias (aproximadamente um bilhão) deve ser ingerida, pois o 
organismo é particularmente sensível aos ácidos do estômago, tornando os indivíduos 
que tomam antiácidos e aqueles que fizeram uma gastrectomia muito mais suscetível. A 
aderência às células das vilosidades do intestino, requerimento para a colonização, está 
relacionada à secreção da enzima bacteriana mucinase, que dissolve a capa protetora de 
glicoproteínas das células intestinais. 
Após a aderência, o organismo se multiplica e secreta uma enterotoxina 
denominada colerágeno. Esta exotoxina pode reproduzir os sintomas da cólera, mesmo 
na ausência dos vibriões. O colerágeno é composto por uma subinidade A (ativa) e por 
uma subinidade B (de ligação). A subunidade B, um pentâmero composto por cinco 
proteínas idênticas, se liga ao receptor gangliosídico na superfície do enterócito. A 
subunidade A é inserida no citosol, onde catalisa a adição de ADP-ribose à proteína G 
(G é a proteína G estimuladora.) A proteína G, permanece ativa, estimulando a 
adenilato ciclase. A consequente hiperprodução de cAMP estimula a secreção de íons 
cloreto e água, levando a uma diarreia aquosa grave sem células inflamatórias. As 
mortes são causadas pela desidratação e pelo desbalanço na concentração de eletrólitos. 
Entretanto, se o tratamento for iniciado imediatamente, a doença toma um curso 
limitado em até sete dias. 
O V.cholerae de outros grupos que não do grupo O1 é uma causa ocasional de 
diarreia associada à ingestão de frutos do mar obtidos da costa dos EUA. 
Casos Clínicos 
Diarreia aquosa em grandes volumes é o principal sintoma da cólera “Água de 
arroz” é o termo frequentemente aplicado para a evacuação não hemorrágica. Dores 
abdominais não ocorrem e os sintomas subsequentes são relacionados a uma 
desidratação acentuada. A perda de fluidos e de eletrólitos ocasiona falhas cardíacas e 
renais. A acidose e a hipocalemia também ocorre como consequência da pela de 
bicabornato e potássio nas fezes. A taxa de mortalidade sem tratamento é 40%. 
 
 
 
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Diagnóstico Laboratorial 
O procedimento adotado para o diagnóstico laboratorial depende da situação. 
Durante uma epidemia uma análise clínica é feita e não há necessidade de exames 
laboratoriais. Em áreas onde a doença é endêmica ou para a detecção de portadores, 
uma variedade de meios seletivos* que não são procedimentos de rotina nos EUA são 
utilizados no laboratório. Para o diagnóstico de casos esporádicos nestes pais, uma 
cultura das fezes contendo V. cholerae mostrará a presença de colônias incolores em 
meio Ágar-Mac-Conkey, pois a lactose e lentamente fermentada. O organismo é 
oxidade-positivo, o que a distingue dos outro representante da família 
Enterobacteriaceae. Quando cultivados em meio ágar-TSI, os organismos acidificam o 
meio no local da inclinação do ágar e no fundo do tubo, sem produção de gás ou de 
H2S, pois o organismo fermenta sacarose. Um diagnóstico sugestivo de V. cholerae 
pode ser confirmado por testes de aglutinação do organismo com antissoros polivalentes 
O1 ou não O1. Um diagnóstico retrospectivo pode ser realizado sorologicamente pela 
detecção do aumento no título dos anticorpos no sora da fase aguda e da fase de 
convalescência da doença. 
Tratamento 
O tratamento consiste da reidratação imediata administrada oral ou 
intravenosamente. Os antibióticos como a tetraciclina não são necessários, mas 
diminuem a duração dos sintomas e reduzem o tempo de excreção dos organismos. 
 
Prevenção 
A prevenção é obtida principalmente por medidas de saúde pública que 
asseguram a pureza e limpeza dos abastecimentos de água e de alimentos. A vacina, 
composta de organismos mortos, 
*O uso de tetraciclina para prevenção é efetivo em indivíduos com contados próximos 
aos doentes, mas não pode impedir a disseminação de grandes surtos epidêmicos. A 
detecção imediata de portadores é importante na limitação da epidemia. 
 
 
 
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Vibrio parahaemolyticus 
 
V.parahaemolyticus é um organismo marinho transmitido por frutos do mar 
contaminados. É uma das causa principal de diarreia no Japão, onde peixe cru é ingerido 
em grandes quantidades, mas é um patógeno infrequente nos EUA, embora várias 
epidemias tenham ocorrido em navios no Caribe. Pouco se sabe a respeito de sua 
patogênese, exceto que uma enterotoxina semelhante ao colerágeno é secretada e uma 
invasão limitada às vezes ocorre. 
O quadro clínico causado por V. parahaemolyticus varia de uma diarreia branda a uma 
diarreia aquosa grave, com náuseas e vômitos, contrações abdominais e febre. A doença 
é limitada, durando cerca de três dias. O V. parahaemolyticus distingue-se do V. 
cholerae principalmente com base no crescimento em NaCl (como é esperado de um ser 
marinho), enquanto que V. cholerae não cresce nesta concentração de NaCl. Nenhum 
tratamento específico é indicado, pois a doença é relativamente branda e limitada. A 
doença pode ser prevenida por refrigeração e aquecimento apropriados dos frutos do 
mar. 
 
19. CAMPYLOBACTER 
 
O Campylobacter é uma causa frequente de enterocolites, especialmente em 
crianças e uma causa rara de infeção sistêmica, particularmente bacteremia. 
 
Propriedades Importantes 
Os campylobacter são bastonetes Gram negativos curvos que têm forma de 
vírgula ou de S. São micoraerófilos, que crescem melhor em uma atmosfera de 5% de 
oxigênio ao invés de 20%. O Campylobacter jejuni cresce bem a 42o C, enquanto o 
Campylobacter pylobacte intestinalis* não cresce nesta temperatura – uma observação 
útil no diagnóstico microbiológico. 
 
 
 
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Patogênese e Epidemiologia 
Animais domésticos, tipo cabras, galinhas e cachorros servem como 
reservatórios dos organismos para o homem. A transmissão é normalmente fecal-oral. 
O C. jejuni é a principal causa de diarreia nos EUA; foi recuperado de 4,6% dos 
pacientes com diarreia, comparado a uma recuperação de 2,3% e 1% de Salmonella e 
Shigella, respectivamente. 
A patogênese da enterocolite e das doenças sistêmicas ainda não está clara. A 
diarreia aquosa provocada pelo organismo sugere uma síndrome mediada por 
enterotoxinas. Uma enterotoxina que atua da mesma forma da toxina da cólera é 
produzida por algumas linhagens. A invasão do organismo ocorre frequentemente 
acompanhada de sangue nas fezes. As infecções sistêmicas, por exemplo, bacteremia, 
ocorrem mais frequentemente em recém-nascidos ou em adultos debilitados. 
 
*Também conhecido como Campylobacter fetus, subespécie fetus. 
 
Casos Clínicos 
A enterocolite, causada primariamente por C.jejuni, começa com uma diarreia 
aquosa, com um odor desagradável, seguida pela presença de sangue nas fezes 
acompanhada de febre e de fortes dores abdominais. As infecções sistêmicas, mais 
comumente a bacteremia, são causadas por C.intestinalis. Os sintomas de bacteremia, 
febre e mal-estar não estão associados a nenhum sintoma físico característico. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Se o paciente está com diarreia, uma amostra de fezes é cultivada em meio ágar-
sangue, contendo antibióticos* que inibam a maior parte dos representantes da flora 
normal. A placa é incubada a 42o C em uma atmosfera microaerófila com 5% de 
oxigênio e 10% de dióxido de carbono, para favorecer o crescimento de C. jejuni. O 
organismo é identificado pela incapacidade de crescer a 25o C, ser oxidade-positivo e 
pela sensibilidade ao ácido nalidíxico. Se existir suspeita de bacteremia, uma cultura de 
 
 
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sangue incubada em condições padrão de temperatura e atmosfera revelará o 
crescimento de bastonetes Gram negativos móveis, com a forma características de “S”. 
A identificação do organismo como C. intestinalis é confirmada pela incapacidade de 
crescer a 42o C, pelo crescimento a 25o C e por resistência ao ácido nalidíxico. 
 
Tratamento 
A eritromicina ou o ciprofloxacin é utilizado com sucesso nas enterocolites 
causadas por C. jejuni. O tratamento preferencial para as bacteremias causadas por C. 
jejuni é o aminoglicosídeo. 
 
 
20. HELICOBACTER 
 
 
O Helicobacter pylori causa gastrite e úlceras pépticas. Infecção por H. pylori é 
um fator de risco para indivíduos com carcinoma gástrico. 
 
Propriedades Importantes 
Os Helicobacter são muito semelhantes aos campilobacter, mas possuem 
determinadas diferenças bioquímicas e características flagelares, suficientemente 
específicas para classifica-los em um gênero separado. Particularmente, os Helicobacter 
são urease positivos, enquanto os Campilobacter são urease-negativos. 
 
Patogênese e Epidemiologia 
O H. pylori se acopla ás células secretoras de muco da mucosa gástrica. A 
produção de uma grande quantidade de amônia a partir de ureia, por este tipo de 
organismos, combinada a uma resposta inflamatória, provoca danificação da mucosa. A 
amônia formada também neutraliza os ácidos do estômago, permitindo a sobrevivência 
 
 
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do organismo. Epidemiologicamente, a maioria dos pacientes com estas sintomatologias 
é detectada a presença de H. pylori nas biópsias de amostras do epitélio gástrico. 
 
* Por exemplo, o meio de Skirrow contém vancomicina, trimetoprim,cefalotina, 
polimixina e anfotericina B. 
O habitat natural de H. pylori é o estômago humano e o organismo é provavelmente 
adquirido por ingestão. Entretanto, não foram ainda isolados das fezes, água, alimentos 
ou animais. A transmissão de um indivíduo a outro provavelmente ocorre, pois existe 
uma incidência de infecção familiar. 
 
Casos Clínicos 
A gastrite e as úlceras pépticas são caracterizadas por dores abdominais 
recorrentes, frequentemente acompanhadas por sangramentos do trato gastrointestinal. 
Não ocorre bacteremia ou disseminação da doença. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
O organismo pode ser observado em esfregaços de amostras de biópsia da 
mucosa gástrica corado com Gram. Pode ser cultivado no mesmo meio de cultura 
utilizado para Campilobacter. Ao contrário do C. jejuni, é urease-positivo. A presença 
de IgG também pode ser usada como evidência da infecção. O teste urease breath, o 
qual a ureia marcada radioativamente é ingerida, também pode ser útil par ao 
diagnóstico. Se o organismo estiver presente, CO2 marcado é produzido e a 
radioatividade é detectada na respiração. 
Tratamento e Prevenção 
O tratamento das úlceras duodenais com antibióticos, por exemplo amoxilina e 
matronidfazol e sai de bismuto (Pepto-Bismol) proporciona uma grande diminuição da 
taxa de recorrência. A tetraciclina pode ser utilizada no lugar da amoxilina. Não existe 
vacina ou outras medidas preventivas específicas. 
 
 
 
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21. GRUPO KLEBSIELLA, ENTEROBACTER E SERRATIA 
Estes organismos são normalmente patógenos oportunistas que causa infecções 
nosocomiais, especialmente pneumonia e infecções do trato urinário. A Klebsiella 
pneumoniae é um importante patógeno do trato respiratório também fora dos hospitais. 
 
Propriedades Importantes 
K. pneumoniae, Enterobacter cloacae e Serratia marcescens são as espécies 
mais frequentes envolvidas nas infecções humanas. São normalmente encontradas no 
intestino grosso, mas também estão presentes no solo e na água. Estes organismos 
possuem características muito semelhantes e são normalmente distinguidos com base 
nos testes bioquímicos e motilidade. K. pneumoniae tem um cápsula muito grande, 
conferindo às colônias uma aparência mucoide brilhante. S. marcescens produz colônias 
com pigmentos vermelhos. 
 
Patogênese e Epidemiologia 
Dos três organismos a K. pneumoniae é mais provável de ser um patógeno 
primário não-oportunista; esta propriedade está relacionada com sua cápsula 
antifagocítica. Apesar de este organismo ser um patógeno primário, pacientes com 
infecções causadas por K. pneumoniae apresentam, frequentemente, algumas 
predisposições para contrair a doença, como idade avançada, doenças respiratórias 
crônicas, diabete ou alcoolismo. O organismo se localiza no trato respiratório de certa 
de 10% dos indivíduos normais que são candidatos a contrair uma pneumonia se as 
defesas naturais forem diminuídas. 
As infecções causadas por Enterobacter e por Serratia estão claramente 
associadas com hospitalização, especialmente com procedimentos invasivos como 
cateterização intravenosa, intubação respiratória e manipulação do trato urinário. Além 
disso, epidemias de pneumonia causada por Serratia têm sido associadas com 
contaminação da água em aparelhos utilizados para terapia respiratória. Antes do uso 
 
 
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extensivo destes procedimentos, a S. marcescens era um organismo inofensivo isolado 
mais frequentemente de fontes ambientais como a água. 
Com muitos outros bastonetes Gram negativos, a patogênese do choque séptico causada 
por estes organismos está relacionada às endotoxinas da parede celular. 
 
Casos Clínicos 
As infecções do trato urinário e a pneumonia é o quadro clínico associado com 
estas três bactérias, mas a bacteremiae a disseminação para outras áreas, como as 
meninges, também ocorrem. As infecções causadas por estes organismos são de difícil 
distinção em termos clínicos, com exceção da pneumonia causada por Klebsiella que 
produz um catarro grosso e sanguinolento (catarro tipo geleia de amora) e pode 
progredir para uma necrose e formação de abscesso. 
Existem duas outras espécies de Klebsiella que causam infecções humanas não 
usuais, raramente encontradas nos EUA. A Klebsiella ozaenae está associada com a 
rinite atrófica e a Klebisiella rhinoscleromatis causa um granuloma destrutivo no nariz e 
na faringe. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Os organismos deste grupo produzem colônias coloridas, fermentadoras de 
lactose em meios diferenciais como ágar-Mac Conkey ou ágar-EMB, apesar da 
Serratia, que é um fermentador tardio de lactose, poder dar uma reação negativa. Estes 
organismos são classificados separadamente por testes bioquímicos. 
 
Tratamento 
Devido à resistência aos antibióticos por estes organismos variar grandemente, a 
escolha da droga depende dos resultados dos antibiogramas. Organismos isolados de 
infecções hospitalares são frequentemente resistentes a múltiplos antibióticos. Um 
aminoglicosídeo, por exemplo, gentamicina, e uma cefalosporina, por exemplo, 
 
 
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cefotaxime, são empiricamente utilizados até se ter conhecimento do resultado do 
antibiograma. 
 
Prevenção 
Algumas infecções hospitalares causadas por bastonetes Gram negativos podem 
ser prevenidas por medidas genéricas como mudança da região do cateter intravenoso, 
remoção das sondas urinárias quando não são mais necessárias e cuidado adequado com 
os aparelhos de terapia respiratória. 
 
 
22. GRUPO PROTEUS, PROVIDENCIA E MOGANELLA 
 
 
Doenças 
 Estes organismos causam, fundamentalmente, infecções do trato urinário e não 
hospitalares. 
 
Propriedades Importantes 
 Estes bastonetes Gram negativos são distinguidos dos representantes da família 
Enterobacteriaceae pela sua capacidade de produzir a enzima fenil-alamina-deaminase. 
Além disso, eles produzem uma urease que quebra a ureia formando NH2 e CO2. 
Determinadas espécies são bastante móveis e produzem um aglomerado peculiar em 
placas de ágar-sangue, caracterizado pelo movimento ondulatório dos organismos sobre 
a superfície do ágar. 
Os antígenos O da parede celular de determinadas espécies de Proteus, como 
OX-2, OX-19 E OX-K, apresentam reação cruzada com antígenos de várias espécies de 
riquétsias. Estes antígenos de Proteus podem ser utilizados em laboratório para detecção 
da presença de anticorpos contra determinadas riquétsias nos soro de pacientes. Este 
teste, denominado reação de Well-Felix, é atualmente menos utilizado devido ao 
progresso de procedimentos mais específicos. 
 
 
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No passado, existiam quatro espécies de Proteus de importância média. Entretanto, 
estudos moleculares do DNA demonstraram que duas destas quatro espécies eram 
significativamente diferentes. Estas espécies eram denominadas Proteus morganil, 
atualmente, Morganella morganii e Proteus rettgeri atualmente, Porvidencia rettgeri. 
Nos laboratórios de análises clínicas, estes organismos são distinguidos de Proteus 
vulgaris e de Proteus mirabilis com base nos testes bioquímicos. 
 
Patogêneses e Epidemiologia 
 Os organismos estão presentes no cólon humano, no solo e na água. Sua 
tendência em causar infecções urinárias é provavelmente devido a sua presença no 
cólon e colonização da uretra, especialmente em mulheres. A vigorosa motilidade de 
Proteus talvez contribua com a sua capacidade de invadir o trato urinário. 
A produção da enzima uréase é um fator importante na patogênese das infecções do 
trato urinário causadas por este grupo de organismos. A uréase hidrolisa a uréia na urina 
e forma amônia, que aumenta o pH e provoca a formação de “pedras” (cálculos), 
composto por hidróxido de amônia e magnésio. Devido à urina alcalina favorecer o 
crescimento de organismos e danos renais mais extensivos, o tratamento envolve a 
manutenção do pH baixo da urina. 
 
Casos Clínicos 
 Os sinais e sintomas das infecções do trato urinário causadas pro estes 
organismos não podem ser diferenciados daqueles causados por E. coli ou por outros 
representantes da família Enterobacteriaceae. As espécies de Proteus também podem 
causar pneumonia, infecções de ferimentos e septicemia. P. mirabilis é a espécie de 
Proteus que causa a maioria das infecções hospitalares e não hospitalares, mas a 
incidência de Providencia rettgeri está aumentando como um importante agente de 
infecções nosocomiais. 
 
 
Diagnóstico Laboratorial 
 
 
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 Estes organismos normalmente são bastante móveis e produzem 
hipercrescimento “aglomerado” em água-sangue, dificultado o isolamento de culturas 
puras dos outros organismos. O crescimento em ágar-sangue contendo álcoois fenil-etil 
inibe a formação do aglomerado, permitido a obtenção de colônias isoladas de Proteus e 
dos outros organismos. Eles formam colônias incolores não fermentadoras de lactose 
me meios ágar-Mac Conkey e ágar-EMB, P. vulgaris e P. mirabilis são indol-negativo, 
enquanto as outras três espécies são indol-positivas, uma diferenciação que pode ser 
utilizada clinicamente para auxiliar a escolha do antibiótico. Estas quatro espécies de 
importância médica são uréase-positivas. A identificação destes organismos nos 
laboratórios de análises clínicas baseia-se numa variedade de testes bioquímicos. 
 
Tratamento 
 A maioria das linhagens é sensível aos aminoglicosídeos e a trimetoprim-
sulfametoxazol, mas devido a variações em isolados individuais, um antibiograma deve 
ser realizado. P. mirabilis é a espécie mais frequentemente sensível à ampicilina. As 
espécies indol-positivas (P.bulgaris, M. morganii e P. rettgeri) são mais resistentes aos 
antibióticos do que P. mirabilis, que é indol-negativo. O tratamento preferencial para as 
espécies indol-positivas é uma cefalosporina, por exemplo, cefotaxime. Providencia 
rettgeri é frequentemente resistente a múltiplos antibióticos. 
Prevenção 
 Não existem medidas preventivas específicas, mas muitas infecções urinárias 
hospitalares podem ser prevenidas pela remoção dos cateteres urinários. 
 
 
23. PSEUDOMONAS 
 
 
Doença 
 
 
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 Pseudomonas aeruginosa causa infeções (septicemia, pneumonia e infecção do 
trato urinário) fundamentalmente em pacientes com as defesas naturais diminuídas. 
Pseudomnas cepacia (renomeada Burkholderia cepacia) e Peseudomonas maltophilia 
também causam estas infecções, mas muito menos frequentes. 
 
Propriedades Importantes 
 As pseudômonas são bastonetes gram negativos que se assemelham aos 
representantes da família Enterobacteriaceae, mas diferem por serem aeróbios estritos; 
isto é, sua energia é derivada apenas pela oxidação de açucares, ao invés de por 
fermentação. Pelo fato de não fermentarem glicose, são denominadas 
“não fermentadoras”, ao contrário das Enterobacteriaceae, que fermentam glicose. A 
oxidação envolve o transporte de elétrons pelo citocromo c; isto é elas são oxidase-
positivas. 
As Pseudomonas são capazes de crescer em água contendo apenas traços de 
nutrientes, por exemplo, água da torneira e isto favorece sua persistência em ambientes 
hospitalares. P. aeruginosa e P. cepacia possuemuma acentuada capacidade de resistir 
a desinfetantes; isto é, consequência, em parte, pela incidência em infecções 
hospitalares. Têm sido encontradas crescendo em soluções saponáceas contendo 
hexaclorofeno, em anti-septicos e em detergentes. 
P. aeruginosa produz dois pigmentos úteis para o diagnóstico laboratorial: (1) a 
piocianina, que cora o pus de um ferimento de azul; e (2) a pioverdina (fluoresceína), 
um pigmento verde-amarelado que fluoresce sob luz ultravioleta, característica utilizada 
para detecção imediata de infeção cutânea em pacientes que sofreram queimaduras. Nos 
laboratórios, estes pigmentos se difundem no ágar, provocando uma coloração verde 
azulada, útil para a identificação do organismo, P. aeruginosa é a única espécie de 
Pseudomonas que sintetiza a piocianina. 
As linhagens de P. aeruginosa isoladas de pacientes com fibrose cística têm uma 
camada gelatinosa proeminente (o glicocálice), conferindo uma aparência mucoide às 
colônias. A camada gelatinosa medeia à aderência do organismo às membranas mucosas 
do trato respiratório e impede a ligação dos anticorpos no organismo. 
 
 
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Patogênese e Epidemiologia 
 P. aeruginosa é encontrada principalmente no solo e na água, apesar de 10% das 
pessoas as terem na flora normal do cólon. É encontrada nas regiões úmidas da pele e 
podem colonizar o trato respiratório superior de pacientes hospitalizados. A capacidade 
de crescer em soluções aquosas simples tem resultado na contaminação de 
equipamentos de terapia respiratória e de anestesia, líquidos intravenosos e até água 
destilada. 
 P. aeruginosa é, fundamentalmente, um patógeno oportunista que causa 
infecções em pacientes hospitalizados, por exemplo, naqueles com queimaduras 
extensivas, quando as defesas da pele são destruídas, nos portadores de doenças 
respiratórias crônicas (por exemplo, fibrose cística); nos imunodreprimidos; naqueles 
com sondas internas. Causa 10 a 20% das infecções hospitalares. 
Ambas as endotoxinas e uma exotoxina têm um importante papel na patogênese. 
P.aeruginosa produz exotoxina A, que inibe a síntese de proteína em eucariotos pelo 
mesmo mecanismo da exotoxina diftérica, a ADP-ribosilação do fator 2 de elongação. 
Os dois pigmentos, a piocianina e a fluoresceína, não são tóxicos. 
 
Casos Clinicos 
 P. aeruginosa pode causar infeções em qualquer parte do corpo, mas as 
infecções do trato urinário, pneumonia e infeções de ferimentos (especialmente 
queimaduras), predominam. Do sítio de infecção, o organismo pode penetrar na corrente 
sanguínea, causando septicemia. Pacientes com septicemia causada por P. aeruginosa 
têm uma taxa de mortalidade acima de 50%. Uma otite externa severa e outras lesões 
cutâneas ocorrem em usuários de piscinas onde a cloração da água é inadequada. P. 
aeruginosa é a causa mais comum da osteocondrite dos pés em indivíduos com 
ferimentos de perfurações através da sola dos tênis. Infecções da córnea causadas por P. 
aeruginosa são frequentes em usuários de lentes de contato. 
*Piocina é um tipo de bacteriocina produzida por P. aeruginosa. Linhagens diferentes produzem várias piocinas, que servem para 
diferenciar os organismos. 
 
 
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Diagnóstico Laboratorial 
P. aeruginosa forma colônias incolores não fermentadoras de lactose em meios 
ágar-Mac Conkey ou águar-EMB. É oxidase-positiva. Um típico metálico brilhante do 
crescimento de ágar-TSI, em combinação com o pigmento verde azulado produzido nos 
meios sólidos comuns e o aroma de fruta, é suficiente para se fazer um prognóstico. O 
diagnóstico é confirmado por testes bioquímicos. A identificação com fins 
epidemiológicos é realizada pela tipagem por bacteriófagos ou pela piocina. 
 
 
Tratamento 
Devido à P. aeruginosa ser resistente a muitos antibióticos, o tratamento deve 
ser monitorado frequentemente por antibiograma de cada isolado; linhagens resistentes 
podem aparecer durante a terapia. O tratamento preferencial é uma penicilina de amplo 
espectro, por exemplo, ticarcilina ou piperacilina, em combinação com um 
aminoglicosídeo, por exemplo, gentamicina ou amicacina. 
 
24. ACINETOBACTER 
 
As espécies de Acinetobacter são bastonetes cocobacilares Gram negativos 
comumente encontrados no solo e na água, mas podem fazer parte da flora normal. São 
patógenos oportunistas que colonizam pacientes com defesas comprometidas. 
Acinetobacter calcoaceticus, a espécie normalmente associada com as infecções 
humanas, causam doenças principalmente em aparelhos hospitalares associados com 
equipamentos de terapia respiratória e cateteres. Septicemia, pneumonia e infecções do 
trato urinário são as manifestações mais freuentes. 
 
25. BACTEROIDES 
 
 
 
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 Os Bacteroides é a causa mais comum das infecções severas por anaeróbios, por 
exemplo, septicemia, peritonite e abscessos. O Bacteroides fragilis é o patógeno mais 
frequente. 
 
Propriedades importantes 
 Os Bacteroides são bastonetes Gram negativos anaeróbios, não formadores de 
esporos. Das 22 espécies de Bacteróides, três são patógenos humanos. B.fragilis*, 
Bacteroides melaninogenicus** e Bacteroides corrodens. 
Os representantes do grupo B.fragilis são os organismos predominantes no cólon 
humano, chegando a aproximadamente 1011/g de fezes e são encontrados na vagina de 
aproximadamente 60% das mulheres. B. melaninogenicus e B.corrodens ocorrem 
fundamentalmente na cavidade oral 
 
Patogênese e Epidemiologia 
 Devido às espécies de Bacteroides fazerem parte da flora normal, as infecções 
são endógenas, normalmente a partir de rachaduras ou lesões na superfície da mucosa e 
não são disseminadas. Estes organismos causam uma variedade de infeções, como 
abscessos locais na região de uma abertura da mucosa, abscessos metastáticos por 
disseminação hematogência para órgãos distantes ou abscessos pulmonares por 
aspiração da flora oral. 
 Os fatores que predispõem como cirurgias, traumatismos e doenças crônicas, 
têm uma importante função na patogênese. A necrose local dos tecidos, um suprimento 
inadequado de sangue e o crescimento de anaeróbios facultativos contribuem com as 
infecções por anaeróbios. Os anaeróbios facultativos, como E. coli, utilizam oxigênio, 
reduzindo o suprimento normal a um nível que permite o crescimento das linhagens 
anaeróbias do Bacteroides, consequentemente, muitas infecções por anaeróbios contém 
uma flora mista de facultativos e anaeróbios. Este fato tem implicações importantes para 
a terapia; ambos, os anaeróbios facultativos e os anaeróbios estritos, devem ser tratados. 
 
 
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* B. fragilis é dividido em cinco subespécies, a subespécie mais importante é o 
B.fragilis subespécie fragilis. As outras quatro subespécies são B. fragilis, subespécie 
distasonis, ovatus, thetaiotaomicron e vulgatus. Assim é comum se referir ao grupo 
como B. fragilis. 
** Bacteroides melaninogenicus foi recentemente renomeado Prevotella 
melaninogenica, porém o nome original continua em uso. 
Casos Clínicos 
O grupo B. fragilis está mais frequentemente associado a infecções intra-
abdominais, peritonites ou abcessos localizados. Abscessos pélvicos e bacteremia 
também ocorrem. Abscessos orais, de faringe e pulmonares são mais comumente 
causados por B. melaninogenicus, um, representante da flora normal oral, mas B. 
fragilis é encontrado em 25%dos abscessos pulmonares. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
As espécies de Bacteroides podem ser isoladas anaerobiamente em placas de 
meio ágar-sague contendo canamicina e vancomicina para inibir os organismos 
indesejáveis. Eles são identificados por testes bioquímicos (por exemplo, fermentação 
de açucares) e pela produção de determinados ácidos orgânicos (ácido fórmico, acético 
e propiônico), detectados por cromatografia gasosa. B. melaninogenicus produz colônias 
pretas características. 
 
Tratamento 
Os representantes do grupo B. fragilis são resistentes às penicilinas, às 
cefalosporinas de primeira geração e aos aminoglicosídeos colocando-os entre as 
bactérias anaeróbias mais resistentes a antibióticos. A resistência à penicilina é 
consequência da produção de B-lactamase. O metronidazol é a droga preferencial, com 
a cefoxitina, a clidamicina e o cloranfenicol como alternativas. Os aminoglicosídeos são 
frequentemente combinados para o tratamento de bastonetes gram negativos 
facultativos em infecções mistas. B.malaninogenicus, ao contrário, é altamente 
 
 
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suscetível à penicilina G, que é a droga preferencial. Drenagem cirúrgica de abscessos 
normalmente acompanha a terapia com antibióticos, mas abscessos pulmonares 
frequentemente regridem sem drenagem. 
 
 
 
Prevenção 
 A prevenção das infecções por Bacteroides é centrada na administração 
perioperativa de uma cefalosporina, frequentemente cefoxitina, para cirurgias pélvicas 
ou abdominais. Não existe vacina. 
 
26. MICOSES SISTÊMICAS 
 
Essas infecções resultam da inalação de esporos de fungos filamentosos quando 
estão no solo. Dentro dos pulmões, os esporos se diferenciam em leveduras ou outras 
formas especializadas. A maioria das infecções pulmonares é assintomática e 
autolimitadas. No entanto, algumas pessoas desenvolvem doença disseminada, na qual 
os organismos crescem em outros órgãos causando lesões destrutivas que podem levar a 
morte. Pessoas infectadas não transmitem este tipo de doença a outros. 
 
HISTOPLASMA 
 
Doença 
O Histoplasma capsulatum causa a histoplasmose. 
Propriedades 
O H. capsulatum é um fungo dimórfico que existe como fungo filamentoso no 
solo e como leveduras nos tecidos. Ele forma dois tipos de esporos assexuais: 
 
 
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macronidios tuberculados, com paredes espessas típicas e projeções tipo dedos que são 
importantes na identificação laboratorial, e micronidios, que são menores, mais 
delgados, apresentando esporos com paredes delicadas e que, se inalados, transmitem a 
infecção. 
 
Transmissão e Epidemiologia 
Este fungo ocorre em muitas partes do mundo. Nos EUA ele é endêmico nos 
estados centrais e do leste, especialmente nos vales dos rios Ohio e Mississipi. Ele 
cresce no solo, particularmente se o solo está contaminado com fezes de pássaros, 
especialmente de estorninho. 
Patogênese e Casos Clínicos 
Os esporos inalados são engolfados por macrófagos e evoluem para a forma de 
levedura. Em tecidos, o H. capsulatum ocorre como uma levedura oval em brotamento, 
dentro dos macrófagos. Os organismos se espalham amplamente por todo o corpo, mas 
a maioria das infecções permanece assintomática devido aos pequenos focos 
granulomatosos, cicatrizados por calcificação. Com exposição intensa (por exemplo, em 
galinheiro ou cavernas infestadas por morcegos), pneumonia pode se manifestar 
clinicamente. Histoplasmose disseminada severa se desenvolve em uma pequena 
minoria de pessoas infectadas, especialmente em crianças e indivíduos com imunidade 
celular reduzida, como é o caso de pacientes com AIDS. 
Diagnóstico laboratorial 
Em tecidos de biopsia ou aspirados de medula óssea, células leveduriformes 
ovais dentro de macrófagos são visualizadas microscopicamente. Cultivos em Agar 
Dabouraud mostram hifas com macronidios tuberculados. Testes que detectam 
antígenos de Histoplasma por radioimunoensaio e RNA de Histoplasma com sondas de 
DNA também são úteis. 
 
 
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Dois testes sorológicos são úteis para o diagnostico: a fixação do complemento 
(FC) e a imunodifusão (ID). Um titulo de anticorpos de 1:32 no teste de FC, usando-se 
antígenos da fase de levedura, é considerado como diagnostico positivo no entanto, 
ocorrem reações cruzadas como outros fungos, especialmente Blastomyces. Os títulos 
de FC diminuem quando a doença torna-se inativa e aumentam na doença disseminada. 
O teste de ID detecta anticorpos precipitantes (precipitinas) pela formação de duas 
bandas, M e H, na técnica do gel de agarose. O teste de ID é mais especifico, mas 
menos sensível do que o de FC. 
Um teste cutâneo usando histoplasmina (um extrato de micélio) torna-se 
positivo, ou seja, mostra uma duração de no mínimo 5 mm dentro de duas a três 
semanas após a infecção e permanece positivo por muitos anos. No entanto, por haver 
muitas reações false-positivas (devido à reatividade cruzada) e muito falso negativo (em 
doenças disseminadas), o teste intradérmico não é útil para o diagnostico. Além disso, o 
teste cutâneo pode estimular uma resposta por anticorpos e confundir os testes 
sorológicos. O teste intradérmico é útil para estudos epidemiológicos e ate 90% dos 
indivíduos são positivas em áreas endêmicas. 
Tratamento e prevenção 
Não é necessária terapia em infecções assintomáticas ou moderadas. Com lesões 
pulmonares progressivas, cetonidazol oral é benéfico. Em doença disseminada, 
anfotericina B é o tratamento de escolha. O itraconazol oral é utilizado para tratar 
doença pulmonar ou disseminada, assim como para supressão crônica em pacientes com 
AIDS. Não há meios de prevenção exceto evitando-se a exposição em áreas endêmicas. 
 
 
PARACOCCIDIOIDES 
 
Doença 
Paraccidioides brasiliensis causa paracoccidiomicose 
 
 
 
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Propriedades 
P. brasiliensis é um fungo dimórfico que existe como fungo filamentoso no solo 
e como levedura no tecido. A levedura é de parede espessa com múltiplos brotamentos, 
em contraste com B. dermatidis, que possui um único brotamento. 
 
Transmissão e Epidemiologia 
Este fungo cresce no solo, sendo endêmico nas regiões rurais da América Latina. 
A doença ocorre somente nestas regiões. 
 
Patogênese e Casos Clínicos 
Os esporos são inalados e ocorrem lesões iniciais nos pulmões. A infecção 
assintomática é comum. Podem ocorrer, alternativamente, lesões da mucosa oral, 
hipertrofia dos nódulos linfáticos e, ocasionalmente, disseminação para vários órgãos. 
 
Diagnostico Laboratorial 
No pus ou em tecidos, células leveduriformes com múltiplos brotamentos podem 
ser vistos microscopicamente. Em uma amostra cultivada por duas a quatro semanas 
pode haver o crescimento de organismos típicos. Testes cutâneos são raramente úteis. A 
sorologia mostra que quando títulos de anticorpos significativos (por imunodifusão ou 
fixação do complemento) são encontrados, a doença ativa está presente. 
 
Tratamento e Prevenção 
A droga de escolha é o itraconazol, administrado por via oral por vários meses. 
Não há maneiras de prevenção. 
 
 
27. MICOSES OPORTUNISTAS 
 
 
 
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 Fungos oportunistas não induzem doença na maioria das pessoas normais, mas 
podem fazê-lo naqueles com defesa comprometida.CANDIDA 
 
Doença 
Candida albicans, a espécie mais importante da cândida, causa estomatite, 
vaginite e candidíase mucocutânea crônica, assim como outras doenças. 
 
Propriedades 
C. albicans é uma levedura oval com brotamento único. Ela é parte da flora 
normal das mucosas do trato respiratório superior, gastrintestinal e genital feminino. Em 
tecidos pode aparecer como levedura em brotamento ou como brotamentos alongados, 
“as pseudohifas”. Reações de fermentação de carboidratos a diferenciam de outras 
espécies, por exemplo, Candida tropicalis, Candida parapsilosis, Candida krusei e 
Torulopsis glabrata. 
 
Transmissão 
Como um membro da flora normal, ela não é transmitida. Mas as patogênicas 
são: contato sexual, água contaminada, etc. 
Patogênese e Casos Clínicos 
Quando as defesas locais ou sistêmicas do hospedeiro estão comprometidas, 
pode ocorrer a doença. O super crescimento de C. albicans na boca produz manchas 
brancas (estomatite). Vulvovaginites com coceira são favorecidas pelo pH alto, diabetes 
ou uso de antibiótico. A invasão cutânea ocorre em áreas úmidas e quentes, as quais se 
tornam vermelhas e exsudativas. Dedos e unhas são envolvidos quando repetidamente 
imersos em água, pessoas empregadas como lavadoras de pratos em restaurantes e 
instituições são comumente afetadas. Pode ocorrer espessamento ou perda da unha. Em 
 
 
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indivíduos imunossuprimidos, a cândida pode se disseminar para muitos órgãos ou 
causar candidiase mucocutanea crônica. O uso intravenoso abusivo de drogas e a 
hiperalimentação podem predispor o individuo à candidiase disseminada, especialmente 
endocardite do lado direito. C. albicans é a espécie mais comum que causa doença 
disseminada nesses pacientes, mas C. tropicalis e C. parapsilosis são também 
patógenos importantes. 
 
Diagnostico Laboratorial 
Em exsudatos ou tecidos, leveduras em brotamento e pseudohifas são vistas 
microscopicamente. Tais amostras desenvolvem leveduras típicas quando cultivadas. 
Tubos germinativos se formam quando o material é incubado em soro a 37ºC, os quais 
servem para distinguir C. albicans da maioria das outras espécies de cândida. Os testes 
sorológicos raramente são úteis. Os testes cutâneos com antígenos de cândida são 
uniformente positivos em adultos normais e são utilizados como um indicador de 
imunidade celular competente. 
 
Tratamento e Prevenção 
A droga de escolha para a estomatite orofaríngea ou esofágica é o fluconazol. O 
tratamento de infecções cutâneas consiste de drogas tópicas antifúngicas, por exemplo, 
clotrimazol ou nistatina. Candidíase mucocutânea pode ser controlada por cetoconazol. 
O tratamento de candidiase disseminada consiste de anfotericina B com ou sem 
flucitosina, ou de cetoconazol. O tratamento de infecções por Cândida com drogas 
antifúngicas deveria ser complementado pela redução dos fatores predisponentes. Certas 
infecções por Cândida, por exemplo, a estomatite, podem ser prevenidas por pastilhas 
orais de clotrimazol ou gargarejos com nistatina. Não existe vacina. 
 
CRYPTOCOCCUS 
 
Doença 
 
 
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Cryptococcus neoformans causa criptococose, especialmente a meningite 
criptocócica. 
 
Propriedades 
C. neoformans é uma levedura oval que se divide por brotamento, envolvida por 
uma cápsula espessa polissacaridica. Não é um fungo dimórfico. 
 
Transmissão 
Esta levedura ocorre amplamente na natureza e cresce abundantemente em solo 
contendo excrementos de pássaros (especialmente de pombas). Os pássaros não são 
infectados. A infecção em humanos resulta da inalação dos organismos. Não há 
transmissão pessoa a pessoa. 
 
Patogênese e Casos Clínicos 
A infecção pulmonar é frequentemente assintomática ou pode produzir 
pneumonia. A doença ocorre principalmente em pacientes com imunidade celular 
reduzida, especialmente em pacientes com AIDS, nos quais o organismo é disseminado 
até o sistema nervoso central (meningite) e outros órgãos. No entanto, aproximadamente 
metade dos pacientes com meningite criptocócica não mostram evidência de 
imunossupressão. 
 
Diagnostico Laboratorial 
No líquor misturado com tinta da Índia, a célula leveduriforme é vista 
microscopicamente rodeada por uma cápsula espessa não corada. O organismo pode ser 
cultivado a partir do líquor e de outras amostras clinicas. Testes sorológicos podem ser 
efetuados tanto para a detecção do antígeno como de anticorpos. No líquor infectado, o 
antígeno capsular ocorre em altos títulos. 
 
 
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Tratamento e prevenção 
O tratamento combinado com anfotericina B e flucitosina são utilizados em 
meningite ou outra doença disseminada. Não há maneiras especificas de prevenção. 
Fluconazol é usado em pacientes aidéticos para supressão da meningite criptocócica em 
longo prazo. 
 
ASPERGILLUS 
 
Doença 
Espécies de Aspergillus, especialmente Aspergillus fumigatus, causam 
aspergilose. 
 
Propriedades 
Espécies de Aspergillus existem somente como fungos filamentosos, eles não 
são dimórficos. Eles possuem hifas septadas que formam ramificações (dicotomizadas) 
em forma de V. As paredes são mais ou menos paralelas, em contraste com as paredes 
de Mucor e Rhizopus, os quais são irregulares. Os conídios de Aspergillus formam 
cadeias radiadas, ao contrario dos de Mucor e Rhizopus, os quais estão enclausurados 
dentro d um esporângio. 
Transmissão 
Esses fungos filamentosos estão amplamente distribuídos na natureza. Eles 
crescem na vegetação em deterioração, produzindo cadeias de conídios. A transmissão 
se dá por conídios carregados pelo ar. 
 
Patogênese e Casos Clínicos 
 
 
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Aspergilus fumigatus pode colonizar e posteriormente invadir pele esfolada, 
feridas, queimaduras, córnea, ouvido externo ou seios paranasais. Em pessoas 
imunodeprimidas, especialmente aquelas com neutropenia, ele pode invadir os pulmões 
e outros órgãos, produzindo hemoptise e granuloma. Aspergillus pode crescer em 
cavidades pulmonares (por exemplo, as produzidas por tubérculos) e produzir uma 
“bola fúngica”, a qual pode ser detectada por radiografia. A infecção dos brônquios por 
Aspergillus pode causar aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), caracterizada 
por sintoma asmático mediados por IgE e por expectoração de pedaços de brônquios 
contendo hifas. Também ocorre asma provocada pela inalação de conídios carregados 
pelo ar, especialmente em certos ambientes ocupacionais. O crescimento de Aspergillus 
flavus em cereais ou nozes produz aflatoxinas que podem ser carcinogênicas ou 
agudamente tóxicas. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Amostras de biopsia mostram hifas septadas ramificadas invadindo tecidos. Cultivos 
mostram colônias com conídios dispostos em cadeias radiadas características. No 
entanto, cultivos positivos não provam haver doença porque a colonização é comum. 
Em pessoas com aspsergilose invasiva, pode haver títulos altos do antígeno 
galactomanana no soro. Pacientes com ABPA tem altos níveis d IgE especifica contra 
antígenos de Aspergillus. Precipitinas IgG também estão presentes. 
 
Tratamento e Prevenção 
A aspergilose invasiva é tratada com anfotericina B, mas os resultados podem ser 
insatisfatórios. Uma bola fúngica crescendo nas cavidades pulmonares ou em outras 
cavidades, pode ser cirurgicamente removida. Pacientes com ABPA podem ser tratados 
com esteróidese agentes antifúngicos. Não há meios específicos de prevenção. 
 
 
 
 
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28. MICOBACTÉRIAS 
 
 
Mycobacterium tuberculosis 
 
Doença 
Tuberculose 
 
Características 
Bastonetes álcool-ácido resistentes aeróbios. Alto conteúdo de lipídios na parede 
celular. Os lipídios incluem o ácido micólico e a cera D. possuem crescimento muito 
lento. 
 
Habitat e transmissão 
Habitam os pulmões humanos. A transmissão ocorre através de gotículas 
produzidas pela tosse. 
Patogênese 
Granulomas e formação do caseum mediada pela imunidade celular. O fator 
Corda (micolato de trealose) correlaciona-se com a virulência. Não há endotoxinas ou 
exotoxinas. A imunossupressão aumenta o risco de reativação da doença. 
 
 
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Diagnostico laboratorial 
Bastonetes álcool-ácido resistentes visualizados pela coloração de Ziehl-Nielsen 
(ou Kinyoun). Colônias de crescimento lento (três a seis semanas) são observadas em 
meio de Lowenstein-Jensen. Os organismos produzem niacina e são catalase negativos. 
Não há testes sorológicos. O teste PPD epidérmico é positivo quando houver 
endurecimento cutâneo medindo 10 mm ou mais em 48 horas após a inoculação 
(hipersensibilidade tardia). Teste positivo indica exposição mas não necessariamente a 
presença da doença. 
Interpretação de Resultados de Baciloscopia 
Registro/Informe Número de BAAR 
( - ) Negativo Não foram encontrados BAAR em 100 
campos microscópicos 
Nº de BAAR encontrados 1 a 9 BAAR em 100 campos 
microscópicos 
(+) Positivo 10 a 99 BAAR em 100 campos 
microscópicos 
(++) Positivo 1 a 10 BAAR em 50 campos 
microscópicos 
(+++) Positivo Mais de 10 BAAR por campo em 20 
campos microscópicos 
 
Tratamento 
Terapia de longa duração (seis a nove meses) com três drogas, isoniazida, rifampina e 
pirazinamida. Uma quarta droga, etambutol, é usada em casos severos, como meningite, 
e onde existe alta probabilidade de organismos resistentes a isoniazida como no sudeste 
asiático, por exemplo. 
 
Prevenção 
A isoniazida é administrada por seis a nove meses para prevenir a reativação da 
tuberculose em indivíduos infectados. A vacina BCG contendo organismos atenuados 
pode prevenir ou limitar a extensão da doença, mas não evitar a infecção. A vacina é 
raramente utilizada nos EUA, mas é amplamente utilizada em partes da Europa e da 
Ásia. 
 
 
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Mycobacterium leprae 
 
Doença 
Hanseníase (Lepra) 
Características 
Bastonete aeróbio, álcool-ácido resistentes. Não podem ser cultivados in vitro. 
Possuem crescimento ótimo abaixo da temperatura corporal. 
 
Habitat e transmissão 
Habitam a pele e os nervos humanos. A transmissão ocorre por contato 
prolongado. Pacientes com a forma lepromatosa tendem a transmitir mais a doença do 
que pacientes com a forma tuberculoide da doença. 
 
Patogênese 
As lesões são geralmente situadas nas partes menos quentes do corpo, como pele 
e nervos periféricos. Na lepra tuberculóide, as lesões destrutivas são devido a resposta 
mediada por células ao organismo. Os danos aos dedos são devido a queimaduras e 
outros traumas, pois a lesão nervosa provoca perda de sensibilidade. Na lepra 
lepromatosa, a resposta mediada por células é perdida e grandes números do organismo 
são encontrados nas lesões e no sangue. Não são conhecidos fatores de virulência e 
toxinas. 
 
 
 
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Diagnostico laboratorial 
Bastonetes álcool-ácido resistentes são abundantes na lepra lepromatosa, mas 
poucos organismos são encontrados na forma tuberculoide. Cultura e testes sorológicos 
não são feitos. O teste de lepromina na pele é positivo na forma tuberculoide, mas não 
na forma lepromatosa. Coloração pelo método de ziehl neelsen. 
 
 
Interpretação de Resultados - Hanseniase 
Índice Bacilar = 0 Nenhum bacilo em 100 campos observados 
Índice Bacilar = 1 Presença de 1 a 10 bacilos em 100 campos observados 
Índice Bacilar = 2 Presença de 1 a 10 bacilos em 10 campos observados 
Índice Bacilar = 3 Presença de 1 a 10 bacilos em cada campo observado 
Índice Bacilar = 4 Presença de 10 a 100 bacilos em cada campo observado 
Índice Bacilar = 5 Presença de 100 a 1000 bacilos em cada campo observado 
Índice Bacilar = 6 Presença de mais de 1000 bacilos em cada campo observado 
 
Tratamento 
Dapsona e rifampina são utilizados para o tratamento da forma tuberculoide. 
Clofazamina é adicionada a estas para a forma lepromatosa ou se o organismo for 
resistente à dapsona. O tratamento deve ser feito por dois anos no mínimo. 
 
Prevenção 
Dapsona para contatos familiares próximos. Não há vacina disponível. 
 
 
29. MICOPLASMA 
 
 
 
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Mycoplasma pneumoniae 
Doença 
 Pneumonia “atípica” 
Características 
São os menores organismos de vida livre conhecidos. Não são visualizados em 
esfregaços corados pelo método de Gram, porque não possuem parede celular. São as 
únicas bactérias que possuem colesterol na membrana celular. Podem ser cultivados in 
vitro. 
Habitat e transmissão 
Habitam o trato respiratório humano. A transmissão ocorre através de gotículas 
respiratórias. 
Patogênese 
Não há produção de exotoxinas. Não há endotoxinas porque não possuem parede 
celular. Há produção de peróxido de hidrogênio e de enzimas citolíticas, as quais podem 
provocar lesões no trato respiratório. 
 
Diagnostico laboratorial 
A microscopia não tem utilidade no diagnostico. O organismo pode ser cultivado 
em meio bacteriológico especial, mas demora, no mínimo, 10 dias para crescer, o que 
torna esta técnica clinicamente inviável. O teste de aglutinação a frio positivo é uma 
evidencia sugestiva. Testes d fixação do complemento para anticorpos contra 
Mycoplasma pneumoniae são mais específicos. 
 
Tratamento 
Eritromicina 
 
Prevenção 
Não há vacina ou medicamento disponível. 
 
 
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30. ESPIROQUETAS 
 
 
Treponema pallidum 
 
Doença 
Sífilis 
 
Características 
Espiroquetas. Não são visualizados em esfregaços corados pelo método de 
Gram, tampouco podem ser cultivados in vitro. 
 
Habitat e Transmissão 
Habitam o trato genital humano. A transmissão ocorre através do contato sexual 
e através da placenta ao filho. 
 
Patogênese 
O organismo multiplica-se n local da inoculação e dissemina-se amplamente 
pela corrente sanguínea. Muitas das características da sífilis são devido ao envolvimento 
dos vasos sanguíneos. As lesões primarias e secundarias cicatrizam espontaneamente. 
 
 
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As lesões terciárias consistem de inflamações das gengivas, aortite ou do sistema 
nervoso central. Fatores d virulência e toxinas não são conhecidos. 
 
Diagnostico laboratorial 
Os organismos são visualizados por microscopia de campo escuro ou 
imunofluorescência. Os testes sorológicos são importantes: VDRL (ou RPR) é o teste 
sem a presença do treponema usado para triagem; o FTA-ABS é teste especificoem ambientes não 
usuais (lagos salino, piscinas térmicas, fundo de pântanos). 
 
 
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5. Vírus Não são celulares como os citados acima, são muito menores (20 a 300 nm; 
1nm=1/1000µm) e mais simples em estruturas que as bactérias, contêm somente 
um tipo de ácido nucléico circundante por um envelope protéico (DNA ou RNA), 
podem multiplicar-se somente dentro das células vivas, apresentam-se sob várias 
formas. 
 
 
 
Elementos Diferenciais Entre Células Procarióticas e Eucarióticas 
Elemento Células Procarióticas Células Eucarióticas 
Grupos pertencentes Bactérias, algas verde-azuis. Algas, fungos, protozoários, 
vegetais e animais. 
Tamanho da célula Tipicamente 0.2-2.0 µm Tipicamente 10-100 µm 
Núcleo Membrana nuclear e nucléolo 
ausente. 
Limitado por membrana nuclear e 
presença de nucléolo. 
Organelas envolvidas por 
membrana 
Ausente. Presentes: lisossomos, complexo 
de Golgi, retículo endoplasmático, 
mitocôndria e cloroplastos. 
Flagelo Consiste de 2 proteínas 
construídas em blocos. 
Complexo: consiste de múltiplos 
microtúbulos. 
Glicocálice Presente como uma cápsula ou 
camada limosa. 
Presente em algumas células que 
tem parede celular. 
Parede Celular Usualmente presente; 
quimicamente complexa (parede 
celular bacteriana típica inclui 
peptidioglicano). 
Quando presente quimicamente 
simples. 
Membrana citoplasmática Não contém carboidratos e 
esteróis. 
Presença de esteróis e 
carboidratos que servem como 
receptores. 
Ribossomos Distribuídos no citoplasma. (Retículo endoplasmático); 
 
 
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(mitocôndria e cloroplasto). 
Cromossomos (DNA) Cromossomo único, circular, sem 
histona. 
Um ou mais cromossomos, linear, 
com histona. 
Divisão Celular Fissão binária. Mitose. 
Reprodução sexual Transferência de DNA apenas por 
fragmentos. 
Envolve meiose. 
 
 
Áreas de Aplicação da Microbiologia 
 
Existem numerosos aspectos no estudo da Microbiologia, que são divididos em 
duas áreas principais: a microbiologia básica e a microbiologia aplicada. 
 
A microbiologia básica estuda a natureza fundamental e as propriedades dos 
microrganismos. Preocupa-se com assuntos relacionados aos seguintes temas: 
• Características morfológicas (forma e tamanho das células, composição química, 
etc.); 
• Características fisiológicas (necessidades nutricionais específicas e condições 
necessárias ao crescimento e reprodução); 
• Atividades bioquímicas (modo de obtenção de energia pelos microrganismos); 
• Características genéticas (hereditariedade e variabilidade das características); 
• Características ecológicas (ocorrência natural dos microrganismos no ambiente e 
sua relação com outros organismos); 
• Potencial de patogenicidade dos microrganismos e 
• Classificação (relação taxonômica entre os grupos do mundo microbiano). 
 
A microbiologia aplicada estuda-se como os microrganismos podem ser usados ou 
controlados para várias finalidades práticas. Os principais campos de aplicação da 
microbiologia incluem: medicina, alimentos e laticínios, agricultura, indústria e 
ambiente. 
 
 
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• Na área industrial, por exemplo, os microrganismos são utilizados na síntese de 
uma variedade de substâncias químicas, desde o ácido cítrico até antibióticos 
mais complexos e enzimas. Certos microrganismos são capazes de fermentar 
material orgânico animal e humano, produzindo gás metano que pode ser 
coletado e usado como combustível. 
• A biometalurgia explora as atividades químicas de bactérias para extrair 
minerais, como cobre e ferro de minérios de baixa qualidade. 
• A indústria do petróleo têm utilizado bactérias e seus produtos, como os 
exopolissacarídeos presentes externamente à célula bacteriana, para aumentar a 
extração do petróleo de rochas reservatório. 
• Na área ambiental, estuda-se a utilização de microrganismos que podem 
degradar poluentes específicos, como herbicidas e inseticidas. 
• A microbiologia dos alimentos está relacionada com as doenças que podem ser 
transmitidas pelos alimentos, como por exemplo, infecções causadas por 
salmonelas, intoxicações causadas por estafilococos e clostrídios. Relaciona-se 
também com aspectos positivos, com a utilização de microrganismos na 
produção de alimentos/bebidas (queijos, iogurtes, pães, cervejas, etc.). 
• A microbiologia médica trata dos microrganismos causadores de doenças 
humanas (patogênicos, além de estar relacionada com a prevenção e o controle 
das doenças). Juntamente com a engenharia genética, têm pesquisado a produção 
de enzimas bacterianas que dissolvam coágulos sanguíneos, vacinas humanas 
utilizando vírus de insetos e testes laboratoriais rápidos para diagnóstico de 
infecção viral, entre tantas outras aplicações possíveis nesta área. 
 
Geração Espontânea Versus Biogênese 
 
A descoberta dos microrganismos focalizou o interesse científico sobre a origem 
dos seres vivos. No que se refere às formas superiores de vida, Aristóteles (384-322 
a.C.) pensava que os animais podiam se originar, espontaneamente, do solo, de plantas e 
de outros animais diferentes, e sua influência ainda atingiu o século XVII. 
 
 
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O conceito de geração espontânea foi revivido, pela última vez, por Pouchet, que 
publicou em 1859, um relatório, provando sua ocorrência. Pouchet foi rebatido por 
Louis Pasteur (1822-1895). Este preparou um frasco com colo longo, estreito, em 
pescoço de cisne. As soluções nutritivas foram aquecidas no frasco e o ar não tratado e 
não filtrado - podia passar para dentro ou para fora. Os microrganismos, porém, 
depositavam-se no pescoço de cisne e não apareciam na solução. 
 
 
 
 
Idade de Ouro da Microbiologia 
 
➢ 1665 Hooke - Primeira observação das células. 
➢ 16773 Van Leeuwnhoek – Primeira observação dos organismos vivos. 
➢ 1735 Linnaeus – Nomenclatura para os microrganismos. 
➢ 1798 Jenner – Primeira vacina. 
➢ 1857 Louis Pasteur – Fermentação. 
➢ 1861 Louis Pasteur – Refutou a geração espontânea. 
➢ 1864 Louis Pasteur – Pasteurização. 
➢ 1867 Lister – Cirurgia asséptica. 
➢ 1876 Robert Koch – Teoria do germe da doença. 
➢ 1881 Robert Koch – Culturas puras. 
➢ 1882 Robert Koch – Mycobacterium tuberculosis 
➢ 1882 Hess – Ágar: Meio sólido. 
➢ 1884 Gram – Método de coloração bacteriana 
➢ 1928 Alexander Fleming – Penicilina. 
➢ 1934 Rebecca C. Lancefield – Antígenos dos estreptococos. 
➢ 1953 Watson e Crick – Estrutura do DNA. 
➢ 1997 Prusiner – Prions. 
 
 
 
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Comparação de Diferentes Tipos de Microscópios 
(fonte: Pelczar et al.,1996). 
 
Tipo de 
microscópio 
 
Ampliação 
máxima útil 
 
Observação do 
espécime 
Aplicações 
Campo claro 
 
1.000 – 2.000 Espécimes corados 
ou descorados; as 
bactérias, 
geralmente coradas, 
aparecem com a cor 
do corante. 
 
Características 
morfológicas 
grosseiras de 
bactérias, 
leveduras, bolores, 
algas e 
protozoários. 
Campo escuro 
 
1.000 – 2.000 Geralmente 
descorados; 
aparecem brilhantes 
ou iluminados 
sobre um campo 
escuro. 
 
Microrganismos 
que exibem 
algumas 
características 
morfológicas 
especiais quando 
vivos e em 
suspensão fluida; 
por exemplo, as 
espiroquetas. 
Fluorescênciamais 
usado para Treponema pallidum. 
 
Tratamento 
A penicilina é eficaz no tratamento dos estágios onde o T. pallidum é 
encontrado. 
 
Prevenção 
Penicilina benzatina é dada a contatos próximos. Não há vacina disponível. 
 
 
31. CLAMIDIAS 
 
 
Chlamydia trachomatis 
 
Doença 
Uretrite não gonocócica, cervicite, conjutivite inclusa. Linfogranuloma venéreo 
e tracoma. Também causam pneumonia em crianças. 
 
Características 
 
 
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São parasitos celulares obrigatórios. Não são visualizados em esfregaços corados 
pelo método de Gram. Apresentam-se extracelularmente como corpos elementares 
inativos e intracelularmente como corpos com divisão reticulada metabolicamente 
ativos. 
 
Habitat e transmissão 
Habitam o trato genital e os olhos humanos. A transmissão ocorre através de 
contato sexual e durante o parto. A transmissão em tracomas é principalmente por 
contato da mão ao olho. 
Patogênese 
Não há toxinas ou fatores de virulência conhecidos. 
 
Diagnostico laboratorial 
Inclusões citoplasmáticas são visualizadas em esfregaços com coloração de 
Giemsa ou com anticorpos fluorescentes. Inclusões citoplasmáticas contendo glicogênio 
são visualizadas com iodo. O organismo cresce em cultura d células e em ovos 
embrionados. 
 
Tratamento 
Tetraciclina ou eritromicina 
 
Prevenção 
Eritromicina é administrada à mãe infectada para prevenir a doença no neonato. 
Não há vacina disponível. 
 
 
32. ANTIBIOGRAMA 
 
 
 
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A realização e a interpretação do teste de sensibilidade aos antimicrobianos 
(TSA) é uma das principais e desafiadoras tarefas do laboratório de microbiologia, seja 
pelas limitações dos testes utilizados, como, por exemplo, as encontradas no teste de 
Kirby e Bauer e automação sejam pela detecção cada vez mais crescente de novos 
mecanismos de resistências. 
Os antimicrobianos testados e liberados pelo laboratório devem ser adequados 
para o tipo de hospital ou instituição. As orientações sobre os antimicrobianos mais 
adequados para cada grupo de microrganismo (aeróbios e fastigiosos), as 
recomendações detalhadas de como realizar a metodologia e a interpretação dos testes 
são publicadas e atualizadas periodicamente por organizações especializadas. A grande 
maioria dos laboratórios segue as recomendações padronizadas pelo CLSI (Clinical and 
Laboratory Standards Institue). 
 
METODO DA DIFUSÃO DO DISCO 
 
O teste de difusão do disco ou disco de difusão em ágar é a metodologia mais 
empregada pelos laboratórios de microbiologia e foi descrito por Kirby e Bauer. 
Discos especiais de papel filtro impregnados com concentração padronizada do 
antimicrobiano são colocados sobre uma placa de ágar Mueller-Hinton, previamente 
semeada com uma suspensão padronizada do microrganismo teste. Após incubação de 
18 a 24 horas, o halo de inibição é medido em milímetros e interpretado como sensível, 
intermediário ou resistente, de acordo com os critérios estabelecidos no documento 
CLSI (ou EUCAST). 
O método fornece um resultado qualitativo e é inversamente proporcional ao 
valor da CIM (concentração inibitória mínima) do antimicrobiano testado. 
Obs: 1) Com um auxilio de uma alça bacteriológica tocar na superfície de três a 
quatro colônias com a mesma morfologia e inocular em 3 a 4 mL de caldo de TSB ou 
caldo Mueller-Hinton. 
 2) Ajustar a turbidez até atingir a escala de 0,5 na escala de Mcfarland. A 
 
 
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inoculação nas placas de Mueller-Hinton não deve exceder 15 minutos após o ajuste do 
inóculo. Proceder à semeadura introduzindo um Swab estéril na suspensão padronizada 
e transferir o material absorvido pela Swab para a placa de Mueller-Hinton fazendo 
movimentos que possam atingir toda a superfície da placa. 
3) Deixar a placa tampada por 5 minutos para que o inóculo seja absorvido pelo 
meio de cultura e não exceder 15 minutos para adicionar os antibióticos. 
4) Incubar as placas invertidas durante 18 a 24 horas em 35 +/- 2º C. 
5) Realizar a leitura da sensibilidade ou resistência nos halos dos antibióticos 
testados e comparar o tamanho em milímetros com a tabela de cada antibiótico. 
 
 
Betalactamase de espectro estendido (ESBL) em Enterobactérias 
As betalactamase de espectro ampliado (estendido) são enzimas que inativam as 
penicilinas, as cefalosporinas de 1º a 4º gerações e os monobactâmicos. Apresentam 
sensibilidade in vitro às cefalosporinas e carbpenenens estáveis a betalactamase 
(ertapenem, meropenen e imipenem) KPC. 
METODO DA DILUIÇÃO 
É utilizado para determinar quantitativamente a menor concentração do 
antimicrobiano necessário para inibir o crescimento in vitro de um microrganismo. 
Para realização do teste, uma serie de tubos ou placas são preparados com caldo ou ágar 
contendo várias concentrações do antimicrobiano, normalmente em diluições 
sequenciais múltiplas de 2, e o valor é expresso em µg/mL (microgramas por mililitro). 
Após a diluição do antimicrobiano no caldo ou ágar, uma suspensão bacteriana 
padronizada é inoculada e os tubos ou placas são incubados. A leitura é feita pela 
observação da turbidez, ou não no meio e pela presença ou ausência de crescimento de 
colônias na superfície do ágar. 
A CIM (concentração inibitória mínima) obtida é muito importante, pois auxilia o 
clinico a definir melhor a dose terapêutica a ser administrada ao paciente, para atingir o 
sitio de infecção e inibir o microrganismo. 
 
 
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METODO DE QUANTIFICAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO 
CIM (ETEST) 
 
O Etest é um método quantitativo para avaliar a sensibilidade aos 
antimicrobianos. Consiste de uma fita de plástico inerte, transparente, medindo 5,5 mm 
de largura por 60 mm de comprimento. 
De um lado da fita está impressa uma escala da CIM em µg/mL, e de outro lado existe 
um gradiente exponencial do antimicrobiano seco e estabilizado. A concentração varia 
de 0.016 a 256 µg/mL ou de 0,002 a 32 µg/mL, dependendo do antimicrobiano 
distribuído ao longo da fita. 
Este método combina os princípios da difusão do disco e da diluição e pode ser 
utilizado para uma grande variedade de microrganismos, incluindo leveduras e 
anaeróbios. 
 
33. MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS 
 
Drogas bacteriostáticas: Inibem o crescimento sem destruir o microrganismo. 
Drogas bactericidas: Matam o microrganismo. 
 
Inibição da síntese da parede celular: 
 
• Penicilina (Ampicilina, amoxicilina,Carbanicilina,Ticarcilina, Piperacilina, 
Nafcilina e dicloxacilina), Cefalosporina, todos esses antibióticos possuem o anel β 
lactâmico. Imipenem, Azetreonam e Vancomicina- Inibem a transpeptidases, que são 
enzimas que catalisam a etapa da ligação cruzada final da síntese do peptidioglicano. 
Inibem a formação da parede celular. As bactérias morrem por lise (bactericida). 
 
Inibição da síntese de proteína: 
 
 
 
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• Cloranfenicol, Eritromicina, Clindamicina, Linezolida, Tetraciclina, e 
Aminoglicosídeos (Gentamicina, Tobramicina, Amicacina). Atua na subunidade 
ribossomal 50 S e 30 S. – São bactericida. 
Inibição da síntese do ácido nucléico: 
• Sulfonamidas, Trimetroprima, Quinolônicos (Norfloxacina, Ciprofloxacina, 
Ofloxacina) e Rifampicina. 
Alteração da funçãoda membrana celular: 
• Polimixina, AnfotericinaB, Nistatina, e Cetoconazol. 
 
OBSERVAÇÕES: 
1) As KPC são bactérias resistentes aos Carbapenêmicos (Imipenem e Meropenem e 
Ertapenem). 
2) PenicilinaG: Geralmente não é eficaz contra a maioria dos bastonetes Gram 
negativos. 
3) Carbapenêmicos: Eficaz na maioria dos cocos Gram positivos e muitos bastonetes 
Gram negativos. 
4) Monobactâmicos: O Azetreonam é o monobactâmico mais utilizado, é indicado para 
as Enterobacteriaceas e Pseudomonas, mas não eficaz para Gram positivas e bactéria 
anaeróbia. 
5) Vancomicina: A maioria dos Staphylococcus hoje possuem resistência. 
6) Cefalosporina: Visa a atividade na maioria dos bastonetes Gram negativos. 
7) Aminoglicosideo: Utilizado para muitos bastonetes Gram negativos e tuberculose 
(Estreptomicina). 
8) Tetraciclinas: São bacteriostáticos e agem para bastonetes Gram positivos, Gram 
negativos, micoplasma, clamídia, e riquétsias. 
9) Clindamicina: Droga bacteriostática é contra anaeróbicos, bactérias Gram positivas 
com Clostridium perfringens e Gram negativas como Bacterioides fragilis. 
10) Linezolida: Para tratamento de Enterococos e Staphylococcus resistente a 
Vancomicina. 
 
 
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11) Trimetroprima: Associado as sulfas estão empregadas para as infecções do trato 
urinário. 
12) Ciprofloxacina, Norfloxacina e Ofloxacina: Atuam nas infecções do trato 
respiratório inferior, trato intestinal, trato urinário e tecidos ósseos. O ácido nalidíxico é 
menos ativo e deve ser utilizado nas infecções do trato urinário. 
13) Rifampicina: Tuberculose, Dapsona. 
14) Polimixinas: Pseudomonas aeruginosa e bastonetes Gram negativos. 
• Anfotericina B e Nistatina: São drogas antifúngicas, que agem no ergosterol, 
substância que compõe a membrana do fungo. 
Obs: Streptococcus sp beta-hemolítico: 
 Não realizar antibiograma 
 Liberar ampicilina como sensível 
 Obs: liberar no laudo: “Prediz valor aos beta-lactâmicos”. 
Enterococcus sp: Testar os seguintes antibióticos. 
 Ampicilina – nitrofurantoína – Norfloxacina – Ciprofloxacina – Gentamicina 
Avaliação do Antibiograma 
 -Em geral, basta medir o diâmetro dos halos e checar na tabela padrão para 
interpretação de halos de inibição, se a bactéria é sensível, intermediária ou resistente 
aos antimicrobianos testados. 
-No entanto , quando se tratar de bactéria multiresistente, algumas mudanças devem ser 
feitas, são elas: 
-Em enterobactérias (Klebsiella, E coli, Proteus mirabilis), se o halo da ceftazidina e 
aztreonam for inferior a 22 mm e 27 mm respectivamente, deverá realizar o teste de 
sinergismo ou rolha de champanhe (colocar disco de AMC a 20 mm de ceftazidina , 
cefotaxima e aztreonam).Será positivo se houver distorção dos halos , então considere 
todos beta lactâmicos (aztreonam ampicilina, cefalotina, ceftazidina ceftriaxona, 
cefotaxima) como resistentes . 
-Em Citrobacter,Enterobacter, Serratia e Proteus, informe bactéria pertencente ao Grupo 
CESP, isto é , induz à resistência se tratar com beta lactâmicos. 
-Em Staplylococcus aureus, se halo da CFO for menor que 19 mm, informe se tratar de 
MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina). 
 
 
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-Em Staphylococcus sp (coagulase negativa), se halo da CFO for menor que 24 mm, 
informe se tratarem de MRSE (Staphylococcus epidermidis resistente à meticilina). 
-Streptococcus resistente à penicilina (inferir resultado através da leitura da oxacilina), 
será considerado multiresistência, embora não seja muito preconizado realizar ATB de 
Streptococcus agalactiae (o mais encontrado em urocultura). 
-As Pseudomonas serão consideradas multiresistentes se resistentes a ceftazidina ou aos 
Carbepenens. 
-Enterobactérias resistentes a mais de dois grupos de antimicrobianos (beta lactâmica, 
aminoglicosidio, quinolonas) serão multiresistentes. 
- Enterococcus resistente a ampicilina ou vancomicina, deve repetir o exame, porque é 
uma situação muito rara. 
Referências Bibliográficas: 
• Microbiologia Médica e imunologia/ Warren Levinsin e Ernest jawetz- 4 ed.- 
Porto Alegre,1998 
• Microbiologia, Totora, Gerard J., et al.-8 ed.- Porto Alegre: Artimed,2005. 
• Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica/Carmen Paz Oplustil... et al. 3 
ed.-São Paulo: Sarvier, 2010. 
• Konemam, Diagnóstico Microbiológico: texto e atlas colorido/Wasshington C. 
Winn Jr. et al.- Rio de Janeiro: Guanabara, 2008. 
• ANVISA. 
 
	1. INTRODUÇÃO
	Características Distintivas dos Principais Grupos de Microrganismos
	Áreas de Aplicação da Microbiologia
	2. DEFINIÇÃO DOS TERMOS
	Termos Mais Importantes
	3. CARACTERÍSTICAS BACTERIANAS
	Morfologia Bacteriana
	Macronutrientes
	Micronutrientes
	Crescimento Quanto à Temperatura
	4. MEIOS DE CULTURA
	Classificação dos Meios de Cultura
	5. MICROBIOTA NORMAL DO CORPO HUMANO
	Função da Microbiota Normal
	Microbiota Normal da Pele
	Microbiota Normal do Intestino
	Microbiota Normal da Uretra
	Microbiota Normal da Vagina
	Microbiota Normal do Olho (conjuntiva)
	6. COLORAÇÃO PELO MÉTODO DE GRAM
	Método de dupla coloração, muito usado na sistemática bacteriana e que, além dos caracteres morfológicos, permite evidenciar determinadas propriedades das bactérias indispensáveis à sua classificação.
	Reagentes
	Técnica de Coloração Pelo Método de Gram
	7. COCOS GRAM POSITIVOS
	STAPHYLOCOCCUS
	8. STREPTOCOCCUS
	PNEUMOCOCOS
	9. RELAÇÃO HOSPEDEIRO PARASITA
	Mecanismos de resistência inespecífica do hospedeiro
	10. CONTROLE MICROBIANO
	Padrão e Morte bacteriana
	Controle Microbiano Por Agentes Físicos
	Calor seco
	Calor úmido
	Filtração
	Radiação
	11. CLOSTRIDIUM
	Clostridium tetani
	Clostridium botulinum
	Clostridium perfringens
	Clostridium difficile
	12. CORINEBACTERIAS
	Corinebacterium diphtheriae
	A Corinebacterium diphtneriae causa a Difiteria.
	13. COCOS GRAM NEGATIVOS
	NEISSERIA
	Neisseria meningitidis
	Neisseria gonorrhoeae
	14. ENTEROBACTERIACEAS
	15. ESCHERICHIA COLI
	16. SALMONELLA
	17. SHIGELLA
	18. VIBRIO
	Vibrio cholerae
	Vibrio parahaemolyticus
	19. CAMPYLOBACTER
	20. HELICOBACTER
	21. GRUPO KLEBSIELLA, ENTEROBACTER E SERRATIA
	22. GRUPO PROTEUS, PROVIDENCIA E MOGANELLA
	23. PSEUDOMONAS
	24. ACINETOBACTER
	25. BACTEROIDES
	26. MICOSES SISTÊMICAS
	HISTOPLASMA
	PARACOCCIDIOIDES
	27. MICOSES OPORTUNISTAS
	CANDIDA
	CRYPTOCOCCUS
	ASPERGILLUS
	28. MICOBACTÉRIAS
	Mycobacterium tuberculosis
	Mycobacterium leprae
	29. MICOPLASMA
	Mycoplasma pneumoniae
	30. ESPIROQUETAS
	Treponema pallidum
	31. CLAMIDIAS
	Chlamydia trachomatis
	32. ANTIBIOGRAMA
	METODO DA DIFUSÃO DO DISCO
	METODO DA DILUIÇÃO
	METODO DE QUANTIFICAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO CIM (ETEST)
	33. MECANISMO DE AÇÃO DOS ANTIBIÓTICOS
	Inibição da síntese da parede celular:
	Inibição da síntese de proteína:
	Referências Bibliográficas:1.000 – 2.000 Luminoso e corado; 
cor do corante 
fluorescente. 
 
Técnica de 
diagnóstico em que 
o corante 
fluorescente fixado 
ao organismo 
revela a sua 
 
 
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identidade. 
Contraste de fase 
 
1.000 – 2.000 Graus variáveis de 
iluminação. 
 
Exame de 
estruturas celulares 
em microrganismos 
maiores e vivos; 
por exemplo, 
leveduras, algas, 
protozoários e 
algumas bactérias. 
Eletrônico 
 
200.000 – 400.000 Observado em tela 
fluorescente. 
 
Exame de vírus e 
das ultraestruturas 
das células 
microbianas. 
 
 
2. DEFINIÇÃO DOS TERMOS 
 
 
➢ Antes de discutir a natureza, o modo de ação e as aplicações práticas de cada agente 
químico antimicrobiano individual, é importante compreender os termos gerais 
utilizados para descrever estes agentes e suas atividades. 
 
➢ Os agentes antimicrobianos podem ser divididos naqueles que matam os 
Microrganismos (agente microbicida) e naqueles que meramente inibem seu 
crescimento (agente microbiostático). 
 
➢ Como isto é avaliado varia entre os principais tipos de agentes químicos que são 
descritos nos parágrafos a seguir. 
 
➢ Estes agentes podem ser adquiridos no comércio local ou de representantes diretos de 
indústrias, como aqueles que servem as companhias de limpeza de hospitais. 
 
 
Termos Mais Importantes 
 
 
a) Antimicrobiano - substâncias químicas que matam os microrganismos ou previnem 
o seu crescimento. 
 
b) Antisséptico - composto químico usualmente aplicado na superfície do corpo 
humano, que previne a multiplicação dos microrganismos. Isto ocorre em função da 
morte do microrganismo ou pela inibição do seu crescimento e da sua atividade 
 
 
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metabólica. Os Antissépticos são utilizados em feridas e cortes para evitar uma 
infecção e as prateleiras das farmácias estão cheias de cremes sprays e líquidos 
antissépticos. 
 
c) Antissepsia - método químico de desinfecção da pele, membranas mucosas ou 
outros tecidos vivos. 
 
d) Assepsia - condição de ausência de contaminação por microrganismos indesejados. 
 
e) Asséptico - adjetivo de assepsia, ou seja, local livre de patógenos. 
 
f) Degerminação - remoção mecânica de microrganismos a área de área limitada. Ex 
Na aplicação de uma injeção a pele é esfregada usualmente por um algodão com 
álcool. 
 
g) Desinfetante - substância química que mata as formas vegetativas de 
microrganismos patogênicos, mas não necessariamente suas formas esporuladas. O 
termo normalmente refere-se a substâncias utilizadas em objetos inanimados. 
 
h) Desinfecção - processo que utiliza um agente para destruir microrganismos 
infecciosos. 
 
i) Esterilização - processo de destruição e remoção de todas as formas de vida 
microscópica um objeto ou espécime. Desta forma, um objeto estéril, no sentido 
microbiológico, está completamente livre de microrganismos vivos. Estéril é um 
termo absoluto - um material está estéril ou não. Não pode ser “parcialmente estéril" 
ou "quase estéril". 
 
j) Esterilizante - composto químico que realiza uma esterilização. 
 
k) Esterilização Comercial - tratamento limitado de calor suficiente para destruir os 
esporos do Clostridium botulinum, que pode produzir uma toxina mortal. 
 
k) Germicida - um agente químico que mata as formas vegetativas de microrganismos, 
mas não necessariamente suas formas esporuladas. é denominado germicida. Na 
prática, é sinônimo de um desinfetante; entretanto os microrganismos mortos por um 
germicida não são necessariamente patogênicos. Termos mais específicos como 
fungicida, bactericida, viricida, são algumas vezes utilizados para indicar o tipo de 
microrganismo afetado. 
 
l) Microbicida - agentes antimicrobianos que matam os microrganismos. 
 
m) Microbiostático – agentes antimicrobianos que apenas inibem o crescimento dos 
microrganismos. Termos mais específicos como fungistático, bacteriostático, são 
algumas vezes utilizados para indicar o tipo de microrganismo afetado 
 
 
 
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n) Pasteurização – processo que consiste no aquecimento, a temperaturas controladas, 
de alimentos líquidos ou bebidas, a fim de garantir sua qualidade e destruir 
microrganismos nocivos. 71,7°C/15 seg e resfriar rapidamente. 
 
o) Saneador - As normas da saúde pública determinam que em certos lugares, a 
população microbiana não deve exceder um numero específico. Em atendimento a 
estas determinações, utiliza-se um saneador, um agente que mata 99,9% dos 
microrganismos contaminantes de uma área. Saneadores são normalmente aplicados 
em objetos inanimados, como copos, pratos, talheres e utensílios em restaurantes. 
Eles também são utilizados diariamente na limpeza de equipamentos de laticínios e 
indústrias de alimento. 
 
p) Sanificante - Agente que reduz a níveis consideráveis, garantidos pelas autoridades 
de Saúde Pública, a flora microbiana presente em materiais ou artigos como 
utensílios de restaurantes. 
 
q) Sanitização - Processo que leva a redução dos microrganismos, a níveis seguros, de 
acordo com os padrões de Saúde Pública (elimina 99,9% das formas vegetativas) 
minimizando as chances de transmissão de doenças de um usuário para outro. 
Exemplo: lavar louça e utensílios com água fervente ou com desinfetante. 
 
r) Sepse - Condição tóxica resultante do crescimento e disseminação de bactérias nos 
sangue e tecidos. Termo grego que significa estragado, podre. 
 
Obs: Cuidados na classificação desses agentes químicos antimicrobianos são 
importantes porque seu uso pode ter implicações legais. Nos Estados Unidos, há 
uma decisão judicial sobre os alimentos e a ação das drogas que afirma: 
 
✓ "A linguagem utilizada na classificação deve transmitir o significado ordinário 
para aqueles a que foi endereçada". Em outras palavras, os produtores e os 
consumidores devem interpretar a classificação de um produto da mesma 
maneira e também da mesma forma compreender a terminologia utilizada. 
 
✓ O U. S. Food and Drug Admmistration e o U. S. Environmental Protection 
Agency regulamentam os produtos químicos antimicrobianos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3. CARACTERÍSTICAS BACTERIANAS 
 
 
 
 
 
 
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As bactérias apresentam grande variedade de formas e tamanhos de acordo com 
o grupo a que pertencem. As formas mais comuns são os bacilos ou bastonetes (formas 
alongadas), cocos (formas aproximadamente esféricas), vibriões (bacilos curvados) e 
espirilos e espiroquetas (formas espiraladas). Existem grupos de bactérias que formam 
longos filamentos de células unidas entre si, como acontece com espécies de 
cianobactérias e grupos que exibem morfologia ainda mais complexa. 
Variações morfológicas ocorrem dentro de cada grupo bacteriano. A morfologia 
é uma característica genética e as bacterianas são geralmente monomórficas, ou seja, 
mantêm sempre a mesma forma. Mutações genéticas e condições de cultivo podem 
alterar a morfologia original de forma definitiva ou transitória, respectivamente. 
Algumas poucas bactérias são pleomórficas como as micoplasmas, apresentando grande 
variação de forma. 
As bactérias podem ocorrer como células isoladas ouagrupadas em pares, 
tétrades, cadeias, grumos e outras tantas formas de agrupamentos como massas 
embutidas no interior de uma cápsula. Os diversos arranjos das células bacterianas são 
consequências da fisiologia celular. Algumas bactérias dividem-se de tal forma a 
formarem blocos, cadeias ou agregados de acordo com o plano de segmentação. 
O tamanho das células bacterianas varia grandemente, a grande maioria tem 
dimensões que variam entre 1 e 5 µm, as menores bactérias conhecidas são as 
micoplasmas com 0,1 a 0,2 µm de diâmetro e o bacilo Francisella tularensis cujas 
dimensões variam de 0,2 a 0, 7 µm de comprimento por 0,2 µm de diâmetro, tamanhos 
próximos aos vírions da família Poxviridae. Dentre as maiores bactérias conhecido está 
o Bacillus anthracis com células variando de 3,0 a 10 µm de comprimento por 1,3 µm 
de diâmetro, a Metabacterium polyspora cujas células atingem de 10 a 60 µm de 
comprimento e as bactérias do gênero Epulopiscium que atingem 600 µm de 
comprimento por 100 µm de diâmetro. 
O primeiro passo no estudo da morfologia de células bacterianas é o emprego de 
corantes apropriados que permitem a visualização tanto de células inteiras quanto 
diferentes estruturas bacterianas tais como cápsulas, flagelos e esporos ao microscópio 
 
 
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óptico. Uma das técnicas mais empregadas para a visualização de células inteiras e sua 
morfologia é a coloração de Gram. 
 
 
 
 
 
 
 
Morfologia Bacteriana 
 
 
 
 
 
 
 
Coco Bacilo Espiroqueta Espirilo Vibrião 
 
COCOS 
 
 
Cocos são bactérias grandes ou pequenas, de formas arredondadas ou ovaladas, 
alongadas ou achatadas em uma das extremidades. Quando os cocos se dividem, estes 
geralmente permanecem unidos formando pares (diplococos), cachos (estafilococos) ou 
cadeias (estreptococos). Existem cocos que se dividem em dois ou três planos 
 
 
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permanecendo unidos em formas cúbicas de oito indivíduos (sarcinas) ou quatro 
indivíduos (tétrades). Existem espécies Gram-positivas e Gram-negativas e várias delas 
estão associadas à patogênese humana e animal. 
Ex: Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermides, Streptococcus 
pyogenes, Streptococcus agalactiae, Neisseria meningitides, Neisseria gonorrhoeae, 
etc... 
 
 
 
 
 
 
BASTONETES-BACILOS 
Bastonetes ou bacilos podem ser curtos, longos, espessos, delgados, com 
extremidades arredondadas, finas ou retas, mais espessas em um lado que o outro, etc. 
Alguns bacilos são curtos sendo denominados cocobacilos. A maioria dos bacilos vive 
como células isoladas, dividindo-se somente no plano transversal. Arranjos ou 
agrupamentos de bacilos são pouco frequentes: cocobacilos e estreptobacilos. Dentre os 
bacilos encontram-se as bactérias Escherichia coli, Salmonella spp, Pseudomonas spp e 
outras. Muitas espécies de bacilos estão associadas à patogênese humana e animal. 
Ex: Escherichia coli, Klebsiella, Proteus, Salmonella, Shigella, etc... 
 
VIBRIÕES 
Vibriões são bacilos Gram-negativos, curvados ou em forma de vírgula, 
apresentando um único flagelo polar. Os vibriões pertencem à Família Vibrionaceae e 
as espécies mais importantes para o homem são Vibrio cholerae e Vibrio 
parahaemolyticus. 
 
ESPIROQUETAS (ESPIRILOS) 
 
 
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Bactérias espiraladas ou espiroquetas são bactérias, longas, finas e flexíveis e se 
movimentam por rotação e flexão. As espiroquetas medem de 6 a 15 µm de 
comprimento por 0,1 a 0,2 µm de diâmetro. Estas bactérias não podem ser visualizadas 
ao microscópio óptico comum a não ser em campo escuro ou após tratamento com sais 
de prata, que os tornam mais espessos. A microscopia de campo escuro permite a 
visualização deste tipo morfológico de bactérias, as quais não se coram bem com 
corantes bacterianos convencionais. 
Ex: Treponema pallidum 
 
Locomoção das Bactérias 
 
Algumas bactérias possuem flagelos para a locomoção. Estes flagelos estão fixos 
na parede e na membrana celular e são compostos por uma proteína a flagelina. 
Flagelos são estruturas de motilidade bacteriana; apresentam estrutura distinta 
daqueles das células eucarióticas e são constituídos por subunidades de uma única 
proteína, a flagelina, formando uma longa estrutura filamentosa que se estende para fora 
da célula e funciona como propulsor. O filamento flagelar é um tubo fino, helicoidal, de 
tamanho variável, medindo entre 15 e 20 µm (até dez vezes o tamanho da bactéria). 
Cada flagelo fica ancorado na membrana plasmática por meio do corpo basal, uma 
estrutura complexa que tanto fixa o flagelo na célula como lhe confere um movimento 
rotatório, impulsionando a bactéria para frente através do líquido em velocidades entre 
75 e 100 µm/s. O corpo basal dos flagelos das bactérias Gram-negativas é mais 
complexo que o das Gram-positivas devido às características particulares das estruturas 
dos envelopes celulares destes organismos. 
Os flagelos são arranjados de várias maneiras nas células bacterianas: (A) 
flagelo monotríquio, um único flagelo polar; (B) flagelos lofotríquios, um tufo de 
flagelos polares em uma das extremidades da célula; (C) flagelos anfitríquios, dois 
flagelos polares, um em cada extremidade da célula e (D) flagelos peritríquios, flagelos 
distribuídos em pontos aleatórios por toda a superfície celular. 
 
 
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FIMBRIAS 
As fímbrias ou "Pili" são organelas filamentosas mais curtas e delicadas que os 
flagelos, constituídas por uma proteína chamada pilina e presentes em muitas bactérias 
(especialmente Gram negativas). Elas originam-se de corpúsculos basais na membrana 
citoplasmática e sua função parece estar relacionada com a troca de material genético 
durante a conjugação bacteriana (fímbria sexual), e também com a aderência às 
superfícies mucosas. As fímbrias podem ser removidas sem comprometimento da 
viabilidade celular e regeneram rapidamente. 
 
 
 
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Nutrição das Bactérias 
Quanto à nutrição, as bactérias podem ser autótrofas ou heterótrofas. 
• Bactérias autótrofas 
 
As bactérias autótrofas sintetizam seu alimento por fotossíntese ou quimiossíntese. 
As bactérias fotossintetizantes possuem bacterioclorofila e sintetizam o alimento a 
partir de fontes doadoras de íons hidrogênio. 
As quimiossintetizantes sintetizam compostos orgânicos, na ausência de luz, a partir 
da energia liberada de uma reação inorgânica. 
 
• Bactérias heterótrofas 
 
A maioria das bactérias é heterótrofa e precisa de matéria orgânica produzia por 
outros seres. São parasitas de animais e vegetais ou decompositoras de matérias 
orgânicas. A análise das estruturas bacterianas revela que sua arquitetura é formada por 
diferentes macromoléculas, em particular, proteínas e ácidos nucléicos. Os precursores 
das macromoléculas podem ser retirados do meio ambiente ou ser sintetizados pelas 
 
 
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bactérias a partir de compostos mais simples. A alternativa escolhida vai depender da 
disponibilidade do composto no meio e da capacidade de síntesedo microrganismo. As 
substâncias ou elementos retirados do ambiente e usados para construir novos 
componentes celulares ou para obter energia são chamados nutrientes. Os nutrientes 
podem ser divididos em duas classes: macronutrientes e micronutrientes. Ambos os 
tipos são imprescindíveis, mas os primeiros são requeridos em grandes quantidades por 
serem os principais constituintes dos compostos orgânicos celulares e / ou serem 
utilizados como combustível. 
Macronutrientes 
 
➢ Carbono: Está presente na maioria das substâncias que compõem as células. As 
bactérias podem utilizar o carbono inorgânico existente no ambiente, na forma 
de carbonatos ou de CO2 como única fonte de carbono. São neste caso chamadas 
de autotróficas. Os microrganismos que obrigatoriamente requerem uma fonte 
orgânica de carbono são denominados heterotróficos e as principais fontes, são 
os carboidratos. 
➢ Oxigênio: É requerido na forma molecular como aceptor final na cadeia de 
transporte de elétrons aeróbia. Também é elemento importante em várias 
moléculas orgânicas e inorgânicas. 
➢ Hidrogênio: Como componente muito freqüente da matéria orgânica e 
inorgânica, também constitui um elemento comum de todo material celular. 
➢ Nitrogênio: É componente de proteínas e ácidos nucléicos, além de vitaminas e 
outros compostos celulares. Está disponível na natureza sob a forma de gás (N2) 
ou na forma combinada. Sua utilização como N2 é restrita a um grupo de 
bactérias cujo principal habitat é o solo. Na forma combinada, o nitrogênio é 
encontrado como matéria inorgânica (NH3, NO3-, etc.) ou matéria orgânica: 
aminoácidos, purinas e pirimidinas. 
 
 
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➢ Enxofre: Faz parte de aminoácidos (cisteína e metionina), de vitaminas e grupos 
prostéticos de várias proteínas importantes em reações de óxido-redução. Da 
mesma forma que o nitrogênio, o enxofre pode ser encontrado no ambiente nas 
formas elementar, oxidada e reduzida; estas duas últimas aparecem como 
compostos orgânicos e inorgânicos. Todas as alternativas citadas podem ser 
utilizadas pelas bactérias, porém são os sulfatos (SO4 
-2) inorgânicos ou os 
aminoácidos as formas preferencialmente assimiladas. Na forma oxidada, 
também pode ser aceptor final de elétrons das cadeias de transporte de elétrons 
anaeróbias. 
➢ Fósforo: É encontrado na célula na forma combinada a moléculas importantes 
como os nucleotídeos (ATP, CTP, GTP, UTP, TTP) e como fosfato inorgânico; 
nesta última forma é incorporado através de poucas reações metabólicas, embora 
uma delas seja de fundamental importância: a síntese de ATP a partir de ADP e 
fosfato. As substâncias fosforiladas podem estar envolvidas com o 
armazenamento de energia (como o ATP) ou atuar como reguladoras de 
processos metabólicos: muitas enzimas tornam-se ativas ao serem fosforiladas. 
Micronutrientes 
Os elementos ferro, magnésio, manganês, cálcio, zinco, potássio, sódio, cobre, 
cloro, cobalto, molibdênio, selênio e outros são encontrados sempre na forma 
inorgânica, fazendo parte de minerais. São necessários ao desenvolvimento microbiano, 
mas em quantidades variáveis, dependendo do elemento e do microrganismo 
considerados. Os micronutrientes podem atuar de diferentes maneiras, incluindo as 
seguintes funções principais: 
- componentes de proteínas, como o ferro que participa da composição de várias 
proteínas enzimáticas ou não, de citocromos, etc.; 
- cofatores de enzimas, como o magnésio, potássio, molibdênio, etc. 
- Componentes de estruturas, como o cálcio, presente em um dos envoltórios dos 
esporos; 
- Osmorreguladores. 
 
 
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Endosporos (Esporos) 
Os esporos que se formam dentro da célula, chamados endosporos, são 
exclusivos das bactérias (principalmente as pertencentes ao gênero Bacillus e 
Clostridium). Eles possuem parede celular espessa, são altamente refrateis (brilham 
muito com a luz do microscópio) e altamente resistentes a agentes físicos (dessecação e 
aquecimento) e químicos (antissépticos) adversos devido a sua parede ou capa 
impermeável composta de ácido dipicolínico. Os esporos surgem quando a célula 
bacteriana não se encontra em um meio ideal para o seu desenvolvimento. A bactéria 
produtora pode crescer e multiplicar-se por muitas gerações como células vegetativas. 
Em alguma etapa do desenvolvimento, em ambiente com exaustão de fontes de carbono 
e nitrogênio ou completa falta de nutrição, ocorre no interior do citoplasma vegetativo a 
síntese do esporo (sua formação leva por volta de 6 horas). Ela é iniciada pela 
condensação de uma nucleoproteína no citoplasma que migra para a extremidade da 
célula enquanto esta e o citoplasma são envolvidos por uma membrana dupla derivada 
da membrana citoplasmática. O tegumento é formado na membrana dupla e o 
citoplasma sofre condensação para completar a formação do cerne. Os esporos têm 
pouca atividade metabólica, podendo permanecer latente por longos períodos, 
representando uma forma de sobrevivência e não de reprodução. 
 
 
 
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Respiração Bacteriana 
Os principais gases que afetam o crescimento bacteriano são o oxigênio e o 
dióxido de carbônico. Como as bactérias apresentam grande variedade de resposta ao 
oxigênio livre, elas são divididas em: 
1. Bactérias aeróbias: Crescem na presença de oxigênio livre. 
2. Bactérias anaeróbias: Crescem na ausência de oxigênio livre. 
3. Bactérias anaeróbias facultativas: Crescem tanto na presença como na ausência do 
oxigênio livre. 
4. Bactérias microaerófilas: Crescem na presença de quantidades pequenas de 
oxigênio livre. 
 
Acidez e Alcalinidade (pH) 
Para a maioria das bactérias, o pH ótimo de crescimento localiza-se entre 6,5 e 
7,5. Embora poucos microrganismos possam desenvolver-se nos limites extremos de 
pH, as variações mínimas e máximas, para a maior parte das espécies, estão entre pH 4 
e pH 9. 
 
Crescimento Quanto à Temperatura 
A maioria dos microrganismos cresce bem nas temperaturas ideais para os seres 
humanos. No entanto, certas bactérias são capazes de crescer em temperaturas extremas, 
onde a maioria dos organismos eucarióticos não sobreviveria. Quanto à sua 
classificação temos: 
 
 
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Reprodução bacteriana 
As bactérias possuem reprodução sexuada e assexuada. Na reprodução 
assexuada não há troca de genes e os descendentes têm o mesmo padrão genético. Pode 
ocorrer por bipartição – Na bipartição ou cissiparidade, uma bactéria origina duas outras 
bactérias idênticas, após a replicação do DNA bacteriano. É o meio mais rápido de 
reprodução. Embora não ocorra uma reprodução sexuada complexa nos moneras, 
algumas vezes as bactérias realizam troca de material genético. Tal recombinação 
genética pode ocorrer por transformação, conjugação ou transdução. 
• A conjugação é a transferência de parte do material genético de uma bactéria 
doadora para uma receptora por pontes citoplasmáticas. O material transferido é 
incorporado ao cromossomo da bactéria receptora, formando novas combinações 
genéticas. 
 
 
CONJUGAÇÃO BACTERIANA 
 
 
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• Na transdução, há transferência de DNA por meio de vírus bacteriófago. Ao 
infectar outra bactéria o vírus transfere para a ela esse material. 
 
 
TRANSDUÇÃO BACTERIANA 
• Na transformação, a bactéria absorve fragmentos de DNA livres existente em 
seu meio. 
 
 
TRANSFORMAÇÃO BACTERIANA 
 
 
 
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Crescimento Bacteriano 
• Fase lag: esta fase de crescimento ocorre quando as células são transferidas de 
um meio para outro ou de um ambiente para outro. Esta é a fase de ajuste e 
representa o período necessário para adaptação das células ao novo ambiente. As 
células nesta fase aumentam no volume total em quase duas ou quatro vezes, 
mas não se dividem. Tais células estão sintetizando DNA, novas proteínas e 
enzimas, que são um pré-requisito para divisão. 
• Fase exponencial ou log: nesta fase, as células estão se dividindo a uma taxa 
geométrica constante até atingir um máximo de crescimento. Os componentes 
celulares como RNA, proteínas, peso seco e polímeros da parede celular estão 
também aumentando a uma taxa constante. Como as células na fase exponencial 
estão se dividindo a uma taxa máxima, elas são muito menores em diâmetro que 
as células na fase Lag. A fase de crescimento exponencial normalmente chega 
ao final devido à depleção de nutrientes essenciais, diminuição de oxigênio em 
cultura aeróbia ou acúmulo de produtos tóxicos. 
• Fase estacionária: durante esta fase, há rápido decréscimo na taxa de divisão 
celular. Eventualmente, o número total de células em divisão será igual ao 
número de células mortas, resultando na verdadeira população celular 
estacionária. A energia necessária para manter as células na fase estacionária é 
denominada energia de manutenção e é obtida a partir da degradação de 
produtos de armazenamento celular, ou seja, glicogênio, amido e lipídeos. 
• Fase de morte ou declínio: quando as condições se tornam fortemente 
impróprias para o crescimento, as células se reproduzem mais lentamente e as 
células mortas aumentam em números elevados. Nesta fase o meio se encontra 
deficiente em nutrientes e ricos em toxinas produzidas pelos próprios 
microrganismos. 
 
 
 
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4. MEIOS DE CULTURA 
 
Material preparado no laboratório para o crescimento de microrganismos é 
denominado meio de cultura. Algumas bactérias podem crescer normalmente em 
qualquer meio de cultura, outras necessitam de meios especiais e existem aquelas que 
não são capazes de crescer em nenhum meio de cultura já desenvolvido. 
As exigências nutritivas das bactérias variam de espécie para espécie. As bactérias 
exigem determinadas substâncias para que possam crescer e multiplicar no meio de 
cultura. Para que possam fazer a síntese de sua própria matéria nutritiva devem dispor 
de: 
a) fonte de carbono 
b) fonte de nitrogênio 
c) fonte de energia 
 Nos autótrofos é representada por CO2 e a energia pode ser derivada de reação 
química (quimiotrópicas) ou energia radiante (fototrópicas). No que diz respeito à fonte 
de nitrogênio as bactérias autotróficas utilizam substâncias tais como: NO2, NO3, NH3. 
 Para as bactérias heterótrofas a fonte de carbono é constituída por substâncias 
orgânicas que, fornecem energia. A fonte de nitrogênio que utiliza é representada por 
compostos minerais (N2 do ar, NO2, NO3, NH3) e algumas substâncias orgânicas 
nitrogenadas (peptonas). 
 Os meios de cultura destinam-se ao cultivo artificial dos microrganismos. Esses 
meios fornecem os princípios básicos indispensáveis como outras condições necessárias 
ao crescimento dos germes (pH, pressão osmótica, grau de umidade, etc.). 
 Em relação ao estado físico eles podem ser ou sólidos. 
 Os meios líquidos devem conter substância nutritiva em solução aquosa bem 
como condições físicas e químicas adequadas ao crescimento dos microrganismos. 
Usam-se tubos de ensaio para estes meios. O crescimento em temperatura adequada e 
 
 
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após um tempo variável conforme a amostra é observada por presença de turvação, 
película e depósito. (Caldo simples). 
 
Classificação dos Meios de Cultura 
Os meios de cultura são classificados em: 
➢ Meios Simples - Servem para o cultivo de germes aeróbios sendo que alguns 
são indicados para anaeróbios. Foram líquidos até que em 1880, Koch, 
introduziu os meios sólidos, adicionando uma substância vegetal, extraída de 
algas marinhas, denominada gelose ou ágar-ágar, a qual dá consistência aos 
meios (funde-se a 100ºC e solidifica-se a 40ºC). 
 
➢ Meios Seletivos - Utilizado para selecionar bactérias que desejamos isolar. Este 
meio é composto de substâncias que irão inibir o crescimento de bactérias 
indesejáveis como, sais biliares, cristal violeta, concentração de sal, antibióticos, 
etc... 
Ex: Mac Conkey – Proteus, Escherichia coli. 
E.M.B. – Escherichia coli. 
 Thayer- Martim – Neisseria meningitides 
 TODD (Caldo Todd-Hewitt) - Isolamento dos estreptococos 
 CNA (colistina, ácido nalidíxico). 
 
➢ Meios Diferenciais – São aqueles meios utilizados para a diferenciação das 
espécies bacterianas. São observadas as características bioquímicas. Pode ser 
observada a utilização de lactose, H2S, etc. 
Ex: Mac Conkey - Escherichia coli, Klebsiella 
S.S. (Salmonella-Shigella) – Salmonella, Shigella 
Sal manitol – Staphylococcus aureus 
E.M.B. – Escherichia coli 
 
 
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➢ Meio Seletivo/Diferencial – São meios utilizados para inibir o crescimento de 
bactérias indesejáveis e com características bioquímicas para identificar grupos 
bacterianos. 
Ex. E.M.B. - Escherichia coli 
 S.S. - Salmonella/Shigella. 
 S.I.M. – Proteus, Escherichia coli, Klebsiella 
➢ Meios Enriquecidos – Nem sempre as bactérias crescem facilmente em meios 
de cultivo; existem exigências peculiares de determinadas espécies bacterianas 
que somente serão satisfeitas quanto colocadas em meios enriquecidos, ou seja, 
meios onde são adicionadas certas substâncias para favorecer o crescimento 
bacteriano. 
Ex: Ágar sangue (AS), (ASA) 
 Ágar chocolate (CHOC), 
 Ágar CLED (cystine lactose electrolyte deficiente agar) 
 Meio de Lowenstein Jansen. 
Obs: Os caldos podem ser enriquecidos como o selenito (Salmonella), caldo GN (Gram 
negativo) que inibe um pouco a presença de E. coli e propicia um desenvolvimento de 
Salmonella e Shigella caldo Todd Hewitt para o isolamento de estreptococos. Há meios 
de transporte como Stuart e Amie. Os meios de transporte mantem a viabilidade da 
amostra em até 4 dias alguns casos em temperatura ambiente ou refrigerado. 
 
Técnicas de Semeadura 
a) Em meios sólidos: 
 
- Em placa: semeadura por esgotamento 
 
 
 
- Em tubo: em camada alta (picada profunda e superficial) 
 
 
 
b) Em meios líquidos: 
 
 
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- Por dispersão 
 
 
Características Culturais 
 As características que exibem as culturas bacterianas nos meios líquidos e 
sólidos fornecem dados importantes para a sua identificação. 
• Crescimento em meios líquidos – nota-se desenvolvimento de turvação, película ou 
depósito. 
• Crescimento em meios sólidos – em ágar inclinado semeado em estria, observar à 
intensidade do crescimento (discretoou abundante), a cor, a opacidade, a 
consistência, o cheiro. 
Particularmente útil é o estudo de colônias isoladas em placas, usando-se uma lupa. 
Deve-se registrar a sua forma (circular, irregular, radiada ou rizoide), a sua elevação 
(chata, convexa, côncava), o seu tamanho (em mm), a sua superfície (lisa ou 
rugosa), os seus bordos (inteiros, ondulados, lobados, denticulados) e sua estrutura 
interna (amorfa, granular, filamentosa). 
 
5. MICROBIOTA NORMAL DO CORPO HUMANO 
 
 
Introdução 
A pele e as mucosas albergam sempre uma variedade de microrganismos que 
podem ser dispostos em dois grupos: (1) a microbiota norma (flora normal) constituída 
por tipos relativamente fixos de microrganismos, encontrados com regularidade em 
certa área e segundo a idade, e que, se perturbada, rapidamente se restabelece; (2) a 
microbiota transitória, formada por microrganismos não patogênicos ou potencialmente 
patogênicos que habitam a pele ou as mucosas durante horas, dias ou semanas. Essa 
flora tem origem no meio ambiente, não produz doença e não estabelece de forma 
permanente na superfície. Os membros da microbiota transitória são, em geral, de pouca 
importância, desde que a flora normal permaneça intacta. Entretanto se a microbiota 
 
 
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norma for perturbada, os microrganismos transitórios podem colonizar proliferar e for 
causa de doenças. 
 
Função da Microbiota Normal 
 Os microrganismos encontrados constantemente nas superfícies corporais são 
comensais. Seu desenvolvimento em uma determinada área depende de fatores 
fisiológicos como a temperatura, umidade e de certas substâncias nutritivas e inibitórias. 
Sua presença não é essencial à vida, porque os animais assépticos (livres de germes) 
podem ser criados na completa ausência de uma flora microbiana normal. 
 A microbiota normal de determinadas regiões desempenham importante papel 
no desenvolvimento da saúde tais como: 
a) Produção de vitamina K – certas bactérias intestinais 
b) Ajudar na absorção de nutrientes – bactérias intestinais 
c) Interferência bacteriana – ou seja, a flora normal de mucosas, pele, pode impedir a 
colonização por microrganismos patogênicos e possível doença. 
Por outro lado a microbiota normal pode provocar doença se introduzida em 
localizações estranhas e quando estão presentes fatores predisponentes. Neste caso a 
flora normal é chamada de oportunista. Como exemplo podemos citar o Streptococcus 
viridans, comum das vias aéreas superiores, que se for introduzido em grande número 
na corrente sanguínea (por exemplo, após uma extração dentária), eles podem se 
localizar em válvulas cardíacas defeituosas e produzir endocardite infecciosa. 
 
Microbiota Normal da Pele 
 A pele está particularmente sujeita a apresentar microrganismos transitórios pelo 
fato de estar sempre em contato com o ambiente. Porém possui uma flora residente 
constante e bem definida, sendo específica para cada parte do corpo. 
 Os principais microrganismos residentes são: 
a) Difteróides aeróbios e anaeróbios – Ex. Corynebacterium e Propionibacterium 
b) Estafilococos não hemolíticos, aeróbios e anaeróbios – Ex. Staphylococcus 
epidermidis 
 
 
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c) Bacilos Gram-Positivos aeróbios e esporulados, encontrados no ar, água e solo. 
d) Estreptococos alfa-hemolíticos – Ex. Streptococcus viridans 
e) Enterococos – Ex. Streptococcus faecalis 
f) Bacilos coliformes Gram-Negativos 
g) Fungos e leveduras nas dobras de pele 
h) Micobactérias álcool-ácido-resistentes não patogênicas nas áreas ricas em secreções 
sebáceas (genitália, orelha externa). 
Microbiota Normal da Boca e Vias Aéreas Superiores 
 As mucosas da boca e faringe quase sempre estéreis no nascimento são 
contaminadas rapidamente no canal do parto. Cerca de 4 a 12 horas após o nascimento 
as mucosas adquirem a sua flora residente para o resto da vida. Os principais 
microrganismos presentes são: 
a) Faringe – estreptococos alfa-hemolíticos e não hemolíticos, Neissérias, 
Estafilococos, Pneumococos, Haemophillus 
b) Nariz – Corinebactérias, Estafilococos (S. aureus, S. epidermidis) e Estreptococos. 
 
Microbiota Normal do Intestino 
Antes do nascimento o intestino é estéril, sendo colonizado através de 
microrganismos presentes nos alimentos. Em crianças amamentadas ao seio, o intestino 
contém grande número de estreptococos e lactobacilos produtores de ácido láctico. Em 
crianças amamentadas com mamadeira, o número destes microrganismos é menor, 
apresentando uma flora intestinal mais mista. À medida que os padrões alimentares vão 
evoluindo a microbiota intestinal mudam. Na porção superior do intestino, os 
lactobacilos e os enterococos predominam, mas, no íleo terminal e ceco, a microbiota é 
fecal. No sigmoide e reto, existem cerca de 1011 bactérias/g de conteúdo, constituindo 
10 a 20% da massa fecal. A seguir os as concentrações médias encontrados no trato 
intestinal de um adulto normal: 
a) Esôfago: contém os microrganismos trazidos pela saliva e alimentos. A acidez 
estomacal mantém os microrganismos dentro de limites mínimos (de 103 à 105/g de 
conteúdo) 
 
 
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b) Duodeno: 103 a 106/g 
c) Jejuno e Íleo: 105 a 108/g 
d) Ceco e colo transverso: 108 à 1010/g 
No colo do adulto normal, a flora bacteriana normal é composta de 96 a 99% de 
microrganismos anaeróbios (Bacteroides, lactobacilos anaeróbios, clostrídios e apenas 1 
à 4% de a aeróbios (coliformes Gram-Negativos, enterococos e um número pequeno de 
Proteus, Pseudomonas, lactobacilos, Candida e outros). As bactérias intestinais são 
importantes na síntese de vitamina K, conversão de pigmentos e ácidos biliares, 
absorção de nutrientes e de produtos de degradação, bem como para o antagonismos a 
microrganismos patogênicos. 
 
Microbiota Normal da Uretra 
 A uretra anterior de ambos os sexos contém um número pequeno dos 
mesmos tipos de microrganismos encontrados na pele e períneo. Estes microrganismos 
aparecem com regularidade, na urina normal eliminada, nos limites de 102 à 104/ml. 
 
Microbiota Normal da Vagina 
 Logo após o nascimento, lactobacilos aeróbios (bacilos de Döderlein) surgem na 
vagina e persistem enquanto o pH permanecer ácido. Quando o pH se torna neutro 
(permanecendo assim até a puberdade), há um flora mista de cocos e bacilos. Na 
puberdade os lactobacilos reaparecem em grande número e contribuem para a 
manutenção do pH ácido através da produção de ácido a partir de carboidratos, 
particularmente glicogênio. Este mecanismo parece ser importante na prevenção da 
colonização por outros microrganismos importantes e, possivelmente, patogênicos na 
vagina. 
Se estes microrganismos forem suprimidos, leveduras e outras bactérias podem 
aumentar e provocar irritações e inflamações. Quase sempre a microbiota vaginal 
normal inclui também estreptococos hemolíticos do grupo B, estreptococos anaeróbios, 
espécies de Bacteróides, Clostridios, Gardnerella vaginalis. 
 
 
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Microbiota Normal do Olho (conjuntiva) 
 Os microrganismos predominantes da conjuntiva são difteróides 
(Corynebacterium xerosis), Neisserias e bacilos Gram-Negativos. Estafilococos e 
estreptococos não hemolíticos são encontrados frequentemente. A flora da conjuntiva 
normalmente é controlada pelo fluxo de lágrimas, que contém lisozima de ação 
antibacteriana. 
 
 
6. COLORAÇÃO PELO MÉTODO DEGRAM 
 
 
Introdução 
A coloração de Gram é um método de coloração de bactérias desenvolvido pelo 
médico dinamarquês Hans Christian Joachim Gram, em 1884, e que consiste no 
tratamento sucessivo de um esfregaço bacteriano, fixado pelo calor, com o reagente 
cristal violeta, lugol, etanol-acetona e fucsina básica. Essa técnica permite a separação 
de amostras bacterianas em Gram-positivas e Gram-negativas e a determinação da 
morfologia e do tamanho das amostras analisadas. 
O método da coloração de Gram é baseado na capacidade das paredes celulares 
de bactérias Gram-positivas de reterem o corante cristal violeta no citoplasma durante 
um tratamento com etanol-acetona enquanto que as paredes celulares de bactérias 
Gram-negativas não o fazem. 
A coloração de Gram é um dos mais importantes métodos de coloração 
utilizados em laboratórios de microbiologia e de análises clínicas, sendo quase sempre o 
primeiro passo para a caracterização de amostras de bactérias. A técnica tem 
importância clínica uma vez que muitas das bactérias associadas a infecções são 
prontamente observadas e caracterizadas como Gram-positivas ou Gram-negativas em 
esfregaços de pus ou de fluidos orgânicos. Essa informação permite ao clínico 
monitorar a infecção até que dados de cultura estejam disponíveis. É possível a análise 
 
 
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de vários esfregaços por lâmina, o que facilita a comparação de espécimes clínicos. As 
lâminas podem ser montadas de forma permanente e preservadas como documentação. 
 
Importância 
Método de dupla coloração, muito usado na sistemática bacteriana e que, além 
dos caracteres morfológicos, permite evidenciar determinadas propriedades das 
bactérias indispensáveis à sua classificação. 
Neste método, utilizam-se dois corantes: um básico (cristal violeta) e um corante 
de fundo (fucsina diluída, safranina). Utiliza-se também um mordente especial, a 
solução de lugol, que reforça a ação do corante e um diferenciador, o álcool acetona 
(álcool éter, álcool absoluto), que procede ao descoramento seletivo. 
Mecanismo 
É um fato comprovado que determinadas bactérias, quando tratadas por um 
corante básico, do grupo das anilinas (violeta genciana, por exemplo) e, a seguir, por um 
mordente especial a base de iodo (sol. de lugol) “tomam” fortemente o corante a ponto 
de resistirem ao descoramento pelo diferenciador (álcool acetona). 
Reagentes 
1 - Solução de cristal violeta 
Solução A Solução B 
Cristal violeta... 2,0 gr. Oxalato de amônio monohidratado... 0,2 gr. 
Etanol... 200 mL Água destilada... 20 mL 
Misturar as soluções A e B, deixar em repouso por 24 horas e filtrar em papel de filtro 
comum. Estocar em frasco âmbar. 
 
2 - Solução de Iodo (lugol) 
Iodo... 1,0 gr 
Iodeto de potássio... 2,0 gr 
Água destilada... 300 mL 
 
 
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Colocar o iodeto de potássio num almoxarife, adicionar o iodo e 
homogeneizar com pistilo. Adicionar, consecutivamente, porções de 1mL, 5mL e 
10mL de água destilada, homogeneizar a solução após cada adição. Em seguida, 
transferir a solução para um frasco escuro, lavando o almoxarife e o pistilo com o 
restante da água destilada. 
 
3 - Solução de fucsina fenicada 
A - Fucsina básica... 1,0gr B - Fenol fundido... 5,0gr 
Álcool a 95º... 10,0gr Água destilada... 100mL 
Mistura A e B (Solução estoque). Diluir a 1/10 para a coloração de Gram. 
 
4 - Álcool – acetona 
Álcool etílico... 70mL 
Acetona... 30mL 
 
Técnica de Coloração Pelo Método de Gram 
1- Fazer o esfregaço, secar naturalmente e fixar na chama do bico de Bunsen por três 
vezes. 
2- Corar 1 minuto com solução de cristal violeta. 
3- Lavar em água corrente. 
4- Deixar na solução de lugol por 1 minuto. 
5- Lavar em água corrente. 
6- Descorar no álcool – acetona descorar rapidamente (máximo 15 segundos ou menos). 
7- Lavar em água corrente. 
8- Corar 30 segundos com fucsina/safranina. 
9- Lavar em água corrente. 
10- Secar e observar em objetiva de imersão (100X). 
 
Gram Positivas - Bactérias coradas em azul/roxo. 
Gram Negativas - Bactérias coradas em vermelho/rosa. 
 
 
 
 
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Soluções e ordem 
de aplicação 
Reação e aspecto das bactérias 
 
Gram Positivas 
 
Gram Negativas 
 
1 - Cristal Violeta Coradas em violeta Coradas em violeta 
2-Solução de lugol Formação do complexo CV-I 
no interior da célula, que 
permanece violeta. 
Formação do complexo CV-I no 
interior da célula, que 
permanece violeta. 
3 - Alcool Acetona Desidratação da parede celular, 
diminuição da porosidade e da 
permeabilidade; o complexo 
CV-I não pode sair da célula, 
que permanece violeta. 
Extração de lipídios, aumento 
da porosidade e permeabilidade 
da parede celular; complexo 
CV-I é removido e as bactérias 
são descoradas. 
 
 
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4 - Fucsina ou 
 Safranina 
A célula não é afetada, 
permanecendo 
VIOLETA(AZUL) 
A célula adquire o corante 
tornando-se 
 VERMELHO (ROSA) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. COCOS GRAM POSITIVOS 
 
STAPHYLOCOCCUS 
 
Introdução 
O gênero Staphylococcus compreende várias espécies, sendo três delas de 
interesse médico: S. aureus, S. epidermidis e S. saprophyticus. O S. aureus pode causar 
abscessos, várias infecções piogênicas (endocardite, osteomielite), infecções urinárias, 
intoxicação alimentar e síndrome do cheque térmico. O S. epidermidis pode causar 
endocardites e infecções piogênicas e o S. saprophyticus causa infecções urinárias. 
 
Morfologia e identificação 
 
 
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Os estafilococos são cocos esféricos Gram-Positivos, organizados em cachos de 
uva irregulares, medindo cerca de 1 de diâmetro, geralmente acapsulado. Todos os 
estafilococos produzem catalase, enquanto nenhum dos estreptococos produz essa 
enzima. (a catalase degrada H2O2 em O2 e H2O). 
Três espécies são interesse são patógenos humanos: S. aureus, S. epidermidis e 
S. saprophyticus. Sendo o S. aureus o mais importante, que é diferenciado das outras 
espécies pela produção de coagulase, além de normalmente fermentar o manitol e 
hemolisar o sangue, o que não acontece com as outras espécies (veja quadro abaixo). 
O S. aureus produz vários componentes importantes na parede celular assim 
como antígenos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Espécie Produção de 
coagulase 
Hemólise 
típica 
Fermentação 
do manitol 
Características importantes 
S. aureus +  + Presença de proteína A na 
superfície da célula, lesões 
supurativas. 
S. epidermidis - Nenhuma - Sensível a novobiocina, membro 
comum da flora da pele. 
S. saprophyticus - Nenhuma - Resistente a novobiocina, algumas 
vezes causam infecções do trato 
urinário. 
 
 
 
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As duas espécies de estafilococos coagulase negativos são diferenciadas pela sua 
sensibilidade ao antibiótico novobiocina: S. epidermidis é sensível, enquanto o S. 
saprophyticus é resistente. 
 
Características culturais 
 Crescem bem em meios comuns, caldo ou ágar simples, pH 7, á temperatura 
ótima de 37ºC. 
Em caldo turvação difusa, com depósito discreto, facilmente emulsificável.