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no Brasil, foi a do Rio, com Lúcio Costa à frente, e ainda inigualada até 
hoje [...]”. O termo “Escola Carioca” passou a denominar essa primeira 
fase da arquitetura moderna brasileira, produzida principalmente entre os 
anos 1930 e 1950, por arquitetos radicados no Rio de Janeiro, como Lúcio 
Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Reidy. 
Além da sede do Ministério da Educação e Saúde e do Conjunto Arqui-
tetônico da Pampulha, outras obras de importância significativa atribuídas 
a essa fase são o Grande Hotel de Ouro Preto (1938) e o Pavilhão do Brasil 
na Feira Internacional de Nova York (1939), projetados por Niemeyer; o 
Conjunto Habitacional do Pedregulho (1950) e o Museu de Arte Moderna do 
Rio de Janeiro (1954), projetados por Reidy; o edifício sede da Associação 
Brasileira de Imprensa (1936), projetado pelos irmãos Roberto; e o Plano 
Piloto de Brasília (1957), de Lúcio Costa. Este último, embora situado em 
um momento em que começavam a despontar diferentes rumos para a ar-
quitetura moderna, ainda é considerado uma obra pertencente a esse grupo 
(BRUAND, 1981).
Brutalismo e a Escola Paulista
À outra parte da produção arquitetônica do país, produzida originalmente por 
um grupo de arquitetos radicados em São Paulo, atribui-se o nome de Escola 
Paulista. O grupo foi liderado pelo arquiteto-engenheiro paranaense João 
Batista Vilanova Artigas, que defendia que a arquitetura brasileira só podia se 
desenvolver respondendo a problemas brasileiros, sobretudo a questões sociais, 
como o atraso e a pobreza da população. Artigas era crítico da Escola Carioca 
e da infl uência de Le Corbusier, defendendo que esta deixava a arquitetura do 
país dependente de uma visão estrangeira.
A partir de projetos realizados no final da década de 1950, passaram 
a distinguir-se as linhas da escola: uso do concreto aparente, emprego de 
grandes vãos, uso de rampas, horizontalidade, continuidade espacial e 
um sentido de predominância de soluções técnicas em relação às soluções 
estéticas. O edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Uni-
versidade de São Paulo (FAU/USP), em 1961, projetado em conjunto com 
Carlos Cascaldi, marca o ponto alto dessa escola. Essas características 
revelam a intenção política do arquiteto — fundamental para a compre-
ensão do movimento paulista — de que a modernização da construção 
civil por meio da racionalização e da industrialização do projeto seriam 
soluções para a superação do subdesenvolvimento. O projeto de Artigas e 
Cascaldi tornou-se um paradigma do brutalismo da escola paulista por seu 
A crítica ao Modernismo no Brasil4
acabamento primitivo, que dependia de baixo nível de habilidade manual 
para a sua construção, mas altamente sofisticado por sua solução estrutural 
(ANDREOLI; FORTY, 2004).
Além de projetar o edifício que abrigaria a Faculdade de Arquitetura e 
Urbanismo da USP (Figura 2), Artigas também teve um papel central na 
organização do currículo do curso, criando espaço (tanto de forma literal 
quanto abstrata) para a discussão e a propagação das suas ideias (ANDREOLI; 
FORTY, 2004). 
Figura 2. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (1961), em São Paulo.
Fonte: Corullon (2017, documento on-line).
Paulo Mendes da Rocha é outro proeminente arquiteto associado à Escola 
Paulista. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade 
Presbiteriana Mackenzie, em 1954, ele teve rápida ascensão e reconhecimento 
profissional. Assim, foi convidado por Artigas, em 1961, a lecionar na FAU/
USP. Mendes da Rocha é um grande defensor das soluções estruturais de grande 
porte, visíveis em projetos como o Ginásio do Clube Atlético Paulistano (1958), 
a sede social do Jóquei Clube de Goiás (1962), o Edifício Guaimbê (1964) e, 
mais tarde, o Museu Brasileiro da Escultura (1986). As características dessas 
e das demais obras do arquiteto demonstram a chamada “virada brutalista” 
da arquitetura, em que passam a figurar ao redor do mundo, sobretudo no 
domínio de edifícios públicos, projetos que fazem uso do concreto armado 
bruto, evidenciando a sua estrutura (ROCHA, 1999). 
5A crítica ao Modernismo no Brasil
Acesse o link a seguir e assista ao crítico inglês Kenneth Frampton em entrevista sobre 
a obra de Paulo Mendes da Rocha.
https://qrgo.page.link/RazA4
Também integra essa geração a arquiteta italiana radicada no Brasil Lina 
Bo Bardi, em cuja obra, entre outras características, destaca-se a ênfase do 
discurso social no programa da sua arquitetura. Um exemplo disso é o seu 
projeto para o Museu de Arte de São Paulo (1958), um monumento à alta 
cultura, em que Bardi abriu espaço para as massas, removendo o programa 
do andar térreo e dividindo o museu em duas partes. Com esse movimento, 
a rua passou a fazer parte do museu, abrindo-se para a ocupação e a ma-
nifestação da população. A admiração pela cultura popular tornou-se uma 
das principais influências do seu trabalho, que estabeleceu o diálogo entre 
o moderno e o popular.
Ao mesmo tempo em que muitas dessas obras estavam sendo produzidas 
no Brasil, começavam a surgir arquitetos e críticos no cenário internacional 
dispostos a avaliar de forma crítica os sucessos e as falhas do movimento mo-
derno. Grande parte das críticas tinham como seu principal alvo a arquitetura 
racionalista e universal defendida pelo estilo internacional, apontada como 
redutiva. De forma semelhante, no campo do urbanismo, foi o funcionalismo 
do planejamento urbano moderno que passou a ser rejeitado.
As críticas ao movimento moderno
Em 1928, foi fundado o Congresso Internacional de Arquitetura Moderna 
(CIAM), responsável pela organização de uma série de eventos e confe-
rências internacionais com o objetivo de promover o debate e a difusão da 
arquitetura moderna. Na ocasião do quarto CIAM (1933), foram discutidos 
os princípios da “cidade funcional”, expandindo o escopo da organização 
ao urbanismo. Nessa ocasião, foram discutidas diretrizes e soluções para 
os principais problemas enfrentados pelas cidades, os quais poderiam ser 
resolvidos, entre outras medidas, por meio de uma estrita segregação fun-
cional do espaço urbano.
A crítica ao Modernismo no Brasil6

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