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Ordem tributária Direito tributário 01 Conceito de direito tributário O Direito Tributário é a área do direito que regula as relações entre o Estado e os contribuintes em relação aos tributos. Tributo é uma obrigação pecuniária (ou seja, de pagamento em dinheiro) imposta pelo Estado, com o objetivo de financiar suas atividades e prover recursos para a consecução do bem comum. Atividade financeira do Estado A atividade financeira do Estado refere-se à gestão das finanças públicas, abrangendo a arrecadação de receitas, a gestão do orçamento e a execução de despesas, com o objetivo de atender às necessidades públicas. É o conjunto de atos e operações que o Estado pratica para obter, administrar e aplicar recursos financeiros, visando a realização de suas funções e o cumprimento de suas obrigações. Em detalhe: · Obtenção de Receitas: O Estado arrecada recursos por meio de diversos mecanismos, como impostos, taxas, contribuições de melhoria, tarifas, entre outros. · Gestão Orçamentária: O orçamento público é o instrumento que estabelece as previsões de receita e despesa do Estado, permitindo a alocação de recursos para diferentes áreas e projetos. · Execução de Despesas: A execução orçamentária consiste na aplicação dos recursos arrecadados para o custeio das atividades estatais, como a prestação de serviços públicos, a realização de obras, entre outros. Objetivos: · Atender às necessidades públicas: A atividade financeira do Estado busca garantir a prestação de serviços essenciais à população, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, entre outros. · Promover o desenvolvimento: A gestão financeira do Estado pode ser utilizada para impulsionar o crescimento econômico e social, por meio de investimentos em infraestrutura, educação e outros setores. · Garantir a estabilidade econômica: A atividade financeira do Estado contribui para a estabilidade econômica, por meio da gestão de receitas e despesas, da política fiscal e monetária, entre outros. Princípios: A atividade financeira do Estado deve seguir princípios como: · Legalidade: As operações financeiras devem estar amparadas por lei. · Transparência: A gestão do dinheiro público deve ser transparente, permitindo o controle social. · Eficiência: Os recursos públicos devem ser utilizados de forma eficiente, buscando o melhor resultado com o menor custo. · Responsabilidade fiscal: O Estado deve ter responsabilidade em sua gestão financeira, evitando gastos excessivos e a geração de dívidas. · Equidade: Os recursos públicos devem ser distribuídos de forma equitativa entre as diferentes áreas e regiões. A atividade financeira do Estado é um tema complexo e multifacetado, que abrange diversos aspectos, desde a arrecadação de impostos até a gestão de programas sociais. A sua adequada gestão é fundamental para o desenvolvimento do país e para o bem-estar da população. Fontes do Direito Financeiro As principais fontes do Direito Financeiro são a Constituição Federal, as Leis Complementares, as Leis Ordinárias, as Medidas Provisórias, os Decretos e as Resoluções. A Constituição Federal, em especial, é considerada a fonte primária, estabelecendo as bases para a organização financeira do Estado. Fontes Formais Primárias: · Constituição Federal: É a fonte principal e suprema, definindo os princípios e regras básicas que regem o Direito Financeiro. · Leis Complementares: Regulam questões específicas, como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/00), que estabelece normas gerais para o controle fiscal e a gestão das finanças públicas. · Leis Ordinárias: Incluem a Lei Orçamentária Anual (LOA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA), que são fundamentais para a elaboração e execução do orçamento público. · Medidas Provisórias: Podem ser utilizadas em situações excepcionais, como para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, conforme estabelecido na Constituição Federal. · Decretos: São normas regulamentares que detalham as leis e as aplicam, no âmbito da gestão financeira pública. · Resoluções: Atuam como normas complementar e que podem definir limites e regras para operações de crédito, por exemplo. Fontes Formais Secundárias: · Decretos e Regulamentos: São normas de execução das leis e que detalham regras e procedimentos para a gestão financeira. · Instruções Normativas: São normas baixadas por órgãos administrativos e que detalham regras e procedimentos para a gestão financeira. · Jurisprudência: A interpretação e aplicação das leis pelas autoridades judiciais também constituem fontes do Direito Financeiro. · Doutrina: A contribuição dos juristas e estudiosos para a compreensão e a aplicação das normas também é importante. · Princípios Gerais do Direito: São princípios gerais que informam as regras e a interpretação das normas financeiras. Principais Normas de Direito Financeiro: · Lei 4.320/64: Estatui normas gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. · Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/00): Define normas gerais de gestão financeira e controle fiscal, incluindo o planejamento, execução e controle dos gastos públicos. · Normas relativas ao orçamento público: A LOA, LDO e PPA estabelecem os limites e as regras para a gestão financeira do Estado, incluindo a arrecadação de receitas e o pagamento de despesas. · Normas sobre controle externo: O Tribunal de Contas da União (TCU) exerce o controle externo sobre a gestão financeira pública, garantindo a legalidade e a transparência dos gastos. Despesa pública refere-se aos gastos realizados pelo governo com recursos da receita pública para financiar serviços públicos, investimentos e outras atividades essenciais à sociedade. Estes gastos, que podem ser de custeio (como salários de servidores e manutenção de infraestrutura) ou de capital (como investimentos em obras), são fundamentais para o funcionamento do Estado e a melhoria da qualidade de vida da população. Conceito e Aspectos: · Definição: Despesa pública é o conjunto de gastos que o governo faz para atender às necessidades da sociedade, utilizando recursos da receita pública (impostos, taxas, contribuições, etc.). · Finalidade: As despesas públicas visam garantir a prestação de serviços públicos, como educação, saúde, segurança, infraestrutura, e a realização de investimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. · Classificações: As despesas públicas podem ser classificadas em diferentes categorias, como despesas correntes (custeio) e despesas de capital (investimentos), e podem ser de caráter discricionário (que o governo escolhe como usar) ou obrigatório (como pagamentos de benefícios e dívidas). · Étapas da Despesa Pública: A execução da despesa pública envolve etapas, como o empenho (reserva do dinheiro), liquidação (confirmação do débito) e o pagamento (efetivação do débito). Importância: Função do Estado: As despesas públicas são um instrumento essencial para o cumprimento das funções do Estado, como garantir a ordem, a segurança, a saúde e o desenvolvimento da sociedade. · Melhora da Qualidade de Vida: Os investimentos públicos em infraestrutura, educação, saúde e outros setores contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população. · Equilíbrio Fiscal: É importante que o governo tenha um bom controle das suas despesas públicas, garantindo que elas sejam equilibradas com a receita, evitando déficits e garantindo a saúde financeira do país. Exemplos de Despesas Públicas: · Salários de servidores públicos. · Custos com a manutenção de escolas e hospitais. · Investimentos em infraestrutura (estradas, pontes, etc.). · Pagamentos de benefícios sociais (aposentadorias, auxílios, etc.). · Custeio de programas de apoio à agricultura, educação, saúde, etc. A receita pública, de forma geral, refere-se aos recursos financeiros que o governo, em todos os seus níveis (União, Estados e Municípios), arrecada e utiliza para financiarde capital). As despesas públicas podem ser classificadas em diversos grupos, como discricionárias, obrigatórias, primárias, financeiras, correntes e de capital. Conceito de Despesa Pública: · É a aplicação dos recursos arrecadados por meio de impostos e outras fontes para custear os serviços públicos e realizar investimentos. · Visa garantir a prestação de serviços como saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre outros, além de financiar investimentos em bens duradouros. · A despesa pública é fundamental para a gestão do Estado e a garantia dos direitos sociais e econômicos dos cidadãos. Classificação das Despesas Públicas: 1. 1. Por Natureza: . Despesas Correntes: São gastos com a manutenção das atividades do governo, como salários, benefícios sociais, compra de materiais e energia, entre outros. . Despesas de Capital: São investimentos em bens duradouros, como estradas, hospitais, escolas, que possuem um ciclo de vida mais longo. 2. 2. Por Caráter: . Despesas Discricionárias: São gastos que o governo pode ajustar conforme a disponibilidade de recursos, como gastos com programas específicos ou atividades que não são essenciais. . Despesas Obrigatórias: São gastos que o governo não pode evitar, como salários de servidores e benefícios previdenciários. 3. 3. Por Economia: . Despesas Primárias: Referem-se aos gastos em bens e serviços públicos, como saúde, educação, segurança, entre outros. . Despesas Financeiras: Incluem o pagamento de juros e amortização da dívida pública. 4. 4. Outras Classificações: . Classificação Funcional: Indica em qual área de atuação governamental a despesa será realizada (saúde, educação, etc.). . Classificação Institucional: Refere-se à estrutura organizacional e administrativa do governo, detalhando em que órgão a despesa será realizada. . Classificação Programática: Agrupa as despesas de acordo com os objetivos e programas de governo. DESPESAS PUBLICAS CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO Despesa pública é o conjunto de gastos realizados pelo governo com a finalidade de financiar os serviços públicos (despesas correntes) ou realizar investimentos (despesas de capital). As despesas públicas podem ser classificadas em diversos grupos, como discricionárias, obrigatórias, primárias, financeiras, correntes e de capital. Conceito de Despesa Pública: · É a aplicação dos recursos arrecadados por meio de impostos e outras fontes para custear os serviços públicos e realizar investimentos. · Visa garantir a prestação de serviços como saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre outros, além de financiar investimentos em bens duradouros. · A despesa pública é fundamental para a gestão do Estado e a garantia dos direitos sociais e econômicos dos cidadãos. Classificação das Despesas Públicas: 1. 1. Por Natureza: . Despesas Correntes: São gastos com a manutenção das atividades do governo, como salários, benefícios sociais, compra de materiais e energia, entre outros. . Despesas de Capital: São investimentos em bens duradouros, como estradas, hospitais, escolas, que possuem um ciclo de vida mais longo. 2. 2. Por Caráter: . Despesas Discricionárias: São gastos que o governo pode ajustar conforme a disponibilidade de recursos, como gastos com programas específicos ou atividades que não são essenciais. . Despesas Obrigatórias: São gastos que o governo não pode evitar, como salários de servidores e benefícios previdenciários. 3. 3. Por Economia: . Despesas Primárias: Referem-se aos gastos em bens e serviços públicos, como saúde, educação, segurança, entre outros. . Despesas Financeiras: Incluem o pagamento de juros e amortização da dívida pública. 4. 4. Outras Classificações: . Classificação Funcional: Indica em qual área de atuação governamental a despesa será realizada (saúde, educação, etc.). . Classificação Institucional: Refere-se à estrutura organizacional e administrativa do governo, detalhando em que órgão a despesa será realizada. . Classificação Programática: Agrupa as despesas de acordo com os objetivos e programas de governo LEGALIDADE DA DESPESA PÚBLICA A legalidade da despesa pública, no âmbito do direito financeiro, significa que as despesas do Estado devem ser realizadas com base na lei, ou seja, obedecendo às normas estabelecidas para a gestão dos recursos públicos. Isso significa que a despesa pública deve estar prevista e autorizada na Lei Orçamentária Anual (LOA) e deve seguir os estágios de empenho, liquidação e pagamento. Detalhes sobre a legalidade da despesa pública: · Legalidade Orçamentária: A despesa pública deve estar dentro dos limites e condições estabelecidos na LOA, que aprovada pelo Congresso Nacional, fixa as despesas e receitas do governo para o ano. · Legalidade Procedimental: A despesa pública deve seguir os procedimentos estabelecidos em lei, como o empenho, que é a reserva de recursos para a realização da despesa. · Legalidade Específica: A despesa pública deve atender a normas específicas que regulam determinados tipos de despesa, como as relacionadas a recursos humanos ou a contratos com o Estado. · Princípio da Legalidade: A Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelecem a importância do princípio da legalidade, que garante que a Administração Pública só pode agir e executar planos de Estado naquilo que a lei expressamente autorizar. · Creditos Adicionais: Se, no decorrer do ano, a despesa inicial prevista na LOA for insuficiente ou se surgirem novas necessidades não previstas, é possível realizar créditos adicionais, que devem ser aprovados pelo Congresso Nacional, para garantir a legalidade da despesa. · Estágios da Despesa: A execução da despesa pública segue os estágios de empenho, liquidação e pagamento. O empenho é a reserva de recursos, a liquidação é a verificação do direito do credor, e o pagamento é a transferência do dinheiro. · Despesa Obrigatória: Existe também a despesa obrigatória, que a União tem a obrigação legal ou contratual de realizar. · Classificação da Despesa: A despesa pública pode ser classificada de diversas formas, como por função (educação, saúde, etc.), por programa, por modalidade, entre outras. Em resumo, a legalidade da despesa pública é um princípio fundamental que garante a transparência e o controle dos gastos públicos, impedindo que o governo utilize os recursos sem autorização lega PRECATÓRIOS JUDICIAIS. Precatórios judiciais são requisições de pagamento emitidas pelo Poder Judiciário, após uma decisão definitiva, para que um órgão ou entidade pública pague dívidas decorrentes de ações judiciais. Essas requisições garantem que o credor (aquele que tem direito ao pagamento) receba o valor devido. Detalhes adicionais: · Definição: Precatórios são requisições de pagamento que o Judiciário envia a um órgão público para que este pague uma dívida resultante de uma ação judicial que já foi julgada e não cabe mais recurso. · RPVs: As Requisições de Pequeno Valor (RPVs) são um tipo específico de precatório que se aplica a dívidas de menor valor, e também são um tipo de requisição para pagamento. · Organização dos Pagamentos: Os tribunais organizam listas de precatórios para pagamento, geralmente por ordem cronológica, mas também podem dar preferência a credores com direito a pagamento prioritário (idosos, doentes graves, etc.). · Consultas: É possível consultar precatórios e RPVs no site do tribunal responsável, utilizando informações como CPF ou número do processo. · Pagamento: O pagamento dos precatórios e RPVs é feito por meio de depósitos em conta judicial e posterior levantamento do valor. · Negociação: Em alguns casos, é possível negociar a venda ou cessão de créditos de precatórios, com a ajuda de plataformas especializadas. · Provisões Contábeis: As provisões para perdas judiciais e administrativas são valores estimados para cobrir possíveis dívidas provenientes de ações judiciais e administrativas contra a União. · Riscos Fiscais: A União pode ter riscos fiscais relacionados a ações judiciais e precatórios, que podemser classificados como prováveis, possíveis ou remotos. · Pagamento de Precatórios em 2025: O pagamento de precatórios federais de 2025 estará disponível a partir da primeira quinzena de agosto RECEITAS PÚBLICAS CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES A receita pública, em termos simples, é o dinheiro que o governo arrecada para financiar as suas atividades e prestar serviços à sociedade, como saúde, educação, segurança, infraestrutura, entre outros. É o dinheiro que entra nos cofres públicos, sendo um importante indicador da saúde financeira de um país ou região. Conceito: · Receita pública: Conjunto de todos os recursos financeiros que o governo arrecada para cobrir as despesas públicas. · Importância: A receita pública é fundamental para o funcionamento do estado, pois financia as políticas públicas e garante a prestação de serviços essenciais à população. Classificação: A receita pública pode ser classificada de diferentes formas, dependendo do critério utilizado: 1. 1. Quanto à procedência: . Receitas originárias: Resultam da exploração de atividades econômicas pelo governo, como aluguel de imóveis, venda de produtos, serviços ou preços públicos. . Receitas derivadas: Derivam da soberania do Estado, como impostos e contribuições. 2. 2. Quanto à natureza: . Receitas correntes: São as receitas que ocorrem com regularidade, como impostos, taxas, contribuições e transferências. . Receitas de capital: São aquelas que aumentam o patrimônio do Estado, como a venda de ativos ou empréstimos. 3. 3. Quanto à apuração do Resultado Primário: . Receitas primárias: São aquelas que entram no cálculo do Resultado Primário (receita líquida do Estado, excluindo juros da dívida). . Receitas não primárias: Não entram no cálculo do Resultado Primário. 4. 4. Quanto à fonte e destinação dos recursos: . Receitas próprias: Arrecadadas pelo próprio ente federado (União, Estados, Municípios). . Transferências: Recursos financeiros recebidos de outros entes federados. Importante: · A classificação da receita pública é importante para a gestão fiscal do governo, permitindo o acompanhamento da arrecadação e o planejamento das despesas. · A receita pública também pode ser dividida em receitas orçamentárias e extraorçamentárias. As receitas orçamentárias são aquelas que constam no orçamento do governo, enquanto as extraorçamentárias não. Exemplos: · Receita tributária: Imposto de Renda, ICMS, IPTU, ISS. · Receita patrimonial: Aluguel de imóveis públicos. · Receita de serviços: Taxa de água, esgoto, etc. · Transferências: Recursos da União para Estados e Municípios. · Receitas de capital: Venda de ativos do Estado. RENUNCIA DE RECEITA O que é renúncia de receita? A renúncia de receita ocorre quando o governo deixa de arrecadar parte dos impostos, taxas ou contribuições que deveria receber. Isso pode acontecer por diversos motivos, como a concessão de incentivos fiscais, isenções, anistias ou reduções de alíquotas. A renúncia fiscal permite a determinadas empresas e pessoas físicas pagar menos imposto. É uma política para estimular o desenvolvimento de setores estratégicos ou de regiões no país. Caso da Zona Franca de Manaus, do Simples Nacional e do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos. Qual é o objetivo da renúncia fiscal? A renúncia fiscal representa uma política governamental de concessão de benefícios fiscais, com o intuito de promover o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável. CREDITO PÚBLICO CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO O Crédito Público refere-se aos recursos financeiros obtidos pelo Estado (União, Estados e Municípios) através de empréstimos, seja em moeda corrente ou através de títulos da dívida pública, para financiar suas despesas. É uma forma de financiar a dívida pública e atender às necessidades de caixa do governo. O crédito público pode ser classificado de diferentes formas, incluindo por voluntariedade, coercitividade, prazo de vencimento, e tipo de dívida. Conceito e Classificações do Crédito Público: · Conceito: O crédito público é um procedimento financeiro pelo qual o Estado capta recursos através de empréstimos, assumindo a obrigação de restituí-los nos prazos e condições fixados. · Classificações: . Por Voluntariedade: . Crédito Público Voluntário: O credor decide por livre escolha emprestar ao Estado (ex: aquisição de títulos da dívida pública). . Crédito Público Involuntário: O credor é obrigado a emprestar ao Estado (ex: empréstimo compulsório). . Por Coercitividade: . Crédito Público Forçado: O Estado obriga a um credor a emprestar-lhe recursos (ex: empréstimo compulsório). . Crédito Público Voluntário: O credor empresta por livre escolha ao Estado. . Por Prazo de Vencimento: . Dívida Pública Fundada: Dívida pública com prazo determinado de vencimento (ex: títulos do Tesouro Nacional). . Dívida Pública Flutuante: Dívida pública sem prazo determinado de vencimento (ex: títulos de curto prazo). . Por Tipo de Dívida: . Dívida Interna: Empréstimos contraídos dentro do território nacional. . Dívida Externa: Empréstimos contraídos no exterior. . Dívida em Moeda Corrente: Empréstimos em moeda corrente. . Dívida em Títulos: Empréstimos em títulos da dívida pública. · Natureza Jurídica: O crédito público é considerado um contrato de direito público, sendo um ato de soberania do governo, porém, também pode ser visto como um ato legislativo, dependendo da perspectiva. Importância: O crédito público é uma ferramenta importante para o Estado, pois permite financiar investimentos, suprir déficits orçamentários e cobrir outras despesas, auxiliando na estabilidade econômica e na execução de políticas pública TECNICAS INSTRUMENTAIS Existem diversas técnicas utilizadas para obter crédito público, incluindo: · Títulos da dívida pública: Emissão de títulos (como os do Tesouro Direto) para captação de recursos do público. · Empréstimos bancários: Obtenção de crédito junto a bancos e instituições financeiras. · Prêmios de reembolso: Diferença entre o valor nominal do título e o valor real em algumas emissões. · Juros progressivos: A taxa de juros aumenta com o tempo, refletindo o risco de crédito. · Moeda e empréstimos indexados: Taxas de juros e valores de empréstimos ajustados à inflação. · Lotos: Sorteios periodicamente com prêmios em dinheiro, como na loteria. · Conversão: Troca de títulos por outros com menos juros ou resgate imediato. Orçamento Público. Conceito. Processo de elaboração. O Orçamento Público é um instrumento fundamental que prevê as receitas a serem arrecadadas (impostos e outras fontes) e fixa as despesas a serem realizadas pelo Estado no próximo exercício financeiro. É um processo que envolve diversas fases, desde a elaboração da proposta até a sua aprovação e execução, com o objetivo de garantir a gestão eficiente dos recursos públicos. Conceito: O Orçamento Público é uma ferramenta de planejamento que detalha a previsão das receitas e a destinação dos recursos públicos. É uma lei que estabelece as regras para a arrecadação de impostos e a realização de despesas. Processo de Elaboração: O processo de elaboração do Orçamento Público envolve diversas etapas: 1. 1. Elaboração e Planejamento: O Poder Executivo (Prefeito, Governador ou Presidente) elabora a proposta orçamentária, que deve ser compatível com os planos definidos no Plano Plurianual (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). 2. 2. Apreciação Legislativa: O Poder Executivo encaminha a proposta orçamentária ao Poder Legislativo (Câmara dos Vereadores, Assembleia ou Câmara Legislativa ou Congresso Nacional) para discussão e aprovação. 3. 3. Execução Orçamentária: Após a aprovação da LOA, o Poder Executivo executa o orçamento, ou seja, arrecada as receitas e realiza as despesas conforme estabelecido na lei. 4. 4. Controle e Avaliação: O Poder Legislativo, os órgãos de controle (como o Tribunal de Contas) e a sociedade civil acompanham a execução do orçamento e avaliam seus resultados. Etapas Detalhadas: · Plano Plurianual (PPA): Estabeleceas diretrizes, objetivos e metas de médio e longo prazo da administração pública para um período de quatro anos. · Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): Define as diretrizes para a elaboração e execução do orçamento anual, estabelecendo as prioridades da administração pública. · Lei Orçamentária Anual (LOA): Detalha as receitas e despesas para o exercício financeiro, definindo como os recursos serão arrecadados e como serão utilizados. Princípios da Elaboração: O processo de elaboração do Orçamento Público deve observar princípios importantes, como: · Princípio da Legalidade: O orçamento deve ser elaborado e executado de acordo com a lei. · Princípio da Universalidade: Todas as receitas e despesas do Estado devem constar no orçamento. · Princípio da Unidade: O orçamento deve ser único para cada ente federativo (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). · Princípio da Publicidade: O orçamento deve ser publicitado para que a sociedade possa acompanhar a execução dos recursos públicos. Importância: O Orçamento Público é fundamental para a gestão dos recursos públicos, garantindo que o dinheiro arrecadado seja utilizado de forma eficiente e transparente, em benefício da sociedade. O acompanhamento e a avaliação do orçamento contribuem para a fiscalização do uso do dinheiro público e a melhoria da gestão pública. Tribunal de contas. Conceito e função. Controle e fiscalização. Estrutura e organização. O Tribunal de Contas (TC) é um órgão de controle externo responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, garantindo que sejam utilizados de forma legal, legítima e econômica. Sua função principal é auxiliar o Poder Legislativo no acompanhamento da execução orçamentária e financeira do país e contribuir para o aprimoramento da Administração Pública. Conceito e Função: · O Tribunal de Contas é um órgão independente que fiscaliza a gestão dos recursos públicos, verificando se a aplicação está de acordo com a lei e se os gastos são eficientes. · Auxilia o Poder Legislativo no controle externo, emitindo pareceres e relatórios sobre as contas dos governantes e órgãos públicos. · Tem a função de garantir a transparência e a responsabilidade na gestão pública, contribuindo para o bom funcionamento da Administração Pública e a melhor utilização dos recursos do Estado. Controle e Fiscalização: · O controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas. · Os Tribunais de Contas realizam auditorias, inspeções e outros procedimentos de fiscalização para verificar a legalidade e a economicidade das ações da Administração Pública. · Verificam se as contas anuais dos governantes foram aprovadas conforme a lei e se foram cumpridos os limites constitucionais na aplicação dos recursos públicos. · Fiscalizam a aplicação de recursos públicos em diversas áreas, como educação, saúde, meio ambiente e outros, garantindo que sejam utilizados de forma eficiente e transparente. · Os Tribunais de Contas podem instaurar tomadas de contas especiais para apurar irregularidades e responsabilizar os gestores públicos pelos prejuízos causados ao erário. Estrutura e Organização: · No Brasil, existem 33 Tribunais de Contas: o Tribunal de Contas da União (TCU), os Tribunais de Contas dos Estados e os Tribunais de Contas dos Municípios. · O TCU é o principal Tribunal de Contas do país, fiscalizando a União e os órgãos federais. · Os Tribunais de Contas dos Estados fiscalizam os órgãos estaduais e os Tribunais de Contas dos Municípios fiscalizam os órgãos municipais. · Os Tribunais de Contas são compostos por conselheiros, que são responsáveis por julgar as contas e emitir decisões. · Têm uma estrutura administrativa com diversos setores especializados, como auditores, procuradores, técnicos e outros profissionais, que realizam o trabalho de fiscalização e controle. Em resumo: Os Tribunais de Contas são órgãos independentes que fiscalizam a gestão dos recursos públicos, garantindo que sejam utilizados de forma legal, legítima e econômica. Eles auxiliam o Poder Legislativo no controle externo e contribuem para a transparência e a responsabilidade na gestão pública, garantindo que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente e para o bem da sociedade. Lei de responsabilidade fiscal. Histórico. Natureza jurídica. Principais regras. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou Lei Complementar nº 101/2000, é um marco regulatório brasileiro que estabelece regras para a gestão fiscal dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), visando o controle dos gastos públicos, a transparência nas contas públicas e o equilíbrio fiscal. A LRF tem natureza jurídica de lei complementar, sendo um diploma legal que regulamenta normas de finanças públicas e responsabilidade na gestão fiscal. Histórico: · A LRF foi sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em 4 de maio de 2000 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, entrando em vigor imediatamente. · A lei foi criada com o objetivo de estabelecer regras para a gestão fiscal, visando o equilíbrio das contas públicas, a transparência nas contas públicas e a responsabilização dos gestores públicos. · A LRF representa um importante passo na modernização da gestão pública brasileira, buscando a sustentabilidade das finanças públicas e o bom uso dos recursos públicos. Natureza Jurídica: · A LRF é uma lei complementar, conforme estabelece o artigo 1º da lei. · As leis complementares são aquelas que regulamentam a Constituição Federal e, nesse caso, a LRF estabelece normas de finanças públicas que complementam o disposto na Constituição. · A LRF se aplica a todos os entes federativos, incluindo a União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Principais Regras: · Equilíbrio Fiscal: A LRF visa garantir que as despesas dos entes federativos não excedam suas receitas, buscando evitar o endividamento excessivo e a irresponsabilidade fiscal. · Transparência: A LRF exige que os entes federativos divulguem publicamente suas contas públicas, permitindo que a sociedade possa fiscalizar o uso dos recursos públicos. · Controle: A LRF estabelece mecanismos de controle para garantir que os entes federativos cumpram as regras da lei e evitem a irresponsabilidade fiscal. · Responsabilização: A LRF prevê sanções para os gestores públicos que não cumprirem as regras da lei, buscando responsabilizá-los por atos de irresponsabilidade fiscal. · Limites de Despesa: A LRF estabelece limites para as despesas com pessoal e para a dívida pública, buscando garantir que os entes federativos não comprometam demais suas finanças. · Planejamento: A LRF exige que os entes federativos elaborem planos de gestão fiscal, buscando garantir que as políticas públicas sejam implementadas de forma responsável. UNIDADE 2 TRIBUTO. CONCEITOS DOUTRINÁRIOS.CONCEITO LEGAL. O conceito de tributo está definido no art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo citado: “Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” TRIBUTO: CONCEITUAÇÃO E CLASSIFICAÇÕES CONCEITO DE TRIBUTO Dos diversos conceitos doutrinários sobre o que vem a ser o tributo, o mais prático é conceito legal trazido pelo art. 3º, do CTN, que diz Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Assim, esmiuçando melhor o conceito, temos inicialmente que o tributo é uma prestação compulsória. Como não é um contrato, em que exite liberdade de contratação, a obrigação tributária não é voluntária ou facultativa. Desta forma, a cobrança independe da vontade e do conhecimento do sujeito passivo (art. 5º, II, CF). Entrementes, o tributo também é uma prestação pecuniária, a ser paga emmoeda, onde o particular entrega dinheiro ao Estado, em regra. Isso porque, em 2001, adicionou-se a dação em pagamento como forma de extinção do crédito tributário de bem imóvel (art. 156, XI, CTN). Os tributos também são pagos com precatórios ou títulos da dívida pública, existindo compensação tributária (art. 156, II, CTN). Ato contínuo, o tributo não pode ser cobrado como punição por um ato ilícito É a diferença entre tributo e multa. O tributo está condicionado a uma hipótese de incidência (HI) em um ato lícito especificado em lei, que ao ser praticada na vida real ganha o nome de fato gerador (FG). No Brasil, o confisco é admitido somente como punição ou pena (art. 5º, XLVI, b, CF) e o tributo não pode ser utilizado como penalidade. A multa sim, é penalidade de caráter punitivo ou sancionatório cobrada pelo descumprimento de uma obrigação tributária, seja principal ou acessória (art. 113, §§ 1º ao 3º, CTN). A multa traz como hipótese de incidência (HI) um ato ilícito. O tributo também deve respeitar o princípio da legalidade, sendo a regra a sua criação ou extinção por lei (ordinária ou complementar), ou por medida provisória (MP) (art. 62, § 1º, III, CF). Porém, quando for para aumentar ou reduzir alíquotas de certos tributos (geralmente com finalidade extrafiscal), há exceções ao princípio da legalidade. Por fim, o tributo deve ser cobrado por atividade administrativa. É o lançamento tributário que torna o tributo líquido e exigível, transformando a obrigação tributária em um crédito tributário. É um ato vinculado, ou seja, não discricionário, sendo vedado ao administrador tributário analisar se a cobrança é conveniente, justa ou oportuna, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, § único, CTN). CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS Os tributos podem ser classificados quanto a sua finalidade, quanto à vinculação à atividade estatal, e quanto a quantidade. A classificação quanto à finalidade ou função divide os tributos em fiscais, extrafiscais e parafiscais. São fiscais os tributos que visam abastecer os cofres públicos. Exemplos: ISS, ICMS e IR. São extrafiscais os tributos para a intervenção na economia (mercado) e na ordem social, quando necessário. Exemplos: se o Estado quer estimular a produção automobilística nacional, aumentará o imposto de importação (II) sobre os veículos estrangeiros; se as montadoras de veículos estão com as vendas baixas e anunciam demissões em massa, o Estado pode reduzir o imposto sobre a produção industrial (IPI) para tornar o veículo mais barato, aquecendo o consumo e preservando os empregos. E são tributos parafiscais os que visam arrecadar recursos destinados a entidades terceiras. Exemplos: contribuições para o SESI, SENAC, SEBRAE, CRC, CREA etc. A classificação quanto à vinculação a atividade estatal divide os tributos em vinculados e não vinculados. Serão vinculados os tributos em que se sabe em qual serviço público a arrecadação será utilizada (serviços públicos singulares/específicos = uti singuli), sabendo-se qual a contrapartida que o Estado dará. Exemplos: taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Já os tributos não vinculados são aqueles que não estão atrelados à uma contraprestação do dinheiro arrecadado, servindo apenas como fonte de financiamento das atividades gerais do Estado (serviços públicos gerais/universais = uti universi). Exemplo: somente os impostos. Significa que, mesmo que alguém pague IPVA, este imposto nada tem a ver com a boa manutenção de ruas e estradas. Por último, mas não menos importante, a classificação quanto à quantidade, em que se destacam as teorias tripartite e pentapartite. Na teoria tripartite existem apenas 3 tributos, conforme determinam a CF e o CTN: os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (arts. 5º, CTN; 145, CF). Nessa teoria, os empréstimos compulsórios e as contribuições ou são taxa ou são contribuição de melhoria. Na teoria pentapartite existem 5 tributos: os impostos, as taxas, as contribuições de melhoria, os empréstimos compulsórios e as contribuições (arts. 148 e 149, CF). Apoiam esta teoria a doutrina majoritária e o STF. 1. IMPOSTOS Os impostos são tributos não vinculados que incidem sobre as manifestações de riqueza do sujeito passivo (devedor) e se sustentam sobre a ideia da solidariedade social (art. 167, IV, CF). Quanto mais riquezas uma pessoa possuir mais ela deve contribuir para que o Estado preste serviços públicos aos menos favorecidos. Enquanto os outros tributos têm caráter retributivo (contraprestacional) os impostos têm caráter contributivo (sem contraprestação) (art. 16, CTN). Exemplo: o pagamento do IPTU ou do IPVA não obriga o Município ou o Estado a tapar os buracos da sua rua. As receitas dos impostos visam a custear despesas com serviços públicos gerais/universais como segurança pública, educação, limpeza pública etc. O princípio da não afetação dos impostos proíbe a vinculação das receitas de impostos a qualquer órgão, fundo ou despesa, salvo em três exceções (art. 167, IV, CF): repartição de receitas entre os entes federativos; despesas mínimas com saúde, educação e administração tributária; e garantia de operações de antecipação de receita e pagamento de empréstimos com a União. A CF define a competência tributária privativa para criar impostos aos entes federativos, a saber: União: II, IE, IR, IPI, IOF, ITR e IGF (arts. 153 e 154, CF); Estados e DF: ITCMD, ICMS e IPVA (art. 155, CF); e Municípios e DF: IPTU, ITBI e ISS (art. 156, CF). A União ainda possui competência tributária residual, podendo criar novos impostos não definidos na CF (impostos residuais), por meio de LCP (art. 154, I, CF). 1.1. CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS Os impostos podem ser classificados de diversas formas. Vamos ver as principais: Ordinários e extraordinários. Sendo impostos ordinários os normais, comuns, estipulados na CF para a União, os Estados e os Municípios, com o rito legislativo normal. Exemplos: IR, IPVA, IPTU etc. Já os extraordinários são os que exigem uma situação extraordinária, incomum, excepcional. Só a União pode criar. Exemplo: IEG. Direitos e indiretos. Os impostos diretos são aqueles que o ônus não repercute em terceiros, quem paga é o contribuinte de direito (aquele que pratica o fato gerador). Exemplos: IR, IPTU, IPVA etc. Por outro lado, os indiretos: o ônus repercute em terceiros, quem paga é o contribuinte de fato (o consumidor final). Exemplos: ICMS e IPI. Pessoais e impessoais. Enquanto os impostos pessoais são subjetivos, incidindo sobre condições particulares (rendimentos, dependentes, gastos) e a capacidade contributiva de cada um (exemplo: IR), os reais são de matéria tributária (incidem sobre bens e serviços). Exemplos: todos os demais, salvo o IR. Progressivos, proporcionais e seletivos. Os impostos progressivos: quando a alíquota é variável, aumentando conforme aumenta a base de cálculo. Exemplos: IR, IPTU e ITR. Nos imposots proporcionais a alíquota é única/fixa, enquanto a base de cálculo é variável. Exemplos: ICMS, IPI e ITBI. Por fim, os impostos seletivos escolhem produtos para ter uma alíquota maior, geralmente para bens supérfluos/desnecessários. Exemplos: IPI e ICMS. 2. TAXAS As taxas são tributos vinculados, retributivos ou contraprestacionais, ou seja, são cobrados em troca da prestação de um serviço público pelo ente federativo aos contribuintes. A utilização do serviço pode ser efetiva ou potencial (arts. 145, II, CF; 77, CTN). A competência tributária é comum, podendo cobrar a taxa o ente federativo prestador do serviço (art. 25, § 1º, CF). 2.1. CLASSIFICAÇÃO DAS TAXAS As taxas são criadas por lei ordinária, e dividem-se em duas espécies: as taxas de polícia e as taxas de serviço. A palavra chave para identificar as taxas de polícia é fiscalização. Elas disciplinam e verificam o cumprimento das exigências legais relacionadas à higiene, produção, mercado etc. (art. 78, CTN). Exemplos: licenças, alvarás, autorizações etc. Por outro lado, as taxas de serviço são cobradas mediante a prestaçãode um serviço público que seja específico e divisível entre os usuários (art. 79, I e II, CNT). É serviço específico quando o contribuinte identifica o serviço prestado pelo Estado e sabe pelo que está pagando e é divisível quando o Estado identifica o usuário que está utilizando o serviço. O serviço público pode ser de utilização efetiva ou potencial (compulsória) (art. 79, I, b, CTN). Será de utilização efetiva quando o serviço for usufruído pelo usuário-contribuinte. Exemplo: a emissão de passaportes não é de utilização compulsória, sendo pago somente pelos usuários que desejam viajar ao exterior. Será de utilização potencial, mas de utilização obrigatória, quando for colocado à disposição do usuário-contribuinte, mas este não usufruir dele. Exemplo: a taxa de serviço de coleta de lixo é obrigatória, pois o serviço está disponível ao usuário, que não tem como optar por não recolherem o seu lixo, pois isso traria prejuízo à coletividade (Súmula Vinculante 19, STF). Serviços que não podem ser cobrados por taxas: iluminação pública (Súmula Vinculante 41, STF), pavimentação asfáltica, conservação de calçadas etc. O fato gerador e a base de cálculo das taxas não podem ser iguais aos dos impostos (arts. 145, § 2º, CF; 77, § único, CTN). Exemplo: a taxa de coleta de lixo como base de cálculo o tamanho do imóvel (Súmula Vinculante 29, STF); as custas processuais e emolumentos cartorários usam o valor da causa ou da condenação (Súmula 667, STF). 3. CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA As contribuições de melhoria são tributos decorrentes de obras públicas permanentes que venham a valorizar imóveis particulares (arts. 145, III, CF; 81-82, CTN). A competência tributária é comum, para o ente federativo que efetuar a obra pública (art. 3º, DL 195/67). O fato gerador é a valorização de imóvel decorrente de uma obra pública. Na listagem dos tipos de obras públicas que podem gerar valorização imobiliária constam pavimentação, parques, viadutos, ferrovias, aeroportos, instalação de redes de esgoto, de água potável, de energia elétrica, de telefones, gás etc. (art. 2º, DL 195/67). O sujeito passivo é o proprietário do imóvel no momento do término da obra (arts. 121, I e 123, CTN; 3º, § 3º, DL 195/67). A base de cálculo é a diferença entre os valores iniciais e finais dos imóveis beneficiados pela valorização. O valor da obra pública deve ser dividido entre os proprietários dos imóveis beneficiados, observando cada valorização individual. Desta forma, não existe uma alíquota fixa para este tributo, pois depende do valor total da obra dividido pelo número de beneficiários, além da valorização individual de cada imóvel. Por isso, existem dois limites máximos a serem respeitados (arts. 3º, § 2º, DL 195/67; 82, § 1º, CTN). 4. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS São empréstimos forçados, porém restituíveis, no caso de despesas extraordinárias relacionadas a guerra externa ou sua iminência, calamidade pública (terremoto, incêndio, enchentes, secas, tufões etc.) ou para investimento público urgente, relevante e de interesse nacional (arts. 148, CF; 15, CTN). A obrigação nasce por causa de uma lei, que estipulará o fato gerador que obrigará o contribuinte a emprestar ao Estado. É um tributo de competência tributária exclusiva da União, por meio de lei complementar. Mesmo tendo o caráter de urgência e relevância, não se aceita a criação desse tributo por meios mais céleres como lei ordinária ou MP. O empréstimo será exceção ao princípio da anterioridade tributária, podendo ser cobrado imediatamente, em caso de guerra e de calamidade pública (arts. 148, I; 150, III, b, CF). Sua arrecadação é vinculada, pois a utilização da receita obtida será exclusiva à atividade determinada. A mesma lei que instituir o tributo deverá fixar o prazo de restituição e as condições de resgate. 5. CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS As contribuições especiais são de competência da União, havendo apenas duas exceções: nas contribuições previdenciárias dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) dos servidores públicos dos Estados, Municípios e DF, e na COSIP (para Municípios e DF). 5.1. CLASSIFICAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS As contribuições especiais podem ser classificadas em quatro espécies. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Com função extrafiscal, é de competência exclusiva da União. O objetivo seria incentivar algumas atividades: a CIDE-Royalties para estimular a pesquisa científica e tecnológica nas universidades; a CIDE-Combustíveis, para subsidiar os preços dos derivados de petróleo, a infraestrutura de transporte e projetos ambientais. Contribuição de categorias profissionais ou econômicas. Se dividem em paraestatal, sindical e corporativa. A contribuição paraestatal tem função parafiscal, destina recursos para os serviços sociais autônomos (sistemas). Exemplos: SESC, SESI, SENAI, SENAC, SENAT etc. A contribuição sindical é a criada em assembleia de sindicalizados para custeio do sistema confederativo. Desde 2017, com a Rerforma Trabalhista, passou a ser obrigatória somente aos membros sindicalizados que autorizarem o desconto. E a contribuição corporativa, para custeio das entidades de fiscalização do exercício das profissões regulamentadas. Exemplo: CREA, CRC, CRM, CRECI etc Contribuição Especial. Se divide em social e residual. A contribuição social serve para o custeio da Seguridade Social (Previdência-Assistência-Saúde), de competência da União, com financiamentos provenientes de importação e exportação, concursos de prognósticos, trabalhadores (INSS) e empregadores (PIS/COFINS). Nos regimes próprios de previdência social (RPPS), a competência é de cada ente federativo. A contribuição residual, exclusiva da União, para a criação de novas contribuições para a seguridade social (previdência, assistência ou saúde). Exemplo: CPMF. Contribuição para o Serviço de Iluminação Pública (CIP ou COSIP). De competência dos municípios e do DF, a COSIP não pode ser substituída por imposto ou por taxa (Súmula vinculante 41, STF). Espécies tributárias: ênfase da teoria tripartida e pentapartida Classificação Tripartida e Pentapartida Direito Tributário O Código Tributário Nacional adota a Teoria Tripartite: artigo 5º, CTN: os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. Todavia, há quem defenda a Teoria Bipartite (Geraldo Ataliba e Alfredo Augusto Becker), que apregoam haver somente duas espécies tributárias: os tributos vinculados e os não vinculados. A Teoria Tripartite, também conhecida como tripartida ou tricotômica, divide os tributos em impostos, taxas e contribuições de melhoria. Roque Antônio Carrazza e Paulo de Barros Carvalho lecionam: As contribuições especiais e os empréstimos compulsórios são tributos, enquadrados nas espécies taxa ou imposto, dependendo da análise do correspondente fato gerador. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n. 146.733-9/SP, adotou a classificação Pentapartida, preceituando: impostos; taxas; contribuições de melhoria; empréstimo compulsório; contribuições especiais. Assim, o Superior Tribunal Federal, em julgamento de Recurso Extraordinário, adotou, e ainda adota, a classificação pentapartida. Desse modo, a classificação dos tributos em cinco espécies divide-os em: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimo compulsório e contribuição de melhoria UNIDADE 03 CONCEITO TRIBUTARIO O Direito Tributário é a área do direito que regula as relações entre o Estado e os contribuintes em relação aos tributos. Tributo é uma obrigação pecuniária (ou seja, de pagamento em dinheiro) imposta pelo Estado, com o objetivo de financiar suas atividades e prover recursos para a consecução do bem comum SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO E FEDERALISMO FISCAL O Sistema Constitucional Tributário e o Federalismo Fiscal são conceitos interdependentes que regulam a arrecadação e distribuição de receitas no Brasil. O federalismo fiscal, definido na Constituição, estabelece a competência para cada ente federativo (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) instituir e arrecadartributos, além de definir como as receitas são repartidas entre eles. Sistema Constitucional Tributário: · Definição: É o conjunto de normas e princípios que regem a tributação no Brasil, estabelecido na Constituição Federal e em legislação complementar. · Tipos de Tributos: A Constituição estabelece cinco tipos de tributos: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. · Competência Tributária: A Constituição define quais tributos a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios podem instituir, arrecadar e fiscalizar. · Princípios Tributários: A Constituição estabelece princípios que norteiam a tributação, como o princípio da legalidade (tributos devem ser instituídos por lei), o princípio da anterioridade (não se podem cobrar tributos no mesmo ano em que foram instituídos) e o princípio da igualdade (todos devem ser tratados igualmente diante da lei). Federalismo Fiscal: · Definição: É um sistema em que a União, os Estados e os Municípios possuem autonomia para definir e arrecadar seus próprios tributos, além de repassar parte da receita para os outros entes federativos. · Importância: Garante a autonomia financeira dos entes federativos, permite a cada um deles construir sua própria política fiscal e atua na distribuição de recursos entre as diferentes regiões do país. · Transferências Intergovernamentais: A União repassa receitas tributárias para os Estados e Municípios por meio de fundos, como o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). · Desafios: O federalismo fiscal enfrenta desafios como a desigualdade regional, a "guerra fiscal" (concorrência entre Estados para atrair empresas com benefícios fiscais) e a falta de recursos de alguns entes federativos. Interdependência: O sistema constitucional tributário e o federalismo fiscal estão intimamente ligados. O sistema constitucional tributário fornece as bases para o funcionamento do federalismo fiscal, definindo as competências e os princípios que regem a tributação. O federalismo fiscal, por sua vez, garante a autonomia e a participação de cada ente federativo na geração e distribuição de receitas tributárias, contribuindo para a descentralização da gestão fiscal no Brasil. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA: CONCEITO, ATRIBUTOS E ESPÉCIES. A competência tributária é um poder ou uma atribuição facultativa conferida pela Constituição Federal aos entes federativos, por meio da qual eles estão autorizados a instituir determinados tributos em seu território ESPÉCIES TRIBUTARIA Atualmente, existem cinco espécies de tributos no Brasil: três classificadas pelo Código Tributário Nacional, que são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria; e duas categorizadas pela Constituição Federal, que são os empréstimos compulsórios e as contribuições especiais. Repartição de receitas tributárias: conceito, função, espécies e vedações. A repartição das receitas tributárias nada mais é do que a divisão do produto arrecadado por um tributo, o qual foi criado e cobrado por uma das pessoas componentes do Estado. Quais são as funções tributárias? Basicamente, os tributos possuem 3 finalidades: fiscal, extrafiscal e parafiscal. Lembrando que o fato de um tributo ter como principal finalidade a extrafiscal, não exclui as demais, logo, é importante analisar a finalidade principal de cada tributo. A doutrina clássica entende que são três espécies tributárias: impostos, taxas, e contribuições. Esta é a classificação encontrada no artigo 5º, CTN. O ponto de partida desta aula será esse modelo tripartite, mas serão trazidas algumas divergências, para incluir também a classificação com mais tributos. UNIDADE 4 QUAIS SÃO AS FONTES DE DIREITO TRIBUTÁRIO? As fontes do direito tributário Podem ser divididas em fontes primárias e secundárias. São fontes primárias a Constituição Federal, as emendas à Constituição, Leis Complementares, Leis Ordinárias, Leis Delegadas, Medidas Provisórias, Decretos Legislativos e Resoluções. O que é Constituição tributária? O Sistema Constitucional Tributário é um conjunto de disposições relacionadas na Constituição de um Estado, destinadas a regulamentar a atividade tributária deste. Tais disposições delineiam os instrumentos da tributação: impostos, taxas e contribuição de melhoria. Técnica legislativa no direito tributário. A técnica legislativa no direito tributário refere-se ao conjunto de procedimentos e normas redacionais utilizados na elaboração de leis e outros atos normativos que regulam os tributos. A técnica legislativa visa garantir que as normas sejam clares, precisas e justas, evitando a bitributação e incentivando o cumprimento voluntário das obrigações tributárias. Pontos importantes sobre a técnica legislativa no direito tributário: · Definição: A técnica legislativa é um conjunto de regras que visam a redação de um texto legal que tenha repercussão no mundo jurídico. · Importância: A aplicação correta da técnica legislativa é fundamental para garantir a clareza e a aplicabilidade das normas tributárias, prevenindo a bitributação e incentivando a conformidade fiscal. · Elementos da técnica legislativa: . Epígrafe: Indica o tipo de proposição, o número de ordem e o ano de apresentação. . Ementa: Resumo claro e conciso do conteúdo do projeto, com referência a dispositivos de outras normas que serão alteradas. . Preâmbulo: Parte introdutória que justifica a necessidade do projeto e indica seus objetivos. . Enunciado: Parte principal do projeto, que contém as disposições legais. . Âmbito de aplicação: Indicação do escopo da lei, ou seja, a quem se aplica e quais os seus limites. · Competência legislativa: A Constituição Federal estabelece a competência para legislar em matéria tributária, que pode ser concorrente ou suplementar. · Processo legislativo: O processo legislativo em matéria tributária segue as regras estabelecidas na Constituição Federal e nos regimentos das casas legislativas. · Interpretação: A interpretação das normas tributárias deve ser feita de acordo com os métodos de interpretação estabelecidos no direito, como o método literal, histórico, teleológico e sistemático. · Importância da complementação: A legislação tributária muitas vezes necessita ser complementada pela interpretação administrativa ou judicial, com o objetivo de harmonizá-la. A técnica legislativa é um tema complexo e importante para o direito tributário, sendo fundamental para garantir a segurança jurídica e a justiça na aplicação das normas tributárias. Normas complementares do direito tributário São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente ... Hermenêutica Tributária. Previsão legal para as técnicas e sua crítica. A Hermenêutica Tributária, ou a interpretação das leis tributárias, não é prevista especificamente em lei, mas utiliza princípios e métodos gerais de interpretação do direito, com algumas particularidades devido à complexidade e impacto econômico das normas tributárias. As críticas à aplicação da Hermenêutica Tributária frequentemente apontam para a falta de clareza na interpretação, que pode levar a litígios e sobrecarga judicial, e para a necessidade de maior precisão na formulação das normas. Previsão Legal e Métodos de Interpretação: · Ausência de Previsão Específica: A Constituição Federal não estabelece um capítulo específico sobre Hermenêutica Tributária, mas a interpretação das leis tributárias é regida pelos princípios gerais de direito. · Princípios Gerais de Interpretação: A interpretação tributária segue os princípios gerais de interpretação jurídica, como a interpretação literal, sistemática, histórica e teleológica. · Interpretação Literal: Busca o sentido literal das palavras da lei. · Interpretação Sistemática:Analisa a lei em conjunto com outras normas jurídicas. · Interpretação Histórica: Considera o contexto histórico e a evolução da legislação. · Interpretação Teleológica: Busca a finalidade e os objetivos do legislador. · Interpretação Extensiva e Restritiva: A interpretação extensiva amplia o alcance da lei, enquanto a interpretação restritiva o restringe. Críticas à Hermenêutica Tributária: · Falta de Clareza: A complexidade das normas tributárias e a variedade de interpretações podem gerar incerteza e litígios. · Sobrecarrega Judicial: A ausência de consenso sobre a interpretação das leis tributárias pode levar a processos judiciais prolongados e sobrecarga do sistema judiciário. · Interpretações Subjetivas: A subjetividade da interpretação, mesmo com a aplicação de métodos específicos, pode levar a resultados distintos e injustos. · Necessidade de Maior Clareza: Aprimorar a redação das normas tributárias e estabelecer critérios mais precisos para a interpretação é essencial para reduzir a ambiguidade e evitar conflitos. Exemplos de Criticas: · Disputas sobre a natureza de um tributo: A definição legal de um tributo pode ser controversa, levando a conflitos sobre sua competência e aplicação. · Interpretações divergentes sobre a incidência de uma norma tributária: A aplicação de uma norma tributária em diferentes contextos pode gerar diferentes interpretações, levando a disputas judiciais. Em resumo, a Hermenêutica Tributária, embora não tenha uma previsão legal específica, é essencial para a aplicação correta das leis tributárias. As críticas à sua aplicação apontam para a necessidade de maior clareza nas normas e para a adoção de métodos mais precisos de interpretação para evitar conflitos e sobrecarga judicial. Interpretação do direito tributo tributário: fontes, métodos e resultados. A interpretação do direito tributário envolve analisar as fontes (normas constitucionais, leis, decretos, etc.), os métodos (exegese, sistemático, histórico, etc.) e os resultados (interpretação declarativa, extensiva ou restritiva) para entender e aplicar as regras fiscais. Fontes do Direito Tributário: · Fontes Formais: Leis, tratados internacionais, decretos, normas complementares e resoluções. · Fontes Materiais: Fatos sociais, valores, princípios da justiça, etc., que influenciam a criação e interpretação das normas tributárias. · Fontes Secundárias: Decretos regulamentares e normas complementares que detalham as leis tributárias. Métodos de Interpretação: · Exegese: Analisar o texto da lei para identificar o significado das palavras. · Sistemática: Interpretar a lei dentro do contexto do sistema jurídico como um todo. · Histórica: Analisar o contexto histórico em que a lei foi criada para entender seu objetivo. · Comparativa: Comparar a lei com outras normas jurídicas para identificar semelhanças e diferenças. · Argumentativa: Utilizar argumentos jurídicos para justificar uma determinada interpretação. Resultados da Interpretação: · Interpretação Declarativa: A interpretação que revela o sentido literal da lei. · Interpretação Extensiva: A interpretação que estende o alcance da lei a casos não expressamente previstos. · Interpretação Restritiva: A interpretação que limita o alcance da lei a casos expressamente previstos. Em resumo: A interpretação do direito tributário é um processo complexo que envolve a análise de diversas fontes, a aplicação de diferentes métodos e a busca por resultados que garantam a justiça e a segurança jurídica. Integração do direito tributário Integração da legislação tributária se dá quando, em um eventual caso concreto, não consta regra, norma, lei que regule tal hipótese, ou seja, há uma lacuna legislativa, um “vácuo” legal, um assunto não tratado no texto jurídico. UNIDADE 05 image1.jpegas despesas públicas, como saúde, educação, segurança e infraestrutura, entre outras. É a fonte de dinheiro que permite ao governo prestar serviços à sociedade e manter sua estrutura em funcionamento. Detalhes sobre a receita pública: · Definição: A receita pública é o ingresso de recursos que integram permanentemente o patrimônio público, sem quaisquer reservas ou correspondências no passivo, incrementando-o como um elemento novo e positivo. · Fontes: As fontes de receita pública são diversas, incluindo impostos, taxas, contribuições, multas, rendimentos de ativos (como aluguéis e dividendos), repasses e transferências entre entes federados. · Classificação: A receita pública pode ser dividida em: · Receitas Orçamentárias: Recursos que são previstos e incorporados no orçamento público, como os impostos e as contribuições. . Receitas Extraorçamentárias: Ingresos que, embora importantes, não são diretamente parte do orçamento público, como os repasses e os convênios. · Importância: A receita pública é fundamental para o bom funcionamento do Estado, permitindo que este ofereça serviços essenciais à população e execute suas políticas públicas. Exemplos de receita pública: · Impostos: Imposto de Renda, ICMS, IPI, IPTU, ISS. · Taxas: Taxa de água, esgoto, transporte público, etc. · Contribuições: Contribuições, Previdenciárias, Contribuições para a Saúde, etc. · Rendimentos de ativos: Aluguel de imóveis públicos, dividendos de empresas estatais, etc. · Repasses e transferências: Recursos financeiros repassados pela União aos Estados e Municípios. ORÇAMENTO PÚBLICO é um documento que detalha a previsão de receitas (impostos e outras) e despesas do governo, permitindo que o governo planeje e controle o uso do dinheiro arrecadado com os impostos e outras fontes. É um instrumento de gestão fundamental para a administração pública, que define como os recursos financeiros serão aplicados para atender às necessidades da sociedade. Em resumo: · Planejamento: O orçamento público é a principal ferramenta de planejamento financeiro do governo, permitindo que se estabeleçam metas e objetivos para a aplicação dos recursos públicos. · Controle: Acompanha a execução das receitas e despesas, permitindo que se identifiquem desvios e sejam tomadas medidas corretivas. · Transparência: Devolve à sociedade informações sobre como os recursos públicos estão sendo usados, garantindo o controle social. · Instrumento de gestão: É uma ferramenta essencial para a gestão financeira do governo, permitindo que se tomem decisões estratégicas sobre a utilização dos recursos públicos. · Evolução histórica: No Brasil, o orçamento público sofreu alterações ao longo da história, com mudanças importantes a cada nova Constituição. Como funciona: 1. 1. Elaboração: A elaboração do orçamento público é um processo complexo que envolve a análise de diversos fatores, como a conjuntura econômica, as metas do governo e as necessidades da sociedade. 2. 2. Aprovação: O orçamento público é aprovado pelo Poder Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado), que fiscaliza a execução do orçamento. 3. 3. Execução: 4. O Poder Executivo é responsável pela execução do orçamento, garantindo que os recursos sejam aplicados de acordo com as metas e objetivos estabelecidos. 5. 4. Controle: O Tribunal de Contas da União (TCU) é responsável por fiscalizar a execução do orçamento, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e transparente. Tipos de leis orçamentárias: · Plano Plurianual (PPA): Define as diretrizes, objetivos e metas de longo prazo da gestão pública. · Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): Estabelece as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual (LOA). · Lei Orçamentária Anual (LOA): Detalha as previsões de receitas e despesas do governo para o exercício financeiro. Principais princípios do orçamento público: · Anualidade: O orçamento deve ter vigência de um ano, normalmente coincidindo com o ano civil. · Universalidade: Todas as receitas e despesas do governo devem constar no orçamento. · Unidade: O orçamento deve ser um único documento, que abrange todas as áreas da administração pública. · Especificidade: As despesas devem ser especificadas por categoria, para que se possa ter controle sobre a utilização dos recursos. · Publicidade: O orçamento deve ser divulgado à sociedade, para que se possa ter acesso à informação sobre a utilização dos recursos públicos. · Planejamento: O orçamento deve ser um instrumento de planejamento da atuação do governo, permitindo que se estabeleçam metas e objetivos para a aplicação dos recursos públicos. O orçamento público é uma ferramenta fundamental para a gestão pública, e sua importância é crescente, à medida que a sociedade exige mais transparência e responsabilidade na utilização dos recursos públicos. O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO (TCU) O TCU é o “guardião” do cumprimento das metas fiscais e de limites e condições essenciais à gestão responsável, especialmente quando se trata de recursos federais. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, cabe à Corte de Contas emitir alertas quando constatadas situações de risco. LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000 DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição. § 1o A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. TRIBUTOS E SUAS CLASSIFICAÇÃO Ao todo são cinco tipos de tributos: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Os tributos são a principal fonte de arrecadação de receitas do Governo Federal, mas você sabia que parte desse valor arrecadado já possui destino certo? Qual é o conceito de tributário? O Direito Tributário é a área do direito que regula as relações entre o Estado e os contribuintes em relação aos tributos. Tributo é uma obrigação pecuniária (ou seja, de pagamento em dinheiro) imposta pelo Estado, com o objetivo de financiar suas atividades e prover recursos para a consecução do bem comum. FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO As fontes do direito tributário são os documentos e regras que regulamentam a tributação, incluindo a Constituição Federal, leis complementares, leis ordinárias, tratados internacionais e jurisprudência. Podem ser divididas em fontes primárias e secundárias, com as primárias sendo a base legal fundamental e as secundárias detalhando e complementando as primeiras. Fontes Primárias: · Constituição Federal: É a principal fonte, estabelecendo os princípios e limites para a tributação, como a proibição de confisco e o princípio da legalidade. · Emendas Constitucionais: Alteram a Constituição Federal, afetando o direito tributário. · Leis Complementares: Regulamentam temas específicos da Constituição Federal, como a criação de impostos. Fontes Secundárias: · Leis Ordinárias: Criam e regulamentam os impostos e outras obrigações tributárias. · Medidas Provisórias: Podem ser usadas em casos de urgência e relevância, para criar ou alterar tributos. · Decretos Legislativos: São usados para aprovar acordos internacionais ou conceder poderes ao Poder Executivo. · Resoluções: São normas criadas pelo Congresso Nacional. · Decretos Regulamentares: Complementam as leis, detalhando sua aplicação. · Normas Complementares: Podem ser criadas por órgãos administrativos para detalhar as leis. · Tratados e Convenções Internacionais: Estabelecem normas sobre tributaçãoem relação a outros países. · Jurisprudência: Conjunto de decisões dos tribunais sobre casos tributários. · Doutrina: Opiniões de especialistas em direito tributário. · Costumes: Hábitos e práticas repetidas que podem gerar normas tributárias. Hermenêutica Tributária A Hermenêutica Tributária é o estudo e a sistematização dos métodos e processos utilizados para interpretar e aplicar a legislação tributária, visando determinar o seu significado, alcance e aplicação em casos concretos. É uma disciplina que busca compreender as normas tributárias de forma a garantir sua aplicação justa e eficaz. Elaboração: 1. 1. Conceito: A Hermenêutica Tributária é a aplicação da hermenêutica jurídica ao campo do direito tributário. A hermenêutica jurídica, por sua vez, é a teoria da interpretação das normas jurídicas, estabelecendo métodos para a compreensão legal. 2. 2. Importância: A Hermenêutica Tributária é fundamental para a aplicação correta da legislação tributária, pois a complexidade e a abrangência das normas tributárias exigem uma interpretação precisa e consistente. 3. 3. Objetivos: . Determinar o sentido e o alcance das normas tributárias: A interpretação busca esclarecer o significado das palavras e expressões utilizadas nas leis tributárias. . Aplicar as normas aos casos concretos: A interpretação permite a aplicação das normas tributárias aos fatos e situações específicas, de acordo com o seu significado e alcance. . Garantir a segurança jurídica: A interpretação consistente e uniforme das normas tributárias contribui para a segurança jurídica, evitando conflitos e incertezas. 4. 4. Métodos de Interpretação: . Interpretação Literal: Atribui às palavras e expressões do texto legal o seu sentido comum e usual. . Interpretação Sistemática: Considera a norma tributária no contexto do sistema jurídico como um todo, buscando a sua harmonização com outras normas. . Interpretação Teleológica: Busca a finalidade da lei, considerando os objetivos e as razões que levaram à sua criação. . Interpretação Histórica: Analisa a evolução histórica da norma, considerando a sua origem e a sua interpretação ao longo do tempo. 5. 5. Contexto: A Hermenêutica Tributária é especialmente relevante em razão da complexidade da legislação tributária, que pode gerar dúvidas e divergências interpretativas. 6. 6. Importância para a prática jurídica: A Hermenêutica Tributária é fundamental para advogados, contadores, fiscais e outros profissionais que trabalham com direito tributário, pois fornece os instrumentos necessários para interpretar e aplicar as normas tributárias de forma correta. Em resumo, a Hermenêutica Tributária é uma ferramenta essencial para a compreensão e aplicação da legislação tributária, contribuindo para a segurança jurídica e para a justiça na arrecadação de impostos. LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR As limitações constitucionais ao poder de tributar, definidas na Constituição Federal, visam proteger o contribuinte e garantir a equidade no sistema tributário. Elas incluem o princípio da legalidade, a vedação de tributos sem lei, a proibição de tratamento desigual e a proteção contra confisco, além de imunidades e isenções. Elaboração: 1. 1. Princípio da Legalidade: A Constituição estabelece que só a lei, em sentido material e formal, pode criar ou majorar tributos. A lei deve definir o fato gerador, a base de cálculo, a alíquota, as penalidades e as situações de exclusão, suspensão ou extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. 2. 2. Vedação de Tributos sem Lei: É proibido exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. 3. 3. Isonomia Tributária: A Constituição veda que a lei estabeleça tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente, salvo justificação por critérios como a capacidade econômica. 4. 4. Vedação do Confisco: A Constituição impede que o sistema tributário seja excessivo ao ponto de afetar a dignidade do contribuinte, ou seja, o confisco tributário é vedado. 5. 5. Imunidades e Isenções: A Constituição prevê imunidades tributárias recíprocas entre os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e imunidades culturais, como a proibição de tributar livros, jornais, periódicos e papel destinado à impressão. A Constituição também permite que a União institua isenções de tributos da competência dos Estados, Distrito Federal ou Municípios, desde que devidamente motivadas. 6. 6. Vedação de Limitações ao Tráfego: A Constituição impede que os entes federativos estabeleçam limitações ao tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio por vias conservadas pelo Poder Público. 7. 7. Vedação de Tributos Uniformes que Impliquem Diferenciação: A União não pode instituir tributo uniforme em todo o território nacional que implique distinção ou preferência em relação a um Estado, Distrito Federal ou Município em detrimento de outro. Essas limitações ao poder de tributar são importantes para garantir a justiça e a segurança jurídica no sistema tributário, evitando abusos e protegendo o contribuinte. OBRIGAÇÃO E RESPONSABILIDADE DE TRIBUTAR A responsabilidade tributária é a obrigação legal de pagar tributos ou responder por penalidades atribuídas a um sujeito que não praticou o fato gerador, mas que com ele está relacionado. A princípio parece estranho que nosso sistema tributário imponha àqueles que não realizaram o fato gerador, a obrigação de pagar o tributo correspondente. Foi a própria Constituição Federal (Art. 146, III) que delegou à lei complementar – no caso, o Código Tributário Nacional – a responsabilidade por estabelecer normas gerais que regulam a tributação no país. Dentre elas, a definição de quem será e pessoa obrigada ao recolhimento de tributos aos cofres públicos. Imbuído da competência de regulamentar esta obrigação, veremos que o Código Tributário Nacional atribuiu esta responsabilidade a sujeitos que não necessariamente tenham realizado o fato gerador e que estejam de alguma forma vinculados à prática do fato tributável. O que é a Responsabilidade Tributária? O artigo 121 do Código Tributário Nacional traz a figura do sujeito passivo da obrigação tributária – qualquer pessoa que tenha o dever legal de cumprir uma obrigação tributária. Este sujeito passivo é um gênero no qual surgem duas espécies: o contribuinte e o responsável tributário. O contribuinte (CTN, art. 121, I), é aquela pessoa que tem uma relação direta com o fato gerador do tributo. Por exemplo, o IPTU é um imposto que incide sobre a propriedade predial e territorial urbana. Assim, o contribuinte deste imposto é proprietário do imóvel. Há relação direta do sujeito passivo com o fato gerador. Já o responsável (CTN, art. 121, II) é o sujeito que está de alguma forma relacionado ao fato gerador do tributo (CTN, art. 128) e a lei atribui a ele o dever de pagar. Por exemplo, as pessoas jurídicas são obrigadas a descontar do salário de seus funcionários o valor do Imposto de Renda e destiná-los aos cofres da União. A relação não é direta, pois não foi a empresa que auferiu renda, no entanto a lei atribui a ela, empresa, responsabilidade. Responsabilidade tributária é, portanto, a obrigação legal de recolher tributos cujo fato gerador tenha sido praticado por terceiros. Quais os tipos de Responsabilidade Tributária previstos no Código Tributário Nacional? Responsabilidade por substituição A responsabilidade tributária por substituição, pode-se dizer, é a mais comum dentre as demais formas deste instituto. Ela ocorre quando a lei atribui a um terceiro, denominado substituto, a obrigação de apurar e recolher o tributo em lugar do real contribuinte, chamado de substituído. É o caso, por exemplo, das empresas que industrializam ou comercializam ferro-velho. Estas empresas devem pagar o ICMS (ICMS é a sigla que identifica o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços) relativo às suas vendase também o ICMS devido pelo vendedor de sucata que lhe forneceu a matéria-prima. Assim, ao invés de exigir dos coletores de sucata a emissão de notas, apuração e recolhimento de tributos – o que pela informalidade desta atividade seria difícil, a responsabilidade é atribuída à empresa que revende o material. Outro exemplo são as empresas de fabricação ou revenda de bebidas, que muitas vezes devem recolher o ICMS relativo às suas vendas e o ICMS das vendas de seus clientes, principalmente quando se trata de restaurantes ou vendedores ambulantes. Novamente se verifica muito fácil exigir o fiel cumprimento das obrigações tributárias dos grandes revendedores de bebidas do que dos pequenos negócios onde essas bebidas são consumidas. Responsabilidade por sucessão A responsabilidade tributária por sucessão é regulada pelos artigos 129 a 133 do CTN e se refere à responsabilidade que recai sobre herdeiros, legatários, pessoas jurídicas resultantes de fusões, incorporações etc. por obrigações tributárias ocorridas antes da sucessão. Em síntese, esta modalidade de responsabilidade tributária ocorre quando uma pessoa é obrigada a satisfazer obrigações descumpridas decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do evento de sucessão. Neste aspecto, é importante chamar a atenção para a responsabilidade tributária daquele que adquire o chamado fundo de comércio. É muito comum que ao adquirir uma empresa o adquirente negocie e adquira o ponto comercial, a clientela, o estoque, equipamentos etc. Ao adquirir este fundo de comércio e manter naquele endereço a mesma atividade que vinha sendo exercida, esta nova empresa será responsável pelas obrigações tributárias ocorridas antes mesmo da aquisição. Pouquíssimos empresários conhecem os riscos deste tipo de operação pois acreditam que ao exercerem a atividade com um novo CNPJ e até mesmo um novo nome fantasia estarão livres de obrigações da antiga sociedade que operava ali. Mas não é raro que sejam surpreendidos por dívidas tributárias altíssimas das quais não detinham nenhum conhecimento. Responsabilidade de terceiros Regulada pelos artigos 134 e 135 do CTN, esta modalidade estabelece a responsabilização de terceiros que, por seus atos ou omissões tenham levado o contribuinte a uma situação de não conseguir pagar o tributo devido. Aqui temos como exemplo o inventariante que utiliza os recursos do espólio para outros fins e deixa de quitar o ITCMD, (O ITCMD-Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos deve ser pago por quem recebe bens ou direitos, por herança ou doação) um débito que tem prioridade na quitação das dívidas do espólio. Se não sobrarem recursos para quitação do imposto, o inventariante será responsabilizado pessoalmente a arcar com o tributo. Dentro desta modalidade está inserida a responsabilização dos sócios e administradores de empresas quando praticam atos com excesso de poder ou que infringem a lei, ou mesmo quando são omissos. É o caso dos sócios que encerram irregularmente as atividades da empresa, deixando-a sem operar e sem formalizar este encerramento. Estes sócios, omissos, passarão a responder com o seu patrimônio pessoal pelos tributos devidos pela empresa. São diversos os casos que podem ser exemplificados aqui para contextualizar essa modalidade de responsabilidade tributária. Vale ressaltar que ela só pode ser aplicada quando este terceiro pratica alguma irregularidade que resulte na incapacidade do contribuinte de arcar com o tributo. Então quando o sócio utiliza recursos da empresa para fins pessoais – o que denominamos de confusão patrimonial, ele só será responsabilizado se a empresa perder a capacidade de pagar seus tributos. Também cumpre aduzir que o mero inadimplemento de tributos não desloca a responsabilidade automaticamente ao sócio ou administrador. Isto é, se no exercício da gestão de determinado administrador a empresa deixa de honrar com compromissos tributários, a responsabilidade só será transferida ao sócio e/ou gestor caso fique comprovado seu envolvimento em procedimentos ilícitos, como por exemplo que este opte por omitir receitas da empresa na contabilidade. Qual a importância da Responsabilidade Tributária? Após a compreensão do tema surge inevitavelmente uma questão: porque existe este instituto, qual a sua importância? A responsabilidade tributária é um instrumento essencial no sistema brasileiro e podemos destacar duas principais razões para que ela exista. Primeiramente, ela facilita a fiscalização e aumenta a arrecadação do Estado diminuindo o número de sujeitos que precisam ser fiscalizados para a verificação da regularidade fiscal. Seria praticamente impossível que a Administração Pública fiscalizasse todos os vendedores ambulantes de bebidas, por exemplo. Por isso ela concentra sua atenção nos fabricantes e distribuidores, onde é mais fácil identificar as operações de entrada e saída de mercadorias. Além disso, é uma medida eficaz para responsabilizar quem se beneficiou e contribuiu para o inadimplemento. Imagine o sócio da empresa, que retira recursos da sociedade de forma irregular, resultando na incapacidade desta de arcar com os tributos de sua atividade. Se não fosse pelo instituto da responsabilidade tributária este sócio, enriquecido por uma gestão irresponsável do seu negócio, não responderia pelos tributos inadimplidos em detrimento do prejuízo que causou ao erário. Quais cuidados as empresas devem ter para evitar a responsabilização tributária? Estar atento às mudanças da legislação tributária, manter uma escrituração fiscal regular, formalizar atos e decisões empresariais etc. Existem diversos cuidados que devem e podem ser tomados para evitar a responsabilização do sócio, do administrador, ou da própria empresa por dívidas tributárias de outrem. No entanto, a prática demonstra que a melhor e mais eficiente maneira de se evitar estes problemas é, sem sombras de dúvidas, o planejamento prévio. Não é novidade que nosso sistema tributário é extremamente complexo, principalmente quando falamos da atividade empresarial. Neste breve estudo tratamos de maneira muito sucinta um tema que, na prática, possui diversos desdobramentos e especificidades que escapam a atenção do mais diligente sócio ou administrador. Na grande maioria dos casos a responsabilidade tributária acaba recaindo sobre alguém que, caso tivesse sido instruído, teria se eximido da dolorosa responsabilidade de arcar com tributos devidos por terceiros. É por isso que, cada vez mais, o papel do advogado atuante no direito tributário é realizado antes de qualquer ação efetiva na empresa. Isso porque existem inúmeras formas de prevenir, limitar ou eximir-se destas modalidades de responsabilidade tributária, bastando para tanto que sejam previamente tomadas medidas necessárias ao regular funcionamento da empresa. Conclusão A responsabilidade tributária desempenha um papel indispensável no sistema tributário brasileiro, equilibrando a necessidade de arrecadação eficiente do Estado com a garantia de justiça fiscal. Por meio deste instituto, a lei não apenas facilita a fiscalização ao direcionar a cobrança a sujeitos mais adequados, mas também promove a responsabilização de quem, direta ou indiretamente, contribuiu para o inadimplemento do tributo, protegendo os cofres públicos contra fraudes e abusos. Assim, a responsabilidade tributária não é apenas um mecanismo de arrecadação, mas um instrumento essencial para a manutenção de ordem tributária justa e eficiente. Perguntas frequentes sobre o tema O que é responsabilidade tributária? A responsabilidade tributária é a obrigação legal de pagar impostos, que pode recair sobre alguém além do contribuinte direto. Quais são os tipos de responsabilidade tributária? Os tipos de responsabilidade tributária incluem a responsabilidade por substituição, transferência ou sucessão. Qual a importância da responsabilidade tributária? A responsabilidade tributária é importante para garantir a arrecadação dos impostos e a correta distribuição dos encargos fiscais,evitando sonegação e assegurando o cumprimento das obrigações fiscais. CONTEÚDOS OS PRINCIPAIS ASPECTOS DA ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO A atividade financeira do Estado, também conhecida como Atividade Financeira Estatal, compreende o conjunto de atos praticados pelo Estado para obter, gerir e aplicar recursos financeiros, visando atender às necessidades públicas. Esta atividade engloba a receita, a despesa, o orçamento e o crédito públicos, sendo fundamental para o cumprimento das funções do Estado. 1. O que é Atividade Financeira do Estado? · É a forma como o Estado obtém e utiliza recursos financeiros para financiar suas atividades e cumprir suas responsabilidades. · A atividade financeira do Estado é essencial para que o Estado possa: · Manter sua estrutura e funcionamento. · Atender às necessidades da população, como saúde, educação, segurança e infraestrutura. · Promover o desenvolvimento social e econômico. · A atividade financeira do Estado é regulamentada por leis e princípios, como o da legalidade, anualidade e universalidade. · A atividade financeira do Estado se divide em três grandes blocos: · Obtenção dos recursos (receitas). · Gestão dos recursos (orçamento). · Dispêndio dos recursos (despesas). 2. Elementos da Atividade Financeira do Estado: · Receita: A receita pública representa todos os recursos financeiros que o Estado arrecada para custear suas atividades, como impostos, taxas, contribuições e outros. · Despesa: A despesa pública representa todos os gastos do Estado com suas atividades, como pagamento de funcionários, investimentos em infraestrutura, programas sociais, entre outros. · Orçamento: O orçamento público é o planejamento financeiro anual do Estado, que estabelece as receitas e despesas previstas para o exercício financeiro. · Crédito: O crédito público é a forma como o Estado obtém recursos financeiros por meio de empréstimos, tanto internos quanto externos. 3. Importância da Atividade Financeira do Estado: · A atividade financeira do Estado é fundamental para o bom funcionamento da sociedade e para o desenvolvimento do país. · Através da atividade financeira do Estado, o governo pode: · Financiar serviços públicos essenciais, como educação, saúde e segurança. · Investir em infraestrutura e desenvolvimento econômico. · Promover o bem-estar social e a redução das desigualdades. · Atender às necessidades públicas e garantir a justiça social. 4. Aspectos Jurídicos da Atividade Financeira do Estado: · A atividade financeira do Estado é regulamentada por normas jurídicas, que estabelecem as regras para a obtenção, gestão e aplicação dos recursos financeiros. · O Direito Financeiro é a área do Direito que estuda a atividade financeira do Estado. · A Constituição Federal estabelece os princípios e as regras para a atividade financeira do Estado, como a legalidade, a anualidade, a universalidade, entre outros. 5. Exemplo: · Um governo federal pode arrecadar receitas por meio de impostos sobre a renda e a produção. · Esses recursos são utilizados para financiar despesas com saúde, educação, segurança e infraestrutura. · O orçamento público define as receitas e despesas previstas para o ano, e o crédito público pode ser utilizado para complementar a receita, caso necessário. COMPREENDER O SIGNIFICADO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS FINANCEIROS E TRIBUTÁRIOS. Os princípios constitucionais financeiros e tributários são regras fundamentais que norteiam a atuação do Estado na esfera financeira e tributária, garantindo a justiça, a equidade e a segurança jurídica na relação entre o Estado e os contribuintes. Eles são como diretrizes que orientam a criação, a cobrança e a aplicação dos tributos, bem como a gestão dos recursos públicos. Principais Princípios Constitucionais Tributários: · Legalidade: A instituição, aumento, redução ou extinção de tributos só pode ser feita por meio de lei. · Isonomia: Todos os contribuintes devem ser tratados de forma igual, não havendo diferenciações injustas ou arbitrárias. · Anterioridade: A cobrança de um tributo só pode ser iniciada no exercício seguinte àquele em que a lei que o instituiu ou aumentou foi publicada. · Irretroatividade: A lei não pode retroagir para atingir atos ou fatos ocorridos antes de sua vigência. · Não Confisco: O tributo não pode ser tão elevado a ponto de incutir a perda da propriedade. · Capacidade Contributiva: A cobrança de tributos deve ser proporcional à capacidade econômica de cada contribuinte. · Livre Tráfego: A cobrança de tributos não pode impedir a livre circulação de pessoas e bens entre os Estados. · Vedação da Criação de Novos Tributos: Não podem ser criados novos tributos sem a devida aprovação do Poder Legislativo. Princípios Constitucionais Financeiros: · Ordem de Aprovacao: Os orçamentos anuais e plurianuais devem ser aprovados pelo Legislativo. · Transparência: A gestão dos recursos públicos deve ser transparente e acessível ao público. · Responsabilidade Fiscal: O Estado deve gerenciar os recursos públicos de forma responsável, evitando gastos excessivos e desequilíbrios financeiros. · Equidade: A distribuição dos recursos públicos deve ser equitativa entre os diferentes entes federados e entre os diferentes setores da sociedade. · Eficiência: A utilização dos recursos públicos deve ser eficiente, buscando resultados positivos para a população. · Pluralidade: A gestão dos recursos públicos deve ser pluralista, buscando a participação da sociedade civil. · Princípio da Necessidade e da Finalidade: O poder público deve utilizar os recursos públicos de forma a satisfazer necessidades da população e atingir os objetivos previstos na Constituição. · Princípio da Transparência: O poder público deve manter informações sobre a aplicação dos recursos públicos à disposição do público. Importância: Esses princípios são essenciais para garantir que o sistema tributário e a gestão dos recursos públicos sejam justos, equitativos e eficientes. Eles são também fundamentais para proteger os direitos dos contribuintes e para garantir a segurança jurídica na relação entre o Estado e a sociedade. Para profissionais do Direito, o conhecimento aprofundado desses princípios é crucial, pois garante a defesa eficaz dos direitos dos contribuintes e a justiça fiscal, segundo a Legale Educacional. A compreensão das nuances e aplicabilidades práticas desses conceitos é fundamental para a atuação profissional. IDENTIFICAR OS LIMITES E A IMPORTÂNCIA DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece limites e normas para garantir a saúde financeira dos entes federativos, buscando o equilíbrio das contas públicas e a responsabilidade fiscal dos governantes. Ela busca controlar o endividamento, os gastos com pessoal e a arrecadação, com o objetivo de garantir um planejamento eficiente e transparente dos recursos públicos. A importância da LRF reside na promoção de uma gestão mais eficiente, transparente e responsável dos recursos públicos, visando o bem-estar da sociedade. Limites da LRF: · Despesas com pessoal: Limites para o gasto com pessoal (salários, etc.) em relação à receita corrente líquida (RCL). · Dívida pública: Limites para o endividamento, visando evitar o crescimento excessivo da dívida e garantir sua sustentabilidade. · Metas fiscais: Obrigação de estabelecer metas fiscais anuais e trienais, que consideram arrecadação e despesas. · Compensações: Necessidade de medidas compensatórias para novos gastos ou renúncias de receita, garantindo o equilíbrio fiscal. · Transparência: Exige a divulgação de informações sobre a gestão fiscal, como relatórios de gestão fiscal e balanços. · Responsabilização: Prevê sanções para gestores que descumprirem os limites da LRF, como multas, perda de mandato e processos por improbidade administrativa. Importância da LRF: · Melhoria da gestão fiscal: Promove uma gestão mais eficiente, transparente e responsável dos recursos públicos. · Equilíbrio das contas públicas: Busca garantir o equilíbrioentre arrecadação e despesas, evitando o endividamento excessivo e a inflação. · Planejamento orçamentário: Impõe a necessidade de planejamento e controle dos gastos públicos, com a elaboração de planos plurianuais, leis de diretrizes orçamentárias e leis orçamentárias anuais. · Transparência e controle: Facilita o acompanhamento e o controle dos gastos públicos, permitindo que os cidadãos e outros órgãos de controle fiscalizem o uso dos recursos públicos. · Sustentabilidade financeira: Visando garantir a sustentabilidade financeira dos entes federativos e a capacidade de atender às demandas sociais. · Responsabilidade dos gestores: Impõe responsabilidades aos gestores públicos, que devem responder por descumprimento da LRF. A LRF é, portanto, um instrumento fundamental para a boa gestão das finanças públicas, visando a sustentabilidade financeira dos entes federativos e a melhor utilização dos recursos públicos em benefício da sociedade. COMPREENDER A DINÂMICA TRIBUTÁRIA E SEUS INSTITUTOS BÁSICOS. · Atividade financeira do estado A atividade financeira do Estado refere-se à forma como o Estado obtém, gere e aplica recursos financeiros para cumprir suas funções públicas. Isso envolve a arrecadação de receitas (tributárias e não tributárias), a gestão dos recursos e a realização de despesas para custear serviços públicos, investimentos e outras políticas. A atividade financeira do Estado é fundamental para a execução do orçamento e o cumprimento das metas do governo. Elementos-chave da atividade financeira do Estado: · Obtenção de receitas: O Estado obtém recursos através de impostos, taxas, contribuições, multas, receitas de empresas públicas, entre outras fontes. · Gestão financeira: Envolve a gestão das receitas, a elaboração e execução do orçamento, a gestão de ativos e passivos, a tomada de decisões financeiras e a aplicação dos recursos. · Realização de despesas: O Estado utiliza os recursos obtidos para financiar despesas com saúde, educação, segurança, infraestrutura, assistência social, entre outros setores. Importância da atividade financeira do Estado: · Cumprimento de obrigações: A atividade financeira do Estado é essencial para que o governo possa cumprir suas obrigações constitucionais e legais. · Prestação de serviços públicos: Através da atividade financeira, o Estado pode financiar a prestação de serviços essenciais à população, como saúde, educação e segurança. · Estabilidade econômica: A atividade financeira do Estado pode influenciar a estabilidade econômica, através da gestão de impostos, despesas e investimentos. Em resumo: A atividade financeira do Estado é um conjunto de ações que visam garantir a disponibilidade e aplicação adequada dos recursos financeiros para a consecução dos objetivos públicos, contribuindo para a boa gestão do orçamento e a prestação de serviços à população. Resumo sobre conceito e classificação de tributos por Gabriel Boscioni Bearsi 06/02/2024 às 14:00 0 comentários Compartilhe · · · Bem-vindos! Neste artigo abordaremos, em forma de resumo, o tema “Conceito e Classificação de Tributos”, comumente objeto de questionamento nas provas de concursos quando presente a matéria de direito tributário. Sendo assunto certeiro para você alcançar sua sonhada aprovação, veremos a seguir diversos pontos fulcrais da temática. Conceito de Tributo Inicialmente, precisaremos conceituar o que seria “Tributo”. O conceito legal introduzido pelo Código Tributário Nacional, em seu artigo 3º, assevera que: Art. 3º – Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Assim, podemos extrair cinco elementos caracterizadores de tributo: 1. Prestação compulsória – trata-se de uma obrigação tributária que exsurge/decorre diretamente de lei. No exato momento que a hipótese prevista em lei ocorre no mundo real, nasce a obrigação tributária, expelindo a necessidade de concordância do sujeito passivo (contribuinte) com o fato jurídico. 2. Prestação pecuniária em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir – isto é, o centro da relação tributária deve ser uma quantia que pode ser expressa em dinheiro. 3. Instituída em lei – em decorrência de previsão expressa da Constituição Federal, em seu artigo 150, I, os tributos devem ser instituídos por meio de lei. 4. Não constitua sanção de ato ilícito – significa que a hipótese de incidência (situação abstrata prevista em lei que será tributável quando ocorrido no mundo real) não pode ser uma punição de comportamento ilícito praticado pelo contribuinte. Por exemplo, não se pode instituir taxa no caso de cometimento de um homicídio ou outro tipo penal. Por esta razão também temos que as multas não são consideradas tributos. 5. Atividade administrativa plenamente vinculada – aqui precisaremos nos amparar no conceito de ato administrativo vinculado, que são atos cujos elementos estão todos previstos na legislação, não permitindo margem de escolha (conveniência e oportunidade, também chamado de discricionariedade/mérito administrativo) ao administrador. Classificação das espécies tributárias Prosseguindo, agora que entendemos e dissecamos o conceito legal de tributo, passaremos ao estudo das espécies tributárias. Portanto, há teorias que divergem acerca do número de espécies tributárias existentes no ordenamento jurídico. Para fins de concursos públicos, utilizaremos a Teoria Pentapartida, embora o CTN introduza apenas 3 espécies de tributos em seu artigo 5º, quais sejam: 1. Impostos 2. Taxas 3. Contribuições de Melhoria 4. Empréstimos Compulsórios 5. Contribuições de Melhoria Critérios para categorizar os tributos em espécies Deste modo, três são os critérios utilizados para diferenciar os tributos em espécies: a. Vinculabilidade ou não a uma atividade estatal b. Destinação do produto da arrecadação c. Restituibilidade Neste ínterim, pelo primeiro critério temos que os tributos vinculados recebem esta denominação pois há uma conduta estatal específica atrelada à hipótese de incidência prevista na lei. Exemplificando, as taxas são ótimas para entender o assunto, uma vez que possuem como fato gerador da incidência do tributo um serviço público específico e divisível OU pelo exercício regular do poder de polícia (fiscalização). Por sua vez, os impostos são tributos não vinculados, porquanto não dependem da atuação estatal para sua incidência. O IPTU, por exemplo, possui como hipótese de incidência – a propriedade, o domínio útil ou a posse do bem imóvel por natureza ou por acessão física, localizado na zona urbana do município – conduta esta do contribuinte, e não do Estado. Outrossim, pelo segundo critério, tributos destinados são aqueles cujo produto da arrecadação é vinculado a uma finalidade específica. Ou seja, o dinheiro tem um objetivo predefinido, afetado. Exemplo disto são as contribuições de melhoria, cuja destinação é o custeio de obra pública. Por outro lado, os não destinados podem ser livremente empregados em políticas públicas ou outra área orçamentária. Pelo terceiro critério, temos que o tributo restituível gera direito ao contribuinte à devolução dos valores despendidos, como os empréstimos compulsórios, cuja arrecadação é destinada a fins específicos e, ao final da situação extraordinária/excepcional, o dinheiro arrecadado é devolvido. Primeiro Tributo – Impostos – Resumo sobre conceito e classificação de tributos Finalmente, após importante parte introdutória do nosso estudo, passaremos à análise das espécies tributárias. Desta forma, utilizando os critérios esmiuçados alhures, os impostos são tributos não vinculados (independem de atividade estatal específica – art. 16 do CTN), não destinados (destinação não afetada a qualquer objeto/finalidade específica) e não restituíveis (contribuinte não possui o direito à restituição). Noutro norte, como toda regra no Direito, a não afetação/destinação, comporta exceções, que são importantese corriqueiras nas provas de concursos, por possuírem fundamento constitucional, no artigo 167, IV, da Carta Magna, como a destinação dos recursos advindos de impostos, empregados à saúde pública e para o desenvolvimento do ensino. Por último, temos classificação importante dos impostos dividindo-os em: a. Progressivos – como o Imposto de Renda Pessoa Física, cuja alíquota (montante a ser cobrado) aumenta na medida em que se incrementa a base de cálculo (no IRPF, a renda da pessoa); b. Proporcionais – alíquota fixa, independentemente da base de cálculo, como o IPTU, que incidirá determinado percentual sobre o valor do imóvel; c. Seletivos – aplicável ao ICMS e IPI, tributando-se com maior intensidade bens supérfluos e menor intensidade os bens essenciais. Segundo Tributo – Taxas – Resumo sobre conceito e classificação de tributos Progredindo, estudaremos as taxas. Utilizando novamente os critérios outrora analisados, as taxas são diretamente vinculadas a atuação estatal e não restituíveis ao contribuinte. Isto posto, as taxas podem incidir sobre o exercício da atividade fiscalizatória estatal (poder de polícia administrativa, não confundindo com a Polícia Civil ou a Polícia Federal, que são polícias judiciárias) – como a cobrança de taxa judiciária, para o exercício da atividade jurisdicional, como a taxa de controle e fiscalização ambiental cobrada pelo IBAMA, ou mesmo taxas de serviço, como a “taxa de lixo”. Ainda, as taxas de serviço – utilização potencial ou efetiva de serviço público específico e divisível, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição – conceito trazido pelo art. 77 do CTN e pelo art. 145, II, da CF – indicam que nem todo serviço pode ser custeado por taxa, mas somente aqueles específicos e divisíveis, também denominados uti singuli: usufruídos individualmente por cada um dos usuários. Noutros termos, específico é o serviço possível de identificação dos contribuintes beneficiados pela prestação do serviço. Por sua vez, é divisível aquele que permite mensurar a fruição individual, que pode ser quantificado singularmente. Por estas razões, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucionais as taxas segurança pública, de iluminação pública (Súmula Vinculante nº 41), de limpeza urbana e a de incêndio (Tema 16 do STF). Ao cabo, característica fundamental introduzida pelo artigo 77, p.u., do CTN, bem como pelo art. 145, §2º, da CF, asseveram que as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos. Isto é, não pode existir taxa cujo fato gerador seja a propriedade de imóvel urbano ou a propriedade de veículo automotor, próprias do IPTU e IPVA, respectivamente. Terceiro Tributo – Contribuição de Melhoria – Resumo sobre conceito e classificação de tributos Adiante, temos a contribuição de melhoria, tributo vinculado – pois exige a atividade estatal de realização de obra pública, mas também que esta obra promova valorização imobiliária nas áreas beneficiadas direta ou indiretamente por estas obras. Tributo este destinado – custear a realização da referida obra pública e; não restituível ao contribuinte. Desta maneira, este tributo possui como fato gerador a valorização imobiliária decorrente da execução de obra pública. Quando o Município constrói uma escola, por exemplo, pode instituir o tributo para fazer face ao custo da obra, tendo como limite total da exação (cobrança) a despesa realizada e, como limite individual a cada contribuinte, o acréscimo do valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Em outras palavras, caso construída a referida escola, custando ao todo R$ 100.000,00 (cem mil reais), beneficiando 20 imóveis pela obra, com valorização individual de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) cada, pode o poder público arrecadar até R$ 80.000,00 (cobrando quatro mil reais de cada contribuinte beneficiado). Quarto Tributo – Empréstimo Compulsório – Resumo sobre conceito e classificação de tributos Neste caminhar, estudaremos o quarto tributo, o empréstimo compulsório. Tributo vinculado ou não, a depender da razão de sua instituição, destinado – para o custeio das finalidades constitucionalmente estabelecidas (art. 148, I e II da CF) e restituível ao contribuinte – como característica mais importante, devendo a lei fixar prazo e condições para devolução do empréstimo. Assim, apenas a UNIÃO pode instituir os empréstimos compulsórios, por meio de lei complementar (quórum legislativo mais rígido), para atender a: 1. Despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública, guerra externa ou sua iminência ou; 2. Investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Quinto Tributo – Contribuições Especiais – Resumo sobre conceito e classificação de tributos Ao cabo, temos as contribuições especiais – tributo não vinculado a qualquer atividade estatal específica, destinado a objeto específico, como a intervenção da União em determinado setor econômico, e não restituível. Como regra, apenas a UNIÃO pode instituí-las. Excepcionalmente os Municípios e Distrito Federal (atuando como Município) podem instituir a Contribuição de Iluminação Pública. Das diversas contribuições especiais existentes, temos como exemplo conhecido deste tributo as contribuições de categorias profissionais, como o COREN, cobrada dos enfermeiros(as), ou do CRECI, paga pelos corretores de imóveis. Também podemos citar a Contribuição Social de Iluminação Pública – COSIP – destinada ao custeio, expansão e melhora do serviço de iluminação pública (art. 149-A da Constituição). Conclusão Por fim, este breve artigo abordou alguns dos tópicos mais importantes para sua prova acerca do tema conceito e classificação de tributos. É importante manter-se atualizado, estudar por materiais de qualidade e acompanhar as mudanças na legislação e na jurisprudência, práticas essenciais para um estudo eficaz. Deve-se utilizar deste artigo e das questões disponíveis no Sistema de Questões do Estratégia como complemento ao estudo, priorizando sempre o material teórico apresentado nos PDFs das aulas. Até a próxima! Bons estudos O poder financeiro estatal refere-se à capacidade do Estado de obter recursos financeiros e utilizá-los para financiar as suas atividades. É um poder inerente ao Estado, que lhe permite atuar como agente econômico e cumprir as suas funções de forma eficiente. Elementos-chave do poder financeiro estatal: · Obtenção de recursos: O Estado obtém recursos financeiros através de diferentes fontes, como impostos, taxas, contribuições, empréstimos, e outros. · Gestão dos recursos: O Estado deve gerir os recursos financeiros de forma eficiente e transparente, garantindo a sua aplicação de acordo com as necessidades públicas. · Despesa pública: O Estado utiliza os recursos financeiros para financiar as suas despesas, que incluem despesas correntes (salários, serviços, etc.) e despesas de capital (investimentos em infraestruturas, etc.). · Controle e fiscalização: O Estado deve controlar e fiscalizar o uso dos recursos financeiros, garantindo a sua aplicação de acordo com a lei e a legislação em vigor. Importância do poder financeiro estatal: · Financiamento das políticas públicas: O PODER FINANCEIRO ESTATAL permite ao Estado financiar as políticas públicas, que são essenciais para o desenvolvimento do país e o bem-estar da sociedade. · Ação do Estado na economia: O poder financeiro estatal permite ao Estado atuar na economia, promovendo o crescimento, a estabilidade e a justiça social. · Soberania e autonomia do Estado: O poder financeiro estatal é um importante elemento da soberania e da autonomia do Estado, permitindo-lhe tomar decisões independentes sobre as suas finanças. Aspectos legais: · Direito Financeiro: O Direito Financeiro é o ramo do direito que trata da atividade financeira do Estado, incluindo a obtenção de receitas, a gestão da receita e despesa públicas, e o controle e fiscalização das finanças públicas. · Constituição: A Constituição é o documento fundamental que estabelece as regras e os princípios que regem a atividade financeira do Estado.· Legislação específica: A legislação específica estabelece as normas que regulam a atividade financeira do Estado, incluindo as leis orçamentárias, as leis tributárias, as leis sobre a gestão da dívida pública, etc OS PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DO DIREITO FINANCEIRO São: a legalidade, a economicidade, a transparência e a responsabilidade fiscal. Além destes, também se destacam princípios como a anualidade, a universalidade e a unidade, que são específicos do orçamento público. Elaboração: · Legalidade: As finanças públicas devem seguir um regime jurídico, sendo necessárias leis para autorizar as despesas públicas. · Economicidade: O Estado deve utilizar os recursos públicos de forma eficiente, buscando o melhor resultado possível com o menor custo. · Transparência: As finanças públicas devem ser públicas, permitindo o controle social e a fiscalização. · Responsabilidade Fiscal: Os gestores públicos devem ser responsabilizados pela gestão das finanças, promovendo a estabilidade fiscal e o cumprimento das metas. · Anualidade: O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um período anual, buscando a previsibilidade e o planejamento. · Universalidade: O orçamento deve incluir todas as receitas e despesas do Estado, evitando que haja despesas não previstas. · Unidade: O orçamento deve ser único, com todas as receitas e despesas agrupadas em um único documento. Principais fontes: A Constituição Federal é a principal fonte do Direito Financeiro, estabelecendo seus princípios e regras fundamentais. Outras fontes importantes são as leis orçamentárias, as leis que tratam de finanças públicas e os regulamentos. Importância: Os princípios do Direito Financeiro são essenciais para garantir a boa gestão das finanças públicas, a transparência e o controle social, e a responsabilização dos gestores. Eles são a base para a elaboração e execução do orçamento público, a garantia da estabilidade fiscal e a promoção da eficiência na utilização dos recursos públicos FONTES DO DIREITO FINANCEIRO. As principais fontes do Direito Financeiro são a Constituição Federal, as Leis Complementares, as Leis Ordinárias, as Medidas Provisórias, os Decretos e as Resoluções. A Constituição Federal, em especial, é considerada a fonte primária, estabelecendo as bases para a organização financeira do Estado. Fontes Formais Primárias: · Constituição Federal: É a fonte principal e suprema, definindo os princípios e regras básicas que regem o Direito Financeiro. · Leis Complementares: Regulam questões específicas, como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/00), que estabelece normas gerais para o controle fiscal e a gestão das finanças públicas. · Leis Ordinárias: Incluem a Lei Orçamentária Anual (LOA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA), que são fundamentais para a elaboração e execução do orçamento público. · Medidas Provisórias: Podem ser utilizadas em situações excepcionais, como para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, conforme estabelecido na Constituição Federal. · Decretos: São normas regulamentares que detalham as leis e as aplicam, no âmbito da gestão financeira pública. · Resoluções: Atuam como normas complementar e que podem definir limites e regras para operações de crédito, por exemplo. Fontes Formais Secundárias: · Decretos e Regulamentos: São normas de execução das leis e que detalham regras e procedimentos para a gestão financeira. · Instruções Normativas: São normas baixadas por órgãos administrativos e que detalham regras e procedimentos para a gestão financeira. · Jurisprudência: A interpretação e aplicação das leis pelas autoridades judiciais também constituem fontes do Direito Financeiro. · Doutrina: A contribuição dos juristas e estudiosos para a compreensão e a aplicação das normas também é importante. · Principios Gerais do Direito: São princípios gerais que informam as regras e a interpretação das normas financeiras. Principais Normas de Direito Financeiro: · Lei 4.320/64: Estatui normas gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. · Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/00): Define normas gerais de gestão financeira e controle fiscal, incluindo o planejamento, execução e controle dos gastos públicos. · Normas relativas ao orçamento público: A LOA, LDO e PPA estabelecem os limites e as regras para a gestão financeira do Estado, incluindo a arrecadação de receitas e o pagamento de despesas. · Normas sobre controle externo: O Tribunal de Contas da União (TCU) exerce o controle externo sobre a gestão financeira pública, garantindo a legalidade e a transparência dos gastos CONSTITUIÇÃO FINANCEIRA A constituição financeira, no contexto jurídico, refere-se à parte do direito constitucional que trata da atividade financeira do Estado, incluindo receitas, despesas, orçamento e gestão patrimonial. É um conjunto de normas e princípios que regulam como o Estado arrecada, gasta e gerencia seus recursos financeiros, visando à realização dos seus fins e à sustentabilidade do Estado Democrático de Direito. Elaboração e conteúdo da Constituição Financeira: · Princípios Fundamentais: A constituição financeira estabelece princípios que orientam a atividade financeira do Estado, como o princípio da legalidade, o princípio da economicidade, o princípio da transparência, entre outros. · Competências: Define quem tem o poder de elaborar, aprovar e fiscalizar a lei orçamentária e de gerenciar as finanças públicas. · Normas e Valores: A constituição financeira contém normas que regem a arrecadação de receitas (tributárias e não tributárias), a realização de despesas (ordenação de gastos e controle), a gestão do patrimônio público e a execução da política financeira. · Interligação com Outras Áreas: A constituição financeira não atua isoladamente. Ela está interligada com a Constituição Econômica (que trata da relação entre o direito e a economia) e com a Constituição Tributária (que trata dos impostos). Função e importância: · Sustentabilidade do Estado: A constituição financeira garante a sustentabilidade do Estado, fornecendo as ferramentas necessárias para que o governo possa cumprir suas obrigações e realizar suas políticas públicas. · Equilíbrio Fiscal: Contribui para o equilíbrio fiscal do Estado, estabelecendo regras para a gestão dos recursos públicos e para a prevenção de déficits. · Transparência e Controle: A constituição financeira promove a transparência e o controle da gestão financeira, garantindo que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e responsável. · Federalismo Financeiro: No contexto do federalismo brasileiro, a constituição financeira define como os recursos públicos são distribuídos entre a União, os estados e os municípios. Em resumo, a constituição financeira é um instrumento fundamental para a organização e funcionamento do Estado, garantindo a gestão eficiente e transparente dos recursos financeiros, a realização dos fins constitucionais e a sustentabilidade do Estado Democrático de Direito NORMAS GERAIS DE DIREITO FINANCEIRO. LEI No 4.320, DE 17 DE MARÇO DE 1964 Texto compilado Mensagem de veto Vigência Partes mantidas pelo Congresso Nacional Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei; DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 1º Esta lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, de acôrdo com o disposto no art. 5º, inciso XV, letra b, da Constituição Federal. TÍTULO I Da Lei de Orçamento CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Govêrno, obedecidos os princípios de unidadeuniversalidade e anualidade. § 1° Integrarão a Lei de Orçamento: I - Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Govêrno; II - Quadro demonstrativo da Receita e Despesa segundo as Categorias Econômicas, na forma do Anexo nº 1; III - Quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação; IV - Quadro das dotações por órgãos do Govêrno e da Administração. § 2º Acompanharão a Lei de Orçamento: I - Quadros demonstrativos da receita e planos de aplicação dos fundos especiais; II - Quadros demonstrativos da despesa, na forma dos Anexos nºs 6 a 9; III - Quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do Govêrno, em têrmos de realização de obras e de prestação de serviços. Art. 3º A Lei de Orçamento compreenderá tôdas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. Parágrafo único. Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por antecipação da receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiros. (Veto rejeitado no D.O. 05/05/1964) Art. 4º A Lei de Orçamento compreenderá tôdas as despesas próprias dos órgãos do Govêrno e da administração centralizada, ou que, por intermédio dêles se devam realizar, observado o disposto no artigo 2°. Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras, ressalvado o disposto no artigo 20 e seu parágrafo único. Art. 6º Tôdas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. § 1º As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como despesa, no orçamento da entidade obrigada à transferência e, como receita, no orçamento da que as deva receber. § 2º Para cumprimento do disposto no parágrafo anterior, o cálculo das cotas terá por base os dados apurados no balanço do exercício anterior àquele em que se elaborar a proposta orçamentária do Govêrno obrigado à transferência. (Veto rejeitado no D.O. 05/05/1964) Art. 7° A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo para: I - Abrir créditos suplementares até determinada importância obedecidas as disposições do artigo 43; (Veto rejeitado no DOU, de 5.5.1964) II - Realizar em qualquer mês do exercício financeiro, operações de crédito por antecipação da receita, para atender a insuficiências de caixa. § 1º Em casos de déficit, a Lei de Orçamento indicará as fontes de recursos que o Poder Executivo fica autorizado a utilizar para atender a sua cobertura. § 2° O produto estimado de operações de crédito e de alienação de bens imóveis sòmente se incluirá na receita quando umas e outras forem especìficamente autorizadas pelo Poder Legislativo em forma que jurìdicamente possibilite ao Poder Executivo realizá-las no exercício. § 3º A autorização legislativa a que se refere o parágrafo anterior, no tocante a operações de crédito, poderá constar da própria Lei de Orçamento. Art. 8º A discriminação da receita geral e da despesa de cada órgão do Govêrno ou unidade administrativa, a que se refere o artigo 2º, § 1º, incisos III e IV obedecerá à forma do Anexo nº 2. § 1° Os itens da discriminação da receita e da despesa, mencionados nos artigos 11, § 4°, e 13, serão identificados por números de código decimal, na forma dos Anexos nºs 3 e 4. § 2º Completarão os números do código decimal referido no parágrafo anterior os algarismos caracterizadores da classificação funcional da despesa, conforme estabelece o Anexo nº 5. § 3° O código geral estabelecido nesta lei não prejudicará a adoção de códigos locais. LEIS ORÇAMENTÁRIAS as leis orçamentárias são leis de caráter fiscal que definem como o dinheiro público será arrecadado e gasto, estabelecendo as diretrizes para a gestão financeira da união, dos estados, do distrito federal e dos municípios. o modelo orçamentário brasileiro é composto por três instrumentos principais: o plano plurianual (ppa), a lei de diretrizes orçamentárias (ldo) e a lei orçamentária anual (loa). Elaboração e Processo Legislativo: · PPA (Plano Plurianual): Define metas de longo prazo para as ações do governo, abrangendo um período de quatro anos, e serve como referência para as demais leis orçamentárias. · LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias): Estabelece as diretrizes para a elaboração da LOA, incluindo as metas fiscais, as prioridades de investimento e as regras para o controle das despesas públicas. · LOA (Lei Orçamentária Anual): É a lei que estima as receitas e fixa as despesas do governo para o exercício financeiro seguinte, detalhando como os recursos serão alocados para as diferentes áreas e atividades. Importância das Leis Orçamentárias: · Transparência e Controle: As leis orçamentárias garantem a transparência na gestão dos recursos públicos e permitem que a sociedade acompanhe como os recursos são arrecadados e gastos. · Planejamento e Gestão: Elas são fundamentais para o planejamento e a gestão das finanças públicas, permitindo que o governo estabeleça metas, prioridades e estratégias para o desenvolvimento do país. · Participação Social: O processo de elaboração e aprovação das leis orçamentárias envolve a participação de diferentes atores, como o poder executivo, o poder legislativo e a sociedade civil, garantindo a legitimidade das decisões. · Responsabilidade Fiscal: As leis orçamentárias estabelecem regras e mecanismos de controle para garantir que as despesas públicas sejam realizadas de forma eficiente e responsável, evitando o desperdício e o endividamento excessivo. Finalidade: As leis orçamentárias têm como objetivo garantir que o governo utilize os recursos públicos de forma eficiente e transparente, contribuindo para o desenvolvimento do país e o bem-estar da sociedade. Elas são um instrumento essencial para o bom funcionamento da administração pública e para o cumprimento das metas e prioridades estabelecidas pelo governo DESPESA PÚBLICA Despesa pública refere-se à utilização de recursos públicos, normalmente provenientes de impostos, para custear serviços públicos e investimentos. A despesa pública é fundamental para o funcionamento do Estado e a garantia dos direitos dos cidadãos. Elaboração: · Conceito: A despesa pública é o dinheiro que o governo gasta para realizar suas atividades e cumprir suas responsabilidades, como garantir a educação, saúde, segurança e infraestrutura para a população. · Fontes de financiamento: As despesas públicas são financiadas principalmente pelas receitas públicas, que incluem impostos, taxas, contribuições sociais e outras fontes de receita. · Importância: A despesa pública é essencial para que o governo possa atender às necessidades da população, melhorar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento social e econômico. · Tipos de despesa: As despesas públicas podem ser classificadas em diversos tipos, como despesas correntes (custos de manutenção do governo, salários de servidores, etc.), despesas de capital (investimentos em infraestrutura, equipamentos, etc.), despesas discricionárias (que podem ser alteradas pelo governo) e despesas obrigatórias (como pagamentos de dívidas). · Execução da despesa: A execução da despesa pública passa por diferentes fases, como o empenho (quando o governo reserva o dinheiro para a despesa), a liquidação (quando se comprova que a despesa foi realizada) e o pagamento. · Importância do equilíbrio fiscal: É importante que o governo mantenha um equilíbrio entre as receitas e as despesas, evitando gastar mais do que arrecada. · Controle da despesa pública: O controle da despesa pública é fundamental para garantir que o dinheiro público seja utilizado de forma transparente e eficiente, beneficiando a sociedade CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES Despesa pública é o conjunto de gastos realizados pelo governo com a finalidade de financiar os serviços públicos (despesas correntes) ou realizar investimentos (despesas