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GEOTERAPIA AULA 5 Prof. Cristiano Alexandre de Andrade Neiva de Lima 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula faremos uma breve explanação sobre a fitoterapia e os tratamentos das diversas aplicações da Geoterapia na parte clínica. TEMA 1 – FITOTERAPIA APLICADA A GEOTERAPIA A prática da fitoterapia é realizada desde a Antiguidade. Trazida da sabedoria ancestral aos dias de hoje, demonstra a eficácia das propriedades curativas do reino vegetal e mineral nas doenças humanas. No final da década de 1970 do século XX, a Organização Mundial da Saúde validou a fitoterapia como uso terapêutico mundial, e a partir daí várias políticas vêm se desenvolvendo para trazer o uso racional e seguro desses remédios. Já no início da década de 1980, a Anvisa criou a portaria 212, junto ao Ministério da Saúde, para pesquisas de plantas medicinais. Atualmente temos milhares de estudos de fitoterápicos pelo mundo. No Brasil, temos algumas monografias consideradas seguras, dispostas na farmacopeia brasileira; encontramos também no formulário de fitoterápicos da farmacopeia brasileira, bem como nos mementos que são revisados anualmente. Na Geoterapia, utilizamos junto ao preparo das argilas as plantas medicinais. Elas podem ser frescas ou secas, diversificada quanto à parte da planta, como raiz, caule, folha, flor e folha. Para a parte mais prática no uso, podemos utilizar as infusões ou decoctos dessas plantas para integrar o tratamento tópico. O que caracteriza uma planta medicinal? Cada planta é identificada pelo seu nome científico e popular, por isso muitas vezes é melhor escolher pelo nome científico, se for possível. As plantas desenvolvem metabólitos primários para a sua sustentação e metabólitos secundários para a sua proteção, e são esses últimos que geralmente possuem propriedades medicinais, podendo estar presentes em qualquer parte da planta, da raiz às flores. Dentre alguns metabolitos secundários, estão princípios ativos que ativam ou inibem funções no corpo humano, como óleos vegetais, cumarinas, flavonoides, taninos, saponinas, alcaloides e óleos essenciais. Existe uma infinidade de monografias que podemos utilizar para nos direcionar a melhor planta medicinal, qual a forma que vamos extrair seus princípios ativos e concentração. Aqui irei me basear no formulário de 3 fitoterápicos da farmacopeia brasileira e no memento fitoterápico atualizado. Logicamente, você poderá continuar seus estudos; temos muitas obras de plantas medicinais, como o ITF (Índice Terapêutico Fitoterápico), Plantas Medicinais Brasileiras, Farmacognosia da Planta ao Medicamento e as monografias encontradas nas bases de dados científicas da internet. Deixarei aqui uma breve classificação para as grupos que utilizamos para Geoterapia. Algumas plantas podem ser apenas para uso externo; outras podem ser consumidas em uso interno. No final das cartilhas se encontram muitas referências de estudo (Anvisa, 2016; Anvisa, 2011; Ministério da Saúde, 2012). Para o uso na Geoterapia, preferimos o uso de infusões e decoctos, porém, conforme o caso, podemos adicionar tinturas, unguentos e alcoolaturas. Existem muitas outras formas de uso. Precauções sempre são importantes na gravidez, pacientes com doenças hepáticas e renais. Utilize plantas que sejam seguras. Infuso: consiste em deixar a planta em água quente para extrair seus princípios ativos sem ferver. Em média 10 minutos de permanência antes de usar. Pode ser utilizada para folhas e flores, que liberam, além dos princípios da planta, seus óleos essenciais que, se fervidos, haveria muita perda. De modo geral, utiliza-se uma colher de sopa da planta rasurada para 300ml para adicionar a argila. Caso se encontre na forma de pó, utilize metade. Decocto: consiste em ferver a planta em água para extrair os seus princípios ativos. Em média de 10 a 20 minutos. De modo geral, 1 colher de sopa da planta rasurada, geralmente caules, raízes, brotos e algumas sementes. Tinturas: são extratos feitos com álcool de cereais e a planta seca, geralmente de 10% a 20% da planta. As tinturas podem ainda ser em álcool absoluto, álcool e água destilada ou glicerina bidestilada. Por exemplo, para 1 litro de tintura a 20%, teremos 200 g de planta seca e 800ml de álcool de cereais. Alcoolatura: são extratos feitos com álcool também, mas utilizamos a planta in natura, ou seja, verde. Para esse caso, deve-se dobrar a quantidade da planta devido à quantidade de água presente. Sumos e sucos: a planta macerada verde é misturada a argila, como é o caso do gengibre e cebola. 4 Temos uma variedade de aplicações da fitoterapia, pós, cápsulas, xaropes, unguentos, extratos, elixires, vinagres, banhos, compressas, cataplasmas. 1.1 Plantas com efeitos cicatrizantes • Aloe vera, Babosa – (L.) Burm. f. – gel/ mucilagem – uso externo – queimaduras de primeiro e segundo grau. • Arnica – Arnica montana L. – infusão – uso externo apenas – não aplicar sobre ferida aberta – tóxica. • Calêndula – Calendula officinalis L. – infuso das flores secas – uso externo e bochechos. • Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso interno e externo. • Hamamelis – Hamamelis virginiana L. – decocto das cascas secas – uso interno e externo. 1.2 Plantas com efeitos anti-inflamatórios • Alecrim – Rosmarinus officinalis L. – infusão das folhas secas – uso interno e externo. • Bardana – Arctium lappa L. – decocto das raízes secas – interno e externo. • Calêndula – Calendula officinalis L. – infuso das flores secas – uso externo e bochechos. • Camomila – Matricaria recutita L. – infusão inflorescências secas – uso interno e externo. • Chapéu de couro – Echinodorus macrophyllus (Kunth) Micheli – infuso das folhas secas – uso externo e interno. • Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso interno e externo. • Hamamelis – Hamamelis virginiana L. – decocto das cascas secas – uso interno e externo. • Macela ou marcela-do-campo – Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – Infusão das sumidades floridas secas – interno e externo. 5 • Quebra-pedra – Phyllanthus niruri L. – infusão das partes aéreas secas – uso interno e externo. • Salgueiro – Salix alba L. – decocto cascas do caule secas – uso interno e externo. • Gengibre – Zingiber officinale Roscoe – infusão dos rizomas secos – uso interno e externo. • Unha-de-gato – Uncaria tomentosa (Willd. DC.) – decocto da casca seca – uso interno e externo. 1.3 Plantas com efeitos analgésicos • Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso interno e externo. • Garra-do-diabo – Harpagophytum procumbens DC – decocto das raízes secas – uso interno e externo. 1.4 Plantas com efeitos miorrelaxantes e sedativos • Macela ou marcela-do-campo - Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – Infusão das sumidades floridas secas – interno e externo. • Camomila – Matricaria recutita L. – infusão inflorescências secas – uso interno e externo. • Capim-limão – Cymbopogon citratus (DC.) Stapf – infusão folhas secas – uso interno e externo. • Erva-cidreira-de-arbusto, Lipia – Lippia alba (Mill.) N.E. Br. ex Britton & P. Wilson – uso partes áreas secas – infuso – uso interno e externo. • Melissa – Melissa officinalis L. – infuso das sumidades floridas secas – uso interno e externo. • Valeriana – Valeriana officinalis L. – decocto das raízes – uso interno e externo. 1.5 Plantas com efeitos estimulantes da circulação • Castanha-da-índia – Aesculus hippocastanum L.- decocto das sementes – uso interno e externo. 6 • Gingko – Ginkgo biloba L. – infusão das folhas secas – uso interno e externo. TEMA 2 – GEOTERAPIA PARA DOENÇAS DE PELE Estudaremos agora a psoríase, uma doença autoimune que interfere na autoestima, renovação e cicatrização. A psoríasenão é contagiosa e existem vários tipos de psoríase, mas a mais comum são as placas que aparecem ao redor das articulações e face. Figura 1 – Psoríase Crédito: Kristina Igumnova26/Shutterstock. Figura 2 – Psoríase Crédito: Fuss Sergey/Shutterstock. Nos casos de doenças crônicas e graves, lembrem-se de utilizar a argila abdominal sobre as regiões lesionadas. Outras doenças inflamatórias relacionadas à pele, como rosácea, acnes, herpes simples e zoster podem se beneficiar com a Geoterapia. Infusões de camomila, calêndula e bardana podem auxiliar na psoríase para acalmar a inflamação, adicionando-as no preparo da argila e em forma de compressas. O uso da aloe vera também é efetivo para hidratar as placas e 7 reduzir a sensação de queimadura. Pode-se utilizar ainda a tintura ou cápsulas com o pó de passiflora e ou valeriana para consumo interno para auxiliar nos distúrbios do sistema nervoso, bem como essências florais que equilibrem o stress emocional dessa personalidade. Para finalizar a aplicação, poderá se valer da aromaterapia. O óleo essencial de Lavandula angustifolia (lavanda francesa) é uma das essências mais estudadas, com muitos artigos científicos escritos sobre sua eficácia em distúrbios da pele, principalmente na França, onde a aromaterapia é tratada em uso tópico e interno. Para fazer um óleo calmante tópico para as placas, pode-se utilizar uma concentração de 5% a 10% do óleo essencial de Lavandula angustifolia, ou seja, para 100 ml de óleo vegetal ou creme, utilizar 5 ml a 10 ml de óleo essencial. Lembrando que 1 ml equivale a aproximadamente 22 gotas de óleo essencial. Após a aplicação da argila, utilizar o óleo nas placas, três vezes ao dia (Franchomme et al., 2001). Pode ser utilizada nas mesmas proporções ou misturada à resina de copaíba, muito utilizada como antisséptico e na cicatrização de enfermidades da pele. Também é sugerido utilizar água com enxofre e a talassoterapia, terapia com água salgada ou do mar (Vila y Campania, 2000). Esse tipo de distúrbio exige um apoio multidisciplinar e requer vários profissionais, como dermatologistas, psicoterapeutas e terapeutas. Atualmente, sabe-se que a luz ultravioleta pode auxiliar no tratamento de psoríase e seu tratamento pode ser realizado em clínicas especializadas. Lembrando que a maior fonte de ultravioleta é o sol, além de ativar a produção da vitamina D, essencial a saúde da pele. TEMA 3 – DISFUNÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS Depois dos distúrbios da pele, a Geoterapia é muito buscada por pacientes que sofrem de distúrbios musculoesqueléticos. Dentre os distúrbios mais comuns: 3.1 Doenças inflamatórias osteoarticulares Dentre as doenças ósseas mais comuns, estão as artrites e as artroses. A artrite é a inflamação da articulação, relacionada às articulações móveis, e 8 pode ser influenciada por múltiplas causas, desde traumas a doenças autoimunes como psoríase ou febre reumática. Figura 3 – Artrite Crédito: Elenabsl/ Shutterstock. Quando a artrite se torna crônica, degenerando as cartilagens das articulações, denomina-se artrose. Fatores genéticos, hormonais e obesidade são contribuintes das osteoartroses. É considerada doença crônica e sem cura. A Geoterapia irá contribuir para o quadro agudo, auxiliando na redução da inflamação e da dor. A aplicação deve ser fria na fase aguda e geralmente as articulações estão quentes, inflamadas. Caso o paciente tenha muito frio, pode-se utilizar argila morna, o quarto da terapia deve estar aquecido, cobertores e bolsas de água quente são importantes. Nas fases crônicas, a argila morna a quente é mais efetiva. Nos casos agudos, pode-se aplicar duas a três vezes na semana. Quando reduzir a inflamação da articulação, poderá ser espaçado para uma vez na 9 semana. Recomenda-se a aplicação abdominal na artrose e artrite com causas endógenas, origem autoimune e febre interna. Um artigo de Varzaityte et al. (2020) verificou efeito positivo da aplicação de argila e água com cloreto de sódio (peloterapia), balneoterapia e fisioterapia na osteoartrite de joelho. Os efeitos reduziram a dor, a rigidez e melhoraram o estado funcional. Decoctos de erva-baleeira, garra-do-diabo e unha-de-gato podem ser adicionada as massas de argilas, bem como uso interno. Os decoctos devem ser usados por 7 dias e espaçar 3 dias, repetir o quanto for necessário. Aqui, uma nota importante: por mais que fitoterápicos sejam naturais e expressem um extrato aquoso leve, seguem o mesmo efeito farmacológico, ou seja, o efeito anti-inflamatório também pode afetar o estômago. Portanto, caso seja necessário, utilizar protetores gástricos, como aloe vera, espinheira-santa ou camomila, separadamente dos decoctos. Caso queira utilizar a aromaterapia, após ou junto à Geoterapia, os óleos essenciais de alecrim e hortelã-pimenta são excelentes analgésicos, anti- inflamatórios e estimulam a circulação local. Recomenda-se utilizar concentrações de 5% em óleo vegetal apropriado. Um óleo vegetal carreador com efeito regenerador é o óleo de abacate prensado a frio. Pode-se, inclusive, preparar um óleo medicinal. Não utilizar o óleo de alecrim para hipertensos sem controle ou tratamento. 3.1.1 Blend anti-inflamatório e analgésico Iremos precisar de 1 litro de óleo de abacate, 100 g de erva-baleeira, 100 g de garra-do-diabo, 100 g de unha-de-gato, 1 óleo essencial de boa procedência de alecrim e hortelã-pimenta. Adicionar num frasco âmbar, de preferência, ou transparente envolvido com papel alumínio, as plantas e 700 ml de óleo de abacate. Deixe descansar pelo menos um mês em local seco e escuro. Uma vez por dia, agite o óleo. Após os 30 dias, utilizo a validade do óleo de abacate. Para incluir os óleos essenciais, prefira utilizar em porções menores do óleo de plantas preparado, como por exemplo, 100 ml, pois os óleos essenciais são muito voláteis e podem perder o efeito quando utilizados em grande volume de outros óleos. Modo de uso: aplicar no local 3 vezes ao dia. Um ciclo de tratamento é 21 dias e descansar 1 semana. 10 Caso queira, utilizar o azeite de plantas medicinais internamente, não utilizar com os óleos essenciais diluídos nessa proporção. Uso: 1 colher de sobremesa, 2 a 3 x ao dia. 3.2 Osteoporose A osteoporose é uma patologia que está relacionada com a perda óssea. O cálcio presente nos ossos se desloca para fora deles e deixa o tecido fragilizado, ocasionando fraturas. É uma doença crônica; seu início se chama osteopenia e está relacionado a fatores genéticos e hormonais. Há pouco tempo, relata-se a importância do colágeno para a formação de todo arcabouço do corpo. Existem basicamente seis tipos de colágeno; entre eles, o tipo 2 (UCII) é um dos mais utilizados para as cartilagens e articulações. O tratamento de reposição de colágeno a longo prazo é uma profilaxia adequada contra a osteoporose e deve ser adequado a uma reeducação alimentar. Deve incluir também vitaminas e minerais que auxiliem a absorção e estabilização desse colágeno. Para a reposição de cálcio e magnésio, a Geoterapia sugere a água de argila, diariamente de dolomita ou carbonato de cálcio e magnésio. Também é vendida em farmácias em forma de cápsulas. O tratamento local também pode auxiliar na analgesia e remineralização. É um tratamento coadjuvante com muitas outras terapias e intervenções e a longo prazo. Inclui reeducação alimentar, tratamentos do sistema endócrino, exercícios físicos, banhos de sol, entre outros. 3.3 Lombalgia A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10) classifica as dores nas costas como dorsalgias (dorso), e a lombalgia se enquadra nelas como dor na coluna baixa ou lombar, afetando até 65% das pessoas anualmente, causada pela maioria das vezes por sedentarismo e aos fatores ocupacionais (Nascimento et al., 2015). A lombalgiapode ser aguda ou crônica e engloba várias doenças, desde uma luxação dos músculos paravertebrais ou dorsais a uma hérnia de disco, que causa uma dor severa, constante e que irradia para outras regiões. Em casos mais agudos e leves, o alívio da dor e melhora do movimento é mais efetivo, enquanto nas 11 hérnias de disco, pode auxiliar momentaneamente ou o tratamento deve ser a longo prazo coadjuvante a outras técnicas terapêuticas. Aplicar argila em camada de 1 a 2 cm sobre toda a região lombar, incluindo coluna e musculatura. Deixar de 1 a 2 horas. Verificar a melhor postura para o paciente, adequando com rolinhos ou travesseiros; às vezes será necessário adequar a postura de lado com as pernas flexionadas. Caso desconfie da inflamação advinda de outras regiões musculares ou vertebrais, aplicar por toda a coluna e costas. Podemos utilizar os mesmos decoctos para inflamações das articulações para incluir no tratamento da lombalgia. TEMA 4 – DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO Estão inclusos distúrbios que envolvem os nervos motores e sensitivos. Entre as mais comuns são a lombociatalgia e a fibromialgia. 4.1 Lombociatalgia A lombociatalgia é a dor da coluna baixa com a inflamação do nervo isquiático, também conhecido como ciático. O nervo ciático tem suas raízes nervosas na coluna lombar; ele desce e se ramifica para a região sacral e desce pelos membros inferiores posterior e lateralmente até os pés. Os nervos vão mudando de nome conforme local e suas ramificações. A aplicação sobre a região lombar completa e ao longo dos membros inferiores pelo menos uma hora. Na fase aguda, pode-se fazer diariamente, até reduzir a inflamação. Argila fria, de 1 a 2 cm, no mínimo 1 hora de aplicação. 4.2 Fibromialgia A fibromialgia é uma doença moderna e crônica, classificada atualmente como dor primária crônica, sem diagnóstico definido e que precisa de uma equipe multidisciplinar para dar suporte aos diversos sintomas e fatores que fazem essa síndrome aparecer. O paciente sente dores crônicas, muitas vezes incapacitantes, mas não apresentam exames diagnósticos alterados como VHS ou Proteína C reativa, indicativos de inflamação. Desde o início dos estudos da fibromialgia, os diagnósticos estão se modificando. Utilizam áreas de dor que o paciente sentiu (cintura escapular, quadril [nádega, trocânter], mandíbula, parte 12 superior das costas, parte inferior das costas, braço, perna superior, tórax, pescoço, abdômen, antebraço, e perna — todas essas áreas devem ser consideradas bilateralmente), fadiga de leve a grave. Ainda, se o paciente sente dor abdominal, depressão e enxaqueca, são fatores que vão pontuando até se chegar a esse diagnóstico (Maffei, 2020). Um estudo multicêntrico realizado em quatro spas na Itália pelo departamento de um instituto de reumatologia em 2007 observou um efeito positivo na qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia em até 6 meses com o uso de compressas quentes de argila, seguidas de balneoterapia (águas termais). O experimento consistiu em realizar compressas quentes (4°-45°) de argila em todo o corpo diariamente por 15 minutos, seguido de banho de águas termais quentes (37°-38°) por 10 minutos, durante 12 dias. A conclusão do estudo menciona o valor do efeito térmico sobre as dores crônicas, reduzindo espasmos e aumento o limiar da dor. Sugere ainda um estímulo neuroendócrino em resposta ao calor, liberando hormônios que aliviam as dores, como as endorfinas (Fioravanti et al., 2007). Na revisão sistêmica de Maffei (2020), encontrou-se um estudo que relacionou o supercrescimento de bactérias do intestino delgado, afetando a permeabilidade e o eixo cérebro-intestino, o que também se relaciona com a visão naturista da ligação das doenças crônicas, ligação cérebro e intestinos. TEMA 5 – COADJUVANTES TRADICIONAIS DA GEOTERAPIA Dentro dessa terapia empírica, o uso da cebola, inhame e gengibre para atenuar as dores e as inflamações locais se instaurou, e se o terapeuta não tiver outras ferramentas como as plantas e óleos essenciais, poderá utilizar a cebola e o gengibre misturado. Durante meu estágio no Hospital Oásis, fazíamos decoctos em panelas grandes de cebolas cortadas e ralávamos os gengibres para misturarmos na massa de argila, mas também podem ser feitas cataplasmas com elas puras, porém, deve-se cuidar com peles sensíveis e pessoas alérgicas. 5.1 Cebola A cebola (Allium cepa L.) é um alimento utilizado desde as mais antigas civilizações. É rica em vitamina tiamina (B1), riboflavina (B2), vitamina C, 13 potássio (K), fósforo (P), enxofre (S) e cálcio (Ca), e era utilizada como depurativo do sangue, contra enjoos, prevenir infecções, para reumatismo e furúnculos. A naturopatia tem a cebola como emoliente e depurativa, que vem sendo usada para auxiliar nos tratamentos de asma, ascite, enxaqueca, reumatismo e outras doenças febris. Ainda devido ao seu ácido sulfuro de alilo, tem ação laxativa, diurética, bactericida e sudorífera. Já foi utilizada na Antiguidade para tratar tuberculose e sífilis. A glucoquinina é um excelente hipoglicemiante (Balbach; Boarim, 1993). Balbach e Boarim (1993) citam ainda a cebola em compressas e cataplasmas para auxiliar nos tratamentos de tumores, inflamações, abscessos, furúnculo, picadas de insetos, dermatoses. Internamente, é útil nos cálculos renais e de vesícula, vermes, calmante, alcalinizante, anticoagulante e hipoglicemiante. Peretto (2000) recomenda o cataplasma com cebola nas congestões das partes superiores do corpo e febre. Utilize uma película fina de cebola sobre feridas abertas que não podem entrar em contato com a argila diretamente, auxiliando na proteção e assepsia. 5.2 Inhame Existem vários tipos de inhame, mas apenas alguns são comestíveis. O inhame-da-índia e o inhame-gigante são considerados tóxicos. O inhame comestível (Colocasia esculenta, L Schott) é rico em tiamina (B1), riboflavina (B2) e vitamina C, e possui grande quantidade de potássio, sódio, fósforo e cálcio. Dentre as raízes, é uma das que possui mais ferro (Fe). Considerado um vegetal com propriedades exsudativas é muito utilizado em cataplasmas nas erupções cutâneas, precedidas de compressas de unguento de gengibre. Para o consumo interno, deve ser bem cozido, pois é indigesto se consumido cru. Peretto (2000) inclui o cataplasma de inhame com meia cabeça de gengibre para dores em geral. Também menciona: na falta de argila e inhame, pode-se utilizar cará-branco ou batata e acrescentar gengibre para os cataplasmas. Também se utiliza muito em furúnculos e abscessos, com compressas de gengibre e cebola ou alho e depois o cataplasma de inhame. 14 5.3 Gengibre O rizoma do gengibre (Zingiber officinale R.) é usado desde a Idade Média como digestivo, e seus principais ativos parecem estar principalmente nos seus óleos essenciais voláteis. Conforme ITF (2008), alguns dos seus ativos, como óleos essenciais gingerol e chugaol, possuem propriedades diaforética, antipirético, expectorante, antitussígeno, analgésico, imunoestimulante, digestivo, carminativo, antiemético, carminativo, colagogo, cardiotônico, antitrombolítico (anticoagulante), antibacteriano (estafilococos, estreptococos, escherechia coli proteus), antioxidante, antiespasmódico, estimulante da circulação periférica, profilática para náusea ou vomito por cinetose e de gestação, afecções reumáticas e fungicida. Diante de tantas propriedades, não é difícil de imaginar por que esse rizoma foi escolhido para atuar junto dos cataplasmas da Geoterapia. Borges (2002), sugere o cataplasma de argila (1,5 kg), 1 inhame médio, 1 gengibre grande e 1 pimenta vermelha para inflamações em geral. Recomenda não aplicar nos pulmões e nem no coração. O gengibre e a pimenta podem provocar reações alérgicas; observar. O gengibre é um excelente analgésico. Excelente paradores articulares e ciático. Balbach e Boarim (1993) recomendam, junto do cataplasma de inhame e argila, realizar um cataplasma de gengibre. Para tal, recomenda-se ferver 7 copos de água e ralar 1/3 de xícara de gengibre, fazer uma trouxinha com um pano de algodão ou outro pano fino e permeável, deixar o gengibre em infusão por 10 minutos com a panela tampada. Fazer compressas com essa água de gengibre ainda quente por 10 minutos, trocando cada vez que esfriar. Depois descascar e ralar dois inhames médios adicionar farinha e o gengibre ralado, misturar e aplicar sobre o local afetado. Essa técnica é utilizada para furúnculos e abscessos. NA PRÁTICA Nessa parte prática, vou mostrar no vídeo como fazer um cataplasma no joelho. O paciente pode ir embora com o cataplasma e ficar em média duas horas e depois descartar no lixo orgânico. Poder ser feito diariamente, até a dor aguda reduzir. Se o paciente puder ficar imóvel é melhor. 15 Se você tem um espaço onde é possível fazer os infusos e decoctos para utilizar com a argila, recomendo o uso. Existem muitas formas de utilizar as argilas com a fitoterapia, com os óleos essenciais e com os elementos tradicionais, como cebola, inhame e gengibre. Utilize e verifique o seu efeito. No segundo vídeo vou aplicar a Geoterapia para uma dor lombar aguda. Essa paciente concordou em dar o seu relato após a terapia, sentiu muitas reações durante a sessão e ao finalizar sentiu melhor. Ficou durante 40 minutos com aplicação de argila cinza. Assista o vídeo Aplicação da Geoterapia no joelho e na dor lombar. No final, a paciente dá um relato sobre as sensações que teve. FINALIZANDO Se você gosta da fitoterapia aliada à Geoterapia, além das plantas citadas acima do memento fitoterápico, existe uma infinidade de plantas que podem auxiliar nos tratamentos internos e externos. Mesmo sendo uma terapia empírica, devemos sempre estar informados sobre o desenvolvimento das doenças e tratamentos, para que possamos acompanhar a melhora do nosso paciente com cada vez mais consciência. Os coadjuvantes tradicionais mencionados são os mais utilizados, junto das massas de argilas nos hospitais e spas naturistas, mas são utilizados muitos outros, como couve, banana e alho, entre outros. Basta estudar seus efeitos terapêuticos e incluir na sua prática. 16 REFERÊNCIAS ANVISA. Formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Brasília, 2011. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2021. _____. Memento fitoterápico. Farmacopeia brasileira. Brasília, 2016. BALBACH, A.; BOARIM, D. As hortaliças na medicina natural. São Paulo: Vida Plan., 1993. BORGES, E. P. Geoterapia. Argiloterapia. Material apostilado do centro de tratamento alternativo. Vitória: 2002. FIORAVANTI A. et al. Effects of mud-bath treatment on fibromyalgia patients: a randomized clinical trial. Rheumatol Int., n. 12, 2007, p.1157-61. FRANCHOMME, J et al. L’aromathérapie exactement. Paris: Roger Jollois, 2001. ITF – Índice Terapêutico Fitoterapêutico. Ervas medicinais. Petrópolis: EPUB, 2008. MAFFEI, M. E. Fibromyalgia: recent advances in diagnosis, classification, pharmacotherapy and alternative remedies. Int J Mol Sci., v. 21, 2020, p. 7877. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos de Atenção Básica. Práticas integrativas e complementares. Plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica. Brasília, 2012. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2021. NASCIMENTO, P. et al. Prevalência da dor lombar no Brasil: uma revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública [online]. v. 31, n. 6, 2015, p. 1141-1156. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2021. PERETTO, I. C. Argila. Um santo remédio e outros tratamentos compatíveis. São Paulo: Paulinas, 2000. 17 VARZAITYTE L, K. R. et al. The effect of balneotherapy and peloid therapy on changes in the functional state of patients with knee joint osteoarthritis: a randomized, controlled, single-blind pilot study. Int J Biometeorol, v. 64, n. 6, 2020, p. 955-964. VILA Y CAMPANYA, M. Manual de Geoterapia aplicada. Organización Panamericana de la Salud. Organización Mundial de la Salud. Programa Nacional de Medicina Complementária. Peru. Textos completos, 2000. Conversa inicial TEMA 1 – FITOTERAPIA APLICADA A GEOTERAPIA TEMA 2 – Geoterapia para doenças de pele TEMA 3 – Disfunções musculoesqueléticas TEMA 4 – DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO TEMA 5 – COADJUVANTES TRADICIONAIS DA GEOTERAPIA Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS