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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA Produção e Escassez Dentro de um Sistema Econômico e a Divisão da Economia Moderna Economia (Direito)Produção, Sistema Econômico e Escassez Independentemente do nível de desenvolvimento de uma sociedade, os recursos adotados na produção de um bem ou serviço é limitado, ou seja, existe uma restrição orçamentária, técnica ou até mesmo de recursos que obriga os indivíduos a fazer escolhas no momento de produzir. Em contrapartida, o ser humano tem uma série de necessidades de consumo que são ilimitadas e renováveis, ora por conta do crescimento da própria população, ora pelo desejo de elevar o padrão de vida. Diante deste embate de conceitos, temos o ponto central do estudo da economia: a escassez, onde temos recursos restritos aliados às necessidades ilimitadas. A Escassez de Recursos: Problemas Econômicos Fundamentais Ao associarmos a escassez de recursos (fatores de produção), deparamos com os problemas fundamentais dentro da economia: O que ou quanto produzir À sociedade seleciona entre as diversas possibilidades de produção, quais produtos serão fabricados e suas respectivas quantidades, levando em consideração que os recursos utilizados são escassos. A escolha da produção de um determinado bem implicará na recusa de outro e cabe às autoridades econômicas o papel de estimular o crescimento e desenvolvimento visando o bem-estar social; Como produzir É responsabilidade da sociedade a escolha dos recursos de produção utilizados para criar bens ou serviços, considerando a tecnologia disponível. É preciso observar a concorrência, decidir a maneira como os bens e serviços serão produzidos e indicar aos produtores o método que apresentar o menor custo de produção. Certamente esta questão vai considerar o confronto entre o trabalho humano e a máquina, mesmo que seja necessária a utilização de ambas para manter sua eficiência produtiva; Para quem produzir O papel da sociedade é definir a participação de seus membros na distribuição dos resultados obtidos na produção, ou seja, de que forma seus membros irão usufruir do resultado de seu trabalho. De acordo com Vasconcellos e Garcia, a distribuição de renda depende, além da oferta e da demanda, da repartição da propriedade e a forma como é transmitida por herança. Definirmos que um sistema econômico é a forma política, social e econômica que a sociedade estabelece para produzir, distribuir e consumir os bens e serviços disponíveis, visando elevar o padrão de vida e bem-estar dos indivíduos. Todo sistema econômico, segundo Vasconcellos e Garcia é composto por três elementos básicos: 1. Estoque de fatores de produção, a qual podemos acrescentar os recursos humanos, a terra, o capital, as reservas e a tecnologia; 2. Unidades de produção com maior complexidade e formado por empresas; 3. Instituições jurídicas, sociais, econômicas e políticas capazes de organizar o funcionamento da sociedade. Os sistemas econômicos podem ser classificados em: Sistema Capitalista: Caracterizado pela livre iniciativa e pela propriedade privada dos fatores produtivos. Trata-se de um sistema de economia aberta que defende a negociação de bens e serviços mediante a importação e a exportação, um processo de abertura comercial de um país. As fases iniciais do capitalismo se concentrava nas trocas comerciais, na medição da riqueza dos países por meio da capacidade de acumular matérias-primas. Trata-se do mercantilismo, que se sustenta em Estados nacionais fortes e com uma intervenção na economia para assegurar a acumulação de lucros; Sistema Socialista: os problemas fundamentais são centralizados e solucionados pelo governo, por meio da assunção (aprovação) dos recursos produtivos. O mecanismo de preços é definido pelo órgão centralizado do governo e não pela oferta e demanda do mercado, é um sistema de economia fechada, se caracteriza pela busca de uma sociedade igualitária, procura aproveitar se do desenvolvimento produtivo gerado pelo capitalismo para aumentar o nível de bem-estar e eliminar as limitações à liberdade pessoal. Todo sistema econômico existe trocas, que são praticadas de maneiras diversas e é natural a existência de um intercâmbio comercial onde é possível ceder os produtos excedentes, adquirindo o que não possui e se beneficiando de maneira mútua.A especialização + aliada à divisão do trabalho, irá precisar de um sistema na qual seus agentes conseguirão comercializar entre si. Efeitos positivos de um intercâmbio comercial proporcionado pelos sistemas de trocas A maneira primitiva e direta de comercialização era o escambo, os indivíduos se desfaziam dos produtos em excesso e adquiriam aqueles que necessitavam. Tal situação foi solucionada a partir da introdução da moeda (trocas indiretas), auxiliando na evolução das atividades comerciais e estimulou a divisão do trabalho e a especialização. Segundo Mankiw, a economia é formada pela interação de milhões de pessoas executando uma diversidade de atividades. É preciso de um modelo que sintetiza o funcionamento da economia e a forma como estas atividades são realizadas, ou seja, como os participantes estabelecem esta interação. Ressaltando: os modelos econômicos por intermédio do uso de diagramas e equações, permite o debate de questões fundamentais de maneira simplificada. A economia de mercado fechada, é um modelo onde não há uma intervenção do governo e sem negociações externas. Portanto o funcionamento do ambiente é por meio das famílias (unidades familiares) e das empresas (unidades produtoras). As famílias são donas dos fatores de produção (trabalho, terra, tecnologia e capital) e consomem os bens e serviços oferecidos pelas empresas (responsáveis por disponibilizar) As empresas são as unidades de produção que produzem bens e serviços utilizando os fatores de produção das famílias. O fluxo de fatores de produção, bens e serviços é denominado de fluxo real da economia. A utilização da moeda nos assegura em paralelo ao fluxo real, o fluxo monetário: Forças de oferta e de demanda atuam de maneira conjunta ao estabelecer os níveis de preço. Em um modelo simples de fluxos reais e monetários, a inserção do governo e do comércio internacional (cria empregos para isentar as novas ferramentas tecnológicas, amentando a renda) na economia não altera o funcionamento do sistema, agindo como qualquer outro agente econômico. O fluxo real da economia ocorre devido ao uso da moeda para exercer duas funções básicas: remunerar os fatores de produção e servir de pagamento dos bens e serviços. O governo é responsável por executar as funções regulatórias nos fluxos econômicos, apropriando se de uma parte da renda social e direcionando-a para suprir as demandas da sociedade. Os fluxos básicos entre as famílias e as empresas, tem-se distinções: Primeira: limitação do poder aquisitivo das famílias e empresas aliadas à sua capacidade privativa de acumulação, onde o governo insere reduções por meio da cobrança de tributos; Segunda: realocação de renda com o governo agindo nas instituições (como a previdência social) interferindo na renda social -pagamento de transferência; Terceira: reconfiguração da demanda e oferta de bens e serviços por meio da formação bruta de capital fixo ou pelo atendimento direto de necessidades da demanda. Famílias e empresas podem indicar uma retração ou expansão econômica e alguns fatores podem colaborar para elevar o crescimento econômico. São eles: ⚑ Aumento do investimento: O investimento está relacionado à redução do consumo e à elevação da poupança - aumenta a produtividade dos trabalhadores; ⚑ Inovações: São implementadas no momento que se descobre uma alternativa de produção mais qualitativa considerando a mesma quantidade de insumos. A tecnologia ou as técnicas de mercadologia é um exemplo; ⚑ Maior divisão do trabalho: Os trabalhadores se tornam produtivos por conta da especialização da atividade produtiva (comércio - caminham juntos), graças à divisão. É difundida a ideia de que os trabalhadoresproduzem para atender as suas necessidades e a de outras pessoas; ⚑ Aumento nos insumos: Ambiente em que há mais trabalhadores, consequentemente terá uma quantidade maior de máquinas e terra implicando uma elevação da quantidade de insumos, e gerando um produto maior e um crescimento econômico. Lei Dos Rendimentos Decrescentes A curva de produção de uma economia depende dos recursos que estão disponíveis e da maneira que serão alocados. Assim, o nível de intensidade e a constância dos deslocamentos aos quais a curva de produção está sujeita se encontram diretamente relacionados a um fator importante na economia: lei de rendimentos decrescentes. Os deslocamentos são o aumento da quantidade de recursos direcionados para a produção, ou seja, quanto mais elevadas as possibilidades produtivas, maiores os alcances de economia. Na economia, é preciso manter um único recurso produtivo fixo durante um longo período, pois o aumento da capacidade tornará decrescente ou nulo a partir de uma determinada fase (desproporcional). As Ilimitáveis Necessidades e Aspirações: Necessidades Econômicas As necessidades econômicas são as únicas demandas num ambiente de oferta e procura. Subdivididas em três categorias: ֎ Necessidades básicas são comuns às pessoas e são fundamentais para a sobrevivência do ser humano. Necessidades relacionadas, por exemplo: à educação,saúde, lazer...; ֎ Estão ligadas diretamente ao nível de socialização e requer um determinado período para que seja adaptado ao cotidiano. São hábitos relacionados ao ato de beber, fumar, uso de celulares...; ֎ Necessidades impossíveis de serem sanadas de maneira individual, cabe ao Poder Público a responsabilidade de atendê-las, como, por exemplo: a comunicação, a Justiça e a segurança. Os Bens Econômicos Limitados: Objeto de Estudo da Economia BEM é um item adotado por conta da sua utilidade para atender às inúmeras necessidades humanas. À sua disponibilidade, classificamos os bens como: escassos (a quantidade é insuficiente para acolher as necessidades) ou abundantes (a quantidade ofertada é superior à demanda, criando um excedente). Os bens podem ser livres, quando não exige nenhum esforço humano e não implica nenhuma relação de ordem financeira. Os bens podem ser econômicos, quando o esforço humano existe e acarreta um custo para se obter. Os bens podem ser tangíveis ou intangíveis de acordo com a possibilidade de mensuração física ou abstrata, além de serem classificados como duráveis (alimentos) ou não duráveis (automóveis). Os bens econômicos possuem finalidades, e podem ser classificados de acordo com o seu objetivo: bens de capital (adotados na produção de outros bens, porém sem o desgaste total no processo produtivo); bens de consumo (diretamente direcionado para atender às inúmeras necessidades); bens intermediários (inseridos na produção e consumidos ao longo do processo produtivo). Os Recursos Econômicos e o Processo de Produção A produção, a ampliação e o melhoramento dos instrumentos, é uma das principais responsáveis para a evolução da sociedade O fluxo de recursos é um processo que busca o equilíbrio permanente, pois o mau-uso pode interferir negativamente nas bases da atividade produtiva e no comportamento da sociedade. As categorias essenciais de um fluxo econômico são provenientes da produção determinada, que por sua vez vai depender dos recursos utilizados, chamados de fatores de produção. Segundo Rossetti, estes recursos são formados pelas dádivas da natureza, pela população economicamente mobilizável, pela diversidade do capital e tecnológica. As atividades produtivas estão relacionadas à intensidade do uso dos fatores de produção e as diferentes categorias de produtos fabricados. Sendo assim, estas atividades são denominadas de primárias, secundárias e terciárias. · Atividades Primárias: se destaca por conta do fator terra. Normalmente estão segregadas nas lavouras, por meio de culturas permanentes, temporárias, horticultura, etc. A produção animal (mediante criação animal e seus derivados) e a extração vegetal (mediante silvicultura ou produção florestal, por exemplo); · Atividades Secundárias: relacionadas a quatro (2) modelos de ramo de atuação. O primeiro ramo está relacionado à indústria extrativa mineral do tipo metálicos e não metálicos. O segundo ramo atua na indústria de transformação que envolve a produção, por exemplo, de eletroeletrônicos, farmacêuticos ou alimentares; · Atividades Terciária: ligado à indústria da construção (obras públicas, por exemplo). Abarcar setores como o comércio (varejista ou atacadista), as instituições financeiras, o setor de transportes, a própria administração pública. Se destacam por serem intensivas no fator trabalho; · Atividades Semi-industriais: envolve o processo de produção, transmissão e distribuição de serviços tangíveis (distribuição de água) ou intangíveis (serviços de energia elétrica). Nestas atividades, a intensidade do fator capital é mais preponderante. A cadeia que interliga as atividades produtivas é movimentada pelas unidades de produção, que é um conjunto de organizações empresariais e categorias inseridas na produção de um bem ou serviço. Estas unidades são heterogêneas na modalidade operacional, habilidade produtiva ou composição jurídica, porém são similares nas capacidades que apresentam em combinar os fatores produtivos essenciais para a economia. O processo produtivo se baseia no aparelho formado pelas unidades que se interligam combinando os fatores ativos e qualificados para serem executados no processo produtivo, independentemente das suas respectivas dimensões ou formas organizacionais. Os fatores (recursos), que são articulados e mobilizados dentro de uma unidade produtiva, vão exercer uma pressão primária sobre as reservas naturais, ou seja, serão desenvolvidas atividades com intensidade no fator terra. O próximo passo é as atividades secundárias que irão transformar ou reprocessar os recursos naturais adquiridos e combinados entre si. É através deles que se estabelece os fluxos contínuos, que vão desde o uso até o reprocessamento de materiais, com o apoio essencial das atividades do setor terciário. As saídas dos fluxos contínuos, do ponto de vista da natureza, gera dois tipos de produtos: bens, que se caracterizam principalmente pela tangibilidade e são provenientes das atividades primárias e secundárias; e serviços, que são intangíveis e originados nas atividades terciárias. Quanto à sua destinação Rossetti, afirma que os bens e serviços são classificados em: · Bens e serviços de consumo: Atende às mais diversificadas e crescentes demandas, que exigem um nível mais complexo de requisições que irão mover todo o aparelho produtor inserido na economia. Normalmente são direcionadas para o consumo durável ou imediato; · Bens e serviços intermediários: Caracterizam por reingressar no aparelho produtivo da economia visando atender às necessidades finais. No que se refere aos serviços, podemos considerá-los como intermediários quando auxilia na produção do sistema se transformando e atendendo às demandas das empresas; · Bens e serviços de produção: Conhecido como bens de capital. São bens ou serviços que constituem o estoque de capital da economia destinados a suprir a demanda de acumulação do aparelho produtivo. Equipamentos de infraestrutura e construções são exemplos de bens de capital. Rossetti, explica que se o esforço social, com o auxílio dos fatores produtivos, conseguir expandir a produção, a economia terá condições de crescer. O esforço social da produção exige um padrão de equilíbrio, pois a expansão dos padrões materiais de bem-estar disponibilizará bens e serviços de consumo, enquanto o aumento da capacidade de produção é impulsionado pelo acúmulo de capital e tecnologia. Divisão Moderna da Economia As primeiras teorias ligadas à divisão da economia foram formulada por James Mill, sugeriu (1821), o estudo baseado na produção, repartição, circulação e consumo. Mesmo sendo uma teoria superada ainda é utilizada por economistasque acreditam que a Ciência Econômica é um conjunto de ações que tratam das técnicas aplicáveis desde a produção até o consumo final. Outro pensador é Jean-Baptiste Say - apresentou a mesma tese defendida por Mill - levou em consideração que a repartição e a circulação de mercadorias fazem parte do mesmo processo. O que se altera é a nomenclatura dos termos, porém a ideia de funcionamento da economia é basicamente a mesma. A economia é vista como uma ciência unitária, ou seja, seu entendimento precisa ser dividido em partes para se estabelecer uma análise profunda. A Economia moderna é subdividida em três fases: economia descritiva, teoria econômica e política econômica. Economia Descritiva: demonstra como se comportam os agentes que compõem o sistema econômico. Lida com o desempenho dos consumidores, produtores, governos e agentes públicos/privados, que se dedicam a empregar os recursos escassos para atender às necessidades coletivas. As ações destes agentes são interligadas e extremamente complexas devido às reações heterogêneas que cada agente demonstra diante de um fato econômico que acontece no mundo real. Colher, descrever e classificar estes fatos está diretamente atribuída à economia descritiva. Um tratamento científico mais criterioso é possível. A passagem da economia descritiva para a teoria econômica é simbolizada na conversão dos fatos visualizados em teorizações; Teoria Econômica: ordena (organiza) de maneira lógica, os questionamentos apurados na economia descritiva. Ela é capaz de produzir um conjunto de generalizações que possibilitam interligar os fatos, identificar as ações e as reações dos agentes, de discernir o nível de interligação entre os fenômenos econômicos. O conhecimento da realidade (economia positiva) estabelece um conjunto de normas (economia normativa), que será implementadas na política econômica. Classificamos a teoria econômica em duas grandes áreas: a microeconomia e a macroeconomia. A microeconomia, ou análise microeconômica, é o ramo que se ocupa em explicar, de maneira individual, o comportamento do consumidor e do produtor e entender o funcionamento do sistema econômico. Dentro da análise, tem-se o estudo básico de cinco teorias: Teoria do consumidor; Teoria da firma; Teoria da produção; Teoria dos custos; Teoria da repartição. À macroeconomia, trata do estudo dos agregados presentes na execução da atividade econômica, cuja finalidade é estabelecer quais as condições necessárias para o equilíbrio e o crescimento econômico ocorram dentro de um sistema. Há cinco teorias na análise macroeconômica: Teoria geral do equilíbrio e do crescimento econômico; Teoria da moeda; Teoria das finanças públicas; Teoria das relações internacionais; Teoria do desenvolvimento. Política Econômica: é um ramo que trata do condicionamento da atividade econômica. Um bom exemplo é a participação do governo em desenvolver ações que conduz e equilibra o sistema econômico. Um sistema econômico aplica as suas políticas mediante o uso de dados. O uso da estatística econômica é importante na coleta, na análise dos dados econômicos e no preparo das estimativas para obter os resultados almejados. Compartimentos da Economia: Microeconomia, Macroeconomia e Política Econômica a principal diferença é que a microeconomia, como já mencionamos, analisa como a relação da oferta (empresas) e da demanda (consumidores) contribui para que os preços de mercado sejam efetivamente formados. Já a economia de empresas verifica o funcionamento da organização empresarial de maneira específica, e nestas condições o que prevalece é o aspecto contábil financeiro que contribui, de maneira significativa, para a formação do preço dos produtos, levando em consideração os seus custos produtivos. Partindo do ponto de vista de um economista, devemos entender que os custos de produção são mensurados levando em consideração os custos explícitos (desembolsos financeiros efetivamente realizados pela empresa) e os custos implícitos (aqueles que seriam realizados caso a organização empresarial resolvesse, por exemplo, investir em outras atividades alternativas ao seu negócio). A relação existente entre consumidores e ofertantes pode ser entendida pelos conceitos econômico e jurídico, a depender do enfoque de estudo. Os consumidores são agentes que manifestam o desejo de adquirir bens ou serviços que consigam suprir ao máximo as suas necessidades. Do ponto de vista jurídico, o consumidor é todo agente que adquire bens ou serviços na condição de destinatário final. Já do ponto de vista econômico, a empresa é o agente responsável pela oferta de bens e serviços que combina os fatores de produção para disponibilizar a produção com menor custo. Sob o aspecto jurídico, a atividade econômica é vista como uma relação entre empresário e empresa, que é o complexo de relações jurídicas que unem o sujeito ao objeto desta atividade. Microeconomia Um ponto importante que devemos nos atentar é que a microeconomia, nas suas análises, se baseia na hipótese do coeteris paribus, ou seja, todo o resto constante. É aquela ideia de que a análise realizada é direcionada para um mercado específico, verificando fundamentalmente a função que a oferta e a demanda realizam, onde as demais variáveis praticamente não exercem influência neste mercado. É importante, por exemplo, saber que a demanda por um bem está intimamente relacionada ao nível de preço e da renda pertencente aos consumidores. Mantendo a renda constante (coeteris paribus), a fim de avaliar o efeito do preço na demanda, ou mantendo o preço constante para analisar a ligação entre a procura e a renda, a que conclusão podemos chegar? Verifica-se que há um efeito “puro” destas variáveis sobre a demanda. Na microeconomia são considerados mais relevantes os chamados “preços relativos”, que comparam o preço de um determinado bem com o preço de outros bens. Já os preços absolutos são valores “isolados” das mercadorias. dois produtos (X e Y) são considerados similares e substitutos um do outro. Se por acaso o preço de ambos for reduzido na mesma proporção e as demais varáveis se mantiverem constantes, a consequência disto será a inalterabilidade da demanda de ambos os produtos. Entretanto, se a redução do preço ocorrer apenas em um dos produtos (em X, por exemplo) mantendo inalterado os valores atribuídos ao produto Y, certamente temos uma procura maior ao produto X e uma queda na demanda do produto Y. A que conclusão podemos chegar? Que mesmo não havendo alteração no valor absoluto de Y, o seu preço relativo se elevou, se compararmos com o produto X. // Finalidades de uma organização empresarial Quando o assunto for microeconomia, é preciso levar em consideração as abordagens distintas que tratam dos objetivos de uma organização empresarial focada na produção de bens e serviços. A avaliação mais tradicionalista defende a ideia de que o empresário visa a lucratividade máxima ao utilizar os recursos disponíveis de maneira plena e evidenciando, dentre outros aspectos, o da produtividade marginal. A análise alternativa considera que o empresário não visa apenas maximizar a lucratividade, mas interferir na participação das vendas ou maximizar a margem que incide nos custos de produção. Uma análise microeconômica não é, necessariamente, um conjunto de técnicas para a realização de decisões diárias: ela simboliza um instrumento necessário para determinar um conjunto de estratégias empresariais, ou até mesmo um conjunto de políticas econômicas. Estabelecer uma política de preços de uma empresa ou prever custos de produção são algumas das decisões que podem ser tomadas sendo subsidiadas pelas análises microeconômicas. No que se refere à política econômica, a microeconomia colabora, de maneira significativa, em questões que envolvam análise de projetos de investimentos públicos, políticas de subsídios, leis antitrustes, dentre outros aspectos. // Subdivisão da microeconomia Para compreendermoscomo a microeconomia atua em aspectos gerais, é preciso entender que a teoria da demanda pode estar direcionada ao estudo do consumidor ou do mercado, da mesma maneira que a teoria da oferta vai focar no estudo da firma individual ou no mercado. A análise da oferta da firma se subdivide na teoria da produção, responsável por avaliar as ligações entre as quantidades físicas de um produto e os seus fatores produtivos, e a teoria dos custos de produção, que abrange as quantidades físicas e os preços atribuídos aos insumos. O preço e a quantidade de equilíbrio são estabelecidos mediante a demanda e a oferta de mercado, que por sua vez vão depender da estrutura definida para este mercado, que pode ser competitiva ou concentrada, levando em consideração a quantidade de empresas participantes neste ramo que produzem um determinado bem. Vale salientar que a demanda por fatores de produção é conhecida como “demanda derivada”, já que a procura por insumos depende da demanda pelo produto final das organizações empresariais, que se encontram no mercado de bens e serviços. Neste contexto, a microeconomia é fundamental, pois ela é a responsável por avaliar as assimetrias que ocorrem no mercado, ou seja, situações onde os preços são estabelecidos de maneira isolada dentro de cada mercado. Macroeconomia Analisar o comportamento e a determinação dos agregados: este é o principal objetivo da macroeconomia. a macroeconomia não objetiva estudar o desempenho das unidades econômicas individuais ou dos mercados mais específicos, pois se trata do campo de estudo da microeconomia. Apesar do aparente confronto, a micro e a macroeconomia não são áreas conflitantes, até porque a análise de uma variável vai resultar na avaliação da outra. O que existe de verdade é uma diferença nas perspectivas de estudo: enquanto a microeconomia considera uma variável para ser analisada mantendo as outras constantes (coeteris paribus), a macroeconomia analisa as variações econômicas de maneira mais generalista. A teoria macroeconômica trata dos aspectos de curto prazo, como questões ligadas ao desemprego ou à estabilização do nível geral de preços, por exemplo. Podemos frisar que as teorias relacionadas ao desenvolvimento e crescimento econômico estão relacionadas com o longo prazo e com as questões estruturais, estando ligadas também a fatores institucionais, como a distribuição de renda, por exemplo. Toda política macroeconômica está pautada em um conjunto de objetivos. No que se refere ao alto nível de emprego, é preciso verificar o contexto histórico relacionado à discussão sobre desemprego – que passou a ser inserido a partir da década de 1930, tendo como principal expoente o economista John Maynard Keynes. O pensamento keynesiano promoveu a introdução de instrumentos capazes de recuperar os níveis de emprego de uma economia ao longo de um determinado período. A contribuição de Keynes é essencial para a teoria macroeconômica moderna e o papel do Estado na interferência de uma economia de mercado. Outro ponto é a estabilidade dos preços e seus impactos na economia. Este objetivo está relacionado a um fenômeno denominado inflação, que é o aumento generalizado e contínuo dos níveis de preço. Trata-se de um fenômeno parcialmente aceitável em países que se encontram em crescimento, já que o uso de recursos permite que a produção consiga atingir a sua capacidade máxima. Contudo, o processo inflacionário é visto como um problema por conta das distorções que ele pode suscitar nos agregados econômicos, como a distribuição de renda. A distribuição de renda representa a repartição das riquezas e dos bens socialmente produzidos. Suas características variam de acordo com a organização da produção e com a forma que se estabelece o uso da propriedade (pública ou privada) dentro de cada sociedade. Como podemos notar, a distribuição é proveniente de um processo produtivo ligado à divisão social do trabalho. O crescimento econômico está diretamente relacionado à renda nacional per capita, o que significa disponibilizar para a sociedade uma quantidade de bens ou serviços superiores ao crescimento populacional efetivo. A renda per capita é um dos indicadores que melhor simboliza a melhoria do padrão de vida populacional, embora apresente algumas distorções de um país para outro. O crescimento econômico pode ser visto como um solucionador de problemas oriundos de conflitos sociais, elevando a renda dos menos favorecidos sem necessariamente reduzir a renda dos mais ricos. As questões ligadas ao emprego e à inflação, vistas como conjunturais, são estabelecidas no curto prazo e estão inseridas nas políticas de estabilização. Já as questões ligadas ao crescimento econômico e à distribuição de renda são estruturais e serão implementadas ao longo de um período, ou seja, no longo prazo. // Estrutura de análise macroeconômica O modelo macroeconômico é formado por um conjunto de mercados. Entretanto, de maneira tradicional, é possível visualizar que a estrutura básica deste modelo é formada especificamente por cinco mercados: Mercado de bens e serviços: trata-se de um mercado que estabelece tanto o nível de produção agregada quanto nível geral de preços. É como se a economia supostamente gerasse um único bem, que seria alcançado por intermédio da agregação de diversos outros bens gerados. A evolução da demanda e oferta agregada de bens e serviços é responsável por estabelecer um nível geral de preços e produção. A demanda agregada depende do processo evolutivo de consumidores, empresas, governo e setor externo. Por sua vez, a oferta agregada vai depender do nível de evolução do emprego e da capacidade produtiva. Nestas condições, o equilíbrio no mercado é obtido no momento em que: Oferta agregada de bens e serviços = Demanda agregada de bens e serviços Mercado de trabalho: age de maneira similar em relação ao mercado de bens e serviços, uma vez que é formado pela junção dos diferentes tipos de trabalho, independentemente das suas características. Este mercado é o responsável por estabelecer as taxas de salário e os níveis gerais de emprego. É preciso levar em consideração que neste mercado a demanda por mão de obra vai depender do seu custo efetivo (taxa de salário real) para as organizações empresariais e do nível produtivo almejado por elas. Por sua vez, a oferta de mão de obra está relacionada ao salário real e à evolução da população considerada economicamente ativa. Sendo assim, o equilíbrio de mercado de trabalho é: Oferta de mão de obra = Demanda de mão de obra Mercado monetário: sabendo que a moeda é um instrumento que permite as transações econômicas, o mercado monetário se caracteriza pela existência de uma demanda de moeda motivada pela necessidade de liquidez, uma oferta de moeda estabelecida, dentre vários aspectos, pelo Banco Central. Importante ressaltar que a demanda e a oferta de moeda são responsáveis por determinar a taxa de juros. Isto posto, a condição de equilíbrio se estabelece da seguinte maneira: Oferta de moeda = Demanda de moeda Onde as taxas de juros e estoque de moeda são as variáveis estabelecidas nesse mercado. Mercado de títulos: auxilia na análise da responsabilidade de agentes econômicos superavitários e deficitários, e de que maneira eles acabam interagindo. Os agentes superavitários (bancos, por exemplo), que se caracterizam por realizar um nível de gastos menor que a renda, podem realizar transferências para os agentes deficitários (indivíduos), que possuem gastos menores que a sua renda. Deste modo, a condição de equilíbrio estabelecida nesse mercado é disponibilizada pela: Oferta de títulos = Demanda de títulos Onde o preço dos títulos é a variável estabelecida nesse mercado. Mercado de divisas: surge a partir da necessidade de um país estabelecer transações comerciais com outros países. É constituída pela oferta de divisas, que está relacionada com as exportações e a entrada de capitais, e pela demanda, que é formada pelo volume de importações e saídas de capital. A condição de equilíbrio estabelecida nessemercado é disponibilizada pela: Oferta de divisas = Demanda de divisas Onde taxa de câmbio é a variável estabelecida nesse mercado. Política Econômica Podemos compreender que a política econômica consiste em uma série de ações executadas pelo governo objetivando alcançar metas no âmbito econômico de um país, além de solucionar questões sociais. E quais são estes objetivos? Toda política econômica visa, entre outros aspectos, estabilizar preços, promover o crescimento e o desenvolvimento da economia, promover uma melhor distribuição de renda, além de propiciar o pleno emprego. Sendo assim podemos subdividir as políticas econômicas em: Política monetária: Quando o seu objetivo é controlar a quantidade de moeda dentro de um sistema econômico; Política Fiscal: Quando o objetivo é estabelecer um modelo que mantenha as receitas e gastos públicos; Política Cambial: Quando o objetivo for gerenciar o funcionamento das taxas de câmbio. // Política monetária Segundo o entendimento abordado por Lopes e Rossetti (1998), a função da política monetária é exercer o controle da moeda e das taxas de juros para que os objetivos da política econômica geral de um governo sejam efetivamente atingidos. Podemos considerar que esta política também visa adaptar os meios de pagamento às necessidades econômicas de um país. Para que a política monetária seja efetivamente implantada é fundamental o uso da moeda como um facilitador das trocas entre agentes individuais, utilizada para realizar transações de compra e venda ou pagamento de bens e serviços. Importante frisar que a moeda pode ser classificada considerando o seu nível de liquidez absoluta (M1), que consiste no somatório das moedas metálicas e papel moeda que se encontram no poder do público, acrescidos dos depósitos realizados à vista pelos bancos. Podemos considerar que o Banco Central, como ocorre na maioria dos países, é o principal órgão executor da política monetária e responsável por exercer o processo regulamentador e de fiscalização das atividades de intermediação financeira realizadas nos países. A política monetária pode variar de acordo com o nível de desenvolvimento e com os objetivos governamentais: se observarmos o comércio internacional, por exemplo, a maioria das nações buscam o equilíbrio em suas transações econômicas realizadas no mercado externo. Alguns instrumentos de política monetária são bastante usuais dentro de um sistema econômico. Um deles são as operações de mercado aberto (open market), muito adotadas nas atividades que envolvem o comércio exterior e que atuam como uma ferramenta ágil de política monetária, visando regular o fluxo da economia e exercer influência nas taxas de juros de curto prazo. Podemos entender que as taxas de juros são vistas como remunerações (pagamentos) que um tomador de empréstimo deve realizar ao detentor do capital emprestado. Podem ser classificadas como nominais, que constituem um pagamento expresso em porcentagem periódica (mensal, trimestral, anual etc.) ou reais, que mensuram o retorno de uma aplicação já descontando a taxa de inflação. As taxas são importantes ferramentas adotadas pela política monetária, pois influenciam no fluxo de capitais de um país. Entretanto, é preciso frisar que em uma economia aberta qualquer alteração nas taxas pode interferir nos fluxos de capital estrangeiro e tornar a política macroeconômica mais complexa e instável. // Política fiscal A política fiscal é um importante mecanismo adotado, dentre vários aspectos, para provocar mudanças na demanda agregada e alterar tendências econômicas na estrutura e eficácia dos setores que refletem no produto interno bruto. Trata-se de uma política que visa alcançar determinados objetivos no âmbito macroeconômico ou até mesmo sociais. Para isto, ele acaba centralizando suas ações nos gastos executados pelo setor público e nos impostos que são cobrados da sociedade. A ideia é sempre buscar um equilíbrio entre a arrecadação de tributos e as despesas do governo. É notório que a ação executada pelo governo, por meio da política fiscal, vai abranger basicamente três funções: a função alocativa, que tange o fornecimento de bens públicos; a função distributiva, que está ligada a uma distribuição de renda mais justa para a sociedade; e a função estabilizadora, que visa um elevado nível de emprego, estabilidade e crescimento econômico. A política fiscal pode ser conduzida de duas formas diferentes: a política fiscal expansionista é utilizada no momento em que existe uma insuficiência de demanda agregada se compararmos à sua capacidade de produção da economia. Já a política é adotada no momento em que a demanda agregada é superior à capacidade de produção da economia, indicando o chamado “hiato inflacionário”, que é a quantidade pela qual o gasto autônomo se excede para alcançar o equilíbrio de pleno emprego. // Política cambial Uma política cambial se caracteriza por adotar um conjunto de instrumentos capazes de evitar a evasão de divisas e colaborar para que o balanço de pagamentos se equilibre. Uma ferramenta importante utilizada é a taxa de câmbio, que simboliza o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. As taxas de câmbio sofrem variações que resultarão em processo de valorização, onde são utilizadas menores quantidades de moedas nacionais para a aquisição de moedas estrangeiras; ou em desvalorização, que se caracteriza pelo processo inverso. Estas variações interferem no mercado externo e no mercado interno de um país. Uma desvalorização cambial, por exemplo, pode elevar a competitividade dos produtos de um país, o que elevaria o nível de exportações, produção e empregos. Entretanto, este processo pode ocasionar a elevação dos preços praticados no mercado interno, o que provocaria inflação. Entendemos, então, que o câmbio apreciado influencia, por exemplo, na balança comercial, ao incentivar as importações e retrair as exportações. Por consequência, o país vai apresentar um déficit comercial, e este crescimento das importações acaba sendo essencial para a aquisição de máquinas importadas que agregam valor para as suas exportações e asseguram um determinado nível de competitividade externa. As taxas de câmbio podem ser estabelecidas levando em consideração uma diversidade de fatores, como os regimes cambiais, que são regras estabelecidas para formação da taxa de câmbio. Segundo Carvalho e colaboradores (2007) e considerando a sua aplicabilidade e experiência empírica, os regimes cambiais podem ser classificados em: Câmbio fixo ajustável – Criado na reunião de Bretton Woods (1944), visava conciliar um mundo com estabilidade cambial dando autonomia aos estados nacionais para perseguirem suas metas macroeconômicas próprias e liberdade cambial. Durou entre 1946 a 1971; 𝘊𝘳𝘢𝘸𝘭𝘪𝘯𝘨 𝘱𝘦𝘨 – Sistema de minidesvalorizações muito utilizado por nações com inflação alta, constituído como um método para tentar compatibilizar a convivência de preços em alta com a sustentação de competitividade da produção; Bandas de flutuação – Considerado um sistema misto entre os dois extremos. Há uma paridade central com extremidades de banda, onde o Banco Central deve intervir quando a taxa cambial variar atingindo as extremidades; Flutuação suja – Semelhante à flutuação pura, onde o Banco Central apenas intervém para evitar volatilidade excessiva da taxa de câmbio. image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image1.png image2.png