Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

A justiça no Brasil: da Velha República
aos governos militares
Apresentação do papel da justiça na história do Brasil republicano desde o seu início, na República das
Espadas, até o fim de uma fase, com a organização da ditadura civil-militar.
Prof. Rodrigo Perez Oliveira
1. Itens iniciais
Propósito
Examinar a história do direito e da justiça no Brasil entre a Proclamação da República, em 1889, e o fim do
governo militar, bem como as leis, objetos de vigorosas disputas sociais e políticas, além da evolução delas
para situações de conflitos sociais armados.
Objetivos
Reconhecer as relações entre justiça e poder durante a história da Primeira República brasileira
(1889-1930).
Identificar o aparato jurídico desenvolvido na Era Vargas (1930-1945).
Descrever a jurisdição implantada ao longo do governo militar (1964-1985).
Introdução
Para o início do nosso estudo, saiba o seguinte: onde quer que existam seres humanos vivendo em
coletividade, também haverá regras, escritas ou costumeiras, cujo objetivo mais óbvio é regular justamente
esse convívio.
 
Trata-se da maneira mais sensata e assertiva de dizer o que pode e o que não pode, estabelecendo limites
para a liberdade individual. Além disso, é criada e imposta a repetição de ritos considerados fundamentais
para a existência daquela comunidade.
 
No entanto, as leis, a justiça e o direito não regulam apenas o convívio social: antes de tudo, sua regulação
atua sobre o conflito social a partir de interesses desiguais e conflituosos.
 
As sociedades, sejam elas simples ou complexas, são sempre atravessadas por desigualdades e por grupos
que disputam poder político, prestígio social e riqueza material. Os mais fortes, aqueles que vencem as
disputas sociais, tendem, também, a ter o poder de regular o convívio social nos moldes de seus interesses.
 
É por isso que, ao longo da história, pessoas foram escravizadas e valores construídos socialmente (como a
propriedade privada) foram alçados à condição de um cânone jurídico sacralizado em forma de lei. Você
imagina o porquê disso?
 
Será a partir dessa perspectiva, que interpreta a justiça, o direito e as leis à luz dos conflitos que atravessam
as sociedades humanas, que estudaremos justiça brasileira em três momentos-chave da história do Brasil:
Primeira República
Entre 1889 e 1930, momento de maior transformação institucional do país, quando a legislação da
monarquia foi substituída pela republicana.
Era Vargas
Entre 1930 e 1945, quando foi formado o aparato jurídico que transformou o Estado no centro
planejador e executor do desenvolvimento nacional.
• 
• 
• 
Ditadura militar
Instituída no Brasil em 1964 e extinta em 1985, na qual foi erguido um aparato jurídico que legitimou a
perseguição aos adversários do regime e toda sorte de crimes contra a humanidade que foram
cometidos no período.
Rui Barbosa, Brasil. Nota de dez cruzados, 1987.
1. Primeira República brasileira
O dilema entre realidade e imaginação jurídica na Primeira
República Brasileira (1889-1930)
Talvez você se recorde das aulas de história do ensino fundamental nas quais a professora fazia uma distinção
entre as repúblicas, apontando seus períodos e alguns de seus personagens. Desse aporte, o importante é
saber que o marco da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, representou — além da
destituição da monarquia — o início da Primeira República (também conhecida como República Velha).
 
Um dos grandes e importantes personagens desse período histórico brasileiro foi o jurista e político baiano Rui
Barbosa (1840-1923). Sua figura é incontornável nos estudos acerca da história da lei, do direito e da justiça
durante a Primeira República brasileira.
Rui Barbosa foi o principal responsável pela redação da Constituição de 1891, que sobreviveria até
1930.
Rui Barbosa tinha uma destacada atuação
política desde o final da década de 1860,
quando foi eleito deputado pela então província
da Bahia. A partir desse momento, ele foi uma
das principais lideranças do Partido Liberal,
que, na monarquia brasileira, polarizava a
disputa política com o Partido Conservador.
 
Barbosa era um reformista. Defendia reformas
estruturais na monarquia, o que, segundo ele,
seria indispensável para a modernização do
país. A descentralização político-administrativa,
a separação entre Igreja e Estado, a
implantação de eleições diretas e a abolição da
escravidão faziam parte da agenda reformista
defendida por ele.
O modelo para o reformismo barbosiano era a monarquia inglesa. “Reformas para conjurar a revolução” era o
lema da ala política liderada por Rui Barbosa. Seu intuito era adaptar a monarquia aos novos tempos para
impedir a ruptura revolucionária e a Proclamação da República.
 
O establishment político monárquico estava convencido de que a república era uma forma de organização
política inferior e potencialmente anárquica, sendo, por isso, inadequada ao Brasil.
 
Em discurso proferido no início da década de 1870, Rui Barbosa deixou claro os princípios que orientavam a
agenda de reformas estruturais defendida pelo Partido Liberal:
Establishment
Grupo sociopolítico que, exercendo autoridade, controle ou influência, defende seus privilégios. 
A corrente se avoluma e dia a dia redobra de força: ontem pobre vertente, depois regato; hoje rio
majestoso, amanhã será oceano [...] como dizem todos que verdadeiramente se interessam pela sorte
da nação: reformai sem demora, reformai radicalmente este sistema corrompido; aliás, quando
procurardes pelas instituições, elas se terão afundado no abismo com o sistema que a elas se
agarrando, como nociva parasita, as desconjuntam, e abalam em seus fundamentos.
Barbosa, 1987, p. 15-16.
Os anos seguintes mostraram que a monarquia não foi capaz de fazer uma autorreforma na velocidade que as
circunstâncias exigiam. Pelo contrário: a década de 1870 acelerou o desgaste das instituições monárquicas.
1870
O fim da Guerra do Paraguai (1864-1870) teve como grande consequência o empoderamento do
Exército. Foi a partir de então que ele se tornou força de desestabilização institucional, o que
culminou no golpe militar que, efetivamente, derrubou a monarquia em novembro de 1889.
1873
Em 1873, no interior de São Paulo, na cidade de Itu, foi fundado o Partido Republicano, evento
indicativo de que a monarquia deixava de ser um consenso entre a elite política brasileira. Cada vez
mais, lideranças liberais seriam capturadas para a causa republicana.
1889
Como demonstra Christian Lynch (2007), aconteceu exatamente isso com Rui Barbosa. Ele, inclusive,
recusou, em junho de 1889, o convite do visconde de Ouro Preto para compor aquele que seria o
último governo da monarquia.
Proclamação da República do Brasil, Benedito Calixto,
1893.
Sua ideia era finalmente tentar promover a
principal reforma demandada pelas elites
políticas e econômicas em ascensão: a
federação, o que significava o fortalecimento
dos governos locais sobre a autoridade do
governo central.
 
Porém, já era tarde demais. A conspiração
republicana já estava em marcha, sendo movida
pela aliança entre militares e civis.
 
Entre os participantes, destacava-se o próprio
Rui Barbosa, que assumiu o cargo de ministro
da Economia do governo de marechal Deodoro
da Fonseca (1827-1892). Ele durou apenas dois
anos: teve início em novembro de 1889 e terminou em 23 de novembro de 1891.
Já nos primeiros momentos do governo de Deodoro da Fonseca, estava claro o conflito travado entre militares
positivistas e liberais federalistas. 
Rui Barbosa teve êxito nas disputas internas dentro do governo provisório. Todos os decretos publicados até a
promulgação da Constituição, em 24 de fevereiro de 1891, passaram por sua supervisão direta, tendo ele sido
o principal redator do próprio texto constitucional.
Não seria exagerado, portanto, dizer que Rui Barbosa é o pai da estrutura jurídica que vigorou no
Brasil ao longo da Primeira República.
Contudo, o próprio Rui Barbosa reconhecia as limitações que essa estrutura jurídica encontrava para, deum dos principais valores afirmados pela Constituição republicana de 1891. Aponte a alternativa que melhor define o federalismo e a força política desse princípio naquela conjuntura.
	2. Era Vargas
	Transformações na justiça, no direito e nas leis durante os governos de Getúlio Vargas
	1930-1945
	1951-1954
	Tenentismo
	A Constituição de Vargas
	Criação dos ministérios do Trabalho e da Educação em 1930
	Promulgação do Código Eleitoral em 1932
	Resumindo
	Reformas do Estado Novo
	Lei nº 1402, de 1939
	Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1940
	Criação do Departamento Administrativo dos Serviços Públicos (DASP)
	Criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Companhia Vale do Rio Doce e da hidrelétrica Paulo Afonso
	Atenção
	Saiba mais
	Resumindo
	Retorno à democracia
	Atenção
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Toda a legislação posta em prática entre 1930 e 1934 pode ser lida a partir da noção de Estado de compromisso, formulada pelo historiador Boris Fausto. Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que melhor explica essa afirmação.
	O Código Eleitoral de 1932 foi emblemático da agenda política apresentada pela Aliança Liberal em 1930, que, como sabemos, foi a coalizão política que levou Getúlio Vargas ao poder. Indique a alternativa que define, da melhor forma, a agenda política que inspirou esse código.
	3. Governo militar
	Justiça, direito e leis na ditadura militar brasileira (1964-1985)
	Retirada de lideranças ligadas ao governo de João Goulart
	Desequilíbrio das contas públicas
	Oposição da sociedade civil
	Ato Institucional n° 1 (9 de abril de 1964)
	Ato Institucional n° 2 (27 de outubro de 1965)
	Ato Institucional n° 3 (5 de fevereiro de 1966)
	Ato Institucional n° 4 (7 de dezembro de 1966)
	Destacaremos alguns atos jurídicos que pontuaram o processo de abertura do regime:
	Lei Federal n° 6.767
	Lei nº 6.683
	Restauração das eleições
	Emenda Constitucional n° 5
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O livro 1964: a conquista do Estado, de autoria do cientista político uruguaio René Armand Dreifuss, propõe uma categoria fundamental para a compreensão do funcionamento da justiça, do direito e da lei ao longo da história do governo militar brasileiro (1964-1985).
	Assinale a alternativa a seguir que apresenta, corretamente, essa categoria e que justifica sua importância analítica para os estudos acerca da história da justiça no Brasil.
	Em 1967, a ditadura militar brasileira promulgou uma nova Constituição, suspendendo a Carta democrática de 1946. Aponte a alternativa que melhor define a Constituição de 1967.
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Fala, mestre!
	Representatividade
	Conteúdo interativo
	Desigualdade social e racismo
	Conteúdo interativo
	O início de uma trajetória de luta
	Conteúdo interativo
	Qual o papel da justiça na redução das desigualdades sociais?
	Conteúdo interativo
	A importância dos aliados na luta contra o racismo
	Conteúdo interativo
	Definições básicas sobre o sistema de justiça
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Leia estes artigos:
	Pesquise, na internet, os seguintes vídeos:
	Ouça este podcast:
	Referênciasfato,
regular a vida social e política. Após ter rompido com o marechal Floriano Peixoto (1839-1895), sucessor de
Deodoro da Fonseca, ele se aproximou de lideranças monarquistas. Passando a fazer uma oposição ao
governo militar, Barbosa reconhecia não ser aquela a “república dos seus sonhos”.
 
A dissonância entre a legislação democrática e liberal e uma realidade social e política autoritária,
caracterizada pelas práticas oligárquicas e pela violência manifestada no voto de cabresto, constitui uma das
principais características da Primeira República brasileira.
A Constituição de 1891
Militares positivistas 
Defendiam a implementação de uma
ditadura para modernizar o país. A palavra 
modernização era entendida, aqui, como
industrialização e urbanização.
Liberais federalistas 
Liderados por Rui Barbosa, preferiam a
descentralização administrativa e a
instituição de uma democracia liberal
baseada na representação política e em
eleições diretas.
Capa da Constituição da República do Brasil de 1891.
Juramento da Constituição, Aurélio de Figueiredo, 1891.
Você sabia que esta foi a segunda Constituição
do Brasil? Composta por 91 artigos, ela foi
diretamente inspirada pelo modelo da
Constituição dos Estados Unidos. 
 
O federalismo norte-americano, caracterizado
pela grande autonomia dos governos locais, era
muito atraente para as oligarquias brasileiras –
principalmente para aquelas diretamente
envolvidas com a agroexportação de café, que,
na época, era a principal riqueza brasileira.
 
O interesse desses grupos era tocar seus
negócios com a mínima interferência possível
do governo central. Mais do que republicanas, essas oligarquias eram federalistas. 
 
Outro princípio afirmado pela Constituição de 1891 foi a república, rompendo, assim, com a hereditariedade
dinástica da monarquia. Agora, o país passaria a ser governado por políticos eleitos para mandatos
temporários.
O poder do Estado passava a estar dividido em três partes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, sendo a
organização do governo feita no regime presidencialista.
 
Outro valor liberal consagrado nessa Constituição foi a liberdade individual. Segundo esse princípio, o
indivíduo é a célula social básica na qual residem todos os direitos, sendo a vida, a propriedade e a liberdade
os principais entre eles.
 
Para o filósofo britânico Isaiah Berlin (1981), a liberdade liberal significa a autonomia do corpo físico dos
indivíduos, definindo-se pela ausência de coerções externas ao livre movimento do corpo.
A Constituição instituiu, também, o Estado laico, colocando
um fim ao padroado, o qual, desde o início da monarquia,
fazia da Igreja Católica uma espécie de instituição de
Estado. O voto censitário, adotado pela Coroa, foi abolido.
Contudo, não se engane: isso não significou, como
demonstra José Murilo de Carvalho (1988), a ampliação da
população eleitoralmente ativa. Esse fato só ocorreu porque
a república adotara outras restrições ao direito de voto. Eis
alguns exemplos dessas restrições: militares de baixa
patente, religiosos submetidos à hierarquia eclesiástica e
analfabetos eram considerados cidadãos eleitoralmente
ativos. 
 
Isso fez com que a parcela da população habilitada ao voto fosse ainda menor do que a dos tempos da
monarquia.
O STF e a república
Na realidade social, essa legislação foi posta em prática em uma sociedade complexa, desigual e atravessada
pelas heranças da escravidão. Se você perguntar o que isso gerou, podemos dizer que ela fez com que o
funcionamento das instituições jurídicas ganhasse algumas particularidades.
Antigo Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma delas é o objeto de estudo analisado pelas historiadoras Surama Conde Sá Pinto e Tatiana de Souza
Castro (2019). Ambas estudaram pedidos de habeas corpus protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF),
a corte superior da justiça brasileira segundo a Constituição de 1891, ao longo da Primeira República.
 
Segundo as autoras, o tema da relação entre justiça e política oligárquica na Primeira República foi abordado
de diferentes formas na bibliografia especializada. Algumas visões dominantes afirmam que tanto a justiça
quanto o Judiciário eram meras extensões das oligarquias, o que se justifica pela falta de autonomia do
sistema diante do coronelismo.
Atenção
Além disso, outros posicionamentos falam que, com o STF e o Judiciário, o exercício da cidadania estava
seguro, havendo até a utilização dos habeas corpus. De acordo com Pinto e Castro (2019), outra visão
mais recente interpreta essa fase, relativizando-a. Segundo tal visão, o Judiciário era visto em várias
oportunidades defendendo os direitos da cidadania, mas, ao mesmo tempo, o STF dificultava o
cumprimento dos tais habeas corpus citados. 
Como podemos perceber, a questão da autonomia das instituições jurídicas, assim como a capacidade da lei e
da justiça de, de fato, regular a vida social e política e se manter imune às coerções impostas pelas
oligarquias, são itens de extrema importância nos estudos especializados da história da justiça no Brasil ao
longo da Primeira República.
 
Surama Pinto e Suzana Castro (2019) colaboram com essa discussão, argumentando que as instituições do
Poder Judiciário — notadamente o STF — eram acionadas pela sociedade civil no sentido da defesa das
garantias do Estado democrático de direito; um valor liberal por excelência.
No entanto, alegam as autoras, o STF (e a justiça em geral) não pode ser superestimado, pois uma quantidade
relevante de pedidos era negada, muitas vezes, por pressões políticas. 
Ou seja: seria equivocado dizer que a justiça era só um floreio sem nenhuma capacidade de
funcionamento autônomo e plenamente incapaz de garantir direitos previstos no texto
constitucional.
Se isso fosse verdade, as pessoas sequer tentariam apelar à justiça e ao STF. Porém, considerando a
tramitação dos pedidos examinados, Surama Pinto e Suzana Castro (2019) identificam um baixo índice de
sucesso para os impetrantes e uma grande porosidade dos ritos legais, o que fazia das pressões um elemento
importante para o desfecho dos processos.
 
A atuação do STF na Primeira República também é tema de um trabalho desenvolvido por Gladys Sabino
Ribeiro (2008). A autora estava interessada em examinar as relações da corte com duas outras forças: o Poder
Executivo e a sociedade civil.
Se, por um lado, a Corte Suprema brasileira estava inserida no projeto de modernização, civilização e
organização da cidade do Rio de Janeiro; por outro, contestava decisões e pedidos do Executivo e
procurava um espaço de atuação próprio. Neste último sentido, acolhia pleitos populares não só
reativos, mas também propositivos. Além disso, davam voz a interpretações sobre direitos que partiam
de vivências populares. A população da cidade do Rio de Janeiro julgava as suas demandas à luz das
suas experiências cotidianas e de um entendimento do direito à liberdade que, se não suplantava,
dialogava com o direito de propriedade e, sobretudo, com os direitos relativos às liberdades individuais.
Ribeiro, 2008, p. 101-102.
Tal como fizeram Surama Pinto e Suzana Castro (2019), Gladys Sabino Ribeiro (2008) complexifica o lugar da
justiça na dinâmica social e política da Primeira República brasileira. Seu sistema, afinal, é apresentado como
dotado de alguma autonomia para contrariar os interesses oligárquicos que, na época, dominavam o Poder
Executivo.
 
Ao mesmo tempo, podemos perceber que a sociedade civil possuía alguma capacidade de organização a
ponto de, ocasionalmente, obter algum sucesso na imposição de suas demandas. Ela chegou até mesmo a
influenciar, a partir dos repertórios da cultura popular, a atuação dos magistrados reunidos no STF.
Esses estudos, portanto, desconstroem a imagem caricata da Primeira República, na qual as
oligarquias rurais tinham um poder supremo sobre todas as instituições e reinavam, olimpicamente,
diante de uma sociedade civil amorfa e passiva.
Como pudemos perceber, essa caricatura não se sustenta em estudos mais cuidadosos que,longe de negar o
enorme poder das oligarquias cafeicultoras na época, mostram-nos um cenário mais complexo.
 
A justiça, afinal, gozava em tal cenário de alguma autonomia, enquanto a sociedade civil era uma força
relevante nas disputas travadas no campo jurídico.
 
Essa relevância da sociedade civil fica ainda mais evidente na década de 1920; marcada por grande agitação
social e pelo desgaste do pacto político que sustentou a Primeira República.
Saiba mais
Você sabia que esse período é chamado “a grande instabilidade”? As historiadoras Marieta Ferreira e
Surama Conde Sá Pinto (2019) argumentam que esse período foi marcado por uma grande instabilidade
social, econômica e política. No que se refere ao viés econômico, a década de 1920 foi um período de
instabilidade. Seus primeiros anos são marcados pela baixa dos preços internacionais do café, havendo
graves resultados na economia brasileira, como a alta da inflação e a crise fiscal sem precedentes.
Entretanto, também ocorreu uma expansão do setor cafeeiro. Segundo as historiadoras (2019),
“passados os primeiros momentos de dificuldades, o país conheceu um processo de crescimento
expressivo que se manteve até a Grande Depressão em 1929”. Posteriormente, houve uma diversificação
da agricultura, o desenvolvimento das atividades industriais, a expansão de empresas e o surgimento de
novos estabelecimentos ligados à indústria de base. Esse foi um importante sinal da complexificação da
economia brasileira. Em concomitância a essas mudanças, ocorreu a ampliação dos setores urbanos e o
crescimento das camadas médias da classe trabalhadora, assim como uma ampliação de interesses das
elites econômicas. “Em seu conjunto, essas transformações funcionariam como elementos de estímulo a
alterações no quadro político [questionando] as bases do sistema oligárquico da Primeira República”,
explicam Ferreira e Pinta (2006, p. 1-2). 
A grande instabilidade
O ano de 1922 foi emblemático da crise estrutural e do esgotamento do pacto oligárquico efetivado pela
política dos governadores. Houve vários eventos de crise nesse ano:
Reação republicana
Marcou as eleições de 1922, as mais acirradas em muito tempo e disputadas entre Arthur Bernardes
(1875-1955), candidato das oligarquias, e Nilo Peçanha, representando as oposições.
Revolta do Forte de Copacabana
Revolta de oficiais de baixa patente do Exército realizada no Rio de Janeiro, no Forte de Copacabana,
evento de fundação do tenentismo, que marcou o retorno dos militares a uma postura de maior
intervencionismo político.
Semana de Arte Moderna
Realizada em São Paulo, que verbalizou, no plano da estética, as insatisfações com aquele estado de
coisas.
Os conflitos se agudizariam ainda mais nos anos seguintes, resultando em uma ruptura institucional em 1930,
logo depois das eleições presidenciais disputadas entre Júlio Prestes (1842-1946), candidato das oligarquias
dominantes, e Getúlio Vargas (1882-1954), que era da oposição.
 
As eleições, expostas a toda sorte de manipulações e fraudes, como era comum na Primeira República, deram
a vitória a Júlio Prestes. No entanto, a frente ampla de opositores — formada por militares, oligarquias
dissidentes e classes médias –, chamada Aliança Liberal, não aceitou o resultado e pôs em marcha um levante
armado conhecido como Revolução de 1930.
 
Teve início, assim, outro momento da história política e institucional brasileira que ficou conhecido como Era
Vargas. Essa era foi caracterizada por profundas transformações institucionais e jurídicas.
 
É sobre essas transformações que nos debruçaremos no próximo módulo.
 
Um especialista falará, neste vídeo, sobre a transição política entre a Primeira República e o chamado Período
Vargas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A história da justiça e do direito na Primeira República é marcada pela dissonância entre a
legislação e a realidade social e política, o que fez com que Rui Barbosa, desiludido, tenha dito
não ser aquela a “república dos seus sonhos”. 
 
Assinale, entre as alternativas a seguir, a que melhor explica essa dissonância.
A
A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração socialista, não foi capaz de reverter os rumos já
avançados do capitalismo industrial brasileiro.
B
A dissonância se deu porque a legislação, monarquista, não foi capaz de reverter os costumes políticos
republicanos difundidos na população.
C
A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração liberal, não foi capaz de regular os costumes políticos
oligárquicos, autoritários e violentos.
D
A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração oligárquica, não foi capaz de regular costumes
políticos liberais e democráticos.
E
A dissonância se deu porque a legislação, de inspiração fascista, não foi capaz de regular costumes políticos
liberais e democráticos.
A alternativa C está correta.
A inspiração da legislação brasileira ao longo da Primeira República foi o liberalismo norte-americano, que
não foi capaz de disciplinar os costumes políticos oligárquicos.
Questão 2
O federalismo foi um dos principais valores afirmados pela Constituição republicana de 1891.
Aponte a alternativa que melhor define o federalismo e a força política desse princípio naquela
conjuntura.
A
O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía bastante as elites
fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de tabaco.
B
O federalismo consiste na sobreposição dos poderes locais ao poder central, o que atraía muito as elites
paulistas, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de café.
C
O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía muito as elites
fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de açúcar.
D
O federalismo consiste na sobreposição do poder central aos poderes locais, o que atraía muito as elites
paulistas, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de tabaco.
E
O federalismo consiste na igualdade entre poder central e poderes locais, o que atraía muito as elites
fluminenses, as mais poderosas do período em virtude da agroexportação de tabaco.
A alternativa B está correta.
O federalismo fortaleceu os poderes locais em detrimento do poder central, o que atraía muito as elites
paulistas envolvidas com a agroexportação de café, já que elas desejavam autonomia administrativa para
defender seus interesses.
2. Era Vargas
Transformações na justiça, no direito e nas leis durante os
governos de Getúlio Vargas
Getúlio Vargas, presidente do Brasil entre 1930 e 1945, e de 1951 a 1954.
O político gaúcho Getúlio Vargas governou o Brasil em duas ocasiões:
1930-1945
Período conhecido como a Era Vargas, foi
caracterizado por profundas transformações
jurídico-institucionais na estrutura do Estado
brasileiro.
1951-1954
Na segunda ocasião, houve um governo
democrático.
Nosso objetivo é estudar, com cuidado, a história da justiça, da lei e do direito nesses dois momentos,
buscando entender suas relações tanto com as disputas políticas quanto com a competição pelo controle do
Estado nacional e das riquezas do país.
 
Segundo o historiador Boris Fausto (1997), a Revolução de 1930 deu origem ao Estado de compromisso, um
indicativo de que a coalização que formou a aliança liberal e garantiu o sucesso da rebelião comandada por
Getúlio Vargas era muito ampla. Isso exigia da liderança do movimento grande habilidade em coordenar e
combinar interesses.
 
Nas palavras do autor...
A possibilidade de concretização do Estado de compromisso é dada, porém, pela inexistência de
oposições radicais no interior das classes dominantes e, em seu âmbito, não se incluem todas as forças
sociais. O acordo se dá entre as várias frações da burguesia: as classes médias — ou pelo menos parte
delas — assumem maior peso, favorecidas pelo crescimento do aparelho do Estado, mantendo,
entretanto, uma posição subordinada.À base da margem do compromisso básico fica a classe operária,
pois o estabelecimento de novas relações com a classe não significa qualquer concessão política
apreciável.
Fausto, 1997, p. 136-137.
Todos os atos jurídicos colocados em prática nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas culminaram na
Constituição de 1934, que formalizou a situação política à qual ele ascendera quatro anos antes. No entanto,
como demonstra Ângela de Castro Gomes (1997), essa conciliação de interesses não se deu sem conflitos.
 
Havia relações conflituosas, sobretudo, entre as oligarquias dissidentes que questionavam a hegemonia de
São Paulo na geopolítica nacional e os oficiais do Exército de baixa patente. Cabe ressaltar que esses oficiais,
conhecidos como tenentes, demandavam modificações estruturais na organização da sociedade brasileira,
por exemplo, o incentivo à industrialização, à urbanização e à centralização administrativa.
Tenentismo
Você já ouviu falar de um movimento denominado tenentismo?
 
Leremos um trecho extraído da obra de Ângela Castro Gomes para entendermos, de forma mais clara, o
propósito desse movimento:
De uma forma muito esquemática, o que estava em jogo era uma diretriz de organização institucional do
Estado do Brasil. Os tenentes, por exemplo, procuraram emprestar ao Estado uma orientação claramente
centralizadora, de reforço dos poderes intervencionistas da União, inclusive na área econômica e
social. A execução dessa proposta deveria estar pautada em padrões técnicos de administração, sendo
sua eficácia garantida por um regime político forte. Isto é, pela permanência da ditadura como meio de
sanear costumes e redefinir os ideais da nação. Dessa forma, os setores revolucionários do tenentismo,
ao mesmo tempo que despolitizaram o campo político — transformando-o em atividade administrativa,
particularmente nas esferas estaduais e municipais —, defendiam um modelo de Estado nitidamente
antiliberal, na medida em que a crítica à oligarquia se confundia com a crítica ao liberalismo utópico e
desvirtuador da República Velha. Já os setores oligárquicos divergentes insistiam na manutenção das
prerrogativas da autonomia estadual e na limitação dos poderes da União; enfim, na defesa do
federalismo como ponto-chave da organização política do país. Lutavam, por conseguinte, pela defesa
dos princípios políticos liberais que respaldaram e possibilitaram a hegemonia desse grupo ao tempo da
Primeira República.
Gomes, 1997, p. 26
A Constituição de Vargas
Vamos acompanhar a evolução da justiça no Brasil?
 
São Paulo, estado que mais perdeu com a Revolução de 1930, levantou-se em armas contra o governo de
Getúlio Vargas. A Revolução Constitucionalista foi uma guerra civil que, em 1932, exigia uma nova Constituição
para o país.
 
Entre os principais atos jurídicos do governo provisório de Getúlio Vargas, podemos destacar os seguintes:
Criação dos ministérios do Trabalho e da Educação em 1930
O que traduziu os interesses daquele governo em romper com a
tendência federalista/oligárquica da Primeira República e concentrar
poderes no que se referia aos trabalhadores e ao ensino.
Promulgação do Código Eleitoral em 1932
O objetivo era modernizar as eleições, otimizar a representação e
aumentar o tamanho da população eleitoralmente ativa. Vejamos algumas
das principais novidades trazidas por ele:
Criação da Justiça Eleitoral.
Adoção do voto secreto.
Imposição da obrigatoriedade do voto.
Concessão do direito de voto e do direito de se candidatar às
mulheres maiores de 21 anos.
Como já sabemos, as eleições eram o principal objeto de críticas à Primeira República. O voto aberto, os
currais eleitorais e a ausência de justiça eleitoral autônoma as colocavam sob constante suspeição, fazendo
delas uma máquina de dominação oligárquica, e não uma prática de representação política efetiva.
 
Não seria exagerado dizer, portanto, que a questão eleitoral era um dos poucos pontos consensuais entre as
diversas forças que formaram a Aliança Liberal, coalizão que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930. 
 
O próprio Vargas, discursando em 15 novembro de 1933, deixava claro como a reforma eleitoral era um
compromisso incontornável:
O governo revolucionário, responsável pelo saneamento dos costumes políticos contra os quais a nação
se rebelou, não poderia cogitar de reorganizá-la constitucionalmente antes de aparelhá-la para
manifestar, de modo seguro e inequívoco, a sua vontade soberana. A reforma eleitoral que era, para mim,
compromisso de candidato [...] tornou-se imposição inadiável ao assumir a chefia do governo provisório.
Vargas, 1933.
Até então, podemos perceber que, mesmo com toda essa reformulação político-administrativa, era urgente a
promulgação de uma nova Constituição, especialmente depois da rebelião paulista de 1932.
 
A nova Constituição, outorgada em julho de 1934, trazia a centralização político-administrativa como
argumento principal, destoando, contundentemente, da lógica federalista, que, como já estudamos,
atravessava o texto constitucional de 1891.
 
O que estava em jogo, na verdade, era outra visão do Brasil, segundo a qual a sociedade civil seria amorfa e
desorganizada, enquanto os governos locais (estaduais e municipais) estariam completamente dominados por
interesses oligárquicos sem nenhum compromisso com o interesse nacional.
 
Por conta disso, a solução para o desenvolvimento do país seria um governo central forte, personalizado pelo
presidente da República e pretensamente portador do verdadeiro interesse nacional.
 
• 
• 
• 
• 
Ao analisar o texto constitucional de 1934, Ângela de Castro Gomes (1997) argumenta que ele trouxe a figura
do Estado forte e fechado, cuja participação política se daria pelo sindicato. Em contraponto, a autora afirma
que já havia defensores de um Estado moderno, entendendo que a democracia, para ser exercida, necessita
de participação ampla.
 
Outra característica importante da Constituição de 1934 foi a definição da cidadania em função da atividade
laboral.
Resumindo
O modelo de cidadão ideal que começava a ser construído pelo texto constitucional – também presente
nas constituições seguintes pela política de propaganda do governo – era o trabalhador urbano,
formalizado e vinculado ao sindicato de sua categoria. 
Passeatas sindicais do período.
Os diversos sindicatos, por sua vez, estavam vinculados, diretamente, ao Estado por meio do Ministério do
Trabalho. A carteira de trabalho, cada vez mais, tornava-se símbolo da honestidade, prova de que cidadão
não era dado à vadiagem.
 
Sindicalizado, esse cidadão trabalhador constituía a célula fundamental da representação política dada
justamente por intermédio dos sindicatos. Era o princípio da representação classista, típica de uma república
sindicalista.
 
O governo constitucional de Getúlio Vargas nasceu sob uma situação de grande polarização ideológica, sendo
uma manifestação nacional da situação política internacional da época.
Ação Integralista Brasileira (AIB) 
De um lado, à direita do espectro ideológico,
estava a Ação Integralista Brasileira (AIB),
liderada pelo jornalista Plínio Salgado,
claramente inspirada nos governos fascistas
que ascenderam na Europa, na década de
1930.
Aliança Nacional Libertadora (ANL) 
Do outro, à esquerda, a Aliança Nacional
Libertadora (ANL), capitaneada pelo
comunista Luís Carlos Prestes
(1808-1990), que mantinha diálogos
estreitos com o Partido Comunista
soviético.
Prestes no Tribunal de Segurança, 1937.
Sobre essa polarização ideológica, Ângela de Castro Gomes (1997) argumenta que os dois movimentos foram
fundamentais para as transformações políticas sofridas após 1934. Transcorria um grande caos político.
 
Primeiramente, houve repressão policial a operários e, em seguida, ampliada a jornalistas, intelectuais e até
parlamentares. Como se não bastassem esses acontecimentos, em abril de 1935, completa Gomes (1997, p.
35), “a Lei de Segurança Nacional fortalecera os poderes do presidente da República tão cuidadosamentecontrolados pela Carta de 1934”.
O que percebemos hoje, com clareza, é que o governo chefiado por Getúlio Vargas soube manipular,
com muita astúcia, esse cenário de polarização ideológica. Ele utilizou os dois grupos como
espantalhos para justificar uma escalada autoritária que culminaria no golpe civil-militar que instituiu,
em 1937, a ditadura do Estado Novo.
No mesmo ano de 1935, graças à eclosão da
chamada intentona comunista, o governo
acionou prerrogativas da Lei de Segurança
Nacional (LSN) para fechar a ALN, prendendo
seus principais líderes.
 
Esse episódio incluiu o casal Luís Carlos
Prestes e Olga Benário Prestes. Ambos foram
acusados de liderar uma conspiração golpista
cujo objetivo seria implantar uma ditadura
comunista no Brasil, algo que jamais foi
comprovado.
 
Ainda em 1935, o Congresso Nacional, depois
do fechamento da ANL, aprovou a decretação do estado de sítio, que seria prorrogado, sucessivamente, até
meados de 1937. 
Foi somente nesse ano — após inúmeras prisões de deputados e senadores, crises internas em alguns
importantes governos estaduais e com a campanha presidencial próxima — que o Congresso, finalmente,
negou um novo pedido de renovação do estado de sítio proposto por Vargas.
 
A essa altura, o establishment político já se articulava visando às eleições que aconteceriam em 1938. As
chapas já estavam até formadas. A disputa se daria entre:
 
Armando de Sales Oliveira (1887-1945), representando os interesses das oligarquias de São Paulo.
José Américo de Almeida (1887-1980), que representava as oligarquias dissidentes que articularam a
Revolução de 1930.
 
Com o apoio de lideranças militares e, notadamente, do general Góis Monteiro (1887-1956), Getúlio Vargas
liderou um autogolpe continuísta. Esse golpe suspendia a Constituição de 1934 e implantava uma ditadura
civil-militar que duraria oito anos, de 1937 a 1945.
 
No plano da justiça, houve a transição drástica de uma estrutura jurídica de coloração liberal democrática para
uma de claro perfil autoritário. Mobilizemos, novamente, as reflexões de Ângela de Castro Gomes (1997):
segundo a autora, esse golpe selou qualquer discussão acerca dos questionamentos políticos da época.
 
• 
• 
Percebamos que, para Gomes (1997), todo o trabalho constitucional realizado pela luta das oligarquias do
Centro-Sul foi deixado de lado. O Estado Novo foi um verdadeiro retrocesso das lutas anteriores, chegando a
ser mais autoritário do que o movimento tenentista.
 
Ao longo dos primeiros anos do Estado Novo, pôde-se perceber o esforço do regime em se legitimar por meio
de dispositivos jurídicos responsáveis por instaurar uma nova legalidade. A Constituição de 1937 ficou
conhecida como Polaka, pelo fato de ser inspirada pela Constituição polonesa, que era de matriz fascista.
Porém, engana-se quem acha que o Estado se aliou ao integralismo de Plínio Salgado. 
 
Em 1937, em uma operação semelhante àquela que havia perseguido a ALN, o governo ditatorial também
reprimiu a AIB sob a acusação de conspiração.
 
As principais características da Polaka foram:
 
Regulamentação de uma estrutura corporativa em que empregadores e empregados estão submetidos
ao controle ou à proteção do Estado.
Estabelecimento da censura prévia a imprensa, cinema e rádio por meio do Departamento de Imprensa
e Propaganda (DIP).
Pena de morte para os crimes contra a ordem pública e organização do Estado.
Proibição da greve e do lockout (paralisação do trabalho por iniciativa do empregador).
Organização de uma justiça do trabalho para mediar os conflitos entre patrões e empregados.
Reformas do Estado Novo
Somam-se à Constituição de 1937 outros atos que passariam a formar a estrutura jurídica do Estado Novo.
 
Entre eles, podemos destacar alguns bem importantes:
Lei nº 1402, de 1939
Estabeleceu normas para o funcionamento das organizações sindicais, definindo que cada categoria
profissional somente poderia ter um sindicato oficial, o qual, por sua vez, seria o responsável por
intermediar as negociações entre os sindicalizados e o Estado.
• 
• 
• 
• 
• 
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1940
Estabeleceu a regulação oficial dos direitos dos trabalhadores urbanos. Destacaremos, a seguir,
alguns desses direitos:
Proibição da diferenciação salarial por motivos de sexo, idade, nacionalidade e Estado civil.
Instituição do salário mínimo.
Redução da jornada de trabalho para oito horas diárias.
Proibição do trabalho para menores de 14 anos.
Criação do repouso semanal remunerado, das férias remuneradas e da indenização em caso
de demissão por justa causa.
Regulamentação da assistência médica e dentária ao trabalhador e à gestante.
Criação do Departamento Administrativo dos Serviços Públicos (DASP)
O DASP tinha o objetivo de pôr fim ao caráter político de recrutamento do funcionalismo público e
basear as contratações no sistema e no mérito por meio de concursos ou provas de habilitação
competitivos para qualquer candidato a funcionário público.
Criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Companhia Vale do Rio Doce e da hidrelétrica
Paulo Afonso
A intenção era fortalecer a infraestrutura produtiva da economia brasileira e iniciar um processo de
mudança naquilo que, na época, era conhecido como vocação agrícola da economia nacional.
Atenção
Não basta apenas enumerar as ações jurídicas: precisamos entender qual tipo de projeto político
inspirava essas leis. Segundo a historiadora Eli Diniz (1997, p. 80), seu primeiro aspecto seria o
fortalecimento do Executivo como uma condição para restaurar a autoridade nacional e garantir o poder
de Estado contra a ação desagregadora do privatismo e do localismo; tendências típicas da política
brasileira antes de 1930. 
Todos esses dispositivos jurídicos, portanto, verbalizavam a seguinte interpretação sobre o Brasil: um Estado
centralizado e forte era fundamental para o desenvolvimento do país. Essa teoria política foi desenvolvida pelo
jurista fluminense Oliveira Vianna (1883-1951), que comandou a burocracia do Estado Novo.
 
Oliveira Vianna era um profundo estudioso do funcionamento do Estado brasileiro. Em 1918, publicou seu
primeiro livro, o ensaio Populações meridionais do Brasil, considerado, até hoje, um texto canônico na tradição
do pensamento social brasileiro. Ao ajudar a desenhar a estrutura burocrática do Estado Novo, ele tinha em
mente certa concepção de Estado corporativo, muito em voga na cultura jurídica ocidental na década de
1930.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Saiba mais
O modelo de Estado corporativo de Oliveira Vianna, cujo papel de representação política e de relação
entre Estado e sociedade é realizado primordialmente pelo assento de representantes de classe nos
órgãos estatais, constitui o centro do trabalho intelectual desenvolvido pelo autor. Foi com essa visão
que ele pôde desenvolver sua defesa do Estado Novo nos seguintes livros: Problemas de direito
corporativo (1938); O idealismo da Constituição (1939), em sua segunda edição; e, por fim, Problemas de
direito sindical (1943). 
O Estado novo foi arquitetado como um regime autoritário e modernizador que deveria durar muitos anos. No
entanto, seu tempo de vida acabou sendo curto, não chegando a completar oito anos.
 
Os problemas do regime resultaram mais da inserção do Brasil no quadro das relações internacionais do que
das condições políticas internas do país. Essa inserção impulsionou as oposições e abriu caminho para
divergências no interior do governo.
 
Após a entrada na guerra, personalidades de oposição começaram a explorar a contradição existente entre o
apoio do Brasil às democracias e a ditadura de Vargas. No âmbito do governo, pelo menos, uma figura se
mostrou francamente favorável a uma abertura democrática: Oswaldo Aranha (1894-1960), então ministro das
Relações Exteriores.
Resumindo
Segundo o historiador Antônio Mendes Almeida (1997, p. 228), a situação vivida era contraditória, uma
vez que, no próprio país, havia situações semelhantes às combatidas na guerra. Assim, “aluta da força
expedicionária brasileira nos campos europeus deveria ser complementada a nível interno por uma luta
contra a ditadura getulista”. 
O desmonte do aparelho repressor foi marcado por importantes transformações jurídico-institucionais.
Destacaremos seis delas a seguir:
 
Convocação de eleições gerais para dezembro de 1945.
O retorno do sistema partidário, agora formado por partidos nacionais.
União Democrática Nacional (UDN), composta pelos adversários de Getúlio Vargas.
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que contava com a proteção política de Vargas.
Partido Social Democrático (PSD), formado por políticos que apoiavam Vargas.
Partido Comunista Brasileiro (PCB), sob a liderança de Luís Carlos Prestes.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil (1946-1951).
Retorno à democracia
Posse de Eurico Gaspar Dutra como presidente da República. Autor desconhecido.
Aparentemente colaborando com a transição democrática, Getúlio Vargas autorizou a formação das chapas
que concorreriam às eleições de 1945. 
 
Eram três os principais candidatos:
 
Brigadeiro Eduardo Gomes (1896-1981), candidato pela UDN.
General Eurico Gaspar Dutra (1883-1974), candidato pela coligação PTB/PSD.
Iedo Fiuza (1894-1975), que contava com o apoio formal de Getúlio Vargas, candidato pelo PCB.
 
A oposição pressionou até que, em 30 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi intimado por uma junta militar a
renunciar. A presidência da República foi entregue interinamente a José Linhares, então ministro do STF.
 
Dessa maneira, todo o processo de redemocratização, incluindo a Constituição de 1946, se daria sem a
presença de Getúlio Vargas. No entanto, Eurico Gaspar Dutra, seu ungido, venceu a eleição presidencial de
1950, demonstrando que, mesmo exilado em sua fazenda no interior do Rio Grande do Sul, o ex-ditador ainda
contava com grande força política.
As principais características do governo de Eurico Gaspar
Dutra foram a promulgação da Constituição de 1946, que
restabeleceu o modelo da democracia liberal burguesa
vigente antes de 1930. Isso reduziu o poder do Estado,
aboliu a representação classista e promoveu o acirramento
da Guerra Fria e a cassação do registro do PCB.
Com a promulgação da nova Constituição, completou-se o
processo de redemocratização. O Brasil voltava a ser,
formalmente, uma democracia liberal burguesa, dando início
ao período conhecido como experiência democrática. Esse
período se estendeu até 1964, quando a democracia
brasileira foi vítima de outra intervenção golpista.
• 
• 
• 
 
Entre 1945 e 1954, a cena política brasileira foi marcada pelo conflito entre dois modelos de desenvolvimento.
De um lado, aquilo que se convencionou chamar entreguismo, representado, sobretudo, pela UDN e baseado
na proposta de promover o desenvolvimento nacional graças à associação com os capitais internacionais. Do
outro, estava o que aprendemos a chamar nacional-desenvolvimentismo, que propunha um desenvolvimento
nacional independente do capital externo.
 
Buscava-se uma base na indústria pesada, no melhoramento da infraestrutura produtiva do país e na aliança
com os trabalhadores urbanos.
 
Os conflitos entre esses dois projetos de desenvolvimento se deram nos quadros da Guerra Fria. O
relacionamento entre os militares e a política foi outro elemento de instabilidade nas relações políticas do
período.
 
Getúlio Vargas retornou à cena política em 1950, quando disputou e venceu as eleições presidenciais.
Chefiando um governo de coalizão, que contou até com o apoio de lideranças da oligarquia paulista, como
Ademar de Barros, Vargas tentou lavar sua imagem, livrando-se da pecha de ditador e agindo como um líder
democrático.
Atenção
Vale ressaltar que Vargas não abandonou a agenda econômica nacionalista, industrializante e sensível
aos direitos dos trabalhadores urbanos. O ano de 1953 foi emblemático dessa agenda por conta da
fundação da Petrobras, empresa estatal cuja finalidade era monopolizar a exploração do petróleo, e da
inserção do 13° salário no conjunto das leis trabalhistas. 
A atuação do governo contrariou interesses internacionais e do próprio empresariado nacional, radicalizando
os conflitos herdados da década de 1930, o que levou à crise do suicídio de Getúlio Vargas no ano de 1954.
 
Nos dez anos seguintes, a instabilidade política cresceria ainda mais, resultando no golpe civil-militar de 1964,
que instaurou a ditadura militar no Brasil. Verificamos que, ao longo de seus vinte e um anos de existência,
esse regime montou uma estrutura jurídica autoritária e fez da justiça uma arma contra os direitos humanos
fundamentais.
 
Um especialista abordará, neste vídeo, as continuidades da justiça desde a denominada redemocratização.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Toda a legislação posta em prática entre 1930 e 1934 pode ser lida a partir da noção de 
Estado de compromisso, formulada pelo historiador Boris Fausto. Assinale, entre as
alternativas a seguir, aquela que melhor explica essa afirmação.
A
A noção de Estado de compromisso, formulada por Boris Fausto, remete à hegemonia militar nos primeiros
anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a legislação aprovada no período atendeu,
diretamente, ao projeto de nação desenvolvido pelos tenentes.
B
A noção de Estado de compromisso, formulada por Boris Fausto, remete à hegemonia das oligarquias
dissidentes nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a legislação aprovada no
período atendeu, diretamente, ao projeto de nação desenvolvido pelas oligarquias dissidentes.
C
A noção de Estado de compromisso, formulada por Boris Fausto, remete à hegemonia da oligarquia paulista
nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a legislação aprovada no período
atendeu, diretamente, ao projeto de nação desenvolvido em São Paulo.
D
A noção de Estado de compromisso, formulada por Boris Fausto, remete à hegemonia das oligarquias
católicas nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas. Nesse sentido, toda a legislação aprovada no
período atendeu, diretamente, ao projeto de nação desenvolvido pela Igreja Católica brasileira.
E
A noção de Estado de compromisso, formulada por Boris Fausto, remete aos esforços do governo de Getúlio
Vargas em conciliar os interesses que integravam a coalizão que o levou ao poder na Revolução de 1930.
Nesse sentido, toda a legislação aprovada no período teve o objetivo de equilibrar os interesses desses
grupos.
A alternativa E está correta.
O conceito de Estado de compromisso, formulado por Boris Fausto, remete à tentativa do governo em
conciliar diversos interesses – e a legislação aprovada no período reflete justamente isso.
Questão 2
O Código Eleitoral de 1932 foi emblemático da agenda política apresentada pela Aliança
Liberal em 1930, que, como sabemos, foi a coalizão política que levou Getúlio Vargas ao
poder. Indique a alternativa que define, da melhor forma, a agenda política que inspirou esse
código.
A
A grande agenda política que impulsionou a formação da Aliança Liberal foi a moralização das eleições, com a
adoção do voto secreto e de uma justiça eleitoral autônoma; demandas que foram acolhidas pelo Código
Eleitoral de 1932.
B
A grande agenda política que impulsionou a formação da Aliança Liberal foi a laicização do Estado, com a
separação entre Igreja e poder, e a legalização do divórcio; demandas que foram acolhidas pelo Código
Eleitoral de 1932.
C
A grande agenda política que impulsionou a formação da Aliança Liberal foi a industrialização da economia,
com a criação da Petrobras e da Eletrobras; demandas que foram acolhidas pelo Código Eleitoral de 1932.
D
A grande agenda política que impulsionou a formação da Aliança Liberal foi a moralização das eleições, com a
adoção do voto aberto e de uma justiça eleitoral autônoma; demandas que foram acolhidas pelo Código
Eleitoral de 1932.
E
A grande agenda política que impulsionoua formação da Aliança Liberal foi a moralização das eleições, com a
adoção do voto eletrônico e de uma justiça eleitoral autônoma; demandas que foram acolhidas pelo Código
Eleitoral de 1932.
A alternativa A está correta.
A questão eleitoral era a grande pauta de consenso dentro da coalizão que formou a Aliança Liberal. No
geral, o diagnóstico era este: as eleições, durante a Primeira República, eram corrompidas e manipuladas
pelas oligarquias. Por isso, havia uma demanda por voto secreto e justiça eleitoral autônoma, exigências
que foram acolhidas pelo Código Eleitoral de 1932.
3. Governo militar
Justiça, direito e leis na ditadura militar brasileira
(1964-1985)
Em 1980, o cientista político uruguaio René Armand Dreifuss publicou o livro que se tornaria uma referência
nos estudos especializados sobre a história da ditadura militar brasileira.
 
Estamos falando da monumental obra 1964: a conquista do Estado. Você já deve ter ouvido falar dela ou até
mesmo a lido, certo?
 
Esse texto apresentava a seguinte tese: a intervenção militar que derrubou o presidente João Goulart foi um
golpe civil-militar, já que ela foi o resultado das conspirações planejadas entre grupos civis e militares.
 
Ou seja, ainda que o Exército tenha sido, efetivamente, o autor institucional do golpe, o ato e o regime
inaugurados por ele contaram, em alguma medida, com a conivência de setores da sociedade civil.
A categoria golpe civil-militar é fundamental para a nossa reflexão, pois nos permite pensar como a
justiça, o direito e a lei foram usados pelos governos militares para sustentar um projeto de Estado
autoritário, contando, para isso, com o apoio de algumas lideranças jurídicas e políticas da
sociedade civil.
O que seria um Estado autoritário?
 
O cientista político italiano Mario Stoppino (1992) nos ajuda a entender tal conceito:
Brasília, quadra 700, Asa Sul.
São regimes que privilegiam a autoridade governamental e diminuem de forma mais ou menos radical o
consenso, concentrando o poder político nas mãos de uma só pessoa ou de um só órgão e colocando
em posição secundária as instituições representativas.
Stoppino, 1992, p. 94
Stoppino (1992, p. 94) aponta, ainda, que a “penetração-mobilização” da sociedade é limitada, havendo uma
fronteira precisa entre Estado e sociedade. Existe, de um lado, um pluralismo partidário suprimido, por
exemplo; e, de outro, grupos que mantêm sua autonomia. Nessa conjuntura, o governo passa a ocupar a
função de árbitro, já que ele encontra limites para seu poder.
 
Outro dado é que o controle da educação e dos meios de comunicação encontra certos limites em relação à
interferência governamental, alastrando-se no impacto de médio e longo prazo, embora ele permita, por
exemplo, certo nível de oposição.
 
A oposição e a autonomia dos subsistemas políticos são, portanto, reduzidas à expressão mínima, enquanto
as instituições destinadas a representar a autoridade de baixo para cima são aniquiladas ou substancialmente
esvaziadas.
Entretanto, essa autoridade política autoritária, capaz de se impor sobre a sociedade civil, também
precisa de um arcabouço jurídico que lhe dê uma aparência de legitimidade.
A preocupação com a legitimidade foi
constante ao longo da história da ditadura
militar brasileira.
 
Durante a maior parte de seu período de
vigência, ela manteve o Congresso Nacional
funcionando, ainda que de maneira bipartidária:
 
pelo partido do governo: a Aliança
Renovadora Nacional (Arena).
por uma oposição moderada e
constantemente constrangida: o
Movimento Democrático Brasileiro
(MDB).
Os primeiros quatro anos da ditadura, entre 1964 e 1968, foram marcados por disputas que delinearam o perfil
do regime. A princípio, havia a expectativa de que a intervenção de 1964 seria apenas saneadora e que os
militares devolveriam o poder aos civis, permitindo a realização de eleições presidenciais já em 1965.
 
Era essa a expectativa de Carlos Lacerda (1914-1977), político fluminense e aliado de primeiro momento do
golpe civil-militar. No entanto, o desenrolar dos acontecimentos levou à vitória de outro projeto: uma ditadura
militar instituída e alinhada aos EUA na conjuntura da Guerra Fria.
• 
• 
 
Podemos dizer, então, que a ditadura, em seus primeiros momentos, teve três preocupações prioritárias:
Retirada de lideranças ligadas ao governo de João Goulart
A retirada do jogo político dessas lideranças não se tratou apenas de um acerto de contas com o
trabalhismo getulista mas também da consolidação da nova ordem de poder e da preparação política
para o saneamento econômico.
Desequilíbrio das contas públicas
Desde o governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960), as contas públicas estavam desequilibradas
em virtude dos investimentos desenvolvimentistas e da ampla legislação trabalhista. Nesse sentido,
foi necessária a adoção de uma agenda de ajuste fiscal que se mostrou bastante impopular.
Oposição da sociedade civil
Para equilibrar as contas, o governo pôs em prática o Programa de Ação Econômica do Governo
(PAEG), que tinha o objetivo de reduzir as despesas públicas e aumentar a arrecadação. O sucesso do
PAEG esteve diretamente associado ao autoritarismo político, que reprimiu os esforços de oposição
da sociedade civil.
Tumulto em manifestação estudantil contra a ditadura militar brasileira.
O historiador Carlos Fico (2004) argumenta que a montagem da engrenagem político-institucional da ditadura
durou anos. Para ele, é nítida a presença de um projeto “repressivo, centralizado, coerente” no governo de
Castelo Branco.
 
O regime prosseguiu, a partir de então, e seus governos variavam da linha-dura aos mais moderados. Essa
alta patente de oficiais acreditava que toda movimentação identificada com o comunismo (ou assim
entendida) deveria ser eliminada. Somente assim o país seria elevado a seu máximo.
 
Nesse contexto, conforma-se:
[...] o embate que contraporia a linha dura aos moderados (ou castelista). [...] De fato, foi ainda no
governo de Castelo Branco que surgiu a “força autônoma”, um grupo de oficiais superiores que
supunham ser possível levar o país ao seu destino de grandeza, desde que fossem eliminados todos os
“óbices” que, naquela fase da Guerra Fria, eram identificados com o comunismo ou com o que fosse
entendido como tal.
Fico et al., 2004, p. 72.
Os primeiros anos do regime também foram caracterizados pela edificação de seu aparato jurídico, o que
daria aos governos militares autoridade para reprimir a sociedade civil e perseguir adversários políticos.
 
Listaremos alguns desses atos jurídicos:
Ato Institucional n° 1 (9 de abril de 1964)
Delineou os fundamentos da LSN, que seria publicada em março de 1967, e permitiu ao governo
cassar direitos políticos por um prazo de dez anos, além de suspender a Constituição por seis meses.
Ato Institucional n° 2 (27 de outubro de 1965)
Foi formulado como uma resposta ao resultado das eleições realizadas no início de outubro de 1965,
nas quais a oposição ao regime conseguiu importantes vitórias. As principais determinações do AI-2
foram o aumento do poder do chefe do Executivo, a extinção do pluripartidarismo e a regulamentação
das eleições indiretas para o cargo de presidente e vice-presidente da República.
Ato Institucional n° 3 (5 de fevereiro de 1966)
Seu principal objetivo era regular as eleições e o funcionamento da política formal. O AI-3 estabeleceu
o bipartidarismo, segundo o qual seriam reconhecidos dois partidos políticos oficiais: a Arena, o
partido do governo, e o MDB, que seria a oposição institucional.
O AI-3 ainda determinou que as escolhas dos governadores dos estados e dos prefeitos das capitais
se dariam por indicação. Os governadores seriam indicados pelo presidente da República; os prefeitos
das capitais, pelos governadores.
Imagem do Quartel do 1º BPE, sede do DOI-CODI Rio de
Janeiro.
Ato Institucional n° 4 (7 de dezembro de 1966)
Suspendeu, definitivamente, a Constituição e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte
originária para a elaboração de uma nova.Todos esses atos institucionais prepararam o caminho para a promulgação de uma nova Constituição,
o que aconteceu em 1967. A nova Carta suspendeu o texto constitucional vigente à época, que datava
de 1946 e estava fundada nos valores da democracia liberal.
Eis algumas das principais características da Constituição de 1967:
Concentra no Poder Executivo a maior parte do poder de decisão.
Confere somente ao Executivo o poder de legislar em matéria de segurança e orçamento.
Estabelece eleições indiretas para presidente com mandato de cinco anos.
Apresenta tendência à centralização, embora pregue o federalismo.
Estabelece a pena de morte para crimes de segurança nacional.
Restringe ao trabalhador o direito de greve.
Amplia a justiça militar.
Abre espaço para a decretação posterior de leis de censura e banimento.
Uma vez passado esse primeiro momento, o regime, já tendo o perfil institucional e jurídico edificado,
passava a cumprir outra etapa. Teve início, desse modo, o segundo momento da história da ditadura,
que se arrastaria até 1974. Alguns autores o chamam de terrorismo de Estado e anticomunismo.
Foram anos marcados por muita violência.
A ditadura reprimiu ainda mais a oposição, especialmente os grupos que se organizavam na luta armada. As
necessidades de violência institucional eram tão grandes que o regime implementou, em 1968, outro Ato
Institucional. Tratava-se do AI-5, o mais temido deles.
Na prática, o AI-5 foi uma nova Constituição devido à sua amplitude, fortalecendo mais o poder
repressor do Estado do que havia feito a Carta de 1967.
O AI-5 conferiu poderes extraordinários ao
presidente da República, cassou o privilégio de
foro, suspendeu o direito de votar e ser votado
nas eleições sindicais, proibiu atividades ou
manifestação sobre assuntos de natureza
política e suspendeu o direito ao habeas
corpus.
 
A obra do AI-5 foi completada pela Emenda
Constitucional de 1969. O grupo que chegou ao
poder em 1967, sob a liderança de Alberto
Costa e Silva, estava convencido de que a
Constituição de 1967 ainda era muito branda e
inadequada para o combate às oposições ao
regime.
 
Como podemos perceber, a justiça foi um campo de exercício do autoritarismo da ditadura. A justiça militar,
que teve suas competências alargadas, foi especialmente estratégica para os objetivos da ditadura.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
É contraditório que houvesse, no grupo que exercia o poder, uma perspectiva predominante a combinar a
consciência de que uma contrarrevolução contra um inimigo de classe era necessária à noção segundo a qual
certas reformas precisavam ser empreendidas para que a sociedade brasileira se ajustasse à “modernidade”
capitalista, ou seja, aos parâmetros políticos do capitalismo internacional.
 
Essa contradição, frisa Lemos (2004, p. 284-285), permeou todos os elementos da sociedade brasileira e
resultou em um papel tríplice imputado à Justiça Militar. Órgão central do aparato de coerção jurídica, ela teve
um papel estratégico como instrumento auxiliar no esforço de legitimação do regime e, por fim, constituiu uma
arena de confronto entre correntes militares que disputavam a primazia do regime.
Em 1974, teve início o governo de Ernesto Geisel
(1907-1996), que colocou, pela primeira vez, o tema da
distensão do regime em pauta. As novas lideranças
acreditavam que era necessário começar a organizar e
controlar a transição, devolvendo, progressivamente, o
poder aos civis. Era a transição “lenta, gradual e legal” da
qual falava Geisel.
Nesse período de desmonte da ditadura, que se arrastou
por longos 11 anos em um processo não linear, descontínuo
e cheio de idas e vindas, foram formuladas diversas leis que
reverteram a legislação autoritária que vinha sendo
instituída desde o AI-1, de abril de 1964.
O processo de desmonte do aparelho militar pode ser examinado a partir de diferentes perspectivas:
 
A interna, em relação às Forças Armadas.
A externa, na qual se tornam importantes as relações com as lideranças políticas civis.
 
Dentro das Forças Armadas, as lideranças mais próximas a Geisel tiveram de enfrentar a resistência dos
militares reunidos no grupo que, já na época, era chamado linha-dura. Ele era comandado, principalmente, por
Silvio Frota (1910-1996), então ministro da Guerra. 
 
Em virtude dessas disputas internas, o processo de abertura, portanto, foi descontínuo, sendo marcado por
idas e vindas e atravessado por crises políticas.
 
Destacaremos alguns atos jurídicos que pontuaram o processo de abertura do regime:
1979
Lei Federal n° 6.767
Essa lei extinguiu o bipartidarismo e instituiu o pluripartidarismo. Foi a partir disso que surgiram
partidos, como o PFL, o PMDB e o PT, que seriam protagonistas na cena política da nova ordem
democrática inaugurada pela Constituição de 1988.
• 
• 
1979
Lei nº 6.683
Essa lei decretou a “anistia ampla, geral e irrestrita”, prevendo a imputabilidade dos crimes cometidos
durante a ditadura tanto pela oposição quanto pelos agentes do Estado. Tratava-se de um pacto já
visando à nova ordem política que começava a ser desenhada.
1982
Restauração das eleições
Foram restauradas as eleições diretas para o cargo de governador de estado.
1983
Emenda Constitucional n° 5
De autoria do deputado Dante de Oliveira, ela propunha o restabelecimento das eleições
presidenciais. A tramitação da Emenda Dante de Oliveira no Congresso Nacional foi marcada por uma
grande mobilização social conhecida como Diretas Já.
Movimento Diretas Já, 1983.
Você, com certeza, já leu sobre esse movimento nos livros de História.
 
As ruas das principais capitais brasileiras foram ocupadas pelas pessoas que reivindicavam o direito de votar
para o cargo de presidente da República. Apesar disso, a Emenda Dante de Oliveira foi derrotada no
Congresso Nacional.
 
Por conta disso, as eleições de 1985 ainda foram realizadas de forma indireta. Ainda assim, as Diretas Já
mostraram que não havia mais volta: a ditadura dava seus últimos suspiros.
 
Entre finais da década de 1970 e início dos anos 1980, portanto, foi aprovado um conjunto de leis que visava
ao desmonte do aparelho ditatorial e à restauração dos direitos políticos da sociedade civil.
 
Analisaremos, neste vídeo, aspectos importantes da atuação do STF após a redemocratização.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O livro 1964: a conquista do Estado, de autoria do cientista político uruguaio René Armand
Dreifuss, propõe uma categoria fundamental para a compreensão do funcionamento da
justiça, do direito e da lei ao longo da história do governo militar brasileiro (1964-1985). 
 
Assinale a alternativa a seguir que apresenta, corretamente, essa categoria e que justifica sua
importância analítica para os estudos acerca da história da justiça no Brasil.
A
A categoria é revolução. Ela é importante por mostrar como a ditadura foi capaz de construir uma estrutura
jurídica que saneou os costumes políticos brasileiros e endossou a defesa dos direitos humanos fundamentais.
B
A categoria é golpe civil-militar. Ela é importante por mostrar como a legislação autoritária construída pelo
governo militar contou com o apoio de lideranças jurídicas e políticas civis.
C
A categoria é revolução. Ela é importante por mostrar como a legislação autoritária construída pelo governo
militar contou com o apoio de lideranças jurídicas e políticas civis.
D
A categoria é golpe civil-militar. Ela é importante por mostrar como a ditadura foi capaz de construir uma
estrutura jurídica que saneou os costumes políticos brasileiros e endossou a defesa dos direitos humanos
fundamentais.
E
A categoria é golpe militar. Ela é importante por mostrar como o Exército conseguiu alijar, completamente, as
lideranças civis do processo político, construindo, sozinho, a legislação autoritária do regime.
A alternativa B está correta.
A função do conceito proposto por Dreifuss é mostrar que, apesar do protagonismo do Exército, a ditadura
contou como apoio de algumas lideranças políticas e de juristas civis, inclusive no que se refere à
idealização da legislação autoritária.
Questão 2
Em 1967, a ditadura militar brasileira promulgou uma nova Constituição, suspendendo a Carta
democrática de 1946. Aponte a alternativa que melhor define a Constituição de 1967.
A
A Constituição de 1967 suspendeu as garantias democráticas, ampliou o campo de competência da justiça
militar, estabeleceu eleições indiretas para prefeitos e governadores e deu ao governo central poderes de
exceção sobre a sociedade civil.
B
A Constituição de 1967 retomou o federalismo que havia fundado a primeira Constituição republicana em 1891,
fortalecendo os governos locais em detrimento do governo central.
C
A Constituição de 1967 instituiu um governo centralizado e fundado nos valores da democracia socialista, a
qual, na época, estava instituída em países como Rússia e China, estando em avançado processo de reforma
agrária e coletivização dos meios de produção.
D
A Constituição de 1967 restabeleceu a democracia interrompida pelo golpe de 1964, instituindo o
pluripartidarismo e as eleições diretas para governadores e prefeitos.
E
A Constituição de 1967 revisou as restrições às liberdades políticas instituídas pela Carta de 1946, como a
cassação dos direitos políticos do PCB.
A alternativa A está correta.
O caminho jurídico que levou à Constituição de 1967 foi pavimentado por atos institucionais que
desmontaram as garantias democráticas previstas na Carta de 1946.
4. Conclusão
Considerações finais
Apresentamos, neste estudo, o papel da justiça na história do Brasil republicano desde o seu início, na
República das Espadas, até o fim de uma fase, com a organização do governo civil-militar.
 
No módulo 1, reconhecemos as relações entre justiça e poder durante a história da Primeira República
brasileira (1889-1930). Nosso foco especial era esclarecer como se deu a construção da estrutura jurídica do
regime político instituído no Brasil em novembro de 1889.
 
No módulo 2, identificamos o aparato jurídico desenvolvido na Era Vargas (1930-1945), cuja política, na
prática, fundou o Brasil moderno, caracterizado pelo lugar do Estado como centro planejador do
desenvolvimento nacional.
 
Já no módulo 3, descrevemos a jurisdição implantada ao longo da ditadura civil-militar (1964-1985), fazendo
do Estado brasileiro um aparelho repressivo e violador dos direitos humanos.
 
Nosso objetivo foi mostrar a você como a justiça está em diálogo direto com as disputas sociais e a política. O
legislador que cria a lei, o juiz que julga e o operador do direito não são entidades abstratas que vivem acima
da realidade social. Essas figuras fazem parte e são atravessadas por ela. Por tudo aquilo que estudamos,
percebemos que a história do direito também é um exercício de história da sociedade: nela, não basta
enumerar leis, e sim relacioná-las à própria dinâmica social.
Podcast
Para encerrar, ouça sobre a justiça no Brasil: da Velha República aos governos militares.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Fala, mestre!
Neste espaço, Dra. Ivone Caetano, primeira juíza negra do estado do Rio de Janeiro e primeira
desembargadora negra do TJRJ, complementa o que vimos até aqui.
Representatividade
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Desigualdade social e racismo
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O início de uma trajetória de luta
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Qual o papel da justiça na redução das desigualdades sociais?
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A importância dos aliados na luta contra o racismo
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Definições básicas sobre o sistema de justiça
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Explore+
Leia estes artigos:
 
MASCARO, A. L. A filosofia do direito e seus horizontes. In: Cult. Consultado na internet em: 27 jan.
2021.
WESTIN, R. Com golpe dado por Getúlio, Brasil ficou nove anos sem Senado. In: Senado Notícias.
Publicado em: 4 out. 2016.
 
Pesquise, na internet, os seguintes vídeos:
 
CÂMARA DOS DEPUTADOS. O golpe militar de 1964 faz 50 anos nesta segunda-feira. Publicado em:
mar. 2011.
TV CULTURA. A guerra dos paulistas: a revolução constitucionalista de 32. Publicado em: 30 nov. 2011.
UNIVEST. 1985 - 30 anos de democracia: Diretas Já. Publicado em: 6 out. 2015.
• 
• 
• 
• 
• 
 
Ouça este podcast:
 
BONFIM, E. A história do AI-5: o mais duro golpe da ditadura. In: Estadão. Publicado em: 1. nov. 2019.
Referências
ALMEIDA, A. M. Do declínio do Estado Novo ao suicídio de Getúlio Vargas. In: FAUSTO, B. História geral da
civilização brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. Tomo III. v. 3.
 
BARBOSA, R. Eleição direta. In: BARBOSA, R. Obras completas de Rui Barbosa. 1872-1874. Rio de Janeiro:
Ministério da Cultura/Fundação Casa de Rui Barbosa, 1987. Tomo II. v. 2.
 
BERLIN, I. Quatro ensaios sobre a liberdade. Brasília: UNB, 1981.
 
CARVALHO, J. M. de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a república que não foi. Rio de Janeiro: Companhia
das Letras, 1988.
 
D’ARAUJO, M. C. (org.). Getúlio Vargas. Brasília: Câmara dos Deputados, 2011.
 
DINIZ, E. O Estado Novo: estrutura de poder e relações de classes. In: FAUSTO, B. História geral da civilização
brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. Tomo III. v. 3.
 
DREIFUSS, R. A. 1964: a conquista do estado. Ação política, poder e golpe de classe. Petrópolis: Vozes, 1980.
 
FAUSTO, B. A Revolução de 1930: história e historiografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
 
FERREIRA, M. M.; PINTO, S. C. S. A crise dos anos 1920 e a Revolução de 1930. Rio de Janeiro: CPDOC, 2006.
 
FICO, C. et al. 1964-2004 - 40 anos do golpe: ditadura militar e resistência no Brasil. Rio de Janeiro: 7 Letras,
2004.
 
GOMES, A. C. Confronto e compromisso no processo de constitucionalização. In: FAUSTO, B. História geral da
civilização brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. p. 9-75. Tomo III. v. 3.
 
LEMOS, R. Justiça militar e processo político no Brasil (1964-1968). In: FICO, C. et al. 1964-2004 - 40 anos do
golpe: ditadura militar e resistência no Brasil. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2004.
 
LYNCH, C. A utopia democrática: Rui Barbosa entre o império e a república. In: SENNA, M. de. Rui Barbosa em
perspectiva: seleção de textos fundamentais. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2007. p. 37-66.
 
• 
PINTO, S. C. S.; CASTRO, T. S. O Poder Judiciário na Primeira República: revisitando algumas questões. In:
Locus: revista de história, v. 25, n. 2, p. 37-58, 2019.
 
RIBEIRO, G. S. Cidadania e luta por direitos na Primeira República: analisando processos de justiça federal no
Supremo Tribunal Federal. In: Revista Tempo, p. 101-117, out. 2008.
 
STOPPINO, M. Autoritarismo. In: BOBBIO, N. Dicionário de política. Brasília: UnB, 1992.
 
VARGAS, G. [Discurso]. Annaes da Assembleia Nacional Constituinte. Rio de Janeiro: [s. n.], 1933. v. 1, p. 53.
	A justiça no Brasil: da Velha República aos governos militares
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Primeira República
	Era Vargas
	Ditadura militar
	1. Primeira República brasileira
	O dilema entre realidade e imaginação jurídica na Primeira República Brasileira (1889-1930)
	1870
	1873
	1889
	A Constituição de 1891
	O STF e a república
	Atenção
	Saiba mais
	A grande instabilidade
	Reação republicana
	Revolta do Forte de Copacabana
	Semana de Arte Moderna
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A história da justiça e do direito na Primeira República é marcada pela dissonância entre a legislação e a realidade social e política, o que fez com que Rui Barbosa, desiludido, tenha dito não ser aquela a “república dos seus sonhos”.
	Assinale, entre as alternativas a seguir, a que melhor explica essa dissonância.
	O federalismo foi

Mais conteúdos dessa disciplina