Prévia do material em texto
Autores: Profa. Luciana Perez Bojikian Prof. Jefferson Rodrigues de Sousa Profa. Sabrina Grego Alves Colaboradoras: Profa. Vanessa Santhiago Profa. Christiane Mazur Doi Voleibol: Aspectos do Esporte Professores conteudistas: Profa. Luciana Perez Bojikian / Prof. Jefferson Rodrigues de Sousa / Profa. Sabrina Grego Alves Luciana Perez Bojikian Natural de São Paulo, foi atleta de voleibol dos 13 aos 20 anos de idade. É formada em Educação Física pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), onde fez pós-graduação lato sensu em Voleibol. Em 2004, concluiu o mestrado, com apresentação da dissertação intitulada “Características cineantropométricas de jovens atletas de voleibol feminino”. Em 2013, concluiu o doutorado, com apresentação da tese intitulada “Processo de!formação de atletas de voleibol feminino”. Jefferson Rodrigues de Sousa Graduado em Educação Física pela Universidade Cruzeiro do Sul (2005). Pós-graduado em Educação Física Escolar!(2007), Metodologia do Treinamento do Voleibol (2020) e Psicologia do Esporte e Atividade Física (2024). Mestre em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2012). É professor da Universidade Paulista (UNIP) desde 2013. Sabrina Grego Alves Tem bacharelado e licenciatura plena em Educação Física pela Universidade Cruzeiro do Sul (2001). Também tem licenciatura plena em Ciências Biológicas pela UNIP (2022) e pós-graduação em Gestão Escolar pela Unifecaf (2023). Mestre em Engenharia Biomédica, área de atuação em Instrumentação Biomédica, pela Universidade de Mogi das Cruzes (2012). Atualmente, é docente e membro do Comitê de Ética para desenvolvimento de pesquisas em seres humanos da UNIP. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. U521.16 – 25 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) B685v Bojikian, Luciana Perez. Voleibol: Aspectos do Esportes. / Luciana Perez Bojikian. Je"erson Rodrigues de Sousa. Sabrina Grego Alves. – São Paulo: Editora Sol, 2025. 104 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Voleibol. 2. Técnica. 3. Tática. I. Sousa de, Je"erson Rodrigues. II. Alves, Sabrina Grego. III. Título. CDU 796.32 Prof. João Carlos Di Genio Fundador Profa. Sandra Rejane Gomes Miessa Reitora Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração e Finanças Profa. M. Marisa Regina Paixão Vice-Reitora de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento Prof. Marcus Vinícius Mathias Vice-Reitor das Unidades Universitárias Profa. Silvia Renata Gomes Miessa Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal Profa. Laura Ancona Lee Vice-Reitora de Relações Internacionais Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Assuntos da Comunidade Universitária UNIP EaD Profa. Elisabete Brihy Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. M. Deise Alcantara Carreiro Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes Projeto gráfico: Revisão: Prof. Alexandre Ponzetto Vitor Andrade Maria Cecília França Sumário Voleibol: Aspectos do Esporte APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 HISTÓRICO DO VOLEIBOL E SUA CARACTERIZAÇÃO COMO MODALIDADE ESPORTIVA ...................................................................................................................................9 1.1 Como o voleibol foi criado ..................................................................................................................9 1.2 A trajetória de sucesso do voleibol brasileiro ........................................................................... 11 1.3 Características do voleibol e suas regras básicas .................................................................... 13 1.3.1 Caracterização do voleibol como modalidade esportiva ........................................................ 13 1.3.2 Regras básicas do voleibol .................................................................................................................. 14 1.3.3 Regras adaptadas .................................................................................................................................... 20 1.3.4 Voleibol adaptado para pessoas idosas .......................................................................................... 21 1.3.5 Voleibol sentado ...................................................................................................................................... 21 1.3.6 Voleibol de praia ...................................................................................................................................... 22 2 UTILIZAÇÃO DO VOLEIBOL COMO FERRAMENTA PARA CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO PARTICIPANTE......................................................................... 22 3 A EXECUÇÃO DAS TÉCNICAS DO VOLEIBOL .......................................................................................... 24 3.1 Posição de expectativa ou posição básica.................................................................................. 24 3.2 Deslocamentos ...................................................................................................................................... 25 3.3 Toque de bola por cima ..................................................................................................................... 26 3.4 Manchete ................................................................................................................................................. 27 3.5 Saque ......................................................................................................................................................... 29 3.5.1 Saque por baixo ....................................................................................................................................... 29 3.5.2 Saque por cima ........................................................................................................................................ 30 3.6 Cortada ..................................................................................................................................................... 32 3.7 Largada ..................................................................................................................................................... 35 3.8 Bloqueio ................................................................................................................................................... 35 3.9 Defesa ....................................................................................................................................................... 38 3.10 Rolamento ............................................................................................................................................ 39 3.11 Mergulhos ............................................................................................................................................. 39 4 IDADE IDEAL PARA O ENSINO DAS TÉCNICAS.....................................................................................o objetivo de devolver a bola atacada para a quadra do oponente, fazendo o ponto de bloqueio. É bom lembrar que a invasão do espaço aéreo da equipe adversária é permitida quando ela estiver atacando, seja no seu primeiro, segundo ou terceiro toque, não sendo autorizado impedir que o adversário execute os três toques interceptando a bola do outro lado da rede. Figura 26 – Bloqueio defensivo Figura 27 – Bloqueio ofensivo Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 104). 38 Unidade I Os bloqueios duplo e triplo só devem ser ensinados aos jogadores que já dominem a execução do bloqueio simples. Caso sejam executados na ponta da rede, a “segunda” mão é que deve marcar a bola.!Tanto na execução do bloqueio duplo quanto na execução do bloqueio triplo, as duas mãos de fora, nas extremidades do bloqueio, devem estar com as palmas voltadas para a bola, a fim de impedir a sua passagem. As capacidades motoras mais importantes são: potência de membros inferiores, velocidade de deslocamento, tempo de reação, força da musculatura das mãos e coordenação visomotora. Figura 28 – Bloqueio ofensivo e defensivo Disponível em: https://shre.ink/geLT. Acesso em: 13 nov. 2024. 3.9 Defesa A defesa é o ato de receber o ataque adversário impedindo que a bola atinja o solo e, se possível, armando um contra-ataque. O ato da chamada “defesa em pé”, que é diferenciado das defesas de chão (rolamentos e mergulhos), é realizado eminentemente de manchete. A posição de mãos e braços é a mesma da manchete, mas como há um impacto maior da bola nos antebraços, o movimento dos braços, em vez de impulsionar a bola, será no sentido inverso, em direção ao corpo, no momento do toque na bola, com o objetivo de absorver um pouco do impacto e fazer com que ela permaneça em seu campo de jogo para organizar um contra-ataque. A flexão dos membros inferiores também é maior na manchete de defesa do que na manchete normal, pois a bola é direcionada praticamente de cima da rede para o chão. Outra diferença da manchete de defesa é que há menos tempo para os deslocamentos em direção à bola, portanto, eles devem ser mais rápidos. A posição do corpo no momento do toque na bola, de frente para onde ela será enviada, é importante para o correto direcionamento da bola. 39 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE As capacidades motoras mais importantes são: velocidade de deslocamento, tempo de reação, agilidade e coordenação visomotora. 3.10 Rolamento Os rolamentos são recursos defensivos para serem utilizados quando o deslocamento e a manchete não forem suficientes para alcançar a bola. Ao serem realizados, os rolamentos devem ter sempre o objetivo de não deixar que a bola toque o solo. Deve colocá-la para cima, retomando imediatamente a posição de expectativa para estar pronto para a continuidade da jogada. Existem rolamentos com queda lateral e rolamentos frontais. Eles são realizados com um giro sobre o eixo longitudinal do corpo, com a extensão total do braço para o alcance da bola. Os rolamentos laterais são executados após a corrida em direção à bola, com a prática de um afundo lateral e queda lateral do tronco com extensão do braço no prolongamento do corpo e golpe na bola para que ela suba. Após a queda lateral, se a bola for golpeada com a mão direita, há um giro com o quadril passando sobre o ombro esquerdo, o mais rápido possível, para que o executante assuma na sequência a posição de expectativa. Se a bola for tocada com a mão esquerda, o quadril irá passar por cima do ombro direito. As capacidades motoras mais importantes são: velocidade de deslocamento, tempo de reação, agilidade e coordenação visomotora. 3.11 Mergulhos O mergulho, assim como o rolamento, é uma técnica utilizada para a recuperação de bolas que não podem ser feitas apenas de manchete. Após uma corrida, o executante apoia um dos pés e se lança de frente para o solo em direção à bola, toca nela com uma das mãos golpeando-a para cima e, em seguida, apoia as duas mãos no solo para suportar o peso do corpo, realizando uma extensão de tronco, com semiflexão dos joelhos e elevação do queixo, para evitar que ele se choque contra o solo. Após as mãos, o peito toca o solo, seguido pelo abdome e pelas coxas. O movimento pode ser executado puxando os braços para trás logo ao tocarem o solo, fazendo o corpo deslizar, o chamado “peixinho”, sem tanto apoio do peito e mais do abdome. O deslocamento realizado sem o deslize exige mais força dos braços, que irão suportar todo o peso do corpo. As capacidades motoras mais importantes são: potência de membros inferiores, força de membros superiores, velocidade de deslocamento, tempo de reação, agilidade e coordenação visomotora. 40 Unidade I Figura 29 – Manchete com mergulho Disponível em: https://shre.ink/gIsz. Acesso em: 17 nov. 2024. 4 IDADE IDEAL PARA O ENSINO DAS TÉCNICAS Conforme visto nas características da modalidade, o voleibol apresenta algumas peculiaridades com relação às demais práticas coletivas com bola: a não retenção da bola é uma delas. Outro aspecto é que ele é composto de técnicas, ou habilidades motoras específicas, totalmente construídas, que exigem grande precisão e controle, ou seja, não são apenas aptidões básicas como receber, lançar ou chutar. De acordo com as teorias do desenvolvimento motor, para que o aluno aprenda com eficiência uma habilidade esportiva específica, é preciso que antes ele tenha desenvolvido as aptidões básicas em!um estágio maduro e que tenha tido oportunidade de realizar diversas combinações entre as técnicas básicas, como correr e lançar, correr e saltar, saltar e lançar etc. A partir daí, o aluno terá adquirido um vasto repertório motor, que possibilitará a aprendizagem de capacidades mais complexas e específicas. As habilidades motoras do voleibol são movimentos construídos com o fim específico de se jogar a modalidade. São deslocamentos complicados que exigem muita precisão em sua execução. Veja, por exemplo, o saque por baixo e sua execução correta: a perna contrária à mão que golpeia a bola deve estar à frente, é necessário haver um movimento de pêndulo com o braço estendido antes de golpear a bola. Se você, como professor, for ensinar essa habilidade para um aluno que já passou por todos os estágios de desenvolvimento das habilidades básicas, será bem tranquilo, pois ele já terá o controle motor necessário. No entanto, se você estiver ensinando a habilidade para alguém ainda no estágio inicial ou elementar de “rolar a bola”, será bem mais difícil e demorada a aprendizagem, porque os alunos ainda não trabalham naturalmente com a perna contrária ao braço que faz o lançamento da bola, à frente, por exemplo. 41 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Em teoria, de acordo com Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), as crianças alcançam o estágio maduro de habilidades básicas até os seis anos de idade, e dos sete aos dez anos devem iniciar o processo de experimentar combinações das aptidões, para que depois iniciem a aprendizagem de habilidades esportivas. No entanto, sabemos que são poucas as crianças que alcançam os resultados nessas idades, sobretudo hoje, pois elas estão muito restritas no que diz respeito às oportunidades de movimento. Outra questão que tem relação com o início da aprendizagem correta das técnicas é a maturação biológica. Sabemos que na puberdade acontecem o crescimento em estatura e o aumento de força muscular, ambos importantes para o voleibol. Entretanto, o fato é que essa maturação ocorre em idades cronológicas diferentes de indivíduo para indivíduo, e mais cedo nas meninas do que nos meninos. Mais um fator a ser ponderado é o relacionamento social. A modalidade é essencialmente coletiva, portanto, os alunos devem ser capazes de se relacionar, interagir e dividir responsabilidades. São competências que se desenvolvem a partir da adolescência. A criança, antes dessa fase, tem dificuldades de comunicar-se e trabalhar em grandes grupos. O tipo de raciocínio que o jogo exige também é uma característicaque estará presente a partir da adolescência. Um pensamento abstrato, um raciocínio hipotético-dedutivo, para entender o jogo, elaborar uma jogada e responder rapidamente. Por todas as questões levantadas, antes da puberdade, o processo de ensino do voleibol deve se ater apenas a aspectos lúdicos e a trabalhar as habilidades e as capacidades coordenativas, que, no futuro, serão utilizadas para uma aprendizagem mais especializada. A partir da puberdade, o aluno reunirá as principais condições para passar por um processo de aprendizagem das técnicas corretas. Teoricamente, ele já terá um repertório motor razoável, uma boa coordenação motora, a força suficiente e as habilidades sociais desenvolvidas. Saiba mais Recomendamos o artigo a seguir, que discute o que significa especializar o jogador de voleibol precocemente: BOJIKIAN, J. C. M. Vôlei versus vôlei. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 117-124, 2002. Disponível em: https://tinyurl.com/mt459bhu. Acesso em: 13 nov. 2024. Sabemos que as turmas de alunos serão sempre heterogêneas, complicando bastante o nosso trabalho. No entanto, se você tiver estudantes que estejam em um grupo de aprendizagem do voleibol e não tenham a coordenação motora necessária, invista no desenvolvimento das capacidades coordenativas, mesmo durante o processo de aprendizagem. O aquecimento de sua aula, ou de seu treino, é um bom momento para isso. Se você fizer um aquecimento com seus alunos correndo em 42 Unidade I volta da quadra, eles irão atingir os objetivos de um aquecimento, que são elevação da frequência cardíaca e preparação da musculatura e articulações para o trabalho que se seguirá. No entanto, em termos motores, não houve ganho, o trabalho foi muito “pobre”. Utilize esse tempo de aquecimento para estimular as capacidades coordenativas, pode ser em forma lúdica ou de exercícios. Saiba mais Você vai encontrar esse tipo de atividade no livro Escola da bola: KRÖGER, C.; ROTH, K. Escola da bola: um ABC para iniciantes nos jogos esportivos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005. Dessa forma, seu trabalho irá fluir bem melhor. É possível otimizar ainda mais o seu trabalho se você propuser, no aquecimento, movimentos parecidos com a técnica que irá ensinar na parte principal da aula. Por exemplo, se vou ensinar saque por baixo na parte principal de minha aula, no aquecimento posso fazer exercícios ou jogos que imitem o lançamento do boliche, com a perna contrária à frente em relação à mão que arremessa. Com esse procedimento, você utilizará algo que, na teoria da aprendizagem motora, chama-se “transferência de aprendizagem”, na qual o aluno utilizará movimentos que já realizou durante o estudo das novas técnicas com movimentos similares. Se você estiver trabalhando com um grupo de iniciação que pretende passar para uma categoria de competição, tenha em mente que será necessária, pelo menos, a preparação de um ano antes do começo em competições oficiais. Observação Um bom profissional sempre avalia o desenvolvimento de seus alunos, a fim de adequar os conteúdos aos diferentes estágios de desenvolvimento. 4.1 Toque por cima O toque de bola por cima não é fácil de ser aprendido. Procure motivar seus alunos o máximo que puder. Lembre-os de que o levantador é um jogador especialista no toque e um dos mais importantes da equipe, já que todas as bolas do jogo passam pelas suas mãos e é ele que decide quem vai atacar e como. O levantador deve ter sempre uma personalidade forte e, muitas vezes, é o capitão da equipe. A forma mais comum do toque por cima no voleibol é o toque de dedos. Os dedos devem estar posicionados em formato de cúpula, como se o praticante estivesse segurando uma bola imaginária. Esse movimento é muito utilizado para recepção, levantamento e em situações de ajuste de bola. A! técnica envolve o uso das pontas dos dedos para direcionar a bola, proporcionando controle e precisão e por esse motivo é o fundamento mais utilizado pelo levantador da equipe. Os braços devem 43 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE ser levemente flexionados para amortecer o impacto e, em seguida, estendidos em direção ao alvo, que deverá ser guiado pelos dedos. Os erros mais comuns são os mostrados a seguir. • Posição das mãos com polegares voltados para frente, cotovelos muito afastados, toque da bola abaixo da linha da testa e falta de sincronização entre o movimento de braços e pernas. • Toque muito baixo, à frente do rosto, sem entrar embaixo da bola. • Não se posicionar corretamente embaixo da bola antes de tocá-la. • Não entrar embaixo da bola. • Não flexionar os joelhos. Para aprendizagem do toque, é necessário desenvolver algumas habilidades motoras, como as explicadas a seguir. • Coordenação: deve haver a coordenação de braços, mãos e pernas, a fim de permitir que o toque seja realizado de forma precisa e bem direcionada. • Equilíbrio: ajuda o jogador a manter uma postura estável ao realizar o fundamento. • Força: deve haver força principalmente nos dedos, mãos, antebraços e braços; o que permite o toque mesmo em situações em que a bola chega de maneira inesperada. • Velocidade de tempo de reação: é necessária para responder rapidamente a uma bola que se aproxima, ajustando o corpo e as mãos em tempo hábil. • Noção de espaço e lateralidade: fundamental para compreender a trajetória da bola, calcular o ponto ideal e garantir que o toque direcione a bola ao local desejado. 4.2 Manchete Esse fundamento é muito utilizado para recepcionar saques, defender e levantar bolas baixas. É!realizado com antebraço e é uma das habilidades mais comuns e essenciais para o controle de bola, especialmente em recepções e defesas. As formas mais comuns de manchete são as explicadas a seguir. • Manchete com base baixa: usada quando a bola vem em trajetória mais previsível, com saques lentos. O jogador se posiciona com pernas flexionadas e com os braços estendidos à frente. 44 Unidade I • Manchete em movimento: adotada quando o jogador precisa se mover lateralmente, para frente ou para trás. Esse fundamento exige muita agilidade e alta velocidade de reação. Após o deslocamento, o jogador ajusta o corpo e faz o toque com os antebraços para manter a bola sempre em jogo. • Manchete alta: usada quando a bola precisa ser levantada para possibilitar um ataque, principalmente em situações em que o jogador não estiver na posição ideal para um levantamento com toque. • Manchete de controle: utilizada para a recepção e o amortecimento de bolas com alto impacto, como em saques ou ataques fortes. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • Não coordenar o movimento de membros inferiores e superiores. • Flexionar os cotovelos no momento da manchete. • Não flexionar os membros inferiores. • Não inclinar o tronco o suficiente para bater os antebraços por baixo da bola. • Não posicionar o corpo de forma correta antes de tocar na bola. As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir. • Agilidade: é importante para deslocamentos rápidos, permitindo que o jogador se ajuste à trajetória da bola e execute o fundamento de forma eficiente. • Equilíbrio: permite que o jogador mantenha a estabilidade necessária para ajustes rápidos na posição do corpo, especialmente ao receber saques e ataques com alta potência. • Velocidade de reação: essencial para o jogador reagir rapidamente às bolas rápidas, podendo ajustar os braços a tempo de interceptar e direcionar a bola de forma correta. • Força: ideal para desenvolver o fortalecimento dos músculos, principalmente de membros superiores e inferiores, pois ajuda a absorver o impacto e direcionar a bola. Além disso, músculos fortalecidos podem evitar lesões. • Noção de espaço: é fundamental para avaliar e ter boa percepção sobre a trajetória da bola, ajustando a postura e o movimento para garantir que o contato com a bola seja bem-sucedido. 45 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 4.3 Saque por baixo É uma das técnicasbásicas utilizadas no voleibol, principalmente em grupos de iniciação. Esse tipo de saque é caracterizado pelo movimento de golpe na bola a partir da parte inferior, usando a palma da mão ou o punho. As formas mais comuns de saque por baixo são as explicadas a seguir. • Saque por baixo convencional: é o de menor complexidade técnica, em que o jogador segura a bola na frente do corpo e golpeia a parte inferior da bola com a palma da mão. • Saque por baixo com toque de punho: em vez de usar a palma da mão, o jogador utiliza o!punho para impactar a bola. Ela é segurada à frente do corpo e, com o punho fechado, o jogador realiza o movimento de golpe, focando na parte inferior da bola. • Saque por baixo com movimento: é realizado enquanto o jogador se move, geralmente ao se deslocar lateralmente ou para frente. O jogador ajusta sua posição rapidamente, levanta a bola e, com um movimento fluido, realiza o saque por baixo, garantindo que o equilíbrio e a coordenação sejam mantidos durante o movimento. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • Não inclinar o tronco à frente, o que causa saques que vão só para cima e não ultrapassam a rede. • Girar o tronco no momento da batida na bola, fazendo com que ela desvie de sua trajetória. As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir. • Força: é necessária força, principalmente nos membros superiores. • Equilíbrio: é importante para manter uma postura estável durante a execução do movimento do saque, principalmente quando está se movendo para ajustar a posição. • Agilidade: deve-se posicionar de forma rápida antes de executar o saque. Isso auxilia no deslocamento e no ajuste da posição. • Percepção espacial: ajuda o jogador a avaliar e verificar a trajetória da bola e a distância até a rede, permitindo que ele posicione a bola de maneira eficiente na quadra adversária. 46 Unidade I 4.4 Saque por cima É uma técnica de alta complexidade no voleibol e geralmente é utilizada para enviar a bola de forma mais potente e com efeito, o que dificulta a recepção do adversário. É caracterizado por um movimento de arremesso da bola, no qual o jogador a golpeia com a parte superior da mão. As formas mais comuns de saque por cima são as explicadas a seguir. • Saque por cima convencional: esse é o saque por cima considerado mais básico, no qual o jogador arremessa a bola e a golpeia com a parte superior da mão. O jogador levanta a bola com uma mão e, enquanto a bola está no ar, golpeia-a com a outra mão, buscando uma trajetória reta e potente. • Saque com efeito: é caracterizado por um golpe que faz com que a bola flutue ou oscile no ar, dificultando a recepção do adversário. O jogador golpeia a bola com a parte superior da mão de maneira a gerar um efeito de flutuação. Isso faz com que a bola mude de direção e surpreenda a recepção. • Saque por cima com salto: o jogador salta e golpeia a bola no ponto mais alto, gerando maior potência e dificuldade para a defesa adversária. O jogador faz um salto vertical e, no auge do salto, golpeia a bola com a parte superior da mão. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • Lançamento incorreto da bola, bater na bola com o braço flexionado e não acertar a mão inteira na bola. • Não estender o braço no momento do saque. As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir. • Equilíbrio e noção espacial: são vitais para manter uma postura estável durante a execução do saque, especialmente ao arremessar a bola e ao executar o golpe. A noção espacial é importante para garantir que a bola seja lançada no local planejado. • Agilidade e velocidade de reação: são necessárias para o jogador se posicionar rapidamente antes de executar o saque. São essenciais para responder rapidamente a bolas recebidas e ajustar a técnica conforme necessário. O jogador deve estar preparado para reagir a diferentes situações de jogo. • Flexibilidade: contribui para a amplitude de movimento dos braços e para a execução do golpe. A flexibilidade nos ombros e punhos pode facilitar a realização de diferentes tipos de saques. 47 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 4.5 Cortada Os jogadores, em geral, são muito motivados para aprender a cortada. Como dito, certifique-se de que já consigam jogar com três toques e levantamentos. É uma habilidade complexa, que exige certo grau de coordenação motora e determinada vivência de movimentos, caso contrário, a aprendizagem se torna bem difícil. Enfatize para os aprendizes que é importante aprender a técnica correta e que eles não devem se preocupar de início com a potência de ataque. Executando a técnica, a potência virá naturalmente. Quanto às passadas do movimento da cortada, existem alguns tipos, no entanto indicamos iniciar com este a seguir, que é o mais executado por atacantes de velocidade, porque facilita ao estudante frear o movimento e não se lançar de encontro à rede, além de favorecer o domínio do saltar na distância correta da bola. As formas mais comuns de cortada são as explicadas a seguir. • Cortada de frente: considerada a de menor complexidade, é realizada com a abordagem direta em direção à rede. O jogador faz uma corrida para a frente, salta e golpeia a bola com a mão aberta, buscando um contato firme com a parte superior da bola para direcioná-la ao chão do lado adversário. • Cortada de lado: realizada com uma abordagem lateral, permitindo um ângulo de ataque diferente. O jogador se posiciona de lado em relação à rede e, ao saltar, ataca a bola com um movimento lateral, utilizando o pulso para direcionar a bola e, em muitas vezes, causa um efeito. • Cortada de costas: executada quando um jogador realiza o fundamento de costas. Após receber a bola, o jogador se posiciona de costas, faz a corrida e, ao saltar, gira o corpo rapidamente para golpear a bola. • Cortada em diagonal: o jogador ataca a bola com um ângulo diagonal, dificultando a defesa. Ao saltar, o jogador golpeia a bola em um ângulo, direcionando-a para um dos cantos do campo adversário, o que pode ser uma boa estratégia de jogo. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • não fazer a posição da chamada; • não coordenar o movimento dos braços; • não encaixar a mão na bola no momento do ataque; • não cair no mesmo lugar do salto. 48 Unidade I As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir. • Força: a força dos membros superiores é fundamental para gerar potência na cortada. Além disso, a força das pernas é necessária para um bom salto e uma abordagem explosiva. • Salto vertical: é importante treinar e desenvolver as habilidades corretas de saltar, pois essa é uma capacidade motora exigida em todos os tipos de cortada. • Coordenação: a coordenação de braços, pernas e salto é o que torna esse fundamento (a cortada) muito complexo. Por isso, é importante trabalhar previamente as habilidades anteriores. • Agilidade: desenvolver a capacidade de se mover rapidamente e mudar de direção é vital para se posicionar corretamente antes de realizar a cortada, especialmente em situações de jogo dinâmicas. • Equilíbrio: um bom equilíbrio é necessário para manter uma postura estável durante a abordagem e ao aterrissar após a cortada. Além disso, o equilíbrio evita quedas e contusões. • Percepção espacial: auxilia o jogador a avaliar a trajetória da bola e o posicionamento da defesa, o que permite um ataque mais eficaz. • Flexibilidade: a flexibilidade nos ombros, nos braços e nas pernas contribui para a maior amplitude de movimento, facilitando a execução de diferentes tipos de cortadas. 4.6 Bloqueio O bloqueio no voleibol é uma técnica que pode ser ofensiva ou defensiva. É realizado por jogadores na frente da rede e pode ser uma das principais estratégias para controlar o jogo e frustrar os ataques do time adversário. As formas mais comuns de bloqueio são as explicadas a seguir. • Bloqueio simples: apenas um jogador tenta bloquear o ataque do adversário. O bloqueador se posiciona próximo à redee salta com as mãos abertas na direção da bola. • Bloqueio duplo: dois jogadores se unem para se posicionar para um bloqueio. Ambos os bloqueadores se posicionam em sintonia, saltando simultaneamente para aumentar a cobertura na rede. • Bloqueio triplo: três jogadores se juntam para bloquear um ataque, normalmente contra um ataque muito ofensivo. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • saltar para frente projetando-se contra a rede; • mãos muito afastadas uma da outra; 49 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE • não firmar mãos e braços no momento do contato com a bola. As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir. • Força: a força dos membros superiores (braços, ombros e punhos) é essencial para elevar as mãos e suportar o impacto da bola e para um salto explosivo. • Coordenação: a coordenação de membros superiores e inferiores é fundamental para sincronizar o salto e o movimento das mãos durante o bloqueio. • Agilidade: a capacidade de se movimentar e mudar rapidamente de direção é importante para o jogador se posicionar corretamente e realizar o fundamento, sobretudo em situações rápidas de jogo. • Equilíbrio: é necessário para manter uma postura estável durante a abordagem e ao aterrissar após o salto. • Velocidade de reação: a capacidade de reagir rapidamente à ação do atacante é vital. Um bom tempo de reação permite que o bloqueador ajuste sua posição e sua técnica conforme necessário. • Percepção espacial: ajuda a avaliar a trajetória da bola e a posição do atacante. • Flexibilidade: a flexibilidade nos ombros, nos braços e nas pernas contribui para a maior amplitude de movimentos, o que facilita a execução de diferentes tipos de bloqueio, auxiliando na recuperação após o salto. 4.7 Defesa em pé É uma técnica utilizada para defender ataques adversários sem a necessidade de se lançar ao!chão. Essa técnica é importante, pois permite que o jogador se mantenha estável e pronto para o próximo movimento. As formas mais comuns de defesa de pé são as explicadas a seguir: • Defesa com antebraços: é a defesa básica em pé, na qual o jogador usa os antebraços para amortecer e direcionar a bola. O jogador mantém os braços estendidos para frente, com os antebraços unidos. Essa técnica é usada para defesas de ataques fortes, permitindo maior controle e precisão ao redirecionar a bola. • Defesa com as mãos: é uma técnica usada para interceptar bolas rápidas ou inesperadas, principalmente quando a bola está à frente do jogador. Ideal para bolas com menos velocidade, permitindo ao jogador redirecioná-la para cima ou para o outro lado da quadra. 50 Unidade I • Defesa com uma mão: técnica utilizada em emergências, quando o jogador não consegue se posicionar a tempo com ambos os braços. Os erros mais comuns são os elencados a seguir. • rolar sobre o ombro contrário; • flexionar o braço que rebate a bola. As capacidades motoras mais exigidas são as mostradas a seguir: • Agilidade: é essencial para execução desse fundamento (defesa de pé), pois permite ao jogador se mover rapidamente em qualquer direção para interceptar a bola. • Velocidade de reação: esse tipo de defesa exige que o jogador responda de maneira instantânea ao ataque, ajustando-se a determinada posição de acordo com a trajetória da bola. • Equilíbrio: é necessário para manter a postura e a estabilidade durante o movimento de defesa. 51 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Resumo O voleibol é uma das modalidades esportivas mais praticadas em nosso país e é uma das categorias coletivas que mais trouxe medalhas olímpicas. Daí a necessidade de o profissional de Educação Física conhecer mais a fundo as características da prática, assim como suas regras básicas, pois as oportunidades que o mercado de trabalho oferece são diversas. Portanto, o indivíduo que estiver preparado levará vantagem. É possível trabalhar com voleibol na escola, nas aulas de Educação Física ou em turmas de treinamento e competição, nos clubes, em escolinhas ou em equipes de treinamento e competição de todas as idades, em associações ou institutos que utilizem o esporte como meio de inclusão social ou até mesmo no preparo físico de atletas ou praticantes. Devido à popularidade, os alunos normalmente mostram interesse em aprender um pouco mais sobre a área e querem que o responsável aborde o assunto. Os aspectos físicos e motores serão desenvolvidos com a aprendizagem das técnicas e a aplicação no jogo. Como professor, você terá a oportunidade de desenvolver situações cognitivas, como raciocínio rápido, análise de circunstâncias e tomada de decisão, além de promover o conhecimento sobre as regras e a dinâmica do jogo. Fatores emocionais estarão envolvidos principalmente no que diz respeito à autoestima e à autoconfiança que o aluno adquire quando aprende um novo conteúdo, uma nova modalidade esportiva. O vôlei é extremamente dependente dos relacionamentos interpessoais, pois as ações de cada jogador são interdependentes: com isso, os aspectos psicossociais são também desenvolvidos. Trata-se de uma prática intermitente como outras, mas, diferentemente das demais modalidades coletivas com bola, pela falta de sua retenção. Há habilidades específicas (ou técnicas), que são movimentos construídos e complexos, e há a exigência de raciocínio rápido para decidir como receber a bola e para onde enviá-la, antes mesmo de sua chegada, o que dificulta bastante a ação dos jogadores. O esporte foi criado com o objetivo de ser uma opção ao basquetebol, que tinha o contato físico entre os indivíduos, o que nem sempre agradava aos praticantes. Ele chegou ao Brasil entre 1915 e 1916 e teve grande aceitação. Suas regras foram evoluindo (houve diversas mudanças de!regras), com o intuito de tornar o jogo mais emocionante para quem assiste e mais vantajoso para patrocinadores, por exemplo. 52 Unidade I Vimos nesta unidade que o Japão foi um grande inspirador do voleibol brasileiro, uma vez que, depois de muitas derrotas para as equipes da URSS, compostas por jogadores altos e fortes, resolveu estudar o esporte e, dessa forma, criou-se uma forma de jogá-lo. Por aqui, as coisas começaram a mudar a partir da década de 1970, quando a CBV iniciou um processo de capacitação dos técnicos, promovendo intercâmbios internacionais e cursos de especialização. Até hoje, os treinadores de equipes filiadas às federações estaduais precisam obrigatoriamente passar por tais cursos. Os técnicos brasileiros são muito respeitados pelo mundo afora, com vários deles ocupando posições importantes no cenário internacional. A partir de 1984, com a medalha de prata da equipe masculina nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, vieram tantos outros resultados importantes, que nos colocam entre os principais países do mundo de destaque no esporte. 53 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. Voleibol Figura 30 O vôlei, também chamado de volley ou voleibol, é um esporte de origem norte-americana do século!XIX. Tem popularidade significativa em grande parte do mundo e está presente em muitos torneios e eventos esportivos de âmbito internacional, como os Jogos Olímpicos e os Jogos Panamericanos. Pode ser praticado tanto em quadras abertas quanto em quadras fechadas, bem como é praticado quase que igualmente por homens e por mulheres. A quadra de vôlei é atravessada por uma rede, que a divide em dois campos. Cada campo só pode ser ocupado pela sua respectiva equipe. O objeto usado para a prática de vôlei é uma bola, e o objetivo principal do jogo consiste na marcação de pontos ao mandar a bola para o campo adversário e fazer com que ela toque o chão. A instituição responsável pela organização de eventos e da regulação das regras é a Fédération Internationale de Volleyball (FIVB). Adaptado de: https://shre.ink/gej4. Acesso em: 13 nov. 2024. Em relação à quadra de voleibol, avalie as afirmativas. I – A quadra do voleibol é retangular, simétrica e mede 18 m x 9 m. Elaé circundada pela chamada “zona livre” de, no mínimo, 3 m de largura em todos os lados. II – A superfície da quadra do voleibol deve ser plana e horizontal, podendo ser uniforme ou rugosa. III – Todas as linhas da quadra de voleibol devem ter 5 cm de largura e devem ser feitas em cor clara, diferente da cor do piso da quadra e da cor de quaisquer outras linhas. 54 Unidade I É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa D. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: a quadra do voleibol “é um retângulo medindo 18 metros x 9 metros, circundada por uma zona livre de, no mínimo, 3 metros de largura em todos os lados. O espaço livre de jogo é o espaço sobre a área de jogo desprovido de qualquer obstáculo. O espaço livre de jogo deve medir, no mínimo, 7 metros de altura a partir da superfície da quadra. Para as Competições Mundiais e Oficiais da FIVB, a zona livre deve medir 5 metros a partir das linhas laterais e 6,5 metros a partir das linhas de fundo. O!espaço livre de jogo deve medir, no mínimo, 12,5 metros de altura a partir da superfície da quadra” (CBV, 2021, p. 12). II – Afirmativa incorreta. Justificativa: a superfície da quadra do voleibol “deve ser plana, horizontal e uniforme. Não deve apresentar nenhum perigo de lesão aos jogadores. É proibido jogar sobre uma superfície rugosa ou escorregadia. Para as Competições Mundiais e Oficiais da FIVB, somente superfícies de madeira!ou sintéticas são permitidas. Qualquer superfície deverá ser previamente aprovada pela FIVB” (CBV,!2021, p. 12). III – Afirmativa correta. Justificativa: todas as linhas da quadra de voleibol devem ter 5 cm de largura e devem ser feitas em cor clara, diferente da cor do piso da quadra e de quaisquer outras linhas. Temos as linhas demarcatórias (duas linhas laterais e duas linhas de fundo delimitam a quadra e estão inseridas na dimensão da quadra), a linha central (cujo eixo divide a quadra de jogo em duas quadras iguais, medindo 9 m x 9 m cada uma) e as linhas de ataque (em cada quadra, há uma linha de ataque, cuja extremidade posterior é desenhada a 3 m de distância a partir do eixo da linha central, o que marca a zona de frente). 55 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Questão 2. Leia o texto a seguir. Os movimentos do vôlei • Saque: é o movimento que dá início à partida. Para fazê-lo, um jogador deve se posicionar atrás da linha de fundo de seu campo e deve fazê-la atravessar a rede. Caso os jogadores não consigam receber a bola e ela toque o chão, é marcado ponto, e a equipe que sacou no primeiro momento tem o direito de saque novamente. • Passe: é o movimento comum de recepção da bola. Pode ser feito em qualquer lugar do campo. Uma das principais formas de passe é a manchete. Nela, o jogador une as mãos e aplica uma pequena força quando a bola chega até ele. O objetivo principal desse fundamento é, além de evitar que a bola toque o chão, entregar a bola em boas condições para o levantador. • Levantamento: é normalmente o segundo contato que um time tem com a bola. Após ser recebida com um passe, um jogador a entrega para outro, sendo esse denominado, naquele momento, levantador. Com as pontas dos dedos, ele empurra a bola para cima. O objetivo principal desse fundamento é manter a bola em uma altura suficiente para que o atacante a mande para o campo adversário com chances de marcar um ponto. • Ataque: é o último contato do time com a bola antes de mandá-la para o campo adversário. Para fazê-lo, é recomendável que o jogador esteja o mais próximo possível da rede, dê um salto e projete seu corpo para frente, para que seu peso possa ser “transferido” para a bola. O objetivo desse fundamento é mandar a bola para o campo adversário em uma tentativa de que ela não consiga ser recebida pelo outro time e toque o chão. • Bloqueio: é uma possível forma de defesa, assim como o passe, após um ataque. Nele, um ou mais jogadores saltam ao mesmo tempo que o atacante do time adversário e tentam com as palmas das mãos rebater a bola para que ela volte ao campo adversário. Adaptado de: https://shre.ink/gej4. Acesso em: 13 nov. 2024. Em relação aos movimentos do voleibol, avalie as afirmativas. I – O saque é um dos principais movimentos do voleibol, é feito pelo jogador de trás à direita, posicionado na zona de saque, e consiste em colocar a bola em jogo. II – No voleibol, o bloqueio coletivo é realizado por dois ou três atletas posicionados na zona de ataque e apenas é efetivo quando todos os jogadores envolvidos tocam a bola. III – A manchete e o toque são movimentos equivalentes no voleibol e que somente podem ser realizados com as mãos unidas. 56 Unidade I É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e II, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa A. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o saque é um dos principais fundamentos do voleibol e, como vimos no livro-texto, é realizado pelo atleta da posição 1, atrás e à direita, posicionado na zona de saque. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: no voleibol, o bloqueio coletivo pode ser executado pelos jogadores das posições 2, 3 ou 4 e pode ser efetivo quando um deles toca na bola. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: no voleibol, a manchete e o toque não são movimentos equivalentes. No texto, é dito que, na manchete, “o jogador une as mãos e aplica uma pequena força quando a bola chega até ele”. Já o toque é um movimento em que a bola pode ser tocada com qualquer parte do corpo. O toque pode ser feito com as duas mãos simultaneamente, mas as mãos têm de estar separadas e o contato com a bola deve ser feito apenas com as pontas dos dedos. 57 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Unidade II 5 POSIÇÕES NO VOLEIBOL E SUAS CARACTERÍSTICAS No voleibol, o papel de cada jogador é estrategicamente pensado para maximizar o desempenho coletivo e para responder, de maneira eficaz, às exigências do jogo. As posições definem não apenas a função de cada jogador, mas também determinam habilidades específicas e técnicas que cada um deve dominar. Cada posição é, portanto, um pilar dentro da dinâmica do time, e o equilíbrio entre as posições é essencial para o sucesso. Neste tópico, vamos explorar em detalhes as características e as responsabilidades de cada posição no voleibol, compreendendo como esses papéis contribuem para o funcionamento ideal da equipe. 5.1 Levantador: o maestro do time O levantador é considerado o cérebro do time, sendo o responsável por planejar e coordenar as jogadas. Esse jogador precisa ter uma excelente visão de quadra e habilidades de liderança para tomar decisões rápidas e precisas. A função do levantador é distribuir a bola para os atacantes em condições ideais de ataque, considerando o posicionamento e a movimentação dos adversários para evitar bloqueios. Sua precisão é crucial, pois um levantamento bem executado coloca o atacante em vantagem. Além de visão estratégica, o levantador deve ter agilidade e resistência, pois, constantemente, se move pela quadra para ajustar a posição e para preparar o levantamento. Seu papel é tão essencial que, muitas vezes, ele tem uma comunicação direta com o técnico para definir o melhor esquema tático. O levantador é o jogador que mantém o ritmo do jogo e, em situações de pressão, é esperado que ele faça escolhas que desafiem a defesa adversária e mantenham a vantagem do time. 5.2 Ponteiro: o coringa do ataque e da recepção O ponteiro, ou atacante de entrada, é um dos jogadores mais versáteis do time. Ele se destaca por atuar em diversas fases do jogo, sendo responsável tanto pela recepção quanto pelo ataque. Geralmente, o ponteiro é um jogador com boa técnica de passe, pois frequentemente é envolvido na recepção do saque adversário. Seu papel é assegurar que o passe chegue em boas condições ao levantador, permitindo a continuidade dajogada. No ataque, o ponteiro é posicionado na entrada da rede, pelo lado esquerdo, de onde realiza ataques potentes e precisos. Ele é conhecido por sua habilidade em ataques cruzados e por sua força de salto. Além disso, o ponteiro é um defensor ativo, sendo frequentemente posicionado no fundo da quadra em rotação. Sua habilidade de transitar entre a defesa e o ataque torna-o uma peça essencial para o equilíbrio do time. 58 Unidade II 5.3 Oposto: o atacante principal O oposto é o jogador que ocupa a posição oposta ao levantador, localizando-se geralmente na saída de rede, pelo lado direito. Ele é o principal atacante do time e, por isso, uma das figuras mais exigidas no ataque. Como o oposto não costuma participar da recepção do saque, ele se dedica inteiramente ao ataque e ao bloqueio, precisando ser um jogador forte, explosivo e capaz de enfrentar bloqueios duplos ou até triplos. O oposto é o atleta a quem o levantador confia nas situações mais desafiadoras, especialmente quando o time precisa de um ponto crítico. Ele deve ter uma boa capacidade de leitura de bloqueios, além de versatilidade para realizar ataques potentes em diferentes ângulos. Sua habilidade no bloqueio também é relevante, pois ele atua com frequência contra os ataques adversários na saída de rede. 5.4 Central: o guardião do bloqueio O central é o jogador posicionado no meio da rede e é o principal responsável pelo bloqueio, uma função que exige excelente tempo de reação e alcance no salto. Sua função é impedir ou dificultar os ataques do time adversário, bloqueando os caminhos possíveis da bola. O central precisa ser um jogador ágil, com grande capacidade de antecipação para ler as jogadas do adversário e se posicionar no local exato para o bloqueio. Além do bloqueio, o central participa de ataques rápidos pelo meio, aproveitando situações em que a defesa adversária não espera. Esses ataques são conhecidos como “meia bola” e exigem coordenação precisa entre central e levantador. O central desempenha um papel essencial no sistema defensivo, uma vez que seu bloqueio pode neutralizar ou, no mínimo, reduzir o poder do ataque adversário. 5.5 Líbero: o especialista em defesa O líbero é um jogador especializado na defesa e no passe, uma posição criada para fortalecer a estrutura defensiva do time. Com um uniforme diferenciado, o líbero é o único jogador que pode substituir qualquer atleta da linha de defesa sem precisar seguir as regras tradicionais de substituição. Ele não participa do ataque ou do bloqueio e tem restrições em relação a executar um levantamento perto da rede. Sua principal responsabilidade é recepcionar o saque adversário e defender ataques, muitas vezes impedindo que bolas difíceis toquem o solo. Como defensor, o líbero é essencial para a qualidade do passe, dando condições ao levantador para organizar a jogada ofensiva. Suas habilidades incluem velocidade, agilidade, reflexos e a capacidade de antecipar o trajeto da bola, permitindo uma defesa eficaz contra ataques potentes. 59 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 5.6 Sistema de rotação e posicionamento No voleibol, o posicionamento dos jogadores em quadra segue uma rotação no sentido horário cada vez que o time ganha o direito de saque. Essa rotação assegura que todos os jogadores ocupem, em algum momento, todas as seis posições da quadra. Contudo, após o saque, os jogadores se movimentam rapidamente para ocupar as posições de especialidade, posicionando o levantador, os atacantes e os defensores de maneira estratégica para iniciar a jogada. O sistema de rotação é uma característica que diferencia o voleibol de outros esportes coletivos, pois exige que os atletas adaptem suas funções temporariamente, mesmo que, em poucos instantes, possam retornar às suas posições originais. Esse movimento rápido e coordenado é conhecido como transição e exige um alto nível de comunicação e sincronização entre os jogadores, garantindo que o time se posicione da maneira mais vantajosa para responder ao jogo adversário. 5.7 A importância da integração das posições Cada posição no voleibol representa uma habilidade e uma função essencial para o funcionamento tático do time. O sucesso no voleibol depende da capacidade dos jogadores de atuar como uma unidade coordenada, cada um contribuindo com suas habilidades específicas. A interação entre levantador, ponteiro, oposto, central e líbero é fundamental para que o time alcance o equilíbrio entre ataque, defesa e transição, permitindo que ele maximize suas chances de vitória. O voleibol é um esporte que requer mais do que habilidades individuais; exige sinergia, comunicação e um profundo entendimento das táticas de equipe. Um time que compreende e respeita as características de cada posição, trabalhando de forma unida, está mais preparado para enfrentar os desafios e obter um desempenho superior. 6 A TÁTICA NO VOLEIBOL A tática é a forma de organização da equipe que, baseada em suas características, busca o melhor desempenho. Trata-se do conjunto de “planos de ação e de alternativas de decisão, que permitem regular a atividade, tornando possível o êxito desportivo” (Martin; Carl; Lehnertz, 2001). Ela pode ser individual ou coletiva. Tática individual é a forma como o jogador aplica uma técnica no jogo, em função das informações disponíveis em cada momento e de sua capacidade em percebê-las e analisá-las, escolhendo a melhor resposta motora para a jogada. “Tática individual, dentro de um tempo disponível, é a análise, decisão e resposta de um jogador a uma situação de jogo, visando à obtenção do melhor resultado” (Cordeiro, 2008). Quanto mais experiente um atleta, mais situações ele vivenciou e, teoricamente, mais respostas possíveis ele pode apresentar. Por exemplo, uma bola é levantada para o atacante da posição 4. Se ele for um jogador iniciante, vai realizar o movimento da cortada sempre da mesma forma, podendo estar no tempo certo de ataque. Às vezes, saltará na distância certa da bola, mas, outras vezes, estará muito à frente ou muito atrás, ou mesmo mais à esquerda ou à direita. Se o atacante for experiente e se o 60 Unidade II movimento da cortada estiver totalmente automatizado, ele irá fazer os ajustes necessários em função do levantamento e, além disso, vai raciocinar ponderando o bloqueio e a defesa adversária, decidindo como irá atacar a bola: se vai aplicar toda a potência de ataque, se vai atacar a bola mais ao fundo da quadra, na paralela ou na diagonal, se vai realizar uma largada ou explorar o bloqueio. O ensino das técnicas, de acordo com o método Bojikian, vai permitir que o aluno evolua para esse domínio, pois a partir da progressão da fase de automatização aprenderá a aplicar as técnicas nas situações de jogo. No entanto, o domínio completo só virá com anos de prática. Observação Não é preciso ensinar primeiro todas as técnicas para depois prosseguir com a tática. Algumas formações táticas mais simples, como a recepção em W, poderão ser orientadas até mesmo durante a fase de aplicação do método Bojikian. A tática coletiva é aquela na qual cada membro da equipe tem uma função específica que complementa o todo. Trata-se do plano de ação da equipe como resposta ou decisão a uma situação de jogo a fim de alcançar o êxito. Em uma formação defensiva, por exemplo, pode haver dois jogadores bloqueando, um na cobertura esperando a bola largada e os outros três defendendo. Um atleta só não é capaz de cuidar da defesa da equipe, mas todos juntos, cada um na sua função, se complementam. Vamos estudar a seguir algumas formações táticas importantes para que a equipe consiga se posicionar em quadra de modo a se defender e a organizar melhor seus ataques. Para mostrar as diferentes formações táticas na quadra, utilizaremos sempre o número de cada posição, que é a ordem de saque, como podemos identificar na figura 31. 4 3 2 165 Figura 31 – Ordem de saque Em primeiro lugar, vamos verificar quais são os sistemas de jogo no voleibol.61 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 6.1 Os sistemas de jogo Os sistemas de jogo, conhecidos também como sistemas de ataque, são as representações de como a equipe está organizada em função do número de atacantes e de levantadores. 6.1.1 Sistema 6 x 6 ou 6 x 0 Não há especialização dos jogadores em termos de ataque ou levantamento. Esse sistema é o mais utilizado por equipes principiantes em qualquer idade, porque todos os indivíduos atacam e levantam. Todo atleta que no rodízio passar pela posição 3 será o levantador. É muito importante que na iniciação nós preparemos o aluno para jogar em todas as posições. A especialização deverá vir posteriormente. 4 L3 2 1 6 5 Figura 32 – Sistema de jogo 6 x 0 ou 6 x 6 Observação Pode-se jogar no sistema 6 x 0 com o levantador sendo o jogador que ocupa a posição 2, mas isso não é tão comum. Se você disputar algum campeonato com regras adaptadas, deve, antes de tudo, estudá-las para decidir qual é a melhor forma de montar a sua equipe. 6.1.2 Sistema 3 x 3: três atacantes e três levantadores Esse sistema foi muito utilizado no passado, quando se colocava em quadra um jogador mais alto, atacante e a seu lado um levantador, mais baixo, e assim formava-se a equipe. Ele já utilizava os especialistas em suas funções, porém era um sistema com desequilíbrio entre as redes, pois se em uma rede ficavam dois atacantes e um levantador, quando ocorria o rodízio, permaneciam dois levantadores (baixos) e um atacante na rede. 62 Unidade II At At At AtLv Lv AtAt At Lv Lv Lv Figura 33 – Passagens ímpares do rodízio no sistema 3 x 3 Figura 34 – Passagens pares do rodízio no sistema 3 x 3 Ainda que o sistema 3 x 3 esteja ultrapassado, é possível utilizar seu conceito na montagem de equipes iniciantes. Mesmo que se jogue no sistema 6 x 0, dificilmente haverá seis jogadores com estatura e habilidades idênticas. Assim, para manter o equilíbrio do time em todas as passagens do rodízio, intercale os mais altos e os mais baixos, ou os que atacam melhor e os que levantam melhor. Lembre-se sempre de deixar pelo menos um jogador na rede que possa bloquear em cada rodízio. 6.1.3 Sistema 4 x 2: quatro atacantes e dois levantadores Esse sistema permite um equilíbrio total da equipe em termos de ataque, porque em todos os rodízios vai haver dois atacantes e um levantador na rede, com igual configuração no fundo. Passamos a ter uma especialização a mais dos quatro atacantes, pois dois são atacantes centrais, jogam no meio da rede, e dois são de ponta. Os centrais são especialistas e jogam nas posições 3 e 6, os atacantes de ponta nas posições 4 e 5 e os levantadores nas posições 2 e 1. A figura 36 ilustra a montagem simples do sistema 4 x 2 para início da partida. Observação Desenhe a formação inicial do sistema 4 x 2 e, em seguida, a posição dos jogadores da equipe a cada rodízio. Você irá notar que toda vez que sair da rede um atacante central o outro entrará. O mesmo ocorrerá com os atacantes de ponta e com os levantadores. 63 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE L1 L2 Levantadores M1 M2 Atacantes de meio P1 P2 Atacantes de ponta Figura 35 – Composição do sistema 4 x 2 M1 M2P2 P1L1 L2 Figura 36 – Posicionamento inicial do sistema 4 x 2 simples Para que os jogadores possam atuar em suas posições de especialidade, no sistema 4 x 2 (meio, ponta e levantadores), precisa haver trocas. De acordo com a regra do jogo, quando uma das duas equipes vai sacar, todos os jogadores devem estar em suas posições, mas no momento do contato do sacador com a bola os atletas podem trocar de posição. Eles permanecem “trocados” enquanto a bola estiver em jogo (figura 37). Assim que ela cair e a jogada for encerrada, deverão voltar para suas posições e aguardar o saque para que possam efetuar uma nova troca. 64 Unidade II M1 M2P2 P1 L1 L2 Figura 37 – Posicionamento dos jogadores no sistema 4 x 2 depois da troca (com a bola em jogo) As trocas são realizadas pelos jogadores de rede entre si e pelos indivíduos do fundo entre si, porque se por acaso alguém do fundo for para uma posição da rede, pela regra, ele não poderá atacar nem bloquear. Portanto, não há sentido em fazê-lo. Em equipes mais experientes, o treinador pode optar por alterar o posicionamento dos jogadores no fundo e até mesmo usar o líbero, mas na frente a disposição relatada sempre se mantém, pois se trata de uma preparação para a introdução do sistema 5 x 1. M2 M1 P1 P2 L1 L2 Figura 38 – Preparação para as trocas no sistema 4 x 2, quando a equipe sacar Ensinar as trocas de posição não é uma tarefa fácil. Uma estratégia que auxilia a compreensão dos alunos nessa transição de sistemas é após o início com o sistema 6 x 0 tradicional, com o levantador na posição 3, começar a jogar o 6 x 0 com o levantador na posição 2, levantando para 3 e 4, sem trocas de posições. Para ensinar o sistema 4 x 2 e suas trocas de posição, sugerimos posicionar os alunos na quadra e distribuir coletes coloridos de acordo com a posição, por exemplo: vermelho para os atacantes centrais, amarelo para os atacantes de ponta e azul para os levantadores. Faça com que eles executem os rodízios até dar a volta completa e perceberem que em algumas passagens serão necessárias a troca e em outras não. 65 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE É mais fácil explicar primeiro a troca de posição quando sua equipe saca. Depois de entendido o procedimento, ensine a troca em todos os rodízios, inclusive quando sua equipe for receber o saque. Nessa situação, o recomendado é que primeiro sejam executados a recepção e o ataque para fazer a troca de posição apenas quando a bola for enviada ao adversário. No momento que sua equipe saca e realiza uma troca, os jogadores deverão estar o mais próximo possível uns dos outros, no centro da rede. O atacante central é o primeiro a se posicionar, porque a próxima ação no jogo de sua equipe será o bloqueio, que é a principal função dos atacantes centrais. Os demais estarão próximos a ele para facilitar a troca e ocupar o mais rápido possível sua posição. Quando a equipe receber o saque, seu posicionamento dependerá da formação para recepção de saque escolhida. Caso opte pela disposição de recepção de saque em W, ela ficaria como na figura 39. L1 M2 M1P2 P1L2 L1 M2 M1 P2 P1 L2 L1 M2 M1 P2 P1 L2 L1 M2 M1 P2P1 L2 L1 M2 M1 P2 P1 L2 L1 M2 M1 P2 L2 L2 Figura 39 – Formação para recepção de saque em W no sistema 4 x 2 66 Unidade II Ao ensinar a troca no momento que a equipe adversária estiver sacando, será necessário ter muito cuidado, pois os alunos não poderão estar correndo e trocando de lugar enquanto o saque do adversário estiver chegando. Mesmo porque estamos falando de equipes principiantes, portanto, não será possível organizar a formação para recepção de saques com dois ou três jogadores. O que se faz com principiantes é o posicionamento para recepção de saques em W. Somente o levantador, que não vai receber o saque, troca enquanto o saque adversário está viajando. Os outros irão receber o saque, atacar da posição em que estão e, quando a bola passar para o outro lado, aí sim efetuar a troca definitiva. 6.1.4 Sistema 5 x 1: cinco atacantes e um levantador O sistema 5 x 1 é mais ofensivo que o 4 x 2, pois trabalha com cinco atacantes: os mesmos quatro do sistema 4 x 2, mais o atacante oposto, que em geral é o principal atacante da equipe. O atacante oposto cruza com o levantador e joga habitualmente nas posições 1 e 2, sempre atacando. Ele é considerado o atacante crucial do time. L M1 Op P1 M2 P2 1 levantador 1 atacante oposto 2 atacantes de meio 2 atacantes de ponta Figura 40 – Distribuição dos jogadores por posição no sistema 5 x 1 M2 M1P1 P2 L Op Figura 41 – Montagem inicial do sistema 5 x 1 67 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE M2 M1 P1 P2 LOp Figura 42 – Posicionamento após a troca com o levantador no fundo M2 M1 P1 P2 L Op Figura 43 – Posicionamento após a troca com o levantadorna rede M2 M1 P1 P2 Op L Figura 44 – Troca de posição no momento do saque com o levantador no fundo M2 M1 P1 P2 Op L Figura 45 – Troca de posição no momento do saque com o levantador na rede 68 Unidade II Quando o oposto estiver na rede, ataca na posição 2 e o levantador infiltra (corre do fundo para a frente a fim de fazer o levantamento e depois volta para o fundo da quadra) para fazer o levantamento das posições 4, 3 ou 2. M2 M1 P1 P2 Op L Figura 46 – Sistema de ataque no 5 x 1 com o levantador infiltrando do fundo Quando o oposto estiver no fundo, na posição 1 e o levantador na posição 2, as opções de levantamento que ele tem são as posições 4, 3 e o ataque do oposto do fundo (atrás da linha dos 3 m) da posição 1. M2 M1 P1 P2 OpL Figura 47 – Sistema de ataque no 5 x 1 com o levantador na rede e o oposto atacando do fundo Temos no sistema 5 x 1 três passagens do rodízio com dois atacantes na rede mais o levantador e três outras com três atacantes na rede. Esse sistema é utilizado por quase todas as equipes de médio e alto níveis. Ele é mais ofensivo que o 4 x 2, mas por outro lado precisa de um levantador muito especializado, pois todas as bolas do jogo passarão por suas mãos. 6.1.5 Sistema 6 x 2: seis atacantes e dois levantadores Trata-se de uma variação do sistema 4 x 2. Nesse sistema, há dois jogadores excepcionais que fazem as duas funções: de ataque e de levantamento. Como no 4 x 2, sempre haverá um levantador na rede e outro no fundo; no entanto, no 6 x 2, o levantador da rede torna-se atacante oposto e o do fundo fica responsável pelos levantamentos. Isso se mantém até que o levantador que estava no fundo entra na rede em um rodízio, então ele passa a ser atacante e o seu colega, que está na posição 1, será o levantador enquanto estiver no fundo da quadra. Sempre haverá a infiltração do levantador do fundo para executar os levantamentos. 69 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE M1 M2 P1 P2 Levantadores e atacantes (quem estiver na rede ataca e quem estiver no fundo levanta) Atacantes de meio Atacantes de ponta L/A1 L/A2 Figura 48 – Funções dos componentes do sistema 6 x 2 M2 M1 P1 P2 L/A1 L/A2 Figura 49 – Sistema de ataque no sistema 6 x 2 Em razão dessas características, esse é o sistema mais ofensivo de todos, pois terá nas passagens do rodízio três atacantes na rede. A equipe feminina de Cuba utilizou-o durante muitos anos. Saiba mais Para entender melhor os sistemas de jogo e suas táticas, consulte o seguinte livro: BAIANO, A. Voleibol: sistemas e táticas. Rio de Janeiro: Sprint, 2005. 6.1.6 Qual é o sistema de jogo mais indicado para equipes principiantes? A especialização precoce é bastante estudada e discutida: sabe-se que é negativa para quem se especializa antes do momento ideal, tanto escolhendo uma única modalidade em idade precoce quanto se especializando em determinada função de dada modalidade (Bojikian, 2002). Quando um jogador inicia o treinamento em voleibol, é fundamental que conheça e aprenda todas as funções do jogo. Ele deve saber levantar e atacar, assim como defender e receber o saque em todas as posições. O sistema de jogo que permite ao atleta aprender a jogar em todas as posições e funções é o 6 x 0, uma vez que não há especialização em atacantes ou levantadores. 70 Unidade II Quando o jovem inicia na prática do esporte, não se pode afirmar se ele será um levantador ou um atacante. Grandes levantadoras, que foram consideradas melhores do mundo, como Fofão e Fernanda Venturini, começaram suas carreiras como atacantes. Lembrete Jogar no sistema 6 x 0 permite que o iniciante aprenda tanto a levantar quanto a atacar. É um contrassenso em termos de formação de atletas determinar que o indivíduo seja, desde o início, especializado como atacante central, por exemplo. Em alguns casos, a situação se agrava ainda mais quando esse jovem é treinado apenas para bloquear e às vezes atacar, pois quando vai para o fundo da quadra é substituído pelo líbero. Ele nunca aprenderá a receber um saque, e se mais tarde tiver que jogar na posição de ponteiro passador, não terá a competência necessária. Tal situação normalmente ocorre quando a pessoa é a mais alta do seu grupo no início. No entanto, por questões genéticas ou de desenvolvimento, não se pode assegurar que seja o mais alto sempre, e se não tiver uma estatura elevada, dificilmente conseguirá continuar atuando no centro da rede (Bojikian, 2013). Saiba mais Muitos trabalhos de pesquisa têm sido realizados e comprovam que a iniciação precoce não é o melhor caminho para o sucesso esportivo. Observe um deles no link indicado: BOJIKIAN, J. C. M. et al. Talento esportivo no voleibol feminino do Brasil: maturação e iniciação esportiva. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 6, n. 3, p. 179-187, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/ypx4nce4. Acesso em: 13 nov. 2024. 7 FORMAÇÕES TÁTICAS Em cada um dos sistemas de jogo vistos anteriormente, é preciso organizar a equipe em quadra e prepará-la para todas as ações da partida. Para tanto, temos as formações táticas. Elas devem ser escolhidas de acordo com as possibilidades de cada time. O voleibol tem um conjunto muito extenso de formações táticas. Iremos abordar a seguir algumas delas, as mais básicas, que podem ser implementadas em equipes de níveis principiante e intermediário. 71 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 7.1 Formações ofensivas As formações ofensivas determinam as possibilidades de ataque. Elas são organizadas a partir da disposição para recepção de saque da equipe ou durante o rali, com a bola em jogo. Os tipos de formações ofensivas são determinados em função do número de atacantes: • com dois atacantes na rede; • com três atacantes na rede; • com dois atacantes na rede mais ataque do fundo; • com três atacantes na rede mais ataque do fundo. No sistema 6 x 0, a formação ofensiva é a mais simples existente: o levantador joga na posição 3 e o ataque acontece com dois atacantes na rede, nas posições 4 e 2. Não é recomendado jogar com ataques do fundo com equipes principiantes, pois a sua mecânica de execução é um pouco diferente e pode interferir na automatização do ataque de rede. 4 L3 2 1 6 5 Figura 50 – Formação ofensiva no sistema 6 x 0 Nos sistemas 5 x 1 e 6 x 2, são quase infinitas as possibilidades de ataque e muitas delas podem ser aplicadas também no esquema 4 x 2. O atacante central (posição 3) normalmente é o responsável pelo ataque de velocidade, ele corre e sobe para o ataque antes mesmo de a bola chegar à mão do levantador, cujo ponto de levantamento fica entre as posições 2 e 3. Você pode ver, na figura 51, algumas possibilidades de ataque apenas com os jogadores da rede. Existem também as combinações com os atletas do fundo. 72 Unidade II P L C Op Figura 51 – Combinações de ataque A bola principal desse atacante é a bola de tempo, em que o levantador toca baixa, acima de sua cabeça, com altura suficiente para o ataque com o braço estendido. O objetivo dessa jogada é atacar antes que o bloqueio adversário salte, ou segurá-lo, fazendo com que ele salte em frente ao atacante para que o levantador possa enviar a bola para outros atacantes da equipe fazendo com que eles ataquem sem o bloqueio do jogador (bloqueador central), que subiu no meio da rede. Além da bola de tempo, existem diversas outras jogadas de velocidade que o atacante central executa em combinação com os outros atacantes, são as combinações de ataque. Por exemplo, o atacante central salta para o ataque de uma bola “chutada” no meio, ou “metro”, que é baixa, porém mais distante do levantador que a bola de tempo. Nesse instante, um jogador do fundo salta para atacar uma bola de fundo, saltando da posição 6 para a 3. O bloqueio adversário fica confuso, pois não sabe se saltará no primeiro ou no segundo atacante. 7.2 Formações para recepção de saque Formação para a recepção de saque é a distribuição dos jogadores em quadra parareceber o saque adversário. Esse esquema tem dois objetivos: • impedir que o saque adversário caia diretamente na quadra, transformando-se em ponto; • obter uma boa recepção (passe), a fim de organizar um bom ataque. Há diversos tipos de formações para recepção de saque, com dois, três, quatro ou cinco jogadores. Pensando em termos do tamanho da quadra, se você coloca um jogador profissional, alto e experiente, ou um líbero, para receber o saque, é óbvio que ele consegue proteger uma área razoável em torno de si. Ele se responsabiliza tanto por sua área quanto por suas laterais, na frente e atrás. Já um atleta iniciante não tem o mesmo domínio técnico de manchete ou de deslocamentos. Provavelmente, é menor em estatura e de menor envergadura e consegue proteger uma área de 1 m a 1,5 m ao seu redor. Isso leva à condição de que equipes principiantes precisam de mais jogadores para proteger a mesma área 73 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE que um atleta experiente. Portanto, se eu conto com atletas mais experientes e altos, posso escolher implantar uma formação para recepção com dois ou três indivíduos, mas se a equipe for iniciante, serão necessários cinco jogadores. Toda formação tática utiliza técnicas. Na recepção de saque, os fundamentos mais utilizados são manchete, posição de expectativa e deslocamentos. A posição de expectativa bem executada envolve, em grande parte, um bom passe. A manchete de frente é a básica, mas também se emprega a manchete lateral. Os deslocamentos são muito importantes, pois se o jogador consegue se movimentar acompanhando a trajetória do saque adversário e se posiciona, equilibrado e de frente para o levantador, o sucesso do passe será mais provável. 7.2.1 Formação para recepção de saque com cinco jogadores ou formação em W Pensando no nível de domínio das técnicas que o jogador principiante tem, a melhor solução é colocar o máximo de jogadores possível para recepcionar o saque. Portanto, o ideal é a recepção com cinco jogadores, também conhecida como formação para recepção em W. 4 3 2 1 6 5 Figura 52 – Formação para recepção de saques em W ou com cinco jogadores Jogadores principiantes ainda estão aprendendo a dominar a manchete. Logo, uma formação para recepção de saques com mais jogadores em quadra, como em W, é mais indicada. Em qual região da quadra devemos posicionar nossos jogadores para efetuar a recepção? Se considerarmos que um atleta principiante protege cerca de 1 m a 1,5 m em torno de si, já sabemos que não devemos posicioná-lo para recepção em cima das linhas laterais, nem na linha de fundo da quadra. Qual é a distância que um jogador deve ficar da rede no momento da recepção? As bolas sacadas dificilmente cairão na zona de ataque ou mesmo no primeiro metro da zona de defesa. Os saques que caírem nessa área serão bolas altas (para poderem ultrapassar a rede) o suficiente para dar tempo aos atletas que estão nas posições da frente do W deslocarem-se para efetuar o passe. O local na quadra onde devemos distribuir os jogadores para recepcionar o saque chama-se zona de maior incidência de saques (figura 53). Ela tem 28 m2 e está 1 m à frente da linha de fundo, 1 m atrás da linha dos 3 m e 1 m para dentro das linhas laterais. 74 Unidade II Figura 53 – Zona de maior incidência de saques O momento da recepção é delicado para alguém iniciante, porque a técnica deve ser muito bem executada para que a bola chegue bem para o levantador poder trabalhá-la. O jogador sabe que se o seu passe não for bem executado, o adversário poderá fazer um ponto direto ou o seu levantador poderá não conseguir realizar um bom levantamento, o que consequentemente compromete o ataque. A técnica de recepção tem de ser muito precisa, pois qualquer irregularidade na posição dos braços ou de apoio pode fazer a bola resvalar para longe. É preciso que o professor trabalhe bastante com seus alunos, além das técnicas, a coragem e a autoconfiança. O estudante deve encarar o erro como parte do aprendizado e ser incentivado a se empenhar ao máximo para aprimorar a capacidade de recepcionar o saque. Por causa das dificuldades, costumam acontecer situações no jogo em que o aluno “foge” da bola em vez de se deslocar em direção a ela. Portanto, é muito importante determinar qual é a área de responsabilidade de cada jogador na quadra. Conforme a figura 54, na recepção em W ou com cinco jogadores, os atletas das posições 4, 6 e 2 serão responsáveis pelas bolas sacadas em cima deles e à sua frente. Os atletas das posições 5 e 1 dividirão a obrigação pelas bolas caídas no fundo da quadra. Todos os jogadores deverão estar na posição de expectativa quando o saque for executado. Os jogadores das posições 4, 6 e 2 deverão deixar para os do fundo as bolas que passarem sobre suas cabeças. Os dois atletas do fundo, por sua vez, deverão estar em posição de expectativa e deixar passar as bolas acima de suas cabeças, pois irão cair fora da quadra. C4 6 C2 5 1 L3 Figura 54 – Áreas de responsabilidade de cada jogador na formação em W 75 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Na iniciação, deve-se evitar que o aluno receba o saque de toque: primeiro porque ele não terá a força necessária para um bom passe e, depois, deve-se insistir bastante para que ele se movimente e se posicione adequadamente para executar a manchete. Outro ponto importante na recepção é tentar torná-la uma ação coletiva, fazendo com que os jogadores colaborem uns com os outros, o que tira um pouco o peso da responsabilidade de um só jogador e facilita a ação como um todo. Para isso, podemos utilizar a movimentação de proteção no W. Ela funciona sempre que o saque estiver se direcionando para próximo do jogador da posição 6. Além dele, os atletas das posições 5 e 1 se aproximam em posição de expectativa, preparados para recepcionar a bola, caso ela ultrapasse a cabeça do jogador da posição 6. É primordial também a comunicação entre todos, para que o indivíduo que estiver mais bem posicionado para o passe deva “pedir” a bola, avisando aos colegas que assumirá a responsabilidade do passe. Portanto, ele pode falar: “minha”, “deixa”, por exemplo. Se o jogador pressente que não é o mais bem posicionado, deve comunicar aos demais que não vai realizar o passe, gritando “vai”, ou “é sua”, ou chamando o colega pelo nome. L3 2 1 6 5 4 Figura 55 – Movimentação de proteção na recepção em W (posição 6) Se o saque estiver viajando na direção do jogador da posição 2, o atleta da posição 1 é quem se aproxima fazendo a cobertura e se comunicando com o colega (figura 56). Se a bola estiver na direção do jogador da posição 4, é o indivíduo da posição 5 que fará a cobertura (figura 57). 76 Unidade II L3 2 1 6 5 4 Figura 56 – Movimentação de proteção na recepção em W (posição 2) L3 2 1 6 5 4 Figura 57 – Movimentação de proteção na recepção em W (posição 4) 77 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Figura 58 – Proteção na recepção Disponível em: https://shre.ink/geZi. Acesso em: 13 nov. 2024. A comunicação entre os jogadores auxilia bastante a equipe na hora do passe. Se o saque estiver se aproximando do jogador da posição 5, por exemplo, e a bola vier alta, o atleta se afasta para fazer o passe, mas, em determinado momento, ele já não terá certeza de que a bola cairá dentro. Cabe ao jogador da posição 1 orientá-lo e vice-versa. Lembrete Jogadores principiantes estão aprendendo a dominar a manchete. Logo, uma formação para recepção de saques com mais jogadores em quadra, como a em W, é mais indicada. 7.2.2 Formação para recepção de saque com quatro jogadores À medida que os jogadores evoluem técnica e taticamente, é possível montar a equipe com outras formações para recepção, como aquela com quatro atletas. Enquanto na formação em W temos o mesmo posicionamento em todos os rodízios, na tática com quatro, dependendo de seu sistema de jogo, teremos uma formação diferente em cada rodízio. Na figura 59 é possível observar uma disposição para recepção comquatro jogadores, com uma infiltração do levantador, que está na posição 6. Nesse caso, nem o 3 nem o 6 farão o passe. 78 Unidade II 4 3 2 1 6 5 Figura 59 – Formação para recepção de saques com quatro jogadores 7.2.3 Formação para recepção de saque com três jogadores Na recepção com três jogadores, eles dividem a responsabilidade por todo o espaço da quadra. Os demais ficam livres do passe e podem se preparar para o levantamento e o ataque. O jogador oposto, por exemplo, não participa do passe e, quando está no fundo da quadra, pode se deslocar para o ataque enquanto os colegas estão recebendo o saque. 165 Figura 60 – Formação para recepção de saques com três jogadores 7.2.4 Formação para recepção de saque com dois jogadores É pouco utilizada, pois apenas dois atletas devem proteger a quadra toda. Só pode aplicar tal tática a equipe que tiver dois ótimos passadores. Os saques de muita potência tornam arriscado esse posicionamento para a recepção, pois os indivíduos não terão tempo de se deslocar até a bola. 79 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 65 Figura 61 – Formação para recepção de saques com dois jogadores Uma equipe pode jogar com várias formações de recepção diferentes. O treinador deverá avaliar sua equipe a cada rodízio e estudar quais os melhores esquemas em cada momento. 7.3 Formações para a proteção ao ataque É a organização dos jogadores em quadra para recuperar as bolas bloqueadas pelo adversário. Trata-se de uma tática importante porque o bloqueio adversário pode se converter em ponto e, caso isso aconteça, abalará a confiança do atacante e de sua equipe. No entanto, a formação para a proteção ao ataque permitirá à equipe realizar um novo ataque em caso de bloqueio. As técnicas mais utilizadas no emprego dessa formação tática são a posição de expectativa e a manchete. Podem também ser aplicados rolamentos, mergulhos e recuperação de bolas com uma das mãos apenas, dada a velocidade com que a bola é remetida à quadra do atacante quando ele é bloqueado. Os jogadores (2 ou 3) deverão estar em posição de expectativa bem baixa ao redor do atacante no momento do ataque. Quanto mais alto o bloqueio adversário e mais próximo à rede for o levantamento, mais perto do atacante e mais abaixados devem estar os jogadores da proteção. A tendência é que a bola volte do bloqueio com mais potência e velocidade, direto para o solo. O ideal é que os atletas estejam preparados, em posição de expectativa, e assim que for definido o levantamento, se desloquem, chegando às suas posições de proteção antes mesmo de o atacante tocar na bola, pois a ação de recuperação normalmente é muito rápida. Uma equipe que realiza corretamente a formação para proteção ao ataque proporciona mais tranquilidade e confiança ao seu atacante, pois ele sabe que se cometer um erro e for bloqueado, seus colegas estarão prontos para recuperar a bola. Alguns jogadores muito experientes, e com grande domínio das técnicas de ataque, usam essa condição de propósito, ou seja, quando o levantamento não está adequado e está muito complicado fazer a bola passar pelo bloqueio adversário, atacam-na no bloqueio propositalmente para que os colegas da proteção recuperem a bola e façam um novo passe a fim de organizar um novo ataque. 80 Unidade II Outra vantagem de uma equipe que realiza boas proteções ao ataque é o aumento do volume de jogo, que é a capacidade de manter a bola “viva”. A equipe que consegue recuperar bolas bloqueadas e se defender bem dos ataques afeta a confiança da equipe adversária e aumenta a sua. Existem dois tipos de esquemas para a proteção ao ataque: a formação 3 x 2, com os três jogadores mais próximos ao atacante (figuras 62 a 64), e a 2 x 3, com os dois indivíduos mais próximos ao atacante (figuras 65 a 67). 6 6 1 1 5 5 C4 C4 C2 C2L3 L3 Figura 62 – Formação para a proteção ao ataque com os três jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 2 6 6 1 15 5C4 C4 C2 C2 L3 L3 Figura 63 – Formação para a proteção ao ataque com os três jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 4 4 3 2 1 6 5 Figura 64 – Formação para a proteção ao ataque com os três jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 3 81 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 4 3 2 1 6 5 Figura 65 – Formação para a proteção ao ataque com os dois jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 2 4 3 2 16 5 Figura 66 – Formação para a proteção ao ataque com os dois jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 4 4 3 2 1 6 5 Figura 67 – Formação para a proteção ao ataque com os dois jogadores mais próximos, com o ataque do jogador da posição 3 82 Unidade II Figura 68 – Bloqueio duplo com cobertura e ataque com proteção ao ataque Disponível em: https://tinyurl.com/5cvf65cf. Acesso em: 13 nov. 2024. A formação para a proteção ao ataque com os três jogadores mais próximos será facilmente executada se a equipe utilizar a recepção em W, porque o atleta da posição 6 joga mais avançado. É claro que tudo depende também da formação defensiva escolhida, mas todas as táticas têm relação entre si. 7.4 Formações defensivas Formações defensivas são o que a equipe utiliza para se defender de um ataque do adversário. Seus objetivos são: não permitir que o ataque do adversário se transforme em ponto e defender bem o ataque do adversário de modo a dar à equipe um contra-ataque. Nas formações defensivas há uma constante relação entre bloqueio e defesa, que se complementam para o alcance dos objetivos e utilizam as técnicas de posição de expectativa, manchete, bloqueio e eventualmente rolamentos e mergulhos. As equipes que tiverem condições de bloquear sempre devem fazê-lo, pois para o atacante adversário fica muito mais fácil atacar sem bloqueio do que com ele, ainda que não seja tão ofensivo. Só não é recomendado bloquear ataques muito fora da rede ou os direcionados para cima. Os tipos de formações defensivas são classificados como mostrado a seguir. • Conforme o número de bloqueadores: pode ser simples ou individual (uma pessoa bloqueando), com bloqueio duplo ou triplo. A formação defensiva com bloqueio triplo deve ser utilizada somente por equipes experientes, pois restam apenas três jogadores para defender toda a quadra. 83 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE • Conforme o tipo de bloqueio: pode ser por posicionamento, quando a equipe tem um bom bloqueio, alto e ofensivo, e forma o cone ou sombra dele. O cone (ou a sombra) do bloqueio é o espaço protegido pelo bloqueio de modo a não permitir que a bola atacada possa cair nesse espaço. Se o bloqueio não chega a ser tão eficiente assim, a formação defensiva pode ser de outro tipo, por jogo de campo. O cone pode ser formado no centro da quadra, como na figura 69, ou nas extremidades (posições 4 e 2). Quanto mais eficiente o bloqueio, maior o espaço do cone. Figura 69 – Cone ou sombra do bloqueio Quando é formado o cone, os defensores têm um espaço menor a ser defendido, já que o bloqueio é responsável pelas bolas direcionadas na área dele. Se o bloqueio não é tão eficiente, a área a ser defendida fica maior e isso exige dos defensores maiores deslocamentos e uma defesa melhor. • Conforme a posição inicial defensiva: pode ser classificada como formação defensiva com o centro avançado ou formação defensiva com o centro recuado. Em equipes de nível iniciante ou intermediário, é necessário deixar um jogador atrás do bloqueio, em posição de cobertura, para recuperar bolas largadas ou colocadas pelo adversário. Em times de alto nível, os atletas podem ficar no fundo da quadra esperando para defender o ataque. Mesmo assim, eles conseguem se deslocar para frente e recuperar uma bola largada antes que ela caia, porque são pessoas que têm maior velocidade e mais experiência, já que conseguem fazer uma leitura do movimento do atacante e prever se ele largará a bola em vez de atacar, antecipando o seu deslocamento. Nas formações com40 4.1 Toque por cima ...................................................................................................................................... 42 4.2 Manchete ................................................................................................................................................. 43 4.3 Saque por baixo .................................................................................................................................... 45 4.4 Saque por cima ..................................................................................................................................... 46 4.5 Cortada ..................................................................................................................................................... 47 4.6 Bloqueio ................................................................................................................................................... 48 4.7 Defesa em pé .......................................................................................................................................... 49 Unidade II 5 POSIÇÕES NO VOLEIBOL E SUAS CARACTERÍSTICAS ........................................................................ 57 5.1 Levantador: o maestro do time ...................................................................................................... 57 5.2 Ponteiro: o coringa do ataque e da recepção ........................................................................... 57 5.3 Oposto: o atacante principal ........................................................................................................... 58 5.4 Central: o guardião do bloqueio .................................................................................................... 58 5.5 Líbero: o especialista em defesa ..................................................................................................... 58 5.6 Sistema de rotação e posicionamento ........................................................................................ 59 5.7 A importância da integração das posições ................................................................................ 59 6 A TÁTICA NO VOLEIBOL ................................................................................................................................. 59 6.1 Os sistemas de jogo ............................................................................................................................. 61 6.1.1 Sistema 6 x 6 ou 6 x 0 .......................................................................................................................... 61 6.1.2 Sistema 3 x 3: três atacantes e três levantadores ..................................................................... 61 6.1.3 Sistema 4 x 2: quatro atacantes e dois levantadores .............................................................. 62 6.1.4 Sistema 5 x 1: cinco atacantes e um levantador ....................................................................... 66 6.1.5 Sistema 6 x 2: seis atacantes e dois levantadores..................................................................... 68 6.1.6 Qual é o sistema de jogo mais indicado para equipes principiantes?............................... 69 7 FORMAÇÕES TÁTICAS .................................................................................................................................... 70 7.1 Formações ofensivas ........................................................................................................................... 71 7.2 Formações para recepção de saque .............................................................................................. 72 7.2.1 Formação para recepção de saque com cinco jogadores ou formação em W .............. 73 7.2.2 Formação para recepção de saque com quatro jogadores .................................................... 77 7.2.3 Formação para recepção de saque com três jogadores .......................................................... 78 7.2.4 Formação para recepção de saque com dois jogadores ......................................................... 78 7.3 Formações para a proteção ao ataque ........................................................................................ 79 7.4 Formações defensivas ......................................................................................................................... 82 7.5 Método de ensino das formações táticas .................................................................................. 89 7.6 A atuação do professor/técnico em competições ................................................................... 90 8 FORMAÇÕES TÁTICAS .................................................................................................................................... 93 8.1 Princípios básicos para a montagem de equipes de voleibol ............................................. 93 8.1.1 Equipes de nível iniciante .................................................................................................................... 93 8.1.2 Equipes de nível amador ...................................................................................................................... 94 8.1.3 Equipes de nível profissional .............................................................................................................. 94 8.2 Direção de uma equipe durante uma partida: atuação do técnico ................................ 94 8.2.1 Planejamento pré-jogo ........................................................................................................................ 94 8.2.2 Durante o jogo: a comunicação e os ajustes táticos ............................................................... 95 8.2.3 Substituições e tempo técnico .......................................................................................................... 95 7 APRESENTAÇÃO Olá, estudante! Este livro-texto trata do estudo das habilidades motoras específicas do voleibol, dos parâmetros importantes para a montagem e a direção de equipes iniciantes e dos processos metodológicos para seu ensino e sua aplicação. Os temas abordados podem ser utilizados pelos futuros professores como instrumento da Educação Física, para a promoção da saúde e da qualidade de vida e para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos e seus deveres. O objetivo geral da disciplina é capacitar o profissional de Educação Física formado pela UNIP a conhecer e utilizar o voleibol como um instrumento, a fim de que possa ensinar a modalidade explorando todas as suas possibilidades educacionais. Os objetivos específicos são os seguintes: • abordar a utilização do voleibol como instrumento educacional; • mostrar os aspectos mais relevantes da história do voleibol e como o Brasil se tornou uma potência mundial no esporte; • explicar as regras básicas do jogo e como atualizar-se, sempre que necessário; • reconhecer as características do voleibol, sua dinâmica e as habilidades motoras (fundamentos) que o compõem (em suas formas mais simples de aplicação); • explorar os princípios metodológicos básicos para a aprendizagem das habilidades motoras específicas do voleibol; • observar a importância do planejamento a curto, médio e longo prazo para a aprendizagem do esporte; • discorrer sobre como planejar e ministrar aulas de aprendizagem das habilidades do voleibol; • identificar a adequação dos conteúdos relativos à aprendizagem do voleibol aos diferentes estágios do crescimento e do desenvolvimento da criança e do adolescente, bem como para outros grupos, como veteranos, pessoas idosas etc.; de modo que eles possam ser aplicados em situações de jogo!simplificado; • conhecer os diferentes tópicos táticos para a montagem de equipes de estruturação simplificada; • preparar e lecionar uma aula que tenha por objetivo a apresentação de uma estrutura tática e simplificada para uma equipe; • ter noções de arbitragemo centro avançado é o jogador do centro (posição 6) quem vai recuperar as bolas largadas. Já no centro recuado, a recuperação de bolas largadas fica por conta dos atletas das posições 5 e 1. Nas formações defensivas com bloqueio simples não se utiliza o centro avançado, pois como só um jogador sobe no bloqueio, temos na rede outros dois indivíduos que podem fazer a cobertura da bola largada, portanto, não há sentido em deslocar alguém do fundo para tal fim. 84 Unidade II Formação defensiva com bloqueio simples, centro recuado e por jogo de campo 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 6 5 Figura 70 – Posição inicial com o centro (6) recuado Figura 71 – Posição inicial com o centro (6) avançado Na posição inicial com o centro recuado, a colocação dos jogadores do fundo depende muito das características da equipe e do tipo de ataque do adversário. Em equipes de maior nível, é comum o ataque de primeira bola, a bola de tempo, ser muito rápido e direcionado para o chão e na altura da linha dos 3 m. Nesse caso, os atletas das posições 5 e 1 devem ficar mais adiantados, bem próximos da linha dos 3 m. Vamos visualizar como ficam as formações defensivas de acordo com os três tipos de classificação. 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 6 5 Figura 72 – Posição inicial com o centro (6) recuado Figura 73 – Ataque do adversário na posição 3 Formação defensiva com bloqueio simples, centro recuado e por posicionamento 4 3 2 1 65 4 3 2 16 5 Figura 74 – Ataque do adversário na posição 2 Figura 75 – Ataque do adversário na posição 4 85 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Essa formação é muito utilizada por equipes principiantes que precisam se defender de ataques que são mais direcionados ao fundo da quadra. 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 6 5 Figura 76 – Posição inicial com o centro recuado Figura 77 – Ataque do adversário na posição 3 Formação defensiva com bloqueio duplo, centro recuado e por jogo de campo No ataque pelo centro, o jogador da posição 6 deverá se deslocar para a esquerda ou para a direita. Ninguém da defesa deve se posicionar dentro do cone ou da sombra do bloqueio, a não ser quem pega a bola largada. 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 6 5 Figura 78 – Ataque na posição 2 Figura 79 – Ataque na posição 4 4 3 2 1 6 5 Figura 80 – Posição inicial com o centro recuado 86 Unidade II Formação defensiva com bloqueio duplo, centro avançado e por jogo de campo 4 32 1 6 5 2 1 6 5 34 Figura 81 – Ataque na posição 4 Figura 82 – Ataque na posição 2 43 2 1 6 5 4 32 1 6 5 Figura 83 – Opções de formação com ataque na posição 3 4 3 2 1 6 5 Figura 84 – Posição inicial com o centro avançado 87 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Formação defensiva com bloqueio duplo, centro recuado e por posicionamento 43 2 6 1 5 4 32 6 1 5 Figura 85 – Ataque na posição 2 Figura 86 – Ataque na posição 4 4 6 33 2 6 1 2 51 45 Figura 87 – Possibilidades no ataque na posição 3 4 3 2 1 6 5 Figura 88 – Posição inicial com o centro recuado 88 Unidade II 43 2 16 5 4 32 11 65 Figura 89 – Ataque na posição 2 Figura 90 – Ataque na posição 4 43 2 16 5 32 1 65 4 Figura 91 – Possibilidades no ataque na posição 3 Formação defensiva com bloqueio duplo, centro avançado e por posicionamento 4 3 2 1 6 5 Figura 92 – Posição inicial com o centro avançado 4 32 6 15 43 2 15 6 Figura 93 – Ataque do adversário na posição 4 Figura 94 – Ataque do adversário na posição 2 89 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 43 2 15 6 32 6 15 4 Figura 95 – Ataque do adversário na posição 3: duas possibilidades Formação defensiva com bloqueio triplo, centro recuado e por jogo de campo 4 3 2 1 6 5 4 3 2 1 6 5 Figura 96 – Posição inicial com o centro recuado Figura 97 – Formação com bloqueio triplo 7.5 Método de ensino das formações táticas Assim como temos um método indicado para a aprendizagem das técnicas, temos outro para a aprendizagem das formações táticas. Para a aprendizagem de todas as formações táticas que foram apresentadas, indicamos a aplicação do recurso sintético-analítico-sintético. Essa tática, também conhecida como método todo-partes-todo, consiste em iniciar o trabalho com os alunos/atletas mostrando a formação que será trabalhada integralmente, de forma teórica, explicando e justificando os posicionamentos, bem como definindo as funções de cada um na formação. O professor/técnico pode utilizar vídeos ou fotos e também colocar os alunos/atletas em quadra para que, sem bola, conheçam o posicionamento correto e entendam o porquê dele. Trata-se da primeira parte, a sintética do método, em que é obtido o conhecimento do todo. Após essa etapa mais teórica, dá-se início à fase analítica ou em partes. Nela, são aplicados exercícios para que os alunos/atletas executem, em cada uma das seis posições, os deslocamentos e a ação respectiva. Por exemplo, verifique a formação defensiva a seguir, na figura 98. 90 Unidade II 43 2 1 6 5 Figura 98 – Formação defensiva com bloqueio duplo e centro avançado Todos os alunos/atletas precisam passar por exercícios que os preparem para a execução das funções em cada posição. É necessário treinar os indivíduos das posições 4 e 3 para bloquearem, definir quem marca a bola e como a ação de um deve complementar a do outro. Repare na seta tracejada que indica o deslocamento do jogador da posição 6. Nessa fase, será treinado o deslocamento do jogador, de acordo com a linha tracejada, que deve se deslocar do ponto da posição inicial para recuperar bolas largadas atrás do bloqueio e simultaneamente fazer um passe para o levantador. O jogador da posição 4 deve ser preparado para, assim que o levantamento do adversário for definido para a posição dele, se deslocar lateralmente e em posição de expectativa, até que ultrapasse a linha de ataque, para defender as bolas atacadas na diagonal curta (ou menor). Os deslocamentos devem ser realizados em velocidade. O ideal é que o atleta esteja na posição de defesa quando o atacante adversário tocar na bola. Se o sistema de jogo adotado for o 6 x 0, todos devem ser treinados em todas as posições. Caso haja a troca de posições pela especialidade das funções, os jogadores devem ser preparados de acordo com a posição da quadra que ocupam. Por exemplo: na rede, os atacantes de ponta jogam na posição 4, os atacantes centrais na posição 3 e os levantadores e opostos na posição 2. O posicionamento no fundo vai depender da estratégia adotada pelo técnico. Ainda na etapa analítica do método, após trabalhar as posições individualmente, começa-se a agrupar jogadores de duas ou três posições, realizando a defesa seguida de levantamento e ataque. Por fim, na etapa sintética final do método, coloca-se a equipe inteira frente a um ataque adversário para que cada um realize sua função a fim de que a formação funcione como um todo e o time consiga dar seguimento à jogada, executando um levantamento e um ataque. 7.6 A atuação do professor/técnico em competições É fundamental saber como preparar bem a equipe, mas deve-se dar importância a como dirigi-la em uma competição. Se você for participar de competições com seus alunos, há diversos pontos aos quais precisa estar atento. Leia cuidadosamente as regras estabelecidas para a competição, saiba quais são os documentos 91 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE exigidos, os locais, os uniformes e selecione quem vai participar com antecedência. Se a competição envolver partidas em locais diferentes, providencie o deslocamento. Ao montar a equipe, procure basear-se nas características físicas, motoras, técnicas, táticas e psicológicas de seus jogadores. Você deverá procurar o máximo de equilíbrio possível; seu time, a cada rodízio, necessitará estar equilibrado tanto nos fundamentos de rede como nos de fundo (passe e defesa). A primeira preocupação será com a sua equipe, mas caso tenha alguma informação sobre o modo de jogar do adversário (por exemplo, quem é o principal atacante), você pode ajustar o seu time àscondições existentes. No entanto, se sua equipe for principiante, é melhor pensar apenas nos seus jogadores. É obvio que você vai exigir no jogo apenas o que foi trabalhado no treinamento. Querer mudar para uma tática não treinada apenas reforçará a ansiedade, o que não é produtivo. Todas as formações táticas escolhidas, ofensivas, de recepção, de proteção ao ataque e defensivas devem estar relacionadas. Coloque no papel as táticas e veja no treinamento se é viável a passagem de uma para outra, por exemplo, a formação ofensiva parte da recepção, não é possível querer que um jogador faça o passe na posição 5 e ataque na posição 2. A ansiedade é inevitável na pré-competição, sobretudo em equipes jovens. Ela não é totalmente negativa, apresenta uma relação na forma de um U invertido com o desempenho, ou seja, quando está muito baixa ou muito alta o prejudica. Você deve aprender a conhecer seus alunos/atletas para orientá-los sobre como agir frente à ansiedade. Alto Alta Baixo Baixa De se m pe nh o Ansiedade Figura 99 – Relação entre a ansiedade e o desempenho – U invertido Em alunos/atletas que não estão habituados a competir, a ansiedade será grande. Para reduzir o efeito, o técnico pode fazer o que segue. • Checar tudo o que é necessário para o jogo com antecedência. • Recolher a documentação comprobatória de idade ou de registro. • Preparar seus alunos para tudo o que vai ocorrer (por exemplo: torcida contra ou a favor, presença dos pais, erro da arbitragem, substituições etc.). 92 Unidade II • Realizar jogos amistosos e coletivos, se possível com outra pessoa, que não o professor apitando. • Chegar com antecedência ao local da partida para que os jogadores se habituem ao espaço. • Fazer uma atividade lúdica, um jogo, antes do aquecimento normal. • Ter uma rotina de aquecimento. • Conversar com aqueles que são mais vulneráveis e explicar que a ansiedade é algo normal e que com o tempo aprendemos a controlá-la. • Manter contato com os pais, explicar o trabalho que está sendo realizado, para que eles o auxiliem no processo e não cobrem dos filhos o que ainda não estão preparados para oferecer. • Conservar uma linha comportamental, ou seja, se você é normalmente um professor rígido nos treinamentos, que cobra desempenho de seus alunos, se atuar dessa forma no jogo, não há problema, pois seus discentes estarão acostumados. O que os deixa desnorteados é ver o treinador, que eles estão habituados a ver brincando e sorrindo, se transformar e começar a gritar com todos quando está perdendo uma partida. • Criar clima de guerra não é um bom negócio. Você não tem inimigos, mas adversários. • Utilizar desafios, tanto se sua equipe for muito mais forte quanto se for muito mais fraca. Escolha desafios independentemente do resultado da partida. Por exemplo: “nossa equipe é bem mais forte, eu sei que vamos ganhar o jogo, mas quero que vocês façam 3 x 0 e o adversário não tenha mais do que 15 pontos por set”; ou outro exemplo: “nossa equipe é bem mais fraca, mas mesmo perdendo a partida, nosso desafio será fazer mais de 15 pontos por set”. O que o técnico deve fazer no momento da partida? Vejamos. • Chegar cedo e entregar a documentação na mesa de arbitragem. • Escolher com antecedência o capitão da equipe. Se você não tiver muita certeza quanto ao capitão, faça um rodízio entre os jogadores nas primeiras partidas. • Conduzir o aquecimento da equipe. • Assinar a súmula e conferir as informações anotadas. • Preencher e entregar a papeleta com a ordem de saque da sua equipe antes de cada set. • Comunicar-se constantemente com os jogadores. É importante uma conversa com o grupo antes da partida. Ao término da partida, faça uma análise rápida do jogo. 93 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE • Pedir tempo quando a equipe estiver perdendo ou quando o adversário fizer vários pontos seguidos, para acalmar a equipe, a fim de corrigir um erro técnico ou tático ou para motivá-la. O técnico pode pedir dois tempos em cada set. Eles são solicitados ao segundo árbitro e duram 30 segundos. Procure resumir o que falar e terminar com uma palavra motivadora. • Substituir seis atletas por set. As alterações podem ser solicitadas quando um jogador estiver errando muito, quando alguém se machuca, para trocar um jogador por outro com melhor bloqueio, melhor saque ou melhor recepção, para acalmar um indivíduo, para dar instruções e para oferecer oportunidade a outros atletas e para quebrar o ritmo do adversário. 8 FORMAÇÕES TÁTICAS A direção de equipes no voleibol envolve mais do que a simples seleção de jogadores ou a escolha de uma tática. Ela requer uma compreensão profunda dos princípios básicos para a formação de equipes em diferentes níveis (iniciantes, amadores e profissionais) e um domínio das habilidades necessárias para conduzir uma equipe durante uma partida. Neste tópico, discutiremos os elementos fundamentais para a montagem de equipes em diferentes níveis de habilidade e o papel do técnico em competições, abordando desde as estratégias de treinamento até a atuação durante os jogos. 8.1 Princípios básicos para a montagem de equipes de voleibol Montar uma equipe de voleibol bem-sucedida exige o entendimento das habilidades técnicas e psicológicas dos jogadores, além de uma análise cuidadosa das necessidades de cada nível de prática. Para isso, deve-se ajustar o foco e a intensidade do treinamento para maximizar o desempenho coletivo. Vamos explorar as principais características para cada nível. 8.1.1 Equipes de nível iniciante As equipes de iniciantes requerem um ambiente de aprendizado e motivação. Nesse estágio, o técnico deve focar nos aspectos básicos do voleibol, como fundamentos técnicos (saque, passe, levantamento, ataque, bloqueio e defesa) e introduzir conceitos de trabalho em equipe. É essencial que o ambiente seja acolhedor e promova o interesse pelo esporte, favorecendo a retenção dos atletas e o desenvolvimento de uma base sólida. • Objetivos principais: aprendizado técnico, desenvolvimento da coordenação motora e motivação. • Estratégias: treinos curtos e lúdicos, que reforcem os fundamentos e incentivem a prática por meio de exercícios divertidos e interativos. • Perfil do técnico: paciência, habilidade de comunicação, motivação e capacidade de criar um ambiente de incentivo. 94 Unidade II 8.1.2 Equipes de nível amador No nível amador, os jogadores já têm uma noção básica dos fundamentos e podem avançar para a compreensão de aspectos táticos e estratégicos mais complexos. Nessa fase, o técnico deve equilibrar o desenvolvimento técnico individual com a preparação tática coletiva. É importante construir uma equipe coesa que entenda e execute as jogadas de forma consistente. • Objetivos principais: aprimoramento técnico, introdução ao entendimento tático e trabalho em equipe. • Estratégias: treinamentos mais intensos, com exercícios específicos para aprimorar a técnica e introduzir jogadas táticas. • Perfil do técnico: conhecimento tático, capacidade de motivação e habilidades de liderança para lidar com personalidades variadas. 8.1.3 Equipes de nível profissional No nível profissional, o objetivo é maximizar o desempenho em competições, desenvolvendo estratégias específicas e abordagens táticas detalhadas. A equipe deve ser composta por jogadores com papéis bem definidos e habilidades técnicas refinadas. O técnico, nesse caso, deve ter um planejamento estratégico claro, adaptável a cada adversário e situação de jogo. • Objetivos principais: alta performance, adaptação estratégica, coesão e comprometimento. • Estratégias: treinamento intensivo, análise tática de adversários e sessões de feedback baseadas em estatísticas de desempenho. • Perfil do técnico: liderança estratégica, capacidade de análise tática e habilidade em motivação e gestão de conflitos. 8.2 Direção de uma equipe durante uma partida: atuação do técnico O papel do técnico durante uma partida vai além de organizar jogadas; ele deve serum estrategista e motivador, orientando os jogadores e ajustando as táticas conforme o desenrolar do jogo. Aqui, descrevemos os principais elementos que compõem a atuação do técnico durante uma partida. 8.2.1 Planejamento pré-jogo Antes de cada partida, o técnico deve analisar as características e estratégias do adversário, identificar pontos fortes e fracos de sua própria equipe e desenvolver um plano de jogo. Esse planejamento envolve o que segue. • Análise do adversário: estudo dos principais jogadores e das estratégias de ataque e defesa. 95 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE • Definição de táticas específicas: escolha de abordagens ofensivas e defensivas que aproveitem os pontos fracos do oponente. • Briefing com os jogadores: reunião para alinhar expectativas e definir papéis e responsabilidades de cada jogador. 8.2.2 Durante o jogo: a comunicação e os ajustes táticos Durante a partida, o técnico deve manter a equipe focada e ajustá-la conforme a dinâmica do jogo. Para isso, é fundamental que ele esteja atento a todos os detalhes da partida e saiba comunicar suas instruções de forma clara e objetiva. • Observação e ajustes: analisar o desempenho da equipe e do adversário para realizar substituições ou alterar táticas conforme necessário. • Motivação e controle emocional: garantir que a equipe se mantenha confiante e focada, controlando o estresse e as frustrações que surgem em momentos de pressão. • Feedback e instruções rápidas: fornecer orientações objetivas e diretas nos intervalos e durante os tempos técnicos, aproveitando para corrigir falhas e reforçar os acertos. 8.2.3 Substituições e tempo técnico O técnico deve saber o momento certo para realizar substituições e utilizar os tempos técnicos. Essas ações podem servir para as finalidades mostradas a seguir. • Reduzir o ritmo do adversário: uma substituição, ou um tempo técnico, pode interromper o fluxo de pontos do adversário, permitindo a reorganização da equipe. • Ajustar a estratégia: mudar jogadores ou ajustar a formação para lidar com pontos fracos emergentes ou para responder a uma alteração na estratégia do oponente. • Motivar jogadores: trazer um jogador do banco pode injetar ânimo na equipe e incentivar os atletas a se manterem focados. A direção de equipes no voleibol é uma tarefa complexa, que requer habilidades de liderança, visão estratégica e conhecimento técnico. Desde a montagem da equipe até a atuação durante uma partida, o técnico exerce um papel essencial no desenvolvimento e desempenho dos jogadores, ajustando táticas e incentivando o espírito de equipe. Cada nível de jogo traz suas particularidades e cabe ao técnico adaptar seu estilo de liderança e suas abordagens para maximizar o potencial de sua equipe em cada situação. 96 Unidade II Resumo Esta unidade tratou dos aspectos táticos do voleibol. Por serem bem extensos, foram abordados apenas os pontos principais. Vimos um método que pode ser utilizado para o ensino-aprendizagem das formações táticas, o método sintético-analítico-sintético, também conhecido como método todo-partes-todo. Para ensinar uma formação tática de acordo com o método sintético-analítico-sintético, ensina-se primeiro sua forma teórica. Isso pode ser feito por meios audiovisuais ou com a equipe posicionada em quadra e movimentando-se sem a bola. Foram dadas também algumas dicas de como o treinador monta sua equipe e a dirige em uma competição. Ressaltou-se que, em equipes principiantes, a ansiedade dos jogadores é grande, cabendo ao técnico tomar medidas para controlá-la. O treinador deve estar perfeitamente inteirado das regras da competição que vai participar e preparar seus jogadores para tal. É indicado que ele converse e trabalhe com os pais, a fim de motivar o jovem atleta. Vimos também que as cobranças deverão ocorrer de acordo com a capacidade de cada um e o erro precisa ser encarado como parte integrante do processo de aprendizagem. O técnico normalmente é o responsável por tudo com relação à competição, desde a organização da documentação e dos uniformes até a definição do relacionamento com a arbitragem. O bom treinador não é aquele que mais formações táticas conhece, mas aquele que consegue escolher quais delas mais bem se adaptam à sua equipe. 97 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Exercícios Questão 1. Algumas situações observadas no voleibol são a cobertura, o rodízio e a penetração. Em relação a esses movimentos, avalie as afirmativas. I – A cobertura, equivalente ao bloqueio, é um movimento individual de defesa realizado pelo jogador, sem a intenção de construir um contra-ataque. II – O rodízio é um movimento realizado pelos jogadores de maneira obrigatória e acontece no sentido anti-horário toda vez que a equipe recupera o saque com o jogo parado. III – O jogador pode penetrar no espaço adversário sob a rede, desde que isso não interfira na jogada do adversário e obedeça a determinadas normas. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e II, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: a cobertura é um movimento realizado pelos jogadores com o objetivo de recuperar a bola atacada pela equipe adversária para construir um contra-ataque. Além disso, a cobertura não é o mesmo que o bloqueio. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: o rodízio é um movimento realizado pelos jogadores de maneira obrigatória e acontece no sentido horário toda vez que a equipe recupera o saque com o jogo parado. 98 Unidade II III – Afirmativa correta. Justificativa: é permitido que o jogador penetre no espaço adversário sob a rede, desde que isso não interfira na jogada do adversário. O jogador pode tocar a quadra adversária com o(s) pé(s), desde que alguma(s) parte(s) dele(s) permaneça(m) em contato com a linha central ou que a projeção do(s) pé(s) no solo esteja sobre a linha central, sem que essa ação interfira no jogo do adversário. Também é permitido que o jogador toque a quadra adversária com qualquer parte do corpo acima dos pés, desde que isso não interfira no jogo do adversário. Questão 2. (Enade 2011) Ao ensinar o voleibol na escola, Marcela, professora de Educação Física do 6º ano e do 7º ano do Ensino Fundamental, desenvolve algumas situações de jogo no processo ensino-aprendizagem. Considerando essa situação, avalie quais dos objetivos apresentados a seguir a professora deve priorizar no planejamento de suas aulas de voleibol. I – Aplicar os elementos técnico-táticos e as precondições fisiológicas para a prática, visando somente à vitória na competição. II – Respeitar o estágio de desenvolvimento do estudante para a organização e a inclusão de regras. III – Desenvolver noções táticas e técnicas que garantam a participação de todos para a fluência do jogo. IV – Desenvolver fundamentos gerais que possam ser utilizados em outros jogos. É correto apenas o que se afirma em: A) I e II. B) I e III. C) III e IV. D) I, II e IV. E) II, III e IV. Resposta correta: alternativa E. 99 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: visar somente à vitória não é a prioridade do planejamento nas aulas de voleibol. II – Afirmativa correta. Justificativa: é necessário adequar as atividades ao estágio de desenvolvimento dos alunos. III – Afirmativa correta. Justificativa: na faixa etária em questão, os alunos já podem aprender noções de táticas e técnicas para o melhor desenvolvimento do jogo. IV – Afirmativa correta. Justificativa: o voleibol, em geral, tem movimentos que podem ser utilizados em outros esportes, como saltar, fazer deslocamentos à frente e laterais e executar rolamentos. 100 REFERÊNCIAS BAIANO, A. Voleibol: sistemas e táticas. Rio de Janeiro: Sprint, 2005. BENDA, R. N. Mesa redonda: aprendizagem motora: sobre a natureza da aprendizagem motora: mudança e estabilidade... e mudança. Revista Brasileirade Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 20, p. 43-45, 2006. Disponível em: https://tinyurl.com/2nj8sj8s. Acesso em: 13 nov. 2024. BOJIKIAN, J. C. M. Vôlei versus vôlei. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 117-124, 2002. Disponível em: https://tinyurl.com/mt459bhu. Acesso em: 13 nov. 2024. BOJIKIAN, J. C. M.; BOJIKIAN, L. P. Ensinando voleibol. São Paulo: Phorte, 2012. BOJIKIAN, J. C. M. et al. Talento esportivo no voleibol feminino do Brasil: maturação e iniciação esportiva. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 6, n. 3, p. 179-187, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/ypx4nce4. Acesso em: 24 out. 2017. BOJIKIAN, L. P. Processo de formação de atletas de voleibol feminino. 2013. Dissertação (Doutorado em Biodinâmica do Movimento Humano) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. BUNKER, D.; THORPE, R. A model for the teaching of games in secondary school. Bulletin of Physical Education, London, v. 18, n. 1, p. 5-8, 1982. CBV. Regras oficiais de voleibol 2013-2016. Brasília, 2013. Disponível em: https://tinyurl.com/57xbbcue. Acesso em: 17 nov. 2017. CBV. Regras oficiais de voleibol 2021-2024. Brasília, 2021. Disponível em: https://shre.ink/geHo. Acesso em: 13 nov. 2024. CORDEIRO, C. Curso de treinadores de voleibol: nível 2. Rio de Janeiro: CBV, 2008. DIETRICH, K.; DÜRRWÄCHTER, G.; SCHALLER, H. J. Os grandes jogos: metodologia e prática. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984. GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, D. J. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013. GRECO, P. J.; BENDA, R. N. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem motora ao treinamento técnico. Belo Horizonte: UFMG, 1998. GRIFFIN, L.; MITCHELL, S. A.; OSLIN, J. L. Teaching sport concepts and skills: a tactical games approach. Champaign, Illinois: Human Kinetics Publisher, 1997. 101 HOLDERBAUM, G. G. Efeitos de diferentes tipos e frequências de feedbacks visuais aumentados na aprendizagem dos seis fundamentos básicos do voleibol. 2001. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. KRÖGER, C.; ROTH, K. Escola da bola: um ABC para iniciantes nos jogos esportivos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005. MARTIN, D.; CARL, K.; LEHNERTZ, K. Manual de metología del entrenamiento deportivo. Barcelona: Paidotribo, 2001. QUEIROGA, M. A. et al. O conhecimento tático-estratégico dos levantadores integrantes das seleções brasileiras de voleibol. Fitness and Performance Journal, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 78-92, 2010. Disponível em: https://tinyurl.com/yc8mswdt. Acesso em: 13 nov. 2024. RIBEIRO, D. A.; VASCONCELOS, C. M.; SANTANA, W. C. Idade de início da prática sistemática e vínculo federativo de jogadores participantes da superliga nacional de voleibol masculino temporada 2010/2011. Conexões, Campinas, v. 11, n. 3, p. 75-85, 2013. SILVA, J. C. et al. Estudo comparativo de ensino do voleibol entre a metodologia do minivôlei e o voleibol convencional. Journal of Exercise and Sport Sciences, Paraná, v. 1, n. 1, 2005. Disponível em: https://tinyurl.com/3ep65jcx. Acesso em: 13 nov. 2024. TERTULIANO, I. W. et al. Efeitos da frequência de feedback na aprendizagem do saque do voleibol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 7, n. 3, p. 328-335, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/5n943e7c. Acesso em: 13 out. 2024. 102 103 104 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000de um jogo de voleibol; • montar, treinar e dirigir equipes de nível iniciante. Boa leitura! 8 INTRODUÇÃO O voleibol é um dos esportes mais populares do mundo, conhecido por sua dinâmica, sua técnica e pelo trabalho em equipe. Desde a sua criação, foi bem aceito rapidamente, popularizou-se e evoluiu, tornando-se uma modalidade olímpica e um símbolo de integração e competitividade. É reconhecido por sua capacidade de promover o desenvolvimento físico e as habilidades como socialização, formação de equipe, disciplina e estratégia. Este livro-texto tem como objetivo apresentar uma metodologia para a aprendizagem dos fundamentos do voleibol e para a elaboração de aulas e treinos para diferentes faixas etárias. O voleibol vai além de uma simples competição: como dissemos, é uma ferramenta de socialização, inclusão e desenvolvimento pessoal. O voleibol pode ser praticado em vários tipos de ambientes, com variações como o vôlei de praia, o vôlei adaptado para pessoas idosas e o vôlei sentado. As principais características do voleibol incluem seus diferentes fundamentos, como o saque, a manchete, o levantamento e o ataque. Além das técnicas, das táticas e da metodologia de ensino, este livro-texto enfatiza a importância do trabalho em equipe, da comunicação e do respeito entre os jogadores, que são vitais para o sucesso em quadra. Por meio do conhecimento da história, da evolução e das estratégias de treinamento, buscamos prepará-lo para atuar com o voleibol em suas diferentes possibilidades. Bom estudo! 9 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Unidade I 1 HISTÓRICO DO VOLEIBOL E SUA CARACTERIZAÇÃO COMO MODALIDADE ESPORTIVA 1.1 Como o voleibol foi criado O esporte foi criado em Holyoke, Massachussets, nos EUA, na ACM (Associação Cristã de Moços), em 1895, pelo professor William Morgan. Figura 1 – Professor William Morgan Disponível em: https://shre.ink/ge9q. Acesso em: 17 nov. 2024. Inspirado no tênis, que separava os competidores por uma rede, ele criou uma modalidade chamada de minonete (ou mintonete), na qual diversos jogadores, em um espaço bem maior que o de hoje, jogavam rebatendo com as mãos uma câmara de bola de basquete, separados por uma rede de tênis erguida a 2 m do chão. Figura 2 – Funcionários da ACM, 1911 Disponível em: https://tinyurl.com/2p8vzhb9. Acesso em: 13 nov. 2024. 10 Unidade I Exemplo de aplicação Tente elaborar um jogo pré-desportivo, como o minonete. Figura 3 – Soldados norte-americanos jogando voleibol durante a Primeira Guerra Disponível em: https://tinyurl.com/pcv8fv2m. Acesso em: 13 nov. 2024. A nova modalidade foi difundida pelo mundo tanto pelas ACMs quanto pelos soldados norte-americanos na Primeira Guerra Mundial. À medida que foi sendo praticada, ocorreram adaptações e as regras foram ajustadas. Em 1918, limitou-se o número de jogadores em quadra, bastando ter metade de cada lado da rede, ou seja, seis atletas. Em 1922, o limite de toques na bola por equipe passou a ser três. Em 1933, os tchecos (da antiga Tchecoslováquia), pensando em uma maneira de interceptar o ataque e facilitar a defesa, criaram o bloqueio. Durante muitos anos de prática do voleibol, os jogadores só batiam na bola utilizando o toque por cima; não havia manchete, que foi criada em 1958 pelos jogadores tchecos. As dimensões atuais da quadra são 18 m x 9 m, e o nome passou a ser voleibol, devido aos voleios (rebatidas) na bola. À medida que crescia o número de praticantes, foram criadas as entidades que organizavam as competições. Em 1946 foi inaugurada a Confederação Sul-Americana de Voleibol e, em 1947, a Federação Internacional de Voleibol, que organizou, em 1949, o primeiro Campeonato Mundial masculino, vencido na época pela fortíssima equipe da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). O! primeiro Campeonato Mundial feminino aconteceu em 1952, também com vitória da URSS. 11 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Na época, a modalidade era jogada com bolas levantadas altas, que favoreciam atletas mais altos e fortes. O voleibol estreou como esporte olímpico em 1964, nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão, país onde a atividade era muito popular. A partir de 1964, o Japão reuniu professores, técnicos, árbitros e atletas com a intenção de estudar uma forma de vencer o voleibol-força da URSS, porque, apesar de ter jogadores muito bons tecnicamente e da popularidade, vencer os soviéticos era quase impossível. Essa reunião de profissionais para estudar tal categoria revolucionou a forma como se jogava o esporte até então. Nos Jogos Olímpicos de 1968, no México, o Japão extasiou o resto do mundo com jogadas de ataque de velocidade, levantamentos baixos, fintas e trocas de posição dos jogadores no ataque, que enganavam o bloqueio adversário. Além da inovação no ataque, o treinamento físico e a defesa foram revolucionados. Novos métodos de treinamento tornaram os jogadores mais ágeis e velozes, tanto no ataque quanto na defesa. De 1968 a 1976, os japoneses conquistaram muitos dos principais títulos em Jogos Olímpicos e em Mundiais, no feminino e no masculino. Observação Apenas praticar a modalidade não é suficiente para obter resultados relevantes. O estudo e a aplicabilidade de conceitos científicos no treinamento sempre foram um diferencial no que diz respeito à qualidade. 1.2 A trajetória de sucesso do voleibol brasileiro Você sabia que o voleibol brasileiro é um dos mais vitoriosos do mundo? A Federação Internacional de Voleibol tem um ranking dos países, feito com base em resultados obtidos nas competições mais importantes do mundo, e, nele, o Brasil tem figurado nas primeiras posições, tanto no feminino quanto no masculino. Nem sempre foi assim. O que será que houve para que o nosso voleibol alcançasse tanto sucesso? Vamos voltar à criação do esporte para entender. No Brasil, há relatos divergentes sobre o início da prática do voleibol. Alguns autores afirmam que esse início ocorreu em 1915, no Colégio Marista em Pernambuco; outros, em 1916, na ACM de São Paulo. A!Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) foi fundada em 1954. Inspirado pelo que aconteceu no Japão, o Brasil, que até então não tinha resultados importantes, começou a mudar sua história a partir da década de 1970, quando a CBV passou a adotar uma administração mais profissional e organizada e decidiu investir na formação dos técnicos, incentivando o intercâmbio com outros países e oferecendo cursos de especialização. Ainda hoje, a CBV promove cursos em cinco níveis e os treinadores de equipes federadas são obrigados a participar de acordo com a categoria que dirigem. Uma das razões para o sucesso competitivo do voleibol brasileiro é que nossos técnicos são muito competentes e respeitados no mundo todo, e alguns dirigem importantes equipes e seleções. 12 Unidade I Outra questão que contribuiu para o crescimento em termos de resultado foi o investimento financeiro, que teve impulso quando o voleibol passou a ser exibido em TV aberta. A transmissão de partidas!que chegavam a durar na época até 4 horas fez com que aparecessem empresas patrocinadoras que viam na crescente audiência uma oportunidade de divulgar suas marcas. Elas começaram a patrocinar clubes tradicionais e até mesmo criaram suas próprias equipes. Então, atletas e técnicos que tinham outras funções e dedicavam ao voleibol duas ou três noites por semana passaram a dedicar-se em tempo integral à modalidade. Os patrocínios tornaram os atletas e os técnicos profissionais e, com o conhecimento que já havia, os benefícios foram constatados. O primeiro grande resultado do Brasil foi nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, com a medalha de prata no masculino. Como consequência, uma grande quantidade de jovens começou a praticar o esporte. Desde a medalha de prata, diversos títulos internacionais importantes foram alcançados. Quadro 1 Masculino Feminino Campeonatos mundiais 1982 – prata 1994 – prata 2002 – ouro 1998 – bronze 2006 – ouro 2006 – prata 2010 – ouro 2010 –prata 2014 – prata 2014 – bronze 2022 – bronze Jogos Olímpicos 1984 (Los Angeles) – prata 1996 (Atlanta) – bronze 1992 (Barcelona) – ouro 2000 (Sidney) – bronze 2004 (Atenas) – ouro 2008 (Pequim) – ouro 2008 (Pequim) – prata 2012 (Londres) – ouro 2012 (Londres) – prata 2020 (Tóquio) – prata 2016 (Rio de Janeiro) – ouro 2024 (Paris) – bronze Figura 4 – Brasil: tricampeão olímpico em 2016, no Rio de Janeiro Disponível em: https://shre.ink/geHv. Acesso em: 13 nov. 2024. 13 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Saiba mais Nos sites da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da CBV, você encontrará todo o histórico de resultados dos Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Ligas Mundiais, Grand Prix e Mundiais de clubes, além dos resultados internacionais das seleções de base. Acesse: Disponível em: http://www.fivb.com. Acesso em: 13 nov. 2024. Disponível em: http://2017.cbv.com.br/. Acesso em: 13 nov. 2024. Com todos esses resultados, hoje o voleibol brasileiro é muito popular e um profissional de Educação Física precisa de conhecimento, ainda que básico, da modalidade. Exemplo de aplicação Devido ao êxito internacional do voleibol brasileiro, algumas confederações de outras modalidades estão tentando trilhar o mesmo caminho. Baseado nas informações contidas no texto, você seria capaz de apontar três aspectos preponderantes que colaboraram para o sucesso do voleibol brasileiro? 1.3 Características do voleibol e suas regras básicas 1.3.1 Caracterização do voleibol como modalidade esportiva O voleibol é um esporte jogado por duas equipes em uma quadra dividida por uma rede. Há uma!série de versões disponíveis, cada uma delas adaptada a uma circunstância diferente, de forma que o jogo possa se adaptar aos diferentes praticantes. O objetivo é enviar a bola por cima da rede, de forma a fazê-la tocar a parte do solo que esteja compreendida dentro da quadra adversária e a sua equipe deve impedir o adversário para obter êxito no mesmo intento. Cada equipe poderá usufruir de três toques na bola (além do contato do bloqueio). A bola é colocada em jogo com o saque: tocada pelo sacador sobre a rede para o adversário. O rali continua até que a bola toque o solo na quadra de jogo, vá “fora” ou não seja devolvida corretamente. No voleibol, a equipe que vence o rali marca um ponto (sistema de ponto por rali). Quando a equipe receptora vence o rali, ela ganha um ponto e o direito de sacar, e seus jogadores rodam uma posição no sentido horário. Em todos os aspectos, o voleibol é um dos esportes mais importantes do mundo: tem mais federações afiliadas, maior audiência de TV, maior número de seguidores nas redes sociais, maior número de jogadores inscritos e recreativos do que quase qualquer outro esporte e uma imagem dinâmica, limpa e colorida, combinando esporte altamente competitivo e show de alto nível (CBV, 2021, p. 9). 14 Unidade I Uma característica determinante, que diferencia o voleibol de outras modalidades, é a não retenção da bola. Ela deve sempre ser rebatida e nunca retida. Dessa forma, o jogador tem menos tempo para se posicionar, analisar a situação e decidir como vai receber a bola e para onde irá enviá-la. Isso implica tempo de reação menor, com raciocínio rápido, que requer um domínio maior das técnicas de recepção. Metabolicamente, o voleibol é uma modalidade classificada como intermitente. Tem intervalos de ação e pausa intercalados, mas o tempo de duração é sempre variado. Os períodos de ação são curtos e o rali (tempo que a bola fica em jogo, desde o saque até o encerramento da jogada) no feminino dura, em média, 6 a 8 segundos; e no masculino dura de 4 a 6 segundos. Isso ocorre porque a altura da rede, embora mais alta no masculino (2,43 m) do que no feminino (2,24 m), favorece o masculino, que tem média de estatura maior que o feminino, além da maior potência de salto e ataque, o que dificulta as ações de defesa. Como há muitas pausas no jogo, o desgaste do esforço em quadra é recuperado durante os intervalos. Algumas ações no jogo são de intensidade média, como deslocamentos, recepção, defesa e cobertura; e outras são de alta intensidade e curtíssima duração, como ataques, bloqueios e saques. Por causa disso, o sistema energético predominante no voleibol é o anaeróbio alático. Como os intervalos são extensos, é possível obter recuperação da energia dispendida, o que acontece em razão do sistema oxidativo. Por fim, o voleibol é um esporte que também pode ser recreativo e, quando esse é o objetivo, as regras podem ser alteradas e adaptadas de acordo com as características dos participantes e com a estrutura e os materiais disponíveis para a prática. 1.3.2 Regras básicas do voleibol Não é permitido que uma equipe atue com menos de seis jogadores. Caso o time esteja apenas com seis jogadores e sem reservas, e um deles se machuque a ponto de não poder mais atuar, ela será considerada derrotada. Uma equipe tem seis jogadores em quadra e seis reservas, sendo um deles o líbero, que não pode ser o capitão da equipe. Em algumas competições de categorias principiantes, pode haver regras adaptadas, inclusive com a proibição do uso do líbero. As regras da modalidade sofrem mudanças constantes, portanto, é importante sempre se atualizar. Em jogos internacionais organizados pela FIVB, até 14 jogadores podem ser relacionados na súmula, sendo dois líberos. Se algum atleta se atrasar para o início do jogo, mas seu nome e seu documento constarem no registro, ele poderá chegar a qualquer momento e atuar na partida. No entanto, se o indivíduo não estiver relacionado, não poderá atuar. A equipe pode dar até três toques na bola antes de enviá-la para a outra quadra. O mesmo jogador!não pode tocar duas vezes seguidas na bola, a menos que a primeira delas tenha sido em seu próprio bloqueio e a bola passe para o seu lado da quadra. 15 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE O toque de bola por cima deve ser executado com as duas mãos, exatamente ao mesmo tempo. Caso uma das mãos toque a bola antes da outra, o árbitro sinalizará uma ação de “dois toques”, indicando o ponto para a equipe adversária. Lembrete As regras da modalidade sofrem mudanças constantes, portanto é importante sempre se atualizar. A quadra se divide em zona de ataque, da rede até a linha dos 3 m, e zona de defesa, da linha dos 3!m até a linha de fundo (figura 5). A Zona livre 24 - 34 m 0,50 m - 1 m 1, 75 m 1, 75 m 3 - 5 m 15 - 19 m 3 - 8 m 3 x 3 m 3 x 3 m 1,50 m 1,50 m 3 - 8 m 3 - 5 m 9 m 9 m Zo na d e sa qu e Quadra Quadra Quadra de jogo Zona de trás Zona de trásZona de frente Zona de troca do líbero Área de aquecimento Área de aquecimento Banco de equipe Mesa do apontador Área de penalidade 1 m x 1 m Banco de equipe Zona de troca do líbero Zona de substituição Zona de frente Zo na d e sa qu e Zona livre Zona livre Figura 5 – Quadra e área de jogo Adaptada de: CBV (2013). O primeiro árbitro fica em patamar mais elevado e é soberano na partida; suas decisões prevalecem sobre os demais membros da equipe de arbitragem. Sua cadeira fica de frente para o segundo árbitro, que!se posiciona frontalmente à mesa de arbitragem, onde ficam o apontador, que preenche a súmula, 16 Unidade I e o controlador de líbero, se houver (algumas categorias de iniciação têm regras adaptadas e não permitem a utilização do líbero). Nas laterais da mesa ficam os bancos de reserva, com os membros da comissão técnica e os atletas reservas. Cada equipe pode ter até cinco membros na comissão técnica sentados no banco de reservas: o técnico, dois assistentes, um fisioterapeuta e um médico. Se houver juízes de linha na partida (quatro), eles ficarão dispostos cada um em frente a uma das linhas. Os atletas reservas deverão permanecer sentados no banco ou na área de aquecimento, nos cantos da quadra. O saque poderá ser realizado dentro da área delimitada por dois traços marcados no prolongamento das linhas laterais.A rede é sustentada por dois postes, colocados na distância entre 0,50 m e 1 m da linha lateral. Ela deverá ter de 9,50 m a 10 m de comprimento por 1 m de altura e duas faixas brancas na direção das linhas laterais, marcando o espaço de ação. Sobre as linhas, são posicionadas duas antenas de fibra de vidro, listradas de branco e vermelho. As antenas têm 1,80 m de comprimento, sendo que 1 m fica colado à rede e 0,80 cm acima dela. A função das antenas é auxiliar na delimitação do espaço em que a bola deve cruzar de uma quadra para outra. A bola deverá passar no espaço entre as antenas sem tocá-las e, caso o faça, será considerada “fora”. 2, 55 m 0,50 m / 1 m Eixo central 9,50 m - 10 m 1 m 0,80 m 9 m 2,43 m2,43 m MasculinoMasculino 2,24 m2,24 m FemininoFeminino 0,05 m 0,07 m Corda Corda Cabo de sustentação Figura 6 – Detalhes de rede e antenas Adaptada de: CBV (2013). 17 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Os jogadores não podem tocar na rede no espaço entre as antenas. A invasão do espaço aéreo adversário por cima da rede é permitida quando o jogador for executar o bloqueio ao ataque adversário, desde que não interfira na jogada adversária, ou seja, se o levantador adversário fizer um levantamento para seu atacante e você interceptá-lo com um bloqueio, impedindo que o adversário ataque, será considerada uma falta; mas se você tocar na bola bloqueando-a, após o adversário atacar, isso será permitido. Convém lembrar que a invasão por cima é autorizada sempre que houver ataque adversário, na primeira, na segunda ou na terceira bola. A invasão do espaço aéreo por baixo da rede, ultrapassando a linha central, não é considerada falta, desde que não interfira na jogada. O mesmo se dá quando outras partes do corpo, que não os pés, tocam o solo da quadra adversária. Caso o jogador toque a quadra adversária por baixo da rede, com um ou dois pés, não será considerada invasão se ele mantiver pelo menos uma parte sobre a linha central. Se ele ultrapassar o pé todo para a quadra adversária, será falta. Durante o jogo ficam em quadra três jogadores na zona de ataque e três na zona de defesa (figura 7). Zona de ataque Zona de defesa Figura 7 – Zonas da quadra de voleibol O rodízio de jogadores é obrigatório e acontece no sentido horário toda vez que a equipe recupera!o saque. Cada local na quadra é demarcado com a numeração da posição, de 1 a 6. Tal disposição é!denominada ordem de saque, pois o jogador da posição 1 é o primeiro jogador a sacar, o da posição 2!é o segundo e assim por diante. A única situação em que o atleta da posição 1 não é o primeiro a sacar é quando no início do set a bola começar com a equipe adversária. Por exemplo, inicia-se um set e!a equipe A começa sacando, com seu indivíduo da posição 1. Quando a equipe B ganhar uma jogada!e sacar, ela terá que realizar um rodízio obrigatoriamente, portanto, o primeiro jogador da equipe B a!sacar será o jogador da posição 2. Em todo início de set, os professores/técnicos deverão entregar para a arbitragem uma papeleta com sua ordem de saque, que será anotada na súmula. A equipe de arbitragem irá fiscalizar se as equipes estão obedecendo à norma de rodízio e ao posicionamento em quadra. 18 Unidade I 1 6 5 2 3 4 4 3 2 5 6 1 Figura 8 – Ordem de saque e sentido do rodízio Disponível em: https://tinyurl.com/psx5bpbu. Acesso em: 13 nov. 2024. A regra de posicionamento diz que toda vez que alguém sacar, de qualquer uma das equipes, os atletas devem manter suas posições: o jogador da posição 3 deve estar na frente (em relação à rede) daquele da posição 6 e entre as pessoas das posições 2 e 4. O indivíduo da posição 2 deve estar à esquerda do jogador da posição 3, enquanto o jogador da posição 4 deve estar à direita do jogador da posição 3. A!pessoa da posição 6 deve estar atrás da posição 3 e entre os jogadores das posições 5 e 1. O!jogador da posição 5 deve estar à esquerda do jogador da posição 6, e o jogador da posição 1 à sua direita. As relações a serem respeitadas são verticais e horizontais. Não há obrigatoriedade com respeito aos posicionamentos 4 e 6, por exemplo, que estão na diagonal. 5 4 6 3 1 2 Rede Linha dos 3 m Linhas imaginárias Figura 9 – Regra de posicionamento 19 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE De acordo com a regra, teoricamente é possível posicionar os jogadores em quadra no momento de seu saque ou do saque adversário conforme a figura 10, uma vez que estão respeitadas as relações verticais e horizontais da regra de posicionamento. Obviamente ninguém o faz. 4 3 2 5 6 1 Figura 10 – Formação teoricamente permitida (de acordo com as regras de posicionamento) para sacar ou receber o saque Após a batida na bola do sacador, os jogadores poderão trocar de posição enquanto a bola estiver em jogo. Assim que ela cair, todos assumirão seus lugares novamente. Apenas os jogadores da rede (4, 3 e 2) poderão atacar e bloquear. Os atletas do fundo poderão fazê-lo apenas se saltarem antes da linha dos 3 m (ataque de fundo). Em função disso, as trocas de posição, quando são realizadas, acontecem entre os indivíduos da rede e aqueles do fundo. Vence uma partida a equipe que ganhar três sets. Eles são disputados em 25 pontos. Caso o jogo empate em dois sets, o quinto será disputado em 15 pontos. Em quaisquer dos sets, a vitória só será alcançada se houver uma diferença de dois pontos. Se o placar empatar em 24 pontos, o set só terminará em 26 a 24, por exemplo, e assim sucessivamente. Um rali se inicia quando o sacador golpeia a bola e é encerrado quando o árbitro apita indicando que a jogada está finalizada. Em cada set, o técnico tem o direito de solicitar dois pedidos de tempo de 30 segundos. Quando isso acontece, os jogadores saem do espaço da quadra e se dirigem para a frente do banco de reservas a fim de conversar. Os atletas apenas poderão voltar à quadra após o apito do segundo árbitro, sinalizando que está encerrado o pedido de tempo. Cada treinador poderá fazer até seis substituições por set. O indivíduo que saiu de quadra substituído pode voltar no mesmo set no lugar do jogador que entrou em seu lugar. Após essas duas trocas, no mesmo set, nem o jogador que saiu pode sair novamente nem o jogador que entrou pode entrar de novo. A entrada do jogador A para a saída do B conta como uma substituição, e a volta do jogador B à quadra para a saída do A será a segunda substituição. Se o técnico assim o desejar, poderá trocar os seis jogadores de uma vez, por jogadores da reserva, no entanto estarão esgotadas as substituições nesse set. Ele poderá também fazer a “ida e volta” de três jogadores ou usar suas seis substituições como desejar. No set seguinte todas as substituições estarão novamente liberadas. 20 Unidade I As trocas do líbero não são computadas entre as substituições regulares. Líbero é a posição do jogador especialista em defesa e recepção. Ele atua no fundo da quadra e não pode sacar, atacar e bloquear. Ainda é vetado ao líbero levantar de toque quando estiver dentro da zona de ataque. Caso isso ocorra, o atacante que receber o levantamento deverá passar a bola sem atacar. As regras das modalidades frequentemente passam por mudanças e o voleibol foi uma das que mais teve as normas alteradas. Muitas das transformações ocorreram por causa das solicitações da televisão, tentando encurtar o tempo total de partida e também dos patrocinadores. De modo geral, as modificações de regras acontecem após um ciclo olímpico (quatro anos), quando sugestões são testadas em campeonatos pelo mundo antes de serem concretizadas. Saiba mais Para visualizar as regras atualizadas da federação de voleibol de seu estado, acesse o site da respectiva federação. O link a seguir é da Federação Paulista. Disponível em: www.fpv.com.br. Acesso em: 13 nov. 2024. 1.3.3 Regras adaptadas As regras adaptadas de voleibol são desenvolvidas para tornar o jogo mais inclusivo e acessível a todos, independentemente de habilidades ou condições físicas.As principais adaptações são as mostradas a seguir. • Número de jogadores: pode ser ajustado, o que permite times com menos ou mais jogadores. • Tamanho da quadra: as dimensões podem ser reduzidas, principalmente em jogos recreativos ou para iniciantes, facilitando o alcance e a movimentação. • Altura da rede: pode ser ajustada para atender às capacidades dos jogadores, tornando o jogo mais equilibrado e de acordo com as capacidades dos praticantes. • Número de toques: em vez de três toques, as equipes podem ter um número maior ou ilimitado de toques antes de enviar a bola ao lado adversário, tornando o jogo menos complexo. • Saque: pode ser realizado de diferentes maneiras e mais próximo da rede para facilitar o início do set e a recepção e aumentar a participação de todos. • Rotação: pode ser opcional, permitindo que jogadores permaneçam em suas posições de conforto, especialmente em contextos de aprendizado. 21 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE • Uso de equipamentos adaptativos: isso pode ser feito com a utilização de rede mais baixa ou de bola mais leve. • Regras de pontuação: podem ser usadas diferentes regras para pontuação. É importante que o professor identifique as necessidades do grupo no qual está trabalhando para que as adaptações sejam favoráveis ao aprendizado, promovendo a inclusão, por exemplo, por possibilitar que todos joguem no sistema 6 x 0, ou que o saque utilizado nas primeiras categorias seja por baixo, o!que facilita o passe para o levantador e permite a organização de ataques. Outra norma que pode ser adaptada para auxiliar a formação mais generalizada dos jogadores é a proibição da largada de segunda pelo jogador da posição 3, obrigando o levantamento. Outra modificação que pode ser utilizada é a exigência de que todos os jogadores inscritos na súmula participem do jogo. Em alguns casos, a regra diz que, no segundo set, três dos jogadores que participaram do primeiro set sejam substituídos por três reservas. No terceiro, isso pode se repetir, fazendo com que todos os atletas participem de um tempo inteiro na partida. Essa regra dá oportunidade a mais indivíduos de jogar e evita o comportamento de certos técnicos de contarem apenas com os seis melhores. 1.3.4 Voleibol adaptado para pessoas idosas O voleibol é uma modalidade de elevada exigência técnica e nem todos estão aptos a praticá-lo. Por causa disso, surgiu uma versão adaptada a pessoas idosas, que faz muito sucesso. O jogo mantém a maioria das regras do vôlei normal; no entanto, a bola deve ser lançada e segurada. O saque deve ser por baixo e as equipes podem passar a bola até duas vezes entre si antes de enviá-la para a quadra adversária. A prática dessa modalidade oferece às pessoas idosas melhora das habilidades envolvidas, além do aprimoramento de suas capacidades. Contudo, o maior ganho está na parte psicossocial, em que a alegria e o relacionamento interpessoal são sempre estimulados. Há diversas competições: locais, regionais e nacionais. As adaptações podem facilitar o jogo, tornando-o mais acessível e seguro. 1.3.5 Voleibol sentado O vôlei sentado é uma modalidade do esporte que foi adaptada para pessoas que têm algum tipo de deficiência física relacionada à locomoção. Todavia, ele também pode ser praticado por todas as pessoas, inclusive com o intuito de estimular a inclusão. Enfim, o voleibol adaptado para pessoas com deficiência é o voleibol sentado. Jogado em uma quadra de 10 m por 6 m, com rede no masculino de 1,15 m e, no feminino, de 1,05. Ele é disputado de acordo com a maioria das regras usuais e o atleta só poderá tocar na bola se estiver sentado. 22 Unidade I Os jogadores poderão apresentar qualquer uma das condições a seguir: amputações, lesões na medula espinhal, paralisia cerebral e lesões cerebrais. Além disso, há as pessoas que já sofreram acidentes vasculares cerebrais e paralisia muscular, classificadas em 14 categorias. 1.3.6 Voleibol de praia A modalidade é jogada em quadra de areia, de 16 m por 8 m, com dois jogadores por equipe. Os sets são disputados em 21 pontos, desde que tenha uma diferença mínima de dois pontos em relação à dupla adversária. Se houver empate em 20 a 20, o set prosseguirá até que uma das duplas consiga abrir uma vantagem de dois pontos. As técnicas utilizadas são as mesmas do vôlei convencional, no entanto há maior dificuldade de deslocamentos em razão das características do piso e do ambiente (sol ou chuva). O voleibol de praia do Brasil é reconhecido como um dos melhores do mundo. No Brasil, a modalidade é praticada desde a década de 1930, de forma amadora, nas praias de Copacabana e Ipanema, no Rio!de!Janeiro. Desde então, essa variação do voleibol convencional vem ganhando milhares de adeptos e deixou de ser somente uma brincadeira para ser um esporte olímpico com a mesma importância do voleibol de quadra. Nas Olimpíadas de Paris em 2024, o Brasil conquistou medalha de ouro com a dupla Duda e Ana Patrícia. 2 UTILIZAÇÃO DO VOLEIBOL COMO FERRAMENTA PARA CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO PARTICIPANTE Um dos benefícios da prática esportiva é desenvolver o praticante de maneira integral quanto aos aspectos motores, físicos, sociais, afetivos e cognitivos. Vamos analisar conjuntamente se a prática do voleibol pode contribuir para esse desenvolvimento. Em quais situações o professor/técnico poderá aplicar o voleibol como modo de desenvolvimento de seus alunos? Respeitando as características do esporte, nas categorias de base, ele pode ser trabalhado de forma lúdica, com campo e bolas adaptadas, para que o aluno conheça a prática e desenvolva capacidades e habilidades que possibilitem o aprendizado das técnicas específicas. Conforme o crescimento e o desenvolvimento do aluno, será possível o início do uso das técnicas “corretas” e mais específicas. É importante que o técnico dê as mesmas oportunidades a todos os alunos e pratique sempre a inclusão. Certamente, você terá um planejamento com objetivos a curto, médio e longo prazos. Observação A inclusão no voleibol é um tema cada vez mais relevante, especialmente porque o esporte busca ser acessível e acolhedor para pessoas de diferentes idades, habilidades, gêneros e condições físicas. 23 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE As escolinhas de voleibol oferecem uma série de benefícios que contribuem para o desenvolvimento integral dos praticantes, especialmente crianças e adolescentes. Esses benefícios abrangem aspectos físicos, sociais, emocionais e cognitivos. Vejamos. • Desenvolvimento físico: a prática aprimora a coordenação motora, principalmente de movimentos precisos e eficientes. • Agilidade e velocidade: o esporte desenvolve velocidade de reação, movimentos rápidos e mudanças rápidas de direção, o que aprimora a agilidade e o desempenho dos praticantes. • Força muscular: a repetição de saltos e outros movimentos específicos para o aprendizado dos fundamentos fortalece a musculatura, especialmente a dos membros inferiores. • Desenvolvimento social: o trabalho em equipe proporcionado pela prática do voleibol incentiva a cooperação e a comunicação dos jogadores, o que desenvolve a socialização do grupo. • Disciplina: a participação em treinos e competições promove a disciplina, a organização e o cumprimento de regras, bem como a participação assídua a campeonatos e competições internas. • Autoestima e confiança: estabelecer metas e alcançá-las ajuda a fortalecer a autoestima e a autoconfiança. • Estilo de vida saudável: a prática regular de atividade física combate o sedentarismo, auxilia no controle de peso, além de liberar endorfinas e proporcionar alívio do estresse. Além de todos os benefícios citados, a aprendizagem do voleibol contribui, sem dúvida, para a ampliação do repertório motor do aluno, que vai aprender a executar todas as técnicas específicas da modalidade. Cada uma das técnicas tem uma exigência física em termos de capacidades motoras. Por exemplo, para executar a técnica da cortada, oaluno precisa da potência de membros inferiores para o salto e de equilíbrio dinâmico, o que envolve o desenvolvimento motor e físico. Para jogar voleibol, o aluno precisará não só conhecer as técnicas, mas as regras básicas, além de entender a dinâmica do jogo. Com o tempo de prática, ele irá explorar algumas formações táticas. Quando estiver jogando, precisará saber analisar as jogadas, decidir como irá intervir e para onde direcionará a bola. O raciocínio rápido e a tomada de decisão farão com que possa alcançar sucesso. Tais aspectos estimulam o desenvolvimento cognitivo. A ação de um jogador é altamente dependente de seu companheiro de equipe. Aquele que finaliza o ponto com uma cortada espetacular só pode fazê-lo se receber um bom levantamento, e o levantador, por sua vez, depende de um bom passe. Essa interdependência desenvolve nos jogadores um espírito de equipe ainda maior, ensinando a lidar com as diferenças e a respeitar os demais. O fator social, portanto, é sempre desenvolvido. 24 Unidade I Para o desenvolvimento dos aspectos afetivos, é preciso um bom trabalho do técnico, no que diz respeito ao ensino das técnicas, para que o indivíduo possa, uma vez dominando-as, participar de situações em diferentes momentos, por exemplo, um jogo na escola/no clube, ou um jogo de lazer na praia/no campo. O aluno que tem os conhecimentos básicos do voleibol tem sua autoestima mais elevada e pode se relacionar com pessoas distintas em diferentes situações. O técnico que ensina, instrui, corrige!e faz cobranças plausíveis, valorizando acima de tudo o esforço, contribui muito para o crescimento da autoestima e da autoconfiança no aluno. É importante buscar sempre o desenvolvimento integral do aluno/atleta na escola, no clube ou em qualquer lugar onde se insere a prática. Trabalhar de forma ética, de maneira que o foco do trabalho seja o bem-estar do aluno, é nossa obrigação. O técnico deve sempre assumir a postura de educador, ainda que com atletas adultos, pois seu objetivo é educar o atleta nos aspectos físicos, motores, afetivos, sociais e cognitivos. O jogo de voleibol é composto por: • ações de início da jogada, com os diversos tipos de saques de recepções e de defesa da bola, realizados por meio do toque por cima, da manchete, de rolamentos, de mergulhos e bloqueio; • ações de ataque, efetuadas por meio da cortada, da largada e até mesmo do toque ou da manchete. Verificaremos a seguir como são executadas tais técnicas e quais são os fatores necessários para sua execução. Cada técnica (habilidade motora específica), para ser executada, precisa de algumas capacidades motoras. Descreveremos a seguir as mais importantes. Lembrete É importante buscar sempre o desenvolvimento integral do aluno/atleta na escola, no clube ou em qualquer lugar onde se insere a prática. 3 A EXECUÇÃO DAS TÉCNICAS DO VOLEIBOL 3.1 Posição de expectativa ou posição básica A posição de expectativa é fundamental para vários momentos no jogo, como esperar a bola que vem do outro lado da quadra, por meio de um saque, de um toque ou de uma cortada. Ela permite ao executante entrar em ação rapidamente e propicia um passe de melhor qualidade. Os pés deverão estar em afastamento lateral e anteroposterior, com um deles pouco à frente. O!tronco!precisará estar inclinado à frente e os braços semiflexionados, com as mãos à frente do tronco,!a meio caminho entre a posição de toque e manchete (figuras 11 e 12). As capacidades motoras mais importantes são: resistência muscular localizada de membros inferiores e da musculatura dorsal. 25 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Figura 11 – Posição de expectativa vista de frente Figura 12 – Posição de expectativa vista de lado Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 70). 3.2 Deslocamentos Os deslocamentos permitem que o executante se posicione adequadamente antes de receber a bola, fazendo com que o passe seja realizado de modo correto. Aqueles realizados para as laterais e diagonais devem ser executados a partir da posição de expectativa, iniciando com um passo da perna direita, quando o deslocamento é para a direita, ampliando o afastamento, para em seguida fazer uma passada dupla à direita. O mesmo processo se repete para o lado esquerdo. Para deslocar-se para frente, partindo da posição de expectativa, você deve iniciar ampliando o afastamento anteroposterior, com um passo com a perna que já estiver à frente; depois dê uma passada dupla. A fim de mover-se para trás, parte-se da posição de expectativa e dá-se o primeiro passo com a perna que estiver atrás, ampliando o afastamento para depois executar uma passada dupla. Durante os deslocamentos, tanto para as laterais como para frente e para trás, o executante deve manter os pés afastados um do outro, o que permitirá que ele esteja preparado para receber a bola. Efetuar as movimentações de forma correta facilitará os passes realizados tanto de toque quanto de manchete, pois permitirão ao jogador chegar ao local em que a bola se dirige e se posicionar adequadamente e de frente para onde o passe será realizado. É importante que, na iniciação ao voleibol, o aluno se posicione corretamente para receber a bola. As capacidades motoras mais importantes são: resistência muscular localizada de membros inferiores e da musculatura dorsal e coordenação de membros inferiores. 26 Unidade I Observação Dedicar-se ao ensino da posição de expectativa e de deslocamentos antes facilita muito a aplicação das demais, principalmente o toque e a manchete. 3.3 Toque de bola por cima O toque de bola por cima é utilizado para se fazer um passe para o colega de equipe, a fim de enviar a bola para a outra quadra e principalmente executar o levantamento para o ataque. Os levantadores mais experientes sempre o utilizam, pois ele permite maior controle e precisão do que a manchete. Existem variações na execução do toque, como toque de costas, toque lateral e toque em suspensão (saltando). No entanto, na iniciação ao voleibol, deve-se assegurar que o aluno aprenda primeiro o toque de frente. O toque de bola por cima é realizado sempre acima da cabeça, com as mãos abertas em forma de concha, para o encaixe da bola, de maneira que se forme um triângulo entre os dedos polegares e indicadores. O executante deve se posicionar embaixo da bola e com os membros inferiores e superiores semiflexionados (figuras 13 e 14). No instante do toque na bola, deve-se fazer a extensão de membros superiores e inferiores, impulsionando a bola para cima e para frente. Figura 13 – Posição do toque de bola por cima vista de lado Figura 14 – Posição do toque de bola por cima vista de frente Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 74). 27 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Observação Temos, na história do voleibol em nosso país, grandes levantadores, que foram considerados os melhores do mundo, tanto no masculino, com Maurício e Ricardinho, quanto no feminino, com Fofão e Fernanda Venturini. As capacidades motoras mais importantes são: resistência muscular localizada de membros inferiores e superiores e coordenação de membros inferiores e superiores. Saiba mais Para saber mais a respeito do conhecimento tático dos levantadores brasileiros, leia o artigo: QUEIROGA, M. A. et al. O conhecimento tático-estratégico dos levantadores integrantes das seleções brasileiras de voleibol. Fitness and Performance Journal, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 78-92, 2010. Disponível em: https://tinyurl.com/yc8mswdt. Acesso em: 13 nov. 2024. 3.4 Manchete A manchete é realizada quando se recebe um saque ou um ataque do adversário, quando se faz um passe para o colega de equipe ou para a outra equipe. Pode ser efetuada também para um levantamento, porém não apresenta tanta precisão quanto o toque. Ela pode ser executada de frente, lateralmente ou de costas, e as duas últimas devem ser ensinadas após o domínio da forma mais básica. Partindo da posição de expectativa, o executante deve estender os membros superioresà frente do corpo, com as palmas das mãos para cima e os dedos unidos, apoiando os dedos de uma das mãos sobre os da outra, fechando os polegares, que irão segurar os dedos. Os braços deverão estar estendidos e a bola deverá ser golpeada nos antebraços no instante em que os membros inferiores fizerem uma leve extensão, transferindo o peso do corpo da perna de trás para a da frente. O movimento dos braços na manchete deve ter origem nos ombros. Os braços devem permanecer estendidos até o final do movimento (figuras 15 e 16). As capacidades motoras mais importantes são: resistência muscular localizada de membros inferiores e coordenação de membros inferiores e superiores. 28 Unidade I Figura 15 – Posição de manchete vista de!frente Figura 16 – Posição de manchete vista de lado Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 82). Observação Embora pareça ser de simples execução, a manchete exige muita precisão. Veja que a bola toca exatamente nos antebraços, que devem estar totalmente estendidos (figura 17). Qualquer variação mais acima ou mais abaixo, ou mais em um braço que no outro, causa um desvio importante em sua trajetória, muitas vezes inviabilizando o passe. Figura 17 – Posição da manchete Disponível em: https://tinyurl.com/kc5rartj. Acesso em: 13 nov. 2024. 29 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 3.5 Saque As jogadas, ou ralis, têm início com um saque. Ele será sempre executado pelo jogador que estiver na posição 1. O saque pode ser por baixo ou por cima (tipo tênis). O saque por baixo é muito utilizado em competições escolares e por principiantes (qualquer idade). Há torneios em que algumas regras são adaptadas para as categorias menores e, entre elas, está o uso desse tipo de saque. Essa regra auxilia a aprendizagem porque o saque por baixo é de recepção mais fácil, o que possibilita às equipes a realização dos três toques, o que seria dificultado com a execução do saque por cima, uma vez que na iniciação a capacidade de recepção não é tão desenvolvida. O saque por cima pode ser realizado com ou sem rotação da bola (saque flutuante). Os dois tipos podem ser praticados com ou sem salto. O flutuante tem ainda uma variação, que é o saque asiático ou balanceado, embora esse tipo seja cada vez menos executado. O saque com rotação segue uma trajetória mais bem definida, contudo, há maior potência. Já o saque flutuante não tem tanta potência, mas sua trajetória irregular dificulta a recepção. 3.5.1 Saque por baixo O sacador deverá se posicionar em qualquer ponto da linha de fundo, atrás dela, com o tronco ligeiramente inclinado à frente, com as pernas em afastamento anteroposterior, e com a perna contrária à mão que irá sacar, à frente. O braço que irá sacar faz um movimento de pêndulo ao lado do corpo, transferindo o peso da perna de trás para a da frente. A bola deverá estar na mão contrária àquela que irá sacar e será realizado um pequeno lançamento. No momento do contato da bola com a mão!que saca, o cotovelo e o punho deverão estar estendidos. O contato poderá ser efetuado com a mão espalmada ou com o punho fechado. Quanto maior a área de contato com a bola, maior a precisão e maior a chance de acerto (figura 18). Figura 18 – Movimento do saque por baixo Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 85). 30 Unidade I As capacidades motoras mais importantes são: resistência muscular localizada de membros inferiores e superiores e coordenação de membros inferiores e superiores. Observação Em torneios amistosos ou oficiais, de crianças, adolescentes ou adultos principiantes, use como regra adaptada o saque por baixo. Isso permitirá um jogo de maior volume (com mais tempo de bola no ar) e aprendizagem melhor da recepção e do levantamento por causa do ataque. Em equipes principiantes, que ainda não têm a técnica assimilada, um sacador com muita potência no saque por cima pode definir o jogo sem que haja, necessariamente, ganho evolutivo no desempenho geral, que é o que se espera. 3.5.2 Saque por cima É muito mais potente e difícil de receber do que o saque por baixo. São dois os tipos: com rotação e sem rotação da bola. 3.5.2.1 Saque por cima com rotação da bola O sacador deverá se posicionar na área de saque, com os pés em afastamento anteroposterior e perna contrária à do braço de saque à frente. A bola deverá ser lançada com uma ou as duas mãos acima da cabeça. Ao lançar a bola, os braços são elevados para cima, e o braço que vai golpear a bola passa a linha do ombro para trás, com semiflexão do cotovelo, e o outro braço irá manter-se estendido na direção da bola. Nesse momento há uma hiperextensão do tronco. Quando a bola descer na altura de alcance da mão, ela será golpeada com o braço bem estendido, com uma flexão do tronco e simultânea flexão do punho. Haverá uma transferência do peso do corpo da perna de trás para a da frente. No!término do movimento, o braço de ataque à bola continuará sua trajetória, estendendo-se para baixo, ao lado do tronco. A flexão do punho e a batida na bola nessa posição, acima da cabeça, irão promover a rotação da bola sobre seu eixo. Esse tipo de saque também pode ser realizado com salto. Nesse caso, o sacador tomará uma distância maior atrás da linha de fundo, lançará a bola com uma ou duas mãos para cima e para frente, dará uma ou duas passadas e um salto com um só dos pés e realizará o movimento de braços descrito. Tal movimento é o mesmo da cortada (que será descrito mais à frente) e ele, conhecido como “saque viagem”, pode ser bem potente e de difícil recepção, por causa da força e da velocidade que alcança, embora tenha trajetória definida. 31 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE 3.5.2.2 Saque por cima sem rotação da bola – flutuante Para realizar o saque flutuante, o sacador deve se posicionar atrás da linha de fundo, na área de saque, em afastamento anteroposterior das pernas, com a perna contrária à mão que saca à frente. A! bola deve ser sustentada pela mão contrária à que vai bater na bola, à frente do corpo, com o braço estendido. O braço de ataque deve ser previamente preparado com uma semiflexão do cotovelo e máxima extensão da articulação escapuloumeral. Figura 19 – Saque por cima flutuante Disponível em: https://tinyurl.com/48pxdx3z. Acesso em: 13 nov. 2024. A bola deve ser lançada para cima, na altura suficiente para a batida com o braço estendido, e à frente do corpo, de forma que, se ela não for golpeada, deverá cair no solo em frente ao corpo, à frente do pé que está na frente. A batida na bola é realizada acima da cabeça e à frente do corpo, com a mão espalmada e a palma voltada de frente para a rede. Ao bater na bola, o braço freia o movimento e se mantém estendido e à frente do corpo, de forma paralela ao solo. Isso fará com que a bola se desloque sem rotação de seu eixo e oscilando sua trajetória (figura 20). Figura 20 – Saque flutuante sem salto Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 89). 32 Unidade I O saque flutuante e com salto deve ser executado com uma ou duas passadas à frente, salto em uma ou duas pernas, lançamento da bola mais baixo do que no saque com rotação e com o movimento dos braços já descrito. As capacidades motoras mais importantes são: flexibilidade escapuloumeral e potência de membros superiores e inferiores (no caso dos saques com salto). Saiba mais Promover feedback é fundamental para a qualidade da aprendizagem. Saiba mais a respeito lendo a indicação a seguir: TERTULIANO, I. W. et al. Efeitos da frequência de feedback na aprendizagem do saque do voleibol. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 7, n. 3, p. 328-335, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/5n943e7c. Acesso em: 13 nov. 2023. 3.6 Cortada A cortada é o fundamento do voleibol utilizado para finalizar a jogada de ataque. O jogador procura enviar a bola de forma potente à quadra adversária e tenta fazer com que ela toque o solo ou dificulte ao máximo a defesa. Trata-se de uma habilidade motora seriada. Sua execução é bastante complexaporque o jogador deve, além de executar o movimento correto, adequá-lo ao levantamento que receber. Os ajustes precisam ser realizados durante o movimento. Se o levantamento for mais alto, o indivíduo deverá esperar o tempo certo para iniciar o movimento; se for mais baixo, deverá acelerar o movimento. São necessários também ajustes para os levantamentos mais curtos ou mais longos, mais próximos ou mais distantes da rede. Para os jogadores mais experientes, isso varia de acordo com o bloqueio do adversário. Esses acertos dependem muito da capacidade de coordenação visomotora. O movimento deverá ser realizado de forma que o salto seja executado com domínio do equilíbrio dinâmico, para que não haja contato com a rede e para que o contato com a bola seja realizado no ponto mais alto do salto. O movimento da cortada tem cinco etapas: passada ou deslocamento, chamada, salto, fase aérea e queda (figura 21). 33 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Figura 21 – Movimento da cortada Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 94). A passada, ou o deslocamento, pode ser realizada com um, dois, três ou mais passos de corrida em direção à rede. O mais importante é que, no último passo, a perna contrária ao braço que ataca deve estar à frente. Para iniciantes destros, recomenda-se o início com o pé esquerdo à frente, uma passada com o pé direito e logo em seguida tocar os dois pés, com o esquerdo um pouco à frente. Esse deslocamento deve ser realizado com o tronco inclinado à frente e em velocidade, para tentar transferir a velocidade em potência de salto. A chegada da passada é na posição da “chamada”. A posição da chamada é a preparação para o salto. Ela é realizada com a perna esquerda um pouco à frente da direita em relação à rede (para destros) e com os joelhos semiflexionados. O tronco precisa estar inclinado à frente e os braços deverão ficar estendidos ao lado do corpo e ser lançados para trás no mesmo instante em que os pés tocam o solo. Nesse momento, o jogador deverá estar a uma distância de pelo menos um braço da rede. Essa posição é fundamental para conseguir um ótimo salto. Na fase do salto, os braços, que estavam atrás do corpo na chamada, são lançados estendidos para frente e para cima, auxiliando o salto. É importante fazer que o aluno execute o salto para cima, e não para frente. Ele deve ser executado de forma que o corpo esteja não exatamente embaixo da bola, mas um pouco para trás dela em relação à rede. A posição correta é o aluno, a bola e a rede. Na fase aérea, no ponto mais alto do salto, o braço que vai golpear a bola deve ser flexionado para trás da linha do ombro, aproveitando a máxima amplitude escapuloumeral, com uma hiperextensão do tronco (como no posicionamento do saque por cima), enquanto o outro braço, que tem uma função de equilíbrio, é estendido na direção da bola, à frente do corpo. Partindo dessa posição, tem início o movimento de batida na bola, no qual o braço de ataque irá golpear a bola totalmente estendido, com a mão aberta encaixando acima e com uma flexão do punho; esse braço terá seu movimento continuado 34 Unidade I passando ao lado do corpo. O braço esquerdo, no momento da batida na bola, será flexionado e trazido junto ao corpo, completando uma flexão do tronco no momento da batida na bola. Figura 22 – Ataque Disponível em: https://shre.ink/geAn. Acesso em: 13 nov. 2024. Observe, na figura 22, a jogadora durante a fase aérea da cortada, preparando-se para atacar. Note que ela está com o corpo atrás da bola (com relação à rede), o braço esquerdo estendido à frente do corpo, o tronco em extensão, o braço de ataque flexionado e o cotovelo atrás e acima da linha dos ombros. A queda no solo se dá com os dois pés, dividindo o peso do corpo e fazendo uma flexão dos joelhos no momento do contato com o chão. Lembrete Só inicie a aprendizagem da cortada quando os alunos tiverem um domínio razoável do toque e da manchete e conseguirem jogar executando os três toques, caso contrário não haverá sentido em ensiná-la. Jogadores canhotos terão mais facilidade em aprender a cortada na posição 2, ou saída da rede (figura 23), e os destros na posição 4, ou entrada da rede. 35 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE Figura 23 – Fase aérea do movimento da cortada de um jogador canhoto pela saída da rede Disponível em: https://tinyurl.com/d7nnm9v3. Acesso em: 13 nov. 2024. As capacidades motoras mais importantes são: flexibilidade escapuloumeral, potência de membros superiores e inferiores, velocidade de membros superiores, velocidade de aceleração, equilíbrio dinâmico, coordenação de membros superiores e inferiores e coordenação visomotora. 3.7 Largada A largada, ou colocada, é o ato de finalizar um ataque por meio de um leve toque na bola, que tem por objetivo fazer com que ela caia em determinada área da quadra, mais comumente próxima à rede. Para que a largada seja eficaz, o atleta deverá fazer todo o movimento de cortada, levando o adversário a acreditar que a jogada potente vai ser realizada. No último instante, ele toca na bola levemente com as pontas dos dedos, direcionando-a para o local desejado. Trata-se de uma técnica que deve ser ensinada somente após o domínio da cortada, para que não seja um movimento que interfira na aprendizagem dessa técnica. 3.8 Bloqueio O bloqueio é a primeira linha de defesa da equipe. É uma técnica que parece ser de simples execução, porém torna-se extremamente complexa por ter de ser executada o mais próximo possível da rede e sem tocá-la. Exige ajuste no momento do salto ao levantamento e ao atacante adversário. Ele tem quatro fases: posição inicial, salto, contato com a bola e queda. 36 Unidade I A posição inicial é executada bem junto à rede, com os pés paralelos em pequeno afastamento, braços flexionados com mãos espalmadas e palmas à frente dos ombros e voltadas para a quadra adversária. Os membros inferiores devem estar em semiflexão e prontos para os deslocamentos e saltos necessários. Figura 24 – Posição inicial de bloqueio Disponível em: https://shre.ink/gIWj. Acesso em: 17 nov. 2024. O salto é realizado com extensão total e simultânea de membros superiores e inferiores. As mãos devem estar espalmadas e pouco afastadas uma da outra, de maneira a não permitir a passagem da bola entre elas. Figura 25 – Movimento do bloqueio Fonte: Bojikian e Bojikian (2012, p. 103). 37 VOLEIBOL: ASPECTOS DO ESPORTE O contato com a bola deve ser realizado no ponto mais alto do salto. Para os jogadores mais experientes, nesse momento deve haver um movimento de flexão do punho e direcionamento da bola para o solo adversário. Para os iniciantes, recomenda-se ensinar apenas o salto com os punhos estendidos. A queda no solo deve ser realizada com ambos os pés e semiflexão dos joelhos. Os deslocamentos para bloquear poderão ser realizados com passadas laterais ou cruzadas. Para a iniciação, é recomendado que se treine o mesmo deslocamento lateral trabalhado na fase da posição de expectativa. Os tipos de bloqueio estão distribuídos em duas classificações: • De acordo com o número de bloqueadores: simples ou individual, duplo ou triplo. • Conforme o alcance: pode ser defensivo (figura 26) ou ofensivo (figura 27). O bloqueio defensivo é realizado por jogadores não tão altos, do lado da rede do bloqueador, com as mãos espalmadas e voltadas para cima, em uma extensão dos punhos. Sua intenção é amortecer o impacto do ataque adversário, impedindo que a bola seja “cravada” em sua quadra, fazendo com que ela bata em suas mãos e suba em direção à sua quadra, facilitando a defesa de sua equipe. O bloqueio defensivo costuma ser utilizado por jogadores de estatura menor, que não conseguem altura para invadir o espaço aéreo da quadra adversária. É executado por aqueles que não conseguem se posicionar a tempo (chegam atrasados em relação ao ataque) de realizar um bloqueio ofensivo. O bloqueio ofensivo é praticado por indivíduos que conseguem invadir o espaço aéreo do adversário com