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Aula 11
Prefeitura de Olinda-PE (Técnico
Administrativo) Direito Administrativo -
2024 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud
28 de Junho de 2024
39471799600 - Naldira Luiza Vieria
Antonio Daud
Aula 11
Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Introdução e Conceito. Classificação. Características. Espécies de Bens Públicos 3
..............................................................................................................................................................................................2) Aquisição e Alienação de Bens Públicos. Uso Privativo de Bens Públicos por Particulares 20
..............................................................................................................................................................................................3) Questões Comentadas - Bens Públicos - Bancas Selecionadas 44
..............................................................................................................................................................................................4) Lista de Questões - Bens Públicos - Bancas Selecionadas 76
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INTRODUÇÃO 
Olá, amigos (as)! 
Nesta aula estudaremos o tema bens públicos. 
Veremos as regras aplicáveis a todos os bens que são de propriedade do poder público, sejam 
bens móveis (como uma viatura de polícia) ou imóveis (como o edifício próprio em que funciona 
uma repartição pública). 
 
 
 
Iremos nos debruçar, especialmente, sobre suas classificações, características e nos instrumentos 
que legitimam o uso privativo de bens públicos por particulares. 
Tudo pronto?! Confortáveis na poltrona? =) 
Vamos em frente! 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antonio Daud
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CONCEITO DE BENS PÚBLICOS 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
As regras aplicáveis aos bens (públicos ou particulares) encontram-se previstas no Código Civil 
Brasileiro (CCB). 
O referido Código prevê que são considerados públicos os bens que pertencem às pessoas 
jurídicas de direito público: 
CCB, art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas 
de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que 
pertencerem. 
Com base neste dispositivo, podemos concluir que são públicos os bens das pessoas políticas (U, 
E, DF e M) e das respectivas autarquias e fundações públicas de direito público. 
Todos os demais bens são considerados privados, sejam eles pertencentes a particulares ou a 
entidades públicas de direito privado (empresas públicas, sociedades de economia mista e 
fundações públicas de direito privado). 
A questão abaixo cobrou o alcance do conceito de “bens públicos”: 
FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso (adaptada) 
Os bens pertencentes às empresas públicas são públicos, diferentemente dos bens pertencentes às 
sociedades de economia mista. 
Gabarito (E) 
 
Com base no dispositivo acima transcrito, José dos Santos Carvalho Filho1 conceitua bens públicos 
como 
todos aqueles que, de qualquer natureza e a qualquer título, pertençam às pessoas 
jurídicas de direito público, sejam elas federativas, como a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios, sejam da Administração descentralizada, como as autarquias, 
nestas incluindo-se as fundações de direito público (..) 
 
1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1181 
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==1365fc==
 
 
Reparem que tais conceitos alcançam os bens de qualquer natureza, sejam eles móveis ou imóveis, 
corpóreos ou incorpóreos, semoventes, créditos etc. 
A grande importância deste enquadramento como bem público é o fato de estes seguirem regime 
jurídico de direito público, o qual exorbita do direito comum, e confere uma série de proteções e, 
ao mesmo tempo, limitações a tais bens. 
Nesse sentido, é importante já adiantar uma ressalva quanto aos bens de entidades públicas de 
direito privado (estatais e fundações públicas de direito privado). Embora sejam considerados bens 
privados, em determinadas situações, em virtude de entendimentos jurisprudenciais, eles gozarão 
de proteções semelhantes àquelas conferidas aos bens públicos, a saber: 
a) casos em que os bens (embora privados) são utilizados diretamente na prestação de 
serviços públicos: 
b) bens de empresas estatais que prestam serviços essenciais e próprios do Estado, em 
condições não concorrenciais 
Nestes casos, tais bens continuam possuindo natureza de direito privado, mas seguirão regras do 
direito público, em razão de a prestação de serviços públicos deles depender (princípio da 
continuidade do serviço público). 
 
 
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CLASSIFICAÇÕES 
A doutrina apresenta diversas classificações para os bens públicos, com destaque para os 
agrupamentos quanto (i) à titularidade do bem, (ii) sua destinação e (iii) disponibilidade. 
Adiante vamos examinar cada uma destas classificações. 
Titularidade 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
Quanto à titularidade, os bens públicos podem ser: 
 
Quanto aos bens federais, é importante destacarmos o rol de bens da União previstos no art. 20 
do texto constitucional: 
CF, art. 20. São bens da União: 
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e 
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, 
definidas em lei; 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que 
banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a 
titularidade dos 
bens públicos 
federais
ex: edifício do Palácio do Planalto em Brasília, 
terras ocupadas pelos índios, terrenos de 
marinha, faixas de fronteira (CF, art. 20)
estaduais
ex: edifício-sede do governo do Estado de 
São Paulo, rios que não pertençam à União, 
terras devolutas que não sejam da União
distritais ex: sede do governo do Distrito Federal 
(Palácio dos Buritis)
municipais ex: ruas e praças de um município 
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território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias 
fluviais; 
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; 
as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, 
exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as 
referidas no art. 26, II; 
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; 
VI - o mar territorial; 
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
VIII - os potenciais de energia hidráulica; 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; 
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
 
Quanto aos estados e ao DF, o constituinte previu uma lista exemplificativa de bens a eles 
pertencentes. Assim, além daquelesdo povo e os de uso especial:
CCB, art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Gabarito (C)
4. Cebraspe - Seplan - RR – Analista de Planejamento - 2023
Mesmo que seja usado de forma contínua e incontestadamente por alguém de boa-fé, o bem
público não se sujeita a usucapião.
Comentários:
Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião, em razão de sua imprescritibilidade. Assim,
qualquer que seja o período de tempo que uma pessoa utilizou o bem, mesmo diante da falta de
oposição por parte do poder público, o particular não irá adquirir um bem público pelo decurso
do prazo:
CCB, art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Gabarito (C)
5. FCC - Proc (UNICAMP)/UNICAMP/2022
O Estado desapropriou uma extensa área lindeira a uma rodovia federal, na qual instalou uma
unidade de saúde e uma escola técnica, que ocuparam aproximadamente sessenta por cento do
imóvel. Passados mais de vinte anos, a Administração pública realizou um chamamento público
para recebimento de estudos técnicos sobre o potencial de aproveitamento econômico da área
remanescente. Apurou-se, então, que com o crescimento do Município, a região onde se localiza
o imóvel público passou a apresentar demanda por comércio e serviços. Com base nessas
informações, pretende a Administração pública explorar economicamente a área remanescente
do imóvel, destinando as receitas auferidas à política pública de saúde. Nesse caso, afigura-se
viável
a) contratar uma concessão de uso, mediante prévia licitação, ficando o concessionário
responsável pelos investimentos necessários para a instalação de serviços e comércio na área.
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b) alienar o imóvel, independentemente de licitação, desde que o adquirente se comprometa a
destinar o imóvel para comércio e serviços, sob pena de reversão do bem.
c) a contratação de uma permissão de uso, mediante prévia licitação, ficando o permissionário
responsável pelos investimentos obrigatórios e autorizado a explorar economicamente o imóvel.
d) celebrar contrato de autorização de uso, considerando que a destinação do imóvel terá
finalidade precípua de interesse privado.
e) licitar a contratação de uma concessão de uso, precedida de oferta da área ao expropriado ou
seus herdeiros, em razão do direito de preferência para aquisição da área.
Comentários:
A alternativa (A) está correta. A situação demonstrada em conjunto com a solução apresentada
na assertiva (A) se relacionam perfeitamente com as peculiaridades de uma concessão de uso de
bem público, que remonta um contrato administrativo celebrado por prazo determinado, no
qual não há precariedade e é, em regra, precedida de licitação.
A alternativa (B) não está correta. Ressalvados os casos de dispensa, a alienação de imóveis
demanda autorização legislativa, licitação prévia e interesse público demonstrado. Conforme
dispõe a Lei 14.133/2021:
Art. 76. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse
público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
I - tratando-se de bens imóveis, inclusive os pertencentes às autarquias e às fundações, exigirá
autorização legislativa e dependerá de licitação na modalidade leilão (...)
A alternativa (C) também está incorreta. Aqui há divergência doutrinária, dado que certos
estudiosos consideram que permissão de uso de bem público necessita de licitação prévia. Por
outro lado, há corrente que indica a sua desnecessidade, haja vista a sua natureza precária e
discricionária. A fim de elucidar o tema, cito aqui lição da professora Di Pietro:
A permissão de uso, quando dada precariamente (como é de sua natureza), ou seja, sem prazo
estabelecido, não cria obrigações para a Administração Pública, que concede a permissão e a
retira discricionariamente, independentemente do consentimento do permissionário, segundo
razões exclusivamente de interesse público. Nesses casos, a permissão não tem natureza
contratual e, portanto, não está sujeito à licitação...”
A autorização de uso refere-se a um ajuste com interesse eminentemente privado. Dessa forma, a
alternativa (D) está incorreta, dado que na situação enunciada o interesse não é unicamente
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privado, de forma que o Poder Público iria se beneficiar com a exploração econômica da área
remanescente do imóvel.
Por fim, a alternativa (E) está incorreta, dado que o direito de preferência só ocorre na
circunstância em que Poder Público não dá a destinação pública ao bem expropriado. Levando
em conta que haveria utilização do imóvel, não há que se falar nessa preferência
Gabarito (A)
6. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022
A associação de moradores do Bairro Alfa obteve consentimento do Município Beta para
utilização especial de bem público consistente no fechamento da Rua Gama, no primeiro sábado
de junho, das 18h às 23h, para realização de um evento festivo. Sabe-se que o mencionado
consentimento 4 ocorreu de forma precária, sem prévia licitação, e atendendo ao interesse
daquela coletividade, sem prejuízo ao interesse público.
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo, o ato praticado pelo poder público
municipal consiste em
a) concessão de uso.
b) permissão de uso.
c) autorização de uso.
d) concessão de direito real de uso.
e) concessão de uso especial transitória.
Comentários:
A autorização de uso é instituto que permite ao poder público autorizar o particular a utilizar bem
público, por prazo determinado e sem transferência de domínio ou posse, para atender a
interesses privados que não conflitem com o interesse público. Nesse caso, a associação de
moradores do Bairro Alfa obteve um consentimento precário do Município Beta para a utilização
especial da Rua Gama, ou seja, uma autorização de uso, pois se trata de um uso temporário e
sem transferência de domínio ou posse. Cabe destacar que o referido ato é: i) discricionário; ii)
precário; iii) há mero interesse do particular; iv) revogável.
No que tange à permissão de uso, também é um ato administrativo discricionário e precário. A
principal diferença deste instituto jurídico para a autorização de uso reside no fato de que, na
permissão, o uso do bem público é destinado a particular para atender a um interesse
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predominantemente público, enquanto que na autorização o interesse é eminentemente
particular. Conforme dispõe Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
“(...) embora seja assegurada, com a permissão, determinada vantagem ao usuário, não auferida
pela generalidade dos indivíduos, o uso por ele exercido deve proporcionar algum benefício de
caráter geral. Por essa razão, também, embora o vocábulo permissão dê a ideia de faculdade
que pode ser ou não exercida, na realidade o permissionário se obriga a utilizar o bem para o fim
predeterminado, sob pena de, não o fazendo, ser-lhe retirada a permissão.”
Dado que o interesse do enunciado é unicamente privado, o ato praticado pelo poder público
municipal consiste em uma autorização, e não permissão, de modo que alternativa (C) está
correta, enquanto a alternativa (B) está incorreta.
No mais, perceba que não se trata de uma concessão de uso de bem público, visto que o caso se
refere à ato precário e realizado sem licitação, não se coadunando no conceito de “concessão”.
Portanto, as alternativas (A), (D) e (E) estão incorretas.
Gabarito (C)
7. FGV - TNS (SSP AM)/SSP AM/2022
Em matériade classificação dos bens públicos quanto à sua destinação, é correto afirmar que o
imóvel onde está sediada a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Estado Gama é um bem
a) de uso comum do povo, pois todos os cidadãos podem ser usuários do serviço público
prestado.
b) de uso especial, porque é usado para prestação de serviço público pela Administração com
finalidade pública.
c) dominical, porque tem uma destinação pública específica dirigida a toda coletividade.
d) afetado, porque não tem uma destinação pública específica, ficando a cargo do Secretário
estadual definir quais serviços serão prestados pelos agentes lotados no órgão.
e) desafetado, porque tem uma destinação pública específica, ficando a cargo do Secretário
estadual lotar os servidores públicos em cada setor do órgão.
Comentários:
Os bens de uso especial são aqueles afetados a um serviço público específico e não podem ser
utilizados para outros fins que não sejam aqueles para os quais foram destinados, a menos que
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sofram o processo de desafetação. Dessa forma, dado que o imóvel está sediando a Secretaria
Estadual de Segurança Pública do Estado Gama, trata-se de bem especial, de modo que a
alternativa (B) está correta.
No mais, embora todos os cidadãos possam ser usuários do serviço público prestado, isso não
faz com que o bem em questão seja de uso comum do povo, que são aqueles utilizados por
todos indistintamente, como ruas e praças. Logo, a alternativa (A) está incorreta.
A alternativa (C), por sua vez, está equivocada, pois os bens dominicais não possuem destinação
específica, podendo ser vendidos ou utilizados para qualquer finalidade pública.
Cabe citar o art. 99 do Código Civil, que define a classificação de bens públicos:
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento
da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como
objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Quanto às alternativas (D) e (E), estão erradas porque inverteram os conceitos. São os bens
afetados que tem uma destinação pública específica, enquanto os desafetados não possuem.
Gabarito (B)
8. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021
No interior das dependências do presídio estadual Gama, funciona uma lanchonete, administrada
por Maria, que realizou diversas obras no local para instalar seu comércio. Durante inspeção do
Ministério Público Estadual, o Promotor de Justiça verificou que Maria possuía um contrato
administrativo assinado com o Estado, representado pela Secretaria Estadual de Administração
Penitenciária, por prazo determinado, sem que, contudo, tenha sido precedido de procedimento
licitatório. Após instaurar inquérito civil para apurar a legalidade do consentimento estatal para
utilização do bem público por Maria, o Ministério Público Estadual concluiu que o contrato:
A) não está viciado, por se tratar de autorização de uso, que prescinde de licitação prévia;
B) não está viciado, por se tratar de permissão de uso, que prescinde de licitação prévia;
C) está viciado, por se tratar de concessão de direito real de uso, que depende de licitação
prévia;
D) está viciado, por se tratar de concessão de uso, que depende de licitação prévia;
E) está viciado, por se tratar de permissão de uso, que prescinde de licitação prévia.
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Comentários:
Ao mencionar a existência de contrato administrativo por prazo determinado, viabilizando o uso
privativo daquele espaço, podemos concluir tratar-se de uma concessão de uso, excluindo
aquelas alternativas que mencionam a autorização e a permissão (que possuem natureza de ato
administrativo).
Nesse sentido, uma decorrência de sua natureza contratual diz respeito à necessidade de
licitação prévia, como regra geral. Portanto, nosso gabarito encontra-se na alternativa (D).
Relembrando as principais características dos 3 instrumentos de cessão de bem público:
Autorização Permissão Concessão
Ato administrativo Ato administrativo Contrato administrativo
Interesse particular
preponderante Nivelamento de interesses Indicada para situações não
transitórias, de longa duração
Regra: sem licitação Regra: sem licitação Regra: licitação prévia
Ato precário Ato precário Sem precariedade
Revogável a qualquer tempo Revogável a qualquer tempo Admite rescisão do contrato,
nas hipóteses legais
Por fim, quanto à alternativa (C), lembro que a concessão de direito real de uso1 consiste no
contrato administrativo pelo qual o Poder Público confere ao particular o direito real resolúvel de
uso de terreno público ou sobre o espaço aéreo que o recobre, para os fins que, prévia e
determinadamente, o justificaram, encontrando-se assim definida pelo Decreto-Lei 271/1967,
situação que não se amolda ao descrito no enunciado.
Gabarito (D)
9. VUNESP/Prefeitura de São Roque – Advogado – 2020
A respeito dos bens públicos, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a
alternativa correta.
a) Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha são
oponíveis à União.
b) A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, reservado ao particular o
direito à indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias.
c) Os bens integrantes do acervo patrimonial de sociedades de economia mista sujeitos a uma
destinação pública equiparam-se a bens públicos, sendo, portanto, insuscetíveis de serem
adquiridos por meio de usucapião.
d) São considerados bens públicos os pertencentes às associações públicas, às sociedades de
economia mista e às empresas públicas.
1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1.221
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e) Os bens públicos dominicais podem ser adquiridos por usucapião, desde que comprovado o
não atendimento da função social da propriedade e presentes os requisitos da usucapião
extraordinária.
Comentários:
Nesta questão, em diversos momentos, a banca exigiu do candidato conhecimentos específicos
oriundos de julgados ou súmulas do STF e STJ, como podemos ver a seguir.
A letra (A) contraria entendimento do STJ sobre o assunto:
Súmula 496, STJ: Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de
marinha não são oponíveis à União.
A letra (B) está incorreta, pois se opõe ao previsto em súmula do STJ sobre o tema, já que não
cabe indenização pelas benfeitorias:
Súmula 619, STJ: A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de natureza
precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias.
A letra (C) está correta. A alternativa reflete a jurisprudência do STJ quanto à classificação de
bens de sociedades de economia mista sujeitos a uma destinação pública2:
1) Os bens integrantes do acervo patrimonial de sociedades de economia mista sujeitos a uma
destinação pública equiparam-se a bens públicos, sendo, portanto, insuscetíveis de serem
adquiridos por meio de usucapião.
Em outras palavras, o STJ equipara bens destas estatais a bens públicos, desde que eles estejam
afetados a uma destinação pública, especialmente aqueles bens destinados à prestação de
serviços públicos.
A letra (D) está incorreta. Os bens das empresas estatais são privados, nos termos do artigo 98
do CCB, a despeito de serem destinatáriosde proteções do regime público em determinadas
situações.
A letra (E) está incorreta. Mais uma vez a questão exige o conhecimento da jurisprudência
sumulada, nos seguintes termos:
Súmula 340, STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens
públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.
Gabarito (C)
10. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019
Dispõe o Código Civil que “São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem”. A respeito dos bens públicos, analise as afirmativas abaixo.
I. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
2 STJ, Jurisprudência em teses, edição 124
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II. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
III. O uso comum de bens públicos deve ser gratuito.
Assinale a alternativa correta.
a) As afirmativas I, II e III estão corretas
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas
d) Apenas as afirmativas I e III estão corretas
Comentários:
O item I está correto ao transcrever o disposto no art. 100 do Código Civil, que dispõe sobre a
inalienabilidade dos bens de usos comum e especial:
CCB, art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
O item II está correto. Em decorrência da imprescritibilidade, os bens públicos de fato não estão
sujeitos a usucapião.
O item III está incorreto. Nem sempre o uso comum de bem público será gratuito.
Diferentemente do uso privativo, o uso comum é aquele exercido em igualdade de condições
por todos os membros da coletividade. De toda forma, tanto o uso comum como o privativo
pode ser oneroso, a exemplo da cobrança de pedágios pela utilização de rodovias (bem de uso
comum do povo).
Gabarito (B)
11. CEBRASPE - AFRE (SEFAZ RS) /SEFAZ RS/2019
Um terreno pertencente ao Estado e anteriormente sem utilização passou a ser usado por um
órgão público para o desempenho de determinadas tarefas. Trata-se de bem público que era de
uso
a) dominical e, após afetação, passou a ser bem de uso especial.
b) especial e, após desafetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
c) especial e, após afetação, passou a ser bem dominical.
d) dominical e, após desafetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
e) especial e, após afetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
Comentários:
Em um primeiro momento, o imóvel não possuía finalidade pública específica e, assim, constituía
bem dominical. Na sequência, passou a ser utilizado por órgão público, tornando-se bem de uso
especial:
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Assim, a letra (a) está correta.
Gabarito: A
12. CEBRASPE - Sold (PM AL) /PM AL/Combatente/2018
Julgue o item, a respeito da administração pública direta e indireta.
Os edifícios utilizados como estabelecimentos da administração pública, incluindo as autarquias,
são classificados como bens públicos de uso especial.
Comentários:
Trata-se de exemplo clássico de bem de uso especial.
Gabarito: (C)
13. CEBRASPE - Proc (João Pessoa) /Pref João Pessoa/2018
Prédio sede de prefeitura, creches municipais e postos de saúde são bens
a) de uso especial, pois são destinados a uma finalidade pública específica.
b) dominicais e dependem de autorização específica para o seu uso.
c) públicos destinados à prestação de serviços ou à realização de atividade econômica.
d) de uso comum do povo e destinados ao uso livre e gratuito da população.
e) insuscetíveis de alienação.
Comentários:
Trata-se de mais um exemplo de bem de uso especial, utilizado na prestação de serviços
públicos, em geral, incluindo os serviços administrativos das repartições públicas.
Em razão da destinação pública dos bens de uso especial e comum do povo, eles não poderão
ser alienados – enquanto conservarem tal destinação (CCB, art. 100).
Gabarito: A
14. FGV - TSJ (DPE RJ) /DPE RJ/2019
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O Prefeito do Município Alfa comunicou à sua assessoria que almejava criar um serviço de
assistência social destinado à população carente. Ao analisar os três bens públicos disponíveis,
consistentes em
(I) uma praça pública;
(II) uma repartição pública, vinculada à Secretaria Municipal de Fazenda, em pleno
funcionamento; e
(III) um prédio desocupado, que há muitas décadas sediara uma inspetoria fiscal, determinou que
o serviço fosse instalado no bem dominical.
Preenche(m) a característica indicada pelo Prefeito Municipal o(s) bem(ns) referido(s) somente em:
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) II e III.
Comentários:
Os bens mencionados nos itens I e II referem-se, respectivamente, a bem de uso comum e uso
especial, os quais já se encontram afetados.
O Item III, por sua vez, bem dominical é o único que encontra-se “disponível”.
Gabarito: C
15. FGV - Ana (MPE AL) /MPE AL/Jurídica/2018
O Chefe do Poder Executivo do Município Alfa decidiu construir um restaurante popular com o
objetivo de facilitar o acesso, da população de baixa renda, ao direito social à alimentação. Sua
assessoria, para viabilizar a realização do projeto, identificou a existência das seguintes áreas
pertencentes ao Poder Público:
(1) uma praça pública;
(2) um edifício que abriga uma repartição pública estadual em funcionamento;
(3) um edifício abandonado, que décadas atrás abrigava uma repartição pública estadual;
(4) um cemitério público; e
(5) uma grande loja alugada para uma revendedora de automóveis.
Ao ser informado do levantamento realizado por sua assessoria, o chefe do Poder Executivo
determinou que fosse anunciado à população que o restaurante popular funcionaria em um dos
bens de uso especial indicados, sendo que o Município adotaria as medidas de adaptação e
desafetação necessárias. Considerando a classificação dos bens públicos e a determinação do
Chefe do Poder Executivo, o restaurante somente poderá, teoricamente, funcionar nas áreas
a) 2 ou 3.
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b) 2, 3 ou 5.
c) 1 ou 4.
d) 3 ou 5.
e) 2 ou 4.
Comentários:
São bens de uso especial apenas aqueles mencionados nos itens (2) e (4). O item (1) menciona
bem de uso comum e os itens (3) e (5) bens dominicais.
Gabarito: E
16. FGV - Cons Leg (ALERO)/ALERO/Assessoramento Legislativo/2018
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo, os bens usados para a prestação de serviço
público pela Administração, são classificados como
a) bens de uso especial, como o automóvel oficial de um Deputado Estadual.
b) bens de uso comum do povo, como o prédio onde funciona a Assembleia Legislativa.
c) bens de uso coletivo, como as praias marítimas.
d) bens dominicais, como uma via pública expressa estadual.
e) bens dominiais, como um hospital estadual.
Comentários:
Mais uma questão cobrando o enquadramento como de uso especial dos bens utilizados pela
Administração para prestação de serviços públicos.
Gabarito: A
17. FCC - Auditor Fiscal Ambiental (SEMAR PI) /2018
Suponha que o Estado tenha adquirido, em processo judicial de execução fiscal, mediante
adjudicação, um galpão industrial e, avaliando o potencial do referido imóvel, concluiu que o
mesmo não se presta à afetação para finalidadepública específica, sendo, contudo, passível de
gerar rendimento financeiro pela sua exploração ou receita proveniente de alienação. Nesse
cenário, o bem em questão
a) é de uso comum do povo, dotado de inalienabilidade e imprescritibilidade enquanto não
afetado a serviço público específico.
b) possui natureza dominial, não necessitando de autorização legislativa para sua alienação, a
qual, todavia, demanda prévio procedimento licitatório.
c) não se caracteriza como bem público, sendo passível de livre disposição, independentemente
de procedimento licitatório.
d) embora possa ser objeto de exploração econômica desvinculada de finalidade pública direta
ou indireta, não pode ser alienado sem autorização legislativa específica.
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e) deve ser agregado ao patrimônio disponível do Estado, mediante afetação específica a
empresa pública ou sociedade de economia mista
Comentários:
A letra (a) está incorreta, uma vez que os bens de uso comum do povo “são os destinados ao uso
indistinto de todo, como os mares, ruas, estradas, praças etc;”3 o que claramente não enquadra o
bem objeto da questão.
A letra (b) está correta, pois, considerando que o bem em questão é inservível a finalidade
específica, se enquadra no conceito de bens dominiais ou dominicais.
Para Celso Antônio Bandeira de Mello os bens dominicais “são os próprios do Estado como
objeto de direito real, não aplicados nem ao uso comum, nem ao uso especial, tais como os
terrenos ou terras em geral, sobre os quais tem senhoria, à moda de qualquer proprietário”4.
Além disso, ainda que o Estado possua gerência sobre o bem como qualquer proprietário, cabe
ressaltar que, como regra, haverá a necessidade de procedimento licitatório para sua alienação.
A letra (c) está incorreta. Ao ser recebido como pagamento de dívida, em decorrência de
procedimento judicial, o bem passa a incorporar o patrimônio público, sendo, portanto, um bem
público.
A letra (d) está incorreta, uma vez que a alienação de bens dominiais não necessita de
autorização legislativa especifica, devendo, porém, respeitar as exigências legais para tanto,
conforme dispõe o art. 101 do Código Civil:
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
A letra (e) está incorreta. Os bens dominicais fazem parte do patrimônio privado do Estado, não
havendo que se falar em afetação. A afetação ocorreria se o bem fosse destinado à finalidade
pública específica, o que não é o caso.
Gabarito (B)
18. FCC - Analista Judiciário (TRT 21ª Região) /Judiciária/2017
Uma concessionária de serviço público metroviário adquiriu, no decorrer da execução do
contrato, bens imóveis onde foram edificadas novas estações, como parte do objeto de
ampliação da rede desse modal de transporte; bens imóveis onde foram implantados shoppings
e alas de serviço e comércio, também exploradas pela mesma concessionária; e, por fim, terrenos
vizinhos das instalações do metrô, para livre exploração, a fim de capturar a valorização e
aumento de circulação na região, áreas essas não abrangidas pelo perímetro declarado de
utilidade pública para fins de ampliação e operação da rede metroviária.
O regime jurídico de direito público
a) aplica-se às três categorias de bens, tendo em vista que todos foram adquiridos com recursos
oriundos da exploração de serviço público, razão pela qual possuem natureza de bens
reversíveis, devendo ser transferidos ao poder concedente com o término da vigência contratual.
4 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 914.
3 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 914.
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b) aplica-se aos bens imóveis utilizados para implantação da infraestrutura do modal de
transporte, tais como os trilhos, bem como àqueles onde estiverem instalados os shoppings e
demais serviços e comércio, não obstante as três categorias de bens tratadas se consubstanciem
em bens reversíveis.
c) não se aplica aos bens adquiridos pela concessionária diretamente e para exploração livre,
considerando que não estejam abrangidos pelo perímetro objeto da concessão e não
representem investimento amortizável durante a concessão, tendo sido adquiridos por meio de
receitas próprias da empresa.
d) não se aplica a nenhuma das categorias mencionadas de bens adquiridos pela concessionária,
vigendo o regime jurídico de direito privado até o término da concessão, quando ocorre,
obrigatoriamente, a reversão dos mesmos ao patrimônio do poder concedente.
e) aplica-se de forma híbrida, tendo em vista que enquanto figurar na condição de
concessionária, a integralidade do patrimônio mobiliário e imobiliário da empresa fica protegido
pelo regime jurídico de direito público, não podendo ser penhorado, a fim de evitar qualquer
interrupção ao serviço público com eventual perdimento de bens.
Comentários:
O gabarito da questão está na letra (c). A questão, ao relatar que apenas as últimas áreas
adquiridas pela concessionária não se encontram dentro do perímetro declarado de utilidade
pública, já indicou a resposta.
Os imóveis para edificação das estações e do shopping, encontrando-se dentro da área de
utilidade pública, incorporam-se ao patrimônio da concessionária, a qual tem o direito de
amortizar o valor do investimento durante o prazo de concessão. Esses bens, por serem
reversíveis, são da propriedade resolúvel da concessionária e retornarão à entidade concedente
após o término da concessão. Já os terrenos vizinhos adquiridos para livre exploração nada tem a
ver com a finalidade pública e, assim, pertencem sem qualquer restrição à concessionária.
Gabarito (C)
19. FCC - Profissional de Nível Superior (ELETROSUL)/Administração de Empresas/2016
Um imóvel de propriedade de uma autarquia federal, adquirido por esta em processo judicial de
cobrança de dívida, não afetado a serviço público ou outra finalidade específica, é caracterizado
como um bem
a) semi-público, em face da forma de aquisição.
b) de uso comum do povo, considerando a ausência de afetação à finalidade específica.
c) disponível, tendo em vista o regime jurídico de direito privado a que se submete a autarquia.
d) dominical, integrando o patrimônio disponível da autarquia.
e) de domínio privado, até que afetado a serviço público.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. A expressão “bem semi-público” (ou bem meritório) diz respeito à
conceito ligado à ciência da Economia, caracterizadora de bens ou serviços que podem ser
ofertados tanto pelo Estado como pelo particular, como por exemplo saúde e educação. Em
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outras palavras, apesar de o mercado conseguir fornecê-los adequadamente, devido às
externalidades positivas que resultam para a coletividade, o Estado garante sua oferta, não se
guardando relação com o tema da presente questão.
A letra (b) está incorreta. Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello os bens de uso comum do
povo “são os destinados ao uso indistinto de todo, como os mares, ruas, estradas, praças etc.;”5
o que não enquadra o caso apresentado na questão.
A letra (c) está incorreta, pois a autarquia segue regime jurídico de direito público.
A letra (d) está correta, pois os bens adquiridos em cobrança não possuem afetação e, assim,
fazem parte do patrimônio disponível da pessoa jurídica de direito público. Em relação à
administração de tais bens, a entidade pública age de forma semelhante a um particular.
A letra (e) estáincorreta. Apesar de alguns autores utilizarem a terminologia “domínio privado”
como sinônimo de bem dominical, a alternativa peca ao dizer que é afetado a serviço público.
Gabarito (D)
20. FCC - Assistente Técnico de Defensoria (DPE AM) /Assistente Técnico Administrativo/2018
Autarquia estadual foi condenada em ação trabalhista movida por seus empregados públicos. O
advogado dos referidos empregados pleiteou, em execução, a penhora de dois imóveis da
entidade para fazer frente à dívida. O pedido é
a) inadmissível, por se tratar de bens pertencentes à pessoa jurídica de direito público,
insuscetíveis de penhora.
b) admissível, por se tratar de débito para com servidores públicos, hipótese em que ocorre a
automática desafetação dos referidos bens.
c) inadmissível, por se tratar de bens do patrimônio indisponível de pessoa jurídica integrante da
Administração indireta, sujeita a regime jurídico de direito privado.
d) admissível, por se tratar de crédito alimentar e de bens pertencentes à Administração pública
indireta, sujeitos a regime privado.
e) admissível, por se tratar de bens do patrimônio disponível da entidade, não afetos à finalidade
pública.
Comentários:
O gabarito encontra-se na letra (a). Tratando-se de pessoa jurídica de direito público, seus bens
são insuscetíveis de penhora. Neste caso, o recebimento dos valores ocorrerá mediante o
sistema de precatórios ou requisições de pequeno valor – RPV.
Gabarito (A)
21. FCC - Analista Judiciário (TRT 2ª Região) /Judiciária/"Sem Especialidade"/2018
O regime jurídico aplicável aos imóveis públicos se presta à proteção dos mesmos,
especialmente porque estes devem se destinar ao atingimento do interesse público e à prestação
5 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 914.
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de utilidades em favor dos administrados. Nesse sentido, dentre as prerrogativas e proteções
impostas aos bens públicos,
a) a inalienabilidade não permite venda ou doação de bens de uso comum do povo, de bens
especiais ou de bens dominicais, independentemente de o titular integrar a Administração
pública direta ou indireta.
b) a impenhorabilidade impede que os bens públicos sejam compulsoriamente penhorados,
admitindo essa garantia apenas quando em caráter voluntário por parte da Administração
pública.
c) a inalienabilidade protege os bens públicos afetados a uma finalidade pública, inclusive
aqueles pertencentes a autarquias.
d) não se incluem os bens pertencentes às autarquias, salvo quando expressamente previstos em
lei.
e) não se inclui a inalienabilidade dos bens de uso especial, tendo em vista que somente os bens
de uso comum do povo são indisponíveis.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois a inalienabilidade não alcança os bens dominicais:
Código Civil, art. 101: “Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as
exigências da lei”
A letra (b) está incorreta. Por ser imposição legal (princípio da indisponibilidade do interesse e do
patrimônio público), a impenhorabilidade não é admitida, mesmo em caráter voluntário da
Administração Pública.
A letra (c) está correta, tendo previsão no art. 100 do Código Civil:
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Celso Antônio Bandeira de Mello discorre que, em relação aos bens públicos, “Os de uso comum
ou especial não são alienáveis enquanto conservarem tal qualificação, isto é, enquanto estiverem
afetados a tais destinos.”6
A letra (d) está incorreta. Sendo a autarquia dotada de personalidade jurídica de direito público,
aplicam-se a seus bens as prerrogativas e sujeições impostas aos bens públicos (regime de direito
público).
A letra (e) está incorreta, dado que a inalienabilidade também se aplica aos bens de uso especial.
Gabarito (C)
22. FCC - Técnico Legislativo (CL DF) /Agente de Polícia Legislativa/2018
Wallace reside com sua família, desde novembro de 1999, ininterruptamente e sem oposição, em
imóvel público de 270 m2, situado em área com características e finalidade urbanas. Nesse
diapasão, Wallace, em relação ao aludido imóvel,
6 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 916.
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a) possui direito subjetivo à aquisição compulsória do imóvel ocupado, desde que não seja
proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural, bem como que
não tenha tido referido direito reconhecido anteriormente.
b) completou o prazo de prescrição aquisitiva do imóvel, passível de ser usucapido por se tratar
de bem dominical.
c) não tem direito à aquisição compulsória do imóvel pelo fato de ser bem público e, ainda que
fosse da categoria dos bens públicos dominicais, estaria protegido pela imprescritibilidade.
d) pode adquirir o imóvel por usucapião especial urbana, desde que não seja proprietário ou
concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.
e) não possui direito à usucapião ou outra modalidade de aquisição originária de propriedade,
porque o bem público por ele ocupado foi destinado a finalidade urbana.
Comentários:
O gabarito está na letra (c), na medida em que os bens públicos não admitem usucapião, até
mesmo os dominicais. Eles são imprescritíveis!
Examinando-se o texto da CF/88, observamos que ficou expressa a impossibilidade de usucapião
para bens imóveis, sejam urbanos (§ 3º, art. 183) ou rurais (parágrafo único, art. 191):
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou
de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano
ou rural.
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por
cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia,
adquirir-lhe-á a propriedade.
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
A questão apresenta ainda outra incorreção: o usucapião urbano só é permitido para imóveis até
250m², nos termos do já citado art. 183 da CF.
Gabarito (C)
23. FCC - Analista Ministerial (MPE PE) /Jurídica/2018
Uma praça pública localizada na periferia de determinado município está sendo utilizada como
área de lazer exclusiva de um grupo de moradores de um condomínio horizontal vizinho.
Providenciaram a construção de muro em volta da praça e a instalação de um acesso próprio
para os moradores. A associação de moradores conserva o local, que está preservado. Durante
fiscalização regular, a Prefeitura identificou essa ocupação, tendo noticiado no local, a um
representante da associação, a necessidade de reversão do uso irregular. Os moradores vizinhos
que estão utilizando o terreno
a) deverão reverter as obras que impediram o uso público do bem, considerando que se trata de
bem de uso comum do povo, não cabendo exclusividade de uso a eles na forma como ocorrido.
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b) podem regularizar sua situação, pleiteando ao Município a outorga de contrato de permissão
de uso remunerado, considerando que a destinação do local foi mantida.
c) precisam pleitear um instrumento que legitimesua ocupação, desde que demonstrado que o
uso é compatível com a finalidade do imóvel e que se enquadram em hipótese de inexigibilidade
de licitação.
d) podem continuar a utilizar, dado que se trata de bem de uso comum do povo, disponível a
eles, devendo, portanto, ser formalizado procedimento de dispensa de licitação.
e) devem solicitar a outorga de concessão de uso ou de permissão de uso remuneradas, na
medida em que despendem recursos para a conservação da área, o que lhes conferirá caráter
oneroso.
Comentários:
A letra (a) está correta, pois de acordo com o disposto no inciso I do art. 99 do Código Civil,
trata-se de bem de uso comum do povo, o que por sua vez não pode ter o uso restringido por
particulares:
Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
Considerando que o acesso e uso da praça ficou restrito apenas aos moradores do prédio, não
há como regularizar a situação junto ao município, visto que o uso comum deve ser exercido em
igualdade de condições pelos particulares.
As letras (b) e (e) estão incorretas. Em tal situação não seria possível a permissão, visto que não
há interesse para a comunidade, sendo, neste caso, o interesse unicamente do particular.
A letra (c) está incorreta. O caso apresentado não se encontra entre as previsões para
inexigibilidade de licitação do art. 25 da Lei 8.666/1993.
Por fim, a letra (d) está incorreta. O fato de se tratar de bem de uso comum do povo permite que
os moradores do condomínio se utilizem da praça, porém não lhes dá o direito de cercar e limitar
o uso do bem, que deve ser permitido em igualdade de condições a todos da sociedade.
Gabarito (A)
24. FCC - Especialista em Regulação de Transporte (ARTESP)/Direito/I/2017
De acordo com a doutrina abalizada, o conceito de domínio público abrange o domínio
eminente, decorrente da soberania do Estado e que incide também sobre os bens privados, e o
domínio patrimonial, que diz respeito aos bens de propriedade do Estado. Considerando os bens
públicos como os integrantes desta última categoria, tais bens
a) integram, independentemente do uso que lhes seja atribuído, o patrimônio disponível do
Estado, salvo os inapropriáveis, de fruição geral da coletividade (res nullius).
b) não são passíveis de alienação ou oneração, salvo os de uso especial, integrantes do
patrimônio administrativo.
c) podem ser alienados ou sofrer oneração se forem de natureza dominical, eis que integrantes
do patrimônio disponível do Estado.
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d) não são passíveis de alienação, independentemente da afetação a finalidade ou serviço
público, dada a natureza indisponível de todos os bens públicos.
e) quando afetados a determinada finalidade pública adquirem a característica de bens de uso
comum do povo, somente podendo ser desafetados por lei específica.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois, a depender da destinação dada, os bens serão de usos comum,
uso especial ou dominicais, conforme previsão do art. 99 do Código Civil.
A letra (b) está incorreta, uma vez que os bens de uso especial não são passíveis de alienação ou
oneração. Estes, para que se tornem alienáveis, deverão passar pela desafetação, o qual retira a
destinação pública do bem.
A letra (c) está correta, pois os bens dominicais, conforme ensinamento de Celso Antônio
Bandeira de Mello, “são os próprios do Estado como objeto de direito real, não aplicados nem
ao uso comum, nem ao uso especial, tais como os terrenos ou terras em geral, sobre os quais
tem senhoria, à moda de qualquer proprietário, ou que, do mesmo modo, lhe assistam em conta
de direito pessoal.”7 Assim, considerando que o Estado age como qualquer proprietário, esses
bens podem sofrer oneração ou alienação.
A letra (d) está incorreta, pois os bens de natureza dominical não possuem finalidade específica,
podendo ser alienados (atendidas as condições legais).
A letra (e) está incorreta. Os bens afetados a uma determinada finalidade pública são
classificados como de uso especial, como ocorre com os edifícios em que se instalam as
repartições públicas.
Gabarito (C)
25. FCC - Defensor Público do Estado da Bahia/2016
Segundo o Código Civil de 2002, os bens públicos são
I. inalienáveis, os dominicais.
II. alienáveis, desde que haja prévia justificativa e autorização do Poder Legislativo.
III. inalienáveis, os bens de uso comum, enquanto conservar a sua qualificação; e inalienáveis os
bens dominicais, observadas as determinações legais.
IV. alienáveis, os bens dominicais, observadas as determinações legais.
V. inalienáveis, os bens públicos de uso comum do povo na forma que a lei determinar.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) II e IV.
d) IV e V.
e) I, II e V.
7 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 914.
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Comentários:
O Item I está incorreto, dado que por expressa previsão do art. 101 do Código Civil os bens
dominicais são alienáveis.
O Item II está incorreto. Como regra geral, os bens públicos são inalienáveis.
O Item III está incorreto, uma vez que os bens dominicais são alienáveis, conforme previsão do
art. 101 do Código Civil.
O Item IV está correto, sendo o que prevê o art. 101 do Código Civil:
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
O Item V está correto, de acordo com a previsão do art. 100 do Código Civil:
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Gabarito (D)
26. FCC - Procurador do Estado do Tocantins/2018
Uma gleba de terras devolutas estaduais foi arrecadada por ação discriminatória e o Governo do
Estado, por meio de lei, declarou-a como indispensável à proteção de um relevante ecossistema
local, incluindo-a na área de parque estadual já constituído para esse fim. Tal gleba deve ser
considerada bem
a) público dominical.
b) público de uso comum do povo.
c) público de uso especial.
d) privado sob regime especial de proteção.
e) privado sob domínio estatal.
Comentários:
As terras devolutas são consideradas, como regra geral, bens públicos dominiais (ou dominicais).
No entanto, neste caso, a Banca mencionou que a elas foi dada uma destinação específica, qual
seja, “proteção de um relevante ecossistema local”, de sorte que passaram a compor um parque
estadual.
Assim sendo, consoante leciona Di Pietro8, elas deixariam a categoria de “bens dominiais” e
passariam à categoria de “bens de uso especial”:
Elas continuam como tais enquanto não forem destinadas a algum uso público, passando a
integrar a categoria de bem de uso especial
Gabarito (C)
8 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 16.8.5.2
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27. FCC - Procurador do Estado do Tocantins/2018
O Governo do Estado pretende que a iniciativa privada administre, mediante contrato, os
terminais de ônibus intermunicipais existentes no Estado, sendo que, em contrapartida dos
gastos de manutenção, os empresários possam explorar, por prazo determinado, a área dos
terminais com a construção de lojas, escritórios, hotéis etc. Pelas características anunciadas, o
negócio deve ser enquadrado como
a) concessão de uso de bem público.
b) permissão de uso de bem público.
c) direito de superfície.
d) outorga onerosa de potencial construtivo.
e) autorização de uso debem público.
Comentários:
O gabarito encontra-se na letra (a), correta dada a natureza contratual da avença. De acordo com
os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro “Concessão de uso é o contrato administrativo
pelo qual a Administração Pública faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para
que a exerça conforme a sua destinação.”9
Além da natureza contratual, a concessão de uso é indicada para atividades de maior vulto e, por
isso mesmo, mais onerosas para o concessionário10.
Quanto à letra (c), incorreta, vale mencionar que o direito de superfície, previsto no art. 1.369 do
Código Civil, não se aplica ao caso em questão:
Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu
terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório
de Registro de Imóveis.
Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao
objeto da concessão.
Por fim, no que tange à letra (d), incorreta. A outorga onerosa de potencial construtivo é utilizada
para que o proprietário de um imóvel possa construir acima do limite permitido pelo município,
através de uma contrapartida paga à municipalidade (Lei 10.257/2001).
Gabarito (A)
28. FCC - Analista de Trânsito (DETRAN MA) /2018
Determinado município pretende implantar uma unidade básica de saúde em seu território como
forma de execução de seu programa de atendimento a segmentos de saúde especializados. Não
conta com imóvel disponível para tanto, tampouco há tempo hábil para construir as instalações,
considerando que há um cronograma de implementação do programa. Localizou um prédio
pertencente ao Estado, que está desativado, sendo possível
10 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 771.
9 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 771.
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a) pleitear a outorga de uso privativo do bem, mediante assinatura de contrato de permissão ou
concessão de uso, para instalação da unidade de saúde.
b) demandar o ente titular do domínio do imóvel para que, mediante convênio, seja autorizado o
uso para as finalidades do programa, inexistindo outras vias administrativas para tanto.
c) requerer ao Estado a outorga de permissão de uso do bem, ato unilateral que conferirá o uso
privativo do imóvel à municipalidade.
d) que o Município requeira a ocupação temporária do imóvel, a fim de que, mediante
indenização, possa se utilizar do bem ainda que não haja concordância do ente político
proprietário.
e) solicitar a doação do imóvel ao Município, seguindo o trâmite legal para tanto, inexistindo
outras formas ou instrumentos de ocupação que possam viabilizar a utilização do bem pelo ente
público.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, dado que a permissão não possui natureza contratual. Relembrando:
Autorização Permissão Concessão
Ato administrativo Ato administrativo Contrato administrativo
Interesse particular
preponderante Nivelamento de interesses Indicada para situações não
transitórias, de longa duração
Regra: sem licitação Regra: sem licitação Regra: licitação prévia
Ato precário Ato precário Sem precariedade
Revogável a qualquer tempo Revogável a qualquer tempo Admite rescisão do contrato,
nas hipóteses legais
A letra (b) está incorreta, visto que existe outras possibilidades jurídicas para a situação
apresentada na questão, a exemplo da permissão de uso de bem público.
A letra (c) está correta, visto que permissão de uso de bem público é, de fato, ato unilateral,
discricionário e precário “através do qual a Administração faculta ao particular a utilização
individual de determinado bem público”11.
A letra (d) está incorreta, uma vez que a ocupação temporária é instituto de intervenção do
Estado na propriedade privada, de caráter transitório, o que não se coaduna com a presente
situação.
A letra (e) está incorreta, pois há outras formas de instrumentalização da situação.
Gabarito (C)
29. FCC - Analista Judiciário (TRT 15ª Região) /Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador
Federal/2018
11 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 644.
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A utilização de um terreno público pela iniciativa privada para construção de um espaço
destinado a atividades de lazer e cultura para a população, mediante cobrança de valores
razoáveis dos usuários, compatibilizando a política pública de disponibilização dessas atividades
com a finalidade de percebimento de receitas pelo utente do terreno, pode se dar
a) mediante permissão de uso por prazo indeterminado, devido a natureza contratual desse
instrumento, que confere estabilidade para que o privado realize os investimentos necessários
para a realização da política pública pretendida.
b) com a celebração de autorização de uso por meio de inexigibilidade de licitação, tendo em
vista que somente a celebração de contratos demanda a obrigatoriedade de prévia licitação.
c) por meio de concessão de uso, celebrada mediante inexigibilidade de licitação, tendo em vista
a especificidade e natureza da destinação pretendida, que não admitiria competição.
d) por meio de permissão ou autorização de uso, não se adequando a concessão de uso, pois o
objeto da exploração não constitui serviço público, não se justificando a adoção desse regime
jurídico.
e) mediante concessão de uso, cuja natureza é contratual, precedida de licitação, considerando
que o objeto do contrato é passível de ser prestado por mais de um interessado.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. A permissão de uso não tem natureza de ato negocial e, ademais, não
gera a estabilidade necessária.
A letra (b) está incorreta. A autorização também não possui natureza contratual e, assim, como
regra geral, não requer licitação prévia.
A letra (c) está incorreta. A questão acerta ao tratar da concessão de uso, porém a inexigibilidade
de licitação não se aplica, visto que há possibilidade de prestação por mais de um interessado.
A letra (d) está incorreta. A concessão é a via mais adequada dada a finalidade pública da
situação apresentada na questão. Além disso, admite-se também “concessão” de bens públicos
– não apenas de serviços públicos.
A letra (e) está correta, uma vez que se trata da via adequada para se atingir à finalidade
pretendida pela Administração Pública. Hely A concessão de uso é contrato administrativo pelo
qual o Poder Público atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio a particular e, em
geral, depende de licitação prévia. Maria Sylvia salienta que “A concessão é o instituto
empregado, preferencialmente à permissão, nos casos em que a utilização do bem público
objetiva o exercício de atividades de utilidade pública de maior vulto e, por isso mesmo, mais
onerosas para o concessionário.”12
Gabarito (E)
30. FCC - Analista Administrativo (SEAD AP) /2018
Considere que um grupo de senhoras pretenda organizar um evento beneficente para arrecadar
donativos para os desabrigados das recentes chuvas experimentadas pelo município onde
residem. Também pretendem, no mesmo evento, realizar jogos e atrações para incrementar o
12 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 771.
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resultado com alguma contribuição em espécie. Precisam de um espaço para a execução das
atividades no decorrer de um dia, parecendo adequado o ginásio municipal de esportes.Para a
utilização desse espaço, o grupo de interessadas, representado por uma delas,
a) pode pleitear a outorga de ato de permissão de uso, considerando a finalidade de interesse
público do evento.
b) deve celebrar contrato de concessão de uso, considerando que bens de uso comum do povo
somente podem ser utilizados por particulares mediante instrumentos dessa natureza.
c) deve pleitear a instauração de procedimento de licitação simplificado, para que outros
potenciais interessados possam apresentar projeto de utilização do mesmo espaço.
d) pode requerer ao Município a outorga de permissão de uso, em cujo contrato serão
disciplinadas as condições de utilização.
e) deve pleitear autorização de uso à Municipalidade, instrumento cuja natureza jurídica é
contratual, embora não demande autorização legislativa para sua outorga.
Comentários:
O enunciado narra situação em que se faz necessária a utilização de bem público em curto
período de tempo (precariedade), o que sugere a adoção dos instrumentos de permissão ou
autorização. Há, também, interesse coletivo na realização do evento, dada seu intuito de
beneficiar desabrigados.
Nesse sentido, a letra (a) está correta e a letra (e), incorreta. Quanto a esta última, destaca-se que
a autorização de uso possui natureza não contratual.
A letra (b) está incorreta. Salienta Maria Sylvia que “A concessão é o instituto empregado,
preferencialmente à permissão, nos casos em que a utilização do bem público objetiva o
exercício de atividades de utilidade pública de maior vulto e, por isso mesmo, mais onerosas para
o concessionário.”13 No caso em questão, considerando o simples evento a ser realizado e o
caráter beneficente do mesmo, não se faz necessário o instituto da concessão.
A letra (c) está incorreta, pois não se requer a realização de licitação. Não há competição ou
outros interessados na realização da atividade objeto da questão.
A letra (d) está incorreta, uma vez que a permissão não requer celebração de contrato.
Gabarito (A)
31. FCC - Soldado (PM AP) /2017
Suponha que determinada autoridade administrativa tenha permitido o uso de área pública, a
título precário, a determinado cidadão para que este, residindo no local, também ficasse
responsável pela conservação, segurança e manutenção da área. Posteriormente, referida
autoridade foi alertada de que a área seria necessária para a construção de um equipamento
público, devendo, assim, ser desocupada para dar início às obras. Diante de tal situação, caberá,
por parte da Administração,
a) anular o ato de permissão de uso, que possui natureza de ato vinculado, salvo se decorridos
mais de 5 anos, quando passa a gerar direito subjetivo ao particular.
13 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 771.
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==1365fc==
b) revogar o ato de permissão de uso, no exercício da discricionariedade administrativa,
bastando, para tanto, razões de conveniência e oportunidade.
c) extinguir a permissão de uso, obrigatoriamente pela via judicial, dado que a Administração não
pode revogar atos regularmente praticados.
d) revogar, administrativamente, o ato de permissão de uso, apenas se eivado de algum vício ou
ilegalidade, como, por exemplo, desvio de finalidade.
e) anular o ato de permissão de uso, independentemente de vício de legalidade, pela via
administrativa ou, se decorridos mais de 5 anos, pela via judicial.
Comentários:
Questão que cobrou, diretamente, os conceitos de anulação e revogação dos atos
administrativos.
Considerando que o ato não possui qualquer ilegalidade, caberá à Administração Pública
revogá-lo uma vez que não mais conveniente e oportuno. A previsão na esfera federal
encontra-se no art. 53 da lei 9.784/1999, além de haver previsão na Súmula 473 do STF:
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade,
e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.
Súmula 473
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.
Assim, o gabarito encontra-se na letra (B).
Gabarito (B)
32. FCC - Procurador do Estado do Maranhão/2016
Em janeiro de 1993, Maurício Quevedo passou a residir em terreno urbano que lhe fora vendido
“de boca” por outro posseiro antigo, ali construindo sua residência, um barraco de
aproximadamente setenta metros quadrados, ocupando dois terços do terreno assim adquirido.
Em janeiro deste ano, Maurício procurou aconselhar-se com advogado, que verificou a situação
dominial do terreno, constatando tratar-se de propriedade registrada em nome do Instituto
Nacional de Seguridade Social – INSS. Diante de tal situação, o referido posseiro
a) faz jus à usucapião do terreno, visto que se trata de imóvel particular da entidade autárquica.
b) não possui direito subjetivo de permanecer no imóvel, pois o princípio da boa-fé não é
oponível ao interesse público.
c) tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da
posse, desde que comprove não ser proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro
imóvel urbano ou rural.
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d) deve requerer ao INCRA a abertura de processo de legitimação de posse, visto tratar-se de
ocupante de terra devoluta.
e) deve solicitar à Secretaria do Patrimônio da União – SPU a declaração de aforamento do
imóvel, passando a recolher o foro anual.
Comentários:
Trata-se de previsão específica do art. 1º da Medida Provisória 2.220/2001:
Art. 1o  Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel
público situado em área com características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua moradia
ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao
bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a qualquer título, de
outro imóvel urbano ou rural.
Para acertar a questão, o candidato deveria se lembrar desta situação específica de concessão de
uso especial, em especial (i) do prazo até 22/12/2016 e (ii) do limite de 250m². A letra (c) está
correta.
Além disso, tal situação não se confunde com usucapião de bens públicos.
Gabarito (C)
33. FCC - Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul/2018
Em relação aos bens públicos, é correto afirmar:
a) A desafetação suprime a finalidade pública de um bem, eliminando algum de seus atributos,
como o da disponibilidade, transformando, assim, um bem de uso comum do povo em um bem
de uso especial.
b) A afetação de um bem a um serviço público somente pode ser feita por meio de lei, não
podendo ser feita por ato administrativo nem pelo mero uso do bem.
c) É possível haver sequestro de valores nas contas de ente público, por meio de comando
judicial, quando a pretensão visa a assegurar direitos fundamentais, como educação e saúde.
d) Os bens públicos não estão sujeitos à prescrição aquisitiva, salvo os dominicais.
e) A alienação de bens públicos móveis inservíveis, embora dispensada a autorização legislativa e
a demonstração do interesse público a justificar o ato, está condicionada à modalidade licitatória
de concorrência.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. A desafetação, em geral, transforma o bem em dominical.
A letra (b) está incorreta. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello, “A afetação ao uso
comum tanto pode provir do destinonatural do bem, como ocorre com os mares, rios, ruas,
estradas, praças, quanto por lei ou por ato administrativo que determine a aplicação de um bem
dominical ou de uso especial ao uso público.”14
14 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 915.
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A letra (c) foi dada como correta, de acordo com o entendimento que vem sendo aplicado no
STJ. Em determinados casos, dada a indisponibilidade de determinados direitos, não se aplicaria
o princípio da reserva do possível, de sorte que determinados valores públicos poderiam ser
sequestrados.
A letra (d) está incorreta, uma vez que nem mesmo os bens dominicais estão sujeitos à prescrição
aquisitiva, nos termos do § 3º do art. 183 e parágrafo único do art. 191 da Constituição Federal e
art. 102 do Código Civil:
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
A letra (e) está incorreta, uma vez que a alienação de bens móveis poderá, em determinados
casos, ser realizada na modalidade leilão, conforme previsão do § 6º do art. 17 da lei 8.666/1993.
Art. 17.  A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse
público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
§ 6o  Para a venda de bens móveis avaliados, isolada ou globalmente, em quantia não superior ao
limite previsto no art. 23, inciso II, alínea "b" desta Lei, a Administração poderá permitir o leilão.
Gabarito (C)
34. FCC - Analista Ministerial (MPE PE) /Auditoria/2018
A titularidade de um terreno desocupado pode interferir em sua disponibilidade porque
a) permite inferir o regime jurídico ao qual está sujeito, podendo ser alienado, penhorado e
usucapido na hipótese de pertencer a uma sociedade de economia mista que atue na exploração
de atividade econômica.
b) quando pertencente a autarquias, o descumprimento da função social da propriedade passa a
ensejar a prescritibilidade do bem.
c) se for de propriedade de sociedade de economia mista prestadora de serviço público,
dependerá de autorização legislativa para ser alienado ou onerado.
d) o regime jurídico de direito público que tutela os bens públicos não se estende àqueles de
propriedade dos entes integrantes da Administração indireta, tais como empresas públicas e
fundações.
e) os bens pertencentes a pessoas jurídicas de direito público são absolutamente inalienáveis,
sejam eles bens de uso comum do povo, de uso especial ou dominicais, independentemente da
afetação a que estejam sujeitos.
Comentários:
A letra (a) está correta. É a personalidade jurídica do proprietário do bem que define seu regime
jurídico. Assim, se o proprietário for pessoa jurídica de direito público, o bem seguirá regime de
direito público; sendo de direito privado, seguirá regime privado. Além disso, conforme o
entendimento exposto em julgados do STF e STJ, as estatais exploradoras de serviços públicos
possuem natureza jurídica de direito privado e regem-se pelas normas comuns as demais
empresas, o que exclui seus bens das imunidades previstas no §3º do art. 183 e parágrafo único
do art. 191 da Constituição Federal.
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A letra (b) está incorreta, uma vez que a regra da imprescritibilidade aplica-se indistintamente a
todos os bens públicos. Neste sentido segue o entendimento da Súmula 340 do STF:
Súmula 340
Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não
podem ser adquiridos por usucapião.
A letra (c) está incorreta, pois, considerando a natureza jurídica de direito privado das empresas
públicas, a alienação de seus bens, como regra geral, não está condicionada a autorização
legislativa.
A letra (d) está incorreta. Embora sejam considerados bens privados, em determinadas situações,
em virtude de entendimentos jurisprudenciais, eles gozarão de proteções semelhantes àquelas
conferidas aos bens públicos, a saber:
a) casos em que os bens (embora privados) são utilizados diretamente na prestação de serviços
públicos:
b) bens de empresas estatais que prestam serviços essenciais e próprios do Estado, em
condições não concorrenciais
Nestes casos, tais bens continuam possuindo natureza de direito privado, mas seguirão regras do
direito público, em razão de a prestação de serviços públicos deles depender (princípio da
continuidade do serviço público).
Por fim, a letra (e) está incorreta, visto que a inalienabilidade dos bens públicos é uma
característica relativa e não absoluta, a exemplo do que dispõe o art. 101 do Código Civil:
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Gabarito (A)
35. FCC - Procurador Municipal (Pref Caruaru) /2018
A respeito do regime jurídico dos bens públicos, é correto afirmar:
a) Os bens públicos imóveis poderão ser alienados mediante autorização legislativa prévia, salvo
no caso dos bens dominicais.
b) Os bens dominicais são aqueles utilizados diretamente para a execução dos serviços
administrativos e serviços públicos em geral.
c) Os bens de uso comum do povo, por sua natureza, não permitem a cobrança de valores
pecuniários para a sua utilização.
d) Embora os bens públicos sejam dotados de impenhorabilidade, o regime jurídico público
permite que os bens públicos afetados sejam gravados com direitos reais de garantia.
e) Afetação é o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação pública
especial de interesse direto ou indireto da Administração.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois os bens dominicais podem sofrer alienação, considerando que o
Estado age como qualquer proprietário.
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A letra (b) está incorreta, uma vez que os bens dominicais não possuem destinação específica.
A letra (c) está incorreta, pois, apesar de o uso comum se livre a todos, a utilização poderá ser
remunerada (a exemplo dos pedágios em rodovias).
A letra (d) está incorreta, pois a impossibilidade de que os bens públicos sejam gravados com
garantias reais decorre da impenhorabilidade e inalienabilidade dos bens públicos previstas no
Código Civil. A esse raciocínio corrobora o entendimento doutrinário majoritário de Hely Lopes
Meirelles e Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a qual salienta essa impossibilidade, “pois o processo
de execução contra a Fazenda Pública obedece a normas estabelecidas no artigo 100 da
Constituição Federal (repetidas nos arts. 730 e 731 do CPC) e que excluem qualquer
possibilidade de penhora de bem público, seja qual for a sua modalidade.”15
A letra (e) está correta, pois a afetação ocorre com os bens do domínio privado do Estado, os
quais, inicialmente, não possuem destinação específica. Di Pietro diz que a afetação é “o ato ou
fato pelo qual um bem passa da categoria de bem do domínio privado do Estado para a
categoria de bem do domínio público.” 16
Gabarito (E)
36. FCC - Analista Judiciário (TRF 5ª Região) /Judiciária/"Sem Especialidade"/2017
A Administração pública federal, buscando angariar receita para investir em políticas públicas
prioritárias, decidiu alienar alguns de seus bens. Para tanto, objetivando dar transparência ao
processo e legitimar a política pública, publicou relação dos bens que seriam, respeitadas as
formalidades legais, alienados. É juridicamente viável que dessa relação constem:
a) os rios navegáveis, em razão da pujança econômica do país, que produz grãos e precisa
escoá-los.
b) os imóveis, independentemente da destinação legal, porquanto podem perder o caráter da
inalienabilidadepor meio da afetação.
c) os bens do domínio público, porquanto, na hipótese, o princípio da eficiência se sobrepõe ao
da legalidade, autorizando, assim, a alienação.
d) os bens dominicais também denominados de bens do domínio privado do estado.
e) todos os imóveis, desde que suscetíveis de valoração patrimonial, mesmo que afetados à
prestação de serviços públicos, em especial nas hipóteses de bens administrados por
concessionárias de serviço público, que têm a obrigação de realizar investimentos como forma de
compensação pelo direito de explorar, por prazos longos, serviços públicos.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois os rios são bens de uso comum do povo, e, portanto, não podem
ser alienados.
A letra (b) está incorreta, uma vez que, dependendo da destinação do bem, não será possível sua
alienação, salvo após a desafetação – e não “afetação”.
16 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 750.
15 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 754.
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A letra (c) está incorreta, dado que os bens do domínio público são de uso comum do povo, uso
especial ou dominicais, sendo que apenas a este último é permitida a alienação sem que haja a
desafetação.
A letra (d) está correta, pois os bens dominicais “são os próprios do Estado como objeto de
direito real, não aplicados nem ao uso comum, nem ao uso especial, tais como os terrenos ou
terras em geral, sobre os quais tem senhoria, à moda de qualquer proprietário, ou que, do
mesmo modo, lhe assistam em conta de direito pessoal.”17
A letra (e) está incorreta. Os comentários das demais alternativas demonstram que a alienação
não é permitida a todos os bens imóveis pertencentes ao Estado.
Gabarito (D)
37. FCC - Analista Judiciário (TST)/Judiciária/"Sem Especialidade"/2017
Os bens imóveis pertencentes aos entes públicos, no que se refere ao uso, considerando a
classificação de bens de uso comum, de uso especial e dominicais,
a) somente admitem que lhes seja dado o destino compatível com o uso primário com o qual a
categoria se relaciona, vedado compartilhamento de utentes.
b) não admitem qualquer utilização, quando dominicais, tendo em vista que referidos bens não
podem ser destinados a nenhuma utilidade de interesse público, tendo em vista a finalidade de
venda a que se propõem.
c) devem respeitar sua destinação primária, no que se refere aos bens de uso comum, cabendo,
no entanto, compatibilizar outros usos secundários, desde que seja demonstrado não trazerem
prejuízo à função principal, bem como haver atendimento de interesse público.
d) quando das categorias de bens de uso especial e dominicais deve ser solicitada autorização ao
governo para permitir outra destinação em substituição à anterior, ficando deferida no caso de
silêncio da Administração pública.
e) admitem plena compatibilização com outros usos, à exceção dos bens de uso comum do
povo, que somente podem ser destinados à sua função primária e precípua, vedada qualquer
outra utilização, exclusiva ou compartilhada.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Os bens podem ter destinação e uso diversos da primária, o que Di
Pietro classifica como “uso anormal”. Ainda, salienta-se que não há qualquer proibição de
compartilhamento de utentes (usuário do bem).
A letra (b) está incorreta, pois, ainda que considerado seu caráter residual os bens dominicais não
possuam destinação específica, fazem parte do patrimônio da Administração Pública e podem
ser utilizados indistintamente - não apenas para venda.
A letra (c) está correta de acordo com os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Para a
autora, uso normal é aquele exercido em conformidade com a destinação principal do bem;
sendo possível também seu uso anormal, o qual atende a finalidades diversas ou acessórias,
muitas vezes em contradição com sua destinação principal.
17 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 914.
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A letra (d) está incorreta, uma vez que o silêncio da Administração Pública só importa
aquiescência em casos raros e específicos em que a lei assim o atribuiu.
A letra (e) está incorreta. Mesmo aos bens de uso comum do povo é permitido o “uso anormal”.
Di Pietro mesmo exemplifica que “Se uma rua está aberta à circulação, tem uso comum normal;
supondo-se que essa mesma rua seja utilizada, em período determinado, para a realização de
festejos, comemorações, desfiles, tem-se uso comum anormal, pois esses não são os fins a que
normalmente se destinam tais bens.”
Gabarito (C)
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LISTA DE QUESTÕES
1. AOCP/DPE-MS - 2024
Em relação à administração pública indireta e aos bens públicos, assinale a alternativa
INCORRETA.
(A) Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
(B) Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
(C) Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade
jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam
atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro.
(D) É inconstitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a prestação de
serviço público de saúde.
(E) Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido
pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
2. FUNDATEC/PREFEITURA DE URUGUAIANA-RS – Procurador – 2023
O Município de Uruguaiana/RS celebrou contrato administrativo por meio do qual transfere, por
prazo certo e determinado, o uso de um bem para terceiros, visando ao cumprimento de uma
finalidade específica nos termos e condições fixados no ajuste. O contrato em questão é
designado como:
a) Autorização.
b) Permissão.
c) Concessão de uso.
d) Concessão de direito real.
e) Enfiteuse.
3. Cebraspe - Seplan - RR – Analista de Planejamento - 2023
Enquanto conservarem a sua qualificação, os bens públicos de uso comum do povo são
inalienáveis.
4. Cebraspe - Seplan - RR – Analista de Planejamento - 2023
Mesmo que seja usado de forma contínua e incontestadamente por alguém de boa-fé, o bem
público não se sujeita a usucapião.
Antonio Daud
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5. FCC - Proc (UNICAMP)/UNICAMP/2022
O Estado desapropriou uma extensa área lindeira a uma rodovia federal, na qual instalou uma
unidade de saúde e uma escola técnica, que ocuparam aproximadamente sessenta por cento do
imóvel. Passados mais de vinte anos, a Administração pública realizou um chamamento público
para recebimento de estudos técnicos sobre o potencial de aproveitamento econômico da área
remanescente. Apurou-se, então, que com o crescimento do Município, a região onde se localiza
o imóvel público passou a apresentar demanda por comércio e serviços. Com base nessas
informações, pretende a Administração pública explorar economicamente a área remanescente
do imóvel, destinando as receitas auferidas à política pública de saúde. Nesse caso, afigura-se
viável
a) contratar uma concessão de uso, mediante prévia licitação, ficando o concessionário
responsável pelos investimentosmencionados expressamente no art. 26, pertencerão aos 
Estados aqueles que não forem atribuídos à União ou aos municípios: 
CF, art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, 
neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas 
aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; 
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. 
 
Os bens municipais não foram expressamente designados aos municípios no texto constitucional, 
no entanto é possível concluir que, por exemplo, as praças públicas, as ruas e avenidas são 
espécies de bens públicos municipais. 
Antonio Daud
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Destinação 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA 
Quanto à destinação (ou afetação), os bens públicos podem ser classificados como: 
 
Antes de passarmos ao detalhamento de cada uma destas espécies, lembro que a classificação 
quanto à destinação dos bens públicos foi expressamente prevista no Código Civil, da seguinte 
forma: 
CCB, art. 99. São bens públicos: 
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; 
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os 
de suas autarquias; 
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, 
como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. 
Agora sim, passemos à cada espécie, tema que “despenca” em prova! 
 
Uso comum do povo 
Os bens de uso comum do povo destinam-se ao uso geral pelos indivíduos, de sorte que podem 
ser utilizados por todos os particulares, em igualdade de condições. 
Por já serem destinados aos indivíduos em geral, como regra, é desnecessário que a Administração 
autorize individualmente o uso pelos particulares. 
Exemplos: ruas e praças públicas, rodovias, praias, mares. 
uso comum 
do povo uso especial dominicais
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Como regra geral, é gratuito o uso destes bens. Todavia, em determinadas situações sua utilização 
pode ser onerosa, como ocorre com os pedágios de rodovias (CCB, art. 103). 
Em algumas situações, também, o poder público poderá condicionar ou restringir o uso destes 
bens, no exercício do poder de polícia administrativa (estabelecer horários de utilização das 
praças, limitação de tráfego em rodovia até determinado peso etc). 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro2 destaca que os bens de uso comum do povo recebem sua 
destinação a partir de sua própria natureza ou da lei. 
Vejam uma questão de prova que exemplifica esta categoria de bem público: 
CEBRASPE - SEFAZ RS 
Anualmente uma prefeitura celebra o aniversário do município na principal praça municipal, oferecendo 
atividades de cultura e lazer a toda a população local. Nesse caso, a praça do local do evento constitui 
a) bem público de uso especial, uma vez que sua utilização é restrita a indivíduos especificamente 
selecionados para isso. 
b) bem público de uso especial, tal como imóveis onde estão instaladas repartições públicas. c) bem público 
de uso comum do povo, por ser aberta à utilização de todos os membros da coletividade. 
d) bem público de uso comum do povo, tal como os veículos oficiais da administração pública. 
e) bem público de uso especial, porque se destina à utilização por toda a coletividade. 
Gabarito (C). As praças públicas são bens de uso comum do povo. 
Uso especial 
Os bens de uso especial são aqueles utilizados na prestação de serviços públicos, em geral, 
incluindo os serviços administrativos das repartições públicas. 
Exemplos: sedes das repartições públicas, escolas e hospitais públicos, viaturas e veículos 
oficiais. 
Outro exemplo pode ser encontrado na seguinte questão: 
FGV - TJ Aux /TJ SC 
A Câmara Municipal de Palhoça é estabelecida em bem próprio do referido ente federativo. Esse bem deve 
ser considerado: 
 
2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Item 16.2 
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a) popular; 
b) dominical; 
c) de uso privativo; 
d) de uso especial; 
e) de uso comum do povo 
Gabarito (D) 
Em razão da destinação pública dos bens de uso especial e comum do povo, eles não poderão 
ser alienados – enquanto conservarem tal destinação (CCB, art. 100). 
Dominicais ou dominiais 
São bens públicos dominicais (ou dominiais) aqueles que, apesar de integram o patrimônio de 
uma pessoa de direito público, não possuem uma destinação pública definida. 
Exemplos: prédios públicos desativados, terras devolutas3, bens móveis inservíveis. 
É interessante a lição de Celso Antônio Bandeira de Mello, para quem os bens dominicais “são os 
próprios do Estado como objeto de direito real, não aplicados nem ao uso comum, nem ao uso 
especial, tais como os terrenos ou terras em geral, sobre os quais tem senhoria, à moda de 
qualquer proprietário”4. 
Ou seja, em razão da ausência de destinação pública específica, tais bens podem ser utilizados 
para gerar renda ao poder público, podendo ser inclusive alienados (CCB, art. 101). 
A este respeito, o Código Civil estabelece que: 
CCB, art. 99, parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais 
os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura 
de direito privado. 
A parte final do dispositivo acima indica justamente que, embora tenham natureza de bens 
públicos, tais bens podem ser alienados (assim como um bem privado). 
 
3 “Terras devolutas” são aquelas são propriedades imóveis do poder público sem destinação específica. 
4 Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. 
p. 914. 
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Esta classificação foi objeto da seguinte questão de prova: 
FGV – Ana LM (CM Salvador) /CM Salvador 
O prédio onde funciona a Câmara Municipal de Salvador, de acordo com o que ensina a doutrina de Direito 
Administrativo, em matéria de classificação de bens públicos quanto à sua destinação, é chamado de bem: 
a) de uso comum do povo, sendo vedada a cobrança de quaisquer taxas para ingresso na repartição; 
b) de uso especial, sendo utilizado para prestação de serviço público e conservado pelo Poder Legislativo 
para finalidade pública; 
c) dominical, sendo utilizado de forma genérica para atendimento ao público, sem uma finalidade pública 
específica; 
d) de uso legislativo, cuja tribuna apenas pode ser ocupada por agentes políticos que integrem o Poder 
Legislativo; 
e) de uso restrito, cuja entrada de cidadãos é condicionada a procedimentos preventivos de segurança 
pública. 
Gabarito (B), bem de uso especial. 
destinação dos 
bens públicos 
uso comum 
do povo
utilizados pela coletividade em geral
ex: ruas e praças públicas, rodovias, 
praias, mares
uso especial
utilizados para a prestação dos serviços 
públicos
ex: sedes das repartições públicas, escolas 
e hospitais públicos, veículos oficiais
dominicais
não possuem destinação pública 
específica
ex: prédios públicos desativados,necessários para a instalação de serviços e comércio na área.
b) alienar o imóvel, independentemente de licitação, desde que o adquirente se comprometa a
destinar o imóvel para comércio e serviços, sob pena de reversão do bem.
c) a contratação de uma permissão de uso, mediante prévia licitação, ficando o permissionário
responsável pelos investimentos obrigatórios e autorizado a explorar economicamente o imóvel.
d) celebrar contrato de autorização de uso, considerando que a destinação do imóvel terá
finalidade precípua de interesse privado.
e) licitar a contratação de uma concessão de uso, precedida de oferta da área ao expropriado ou
seus herdeiros, em razão do direito de preferência para aquisição da área.
6. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022
A associação de moradores do Bairro Alfa obteve consentimento do Município Beta para
utilização especial de bem público consistente no fechamento da Rua Gama, no primeiro sábado
de junho, das 18h às 23h, para realização de um evento festivo. Sabe-se que o mencionado
consentimento 4 ocorreu de forma precária, sem prévia licitação, e atendendo ao interesse
daquela coletividade, sem prejuízo ao interesse público.
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo, o ato praticado pelo poder público
municipal consiste em
a) concessão de uso.
b) permissão de uso.
c) autorização de uso.
d) concessão de direito real de uso.
e) concessão de uso especial transitória.
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7. FGV - TNS (SSP AM)/SSP AM/2022
Em matéria de classificação dos bens públicos quanto à sua destinação, é correto afirmar que o
imóvel onde está sediada a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Estado Gama é um bem
a) de uso comum do povo, pois todos os cidadãos podem ser usuários do serviço público
prestado.
b) de uso especial, porque é usado para prestação de serviço público pela Administração com
finalidade pública.
c) dominical, porque tem uma destinação pública específica dirigida a toda coletividade.
d) afetado, porque não tem uma destinação pública específica, ficando a cargo do Secretário
estadual definir quais serviços serão prestados pelos agentes lotados no órgão.
e) desafetado, porque tem uma destinação pública específica, ficando a cargo do Secretário
estadual lotar os servidores públicos em cada setor do órgão.
8. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021
No interior das dependências do presídio estadual Gama, funciona uma lanchonete, administrada
por Maria, que realizou diversas obras no local para instalar seu comércio. Durante inspeção do
Ministério Público Estadual, o Promotor de Justiça verificou que Maria possuía um contrato
administrativo assinado com o Estado, representado pela Secretaria Estadual de Administração
Penitenciária, por prazo determinado, sem que, contudo, tenha sido precedido de procedimento
licitatório. Após instaurar inquérito civil para apurar a legalidade do consentimento estatal para
utilização do bem público por Maria, o Ministério Público Estadual concluiu que o contrato:
A) não está viciado, por se tratar de autorização de uso, que prescinde de licitação prévia;
B) não está viciado, por se tratar de permissão de uso, que prescinde de licitação prévia;
C) está viciado, por se tratar de concessão de direito real de uso, que depende de licitação
prévia;
D) está viciado, por se tratar de concessão de uso, que depende de licitação prévia;
E) está viciado, por se tratar de permissão de uso, que prescinde de licitação prévia.
9. VUNESP/Prefeitura de São Roque – Advogado – 2020
A respeito dos bens públicos, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a
alternativa correta.
a) Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha são
oponíveis à União.
b) A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, reservado ao particular o
direito à indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias.
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c) Os bens integrantes do acervo patrimonial de sociedades de economia mista sujeitos a uma
destinação pública equiparam-se a bens públicos, sendo, portanto, insuscetíveis de serem
adquiridos por meio de usucapião.
d) São considerados bens públicos os pertencentes às associações públicas, às sociedades de
economia mista e às empresas públicas.
e) Os bens públicos dominicais podem ser adquiridos por usucapião, desde que comprovado o
não atendimento da função social da propriedade e presentes os requisitos da usucapião
extraordinária.
10. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019
Dispõe o Código Civil que “São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem”. A respeito dos bens públicos, analise as afirmativas abaixo.
I. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
II. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
III. O uso comum de bens públicos deve ser gratuito.
Assinale a alternativa correta.
a) As afirmativas I, II e III estão corretas
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas
d) Apenas as afirmativas I e III estão corretas
11. CEBRASPE - AFRE (SEFAZ RS) /SEFAZ RS/2019
Um terreno pertencente ao Estado e anteriormente sem utilização passou a ser usado por um
órgão público para o desempenho de determinadas tarefas. Trata-se de bem público que era de
uso
a) dominical e, após afetação, passou a ser bem de uso especial.
b) especial e, após desafetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
c) especial e, após afetação, passou a ser bem dominical.
d) dominical e, após desafetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
e) especial e, após afetação, passou a ser bem de uso comum do povo.
12. CEBRASPE - Sold (PM AL) /PM AL/Combatente/2018
Julgue o item, a respeito da administração pública direta e indireta.
Os edifícios utilizados como estabelecimentos da administração pública, incluindo as autarquias,
são classificados como bens públicos de uso especial.
13. CEBRASPE - Proc (João Pessoa) /Pref João Pessoa/2018
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Prédio sede de prefeitura, creches municipais e postos de saúde são bens
a) de uso especial, pois são destinados a uma finalidade pública específica.
b) dominicais e dependem de autorização específica para o seu uso.
c) públicos destinados à prestação de serviços ou à realização de atividade econômica.
d) de uso comum do povo e destinados ao uso livre e gratuito da população.
e) insuscetíveis de alienação.
14. FGV - TSJ (DPE RJ) /DPE RJ/2019
O Prefeito do Município Alfa comunicou à sua assessoria que almejava criar um serviço de
assistência social destinado à população carente. Ao analisar os três bens públicos disponíveis,
consistentes em
(I) uma praça pública;
(II) uma repartição pública, vinculada à Secretaria Municipal de Fazenda, em pleno
funcionamento; e
(III) um prédio desocupado, que há muitas décadas sediara uma inspetoria fiscal, determinou que
o serviço fosse instalado no bem dominical.
Preenche(m) a característica indicada pelo Prefeito Municipal o(s) bem(ns) referido(s) somente em:
a) I;
b) II;
c) III;
d) I e II;
e) II e III.
15. FGV - Ana (MPE AL) /MPE AL/Jurídica/2018
O Chefe do Poder Executivo do Município Alfa decidiu construir um restaurante popular com o
objetivo de facilitar o acesso, da população de baixa renda, ao direito social à alimentação. Sua
assessoria,para viabilizar a realização do projeto, identificou a existência das seguintes áreas
pertencentes ao Poder Público:
(1) uma praça pública;
(2) um edifício que abriga uma repartição pública estadual em funcionamento;
(3) um edifício abandonado, que décadas atrás abrigava uma repartição pública estadual;
(4) um cemitério público; e
(5) uma grande loja alugada para uma revendedora de automóveis.
Ao ser informado do levantamento realizado por sua assessoria, o chefe do Poder Executivo
determinou que fosse anunciado à população que o restaurante popular funcionaria em um dos
bens de uso especial indicados, sendo que o Município adotaria as medidas de adaptação e
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desafetação necessárias. Considerando a classificação dos bens públicos e a determinação do
Chefe do Poder Executivo, o restaurante somente poderá, teoricamente, funcionar nas áreas
a) 2 ou 3.
b) 2, 3 ou 5.
c) 1 ou 4.
d) 3 ou 5.
e) 2 ou 4.
16. FGV - Cons Leg (ALERO)/ALERO/Assessoramento Legislativo/2018
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo, os bens usados para a prestação de serviço
público pela Administração, são classificados como
a) bens de uso especial, como o automóvel oficial de um Deputado Estadual.
b) bens de uso comum do povo, como o prédio onde funciona a Assembleia Legislativa.
c) bens de uso coletivo, como as praias marítimas.
d) bens dominicais, como uma via pública expressa estadual.
e) bens dominiais, como um hospital estadual.
17. FCC - Auditor Fiscal Ambiental (SEMAR PI) /2018
Suponha que o Estado tenha adquirido, em processo judicial de execução fiscal, mediante
adjudicação, um galpão industrial e, avaliando o potencial do referido imóvel, concluiu que o
mesmo não se presta à afetação para finalidade pública específica, sendo, contudo, passível de
gerar rendimento financeiro pela sua exploração ou receita proveniente de alienação. Nesse
cenário, o bem em questão
a) é de uso comum do povo, dotado de inalienabilidade e imprescritibilidade enquanto não
afetado a serviço público específico.
b) possui natureza dominial, não necessitando de autorização legislativa para sua alienação, a
qual, todavia, demanda prévio procedimento licitatório.
c) não se caracteriza como bem público, sendo passível de livre disposição, independentemente
de procedimento licitatório.
d) embora possa ser objeto de exploração econômica desvinculada de finalidade pública direta
ou indireta, não pode ser alienado sem autorização legislativa específica.
e) deve ser agregado ao patrimônio disponível do Estado, mediante afetação específica a
empresa pública ou sociedade de economia mista
18. FCC - Analista Judiciário (TRT 21ª Região) /Judiciária/2017
Uma concessionária de serviço público metroviário adquiriu, no decorrer da execução do
contrato, bens imóveis onde foram edificadas novas estações, como parte do objeto de
ampliação da rede desse modal de transporte; bens imóveis onde foram implantados shoppings
e alas de serviço e comércio, também exploradas pela mesma concessionária; e, por fim, terrenos
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vizinhos das instalações do metrô, para livre exploração, a fim de capturar a valorização e
aumento de circulação na região, áreas essas não abrangidas pelo perímetro declarado de
utilidade pública para fins de ampliação e operação da rede metroviária.
O regime jurídico de direito público
a) aplica-se às três categorias de bens, tendo em vista que todos foram adquiridos com recursos
oriundos da exploração de serviço público, razão pela qual possuem natureza de bens
reversíveis, devendo ser transferidos ao poder concedente com o término da vigência contratual.
b) aplica-se aos bens imóveis utilizados para implantação da infraestrutura do modal de
transporte, tais como os trilhos, bem como àqueles onde estiverem instalados os shoppings e
demais serviços e comércio, não obstante as três categorias de bens tratadas se consubstanciem
em bens reversíveis.
c) não se aplica aos bens adquiridos pela concessionária diretamente e para exploração livre,
considerando que não estejam abrangidos pelo perímetro objeto da concessão e não
representem investimento amortizável durante a concessão, tendo sido adquiridos por meio de
receitas próprias da empresa.
d) não se aplica a nenhuma das categorias mencionadas de bens adquiridos pela concessionária,
vigendo o regime jurídico de direito privado até o término da concessão, quando ocorre,
obrigatoriamente, a reversão dos mesmos ao patrimônio do poder concedente.
e) aplica-se de forma híbrida, tendo em vista que enquanto figurar na condição de
concessionária, a integralidade do patrimônio mobiliário e imobiliário da empresa fica protegido
pelo regime jurídico de direito público, não podendo ser penhorado, a fim de evitar qualquer
interrupção ao serviço público com eventual perdimento de bens.
19. FCC - Profissional de Nível Superior (ELETROSUL)/Administração de Empresas/2016
Um imóvel de propriedade de uma autarquia federal, adquirido por esta em processo judicial de
cobrança de dívida, não afetado a serviço público ou outra finalidade específica, é caracterizado
como um bem
a) semi-público, em face da forma de aquisição.
b) de uso comum do povo, considerando a ausência de afetação à finalidade específica.
c) disponível, tendo em vista o regime jurídico de direito privado a que se submete a autarquia.
d) dominical, integrando o patrimônio disponível da autarquia.
e) de domínio privado, até que afetado a serviço público.
20. FCC - Assistente Técnico de Defensoria (DPE AM) /Assistente Técnico Administrativo/2018
Autarquia estadual foi condenada em ação trabalhista movida por seus empregados públicos. O
advogado dos referidos empregados pleiteou, em execução, a penhora de dois imóveis da
entidade para fazer frente à dívida. O pedido é
a) inadmissível, por se tratar de bens pertencentes à pessoa jurídica de direito público,
insuscetíveis de penhora.
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b) admissível, por se tratar de débito para com servidores públicos, hipótese em que ocorre a
automática desafetação dos referidos bens.
c) inadmissível, por se tratar de bens do patrimônio indisponível de pessoa jurídica integrante da
Administração indireta, sujeita a regime jurídico de direito privado.
d) admissível, por se tratar de crédito alimentar e de bens pertencentes à Administração pública
indireta, sujeitos a regime privado.
e) admissível, por se tratar de bens do patrimônio disponível da entidade, não afetos à finalidade
pública.
21. FCC - Analista Judiciário (TRT 2ª Região) /Judiciária/"Sem Especialidade"/2018
O regime jurídico aplicável aos imóveis públicos se presta à proteção dos mesmos,
especialmente porque estes devem se destinar ao atingimento do interesse público e à prestação
de utilidades em favor dos administrados. Nesse sentido, dentre as prerrogativas e proteções
impostas aos bens públicos,
a) a inalienabilidade não permite venda ou doação de bens de uso comum do povo, de bens
especiais ou de bens dominicais, independentemente de o titular integrar a Administração
pública direta ou indireta.
b) a impenhorabilidade impede que os bens públicos sejam compulsoriamente penhorados,
admitindo essa garantia apenas quando em caráter voluntário por parte da Administração
pública.
c) a inalienabilidade protege os bens públicos afetados a uma finalidade pública, inclusive
aqueles pertencentes a autarquias.
d) não se incluem os bens pertencentes às autarquias, salvo quando expressamente previstos em
lei.
e) não se inclui a inalienabilidadedos bens de uso especial, tendo em vista que somente os bens
de uso comum do povo são indisponíveis.
22. FCC - Técnico Legislativo (CL DF) /Agente de Polícia Legislativa/2018
Wallace reside com sua família, desde novembro de 1999, ininterruptamente e sem oposição, em
imóvel público de 270 m2, situado em área com características e finalidade urbanas. Nesse
diapasão, Wallace, em relação ao aludido imóvel,
a) possui direito subjetivo à aquisição compulsória do imóvel ocupado, desde que não seja
proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural, bem como que
não tenha tido referido direito reconhecido anteriormente.
b) completou o prazo de prescrição aquisitiva do imóvel, passível de ser usucapido por se tratar
de bem dominical.
c) não tem direito à aquisição compulsória do imóvel pelo fato de ser bem público e, ainda que
fosse da categoria dos bens públicos dominicais, estaria protegido pela imprescritibilidade.
d) pode adquirir o imóvel por usucapião especial urbana, desde que não seja proprietário ou
concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.
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e) não possui direito à usucapião ou outra modalidade de aquisição originária de propriedade,
porque o bem público por ele ocupado foi destinado a finalidade urbana.
23. FCC - Analista Ministerial (MPE PE) /Jurídica/2018
Uma praça pública localizada na periferia de determinado município está sendo utilizada como
área de lazer exclusiva de um grupo de moradores de um condomínio horizontal vizinho.
Providenciaram a construção de muro em volta da praça e a instalação de um acesso próprio
para os moradores. A associação de moradores conserva o local, que está preservado. Durante
fiscalização regular, a Prefeitura identificou essa ocupação, tendo noticiado no local, a um
representante da associação, a necessidade de reversão do uso irregular. Os moradores vizinhos
que estão utilizando o terreno
a) deverão reverter as obras que impediram o uso público do bem, considerando que se trata de
bem de uso comum do povo, não cabendo exclusividade de uso a eles na forma como ocorrido.
b) podem regularizar sua situação, pleiteando ao Município a outorga de contrato de permissão
de uso remunerado, considerando que a destinação do local foi mantida.
c) precisam pleitear um instrumento que legitime sua ocupação, desde que demonstrado que o
uso é compatível com a finalidade do imóvel e que se enquadram em hipótese de inexigibilidade
de licitação.
d) podem continuar a utilizar, dado que se trata de bem de uso comum do povo, disponível a
eles, devendo, portanto, ser formalizado procedimento de dispensa de licitação.
e) devem solicitar a outorga de concessão de uso ou de permissão de uso remuneradas, na
medida em que despendem recursos para a conservação da área, o que lhes conferirá caráter
oneroso.
24. FCC - Especialista em Regulação de Transporte (ARTESP)/Direito/I/2017
De acordo com a doutrina abalizada, o conceito de domínio público abrange o domínio
eminente, decorrente da soberania do Estado e que incide também sobre os bens privados, e o
domínio patrimonial, que diz respeito aos bens de propriedade do Estado. Considerando os bens
públicos como os integrantes desta última categoria, tais bens
a) integram, independentemente do uso que lhes seja atribuído, o patrimônio disponível do
Estado, salvo os inapropriáveis, de fruição geral da coletividade (res nullius).
b) não são passíveis de alienação ou oneração, salvo os de uso especial, integrantes do
patrimônio administrativo.
c) podem ser alienados ou sofrer oneração se forem de natureza dominical, eis que integrantes
do patrimônio disponível do Estado.
d) não são passíveis de alienação, independentemente da afetação a finalidade ou serviço
público, dada a natureza indisponível de todos os bens públicos.
e) quando afetados a determinada finalidade pública adquirem a característica de bens de uso
comum do povo, somente podendo ser desafetados por lei específica.
25. FCC - Defensor Público do Estado da Bahia/2016
Segundo o Código Civil de 2002, os bens públicos são
I. inalienáveis, os dominicais.
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II. alienáveis, desde que haja prévia justificativa e autorização do Poder Legislativo.
III. inalienáveis, os bens de uso comum, enquanto conservar a sua qualificação; e inalienáveis os
bens dominicais, observadas as determinações legais.
IV. alienáveis, os bens dominicais, observadas as determinações legais.
V. inalienáveis, os bens públicos de uso comum do povo na forma que a lei determinar.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) II e IV.
d) IV e V.
e) I, II e V.
26. FCC - Procurador do Estado do Tocantins/2018
Uma gleba de terras devolutas estaduais foi arrecadada por ação discriminatória e o Governo do
Estado, por meio de lei, declarou-a como indispensável à proteção de um relevante ecossistema
local, incluindo-a na área de parque estadual já constituído para esse fim. Tal gleba deve ser
considerada bem
a) público dominical.
b) público de uso comum do povo.
c) público de uso especial.
d) privado sob regime especial de proteção.
e) privado sob domínio estatal.
27. FCC - Procurador do Estado do Tocantins/2018
O Governo do Estado pretende que a iniciativa privada administre, mediante contrato, os
terminais de ônibus intermunicipais existentes no Estado, sendo que, em contrapartida dos
gastos de manutenção, os empresários possam explorar, por prazo determinado, a área dos
terminais com a construção de lojas, escritórios, hotéis etc. Pelas características anunciadas, o
negócio deve ser enquadrado como
a) concessão de uso de bem público.
b) permissão de uso de bem público.
c) direito de superfície.
d) outorga onerosa de potencial construtivo.
e) autorização de uso de bem público.
28. FCC - Analista de Trânsito (DETRAN MA) /2018
Determinado município pretende implantar uma unidade básica de saúde em seu território como
forma de execução de seu programa de atendimento a segmentos de saúde especializados. Não
conta com imóvel disponível para tanto, tampouco há tempo hábil para construir as instalações,
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considerando que há um cronograma de implementação do programa. Localizou um prédio
pertencente ao Estado, que está desativado, sendo possível
a) pleitear a outorga de uso privativo do bem, mediante assinatura de contrato de permissão ou
concessão de uso, para instalação da unidade de saúde.
b) demandar o ente titular do domínio do imóvel para que, mediante convênio, seja autorizado o
uso para as finalidades do programa, inexistindo outras vias administrativas para tanto.
c) requerer ao Estado a outorga de permissão de uso do bem, ato unilateral que conferirá o uso
privativo do imóvel à municipalidade.
d) que o Município requeira a ocupação temporária do imóvel, a fim de que, mediante
indenização, possa se utilizar do bem ainda que não haja concordância do ente político
proprietário.
e) solicitar a doação do imóvel ao Município, seguindo o trâmite legal para tanto, inexistindo
outras formas ou instrumentos de ocupação que possam viabilizar a utilização do bem pelo ente
público.
29. FCC - Analista Judiciário (TRT 15ª Região) /Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador
Federal/2018
A utilização de um terreno público pela iniciativa privada para construção de um espaço
destinado a atividades de lazer e cultura para a população, mediante cobrança de valores
razoáveis dos usuários, compatibilizando a política pública de disponibilizaçãodessas atividades
com a finalidade de percebimento de receitas pelo utente do terreno, pode se dar
a) mediante permissão de uso por prazo indeterminado, devido a natureza contratual desse
instrumento, que confere estabilidade para que o privado realize os investimentos necessários
para a realização da política pública pretendida.
b) com a celebração de autorização de uso por meio de inexigibilidade de licitação, tendo em
vista que somente a celebração de contratos demanda a obrigatoriedade de prévia licitação.
c) por meio de concessão de uso, celebrada mediante inexigibilidade de licitação, tendo em vista
a especificidade e natureza da destinação pretendida, que não admitiria competição.
d) por meio de permissão ou autorização de uso, não se adequando a concessão de uso, pois o
objeto da exploração não constitui serviço público, não se justificando a adoção desse regime
jurídico.
e) mediante concessão de uso, cuja natureza é contratual, precedida de licitação, considerando
que o objeto do contrato é passível de ser prestado por mais de um interessado.
30. FCC - Analista Administrativo (SEAD AP) /2018
Considere que um grupo de senhoras pretenda organizar um evento beneficente para arrecadar
donativos para os desabrigados das recentes chuvas experimentadas pelo município onde
residem. Também pretendem, no mesmo evento, realizar jogos e atrações para incrementar o
resultado com alguma contribuição em espécie. Precisam de um espaço para a execução das
atividades no decorrer de um dia, parecendo adequado o ginásio municipal de esportes. Para a
utilização desse espaço, o grupo de interessadas, representado por uma delas,
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==1365fc==
a) pode pleitear a outorga de ato de permissão de uso, considerando a finalidade de interesse
público do evento.
b) deve celebrar contrato de concessão de uso, considerando que bens de uso comum do povo
somente podem ser utilizados por particulares mediante instrumentos dessa natureza.
c) deve pleitear a instauração de procedimento de licitação simplificado, para que outros
potenciais interessados possam apresentar projeto de utilização do mesmo espaço.
d) pode requerer ao Município a outorga de permissão de uso, em cujo contrato serão
disciplinadas as condições de utilização.
e) deve pleitear autorização de uso à Municipalidade, instrumento cuja natureza jurídica é
contratual, embora não demande autorização legislativa para sua outorga.
31. FCC - Soldado (PM AP) /2017
Suponha que determinada autoridade administrativa tenha permitido o uso de área pública, a
título precário, a determinado cidadão para que este, residindo no local, também ficasse
responsável pela conservação, segurança e manutenção da área. Posteriormente, referida
autoridade foi alertada de que a área seria necessária para a construção de um equipamento
público, devendo, assim, ser desocupada para dar início às obras. Diante de tal situação, caberá,
por parte da Administração,
a) anular o ato de permissão de uso, que possui natureza de ato vinculado, salvo se decorridos
mais de 5 anos, quando passa a gerar direito subjetivo ao particular.
b) revogar o ato de permissão de uso, no exercício da discricionariedade administrativa,
bastando, para tanto, razões de conveniência e oportunidade.
c) extinguir a permissão de uso, obrigatoriamente pela via judicial, dado que a Administração não
pode revogar atos regularmente praticados.
d) revogar, administrativamente, o ato de permissão de uso, apenas se eivado de algum vício ou
ilegalidade, como, por exemplo, desvio de finalidade.
e) anular o ato de permissão de uso, independentemente de vício de legalidade, pela via
administrativa ou, se decorridos mais de 5 anos, pela via judicial.
32. FCC - Procurador do Estado do Maranhão/2016
Em janeiro de 1993, Maurício Quevedo passou a residir em terreno urbano que lhe fora vendido
“de boca” por outro posseiro antigo, ali construindo sua residência, um barraco de
aproximadamente setenta metros quadrados, ocupando dois terços do terreno assim adquirido.
Em janeiro deste ano, Maurício procurou aconselhar-se com advogado, que verificou a situação
dominial do terreno, constatando tratar-se de propriedade registrada em nome do Instituto
Nacional de Seguridade Social – INSS. Diante de tal situação, o referido posseiro
a) faz jus à usucapião do terreno, visto que se trata de imóvel particular da entidade autárquica.
b) não possui direito subjetivo de permanecer no imóvel, pois o princípio da boa-fé não é
oponível ao interesse público.
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c) tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da
posse, desde que comprove não ser proprietário ou concessionário, a qualquer título, de outro
imóvel urbano ou rural.
d) deve requerer ao INCRA a abertura de processo de legitimação de posse, visto tratar-se de
ocupante de terra devoluta.
e) deve solicitar à Secretaria do Patrimônio da União – SPU a declaração de aforamento do
imóvel, passando a recolher o foro anual.
33. FCC - Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul/2018
Em relação aos bens públicos, é correto afirmar:
a) A desafetação suprime a finalidade pública de um bem, eliminando algum de seus atributos,
como o da disponibilidade, transformando, assim, um bem de uso comum do povo em um bem
de uso especial.
b) A afetação de um bem a um serviço público somente pode ser feita por meio de lei, não
podendo ser feita por ato administrativo nem pelo mero uso do bem.
c) É possível haver sequestro de valores nas contas de ente público, por meio de comando
judicial, quando a pretensão visa a assegurar direitos fundamentais, como educação e saúde.
d) Os bens públicos não estão sujeitos à prescrição aquisitiva, salvo os dominicais.
e) A alienação de bens públicos móveis inservíveis, embora dispensada a autorização legislativa e
a demonstração do interesse público a justificar o ato, está condicionada à modalidade licitatória
de concorrência.
34. FCC - Analista Ministerial (MPE PE) /Auditoria/2018
A titularidade de um terreno desocupado pode interferir em sua disponibilidade porque
a) permite inferir o regime jurídico ao qual está sujeito, podendo ser alienado, penhorado e
usucapido na hipótese de pertencer a uma sociedade de economia mista que atue na exploração
de atividade econômica.
b) quando pertencente a autarquias, o descumprimento da função social da propriedade passa a
ensejar a prescritibilidade do bem.
c) se for de propriedade de sociedade de economia mista prestadora de serviço público,
dependerá de autorização legislativa para ser alienado ou onerado.
d) o regime jurídico de direito público que tutela os bens públicos não se estende àqueles de
propriedade dos entes integrantes da Administração indireta, tais como empresas públicas e
fundações.
e) os bens pertencentes a pessoas jurídicas de direito público são absolutamente inalienáveis,
sejam eles bens de uso comum do povo, de uso especial ou dominicais, independentemente da
afetação a que estejam sujeitos.
35. FCC - Procurador Municipal (Pref Caruaru) /2018
A respeito do regime jurídico dos bens públicos, é correto afirmar:
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a) Os bens públicos imóveis poderão ser alienados mediante autorização legislativa prévia, salvo
no caso dos bens dominicais.
b) Os bens dominicais são aqueles utilizados diretamente para a execução dos serviços
administrativos e serviços públicos em geral.
c) Os bens de uso comum do povo, por sua natureza, não permitem a cobrança de valores
pecuniários para asua utilização.
d) Embora os bens públicos sejam dotados de impenhorabilidade, o regime jurídico público
permite que os bens públicos afetados sejam gravados com direitos reais de garantia.
e) Afetação é o fato administrativo pelo qual se atribui ao bem público uma destinação pública
especial de interesse direto ou indireto da Administração.
36. FCC - Analista Judiciário (TRF 5ª Região) /Judiciária/"Sem Especialidade"/2017
A Administração pública federal, buscando angariar receita para investir em políticas públicas
prioritárias, decidiu alienar alguns de seus bens. Para tanto, objetivando dar transparência ao
processo e legitimar a política pública, publicou relação dos bens que seriam, respeitadas as
formalidades legais, alienados. É juridicamente viável que dessa relação constem:
a) os rios navegáveis, em razão da pujança econômica do país, que produz grãos e precisa
escoá-los.
b) os imóveis, independentemente da destinação legal, porquanto podem perder o caráter da
inalienabilidade por meio da afetação.
c) os bens do domínio público, porquanto, na hipótese, o princípio da eficiência se sobrepõe ao
da legalidade, autorizando, assim, a alienação.
d) os bens dominicais também denominados de bens do domínio privado do estado.
e) todos os imóveis, desde que suscetíveis de valoração patrimonial, mesmo que afetados à
prestação de serviços públicos, em especial nas hipóteses de bens administrados por
concessionárias de serviço público, que têm a obrigação de realizar investimentos como forma de
compensação pelo direito de explorar, por prazos longos, serviços públicos.
37. FCC - Analista Judiciário (TST)/Judiciária/"Sem Especialidade"/2017
Os bens imóveis pertencentes aos entes públicos, no que se refere ao uso, considerando a
classificação de bens de uso comum, de uso especial e dominicais,
a) somente admitem que lhes seja dado o destino compatível com o uso primário com o qual a
categoria se relaciona, vedado compartilhamento de utentes.
b) não admitem qualquer utilização, quando dominicais, tendo em vista que referidos bens não
podem ser destinados a nenhuma utilidade de interesse público, tendo em vista a finalidade de
venda a que se propõem.
c) devem respeitar sua destinação primária, no que se refere aos bens de uso comum, cabendo,
no entanto, compatibilizar outros usos secundários, desde que seja demonstrado não trazerem
prejuízo à função principal, bem como haver atendimento de interesse público.
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d) quando das categorias de bens de uso especial e dominicais deve ser solicitada autorização ao
governo para permitir outra destinação em substituição à anterior, ficando deferida no caso de
silêncio da Administração pública.
e) admitem plena compatibilização com outros usos, à exceção dos bens de uso comum do
povo, que somente podem ser destinados à sua função primária e precípua, vedada qualquer
outra utilização, exclusiva ou compartilhada.
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GABARITO
1. D
2. C
3. C
4. C
5. A
6. C
7. B
8. D
9. C
10. B
11. A
12. C
13. A
14. C
15. E
16. A
17. B
18. C
19. D
20. A
21. C
22. C
23. A
24. C
25. D
26. C
27. A
28. C
29. E
30. A
31. B
32. C
33. C
34. A
35. E
36. D
37. C
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92terras 
devolutas, bens móveis inservíveis
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Ao lado da categorização destacada acima, Maria Sylvia Zanella Di Pietro5 propõe outra 
classificação, sob o aspecto jurídico, segundo a qual os bens públicos podem ser considerados: 
a) de domínio público do Estado: bens de uso comum do povo e bens de uso especial 
b) de domínio privado do Estado: bens dominicais 
Disponibilidade 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
Por fim, quanto à disponibilidade, os bens públicos podem ser classificados como: 
 
Indisponíveis por natureza 
Os bens públicos indisponíveis por natureza não possuem natureza patrimonial e, portanto, não 
estão sujeitos à alienação. Como regra geral, aqui estão presentes os bens de uso comum do 
povo, como rodovias, praças públicas, mares e praias (que não possuem um valor patrimonial). 
- - - - 
Adiante veremos os bens que, ao contrário, possuem natureza patrimonial, os quais são 
subdivididos de acordo com a possibilidade de alienação. 
Patrimoniais indisponíveis 
Os bens patrimoniais indisponíveis são aqueles que, a despeito da natureza patrimonial, não 
podem ser objeto de alienação por parte do poder público. A indisponibilidade destes bens 
decorre justamente da destinação pública específica dada a eles, como ocorre com um edifício 
em que uma repartição pública encontra-se funcionando, um veículo oficial em uso, uma escola 
pública etc. 
Aqui podem ser enquadrados os bens de uso especial e, em caráter excepcional, os bens de uso 
comum do povo suscetíveis de avaliação patrimonial. 
 
5 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. Itens 16.3 e 
16.4 
indisponíveis 
por natureza
patrimoniais 
indisponíveis
patrimoniais 
disponíveis
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A indisponibilidade deste bens (e dos indisponíveis por natureza) foi assim tratada no nosso 
Código Civil: 
CCB, art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
Patrimoniais disponíveis 
Por fim, os bens patrimoniais disponíveis são aqueles que não possuem uma finalidade pública 
específica e, assim, podem ser objeto de alienação. 
Nesta categoria estão enquadrados os bens dominicais: 
CCB, art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências 
da lei. 
 
 
 
disponibilidade 
dos bens públicos 
indisponíveis por 
natureza
natureza não patrimonial; não 
podem ser alienados
regra: bens de uso comum do povo
patrimoniais
indisponíveis
afetados a uma destinação 
específica; não podem ser 
alienados
bens de uso especial
disponíveis
não afetados; podem ser 
alienados
bens dominicais
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CARACTERÍSTICAS 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA 
O ordenamento jurídico prevê algumas regras que buscam proteger os bens públicos, as quais 
caracterizam parte do chamado regime jurídico dos bens públicos. 
Nesse sentido, iremos destacar as 4 principais características destes bens: 
 
Inalienabilidade 
Como regra geral, os bens públicos são indisponíveis e, assim, não podem ser objeto de alienação. 
Tal característica, no entanto, não alcança todas as espécies de bens, como vimos acima, mas 
apenas (i) bens de uso comum do povo insuscetíveis de avaliação patrimonial e (ii) os bens de uso 
especial. 
A seu turno, os bens dominicais podem ser alienados, atendidas as exigências legais: 
CCB, art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são 
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. 
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da 
lei. 
Por fim, ante a possibilidade de alienação dos bens dominicais, a doutrina conclui que a 
inalienabilidade é relativa – e não absoluta (ou seja, inalienabilidade condicionada). 
A questão abaixo buscou confundir a categoria de bens alienáveis: 
FCC - Procurador Legislativo (CL DF) - adaptada 
O regime jurídico incidente sobre os bens de propriedade das pessoas jurídicas de direito público predica 
que os mesmos são inalienáveis, salvo os de uso comum do povo, os quais, contudo, são também 
impenhoráveis como os demais. 
Gabarito (E). São os dominicais que podem ser alienados; e todos eles são impenhoráveis. 
Isto nos leva à próxima característica! 
inalienabilidade impenhorabilidade imprescritibilidade não onerabilidade
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Impenhorabilidade 
Imagine que você possui uma série de dívidas com outras pessoas e, embora tenha patrimônio 
suficiente, nega-se a pagá-las. 
Em determinadas situações, você poderia ter seus bens (móveis e imóveis) penhorados pelo Poder 
Judiciário, para viabilizar a quitação destas dívidas. Assim, alguns bens seriam expropriados do 
seu patrimônio, para que o credor receba os valores que lhe são devidos. 
Agora, imagine que a dívida seja do poder público. Então, determinado município brasileiro, por 
exemplo, deve a uma empresa privada a quantia de R$ 1 milhão de reais. 
A empresa poderá requerer a penhora de bens públicos para saldar a dívida? 
A resposta é um sonoro não! 
Isto porque os bens públicos, como regra geral, são impenhoráveis. 
 
Então como o credor do Estado poderia cobrar suas dívidas? 
Como regra, esta resposta é dada pelo sistema de precatórios, que organiza uma fila para 
pagamento das dívidas do Estado (CF, art. 100). 
Ainda tomando por base o exemplo anterior, em que o município deve R$ 1 milhão a uma 
empresa. Imagine que, além desta dívida, o município tenha dívidas com outras nove empresas, 
perfazendo um total de R$ 10 milhões. 
Muito provavelmente, o município é devedor de quantias muito superiores ao que consegue pagar 
anualmente. Assim, a cada ano, seu orçamento fixa um montante para pagamento de credores, 
por exemplo, R$ 1 milhão/ano. 
Nesta esteira, são as regras do sistema precatório quem dirão qual empresa irá receber a cada 
ano, sendo que, de modo simplificado, quem entrou primeiro na fila, recebe primeiro. 
 
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A exceção ao regime de precatórios (fila) são os pagamentos de pequeno valor! 
Para as dívidas do poder público consideradas por lei como sendo de baixo valor6, o respectivo 
pagamento se dá por meio de RPV (Requisição de Pequeno Valor) – e não pelo regime de 
precatório (CF, art. 100, §15). 
- - - - 
Um detalhe importante é que, nas situações em que o ente federativo descumprir determinadas 
regras do regime de precatório, o Poder Judiciário poderá autorizar o sequestro de dotações 
orçamentárias ou créditos para o pagamento de credores do poder público. 
Tal sequestro poderá ocorrer quando (i) houver preterição do direito de precedência do credor 
ou (ii) não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito – CF, art. 100, §6º. 
Portanto, os bens públicos não estão sujeitos à penhora (impenhorabilidade), mas em algumas 
situações é possível haver o sequestro de quantias para pagamento de precatórios judiciais. 
 
Outro detalhe interessante diz respeito aos bens pertencentes às empresas públicas (EP) e 
sociedades de economia mista(SEM), os quais são considerados bens privados7, dada a respectiva 
personalidade de direito privado. 
 
6 Se o devedor for ente público federal, o valor limite para o pagamento via RPV é de 60 salários mínimos. 
7 Código Civil, art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de 
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 
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Nesse sentido, tem entendido o STF8 que as estatais não estarão sujeitas ao regime de precatório, 
previsto no art. 100 da CF. 
No entanto, haverá algumas particularidades a depender da atividade prestada pela estatal. 
Caso a EP/SEM se dedique à prestação de serviços públicos, os bens diretamente relacionados à 
prestação dos serviços receberão tratamento similar àquele deferido aos bens públicos, a exemplo 
da impenhorabilidade. 
Esta conclusão decorre do seguinte raciocínio: se o serviço público depende daquele bem para 
continuar sendo prestado, aquele bem deveria receber do ordenamento jurídico uma proteção 
especial. Percebam, portanto, que é uma decorrência do princípio da continuidade dos serviços 
públicos (e não da natureza jurídica do bem – que é de direito privado). 
Mas, dentro do conjunto de estatais prestadoras de serviços públicos, haverá outra diferenciação 
para aquelas que prestam serviço essencial, próprio do Estado, em regime não concorrencial (isto 
é, sem competir com empresas privadas). 
Para este subconjunto de EP e SEM, todos os bens, direta ou indiretamente relacionados à 
prestação dos serviços, gozarão de proteção similar àquela conferida aos bens públicos. Por este 
motivo, bens de tais empresas não podem ser penhorados para satisfazer a uma dívida da 
empresa. As dívidas destas empresas seguirão o regime de precatório. 
Portanto, como regra, será aplicável “regime de precatório às sociedades de economia mista 
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial”, como no caso 
do serviço postal prestado pelos Correios9. 
Imprescritibilidade 
Sabemos que a ocorrência da prescrição, de modo geral, gera ao titular de um direito a 
impossibilidade de reclamá-lo em juízo. Quando falamos de “bens”, é importante conhecermos a 
“prescrição aquisitiva”, também denominada de usucapião. 
Os bens privados, em geral, estão sujeitos a usucapião, de sorte que seu proprietário poderia 
perder um bem em razão de um terceiro exercer sua posse durante um período de tempo. 
 
8 STF RE 851711/DF. Rel. Min. Marco Aurélio. 12/12/2017. 
9 STF - RE: 220906 DF, Relator: Min. MAURÍCIO CORRÊA, Data de Julgamento: 16/11/2000. 
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Os bens públicos, por outro lado, não estão sujeitos a usucapião, em razão da característica da 
imprescritibilidade. Assim, qualquer que seja o período de tempo ou a falta de oposição por parte 
do poder público, o particular não irá adquirir um bem público em razão da prescrição aquisitiva: 
CCB, art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. 
A imprescritibilidade alcança todas as espécies de bens públicos, inclusive os dominicais, sejam 
eles móveis ou imóveis: 
Súmula 340-STF 
Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não 
podem ser adquiridos por usucapião. 
Este tema que foi cobrado na seguinte questão: 
CEBRASPE - ACI - Auditoria/Governamental (adaptada) 
Os bens dominicais podem ser adquiridos por usucapião. 
Gabarito (E) 
 
Não Onerabilidade 
Onerar um bem significa utilizá-lo como garantia, como ocorre com o penhor, a anticrese e a 
hipoteca (CCB, art. 1.225, VIII a X c/c art. 1.419). 
Portanto, em decorrência da indisponibilidade destes bens, o poder público não poderia gravar 
um bem público como garantia em virtude de um negócio celebrado com terceiros. 
 
 
 
Sintetizando as características dos bens públicos, chegamos ao seguinte diagrama: 
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características 
dos bens 
públicos
IMPRESCRITIBILIDADE não podem ser adquiridos mediante 
usucapião
IMPENHORABILIDADE
não podem ser objeto de penhora 
(execução judicial contra autarquias se 
sujeita ao regime de precatórios)
INALIENABILIDADE Regra: não podem ser alienados
NÃO ONERABILIDADE
Não podem ser gravados como 
garantia (penhor, anticrese ou 
hipoteca)
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AQUISIÇÃO DE BENS PÚBLICOS 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA 
Neste tópico estudaremos as principais formas de aquisição de bens públicos, ou seja, 
instrumentos por meio dos quais bens em geral tornam-se públicos. Já adianto que se trata de 
tema fortemente pautado por regras do Direito Civil. 
Além disso, as mais variadas formas de aquisição de bens públicos podem ser assim classificadas: 
 
Formas de Aquisição 
Passemos, agora, ao breve estudo das principais formas de aquisição de bens públicos, tomando 
por base os ensinamentos de José dos Santos Carvalho Filho1. 
Contratos 
Como qualquer pessoa com aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações, o Estado pode 
celebrar contratos visando a aquisição de bens. Ganham relevo aqui os contratos de compra e 
venda de bens, doação, permuta e dação em pagamento. 
Tratando-se de contrato envolvendo bem imóvel, a transferência de propriedade restará 
consumada a partir do respectivo registro no cartório de registro de imóveis. 
 
1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1198-1204 
aq
ui
si
çã
o originária
não há transmissão formal da propriedade 
(aquisição direta).
Ex: aluvião, caça, pesca (cujos produtos passam ao 
patrimônio do caçador/pescador)
derivada
alguém transmite o bem ao poder público
Ex: contrato de compra e venda
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Usucapião 
Outra forma de aquisição de bens públicos consiste no usucapião (ou prescrição aquisitiva) - CCB, 
art. 1.238. 
Apesar de os bens públicos não se sujeitarem ao usucapião, o contrário é plenamente possível: 
bens particulares passarem ao domínio público por meio do usucapião. 
Em geral, o usucapião exige a posse do bem por determinado período, boa-fé e sentença 
declaratória da propriedade. Assim, uma vez consumado o processo aquisitivo, os bens 
usucapidos irão se tornar bens públicos. 
Desapropriação 
A desapropriação consiste na perda da propriedade em favor de outra pessoa (CCB, art. 1.275, 
V), de sorte que bens particulares poderão ser desapropriados pelo poder público, passando a 
integrar o patrimônio público. 
Mesmo que venham a ser repassados a terceiros (como acontece com os imóveis destinados à 
reforma agrária), os bens desapropriados permanecem como bens públicos enquanto não se dá a 
respectiva transferência. 
Além disso, é importante anotar que a doutrina predominante tem enquadrado a desapropriação 
como aquisição originária de bem público, dado que independe de título jurídico anterior. 
Acessão 
A acessão é forma de aquisição de bens imóveis, prevista no art. 1.248 do Código Civil Brasileiro. 
Consiste, basicamente, no acréscimo patrimonial decorrente da coisa que aderir ao bem 
anteriormente possuído, como ocorre, por exemplo, pela formaçãode ilhas, por aluvião2 e pela 
construção de obras ou plantações. 
Se uma propriedade pública é beneficiada com o aluvião ou com a construção de um edifício, por 
exemplo, tem lugar a aquisição mediante acessão. 
 
2 Consoante define Carvalho Filho, “Aluvião é o fenômeno pelo qual as águas vão vagarosamente 
aumentando as margens dos rios, ampliando a extensão da propriedade ribeirinha”. 
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Aquisição causa mortis 
De modo simplificado, se alguém falece deixando herança e os herdeiros não são identificados, 
tais bens são incorporados ao patrimônio público. 
Nesse sentido, dispõem os arts. 1.822 e 1.844 do Código Civil: 
Art. 1.822. A declaração de vacância da herança não prejudicará os herdeiros que 
legalmente se habilitarem; mas, decorridos cinco anos da abertura da sucessão, os bens 
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas 
respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando situados em 
território federal. (..) 
Art. 1.844. Não sobrevivendo cônjuge, ou companheiro, nem parente algum sucessível, ou 
tendo eles renunciado a herança, esta se devolve ao Município ou ao Distrito Federal, se 
localizada nas respectivas circunscrições, ou à União, quando situada em território federal. 
Arrematação 
Arrematação consiste na forma de aquisição de bens através da alienação de bem penhorado, em 
processo de execução, em leilão judicial. Assim como um particular pode arrematar bens leiloados, 
nada impede que as pessoas de direito público participem do certame. 
Adjudicação 
A adjudicação é bastante semelhante à arrematação, estudada acima, uma vez que repousa sobre 
bens penhorados e leiloados. A diferença é que, na adjudicação, o poder público não arremata o 
bem, mas é credor do proprietário do bem. 
Assim, como o proprietário do bem objeto da penhora possui uma dívida com o poder público, 
este requer que lhe seja adjudicado o bem penhorado ou objeto de leilão. 
Resgate da enfiteuse 
Enfiteuse consiste, à luz do Código Civil anterior, no direito real sobre coisa alheia, “pelo qual o 
uso e o gozo do bem (domínio útil) pertenciam ao enfiteuta, e ao proprietário (ou senhorio direto) 
cabia apenas a nua propriedade (propriedade abstrata)” 3. 
 
3 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1203 
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O atual Código Civil, no entanto, não mais incluiu a enfiteuse entre os direitos reais (art. 1.225). 
De toda forma, como as enfiteuses já existentes foram mantidas, faz-se oportuno o estudo das 
enfiteuses constituídas antes do Código Civil de 2002. 
Se o enfiteuta for pessoa de direito público e tiver efetuado o resgate do bem anteriormente 
objeto de enfiteuse (por meio do pagamento ao proprietário-senhorio direto), a propriedade se 
consolidará em favor do poder público. Assim, o bem, que era privado, passará a ostentar a 
natureza de bem público. 
Aquisição ex vi legis 
Neste tópico a doutrina enquadra as formas de aquisição não contempladas nas regras civilistas 
usuais, sendo reguladas precipuamente por normas de direito público. Veremos aqui os 
loteamentos, o perdimento de bens, a reversão nas concessões e o abandono. 
1) Algumas áreas dos loteamentos urbanos são legalmente reservadas ao Poder Público, como os 
espaços destinados às ruas, praças e aos prédios públicos. Dessa maneira, tais áreas passam a 
integrar o domínio público, desde o registro do loteamento no cartório próprio. 
2) Outra forma pouco comum de aquisição diz respeito ao perdimento de bens, a exemplo das 
regras previstas no Código Penal que estabelecem que, entre os efeitos da condenação criminal, 
a perda, em favor da União, dos instrumentos do crime, se consistirem em coisas cuja fabricação, 
alienação, uso, porte ou detenção se tipifiquem como fato ilícito, bem como do produto do crime 
ou de qualquer outro bem que resulte de proveito obtido pelo agente com a prática do fato 
criminoso (art. 91, I e II). Tais bens passam a enquadrar-se como federais. 
No mesmo sentido, o perdimento de bens decorrente de ato de improbidade administrativa. 
Neste caso, os bens poderão ser federais, estaduais, distritais ou municipais, conforme a pessoa 
que tenha sido lesada pelo ato ímprobo. 
3) A reversão nas concessões de serviços públicos também importa a aquisição de bens pelas 
pessoas públicas. Em determinadas concessões, a respectiva extinção implica a transferência de 
bens do concessionário (empregados na prestação do serviço público). Tais bens, antes sob 
domínio privado do concessionário, passam a se qualificar como bens públicos, mediante a 
reversão. 
4) Há ainda a figura civilista do abandono de bens móveis ou imóveis (CCB, art. 1.275, III). No 
abandono, o proprietário exclui o bem de sua propriedade sem manifestação expressa da 
vontade. Segundo o Código Civil, não se encontrando o imóvel abandonado na posse de outrem, 
poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, após três anos, à propriedade do Município ou 
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do Distrito Federal, se se tratar de imóvel urbano (art. 1.276) ou à da União Federal, se o imóvel 
for situado em zona rural (art. 1.276, § 1º). 
 
Formas de aquisição 
Contratos 
Ex.: compra e venda, doação, permuta e 
dação em pagamento 
Usucapião 
Prescrição aquisitiva (bens particulares 
tornando-se bens públicos) 
Desapropriação 
Poder público desapropria bem particular 
(aquisição originária) 
Acessão 
Ex.: formação de ilhas, aluvião, construção de 
obras ou plantações 
Aquisição causa mortis 
vacância da herança após decorridos 5 anos 
da abertura da sucessão 
Arrematação Poder público arrematando bem penhorado 
Adjudicação 
Poder público é credor do proprietário do 
bem leiloado 
Resgate da enfiteuse Enfiteuses anterior ao Código Civil de 2002 
Aquisição ex vi legis 
Ex.: loteamentos, perdimento de bens, 
reversão nas concessões 
 
AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
Os termos “afetação” e “desafetação” de bens públicos dizem respeito à destinação que é dada 
ao bem (isto é, a finalidade do seu uso). 
Se determinado bem público está sendo utilizado para uma finalidade pública, dizemos que ele 
encontra-se afetado a determinada finalidade pública. 
Exemplos: praça pública (em sua utilização normal); prédio público utilizado como 
hospital público. 
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Por outro lado, se o bem não estiver sendo utilizado para “qualquer fim público”, dizemos que 
ele encontra-se desafetado. Veremos que, encontrando-se desafetado, torna-se possível a 
alienação do bem público. 
Exemplos: prédio público desocupado; ambulância dada como inservível; 
Associando tais conceitos à classificação dos bens públicos quanto à sua destinação, podemos 
dizer que, como regra geral, a desafetação transforma um bem público de uso comum ou de uso 
especial em bem dominical. Por outro lado, a afetação transforma um bem dominical em de uso 
comum ou especial. Na dição de Di Pietro 4, a afetação é “o ato ou fato pelo qual um bem passa 
da categoria de bem do domínio privado do Estado para a categoria de bem do domínio público”. 
Exemplo5: Um edifício público onde funcione uma secretaria estadual pode ser 
desativado para que o órgão seja instaladoem local diverso. Esse prédio sairá da categoria 
de bem de uso especial e ingressará na de bem dominical. A desativação do prédio implica 
sua desafetação. 
Se, posteriormente, no mesmo prédio for instalada uma creche organizada pelo Estado, 
haverá afetação, e o bem, que estava na categoria dos dominicais, retornará à condição 
de bem de uso especial. 
Outro exemplo é o da desestatização (privatização), que também pode render ensejo à 
desafetação. 
Em síntese: 
 
4 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 750. 
5 Extraído de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1192 
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Vejam a questão abaixo a este respeito: 
FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso (adaptada) 
Chama-se desafetação o processo pelo qual um bem de uso comum do povo é convertido em bem de uso 
especial. 
Gabarito (E), pois o resultado da desafetação é a conversão em um bem dominical. 
Adiante outra questão a respeito do processo de afetação: 
CEBRASPE - PJ (MPE PI) 
O poder público estadual instalou escola em determinado imóvel público abandonado. Após a instalação e 
o efetivo uso público do bem, o imóvel será caracterizado como bem público 
a) dominical, tacitamente desafetado. 
b) de uso especial, tacitamente afetado. 
c) de uso comum do povo, tacitamente afetado. 
d) de uso especial, expressamente desafetado. 
e) de uso comum do povo, expressamente desafetado. 
Gabarito (B). Inexistente a finalidade pública, o imóvel era bem dominical, passando a ser de uso especial, 
após sua afetação. 
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A destinação pública dada a um bem (ou seja, a afetação de um bem público) ganha especial 
importância para se avaliar a possibilidade de alienação daquele bem. 
Os bens públicos afetados não são passíveis de alienação, enquanto conservarem tal situação. 
Após serem desafetados, no entanto, os bens públicos tornam-se alienáveis, atendidas as 
condições previstas na legislação. 
 
ESPÉCIES DE BENS PÚBLICOS 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
Neste tópico, estudaremos brevemente as principais espécies de bens públicos e a respectiva 
classificação, sintetizando ensinamentos doutrinários678. 
Bem público Descrição Classificação/Observação 
Terras devolutas 
Pertencem ao poder público, 
mas não se destinam a fins 
administrativos específicos 
Bens dominicais da União (se 
indispensáveis à defesa das 
fronteiras ... e à preservação 
ambiental) ou dos Estados 
(demais casos) 
Terrenos de marinha 
Áreas banhadas pelas águas 
do mar ou rios navegáveis (33 
metros) Bens da União e, como regra, 
dominicais 
Terrenos acrescidos 
Terremos formados em 
seguimento aos terrenos de 
marinha 
Terrenos reservados 
Terrenos banhados pelas 
correntes navegáveis , fora do 
alcance das marés (15 metros) 
Bens públicos (SUM-479 STF) 
Terras ocupadas pelos índios 
Terras tradicionalmente 
ocupadas pelos índios 
Bens de uso especial, 
pertencentes à União 
Plataforma continental e seus 
recursos naturais 
Extensão da área continental 
sob o mar (200 metros) 
Bens da União 
 
6 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 26ª ed. p. 1135-1140 
7 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 664-697. 
8 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1246-1262 
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Ilhas 
Extensão de terra firme de 
dimensão reduzida 
Regra: 
Ilhas marítimas → bens da 
União 
Ilhas fluviais e lacustres → 
estados ou municípios 
Faixa de fronteiras 
Área que faz fronteira com 
outros países (faixa de 150km) 
Fundamental para defesa do 
território nacional. 
Sua ocupação e utilização 
serão reguladas em lei. 
Águas Públicas 
Mares, rios e lagos de 
domínio público 
De uso comum (lagos e 
cursos d’água naturais que, 
em algum trecho, sejam 
flutuáveis ou navegáveis) ou 
dominical (demais casos) 
Subsolo e riquezas minerais 
Propriedade distinta da do 
solo 
Bens da União 
 
A questão a seguir versou sobre uma destas espécies de bens: 
CEBRASPE - DPE PE (adaptada) 
As terras tradicionalmente reservadas aos índios são consideradas bens públicos de uso especial da União. 
Gabarito (C), nos termos do art. 20, XI, da CF. 
 
Quanto aos terrenos de marinha, acima mencionados, é importante destacar a existência da SUM-
496 do STJ, no sentido de que registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos 
de Marinha não são oponíveis à União. Em outras palavras, não possui validade eventual registro, 
em nome de particular, em cartório de imóvel nesta área. 
Além disso, no que diz respeito aos terrenos reservados, a despeito da discussão doutrinária 
existente, ganha destaque a SUM-479 do STF no sentido de que: 
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As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e, 
por isso mesmo, excluídas de indenização. 
 
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USO DOS BENS PÚBLICOS 
Neste tópico estudaremos situações específicas de uso dos bens públicos, sobretudo por 
particulares. Estudaremos as duas principais classificações quanto ao uso de bens públicos e, na 
sequência, os instrumentos que autorizam os particulares a utilizarem bens públicos. 
Classificações quanto ao Uso 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
O uso de bens públicos por particulares pode ser classificado em (i) uso comum e uso privativo ou 
em (ii) uso normal e anormal, à luz dos ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 
 
➢ Uso normal vs. Uso anormal 
Para a autora, uso normal é aquele exercido em conformidade com a destinação principal do bem. 
Se determinada rua está aberta à circulação de veículos, o bem está em seu uso normal. 
Já o uso anormal é aquele que atende a finalidades diversas ou acessórias, muitas vezes em 
contradição com sua destinação principal. É o caso, por exemplo, daquela mesma rua que, em 
determinado período, está sendo utilizada para o desfile de um bloco de carnaval. 
 
➢ Uso comum vs. Uso privativo 
Quanto à exclusividade no uso do bem, o uso será privativo ou comum. 
Para Di Pietro9, uso privativo (ou uso especial), é aquele em que a Administração Pública confere 
o uso à pessoa determinada, para que exerça, com exclusividade. 
O consentimento da Administração para uso privativo do bem se dá mediante título jurídico 
individual, na forma de autorização, permissão e concessão de uso de bem público. 
Exemplos: particular que instala sua banca de revista em praça pública; festividade da 
igreja que ocorre em via pública interditada. 
 
9 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 
16.6 
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Friso que, para qualquer espécie de bem público (uso comum do povo, uso especial ou dominical), 
o poder público poderá outorgaraos particulares seu uso privativo! 
- - - - 
O uso comum, por sua vez, é aquele que se exerce, em igualdade de condições, por todos os 
membros da coletividade. 
Exemplos: particular que trafega com seu veículo sobre uma avenida ou rodovia; 
transeunte em uma praça pública. 
Apesar de o uso comum ocorrer em igualdade de condições entre todos os particulares, o poder 
público poderá, no exercício do poder de polícia, regulamentar e fiscalizar o uso do bem, com 
objetivo de conservar o patrimônio público. 
Dada esta possibilidade, pode-se afirmar que o uso comum admite duas modalidades: o uso 
comum ordinário e o extraordinário. 
Di Pietro10 destaca que o uso comum ordinário é aquele que se dá com a generalidade (porque 
pode ser exercido por todos), sem necessidade de autorização ou licença do poder público 
(liberdade) e gratuidade (porque dispensa pagamento de qualquer prestação pecuniária). É o 
caso, por exemplo, do particular que está sentado no banco de uma praça pública. 
A seu turno, o uso comum extraordinário é aquele em que o uso do bem foge destas 
características comuns acima, seja em razão da necessidade de consentimento do poder público 
ou em virtude da exigência de remuneração imposta ao particular, como ocorre com a rodovia 
cujo tráfego está sujeito ao pagamento de pedágio. Assim, o uso é extraordinário quando, embora 
exercido em comum (sem exclusividade), é remunerado ou depende de título jurídico expedido 
pelo Poder Público. 
- - - - 
Em síntese: 
 
10 Op. Cit. 
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Dito isto, vamos nos aprofundar quanto ao uso privativo de bens públicos. 
Uso Privativo de bens Públicos por particulares 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
O uso privativo (ou uso especial privativo) consiste no direito de utilização de bens públicos 
conferido pela Administração a pessoas determinadas, mediante instrumento jurídico específico 
para tal fim11. 
Este consentimento pode ser expedido em favor de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou 
privadas. 
José dos Santos Carvalho Filho12 elenca quatro características do uso privativo dos bens públicos, 
a saber: 
 
11 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1213 
12 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1213 
quanto à 
exclusividade 
do uso
uso privativo particular usa o bem com 
exclusividade
comum
ordinário → gratuito e sem
necessidade de consentimento
extraordinário→ oneroso ou
com necessidade de
consentimento
quanto à 
destinação do 
bem
uso normal de acordo com a destinação
principal do bem
anormal
bem é utilizado com fim
diverso de sua destinação
principal
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Além destas características, é importante destacar ainda que o consentimento para uso privativo 
de bem público por particulares poderá: 
➢ ocorrer de forma onerosa ou gratuita 
➢ versar sobre qualquer das três categorias de bens públicos (uso comum, especial ou dominical) 
 
As questões a seguir cobraram algumas destas características: 
FCC - Juiz Estadual (TJ SC) - adaptada 
A propósito do uso dos bens públicos pelos particulares, é correto afirmar que 
( ) as concessões de uso, dada a sua natureza contratual, não admitem a modalidade gratuita. 
Gabarito (E), visto que pode ser gratuita ou onerosa. 
 
FCC - Procurador do Estado do Mato Grosso (adaptada) 
Os bens de uso especial, dada a sua condição de inalienabilidade, não podem ser objeto de concessão de 
uso. 
Gabarito (E), visto que todas as 3 categorias podem ser objeto de concessão. 
 
• o particular que recebeu o consentimento estatal tem o direito de
usar o bem com exclusividade (afastando possíveis interessados)
privatividade (ou exclusividade)
• o direito ao uso privativo decorre do título jurídico com tal
consentimento
instrumentabilidade formal
• em regra, o instrumento jurídico que legitimou o uso pode ser
revogado, na superveniência de interesse público.
• em regra, tal revogação não enseja indenização, salvo título com
prazo e a revogação ocorrer antes do seu termo
precariedade
• o uso do bem está sujeito ao interesse público, o qual confere
prerrogativas à Administração, a exemplo da mencionada revogação
regime de direito público
Antonio Daud
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Agora sim, passemos ao estudo dos três principais instrumentos jurídicos que conferem ao 
particular o direito ao uso privativo de bens públicos. 
Vamos lá! 
Autorização de uso de Bem Público 
A autorização de uso de bem público consiste em ato administrativo (unilateral) que legitima o 
particular a utilizar determinado bem público com exclusividade. A autorização é expedida em 
caráter discricionário, precário e, como regra, sem a fixação de prazo certo de duração. 
Uma das principais características da autorização é o predomínio do interesse particular na 
utilização do bem. Vale dizer que, embora haja interesse público naquele uso do bem, prepondera 
o interesse particular. 
Exemplos13: autorização do uso de praça pública para organização de festa junina por 
associação de moradores; autorização de uso de terrenos baldios e de uso de área para 
estacionamento. 
Em razão de consistir em ato unilateral, a expedição da autorização não exige licitação prévia. 
Como não tem natureza contratual – mas de mero ato administrativo –, a autorização pode ser 
revogada a qualquer tempo, por razões de interesse público, sem qualquer indenização ao 
particular, como regra geral. A partir daqui, diz-se que a autorização é ato precário. 
Em situações excepcionais, o ato de autorização poderá fixar prazo de duração (chamadas de 
“autorização qualificada” ou “condicionada”). Nestes casos, a revogação antecipada poderá 
ensejar a indenização do particular. 
Permissão de uso de Bem Público 
A permissão de uso de bem público é também materializada em um ato administrativo, 
discricionário e precário. 
 
13 Op. cit. P. 1215 
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É sutil a diferença entre permissão e autorização de uso de bem público14, a qual repousa no 
predomínio dos interesses envolvidos. Enquanto na autorização prepondera o interesse particular, 
na permissão há um nivelamento entre os interesses público e particular. 
Exemplos: permissão para instalação de sanitários públicos; para instalação de 
restaurantes em pontos turísticos; de banca de revista em praça pública. 
A necessidade de realização de licitação prévia à expedição do ato de permissão é motivo de 
embates doutrinários, sendo que a doutrina majoritária entende cabível a licitação quando houver 
mais de um interessado na utilização do bem. Nestes casos, a licitação tornaria impessoal a 
expedição do título jurídico de uso e, assim, evitaria favorecimentos indevidos. 
Na permissão é bastante comum a fixação de prazo de utilização do bem (diferentemente da 
autorização). Assim, havendo tal prefixação de prazo ao permissionário, a revogação antecipada 
do ato ensejará sua indenização. 
 
Nesta aula estamos comentando a permissão de uso de bens públicos (que se materializa em um 
ato administrativo). 
Não podemos confundir tal situação com a permissão de serviços públicos, para a qual a 
legislação15 exige sempre a celebração de contrato administrativo. 
 
 
14 Em razão da reduzida diferenciação, CarvalhoFilho chega a defender a uniformização dos atos de permissão e 
autorização em um único “rótulo”. 
15 Lei 8.987/1995, art. 40. A permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão, que 
observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à precariedade 
e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente. 
CF, art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, 
sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. 
Parágrafo único. A lei disporá sobre: I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, 
o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e 
rescisão da concessão ou permissão; (..) 
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==1365fc==
 
 
 
 
 
Permissão 
»» Serviço público »» 
Contrato 
administrativo 
 
 
»» Bem público »» Ato administrativo 
Concessão de uso de Bem Público 
A concessão de uso de bem público, por sua vez, consiste em contrato administrativo (bilateral), 
por meio do qual o poder público faculta ao particular o uso de bem público. 
Em razão da natureza contratual da concessão, aqui não há precariedade no título de uso 
conferido ao particular. Assim, a concessão é indicada para situações não transitórias, de longa 
duração, que requerem estabilidade. 
Outra decorrência de sua natureza contratual diz respeito à necessidade de licitação prévia, como 
regra geral. 
Além disso, a concessão será sempre expedida por prazo determinado, de sorte que sua extinção 
antecipada ensejará o pagamento de indenização ao concessionário, como regra geral. 
Exemplos: instalação de boxes em um mercado municipal16; instalação de agência 
bancária no interior de repartições públicas. 
 
Por fim, vale a pena destacar modalidade específica de concessão, que diz respeito à concessão 
de direito real de uso. 
Tal concessão17 consiste no contrato administrativo pelo qual o Poder Público confere ao particular 
o direito real resolúvel de uso de terreno público ou sobre o espaço aéreo que o recobre, para os 
fins que, prévia e determinadamente, o justificaram, encontrando-se assim definida pelo Decreto-
Lei 271/1967: 
Art. 7o É instituída a concessão de uso de terrenos públicos ou particulares remunerada ou 
gratuita, por tempo certo ou indeterminado, como direito real resolúvel, para fins 
específicos de regularização fundiária de interesse social, urbanização, industrialização, 
 
16 Exemplo adaptado a partir de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª 
ed. Atlas. P. 1220 
17 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 1.221 
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edificação, cultivo da terra, aproveitamento sustentável das várzeas, preservação das 
comunidades tradicionais e seus meios de subsistência ou outras modalidades de interesse 
social em áreas urbanas. 
Tal concessão possui, como vimos acima, natureza jurídica de direito real (e não pessoal). Em razão 
desta natureza, o particular pode transmitir o direito de uso, seja por meio de sucessão ou por ato 
inter vivos. 
Além disso, a concessão de direito real de uso pode ter prazo certo ou indeterminado. No entanto, 
tal concessão é resolúvel, de sorte que pode ser extinta na ocorrência de determinadas situações 
previstas no respectivo contrato ou em lei. 
Uma destas hipóteses legais diz respeito às situações em que o concessionário der ao imóvel 
destinação diversa daquela estabelecida no contrato (DL 271/1967, art. 7º, §3º). 
 
Voltando a comentar especificamente da concessão, cumpre destacar a possibilidade de 
pequenos imóveis públicos (até 250m2) serem objeto de concessão de uso especial para viabilizar 
o direito à moradia. 
Nesse sentido, o art. 1º da Medida Provisória 2.220/2001 (que não se refere a usucapião) prevê 
hipótese que assegurou, a particulares possuidores de imóveis públicos até 22/12/2016, o direito 
à concessão de uso especial para fins de moradia, desde que não fosse proprietário de outro 
imóvel: 
Art. 1o Aquele que, até 22 de dezembro de 2016, possuiu como seu, por cinco anos, 
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados de imóvel 
público situado em área com características e finalidade urbanas, e que o utilize para sua 
moradia ou de sua família, tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia 
em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja proprietário ou concessionário, a 
qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural. 
 
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Partindo da compilação realizada por Marcelo Alexandrino18, chegamos ao seguinte quadro-
comparativo: 
Autorização Permissão Concessão 
Ato administrativo Ato administrativo Contrato administrativo 
Interesse particular 
preponderante 
Nivelamento de interesses 
Indicada para situações não 
transitórias, de longa duração 
Regra: sem licitação Regra: licitação previa (*) Regra: licitação prévia 
Ato precário Ato precário Sem precariedade 
Revogável a qualquer tempo Revogável a qualquer tempo 
Admite rescisão do contrato, 
nas hipóteses legais 
Abaixo duas questões de prova a respeito: 
FCC - Procurador Legislativo (CL DF) - adaptada 
O regime jurídico incidente sobre os bens de propriedade das pessoas jurídicas de direito público predica 
que os mesmos somente podem ser utilizados por particulares em caráter precário, sem prazo determinado, 
mediante outorga de permissão de uso, a título gratuito ou oneroso. 
Gabarito (E), dada a possibilidade de concessão de uso de bens públicos. 
 
FGV - Ana (TJ SC) /TJ SC/Jurídico 
Maria e João obtiveram do poder público consentimento para realizar seu casamento numa bela praia de 
Santa Catarina. No caso em tela, de acordo com a doutrina de Direito Administrativo, a utilização especial ou 
anormal do bem público deve ser instrumentalizada por meio da: 
a) permissão de uso, que é ato discricionário, precário e independe de licitação prévia; 
b) concessão de uso, que é ato discricionário, precário e depende de licitação prévia; 
c) autorização de uso, que é ato discricionário, precário e independe de licitação prévia; 
d) permissão de uso, que é contrato administrativo precário e independe de licitação prévia; 
e) autorização de uso, que é ato vinculado, oneroso e depende de licitação prévia. 
Gabarito (C), dada a precariedade da utilização, a proeminência do interesse privado e a natureza 
discricionária da autorização. 
 
18 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 26ª ed. p. 1144 
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CONCLUSÃO 
Bem, pessoal, 
Desta aula destaco especialmente as classificações dos bens públicos, suas características e 
instrumentos que legitima o uso privativo por particulares. Atenção aos detalhes e às diferenças 
dentro de cada um destes temas. 
Adiante teremos, como de costume, nosso resumo e as questões comentadas relacionadas ao 
tema da aula de hoje =) 
 
 
Um abraço e bons estudos, 
Prof. Antonio Daud 
 
 
@professordaud 
 
www.facebook.com/professordaud 
 
 
 
 
 
 
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RESUMO 
Bens Públicos → pertencem às pessoas jurídicas de direito público (todos os outros são 
particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem). 
 
 
destinação 
dos bens 
públicos 
uso comum 
do povo
utilizados pela coletividade em geral
ex: ruas e praças públicas, rodovias, 
praias, mares
uso especial
utilizados para a prestação dos serviços 
públicos
ex: sedes das repartições públicas, 
escolas e hospitais públicos, veículos 
oficiais
dominicais
não possuem destinação pública 
específica
ex: prédios públicos desativados, terras 
devolutas, bens móveis inservíveis
disponibilidade 
dos bens públicos 
indisponíveis por 
natureza
natureza não patrimonial; não 
podem ser alienados
regra: bens de uso comum do povo
patrimoniais
indisponíveis
afetados a uma destinação 
específica; não podem ser 
alienados
bens de uso especial
disponíveis
não afetados; podem ser 
alienados
bens dominicais
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Autorização Permissão Concessão 
Ato administrativo Ato administrativo Contrato administrativo 
Interesse particular 
preponderante 
Nivelamento de interesses 
Indicada para situações não 
transitórias, de longa duração 
Regra: sem licitação Regra: licitação previa (*) Regra: licitação prévia 
Ato precário Ato precário Sem precariedade 
Revogável a qualquer tempo Revogável a qualquer tempo 
Admite rescisão do contrato, 
nas hipóteses legais 
 
 
 
 
 
 
 
 
características 
dos bens 
públicos
IMPRESCRITIBILIDADE não podem ser adquiridos mediante 
usucapião
IMPENHORABILIDADE
não podem ser objeto de penhora 
(execução judicial contra autarquias se 
sujeita ao regime de precatórios)
INALIENABILIDADE Regra: não podem ser alienados
NÃO ONERABILIDADE
Não podem ser gravados como 
garantia (penhor, anticrese ou 
hipoteca)
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MAPAS 
 
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QUESTÕES COMENTADAS
1. AOCP/DPE-MS - 2024
Em relação à administração pública indireta e aos bens públicos, assinale a alternativa
INCORRETA.
(A) Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
(B) Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
(C) Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade
jurídica de direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam
atividade econômica sem monopólio e com finalidade de lucro.
(D) É inconstitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a prestação de
serviço público de saúde.
(E) Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido
pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
Comentários
A letra (A) está correta, os bens públicos realmente não estão sujeitos a usucapião, conforme
prescrição do Código Civil reafirmada pela Jurisprudência do STF:
Lei 14.406/2002, art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião
Súmula 340-STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens
públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.
A letra (B) está correta, a alternativa transcreve a disposição literal do Código Civil (Lei
14.406/2002):
Lei 14.406/2002, art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
A letra (C) está correta, segundo Jurisprudência do STF, o regime de precatório só é aplicável a
empresas que prestem serviços próprios do estado e de natureza não concorrencial:
Em regra, as empresas estatais estão submetidas ao regime das pessoas jurídicas de direito
privado (execução comum). No entanto, é possível sim aplicar o regime de precatórios para
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestem serviços públicos e que não
concorram com a iniciativa privada.
STF. 1ª Turma. RE 627242 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 02/05/2017.
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
A letra (D) está incorreta, ao contrário da alternativa, é constitucional de fundação pública de
direito privado para a prestação de serviço público de saúde, conforme Jurisprudência do STF:
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É constitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a prestação de
serviço público de saúde.
STF. Plenário. ADI 4197/SE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/3/2023 (Info 1085).
A letra (E) está correta, definição literal constante da Lei nº 13.303/2016:
Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido
pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
Gabarito (D)
2. FUNDATEC/PREFEITURA DE URUGUAIANA-RS – Procurador – 2023
O Município de Uruguaiana/RS celebrou contrato administrativo por meio do qual transfere, por
prazo certo e determinado, o uso de um bem para terceiros, visando ao cumprimento de uma
finalidade específica nos termos e condições fixados no ajuste. O contrato em questão é
designado como:
a) Autorização.
b) Permissão.
c) Concessão de uso.
d) Concessão de direito real.
e) Enfiteuse.
Comentários:
A Letra (a) está incorreta. A autorização de uso de bem público é ato administrativo, unilateral e
precário pelo qual a Administração concede ao particular o uso de um bem. Na autorização, o
interesse prevalente é do particular.
A Letra (b) está incorreta. A permissão de uso de bem público é ato administrativo, unilateral e
precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a Administração permite o uso de bem público por
particular. Na permissão, o interesse predominante é do ente público.
A Letra (c) está correta. A concessão de uso é o contrato administrativo, celebrado mediante
prévio procedimento licitatório, pelo qual a Administração concede ao particular o uso de bem
público por prazo determinado.
A Letra (d) está incorreta. A concessão de direito real é o contrato administrativo, mediante o
qual a Administração concede o uso de terreno público, com a garantia que os direitos reais
asseguram ao possuidor do bem.
Antonio Daud
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Por fim, a Letra (e) está incorreta. A enfiteuse é instituto do direito privado, pelo qual o
proprietário concede a outrem o domínio útil de sua propriedade.
Gabarito (C)
3. Cebraspe - Seplan - RR – Analista de Planejamento - 2023
Enquanto conservarem a sua qualificação, os bens públicos de uso comum do povo são
inalienáveis.
Comentários:
Exato, a inalienabilidade alcança os bens públicos de uso comum

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