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Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) Autor: Antonio Daud 27 de Agosto de 2024 39471799600 - Naldira Luiza Vieria Antonio Daud Aula 12 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Introdução; Desapropriação 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Outras Modalidades de Intervenção. Servidão Administrativa. Requisição. Ocupação Temporária 15 ..............................................................................................................................................................................................3) Questões Comentadas - Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Bancas Selecionadas 28 ..............................................................................................................................................................................................4) Lista de Questões - Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Bancas Selecionadas 75 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 2 93 INTRODUÇÃO Olá, amigos! Nesta aula estudaremos os instrumentos pelos quais o Estado pode intervir na propriedade privada, seja estabelecendo restrições (intervenção restritiva), seja suprimindo a propriedade (intervenção supressiva, que é a desapropriação). Neste “PDF simplificado”, vamos, primeiramente, comentar algumas noções gerais sobre o tema e, na sequência, abordar as principais características de cada um destes instrumentos de intervenção. Em frente! Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 3 93 NOÇÕES PRELIMINARES Quando falamos em “propriedade”, de modo simplificado, nos referimos ao direito que uma pessoa (física ou jurídica) possui sobre uma coisa (res)1. Aquele que é proprietário, portanto, dispõe do direito de usar, gozar e dispor da coisa, bem como de reavê-la, caso alguém detenha injustamente a coisa. Modernamente, tem-se entendido que o direito de propriedade não é mais absoluto, como se dava na época medieval2. Em razão da necessidade de harmonizar o convívio em sociedade (interesse público), há determinadas situações que autorizam o poder público a intervir na propriedade dos particulares, com vistas a assegurar que a propriedade atenda a um interesse social. Esta concepção representa uma evolução das correntes liberais, que marcaram os séculos XVIII e XIX, para as quais a propriedade era absolutamente intangível, quando era inconcebível qualquer espécie de intervenção proveniente do Estado. Ocorre que, a partir do século XX, o liberalismo puro perdeu espaço para o chamado “Estado de bem-estar social”, o qual admite a intervenção nas propriedades, em certos casos, com vistas a preservar a função social da propriedade. Quando esta intervenção é realizada pelo Estado, podemos dizer que ela também se fundamenta na supremacia do interesse público sobre o privado. Podemos já perceber que as intervenções que o poder público exerce sobre as propriedades dos particulares se fundamentam em dois pilares3: (i) na função social da propriedade e (ii) na supremacia do interesse público sobre o privado. Assim, pode-se definir a intervenção do Estado na propriedade como sendo “toda e qualquer atividade estatal que, amparada em lei, tenha por fim ajustá-la aos inúmeros fatores exigidos pela função social a que está condicionada” 4. Adiante veremos os principais fundamentos jurídicos que legitimam o Estado a intervir na propriedade dos particulares. 1 Como a relação de propriedade se dá entre um sujeito e uma coisa (res), dizemos que a propriedade é um direito real, em contraponto aos direitos pessoais (que envolvem relação jurídica entre dois sujeitos). Além disso, enquanto direito real, a propriedade é oponível contra todos (erga omnes). 2 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 813 3 Op. cit. P. 815-816 4 Op. Cit. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 4 93 MODALIDADES DE INTERVENÇÃO INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA Considerando os efeitos da intervenção sobre a propriedade, a doutrina em geral5 admite a existência de duas formas básicas de intervenção: A partir desta macro classificação, extraímos as principais modalidades de intervenção: Adiante estudaremos as características de cada uma destas modalidades de intervenção, iniciando por aquela mais severa, que é a desapropriação. 5 A exemplo de DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 6.2 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 818 intervenção restritiva Estado impõe restrições e condições ao uso da propriedade, sem retirá-la do seu dono supressiva Estado transfere para si a propriedade de um terceiro m o d al id ad es restritiva servidão requisição administrativa ocupação temporária limitações administrativas tombamento supressiva desapropriação Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 5 93 DESAPROPRIAÇÃO Em linhas gerais, podemos dizer que a desapropriação resulta na extinção do direito de propriedade do particular em favor do poder público. Modalidades de Desapropriação INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA A desapropriação é modalidade de intervenção na propriedade privada que encontra assento constitucional (CF, art. 5º, XXIV). A partir deste dispositivo constitucional, podemos perceber a existência de três modalidades de desapropriação: 1) desapropriação por necessidade pública 2) desapropriação por utilidade pública 3) desapropriação por interesse social Além destas 3 formas, é importante lembrarmos da desapropriação confiscatória, a qual se dá em razão da identificação de (i) culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou de (ii) exploração de trabalho escravo, mencionadas no art. 243 da CF. Reparem que, diferentemente das 3 modalidades previstas no inciso XXIV do art. 5º, a desapropriação em razão de culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou de exploração de trabalho escravo não requer pagamento de indenização. Assim, trataremos neste tópico de todas estas modalidades desapropriatórias. Vamos lá! Desapropriação por necessidade ou utilidade pública Trataremos, conjuntamente nesta seção, das desapropriações por necessidade e por utilidade pública. A desapropriação por necessidade pública é aquela que resulta de situação de emergência. A desapropriação por utilidade pública, a seu turno, decorre de uma conveniência da Administração. Apesar desta distinção teórica, a doutrina tem considerado que o Decreto-Lei 3.365/1941 trata genericamente de ambas, não havendo distinção relevante para fins de prova. Em outras palavras, ao “dispor Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 6 93 sobre desapropriações por utilidade pública”, a doutrina entende que o Decreto-Lei 3.365/1941 regulamenta indistintamente ambas asGabarito (D) 12.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019 A respeito da Requisição, Servidão Administrativa e Tombamento, assinale a alternativa correta. a) As servidões administrativas podem incidir sobre bens imóveis, móveis e direitos. b) As requisições administrativas incidem sobre bens móveis ou serviços de particulares, não podendo incidir sobre bens imóveis. c) De acordo com o STJ, como não há dispositivo expresso proibindo a hierarquização para o tombamento, os municípios podem tombar bens públicos estaduais. d) O tombamento pode ser voluntário ou compulsório, mas não pode ser instituído de ofício. e) O tombamento geral ou global depende da individualização de todos os bens no ato do tombamento e exige a prévia notificação de cada proprietário, de acordo com o STJ. Comentários: A letra (a) está incorreta, pois a servidão Administrativa incide apenas sobre bens imóveis: A letra (b) está incorreta. Ao contrário do que afirma a alternativa, as requisições administrativas também podem incidir sobre bens imóveis (além de bens móveis e serviços). Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 40 93 A letra (c) está correta. Diferentemente do que ocorre na desapropriação, a jurisprudência tem admitido o tombamento de bens federais por parte de municípios e estados3 e de bens estaduais por parte de municípios, havendo uma mitigação do chamado “princípio da hierarquia federativa”. Nesse sentido, vejam o seguinte julgado do STJ: ADMINISTRATIVO – TOMBAMENTO – COMPETÊNCIA MUNICIPAL. 1. A Constituição Federal de 88 outorga a todas as pessoas jurídicas de Direito Público a competência para o tombamento de bens de valor histórico e artístico nacional. 2. Tombar significa preservar, acautelar, preservar, sem que importe o ato em transferência da propriedade, como ocorre na desapropriação. 3. O Município, por competência constitucional comum – art. 23, III –, deve proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos. 4. Como o tombamento não implica em transferência da propriedade, inexiste a limitação constante no art. 1º, § 2º, do DL 3.365/1941, que proíbe o Município de desapropriar bem do Estado. 5. Recurso improvido. (STJ - RMS: 18952 RJ 2004/0130728-5, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 26/04/2005, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: --> DJ 30/05/2005 p. 266 RDR vol. 32 p. 204) A letra (d) está incorreta, pois há possibilidade de tombamento de ofício, no caso de bens públicos. Essa modalidade está prevista no art. 5º do Decreto-Lei 25/1937: Art. 5º O tombamento dos bens pertencentes à União, aos Estados e aos Municípios se fará de ofício, por ordem do diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer, ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada, afim de produzir os necessários efeitos. A letra (e) está dissonante do entendimento do STJ4 sobre o tombamento: 1) O ato de tombamento geral não precisa individualizar os bens abarcados pelo tombo, pois as restrições impostas pelo Decreto-Lei n. 25/1937 se estendem à totalidade dos imóveis pertencentes à área tombada. Gabarito (C) 13.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC GO) /PC GO/2017 Um policial andava pela rua quando presenciou um assalto. Ao ver o assaltante fugir, o policial parou um carro, identificou-se ao motorista, entrou no carro e pediu que ele perseguisse o criminoso. Nessa situação, conforme a CF e a doutrina pertinente, tem-se um exemplo típico da modalidade de intervenção do Estado na propriedade privada denominada a) limitação administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste. 4 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019 3 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 41 93 b) requisição administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste. c) desapropriação, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao bem deste. d) servidão administrativa, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao bem deste. e) ocupação temporária, não cabendo indenização ao proprietário, mesmo que haja dano ao bem deste. Comentários: Questão sem grandes dificuldades, que ilustra situação de cabimento da requisição do bem móvel (veículo) e dos serviços do particular (dirigir o veículo), dada a existência de perigo público iminente (criminoso em fuga), assim prevista no texto constitucional: CF, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; Com efeito, nosso gabarito está na letra (b) está correta. Passemos às incorretas! A letra (a) está incorreta. Hely Lopes conceitua limitação administrativa como sendo “toda imposição geral, gratuita, unilateral e de ordem pública condicionadora do exercício de direito ou de atividade particulares às exigências do bem-estar social”5 (imposição de recuos e normas de gabaritos às edificações). A letra (c) está incorreta. A desapropriação deve ser precedida de procedimento próprio, incompatível com a situação de urgência narrada. Ademais, a alternativa erra ao afirmar que não cabe indenização ao proprietário. A letra (d) está incorreta. A alternativa erra quanto o instituto, pois não se aplica a servidão administrativa. Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de imóvel para viabilizar a execução de obras e serviços de interesse coletivo, afastando o uso exclusivo do bem por parte de seu proprietário. A alternativa equivoca-se também no tocante a indenização, na servidão, que será devida caso haja prejuízo. A letra (e) está incorreta, uma vez que a ocupação temporária é destinada a bens imóveis, podendo ser gratuita ou remunerada. Gabarito (B) 14.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PJC MT) /PJC MT/2017 Enquanto uma rodovia municipal era reformada, o município responsável utilizou, como meio de apoio à execução das obras, parte de um terreno de particular. Nessa hipótese, houve o que se denomina a) servidão administrativa. b) limitação administrativa. 5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 762. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 42 93 c) intervenção administrativa supressiva. d) ocupação temporária. e) requisição administrativa. Comentários: O enunciado da questão deixou muito claro que bem imóvel particular foi utilizado “como meio de apoio à execução das obras”, o que nos remete ao instrumento da ocupação temporária. Ao final da reforma da rodovia, a posse do bem será restituída ao particular (caracterizando sua natureza temporária). Relembrando: Gabarito (D) 15.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJBA/TJ BA/2019 O Estado, no exercício do poder de polícia, pode restringir o uso da propriedade particular por meio de obrigações de caráter geral, com base na segurança, na salubridade, na estética, ou em outro fim público, o que, em regra, não é indenizável. Essa forma de exercício do poder de polícia pelo Estado corresponde a a) uma servidão administrativa. b) uma ocupação temporária. c) uma requisição. d) uma limitação administrativa. e) um tombamento. Comentários: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 43 93 O enunciado menciona características de limitação administrativa,em razão da: - restrição no uso de propriedade - obrigações de caráter geral - gratuidade (não indenizável) A propósito, os termos do enunciado muito se assemelham às lições de Di Pietro6, ao mencionar que O interesse público a que atende a limitação pode referir-se à segurança, à salubridade, à estética, à defesa nacional ou qualquer outro fim em que o interesse da coletividade se sobreponha ao dos particulares. Assim, a letra (d) está correta. Gabarito (D) 16.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC MA) /PC MA/2018 A seguir são apresentadas ações realizadas pelo Estado. I Alocação provisória de determinadas máquinas e equipamentos utilizados em execução de obra pública em propriedade privada desocupada. II Instalação de redes elétricas em determinada propriedade privada para fins de execução de serviço público. III Determinação de ordem urbanística de proibição de construção além de determinada altura em região do município. As hipóteses apresentadas correspondem, respectivamente, às seguintes modalidades de intervenção do Estado na propriedade a) ocupação temporária, servidão administrativa e limitação administrativa. b) requisição administrativa, servidão administrativa e ocupação temporária. c) requisição administrativa, ocupação temporária e limitação administrativa. d) servidão administrativa, requisição administrativa e limitação administrativa. e) ocupação temporária, limitação administrativa e servidão administrativa. Comentários: Vamos aqui nos socorrer de uma tabela: Alocação provisória de determinadas máquinas e equipamentos utilizados em execução de obra pública em propriedade privada desocupada. Ocupação provisória (as máquinas e equipamentos da obra ficam no terreno privado desocupado) 6 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico 6.5 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 44 93 Instalação de redes elétricas em determinada propriedade privada para fins de execução de serviço público. Servidão administrativa (perda da exclusividade do bem) Determinação de ordem urbanística de proibição de construção além de determinada altura em região do município Limitação administrativa (caráter geral) Gabarito (A) 17.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJCE/TJ CE/2018 Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre determinado bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter a) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, ainda que não seja demonstrada a efetiva redução do valor econômico do bem em função da referida limitação. b) geral e condição inerente ao exercício do direito de propriedade, inexistindo hipóteses de indenização. c) geral, mas que pode dar ensejo a indenização em favor do proprietário na hipótese de a limitação causar redução do valor econômico do bem, independentemente do momento em que tenha sido instituída a restrição. d) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, desde que a aquisição do bem tenha ocorrido anteriormente à instituição da restrição. e) geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a limitação causar redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido anteriormente à instituição da restrição. Comentários: A limitação administrativa possui caráter geral, na medida em que é dirigida a propriedades indeterminadas. Além disso, como regra, a imposição de limitação não enseja ao proprietário o direito a indenização. No entanto, em alguns casos ela pode vir a se tornar determinável, o que, resultando em redução econômica do valor do bem, poderá gerar o direito à indenização. Nesse sentido, o STJ7 tem entendido que a indenização em razão da limitação somente será cabível se (i) ficar demonstrado o prejuízo e (ii) a limitação for imposta após a aquisição do bem pelo particular. Gabarito (E) 18.CEBRASPE (CEBRASPE) - JF TRF5/TRF 5/2017 Em cada uma das opções a seguir é apresentada uma situação hipotética acerca das formas de intervenção do Estado na propriedade, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção correspondente à assertiva correta. 7 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 45 93 a) O comprador de um imóvel com restrição pretende ser indenizado por ter sofrido limitação administrativa preexistente constante em nota non aedificandi — proibição de construir — referente a parte do imóvel, em razão de normas ambientais. Nesse caso, é indevida a indenização pretendida, pois não há perda da propriedade, mas apenas restrições de uso. b) Um imóvel de propriedade privada situado às margens de um rio navegável que atravessa todo o estado foi objeto de decreto expropriatório. Nessa situação, é devida ao proprietário a indenização de toda a propriedade, incluindo-se a área situada às margens do rio. c) Uma propriedade particular foi objeto de decreto expropriatório para a construção de um parque público no local. No entanto, o desabamento de uma escola pública situada em área de risco levou o estado a construir emergencialmente uma escola na referida propriedade. Nessa situação, o particular cujo bem foi expropriado poderá utilizar-se da retrocessão para readquirir a sua propriedade, considerando-se a alteração da finalidade do decreto expropriatório. d) Decreto do presidente da República instituiu estado de defesa em determinado estado da Federação, em razão de fortes chuvas que causaram destruição e fizeram muitos habitantes desabrigados em determinada região. Em virtude do decreto, foi possível a ocupação temporária de uma propriedade privada próxima ao local mais afetado. Nessa situação, considerando-se a relevância do interesse público e a urgência da situação, a União não responderá pelos custos decorrentes da ocupação temporária. e) Um imóvel de propriedade da União situa-se no centro histórico de um município e conserva todas as características históricas e arquitetônicas da época colonial. Nesse caso, o município é impedido de efetuar o tombamento desse imóvel, pois, apesar de se tratar de hipótese de exercício de competência concorrente, incide o princípio da hierarquia federativa. Comentários: A letra (a) está correta. Segundo entendimento do STJ, é indevida a indenização se o imóvel foi adquirido após o implemento da limitação administrativa, pois é presumido que as restrições já foram consideradas no preço. Lado outro, a justificativa apresentada pela alternativa, de que não há direito a indenização uma vez que não há perda da propriedade, mas apenas limitação, encontra respaldo no art. 1.299 do Código Civil: Art. 1.299. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. A letra (b) está incorreta, uma vez que na indenização não se incluirá as margens do rio, na medida em que tais margens não são de propriedade do particular, nos termos da súmula 479 do STF: As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização. A letra (c) está incorreta. A jurisprudência tem entendido que não há retrocessão no caso, uma vez que a destinação de bem continua a atender o interesse público, sendo caso de tredestinação lícita. A letra (d) está incorreta, visto que a União responderá também pelos custos decorrentes, nos termos do inciso II do §1º do art. 136 da Constituição Federal: CF, art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservarou Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 46 93 prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. § 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. A letra (e) está incorreta. Diferentemente do que ocorre na desapropriação, a jurisprudência tem admitido o tombamento de bens federais por parte de municípios e estados8, havendo uma mitigação do chamado “princípio da hierarquia federativa”. Gabarito (A) 19.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018 A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém, nada foi feito e a edificação permaneceu fechada. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue. Ocorreu, no caso do primeiro imóvel, a tredestinação lícita. ( ) Certo ( ) Errado Comentários: Ocorre a tredestinação lícita na situação em que o imóvel desapropriado, embora não tenha sido dada a destinação prevista no decreto de desapropriação, é dada outra destinação também com finalidade pública. Assim, não resta descaracterizado o interesse público pretendido. Gabarito (C) 20.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018 A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém, nada foi feito e a edificação permaneceu fechada. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue. 8 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 47 93 Na situação relacionada ao segundo imóvel, o particular que teve seu bem desapropriado poderá pleitear somente revisão do valor da indenização. ( ) Certo ( ) Errado Comentários: Em relação ao segundo imóvel, nota-se que não houve destinação pública para o bem, não havendo que se falar em tredestinação ilícita (que ensejaria o retorno do bem ao particular ou a respectiva indenização) ou tredestinação lícita (que não afetaria a desapropriação realizada). Neste caso, houve a não destinação do bem, aplicando-se o disposto no art. 519 do CCB, que assegura ao antigo proprietário a preferência pela sua aquisição, pelo seu preço atual: CCB, art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. Gabarito (E) 21.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJPR/TJ PR/2017 Assinale a opção correta a respeito da desapropriação indireta. a) Se a administração conferir destinação pública a determinado bem, o particular prejudicado poderá recorrer a ações possessórias, reivindicatórias e indenizatórias. b) O juízo competente para processar e julgar a desapropriação indireta é o do foro de situação do bem. c) A afetação do bem particular a um fim público constitui forma de transferência da propriedade. d) Por observar o devido processo legal, a desapropriação indireta é instituto amplamente praticado e permitido pela legislação brasileira. Comentários: A letra (a) está incorreta. O entendimento da jurisprudência é pela aplicação do art. 35 do decreto-lei 3.365/1941, uma vez que a já houve a incorporação ao patrimônio público sem qualquer oposição (desapropriação indireta). Assim, o particular poderá recorrer apenas as ações indenizatórias. Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos. A letra (b) está correta. Apesar de se referir a uma regra do direito processual, destaco que a ação seguirá a regra referente às ações relacionadas a bens imóveis, ou seja, o foro de situação do bem. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 48 93 A letra (c) está incorreta. A afetação diz respeito à destinação que é dada ao bem. Assim, mesmo se o poder público utilizar o bem no interesse público, a transferência da propriedade requer o cumprimento de determinadas formalidades legais. A letra (d) está incorreta, pois a desapropriação indireta não é instituto amplamente utilizado e permitido pela legislação. Celso Antônio Bandeira de Mello diz que a desapropriação indireta “é a designação dada ao abusivo e irregular apossamento do imóvel particular pelo Poder Público, com sua consequente integração no patrimônio público, sem obediência às formalidades e cautelas do procedimento expropriatório.”9 Gabarito (B) 22.CEBRASPE (CEBRASPE) - PJ (MPE RR) /MPE RR/2017 Concluído determinado processo de desapropriação, com o pagamento integral do valor e a incorporação do bem ao patrimônio do poder público, este decidiu devolver o bem expropriado ao antigo dono, por não lhe ter sido atribuída a destinação prevista no decreto expropriatório nem qualquer outra destinação pública. Essa reversão do procedimento expropriatório é denominada a) tredestinação lícita. b) desapropriação indireta. c) desistência da desapropriação. d) retrocessão. Comentários: Nosso gabarito está na letra (d), que menciona a retrocessão. Hely Lopes Meirelles leciona que a retrocessão “é a obrigação que se impõe ao expropriante de oferecer o bem ao expropriado, mediante a devolução do valor da indenização, quando não lhe der o destino declarado no ato expropriatório”10. No direito brasileiro a retrocessão está prevista no art. 519 do Código Civil: Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. Passemos às incorretas! A letra (a) está incorreta, uma vez que na tredestinação lícita a Administração Pública apenas substitui a destinação do bem, mantendo, entretanto, sua finalidade pública. A letra (b) está incorreta. A desapropriação indireta equivale a um fato expropriatório irregular pelo Poder Público. Celso Antônio Bandeira de Mello nos ensina que “é a designação dada ao 10 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 753. 9 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 890. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 49 93 ==1365fc== abusivo e irregular apossamento do imóvel particular pelo Poder Público, com sua consequente integraçãono patrimônio público, sem obediência às formalidades e cautelas do procedimento expropriatório.”11 Por fim, a letra (c) está incorreta, pois a desistência da desapropriação deve ocorrer antes do pagamento da indenização. Neste caso, o bem ainda não terá sido incorporado ao patrimônio público e a Administração tem o direito de desistir. Frisa-se que, nos casos em que o pagamento pela expropriação do bem já tenha sido realizado não caberá a desistência, devendo ser realizada por meio de retrocessão. Gabarito (D) 23.CEBRASPE (CEBRASPE) - Proc Mun (BH)/Pref BH/2017 Com relação à intervenção do Estado na propriedade, assinale a opção correta. a) Compete à União, aos estados e ao DF legislar, de forma concorrente, sobre desapropriação, estando a competência da União limitada ao estabelecimento de normas gerais. b) Expropriação ou confisco consiste na supressão punitiva de propriedade privada pelo Estado, a qual dispensa pagamento de indenização e incide sobre propriedade urbana ou rural onde haja cultura ilegal de psicotrópico ou ocorra exploração de trabalho escravo. c) Servidão administrativa é a modalidade de intervenção que impõe obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados, em benefício do interesse geral abstratamente considerado, e afeta o caráter absoluto do direito de propriedade. d) Requisição é a modalidade de intervenção do Estado supressiva de domínio, incidente sobre bens móveis e imóveis, públicos ou privados, e, em regra, sem posterior indenização. Comentários: A letra (a) está incorreta, pois se trata de competência privativa da União, nos termos do inciso II do art. 22 da Constituição Federal: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: II - desapropriação; A letra (b) está correta, nos termos do art. 243 da Constituição Federal: Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. A letra (c) está incorreta, uma vez que a servidão administrativa impõe restrição específica a bem de determinado proprietário. 11 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 890. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 50 93 A letra (d) está incorreta. Na requisição, em regra, a Administração Pública deverá indenizar os prejuízos que causar. Gabarito (B) 24. IBFC - TJ (TJ PE) /TJ PE/Administrativa/2017 Assinale a alternativa que não contempla uma hipótese de verificação da requisição administrativa. a) Estado de guerra b) Proteção da saúde de comunidades c) Proteção do meio ambiente ante possível degradação d) Inundação de grandes proporções e) Epidemia Comentários: A requisição terá lugar quando houver perigo público iminente. O Estado de guerra, a proteção da saúde de comunidades, a inundação de grandes proporções e a epidemia amoldam-se à situação de iminente perigo público. Portanto, as situações narradas nas letras (a), (b), (d) e (e) dizem respeito a situações de perigo. Por sua vez, a letra (c) está incorreta, por ser a única situação que não pode ser enquadrada na previsão do inciso XXV do art. 5º da Constituição Federal. Gabarito (C) 25. IBFC - AuxLg (CM F Santana) /CM Feira de Stana/Administrativo/2018 Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação após analisar os itens abaixo. a) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, ou, ainda, por interesse social b) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, mas não por interesse social c) A desapropriação pode se dar por utilidade ou por interesse social, mas não por necessidade pública d) A desapropriação pode se dar por necessidade pública ou por interesse social, mas não por utilidade Comentários: A letra (a) está correta, sendo necessário, para gabaritarmos a questão, apenas o conhecimento do inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 51 93 Gabarito (A) 26. IBFC - Proc (CM F Santana) /CM Feira de Stana/2018 Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação. a) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que pode levar à retrocessão da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado b) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a destinação, que pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado c) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado d) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a redestinação, que pode levar à realização da desapropriação, com o retorno do bem ao poder público Comentários: Se houve um desvio de finalidade na utilização do bem, passando a ser usado para fins particulares, podemos dizer que houve a chamada tredestinação ilícita, a qual deve ser declarada nula e, assim, resultar na reintegração do bem a seu proprietário anterior ou, na impossibilidade, na respectiva indenização. Gabarito (A) 27. IBFC - Asst (CM Aqa) /CM Araraquara/Técnico Legislativo/2017 No que diz respeito ao tema da desapropriação, assinale a alternativa incorreta: a) O Poder Executivo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Legislativo, praticar os atos necessários à sua efetivação b) Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa c) Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato d) Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel Comentários: A letra (a) está incorreta, nos termos do art. 8º do Decreto-Lei 3.365/1941 que dispõe sobre desapropriação por utilidade pública: Art. 8o O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 52 93 A letra (b) está correta, de acordo com o §2º do art. 2º do decreto-lei 3.365/1941: § 2o Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. A letra (c) está correta, conforme art. 3º do decreto-lei 3.365/1941: Art. 3o Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato. A letra (d) estácorreta, segundo previsão do art. 34-A do decreto-lei 3.365/1941: Art. 34-A. Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel. Gabarito (A) 28.FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019 Uma empresa privada venceu licitação para construir e explorar uma linha elevada de monotrilho. Todavia, ao iniciar a execução da obra, observou que o traçado planejado passaria sobre terrenos privados ainda não construídos, atualmente explorados para plantio de hortaliças pelos respectivos proprietários, incentivados por programa municipal de horta urbana, que lhes concede isenção do IPTU. Sabe-se que a operação da linha elevada não impedirá a continuidade dessa exploração pelos proprietários, ressalvada a ocupação temporária de parcela dos terrenos, durante a execução das obras. O instituto adequado para promover a intervenção na propriedade, no caso em tela, é (A) a servidão administrativa. (B) o arrendamento compulsório. (C) o tombamento. (D) a desapropriação. (E) a requisição administrativa. Comentários: Lendo o enunciado com atenção, percebemos que são mencionadas duas intervenções do Estado na propriedade privada: 1) a instalação de linha de trem que ficará acima do solo (linha elevada) 2) a utilização temporária de bens imóveis para viabilizar a execução das obras (ocupação temporária) Assim, quanto à primeira intervenção, é importante destacar que: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 53 93 a) é medida perpétua (e não temporária) b) incide sobre bem imóvel c) não suprime a propriedade do particular, apenas restringe seu uso (isto é, não inviabiliza integralmente a utilização do bem pelo seu proprietário) Trata-se, portanto, da servidão administrativa, que é medida restritiva, de caráter perpétuo, incide sobre bens imóveis e se dá em favor de um serviço público ou de um bem afetado à finalidade pública: Por fim, quanto à segunda intervenção, o próprio enunciado já mencionou que se trata de ocupação temporária (não havendo nenhuma alternativa nesse sentido). Gabarito (A) 29.FCC - Del Pol (PC AP) /PC AP/2017 Em uma área de expansão urbana determinado Município está providenciando a instalação de equipamentos públicos, a fim de que o crescimento populacional se dê de forma ordenada e sustentável. Durante a construção de uma unidade escolar, apurou-se que não seria possível executar a solução de esgoto originalmente idealizada, que contempla um emissário de esgoto, mostrando-se necessária a identificação de outra alternativa pela Administração pública. Dentre as possíveis, pode o Município em questão a) promover, demonstrada a viabilidade técnica, a instalação de emissário de esgoto para ligação com o sistema já existente, utilizando-se, para tanto, da instituição de uma servidão administrativa. b) realizar uma licitação específica para elaboração e execução de projeto de instalação do emissário de esgoto, independentemente do valor, dado seu caráter emergencial. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 54 93 c) lançar mão da requisição administrativa, para imediata imissão na posse do terreno necessário para implementação das obras, diferindo-se a indenização devida. d) desapropriar judicialmente a faixa de terreno necessária à implementação do emissário de esgoto, tendo em vista que o ajuizamento da ação já autoriza a imissão na posse do terreno objeto da demanda. e) instituir uma servidão de passagem, sob o regime do código civil, tendo em vista que dispensa a anuência do dono do terreno e de prévia indenização, apurando-se o valor devido após a instalação do equipamento, que indicará o nível de restrição ao uso da propriedade. Comentários: O enunciado não nos deu muitos detalhes, dizendo apenas que a tubulação de esgoto pretendida não se mostrou viável. Sendo assim, vamos analisar a validade de cada uma das alternativas. A letra (a) está correta. Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de imóvel para viabilizar a execução de obras e serviços de interesse coletivo12, afastando o uso exclusivo do bem por parte de seu proprietário (como ocorre na passagem de gasodutos, instalação de cabos da rede elétrica na fachada de edifícios etc). Assim, uma alternativa viável é a passagem da tubulação pelo imóvel de um particular, tendo lugar a servidão administrativa. A letra (b) está incorreta. O enunciado já mencionou que o emissário de esgoto não seria viável, não cabendo a contratação desta solução. A solução depende da utilização de bem alheio para passagem do esgoto - e não da obra em si. Além disso, sendo caso de emergência, estaria dispensada a licitação prévia. A letra (c) está incorreta. A requisição, além de ser temporária, tem lugar diante de “perigo público iminente”, o que não é o caso. A letra (d) está incorreta. A desapropriação pode até ser uma solução viável. O erro, no entanto, diz respeito ao restante da alternativa. Lembro que, não havendo concordância do particular quanto ao valor da indenização, a desapropriação deve ocorrer pela via judicial. Sendo judicial, lembro que o mero ajuizamento da ação de desapropriação não é suficiente para a imissão na posse. Neste caso, nos termos do art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941, a imissão provisória na posse ocorrerá quando houver (i) urgência e (ii) depósito prévio do valor fixado. A letra (e) está incorreta. A servidão de passagem é instituto do Direito Civil (Código Civil, art. 1285 e seguintes). No caso narrado, como a intervenção é realizada pelo poder público, estaremos diante de uma servidão regida pelo direito público, que é a servidão administrativa. Gabarito (A) 30.FGV/MP-RJ - Analista Administrativo - 2019 Para melhor proteger o patrimônio histórico do Município Alfa, que contava com construção ornada com pinturas de importante pintor nascido na localidade, o Prefeito foi informado de que a medida mais adequada seria o tombamento. Um assessor próximo ao Chefe do Executivo, porém, afirmou que a medida seria inadequada, pois (a) tem vigência temporária, (b) precisa ser 12 Adaptado a partir de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1122 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 55 93 renovada a cada alienação do imóvel, (c) sempre exige prévia indenização e (d) pode ser cancelada. À luz da ordem jurídica vigente, o assessor somente está certo em relação à(s) observação(ões): (A) (c); (B) (d); (C) (a) e (c); (D) (b) e (c); (E) (a), (b) e (d). Comentários: O tombamento é forma de intervenção na propriedade em que o poder público busca proteger o patrimônio cultural brasileiro, possuindo inclusive fundamento constitucional: Art. 216, § 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. Examinando as informações prestadas pelo assessor, podemos perceber que as afirmações (a), (b) e (c) estão equivocadas e a afirmação (d), correta. - afirmação (a): diferentemente da requisição administrativa e da ocupação temporária, o tombamento em regra é definitivo – embora exista modalidade de tombamento provisório (como medida cautelar). - afirmação (b): tem-se considerado que o tombamento é obrigação propter rem, a qual também é imposta aos adquirentes do imóvel tombado. O tombamento é inscrito no “livro do tombo” e, sendo bem imóvel, tambémno cartório de imóveis, alcançando futuros adquirentes. - afirmação (c): em regra, o tombamento não enseja o pagamento de indenização. - afirmação (d): é possível a extinção do tombamento, a exemplo das situações em que desaparecem as razões que levaram à sua declaração. Gabarito (B) 31. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019 Acerca das intervenções do Estado na propriedade privada, analise as afirmativas abaixo e dê valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F). ( ) O tombamento é forma de intervenção do Estado na propriedade privada, que tem por objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. ( ) O tombamento incide apenas sobre bens imóveis. ( ) O tombamento somente poderá acarretar consequências ao proprietário do bem tombado e não a terceiros. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 56 93 a) V, V, V b) V, V, F c) F, F, V d) F, V, F Comentários: O primeiro item está correto. O tombamento, de fato, diz respeito à intervenção restritiva da propriedade que tem por objetivo a proteção do patrimônio cultural brasileiro: Art. 216, § 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. O segundo item foi dado correto pela Banca, contrariando a doutrina majoritária a este respeito. Nesse sentido, Di Pietro leciona que13: O tombamento pode atingir bens de qualquer natureza: móveis ou imóveis, materiais ou imateriais, públicos ou privados. Nos termos do § 2o do artigo 1o do Decreto-lei no 25/37, são sujeitos a tombamento “os monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importem conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana”. No mesmo sentido, Carvalho Filho14 O tombamento incide sobre bens móveis e imóveis. Esse objeto consta do art. 1º do Decreto-lei nº 25/1937, que, ao definir patrimônio histórico e artístico nacional, considera-o composto de bens móveis e imóveis existentes no país. O terceiro item está incorreto. Muitas vezes até os vizinhos do prédio tombado são afetados pela medida, vedando-se, por exemplo, construções adjacentes que reduzam a visibilidade do prédio sob proteção. Gabarito (B) 32.FCC - Ana Fom (AFAP)/AFAP/Advogado/2019 A necessidade de implantação de unidades habitacionais destinadas a população de baixa renda e a edificação de uma unidade hospitalar para atendimento da população em geral justifica, por parte do Município, a a) edição de decreto de declaração de interesse social para a implantação das unidades habitacionais e para construção da unidade hospitalar, porque este também se destina a baixa renda. 14 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 839 13 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 6.8.3 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 57 93 b) desapropriação de áreas públicas ou particulares para instalação da unidade hospitalar e das unidades habitacionais, em razão da prevalência da finalidade pública da medida. c) declaração de utilidade pública das áreas necessárias para as obras, precedida da comprovação da existência da integralidade de recursos financeiros para edificação das obras indicadas, mesmo que estas ultrapassem mais de um exercício. d) a desapropriação dos terrenos necessários à implantação das obras, cuja indenização, devido ao interesse social que fundamenta a atuação do poder público, poderá ser paga em títulos da dívida pública após a conclusão das obras. e) edição de decreto de declaração de interesse social, que justifica a implantação das unidades habitacionais, bem como de declaração de utilidade pública, para implantação do equipamento público destinado à unidade hospitalar. Comentários: O gabarito está na letra (e), tendo como fundamento o inciso V do art. 2º da Lei 4.132/1962 e da alínea “m” do art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941: Art. 2º Considera-se de interesse social: (..) V - a construção de casa populares; (..) Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios; Aproveito para comprar estas duas listas de situações ensejadoras da desapropriação por utilidade pública e interesse social, respectivamente: Utilidade pública (art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941) Interesse social (art. 2º da Lei 4.132/1962) ✔ segurança nacional; ✔ defesa do Estado; ✔ socorro público em caso de calamidade; ✔ salubridade pública; ✔ criação e melhoramento de centros de população, seu abastecimento regular de meios de subsistência; ✔ aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da energia hidráulica; ✔ assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saude, clínicas, estações de clima e fontes medicinais; ✔ exploração ou a conservação dos serviços públicos; ✔ abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de ✔ aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população ✔ instalação ou a intensificação das culturas nas áreas em cuja exploração não se obedeça a plano de zoneamento agrícola ✔ estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola ✔ manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos residenciais de mais de 10 (dez) famílias; ✔ construção de casa populares; ✔ terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação armazenamento de água e irrigação Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 58 93 urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; (Redação dada pela Lei nº 9.785, de 1999) ✔ funcionamento dos meios de transporte coletivo; ✔ preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou integrados em conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza; ✔ preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens moveis de valor histórico ou artístico; ✔ construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios; ✔ criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves; ✔ reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou literária; ✔ proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais. ✔ utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados ao desenvolvimento de atividades turísticas Quanto à letra (d), incorreta, lembro que a indenização no caso deverá ser prévia, justa e em dinheiro, nos termos do inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstosnesta Constituição; Gabarito (E) 33.FCC - DP AM/DPE AM/2018 Suponha que o Estado do Amazonas pretenda construir um anel viário interligando diversas rodovias. A obra em questão importa intervenção em terrenos de particulares e, também, em uma área de propriedade de Município, que se encontra ocupada irregularmente. Diante de tal cenário, afigura-se juridicamente viável a a) desapropriação dos imóveis particulares e também daquele pertencente ao Município, este último dependendo de autorização legislativa, ambos condicionados à prévia indenização. b) desapropriação dos imóveis privados apenas, eis que o de propriedade do Município é protegido pelo regime público ainda que não afetado a finalidade específica. c) requisição das áreas, tanto públicas como privadas, e a subsequente desapropriação, com pagamento de indenização apenas ao final do processo. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 59 93 d) imediata desocupação e imissão na posse da área municipal, independente de indenização, e a desapropriação das áreas privadas, mediante edição de decreto de utilidade pública. e) doação, independente de autorização legislativa, do imóvel municipal ao Estado, e a desapropriação dos imóveis particulares, vedada a imissão na posse antes da concordância destes com o valor da indenização fixada judicialmente. Comentários: A letra (a) está correta. O Estado pode desapropriar tanto bens privados como bens dos municípios situados em seu território, nos termos do §2º do art. 2º do decreto-lei 3.365/1941: Art. 2o Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. (..) § 2o Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. O detalhe é que a desapropriação de bens do município dependeria de lei aprovada pela assembleia legislativa do Amazonas. A letra (b) está incorreta, pois, como vimos acima, o imóvel do município amazonense também poderá ser desapropriado. A letra (c) está incorreta, uma vez que a indenização não poderá ser ao final do processo, deverá ser prévia, conforme inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; A letra (d) está incorreta. Mesmo em relação ao imóvel pertencente ao município deverá haver indenização. A letra (e) está incorreta. Até seria possível a doação, mas ela dependeria de autorização legislativa. Além disso, tratando-se de desapropriação pela via judicial, é possível a imissão provisória na posse, desde que exista (i) urgência e (ii) depósito prévio do valor fixado, nos termos do art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941. Gabarito (A) 34.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018 O Governo do Estado decidiu construir um conjunto habitacional popular em área urbana, situada na região metropolitana de Palmas. Para tanto, verificou-se a existência de um terreno de dimensão adequada, situado em área incluída no plano diretor e declarada passível de edificação compulsória por lei municipal. Embora notificado há dez anos para promover a edificação no terreno, o proprietário quedou-se inerte, sendo que há mais de cinco anos vem sendo aplicado o IPTU progressivo no tempo. Nesse caso, o Governo do Estado a) poderá promover desapropriação por interesse social do imóvel, todavia mediante justa e prévia indenização, em dinheiro. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 60 93 b) está impedido de promover a desapropriação do terreno, em vista da exclusiva competência municipal para promover a desapropriação de áreas urbanas destinadas à habitação popular. c) poderá promover a desapropriação-sanção do terreno, com o pagamento de indenização em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais, por se tratar de terreno situado em região metropolitana. d) poderá editar decreto de desapropriação por interesse social, em benefício do município em que está situado o imóvel, que ficará responsável pelo pagamento da indenização em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até 10 anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. e) deve encaminhar pedido de autorização à Assembleia Legislativa para a desapropriação do terreno, visto que se trata de bem sob domínio municipal. Comentários: Situação interessante, que aborda a diferença entre a desapropriação por interesse social ordinária (competência de todos os entes e que exige indenização prévia e em dinheiro) e a desapropriação urbanística (competência dos municípios e do DF, cuja indenização pode ser feita mediante títulos da dívida pública). Diante disso, passemos às alternativas! A letra (a) está correta, nos termos do inciso V do art. 1º da Lei 4.132/1962 combinado com o inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social, na forma do art. 147 da Constituição Federal. (..) V - a construção de casa populares; CF, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; A letra (b) está incorreta. Tal competência não é exclusiva do Estado, visto que se baseia na desapropriação por interesse social (Lei 4.132/1962, art. 1º). A desapropriação urbanística, prevista no art. 182 da CF, por sua vez, seria vedada ao Estado. A letra (c) está incorreta. A desapropriação urbanística, enquanto sanção (CF, art. 182, §4º, III), com pagamento em títulos da dívida, é privativa dos municípios (e ao DF). Caso o Estado esteja desapropriando para fins de interesse social, deverá promover a desapropriação com a justa e prévia indenização em dinheiro. A letra (d) está incorreta. Se o Estado desapropriar, o pagamento da indenização deve ser em dinheiro. O restante da alternativa exemplifica a desapropriação na modalidade sanção, que somente poderá ser efetuada nos termos do art. 182, §4º, III, da CF. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 61 93 A letra (e) está incorreta. Apesar de estar dentro de um município, o enunciado indica que seria propriedade particular (e não bem público municipal), não requerendo, assim, autorização legislativa. Gabarito (A) 35.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018 Considere que determinada Municipalidade precise desapropriar um terreno para instalação de um equipamento público. Durante a avaliação pericial da área para identificação do valor do imóvel foi apurado que o terreno apresentava contaminação do solo, decorrente da destinação pelo proprietário para atividades não autorizadas. O ente público expropriante a) poderá desistir da desapropriação, diante do vício de legalidade, cabendo, contudo, indenização em favor do proprietário do terreno, por não ter dado causa à desistência da área, esta que constituiu decisão discricionária do ente. b) deverá necessariamente arcar com os custos de descontaminação,que não podem ser imputados no valor da avaliação, sendo inerentes ao risco da aquisição. c) pode pleitear que a indenização devida ao proprietário da área seja posterior à desapropriação, e não prévia, como usual, em razão da necessidade de ser incluído o custo de descontaminação da área. d) deve desistir da desapropriação, já que o valor estimado da indenização será necessariamente superado em razão do custo de indenização. e) poderá pleitear a dedução do custo de descontaminação do valor da indenização, já que havia responsabilidade do dono do terreno pela observância da legislação ambiental vigente. Comentários: O gabarito encontra-se na letra (e), baseando-se na interpretação do art. 31 do decreto-lei 3.365/1941 que dispõe sobre a desapropriação para fins de utilidade pública: Art. 31. Ficam subrogados no preço quaisquer onus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado. A este respeito, vejam o entendimento do STJ, abaixo, no qual se julgou caso análogo ao apresentado no enunciado da questão: 3. Relativamente ao passivo ambiental, com base na premissa de que a indenização "justa" deve expressar não um sentimento de "justiça" mas o de "justeza", isto é, o de conformidade exata para que o ente desapropriador não pague mais do que vale o imóvel e que o desapropriado não receba menos do que aquilo a que tem direito, é razoável afirmar que a desapropriação de bem imóvel com esse tipo de ônus importará a sua transferência ao Poder Público, motivo por que o custo dele não pode deixar de ser abatido no preço pago, pena de ocorrer um enriquecimento ilegal do particular-desapropriado. 4. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 62 93 (STJ - AREsp: 1273135 BA 2018/0076462-4, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 15/05/2018, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 18/05/2018) Gabarito (E) 36.FCC - AJ TRT6/TRT 6/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018 A instalação de um laboratório de análises clínicas por um Estado da Federação vem encontrando dificuldades na escolha da alternativa de localização disponível. Havendo a definição da melhor região para tanto, a) deverá o Estado licitar a aquisição de um imóvel, indicando as características necessárias para instalar as atividades, não sendo possível, no entanto, especificar a região. b) poderá o Estado desapropriar o imóvel que melhor atenda as necessidades da atividade a ser desenvolvida no local, mediante justa e prévia indenização. c) deverá o Estado adquirir o imóvel onerosamente diretamente de seu proprietário, negócio jurídico que deverá se formalizar contratualmente, mediante vontade das duas partes, vedada expropriação pelo Estado. d) deverá o Estado desapropriar o terreno que melhor atender as características essenciais ao atingimento da finalidade, inexistindo previsão legal para aquisição direta de bens imóveis por entes públicos. e) poderá o Estado comprar o terreno mediante dispensa de licitação, não sendo permitido ao proprietário discutir o preço ou o momento da desocupação. Comentários: A letra (a) está incorreta, pois não há necessidade de licitar, conforme inciso I do art. 24 da lei 8.666/1993: Art. 24. É dispensável a licitação: (..) X - para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia; A letra (b) está correta, nos termos do art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941 combinado com o inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: (..) g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saúde, clínicas, estações de clima e fontes medicinais; Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 63 93 Caracterizando-se a possibilidade da desapropriação e o fato de se enquadrar como de utilidade pública, a indenização deverá ser paga previamente e em dinheiro. A letra (c) está incorreta. Considerando que há previsão para a desapropriação, não terá o Estado que comprar o terreno obrigatoriamente. A letra (d) está incorreta, visto que o já citado inciso X do art. 24 da lei 8.666/1993 apresenta uma possibilidade de aquisição direta. A letra (e) está incorreta. Se é caso de contrato de compra e venda, o particular deve estar de acordo com o preço do imóvel. Do contrário, estaríamos diante da desapropriação. Gabarito (B) 37.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Técnico Jurídica/Apoio Jurídico/2018 Considere que um Município tenha desapropriado um terreno para implantar um conjunto habitacional para famílias de baixa renda. Decorridos dez anos, o terreno continua desocupado e abandonado, estando sob guarda e vigilância da Municipalidade. Uma vez que a região onde está localizado o terreno sofreu sensível valorização, o que refletiu no valor do imóvel, o Município pretende alienar onerosamente o bem. Para tanto, um requisito indispensável à regularidade dessa alienação é a a) licitação, sob a modalidade concorrência, dispensada avaliação prévia, já que o Município possui o cadastro de valores fiscais dos imóveis. b) realização de avaliação prévia, bastando que tenha sido feita uma vez para o imóvel. c) intimação do expropriado para, querendo, exercer seu direito de preferência para aquisição do imóvel nas mesmas condições que seriam oferecidas ao mercado, sob pena de caracterização de retrocessão. d) obrigatoriedade de colocar o imóvel em licitação, cabendo ao expropriado concorrer com os demais interessados, podendo o mesmo, entretanto, oferecer proposta no valor da indenização que recebeu quando da desapropriação, cabendo à Administração pública a escolha discricionária em relação à opção de maior valor. e) comprovação de que não se trata de bem de uso público, já que somente os bens de uso especial e os dominicais podem ser alienados independentemente de autorização específica. Comentários: A letra (a) está incorreta. Nos termos do art. 17 da Lei 8.666, a alienação de tais bens exige avaliação prévia. A letra (b) está incorreta. Imagine só: é feita uma avaliação e esta, para todo o sempre, pudesse ser utilizada?! Não parece adequado, não é mesmo?! Portanto, a avaliação deve ser realizada em época próxima à alienação do imóvel. A letra (c) foi dada como correta, nos termos do art. 519 do Código Civil. Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 64 93 utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. Reparem que a parte final da alternativa dá a entender que a retrocessão ocorreria se o particular não exercesse seu direito de preferência. No entanto, tal exercício da preferência é justamente a retrocessão. A letra (d) está incorreta. O antigo proprietário, como vimos acima, teria uma preferência na aquisição pelo valor de mercado. A letra (e) está incorreta. Os bens de uso especial não podem ser alienados antes de sua desafetação. Além disso, também para os bens imóveis dominicais haveria necessidade de autorização específica, como regra geral.Gabarito (C) 38.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Apoio Técnico ao Processo Legislativo/Processo Legislativo/2018 Um município viu sua população crescer sensivelmente nos últimos anos e a demanda por atendimento médico superar a capacidade do único hospital municipal em funcionamento na região. Em função disso, a Secretaria de Saúde buscou junto à União recursos para financiar a ampliação da unidade, para oferta de novos leitos, pronto-socorro e Unidade de Terapia Intensiva − UTI. No terreno vizinho ao hospital, funciona um estacionamento que se beneficia justamente do fluxo de pessoas gerado pela unidade de saúde. O proprietário, entretanto, recusa-se a alienar voluntariamente o terreno ao Município, alegando que outro terreno seria mais adequado para tanto. A população pleiteou auxílio dos vereadores locais, representantes do povo no Legislativo, o que ensejou a edição de uma lei declarando de utilidade pública o terreno, para fins de desapropriação. A lei editada em razão de iniciativa parlamentar a) é regular e válida, sendo competência do Poder Executivo, no entanto, o ajuizamento da desapropriação, que demandará indenização após a sentença judicial. b) não produz efeitos, na medida em que o Prefeito seria a autoridade competente para expedir decreto de expropriação, cabendo ao Legislativo, no limite, a possibilidade de sugerir a medida ao Executivo. c) depende de sanção do Chefe do Executivo, o que se insere em seu poder regulamentar e decorre do fato de que a desapropriação será ajuizada pela Administração pública. d) pode produzir efeitos, tendo em vista que tal lei pode ser convalidada pelo Executivo e o vício sanado no caso de o expropriado aceitar a desapropriação amigável. e) invade competência exclusiva do Chefe do Executivo, mas é admitida em casos como o narrado, de urgência e notório interesse público, desde que haja concordância do Prefeito. Comentários: O gabarito está na letra (b). De acordo com o art. 6º do Decreto-Lei 3.365/1941, que trata da desapropriação por utilidade pública, a competência para a declaração de utilidade pública no âmbito municipal caberá ao Prefeito, sendo os Vereadores (Poder Legislativo) legítimos para posteriormente tomar a iniciativa da desapropriação nos termos do art. 8º do referido decreto-lei: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 65 93 Art. 6o A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Presidente da República, Governador, Interventor ou Prefeito. (..) Art. 8o O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação. Gabarito (B) 39.FCC - AJ TRT2/TRT 2/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador Federal/2018 A desapropriação de terrenos para implantação de unidades escolares depende a) de prévia declaração de interesse social, subscrita pelo Chefe do Executivo ou por autoridade a quem este delegar formalmente tal atribuição. b) de concordância do expropriado em relação ao preço ofertado pelo expropriante, em observância ao princípio da justa indenização. c) da existência de imóveis vagos, considerando que há expressa vedação legal para expropriação de imóveis ou terrenos ocupados por pessoas. d) de prévia declaração de utilidade pública, podendo a expropriação ser proposta judicialmente, hipótese em que não é imprescindível a concordância do expropriado em relação ao preço ofertado. e) da comprovação da inexistência de outros imóveis que possam ser aproveitados pela Administração pública para a mesma finalidade, ainda que não preencham todos os requisitos técnicos de adequação e necessidade. Comentários: Nos termos dos artigos 10 e 23 do decreto-lei 3.365/1941 é plenamente possível que não se chegue a um acordo em relação ao valor do bem. Neste caso, a desapropriação seguirá pela via judicial, motivo pelo qual poderá ser arbitrado pelo juiz com o auxílio pericial: Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. Art. 23. Findo o prazo para a contestação e não havendo concordância expressa quanto ao preço, o perito apresentará o laudo em cartório até cinco dias, pelo menos, antes da audiência de instrução e julgamento. Art. 27. O juiz indicará na sentença os fatos que motivaram o seu convencimento e deverá atender, especialmente, à estimação dos bens para efeitos fiscais; ao preço de aquisição e interesse que deles aufere o proprietário; à sua situação, estado de conservação e segurança; ao valor venal dos da mesma espécie, nos últimos cinco anos, e à valorização ou depreciação de área remanescente, pertencente ao réu. § 1o A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao preço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 66 93 o disposto no § 4o do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais). Gabarito (D) 40.FCC - DP RS/DPE RS/2018 No que tange à desapropriação, é correto afirmar: a) A desapropriação por utilidade pública é aquela que decorre de um imperativo irremovível e indispensável, pressupondo-se que sem ela não se pode iniciar, alcançar ou continuar o interesse público. b) A desapropriação por necessidade pública é aquela que se revela necessária para alcançar uma posição conveniente e vantajosa para a Administração Pública. c) Tredestinação ou tresdestinação é a modificação legítima realizada no decorrer do procedimento expropriatório, viabilizada pela supremacia do interesse público, que possibilita a alteração de uma desapropriação por utilidade pública em desapropriação por necessidade pública e vice-versa, caracterizando mero desvio de finalidade genérico. d) O desvio de finalidade genérico possibilita a retrocessão, consequência que não ocorre no desvio de finalidade específico, caso em que poderá ser convalidado o desvio, ressalvados alguns casos previstos em lei, como a desapropriação destinada à implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda. e) Para viabilizar o interesse público na esfera de competência material de todos os entes federativos, a Constituição Federal outorgou competência legislativa concorrente para a União, os Estados e os Municípios. Comentários: A letra (a) está incorreta, visto que o conceito apresentado refere-se à desapropriação por necessidade pública, que, segundo Hely Lopes Meirelles “surge quando a Administração defronta situações de emergência, que, para serem resolvidas satisfatoriamente, exigem a transferência urgente de bens de terceiros para o seu domínio e uso imediato”15. A letra (b) está incorreta, pois apresenta conceito de desapropriação por utilidade pública, a qual Hely Lopes Meirelles leciona que “apresenta-se quando a transferência de bens de terceiros para a Administração é conveniente, embora não seja imprescindível.”16 A letra (c) está incorreta, uma vez que não é possível afirmar que a tredestinação seja uma modificação legítima em todos os casos. Doutrinadores como Hely Lopes Meirelles e Maria Sylvia Di Pietro tratam a tredestinação como o desvio de destinação, entendendo que a finalidade pública é sempre genérica, e, portanto, se o bem for usado em outro fim público não ocorreria do desvio de finalidade. Já outro ensinamento é de José dos Santos Carvalho Filho, para o qual a tredestinação é a destinação em desconformidade com o plano inicial. Assim, ele a divide em lícita, quando, mesmo havendo a mudança de destinação persiste o interesse público,e ilícita, quando a Administração Pública transfere ou permite que terceiro se beneficie do bem. 16 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 738. 15 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 738. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 67 93 A letra (d) está correta, nos termos do §3º do art. 5º do decreto-lei 3.365/1941: Art. 5o Consideram-se casos de utilidade pública: (..) § 3o Ao imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda, não se dará outra utilização nem haverá retrocessão. Por fim, a letra (e) está incorreta, uma vez que, de acordo com o inciso II do art. 22 da Constituição Federal, legislar sobre desapropriação é competência privativa da União: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (..) II - desapropriação; Relembrando: Gabarito (D) 41.FCC - DP AM/DPE AM/2018 Tendo o Estado desapropriado diversos terrenos para a construção de rodovia, constatou, ao final das obras, a existência de algumas áreas remanescentes que não se mostraram necessárias ou úteis para a instalação de equipamento público, estando, assim, sem destinação específica. Referidos terrenos a) podem ser alienados, mediante prévia autorização legislativa, observado o direito de preempção dos expropriados. b) são considerados bens de uso comum do povo, somente perdendo tal condição mediante destinação por lei específica. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 68 93 c) constituem bens de uso especial, mantendo tal natureza enquanto não atrelados a finalidade específica. d) não possuem natureza de bem público, eis que não afetados a serviço ou atividade específica. e) perdem, após 5 anos sem uso efetivo, a condição de bens indisponíveis, passando ao patrimônio privado. Comentários: O gabarito está na letra (a). A questão trata de duas situações previstas no ordenamento jurídico. Primeiro, a necessidade de autorização legislativa para a alienação de bens imóveis, como regra geral, de acordo com o inciso I do art. 17 da lei 8.666/1993. Em segundo lugar, o direito de preferência do expropriado no caso de bem não utilizado na obra pública, conforme art. 519 do Código Civil. Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. Gabarito (A) 42.FCC - Proc (PGE AP) /PGE AP/2018 Considere que, visando realizar obras de saneamento básico, o Estado do Amapá edita decreto no qual declara a utilidade pública, para fins de desapropriação, de imóvel residencial urbano habitado pelo respectivo proprietário, em favor da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (CAESA). A referida empresa estatal ajuíza a ação de desapropriação e, na petição inicial, alega urgência e requer a imissão provisória no imóvel expropriando. Nesse caso, a) não deve ser concedida a imissão provisória, visto que a urgência deveria ser previamente declarada no decreto de utilidade pública. b) se houver impugnação pelo expropriado, haverá arbitramento de indenização provisória pelo juiz, que somente autorizará a imissão, se o expropriante complementar o depósito para que este atinja a metade do valor arbitrado. c) não é possível imissão provisória, pois o direito à moradia se sobrepõe à conveniência da Administração Pública. d) deve haver a citação do expropriado antes da decisão sobre a imissão provisória na posse. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 69 93 e) a empresa estatal nunca terá competência para ajuizar ação de desapropriação, que deve ser proposta diretamente pelo ente que emitiu o decreto de utilidade pública. Comentários: A letra (a) está incorreta. Havendo demonstração de urgência ao juiz, poderá haver a imissão provisória na posse, desde que seja depositada a quantia arbitrada. A letra (b) está correta. A questão trata de situação específica de imissão na posse de imóveis residenciais urbanos, prevista do decreto-lei 1.075/1970: Art 1º Na desapropriação por utilidade pública de prédio urbano residencial, o expropriante, baseado urgência, poderá imitir-se provisóriamente na posse do bem, mediante o depósito do preço oferecido, se êste não fôr impugnado pelo expropriado em cinco dias da intimação da oferta. Art 2º Impugnada a oferta pelo expropriado, o juiz, servindo-se, caso necessário, de perito avaliador, fixará em quarenta e oito horas o valor provisório do imóvel. Parágrafo único. O perito, quando designado, deverá apresentar o laudo no prazo máximo de cinco dias. Art 3º Quando o valor arbitrado fôr superior à oferta, o juiz só autorizará a imissão provisória na posse do imóvel, se o expropriante complementar o depósito para que êste atinja a metade do valor arbitrado. A letra (c) está incorreta, uma vez que o direito individual à moradia, como regra geral, não se sobrepõe ao Estado (interesse da coletividade). A letra (d) está incorreta, de acordo do com o §1º do art. 15 do decreto-lei 3.365/1941: Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo provisoriamente na posse dos bens; § 1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu, mediante o depósito: A letra (e) está incorreta, visto que a empresa estatal terá competência para a “promover a desapropriação”, inclusive por meio do ajuizamento da ação, nos termos do art. 3º do decreto-lei 3.365/1941: Art. 3o Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato. Ao contrário, a estatal não detém competência para expedir o decreto declarando o imóvel como sendo de utilidade pública (fase declaratória). Gabarito (B) 43.FCC - Proc Mun (Caruaru)/Pref Caruaru/2018 Em relação à desapropriação, é correto afirmar que Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 70 93 a) por se tratar de matéria administrativa, compete a cada ente da Federação legislar sobre desapropriação. b) na desapropriação por descumprimento da função social da propriedade rural, de competência dos Estados, o pagamento é feito em títulos da dívida agrária, resgatáveis em até vinte anos, sendo as benfeitorias úteis e necessárias pagas em dinheiro. c) é vedada aos Municípios a realização de desapropriação de imóvel rural. d) a desapropriação é forma derivada de aquisição de propriedade e, por conta disso, se a indenização for paga a terceiro que não proprietário, a desapropriação se torna inválida. e) a desapropriação por utilidade pública deve ser efetivada mediante acordo ou intentada judicialmente, no prazo de cinco anos, contados da data damodalidades. Desapropriação por interesse social Vimos anteriormente que, a despeito de o Estado assegurar aos particulares a proteção à propriedade privada, sua utilização deverá estar alinhada à sua função social. Nesse sentido, ao se desviar de sua função social, a propriedade torna-se passível de ser desapropriada por interesse social. Esta modalidade comporta três espécies, a saber: a) desapropriação para fins de reforma agrária b) desapropriação urbanística c) desapropriação ordinária ➢ Desapropriação para reforma agrária Em síntese, se estivermos diante de propriedade rural que desatenda à sua função social, terá lugar a desapropriação de terras rurais para reforma agrária. A competência para tal desapropriação é atribuída à União, conforme disposto no próprio texto constitucional: CF, art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. A partir da transcrição supra, notem que a indenização, neste caso, ocorre por meio de títulos da dívida agrária. No plano infraconstitucional, destaco que esta espécie encontra-se regulamentada principalmente pelas Leis 8.629/1993 e 4.504/1964 (Estatuto da Terra). Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 7 93 ➢ Desapropriação urbanística Por outro lado, sendo propriedade urbana que encontra-se desalinhada à função social definida no plano diretor do município, surge a figura da desapropriação urbanística. O fundamento constitucional para esta espécie está no art. 182 da Magna Carta: CF, art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. CF, art. 182, § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: (..) III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. No plano infralegal, a desapropriação urbanística encontra-se disciplinada principalmente na Lei 10.257/2001 (Estatuto da Cidade). Percebam que esta espécie expropriatória é de competência dos municípios e, também6, ao Distrito Federal. ➢ Desapropriação ordinária Por fim, há ainda as desapropriações por interesse social que não possuem regras específicas previstas nos diplomas mencionados acima (Estatuto da Cidade ou Estatuto da Terra). Seria uma espécie de “vala comum” da desapropriação por interesse social, a qual chamaremos aqui de desapropria ordinária por interesse público. Esta modalidade expropriatória é regulamentada, principalmente, pela Lei 4.132/1962, que “define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação”. 6 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 8 93 Nos termos de seu art. 1º, a desapropriação por interesse social será decretada para “promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social”. Desapropriação Confiscatória Esta modalidade trata da desapropriação das propriedades rurais e urbanas nas quais forem identificadas o cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo (CF, art. 243). Há três características marcantes desta modalidade: a) o proprietário não recebe qualquer indenização b) os bens expropriados já têm destino determinado: reforma agrária e programas de habitação popular c) não há necessidade de expedição de decreto desapropriatório prévio7 7 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 936 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 9 93 ==1365fc== Competência INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA O estudo quanto à competência relacionada à desapropriação merece ser estudada sob três primas: (a) competência legislativa para legislar a respeito de desapropriação; (b) competência declaratória; (c) competência executória. Competência legislativa A competência para legislar sobre o tema “desapropriação” é privativa da União (CF, art. 22, II). Assim, apenas a União poderá estabelecer normas jurídicas sobre este assunto. No entanto, nos termos do parágrafo único do art. 22 da CF, poderá ser delegada aos estados e ao Distrito Federal a competência para legislar sobre questões específicas, desde que por meio de lei complementar (CF, art. 22, parágrafo único). Competência declaratória Já a competência para declarar determinado bem - como de utilidade ou necessidade pública ou de interesse social - para fins de desapropriação (competência declaratória) é comum a todos os entes federativos. desapropriação por utilidade pública por necessidade pública interesse social reforma agrária competência da União títulos da dívida agrária urbanística competência dos municípios e DF títulos da dívida pública desatendimento do plano diretor somente após parcelamento/utilizaç ão compulsória IPTU progressivo por 5 anos ordinária confiscatória cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou explor. de trabalho escravo sem indenização Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 10 93 Dessa forma, União, estados, Distrito Federal e municípios detêm competência para declarar a necessidade, utilidade pública ou interesse social de determinado bem. Reparem que as entidades da administração indireta, mesmo aquelas que possuem personalidade de direito público, não possuem tal prerrogativa. A declaração compete apenas aos entes com competência política. Aproveito para lembrar que, tratando-se de desapropriação para fins de reforma agrária, a competência declaratória é atribuída à União (CF, art. 184). Tratando-se, por outro lado, de desapropriação urbanística, a competência declaratória é dos municípios e, também8, ao Distrito Federal. Competência executória Por fim, a competência para promover a desapropriação, executando-se as medidas necessárias à efetivação da transferência da propriedade (competência executória), é ainda mais ampla. A competência executória já alcança, além dos entes federativos, as entidades da administração indireta, bem como particulares delegatários de serviços públicos (concessionários e permissionários). Em síntese: 8 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. competências legislativa privativa da União delegável aos Estados/DF lei complementar questões específicas declaratória regra: União, Estados, DF e Municípios desapropriação p/ reforma agrária: União desapropriaçãoexpedição do decreto. Comentários: A letra (a) está incorreta, pois a competência legislativa para desapropriação é da União, nos termos do inciso II do art. 22 da Constituição Federal: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (..) II - desapropriação; A letra (b) está incorreta, visto que a desapropriação de imóvel rural por descumprimento da função social (reforma agrária) é de competência da União, de acordo com o art. 184 da Constituição Federal: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. A letra (c) está incorreta. Mediante declaração de utilidade pública poderá haver desapropriação pelo município de imóvel rural, uma vez que não há restrição no art. 2º do decreto-lei 3.365/1941: Art. 2o Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. O que não se admite, no entanto, é o município desapropriar imóvel rural para fins de reforma agrária. A letra (d) está incorreta. O entendimento doutrinário majoritário é no sentido de que a desapropriação é forma originária de aquisição de propriedade. Celso Antônio Bandeira de Mello, por exemplo, leciona que “a desapropriação é forma originária de aquisição de propriedade significa que ela é, por si mesma, suficiente para instaurar a propriedade em favor do Poder Público, independentemente de qualquer vinculação com o título jurídico do anterior Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 71 93 proprietário. É a só vontade do Poder Público e o pagamento do preço que constituem propriedade do Poder Público sobre o bem expropriado.”17 Por fim, a letra (e) está correta, nos termos do art. 10 do Decreto-Lei 3.365/1941: Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. Gabarito (E) 44.FCC - TJ TRT11/TRT 11/Administrativa/2017 Na ação de desapropriação, a) a transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, ficará sujeita ao imposto de lucro imobiliário. b) é incabível a imissão provisória na posse dos bens. c) a instância interrompe-se no caso de falecimento do réu. d) não serão atendidas, no valor da desapropriação, o valor das benfeitorias necessárias feitas após a desapropriação. e) a contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço. Comentários: A letra (a) está incorreta, conforme disposição do §2º do art. 27 do decreto-lei 3.365/1941: § 2º A transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, não ficará sujeita ao impôsto de lucro imobiliário. A letra (b) está incorreta, uma vez que é possível a imissão provisória na posse, conforme art. 15 e 15-A do decreto-lei 3.365/1941: Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo provisoriamente na posse dos bens; Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos. A letra (c) está incorreta, de acordo com o art. 21 do decreto-lei 3.365/1941: 17 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 871. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 72 93 Art. 21. A instância não se interrompe. No caso de falecimento do réu, ou perda de sua capacidade civil, o juiz, logo que disso tenha conhecimento, nomeará curador à lide, ate que se lhe habilite o interessado. A letra (d) está incorreta, segundo §1º do art. 26 do decreto-lei 3.365/1941: § 1º Serão atendidas as benfeitorias necessárias feitas após a desapropriação; as úteis, quando feitas com autorização do expropriante. A letra (e) está correta, nos termos do art. 20 do decreto-lei 3.365/1941: Art. 20. A contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta. Frisa-se que neste caso, a questão, apesar de não especificar, tratou de desapropriação por utilidade pública. Gabarito (E) 45.FCC - Ana (DPE RS) /DPE RS/Administração/2017 Necessitando o Poder Público implantar uma importante obra viária, incluindo a construção de uma rodovia para interligação de três municípios, deparou-se com a existência de áreas ocupadas no trajeto, em sua maioria imóveis regularizados. Em razão desse aspecto, o Poder Público a) deve alterar o traçado da rodovia para não atingimento de trechos ocupados, caso esses imóveis tenham características urbanas, sirvam à efetiva residência de seus proprietários e constituam única propriedade dos mesmos. b) pode adquirir todas as propriedades onerosamente, pelo valor que seus proprietários atribuírem e demonstrarem, a fim de que a desocupação seja voluntária, sob pena do emprego de poder de polícia para desocupação, que difere o acordo quanto à precificação dos imóveis. c) pode desapropriar os imóveis, mediante prévia indenização em dinheiro pelo valor de mercado, demonstrado em avaliação técnica, a fim de garantir a adequada equivalência e viabilizar a realocação dos proprietários em outro local. d) deve desapropriar os imóveis, mediante justa e prévia indenização, parte em dinheiro e parte mediante expedição de precatório, mostrando-se inviável qualquer alteração de traçado ou acordo, tendo em vista a importância da obra de infraestrutura e seu cronograma de implantação. e) pode requisitar administrativamente as áreas, diante da urgência e da finalidade da desocupação, apurando-se, na sequência, o valor de mercado dos imóveis e, no caso de discordância entre as partes, recorrendo-se à via judicial. Comentários: Nosso gabarito encontra-se na letra (c). A questão apresenta caso de desapropriação por utilidade pública, enquadrando-se na alínea “i” do art. 5º do decreto-lei 3.365/1941, devendo haver justa e prévia indenização, nos termos do inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal: Art. 5o Consideram-se casos de utilidade pública: (..) Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 73 93 i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; Gabarito (C) Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 74 93 LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS 1. FGV/TCE GO - 2024 Após os devidos trâmites, com vistas a atender antiga demanda da coletividade, o Estado Delta fez publicar um Decreto expropriatório por interesse social, a fim de viabilizar o estabelecimento e a manutenção de cooperativas de trabalho agrícola,que recai sobre o imóvel rural de Josué. Acerca da mencionada situação hipotética, é correto afirmar que o Estado Delta (A) tem o prazo de cinco anos para ajuizar a respectiva ação de desapropriação. (B) não tem competência para desapropriar imóvel rural. (C) deve promover a justa indenização por meio de títulos da dívida agrária. (D) não poderia realizar a desapropriação para a finalidade social em comento. (E) há de realizar a venda ou a locação dos bens desapropriados a quem estiver em condições de dar-lhes a destinação social prevista no Decreto. 2. FGV/SMF-RJ - Analista de Planejamento e Orçamento – 2023 Em razão do aumento exponencial das chuvas, foi constatado que determinada barragem estava se rompendo, o que colocaria em risco centenas de pessoas residentes no Município Alfa. Por tal razão, o prefeito municipal, tomando por base esse fato, notificou Maria de que um galpão de sua propriedade, situado em local elevado, seria provisoriamente ocupado, determinando, ainda, que os órgãos municipais estruturassem um centro de atendimento médico para possíveis vítimas, e que os veículos de salvamento fossem ali alocados. Ao consultar um advogado a respeito da conformidade constitucional da medida adotada pelo prefeito municipal em relação à sua propriedade, foi corretamente informado a Maria que: A) ela não será indenizada pelo uso do imóvel, apenas por eventuais danos que lhe sejam causadas: B) a medida se mostra ilegal, pois o imóvel somente poderia ser utilizado após prévia e justa indenização em dinheiro, o que não ocorreu; C) a medida se mostra ilegal, considerando não ter sido antecedida de ordem judicial determinando a imissão do Município Alfa na posse; D) a medida se mostra ilegal, pois não foi antecedida de processo administrativo regular já que ela apenas foi notificada de uma decisão já tomada; E) ela fará jus à indenização, em momento posterior, pelas receitas que deixar de arrecadar com o imóvel e pelos danos eventualmente causados em sua propriedade. 3. FCC - ACE (TCE-GO)/TCE GO/Contabilidade/2022 A servidão administrativa difere das demais modalidades de intervenção na propriedade nos seguintes termos: a) da desapropriação, porque impõe sacrifício inerente à condição de administrado, não autorizando, portanto, indenização ao titular da propriedade que a suportar. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 75 93 b) do tombamento, porque a servidão sempre obriga o ente público que a impõe o dever de indenizar o titular da propriedade que a suporta. c) da limitação administrativa, que impõe sacrifício ordinário ao proprietário, enquanto a servidão administrativa pode acarretar restrição à exploração econômica da propriedade, ensejando direito à indenização. d) da desapropriação, porque depende de anuência do proprietário do imóvel para sua imposição, não admitindo imposição mediante poder de império. e) da requisição administrativa, porque esta se impõe apenas sobre parte do imóvel e a servidão acarreta restrição permanente na totalidade do imóvel onde for imposta. 4. FCC - AFTE (SEFAZ PE)/SEFAZ PE/2022 Após tramitação de processo administrativo para apuração do valor histórico e arquitetônico de um prédio pertencente a determinado município, o órgão estadual responsável pela tutela do patrimônio histórico e artístico estadual editou resolução impondo o tombamento do imóvel, na forma da legislação aplicável à espécie. A medida adotada a) configura abuso de poder, considerando que os bens públicos dos entes públicos são insuscetíveis à intervenção de entes públicos de outras esferas, em especial quando acarretam alteração de titularidade do bem. b) possibilita controle judicial para pleito de anulação e de revogação, sendo possível questionar a suposta relevância histórica e arquitetônica do imóvel que motiva o tombamento. c) não admite controle de mérito, no que se refere à discricionariedade do tombamento, sendo admitido controle de legalidade do procedimento legal de instrução, a exemplo da exigência de trabalhos técnicos e observância do contraditório. d) demandaria autorização legislativa e ciência ao Tribunal de Contas, porque envolve intervenção de ente federado hierarquicamente superior, a fim de obstar abuso de poder econômico. e) atende aos requisitos legais e constitucionais, inexistindo óbice ao tombamento de imóveis públicos pertencentes aos entes de qualquer esfera da federação, vedada indenização, em razão do dever de mútua colaboração. 5. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022 O Município Alfa, para fins de instalação de poste para viabilizar o serviço de iluminação pública, utilizou, com base no poder de polícia, uma parcela do terreno privado de propriedade de Marcelo. No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na propriedade denominada a) requisição administrativa. b) servidão administrativa. c) limitação administrativa. d) desapropriação indireta. e) tombamento. 6. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 76 93 Em matéria de intervenção do Estado na propriedade, a chamada desapropriação especial urbana se dá por interesse social para a política urbana. A desapropriação especial urbana é de competência: A concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa indenização; B concorrente da União, estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa indenização; C concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa indenização; D exclusiva dos municípios, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa indenização; E exclusiva dos municípios que possuem plano diretor, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e a indenização será feita com pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal. 7. VUNESP/EBSERH – Advogado – 2020 No tocante ao instituto jurídico da desapropriação, assinale a alternativa correta. a) A desapropriação atinge o caráter perpétuo do direito de propriedade. b) A desapropriação de glebas que contenham culturas ilegais de plantas psicotrópicas dispensa indenização prévia. c) O pagamento de indenização na desapropriação por necessidade pública pode ser feito em títulos da dívida pública. d) Os bens de concessionárias de serviço público não são passíveis de desapropriação. e) O Estado pode desapropriar bem de empresa pública federal afeto a serviço público. 8. IBFC/TRE-PA - Técnico - 2020 O instituto da requisição tem previsão constitucional e pode ser definido como uma das modalidades de intervenção do Estado na propriedade privada. Nesse sentido, leia abaixo o excerto do artigo 5º, inciso XXV, da CF/88: Art. 5º. Inciso XXV - no caso de _____, a autoridade competente poderá _____ de propriedade particular, assegurada ao proprietário _____ , _____; Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas. a) descumprimento da função social / utilizar bens / indenização proporcional / se houver abuso b) iminente perigo público / usar / indenização ulterior / se houver dano c) descumprimento da função social / usar / indenização prévia / se houver abuso d) iminente perigo público / utilizar bens / indenização prévia / calculadospossíveis danos Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 77 93 9. VUNESP – TJRO/2019 As desapropriações necessárias à adequada prestação de serviço público no regime de concessão. a) serão sempre de responsabilidade do Poder Concedente. b) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação, competindo ao Poder Concedente editar o decreto de utilidade pública e arcar com o ônus das indenizações. c) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação, competindo ao Poder Concedente declarar de utilidade pública os bens necessários à prestação do serviço e à concessionária arcar com as indenizações cabíveis. d) serão de responsabilidade da concessionária caso se trate de concessão patrocinada, modelo em que a ela cabe indicar os bens necessários à prestação do serviço, arcando o Poder Público com as indenizações relativas aos bens reversíveis. e) serão sempre de responsabilidade da concessionária, competindo ao Poder Concedente apenas editar o decreto de utilidade pública. 10.VUNESP – PGM Rio Preto/2019 A respeito da desapropriação, assinale a alternativa correta. a) A declaração de utilidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação caduca em cinco anos, caso não efetivada a desapropriação nesse período. b) A desapropriação é procedimento de competência privativa do Poder Público e, como tal, não comporta a delegação de qualquer de seus atos a agentes privados. c) É facultado ao Poder Público municipal exigir do proprietário do solo urbano não edificado ou subutilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos. d) É facultado ao Poder Público municipal desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária. e) A desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, exige justa e prévia indenização em dinheiro, sem exceções. 11.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019 Suponha que o Município de São José dos Campos deseja desapropriar, por razões de utilidade pública, um imóvel localizado na zona urbana da cidade e que pertence a Maria. Após a fase declaratória do procedimento para consumação da desapropriação, iniciou-se a fase executória e o Poder Público ofereceu proposta a Maria, mas ela não concordou. Em face da impossibilidade do acordo na via administrativa, o Município de São José dos Campos propôs ação judicial de desapropriação em face da proprietária do bem. Visando promover o interesse público, o Poder Público deseja imitir-se provisoriamente na posse do bem ainda no curso do processo judicial. Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 78 93 a) a imissão provisória na posse pressupõe urgência e depósito prévio. Cabe ao Município avaliar discricionariamente a urgência na imissão provisória e ao Judiciário analisar o ato que alegou urgência, sendo lícito ao juiz substituir o mérito administrativo. b) após alegar a urgência, que poderá ser renovada pelo tempo necessário, o Poder Público tem o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta dias) para requerer a imissão provisória. c) para que a declaração de urgência com fins de imissão provisória na posse seja considerada como válida, deve ser realizada exclusivamente no próprio decreto expropriatório. d) de acordo com o entendimento do STJ, o depósito judicial do valor simplesmente apurado pelo corpo técnico do ente público, sendo inferior ao valor arbitrado por perito judicial e ao valor cadastral do imóvel, não viabiliza a imissão provisória na posse. e) Maria poderá levantar, independentemente de concordância do Município de São José dos Campos, até 70% (setenta por cento) do depósito efetivado com fins de imissão provisória na posse. 12.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019 A respeito da Requisição, Servidão Administrativa e Tombamento, assinale a alternativa correta. a) As servidões administrativas podem incidir sobre bens imóveis, móveis e direitos. b) As requisições administrativas incidem sobre bens móveis ou serviços de particulares, não podendo incidir sobre bens imóveis. c) De acordo com o STJ, como não há dispositivo expresso proibindo a hierarquização para o tombamento, os municípios podem tombar bens públicos estaduais. d) O tombamento pode ser voluntário ou compulsório, mas não pode ser instituído de ofício. e) O tombamento geral ou global depende da individualização de todos os bens no ato do tombamento e exige a prévia notificação de cada proprietário, de acordo com o STJ. 13.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC GO) /PC GO/2017 Um policial andava pela rua quando presenciou um assalto. Ao ver o assaltante fugir, o policial parou um carro, identificou-se ao motorista, entrou no carro e pediu que ele perseguisse o criminoso. Nessa situação, conforme a CF e a doutrina pertinente, tem-se um exemplo típico da modalidade de intervenção do Estado na propriedade privada denominada a) limitação administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste. b) requisição administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste. c) desapropriação, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao bem deste. d) servidão administrativa, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao bem deste. e) ocupação temporária, não cabendo indenização ao proprietário, mesmo que haja dano ao bem deste. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 79 93 14.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PJC MT) /PJC MT/2017 Enquanto uma rodovia municipal era reformada, o município responsável utilizou, como meio de apoio à execução das obras, parte de um terreno de particular. Nessa hipótese, houve o que se denomina a) servidão administrativa. b) limitação administrativa. c) intervenção administrativa supressiva. d) ocupação temporária. e) requisição administrativa. 15.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJBA/TJ BA/2019 O Estado, no exercício do poder de polícia, pode restringir o uso da propriedade particular por meio de obrigações de caráter geral, com base na segurança, na salubridade, na estética, ou em outro fim público, o que, em regra, não é indenizável. Essa forma de exercício do poder de polícia pelo Estado corresponde a a) uma servidão administrativa. b) uma ocupação temporária. c) uma requisição. d) uma limitação administrativa. e) um tombamento. 16.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC MA) /PC MA/2018 A seguir são apresentadas ações realizadas pelo Estado. I Alocação provisória de determinadas máquinas e equipamentos utilizados em execução de obra pública em propriedade privada desocupada. II Instalação de redes elétricas em determinada propriedade privada para fins de execução de serviço público. III Determinação de ordem urbanística de proibição de construção além de determinada altura em região do município. As hipóteses apresentadas correspondem, respectivamente, às seguintes modalidades de intervenção do Estado na propriedade a) ocupação temporária, servidão administrativa e limitação administrativa. b) requisição administrativa, servidão administrativa e ocupação temporária. c) requisição administrativa, ocupação temporária e limitação administrativa. d) servidão administrativa, requisição administrativa e limitação administrativa. e) ocupação temporária, limitação administrativae servidão administrativa. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 80 93 17.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJCE/TJ CE/2018 Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre determinado bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter a) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, ainda que não seja demonstrada a efetiva redução do valor econômico do bem em função da referida limitação. b) geral e condição inerente ao exercício do direito de propriedade, inexistindo hipóteses de indenização. c) geral, mas que pode dar ensejo a indenização em favor do proprietário na hipótese de a limitação causar redução do valor econômico do bem, independentemente do momento em que tenha sido instituída a restrição. d) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, desde que a aquisição do bem tenha ocorrido anteriormente à instituição da restrição. e) geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a limitação causar redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido anteriormente à instituição da restrição. 18.CEBRASPE (CEBRASPE) - JF TRF5/TRF 5/2017 Em cada uma das opções a seguir é apresentada uma situação hipotética acerca das formas de intervenção do Estado na propriedade, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção correspondente à assertiva correta. a) O comprador de um imóvel com restrição pretende ser indenizado por ter sofrido limitação administrativa preexistente constante em nota non aedificandi — proibição de construir — referente a parte do imóvel, em razão de normas ambientais. Nesse caso, é indevida a indenização pretendida, pois não há perda da propriedade, mas apenas restrições de uso. b) Um imóvel de propriedade privada situado às margens de um rio navegável que atravessa todo o estado foi objeto de decreto expropriatório. Nessa situação, é devida ao proprietário a indenização de toda a propriedade, incluindo-se a área situada às margens do rio. c) Uma propriedade particular foi objeto de decreto expropriatório para a construção de um parque público no local. No entanto, o desabamento de uma escola pública situada em área de risco levou o estado a construir emergencialmente uma escola na referida propriedade. Nessa situação, o particular cujo bem foi expropriado poderá utilizar-se da retrocessão para readquirir a sua propriedade, considerando-se a alteração da finalidade do decreto expropriatório. d) Decreto do presidente da República instituiu estado de defesa em determinado estado da Federação, em razão de fortes chuvas que causaram destruição e fizeram muitos habitantes desabrigados em determinada região. Em virtude do decreto, foi possível a ocupação temporária de uma propriedade privada próxima ao local mais afetado. Nessa situação, considerando-se a relevância do interesse público e a urgência da situação, a União não responderá pelos custos decorrentes da ocupação temporária. e) Um imóvel de propriedade da União situa-se no centro histórico de um município e conserva todas as características históricas e arquitetônicas da época colonial. Nesse caso, o município é Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 81 93 impedido de efetuar o tombamento desse imóvel, pois, apesar de se tratar de hipótese de exercício de competência concorrente, incide o princípio da hierarquia federativa. 19.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018 A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém, nada foi feito e a edificação permaneceu fechada. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue. Ocorreu, no caso do primeiro imóvel, a tredestinação lícita. ( ) Certo ( ) Errado 20.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018 A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém, nada foi feito e a edificação permaneceu fechada. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue. Na situação relacionada ao segundo imóvel, o particular que teve seu bem desapropriado poderá pleitear somente revisão do valor da indenização. ( ) Certo ( ) Errado 21.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJPR/TJ PR/2017 Assinale a opção correta a respeito da desapropriação indireta. a) Se a administração conferir destinação pública a determinado bem, o particular prejudicado poderá recorrer a ações possessórias, reivindicatórias e indenizatórias. b) O juízo competente para processar e julgar a desapropriação indireta é o do foro de situação do bem. c) A afetação do bem particular a um fim público constitui forma de transferência da propriedade. d) Por observar o devido processo legal, a desapropriação indireta é instituto amplamente praticado e permitido pela legislação brasileira. 22.CEBRASPE (CEBRASPE) - PJ (MPE RR) /MPE RR/2017 Concluído determinado processo de desapropriação, com o pagamento integral do valor e a incorporação do bem ao patrimônio do poder público, este decidiu devolver o bem expropriado ao antigo dono, por não lhe ter sido atribuída a destinação prevista no decreto expropriatório nem qualquer outra destinação pública. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 82 93 Essa reversão do procedimento expropriatório é denominada a) tredestinação lícita. b) desapropriação indireta. c) desistência da desapropriação. d) retrocessão. 23.CEBRASPE (CEBRASPE) - Proc Mun (BH)/Pref BH/2017 Com relação à intervenção do Estado na propriedade, assinale a opção correta. a) Compete à União, aos estados e ao DF legislar, de forma concorrente, sobre desapropriação, estando a competência da União limitada ao estabelecimento de normas gerais. b) Expropriação ou confisco consiste na supressão punitiva de propriedade privada pelo Estado, a qual dispensa pagamento de indenização e incide sobre propriedade urbana ou rural onde haja cultura ilegal de psicotrópico ou ocorra exploração de trabalho escravo. c) Servidão administrativa é a modalidade de intervenção que impõe obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados, em benefício do interesse geral abstratamente considerado, e afeta o caráter absoluto do direito de propriedade. d) Requisição é a modalidade de intervenção do Estado supressiva de domínio, incidente sobre bens móveis e imóveis, públicos ou privados, e, em regra, sem posterior indenização. 24. IBFC - TJ (TJ PE) /TJ PE/Administrativa/2017 Assinale a alternativa que não contempla uma hipótese de verificação da requisição administrativa. a) Estado de guerra b) Proteção da saúde de comunidades c) Proteção do meio ambiente ante possível degradação d) Inundação de grandes proporções e) Epidemia 25. IBFC - AuxLg (CM F Santana) /CM Feira de Stana/Administrativo/2018 Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação após analisar os itens abaixo. a) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, ou, ainda, por interesse social b) A desapropriaçãopode se dar por utilidade ou necessidade pública, mas não por interesse social c) A desapropriação pode se dar por utilidade ou por interesse social, mas não por necessidade pública d) A desapropriação pode se dar por necessidade pública ou por interesse social, mas não por utilidade Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 83 93 26. IBFC - Proc (CM F Santana) /CM Feira de Stana/2018 Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação. a) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que pode levar à retrocessão da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado b) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a destinação, que pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado c) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado d) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a redestinação, que pode levar à realização da desapropriação, com o retorno do bem ao poder público 27. IBFC - Asst (CM Aqa) /CM Araraquara/Técnico Legislativo/2017 No que diz respeito ao tema da desapropriação, assinale a alternativa incorreta: a) O Poder Executivo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Legislativo, praticar os atos necessários à sua efetivação b) Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa c) Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato d) Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel 28.FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019 Uma empresa privada venceu licitação para construir e explorar uma linha elevada de monotrilho. Todavia, ao iniciar a execução da obra, observou que o traçado planejado passaria sobre terrenos privados ainda não construídos, atualmente explorados para plantio de hortaliças pelos respectivos proprietários, incentivados por programa municipal de horta urbana, que lhes concede isenção do IPTU. Sabe-se que a operação da linha elevada não impedirá a continuidade dessa exploração pelos proprietários, ressalvada a ocupação temporária de parcela dos terrenos, durante a execução das obras. O instituto adequado para promover a intervenção na propriedade, no caso em tela, é (A) a servidão administrativa. (B) o arrendamento compulsório. (C) o tombamento. (D) a desapropriação. (E) a requisição administrativa. 29.FCC - Del Pol (PC AP) /PC AP/2017 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 84 93 Em uma área de expansão urbana determinado Município está providenciando a instalação de equipamentos públicos, a fim de que o crescimento populacional se dê de forma ordenada e sustentável. Durante a construção de uma unidade escolar, apurou-se que não seria possível executar a solução de esgoto originalmente idealizada, que contempla um emissário de esgoto, mostrando-se necessária a identificação de outra alternativa pela Administração pública. Dentre as possíveis, pode o Município em questão a) promover, demonstrada a viabilidade técnica, a instalação de emissário de esgoto para ligação com o sistema já existente, utilizando-se, para tanto, da instituição de uma servidão administrativa. b) realizar uma licitação específica para elaboração e execução de projeto de instalação do emissário de esgoto, independentemente do valor, dado seu caráter emergencial. c) lançar mão da requisição administrativa, para imediata imissão na posse do terreno necessário para implementação das obras, diferindo-se a indenização devida. d) desapropriar judicialmente a faixa de terreno necessária à implementação do emissário de esgoto, tendo em vista que o ajuizamento da ação já autoriza a imissão na posse do terreno objeto da demanda. e) instituir uma servidão de passagem, sob o regime do código civil, tendo em vista que dispensa a anuência do dono do terreno e de prévia indenização, apurando-se o valor devido após a instalação do equipamento, que indicará o nível de restrição ao uso da propriedade. 30.FGV/MP-RJ - Analista Administrativo - 2019 Para melhor proteger o patrimônio histórico do Município Alfa, que contava com construção ornada com pinturas de importante pintor nascido na localidade, o Prefeito foi informado de que a medida mais adequada seria o tombamento. Um assessor próximo ao Chefe do Executivo, porém, afirmou que a medida seria inadequada, pois (a) tem vigência temporária, (b) precisa ser renovada a cada alienação do imóvel, (c) sempre exige prévia indenização e (d) pode ser cancelada. À luz da ordem jurídica vigente, o assessor somente está certo em relação à(s) observação(ões): (A) (c); (B) (d); (C) (a) e (c); (D) (b) e (c); (E) (a), (b) e (d). 31. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019 Acerca das intervenções do Estado na propriedade privada, analise as afirmativas abaixo e dê valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F). ( ) O tombamento é forma de intervenção do Estado na propriedade privada, que tem por objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. ( ) O tombamento incide apenas sobre bens imóveis. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 85 93 ==1365fc== ( ) O tombamento somente poderá acarretar consequências ao proprietário do bem tombado e não a terceiros. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo. a) V, V, V b) V, V, F c) F, F, V d) F, V, F 32.FCC - Ana Fom (AFAP)/AFAP/Advogado/2019 A necessidade de implantação de unidades habitacionais destinadas a população de baixa renda e a edificação de uma unidade hospitalar para atendimento da população em geral justifica, por parte do Município, a a) edição de decreto de declaração de interesse social para a implantação das unidades habitacionais e para construção da unidade hospitalar, porque este também se destina a baixa renda. b) desapropriação de áreas públicas ou particulares para instalação da unidade hospitalar e das unidades habitacionais, em razão da prevalência da finalidade pública da medida. c) declaração de utilidade pública das áreas necessárias para as obras, precedida da comprovação da existência da integralidade de recursos financeiros para edificação das obras indicadas, mesmo que estas ultrapassem mais de um exercício. d) a desapropriação dos terrenos necessários à implantação das obras, cuja indenização, devido ao interesse social que fundamenta a atuação do poder público, poderá ser paga em títulos da dívida pública após a conclusão das obras. e) edição de decreto de declaração de interesse social, que justifica a implantação das unidades habitacionais, bem como de declaração de utilidade pública, para implantação do equipamento público destinado à unidade hospitalar. 33.FCC - DP AM/DPE AM/2018 Suponha que o Estado do Amazonas pretenda construir um anel viário interligando diversas rodovias. A obra em questão importa intervenção em terrenos de particulares e, também, em uma área de propriedade de Município, que se encontra ocupada irregularmente. Diante de tal cenário, afigura-sejuridicamente viável a a) desapropriação dos imóveis particulares e também daquele pertencente ao Município, este último dependendo de autorização legislativa, ambos condicionados à prévia indenização. b) desapropriação dos imóveis privados apenas, eis que o de propriedade do Município é protegido pelo regime público ainda que não afetado a finalidade específica. c) requisição das áreas, tanto públicas como privadas, e a subsequente desapropriação, com pagamento de indenização apenas ao final do processo. d) imediata desocupação e imissão na posse da área municipal, independente de indenização, e a desapropriação das áreas privadas, mediante edição de decreto de utilidade pública. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 86 93 e) doação, independente de autorização legislativa, do imóvel municipal ao Estado, e a desapropriação dos imóveis particulares, vedada a imissão na posse antes da concordância destes com o valor da indenização fixada judicialmente. 34.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018 O Governo do Estado decidiu construir um conjunto habitacional popular em área urbana, situada na região metropolitana de Palmas. Para tanto, verificou-se a existência de um terreno de dimensão adequada, situado em área incluída no plano diretor e declarada passível de edificação compulsória por lei municipal. Embora notificado há dez anos para promover a edificação no terreno, o proprietário quedou-se inerte, sendo que há mais de cinco anos vem sendo aplicado o IPTU progressivo no tempo. Nesse caso, o Governo do Estado a) poderá promover desapropriação por interesse social do imóvel, todavia mediante justa e prévia indenização, em dinheiro. b) está impedido de promover a desapropriação do terreno, em vista da exclusiva competência municipal para promover a desapropriação de áreas urbanas destinadas à habitação popular. c) poderá promover a desapropriação-sanção do terreno, com o pagamento de indenização em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais, por se tratar de terreno situado em região metropolitana. d) poderá editar decreto de desapropriação por interesse social, em benefício do município em que está situado o imóvel, que ficará responsável pelo pagamento da indenização em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até 10 anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. e) deve encaminhar pedido de autorização à Assembleia Legislativa para a desapropriação do terreno, visto que se trata de bem sob domínio municipal. 35.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018 Considere que determinada Municipalidade precise desapropriar um terreno para instalação de um equipamento público. Durante a avaliação pericial da área para identificação do valor do imóvel foi apurado que o terreno apresentava contaminação do solo, decorrente da destinação pelo proprietário para atividades não autorizadas. O ente público expropriante a) poderá desistir da desapropriação, diante do vício de legalidade, cabendo, contudo, indenização em favor do proprietário do terreno, por não ter dado causa à desistência da área, esta que constituiu decisão discricionária do ente. b) deverá necessariamente arcar com os custos de descontaminação, que não podem ser imputados no valor da avaliação, sendo inerentes ao risco da aquisição. c) pode pleitear que a indenização devida ao proprietário da área seja posterior à desapropriação, e não prévia, como usual, em razão da necessidade de ser incluído o custo de descontaminação da área. d) deve desistir da desapropriação, já que o valor estimado da indenização será necessariamente superado em razão do custo de indenização. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 87 93 e) poderá pleitear a dedução do custo de descontaminação do valor da indenização, já que havia responsabilidade do dono do terreno pela observância da legislação ambiental vigente. 36.FCC - AJ TRT6/TRT 6/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018 A instalação de um laboratório de análises clínicas por um Estado da Federação vem encontrando dificuldades na escolha da alternativa de localização disponível. Havendo a definição da melhor região para tanto, a) deverá o Estado licitar a aquisição de um imóvel, indicando as características necessárias para instalar as atividades, não sendo possível, no entanto, especificar a região. b) poderá o Estado desapropriar o imóvel que melhor atenda as necessidades da atividade a ser desenvolvida no local, mediante justa e prévia indenização. c) deverá o Estado adquirir o imóvel onerosamente diretamente de seu proprietário, negócio jurídico que deverá se formalizar contratualmente, mediante vontade das duas partes, vedada expropriação pelo Estado. d) deverá o Estado desapropriar o terreno que melhor atender as características essenciais ao atingimento da finalidade, inexistindo previsão legal para aquisição direta de bens imóveis por entes públicos. e) poderá o Estado comprar o terreno mediante dispensa de licitação, não sendo permitido ao proprietário discutir o preço ou o momento da desocupação. 37.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Técnico Jurídica/Apoio Jurídico/2018 Considere que um Município tenha desapropriado um terreno para implantar um conjunto habitacional para famílias de baixa renda. Decorridos dez anos, o terreno continua desocupado e abandonado, estando sob guarda e vigilância da Municipalidade. Uma vez que a região onde está localizado o terreno sofreu sensível valorização, o que refletiu no valor do imóvel, o Município pretende alienar onerosamente o bem. Para tanto, um requisito indispensável à regularidade dessa alienação é a a) licitação, sob a modalidade concorrência, dispensada avaliação prévia, já que o Município possui o cadastro de valores fiscais dos imóveis. b) realização de avaliação prévia, bastando que tenha sido feita uma vez para o imóvel. c) intimação do expropriado para, querendo, exercer seu direito de preferência para aquisição do imóvel nas mesmas condições que seriam oferecidas ao mercado, sob pena de caracterização de retrocessão. d) obrigatoriedade de colocar o imóvel em licitação, cabendo ao expropriado concorrer com os demais interessados, podendo o mesmo, entretanto, oferecer proposta no valor da indenização que recebeu quando da desapropriação, cabendo à Administração pública a escolha discricionária em relação à opção de maior valor. e) comprovação de que não se trata de bem de uso público, já que somente os bens de uso especial e os dominicais podem ser alienados independentemente de autorização específica. 38.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Apoio Técnico ao Processo Legislativo/Processo Legislativo/2018 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 88 93 Um município viu sua população crescer sensivelmente nos últimos anos e a demanda por atendimento médico superar a capacidade do único hospital municipal em funcionamento na região. Em função disso, a Secretaria de Saúde buscou junto à União recursos para financiar a ampliação da unidade, para oferta de novos leitos, pronto-socorro e Unidade de Terapia Intensiva − UTI. No terreno vizinho ao hospital, funciona um estacionamento que se beneficia justamente do fluxo de pessoas gerado pela unidade de saúde. O proprietário, entretanto, recusa-se a alienar voluntariamente o terreno ao Município, alegando que outro terreno seria mais adequado para tanto. A população pleiteou auxílio dos vereadoreslocais, representantes do povo no Legislativo, o que ensejou a edição de uma lei declarando de utilidade pública o terreno, para fins de desapropriação. A lei editada em razão de iniciativa parlamentar a) é regular e válida, sendo competência do Poder Executivo, no entanto, o ajuizamento da desapropriação, que demandará indenização após a sentença judicial. b) não produz efeitos, na medida em que o Prefeito seria a autoridade competente para expedir decreto de expropriação, cabendo ao Legislativo, no limite, a possibilidade de sugerir a medida ao Executivo. c) depende de sanção do Chefe do Executivo, o que se insere em seu poder regulamentar e decorre do fato de que a desapropriação será ajuizada pela Administração pública. d) pode produzir efeitos, tendo em vista que tal lei pode ser convalidada pelo Executivo e o vício sanado no caso de o expropriado aceitar a desapropriação amigável. e) invade competência exclusiva do Chefe do Executivo, mas é admitida em casos como o narrado, de urgência e notório interesse público, desde que haja concordância do Prefeito. 39.FCC - AJ TRT2/TRT 2/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador Federal/2018 A desapropriação de terrenos para implantação de unidades escolares depende a) de prévia declaração de interesse social, subscrita pelo Chefe do Executivo ou por autoridade a quem este delegar formalmente tal atribuição. b) de concordância do expropriado em relação ao preço ofertado pelo expropriante, em observância ao princípio da justa indenização. c) da existência de imóveis vagos, considerando que há expressa vedação legal para expropriação de imóveis ou terrenos ocupados por pessoas. d) de prévia declaração de utilidade pública, podendo a expropriação ser proposta judicialmente, hipótese em que não é imprescindível a concordância do expropriado em relação ao preço ofertado. e) da comprovação da inexistência de outros imóveis que possam ser aproveitados pela Administração pública para a mesma finalidade, ainda que não preencham todos os requisitos técnicos de adequação e necessidade. 40.FCC - DP RS/DPE RS/2018 No que tange à desapropriação, é correto afirmar: a) A desapropriação por utilidade pública é aquela que decorre de um imperativo irremovível e indispensável, pressupondo-se que sem ela não se pode iniciar, alcançar ou continuar o interesse público. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 89 93 b) A desapropriação por necessidade pública é aquela que se revela necessária para alcançar uma posição conveniente e vantajosa para a Administração Pública. c) Tredestinação ou tresdestinação é a modificação legítima realizada no decorrer do procedimento expropriatório, viabilizada pela supremacia do interesse público, que possibilita a alteração de uma desapropriação por utilidade pública em desapropriação por necessidade pública e vice-versa, caracterizando mero desvio de finalidade genérico. d) O desvio de finalidade genérico possibilita a retrocessão, consequência que não ocorre no desvio de finalidade específico, caso em que poderá ser convalidado o desvio, ressalvados alguns casos previstos em lei, como a desapropriação destinada à implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda. e) Para viabilizar o interesse público na esfera de competência material de todos os entes federativos, a Constituição Federal outorgou competência legislativa concorrente para a União, os Estados e os Municípios. 41.FCC - DP AM/DPE AM/2018 Tendo o Estado desapropriado diversos terrenos para a construção de rodovia, constatou, ao final das obras, a existência de algumas áreas remanescentes que não se mostraram necessárias ou úteis para a instalação de equipamento público, estando, assim, sem destinação específica. Referidos terrenos a) podem ser alienados, mediante prévia autorização legislativa, observado o direito de preempção dos expropriados. b) são considerados bens de uso comum do povo, somente perdendo tal condição mediante destinação por lei específica. c) constituem bens de uso especial, mantendo tal natureza enquanto não atrelados a finalidade específica. d) não possuem natureza de bem público, eis que não afetados a serviço ou atividade específica. e) perdem, após 5 anos sem uso efetivo, a condição de bens indisponíveis, passando ao patrimônio privado. 42.FCC - Proc (PGE AP) /PGE AP/2018 Considere que, visando realizar obras de saneamento básico, o Estado do Amapá edita decreto no qual declara a utilidade pública, para fins de desapropriação, de imóvel residencial urbano habitado pelo respectivo proprietário, em favor da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (CAESA). A referida empresa estatal ajuíza a ação de desapropriação e, na petição inicial, alega urgência e requer a imissão provisória no imóvel expropriando. Nesse caso, a) não deve ser concedida a imissão provisória, visto que a urgência deveria ser previamente declarada no decreto de utilidade pública. b) se houver impugnação pelo expropriado, haverá arbitramento de indenização provisória pelo juiz, que somente autorizará a imissão, se o expropriante complementar o depósito para que este atinja a metade do valor arbitrado. c) não é possível imissão provisória, pois o direito à moradia se sobrepõe à conveniência da Administração Pública. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 90 93 d) deve haver a citação do expropriado antes da decisão sobre a imissão provisória na posse. e) a empresa estatal nunca terá competência para ajuizar ação de desapropriação, que deve ser proposta diretamente pelo ente que emitiu o decreto de utilidade pública. 43.FCC - Proc Mun (Caruaru)/Pref Caruaru/2018 Em relação à desapropriação, é correto afirmar que a) por se tratar de matéria administrativa, compete a cada ente da Federação legislar sobre desapropriação. b) na desapropriação por descumprimento da função social da propriedade rural, de competência dos Estados, o pagamento é feito em títulos da dívida agrária, resgatáveis em até vinte anos, sendo as benfeitorias úteis e necessárias pagas em dinheiro. c) é vedada aos Municípios a realização de desapropriação de imóvel rural. d) a desapropriação é forma derivada de aquisição de propriedade e, por conta disso, se a indenização for paga a terceiro que não proprietário, a desapropriação se torna inválida. e) a desapropriação por utilidade pública deve ser efetivada mediante acordo ou intentada judicialmente, no prazo de cinco anos, contados da data da expedição do decreto. 44.FCC - TJ TRT11/TRT 11/Administrativa/2017 Na ação de desapropriação, a) a transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, ficará sujeita ao imposto de lucro imobiliário. b) é incabível a imissão provisória na posse dos bens. c) a instância interrompe-se no caso de falecimento do réu. d) não serão atendidas, no valor da desapropriação, o valor das benfeitorias necessárias feitas após a desapropriação. e) a contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço. 45.FCC - Ana (DPE RS) /DPE RS/Administração/2017 Necessitando o Poder Público implantar uma importante obra viária, incluindo a construção de uma rodovia para interligação de três municípios, deparou-se com a existência de áreas ocupadas no trajeto, em sua maioria imóveis regularizados. Em razão desse aspecto, o Poder Público a) deve alterar o traçado da rodovia para não atingimento de trechos ocupados, caso esses imóveis tenham características urbanas, sirvam à efetiva residência de seus proprietários e constituam única propriedade dos mesmos. b) pode adquirir todas as propriedades onerosamente, pelo valor que seus proprietários atribuírem e demonstrarem, a fim de que a desocupação seja voluntária, sob pena do emprego de poder de políciapara desocupação, que difere o acordo quanto à precificação dos imóveis. c) pode desapropriar os imóveis, mediante prévia indenização em dinheiro pelo valor de mercado, demonstrado em avaliação técnica, a fim de garantir a adequada equivalência e viabilizar a realocação dos proprietários em outro local. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 91 93 d) deve desapropriar os imóveis, mediante justa e prévia indenização, parte em dinheiro e parte mediante expedição de precatório, mostrando-se inviável qualquer alteração de traçado ou acordo, tendo em vista a importância da obra de infraestrutura e seu cronograma de implantação. e) pode requisitar administrativamente as áreas, diante da urgência e da finalidade da desocupação, apurando-se, na sequência, o valor de mercado dos imóveis e, no caso de discordância entre as partes, recorrendo-se à via judicial. GABARITOS 1. E 2. A 3. C 4. C 5. B 6. E 7. A 8. B 9. C 10. C 11. D 12. C 13. B 14. D 15. D 16. A 17. E 18. A 19. C 20. E 21. C 22. B 23. D 24. B 25. A 26. A 27. A 28. A 29. A 30. B 31. B 32. E 33. A 34. A 35. E 36. B 37. C 38. B 39. D 40. D 41. A 42. B 43. E 44. E 45. C Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 92 93urbanística: Municípios e DF executória todos os entes federativos administração indireta delegatários de serviços públicos Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 11 93 Fases do Procedimento de Desapropriação INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA A doutrina em geral define a desapropriação como sendo um procedimento administrativo. Este procedimento possuirá duas fases: (i) declaratória e (ii) executória. A fase executória, por sua vez, pode se desenrolar na via administrativa ou na via judicial: Adiante iremos detalhar as características destas duas fases. Fase declaratória Na fase declaratória, o poder público irá declarar a existência de utilidade pública, necessidade pública ou interesse social em relação a determinado(s) bem(ns). Outra declaração deve ser feita nesta fase: declaração da finalidade que será dada ao bem após sua desapropriação. Tais declarações podem se exteriorizar na forma de decreto ou ato legislativo de efeitos concretos (lei ou decreto legislativo9). Como exige a expedição de decreto (Poder Executivo) ou de ato legislativo, a fase declaratória será sempre realizada pelo ente federativo (União, Estados, DF ou municípios). Uma vez expedido o decreto (declarando a utilidade, necessidade ou interesse social do bem e a finalidade que será dada ao bem), surgem os seguintes efeitos: ✓ autorização para que autoridades administrativas adentrem nos bens imóveis declarados ✓ início do cômputo do prazo para caducidade do ato ✓ indicação do estado do bem, a fim de que seja fixado o valor da indenização futura Perceba, portanto, que a indenização ao particular é paga apenas na fase seguinte, com a efetivação da desapropriação. 9 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1141 fases do procedimento de desapropriação declaratória executória administrativa judicial Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 12 93 Fase executória Uma vez o imóvel tendo sido declarado como de utilidade pública ou interesse social, terá início a etapa em que se efetivará a transferência da propriedade do bem (e pagamento da indenização). Diferentemente da fase declaratória (que exige expedição de decreto ou ato legislativo), a executória pode ser conduzida pelo próprio ente federativo ou, mediante delegação, por entidades da administração indireta ou por particulares delegatários de serviços públicos. Além disso, esta fase pode ocorrer na via administrativa ou judicial. Ocorrerá na via administrativa quando houver consenso entre o particular e o poder público quanto ao valor da indenização. Portanto, se o particular acatar o valor oferecido pela Administração, o processo irá se extinguir na via administrativa. No entanto, inexistindo consenso a respeito do quantum indenizatório, terá lugar a via judicial. Neste caso, o poder público irá apresentar a ação de desapropriação. Modernamente10, tem-se admitido que as partes optem pela via da arbitragem ou da mediação, como alternativa ao processo judicial. Indenização INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA À exceção da desapropriação confiscatória (cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo), o poder público deverá indenizar o proprietário do bem expropriado. A indenização deverá ser justa e, como regra geral, prévia e em dinheiro11. ➢ Forma de pagamento: dinheiro ou títulos No que diz respeito à forma de pagamento, a regra geral é que as indenizações sejam pagas em dinheiro e previamente. Há, no entanto, duas importantes exceções: a) desapropriação para fins de reforma agrária (CF, art. 184): em relação à “terra nua”, a indenização é paga em títulos da dívida agrária, com clausula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 20 anos, a partir do 2º ano de sua emissão. No que diz respeito às benfeitorias (casas, curral, granjas etc), estas serão indenizadas em dinheiro. 10 A partir da edição da Lei 13.867/2019, que inseriu o art. 10-B ao Decreto-Lei nº 3.365/1941. 11 CF, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 13 93 b) desapropriação para fins urbanísticos (CF, art. 182, §4º, III): a indenização é paga por meio de títulos da dívida pública (com emissão aprovada pelo Senado Federal), com prazo de resgate de até 10 anos, em parcelas iguais e sucessivas, sendo assegurado o valor real da indenização e os juros legais - - - - Por último, friso que a desapropriação confiscatória (CF, art. 243 da CF), como já visto, opera-se sem qualquer indenização ao proprietário. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 14 93 SERVIDÃO ADMINISTRATIVA INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de imóvel para viabilizar a execução de obras e serviços de interesse coletivo1. A servidão irá afastar o uso exclusivo do bem por parte de seu proprietário. A partir da constituição da servidão, o particular perde a exclusividade no uso do bem, passando a compartilhá-la com o poder público. Em outras palavras, o bem privado vai servir ao poder público, em razão de uma necessidade da coletividade de serviços ou obras. Exemplos: instalação de placas em edifícios privados, contendo avisos para a população (como nomes de ruas); colocação de ganchos na fachada de edifícios particulares para sustentar a rede elétrica; instalação de gasoduto em terreno particular. Uma das características marcantes da servidão é sua perpetuidade. Diferentemente da requisição e da ocupação temporária (a seguir estudadas), a regra geral é que a servidão não seja limitada pelo tempo. Enquanto persistir a necessidade do poder público e a utilidade do bem, a servidão subsistirá. ➢ Instituição e Extinção A servidão administrativa pode ser instituída das seguintes formas2: 1 Adaptado a partir de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1122 2 Di Pietro menciona ainda a servidão que decorre diretamente da lei, como a servidão sobre as margens dos rios navegáveis. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 15 93 Em qualquer dos casos, sendo por acordo ou mediante sentença judicial, as servidões devem ser registradas no registro de imóveis para que possam produzir efeitos erga omnes (isto é, todos efeitos sobre todos os indivíduos). A extinção da servidão é hipótese excepcional, na medida em que esta goza de caráter permanente. No entanto, é possível a extinção da servidão em razão do3: (i) desaparecimento do próprio bem, (ii) incorporação do bem ao patrimônio do poder público instituidor da servidão e (iii) perda do interesse do Estado em continuar utilizando o bem. ➢ Indenização Como na servidão há apenas uso de parte da propriedade pelo poder público, não há que se falar, como regra geral, em indenização (diferentemente da desapropriação). Entretanto, se a servidão resultar em prejuízos comprovados ao proprietário (como na servidão que resultar em demolição ou nas servidões que simulam desapropriações4),o poder público seria chamado a indenizar o particular. Tomando por base a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho5, podemos chegar ao seguinte diagrama das principais características da servidão: 3 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 823 4 Op. cit. P. 824 5 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 825 instituição da servidão por acordo 1º imóvel é declarado como sendo de utilidade publica 2º é celebrado acordo entre o proprietário e o poder público sentença judicial 1º imóvel é decarado como sendo de utilidade publica 2º não houve acordo. Então, o poder público ajuiza ação pleiteando o reconhecimento judicial da servidão Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 16 93 se rv id ão a d m in is tr at iv a pressuposto = execução de obras e serviços de interesse coletivo incide sobre bens imóveis caráter definitivo indenização nem sempre é devida é direito real da Administração não é ato autoexecutório. Depende de acordo decisão judicial Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 17 93 REQUISIÇÃO INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA Requisição consiste na intervenção estatal por meio da qual o Estado utiliza bens (móveis ou imóveis) e serviços particulares em caso de perigo público iminente. Esta modalidade de intervenção goza de previsão no próprio texto constitucional (CF, art. 5º, XXV). Estando diante de situação de perigo público iminente, o interesse coletivo irá se sobrepor ao do particular (proprietário do bem ou prestador do serviço), legitimando a requisição administrativa. Portanto, a finalidade da requisição é de “preservar a sociedade contra situações de perigo público iminente”6. Exemplos: determinado município do interior vive situação de calamidade pública decorrente de um furacão, de sorte que as autoridades públicas requisitaram: (i) o avião particular de um empresário da cidade (bem móvel), para levar feridos à capital do Estado; (ii) um estacionamento particular (bem imóvel) para instalação de um posto de inteligência de resgate às vítimas; (iii) serviços médicos de um hospital particular (requisição de serviços)7. ➢ Indenização Além do perigo público iminente, outra característica marcante da requisição também está expressa no dispositivo constitucional transcrito acima: o fato de a indenização ocorrer apenas se a atividade estatal houver causado danos ao particular. Além disso, sendo devida a indenização, ela será paga posteriormente (ou seja, “indenização ulterior”, como previsto no texto constitucional). O prazo prescricional para que o particular requeira tal indenização é de 5 anos, contados do momento que se inicia o efetivo uso do bem pelo poder público8. Se, por outro lado, a utilização do bem alheio decorrente da requisição não causar dano algum ao particular, nenhuma indenização será devida. 6 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 827 7 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 6.7 8 Op. Cit. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 18 93 ➢ Instituição e Extinção Dada a urgência da situação, a requisição não depende de decisão prévia do Poder Judiciário, pois pode ser decretada de imediato. A partir daí, dizemos que a requisição é ato autoexecutório9. Isto não significa que o ato de requisição está imune ao controle judicial! O controle judicial poderá sim ocorrer, mas sempre em momento posterior, discutindo-se, por exemplo, o valor da indenização eventualmente devida ao particular. A requisição é medida de natureza transitória. Logo que se dissipar a situação de perigo público iminente, será extinta a requisição (diferentemente da servidão administrativa). A partir da síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho10, podemos chegar ao seguinte diagrama das principais características da requisição: 9 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 759. 10 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 828 re q u is iç ão pressuposto = perigo público iminente incide sobre bens móveis bens imóveis serviçosé transitória indenização nem sempre é devida se for devida, será ulterior é ato autoexecutório é direito pessoal da Administração Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 19 93 OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA A ocupação temporária consiste na intervenção em que o poder público utiliza bens imóveis particulares, transitoriamente (como o próprio nome diz), como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos11. Exemplos: utilização de escolas, shoppings e clubes para realização das eleições; ocupação de terrenos subjacentes a obras públicas, para colocação de equipamentos. Notem que a principal diferença entre a “ocupação temporária” e a “servidão administrativa” (estudada pouco acima) consiste no fato de esta ser permanente, enquanto a ocupação, temporária. ➢ Indenização Na ocupação temporária, como regra geral, o dever de indenizar também fica condicionado à ocorrência de prejuízo. Portanto, a indenização será devida se, de algum modo, o uso do bem particular acarretar prejuízos ao proprietário. De modo mais detalhado, Carvalho Filho12 destaca a existência de uma exceção, envolvendo a ocupação temporária para obras vinculadas a um processo de desapropriação. Nestes casos, haverá automaticamente dever de indenizar o proprietário do imóvel ocupado temporariamente, com fundamento no “Lei sobre desapropriações por utilidade pública”: DL 3365/1941, art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização. ➢ Instituição e Extinção A instituição se dá mediante ato expedido pela autoridade administrativa, o qual não depende de apreciação judicial prévia. Portanto, assim como na requisição, o ato de ocupação é autoexecutório13. 11 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 829 12 Op. cit. P. 831 13 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1127 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 20 93 A extinção da ocupação, a seu turno, se dá com o fim da execução da obra ou da necessidade relacionada à prestação do serviço público (e.g., fim das eleições ou da construção da rodovia). - - - - Tomando por base novamente a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho14, podemos chegar ao seguinte diagrama das principais características da ocupação temporária: 14 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 832 o cu p aç ão t em p o rá ri a pressuposto = necessidade de realização de obras e serviços públicos normais incide sobre bens imóveis é transitória indenização regra: devida se acarretar prejuízo vinculada à desapropriação: será devida é ato autoexecutório é direito pessoal da Administração Antonio Daud Aula 12 Prefeiturade Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 21 93 LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA As limitações administrativas consistem em medidas que o poder público direciona a particulares, impondo- lhes obrigações de deixar de fazer algo (obrigações negativas) ou obrigações de fazer (obrigações positivas) em relação às suas propriedades privadas. Tais limitações encontram-se previstas em lei e, ao serem impostas aos particulares, manifestam o exercício do poder de polícia pela Administração, buscando conciliar o exercício do direito de propriedade ao bem- estar da coletividade (função social propriedade). Exemplos15: imposição da limpeza de terrenos ou edificação compulsória (busca de salubridade); imposição de restrição de altura dos edifícios, conhecida como “gabarito” (motivos de estética ou de segurança); imposição de “recuos” nas edificações em determinada região. Reparem que as limitações representam situações em que o interesse da coletividade se sobreponha ao dos particulares, tutelando aspectos como segurança, estética, defesa nacional, entre outros. Há duas características importantes que distinguem as limitações administrativas de outras formas de intervenção: (i) sua generalidade e (ii) gratuidade. As limitações consistem em condicionamentos gerais, isto é, dirigidas a proprietários indeterminados – e não a proprietários específicos. Para situações específicas, a intervenção do poder público poderia ser feita por meio de servidão administrativa ou desapropriação. Seu segundo traço marcante consiste na ausência de pagamento de indenização, como regra geral: a limitação, por possuir caráter geral, não requer pagamento de indenização ao proprietário. Tomando por base novamente a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho16, podemos chegar ao seguinte diagrama das principais características das limitações administrativas: 15 Adaptados a partir de DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 6.5., bem como de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 833 16 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 836 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 22 93 lim it aç õ es ad m in is tr at iv as atos de caráter geral legislativos administrativos caráter de definitividade regra: sem indenização (gratuidade) Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 23 93 TOMBAMENTO INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA Tombamento é a forma de intervenção na propriedade em que o poder público busca proteger o patrimônio cultural brasileiro. Tal medida possui o fundamento no Art. 216, § 1º, da CF. Ao promover um tombamento, o poder público busca proteger bens com valor histórico, cultural, turístico, paisagístico etc. Exemplos: tombamento de embarcação Sombra da Lua no recôncavo baiano (bem móvel); tombamento do Museu da Imperial e do Museu da Inconfidência em Minas Gerais (bens imóveis); tombamento da cidade de Olinda/PE (tombamento da cidade inteira). ➢ Indenização A doutrina majoritária17 considera que o tombamento, como regra geral, não gera dever indenizatório ao Poder Público. Isto porque se restringe à obrigação de o proprietário manter o bem dentro de suas características culturais originais – sem causar prejuízo patrimonial ao proprietário. Assim, a indenização existirá somente se o proprietário demonstrar que o tombamento lhe causou prejuízo. 17 A exemplo de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 847; DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico 6.8 Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 24 93 CONCLUSÃO Bem, pessoal, Nesta aula abordamos um assunto que situa-se na fronteira entre o Direito Civil e o Direito Administrativo, exigindo-nos a compreensão de novos conceitos relacionados à propriedade. Atenção especial às características gerais da desapropriação, em suas várias modalidades, e às diferenças entre as diversas formas de intervenção restritiva. Adiante teremos, como de costume, nosso resumo e as questões comentadas relacionadas ao tema da aula de hoje =) Um abraço e bons estudos, Prof. Antonio Daud @professordaud www.facebook.com/professordaud Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 25 93 ==1365fc== RESUMO Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 26 93 Modalidade de Intervenção Pressuposto Objeto Indenização autoexecutoridade Perpetuidade / Temporariedade Servidão Administrativa Execução de obras e serviços de interesse coletivo (perda da exclusividade do bem) Bens imóveis Quando couber Não é autoexecutória. Depende de acordo ou decisão judicial. definitiva Requisição Perigo público iminente Bens móveis e imóveis; serviços Quando couber, será ulterior É autoexecutória transitória Ocupação temporária Apoio à execução de obras e serviços públicos Bens imóveis Quando couber É autoexecutória transitória Limitações administrativas Obrigações impostas aos particulares em relação a suas propriedades (poder de polícia) Bens móveis ou imóveis Não cabe - definitivas Tombamento proteção do patrimônio cultural brasileiro Bens móveis ou imóveis Não cabe (regra) - definitivo desapropriação tredestinação lícita outra destinação, mas com finalidade pública ilícita desapropriação inválida retrocessão tredestinação ilícita ou não utilização do bem antigo proprietário tem preferência desapropriação indireta não podem ser objeto de reivindação. proprietário deve pleitear perdas e danos Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 27 93 QUESTÕES COMENTADAS 1. FGV/TCE GO - 2024 Após os devidos trâmites, com vistas a atender antiga demanda da coletividade, o Estado Delta fez publicar um Decreto expropriatório por interesse social, a fim de viabilizar o estabelecimento e a manutenção de cooperativas de trabalho agrícola, que recai sobre o imóvel rural de Josué. Acerca da mencionada situação hipotética, é correto afirmar que o Estado Delta (A) tem o prazo de cinco anos para ajuizar a respectiva ação de desapropriação. (B) não tem competência para desapropriar imóvel rural. (C) deve promover a justa indenização por meio de títulos da dívida agrária. (D) não poderia realizar a desapropriação para a finalidade social em comento. (E) há de realizar a venda ou a locação dos bens desapropriados a quem estiver em condições de dar-lhes a destinação social prevista no Decreto. Comentário: Questão bem específica sobre a desapropriação por interesse social ordinária, espécie de desapropriação por interesse social que é regulada pela Lei nº 4.132/1962, que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobresua aplicação. No que a Lei nº 4.132/1962 for omissa, se aplica a norma que regula a desapropriação por utilidade pública, no caso, o Decreto-lei nº 3.365/1941: Lei nº 4.132/1962, art. 5º No que esta lei for omissa aplicam-se as normas legais que regulam a desapropriação por unidade pública, inclusive no tocante ao processo e à justa indenização devida ao proprietário. A letra (A) está incorreta, o prazo de caducidade é de dois anos a partir da decretação da medida. Além da efetivação da desapropriação, esse prazo também se aplica às providências de aproveitamento do bem expropriado: Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado. A letra (B) está incorreta, em virtude da omissão na Lei nº 4.132/1962, se aplica o Decreto-lei nº 3.365/1941 que dispõe sobre as desapropriações por utilidade pública. Estabelecendo que podem ser sujeitos ativos da desapropriação por utilidade pública a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios. A letra (C) está incorreta, visto que a indenização em títulos da dívida agrária é voltada para casos de reforma agrária, conforme artigo 184 da Constituição Federal de 1988. Por outro lado, na omissão da Lei nº 4.132/1962, o Decreto-lei nº 3.365/1941 disciplina que o pagamento do preço (das indenizações) será prévio e em dinheiro (art. 32 do Decreto-lei nº 3.365/1941). A letra (D) está incorreta, visto que o estabelecimento de cooperativas de trabalho agrícola é uma das atividades consideradas de interesse social pela Lei nº 4.132/1962: Art. 2º Considera-se de interesse social: [...] Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 28 93 III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola: A letra (E) está correta, a alternativa está de acordo com o disposto no art. 4º da Lei nº 4.132/1962: Art. 4º Os bens desapropriados serão objeto de venda ou locação, a quem estiver em condições de dar-lhes a destinação social prevista. Gabarito (E) 2. FGV/SMF-RJ - Analista de Planejamento e Orçamento – 2023 Em razão do aumento exponencial das chuvas, foi constatado que determinada barragem estava se rompendo, o que colocaria em risco centenas de pessoas residentes no Município Alfa. Por tal razão, o prefeito municipal, tomando por base esse fato, notificou Maria de que um galpão de sua propriedade, situado em local elevado, seria provisoriamente ocupado, determinando, ainda, que os órgãos municipais estruturassem um centro de atendimento médico para possíveis vítimas, e que os veículos de salvamento fossem ali alocados. Ao consultar um advogado a respeito da conformidade constitucional da medida adotada pelo prefeito municipal em relação à sua propriedade, foi corretamente informado a Maria que: A) ela não será indenizada pelo uso do imóvel, apenas por eventuais danos que lhe sejam causadas: B) a medida se mostra ilegal, pois o imóvel somente poderia ser utilizado após prévia e justa indenização em dinheiro, o que não ocorreu; C) a medida se mostra ilegal, considerando não ter sido antecedida de ordem judicial determinando a imissão do Município Alfa na posse; D) a medida se mostra ilegal, pois não foi antecedida de processo administrativo regular já que ela apenas foi notificada de uma decisão já tomada; E) ela fará jus à indenização, em momento posterior, pelas receitas que deixar de arrecadar com o imóvel e pelos danos eventualmente causados em sua propriedade. Comentários: A Letra (A) está correta. O caso hipotético amolda-se ao instituto de intervenção do Estado na propriedade da requisição administrativa. Nesses termos, sendo o narrado no enunciado da questão evidente situação de iminente perigo público, a autoridade poderá usar a propriedade de Maria e deverá indenizá-la posteriormente somente em caso de haver avarias a seus bens. CR, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; A Letra (B) está incorreta. Esta alternativa não se adequa ao enunciado da questão, visto que descreve a desapropriação por necessidade ou utilidade pública e por interesse social, prevista na Constituição e em diplomas próprios: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 29 93 CR, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; A Letra (C) está incorreta. Como mencionado, o art. 5º, inciso XXV, da Constituição, não exige ordem judicial prévia que determine a imissão na posse pelo Município Alfa, somente sendo necessário a presença de iminente perigo público e indenização posterior, caso haja dano. A Letra (D) está incorreta. Novamente, a requisição administrativa não exige a instauração de um processo administrativo regular prévio. Tal conclusão também é possível de se retirar pela presença de iminente perigo público, o que inviabilizaria o processo prévio. Por fim, a Letra (E) está incorreta. O art. 5º, XXV, da CF, não prevê a possibilidade de indenização ao particular pelas receitas que deixar de arrecadar com o imóvel, somente possibilitando-a quanto aos danos eventualmente causados à sua propriedade. Gabarito (A) 3. FCC - ACE (TCE-GO)/TCE GO/Contabilidade/2022 A servidão administrativa difere das demais modalidades de intervenção na propriedade nos seguintes termos: a) da desapropriação, porque impõe sacrifício inerente à condição de administrado, não autorizando, portanto, indenização ao titular da propriedade que a suportar. b) do tombamento, porque a servidão sempre obriga o ente público que a impõe o dever de indenizar o titular da propriedade que a suporta. c) da limitação administrativa, que impõe sacrifício ordinário ao proprietário, enquanto a servidão administrativa pode acarretar restrição à exploração econômica da propriedade, ensejando direito à indenização. d) da desapropriação, porque depende de anuência do proprietário do imóvel para sua imposição, não admitindo imposição mediante poder de império. e) da requisição administrativa, porque esta se impõe apenas sobre parte do imóvel e a servidão acarreta restrição permanente na totalidade do imóvel onde for imposta. Comentários: Questão interessante, que compara servidão às demais intervenções na propriedade privada. A alternativa (A) está incorreta, visto que na servidão não há perda da propriedade, apenas a imposição do ônus de suportar o uso. A alternativa (B), por sua vez, também está incorreta. Lembre-se que na servidão, a indenização só é devida no caso de ulterior dano à propriedade. A alternativa (C) está correta. No caso da servidão administrativa, é possível que haja restrição à exploração econômica da propriedade, em prol do interesse público. Nessa toada, a indenização passa a ser devida. A alternativa (D) também está incorreta, dado que, em ambos os casos, não é necessário a autorização do proprietário para a intervenção estatal. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 30 93 Por fim, a alternativa (E) está incorreta, porque nem sempre a servidão é realizada na totalidade do imóvel restringido. Gabarito (C) 4. FCC - AFTE (SEFAZ PE)/SEFAZ PE/2022 Após tramitação de processo administrativo para apuração do valor histórico e arquitetônico de um prédio pertencente a determinado município, o órgão estadual responsávelpela tutela do patrimônio histórico e artístico estadual editou resolução impondo o tombamento do imóvel, na forma da legislação aplicável à espécie. A medida adotada a) configura abuso de poder, considerando que os bens públicos dos entes públicos são insuscetíveis à intervenção de entes públicos de outras esferas, em especial quando acarretam alteração de titularidade do bem. b) possibilita controle judicial para pleito de anulação e de revogação, sendo possível questionar a suposta relevância histórica e arquitetônica do imóvel que motiva o tombamento. c) não admite controle de mérito, no que se refere à discricionariedade do tombamento, sendo admitido controle de legalidade do procedimento legal de instrução, a exemplo da exigência de trabalhos técnicos e observância do contraditório. d) demandaria autorização legislativa e ciência ao Tribunal de Contas, porque envolve intervenção de ente federado hierarquicamente superior, a fim de obstar abuso de poder econômico. e) atende aos requisitos legais e constitucionais, inexistindo óbice ao tombamento de imóveis públicos pertencentes aos entes de qualquer esfera da federação, vedada indenização, em razão do dever de mútua colaboração. Comentários: Inicialmente, a alternativa (A) está incorreta. Cabe deixar claro que o mero tombamento do imóvel não enseja a troca de sua titularidade, o que traz incorreção da alternativa. No que concerne à alternativa (B), está incorreta. Uma noção básica de repartição de poderes é que o Poder Judiciário, atuando em suas competências finalísticas, não adentra no mérito das decisões da administração. Dessa forma, somente cabe ao Judiciário a anulação nesse caso, o que torna a alternativa incorreta. A alternativa (C) está correta. Perfeito! Conforme citado acima, não é possível adentrar no mérito administrativo da autoridade competente pela execução do ato. Por outro lado, no caso de se tratar de um ato viciado, com uma finalidade comprovadamente não aderente ao interesse público, por exemplo, seria possível a anulação. A alternativa (D), da mesma forma, está incorreta. Trata-se de uma invenção do examinador, os Tribunais de Contas não possuem competência para emitir ciência sobre esses atos, tampouco é necessário autorização legislativa. Dado que o tombamento não muda a titularidade do bem, não há restrição imediata para que esse ato seja realizado em bens de outro ente. Ademais, não há ente federativo superior hierarquicamente a outro, que é mais um erro da assertiva. Por fim, a alternativa (E) está incorreta, visto que há hipóteses em que a indenização é necessária, como no caso de ensejar ônus desproporcional ao ente. Gabarito (C) Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 31 93 5. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022 O Município Alfa, para fins de instalação de poste para viabilizar o serviço de iluminação pública, utilizou, com base no poder de polícia, uma parcela do terreno privado de propriedade de Marcelo. No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na propriedade denominada a) requisição administrativa. b) servidão administrativa. c) limitação administrativa. d) desapropriação indireta. e) tombamento. Comentários: No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na propriedade denominada servidão administrativa, em que se impõe um ônus real sobre ela em favor da Administração Pública, para atender às suas necessidades ou às de interesse público. É o caso da instalação de postes para viabilizar o serviço de iluminação pública em terreno privado, em que o proprietário é obrigado a permitir o uso de uma parcela do seu terreno em benefício do interesse público. Nesse caso, o proprietário continua sendo o dono da propriedade, mas deve suportar as limitações decorrentes da servidão administrativa. Portanto, a alternativa (B) está correta. Gabarito (B) 6. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021 Em matéria de intervenção do Estado na propriedade, a chamada desapropriação especial urbana se dá por interesse social para a política urbana. A desapropriação especial urbana é de competência: A concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa indenização; B concorrente da União, estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa indenização; C concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa indenização; D exclusiva dos municípios, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa indenização; Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 32 93 E exclusiva dos municípios que possuem plano diretor, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e a indenização será feita com pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal. Comentários: A questão delimitou seu objeto mencionando a desapropriação por interesse social. Além disso, embora saibamos que esta modalidade comporte três espécies (para fins de reforma agrária, urbanística e ordinária), o próprio enunciado deixou claro que diz respeito àquela por “interesse social para a política urbana”, o que nos remete à urbanística. O fundamento constitucional para tal espécie de desapropriação está no art. 182 da Magna Carta: CF, art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. CF, art. 182, § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: (..) III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Nesse sentido, podemos concluir que esta espécie expropriatória é de competência dos municípios e, também1, ao Distrito Federal. Relembrando: Espécie de desapropriação por interesse social Competência Reforma agrária União Urbanística Municípios e DF Ordinária União, Estados, Distrito Federal e Municípios Além disso, esta espécie de desapropriação possui as seguintes características: depende da existência de plano diretor (o qual estabelece as exigências de ordenação do município) o imóvel deve estar subutilizado 1 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 33 93 a desapropriação somente poderá ocorrer após: o proprietário descumprir as determinações municipais quanto ao parcelamento, edificação ou utilização compulsórios e passados 5 anos consecutivos da fixação do IPTU progressivo no tempo ao final, o Município poderá desapropriar o imóvel com pagamento em títulos da dívida pública (não agrária)Quanto à alternativa (D), lembro que o pagamento da indenização não necessita ser prévio. Gabarito (E) 7. VUNESP/EBSERH – Advogado – 2020 No tocante ao instituto jurídico da desapropriação, assinale a alternativa correta. a) A desapropriação atinge o caráter perpétuo do direito de propriedade. b) A desapropriação de glebas que contenham culturas ilegais de plantas psicotrópicas dispensa indenização prévia. c) O pagamento de indenização na desapropriação por necessidade pública pode ser feito em títulos da dívida pública. d) Os bens de concessionárias de serviço público não são passíveis de desapropriação. e) O Estado pode desapropriar bem de empresa pública federal afeto a serviço público. Comentários: A letra (A) está correta. A desapropriação implica a perda do direito de propriedade sobre dado imóvel e, segundo José Afonso da Silva, “é limitação que afeta o caráter perpétuo da propriedade”. A letra (B) está incorreta, visto que não cabe indenização neste caso, seja prévia ou posterior (trata-se da desapropriação confisco): Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. A letra (C) está incorreta. A indenização será mediante justa e prévia indenização em dinheiro. Vejamos: Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 34 93 A letra (D) está incorreta, visto inexistir vedação ampla nesse sentido, visto que consistem em bens privados. Aproveito para destacar a existência de correntes doutrinárias, no entanto, que defendem a aplicação, a estes casos, do disposto no art. 2º, §3º, do Decreto-Lei 3.365/1941, o que limitaria a possibilidade de desapropriação nestes casos (sem, contudo, impedir de forma abstrata): Art. 2º, § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e emprêsas cujo funcionamento dependa de autorização do Govêrno Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. A letra (E) está incorreta. A alternativa se contrapõe ao entendimento do STF e de parte da doutrina, a exemplo de Maria Sylvia Zanella Di Pietro: "Impossibilidade de desapropriação pelo Estado de imóvel de sociedade de economia mista federal exploradora de serviço público reservado à União – (...) 5. A Companhia Docas do Rio de Janeiro, sociedade de economia mista federal, incumbida de explorar o serviço portuário em regime de exclusividade, não pode ter bem desapropriado pelo Estado. (...)"( STF. RE 172.816, rel. min. Paulo Brossard, P, j. 9-2-1994, DJ de 13-5-1994.) "Aos bens pertencentes às entidades da administração indireta, aplica-se, por analogia, o artigo 2º do Decreto-lei nº 3.365/41, sempre que se trate de bem afetado a uma finalidade pública. Tais bens, enquanto mantiverem essa afetação, são indisponíveis e não podem ser desafetados por entidade política menor" (Maria Sylvia Zanella Di Pietro, 2002) Gabarito (A) 8. IBFC/TRE-PA - Técnico - 2020 O instituto da requisição tem previsão constitucional e pode ser definido como uma das modalidades de intervenção do Estado na propriedade privada. Nesse sentido, leia abaixo o excerto do artigo 5º, inciso XXV, da CF/88: Art. 5º. Inciso XXV - no caso de _____, a autoridade competente poderá _____ de propriedade particular, assegurada ao proprietário _____ , _____; Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas. a) descumprimento da função social / utilizar bens / indenização proporcional / se houver abuso b) iminente perigo público / usar / indenização ulterior / se houver dano c) descumprimento da função social / usar / indenização prévia / se houver abuso d) iminente perigo público / utilizar bens / indenização prévia / calculados possíveis danos Comentários O item exigiu conhecimento do art. 5º, inciso XXV, da CF, que fundamenta a requisição administrativa, como forma de o Estado intervir na propriedade privada: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 35 93 CF, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; Assim, percebemos que a letra (B) está correta. Gabarito (B) 9. VUNESP – TJRO/2019 As desapropriações necessárias à adequada prestação de serviço público no regime de concessão. a) serão sempre de responsabilidade do Poder Concedente. b) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação, competindo ao Poder Concedente editar o decreto de utilidade pública e arcar com o ônus das indenizações. c) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação, competindo ao Poder Concedente declarar de utilidade pública os bens necessários à prestação do serviço e à concessionária arcar com as indenizações cabíveis. d) serão de responsabilidade da concessionária caso se trate de concessão patrocinada, modelo em que a ela cabe indicar os bens necessários à prestação do serviço, arcando o Poder Público com as indenizações relativas aos bens reversíveis. e) serão sempre de responsabilidade da concessionária, competindo ao Poder Concedente apenas editar o decreto de utilidade pública. Comentários: A letra (a) está incorreta, pois o concessionário poderá promover as desapropriações quando autorizado. O que se veda ao concessionário é a declaração do imóvel como sendo de utilidade pública, por exemplo, para fins de desapropriação (pois é manifestação do poder extroverso do Estado). As letras (b) e (d) estão incorretas. As alternativas se equivocam ao tratar do ônus das indenizações. Conforme dispõe o inciso III do art. 29 da Lei 8.987/1995, no caso de outorga dos poderes para desapropriação ao concessionário, deste também será a responsabilidade pelas indenizações. A letra (c) está correta, de acordo com a redação do inciso III do art. 29 c/c com o inciso Vi do art. 31, ambos da lei 8.987/1995: Art. 29. Incumbe ao poder concedente: III - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; Art. 31. Incumbe à concessionária: Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 36 93 VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato; Por fim, a letra (e) está incorreta. A competência para promover a desapropriação será do concessionário apenas quando houver delegação expressa nesse sentido. Gabarito (C) 10.VUNESP – PGM Rio Preto/2019 A respeito da desapropriação, assinale a alternativa correta. a) A declaração de utilidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação caduca em cinco anos, caso não efetivada a desapropriação nesse período. b) A desapropriação é procedimento de competência privativa do Poder Público e, como tal, nãocomporta a delegação de qualquer de seus atos a agentes privados. c) É facultado ao Poder Público municipal exigir do proprietário do solo urbano não edificado ou subutilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos. d) É facultado ao Poder Público municipal desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária. e) A desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, exige justa e prévia indenização em dinheiro, sem exceções. Comentários: A letra (a) está incorreta, uma vez que o prazo de 5 anos aplica-se apenas para a desapropriação por utilidade/necessidade pública, conforme previsão do art. 10 do decreto-lei 3.365/1941 (que dispõe sobre estas modalidades de desapropriação): Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. Tratando-se de desapropriação por interesse social, o prazo é de 2 anos, nos termos da Lei 4.132/1962 (dispõe sobre a desapropriação por interesse social): Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado. A letra (b) está incorreta. A competência para declarar o bem como sendo de utilidade/necessidade pública ou interesse social para fins de desapropriação (competência declaratória), de fato, cabe apenas ao poder público. No entanto, após tal declaração, será promovida a desapropriação (competência executória), fase que comporta delegação inclusive a particulares delegatários de serviços públicos. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 37 93 A letra (c) está de acordo com o §4º do art. 182 da Constituição Federal, que prevê a desapropriação urbanística por interesse social: Art. 182, § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: A letra (d) está incorreta, pois a desapropriação para fins de reforma agrária é competência da União: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. A letra (e) está incorreta. Apesar de a regra geral consistir, de fato, no pagamento de indenização em dinheiro e de forma prévia, há sim importantes exceções consoante dá a entender o próprio texto constitucional: Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Há situações em que o particular nada receberá (desapropriação confiscatória por culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou trabalho escravo - CF, art. 243) e casos em que a indenização não será em dinheiro, como na desapropriação para fins de reforma agrária (indenização é paga em títulos da dívida agrária – CF, art. 184) e para fins urbanísticos (títulos da dívida pública - art. 182, §4º, III) Gabarito (C) 11.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019 Suponha que o Município de São José dos Campos deseja desapropriar, por razões de utilidade pública, um imóvel localizado na zona urbana da cidade e que pertence a Maria. Após a fase declaratória do procedimento para consumação da desapropriação, iniciou-se a fase executória e o Poder Público ofereceu proposta a Maria, mas ela não concordou. Em face da impossibilidade Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 38 93 do acordo na via administrativa, o Município de São José dos Campos propôs ação judicial de desapropriação em face da proprietária do bem. Visando promover o interesse público, o Poder Público deseja imitir-se provisoriamente na posse do bem ainda no curso do processo judicial. Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que a) a imissão provisória na posse pressupõe urgência e depósito prévio. Cabe ao Município avaliar discricionariamente a urgência na imissão provisória e ao Judiciário analisar o ato que alegou urgência, sendo lícito ao juiz substituir o mérito administrativo. b) após alegar a urgência, que poderá ser renovada pelo tempo necessário, o Poder Público tem o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta dias) para requerer a imissão provisória. c) para que a declaração de urgência com fins de imissão provisória na posse seja considerada como válida, deve ser realizada exclusivamente no próprio decreto expropriatório. d) de acordo com o entendimento do STJ, o depósito judicial do valor simplesmente apurado pelo corpo técnico do ente público, sendo inferior ao valor arbitrado por perito judicial e ao valor cadastral do imóvel, não viabiliza a imissão provisória na posse. e) Maria poderá levantar, independentemente de concordância do Município de São José dos Campos, até 70% (setenta por cento) do depósito efetivado com fins de imissão provisória na posse. Comentários: A letra (a) está incorreta. Primeiramente, sabemos que não cabe ao Poder Judiciário substituir o mérito administrativo. Além disso, quanto à imissão provisória na posse, temos que lembrar que seus requisitos são a (i) alegação de urgência e o (ii) o depósito prévio da quantia arbitrada, não cabendo nem avaliação prévia ou exigência de pagamento integral. A letra (b) está incorreta, visto que a alegação de urgência não poderá ser renovada e a imissão na posse deverá ser requerida em 120 dias, conforme §2º do art. 15 do decreto-lei 3.365/1941: Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo provisoriamente na posse dos bens; § 2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada, obrigará o expropriante a requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias. A letra (c) está incorreta, porquanto não existe tal exigência legal. A letra (d) está correta, pois apresenta redação compatível com o entendimento do STJ2 de que “a imissão provisória em imóvel expropriando somente é possível mediante prévio depósito do valor apurado em avaliação judicial provisória, não havendo de ser substituída por mera avaliação efetuada por entidade particular”. A letra (e) está incorreta, dado que o valor possível de levantamento equivale a 80% do depósito efetivado: 2 A exemplo do STJ, 2ª T., REsp 181407/SP, rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 25/04/2005, p. 256. Antonio Daud Aula 12 Prefeitura de Olinda-PE (Técnico Administrativo) Direito Administrativo - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 39 93 Art. 33. O depósito do preço fixado por sentença, à disposição do juiz da causa, é considerado pagamento prévio da indenização. § 2º O desapropriado, ainda que discorde do preço oferecido, do arbitrado ou do fixado pela sentença, poderá levantar até 80% (oitenta por cento) do depósito feito para o fim previsto neste e no art. 15, observado o processo estabelecido no art. 34.