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Aula 12
Prefeitura de Olinda-PE (Técnico
Administrativo) Direito Administrativo -
2024 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud
27 de Agosto de 2024
39471799600 - Naldira Luiza Vieria
Antonio Daud
Aula 12
Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Introdução; Desapropriação 3
..............................................................................................................................................................................................2) Outras Modalidades de Intervenção. Servidão Administrativa. Requisição. Ocupação Temporária 27
..............................................................................................................................................................................................3) Questões Comentadas - Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Bancas Selecionadas 45
..............................................................................................................................................................................................4) Lista de Questões - Intervenção do Estado na Propriedade Privada - Bancas Selecionadas 92
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INTRODUÇÃO 
Olá amigos! 
Nesta aula estudaremos os instrumentos pelos quais o Estado pode intervir na propriedade 
privada, seja estabelecendo restrições (intervenção restritiva), seja suprimindo a propriedade 
(intervenção supressiva, que é a desapropriação). 
Vamos, primeiramente, comentar algumas noções gerais sobre o tema e, na sequência, abordar 
as principais características de cada um destes instrumentos de intervenção. 
Em frente! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antonio Daud
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NOÇÕES PRELIMINARES 
Quando falamos em “propriedade”, de modo simplificado, nos referimos ao direito que uma 
pessoa (física ou jurídica) possui sobre uma coisa (res)1. Aquele que é proprietário, portanto, dispõe 
do direito de usar, gozar e dispor da coisa, bem como de reavê-la, caso alguém detenha 
injustamente a coisa. 
Modernamente, tem-se entendido que o direito de propriedade não é mais absoluto, como se 
dava na época medieval2. Em razão da necessidade de harmonizar o convívio em sociedade 
(interesse público), há determinadas situações que autorizam o poder público a intervir na 
propriedade dos particulares, com vistas a assegurar que a propriedade atenda a um interesse 
social. 
Esta concepção representa uma evolução das correntes liberais, que marcaram os séculos XVIII e 
XIX, para as quais a propriedade era absolutamente intangível, quando era inconcebível qualquer 
espécie de intervenção proveniente do Estado. 
Ocorre que, a partir do século XX, o liberalismo puro perdeu espaço para o chamado “Estado de 
bem-estar social”, o qual admite a intervenção nas propriedades, em certos casos, com vistas a 
preservar a função social da propriedade. Quando esta intervenção é realizada pelo Estado, 
podemos dizer que ela também se fundamenta na supremacia do interesse público sobre o 
privado. 
Podemos já perceber que as intervenções que o poder público exerce sobre as propriedades dos 
particulares se fundamentam em dois pilares3: (i) na função social da propriedade e (ii) na 
supremacia do interesse público sobre o privado. 
A respeito desta moderna noção da propriedade Di Pietro leciona o seguinte4 
A propriedade, como o mais amplo direito real, que congrega os poderes de usar, gozar e 
dispor da coisa, de forma absoluta, exclusiva e perpétua, bem como o de persegui-la nas 
mãos de quem quer que injustamente a detenha, e cujo desmembramento implica a 
constituição de direitos reais parciais, evoluiu do sentido individual para o social. 
De modo bastante didático, José dos Santos Carvalho Filho5 conclui que: 
 
1 Como a relação de propriedade se dá entre um sujeito e uma coisa (res), dizemos que a propriedade é 
um direito real, em contraponto aos direitos pessoais (que envolvem relação jurídica entre dois 
sujeitos). Além disso, enquanto direito real, a propriedade é oponível contra todos (erga omnes). 
2 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 813 
3 Op. cit. P. 815-816 
4 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 
6.1 
5 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 812 
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O dilema moderno se situa na relação entre o Estado e o indivíduo. Para que possa atender 
aos reclamos globais da sociedade e captar as exigências do interesse público, é preciso 
que o Estado atinja alguns interesses individuais. E a regra que atualmente guia essa 
relação é a da supremacia do interesse público sobre o particular. É, na verdade, esse 
postulado que constitui um dos fundamentos políticos da intervenção do Estado na 
propriedade. 
Assim, pode-se definir a intervenção do Estado na propriedade como sendo “toda e qualquer 
atividade estatal que, amparada em lei, tenha por fim ajustá-la aos inúmeros fatores exigidos pela 
função social a que está condicionada” 6. 
Adiante veremos os principais fundamentos jurídicos que legitimam o Estado a intervir na 
propriedade dos particulares. 
Fundamentos constitucionais 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
Tomando por base o texto constitucional, veremos que, se, por um lado, a Constituição assegura 
o direito de propriedade, por outro deixa claro que ela deve atender à sua função social, 
autorizando o Estado a intervir, nos moldes previstos na legislação. 
Assim, no inciso XXIII do art. 5º, o Constituinte deixa claro que7: 
Art. 5º, XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
Na sequência o Constituinte previu hipóteses em que o Estado poderá intervir na propriedade 
privada, mencionando casos de desapropriação (inciso XXIV) e de requisição (inciso XXV), 
instrumentos que estudaremos mais adiante: 
Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou 
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, 
ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de 
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano 
[vemos aqui o fundamento da requisição administrativa]; 
 
6 Op. Cit. 
7 No mesmo sentido o Código Civil, art. 1.228, § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em 
consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de 
conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio 
ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. 
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Ainda diante do texto constitucional, é possível perceber que a “função social” da propriedade 
urbana tem significado diverso da rural. 
Tratando-se dos imóveis urbanos, o constituinte atribui a função social ao atendimento do plano 
diretor: 
Art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências 
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. 
O mencionadoda Inconfidência em Minas 
Gerais (bens imóveis); tombamento da cidade de Olinda/PE (tombamento da cidade 
inteira). 
 
➢ Espécies 
Quanto à manifestação de vontade, o tombamento pode ser classificado em: 
 
Já quanto à eficácia do ato de tombamento, este poderá ser: 
tombamento
voluntário há consentimento do 
proprietário do bem
compulsório
há resistência ou 
inconformismo por 
parte do proprietário
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➢ Instituição, Efeitos e Extinção 
O tombamento é instituído mediante ato administrativo proveniente do Poder Executivo. Ou seja, 
a lei apenas estabelece regras para a realização do tombamento, o qual dependerá de ato 
concreto do poder público. 
Para tanto, é obrigatória a instauração de processo administrativo, assegurando-se ao proprietário 
o direito ao contraditório e à ampla defesa (o chamado “devido processo legal de tombamento”). 
Em relação a seus efeitos, é forçoso reconhecer que o tombamento acaba por limitar o uso do 
bem por seu proprietário. Por exemplo, é vedado ao titular de bem tombado destruí-lo ou demoli-
lo. A conservação do bem tombado deve seguir suas características originais, de sorte que o 
proprietário, para uma simples pintura do imóvel, dependeria de autorização do poder público24. 
 
Diferentemente do que ocorre na desapropriação, a jurisprudência tem admitido o tombamento 
de bens federais por parte de municípios e estados25, havendo uma mitigação do chamado 
“princípio da hierarquia federativa”. 
- - - - 
 
24 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1.132 
25 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes 
tombamento
provisório
enquanto está em curso 
o processo 
administrativo
definitivo
após concluído o 
processo administrativo; 
ocorre inscrição do bem 
no "livro do tombo'
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A extinção do tombamento, embora incomum, depende de ato que promova seu 
destombamento. Nestes casos, o que acontece é o desaparecimento das razões que levaram à 
sua declaração26. 
 
➢ Indenização 
A doutrina majoritária27 considera que o tombamento, como regra geral, não gera dever 
indenizatório ao Poder Público. Isto porque se restringe à obrigação de o proprietário manter o 
bem dentro de suas características culturais originais – sem causar prejuízo patrimonial ao 
proprietário. 
Assim, a indenização existirá somente se o proprietário demonstrar que o tombamento lhe causou 
prejuízo. 
A este respeito, o mestre Hely Lopes Meirelles28 leciona que 
O tombamento, em princípio, não obriga a indenização, salvo se as condições impostas 
para a conservação do bem acarretam despesas extraordinárias para o proprietário, ou 
resultam na interdição do uso do mesmo bem, ou prejudicam sua normal utilização, 
suprimindo ou depreciando seu valor econômico. Se isto ocorrer é necessária a 
indenização, a ser efetivada amigavelmente ou mediante desapropriação pela entidade 
pública que realizar o tombamento 
 
Para encerrar, destaco os seguintes entendimentos do STJ29 sobre o tombamento: 
1) O ato de tombamento geral não precisa individualizar os bens abarcados pelo tombo, 
pois as restrições impostas pelo Decreto-Lei n. 25/1937 se estendem à totalidade dos 
imóveis pertencentes à área tombada. 
 
26 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 844-845 
27 A exemplo de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 
847; DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. 
Tópico 6.8 
28 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 697-698. 
29 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019 
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3) O tombamento do Plano Piloto de Brasília abrange o seu singular conceito urbanístico 
e paisagístico, que expressa e forma a própria identidade da capital federal. 
 TOMBAMENTO 
 
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==1365fc==
 
 
CONCLUSÃO 
Bem, pessoal, 
Nesta aula abordamos um assunto que situa-se na fronteira entre o Direito Civil e o Direito 
Administrativo, exigindo-nos a compreensão de novos conceitos relacionados à propriedade. 
Atenção especial às características gerais da desapropriação, em suas várias modalidades, e às 
diferenças entre as diversas formas de intervenção restritiva. 
Adiante teremos, como de costume, nosso resumo e as questões comentadas relacionadas ao 
tema da aula de hoje =) 
 
 
Um abraço e bons estudos, 
Prof. Antonio Daud 
 
 
@professordaud 
 
www.facebook.com/professordaud 
 
 
 
 
 
 
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RESUMO 
 
 
 
 
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Modalidade de 
Intervenção 
Pressuposto Objeto Indenização autoexecutoridade 
Perpetuidade / 
Temporariedade 
Servidão 
Administrativa 
Execução de obras 
e serviços de 
interesse coletivo 
(perda da 
exclusividade do 
bem) 
Bens 
imóveis 
Quando 
couber 
Não é 
autoexecutória. 
Depende de 
acordo ou decisão 
judicial. 
definitiva 
Requisição 
Perigo público 
iminente 
Bens 
móveis 
e 
imóveis; 
serviços 
Quando 
couber, 
será ulterior 
É autoexecutória transitória 
Ocupação 
temporária 
Apoio à execução 
de obras e serviços 
públicos 
Bens 
imóveis 
Quando 
couber 
É autoexecutória transitória 
Limitações 
administrativas 
Obrigações 
impostas aos 
particulares em 
relação a suas 
propriedades 
(poder de polícia) 
Bens 
móveis 
ou 
imóveis 
Não cabe - definitivas 
Tombamento 
proteção do 
patrimônio cultural 
brasileiro 
Bens 
móveis 
ou 
imóveis 
Não cabe 
(regra) 
- definitivo 
 
desapropriação
tredestinação
lícita
outra destinação, mas com 
finalidade pública
ilícita desapropriação inválida
retrocessão
tredestinação ilícita ou não 
utilização do bem
antigo proprietário 
tem preferência
desapropriação 
indireta
não podem ser objeto de 
reivindação. proprietário deve 
pleitear perdas e danos
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QUESTÕES COMENTADAS
1. FGV/TCE GO - 2024
Após os devidos trâmites, com vistas a atender antiga demanda da coletividade, o Estado Delta
fez publicar um Decreto expropriatório por interesse social, a fim de viabilizar o estabelecimento
e a manutenção de cooperativas de trabalho agrícola, que recai sobre o imóvel rural de Josué.
Acerca da mencionada situação hipotética, é correto afirmar que o Estado Delta
(A) tem o prazo de cinco anos para ajuizar a respectiva ação de desapropriação.
(B) não tem competência para desapropriar imóvel rural.
(C) deve promover a justa indenização por meio de títulos da dívida agrária.
(D) não poderia realizar a desapropriação para a finalidade social em comento.
(E) há de realizar a venda ou a locação dos bens desapropriados a quem estiver em condições de
dar-lhes a destinação social prevista no Decreto.
Comentário:Questão bem específica sobre a desapropriação por interesse social ordinária, espécie de
desapropriação por interesse social que é regulada pela Lei nº 4.132/1962, que define os casos
de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação. No que a Lei nº 4.132/1962
for omissa, se aplica a norma que regula a desapropriação por utilidade pública, no caso, o
Decreto-lei nº 3.365/1941:
Lei nº 4.132/1962, art. 5º No que esta lei for omissa aplicam-se as normas legais
que regulam a desapropriação por unidade pública, inclusive no tocante ao
processo e à justa indenização devida ao proprietário.
A letra (A) está incorreta, o prazo de caducidade é de dois anos a partir da decretação da
medida. Além da efetivação da desapropriação, esse prazo também se aplica às providências de
aproveitamento do bem expropriado:
Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da
desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e
iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado.
A letra (B) está incorreta, em virtude da omissão na Lei nº 4.132/1962, se aplica o Decreto-lei nº
3.365/1941 que dispõe sobre as desapropriações por utilidade pública. Estabelecendo que
podem ser sujeitos ativos da desapropriação por utilidade pública a União, os Estados, os
Municípios, o Distrito Federal e os Territórios.
A letra (C) está incorreta, visto que a indenização em títulos da dívida agrária é voltada para casos
de reforma agrária, conforme artigo 184 da Constituição Federal de 1988. Por outro lado, na
omissão da Lei nº 4.132/1962, o Decreto-lei nº 3.365/1941 disciplina que o pagamento do preço
(das indenizações) será prévio e em dinheiro (art. 32 do Decreto-lei nº 3.365/1941).
A letra (D) está incorreta, visto que o estabelecimento de cooperativas de trabalho agrícola é
uma das atividades consideradas de interesse social pela Lei nº 4.132/1962:
Art. 2º Considera-se de interesse social: [...]
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III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de
povoamento e trabalho agrícola:
A letra (E) está correta, a alternativa está de acordo com o disposto no art. 4º da Lei nº
4.132/1962:
Art. 4º Os bens desapropriados serão objeto de venda ou locação, a quem
estiver em condições de dar-lhes a destinação social prevista.
Gabarito (E)
2. FGV/SMF-RJ - Analista de Planejamento e Orçamento – 2023
Em razão do aumento exponencial das chuvas, foi constatado que determinada barragem estava
se rompendo, o que colocaria em risco centenas de pessoas residentes no Município Alfa. Por tal
razão, o prefeito municipal, tomando por base esse fato, notificou Maria de que um galpão de
sua propriedade, situado em local elevado, seria provisoriamente ocupado, determinando, ainda,
que os órgãos municipais estruturassem um centro de atendimento médico para possíveis
vítimas, e que os veículos de salvamento fossem ali alocados.
Ao consultar um advogado a respeito da conformidade constitucional da medida adotada pelo
prefeito municipal em relação à sua propriedade, foi corretamente informado a Maria que:
A) ela não será indenizada pelo uso do imóvel, apenas por eventuais danos que lhe sejam
causadas:
B) a medida se mostra ilegal, pois o imóvel somente poderia ser utilizado após prévia e justa
indenização em dinheiro, o que não ocorreu;
C) a medida se mostra ilegal, considerando não ter sido antecedida de ordem judicial
determinando a imissão do Município Alfa na posse;
D) a medida se mostra ilegal, pois não foi antecedida de processo administrativo regular já que
ela apenas foi notificada de uma decisão já tomada;
E) ela fará jus à indenização, em momento posterior, pelas receitas que deixar de arrecadar com o
imóvel e pelos danos eventualmente causados em sua propriedade.
Comentários:
A Letra (A) está correta. O caso hipotético amolda-se ao instituto de intervenção do Estado na
propriedade da requisição administrativa. Nesses termos, sendo o narrado no enunciado da
questão evidente situação de iminente perigo público, a autoridade poderá usar a propriedade
de Maria e deverá indenizá-la posteriormente somente em caso de haver avarias a seus bens.
CR, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano;
A Letra (B) está incorreta. Esta alternativa não se adequa ao enunciado da questão, visto que
descreve a desapropriação por necessidade ou utilidade pública e por interesse social, prevista
na Constituição e em diplomas próprios:
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CR, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
A Letra (C) está incorreta. Como mencionado, o art. 5º, inciso XXV, da Constituição, não exige
ordem judicial prévia que determine a imissão na posse pelo Município Alfa, somente sendo
necessário a presença de iminente perigo público e indenização posterior, caso haja dano.
A Letra (D) está incorreta. Novamente, a requisição administrativa não exige a instauração de um
processo administrativo regular prévio. Tal conclusão também é possível de se retirar pela
presença de iminente perigo público, o que inviabilizaria o processo prévio.
Por fim, a Letra (E) está incorreta. O art. 5º, XXV, da CF, não prevê a possibilidade de indenização
ao particular pelas receitas que deixar de arrecadar com o imóvel, somente possibilitando-a
quanto aos danos eventualmente causados à sua propriedade.
Gabarito (A)
3. FCC - ACE (TCE-GO)/TCE GO/Contabilidade/2022
A servidão administrativa difere das demais modalidades de intervenção na propriedade nos
seguintes termos:
a) da desapropriação, porque impõe sacrifício inerente à condição de administrado, não
autorizando, portanto, indenização ao titular da propriedade que a suportar.
b) do tombamento, porque a servidão sempre obriga o ente público que a impõe o dever de
indenizar o titular da propriedade que a suporta.
c) da limitação administrativa, que impõe sacrifício ordinário ao proprietário, enquanto a servidão
administrativa pode acarretar restrição à exploração econômica da propriedade, ensejando
direito à indenização.
d) da desapropriação, porque depende de anuência do proprietário do imóvel para sua
imposição, não admitindo imposição mediante poder de império.
e) da requisição administrativa, porque esta se impõe apenas sobre parte do imóvel e a servidão
acarreta restrição permanente na totalidade do imóvel onde for imposta.
Comentários:
Questão interessante, que compara servidão às demais intervenções na propriedade privada.
A alternativa (A) está incorreta, visto que na servidão não há perda da propriedade, apenas a
imposição do ônus de suportar o uso.
A alternativa (B), por sua vez, também está incorreta. Lembre-se que na servidão, a indenização
só é devida no caso de ulterior dano à propriedade.
A alternativa (C) está correta. No caso da servidão administrativa, é possível que haja restrição à
exploração econômica da propriedade, em prol do interesse público. Nessa toada, a indenização
passa a ser devida.
A alternativa (D) também está incorreta, dado que, em ambos os casos, não é necessário a
autorização do proprietário para a intervenção estatal.
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Por fim, a alternativa (E) está incorreta, porque nem sempre a servidão é realizada na totalidadedo imóvel restringido.
Gabarito (C)
4. FCC - AFTE (SEFAZ PE)/SEFAZ PE/2022
Após tramitação de processo administrativo para apuração do valor histórico e arquitetônico de
um prédio pertencente a determinado município, o órgão estadual responsável pela tutela do
patrimônio histórico e artístico estadual editou resolução impondo o tombamento do imóvel, na
forma da legislação aplicável à espécie. A medida adotada
a) configura abuso de poder, considerando que os bens públicos dos entes públicos são
insuscetíveis à intervenção de entes públicos de outras esferas, em especial quando acarretam
alteração de titularidade do bem.
b) possibilita controle judicial para pleito de anulação e de revogação, sendo possível questionar
a suposta relevância histórica e arquitetônica do imóvel que motiva o tombamento.
c) não admite controle de mérito, no que se refere à discricionariedade do tombamento, sendo
admitido controle de legalidade do procedimento legal de instrução, a exemplo da exigência de
trabalhos técnicos e observância do contraditório.
d) demandaria autorização legislativa e ciência ao Tribunal de Contas, porque envolve
intervenção de ente federado hierarquicamente superior, a fim de obstar abuso de poder
econômico.
e) atende aos requisitos legais e constitucionais, inexistindo óbice ao tombamento de imóveis
públicos pertencentes aos entes de qualquer esfera da federação, vedada indenização, em razão
do dever de mútua colaboração.
Comentários:
Inicialmente, a alternativa (A) está incorreta. Cabe deixar claro que o mero tombamento do
imóvel não enseja a troca de sua titularidade, o que traz incorreção da alternativa.
No que concerne à alternativa (B), está incorreta. Uma noção básica de repartição de poderes é
que o Poder Judiciário, atuando em suas competências finalísticas, não adentra no mérito das
decisões da administração. Dessa forma, somente cabe ao Judiciário a anulação nesse caso, o
que torna a alternativa incorreta.
A alternativa (C) está correta. Perfeito! Conforme citado acima, não é possível adentrar no mérito
administrativo da autoridade competente pela execução do ato. Por outro lado, no caso de se
tratar de um ato viciado, com uma finalidade comprovadamente não aderente ao interesse
público, por exemplo, seria possível a anulação.
A alternativa (D), da mesma forma, está incorreta. Trata-se de uma invenção do examinador, os
Tribunais de Contas não possuem competência para emitir ciência sobre esses atos, tampouco é
necessário autorização legislativa. Dado que o tombamento não muda a titularidade do bem,
não há restrição imediata para que esse ato seja realizado em bens de outro ente. Ademais, não
há ente federativo superior hierarquicamente a outro, que é mais um erro da assertiva.
Por fim, a alternativa (E) está incorreta, visto que há hipóteses em que a indenização é necessária,
como no caso de ensejar ônus desproporcional ao ente.
Gabarito (C)
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5. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022
O Município Alfa, para fins de instalação de poste para viabilizar o serviço de iluminação pública,
utilizou, com base no poder de polícia, uma parcela do terreno privado de propriedade de
Marcelo. No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na
propriedade denominada
a) requisição administrativa.
b) servidão administrativa.
c) limitação administrativa.
d) desapropriação indireta.
e) tombamento.
Comentários:
No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na propriedade
denominada servidão administrativa, em que se impõe um ônus real sobre ela em favor da
Administração Pública, para atender às suas necessidades ou às de interesse público. É o caso da
instalação de postes para viabilizar o serviço de iluminação pública em terreno privado, em que o
proprietário é obrigado a permitir o uso de uma parcela do seu terreno em benefício do
interesse público.
Nesse caso, o proprietário continua sendo o dono da propriedade, mas deve suportar as
limitações decorrentes da servidão administrativa. Portanto, a alternativa (B) está correta.
Gabarito (B)
6. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021
Em matéria de intervenção do Estado na propriedade, a chamada desapropriação especial
urbana se dá por interesse social para a política urbana. A desapropriação especial urbana é de
competência:
A concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função sancionatória, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de
pagamento de prévia e justa indenização;
B concorrente da União, estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez
que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa
indenização;
C concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa
indenização;
D exclusiva dos municípios, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos
que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa
indenização;
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E exclusiva dos municípios que possuem plano diretor, tem função sancionatória, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e a indenização será feita com
pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal.
Comentários:
A questão delimitou seu objeto mencionando a desapropriação por interesse social. Além disso,
embora saibamos que esta modalidade comporte três espécies (para fins de reforma agrária,
urbanística e ordinária), o próprio enunciado deixou claro que diz respeito àquela por “interesse
social para a política urbana”, o que nos remete à urbanística.
O fundamento constitucional para tal espécie de desapropriação está no art. 182 da Magna
Carta:
CF, art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende
às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
CF, art. 182, § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia
e justa indenização em dinheiro.
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área
incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo
urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: (..)
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de
emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais.
Nesse sentido, podemos concluir que esta espécie expropriatória é de competência dos
municípios e, também1, ao Distrito Federal. Relembrando:
Espécie de desapropriação por
interesse social Competência
Reforma agrária União
Urbanística Municípios e DF
Ordinária União, Estados, Distrito Federal e
Municípios
Além disso, esta espécie de desapropriação possui as seguintes características:
depende da existência de plano diretor (o qual estabelece as exigências de
ordenação do município)
o imóvel deve estar subutilizado
1 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos
Estados e Municípios.
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a desapropriação somente poderá ocorrer após:
o proprietário descumprir as determinaçõesmunicipais quanto ao
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios e
passados 5 anos consecutivos da fixação do IPTU progressivo no tempo
ao final, o Município poderá desapropriar o imóvel com pagamento em títulos
da dívida pública (não agrária)
Quanto à alternativa (D), lembro que o pagamento da indenização não necessita ser prévio.
Gabarito (E)
7. VUNESP/EBSERH – Advogado – 2020
No tocante ao instituto jurídico da desapropriação, assinale a alternativa correta.
a) A desapropriação atinge o caráter perpétuo do direito de propriedade.
b) A desapropriação de glebas que contenham culturas ilegais de plantas psicotrópicas dispensa
indenização prévia.
c) O pagamento de indenização na desapropriação por necessidade pública pode ser feito em
títulos da dívida pública.
d) Os bens de concessionárias de serviço público não são passíveis de desapropriação.
e) O Estado pode desapropriar bem de empresa pública federal afeto a serviço público.
Comentários:
A letra (A) está correta. A desapropriação implica a perda do direito de propriedade sobre dado
imóvel e, segundo José Afonso da Silva, “é limitação que afeta o caráter perpétuo da
propriedade”.
A letra (B) está incorreta, visto que não cabe indenização neste caso, seja prévia ou posterior
(trata-se da desapropriação confisco):
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde
forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de
trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma
agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que
couber, o disposto no art. 5º.
A letra (C) está incorreta. A indenização será mediante justa e prévia indenização em dinheiro.
Vejamos:
Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição.
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A letra (D) está incorreta, visto inexistir vedação ampla nesse sentido, visto que consistem em
bens privados. Aproveito para destacar a existência de correntes doutrinárias, no entanto, que
defendem a aplicação, a estes casos, do disposto no art. 2º, §3º, do Decreto-Lei 3.365/1941, o
que limitaria a possibilidade de desapropriação nestes casos (sem, contudo, impedir de forma
abstrata):
Art. 2º, § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal,
Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de
instituições e emprêsas cujo funcionamento dependa de autorização do Govêrno
Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por
decreto do Presidente da República.
A letra (E) está incorreta. A alternativa se contrapõe ao entendimento do STF e de parte da
doutrina, a exemplo de Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
"Impossibilidade de desapropriação pelo Estado de imóvel de sociedade de
economia mista federal exploradora de serviço público reservado à União – (...) 5.
A Companhia Docas do Rio de Janeiro, sociedade de economia mista federal,
incumbida de explorar o serviço portuário em regime de exclusividade, não pode
ter bem desapropriado pelo Estado. (...)"( STF. RE 172.816, rel. min. Paulo
Brossard, P, j. 9-2-1994, DJ de 13-5-1994.)
"Aos bens pertencentes às entidades da administração indireta, aplica-se, por
analogia, o artigo 2º do Decreto-lei nº 3.365/41, sempre que se trate de bem
afetado a uma finalidade pública. Tais bens, enquanto mantiverem essa afetação,
são indisponíveis e não podem ser desafetados por entidade política menor"
(Maria Sylvia Zanella Di Pietro, 2002)
Gabarito (A)
8. IBFC/TRE-PA - Técnico - 2020
O instituto da requisição tem previsão constitucional e pode ser definido como uma das
modalidades de intervenção do Estado na propriedade privada. Nesse sentido, leia abaixo o
excerto do artigo 5º, inciso XXV, da CF/88: Art. 5º. Inciso XXV - no caso de _____, a autoridade
competente poderá _____ de propriedade particular, assegurada ao proprietário _____ , _____;
Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
a) descumprimento da função social / utilizar bens / indenização proporcional / se houver abuso
b) iminente perigo público / usar / indenização ulterior / se houver dano
c) descumprimento da função social / usar / indenização prévia / se houver abuso
d) iminente perigo público / utilizar bens / indenização prévia / calculados possíveis danos
Comentários
O item exigiu conhecimento do art. 5º, inciso XXV, da CF, que fundamenta a requisição
administrativa, como forma de o Estado intervir na propriedade privada:
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CF, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano;
Assim, percebemos que a letra (B) está correta.
Gabarito (B)
9. VUNESP – TJRO/2019
As desapropriações necessárias à adequada prestação de serviço público no regime de
concessão.
a) serão sempre de responsabilidade do Poder Concedente.
b) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação,
competindo ao Poder Concedente editar o decreto de utilidade pública e arcar com o ônus das
indenizações.
c) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação,
competindo ao Poder Concedente declarar de utilidade pública os bens necessários à prestação
do serviço e à concessionária arcar com as indenizações cabíveis.
d) serão de responsabilidade da concessionária caso se trate de concessão patrocinada, modelo
em que a ela cabe indicar os bens necessários à prestação do serviço, arcando o Poder Público
com as indenizações relativas aos bens reversíveis.
e) serão sempre de responsabilidade da concessionária, competindo ao Poder Concedente
apenas editar o decreto de utilidade pública.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois o concessionário poderá promover as desapropriações quando
autorizado. O que se veda ao concessionário é a declaração do imóvel como sendo de utilidade
pública, por exemplo, para fins de desapropriação (pois é manifestação do poder extroverso do
Estado).
As letras (b) e (d) estão incorretas. As alternativas se equivocam ao tratar do ônus das
indenizações. Conforme dispõe o inciso III do art. 29 da Lei 8.987/1995, no caso de outorga dos
poderes para desapropriação ao concessionário, deste também será a responsabilidade pelas
indenizações.
A letra (c) está correta, de acordo com a redação do inciso III do art. 29 c/c com o inciso Vi do art.
31, ambos da lei 8.987/1995:
Art. 29. Incumbe ao poder concedente:
III - declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou
obra pública, promovendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga
de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas
indenizações cabíveis;
Art. 31. Incumbe à concessionária:
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VI - promover as desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo poder
concedente, conforme previsto no edital e no contrato;
Por fim, a letra (e) está incorreta. A competência para promover a desapropriação será do
concessionário apenas quando houver delegação expressa nesse sentido.
Gabarito (C)
10.VUNESP – PGM Rio Preto/2019
A respeito da desapropriação, assinale a alternativa correta.a) A declaração de utilidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação caduca
em cinco anos, caso não efetivada a desapropriação nesse período.
b) A desapropriação é procedimento de competência privativa do Poder Público e, como tal, não
comporta a delegação de qualquer de seus atos a agentes privados.
c) É facultado ao Poder Público municipal exigir do proprietário do solo urbano não edificado ou
subutilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de desapropriação com
pagamento mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos.
d) É facultado ao Poder Público municipal desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa
indenização em títulos da dívida agrária.
e) A desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, exige justa e
prévia indenização em dinheiro, sem exceções.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, uma vez que o prazo de 5 anos aplica-se apenas para a desapropriação
por utilidade/necessidade pública, conforme previsão do art. 10 do decreto-lei 3.365/1941 (que
dispõe sobre estas modalidades de desapropriação):
Art. 10.  A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do
respectivo decreto e findos os quais este caducará.
Tratando-se de desapropriação por interesse social, o prazo é de 2 anos, nos termos da Lei
4.132/1962 (dispõe sobre a desapropriação por interesse social):
Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da
desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e
iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado.
A letra (b) está incorreta. A competência para declarar o bem como sendo de
utilidade/necessidade pública ou interesse social para fins de desapropriação (competência
declaratória), de fato, cabe apenas ao poder público. No entanto, após tal declaração, será
promovida a desapropriação (competência executória), fase que comporta delegação inclusive a
particulares delegatários de serviços públicos.
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A letra (c) está de acordo com o §4º do art. 182 da Constituição Federal, que prevê a
desapropriação urbanística por interesse social:
Art. 182, § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica
para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que
promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
A letra (d) está incorreta, pois a desapropriação para fins de reforma agrária é competência da
União:
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante
prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
A letra (e) está incorreta. Apesar de a regra geral consistir, de fato, no pagamento de indenização
em dinheiro e de forma prévia, há sim importantes exceções consoante dá a entender o próprio
texto constitucional:
Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
Há situações em que o particular nada receberá (desapropriação confiscatória por culturas ilegais
de plantas psicotrópicas ou trabalho escravo - CF, art. 243) e casos em que a indenização não
será em dinheiro, como na desapropriação para fins de reforma agrária (indenização é paga em
títulos da dívida agrária – CF, art. 184) e para fins urbanísticos (títulos da dívida pública - art. 182,
§4º, III)
Gabarito (C)
11.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019
Suponha que o Município de São José dos Campos deseja desapropriar, por razões de utilidade
pública, um imóvel localizado na zona urbana da cidade e que pertence a Maria. Após a fase
declaratória do procedimento para consumação da desapropriação, iniciou-se a fase executória e
o Poder Público ofereceu proposta a Maria, mas ela não concordou. Em face da impossibilidade
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do acordo na via administrativa, o Município de São José dos Campos propôs ação judicial de
desapropriação em face da proprietária do bem. Visando promover o interesse público, o Poder
Público deseja imitir-se provisoriamente na posse do bem ainda no curso do processo judicial.
Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que
a) a imissão provisória na posse pressupõe urgência e depósito prévio. Cabe ao Município avaliar
discricionariamente a urgência na imissão provisória e ao Judiciário analisar o ato que alegou
urgência, sendo lícito ao juiz substituir o mérito administrativo.
b) após alegar a urgência, que poderá ser renovada pelo tempo necessário, o Poder Público tem
o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta dias) para requerer a imissão provisória.
c) para que a declaração de urgência com fins de imissão provisória na posse seja considerada
como válida, deve ser realizada exclusivamente no próprio decreto expropriatório.
d) de acordo com o entendimento do STJ, o depósito judicial do valor simplesmente apurado
pelo corpo técnico do ente público, sendo inferior ao valor arbitrado por perito judicial e ao valor
cadastral do imóvel, não viabiliza a imissão provisória na posse.
e) Maria poderá levantar, independentemente de concordância do Município de São José dos
Campos, até 70% (setenta por cento) do depósito efetivado com fins de imissão provisória na
posse.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Primeiramente, sabemos que não cabe ao Poder Judiciário substituir o
mérito administrativo. Além disso, quanto à imissão provisória na posse, temos que lembrar que
seus requisitos são a (i) alegação de urgência e o (ii) o depósito prévio da quantia arbitrada, não
cabendo nem avaliação prévia ou exigência de pagamento integral.
A letra (b) está incorreta, visto que a alegação de urgência não poderá ser renovada e a imissão
na posse deverá ser requerida em 120 dias, conforme §2º do art. 15 do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de
conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo
provisoriamente na posse dos bens;
§ 2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada, obrigará o
expropriante a requerer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de
120 (cento e vinte) dias.
A letra (c) está incorreta, porquanto não existe tal exigência legal.
A letra (d) está correta, pois apresenta redação compatível com o entendimento do STJ2 de que
“a imissão provisória em imóvel expropriando somente é possível mediante prévio depósito do
valor apurado em avaliação judicial provisória, não havendo de ser substituída por mera avaliação
efetuada por entidade particular”.
A letra (e) está incorreta, dado que o valor possível de levantamento equivale a 80% do depósito
efetivado:
2 A exemplo do STJ, 2ª T., REsp 181407/SP, rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 25/04/2005, p. 256.
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Art. 33.  O depósito do preço fixado por sentença, à disposição do juiz da causa,
é considerado pagamento prévio da indenização.§ 2º O desapropriado, ainda que discorde do preço oferecido, do arbitrado ou
do fixado pela sentença, poderá levantar até 80% (oitenta por cento) do depósito
feito para o fim previsto neste e no art. 15, observado o processo estabelecido no
art. 34.
Gabarito (D)
12.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019
A respeito da Requisição, Servidão Administrativa e Tombamento, assinale a alternativa correta.
a) As servidões administrativas podem incidir sobre bens imóveis, móveis e direitos.
b) As requisições administrativas incidem sobre bens móveis ou serviços de particulares, não
podendo incidir sobre bens imóveis.
c) De acordo com o STJ, como não há dispositivo expresso proibindo a hierarquização para o
tombamento, os municípios podem tombar bens públicos estaduais.
d) O tombamento pode ser voluntário ou compulsório, mas não pode ser instituído de ofício.
e) O tombamento geral ou global depende da individualização de todos os bens no ato do
tombamento e exige a prévia notificação de cada proprietário, de acordo com o STJ.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois a servidão Administrativa incide apenas sobre bens imóveis:
A letra (b) está incorreta. Ao contrário do que afirma a alternativa, as requisições administrativas
também podem incidir sobre bens imóveis (além de bens móveis e serviços).
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A letra (c) está correta. Diferentemente do que ocorre na desapropriação, a jurisprudência tem
admitido o tombamento de bens federais por parte de municípios e estados3 e de bens estaduais
por parte de municípios, havendo uma mitigação do chamado “princípio da hierarquia
federativa”. Nesse sentido, vejam o seguinte julgado do STJ:
ADMINISTRATIVO – TOMBAMENTO – COMPETÊNCIA MUNICIPAL. 1. A
Constituição Federal de 88 outorga a todas as pessoas jurídicas de Direito
Público a competência para o tombamento de bens de valor histórico e artístico
nacional. 2. Tombar significa preservar, acautelar, preservar, sem que importe o
ato em transferência da propriedade, como ocorre na desapropriação. 3. O
Município, por competência constitucional comum – art. 23, III –, deve proteger
os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos. 4. Como o
tombamento não implica em transferência da propriedade, inexiste a limitação
constante no art. 1º, § 2º, do DL 3.365/1941, que proíbe o Município de
desapropriar bem do Estado. 5. Recurso improvido.
(STJ - RMS: 18952 RJ 2004/0130728-5, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data
de Julgamento: 26/04/2005, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: --> DJ
30/05/2005 p. 266 RDR vol. 32 p. 204)
A letra (d) está incorreta, pois há possibilidade de tombamento de ofício, no caso de bens
públicos. Essa modalidade está prevista no art. 5º do Decreto-Lei 25/1937:
Art. 5º O tombamento dos bens pertencentes à União, aos Estados e aos
Municípios se fará de ofício, por ordem do diretor do Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional, mas deverá ser notificado à entidade a quem
pertencer, ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada, afim de produzir os
necessários efeitos.
A letra (e) está dissonante do entendimento do STJ4 sobre o tombamento:
1) O ato de tombamento geral não precisa individualizar os bens abarcados pelo
tombo, pois as restrições impostas pelo Decreto-Lei n. 25/1937 se estendem à
totalidade dos imóveis pertencentes à área tombada.
Gabarito (C)
13.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC GO) /PC GO/2017
Um policial andava pela rua quando presenciou um assalto. Ao ver o assaltante fugir, o policial
parou um carro, identificou-se ao motorista, entrou no carro e pediu que ele perseguisse o
criminoso.
Nessa situação, conforme a CF e a doutrina pertinente, tem-se um exemplo típico da
modalidade de intervenção do Estado na propriedade privada denominada
a) limitação administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste.
4 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019
3 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes
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b) requisição administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste.
c) desapropriação, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao
bem deste.
d) servidão administrativa, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de
dano ao bem deste.
e) ocupação temporária, não cabendo indenização ao proprietário, mesmo que haja dano ao
bem deste.
Comentários:
Questão sem grandes dificuldades, que ilustra situação de cabimento da requisição do bem
móvel (veículo) e dos serviços do particular (dirigir o veículo), dada a existência de perigo público
iminente (criminoso em fuga), assim prevista no texto constitucional:
CF, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano;
Com efeito, nosso gabarito está na letra (b) está correta.
Passemos às incorretas! A letra (a) está incorreta. Hely Lopes conceitua limitação administrativa
como sendo “toda imposição geral, gratuita, unilateral e de ordem pública condicionadora do
exercício de direito ou de atividade particulares às exigências do bem-estar social”5 (imposição
de recuos e normas de gabaritos às edificações).
A letra (c) está incorreta. A desapropriação deve ser precedida de procedimento próprio,
incompatível com a situação de urgência narrada. Ademais, a alternativa erra ao afirmar que não
cabe indenização ao proprietário.
A letra (d) está incorreta. A alternativa erra quanto o instituto, pois não se aplica a servidão
administrativa. Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de imóvel
para viabilizar a execução de obras e serviços de interesse coletivo, afastando o uso exclusivo do
bem por parte de seu proprietário. A alternativa equivoca-se também no tocante a indenização,
na servidão, que será devida caso haja prejuízo.
A letra (e) está incorreta, uma vez que a ocupação temporária é destinada a bens imóveis,
podendo ser gratuita ou remunerada.
Gabarito (B)
14.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PJC MT) /PJC MT/2017
Enquanto uma rodovia municipal era reformada, o município responsável utilizou, como meio de
apoio à execução das obras, parte de um terreno de particular.
Nessa hipótese, houve o que se denomina
a) servidão administrativa.
b) limitação administrativa.
5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 762.
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c) intervenção administrativa supressiva.
d) ocupação temporária.
e) requisição administrativa.
Comentários:
O enunciado da questão deixou muito claro que bem imóvel particular foi utilizado “como meio
de apoio à execução das obras”, o que nos remete ao instrumento da ocupação temporária. Ao
final da reforma da rodovia, a posse do bem será restituída ao particular (caracterizando sua
natureza temporária).
Relembrando:
Gabarito (D)
15.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJBA/TJ BA/2019
O Estado, no exercício do poder de polícia, pode restringir o uso da propriedade particular por
meio de obrigações de caráter geral, com base na segurança, na salubridade, na estética, ou em
outro fim público, o que, em regra, não é indenizável. Essa forma de exercício do poder de
polícia pelo Estado corresponde a
a) uma servidão administrativa.
b) uma ocupação temporária.
c) uma requisição.
d) uma limitação administrativa.
e) um tombamento.
Comentários:Antonio Daud
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O enunciado menciona características de limitação administrativa, em razão da:
- restrição no uso de propriedade
- obrigações de caráter geral
- gratuidade (não indenizável)
A propósito, os termos do enunciado muito se assemelham às lições de Di Pietro6, ao mencionar
que
O interesse público a que atende a limitação pode referir-se à segurança, à
salubridade, à estética, à defesa nacional ou qualquer outro fim em que o
interesse da coletividade se sobreponha ao dos particulares.
Assim, a letra (d) está correta.
Gabarito (D)
16.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC MA) /PC MA/2018
A seguir são apresentadas ações realizadas pelo Estado.
I Alocação provisória de determinadas máquinas e equipamentos utilizados em execução de obra
pública em propriedade privada desocupada.
II Instalação de redes elétricas em determinada propriedade privada para fins de execução de
serviço público.
III Determinação de ordem urbanística de proibição de construção além de determinada altura
em região do município.
As hipóteses apresentadas correspondem, respectivamente, às seguintes modalidades de
intervenção do Estado na propriedade
a) ocupação temporária, servidão administrativa e limitação administrativa.
b) requisição administrativa, servidão administrativa e ocupação temporária.
c) requisição administrativa, ocupação temporária e limitação administrativa.
d) servidão administrativa, requisição administrativa e limitação administrativa.
e) ocupação temporária, limitação administrativa e servidão administrativa.
Comentários:
Vamos aqui nos socorrer de uma tabela:
Alocação provisória de determinadas
máquinas e equipamentos utilizados em
execução de obra pública em propriedade
privada desocupada.
Ocupação provisória (as máquinas e
equipamentos da obra ficam no terreno
privado desocupado)
6 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico
6.5
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110
Instalação de redes elétricas em determinada
propriedade privada para fins de execução de serviço
público.
Servidão administrativa (perda da exclusividade do
bem)
Determinação de ordem urbanística de proibição de
construção além de determinada altura em região do
município
Limitação administrativa (caráter geral)
Gabarito (A)
17.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJCE/TJ CE/2018
Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre determinado
bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter
a) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do
proprietário, ainda que não seja demonstrada a efetiva redução do valor econômico do bem em
função da referida limitação.
b) geral e condição inerente ao exercício do direito de propriedade, inexistindo hipóteses de
indenização.
c) geral, mas que pode dar ensejo a indenização em favor do proprietário na hipótese de a
limitação causar redução do valor econômico do bem, independentemente do momento em que
tenha sido instituída a restrição.
d) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do
proprietário, desde que a aquisição do bem tenha ocorrido anteriormente à instituição da
restrição.
e) geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a
limitação causar redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido
anteriormente à instituição da restrição.
Comentários:
A limitação administrativa possui caráter geral, na medida em que é dirigida a propriedades
indeterminadas. Além disso, como regra, a imposição de limitação não enseja ao proprietário o
direito a indenização.
No entanto, em alguns casos ela pode vir a se tornar determinável, o que, resultando em redução
econômica do valor do bem, poderá gerar o direito à indenização. Nesse sentido, o STJ7 tem
entendido que a indenização em razão da limitação somente será cabível se (i) ficar demonstrado
o prejuízo e (ii) a limitação for imposta após a aquisição do bem pelo particular.
Gabarito (E)
18.CEBRASPE (CEBRASPE) - JF TRF5/TRF 5/2017
Em cada uma das opções a seguir é apresentada uma situação hipotética acerca das formas de
intervenção do Estado na propriedade, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção
correspondente à assertiva correta.
7 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019
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==1365fc==
a) O comprador de um imóvel com restrição pretende ser indenizado por ter sofrido limitação
administrativa preexistente constante em nota non aedificandi — proibição de construir —
referente a parte do imóvel, em razão de normas ambientais. Nesse caso, é indevida a
indenização pretendida, pois não há perda da propriedade, mas apenas restrições de uso.
b) Um imóvel de propriedade privada situado às margens de um rio navegável que atravessa
todo o estado foi objeto de decreto expropriatório. Nessa situação, é devida ao proprietário a
indenização de toda a propriedade, incluindo-se a área situada às margens do rio.
c) Uma propriedade particular foi objeto de decreto expropriatório para a construção de um
parque público no local. No entanto, o desabamento de uma escola pública situada em área de
risco levou o estado a construir emergencialmente uma escola na referida propriedade. Nessa
situação, o particular cujo bem foi expropriado poderá utilizar-se da retrocessão para readquirir a
sua propriedade, considerando-se a alteração da finalidade do decreto expropriatório.
d) Decreto do presidente da República instituiu estado de defesa em determinado estado da
Federação, em razão de fortes chuvas que causaram destruição e fizeram muitos habitantes
desabrigados em determinada região. Em virtude do decreto, foi possível a ocupação temporária
de uma propriedade privada próxima ao local mais afetado. Nessa situação, considerando-se a
relevância do interesse público e a urgência da situação, a União não responderá pelos custos
decorrentes da ocupação temporária.
e) Um imóvel de propriedade da União situa-se no centro histórico de um município e conserva
todas as características históricas e arquitetônicas da época colonial. Nesse caso, o município é
impedido de efetuar o tombamento desse imóvel, pois, apesar de se tratar de hipótese de
exercício de competência concorrente, incide o princípio da hierarquia federativa.
Comentários:
A letra (a) está correta. Segundo entendimento do STJ, é indevida a indenização se o imóvel foi
adquirido após o implemento da limitação administrativa, pois é presumido que as restrições já
foram consideradas no preço. Lado outro, a justificativa apresentada pela alternativa, de que não
há direito a indenização uma vez que não há perda da propriedade, mas apenas limitação,
encontra respaldo no art. 1.299 do Código Civil:
Art. 1.299. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos
vizinhos e os regulamentos administrativos.
A letra (b) está incorreta, uma vez que na indenização não se incluirá as margens do rio, na
medida em que tais margens não são de propriedade do particular, nos termos da súmula 479 do
STF:
As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo,
excluídas de indenização.
A letra (c) está incorreta. A jurisprudência tem entendido que não há retrocessão no caso, uma
vez que a destinação de bem continua a atender o interesse público, sendo caso de
tredestinação lícita.
A letra (d) está incorreta, visto quea União responderá também pelos custos decorrentes, nos
termos do inciso II do §1º do art. 136 da Constituição Federal:
CF, art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e
o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou
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prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou
a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou
atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.
§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua
duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites
da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes:
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de
calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes.
A letra (e) está incorreta. Diferentemente do que ocorre na desapropriação, a jurisprudência tem
admitido o tombamento de bens federais por parte de municípios e estados8, havendo uma
mitigação do chamado “princípio da hierarquia federativa”.
Gabarito (A)
19.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018
A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato
expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no
local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a
previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém,
nada foi feito e a edificação permaneceu fechada.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
Ocorreu, no caso do primeiro imóvel, a tredestinação lícita.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
Ocorre a tredestinação lícita na situação em que o imóvel desapropriado, embora não tenha sido
dada a destinação prevista no decreto de desapropriação, é dada outra destinação também com
finalidade pública. Assim, não resta descaracterizado o interesse público pretendido.
Gabarito (C)
20.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018
A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato
expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no
local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a
previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém,
nada foi feito e a edificação permaneceu fechada.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
8 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes
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Na situação relacionada ao segundo imóvel, o particular que teve seu bem desapropriado poderá
pleitear somente revisão do valor da indenização.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
Em relação ao segundo imóvel, nota-se que não houve destinação pública para o bem, não
havendo que se falar em tredestinação ilícita (que ensejaria o retorno do bem ao particular ou a
respectiva indenização) ou tredestinação lícita (que não afetaria a desapropriação realizada).
Neste caso, houve a não destinação do bem, aplicando-se o disposto no art. 519 do CCB, que
assegura ao antigo proprietário a preferência pela sua aquisição, pelo seu preço atual:
CCB, art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade
pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou
não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de
preferência, pelo preço atual da coisa.
Gabarito (E)
21.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJPR/TJ PR/2017
Assinale a opção correta a respeito da desapropriação indireta.
a) Se a administração conferir destinação pública a determinado bem, o particular prejudicado
poderá recorrer a ações possessórias, reivindicatórias e indenizatórias.
b) O juízo competente para processar e julgar a desapropriação indireta é o do foro de situação
do bem.
c) A afetação do bem particular a um fim público constitui forma de transferência da propriedade.
d) Por observar o devido processo legal, a desapropriação indireta é instituto amplamente
praticado e permitido pela legislação brasileira.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. O entendimento da jurisprudência é pela aplicação do art. 35 do
decreto-lei 3.365/1941, uma vez que a já houve a incorporação ao patrimônio público sem
qualquer oposição (desapropriação indireta). Assim, o particular poderá recorrer apenas as ações
indenizatórias.
Art. 35.  Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo
de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas
e danos.
A letra (b) está correta. Apesar de se referir a uma regra do direito processual, destaco que a
ação seguirá a regra referente às ações relacionadas a bens imóveis, ou seja, o foro de situação
do bem.
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A letra (c) está incorreta. A afetação diz respeito à destinação que é dada ao bem. Assim, mesmo
se o poder público utilizar o bem no interesse público, a transferência da propriedade requer o
cumprimento de determinadas formalidades legais.
A letra (d) está incorreta, pois a desapropriação indireta não é instituto amplamente utilizado e
permitido pela legislação. Celso Antônio Bandeira de Mello diz que a desapropriação indireta “é
a designação dada ao abusivo e irregular apossamento do imóvel particular pelo Poder Público,
com sua consequente integração no patrimônio público, sem obediência às formalidades e
cautelas do procedimento expropriatório.”9
Gabarito (B)
22.CEBRASPE (CEBRASPE) - PJ (MPE RR) /MPE RR/2017
Concluído determinado processo de desapropriação, com o pagamento integral do valor e a
incorporação do bem ao patrimônio do poder público, este decidiu devolver o bem expropriado
ao antigo dono, por não lhe ter sido atribuída a destinação prevista no decreto expropriatório
nem qualquer outra destinação pública.
Essa reversão do procedimento expropriatório é denominada
a) tredestinação lícita.
b) desapropriação indireta.
c) desistência da desapropriação.
d) retrocessão.
Comentários:
Nosso gabarito está na letra (d), que menciona a retrocessão. Hely Lopes Meirelles leciona que a
retrocessão “é a obrigação que se impõe ao expropriante de oferecer o bem ao expropriado,
mediante a devolução do valor da indenização, quando não lhe der o destino declarado no ato
expropriatório”10.
No direito brasileiro a retrocessão está prevista no art. 519 do Código Civil:
Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for
utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de
preferência, pelo preço atual da coisa.
Passemos às incorretas!
A letra (a) está incorreta, uma vez que na tredestinação lícita a Administração Pública apenas
substitui a destinação do bem, mantendo, entretanto, sua finalidade pública.
A letra (b) está incorreta. A desapropriação indireta equivale a um fato expropriatório irregular
pelo Poder Público. Celso Antônio Bandeira de Mello nos ensina que “é a designação dada ao
10 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 753.
9 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros,
2010. p. 890.
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abusivo e irregular apossamento do imóvel particular pelo Poder Público, com sua consequente
integração no patrimônio público, sem obediência às formalidades e cautelas do procedimento
expropriatório.”11
Por fim, a letra (c) está incorreta, pois a desistência da desapropriação deve ocorrer antes do
pagamento da indenização. Neste caso, o bem ainda não terá sido incorporado ao patrimônio
público e a Administração tem o direito de desistir. Frisa-se que, nos casos em que o pagamento
pela expropriação do bem já tenha sido realizado não caberá a desistência, devendo ser realizada
por meio de retrocessão.
Gabarito (D)
23.CEBRASPE (CEBRASPE) - Proc Mun (BH)/Pref BH/2017
Com relação à intervenção do Estado na propriedade, assinale a opção correta.
a) Compete à União, aos estados e ao DF legislar, de forma concorrente, sobre desapropriação,
estando a competência da União limitada ao estabelecimento de normas gerais.
b) Expropriação ou confisco consiste na supressão punitiva de propriedade privada pelo Estado,
a qual dispensa pagamento de indenização e incide sobre propriedade urbana ou rural onde haja
cultura ilegal de psicotrópico ou ocorra exploração de trabalho escravo.
c) Servidão administrativa é a modalidade de intervenção que impõe obrigações de caráter geral
a proprietários indeterminados, em benefício do interesse geral abstratamente considerado, e
afeta o caráter absoluto do direito de propriedade.
d) Requisição é a modalidade de intervenção do Estado supressiva de domínio, incidente sobre
bens móveis e imóveis, públicos ou privados, e, em regra, sem posterior indenização.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois se trata de competência privativa da União, nos termos do inciso II
do art. 22 da Constituição Federal:
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
II - desapropriação;
A letra (b) está correta, nos termos do art. 243 da Constituição Federal:
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde
forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de
trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma
agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que
couber, o disposto no art. 5º.
A letra (c) está incorreta, uma vez que a servidão administrativa impõe restrição específica a bem
de determinado proprietário.
11 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros,
2010. p. 890.
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A letra (d) está incorreta. Na requisição, em regra, a Administração Pública deverá indenizar os
prejuízos que causar.
Gabarito (B)
24. IBFC - TJ (TJ PE) /TJ PE/Administrativa/2017
Assinale a alternativa que não contempla uma hipótese de verificação da requisição
administrativa.
a) Estado de guerra
b) Proteção da saúde de comunidades
c) Proteção do meio ambiente ante possível degradação
d) Inundação de grandes proporções
e) Epidemia
Comentários:
A requisição terá lugar quando houver perigo público iminente. O Estado de guerra, a proteção
da saúde de comunidades, a inundação de grandes proporções e a epidemia amoldam-se à
situação de iminente perigo público. Portanto, as situações narradas nas letras (a), (b), (d) e (e)
dizem respeito a situações de perigo.
Por sua vez, a letra (c) está incorreta, por ser a única situação que não pode ser enquadrada na
previsão do inciso XXV do art. 5º da Constituição Federal.
Gabarito (C)
25. IBFC - AuxLg (CM F Santana) /CM Feira de Stana/Administrativo/2018
Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação após analisar os itens abaixo.
a) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, ou, ainda, por interesse
social
b) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, mas não por interesse
social
c) A desapropriação pode se dar por utilidade ou por interesse social, mas não por necessidade
pública
d) A desapropriação pode se dar por necessidade pública ou por interesse social, mas não por
utilidade
Comentários:
A letra (a) está correta, sendo necessário, para gabaritarmos a questão, apenas o conhecimento
do inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
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Gabarito (A)
26. IBFC - Proc (CM F Santana) /CM Feira de Stana/2018
Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação.
a) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que
pode levar à retrocessão da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
b) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a destinação, que
pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
c) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que
pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
d) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a redestinação, que
pode levar à realização da desapropriação, com o retorno do bem ao poder público
Comentários:
Se houve um desvio de finalidade na utilização do bem, passando a ser usado para fins
particulares, podemos dizer que houve a chamada tredestinação ilícita, a qual deve ser declarada
nula e, assim, resultar na reintegração do bem a seu proprietário anterior ou, na impossibilidade,
na respectiva indenização.
Gabarito (A)
27. IBFC - Asst (CM Aqa) /CM Araraquara/Técnico Legislativo/2017
No que diz respeito ao tema da desapropriação, assinale a alternativa incorreta:
a) O Poder Executivo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao
Legislativo, praticar os atos necessários à sua efetivação
b) Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato
deverá preceder autorização legislativa
c) Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que
exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante
autorização expressa, constante de lei ou contrato
d) Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imissão
provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente
registro da propriedade na matrícula do imóvel
Comentários:
A letra (a) está incorreta, nos termos do art. 8º do Decreto-Lei 3.365/1941 que dispõe sobre
desapropriação por utilidade pública:
Art. 8o  O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação,
cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua
efetivação.
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A letra (b) está correta, de acordo com o §2º do art. 2º do decreto-lei 3.365/1941:
§ 2o  Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios
poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas,
em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa.
A letra (c) está correta, conforme art. 3º do decreto-lei3.365/1941:
Art. 3o  Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater
público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover
desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato.
A letra (d) está correta, segundo previsão do art. 34-A do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 34-A. Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão
concessiva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade
pelo expropriante com o consequente registro da propriedade na matrícula do
imóvel.
Gabarito (A)
28.FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019
Uma empresa privada venceu licitação para construir e explorar uma linha elevada de monotrilho.
Todavia, ao iniciar a execução da obra, observou que o traçado planejado passaria sobre terrenos
privados ainda não construídos, atualmente explorados para plantio de hortaliças pelos
respectivos proprietários, incentivados por programa municipal de horta urbana, que lhes
concede isenção do IPTU. Sabe-se que a operação da linha elevada não impedirá a continuidade
dessa exploração pelos proprietários, ressalvada a ocupação temporária de parcela dos terrenos,
durante a execução das obras. O instituto adequado para promover a intervenção na
propriedade, no caso em tela, é
(A) a servidão administrativa.
(B) o arrendamento compulsório.
(C) o tombamento.
(D) a desapropriação.
(E) a requisição administrativa.
Comentários:
Lendo o enunciado com atenção, percebemos que são mencionadas duas intervenções do
Estado na propriedade privada:
1) a instalação de linha de trem que ficará acima do solo (linha elevada)
2) a utilização temporária de bens imóveis para viabilizar a execução das obras (ocupação
temporária)
Assim, quanto à primeira intervenção, é importante destacar que:
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110
a) é medida perpétua (e não temporária)
b) incide sobre bem imóvel
c) não suprime a propriedade do particular, apenas restringe seu uso (isto é, não inviabiliza
integralmente a utilização do bem pelo seu proprietário)
Trata-se, portanto, da servidão administrativa, que é medida restritiva, de caráter perpétuo,
incide sobre bens imóveis e se dá em favor de um serviço público ou de um bem afetado à
finalidade pública:
Por fim, quanto à segunda intervenção, o próprio enunciado já mencionou que se trata de
ocupação temporária (não havendo nenhuma alternativa nesse sentido).
Gabarito (A)
29.FCC - Del Pol (PC AP) /PC AP/2017
Em uma área de expansão urbana determinado Município está providenciando a instalação de
equipamentos públicos, a fim de que o crescimento populacional se dê de forma ordenada e
sustentável. Durante a construção de uma unidade escolar, apurou-se que não seria possível
executar a solução de esgoto originalmente idealizada, que contempla um emissário de esgoto,
mostrando-se necessária a identificação de outra alternativa pela Administração pública. Dentre
as possíveis, pode o Município em questão
a) promover, demonstrada a viabilidade técnica, a instalação de emissário de esgoto para ligação
com o sistema já existente, utilizando-se, para tanto, da instituição de uma servidão
administrativa.
b) realizar uma licitação específica para elaboração e execução de projeto de instalação do
emissário de esgoto, independentemente do valor, dado seu caráter emergencial.
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110
c) lançar mão da requisição administrativa, para imediata imissão na posse do terreno necessário
para implementação das obras, diferindo-se a indenização devida.
d) desapropriar judicialmente a faixa de terreno necessária à implementação do emissário de
esgoto, tendo em vista que o ajuizamento da ação já autoriza a imissão na posse do terreno
objeto da demanda.
e) instituir uma servidão de passagem, sob o regime do código civil, tendo em vista que
dispensa a anuência do dono do terreno e de prévia indenização, apurando-se o valor devido
após a instalação do equipamento, que indicará o nível de restrição ao uso da propriedade.
Comentários:
O enunciado não nos deu muitos detalhes, dizendo apenas que a tubulação de esgoto
pretendida não se mostrou viável. Sendo assim, vamos analisar a validade de cada uma das
alternativas.
A letra (a) está correta. Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de
imóvel para viabilizar a execução de obras e serviços de interesse coletivo12, afastando o uso
exclusivo do bem por parte de seu proprietário (como ocorre na passagem de gasodutos,
instalação de cabos da rede elétrica na fachada de edifícios etc). Assim, uma alternativa viável é a
passagem da tubulação pelo imóvel de um particular, tendo lugar a servidão administrativa.
A letra (b) está incorreta. O enunciado já mencionou que o emissário de esgoto não seria viável,
não cabendo a contratação desta solução. A solução depende da utilização de bem alheio para
passagem do esgoto - e não da obra em si. Além disso, sendo caso de emergência, estaria
dispensada a licitação prévia.
A letra (c) está incorreta. A requisição, além de ser temporária, tem lugar diante de “perigo
público iminente”, o que não é o caso.
A letra (d) está incorreta. A desapropriação pode até ser uma solução viável. O erro, no entanto,
diz respeito ao restante da alternativa. Lembro que, não havendo concordância do particular
quanto ao valor da indenização, a desapropriação deve ocorrer pela via judicial. Sendo judicial,
lembro que o mero ajuizamento da ação de desapropriação não é suficiente para a imissão na
posse. Neste caso, nos termos do art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941, a imissão provisória na
posse ocorrerá quando houver (i) urgência e (ii) depósito prévio do valor fixado.
A letra (e) está incorreta. A servidão de passagem é instituto do Direito Civil (Código Civil, art.
1285 e seguintes). No caso narrado, como a intervenção é realizada pelo poder público,
estaremos diante de uma servidão regida pelo direito público, que é a servidão administrativa.
Gabarito (A)
30.FGV/MP-RJ - Analista Administrativo - 2019
Para melhor proteger o patrimônio histórico do Município Alfa, que contava com construção
ornada com pinturas de importante pintor nascido na localidade, o Prefeito foi informado de que
a medida mais adequada seria o tombamento. Um assessor próximo ao Chefe do Executivo,
porém, afirmou que a medida seria inadequada, pois (a) tem vigência temporária, (b) precisa ser
12 Adaptado a partir de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado.
25ª ed. p. 1122
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110
renovada a cada alienação do imóvel, (c) sempre exige prévia indenização e (d) pode ser
cancelada. À luz da ordem jurídica vigente, o assessor somente está certo em relação à(s)
observação(ões):
(A) (c);
(B) (d);
(C) (a) e (c);
(D) (b) e (c);
(E) (a), (b) e (d).
Comentários:
O tombamento é forma de intervenção na propriedade em que o poder público busca proteger
o patrimônio cultural brasileiro, possuindo inclusive fundamento constitucional:
Art. 216, § 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e
protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros,
vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento
e preservação.
Examinando as informações prestadas pelo assessor, podemos perceber que as afirmações (a), (b)
e (c) estão equivocadas e a afirmação (d), correta.
- afirmação (a): diferentemente da requisição administrativa e da ocupação temporária, o
tombamento em regra é definitivo – embora exista modalidade“plano diretor” consiste no instrumento básico da política de desenvolvimento e 
de expansão das cidades, aprovado mediante lei de cada município, que deve buscar assegurar 
as necessidades dos cidadãos e, assim, estabelecer diretrizes para a expansão e desenvolvimento 
das cidades brasileiras. 
Abro um parêntese para destacar que o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) regulamentou os 
arts. 182 e 183 da Constituição Federal, disciplinando, entre outros temas, modalidades de 
intervenção do poder público municipal na propriedade privada (a exemplo do parcelamento, 
edificação compulsória, desapropriação mediante pagamento em títulos de dívida pública e IPTU 
progressivo). 
Fechado o parêntese, e voltando ao texto constitucional, ressalto que a função social do imóvel 
rural não tem relação com o plano diretor, mas depende do atendimento de alguns requisitos: 
CF, art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, 
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos 
seguintes requisitos: 
I - aproveitamento racional e adequado; 
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; 
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; 
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. 
 
Para além das disposições constitucionais, há formas de intervenção do Estado na propriedade 
privada previstas somente em leis, que serão estudadas oportunamente. 
 
 
 
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MODALIDADES DE INTERVENÇÃO 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
Considerando os efeitos da intervenção sobre a propriedade, a doutrina em geral8 admite a 
existência de duas formas básicas de intervenção: 
 
A partir desta macro classificação, extraímos as principais modalidades de intervenção: 
 
Adiante estudaremos as características de cada uma destas modalidades de intervenção, iniciando 
por aquela mais severa, que é a desapropriação. 
 
8 A exemplo de DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. 
eBook. Item 6.2 
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 818 
intervenção
restritiva
Estado impõe restrições e condições ao 
uso da propriedade, sem retirá-la do seu 
dono
supressiva Estado transfere para si a propriedade de 
um terceiro
m
od
al
id
ad
es
restritiva
servidão 
requisição 
administrativa
ocupação 
temporária
limitações 
administrativas
tombamento
supressiva desapropriação
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DESAPROPRIAÇÃO 
Em linhas gerais, podemos dizer que a desapropriação resulta na extinção do direito de 
propriedade do particular em favor do poder público. 
Nesse sentido, destaco a definição apresentada por José dos Santos Carvalho Filho9 
Desapropriação é o procedimento de direito público pelo qual o Poder Público transfere 
para si a propriedade de terceiro, por razões de utilidade pública ou de interesse social, 
normalmente mediante o pagamento de indenização. 
Modalidades de Desapropriação 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
A desapropriação é modalidade de intervenção na propriedade privada que encontra assento 
constitucional: 
CF, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade 
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em 
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
A partir do dispositivo acima transcrito, já podemos perceber a existência de três modalidades de 
desapropriação: 
1) desapropriação por necessidade pública 
2) desapropriação por utilidade pública 
3) desapropriação por interesse social 
 
Além destas 3 formas, é importante lembrarmos da desapropriação confiscatória, a qual se dá em 
razão da identificação de (i) culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou de (ii) exploração de 
trabalho escravo, mencionadas no art. 243 da CF: 
CF, art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem 
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo 
na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de 
habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras 
sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. 
 
9 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 852 
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A partir do texto acima, reparem que, diferentemente das 3 modalidades previstas no inciso XXIV 
do art. 5º, a desapropriação em razão de culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou de exploração 
de trabalho escravo não requer pagamento de indenização. 
Assim, trataremos neste tópico de todas estas modalidades desapropriatórias. 
Vamos lá! 
Desapropriação por necessidade ou utilidade pública 
Trataremos, conjuntamente nesta seção, das desapropriações por necessidade e por utilidade 
pública. 
A desapropriação por necessidade pública é aquela que resulta de situação de emergência. 
A desapropriação por utilidade pública, a seu turno, decorre de uma conveniência da 
Administração. 
Apesar desta distinção teórica, a doutrina tem considerado que o Decreto-Lei 3.365/1941 trata 
genericamente de ambas, não havendo distinção relevante para fins de prova. Em outras palavras, 
ao “dispor sobre desapropriações por utilidade pública”, a doutrina entende que o Decreto-Lei 
3.365/1941 regulamenta indistintamente ambas as modalidades. 
De toda forma, vale a pena conhecermos, para fins de contextualização, os termos do art. 5º do 
referido ato normativo, o qual lista as situações que podem ensejar a desapropriação por 
“utilidade pública”: 
DL 3365/1941, art. 5o Consideram-se casos de utilidade pública: 
a) a segurança nacional; 
b) a defesa do Estado; 
c) o socorro público em caso de calamidade; 
d) a salubridade pública; 
e) a criação e melhoramento de centros de população, seu abastecimento regular de meios 
de subsistência; 
f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da energia 
hidráulica; 
g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saude, clínicas, estações 
de clima e fontes medicinais; 
h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos; 
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i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de 
planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor 
utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos 
industriais; 
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo; 
k) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou 
integrados em conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-
lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de 
paisagens e locais particularmente dotados pela natureza; 
l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens moveis 
de valor histórico ou artístico; 
m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios; 
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves; 
o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica,de tombamento provisório (como
medida cautelar).
- afirmação (b): tem-se considerado que o tombamento é obrigação propter rem, a qual também
é imposta aos adquirentes do imóvel tombado. O tombamento é inscrito no “livro do tombo” e,
sendo bem imóvel, também no cartório de imóveis, alcançando futuros adquirentes.
- afirmação (c): em regra, o tombamento não enseja o pagamento de indenização.
- afirmação (d): é possível a extinção do tombamento, a exemplo das situações em que
desaparecem as razões que levaram à sua declaração.
Gabarito (B)
31. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019
Acerca das intervenções do Estado na propriedade privada, analise as afirmativas abaixo e dê
valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) O tombamento é forma de intervenção do Estado na propriedade privada, que tem por
objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.
( ) O tombamento incide apenas sobre bens imóveis.
( ) O tombamento somente poderá acarretar consequências ao proprietário do bem tombado e
não a terceiros.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
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a) V, V, V
b) V, V, F
c) F, F, V
d) F, V, F
Comentários:
O primeiro item está correto. O tombamento, de fato, diz respeito à intervenção restritiva da
propriedade que tem por objetivo a proteção do patrimônio cultural brasileiro:
Art. 216, § 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e
protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros,
vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento
e preservação.
O segundo item foi dado correto pela Banca, contrariando a doutrina majoritária a este respeito.
Nesse sentido, Di Pietro leciona que13:
O tombamento pode atingir bens de qualquer natureza: móveis ou imóveis,
materiais ou imateriais, públicos ou privados. Nos termos do § 2o do artigo 1o do
Decreto-lei no 25/37, são sujeitos a tombamento “os monumentos naturais, bem
como os sítios e paisagens que importem conservar e proteger pela feição
notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela
indústria humana”.
No mesmo sentido, Carvalho Filho14
O tombamento incide sobre bens móveis e imóveis. Esse objeto consta do art. 1º
do Decreto-lei nº 25/1937, que, ao definir patrimônio histórico e artístico
nacional, considera-o composto de bens móveis e imóveis existentes no país.
O terceiro item está incorreto. Muitas vezes até os vizinhos do prédio tombado são afetados pela
medida, vedando-se, por exemplo, construções adjacentes que reduzam a visibilidade do prédio
sob proteção.
Gabarito (B)
32.FCC - Ana Fom (AFAP)/AFAP/Advogado/2019
A necessidade de implantação de unidades habitacionais destinadas a população de baixa renda
e a edificação de uma unidade hospitalar para atendimento da população em geral justifica, por
parte do Município, a
a) edição de decreto de declaração de interesse social para a implantação das unidades
habitacionais e para construção da unidade hospitalar, porque este também se destina a baixa
renda.
14 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 839
13 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item
6.8.3
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b) desapropriação de áreas públicas ou particulares para instalação da unidade hospitalar e das
unidades habitacionais, em razão da prevalência da finalidade pública da medida.
c) declaração de utilidade pública das áreas necessárias para as obras, precedida da
comprovação da existência da integralidade de recursos financeiros para edificação das obras
indicadas, mesmo que estas ultrapassem mais de um exercício.
d) a desapropriação dos terrenos necessários à implantação das obras, cuja indenização, devido
ao interesse social que fundamenta a atuação do poder público, poderá ser paga em títulos da
dívida pública após a conclusão das obras.
e) edição de decreto de declaração de interesse social, que justifica a implantação das unidades
habitacionais, bem como de declaração de utilidade pública, para implantação do equipamento
público destinado à unidade hospitalar.
Comentários:
O gabarito está na letra (e), tendo como fundamento o inciso V do art. 2º da Lei 4.132/1962 e da
alínea “m” do art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941:
Art. 2º Considera-se de interesse social: (..)
V - a construção de casa populares; (..)
Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública:
m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios;
Aproveito para comprar estas duas listas de situações ensejadoras da desapropriação por
utilidade pública e interesse social, respectivamente:
Utilidade pública (art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941) Interesse social (art. 2º da Lei 4.132/1962)
✔ segurança nacional;
✔ defesa do Estado;
✔ socorro público em caso de calamidade;
✔ salubridade pública;
✔ criação e melhoramento de centros de
população, seu abastecimento regular de meios de
subsistência;
✔ aproveitamento industrial das minas e das
jazidas minerais, das águas e da energia hidráulica;
✔ assistência pública, as obras de higiene e
decoração, casas de saude, clínicas, estações de clima e
fontes medicinais;
✔ exploração ou a conservação dos serviços
públicos;
✔ abertura, conservação e melhoramento de vias
ou logradouros públicos; a execução de planos de
✔ aproveitamento de todo bem improdutivo ou
explorado sem correspondência com as necessidades de
habitação, trabalho e consumo dos centros de população
✔ instalação ou a intensificação das culturas nas
áreas em cuja exploração não se obedeça a plano de
zoneamento agrícola
✔ estabelecimento e a manutenção de colônias ou
cooperativas de povoamento e trabalho agrícola
✔ manutenção de posseiros em terrenos urbanos
onde, com a tolerância expressa ou tácita do proprietário,
tenham construído sua habilitação, formando núcleos
residenciais de mais de 10 (dez) famílias;
✔ construção de casa populares;
✔ terras e águas suscetíveis de valorização
extraordinária, pela conclusão de obras e serviços
públicos, notadamente de saneamento, portos,
transporte, eletrificação armazenamento de água e
irrigação
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urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem
edificação, para sua melhor utilização econômica,
higiênica ou estética; a construção ou ampliação de
distritos industriais; (Redação dada pela Lei nº
9.785, de 1999)
✔ funcionamento dos meios de transporte
coletivo;
✔ preservação e conservação dos monumentos
históricos e artísticos, isolados ou integrados em
conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas
necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais
valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de
paisagens e locais particularmente dotados pela
natureza;
✔ preservação e a conservação adequada de
arquivos, documentos e outros bens moveis de valor
histórico ou artístico;
✔ construção de edifícios públicos, monumentos
comemorativos e cemitérios;
✔ criação de estádios, aeródromos ou campos de
pouso para aeronaves;
✔ reedição ou divulgação de obra ou invento de
natureza científica, artística ou literária;
✔ proteção do solo e a preservação de cursos e
mananciais de água e de reservas florestais.
✔ utilização de áreas, locais ou bens que, por suas
características, sejam apropriados ao desenvolvimento de
atividades turísticas
Quanto à letra (d), incorreta, lembro que a indenização no caso deverá ser prévia, justa e em
dinheiro, nos termosdo inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
Gabarito (E)
33.FCC - DP AM/DPE AM/2018
Suponha que o Estado do Amazonas pretenda construir um anel viário interligando diversas
rodovias. A obra em questão importa intervenção em terrenos de particulares e, também, em
uma área de propriedade de Município, que se encontra ocupada irregularmente.
Diante de tal cenário, afigura-se juridicamente viável a
a) desapropriação dos imóveis particulares e também daquele pertencente ao Município, este
último dependendo de autorização legislativa, ambos condicionados à prévia indenização.
b) desapropriação dos imóveis privados apenas, eis que o de propriedade do Município é
protegido pelo regime público ainda que não afetado a finalidade específica.
c) requisição das áreas, tanto públicas como privadas, e a subsequente desapropriação, com
pagamento de indenização apenas ao final do processo.
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110
d) imediata desocupação e imissão na posse da área municipal, independente de indenização, e
a desapropriação das áreas privadas, mediante edição de decreto de utilidade pública.
e) doação, independente de autorização legislativa, do imóvel municipal ao Estado, e a
desapropriação dos imóveis particulares, vedada a imissão na posse antes da concordância
destes com o valor da indenização fixada judicialmente.
Comentários:
A letra (a) está correta. O Estado pode desapropriar tanto bens privados como bens dos
municípios situados em seu território, nos termos do §2º do art. 2º do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 2o  Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser
desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e
Territórios. (..)
§ 2o  Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios
poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas,
em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa.
O detalhe é que a desapropriação de bens do município dependeria de lei aprovada pela
assembleia legislativa do Amazonas.
A letra (b) está incorreta, pois, como vimos acima, o imóvel do município amazonense também
poderá ser desapropriado.
A letra (c) está incorreta, uma vez que a indenização não poderá ser ao final do processo, deverá
ser prévia, conforme inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade
ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
A letra (d) está incorreta. Mesmo em relação ao imóvel pertencente ao município deverá haver
indenização.
A letra (e) está incorreta. Até seria possível a doação, mas ela dependeria de autorização
legislativa. Além disso, tratando-se de desapropriação pela via judicial, é possível a imissão
provisória na posse, desde que exista (i) urgência e (ii) depósito prévio do valor fixado, nos
termos do art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941.
Gabarito (A)
34.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018
O Governo do Estado decidiu construir um conjunto habitacional popular em área urbana,
situada na região metropolitana de Palmas. Para tanto, verificou-se a existência de um terreno de
dimensão adequada, situado em área incluída no plano diretor e declarada passível de edificação
compulsória por lei municipal. Embora notificado há dez anos para promover a edificação no
terreno, o proprietário quedou-se inerte, sendo que há mais de cinco anos vem sendo aplicado o
IPTU progressivo no tempo. Nesse caso, o Governo do Estado
a) poderá promover desapropriação por interesse social do imóvel, todavia mediante justa e
prévia indenização, em dinheiro.
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b) está impedido de promover a desapropriação do terreno, em vista da exclusiva competência
municipal para promover a desapropriação de áreas urbanas destinadas à habitação popular.
c) poderá promover a desapropriação-sanção do terreno, com o pagamento de indenização em
títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de
resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais, por se tratar de terreno situado em região metropolitana.
d) poderá editar decreto de desapropriação por interesse social, em benefício do município em
que está situado o imóvel, que ficará responsável pelo pagamento da indenização em títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até 10 anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os
juros legais.
e) deve encaminhar pedido de autorização à Assembleia Legislativa para a desapropriação do
terreno, visto que se trata de bem sob domínio municipal.
Comentários:
Situação interessante, que aborda a diferença entre a desapropriação por interesse social
ordinária (competência de todos os entes e que exige indenização prévia e em dinheiro) e a
desapropriação urbanística (competência dos municípios e do DF, cuja indenização pode ser feita
mediante títulos da dívida pública).
Diante disso, passemos às alternativas!
A letra (a) está correta, nos termos do inciso V do art. 1º da Lei 4.132/1962 combinado com o
inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a
justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social,
na forma do art. 147 da Constituição Federal. (..)
V - a construção de casa populares;
CF, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
A letra (b) está incorreta. Tal competência não é exclusiva do Estado, visto que se baseia na
desapropriação por interesse social (Lei 4.132/1962, art. 1º). A desapropriação urbanística,
prevista no art. 182 da CF, por sua vez, seria vedada ao Estado.
A letra (c) está incorreta. A desapropriação urbanística, enquanto sanção (CF, art. 182, §4º, III),
com pagamento em títulos da dívida, é privativa dos municípios (e ao DF). Caso o Estado esteja
desapropriando para fins de interesse social, deverá promover a desapropriação com a justa e
prévia indenização em dinheiro.
A letra (d) está incorreta. Se o Estado desapropriar, o pagamento da indenização deve ser em
dinheiro. O restante da alternativa exemplifica a desapropriação na modalidade sanção, que
somente poderá ser efetuada nos termos do art. 182, §4º, III, da CF.
Antonio Daud
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A letra (e) está incorreta. Apesar de estar dentro de um município, o enunciado indica que seria
propriedade particular (e não bem público municipal), não requerendo, assim, autorização
legislativa.
Gabarito (A)
35.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018
Considere que determinada Municipalidade precise desapropriar um terreno para instalação de
um equipamento público. Durante a avaliação pericial da área para identificação do valor do
imóvel foi apurado que o terreno apresentava contaminação do solo, decorrente da destinação
pelo proprietário para atividades não autorizadas. O ente público expropriante
a) poderá desistir da desapropriação,diante do vício de legalidade, cabendo, contudo,
indenização em favor do proprietário do terreno, por não ter dado causa à desistência da área,
esta que constituiu decisão discricionária do ente.
b) deverá necessariamente arcar com os custos de descontaminação, que não podem ser
imputados no valor da avaliação, sendo inerentes ao risco da aquisição.
c) pode pleitear que a indenização devida ao proprietário da área seja posterior à
desapropriação, e não prévia, como usual, em razão da necessidade de ser incluído o custo de
descontaminação da área.
d) deve desistir da desapropriação, já que o valor estimado da indenização será necessariamente
superado em razão do custo de indenização.
e) poderá pleitear a dedução do custo de descontaminação do valor da indenização, já que
havia responsabilidade do dono do terreno pela observância da legislação ambiental vigente.
Comentários:
O gabarito encontra-se na letra (e), baseando-se na interpretação do art. 31 do decreto-lei
3.365/1941 que dispõe sobre a desapropriação para fins de utilidade pública:
Art. 31. Ficam subrogados no preço quaisquer onus ou direitos que recaiam
sobre o bem expropriado.
A este respeito, vejam o entendimento do STJ, abaixo, no qual se julgou caso análogo ao
apresentado no enunciado da questão:
3. Relativamente ao passivo ambiental, com base na premissa de que a
indenização "justa" deve expressar não um sentimento de "justiça" mas o de
"justeza", isto é, o de conformidade exata para que o ente desapropriador não
pague mais do que vale o imóvel e que o desapropriado não receba menos do
que aquilo a que tem direito, é razoável afirmar que a desapropriação de bem
imóvel com esse tipo de ônus importará a sua transferência ao Poder Público,
motivo por que o custo dele não pode deixar de ser abatido no preço pago,
pena de ocorrer um enriquecimento ilegal do particular-desapropriado. 4. Agravo
conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão,
dar-lhe provimento.
Antonio Daud
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(STJ - AREsp: 1273135 BA 2018/0076462-4, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, Data de Julgamento: 15/05/2018, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de
Publicação: DJe 18/05/2018)
Gabarito (E)
36.FCC - AJ TRT6/TRT 6/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018
A instalação de um laboratório de análises clínicas por um Estado da Federação vem
encontrando dificuldades na escolha da alternativa de localização disponível. Havendo a
definição da melhor região para tanto,
a) deverá o Estado licitar a aquisição de um imóvel, indicando as características necessárias para
instalar as atividades, não sendo possível, no entanto, especificar a região.
b) poderá o Estado desapropriar o imóvel que melhor atenda as necessidades da atividade a ser
desenvolvida no local, mediante justa e prévia indenização.
c) deverá o Estado adquirir o imóvel onerosamente diretamente de seu proprietário, negócio
jurídico que deverá se formalizar contratualmente, mediante vontade das duas partes, vedada
expropriação pelo Estado.
d) deverá o Estado desapropriar o terreno que melhor atender as características essenciais ao
atingimento da finalidade, inexistindo previsão legal para aquisição direta de bens imóveis por
entes públicos.
e) poderá o Estado comprar o terreno mediante dispensa de licitação, não sendo permitido ao
proprietário discutir o preço ou o momento da desocupação.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois não há necessidade de licitar, conforme inciso I do art. 24 da lei
8.666/1993:
Art. 24.  É dispensável a licitação: (..)
X - para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das
finalidades precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e
localização condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o
valor de mercado, segundo avaliação prévia;
A letra (b) está correta, nos termos do art. 5º do Decreto-Lei 3.365/1941 combinado com o inciso
XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
 Art. 5º  Consideram-se casos de utilidade pública: (..)
g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saúde,
clínicas, estações de clima e fontes medicinais;
Art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
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Caracterizando-se a possibilidade da desapropriação e o fato de se enquadrar como de utilidade
pública, a indenização deverá ser paga previamente e em dinheiro.
A letra (c) está incorreta. Considerando que há previsão para a desapropriação, não terá o Estado
que comprar o terreno obrigatoriamente.
A letra (d) está incorreta, visto que o já citado inciso X do art. 24 da lei 8.666/1993 apresenta uma
possibilidade de aquisição direta.
A letra (e) está incorreta. Se é caso de contrato de compra e venda, o particular deve estar de
acordo com o preço do imóvel. Do contrário, estaríamos diante da desapropriação.
Gabarito (B)
37.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Técnico Jurídica/Apoio Jurídico/2018
Considere que um Município tenha desapropriado um terreno para implantar um conjunto
habitacional para famílias de baixa renda.
Decorridos dez anos, o terreno continua desocupado e abandonado, estando sob guarda e
vigilância da Municipalidade. Uma vez que a região onde está localizado o terreno sofreu sensível
valorização, o que refletiu no valor do imóvel, o Município pretende alienar onerosamente o bem.
Para tanto, um requisito indispensável à regularidade dessa alienação é a
a) licitação, sob a modalidade concorrência, dispensada avaliação prévia, já que o Município
possui o cadastro de valores fiscais dos imóveis.
b) realização de avaliação prévia, bastando que tenha sido feita uma vez para o imóvel.
c) intimação do expropriado para, querendo, exercer seu direito de preferência para aquisição do
imóvel nas mesmas condições que seriam oferecidas ao mercado, sob pena de caracterização de
retrocessão.
d) obrigatoriedade de colocar o imóvel em licitação, cabendo ao expropriado concorrer com os
demais interessados, podendo o mesmo, entretanto, oferecer proposta no valor da indenização
que recebeu quando da desapropriação, cabendo à Administração pública a escolha
discricionária em relação à opção de maior valor.
e) comprovação de que não se trata de bem de uso público, já que somente os bens de uso
especial e os dominicais podem ser alienados independentemente de autorização específica.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Nos termos do art. 17 da Lei 8.666, a alienação de tais bens exige
avaliação prévia.
A letra (b) está incorreta. Imagine só: é feita uma avaliação e esta, para todo o sempre, pudesse
ser utilizada?! Não parece adequado, não é mesmo?! Portanto, a avaliação deve ser realizada em
época próxima à alienação do imóvel.
A letra (c) foi dada como correta, nos termos do art. 519 do Código Civil.
Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for
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utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de
preferência, pelo preço atual da coisa.
Reparem que a parte final da alternativa dá a entender que a retrocessão ocorreria se o particular
não exercesse seu direito de preferência. No entanto, tal exercício da preferência é justamente a
retrocessão.
A letra (d) está incorreta. O antigo proprietário, como vimos acima, teria uma preferênciana
aquisição pelo valor de mercado.
A letra (e) está incorreta. Os bens de uso especial não podem ser alienados antes de sua
desafetação. Além disso, também para os bens imóveis dominicais haveria necessidade de
autorização específica, como regra geral.
Gabarito (C)
38.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Apoio Técnico ao Processo Legislativo/Processo
Legislativo/2018
Um município viu sua população crescer sensivelmente nos últimos anos e a demanda por
atendimento médico superar a capacidade do único hospital municipal em funcionamento na
região. Em função disso, a Secretaria de Saúde buscou junto à União recursos para financiar a
ampliação da unidade, para oferta de novos leitos, pronto-socorro e Unidade de Terapia Intensiva
− UTI. No terreno vizinho ao hospital, funciona um estacionamento que se beneficia justamente
do fluxo de pessoas gerado pela unidade de saúde. O proprietário, entretanto, recusa-se a
alienar voluntariamente o terreno ao Município, alegando que outro terreno seria mais adequado
para tanto. A população pleiteou auxílio dos vereadores locais, representantes do povo no
Legislativo, o que ensejou a edição de uma lei declarando de utilidade pública o terreno, para
fins de desapropriação. A lei editada em razão de iniciativa parlamentar
a) é regular e válida, sendo competência do Poder Executivo, no entanto, o ajuizamento da
desapropriação, que demandará indenização após a sentença judicial.
b) não produz efeitos, na medida em que o Prefeito seria a autoridade competente para expedir
decreto de expropriação, cabendo ao Legislativo, no limite, a possibilidade de sugerir a medida
ao Executivo.
c) depende de sanção do Chefe do Executivo, o que se insere em seu poder regulamentar e
decorre do fato de que a desapropriação será ajuizada pela Administração pública.
d) pode produzir efeitos, tendo em vista que tal lei pode ser convalidada pelo Executivo e o vício
sanado no caso de o expropriado aceitar a desapropriação amigável.
e) invade competência exclusiva do Chefe do Executivo, mas é admitida em casos como o
narrado, de urgência e notório interesse público, desde que haja concordância do Prefeito.
Comentários:
O gabarito está na letra (b). De acordo com o art. 6º do Decreto-Lei 3.365/1941, que trata da
desapropriação por utilidade pública, a competência para a declaração de utilidade pública no
âmbito municipal caberá ao Prefeito, sendo os Vereadores (Poder Legislativo) legítimos para
posteriormente tomar a iniciativa da desapropriação nos termos do art. 8º do referido decreto-lei:
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Art. 6o  A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Presidente da
República, Governador, Interventor ou Prefeito. (..)
Art. 8o  O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação,
cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua
efetivação.
Gabarito (B)
39.FCC - AJ TRT2/TRT 2/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador Federal/2018
A desapropriação de terrenos para implantação de unidades escolares depende
a) de prévia declaração de interesse social, subscrita pelo Chefe do Executivo ou por autoridade
a quem este delegar formalmente tal atribuição.
b) de concordância do expropriado em relação ao preço ofertado pelo expropriante, em
observância ao princípio da justa indenização.
c) da existência de imóveis vagos, considerando que há expressa vedação legal para
expropriação de imóveis ou terrenos ocupados por pessoas.
d) de prévia declaração de utilidade pública, podendo a expropriação ser proposta
judicialmente, hipótese em que não é imprescindível a concordância do expropriado em relação
ao preço ofertado.
e) da comprovação da inexistência de outros imóveis que possam ser aproveitados pela
Administração pública para a mesma finalidade, ainda que não preencham todos os requisitos
técnicos de adequação e necessidade.
Comentários:
Nos termos dos artigos 10 e 23 do decreto-lei 3.365/1941 é plenamente possível que não se
chegue a um acordo em relação ao valor do bem. Neste caso, a desapropriação seguirá pela via
judicial, motivo pelo qual poderá ser arbitrado pelo juiz com o auxílio pericial:
Art. 10.  A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do
respectivo decreto e findos os quais este caducará.
Art. 23.  Findo o prazo para a contestação e não havendo concordância expressa
quanto ao preço, o perito apresentará o laudo em cartório até cinco dias, pelo
menos, antes da audiência de instrução e julgamento.
Art. 27.  O juiz indicará na sentença os fatos que motivaram o seu convencimento
e deverá atender, especialmente, à estimação dos bens para efeitos fiscais; ao
preço de aquisição e interesse que deles aufere o proprietário; à sua situação,
estado de conservação e segurança; ao valor venal dos da mesma espécie, nos
últimos cinco anos, e à valorização ou depreciação de área remanescente,
pertencente ao réu.
§ 1o  A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao
preço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado,
que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado
Antonio Daud
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o disposto no § 4o do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os
honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais).
Gabarito (D)
40.FCC - DP RS/DPE RS/2018
No que tange à desapropriação, é correto afirmar:
a) A desapropriação por utilidade pública é aquela que decorre de um imperativo irremovível e
indispensável, pressupondo-se que sem ela não se pode iniciar, alcançar ou continuar o interesse
público.
b) A desapropriação por necessidade pública é aquela que se revela necessária para alcançar
uma posição conveniente e vantajosa para a Administração Pública.
c) Tredestinação ou tresdestinação é a modificação legítima realizada no decorrer do
procedimento expropriatório, viabilizada pela supremacia do interesse público, que possibilita a
alteração de uma desapropriação por utilidade pública em desapropriação por necessidade
pública e vice-versa, caracterizando mero desvio de finalidade genérico.
d) O desvio de finalidade genérico possibilita a retrocessão, consequência que não ocorre no
desvio de finalidade específico, caso em que poderá ser convalidado o desvio, ressalvados
alguns casos previstos em lei, como a desapropriação destinada à implantação de parcelamento
popular, destinado às classes de menor renda.
e) Para viabilizar o interesse público na esfera de competência material de todos os entes
federativos, a Constituição Federal outorgou competência legislativa concorrente para a União,
os Estados e os Municípios.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, visto que o conceito apresentado refere-se à desapropriação por
necessidade pública, que, segundo Hely Lopes Meirelles “surge quando a Administração
defronta situações de emergência, que, para serem resolvidas satisfatoriamente, exigem a
transferência urgente de bens de terceiros para o seu domínio e uso imediato”15.
A letra (b) está incorreta, pois apresenta conceito de desapropriação por utilidade pública, a qual
Hely Lopes Meirelles leciona que “apresenta-se quando a transferência de bens de terceiros para
a Administração é conveniente, embora não seja imprescindível.”16
A letra (c) está incorreta, uma vez que não é possível afirmar que a tredestinação seja uma
modificação legítima em todos os casos. Doutrinadores como Hely Lopes Meirelles e Maria Sylvia
Di Pietro tratam a tredestinação como o desvio de destinação, entendendo que a finalidade
pública é sempre genérica, e, portanto, se o bem for usado em outro fim público não ocorreria
do desviode finalidade. Já outro ensinamento é de José dos Santos Carvalho Filho, para o qual a
tredestinação é a destinação em desconformidade com o plano inicial. Assim, ele a divide em
lícita, quando, mesmo havendo a mudança de destinação persiste o interesse público, e ilícita,
quando a Administração Pública transfere ou permite que terceiro se beneficie do bem.
16 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 738.
15 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 46. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 738.
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A letra (d) está correta, nos termos do §3º do art. 5º do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 5o  Consideram-se casos de utilidade pública: (..)
§ 3o Ao imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular,
destinado às classes de menor renda, não se dará outra utilização nem haverá
retrocessão. 
Por fim, a letra (e) está incorreta, uma vez que, de acordo com o inciso II do art. 22 da
Constituição Federal, legislar sobre desapropriação é competência privativa da União:
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (..)
II - desapropriação;
Relembrando:
Gabarito (D)
41.FCC - DP AM/DPE AM/2018
Tendo o Estado desapropriado diversos terrenos para a construção de rodovia, constatou, ao final
das obras, a existência de algumas áreas remanescentes que não se mostraram necessárias ou
úteis para a instalação de equipamento público, estando, assim, sem destinação específica.
Referidos terrenos
a) podem ser alienados, mediante prévia autorização legislativa, observado o direito de
preempção dos expropriados.
b) são considerados bens de uso comum do povo, somente perdendo tal condição mediante
destinação por lei específica.
Antonio Daud
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c) constituem bens de uso especial, mantendo tal natureza enquanto não atrelados a finalidade
específica.
d) não possuem natureza de bem público, eis que não afetados a serviço ou atividade específica.
e) perdem, após 5 anos sem uso efetivo, a condição de bens indisponíveis, passando ao
patrimônio privado.
Comentários:
O gabarito está na letra (a). A questão trata de duas situações previstas no ordenamento jurídico.
Primeiro, a necessidade de autorização legislativa para a alienação de bens imóveis, como regra
geral, de acordo com o inciso I do art. 17 da lei 8.666/1993. Em segundo lugar, o direito de
preferência do expropriado no caso de bem não utilizado na obra pública, conforme art. 519 do
Código Civil.
Art. 17.  A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência
de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e
obedecerá às seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da
administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos,
inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação
na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos:
Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for
utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de
preferência, pelo preço atual da coisa.
Gabarito (A)
42.FCC - Proc (PGE AP) /PGE AP/2018
Considere que, visando realizar obras de saneamento básico, o Estado do Amapá edita decreto
no qual declara a utilidade pública, para fins de desapropriação, de imóvel residencial urbano
habitado pelo respectivo proprietário, em favor da Companhia de Água e Esgoto do Amapá
(CAESA). A referida empresa estatal ajuíza a ação de desapropriação e, na petição inicial, alega
urgência e requer a imissão provisória no imóvel expropriando. Nesse caso,
a) não deve ser concedida a imissão provisória, visto que a urgência deveria ser previamente
declarada no decreto de utilidade pública.
b) se houver impugnação pelo expropriado, haverá arbitramento de indenização provisória pelo
juiz, que somente autorizará a imissão, se o expropriante complementar o depósito para que este
atinja a metade do valor arbitrado.
c) não é possível imissão provisória, pois o direito à moradia se sobrepõe à conveniência da
Administração Pública.
d) deve haver a citação do expropriado antes da decisão sobre a imissão provisória na posse.
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e) a empresa estatal nunca terá competência para ajuizar ação de desapropriação, que deve ser
proposta diretamente pelo ente que emitiu o decreto de utilidade pública.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Havendo demonstração de urgência ao juiz, poderá haver a imissão
provisória na posse, desde que seja depositada a quantia arbitrada.
A letra (b) está correta. A questão trata de situação específica de imissão na posse de imóveis
residenciais urbanos, prevista do decreto-lei 1.075/1970:
Art 1º Na desapropriação por utilidade pública de prédio urbano residencial, o
expropriante, baseado urgência, poderá imitir-se provisóriamente na posse do
bem, mediante o depósito do preço oferecido, se êste não fôr impugnado pelo
expropriado em cinco dias da intimação da oferta.
Art 2º Impugnada a oferta pelo expropriado, o juiz, servindo-se, caso necessário,
de perito avaliador, fixará em quarenta e oito horas o valor provisório do imóvel.
Parágrafo único. O perito, quando designado, deverá apresentar o laudo no
prazo máximo de cinco dias.
Art 3º Quando o valor arbitrado fôr superior à oferta, o juiz só autorizará a imissão
provisória na posse do imóvel, se o expropriante complementar o depósito para
que êste atinja a metade do valor arbitrado.
A letra (c) está incorreta, uma vez que o direito individual à moradia, como regra geral, não se
sobrepõe ao Estado (interesse da coletividade).
A letra (d) está incorreta, de acordo do com o §1º do art. 15 do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de
conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo
provisoriamente na posse dos bens;
§ 1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu,
mediante o depósito:
A letra (e) está incorreta, visto que a empresa estatal terá competência para a “promover a
desapropriação”, inclusive por meio do ajuizamento da ação, nos termos do art. 3º do decreto-lei
3.365/1941:
Art. 3o  Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater
público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover
desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato.
Ao contrário, a estatal não detém competência para expedir o decreto declarando o imóvel como
sendo de utilidade pública (fase declaratória).
Gabarito (B)
43.FCC - Proc Mun (Caruaru)/Pref Caruaru/2018
Em relação à desapropriação, é correto afirmar que
Antonio Daud
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a) por se tratar de matéria administrativa, compete a cada ente da Federação legislar sobre
desapropriação.
b) na desapropriação por descumprimento da função social da propriedade rural, de
competência dos Estados, o pagamento é feito em títulos da dívida agrária, resgatáveis em até
vinte anos, sendo as benfeitorias úteis e necessárias pagas em dinheiro.
c) é vedada aos Municípios a realização de desapropriação de imóvel rural.
d) a desapropriação é forma derivada de aquisição de propriedadee, por conta disso, se a
indenização for paga a terceiro que não proprietário, a desapropriação se torna inválida.
e) a desapropriação por utilidade pública deve ser efetivada mediante acordo ou intentada
judicialmente, no prazo de cinco anos, contados da data da expedição do decreto.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois a competência legislativa para desapropriação é da União, nos
termos do inciso II do art. 22 da Constituição Federal:
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (..)
II - desapropriação;
A letra (b) está incorreta, visto que a desapropriação de imóvel rural por descumprimento da
função social (reforma agrária) é de competência da União, de acordo com o art. 184 da
Constituição Federal:
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante
prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
A letra (c) está incorreta. Mediante declaração de utilidade pública poderá haver desapropriação
pelo município de imóvel rural, uma vez que não há restrição no art. 2º do decreto-lei
3.365/1941:
Art. 2o  Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser
desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e
Territórios.
O que não se admite, no entanto, é o município desapropriar imóvel rural para fins de reforma
agrária.
A letra (d) está incorreta. O entendimento doutrinário majoritário é no sentido de que a
desapropriação é forma originária de aquisição de propriedade. Celso Antônio Bandeira de
Mello, por exemplo, leciona que “a desapropriação é forma originária de aquisição de
propriedade significa que ela é, por si mesma, suficiente para instaurar a propriedade em favor
do Poder Público, independentemente de qualquer vinculação com o título jurídico do anterior
Antonio Daud
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proprietário. É a só vontade do Poder Público e o pagamento do preço que constituem
propriedade do Poder Público sobre o bem expropriado.”17
Por fim, a letra (e) está correta, nos termos do art. 10 do Decreto-Lei 3.365/1941:
Art. 10.  A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do
respectivo decreto e findos os quais este caducará.
Gabarito (E)
44.FCC - TJ TRT11/TRT 11/Administrativa/2017
Na ação de desapropriação,
a) a transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, ficará
sujeita ao imposto de lucro imobiliário.
b) é incabível a imissão provisória na posse dos bens.
c) a instância interrompe-se no caso de falecimento do réu.
d) não serão atendidas, no valor da desapropriação, o valor das benfeitorias necessárias feitas
após a desapropriação.
e) a contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, conforme disposição do §2º do art. 27 do decreto-lei 3.365/1941:
§ 2º A transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou
judicial, não ficará sujeita ao impôsto de lucro imobiliário. 
A letra (b) está incorreta, uma vez que é possível a imissão provisória na posse, conforme art. 15
e 15-A do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de
conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo
provisoriamente na posse dos bens;
Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por
necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma
agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem,
fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de
até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a
contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos.
A letra (c) está incorreta, de acordo com o art. 21 do decreto-lei 3.365/1941:
17 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Malheiros,
2010. p. 871.
Antonio Daud
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Art. 21. A instância não se interrompe. No caso de falecimento do réu, ou perda
de sua capacidade civil, o juiz, logo que disso tenha conhecimento, nomeará
curador à lide, ate que se lhe habilite o interessado.
A letra (d) está incorreta, segundo §1º do art. 26 do decreto-lei 3.365/1941:
§ 1º Serão atendidas as benfeitorias necessárias feitas após a desapropriação; as
úteis, quando feitas com autorização do expropriante.
A letra (e) está correta, nos termos do art. 20 do decreto-lei 3.365/1941:
Art. 20. A contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou
impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser decidida por ação
direta.
Frisa-se que neste caso, a questão, apesar de não especificar, tratou de desapropriação por
utilidade pública.
Gabarito (E)
45.FCC - Ana (DPE RS) /DPE RS/Administração/2017
Necessitando o Poder Público implantar uma importante obra viária, incluindo a construção de
uma rodovia para interligação de três municípios, deparou-se com a existência de áreas ocupadas
no trajeto, em sua maioria imóveis regularizados. Em razão desse aspecto, o Poder Público
a) deve alterar o traçado da rodovia para não atingimento de trechos ocupados, caso esses
imóveis tenham características urbanas, sirvam à efetiva residência de seus proprietários e
constituam única propriedade dos mesmos.
b) pode adquirir todas as propriedades onerosamente, pelo valor que seus proprietários
atribuírem e demonstrarem, a fim de que a desocupação seja voluntária, sob pena do emprego
de poder de polícia para desocupação, que difere o acordo quanto à precificação dos imóveis.
c) pode desapropriar os imóveis, mediante prévia indenização em dinheiro pelo valor de
mercado, demonstrado em avaliação técnica, a fim de garantir a adequada equivalência e
viabilizar a realocação dos proprietários em outro local.
d) deve desapropriar os imóveis, mediante justa e prévia indenização, parte em dinheiro e parte
mediante expedição de precatório, mostrando-se inviável qualquer alteração de traçado ou
acordo, tendo em vista a importância da obra de infraestrutura e seu cronograma de
implantação.
e) pode requisitar administrativamente as áreas, diante da urgência e da finalidade da
desocupação, apurando-se, na sequência, o valor de mercado dos imóveis e, no caso de
discordância entre as partes, recorrendo-se à via judicial.
Comentários:
Nosso gabarito encontra-se na letra (c). A questão apresenta caso de desapropriação por
utilidade pública, enquadrando-se na alínea “i” do art. 5º do decreto-lei 3.365/1941, devendo
haver justa e prévia indenização, nos termos do inciso XXIV do art. 5º da Constituição Federal:
Art. 5o Consideram-se casos de utilidade pública: (..)
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i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a
execução de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem
edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a
construção ou ampliação de distritos industriais;
Gabarito (C)
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LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS1. FGV/TCE GO - 2024
Após os devidos trâmites, com vistas a atender antiga demanda da coletividade, o Estado Delta
fez publicar um Decreto expropriatório por interesse social, a fim de viabilizar o estabelecimento
e a manutenção de cooperativas de trabalho agrícola, que recai sobre o imóvel rural de Josué.
Acerca da mencionada situação hipotética, é correto afirmar que o Estado Delta
(A) tem o prazo de cinco anos para ajuizar a respectiva ação de desapropriação.
(B) não tem competência para desapropriar imóvel rural.
(C) deve promover a justa indenização por meio de títulos da dívida agrária.
(D) não poderia realizar a desapropriação para a finalidade social em comento.
(E) há de realizar a venda ou a locação dos bens desapropriados a quem estiver em condições de
dar-lhes a destinação social prevista no Decreto.
2. FGV/SMF-RJ - Analista de Planejamento e Orçamento – 2023
Em razão do aumento exponencial das chuvas, foi constatado que determinada barragem estava
se rompendo, o que colocaria em risco centenas de pessoas residentes no Município Alfa. Por tal
razão, o prefeito municipal, tomando por base esse fato, notificou Maria de que um galpão de
sua propriedade, situado em local elevado, seria provisoriamente ocupado, determinando, ainda,
que os órgãos municipais estruturassem um centro de atendimento médico para possíveis
vítimas, e que os veículos de salvamento fossem ali alocados.
Ao consultar um advogado a respeito da conformidade constitucional da medida adotada pelo
prefeito municipal em relação à sua propriedade, foi corretamente informado a Maria que:
A) ela não será indenizada pelo uso do imóvel, apenas por eventuais danos que lhe sejam
causadas:
B) a medida se mostra ilegal, pois o imóvel somente poderia ser utilizado após prévia e justa
indenização em dinheiro, o que não ocorreu;
C) a medida se mostra ilegal, considerando não ter sido antecedida de ordem judicial
determinando a imissão do Município Alfa na posse;
D) a medida se mostra ilegal, pois não foi antecedida de processo administrativo regular já que
ela apenas foi notificada de uma decisão já tomada;
E) ela fará jus à indenização, em momento posterior, pelas receitas que deixar de arrecadar com o
imóvel e pelos danos eventualmente causados em sua propriedade.
3. FCC - ACE (TCE-GO)/TCE GO/Contabilidade/2022
A servidão administrativa difere das demais modalidades de intervenção na propriedade nos
seguintes termos:
a) da desapropriação, porque impõe sacrifício inerente à condição de administrado, não
autorizando, portanto, indenização ao titular da propriedade que a suportar.
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b) do tombamento, porque a servidão sempre obriga o ente público que a impõe o dever de
indenizar o titular da propriedade que a suporta.
c) da limitação administrativa, que impõe sacrifício ordinário ao proprietário, enquanto a servidão
administrativa pode acarretar restrição à exploração econômica da propriedade, ensejando
direito à indenização.
d) da desapropriação, porque depende de anuência do proprietário do imóvel para sua
imposição, não admitindo imposição mediante poder de império.
e) da requisição administrativa, porque esta se impõe apenas sobre parte do imóvel e a servidão
acarreta restrição permanente na totalidade do imóvel onde for imposta.
4. FCC - AFTE (SEFAZ PE)/SEFAZ PE/2022
Após tramitação de processo administrativo para apuração do valor histórico e arquitetônico de
um prédio pertencente a determinado município, o órgão estadual responsável pela tutela do
patrimônio histórico e artístico estadual editou resolução impondo o tombamento do imóvel, na
forma da legislação aplicável à espécie. A medida adotada
a) configura abuso de poder, considerando que os bens públicos dos entes públicos são
insuscetíveis à intervenção de entes públicos de outras esferas, em especial quando acarretam
alteração de titularidade do bem.
b) possibilita controle judicial para pleito de anulação e de revogação, sendo possível questionar
a suposta relevância histórica e arquitetônica do imóvel que motiva o tombamento.
c) não admite controle de mérito, no que se refere à discricionariedade do tombamento, sendo
admitido controle de legalidade do procedimento legal de instrução, a exemplo da exigência de
trabalhos técnicos e observância do contraditório.
d) demandaria autorização legislativa e ciência ao Tribunal de Contas, porque envolve
intervenção de ente federado hierarquicamente superior, a fim de obstar abuso de poder
econômico.
e) atende aos requisitos legais e constitucionais, inexistindo óbice ao tombamento de imóveis
públicos pertencentes aos entes de qualquer esfera da federação, vedada indenização, em razão
do dever de mútua colaboração.
5. FGV - AJ TRT16/Judiciária/Graduação em Direito/2022
O Município Alfa, para fins de instalação de poste para viabilizar o serviço de iluminação pública,
utilizou, com base no poder de polícia, uma parcela do terreno privado de propriedade de
Marcelo. No caso em tela, o poder público municipal fez uso da intervenção do Estado na
propriedade denominada
a) requisição administrativa.
b) servidão administrativa.
c) limitação administrativa.
d) desapropriação indireta.
e) tombamento.
6. FGV/TCE-AM – cargo do MP - 2021
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Em matéria de intervenção do Estado na propriedade, a chamada desapropriação especial
urbana se dá por interesse social para a política urbana. A desapropriação especial urbana é de
competência:
A concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função sancionatória, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e há necessidade de
pagamento de prévia e justa indenização;
B concorrente da União, estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez
que recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa
indenização;
C concorrente dos estados, municípios e Distrito Federal, tem função pedagógica, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos subutilizados, e há necessidade de pagamento de ulterior e justa
indenização;
D exclusiva dos municípios, tem função sancionatória, uma vez que recai sobre imóveis urbanos
que desatendam a sua função social, e há necessidade de pagamento de prévia e justa
indenização;
E exclusiva dos municípios que possuem plano diretor, tem função sancionatória, uma vez que
recai sobre imóveis urbanos que desatendam a sua função social, e a indenização será feita com
pagamento em títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal.
7. VUNESP/EBSERH – Advogado – 2020
No tocante ao instituto jurídico da desapropriação, assinale a alternativa correta.
a) A desapropriação atinge o caráter perpétuo do direito de propriedade.
b) A desapropriação de glebas que contenham culturas ilegais de plantas psicotrópicas dispensa
indenização prévia.
c) O pagamento de indenização na desapropriação por necessidade pública pode ser feito em
títulos da dívida pública.
d) Os bens de concessionárias de serviço público não são passíveis de desapropriação.
e) O Estado pode desapropriar bem de empresa pública federal afeto a serviço público.
8. IBFC/TRE-PA - Técnico - 2020
O instituto da requisição tem previsão constitucional e pode ser definido como uma das
modalidades de intervenção do Estado na propriedade privada. Nesse sentido, leia abaixo o
excerto do artigo 5º, inciso XXV, da CF/88: Art. 5º. Inciso XXV - no caso de _____, a autoridade
competente poderá _____ de propriedade particular, assegurada ao proprietário _____ , _____;
Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
a) descumprimento da função social / utilizar bens / indenizaçãoproporcional / se houver abuso
b) iminente perigo público / usar / indenização ulterior / se houver dano
c) descumprimento da função social / usar / indenização prévia / se houver abuso
d) iminente perigo público / utilizar bens / indenização prévia / calculados possíveis danos
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9. VUNESP – TJRO/2019
As desapropriações necessárias à adequada prestação de serviço público no regime de
concessão.
a) serão sempre de responsabilidade do Poder Concedente.
b) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação,
competindo ao Poder Concedente editar o decreto de utilidade pública e arcar com o ônus das
indenizações.
c) poderão ser de responsabilidade da concessionária, conforme previsto no edital de licitação,
competindo ao Poder Concedente declarar de utilidade pública os bens necessários à prestação
do serviço e à concessionária arcar com as indenizações cabíveis.
d) serão de responsabilidade da concessionária caso se trate de concessão patrocinada, modelo
em que a ela cabe indicar os bens necessários à prestação do serviço, arcando o Poder Público
com as indenizações relativas aos bens reversíveis.
e) serão sempre de responsabilidade da concessionária, competindo ao Poder Concedente
apenas editar o decreto de utilidade pública.
10.VUNESP – PGM Rio Preto/2019
A respeito da desapropriação, assinale a alternativa correta.
a) A declaração de utilidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação caduca
em cinco anos, caso não efetivada a desapropriação nesse período.
b) A desapropriação é procedimento de competência privativa do Poder Público e, como tal, não
comporta a delegação de qualquer de seus atos a agentes privados.
c) É facultado ao Poder Público municipal exigir do proprietário do solo urbano não edificado ou
subutilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de desapropriação com
pagamento mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos.
d) É facultado ao Poder Público municipal desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa
indenização em títulos da dívida agrária.
e) A desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, exige justa e
prévia indenização em dinheiro, sem exceções.
11.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019
Suponha que o Município de São José dos Campos deseja desapropriar, por razões de utilidade
pública, um imóvel localizado na zona urbana da cidade e que pertence a Maria. Após a fase
declaratória do procedimento para consumação da desapropriação, iniciou-se a fase executória e
o Poder Público ofereceu proposta a Maria, mas ela não concordou. Em face da impossibilidade
do acordo na via administrativa, o Município de São José dos Campos propôs ação judicial de
desapropriação em face da proprietária do bem. Visando promover o interesse público, o Poder
Público deseja imitir-se provisoriamente na posse do bem ainda no curso do processo judicial.
Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que
Antonio Daud
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a) a imissão provisória na posse pressupõe urgência e depósito prévio. Cabe ao Município avaliar
discricionariamente a urgência na imissão provisória e ao Judiciário analisar o ato que alegou
urgência, sendo lícito ao juiz substituir o mérito administrativo.
b) após alegar a urgência, que poderá ser renovada pelo tempo necessário, o Poder Público tem
o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta dias) para requerer a imissão provisória.
c) para que a declaração de urgência com fins de imissão provisória na posse seja considerada
como válida, deve ser realizada exclusivamente no próprio decreto expropriatório.
d) de acordo com o entendimento do STJ, o depósito judicial do valor simplesmente apurado
pelo corpo técnico do ente público, sendo inferior ao valor arbitrado por perito judicial e ao valor
cadastral do imóvel, não viabiliza a imissão provisória na posse.
e) Maria poderá levantar, independentemente de concordância do Município de São José dos
Campos, até 70% (setenta por cento) do depósito efetivado com fins de imissão provisória na
posse.
12.VUNESP – PGM São José dos Campos/2019
A respeito da Requisição, Servidão Administrativa e Tombamento, assinale a alternativa correta.
a) As servidões administrativas podem incidir sobre bens imóveis, móveis e direitos.
b) As requisições administrativas incidem sobre bens móveis ou serviços de particulares, não
podendo incidir sobre bens imóveis.
c) De acordo com o STJ, como não há dispositivo expresso proibindo a hierarquização para o
tombamento, os municípios podem tombar bens públicos estaduais.
d) O tombamento pode ser voluntário ou compulsório, mas não pode ser instituído de ofício.
e) O tombamento geral ou global depende da individualização de todos os bens no ato do
tombamento e exige a prévia notificação de cada proprietário, de acordo com o STJ.
13.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC GO) /PC GO/2017
Um policial andava pela rua quando presenciou um assalto. Ao ver o assaltante fugir, o policial
parou um carro, identificou-se ao motorista, entrou no carro e pediu que ele perseguisse o
criminoso.
Nessa situação, conforme a CF e a doutrina pertinente, tem-se um exemplo típico da
modalidade de intervenção do Estado na propriedade privada denominada
a) limitação administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste.
b) requisição administrativa, cabendo indenização ao proprietário, se houver dano ao bem deste.
c) desapropriação, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de dano ao
bem deste.
d) servidão administrativa, não cabendo indenização ao proprietário, independentemente de
dano ao bem deste.
e) ocupação temporária, não cabendo indenização ao proprietário, mesmo que haja dano ao
bem deste.
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14.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PJC MT) /PJC MT/2017
Enquanto uma rodovia municipal era reformada, o município responsável utilizou, como meio de
apoio à execução das obras, parte de um terreno de particular.
Nessa hipótese, houve o que se denomina
a) servidão administrativa.
b) limitação administrativa.
c) intervenção administrativa supressiva.
d) ocupação temporária.
e) requisição administrativa.
15.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJBA/TJ BA/2019
O Estado, no exercício do poder de polícia, pode restringir o uso da propriedade particular por
meio de obrigações de caráter geral, com base na segurança, na salubridade, na estética, ou em
outro fim público, o que, em regra, não é indenizável. Essa forma de exercício do poder de
polícia pelo Estado corresponde a
a) uma servidão administrativa.
b) uma ocupação temporária.
c) uma requisição.
d) uma limitação administrativa.
e) um tombamento.
16.CEBRASPE (CEBRASPE) - Del Pol (PC MA) /PC MA/2018
A seguir são apresentadas ações realizadas pelo Estado.
I Alocação provisória de determinadas máquinas e equipamentos utilizados em execução de obra
pública em propriedade privada desocupada.
II Instalação de redes elétricas em determinada propriedade privada para fins de execução de
serviço público.
III Determinação de ordem urbanística de proibição de construção além de determinada altura
em região do município.
As hipóteses apresentadas correspondem, respectivamente, às seguintes modalidades de
intervenção do Estado na propriedade
a) ocupação temporária, servidão administrativa e limitação administrativa.
b) requisição administrativa,servidão administrativa e ocupação temporária.
c) requisição administrativa, ocupação temporária e limitação administrativa.
d) servidão administrativa, requisição administrativa e limitação administrativa.
e) ocupação temporária, limitação administrativa e servidão administrativa.
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17.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJCE/TJ CE/2018
Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre determinado
bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter
a) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do
proprietário, ainda que não seja demonstrada a efetiva redução do valor econômico do bem em
função da referida limitação.
b) geral e condição inerente ao exercício do direito de propriedade, inexistindo hipóteses de
indenização.
c) geral, mas que pode dar ensejo a indenização em favor do proprietário na hipótese de a
limitação causar redução do valor econômico do bem, independentemente do momento em que
tenha sido instituída a restrição.
d) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do
proprietário, desde que a aquisição do bem tenha ocorrido anteriormente à instituição da
restrição.
e) geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a
limitação causar redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido
anteriormente à instituição da restrição.
18.CEBRASPE (CEBRASPE) - JF TRF5/TRF 5/2017
Em cada uma das opções a seguir é apresentada uma situação hipotética acerca das formas de
intervenção do Estado na propriedade, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção
correspondente à assertiva correta.
a) O comprador de um imóvel com restrição pretende ser indenizado por ter sofrido limitação
administrativa preexistente constante em nota non aedificandi — proibição de construir —
referente a parte do imóvel, em razão de normas ambientais. Nesse caso, é indevida a
indenização pretendida, pois não há perda da propriedade, mas apenas restrições de uso.
b) Um imóvel de propriedade privada situado às margens de um rio navegável que atravessa
todo o estado foi objeto de decreto expropriatório. Nessa situação, é devida ao proprietário a
indenização de toda a propriedade, incluindo-se a área situada às margens do rio.
c) Uma propriedade particular foi objeto de decreto expropriatório para a construção de um
parque público no local. No entanto, o desabamento de uma escola pública situada em área de
risco levou o estado a construir emergencialmente uma escola na referida propriedade. Nessa
situação, o particular cujo bem foi expropriado poderá utilizar-se da retrocessão para readquirir a
sua propriedade, considerando-se a alteração da finalidade do decreto expropriatório.
d) Decreto do presidente da República instituiu estado de defesa em determinado estado da
Federação, em razão de fortes chuvas que causaram destruição e fizeram muitos habitantes
desabrigados em determinada região. Em virtude do decreto, foi possível a ocupação temporária
de uma propriedade privada próxima ao local mais afetado. Nessa situação, considerando-se a
relevância do interesse público e a urgência da situação, a União não responderá pelos custos
decorrentes da ocupação temporária.
e) Um imóvel de propriedade da União situa-se no centro histórico de um município e conserva
todas as características históricas e arquitetônicas da época colonial. Nesse caso, o município é
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impedido de efetuar o tombamento desse imóvel, pois, apesar de se tratar de hipótese de
exercício de competência concorrente, incide o princípio da hierarquia federativa.
19.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018
A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato
expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no
local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a
previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém,
nada foi feito e a edificação permaneceu fechada.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
Ocorreu, no caso do primeiro imóvel, a tredestinação lícita.
( ) Certo
( ) Errado
20.CEBRASPE (CEBRASPE) - Adv (EBSERH)/EBSERH/2018
A administração pública promoveu a desapropriação de dois imóveis. No primeiro, o ato
expropriatório previa a construção de uma escola. No entanto, após três anos, construiu-se no
local um abrigo para moradores de rua. Quanto ao segundo, que já contava com edificação, a
previsão era de que o imóvel fosse aproveitado para servir de unidade de saúde pública, porém,
nada foi feito e a edificação permaneceu fechada.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
Na situação relacionada ao segundo imóvel, o particular que teve seu bem desapropriado poderá
pleitear somente revisão do valor da indenização.
( ) Certo
( ) Errado
21.CEBRASPE (CEBRASPE) - JE TJPR/TJ PR/2017
Assinale a opção correta a respeito da desapropriação indireta.
a) Se a administração conferir destinação pública a determinado bem, o particular prejudicado
poderá recorrer a ações possessórias, reivindicatórias e indenizatórias.
b) O juízo competente para processar e julgar a desapropriação indireta é o do foro de situação
do bem.
c) A afetação do bem particular a um fim público constitui forma de transferência da propriedade.
d) Por observar o devido processo legal, a desapropriação indireta é instituto amplamente
praticado e permitido pela legislação brasileira.
22.CEBRASPE (CEBRASPE) - PJ (MPE RR) /MPE RR/2017
Concluído determinado processo de desapropriação, com o pagamento integral do valor e a
incorporação do bem ao patrimônio do poder público, este decidiu devolver o bem expropriado
ao antigo dono, por não lhe ter sido atribuída a destinação prevista no decreto expropriatório
nem qualquer outra destinação pública.
Antonio Daud
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Essa reversão do procedimento expropriatório é denominada
a) tredestinação lícita.
b) desapropriação indireta.
c) desistência da desapropriação.
d) retrocessão.
23.CEBRASPE (CEBRASPE) - Proc Mun (BH)/Pref BH/2017
Com relação à intervenção do Estado na propriedade, assinale a opção correta.
a) Compete à União, aos estados e ao DF legislar, de forma concorrente, sobre desapropriação,
estando a competência da União limitada ao estabelecimento de normas gerais.
b) Expropriação ou confisco consiste na supressão punitiva de propriedade privada pelo Estado,
a qual dispensa pagamento de indenização e incide sobre propriedade urbana ou rural onde haja
cultura ilegal de psicotrópico ou ocorra exploração de trabalho escravo.
c) Servidão administrativa é a modalidade de intervenção que impõe obrigações de caráter geral
a proprietários indeterminados, em benefício do interesse geral abstratamente considerado, e
afeta o caráter absoluto do direito de propriedade.
d) Requisição é a modalidade de intervenção do Estado supressiva de domínio, incidente sobre
bens móveis e imóveis, públicos ou privados, e, em regra, sem posterior indenização.
24. IBFC - TJ (TJ PE) /TJ PE/Administrativa/2017
Assinale a alternativa que não contempla uma hipótese de verificação da requisição
administrativa.
a) Estado de guerra
b) Proteção da saúde de comunidades
c) Proteção do meio ambiente ante possível degradação
d) Inundação de grandes proporções
e) Epidemia
25. IBFC- AuxLg (CM F Santana) /CM Feira de Stana/Administrativo/2018
Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação após analisar os itens abaixo.
a) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, ou, ainda, por interesse
social
b) A desapropriação pode se dar por utilidade ou necessidade pública, mas não por interesse
social
c) A desapropriação pode se dar por utilidade ou por interesse social, mas não por necessidade
pública
d) A desapropriação pode se dar por necessidade pública ou por interesse social, mas não por
utilidade
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26. IBFC - Proc (CM F Santana) /CM Feira de Stana/2018
Assinale a alternativa correta sobre a desapropriação.
a) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que
pode levar à retrocessão da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
b) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a destinação, que
pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
c) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a tresdestinação, que
pode levar à homologação da desapropriação, com o retorno do bem ao expropriado
d) Se o bem desapropriado for usado para interesses particulares dar-se-á a redestinação, que
pode levar à realização da desapropriação, com o retorno do bem ao poder público
27. IBFC - Asst (CM Aqa) /CM Araraquara/Técnico Legislativo/2017
No que diz respeito ao tema da desapropriação, assinale a alternativa incorreta:
a) O Poder Executivo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao
Legislativo, praticar os atos necessários à sua efetivação
b) Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato
deverá preceder autorização legislativa
c) Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que
exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante
autorização expressa, constante de lei ou contrato
d) Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão concessiva da imissão
provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo expropriante com o consequente
registro da propriedade na matrícula do imóvel
28.FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019
Uma empresa privada venceu licitação para construir e explorar uma linha elevada de monotrilho.
Todavia, ao iniciar a execução da obra, observou que o traçado planejado passaria sobre terrenos
privados ainda não construídos, atualmente explorados para plantio de hortaliças pelos
respectivos proprietários, incentivados por programa municipal de horta urbana, que lhes
concede isenção do IPTU. Sabe-se que a operação da linha elevada não impedirá a continuidade
dessa exploração pelos proprietários, ressalvada a ocupação temporária de parcela dos terrenos,
durante a execução das obras. O instituto adequado para promover a intervenção na
propriedade, no caso em tela, é
(A) a servidão administrativa.
(B) o arrendamento compulsório.
(C) o tombamento.
(D) a desapropriação.
(E) a requisição administrativa.
29.FCC - Del Pol (PC AP) /PC AP/2017
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Em uma área de expansão urbana determinado Município está providenciando a instalação de
equipamentos públicos, a fim de que o crescimento populacional se dê de forma ordenada e
sustentável. Durante a construção de uma unidade escolar, apurou-se que não seria possível
executar a solução de esgoto originalmente idealizada, que contempla um emissário de esgoto,
mostrando-se necessária a identificação de outra alternativa pela Administração pública. Dentre
as possíveis, pode o Município em questão
a) promover, demonstrada a viabilidade técnica, a instalação de emissário de esgoto para ligação
com o sistema já existente, utilizando-se, para tanto, da instituição de uma servidão
administrativa.
b) realizar uma licitação específica para elaboração e execução de projeto de instalação do
emissário de esgoto, independentemente do valor, dado seu caráter emergencial.
c) lançar mão da requisição administrativa, para imediata imissão na posse do terreno necessário
para implementação das obras, diferindo-se a indenização devida.
d) desapropriar judicialmente a faixa de terreno necessária à implementação do emissário de
esgoto, tendo em vista que o ajuizamento da ação já autoriza a imissão na posse do terreno
objeto da demanda.
e) instituir uma servidão de passagem, sob o regime do código civil, tendo em vista que
dispensa a anuência do dono do terreno e de prévia indenização, apurando-se o valor devido
após a instalação do equipamento, que indicará o nível de restrição ao uso da propriedade.
30.FGV/MP-RJ - Analista Administrativo - 2019
Para melhor proteger o patrimônio histórico do Município Alfa, que contava com construção
ornada com pinturas de importante pintor nascido na localidade, o Prefeito foi informado de que
a medida mais adequada seria o tombamento. Um assessor próximo ao Chefe do Executivo,
porém, afirmou que a medida seria inadequada, pois (a) tem vigência temporária, (b) precisa ser
renovada a cada alienação do imóvel, (c) sempre exige prévia indenização e (d) pode ser
cancelada. À luz da ordem jurídica vigente, o assessor somente está certo em relação à(s)
observação(ões):
(A) (c);
(B) (d);
(C) (a) e (c);
(D) (b) e (c);
(E) (a), (b) e (d).
31. IBFC – Pref. Santo Agostinho – Procurador - 2019
Acerca das intervenções do Estado na propriedade privada, analise as afirmativas abaixo e dê
valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) O tombamento é forma de intervenção do Estado na propriedade privada, que tem por
objetivo a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.
( ) O tombamento incide apenas sobre bens imóveis.
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( ) O tombamento somente poderá acarretar consequências ao proprietário do bem tombado e
não a terceiros.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
a) V, V, V
b) V, V, F
c) F, F, V
d) F, V, F
32.FCC - Ana Fom (AFAP)/AFAP/Advogado/2019
A necessidade de implantação de unidades habitacionais destinadas a população de baixa renda
e a edificação de uma unidade hospitalar para atendimento da população em geral justifica, por
parte do Município, a
a) edição de decreto de declaração de interesse social para a implantação das unidades
habitacionais e para construção da unidade hospitalar, porque este também se destina a baixa
renda.
b) desapropriação de áreas públicas ou particulares para instalação da unidade hospitalar e das
unidades habitacionais, em razão da prevalência da finalidade pública da medida.
c) declaração de utilidade pública das áreas necessárias para as obras, precedida da
comprovação da existência da integralidade de recursos financeiros para edificação das obras
indicadas, mesmo que estas ultrapassem mais de um exercício.
d) a desapropriação dos terrenos necessários à implantação das obras, cuja indenização, devido
ao interesse social que fundamenta a atuação do poder público, poderá ser paga em títulos da
dívida pública após a conclusão das obras.
e) edição de decreto de declaração de interesse social, que justifica a implantação das unidades
habitacionais, bem como de declaração de utilidade pública, para implantação do equipamento
público destinado à unidade hospitalar.
33.FCC - DP AM/DPE AM/2018
Suponha que o Estado do Amazonasartística ou literária; 
p) os demais casos previstos por leis especiais. 
Desapropriação por interesse social 
Vimos anteriormente que, a despeito de o Estado assegurar aos particulares a proteção à 
propriedade privada, sua utilização deverá estar alinhada à sua função social. 
Nesse sentido, ao se desviar de sua função social, a propriedade torna-se passível de ser 
desapropriada por interesse social. 
Esta modalidade comporta três espécies, a saber: 
 a) desapropriação para fins de reforma agrária 
 b) desapropriação urbanística 
 c) desapropriação ordinária 
 
➢ Desapropriação para reforma agrária 
Em síntese, se estivermos diante de propriedade rural que desatenda à sua função social, terá 
lugar a desapropriação de terras rurais para reforma agrária. 
A competência para tal desapropriação é atribuída à União, conforme disposto no próprio texto 
constitucional: 
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CF, art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma 
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa 
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, 
resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja 
utilização será definida em lei. 
A partir da transcrição supra, notem que a indenização, neste caso, ocorre por meio de títulos da 
dívida agrária. 
No plano infraconstitucional, destaco que esta espécie encontra-se regulamentada principalmente 
pelas Leis 8.629/1993 e 4.504/1964 (Estatuto da Terra). 
 
➢ Desapropriação urbanística 
Por outro lado, sendo propriedade urbana que encontra-se desalinhada à função social definida 
no plano diretor do município, surge a figura da desapropriação urbanística. 
O fundamento constitucional para esta espécie está no art. 182 da Magna Carta: 
CF, art. 182, § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às 
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. 
 
CF, art. 182, § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa 
indenização em dinheiro. 
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no 
plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não 
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob 
pena, sucessivamente, de: (..) 
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão 
previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em 
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros 
legais. 
 
No plano infraconstitucional, a desapropriação urbanística encontra-se disciplinada principalmente 
na Lei 10.257/2001 (Estatuto da Cidade). 
A partir de seu art. 8º, é possível perceber que a desapropriação mediante pagamento de títulos 
da dívida pública (mencionada no art. 182, §4º, III, acima) reúne as seguintes características: 
➢ depende da existência de plano diretor (o qual estabelece as exigências de ordenação do 
município) 
➢ o imóvel deve estar subutilizado 
➢ a desapropriação somente poderá ocorrer após: 
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➢ o proprietário descumprir as determinações municipais quanto ao parcelamento, 
edificação ou utilização compulsórios e 
➢ passados 5 anos consecutivos da fixação do IPTU progressivo no tempo 
➢ ao final, o Município poderá desapropriar o imóvel com pagamento em títulos da dívida 
pública (não agrária) 
Segundo leciona Di Pietro10, esta também é modalidade de desapropriação sancionatória. 
Percebam que esta espécie expropriatória é de competência dos municípios e, também11, ao 
Distrito Federal. 
➢ Desapropriação ordinária 
Por fim, há ainda as desapropriações por interesse social que não possuem regras específicas 
previstas nos diplomas mencionados acima (Estatuto da Cidade ou Estatuto da Terra). Seria uma 
espécie de “vala comum” da desapropriação por interesse social, a qual chamaremos aqui de 
desapropria ordinária por interesse público. 
Esta modalidade expropriatória é regulamentada, principalmente, pela Lei 4.132/1962, que 
“define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação”. 
Nos termos de seu art. 1º, a desapropriação por interesse social será decretada para “promover a 
justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social”. 
Lei 4.132/1962, art. 2º, I - o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem 
correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de 
população a que deve ou possa suprir por seu destino econômico; 
III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e 
trabalho agrícola: 
IV - a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou 
tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos residenciais 
de mais de 10 (dez) famílias; 
V - a construção de casa populares; 
VI - as terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e 
serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação 
armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente 
aproveitadas; 
 
10 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 
6.10.3 
11 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados 
e Municípios. 
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VII - a proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas 
florestais. 
VIII - a utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados 
ao desenvolvimento de atividades turísticas. 
 
Quanto à competência para desapropriação por interesse social, temos o seguinte diagrama: 
Espécie de desapropriação 
por interesse social 
Competência 
Reforma agrária União 
Urbanística Municípios e DF 
Ordinária 
União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios 
Desapropriação Confiscatória 
Esta modalidade trata da desapropriação das propriedades rurais e urbanas nas quais forem 
identificadas o cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo (CF, art. 
243). 
Há três características marcantes desta modalidade: 
 a) o proprietário não recebe qualquer indenização 
 b) os bens expropriados já têm destino determinado: reforma agrária e programas de 
habitação popular 
 c) não há necessidade de expedição de decreto desapropriatório prévio12 
 
Estas considerações decorrem da previsão constitucional desta modalidade expropriatória: 
CF, art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem 
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo 
na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de 
 
12 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 936 
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habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras 
sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. 
E da regulamentação infraconstitucional contida na Leipretenda construir um anel viário interligando diversas
rodovias. A obra em questão importa intervenção em terrenos de particulares e, também, em
uma área de propriedade de Município, que se encontra ocupada irregularmente.
Diante de tal cenário, afigura-se juridicamente viável a
a) desapropriação dos imóveis particulares e também daquele pertencente ao Município, este
último dependendo de autorização legislativa, ambos condicionados à prévia indenização.
b) desapropriação dos imóveis privados apenas, eis que o de propriedade do Município é
protegido pelo regime público ainda que não afetado a finalidade específica.
c) requisição das áreas, tanto públicas como privadas, e a subsequente desapropriação, com
pagamento de indenização apenas ao final do processo.
d) imediata desocupação e imissão na posse da área municipal, independente de indenização, e
a desapropriação das áreas privadas, mediante edição de decreto de utilidade pública.
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e) doação, independente de autorização legislativa, do imóvel municipal ao Estado, e a
desapropriação dos imóveis particulares, vedada a imissão na posse antes da concordância
destes com o valor da indenização fixada judicialmente.
34.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018
O Governo do Estado decidiu construir um conjunto habitacional popular em área urbana,
situada na região metropolitana de Palmas. Para tanto, verificou-se a existência de um terreno de
dimensão adequada, situado em área incluída no plano diretor e declarada passível de edificação
compulsória por lei municipal. Embora notificado há dez anos para promover a edificação no
terreno, o proprietário quedou-se inerte, sendo que há mais de cinco anos vem sendo aplicado o
IPTU progressivo no tempo. Nesse caso, o Governo do Estado
a) poderá promover desapropriação por interesse social do imóvel, todavia mediante justa e
prévia indenização, em dinheiro.
b) está impedido de promover a desapropriação do terreno, em vista da exclusiva competência
municipal para promover a desapropriação de áreas urbanas destinadas à habitação popular.
c) poderá promover a desapropriação-sanção do terreno, com o pagamento de indenização em
títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de
resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais, por se tratar de terreno situado em região metropolitana.
d) poderá editar decreto de desapropriação por interesse social, em benefício do município em
que está situado o imóvel, que ficará responsável pelo pagamento da indenização em títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até 10 anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os
juros legais.
e) deve encaminhar pedido de autorização à Assembleia Legislativa para a desapropriação do
terreno, visto que se trata de bem sob domínio municipal.
35.FCC - Proc (PGE TO) /PGE TO/2018
Considere que determinada Municipalidade precise desapropriar um terreno para instalação de
um equipamento público. Durante a avaliação pericial da área para identificação do valor do
imóvel foi apurado que o terreno apresentava contaminação do solo, decorrente da destinação
pelo proprietário para atividades não autorizadas. O ente público expropriante
a) poderá desistir da desapropriação, diante do vício de legalidade, cabendo, contudo,
indenização em favor do proprietário do terreno, por não ter dado causa à desistência da área,
esta que constituiu decisão discricionária do ente.
b) deverá necessariamente arcar com os custos de descontaminação, que não podem ser
imputados no valor da avaliação, sendo inerentes ao risco da aquisição.
c) pode pleitear que a indenização devida ao proprietário da área seja posterior à
desapropriação, e não prévia, como usual, em razão da necessidade de ser incluído o custo de
descontaminação da área.
d) deve desistir da desapropriação, já que o valor estimado da indenização será necessariamente
superado em razão do custo de indenização.
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e) poderá pleitear a dedução do custo de descontaminação do valor da indenização, já que
havia responsabilidade do dono do terreno pela observância da legislação ambiental vigente.
36.FCC - AJ TRT6/TRT 6/Judiciária/"Sem Especialidade"/2018
A instalação de um laboratório de análises clínicas por um Estado da Federação vem
encontrando dificuldades na escolha da alternativa de localização disponível. Havendo a
definição da melhor região para tanto,
a) deverá o Estado licitar a aquisição de um imóvel, indicando as características necessárias para
instalar as atividades, não sendo possível, no entanto, especificar a região.
b) poderá o Estado desapropriar o imóvel que melhor atenda as necessidades da atividade a ser
desenvolvida no local, mediante justa e prévia indenização.
c) deverá o Estado adquirir o imóvel onerosamente diretamente de seu proprietário, negócio
jurídico que deverá se formalizar contratualmente, mediante vontade das duas partes, vedada
expropriação pelo Estado.
d) deverá o Estado desapropriar o terreno que melhor atender as características essenciais ao
atingimento da finalidade, inexistindo previsão legal para aquisição direta de bens imóveis por
entes públicos.
e) poderá o Estado comprar o terreno mediante dispensa de licitação, não sendo permitido ao
proprietário discutir o preço ou o momento da desocupação.
37.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Técnico Jurídica/Apoio Jurídico/2018
Considere que um Município tenha desapropriado um terreno para implantar um conjunto
habitacional para famílias de baixa renda.
Decorridos dez anos, o terreno continua desocupado e abandonado, estando sob guarda e
vigilância da Municipalidade. Uma vez que a região onde está localizado o terreno sofreu sensível
valorização, o que refletiu no valor do imóvel, o Município pretende alienar onerosamente o bem.
Para tanto, um requisito indispensável à regularidade dessa alienação é a
a) licitação, sob a modalidade concorrência, dispensada avaliação prévia, já que o Município
possui o cadastro de valores fiscais dos imóveis.
b) realização de avaliação prévia, bastando que tenha sido feita uma vez para o imóvel.
c) intimação do expropriado para, querendo, exercer seu direito de preferência para aquisição do
imóvel nas mesmas condições que seriam oferecidas ao mercado, sob pena de caracterização de
retrocessão.
d) obrigatoriedade de colocar o imóvel em licitação, cabendo ao expropriado concorrer com os
demais interessados, podendo o mesmo, entretanto, oferecer proposta no valor da indenização
que recebeu quando da desapropriação, cabendo à Administração pública a escolha
discricionária em relação à opção de maior valor.
e) comprovação de que não se trata de bem de uso público, já que somente os bens de uso
especial e os dominicais podem ser alienados independentemente de autorização específica.
38.FCC - Ana Leg (ALESE)/ALESE/Apoio Técnico ao Processo Legislativo/Processo
Legislativo/2018
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110
==1365fc==
Um município viu sua população crescer sensivelmente nos últimos anos e a demanda por
atendimento médico superar a capacidade do único hospital municipal em funcionamento na
região. Em função disso, a Secretaria de Saúde buscou junto à União recursos para financiar a
ampliação da unidade, para oferta de novos leitos, pronto-socorro e Unidade de Terapia Intensiva
− UTI. No terreno vizinho ao hospital, funciona umestacionamento que se beneficia justamente
do fluxo de pessoas gerado pela unidade de saúde. O proprietário, entretanto, recusa-se a
alienar voluntariamente o terreno ao Município, alegando que outro terreno seria mais adequado
para tanto. A população pleiteou auxílio dos vereadores locais, representantes do povo no
Legislativo, o que ensejou a edição de uma lei declarando de utilidade pública o terreno, para
fins de desapropriação. A lei editada em razão de iniciativa parlamentar
a) é regular e válida, sendo competência do Poder Executivo, no entanto, o ajuizamento da
desapropriação, que demandará indenização após a sentença judicial.
b) não produz efeitos, na medida em que o Prefeito seria a autoridade competente para expedir
decreto de expropriação, cabendo ao Legislativo, no limite, a possibilidade de sugerir a medida
ao Executivo.
c) depende de sanção do Chefe do Executivo, o que se insere em seu poder regulamentar e
decorre do fato de que a desapropriação será ajuizada pela Administração pública.
d) pode produzir efeitos, tendo em vista que tal lei pode ser convalidada pelo Executivo e o vício
sanado no caso de o expropriado aceitar a desapropriação amigável.
e) invade competência exclusiva do Chefe do Executivo, mas é admitida em casos como o
narrado, de urgência e notório interesse público, desde que haja concordância do Prefeito.
39.FCC - AJ TRT2/TRT 2/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador Federal/2018
A desapropriação de terrenos para implantação de unidades escolares depende
a) de prévia declaração de interesse social, subscrita pelo Chefe do Executivo ou por autoridade
a quem este delegar formalmente tal atribuição.
b) de concordância do expropriado em relação ao preço ofertado pelo expropriante, em
observância ao princípio da justa indenização.
c) da existência de imóveis vagos, considerando que há expressa vedação legal para
expropriação de imóveis ou terrenos ocupados por pessoas.
d) de prévia declaração de utilidade pública, podendo a expropriação ser proposta
judicialmente, hipótese em que não é imprescindível a concordância do expropriado em relação
ao preço ofertado.
e) da comprovação da inexistência de outros imóveis que possam ser aproveitados pela
Administração pública para a mesma finalidade, ainda que não preencham todos os requisitos
técnicos de adequação e necessidade.
40.FCC - DP RS/DPE RS/2018
No que tange à desapropriação, é correto afirmar:
a) A desapropriação por utilidade pública é aquela que decorre de um imperativo irremovível e
indispensável, pressupondo-se que sem ela não se pode iniciar, alcançar ou continuar o interesse
público.
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b) A desapropriação por necessidade pública é aquela que se revela necessária para alcançar
uma posição conveniente e vantajosa para a Administração Pública.
c) Tredestinação ou tresdestinação é a modificação legítima realizada no decorrer do
procedimento expropriatório, viabilizada pela supremacia do interesse público, que possibilita a
alteração de uma desapropriação por utilidade pública em desapropriação por necessidade
pública e vice-versa, caracterizando mero desvio de finalidade genérico.
d) O desvio de finalidade genérico possibilita a retrocessão, consequência que não ocorre no
desvio de finalidade específico, caso em que poderá ser convalidado o desvio, ressalvados
alguns casos previstos em lei, como a desapropriação destinada à implantação de parcelamento
popular, destinado às classes de menor renda.
e) Para viabilizar o interesse público na esfera de competência material de todos os entes
federativos, a Constituição Federal outorgou competência legislativa concorrente para a União,
os Estados e os Municípios.
41.FCC - DP AM/DPE AM/2018
Tendo o Estado desapropriado diversos terrenos para a construção de rodovia, constatou, ao final
das obras, a existência de algumas áreas remanescentes que não se mostraram necessárias ou
úteis para a instalação de equipamento público, estando, assim, sem destinação específica.
Referidos terrenos
a) podem ser alienados, mediante prévia autorização legislativa, observado o direito de
preempção dos expropriados.
b) são considerados bens de uso comum do povo, somente perdendo tal condição mediante
destinação por lei específica.
c) constituem bens de uso especial, mantendo tal natureza enquanto não atrelados a finalidade
específica.
d) não possuem natureza de bem público, eis que não afetados a serviço ou atividade específica.
e) perdem, após 5 anos sem uso efetivo, a condição de bens indisponíveis, passando ao
patrimônio privado.
42.FCC - Proc (PGE AP) /PGE AP/2018
Considere que, visando realizar obras de saneamento básico, o Estado do Amapá edita decreto
no qual declara a utilidade pública, para fins de desapropriação, de imóvel residencial urbano
habitado pelo respectivo proprietário, em favor da Companhia de Água e Esgoto do Amapá
(CAESA). A referida empresa estatal ajuíza a ação de desapropriação e, na petição inicial, alega
urgência e requer a imissão provisória no imóvel expropriando. Nesse caso,
a) não deve ser concedida a imissão provisória, visto que a urgência deveria ser previamente
declarada no decreto de utilidade pública.
b) se houver impugnação pelo expropriado, haverá arbitramento de indenização provisória pelo
juiz, que somente autorizará a imissão, se o expropriante complementar o depósito para que este
atinja a metade do valor arbitrado.
c) não é possível imissão provisória, pois o direito à moradia se sobrepõe à conveniência da
Administração Pública.
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d) deve haver a citação do expropriado antes da decisão sobre a imissão provisória na posse.
e) a empresa estatal nunca terá competência para ajuizar ação de desapropriação, que deve ser
proposta diretamente pelo ente que emitiu o decreto de utilidade pública.
43.FCC - Proc Mun (Caruaru)/Pref Caruaru/2018
Em relação à desapropriação, é correto afirmar que
a) por se tratar de matéria administrativa, compete a cada ente da Federação legislar sobre
desapropriação.
b) na desapropriação por descumprimento da função social da propriedade rural, de
competência dos Estados, o pagamento é feito em títulos da dívida agrária, resgatáveis em até
vinte anos, sendo as benfeitorias úteis e necessárias pagas em dinheiro.
c) é vedada aos Municípios a realização de desapropriação de imóvel rural.
d) a desapropriação é forma derivada de aquisição de propriedade e, por conta disso, se a
indenização for paga a terceiro que não proprietário, a desapropriação se torna inválida.
e) a desapropriação por utilidade pública deve ser efetivada mediante acordo ou intentada
judicialmente, no prazo de cinco anos, contados da data da expedição do decreto.
44.FCC - TJ TRT11/TRT 11/Administrativa/2017
Na ação de desapropriação,
a) a transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, ficará
sujeita ao imposto de lucro imobiliário.
b) é incabível a imissão provisória na posse dos bens.
c) a instância interrompe-se no caso de falecimento do réu.
d) não serão atendidas, no valor da desapropriação, o valor das benfeitorias necessárias feitas
após a desapropriação.
e) a contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço.
45.FCC - Ana (DPE RS) /DPE RS/Administração/2017
Necessitando o Poder Público implantar uma importante obra viária, incluindo a construção de
uma rodovia para interligação de três municípios, deparou-se com a existência de áreas ocupadas
no trajeto, em sua maioria imóveis regularizados. Em razão desse aspecto, o Poder Público
a) deve alterar o traçado da rodovia para não atingimento de trechos ocupados, caso esses
imóveis tenham características urbanas,sirvam à efetiva residência de seus proprietários e
constituam única propriedade dos mesmos.
b) pode adquirir todas as propriedades onerosamente, pelo valor que seus proprietários
atribuírem e demonstrarem, a fim de que a desocupação seja voluntária, sob pena do emprego
de poder de polícia para desocupação, que difere o acordo quanto à precificação dos imóveis.
c) pode desapropriar os imóveis, mediante prévia indenização em dinheiro pelo valor de
mercado, demonstrado em avaliação técnica, a fim de garantir a adequada equivalência e
viabilizar a realocação dos proprietários em outro local.
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d) deve desapropriar os imóveis, mediante justa e prévia indenização, parte em dinheiro e parte
mediante expedição de precatório, mostrando-se inviável qualquer alteração de traçado ou
acordo, tendo em vista a importância da obra de infraestrutura e seu cronograma de
implantação.
e) pode requisitar administrativamente as áreas, diante da urgência e da finalidade da
desocupação, apurando-se, na sequência, o valor de mercado dos imóveis e, no caso de
discordância entre as partes, recorrendo-se à via judicial.
GABARITOS
1. E
2. A
3. C
4. C
5. B
6. E
7. A
8. B
9. C
10. C
11. D
12. C
13. B
14. D
15. D
16. A
17. E
18. A
19. C
20. E
21. C
22. B
23. D
24. B
25. A
26. A
27. A
28. A
29. A
30. B
31. B
32. E
33. A
34. A
35. E
36. B
37. C
38. B
39. D
40. D
41. A
42. B
43. E
44. E
45. C
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1108.257/1991 (desapropriação em razão do 
cultivo ilegal de plantas psicotrópicas). 
 
 
Bens suscetíveis de Desapropriação 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
Como regra geral, todo bem que possua valor patrimonial está sujeito à desapropriação, seja 
móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo, público ou privado (exemplos: subsolo, ações de uma 
empresa, veículos, terrenos e edifícios). 
Há, no entanto, alguns bens que não estão sujeitos à desapropriação, a exemplo dos seguintes13: 
 
13 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1136-1137 
desapropriação
por utilidade 
pública
por 
necessidade 
pública
interesse social
reforma 
agrária
competência da 
União
títulos da dívida 
agrária
urbanística
competência 
dos municípios e 
DF
títulos da dívida 
pública
desatendimento 
do plano diretor
somente 
após
parcelamento/utiliza
ção compulsória
IPTU progressivo 
por 5 anos
ordinária
confiscatória
cultivo ilegal de plantas 
psicotrópicas ou explor. de 
trabalho escravo
sem indenização
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==1365fc==
a) moeda corrente do País (já que é o meio utilizado justamente para pagamento da 
indenização pela desapropriação, como regra) 
b) direitos personalíssimos, como a liberdade, a honra e a cidadania 
c) margens dos rios navegáveis14 
d) desapropriação de pessoas jurídicas, pois são sujeitos de direitos, e não objetos (embora 
suas ações e quotas sociais possam ser desapropriadas). 
 
➢ Desapropriação de bens públicos 
Além dos bens particulares, os bens públicos também estão sujeitos à desapropriação. Para tanto, 
é necessário que o ente federativo promotor da desapropriação observe duas condições: 
 1) a desapropriação seja realizada pelo ente federativo com território mais abrangente 
sobre bens do ente com território menos abrangente 
 2) seja editada lei pelo ente federativo (e não apenas decreto) 
 
 
O item 1 acima merece maior detalhamento: o ente federativo com território “mais abrangente” 
pode desapropriar bens daquele menos abrangente. 
Assim, a União poderá desapropriar bens pertencentes aos estados e aos municípios; e os estados 
podem desapropriar bens dos municípios. Este é o chamado princípio da hierarquia federativa15. 
No entanto, o contrário não é verdadeiro. Ou seja, um estado não poderá desapropriar bens da 
União, tampouco um município pode desapropriar bens estaduais ou federais ou de outros 
municípios. E, claro, um estado não poderá desapropriar bens de municípios que não estejam em 
seu território. 
 
 
14 SUM-479 do STF: As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de 
expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização. 
15 STF. ACO 1208. Rel. Min. Gilmar Mendes 
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Por outro lado, os municípios e o Distrito Federal não podem desapropriar bens nas demais 
entidades federativas e a União não poderá ter os seus bens desapropriados. 
- - - - 
As duas condições comentadas acima são extraídas do seguinte trecho do Decreto-Lei 
3.365/1941: 
Art. 2º, § 2º Será exigida autorização legislativa para a desapropriação dos bens de 
domínio dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal pela União e dos bens de 
domínio dos Municípios pelos Estados. 
§ 2º-A. Será dispensada a autorização legislativa a que se refere o § 2º quando a 
desapropriação for realizada mediante acordo entre os entes federativos, no qual serão 
fixadas as respectivas responsabilidades financeiras quanto ao pagamento das 
indenizações correspondentes. 
 
Vejam só como tais regras foram cobradas nesta questão: 
CEBRASPE - AJ TRF1/TRF 1 
A União tem permissão para desapropriar bens de domínio dos estados e dos municípios mediante 
declaração de utilidade pública e autorização legislativa. 
Gabarito (C). Como se trata de bem público, são necessários: autorização legislativa (lei federal, neste caso) 
e declaração de utilidade pública (na forma de decreto, como nas demais desapropriações). 
Competência 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
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O estudo quanto à competência relacionada à desapropriação merece ser estudada sob três 
primas: (a) competência legislativa para legislar a respeito de desapropriação; (b) competência 
declaratória; (c) competência executória. 
Competência legislativa 
A competência para legislar sobre o tema “desapropriação” é privativa da União (CF, art. 22, II). 
Assim, apenas a União poderá estabelecer normas jurídicas sobre este assunto. 
No entanto, nos termos do parágrafo único do art. 22 da CF, poderá ser delegada aos estados e 
ao Distrito Federal a competência para legislar sobre questões específicas, desde que por meio 
de lei complementar (CF, art. 22, parágrafo único). 
Competência declaratória 
Já a competência para declarar determinado bem - como de utilidade ou necessidade pública ou 
de interesse social - para fins de desapropriação (competência declaratória) é comum a todos os 
entes federativos. 
Dessa forma, União, estados, Distrito Federal e municípios detêm competência para declarar a 
necessidade, utilidade pública ou interesse social de determinado bem. 
Reparem que as entidades da administração indireta, mesmo aquelas que possuem personalidade 
de direito público, não possuem tal prerrogativa. A declaração compete apenas aos entes com 
competência política. 
Aproveito para lembrar que, tratando-se de desapropriação para fins de reforma agrária, a 
competência declaratória é atribuída à União (CF, art. 184). Tratando-se, por outro lado, de 
desapropriação urbanística, a competência declaratória é dos municípios e, também16, ao Distrito 
Federal. 
Competência executória 
Por fim, a competência para promover a desapropriação, executando-se as medidas necessárias 
à efetivação da transferência da propriedade (competência executória), é ainda mais ampla. 
A competência executória já alcança, além dos entes federativos, as entidades da administração 
indireta, bem como particulares delegatários de serviços públicos (concessionários e 
permissionários). 
Em síntese: 
 
16 CF, art. 32, § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados 
e Municípios. 
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Fases do Procedimento de Desapropriação 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
A doutrina em geral define a desapropriação como sendo um procedimento administrativo. Este 
procedimento possuirá duas fases: (i) declaratória e (ii) executória. A fase executória, por sua vez, 
pode se desenrolar na via administrativa ou na via judicial: 
 
Adiante iremos detalhar as características destas duas fases. 
Fase declaratória 
Na fase declaratória, o poder público irá declarar a existência de utilidade pública, necessidade 
pública ou interesse social em relação a determinado(s) bem(ns). 
competências
legislativa
privativa da União
delegável aos Estados/DF 
lei complementar
questões 
específicas
declaratória
regra: União, Estados, DF e 
Municípios
desapropriação p/ reforma 
agrária: União
desapropriação urbanística: 
Municípios e DF
executória
todos os entes federativos
administração indireta
delegatários de serviços 
públicos
fases do 
procedimento de 
desapropriação
declaratória
executória
administrativa
judicial
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Outra declaração deve ser feita nesta fase: declaração da finalidade que será dada ao bem após 
sua desapropriação. 
Tais declarações podem se exteriorizar na forma de decreto ou ato legislativo de efeitos concretos 
(neste último caso, a doutrina defende que este ato legislativo poderia ser uma lei ou decreto 
legislativo17). 
Como exige a expedição de decreto (Poder Executivo) ou de ato legislativo, a fase declaratória 
será sempre realizada pelo ente federativo (União, Estados, DF ou municípios). 
 
Apesar de se exteriorizar na forma de um decreto, como regra geral, a declaração de que o imóvel 
tem utilidade/necessidade pública ou interesse social consiste em ato de efeitos concretos. Não 
se trata de ato normativo (o qual possui conteúdo geral e abstrato). 
Além disso, é ato administrativo discricionário, na medida em que resulta do entendimento do 
chefe do Executivo de que a desapropriação do bem atenderia ao interesse público. 
 
 
Estas características foram cobradas na questão a seguir: 
FCC - AJ TST/TST 
A edição de um decreto de declaração de utilidade pública por um determinado Estado da Federação, é de 
competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo, tem natureza de ato administrativo de efeitos concretos 
e, se for o caso, pode ser revogado ou anulado pela autoridade que o editou. 
Gabarito (C). Como ato administrativo discricionário, a declaração de utilidade pública está sujeita à 
revogação (motivos de falta de conveniência ou de oportunidade) e à anulação (motivos de ilegalidade). 
 
Uma vez expedido o decreto (declarando a utilidade, necessidade ou interesse social do bem e a 
finalidade que será dada ao bem), surgem os seguintes efeitos: 
✓ autorização para que autoridades administrativas adentrem nos bens imóveis declarados 
✓ início do cômputo do prazo para caducidade do ato 
✓ indicação do estado do bem, a fim de que seja fixado o valor da indenização futura 
 
Perceba, portanto, que a indenização ao particular é paga apenas na fase seguinte, com a 
efetivação da desapropriação. 
 
17 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1141 
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Fase executória 
Uma vez o imóvel tendo sido declarado como de utilidade pública ou interesse social, terá início 
a etapa em que se efetivará a transferência da propriedade do bem (e pagamento da indenização). 
Diferentemente da fase declaratória (que exige expedição de decreto ou ato legislativo), a 
executória pode ser conduzida pelo próprio ente federativo ou, mediante delegação, por 
entidades da administração indireta ou por particulares delegatários de serviços públicos. 
Além disso, esta fase pode ocorrer na via administrativa ou judicial. 
Ocorrerá na via administrativa quando houver consenso entre o particular e o poder público 
quanto ao valor da indenização. Portanto, se o particular acatar o valor oferecido pela 
Administração, o processo irá se extinguir na via administrativa. 
No entanto, inexistindo consenso a respeito do quantum indenizatório, terá lugar a via judicial. 
Neste caso, o poder público irá apresentar a ação de desapropriação. Modernamente18, tem-se 
admitido que as partes optem pela via da arbitragem ou da mediação, como alternativa ao 
processo judicial. 
➢ Ação de desapropriação (fase executória na via judicial) 
A ação de desapropriação encontra-se regulamentada no Decreto-Lei 3.365/1941, a partir de seu 
art. 13. 
De modo breve, destaco que, a partir da petição inicial apresentada pelo poder público (ou 
particulares delegatários de serviços públicos), o proprietário do bem será citado para apresentar 
sua contestação. 
Ao final deste processo, o juiz irá decidir quanto ao valor da indenização, com base no preço de 
aquisição, situação, estado de conservação, valor de venda etc (Decreto-Lei 3.365/1941, art. 27). 
Como regra geral, o poder público somente irá deter a posse do bem após concluída a ação 
judicial e efetuado o pagamento do valor indenizado ou sua consignação (art. 29). 
No entanto, havendo urgência na desapropriação, o juiz poderá conceder a chamada “imissão 
provisória na posse” do imóvel. Ou seja, nestes casos, antes de se fixar o valor da indenização, o 
poder público já irá deter a posse do bem. 
Além da demonstração da urgência, o art. 15 do Decreto-Lei 3.365/1941 estabelece outro 
requisito para a imissão provisória: o poder público depositar uma quantia fixada pelo juiz. 
Portanto, a imissão provisória na posse ocorrerá quando houver (i) urgência e (ii) depósito prévio 
do valor fixado. 
 
➢ Prazo para início da fase executória 
 
18 A partir da edição da Lei 13.867/2019, que inseriu o art. 10-B ao Decreto-Lei nº 3.365/1941. 
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Após a publicação do decreto declarando o bem como sendo de utilidade/necessidade pública 
ou interesse social, o poder público terá um prazo para promover a desapropriação. 
Tratando-se de desapropriação por utilidade ou necessidade pública este prazo será de 5 anos, 
contados da expedição do decreto, conforme previsão do art. 10 do decreto-lei 3.365/1941 (que 
dispõe sobre estas modalidades de desapropriação): 
Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se 
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto 
e findos os quais este caducará. 
Tratando-se de desapropriação por interesse social, por outro lado, o prazo é de 2 anos, nos 
termos da Lei 4.132/1962 (dispõe sobre a desapropriação por interesse social): 
Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da 
desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as 
providências de aproveitamento do bem expropriado. 
Indenização 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
À exceção da desapropriação confiscatória (cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou a exploração 
de trabalho escravo), o poder público deverá indenizar o proprietário do bem expropriado. 
A indenização deverá ser justa e, como regra geral, prévia e em dinheiro19. 
 
➢ Valor da indenização 
Em relação à “justeza” da indenização, Marcelo Alexandrino20 destaca que seu valor deverá 
englobar: 
✓ o valor atual do bem expropriado 
✓ os danos emergentes 
✓ os lucros cessantes decorrentes da perda da propriedade 
✓ os juros moratórios e compensatórios 
✓ a atualização monetária 
✓ os honorários advocatícios e as despesas judiciais incorridas pelo proprietário 
 
 
19 CF, art. 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos 
previstos nesta Constituição; 
20 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1146 
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Notem, portanto, que a indenização não se resume ao valor que possui o bem, alcançando uma 
série de efeitos patrimoniais decorrentes da supressão da propriedade. 
Por outro lado, se o proprietário do bem tem dívidas com o poder público, elas serão abatidas do 
valor da indenização, desde que sejam dividas fiscais já inscritas e com ações ajuizadas (Decreto-
Lei 3.365/1941, art. 32, §1º) 
 
➢ Forma de pagamento: dinheiro ou títulos 
No que diz respeito à forma de pagamento, a regra geral é que as indenizações sejam pagas em 
dinheiro e previamente. Há,no entanto, duas importantes exceções: 
a) desapropriação para fins de reforma agrária (CF, art. 184): em relação à “terra nua”, a 
indenização é paga em títulos da dívida agrária, com clausula de preservação do valor real, 
resgatáveis no prazo de até 20 anos, a partir do 2º ano de sua emissão. No que diz respeito às 
benfeitorias (casas, curral, granjas etc), estas serão indenizadas em dinheiro. 
b) desapropriação para fins urbanísticos (CF, art. 182, §4º, III): a indenização é paga por 
meio de títulos da dívida pública (com emissão aprovada pelo Senado Federal), com prazo de 
resgate de até 10 anos, em parcelas iguais e sucessivas, sendo assegurado o valor real da 
indenização e os juros legais 
- - - - 
Por último, friso que a desapropriação confiscatória (CF, art. 243 da CF), como já visto, opera-se 
sem qualquer indenização ao proprietário. 
Tredestinação 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
Tredestinação diz respeito à situação em que o bem é desapropriado para atender a uma 
finalidade (que consta do decreto de desapropriação), mas, na prática, acaba sendo utilizado em 
outra finalidade. 
Vejam os seguintes exemplos: 
Exemplo 1: por meio de decreto, o município desapropria determinado bem destinado à 
construção de um hospital público. No entanto, o poder público acaba por construir uma 
escola naquele local (tredestinação lícita). 
 
Exemplo 2: o município desapropria área supostamente para construção do hospital. 
Entretanto, acaba concedendo autorização para que uma empresa privada utilize a área 
no interesse próprio do particular (tredestinação ilícita). 
 
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Reparem que, no exemplo 1, estamos diante da tredestinação lícita, pois, apesar de o bem 
expropriado ter sido utilizado com outra destinação, conservou-se sua utilização em finalidade 
pública (educação). Este é o entendimento a que chegou o STJ no seguinte julgado: 
1. Não há falar em retrocessão se ao bem expropriado for dada destinação que atende ao 
interesse público, ainda que diversa da inicialmente prevista no decreto expropriatório. 
2. A Primeira Turma desta Corte, no julgamento do REsp 710.065/SP (Rel. Min. José 
Delgado, DJ de 6.6.2005), firmou a orientação de que a afetação da área poligonal da 
extinta "Vila Parisi" e áreas contíguas (localizadas no Município de Cubatão/SP) — cuja 
destinação inicial era a implantação de um parque ecológico —, para a instalação de um 
pólo industrial metalmecânico, um terminal intermodal de cargas rodoviário, um centro 
de pesquisas ambientais, um posto de abastecimento de combustíveis, um centro 
comercial com 32 módulos de 32 metros cada, um estacionamento, e um 
restaurante/lanchonete, atingiu, de qualquer modo, a finalidade pública inerente às 
desapropriações. 
REsp 968.414-SP, Rel. Min. Denise Arruda, em 11.09.2007 
Por outro lado, no exemplo 2, é possível percebermos que houve um desvio de finalidade, de 
sorte que a destinação dada ao bem não guarda relação com o interesse público (bem atendeu a 
interesse privado). Assim, trata-se da chamada tredestinação ilícita, a qual deve ser declarada nula 
e, assim, resultar na reintegração do bem a seu proprietário anterior ou, na impossibilidade, na 
respectiva indenização21. 
Uma vez estudada a tredestinação ilícita, passemos ao instituto da retrocessão. 
Retrocessão 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA 
A retrocessão está disciplinada no art. 519 do nosso Código Civil: 
CCB, art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em 
obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual 
da coisa. 
Trocando em miúdos... 
Se o bem é desapropriado e, na sequência, observa-se que (i) foi empregado em outra finalidade 
ou (ii) não houver sido efetivamente utilizado, o proprietário anterior (chamado de “expropriado”) 
terá a preferência na aquisição do bem, pelo seu valor atual. 
 
21 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1154 
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Tal regra, como visto acima, aplica-se nas desapropriações por utilidade ou necessidade pública 
ou por interesse social. 
É importante destacar que a doutrina e a jurisprudência têm entendido que a retrocessão não terá 
lugar na tredestinação lícita, ou seja, quando for dada outra destinação ao bem expropriado, 
conservando-se sua finalidade pública. 
Portanto, a retrocessão somente ocorrerá na tredestinação ilícita (desvio de finalidade e a 
destinação do bem não corresponder à finalidade de interesse público) ou na ausência de 
destinação. 
Pelos termos do art. 519 do CCB, o expropriante teria obrigação de oferecer o bem ao antigo 
proprietário, pelo valor atual, para que ele possa exercer seu direito de preferência. Se isto não 
for possível, haveria a discussão de perdas em danos no bojo de uma indenização ao antigo 
proprietário22. 
Desapropriação indireta 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
Vimos, nos tópicos anteriores, uma série de regras aplicáveis à desapropriação de bens 
particulares pelo poder público. 
 
Agora imagine a seguinte situação: o poder público ignora todas estas normas e, sem promover 
formalmente a desapropriação do bem, inicia, por exemplo, a demolição de um edifício em 
terreno particular e a posterior construção de um hospital público. 
Estaremos diante da chamada desapropriação indireta, definida por José dos Santos Carvalho 
Filho23 como sendo 
o fato administrativo pelo qual o Estado se apropria de bem particular, sem observância 
dos requisitos da declaração e da indenização prévia. Observe-se que, a despeito de 
qualificada como indireta, essa forma expropriatória é mais direta do que a que decorre da 
desapropriação regular. Nela, na verdade, o Estado age realmente manu militari e, 
portanto, muito mais diretamente 
Em outras palavras, na desapropriação indireta o Estado deixou de observar os preceitos legais 
aplicáveis à desapropriação e, ainda, o particular não adotou as providências necessárias para 
 
22 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1154 
23 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 904 
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impedir o prosseguimento da apropriação (como uma ação de reintegração de posse, por 
exemplo). 
Neste caso, a legislação considera que o fato foi consumado, de sorte que, como regra geral, a 
posse do bem não será revertida ao particular. Assim sendo, o particular deverá cobrar do Estado 
uma indenização por perdas e danos decorrente da apropriação havida pelo poder público. 
Este é o teor do art. 35 do Decreto-Lei 3.365/1941: 
Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser 
objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. 
Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos. 
Portanto, no exemplo acima, o proprietário do terreno apropriado pelo poder público, após a 
construção do hospital, em tese não poderia reclamar a reintegração da posse. Neste caso, resta-
lhe cobrar uma indenização pelas perdas e danos que houver incorrido. 
Tais aspectos foram considerados pelo STJ no seguinte julgado: 
3. A chamada "desapropriação indireta" é construção pretoriana criada para dirimir 
conflitos concretos entre o direito de propriedade e o princípio da função social das 
propriedades, nas hipóteses em quea Administração ocupa propriedade privada, sem 
observância de prévio processo de desapropriação, para implantar obra ou serviço 
público. 4. Para que se tenha por caracterizada situação que imponha ao particular a 
substituição da prestação específica (restituir a coisa vindicada) por prestação alternativa 
(indenizá-la em dinheiro), coma consequente transferência compulsória do domínio ao 
Estado, é preciso que se verifiquem, cumulativamente, as seguintes circunstâncias: (a) o 
apossamento do bem pelo Estado, sem prévia observância do devido processo de 
desapropriação; (b) a afetação dobem, isto é, sua destinação à utilização pública; e (c) a 
impossibilidade material da outorga da tutela específica ao proprietário, isto é, a 
irreversibilidade da situação fática resultante do indevido apossamento e da afetação. 
STJ - REsp: 442774 SP 2002/0057146-5, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de 
Julgamento: 02/06/2005, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 20/06/2005 p. 123 
Nesse sentido, vejam a questão abaixo: 
CEBRASPE - AJ TRT7/TRT 7 
O poder público municipal apossou-se de imóvel de particular para a construção de uma quadra poliesportiva 
de uso comunitário. O prefeito do município ordenou a derrubada de uma cerca e o imediato início das 
obras, sem qualquer notificação prévia ao proprietário. 
Considerando-se o modo como os fatos ocorreram, é correto afirmar que houve, na situação descrita, 
a) apossamento administrativo, caso em que cabe a revisão imediata pelo Poder Judiciário. 
b) ocupação temporária, caso em que cabe ao particular proprietário indenização pelos eventuais danos 
comprovados. 
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c) requisição administrativa, caso em que o particular proprietário pode discutir a intervenção estatal em 
juízo. 
d) desapropriação indireta, caso em que resta ao particular proprietário do imóvel pleitear perdas e danos. 
Gabarito (D), pois a derrubada da cerca e o início das obras não foram precedidos do procedimento de 
desapropriação. 
 
- - - - - 
Uma vez estudados os principais aspectos da desapropriação, passemos agora ao estudo das 
modalidades de intervenção restritivas na propriedade privada. 
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SERVIDÃO ADMINISTRATIVA 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
Servidão administrativa consiste no direito de o poder público utilizar de imóvel para viabilizar a 
execução de obras e serviços de interesse coletivo1. 
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro2, 
Servidão administrativa é o direito real de gozo, de natureza pública, instituído sobre 
imóvel de propriedade alheia, com base em lei, por entidade pública ou por seus delegados, 
em favor de um serviço público ou de um bem afetado a fim de utilidade pública. 
A servidão irá afastar o uso exclusivo do bem por parte de seu proprietário. A partir da constituição 
da servidão, o particular perde a exclusividade no uso do bem, passando a compartilhá-la com o 
poder público. Em outras palavras, o bem privado vai servir ao poder público, em razão de uma 
necessidade da coletividade de serviços ou obras. 
Exemplos: instalação de placas em edifícios privados, contendo avisos para a população 
(como nomes de ruas); colocação de ganchos na fachada de edifícios particulares para 
sustentar a rede elétrica; instalação de gasoduto em terreno particular. 
Este instrumento de intervenção foi cobrado na questão a seguir: 
CEBRASPE - AFRE (SEFAZ RS) 
Se, na instalação de uma passagem de fios com a finalidade de distribuição de energia elétrica para a 
população local, apresentar-se como uma necessidade pública a utilização de parte de um terreno privado, 
caberá, sobre essa propriedade privada, a intervenção estatal na modalidade 
a) servidão civil. 
b) desapropriação. 
c) servidão administrativa. 
d) tombamento. 
e) requisição. 
 
1 Adaptado a partir de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª 
ed. p. 1122 
2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Tópico 
6.9.4 
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Gabarito (C). Como a passagem dos fios diz respeito à intervenção do próprio Estado na propriedade, 
estamos diante da serventia administrativa (e não da serventia civil3). 
 
Uma das características marcantes da servidão é sua perpetuidade. Diferentemente da requisição 
e da ocupação temporária (a seguir estudadas), a regra geral é que a servidão não seja limitada 
pelo tempo. Enquanto persistir a necessidade do poder público e a utilidade do bem, a servidão 
subsistirá. 
 
➢ Instituição e Extinção 
A servidão administrativa pode ser instituída das seguintes formas4: 
 
Em qualquer dos casos, sendo por acordo ou mediante sentença judicial, as servidões devem ser 
registradas no registro de imóveis para que possam produzir efeitos erga omnes (isto é, todos 
efeitos sobre todos os indivíduos). 
 
3 “A servidão civil é direito real de um prédio particular sobre outro, com finalidade de serventia privada 
uti singuli; a servidão administrativa é ônus real do Poder Público sobre a propriedade particular, com 
finalidade de serventia pública - publicae utilitatis”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo 
Brasileiro, 35ª edição, p. 755-756. 
4 Di Pietro menciona ainda a servidão que decorre diretamente da lei, como a servidão sobre as margens 
dos rios navegáveis. 
instituição da 
servidão
por acordo
1º imóvel é declarado como
sendo de utilidade publica
2º é celebrado acordo entre o
proprietário e o poder público
sentença judicial
1º imóvel é decarado como
sendo de utilidade publica
2º não houve acordo. Então, o
poder público ajuiza ação
pleiteando o reconhecimento
judicial da servidão
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A extinção da servidão é hipótese excepcional, na medida em que esta goza de caráter 
permanente. No entanto, é possível a extinção da servidão em razão do5: (i) desaparecimento do 
próprio bem, (ii) incorporação do bem ao patrimônio do poder público instituidor da servidão e 
(iii) perda do interesse do Estado em continuar utilizando o bem. 
 
➢ Indenização 
Como na servidão há apenas uso de parte da propriedade pelo poder público, não há que se falar, 
como regra geral, em indenização (diferentemente da desapropriação). 
Entretanto, se a servidão resultar em prejuízos comprovados ao proprietário (como na servidão 
que resultar em demolição ou nas servidões que simulam desapropriações6), o poder público seria 
chamado a indenizar o particular. 
Tomando por base a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho7, podemos chegar ao 
seguinte diagrama das principais características da servidão: 
 
 
5 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 823 
6 Op. cit. P. 824 
7 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 825 
se
rv
id
ão
 a
dm
in
is
tr
at
iv
a
pressuposto = execução de obras e serviços 
de interesse coletivo
incide sobre bens imóveis
caráter definitivo
indenização nem sempre 
é devida
é direito real da 
Administração
não é ato 
autoexecutório. 
Depende de
acordo
decisão judicial
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110Destaco, por fim, os seguintes entendimentos do STJ8 sobre a servidão administrativa: 
10) Não incide imposto de renda sobre os valores indenizatórios recebidos pelo particular 
em razão de servidão administrativa instituída pelo Poder Público. 
11) Admite-se a possibilidade de construções que não afetem a prestação do serviço 
público na faixa de servidão (art. 3º do Decreto n. 35.851/1954). 
 
REQUISIÇÃO 
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA 
Requisição consiste na intervenção estatal por meio da qual o Estado utiliza bens (móveis ou 
imóveis) e serviços particulares em caso de perigo público iminente. 
Esta modalidade de intervenção goza de previsão no próprio texto constitucional: 
CF, art. 5º, XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá 
usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver 
dano; 
Estando diante de situação de perigo público iminente, o interesse coletivo irá se sobrepor ao do 
particular (proprietário do bem ou prestador do serviço), legitimando a requisição administrativa. 
Portanto, a finalidade da requisição é de “preservar a sociedade contra situações de perigo 
público iminente”9. 
Exemplos: determinado município do interior vive situação de calamidade pública 
decorrente de um furacão, de sorte que as autoridades públicas requisitaram: (i) o avião 
particular de um empresário da cidade (bem móvel), para levar feridos à capital do 
Estado; (ii) um estacionamento particular (bem imóvel) para instalação de um posto de 
 
8 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019 
9 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 827 
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inteligência de resgate às vítimas; (iii) serviços médicos de um hospital particular 
(requisição de serviços)10. 
Vejam a questão abaixo a este respeito: 
CEBRASPE - Administrador (FUB) 
Requisição é o instrumento correto a ser usado no caso de a polícia ter de ocupar as instalações de 
determinado estabelecimento no curso de operação policial. 
Gabarito (C) 
 
➢ Indenização 
Além do perigo público iminente, outra característica marcante da requisição também está 
expressa no dispositivo constitucional transcrito acima: o fato de a indenização ocorrer apenas se 
a atividade estatal houver causado danos ao particular. 
Além disso, sendo devida a indenização, ela será paga posteriormente (ou seja, “indenização 
ulterior”, como previsto no texto constitucional). 
O prazo prescricional para que o particular requeira tal indenização é de 5 anos, contados do 
momento que se inicia o efetivo uso do bem pelo poder público11. 
Se, por outro lado, a utilização do bem alheio decorrente da requisição não causar dano algum ao 
particular, nenhuma indenização será devida. 
 
➢ Instituição e Extinção 
Dada a urgência da situação, a requisição não depende de decisão prévia do Poder Judiciário, 
pois pode ser decretada de imediato. A partir daí, dizemos que a requisição é ato 
autoexecutório12. 
Isto não significa que o ato de requisição está imune ao controle judicial! 
 
10 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item 
6.7 
11 Op. Cit. 
12 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 759. 
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O controle judicial poderá sim ocorrer, mas sempre em momento posterior, discutindo-se, por 
exemplo, o valor da indenização eventualmente devida ao particular. 
A requisição é medida de natureza transitória. Logo que se dissipar a situação de perigo público 
iminente, será extinta a requisição (diferentemente da servidão administrativa). 
A partir da síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho13, podemos chegar ao seguinte 
diagrama das principais características da requisição: 
 
OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA 
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA 
A ocupação temporária consiste na intervenção em que o poder público utiliza bens imóveis 
particulares, transitoriamente (como o próprio nome diz), como meio de apoio à execução de 
obras e serviços públicos14. 
Exemplos: utilização de escolas, shoppings e clubes para realização das eleições; 
ocupação de terrenos subjacentes a obras públicas, para colocação de equipamentos. 
 
13 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 828 
14 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 829 
re
qu
is
iç
ão
pressuposto = perigo público 
iminente
incide sobre
bens móveis
bens imóveis
serviçosé transitória
indenização nem 
sempre é devida
se for 
devida, será 
ulterior
é ato 
autoexecutório
é direito pessoal da 
Administração
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Notem que a principal diferença entre a “ocupação temporária” e a “servidão administrativa” 
(estudada pouco acima) consiste no fato de esta ser permanente, enquanto a ocupação, 
temporária. 
Estas características da ocupação foram exigidas na seguinte questão: 
CEBRASPE - DPE AL 
Com o intuito de dar apoio logístico à obra de construção de um hospital municipal, o prefeito de 
determinada cidade exarou ato declaratório informando a necessidade de utilização, por tempo 
determinado, de um imóvel particular vizinho à obra, o qual serviria como estacionamento para as máquinas 
e como local de armazenamento de materiais. 
Nessa situação hipotética, a modalidade de intervenção do ente público na propriedade denomina-se 
a) ocupação temporária. 
b) desapropriação. 
c) requisição administrativa. 
d) servidão administrativa. 
e) limitação administrativa. 
Gabarito (A), pois trata-se da utilização temporária de bens imóveis pelo poder público para dar suporte à 
execução de obras públicas. 
 
➢ Indenização 
Na ocupação temporária, como regra geral, o dever de indenizar também fica condicionado à 
ocorrência de prejuízo. Portanto, a indenização será devida se, de algum modo, o uso do bem 
particular acarretar prejuízos ao proprietário. 
De modo mais detalhado, Carvalho Filho15 destaca a existência de uma exceção, envolvendo a 
ocupação temporária para obras vinculadas a um processo de desapropriação. Nestes casos, 
haverá automaticamente dever de indenizar o proprietário do imóvel ocupado temporariamente, 
com fundamento no “Lei sobre desapropriações por utilidade pública”: 
DL 3365/1941, art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, 
por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua 
realização. 
 
 
15 Op. cit. P. 831 
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➢ Instituição e Extinção 
A instituição se dá mediante ato expedido pela autoridade administrativa, o qual não depende de 
apreciação judicial prévia. Portanto, assim como na requisição, o ato de ocupação é 
autoexecutório16. 
A extinção da ocupação, a seu turno, se dá com o fim da execução da obra ou da necessidade 
relacionada à prestação do serviço público (e.g., fim das eleições ou da construção da rodovia). 
- - - - 
Tomando por base novamente a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho17, podemos 
chegar ao seguinte diagrama das principais características da ocupação temporária: 
 
 
 
 
LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
 
16 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado.25ª ed. p. 1127 
17 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 832 
oc
up
aç
ão
 te
m
po
rá
ria
pressuposto = necessidade de realização de 
obras e serviços públicos normais
incide sobre bens imóveis
é transitória
indenização
regra: devida se acarretar 
prejuízo
vinculada à 
desapropriação: será 
devida
é ato autoexecutório
é direito pessoal da 
Administração
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As limitações administrativas consistem em medidas que o poder público direciona a particulares, 
impondo-lhes obrigações de deixar de fazer algo (obrigações negativas) ou obrigações de fazer 
(obrigações positivas) em relação às suas propriedades privadas. 
Tais limitações encontram-se previstas em lei e, ao serem impostas aos particulares, manifestam o 
exercício do poder de polícia pela Administração, buscando conciliar o exercício do direito de 
propriedade ao bem-estar da coletividade (função social propriedade). 
Exemplos18: imposição da limpeza de terrenos ou edificação compulsória (busca de 
salubridade); imposição de restrição de altura dos edifícios, conhecida como “gabarito” 
(motivos de estética ou de segurança); imposição de “recuos” nas edificações em 
determinada região. 
Reparem que as limitações representam situações em que o interesse da coletividade se 
sobreponha ao dos particulares, tutelando aspectos como segurança, estética, defesa nacional, 
entre outros. 
Há duas características importantes que distinguem as limitações administrativas de outras formas 
de intervenção: (i) sua generalidade e (ii) gratuidade. 
As limitações consistem em condicionamentos gerais, isto é, dirigidas a proprietários 
indeterminados – e não a proprietários específicos. 
Para situações específicas, a intervenção do poder público poderia ser feita por meio de servidão 
administrativa ou desapropriação. 
Seu segundo traço marcante consiste na ausência de pagamento de indenização, como regra 
geral: a limitação, por possuir caráter geral, não requer pagamento de indenização ao proprietário. 
As limitações são inerentes ao direito de propriedade. Consoante conclui Carvalho Filho19, nas 
limitações administrativas “não há prejuízos individualizados, mas sacrifícios gerais a que se devem 
obrigar os membros da coletividade em favor desta”. 
Flexibilizando a gratuidade das limitações, o STJ20 tem entendido que, em determinados casos, 
será cabível a indenização: 
 
18 Adaptados a partir de DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 
2018. eBook. Item 6.5., bem como de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito 
Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 833 
19 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 835 
20 STJ. Jurisprudência em teses. Edição 127. 13/6/2019 
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4) A indenização pela limitação administrativa ao direito de edificar, advinda da criação de 
área non aedificandi, somente é devida se imposta sobre imóvel urbano e desde que fique 
demonstrado o prejuízo causado ao proprietário da área. 
5) É indevido o direito à indenização se o imóvel expropriado foi adquirido após a 
imposição de limitação administrativa, porque se supõe que as restrições de uso e gozo 
da propriedade já foram consideradas na fixação do preço do imóvel. 
Em síntese, a partir dos julgados acima, concluímos que o STJ tem entendido que a indenização 
em razão da limitação somente será cabível se (i) ficar demonstrado o prejuízo e (ii) a limitação for 
imposta após a aquisição do bem pelo particular. 
- - - - 
Seguindo adiante, vale a pena transcrever trecho da obra de Marcelo Alexandrino21, distinguindo 
as limitações administrativas de outros institutos: 
Limitação administrativa não pode ser confundida com servidão administrativa. A 
limitação administrativa é uma restrição geral e gratuita imposta indeterminadamente às 
propriedades particulares em benefício da coletividade; a servidão administrativa é um 
ônus real sobre determinada e específica propriedade privada, mediante indenização pelo 
Poder Público (se houver prejuízo para o proprietário), para propiciar a execução de algum 
serviço público. O recuo na construção de edifícios, limitação imposta genericamente, é 
exemplo típico de limitação administrativa; o atravessamento de um terreno com 
aqueduto para abastecimento de uma cidade é caracteristicamente uma servidão 
administrativa. 
Limitação administrativa não se confunde com a desapropriação. A limitação 
administrativa, por ser uma limitação geral e de interesse coletivo, não obriga o Poder 
Público a qualquer indenização; a desapropriação, por retirar do particular a sua 
propriedade, impõe o dever de indenizar o proprietário. 
 
A caracterização das limitações administrativas foi exigida na seguinte questão: 
CEBRASPE - DPE AC 
Para preservar área de proteção ambiental permanente, uma lei municipal determinou recuo obrigatório de 
construção em propriedades situadas em localidade de certo município. 
Nessa situação hipotética, ocorre restrição ao direito de propriedade denominada 
a) servidão administrativa. 
 
21 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 1.129 
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b) tombamento. 
c) apossamento administrativo. 
d) desapropriação por utilidade pública. 
e) limitação administrativa. 
Gabarito (E), pois o mencionado “recuo obrigatório” consiste na impossibilidade de os proprietários dos bens 
construírem naquele local. 
 
Tomando por base novamente a síntese comparativa elaborada por Carvalho Filho22, podemos 
chegar ao seguinte diagrama das principais características das limitações administrativas: 
 
TOMBAMENTO 
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA 
Tombamento é a forma de intervenção na propriedade em que o poder público busca proteger 
o patrimônio cultural brasileiro. Consoante leciona Hely Lopes Meirelles23, 
O poder regulatório do Estado exerce-se não só sobre os bens de seu domínio patrimonial 
como, também, sobre as coisas e locais particulares, de interesse público. Nessa última 
categoria encontram-se as obras, monumentos, documentos e recantos naturais que, 
 
22 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 836 
23 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 697-698. 
lim
ita
çõ
es
 
ad
m
in
is
tr
at
iv
as atos de caráter geral
legislativos
administrativos
caráter de definitividade
regra: sem indenização 
(gratuidade)
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embora propriedade privada, passam a integrar o patrimônio histórico e artístico da 
Nação, como bens de interesse da coletividade, sujeitos ao domínio eminente do Estado, 
através do tombamento. 
Tal medida possui o seguinte fundamento constitucional: 
Art. 216, § 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá 
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, 
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. 
Ao promover um tombamento, o poder público busca proteger bens com valor histórico, cultural, 
turístico, paisagístico etc. 
Exemplos: tombamento de embarcação Sombra da Lua no recôncavo baiano (bem 
móvel); tombamento do Museu da Imperial e do Museu

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