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DESCRIÇÃO
Ética e bioética no campo da saúde e das pesquisas. Pesquisa em seres humanos e animais.
Cuidados paliativos. Humanização.
PROPÓSITO
Apresentar a ética e a bioética aplicadas na área da saúde e no campo das pesquisas com seres
humanos e animais, fim de vida e cuidados paliativos para fins de conhecimento dos aspectos legais,
para a atuação profissional humanizada no campo da produção de conhecimento científico.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar este conteúdo, consulte as Resoluções 466/12, 510/16 para pesquisas com seres
humanos e todas as resoluções da Comissão de Ética para Uso de Animais e do Conselho Nacional
de Controle de Experimentação Animal, pois irão ajudá-lo a compreender termos específicos do
tema.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Definir o funcionamento e as atribuições de um comitê de ética em pesquisa com seres humanos e
animais
MÓDULO 2
Descrever conceitos gerais dos cuidados paliativos e reflexões sobre a morte
MÓDULO 3
Reconhecer a humanização nas relações dos profissionais de saúde com a sociedade
INTRODUÇÃO
A temática Ética, Ciências da Saúde e Pesquisa contribuirá para sua percepção enquanto
profissional biólogo, tendo como base princípios éticos e bioéticos para o exercício da sua prática.
O dia a dia, no mundo do trabalho, nos apresenta muitos dilemas e conflitos que devem ser
resolvidos muitas das vezes de imediato e uma bagagem teórica, com fundamentação adequada, é
capaz de fortalecer suas tomadas de decisões, ajudar no enfrentamento de conflitos e na
manutenção de uma postura ética.
Esse conhecimento lhe permitirá realizar uma análise crítica de ações e atitudes propostas ao seu
redor, avaliar de maneira consciente, questões relacionadas a estudos acadêmicos e pesquisas
científicas nos diferentes campos de atuação da biologia.
Neste caminhar, tal conteúdo proporcionará a apropriação de conhecimento sobre temas como:
clonagem, eutanásia, vivessecção e clonagem, sob o olhar das regulamentações éticas e bioéticas
no campo da saúde.
MÓDULO 1
 Definir o funcionamento e as atribuições de um comitê de ética em pesquisa com seres
humanos e animais
ENTENDENDO A HISTÓRIA
A corrida por novos conhecimentos acontece desde o início da existência da humanidade, pois a
curiosidade é algo inerente ao ser humano. No campo da saúde, é inegável que as novidades são de
extrema importância, pois são elas que possibilitam a prevenção de doenças, tratamentos e curas.
Mas precisamos entender que existe uma longa estrada entre o novo e a sua aplicação na prática.
Esses achados no campo da saúde acontecem muitas vezes em laboratórios de pesquisas que
precisam da realização de testes em animais e, muitas das vezes, também em seres humanos. As
pesquisas com seres humanos e animais são realizadas há muitos anos, com regulamentações
diferentes, baixo rigor ético e uso inadequado de seres humanos. Diante desse cenário, ao longo da
história, padrões de pesquisa com seres humanos e animais foram sendo adequados às
regulamentações éticas e bioéticas de pesquisa.
BASES CONCEITUAIS E CORRENTES DA BIOÉTICA
A bioética trata de questões próprias da condição humana e, para algumas, não se têm resposta
definitiva, fato que obriga o homem a manter constantes e profundas reflexões e revisões do que é
lícito fazer ou não.
NOVAS TECNOLOGIAS, NOVAS CONDIÇÕES SOCIAIS E,
CONSEQUENTEMENTE, NOVOS PROBLEMAS ÉTICOS
SURGIRÃO, E A BIOÉTICA TEM O DEVER DE PROMOVER
O DEBATE SOBRE TAIS QUESTÕES, REJEITANDO
SOLUÇÕES SIMPLES PARA QUESTÕES COMPLEXAS E
FUNCIONANDO COMO INSTRUMENTO PARA
NEGOCIAÇÃO PACÍFICA DAS INSTITUIÇÕES MORAIS.
(JONSEN, 2000).
O termo “bioética” foi criado pelo bioquímico Van Rensslaer Potter, em 1971. Com o sentido de
“ciência de sobrevivência”, esse autor entendia que era necessário o desenvolvimento de uma ética
global para tratar a relação do ser humano com o meio ambiente e preservar a biosfera.
A Universidade de Georgetown, por sua vez, fundou no mesmo período o Instituto Kennedy para o
Estudo da Reprodução Humana e Bioética. Nesse contexto, o termo recebeu um novo significado,
que atendia aos estudos realizados no campo médico e biológico.
Desde então, o termo bioética pode ser utilizado para se referir a uma ética global, com
questões ambientalistas e mais universais ou de uma ética aplicada ao campo biomédico.
A Enciclopédia de Bioética, lançada em 1978, define bioética como “o estudo sistemático da conduta
humana no campo das ciências da vida e da saúde, examinada a luz dos valores e princípios
morais”.
A BIOÉTICA TAMBÉM PODE SER DEFINIDA COMO “O
CONJUNTO DE CONCEITOS, ARGUMENTOS E NORMAS
QUE VALORIZAM E LEGITIMAM ETICAMENTE OS ATOS
HUMANOS, CUJOS, EFEITOS AFETAM PROFUNDAMENTE
E IRREVERSIVELMENTE, DE MANEIRA REAL OU
POTENCIAL, OS SISTEMAS VITAIS”.
(REICH, 1978).
Beauchamp e Childress, em 1979, lançaram uma obra clássica chamada Princípios da ética
biomédica ou principialismo, que trouxe muita influência na moral da prática médica, pois traz
consigo quatro princípios fundamentais que fazem parte das obrigações prima-facie. Os autores
propõem uma análise ética, caso a caso, na clínica e pesquisa mediante a avaliação de quatro
princípios éticos que, segundo o Conselho Nacional de Saúde Brasileiro (1996), são definidos assim:
PRIMA-FACIE
Expressão que indica uma obrigação que deve ser cumprida em princípio, mas admite que
possa haver razão para o seu não cumprimento.
RESPEITO À AUTONOMIA
Respeito à autonomia é reconhecer que cabe a cada indivíduo possuir certos pontos de vista e que é
ele que deve deliberar e tomar decisões seguindo seu próprio plano de vida e ação, embasado em
crenças, aspirações e valores próprios, mesmo quando divirjam daqueles dominantes na sociedade.
Deve-se “respeitar sempre os valores culturais, sociais, morais, religiosos e éticos, bem como os
hábitos e costumes quando as pesquisas envolvem comunidades”.
NÃO MALEFICÊNCIA
Sobre a não maleficência, afirma que as pesquisas com seres humanos devam dar garantia de que
danos previsíveis serão evitados. Também considera “dano associado ou decorrente da pesquisa ―
agravo imediato ou tardio, ao indivíduo ou a coletividade, com nexo causal comprovado, direto ou
indireto, decorrente do estudo científico”.
BENEFICÊNCIA
Quando “houver benefício real em incentivar ou estimular mudanças de costumes ou
comportamentos, o protocolo de pesquisa deve incluir, sempre que possível, disposições para
comunicar tal benefício às pessoas e ou comunidades”. E ainda “assegurar aos sujeitos da pesquisa
os benefícios resultantes do projeto, seja em termos de retorno social, acesso aos procedimentos,
produtos ou agentes da pesquisa”.
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JUSTIÇA
Quanto ao princípio da Justiça, diz que, a eticidade da pesquisa requer “relevância social da
pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os
sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o
sentido de sua destinação sócio-humanitária”.
Considera-se que o modelo principialista de bioética teve impacto positivo ao confrontar o dominante
paternalismo existente nas relações profissionais de instituições de saúde e pacientes/participantes
de pesquisa, incentivando o respeito à sua autonomia e tomada de decisão.
Foto: Shutterstock.com
HISTÓRIA DA PESQUISA EM SERES HUMANOS
A investigação científica clássica tem seu marco de desenvolvimento datado no séc. III a.C.
Descobertas de estruturas anatômicas e fisiológicas foram realizadas nesse período, entretanto,
essas descobertas foram feitas através da técnica de vivessecção em criminosos fadados à morte.
Na Inglaterra, em 1721, um médico cirurgião chamado Charles Maitland inoculou varíola em seis
prisioneiros com o intuito de investigar a história natural da doença, prometendo, em troca, a
liberdade dos mesmos.
Em 1900, um estudo parecido foi realizado em Cuba por médicos norte-americanos que realizaram
uma pesquisa sobre a febre amarela, em que soldados “voluntários”criada em 1971 pelo professor Van Rensselaer
Potter como uma disciplina acadêmica, que faria uma
conexão entre as ciências e as humanidades. Para esse
professor, a sobrevivência da humanidade dependia de uma
ética baseada em conceitos biológicos. Então, por isso, o
termo bioética.
Os desenvolvimentos científicos, tecnológicos e sociais que
passaram a ocorrer no século XX relacionados às ciências
biológicas e ao cuidado com a saúde, acabaram entrando
em diversos momentos em conflito com concepções já
existentes em relação ao tratamento e às obrigações morais
dos profissionais da saúde e da sociedade com relação aos
indivíduos doentes (MOTTA, 2012).
 
O conceito de bioética idealizado por Potter, apesar de inicialmente não se referir a isso, passou a remeter
então ao crescente interesse na ética das relações da saúde. Após isso, a Bioética foi abordada em diversas
perspectivas e a maioria delas voltadas para as ciências biomédicas.
 
A Bioética é composta por algumas teorias. Veja a seguir:
O utilitarismo
Foca no ato correto que deve ser tomado em cada circunstância e esse ato correto vai ser o que for
mais positivo para um maior número de pessoa. No utilitarismo, é importante, em algumas situações,
olhar para as necessidades de todos os indivíduos envolvidos e tomar uma decisão (MOTTA, 2012).
Baseada na obrigação ou kantismo
Aquela que determina a adequação de uma ação, não baseada em suas consequências, mas por
certas características que vão estar presentes nessa ação.
Baseada na virtude ética do caráter
Foca nos agentes que realizam as ações e as escolhas em uma determinada situação. Ela dá maior
destaque às virtudes e ao caráter virtuoso desses agentes.
Baseada nos direitos, individualismo liberal
Dá ênfase aos direitos presentes em uma situação e no peso e na força que eles vão ter naquele
momento como determinante para a tomada de decisões.
Baseada na comunidade, comunitarismo
Considera que o que é fundamental na ética provém de valores comunitários, como o bem comum ou
práticas tradicionais de uma certa comunidade.
A ética do cuidado
É baseada nos relacionamentos. Coloca o afeto e o compromisso emocional como determinantes para
a tomada de decisões.
A casuística
É uma abordagem a partir de casos concretos. Foca em decisões práticas a partir de situações
específicas. Considera que a moralidade apropriada surge desta análise específica de cada caso
concreto.
A abordagem principialista
Considerada como a teoria mais difundida na Bioética, se baseia em um conjunto de quatro princípios
que norteiam as decisões e discussões das grandes questões da área: justiça, autonomia, não
maleficência e beneficência.
A Bioética se trata de uma matéria transdisciplinar, que permite a cooperação, interação de diversas outras
matérias. Ela é dividida em duas esferas:
É possível perceber que a Bioética vem para tentar trazer alguma solução para tais conflitos éticos. Podemos
dizer que ela é uma aplicação prática da ética em saúde.
É por isso que foi tão importante estruturar uma disciplina na academia que pudesse comportar os
diálogos provenientes desses dilemas.
(MOTTA, 2012).
O filósofo Albert Jonsen defende que há acontecimentos cruciais para o nascimento da Bioética. A seguir,
conheça um pouco mais da história da Bioética.
Situações emergentes 
são aquelas em que a sociedade tem que
lidar agora, como a aplicação da tecnologia
em saúde e os conflitos resultantes. Nesse
contexto, encontramos situações como a
fertilização in vitro, a eugenia, a clonagem.
As situações persistentes, 
por outro lado, estão com a sociedade
desde os seus primórdios. Podemos
pensar nas situações que envolvem o
aborto, o direito de morrer etc.
Um pouco da sua história
O primeiro ocorreu em 1962, quando a jornalista Shana Alexander publicou um artigo intitulado Eles
decidem quem vive e quem morre, que tratava dos desdobramentos da criação do comitê de ética
hospitalar em Washington. O comitê de Seattle, como ficou conhecido, tinha missão de disponibilizar
decisões acerca da alocação de recursos em saúde. O primeiro desafio do comitê foi discutir a
disposição das máquinas de hemodiálise para pacientes renais crônicos. O grande problema que esse
comitê estava enfrentando foi o de existir um número muito maior de paciente do que de máquinas.
Os médicos então delegam esta decisão para outra pessoa. A partir daí surgiu uma grande ruptura na
ética da medicina, pois os médicos pela primeira vez, passaram a delegar essas decisões a pessoas
que não necessariamente eram da área da saúde (RAMOS, 2009).
O segundo acontecimento crucial para a história da Bioética aconteceu em 1966, quando Henry
Beecher, um médico anestesista, publicou um livro com 22 relatos de pesquisas financiadas por
instituições governamentais, farmacêuticas, laboratórios, usando pessoas que ele considerava
cidadãos de segunda classe (prisioneiros, idosos, pessoas que não tinham capacidade moral de se
defender contra os abusadores) (RAMOS,2009).
Esses pesquisadores estavam injetando em idosos senis hospitalizados células vivas cancerígenas,
sem informá-los que estavam fazendo isso, com a finalidade de perceber como que o sistema
imunológicos do corpo humano respondiam às células de câncer. É possível perceber que nem
mesmo o direito à informação era levado em consideração.
Outro caso que desperta o interesse é o de Tuskegee. Foi um estudo que aconteceu entre as décadas
de 1930 e 1970, conduzido pelo serviço de saúde pública americano. Utilizaram 400 pessoas negras
que já possuíam a sífilis. Ou seja, se aproveitaram da vulnerabilidade socioeconômica dessa
população para ver como era o desenvolvimento da sífilis. Eles conduziram o caso esse grupo que
acreditava estar sendo tratado, porém estava recebendo um placebo, para observar qual era o
desenvolvimento da sífilis (RAMOS,2009).
Importante ressaltar que, em 1928, Alexander Fleming já tinha descoberto a penicilina, que estava
disponível como fármaco desde 1941. Então, foi uma escolha do serviço americano dar placebo,
usando a desculpa que, depois que o antibiótico tinha sido inventado, não seria mais possível
acompanhar o desenvolvimento da doença, sendo considerado um grande absurdo.
Precisamos lembrar que, na época, o grande desenvolvimento tecnológico não estava sendo
acompanhado devido à falta de responsabilidade moral destes pesquisadores.
Diante de todos esses casos que vieram a público, a opinião pública cobrou um posicionamento moral
e ético, com a delimitação de normativas e parâmetros de pesquisas clínicas com estes sujeitos de
pesquisa.
Kant (1987) diz que o ser humano nunca pode ser tomado com um instrumento, a humanidade
sempre tem que ser o fim dela mesma. Ou seja, os fins não justificam os meios.
O terceiro acontecimento que efetivou a história da Bioética ocorreu em 1967, quando o médico
Christiaan Barnard realizou o primeiro transplante de coração na África do Sul com sucesso. O que
motivou o escândalo na mídia internacional foi o coração utilizado porque, até aquele momento, o
critério utilizado para permitir a utilização seria o paciente ter falecido por parada cardiorrespiratória.
Como o médico iria comprovar a causa do falecimento? Ele tinha matado um paciente para salvar
outro?
A partir daí, houve a buscar por novos critérios. A escola médica de Harvard se encarregou de buscar
por novos critérios em 1968, porém estes parâmetros de morte só foram divulgados em 1975, quando
começaram a estudar a possibilidade de um transplante pela morte cerebral e não mais
cardiorrespiratória. No Brasil, esse tema é tratado pela lei 9.434/1997, que trata sobre os transplantes
de órgão e que adota abertamente este critério de morte cerebral.
Todos esses acontecimentos foram cruciais para a história da Bioética, pois cada um trouxe uma
transformação de ética aplicada para o mundo. Essa é a importância da Bioética e foi por isso que ela
se disseminou de uma forma muito rápida, pois ela trazia respostas a angústias de problemas éticos-
morais devido aos desenvolvimentos tecnológicos.Ela trouxe respostas de quais eram os critérios da
morte, novos parâmetros morais de pesquisa médica e trouxe os comitês de ética que existem no
hospital e que permitem determinar a alocação de recursos.
É importante ressaltar que a Bioética traz essas respostas sem deixar de pensar nos grupos
socialmente mais vulneráveis. Ela é considerada uma ciência da ética aplicada que tem como
preocupação cuidar dos grupos mais vulneráveis.
Principialismo e a Bioética
Em 1974, o governo americano, em resposta a alguns escândalos relacionados a experimentações com
direitos humanos que ocorreram na época, constituiu uma comissão nacional (Comissão Nacional sobre
Proteção dos Sujeitos da Pesquisa Biomédica e Comportamental) para a pesquisa biomédica e
comportamental. Essa comissão seria responsável por conduzir um estudo que identificaria princípios éticos
básicos que deveriam ser aplicados em experimentos com seres humanos.
 
Após quatro anos, essa comissão publicou o relatório Belmont, que identificava três princípios como
norteadores da experimentação com seres humanos:
Autonomia
Justiça
Beneficência
O principialismo surgiu em 1979 com o livro Princípios da ética biomédica, do filósofo Tom Beauchamp e
do teólogo James Childress. Com a publicação, eles conseguiram instrumentalizar a Bioética. Eles
ampliaram os princípios que foram identificados no relatório e desenvolveram a teoria do principialismo,
aplicando esses princípios à assistência à saúde e a todas as questões da Bioética. Eles ainda
acrescentam um princípio que é o da não maleficência.
(BEAUCHAMP,2002).
Ela é a mais difundida no campo da Bioética, principalmente porque surgiu focada na resolução de
questões específicas. Os quatro princípios trabalhados pela teoria são abstratos. Assim, precisariam ser
trabalhados com fatos específicos. Os autores reconhecem que é necessária a adaptação ao caso
concreto. Regras e ideais morais também ser levadas em consideração quando for feito algum
julgamento a respeito de um caso concreto.
(JONAS, 2006).
Quando você se depara com um caso concreto, como deve proceder, tendo a teoria principialista como base?
 
Primeiramente, é importante você tomar os quatro princípios como uma base abstrata e, a partir daí,
especificar tais princípios no caso concreto, acrescentando conteúdo a esses princípios de acordo com o caso
específico. Por último, devemos realizar a ponderação entre os princípios, identificando o peso de cada um
dentro da situação em questão.
A Ética do Cuidado
Nel Nodding, Virginia Held, Carol Gilligan e Annette Baier.
A ética do cuidado se originou a partir de estudos feministas, com as obras de Nel Nodding, Virginia Held,
Carol Gilligan e Annette Baier, surgindo como um contraponto às éticas tradicionais, que teriam uma tendência
de raciocínio moral mais masculino, levando em conta questões de justiça, imparcialidade, direitos, mas não
estaria considerando o ponto de vista moral feminino, construído a partir das relações íntimas entre as
pessoas e os valores destas relações íntimas, por exemplo, a compaixão e a fidelidade (ANTONY, 2012).
 
O desenvolvimento moral desta ética feminina se daria a partir de associações e relações empáticas com os
outros, de uma ética mais reflexiva e filosófica.
Atenção
Outro ponto importante desta teoria é que se valoriza muito a emoção. Nas teorias éticas tradicionais,
como a do utilitarismo, teoria da obrigação, a emoção é vista como um obstáculo a uma atitude moral/
correta (ANTONY, 2012). 
Na ética do cuidado, a emoção seria um produto da moral. Em outras palavras, as ações não teriam base no
emocional, as ações seriam impulsionadas por outros motivos, que não a emoção. Na verdade, seria uma
deficiência moral.
 
Ao mesmo tempo, a ética do cuidado não necessariamente nega essas éticas tradicionais, mas sim seria um
complemento a elas. Estaria trazendo um outro ponto de vista das teorias éticas que seria o ponto de vista
feminino.
Para a ética do cuidado, a assistência aos pacientes deve
ser realizada com atenção às necessidades de saúde,
estabelecendo uma relação próxima emocional próxima, e
não distante, apenas baseada em direitos. Ela tem como
grande preocupação o olhar sensibilizado ao outro, a
preocupação com o sofrimento alheio e as angústias
daquele que é cuidado.
Algumas críticas a este modelo são a falta de uma
estruturação de conceitos específicos, mas bem
trabalhados, que dariam corpo a esta teoria e o fato de que
ela poderia fortalecer os papeis tradicionais dados à mulher
na sociedade.
Immanue Kant.
Abordagem Deontológica da Bioética
A teoria deontológica recebe este nome porque se refere ao dever ser, às obrigações que existem em uma
determinada situação, em contraponto a teoria ontológica, que se refere ao ser.
Saiba mais
Existem diversas vertentes da teoria deontológica, algumas delas decorrentes de conceitos religiosos,
como o catolicismo. Outras são relacionadas a conceitos éticos, filosóficos, como a lei natural, o
imperativo categórico de Kant, que é um das mais expressivas como a teoria da obrigação. Essa teoria
sugere regras morais que não possuem exceção, ou seja, em qualquer situação a norma moral pode ser
executada, tendo como norma moral uma ação correta. Não são as consequências de um ato que vão
torná-lo correto ou errado, mas sim as características deste ato (FORTES, 2003). 
Essa norma moral gera preceitos. Então, as teorias deontológicas sempre vão se desenvolver a partir de
alguns conceitos sobre ações específicas que gerariam os preceitos. Em suma, esses preceitos vão se
concentrar em regras sobre ações específicas. Não são princípios morais, pois vão se referir especificamente
a uma determinada ação.
Exemplo
Não se deve matar seres humanos inocentes. Isso seria um preceito, porque ele prescreve uma ação
específica e, teoricamente, em qualquer situação que uma ação se encaixar nessas características, ela
vai ser moralmente errada, não importando as circunstâncias. 
O valor moral de uma ação não se concentra nas consequências de um ato, mas nas características desta
ação.
Umas das teorias mais expressivas dentro da teoria da
obrigação é a teoria de Kant (1987). Para ele, sempre que
um indivíduo se deparar com uma situação, a minha ação
vai ser moral se eu agir de acordo com o preceito, mas
compreendendo que eu estou agindo daquela forma por
causa deste preceito, pois eu compreendo a relevância
daquele preceito. Nenhuma outra concepção moral pode se
sobrepor um preceito para que ele seja considerado um
preceito (FORTES, 2003).
Uma outra característica importante é o imperativo categórico, de que: [citação] “age somente de
acordo com a máxima que possa ao mesmo tempo querer que se transforme em lei universal”.
(FORTES, 2003).
Esse imperativo categórico seria uma espécie de teste que nós deveríamos submeter nossas ações
hipoteticamente, de maneira autônoma, para compreender se ela seria uma ação moral naquele momento. Se
aquela ação que eu estou prestes a tomar pode ser transformada em uma lei universal, então, segundo essa
teoria, eu posso realizar tal ação.
 
Vamos pensar no seguinte exemplo:
Exemplo
Imagine que um pai decide doar um órgão para uma filha que está muito doente e depende desta
doação para sobreviver, por afeto a esta filha. De acordo com esta teoria, este pai não estaria agindo
moralmente, pois, mesmo que as consequências dessa sua ação sejam as mesmas consequências, caso
ele estivesse seguindo um preceito moral, ele não estaria motivado da maneira correta. A motivação
deste pai é o afeto pela filha e, para Kant, as emoções não devem ser motivações das ações. O que
deveria motivar a ação do pai é a compreensão dele de que aquele preceito moral é obrigatório em
determinada situação e não a sua afeição pela filha. 
As teorias da obrigação são pouco utilizadas concretamente porque elas possuem um certo grau de
abstração muito alto, sendo complexo perceber esses diversos preceitos morais nos casos concretos.
 
Alguns teóricos vinculados a esta teoria consideram que outrasteorias seriam necessárias à teoria da
obrigação. Como exemplo, temos a teoria casuística, em que você observa um caso concreto e, a partir dele,
identifica um princípio que poderia identificar um princípio que pudesse gerar certos preceitos morais.
Os Princípios da Bioética como Norteador da Postura Profissional
Assista ao vídeo em que a especialista Carine Sena apresenta a Bioética e a sua visão na conduta profissional
com base em seus fundamentos.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Bioética é composta por algumas teorias. Marque a resposta incorreta:
A
Foca no ato correto que deve ser tomado em cada circunstância. Esse ato correto é o que for mais positivo
para um maior número de pessoa – Utilitarismo.
B
Determina a adequação de uma ação, não baseada em suas consequências, mas por certas características
presentes nessa ação – Kantismo.
C
Foca nos agentes que realizam as ações e as escolhas em uma determinada situação. Ela dá maior destaque
às virtudes e ao caráter virtuoso desses agentes – Comunitarismo.
D
É baseada nos relacionamentos. Coloca o afeto e o compromisso emocional como determinantes para a
tomada de decisões – A ética do cuidado.
E
Considerada como a teoria mais difundida na Bioética, se baseia em um conjunto de quatro princípios que
norteiam as decisões e discussões das grandes questões da área: justiça, autonomia, não maleficência e
beneficência – Abordagem principialista.
A alternativa C está correta.
O comunitarismo considera que o que é fundamental na ética provém de valores comunitários, como o bem
comum ou práticas tradicionais de uma certa comunidade.
Questão 2
Na ética do cuidado, é incorreto afirmar que:
A
A assistência aos pacientes não deve ser realizada com atenção às necessidades de saúde.
B
A ética do cuidado foi criada a partir de estudos feministas.
C
Na ética do cuidado, a emoção seria um produto da moral.
D
A ética do cuidado tem como grande preocupação o olhar sensibilizado ao outro, a preocupação com o
sofrimento alheio e as angústias daquele que é cuidado.
E
A ética do cuidado não necessariamente nega as éticas tradicionais, mas sim seria um complemento a elas.
A alternativa A está correta.
Para a ética do cuidado, a assistência aos pacientes deve ser realizada com atenção às necessidades de
saúde, estabelecendo uma relação próxima emocional próxima, e não distante, apenas baseada em
direitos. Ela tem como grande preocupação o olhar sensibilizado ao outro, a preocupação com o sofrimento
alheio e as angústias daquele que é cuidado.
3. Conclusão
Considerações finais
Uma análise completa dos problemas morais em Bioética exige não apenas identificar quais são os princípios
apropriados de ação correta, mas também determinar como resolver conflitos entre eles e como passar desse
nível de princípio para o do caso individual. Até mesmo aqueles que podem concordar com o significado e as
implicações de certos princípios talvez não cheguem a um acordo sobre o que fazer à beira do leito de morte,
pois discordam a respeito de como ordenar ou ponderar os princípios. Eles também podem divergir porque
mantêm diferentes posições sobre como passar do nível de princípio para o do caso e retornar ao primeiro.
 
A teoria completa e estável é aquela que está em equilíbrio, em que os julgamentos considerados sobre casos
individuais, as regras e as noções de como aplicar as regras e os princípios são coerentes de um ramo da
Bioética a outro. O desenvolvimento desse equilíbrio pode exigir um exame dos julgamentos de caso e
princípios, além das regras de mediação e seu ajuste até que seja alcançada uma harmonia.
Podcast
Agora, a especialista Carine Sena encerra esse tema comentando sobre o código de ética e sua
interface com regras e direitos.
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Explore+
Veja como Magda Santos Koerich, Rosani Ramos Machado e Eliani Costa a dimensão ética da atividade
profissional. Busque na Internet pelo artigo: Ética e Bioética: para dar início à reflexão.
Referências
ANTONY, L. Different Voices or Perfect Storm: Why Are There So Few Women in Philosophy? In: Journal of
Social Philosophy, v. 43, n. 3, p. 227-255, 2012. Consultado em meio eletrônico em: 6 jan. 2021.
 
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FABRIZ, D.C. Bioética e direitos fundamentais: a bioconstituição como paradigma do biodireito. Belo Horizonte:
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FORTES, P. A. C.; ZOBOLI, E. L. C. P. Bioética e saúde pública. São Paulo: Loyola, 2003.
 
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JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro:
Contraponto: PUC Rio, 2006.
 
JUNQUEIRA, C. R. Consentimento nas relações assistenciais. In: RAMOS, D. L. P. Bioética e ética profissional.
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JUNQUEIRA, C. R. Bioética: conceito, contexto cultural, fundamento e princípios. In: RAMOS, D.L.P. Bioética e
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RAMOS, D.L.P. Bioética: pessoa e vida. São Caetano do Sul: Difusão, 2009. 374p.
	Bioética - História e Saúde Pública
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Respeito à pessoa, vulnerabilidade e ética na saúde
	Introdução
	Exemplo
	Exemplo
	Ética e Moral: Qual é a Real Diferença?
	Resumindo
	Da Ética para a Vida
	Pré-socráticos
	Pitágoras
	Sócrates
	Vulnerabilidade e Ética do Cuidado
	Em primeiro lugar
	Em um segundo lugar
	Em terceiro lugar
	No sentido do senso comum
	Na Ecologia
	Na Psicologia
	É utilizado como a susceptibilidade a determinadas reações negativas diante dos impasses, dos problemas enfrentados pelas pessoas.
	No Serviço Social
	Na Bioética
	No Direito
	Ética na Saúde
	Atenção
	Princípio da beneficência
	Princípio da não maleficência
	Princípio da autonomia
	Os Quatro Níveis do Discurso Moral e Conduta Profissional
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A ética profissional deve ser vista de forma a fazer com que o profissional seja pensante. O que norteia esses profissionais:
	Todos os seres vivos são vulneráveis por estarem sujeitos a riscos de qualquer natureza, intencionais ou não. Indo mais fundo: existe a vulnerabilidade intrínseca à vida, o “ser vulnerável”, mas “estar vulnerável” implica em situações de vulnerabilidade. Esse conceito é de:
	2. Fundamentos da Bioética
	O que é a Bioética?
	O utilitarismo
	Baseada na obrigação ou kantismo
	Baseada na virtude ética do caráter
	Baseada nos direitos, individualismo liberal
	Baseada na comunidade, comunitarismo
	A ética do cuidado
	A casuística
	A abordagem principialista
	Um pouco da sua história
	Principialismo e a Bioética
	Autonomia
	Justiça
	Beneficência
	A Ética do Cuidado
	Atenção
	Abordagem Deontológica da Bioética
	Saiba mais
	Exemplo
	Exemplo
	Os Princípios da Bioética como Norteador da Postura Profissional
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A Bioética é composta por algumas teorias. Marque a resposta incorreta:
	Na ética do cuidado, é incorreto afirmar que:
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasforam expostos a mosquitos
contaminados. Nesse mesmo ano, na Alemanha, pesquisas com crianças, gestantes, prisioneiros e
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pacientes terminais estavam sendo realizadas para entender doenças consideradas incuráveis, sem
o consentimento dos mesmos.
Um caso muito conhecido, quando falamos sobre ética em pesquisa, é o de Tuskegee, que
ocorreu no Alabama, EUA.
VIVESSECÇÃO
Ato de dissecar um organismo vivo, para fim de testes e experimentos científicos.
O estudo ocorreu entre os anos de 1932 e 1972, e tinha como objetivo observar a evolução da sífilis
sem tratamento em 600 homens negros, sendo 400 já com a doença diagnosticada. Nesse período,
já havia a penicilina como tratamento-padrão para sífilis, mas esses homens não obtiveram acesso
ao tratamento e nem foram informados sobre as consequências da sífilis. A pesquisa só foi encerrada
40 anos após o seu início, quando o jornal The New York Times realizou uma publicação
denunciando a pesquisa.
Para que você entenda a crueldade dessa pesquisa, apenas 74 dos 600 homens que
participaram estavam vivos na época da denúncia.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foram encontrados registros das maiores atrocidades realizadas
por médicos nazistas, nos campos de concentração, na Alemanha. Experimentos com seres
humanos foram desenvolvidos sem a menor preocupação moral, eram mortais e baseados na teoria
eugenista de Hitler, que buscava a melhoria da raça alemã.
 EXEMPLO
Um exemplo dessas atrocidades foi que as pessoas com enfermidades hereditárias eram
esterilizadas e, a partir de 1940, com o aumento de doenças mentais na população, elas passaram a
ser inseridas num programa de eutanásia.
Os exemplos retratados acima servem para uma reflexão sobre a importância da regulamentação
das pesquisas com seres humanos, pois sem elas o que havia era um grande desrespeito à vida
humana.
REGULAMENTAÇÃO DE PESQUISAS
ENVOLVENDO SERES HUMANOS
Em 1931, em resposta às atrocidades cometidas por médicos nazistas, durante a Segunda Guerra
Mundial, o Ministério da Saúde Alemã estabeleceu regulamentações básicas para a realização de
pesquisas. Com isso, em 1947, ocorreu um julgamento no qual 20 médicos foram condenados por
assassinato. A partir desse julgamento, surgiu o Código de Nuremberg, que apresenta 10
princípios éticos para pesquisa com seres humanos:

1. Obter o consentimento voluntário do participante.
2. Produzir resultados vantajosos.


3. Ser baseada em resultados de experimentação em animais e estudos anteriores.
4. Evitar sofrimento e danos.


5. Ser conduzida por pessoas cientificamente qualificadas.
6. Ter sua continuação suspensa, se constatado que poderá causar dano, invalidez ou morte.


7. Não deve ser feita se existir risco de ocorrer morte ou invalidez permanente.
8. Ter grau de risco aceitável e limitado pela importância do problema que se propõe resolver.


9. Proteger o paciente de qualquer possibilidade de dano, invalidez ou morte.
10. Dar liberdade ao paciente de se retirar em qualquer momento da pesquisa.

Em 1964, surgiu a primeira versão da Declaração de Helsinque, aprovada pela Associação
Médica Mundial. Em 1975, ela sofreu sua primeira revisão, quando foi incluído que todo projeto de
pesquisa deveria ser apreciado e aprovado por um comitê de ética. Posteriormente, revisões foram
feitas nos anos de 1983, 1989, 1996, 2000 e 2008, e em todas as versões, há um texto-padrão que
não foi modificado e apresentam sempre os itens a seguir:
Obter o consentimento do participante, após ser totalmente esclarecido.
Ser baseada em experiências laboratoriais in vitro, em animais, e em conhecimento da literatura
científica.
Ter o protocolo de pesquisa aprovado por um comitê independente.
Ser conduzida apenas por pessoas cientificamente capacitadas.
Ser o risco para a pesquisa, proporcional à importância do objetivo
Ter avaliação dos riscos comparada com os benefícios previstos, respeitada e assegurada a
integridade do participante.
A National Commission for the Protection of human Subjects of Biomedical and Behavior
Reserch (Comissão Nacional para Proteção de Sujeitos Humanos em Pesquisas Biomédicas e
Comportamentais) foi criada em 1974 para estudar os problemas éticos gerados em pesquisas e no
fim da sua atuação, em 1978, foi gerado o Relatório Belmont, que apresentava três princípios éticos
básicos para a realização de pesquisas, são eles:
A NATIONAL COMMISSION FOR THE
PROTECTION OF HUMAN SUBJECTS OF
BIOMEDICAL AND BEHAVIOR RESERCH
(Comissão Nacional para Proteção de Sujeitos Humanos em Pesquisas Biomédicas e
Comportamentais).
Princípio do respeito às pessoas: diz respeito a autonomia, proteção, consentimento à pesquisa,
informações sobre a pesquisa e o voluntariado livre à pesquisa.

Princípio da beneficiência: diz respeito ao bem-estar do participante da pesquisa e a não causar
danos.
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
Princípio da justiça: diz respeito a equidade nos benefícios da pesquisa e na escolha dos
participantes.
Todos esses movimentos para resguardar a integridade física e moral dos participantes de pesquisas
só passaram a ser possíveis devido aos princípios éticos básicos supracitados, que executados
isoladamente não garantem a proteção dos participantes de pesquisa, mas somente juntos.
Foto: Shutterstock.com
REGULAMENTAÇÃO DE PESQUISAS
ENVOLVENDO ANIMAIS
Assim como nos experimentos com seres humanos, diversas pesquisas já foram e são realizadas
com animais para o avanço do conhecimento, sem nenhum tipo de regulamentação ou controle
quanto as atrocidades cometidas contra os animais. Diante desse cenário, também surgiu a
necessidade de se regulamentar o uso de animais em pesquisas.
No cenário histórico sobre a realização de pesquisas com animais, encontramos registros de que no
século XII os animais eram tratados como objetos, pois entendia-se que eram seres inanimados e
sem alma. Em 1927, surgiu o primeiro documento que registrava que todos os seres são dignos de
respeito. E, finalmente, em 1959, surgiu uma teoria que realmente estabelecia uma relação de
respeito com os animais, em que os três eixos principais eram:
Fazer uso de formas mais primitivas de vida em pesquisas.
Utilizar o menor número possível de animais nos experimentos.
Durante a realização dos experimentos, os animais devem ter seu sofrimento reduzido por meio de
técnicas para proporcionar conforto.
Durante a década de 1990, as discussões sobre o uso de animais em pesquisas aumentaram
consideravelmente, pois o uso de animais em pesquisas é uma estratégia valiosa e os profissionais
precisam ter o entendimento das legislações, regulamentações e das questões bioéticas que
envolvem esta prática. As questões bioéticas quanto ao uso de animais em experimentos
contribuem para a fiscalização e para impor limites nos procedimentos realizados durante as
pesquisas.
A primeira Lei brasileira sobre o uso de animais em pesquisas foi a Lei n° 6638/79.

Em 1997, o Projeto de Lei 3.964 criou a Comissão de Ética para Uso de Animais (Ceua) e sugeriu a
criação de um conselho para controlar as atividades de pesquisas com animais.
Em 2008, a Lei 11.994 regulamentou as Comissões de Ética para o Uso de Animais e criou o
Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA).


Em 2009, o Decreto 6.899, criou o Cadastro das Instituições de Uso Científico de Animais (Ciuca).
 SAIBA MAIS
O objetivo do CONCEA é garantir as adequações nos centros de criação, uso humanitário dos
animais, fiscalizar se as normas de cuidado estão sendo realizadas e estimular a busca constante
por técnicas alternativas para a substituição do uso de animais em pesquisas, sempre que possível.
Entre suas funções, o CONCEA aplica multas, penalidades, advertências e realiza interdições de
estabelecimentos que não cumprem a lei.
Atualmente, discussões sobre a vulnerabilidade dos animais em uso de pesquisas tem sido foco da
abordagem sobre a ética animal e, com isso, aexpectativa é que se consiga levar para o campo das
pesquisas com animais as questões que são consideradas na pesquisa com seres humanos.
Existem três áreas principais de uso animal em pesquisas:
Fonte: EnsineMe.
Como alternativa a essas práticas, estudiosos sugerem a utilização de testes in vitro e outras
possibilidades que não o uso de animais.
Todos os profissionais de saúde devem ter consciência sobre as questões aqui abordadas, para que
possam realizar suas reflexões éticas sobre as pesquisas com animais e tomar decisões que
busquem o equilíbrio entre a ciência, o ambiente, novas tecnologias e o bem-estar animal e humano.
ÉTICA E BIOÉTICA
Assista, a seguir, a um vídeo sobre Ética e Bioética.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. ESTUDAMOS SOBRE AS BASES CONCEITUAIS DA BIOÉTICA, QUE SÃO O
ESTUDO SISTEMÁTICO DA CONDUTA HUMANA NO CAMPO DAS CIÊNCIAS
DA VIDA E DA SAÚDE, EXAMINADA À LUZ DOS VALORES E PRINCÍPIOS
MORAIS. OS AUTORES, CRIADORES DO PRINCIPIALISMO, PROPÕEM UMA
ANÁLISE ÉTICA, CASO A CASO, NA CLÍNICA E PESQUISA MEDIANTE A
AVALIAÇÃO DE QUATRO PRINCÍPIOS ÉTICOS. ASSINALE A ALTERNATIVA
QUE CONTÉM ESSES PRINCÍPIOS ÉTICOS:
A) Respeito à autonomia; não maleficência; beneficência; justiça.
B) Não maleficência; humanização no atendimento; justiça; respeito à autonomia.
C) Respeito à autonomia; não maleficência; beneficência; humanização no atendimento.
D) Não maleficência; humanização do atendimento; justiça; direito de sacralidade à vida.
E) Respeito à autonomia; humanização do atendimento; direito de sacralidade à vida; justiça.
2. A REGULAMENTAÇÃO DE PESQUISAS ENVOLVENDO ANIMAIS, POR MEIO
DO CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL
(CONCEA), BUSCA FISCALIZAR E REGULAMENTAR O USO DE ANIMAIS EM
PESQUISAS CIENTÍFICAS PARA QUE OS MESMOS NÃO SOFRAM ABUSOS E
SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA DURANTE O PROCESSO. ASSINALE A
ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE À PRÁTICA DE ATUAÇÃO DO CONCEA:
A) O CONCEA controla se as empresas estão utilizando teste in vitro e não utilizando animais, como
a lei determina.
B) O CONCEA controla se as empresas estão utilizando o menor número possível de animais nos
experimentos.
C) O CONCEA aplica multas, penalidades, advertências e até mesmo realiza interdições de
estabelecimentos que não cumprem a lei.
D) O CONCEA estimula as empresas ao uso de animais nos experimentos, tendo em vista que essas
pesquisas estão sendo realizadas para o bem e o desenvolvimento da humanidade.
E) O CONCEA aplica apenas advertências as empresas que não cumprem a lei, pois tal órgão não
possui autoridade para fechar estabelecimentos, caso irregularidades sejam identificadas.
GABARITO
1. Estudamos sobre as bases conceituais da bioética, que são o estudo sistemático da
conduta humana no campo das ciências da vida e da saúde, examinada à luz dos valores e
princípios morais. Os autores, criadores do principialismo, propõem uma análise ética, caso a
caso, na clínica e pesquisa mediante a avaliação de quatro princípios éticos. Assinale a
alternativa que contém esses princípios éticos:
A alternativa "A " está correta.
Os autores Beauchamp e Childress trouxeram quatro princípios importantes que contribuem muito
para as avaliações de uma prática médica baseada na ética. Destacam também que os processos de
desenvolvimento e aplicação de pesquisas devem ser avaliados sob os mesmos princípios, que são:
respeito à autonomia, não maleficência, beneficência e justiça.
2. A Regulamentação de Pesquisas Envolvendo Animais, por meio do Conselho Nacional de
Controle de Experimentação Animal (CONCEA), busca fiscalizar e regulamentar o uso de
animais em pesquisas científicas para que os mesmos não sofram abusos e situações de
violência durante o processo. Assinale a alternativa que corresponde à prática de atuação do
CONCEA:
A alternativa "C " está correta.
O CONCEA possui várias atribuições, entre elas está a aplicação de multas, penalidades,
advertências e realizar interdições em estabelecimentos nos quais sejam identificadas situações
inadequadas nos centros de criação de animais, além do não cumprimento normas de cuidado.
MÓDULO 2
 Descrever conceitos gerais dos cuidados paliativos e reflexões sobre a morte
PRINCÍPIOS
Os cuidados paliativos têm por objetivo conceder morte digna, ou seja, são práticas e procedimentos
para cuidar do enfermo que não responde mais às possibilidades de tratamento para uma
determinada doença.
Falar sobre o fim da vida ainda envolve muitos tabus, questões culturais e sociais nas quais uma
sociedade está inserida. Profissionais de saúde precisam ter ciência e consciência da importância
dos princípios éticos da bioética para o fim de vida, da dor e o sofrimento que o enfermo e a sua
família passam.
Assuntos como a eutanásia, distanásia, ortotanásia e aborto precisam entrar no âmbito das
discussões dos profissionais de saúde, para que os mesmos possam utilizar esse conhecimento
adquirido sobre os temas supracitados para humanizar cada vez mais a sua prática. Ideias centrais
como o Princípio da Sacralidade da Vida (PSV) e o Princípio do Respeito à Autonomia da Pessoa
(PRA) permeiam as discussões sobre as questões bioéticas de início e fim de vida.
O Princípio da Sacralidade da Vida
Considera que a vida consiste num bem — concessão da divindade ou manifestação de um finalismo
intrínseco da natureza, tendo, assim, um estatuto de sagrado, e por isso não é mensurável do ponto
de vista de todos os cálculos, que possam, eventualmente, ser feitos sobre ela, não podendo ser
interrompida, nem mesmo por expressa vontade de seu detentor. (SIQUEIRA-BATISTA; SCHRAMM,
2005)
De acordo com esse princípio, a vida é considerada sagrada, e isso o coloca como um grande
objetor da eutanásia e do aborto.
O Princípio do Respeito à Autonomia da Pessoa
Pressupõe que se considerem, definitivamente, as escolhas livres dos sujeitos quando se trata de
questões morais. A argumentação pela autonomia nesse princípio enfatiza o respeito à liberdade de
escolha da pessoa, isto é, sua competência em decidir, autonomamente, aquilo que considera
importante para viver, incluindo os processos de nascer e morrer, de acordo com os seus valores e
interesses legítimos.
Sendo assim, de acordo com a PRA, cada indivíduo tem o direito de tomar as decisões sobre
a sua vida da maneira que achar melhor.
CUIDADOS PALIATIVOS E MORTE
Os cuidados paliativos surgiram como modelo sistematizado de atenção à saúde da pessoa no fim
de vida, no fim do século XX, em 1967, em Londres, por Cicely Saunders, considerada a pioneira na
prática dos cuidados paliativos. Cicely atuava junto a pacientes oncológicos no fim de vida.
A Organização Mundial de Saúde entende que os Cuidados Paliativos (CP) envolvem procedimentos
que devem ser realizados de maneira ativa e integral a enfermos/pacientes em situação na qual a
doença não responde mais ao tratamento. Para Silva (2008), os cuidados paliativos também são
procedimentos realizados para pacientes fora de possibilidade terapêutica que estão no período final
de vida.
Foto: Shutterstock.com
O propósito dos cuidados paliativos deve estar voltado para proporcionar qualidade de vida e
dignidade no fim de vida dos pacientes sem possibilidades terapêuticas e não estender o
processo de morte. Durante esse período, questões de cunho religioso e psicológico devem
ser consideradas.
A prática do cuidado paliativo exige dos profissionais de saúde uma reinvenção quanto ao
pensamento curativo, hospitalocêntrico e mecanicista, pois é necessário desenvolver técnicas mais
humanas que exigem dedicação e solidariedade, e reconhecer as necessidades de cada indivíduo
criando vínculo.
Para Matsumoto (2009) apud Manual de Cuidados Paliativos (BRASIL, 2020), uma prática adequada
de cuidados paliativos exige seguir os princípios abaixo:
Iniciar o mais precocemente possível o acompanhamento em cuidados paliativos junto a
tratamentos modificadores da doença. Incluir toda a investigação necessária para compreender
qual o melhor tratamentoe manejo dos sintomas apresentados.
Reafirmar a vida e sua importância.
Compreender a morte como processo natural sem antecipá-la nem postergá-la.
Promover avaliação, reavaliação e alívio impecável da dor e de outros sintomas geradores de
desconforto.
Perceber o indivíduo em toda sua completude, incluindo aspectos psicossociais e espirituais no
seu cuidado. Para isso, é imprescindível uma equipe multidisciplinar.
Oferecer o melhor suporte ao paciente focando na melhora da qualidade de vida, influenciando
positivamente no curso da doença quando houver possibilidade e auxiliando-o a viver tão
ativamente quanto possível até a sua morte.
Compreender os familiares e entes queridos como parte importante do processo, oferecendo-
lhes suporte e amparo durante o adoecimento do paciente e também no processo de luto após
o óbito.
Outro ponto importante no desenvolvimento dos cuidados paliativos é a atenção à família,
porque durante esses estágios de cuidados paliativos a família fica fragilizada por saber que perderá
um ente querido e, mesmo assim, todos os integrantes estão envolvidos direta ou indiretamente nos
cuidados prestados ao paciente. Infelizmente, para o paciente e seus familiares, estar no programa
de cuidados paliativos significa a proximidade da morte.
Foto: Shutterstock.com
 Duas pessoas confortando um idoso deitado na cama.
A morte, assim como o nascimento, faz parte da vida humana e apresenta perspectivas diferentes de
acordo com a sociedade que a vivencia. Por ser algo tão desconhecido, muitos profissionais de
saúde possuem dificuldade em lidar com pacientes no fim da vida, principalmente se for uma criança
ou um jovem. Isso não quer dizer que a morte de um idoso não abale uma equipe, mas é que a
morte para pessoa idosa é algo esperado e mais aceitável, considerando a ordem natural do
desenvolvimento humano: nascer, crescer, viver, envelhecer e morrer.
Kübler-Ross sistematizou os estágios da morte para nos ajudar a entender melhor e acompanhar os
pacientes terminais, amenizando esse instante de sofrimento.
O primeiro estágio é a negação e o isolamento.
Envolve um momento de defesa do enfermo e dos familiares mais próximos frente à morte. Esse
período tem variação no seu tempo de duração, pois depende da forma como os pacientes e seus
familiares enfrentarão a dor da notícia de uma doença terminal.
O segundo estágio é a raiva.
Exige muita compreensão por parte dos que estão próximos do paciente e até mesmo de seus
familiares mais próximos. É um momento de muita rebeldia e revolta. As angústias sentidas se
transformam em raiva e perguntas do tipo: “Por que comigo?”, são tão comuns quanto a expressão:
“Eu não mereço estar passando por isso!”. Nesse momento, é importante entender que as ações de
raiva do paciente não terão cunho pessoal.
O terceiro estágio é a barganha.
O paciente cria uma conexão maior com Deus e entra no campo das promessas em troca da cura.
Outra característica dessa fase é a mudança de comportamento do estágio anterior, pois após
identificar que a raiva não foi resolutiva, o paciente entra num platô de comportamento calmo,
pensativo e amável.
O quarto estágio é a depressão.
O paciente começa a ter episódios repetitivos de internações prolongadas e cirurgias, sentindo-se
enfraquecido física e emocionalmente. O paciente percebe que as tentativas anteriores (negação,
raiva e barganha) não lhe proporcionaram a cura e que o fim da vida está cada vez mais próximo. É
o momento de deixar o paciente expressar todas as suas emoções e de os familiares se
aproximarem para passar o maior tempo possível ao seu lado.
O quinto e último estágio é a aceitação.
Identifica-se que a família precisa de mais apoio do que o próprio paciente, pois ele entende que
morrerá, e a família não aceita, avaliando que a pessoa “está se entregando para a doença”. A
equipe de saúde precisa estar atenta nessa fase, pois os cuidados paliativos serão de grande
importância para garantir a dignidade do paciente na morte.
EUTANÁSIA, DISTANÁSIA E ORTOTANÁSIA
A palavra eutanásia é de origem grega e tem significado de “boa morte”.
A eutanásia é um dos temas mais polêmicos da bioética de fim da vida. Países como a Bélgica,
Holanda, Austrália e Suíça possuem leis de aprovação para prática da eutanásia. No Brasil, é
considerada crime.
Nos países onde esta prática é permitida, alguns aspectos legais precisam ser respeitados:
Solicitação livre e voluntária.
Avaliação extremamente criteriosa.
Constatação de que não há possibilidades de tratamento ou cura.
Tais medidas são tomadas para evitar situações de abuso, principalmente com o grupo de
idosos, deficientes físicos e pacientes em estado vegetativo.
É preciso estar atento às definições de eutanásia (tabela 1), pois é comum ver as pessoas fazendo
confusão entre ela e o suicídio assistido. A eutanásia ocorre por intermédio de terceiros,
enquanto o suicídio assistido é realizado pela própria pessoa.
EUTANÁSIA
Eutanásia
ativa
Ação de provocar a morte sem sofrimento do paciente para fins
humanitários (ex.: uso de medicamentos letais).
Eutanásia
passiva
Quando a morte ocorre por omissão proposital em iniciar uma ação médica
que garantiria a perpetuação da sobrevida (ex.: deixar de iniciar aminas
vasoativas no caso de choque não responsivo à reposição volêmica).
Eutanásia
de duplo
efeito
Nesses casos, a morte é acelerada em decorrência de medicações que
podem comprometer o funcionamento dos órgãos. O exemplo mais comum
é o uso de morfina para o controle da dor, contudo, o uso desse
medicamento pode causar depressão respiratória, ou seja, diminuição da
frequência respiratória.
Eutanásia
voluntária
Acontece em resposta expressa do doente, o que seria um sinônimo de
suicídio assistido.
Eutanásia
não
voluntária
Quando o ato é realizado contra a vontade do enfermo, o que, em linhas
gerias, pode ser igualado ao homicídio, ou seja, aquela que se pratica em
uma pessoa que teria sido capaz de outorgar ou não o consentimento à
sua própria morte, mas não o fez, seja por não ter sido solicitada, seja por
ter rechaçado a solicitação devido ao desejo de seguir vivendo.
Eutanásia
não
voluntária
Quando a vida é abreviada sem que se conheça a vontade do paciente.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
A distanásia e a ortotanásia também são termos para se discutir o fim de vida, mas não são tão
conhecidos quanto a eutanásia.
A distanásia é resultado de ações/procedimentos médicos que se tornam mais nocivos do que
benéficos ao tratamento, causando dor e sofrimento ao enfermo.
Muitas das vezes essa insistência ocorre devido ao medo da equipe de profissionais de saúde em
pensar que não fizeram tudo que estava ao seu alcance para manter o paciente com vida.
A ortotanásia vem para falar sobre a morte com dignidade.
É o processo de aceitação natural da morte, momento em que se deve utilizar estratégias para
amenizar o sofrimento, por meio de cuidados paliativos que poderão ser executados. Nesse
processo, há suporte religioso, psicológico e de analgesia.
Pode-se dizer que a ortotanásia é a morte humanizada.
Foto: Shutterstock.com
ABORTO
O aborto é um tema polêmico no Brasil e tem fomentado vários debates nos campos político, médico,
religioso e filosófico. Entretanto, o que acontece no Brasil não é regra.
O aborto era praticado na antiguidade por diferentes culturas e passou a ser malvisto por influência
da igreja católica a partir de 1869. Outros fatores que contribuíram para a mudança na sociedade
quanto à aceitação do aborto foram as grandes baixas populacionais da Primeira Guerra Mundial e o
baixo índice de natalidade em países da Europa Ocidental no século XX.
Do ponto de vista bioético vale visitarmos os conceitos propostos por Diniz e Almeida (1998), para
classificar o aborto, tendo em vista que existem diferentes modos de classificação (tabela 2). Os
autores apresentam o aborto como:
1– Interrupção voluntária da gravidez;2 – Interrupção terapêutica da gravidez;
3 – Interrupção eugênica da gravidez; e
4 – Interrupção seletiva da gravidez.
ABORTO
Interrupção
voluntária da
gravidez
Realizada em nome da autonomia reprodutiva da grávida, ou seja, por
falta de desejo de levar a gestação a termo (seja fruto de um estupro ou
de uma relação consensual) — como no caso dos pais que optam pela
interrupção por impossibilidade de assumir o compromisso da
maternidade/paternidade em dado momento.
Interrupção
terapêutica da
gravidez
Praticada com o intuito último de salvar a mãe gravemente enferma,
para quem a continuação do ciclo gravídico acabará desencadeando a
morte — como no caso da gestante com diagnóstico de eclâmpsia.
Interrupção
eugênica da
gravidez
Executada com base em princípios da eugenia, tais como valores
racistas, sexistas e étnicos — o principal exemplo foram as práticas
realizadas no Estado nazista, muitas das quais em conformidade com a
lei de aborto imposta às mulheres por questões puramente étnicas.
Interrupção
seletiva da
gravidez
Motivada pela existência de graves lesões fetais, muitas das quais
incompatíveis com a vida — o exemplo mais conhecido é a anencefalia.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal
O ponto definitivo para o aborto entrar nas rodas de discussão foram as transformações
sociais que ocorreram na década de 1960, com o empoderamento político feminino e pela
liberdade sexual reprodutiva, em que o ato sexual não estaria atrelado à reprodução.
CONSIDERAR O ABORTO APENAS DO PONTO DE VISTA
LEGAL É FECHAR OS OLHOS PARA UM PROBLEMA QUE
INSISTE EM SE COLOCAR, DIUTURNAMENTE, NOS
SERVIÇOS DE SAÚDE E NO ÂMBITO MAIS AMPLO DA
SOCIEDADE BRASILEIRA. ATÉ PORQUE, COMO SE SABE,
AS LEIS MUDAM COM MUITO MENOS RAPIDEZ DO QUE
OS COSTUMES E PRÁTICAS DA SOCIEDADE.
IDENTIFICANDO-SE O TAMANHO DO PROBLEMA,
RECONHECE-SE IMPLICITAMENTE O QUANTO A
ATIVIDADE É PRATICADA, APESAR DE TODAS AS
RESTRIÇÕES LEGAIS E MORAIS QUE AS MULHERES
SOFREM.
(REGO, PALÁCIOS; SIQUEIRA-BATISTA, 2009).
No Brasil, vários estudos apontam que o aborto provocado de maneira clandestina é um dos
grandes responsáveis pela mortalidade materna.
Isso ocorre principalmente entre as mulheres de baixa renda e escolaridade que não possuem
recursos para custear um procedimento caro e acabam se expondo a situações de procedimentos
realizados por curiosos, uso de medicação de origem desconhecida e práticas de conhecimento
popular.
A discussão do aborto vem avançando de maneira extremamente lenta e existem alguns fatores que
justificam essa morosidade:
AS MÚLTIPLAS E DÍSPARES REALIDADES E ORDENS
DISCURSIVAS ALBERGADAS PELO CONCEITO, NA
MEDIDA EM QUE UMA SÉRIE DE MOTIVAÇÕES E
CONTEXTOS DIFERENTES PODEM SE TORNAR
MANIFESTOS NA DECISÃO DE INTERROMPER UMA
GRAVIDEZ EM CURSO; E
A DIFICULDADE EM MANTER UM DEBATE DE ALTO NÍVEL
E EMBASADO EM ARGUMENTAÇÃO LEGÍTIMA — E NÃO
EM ESPÚRIOS “ENREDAMENTOS RETÓRICOS”, OS
QUAIS TÊM MUITO MAIS O INTUITO DE CONFUNDIR (COM
VISTAS, EM ÚLTIMA ANÁLISE, À MANIPULAÇÃO DOS
SUJEITOS) DO QUE DE ESCLARECER SOBRE OS
PONTOS QUE ESTÃO EM JOGO NESTE DELICADO
ASSUNTO.
(DINIZ et al., 2009).
No código penal brasileiro, o aborto é considerado um crime contra a vida, mas permite a
prática de aborto realizada por profissional médico, realizado nas circunstâncias em que a vida da
gestante estiver em risco ou quando a gestação for fruto de estupro, e este será autorizado pela
gestante ou por um representante legal, caso a vítima seja menor de idade ou incapaz.
O aborto, assim como a eutanásia, está envolto na discussão dos princípios de respeito à vida
e da sacralidade à autonomia da pessoa.
Por um lado, os defensores do princípio à vida dizem que, como a vida é sagrada, defender o aborto
se torna algo absolutamente impossível.

Já o grupo que defende a autonomia da pessoa, em sua maioria formado por grupos de feministas,
entendem que a decisão deve ser tomada pela mulher, pois ela diz respeito a sua vida, sua
sexualidade, seu corpo e reprodução.
A discussão acerca do aborto está entre a mais calorosas no campo da bioética e a ausência de um
consenso só traz malefícios às mulheres, que morrem em abortos ilegais.
CUIDADOS PALIATIVOS
Assista, a seguir, a um vídeo sobre cuidados paliativos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. OS CUIDADOS PALIATIVOS ENVOLVEM AÇÕES DESENVOLVIDAS POR UMA
EQUIPE DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE QUE PROMOVE A QUALIDADE DE
VIDA E A DIGNIDADE DO PACIENTE QUE ESTÁ FORA DE POSSIBILIDADES
TERAPÊUTICAS. A SEGUIR, LISTAMOS ALGUMAS SITUAÇÕES QUE SÃO
EXEMPLOS DE CUIDADOS PALIATIVOS. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE NÃO
CORRESPONDE A UMA PRÁTICA DE CUIDADO PALIATIVO:
A) Alívio da dor e sintomas físicos; promoção do bem-estar; aproximação da família.
B) Apoio espiritual; interação social; qualificação profissional.
C) Apoio psicológico e saúde mental; alívio da dor; interação social.
D) Alívio da dor; qualificação profissional; apoio espiritual.
E) Apoio psicológico e saúde mental; promoção do bem-estar; inserção familiar restrita.
2. EUTANÁSIA, DISTANÁSIA E ORTOTANÁSIA SÃO TERMOS BIOÉTICOS PARA
SE DISCUTIR A TERMINALIDADE DA VIDA. A EUTANÁSIA EM PARTICULAR
TEM O SIGNIFICADO DE PROMOVER A BOA MORTE ATRAVÉS DE UMA
PRÁTICA QUE ABREVIE A VIDA DE UM PACIENTE QUE ESTÁ FORA DE
POSSIBILIDADES TERAPÊUTICAS E EM SOFRIMENTO; NO ENTANTO, ESSA
PRÁTICA É CONSIDERADA UMA INFRAÇÃO ÉTICA E É PROIBIDA NO BRASIL.
ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE À DESCRIÇÃO DA PRÁTICA
ILEGAL DE EUTANÁSIA ATIVA:
A) Quando a morte ocorre por omissão proposital pelo início de uma ação médica que garantiria a
perpetuação da sobrevida.
B) Ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente por fins humanitários.
C) Nos casos em que a morte é acelerada como consequência de ações médicas não visando ao
êxito letal, mas sim ao alívio do sofrimento de um paciente.
D) Acontece em resposta expressa do doente, o que seria um sinônimo de suicídio assistido.
E) Quando a vida é abreviada sem o conhecimento da vontade do paciente.
GABARITO
1. Os cuidados paliativos envolvem ações desenvolvidas por uma equipe de profissionais de
saúde que promove a qualidade de vida e a dignidade do paciente que está fora de
possibilidades terapêuticas. A seguir, listamos algumas situações que são exemplos de
cuidados paliativos. Assinale a alternativa que não corresponde a uma prática de cuidado
paliativo:
A alternativa "E " está correta.
Para a prática adequada de cuidados paliativos, alguns princípios básicos precisam ser seguidos,
dentre eles: iniciar o cuidado paliativo o quanto antes, reafirmar a importância da vida, compreender
o processo de morte, promover avaliação da dor, entender o indivíduo de maneira holística, oferecer
suporte psicológico para a melhora da qualidade de vida, inserir familiares e entes queridos como
parte importante nesse processo e qualificação profissional.
2. Eutanásia, distanásia e ortotanásia são termos bioéticos para se discutir a terminalidade da
vida. A Eutanásia em particular tem o significado de promover a boa morte através de uma
prática que abrevie a vida de um paciente que está fora de possibilidades terapêuticas e em
sofrimento; no entanto, essa prática é considerada uma infração ética e é proibida no Brasil.
Assinale a alternativa que corresponde à descrição da prática ilegal de eutanásia ativa:
A alternativa "B " está correta.
Eutanásia ativa é o ato deliberado de provocar a morte sem o sofrimento do paciente por fins
humanitários, contudo, trata-se de uma prática ilegal no Brasil.
MÓDULO 3
 Reconhecer a humanização nas relações dos profissionais de saúde com a sociedade
PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Profissionais de saúde lidam a todo momento com os extremos da vida: o nascimento e a morte.
Nessa relação, o profissional precisa seguir alguns valores que são estabelecidos por categoria
profissional dentro da área da saúde e estabelecem responsabilidades éticas.
 ATENÇÃO
O nosso cotidiano demonstra que, quando se tematizao exercício profissional, vislumbra-se apenas
a Lei do Exercício Profissional e o sentido ético de sua aplicação, sem entendê-la ou mesmo buscar
e fundamentar as razões pelas quais devemos nos apropriar e entender o sentido da sua aplicação,
tendo em vista a ética e a bioética na relação profissional com a sociedade, bem como situá-lo no
contexto da hierarquia desejada.
Quando se fala em Lei, tomando por base o Direito ao Trabalho, verifica-se, inicialmente, que
concedemos-lhe um significado ao interpretá-la. É quando se busca o sentido da lei, para nos
apropriamos do que ela expressa objetivamente. Por isso, a possibilidade de adaptações ao contexto
onde ela se situa.
A Constituição Federal do Brasil de 1988 prevê em seu inciso XIII do art. 5º que é livre o exercício de
qualquer trabalho, ofício ou profissão atendidas às qualificações profissionais que a lei estabelecer.
Os profissionais de saúde estão arrolados entre os grupos de profissionais enumerados pela
Confederação Nacional das Profissões Liberais e dispostos na Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT). Como tal, está submetido a condições determinadas pela Lei que regulamenta o exercício
profissional.
Compreender o exercício profissional é também compreendê-lo sob o âmbito da responsabilidade
civil do profissional perante àquele que ele cuida e a sociedade.
DEONTOLOGIA
Etimologicamente, deontologia, provém do grego deon, deontos (dever) e logos (tratado), sendo
qualificada como a ciência que estuda os deveres de um grupo profissional.
Deontologia é a ciência que se preocupa com os deveres e as responsabilidades de cada categoria
dos profissionais de saúde, estabelecendo seus deveres e proibições.
No campo das discussões da ética profissional, não há grandes diferenças entre as palavras, ética,
moral e deontologia, pois todas se referem diretamente ao comportamento humano, com apenas
algumas características diferentes.
ÉTICA
Entendeu-se e ainda considera-se “ética”, além das considerações expostas, como o enfoque dos
aspectos diretamente relacionados à honestidade profissional, como justiça, lealdade, prudência e
outros.

MORAL
À moral atribui-se, às vezes, conotação sobrenatural, sendo frequentemente confundida com a
religião.

DEONTOLOGIA
À Deontologia atribui-se a preocupação mais direta com os deveres de um grupo profissional em
relação às suas atribuições e responsabilidades profissionais, que são estabelecidas pelos
Conselhos Federais e Regionais de cada categoria.
A fiscalização do exercício profissional é uma função do Estado, mas não é assumida
diretamente por ele, institui autarquias vinculadas ao poder público com essa finalidade.
Portanto, os conselhos são autarquias de Fiscalização Profissional, órgão do Poder Executivo
Federal. Os conselhos federais e regionais são órgãos disciplinadores e vinculados ao Ministério do
Trabalho.
HUMANIZAÇÃO E OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
A gênese da palavra “humanização” advém do conceito de humanismo, que, por sua vez, deriva do
latim humanus. Ao longo da história da humanidade, a concepção de humanismo foi sendo
reconstruída, considerando as diferentes formas e meios pelos quais o homem se posicionava nas
suas relações com o outro e com o meio.
As relações de saúde sofrem influência das diversidades socioeconômicas e culturais e do processo
saúde-doença vividos e sentidos pelos atores dessa relação, que são os usuários dos serviços de
saúde, os trabalhadores e os gestores.
Nesse sentido, a humanização no setor saúde, considerando toda a complexidade estabelecida no
encontro entre diferentes sujeitos, significa um movimento de cuidado e na valorização das questões
intersubjetivas das relações.
A discussão envolvendo o termo “humanização” é relativamente novo no campo da saúde e presente
em algumas práticas assistenciais.
Em 2003, a humanização foi estabelecida como uma política pública no Brasil.
A história da inserção da humanização como política nacional inicia-se a partir do ano 2000, com as
experiências positivas apontadas, isoladamente, por coletivos de trabalhadores de um SUS, tendo
sido discutidas, principalmente, na XI Conferência Nacional de Saúde. São elas:
O Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar;
O Programa de Humanização do Pré-Natal ao Nascimento;
O método Mãe Canguru; e
As estratégias de Acreditação Hospitalar.
Bem como as experiências de acolhimento das portas de entrada de alguns pronto- atendimentos,
configuram-se como vivências de coletivos de trabalhadores que se organizaram na construção de
respostas mais efetivas no seu campo de atuação.
Nesse período, a maioria dos serviços de saúde vinculados ao SUS passava por uma validação dos
seus princípios e diretrizes filosóficas e organizacionais, tendo como desafios a qualidade do acesso,
a integralidade e a efetividade da atenção à saúde. Por outro lado, havia desvalorização dos
trabalhadores de saúde, precarização das relações de trabalho, descuido e falta de
compromisso na assistência ao usuário nos serviços de saúde, com baixos investimentos e
pouca participação dos trabalhadores na gestão dos serviços.
Em 2003, a partir desses apontamentos sobre os processos que configuravam os serviços de saúde
do SUS, o Ministério da Saúde (MS) instituiu a Política Nacional de Humanização – Humaniza SUS,
com a perspectiva de redirecionar o olhar sobre as práticas de saúde desenvolvidas e traduzir
princípios e modos de operar relações entre todos que constituem o SUS, objetivando mudanças no
modelo de atenção dos usuários e da gestão dos processos de trabalho.
O desafio da Política Nacional de Humanização está na promoção de espaços de escuta e
conversas, potencializando a construção de processos democráticos nos procedimentos do setor de
saúde. As discussões conceituais sobre humanização em saúde, giram basicamente sobre
concepções de cuidado e de trabalho.
Dessa forma, o cuidado também consiste em interação e intervenções de alguém sobre outra pessoa
e/ou algo, não se opondo ao trabalho, mas conferindo tonalidade diferente na medida em que
promove uma autotransformação no ser humano e a relação estabelecida não é de domínio, mas de
convivência. Assim, humanizar implica ter intimidade, sentir, saber, acolher, respeitar e dar
sossego quando necessário.
O consumo excessivo, o individualismo e a valorização extrema da tecnologia em detrimento das
relações e da autonomia dos sujeitos, em que o ter é mais importante que o ser, têm sido fatores
determinantes dessa conduta pós-moderna. Nessa perspectiva, as relações de trabalho e cuidado
que um indivíduo desenvolve revelam certa perda da essência de compartilhamento e equilíbrio
necessários para a sobrevivência do ser.
O fato de os cuidados de saúde produzirem-se em uma situação assistencial concreta e exigirem,
necessariamente, a relação de, pelo menos, um profissional de saúde e uma pessoa, implica um
cuidado personalizado. Isso porque a pessoa que solicita cuidados é uma alteridade, um
absolutamente outro que, em sua fragilidade, exige responsabilidade de quem o cuida.
Sendo assim, como os cuidados prestados pelos profissionais de saúde são direcionados a
alguém, e esse alguém é uma alteridade, o próprio cuidado já contempla um conteúdo
bastante solidário, o que dispensaria o uso de adjetivos para qualificá-lo. Entretanto, por
diversas razões que não nos cabe enumerar, esse cuidado vem ganhando muitos adjetivos como:
personalizado, humanizado, respeitador, acolhedor e digno.
Sabe-se que as relações estabelecidas entre os usuários e os profissionais de saúde implica, com
frequência, envolver-se com o sofrimento do outro. Por outro lado, esse sofrimento acrescido a
ruídos eminentes do cotidiano de trabalho em saúde, causados pelas questões ligadas a
precarização do processo de trabalho, desde a disponibilidade de recursos para o desenvolvimento
do trabalho até o retorno financeiro, deflagram um estado de adoecimento entre os profissionais de
saúde.
Compreender a precarizaçãodo trabalho em saúde, vivida pelos profissionais, é falar de cuidado e
humanização com os trabalhadores da saúde, como sujeitos desse processo.
Neste contexto exposto, o que fica sobre a humanização é a certeza de que, na prática de saúde, os
fazeres, saberes e seres se consolidam pelo encontro entre sujeitos, cruzando interesses,
necessidades, subjetividades e poderes na construção de respostas às diversidades das situações.
Os desafios dessa convivência estão em saber escutar, trocar, sentir e perceber o outro em
sua alteridade, permitindo que o cuidado humanizado seja promovido nas dimensões
individual e coletiva, mantendo o movimento de ir adiante na expressão das subjetividades e
sentidos para se viver, de preferência com saúde.
DEONTOLOGIA
Assista, a seguir, a um vídeo sobre Deontologia.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A QUEM CABE A FISCALIZAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL?
A) Exclusivamente ao Estado.
B) Cabe à União, Estados e Municípios.
C) Cabe exclusivamente aos conselhos.
D) É função do Estado, mas não diretamente, sendo instituídas autarquias vinculadas ao poder
público que exercerão esta finalidade.
E) Cabe apenas aos conselhos regionais.
2. A POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO OFERECE UMA DIRETRIZ QUE
CONTEMPLA PROJETOS DE CARÁTER HUMANIZADOR DESENVOLVIDOS
NAS DIFERENTES INSTITUIÇÕES DE SAÚDE, ESTIMULANDO A CRIAÇÃO E
SUSTENTAÇÃO PERMANENTE DE ESPAÇOS DE COMUNICAÇÃO E
DIVULGAÇÃO, QUE FACULTEM E ESTIMULEM A LIVRE EXPRESSÃO, O
DIÁLOGO, O RESPEITO E A SOLIDARIEDADE.
SÃO TERMOS-CHAVE EM EXPERIÊNCIAS EXITOSAS DE HUMANIZAÇÃO EM
SERVIÇOS DE SAÚDE:
A) Comunicação; estética.
B) Ciência; tecnologia; objetos despersonalizados.
C) Dignidade; ética; contato humano descontextualizado.
D) Escuta do usuário e do profissional de saúde; baixa resolutividade.
E) Padrões de relacionamento ético entre gestores, técnicos, usuários; controle social.
GABARITO
1. A quem cabe a fiscalização do exercício profissional?
A alternativa "D " está correta.
A fiscalização do exercício profissional é uma função do Estado, mas não é assumida diretamente
por ele, que institui autarquias vinculadas ao poder público com essa finalidade. Portanto, os
Conselhos são autarquias de Fiscalização Profissional, órgão do Poder Executivo Federal. Os
conselhos federais e regionais são órgãos disciplinadores e vinculados ao Ministério do Trabalho.
2. A Política Nacional de Humanização oferece uma diretriz que contempla projetos de caráter
humanizador desenvolvidos nas diferentes instituições de saúde, estimulando a criação e
sustentação permanente de espaços de comunicação e divulgação, que facultem e estimulem
a livre expressão, o diálogo, o respeito e a solidariedade.
São termos-chave em experiências exitosas de humanização em serviços de saúde:
A alternativa "E " está correta.
As relações de saúde sofrem influência das diversidades socioeconômicas e culturais, e do processo
de saúde-doença vivido e sentido pelos atores dessa relação, que são os usuários (controle social)
dos serviços de saúde, os trabalhadores (técnicos) e os gestores. Nesse sentido, a humanização no
setor saúde, considerando toda a complexidade estabelecida no encontro entre diferentes sujeitos,
significa um movimento de cuidado e de valorização das questões intersubjetivas das relações.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo deste tema, visitamos os principais eventos históricos que contribuíram para a bioética que
temos hoje. Acompanhamos o desenvolvimento dos Comitês de Ética em Pesquisa com Seres
Humanos e Animais e também nos aproximamos das relações éticas dos cuidados paliativos,
eutanásia, distanásia, ortotanásia e aborto. Por fim, realizamos reflexões sobre as relações entre
profissionais de saúde e a sociedade, balizados pela humanização.
Como vimos, a bioética trata de questões próprias da condição humana, e, para algumas, não há
resposta definitiva, fato que obriga os indivíduos a manterem constantes e profundas reflexões e
revisões do que é lícito fazer ou não. Surgirão novas tecnologias e condições sociais, e,
consequentemente, novos problemas éticos, de modo que a bioética tem o dever de promover o
debate sobre tais questões.
Além disso, entendemos que os profissionais de saúde lidam o tempo todo com os extremos da vida,
nascimento e morte, e, nessa relação, o profissional precisa seguir alguns valores que são
estabelecidos por categoria profissional dentro da área da saúde, com a suas consequentes
responsabilidades éticas.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
BECHAMP, T. L.; CHILDRESS, J. F. Principles of biomedical ethics. 6. ed. Oxford: Oxford
University Press, 2008.
BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução 196, de 10 de outubro de 1996. Consulta
em meio eletrônico em: 23 nov. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de cuidados paliativos. Coord. Maria Perez Soares
D’Alessandro, Carina Tischler, Daniel Neves Fortes [et al.]. São Paulo: Hospital Sírio-Libanês; 2020.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988.
4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990.
DINIZ, D. ALMEIDA, M. Bioética e aborto. In: GARRAFA, V.; OSELKA, G. IBIAPINA, S. (Orgs.).
Fundamentos da Bioética. Brasília: CFM, 1998.
DINIZ, D. et al. Aborto: 20 anos de pesquisas no Brasil. In: Cadernos de Saúde Pública, n. 25, v. 4,
p. 939-942, 2009.
ENGELHARDT, H. T. Fundamento da Bioética. São Paulo: Loyola, 1998.
JONSEN, A. R. A short history of medical ethics. Nova York: Oxford University Press, 2000.
KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes têm para ensinar a médicos,
enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
REGO, S.; PALÁCIOS, M.; SIQUEIRA-BATISTA, R. Bioética para profissionais de saúde. Rio de
Janeiro: Fiocruz, 2009.
REICH, W. T. Encyclopedia of bioethics. Nova York: Simon & Schuster Macmillan, 1978.
SILVA, A. E. Cuidados paliativos de enfermagem: perspectivas para técnicos e auxiliares.
(Dissertação) – Divinópolis, Universidade do Estado de Minas Gerais, 2008.
SIQUEIRA-BATISTA, R.; SCHRAMM, F. R. A. Conversação sobre a “boa morte”: debate bioético
acerca da eutanásia. In: Cadernos de Saúde Pública, n. 211, p. 111-119, 2005.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Knowledge into action palliative care. Cancer Control,
1-42, 2007. Consulta em meio eletrônico em: 7 jan. 2021.
EXPLORE+
Busque o site Bioética, do Prof. Dr. José Roberto Goldim (UFRGS), e veja como são abordados
todos os tópicos explorados neste tema.
CONTEUDISTA
Roberta Georgia Sousa dos Santos
 CURRÍCULO LATTES
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Bioética - História e Saúde Pública
O estudo da Bioética. Relação entre os conceitos de Bioética, saúde e práticas de cuidado. Teoria da
Bioética. Juramento de Hipócrates. Principais conceitos em Bioética. Regra dos direitos. Ética normativa.
Profa. Carine Sena Lima da Silva
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o conceito de vulnerabilidade e sua relação com a Bioética e os direitos humanos, assim como
fornecer aos acadêmicos informações necessárias para que eles possam avaliar como as reflexões bioéticas
podem ser aplicadas no seu dia a dia.
Objetivos
Identificar temas como respeito à pessoa, vulnerabilidade e ética na saúde
Definir os fundamentos da Bioética
Introdução
Neste tema, vamos construir um aprendizado baseado na reflexão sobre o posicionamento da Bioética e da
sua ligação com os direitos humanos e a dignidade constitucional. Procurando, assim, uma melhora pessoal
com cientificidade, com nobreza, num sentido digno de conjunto, com concretude ideal de explorar os direitos
sobre a vida no campo da ciência.
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1. Respeito à pessoa, vulnerabilidade e ética na saúde
Introdução
Antes de iniciarmos nossa discussão sobre a temática deste módulo, proponho a reflexão sobre algumas
situações.
Exemplo
Imagine que você está a caminho da faculdade e um morador de rua pede a você alguma ajuda
financeira ou que você observa um idoso com dificuldade para atravessara rua. Em ambas as situações,
você pode optar por ajudar ou não. 
Nos casos supracitados, a moral tem uma grande influência, pois está relacionada a seus valores individuais,
ou seja, possibilita sua reflexão sobre a situação vivenciada, oferecendo a ajuda precisa.
 
Agora, vamos pensar sobre uma outra situação.
Exemplo
Suponha que você está no ônibus voltando para seu lar e observa uma pessoa jogando uma embalagem
pela janela, em via pública. 
Olhando para esta situação, pela visão ética, esta pessoa deveria jogar a embalagem em uma lixeira. A
decisão tomada no caso acima é entendida como algo inapropriado eticamente, pois além de sujar a via
pública, essa pessoa pode estar incentivando a outros indivíduos cometer o mesmo ato.
Ética e Moral: Qual é a Real Diferença?
Quando pensamos sobre ética e moral, observamos que são conceitos utilizados normalmente como
sinônimos, porém não são.
Ao falar sobre a Ética, estamos falando de um ramo da Filosofia, aquela que estuda os valores morais do ser
humano, sua convivência em sociedade, julgando condutas que são adequadas ou não, olhando para o que é
certo, o que é errado, bom ou ruim.
 
Quando pensamos neste conceito, nós estamos falando de uma matéria, cujo objetivo é estudar os valores
morais do ser humano e suas relações com outros seres semelhantes a ele. Podemos dizer ainda que a Ética é
algo imutável, pois ela é o estudo dos valores morais.
 
Agora ao pensarmos no conceito de moral, imaginamos algo mais concreto. Ela representa um conjunto de
regras que variam de acordo com a cultura e os costumes vigentes em um determinado grupo social. A moral
pode ser definida como o campo de atuação da própria ética.
 
Veja a seguir a diferença entre a ética e a moral.
Resumindo
ÉTICAMORALORIGEM GREGA ETHOS (CONDUTA)ORIGEM LATINA MORALIS (COSTUME)FAZ UMA
REFLEXÃO SOBRE A MORALDIZ RESPEITO ÀS REGRAS DE UMA CULTURAÉ PERENE, CONSISTENTETEM
ORIGEM NA CULTURANÃO MUDAEXISTEM VÁRIAS MORAISEXPLICA A MORAL DE MODO RACIONALA
MORAL É ALGO DE ORDEM PRÁTICA, SEM REFLEXÃOÉ UNIVERSALÉ O OBJETO DE ESTUDO DA ÉTICA 
O campo da moral se dá no campo prático, enquanto o campo da ética ocorre no campo teórico.
Podemos simplificar que a moral é o conjunto de normas e princípios que se baseiam em uma cultura e nos
costumes de uma determinada sociedade. A ética é o conjunto e a reflexão sobre a moral, nos dizendo como
viver em sociedade.
Da Ética para a Vida
Ética 
A palavra ética vem do grego ethos, que
significa conduta ou modo de ser. A Ética
estuda sobre a moral e as formas de conduta.
Normalmente, é consistente, ou seja, ela não
muda. Somete em casos extraordinários que
há a mudança de um pensamento ético, mas,
na maioria dos casos, a ética tem
características universais e permanentes, não
sofrendo as influências do tempo. Ela deve ser
universal, pois deve abarcar e envolver a todos,
explicando as formas morais de modo racional
(COHEN, 1988).
Moral 
Já a moral, vem da palavra latina moralis,
que significa costume. A moral é a regra
de conduta aplicada a um grupo ou a
uma determinada cultura. Ela em si
provém de um sistema social. Se origina
na cultura. A moral, diferentemente da
ética, não tem características
permanente e universal, mas sim
temporal, dependendo de cada cultura e
sociedade. Portanto existem várias
morais. Dessa forma, a moral tende a ser
consistente dentro de um determinado
contexto, aplicada da mesma forma a
todos, porém varia em cada cultura
(COHEN, 1988).
A ética é um valor social e guia de princípio, crenças e ações. Como abordado anteriormente, por mais que a
Ética estude a moral, elas em si não se confundem, principalmente na filosofia antiga. Neste modelo, a ética
era considerada e vista como o modo de melhor viver e conviver tanto da vida privada, como na vida
comunitária.
A ética antiga abrangia vários campos que hoje
são separados da Ética, tais como
Antropologia, Psicologia, Sociologia, Economia,
Pedagogia e Política, sendo que ambas são
campo de convívio comunitário, pois, na
antiguidade, a atitude ética não está
desvinculada do fazer social e da educação. Os
conceitos de dever, vontade e responsabilidade
são próprios da especulação ética.
A concepção ética antiga foi vista sobre várias
dimensões:
Pré-socráticos
Os pré-socráticos deram a visão ontológica.
Pitágoras
Pitágoras via a ética de forma matemática. A partir dele, ela sai do campo
ontológico e entra em questões práticas.
Sócrates
Para Sócrates, a ética é um bem viver. Viver está intimamente ligado ao
conhecimento, em uma vivência virtuosa, pois, para Sócrates, virtude é
conhecimento, devido ao fato de que todos buscam o bem e a virtude e a
justiça é inegavelmente boa.
Posteriormente, com a Revolução Industrial, ocorreu uma mudança nos campos da Filosofia. A Ética passou a
tomar parte de uma autonomia, se desvinculando dos outros campos inclusos nela. Com isso, deixou de ser
um modo de vivência comunitária e tornou-se um ramo da Filosofia, que se detém agora no estudo das
normas/morais das sociedades, explicando costumes. A moral se aproxima da ética, pois torna-se o seu
campo de estudo. Porém, mesmo com essa aproximação, as duas não se misturam.
 
Atualmente, há subdivisões em campos dentro da própria Ética que são:
 
Metaética, teoria da significação dos termos e proposições morais e como seus valores podem ser
determinados.
 
Normativa, que estuda os meios práticos de se determinar as ações morais.
• 
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Ética Aplicada, que estuda como a moral é aplicada em situações específicas.
 
Ética Descritiva ou Ética Comparativa, que estuda as visões, descrições e crenças sobre a moral.
 
Ética Moral, que é a reflexão sobre o valor das ações morais, seja no âmbito coletivo, seja no âmbito
individual.
No entanto, por mais que a Ética tenha obtido características científicas, ela não é ciência, mas Filosofia. Todo
pensamento filosófico deixa em aberto e a ética, por mais que possua critérios de permanência, se modifica
em casos extraordinários e a ciência em si tem caráter de determinação.
Vulnerabilidade e Ética do Cuidado
Quando falamos sobre cuidado, ética do cuidado e vulnerabilidade, a questão fundamental começa
por ser uma questão antropológica. Só podemos pensar propriamente o cuidado ancorados em uma
base filosófica antropológica.
Para refletir sobre a vulnerabilidade e o cuidado, é importante entender dois tipos de correntes antropológicas
que estudam tais elementos. De um lado, temos:
A antropologia do corpo na linha de um pensamento dualístico, que é um exemplo paradigmático da
antropologia cartesiana, que nos faz uma caracterização do corpo como objeto e que, deste conceito, passa
uma apresentação do corpo como máquina. Porém, esta linha de pensamento repercute-se em uma outra em
que dualismos que são extremamente importantes no contexto da relação com o corpo humano.
• 
• 
• 
Em primeiro lugar
temos um dualismo entre a razão e a afetividade/paixão (que são definidas por Descartes como
ações do corpo sobre a alma).
Em um segundo lugar
há um dualismo entre sujeito e objeto, um dualismo simultaneamente fisiológico e ético, que se
centraliza em um sujeito que vê e o objeto é aquilo que é visto.
Em terceiro lugar
temos a caracterização de uma razão técnico-instrumental como via de acesso ao corpo/objeto e,
finalmente, uma centralização no ser individual (FABRIZ, 2003).
Essa matriz antropológica citada anteriormente contrapôs-se ainda no século XVII a uma antropologia do
corpo formada no pensamento unificador que caracteriza o ser humano a partir da sua unidade, não com um
dualismo substancial entre o corpo e alma, mas corpo e ideia de corpo, não sendo apenas modos de uma
única substância. Também as emoções e as paixões são pensadas a partir desta perspectiva como variação
da pulsão de vida e da potência de agir do homem, reaproximando razão e afetividade, postulando, ao mesmo
tempo, a elaboração de uma razão emotiva num processo de libertação ou de salvação, que passa pela
afirmação da potência de agir e da pulsão de vida dopróprio ser humano, tudo isso integrado à natureza.
Portanto, não há um isolamento do homem, mas uma reintrodução do homem na natureza (FABRIZ, 2003).
A vulnerabilidade afeta o ser humano como um todo na sua dimensão física e corpórea, na sua
dimensão psíquica-espiritual.
A vulnerabilidade é caracterizada como a exposição do ser humano ao que é exterior, numa relação marcada
pela assimetria (FABRIZ, 2003). Ela tem diversos sentido, veja a seguir:
No sentido do senso comum
Em que ser vulnerável é estar sujeito a algum tipo de vulneração, agressão ou dano.
Na Ecologia
Usa esse conceito relacionado a populações que estão sujeitas ao impactos de desastres ecológicos.
Na Psicologia
É utilizado como a susceptibilidade a determinadas
reações negativas diante dos impasses, dos
problemas enfrentados pelas pessoas.
No Serviço Social
O pensamento se volta à perspectiva da vulnerabilidade social, a uma densidade de cidadania.
Na Bioética
Em que foca na pesquisa em seres vivos, ligada às pessoas que estão ligadas a protocolos de
pesquisa terem condições ou não de perceberem qual é o risco que elas estão correndo ao participar
da pesquisa, quais são os ganhos que elas podem ter e como elas podem se defender de qualquer
tipo de encaminhamento que seja desfavorável a elas.
No Direito
Está vinculado aos direitos humanos. A partir desse ponto, há uma migração para a saúde,
especialmente na época da epidemia do HIV/AIDS. A partir deste momento, a vulnerabilidade na
saúde passa a discutir o quanto que determinados grupos populacionais estão mais ou menos
cobertos pelas suas garantias em termos de direitos humanos.
Ética na Saúde
Vamos iniciar com uma breve reflexão.
Você provavelmente tem algum ente querido, avô, filho, esposa, mãe, pai. Já parou para pensar que
aquele senhor inconsciente que você está cuidando poderia ser o seu avô? Parou para imaginar
como você gostaria que cuidassem dele?
Pois é exatamente neste pensamento que a sua assistência ao paciente deve se basear.
Para a ética, a vida é uma teia, onde todos os fios são importantes, inseparáveis e coprodutores uns dos
outros. Portanto, agir com ética é prezar pela saúde e pela vida do próximo, não esquecendo que você,
enquanto profissional, também é humano, que passa por adversidades todos os dias, mas você escolheu
como profissão o cuidar. É por isso que você precisa estar atento à manutenção de uma postura
consciente, solidária e responsável.
(FABRIZ, 2003).
Voltemos ao caso anterior. Aquele senhor do qual falamos é
um paciente que possui câncer terminal. Ele não tem mais
consciência para decidir sobre sua própria vida, não possui
familiares e a medicação de que ele precisa para continuar
vivo lhe causa muitas dores. Ele pede para que você pare
de lhe medicar, implora para que você o deixe morrer.
Como você lidaria com esta situação?
É muito difícil pensar sobre o fim da vida e lidar com este
inevitável acontecimento, porém veremos como a ética na
Saúde pode ajudar.
Atenção
Vale lembrar que a Bioética trabalha com a valorização da vida e é regida por quatro princípios básicos: a
beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. 
Princípio da beneficência
Está relacionada ao dever de ajudar, fazer o bem ou promover o bem, mas
também está relacionada ao dever de avaliar os riscos de uma situação e
seus benefícios potenciais.
Saiba mais:
É o dever de buscar o máximo de benefícios, mas preocupando-se por
diminuir ao mínimo os danos e riscos.
Voltando ao caso clínico, será que os benefícios da medicação são maiores
que os efeitos colaterais que ela causa? Será que o seu atendimento está
promovendo o bem de fato?
Princípio da não maleficência
Trata sobre não se abster de causar danos ou colocar pacientes em risco.
Neste item, é muito importante a realização de uma boa avaliação e, para
isso, é preciso competência profissional.
Saiba mais:
Sendo assim, também é um preceito da Bioética a constante capacitação, já
que o campo da saúde compreende os conhecimentos científicos e técnicos
somados às práticas sociais, éticas e políticas. Para o senhor do caso em
questão, mesmo sem consciência para decidir sobre sua vida, é o respeito
que você tem pela sua dor, é o tempo que você despende tentando encontrar
medicações e técnicas que diminuam o seu sofrimento.
Princípio da autonomia
Está relacionado ao decidir por si mesmo. Ainda que tenha perdido esse
poder, o senhor no leito espera de você respeito à dignidade, à privacidade e
à liberdade.
Saiba mais: 
Nesse princípio, é mais fácil imaginar o dilema no atendimento a um paciente
que se recusa a continuar um tratamento. Tirando as peculiaridades de cada
situação, o mais importante é que você não esqueça que seu dever é
fornecer informações técnicas para orientar a decisão, mas sem manipular o
paciente. Se após você explicar com dedicação a importância do tratamento
e os danos que a não medicação pode causar e, ainda assim, o paciente
optar por não continuar com a terapia, seu desejo precisa ser respeitado. A
única exceção aqui é no caso em que o bem-estar público está acima do
bem-estar de um único individual. Por exemplo, quando um paciente
contaminado com agente biológico de alta infectividade decide não se tratar.
Como a sua decisão coloca em risco a saúde pública, você não poderá
permitir que ele deixe a unidade de saúde sem o encaminhamento correto
por mais que esta decisão vá contra a sua vontade.
Esse é o momento em que você irá se esbarrar no princípio da justiça, que
trata sobre a distribuição adequada de direitos e deveres. Ser justo com o
senhor do caso é enxergar sua necessidade. O que você deveria fazer nesse
caso? A decisão é sua e deve ser tomada junto ao corpo técnico da
instituição. Se os cuidados a este senhor se igualam como você cuidaria de si
mesmo, isto é sinal de que provavelmente você está agindo da maneira
correta.
Assim, a ética na Saúde não se restringe apenas ao código de ética. Ela se estende ao direito a
pessoa como cidadã ou ser social. Sua essência é a liberdade, mas com compromisso e
responsabilidade. É o princípio universal da responsabilidade que rege todas as questões éticas,
seja ela individual, pública ou planetária.
Os Quatro Níveis do Discurso Moral e Conduta Profissional
Assista ao vídeo com a apresentação dos quatro níveis do discurso moral e conduta profissional pela
especialista Carine Sena.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A ética profissional deve ser vista de forma a fazer com que o profissional seja pensante. O
que norteia esses profissionais:
A
Atuar como sentir que deve, seguindo seus instintos, crenças pessoais e conhecimentos técnicos.
B
Atuar de forma incoerente e de forma obrigatória.
C
As normas são impostas sem saber separar o que está bom ou ruim.
D
Os profissionais atuam sem nenhuma normatização.
E
Saber como aplicar o código de ética, que normatiza as condutas esperadas e obrigatórias dos profissionais
da área da saúde.
A alternativa E está correta.
A prática profissional dos diversos profissionais que atuam no serviço de saúde pública está inteiramente
embasada ou relacionada com aspectos éticos próprios da profissão ou da bioética. Estes aspectos
norteiam a atuação profissional e normatizam condutas esperadas e obrigatórias dos profissionais da área
da saúde.
Questão 2
Todos os seres vivos são vulneráveis por estarem sujeitos a riscos de qualquer natureza,
intencionais ou não. Indo mais fundo: existe a vulnerabilidade intrínseca à vida, o “ser
vulnerável”, mas “estar vulnerável” implica em situações de vulnerabilidade. Esse conceito é
de:
A
Vulnerabilidade familiar.
B
Vulnerabilidade programática.
C
Vulnerabilidade bioética.
D
Vulnerabilidade social.
E
Vulnerabilidade econômica.
A alternativa C está correta.
Em definição geral, vulnerável é todo aquele que pode ser vulnerado, isto é, ferido, ofendido ou melindrado.
Van Rensselaer Potter.
2. Fundamentos da Bioética
O que é a Bioética?
A Bioética foi

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