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A Nova História de 
RONDôNIA
MARCO ANTÔNIO DOMINGUES TEIXEIRA
Porto Velho/RO
2015

Direitos autorais 2019 de Marco Antônio Domingues Teixeira.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5988 de 14/12/73. 
ISBN ________________
Capa: Batelões no porto de Santo Antônio do Madeira (The Amazon and Madeira rivers 
- Frans Keller - 1874)
Ficha Catalográfica.
Capa: Lucas Vinícius Caldeira Alho
Diagramação: Lucas Vinícius Caldeira Alho e Ronaldo Marcelo Avelino Knyppel
Impressão e Acabamento: NUGRAF - Núcleo de Serviços Gráficos/TJRO
APRESENTAÇÃO
O presente trabalho versa sobre a História de 
Rondônia e tem como principal objetivo subsidiar o leitor 
com informações rápidas acerca dos fatos que marcaram 
os processos de ocupação e colonização das terras que, 
hoje, formam o Estado de Rondônia.
Os textos são sintéticos e de fácil leitura, 
procurando permitir aos interessados na História Regional 
uma rápida e precisa informação.
Os períodos abordados referem-se aos 
diversos momentos de colonização e procuram oferecer 
um panorama histórico que se estende desde as várias 
etapas da ocupação das várzeas regionais por populações 
indígenas, até o período atual, onde se destacam as grandes 
obras do PAC no Rio Madeira.
 Embora, tenha-se produzido estudos sobre 
cada região do Brasil, desde o período colonial, com a 
literatura de viajantes, missionários, militares e cronistas 
diversos, o estudo de História Regional nem sempre teve 
importância no mundo acadêmico, sendo que, em muitas 
vezes, foi tratada como algo menor e provinciano por parte 
das elites acadêmicas, notadamente das instituições de 
maior vulto no cenário universitário nacional. Foi, apenas, 
a partir do final década de 1980 que surgiram trabalhos 
mais sistematizados relacionados ao tema dos estudos 
regionais e isso só foi possível graças a uma nova concepção 
metodológica que surgiu na França, em 1929, denominada 
de Nova História. Nessa perspectiva, tornou-se viável 
estudar aspectos que até então não eram mencionados nas 
academias, ampliou-se a visão dos agentes construtores da 
história, deixou-se um tanto de lado a noção tradicional 
da narrativa histórica, para buscar uma história problema 
bem mais próxima dos leitores e das sociedades.
 Nota-se que a importância do estudo 
das temáticas regionais, história e geografia, cultura e 
sociedade, meio ambiente e desenvolvimento aproximam 
o pesquisador de seus objetos de estudo. As análises,
pesquisas e narrativas deixam de ser fundamentadas em
temas distantes para se incorporarem aos fenômenos
regionais, de cunho histórico, geográfico, social, ambiental,
cultural e econômico em cada região e, consequentemente,
das localidades imediatas e mais próximas. Desta forma,
passa a existir a construção de uma história plural, de
uma geografia plural e de conhecimentos regionais
amplos, capazes de facilitarem e, mesmo, possibilitarem
as vinculações com patamares maiores da história e dos
estudos nacionais e continentais sem qualquer tipo de
preconceito, dando aos grupos, até então excluídos, voz e
participação ativa nos destinos e conhecimentos sociais. O
passado e o presente se tornam mais imediatos e próximos,
fornecendo o sentimento de pertencimento social a grupos
anteriormente ignorados pelas histórias nacionais ou
gerais.
 Pensando a partir de tais prerrogativas, 
iniciamos este trabalho a partir de uma reflexão sobre a 
História de Rondônia e suas implicações com os diversos 
âmbitos das histórias da Amazônia, do Brasil e da América 
Latina. 
 Apresentaremos, de início, uma breve 
cronologia de nossa história regional.
5
O espanhol Vicente Yanêz Pinzón descobre a foz do Rio 
Amazonas que recebe o nome de Santa Maria del Mar 
Dulce.
Gonzalo Pizarro e Francisco Orellana comandam uma 
expedição que parte de Quito e chega à foz do Rio 
Amazonas.
Viagem de Filipe Hutten.
Os holandeses estabelecem fortificações no encontro das 
águas do Xingu com o Amazonas. 
Pedro de Úrsua, Lope de Aguirre e Fernando Guzmán 
partem de Quito e navegam pelo Amazonas em busca do 
Eldorado e do país das Canelas. A expedição é marcada por 
violência e crimes e, ao chegar na desembocadura do Rio 
Negro, os viajantes sobem rumo à Venezuela até atingirem 
o Caribe.
D. Sebastião, o desejado, garante, em carta régia, a liberdade
aos índios, com exceção daqueles aprisionados em guerras
justas autorizadas pelo Rei ou pelo Governador Geral do
Brasil ou os que ataquem os portugueses “para os comer”.
D. Sebastião, o desejado, institui o monopólio do transporte 
e do comércio português com o Brasil (Pacto Colonial).
Início da União Ibérica entre as coroas de Portugal e 
Espanha.
Estabelecida uma colônia holandesa na Guiana.
Walter Raleigh, da Inglaterra, estabelece uma colônia na 
Guiana (atual Guiana Inglesa).
Ingleses estabelecem feitorias no rio Amazonas. Em 26 
de julho, o rei Felipe III declara os indígenas inteiramente 
livres, não permitindo, em nenhum caso, sua captura. A 
decisão régia nunca foi adequadamente cumprida. 
Holandeses estabelecem feitorias no rio Amazonas.
Em 30 de julho, um Alvará Régio declara todos os indígenas 
do Brasil, batizados e não batizados, livres e entrega sua 
curadoria aos jesuítas.
Em 10 de setembro, uma lei confirma a liberdade dos 
índios, mas estabelece os casos em que eles podem ser 
cativados; institui o regime de capitães de aldeia e permite 
a entrega do indígena ao colono sob a condição formal de 
assalariado. Segundo a mesma lei, os índios resgatados 
ficam escravizados por dez anos.
Os huguenotes franceses fundam São Luiz do Maranhão, 
originariamente a capital da França Equinocial.
Francisco Caldeira Castelo Branco expulsa os franceses do 
Maranhão.
Francisco Caldeira Castelo Branco constrói, na foz do Rio 
Amazonas, o Forte do Presépio, origem da Vila de Santa 
Maria de Belém do Grão-Pará, iniciando a ocupação 
portuguesa na Amazônia.
Portugal cria o Estado do Maranhão, desvinculado em 
relação ao Governo Geral do Brasil.
1541:
1499:
1545:
1559:
1560:
1570:
1571:
1580:
1590:
1595:
1596:
1602:
1609:
1611:
1612:
1615:
1616:
1621:
5
6
Em 15 de março, um Alvará Régio revoga todas as mercês 
concedidas às administrações das aldeias de índios. 
Os holandeses invadem a Bahia. É criado o Estado do 
Maranhão e Grão-Pará pelo rei Felipe IV.
Os holandeses são expulsos da Bahia e do Xingu.
Dez anos após o estabelecimento português na Amazônia, 
quando deveriam ser libertados os primeiros indígenas 
resgatados, a legislação é mudada permitindo-se sua 
escravização por toda a vida.
Os ingleses são expulsos do Macapá.
O vice-rei do Peru, Conde de Chinchón, descobre as 
virtudes medicinais da casca da árvore da quina, da qual se 
extrai o quinino, único remédio disponível para o combate 
da malária até o século XX.
Pedro Teixeira organiza uma expedição que sobe o 
Amazonas de Cametá a Quito e estabelece os marcos e 
delimitação da ocupação portuguesa na região. Sua viagem 
é narrada pelos padres cronistas Cristobal Acuña e Alonso 
Royas.
Em 22 de abril, uma bula do papa Urbano VII declara 
a liberdade dos índios e determina sua conversão. Os 
Tupinambarana são contatados pelo padre Cristobal 
Acuña na ilha de mesmo nome (Tupinambarana), no 
Rio Amazonas, próximo à foz do Madeira. Eles são 
descendentes do Tupinambás de Pernambuco.
Revolução de Bragança em Portugal e o fim da União 
Ibérica. É coroado rei de Portugal, D. João IV, que reina de 
1640 a 1656.
Os holandeses conquistam Sergipe e o Maranhão.
Em 10 de novembro, um Alvará Régio extingue a 
administração dos índios, deixando-os livres para 
escolherem o seu patrão, desde que fossem pagos. A 
expedição de Raposo Tavares percorre os vales dos rios 
Guaporé, Madeira e Amazonas.
Em 29 de maio, um Alvará Régio determina o pagamento e 
o tempo da jornada de trabalho dos indígenas e, ainda, que
devem ficar livres de todo trabalho alheio durante quatro
meses ao ano para cultivarem suas lavouras. É fundada a
Companhia Geral de Comércio do Brasil.
O novo Capitão-Mornas margens dos rios Coxipó e 
Cuiabá, sendo que, no ano seguinte, foi fundado o Arraial 
do Senhor Bom Jesus do Cuiabá.
bandeira de demarcação e limites que buscava aprisionar 
índios, descobrir riquezas minerais e coletar drogas do sertão. 
27
Paschoal Moreira Cabral
(Arquivo do GEPIAA)
A produção de ouro na região de Cuiabá entrou 
em decadência em finais da década de 1720 e os cuiabanos 
organizaram bandeiras para explorar novos territórios em 
busca do metal precioso. Assim, em 1734, partiu a Bandeira 
dos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, que descobriu 
ouro nas margens do rio Guaporé, em 1736, em área de floresta 
densa, chamada pelos bandeirantes de Mato Grosso. Logo 
surgiu uma localidade de garimpo, que foi denominada Sítio 
de Pouso Alegre, atraindo garimpeiros de diversas regiões, 
tornando-se uma importante área aurífera da colônia. 
A descoberta do ouro no Vale do Guaporé levou 
a Coroa Portuguesa a implementar medidas que garantissem 
a posse da região. Em 1748, foi criada a Capitania de Mato 
Grosso e Cuiabá, abrangendo, na época, 88% das terras que 
hoje integram o estado de Rondônia e sendo desmembrada 
da Capitania de São Paulo, então governada pelo Capitão 
General Dom Rodrigo César de Menezes. Em 1750, foi 
assinado o Tratado de Madri, que estabeleceu o rio Guaporé 
como fronteira entre a colônia espanhola (atualmente a 
Bolívia) e colônia portuguesa (atualmente o Brasil).
 Fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade
Quadro de Moacyr Freitas. 
http://www.matogrossoeseusmunicipios.com.br/storage/webdis-
co/2008/07/01/253x190/929be7c2971a83048baa2036c0b00579.jpg
Com a criação da Capitania do Mato Grosso 
e Cuiabá foi nomeado o primeiro governador geral para 
a região, o Conde de Azambuja, Capitão General Dom 
Antônio Rolim de Moura Tavares, que chegou ao Guaporé 
em 1752. Dentre os feitos administrativos de Rolim 
de Moura no Guaporé, pode-se citar a construção da 
primeira capital do Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima 
Trindade, fundada em 19 de março de 1752. Outro feito 
importante foi a criação das Companhias Militares de 
Homens Pretos e Mulatos, dos Pedestres, dos Aventureiros 
e dos Dragões. Sob seu comando houve a construção do 
primeiro Forte Militar do Guaporé, denominado Nossa 
Senhora da Conceição, e também se estimulou a entrada 
de escravos e habitantes de outras partes da colônia para 
o Mato Grosso. Rolim e Moura obteve, juntamente com o
governador do Pará, Francisco Xavier Mendonça Furtado,
a liberação da navegação pelo Madeira, dando início as
atividades mercantis da Companhia de Comércio do Grão-
Pará e Maranhão, criada pelo Marquês de Pombal. Foi ele
também quem ordenou a fundação do povoado de Nossa
28
Senhora da Boa Viagem de Salto Grande do Rio Madeira 
ao juiz Teotônio do Gusmão, situado nas proximidades da 
cachoeira de Salto Grande (antiga cachoeira do Teotônio). 
Atacado por indígenas, mosquitos, malária e fome, esse 
povoado desapareceu. Pode-se ainda destacar como 
importante contribuição de Rolim de Moura a ação de 
combate aos castelhanos da margem esquerda do Guaporé, 
garantindo a posse portuguesa da margem direita do 
referido rio. 
Em 1761, Portugal e Espanha assinam o 
Tratado de EI Pardo, tornando sem efeito o Tratado 
de Madri. Com a saída de Rolim de Moura, após uma 
administração que durou mais de uma década, o governo 
foi exercido por seu sobrinho, o Capitão General João 
Pedro da Câmara. Seguiu-se o governo de Luis Pinto 
Souza Coutinho, que ordenou a fundação do povoado de 
Balsemão na cachoeira do Jirau, no rio Madeira e ordenou, 
ainda, a destruição do mais expressivo quilombo da região 
guaporeana, o Quilombo do Quariterê ou Piolho, mandando 
flagelar os quilombolas aprisionados. A governante do 
quilombo, rainha Teresa de Benguela, suicidou diante do 
fato de ter que retornar à escravidão.
No governo de Luiz de Albuquerque de 
Mello Pereira e Cáceres, foi ordenada a construção do 
Real Forte Príncipe da Beira (1776-1785) às margens do 
rio Guaporé. A planta foi feita pelo Engenheiro italiano 
Domingos Sambuscete. A fortaleza foi construída no 
modelo Vaubam e destinava-se a conter os avanços 
castelhanos sobre o Guaporé. Ao seu lado, surgiu o 
povoado de Príncipe da Beira que chegou a contar com 700 
habitantes. Luís de Albuquerque fundou, ainda, a fazenda 
de gado de Casalvasco que abasteceu a região do Guaporé 
com carne bovina e chegou a ter um rebanho de mais de 
20.000 cabeças.
Seu governo reponde, ainda, pela fundação 
do Forte de São Luís de Cácere, que deu origem à cidade 
do mesmo nome. Após o longo governo de Luís de 
Albuquerque, seguiu-se o governo de seu irmão João 
de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres. Este 
governador ordenou a realização de uma nova Bandeira 
para destruição do Quilombo do Quariterê e a prisão dos 
negros nele residentes em 1795. Com os negros capturados 
foi fundada uma aldeia livre para assegurar a colonização, 
povoamento e abastecimento da região e que foi chamada 
de Aldeia da Carlota, em homenagem à princesa Dona 
Carlota Joaquina. 
Com o agravamento da crise na mineração 
do Guaporé em fins do século XVIII e princípios do século 
XIX, teve início a decadência da região que passou a ser, 
progressivamente, abandonada pelas elites brancas. No 
governo do Capitão General Caetano Pinto Miranda 
Montenegro, foi ordenada a fundação do Destacamento 
Militar de São José do Salto do Ribeirão no rio Madeira. 
A cidade de Vila Bela fotografada no início do século XX.
29
1.7. Economia e sociedade do Vale do Guaporé 
no período Colonial
 A economia colonial da sociedade guaporeana 
apoiava-se no garimpo de ouro realizado em diversas áreas 
do Vale do Guaporé e em seus afluentes, em uma produção 
agropastoril de subsistência, que era voltada para o cultivo 
de mandioca, milho, feijão e abóbora, além do extrativismo 
de produtos naturais tais como plumas, cacau, pimentas, 
salsaparrilha, peles e couros de animais, ovos e banha de 
tartaruga, ervas medicinais e quinino. 
O desencadeamento da atividade de 
mineração foi o grande motor da ocupação espontânea 
dos espaços naturais da Região Guaporeana, no período 
colonial. Aliada a essa migração voluntária de garimpeiros, 
observa-se a atuação estratégica da Coroa Portuguesa 
que traçou os planos de ocupação e posse definitiva do 
território a partir de uma ampla atuação administrativa, 
delineada pela fundação da capital Vila Bela e dos sistemas 
militares de defesa e fortificação da região. Essa região 
que, no século XVIII, era dissociada das minas do Cuiabá, 
integrava as chamadas minas de Mato Grosso nas áreas 
fronteiriças entre os domínios coloniais da Espanha e de 
Portugal. 
As descobertas de veios e aluviões auríferos 
datam ainda da primeira metade do século XVIII, cabendo 
aos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, notórios 
sertanistas e predadores de índios naturais de Sorocaba, 
os primeiros descobrimentos em 1734, nos locais que 
foram chamados arraiais de Pouso Alegre, Santana e São 
Francisco Xavier.
As descobertas, conforme relata o Barão 
de Melgaço, foram acompanhadas por providências do 
governo da Capitania de São Paulo no sentido de eliminar, 
através de uma “guerra justa”, os índios Paiaguá, que, em 
inúmeras incursões pelos sertões, provocavam morte, 
terror e pânico entre a população de Cuiabá e Mato Grosso. 
Ordenada a guerra contra os Paiaguá, observou-se também 
a quase dizimação dos Parecis, que passam a ser utilizados 
como mão de obra cativa nos trabalhos de extração 
mineral. A conquista do território ao nativo tornava-se 
imprescindível para a criação de condições de fixação de 
populações coloniais nas novas áreas de mineração. 
O rápido esgotamento das faisqueiras era 
remediado pelos sucessivos “achados” de outras tantas 
durante o século XVIII. Vários problemas com os 
trabalhadores nas regiões levaram a administração colonial 
a tomar medidas extremas. A necessidade de reposição 
da mão-de-obra era constante, mas era muito limitada a 
capacidade do Estado em socorrer os mineiros,por isso, os 
governadores adotavam posturas de relativa transigência 
em relação à propriedade de escravos, permitindo aos 
proprietários utilizarem-se da escravatura dos mortos e 
ausentes, evitando, assim, a interrupção ou paralisação dos 
trabalhos.
Na agricultura, destaca-se a presença de 
mais de uma dezena de engenhos de cana-de-açúcar, que 
produziram, ilegalmente, açúcar mascavo e aguardente 
para abastecer a região e que foi usado para contrabando 
junto às populações coloniais castelhanas e aos índios. 
O comércio constituiu-se como principal 
fonte de abastecimento para o vale do Guaporé no período 
colonial. Nos primeiros anos após a descoberta das minas 
do vale do Guaporé, o comércio era realizado sempre pelas 
rotas que ligavam a região guaporeana a Cuiabá e esta, a São 
Paulo e Rio de Janeiro. Pela Provisão de 14 de novembro 
de 1752, conhecida em Mato Grosso somente em 1754, 
ficava permitida e franqueada a navegação pelos vales 
do Guaporé, Madeira e Amazonas, estabelecendo ligação 
comercial entre Vila Bela e Belém do Pará, proibindo-se, 
30
no entanto, a comunicação entre as duas capitanias por 
qualquer outro caminho fluvial que não fosse a rota do 
Madeira. 
O comércio fluvial era realizado através de 
grandes expedições denominadas Monções, que percorriam 
as extensões dos rios Amazonas, Madeira, Mamoré e 
Guaporé, saindo de Belém do Pará e atingindo Vila Bela, 
transportando gêneros alimentícios, porcelanas, objetos 
de culto religioso, armas, ferramentas, tecidos e escravos. 
Ao retornarem a Belém, essas Monções transportavam 
ouro e drogas do sertão e, ocasionalmente, levavam, ainda, 
açúcar e aguardente. As viagens eram longas, podendo 
demorar até 02 anos entre a ida e o retorno. 
O percurso era acidentado e as cachoeiras do 
Madeira e do Mamoré eram os maiores obstáculos. As mais 
altas eram transpostas através da retirada das embarcações 
(batelões) do leito do rio e puxadas por barrancos nas 
margens até os trechos livres de corredeiras, num esforço 
sobre-humano.
Mineradores transportando cargas em uma rota sertanis-
ta para as minas de ouro
As menores cachoeiras eram transpostas 
através do sirgamento das embarcações, que consistia em 
puxar o batelão entre uma e outra pedra da corredeira 
até que estivesse transposto toda a cachoeira. Ataques de 
índios, desabastecimento de gêneros alimentícios, fome, 
malária e ataque de insetos eram os maiores problemas 
enfrentados.
Mesmo assim, os rios Madeira, Mamoré e 
Guaporé sempre foram as grandes vias de penetração dos 
colonizadores no interior da região. Em 1723, Francisco 
Mello Palheta realizou uma bandeira fluvial, partindo de 
Belém do Pará , navegando pelos rios Madeira e Guaporé, 
estabelecendo marcos fronteiriços e chegando até as 
missões jesuítas guaporeanas pertencentes à Espanha, 
denominadas São Miguel e Santa Cruz de Cajubava. Um 
dos padres que o acompanhou, o jesuíta João Sampaio, 
fundou, entre 1723 e 1728, a Missão de Santo Antônio das 
Cachoeiras do rio Madeira que, atacada por indígenas, 
mosquitos, desabastecimento e malária, mudou-se 
diversas vezes de localização até fixar-se na região onde 
hoje é Borba (AM).Essa Missão marca a primeira tentativa 
de povoamento do alto Madeira.
Em 1742, foi o garimpeiro e explorador 
português Manuel Félix de Lima, quem organizou uma 
expedição que navegou pelas águas proibidas dos rios 
Guaporé e Madeira, chegando até Belém do Pará, onde 
foi preso pelas autoridades coloniais e encaminhado para 
Lisboa.
O trabalho colonial era realizado 
principalmente pela mão-de-obra escrava africana. A 
região do Guaporé teve um dos mais altos percentuais de 
escravos negros da colônia. Rolim de Moura calculava que 
o número de brancos, na década de 1750, não passasse de
1.8. A escravidão colonial no Vale do Guaporé
31
setenta, enquanto o número de negros livres e escravos era 
superior a dois mil e quinhentos indivíduos. Os escravos 
trabalharam em todo tipo de serviços, exceto as funções 
de mando. Exerceram funções de defesa (Companhia 
dos Homens Pretos e Mulatos), remeiros, garimpeiros, 
construtores, agricultores, etc. Sua resistência à escravidão 
foi notável e os quilombos foram comuns em toda a região 
do Alto e Médio Guaporé. Dentre eles destacaram-se o 
Mutuca, Joaquim Teles, Pindaituba e Quariterê. 
O Forte de Nossa Senhora da Conceição, construído no 
governo de Dom Antônio Rolim de Moura.
Hoje ainda existem no Guaporé diversas 
comunidades de remanescentes de quilombos, dentre as 
quais se destacam: Santo Antônio do Guaporé, Pedras 
Negras, Santa Fé, Santa Cruz, Santa Isabel, Forte Príncipe, 
Porto Rolim, Jesus, Tarumã, Surpresa do Guaporé, etc.
1.9. As missões religiosas e os projetos de 
ocupação colonial.
Outro importante projeto colonial foi a criação 
de missões religiosas nos vales do Madeira e Guaporé. A 
principal Missão Religiosa fundada por padres portugueses 
no Vale do Guaporé foi a Missão da Casa Redonda, no 
sítio da antiga Missão espanhola de Santa Rosa. O mais 
notável padre missionário da região foi o jesuíta Padre 
Agostinho Lourenço. Com a saída dos jesuítas do Brasil, 
em meados da década de 1750, os missionários carmelitas 
ocuparam as missões do Vale do Madeira. 
O cotidiano da população guaporeana foi 
marcado também pela elevadíssima quantidade de doenças 
e epidemias. A morte era uma possibilidade sempre muito 
real e próxima em toda a região, chamada por Rolim de 
Moura de “O terror da América”. Ao lado dos crimes, dos 
ataques indígenas e da fome, as doenças completavam o 
quadro de pânico que povoava o imaginário dos que, por 
algum motivo, chegavam ao vale do Guaporé. Malária 
(malárias), máculos ou corruções, febres catarrais, 
pneumonias, diarreias sanguinolentas, tuberculose, febre 
amarela, tifo e cólera foram as grandes causadoras de 
morte e terror entre os habitantes do Guaporé, ajudando 
a consolidar a triste fama da região de ser uma sepultura 
a céu aberto. Essa má reputação causava arrepios de pavor 
aos brancos que a visitavam. 
A saúde pública não foi uma prioridade 
nesse regime em que a morte ceifava grandes massas 
de anônimos livres e escravos. Somente a partir da 
irreversibilidade da acentuada crise que se abateu sobre a 
região é que se chegou a cogitar medidas profiláticas, como 
o treinamento de agentes de saúde e alguma assistência
médica à população, como projetou João Carlos Augusto
D’Oyenhausen Gravenburg, nomeado oitavo governador
e Capitão-General do Mato Grosso, em 1806. No entanto,
essas medidas foram muito tardias e não chegaram a vingar.
32
1.9. A Crise do Vale do Guaporé
Em 1818, já em plena decadência e 
parcialmente abandonada, Vila Bela foi elevada a condição 
de cidade, sendo que, em 1835, após um grave incidente 
diplomático envolvendo as elites de Vila Bela e as elites 
das Províncias de Chiquitos na Bolívia, a capital da então 
província de Mato Grosso mudou-se, definitivamente, para 
Cuiabá. O vale do Guaporé abandonado pelos brancos 
decaiu e tornou-se uma região habitada por indígenas 
remanescentes das missões jesuíticas ou outros povos 
que não haviam sido constatados e aculturados pelos 
colonizadores ibéricos ou, ainda, pelos negros, escravos 
que mantiveram e garantiram a posse territorial.
Ocasionalmente, expedições científicas e 
exploradoras visitaram os vales do Madeira, Mamoré e 
Guaporé. Dente as principais expedições destacaram-se: 
Expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira; Expedição do 
Barão de Langsdorff, Hércules Florence e Adrian Taunay; 
Expedição de Francis Castelnau; expedição de João 
Severiano da Fonseca.
1.10. Limites da Amazônia no período colonial
Em 1494, foi firmado o Tratado de 
Tordesilhas. Como os tratados e bulas anteriores, os 
limites eram fixados não por marcos naturais, acidentes 
geográficos tais como rios e montanhas, e sim por uma 
linha geodésica, ou seja, uma linha imaginária tirada 
a partir de uma paralela ou meridiano. Pertenceriam a 
Portugal todas as terras encontradas até a distânciade 370 
léguas (2.442 Km) a oeste de Cabo Verde, ponto através do 
qual passava o meridiano, separando as duas possessões; 
todas as terras mais para oeste dessa linha pertenceriam à 
Espanha. 
Brasão de Vila Bela da Santíssima Trindade. O pássaro de 
3 cabeças representa a Santíssima Trindade Católica.
Ao se expandirem para o oeste, os portugueses 
procuravam metais preciosos, porém, encontraram outras 
riquezas naturais, algumas desconhecidas na Europa, 
iniciando o ciclo das drogas do sertão, que fixou, desde o 
início, o destino extrativista da Região Amazônica. Com a 
missão de expulsar estrangeiros (franceses e holandeses) 
que haviam se estabelecido no rio Amazonas, Francisco 
Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na Baía de 
Guajará, o Forte do Presépio, dando origem cidade de 
Santa Maria de Belém do Grão Pará. 
Em 11 de abril de 1713, a França assinou com 
Portugal o primeiro tratado de Utrecht, confinando suas 
fronteiras ao norte da América do Sul. A região do Oiapoque 
no Amapá passou, definitivamente, ao domínio português. 
A Espanha, por sua vez, assinou o mesmo tratado, o que 
representava uma vitória para Lisboa, na medida em que 
facilitava a penetração portuguesa além das terras a oeste 
de Tordesilhas, pois garantia aos portugueses a foz do rio 
Amazonas.
A linha de Tordesilhas, no Brasil, passaria, ao 
norte, pelas proximidades de onde hoje é a cidade de Belém 
(Pará) e, ao sul, próxima à atual localidade de Laguna, ou 
seja, toda a Amazônia seria território espanhol.
33
Com a morte de Felipe V, rei da Espanha, em 
1746, a situação de Portugal passou por grande melhoria 
no âmbito diplomático espanhol. Fernando VI (1713-
1759), o novo rei, casara-se com a infanta portuguesa D. 
Maria Bárbara de Bragança, filha do rei Dom João V (1689-
1750), levando ao fim a hostilidade acentuada de Felipe V 
e Isabel de Farnésio contra a monarquia portuguesa. 
Foram tomadas medidas para negociações 
diplomáticas encaminhadas por Dom José Carvajal y 
Lancaster e por Alexandre de Gusmão (1695-1753), que 
representavam respectivamente, Espanha e Portugal. 
Em1750, foi assinado o tratado de limites, conhecido como 
Tratado de Madrid. Prevaleceu no tratado o princípio do 
Uti Possidetis de Facto, respeitando-se a posse mansa e 
pacífica ou a ocupação real, o que tornou possível fixar a 
linha de fronteira, no tocante ao extremo oeste e norte, a 
partir dos cursos dos rios Guaporé e Mamoré, seguindo 
até o curso médio do Madeira, próximo à atual cidade 
de Humaitá, de onde continuaria através de uma linha 
geodésica até as nascentes do Javari. Deste rio subiria até o 
Solimões e, daí, até a boca do Japurá, ficando as margens 
orientais sob o domínio da colônia portuguesa. 
Por esse tratado, Portugal adquiriu o controle 
de grande parte da bacia amazônica, através do domínio 
das embocaduras dos maiores afluentes daquele rio. 
Ainda, após dois séculos e meio de exploração e ocupação 
foi possível substituir o recurso da linha imaginária pelos 
rios e acidentes naturais na demarcação do Território.
O acordo de EI Pardo (1761) suspendeu o 
Tratado de Madri. O Tratado de Santo Idelfonso (1777), 
que anulou o Tratado de El Pardo, determinou novamente 
a fixação da fronteira guaporeana, tal como no Tratado 
de Madri, passando pelos rios Guaporé e Mamoré até o 
ponto médio do Madeira, seguindo dali por uma linha reta 
e imaginária até encontrar a margem oriental do Javari. 
Ao longo do século XIX os governos 
coloniais do Mato Grosso, progressivamente, abandonam 
a região guaporeana e o vale do Madeira, procurando 
estabelecerem-se em Cuiabá. As antigas missões, os 
aldeamentos, os diretórios de índios, os entrepostos fiscais e 
comerciais e os pontos militares avançados de fronteira são 
abandonados. Sobreviveram, de forma isolada, pequenos 
polos de coleta de drogas do sertão, cacau e produtos 
derivados de tartarugas. Antigas sociedades indígenas 
voltaram ao seu estado natural ou foram combatidas e 
exterminadas em guerras justas ou adaptadas ao processo 
civilizatório, transformando-se em tapuios. (índios 
aculturados que passam a integrar a periferia do sistema 
social e econômico).
Ao longo do século XIX, sobretudo após a 
década de 1840, os vales do Madeira, Mamoré e Guaporé 
vincularam-se ao circuito da borracha e passaram a ser 
explorados por seringalistas bolivianos e brasileiros, que 
utilizam a mão-de-obra dos indígenas locais, notadamente 
os do vale do rio Beni na Bolívia e mais tarde a mão-de-
obra nordestina que migrou para a Amazônia a partir 
década de 1870, trabalhando nos seringais como coletores 
de látex (seringueiros).
Os seringueiros eram divididos em dois 
grupos: Mansos: Naturais da Amazônia que conheciam 
segredos da floresta e dos rios. Brabos: Naturais do 
nordeste, tinham enorme dificuldade de adaptação ao 
meio ambiente. 
O proprietário do seringal era chamado 
de Coronel do Barranco ou seringalista e trabalhava a 
partir de financiamentos feitos pelo capital estrangeiro. 
Os trabalhadores eram chamados de seringueiros, de 
origem, condição e situação humilde, vinculavam-se 
aos seringalistas por trabalharem em seus latifúndios 
 1.11. O século XIX e a exploração da borracha.
34
“Pelas” de borracha aguardando o embarque 
na ferrovia Madeira Mamoré.
O ciclo da borracha iniciou-se na segunda 
metade do século XIX e prolonga-se até a segunda década 
do século XX, quando a produção brasileira é superada 
pela produção da Malásia. 
A borracha já era conhecida pelos indígenas 
muito antes da descoberta das Américas. O povo 
Omágua chamava a seringueira de Hévé, a árvore que 
chora, e com o látex fabricavam utensílios e brinquedos 
de borracha. Em 1735, Charles Marie de La Condamine 
realizou uma expedição científica pela Amazônia e, ao 
tomar conhecimento da seringueira denominada Hevea 
brasiliensis, enviou produtos de borracha para a Europa e, 
com isso, causou admiração nos meios intelectuais com a 
apresentação de bolas de borracha. No entanto, a sociedade 
científica de Paris e o restante da Europa ignoraram a 
borracha, pois não vislumbravam uso para o produto. No 
início do século XIX, cresceram as exportações de produtos 
impermeabilizados pela borracha no porto de Belém.
A Europa e Estados Unidos enviavam 
roupas e sapatos para serem impermeabilizados na 
Amazônia. Em 1844, MacIntoch aperfeiçoa o processo de 
impermeabilização e, pouco mais tarde, Charles Goodyear 
descobriu o processo de vulcanização da borracha. O 
mercado consumidor europeu e norte-americano passou 
a se interessar pela borracha, utilizando o produto, a 
princípio, na indústria da moda feminina e, em seguida, na 
produção de pneumáticos que supriam a nascente indústria 
de bicicletas e, posteriormente, a indústria automobilística. 
Coma Segunda Revolução Industrial cresceu a demanda 
pela borracha. O processo de exportação do produto 
natural passou a superar as exportações do produto 
manufaturado.
Já em 1852, o relatório anual de Terreira 
Aranha, Governador da Província do Amazonas, acusa 
o crescimento da atividade extrativista do látex, em
detrimento das atividades agropastoris, coletoras e 
manufatureiras tradicionais. Entre os anos de 1877-1879, 
a grande seca nordestina promove uma intensa migração 
de sertanejos para os seringais da Amazônia. Através de 
Manaus, os seringueiros nordestinos iniciam ocupação 
do Acre Boliviano, além dos vales do Madeira, Mamoré, 
Guaporé e Machado. A ocupação dos territórios bolivianos 
(seringais) e por estarem dependentes do regime contratual 
do Barracão (também chamado Aviamento ou Habilito). 
O Barracão era onde o seringueiro comprava 
os produtos indispensáveis para sobrevivência e vendia a 
produção de borracha por ele obtida. O sistema crédito/
dívida fazia com que o seringueiro estivesse sempre devendo 
ao Barracão. As poucas oportunidades de acumulação de 
um pequeno excedente de capital ou mesmo de um alívio 
de obtenção de recursos para a sobrevivência poderiam vir 
através do comércio clandestino com o regatão(embarcação 
de mascates que percorriam os rios e igarapés comprando 
bolas de borrachas e vendendo gêneros de primeira 
necessidade), ou da produção paralela de peles, plumas de 
garças e extrativismo de outros produtos vegetais.
35
do Acre terminaria por criar uma situação de grave tensão 
política na região. 
 Manaus e Belém constituíram-se nas mais 
promissoras cidades vinculadas ao Ciclo da Borracha. As 
construções de finais do século XIX e princípio do século 
XX atestam a grandeza e a opulência de ambas e a riqueza 
usufruída pelas elites do seringalismo. Os dois municípios 
construíram importantes monumentos, como o Teatro da 
Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus. Outras 
obras dignas de menção são os portos de Belém e de Manaus, 
os palácios dos governadores de ambas as cidades: em 
Manaus, o palácio Rio Negro e em Belém, o palácio Lauro 
Sodré. A grandeza dessas localidades era reconhecida em 
todo o mundo, entretanto, com a decadência da borracha, 
ambas viriam a sofrer os efeitos devastadores da crise e 
jamais retomariam o antigo esplendor. 
Os coronéis da borracha mantinham gastos 
exorbitantes, chegando a importar água mineral da Europa, 
mandando lavar as roupas domésticas em lavanderias de 
Lisboa ou tratando os cavalos nas cocheiras dos teatros 
com misturas de água gelada e champanhe. 
Enquanto a comercialização da borracha 
mantinha um nível de vida sofisticado e perdulário para 
as elites seringalistas, a população amazônica, em geral, 
e os seringueiros, em particular, viviam miseravelmente 
em regimes de trabalho que beiravam a escravidão e sem 
nenhum tipo de assistência por parte do Estado ou dos 
poderes constituídos. 
Em consequência do aumento da demanda 
pela borracha, houve um avanço dos seringueiros sobre os 
seringais nativos das regiões interiores, mais próximas das 
fronteiras com os Estados de língua espanhola. Passou-se 
dos rios próximos a Belém do Pará para os rios Tapajós, 
Madeira, Purus, Juruá e à região do Acre, que ainda 
pertencia a Bolívia. Na Amazônia, as regiões do Acre e do 
Madeira detinham não somente as maiores reservas de 
látex como também foi nelas onde se passou a extrair, após 
sua ocupação, o produto de melhor qualidade.
Com o advento da livre navegação na 
Amazônia, foi facilitado o contrabando de sementes 
de seringueira. O inglês Sir. Alexander Wickham 
contrabandeou sementes de Hevea Brasiliensispara 
Londres, cultivando-as sem estufas. As mudas foram 
transplantadas para a Malásia onde formaram os primeiros 
seringais ingleses, cultivados na Ásia, que logo superaram 
a produção dos seringais naturais da Amazônia. 
Em 1910, estourou, na Europa, o escândalo 
do seringal peruano de Putamayo, de propriedade do 
empresário Júlio César Araña, bancado pelo capital 
inglês. As denúncias de torturas, assassinatos, exploração 
e maus tratos, publicadas nos jornais de Londres 
pelo jornalista norte americano Walter Hardenburg, 
denunciavam as péssimas condições de vida dos indígenas 
e dos seringueiros. A Inglaterra criou uma comissão 
de investigação liderada por Sir Roger Casement e o 
reverendo John Harris, interrompendo, logo em seguida, 
as importações da borracha brasileira. Entretanto, vale 
salientar, que a interrupção se deu, já no momento em 
que os seringais da Malásia eram capazes de abastecer o 
mercado internacional. 
Entre 1915 e 1930, a crise da borracha na 
Amazônia acentuou a decadência de Manaus, a cidade 
símbolo do esplendor da borracha, que chegou a perder 
mais de um terço de seus habitantes. 
Em 1939, o maior investimento internacional 
em cultivo de borracha na Amazônia, a Fordlândia, 
implantada no Pará pelo empresário norte americano Henry 
1.12. A crise do seringalismo
36
A partir do início da segunda metade do 
século XIX, o governo norte-americano manifestou 
interesse em abrir a Amazônia aos capitais daquele país. 
Por essa época, o governo imperial recusou autorização 
para que a Amazon Steam Navigation Company 
Ltd operasse no Vale Amazônico, fato que resultou em 
imediata reação por parte do governo norte americano e 
da empresa de navegação. As autoridades governamentais 
dos Estados Unidos alegaram que a posição brasileira era 
representativa de uma política de isolamento, semelhante 
à da China, recentemente tomada pelos ingleses e que 
teve seu comércio violentamente aberto aos produtos 
estrangeiros. De acordo com o governo americano, a 
política do Império do Brasil era contrária aos interesses da 
humanidade, na medida em que a abertura ao estrangeiro 
viria trazer a civilização para a Amazônia, sem nenhum 
perigo para a soberania nacional. 
A correspondência diplomática de 1852 reflete 
bem os temores do Governo Imperial do Brasil. Em uma 
carta escrita da cidade de Chuquisaca (Bolívia), datada 
de 27 de janeiro, o representante diplomático do Brasil 
naquele país informava que os governos da França, dos 
Estados Unidos e da Inglaterra reconheciam o direito de os 
barcos bolivianos navegarem livremente pelo Amazonas, 
na medida em que detinham o curso de seus afluentes. O 
embaixador considerava que havia a possibilidade dessas 
potências recusarem quaisquer negociações com o Brasil 
e de uma ação mais violenta da parte desses países para 
assegurar o pretendido direito à livre navegação. 
Tentando se precaver contra possíveis atitudes 
expansionistas e intervencionistas do governo norte 
americano ou de potências europeias, o governo brasileiro 
decretou o monopólio da navegação no Amazonas e, 
em 1853, ofereceu esse monopólio de exploração da 
navegação no rio Amazonas, com duração de 30 anos, a 
Irineu Evangelista de Souza, Visconde e Barão de Mauá 
Ford decretou falência, perdendo um investimento de 15 
milhões de dólares e 3 milhões e 500 mil pés de seringueiras. 
O projeto foi abandonado e a cidade sede do projeto, Belterra, 
criada por Ford, ficou esquecida. 
 Entretanto, de 1943-1945, durante a Segunda 
Guerra Mundial, os seringais da Malásia foram ocupados 
pelos japoneses, inimigos dos ingleses e dos norte 
americanos. Necessitando da borracha para a indústria de 
guerra, os aliados, liderados pelos Estados Unidos, lançaram, 
na Amazônia, o programa denominado “Guerra pela 
Borracha”. Foram instalados núcleos aliados na Amazônia 
para compra da borracha nos seringais. O preço subiu a 
níveis altíssimos e, novamente, utilizou-se a mão-de-obra 
nordestina para os seringais, foram os chamados soldados 
da borracha. O Congresso Nacional estima que tenham 
morrido, aproximadamente, 22 mil soldados da borracha 
na Guerra pela Borracha. Após 1945, com a invenção da 
borracha sintética pelos alemães, a borracha da Amazônia 
entrou em decadência e os seringais foram definitivamente 
abandonados.
1.13. A questão da livre navegação nos rios 
amazônicos
Navio a vapor (chamados Gaiolas ou Vaticanos) 
no Vale Amazônico.
http://www.consciencia.org/wp-content/uploads/2011/06/tm-
pF704-1-300x193.jpg
37
(1813-1889), que fundou a Companhia de Navegação e 
Comércio do Amazonas, com parte do capital investido 
pelo próprio Barão e o restante obtido através de subscrição 
das ações pelos comerciantes de Belém e Manaus. 
O monopólio dado pelo Estado do Brasil 
à companhia de navegação de Mauá impedia a livre 
competição na atividade de navegação do rio Amazonas e, 
assim, cedendo às pressões dos deputados livre-cambistas, 
cuja bancada no parlamento nacional manifestou-se com 
energia, revogando o monopólio concedido a Mauá, 
permitiu-se que, nos anos de 1860, surgissem mais duas 
companhias de navegação: a Companhia Fluvial Paraense 
e a Companhia Fluvial do Alto Amazonas. 
Em 1872, o rio Amazonas foi aberto à 
navegação internacional e, em 1874, a Amazon Steam 
Navigation Company comprou as três empresas de navegação 
que operavam na bacia Amazônica monopolizando o 
transporte fluvial na região, inclusive até Santo Antônio do 
Madeira, então a única área urbana das terras que viriam a 
ser Rondônia. Esse trecho do percurso até Santo Antônio 
era subsidiado pelo governoprovincial do Amazonas. 
Em 1875, o Madeira já era navegado 
irregularmente por vapores particulares de diversos 
calados em busca da borracha. Vinte anos depois um 
número considerável de navios particulares e fretados 
respondiam à demanda de transporte até Santo Antônio 
do Madeira. O porto de Manaus, que durante a maior parte 
do século XIX havia mantido uma posição secundária na 
atividade exportadora de borracha em relação ao porto de 
Belém, cresceu em importância, superando-o no volume 
de exportações. As atividades da navegação a vapor 
controladas por companhias estrangeiras na Amazônia, 
perduraram até a crise da borracha, quando a Amazon 
Steam Navigation se retirou do negócio, deixando as 
populações locais em estado de isolamento. 
A casa do Seringueiro 
imagem de Franz Josef Keller -1874.
1.14. As pretensões estrangeiras sobre a Amazônia
As pretensões de estrangeiros não somente 
sobre a navegação, mas também sobre o destino e a ex-
ploração do Vale do Amazonas criaram, ao longo de todo 
o século XIX, sérias desconfianças por parte do Governo
Imperial.
D. Pedro II (1825-1891) chegou a registrar,
em seu diário pessoal de 1862, receio em relação às preten-
sões dos EUA sobre o Amazonas. Nos Estados Unidos, um 
oficial da marinha norte-americana, Mattnew Fontaine 
Maury, moveu forte campanha na imprensa e mesmo em 
um memorial intitulado The Amazonan the Atlantics Lo-
pes, escrito em 1853 e endereçado ao governo de seu país, 
sustentando que as riquezas naturais da Amazônia mere-
ciam ser exploradas pela civilização através da conquista 
científica, econômica e política e não poderiam ficar su-
jeitadas aos interesses inferiores do governo imperial do 
Brasil.
38
Sir Alexander Wickhan 
http://www.bouncing-(balls.com/serendipity/images/photo_gal-
lery/henry_wickham.jpg)
Em 1851, os tenentes William Lewis Herndon 
(1813- 1857) e Lardner Gibbons, da marinha norte-
americana, viajaram pelo rio Amazonas, entre 1851 e 1852 
para investigar as possibilidades de utilizar a região para 
transmigrar a escravidão de seu país para a Amazônia. O 
relato da viagem intitulado Exploration of the Valey of the 
Amazon despertou interesse suficiente para a realização de 
outras expedições ao Amazonas. 
Em1853, o presidente boliviano, Manuel 
Isidoro Belzu, negociou com os norte-americanos a 
entrada de negros recém libertos da escravidão, indesejáveis 
nos Estados Unidos, para o norte amazônico, em terras 
da Bolívia e abriu os rios do norte boliviano à navegação 
internacional, oferecendo, a título de estímulo, concessões 
de terras a quem quisesse explorar aquela região. Naquele 
mesmo ano, anunciava-se, em Nova Iorque, uma nova 
expedição de exploração do rio Amazonas, comandada por 
um certo Tenente Porter. Os expedicionários alegavam 
que o controle do rio Amazonas pelo Brasil, não lhe dava 
o direito de impedir a livre navegação dos navios de outros
países rumo ao Atlântico.
Em 1865, a expedição Thayer, financiada pelo 
capitalista norte-americano, Nathaniel Thayer, e chefiada 
por um renomado naturalista suíço, Louis Agassiz e 
endossada pelo governo dos E.UA, navegou pelos rios 
do vale amazônico. Os membros da expedição foram 
recebidos no Rio de Janeiro pelo Imperador do Brasil em 
1865 e dai partiram para percorrer a Amazônia, de onde 
retomaram no ano seguinte. A senhora Elizabeth Cary 
Agassiz, esposa do Dr. Agassiz, sugeriu, em seus escritos, 
que para melhor proveito dos recursos da Amazônia, seria 
necessária sua internacionalização. 
1.15. A navegação fluvial a vapor pelo rio Madeira
A navegação pelo rio Madeira, durante o 
século XIX e início do século XX, era realizada a partir da 
divisão do rio em dois trechos distintos: o Alto Madeira e 
o Baixo Madeira.
O Alto Madeira compreendia o trecho 
das cachoeiras e ia de Santo Antônio até a cachoeira de 
Guajará- Mirim. Neste trecho, a navegação era realizada 
por bolivianos, que usavam o rio tanto para a exportação 
e importação dos gêneros necessários aos seringais quanto 
para o escoamento de produtos agrícolas e pecuários 
provenientes do vale do Beni. Apesar de a Bolívia exportar 
a maior parte de sua produção pelo oceano Pacífico, a via 
do Madeira era de grande importância para o comércio do 
noroeste boliviano, pois o Atlântico estava mais próximo 
do que o Pacífico. 
39
Pescador amazônico 
 Imagem de Franz Josef Keller – 1874
Descia, pelo Madeira em direção ao porto 
de Itacoatiara, a produção extrativa e agropecuária da 
província do Beni, na Bolívia, embarcada em batelões 
que, depois, retoornavam com produtos industrializados, 
vergalhões, ferramentas, armas e munições, bebidas, e 
tecidos. Assim, era interesse dos habitantes do noroeste 
boliviano o estabelecimento de linhas de navegação à vapor 
pelo Madeira, e ainda uma estrada ou canal que resolvesse 
o problema da travessia do trecho encachoeirado desse rio,
que beneficiaria, além do Beni, a ampla região de Santa
Cruz e Cochabamba.
A passagem pelo trecho encachoeirado do 
Madeira e do Mamoré poderia durar de 18 dias a 06 meses, 
dependendo de condições diversas, como por exemplo, o 
número de canoas e o volume de carga, a quantidade de 
remadores. 
O naufrágio, a perda dos trabalhadores pelo 
contágio de doenças epidêmicas, a morte, os ataques de 
indígenas e mesmo a deserção dos remadores em desespero 
eram situações comuns durante a viagem. O remeiro 
indígena era submetido as mais exaustivas e adversas 
condições de trabalho. 
Já o trecho do Baixo Madeira correspondia 
todo o circuito navegável e livre das cachoeiras, e ia de 
Santo Antônio até a cidade de Itacoatiara já na confluência 
com o rio Amazonas. Por esse trecho navegavam, desde 
a segunda metade do século XIX, grandes vapores que 
abasteciam a região regularmente e transportavam cargas 
e passageiros por todo o Vale do rio Madeira.
Sirgamento de batelão em uma cachoeira do rio Madeira. 
Gravura de João Severiano da Fonseca. - 1875
1.16. A presença boliviana no Vale do Madeira
Para os bolivianos parecia mais fácil o acesso 
à região do alto Madeira, através dos rios Orton, Madre 
de Dios e Beni, mesmo existindo diversos acidentes 
naturais como as cachoeiras. Por ser a região desabitada 
por populações nacionais não indígenas, os proprietários 
bolivianos foram ocupando os seringais nativos do 
Madeira e seus afluentes: o Mutum - Paraná, o Jaci - 
40
Paraná, o Jamari e o Ji-Paraná. Os núcleos de colonização, 
seringais e povoações, de propriedade e outros formados 
com maioria de população migrada da região do Beni, 
na Bolívia, dominavam todo o trecho encachoeirado dos 
rios Madeira e Mamoré e em área do Médio Madeira, a 
presença de proprietários e de propriedades bolivianas 
era predominante. 
Os seringais bolivianos estendiam-se, porém, 
até o baixo Madeira, onde conviviam com os seringais 
pertencentes aos brasileiros. Dentre os mais notáveis 
proprietários bolivianos de seringais no Vale do Madeira 
destacaram-se Dom Pastor Oyola, Dom Santos Mercado, 
Dom Ignáco Arauz, os Irmãos Soarez e Dom Ramon, todos 
citados por Neville Craig em sua Obra Estrada de Ferro 
Madeira Mamoré, a história trágica de uma expedição. 
Ao final do século XIX, entretanto, a presença 
boliviana na região recuou e os seringais passaram ao 
controle de proprietários brasileiros. Nesse mesmo período, 
brasileiros haviam fundado o povoado de Vila Murtinho, 
às margens do rio Mamoré, em frente ao povoado boliviano 
de Villa Bella (que não deve ser confundida com a primeira 
capital do Mato Grosso: Vila Bela da Santíssima Trindade). 
1.17. Limites e fronteiras: o Tratado de Ayacucho 
(1867)
A procura de borracha pelos mercados 
internacionais provocou uma expressiva migração de 
brasileiros para a região do rio Acre e de bolivianos para 
a região do rio Madeira, durante a segunda metade do 
século XIX. Por essa época, havia uma forte presença de 
seringais e seringalistas bolivianos no Vale do Madeira. 
Entretanto, era difícil a definição exata das fronteiras entre 
os países amazônicos,uma vez que a região era ainda mal 
conhecida e pouco explorada.
Em1867, foi assinado o Tratado de Amizade, 
Limites, Navegação, Comércio e Extradição entre 
Bolívia e Brasil. Conhecido também como Tratado de 
Ayacucho, ou como Tratado Mufíoz-Netto, sobrenome 
dos ministros representantes dos países signatários do 
tratado: Mariano Donato Mufíoz, Ministro das Relações 
Exteriores da Bolívia e Felipe Lopez Netto. Por esse tratado 
ficou assegurado ao Brasil a posse de ambas as margens 
do rio Madeira. A Bolívia perdeu uma área de 189.000 
quilômetros quadrados para o Brasil.
1.18. A colonização brasileira do Vale do Madeira
Até parte avançada do século XIX, a 
colonização do vale do Madeira por populações 
brasileiras foi sempre uma empreitada fracassada. Esse 
fracasso pode ser explicado a partir de diversos fatores, 
tais como a adversidade ambiental, a presença de 
populações indígenas hostis e as doenças tropicais, além 
da dificuldade de transposição das cachoeiras dos rios 
madeira e Mamoré. O povoamento e ocupação do Alto 
Madeira eram substancialmente mais difíceis do que no 
Baixo Madeira, onde a facilidade de navegação permitiu o 
desenvolvimento de alguns núcleos de colonização desde 
o século XVIII, tais como Borba e São João do Crato.
Em fins do século XVIII, o governo colonial 
tentou implantar um destacamento militar, que servisse 
de base para a formação de um núcleo de colonização 
na região de Ribeirão, no alto Madeira. Aí foi fundado 
o destacamento de São José do Salto do Ribeirão do
Rio Madeira, povoado por indígenas aldeados e negros
escravos da coroa.
O destacamento de São José do Ribeirão, 
também chamado de São José de Montenegro, não resistiu 
às adversidades ambientais e foi abandonado em 1832. 
41
Em finais do século XIX, observa-se a 
presença de missionários católicos na região, notadamente 
os franciscanos, capuchinhos e os salesianos. Segundo o 
Barão de Marajó, em 1895 a região já contava com 70.000 
habitantes. Os principais núcleos de povoamento eram 
Manicoré, Borba, Humaitá e a Vila de Santo Antônio do 
Madeira já no Mato Grosso e que passou por uma crescente 
importância na medida em que foram desenvolvidos 
os esforços de construção da Estrada de Ferro Madeira 
Mamoré. 
Entretanto, distante dos núcleos de 
colonização, a maior parte dos moradores do rio Madeira 
localizavam-se nos seringais, que se espalharam por toda 
a região e avançaram pelos afluentes do Madeira, como os 
rios Machado, Jamari, Preto e Candeias. 
O rio Madeira - Cachoeira Caldeirão do Inferno 
imagem de Franz Josef Keller - 1874
1.19. A questão do Acre.
Os brasileiros em busca da borracha ocuparam 
a região boliviana do Acre pela via do Amazonas, Purus e 
Juruá.
Em 1899, as tensões entre Brasil e Bolívia se 
agravaram, dando origem a um processo que culmina com 
a intervenção do Brasil sobre os territórios bolivianos do 
Acre. Este fato ficou conhecido como a questão do Acre.
 Temendo a crescente presença de brasileiros 
nos seringais do Acre, a Bolívia buscou apoio norte 
americano para o caso de uma guerra com o Brasil em 
função das disputas territoriais. 
O espanhol naturalizado brasileiro, Hernani 
Galvez Pérsia de Ária, à frente de um pequeno exército de 
seringueiros, partiu de Manaus e proclamou-se Imperador 
do Acre. No confronto com a pequena tropa boliviana 
estabelecida no Acre, Galvez foi vitorioso e proclamou a 
independência do Acre. No entanto, ele foi deposto a partir da 
ação da marinha brasileira, que destacou uma pequena frota 
para a região. Após a chegada de uma expedição militar, o 
domínio boliviano sobre o território em litígio foi recuperado. 
Tentando garantir o controle e a posse da 
região, o governo boliviano assinou, em Londres, no ano 
de1901, um contrato de arrendamento do Acre com um 
truste denominado Bolivian Syndicate of New York City. 
Pelo contrato, foi admitido ao Bolivian Syndicate poderes 
absolutos de administração fiscal e policial, monopólio da 
exploração econômica do território e, inclusive, poderes 
para manter exército e pequena esquadra. 
Entretanto, em 1902, Plácido de Castro, à 
frente de um exército de seringueiros nordestinos invadiu 
Xapuri aprisionando o administrador, Juan de Dios 
Barrientos, e proclamando a independência do Acre. 
O governo boliviano preparou uma grande expedição 
militar para retomar o controle do território, comandada 
pelo próprio presidente da república, general Pando. A 
expedição saiu de La Paz com um grande contingente, 
que foi parcialmente dizimado, durante seu deslocamento 
para a região dos conflitos, pela malária e outras doenças 
tropicais. 
42
José Plácido de Castro
Fonte: Wikipédia
A Marinha brasileira entrou novamente em 
ação e manteve a ocupação no Acre, forçando o governo 
boliviano a iniciar negociações diplomáticas. Em 17 de 
outubro de 1903, foi assinado o Tratado de Petrópolis entre 
Brasil e Bolívia. A Bolívia recebeu uma indenização de dois 
milhões de libras esterlinas, entregando o Acre ao Brasil. 
O Boliviam Syndicate também recebeu uma indenização 
no valor de cem mil dólares. O Brasil se comprometeu a 
construir a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Esse Tratado 
foi resultado do trabalho diplomático de Visconde do Rio 
Branco. A partir daí, o Acre foi integrado ao território 
nacional e, em 1905, o Brasil daria início ao processo de 
licitação da ferrovia Madeira Mamoré.
1.20. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
A construção da Ferrovia Madeira Mamoré 
marcou um importante ponto nas relações diplomáticas 
entre Brasil e Bolívia. Constituiu-se também num elemento 
definidor da ação imperialista de potências estrangeiras 
na região amazônica. A Ferrovia Madeira-Mamoré 
representou um dos marcos da modernidade capitalista 
liberal nos confins da selva do Madeira.
Construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, ele-
vando os trechos alagados, infestados pela malária. 
Foto de Dana Merril 1910.
A ferrovia foi construída para suprir as 
necessidades de transportes das cargas de diversos produtos, 
principalmente a borracha, no trecho das cachoeiras dos 
rios Madeira e Mamoré, onde a navegação fluvial ficava 
impossibilitada. Por outro lado, essa construção da ferrovia 
era parte integrante das cláusulas do Tratado de Petrópolis, 
assinado em 1903 entre o Brasil e a Bolívia. Ao longo da 
ferrovia, surgiram diversos núcleos de povoamento e dois 
municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim. 
Aproximadamente 22.000 operários de 
diversas nacionalidades trabalharam na construção 
ferroviaria. Estima-se que 6.500 trabalhadores tenham 
morrido vítimas das doenças tropicais e esse número eleva-
se, ainda mais, se forem contabilizados os indígenas mortos 
por ocasião da construção e os trabalhadores infectados 
43
por doenças que morreram após serem demitidos dos 
serviços pela empreiteira e que, portanto, não entraram 
na contabilização das autoridades médicas do Hospital 
da Candelária. A obra custou o equivalente a vinte e oito 
toneladas de ouro pelo câmbio de 1912. A construção da 
ferrovia deu à Companhia Madeira Mamoré o direito de 
exploração das terras que lhe eram adjacentes. 
As primeiras iniciativas para a construção 
da estrada de ferro remontam ao século XIX, quando a 
Revolução Industrial iniciava a construção de extensas 
ferrovias por todo o mundo e, nas regiões tropicais, 
as potências imperialistas construíam ferrovias que 
interessavam aos sistemas de exportação de matérias 
primas. 
Em 1861, Quentin Quevedo, a serviço do 
governo boliviano, fez estudos sobre a viabilização de 
transportes nos trechos encachoeirados do Madeira e do 
Mamoré,. A Bolívia precisava criar condições satisfatórias 
para a exportação, através do Atlântico, das mercadorias 
produzidas nas áreas do Beni e do Pando. Nesse mesmo 
período, o governo do Amazonas enviou o engenheiro 
João Martins da Silva Coutinho para efetuar estudos 
semelhantes na região. Ambos os relatórios apresentam 
conclusões aproximadas, apontando para a necessidade de 
construção de uma ferrovia na regiãoencachoeirada.
 Ainda na década de 1860, a Guerra do Paraguai 
levou o Estado Brasileiro a enviar um destacamento militar 
para as selvas do Madeira. Este destacamento fixou-se na 
primeira cachoeira, nas imediações do povoado de Santo 
Antônio, garantindo a manutenção e viabilização da rota 
fluvial do Madeira que possibilitou a comunicação com o 
Mato Grosso durante o conflito contra Solano Lopes. 
O Coronel George Earl Church 
um dos idealizadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
http://1.bp.blogspot.com/-iIq_V_R3Rqk/TxSOJH22YPI/
AAAAAAAAJPg/SDoGwJOwp0U/s400/Cel.+George+Earl+Churc
h+%2528Recollections+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+
B.+Craig%2529.jpg
Entre 1867 e 1868, o governo de Dom Pedro 
II enviou, para o vale do Madeira, os engenheiros alemães 
Franz e Joseph Keller, que realizaram estudos para a 
viabilização de transportes no trecho encachoeirado do 
Madeira. Em 1869, o coronel norte americano, George 
Earl Church obteve concessão do governo boliviano para 
explorar os transportes entre o Madeira e o Mamoré. 
Seus planos foram modificados para a construção de uma 
ferrovia pelos vales do Madeira e Mamoré.
44
 Estrada de Ferro Madeira-Mamoré 
foto de Dana Merril - 1912
O coronel Church obteve do governo 
brasileiro a permissão para construir uma ferrovia no vale 
do alto Madeira. Foi criada a Madeira-Mamoré Railway 
Company Ltd. Church conseguiu um empréstimo de 
banqueiros ingleses em nome do governo boliviano. Entre 
1871 e 1873, chegam a Santo Antônio 25 engenheiros da 
empreiteira inglesa Publics Works, contratada por Church 
para as obras da EFMM. Após ataques indígenas, surtos de 
febre, malária e fome, os engenheiros e os trabalhadores da 
Publics Works abandonam Santo Antônio e consideraram 
impossível a construção da ferrovia, dando início a um 
processo indenizatório contra Church nos tribunais 
ingleses.
Phillip Collins 
(Recollections of an Ill-Fated Expedition by Neville B. Craig)
http://4.bp.blogspot.com/-DIovpa2xkLs/TxSRPn0_KQI/
AAAAAAAAJQE/VOmaCDBsTPY/s400/Phillip+Collins+%252
8Recollections+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+B.+Cra
ig%2529.jpg
Entre os anos de 1877-1879, a empreiteira 
norte-americana P &T Collins deslocou trabalhadores 
para o Vale do Alto Madeira, a fim de iniciar a construção 
da EFMM. Partiram, da Filadélfia, navios, equipamentos, 
materiais ferroviários, provisões e operários para Santo 
Antônio do Madeira. Em 1878, o navio Metrópolis 
naufragou, perdendo 700 toneladas de carga e 80 
trabalhadores destinados à ferrovia. Ao ser inaugurado 
o primeiro trecho da ferrovia, a locomotiva capotou.
Crises, atrasos nos pagamentos, doenças tropicais, ataques
indígenas e dificuldades ambientais derrotam a P &T
Collins, que abandonou as obras em 1879.
45
Tentando recuperar os trabalhos que haviam 
sido abandonados em Santo Antônio, o governo imperial 
do Brasil enviou, entre os anos de 1882 a 1884, duas 
expedições para a região. A primeira foi a expedição 
Morsing, que fracassou e foi substituída por outra 
expedição comandada pelo engenheiro Júlio Pinkas. 
Ambas atuaram no vale do alto Madeira e fracassaram, 
perdendo inúmeras vidas. Diante da adversidade local, o 
governo imperial abandonou as pretensões de construir a 
ferrovia. 
Thomas Collins 
(Recollections of an Ill-Fated Expedition by Neville B. 
Craig)
http://2.bp.blogspot.com/-x22tUcT0NP4/TxSRpClcSQI/AAAAA-
AAAJQM/X-jEO_ur4gc/s400/Thomas+Collins+%2528Recollec-
tions+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+B.+Craig%2529.jpg
O projeto foi retomado após a assinatura 
do Tratado de Petrópolis. Em 1905, foi realizada a 
licitação para a obra através do Ministério da Indústria 
e Comércio. Essa licitação foi vencida pelo engenheiro 
carioca Joaquim Catramby, que vendeu seus direitos 
ao empresário norte americano Percival Farquhar, que 
criou a Madeira Mamoré Railway Company, com sede 
no Maine/EUA. 
A construção da EFMM foi realizada, entre 
1907 e 1912, pela empreiteira May, Jekyll and Randolph. 
As obras sofreram com a grande incidência de doenças 
tropicais e com todo tipo de adversidade ambiental. 
A empreiteira tentou, inicialmente, a 
contratação de trabalhadores espanhóis que haviam 
servido à construção das estradas de ferro de Cuba. 
Contudo a divulgação dos perigos e da insalubridade 
da região da Madeira-Mamoré teria afugentado esses 
primeiros trabalhadores. A grande necessidade de 
mão de obra era agravada pela enorme incidência das 
doenças locais, principalmente a malária, que exigia, 
permanentemente, a reposição da força de trabalho. 
Muitos países chegaram a proibir a contratação de seus 
cidadãos para atuarem na EFMM. 
As necessidades permanentes de contratação 
de trabalhadores levou os empreendedores a buscar 
mão de obra tanto no Brasil, quanto em diversos países 
do exterior, num total de mais de 40 nacionalidades. 
Um dos contingentes mais notáveis foi o dos operários 
negros caribenhos, denominados genericamente de 
barbadianos, que já haviam trabalhado em outro 
empreendimento marcado por grandes adversidades 
e pela insalubridade típica das regiões tropicais da 
América, o Canal do Panamá. 
46
Pontilhão de ferro da EFMM em Jaci Paraná em 1923 
(fonte: reocities.com)
Uma parte desses trabalhadores fixou-se 
permanentemente na região e seus descendentes ainda 
vivem nas cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim. 
Em meio à euforia da borracha, contingentes 
de operários construíram um dos maiores marcos 
da modernidade da Amazônia, que deveria ser um 
símbolo: a legendária Madeira-Mamoré, interligando os 
trechos encachoeirados do Madeira ao Mamoré. Como 
representação máxima da tecnologia e da civilização, ela 
deveria estabelecer e viabilizar as práticas do capitalismo 
nos ermos do extremo sertão oeste, em pleno mundo 
encharcado da Amazônia. 
A fim de minimizar os efeitos nocivos das 
doenças locais, Farquhar ordenou a construção do 
Hospital da Candelária, em uma área elevada e livre 
de inundações, entre Santo Antônio e Porto Velho. 
Esse moderno hospital foi um dos marcos da eficiência 
capitalista do empreendimento, mas sua duração foi 
breve (1907/1930), sendo substituído pelo Hospital São 
José, fundado em Porto Velho pela Missão Salesiana. 
Em 1910, o sanitarista Oswaldo Cruz 
visitou a região e tomou conhecimento da epidemia de 
malária que assolava os canteiros de obras de EFMM. 
Diante da situação ele, em conjunto com os médicos do 
Hospital da Candelária, em especial o chefe da equipe 
médica, o Dr. Carl Lovelace, ordenou a prática rígida da 
quinização dos trabalhadores
Com a crise da borracha, a EFMM entrou 
em permanente decadência e foi abandonada pelos 
norte americanos em 1930. Por decisão do governo 
revolucionário de Getúlio Vargas, a administração 
da ferrovia passou por uma intervenção sendo, 
posteriormente, nacionalizada. Coube ao Tenente 
Aluízio Ferreira a administração da EFMM. Dentre 
os serviços prestados pelo administrador Aluízio 
Ferreira destaca-se o saneamento das contas da EFMM 
e a fundação de colônias agrícolas que garantiram o 
abastecimento das populações ao longo da ferrovia. 
Com o advento do Regime Militar de 1964, 
o governo federal enviou para o Território de Rondônia
o Quinto Batalhão de Engenharia e Construção, 5° BEC,
que chegou em Porto Velho em 1966 com a missão
de desativar e extinguir a Estrada de Ferro Madeira-
Mamoré, substituindo-a por uma rodovia.
Em 10 de julho de 1972, a ferrovia foi extinta 
e teve início o processo de sucateamento e liquidação de 
seu patrimônio. 
47
Rondon apresenta um relógio aos índios Kahiana 
em cena do documentário 
Parimã | Luiz Thomaz Reis/Museu do índio/Funai
http://www.projetomemoria.art.br/rondon/img/foto/2_4_3_img1_
thumb.jpg
A Comissão das Linhas Telegráficas e 
Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas também 
denominada Comissão Rondon iniciou seus trabalhos 
em 1907. Seu estudo é de fundamental importância para 
o entendimento das origens e formação do Território
Federal do Guaporé. Muitosdos municípios que viriam a
surgir mais de meio século após a construção da ferrovia,
vinculam-se aos trabalhos realizados pela Comissão
Rondon que influenciou também de forma incisiva nas
políticas adotadas pelo Governo Federal em relação à
questão indígena.
A abertura da Linha Telegráfica, que ligaria 
os sertões do Mato Grosso ao Amazonas, foi uma obra de 
grandes proporções que se destinava a tirar do isolamento 
as regiões do extremo oeste e Norte do país.
O propósito dos trabalhos realizados pelas 
equipes da Linha Telegráfica era garantir o estabelecimento 
de núcleos de povoamento, promover a segurança das 
fronteiras e viabilizar uma política que possibilitasse, ao 
longo do tempo, a integração dos indígenas e tapuios à 
sociedade brasileira, tomando-os “civilizados e úteis”, 
segundo o pensamento de Rondon.
A construção da linha telegráfica tem seus 
primórdios ligados ao Império e D. Pedro II deu início a 
essa obra em 1880, tendo como escopo ligar a cidade de 
Franca, em São Paulo, a Cuiabá, no Mato Grosso. A obra 
foi dirigida pelo militar Cunha Matos. 
Cândido Mariano da Silva Rondon, que 
empresta seu nome ao Estado de Rondônia, nasceu na 
em Mimoso, atual município de Barão de Melgaço, no 
Mato Grosso, em 1865. Órfão, ainda criança, Rondon 
foi educado por familiares e diplomou-se no Liceu 
Cuiabano, como professor aos 16 anos de idade, sendo, no 
entanto, impedido de assumir o magistério devido a sua 
pouca idade. Partiu para o Rio de Janeiro em 1881, onde 
assentou praça no exército. Em 1885, matriculou-se na 
Escola Militar da Praia Vermelha onde concluiu estudos 
para oficial do exército em 1889. Neste mesmo ano, foi 
nomeado ajudante da Comissão Telegráfica de Cuiabá ao 
Araguaia. Sua atuação na construção de linhas telegráficas 
tornou-o pessoa indicada para a realização da grande 
tarefa de construir uma linha telegráfica que ligasse o vale 
do Alto Madeira (Santo Antônio) a Cuiabá. 
A abertura da linha telegráfica, que ligaria os 
sertões do Mato Grosso ao Amazonas, foi uma obra de 
grandes proporções que se destinava a tirar do isolamento 
as regiões do extremo Oeste e Norte do país. Tomava-
se imprescindível romper os grandes “vazios” do Brasil, 
incorporando-os ao que, então, era considerado como 
civilização. Rondon foi encarregado pelo presidente 
Afonso Pena, em 1907, de chefiar uma nova comissão que 
ligaria, por linha telegráfica, Cuiabá ao Amazonas, uma vez 
que já existia uma linha telegráfica ligando Cuiabá ao Rio 
de Janeiro. Assim, pretendia-se estabelecer uma ligação 
telegráfica que abrangesse todo o território nacional e 
integrasse, mesmo, as regiões mais remotas e distantes. 
1.21. A Comissão Rondon e a Linha telegráfica 
48
O contingente de trabalhadores era formado 
por civis e militares. Grande parcela deste contingente era 
arregimentado de forma violenta, por intermédio de prisões 
e degredos. Foi este o caso dos marinheiros envolvidos 
na Revolta da Chibata em 1910, colocados pelo Capitão 
Matos Costa para servir nos trabalhos da linha telegráfica. 
A coerção e a violência física eram utilizadas para evitar as 
fugas e manter em ritmo acelerado os trabalhos, uma vez 
que a região inóspita e insalubre levava os trabalhadores a 
um permanente espírito de deserção e insubordinação. 
Os trabalhos foram realizados através da abertura 
de 3 seções encarregadas da construção da linha telegráfica: 
a) um ramal partiria de São Luís de Cárceres
até atingir a cidade de Mato Grosso (antiga Vila Bela da 
Santíssima Trindade); 
b) A linha tronco ligaria Cuiabá a Santo
Antônio do Madeira; 
c) Essa seção realizaria trabalhos de exploração 
e reconhecimento da região. 
Os trabalhos foram realizados em ritmo 
acelerado. Entre os anos de 1907 a 1915, foram construídos 
2270 Km de linhas telegráficas com um total de 28 estações. 
A abertura dos picadões era feita manualmente ao longo 
de toda a linha, variando sua largura de 6 a 100 metros. 
A importância da obra é imensurável, pois fixou núcleos 
de povoamento na região que, mais tarde, viria a ser 
Rondônia, como: Vilhena, Pimenta Bueno e Jaru. A partir 
do traçado da linha telegráfica, o etnólogo Roquette Pinto 
propôs a construção de uma rodovia. Seu sonho viria a 
se concretizar na segunda metade do século XX, com a 
abertura da BR 364. Deve-se ressaltar ainda, a importância 
dos estudos e trabalhos desenvolvidos pela Comissão 
Rondon nas áreas de botânica, zoologia, mineralogia e 
geografia.
Em 1913, Rondon participou de uma 
expedição pelos sertões do extremo oeste e da Amazônia 
brasileira juntamente com o ex-presidente dos EUA, 
Theodore Roosevelt. A expedição Roosevelt-Rondon 
desenvolveu estudos zoobotânicos, geográficos, 
etnológicos e promoveu a exploração de vasta extensão de 
territórios que hoje integram o Estado de Rondônia. Esta 
expedição explorou o rio da Dúvida em toda sua extensão, 
denominando-o rio Roosevelt em homenagem ao ex-
presidente norte-americano.
Em seu avanço sobre os sertões do oeste 
pacificou várias tribos. Dentre elas encontravam-se: 
a) Parecis, destacando-se três grupos, Caxiniti, 
Uimaré e Cazarini (estes últimos habitando as cabeceiras 
dos rios Juruena, Jauru, Guaporé, Cabaçal e Juba); 
b) Nambikwaras, chamados de Uaikoakores
pelos Parecis. Dividiam-se em diversos grupos, Congorês, 
Nenês, Uaindezês, Anezêses, Iquês, Mamaindês, Tomá-
Indês, Malondês, Nova-Itês, Iaiás; 
c) Kepiquiri-Uats, habitavam o vale do rio
Pimenta Bueno e em seu grupo destacavam-se Charamein, 
Uapurutá, Bicop-Vat e Baxe-Pit; 
d) Ariquemes, localizados no vale do rio
Jamari, foram perseguidos por bolivianos e brasileiros e 
migraram para as cabeceiras do rio Madeira. 
Um importante resultado dessa comissão foi 
a criação do Serviço de Proteção ao Índio e Localização 
dos Trabalhadores Nacionais (SPILTN) através do Decreto 
8.072, de 20 de julho de 1910, assinado pelo presidente 
Nilo Peçanha (1867-1924). O SPILTN ficou subordinado 
ao Ministério da Agricultura. Mais tarde, o SPI viria a se 
transformar em FUNAI.
49
A Expedição Roosevelt/Rondon de 1913. 
https://clionainternet.files.wordpress.com/2012/09/4_1_1-img2.jpg?w=300&h=202
1.22. Aluízio Ferreira e a criação do Território 
Federal do Guaporé.
No processo de criação do Território Federal 
do Guaporé destaca-se a figura de Aluízio Ferreira, um 
dos principais defensores da ideia.
Aluízio era formado oficial do exército pela 
Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Foi militante 
do revolucionário movimento que ficou conhecido como 
Tenentismo. Com o fracasso da Revolução de 1924 no 
Amazonas, alguns revolucionários refugiaram-se nas 
florestas da região para não se entregarem às forças 
legalistas. O tenente Aluízio Ferreira fugiu para o vales do 
Mamoré e Guaporé onde passou a exercer atividades no 
seringal Laranjeira, de propriedade de Américo Cassara. 
No seringal, Aluízio iniciou estudos sobre os indígenas 
regionais, notadamente os Macurape da região entre os 
rios Corumbiara e Branco. No ano de 1928, apresentou-se 
às autoridades militares em Belém do Pará, ficando preso 
por sete meses, sendo julgado e absolvido.
Da prisão, escreveu ao Gal. Rondon expondo o 
resultado de suas pesquisas sobre os indígenas do Guaporé 
e, ao ser libertado, encontrou-se com este sertanista que 
o convidou para assumir a subchefia do posto telegráfico
do município de Santo Antônio do Madeira. Seus vínculos
com o Tenentismo levaram o presidente Getúlio Vargas a
nomeá-lo interventor na EFMM. O processo de intervenção 
federal na EFMM foi concretizado em 10 de julho de 1931,
através do Decreto Lei n°. 20.200, assinado pelo Presidente
da República Getúlio Vargas.
50
O primeiro Governador do Território Federal do 
Guaporé: Aluízio Pinheiro Ferreira.
http://www.rondoniaovivo.com/imagens/image/aluizio_Ferrei-
ra(1).jpg
O contrato com a Madeira Mamoré Railway 
Company foi rescindido através do Decreto n°. 1547, de 5 
de abril de 1937, sendo a ferrovia estatizada pelo presidente 
Getúlio Vargas. Desta forma garantiu-se a continuidadedos serviços prestados pela EFMM até 1972. 
Em função de sua amizade com Rondon, 
Aluízio realizou a defesa daquele militar diante da 
acusação de corrupção administrativa, impedindo, ainda a 
derrubada dos postes da linha telegráfica erguida na região 
que viria a ser, mais tarde, o estado de Rondônia. 
Por iniciativa de Aluízio Ferreira, o 
Ministério da Guerra do governo Vargas criou, em 9132, 
três contingentes militares de fronteira sediados em Porto 
Velho, Guajará-Mirim e no Forte Príncipe da Beira, 
medida importante para garantir o povoamento, guarda 
e ocupação permanente da região. A ele coube, ainda a 
iniciativa de criação de diversas colônias agrícolas no 
eixo da ferrovia Madeira-Mamoré, aproveitando a mão de 
obra ociosa dos seringueiros, uma vez que a produção de 
borracha estava em crise na década de 1930. Dentre essas 
colônias destacaram-se o Iata, Poço Doce, Viçosa, Mutum 
Paraná e Jaci Paraná. Todas tiveram um relevante papel no 
abastecimento de gêneros agrícolas e pecuaristas na região, 
até a abertura da rodovia Br 364. 
Em 1937, lideranças da sociedade de Guajará-
Mirim dirigem um abaixo assinado ao presidente Getúlio 
Vargas, solicitando a criação de um Território Federal que 
abrangesse os municípios de Porto Velho, Santo Antônio e 
Guajará-Mirim. 
Em 1940, o presidente Getúlio Vargas visitou 
a Amazônia e proferiu, em Manaus, o “Discurso do Rio 
Amazonas”. Em sua visita a Porto Velho, o presidente da 
República constatou a necessidade da criação do Território 
Federal do Guaporé. 
Em 13 de setembro de 1943, Getúlio Vargas 
assinou o Decreto Lei nº 5.812, criando o Território 
Federal do Guaporé, que, originalmente, era formado pelos 
municípios de Santo Antônio do Madeira, Porto Velho, 
Guajará Mirim e Lábrea. Com a alteração da delimitação 
da área física do Território do Guaporé, ocorrida em 1945, 
sobraram apenas dois municípios, Porto Velho e Guajará 
Mirim. Lábrea, que só se comunicava com Manaus por 
via fluvial, foi devolvida ao Amazonas e Santo Antônio foi 
extinto. Essa situação manteve-se até a década de 1970. 
A extensa obra política e administrativa de 
Aluízio Ferreira levou-o a ser o primeiro governador do 
recém criado Território Federal do Guaporé, cargo que 
ocupou até 1946. Em 17 de fevereiro de 1956, o Dec. Lei 
51
nº. 2.731, de autoria do Deputado Federal do Amazonas 
Áureo de Melo, alterou o nome do Território Federal do 
Guaporé para Território Federal de Rondônia. 
1.23. Os primeiros municípios do Território 
Federal do Guaporé (Rondônia).
1.23.1. Santo Antônio do Madeira 
A povoação de Santo Antônio do Rio Madeira 
surgiu no século XIX, embora já houvessem ocorrido 
tentativas de ocupação colonial da área desde o século 
XVIII, quando o Padre João Sampaio SJ, tentou fundar 
ali uma Missão Religiosa. Como as demais povoações do 
Madeira, Santo Antônio nasceu em função da atividade 
extrativista. Era o ponto de embarque e desembarque para 
quem se dirigia a Belém ou Manaus ou subindo o rio em 
direção ao Mato Grosso e à Bolívia.
Santo Antônio do Madeira.
Arquivo/SECEL
O desenvolvimento de Santo Antônio foi 
alavancado a partir do estabelecimento de um contingente 
militar na região, por ocasião da Guerra do Paraguai e, 
posteriormente, com as primeiras tentativas de construção 
da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O extrativismo e as 
necessidades de exportação e importação de produtos por 
parte de populações bolivianas da região do Beni, também, 
foram fatores relevantes para assegurar a ocupação 
permanente e o povoamento de Santo Antônio.
Com o início das obras da EFMM, em 
1907, Santo Antônio passou a receber uma quantidade 
de pessoas muito maior do que a população residente. 
Os trabalhadores da ferrovia buscavam Santo Antônio 
para diversão, relacionamentos com prostitutas, bebidas 
e alimentação fora daquilo que era determinado em, 
Porto Velho, pela administração ferroviária. A vila de 
Santo Antônio cresceu, mas ficou conhecida por sua 
insalubridade e pela precariedade das condições de vida. 
O povoado foi elevado à condição de município do estado 
de Mato Grosso e, quando visitado por Oswaldo Cruz, 
em 1910, apresentava uma taxa de mortalidade infantil de 
100%. Nenhuma criança nascida na localidade, naquele 
ano, havia sobrevivido. 
Santo Antônio entrou em decadência na 
medida em que Porto Velho se desenvolveu. Em 1945, a 
reordenação dos municípios e área do Território Federal do 
Guaporé, feita através do Decreto Lei nº. 7.470, extinguiu o 
município de Santo Antônio, tendo sua área sido anexada 
a Porto Velho. 
52
1.23.2. Porto Velho
A localidade de Porto Velho formou-se a partir da área onde se deu início às obras da EFMM, em 1907, 
para, depois, deslocar-se para um trecho situado 7 km abaixo de Santo Antônio, já no estado do Amazonas, em uma área 
anteriormente ocupada por um destacamento militar do Império do Brasil durante a Guerra do Paraguai, nas imediações 
da área conhecida como Cai N’Água. No dizer de Oswaldo Cruz, a localidade era um cenário desordenado marcado pela 
insalubridade e pelo impaludismo.
Além das edificações de uso da EFMM, propriamente no que toca às suas atividades industrial e ferroviária, 
foram construídas residências, alojamentos, usina de geração de eletricidade, sistema de telefonia, captação de água, hospital, 
porto fluvial, armazém para o abastecimento dos funcionários, lavanderia e até uma fábrica de biscoitos e outra de gelo.
Avenida Rio Branco em Porto Velho, primeira metade do século XX. Fonte: Arquivo/SECEL
53
As origens de Porto Velho ligam-se á construção da Estrada de Ferro Madeira
-Mamoré.
(foto de Dana Merril - 1912)
Já nas primeiras décadas do século surgiu a localidade denominada de Alto do Bode, originalmente chamada 
Barbadian Town, pois era a área de residência dos trabalhadores negros caribenhos, denominados barbadianos. Ao longo 
da ferrovia, a Companhia definiu uma cerca que separava os territórios administrados pela Madeira Mamoré Company 
das áreas habitadas por outras populações não diretamente ligadas à ferrovia. Está divisão cercada situava-se na área em 
que hoje está a Avenida Presidente Dutra e chamou-se Linha Divisória. De um lado ficava uma localidade asséptica, bem 
estruturada e administrada pelos estrangeiros que controlavam a ferrovia. Aí existia energia elétrica, boas residências, uma 
comissaria que abastecia os trabalhadores com produtos importados, água tratada, fábrica de gelo e de biscoitos ingleses, 
cinema e jornais periódicos que circulavam em língua inglesa. 
Fora dos limites da linha divisória existia a continuidade da localidade denominada Porto Velho, formada 
por casebres de palha e madeira, sem nenhum tipo de infraestrutura sanitária ou conforto e aglomerada em núcleos que 
viriam a formar o primeiro bairro periférico de Porto Velho, o Mocambo. Essa área era formada por todo tipo de pessoas 
que chegavam à região e por trabalhadores que haviam sido demitidos pela administração da Madeira Mamoré Railway 
Company. 
Em 1914, dois anos após 
a conclusão da ferrovia, foi criado 
município de Porto Velho através 
da Lei no. 757, sancionada pelo 
presidente do estado do Amazonas 
Jonathas Pedrosa. Em 1915, chegou a 
Porto Velho e tomou posse no cargo 
de intendente municipal o Major de 
Engenharia do Exército, Fernando 
Guapindaia, que entrou em atrito 
com a administração da ferrovia em 
função de sua exigência de eliminação 
da Linha Divisória.
54
1.23.3. Guajará-Mirim
Estação Ferroviária de Guajará-Mirim
https://cmexploreramazonia.wordpress.com/sobre/guajara-mirim/#jp-carousel-623
Até os anos finais do século XIX, Guajará-Mirim 
constituía-se apenas de alguns seringais, sem nenhuma 
povoação que chamasse a atenção. Com a construção da 
Ferrovia Madeira-Mamoré, teve início a formação de um 
núcleo urbano a partir do ponto final da estrada de ferro. 
Em 8 de outubro de 1912, foi instalado um posto fiscal em 
Guajará-Mirim, administrado pelo guarda Manoel Tibúrcio 
Dutra.O município foi criado em 1928, pela Lei nº. 991, 
assinada pelo presidente do estado do Mato Grosso, Mário 
Correia da Costa. A instalação do município da Comarca 
ocorreu em 10 de abril de 1929, sendo nomeado como chefe 
do executivo o 1° tenente Manoel Boucinhas de Menezes. 
Guajará-Mirim era servida por algumas 
dezenas de embarcações de bandeira nacional e boliviana. 
Vapores de roda na popa, lanchas a hélice, além de outros 
tipos de embarcação faziam o percurso de 8 a 15 dias pelo 
Guaporé até Vila Bela e pelo Mamoré até a capital do Beni, 
Trinidad.
1.24. Os garimpos de cassiterita de pedras 
preciosas
A mineração sempre foi um importante fator 
no povoamento e colonização das terras que formam o 
estado de Rondônia. Desde o período colonial, o ouro 
determinou a colonização portuguesa do Vale do Guaporé. 
Em 1951, foi descoberto diamante no rio Machado, também 
denominado Ji-Paraná, em cujas margens existia um posto 
telegráfico construído pela Comissão Rondon e pequena 
povoação denominada Vila de Rondônia, hoje município 
de Ji-Paraná, provocando um fluxo de garimpeiros para 
a região. Em 1955, foi descoberta a cassiterita nas terras 
do Sr. Joaquim Rocha, seringalista do rio Machadinho, 
afluente do Ji-Paraná. No ano de 1956, esse seringalista 
iniciou a exploração da cassiterita em suas terras, seguido 
pelo seringalista Moacir Mota. Até 1959, os dois foram os 
únicos a explorarem a cassiterita em Rondônia. 
55
Nessa época, o transporte da cassiterita do 
rio Machadinho era feito através de via fluvial até Porto 
Velho e durava quarenta dias. A finalização da abertura da 
rodovia que ligaria o vale do Machadinho a Porto Velho e o 
apoio do governo às pesquisas do subsolo e financiamento 
à produção eram as maiores aspirações dos produtores.
A partir do início da década de 1960, começou 
uma nova onda migratória composta por garimpeiros 
em busca da cassiterita, reaquecendo a economia local. 
A importância do extrativismo mineral fez com que o 
governo federal criasse a Província Estanífera de Rondônia, 
que abrangia também parte do Acre, Amazonas e Mato 
Grosso. 
Em 1970, através de portaria, o Ministro 
das Minas e Energia proibiu a garimpagem manual 
de cassiterita, o que levou a economia do Território a 
entrar novamente em colapso. Somente empresas com 
capitais suficientes para mecanizar a produção poderiam 
explorar o minério. Calculava-se em dez mil o número de 
pessoas ligadas diretamente a garimpagem e trinta mil, 
indiretamente, para uma população de cem mil habitantes. 
O exército foi encarregado de “reunir” os 
garimpeiros e encaminhá-los aos aviões da FAB, de onde 
seriam “despejados” em outras regiões do país. A proibição 
causou falências no comércio e um enorme desemprego. 
A arrecadação caiu em 70% e o Brasil passou a importar 
o estanho que, anteriormente, exportava. Os antigos
seringalistas passaram a receber royalties pela exploração
de suas terras.
O fechamento do garimpo manual trouxe como 
consequências a desestruturação da economia regional e o 
fortalecimento da oposição política territorial, encabeçada 
pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) contra a 
situação governista liderada pela a ARENA. A proibição 
do garimpo manual de cassiterita permitiu, por outro 
lado, a entrada de grandes mineradoras transnacionais 
na região, destacando-se: Brumadinho, Patino, Brascan, 
Paranapanema. 
55
56
A primeira tentativa de construção de uma 
rodovia que ligasse o Território Federal do Guaporé 
ao restante do país foi iniciada por Aluízio Ferreira em 
1934, com o nome da Rodovia Amazonas-Mato Grosso, 
cujo trajeto deveria seguir o percurso paralelo à Linha 
Telegráfica instalada pela Comissão Rondon. Entretanto, 
essa tentativa foi paralisada em 1945. 
Em 15 de março de 1960, o Presidente 
da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, criou, 
através do Decreto n°. 47.933, a Comissão Especial de 
Construção da Rodovia Brasília-Acre, determinando que 
as obras fossem concluídas em dezembro daquele ano. 
Entretanto, a rodovia foi inaugurada em 13 de janeiro 
de 1961. Originalmente, a rodovia se chamou BR 029 e, 
posteriormente, BR 364.
O Presidente da República Juscelino Kubitschek fotografado durante cerimônia 
de derrubada da última árvore na abertura da rodovia BR 364. 
Fonte: Arquivo Gente de Opinião.
1.25. A abertura da BR 364
Com a construção da rodovia, as condições 
para o povoamento do estado estavam dadas, revelando-
se ainda uma iniciativa importante não somente para 
Rondônia, mas também para os estados vizinhos cuja 
ligação por terra com o Centro-Sul do país tornou-se 
possível. 
A construção da BR 364 esteve a cargo da 
empreiteira Camargo Correia e estendeu-se dentro do 
Território Federal de Rondônia no sentido Sudeste-
Noroeste. A partir de 1966, ficou completada a ligação 
entre Cuiabá e Porto Velho através dos trabalhos realizados 
pelo 5° Batalhão de Engenharia e Construção, incumbido 
pelo governo militar de concluir a construção da Rodovia 
Brasília-Acre e de mantê-la em condições satisfatórias de 
tráfego.
57
A chegada do 5° BEC trouxe visíveis 
transformações para o Território e para a cidade de Porto 
Velho. Dentre estas medidas destaca-se o despejo dos 
moradores do bairro da Baixa da União para o recém-criado 
bairro da Liberdade. Seus trabalhos de manutenção da BR 
364 foram fundamentais para garantir o abastecimento da 
cidade e do Território durante as décadas de 1960 e 1970. 
Notável também foi o trabalho desenvolvido pelo 5° BEC 
na a construção do trecho rodoviário que ligaria Porto 
Velho a Guajará-Mirim. 
A pavimentação da BR 364 foi obra tanto 
do 5° BEC, quanto de construtoras civis como a Andrade 
Gutierrez. Ao todo, foram assinados dezenove contratos 
para a pavimentação da BR 364 no trecho que vai de 
Cárceres, no Mato Grosso, a Ariquemes, em Rondônia. 
As obras foram concluídas em 1984, durante o governo do 
Coronel Jorge Teixeira de Oliveira e sob a presidência do 
General João Batista Figueiredo.
1.25. A colonização recente
O surto decisivo para o colonização 
permanente de Rondônia ocorreu a partir da década de 
1970, em função da disponibilidade de terras oferecidas 
pelo INCRA e pelos governos do território e Federal para 
o assentamento de milhares de famílias de agricultores e
pecuaristas, que abandonavam seus estados em função de
pressões diversas.
 A abertura e condições minimamente 
satisfatórias de tráfego e, posteriormente, a pavimentação 
da rodovia BR 364 foram fatores decisivos para impulsionar 
a migração e a colonização do eixo rodoviário e estabelecer 
novos núcleos urbanos que viriam a se constituir em 
municípios do Estado de Rondônia. 
Em Porto Velho, como consequência desse 
fenômeno, o crescimento populacional assumiu grandes 
proporções atingindo, em 1991, um percentual de 467% 
em relação à população existente em 1980, infinitamente 
superior às taxas de crescimento de metrópoles como São 
Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte.
O fluxo migratório, da década de 1970, 
possuía características diferentes dos anteriores. Até esse 
período, as migrações ocorreram em função da busca de 
riquezas naturais, portanto os migrantes eram extratores, 
seringueiros e mineradores, estes últimos, marcadamente 
nômades. A partir da década de 1970, a migração ocorreu 
em torno da busca por terras para a agricultura. Eram 
pequenos agricultores com suas famílias que procuravam 
Rondônia na esperança de ter acesso à terra, portanto 
caracteristicamente sedentários.
Dentre os municípios formados em função 
da migração agropastoril destacaram-se os do eixo da 
rodovia Br 364, tais como Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná 
(antiga Vila Rondônia), Ariquemes, Ouro Preto d’Oeste, 
Jaru, Presidente Médice e Pimenta Bueno. Em alguns casos 
já existiam núcleos de povoamento anteriores à entrada 
das famílias de agricultores, como é ocaso de Vilhena, Ji-
Paraná e Ariquemes. Fora do eixo da Br 364, a colonização 
implementou a ocupação de outras áreas e abertura de 
novas estradas, como foi o caso dado Maranhão assume o cargo 
com ordens de libertar todos os indígenas escravizados, 
provocando revoltas dos colonos no Maranhão e no Pará. 
No Pará, inicia-se a revolta dos colonos, que exigem a 
expulsão dos jesuítas.
Em 17 de outubro, uma Provisão Real determina que os 
oficiais das câmaras do Pará e Maranhão investiguem se os 
indígenas escravizados o são em conformidade com a lei. 
Os procuradores do Grão Pará e Maranhão conseguem, 
em Lisboa, uma Provisão Real contra os jesuítas.
Derrota final dos holandeses no Brasil. Um padre estima 
que na Amazônia, nos trinta e dois anos anteriores, 
morreram dois milhões de indígenas pertencentes a 
quatrocentas aldeias como resultado das guerras e da 
brutal escravização a que foram submetidos.
Em 9 de abril, o padre Antônio Vieira consegue, em 
Portugal, uma Provisão Real, que concede aos jesuítas 
o privilegio de autorizar e dirigir as guerras justas,
provocando o descontentamento dos colonos. Em 14
de abril, um regimento concedido aos governadores do
Maranhão e Grão Pará determina que as administrações
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das aldeias fossem dadas a uma única ordem religiosa, 
preferencialmente à Companhia de Jesus. Impede os 
missionários de utilizarem os indígenas em suas lavouras.
Em 12 de julho, um Alvará Régio determina o tipo de 
serviço a ser prestado e a remuneração dos indígenas.
Como resultado do descontentamento provocado pela 
Lei de 1655, os colonos expulsam os missionários da 
Amazônia.
Em 12 de setembro, os colonos do Grão Pará e Maranhão 
revoltam-se contra a jurisdição dos jesuítas sobre os 
indígenas. D. Afonso VI expede Provisão Real impedindo 
a jurisdição temporal dos religiosos sobre os indígenas, 
entregando-a aos principais das aldeias.
Criada a Capitania da Ilha de Joanes (Ilha de Marajó).
Em 23 de janeiro, o governador geral do Brasil recebe uma 
provisão ordenando a repartição de terras entre os índios e 
a manutenção de seus privilégios. Em 9 de abril, a Câmara 
de São Luiz embarga a Provisão Régia e a Junta Geral 
composta pelo clero, a nobreza e os “homens bons”, com a 
presença do governador suspende a execução da provisão. 
O rei expede outra Provisão Real impedindo ao clero de 
participar da repartição dos índios entregues às câmaras.
Os jesuítas Manoel Pires e Garzoni fundam, na foz do rio 
Madeira, a missão de Tupinambarana.
Fundação de da povoação de São José do Rio Negro 
(Manaus).
Os missionários retornam ao controle das aldeias. 
Criada a Companhia de Comércio do Maranhão.
Revolta de Beckman contra o monopólio da Companhia 
de Comércio, no Maranhão.
Em 21 de dezembro, é aprovado o Regimento das Missões 
que estabelece o controle das aldeias pelos jesuítas.
Pela Carta Régia de 29 de novembro, os indígenas dos 
rios Negro, Solimões e Branco são entregues pelo governo 
português aos Padres Carmelitas. Estabelece ainda como 
área de catequese dos carmelitas o rio Negro, entregando 
o Urubu aos padres mercedários e a margem esquerda
do Amazonas até o Urubu aos religiosos da Piedade e de
Santo Antônio.
Carta Régia entrega aos franciscanos as missões do baixo 
Amazonas.
Os luso-brasileiros tomam posse dos rios Solimões, Negro, 
Branco e da costa do Amapá.
Portugal e França firmam o Tratado de Utrecht, no qual 
Portugal reconhece os direitos franceses sobre a Guiana 
Francesa e a França reconhece os direitos de Portugal 
sobre as duas margens do rio Amazonas.
Carta Régia entrega à catequese os índios das missões do 
Urubu, Anibá, Uatumá e trechos do baixo Amazonas aos 
mercedários.
O Capitão João de Barros Guerra organiza uma tropa 
de resgate que sobe o rio Madeira e aprisiona indígenas 
Mura. Os Torá descem o Rio Madeira e, no Rio Amazonas, 
atacam vários estabelecimentos coloniais e embarcações. 
Em represália, inicia-se feroz perseguição a esses indígenas.
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Paschoal Moreira Cabral descobre ouro no Mato Grosso, 
nos rios Cuiabá e Coxipó.
É fundado o arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.
Miguel Sutil descobre ouro em Cuiabá (lavras do Sutil). 
Em 11 de novembro, Francisco Mello Palheta inicia uma 
bandeira fluvial, parte de Belém do Pará, navega pelos rios 
Madeira e Guaporé, estabelece marco fronteiriços e chega 
até às missões jesuíticas guaporeanas espanholas de São 
Miguel e Santa Cruz de Cajubava.
O jesuíta João Sampaio funda a missão de Santo Antônio 
das Cachoeiras do Rio Madeira, que atacada por indígenas, 
mosquitos, desabastecimento e malária mudou-se diversas 
vezes de localização até fixar-se na região onde hoje é 
Borba (AM).
Crise na mineração do Cuiabá.
Em 6 de março, uma Provisão Real do governo português 
contra os nativos Payaguá passa a oferecer condições para 
a ocupação de novos sítios de mineração.
Em 27 de outubro, uma Ordem Régia proíbe a abertura de 
novos caminhos para as minas do Mato Grosso.
Os irmãos Fernão e Arthur Pais de Barros descobrem ouro 
nas margens do rio Guaporé.
Charles Marie de La Condamine realiza uma expedição 
científica pela Amazônia, denomina a seringueira de 
Hévea brasiliensis. Apresenta os objetos de látex feitos 
pelos indígenas à sociedade científica de Paris. A Europa 
ignora a borracha.
A navegação no Rio Madeira é proibida pelo rei de Portugal 
na tentativa de inibir o contrabando com a colônia 
espanhola.
Manuel Félix de Lima organiza uma expedição que 
navega pelas águas proibidas dos rios Guaporé e Madeira, 
chegando até Belém do Pará, onde é preso e encaminhado 
para Lisboa.
Provisão Real cria o distrito de Pouso Alegre para garantir 
o domínio sobre o Mato Grosso. Jesuítas espanhóis
fundam Santa Rosa na margem direita do Rio Guaporé,
nas proximidades de sua confluência com o rio São Miguel.
Provisão Régia anula aquela de 1743 e eleva o distrito de 
Pouso Alegre à categoria de município com o nome de 
Vila Bela da Santíssima Trindade onde, futuramente, seria 
erigida a primeira capital de Mato Grosso. Por Provisão 
Régia é elevado o distrito de Pouso Alegre à categoria de 
município, recebendo o nome de Vila Bela da Santíssima 
Trindade; o ato somente seria concretizado com a chegada 
de Rolim de Moura.
Criação da Capitania de Goiás. Em 9 de maio, é criada, 
por Alvará Régio, a Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, 
abrangendo terras que hoje integram o estado de Rondônia, 
desmembrada da Capitania de São Paulo, então governada 
pelo Capitão-General Dom Rodrigo César de Menezes. 
D. Antônio Rolim de Moura Tavares é nomeado Capitão-
General do Mato Grosso.
Assinado o Tratado de Madri que estabelece o rio Guaporé 
como fronteira entre colônia espanhola (Bolívia) e colônia 
portuguesa ( Brasil ).
Extinto o Estado do Maranhão e Grão Pará e criada 
a Capitania do Grão Pará e Maranhão. Nomeação de 
Francisco Xavier de Mendonça Furtado (meio irmão de 
Pombal) que governa o Grão Pará entre esse ano e 1759. 
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Chega ao Guaporé (Mato Grosso) o primeiro Capitão-
General (Governador) Dom Antônio Rolim de Moura. Em 
19 de março, instala a primeira capital do Mato Grosso, Vila 
Bela da Santíssima Trindade. Fundação do quilombo do 
Quariterê ou Piolho. A Provisão Régia de 14 de novembro 
permite a navegação pelos vales do Guaporé, Madeira e 
Amazonas, estabelecendo a ligação comercial entre Vila 
Bela e Belém do Pará e proíbe a comunicação entre as duas 
capitanias por qualquer outro caminho fluvial.
É aprovado o Diretório dos Índios, contudo o governo 
português não o publica de imediato temendo a reação 
contrária dos colonos. A Carta Régia de 3 de março cria 
a Capitania de São José do Rio Negro (Amazonas) e é 
nomeado seu governador Joaquim de Melo Póvoas. Criada 
a Companhia de Comércio do Grão Pará e Maranhão. 
Rolim de Moura cria, em 07 de fevereiro, uma esquadra de 
pedestres composta do segmento mais baixorodovia Br 429, onde 
surgiram novos municípios como Rolim de Moura, São 
Miguel, Seringueiras, São Francisco e Alvorada d’Oeste. 
Durante até aproximadamente a metade da década de 1980 
continuava intenso o fluxo migratório para Rondônia e, em 
1986, o percentual de crescimento ainda era alto (91,74%), 
tanto se ‘comparado aos períodos anteriores, como se 
comparado ao nacional (21,15%) e regional (50,17%). 
Deve-se ressaltar que esta foi a década de 
maior incremento populacional da região Norte, que 
cresceu a uma taxa média geométrica de 5.19%, maior que 
58
a do período anterior que já havia sido também a maior 
dentre todas as regiões do país. 
Nos territórios federais, as terras são de 
propriedade da União e definidas como devolutas federais. 
Por volta de 1970, o INCRA iniciou os primeiros projetos 
de colonização: o Projeto Ouro Preto (a 330 km de Porto 
Velho), Projeto Ji-Paraná, Projeto Sidney Girão, Projeto 
Vilhena e Projeto Burareiro. Os migrantes vinham para 
Rondônia confiantes nesses projetos, chegando à razão de 
três mil famílias por ano. O INCRA, contudo, não conseguiu 
efetuar o assentamento sequer de 1/3 dessas famílias, 
justificando-se pela falta de verbas para desenvolvê-los.
Foi grande a disputa por terras e as lutas 
entre colonos, posseiros e grileiros. Grandes grupos 
agroindustriais do Centro-Sul tentavam grilar as terras, 
resultando em conflitos violentos com os posseiros. Esses 
grupos mantinham esquadrões armados para expulsar 
ou mesmo eliminar posseiros situados em terras que 
consideravam suas. Resulta dessa fase o mais triste 
massacre de trabalhadores rurais de Rondônia, conhecido 
como massacre de Corumbiara. 
1.26. Os garimpos de ouro do Rio Madeira
Segundo uma estimativa do DNPM, em 1987, 
o Brasil produziu 120 toneladas de ouro e, em 1989, 130
toneladas, a maior parte (90%) proveniente dos garimpos
amazônicos. Esses volumes permitem concluir que a
corrida do ouro na Amazônia superou, em produção, o
mesmo fenômeno ‘ocorrido na Califórnia, onde, entre
1848 e 1856, produziu-se em média 80 toneladas de ouro
ao ano.
Em 1979, chegaram em Rondônia alguns 
garimpeiros atraídos pela notícia de que o rio Madeira 
era rico em ouro. O DNPM liberou para a garimpagem 
a área de Abunã, cuja exploração encetada revelou-se 
abundante, atraindo com a divulgação dos resultados 
iniciais garimpeiros de outros estados. 
Depois de Abunã, passou-se a explorar 
ouro em outros pontos do rio Madeira como: Teotônio, 
Morrinhos, Caldeirão do Inferno, Araras, Penha e 
Chocolatal. Em 1980, começaram a chegar as primeiras 
balsas vindas do Pará, a maior parte de Itaituba e Santarém. 
Foram explorados também garimpos menores, em terra 
firme, cuja participação sobre a produção do Estado nunca 
adquiriu a importância dos garimpos fluviais. Cite-se 
entre as áreas de garimpos de terra firme os de Serra sem 
Calça, Nova Brasilândia, Vaga-lume, Faya e Serra do Top 
Less. Do rio Madeira, muitos garimpeiros transpuseram a 
fronteira indo explorar os rios bolivianos como o Beni e o 
rio Madre de Dios. 
A insegurança e o clima de violência faziam 
parte do cotidiano dos garimpos: roubos, mortes e 
tóxicos. Na competição pelo ouro, cortavam-se as cordas 
que ancoravam as balsas de maneira que estas iam de 
encontro as cachoeiras. As mangueiras que supriam de ar 
os mergulhadores também eram cortadas, a prostituição e 
a bebida propiciaram inúmeras mortes, além da malária e 
de outras doenças tropicais. Em 1981, a polícia interferiu 
no garimpo proibindo a entrada de mulheres retirando as 
que lá estavam, impedindo a entrada de bebidas alcoólicas 
e prendendo contrabandistas, ladrões e pistoleiros. 
Em Rondônia essa atividade ocupou milhares 
de trabalhadores e sua renda estimulou a economia 
particularmente no ramo de máquinas e equipamentos, 
da construção civil e do setor de diversões públicas. A 
intensificação da garimpagem produziu também um 
assustador aumento do custo de vida em Porto Velho.
Segundo a FIERO, em 1987, atuavam na 
59
exploração do ouro em Rondônia 600 dragas, 450 balsas, 
além de equipes de garimpeiros manuais. Nesse mesmo 
ano, trabalhavam diretamente no garimpo de ouro em 
Rondônia 3.450 garimpeiros e indiretamente, segundo 
estimativa da mesma fonte, mais de 2.000 pessoas. Mais de 
90% desse conjunto operava no garimpo do rio Madeira. A 
partir de meados dos anos 90, uma parte deles encontrava-
se em fase de exaustão. 
As consequências e os impactos ambientais 
não foram levados em conta e a contaminação do rio 
Madeira com metais pesados, como o mercúrio, foi grande. 
Pavimentação da BR 429 –
http://4.bp.blogspot.com/--Ygi6-xEQIo/ThEjsUIQURI/AAAAAAAAA0M/Ms2zIZ7WPf0/s1600/asfaltamento+br429+2011.png
Ao lado disso, a região passou por uma intensificação da 
criminalidade, prostituição, tráfico de drogas, expansão 
das DSTs e assoreamento do rio. 
 Em princípios da década de 1990, o governo 
federal, então exercido pelo Presidente Fernando Collor de 
Mello, ordenou o fechamento dos garimpos do Madeira, 
provocando um súbito colapso na economia de municípios 
como Porto Velho e Guajará Mirim e aumentando, 
dramaticamente, as periferias dessas cidades, formadas, 
então, por grupos cronicamente excluídos dos mercados 
de trabalho, o que aumentava a violência e a criminalidade. 
1.27. Novas estradas e a interiorização da colonização em Rondônia.
1.27.1. A BR 429.
60
A BR 429, também chamada rodovia da 
integração, é uma obra construída nos anos 1980. Sua 
abertura deu-se em função da necessidade de alocar os 
novos colonizadores que migravam para Rondônia, uma 
vez que o eixo da rodovia BR 364 já se encontrava saturado. 
 A BR 429 localiza-se no estado de Rondônia 
e serve a seis municípios: Presidente Médici, Alvorada 
do Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São 
Francisco do Guaporé e Costa Marques, que faz fronteira 
com a Bolívia. Essa é a estrada que liga o vale do Guaporé 
ao restante do estado de Rondônia e este, ao restante do 
país. Sua abertura possibilitou o avanço das frentes de 
colonização, que foram responsáveis pelo povoamento 
de Rondônia nas décadas de 1960 a 1990. Assim, em suas 
margens surgiram os municípios de Alvorada do Oeste, 
São Miguel do Guaporé, Seringueiras e São Francisco do 
Guaporé. Além disso, a rodovia estimula o crescimento de 
municípios vizinhos como é o caso de Alta Floresta, Nova 
Brasilândia, Urupá, Castanheira e outros. 
A rodovia BR 429 cortou áreas de 
floresta habitadas por populações indígenas como os 
Uru-Eu-Wau-Wau, Juma e os Oró Win, além de grupos 
quilombolas, seringueiros e poaieiros diversos. A estrada 
estabeleceu o contato dessas populações, até então isoladas, 
com outros grupos de colonizadores que fundavam suas 
fazendas, abriam sítios nas terras que antes eram ocupadas 
por elas e nas florestas derrubadas, de onde retiraram 
madeira e formaram seus pastos e lavouras. 
 Com a abertura e ocupação agrária da nova 
rodovia surgiram os novos núcleos urbanos que viriam 
a ser os municípios do vale do Guaporé. Em alguns 
desses municípios estão localizados os últimos grupos 
quilombolas do estado de Rondônia. 
 O contato entre os novos colonizadores e os 
quilombolas gerou impactos diversos, como a reorganização 
fundiária da região e a perda de terras quilombolas para 
projetos de assentamento agrário ou para a criação de 
reservas ambientais como a REBIO Guaporé e a RESEX 
Pedras Negras. 
 A pavimentação da rodovia, iniciada em 2007, 
prosseguiu pelos anos até 2012, restando, em 2014, um 
pequeno trecho a ser concluído em função de sobreposição 
junto a um grande sítio arqueológico. As comunidades 
tradicionais residentes na região foram impactadas 
diretamente e a pavimentação trouxe-lhes o contato, o 
confronto e o conflito. Por outro lado, as comunidades, em 
graus diferentes, consideram que a abertura e pavimentação 
da rodovia BR 429, criou oportunidades para a integração 
e solução de problemas, até então muito difíceis, como o 
acesso aos municípios e seus serviços.Para as populações rurais, a abertura e a 
pavimentação são processos que se complementam e 
são considerados indispensáveis a seu progresso e à 
manutenção da terra e de sua produtividade. Para os 
municípios, a pavimentação da rodovia pôs fim a décadas 
de isolamento e precariedade, facilitando o abastecimento, 
a integração com o restante do estado de Rondônia e do 
Brasil e possibilitando condições mais favoráveis para o 
escoamento de suas produções. 
1.27.2. A BR 425:
 A BR-425 é uma rodovia federal que liga 
Abunã (distrito de Porto Velho) a Guajará-Mirim, em 
Rondônia e no seu percurso, passa pelo município de 
Nova Mamoré. Essa rodovia foi aberta como alternativa 
à ferrovia Madeira Mamoré, desativada em 1970, quando 
o 5º Batalhão de Engenharia e Construção – 5º BEC,
envidou esforços para a criação de uma rodovia federal,
que possibilitasse a continuidade da ligação terrestre entre
os municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim.
A rodovia foi pavimentada ao longo da 
década de 1980 e sua situação precária foi essencialmente 
61
agravada pela grande enchente de 2014, quando os rios 
Mamoré e Madeira transbordaram de seus leitos naturais 
e invadiram as pistas das rodovias BR 364 e BR 425, 
inviabilizando a ligação entre os municípios e impondo o 
isolamento aos municípios do vale do Mamoré. Tal situação 
foi precariamente solucionada com uma medida extrema, 
que implicou na abertura de uma estrada rodoviária no 
parque estadual de Guajará-Mirim, ligando a região à 
rodovia BR 421. 
Os trabalhos de abertura da Estrada Parque 
começaram no dia 19 de março de 2014, após visita da 
O Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, primeiro governador do Estado de Rondônia.
http://www.rondonoticias.com.br/Upload/Noticias/Materia/01-08-2014-16-24-45.jpg
presidente Dilma Rousseff ao estado de Rondônia, em 
função da grave situação socioambiental provocada pela 
severa enchente dos rios Madeira e Mamoré. Na ocasião, 
ela afirmou que a obra seria o meio mais viável para que 
Nova Mamoré e Guajará-Mirim saíssem do isolamento 
atual. A situação tensa provocada pela cheia de 2014 serviu 
como base para a ação de mutilação ambiental do parque 
estadual de Guajará-Mirim, mas viabilizou a ligação dos 
distritos Nova Dimensão e Jacinópolis, pertencentes a 
Nova Mamoré, ao eixo da rodovia BR 364. 
 1.28. A Criação do Estado de Rondônia.
O Território de Rondônia já havia passado por um intenso processo de crescimento demográfico, social e 
econômico, promovidos pela migração ao longo da BR-364 e das regiões de garimpos de cassiterita e ouro e, em 1977, 
ocorreu a criação de mais cinco municípios no Território Federal de Rondônia (Cacoal, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta 
Bueno e Vilhena), todos ao longo da BR 364. Além disso, durante o governo do Coronel Teixeira, foi construído o Hospital 
de Base, que até os dias atuais é a maior unidade hospitalar do Estado e foram criadas as instituições que garantem o exercício 
dos poderes estaduais, tais como a Assembléia Legislativa de Rondônia e o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. 
62
Em 1978, assumiu o governo do Território 
Federal de Rondônia o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira. 
Dentre suas missões estava a tarefa de dotar o Território 
de infraestrutura necessária para a sua transformação em 
Estado. Em1981, a Lei Federal n° 6.921 criou os municípios 
de Colorado D’ Oeste, Espigão do Oeste, Presidente Médici, 
Ouro Preto do Oeste, Jaru e Costa Marques. 
Dentre as diversas missões que o Ministro 
do Interior Mário Andreazza havia confiado ao Coronel 
Jorge Teixeira, destaca-se a de preparar o Território de 
Rondônia para sua elevação à categoria de Estado. Rondônia 
crescia aceleradamente e a abundância de possibilidades 
continuava a atrair novos contingentes humanos para o 
Território.
A administração do Cel. Teixeira foi marcada 
pelo dinamismo e pela febril atividade de criação de uma 
infraestrutura capaz de permitir e viabilizar a administração 
do futuro Estado. A população havia crescido e o Censo 
Demográfico de 1980 demonstrou que Rondônia aumentou 
em proporções muito maiores do que havia sido previsto.
Paralelamente ao crescimento demográfico, 
observou-se o crescimento das receitas e da economia 
em geral. A agricultura desenvolvida ao longo da BR 364, 
apresentava Rondônia nos noticiários nacionais como um 
novo celeiro do Brasil. A pecuária bovina ganhava impulso 
e consideráveis áreas de florestas eram devastadas para a 
formação de pastos e em benefício da Indústria Madeireira. 
Perdurava ainda um problema básico que 
era a geração de energia hidrelétrica, pois o Território era 
abastecido por usinas termelétricas obsoletas e onerosas. 
Este problema viria a ser resolvido somente após a 
segunda metade da década de 1980, com a inauguração 
da hidrelétrica de Samuel. Mesmo assim, extensas 
áreas no interior de Rondônia continuaram sofrendo o 
racionamento e até mesmo o desabastecimento de energia 
elétrica. Essa situação só veio a ser resolvida com a criação 
do Linhão, durante o governo de Oswaldo Pianna.
Em 17 de agosto de 1981, foi encaminhado 
pelo Presidente da República João Batista Figueiredo ao 
Congresso Nacional o projeto de Lei Complementar n° 
221, que foi aprovado em primeira discussão em 16 de 
dezembro de 1981. Em 22 de dezembro deste mesmo 
ano, foi aprovada a Lei Complementar n°. 41 que criava o 
Estado de Rondônia. A instalação do Estado deu-se em 4 
de janeiro de 1982, sendo nomeado, então, o Coronel Jorge 
Teixeira como seu primeiro Governador.
A posse do governo deu-se no mesmo dia 
e dentre seus principais atos destacam-se a estruturação 
do Judiciário do novo Estado e a criação do Tribunal de 
Contas do Estado de Rondônia. Em 7 de junho de 1983, 
era aprovada pela comissão de revisão constitucional da 
Assembleia Estadual de Rondônia ¬a Constituição do 
Estado de Rondônia.
Pelo Decreto-Lei 71 de 05/08/83 foram criados 
os municípios de Rolim de Moura e Cerejeiras. Com a Lei 
100 de 11/05/86, Santa Luzia do Oeste, Lei 104 de 25/05/86 
criou o município de Alta Floresta do Oeste, Lei 103 de 
20/05/86 criou o município de Alvorada do Oeste. Lei 157 
de 19/06/87 criou o município de Nova Brasilândia. Lei 
201 de 07/06/88 criou o município de Cabixi. Lei 200 de 
07/06/88 criou o município de São Miguel do Guaporé. 
Lei 202 de 15/06/88 criou o município de Vila Nova do 
Mamoré e Lei 198 de 11/05/88 criou o município de 
Machadinho do Oeste.
1.29. A administração do Estado de Rondônia 
(1982/2011)
Após o governo do Coronel Jorge Teixeira de 
Oliveira (1982/1985), o Estado de Rondônia foi governado 
pelos seguintes governadores: 
63
Janilene Vasconcelos de Melo (1984) 
Foi nomeada pelo presidente João Figueiredo 
como substituta do governador de Rondônia, Cel. Jorge 
Teixeira. Assumiu o governo em janeiro de 1984, quando 
o governador afastou-se para tratamento de saúde e
permaneceu no governo até fevereiro desse mesmo ano,
tendo sido a primeira mulher a ocupar a chefia de um
governo de estado no Brasil.
Ângelo Angelim (1985/1987). 
Exerceu mandato tampão até a realização das 
eleições estaduais que escolheram o primeiro governador 
eleito do Estado de Rondônia. Em seu governo, foram 
criados os municípios de Alvorada d’Oeste, Santa Luzia e 
Alta Floresta. 
Jerônimo Garcia Santana (1987/1991)
Foi o primeiro governador eleito pelo voto 
popular em Rondônia. Planejou transferir a capital do 
estado de Rondônia para o interior , retirando de Porto 
Velho a condição de sede do governo. Enfrentou uma 
grave tensão por limites territoriais com o governo do 
Acre em uma disputa por territórios na ponta do Abunã. 
Seu governo foi marcado por tensões com o funcionalismo 
público, que moveu diversas greves contra os atrasos e 
achatamento dos salários.
Oswaldo Pianna Filho (1991/1995)
Em seu governo foi estabelecido o 
PLANAFLORO (Plano Agropecuário e Floresta de 
Rondônia) que visava promover o desenvolvimento 
sustentável de Rondônia através ações voltadas para o 
ordenamento territorial. Taisações buscaram equilibrar 
a ocupação do território pelas atividades econômicas 
(agricultura, pecuária, mineração etc.) com a conservação 
da sua bio e etno-diversidade, sanando conflitos 
fundiários e o mau uso dos recursos naturais. Através 
do PLANAFLORO, foi realizado o primeiro estudo de 
zoneamento socioeconômico, ecológico e ambiental de 
Rondônia, dividindo o Estado em Zonas de aproveitamento 
econômico, ecológico e ambiental distintas. Expandiu 
a rede elétrica do estado e implantou o Linhão, que 
levou energia da U. H. Samuel para o interior do estado, 
rompendo com um longo período em que o estado viveu 
sob a constante ameaça de desabastecimento energético e 
permanentes racionamentos de energia elétrica. 
Waldir Raupp de Matos(1995/1999)
Em seu governo foi solucionada a questão 
territorial dos limites entre Rondônia e Acre na região 
conhecida como Ponta do Abunã. Reformulou o 
PLANAFLORO e promoveu o desenvolvimento da 
agricultura e da pecuária em Rondônia. Construiu o Porto 
Graneleiro de Porto Velho. Recuperou rodovias estaduais 
e ampliou a malha rodoviária do estado, conseguindo, 
ainda, que o governo federal recuperasse a rodovia Br 364, 
então muito atacada pela erosão. Federalizou a CERON e 
tentou estabelecer o saneamento do BERON. 
José de Abreu Bianco (1999/2003)
Seu governo foi marcado por uma forte 
crise entre o governo e o funcionalismo público, tendo 
o governador demitido 10.000 servidores estaduais e
provocado uma forte crise na economia da capital do
estado em função das demissões. Ocorreu, ainda em sua
administração, o massacre de presos no presídio José
Mário Alves da Silva, conhecido como Urso Branco, em
Porto Velho (2002). Seu governo promoveu a capacitação
de professores leigos, através do programa denominado
PROHACAP, realizado em conjunto com a Universidade
Federal de Rondônia, possibilitando a mais de 3000
professores leigos formação nas mais variadas licenciaturas.
64
Ivo Cassol (dois mandatos: 2003/2007 e 
2007/2010)
Promoveu o desenvolvimento da agropecuária 
em Rondônia e a construção e pavimentação de centenas 
de quilômetros de rodovias estaduais. Em seu governo 
ocorreu uma grave crise entre o Poder Executivo do Estado 
e a Assembleia Legislativa, tendo o próprio governador 
denunciado as tentativas de extorsão da maioria dos 
deputados estaduais através de gravações apresentadas 
em programas de televisão em rede nacional. A aprovação 
dos licenciamentos ambientais para a construção das 
hidrelétricas do rio Madeira marcaram uma reorganização 
dos rumos da economia e dos investimentos em Rondônia 
durante o início do segundo mandato do governador. 
Por outro lado, as fortes tensões entre o governo e setores 
ambientalistas e preservacionistas indicam a fragilidade 
das políticas de proteção ambiental durante a sua 
administração. 
João Aparecido Cahulla (31/03/2010 a 
01/01/2011)
Eleito, em 2006, como vice governador do 
Estado de Rondônia, exerceu o mandato após a renúncia 
do governador Ivo Cassol, que concorreu à vaga de senador 
por Rondônia.
Confúcio Aires Moura (dois mandatos: 
2010/2014 e 2014 aos dias atuais)
Foi prefeito de Ariquemes em 2004 e 
novamente em 2008. Eleito governador de Rondônia para 
o quadriênio 2010/2014. Em seu governo foi concluída a
obra do complexo administrativo estadual, denominado 
Palácio Rio Madeira, maior obra da arquitetura estadual e 
para a qual foram transferidas as sedes do governo e de suas 
secretarias. Também em 2014, conclui o Teatro Estadual em 
Porto Velho, após mais de 18 anos de obras inacabadas. As 
obras de construção das hidrelétricas do Madeira entram 
em fase de conclusão e em funcionamento parcial. Ainda 
em 2014, os vales do Madeira e Mamoré são abalados 
pela mais violenta cheia já registrada pelos serviços da 
Defesa Civil em Rondônia. A tragédia teve custos ainda 
indefinidos e, segundo palavras do Vice Governador 
Acir Gurgacz, superam a ordem de R$1.800.000.000,00, 
atingindo de forma ampla os municípios de Guajará-
Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, além de extensas áreas 
na Bolívia, do baixo Madeira no estado do Amazonas e do 
estado do Acre, que teve suas comunicações terrestres com 
o restante do país, interrompidas pelo enorme alagamento
da rodovia BR364, nos trechos entre Jaci-Paraná e
Fortaleza do Abunã. Seu primeiro mandato de governo
foi marcado pelas tensões com o presidente da Assembleia
Legislativa do Estado de Rondônia, Hermínio Coelho.
Em seu segundo mandato governamental, o TRE/RO,
através do voto do Juiz Eleitoral Delson Xavier, cassou,
por abuso do poder econômico, o mandato do governador
Confúcio Moura em 12 de março de 2015, cabendo
recursos. A denúncia de abuso de poder e compra de votos
foi realizada pela Coligação “Frente Muda Rondônia’’, de
Expedito Júnior (PSDB), segundo colocado na disputa
pelo governo de Rondônia nas Eleições de 2014. Em 30 de
setembro de 2015, O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à
unanimidade, seguindo voto do relator, Ministro Otavio
Noronha, determinou que o governador de Rondônia,
Confúcio Moura (PMDB) e seu vice, Daniel Pereira (PSB),
a permanência nos cargos para os quais foram eleitos em
2014.
Marcos José Rocha dos Santos (Eleito para 
o quadriênio 2018-2021)
Candidato pelo PSL ao governo do Estado, 
o Cel. Marcos Rocha, como é mais conhecido, foi eleito,
em 2º turno, com 66,34% dos votos válidos, como o novo
Governador do Estado de Rondônia.
65
1.30. As hidrelétricas do Madeira: 
A geração de energia elétrica sempre foi um 
problema para o Estado de Rondônia. Até a construção 
da Hidrelétrica de Samuel, o abastecimento era precário, 
inconstante e insuficiente. A Usina Hidrelétrica de Samuel 
foi construída durante a década de 1980 e, a partir de 1989, 
entrou em funcionamento parcial, tendo sido posta em 
funcionamento total, somente em 1996. O funcionamento 
das seis turbinas de Samuel permitiu o fornecimento de 
energia elétrica aos municípios do interior do Estado 
através do “Linhão”. Sua capacidade máxima de produção 
é de 216 Mw.
 O projeto do Complexo Hidrelétrico do 
Rio Madeira é composto por duas usinas de grande porte: 
UHE Jirau (3.450 MW) e Usina Hidrelétrica Santo Antônio 
(3.150 MW), que estão sendo construídas em Porto Velho, 
no estado de Rondônia. Por ser uma região de pouca 
exploração do potencial hidrelétrico, por encontrar-se 
numa planície quase ao nível do mar, torna-se, sem dúvida, 
uma das melhores opções para a ampliação de geração. De 
acordo com Castro (2007 – artigo da revista Custo Brasil), 
estes dois empreendimentos esbarram, no entanto, com 
problemas relacionados com a nova legislação ambiental e 
a falta de experiência em obras deste porte na região. 
A construção das Usinas do Madeira fez parte 
de um grande projeto para o desenvolvimento nacional. 
Os estudos para a construção das usinas hidrelétricas 
começaram a ser realizados em 2001 por FURNAS Centrais 
Elétricas S/A.
UHE Santo Antônio do Madeira. 
http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/390579/mn/133315035379/
Primeira-usina-hidreletrica-do-Rio-Madeira-entrou-em-operacao
-nesta-sexta-feira-30.jpg
1.31. Os impactos socioambientais da construção 
das Hidrelétricas do rio Madeira:
As pressões a favor da construção das 
hidrelétricas do Madeira foram múltiplas e vão desde o 
próprio Governo Federal que chegou a alterar a legislação 
ambiental e o próprio IBAMA, criando o ICM-Bio a fim 
de facilitar as autorizações para o início das obras, até a 
organização de movimentos na sociedade de Porto Velho 
exigindo o início imediato da construção das UHEs do rio 
Madeira, que ficou conhecido como Movimento “Usinas 
Já”.
Não há dúvida alguma sobre a enorme 
importância da construção das Hidrelétricas de Jirau e 
Santo Antônio, entretanto, muitos estudiosos têm alertado 
para graves transtornos sociais e ambientais que podem 
advir a partir do início das obras e que poderão trazer 
elevados custos de diversas ordens para a sociedade 
rondoniense e para o meio-ambiente amazônico. Dentre 
66
os principaisimpactos socioambientais levantados por 
ONGs, Ambientalistas e Cientistas diversos destacam-se:
• Alterações dos regimes geológico,
hidrológico e biológico das áreas
afetadas; Alteração dos microclimas
locais; Perdas de espécies vegetais e
animais; Deslocamentos de populações
ribeirinhas e alteração dos padrões de
vida de populações que permanecerão
nas áreas contíguas às represas; Problemas
de saúde pública, com a proliferação de
insetos e doenças tropicais; Conflitos
com populações residentes nas áreas
de abrangência do empreendimento
devido às questões de legalidade de
sua ocupação das terras de moradia e
trabalho; Inadequação ou inexistência
de projetos para reassentamentos das
populações afetadas; Perda do patrimônio
histórico (complexo da EFMM);Perda do
patrimônio arqueológico; Alterações dos
sistemas de pesca e de agricultura locais.
• Por outro lado, os Consórcios que
venceram os leilões para a construção
das Usinas, as autoridades municipais
e estaduais de Rondônia, segmentos
empresariais e o próprio governo federal
justificam as obras a partir de uma série
de necessidades nacionais e apontam
medidas para a mitigação ou solução
de possíveis problemas socioambientais
que elas possam causar. Dentre essas
justificativas e medidas podemos citar:
• Necessidade de abastecimento de energia
elétrica urgente em regiões onde se
anuncia uma possível crise (apagão) do
sistema energético brasileiro, notadamente 
a Região Sudeste;
• Necessidade de ampliação da oferta de
energia elétrica para suprir a demanda
exigida para a ampliação das atividades
econômicas do país, permitindo assim,
um crescimento duradouro da economia
e uma melhor distribuição de renda;
• Investimentos na infraestrutura da
cidade de Porto Velho, com construção
de um sistema de esgotos e saneamentos,
pavimentação de ruas e avenidas,
ampliação da rede de saúde pública e de
educação, através de recursos já liberados
pelo PAC;
• Melhoria da qualidade de vida da
população com uma maior oferta de
empregos e serviços e reativação da
economia regional, profundamente
abalada desde a crise da mineração do
ouro nos anos 1990 e o término das obras
da Usina Hidrelétrica de Samuel.
67
1-Vale do Paraíso; 2- Nova União; 3- Urupá; 4- Teixeirópolis; 5- Mirante da Serra
Mapa dos municípios do Estado de Rondônia.
http://1.bp.blogspot.com/-3wAb1VSzusM/TwSKFHwyydI/AAAAAAAAM-w/s1SQIAfnJq0/s400/mapa-municipios-rondonia.jpg
68
Referências: 
BANDEIRA, Maria de Lourdes. Território negro em espaço branco. São Paulo. Brasiliense, 1988. 
BARBOSA DE SA, Joseph. Relação das poyoaçoens de Cuyaba e Mato Grosso de seos principios the os 
presentes tempos. Cuiabá, UFMT, 1976. 
BASTOS, A.C. Tavares. 1937. 0 Valle do Amazonas. São Paulo: Editora Nacional. 1975.
BORSAKOV, Yeda Pinheiro. Uma história em gravuras: catálogo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. 
Prefeitura do Município de Porto Velho/SEMCE. Porto Velho, 1998. 
CRAIG, Neville B. Estrada de Ferro Madeira Mamoré: história trágica de uma expedição. São Paulo. Cia. 
Editora Nacional, 1947. 
FERREIRA, Manuel Rodrigues. A ferrovia do diabo: história de uma estrada de ferro na Amazônia. São 
Paulo. Melhoramentos, 1959.
FREYRE, Gilberto. Contribuição para uma sociologia da biografia. O exemplo de Luiz de Albuquerque 
governador do Mato Grosso no fim do século XVIII. Cuiabá. FCMT, 1978. 
HUGO, Vitor. Os Desbravadores. 2ª. ed., 2 vols. Humaitá, Missão Salesiana, 1959,2 vol. 
LIMA, Abnael Machado de. Guaporelândia. Porto Velho. s/e, sid. 
MEIRELES, Denise Maldi. Guardiães da fronteira: rio Guaporé seculo XVIII. Petrópolis, Vozes, 1989. 
PINTO, Emanuel Pontes. Rondônia evolução histórica: a criação do Território Federal do Guaporé fator de 
integração nacional. Rio de Janeiro. Expressão e Cultura, 1993. 
PRADO Eduardo Barros. Eu vi o Amazonas. Rio de Janeiro. Departa¬mento de Imprensa Nacional, 1952. 
ROQUETTE-PINTO, Edgard. Rondônia. Coleção Brasiliana. São Paulo. Ed. Nacional, 1935. 
TEIXEIRA, Marco Antônio Domingues & Dante Ribeiro da Fonseca. História Regional (Rondônia). Porto 
Velho. Rondoniana, 1998 .dos homens 
livres da região, adida à Companhia de Dragões.
É publicado o Diretório dos Índios, a mais importante lei 
sobre os índios da Amazônia editada durante o período 
colonial. 
Por ordem do Marquês de Pombal, os jesuítas são 
expulsos do Brasil. Rolim de Moura ordena a fundação 
do povoado de Nossa Senhora da Boa Viagem de Salto 
Grande do Rio Madeira (hoje Teotônio) ao juiz Teotônio 
de Gusmão. Atacado por indígenas, mosquitos, malária 
e fome, o povoado desaparece. Itacoatiara, antiga aldeia 
dos Abacaxis, é elevada à categoria de vila com o nome de 
Serpa.
Rolim de Moura funda a Guarda de Santa Rosa Velha, 
no Guaporé Rondoniense, próxima à barra do Mamoré. 
Essa povoação é posteriormente transformada no Forte de 
Nossa Senhora da Conceição.
Portugal e Espanha assinam o Tratado de El Pardo, 
tornando sem efeito o Tratado de Madri. Vila Bela torna-
se a capital de Mato Grosso.
Rolim de Moura organiza uma tropa de escravos e indígenas, 
concedendo-lhes armas de fogo para combaterem os 
castelhanos.
João Pedro da Câmara (sobrinho de Rolim de Moura) é 
nomeado segundo Capitão-General do Mato Grosso, que 
governa até 1768. Durante seu governo ordena a fundação 
do povoado do Girau, na cachoeira que leva o mesmo 
nome, mas que também foi chamada de Balsemão, no Rio 
Madeira.
O Forte da Conceição é remodelado e passa a contar com 
um aumento da guarda a partir da chegada de mais cem 
soldados vindos do Pará, além da melhoria dos armamentos 
que passam a incluir mais seis canhões.
Luiz Pinto de Souza Coutinho torna-se Capitão-General 
do Mato Grosso.
Governo de Luiz Pinto de Souza Coutinho. Ordena a 
fundação do povoado de Balsemão na cachoeira do 
Balsemão ou Jirau no rio Madeira.
Souza Coutinho ordena o início da repressão ao quilombo 
do Quariterê. É a primeira destruição desse quilombo. 
Morre a rainha Tereza de Benguela. 
Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres é 
nomeado Capitão-General da capitania de Mato Grosso.
Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres chega a 
Mato Grosso. São criados os estados do Maranhão e Piauí, 
desvinculados do Grão Pará; a Capitania de São José do 
Rio Negro continua ligada ao Grão Pará. 
1752:
1755:
1757:
1759:
1760:
1761:
1763:
1765:
1765-66:
1768:
1769:
1770:
1771:
1772:
10
Iniciada a construção do Real Forte Príncipe da Beira às 
margens do rio Guaporé. Ao seu lado surge o povoado de 
Príncipe da Beira que chega a contar com 700 habitantes. 
Criada a fazenda de gado Casalvasco.
Portugal e Espanha assinam o Tratado de Santo Idelfonso. 
É extinta a Companhia de Comércio do Maranhão e Grão 
Pará. Decadência da rota fluvial monçoeira do Rio Madeira. 
João de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres é 
nomeado Capitão-General do Mato Grosso. A Expedição 
de Alexandre Rodrigues Ferreira chega a Vila Bela.
Francisco de Souza Coutinho é nomeado Capitão-General 
do Grão Pará.
João de Albuquerque determina o extermínio do quilombo 
do Quariterê. Os negros capturados são utilizados na 
política de povoamento portuguesa da terra, fundando a 
aldeia da Carlota.
Caetano Pinto de Miranda Montenegro é nomeado 
Capitão-General do Mato Grosso. Crise na mineração 
do Guaporé e decadência da região que passa a ser 
progressivamente abandonada pelas elites brancas. 
Fundação do Destacamento Militar de São José do Salto 
do Ribeirão no Rio Madeira.
É abolido o Diretório dos Índios, permitindo ao colono a 
captura do indígena. Em 12 de maio, é aprovado o plano 
de navegação entre as cidades de Belém e Vila Bela através 
de Carta Régia. O quinino, extraído da árvore da Quina, é 
descoberto na Capitania do Mato Grosso.
Manuel Carlos de Abreu e Menezes é nomeado governador 
da capitania de Mato Grosso. Falece em 1805.
João Carlos D’Oeynhausen Gravenburg é nomeado 
governador da capitania de Mato Grosso.
A varíola varre o Forte Príncipe da Beira, levando o governo 
a tomar medidas para evitar o alastramento do mal.
Os naturalistas austríacos Johan Baptist von Spix (1721-
1826) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), 
iniciam uma expedição científica e visitam diversos rios 
da Amazônia. 
Vila Bela é elevada à condição de cidade.
Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho é nomeado 
governador da capitania de Mato Grosso.
Independência da Bolívia. José Saturnino da Costa Pereira 
assume a presidência da Província do Mato Grosso (20 de 
abril).
Expedição do Barão de Langsdorff, Hércules Florence e 
Adrian Taunay passa pelo Guaporé.
A povoação de São João do Crato é novamente transferida 
de lugar.
Antônio Corrêa de Costa é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso.
Itacoatiara é reduzida à condição de freguesia.
Antônio Pedro de Alencastro é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso.
1776: 1806:
1777:
1789:
1790:
1795:
1796:
1798:
1804:
1814:
1817:
1818:
1819:
1825:
1826:
1828:
1831:
1833:
1834:
11
A Cabanagem eclode na Província do Grão Pará; Após um 
grave incidente diplomático envolvendo as elites de Vila 
Bela e as elites das Províncias de Chiquitos, na Bolívia, a 
capital de Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade, 
muda-se, definitivamente, para Cuiabá. O Vale do Guaporé, 
abandonado pelos brancos, decai e torna-se uma região 
habitada por negros. 
José Antônio Pimenta Bueno é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso.
Estevão Ribeiro de Rezende é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso
Charles Goodyear descobre o processo de vulcanização da 
borracha.
José da Silva Guimarães é nomeado presidente da Província 
do Mato Grosso.
Francis de La Porte Castelnau, naturalista francês, chefia 
uma expedição de cunho científico que percorre o Rio 
Amazonas, o Centro-Oeste brasileiro, o Peru e a Bolívia. 
Publica, posteriormente, a obra “Expedição às regiões 
centrais da América do Sul (1850-1857)”. A Lei no. 317, de 
1943, entrega a catequese dos indígenas aos capuchinhos 
que passam a dividir responsabilidades com os diretores 
das missões. Zeferino Pimentel Moreira Freire é nomeado 
presidente da Província de Mato Grosso. 
Mackintoch aperfeiçoa o processo de impermeabilização. 
passa a superar as exportações do produto manufaturado. 
Ricardo José Gomes Jardim é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso. 
O naturalista norte-americano, William H. Edwards 
(1822-1909), viaja de Belém a Manaus e faz previsões sobre 
o destino da Amazônia no livro “A voyage up theriver
Amazon” (Uma viagem no rio Amazonas). O engenheiro 
boliviano José Augustin Palácios percorre as cachoeiras 
dos rios Madeira e Mamoré.
João Cipriano Soares é nomeado presidente da Província 
do Mato Grosso.
São José do Rio Negro é elevada à categoria de cidade e 
recebe o nome de Manaus, em homenagem aos nativos 
daquela região. Joaquim José de Oliveira é nomeado 
presidente da Província do Mato Grosso.
O naturalista inglês Richard Spruce (1817-1893) 
desembarca no Brasil e permanece na Amazônia até 1864. 
O representante norte-americano no Brasil apresenta ao 
governo imperial um projeto de abertura do rio Amazonas 
à navegação internacional, recusado pelo governo em nota 
datada de 22 de abril de 1851. O Visconde de Porto Seguro, 
Francisco Adolfo de Varnhagen (1810-1878), apresenta a 
proposta de criação de vários territórios na Amazônia. 
João José da Costa Pimentel é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso.
Criada a Província do Amazonas, antiga Capitania de São 
José do Rio Negro vinculada à Província do Grão Pará, 
pela Lei nº 592 de 5 de setembro.
Os Tenentes William Lewis Herndon e Lardner Gibbon, 
da marinha norte-americana, viajam pelo Rio Amazonas 
entre 1851 e 1852. Augusto João Manuel Leverger (Barão 
de Melgaço), francês naturalizado brasileiro, é nomeado 
presidente da Província do Mato Grosso e foi, ainda, 
presidente daquela província por mais duas vezes (1864 e 
1868).
Instalada, em 1º de janeiro, a Província do Amazonas e 
empossado João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, 
o seu primeiro presidente. O relatório anual de Tenreiro
Aranha acusao crescimento da atividade extrativista do
látex, em detrimento das atividades agropastoris, coletoras
e manufatureiras tradicionais.
1847:
1836:
1835:
1838:
1839:
1840:
1843:
1844:
1846:
1848:
1849:
1850:
1851:
1852:
12
O tenente da marinha norte-americana, Matthew Fontaine 
Maury, viaja pelo Rio Amazonas e é um dos principais 
divulgadores das propostas de abertura deste rio à 
navegação internacional. A missão de Vila Nova da Rainha 
(atual Parintins), criada no século anterior, é elevada, 
por Lei provincial de 15 de outubro, à categoria de vila, 
recebendo o nome de Vila Bela da Imperatriz.
A navegação a vapor no Amazonas inicia a operar com uma 
linha entre Manaus e Belém. Pressões externas e internas 
fazem com que o governo convença Mauá a renunciar ao 
monopólio da navegação no rio Amazonas.
João Pedro Dias Vieira é nomeado presidente da Província 
do Amazonas.
São nomeados, sucessivamente, dois presidentes para 
a Província do Amazonas: Ângelo Tomás do Amaral e 
Francisco José Furtado. Lei Provincial de 10 de dezembro 
eleva Itacoatiara novamente à categoria de vila.
Joaquim Raimundo de Lamare é nomeado presidente da 
Província do Mato Grosso.
Robert Avé-Lallemant (1812-1884), um francês, viaja pelo 
Brasil. Antônio Pedro de Alencastro é nomeado presidente 
da Província do Mato Grosso.
Expedição patrocinada pelo Governo do Amazonas e 
chefiada por Manuel Urbano da Encarnação, um sertanista 
de origem Mura, descobre o Rio Acre (Aquiri). 
Quentin Quevedo, a serviço do governo boliviano, faz 
estudos sobre a viabilização dos transportes nos trechos 
encachoeirados do Madeira e do Mamoré. O governo do 
Amazonas envia João Martins da Silva Coutinho para 
efetuar estudos semelhantes na região. Ambos os relatórios 
apresentam conclusões semelhantes, apontando para 
a necessidade de construção de uma ferrovia na região 
encachoeirada.
A Guerra do Paraguai leva o Estado Brasileiro a enviar um 
destacamento militar para as selvas do Madeira, fixando-o 
na primeira cachoeira, no povoado de Santo Antônio, 
garantindo a manutenção e viabilização da rota fluvial do 
Madeira.
A expedição Thayer, chefiada pelo naturalista suíço Louis 
Agassiz, percorre a Amazônia. O deputado Tavares Bastos 
viaja pela Amazônia e observa que, entre a cachoeira de 
Santo Antônio e a foz do Madeira, as povoações mais 
importantes são Crato e Borba. 
1866: Abertura parcial do rio Amazonas à navegação 
internacional.
É criada com capitais regionais a Companhia Fluvial 
do Amazonas, que navega pelos rios Madeira e Purus. 
Assinatura do Tratado de Ayacucho entre Brasil e Bolívia, 
estabelecendo bases de amizade, comércio, navegação, 
limites, fronteiras e extradição. Através desse tratado, toda 
a margem direita do Rio Madeira, desde aproximadamente 
Humaitá até a sua nascente, passou da Bolívia para o 
Brasil. O governo de Dom Pedro II envia para o Vale do 
Madeira os engenheiros alemães Franz e Joseph Keller, 
que realizam estudos para a viabilização de transportes 
no trecho encachoeirado daquele rio. No alto Madeira a 
expedição é atacada pelos Parintintin. 
1869: George Earl Church obtém concessão do governo 
boliviano para explorar os transportes entre o Madeira e o 
Mamoré. Seus planos são modificados para a construção 
de uma ferrovia pelos vales do Madeira e Mamoré. 
Augusto Leverger é nomeado presidente da Província do 
Mato Grosso. Em 14 de maio, o seringalista Comendador 
Francisco José Monteiro funda o povoado de Humaitá às 
margens do Rio Madeira.
George Earl Church obtém do governo brasileiro a 
1853:
18640 a 1870:
1865:
1867:
1869:
1870-1873:
1854:
1856:
1857:
1858:
1859:
1860:
1861:
13
permissão para construir uma ferrovia no vale do 
alto Madeira. É criada a Madeira-Mamoré Railway 
CompanyLtd.
Sir. Alexander Wickham contrabandeia sementes de 
Hévea Brasiliensis. Posteriormente, cultiva-as em Londres, 
no jardim botânico de Kew, dentro de estufas. As mudas 
provenientes desse cultivo são transplantadas para a 
Malásia, onde formam extensos seringais. Esses seringais 
superam a produção da Amazônia em 1912.
Fundado o povoado de Lábrea, com uma leva de imigrantes 
maranhenses. É criada, sob a direção de George Earl 
Church, a Madeira-Mamoré Railway Co. Ltd. Francisco 
José Cardoso Júnior é nomeado presidente da Província 
do Mato Grosso. 
Chegam, a Santo Antônio, 25 engenheiros da empreiteira 
inglesa Public Works, contratada por Church para as obras 
da EFMM. 
Após ataques indígenas, surtos de febre, malária e fome, 
os engenheiros e os trabalhadores da Public Works 
abandonam Santo Antônio e consideram impossível a 
construção da ferrovia.
A Amazon Steam Navigation Company compra as demais 
empresas de navegação que operam no rio Amazonas e 
estabelece o monopólio comercial da navegação; o percurso 
até Santo Antônio é subsidiado pelo governo.
Intensa migração de sertanejos para os seringais da 
Amazônia. Através de Manaus, os seringueiros nordestinos 
iniciam ocupação do Acre, ainda pertencente à Bolívia. 
Church contrata os serviços da empreiteira norte-
americana P & T Collins para a construção da EFMM. 
Partem da Filadélfia navios, equipamentos, materiais 
ferroviários, provisões e trabalhadores para Santo Antônio 
do Madeira.
Viagem de João Severiano da Fonseca pelos rios Madeira 
e Guaporé. O navio Metrópolis naufraga, perdendo 
700 toneladas de carga e 80 trabalhadores destinados à 
ferrovia. Ao ser inaugurado o primeiro trecho da ferrovia, 
a locomotiva capota. 
A P & T Collins declara falência. 
D. Pedro II dá início á construção de uma linha telegráfica
que ligará a cidade de Franca, em São Paulo, a Cuiabá, no
Mato Grosso. A obra é dirigida pelo militar Cunha Matos.
O governo brasileiro declara caduca a concessão dada 
a Church para a construção de uma ferrovia junto às 
cachoeiras do Madeira. 
A expedição chefiada pelo Engenheiro Carlos Alberto 
Morsing atua no vale do alto Madeira, estudando 
as possibilidades técnicas para contornar o trecho 
encachoeirado daquele rio. 
Comissão enviada pelo governo imperial e chefiada 
pelo Engenheiro Carlos Morsing fica em Santo Antônio, 
durante seis meses, terminando desastrosamente. 
A expedição comandada pelo Engenheiro Júlio Pinkas 
atua no vale do alto Madeira, estudando também 
as possibilidades técnicas para contornar o trecho 
encachoeirado daquele rio. Pacificação dos Mura que 
passam a habitar a povoação de Borba. No início do século 
XX, seus remanescentes eram encontrados em várias 
aldeias no Madeira, Manicoré, Capaná e Acará. 
Em 1º de março, é instalada a Vila de Humaitá. Em 4 de 
fevereiro, é criado o município de Humaitá.
1870-1880:
1871:
1872:
1873:
1874:
1877:
1878:
1879:
1880:
1881:
1882:
1883:
1884:
1890:
14
A Lei no. 90 de 4 de outubro eleva Humaitá à categoria de 
cidade.
Em 2 de janeiro, é instalada a cidade e, em 2 de fevereiro, é 
instalado o Município de Humaitá.
Inicia-se a primeira tentativa separatista no Acre. O 
espanhol, Luiz Galvez de Árias, parte de Manaus e, à 
frente de um pequeno exército de seringueiros, proclama-
se Imperador do Acre. A Marinha norte-americana envia 
um navio de guerra para, entrando no Amazonas, dar 
combate aos seringueiros brasileiros. A Marinha brasileira 
bloqueia-o em Manaus e intervém, com navios de guerra, 
no Acre, extinguindo o movimento separatista de Galvez, 
garantindo os direitos da Bolívia.
 
Em 11 de junho, é firmado em Londres o contrato de 
arrendamento do Acre, sendo signatários o ministro 
plenipotenciário da Bolívia e o representante do Bolivian 
Syndicate of New York City. Aliado à população brasileira 
residente na região do Acre, Plácido de Castro proclama a 
República Independente do Acre, o que significou declarar 
guerra à Bolívia.
Francisco de Paula Rodrigues Alves é eleito presidente. José 
Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros 
nordestinos, invade Xapuri, aprisionando o administrador 
Juan de Dios Barrientos e proclama a independência do 
Acre. A Marinha brasileira intervéme mantém a ocupação 
no Acre.
1903: É assinado o Tratado de Petrópolis entre Brasil e 
Bolívia. A Bolívia recebe uma indenização de dois milhões 
de libras esterlinas, passando a região onde hoje se situa o 
Estado do Acre para o Brasil. O Bolivian Sindicate também 
é indenizado com cem mil dólares. 
O Ministério da Indústria e Comércio realiza licitação para 
a construção da EFMM. O engenheiro carioca Joaquim 
Catramby vence e repassa os direitos a Percival Farquhar 
que cria a Madeira Mamoré Railway Company, com sede 
no Maine/EUA. 
Iniciada a construção da EFMM pela empreiteira May, 
Jekyll and Randolph. Fundação de Porto Velho.
Construção da linha telegráfica ligando o Mato Grosso ao 
Amazonas, sob o comando do Capitão Rondon. Seriam 
constituídas três seções encarregadas da obra: a primeira 
partiria de Cárceres até Vila Bela, a segunda ligaria Cuiabá 
a Santo Antônio do Madeira e a terceira de exploração e 
reconhecimento.
Criado o município e a Comarca de Santo Antônio do 
Madeira, pertencente ao estado do Mato Grosso. Santo 
Antônio do Rio Madeira é tornado município de Mato 
Grosso.
Farquhar forma a Companhia de Navegação do Amazonas 
que ocupa o lugar da Amazon River Steam Navigation Co. 
Ltd. Com a morte de Afonso Pena assume o vice-presidente 
Nilo Procópio Peçanha.
Estoura na Europa o escândalo do Putumayo, uma área 
de seringais de propriedade do empresário peruano Júlio 
César Araña, bancado pelo capital inglês. As denúncias de 
torturas, assassinatos, exploração e maus tratos publicadas 
nos jornais de Londres pelo jornalista norte-americano 
Walter Hardenburg, denunciam as péssimas condições 
de vida dos indígenas e seringueiros. A Inglaterra cria 
uma comissão de investigação liderada por Sir Roger 
Casement e o reverendo John Harris. Hermes Ernesto da 
Fonseca é eleito presidente. No Rio de Janeiro eclode a 
Revolta da Chibata. Criado o Serviço de Proteção ao Índio 
e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPILTN), 
subordinado ao Ministério da Agricultura, através do 
Decreto 8.072 de 20 de julho, assinado pelo presidente 
Nilo Peçanha. O trabalho de Rondon, nos sertões do Mato 
Grosso e da Amazônia o credencia para ocupar a direção 
do SPILTN, cujos objetivos eram: impedir o massacre das 
populações indígenas, demarcação das terras indígenas, 
1899:
1908:
1895:
1894:
1901:
1902:
1907-1915:
1907:
1905:
1909:
1910:
15
aculturamento e integração do indígena à sociedade 
brasileira. Ao longo da linha telegráfica, são contatados 
inúmeros grupos indígenas. Descobertos 12 novos rios 
e fundados diversos núcleos de povoamento que deram 
origem a municípios rondonienses como: Vilhena e Jaru. 
Oswaldo Cruz visita Porto Velho durante uma epidemia 
de malária e febre amarela. Construção do Hospital da 
Candelária. O vapor Satélite chega a Santo Antônio do 
Madeira com uma carga humana de degredados ligados 
aos movimentos da Revolta da Armada no Rio de Janeiro.
Conclusão da construção da Estrada de Ferro Madeira-
Mamoré. Em 8 de outubro é instalado um posto fiscal em 
Guajará-Mirim.
Rondon participa de uma expedição pelos sertões do 
extremo oeste e da Amazônia brasileira juntamente 
com o ex-presidente dos EUA Theodore Roosevelt. A 
expedição explorou o rio da Dúvida em toda sua extensão, 
denominando-o rio Roosevelt. 
Criado o município de Porto Velho através da Lei no. 757, 
sancionada pelo governador do estado do Amazonas, 
Jonathas de Freitas Pedrosa.
Roquette-Pinto profere uma palestra no Museu Nacional 
do Rio de Janeiro, na qual atribuiu à região situada entre 
o Madeira e o Juruena o nome de Rondônia e antevê a
solução para os graves problemas de comunicação entre
a área banhada pelos seus maiores rios e o restante dessa
região e propõe que uma estrada, que seguindo o traçado
da linha telegráfica, seria de fundamental importância,
pois integraria, definitivamente, a região ao restante do
país. Instalação do município de Porto Velho tendo como
primeiro superintendente o Major Guapindaia. Crise da
borracha na Amazônia, decadência acentuada de Manaus.
Fundado o jornal “Alto Madeira”.
Através da Lei 1.011 de 7 de setembro, Porto Velho é 
elevado a categoria de cidade. 
O Tenente Aluízio Ferreira, que participou de um levante 
fracassado em Óbidos, fugiu para o Vale do Guaporé e, em 
Guajará-Mirim, passou a exercer atividades no seringal 
Laranjeira, de propriedade de Américo Casara.
1926: Aluízio Ferreira apresenta-se às autoridades militares 
em Belém do Pará e assume a subchefia do posto telegráfico 
de Santo Antônio.
Criação da Fordlândia, no Pará, e de sua capital Belterra; 
Criado o município de Guajará-Mirim, pela Lei nº 991, 
assinada pelo presidente do estado do Mato Grosso, Mário 
Correia da Costa.
Aluízio Ferreira é aconselhado por Rondon a entregar-
se às autoridades e, após cumprir pena, ingressa na 
Comissão Rondon como subchefe do Distrito Telegráfico 
de Santo Antônio. Em 10 de abril, é instalado o município 
de Guajará-Mirim, tendo como 1º Intendente nomeado, 
Manoel Boucinhas de Menezes.
O Tenente Aluízio Ferreira, delegado chefe do governo 
provisório do Amazonas, assume a direção da linha 
telegráfica de Santo Antônio. Aluízio Ferreira intervém na 
Madeira Mamoré.
O governo de Getúlio Vargas decreta intervenção Federal 
sobre a EFMM e nomeia Aluízio Ferreira como seu 
primeiro diretor nacional. O Coronel Paulo Saldanha, cria 
a Empresa de Navegação dos rios Mamoré e Guaporé.
Por iniciativa de Aluízio Ferreira são criados, pelo Aviso 
Ministerial de 23 de setembro do Ministério da Guerra, 
os Contingentes Especiais de Fronteira em Porto Velho, 
Guajará-Mirim e Forte Príncipe da Beira. 
1912:
1917:
1913:
1914:
1915:
1919:
1924:
1928:
1929:
1930:
1931:
1932:
16
Principia a abertura da rodovia Cuiabá/Porto Velho com 
o nome da Rodovia Amazonas-Mato Grosso, cujo trajeto
deveria seguir o percurso paralelo à linha telegráfica
instalada pela Comissão Rondon. Contando com sobras
de verbas do DNOCS (Departamento Nacional de Obras
Contra a Seca) e alguns homens, mesmo sem o auxílio
de maquinário, Aluizio Ferreira mandou abrir alguns
quilômetros dessa estrada, paralisada em 1945 e concluída
apenas na década de 1960.
Lideranças da sociedade de Guajará-Mirim dirigem um 
abaixo-assinado ao presidente Getúlio Vargas, solicitando 
a criação de um Território Federal que abrangesse os 
municípios de Porto Velho, Santo Antônio e Guajará-Mirim. 
O contrato com a Madeira Mamoré Railway Company é 
rescindido através do Decreto no. 1547, de 5 de abril e a 
ferrovia estatizada pelo presidente Getúlio Vargas.
A Fordlândia no Pará decreta falência.
O presidente Getúlio Vargas visita a Amazônia e profere, 
em Manaus, o “Discurso do Rio Amazonas”. Em sua 
visita a Porto Velho, o presidente da República constata a 
necessidade da criação do Território Federal do Guaporé.
O Brasil declara guerra à Alemanha. O governo brasileiro 
e o norte-americano assinam os Acordos de Washington, 
uma série de acordos que visam abastecer as indústrias 
norte-americanas e aliadas com a borracha extraída na 
Amazônia.
Em 13 de setembro, é criado o Território Federal do 
Guaporé pelo Dec. Lei nº. 5.812, compondo-se de partes 
desmembradas dos estados do Amazonas e do Mato Grosso. 
Tem como seu primeiro governador Aluízio Pinheiro 
Ferreira, que é exonerado do cargo em 1946 (07/02). São 
criados ainda os territórios de Roraima, Amapá, Aripuanã 
e Fernando de Noronha. 
Os decretos no. 6.550 de 31 de maio e 7.470 17 de abril 
de 1945 ajustam a área do território e o desmembramento 
dos seus municípios, o retorno do município de Lábrea 
à jurisdição do Estado do Amazonas, a extinção do 
município de Santo Antônio e sua anexação ao município 
de Porto Velho que, juntamente com Guajará-Mirim, 
passam a compor os dois únicos municípios do território. 
Em 7 de fevereiro, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Joaquim Vicente Rondon, que é 
exonerado do cargo em 1947 (31/10). Reformulou o quadro 
da Guarda Territorial, emprestando-lhe as característicasde Polícia Militar.
Em 31 de outubro, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Frederico Trotta, exonerado do cargo 
em 1948 (09/06). Durante sua gestão é criado o curso 
Normal Regional que toma o nome de Escola Normal do 
Guaporé, posteriormente denominada “Carmela Dutra”.
Em 9 de junho, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Joaquim de Araújo Lima, que é 
exonerado do cargo em 1951 (22/02). Em seu governo 
são construídos o Palácio do Governo (Palácio Presidente 
Vargas) e o Porto Velho Hotel que, depois, é transformado 
em Palácio das Secretarias e agora abriga as dependências 
da Universidade Federal de Rondônia.
Em 22 de fevereiro, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Petrônio Barcelos, que é exonerado 
do cargo em 1952 (07/02). Como governador durante 11 
1934:
1944:
1937:
1939:
1940:
1942:
1943:
1946:
1947:
1948:
1951:
17
meses e 16 dias, conclui a construção do Palácio Presidente 
Vargas e do Porto Velho Hotel onde implanta os serviços de 
hotelaria. Descoberto diamante no rio Machado, também 
denominado Ji-Paraná, em cujas margens existia pequena 
povoação denominada Vila de Rondônia, hoje município 
de Ji-Paraná, provocando um fluxo de garimpeiros para a 
região.
Em 7 de fevereiro, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Jesus Burlamaqui Hosannah, que é 
exonerado do cargo em 1953 (18-11). 
Em 18/11, é nomeado governador do Território Federal 
do Guaporé Ênio dos Santos Pinheiro, que é exonerado 
do cargo em 13/09/1954, quando conclui seu primeiro 
mandato.
Em 13 de setembro, é nomeado governador do Território 
Federal do Guaporé Paulo Nunes Leal, que é exonerado 
do cargo em 05/04/1955, quando termina seu primeiro 
mandato. Conclui a sede do governo e constrói o estaleiro 
e oficina do Serviço de Navegação do Guaporé; amplia 
o Fórum Rui Barbosa, em Porto Velho; recupera o Forte
Príncipe da Beira; amplia a Escola Normal “Carmela
Dutra” e a Usina de luz de Porto Velho.
Em 5 de abril, é nomeado governador do Território Federal 
do Guaporé José Ribamar de Miranda, que é exonerado do 
cargo em 1956 (14/10). Descoberta a cassiterita nas terras 
do Sr. Joaquim Rocha, seringalista do rio Machadinho, 
afluente do Ji-Paraná. 
O Dec. Lei nº 2.731, de 17 de fevereiro, de autoria do Deputado 
Federal do Amazonas Áureo de Melo, altera o nome do 
Território Federal do Guaporé para Território Federal de 
Rondônia. Em 14 de outubro, é nomeado governador do 
Território Federal de Rondônia Jayme Araújo dos Santos, 
que é exonerado do cargo em 06/11/1956. Joaquim Rocha 
inicia a exploração da cassiterita em suas terras, seguido 
pelo seringalista Moacir Mota. Os dois são, até 1959, os 
únicos a explorarem a cassiterita em Rondônia.
Em 6 de novembro, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia Paulo Nunes Leal. É exonerado do 
cargo em 18/03/1961, quando conclui seu segundo mandato. 
Em seu governo é aberta a BR-29 (BR-364). 
O garimpo de cassiterita inicia suas atividades econômicas 
e expande-se ao longo da década de 1960. A exploração 
da cassiterita é realizada ao longo dos rios Machado, 
Machadinho, Jamari e Candeias. 
O presidente Juscelino Kubitschek reinicia as obras de 
abertura da BR-29 e cria, através do Decreto no. 47.933, 
a Comissão Especial de Construção da Rodovia Brasília-
Acre. Os serviços ficam a cargo da empreiteira Camargo 
Corrêa.
Em 18 de março, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia Abelardo Alvarenga Mafra, que 
é exonerado do cargo em 08/09 do mesmo ano, quando 
conclui seu primeiro mandato. Em 13 de setembro é 
nomeado governador do Território Federal de Rondônia 
Ênio dos Santos Pinheiro, que é exonerado do cargo em 
1962 (03/07), quando conclui seu segundo mandato.
O Deputado acreano, José Guiomard dos Santos apresenta 
projeto que, transformado na Lei no. 4.069 de 12 de junho, 
eleva o Acre à categoria de estado. Em 12 de dezembro, é 
nomeado governador do Território Federal de Rondônia, 
Wadih Darwich Zacharias, que é exonerado do cargo 
1952:
1958:
1953:
1954:
1955:
1956:
1959:
1960:
1961:
1962:
18
em 27/07/1963. É o único governador do território que 
permaneceu em Rondônia, após seu período de governo.
Em 27 de julho, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia Ari Marcos da Silva, que é exonerado 
do cargo no dia 14/10 do mesmo ano. Em 14 de outubro, 
é nomeado governador do Território Federal de Rondônia 
Paulo Eugênio Pinto Guedes, que é exonerado do cargo em 
1964 (27/01). 
Em 27 de janeiro, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia Abelardo Alvarenga Mafra, que 
é exonerado do cargo em 06/04 do mesmo ano, quando 
conclui seu segundo mandato. Em 28 de abril é nomeado 
governador do Território Federal de Rondônia José Manoel 
Lutz da Cunha Menezes, que é exonerado do cargo em 
1965 (29/03).
Em 29 de março, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia João Carlos dos Santos Mader, que é 
exonerado do cargo em 1967 (10/04).
Chegada a Rondônia do 5º BEC (Batalhão de Engenharia de 
Construção) que ativou os trabalhos de complementação 
da BR-364 e procedeu a extinção da EFMM em 10 de julho 
de 1972.
Em 10 de abril, é nomeado governador do Território Federal 
de Rondônia, Flávio Assumpção Cardoso, que é exonerado 
do cargo em 30/11 do mesmo ano. Em 30 de novembro, é 
nomeado governador do Território Federal de Rondônia 
José Campedelli, exonerado, posteriormente, em 13/02/1969. 
No seu governo é criada a CERON (Centrais Elétricas de 
Rondônia S. A). 
Em 13 de fevereiro, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia João Carlos Marques Henrique Neto, 
que é exonerado do cargo em 31/10/1972. No primeiro 
governo do Coronel Marques Henrique no Território de 
Rondônia, são reaparelhadas as companhias de economia 
mista CERON e CAERD, a Guarda Territorial e o Corpo 
de Bombeiros.
A Portaria Ministerial nº 195-70, que proíbe o garimpo 
manual e facilita a entrada das grandes companhias 
mineradoras como a Brumadinho, Patino, Brascan e 
Paranapanema, gerando uma séria crise social no Território. 
O INCRA inicia os projetos de assentamento, fazendo surgir 
municípios como Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Colorado 
D’ Oeste, Rolim de Moura, Cerejeiras e Santa Luzia.
Implantação do projeto de colonização Sidney Girão.
Em 31 de outubro, é nomeado governador do Território 
Federal de Rondônia Theodorico Gahyva, que é exonerado 
do cargo em 23/04/1974. Dado o crescimento da colonização 
do estado, o governador iniciou o governo itinerante. Como 
Porto Velho é o município que engloba os distritos que se 
tornariam as futuras cidades do território, o governador 
nomeou administradores para os distritos. Deu-se início à 
implantação do Projeto de colonização Gy Paraná
Implantação do Projeto de colonização Paulo Assis Ribeiro.
Em 23 de abril é nomeado governador do Território Federal 
de Rondônia João Carlos Marques Henriques Neto, que é 
exonerado do cargo em 20/05/1975, quando conclui seu 
segundo mandato.
1963:
1969:
1970:
1971:
1964:
1965:
1966:
1967:
1972:
1973:
1974:
19
Em 20 de maio, é nomeado governador do Território Federal 
de Rondônia Humberto da Silva Guedes, que é exonerado 
do cargo em 20/03/1979. Na gestão do Coronel Humberto 
Guedes são desmembradas áreas do município de Porto 
Velho, para serem nelas criadas os novos municípios de 
Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena. 
Implantação dos Projetos de colonização Burareiro, 
Marechal Dutra e Padre Adolfo Rohl.
O Território que nasceu com quatro municípios (Porto 
Velho, Lábrea, Guajará-Mirim e Santo Antônio do 
Madeira), depois agrupados em dois (Porto Velho e 
Guajará-Mirim), assistiu, nesse ano, a criação de mais 
cinco municípios: Cacoal, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta 
Bueno e Vilhena, todos ao longo da BR-364.
O Ministro do Interior, Mário David Andreazza, indica 
ao presidente da República, General João Batista de 
Oliveira Figueiredo, para o governo do Território Federal 
de Rondônia o nome de Jorge Teixeirade Oliveira que é 
nomeado em 20 de março e exonerado do cargo em 1981 
(22/12) concluindo seu governo territorial e iniciando o 
governo estadual em Rondônia. O crescimento demográfico 
do território é acentuado em face da migração, ao longo da 
BR-364 e dos garimpos de cassiterita e ouro. Começam a 
chegar a Rondônia alguns garimpeiros, atraídos pela notícia 
de que o Rio Madeira é rico em ouro. O DNPM libera para 
a garimpagem a área de Abunã, cuja a exploração se revelou 
abundante, atraindo, com a divulgação dos resultados 
iniciais, garimpeiros de outros estados.
É aprovada a lei complementar que cria o Estado de Rondônia. 
Inicia-se a exploração do ouro do rio Madeira. Em 17 de 
agosto, é encaminhado pelo Presidente da República, João 
Batista Figueiredo, ao Congresso Nacional, o projeto de Lei 
Complementar no. 221, propondo a criação do Estado de 
Rondônia. O projeto de lei é aprovado em primeira discussão 
em 16 de dezembro e, em 22 de dezembro daquele mesmo 
ano, é aprovada a Lei Complementar nº. 41 que cria o Estado 
de Rondônia. Em 22 de dezembro, é nomeado governador 
do Estado de Rondônia Jorge Teixeira de Oliveira, que é 
exonerado do cargo em 14/05/1985, concluindo seu segundo 
mandato em Rondônia. 
Em 4 de janeiro, é instalado o Estado, sendo empossado 
o Coronel Jorge Teixeira como seu primeiro Governador.
Dentre seus principais atos destacam-se a estruturação do
judiciário do novo Estado e a criação do Tribunal de Contas
do Estado de Rondônia. Começam as obras de construção
da UHE Samuel, concluída 14 anos após o seu início.
O Decreto-Lei 71 de 05 de agosto cria os municípios de Rolim 
de Moura e Cerejeiras. Implantação do Projeto de colonização 
Bom Princípio. Em 7 de junho é aprovada pela comissão de 
revisão constitucional da Assembleia Estadual de Rondônia 
a Constituição do Estado de Rondônia. Nesse mesmo ano, 
dá-se a implantação dos Projetos de colonização Gleba G e 
Machadinho.
Implantação do Projeto de colonização Cujubim. 
Pavimentação da BR-364.
Em 22 de dezembro, é nomeado governador do Estado de 
Rondônia Ângelo Angelin, que é exonerado do cargo em 
15/03/1987.
A Lei nº 100, de 11 de maio, cria o município de Santa 
Luzia do Oeste. A Lei 104, de 25 de maio, cria o município 
de Alta Floresta do Oeste. A Lei nº 103, de 20 de maio, 
1975:
1982:
1977:
1979:
1981:
1983:
1984:
1985:
1986:
20
cria o município de Alvorada do Oeste. Implantação dos 
Projetos de colonização D’jaru Uaru, Rio Preto, Candeias, 
São Felipe, Vale do Jamary e Vitória da União.
Em 15 de março, é empossado o primeiro governador eleito 
do Estado de Rondônia Jerônimo Garcia de Santana, que sai 
do cargo em 01/01/1991. Dentre as ações do seu governo 
pode-se citar a criação da Comissão Executiva dos Vales dos 
Rios Mamoré, Guaporé e Madeira (Cemaguam), ampliação 
da Companhia de Armazéns Gerais de Rondônia S. A. 
(Cagero); consolidação do Instituto Estadual de Florestas 
(IEF); implantação da Fundação Escola do Serviço Público 
de Rondônia (Funsepro; criação do Instituto de Pesos e 
Medidas de Rondônia (Ipem) e criação do Instituto de Terras 
de Rondônia (Iteron). A Lei 157, de 19 de junho, cria o 
município de Nova Brasilândia. Implantação dos Projetos de 
colonização Itapirema, Pyrineos, Tancredo Neves e Zeferino.
A Lei 201, de 07 de junho, cria o município de Cabixi. A 
Lei 200, de 07de junho, cria o município de São Miguel 
do Guaporé. A Lei 202, de 15 de junho, cria o município 
de Vila Nova do Mamoré. A Lei 198, de 11 maio, cria o 
município de Machadinho do Oeste. Implantação dos 
Projetos de colonização Burití, Jatuarana, Marcos Freire e 
Verde Seringal.
Implantação dos Projetos de colonização Nova Conquista 
e Tarumã.
Implantação dos Projetos de colonização Cachoeira, 
Colina Verde, Emburana, Massangana, Nova Floresta, 
Ribeirão Grande e Várzea Alegre.
Em 1º de janeiro é empossado o governador do Estado 
de Rondônia Oswaldo Piana Filho, que sai do cargo em 
01/01/1995. 
Em 1o de janeiro, é empossado governador do Estado 
de Rondônia Waldir Raupp de Matos. Em 09 de agosto, 
policiais entraram em confronto com camponeses sem-
terra que estavam ocupando uma área rural no município 
de Corumbiara. O conflito resultou na morte de 12 pessoas, 
entre elas uma criança de nove anos e dois policiais, ficando 
conhecido como o “Massacre de Corumbiara”.
Em 1º de janeiro, toma posse o governador José de Abreu 
Bianco.
O governador de Rondônia, José Bianco, anunciou a 
demissão de 10 mil funcionários públicos, 30% do quadro 
do Estado. Apesar dos protestos, o governador manteve 
sua decisão e ameaçou punir os grevistas, descontando dos 
salários os dias não trabalhados, caso se concretizem as 
greves quando do início das dispensas dos servidores.
Em 22 de janeiro de 2002, no presídio Urso Branco (Porto 
Velho, RO) 27 presidiários foram mortos. A chacina do 
Urso Branco foi considerada um dos mais graves massacres 
penitenciários da História do Brasil. 
Em 1º de janeiro, toma posse o governador Ivo Narciso 
Cassol que governa sucessivamente por dois mandatos 
(2003/2006 e 2007/2010).
Segunda grande rebelião no Presídio Urso Branco, com 14 
mortos. Destaca-se que, neste episódio, pela primeira vez, 
toda a rebelião foi acompanhada pela mídia, que divulgou 
imagens sinistras que circularam o planeta, dando ao Urso 
Branco o título de um dos piores presídios do pais.
1987:
1999:
1995:
2000:
2002:
2003:
2004:
1988:
1989:
1990:
1991:
21
2008: Início das obras de construção das Usinas 
Hidrelétricas do Madeira: Santo Antônio e Jirau. 
O senador Waldir Raupp e a deputada Marinha Raupp 
asseguram recursos superiores a 70 milhões de reais para 
a pavimentação asfáltica da rodovia BR 429, entre os 
municípios de Alvorada do Oeste e Costa Marques.
2010: Em 31 de março, com a renúncia do governador Ivo 
Cassol, que se afasta do governo para concorrer ao Senado, 
(saindo-se vitorioso), toma posse do governo do estado de 
Rondônia o senhor João Aparecido Cahula. 
Em 1º de janeiro, toma posse o governador eleito pelo 
PMDB Confúcio Aires Moura. 
15 de março de 2011, os trabalhadores da usina Hidrelétrica 
de Jirau se revoltam contra as más condições de trabalho e 
denunciam maus tratos, trabalhos análogos à escravidão e outros 
crimes. Os canteiros de obras são saqueados e incendiados. A 
cidade de Porto Velho vive dias de tensão e pavor. 
A Justiça Federal em Rondônia, em decisão liminar 
proferida pelo juiz da 1ª Vara, Alysson Maia Fontenelle, na 
Ação Cautelar Preparatória de Ação Civil Pública por ato de 
Improbidade Administrativa, determinou o afastamento 
do exercício do cargo do prefeito de Porto Velho, Roberto 
Sobrinho e de parte de seu secretariado. 
A população de Rondônia, especialmente a de Porto Velho, 
manifesta-se nas jornadas de junho contra o aumento das 
passagens de ônibus (Revolta dos Vinte Centavos) e a 
corrupção na política brasileira. 
Cheia histórica dos rios Mamoré e Madeira (superando 
a marca dos 19,60 metros em Porto Velho) promove uma 
verdadeira catástrofe social e econômica nas áreas atingidas 
dos municípios de Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Porto 
Velho. Confúcio Moura é reeleito Governador do Estado 
de Rondônia.
12 de março, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia 
decidiu pela cassação do mandato eleitoral do governador 
Confúcio Moura e de seu vice-governador Daniel Pereira. 
Em 30.09.2015, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral, 
reverteu-se, por unanimidade, decisão do TRE, de forma 
que governador e vice-governador foram mantidos em 
seus cargos.
Dr. Hildon de Lima Chaves, advogado e empresário, ex-
Promotor de Justiça, é eleito como Prefeito da Cidade de 
Porto Velho. 
Marcos José Rocha dos Santos, conhecido por Coronel 
Marcos Rocha, policial militar aposentado, vinculado 
ao Partido Social Liberal (PSL), é eleito Governador do 
Estado de Rondônia
2015:
2011:
2008/09:
2011:
2012:
2013:
2014:
2016:
2018:
22
1-AS POPULAÇÕES INDÍGENAS.
Considerada durante muito tempo como 
uma região marcada por um grandevazio demográfico e 
subpovoada, a Amazônia sempre foi o “lar” de inúmeras 
sociedades indígenas que habitaram a região há milhares 
de anos e nela desenvolveram importantes culturas que, 
só muito recentemente, começam a ser estudadas através 
dos esforços de modernos arqueólogos, historiadores e 
antropólogos. A Pré-História da Amazônia nos revela a 
existência de sociedades avançadas, formada por aldeias 
compostas por milhares de indivíduos e com culturas 
sofisticadas, capazes de produzir excedentes econômicos, 
que seriam comercializados com as populações que 
viveram no altiplano e na Cordilheira dos Andes. 
 Viveram, na Amazônia, populações que 
produziram importantes manifestações culturais e 
desenvolveram técnicas agrícolas capazes de garantirem seu 
abastecimento de forma permanente, além de práticas de 
trabalho em cerâmica, abertura de estrada e construção de 
pontes de madeira (como foi o caso das recentes descobertas 
arqueológicas sobre a cultura Tapajós), recuperação de solos 
para aproveitamento agrícola (como se observa no chaco 
boliviano) e primórdios de construções em pedra (como a 
que se encontra na serra da muralha em Rondônia). 
Os relatos dos primeiros viajantes que 
percorreram o vale do Amazonas, ainda no século XVI, 
referem-se a sociedades impressionantes como a dos índios 
Omágua, Aruã, Tupinambá e Tapajó. No baixo Amazonas, 
foram notáveis as populações que desenvolveram as técnicas 
ceramistas que produziram as cerâmicas conhecidas como 
marajoara. 
No estado de Rondônia, os trabalhos 
arqueológicos e etnológicos evidenciam a presença muito 
antiga, datada de milhares de anos, de diversas culturas 
ameríndias, notadamente ligadas aos povos Tupi. Essas 
populações sempre foram diversificadas e passaram 
por grandes mudanças ao longo do tempo. Os estudos 
arqueológicos revelam enorme mobilidade territorial e 
grande alternância de culturas durante os diversos períodos 
que precederam a chegada dos colonizadores ibéricos. 
Hábitos e costumes diferenciaram os povos indígenas e não 
se pode pretender uma homogeneização de suas tradições 
e práticas. 
Desde a época em que a maior parte da 
Amazônia pertencia aos estados do Maranhão e Grão¬-
Pará, o indígena foi utilizado também na empresa de 
dominação, como mateiros (conhecedores do terreno), 
remeiros, flecheiros, participaram também das tropas, 
entradas e bandeiras que devassaram a Amazônia em 
todos os sentidos, no século XVIII.
1.1 Os indígenas do vale do rio Madeira
Na região dos rios Madeira, Mamoré e 
Guaporé e nos seus afluentes, o português encontrou 
dois grupos de indígenas: o primeiro era formado por 
populações antigas, que ali residiam há longo tempo, como 
por exemplo os Mura, os Tora e os Matanawi. O segundo 
grupo é formado pelos povos que para lá migraram em 
fuga diante do avanço dos europeus no litoral brasileiro 
ou do expansionismo territorial de nações indígenas mais 
fortes. Desses povos que migraram, possivelmente os Tupi 
foram os primeiros a atingir a bacia do rio Madeira. Eles 
vinham recuando de suas povoações que, até o século XVI, 
estendiam-se da foz do Amazonas até o sul de São Paulo. 
Os Tupinambarana, descobertos pelo padre Acuña em 
1639, na ilha de mesmo nome no rio Amazonas, próximo 
à foz do Madeira, eram descendentes do Tupinambá de 
Pernambuco. Posteriormente, outros grupos migraram 
para aquela região, provocando inclusive, guerras 
intertribais pelo controle do território.
Índios Karipuna caçando anta no Vale do Madeira. 
(Gravura dos Irmãos Keller, 1868).
23
No final do século XVIII, alguns grupos 
indígenas do Tapajós começaram a entrar em contato 
com o colonizador. Conhecidos como Cabahiba ou 
Kawahib, eram uma nação que se subdividia em vários 
grupos, dentre eles os Parintintin. Esses Kawahib foram 
ferozmente perseguidos pelos Munduruku e, expulsos de 
seus territórios, subdividiram-se em vários grupos que se 
espalharam na região situada entre os rios São Manoel e 
Madeira. Os Tupí-Kawahib, após a dispersão provocada 
pelos Mura, situaram-se no rio Branco, afluente do 
Roosevelt e depois ampliaram seu território até o Ji-Paraná 
e seus afluentes. Os Cabahibas foram encontrados, até o 
final do século XIX, no campo dos Parecis, entre a foz do 
Arinos e Juruena
Nessa mesma época, o baixo e médio 
Mamoré foi objeto da migração de outro grupo indígena, 
os Txapakura. Viviam originalmente no curso do Médio 
e Alto rio Blanco (Baures), na área em torno do lago 
Chitiopa e parte de Concepción de Chiquitos (Bolívia). 
Os Txapakura foram dominados pelos europeus no 
início do século XVII e reduzidos aos aldeamentos dos 
colonizadores. Alguns grupos penetraram a América 
Portuguesa, desses, os Urupá, Jaru e Torá pertencem à 
família linguística Txapakura e entraram em contato com 
os portugueses no início do século XVIII. 
1.2. O uso da mão-de-obra indígena pelos 
colonizadores
De maneira intensiva, o indígena foi utilizado 
como mão de obra no Madeira, a partir do século XVIII. 
Além do extrativismo do cacau, os indígenas eram 
indispensáveis para a extração da salsaparrilha, banha 
de tartaruga e óleo de copaíba, nessa área periférica. No 
Alto Madeira, a praia do Tamanduá, próxima a primeira 
cachoeira, Santo Antônio, era um viveiro abundante de 
tartarugas. No período da desova, os indígenas retiravam 
os ovos para produzirem o óleo ou manteiga de tartaruga. 
Essa utilização do indígena não ocorria de maneira pacífica. 
Em regiões distintas, tribos como os Arara e Munduruku 
resistiam bravamente ao avanço português. 
Contudo, a nação que mais ferozmente reagiu 
ao avanço português na área do Madeira, no século XVIII, 
foi a dos Mura. O historiador Vítor Leonardi afirma que 
essa nação possuía, no século XVIII, uma população de 
40.000 pessoas que moravam às margens do Madeira e 
combateram o colonizador na área compreendida entre 
esse rio e o Tocantins.
No final do século XIX, o Madeira era ainda 
fartamente habitado por várias nações indígenas.
1.3. Os indígenas do Vale do Guaporé.
No Vale do Guaporé, viveu uma ampla 
população indígena, que sempre despertou a cobiça de 
bandeirantes e sertanistas que percorriam as imensidões 
dos sertões brasileiros em busca de indígenas para serem 
vendidos nos mercados coloniais de escravos. 
Entre os grupos preferidos pelos sertanistas e 
bandeirantes, que capturavam indígenas para a venda no 
mercado colonial de escravos, encontravam-se os Bororo 
e os Pareci, que eram considerados de maior docilidade, 
mais fácil adaptação aos hábitos e costumes da sociedade 
colonial. Outros povos, entretanto, eram conhecidos 
e temidos por sua feroz resistência aos avanços dos 
colonizadores e dos traficantes internos de indígenas para 
a escravidão. Dentre esses grupos que viviam na capitania 
do Mato Grosso e Cuiabá, podemos destacar os Cabixi, os 
Caiapó e os Paiaguá, que habitavam o vale do Paraguai.
24
Um Bando (legislação colonial emitida pelos 
governantes das capitanias) do governador de São Paulo, 
datado de 13 de dezembro de 1727, proibia a venda de 
índios. A legislação real sobre esse assunto era dúbia e 
praticada com pouco rigor.
Datava de 1686 o Regimento das Missões. Por 
este documento, promulgado durante o reinado de D. Pedro 
II, rei de Portugal, procurava-se regularizar e harmonizar a 
ação colonizadora e a catequética. No entanto, criavam-se 
sempre exceções que possibilitavam o resgate e a guerra 
justa. 
Em suas instruções, o governador Rolim 
de Moura trazia ordens de Portugal para tratar com o 
rigor da guerra justa os Caiapó e Paiaguá, permitindo, a 
quem os apresasse, a sua escravização, mas preferindo a 
sua extinção, caso não se submetessem. Por outro lado, 
ordenava que fossem construídas missão e aldeamentos 
para os índios Parecis que vinham sofrendo contínuos 
ataques dos sertanistas de Cuiabá e do Mato Grosso. 
Desde a década de 1750, o governador do 
Pará, Francisco Xavier Mendonça Furtado (1700-1769), 
trouxe ordens do governo português para inibir e eliminar a 
escravização dos índios,dando preferência à mão-de-obra 
africana. Não se pode dizer que houve uma substituição da 
escravidão indígena pela africana, pois as duas ocorreram 
ao mesmo tempo. O que se percebe é que, na região 
guaporeana, ao contrário do Madeira e de outras áreas da 
Amazônia, a escravidão de negros tomou um vulto muito 
maior, fazendo com que o número de escravos indígenas 
fosse percentualmente mínimo. Dessa forma, o governador 
da Capitania do Mato Grosso e Cuiabá, Capitão-General 
Caetano Pinto de Miranda Montenegro (1760-1827), 
Marquês de Vila Real de Praia Grande, assinalou que, 
em 1800, existiam, em Vila Bela e adjacências do Vale do 
Guaporé, 131 índios e 5163 negros. 
A aliança e o apoio indígena eram indispensáveis 
para o êxito da política fronteiriça portuguesa no vale do 
Guaporé, uma vez que a constante ameaça castelhana 
se fazia sentir sobre a região. Os próprios castelhanos 
tentaram fundar missões religiosas para a catequese dos 
indígenas em terras portuguesas e, dessa forma, ampliarem 
seus domínios territoriais sobre as lavras e faisqueiras dos 
sertões do extremo oeste. Essa política foi denunciada 
pelos índios Bororo que constataram a presença de padres 
espanhóis nas adjacências das cabeceiras do rio Cuiabá. Os 
portugueses, imediatamente, tomaram medidas, armando 
os Bororo e ordenando a destruição das edificações 
espanholas. 
1.4. Características das políticas governamentais 
referentes aos povos indígenas.
Durante a expansão colonial pelos vales do 
Guaporé e Madeira, o estado português planejou uma 
política que tinha como objetivo o aproveitamento da mão-
de-obra indígena, quer através da escravização realizada 
pelos sertanistas e bandeirantes, quer pela via da catequese 
realizada pelos padres missionários. Ao perceber os riscos 
da aliança entre os indígenas do Guaporé e as forças da 
vizinha colônia espanhola, as autoridades portuguesas 
eliminaram as práticas locais da escravidão indígena e 
tentaram atrair as populações residentes para sua esfera 
de influência, armando-as para lutar contra os inimigos 
castelhanos. 
Entretanto, durante a exploração da borracha, 
as forças do Estado Nacional do Brasil adotaram políticas 
de indiferença frente aos massacres étnicos promovidos 
pelos seringalistas, através dos assassinatos das populações 
indígenas residentes em áreas de exploração da borracha, 
que eram conhecidos como “limpezas”. A eliminação dos 
25
indígenas, considerados selvagens, hostis e perigosos, foi 
vista por grande parte da sociedade nacional como legítima 
e necessária ao sucesso dos empreendimentos extrativistas 
na Amazônia. Somente com o advento do século XX, a 
situação começou a apresentar algumas transformações. 
Com a criação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) em 
1910, o Estado brasileiro começou, de forma muito tímida, 
a desenvolver algumas políticas capazes de assegurar 
alguma proteção às populações nativas. 
1.5. A descoberta do Amazonas e as primeiras 
tentativas de exploração e colonização da Região 
Amazônica
 Com o avanço das grandes navegações, já em 
finais do século XV, os espanhóis chegaram, sob o comando 
de Vicente Yanez Pinzón, à foz do rio Amazonas, em 1499, 
portanto um ano antes da descoberta oficial do Brasil. O rio 
foi denominado Santa Maria do Mar Dulce, evidenciando, 
claramente, a expressão de assombro do navegador diante 
da imensidão de água doce na confluência do rio Amazonas 
com o oceano Atlântico. 
Gonzalo Pizarro, um dos primeiros 
exploradores do rio Amazonas.
É importante ressaltar que as Grandes 
Navegações eram impulsionadas por um desejo 
mercantilista de riquezas e tesouros, o que promoveu a 
ocupação de novas terras e sua colonização e exploração 
econômica. Entretanto, existiam outros elementos em jogo 
na Expansão Ultramarina Europeia e, segundo historiadores 
renomados como Sergio Buarque de Holanda, Laura Mello 
e Souza e Claude Kappler, a busca pela confirmação das 
verdades bíblicas e pelos mitos que marcaram o imaginário 
medieval tem que ser levada em conta nesse contexto. 
Assim, o rio Amazonas surge como a certificação de um 
desses grandes mitos medievais, atestando a existência de 
um “mar de águas doces”.
Entretanto, a ocupação do Vale Amazônico foi 
penosa e difícil, em grande parte por conta das adversidades 
ambientais, ou ainda em função da hostilidade das populações 
indígenas e, ainda, devido à escassez populacional dos 
países europeus, ainda mal recuperados demograficamente 
da devastação provocada pela Peste Negra.
Outros fatores explicativos da adversidade 
para a efetivação da colonização local seriam a aparente 
ausência de recursos minerais importantes e as limitações da 
tecnologia dos séculos XVI e XVII. Assim, temos, durante o 
século XVI, algumas tímidas tentativas de reconhecimento 
e ocupação da região amazônica, destacando-se:
 Em 1528, alemães, patrocinados pelo 
Imperador Carlos V da Espanha e do Sacro Império 
Romano Germânico, tentaram fundar uma colônia na 
costa venezuelana, dirigida por Ambrósio de Alfinger, que 
foi atacada e destruída pelos indígenas. Em 1530, Alfinger 
tentou, sem sucesso, a fundação da colônia na Amazônia 
venezuelana. Destacam-se ainda as tentativas de George de 
Spires e Philip Von Huntem. 
Em 1541, Gonzalo Pizarro e Francisco 
Orellana comandaram uma expedição que, partindo de 
Quito, desceu o rio Amazonas chegando até a sua foz. 
Procuravam o país das Canelas e o Eldorado. A expedição 
26
terminou em tragédia e o cronista Padre Gaspar de 
Carvajal, em sua narrativa, aborda a existência de mulheres 
guerreiras, as Amazonas, em meio às nações indígenas 
encontradas. 
O espanhol Ñuflo de Chavez navegou pelo 
Guaporé entre 1541 e 1542, em direção às terras do 
Paraguai. Este é o primeiro registro de passagem de um 
europeu pela região, então sob o domínio espanhol. 
Em 1560, Pedro de Ursua e Lope de Aguirre 
e Fernando Gusmam partiram de Quito e navegaram pelo 
Amazonas em busca do Eldorado e o país das Canelas. Crimes, 
assassinatos e tragédias levaram a expedição ao fracasso. 
Durante o século XVI, ingleses, franceses, holandeses, 
espanhóis, alemães, italianos e portugueses disputaram 
a posse da Amazônia. Já no século XVII, as investidas 
sobre a Amazônia se ampliam e as ações de bandeirantes e 
exploradores sugerem que as buscas por riquezas diversas 
e mão-de-obra indígena para a escravidão colonial teriam 
levado alguns aventureiros até os confins da Amazônia.
 Em 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco 
construiu, na foz do rio Amazonas, a Vila de Santa Maria de 
Belém do Grão-Pará. Tinha início a ocupação portuguesa 
na Amazônia. Em 1637, Pedro Teixeira organizou uma 
expedição que subiu o rio Amazonas de Cametá até Quito e 
também estabeleceu os marcos e delimitações da ocupação 
portuguesa na região. Sua viagem foi narrada pelos padres 
cronistas Cristobal Acuña e b. Nesse período, o Brasil 
estava sob o domínio espanhol, através da União Ibérica 
(1580-1640). A viagem do capitão português serviu de 
base para que, um século mais tarde, o Estado Português 
reclamasse e obtivesse a posse de aproximadamente 70% 
da bacia amazônica, com base na assinatura do Tratado de 
Madri (1750). 
Em 1647, Raposo Tavares percorreu os vales 
dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas com sua grande 
Mapa demonstrativo da viagem de Raposo Tavares
Ainda no século XVII, a Coroa Portuguesa 
publicou um conjunto de instruções e ordenações régias 
sobre a atuação das ordens religiosas católicas no vale 
amazônico. Esse documento é conhecido como o Regimento 
das Missões e lançou as bases para a ação catequética e 
colonizadora dos padres das ordens Carmelita, Jesuíta, 
Dominicana, Mercedária e Capuchinha na região 
amazônica. Os Vales do Madeira, Mamoré e Guaporé 
estiveram a cargo da ordem Jesuítica que já havia fundado 
missões na margem esquerda do rio Guaporé, chamado de 
Itenez pelos espanhóis. 
1.6. As bases da ocupação e do povoamento 
colonial do vale do Guaporé.
Em 1718, o bandeirante Paschoal Moreira 
Cabral descobriu ouro

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