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A Nova História de RONDôNIA MARCO ANTÔNIO DOMINGUES TEIXEIRA Porto Velho/RO 2015 Direitos autorais 2019 de Marco Antônio Domingues Teixeira. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 5988 de 14/12/73. ISBN ________________ Capa: Batelões no porto de Santo Antônio do Madeira (The Amazon and Madeira rivers - Frans Keller - 1874) Ficha Catalográfica. Capa: Lucas Vinícius Caldeira Alho Diagramação: Lucas Vinícius Caldeira Alho e Ronaldo Marcelo Avelino Knyppel Impressão e Acabamento: NUGRAF - Núcleo de Serviços Gráficos/TJRO APRESENTAÇÃO O presente trabalho versa sobre a História de Rondônia e tem como principal objetivo subsidiar o leitor com informações rápidas acerca dos fatos que marcaram os processos de ocupação e colonização das terras que, hoje, formam o Estado de Rondônia. Os textos são sintéticos e de fácil leitura, procurando permitir aos interessados na História Regional uma rápida e precisa informação. Os períodos abordados referem-se aos diversos momentos de colonização e procuram oferecer um panorama histórico que se estende desde as várias etapas da ocupação das várzeas regionais por populações indígenas, até o período atual, onde se destacam as grandes obras do PAC no Rio Madeira. Embora, tenha-se produzido estudos sobre cada região do Brasil, desde o período colonial, com a literatura de viajantes, missionários, militares e cronistas diversos, o estudo de História Regional nem sempre teve importância no mundo acadêmico, sendo que, em muitas vezes, foi tratada como algo menor e provinciano por parte das elites acadêmicas, notadamente das instituições de maior vulto no cenário universitário nacional. Foi, apenas, a partir do final década de 1980 que surgiram trabalhos mais sistematizados relacionados ao tema dos estudos regionais e isso só foi possível graças a uma nova concepção metodológica que surgiu na França, em 1929, denominada de Nova História. Nessa perspectiva, tornou-se viável estudar aspectos que até então não eram mencionados nas academias, ampliou-se a visão dos agentes construtores da história, deixou-se um tanto de lado a noção tradicional da narrativa histórica, para buscar uma história problema bem mais próxima dos leitores e das sociedades. Nota-se que a importância do estudo das temáticas regionais, história e geografia, cultura e sociedade, meio ambiente e desenvolvimento aproximam o pesquisador de seus objetos de estudo. As análises, pesquisas e narrativas deixam de ser fundamentadas em temas distantes para se incorporarem aos fenômenos regionais, de cunho histórico, geográfico, social, ambiental, cultural e econômico em cada região e, consequentemente, das localidades imediatas e mais próximas. Desta forma, passa a existir a construção de uma história plural, de uma geografia plural e de conhecimentos regionais amplos, capazes de facilitarem e, mesmo, possibilitarem as vinculações com patamares maiores da história e dos estudos nacionais e continentais sem qualquer tipo de preconceito, dando aos grupos, até então excluídos, voz e participação ativa nos destinos e conhecimentos sociais. O passado e o presente se tornam mais imediatos e próximos, fornecendo o sentimento de pertencimento social a grupos anteriormente ignorados pelas histórias nacionais ou gerais. Pensando a partir de tais prerrogativas, iniciamos este trabalho a partir de uma reflexão sobre a História de Rondônia e suas implicações com os diversos âmbitos das histórias da Amazônia, do Brasil e da América Latina. Apresentaremos, de início, uma breve cronologia de nossa história regional. 5 O espanhol Vicente Yanêz Pinzón descobre a foz do Rio Amazonas que recebe o nome de Santa Maria del Mar Dulce. Gonzalo Pizarro e Francisco Orellana comandam uma expedição que parte de Quito e chega à foz do Rio Amazonas. Viagem de Filipe Hutten. Os holandeses estabelecem fortificações no encontro das águas do Xingu com o Amazonas. Pedro de Úrsua, Lope de Aguirre e Fernando Guzmán partem de Quito e navegam pelo Amazonas em busca do Eldorado e do país das Canelas. A expedição é marcada por violência e crimes e, ao chegar na desembocadura do Rio Negro, os viajantes sobem rumo à Venezuela até atingirem o Caribe. D. Sebastião, o desejado, garante, em carta régia, a liberdade aos índios, com exceção daqueles aprisionados em guerras justas autorizadas pelo Rei ou pelo Governador Geral do Brasil ou os que ataquem os portugueses “para os comer”. D. Sebastião, o desejado, institui o monopólio do transporte e do comércio português com o Brasil (Pacto Colonial). Início da União Ibérica entre as coroas de Portugal e Espanha. Estabelecida uma colônia holandesa na Guiana. Walter Raleigh, da Inglaterra, estabelece uma colônia na Guiana (atual Guiana Inglesa). Ingleses estabelecem feitorias no rio Amazonas. Em 26 de julho, o rei Felipe III declara os indígenas inteiramente livres, não permitindo, em nenhum caso, sua captura. A decisão régia nunca foi adequadamente cumprida. Holandeses estabelecem feitorias no rio Amazonas. Em 30 de julho, um Alvará Régio declara todos os indígenas do Brasil, batizados e não batizados, livres e entrega sua curadoria aos jesuítas. Em 10 de setembro, uma lei confirma a liberdade dos índios, mas estabelece os casos em que eles podem ser cativados; institui o regime de capitães de aldeia e permite a entrega do indígena ao colono sob a condição formal de assalariado. Segundo a mesma lei, os índios resgatados ficam escravizados por dez anos. Os huguenotes franceses fundam São Luiz do Maranhão, originariamente a capital da França Equinocial. Francisco Caldeira Castelo Branco expulsa os franceses do Maranhão. Francisco Caldeira Castelo Branco constrói, na foz do Rio Amazonas, o Forte do Presépio, origem da Vila de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, iniciando a ocupação portuguesa na Amazônia. Portugal cria o Estado do Maranhão, desvinculado em relação ao Governo Geral do Brasil. 1541: 1499: 1545: 1559: 1560: 1570: 1571: 1580: 1590: 1595: 1596: 1602: 1609: 1611: 1612: 1615: 1616: 1621: 5 6 Em 15 de março, um Alvará Régio revoga todas as mercês concedidas às administrações das aldeias de índios. Os holandeses invadem a Bahia. É criado o Estado do Maranhão e Grão-Pará pelo rei Felipe IV. Os holandeses são expulsos da Bahia e do Xingu. Dez anos após o estabelecimento português na Amazônia, quando deveriam ser libertados os primeiros indígenas resgatados, a legislação é mudada permitindo-se sua escravização por toda a vida. Os ingleses são expulsos do Macapá. O vice-rei do Peru, Conde de Chinchón, descobre as virtudes medicinais da casca da árvore da quina, da qual se extrai o quinino, único remédio disponível para o combate da malária até o século XX. Pedro Teixeira organiza uma expedição que sobe o Amazonas de Cametá a Quito e estabelece os marcos e delimitação da ocupação portuguesa na região. Sua viagem é narrada pelos padres cronistas Cristobal Acuña e Alonso Royas. Em 22 de abril, uma bula do papa Urbano VII declara a liberdade dos índios e determina sua conversão. Os Tupinambarana são contatados pelo padre Cristobal Acuña na ilha de mesmo nome (Tupinambarana), no Rio Amazonas, próximo à foz do Madeira. Eles são descendentes do Tupinambás de Pernambuco. Revolução de Bragança em Portugal e o fim da União Ibérica. É coroado rei de Portugal, D. João IV, que reina de 1640 a 1656. Os holandeses conquistam Sergipe e o Maranhão. Em 10 de novembro, um Alvará Régio extingue a administração dos índios, deixando-os livres para escolherem o seu patrão, desde que fossem pagos. A expedição de Raposo Tavares percorre os vales dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas. Em 29 de maio, um Alvará Régio determina o pagamento e o tempo da jornada de trabalho dos indígenas e, ainda, que devem ficar livres de todo trabalho alheio durante quatro meses ao ano para cultivarem suas lavouras. É fundada a Companhia Geral de Comércio do Brasil. O novo Capitão-Mornas margens dos rios Coxipó e Cuiabá, sendo que, no ano seguinte, foi fundado o Arraial do Senhor Bom Jesus do Cuiabá. bandeira de demarcação e limites que buscava aprisionar índios, descobrir riquezas minerais e coletar drogas do sertão. 27 Paschoal Moreira Cabral (Arquivo do GEPIAA) A produção de ouro na região de Cuiabá entrou em decadência em finais da década de 1720 e os cuiabanos organizaram bandeiras para explorar novos territórios em busca do metal precioso. Assim, em 1734, partiu a Bandeira dos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, que descobriu ouro nas margens do rio Guaporé, em 1736, em área de floresta densa, chamada pelos bandeirantes de Mato Grosso. Logo surgiu uma localidade de garimpo, que foi denominada Sítio de Pouso Alegre, atraindo garimpeiros de diversas regiões, tornando-se uma importante área aurífera da colônia. A descoberta do ouro no Vale do Guaporé levou a Coroa Portuguesa a implementar medidas que garantissem a posse da região. Em 1748, foi criada a Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, abrangendo, na época, 88% das terras que hoje integram o estado de Rondônia e sendo desmembrada da Capitania de São Paulo, então governada pelo Capitão General Dom Rodrigo César de Menezes. Em 1750, foi assinado o Tratado de Madri, que estabeleceu o rio Guaporé como fronteira entre a colônia espanhola (atualmente a Bolívia) e colônia portuguesa (atualmente o Brasil). Fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade Quadro de Moacyr Freitas. http://www.matogrossoeseusmunicipios.com.br/storage/webdis- co/2008/07/01/253x190/929be7c2971a83048baa2036c0b00579.jpg Com a criação da Capitania do Mato Grosso e Cuiabá foi nomeado o primeiro governador geral para a região, o Conde de Azambuja, Capitão General Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, que chegou ao Guaporé em 1752. Dentre os feitos administrativos de Rolim de Moura no Guaporé, pode-se citar a construção da primeira capital do Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade, fundada em 19 de março de 1752. Outro feito importante foi a criação das Companhias Militares de Homens Pretos e Mulatos, dos Pedestres, dos Aventureiros e dos Dragões. Sob seu comando houve a construção do primeiro Forte Militar do Guaporé, denominado Nossa Senhora da Conceição, e também se estimulou a entrada de escravos e habitantes de outras partes da colônia para o Mato Grosso. Rolim e Moura obteve, juntamente com o governador do Pará, Francisco Xavier Mendonça Furtado, a liberação da navegação pelo Madeira, dando início as atividades mercantis da Companhia de Comércio do Grão- Pará e Maranhão, criada pelo Marquês de Pombal. Foi ele também quem ordenou a fundação do povoado de Nossa 28 Senhora da Boa Viagem de Salto Grande do Rio Madeira ao juiz Teotônio do Gusmão, situado nas proximidades da cachoeira de Salto Grande (antiga cachoeira do Teotônio). Atacado por indígenas, mosquitos, malária e fome, esse povoado desapareceu. Pode-se ainda destacar como importante contribuição de Rolim de Moura a ação de combate aos castelhanos da margem esquerda do Guaporé, garantindo a posse portuguesa da margem direita do referido rio. Em 1761, Portugal e Espanha assinam o Tratado de EI Pardo, tornando sem efeito o Tratado de Madri. Com a saída de Rolim de Moura, após uma administração que durou mais de uma década, o governo foi exercido por seu sobrinho, o Capitão General João Pedro da Câmara. Seguiu-se o governo de Luis Pinto Souza Coutinho, que ordenou a fundação do povoado de Balsemão na cachoeira do Jirau, no rio Madeira e ordenou, ainda, a destruição do mais expressivo quilombo da região guaporeana, o Quilombo do Quariterê ou Piolho, mandando flagelar os quilombolas aprisionados. A governante do quilombo, rainha Teresa de Benguela, suicidou diante do fato de ter que retornar à escravidão. No governo de Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, foi ordenada a construção do Real Forte Príncipe da Beira (1776-1785) às margens do rio Guaporé. A planta foi feita pelo Engenheiro italiano Domingos Sambuscete. A fortaleza foi construída no modelo Vaubam e destinava-se a conter os avanços castelhanos sobre o Guaporé. Ao seu lado, surgiu o povoado de Príncipe da Beira que chegou a contar com 700 habitantes. Luís de Albuquerque fundou, ainda, a fazenda de gado de Casalvasco que abasteceu a região do Guaporé com carne bovina e chegou a ter um rebanho de mais de 20.000 cabeças. Seu governo reponde, ainda, pela fundação do Forte de São Luís de Cácere, que deu origem à cidade do mesmo nome. Após o longo governo de Luís de Albuquerque, seguiu-se o governo de seu irmão João de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres. Este governador ordenou a realização de uma nova Bandeira para destruição do Quilombo do Quariterê e a prisão dos negros nele residentes em 1795. Com os negros capturados foi fundada uma aldeia livre para assegurar a colonização, povoamento e abastecimento da região e que foi chamada de Aldeia da Carlota, em homenagem à princesa Dona Carlota Joaquina. Com o agravamento da crise na mineração do Guaporé em fins do século XVIII e princípios do século XIX, teve início a decadência da região que passou a ser, progressivamente, abandonada pelas elites brancas. No governo do Capitão General Caetano Pinto Miranda Montenegro, foi ordenada a fundação do Destacamento Militar de São José do Salto do Ribeirão no rio Madeira. A cidade de Vila Bela fotografada no início do século XX. 29 1.7. Economia e sociedade do Vale do Guaporé no período Colonial A economia colonial da sociedade guaporeana apoiava-se no garimpo de ouro realizado em diversas áreas do Vale do Guaporé e em seus afluentes, em uma produção agropastoril de subsistência, que era voltada para o cultivo de mandioca, milho, feijão e abóbora, além do extrativismo de produtos naturais tais como plumas, cacau, pimentas, salsaparrilha, peles e couros de animais, ovos e banha de tartaruga, ervas medicinais e quinino. O desencadeamento da atividade de mineração foi o grande motor da ocupação espontânea dos espaços naturais da Região Guaporeana, no período colonial. Aliada a essa migração voluntária de garimpeiros, observa-se a atuação estratégica da Coroa Portuguesa que traçou os planos de ocupação e posse definitiva do território a partir de uma ampla atuação administrativa, delineada pela fundação da capital Vila Bela e dos sistemas militares de defesa e fortificação da região. Essa região que, no século XVIII, era dissociada das minas do Cuiabá, integrava as chamadas minas de Mato Grosso nas áreas fronteiriças entre os domínios coloniais da Espanha e de Portugal. As descobertas de veios e aluviões auríferos datam ainda da primeira metade do século XVIII, cabendo aos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, notórios sertanistas e predadores de índios naturais de Sorocaba, os primeiros descobrimentos em 1734, nos locais que foram chamados arraiais de Pouso Alegre, Santana e São Francisco Xavier. As descobertas, conforme relata o Barão de Melgaço, foram acompanhadas por providências do governo da Capitania de São Paulo no sentido de eliminar, através de uma “guerra justa”, os índios Paiaguá, que, em inúmeras incursões pelos sertões, provocavam morte, terror e pânico entre a população de Cuiabá e Mato Grosso. Ordenada a guerra contra os Paiaguá, observou-se também a quase dizimação dos Parecis, que passam a ser utilizados como mão de obra cativa nos trabalhos de extração mineral. A conquista do território ao nativo tornava-se imprescindível para a criação de condições de fixação de populações coloniais nas novas áreas de mineração. O rápido esgotamento das faisqueiras era remediado pelos sucessivos “achados” de outras tantas durante o século XVIII. Vários problemas com os trabalhadores nas regiões levaram a administração colonial a tomar medidas extremas. A necessidade de reposição da mão-de-obra era constante, mas era muito limitada a capacidade do Estado em socorrer os mineiros,por isso, os governadores adotavam posturas de relativa transigência em relação à propriedade de escravos, permitindo aos proprietários utilizarem-se da escravatura dos mortos e ausentes, evitando, assim, a interrupção ou paralisação dos trabalhos. Na agricultura, destaca-se a presença de mais de uma dezena de engenhos de cana-de-açúcar, que produziram, ilegalmente, açúcar mascavo e aguardente para abastecer a região e que foi usado para contrabando junto às populações coloniais castelhanas e aos índios. O comércio constituiu-se como principal fonte de abastecimento para o vale do Guaporé no período colonial. Nos primeiros anos após a descoberta das minas do vale do Guaporé, o comércio era realizado sempre pelas rotas que ligavam a região guaporeana a Cuiabá e esta, a São Paulo e Rio de Janeiro. Pela Provisão de 14 de novembro de 1752, conhecida em Mato Grosso somente em 1754, ficava permitida e franqueada a navegação pelos vales do Guaporé, Madeira e Amazonas, estabelecendo ligação comercial entre Vila Bela e Belém do Pará, proibindo-se, 30 no entanto, a comunicação entre as duas capitanias por qualquer outro caminho fluvial que não fosse a rota do Madeira. O comércio fluvial era realizado através de grandes expedições denominadas Monções, que percorriam as extensões dos rios Amazonas, Madeira, Mamoré e Guaporé, saindo de Belém do Pará e atingindo Vila Bela, transportando gêneros alimentícios, porcelanas, objetos de culto religioso, armas, ferramentas, tecidos e escravos. Ao retornarem a Belém, essas Monções transportavam ouro e drogas do sertão e, ocasionalmente, levavam, ainda, açúcar e aguardente. As viagens eram longas, podendo demorar até 02 anos entre a ida e o retorno. O percurso era acidentado e as cachoeiras do Madeira e do Mamoré eram os maiores obstáculos. As mais altas eram transpostas através da retirada das embarcações (batelões) do leito do rio e puxadas por barrancos nas margens até os trechos livres de corredeiras, num esforço sobre-humano. Mineradores transportando cargas em uma rota sertanis- ta para as minas de ouro As menores cachoeiras eram transpostas através do sirgamento das embarcações, que consistia em puxar o batelão entre uma e outra pedra da corredeira até que estivesse transposto toda a cachoeira. Ataques de índios, desabastecimento de gêneros alimentícios, fome, malária e ataque de insetos eram os maiores problemas enfrentados. Mesmo assim, os rios Madeira, Mamoré e Guaporé sempre foram as grandes vias de penetração dos colonizadores no interior da região. Em 1723, Francisco Mello Palheta realizou uma bandeira fluvial, partindo de Belém do Pará , navegando pelos rios Madeira e Guaporé, estabelecendo marcos fronteiriços e chegando até as missões jesuítas guaporeanas pertencentes à Espanha, denominadas São Miguel e Santa Cruz de Cajubava. Um dos padres que o acompanhou, o jesuíta João Sampaio, fundou, entre 1723 e 1728, a Missão de Santo Antônio das Cachoeiras do rio Madeira que, atacada por indígenas, mosquitos, desabastecimento e malária, mudou-se diversas vezes de localização até fixar-se na região onde hoje é Borba (AM).Essa Missão marca a primeira tentativa de povoamento do alto Madeira. Em 1742, foi o garimpeiro e explorador português Manuel Félix de Lima, quem organizou uma expedição que navegou pelas águas proibidas dos rios Guaporé e Madeira, chegando até Belém do Pará, onde foi preso pelas autoridades coloniais e encaminhado para Lisboa. O trabalho colonial era realizado principalmente pela mão-de-obra escrava africana. A região do Guaporé teve um dos mais altos percentuais de escravos negros da colônia. Rolim de Moura calculava que o número de brancos, na década de 1750, não passasse de 1.8. A escravidão colonial no Vale do Guaporé 31 setenta, enquanto o número de negros livres e escravos era superior a dois mil e quinhentos indivíduos. Os escravos trabalharam em todo tipo de serviços, exceto as funções de mando. Exerceram funções de defesa (Companhia dos Homens Pretos e Mulatos), remeiros, garimpeiros, construtores, agricultores, etc. Sua resistência à escravidão foi notável e os quilombos foram comuns em toda a região do Alto e Médio Guaporé. Dentre eles destacaram-se o Mutuca, Joaquim Teles, Pindaituba e Quariterê. O Forte de Nossa Senhora da Conceição, construído no governo de Dom Antônio Rolim de Moura. Hoje ainda existem no Guaporé diversas comunidades de remanescentes de quilombos, dentre as quais se destacam: Santo Antônio do Guaporé, Pedras Negras, Santa Fé, Santa Cruz, Santa Isabel, Forte Príncipe, Porto Rolim, Jesus, Tarumã, Surpresa do Guaporé, etc. 1.9. As missões religiosas e os projetos de ocupação colonial. Outro importante projeto colonial foi a criação de missões religiosas nos vales do Madeira e Guaporé. A principal Missão Religiosa fundada por padres portugueses no Vale do Guaporé foi a Missão da Casa Redonda, no sítio da antiga Missão espanhola de Santa Rosa. O mais notável padre missionário da região foi o jesuíta Padre Agostinho Lourenço. Com a saída dos jesuítas do Brasil, em meados da década de 1750, os missionários carmelitas ocuparam as missões do Vale do Madeira. O cotidiano da população guaporeana foi marcado também pela elevadíssima quantidade de doenças e epidemias. A morte era uma possibilidade sempre muito real e próxima em toda a região, chamada por Rolim de Moura de “O terror da América”. Ao lado dos crimes, dos ataques indígenas e da fome, as doenças completavam o quadro de pânico que povoava o imaginário dos que, por algum motivo, chegavam ao vale do Guaporé. Malária (malárias), máculos ou corruções, febres catarrais, pneumonias, diarreias sanguinolentas, tuberculose, febre amarela, tifo e cólera foram as grandes causadoras de morte e terror entre os habitantes do Guaporé, ajudando a consolidar a triste fama da região de ser uma sepultura a céu aberto. Essa má reputação causava arrepios de pavor aos brancos que a visitavam. A saúde pública não foi uma prioridade nesse regime em que a morte ceifava grandes massas de anônimos livres e escravos. Somente a partir da irreversibilidade da acentuada crise que se abateu sobre a região é que se chegou a cogitar medidas profiláticas, como o treinamento de agentes de saúde e alguma assistência médica à população, como projetou João Carlos Augusto D’Oyenhausen Gravenburg, nomeado oitavo governador e Capitão-General do Mato Grosso, em 1806. No entanto, essas medidas foram muito tardias e não chegaram a vingar. 32 1.9. A Crise do Vale do Guaporé Em 1818, já em plena decadência e parcialmente abandonada, Vila Bela foi elevada a condição de cidade, sendo que, em 1835, após um grave incidente diplomático envolvendo as elites de Vila Bela e as elites das Províncias de Chiquitos na Bolívia, a capital da então província de Mato Grosso mudou-se, definitivamente, para Cuiabá. O vale do Guaporé abandonado pelos brancos decaiu e tornou-se uma região habitada por indígenas remanescentes das missões jesuíticas ou outros povos que não haviam sido constatados e aculturados pelos colonizadores ibéricos ou, ainda, pelos negros, escravos que mantiveram e garantiram a posse territorial. Ocasionalmente, expedições científicas e exploradoras visitaram os vales do Madeira, Mamoré e Guaporé. Dente as principais expedições destacaram-se: Expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira; Expedição do Barão de Langsdorff, Hércules Florence e Adrian Taunay; Expedição de Francis Castelnau; expedição de João Severiano da Fonseca. 1.10. Limites da Amazônia no período colonial Em 1494, foi firmado o Tratado de Tordesilhas. Como os tratados e bulas anteriores, os limites eram fixados não por marcos naturais, acidentes geográficos tais como rios e montanhas, e sim por uma linha geodésica, ou seja, uma linha imaginária tirada a partir de uma paralela ou meridiano. Pertenceriam a Portugal todas as terras encontradas até a distânciade 370 léguas (2.442 Km) a oeste de Cabo Verde, ponto através do qual passava o meridiano, separando as duas possessões; todas as terras mais para oeste dessa linha pertenceriam à Espanha. Brasão de Vila Bela da Santíssima Trindade. O pássaro de 3 cabeças representa a Santíssima Trindade Católica. Ao se expandirem para o oeste, os portugueses procuravam metais preciosos, porém, encontraram outras riquezas naturais, algumas desconhecidas na Europa, iniciando o ciclo das drogas do sertão, que fixou, desde o início, o destino extrativista da Região Amazônica. Com a missão de expulsar estrangeiros (franceses e holandeses) que haviam se estabelecido no rio Amazonas, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na Baía de Guajará, o Forte do Presépio, dando origem cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará. Em 11 de abril de 1713, a França assinou com Portugal o primeiro tratado de Utrecht, confinando suas fronteiras ao norte da América do Sul. A região do Oiapoque no Amapá passou, definitivamente, ao domínio português. A Espanha, por sua vez, assinou o mesmo tratado, o que representava uma vitória para Lisboa, na medida em que facilitava a penetração portuguesa além das terras a oeste de Tordesilhas, pois garantia aos portugueses a foz do rio Amazonas. A linha de Tordesilhas, no Brasil, passaria, ao norte, pelas proximidades de onde hoje é a cidade de Belém (Pará) e, ao sul, próxima à atual localidade de Laguna, ou seja, toda a Amazônia seria território espanhol. 33 Com a morte de Felipe V, rei da Espanha, em 1746, a situação de Portugal passou por grande melhoria no âmbito diplomático espanhol. Fernando VI (1713- 1759), o novo rei, casara-se com a infanta portuguesa D. Maria Bárbara de Bragança, filha do rei Dom João V (1689- 1750), levando ao fim a hostilidade acentuada de Felipe V e Isabel de Farnésio contra a monarquia portuguesa. Foram tomadas medidas para negociações diplomáticas encaminhadas por Dom José Carvajal y Lancaster e por Alexandre de Gusmão (1695-1753), que representavam respectivamente, Espanha e Portugal. Em1750, foi assinado o tratado de limites, conhecido como Tratado de Madrid. Prevaleceu no tratado o princípio do Uti Possidetis de Facto, respeitando-se a posse mansa e pacífica ou a ocupação real, o que tornou possível fixar a linha de fronteira, no tocante ao extremo oeste e norte, a partir dos cursos dos rios Guaporé e Mamoré, seguindo até o curso médio do Madeira, próximo à atual cidade de Humaitá, de onde continuaria através de uma linha geodésica até as nascentes do Javari. Deste rio subiria até o Solimões e, daí, até a boca do Japurá, ficando as margens orientais sob o domínio da colônia portuguesa. Por esse tratado, Portugal adquiriu o controle de grande parte da bacia amazônica, através do domínio das embocaduras dos maiores afluentes daquele rio. Ainda, após dois séculos e meio de exploração e ocupação foi possível substituir o recurso da linha imaginária pelos rios e acidentes naturais na demarcação do Território. O acordo de EI Pardo (1761) suspendeu o Tratado de Madri. O Tratado de Santo Idelfonso (1777), que anulou o Tratado de El Pardo, determinou novamente a fixação da fronteira guaporeana, tal como no Tratado de Madri, passando pelos rios Guaporé e Mamoré até o ponto médio do Madeira, seguindo dali por uma linha reta e imaginária até encontrar a margem oriental do Javari. Ao longo do século XIX os governos coloniais do Mato Grosso, progressivamente, abandonam a região guaporeana e o vale do Madeira, procurando estabelecerem-se em Cuiabá. As antigas missões, os aldeamentos, os diretórios de índios, os entrepostos fiscais e comerciais e os pontos militares avançados de fronteira são abandonados. Sobreviveram, de forma isolada, pequenos polos de coleta de drogas do sertão, cacau e produtos derivados de tartarugas. Antigas sociedades indígenas voltaram ao seu estado natural ou foram combatidas e exterminadas em guerras justas ou adaptadas ao processo civilizatório, transformando-se em tapuios. (índios aculturados que passam a integrar a periferia do sistema social e econômico). Ao longo do século XIX, sobretudo após a década de 1840, os vales do Madeira, Mamoré e Guaporé vincularam-se ao circuito da borracha e passaram a ser explorados por seringalistas bolivianos e brasileiros, que utilizam a mão-de-obra dos indígenas locais, notadamente os do vale do rio Beni na Bolívia e mais tarde a mão-de- obra nordestina que migrou para a Amazônia a partir década de 1870, trabalhando nos seringais como coletores de látex (seringueiros). Os seringueiros eram divididos em dois grupos: Mansos: Naturais da Amazônia que conheciam segredos da floresta e dos rios. Brabos: Naturais do nordeste, tinham enorme dificuldade de adaptação ao meio ambiente. O proprietário do seringal era chamado de Coronel do Barranco ou seringalista e trabalhava a partir de financiamentos feitos pelo capital estrangeiro. Os trabalhadores eram chamados de seringueiros, de origem, condição e situação humilde, vinculavam-se aos seringalistas por trabalharem em seus latifúndios 1.11. O século XIX e a exploração da borracha. 34 “Pelas” de borracha aguardando o embarque na ferrovia Madeira Mamoré. O ciclo da borracha iniciou-se na segunda metade do século XIX e prolonga-se até a segunda década do século XX, quando a produção brasileira é superada pela produção da Malásia. A borracha já era conhecida pelos indígenas muito antes da descoberta das Américas. O povo Omágua chamava a seringueira de Hévé, a árvore que chora, e com o látex fabricavam utensílios e brinquedos de borracha. Em 1735, Charles Marie de La Condamine realizou uma expedição científica pela Amazônia e, ao tomar conhecimento da seringueira denominada Hevea brasiliensis, enviou produtos de borracha para a Europa e, com isso, causou admiração nos meios intelectuais com a apresentação de bolas de borracha. No entanto, a sociedade científica de Paris e o restante da Europa ignoraram a borracha, pois não vislumbravam uso para o produto. No início do século XIX, cresceram as exportações de produtos impermeabilizados pela borracha no porto de Belém. A Europa e Estados Unidos enviavam roupas e sapatos para serem impermeabilizados na Amazônia. Em 1844, MacIntoch aperfeiçoa o processo de impermeabilização e, pouco mais tarde, Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha. O mercado consumidor europeu e norte-americano passou a se interessar pela borracha, utilizando o produto, a princípio, na indústria da moda feminina e, em seguida, na produção de pneumáticos que supriam a nascente indústria de bicicletas e, posteriormente, a indústria automobilística. Coma Segunda Revolução Industrial cresceu a demanda pela borracha. O processo de exportação do produto natural passou a superar as exportações do produto manufaturado. Já em 1852, o relatório anual de Terreira Aranha, Governador da Província do Amazonas, acusa o crescimento da atividade extrativista do látex, em detrimento das atividades agropastoris, coletoras e manufatureiras tradicionais. Entre os anos de 1877-1879, a grande seca nordestina promove uma intensa migração de sertanejos para os seringais da Amazônia. Através de Manaus, os seringueiros nordestinos iniciam ocupação do Acre Boliviano, além dos vales do Madeira, Mamoré, Guaporé e Machado. A ocupação dos territórios bolivianos (seringais) e por estarem dependentes do regime contratual do Barracão (também chamado Aviamento ou Habilito). O Barracão era onde o seringueiro comprava os produtos indispensáveis para sobrevivência e vendia a produção de borracha por ele obtida. O sistema crédito/ dívida fazia com que o seringueiro estivesse sempre devendo ao Barracão. As poucas oportunidades de acumulação de um pequeno excedente de capital ou mesmo de um alívio de obtenção de recursos para a sobrevivência poderiam vir através do comércio clandestino com o regatão(embarcação de mascates que percorriam os rios e igarapés comprando bolas de borrachas e vendendo gêneros de primeira necessidade), ou da produção paralela de peles, plumas de garças e extrativismo de outros produtos vegetais. 35 do Acre terminaria por criar uma situação de grave tensão política na região. Manaus e Belém constituíram-se nas mais promissoras cidades vinculadas ao Ciclo da Borracha. As construções de finais do século XIX e princípio do século XX atestam a grandeza e a opulência de ambas e a riqueza usufruída pelas elites do seringalismo. Os dois municípios construíram importantes monumentos, como o Teatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus. Outras obras dignas de menção são os portos de Belém e de Manaus, os palácios dos governadores de ambas as cidades: em Manaus, o palácio Rio Negro e em Belém, o palácio Lauro Sodré. A grandeza dessas localidades era reconhecida em todo o mundo, entretanto, com a decadência da borracha, ambas viriam a sofrer os efeitos devastadores da crise e jamais retomariam o antigo esplendor. Os coronéis da borracha mantinham gastos exorbitantes, chegando a importar água mineral da Europa, mandando lavar as roupas domésticas em lavanderias de Lisboa ou tratando os cavalos nas cocheiras dos teatros com misturas de água gelada e champanhe. Enquanto a comercialização da borracha mantinha um nível de vida sofisticado e perdulário para as elites seringalistas, a população amazônica, em geral, e os seringueiros, em particular, viviam miseravelmente em regimes de trabalho que beiravam a escravidão e sem nenhum tipo de assistência por parte do Estado ou dos poderes constituídos. Em consequência do aumento da demanda pela borracha, houve um avanço dos seringueiros sobre os seringais nativos das regiões interiores, mais próximas das fronteiras com os Estados de língua espanhola. Passou-se dos rios próximos a Belém do Pará para os rios Tapajós, Madeira, Purus, Juruá e à região do Acre, que ainda pertencia a Bolívia. Na Amazônia, as regiões do Acre e do Madeira detinham não somente as maiores reservas de látex como também foi nelas onde se passou a extrair, após sua ocupação, o produto de melhor qualidade. Com o advento da livre navegação na Amazônia, foi facilitado o contrabando de sementes de seringueira. O inglês Sir. Alexander Wickham contrabandeou sementes de Hevea Brasiliensispara Londres, cultivando-as sem estufas. As mudas foram transplantadas para a Malásia onde formaram os primeiros seringais ingleses, cultivados na Ásia, que logo superaram a produção dos seringais naturais da Amazônia. Em 1910, estourou, na Europa, o escândalo do seringal peruano de Putamayo, de propriedade do empresário Júlio César Araña, bancado pelo capital inglês. As denúncias de torturas, assassinatos, exploração e maus tratos, publicadas nos jornais de Londres pelo jornalista norte americano Walter Hardenburg, denunciavam as péssimas condições de vida dos indígenas e dos seringueiros. A Inglaterra criou uma comissão de investigação liderada por Sir Roger Casement e o reverendo John Harris, interrompendo, logo em seguida, as importações da borracha brasileira. Entretanto, vale salientar, que a interrupção se deu, já no momento em que os seringais da Malásia eram capazes de abastecer o mercado internacional. Entre 1915 e 1930, a crise da borracha na Amazônia acentuou a decadência de Manaus, a cidade símbolo do esplendor da borracha, que chegou a perder mais de um terço de seus habitantes. Em 1939, o maior investimento internacional em cultivo de borracha na Amazônia, a Fordlândia, implantada no Pará pelo empresário norte americano Henry 1.12. A crise do seringalismo 36 A partir do início da segunda metade do século XIX, o governo norte-americano manifestou interesse em abrir a Amazônia aos capitais daquele país. Por essa época, o governo imperial recusou autorização para que a Amazon Steam Navigation Company Ltd operasse no Vale Amazônico, fato que resultou em imediata reação por parte do governo norte americano e da empresa de navegação. As autoridades governamentais dos Estados Unidos alegaram que a posição brasileira era representativa de uma política de isolamento, semelhante à da China, recentemente tomada pelos ingleses e que teve seu comércio violentamente aberto aos produtos estrangeiros. De acordo com o governo americano, a política do Império do Brasil era contrária aos interesses da humanidade, na medida em que a abertura ao estrangeiro viria trazer a civilização para a Amazônia, sem nenhum perigo para a soberania nacional. A correspondência diplomática de 1852 reflete bem os temores do Governo Imperial do Brasil. Em uma carta escrita da cidade de Chuquisaca (Bolívia), datada de 27 de janeiro, o representante diplomático do Brasil naquele país informava que os governos da França, dos Estados Unidos e da Inglaterra reconheciam o direito de os barcos bolivianos navegarem livremente pelo Amazonas, na medida em que detinham o curso de seus afluentes. O embaixador considerava que havia a possibilidade dessas potências recusarem quaisquer negociações com o Brasil e de uma ação mais violenta da parte desses países para assegurar o pretendido direito à livre navegação. Tentando se precaver contra possíveis atitudes expansionistas e intervencionistas do governo norte americano ou de potências europeias, o governo brasileiro decretou o monopólio da navegação no Amazonas e, em 1853, ofereceu esse monopólio de exploração da navegação no rio Amazonas, com duração de 30 anos, a Irineu Evangelista de Souza, Visconde e Barão de Mauá Ford decretou falência, perdendo um investimento de 15 milhões de dólares e 3 milhões e 500 mil pés de seringueiras. O projeto foi abandonado e a cidade sede do projeto, Belterra, criada por Ford, ficou esquecida. Entretanto, de 1943-1945, durante a Segunda Guerra Mundial, os seringais da Malásia foram ocupados pelos japoneses, inimigos dos ingleses e dos norte americanos. Necessitando da borracha para a indústria de guerra, os aliados, liderados pelos Estados Unidos, lançaram, na Amazônia, o programa denominado “Guerra pela Borracha”. Foram instalados núcleos aliados na Amazônia para compra da borracha nos seringais. O preço subiu a níveis altíssimos e, novamente, utilizou-se a mão-de-obra nordestina para os seringais, foram os chamados soldados da borracha. O Congresso Nacional estima que tenham morrido, aproximadamente, 22 mil soldados da borracha na Guerra pela Borracha. Após 1945, com a invenção da borracha sintética pelos alemães, a borracha da Amazônia entrou em decadência e os seringais foram definitivamente abandonados. 1.13. A questão da livre navegação nos rios amazônicos Navio a vapor (chamados Gaiolas ou Vaticanos) no Vale Amazônico. http://www.consciencia.org/wp-content/uploads/2011/06/tm- pF704-1-300x193.jpg 37 (1813-1889), que fundou a Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas, com parte do capital investido pelo próprio Barão e o restante obtido através de subscrição das ações pelos comerciantes de Belém e Manaus. O monopólio dado pelo Estado do Brasil à companhia de navegação de Mauá impedia a livre competição na atividade de navegação do rio Amazonas e, assim, cedendo às pressões dos deputados livre-cambistas, cuja bancada no parlamento nacional manifestou-se com energia, revogando o monopólio concedido a Mauá, permitiu-se que, nos anos de 1860, surgissem mais duas companhias de navegação: a Companhia Fluvial Paraense e a Companhia Fluvial do Alto Amazonas. Em 1872, o rio Amazonas foi aberto à navegação internacional e, em 1874, a Amazon Steam Navigation Company comprou as três empresas de navegação que operavam na bacia Amazônica monopolizando o transporte fluvial na região, inclusive até Santo Antônio do Madeira, então a única área urbana das terras que viriam a ser Rondônia. Esse trecho do percurso até Santo Antônio era subsidiado pelo governoprovincial do Amazonas. Em 1875, o Madeira já era navegado irregularmente por vapores particulares de diversos calados em busca da borracha. Vinte anos depois um número considerável de navios particulares e fretados respondiam à demanda de transporte até Santo Antônio do Madeira. O porto de Manaus, que durante a maior parte do século XIX havia mantido uma posição secundária na atividade exportadora de borracha em relação ao porto de Belém, cresceu em importância, superando-o no volume de exportações. As atividades da navegação a vapor controladas por companhias estrangeiras na Amazônia, perduraram até a crise da borracha, quando a Amazon Steam Navigation se retirou do negócio, deixando as populações locais em estado de isolamento. A casa do Seringueiro imagem de Franz Josef Keller -1874. 1.14. As pretensões estrangeiras sobre a Amazônia As pretensões de estrangeiros não somente sobre a navegação, mas também sobre o destino e a ex- ploração do Vale do Amazonas criaram, ao longo de todo o século XIX, sérias desconfianças por parte do Governo Imperial. D. Pedro II (1825-1891) chegou a registrar, em seu diário pessoal de 1862, receio em relação às preten- sões dos EUA sobre o Amazonas. Nos Estados Unidos, um oficial da marinha norte-americana, Mattnew Fontaine Maury, moveu forte campanha na imprensa e mesmo em um memorial intitulado The Amazonan the Atlantics Lo- pes, escrito em 1853 e endereçado ao governo de seu país, sustentando que as riquezas naturais da Amazônia mere- ciam ser exploradas pela civilização através da conquista científica, econômica e política e não poderiam ficar su- jeitadas aos interesses inferiores do governo imperial do Brasil. 38 Sir Alexander Wickhan http://www.bouncing-(balls.com/serendipity/images/photo_gal- lery/henry_wickham.jpg) Em 1851, os tenentes William Lewis Herndon (1813- 1857) e Lardner Gibbons, da marinha norte- americana, viajaram pelo rio Amazonas, entre 1851 e 1852 para investigar as possibilidades de utilizar a região para transmigrar a escravidão de seu país para a Amazônia. O relato da viagem intitulado Exploration of the Valey of the Amazon despertou interesse suficiente para a realização de outras expedições ao Amazonas. Em1853, o presidente boliviano, Manuel Isidoro Belzu, negociou com os norte-americanos a entrada de negros recém libertos da escravidão, indesejáveis nos Estados Unidos, para o norte amazônico, em terras da Bolívia e abriu os rios do norte boliviano à navegação internacional, oferecendo, a título de estímulo, concessões de terras a quem quisesse explorar aquela região. Naquele mesmo ano, anunciava-se, em Nova Iorque, uma nova expedição de exploração do rio Amazonas, comandada por um certo Tenente Porter. Os expedicionários alegavam que o controle do rio Amazonas pelo Brasil, não lhe dava o direito de impedir a livre navegação dos navios de outros países rumo ao Atlântico. Em 1865, a expedição Thayer, financiada pelo capitalista norte-americano, Nathaniel Thayer, e chefiada por um renomado naturalista suíço, Louis Agassiz e endossada pelo governo dos E.UA, navegou pelos rios do vale amazônico. Os membros da expedição foram recebidos no Rio de Janeiro pelo Imperador do Brasil em 1865 e dai partiram para percorrer a Amazônia, de onde retomaram no ano seguinte. A senhora Elizabeth Cary Agassiz, esposa do Dr. Agassiz, sugeriu, em seus escritos, que para melhor proveito dos recursos da Amazônia, seria necessária sua internacionalização. 1.15. A navegação fluvial a vapor pelo rio Madeira A navegação pelo rio Madeira, durante o século XIX e início do século XX, era realizada a partir da divisão do rio em dois trechos distintos: o Alto Madeira e o Baixo Madeira. O Alto Madeira compreendia o trecho das cachoeiras e ia de Santo Antônio até a cachoeira de Guajará- Mirim. Neste trecho, a navegação era realizada por bolivianos, que usavam o rio tanto para a exportação e importação dos gêneros necessários aos seringais quanto para o escoamento de produtos agrícolas e pecuários provenientes do vale do Beni. Apesar de a Bolívia exportar a maior parte de sua produção pelo oceano Pacífico, a via do Madeira era de grande importância para o comércio do noroeste boliviano, pois o Atlântico estava mais próximo do que o Pacífico. 39 Pescador amazônico Imagem de Franz Josef Keller – 1874 Descia, pelo Madeira em direção ao porto de Itacoatiara, a produção extrativa e agropecuária da província do Beni, na Bolívia, embarcada em batelões que, depois, retoornavam com produtos industrializados, vergalhões, ferramentas, armas e munições, bebidas, e tecidos. Assim, era interesse dos habitantes do noroeste boliviano o estabelecimento de linhas de navegação à vapor pelo Madeira, e ainda uma estrada ou canal que resolvesse o problema da travessia do trecho encachoeirado desse rio, que beneficiaria, além do Beni, a ampla região de Santa Cruz e Cochabamba. A passagem pelo trecho encachoeirado do Madeira e do Mamoré poderia durar de 18 dias a 06 meses, dependendo de condições diversas, como por exemplo, o número de canoas e o volume de carga, a quantidade de remadores. O naufrágio, a perda dos trabalhadores pelo contágio de doenças epidêmicas, a morte, os ataques de indígenas e mesmo a deserção dos remadores em desespero eram situações comuns durante a viagem. O remeiro indígena era submetido as mais exaustivas e adversas condições de trabalho. Já o trecho do Baixo Madeira correspondia todo o circuito navegável e livre das cachoeiras, e ia de Santo Antônio até a cidade de Itacoatiara já na confluência com o rio Amazonas. Por esse trecho navegavam, desde a segunda metade do século XIX, grandes vapores que abasteciam a região regularmente e transportavam cargas e passageiros por todo o Vale do rio Madeira. Sirgamento de batelão em uma cachoeira do rio Madeira. Gravura de João Severiano da Fonseca. - 1875 1.16. A presença boliviana no Vale do Madeira Para os bolivianos parecia mais fácil o acesso à região do alto Madeira, através dos rios Orton, Madre de Dios e Beni, mesmo existindo diversos acidentes naturais como as cachoeiras. Por ser a região desabitada por populações nacionais não indígenas, os proprietários bolivianos foram ocupando os seringais nativos do Madeira e seus afluentes: o Mutum - Paraná, o Jaci - 40 Paraná, o Jamari e o Ji-Paraná. Os núcleos de colonização, seringais e povoações, de propriedade e outros formados com maioria de população migrada da região do Beni, na Bolívia, dominavam todo o trecho encachoeirado dos rios Madeira e Mamoré e em área do Médio Madeira, a presença de proprietários e de propriedades bolivianas era predominante. Os seringais bolivianos estendiam-se, porém, até o baixo Madeira, onde conviviam com os seringais pertencentes aos brasileiros. Dentre os mais notáveis proprietários bolivianos de seringais no Vale do Madeira destacaram-se Dom Pastor Oyola, Dom Santos Mercado, Dom Ignáco Arauz, os Irmãos Soarez e Dom Ramon, todos citados por Neville Craig em sua Obra Estrada de Ferro Madeira Mamoré, a história trágica de uma expedição. Ao final do século XIX, entretanto, a presença boliviana na região recuou e os seringais passaram ao controle de proprietários brasileiros. Nesse mesmo período, brasileiros haviam fundado o povoado de Vila Murtinho, às margens do rio Mamoré, em frente ao povoado boliviano de Villa Bella (que não deve ser confundida com a primeira capital do Mato Grosso: Vila Bela da Santíssima Trindade). 1.17. Limites e fronteiras: o Tratado de Ayacucho (1867) A procura de borracha pelos mercados internacionais provocou uma expressiva migração de brasileiros para a região do rio Acre e de bolivianos para a região do rio Madeira, durante a segunda metade do século XIX. Por essa época, havia uma forte presença de seringais e seringalistas bolivianos no Vale do Madeira. Entretanto, era difícil a definição exata das fronteiras entre os países amazônicos,uma vez que a região era ainda mal conhecida e pouco explorada. Em1867, foi assinado o Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição entre Bolívia e Brasil. Conhecido também como Tratado de Ayacucho, ou como Tratado Mufíoz-Netto, sobrenome dos ministros representantes dos países signatários do tratado: Mariano Donato Mufíoz, Ministro das Relações Exteriores da Bolívia e Felipe Lopez Netto. Por esse tratado ficou assegurado ao Brasil a posse de ambas as margens do rio Madeira. A Bolívia perdeu uma área de 189.000 quilômetros quadrados para o Brasil. 1.18. A colonização brasileira do Vale do Madeira Até parte avançada do século XIX, a colonização do vale do Madeira por populações brasileiras foi sempre uma empreitada fracassada. Esse fracasso pode ser explicado a partir de diversos fatores, tais como a adversidade ambiental, a presença de populações indígenas hostis e as doenças tropicais, além da dificuldade de transposição das cachoeiras dos rios madeira e Mamoré. O povoamento e ocupação do Alto Madeira eram substancialmente mais difíceis do que no Baixo Madeira, onde a facilidade de navegação permitiu o desenvolvimento de alguns núcleos de colonização desde o século XVIII, tais como Borba e São João do Crato. Em fins do século XVIII, o governo colonial tentou implantar um destacamento militar, que servisse de base para a formação de um núcleo de colonização na região de Ribeirão, no alto Madeira. Aí foi fundado o destacamento de São José do Salto do Ribeirão do Rio Madeira, povoado por indígenas aldeados e negros escravos da coroa. O destacamento de São José do Ribeirão, também chamado de São José de Montenegro, não resistiu às adversidades ambientais e foi abandonado em 1832. 41 Em finais do século XIX, observa-se a presença de missionários católicos na região, notadamente os franciscanos, capuchinhos e os salesianos. Segundo o Barão de Marajó, em 1895 a região já contava com 70.000 habitantes. Os principais núcleos de povoamento eram Manicoré, Borba, Humaitá e a Vila de Santo Antônio do Madeira já no Mato Grosso e que passou por uma crescente importância na medida em que foram desenvolvidos os esforços de construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Entretanto, distante dos núcleos de colonização, a maior parte dos moradores do rio Madeira localizavam-se nos seringais, que se espalharam por toda a região e avançaram pelos afluentes do Madeira, como os rios Machado, Jamari, Preto e Candeias. O rio Madeira - Cachoeira Caldeirão do Inferno imagem de Franz Josef Keller - 1874 1.19. A questão do Acre. Os brasileiros em busca da borracha ocuparam a região boliviana do Acre pela via do Amazonas, Purus e Juruá. Em 1899, as tensões entre Brasil e Bolívia se agravaram, dando origem a um processo que culmina com a intervenção do Brasil sobre os territórios bolivianos do Acre. Este fato ficou conhecido como a questão do Acre. Temendo a crescente presença de brasileiros nos seringais do Acre, a Bolívia buscou apoio norte americano para o caso de uma guerra com o Brasil em função das disputas territoriais. O espanhol naturalizado brasileiro, Hernani Galvez Pérsia de Ária, à frente de um pequeno exército de seringueiros, partiu de Manaus e proclamou-se Imperador do Acre. No confronto com a pequena tropa boliviana estabelecida no Acre, Galvez foi vitorioso e proclamou a independência do Acre. No entanto, ele foi deposto a partir da ação da marinha brasileira, que destacou uma pequena frota para a região. Após a chegada de uma expedição militar, o domínio boliviano sobre o território em litígio foi recuperado. Tentando garantir o controle e a posse da região, o governo boliviano assinou, em Londres, no ano de1901, um contrato de arrendamento do Acre com um truste denominado Bolivian Syndicate of New York City. Pelo contrato, foi admitido ao Bolivian Syndicate poderes absolutos de administração fiscal e policial, monopólio da exploração econômica do território e, inclusive, poderes para manter exército e pequena esquadra. Entretanto, em 1902, Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros nordestinos invadiu Xapuri aprisionando o administrador, Juan de Dios Barrientos, e proclamando a independência do Acre. O governo boliviano preparou uma grande expedição militar para retomar o controle do território, comandada pelo próprio presidente da república, general Pando. A expedição saiu de La Paz com um grande contingente, que foi parcialmente dizimado, durante seu deslocamento para a região dos conflitos, pela malária e outras doenças tropicais. 42 José Plácido de Castro Fonte: Wikipédia A Marinha brasileira entrou novamente em ação e manteve a ocupação no Acre, forçando o governo boliviano a iniciar negociações diplomáticas. Em 17 de outubro de 1903, foi assinado o Tratado de Petrópolis entre Brasil e Bolívia. A Bolívia recebeu uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, entregando o Acre ao Brasil. O Boliviam Syndicate também recebeu uma indenização no valor de cem mil dólares. O Brasil se comprometeu a construir a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Esse Tratado foi resultado do trabalho diplomático de Visconde do Rio Branco. A partir daí, o Acre foi integrado ao território nacional e, em 1905, o Brasil daria início ao processo de licitação da ferrovia Madeira Mamoré. 1.20. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré A construção da Ferrovia Madeira Mamoré marcou um importante ponto nas relações diplomáticas entre Brasil e Bolívia. Constituiu-se também num elemento definidor da ação imperialista de potências estrangeiras na região amazônica. A Ferrovia Madeira-Mamoré representou um dos marcos da modernidade capitalista liberal nos confins da selva do Madeira. Construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, ele- vando os trechos alagados, infestados pela malária. Foto de Dana Merril 1910. A ferrovia foi construída para suprir as necessidades de transportes das cargas de diversos produtos, principalmente a borracha, no trecho das cachoeiras dos rios Madeira e Mamoré, onde a navegação fluvial ficava impossibilitada. Por outro lado, essa construção da ferrovia era parte integrante das cláusulas do Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 entre o Brasil e a Bolívia. Ao longo da ferrovia, surgiram diversos núcleos de povoamento e dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim. Aproximadamente 22.000 operários de diversas nacionalidades trabalharam na construção ferroviaria. Estima-se que 6.500 trabalhadores tenham morrido vítimas das doenças tropicais e esse número eleva- se, ainda mais, se forem contabilizados os indígenas mortos por ocasião da construção e os trabalhadores infectados 43 por doenças que morreram após serem demitidos dos serviços pela empreiteira e que, portanto, não entraram na contabilização das autoridades médicas do Hospital da Candelária. A obra custou o equivalente a vinte e oito toneladas de ouro pelo câmbio de 1912. A construção da ferrovia deu à Companhia Madeira Mamoré o direito de exploração das terras que lhe eram adjacentes. As primeiras iniciativas para a construção da estrada de ferro remontam ao século XIX, quando a Revolução Industrial iniciava a construção de extensas ferrovias por todo o mundo e, nas regiões tropicais, as potências imperialistas construíam ferrovias que interessavam aos sistemas de exportação de matérias primas. Em 1861, Quentin Quevedo, a serviço do governo boliviano, fez estudos sobre a viabilização de transportes nos trechos encachoeirados do Madeira e do Mamoré,. A Bolívia precisava criar condições satisfatórias para a exportação, através do Atlântico, das mercadorias produzidas nas áreas do Beni e do Pando. Nesse mesmo período, o governo do Amazonas enviou o engenheiro João Martins da Silva Coutinho para efetuar estudos semelhantes na região. Ambos os relatórios apresentam conclusões aproximadas, apontando para a necessidade de construção de uma ferrovia na regiãoencachoeirada. Ainda na década de 1860, a Guerra do Paraguai levou o Estado Brasileiro a enviar um destacamento militar para as selvas do Madeira. Este destacamento fixou-se na primeira cachoeira, nas imediações do povoado de Santo Antônio, garantindo a manutenção e viabilização da rota fluvial do Madeira que possibilitou a comunicação com o Mato Grosso durante o conflito contra Solano Lopes. O Coronel George Earl Church um dos idealizadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré http://1.bp.blogspot.com/-iIq_V_R3Rqk/TxSOJH22YPI/ AAAAAAAAJPg/SDoGwJOwp0U/s400/Cel.+George+Earl+Churc h+%2528Recollections+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+ B.+Craig%2529.jpg Entre 1867 e 1868, o governo de Dom Pedro II enviou, para o vale do Madeira, os engenheiros alemães Franz e Joseph Keller, que realizaram estudos para a viabilização de transportes no trecho encachoeirado do Madeira. Em 1869, o coronel norte americano, George Earl Church obteve concessão do governo boliviano para explorar os transportes entre o Madeira e o Mamoré. Seus planos foram modificados para a construção de uma ferrovia pelos vales do Madeira e Mamoré. 44 Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foto de Dana Merril - 1912 O coronel Church obteve do governo brasileiro a permissão para construir uma ferrovia no vale do alto Madeira. Foi criada a Madeira-Mamoré Railway Company Ltd. Church conseguiu um empréstimo de banqueiros ingleses em nome do governo boliviano. Entre 1871 e 1873, chegam a Santo Antônio 25 engenheiros da empreiteira inglesa Publics Works, contratada por Church para as obras da EFMM. Após ataques indígenas, surtos de febre, malária e fome, os engenheiros e os trabalhadores da Publics Works abandonam Santo Antônio e consideraram impossível a construção da ferrovia, dando início a um processo indenizatório contra Church nos tribunais ingleses. Phillip Collins (Recollections of an Ill-Fated Expedition by Neville B. Craig) http://4.bp.blogspot.com/-DIovpa2xkLs/TxSRPn0_KQI/ AAAAAAAAJQE/VOmaCDBsTPY/s400/Phillip+Collins+%252 8Recollections+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+B.+Cra ig%2529.jpg Entre os anos de 1877-1879, a empreiteira norte-americana P &T Collins deslocou trabalhadores para o Vale do Alto Madeira, a fim de iniciar a construção da EFMM. Partiram, da Filadélfia, navios, equipamentos, materiais ferroviários, provisões e operários para Santo Antônio do Madeira. Em 1878, o navio Metrópolis naufragou, perdendo 700 toneladas de carga e 80 trabalhadores destinados à ferrovia. Ao ser inaugurado o primeiro trecho da ferrovia, a locomotiva capotou. Crises, atrasos nos pagamentos, doenças tropicais, ataques indígenas e dificuldades ambientais derrotam a P &T Collins, que abandonou as obras em 1879. 45 Tentando recuperar os trabalhos que haviam sido abandonados em Santo Antônio, o governo imperial do Brasil enviou, entre os anos de 1882 a 1884, duas expedições para a região. A primeira foi a expedição Morsing, que fracassou e foi substituída por outra expedição comandada pelo engenheiro Júlio Pinkas. Ambas atuaram no vale do alto Madeira e fracassaram, perdendo inúmeras vidas. Diante da adversidade local, o governo imperial abandonou as pretensões de construir a ferrovia. Thomas Collins (Recollections of an Ill-Fated Expedition by Neville B. Craig) http://2.bp.blogspot.com/-x22tUcT0NP4/TxSRpClcSQI/AAAAA- AAAJQM/X-jEO_ur4gc/s400/Thomas+Collins+%2528Recollec- tions+of+an+Ill-Fated+Expedition+by+Neville+B.+Craig%2529.jpg O projeto foi retomado após a assinatura do Tratado de Petrópolis. Em 1905, foi realizada a licitação para a obra através do Ministério da Indústria e Comércio. Essa licitação foi vencida pelo engenheiro carioca Joaquim Catramby, que vendeu seus direitos ao empresário norte americano Percival Farquhar, que criou a Madeira Mamoré Railway Company, com sede no Maine/EUA. A construção da EFMM foi realizada, entre 1907 e 1912, pela empreiteira May, Jekyll and Randolph. As obras sofreram com a grande incidência de doenças tropicais e com todo tipo de adversidade ambiental. A empreiteira tentou, inicialmente, a contratação de trabalhadores espanhóis que haviam servido à construção das estradas de ferro de Cuba. Contudo a divulgação dos perigos e da insalubridade da região da Madeira-Mamoré teria afugentado esses primeiros trabalhadores. A grande necessidade de mão de obra era agravada pela enorme incidência das doenças locais, principalmente a malária, que exigia, permanentemente, a reposição da força de trabalho. Muitos países chegaram a proibir a contratação de seus cidadãos para atuarem na EFMM. As necessidades permanentes de contratação de trabalhadores levou os empreendedores a buscar mão de obra tanto no Brasil, quanto em diversos países do exterior, num total de mais de 40 nacionalidades. Um dos contingentes mais notáveis foi o dos operários negros caribenhos, denominados genericamente de barbadianos, que já haviam trabalhado em outro empreendimento marcado por grandes adversidades e pela insalubridade típica das regiões tropicais da América, o Canal do Panamá. 46 Pontilhão de ferro da EFMM em Jaci Paraná em 1923 (fonte: reocities.com) Uma parte desses trabalhadores fixou-se permanentemente na região e seus descendentes ainda vivem nas cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim. Em meio à euforia da borracha, contingentes de operários construíram um dos maiores marcos da modernidade da Amazônia, que deveria ser um símbolo: a legendária Madeira-Mamoré, interligando os trechos encachoeirados do Madeira ao Mamoré. Como representação máxima da tecnologia e da civilização, ela deveria estabelecer e viabilizar as práticas do capitalismo nos ermos do extremo sertão oeste, em pleno mundo encharcado da Amazônia. A fim de minimizar os efeitos nocivos das doenças locais, Farquhar ordenou a construção do Hospital da Candelária, em uma área elevada e livre de inundações, entre Santo Antônio e Porto Velho. Esse moderno hospital foi um dos marcos da eficiência capitalista do empreendimento, mas sua duração foi breve (1907/1930), sendo substituído pelo Hospital São José, fundado em Porto Velho pela Missão Salesiana. Em 1910, o sanitarista Oswaldo Cruz visitou a região e tomou conhecimento da epidemia de malária que assolava os canteiros de obras de EFMM. Diante da situação ele, em conjunto com os médicos do Hospital da Candelária, em especial o chefe da equipe médica, o Dr. Carl Lovelace, ordenou a prática rígida da quinização dos trabalhadores Com a crise da borracha, a EFMM entrou em permanente decadência e foi abandonada pelos norte americanos em 1930. Por decisão do governo revolucionário de Getúlio Vargas, a administração da ferrovia passou por uma intervenção sendo, posteriormente, nacionalizada. Coube ao Tenente Aluízio Ferreira a administração da EFMM. Dentre os serviços prestados pelo administrador Aluízio Ferreira destaca-se o saneamento das contas da EFMM e a fundação de colônias agrícolas que garantiram o abastecimento das populações ao longo da ferrovia. Com o advento do Regime Militar de 1964, o governo federal enviou para o Território de Rondônia o Quinto Batalhão de Engenharia e Construção, 5° BEC, que chegou em Porto Velho em 1966 com a missão de desativar e extinguir a Estrada de Ferro Madeira- Mamoré, substituindo-a por uma rodovia. Em 10 de julho de 1972, a ferrovia foi extinta e teve início o processo de sucateamento e liquidação de seu patrimônio. 47 Rondon apresenta um relógio aos índios Kahiana em cena do documentário Parimã | Luiz Thomaz Reis/Museu do índio/Funai http://www.projetomemoria.art.br/rondon/img/foto/2_4_3_img1_ thumb.jpg A Comissão das Linhas Telegráficas e Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas também denominada Comissão Rondon iniciou seus trabalhos em 1907. Seu estudo é de fundamental importância para o entendimento das origens e formação do Território Federal do Guaporé. Muitosdos municípios que viriam a surgir mais de meio século após a construção da ferrovia, vinculam-se aos trabalhos realizados pela Comissão Rondon que influenciou também de forma incisiva nas políticas adotadas pelo Governo Federal em relação à questão indígena. A abertura da Linha Telegráfica, que ligaria os sertões do Mato Grosso ao Amazonas, foi uma obra de grandes proporções que se destinava a tirar do isolamento as regiões do extremo oeste e Norte do país. O propósito dos trabalhos realizados pelas equipes da Linha Telegráfica era garantir o estabelecimento de núcleos de povoamento, promover a segurança das fronteiras e viabilizar uma política que possibilitasse, ao longo do tempo, a integração dos indígenas e tapuios à sociedade brasileira, tomando-os “civilizados e úteis”, segundo o pensamento de Rondon. A construção da linha telegráfica tem seus primórdios ligados ao Império e D. Pedro II deu início a essa obra em 1880, tendo como escopo ligar a cidade de Franca, em São Paulo, a Cuiabá, no Mato Grosso. A obra foi dirigida pelo militar Cunha Matos. Cândido Mariano da Silva Rondon, que empresta seu nome ao Estado de Rondônia, nasceu na em Mimoso, atual município de Barão de Melgaço, no Mato Grosso, em 1865. Órfão, ainda criança, Rondon foi educado por familiares e diplomou-se no Liceu Cuiabano, como professor aos 16 anos de idade, sendo, no entanto, impedido de assumir o magistério devido a sua pouca idade. Partiu para o Rio de Janeiro em 1881, onde assentou praça no exército. Em 1885, matriculou-se na Escola Militar da Praia Vermelha onde concluiu estudos para oficial do exército em 1889. Neste mesmo ano, foi nomeado ajudante da Comissão Telegráfica de Cuiabá ao Araguaia. Sua atuação na construção de linhas telegráficas tornou-o pessoa indicada para a realização da grande tarefa de construir uma linha telegráfica que ligasse o vale do Alto Madeira (Santo Antônio) a Cuiabá. A abertura da linha telegráfica, que ligaria os sertões do Mato Grosso ao Amazonas, foi uma obra de grandes proporções que se destinava a tirar do isolamento as regiões do extremo Oeste e Norte do país. Tomava- se imprescindível romper os grandes “vazios” do Brasil, incorporando-os ao que, então, era considerado como civilização. Rondon foi encarregado pelo presidente Afonso Pena, em 1907, de chefiar uma nova comissão que ligaria, por linha telegráfica, Cuiabá ao Amazonas, uma vez que já existia uma linha telegráfica ligando Cuiabá ao Rio de Janeiro. Assim, pretendia-se estabelecer uma ligação telegráfica que abrangesse todo o território nacional e integrasse, mesmo, as regiões mais remotas e distantes. 1.21. A Comissão Rondon e a Linha telegráfica 48 O contingente de trabalhadores era formado por civis e militares. Grande parcela deste contingente era arregimentado de forma violenta, por intermédio de prisões e degredos. Foi este o caso dos marinheiros envolvidos na Revolta da Chibata em 1910, colocados pelo Capitão Matos Costa para servir nos trabalhos da linha telegráfica. A coerção e a violência física eram utilizadas para evitar as fugas e manter em ritmo acelerado os trabalhos, uma vez que a região inóspita e insalubre levava os trabalhadores a um permanente espírito de deserção e insubordinação. Os trabalhos foram realizados através da abertura de 3 seções encarregadas da construção da linha telegráfica: a) um ramal partiria de São Luís de Cárceres até atingir a cidade de Mato Grosso (antiga Vila Bela da Santíssima Trindade); b) A linha tronco ligaria Cuiabá a Santo Antônio do Madeira; c) Essa seção realizaria trabalhos de exploração e reconhecimento da região. Os trabalhos foram realizados em ritmo acelerado. Entre os anos de 1907 a 1915, foram construídos 2270 Km de linhas telegráficas com um total de 28 estações. A abertura dos picadões era feita manualmente ao longo de toda a linha, variando sua largura de 6 a 100 metros. A importância da obra é imensurável, pois fixou núcleos de povoamento na região que, mais tarde, viria a ser Rondônia, como: Vilhena, Pimenta Bueno e Jaru. A partir do traçado da linha telegráfica, o etnólogo Roquette Pinto propôs a construção de uma rodovia. Seu sonho viria a se concretizar na segunda metade do século XX, com a abertura da BR 364. Deve-se ressaltar ainda, a importância dos estudos e trabalhos desenvolvidos pela Comissão Rondon nas áreas de botânica, zoologia, mineralogia e geografia. Em 1913, Rondon participou de uma expedição pelos sertões do extremo oeste e da Amazônia brasileira juntamente com o ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. A expedição Roosevelt-Rondon desenvolveu estudos zoobotânicos, geográficos, etnológicos e promoveu a exploração de vasta extensão de territórios que hoje integram o Estado de Rondônia. Esta expedição explorou o rio da Dúvida em toda sua extensão, denominando-o rio Roosevelt em homenagem ao ex- presidente norte-americano. Em seu avanço sobre os sertões do oeste pacificou várias tribos. Dentre elas encontravam-se: a) Parecis, destacando-se três grupos, Caxiniti, Uimaré e Cazarini (estes últimos habitando as cabeceiras dos rios Juruena, Jauru, Guaporé, Cabaçal e Juba); b) Nambikwaras, chamados de Uaikoakores pelos Parecis. Dividiam-se em diversos grupos, Congorês, Nenês, Uaindezês, Anezêses, Iquês, Mamaindês, Tomá- Indês, Malondês, Nova-Itês, Iaiás; c) Kepiquiri-Uats, habitavam o vale do rio Pimenta Bueno e em seu grupo destacavam-se Charamein, Uapurutá, Bicop-Vat e Baxe-Pit; d) Ariquemes, localizados no vale do rio Jamari, foram perseguidos por bolivianos e brasileiros e migraram para as cabeceiras do rio Madeira. Um importante resultado dessa comissão foi a criação do Serviço de Proteção ao Índio e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPILTN) através do Decreto 8.072, de 20 de julho de 1910, assinado pelo presidente Nilo Peçanha (1867-1924). O SPILTN ficou subordinado ao Ministério da Agricultura. Mais tarde, o SPI viria a se transformar em FUNAI. 49 A Expedição Roosevelt/Rondon de 1913. https://clionainternet.files.wordpress.com/2012/09/4_1_1-img2.jpg?w=300&h=202 1.22. Aluízio Ferreira e a criação do Território Federal do Guaporé. No processo de criação do Território Federal do Guaporé destaca-se a figura de Aluízio Ferreira, um dos principais defensores da ideia. Aluízio era formado oficial do exército pela Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro. Foi militante do revolucionário movimento que ficou conhecido como Tenentismo. Com o fracasso da Revolução de 1924 no Amazonas, alguns revolucionários refugiaram-se nas florestas da região para não se entregarem às forças legalistas. O tenente Aluízio Ferreira fugiu para o vales do Mamoré e Guaporé onde passou a exercer atividades no seringal Laranjeira, de propriedade de Américo Cassara. No seringal, Aluízio iniciou estudos sobre os indígenas regionais, notadamente os Macurape da região entre os rios Corumbiara e Branco. No ano de 1928, apresentou-se às autoridades militares em Belém do Pará, ficando preso por sete meses, sendo julgado e absolvido. Da prisão, escreveu ao Gal. Rondon expondo o resultado de suas pesquisas sobre os indígenas do Guaporé e, ao ser libertado, encontrou-se com este sertanista que o convidou para assumir a subchefia do posto telegráfico do município de Santo Antônio do Madeira. Seus vínculos com o Tenentismo levaram o presidente Getúlio Vargas a nomeá-lo interventor na EFMM. O processo de intervenção federal na EFMM foi concretizado em 10 de julho de 1931, através do Decreto Lei n°. 20.200, assinado pelo Presidente da República Getúlio Vargas. 50 O primeiro Governador do Território Federal do Guaporé: Aluízio Pinheiro Ferreira. http://www.rondoniaovivo.com/imagens/image/aluizio_Ferrei- ra(1).jpg O contrato com a Madeira Mamoré Railway Company foi rescindido através do Decreto n°. 1547, de 5 de abril de 1937, sendo a ferrovia estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. Desta forma garantiu-se a continuidadedos serviços prestados pela EFMM até 1972. Em função de sua amizade com Rondon, Aluízio realizou a defesa daquele militar diante da acusação de corrupção administrativa, impedindo, ainda a derrubada dos postes da linha telegráfica erguida na região que viria a ser, mais tarde, o estado de Rondônia. Por iniciativa de Aluízio Ferreira, o Ministério da Guerra do governo Vargas criou, em 9132, três contingentes militares de fronteira sediados em Porto Velho, Guajará-Mirim e no Forte Príncipe da Beira, medida importante para garantir o povoamento, guarda e ocupação permanente da região. A ele coube, ainda a iniciativa de criação de diversas colônias agrícolas no eixo da ferrovia Madeira-Mamoré, aproveitando a mão de obra ociosa dos seringueiros, uma vez que a produção de borracha estava em crise na década de 1930. Dentre essas colônias destacaram-se o Iata, Poço Doce, Viçosa, Mutum Paraná e Jaci Paraná. Todas tiveram um relevante papel no abastecimento de gêneros agrícolas e pecuaristas na região, até a abertura da rodovia Br 364. Em 1937, lideranças da sociedade de Guajará- Mirim dirigem um abaixo assinado ao presidente Getúlio Vargas, solicitando a criação de um Território Federal que abrangesse os municípios de Porto Velho, Santo Antônio e Guajará-Mirim. Em 1940, o presidente Getúlio Vargas visitou a Amazônia e proferiu, em Manaus, o “Discurso do Rio Amazonas”. Em sua visita a Porto Velho, o presidente da República constatou a necessidade da criação do Território Federal do Guaporé. Em 13 de setembro de 1943, Getúlio Vargas assinou o Decreto Lei nº 5.812, criando o Território Federal do Guaporé, que, originalmente, era formado pelos municípios de Santo Antônio do Madeira, Porto Velho, Guajará Mirim e Lábrea. Com a alteração da delimitação da área física do Território do Guaporé, ocorrida em 1945, sobraram apenas dois municípios, Porto Velho e Guajará Mirim. Lábrea, que só se comunicava com Manaus por via fluvial, foi devolvida ao Amazonas e Santo Antônio foi extinto. Essa situação manteve-se até a década de 1970. A extensa obra política e administrativa de Aluízio Ferreira levou-o a ser o primeiro governador do recém criado Território Federal do Guaporé, cargo que ocupou até 1946. Em 17 de fevereiro de 1956, o Dec. Lei 51 nº. 2.731, de autoria do Deputado Federal do Amazonas Áureo de Melo, alterou o nome do Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia. 1.23. Os primeiros municípios do Território Federal do Guaporé (Rondônia). 1.23.1. Santo Antônio do Madeira A povoação de Santo Antônio do Rio Madeira surgiu no século XIX, embora já houvessem ocorrido tentativas de ocupação colonial da área desde o século XVIII, quando o Padre João Sampaio SJ, tentou fundar ali uma Missão Religiosa. Como as demais povoações do Madeira, Santo Antônio nasceu em função da atividade extrativista. Era o ponto de embarque e desembarque para quem se dirigia a Belém ou Manaus ou subindo o rio em direção ao Mato Grosso e à Bolívia. Santo Antônio do Madeira. Arquivo/SECEL O desenvolvimento de Santo Antônio foi alavancado a partir do estabelecimento de um contingente militar na região, por ocasião da Guerra do Paraguai e, posteriormente, com as primeiras tentativas de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O extrativismo e as necessidades de exportação e importação de produtos por parte de populações bolivianas da região do Beni, também, foram fatores relevantes para assegurar a ocupação permanente e o povoamento de Santo Antônio. Com o início das obras da EFMM, em 1907, Santo Antônio passou a receber uma quantidade de pessoas muito maior do que a população residente. Os trabalhadores da ferrovia buscavam Santo Antônio para diversão, relacionamentos com prostitutas, bebidas e alimentação fora daquilo que era determinado em, Porto Velho, pela administração ferroviária. A vila de Santo Antônio cresceu, mas ficou conhecida por sua insalubridade e pela precariedade das condições de vida. O povoado foi elevado à condição de município do estado de Mato Grosso e, quando visitado por Oswaldo Cruz, em 1910, apresentava uma taxa de mortalidade infantil de 100%. Nenhuma criança nascida na localidade, naquele ano, havia sobrevivido. Santo Antônio entrou em decadência na medida em que Porto Velho se desenvolveu. Em 1945, a reordenação dos municípios e área do Território Federal do Guaporé, feita através do Decreto Lei nº. 7.470, extinguiu o município de Santo Antônio, tendo sua área sido anexada a Porto Velho. 52 1.23.2. Porto Velho A localidade de Porto Velho formou-se a partir da área onde se deu início às obras da EFMM, em 1907, para, depois, deslocar-se para um trecho situado 7 km abaixo de Santo Antônio, já no estado do Amazonas, em uma área anteriormente ocupada por um destacamento militar do Império do Brasil durante a Guerra do Paraguai, nas imediações da área conhecida como Cai N’Água. No dizer de Oswaldo Cruz, a localidade era um cenário desordenado marcado pela insalubridade e pelo impaludismo. Além das edificações de uso da EFMM, propriamente no que toca às suas atividades industrial e ferroviária, foram construídas residências, alojamentos, usina de geração de eletricidade, sistema de telefonia, captação de água, hospital, porto fluvial, armazém para o abastecimento dos funcionários, lavanderia e até uma fábrica de biscoitos e outra de gelo. Avenida Rio Branco em Porto Velho, primeira metade do século XX. Fonte: Arquivo/SECEL 53 As origens de Porto Velho ligam-se á construção da Estrada de Ferro Madeira -Mamoré. (foto de Dana Merril - 1912) Já nas primeiras décadas do século surgiu a localidade denominada de Alto do Bode, originalmente chamada Barbadian Town, pois era a área de residência dos trabalhadores negros caribenhos, denominados barbadianos. Ao longo da ferrovia, a Companhia definiu uma cerca que separava os territórios administrados pela Madeira Mamoré Company das áreas habitadas por outras populações não diretamente ligadas à ferrovia. Está divisão cercada situava-se na área em que hoje está a Avenida Presidente Dutra e chamou-se Linha Divisória. De um lado ficava uma localidade asséptica, bem estruturada e administrada pelos estrangeiros que controlavam a ferrovia. Aí existia energia elétrica, boas residências, uma comissaria que abastecia os trabalhadores com produtos importados, água tratada, fábrica de gelo e de biscoitos ingleses, cinema e jornais periódicos que circulavam em língua inglesa. Fora dos limites da linha divisória existia a continuidade da localidade denominada Porto Velho, formada por casebres de palha e madeira, sem nenhum tipo de infraestrutura sanitária ou conforto e aglomerada em núcleos que viriam a formar o primeiro bairro periférico de Porto Velho, o Mocambo. Essa área era formada por todo tipo de pessoas que chegavam à região e por trabalhadores que haviam sido demitidos pela administração da Madeira Mamoré Railway Company. Em 1914, dois anos após a conclusão da ferrovia, foi criado município de Porto Velho através da Lei no. 757, sancionada pelo presidente do estado do Amazonas Jonathas Pedrosa. Em 1915, chegou a Porto Velho e tomou posse no cargo de intendente municipal o Major de Engenharia do Exército, Fernando Guapindaia, que entrou em atrito com a administração da ferrovia em função de sua exigência de eliminação da Linha Divisória. 54 1.23.3. Guajará-Mirim Estação Ferroviária de Guajará-Mirim https://cmexploreramazonia.wordpress.com/sobre/guajara-mirim/#jp-carousel-623 Até os anos finais do século XIX, Guajará-Mirim constituía-se apenas de alguns seringais, sem nenhuma povoação que chamasse a atenção. Com a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, teve início a formação de um núcleo urbano a partir do ponto final da estrada de ferro. Em 8 de outubro de 1912, foi instalado um posto fiscal em Guajará-Mirim, administrado pelo guarda Manoel Tibúrcio Dutra.O município foi criado em 1928, pela Lei nº. 991, assinada pelo presidente do estado do Mato Grosso, Mário Correia da Costa. A instalação do município da Comarca ocorreu em 10 de abril de 1929, sendo nomeado como chefe do executivo o 1° tenente Manoel Boucinhas de Menezes. Guajará-Mirim era servida por algumas dezenas de embarcações de bandeira nacional e boliviana. Vapores de roda na popa, lanchas a hélice, além de outros tipos de embarcação faziam o percurso de 8 a 15 dias pelo Guaporé até Vila Bela e pelo Mamoré até a capital do Beni, Trinidad. 1.24. Os garimpos de cassiterita de pedras preciosas A mineração sempre foi um importante fator no povoamento e colonização das terras que formam o estado de Rondônia. Desde o período colonial, o ouro determinou a colonização portuguesa do Vale do Guaporé. Em 1951, foi descoberto diamante no rio Machado, também denominado Ji-Paraná, em cujas margens existia um posto telegráfico construído pela Comissão Rondon e pequena povoação denominada Vila de Rondônia, hoje município de Ji-Paraná, provocando um fluxo de garimpeiros para a região. Em 1955, foi descoberta a cassiterita nas terras do Sr. Joaquim Rocha, seringalista do rio Machadinho, afluente do Ji-Paraná. No ano de 1956, esse seringalista iniciou a exploração da cassiterita em suas terras, seguido pelo seringalista Moacir Mota. Até 1959, os dois foram os únicos a explorarem a cassiterita em Rondônia. 55 Nessa época, o transporte da cassiterita do rio Machadinho era feito através de via fluvial até Porto Velho e durava quarenta dias. A finalização da abertura da rodovia que ligaria o vale do Machadinho a Porto Velho e o apoio do governo às pesquisas do subsolo e financiamento à produção eram as maiores aspirações dos produtores. A partir do início da década de 1960, começou uma nova onda migratória composta por garimpeiros em busca da cassiterita, reaquecendo a economia local. A importância do extrativismo mineral fez com que o governo federal criasse a Província Estanífera de Rondônia, que abrangia também parte do Acre, Amazonas e Mato Grosso. Em 1970, através de portaria, o Ministro das Minas e Energia proibiu a garimpagem manual de cassiterita, o que levou a economia do Território a entrar novamente em colapso. Somente empresas com capitais suficientes para mecanizar a produção poderiam explorar o minério. Calculava-se em dez mil o número de pessoas ligadas diretamente a garimpagem e trinta mil, indiretamente, para uma população de cem mil habitantes. O exército foi encarregado de “reunir” os garimpeiros e encaminhá-los aos aviões da FAB, de onde seriam “despejados” em outras regiões do país. A proibição causou falências no comércio e um enorme desemprego. A arrecadação caiu em 70% e o Brasil passou a importar o estanho que, anteriormente, exportava. Os antigos seringalistas passaram a receber royalties pela exploração de suas terras. O fechamento do garimpo manual trouxe como consequências a desestruturação da economia regional e o fortalecimento da oposição política territorial, encabeçada pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) contra a situação governista liderada pela a ARENA. A proibição do garimpo manual de cassiterita permitiu, por outro lado, a entrada de grandes mineradoras transnacionais na região, destacando-se: Brumadinho, Patino, Brascan, Paranapanema. 55 56 A primeira tentativa de construção de uma rodovia que ligasse o Território Federal do Guaporé ao restante do país foi iniciada por Aluízio Ferreira em 1934, com o nome da Rodovia Amazonas-Mato Grosso, cujo trajeto deveria seguir o percurso paralelo à Linha Telegráfica instalada pela Comissão Rondon. Entretanto, essa tentativa foi paralisada em 1945. Em 15 de março de 1960, o Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, criou, através do Decreto n°. 47.933, a Comissão Especial de Construção da Rodovia Brasília-Acre, determinando que as obras fossem concluídas em dezembro daquele ano. Entretanto, a rodovia foi inaugurada em 13 de janeiro de 1961. Originalmente, a rodovia se chamou BR 029 e, posteriormente, BR 364. O Presidente da República Juscelino Kubitschek fotografado durante cerimônia de derrubada da última árvore na abertura da rodovia BR 364. Fonte: Arquivo Gente de Opinião. 1.25. A abertura da BR 364 Com a construção da rodovia, as condições para o povoamento do estado estavam dadas, revelando- se ainda uma iniciativa importante não somente para Rondônia, mas também para os estados vizinhos cuja ligação por terra com o Centro-Sul do país tornou-se possível. A construção da BR 364 esteve a cargo da empreiteira Camargo Correia e estendeu-se dentro do Território Federal de Rondônia no sentido Sudeste- Noroeste. A partir de 1966, ficou completada a ligação entre Cuiabá e Porto Velho através dos trabalhos realizados pelo 5° Batalhão de Engenharia e Construção, incumbido pelo governo militar de concluir a construção da Rodovia Brasília-Acre e de mantê-la em condições satisfatórias de tráfego. 57 A chegada do 5° BEC trouxe visíveis transformações para o Território e para a cidade de Porto Velho. Dentre estas medidas destaca-se o despejo dos moradores do bairro da Baixa da União para o recém-criado bairro da Liberdade. Seus trabalhos de manutenção da BR 364 foram fundamentais para garantir o abastecimento da cidade e do Território durante as décadas de 1960 e 1970. Notável também foi o trabalho desenvolvido pelo 5° BEC na a construção do trecho rodoviário que ligaria Porto Velho a Guajará-Mirim. A pavimentação da BR 364 foi obra tanto do 5° BEC, quanto de construtoras civis como a Andrade Gutierrez. Ao todo, foram assinados dezenove contratos para a pavimentação da BR 364 no trecho que vai de Cárceres, no Mato Grosso, a Ariquemes, em Rondônia. As obras foram concluídas em 1984, durante o governo do Coronel Jorge Teixeira de Oliveira e sob a presidência do General João Batista Figueiredo. 1.25. A colonização recente O surto decisivo para o colonização permanente de Rondônia ocorreu a partir da década de 1970, em função da disponibilidade de terras oferecidas pelo INCRA e pelos governos do território e Federal para o assentamento de milhares de famílias de agricultores e pecuaristas, que abandonavam seus estados em função de pressões diversas. A abertura e condições minimamente satisfatórias de tráfego e, posteriormente, a pavimentação da rodovia BR 364 foram fatores decisivos para impulsionar a migração e a colonização do eixo rodoviário e estabelecer novos núcleos urbanos que viriam a se constituir em municípios do Estado de Rondônia. Em Porto Velho, como consequência desse fenômeno, o crescimento populacional assumiu grandes proporções atingindo, em 1991, um percentual de 467% em relação à população existente em 1980, infinitamente superior às taxas de crescimento de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte. O fluxo migratório, da década de 1970, possuía características diferentes dos anteriores. Até esse período, as migrações ocorreram em função da busca de riquezas naturais, portanto os migrantes eram extratores, seringueiros e mineradores, estes últimos, marcadamente nômades. A partir da década de 1970, a migração ocorreu em torno da busca por terras para a agricultura. Eram pequenos agricultores com suas famílias que procuravam Rondônia na esperança de ter acesso à terra, portanto caracteristicamente sedentários. Dentre os municípios formados em função da migração agropastoril destacaram-se os do eixo da rodovia Br 364, tais como Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná (antiga Vila Rondônia), Ariquemes, Ouro Preto d’Oeste, Jaru, Presidente Médice e Pimenta Bueno. Em alguns casos já existiam núcleos de povoamento anteriores à entrada das famílias de agricultores, como é ocaso de Vilhena, Ji- Paraná e Ariquemes. Fora do eixo da Br 364, a colonização implementou a ocupação de outras áreas e abertura de novas estradas, como foi o caso dado Maranhão assume o cargo com ordens de libertar todos os indígenas escravizados, provocando revoltas dos colonos no Maranhão e no Pará. No Pará, inicia-se a revolta dos colonos, que exigem a expulsão dos jesuítas. Em 17 de outubro, uma Provisão Real determina que os oficiais das câmaras do Pará e Maranhão investiguem se os indígenas escravizados o são em conformidade com a lei. Os procuradores do Grão Pará e Maranhão conseguem, em Lisboa, uma Provisão Real contra os jesuítas. Derrota final dos holandeses no Brasil. Um padre estima que na Amazônia, nos trinta e dois anos anteriores, morreram dois milhões de indígenas pertencentes a quatrocentas aldeias como resultado das guerras e da brutal escravização a que foram submetidos. Em 9 de abril, o padre Antônio Vieira consegue, em Portugal, uma Provisão Real, que concede aos jesuítas o privilegio de autorizar e dirigir as guerras justas, provocando o descontentamento dos colonos. Em 14 de abril, um regimento concedido aos governadores do Maranhão e Grão Pará determina que as administrações 1624: 1641: 1625: 1647: 1626: 1630: 1632: 1637: 1639: 1640: 1649: 1652: 1653: 1654: 1655: 7 das aldeias fossem dadas a uma única ordem religiosa, preferencialmente à Companhia de Jesus. Impede os missionários de utilizarem os indígenas em suas lavouras. Em 12 de julho, um Alvará Régio determina o tipo de serviço a ser prestado e a remuneração dos indígenas. Como resultado do descontentamento provocado pela Lei de 1655, os colonos expulsam os missionários da Amazônia. Em 12 de setembro, os colonos do Grão Pará e Maranhão revoltam-se contra a jurisdição dos jesuítas sobre os indígenas. D. Afonso VI expede Provisão Real impedindo a jurisdição temporal dos religiosos sobre os indígenas, entregando-a aos principais das aldeias. Criada a Capitania da Ilha de Joanes (Ilha de Marajó). Em 23 de janeiro, o governador geral do Brasil recebe uma provisão ordenando a repartição de terras entre os índios e a manutenção de seus privilégios. Em 9 de abril, a Câmara de São Luiz embarga a Provisão Régia e a Junta Geral composta pelo clero, a nobreza e os “homens bons”, com a presença do governador suspende a execução da provisão. O rei expede outra Provisão Real impedindo ao clero de participar da repartição dos índios entregues às câmaras. Os jesuítas Manoel Pires e Garzoni fundam, na foz do rio Madeira, a missão de Tupinambarana. Fundação de da povoação de São José do Rio Negro (Manaus). Os missionários retornam ao controle das aldeias. Criada a Companhia de Comércio do Maranhão. Revolta de Beckman contra o monopólio da Companhia de Comércio, no Maranhão. Em 21 de dezembro, é aprovado o Regimento das Missões que estabelece o controle das aldeias pelos jesuítas. Pela Carta Régia de 29 de novembro, os indígenas dos rios Negro, Solimões e Branco são entregues pelo governo português aos Padres Carmelitas. Estabelece ainda como área de catequese dos carmelitas o rio Negro, entregando o Urubu aos padres mercedários e a margem esquerda do Amazonas até o Urubu aos religiosos da Piedade e de Santo Antônio. Carta Régia entrega aos franciscanos as missões do baixo Amazonas. Os luso-brasileiros tomam posse dos rios Solimões, Negro, Branco e da costa do Amapá. Portugal e França firmam o Tratado de Utrecht, no qual Portugal reconhece os direitos franceses sobre a Guiana Francesa e a França reconhece os direitos de Portugal sobre as duas margens do rio Amazonas. Carta Régia entrega à catequese os índios das missões do Urubu, Anibá, Uatumá e trechos do baixo Amazonas aos mercedários. O Capitão João de Barros Guerra organiza uma tropa de resgate que sobe o rio Madeira e aprisiona indígenas Mura. Os Torá descem o Rio Madeira e, no Rio Amazonas, atacam vários estabelecimentos coloniais e embarcações. Em represália, inicia-se feroz perseguição a esses indígenas. 1656: 1682: 1661: 1663: 1665: 1667: 1669: 1674: 1680: 1684: 1686: 1694: 1707: 1709: 1713: 1714: 1716: 8 Paschoal Moreira Cabral descobre ouro no Mato Grosso, nos rios Cuiabá e Coxipó. É fundado o arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Miguel Sutil descobre ouro em Cuiabá (lavras do Sutil). Em 11 de novembro, Francisco Mello Palheta inicia uma bandeira fluvial, parte de Belém do Pará, navega pelos rios Madeira e Guaporé, estabelece marco fronteiriços e chega até às missões jesuíticas guaporeanas espanholas de São Miguel e Santa Cruz de Cajubava. O jesuíta João Sampaio funda a missão de Santo Antônio das Cachoeiras do Rio Madeira, que atacada por indígenas, mosquitos, desabastecimento e malária mudou-se diversas vezes de localização até fixar-se na região onde hoje é Borba (AM). Crise na mineração do Cuiabá. Em 6 de março, uma Provisão Real do governo português contra os nativos Payaguá passa a oferecer condições para a ocupação de novos sítios de mineração. Em 27 de outubro, uma Ordem Régia proíbe a abertura de novos caminhos para as minas do Mato Grosso. Os irmãos Fernão e Arthur Pais de Barros descobrem ouro nas margens do rio Guaporé. Charles Marie de La Condamine realiza uma expedição científica pela Amazônia, denomina a seringueira de Hévea brasiliensis. Apresenta os objetos de látex feitos pelos indígenas à sociedade científica de Paris. A Europa ignora a borracha. A navegação no Rio Madeira é proibida pelo rei de Portugal na tentativa de inibir o contrabando com a colônia espanhola. Manuel Félix de Lima organiza uma expedição que navega pelas águas proibidas dos rios Guaporé e Madeira, chegando até Belém do Pará, onde é preso e encaminhado para Lisboa. Provisão Real cria o distrito de Pouso Alegre para garantir o domínio sobre o Mato Grosso. Jesuítas espanhóis fundam Santa Rosa na margem direita do Rio Guaporé, nas proximidades de sua confluência com o rio São Miguel. Provisão Régia anula aquela de 1743 e eleva o distrito de Pouso Alegre à categoria de município com o nome de Vila Bela da Santíssima Trindade onde, futuramente, seria erigida a primeira capital de Mato Grosso. Por Provisão Régia é elevado o distrito de Pouso Alegre à categoria de município, recebendo o nome de Vila Bela da Santíssima Trindade; o ato somente seria concretizado com a chegada de Rolim de Moura. Criação da Capitania de Goiás. Em 9 de maio, é criada, por Alvará Régio, a Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, abrangendo terras que hoje integram o estado de Rondônia, desmembrada da Capitania de São Paulo, então governada pelo Capitão-General Dom Rodrigo César de Menezes. D. Antônio Rolim de Moura Tavares é nomeado Capitão- General do Mato Grosso. Assinado o Tratado de Madri que estabelece o rio Guaporé como fronteira entre colônia espanhola (Bolívia) e colônia portuguesa ( Brasil ). Extinto o Estado do Maranhão e Grão Pará e criada a Capitania do Grão Pará e Maranhão. Nomeação de Francisco Xavier de Mendonça Furtado (meio irmão de Pombal) que governa o Grão Pará entre esse ano e 1759. 1718: 1736: 1719: 1722: 1728: 1729/1730: 1732: 1733: 1734: 1735: 1742: 1743: 1746: 1748: 1750: 1751: 9 Chega ao Guaporé (Mato Grosso) o primeiro Capitão- General (Governador) Dom Antônio Rolim de Moura. Em 19 de março, instala a primeira capital do Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade. Fundação do quilombo do Quariterê ou Piolho. A Provisão Régia de 14 de novembro permite a navegação pelos vales do Guaporé, Madeira e Amazonas, estabelecendo a ligação comercial entre Vila Bela e Belém do Pará e proíbe a comunicação entre as duas capitanias por qualquer outro caminho fluvial. É aprovado o Diretório dos Índios, contudo o governo português não o publica de imediato temendo a reação contrária dos colonos. A Carta Régia de 3 de março cria a Capitania de São José do Rio Negro (Amazonas) e é nomeado seu governador Joaquim de Melo Póvoas. Criada a Companhia de Comércio do Grão Pará e Maranhão. Rolim de Moura cria, em 07 de fevereiro, uma esquadra de pedestres composta do segmento mais baixorodovia Br 429, onde surgiram novos municípios como Rolim de Moura, São Miguel, Seringueiras, São Francisco e Alvorada d’Oeste. Durante até aproximadamente a metade da década de 1980 continuava intenso o fluxo migratório para Rondônia e, em 1986, o percentual de crescimento ainda era alto (91,74%), tanto se ‘comparado aos períodos anteriores, como se comparado ao nacional (21,15%) e regional (50,17%). Deve-se ressaltar que esta foi a década de maior incremento populacional da região Norte, que cresceu a uma taxa média geométrica de 5.19%, maior que 58 a do período anterior que já havia sido também a maior dentre todas as regiões do país. Nos territórios federais, as terras são de propriedade da União e definidas como devolutas federais. Por volta de 1970, o INCRA iniciou os primeiros projetos de colonização: o Projeto Ouro Preto (a 330 km de Porto Velho), Projeto Ji-Paraná, Projeto Sidney Girão, Projeto Vilhena e Projeto Burareiro. Os migrantes vinham para Rondônia confiantes nesses projetos, chegando à razão de três mil famílias por ano. O INCRA, contudo, não conseguiu efetuar o assentamento sequer de 1/3 dessas famílias, justificando-se pela falta de verbas para desenvolvê-los. Foi grande a disputa por terras e as lutas entre colonos, posseiros e grileiros. Grandes grupos agroindustriais do Centro-Sul tentavam grilar as terras, resultando em conflitos violentos com os posseiros. Esses grupos mantinham esquadrões armados para expulsar ou mesmo eliminar posseiros situados em terras que consideravam suas. Resulta dessa fase o mais triste massacre de trabalhadores rurais de Rondônia, conhecido como massacre de Corumbiara. 1.26. Os garimpos de ouro do Rio Madeira Segundo uma estimativa do DNPM, em 1987, o Brasil produziu 120 toneladas de ouro e, em 1989, 130 toneladas, a maior parte (90%) proveniente dos garimpos amazônicos. Esses volumes permitem concluir que a corrida do ouro na Amazônia superou, em produção, o mesmo fenômeno ‘ocorrido na Califórnia, onde, entre 1848 e 1856, produziu-se em média 80 toneladas de ouro ao ano. Em 1979, chegaram em Rondônia alguns garimpeiros atraídos pela notícia de que o rio Madeira era rico em ouro. O DNPM liberou para a garimpagem a área de Abunã, cuja exploração encetada revelou-se abundante, atraindo com a divulgação dos resultados iniciais garimpeiros de outros estados. Depois de Abunã, passou-se a explorar ouro em outros pontos do rio Madeira como: Teotônio, Morrinhos, Caldeirão do Inferno, Araras, Penha e Chocolatal. Em 1980, começaram a chegar as primeiras balsas vindas do Pará, a maior parte de Itaituba e Santarém. Foram explorados também garimpos menores, em terra firme, cuja participação sobre a produção do Estado nunca adquiriu a importância dos garimpos fluviais. Cite-se entre as áreas de garimpos de terra firme os de Serra sem Calça, Nova Brasilândia, Vaga-lume, Faya e Serra do Top Less. Do rio Madeira, muitos garimpeiros transpuseram a fronteira indo explorar os rios bolivianos como o Beni e o rio Madre de Dios. A insegurança e o clima de violência faziam parte do cotidiano dos garimpos: roubos, mortes e tóxicos. Na competição pelo ouro, cortavam-se as cordas que ancoravam as balsas de maneira que estas iam de encontro as cachoeiras. As mangueiras que supriam de ar os mergulhadores também eram cortadas, a prostituição e a bebida propiciaram inúmeras mortes, além da malária e de outras doenças tropicais. Em 1981, a polícia interferiu no garimpo proibindo a entrada de mulheres retirando as que lá estavam, impedindo a entrada de bebidas alcoólicas e prendendo contrabandistas, ladrões e pistoleiros. Em Rondônia essa atividade ocupou milhares de trabalhadores e sua renda estimulou a economia particularmente no ramo de máquinas e equipamentos, da construção civil e do setor de diversões públicas. A intensificação da garimpagem produziu também um assustador aumento do custo de vida em Porto Velho. Segundo a FIERO, em 1987, atuavam na 59 exploração do ouro em Rondônia 600 dragas, 450 balsas, além de equipes de garimpeiros manuais. Nesse mesmo ano, trabalhavam diretamente no garimpo de ouro em Rondônia 3.450 garimpeiros e indiretamente, segundo estimativa da mesma fonte, mais de 2.000 pessoas. Mais de 90% desse conjunto operava no garimpo do rio Madeira. A partir de meados dos anos 90, uma parte deles encontrava- se em fase de exaustão. As consequências e os impactos ambientais não foram levados em conta e a contaminação do rio Madeira com metais pesados, como o mercúrio, foi grande. Pavimentação da BR 429 – http://4.bp.blogspot.com/--Ygi6-xEQIo/ThEjsUIQURI/AAAAAAAAA0M/Ms2zIZ7WPf0/s1600/asfaltamento+br429+2011.png Ao lado disso, a região passou por uma intensificação da criminalidade, prostituição, tráfico de drogas, expansão das DSTs e assoreamento do rio. Em princípios da década de 1990, o governo federal, então exercido pelo Presidente Fernando Collor de Mello, ordenou o fechamento dos garimpos do Madeira, provocando um súbito colapso na economia de municípios como Porto Velho e Guajará Mirim e aumentando, dramaticamente, as periferias dessas cidades, formadas, então, por grupos cronicamente excluídos dos mercados de trabalho, o que aumentava a violência e a criminalidade. 1.27. Novas estradas e a interiorização da colonização em Rondônia. 1.27.1. A BR 429. 60 A BR 429, também chamada rodovia da integração, é uma obra construída nos anos 1980. Sua abertura deu-se em função da necessidade de alocar os novos colonizadores que migravam para Rondônia, uma vez que o eixo da rodovia BR 364 já se encontrava saturado. A BR 429 localiza-se no estado de Rondônia e serve a seis municípios: Presidente Médici, Alvorada do Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé e Costa Marques, que faz fronteira com a Bolívia. Essa é a estrada que liga o vale do Guaporé ao restante do estado de Rondônia e este, ao restante do país. Sua abertura possibilitou o avanço das frentes de colonização, que foram responsáveis pelo povoamento de Rondônia nas décadas de 1960 a 1990. Assim, em suas margens surgiram os municípios de Alvorada do Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras e São Francisco do Guaporé. Além disso, a rodovia estimula o crescimento de municípios vizinhos como é o caso de Alta Floresta, Nova Brasilândia, Urupá, Castanheira e outros. A rodovia BR 429 cortou áreas de floresta habitadas por populações indígenas como os Uru-Eu-Wau-Wau, Juma e os Oró Win, além de grupos quilombolas, seringueiros e poaieiros diversos. A estrada estabeleceu o contato dessas populações, até então isoladas, com outros grupos de colonizadores que fundavam suas fazendas, abriam sítios nas terras que antes eram ocupadas por elas e nas florestas derrubadas, de onde retiraram madeira e formaram seus pastos e lavouras. Com a abertura e ocupação agrária da nova rodovia surgiram os novos núcleos urbanos que viriam a ser os municípios do vale do Guaporé. Em alguns desses municípios estão localizados os últimos grupos quilombolas do estado de Rondônia. O contato entre os novos colonizadores e os quilombolas gerou impactos diversos, como a reorganização fundiária da região e a perda de terras quilombolas para projetos de assentamento agrário ou para a criação de reservas ambientais como a REBIO Guaporé e a RESEX Pedras Negras. A pavimentação da rodovia, iniciada em 2007, prosseguiu pelos anos até 2012, restando, em 2014, um pequeno trecho a ser concluído em função de sobreposição junto a um grande sítio arqueológico. As comunidades tradicionais residentes na região foram impactadas diretamente e a pavimentação trouxe-lhes o contato, o confronto e o conflito. Por outro lado, as comunidades, em graus diferentes, consideram que a abertura e pavimentação da rodovia BR 429, criou oportunidades para a integração e solução de problemas, até então muito difíceis, como o acesso aos municípios e seus serviços.Para as populações rurais, a abertura e a pavimentação são processos que se complementam e são considerados indispensáveis a seu progresso e à manutenção da terra e de sua produtividade. Para os municípios, a pavimentação da rodovia pôs fim a décadas de isolamento e precariedade, facilitando o abastecimento, a integração com o restante do estado de Rondônia e do Brasil e possibilitando condições mais favoráveis para o escoamento de suas produções. 1.27.2. A BR 425: A BR-425 é uma rodovia federal que liga Abunã (distrito de Porto Velho) a Guajará-Mirim, em Rondônia e no seu percurso, passa pelo município de Nova Mamoré. Essa rodovia foi aberta como alternativa à ferrovia Madeira Mamoré, desativada em 1970, quando o 5º Batalhão de Engenharia e Construção – 5º BEC, envidou esforços para a criação de uma rodovia federal, que possibilitasse a continuidade da ligação terrestre entre os municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim. A rodovia foi pavimentada ao longo da década de 1980 e sua situação precária foi essencialmente 61 agravada pela grande enchente de 2014, quando os rios Mamoré e Madeira transbordaram de seus leitos naturais e invadiram as pistas das rodovias BR 364 e BR 425, inviabilizando a ligação entre os municípios e impondo o isolamento aos municípios do vale do Mamoré. Tal situação foi precariamente solucionada com uma medida extrema, que implicou na abertura de uma estrada rodoviária no parque estadual de Guajará-Mirim, ligando a região à rodovia BR 421. Os trabalhos de abertura da Estrada Parque começaram no dia 19 de março de 2014, após visita da O Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, primeiro governador do Estado de Rondônia. http://www.rondonoticias.com.br/Upload/Noticias/Materia/01-08-2014-16-24-45.jpg presidente Dilma Rousseff ao estado de Rondônia, em função da grave situação socioambiental provocada pela severa enchente dos rios Madeira e Mamoré. Na ocasião, ela afirmou que a obra seria o meio mais viável para que Nova Mamoré e Guajará-Mirim saíssem do isolamento atual. A situação tensa provocada pela cheia de 2014 serviu como base para a ação de mutilação ambiental do parque estadual de Guajará-Mirim, mas viabilizou a ligação dos distritos Nova Dimensão e Jacinópolis, pertencentes a Nova Mamoré, ao eixo da rodovia BR 364. 1.28. A Criação do Estado de Rondônia. O Território de Rondônia já havia passado por um intenso processo de crescimento demográfico, social e econômico, promovidos pela migração ao longo da BR-364 e das regiões de garimpos de cassiterita e ouro e, em 1977, ocorreu a criação de mais cinco municípios no Território Federal de Rondônia (Cacoal, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno e Vilhena), todos ao longo da BR 364. Além disso, durante o governo do Coronel Teixeira, foi construído o Hospital de Base, que até os dias atuais é a maior unidade hospitalar do Estado e foram criadas as instituições que garantem o exercício dos poderes estaduais, tais como a Assembléia Legislativa de Rondônia e o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. 62 Em 1978, assumiu o governo do Território Federal de Rondônia o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira. Dentre suas missões estava a tarefa de dotar o Território de infraestrutura necessária para a sua transformação em Estado. Em1981, a Lei Federal n° 6.921 criou os municípios de Colorado D’ Oeste, Espigão do Oeste, Presidente Médici, Ouro Preto do Oeste, Jaru e Costa Marques. Dentre as diversas missões que o Ministro do Interior Mário Andreazza havia confiado ao Coronel Jorge Teixeira, destaca-se a de preparar o Território de Rondônia para sua elevação à categoria de Estado. Rondônia crescia aceleradamente e a abundância de possibilidades continuava a atrair novos contingentes humanos para o Território. A administração do Cel. Teixeira foi marcada pelo dinamismo e pela febril atividade de criação de uma infraestrutura capaz de permitir e viabilizar a administração do futuro Estado. A população havia crescido e o Censo Demográfico de 1980 demonstrou que Rondônia aumentou em proporções muito maiores do que havia sido previsto. Paralelamente ao crescimento demográfico, observou-se o crescimento das receitas e da economia em geral. A agricultura desenvolvida ao longo da BR 364, apresentava Rondônia nos noticiários nacionais como um novo celeiro do Brasil. A pecuária bovina ganhava impulso e consideráveis áreas de florestas eram devastadas para a formação de pastos e em benefício da Indústria Madeireira. Perdurava ainda um problema básico que era a geração de energia hidrelétrica, pois o Território era abastecido por usinas termelétricas obsoletas e onerosas. Este problema viria a ser resolvido somente após a segunda metade da década de 1980, com a inauguração da hidrelétrica de Samuel. Mesmo assim, extensas áreas no interior de Rondônia continuaram sofrendo o racionamento e até mesmo o desabastecimento de energia elétrica. Essa situação só veio a ser resolvida com a criação do Linhão, durante o governo de Oswaldo Pianna. Em 17 de agosto de 1981, foi encaminhado pelo Presidente da República João Batista Figueiredo ao Congresso Nacional o projeto de Lei Complementar n° 221, que foi aprovado em primeira discussão em 16 de dezembro de 1981. Em 22 de dezembro deste mesmo ano, foi aprovada a Lei Complementar n°. 41 que criava o Estado de Rondônia. A instalação do Estado deu-se em 4 de janeiro de 1982, sendo nomeado, então, o Coronel Jorge Teixeira como seu primeiro Governador. A posse do governo deu-se no mesmo dia e dentre seus principais atos destacam-se a estruturação do Judiciário do novo Estado e a criação do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Em 7 de junho de 1983, era aprovada pela comissão de revisão constitucional da Assembleia Estadual de Rondônia ¬a Constituição do Estado de Rondônia. Pelo Decreto-Lei 71 de 05/08/83 foram criados os municípios de Rolim de Moura e Cerejeiras. Com a Lei 100 de 11/05/86, Santa Luzia do Oeste, Lei 104 de 25/05/86 criou o município de Alta Floresta do Oeste, Lei 103 de 20/05/86 criou o município de Alvorada do Oeste. Lei 157 de 19/06/87 criou o município de Nova Brasilândia. Lei 201 de 07/06/88 criou o município de Cabixi. Lei 200 de 07/06/88 criou o município de São Miguel do Guaporé. Lei 202 de 15/06/88 criou o município de Vila Nova do Mamoré e Lei 198 de 11/05/88 criou o município de Machadinho do Oeste. 1.29. A administração do Estado de Rondônia (1982/2011) Após o governo do Coronel Jorge Teixeira de Oliveira (1982/1985), o Estado de Rondônia foi governado pelos seguintes governadores: 63 Janilene Vasconcelos de Melo (1984) Foi nomeada pelo presidente João Figueiredo como substituta do governador de Rondônia, Cel. Jorge Teixeira. Assumiu o governo em janeiro de 1984, quando o governador afastou-se para tratamento de saúde e permaneceu no governo até fevereiro desse mesmo ano, tendo sido a primeira mulher a ocupar a chefia de um governo de estado no Brasil. Ângelo Angelim (1985/1987). Exerceu mandato tampão até a realização das eleições estaduais que escolheram o primeiro governador eleito do Estado de Rondônia. Em seu governo, foram criados os municípios de Alvorada d’Oeste, Santa Luzia e Alta Floresta. Jerônimo Garcia Santana (1987/1991) Foi o primeiro governador eleito pelo voto popular em Rondônia. Planejou transferir a capital do estado de Rondônia para o interior , retirando de Porto Velho a condição de sede do governo. Enfrentou uma grave tensão por limites territoriais com o governo do Acre em uma disputa por territórios na ponta do Abunã. Seu governo foi marcado por tensões com o funcionalismo público, que moveu diversas greves contra os atrasos e achatamento dos salários. Oswaldo Pianna Filho (1991/1995) Em seu governo foi estabelecido o PLANAFLORO (Plano Agropecuário e Floresta de Rondônia) que visava promover o desenvolvimento sustentável de Rondônia através ações voltadas para o ordenamento territorial. Taisações buscaram equilibrar a ocupação do território pelas atividades econômicas (agricultura, pecuária, mineração etc.) com a conservação da sua bio e etno-diversidade, sanando conflitos fundiários e o mau uso dos recursos naturais. Através do PLANAFLORO, foi realizado o primeiro estudo de zoneamento socioeconômico, ecológico e ambiental de Rondônia, dividindo o Estado em Zonas de aproveitamento econômico, ecológico e ambiental distintas. Expandiu a rede elétrica do estado e implantou o Linhão, que levou energia da U. H. Samuel para o interior do estado, rompendo com um longo período em que o estado viveu sob a constante ameaça de desabastecimento energético e permanentes racionamentos de energia elétrica. Waldir Raupp de Matos(1995/1999) Em seu governo foi solucionada a questão territorial dos limites entre Rondônia e Acre na região conhecida como Ponta do Abunã. Reformulou o PLANAFLORO e promoveu o desenvolvimento da agricultura e da pecuária em Rondônia. Construiu o Porto Graneleiro de Porto Velho. Recuperou rodovias estaduais e ampliou a malha rodoviária do estado, conseguindo, ainda, que o governo federal recuperasse a rodovia Br 364, então muito atacada pela erosão. Federalizou a CERON e tentou estabelecer o saneamento do BERON. José de Abreu Bianco (1999/2003) Seu governo foi marcado por uma forte crise entre o governo e o funcionalismo público, tendo o governador demitido 10.000 servidores estaduais e provocado uma forte crise na economia da capital do estado em função das demissões. Ocorreu, ainda em sua administração, o massacre de presos no presídio José Mário Alves da Silva, conhecido como Urso Branco, em Porto Velho (2002). Seu governo promoveu a capacitação de professores leigos, através do programa denominado PROHACAP, realizado em conjunto com a Universidade Federal de Rondônia, possibilitando a mais de 3000 professores leigos formação nas mais variadas licenciaturas. 64 Ivo Cassol (dois mandatos: 2003/2007 e 2007/2010) Promoveu o desenvolvimento da agropecuária em Rondônia e a construção e pavimentação de centenas de quilômetros de rodovias estaduais. Em seu governo ocorreu uma grave crise entre o Poder Executivo do Estado e a Assembleia Legislativa, tendo o próprio governador denunciado as tentativas de extorsão da maioria dos deputados estaduais através de gravações apresentadas em programas de televisão em rede nacional. A aprovação dos licenciamentos ambientais para a construção das hidrelétricas do rio Madeira marcaram uma reorganização dos rumos da economia e dos investimentos em Rondônia durante o início do segundo mandato do governador. Por outro lado, as fortes tensões entre o governo e setores ambientalistas e preservacionistas indicam a fragilidade das políticas de proteção ambiental durante a sua administração. João Aparecido Cahulla (31/03/2010 a 01/01/2011) Eleito, em 2006, como vice governador do Estado de Rondônia, exerceu o mandato após a renúncia do governador Ivo Cassol, que concorreu à vaga de senador por Rondônia. Confúcio Aires Moura (dois mandatos: 2010/2014 e 2014 aos dias atuais) Foi prefeito de Ariquemes em 2004 e novamente em 2008. Eleito governador de Rondônia para o quadriênio 2010/2014. Em seu governo foi concluída a obra do complexo administrativo estadual, denominado Palácio Rio Madeira, maior obra da arquitetura estadual e para a qual foram transferidas as sedes do governo e de suas secretarias. Também em 2014, conclui o Teatro Estadual em Porto Velho, após mais de 18 anos de obras inacabadas. As obras de construção das hidrelétricas do Madeira entram em fase de conclusão e em funcionamento parcial. Ainda em 2014, os vales do Madeira e Mamoré são abalados pela mais violenta cheia já registrada pelos serviços da Defesa Civil em Rondônia. A tragédia teve custos ainda indefinidos e, segundo palavras do Vice Governador Acir Gurgacz, superam a ordem de R$1.800.000.000,00, atingindo de forma ampla os municípios de Guajará- Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, além de extensas áreas na Bolívia, do baixo Madeira no estado do Amazonas e do estado do Acre, que teve suas comunicações terrestres com o restante do país, interrompidas pelo enorme alagamento da rodovia BR364, nos trechos entre Jaci-Paraná e Fortaleza do Abunã. Seu primeiro mandato de governo foi marcado pelas tensões com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, Hermínio Coelho. Em seu segundo mandato governamental, o TRE/RO, através do voto do Juiz Eleitoral Delson Xavier, cassou, por abuso do poder econômico, o mandato do governador Confúcio Moura em 12 de março de 2015, cabendo recursos. A denúncia de abuso de poder e compra de votos foi realizada pela Coligação “Frente Muda Rondônia’’, de Expedito Júnior (PSDB), segundo colocado na disputa pelo governo de Rondônia nas Eleições de 2014. Em 30 de setembro de 2015, O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à unanimidade, seguindo voto do relator, Ministro Otavio Noronha, determinou que o governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB) e seu vice, Daniel Pereira (PSB), a permanência nos cargos para os quais foram eleitos em 2014. Marcos José Rocha dos Santos (Eleito para o quadriênio 2018-2021) Candidato pelo PSL ao governo do Estado, o Cel. Marcos Rocha, como é mais conhecido, foi eleito, em 2º turno, com 66,34% dos votos válidos, como o novo Governador do Estado de Rondônia. 65 1.30. As hidrelétricas do Madeira: A geração de energia elétrica sempre foi um problema para o Estado de Rondônia. Até a construção da Hidrelétrica de Samuel, o abastecimento era precário, inconstante e insuficiente. A Usina Hidrelétrica de Samuel foi construída durante a década de 1980 e, a partir de 1989, entrou em funcionamento parcial, tendo sido posta em funcionamento total, somente em 1996. O funcionamento das seis turbinas de Samuel permitiu o fornecimento de energia elétrica aos municípios do interior do Estado através do “Linhão”. Sua capacidade máxima de produção é de 216 Mw. O projeto do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira é composto por duas usinas de grande porte: UHE Jirau (3.450 MW) e Usina Hidrelétrica Santo Antônio (3.150 MW), que estão sendo construídas em Porto Velho, no estado de Rondônia. Por ser uma região de pouca exploração do potencial hidrelétrico, por encontrar-se numa planície quase ao nível do mar, torna-se, sem dúvida, uma das melhores opções para a ampliação de geração. De acordo com Castro (2007 – artigo da revista Custo Brasil), estes dois empreendimentos esbarram, no entanto, com problemas relacionados com a nova legislação ambiental e a falta de experiência em obras deste porte na região. A construção das Usinas do Madeira fez parte de um grande projeto para o desenvolvimento nacional. Os estudos para a construção das usinas hidrelétricas começaram a ser realizados em 2001 por FURNAS Centrais Elétricas S/A. UHE Santo Antônio do Madeira. http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/390579/mn/133315035379/ Primeira-usina-hidreletrica-do-Rio-Madeira-entrou-em-operacao -nesta-sexta-feira-30.jpg 1.31. Os impactos socioambientais da construção das Hidrelétricas do rio Madeira: As pressões a favor da construção das hidrelétricas do Madeira foram múltiplas e vão desde o próprio Governo Federal que chegou a alterar a legislação ambiental e o próprio IBAMA, criando o ICM-Bio a fim de facilitar as autorizações para o início das obras, até a organização de movimentos na sociedade de Porto Velho exigindo o início imediato da construção das UHEs do rio Madeira, que ficou conhecido como Movimento “Usinas Já”. Não há dúvida alguma sobre a enorme importância da construção das Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, entretanto, muitos estudiosos têm alertado para graves transtornos sociais e ambientais que podem advir a partir do início das obras e que poderão trazer elevados custos de diversas ordens para a sociedade rondoniense e para o meio-ambiente amazônico. Dentre 66 os principaisimpactos socioambientais levantados por ONGs, Ambientalistas e Cientistas diversos destacam-se: • Alterações dos regimes geológico, hidrológico e biológico das áreas afetadas; Alteração dos microclimas locais; Perdas de espécies vegetais e animais; Deslocamentos de populações ribeirinhas e alteração dos padrões de vida de populações que permanecerão nas áreas contíguas às represas; Problemas de saúde pública, com a proliferação de insetos e doenças tropicais; Conflitos com populações residentes nas áreas de abrangência do empreendimento devido às questões de legalidade de sua ocupação das terras de moradia e trabalho; Inadequação ou inexistência de projetos para reassentamentos das populações afetadas; Perda do patrimônio histórico (complexo da EFMM);Perda do patrimônio arqueológico; Alterações dos sistemas de pesca e de agricultura locais. • Por outro lado, os Consórcios que venceram os leilões para a construção das Usinas, as autoridades municipais e estaduais de Rondônia, segmentos empresariais e o próprio governo federal justificam as obras a partir de uma série de necessidades nacionais e apontam medidas para a mitigação ou solução de possíveis problemas socioambientais que elas possam causar. Dentre essas justificativas e medidas podemos citar: • Necessidade de abastecimento de energia elétrica urgente em regiões onde se anuncia uma possível crise (apagão) do sistema energético brasileiro, notadamente a Região Sudeste; • Necessidade de ampliação da oferta de energia elétrica para suprir a demanda exigida para a ampliação das atividades econômicas do país, permitindo assim, um crescimento duradouro da economia e uma melhor distribuição de renda; • Investimentos na infraestrutura da cidade de Porto Velho, com construção de um sistema de esgotos e saneamentos, pavimentação de ruas e avenidas, ampliação da rede de saúde pública e de educação, através de recursos já liberados pelo PAC; • Melhoria da qualidade de vida da população com uma maior oferta de empregos e serviços e reativação da economia regional, profundamente abalada desde a crise da mineração do ouro nos anos 1990 e o término das obras da Usina Hidrelétrica de Samuel. 67 1-Vale do Paraíso; 2- Nova União; 3- Urupá; 4- Teixeirópolis; 5- Mirante da Serra Mapa dos municípios do Estado de Rondônia. http://1.bp.blogspot.com/-3wAb1VSzusM/TwSKFHwyydI/AAAAAAAAM-w/s1SQIAfnJq0/s400/mapa-municipios-rondonia.jpg 68 Referências: BANDEIRA, Maria de Lourdes. Território negro em espaço branco. São Paulo. Brasiliense, 1988. BARBOSA DE SA, Joseph. Relação das poyoaçoens de Cuyaba e Mato Grosso de seos principios the os presentes tempos. Cuiabá, UFMT, 1976. BASTOS, A.C. Tavares. 1937. 0 Valle do Amazonas. São Paulo: Editora Nacional. 1975. BORSAKOV, Yeda Pinheiro. Uma história em gravuras: catálogo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Prefeitura do Município de Porto Velho/SEMCE. Porto Velho, 1998. CRAIG, Neville B. Estrada de Ferro Madeira Mamoré: história trágica de uma expedição. São Paulo. Cia. Editora Nacional, 1947. FERREIRA, Manuel Rodrigues. A ferrovia do diabo: história de uma estrada de ferro na Amazônia. São Paulo. Melhoramentos, 1959. FREYRE, Gilberto. Contribuição para uma sociologia da biografia. O exemplo de Luiz de Albuquerque governador do Mato Grosso no fim do século XVIII. Cuiabá. FCMT, 1978. HUGO, Vitor. Os Desbravadores. 2ª. ed., 2 vols. Humaitá, Missão Salesiana, 1959,2 vol. LIMA, Abnael Machado de. Guaporelândia. Porto Velho. s/e, sid. MEIRELES, Denise Maldi. Guardiães da fronteira: rio Guaporé seculo XVIII. Petrópolis, Vozes, 1989. PINTO, Emanuel Pontes. Rondônia evolução histórica: a criação do Território Federal do Guaporé fator de integração nacional. Rio de Janeiro. Expressão e Cultura, 1993. PRADO Eduardo Barros. Eu vi o Amazonas. Rio de Janeiro. Departa¬mento de Imprensa Nacional, 1952. ROQUETTE-PINTO, Edgard. Rondônia. Coleção Brasiliana. São Paulo. Ed. Nacional, 1935. TEIXEIRA, Marco Antônio Domingues & Dante Ribeiro da Fonseca. História Regional (Rondônia). Porto Velho. Rondoniana, 1998 .dos homens livres da região, adida à Companhia de Dragões. É publicado o Diretório dos Índios, a mais importante lei sobre os índios da Amazônia editada durante o período colonial. Por ordem do Marquês de Pombal, os jesuítas são expulsos do Brasil. Rolim de Moura ordena a fundação do povoado de Nossa Senhora da Boa Viagem de Salto Grande do Rio Madeira (hoje Teotônio) ao juiz Teotônio de Gusmão. Atacado por indígenas, mosquitos, malária e fome, o povoado desaparece. Itacoatiara, antiga aldeia dos Abacaxis, é elevada à categoria de vila com o nome de Serpa. Rolim de Moura funda a Guarda de Santa Rosa Velha, no Guaporé Rondoniense, próxima à barra do Mamoré. Essa povoação é posteriormente transformada no Forte de Nossa Senhora da Conceição. Portugal e Espanha assinam o Tratado de El Pardo, tornando sem efeito o Tratado de Madri. Vila Bela torna- se a capital de Mato Grosso. Rolim de Moura organiza uma tropa de escravos e indígenas, concedendo-lhes armas de fogo para combaterem os castelhanos. João Pedro da Câmara (sobrinho de Rolim de Moura) é nomeado segundo Capitão-General do Mato Grosso, que governa até 1768. Durante seu governo ordena a fundação do povoado do Girau, na cachoeira que leva o mesmo nome, mas que também foi chamada de Balsemão, no Rio Madeira. O Forte da Conceição é remodelado e passa a contar com um aumento da guarda a partir da chegada de mais cem soldados vindos do Pará, além da melhoria dos armamentos que passam a incluir mais seis canhões. Luiz Pinto de Souza Coutinho torna-se Capitão-General do Mato Grosso. Governo de Luiz Pinto de Souza Coutinho. Ordena a fundação do povoado de Balsemão na cachoeira do Balsemão ou Jirau no rio Madeira. Souza Coutinho ordena o início da repressão ao quilombo do Quariterê. É a primeira destruição desse quilombo. Morre a rainha Tereza de Benguela. Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres é nomeado Capitão-General da capitania de Mato Grosso. Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres chega a Mato Grosso. São criados os estados do Maranhão e Piauí, desvinculados do Grão Pará; a Capitania de São José do Rio Negro continua ligada ao Grão Pará. 1752: 1755: 1757: 1759: 1760: 1761: 1763: 1765: 1765-66: 1768: 1769: 1770: 1771: 1772: 10 Iniciada a construção do Real Forte Príncipe da Beira às margens do rio Guaporé. Ao seu lado surge o povoado de Príncipe da Beira que chega a contar com 700 habitantes. Criada a fazenda de gado Casalvasco. Portugal e Espanha assinam o Tratado de Santo Idelfonso. É extinta a Companhia de Comércio do Maranhão e Grão Pará. Decadência da rota fluvial monçoeira do Rio Madeira. João de Albuquerque de Mello Pereira e Cárceres é nomeado Capitão-General do Mato Grosso. A Expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira chega a Vila Bela. Francisco de Souza Coutinho é nomeado Capitão-General do Grão Pará. João de Albuquerque determina o extermínio do quilombo do Quariterê. Os negros capturados são utilizados na política de povoamento portuguesa da terra, fundando a aldeia da Carlota. Caetano Pinto de Miranda Montenegro é nomeado Capitão-General do Mato Grosso. Crise na mineração do Guaporé e decadência da região que passa a ser progressivamente abandonada pelas elites brancas. Fundação do Destacamento Militar de São José do Salto do Ribeirão no Rio Madeira. É abolido o Diretório dos Índios, permitindo ao colono a captura do indígena. Em 12 de maio, é aprovado o plano de navegação entre as cidades de Belém e Vila Bela através de Carta Régia. O quinino, extraído da árvore da Quina, é descoberto na Capitania do Mato Grosso. Manuel Carlos de Abreu e Menezes é nomeado governador da capitania de Mato Grosso. Falece em 1805. João Carlos D’Oeynhausen Gravenburg é nomeado governador da capitania de Mato Grosso. A varíola varre o Forte Príncipe da Beira, levando o governo a tomar medidas para evitar o alastramento do mal. Os naturalistas austríacos Johan Baptist von Spix (1721- 1826) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), iniciam uma expedição científica e visitam diversos rios da Amazônia. Vila Bela é elevada à condição de cidade. Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho é nomeado governador da capitania de Mato Grosso. Independência da Bolívia. José Saturnino da Costa Pereira assume a presidência da Província do Mato Grosso (20 de abril). Expedição do Barão de Langsdorff, Hércules Florence e Adrian Taunay passa pelo Guaporé. A povoação de São João do Crato é novamente transferida de lugar. Antônio Corrêa de Costa é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Itacoatiara é reduzida à condição de freguesia. Antônio Pedro de Alencastro é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. 1776: 1806: 1777: 1789: 1790: 1795: 1796: 1798: 1804: 1814: 1817: 1818: 1819: 1825: 1826: 1828: 1831: 1833: 1834: 11 A Cabanagem eclode na Província do Grão Pará; Após um grave incidente diplomático envolvendo as elites de Vila Bela e as elites das Províncias de Chiquitos, na Bolívia, a capital de Mato Grosso, Vila Bela da Santíssima Trindade, muda-se, definitivamente, para Cuiabá. O Vale do Guaporé, abandonado pelos brancos, decai e torna-se uma região habitada por negros. José Antônio Pimenta Bueno é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Estevão Ribeiro de Rezende é nomeado presidente da Província do Mato Grosso Charles Goodyear descobre o processo de vulcanização da borracha. José da Silva Guimarães é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Francis de La Porte Castelnau, naturalista francês, chefia uma expedição de cunho científico que percorre o Rio Amazonas, o Centro-Oeste brasileiro, o Peru e a Bolívia. Publica, posteriormente, a obra “Expedição às regiões centrais da América do Sul (1850-1857)”. A Lei no. 317, de 1943, entrega a catequese dos indígenas aos capuchinhos que passam a dividir responsabilidades com os diretores das missões. Zeferino Pimentel Moreira Freire é nomeado presidente da Província de Mato Grosso. Mackintoch aperfeiçoa o processo de impermeabilização. passa a superar as exportações do produto manufaturado. Ricardo José Gomes Jardim é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. O naturalista norte-americano, William H. Edwards (1822-1909), viaja de Belém a Manaus e faz previsões sobre o destino da Amazônia no livro “A voyage up theriver Amazon” (Uma viagem no rio Amazonas). O engenheiro boliviano José Augustin Palácios percorre as cachoeiras dos rios Madeira e Mamoré. João Cipriano Soares é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. São José do Rio Negro é elevada à categoria de cidade e recebe o nome de Manaus, em homenagem aos nativos daquela região. Joaquim José de Oliveira é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. O naturalista inglês Richard Spruce (1817-1893) desembarca no Brasil e permanece na Amazônia até 1864. O representante norte-americano no Brasil apresenta ao governo imperial um projeto de abertura do rio Amazonas à navegação internacional, recusado pelo governo em nota datada de 22 de abril de 1851. O Visconde de Porto Seguro, Francisco Adolfo de Varnhagen (1810-1878), apresenta a proposta de criação de vários territórios na Amazônia. João José da Costa Pimentel é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Criada a Província do Amazonas, antiga Capitania de São José do Rio Negro vinculada à Província do Grão Pará, pela Lei nº 592 de 5 de setembro. Os Tenentes William Lewis Herndon e Lardner Gibbon, da marinha norte-americana, viajam pelo Rio Amazonas entre 1851 e 1852. Augusto João Manuel Leverger (Barão de Melgaço), francês naturalizado brasileiro, é nomeado presidente da Província do Mato Grosso e foi, ainda, presidente daquela província por mais duas vezes (1864 e 1868). Instalada, em 1º de janeiro, a Província do Amazonas e empossado João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, o seu primeiro presidente. O relatório anual de Tenreiro Aranha acusao crescimento da atividade extrativista do látex, em detrimento das atividades agropastoris, coletoras e manufatureiras tradicionais. 1847: 1836: 1835: 1838: 1839: 1840: 1843: 1844: 1846: 1848: 1849: 1850: 1851: 1852: 12 O tenente da marinha norte-americana, Matthew Fontaine Maury, viaja pelo Rio Amazonas e é um dos principais divulgadores das propostas de abertura deste rio à navegação internacional. A missão de Vila Nova da Rainha (atual Parintins), criada no século anterior, é elevada, por Lei provincial de 15 de outubro, à categoria de vila, recebendo o nome de Vila Bela da Imperatriz. A navegação a vapor no Amazonas inicia a operar com uma linha entre Manaus e Belém. Pressões externas e internas fazem com que o governo convença Mauá a renunciar ao monopólio da navegação no rio Amazonas. João Pedro Dias Vieira é nomeado presidente da Província do Amazonas. São nomeados, sucessivamente, dois presidentes para a Província do Amazonas: Ângelo Tomás do Amaral e Francisco José Furtado. Lei Provincial de 10 de dezembro eleva Itacoatiara novamente à categoria de vila. Joaquim Raimundo de Lamare é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Robert Avé-Lallemant (1812-1884), um francês, viaja pelo Brasil. Antônio Pedro de Alencastro é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Expedição patrocinada pelo Governo do Amazonas e chefiada por Manuel Urbano da Encarnação, um sertanista de origem Mura, descobre o Rio Acre (Aquiri). Quentin Quevedo, a serviço do governo boliviano, faz estudos sobre a viabilização dos transportes nos trechos encachoeirados do Madeira e do Mamoré. O governo do Amazonas envia João Martins da Silva Coutinho para efetuar estudos semelhantes na região. Ambos os relatórios apresentam conclusões semelhantes, apontando para a necessidade de construção de uma ferrovia na região encachoeirada. A Guerra do Paraguai leva o Estado Brasileiro a enviar um destacamento militar para as selvas do Madeira, fixando-o na primeira cachoeira, no povoado de Santo Antônio, garantindo a manutenção e viabilização da rota fluvial do Madeira. A expedição Thayer, chefiada pelo naturalista suíço Louis Agassiz, percorre a Amazônia. O deputado Tavares Bastos viaja pela Amazônia e observa que, entre a cachoeira de Santo Antônio e a foz do Madeira, as povoações mais importantes são Crato e Borba. 1866: Abertura parcial do rio Amazonas à navegação internacional. É criada com capitais regionais a Companhia Fluvial do Amazonas, que navega pelos rios Madeira e Purus. Assinatura do Tratado de Ayacucho entre Brasil e Bolívia, estabelecendo bases de amizade, comércio, navegação, limites, fronteiras e extradição. Através desse tratado, toda a margem direita do Rio Madeira, desde aproximadamente Humaitá até a sua nascente, passou da Bolívia para o Brasil. O governo de Dom Pedro II envia para o Vale do Madeira os engenheiros alemães Franz e Joseph Keller, que realizam estudos para a viabilização de transportes no trecho encachoeirado daquele rio. No alto Madeira a expedição é atacada pelos Parintintin. 1869: George Earl Church obtém concessão do governo boliviano para explorar os transportes entre o Madeira e o Mamoré. Seus planos são modificados para a construção de uma ferrovia pelos vales do Madeira e Mamoré. Augusto Leverger é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Em 14 de maio, o seringalista Comendador Francisco José Monteiro funda o povoado de Humaitá às margens do Rio Madeira. George Earl Church obtém do governo brasileiro a 1853: 18640 a 1870: 1865: 1867: 1869: 1870-1873: 1854: 1856: 1857: 1858: 1859: 1860: 1861: 13 permissão para construir uma ferrovia no vale do alto Madeira. É criada a Madeira-Mamoré Railway CompanyLtd. Sir. Alexander Wickham contrabandeia sementes de Hévea Brasiliensis. Posteriormente, cultiva-as em Londres, no jardim botânico de Kew, dentro de estufas. As mudas provenientes desse cultivo são transplantadas para a Malásia, onde formam extensos seringais. Esses seringais superam a produção da Amazônia em 1912. Fundado o povoado de Lábrea, com uma leva de imigrantes maranhenses. É criada, sob a direção de George Earl Church, a Madeira-Mamoré Railway Co. Ltd. Francisco José Cardoso Júnior é nomeado presidente da Província do Mato Grosso. Chegam, a Santo Antônio, 25 engenheiros da empreiteira inglesa Public Works, contratada por Church para as obras da EFMM. Após ataques indígenas, surtos de febre, malária e fome, os engenheiros e os trabalhadores da Public Works abandonam Santo Antônio e consideram impossível a construção da ferrovia. A Amazon Steam Navigation Company compra as demais empresas de navegação que operam no rio Amazonas e estabelece o monopólio comercial da navegação; o percurso até Santo Antônio é subsidiado pelo governo. Intensa migração de sertanejos para os seringais da Amazônia. Através de Manaus, os seringueiros nordestinos iniciam ocupação do Acre, ainda pertencente à Bolívia. Church contrata os serviços da empreiteira norte- americana P & T Collins para a construção da EFMM. Partem da Filadélfia navios, equipamentos, materiais ferroviários, provisões e trabalhadores para Santo Antônio do Madeira. Viagem de João Severiano da Fonseca pelos rios Madeira e Guaporé. O navio Metrópolis naufraga, perdendo 700 toneladas de carga e 80 trabalhadores destinados à ferrovia. Ao ser inaugurado o primeiro trecho da ferrovia, a locomotiva capota. A P & T Collins declara falência. D. Pedro II dá início á construção de uma linha telegráfica que ligará a cidade de Franca, em São Paulo, a Cuiabá, no Mato Grosso. A obra é dirigida pelo militar Cunha Matos. O governo brasileiro declara caduca a concessão dada a Church para a construção de uma ferrovia junto às cachoeiras do Madeira. A expedição chefiada pelo Engenheiro Carlos Alberto Morsing atua no vale do alto Madeira, estudando as possibilidades técnicas para contornar o trecho encachoeirado daquele rio. Comissão enviada pelo governo imperial e chefiada pelo Engenheiro Carlos Morsing fica em Santo Antônio, durante seis meses, terminando desastrosamente. A expedição comandada pelo Engenheiro Júlio Pinkas atua no vale do alto Madeira, estudando também as possibilidades técnicas para contornar o trecho encachoeirado daquele rio. Pacificação dos Mura que passam a habitar a povoação de Borba. No início do século XX, seus remanescentes eram encontrados em várias aldeias no Madeira, Manicoré, Capaná e Acará. Em 1º de março, é instalada a Vila de Humaitá. Em 4 de fevereiro, é criado o município de Humaitá. 1870-1880: 1871: 1872: 1873: 1874: 1877: 1878: 1879: 1880: 1881: 1882: 1883: 1884: 1890: 14 A Lei no. 90 de 4 de outubro eleva Humaitá à categoria de cidade. Em 2 de janeiro, é instalada a cidade e, em 2 de fevereiro, é instalado o Município de Humaitá. Inicia-se a primeira tentativa separatista no Acre. O espanhol, Luiz Galvez de Árias, parte de Manaus e, à frente de um pequeno exército de seringueiros, proclama- se Imperador do Acre. A Marinha norte-americana envia um navio de guerra para, entrando no Amazonas, dar combate aos seringueiros brasileiros. A Marinha brasileira bloqueia-o em Manaus e intervém, com navios de guerra, no Acre, extinguindo o movimento separatista de Galvez, garantindo os direitos da Bolívia. Em 11 de junho, é firmado em Londres o contrato de arrendamento do Acre, sendo signatários o ministro plenipotenciário da Bolívia e o representante do Bolivian Syndicate of New York City. Aliado à população brasileira residente na região do Acre, Plácido de Castro proclama a República Independente do Acre, o que significou declarar guerra à Bolívia. Francisco de Paula Rodrigues Alves é eleito presidente. José Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros nordestinos, invade Xapuri, aprisionando o administrador Juan de Dios Barrientos e proclama a independência do Acre. A Marinha brasileira intervéme mantém a ocupação no Acre. 1903: É assinado o Tratado de Petrópolis entre Brasil e Bolívia. A Bolívia recebe uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, passando a região onde hoje se situa o Estado do Acre para o Brasil. O Bolivian Sindicate também é indenizado com cem mil dólares. O Ministério da Indústria e Comércio realiza licitação para a construção da EFMM. O engenheiro carioca Joaquim Catramby vence e repassa os direitos a Percival Farquhar que cria a Madeira Mamoré Railway Company, com sede no Maine/EUA. Iniciada a construção da EFMM pela empreiteira May, Jekyll and Randolph. Fundação de Porto Velho. Construção da linha telegráfica ligando o Mato Grosso ao Amazonas, sob o comando do Capitão Rondon. Seriam constituídas três seções encarregadas da obra: a primeira partiria de Cárceres até Vila Bela, a segunda ligaria Cuiabá a Santo Antônio do Madeira e a terceira de exploração e reconhecimento. Criado o município e a Comarca de Santo Antônio do Madeira, pertencente ao estado do Mato Grosso. Santo Antônio do Rio Madeira é tornado município de Mato Grosso. Farquhar forma a Companhia de Navegação do Amazonas que ocupa o lugar da Amazon River Steam Navigation Co. Ltd. Com a morte de Afonso Pena assume o vice-presidente Nilo Procópio Peçanha. Estoura na Europa o escândalo do Putumayo, uma área de seringais de propriedade do empresário peruano Júlio César Araña, bancado pelo capital inglês. As denúncias de torturas, assassinatos, exploração e maus tratos publicadas nos jornais de Londres pelo jornalista norte-americano Walter Hardenburg, denunciam as péssimas condições de vida dos indígenas e seringueiros. A Inglaterra cria uma comissão de investigação liderada por Sir Roger Casement e o reverendo John Harris. Hermes Ernesto da Fonseca é eleito presidente. No Rio de Janeiro eclode a Revolta da Chibata. Criado o Serviço de Proteção ao Índio e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPILTN), subordinado ao Ministério da Agricultura, através do Decreto 8.072 de 20 de julho, assinado pelo presidente Nilo Peçanha. O trabalho de Rondon, nos sertões do Mato Grosso e da Amazônia o credencia para ocupar a direção do SPILTN, cujos objetivos eram: impedir o massacre das populações indígenas, demarcação das terras indígenas, 1899: 1908: 1895: 1894: 1901: 1902: 1907-1915: 1907: 1905: 1909: 1910: 15 aculturamento e integração do indígena à sociedade brasileira. Ao longo da linha telegráfica, são contatados inúmeros grupos indígenas. Descobertos 12 novos rios e fundados diversos núcleos de povoamento que deram origem a municípios rondonienses como: Vilhena e Jaru. Oswaldo Cruz visita Porto Velho durante uma epidemia de malária e febre amarela. Construção do Hospital da Candelária. O vapor Satélite chega a Santo Antônio do Madeira com uma carga humana de degredados ligados aos movimentos da Revolta da Armada no Rio de Janeiro. Conclusão da construção da Estrada de Ferro Madeira- Mamoré. Em 8 de outubro é instalado um posto fiscal em Guajará-Mirim. Rondon participa de uma expedição pelos sertões do extremo oeste e da Amazônia brasileira juntamente com o ex-presidente dos EUA Theodore Roosevelt. A expedição explorou o rio da Dúvida em toda sua extensão, denominando-o rio Roosevelt. Criado o município de Porto Velho através da Lei no. 757, sancionada pelo governador do estado do Amazonas, Jonathas de Freitas Pedrosa. Roquette-Pinto profere uma palestra no Museu Nacional do Rio de Janeiro, na qual atribuiu à região situada entre o Madeira e o Juruena o nome de Rondônia e antevê a solução para os graves problemas de comunicação entre a área banhada pelos seus maiores rios e o restante dessa região e propõe que uma estrada, que seguindo o traçado da linha telegráfica, seria de fundamental importância, pois integraria, definitivamente, a região ao restante do país. Instalação do município de Porto Velho tendo como primeiro superintendente o Major Guapindaia. Crise da borracha na Amazônia, decadência acentuada de Manaus. Fundado o jornal “Alto Madeira”. Através da Lei 1.011 de 7 de setembro, Porto Velho é elevado a categoria de cidade. O Tenente Aluízio Ferreira, que participou de um levante fracassado em Óbidos, fugiu para o Vale do Guaporé e, em Guajará-Mirim, passou a exercer atividades no seringal Laranjeira, de propriedade de Américo Casara. 1926: Aluízio Ferreira apresenta-se às autoridades militares em Belém do Pará e assume a subchefia do posto telegráfico de Santo Antônio. Criação da Fordlândia, no Pará, e de sua capital Belterra; Criado o município de Guajará-Mirim, pela Lei nº 991, assinada pelo presidente do estado do Mato Grosso, Mário Correia da Costa. Aluízio Ferreira é aconselhado por Rondon a entregar- se às autoridades e, após cumprir pena, ingressa na Comissão Rondon como subchefe do Distrito Telegráfico de Santo Antônio. Em 10 de abril, é instalado o município de Guajará-Mirim, tendo como 1º Intendente nomeado, Manoel Boucinhas de Menezes. O Tenente Aluízio Ferreira, delegado chefe do governo provisório do Amazonas, assume a direção da linha telegráfica de Santo Antônio. Aluízio Ferreira intervém na Madeira Mamoré. O governo de Getúlio Vargas decreta intervenção Federal sobre a EFMM e nomeia Aluízio Ferreira como seu primeiro diretor nacional. O Coronel Paulo Saldanha, cria a Empresa de Navegação dos rios Mamoré e Guaporé. Por iniciativa de Aluízio Ferreira são criados, pelo Aviso Ministerial de 23 de setembro do Ministério da Guerra, os Contingentes Especiais de Fronteira em Porto Velho, Guajará-Mirim e Forte Príncipe da Beira. 1912: 1917: 1913: 1914: 1915: 1919: 1924: 1928: 1929: 1930: 1931: 1932: 16 Principia a abertura da rodovia Cuiabá/Porto Velho com o nome da Rodovia Amazonas-Mato Grosso, cujo trajeto deveria seguir o percurso paralelo à linha telegráfica instalada pela Comissão Rondon. Contando com sobras de verbas do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) e alguns homens, mesmo sem o auxílio de maquinário, Aluizio Ferreira mandou abrir alguns quilômetros dessa estrada, paralisada em 1945 e concluída apenas na década de 1960. Lideranças da sociedade de Guajará-Mirim dirigem um abaixo-assinado ao presidente Getúlio Vargas, solicitando a criação de um Território Federal que abrangesse os municípios de Porto Velho, Santo Antônio e Guajará-Mirim. O contrato com a Madeira Mamoré Railway Company é rescindido através do Decreto no. 1547, de 5 de abril e a ferrovia estatizada pelo presidente Getúlio Vargas. A Fordlândia no Pará decreta falência. O presidente Getúlio Vargas visita a Amazônia e profere, em Manaus, o “Discurso do Rio Amazonas”. Em sua visita a Porto Velho, o presidente da República constata a necessidade da criação do Território Federal do Guaporé. O Brasil declara guerra à Alemanha. O governo brasileiro e o norte-americano assinam os Acordos de Washington, uma série de acordos que visam abastecer as indústrias norte-americanas e aliadas com a borracha extraída na Amazônia. Em 13 de setembro, é criado o Território Federal do Guaporé pelo Dec. Lei nº. 5.812, compondo-se de partes desmembradas dos estados do Amazonas e do Mato Grosso. Tem como seu primeiro governador Aluízio Pinheiro Ferreira, que é exonerado do cargo em 1946 (07/02). São criados ainda os territórios de Roraima, Amapá, Aripuanã e Fernando de Noronha. Os decretos no. 6.550 de 31 de maio e 7.470 17 de abril de 1945 ajustam a área do território e o desmembramento dos seus municípios, o retorno do município de Lábrea à jurisdição do Estado do Amazonas, a extinção do município de Santo Antônio e sua anexação ao município de Porto Velho que, juntamente com Guajará-Mirim, passam a compor os dois únicos municípios do território. Em 7 de fevereiro, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Joaquim Vicente Rondon, que é exonerado do cargo em 1947 (31/10). Reformulou o quadro da Guarda Territorial, emprestando-lhe as característicasde Polícia Militar. Em 31 de outubro, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Frederico Trotta, exonerado do cargo em 1948 (09/06). Durante sua gestão é criado o curso Normal Regional que toma o nome de Escola Normal do Guaporé, posteriormente denominada “Carmela Dutra”. Em 9 de junho, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Joaquim de Araújo Lima, que é exonerado do cargo em 1951 (22/02). Em seu governo são construídos o Palácio do Governo (Palácio Presidente Vargas) e o Porto Velho Hotel que, depois, é transformado em Palácio das Secretarias e agora abriga as dependências da Universidade Federal de Rondônia. Em 22 de fevereiro, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Petrônio Barcelos, que é exonerado do cargo em 1952 (07/02). Como governador durante 11 1934: 1944: 1937: 1939: 1940: 1942: 1943: 1946: 1947: 1948: 1951: 17 meses e 16 dias, conclui a construção do Palácio Presidente Vargas e do Porto Velho Hotel onde implanta os serviços de hotelaria. Descoberto diamante no rio Machado, também denominado Ji-Paraná, em cujas margens existia pequena povoação denominada Vila de Rondônia, hoje município de Ji-Paraná, provocando um fluxo de garimpeiros para a região. Em 7 de fevereiro, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Jesus Burlamaqui Hosannah, que é exonerado do cargo em 1953 (18-11). Em 18/11, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Ênio dos Santos Pinheiro, que é exonerado do cargo em 13/09/1954, quando conclui seu primeiro mandato. Em 13 de setembro, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé Paulo Nunes Leal, que é exonerado do cargo em 05/04/1955, quando termina seu primeiro mandato. Conclui a sede do governo e constrói o estaleiro e oficina do Serviço de Navegação do Guaporé; amplia o Fórum Rui Barbosa, em Porto Velho; recupera o Forte Príncipe da Beira; amplia a Escola Normal “Carmela Dutra” e a Usina de luz de Porto Velho. Em 5 de abril, é nomeado governador do Território Federal do Guaporé José Ribamar de Miranda, que é exonerado do cargo em 1956 (14/10). Descoberta a cassiterita nas terras do Sr. Joaquim Rocha, seringalista do rio Machadinho, afluente do Ji-Paraná. O Dec. Lei nº 2.731, de 17 de fevereiro, de autoria do Deputado Federal do Amazonas Áureo de Melo, altera o nome do Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia. Em 14 de outubro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Jayme Araújo dos Santos, que é exonerado do cargo em 06/11/1956. Joaquim Rocha inicia a exploração da cassiterita em suas terras, seguido pelo seringalista Moacir Mota. Os dois são, até 1959, os únicos a explorarem a cassiterita em Rondônia. Em 6 de novembro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Paulo Nunes Leal. É exonerado do cargo em 18/03/1961, quando conclui seu segundo mandato. Em seu governo é aberta a BR-29 (BR-364). O garimpo de cassiterita inicia suas atividades econômicas e expande-se ao longo da década de 1960. A exploração da cassiterita é realizada ao longo dos rios Machado, Machadinho, Jamari e Candeias. O presidente Juscelino Kubitschek reinicia as obras de abertura da BR-29 e cria, através do Decreto no. 47.933, a Comissão Especial de Construção da Rodovia Brasília- Acre. Os serviços ficam a cargo da empreiteira Camargo Corrêa. Em 18 de março, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Abelardo Alvarenga Mafra, que é exonerado do cargo em 08/09 do mesmo ano, quando conclui seu primeiro mandato. Em 13 de setembro é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Ênio dos Santos Pinheiro, que é exonerado do cargo em 1962 (03/07), quando conclui seu segundo mandato. O Deputado acreano, José Guiomard dos Santos apresenta projeto que, transformado na Lei no. 4.069 de 12 de junho, eleva o Acre à categoria de estado. Em 12 de dezembro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia, Wadih Darwich Zacharias, que é exonerado do cargo 1952: 1958: 1953: 1954: 1955: 1956: 1959: 1960: 1961: 1962: 18 em 27/07/1963. É o único governador do território que permaneceu em Rondônia, após seu período de governo. Em 27 de julho, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Ari Marcos da Silva, que é exonerado do cargo no dia 14/10 do mesmo ano. Em 14 de outubro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Paulo Eugênio Pinto Guedes, que é exonerado do cargo em 1964 (27/01). Em 27 de janeiro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Abelardo Alvarenga Mafra, que é exonerado do cargo em 06/04 do mesmo ano, quando conclui seu segundo mandato. Em 28 de abril é nomeado governador do Território Federal de Rondônia José Manoel Lutz da Cunha Menezes, que é exonerado do cargo em 1965 (29/03). Em 29 de março, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia João Carlos dos Santos Mader, que é exonerado do cargo em 1967 (10/04). Chegada a Rondônia do 5º BEC (Batalhão de Engenharia de Construção) que ativou os trabalhos de complementação da BR-364 e procedeu a extinção da EFMM em 10 de julho de 1972. Em 10 de abril, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia, Flávio Assumpção Cardoso, que é exonerado do cargo em 30/11 do mesmo ano. Em 30 de novembro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia José Campedelli, exonerado, posteriormente, em 13/02/1969. No seu governo é criada a CERON (Centrais Elétricas de Rondônia S. A). Em 13 de fevereiro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia João Carlos Marques Henrique Neto, que é exonerado do cargo em 31/10/1972. No primeiro governo do Coronel Marques Henrique no Território de Rondônia, são reaparelhadas as companhias de economia mista CERON e CAERD, a Guarda Territorial e o Corpo de Bombeiros. A Portaria Ministerial nº 195-70, que proíbe o garimpo manual e facilita a entrada das grandes companhias mineradoras como a Brumadinho, Patino, Brascan e Paranapanema, gerando uma séria crise social no Território. O INCRA inicia os projetos de assentamento, fazendo surgir municípios como Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Colorado D’ Oeste, Rolim de Moura, Cerejeiras e Santa Luzia. Implantação do projeto de colonização Sidney Girão. Em 31 de outubro, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Theodorico Gahyva, que é exonerado do cargo em 23/04/1974. Dado o crescimento da colonização do estado, o governador iniciou o governo itinerante. Como Porto Velho é o município que engloba os distritos que se tornariam as futuras cidades do território, o governador nomeou administradores para os distritos. Deu-se início à implantação do Projeto de colonização Gy Paraná Implantação do Projeto de colonização Paulo Assis Ribeiro. Em 23 de abril é nomeado governador do Território Federal de Rondônia João Carlos Marques Henriques Neto, que é exonerado do cargo em 20/05/1975, quando conclui seu segundo mandato. 1963: 1969: 1970: 1971: 1964: 1965: 1966: 1967: 1972: 1973: 1974: 19 Em 20 de maio, é nomeado governador do Território Federal de Rondônia Humberto da Silva Guedes, que é exonerado do cargo em 20/03/1979. Na gestão do Coronel Humberto Guedes são desmembradas áreas do município de Porto Velho, para serem nelas criadas os novos municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena. Implantação dos Projetos de colonização Burareiro, Marechal Dutra e Padre Adolfo Rohl. O Território que nasceu com quatro municípios (Porto Velho, Lábrea, Guajará-Mirim e Santo Antônio do Madeira), depois agrupados em dois (Porto Velho e Guajará-Mirim), assistiu, nesse ano, a criação de mais cinco municípios: Cacoal, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno e Vilhena, todos ao longo da BR-364. O Ministro do Interior, Mário David Andreazza, indica ao presidente da República, General João Batista de Oliveira Figueiredo, para o governo do Território Federal de Rondônia o nome de Jorge Teixeirade Oliveira que é nomeado em 20 de março e exonerado do cargo em 1981 (22/12) concluindo seu governo territorial e iniciando o governo estadual em Rondônia. O crescimento demográfico do território é acentuado em face da migração, ao longo da BR-364 e dos garimpos de cassiterita e ouro. Começam a chegar a Rondônia alguns garimpeiros, atraídos pela notícia de que o Rio Madeira é rico em ouro. O DNPM libera para a garimpagem a área de Abunã, cuja a exploração se revelou abundante, atraindo, com a divulgação dos resultados iniciais, garimpeiros de outros estados. É aprovada a lei complementar que cria o Estado de Rondônia. Inicia-se a exploração do ouro do rio Madeira. Em 17 de agosto, é encaminhado pelo Presidente da República, João Batista Figueiredo, ao Congresso Nacional, o projeto de Lei Complementar no. 221, propondo a criação do Estado de Rondônia. O projeto de lei é aprovado em primeira discussão em 16 de dezembro e, em 22 de dezembro daquele mesmo ano, é aprovada a Lei Complementar nº. 41 que cria o Estado de Rondônia. Em 22 de dezembro, é nomeado governador do Estado de Rondônia Jorge Teixeira de Oliveira, que é exonerado do cargo em 14/05/1985, concluindo seu segundo mandato em Rondônia. Em 4 de janeiro, é instalado o Estado, sendo empossado o Coronel Jorge Teixeira como seu primeiro Governador. Dentre seus principais atos destacam-se a estruturação do judiciário do novo Estado e a criação do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Começam as obras de construção da UHE Samuel, concluída 14 anos após o seu início. O Decreto-Lei 71 de 05 de agosto cria os municípios de Rolim de Moura e Cerejeiras. Implantação do Projeto de colonização Bom Princípio. Em 7 de junho é aprovada pela comissão de revisão constitucional da Assembleia Estadual de Rondônia a Constituição do Estado de Rondônia. Nesse mesmo ano, dá-se a implantação dos Projetos de colonização Gleba G e Machadinho. Implantação do Projeto de colonização Cujubim. Pavimentação da BR-364. Em 22 de dezembro, é nomeado governador do Estado de Rondônia Ângelo Angelin, que é exonerado do cargo em 15/03/1987. A Lei nº 100, de 11 de maio, cria o município de Santa Luzia do Oeste. A Lei 104, de 25 de maio, cria o município de Alta Floresta do Oeste. A Lei nº 103, de 20 de maio, 1975: 1982: 1977: 1979: 1981: 1983: 1984: 1985: 1986: 20 cria o município de Alvorada do Oeste. Implantação dos Projetos de colonização D’jaru Uaru, Rio Preto, Candeias, São Felipe, Vale do Jamary e Vitória da União. Em 15 de março, é empossado o primeiro governador eleito do Estado de Rondônia Jerônimo Garcia de Santana, que sai do cargo em 01/01/1991. Dentre as ações do seu governo pode-se citar a criação da Comissão Executiva dos Vales dos Rios Mamoré, Guaporé e Madeira (Cemaguam), ampliação da Companhia de Armazéns Gerais de Rondônia S. A. (Cagero); consolidação do Instituto Estadual de Florestas (IEF); implantação da Fundação Escola do Serviço Público de Rondônia (Funsepro; criação do Instituto de Pesos e Medidas de Rondônia (Ipem) e criação do Instituto de Terras de Rondônia (Iteron). A Lei 157, de 19 de junho, cria o município de Nova Brasilândia. Implantação dos Projetos de colonização Itapirema, Pyrineos, Tancredo Neves e Zeferino. A Lei 201, de 07 de junho, cria o município de Cabixi. A Lei 200, de 07de junho, cria o município de São Miguel do Guaporé. A Lei 202, de 15 de junho, cria o município de Vila Nova do Mamoré. A Lei 198, de 11 maio, cria o município de Machadinho do Oeste. Implantação dos Projetos de colonização Burití, Jatuarana, Marcos Freire e Verde Seringal. Implantação dos Projetos de colonização Nova Conquista e Tarumã. Implantação dos Projetos de colonização Cachoeira, Colina Verde, Emburana, Massangana, Nova Floresta, Ribeirão Grande e Várzea Alegre. Em 1º de janeiro é empossado o governador do Estado de Rondônia Oswaldo Piana Filho, que sai do cargo em 01/01/1995. Em 1o de janeiro, é empossado governador do Estado de Rondônia Waldir Raupp de Matos. Em 09 de agosto, policiais entraram em confronto com camponeses sem- terra que estavam ocupando uma área rural no município de Corumbiara. O conflito resultou na morte de 12 pessoas, entre elas uma criança de nove anos e dois policiais, ficando conhecido como o “Massacre de Corumbiara”. Em 1º de janeiro, toma posse o governador José de Abreu Bianco. O governador de Rondônia, José Bianco, anunciou a demissão de 10 mil funcionários públicos, 30% do quadro do Estado. Apesar dos protestos, o governador manteve sua decisão e ameaçou punir os grevistas, descontando dos salários os dias não trabalhados, caso se concretizem as greves quando do início das dispensas dos servidores. Em 22 de janeiro de 2002, no presídio Urso Branco (Porto Velho, RO) 27 presidiários foram mortos. A chacina do Urso Branco foi considerada um dos mais graves massacres penitenciários da História do Brasil. Em 1º de janeiro, toma posse o governador Ivo Narciso Cassol que governa sucessivamente por dois mandatos (2003/2006 e 2007/2010). Segunda grande rebelião no Presídio Urso Branco, com 14 mortos. Destaca-se que, neste episódio, pela primeira vez, toda a rebelião foi acompanhada pela mídia, que divulgou imagens sinistras que circularam o planeta, dando ao Urso Branco o título de um dos piores presídios do pais. 1987: 1999: 1995: 2000: 2002: 2003: 2004: 1988: 1989: 1990: 1991: 21 2008: Início das obras de construção das Usinas Hidrelétricas do Madeira: Santo Antônio e Jirau. O senador Waldir Raupp e a deputada Marinha Raupp asseguram recursos superiores a 70 milhões de reais para a pavimentação asfáltica da rodovia BR 429, entre os municípios de Alvorada do Oeste e Costa Marques. 2010: Em 31 de março, com a renúncia do governador Ivo Cassol, que se afasta do governo para concorrer ao Senado, (saindo-se vitorioso), toma posse do governo do estado de Rondônia o senhor João Aparecido Cahula. Em 1º de janeiro, toma posse o governador eleito pelo PMDB Confúcio Aires Moura. 15 de março de 2011, os trabalhadores da usina Hidrelétrica de Jirau se revoltam contra as más condições de trabalho e denunciam maus tratos, trabalhos análogos à escravidão e outros crimes. Os canteiros de obras são saqueados e incendiados. A cidade de Porto Velho vive dias de tensão e pavor. A Justiça Federal em Rondônia, em decisão liminar proferida pelo juiz da 1ª Vara, Alysson Maia Fontenelle, na Ação Cautelar Preparatória de Ação Civil Pública por ato de Improbidade Administrativa, determinou o afastamento do exercício do cargo do prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho e de parte de seu secretariado. A população de Rondônia, especialmente a de Porto Velho, manifesta-se nas jornadas de junho contra o aumento das passagens de ônibus (Revolta dos Vinte Centavos) e a corrupção na política brasileira. Cheia histórica dos rios Mamoré e Madeira (superando a marca dos 19,60 metros em Porto Velho) promove uma verdadeira catástrofe social e econômica nas áreas atingidas dos municípios de Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Porto Velho. Confúcio Moura é reeleito Governador do Estado de Rondônia. 12 de março, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia decidiu pela cassação do mandato eleitoral do governador Confúcio Moura e de seu vice-governador Daniel Pereira. Em 30.09.2015, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral, reverteu-se, por unanimidade, decisão do TRE, de forma que governador e vice-governador foram mantidos em seus cargos. Dr. Hildon de Lima Chaves, advogado e empresário, ex- Promotor de Justiça, é eleito como Prefeito da Cidade de Porto Velho. Marcos José Rocha dos Santos, conhecido por Coronel Marcos Rocha, policial militar aposentado, vinculado ao Partido Social Liberal (PSL), é eleito Governador do Estado de Rondônia 2015: 2011: 2008/09: 2011: 2012: 2013: 2014: 2016: 2018: 22 1-AS POPULAÇÕES INDÍGENAS. Considerada durante muito tempo como uma região marcada por um grandevazio demográfico e subpovoada, a Amazônia sempre foi o “lar” de inúmeras sociedades indígenas que habitaram a região há milhares de anos e nela desenvolveram importantes culturas que, só muito recentemente, começam a ser estudadas através dos esforços de modernos arqueólogos, historiadores e antropólogos. A Pré-História da Amazônia nos revela a existência de sociedades avançadas, formada por aldeias compostas por milhares de indivíduos e com culturas sofisticadas, capazes de produzir excedentes econômicos, que seriam comercializados com as populações que viveram no altiplano e na Cordilheira dos Andes. Viveram, na Amazônia, populações que produziram importantes manifestações culturais e desenvolveram técnicas agrícolas capazes de garantirem seu abastecimento de forma permanente, além de práticas de trabalho em cerâmica, abertura de estrada e construção de pontes de madeira (como foi o caso das recentes descobertas arqueológicas sobre a cultura Tapajós), recuperação de solos para aproveitamento agrícola (como se observa no chaco boliviano) e primórdios de construções em pedra (como a que se encontra na serra da muralha em Rondônia). Os relatos dos primeiros viajantes que percorreram o vale do Amazonas, ainda no século XVI, referem-se a sociedades impressionantes como a dos índios Omágua, Aruã, Tupinambá e Tapajó. No baixo Amazonas, foram notáveis as populações que desenvolveram as técnicas ceramistas que produziram as cerâmicas conhecidas como marajoara. No estado de Rondônia, os trabalhos arqueológicos e etnológicos evidenciam a presença muito antiga, datada de milhares de anos, de diversas culturas ameríndias, notadamente ligadas aos povos Tupi. Essas populações sempre foram diversificadas e passaram por grandes mudanças ao longo do tempo. Os estudos arqueológicos revelam enorme mobilidade territorial e grande alternância de culturas durante os diversos períodos que precederam a chegada dos colonizadores ibéricos. Hábitos e costumes diferenciaram os povos indígenas e não se pode pretender uma homogeneização de suas tradições e práticas. Desde a época em que a maior parte da Amazônia pertencia aos estados do Maranhão e Grão¬- Pará, o indígena foi utilizado também na empresa de dominação, como mateiros (conhecedores do terreno), remeiros, flecheiros, participaram também das tropas, entradas e bandeiras que devassaram a Amazônia em todos os sentidos, no século XVIII. 1.1 Os indígenas do vale do rio Madeira Na região dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé e nos seus afluentes, o português encontrou dois grupos de indígenas: o primeiro era formado por populações antigas, que ali residiam há longo tempo, como por exemplo os Mura, os Tora e os Matanawi. O segundo grupo é formado pelos povos que para lá migraram em fuga diante do avanço dos europeus no litoral brasileiro ou do expansionismo territorial de nações indígenas mais fortes. Desses povos que migraram, possivelmente os Tupi foram os primeiros a atingir a bacia do rio Madeira. Eles vinham recuando de suas povoações que, até o século XVI, estendiam-se da foz do Amazonas até o sul de São Paulo. Os Tupinambarana, descobertos pelo padre Acuña em 1639, na ilha de mesmo nome no rio Amazonas, próximo à foz do Madeira, eram descendentes do Tupinambá de Pernambuco. Posteriormente, outros grupos migraram para aquela região, provocando inclusive, guerras intertribais pelo controle do território. Índios Karipuna caçando anta no Vale do Madeira. (Gravura dos Irmãos Keller, 1868). 23 No final do século XVIII, alguns grupos indígenas do Tapajós começaram a entrar em contato com o colonizador. Conhecidos como Cabahiba ou Kawahib, eram uma nação que se subdividia em vários grupos, dentre eles os Parintintin. Esses Kawahib foram ferozmente perseguidos pelos Munduruku e, expulsos de seus territórios, subdividiram-se em vários grupos que se espalharam na região situada entre os rios São Manoel e Madeira. Os Tupí-Kawahib, após a dispersão provocada pelos Mura, situaram-se no rio Branco, afluente do Roosevelt e depois ampliaram seu território até o Ji-Paraná e seus afluentes. Os Cabahibas foram encontrados, até o final do século XIX, no campo dos Parecis, entre a foz do Arinos e Juruena Nessa mesma época, o baixo e médio Mamoré foi objeto da migração de outro grupo indígena, os Txapakura. Viviam originalmente no curso do Médio e Alto rio Blanco (Baures), na área em torno do lago Chitiopa e parte de Concepción de Chiquitos (Bolívia). Os Txapakura foram dominados pelos europeus no início do século XVII e reduzidos aos aldeamentos dos colonizadores. Alguns grupos penetraram a América Portuguesa, desses, os Urupá, Jaru e Torá pertencem à família linguística Txapakura e entraram em contato com os portugueses no início do século XVIII. 1.2. O uso da mão-de-obra indígena pelos colonizadores De maneira intensiva, o indígena foi utilizado como mão de obra no Madeira, a partir do século XVIII. Além do extrativismo do cacau, os indígenas eram indispensáveis para a extração da salsaparrilha, banha de tartaruga e óleo de copaíba, nessa área periférica. No Alto Madeira, a praia do Tamanduá, próxima a primeira cachoeira, Santo Antônio, era um viveiro abundante de tartarugas. No período da desova, os indígenas retiravam os ovos para produzirem o óleo ou manteiga de tartaruga. Essa utilização do indígena não ocorria de maneira pacífica. Em regiões distintas, tribos como os Arara e Munduruku resistiam bravamente ao avanço português. Contudo, a nação que mais ferozmente reagiu ao avanço português na área do Madeira, no século XVIII, foi a dos Mura. O historiador Vítor Leonardi afirma que essa nação possuía, no século XVIII, uma população de 40.000 pessoas que moravam às margens do Madeira e combateram o colonizador na área compreendida entre esse rio e o Tocantins. No final do século XIX, o Madeira era ainda fartamente habitado por várias nações indígenas. 1.3. Os indígenas do Vale do Guaporé. No Vale do Guaporé, viveu uma ampla população indígena, que sempre despertou a cobiça de bandeirantes e sertanistas que percorriam as imensidões dos sertões brasileiros em busca de indígenas para serem vendidos nos mercados coloniais de escravos. Entre os grupos preferidos pelos sertanistas e bandeirantes, que capturavam indígenas para a venda no mercado colonial de escravos, encontravam-se os Bororo e os Pareci, que eram considerados de maior docilidade, mais fácil adaptação aos hábitos e costumes da sociedade colonial. Outros povos, entretanto, eram conhecidos e temidos por sua feroz resistência aos avanços dos colonizadores e dos traficantes internos de indígenas para a escravidão. Dentre esses grupos que viviam na capitania do Mato Grosso e Cuiabá, podemos destacar os Cabixi, os Caiapó e os Paiaguá, que habitavam o vale do Paraguai. 24 Um Bando (legislação colonial emitida pelos governantes das capitanias) do governador de São Paulo, datado de 13 de dezembro de 1727, proibia a venda de índios. A legislação real sobre esse assunto era dúbia e praticada com pouco rigor. Datava de 1686 o Regimento das Missões. Por este documento, promulgado durante o reinado de D. Pedro II, rei de Portugal, procurava-se regularizar e harmonizar a ação colonizadora e a catequética. No entanto, criavam-se sempre exceções que possibilitavam o resgate e a guerra justa. Em suas instruções, o governador Rolim de Moura trazia ordens de Portugal para tratar com o rigor da guerra justa os Caiapó e Paiaguá, permitindo, a quem os apresasse, a sua escravização, mas preferindo a sua extinção, caso não se submetessem. Por outro lado, ordenava que fossem construídas missão e aldeamentos para os índios Parecis que vinham sofrendo contínuos ataques dos sertanistas de Cuiabá e do Mato Grosso. Desde a década de 1750, o governador do Pará, Francisco Xavier Mendonça Furtado (1700-1769), trouxe ordens do governo português para inibir e eliminar a escravização dos índios,dando preferência à mão-de-obra africana. Não se pode dizer que houve uma substituição da escravidão indígena pela africana, pois as duas ocorreram ao mesmo tempo. O que se percebe é que, na região guaporeana, ao contrário do Madeira e de outras áreas da Amazônia, a escravidão de negros tomou um vulto muito maior, fazendo com que o número de escravos indígenas fosse percentualmente mínimo. Dessa forma, o governador da Capitania do Mato Grosso e Cuiabá, Capitão-General Caetano Pinto de Miranda Montenegro (1760-1827), Marquês de Vila Real de Praia Grande, assinalou que, em 1800, existiam, em Vila Bela e adjacências do Vale do Guaporé, 131 índios e 5163 negros. A aliança e o apoio indígena eram indispensáveis para o êxito da política fronteiriça portuguesa no vale do Guaporé, uma vez que a constante ameaça castelhana se fazia sentir sobre a região. Os próprios castelhanos tentaram fundar missões religiosas para a catequese dos indígenas em terras portuguesas e, dessa forma, ampliarem seus domínios territoriais sobre as lavras e faisqueiras dos sertões do extremo oeste. Essa política foi denunciada pelos índios Bororo que constataram a presença de padres espanhóis nas adjacências das cabeceiras do rio Cuiabá. Os portugueses, imediatamente, tomaram medidas, armando os Bororo e ordenando a destruição das edificações espanholas. 1.4. Características das políticas governamentais referentes aos povos indígenas. Durante a expansão colonial pelos vales do Guaporé e Madeira, o estado português planejou uma política que tinha como objetivo o aproveitamento da mão- de-obra indígena, quer através da escravização realizada pelos sertanistas e bandeirantes, quer pela via da catequese realizada pelos padres missionários. Ao perceber os riscos da aliança entre os indígenas do Guaporé e as forças da vizinha colônia espanhola, as autoridades portuguesas eliminaram as práticas locais da escravidão indígena e tentaram atrair as populações residentes para sua esfera de influência, armando-as para lutar contra os inimigos castelhanos. Entretanto, durante a exploração da borracha, as forças do Estado Nacional do Brasil adotaram políticas de indiferença frente aos massacres étnicos promovidos pelos seringalistas, através dos assassinatos das populações indígenas residentes em áreas de exploração da borracha, que eram conhecidos como “limpezas”. A eliminação dos 25 indígenas, considerados selvagens, hostis e perigosos, foi vista por grande parte da sociedade nacional como legítima e necessária ao sucesso dos empreendimentos extrativistas na Amazônia. Somente com o advento do século XX, a situação começou a apresentar algumas transformações. Com a criação do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) em 1910, o Estado brasileiro começou, de forma muito tímida, a desenvolver algumas políticas capazes de assegurar alguma proteção às populações nativas. 1.5. A descoberta do Amazonas e as primeiras tentativas de exploração e colonização da Região Amazônica Com o avanço das grandes navegações, já em finais do século XV, os espanhóis chegaram, sob o comando de Vicente Yanez Pinzón, à foz do rio Amazonas, em 1499, portanto um ano antes da descoberta oficial do Brasil. O rio foi denominado Santa Maria do Mar Dulce, evidenciando, claramente, a expressão de assombro do navegador diante da imensidão de água doce na confluência do rio Amazonas com o oceano Atlântico. Gonzalo Pizarro, um dos primeiros exploradores do rio Amazonas. É importante ressaltar que as Grandes Navegações eram impulsionadas por um desejo mercantilista de riquezas e tesouros, o que promoveu a ocupação de novas terras e sua colonização e exploração econômica. Entretanto, existiam outros elementos em jogo na Expansão Ultramarina Europeia e, segundo historiadores renomados como Sergio Buarque de Holanda, Laura Mello e Souza e Claude Kappler, a busca pela confirmação das verdades bíblicas e pelos mitos que marcaram o imaginário medieval tem que ser levada em conta nesse contexto. Assim, o rio Amazonas surge como a certificação de um desses grandes mitos medievais, atestando a existência de um “mar de águas doces”. Entretanto, a ocupação do Vale Amazônico foi penosa e difícil, em grande parte por conta das adversidades ambientais, ou ainda em função da hostilidade das populações indígenas e, ainda, devido à escassez populacional dos países europeus, ainda mal recuperados demograficamente da devastação provocada pela Peste Negra. Outros fatores explicativos da adversidade para a efetivação da colonização local seriam a aparente ausência de recursos minerais importantes e as limitações da tecnologia dos séculos XVI e XVII. Assim, temos, durante o século XVI, algumas tímidas tentativas de reconhecimento e ocupação da região amazônica, destacando-se: Em 1528, alemães, patrocinados pelo Imperador Carlos V da Espanha e do Sacro Império Romano Germânico, tentaram fundar uma colônia na costa venezuelana, dirigida por Ambrósio de Alfinger, que foi atacada e destruída pelos indígenas. Em 1530, Alfinger tentou, sem sucesso, a fundação da colônia na Amazônia venezuelana. Destacam-se ainda as tentativas de George de Spires e Philip Von Huntem. Em 1541, Gonzalo Pizarro e Francisco Orellana comandaram uma expedição que, partindo de Quito, desceu o rio Amazonas chegando até a sua foz. Procuravam o país das Canelas e o Eldorado. A expedição 26 terminou em tragédia e o cronista Padre Gaspar de Carvajal, em sua narrativa, aborda a existência de mulheres guerreiras, as Amazonas, em meio às nações indígenas encontradas. O espanhol Ñuflo de Chavez navegou pelo Guaporé entre 1541 e 1542, em direção às terras do Paraguai. Este é o primeiro registro de passagem de um europeu pela região, então sob o domínio espanhol. Em 1560, Pedro de Ursua e Lope de Aguirre e Fernando Gusmam partiram de Quito e navegaram pelo Amazonas em busca do Eldorado e o país das Canelas. Crimes, assassinatos e tragédias levaram a expedição ao fracasso. Durante o século XVI, ingleses, franceses, holandeses, espanhóis, alemães, italianos e portugueses disputaram a posse da Amazônia. Já no século XVII, as investidas sobre a Amazônia se ampliam e as ações de bandeirantes e exploradores sugerem que as buscas por riquezas diversas e mão-de-obra indígena para a escravidão colonial teriam levado alguns aventureiros até os confins da Amazônia. Em 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco construiu, na foz do rio Amazonas, a Vila de Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Tinha início a ocupação portuguesa na Amazônia. Em 1637, Pedro Teixeira organizou uma expedição que subiu o rio Amazonas de Cametá até Quito e também estabeleceu os marcos e delimitações da ocupação portuguesa na região. Sua viagem foi narrada pelos padres cronistas Cristobal Acuña e b. Nesse período, o Brasil estava sob o domínio espanhol, através da União Ibérica (1580-1640). A viagem do capitão português serviu de base para que, um século mais tarde, o Estado Português reclamasse e obtivesse a posse de aproximadamente 70% da bacia amazônica, com base na assinatura do Tratado de Madri (1750). Em 1647, Raposo Tavares percorreu os vales dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas com sua grande Mapa demonstrativo da viagem de Raposo Tavares Ainda no século XVII, a Coroa Portuguesa publicou um conjunto de instruções e ordenações régias sobre a atuação das ordens religiosas católicas no vale amazônico. Esse documento é conhecido como o Regimento das Missões e lançou as bases para a ação catequética e colonizadora dos padres das ordens Carmelita, Jesuíta, Dominicana, Mercedária e Capuchinha na região amazônica. Os Vales do Madeira, Mamoré e Guaporé estiveram a cargo da ordem Jesuítica que já havia fundado missões na margem esquerda do rio Guaporé, chamado de Itenez pelos espanhóis. 1.6. As bases da ocupação e do povoamento colonial do vale do Guaporé. Em 1718, o bandeirante Paschoal Moreira Cabral descobriu ouro