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TESTES CIENTÍFICOS EM ANIMAIS: A NECESSIDADE OU NÃO DESSES 
MÉTODOS 
 
Veridiana Bueno Macedo (UEPG) (e-mail: veridianabuenomacedo@gmail.com) 
Orientador: Prof. Me. João Manoel Grott 
 
RESUMO 
Este trabalho busca analisar a necessidade ou não dos testes científicos 
(sejam farmacêuticos ou cosméticos) nos animais, mostrando a visão dos 
cientistas defensores da prática, alegando que a ciência evoluiu com as 
pesquisas e os ativistas que são contrários a esses métodos, dizendo que os 
mesmos são apenas gestos cruéis e desnecessários. 
Palavras-chaves: Testes em animais, Direito Ambiental, Direito dos Animais 
 
Introdução 
 
Este trabalho irá tratar sobre os testes feitos em animais pelas indústrias 
farmacêuticas e de cosméticos. Diversos animais sofrem diariamente nesses 
setores, mas será que isso é realmente necessário? Até que ponto o homem 
pode explorar essas pequenas criaturas? O tema é muito debatido atualmente 
por defensores dos direitos dos animais e cientistas. O objetivo desse trabalho 
é trazer a tona esse debate e ver qual lado têm mais argumentos que faz com 
que a balança da justiça incline a seu favor. 
Os testes científicos em animais são extremamente polêmicos e bastante 
discutidos atualmente. De um lado estão os cientistas alegando que as 
prateleiras de remédios nas farmácias estariam vazias se não fossem os testes 
e do outro, estão os defensores dos direitos dos animais alegando que esses 
tipos de experiências não são necessários e só atrasam a ciência. 
Objetivos 
 
O trabalho tem por objetivo mostrar os dois lados dos testes científicos em 
animais: a versão dos cientistas, mostrando os motivos da necessidade desse 
meio e a versão dos ativistas, defendendo os direitos dos animais e dizendo 
que devido à tecnologia atual, esses testes são desnecessários já que existem 
outras formas de experiências para assegurar que o produto é viável. Além 
disso, busca-se unir e equilibrar essas correntes, formando uma teoria benéfica 
tanto para os animais quanto para a ciência. 
Métodos e técnicas de pesquisa 
 
O método utilizado para este trabalho foi o dialético, já que expõe a visão da 
ciência e do direito dos animais, ambos contraditórios. Para deixar este resumo 
mais rico e argumentativo, foram realizadas pesquisas com empresas de 
cosméticos baseadas nas listas da PEA e PETA. A Colgate e Loreal, ambas na 
lista da PETA como utilizadoras dos testes em animais foram procuradas e 
deram seu parecer. Com base nas informações da PEA de empresas que não 
utilizam essas pesquisas, as marcas Natura, O Boticário e Natuphitos também 
foram abordadas, explicando como deixaram de usar os animais em testes e 
quais os métodos utilizados atualmente. Também foi utilizada pesquisa 
documental indireta com livros que abordam o assunto em questão, artigos da 
Constituição Federal, Código Civil e decretos, revistas como a Época e Veja 
que mostraram os dois lados quando estourou o caso do Instituto Royal e os 
cães da raça beagle no dia 18 de outubro de 2013, além de sites e blogs 
informacionais. 
 
Resultados 
 
Após um estudo, pode-se observar que é possível ter um equilíbrio entre as 
duas partes. Os testes em animais feitos por empresas de cosméticos são 
desnecessárias, já que muitas delas não utilizam mais esses métodos. A marca 
Natura tem uma página em seu site oficial sobre o assunto: 
Desde dezembro de 2006 não realizamos testes em animais durante 
o desenvolvimento dos produtos ou de matérias-primas para avaliar a 
segurança e a eficácia.[...] 
Ao invés de utilizar animais em nossos testes utilizamos as mais 
avançadas técnicas mundiais de avaliação que incluem modelos 
computacionais, pesquisa e revisão contínua dos dados publicados 
em literatura científica do mundo todo e testes in vitro, que também 
são aceitos pela comunidade científica internacional. Além disso, 
contamos com uma equipe de cientistas que busca trabalhar com as 
mais avançadas tecnologias para tornar as avaliações cada vez mais 
precisas e eficazes. (TESTES EM ANIMAIS, 2013) 
Outra grande empresa brasileira que deixou de utilizar os testes em animais, foi 
O Boticário, que também explica em seu site sobre as atuais técnicas que 
adotou. A explicação que a página apresenta é bem semelhante a escrita no 
site da Natura. 
Então fica um questionamento dos ativistas para as indústrias de cosméticos 
que ainda usam os animais como cobaias: Por que empresas como a Natura e 
O Boticário conseguem utilizar novas tecnologias e outras não? Os animais já 
sofreram bastante no que se envolve cosméticos e já foram observadas 
substâncias que são toleráveis aos humanos, os cientistas já sabem quais são, 
então por que continuar essa tortura? 
Após toda a polêmica que foi levantada após o episódio do Instituto Royal em 
que vários defensores dos direitos dos animais invadiram a empresa para 
resgatar mais de 150 cães da raça beagle no dia 18 de outubro de 2013, 
muitas discussões ocorreram, várias revistas debateram o assunto e 8 meses 
depois, a Câmara dos Deputados aprovou a lei que proíbe o uso de animais 
como cobaia nas indústrias de cosméticos. O texto seguiu para o Senado e 
aguarda votação. A lei prevê multas para as empresas que a violarem, de 500 
reais até 50 mil reais, indo de encontro com o Decreto 6514/08, que também 
prevê multas, mas para casos específicos, como o de caça. 
No quesito dos testes para o meio farmacêutico a discussão é maior e mais 
intensa entre ativistas e cientistas. 
Nossa legislação atual não trata muito dos animais e possui certa contradição 
já que a Constituição Federal de 1988 defende o meio ambiente. Em seu artigo 
125, §1º, VII diz: “A flora e fauna devem ser protegidas, não podendo causas a 
extinção de ambos e nem submeter o último a torturas e crueldade.” Já o 
Código Civil de 2002, trata os animais apenas como uma “coisa”, de acordo 
com artigo 82, que classifica os animais como: “bens móveis”. Existe ainda a 
Lei Arouga (Lei 11794/08) que permite a utilização de animais como cobaias e 
regulariza a situação, fazendo com que os mesmos não sofram de maneira 
desnecessária. 
 
DISCUSSÃO 
 
Vários cientistas defensores do uso de animais como cobaia, alegam que é 
impossível deixar de usa-los nos testes de medicamentos. Segundo os 
mesmos, as prateleiras das farmácias estariam vazias se não fosse esse 
método. Os animais mais utilizados são os camundongos, que fazem parte da 
primeira fase, ou seja, o início da pesquisa (podendo ser testado depois em 
coelhos e cachorros). Os cientistas infectam o animal com a doença (por 
exemplo, câncer) e fazem com que cresçam tumores para serem analisados, 
após isso, o animal é sacrificado e aberto para que sejam estudados os efeitos 
em seu organismo. Outra experiência muito conhecida é aquela onde injetam 
substâncias tóxicas nos animais para ver o quanto fazem mal aos humanos, 
causando dor, diarreia, sangramento e lesões internas na cobaia. 
Embora essa situação seja tenebrosa para os ativistas defensores dos direitos 
dos animais, é algo muito comum para os cientistas. De acordo com o site da 
Revista Época (A VIDA DELES VALE TANTO QUANTO A SUA?, 2013) o 
britânico Colin Blakemore começou sua carreira costurando olhos de gatinhos 
recém-nascidos para estudar uma parte específica do cérebro. Com essa 
pesquisa, foi possível entender o caso de cegueira infantil e achar uma forma 
de evita-la, e foi um estudo muito importante para a neurologia. A revista 
também diz que se não fosse por esses testes, os humanos não viveriam mais 
de 40 anos, fariam cirurgias sem anestesia e morreriam de infecção de 
garganta, como na Idade Média. Isso evidencia a opinião dos cientistas:os 
testes em animais são um avanço para a humanidade. 
Infelizmente, essas técnicas não garantem um beneficio humano, por exemplo, 
a talidomida levou mães ao aborto e deformou centenas de crianças. O 
medicamento era usado para combater enjoos, levando diversas grávidas 
usarem o remédio. O mais curioso é que a talidomida, até em doses elevadas, 
não teve efeitos negativos em animais, enquanto o suco de limão é altamente 
tóxico para alguns deles. Muitos ativistas alegam que os experimentos só 
atrasam a ciência, pois evita que os pesquisadores procurem outra forma, 
trazendo certo comodismo. 
Mesmo que muitos médicos defendam a utilização de animais como cobaias, o 
especialista em cardiologia nuclear, Dr. John Pippin, deu uma entrevista ao site 
da Revista Galileu contrariando o uso de animais em testes científicos, dizendo 
que é algo extremamente desnecessário: 
A questão científica é que está provado que o uso de animais para 
estudar doenças humanas e testar drogas para uso humano antes 
que eles sejam mandadas para teste clínicos em pessoas é um 
grande erro. Os resultados geralmente têm uma aplicabilidade muito 
baixa em seres humanos, e é um sistema que claramente está 
demonstrado que não é eficaz, não prevê os resultados em 
organismos humanos, consome grandes recursos financeiros e 
produz poucos, quando nenhum, benefícios para pacientes. (PIPPER, 
2013) 
Quando questionado sobre a razão de ainda ser utilizado esses testes, 
desnecessários, Pipper diz que há muito dinheiro envolvido nessas 
experiências pois são pagas pelo dinheiro público e um único motivo: o lucro 
que os cientistas recebem. Rebatendo o argumento dos farmacêuticos, Pipper 
responde: 
As empresas farmacêuticas estão interessadas em apenas uma 
coisa: ter os remédios aprovados pelo FDA (Foods and Drugs 
Administration, a vigilância sanitária dos EUA) para que sejam usados 
em humanos. A maneira mais fácil de fazer isso é dar ao FDA 
resultados de pesquisas com animais, porque o FDA está 
acostumado a ver resultados baseados nesse tipo de pesquisa, e é 
através de testes em animais que eles frequentemente aprovam 
testes em humanos. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Considerando as discussões acima, o debate sobre o uso de animais como 
cobaia está longe de acabar. Os testes para o meio de cosméticos pode ser 
considerado totalmente desnecessário, uma vez que existe tecnologia 
adequada para verificar se os produtos podem ser usados pelos humanos. 
Porém, devemos observar que muitos animais ainda sofrem com as indústrias 
farmacêuticas, e muito dinheiro está envolvido com a questão. Não é justo 
coelhos, camundongos, cachorros e várias outras espécies sofrerem e 
morrerem pela ganância, pela busca do dinheiro e pelo comodismo. Os testes 
no meio dos cosméticos devem acabar sim, e a lei aprovada pela Câmara dos 
Deputados é justíssima, pois se observa muito comodismo por parte das 
empresas envolvidas com os cosméticos. Os cientistas deveriam procurar 
novos meios de testar as substâncias sem utilizar os animais para o uso de 
remédios, suspendendo os testes assim que uma nova tecnologia surja. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SITES CONSULTADOS 
 
BRASIL, Civil. Código Civil de 2002: promulgado em 10 de janeiro de 2002. 4 
ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. 256 p. 
 
 
BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do 
Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. 4 ed. São Paulo: Revista dos 
Tribuinais, 2013. 133 p. 
 
 
BRASIL. Legislação. DECRETO 6514/08: promulgada em22 de julho de 2008. 
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/decreto/D6514.html> Acesso em 15 jun. 2014 
 
 
BRASIL. Legislação. LEI AROUGA: promulgada em 08 de outubro de 2008. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/lei/l11794.html> Acesso em 22 nov. 2013 
 
 
REVISTA GALILEU – ‘O USO DE ANIMAIS PARA ESTUDAR DOENÇAS E 
TESTAR DROGAS PARA USO HUMANO É UM GRANDE ERRO’ disponível 
em:<http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344794-17770,00-
USO+DE+ANIMAIS+PARA+ESTUDAR+DOENCAS+E+TESTAR+DROGAS+P
ARA+USO+HUMANO+E+UM+GR.html>.Acesso em: 21 nov. 2013. 
 
 
SUSTENTABILIDADE disponível em 
<http://www.grupoboticario.com.br/sustentabilidade/Paginas/materias-primas-e-
embalagens.aspx> Acesso em: 21 nov. 2013. 
 
 
TESTES EM ANIMAIS disponível em 
<http://www.natura.com.br/institucional/sobre-a-natura/testes-em-animais> 
Acesso em: 21 nov. 2013 
 
 
LIMA, João Epifânio Regis. Vozes do Silêncio – Cultura científica: ideologia 
e alienação no discurso sobre vivissecção. 1ª ed. São Paulo: Instituto Nina 
Rosa, 2008 
 
 
PADILHA, Norma Sueli. Fundamentos Constitucionais do Direito Ambiental 
Brasileiro. 1ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

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