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Conteudista: Prof.ª Dra. Viviane Rodrigues Esperandim Sampaio
Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira
 
Objetivos da Unidade:
Reconhecer no sistema respiratório as vias aéreas superiores e inferiores,
pulmões e pleuras;
Conhecer os componentes do sistema digestório e seus anexos.
˨ Material Teórico
˨ Material Complementar
˨ Referências
Sistemas Respiratório e Digestório
Introdução
Durante todos os momentos de nossas vidas estamos respirando, não é
mesmo? A respiração é uma condição para a vida. Agora, você já pensou
para onde o ar que inspiramos é direcionado? O sistema respiratório é
uma rede altamente ramificada que conduz o ar inspirado até as células
onde este é utilizado para produzir energia. Durante essas reações, será
liberado dióxido de carbono, eliminado pela expiração. Vamos agora
conhecer um pouco sobre este sistema e suas vias de condução.
Sistema Respiratório
1 / 3
˨ Material Teórico
Figura 1 – Anatomia do sistema respiratório
Fonte: Getty Images
O sistema respiratório é formado por nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios
e pulmões. De acordo com sua estrutura, o sistema respiratório é constituído por duas partes:
Parte superior: nariz, cavidade nasal, faringe e estruturas associadas;
Parte inferior: laringe, traqueia, brônquios e pulmões.
Figura 2 – Divisão estrutural do sistema respiratório
Fonte: Adaptada de Freepik
De acordo com sua função, o sistema respiratório é constituído também por duas partes:
Parte condutora: cavidades e tubos conectados que funcionam como via de
passagem do ar e que incluem o nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia
brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais. A função da parte condutora é
filtrar, umidificar e aquecer o ar inalado e conduzi-lo para os pulmões;
Parte respiratória: tubos e tecidos nos pulmões onde acontecem as trocas gasosas e
que incluem os bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e
alvéolos.
Anatomia da Parte Superior do Sistema Respiratório
Nariz e cavidade nasal
O nariz é o órgão do sistema respiratório presente na face e principal passagem do ar inspirado.
A parte visível do nariz representa um quarto da região nasal. Este é dividido em parte externa
visível e parte interna no interior do crânio, a cavidade nasal. A parte externa é recoberta por
músculo, pele, cartilagem e osso nasal. Os ossos nasais formam a parte superior do nariz e a
estrutura de cartilagem é constituída por várias cartilagens hialinas unidas entre si. O septo
nasal é formado pela cartilagem do septo nasal, o osso etmoide e o osso vômer que divide a parte
interna do nariz em duas câmaras. Ligadas ao osso nasal, outras duas cartilagens, as cartilagens
nasais laterais, formam a porção intermediária do nariz, e as cartilagens alares formam a
porção inferior da parte externa do nariz. 
Importante! 
As trocas gasosas são as difusões de oxigênio e dióxido de carbono.
Sem a troca gasosa, os seres vivos não sobreviveriam mais que alguns
minutos.
Figura 3 – Cartilagens do nariz
Fonte: Adaptada de Getty Images
Na parte externa do nariz, abrem-se duas narinas que continuam internamente como
vestíbulos do nariz. A parte inferior do vestíbulo é recoberta por pele, pelos, glândulas sebáceas
e sudoríferas. A parte superior do vestíbulo é composta por mucosa que continua como cavidade
nasal. A cavidade nasal forma a maior parte do nariz e situa-se inferiormente aos ossos nasais e
superiormente à cavidade oral. O septo nasal divide a cavidade nasal em duas metades, direita e
esquerda. Na parede lateral de cada uma das cavidades nasais estendem-se três projeções
denominadas conchas nasais superior, média e inferior, com vias de passagem parecidas com
sulcos, os meatos nasais superior, médio e inferior.
Figura 4 – Conchas nasais
Fonte: Adaptada de Getty Images
Na concha nasal superior localiza-se o epitélio olfatório, com células receptoras olfatórias
relacionadas ao olfato. O ar passando pelas conchas e meatos é aquecido pelo sangue circulante
nos capilares presentes no epitélio e o muco secretado pelas células caliciformes umedece o ar e
filtra as partículas de poeira.
Faringe
A faringe é um tubo afunilado com parede composta de músculos esqueléticos revestida por
mucosa. Localiza-se posteriormente à cavidade oral, cavidade nasal e a laringe, terminando na
cartilagem cricoide. As contrações dos músculos da faringe auxiliam na deglutição. A faringe
fornece via de passagem não só do ar, mas também do alimento, fornece uma câmara para
produção dos sons da fala e contém as tonsilas, que participam nas reações imunológicas.
A faringe é dividida em três regiões anatômicas:
Em Síntese 
As funções das estruturas internas do nariz são:
Aquecimento, umidificação e filtração do ar que entra;
Olfação pela detecção de estímulos olfatórios;
Modificação das vibrações da fala (câmaras ocas de ressonância).
Nasofaringe: a parte nasal da faringe, situa-se posteriormente à cavidade nasal até o
palato mole. O palato mole é um músculo arqueado recoberto por camada mucosa.
Existem aberturas nessa cavidade: dois cóanos, dois óstios faríngeos da tuba
auditiva (trompas de Eustáquio) e uma abertura na parte oral da faringe. Na parede
posterior, existe a tonsila faríngea (conhecida como adenoide);
Orofaringe: a parte oral da faringe, situa-se na região posterior da cavidade oral e
estende-se até o osso hioide. Apresenta uma abertura anterior, o istmo das fauces,
onde encontram-se dois pares de tonsilas, as tonsilas palatinas e as tonsilas
linguais;
Figura 5 – Faringe e suas divisões: nasofaringe, orofaringe
e laringofaringe
Fonte: Adaptada de Getty Images
Laringofaringe: a parte laríngea da faringe, inicia-se a nível do osso hioide,
comunica-se anteriormente com a laringe e continua até o esófago, sendo assim
uma via tanto respiratória quanto digestória.
Anatomia da Parte Inferior do Sistema Respiratório
Laringe
A laringe é uma região cartilaginosa que une a laringofaringe à traqueia, situada na linha
mediana do pescoço. Composta por nove cartilagens: uma cartilagem tireóidea, uma cartilagem
epiglótica, uma cartilagem cricóidea, duas cartilagens aritenóideas, duas cartilagens
cuneiformes e duas cartilagens corniculadas. Os músculos extrínsecos da laringe unem as
cartilagens a outras estruturas, e os músculos intrínsecos unem as cartilagens umas às outras. 
A cartilagem tireóidea é a maior cartilagem da laringe, constituída por duas lâminas fundidas
formando a proeminência laríngea (pomo de Adão). O ligamento que une a cartilagem tireóidea
com o osso hioide é denominado membrana tíreo-hióidea. Nessa região encontra-se a epiglote,
formada por cartilagem elástica em forma de folha recoberta por epitélio. Durante a deglutição, a
faringe e a laringe se elevam e a epiglote se move para baixo, fechando a abertura da laringe. A
via de passagem através da laringe é denominada glote, constituída de um par de pregas
Você Sabia? 
Já ouviu alguém relatando que vai retirar as “amídalas”? Na verdade,
trata-se da tonsilectomia, a retirada cirúrgica das tonsilas. São
cirurgias realizadas em indivíduos que apresentam frequentemente
tonsilite, a inflamação das tonsilas.
mucosas. A cartilagem cricóidea é um anel de cartilagem hialina fixada ao primeiro anel de
cartilagem da traqueia pelo ligamento cricotraqueal. O ligamento cricotireóideo une a
cartilagem tireóidea à cartilagem cricóidea. A cartilagem cricóidea é o ponto de referência para a
realização da traqueotomia. As cartilagens aritenoides são peças triangulares de cartilagem
hialina que formam articulações sinoviais com a cartilagem cricóidea. As cartilagens
corniculadas são peças de cartilagem elástica em forma de corno na face lateral da epiglote.
Figura 6 – Cartilagens e ligamentos da laringe
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
Na laringe, a túnica mucosa forma dois pares de pregas: as pregas vestibulares e as pregas
vocais. O espaço entre as pregas vestibulares
é conhecido como rima do vestíbulo e o ventrículo
da laringe é uma expansão lateral da cavidade da laringe. As pregas vocais são as principais
estruturas na produção da voz. O ar que passa pela laringe vibra as pregas e produz som, na qual
a variação na altura do som relaciona-se com a tensão nas pregas vocais.
Figura 7 – Pregas vestibulares e pregas vocais
Fonte: Getty Images
Traqueia
A traqueia localiza-se anteriormente ao esôfago, e na margem da quinta vértebra, divide-se em
brônquios principais direito e esquerdo. É uma via de passagem para o ar, mede cerca de 12 cm
de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. Constituída de 16 a 20 anéis horizontais incompletos de
cartilagem hialina semelhantes à letra C empilhados um acima do outro e unidos por tecido
conjuntivo. A parte aberta de cada anel de cartilagem em forma de C fica em direção ao esôfago,
sendo envolvida por uma membrana fibromuscular (músculo traqueal).
Figura 8 – Traqueia e anéis de cartilagem
Fonte: Getty Images
Brônquios
Na sua região final, a traqueia apresenta uma crista interna chamada carina, na qual se divide em
brônquio principal direito, ou primários (estende-se até o pulmão direito), e brônquio
principal esquerdo (estende-se até o pulmão esquerdo). Os brônquios, assim como a traqueia,
contêm anéis de cartilagem incompletos e são revestidos por epitélio pseudoestratificado
colunar ciliado que auxilia nas defesas imunológicas. 
Ao adentrar os pulmões, os brônquios principais dividem-se dando origem aos brônquios
lobares, ou secundários, para cada um dos lobos pulmonares. O pulmão é dividido em lobos, em
que o pulmão direito possui três lobos e o esquerdo dois lobos. Os brônquios lobares ramificam-
se formando os brônquios segmentares ou terciários e, em seguida, dividem-se em
bronquíolos. Os bronquíolos também passam por ramificações, sendo denominados
bronquíolos terminais, que representam a extremidade da parte condutória do sistema
respiratório. Depois dos bronquíolos terminais da árvore bronquial, as ramificações
apresentam-se microscópicas, sendo então denominadas bronquíolos respiratórios e ductos
alveolares.
Figura 9 – Traqueia, brônquios principais e brônquios
lobares
Fonte: Wikimedia Commons
Pulmões
Os pulmões são órgãos pares, estão situados na cavidade torácica e possuem forma de cone. Os
pulmões são envolvidos por uma túnica serosa denominada pleura, formada por duas camadas:
a pleura parietal, a camada superficial que reveste a parede da cavidade torácica, e a pleura
visceral, a camada mais profunda que se adere aos pulmões. Entre as duas pleuras existe um
espaço, a cavidade pleural, que contém uma pequena quantidade de líquido lubrificante
secretado pelas duas lâminas.
Os pulmões, na caixa torácica, ficam localizados entre o diafragma e as clavículas. A base dos
pulmões, a mais larga, é côncava e encaixa-se no diafragma. Já a parte superior, mais estreita, é
o ápice. A face do pulmão situada contra as costelas é a face costal, e a face mediastinal contém o
hilo pulmonar, onde entram e saem os brônquios, os vasos sanguíneos pulmonares, os vasos
linfáticos e os nervos. O pulmão esquerdo possui uma concavidade, a incisura cardíaca, onde se
projeta o ápice do coração. O pulmão esquerdo é 10% menor devido ao espaço ocupado pelo
coração, e o pulmão direito é mais espesso, mais largo e mais curto do que o esquerdo, uma vez
que o diafragma é mais alto no lado direito para acomodar o fígado nesta região.
Os pulmões são divididos por fissuras formando os lobos. Os dois pulmões possuem a fissura
oblíqua e o direito apresenta também uma fissura horizontal. No pulmão esquerdo, a fissura
oblíqua separa o lobo superior do lobo inferior. O pulmão direito, por possuir duas fissuras,
apresenta o lobo superior, lobo médio e lobo inferior.
Figura 10 – Pulmão direito (três lobos) e pulmão esquerdo
(dois lobos)
Fonte: Wikimedia Commons
Cada um dos lobos recebe seu brônquio lobar e, no pulmão, esses brônquios lobares dão origem
aos brônquios segmentares, dez para cada pulmão. A parte do pulmão suprida por cada brônquio
segmentar é denominada segmento broncopulmonar, que possui compartimentos menores
denominados lóbulos. Cada lóbulo contém um vaso linfático, uma arteríola, uma vênula e um
ramo de um bronquíolo terminal. Os bronquíolos terminais se dividem em ramos microscópicos
denominados bronquíolos respiratórios e alvéolos, que se desenvolvem a partir de suas paredes.
Os bronquíolos respiratórios constituem a primeira estrutura na parte respiratória do sistema
respiratório, onde ocorrem as trocas gasosas devido à presença dos alvéolos. Quando os
bronquíolos respiratórios penetram nos pulmões, subdividem-se em vários ductos alveolares, a
dilatação terminal de um ducto alveolar é denominada saco alveolar. Cada um dos sacos
alveolares é composto de evaginações denominadas alvéolos.
Figura 11 – Sacos alveolares e alvéolos
Fonte: Wikimedia Commons
Saiba Mais 
Você sabe o que acontece com o pulmão de uma pessoa tabagista? O
tabagismo pode reduzir a eficiência respiratória dos fumantes. A
nicotina provoca constrição dos bronquíolos terminais e diminui a
entrada e a saído do ar dos pulmões. O monóxido de carbono presente na
fumaça se liga à hemoglobina e reduz o transporte de oxigênio. Ainda, o
tabagismo destrói as fibras elásticas nos pulmões provocando o
enfisema. Condições muito sérias, não é? O resultado de tudo isso é a
troca gasosa menos eficiente nos pulmões.
Os pulmões recebem sangue desoxigenado pelas artérias pulmonares e pelos ramos bronquiais
da parte torácica da aorta. O sangue oxigenado retorna ao coração pelas quatro veias pulmonares
que desembocam no átrio esquerdo.
Sistema Digestório
O sistema digestório é constituído por dois grupos de órgãos que decompõem o alimento em
moléculas menores: o tubo gastrointestinal e os órgãos acessórios da digestão. O tubo
gastrointestinal mede aproximadamente de 5 a 7 cm, sendo considerado um tubo contínuo que
começa na boca e se estende até o ânus, formado pela boa, faringe, esôfago, estômago, intestino
delgado e intestino groso. Os órgãos acessórios da digestão são os dentes, glândulas salivares,
pâncreas, fígado e vesícula biliar. Os dentes auxiliam na digestão mecânica e a língua na
mastigação e deglutição do alimento. Os outros órgãos acessórios produzem ou armazenam
secreções que são secretadas para o tubo gastrointestinal auxiliando na decomposição dos
alimentos.
Figura 12 – Visão geral do trato gastrointestinal
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
Trocando Ideias... 
Você já pensou por que comer é tão importante? O que acontece com o
alimento depois que o ingerimos? Como ele é aproveitado no nosso
organismo? O sistema digestório participa de todos esses mecanismos
desde a mastigação do alimento até o momento em que eles serão
convertidos em micronutrientes utilizados pelas nossas células para
várias funções e para a produção de energia. Ficou curioso(a)? Vamos
entender um pouco mais sobre este sistema?
O sistema digestório apresenta funções que serão listadas a seguir:
Ingestão: entrada de alimentos e líquidos pela boca;
Secreção: as células dos órgãos acessórios e também da parede do tubo
gastrointestinal secretam água, enzimas, ácido e tampões no interior do trato
gastrointestinal pelo processo da secreção. No total são sete litros diariamente;
Digestão: trata-se da decomposição do alimento em micromoléculas. Refere-se à
digestão mecânica, iniciada pelos dentes que trituram o alimento antes da
deglutição, e a mistura deste alimento com as secreções pela contração do músculo
liso do estômago e do intestino delgado. A digestão química acontece pela ação das
Órgãos do Tubo Gastrointestinal
Boca
A boca, ou cavidade oral, é formada pela língua, bochechas, palato duro e palato mole. As
bochechas formam as paredes laterais da cavidade oral e a parte anterior termina nos lábios. Os
lábios circundam a abertura da boca. São formados pelo músculo orbicular da boca e
externamente
revestidos por pele. Na face interna, o lábio fixa-se à gengiva por uma prega de
túnica mucosa na linha mediana chamada frênulo do lábio. O vestíbulo da boca é o espaço
delimitado na parte externa pelas bochechas, lábios, gengivas e dentes, e a cavidade própria da
boca é o espaço desde as gengivas e os dentes à abertura da cavidade oral e faringe.
O palato na boca refere-se a um septo que separa a cavidade oral da cavidade nasal. É formado
pelo palato duro na região anterior (ossos maxilar e palatinos) e o palato mole na região
posterior (uma divisão muscular em forma de arco). Nesta região, a úvula palatina é uma região
muscular em formato de “campainha” e, durante a deglutição, ela e o palato mole se elevam para
fechar a parte nasal impedindo a entrada de alimentos e água nesta cavidade. Ao lado da úvula
existe uma prega muscular, o arco palatoglosso e, posteriormente à úvula, está o arco
palatofaríngeo. Entre os arcos estão localizadas as tonsilas palatinas, e na raiz da língua, as
tonsilas linguais.
Faringe
Conforme vimos anteriormente no sistema respiratório, a faringe é um órgão comum para a
passagem do ar e também do alimento e água. Após a mastigação e mistura com a saliva, o
alimento é direcionado da boca para a faringe quando deglutido. A faringe é composta de
enzimas que digerem as macromoléculas como carboidratos, lipídeos, proteínas e
ácidos nucléicos em micromoléculas que são absorvidas;
Mistura e propulsão: pela contração e relaxamento da musculatura lisa no tubo
gastrointestinal são misturados os alimentos e as secreções, além de propulsionar
esta mistura ao longo do tubo.
músculo esquelético revestido por túnica mucosa. As contrações da musculatura esquelética da
orofaringe e laringofaringe direcionam o alimento para o esôfago e, em seguida, para o
estômago.
Esôfago
O esôfago é um tubo muscular localizado posteriormente à traqueia com aproximadamente 25
cm de comprimento. É uma continuidade da laringofaringe, atravessa o diafragma pelo hiato
esofágico e termina no estômago. Tem a função de transportar o alimento até o estômago e
secretar um muco que lubrifica o bolo alimentar e reduz o atrito. 
A passagem do alimento para o esôfago, vindo da laringofaringe, é regulada pelo esfíncter
esofágico superior, um músculo esquelético fixado à cartilagem cricóidea. O alimento atravessa
o esôfago através de contrações e relaxamentos involuntários denominados peristaltismo.
Acima do diafragma existe o esfíncter esofágico inferior, constituído por músculo liso que
relaxa durante a deglutição e possibilita a passagem do bolo alimentar do esôfago para o
estômago.
Figura 13 – Esôfago
Fonte: Wikimedia Commons
Estômago
O estômago une o esôfago ao duodeno, está situado inferiormente ao diafragma, trata-se de
uma expansão do tubo gastrointestinal com formato de J. Este órgão funciona como um
reservatório e área de mistura do alimento, podendo armazenar até 6,4 litros de volume do
alimento.
O estômago possui quatro estruturas anatômicas: cárdia, corpo, fundo e parte pilórica. A cárdia
fica localizada ao redor da abertura do estômago, na região esquerda da cárdia está localizado o
fundo do estômago. Em continuidade ao fundo, a parte central do estômago é denominada corpo
do estômago. A parte pilórica é dividida em três regiões: a região unida ao corpo é o antro
pilórico, a região seguinte é o canal pilórico e a terceira região, o piloro, que se liga ao duodeno.
Na parte interna do estômago, observam-se pregas gástricas, e entre o piloro e o duodeno existe
um esfíncter de músculo liso chamado esfíncter do piloro. Externamente, a margem côncava
medial do estômago é denominada curvatura menor e a margem convexa lateral é denominada
curvatura maior.
Em Síntese 
As funções do estômago são:
Misturar a saliva e o alimento com o suco gástrico formando o quimo;
Reservatório do alimento antes que este seja liberado para o intestino delgado na
região do duodeno;
Secreção do suco gástrico formado pelo HCl (ácido clorídrico que lisa as bactérias e
desnatura as proteínas da alimentação), pepsina (que inicia a digestão das
proteínas), lipase gástrica (enzima que auxilia a digestão dos triacilglicerois) e fator
intrínseco (que auxilia na absorção da vitamina B12);
Secreção de gastrina na corrente sanguínea.
Figura 14 – Estruturas e divisões anatômicas do estômago
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
Intestino Delgado
O intestino delgado começa a partir do esfíncter pilórico no estômago e termina no intestino
delgado. Trata-se de uma região onde acontece a maior parte da digestão e absorção de
nutrientes e possui características adaptadas para esta função, como um longo comprimento (3
metros de comprimento e 2,5 cm de diâmetro) e a presença de vilosidades e microvilosidades
que aumentam a sua superfície de contato. 
Este órgão é dividido em três partes. O duodeno é a primeira e mais curta parte do intestino
delgado, sendo considerado de localização retroperitoneal em forma de C. Duodeno significa
“12”, sendo assim denominado devido ao seu comprimento de aproximadamente 12 dedos de
largura. O jejuno é a próxima parte, que mede cerca de 1 metro de comprimento. Jejuno significa
“vazio”, que é o estado em que este é encontrado no cadáver. Em seguida, a próxima região do
intestino delgado é o íleo, que mede cerca de 2 m e une-se ao intestino grosso através de um
esfíncter de músculo liso chamado papila ileal.
Figura 15 – Localização e divisão anatômica do intestino
delgado
Fonte: Adaptada de Freepik
Em Síntese 
Funções do intestino delgado:
Mistura: as contrações misturam o quimo com os sucos digestivos e colocam o
alimento em contato com a mucosa intestinal para aumentar a sua absorção;
Intestino Grosso
O intestino grosso é a parte final do tubo gastrointestinal, em que ocorre absorção de água, íons
e vitaminas, onde também as bactérias atuam e as fezes são formadas. Mede cerca de 1,5 m de
comprimento e 6,5 cm de diâmetro, estendendo-se do íleo até o ânus, dividido em quatro
principais partes. O colo ascendente e o colo descendente são retroperitoneais e o restante das
partes e o ceco estão fixados à parede posterior do abdome pelo mesocolo (uma dupla camada de
peritônio que contém o suprimento vascular para os órgãos). 
As quatro partes do intestino grosso são: o ceco, o colo, o reto e o canal anal. O ceco corresponde
a uma pequena bolsa de cerca de 6 cm de comprimento, fixado nesta região, existe um tubo
pequeno e espiralado com 8 cm de comprimento denominado apêndice vermiforme. Em seguida
ao ceco, um longo tudo é dividido em parte ascendente, transversa, descendente e sigmoide. O
colo ascendente sobe pelo lado direito do abdome, alcança a face do diafragma e curva-se
formando a flexura direita do colo. O colo continua paralelo ao diafragma até o lado esquerdo
como colo transverso e curva-se para a parte inferior formando a flexura esquerda do colo,
seguindo o seu trajeto como colo descendente. O colo sigmoide começa próximo à crista ilíaca
esquerda e termina no reto. O reto tem aproximadamente 15 cm de comprimento, já o segmento
terminal de 2 a 3 cm do intestino grosso é denominado canal anal. Existem dois esfíncteres de
abertura do canal anal para o exterior, um esfíncter interno do ânus de músculo liso
(involuntário) e um esfíncter externo do ânus de músculo estriado esquelético (voluntário).
Peristaltismo: propele o quimo ao longo do intestino delgado;
Digestão: no intestino delgado são completadas as digestões de carboidratos,
proteínas e lipídios, enquanto se inicia e termina a digestão dos ácidos nucleicos;
Absorção: cerca de 90% dos nutrientes e da água são absorvidos no intestino
delgado.
Figura 16 – Regiões do intestino grosso
Fonte: Adaptada de Getty Images
Órgãos Acessórios da Digestão
Glândulas Salivares
As glândulas salivares têm a função de secretar a saliva na cavidade oral. A saliva mantém a boca
e a faringe úmidas, ao mesmo tempo em que limpa a boca e os dentes. Assim, quando ingerimos
o alimento, a secreção de saliva aumenta para dissolver, lubrificar e iniciar a digestão química
pelas enzimas do alimento.
Existem três pares de glândulas salivares: glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais.
As parótidas localizam-se anteriormente e inferiormente às orelhas e secretam a saliva através
do ducto parotídeo na cavidade oral. As submandibulares localizam-se abaixo da língua
inferiormente à mandíbula e secretam a saliva pelos ductos submandibulares no assoalho da
boca, entrando na cavidade própria da boca. As sublinguais localizam-se superiormente às
glândulas submandibulares e secretam a saliva pelos ductos sublinguais menores no assoalho
da boca na cavidade própria da boca.
Figura 17 – Glândulas salivares
Fonte: Adaptada de Getty Images
A caxumba é uma inflamação das glândulas parótidas pelo vírus da caxumba (paramixovírus).
Como consequência, a glândula aumenta, percebe-se febre, mal-estar e dor ao deglutir,
principalmente alimentos amargos ou ácidos.
Língua
A língua é considerada um órgão acessório da digestão, sendo composta por músculos
recobertos por túnica mucosa, formando o assoalho da cavidade oral. Esses músculos
movimentam a língua de um lado para outro, auxiliam na mastigação e também na fala. A
superfície da língua é recoberta por papilas que contêm os receptores da gustação, são elas:
papilas fungiformes, papilas circunvaladas, papilas folhadas (degeneram no início da infância)
e papilas filiformes.
Dentes
Os dentes são órgãos acessórios da digestão e estão localizados nos alvéolos dos processos
alveolares da mandíbula e da maxila. Esses processos alveolares são cobertos pela gengiva. O
dente apresenta três regiões principais: a coroa, que é a parte visível acima da gengiva, a raiz, no
alvéolo dental e o colo, que é a junção da coroa com a raiz.
Ao longo da vida os seres humanos apresentarão dois conjuntos de dentes: dentição decídua e a
permanente. A dentição decídua são os dentes de leite, que são perdidos entre os 6 e os 12 anos,
sendo substituídos pelos dentes permanentes. A dentição permanente contém 32 dentes, 16 no
maxilar e 16 na mandíbula: incisivos, caninos, pré-molares e molares.
Pâncreas
O pâncreas fica situado posteriormente à curvatura do estômago, é uma glândula retroperitoneal
com aproximadamente 12 a 15 cm de comprimento e 2,5 cm de espessura. Constitui-se de uma
cabeça, corpo e cauda. A região da cabeça é a mais expandida e em sua parte inferior projeta-se o
processo uncinado em forma de arco. Está ligado ao duodeno por dois ductos: o maior ducto é o
ducto pancreático principal (ducto de Wirsung), que se une ao colédoco do fígado entrando no
duodeno como um comum dilatado chamado ampola hepatopancreática (ampola de Vater). O
menor dos dois ductos é o ducto pancreático acessório (ducto de Santorini), que se estende do
pâncreas e desemboca no duodeno acima da ampola hepatopancreática.
Figura 18 – Anatomia do pâncreas. 
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
 
1. Cabeça do pâncreas; 2. Processo uncinado; 3. Curvatura
pancreática; 4. Corpo; 5. Superfície anterior; 6. Superfície
inferior; 7. Margem superior; 8. Margem anterior; 9.
Margem inferior; 10. Omental tuber; 11. Cauda; 12. Duodeno.
O pâncreas é considerado uma glândula mista acessória da digestão devido a um aglomerado de
células glandulares, denominados ácinos (99% das células), que secretam o suco pancreático. O
restante das células pancreáticas (1%) corresponde à porção exócrina, denominadas ilhotas de
Langerhans, que secretam hormônios como insulina, glucagon, somatostatina e polipeptídio
pancreático. O suco pancreático (1.200 a 1.500 mL por dia) é um líquido transparente e incolor,
constituído de água, sais, bicarbonato de sódio e várias enzimas. O bicarbonato de sódio garante
que o suco pancreático tenha um pH alcalino (7,1 a 8,2), que tampona o suco gástrico ácido no
quimo e proporciona um pH adequado para ação das enzimas no duodeno.
Fígado e Vesícula Biliar
Em Síntese 
As enzimas no suco pancreático são:
Amilase pancreática: digestão do amido;
Tripsina, quimiotripsina, carboxipeptidase e elastase: digestão de proteínas;
Lipase pancreática: digestão dos triglicerídios;
Ribonuclease e desoxirribonuclease: digestão do ácido ribonucleico (RNA) e o ácido
desoxirribonucleico (DNA) em nucleotídios.
O fígado também é um órgão acessório da digestão, situado inferiormente ao diafragma. É
considerado o maior órgão interno e o mais pesado (1,4 Kg no adulto), dividido em dois lobos
principais, lobo direito e lobo esquerdo, e dois lobos menores, lobo caudado e lobo quadrado.
Entre o lobo direito e o esquerdo existe um ligamento, o ligamento falciforme, que ajuda a
suspender o fígado na cavidade abdominal. A parte livre do ligamento falciforme é o ligamento
redondo do fígado, um cordão remanescente da veia umbilical do feto. Os ligamentos
coronários direito e esquerdo são extensões do peritônio parietal que sustentam o fígado no
diafragma.
A vesícula biliar está localizada na face visceral do fígado, é um saco piriforme medindo de 7 a 10
cm de comprimento. Suas partes são: fundo, corpo e colo.
Figura 19 – Estrutura anatômica do fígado e vesícula biliar
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
O fígado recebe o sangue oxigenado da artéria hepática, e o sangue desoxigenado pela veia porta
do fígado. Os ramos da artéria hepática e da veia porta do fígado transportam sangue para os
sinusoides hepáticos e para os hepatócitos e, posteriormente, os produtos sintetizados pelos
hepatócitos são secretados de volta ao sangue para a veia central e veia hepática. 
Dentre as várias funções do fígado, ele secreta diariamente de 800 a 1.000 mL de bile, que
contém sais biliares que atuam na emulsificação e na absorção de lipídios. Entre as refeições, a
bile se direciona para a vesícula biliar, onde é armazenada.
Peritônio
O peritônio é uma túnica serosa dividida em peritônio parietal, que reveste a parede da cavidade
abdominal e peritônio visceral, que recobre alguns órgãos na cavidade abdominal. Entre os dois
peritônios existe uma cavidade peritoneal preenchida por um líquido lubrificante. Alguns órgãos
são chamados retroperitoneais pois estão situados contra a parede posterior do abdome e não
se projetam no peritônio. São eles: rins e suprarrenais. Outros são recobertos pelo peritônio
apenas em suas faces anteriores. São eles: colos descendente e ascendente do intestino grosso,
pâncreas e duodeno. O peritônio não recobre de forma uniforme os órgãos. Em algumas regiões,
apresenta grandes pregas cheias de gordura que ligam os órgãos uns aos outros e às paredes da
cavidade abdominal. Essas pregas são ricas em vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos. São
seis grandes pregas: omento maior, omento menor, ligamento falciforme, mesentério,
mesocolo transverso e mesocolo sigmoide.
O omento maior se estende desde o colo transverso do intestino grosso até as alças intestinais
como um “avental adiposo”, sendo formado por uma dupla lâmina que se dobra sobre ela
mesma. Possui uma grande quantidade de tecido adiposo que pode aumentar com o ganho de
peso. Possui também grande quantidade de linfonodos que contribuem com as defesas
imunológicas do tubo gastrointestinal.
O ligamento falciforme tem a função de fixar o fígado na parede anterior do abdome e
diafragma. O omento menor une o estômago e duodeno ao fígado como uma prega anterior da
túnica serosa. Corresponde à uma via onde se localiza a veia porta, a artéria hepática comum e o
ducto colédoco.
O mesentério também é uma prega do peritônio com formato de leque que liga o jejuno e o íleo
do intestino delgado à parede posterior do abdome. Repleta de gordura, envolve quase toda a
extensão do intestino delgado formando duas camadas onde se encontram vasos sanguíneos,
como os ramos da artéria mesentérica superior.
Ainda estão presentes nesta região duas pregas separadas de peritônio chamadas mesocolo
transverso, que liga o colo transverso do intestino grosso à parede posterior
do abdome, e o
mesocolo sigmoide, que liga o colo sigmoide do intestino grosso à parede posterior do abdome.
Essas pregas possibilitam movimentação dos intestinos quando acontecem as contrações
musculares no tubo gastrointestinal.
Você Sabia? 
Você já ouviu falar de peritonite? A peritonite é uma inflamação aguda
do peritônio. Ocorre por uma contaminação do peritônio por
microrganismos devido a feridas na parede abdominal. Se as bactérias
atingem a cavidade peritoneal podem provocar a forma aguda ou fatal
da peritonite.
Figura 20 – Peritônios
Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Vídeos  
Sistema Respiratório 2/6: Vias Aéreas Superiores 
2 / 3
˨ Material Complementar
Sistema Respiratório 2/6: Vias Aéreas Superiores
https://www.youtube.com/watch?v=0OW6Xka4DGs
Sistema Respiratório 3/6: Vias Aéreas Inferiores 
Sistema Digestório 1/5: Introdução, Funções, Órgãos e
Histologia
Sistema Respiratório 3/6: Vias Aéreas Inferiores
Sistema Digestório 1/5: Introdução, Funções, Órgãos e Histologia |…
https://www.youtube.com/watch?v=3-wJx1Sogn8
https://www.youtube.com/watch?v=IWeUXw_rNcU
Sistema Digestório 4/5: Fígado, Vesícula Biliar e Pâncreas
Sistema Digestório 4/5: Fígado, Vesícula Biliar e Pâncreas | Anato…
https://www.youtube.com/watch?v=LXOwBipjH6Q
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana básica. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2011.
TORTORA, G. J.; NIELSEN, M. T. Princípios de anatomia humana. 12. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2013.
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˨ Referências

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